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PN1, 1960 | Foto: Edouard Fraipont

“Os Penetráveis são estruturas labirínticas no espaço, construídas de modo a serem penetradas pelo espectador, ao desvendar-lhe a estrutura. Nos dois primeiros, a concepção é um verdadeiro labirinto, onde os espaços, vazamentos, placas de cor, se sucedem uma após outra, até chegar a um centro, que é o ‘ápice’ do labirinto. Ao voltar, o espectador vê faces que talvez não tenha visto ao entrar, pois está fazendo um movimento inverso. Seria como se fossem grandes afrescos, de várias faces, onde também a cor do chão conta como elemento componente. O espectador, pois, literalmente ‘penetra’ na obra, desenvolvendo-se numa vivência da mesma. Não possuem teto. Já os outros três Penetráveis são menos ‘labirintos’ e mais ‘caixas’, providas de placas rodantes (rodam num eixo central). O espectador empurra e roda essas placas de cor à medida que penetra (...)” OITICICA, Hélio. Projeto Cães de Caça e pintura nuclear. In Encontros – Hélio Oiticica. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, p. 29. Trecho de depoimento dado pelo artista ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), em novembro de 1961. 47

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revista Oiticica - A Pureza É um Mito  

Oiticica - A Pureza É um Mito apresenta, entre outras coisas, a repercussão e o diálogo de sua obra com outras áreas de expressão. Há também...

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