EXPANDINDO O SERVIÇO ECLESIÁSTICO "Se me abençoares abundantemente, e me estenderes as minhas fronteiras, e a tua mão forcomigo, e me fizeres livrar do mal, de modo que me não aflija!" (1Cr 4.10, ARC) Esta é a oração de um homem chamado Jabez, e ela nos chega inserida em umcontexto de genealogia. Apenas para nos situarmos: o livro de Crônicas foi escrito paraa comunidade que retornara do cativeiro babilônico, para o qual o povo fora levado em586/585 a.C. e no qual permanecera por setenta anos. Agora, para umrestabelecimento na terra prometida, era preciso relembrar quem era quem na história— e é exatamente isso que as genealogias fazem. Neste trecho de 1 Crônicas 4.1-23temos o registro dos descendentes de Judá. Jabez, porém, pertence ao período dasgenealogias tribais, muito anterior ao exílio; sua oração é antiga, e foi preservadajustamente como encorajamento para os que voltavam. E é notável que, em meio a umregistro simples de nominata, esteja este recorte: a oração de um homem e a respostade Deus à sua oração! Antes de olharmos para o conteúdo da oração, notemos alguns detalhes sobre Jabez.Em primeiro lugar, percebemos que ele era um homem acostumado ao sofrimento. Onome Jabez, em hebraico, significa "dor". Sua mãe lhe deu esse nome porque o próprioparto já foi sofrido (1Cr 4.9b); depreende-se, portanto, que ele teve dias bem difíceis.Isso o levou a orar, pedindo a bênção de Deus sobre a sua vida. E aqui está uma boalição para todos nós: circunstâncias difíceis e esmagadoras não devem nos levar aodesespero, mas à oração! Como consequência de ter a bênção de Deus sobre a sua vida, Jabez deseja ter assuas "fronteiras alargadas". No Antigo Testamento, o avanço do Reino de Deusfrequentemente se expressava em conquistas militares e territoriais, de formageográfica — e a oração de Jabez ecoa essa expectativa de expansão. O texto,contudo, não nos informa o que se passava no coração de Jabez; a Escritura apenasregistra o que ele pediu e que Deus lhe concedeu. Por isso devemos rejeitar comfirmeza a leitura da prosperidade, que transforma essa oração registrada em fórmulagarantida de ganho material — algo que o texto jamais promete. Jabez, como todos ossantos do Antigo Testamento, desejava glorificar a Deus; e Deus o ouviu. A oração deJabez é testemunho da graça divina, não técnica de enriquecimento. Essa oração é muito significativa para os hebreus que retornavam do cativeiro, com ascabeças baixas, muito trabalho pela frente e certamente humilhados por tudo o que lhestinha acontecido. Eles precisavam se reposicionar na história e na terra que Deus lhesdera. A oração de Jabez serve para encorajá-los a rogar a bênção do Senhor, certos deque seriam ouvidos — pois foi exatamente isso o que aconteceu a Jabez. Vejam o quediz o texto sagrado: "E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido" (1Cr 4.10).
Ditas todas essas coisas, o que esse homem e sua oração ensinam para nós hoje?Creio que, em primeiro lugar, devemos entender que as dores da nossa vida não vêmpara nos destruir. O Senhor Deus, em sua soberania, preparou as dificuldades paraaprimorar-nos, a fim de que melhor o sirvamos. Não devemos jamais pensar que aspedras durante a nossa jornada são empecilhos que visam nos paralisar. Como diz oadágio: "As pedras não são dificuldades no caminho; elas são o caminho!" O queprecisamos é aprender a usá-las de maneira correta. Em segundo lugar, devemos clamar pela bênção de Deus para que Ele expanda onosso ministério, a nossa vida. No contexto do Antigo Testamento, como já foi dito, aexpansão era territorial. Não que hoje não o seja, de certa forma — tomara a Deus quenações inteiras se convertam! Mas a expansão que o Novo Testamento nos comunica éantes de tudo interior: devemos crescer em amor, abnegação, dedicação, humildade efraternidade. Isso reverberará em uma expansão eclesiástica, sem sombra de dúvidas,pois estaremos nos envolvendo no serviço cristão, cooperando uns com os outros. Elembremos que é por Cristo que as nossas orações chegam ao Pai (João 16.23-24) —e que a verdadeira expansão de fronteiras é o Evangelho alcançando as nações peloCrucificado e Ressurreto (Mateus 28.19; Atos 1.8). O crescimento, porém, é domsoberano de Deus (1 Coríntios 3.6-7): oramos e servimos com fidelidade; o avanço écom Ele. E Ele, às vezes, responde "não" — como ao próprio Cristo no Getsêmani —,mas o "não" do Pai foi o caminho da ressurreição (Hebreus 5.7). Amados irmãos, se em sincera consagração a Deus orarmos ao Senhor, Ele nos ouviráe terá prazer em derramar sobre nós a sua bênção. Quando isso acontecer, teremosuma maior entrega ao serviço do Senhor e expandiremos para todos os lados possíveis.Seremos uma igreja viva, amiga, unida! Encerro encorajando os amados a não selimitarem a fazer apenas uma ou duas coisas na Obra de Deus. Façam como Jabez!Não permitam que a dor os paralise, mas que ela seja um propulsor que os joga dejoelhos, clamando a Deus para que os faça frutificar e crescer no seu serviço. Issoredundará em um considerável avanço eclesiástico, e o nome de Cristo será glorificado. Que Deus em Cristo muito os abençoe!
Rev. Gustavo Silveira Pastor auxiliar da IPC
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