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Irrigazine #95

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Editorial

Água,

Gestão e Tecnologia

Neste mês de março, o calendário nos impõe uma pausa estratégica para refletir sobre o Dia Mundial da Água. Para nós, profissionais da irrigação e irrigantes, a data vai além do simbolismo: ela toca no cerne da nossa viabilidade produtiva. Em um cenário de estresse hídrico e janelas climáticas cada vez mais estreitas, a irrigação passou de um seguro contra a seca para se tornar uma ferramenta de otimização fisiológica e precisão operacional.

A eficiência no uso da água não é apenas uma meta ambiental, é uma exigência de mercado. Cada metro cúbico aplicado deve ser contabilizado não como custo, mas como investimento em produtividade por milímetro. É sob essa ótica de gestão rigorosa e inovação que entregamos esta edição da Irrigazine, repleta de evidências técnicas que mostram como o setor está redefinindo seus limites.

Evidências de Campo e Longevidade

Abrimos nossa seção técnica com um estudo de caso fundamental para a cafeicultura. O artigo “Gotejamento enterrado comprova eficiência após sete anos em lavoura de café” detalha a experiência do engenheiro agrônomo Márcio Luiz de Carvalho na Fazenda Santa Maria (Cerrado Mineiro). Em uma cultura perene como o café, onde a durabilidade dos equipamentos é determinante, demonstrar que um sistema mantém a uniformidade de distribuição e a integridade hidráulica após quase uma década de operação é um divisor de águas para o planejamento de longo prazo.

Gestão de Dados e Custos Operacionais

A tecnologia de ponta se faz presente com a Solução BERMAD para automonitoramento telemétrico. Estamos migrando da era do “olhômetro” para a era da telemetria em tempo real, onde a gestão da pressão e vazão nas redes é o que garante a performance da fertirrigação e evita desperdícios energéticos.

Falando em energia, trazemos uma pauta urgente: “Sua Conta de Energia Está Correta?”. Identificar e recuperar cobranças indevidas é, muitas vezes, a forma mais rápida de injetar fluxo de caixa na operação, equilibrando o custo do milímetro aplicado.

Planejamento e Expansão de Fronteiras

O sucesso da lavoura começa muito antes da abertura das válvulas. Em “Irrigação no tempo certo”, discutimos como o planejamento antecipado minimiza erros de implantação e potencializa o estande de plantas. Complementando essa visão sistêmica, nossa série especial sobre Polos Irrigados viaja até Jaguaribe e Javaés/Formoso, regiões que são verdadeiros laboratórios de gestão coletiva e força produtiva.

Inovação no Paisagismo

Não esquecemos do segmento de áreas verdes. A primeira parte do artigo sobre Xerigation® introduz conceitos de irrigação de baixo volume, provando que a precisão e a economia de água são tão vitais no paisagismo quanto nas grandes commodities.

Nesta edição, reafirmamos que a água é o nosso ativo mais precioso, mas é a tecnologia aliada ao conhecimento agronômico que garante que ela continue gerando riqueza e sustentabilidade para as próximas gerações.

Boa leitura e até a próxima edição!

DIREÇÃO

Denizart Pirotello Vidigal denizart@irrigazine.com.br

JORNALISTA

Bruna Fernandes Bonin MTB 81204/SP

COLABORAÇÃO

José Giacoia Neto | Simone Silotti | Laércio Lavor

EDITORAÇÃO E CAPA

André Feitosa

PRODUÇÃO/ PROJETO GRÁFICO

Interação - Comunicação e Design

FOTOS

Divulgação | Divulgação/Netafim|

REVISÃO

Denizart Vidigal Barufe

CONTATO

Comercial e Editora AGROS Ltda. comercial@irrigazine.com.br

ASSINATURAS

Débora Pirotello Vidigal WhatsApp: (17) 99612-1224 revista@irrigazine.com.br Acesse irrigazine na internet: www.irrigazine.com.br

A Revista Irrigazine não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos assinados o pelas opiniões emitidas pelos entrevistados, fontes e dos anúncios publicitários.

“Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o SENHOR teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” Josué 1:9

Gotejamento

Experiência conduzida na Fazenda Santa Maria, em Presidente Olegário, no Cerrado Mineiro, demonstra que o gotejamento enterrado pode ser uma alternativa tecnicamente viável e durável para irrigação na cafeicultura.

A série especial Polos Irrigados segue revelando regiões estratégicas onde a água, aliada à tecnologia e à gestão e ciente, rede ne o potencial produtivo do campo brasileiro.

Solução

São Paulo amplia investimentos e fortalece irrigação sustentável no campo

O Governo de São Paulo destinou R$ 56 milhões para projetos de irrigação sustentável por meio da linha de crédito Irriga+SP, iniciativa que tem impulsionado a modernização da produção agrícola e ampliado a resiliência hídrica no campo paulista.

A ação é conduzida pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, em parceria com a Desenvolve SP.

A iniciativa já beneficiou mais de 8 mil hectares de áreas produtivas, apoiando produtores na adoção de sistemas de irrigação mais eficientes e alinhados às práticas de uso racional da água.

O objetivo é ampliar a segurança produtiva, reduzir a dependência das chuvas e estimular o crescimento sustentável da agricultura no estado.

A linha de financiamento oferece condições facilitadas,

com prazo de pagamento de até cinco anos e período de carência que permite ao produtor estruturar o investimento antes do início da quitação.

Os projetos podem acessar valores de até R$ 5 milhões, contemplando áreas produtivas de até 1.000 hectares, com taxas de juros subsidiadas.

Agrishow destaca soluções tecnológicas que contribuem para agronegócio mais sustentável

Em um cenário global cada vez mais alinhado a boas práticas de sustentabilidade no campo, a Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, destaca em sua 31ª edição inovações tecnológicas que apoiam o produtor rural diante da crescente demanda pelo uso de ferramentas mais eficientes, que contribuam para minimizar o uso de recursos naturais e o desperdício. Máquinas, equipamentos e sistemas apresentados pelos expositores contam com soluções que permitem maior controle e precisão das operações agrícolas.

Segundo Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de

Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), “o maquinário agrícola desempenha um papel cada vez mais estratégico, apoiando o uso mais racional de recursos como água e energia, além de processos produtivos mais controlados e compatíveis com as exigências ambientais e comerciais”.

Entre as aplicações práticas estão tecnologias que permitem definir parâmetros técnicos detalhados das operações no campo. “Podemos citar como exemplo as pulverizações realizadas com drones, cujos sistemas consideram variáveis como vento, temperatura, umidade e taxa de aplicação. Ao final da operação, geram relatórios técnicos que comprovam se as condições planejadas foram cumpridas, ampliando o controle e a rastreabilidade das atividades”, diz Estevão.

Também avançam tecnologias que integram softwares e análise de dados para a digitalização do solo e das operações agrícolas, apoiando práticas de agricultura de precisão e iniciativas ligadas ao mercado voluntário de carbono. “Os expositores apresentam inovações como Inteligência Artificial (IA) preditiva para antecipar riscos, modelos digitais de lavoura que simulam cenários de produção, análise avançada de dados geoespaciais, monitoramento por satélite de alta resolução e sistemas automatizados de comprovação de origem”, afirma João Carlos Marchesan, presidente da Agrishow.

Produtores de café canéfora expandem lavouras para novas áreas no Brasil, incluindo MT

As variedades de café canéfora, incluindo conilon e robusta, estão se expandindo em estados brasileiros que tradicionalmente produzem pouco ou nada desse tipo do grão, à medida que os preços elevados aumentam o interesse, segundo líderes do setor, pesquisadores e autoridades.

O Brasil é o maior produtor mundial de café arábica, o tipo de sabor mais suave preferido pelas cafeterias. E, por enquanto, é o segundo maior produtor de café canéfora, uma variedade mais forte usada para espressos e café solúvel, mas o país está rapidamente alcançando o Vietnã, o maior produtor.

O estado do Espírito Santo produz a grande maioria do café canéfora do Brasil, principalmente o conilon. No entanto, desde 2020, a produção de estados como Mato Grosso e Minas Gerais aumentou significativamente, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

INDÚSTRIA DO CAFÉ ESPERA QUE TENDÊNCIA CONTINUE

O plantio de canéfora além de suas fronteiras tradicionais tem sido impulsionado pelos preços altos, disse Ricardo Schneider, presidente do Centro do Comércio de Café de Minas Gerais, em entrevista.

“O cenário é propício para que esse movimento continue acontecendo”, disse Schneider, citando o aumento da demanda por canéfora e o espaço disponível para o cultivo.

Analistas afirmam que a qualidade melhorou, o que contribuiu para a demanda.

Há um ano, os preços da canéfora, comercializado como robusta, atingiram um recorde de US$5.849 por tonelada métrica.

Desde então, os preços recuaram, mas permanecem elevados em relação aos níveis históricos. O arábica, o grão mais caro, também foi negociado a preços recordes no ano passado e teve uma queda semelhante.

Embora Minas Gerais seja o principal produtor de arábica do Brasil, a produção de canéfora no Estado deve atingir 602.200

sacas de 60 kg em 2026, o que representaria um aumento de 94% em relação a 2020, de acordo com dados da Conab.

RONDÔNIA INSPIRA O MATO GROSSO

Mato Grosso, um dos maiores estados agrícolas do Brasil, conhecido por suas vastas fazendas de soja e milho, está se inspirando em seu vizinho Rondônia, produtor do chamado “robusta amazônico”, na busca por aumentar a produção de café, disseram agrônomos à Reuters.

“Em média, a nossa produtividade está em 23 sacas por hectare. A produtividade em Rondônia é 50 sacas por hectare. O nosso objetivo é que a nossa média chegue aí”, disse Dalilhia Nazaré dos Santos, agrônoma da Empresa de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural do Estado de Mato Grosso (Empaer-MT). “Nosso objetivo é que nossa média atinja esse patamar.”

A produção de canéfora em Mato Grosso deve chegar a 298.700 sacas este ano, de acordo com a Conab, acima das 158.400 sacas em 2020.

Nos dados mais recentes da Conab sobre a safra, o Ceará está agrupado em “outros” junto com o Acre e o Pará. A produção combinada desses Estados deve atingir 118.700 sacas em 2026, quase o triplo das 40.000 sacas produzidas pela categoria, que historicamente incluía alguns outros Estados, em 2020.

O Ceará está avaliando oportunidades potenciais para cultivar tanto o conilon quanto o robusta amazônico, uma variedade famosa cultivada em Rondônia, disse Silvio Carlos Ribeiro Vieira Lima, secretário executivo de Agronegócios do Estado.

O Ceará está situado próximo a portos modernos e com infraestrutura de transporte, o que o torna bem posicionado para se tornar uma importante área exportadora de café, disse Lima.

“E aí a gente espera que em 2026 tenhamos pelo menos uns mil hectares plantados de conilon”, disse ele, acrescentando que a área plantada pode chegar a 5.000 hectares. “Este é um momento bom do café e do cultivo do café irrigado, aí é que a gente está querendo trazer para cá.”

Fonte: Reuters

Gotejamento enterrado comprova eficiência após sete anos em lavoura de café

Experiência conduzida na Fazenda Santa Maria, em Presidente Olegário, no Cerrado Mineiro, demonstra que o gotejamento enterrado pode ser uma alternativa tecnicamente viável e durável para irrigação na cafeicultura.

Após sete anos de funcionamento, o sistema apresenta coeficiente de uniformidade superior a 92%, produtividade elevada e ausência de problemas frequentemente citados por críticos da tecnologia, como intrusão de raízes ou danos por animais.

A lavoura irrigada está entrando na sexta safra produtiva, com expectativa de atingir 80 sacas por hectare, após média de 68 sacas/ha nas cinco primeiras safras. Estamos falando em uma área irrigada superior a 300 hectares, com a variedade Catuaí 144.

Segundo o produtor e responsável pelo manejo da área, engenheiro agrônomo Márcio Luiz de Carvalho, mesmo diante de veranicos e temperaturas elevadas registrados nos últimos anos, a lavoura manteve vigor e produtividade.

“Se o manejo do sistema for feito corretamente, a tecnologia funciona muito bem.”

Por que enterrar o gotejamento?

O gotejamento superficial é amplamente utilizado na cafeicultura irrigada. Entretanto, apresenta alguns desafios operacionais, principalmente em sistemas mecanizados. Entre os principais problemas estão:

• danos às mangueiras durante a colheita e tratos culturais

• necessidade de retirada ou reposicionamento das linhas

• cortes provocados por animais em busca de água

O gotejamento enterrado reduz grande parte dessas limitações.

Como as linhas ficam abaixo da superfície do solo, o sistema fica protegido das operações mecanizadas e da ação de animais.

Implantação exige estratégia

Na área avaliada, o sistema não foi enterrado imediatamente após o plantio das mudas. Primeiramente, os gotejadores permaneceram próximos às plantas para garantir o fornecimento adequado de água durante a fase inicial.

O enterrio ocorreu quatro a cinco meses após o plantio, quando as plantas já estavam mais estabelecidas. As linhas foram posicionadas:

• 30 cm do tronco do cafeeiro

• 10 a 15 cm de profundidade

Essa posição permite que a água seja aplicada diretamente na região de maior atividade radicular.

Uniformidade hidráulica surpreende

Um dos principais receios relacionados ao gotejamento

enterrado é a perda de uniformidade ao longo do tempo. Entretanto, as avaliações realizadas na Fazenda Santa Maria indicam estabilidade hidráulica do sistema.

Três testes de uniformidade foram conduzidos ao longo dos sete anos de operação.

Em todos eles, o coeficiente permaneceu acima de 92%, valor considerado elevado para sistemas de irrigação localizada.

Outro indicativo positivo foi a ausência de manchas na lavoura acompanhando as linhas de irrigação - um sintoma típico de falhas de distribuição de água.

Intrusão radicular

Durante muito tempo, acreditou-se que raízes de cafeeiros poderiam penetrar nos emissores enterrados, causando entupimentos.

Na experiência relatada, esse problema não foi observado.

Apenas uma aplicação de Trifluralina (0,20 ml por gotejador do produto comercial 45,5% i.a.) foi realizada ao longo de todo o período como medida preventiva.

Mesmo após diversas inspeções em gotejadores, não foram encontrados casos comprometedores de intrusão radicular. Legenda da Foto: Avaliação dos gotejadores para identificar intrusão de raízes, vazão e pressão.

Cupins e animais também não causaram danos

Outro risco frequentemente citado em sistemas enterrados é o ataque de cupins.

No caso da propriedade avaliada, esse problema também não foi registrado.

Uma possível explicação está no manejo fitossanitário da lavoura, que inclui aplicações de inseticidas via quimigação para controle de pragas como bicho-mineiro e cochonilhas. Esses produtos podem exercer efeito indireto sobre populações de cupins no solo.

Além disso, o enterrio das mangueiras praticamente

eliminou danos causados por raposas e roedores, problema relativamente comum em sistemas superficiais.

Manutenção do sistema

A manutenção da rede hidráulica baseia-se principalmente em limpezas periódicas com oxidantes, prática que evita formação de biofilme e acúmulo de material orgânico nos emissores.

Segundo Márcio, a vazão dos gotejadores permanece praticamente a mesma desde a instalação do sistema, apresentando apenas um aumento médio entre 5% e 8%.

Esse comportamento é considerado normal para gotejadores autocompensantes, pois ao longo dos anos ocorre um desgaste natural da membrana de compensação, o que tende a provocar um pequeno aumento na vazão.

Instalação é o ponto crítico

Apesar dos resultados positivos, especialistas alertam que o sucesso do gotejamento enterrado depende diretamente da qualidade da instalação.

Durante o enterrio das mangueiras, alguns cuidados são fundamentais:

• o tubo deve correr livremente na máquina

• não pode ocorrer estiramento da mangueira

• o diâmetro interno do tubo deve ser preservado

Se o tubo for esticado durante a instalação, o diâmetro diminui e a vazão dos emissores pode ser alterada.

Outro requisito essencial é utilizar tubos gotejadores projetados especificamente para uso subterrâneo.

Vantagens do gotejamento enterrado

* menor evaporação da água

* maior eficiência de irrigação

* menor interferência na colheita mecanizada

* menor risco de danos por animais

* maior proteção do sistema

Desafios da tecnologia

* instalação exige alta precisão

* reparos são mais difíceis

* sistema de filtragem precisa ser eficiente

* manejo hidráulico deve ser bem monitorado

Sua Conta de Energia Está Correta? O Verdadeiro Custo da Irrigação:

Identifique e Recupere Cobranças Indevidas na Sua Conta de Energia

A Revista Irrigazine tem nos ensinado sempre que não dá para deixar água escapar: cada gota é preciosa para garantir a produtividade. Mas e se eu te contar que, assim como acontece em um sistema de irrigação mal regulado, parte da sua energia — e do seu dinheiro — pode estar vazando sem que você perceba? É exatamente isso que o Recupera Energia vem resolver.

O que é o Recupera Energia?

O Recupera Energia é um serviço especializado que analisa, de forma minuciosa, as contas de luz e os contratos firmados com a sua concessionária. O objetivo é identificar erros de cobrança e recuperar valores pagos indevidamente pelos produtores rurais do Grupo A (Alta Tensão), comum entre quem tem Pivô Central e sistemas de irrigação, por exemplo.

Esses erros são mais frequentes do que se imagina e podem ocorrer por:

• Aplicação incorreta de alíquotas de ICMS: a concessionária pode, por falha, alterar a alíquota do imposto para o valor máximo (atualmente 30%) sem que haja motivo para isso.

• Cobranças retroativas: a concessionária pode cobrar de forma retroativa valores que não foram faturados corretamente no passado, mas essa cobrança nem sempre segue as normas da ANEEL e, muitas vezes, é indevida.

• Falhas em períodos de exceção: durante a pandemia, por exemplo, a mudança de procedimentos gerou inúmeras cobranças indevidas, especialmente para os produtores rurais.

• Outros problemas: isso inclui sazonalidade da produção rural, baixa qualidade da energia fornecida

e aplicação incorreta das regras para tarifas exclusivas, como a rural.

O detalhe mais importante: a lei permite retroagir até 5 anos para recuperar valores pagos a mais. Isso significa que recursos significativos podem voltar para irrigar o caixa da propriedade. Que tal reaver um dinheiro que você nem imaginava que tinha?

Como funciona na prática?

O processo é simples e seguro:

• Auditoria das contas: especialistas avaliam a última fatura e o histórico de consumo.

• Identificação dos erros: se houver cobranças indevidas, é feito o cálculo detalhado dos valores e o embasamento legal.

• Solicitação do ressarcimento: a equipe entra com os pedidos de devolução junto à empresa de energia local, dentro das normas da ANEEL.

• Relatório final e ajustes: o produtor recebe um relatório transparente e orientações sobre melhorias futuras, evitando que os erros se repitam.

Ou seja, o Recupera Energia não é promessa: é técnica, norma regulatória e resultado. Todo o processo acontece por vias administrativas, sem riscos para o produtor.

Resultados que irrigam confiança

Conversei com Diogo Wünsch, especialista em Redução de Custos de Energia há mais de 5 anos no Grupo Studio, ele apontou números que falam por si:

“No último ano, foram recuperados mais de 2 milhões de reais em cobranças indevidas, beneficiando produtores de mais de 10 estados brasileiros. A cada 10 contas de classificação rural analisadas, identificamos oportunidades em pelo menos 6, ou seja, êxito de 60%.”

Dentre os Cases de Sucesso do Recupera Energia, Wünsch destaca:

Segurança para o produtor rural

A segurança está na base legal. O Recupera Energia atua de acordo com as Resoluções da ANEEL e com os benefícios previstos em lei para o setor rural. O produtor não precisa lidar com a concessionária sozinho: uma equipe técnica experiente cuida de todo o processo, apresentando provas, laudos e argumentos sólidos e, em geral, paga pela consultoria no êxito.

Assim como confiar em um bom projeto de irrigação garante que a água chegue na medida certa, confiar no Recupera Energia garante que cada centavo da conta de luz seja justo e transparente.

Esse histórico mostra que o Recupera Energia já é uma solução consolidada e confiável, com resultados concretos para o agronegócio.

E depois de recuperar?

Além de reaver valores pagos indevidamente, o Recupera Energia ajuda o produtor a planejar o futuro. Com o diagnóstico em mãos, abre-se a porta para alternativas como:

1. Ajustar contratos com a prestadora de energia local e reduzir custos fixos;

2. Avaliar a migração para o Mercado Livre de Energia, onde é possível negociar preços e ter previsibilidade;

3. Investir em geração própria, como a energia solar, aumentando independência e sustentabilidade.

Conclusão

O Recupera Energia é mais que uma solução: é um direito. Ele permite recuperar recursos que estavam escondidos nas contas e abre caminho para um consumo de energia mais inteligente, previsível e sustentável. No campo, não desperdiçamos água. Então, por que desperdiçar energia — e dinheiro?

Vamos conversar sobre isso, trago seu dinheiro de volta e, como você viu não é magia e sim conhecimento técnico das normas regulatórias.

Simone Silotti atua como consultora em inteligência tributária para o agro. É palestrante, sócia da Vale Louros e do Grupo Studio e responsável pelo projeto ESG #FaçaumBemINCRÍVEL. Formada em Gestão do Agronegócio, com MBA em Gestão de Projetos pela USP ESALQ, recebeu o Prêmio Internacional Líder da Ruralidade do IICA, o Prêmio Josué de Castro, o Prêmio Mulher do Agro 2024, entre outros reconhecimentos. É também uma das 100 Mulheres da Forbes Agro e integrante do Grupo Forbes Mulheres Agro. Coautora do Livro ENSEMBLE. Contato: (11) 9 9758-1923 – www.valelouros.com.br

Netafim avança no Brasil, amplia investimentos e reforça papel estratégico da irrigação

A Netafim registrou crescimento de 20% em suas operações no Brasil e anunciou a aprovação do maior aporte já realizado pela companhia no país. O investimento, voltado à ampliação da estrutura produtiva, deve resultar na duplicação da capacidade industrial, acompanhando a expansão da irrigação como ferramenta cada vez mais estratégica para a agricultura nacional.

O desempenho reflete um período de consolidação da irrigação não apenas como tecnologia voltada ao aumento da produtividade, mas também como instrumento essencial na gestão de riscos climáticos e na promoção da sustentabilidade. Segundo Michele Silva, diretora de Marketing da empresa, o cenário de maior variabilidade climática tem levado os produtores a adotarem uma postura mais criteriosa na escolha de soluções. “O produtor passou a avaliar com mais profundidade, buscando qualidade desde o projeto até a operação. Isso demonstra a evolução e o amadurecimento do mercado”, afirma.

Entre os segmentos que mais ampliaram o uso da irrigação estão citros, café e hortifrúti, impulsionados por sistemas produtivos mais tecnificados e pela busca por maior previsibilidade. Outras cadeias, como cana-de-açúcar e cacau, também despontam como promissoras, com tendência de maior adoção da tecnologia nos próximos anos.

Para o CEO Mercosur da Netafim, Ricardo Almeida, o período foi marcado pelo fortalecimento estrutural da empresa no país. “Investimos na ampliação das equipes, na modernização

da produção, no aprimoramento logístico e na expansão da nossa presença física, o que aumentou a eficiência operacional e a capacidade de atendimento”, destaca. No caso do café, o cenário favorável contribuiu para impulsionar novos projetos, com retorno financeiro considerado atrativo pelos produtores.

Expectativa de crescimento e novos investimentos

A demanda aquecida e o planejamento antecipado por parte dos produtores indicam um cenário positivo para os próximos ciclos. A empresa projeta continuidade na trajetória de expansão, sustentada pelo avanço das principais culturas irrigadas, pela melhoria dos processos industriais e pelo fortalecimento dos canais de distribuição.

Outro foco está no desenvolvimento de tecnologias digitais, incluindo ferramentas de monitoramento, sensoriamento e gestão em tempo real, além de soluções voltadas ao uso mais eficiente de água e energia. Segundo Michele, a irrigação vem sendo incorporada como um elemento de segurança produtiva, contribuindo para reduzir oscilações e aumentar a eficiência econômica das lavouras.

A sustentabilidade também ganha protagonismo nesse contexto. A empresa ressalta o papel da irrigação na gestão responsável dos recursos hídricos e na conservação do solo, apoiando práticas agrícolas mais resilientes e alinhadas às exigências ambientais, além de favorecer o acesso a novas oportunidades de financiamento voltadas à produção sustentável.

POLOS IRRIGADOS

Irrigação sem fronteiras: Jaguaribe e Javaés/Formoso mostram a força da agricultura irrigada

A série especial Polos Irrigados segue revelando regiões estratégicas onde a água, aliada à tecnologia e à gestão eficiente, redefine o potencial produtivo do campo brasileiro.

Nesta edição, a Irrigazine destaca dois polos que expressam a diversidade e a força da agricultura irrigada nacional: o Vale do Jaguaribe, no Ceará, e a região de Javaés/Formoso, no Tocantins. Em contextos climáticos distintos — o Semiárido Nordestino e as várzeas tropicais do Brasil Central —, esses territórios mostram como diferentes métodos de irrigação sustentam cadeias produtivas essenciais e impulsionam o desenvolvimento regional.

Vale do Jaguaribe (CE): tradição irrigada e força na fruticultura nordestina

Localizado no leste do Ceará, o polo irrigado do Vale do Jaguaribe é um dos mais tradicionais e relevantes perímetros irrigados do Nordeste brasileiro. Beneficiado pelas águas do rio Jaguaribe e por uma estrutura consolidada de perímetros públicos implantados pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), o polo se tornou referência na produção agrícola irrigada em condições semiáridas.

A irrigação permitiu transformar áreas historicamente marcadas pela irregularidade hídrica em zonas produtivas dinâmicas, gerando emprego, renda e fortalecendo a economia regional.

Principais cultivos e sistemas de irrigação

O Vale do Jaguaribe tem forte vocação para a fruticultura irrigada. Entre os principais cultivos, destacam-se banana, melão, melancia, mamão, goiaba e coco, além da produção complementar de milho, feijão e hortaliças.

Predominam os sistemas de irrigação localizada, especialmente o gotejamento e a microaspersão, que proporcionam alta eficiência no uso da água e permitem a fertirrigação controlada. Em algumas áreas, ainda são utilizados sistemas por aspersão convencional, principalmente em cultivos anuais.

O uso de tecnologias de monitoramento da umidade do solo e o manejo racional da irrigação têm contribuído para ganhos expressivos de produtividade.

“O Vale do Jaguaribe é um exemplo de como a infraestrutura hídrica associada à irrigação pode transformar o Semiárido em um polo agrícola competitivo”, aponta estudo da Embrapa.

Desafios e oportunidades

Entre os principais desafios estão a necessidade de modernização contínua da infraestrutura hidráulica, a redução dos custos de energia elétrica e o acesso a crédito para pequenos e médios produtores investirem em novas tecnologias.

Por outro lado, o polo apresenta oportunidades importantes, como a ampliação da produção voltada à exportação, a adoção crescente de energia solar nos sistemas de irrigação e o fortalecimento das cadeias produtivas regionais. A modernização dos perímetros irrigados e o avanço da agricultura de precisão também apontam para um futuro de maior eficiência e sustentabilidade.

Javaés/Formoso (TO): eficiência hídrica e liderança no arroz irrigado

No sudoeste do Tocantins, a região formada pelos vales dos rios Javaés e Formoso, com destaque para o município de Formoso do Araguaia, abriga um dos principais polos de arroz irrigado do Brasil. Inserido em uma vasta planície com condições naturais favoráveis à irrigação por inundação, o polo se consolidou como referência nacional na produção orizícola.

A abundância de recursos hídricos e o relevo plano favorecem o uso de sistemas eficientes e permitem elevada

escala de produção, posicionando a região como estratégica para a segurança alimentar do país.

Principais cultivos e sistemas de irrigação

O arroz irrigado é o principal cultivo da região, ocupando a maior parte da área agrícola irrigada. Também há produção complementar de soja em rotação, além de pastagens irrigadas em menor escala.

O sistema predominante é a irrigação por inundação, método tradicional e altamente eficiente para a cultura do arroz, que permite o controle de plantas daninhas e favorece o desenvolvimento uniforme da lavoura.

A água é captada principalmente dos rios Javaés e Formoso, com controle por comportas e canais que garantem a distribuição adequada nas lavouras.

Segundo dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, a região está entre as principais áreas irrigadas do

A irrigação garante a produção em plena região semiárida cearense | Foto: Divulgação

país em uso de irrigação por superfície, sendo estratégica no cenário nacional.

Desafios e oportunidades

Entre os desafios estão o manejo sustentável dos recursos hídricos, a necessidade de manutenção da infraestrutura de canais e barragens e a busca por maior eficiência energética.

As oportunidades incluem o aumento da produtividade com novas cultivares adaptadas, o uso de tecnologias de monitoramento remoto, a integração com sistemas produtivos diversificados e a ampliação da competitividade no mercado nacional.

Além disso, o polo apresenta potencial para incorporar práticas mais sustentáveis, como o manejo racional da água e a redução das perdas hídricas, fortalecendo ainda mais sua posição como referência nacional.

Irrigação como base da produtividade nacional

Do Semiárido cearense às várzeas tropicais do Tocantins, os polos do Vale do Jaguaribe e de Javaés/Formoso mostram como a irrigação é capaz de adaptar a agricultura às condições mais diversas, garantindo produtividade, segurança e desenvolvimento regional.

Enquanto no Nordeste a tecnologia permite superar a escassez hídrica, no Brasil Central ela potencializa as condições naturais favoráveis, consolidando cadeias produtivas estratégicas.

A Irrigazine segue acompanhando os principais polos irrigados do país, mostrando como a gestão eficiente da água e a inovação tecnológica continuam moldando o presente e o futuro da agricultura brasileira — onde cada sistema implantado representa mais eficiência, competitividade e sustentabilidade no campo.

A irrigação sustenta a produção de arroz em larga escala no Tocantins | Foto: Divulgação

Solução BERMAD para automonitoramento telemetrico

*Por Laércio Lavor - Bermad

1. O Cenário Externo: A Era da Irrigação 4.0 e Rigor Regulatório

A gestão hídrica no Brasil passa por uma transformação estrutural, migrando de modelos baseados em estimativas para uma gestão baseada em dados em tempo real. Este movimento é impulsionado por novos marcos regulatórios, como as Resoluções ANA nº 3/2022 e nº 188/2024, que tornam o automonitoramento telemétrico um requisito fundamental para a conformidade legal e a segurança hídrica.

Principais desafios do cenário atual:

• Obrigatoriedade de Telemetria: Usuários de maior escala em rios de domínio da União ou áreas de conflito são obrigados a transmitir dados de consumo automaticamente para órgãos como a ANA, IGAM e DAEE.

• Riscos de Penalidades: A ausência de envio dos dados ou falhas na transmissão podem resultar em suspensão de outorgas, multas pesadas e embargos do empreendimento.

• Ambiente Hostil: O campo oferece condições severas (poeira, raios, umidade) que exigem equipamentos de alta robustez e confiabilidade.

• Ineficiência do Monitoramento Manual: Leituras manuais são passíveis de erros humanos e inconsistências que prejudicam a viabilidade econômica e ambiental da propriedade.

2. A Solução BERMAD: Controlador e Datalogger OMEGA

Para responder a este cenário, a BERMAD desenvolveu o Ômega, um controlador avançado baseado em nuvem que

funciona simultaneamente como unidade de processamento local (datalogger) e sistema de controle de irrigação.

Arquitetura e Conectividade

O Ômega foi desenhado para ser uma solução “plugand-play” de alta conectividade, garantindo que os dados cheguem aos órgãos reguladores sem intervenção manual do produtor.

• Múltiplas Redes: Suporta comunicação via Wi-Fi, GPRS (2G/3G/4G) e NB-IoT, permitindo operação mesmo em locais remotos.

• Energia Autônoma: Pode ser alimentado por transformadores ou sistemas Off-Grid (placa solar), garantindo autonomia total no campo.

• Capacidade de Medição: Possui modelos que suportam de 4 a 8 hidrômetros simultâneos (entradas digitais) e 2 entradas analógicas para sensores de pressão ou nível.

Tratamento de Dados e Integração

Regulatória

O diferencial da solução reside na capacidade de tratamento automático das informações. O sistema consome dados brutos, aplica as regras de negócio exigidas (como conversão de unidades e cálculo de vazão média) e os envia diretamente para as APIs dos órgãos reguladores (ANA, IGAM e DAEE).

• Fallback e Redundância: Em caso de falha na rede, o Ômega armazena até 150.000 linhas de dados em sua memória interna (equivalente a mais de 4 anos de registros), realizando o envio retroativo assim que a conexão é reestabelecida.

• Justificativas Automáticas: O sistema está programado para enviar códigos de justificativa (como “estação com defeito”) automaticamente, evitando infrações por falta de transmissão.

3. Benefícios e Oportunidade de Gestão

Com o Ômega, o que era apenas uma obrigação legal transforma-se em uma ferramenta de otimização operacional.

• Gestão na Palma da Mão: Através da plataforma Bermad Cloud e de um aplicativo para smartphone, o irrigante acompanha o fluxo em tempo real, recebe alertas de vazamentos e gera relatórios personalizados.

• Tomada de Ação Remota: Além de monitorar, o Ômega permite ligar e desligar motobombas e abrir válvulas remotamente, reduzindo custos com mão de obra e energia.

• Confiabilidade e ESG: O registro imutável dos dados serve como prova de responsabilidade ambiental, facilitando o acesso a linhas de crédito verde e diálogos construtivos com a sociedade.

Conclusão

A solução BERMAD Ômega simplifica o complexo processo de automonitoramento exigido pelos novos marcos legais brasileiros. Ao unir coleta automática, tratamento de dados e envio direto via API, o sistema elimina o risco de multas e perda de outorgas, enquanto entrega inteligência e controle total sobre o recurso mais precioso da fazenda: a água.

Irrigação no tempo certo: como o planejamento antecipado facilita a implantação e amplia os resultados na lavoura

Escolher o momento certo para implantar um sistema de irrigação não precisa ser um processo complexo ou desmotivador. Pelo contrário: quando o planejamento começa no tempo adequado e os passos são conduzidos com orientação técnica, o produtor ganha previsibilidade, reduz riscos e amplia o retorno produtivo da área, especialmente em um cenário de clima cada vez mais variável no campo.

Segundo Danilo Silva, gerente agronômico da Netafim, a irrigação deve ser considerada ainda nas primeiras discussões sobre a abertura de uma nova área ou na reorganização do sistema produtivo. “Quando o produtor antecipa a decisão, ele consegue organizar licenças, infraestrutura e análise hídrica com tranquilidade, evitando correrias perto do plantio e tornando todo o processo mais simples e eficiente”, afirma.

No Brasil, o planejamento da irrigação tem se mostrado estratégico em diferentes sistemas produtivos, como canade-açúcar, café, citros, fruticultura, grãos e hortaliças. Mais do que listar culturas específicas, o ponto central é que toda implantação deve considerar, de forma integrada, a cultura, a região, o regime de chuvas e as condições locais, para definir a época mais adequada de instalação do sistema. Esse olhar técnico permite estabilizar a produção, reduzir perdas em períodos secos e sustentar ganhos de qualidade e produtividade ao longo das safras.

Planejamento que se traduz em oportunidade

Embora cada propriedade tenha sua própria dinâmica, a lógica é clara: evitar a instalação em períodos críticos, como o pico das chuvas, e garantir que o sistema esteja pronto antes da janela de plantio. “Quando o cronograma é pensado com antecedência, a implantação acontece de forma natural, sem improvisos, e o produtor percebe que o processo é totalmente viável”, explica Silva.

Na cana-de-açúcar, por exemplo, o planejamento da

irrigação precisa começar bem antes do momento de instalação propriamente dito. Por se tratar de uma cultura diretamente ligada à renovação do canavial e ao planejamento da unidade produtiva ou dos fornecedores, o projeto deve estar inserido em uma visão de médio e longo prazo. Questões como disponibilidade hídrica, energia elétrica, obras civis e infraestrutura precisam ser avaliadas com antecedência para que a implantação ocorra no momento adequado, sem comprometer o calendário agrícola.

Em culturas perenes, como citros, manga, uva e cacau, o mesmo conceito se aplica: planejar cedo permite instalar o sistema com segurança e iniciar a irrigação no momento ideal para o desenvolvimento das plantas. Já em culturas de ciclo curto, como hortaliças e algumas frutas, a antecipação garante que o sistema esteja pronto para entrar em operação na safra seguinte, contribuindo para maior estabilidade produtiva desde as primeiras colheitas.

O que considerar antes de tomar a decisão

O caminho para uma implantação bem-sucedida envolve alguns pontos-chave:

• Licenças e autorizações de uso de água e obras, obtidas de forma planejada;

• Disponibilidade energética, seja via rede elétrica ou uso de diesel, com dimensionamento adequado do conjunto motobomba;

• Avaliação da qualidade da água, prevendo, quando necessário, estruturas simples de melhoria.

Para o especialista, o projeto técnico é o elemento que dá segurança à decisão. “Um sistema de irrigação bem dimensionado para o clima, o solo e a cultura transformam o investimento em um aliado da produção. Com planejamento, o produtor vê o retorno aparecer de forma consistente”, destaca.

Lições do campo: o erro mais comum é começar tarde

Os equívocos mais recorrentes ainda estão ligados ao momento da decisão: iniciar o projeto sem confirmar a disponibilidade de água, avançar sem licenças ou deixar o planejamento muito próximo ao plantio. “Quando o processo começa cedo, esses pontos deixam de ser obstáculos e passam a ser apenas etapas naturais do projeto”, observa Silva.

O intervalo entre planejamento e operação varia conforme a região, a cultura e o porte do sistema, especialmente quando há necessidade de obras civis, reservatórios ou adequações energéticas. Ainda assim, meses de organização prévia costumam ser suficientes para alinhar a implantação ao calendário produtivo. O resultado tende a compensar: mais estabilidade, melhor uso da área e maior controle diante da variabilidade climática. Clima, região e cultura: um projeto feito sob medida

Diferenças regionais, regimes de chuva e características de solo influenciam diretamente o cronograma de implantação — o que não significa dificuldade, mas personalização do projeto. Em muitos casos, ajustes de logística, energia ou layout já permitem adequar o sistema à realidade local.

Para quem considera tornar-se irrigante, o ponto de partida é buscar orientação técnica e dialogar com produtores referência na região. Como apoio inicial, o Manual do Irrigante, desenvolvido pela Netafim, reúne orientações práticas sobre etapas, requisitos e boas práticas de implantação.

“O manual ajuda o produtor a entender o caminho antes mesmo do início do projeto, tornando a jornada mais segura e previsível”, reforça Silva.

Irrigação de baixo volume para paisagismo - Xerigation® - Parte I

M.Sc. em Irrigação e Drenagem (UFV) e MBA em Gestão Comercial (FGV). Agriculture International Business Manager Global, Rain Bird

Iniciaremos o ano com um novo tópico, que também é um setor da irrigação para paisagismo, que vem crescendo nos últimos dez anos no Brasil. Ainda não conhecido por muitas empresas de irrigação, paisagistas e consumidores. Como o próprio nome diz, trata-se de uma irrigação em que os emissores possuem baixa vazão de aplicação de água e onde também trabalhamos com pressões mais baixas.

Uma das características deste sistema é a forma de aplicação de água que pode ser variada, porém sempre preocupandose com a necessidade individual de cada espécie de planta.

Existe uma tendência a chamar este segmento da irrigação para jardins de “irrigação localizada”, porém não utilizamos esta nomenclatura para não se confundir com os emissores de baixo volume de agricultura, que apesar de serem semelhantes e alguns até idênticos, não possuem as mesmas características estéticas, além de não terem a mesma quantidade e variedade de modelos.

Existe uma tecnologia de concepção e implementação de projetos paisagísticos chamada “Xeriscape”. Esta tecnologia consiste em elaborar o projeto com o conceito

Fig.1. Jardim típico para o emprego de irrigação de baixo volume

de hidrozonas. Hidrozonas são partes do projeto de paisagismo projetadas aplicando plantas, que podem possuir diferentes características físicas, porém com necessidades de água semelhantes. Esta metodologia é muito comum em países de clima árido e semiárido. Temos isto no sul dos EUA, na Espanha, na Grécia e em alguns países do Oriente Médio. Esta metodologia ajuda e muito a confecção do projeto de irrigação. Mas, na realidade, isto não ocorre em vários projetos. Temos plantas com necessidades de água totalmente diferentes em uma mesma área. Para isto temos os emissores autocompensantes.

Emissores autocompensantes são aqueles que mantêm a vazão de aplicação de água constante, ou seja, eles calibram a quantidade de água que sai deles bem como a pressão. Isto significa que podemos aplicar 4 litros de água em um vaso e em um outro aplicar 12 litros tudo isto em um mesmo intervalo de tempo. Isto viabiliza a irrigação de vasos de

diferentes tamanhos e de diferentes espécies através de um mesmo sistema de irrigação.

Portanto, quando falamos de irrigação de baixo volume, estamos direcionando a irrigação de pequenos espaços como jardineiras, casas de vegetação, orquidários, jardins de inverno, jardins de edifício e etc. Em situações específicas, estes projetos podem abordar áreas maiores.

Quando mencionamos estes sistemas estamos falando de sofisticação, instalações rápidas e um custo menor quando comparado aos sistemas tradicionais.

As empresas que já estão empregando esta metodologia de irrigação estão, com certeza, a frente das demais.

Outro grande mercado para este tipo de aplicação são as paredes e os tetos verdes.

Fig. 2. Foto de uma construção com Teto e Paredes Verdes

I. CLASSIFICAÇÃO DOS EMISSORES.

A classificação dos emissores se divide em duas categorias ou grupos: Pontuais e Abrangentes

1. Emissores Pontuais:

São dispositivos projetados para entregar água com precisão e localização, diretamente na zona radicular (raiz) de plantas individuais.

Em áreas áridas onde queremos somente irrigar as plantas e não possuímos cobertura vegetal se usa emissores pontuais. Outra aplicação é na irrigação de vasos.

2. Emissores Abrangentes

Eles são projetados para cobrir áreas amplas e contínuas, distribuindo a água uniformemente sobre toda a superfície do terreno.

No paisagismo, eles são essenciais para manter gramados, grandes forrações ou jardins densos onde não faz sentido, financeiro ou prático, colocar um emissor a cada planta.

Fig. 3. Plantas isoladas que devem ser irrigadas com emissores pontuais
Fig. 4. Exemplo de paisagismo irrigado com emissores abrangentes

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