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Irrigazine # 84

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Editorial

Quando você estiver lendo esta revista já estaremos na quarta edição da FIIB – Feira Internacional da Irrigação Brasil, um evento que se consolidou como a maior vitrine da irrigação no Brasil. São mais de 100 marcas representadas, entre fabricantes, importadores e prestadores de serviços. Haverá 30 palestras, 11 minicursos e um workshop de irrigação, promovido em parceria com a ABID. Temas bem diversificados serão apresentados, como gestão e mercado de energia, softwares para projetos de irrigação, adutoras e acessórios de automação, métodos de manejo da irrigação, entre outros. Também vamos ver a aplicação prática da irrigação no cultivo da uva de inverno para produção de vinho; cana-de-açúcar; grãos; citros; pastagem; tomate de mesa; gramados esportivos e fertirrigação. Nesta edição também trazemos os dados mais atualizados sobre a área irrigada no Brasil, segundo o levantamento feito pela CSEI-ABIMAQ, entre seus associados. Chama à atenção o crescimento que tivemos no ano passado comparado aos anos anteriores. O cultivo de uvas para produção de vinhos finos é uma tendência no estado de são Paulo e Minas Gerais, onde as vinícolas estão se multiplicando em ritmo acelerado. Isso foi possível graças à tecnologia de dupla poda, que mudou a colheita do verão chuvoso para o inverno seco, no Sudeste do Brasil. Por isso esta edição da Irrigazine foi dedicada à vitivinicultura e como a irrigação é importante nessa produção. Começamos com o artigo, uma provocação do pesquisador da Embrapa, Luís Henrique Bassoi, “Vitivinicultura de inverno precisa de irrigação? ”. A resposta já sabemos, mas para saber as razões você vai precisar ler o artigo. Maxwell Soares da Silva, é especialista agronômico da Netafim, ele tem grande experiência em irrigação de vinhedos na região de Petrolina. Em seu artigo “Irrigação por gotejamento para produção de uva para vinho de inverno” ele explica os tipos de produção de uvas no Brasil e como o gotejamento permite obter um déficit hídrico controlado na cultura e assim conseguir uma bebida de melhor qualidade. José Giacoia Neto, começa uma nova série de artigos, desta vez o tema são os campos esportivos. “Irrigação para estádios de futebol, grama natural – Parte I” é o primeiro da série. As arenas de futebol atuais mudaram completamente a tecnologia dos gramados e consequentemente a irrigação, mesmo que você não trabalhe nesta área vale a pena conferir o artigo para entender os desafios e as soluções encontradas para se obter um gramado padrão FIFA. Boa leitura!

DENIZART VIDIGAL Diretor

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DIREÇÃO Denizart Pirotello Vidigal denizart@irrigazine.com.br JORNALISTA Bruna Fernandes Bonin MTB 81204/SP COLABORAÇÃO Maxwell Soares da Silva Luís Henrique Bassoi José Giacoia Neto EDITORAÇÃO E CAPA André Feitosa PRODUÇÃO/PROJETO GRÁFICO Interação - Comunicação e Design FOTOS Divulgação/Vinícola Amana | Codevasf/SE Luis_H_Bassoi | Guilherme Lima REVISÃO Denizart Vidigal Barufe CONTATO Comercial e Editora AGROS Ltda. comercial@irrigazine.com.br ASSINATURAS Débora Pirotello Vidigal WhatsApp: (17) 99612-1224 revista@irrigazine.com.br Acesse irrigazine na internet: www.irrigazine.com.br A Revista Irrigazine não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos assinados o pelas opiniões emitidas pelos entrevistados, fontes e dos anúncios publicitários.

“Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o SENHOR teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” Josué 1:9


Índice 07 Agenda 08 Conta Gotas Notícias 14 Codevasf e Embrapa iniciam

parceria para modernização da irrigação em projeto de Sergipe A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e a Embrapa Clima Temperado estão empenhadas em um projeto pioneiro que visa revolucionar a agricultura na região do Baixo São Francisco em Sergipe.

O objetivo é diversificar a produção e gerar renda no baixo São Francisco sergipano com essa tecnologia. Foto: Codevasf/SE

Reportagem 18 Irrigação de sucesso: O segredo por trás dos vinhos notáveis de Espírito Santo do Pinhal

No coração do Estado de São Paulo, nas pitorescas colinas de Espírito Santo do Pinhal, uma revolução vinícola silenciosa está tomando forma.

Artigos 21 Irrigação por gotejamento para produção de uva para vinho de inverno 24 Vitivinicultura de inverno precisa de irrigação? 28 Irrigação para estádios de futebol, grama natural - Parte I Outubro | 2023 05


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O sudoeste baiano abraça a agricultura sustentável com o projeto de irrigação do Vale do Iuiú O Projeto de Irrigação do Vale do Iuiú, esperado há mais de 40 anos na região do sudoeste baiano, finalmente avança. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional autorizou o lançamento do edital para estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental, além da modelagem jurídica para a Parceria Público-Privada (PPP) do empreendimento. Sob a gestão da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o projeto abrange áreas nos municípios de Iuiú, Malhada e parte de Sebastião Laranjeiras, com um investimento estimado de R$ 1,8 bilhão. Os estudos iniciais indicam grande potencial produtivo devido ao solo, clima e água do rio São Francisco, principalmente para cultivo de grãos e fruticultura, irrigando cerca de 51,7 mil hectares.

Com a implementação do projeto, prevê-se a criação de 160 mil empregos diretos e indiretos, bem como o desenvolvimento econômico da região. O acesso à área será facilitado por estradas secundárias conectadas à BR030. O projeto é visto como uma forma de reduzir emissões de gases de efeito estufa, combater a pobreza e estimular o desenvolvimento nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, enfatizou o impacto econômico positivo do projeto, que envolve investimentos públicos e privados de mais de R$ 3 bilhões na região. Os agricultores locais também comemoraram, considerando-o um sonho que finalmente se concretiza.

MT, MS e GO unem forças e solicitam aporte de R$ 440 Mi para o setor de irrigação Os governos dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás uniram esforços em uma ação conjunta para solicitar ao governo federal um aporte de recursos no valor de R$ 440 milhões destinados a estudos e investimentos na área de irrigação. A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, recebeu o ofício com o pedido. O pedido destaca a visita técnica realizada por uma delegação mato-grossense ao estado do Nebraska, nos Estados Unidos, onde puderam conhecer a gestão dos recursos hídricos em uma das maiores áreas irrigadas dos EUA. O Nebraska conta com cerca de 85% dos 3.5 milhões de hectares irrigados abastecidos por águas subterrâneas, com aproximadamente 100 mil poços

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catalogados. Além disso, o pedido ressalta a importância de um estudo sobre a inteligência territorial e hídrica da agricultura irrigada em Mato Grosso, realizado em colaboração com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Universidade do Nebraska. O estudo abordará recursos hídricos, clima, ocupação do solo, irrigação, agricultura irrigada e governança, fornecendo informações sólidas para a expansão sustentável da agricultura irrigada. Esse investimento visa impulsionar a produção de alimentos e a expansão da agricultura irrigada na região, com potencial para uma terceira safra nas áreas já exploradas.


ABIMAQ divulga área irrigada no Brasil em 2022 A Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação – CSEI, da ABIMAQ, divulgou no dia 10 de outubro, os dados levantados pela entidade em relação a evolução da área irrigada no Brasil em 2022, comparativamente ao ano de 2021. O levantamento, separado por tipo de tecnologia, é realizado por meio de uma sondagem setorial com as empresas representadas pela ABIMAQ, refletindo assim uma percepção de mercado, e tem por objetivo ponderar a evolução desta importante tecnologia no Brasil.

A partir de 2021 os dados apurados seguem uma nova metodologia, tendo sido excluído deste levantamento anual os dados da irrigação convencional, devido a limitação de informações.

Cabe destacar que a pesquisa é baseada na comercialização de bens produzidos pelas empresas fabricantes e, dada sua especificidade, algumas tecnologias não alcançam todo o mercado de pós-venda. Diante destas peculiaridades de mercado, não é possível mensurar de forma precisa o quanto deste total refere-se ao atendimento de novas áreas ou quanto é destinado ao mercado de reposição, mas estima-se que 80% deste total seja destinado ao atendimento de novas áreas. Destacamos também, que o “Atlas Irrigação: Uso da água na agricultura irrigada” de 2021, publicado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico – ANA, aponta que o Brasil irriga 8,2 milhões de hectares (2019), mas com potencial efetivo de atingir 13,7 milhões de hectares, em áreas que apresentam aptidão de clima, relevo, disponibilidade hídrica e infraestrutura adequadas. Mas, para que este potencial seja atingido de forma célere, é imprescindível que a tecnologia da irrigação, considerada a 4ª revolução da nossa agricultura, conte com políticas públicas assertivas. Esperamos que os dados apresentados contribuam para enriquecer as análises sobre a evolução desta imprescindível tecnologia da irrigação. Concluiu, Eduardo Navarro, presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação – CSEI / ABIMAQ

Senninger lança novo mini regulador de pressão na FIIB Marcus Schmidt, gerente geral da Senninger Brasil, anunciou o lançamento do novo produto que será apresentado aos visitantes da FIIB-Feira Internacional de Irrigação Brasil. O novo regulador de pressão marca os 60 anos da Senninger mundial e os 20 anos no Brasil. O Mini regulador de pressão da Senninger (MPR) é uma solução econômica para ajudar a reduzir a pressão excessiva. Ajuda a reduzir as perdas por correntes de vento e a ocorrência de rega em excesso em toda a zona irrigada, incluindo a alteração nas elevações e linhas laterais longas. Como a pressão afeta o fluxo, o MPR reduz as oscilações de fluxo para que cada aspersor tenha um desempenho uniforme e entregue o padrão de distribuição desejado. O MPR conta com uma área hidráulica maior do que a maioria dos dispositivos de controle de vazão, permitindo a regulagem da pressão sobre uma faixa de vazão mais ampla.

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CARACTERÍSTICAS • Concebido para uso imediatamente abaixo do aspersor • Mantém o fluxo desejado do aspersor para mais ou menos 10% do fluxo nominal • Permite a regulagem da pressão nos aspersores nas linhas laterais ou principais com até 35 m de mudança de elevação. • Conexão: entrada macho NPT de ½” x saída fêmea NPT de ½” • Modelos disponíveis: 1,72 bar, 2,07 bar e 2,76 bar • Garantia de dois anos nos materiais, mão de obra e desempenho A Senninger é uma empresa líder no desenvolvimento e produção de soluções para irrigação de qualidade para aplicações agrícolas, hortícolas e industriais. Com 60 anos de experiência em mais de 80 países. Senninger é um dos nomes mais confiáveis na indústria de irrigação.


Codevasf e Embrapa iniciam parceria para modernização da irrigação em projeto de Sergipe A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e a Embrapa Clima Temperado estão empenhadas em um projeto pioneiro que visa revolucionar a agricultura na região do Baixo São Francisco em Sergipe. Essa iniciativa foca na introdução da tecnologia de irrigação por sulco-camalhão como uma alternativa de renda para os agricultores locais. O conceito por trás desse método inovador envolve a modelagem do solo, que compreende a construção de áreas elevadas chamadas de camalhões, onde as culturas são plantadas, e áreas mais baixas, conhecidas como sulcos, que desempenham o papel de drenagem de água e permitem a circulação de máquinas agrícolas. Essa abordagem única possibilita uma gestão eficaz da água, permitindo a drenagem durante períodos chuvosos e a irrigação quando necessário, o que se traduz em uma utilização mais eficiente desse recurso essencial. Nesse contexto, o projeto planeja conduzir experimentos em três lotes distintos, cada um abrangendo uma área de 0,3 hectares, com o primeiro cultivo experimental sendo dedicado ao milho verde no projeto Propriá. A visão final é estabelecer a rotação de culturas nos projetos de irrigação da Codevasf na região do Baixo São Francisco em Sergipe, onde o cultivo predominante é o arroz. Isso não só proporcionará uma diversificação nas fontes de renda dos agricultores como também auxiliará no controle de ervas daninhas em áreas historicamente infestadas. O pesquisador José Maria Parfitt, da Embrapa Clima Temperado, é o mentor por trás do conceito do sistema de sulco-camalhão, que já foi um sucesso no Rio Grande do Sul, o maior estado produtor de arroz do Brasil. Ele está supervisionando de perto a implementação do projeto-piloto

em Sergipe, contando com o apoio de técnicos especializados da Unidade Regional de Apoio à Produção da Codevasf na região. Após uma avaliação detalhada do projeto Propriá, o pesquisador identificou que todas as condições são favoráveis para o sucesso da iniciativa. Ele enfatiza que a rotação de culturas é crucial para manter a qualidade da produção e controlar doenças. Com a introdução do sistema sulcocamalhão, os agricultores terão a oportunidade de diversificar suas fontes de renda, seguindo o exemplo de regiões do Sul do Brasil, onde a introdução de cultivos como soja e milho em áreas anteriormente dedicadas ao arroz resultou em maior prosperidade econômica. Patrícia Maia, chefe da Unidade Regional de Apoio à Produção, ressalta que a próxima etapa envolve a busca de recursos orçamentários para a implementação da tecnologia. O objetivo final é reduzir a presença de sementes de arroz daninho e evitar prejuízos significativos para os agricultores, mantendo o arroz como cultura principal, mas adotando a diversificação como estratégia para proteger contra espécies invasoras, como o arroz daninho, que podem causar perdas substanciais, chegando a 100%, para os agricultores. Essa iniciativa promete uma transformação significativa na agricultura da região, proporcionando maior eficiência no uso da água e uma renda mais estável para os agricultores do Baixo São Francisco em Sergipe. A parceria entre a Codevasf e a Embrapa é uma demonstração de como a inovação tecnológica pode impulsionar o desenvolvimento agrícola sustentável, beneficiando tanto os agricultores como a economia da região. A introdução do sistema de sulco-camalhão representa um passo importante em direção à modernização da agricultura local e ao aumento da produtividade.


Uvas tolerantes ao sal: A chave para um aumento na produção As mudanças climáticas e o uso intensivo da irrigação artificial estão causando um preocupante aumento nos níveis de salinidade do solo, o que representa uma ameaça significativa para a agricultura, incluindo a viticultura. À medida que o nível do mar sobe devido às mudanças climáticas, as áreas costeiras são cada vez mais afetadas pela intrusão de água salgada, exacerbando ainda mais o problema da salinidade do solo. O excesso de sal prejudica as plantas, levando à diminuição dos rendimentos das colheitas e, em alguns casos, à morte das plantas.

O professor Peter Nick, do Instituto de Ciências Vegetais Joseph Gottlieb Kölreuter (JKIP) do KIT, observa que, apesar de a videira ser conhecida por sua adaptação à seca, a crescente necessidade de irrigação adicional devido aos verões mais quentes e secos torna o problema da salinidade da irrigação cada vez mais relevante. Para enfrentar esse desafio complexo, os pesquisadores conduziram uma série de experimentos comparativos entre a variedade de videira Tebaba, conhecida por sua notável tolerância ao sal, e um porta-enxerto amplamente utilizado no Mediterrâneo.

Para enfrentar esse desafio, pesquisadores do renomado Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT) embarcaram em um estudo inovador. Seu objetivo principal é analisar uma variedade de videira selvagem que demonstrou uma notável tolerância ao sal. A intenção por trás disso é identificar os fatores genéticos responsáveis por essa resistência natural e, posteriormente, incorporar esses traços em variedades comerciais de uva. Dessa forma, eles buscam criar uma solução sustentável para proteger a viticultura de impactos adversos decorrentes das mudanças climáticas e do uso extensivo da irrigação.

Durante esses experimentos, os pesquisadores gradualmente aumentaram os níveis de estresse salino para simular as condições de um vinhedo irrigado. O que eles descobriram foi intrigante: a Tebaba não absorve sódio pelas raízes, mas reorganiza suas respostas metabólicas na presença desse elemento. Essa descoberta sugere que a tolerância ao sal da Tebaba não pode ser atribuída a um único fator genético, mas sim a uma complexa interação de processos metabólicos favoráveis que se apoiam mutuamente.

À medida que as mudanças climáticas se intensificam, a necessidade de irrigação artificial nas áreas agrícolas também aumenta. No entanto, quando essa água é aplicada e posteriormente evapora, os sais presentes na água permanecem no solo. Isso cria um ambiente estressante para as plantas, resultando em uma redução na produtividade e na qualidade das colheitas, além de colocar em risco a sobrevivência das plantas. Isso é particularmente preocupante para a viticultura, que exige condições ideais para a produção de uvas de alta qualidade.

Com base nessas descobertas promissoras, os pesquisadores propõem a introdução cuidadosa de fatores genéticos de tolerância ao sal da Tebaba em variedades comerciais por meio de cruzamentos naturais. No entanto, esse processo deve ser acompanhado de análises de biologia molecular para garantir resultados consistentes e previsíveis. Dessa maneira, esperase que a viticultura possa se adaptar eficazmente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela salinidade do solo, assegurando um futuro mais resiliente e sustentável para essa importante indústria agrícola.

O objetivo é estudar uma variedade de videira selvagem que exibiu uma notável resistência ao sal Foto: Divulgação

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Irrigação de sucesso: O segredo por trás dos vinhos notáveis de Espírito Santo do Pinhal No coração do Estado de São Paulo, nas pitorescas colinas de Espírito Santo do Pinhal, uma revolução vinícola silenciosa está tomando forma. Vinícolas de pequeno porte estão surgindo como verdadeiras pioneiras no cenário vinícola brasileiro, desafiando convenções estabelecidas e demonstrando que é perfeitamente possível produzir vinhos de qualidade excepcional em solo nacional. Aninhada entre as sinuosas montanhas da Serra da Mantiqueira, a encantadora cidade de Espírito Santo do Pinhal, situada no Estado de São Paulo, desafia a narrativa vinícola tradicional. No Brasil, a região Sul é amplamente reconhecida por sua produção de vinho, alimentada pela proximidade com as fronteiras argentinas e uruguaias, bem como pela forte influência da imigração italiana. No entanto, uma região pouco explorada de São Paulo, um dos quatro estados que compõem a região Sudeste do Brasil, está redefinindo o conceito de vinícolas.

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Então, o que exatamente Espírito Santo do Pinhal tem a oferecer ao mundo dos vinhos? A Amana é uma vinícola boutique fundada em 2017 com uma visão muito definida em não medir esforços para a produção de vinhos de altíssima qualidade. Está localizada nas encostas da Serra da Mantiqueira, em um território único, que reúne todas as características essenciais para a completa maturação dos frutos e a obtenção de vinhos excelentes e singulares. De acordo com Tiago Neppi, engenheiro agrônomo e gerente de produção da vinícola, a escolha das uvas é um desafio fundamental. O clima e o solo únicos de Espírito Santo do Pinhal exigem uma abordagem personalizada para cada vinhedo. A combinação ideal deve equilibrar produtividade e qualidade, uma busca que demanda pesquisa constante para determinar as melhores variedades para a região. Uma casta específica tem se destacado na região: a Syrah. Esta uva encontrou no clima local um ambiente propício para seu desenvolvimento. A técnica da dupla poda se tornou essencial para seu cultivo, resultando em vinhos de qualidade excepcional. A busca pela qualidade é o alicerce dessas novas vinícolas. Todo o ciclo produtivo é integrado ao meio ambiente para garantir a obtenção de matéria-prima de excelência. O processo de vinificação, desde a colheita até o engarrafamento, envolve degustações rigorosas para assegurar a qualidade do produto final.

Como a irrigação influencia a qualidade dos vinhos A irrigação desempenha um papel de destaque no sucesso das vinícolas da região. Além de estimular o crescimento saudável das vinhas, a irrigação é crucial para evitar o estresse hídrico durante momentos críticos do ciclo de produção e maturação das uvas. Outro benefício significativo é a facilidade de aplicação de fertilizantes, superando as dificuldades topográficas de uma região montanhosa. As vinícolas de São Paulo estão adotando tecnologias avançadas para aprimorar a produção de vinhos. A fertirrigação é uma prática comum, com equipamentos automatizados e controladores que otimizam o crescimento das uvas. Parcerias estratégicas com empresas auxiliam na maximização dos benefícios da fertirrigação e na aplicação de adubos. Para aprimorar suas práticas de cultivo e vinificação, os produtores da região buscam conhecimento em instituições de pesquisa e consultores experientes em campo e na produção de vinho. O principal objetivo das vinícolas de pequeno porte em São Paulo é elevar a qualidade de seus vinhos, marcando seu território no mercado pela excelência. Em Espírito Santo do Pinhal, a qualidade se tornou a marca registrada. Em um cenário competitivo, essas vinícolas estão se destacando oferecendo vinhos acessíveis e de alta qualidade. Além disso, proporcionam experiências enoturísticas únicas que atraem visitantes em busca de degustar sabores locais e conhecer o processo de produção de vinho.

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Olhando para o futuro, a colaboração entre pequenos produtores pode ser a chave para o crescimento. Parcerias com vinícolas estabelecidas que oferecem serviços de terceirização da vinificação e a exploração de variedades não tradicionais podem ser estratégias promissoras para diversificar a produção e atrair um público mais amplo. Nessa jornada emocionante, Tiago Neppi, engenheiro agrônomo e gerente de produção da Vinícola Amana, se destaca como um pioneiro dedicado à qualidade e à inovação. Sua paixão e conhecimento estão impulsionando a vinicultura de São Paulo para um futuro brilhante. O renascimento da viticultura em São Paulo está se tornando uma história de sucesso, com essas novas vinícolas elevando a qualidade do vinho brasileiro e desafiando a tradição de forma inspiradora. Espírito Santo do Pinhal está provando que o Brasil tem muito a oferecer no mundo do vinho. Enoconexão 2023 - Impulsionando a Viticultura e Enologia em São Paulo Rafael Alex Vicchini, engenheiro de alimentos com uma vasta experiência na indústria de sucos e polpas de frutas ao longo de seis anos, onde desempenhou papéis de responsabilidade técnica e gerencial na área de qualidade. Rafael também realizou uma safra de produção de vinhos no Chile, em 2008, e há 13 anos se dedica ao universo dos vinhos e bebidas. Atualmente, ele é o responsável técnico pela Cooperativa AVA, que reúne os produtores de uva e vinho de Jundiaí, além de ser o proprietário da Enoconexão, uma empresa especializada em fornecer matéria-prima, insumos, consultoria e treinamento para a produção de vinhos. Rafael é o idealizador e promotor do Enoconexão, um evento que ocorre em Louveira, São Paulo, e representa o sexto Encontro Enoconexão. Este evento é um acontecimento técnico que se concentra na viticultura, enologia e enoturismo. A Enoconexão é a empresa-mãe responsável por essa iniciativa, e ela conta com a co-organização do Polo Turístico do Circuito das Frutas. O evento tem como público-alvo produtores agrícolas, empresários, enólogos, pesquisadores, extensionistas, estudantes e entusiastas do setor vitivinícola, em especial do estado de São Paulo e da região Sudeste do Brasil. O evento também está sintonizado com o que está acontecendo na região, em especial com a técnica da dupla poda, que envolve a colheita de uvas no inverno, uma prática

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com mais de 20 anos de existência e que tem o potencial de elevar a qualidade dos vinhos. A Enoconexão reconhece a importância de fornecer respostas para os desafios que surgem à medida que a vinicultura brasileira amadurece. Além de abordar questões técnicas, a Enoconexão também se concentra no enoturismo, um setor em crescimento no Estado de São Paulo, com propriedades construídas para a venda de produtos diretamente aos consumidores. São Paulo é o maior mercado consumidor de vinho da América Latina, e a proximidade com o público é um trunfo importante. Para promover a qualidade da viticultura e garantir uvas de alto padrão, o evento contará com a participação do professor Leonardo Cury, do Instituto Federal de Bento Gonçalves, que discutirá as condições climáticas e a importância de os produtores se prepararem para as mudanças no clima. Outro tópico de destaque é o cultivo protegido, que visa reduzir a necessidade de defensivos químicos, abordando questões como a proteção contra granizo. Além disso, o evento apresentará palestrantes internacionais para discutir vinhos de alta qualidade, proporcionando uma perspectiva global sobre o setor. A Enoconexão 2023 acontecerá nos dias 7, 8 e 9 de novembro. O dia 7 será exclusivo para convidados especiais, enquanto os demais dias estarão abertos ao público. Este evento promete ser uma fonte valiosa de informações e oportunidades para aqueles envolvidos no mundo vitivinícola.


Maxwell Soares da Silva Especialista Agronômico da Netafim

Irrigação por gotejamento para produção de uva para vinho de inverno O consumo do vinho faz parte da história de diversas nações à nível mundial, onde se têm a prática como tradição. Países como Itália, França e Espanha se destacam na produção, representando cerca de 45% da produção mundial de vinho no ano de 2021, segundo a OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho). No entanto, os países do “novo mundo” se evidenciam na produção e qualidade dos vinhos produzidos. Segundo dados do IBGE 2022, o Brasil possui uma área cultivada de 75 mil hectares, com 46% desse total no Rio Grande do Sul, mas regiões como São Paulo e Vale do São Francisco também se destacam, ambas com 9% de área cultivada. O Brasil possui uma vitivinicultura única no mundo, com a produção de vinhos em três macro condições diferentes, na qual apresenta qualidades e tipicidades diferenciadas, podendo ser caracterizados como:

1) Viticultura tradicional com um ciclo vitícola, com uma poda e uma colheita por ano. 2) Viticultura tropical com dois ciclos, sendo duas podas e duas colheitas por ano, em qualquer período. 3) Viticultura de inverno com dois ciclos, sendo duas podas e uma colheita por ano. O viticultor brasileiro, com essas opções de cultivo, aliado ao melhoramento genético das variedades e, principalmente, à irrigação localizada, torna a produção possível em diferentes épocas do ano. A irrigação localizada no cultivo da videira traz o benefício de fornecer água e nutrientes para a planta nos momentos-chave do cultivo, como brotação, floração e

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crescimento da baga. São fases em que a planta demanda muitos elementos como nitrogênio, cálcio, magnésio, boro e água para concluir o seu ciclo. E se a região passa por um momento de estiagem (veranico) nessas fases anteriormente citadas e a propriedade não possui um sistema de irrigação localizada, o cultivo tende a diminuir tamanho de baga e comprimento do cacho, afetando também algumas características qualitativas como o teor de sólidos solúveis (°Brix), parâmetros essenciais para a produção de uva para produção de vinho quanto in natura. Ter um sistema de irrigação por gotejamento é poder manejar com um nível maior de assertividade, podendo realizar déficits hídricos controlados a partir da fase de pegamento de frutos. A produção de uvas com este tipo de estresse hídrico controlado, proporciona uma elevação na acidez e diminuição do pH, e uma maior concentração de compostos fenólicos por consequência do aumento da razão película/polpa (DRY; LOVEYS, 2000; WAMPLE et al., 2002). Este manejo pode ser realizado através de ferramentas como a estação meteorológica, que irá fornecer dados sobre a quantidade de evapotranspiração (evaporação de água do solo mais a transpiração das plantas) houve no dia anterior e necessitará ser reposta de acordo com a umidade do solo, que pode ser estimada através da tensiometria (equipamento que mede a tensão, podendo obter o teor de água no solo, sendo um método que determina de forma indireta a umidade do solo). Aliado

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ao Kc (coeficiente da cultura, específico para cada fase de crescimento), essas ferramentas visam fornecer a quantidade de água que a planta e o solo precisam, de acordo com a fase fenológica. O monitoramento do fornecimento de água durante o cultivo e, essencialmente, na fase de maturação das uvas, é importante para a síntese e concentração dos compostos benéficos, como açúcares, redução da acidez, compostos aromáticos e fenólicos, nas quais são características sensoriais do vinho (cor, aromas e estrutura), capacidade de envelhecimento e estabilidade da cor. Com estas ferramentas, a vitivinicultura no Brasil tem um caminho bastante promissor nos próximos anos, ofertando ao consumidor vinhos de excelente qualidade, produzidos com tecnologia de irrigação localizada de ponta, que possibilita produzir mais com menos.

Sobre a Netafim Fundada em um pequeno kibbutz em Israel há mais de 50 anos, a Netafim é pioneira e líder mundial em soluções para irrigação. Com atuação em mais de 110 países, chegou ao Brasil na década de 1990, com um portfólio completo de produtos e soluções inovadoras de irrigação por gotejamento, que visam contribuir com o eficiente uso da água, aumentando a produtividade na agricultura e trazendo mais tranquilidade ao produtor rural.


Luís Henrique Bassoi Pesquisador da Embrapa Instrumentação, São Carlos - SP, e professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola, FCA UNESP campus de Botucatu

Vitivinicultura de inverno precisa de irrigação?

O manejo da dupla poda da videira para vinho, prática desenvolvida pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - EPAMIG, em Caldas, possibilita a realização da colheita de uvas no período de inverno, por meio da realização de duas podas na videira durante o ano. A primeira ocorre em agosto, iniciando o ciclo de formação das plantas, no qual as flores são retiradas para que não haja a formação dos cachos de uvas. As plantas recebem a aplicação de fertilizantes, inclusive por meio da fertirrigação, para que a planta cresça, desenvolva e armazene reservas no tronco e nas raízes. A segunda poda, que ocorre em janeiro/fevereiro, dá início ao ciclo de produção de uvas, com o florescimento ocorrendo entre abril e maio, e com a maturação e colheita das uvas ocorrendo nas estações de outono e inverno, quando há uma menor ocorrência de chuvas no período de maturação e colheita (maio a julho) e uma maior diferença entre a temperatura do ar durante o dia e a noite, o que é benéfico para a maturação da uva e para a sua qualidade. Originou-se então o chamado vinho de colheita de inverno ou vinho de inverno, algo único na vitivinicultura mundial, que vem surpreendendo os especialistas e apreciadores de vinho do Brasil e do exterior pela qualidade da bebida.

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Videiras ‘Syrah’ com tela de proteção para os cachos e sistema de irrigação por gotejamento. Foto: Guilherme Lima Existem vinícolas produtoras de vinho de inverno localizadas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e na Chapada Diamantina, Bahia. Muitas delas têm utilizado a irrigação por gotejamento, o que possibilita também a prática da fertirrigação. Considerando que as videiras para vinhos de inverno crescem e se desenvolvem durante todo o ano, existe a oportunidade para aplicação de água e para aplicação de fertilizantes em vários momentos do ciclo de formação de plantas e do ciclo de produção de uvas. De acordo com profissionais de empresas fabricantes de sistemas de irrigação, o custo atual por hectare para a instalação de um sistema por gotejamento pode variar entre 25 e 35 mil reais. Esse valor depende da área total a ser irrigada (maior a área, maior a “diluição” do custo), topografia da vinícola e distância da fonte de água até os vinhedos (influencia a potência do motor e a vazão e a pressão a ser fornecida pela bomba hidráulica), nível de automação desejado, entre outros fatores.


A falta de chuvas ou as chuvas insuficientes nos momentos críticos para a videira quanto à disponibilidade de água, tanto no ciclo de formação de plantas como no ciclo de produção de uvas, podem comprometer não só a videira no campo, mas também o processo de vinificação (fabricação do vinho).

produção de açúcar continuam. Segundo consulta feita a alguns técnicos de vinícolas produtoras de vinhos de inverno, existe tanto a preocupação com a qualidade da uva para vinificação como com a quantidade de uva a ser processada, uma vez que há a necessidade de obtenção de um volume de vinho com qualidade e que seja economicamente viável. Por exemplo, uma produção de três toneladas de uva por hectare pode apresentar, teoricamente, uma melhor qualidade para vinificação que uma produção de sete toneladas nessa mesma área, mas pode surgir o seguinte questionamento quanto o valor do vinho: “Caso haja a necessidade de venda da garrafa por um preço maior, mesmo sendo um vinho com uma qualidade superior, teremos consumidores dispostos a pagar um preço maior por esse vinho”?

Videiras ‘Chardonnay’, recém podadas, com sistema de irrigação por gotejamento e bulbos de molhamento. Foto: Luis_H_Bassoi

No campo, a quebra da dormência da gema ocorre alguns dias após a realização da poda, e a videira começa a apresentar um intenso crescimento e desenvolvimento vegetativo até o florescimento. Durante esse período, a necessidade de água aumenta consideravelmente, pois os ramos e as folhas crescem continuamente. A ocorrência de estresse hídrico no início do ciclo pode levar a uma quebra de dormência irregular das gemas, menor desenvolvimento dos ramos e menor número de flores. No florescimento ocorre um pico de crescimento do sistema radicular, que pode ser inibido por falta ou excesso de água. Após o florescimento, a cobertura foliar desenvolve-se rapidamente para a seu tamanho final, e o consumo diário de água pela videira atinge o seu valor máximo. O pegamento do fruto e o desenvolvimento inicial das bagas são sensíveis à falta de água. No início da maturação, ocorre o amolecimento da baga e a mudança da cor em variedades de uvas vermelhas. Durante o amadurecimento do fruto, a necessidade de água pela videira diminui, pois o crescimento vegetativo praticamente cessa, mas o crescimento da baga e a

Outro ponto a ser considerado é que de um mesmo vinhedo podem ser feitos mais de um tipo de vinho, caso a produção seja suficiente. Tudo isso deve ser pensado. O que se procura é a produção do melhor vinho possível a um preço que os consumidores estejam dispostos a pagar pela garrafa. Caso contrário, a atividade vitivinícola não se sustenta. Outro aspecto também observado por esses profissionais consultados é que a quantidade de uva a ser produzida é importante por causa dos custos e do manuseio de equipamentos para vinificação. Além da questão já comentada sobre a relação entre quantidade de produção de uvas, qualidade das uvas e dos vinhos e preço de venda da bebida, há também a questão em relação ao volume dos tanques que uma vinícola dispõe. Durante a fermentação alcoólica, um tanque não pode ficar totalmente cheio, mas se houver um espaço vazio muito grande devido a uma quantidade de uvas insuficiente para ocupar todo o seu volume, isso pode favorecer a ocorrência de processos oxidativos indesejáveis. Após a descuba, que consiste na separação da parte sólida da uva (casca e semente) do mosto, o tanque deve ficar cheio, mas caso a produção de uva seja menor que o desejado ou planejado, isso pode ser comprometido. Assim, a prática da irrigação em vinhedos destinados à produção de vinhos de inverno pode trazer resultados positivos além daqueles relacionados aos aspectos quantitativos e qualitativos das uvas produzidas no campo.

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José Giacoia Neto Engenheiro Agrícola, M.Sc. em Irrigação e Drenagem (UFV) e MBA em Gestão Comercial (FGV). Gerente Internacional de Negócios Américas, Rain Bird

Irrigação para estádios de futebol, grama natural - Parte I - INTRODUÇÃO Hoje em dia, a gestão da água é um dos grandes retornos que temos na irrigação esportiva. A irrigação automatizada por meio de aspersores rotor retrátil é o método estabelecido para campos de futebol. Várias federações de futebol em todo o mundo têm especificações de quais são os produtos adequados para irrigação e também quais são os padrões e projetos de instalação. Exemplos: UEFA, COMENBOL, FIFA, etc.

A irrigação para estádios de futebol sofreu uma grande inflexão na copa do mundo de 2010 na África do Sul. Vários problemas ocorreram em relação aos gramados. O principal problema foi o conceito de estádios “Arena”, ou seja estádios com mais cobertura e limitações de entrada de luz. Por isso os estádios que eram sempre abertos, tinham o gramado recebendo quase o mesmo número de horas de radiação solar passaram a ter uma série de microclimas durante o dia e também ao longo do ano. Será apresentada como são feitas as análises de microclima e movimento de entrada de luz solar na parte de setorização deste artigo. Existe uma variação do que se considera dimensões oficiais de um campo de futebol. Esta variação obviamente afeta o projeto de irrigação. As dimensões oficiais utilizadas em campeonatos organizados pela entidade FIFA é sempre de 75 x 110 metros em todos os estádios dos mundiais desde 2014. Porém em alguns campeonatos locais, por país ou regionais (FIFA sub 20, etc.), são aceitas dimensões menores. 2. CLASSIFICAÇÃO DOS CAMPOS DE FUTEBOL PARA ESTÁDIOS.

Fig. 1. Sistema de Irrigação com aspersores Rotores (“pop up”)

Este artigo é especificamente para sistema de irrigação para gramados esportivos de estádios de futebol com gramados naturais. Iremos em outros momentos tratar de irrigação para gramados artificiais em estádios e posteriormente para gramados esportivos de centros de treinamento, escolas e parques públicos.

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Não existe uma solução única para cada tipo de estádios, porém a classificação oferece um guia para eleger parâmetros e ter uma direção na elaboração do projeto. Deve ser realizado um estudo sobre os fatores para determinar o número de setores de irrigação, bocais, pressão de trabalho, especificação da automação, sensores, etc. Posteriormente será detalhado cada um deles. Basicamente dividimos os projetos de irrigação de estádios de futebol em três tipos:


Fig.2. Dimensões oficiais de um gramado de campo de futebol

2.1. Estádios tipo “abertos”

O resumo dos parâmetros para projetos de irrigação para estádios abertos está na tabela a seguir.

São aqueles que possuem entrada total de luz ao longo do dia. Não há sombra em nenhum lugar da superfície de jogo.

Tabela. 1. Parâmetros de projeto de irrigação para estádios classificados como abertos

Fig. 3. Figura ilustrativa de um estádio aberto

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Esses parâmetros consideram apenas a superfície de jogo ou, como usado no meio, as quatro linhas. Caso no estádio existam áreas gramadas fora da área de jogo como meias-luas e outras áreas a serem cobertas pelo sistema de irrigação, teremos alterações nesses valores.


2.2. Estádios “semifechados”

2.3. Estádios “Fechados”

Nestes estádios existem horários do dia em que predomina a sombra nas áreas de jogo. É necessário saber quais são as áreas de sombra matinal e sombra vespertina, bem como sombra de inverno e sombra de verão. Nessas etapas é necessário que os setores tenham um layout de acordo com as diferenças de entrada de luz e também características de microclima geradas por ventos predominantes e diferenças de temperatura.

Os estádios fechados apresentam condições de entrada de luz muito variadas por dia, mês e estações climáticas. Para este tipo de estádio a solução é com aspersores de funcionamento individual com um aspersor por setor. Para superfícies de jogo de dimensões oficiais máxima (75 x 110 metros), o número mínimo de emissores é de 35 aspersores de rotor.

Fig. 4. Figura Ilustrativa de um estádio “Semifechado”

Fig. 5. – Figura Ilustrativa de um estádio “fechado” ou tipo “Arena”

O resumo dos parâmetros para projetos de irrigação para estádios semifechados está na tabela a seguir.

O resumo dos parâmetros para projetos de irrigação para estádios semifechados está na tabela a seguir.

Tabela. 2. Parâmetros de projeto de irrigação para estádios classificados como semifechados

Tabela. 3. Parâmetros de projeto de irrigação para estádios classificados como fechados

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Como já mencionado, estes são os parâmetros mínimos existem outras exigências como a instalação de válvulas de acople rápido, para acesso a água manual. Um dado que muitos não conhecem é a orientação construtiva de estádios no sentido Norte-Sul. Isso ajuda na análise de divisão de setores por sol da manhã e sol da tarde e sol de inverno e sol de verão. A seguir imagens de estádios e as orientações em relação as coordenadas Norte Sul.

Fig. 7. Exemplo de um estádio semifechado com orientação precisa Norte-Sul

Fig. 6. Estádio Rei Pelé em Maceió, é um exemplo de um estádio aberto com um ângulo positivo em relação a orientação Norte-Sul

Fig.8. Imagem do Estádio Maracanã, classificado como estádio fechado e a orientação e com um ângulo maior que 30o em relação a direção Norte-Sul

Nas próximas edições iremos detalhar a eleição de produtos e como trabalhar com os parâmetros de irrigação para estádios de futebol com grama natural.

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Irrigazine # 84 by Revista Irrigazine - Issuu