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Punto e Filo

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Tomie Ohtake, Pedro Lázaro, Zanini de Zanine, Giorgio Bonaguro e outros nomes do design contemporâneo

As histórias, os processos e os diálogos criativos que aproximam arquitetura, arte, memória e superfície têxtil brasileira

Da

FAU-USP às tapeçarias contemporâneas, o modernismo de Virgínia e Vilanova Artigas ganha nova permanência

ARTIGAS

Foto:
Rui Teixeira

A coleção traduz elementos originais da arquitetura de Vilanova Artigas em tapeçaria. Entre as peças estão tapetes inspirados na piscina da residência Elza Berquó, projetada em 1967, além de composições baseadas nas geometrias estruturais da FAU-USP, da Rodoviária de Jaú e de outros projetos que ajudaram a consolidar sua linguagem arquitetônica

Fotos: Rui Teixeira
Foto: Fábio Zanzeri
Planta: acervo FAU-USP e IVVA
Foto: acervo
IIVVA

As xilogravuras, guaches e cartazes de Virgínia Artigas também integram a série de tapetes. Obras produzidas durante períodos de forte tensão política, como a Guerra do Vietnã, revelam uma artista profundamente conectada às questões sociais e humanas de seu tempo.

A Punto e Filo transporta essa força gráfica para a tapeçaria, preservando contraste, textura e a expressividade das obras originais

Entre concreto, memória e superfície, a tapeçaria encontra no legado de Artigas uma nova leitura

Lançada em parceria com o Instituto Virgínia e Vilanova Artigas (IVVA) e com curadoria de Ana Sawaia, Marco Artigas e André Scarpa, a Coleção Artigas transforma desenhos, pisos, perspectivas arquitetônicas, guaches e xilogravuras do casal em tapeçarias contemporâneas produzidas em edição limitada de 100 peças. Mais do que utilizar referências visuais do modernismo brasileiro, a Punto e Filo desenvolveu uma tradução têxtil do pensamento artístico e arquitetônico de dois nomes fundamentais da cultura brasileira do século XX.

João Batista Vilanova Artigas foi um dos principais nomes da arquitetura nacional, fundador da FAU-USP e responsável por obras que ajudaram a consolidar a chamada Escola Paulista, movimento da arquitetura moderna brasileira entre as décadas de 1950 e 1970 marcado pelo uso expressivo do concreto, pela valorização da estrutura aparente e pela criação de espaços coletivos e integrados. Sua arquitetura defendia circulação livre, convivência e forte clareza estrutural, características presentes em projetos como a própria FAU-USP, o Edifício Louveira e a Rodoviária de Jaú.

Ao seu lado, Virgínia Artigas desenvolveu uma produção marcada pela xilogravura, pelos cartazes políticos e pela força gráfica do desenho manual. Artista ligada à imprensa, à militância e às questões sociais de seu tempo, construiu uma linguagem visual baseada em contraste, ritmo e expressividade.

Na coleção desenvolvida pela Punto e Filo, esses dois universos se encontram. De um lado, pisos, percursos e estruturas arquitetônicas transformados em superfície têxtil. Do outro, gravuras e composições gráficas reinterpretadas artesanalmente em tapetes e tapeçarias. O resultado aproxima arquitetura, arte e memória brasileira em peças que preservam o rigor visual das obras originais enquanto ampliam sua permanência dentro da casa contemporânea.

Fotos: Rui
Teixeira e acervo IVVA

O desafio técnico por trás da obra de Tomie Ohtake

Em 29 de novembro de 2013, um incêndio de grandes proporções atingiu o Auditório Simón Bolívar, no Memorial da América Latina, em São Paulo, projetado por Oscar Niemeyer, o espaço teve cerca de 90% de sua estrutura comprometida. Entre as principais perdas estava a monumental tapeçaria criada por Tomie Ohtake para integrar a arquitetura do Memorial desde sua inauguração, em 1989.

Com mais de 800 m², a obra fazia parte da identidade visual do complexo cultural e representava uma das mais importantes integrações entre arte e arquitetura brasileira. Reconhecida internacionalmente por sua linguagem abstrata e pelo movimento orgânico de suas formas, Tomie Ohtake construiu uma trajetória marcada por pinturas, esculturas e obras públicas de grande escala, tornando-se um dos nomes mais importantes da arte brasileira contemporânea. Pouco antes de sua morte, em 2015, Tomie autorizou oficialmente a reconstrução da peça. O processo passou então a ser acompanhado pelo Instituto Tomie Ohtake, sob curadoria de Ricardo Ohtake, que escolheu a Punto e Filo para assumir o desafio.

Refazer a obra exigia preservar fielmente cores, proporções e movimentos do desenho original, ao mesmo tempo em que a nova tapeçaria precisava atender às exigências técnicas do auditório restaurado. Diferente da versão original, produzida em partes posteriormente unidas, a nova obra foi executada em uma única peça contínua, sem emendas, tornando-se a maior tapeçaria do mundo produzida dessa forma. Foram aproximadamente 51 metros de comprimento por 12,5 metros de altura, totalizando cerca de 840 m². O processo envolveu cerca de 50 profissionais e aproximadamente 200 dias de fabricação. Na fábrica da Punto e Filo, em São Paulo, artesãos trabalharam em um processo de ponteamento manual aliado a sistemas de precisão técnica desenvolvidos especialmente para a obra, transformando a reconstrução em um marco técnico e artesanal sem precedentes para a tapeçaria mundial.

Fotos: Rafael Renzo

A visão de Pedro Lázaro do tapete como elemento arquitetônico e emocional

Na colaboração com a Punto e Filo, Pedro Lázaro desenvolveu a coleção Rever, série apresentada no Memorial da América Latina que explora memória, permanência e experiência sensorial dentro da arquitetura. Inspirados pelo desgaste natural dos materiais, pelas paisagens urbanas e pelas marcas deixadas pelo tempo, os tapetes trabalham sobreposições, texturas e contrastes de maneira silenciosa e contemplativa. Em vez de atuar apenas como complemento decorativo, as peças constroem atmosfera, profundidade e relação afetiva com os espaços.

SP-ARTE

Principal feira de arte da América Latina, a SP-Arte deste ano contou com a participação da Punto e Filo em um projeto concebido como experiência imersiva entre design, paisagem e pesquisa têxtil. Desenvolvido em parceria com o estúdio Fahrer e o paisagista Marcelo Faisal, o espaço transformou o estande em uma paisagem construída, onde mobiliário, vegetação e superfícies têxteis passaram a dialogar como parte de uma mesma composição.

PEDRO LÁZARO desenvolve uma tragetória que atravessa arquitetura, interiores, cenografia, expografia e direção de arte. Foi diretor artístico do Minas Trend por 14 edições, experiência que consolidou seu olhar sobre atmosfera, narrativa visual e construção sensorial dos espaços

Foto: Adriana Vasconcelos

A continuidade natural entre arquitetura e design de Rodrigo Ohtake

Filho do arquiteto Ruy Ohtake e neto de Tomie Ohtake, Rodrigo cresceu cercado por arte, arquitetura e design brasileiro. Formado pela FAU-USP, com passagem pelo Politécnico de Milão, desenvolveu uma produção marcada pela relação entre espaço, cor, matéria e percepção visual, aproximando arquitetura e design de maneira fluida e intuitiva.

Sua colaboração com a Punto e Filo começou com a coleção Herança Cultural, série de tapetes que investigava tridimensionalidade, geometria e composição cromática através de fios com diferentes alturas. Na sequência, ampliou sua pesquisa no campo da tapeçaria ao desenvolver peças em dípticos ao lado de Zanini de Zanine, explorando profundidade visual, textura e composição abstrata.

Em Meandros, sua segunda coleção para a marca, Rodrigo explora a fluidez do traço e as curvas da natureza em uma série inspirada nos rios brasileiros. A coleção trabalha combinações cromáticas mais ousadas, influenciadas pelo universo de Alfredo Volpi, além de permitir personalizações de cores e alturas de pelos, adaptando cada peça às necessidades dos projetos.

Apresentada na Casa Tomie Ohtake, a coleção reforça a relação entre memória, arte e arquitetura presentes em sua trajetória. Em suas criações para a Punto e Filo, o tapete passa a funcionar como extensão da própria arquitetura.

Fotos: Rui Teixeira
Da direção criativa ao circuito internacional, o tapete se aproxima cada

vez mais da linguagem da arte

Ao longo das últimas décadas, a Punto e Filo construiu uma trajetória onde o tapete gradualmente se distanciou da lógica puramente funcional para ocupar um território mais próximo da arte, da arquitetura e da coleção. Parte importante dessa transformação passou pelo encontro com criativos que entendem superfície, matéria e composição não apenas como acabamento, mas como linguagem visual capaz de alterar a percepção dos espaços.

Dentro desse percurso, Alfredo Barbosa de Oliveira teve um papel fundamental e continua sendo uma figura essencial para a marca. Sua direção criativa ajudou a consolidar uma identidade estética, aproximando tapeçaria contemporânea, geometria, cultura visual brasileira e arquitetura moderna em peças de forte presença gráfica. Sob seu olhar, a Punto e Filo se inseriu no circuito internacional de design, com apresentações em eventos como o Salone del Mobile, o mais importante evento de design do mundo, e apresentando o tapete Inhotim. Inspirado nas paisagens e percursos do instituto mineiro, o tapete hoje está exposto na Embaixada do Brasil em Roma.

Na sequência, Antonio Ferreira Jr. surge como continuidade natural desse entendimento do tapete como elemento autoral. SSua produção explora superfícies, texturas e composição de maneira mais silenciosa e sensorial, criando peças que não procuram protagonismo imediato, mas constroem profundidade, atmosfera e permanência dentro dos ambientes. Sua colaboração com a Punto e Filo também se reflete na coleção Aqquarius, inspirada pela geometria das décadas de 1960 e 1970, com contrastes cromáticos e movimentos visuais que aproximam os tapetes da arte cinética e do concretismo brasileiro. Cada peça busca traduzir não apenas um padrão visual, mas também uma sensação de movimento e transformação no ambiente. Embora partam de linguagens distintas, ambos compartilham uma percepção semelhante sobre o papel do tapete na arquitetura contemporânea. Mais do que complemento decorativo, ele passa a atuar como superfície capaz de organizar ritmo visual, memória e identidade espacial. O resultado é uma produção onde matéria, desenho e expressão artística convivem de forma inseparável.

ALFREDO BARBOSA DE OLIVEIRA foi um artista autodidata que se destacou na criação de tapetes no Brasil. Nascido em Campinas, ele se mudou para Nova York nos anos 1980 para aprimorar sua prática. Sua obra mistura arte contemporânea, surrealismo e a cultura popular brasileira, criando peças vibrantes e geométricas

Foto: Marquinhos
Foto: Gladstone Campos

ANTONIO FERREIRA JR. é arquiteto e designer, conhecido por sua abordagem sensorial e gráfica. Sua carreira começou com a fundação da AMC Arquitetura, e sua colaboração com Alfredo Barbosa de Oliveira o influenciou no design de tapetes, explorando formas geométricas, cores contrastantes e a fusão entre arte e arquitetura

FotoS: Fábio
Zanzeri
O olhar estrangeiro encontra

no modernismo e na paisagem brasileira uma nova forma de interpretação

Quando designers de diferentes origens observam o Brasil, raramente enxergam apenas formas. Existe sempre uma leitura sobre luz, natureza, escala e convivência. Nas coleções desenvolvidas por Giorgio Bonaguro e Pedro Useche para a Punto e Filo, o modernismo brasileiro aparece reinterpretado a partir dessa distância sensível.

O italiano Bonaguro trabalha com equilíbrio, rigor geométrico e proporção, enquanto o venezuelano Useche aproxima paisagem, organicidade e composição gráfica. Em comum, ambos encontram no Brasil não um repertório exótico, mas uma cultura visual sofisticada, capaz de transformar arquitetura, vegetação e matéria em linguagem contemporânea.

As peças revelam justamente essa troca: um design internacional que não suaviza a identidade brasileira, mas a reorganiza sob novas perspectivas.

PEDRO USECHE, nascido na Venezuela, construiu uma linguagem visual fortemente ligada à paisagem, à arte gráfica e às formas orgânicas da natureza latino-americana. Em suas coleções para a Punto e Filo, ele utiliza cores, linhas e superfícies de maneira fluida e intuitiva, transformando referências naturais e arquitetônicas em tapetes de forte expressão contemporânea

BONAGURO, italiano com forte ligação com o Brasil, desenvolveu uma produção marcada pelo equilíbrio entre rigor geométrico, artesanato e pesquisa material. Suas coleções refletem um olhar sensível à cultura material brasileira, integrando técnica e tradição de forma única

GIORGIO
Foto:
Fábio
Zanzeri
Foto:
Julio Oliveira
Studio
Marco A. Benedetti

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Diferentes linguagens encontram no tapete possibilidades infinitas

Não existe uma única maneira de pensar a tapeçaria dentro da Punto e Filo. Talvez seja justamente essa amplitude que permita à marca atravessar diferentes linguagens sem perder identidade. Nas criações de Ana Weege, o grafismo aparece com ritmo preciso, transformando padrões e composições em estruturas visuais delicadamente calculadas. Alessandra Delgado aproxima arquitetura e superfície, traduzindo referências modernistas brasileiras em desenhos que trabalham profundidade, vazio e proporção. Já o estúdio Lattoog leva o tapete para um território mais experimental, onde matéria, cor e forma assumem comportamento quase escultórico. Embora partam de lugares distintos, todos compartilham uma mesma compreensão: o tapete não ocupa apenas o chão. Ele altera atmosfera, percepção e permanência.

ALESSANDRA DELGADO, arquiteta e designer, tem uma trajetória focada na relação entre arquitetura, arte e materialidade. Sua coleção Minus traduz uma abordagem minimalista e atemporal, integrando o tapete ao espaço como extensão da arquitetura

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ESTÚDIO LATTOOG, formado por Leonardo Lattavo e Pedro Moog, é reconhecido pela fusão entre arquitetura, arte e design. A coleção Paulioca traduz a energia urbana das metrópoles brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo, em tapetes com forte caráter gráfico.

ANA WEEGE, arquiteta e designer de interiores, se destaca pela mistura entre sofisticação contemporânea e repertório pop. Seu trabalho é reconhecido pela sensibilidade estética e pela capacidade de criar espaços acolhedores e marcantes

Foto: Marquinhos
Foto: Felipe Gombossy
Foto: Xico
Diniz
Foto: Marquinhos

Tradição, matéria e responsabilidade atravessando gerações

Desde 1934, a família Pisaneschi constrói uma trajetória ligada à tradição têxtil, ao conhecimento artesanal e à relação entre matéria, textura e arquitetura. Ao longo de três gerações, a marca transformou o fazer manual em uma linguagem capaz de unir arte, design e superfície, preservando processos artesanais e rigor construtivo.

Essa consciência também se reflete na escolha dos materiais. Muito antes da sustentabilidade se tornar pauta central no design, a empresa já via permanência e responsabilidade como elementos essenciais à qualidade. Hoje, a marca utiliza o fio ECONYL®, desenvolvido pela italiana Aquafil a partir de resíduos como redes de pesca retiradas dos oceanos, carpetes descartados e sobras industriais. O material mantém as características técnicas do nylon virgem, mas reduz significativamente o impacto ambiental.

Na fábrica da marca, em São Paulo, tecnologia e artesanato continuam trabalhando juntos. Cada peça passa por processos minuciosos de costura, inserção manual dos fios e controle técnico de acabamento, preservando uma cadeia que não se limita ao uso de máquinas, mas envolve famílias inteiras de artesãos que atravessam gerações, compartilhando conhecimento, precisão e sensibilidade.

Além de colaborar com designers renomados, a Punto e Filo também oferece a possibilidade de criar peças exclusivas, permitindo que clientes desenvolvam desenhos personalizados para seus próprios projetos. Essa abordagem oferece aos arquitetos e designers uma ferramenta para complementar e transformar seus espaços, criando uma conexão única entre o design têxtil e o ambiente arquitetônico.

Os tapetes da Punto e Filo, assim, deixam de ser simples objetos decorativos e se tornam uma extensão do espaço arquitetônico, com a capacidade de moldar e enriquecer o ambiente de forma orgânica e sustentável.

MATRIZ

Rua da Consolação, 3.031 Jardins, São Paulo/SP +55 (11) 3061-1412 www.puntoefilo.com.br @ puntoefilo

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