Issuu on Google+

0

INSTITUTO ADVENTISTA PARANAENSE

LUCIELE RODRIGUES GONÇALVES

FINANÇAS COMPORTAMENTAIS E O PERFIL DOS TOMADORES DE DECISÃO DA IASD NA REGIÃO SUL DO BRASIL – UM ESTUDO DE CASO

Ivatuba – PR 2010


1

LUCIELE RODRIGUES GONÇALVES

FINANÇAS COMPORTAMENTAIS E O PERFIL DOS TOMADORES DE DECISÃO DA IASD NA REGIÃO SUL DO BRASIL – UM ESTUDO DE CASO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Adventista Paranaense, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Administração, sob orientação do Prof. Ms. Kleber Fabiano Angeli.

Ivatuba – PR 2010


2

DEDICATÓRIA

A Deus, por Seus planos serem maiores e melhores. Às minhas sobrinhas, Eduarda e Sabrina, por serem a razão de minha inspiração e alegria. Ao meu irmão, José Lairson Rodrigues Gonçalves, melhor amigo e companheiro de lutas. Aos meus pais e irmã, pelo estímulo, confiança e apoio em todos os momentos. A Kleber Fabiano Angeli, além do entusiasmo contagiante e ética profissional, por acreditar em mim e saber me motivar em todos os momentos.


3

AGRADECIMENTOS

A todos, que de forma direta ou indireta, colaboraram para a realização deste trabalho, em especial a: A Deus, pela direção, força e sabedoria em todos os momentos. A minha mãe, Maria Derani Rodrigues Gonçalves, pois mesmo com os olhos cheios de lágrimas pela separação, sempre me incentivou a voltar para o colégio e nunca mediu esforços para me ajudar. Ao meu pai, Arnaldo Luis Moreira Gonçalves, por ser tão “coruja”. Saiba que o brilho que eu via em seus olhos cada vez que eu dizia a nota que tinha tirado ou a conquista alcançada, foi a maior fonte de inspiração nos dias difíceis. Ao José Lairson Rodrigues Gonçalves, pela parceria, amizade, apoio. Você é o meu modelo de dedicação e inteligência. Aos meus amigos, que deram brilho e alegria durante este período no IAP: Adriana Nespolo, Adriana Louzada Luciano, Aline Rocha dos Santos, Bruna Dalpículo Balieiro Rodrigues, Daniely Daiany Franz, Elaine Gabriela Pereira, Fernanda Ester de Oliveira, Kelly Cristine Piolli, Lucilene Cristina Negreli, Olindamara Cristina de Souza, Patrícia Ferreira Angelo, Rafael Uflacker Lang e Siciliana de Oliveira Gomes. Vocês foram a minha segunda família. Ao Pastor Manoel Oliveira, Elizete Oliveira e Erivelton Mota, pelo incentivo na hora mais difícil da minha vida e por me motivarem a lutar pelos meus sonhos. Vocês têm grande participação nesta conquista. Ao Pastor Jetro Castro Ortega, pela amizade, conselhos, orações e incentivo. Nunca vou esquecer. Ao meu orientador, professor e amigo Kleber Fabiano Angeli, pelas orientações, paciência, motivação, ética e dedicação. Saiba que aprendi muito com você. Ao professor Luis Daniel Pittini Strumiello, pelo apoio, confiança e incentivo, tanto na aplicação da pesquisa quanto nas instruções sobre a realização do trabalho. Aos demais professores: Adenomar Neves de Carvalho, Alexandre Marcelo Coutinho Guedes, Alfredo Ernesto Erfurth, André Gustavo Oliveira da Silva, Angela Rocha da Silva Guedes, Antônio Cézar de Azevedo, Carlos Alberto Blotz, David Lemos Correia, Edmar Bonfim de Oliveira, Giovanni Nanni, Humberto Marshal Mendes Gimenez, Iuri Gomes Ramos e José Carlos de Jesus Lopes. Cada um, com suas habilidades e personalidades diferentes, contribuiu muito com tudo o que aprendi na graduação e marcaram a minha vida. Às minhas chefes: Elis Regina Silva Mazzo, Elieth Lessa Fonseca, Maria Lúcia Rodrigues de Lima Marques, Noely Cibeli dos Santos e Rita Cassiane Pimentel Carpes pela flexibilidade, compreensão, amizade e apoio. À União Sul Brasileira por abrir as portas e propiciar a realização deste trabalho.


4

EPÍGRAFE

“A maior recompensa do nosso trabalho não é o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos transforma”. Jonh Ruskin


5

RESUMO

As Finanças Comportamentais configuram um novo modo de avaliar o comportamento dos indivíduos que tomam decisões ligadas a finanças dentro e fora das organizações. Tal abordagem confronta o paradigma tradicionalmente aceito baseado na Teoria Moderna de Finanças através da utilização da Psicologia e da Sociologia para explicar a atitude dos indivíduos perante decisões financeiras, tomando como premissa que os agentes possuem restrições cognitivas e são influenciados por fatores psicológicos em seus processos de análise e tomada de decisão. Levando em consideração que as decisões estão presentes em todos os níveis hierárquicos de uma organização e que cada escolha gerará ações e consequências que afetarão o desempenho da organização, o presente trabalho se propõe a identificar o perfil dos gestores financeiros da Igreja Adventista do Sétimo Dia da Região Sul brasileira na tomada de decisão financeira, baseado na teoria das Finanças Comportamentais. Para atingir esse objetivo foi delineada inicialmente a revisão da literatura, a seguir foi feita uma pesquisa documental e, posteriormente, a replicação de um questionário estruturado, baseado no modelo original de Kahneman e Tversky (1979) para os colaboradores da instituição pesquisada. Percebeu-se que os resultados apresentaram as mesmas tendências da pesquisa original, no entanto, neste estudo, notou-se que os efeitos foram menos acentuados comparativamente aos prospectos da pesquisa original, destacando-se um maior grau de aversão ao risco. Essa atitude pode estar relacionada aos princípios adotados pela organização no que se refere à tomada de decisão financeira, o que favorece a ampliação deste constructo e posterior aplicação em pesquisas futuras. O estudo alcançou os objetivos estabelecidos, uma vez que permitiu delinear um perfil do administrador da IASD na Região Sul, e evidenciou as características que configuram o gestor mais conservador e as peculiaridades que definem o agente mais arrojado.

Palavras-chave: Finanças Comportamentais. Tomada de Decisão. Finanças. Teoria do Prospecto.


6

ABSTRACT

Behavioral Finance configure a new way to evaluate the behavior of individuals who make decisions related to finances inside and outside organizations. Such an approach confronts the traditionally accepted paradigm based on the Modern Theory of Finance through the use of psychology and sociology to explain the attitude of individuals towards financial decisions, taking as its premise that the agents have cognitive limitations and are influenced by psychological factors in their processes analysis and decision making. Taking into account that decisions are present in all levels of an organization and that each choice will generate actions and consequences that affect the organization's performance, this study is to identify the profile of the financial managers of the Seventh-Day Adventist Church Southern Brazil's financial decision-making, based on the theory of Behavioral Finance. To achieve this goal was outlined initially reviewing the literature, then we made a documentary research and subsequently the replication of a structured questionnaire, based on the original model of Kahneman and Tversky (1979), for the employees of the institution. It was noticed that the results showed the same trends of original research, however, in this study, we noted that the effects were less pronounced compared to the prospects of original research, highlighting a greater degree of aversion to take risc. This attitude can be related to the principles adopted by the organization in relation to financial decision-making which favors expansion of this construct and subsequent application in future research. The study reached the goals set since it allowed an outline profile of the administrator of the church in the southern region and highlighted the characteristics that shape the manager more conservative and the peculiarities that define the agent bolder. Key-words: Behavioral Finance. Decision-making. Finance. Prospect Theory.


7

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

FIGURA 1

Enunciado do estudo do efeito certeza ............................................................................. 71

FIGURA 2

Enunciado sobre atitudes perante o risco para diferentes probabilidades dos prospectos ......................................................................................................................... 72

FIGURA 3

Enunciado do seguro probabilístico................................................................................... 73

FIGURA 4

Enunciado do estudo da influência da estruturação dos prospectos nas escolhas. .......... 74

FIGURA 5

Enunciado do estudo da importância das alterações na riqueza em contraposição aos resultados finais .................................................................................. 75

FIGURA 6

Enunciado do estudo de falhas na invariância ................................................................. 76


8

LISTA DE TABELAS

TABELA 1

Gênero dos colaboradores da USB.................................................................................. 65

TABELA 2

País de origem ................................................................................................................. 66

TABELA 3

Região de origem ............................................................................................................. 66

TABELA 4

Idade dos funcionários da USB ........................................................................................ 66

TABELA 5

Grau de escolaridade ....................................................................................................... 67

TABELA 6

Instituição na qual trabalha ............................................................................................. 68

TABELA 7

Trabalha em instituição de ensino .................................................................................... 68

TABELA 8

Função dos funcionários da USB ..................................................................................... 69

TABELA 9

Tempo de trabalho na IASD. ............................................................................................ 70

TABELA 10 Estudo do Efeito Certeza ................................................................................................. 72 TABELA 11 Atitudes perante o risco.................................................................................................... 73 TABELA 12 Prospectos do seguro probabilístico ................................................................................ 73 TABELA 13 Influência da estruturação dos prospectos nas escolhas ................................................. 74 TABELA 14 Importância das alterações na riqueza em contraposição aos resultados finais .............. 75 TABELA 15 Estudo de falhas de invariância........................................................................................ 76 TABELA 16 Função dos colaboradores x tempo de trabalho na IASD ................................................ 77 TABELA 17 Função x idade dos funcionários da USB ........................................................................ 77


9

LISTA DE QUADROS

QUADRO 1 Pilares que sustentam os pressupostos da teoria moderna de finanças .......................... 23 QUADRO 2 Relação entre os objetivos específicos, os conceitos-chave, os autores, instrumentos de pesquisa e os resultados esperados ...................................................... 63


10

LISTA DE GRÁFICOS

GRÁFICO 1 Gênero dos colaboradores.............................................................................................65 GRÁFICO 2 Idade dos funcionários da USB......................................................................................67 GRÁFICO 3 Função dos funcionários da USB...................................................................................69 GRÁFICO 4 Tempo de trabalho na IASD...........................................................................................70


11

LISTA DE SIGLAS

AC

Associação Catarinense

ACP

Associação Central Paranaense

ACSR

Associação Central Sul Riograndense

ANP

Associação Norte Paranaense

ASP

Associação Sul Paranaense

ASR

Associação Sul Riograndense

CAPM

Asset Pricing Model

CATRE

Centro Adventista de Treinamento e Recreação

HME

Hipótese de Mercados Eficientes

IACS

Instituto Adventista Cruzeiro do Sul

IAESC

Instituto Adventista de Ensino de Santa Catarina

IAP

Instituto Adventista Paranaense

IASD

Igreja Adventista do Sétimo Dia

MOSR

Missão Ocidental Sul Riograndense

PT

Prospect Theory

DAS

Divisão Sul-Americana

TUE

Teoria da Utilidade Esperada

USB

União Sul-Brasileira


12

SUMÁRIO

RESUMO .................................................................................................................................................. 5 ABSTRACT .............................................................................................................................................. 6 LISTA DE ILUSTRAÇÕES ....................................................................................................................... 7 LISTA DE TABELAS................................................................................................................................ 8 LISTA DE QUADROS ............................................................................................................................. 9 LISTA DE GRÁFICOS ........................................................................................................................... 10 LISTA DE ABREVIATURAS E/OU SIGLAS ......................................................................................... 11 INTRODUÇÃO........................................................................................................................................ 14

1

FINANÇAS TRADICIONAIS ..................................................................................................... 17

1.1

Um histórico sobre a teorização das finanças tradicionais ................................................ 17

1.2

Os principais conceitos teóricos das finanças tradicionais para a tomada de decisão... 19

1.3

Das finanças tradicionais às finanças modernas – a teoria da utilidade esperada .......... 22

2

TEORIA DA TOMADA DE DECISÃO ...................................................................................... 27

2.1

Principais abordagens teóricas sobre tomada de decisão ................................................. 27

2.2

Conceitos de risco, incerteza e tomada de decisão ............................................................ 28

2.3

Como as organizações decidem em condições de risco .................................................... 31

2.4

A racionalidade e o comportamento na tomada de decisão .............................................. 32

3 3.1 3.2 3.3 3.4 3.5

FINANÇAS COMPORTAMENTAIS.......................................................................................... 35 Um histórico sobre a teorização das finanças comportamentais ...................................... 35 A Teoria dos Prospectos ........................................................................................................ 38 O processo cognitivo como gerador de vieses do comportamento racional.................... 40 Fundamentos do comportamento não racional ................................................................... 42 Finanças comportamentais versus finanças tradicionais: o racionalismo das finanças tradicionais ao não racionalismo das finanças comportamentais ..................................... 46

4 4.1

IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA................................................................................. 51 Estrutura organizacional da Igreja Adventista do Sétimo Dia ............................................ 52


13

4.2

Administração financeira da Igreja Adventista do Sétimo Dia............................................ 56

5

MATERIAIS E MÉTODOS ........................................................................................................ 58

6 6.1 6.2

UNIÃO SUL-BRASILEIRA – UM ESTUDO DE CASO............................................................. 64 Histórico e caracterização da USB ........................................................................................ 64 Análise e interpretação dos dados ........................................................................................ 65

7

CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................................... 79

REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 82

APÊNDICES ........................................................................................................................................... 87

ANEXOS................................................................................................................................................. 94


14

INTRODUÇÃO

Dentre os principais temas que são debatidos atualmente no campo das Finanças encontra-se a validade das teorias tradicionais, uma vez que há um distanciamento cada vez maior entre a teoria e a prática, ou seja, existe dissonância entre o comportamento esperado e as atitudes efetivas dos indivíduos diante de decisões financeiras. Nesse contexto, surgiram as Finanças Comportamentais como um novo método de avaliar o mercado financeiro e que utiliza a Psicologia e a Sociologia para explicar as atitudes dos indivíduos. Desta forma, tal premissa constitui um avanço teórico que visa aproximar os modelos financeiros e a prática da tomada de decisão ao relaxar a hipótese da racionalidade adotada pela teoria dos mercados eficientes, aceitando que os agentes possuem restrições cognitivas e são influenciados por fatores psicológicos e comportamentais em seus processos de análise e tomada de decisão, principalmente quando estão diante de incertezas (BARATELLA, 2007). Levando em consideração que as decisões estão presentes em todos os níveis hierárquicos de uma organização, e que cada escolha gerará ações e consequências que afetarão o desempenho da organização, aprofundar o entendimento referente ao processo de tomada de decisão colocará a instituição numa posição estrategicamente superior em termos competitivos, uma vez que, além dos fatores externos que influenciam o processo de decisão, os indivíduos estão sujeitos a tendências comportamentais e preconceitos psicológicos que podem levar a erros sistemáticos de avaliação de probabilidades e riscos. Por isso, o conhecimento desses fatores poderá afetar positivamente o desempenho dos agentes, além de evitar consequências negativas nas decisões de investimentos, melhorando o processo de alocação de investimentos. O presente estudo também proporciona uma oportunidade ímpar para que a organização possa interpretar o comportamento dos tomadores de decisão e comparar com as atitudes esperadas destes agentes em relação às normas, filosofia e praxe da instituição. Ademais, servirá como material de pesquisa para futuros trabalhos, podendo ser fonte de comparação juntamente com a pesquisa original e brasileira. Dentro deste contexto, o presente trabalho se propõe a compreender como os gestores da Igreja Adventista do Sétimo Dia fazem suas escolhas financeiras, através da seguinte questão problema: Qual o perfil dos gestores financeiros da Igreja Adventista do Sétimo Dia da União Sul-Brasileira na tomada de decisão financeira, baseados na teoria das finanças comportamentais?


15

Para responder tal indagação estabeleceu-se como objetivo geral deste trabalho identificar o perfil dos gestores financeiros da Igreja Adventista do Sétimo Dia na União Sul Brasileira com base na Teoria das finanças comportamentais. Este foi segmentado nos seguintes objetivos específicos: Identificar os tomadores de decisões financeiras da IASD e seus respectivos perfis na tomada de decisão; Mapear onde estão localizadas as instituições pertencentes à Igreja Adventista na União Sul Brasileira e a estrutura da tomada de decisão organizacional; Comparar o resultado dos perfis dos tomadores de decisão nos quesitos idade, formação acadêmica e atividade desenvolvida na instituição; Comparar funcionários recém contratados com os antigos no intuito de verificar se a experiência como colaborador da IASD tem impacto sobre o modo como tomam decisões. Percebeu-se que todas as tendências identificadas na pesquisa original (Kahneman e Tversky, 1979) e na pesquisa brasileira (Kimura et al, 2006) se repetiram nos resultados obtidos através do estudo com os gestores da IASD na USB. Porém, os efeitos foram menos acentuados na maioria das questões em que a tendência era escolher o prospecto que envolvia maior risco e maior retorno, ou seja, em situações em que ambas as alternativas envolviam grande propensão a perdas, e por isso, a tendência da maioria dos respondentes seria escolher a alternativa que traria um maior retorno financeiro. No intuito de alcançar os objetivos propostos, primeiramente foram abordados os principais conceitos concernentes às Finanças Tradicionais, incluindo um breve histórico, as premissas adotadas por este campo das finanças no que se refere à tomada de decisão e também a evolução deste pressuposto e surgimento das Finanças Modernas, abordados na seção 1. Na sequência, a seção 2 trata sobre a Teoria da Tomada de Decisão. Primeiramente aponta as principais abordagens teóricas sobre tomada de decisão, em seguida conceitua risco e incerteza no contexto de decisões, faz algumas considerações teóricas de como as organizações decidem em condições de risco e por último, aborda a racionalidade e o comportamento na tomada de decisão. A terceira seção aborda o tema Teoria das Finanças Comportamentais, explana os pressupostos referentes à Teoria dos Prospectos, discute o processo cognitivo e os vieses do comportamento racional e apresenta os principais conceitos que fundamentam o comportamento não racional. A seção quatro se refere à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Primeiramente faz algumas considerações sobre o surgimento de tal instituição, em sequência apresenta a estrutura organizacional da IASD e por último descreve os pressupostos adotados por esta instituição no que se refere à administração financeira.


16

A quinta seção caracteriza o estudo em relação aos instrumentos metodológicos adotados. Na sexta seção é feita uma breve descrição sobre a empresa estudada e são apresentadas as análises e interpretações dos resultados relacionados ao problema de pesquisa. Por fim, a sétima seção responde pelas considerações finais, na qual estão as principais considerações e sugestões referentes à pesquisa realizada, restrições encontradas e sugestões para novos estudos. Por último estão as bibliografias consultadas e citadas no trabalho, o apêndice e os anexos.


17

1 FINANÇAS TRADICIONAIS

1.1 Um histórico da teorização das finanças tradicionais

Segundo a ótica de Halfeld e Torres (2001) um modelo é um ensaio preparado no intuito de reproduzir a realidade. Se esta for muito complexa, são elaboradas suposições e aproximações com o fim de simplificar o procedimento de forma que não danifique sua fidelidade ao mundo real. No que tange à história das finanças, Santos (2006) comenta que no século XX esta passou por três fases distintas: Primeiramente, as finanças antigas ou tradicionais, que enfatizavam os aspectos legais relacionados à empresa, ou seja, preocupavam-se com o lado do passivo no balanço, avaliando o uso de títulos de crédito e analisando demonstrações financeiras; A partir dos anos cinquenta surgiram as finanças modernas que se baseiam em modelos de risco-retorno e partem do princípio da racionalidade do investidor e da eficiência do mercado; As novas finanças surgiram a partir dos anos noventa e vieram em decorrência da dificuldade que o modelo vigente encontrava em explicar uma série de anomalias, ou seja, comportamentos empíricos não explicados pela teoria moderna. Macedo (2003) sustenta que, entre as premissas adotas pelo Modelo Tradicional de Finanças, está a possibilidade de ocorrência de comportamentos irracionais. Tal fato está relacionado à atitude otimista dos investidores quando se propõem a pagar valores superiores aos preços reais dos ativos, ou atitude pessimista, ocasiões que não se dispõem a pagar o valor do ativo. Outro aspecto levantado por Macedo (2003) foi a existência de má precificação do valor dos ativos pelo mercado gerando ativos subavaliados e sobrevalorizados. Dentro deste contexto, é possível ganhar mais que o mercado por meio da formação de carteiras de investimento que possam render acima da média do mercado. Ao referir-se a esse assunto, Baratella (2007) afirma que o mercado nem sempre está certo e, por isso, é possível obter ganhos através do conhecimento dos erros deste. O autor sugere duas estratégias usadas pelos investidores adeptos das Finanças Tradicionais: a análise fundamentalista, que se preocupa em estudar os fundamentos das empresas e seus demonstrativos e a análise gráfica, que busca entender as séries passadas dos preços. A despeito disso, Macedo (2003) classifica os investidores em duas categorias, de acordo com a tática utilizada para vencer o mercado: os observadores do mercado e os selecionadores de títulos.


18

Os observadores do mercado (market timers), também conhecidos como analistas técnicos ou analistas gráficos, buscam prever a direção dos mercados financeiros e o comportamento da grande maioria dos investidores mediante gráficos elaborados a partir de séries históricas de preços (DAMODARAN, 2001). Conforme Hamilton (1922, apud Macedo, 2003) a análise técnica, usada pelos observadores de mercado, se sustenta em três premissas centrais: qualquer fator que influencie o preço de um ativo já está refletido no preço corrente deste ativo e a estratégia a ser utilizada é estudar o comportamento do mesmo; os preços oscilam em tendências e, por isso, a análise técnica busca identificá-las no seu estágio inicial para tirar vantagens; a história tende a se repetir, com isso, identificando o que funcionou no passado é possível planejar o futuro de maneira promissora. Desta forma, os preços passados são a melhor previsão para os preços vindouros, sendo possível usá-los para projetar resultados e lucros futuros. Os selecionadores de títulos (stock picking), também denominados analistas fundamentalistas, utilizam-se de demonstrações contábeis e planos de investimento das empresas para encontrar ativos subavaliados ou sobrevalorizados (DAMODARAN, 2001). Nesse aspecto, os investidores fundamentalistas não crêem que todos os fatores que afetariam o preço dos ativos estejam refletidos imediatamente no preço corrente destes, possibilitando ao mercado incorrer em erros ao avaliar as empresas. Diante disso, o analista fundamentalista avalia os dados contábeis das empresas, buscando calcular o valor presente dos fluxos de caixa futuro de um investimento específico no intuito de identificar aquelas que não estão sendo avaliadas de forma justa. Em adição, Macedo (2003) menciona que a análise fundamentalista consiste no emprego de instrumentos de avaliação para verificar os fundamentos das empresas, ou seja, mensuram a forma pela qual os números, o grau de endividamento, o histórico da empresa e as perspectivas para o setor influenciam o preço dos ativos. Esses indicadores, comparados com o panorama macroeconômico e o valor comercial do papel, são usados para determinar se uma ação específica constitui um bom investimento. Outro aspecto englobado na análise fundamentalista é o confronto entre a estrutura de ativos e passivos de uma empresa a fim de verificar se estes são compatíveis e se os investimentos praticados são satisfatoriamente rentáveis para saldar os juros e remunerar o capital próprio. De acordo com esse preceito, existe uma relação ideal entre as contas do balanço de uma empresa. Assim sendo, o ativo circulante deve apresentar um valor superior ao do passivo circulante, igualmente, o ativo realizável a logo prazo deve ser maior que o exigível a longo prazo. Existe uma porcentagem admissível de endividamento e capital próprio e considera-se uma irregularidade financiar o imobilizado


19

com endividamento, este deve ser financiado com o capital próprio por apresentar a característica permanente (MACEDO, 2003). Macedo (2003) sustenta que os métodos de análises fundamentalista e técnica constituem as técnicas utilizadas pelos adeptos do modelo tradicional de finanças para tomar decisões de investimentos, e que o objetivo central é formar carteiras que apresentem rentabilidade superior à média do mercado, defendendo a idéia de concentração de investimentos em vez de diversificação.

1.2 Os principais conceitos teóricos das finanças tradicionais para tomada de decisão

Segundo Dacorso (2000, p.64) “tomar decisão faz parte de qualquer atividade humana, desde a mais simples e rotineira ação individual, até o mais complexo projeto empreendido por grandes corporações. Em cada caso existem diferentes problemas envolvidos e diferentes graus de dificuldade para se tomar decisão”. O autor também menciona que as escolhas são feitas no intuito de alcançar determinados objetivos, baseados em crenças sobre quais ações permitirão que se alcancem tais desígnios. Um processo eficaz de tomada de decisão é uma parte fundamental da boa administração, uma vez que as decisões definem como a organização resolve seus problemas, aloca seus recursos e realiza suas metas. Desta forma, Daft (2005, p.196) define a tomada de decisão como “[...] o processo de identificar os problemas e as oportunidades e em seguida solucioná-los”. O autor ainda afirma que “uma decisão é uma escolha feita das alternativas disponíveis”. Existem duas categorias nas quais as decisões administrativas podem se enquadrar: decisões programadas e decisões não-programadas. As decisões programadas acontecem como resposta a uma situação que ocorre frequentemente e para a qual já existem regras que determinam como agir, enquanto que as decisões não-programadas envolvem situações singulares, para as quais não existe uma estrutura formal de ação (BETHLM, 1987). Cada ocasião que envolve escolha pode ser organizada em uma escala segundo a disponibilidade de informações e a possibilidade de fracasso. As quatro categorias em que as decisões podem ser enquadradas são: certeza, risco, incerteza e ambiguidade. Em condições de certeza, o decisor dispõe de todas as informações que precisa para fazer a escolha. Casos de decisão em situação de risco envolvem escolhas com metas bem determinadas e boas informações disponíveis,


20

porém, os resultados futuros associados a cada alternativa de ação estão sujeitos a mudança. Em ocasiões de incerteza, os tomadores de decisão sabem quais metas perseguir, no entanto, as informações sobre cada curso de ação e os eventos futuros são insuficientes. Em casos de ambiguidade, as metas e os problemas a serem resolvidos não estão definidos e as informações sobre os resultados de cada ação não estão disponíveis (DAFT, 2005). Segundo Daft (2005) entre os modelos que caracterizam a forma como o administrador toma decisões destacam-se: Modelo Clássico, Modelo Administrativo e Modelo Político. O Modelo Clássico é baseado na proposição de que os administradores devem tomar decisões racionais que trarão o melhor retorno econômico para a empresa. Para que isso seja possível, o tomador de decisão trabalhará para alcançar os objetivos conhecidos, definirá com precisão quais são os problemas a serem resolvidos, buscará o maior número possível de informações para gerar condições de certeza, usará critérios conhecidos para avaliar as alternativas de ação, selecionará a opção que trará o maior retorno econômico para a organização e sempre chegará a tais conclusões por meio do uso da lógica e da razão, seja para ordenar preferências, avaliar as alternativas ou tomar a decisão final. Este modelo de tomada de decisão pode ser considerado normativo, uma vez que define como o decisor deveria agir em vez de descrever como os indivíduos realmente decidem. Nesse contexto, pode-se afirmar que entre os benefícios trazidos por tal abordagem metodológica está a ajuda propiciada aos indivíduos para que sejam mais racionais ao fazerem suas escolhas (DAFT, 2005). O Modelo Administrativo é baseado na obra de Herbert Simon, o qual propôs que a racionalidade dos indivíduos é limitada principalmente em virtude do tempo, habilidade para processar as informações e impossibilidade de trabalhar com todas as informações disponíveis, tendo como premissa que o decisor se satisfaz com a alternativa que está dentro dos critérios estabelecidos em vez de buscar aquela que maximize o resultado esperado. Nesse aspecto, tal modelo se propõe a descrever como os indivíduos realmente fazem escolhas, principalmente em situações que envolvem decisões não programadas, incertezas e ambiguidade. Para isso, parte do pressuposto de que nem todas as decisões administrativas podem ser programadas e, por isso, não é possível tomar decisões economicamente racionais mesmo que os gerentes estejam dispostos a fazê-lo (DAFT, 2005). Em contrapartida à abordagem normativa do Modelo Administrativo, o Modelo Político se propõe a auxiliar no processo de tomada de decisões em situações de decisão não programadas, em condições incertas, nas quais a informação disponível é limitada e não há metas definidas entre os gestores. Para isso, o Modelo Político adota algumas suposições no que se refere ao processo de tomada de decisão: a) existem grupos de interesses e metas conflitantes dentro da organização;


21

b) as informações disponíveis são imprecisas e incompletas; c) os administradores não dispõem de tempo, recursos ou capacidade mental para identificar todas as dimensões dos problemas e verificar todas as informações relevantes; d) as decisões apenas ocorrem como resultado da barganha e discussão entre os participantes da organização (DAFT, 2005). Corroborando com Daft (2005), Bethlem (1987) também apresenta alguns modelos empregados para a tomada de decisão: Modelo Militar, Modelo Kepner e Tregoe, Modelo do Creative Problem Solving Institute, Modelo Guilford, Modelo Mintzberg e Modelo Genérico. O Modelo Militar é muito utilizado pelas forças armadas de várias nações, também conhecido como análise da situação. Tal modelo sugere um roteiro para o processo de tomada de decisão: primeiramente define-se a missão, ou seja, os objetivos a serem perseguidos, em seguida há a descrição das alternativas de ação, análise destas alternativas, comparação do custo-benefício de cada linha de ação, e então a decisão final (BETHLEM, 1987). Modelo Kepner e Tregoe trata-se de um método racional de tomada de decisão que não utiliza ferramentas matemáticas e estatísticas para fazer as escolhas. Foi um padrão de treinamento de decisão muito utilizado principalmente pela gerência média e baixa. Apresenta um esquema lógico para a tomada de decisão, partindo de quatro fases: análise de situações, análise de problemas, análise de decisão e análise de problemas potenciais (BETHLEM, 1987). O Modelo do Creative Problem Solving Institute utiliza um modelo com etapas para a solução de problemas que se interpretam através de técnicas criativas de solução de problema, são elas: achar os fatos, achar o problema, achar ideias, achar soluções e obter aceitação (BETHLEM, 1987). Modelo Guilford é uma descrição do que acontece durante o processo de solução de problemas (BETHLEM, 1987). Mediante o Modelo Mintzberg - estudo de 25 processos de decisão estratégica concluiu-se que existe uma estrutura subjacente a estes processos definida como não estruturada. Tal estrutura foi descrita em termos de 12 elementos (BETHLEM, 1987). Modelo Genérico é um modelo para a solução de problemas via as seguintes etapas: sugestão, intelectualização de uma dificuldade em um problema ou pergunta, desenvolvimento de hipóteses e teste de hipóteses (BETHLEM, 1987). Tais modelos de tomada de decisão representam as diferentes abordagens e enfoques que foram utilizados no processo de teorização da tomada de decisão no decorrer do tempo.


22

1.3 Das finanças tradicionais às finanças modernas – a teoria da utilidade esperada

Macedo (2003) comenta que a Teoria Tradicional de Finanças passou a receber fortes críticas, uma vez que fazia uso de informações passadas para prever o comportamento do mercado financeiro. Outro aspecto relatado pelo autor é a inexistência de provas concretas de que é possível obter uma rentabilidade superior à média do mercado. Neste cenário, os estudiosos de finanças passaram a defender que a melhor forma de estimar o preço de um ativo seria pela observação do preço corrente deste ativo. Assim, começaram a ser incorporados ao estudo de finanças conceitos que mais tarde vieram a originar a Teoria Moderna de Finanças. Conforme Baratella (2007), um passo fundamental na Teoria Moderna de Finanças foi dado por Von Neumann e Morgentern em 1944 com a publicação de um artigo sobre a Teoria dos Jogos, consolidando preceitos como racionalidade econômica e utilidade esperada. Comentando sobre esse aspecto, Macedo (2003) menciona que o mercado segue um caminho aleatório e consequentemente não pode ser previsto e nem se comportar de forma irracional. Com isso, um investidor individual não pode obter um ganho superior ao da média do mercado. Tais pressupostos que até então faziam parte apenas da economia, foram incorporados às Finanças. Desta forma, a imprevisibilidade dos mercados e racionalidade dos investidores somados à publicação da Moderna Teoria de Portfólio por Markowitz (1952) causaram uma ruptura no campo das finanças dando origem a uma nova fase denominada Finanças Modernas (MACEDO, 2003). Dentre os pressupostos que vieram a influenciar os preceitos englobados na Teoria Moderna de Finanças cabe ressaltar os defendidos pela Moderna Teoria de Portfólio, a qual traz as seguintes premissas: todo investimento oferece um valor esperado e uma variância de presumíveis saldos em torno deste valor esperado; o retorno é desejável, enquanto que a variância é indesejável; os investidores analisam portfólios somente com base no valor esperado e na variância das percentagens de retorno dentro de um período específico; em escolhas entre portfólios que apresentem o mesmo risco, os investidores optarão por aqueles que proporcionem um maior retorno, enquanto que alternativas entre portfólios que apresentem o mesmo retorno, estes preferirão aqueles que ofereçam um menor risco; existe uma taxa livre de risco através da qual o investidor poderá tanto emprestar quanto tomar emprestado; os custos de acordo e impostos são supérfluos; os investidores concordam


23

quanto à classificação de probabilidades das taxas de retorno dos ativos, assegurando a existência de um exclusivo conjunto bom de carteiras (MARCOWITZ,1952 apud MACEDO, 2003). Segundo Macedo (2003) as Finanças Modernas não se basearam apenas nas ideias de Markowitz, mas estas foram sendo aprimoradas ao longo do tempo mediante mais três pilares centrais, conforme demonstra o quadro abaixo: Quadro 1: Pilares que sustentam os pressupostos da Teoria Moderna de Finanças. Autor Ano Teoria Markowitz (1952) Teoria do Portfólio Modigliani e Miller

(1961)

Sharpe

Teoria da Irrelevância dos Dividendos CAPM

(1964)

Fama

(1970)

(Capital Asset Pricing Model) HME (Hipótese do Mercado Eficiente)

Fonte: Elaborado pela autora a partir da tese de Macedo (2003). Modigliani e Miller (1961, apud Macedo 2003) ressaltam que o pagamento de dividendos não seria relevante para o montante de patrimônio dos acionistas. De acordo com esta visão, uma empresa não pode mudar o valor de seus títulos alterando as dimensões de sua composição de capital, ou seja, nenhuma estrutura de capital oferece mais vantagens que a outra para os acionistas da empresa. Outro aspecto insignificante para o valor da empresa é a composição do passivo, pois de acordo com os autores, o que realmente importa é a natureza e estrutura dos ativos e investimentos. O terceiro grande pilar das Finanças Modernas indicado por Macedo (2003), CAPM, aponta as condições de equilíbrio no mercado de títulos de renda variável. Conforme Tobin (1958, apud Macedo, 2003) em circunstâncias de equilíbrio, o retorno de um investimento em um ativo específico deve apresentar duas recompensas: o prêmio pelo não consumo imediato de uma renda e a recompensa pelo risco corrido. Dentre as premissas que fundamentam o conceito de CAPM, destaca-se: a) os investidores em sua totalidade usam a mesma taxa livre de risco, ou seja, a informação é livre e todos têm acesso; b) todos os investidores têm a mesma perspectiva em relação aos retornos esperados dos ativos, variâncias e covariâncias;


24

c) os investidores em sua totalidade obtêm equilíbrio na mesma carteira de tangência do limite de eficiência que oferece a melhor relação risco-retorno; d) os investidores contrários ao risco investem em uma carteira de mercado, enquanto que, os investidores que apresentam diferentes graus de aversão ao risco investem em carteiras diferentes de mercado. Através da premissa de Mercado Eficiente, Fama (1970, apud Macedo 2003) deu uma definição precisa para um conceito que já existia. Conforme o autor, o mercado financeiro pode ser considerado eficiente quando os preços dos ativos refletem totalmente a informação disponível, ou seja, a eficiência de mercado vem em decorrência da relação entre o preço dos ativos e as informações disponíveis sobre estes ativos. Em consonância, mudanças de preços apenas ocorrerão pela incorporação de novos eventos ao preço atual do ativo (SANTOS & SANTOS, 2005). Segundo Fama (1970, apud Santos, 2006) existem três premissas básicas para validar a teoria dos mercados eficientes: os investidores são racionais e aspiram maximizar o retorno dos seus investimentos no tempo; o comportamento irracional existente é aleatório de modo que não afeta o preço dos agregados; mesmo com a existência de investidores irracionais, existem mecanismos de controle que impedem que tais fatores influenciem nos preços dos ativos. De acordo com Borges (2007), em mercados eficientes é impossível ao investidor obter uma rentabilidade superior à média do mercado, uma vez que o processo de arbitragem funciona como um mecanismo de controle levando o preço dos ativos em direção ao preço justo. A despeito disso, Junior e Ikeda (2004) elucidam o funcionamento da arbitragem no mercado financeiro. O mercado tende a ser eficiente mesmo com a presença de investidores irracionais, ou seja, suas negociações tendem a se anular, não afetando significativamente o preço dos ativos. Isso é possível porque, a compra e venda de um ativo são simultâneas em dois diferentes mercados, por preços divergentes, obtendo-se vantagem na operação. Quando um ativo está sobrevalorizado em virtude da atuação de investidores irracionais, os investidores denominados arbitradores compram esse ativo e assim o título tende a retornar ao preço justo, uma vez que, os investidores irracionais irão desaparecer do mercado pelos prejuízos ou se tornarão racionais. Outro aspecto levantado por Borges (2007) é que, seguindo o pressuposto de que o mercado é eficiente, nenhum dado passado poderá ser utilizado para prever variações vindouras nos preços das ações. Referindo-se a esse assunto, Santos e Santos (2005) comentam que desempenho passado não caracteriza o desempenho futuro, ou seja, o único fator capaz de influenciar os preços futuros de um título são as informações novas após serem divulgadas. Conforme Junior e Ikeda (2004, p.98) a Hipótese de Mercados Eficientes [...] “implica na rápida resposta do mercado às informações e consequente ajuste dos preços dos ativos


25

nele negociados”. Os autores também sustentam que de acordo com a velocidade com que o mercado processa estas novas informações, incorporando-as no preço dos ativos, implicará em uma forma distinta de eficiência. Desta forma, poderão existir as formas fraca, semiforte e forte de eficiência. Macedo (2003) descreve a forma fraca de eficiência como a situação em que o investidor não obterá retornos anormais mediante a análise de informações e preços passados, enquanto que a forma semiforte de eficiência ocorre quando o investidor não consegue obter retornos extraordinários observando as informações públicas, ou seja, os preços se adéquam rapidamente às informações. A forma forte de eficiência é caracterizada pela impossibilidade de conseguir qualquer retorno extra, mesmo via utilização de informações sigilosas. Por meio de testes empíricos, constatou que é impossível ao investidor ganhar de maneira ordenada e estável acima da média do mercado mediante uma determinada estratégia de investimento; só é plausível alcançar um retorno acima da média de mercado em virtude das flutuações casuais do preço em torno do seu valor próprio. Tais irregularidades não podem ser antevistas por não apresentarem relação com alguma variável observável; o preço das ações está continuamente estabilizado e é um adequado estimador do valor dos títulos (MACEDO, 2003). Fama (1970, apud Freitas, 2007) estabeleceu algumas condições para que o mercado efetivamente seja eficiente: todos os participantes do mercado precisam ter igual acesso às informações e sem custos adicionais; os investidores devem ter perspectivas idênticas e concordarem sobre os efeitos destas informações nos preços atuais e futuros dos investimentos; nenhum investidor é capaz de afetar, tanto particularmente quanto em conjunto, os preços vigentes. Freitas (2007) aponta outros paradigmas em que a Teoria Moderna de Finanças está fundamenta: racionalidade ilimitada e teoria da utilidade esperada. A Racionalidade Ilimitada é derivada da filosofia de Jeremy Bentham, e inclui o processo de tomada de decisão no qual não existem limitações em termos de tempo, conhecimento e busca por informações. Também considera que o investidor age de maneira racional, ou seja, dentre as várias possibilidades de investimento escolhe aquela que lhe maximize a utilidade (SANTOS, 2006). Baldo (2007, p.14) define a racionalidade como “a capacidade que as pessoas possuem em processar todas as informações disponíveis de forma objetiva sob condições de incerteza onde os fatores emocionais são desconsiderados”. Macedo (2003) comenta que a premissa de um homem econômico racional encontrou embasamento na Psicologia Behaviorista, que era dominante na época. Conforme os behavioristas, todo procedimento humano poderia ser explicado pela analogia estímulo-resposta, desta forma, as decisões que não fossem tomadas de maneira racional seriam punidas com estímulos negativos, induzindo as pessoas a usarem a razão.


26

A Teoria da Utilidade Esperada (TUE) pode ser considerada como uma ferramenta no estudo da tomada de decisão mediante risco, presumindo que as pessoas fazem escolhas usando a razão (VON NEUMANN & MORGENSTERN, 1944 apud BALDO, 2007). Nesse contexto, Borges (2007, p.21) afirma que “a premissa central da teoria da utilidade esperada diz que a utilidade dos resultados é ponderada por suas probabilidades de ocorrência”. Von Neumann e Morgenstern (1953, apud Cardoso e Riccio, p.2) enumeram os axiomas que devem ser considerados para que uma decisão maximize a sua utilidade esperada:

Transitividade: se a alternativa A é preferível à alternativa B e a alternativa B é preferível à alternativa C, então a alternativa A é preferível à alternativa C. Substituição: se a alternativa A é preferível à alternativa B, então uma chance de se ter A ou C é preferível a uma chance de se ter B ou C. Dominância: se a alternativa A é tão boa quanto a alternativa B em todos os aspectos exceto em um, no qual é melhor, então a alternativa A deve ser preferível à alternativa B. Invariância: a ordem de preferência entre alternativas não deve depender da forma como estas são apresentadas. Pode-se dizer que quando as pessoas violam sistematicamente estes axiomas a utilidade esperada não estaria sendo maximizada.

Em outras palavras, a teoria da utilidade demanda que uma pessoa racional seja apta a mensurar a utilidade em todas as ocasiões e de fazer escolhas e decidir de acordo com ela (BERNSTEIN, 1997, apud FREITAS, 2007). Nesse aspecto, pode-se afirmar que o modelo moderno de finanças baseia-se na suposição de que o investidor é racional, toma decisões de acordo com os axiomas da teoria da utilidade esperada e tem previsões imparciais em relação ao futuro (THALER, 1999 apud SANTOS, 2006).


27

2 TEORIA DA TOMADA DE DECISÃO

2.1 Principais abordagens teóricas sobre tomada de decisão

Conforme Gontijo e Maia (2004) tomar decisões é algo crucial para as empresas, uma vez que essa atividade acontece todos os dias, em todos os níveis hierárquicos e impacta diretamente o desempenho da empresa. Simon (1965, apud Gontijo e Maia, 2004) define o processo decisório como o procedimento de julgamento e ação que culminará em uma escolha, enquanto que a escolha consiste em eleger caminhos alternativos de atuação ou ainda aceitar ou recusar uma alternativa específica. Outrossim, Porto (2004) complementa descrevendo o processo decisório como um procedimento de seleção que identifica soluções, considera os cursos de ação e implementa o plano elegido para solução de um problema. Porto (2004) cita seis etapas que constituem o processo de tomada de decisão: identificação e diagnóstico do problema, elaboração de possíveis soluções, análise das alternativas, escolha da opção mais adequada, implementação da decisão e avaliação dos resultados. A autora comenta que por trás das etapas do processo de decisão, está o modelo de resolução a ser empregado, ou seja, dependendo do grau de certeza nos possíveis resultados, e da crença de que existe uma relação de causa e efeito, o indivíduo adota diferentes atitudes. Outro aspecto mencionado por Porto (2004) é a complexidade inerente ao processo decisório advindo das incertezas relacionadas às escolhas, uma vez que ocorrem distorções nas informações que subsidiam a tomada de decisão. Segundo ela, o que levará aquele que decide a fazer a melhor escolha será a qualidade e a disponibilidade das informações. Kimura (2003) esclarece que ao se referir aos aspectos relacionados ao processo de tomada de decisão, a literatura apresenta duas abordagens: a normativa, que enfatiza a solução racional da questão a ser decidida mediante o emprego de normas, e a descritiva, que se preocupa com a maneira pela qual as pessoas decidem, sem dizer como agir, mas observando o modo como as decisões são tomadas em ambientes de risco. Gontijo e Maia (2004) mencionam que existem vários fatores que poderão influenciar e nortear a maneira pela qual as pessoas tomam decisões, ou seja, ao fazerem escolhas, os indivíduos fazem uso de experiências passadas, seus valores e crenças, seus conhecimentos, suas capacidades e filosofias. Desta forma, algumas pessoas se caracterizam por serem mais


28

conservadoras enquanto que outras são mais inovadoras, empreendedoras e propensas a correr riscos. O autor comenta que estas diversas posturas ao tomar decisões podem caracterizar tanto o sucesso quanto o fracasso pessoal e organizacional. Esse aspecto também é comentado por Pasiani (2008) que define a decisão como um processo interativo no qual vários fatores incomuns têm influência. Dentre esses fatores destacamse as percepções, convicções e padrões mentais do indivíduo que interferem na alternativa escolhida, além de motivos inerentes como sentimentos, condição da mente, tendências e estilos psicológicos que podem influenciar uma resolução tanto quanto os estímulos exteriores. Ademais, a lembrança das decisões antecedentes e os resultados delas podem impactar de modo expressivo nas decisões presentes. Outro fator que influencia a forma como as decisões são tomadas é o contexto organizacional em que estas se encontram. Muitas vezes as informações aparecem fragmentadas no meio de uma série de afazeres gerenciais, os problemas aparecem desestruturados, os sistemas de informação em muitos casos limitam-se a informações passadas e existe a necessidade de agir rápido. Desta forma os gerentes tomam decisões num processo organizacional restrito e fragmentado, e a intuição fundamentada na percepção de variáveis decisivas exerce papel principal (GONTIJO & MAIA, 2004). Nesse contexto, percebe-se a complexidade inerente ao processo de tomada de decisão e os vários fatores que podem interferir nesse processo. Para a completa compreensão do tema, é fundamental entender conceitos como risco e incerteza.

2.2 Conceitos de risco, incerteza e tomada de decisão

De acordo com Fama et. al. (2002, apud Sá, 2007) a palavra risco é oriunda do italiano riscare e significa ousar. Nesse prisma, risco é uma alternativa e não uma sina, ou seja, a história do risco fala das decisões arriscadas que os indivíduos ousam tomar dentro da sua liberdade de escolha. O autor também destaca que a situação de risco pode ser caracterizada pela aleatoriedade, que de alguma maneira pode ser mensurada, seja pela atribuição objetiva ou subjetiva de probabilidades aos eventos. A despeito disso, Fama et. al. (2002, apud Sá, 2007) cita os diversos tipos de risco que o indivíduo está sujeito: risco puro - onde sempre se perde; risco especulativo - situação em que existe possibilidade de ganhar e de perder; risco de demanda; risco de insumos; risco de bem -


29

possibilidade de furto, fogo, inundação; risco de seres humanos - advindos de fraudes; risco ambiental; risco de contingências. Ao abordar esse assunto, Assaf Neto (2006 apud Sa, 2007) aponta que o risco total de um ativo pode ser considerado como a soma entre o risco sistemático e não-sistemático, sendo calculado comumente por critério probabilístico, atribuindo probabilidades objetivas ou subjetivas aos diversos estados da natureza com base na experiência do decisor ou em séries históricas de informações. March e Shapira (1987, apud Sá, 2007) destacam as principais crenças no que tange ao risco. Primeiramente, o risco é visto como um resultado negativo, além disso, o risco e o retorno não apresentam correlação positiva. As atitudes em situações de risco dependem da circunstância e da percepção, e o risco pode ser administrado e até amenizado por profissionais habilidosos. Conforme Sá (2007) a incerteza, ao contrário do risco, tem como atributo principal o fato de que nem todos os aspectos da tomada de decisão estão sob o controle e conhecimento dos decisores, ou seja, não podem ser mensurados, apenas estimados. Porto (2004) comenta que a incerteza pode ser consequência de situações exteriores que estão parcial ou totalmente fora do controle do gestor, ou meramente porque este não teve acesso a informações essenciais. Tais conjunturas atuam como uma restrição à tomada de decisão, uma vez que o indivíduo terá que decidir sobre circunstâncias externas imprevisíveis ou sobre as quais não possui informações suficientes para determinar a probabilidade de ocorrência de eventos específicos. Porto (2004) comenta que o decisor quando em situações de incerteza fica condicionado às informações que possui sobre o problema, o que pode gerar temor e dúvida em optar por uma alternativa que não se encaixe com a tendência de suas informações. Nesse sentido, é vital que este esteja ciente do poder da informação, que é mais bem coletada quando instrumentos mais amplos são usados simultaneamente, apontando a tendência média dos eventos. Segundo Maccrimmon e Wehrung (1986, apud Steiner et. al., 1998) existem algumas condições para a demarcação de risco, conhecidas como componentes do risco: deve haver possibilidade de perda; deve existir uma probabilidade relacionada a esta perda e deve existir a possibilidade de o indivíduo escolher de forma a aumentar ou diminuir a probabilidade de perda. Os autores também relacionam as fontes geradoras de risco, as quais se destacam a falta de controle (forças da natureza, forças humanas, insuficiência de recursos, insuficiência de informações e insuficiência de tempo), a falta de informações (inadequadas, inconfiáveis, falta de familiaridade, imprevisíveis e tempo insuficiente), e a falta de tempo (necessidade de escolher antes de eventos incertos ocorrerem).


30

No intuito de aprofundar a análise dos conceitos de risco, destacam-se duas abordagens fundamentais: as situações de risco e as atitudes de risco. As situações de risco podem ser definidas como circunstâncias em que o risco é inevitável, assim, a percepção humana é de fundamental importância para determinar o risco, enquanto que a atitude de risco está relacionada com a prerrogativa individual de cada indivíduo. Portanto, o comportamento do decisor frente ao risco é de extrema importância na análise da situação e tomada de decisão (MACRIMMON e WEHRUNG, 1986 apud STEINER et.al. 1998). Contudo, existe uma grande complexidade no que se refere à compreensão do significado do risco e do que está relacionado às atitudes dos decisores, uma vez que estas variáveis não podem ser mensuradas diretamente, e mesmo quando são analisadas sob o ponto de vista matemático, dependem de outros resultados como resultado da empresa, nível de preços e de vendas etc. (COLEMAN, apud SÁ, 2007). Após identificar o risco, é imprescindível conhecer a incerteza, pois esta permite a realização das mudanças estruturais dos modelos de decisão além de assinalar a indefinição quando ao futuro, ou seja, apontará o grau de imprevisão quanto às consequências que estão relacionadas àquela decisão. Sob a ótica de Coleman (2006, apud Sá, 2007) o gerenciamento de risco engloba as alternativas dos decisores para controlar os resultados de risco e aceitar custos de oportunidades para impedir o risco de prejuízo. Nesse aspecto, Fama (2002 apud Sá, 2007) enumera alguns pontos cruciais e premissas que devem ser levados em consideração ao gerenciar o risco: a) deve-se priorizar o gerir riscos importantes e que careçam de um exame criterioso; b) risco deve ser medido, mesmo que de maneira estimada; c) todo risco tem uma relação de causa-efeito e está inter-relacionado com toda a empresa; d) a administração do risco gera uma segurança maior para a empresa e uma melhor noção das suas relações de risco e retorno. A partir dos conceitos de risco e incerteza inerentes ao processo de decisão, é pertinente entender como as organizações decidem B em condições de risco.


31

2.3 Como as organizações decidem em condições de risco

Levando em consideração que a análise financeira se relaciona com escolhas e atitudes diante de circunstâncias de risco que não são completamente previsíveis, é imprescindível o entendimento das principais abordagens que consideram a tomada de decisão. Primeiramente, é importante destacar que existem três situações no que tange a tomada de decisões sob risco: a) situação de certeza: onde cada ação acarreta um resultado específico; b) situação de risco: cada ação conduz a alguns efeitos conhecidos, com certa probabilidade de ocorrência; c) situação de incerteza: cada atitude pode determinar certos resultados, no entanto, a probabilidade de ocorrência de cada resultado não é conhecida (KIMURA, 2003). No que se refere às abordagens que explicam o processo de tomada de decisão, a verificação das principais teorias que buscam elucidar esse processo demonstrou a existência de pelo menos duas linhas de pensamento. De um lado estão os adeptos do método normativo, que enfatizam a utilização de cálculos matemáticos com predomínio da lógica e da racionalidade, enquanto que a outra postura sustenta que os aspectos comportamentais como a experiência e a intuição são os fatores que mais influenciam na tomada de decisão, denominada análise descritiva (FREITAS, 2007). Segundo Kimura (2003) a análise normativa enfatiza soluções baseadas na razão para questões que envolvem tomada de decisão, indicando regras para orientar o decisor como agir em situações de risco de forma a optar por alternativas que maximizem a sua utilidade. Por outro lado, a análise descritiva procura entender o modo como os indivíduos efetivamente decidem, avaliando o comportamento destes diante de decisões arriscadas. A proposição de que o ser humano age usando a razão diante de uma escolha, possui embasamento na Teoria da Utilidade Esperada, cuja maior representante é a Teoria dos Jogos (NEUMANN; MORGENSTERN, 1944 apud FREITAS, 2007). No que se refere a suposição de que o agente financeiro tem racionalidade limitada e é influenciado pelos fatores psicológicos e emocionais na tomada de decisão, tem sua fundamentação na Teoria dos Prospectos (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979, apud FREITAS, 2007). De acordo com as premissas da Teoria da Utilidade Esperada, os modelos decisórios baseavam-se no conceito de homo economicus, competitivo e racional, ou seja, o indivíduo fazia escolhas baseado na razão, buscando otimizar a utilização dos recursos da empresa e maximizar os resultados (STEINER et.al. 1998).


32

A função utilidade preocupa-se em delinear o comportamento de um valor financeiro em uma ocasião específica, via cálculos simples de aritmética, com um valor que o investidor atribuiu a situação em estudo. Nesse sentido, busca-se entender o comportamento do decisor mediante o risco por meio da relação entre o valor esperado e o valor atribuído (STEINER et.al. 1998). De acordo com as premissas da função utilidade, o comportamento do decisor mediante o risco pode mudar de uma pessoa para outra. Existem indivíduos que se mostram avessos ao risco, outros apresentam uma atitude neutra em situações de risco e ainda um grupo que são favoráveis ou propensos ao risco (STEINER et.al. 1998). Contudo, os adeptos da análise descritiva têm outra visão de como os indivíduos se comportam ao tomarem decisões mediante risco. Hall (1984, apud Steiner et.al. 1998) ressalta que a tendência dos administradores é evitar tais situações e ignorar ocasiões em que fracassaram. Kahneman e Tversky (1979, apud STEINER et.al., 1998) através de alguns estudos propuseram que os indivíduos assumem posturas diferentes frente ao risco, e estes são propensos ao risco para situações que envolvem predomínio de perdas e avessos quando estão diante de ganhos seguros, ou seja, suas preferências variam diante de diferentes domínios. Sá (2007, p.13) menciona que “as principais determinantes para se assumir riscos individualmente podem estar ligadas à personalidade dos decisores, ao estilo decisório, ao ambiente interno às organizações ou até mesmo às expectativas em relação aos resultados”. Assim, a racionalidade dos decisores é restringida pela própria condição humana que gera uma visão fragmentada e limitada da realidade, e as decisões tomadas são apenas satisfatórias e não ótimas (SIMON, 1947, apud FREITAS, 2007). Nesse contexto, evidenciou-se como os fatores psicológicos e emocionais interferem no processo de decisão mediante riscos. Dessa maneira, o conceito de racionalidade imposto pela teoria moderna de finanças é restrito, levando ao questionamento da implicação do termo racionalidade e da relação desta premissa com o comportamento na tomada de decisão.

2.4 A racionalidade e o comportamento na tomada de decisão

A premissa de que existe um homem econômico racional foi introduzida às Finanças no início dos anos 50, fundamentada principalmente na Psicologia Behaviorista. Segundo esse modelo de pensamento, as decisões são tomadas de maneira racional buscando a maximização dos resultados (MACEDO, 2003).


33

Macedo (2003) define a racionalidade como a característica inerente do agente financeiro, pelo qual este utiliza as informações disponíveis de uma forma lógica e sistemática, propiciando decisões ótimas diante das alternativas disponíveis e dos objetivos propostos, além de levar em consideração as consequências futuras da decisão atual. A despeito desse assunto, Simon (1971, apud Gontijo e Maia, 2004) afirma que a racionalidade objetiva supõe que o decisor adéque suas atitudes a um sistema integrado, mediante uma visão panorâmica das opções, a consideração dos resultados das alternativas e a escolha prudente de uma das opções. Dito isso, quando um indivíduo toma uma decisão, primeiramente deve combinar informações de diversas fontes, e em sequência, analisar corretamente todos os dados no que se refere à confiabilidade e validade. Posteriormente, atribuir um peso proporcional a cada uma das informações conforme a sua precisão e finalizar comparando os resultados e escolhendo a alternativa que otimize a utilidade (FERREIRA & YU, 2003). Levando em consideração a ótica de Bazerman (2004, apud Sauaia e Zerrenner, 2009) o processo de tomada de decisão pode ser definido como um procedimento que se fundamenta em aspectos cognitivos de coleta, avaliação e julgamento de informações. Sendo assim, existem seis etapas a serem seguidas para caracterizar um processo racional de tomada de decisão: a) definir o problema de maneira aberta e explícita, buscando esclarecer aos gestores qual é realmente o problema e levá-los a focalizá-lo; b) visualizar os critérios distintos e sua concernente relevância, ou seja, como existem vários objetivos a serem alcançados ao serem adotadas determinadas opções, é preciso que estes sejam identificados claramente; c) analisar os critérios mediante a atribuição de pesos a eles, permitindo classificá-los de acordo com o grau de prioridade; d) suscitar alternativas ou caminhos a serem seguidos por meio de um levantamento de quais cursos de ação poderão ser seguidos; e) organizar as alternativas de acordo com os critérios identificados, devendo nessa fase ser previstos os resultados futuros de cada opção a ser seguida; f) escolher a opção que maximize os resultados a serem alcançados. Ao referir-se a esse assunto, Kimura (2009) afirma que uma proporção considerável da população tende a violar a regra da utilidade esperada na tomada de decisão financeira. Dessa maneira, modelos baseados na ponderação das utilidades pelas probabilidades de ocorrências de resultados podem ser pouco representativos do processo real de ponderação de alternativas. Em adição, Santos (2006) esclarece que a partir do final da década de oitenta a Teoria Moderna de


34

Finanças começou a apresentar contradições, visto não ser capaz de explicar todas as anomalias presentes no mercado e que não estavam incluídas no modelo vigente. Nesse cenário, as Finanças Comportamentais surgiram como uma tentativa de aperfeiçoar o modo de ver as finanças modernas ao englobar estudos sobre o comportamento e a irracionalidade do homem aos modelos até então utilizados. Desta maneira, as Finanças Comportamentais defendem a substituição do indivíduo totalmente racional por uma nova hipótese que sustenta que o homem é simplesmente normal (HALFELD, 2001).


35

3 FINANÇAS COMPORTAMENTAIS (BEHAVIORAL FINANCE)

3.1 Um histórico sobre a teorização das finanças comportamentais

Behavioral Economics é o nome designado ao ramo de pesquisas que busca entender as questões de economia a partir de embasamentos psicológicos mais realistas do que aqueles sugeridos pela teoria neoclássica tradicional, uma vez que esta enfoca conceitos como maximização de utilidade, racionalidade, eficiência, entre outros. A aplicação dessa linha de pesquisa à área de Finanças é denominada Behavioral Finance, em outros termos, Finanças Comportamentais (THALER; MULLAINATHAN, 2000 apud BARATELLA, 2007). Os precursores desse novo conceito foram Daniel Kahneman e Amós Tversky. No início dos anos 70 utilizaram a Psicologia em experimentos onde descobriram diversas anormalidades no comportamento das pessoas quando desenvolvem suas crenças e preferências, contradizendo a premissa de racionalidade por parte dos agentes econômicos (SANTOS, 2007). Todavia, durante a década de 80, as finanças comportamentais foram menosprezadas, uma vez que o modelo vigente de finanças mostrava-se suficiente para explicar o comportamento do mercado e a hipótese de racionalidade perfeita satisfazia os modelos modernos de finanças e pareciam englobar perfeitamente toda a essência do mercado. Porém, no final dos anos 80, este começou a apresentar sinais de desgaste, o mercado deparava-se com uma série de oscilações que não podiam ser elucidadas apenas por modelos matemáticos e por embasamentos contábeis e cada vez mais os indicadores financeiros dos ativos variáveis começaram a perder poder de explicação. Nesse contexto, o meio acadêmico voltou-se novamente para as finanças comportamentais como uma tentativa para suprir a carência do mercado por uma explicação das oscilações de preços de determinados papéis. Desta forma, as pesquisas referentes a finanças comportamentais ganharam forças, adeptos e consolidaram alguns conceitos como: a reação dos investidores a novidades do mercado, exagero ao pessimismo e ao otimismo, autoconfiança excessiva, entre outros (SANTOS, 2006). A despeito disso, Santos (2007) apresenta as Finanças Comportamentais como uma nova forma de avaliar o mercado financeiro, que surgiu mediante os problemas encontrados para esclarecer determinados acontecimentos, os quais não se aplicavam ao paradigma da racionalidade defendido pelas Finanças Modernas. Esse ramo de pesquisa utiliza a Psicologia e a Sociologia,


36

enfatizando que alguns fenômenos financeiros serão melhor explicados por meio do uso de premissas onde os indivíduos não são totalmente racionais. Thaler (1999, apud Kimura, 2009) apresenta cinco enigmas em que o comportamento efetivo contradiz o que se espera segundo a hipótese de mercados eficientes: volume, volatilidade, dividendos, prêmio das ações e previsibilidade. No que se refere ao volume, a Teoria Moderna de Finanças prediz que haveria poucas negociações no que tange a ações, pois se os operadores fossem racionais dificilmente comprariam ou venderiam ações. Porém, o excesso de confiança dos gestores os leva a correr riscos maiores por grandes retornos (THALER, 1999 apud KIMURA, 2009). Em relação à volatilidade, em um mercado onde os agentes fossem racionais somente haveria alterações de preço ao surgirem informações relevantes. Porém, o comportamento efetivo tem demonstrado que os preços parecem apresentar muito mais flutuações do que se esperaria somente por alterações nos valores presentes dos dividendos futuros (THALER, 1999 apud KIMURA, 2009). Levando-se em consideração que na legislação americana os dividendos são tributados com uma taxa maior do que os ganhos de capital, não seria racional as empresas distribuírem dividendos em curto prazo aos acionistas. Mas na prática as empresas distribuem dividendos e o seu aumento leva a uma valorização de suas ações (THALER, 1999 apud KIMURA, 2009). No que tange ao prêmio das ações, historicamente, os retornos de longo prazo em investimentos em ações têm sido bem maiores que os retornos de longo prazo de títulos sem risco. Uma possível explicação para este viés cognitivo seria que a miopia da aversão às perdas estabelece que a análise em um horizonte temporal mais longo, torna o risco mais atraente para o investidor (THALER, 1999 apud KIMURA, 2009). Segundo a hipótese de mercados eficientes, não se pode prever retornos futuros dos ativos a partir da informação existente. No entanto, as evidências têm mostrado que cada vez mais podem ser previstos levando em consideração retornos passados ou dados fundamentalistas (THALER, 1999 apud KIMURA, 2009). Baratella (2007) ressalta que os estudiosos das Finanças Comportamentais buscam relaxar a proposição da racionalidade adotada pela hipótese de mercados eficientes, aceitando que os agentes possuem restrições cognitivas e são influenciados por fatores psicológicos e comportamentais em seus processos de análise e tomada de decisão, principalmente quando estão diante de incertezas. Dessa maneira, as Finanças Comportamentais buscam explicar os desvios de eficiência presentes no


37

mercado financeiro, ou seja, aquilo que acontece quando as atitudes dos agentes diferem dos atos do homo economicus, perfeitamente racional, sugerido pela teoria moderna de Finanças. Ao referir-se a esse assunto, Halfeld (2001, p.65) afirma que:

O homem das Finanças Comportamentais não é totalmente racional; é um homem simplesmente normal. Essa normalidade implica um homem que age, frequentemente, de maneira irracional, que tem suas decisões influenciadas por emoções e por erros cognitivos, fazendo com que ele entenda um problema de formas diferentes, dependendo da maneira como é analisado.

Após vários experimentos e ampla observação, Kahneman e Tversky (1979) concluíram que as pessoas infringem de forma repetitiva e sistemática os princípios racionais adotados pela Teoria da Utilidade Esperada. Tais violações podem ser consequências de limitações cognitivas, problemas no processamento das informações, fatores emocionais ou influências causadas pela conjuntura social que estão inseridos (REKENTHALER, 1998 apud BARATELLA, 2007). Sob a ótica de Shefrin (2000, apud Kimura, 2003) as pesquisas realizadas no campo das Finanças Comportamentais visam responder as seguintes indagações: a) os vieses de decisão financeira ocorrem em função da excessiva confiança que os indivíduos depositam em regras e modelos gerais? b) os decisores são influenciados pela maneira com que as alternativas e informações estão estruturadas? c) os preços de equilíbrio determinados pelos mercados são alterados por erros e estruturas mentais? Portanto, as Finanças Comportamentais constituem um avanço teórico que visa aproximar os modelos financeiros e a prática da tomada de decisão ao incorporar as atitudes não racionais dos investidores ao campo de investigação. Em outros termos, verificar como as emoções e os erros cognitivos interferem no processo de tomada de decisão e como esses padrões de comportamento alteram o mercado financeiro. (KIMURA, 2009)


38

3.2 A teoria dos prospectos (Prospect Theory)

Amós Tversky e Daniel Kahneman deram início a um estudo sobre tomada de decisão em 1974. Posteriormente à elaboração de 20 teorias sobre arrependimento e as abandonarem, em 1975, finalizaram a Prospect Theory (PT), que primeiramente foi denominada Teoria do Valor. O designo era, através dessa proposição, prover um modelo descritivo reformulado da Teoria da Utilidade Esperada (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979 apud FREITAS, 2007). Macedo (2003) relata que Daniel Kahneman e Amós Tversky publicaram um artigo na Econometrica em 1979 onde apresentaram seus estudos sobre a interferência de estruturas mentais em processos de tomada de decisão para escolhas simples com probabilidades monetárias e probabilidades declaradas. Dessa forma, fizeram uma crítica à Teoria da Utilidade Esperada como modelo descritivo para a tomada de decisão, e sugeriram a Teoria do Prospecto como uma alternativa para descrever o processo de decisão. De acordo com a Teoria dos Prospectos, o processo de tomada de decisão está composto por duas fases distintas: uma fase precedente de edição e uma fase seguinte de avaliação. A primeira fase consiste de julgamentos prévios dos prospectos apresentados, o qual reflete geralmente uma reprodução mais simples dos prospectos. Na fase de avaliação, os prospectos publicados são considerados e os que apresentam valores superiores são selecionados (KAHNEMAN, TVERSKY, 1979 apud JUNIOR 2007). O papel da fase de edição é organizar e reestruturar as alternativas para então facilitar a posterior avaliação e escolha. Nesse sentido, a edição é a etapa em que se aplicam diferentes operações com o intuito de converter os resultados e probabilidades pertinentes com os prospectos oferecidos. As principais operações da fase de edição são: a) codificação – de acordo com a Teoria dos Prospectos, os indivíduos geralmente percebem os resultados como ganhos ou perdas em relação a um ponto de referência, e não observam a riqueza final que as alternativas propiciam. Assim, a codificação consiste na identificação de um ponto de referência e na subsequente transformação dos resultados em ganhos ou perdas; b) combinação – é a etapa em que diferentes prospectos de resultados idênticos são combinados a fim de simplificar as opções disponíveis; c) segregação – determinados prospectos podem conter um elemento sem risco que pode ser segregado ou decomposto;


39

d) cancelamento – possibilidade de cancelar alguns prospectos quando apresentam constituintes comuns ou estágios comuns a todas as alternativas disponíveis; e) simplificação – etapa em que são feitos alguns arredondamentos de resultados e de probabilidades e onde resultados pouco prováveis são rejeitados; f) detecção de dominância – onde são examinadas as opções que dominam as outras. Tal detecção permite a rejeição das opções dominadas, sendo estas eliminadas do processo de decisão (KAHNEMAN, TVERSKY, 1979 apud KIMURA e BASSO, 2003). Após a fase de edição, o decisor considera os prospectos editados e opta por aquele que apresenta valor superior (KAHNEMAN, TVERSKY, 1979 apud JUNIOR, 2007). Conforme Baldo (2007) a Teoria do Prospecto pode ser definida em três pontos principais: a) efeito certeza – os indivíduos são propensos a avaliar menos os resultados que são prováveis quando comparados com resultados certos. No entanto, quando há pouca probabilidade de ganhar, as pessoas preferem a alternativa que proporciona ganho superior; b) efeito reflexão – em situações que envolvem ganhos, os indivíduos não se arriscam, porém, em circunstâncias que abrangem perdas, os indivíduos preferem se arriscar. No domínio das perdas o comportamento do indivíduo é de propensão a riscos enquanto que, no domínio de ganhos, o comportamento é de aversão a riscos; c) efeito isolamento – os indivíduos não levam em consideração os componentes idênticos entre dois prospectos. Dessa forma, as escolhas são influenciadas pelo modo como as alternativas são apresentadas em termos de ganhos ou perdas. Os indivíduos tendem a simplificar o processo de escolhas entre alternativas e dependendo da forma como um mesmo problema é apresentado, pode gerar escolhas diferentes. A despeito disso, Kimura (2009) afirma que o risco avaliado pelas pessoas parece depender do efeito certeza, do efeito reflexão e do efeito isolamento e assim, esses fatores interferem no processo de decisão financeira. A Teoria do Prospecto difere da Teoria da Utilidade Esperada em dois pontos principais: 1º - De acordo com a Teoria da Utilidade Esperada o ponto de referência para as escolhas é o estado final de riqueza. Porém, a Teoria do Prospecto sugere que o ponto de referência utilizado pelos decisores é a relação ganhos e perdas; 2º - A função valor não é avaliada através do cálculo de


40

probabilidades, mas de acordo com o valor que cada indivíduo atribui ao prospecto, em outras palavras, o peso das resoluções não coincide com as probabilidades calculadas, conceito defendido pela Teoria da Utilidade Esperada (BALDO, 2007). Assim sendo, a Teoria do Prospecto surge como uma teoria alternativa para explicar o processo de tomada de decisão em condições de risco e representa uma forte crítica à Teoria da Utilidade Esperada como modelo de descrição para tais circunstâncias. Conforme a Teoria dos Prospectos, valores são aplicados aos ganhos e às perdas em vez de serem atribuídos aos resultados finais e as probabilidades são substituídas por pesos ou avaliação na decisão. Outro aspecto a ser citado é o fato de que a função referente ao valor é geralmente côncava no domínio dos ganhos e convexa em predomínio de perdas. Os pesos de decisão são menores que as probabilidades, exceto em situações que o intervalo correspondente apresente baixa probabilidade de ocorrência (KAHNEMAN e TVERSKY, 1979 apud KIMURA e BASSO, 2003).

3.3 O processo cognitivo como gerador de vieses do comportamento racional

Conforme Macedo (2003), a ideia de um agente econômico que age pela razão, incorporado ao estudo de Finanças a partir da década de 50, encontrou embasamento na Psicologia Behaviorista, que era dominante na época. Skiner (1957, apud Macedo, 2003) acreditava que o comportamento humano era caracterizado por um sistema de condicionamentos, onde cada atitude poderia ser fortalecida ou enfraquecida devido ao reforço que recebesse, fosse positivo, negativo ou ausente. Em decorrência, os indivíduos que agiam de maneira irracional acabavam mudando de atitude, uma vez que recebiam reforços negativos por meio da perda de dinheiro. No entanto, os argumentos propostos pela Psicologia Behaviorista passaram a ser insuficientes para explicar os acontecimentos no mercado financeiro. Com o intuito de entender como as pessoas pensam, decidem e como acontecem os fatos importantes na mente humana, surgiu a Psicologia Cognitiva no início dos anos 60 (MACEDO, 2003). A Psicologia Cognitiva preocupa-se em como a informação é tratada gerando a tomada de decisão, ou seja, esse campo da Psicologia estuda os processos da atividade do cérebro buscando observar o comportamento das pessoas no intuito de identificar os fatores que influenciam as suas atitudes (SATEMBERG, 2000 apud MACEDO, 2003).


41

Nesse sentido, os psicólogos cognitivos começaram a efetuar experiências para testar as hipóteses econômicas sobre o comportamento dos tomadores de decisões (EDWARDS, 1962 apud MACEDO, 2003). Reed (1999, apud Macedo, 2003) ressalta que, segundo os pressupostos da Psicologia Cognitiva, o ser humano é considerado como um sistema que reúne e interpreta as informações disponíveis de uma maneira consciente e lógica. Porém, esse ramo da Psicologia também admite que outros fatores menos conscientes possam afetar o comportamento das pessoas, isto é, a Psicologia Cognitiva considera o processo de tomada de decisão como uma ação interativa em que fatores como percepções, convicções, paradigmas, emoções, tendências, atitudes psicológicas e condição da mente têm influencia sobre as escolhas individuais. Nesse sentido, o comportamento é adaptável e condicionado a situação e as condições percebidas (VON NEUMANN e MORGENSTERN, 1944 apud MACEDO, 2003). Segundo Baratella (2007) como as pessoas são influenciadas por elementos psicológicos e comportamentais em seus processos de tomada de decisão, existe uma propensão de cometerem erros sistemáticos de avaliação de ativos. Tal problema inerente ao ser humano é denominado ilusão cognitiva. Kimura (2009) enumera alguns aspectos comportamentais que podem afetar o processo de tomada de decisão e os prováveis impactos em investimentos financeiros: Dissonância Cognitiva - segundo Festinger (1957, apud Kimura, 2009) os indivíduos tentam, na medida do possível, reduzir a dissonância cognitiva. Ao trazer esse aspecto comportamental para o mercado financeiro, afirma que tal atitude pode influenciar um indivíduo a dar pouca importância a um prejuízo ocorrido em função de um investimento como tentativa de justificar uma grande expectativa que foi frustrada com o investimento; Inconsistência - pode ser definida como a existência de incoerência ou discrepância entre as atitudes e o comportamento de um indivíduo. No mercado financeiro encontra-se inconsistência no que se refere a diversificação, ou seja, a diversificação é aclamada pelos investidores como um princípio a ser seguido, no entanto, o número médio de ações que compõem a carteira de um investidor são insuficientes para uma adequada minimização do risco; Ancoragem e Conservadorismo é o pressuposto de que os indivíduos em geral têm um valor de referência que ancora suas percepções e também consideram informações adicionais de forma inadequada, o que os leva a estimativas enviesadas. Tal deficiência cognitiva também se observa no mercado financeiro quando os indivíduos fazem novas estimativas sobre lucros futuros de uma empresa em virtude do surgimento de uma nova informação. Devido à postura conservadorista, os agentes financeiros não revisam suficientemente suas estimativas ao surgirem novas informações, e assim, informações positivas sobre lucros


42

inesperados tendem a serem sucedidas por mais lucros, e informações negativas tendem a ser seguidas por mais perdas (EDWARDS, 1959 apud KIMURA, 2009). A Teoria do Prospecto, de acordo com Kahneman e Tversky (1979, apud Kimura, 2009) afirma que os indivíduos ao tomarem decisões, em vez de atribuírem valores aos resultados finais, atribuem aos ganhos e às perdas, e as probabilidades são substituídas por pesos ou ponderação na decisão. Kimura (2009) também menciona alguns fatores que influenciam o modo como os indivíduos avaliam o risco e que interferem no processo de tomada de decisão financeira. Tais fatores são o efeito certeza, o efeito reflexão e a forma de estruturação das alternativas. Segundo Baldo (2007), o efeito certeza pode ser definido como a atitude do indivíduo em menosprezar os resultados que são prováveis diante de resultados certos, no entanto quando se refere a baixa probabilidade de ganhar, este prefere o ganho mais elevado, independente do risco. Já o efeito reflexão acontece quando, no domínio das perdas, o comportamento do indivíduo é de propensão ao risco, enquanto que, no domínio dos ganhos, sua atitude é de aversão ao risco. Tais desvios cognitivos ocorrem devido a alguns aspectos inerentes ao comportamento humano. Primeiramente vale ressaltar a aversão à perda. Essa atitude foi analisada pelos estudiosos de Finanças Comportamentais, que constataram que o sofrimento causado pelas perdas é superior a satisfação obtida com um ganho equivalente. Outro fator importante é o medo do arrependimento que leva os investidores a não assumirem seus erros, assim, estes evitam se desfazer de investimentos que lhes causaram prejuízos, comprometendo sua liquidez e perdendo oportunidades de realizar melhores negócios. O excesso de confiança faz com que os indivíduos sejam muito otimistas quanto a suas habilidades de fazer negócios, levando-os a acreditar que as informações que possuem são as melhores e mais confiáveis e por isso obterão sucesso.

3.4 Fundamentos do comportamento não racional

Conforme os pressupostos da Teoria Moderna de Finanças, os agentes econômicos são perfeitamente racionais e incorporam essa premissa aos principais modelos para explicar o funcionamento dos mercados. A racionalidade sugere que uma pessoa ao tomar uma decisão, incorpore de modo eficaz todas as informações disponíveis de forma a maximizar sua utilidade. Diante disso, Kahneman (2003, apud Santos, 2007) afirma que é impossível todas as pessoas tomarem decisões racionais em todos os momentos, isto é, a premissa da racionalidade é


43

insuficiente para explicar o funcionamento do mercado, para compreender a oferta, a demanda, o retorno dos ativos e também o processo de tomada de decisão financeira. A despeito desse assunto, os economistas comportamentais substituíram a premissa das expectativas racionais pelo pressuposto da racionalidade limitada. Nesse prisma, admitese que as pessoas são limitadas quanto ao número de informações que conseguem manipular em uma situação específica e que a pressão psicológica que envolve o agente na ocasião da escolha leva-o a criar um mecanismo irrefletido, que faz com que ele privilegie as informações que expliquem suas maneiras em detrimento das informações que gerem suspeita sobre a qualidade de sua decisão (MACADAR, 1996 apud BARATELLA, 2007). Baratella (2007) identifica que no processo de tomada de decisão, os indivíduos podem ignorar informações relevantes, superestimar informações insignificantes e mostrar confiança elevada nas suas previsões quanto a acontecimentos hipotéticos, entre outros. Outro fator importante é a tendência que as pessoas possuem de utilizar heurísticas no processo de tomada de decisão complexas no intuito de facilitar as tarefas de acessar probabilidades e, desta forma, prognosticar valores com simples operações de análise (TONETO et al., 2006 apud BARATELLA, 2007). Bazerman (2004, apud Baratella, 2007) define heurísticas como regras mentais que simplificam a escolha entre alternativas, permitindo ao decisor tomar decisões complexas de forma simples, economizando tempo. Kahneman e Tversky (1974, apud Baratella, 2007) ressaltam que estas “simplificações” podem gerar importantes inconsistências ou vieses de decisão, em outros termos, como os indivíduos não estão habilitados a analisarem situações que envolvam o cálculo de probabilidades, estes confiam em certos atalhos mentais que podem gerar escolhas tendenciosas e afastadas da racionalidade. Santos (2007) sugere alguns fatores fundamentais, os quais Baratella (2007) denomina como heurísticas, que devem ser levados em consideração em qualquer modelo que estude o mercado financeiro. Santos (2007) menciona que é imprescindível saber como os agentes constroem suas expectativas, ou seja, é importante entender fatores como o excesso de confiança, otimismo exagerado, representatividade, perseverança, ancoragem e fatos recentes. Excesso de confiança é a característica através da qual a maioria dos indivíduos superestima a sua habilidade em realizar julgamentos, tanto no que se refere a determinação de intervalos de confiança, quanto sobre a estimação de probabilidades (SANTOS, 2007). O otimismo faz com que as pessoas acreditem possuir habilidades superiores a da média, isto é, 90% dos indivíduos se consideram melhor que a média no que se refere a habilidades de dirigir, relacionamentos e senso de humor (BARBERIS e THALER, 2002 apud SANTOS, 2007). Outro


44

fator a ser destacado é a crença por parte das pessoas de que suas tarefas são mais simples e poderão ser executadas em um tempo inferior do que aquele que acontece na prática (BUEHLER, GRIFFIN e ROSS, 1994 apud SANTOS, 2007). Santos (2007, p.20) adverte que “a combinação de otimismo com a autoconfiança pode se transformar num potente combustível pelo qual as pessoas podem superavaliar seus conhecimentos, menosprezar os riscos correntes e sobreestimar sua capacidade de controlar eventos”. No que se refere à representatividade, várias pesquisas têm demonstrado que os indivíduos constroem regras próprias de probabilidades baseadas na intuição para prever futuros eventos que não possuem nenhum vínculo com a lógica racional da estatística. Tais formas de agir podem levar os indivíduos a realizarem análises imperfeitas e inconsistentes (SANTOS, 2007). Outra atitude a ser destacada é a perseverança, onde alguns estudos têm demonstrado que quando um indivíduo forma uma opinião sobre determinado assunto, a tendência é de que este permaneça um bom tempo fiel a essa crença (LORD, ROSS e LEPPER, 1979 apud SANTOS, 2007). Geralmente as pessoas resistem em procurar informações que contrariam as suas crenças e tragam evidências que enfraquecem suas opiniões, levando-as a decifrar novas informações de forma errônea para fortalecer suas crenças iniciais (RABIN, 2002 apud SANTOS, 2007). A ancoragem é o comportamento pelo qual as pessoas tendem a utilizar um ponto de referência para ancorar suas avaliações, o qual, na maioria dos casos foi escolhido aleatoriamente (KAHNEMAN e TVERSKY, 1974 apud SANTOS, 2007). Estudos têm comprovado a tendência de que os indivíduos realizam seus julgamentos embasados em eventos recentes, uma vez que a memória de uma pessoa não conserva de maneira equilibrada as lembranças antigas com as mais recentes. Dessa forma, os fatos recentes são mais acentuados e tendem a interferir na análise ou estimativa de determinado evento (KAHNEMAN e TVERSKY, 1974 apud SANTOS, 2007). Baratella (2007) enumera algumas ilusões cognitivas que podem gerar vieses nos processos de tomada de decisão: efeito disposição, efeito doação, custos afundados, contabilidade mental, medo do arrependimento, procura do orgulho, autocontrole, efeito dinheiro da casa, efeito status quo e falácia do jogador. Efeito Disposição é a tendência por parte dos investidores em realizar os ganhos e conservar as perdas. Estes vendem rapidamente a ação lucrativa com o objetivo de garantir os ganhos e mantêm durante um tempo a ação perdedora na expectativa de que sua performance melhore, minimizando o incômodo do prejuízo.


45

O Efeito Doação pode ser considerado a circunstância em que há a tendência de se valorizar mais o que é do próprio indivíduo. Assim, o proprietário do título tende a pedir um valor superior ao do mercado na venda deste. Efeito Custos Afundados são as tendências dos indivíduos de não desistir de um empreendimento uma vez que tenha investido dinheiro, esforço ou tempo. Tal comportamento leva os investidores muitas vezes a investir grandes quantidades no intuito de salvar um investimento, não atentando para o prejuízo que poderão acumular. Efeito Contabilidade Mental é o processo pelo qual as pessoas conservam determinados fatos em compartimentos mentais. Nesse caso, as pessoas quando perdem algo são mais resistentes a adquirir o mesmo do que quando perdem o dinheiro que iriam utilizar apara adquirir o referido bem (THALER, 1987 apud BARATELLA, 2007). Efeito Medo do Arrependimento é o efeito que faz com que um indivíduo permaneça com um investimento mesmo que este esteja gerando prejuízos. Efeito Procura do Orgulho é o efeito que leva os ganhos a serem realizados rapidamente, ou seja, a busca pelo orgulho de ser bem sucedido em determinado investimento. Efeito Autocontrole pode ser considerado o processo pelo qual as pessoas se impõem limites em virtude de sua dificuldade em se controlar (SHEFRIN e THALER, 1981 apud BARATELLA, 2007). Efeito Dinheiro da Casa, onde os indivíduos são mais propensos a correr riscos com dinheiro que adquiriram facilmente (THALER e JOHNSON, 1990 apud BARATELLA, 2007). Efeito Status Quo é a demasiada preferência pelo status que leva as pessoas a optar pelo atual estado das coisas mesmo que não seja a alternativa mais atraente. Efeito Falácia do Jogador é a crença de que uma tendência irá se reverter e voltar à média (BRABAZON, 2000 apud BARATELLA, 2007). Dessa forma, o modelo das finanças comportamentais visa confirmar que o comportamento humano é influenciado por vários aspectos psicológicos que poderão distorcer a identificação e percepção dos fatos, gerando decisões baseadas no comportamento individual, onde a racionalidade imposta pela Teoria da Utilidade Esperada não pode ser seguida (KIMURA, 2009).


46

3.5 Finanças comportamentais versus finanças tradicionais: o racionalismo das finanças tradicionais ao não racionalismo das finanças comportamentais

A maneira como uma pessoa pensa é de fundamental importância, pois afeta o modo de planejar sua vida, estabelecer objetivos pessoais e decidir. A maioria dos indivíduos almeja pensar racionalmente por acreditar que isso significa adotar uma forma de conseguir os objetivos estabelecidos (BARON, 1994 apud DARCOSO, 2000). Os métodos racionais de tomada de decisão são os que geralmente melhor conseguem levar um indivíduo a alcançar os seus objetivos, pois o comportamento racional faz com que os indivíduos tratem as informações de maneira objetiva e não tenham tendências para o otimismo ou pessimismo, permitindo apenas erros aleatórios (BARON, 1994; BAROBERNSTEIN, 1996 apud DARCOSO, 2000). Plous (1993, apud Darcoso, 2000) apresenta alguns princípios que caracterizam o comportamento racional: a) ordenação das alternativas – o decisor deverá ser capaz de comparar duas alternativas e preferir uma à outra, ou ser indiferente; b) dominância – o indivíduo compara as diferentes alternativas e escolhe aquela que apresenta em pelo menos um quesito um resultado superior, e nos demais um resultado tão bom quanto à outra opção; c) cancelamento – em casos onde as duas alternativas possuem possíveis resultados idênticos e com a mesma probabilidade de ocorrência estas podem ser canceladas; d) transitividade – em casos onde o decisor prefere o resultado A ao B e B ao C, então, ele deverá escolher o A, entre A e C; e) invariância – o agente racional não poderá ser influenciado pela maneira como as alternativas são apresentadas. No entanto, para que as decisões sejam tomadas de forma racional o indivíduo precisa ter informações completas sobre as probabilidades e consequências de cada alternativa de ação. Sendo assim, o agente entende essas informações e é capaz de calcular as vantagens e desvantagens de cada opção, e ainda comparar os resultados escolhendo a alternativa que maximize a utilidade esperada (PLOUS, 1993 apud DARCOSO, 2000).


47

Nesse aspecto, pressupõe-se que a qualidade de uma decisão não está necessariamente relacionada aos resultados advindos destas, mas depende do uso eficaz da informação disponível no momento da tomada de decisão, isto é, o que define quão boa será uma escolha é o processo de análise realizado antes desta (DARCOSO, 2000). A premissa de que os indivíduos tomam decisões de maneira racional é advinda da Teoria Moderna de Finanças, a qual estabeleceu a Hipótese de Mercados Eficientes e a Teoria da Utilidade Esperada. De acordo com o modelo descrito da TUE as pessoas tomam decisões totalmente racionais, são avessas ao risco e visam maximizar a utilidade esperada, para isso, utilizam e processam todas as informações disponíveis de forma lógica, sistemática, buscando as melhores alternativas de acordo com os objetivos definidos (MACEDO, 2003). Em relação a isso, agir racionalmente necessita da capacidade de processar todas as informações disponíveis de forma objetiva sem sofrer influência de fatores emocionais (VON NEUMAN; MORGENTERN, 1944 apud BALDO, 2007). De acordo com Barros (2004) os economistas atribuíam ao homem econômico uma racionalidade absoluta e onisciente, ou seja, as alternativas de comportamento são totalmente conhecidas, os resultados de cada uma delas também são, existe uma capacidade computacional irrestrita que permite a ordenação das opções e a escolha da que maximize o resultado entre todas. Barros (2004) também menciona que os indivíduos têm a intenção de tomar decisões de forma racional, todavia, possuem restrições devido a suas capacidades cognitivas e computacionais. Tal fator leva o decisor a não conseguir escolher uma alternativa ótima ou que maximize os resultados, e sim uma alternativa aceitável, que satisfaça. Dentro dessa abordagem Moretto (2002, p.56) afirma que “[...] existe um hiato entre o tipo ideal de homem econômico racional e de como ele realmente é”. De acordo com Simon (1947 apud Barros, 2004) no processo decisório real a racionalidade objetiva é inalcançável porque exige um conhecimento completo sobre as consequências que se seguem a cada alternativa, o qual exige uma antecipação perfeita destas, e tal conhecimento na maioria das vezes é limitado e fragmentário. Outro aspecto destacado pelo autor é que a racionalidade objetiva requer uma antecipação perfeita dos valores atribuídos às consequências. Por último, a racionalidade objetiva exige que todas as alternativas de comportamento sejam analisadas, porém, por se encontrarem no futuro, poucas são conjecturadas. Moretto (2002) afirma que o futuro não é inteiramente predeterminado, logo, nossa vida é dominada por circunstâncias de decisão. Uma decisão ocorre quando alguém precisa optar entre cursos alternativos de ação, e estas, na maioria das vezes, são tomadas de forma impulsiva e imprevisível (KASSOUF, 1970 apud MORETTO, 2002).


48

Moretto (2002) também menciona que a realidade da tomada de decisão apresenta alguns vieses na formação da preferência dos indivíduos, isto é, em casos de incerteza, as escolhas são feitas de maneira inconsistente com os conceitos da TUE. Dessa maneira, a Teoria da Utilidade Esperada não é aplicável ao cotidiano das organizações, pois esta apenas mostra o que deveria ser feito para atingir os objetivos, sem, entretanto, explicar quais são os objetivos. Simon (1947 apud Barros, 2004) também argumenta que em função da complexidade inerente ao processo de tomada de decisão, os indivíduos adotam uma série de mecanismos simplificadores da decisão: a) satisfazimento – o decisor procura alternativas que satisfaçam segundo o padrão estabelecido em vez de buscar a escolha que maximize os resultados; b) modelos simplificados da realidade – busca capturar apenas os aspectos mais relevantes da realidade em vez de carregar toda a complexidade da situação, em outras palavras, resume uma parte significativa do conhecimento aplicado a uma decisão; c) hierarquia de decisões – hierarquizar as decisões segundo os meios e fins. Nesse aspecto, Lima (2003) apresenta a Teoria das Finanças Comportamentais, criada por Kahneman e Tversky (1979), que descreve diversos estados mentais que podem influenciar o processo de tomada de decisão e propõe padrões, por meio dos quais, os agentes financeiros tomam decisões em situações de risco e incerteza. Conforme Halfeld (2001), as Finanças Comportamentais surgiram como uma tentativa de aperfeiçoar o modo de ver as finanças modernas ao englobar estudos sobre o comportamento e a irracionalidade do homem aos modelos até então utilizados. Assim, essa teoria defende a substituição do indivíduo totalmente racional por uma nova hipótese que sustenta que o homem é simplesmente normal. Kimura (2009) também menciona que as decisões financeiras podem ser influenciadas por processos mentais, podendo impactar o comportamento das variáveis financeiras. Hirshleifer e Subrahmanyam (1998 apud Gava e Vieira, 2006, p.2) mencionam que foram encontradas diversas anomalias no que tange à racionalidade do agente em estudos do comportamento humano frente à tomada de decisão: “(1) os retornos médios das ações na data em que um evento torna-se público (data do anúncio) têm o mesmo sinal que a performance anormal média observada nos anos seguintes ao anúncio; (2) a existência de momento no curto prazo e da reversão no longo prazo, e (3) a alta volatilidade dos preços dos ativos em relação a seus fundamentos”. Dentre os elementos centrais propostos pelos pesquisadores de Finanças Comportamentais no intuito de justificar o comportamento dos indivíduos destacam-se: (1) os agentes


49

são geralmente avessos ao risco para situações de ganhos e propensos ao risco para as ocasiões de perdas; (2) pessoas atribuem pesos diferenciados a ganhos e perdas potenciais; (3) resultados certos são geralmente excessivamente avaliados em comparação com resultados incertos; (4) a função utilidade é normalmente côncava para ganhos e convexa para perdas, e geralmente é mais íngreme para perdas do que para ganhos; (5) indivíduos fazem as escolhas sobre ganhos e perdas a partir de um ponto de referência. (GAVA e VIEIRA, 2006) Dessa forma, a aversão ao risco só acontece no campo dos ganhos, todavia quando é oferecida a um indivíduo a possibilidade de perda, tal pessoa tende a ser propensa ao risco. De acordo com essa teoria, os indivíduos são avessos ao risco no campo dos ganhos e propensos ao risco no campo das perdas. Essa propensão ao risco no campo das perdas é uma das anomalias identificadas na TUE (MACEDO, 2003). Ainda nesse contexto, Kahneman e Tversky (1979, apud Kimura, 2009) propõem que os indivíduos ao tomarem decisões, em vez de atribuírem valores aos resultados finais, atribuem aos ganhos e às perdas, e assim as probabilidades são substituídas por pesos ou ponderação na decisão. De acordo com Allais (1953, p.47 apud Kimura, 2009) “as preferências por prospectos podem depender não somente da utilidade atribuída aos resultados em si, mas também do nível de certeza dos prováveis resultados”. Dessa forma, existem alguns fatores que influenciam a tomada de decisão financeira, isto é, o risco avaliado pelos indivíduos parece depender do efeito da certeza, do efeito da reflexão e da forma de estruturação das alternativas (KIMURA, 2009). O efeito reflexão acontece quando, no domínio das perdas o comportamento do indivíduo é de propensão a riscos enquanto que, no domínio de ganhos, o comportamento é de aversão a riscos (KIMURA, 2009). No que tange o efeito certeza, esse ocorre quando as pessoas confrontam as possibilidades de um acontecimento certo a um evento avaliado apenas como provável e optam pelo evento certo, mesmo que o evento provável seja melhor. Já o efeito isolamento está relacionado à habilidade de analisar decisões corretas ou não, e isso denota que o indivíduo apresenta dificuldades em reconhecer seus erros (MACEDO, 2003). Portanto, conclui-se que o mercado é formado por indivíduos que cometem erros de processamento das informações, que podem ser influenciadas por outros que pretendem obter lucros às suas custas. Eles também podem não ter acesso a tempo a informações, ainda que públicas. Além disso, “[...] pessoas interpretam informações de acordo com suas crenças e valores, cuja atualização se dá lentamente, isto é, a velocidade de mudança dessas crenças e valores pode ser infinitamente inferior a dos eventos do mercado financeiro”. Com isso, negociam ativos por inércia, super-reagem ou


50

sub-reagem a noticiários e podem até mesmo encontrar padrões onde não existem (SANTOS e SANTOS, 2005, p.107). Por fim, existem vários fatores psicológicos que podem influenciar o comportamento humano, levando a distorções na identificação e percepção dos fatos e influenciando o processo de tomada de decisão (KIMURA e BASSO, 2003).


51

4 IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA

De acordo com Maxwell (1982, p.7) a Igreja Adventista do Sétimo Dia é um “[...] movimento espiritual dinâmico, portador de uma importante mensagem e motivado por um impelente sentido missionário”. O tema central de sua pregação é Jesus Cristo, sua morte, ressurreição e a esperança do advento, quando Cristo virá outra vez para dar aos seus filhos um novo lar. O movimento adventista teve início com a pregação de Guilherme Miller, um fazendeiro que liderou uma grande reforma cristocêntrica a partir de 1833, e que culminou com a instituição legal da Igreja Adventista do Sétimo Dia em 1860 (MAXWELL, 1982). Segundo Oliveira (1985), durante o período formativo da Igreja existia preconceito por parte de muitos dos seus próprios pregadores contra qualquer forma de organização eclesiástica, e por isso, não elegiam os oficiais da igreja, sendo que os pastores recebiam diretamente dos membros os valores para o sustento. No entanto, os adventistas começaram a sentir necessidade de um registro regular de igrejas, uma lista organizada de membros e um sistema contábil. Com isso, foi reunida uma assembleia em 1861, na qual se destacou a urgência de uma organização de todas as igrejas para que a obra tivesse mais êxito. Nessa ocasião foi decidido que todas as igrejas do Estado de Michigan se uniriam em uma associação denominada Associação dos Adventistas do Sétimo Dia de Michigan. A partir da organização da associação local tornou-se imprescindível a criação de uma constituição central que pudesse combinar as unidades organizadas (associações) num todo completo. Assim, em 1863 houve uma reunião geral em Battle Creek para eleição dos primeiros dirigentes da Associação Geral, estabelecendo assim, uma nova ordem eclesiástica e prosperidade denominacional. Já 1875, em uma reunião da Associação Geral ficou decidido que a administração da Igreja não ficaria centralizada em um único homem, isto é, a mais alta autoridade entre os adventistas do sétimo dia estaria representada pelas escolhas da organização expressas nas decisões da Associação Geral, por meio de uma comissão composta por representantes de todos os setores da obra (OLIVEIRA, 1985). Com o crescimento e abrangência que a Igreja Adventista do Sétimo Dia estava alcançando, percebeu-se a necessidade de reorganizá-la, dessa forma, em 1901 foi reunida uma assembleia da Associação Geral que definiu a criação de uma unidade administrativa intermediária entre a Associação local e a Associação Geral denominada União (OLIVEIRA, 1985). A Associação Geral costumava convocar reuniões para tomar decisões sobre os mais diversos assuntos que envolviam a estrutura da igreja. Com isso, percebeu-se que seria


52

interessante a elaboração de instruções aos oficiais da igreja no intuito de definir regras apropriadas às diferentes situações na vida da igreja que padronizasse e uniformizasse as decisões. Como resultado, tal procedimento culminou com a publicação de um “Manual da Igreja” em 1931 (MANUAL DA IGREJA, 2008). Atualmente, no intuito de preparar um modelo de ação para as diferentes situações e decisões na administração da Igreja, além do Manual da Igreja também é utilizado o livro “Regulamentos Eclesiástico-Administrativos”. Este é composto por três seções diferentes: primeiramente contém a constituição e o regulamento interno da Associação Geral, suas ementas e atualizações a partir da 58ª Assembleia Mundial da Igreja; a segunda parte é constituída pela declaração de missão e compromisso total da Igreja Adventista do Sétimo Dia; a última seção compreende os regulamentos eclesiástico-administrativos individuais e exclusivos a cada Divisão, elaborados pela Comissão Diretiva de cada Divisão em harmonia com a Constituição e os Regulamentos Eclesiástico-Administrativos da Associação Geral. Dessa maneira, cada Divisão possui um Manual Regulamentos Eclesiástico-Administrativos adequado as circunstâncias peculiares daquela região e o disponibiliza aos gestores de cada Instituição. Este é considerado a voz autorizada da Igreja Adventista do Sétimo Dia e deve ser estritamente observado e cumprido por todas as organizações denominacionais (REGULAMENTOS ECLESIÁSTICO-ADMINISTRATIVOS, 2007). Além dos Regulamentos Eclesiástico-Administrativos e do Manual da Igreja, que são regulamentos que padronizam as ações e decisões por parte dos gestores, a Igreja Adventista do Sétimo Dia utiliza em seus diversos níveis hierárquicos a reunião de um corpo constituinte para a tomada de decisão.

4.1 Estrutura Organizacional da Igreja Adventista do Sétimo Dia

A estrutura orgânica da Igreja Adventista do Sétimo Dia é composta por diferentes instituições que atuam em uma hierarquia, subordinadas à Associação Geral. A Igreja local é a unidade básica da Igreja Adventista do Sétimo Dia e pode ser considerada um grupo específico de membros que vivem em harmonia com os princípios da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Um grupo de igrejas localizado em uma determinada área forma uma Associação/Missão. O Corpo Constituinte de uma Associação é composto pelos delegados escolhidos e enviados à respectiva assembleia pelas igrejas membros da Associação segundo a proporção estabelecida pelo regulamento interno e também pelos delegados gerais apontados no regulamento.


53

Tal assembleia tem a responsabilidade de eleger os administradores da Associação e a equipe de diretores dos departamentos, conceder licenças e credenciais, adotar ou alterar estatutos constitutivos, e também eleger a Comissão Diretiva, que atuará em nome do corpo constituinte durante os intervalos entre as assembleias. As Associações e Missões deverão responder perante a União da qual são membros, e são geridas de acordo com os Regulamentos Eclesiástico-Administrativos da Divisão da qual fazem parte. A União é formada por um grupo específico de Associações/Missões em um determinado território. O Corpo Constituinte de uma União é composto pelos delegados indicados e enviados pelas Associações/Missões que a compõe, conforme a proporção estabelecida no regulamento da respectiva União, juntamente com os delegados indicados em tal regulamento. Estes estão investidos com a autoridade de votar na Assembléia da União sobre todos os assuntos a serem considerados, além de eleger os administradores e a comissão diretiva da União, que a representará nos intervalos entre as assembleias. As Uniões respondem perante a Divisão da qual fazem parte e são administradas segundo os Regulamentos Eclesiástico-Administrativos da mesma. As Divisões podem ser consideradas unidades administrativas da Associação Geral que atuam subordinadas e em harmonia com os regulamentos eclesiástico-administrativos desta em uma região específica. Uma divisão engloba todas as Uniões, Associações, Missões e instituições localizadas no território designado (REGULAMENTOS ECLESIÁSTICO-ADMINISTRATIVOS, 2007). De acordo com os Regulamentos Eclesiástico-Administrativos (2007, p.15) a Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia é a “organização governante central da Igreja Adventista do Sétimo Dia em todo o mundo”, onde a sua sede está localizada em Washington - USA. Esta compreende as Uniões, as Associações/Missões, as igrejas locais, ou seja, o corpo total de membros da igreja no mundo inteiro. A Associação Geral é considerada a entidade máxima da Igreja no que se refere à administração mundial e por englobar todas as instituições da Igreja em todas as partes do mundo. Em outras palavras, a Associação Geral é constituída pelas Divisões, que são formadas pelas Uniões em áreas específicas do mundo. As Uniões são compostas pelas Associações e Missões, que por sua vez são responsáveis pela direção de um grupo de Igrejas pertencente a uma determinada região. Cada uma destas instituições são unidades administrativas da Instituição hierárquica a ela superior, com a responsabilidade de cumprir os encargos administrativos no território a ela designado e em harmonia com a Constituição e Regulamento Interno da Associação Geral (REGULAMENTOS ECLESIÁSTICO-ADMINISTRATIVOS, 2007). A Assembleia Mundial da Associação Geral é considerada a maior autoridade da Igreja entre os adventistas do sétimo dia, cuja reunião acontece a cada cinco anos. No intervalo entre


54

as Assembleias acontece uma reunião da Associação Geral denominada Comissão Diretiva no intuito de atuar como representante da Associação Geral para a tomada de decisão. A Comissão Diretiva é composta por representantes de todas as divisões e os presidentes das Uniões-Associação e UniõesMissão. A Comissão Diretiva terá autoridade para conceder ou retirar credenciais e licenças, nomear comissões, eleger ou destituir os administradores e membros da Comissão Diretiva, tomar decisões financeiras importantes etc. (REGULAMENTOS ECLESIÁSTICO-ADMINISTRATIVOS, 2007). Segundo o Manual da Igreja (2008) a Conferência Geral em sessão é a maior autoridade entre os adventistas do sétimo dia, portanto, sempre que surgirem fatos contingenciais entre as instituições ou no seio de uma organização é indicado recorrer à instituição imediatamente superior até alcançar a Conferência Geral ou o ao Conselho Executivo em seu Concílio Anual. Segundo os Regulamentos Eclesiástico-Administrativos (2010) atualmente a Associação Geral é constituída por um total de 13 Divisões. São elas: Divisão Africana CentroOcidental, Divisão Africana Centro-Oriental, Divisão Asiática do Pacífico Norte, Divisão Asiática do Pacífico Sul, Divisão do Pacífico Sul, Divisão Euro-Africana, Divisão Euro-Asiática, Divisão Interamericana, Divisão Norte-Americana, Divisão Sul-Africana-Oceano Índico, Divisão Sul-Americana, Divisão Sul-Asiática e Divisão Transeuropéia. A Divisão Sul-Americana é o segmento da Associação Geral que conduz a Igreja Adventista do Sétimo Dia em oito países pertencentes à América do Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Ilhas do Atlântico Sul. A Divisão Sul-Americana é composta pelas seguintes Uniões: União Argentina (Argentina), União Boliviana (Bolívia), União Central Brasileira (São Paulo), União Centro-Oeste Brasileira (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins), União Chilena (Chile e Ilhas do Atlântico Sul), União Equatoriana (Equador), União Este Brasileira (Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), União Nordeste Brasileira (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), União Noroeste Brasileira (Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia), União Norte-Brasileira (Amapá, Maranhão e Pará), União Paraguaia (Paraguai), União Peruana do Norte (os departamentos de Amazonas, Anccash, Cajamarca, La Libertad, Lambayeque, San Martín – excluindo a Província de Tocache, Piura, Tumbes, a Zona Norte de Lima, e a Província do Alto Amazonas do Departamento de Loreto), União Peruana do Sul (os departamentos de Apurimac, Arequipa, Ayacucho, Cuzco, Huanuco, Ica, Junin, Loreto (excluindo a Província do Alto Amazonas, Madre de Dios, Moquegua, Pasco, Puno, Tacna, Ucayali, a Província de Tocache do Departamento de San Martín e a Zona Sul de Lima), União Sul-Brasileira (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e União Uruguaia (Uruguai) (REGULAMENTOS ECLESIÁSTICOADMINISTRATIVOS, 2010).


55

Segundo os Regulamentos Eclesiástico-Administrativos (2007, p.106) “o corpo constituinte de uma instituição está formado pela Comissão Diretiva da organização proprietária (Associação/Missão, União, Divisão)”. “A comissão diretiva das instituições é nomeada pela comissão diretiva da organização-mãe na primeira reunião plenária após a assembleia regular da mesma, à proposta de uma comissão de nomeações. A nomeação será por um período de quatro anos, se se tratar de instituições subordinadas a um campo local, e de cinco anos, se for o caso de instituições subordinadas a uma União ou à Divisão”. As instituições deverão ser geridas por um “administrador-chefe (gerente geral, diretor geral, diretor médico, reitor ou seu equivalente), um gerente financeiro (gerente administrativo, tesoureiro, ou o seu equivalente) e um gerente de produção (chefe de pessoal, diretor acadêmico, gerente de serviços ou o seu equivalente)”. Estes respondem perante a Comissão Diretiva da instituição (Regulamentos Eclesiástico-Administrativos, 2007, p.107). “As Comissões Diretivas serão presididas pelo presidente da organização da qual dependem, ou por quem ele designar para que o represente. O administrador-chefe da instituição atuará como secretário” (Regulamentos Eclesiástico-Administrativos, 2007, p.107). “A Comissão Diretiva de uma instituição é o órgão administrativo ao qual o corpo constituinte tem delegado plena autoridade para dirigir e administrar as atividades da instituição, dentro de sua respectiva jurisdição e em harmonia com os regulamentos denominacionais”. Sua responsabilidade é instituir metas, examinar e admitir planos e orçamentos, permitir a entrada de novos servidores e definir qualquer tema relacionado com o adequado funcionamento da obra na área sob sua responsabilidade (Regulamentos Eclesiástico-Administrativos, 2007, p.108). Cada instituição deverá ter uma comissão interna, nomeada pela Comissão Diretiva, que estabelecerá os deveres e limitações desta comissão. Assim, a Comissão Diretiva esquematizará os projetos importantes, a maneira de agir e os condicionamentos, e autorizará os investimentos em equipamentos ou planos, enquanto que a comissão interna será a responsável pela execução, limitando-se aos valores autorizados pela Comissão Diretiva (Regulamentos EclesiásticoAdministrativos, 2007). Portanto, a comissão interna terá autonomia para gerir os assuntos internos da instituição, incluindo admissão e demissão de pessoal, adquirir equipamentos e materiais de escritório, entre outros. As despesas para novos projetos, equipamentos ou consertos que sejam superiores ao valor autorizado deverão ser apresentados de antemão à Comissão Diretiva para sua aprovação (Regulamentos Eclesiástico-Administrativos, 2007). O Manual da Igreja (2008) também destaca que a Igreja Adventista do Sétimo Dia mantém um grande número de instituições na esfera desses quatro níveis constitutivos, como


56

instituições de educação, saúde, casas publicadoras, indústrias de alimentos saudáveis, e outras. Sendo assim, as diversas unidades da igreja mundial encontram a sua unidade organizacional na Conferência Geral, onde tem representação.

4.2 Administração Financeira da Igreja Adventista do Sétimo Dia

De acordo com os Regulamentos Eclesiástico-Administrativos (2007), as instituições pertencentes à Igreja Adventista do Sétimo Dia não têm fins lucrativos, todavia, devem tornar-se auto-suficientes financeiramente no intuito de apoiar a missão da igreja por meio de sua influência e também dos seus recursos. A

administração

financeira

de

cada

instituição

denominacional

será

responsabilidade dos gestores que atuam em cada organização, e por isso estes deverão fazê-la de acordo com as diretrizes estabelecidas no manual “Regulamentos Eclesiástico-Administrativos” e sob a análise e aprovação da Comissão Diretiva e supervisão dos auditores. É responsabilidade dos administradores financeiros da IASD certificar-se de que seja feita a maior economia possível nas despesas administrativas das entidades no intuito de direcionar ao máximo os fundos disponíveis para a obra de evangelização. Outro aspecto que é requerido dos gestores é obedecer às seguintes diretrizes: a) todas as operações financeiras devem ser feitas sobre a base de fundos disponível, ou seja, jamais incorrer em dívidas ou recorrer a empréstimos (somente em casos previstos pelo regulamento); b) no que se refere às despesas com ampliação das instalações, devem fazê-lo sem incorrer em dívidas (exceto em casos previstos pelo regulamento); c) as organizações pertencentes à IASD não poderão tomar empréstimos para reinvesti-los ou emprestá-los a terceiros (REGULAMENTOS ECLESIÁSTICOADMINISTRATIVOS, 2007). Segundo as normas estabelecidas pelos Regulamentos Financeiros da IASD, para a realização de atividades operacionais que necessitem de apoio financeiro, primeiramente deve-se ter disponível o valor total de fundos para iniciar o projeto, e todas as despesas devem ser pagas à vista. Por isso, cada instituição deverá nomear uma Comissão de Planejamento Financeiro e Orçamentário no intuito de propiciar uma prévia demonstração para avaliação e aprovação dos investimentos por parte da Comissão Diretiva (REGULAMENTOS ECLESIÁSTICO-ADMINISTRATIVOS, 2007).


57

Além do planejamento financeiro, todas as entidades da Igreja no território da Divisão Sul-Americana deverão elaborar demonstrativos financeiros que serão analisados mensalmente pelos administradores da organização correspondente. O administrador financeiro de cada instituição deverá apresentar informações financeiras nas reuniões da Comissão Diretiva para julgamento e análise da situação financeira da organização e para aceitação por meio de voto (REGULAMENTOS ECLESIÁSTICO-ADMINISTRATIVOS, 2007). Os gestores das instituições deverão apresentar os relatórios financeiros nas reuniões plenárias da Comissão Diretiva para comparação das operações realizadas com o que foi orçado. Quando tais relatórios indicarem um déficit operativo a Comissão Diretiva deverá tomar as medidas necessárias para solucionar o problema. Vale destacar que nesse caso a organização deverá fazer provisões para perdas, isto é, fará um orçamento para o próximo ano que consiga cobrir a diferença (déficit) (REGULAMENTOS ECLESIÁSTICO-ADMINISTRATIVOS, 2007). Outro aspecto mencionado pelos Regulamentos Eclesiástico-Administrativos (2007, p.444) é que todas as organizações adventistas deverão “[...] incluir em seu orçamento anual um valor adequado de fundos para enfrentar situações de emergência, para proteger-se de situações econômicas ou políticas que afetem o equilíbrio financeiro da entidade”. Essa provisão deverá ser no mínimo de 5% e no máximo de 10% das despesas operacionais orçadas. Todos os fundos recebidos por qualquer entidade, independente da sua origem, serão utilizados apenas para o propósito para o qual foram destinados. Com isso, nenhuma comissão interna, gestor, ou denominação poderá “[...] emprestar ou adiantar os fundos da instituição a particulares, nem endossar letras de câmbio, assinar cartas de garantia, retirar ou comprometer fundos da organização, destinando-os a outro propósito além daquele ao qual estavam destinados” (REGULAMENTOS ECLESIÁSTICO-ADMINISTRATIVOS, 2007).


58

5 MATERIAIS E MÉTODOS

Esta seção propõe-se a descrever a estrutura metodológica deste trabalho mediante a apresentação dos métodos utilizados para a coleta dos dados e informações, de maneira que os métodos empregados estejam de acordo com o estudo proposto. De acordo com Gil (2002, p.17) “pode-se definir pesquisa como o procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos”. Esta é promovida quando não se dispõe de conhecimento suficiente para responder ao problema, ou então quando os dados disponíveis não se encontram organizados para responder ao problema em questão. Gil (2002) sugere que a pesquisa é realizada pelo agrupamento das informações disponíveis e da utilização de métodos, técnicas e outros artifícios científicos para levantar os dados que estão faltando. Dessa forma, a pesquisa desenvolve-se ao longo de um processo que abrange várias etapas, desde a formulação do problema até a exposição dos resultados. Dentro desse raciocínio, Cervo e Bervian (2002) declaram que a pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas pela utilização de processos científicos, isto é, o ponto de partida de uma pesquisa é uma dúvida ou problema e busca-se a solução deste por meio do emprego de um método científico. Método é o “[...] conjunto de processos empregados na investigação e na demonstração da verdade”, em outras palavras, “um conjunto ordenado de procedimentos que se mostraram eficientes ao longo da história” enquanto que a técnica pode ser considerada “[...] a aplicação do plano metodológico e a forma especial de o executar” (CERVO e BERVIAN, 2002, p.24 e 25). Conforme Marconi e Lakatos (1999, p.21), existem vários critérios para a classificação dos tipos de pesquisa, onde [...] “a divisão obedece a interesses, condições, campos, metodologia, situações, objetivos, objetos de estudo” que variam dependendo da visão de cada autor. De acordo com Gil (2002), as pesquisas podem ser classificadas quanto aos seus objetivos em exploratórias, descritivas, explicativas ou com base nos procedimentos técnicos utilizados. No que se refere aos objetivos, esta investigação pode ser considerada um estudo exploratório uma vez que este busca propiciar maior familiaridade com o problema no intuito de torná-lo mais claro ou de construir hipóteses, onde tais pesquisas têm como foco o aperfeiçoamento de ideias ou obter novas percepções (GIL, 2002). Marconi e Lakatos (1999, p.69) afirmam que tal método de pesquisa realiza [...] “descrições precisas da situação e quer descobrir as relações existentes entre os


59

elementos componentes da mesma”, por isso precisa de um planejamento flexível que permita considerar os diversos aspectos de um problema ou circunstância. A classificação da pesquisa quanto aos objetivos é muito importante para estabelecer o seu padrão teórico, no entanto, para uma análise empírica dos fatos e para comparar a visão teórica com as informações da realidade torna-se essencial delinear um modelo conceitual e operativo desta (GIL, 2002). Tal delineamento considera os procedimentos técnicos de coleta adotados pelo pesquisador e dessa forma permite classificar o estudo de acordo com as técnicas utilizadas. No estudo em questão, buscou-se coletar informações com os colaboradores que atuam na área financeira e administrativa da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Região Sul do Brasil no intuito de traçar um perfil dos tomadores de decisão financeira dessa instituição, e consequentemente definir o padrão desta organização quanto a esta abordagem. Por tratar-se de um caso único, optou-se quanto aos procedimentos técnicos de pesquisa a abordagem de um estudo de caso, tendo em vista que este se caracteriza por um profundo e exaustivo estudo de um ou poucos elementos, no intuito de conhecer amplamente e com detalhes o objeto de estudo (GIL, 2002). Nesse sentido, convém mencionar os conhecimentos de Yin (2005), que afirma que um estudo de caso é uma investigação empírica que pesquisa um fato atual dentro do seu contexto da vida real e que a essência desse método de pesquisa é esclarecer os motivos, implementação e resultados de uma decisão ou de um conjunto de decisões. Quanto à natureza, o estudo se refere a uma pesquisa básica, pois tem como foco a ampliação dos conhecimentos teóricos e avanço científico, não se preocupando com a aplicação prática do conhecimento gerado (MARCONI e LAKATOS, 1999). Richardson (2009) descreve a pesquisa qualitativa como a “[...] tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e características situacionais apresentados pelos entrevistados”. Tal abordagem além de ser uma alternativa do investigador, explica-se por ser uma forma apropriada para perceber a natureza de um fenômeno social, e com isso possibilita a compreensão e classificação de processos dinâmicos vividos por grupos sociais, contribui para o processo de mudança de um grupo específico e possibilita a compreensão das particularidades do comportamento dos indivíduos. Porém, o método quantitativo diferencia-se pelo emprego da quantificação tanto no que se refere à coleta de informações, quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas no intuito de assegurar a exatidão dos resultados, impedir distorções de análise e interpretação, permitindo uma margem de segurança quanto às inferências (RICHARDSON, 2009). A abordagem do problema ficou definida como qualitativa com um aporte quantitativo uma vez que, de acordo com Yin (2005), é possível quantificar os elementos descritivos de um estudo de caso no intuito de permitir a compreensão plena do problema em questão.


60

Conforme Yin (2005) é possível fazer uma triangulação de dados quando se tem fontes múltiplas de evidências para possibilitar o melhor entendimento, pois toda e qualquer descoberta ou conclusão de um estudo de caso é muito mais persuasiva e acurada quando faz uso de várias fontes de informações. Nesta pesquisa, foram utilizados documentos da instituição para verificação da maneira como esta espera que seus colaboradores se comportem. Também se aplicou um instrumento estruturado de coleta de dados no intuito de comparar como os indivíduos realmente pensam no que se refere às decisões financeiras com o que a organização espera destes. Também foi realizada uma revisão bibliográfica para contextualização do tema. Com isso, será possível oferecer vários ângulos de avaliação ao mesmo fenômeno. Para dar suporte à análise qualitativa o presente estudo usou uma breve avaliação descritiva. Gil (2002) afirma que a pesquisa descritiva propõe-se a descrever as características de um determinado grupo, indivíduo ou situação específica. Ainda nesse contexto, Richardson (2009, p. 71) afirma que:

o estudo descritivo pode abordar aspectos amplos de uma sociedade como, por exemplo, descrição da população economicamente ativa, do emprego de rendimentos e consumo, do efetivo de mão-de-obra; levantamento da opinião e atitudes da população acerca de determinada situação; caracterização do funcionamento de organizações; identificação do comportamento de grupos minoritários.

Para argumentação do estudo, foi realizada primeiramente uma revisão bibliográfica. Gil (2002) afirma que a pesquisa bibliográfica é realizada através do levantamento do material já elaborado sobre o assunto em questão, sendo os livros e artigos científicos as principais fontes. Após a revisão bibliográfica foi realizada uma pesquisa documental nas fontes de dados da Instituição (sites, telefonemas, manuais e livros). Tal investigação, segundo Marconi e Lakatos (1999, p.64), “[...] pode ser considerada a fonte de coleta de dados que está restrita a documentos, escritos ou não, constituindo o que se denomina de fontes primárias”. Na sequência, foi feita a coleta dos dados. Cervo e Bervian (2002) mencionam que essa fase envolve diversos passos, como a determinação da população a ser analisada, a preparação do instrumento, a programação e a própria coleta. Estes ainda destacam que há várias formas para realizar tal procedimento, como entrevista, formulário, questionário, e que além do instrumento utilizado, o tipo de pergunta determina o grau de precisão dos dados e o nível de dificuldades para tabular e analisar as informações.


61

O instrumento escolhido para a realização da pesquisa foi o questionário, uma vez que Cervo e Bervian (2002) afirmam ser esta a forma mais utilizada de coleta de dados e que permite maior exatidão. Richardson (2009) comenta que utilizar questionários permite apresentar as características e medir determinadas variáveis de um grupo social, além da possibilidade de mensurar variáveis individuais. Os questionários podem ser classificados pelo tipo de perguntas feitas aos entrevistados (perguntas abertas, fechadas ou mistas) ou pelo modo de aplicação (contato direto ou pelo correio) (RICHARDSON, 2009). Na pesquisa em questão o questionário foi elaborado tendo em vista primeiramente caracterizar o respondente por meio de 13 questões fechadas e então, via replicação do instrumento de Kahneman e Tversky (1979), mensurar as escolhas individuais mediante alternativas que envolvam situações hipotéticas de certeza e incerteza. O instrumento proposto por Kahneman e Tversky (1979) é um questionário com 13 questões fechadas que propõe algumas situações de decisão financeira onde o respondente fará escolhas, e poderá ser avaliado o seu comportamento em relação ao risco e racionalidade na hora da decisão. Segundo Richardson (2009, p.202) pré-teste “refere-se à aplicação prévia do questionário a um grupo que apresenta as mesmas características da população incluída na pesquisa” com o objetivo de revisar e direcionar alguns aspectos da investigação. O pré-teste foi aplicado aos colaboradores do Instituto Adventista Paranaense que atuam nas áreas de interesse da pesquisa, totalizando 12 aplicações. Tal procedimento permitiu avaliar a capacidade de entendimento das questões propostas e assim, aperfeiçoar o instrumento. A coleta dos dados pode ser considerada a etapa da pesquisa na qual se inicia a aplicação dos instrumentos elaborados e das técnicas selecionadas com a finalidade de coletar os dados previstos (MARCONI e LAKATOS, 1999). A coleta dos dados foi realizada durante um treinamento ministrado pela União Sul-Brasileira da IASD aos colaboradores atuantes nas áreas de finanças, informática e recursos humanos, nos dias 7 a 10 de abril de 2010 em Governador Celso Ramos – SC. A aplicação dos questionários foi feita de maneira direta pela pesquisadora, sendo que os respondentes estavam divididos em grupos de acordo com as funções desempenhadas na Instituição. Os instrumentos foram distribuídos a cada grupo em particular, e a pesquisadora passou as instruções aos respondentes, observando o tempo necessário para o preenchimento. O treinamento ministrado pela USB estava direcionado aos colaboradores atuantes nas instituições da Organização (ANP, ACP, ASP, AC, ACSR, ASR e MOSR), internatos e clínicas, enquanto que os gestores de escolas (externatos) teriam um treinamento específico em outra ocasião. Por isso, a amostra é representada predominantemente pelos administradores das instituições enquanto que, aos gestores de escolas, foi enviado o instrumento via e-mail, obtendo-se 54 respostas.


62

O mecanismo de cálculo utilizado para definição da amostra para aplicação do questionário é demonstrado conforme equação a seguir:

σ 2 . p.q.N n= 2 e ( N − 1) + σ 2 . p.q onde: N = tamanho da população; (N = 318) n = tamanho da amostra; (n ≈ 142)

σ = nível de confiança escolhido, expresso em número de desvios-padrão; ( σ = 2) e 2 = erro máximo permitido; (e = 5%)

p= é a percentagem com a qual o fenômeno se verifica; ( p = 0,2) q= (100 – p) é a percentagem complementar (q = 0,8).

Após coletados, os dados devem ser selecionados e classificados de forma sistemática, para isso, antes da análise e interpretação, estes devem ser selecionados, codificados e tabulados. Na seleção, o pesquisador deve examinar minuciosamente os dados a fim de encontrar falhas ou erros, evitando informações confusas, distorcidas ou incompletas. A codificação é a transformação dos dados em símbolos para permitir a contagem e tabulação. Tabulação é a disposição dos dados em tabelas permitindo a verificação das inter-relações entre eles (MARCONI e LAKATOS, 1999). A seguir é apresentada no quadro 1 a relação entre os objetivos específicos, os conceitos-chave, os autores, os instrumentos de pesquisa e os resultados esperados.


63

Quadro 2: Relação entre os objetivos específicos, os conceitos-chave, os autores, os instrumentos de pesquisa e os resultados esperados. Objetivos específicos

Conceitos-chave Os autores

Instrumentos de pesquisa

Resultados esperados

Mapear onde estão localizadas as instituições pertencente à Igreja Adventista na União SulBrasileira e a estrutura da tomada de decisão organizacional.

Modelo de tomada de decisão.

Darcoso (2000); Daft (2005); Bethlem (1987); Manual da Igreja (2008); Regulamentos Eclesiástico-Administrativos (2007).

Coleta documental (análise dos manuais, sites, contatos por telefone).

Identificar os tomadores de

Finanças

Halfeld (2001); Macedo (2003); Baratella (2007); Sá (2007);

Pesquisa bibliográfica, Pesquisa

Espera-se mapear todas as instituições da IASD pertencentes a União Sul-Brasileira, traçar um modelo de como é a estrutura da instituição e como as decisões são tomadas. Identificar o perfil

decisão financeira da IASD e seus respectivos perfis na tomada de decisão.

Comportamentais; Teoria da Tomada de Decisão; Racionalidade;

Santos (2006); Santos e Santos (2005); Borges (2007); Junior e Ikeda (2004); Freitas (2007); Baldo (2007); Gontijo e Maia (2004); Porto (2004);Steiner et.al. (1998); Ferreira e Yu (2003); Santos (2007); Kimura (2009); Kimura (2003); Junior (2007); Kimura e Basso (2003); Darcoso (2000); Barros (2004); Moretto (2002); Lima (2003) Gava e Vieira (2006);

Documental; Aplicação de Instrumento de coleta – questionário. Em relação ao planejamento, a questão que auxiliou no cumprimento deste objetivo foi a 14.

do decisor da IASD, ou seja, o quanto este é racional e propenso a correr riscos.

Comparar os resultados dos perfis dos tomadores de decisão nos quesitos idade, formação acadêmica e experiência profissional. Comparar funcionários recém contratados com os antigos no intuito de verificar se a experiência como colaborador da IASD tem impacto sobre o modo como tomam decisões.

Finanças Comportamentais.

Questionário. Questões 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11 e 14.

Finanças Comportamentais

Questionário. Questões 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11 e 14.

Verificar se há correlação nas respostas ao comparar idade, formação acadêmica e experiência profissional. Verificar se há correlação nas respostas ao comparar o tempo de experiência como funcionário da IASD.

Fonte: Elaborado pela autora (2010).


64

6 UNIÃO SUL-BRASILEIRA – UM ESTUDO DE CASO

6.1 Histórico e caracterização da USB

Para melhor compreensão da pesquisa, nesta seção será apresentada uma breve descrição sobre a União Sul-Brasileira e as diversas instituições que a compõem. A União Sul-Brasileira foi estabelecida em 1907 em decorrência do crescimento da IASD no Brasil, o que demandou a necessidade de ampliar o escritório tanto no que se refere ao espaço físico quanto ao alcance territorial. Inicialmente foi denominada União Sul-Brasileira da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e estava localizada na cidade de São Paulo, sendo que o seu território abrangia os Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo (LINHARES e WALDVOGEL, 1965). Em virtude do contínuo crescimento do número de membros, no dia quatro de setembro de 1985 o território da União Sul-Brasileira foi dividido em dois segmentos: Corporação da União Central Brasileira da Igreja Adventista do Sétimo dia, com sede em São Paulo – SP, e Corporação da União Sul-Brasileira da Igreja Adventista do Sétimo Dia, localizada em Curitiba – PR, sendo esta responsável pela administração da IASD nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul (LINHARES e WALDVOGEL, 1965). Atualmente a União Sul-Brasileira é o segmento da Divisão Sul-Americana que coordena as atividades da Igreja Adventista do Sétimo Dia nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Localizada na Rua João Carlos de Souza Castro, nº 562, na cidade de Curitiba – PR, é constituída por sete Associações/Missões (Missão Ocidental Sul Riograndense - MOSR, Associação Central Sul Riograndense - ACSR, Associação Sul Riograndense - ASR, Associação Catarinense - AC, Associação Norte Paranaense - ANP, Associação Central Paranaense - ACP e Associação Sul Paranaense - ASP), três internatos (Instituto Adventista Cruzeiro do Sul - IACS, Instituto Adventista de Ensino de Santa Catarina – IAESC e Instituto Adventista Paranaense – IAP), duas clínicas (Clínica Adventista de Curitiba e Clínica Adventista de Porto Alegre), setenta e três escolas de Ensino Fundamental e Médio (externatos), dois CATREs (Centro Adventista de Treinamento e Recreação), duzentos e setenta e cinco distritos, oitocentas e dezenove igrejas, 914 grupos e 166.308 membros (www.usb.org.br).


65

6.2 Análise e interpretação dos dados

No intuito de traçar um perfil dos tomadores de decisão financeira da IASD na Região Sul do Brasil e posteriormente verificar a influência que fatores como idade, grau de escolaridade e experiência profissional têm sobre a forma como estes tomam decisões, foram aplicados 214 questionários a funcionários que atuam na área administrativa, financeira e recursos humanos da União Sul-Brasileira (USB). Tendo em vista que a USB possui 318 indivíduos atuando na área administrativa a amostra possui representatividade, e a seguir são detalhados os resultados obtidos através da aplicação de um questionário estruturado baseado no modelo original de Kaheman e Tversky (1979). A primeira pergunta referiu-se ao gênero dos indivíduos. Conforme os dados expostos na tabela 1, verifica-se que 85% dos respondentes são do gênero masculino enquanto que 15% são do sexo feminino. Isso demonstra que os cargos administrativos e financeiros da IASD na União Sul-Brasileira são ocupados predominantemente por pessoas do sexo masculino. Tabela 1: Gênero dos colaboradores da USB. Gênero F % Masculino 181 84,58 Feminino 33 15,42 Total 214 100 Fonte: Pesquisa da autora (2010).

Gráfico 1: Gênero dos funcionários da USB.

Fonte: Pesquisa da autora (2010).


66

Pretendeu-se através da questão 2 identificar o país de origem dos entrevistados e, se brasileiros, saber de qual região são procedentes. Contou-se que, conforme a tabela 2, 99,5% dos respondentes são de nacionalidade brasileira, e destes, 78,87% são originários da Região Sul, 10,33% da Região Sudeste, 7,51% da Região Centro-Oeste, 2,35% da Região Norte e 0,94% da Região Nordeste (tabela 3). Tabela 2: País de origem. País F Brasil 213 Guiné-Bissau 1 Total 214 Fonte: Pesquisa da autora (2010).

% 99,53 0,47 100,00

Tabela 3: Região de origem. Região F Sul 168 Sudeste 22 Centro-Oeste 16 Norte 5 Nordeste 2 Total 213 Fonte: Pesquisa da autora (2010).

% 78,87 10,33 7,51 2,35 0,94 100,00

A faixa etária que teve o maior destaque entre os funcionários da USB foi entre 21 e 30 anos, representando 50,47% das respostas, seguido de 21,91% entre 31 e 40 anos. Com isso, percebeu-se que a administração da IASD na Região Sul é feita predominantemente por jovens, conforme demonstra a tabela 4. Tabela 4: Idade dos funcionários da USB. Idade F % 10,75 00├─20 23 50,47 21├─30 108 21,96 31├─40 47 10,75 41├─50 23 6,07 Acima de 50 anos 13 100,00 Total 214 Fonte: Pesquisa da autora (2010).


67

Gráfico 2: Idade dos funcionários da USB.

Fonte: Pesquisa da autora (2010). A quarta questão fundamentou-se em verificar a formação acadêmica dos funcionários da USB. Conclui-se que dos 214 respondentes, 2 possuem mestrado e 2 estão cursando o mesmo. Há 30 colaboradores que concluíram a especialização e 7 que estão cursando; 57 pessoas concluíram o Ensino Superior enquanto que 77 não o finalizaram, e 25 indivíduos têm curso técnico completo (tabela 5). Tabela 5: Grau de escolaridade. Escolaridade f Mestrado Completo 2 Mestrado Incompleto 2 Especialização Completa 30 Especialização Incompleta 7 Graduação Completa 57 Graduação Incompleta 77 Curso Técnico Completo 25 Curso Técnico Incompleto 1 Ensino Médio Completo 11 Ensino Médio Incompleto 2 Total 214 Fonte: Pesquisa da autora (2010).

% 0,93 0,93 14,02 3,27 26,64 35,98 11,68 0,47 5,14 0,93 100,00


68

A quinta pergunta referiu-se à instituição na qual os respondentes estão trabalhando atualmente e, para isso, foram distribuídos 214 questionários entre os colaboradores buscando uma segmentação por região. Percebeu-se que as instituições que tiveram maior número de respondentes foram a ACSR, ASR, ANP e AC. A USB e MOSR possuem menor número de colaboradores e por isso tiveram um menor número de respondentes, como demonstra a tabela 6. Tabela 6: Instituição na qual trabalha. Instituição f MOSR 18 ACSR 33 ASR 33 AC 33 ANP 34 ACP 27 ASP 16 USB 20 Total 214 Fonte: Pesquisa da autora (2010).

% 8,41 15,42 15,42 15,42 15,89 12,62 7,48 9,35 100

Verificou-se também quais respondentes trabalham em instituições de ensino (internatos ou externatos). Pode-se concluir que 35,05% dos entrevistados trabalham em escolas, enquanto que 64,95% são funcionários das demais instituições da USB (tabela 7). Tabela 7: Trabalha em instituição de ensino. Alternativas F % Sim 75 35,05 Não 139 64,95 Total 214 100 Fonte: Pesquisa da autora (2010). No que se refere ao cargo ocupado na instituição, 20,09% dos respondentes são tesoureiros, portanto, são os administradores financeiros da IASD. A seguir, a função de maior representatividade entre os respondentes foi a de contador, com 15,42% das respostas e, posteriormente, assistente financeiro e diretor com 11,68 e 11,21% respectivamente (tabela 8). No que se refere à opção outras, contou-se 69 respondentes, sendo que destes, a maior representação foram de 27,54% que atuam como auditores de igrejas, 21,74% como auxiliar contábil, 18,84% são caixas e 10,14% cuidam do patrimônio da instituição.


69

Tabela 8: Função dos funcionários da USB. Função Tesoureiro Assistente Financeiro Contador RH Diretor Outras Total Fonte: Pesquisa da autora (2010).

F 43 25 33 20 24 69 214

% 20,09 11,68 15,42 9,35 11,21 32,24 100,00

Gráfico 3: Função dos funcionários da USB.

Fonte: Pesquisa da autora (2010). O fator tempo de trabalho para a IASD que predominou entre os respondentes foi o período de 0 a 5 anos, representando 50,47% das respostas. Tal resultado pode estar relacionado ao fato de a maioria dos funcionários da USB estarem na faixa etária entre 21 e 30 anos, conforme demonstra a tabela 9.


70

Tabela 9: Tempo de trabalho na IASD Período de tempo (anos) F 00├─5 108 6├─10 43 11├─15 26 16├─20 17 21├─30 14 Acima de 30 anos 6 Total 214

% 50,47 20,09 12,15 7,94 6,54 2,80 100,00

Fonte: Pesquisa da autora (2010). Gráfico 4: Tempo de trabalho dos funcionários da USB.

Fonte: Pesquisa da autora (2010). A seguir são demonstrados os resultados obtidos por meio da proposição de alternativas que envolveram situações hipotéticas de certeza ou incerteza no intuito de investigar o processo decisório de uma amostra de respondentes da USB e analisar o efeito certeza, o efeito reflexão, o efeito isolamento e a atitude destes perante o risco. Os primeiros seis problemas objetivam medir o efeito certeza, isto é, demonstrar se diante de ganhos certos houve uma maior preferência pelo prospecto com maior certeza de ocorrer do


71

que por aquele que oferece maior ganho e, que diante de riscos em ambas as alternativas, o indivíduo optou por aquela que oferecia maior retorno. Nos problemas 1, 3 e 5 as opções B oferecem um ganho certo enquanto que as alternativas A oferecem um retorno maior com risco. Conforme demonstra a tabela 10, predominou as preferências pelo prospecto B com porcentagens de 72,43%, 75,70% e 80,84% para os problemas 1, 3 e 5 respectivamente. Porém, nas questões 2, 4 e 6 as alternativas C e D ofereciam riscos expressivos, portanto percebeu-se que as decisões pela opção que proporciona o maior retorno aumentou significativamente, conforme demonstra a tabela 10. Figura 1: Enunciado do estudo do efeito certeza. Problema 1. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 33% de chance de ganhar $2.500 100% de chance de ganhar $2.400 66% de chance de ganhar $2.400 1% de chance de ganhar $0 Problema 2. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa C ( ) Alternativa D 33% de chance de ganhar $2.500 34% de chance de ganhar $2.400 67% de chance de ganhar $0 66% de chance de ganhar $0 Problema 3. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 80% de chance de ganhar $4.000 100% de chance de ganhar $3.000 20% de chance de ganhar $0 Problema 4. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa C ( ) Alternativa D 20% de chance de ganhar $4.000 25% de chance de ganhar $3.000 80% de chance de ganhar $0 75% de chance de ganhar $0 Problema 5. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 50% de chance de ganhar uma viagem de três 100% de chance de ganhar uma viagem de semanas para a Inglaterra, França e Itália. uma semana para a Inglaterra. 50% de chance de não ganhar nada Problema 6. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa C ( ) Alternativa D 5% de chance de ganhar uma viagem de três 10% de chance de ganhar uma viagem de semanas para a Inglaterra, França e Itália. uma semana para a Inglaterra. 95% de chance de não ganhar nada. 90% de chance de não ganhar nada. Fonte: Kimura et. al. (2006).


72

Tabela 10: Estudo do Efeito Certeza. Problema Prospecto 1 A: (R$ 2500:33%; R$ 2400:66%; R$ 0:1%) B: (R$ 2400:100%) 2 C: (R$ 2500:33%; R$ 0: 67%) D: (R$ 2400: 34%; R$ 0: 66%) 3 A: (R$ 4000: 80%; R$ 0: 20%) B: (R$ 3000: 100%) 4 C: (R$ 4000: 20%; R$ 0: 80%) D: (R$ 3000: 25%; R$ 0: 75%) 5 A: (Viagem de 3 semanas para a Inglaterra, França e Itália: 50%; Nada: 50%) B: (Viagem de uma semana para a Inglaterra: 100%) C: (Viagem de 3 semanas para 6 a Inglaterra, França e Itália: 5%; Nada: 95%) D: (Viagem de uma semana para a Inglaterra: 10%; Nada: 90%)

Resultado 27,57% 72,43% 42,06% 57,94% 24,30% 75,70% 47,66% 52,34% 19,16% 80,84% 39,25% 60,75%

Fonte: Pesquisa da autora (2010). No problema 7, conforme demonstra a tabela 11, os respondentes demonstraram preferência significativa pela alternativa que oferecia maior probabilidade de retorno (90%) mesmo que o ganho fosse 50% menor que o oferecido pela opção A. Porém, no problema 8 os retornos das opções A e B mantêm-se inalterados em relação ao problema 7, e as probabilidades de ganho reduzem-se expressivamente. Tal fator levou os indivíduos a escolherem a opção A em 62,62% das respostas. Em situações onde a probabilidade de ganho é insignificante, ou seja, circunstâncias em que ambas as opções oferecem altos riscos, as pessoas tendem a decidir por alternativas que oferecem ganhos maiores mesmo diante de probabilidades de ocorrência menores. Porém, diante de ganhos certos ou com grande probabilidade de ocorrência, os indivíduos tornam-se mais conservadores. Figura 2: Enunciado sobre atitudes perante o risco para diferentes probabilidades dos prospectos. Problema 7. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 45% de chance de ganhar $6.000 90% de chance de ganhar $3.000 55% de chance de ganhar $0 10% de chance de ganhar $0 Problema 8. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa C ( ) Alternativa D 0,1% de chance de ganhar $6.000 0,2% de chance de ganhar $3.000 99,9% de chance de ganhar $0 99,8% de chance de ganhar $0 Fonte: Kimura et. al. (2006).


73

Tabela 11: Atitudes perante o risco. Problema

Prospecto 7 A: (R$ 6000:45 %; R$ 0:55%) B: (R$ 3000:90%; R$ 0:10%) 8 C: (R$ 6000:0,1%; R$ 0: 99,9%) D: (R$ 3000:0,2%; R$ 0: 99,8%)

Resultado 21,96% 78,04% 62,62% 37,38%

Fonte: Pesquisa da autora (2010). No problema 9 foi proposto a aquisição de um seguro probabilístico, que é um pagamento equivalente a metade do valor de um seguro tradicional que contribui para a redução da probabilidade de eventos indesejáveis, sem eliminar completamente o risco. A alternativa A refere-se à aceitação da proposta do seguro probabilístico, enquanto que a opção B está relacionada a não aceitação de tal sugestão. Conforme demonstra a tabela 12 o seguro probabilístico teve pouca aceitação entre os respondentes. Figura 3: Enunciado do seguro probabilístico. Problema 9. Suponha que você esteja considerando a possibilidade de segurar um imóvel contra algum dano, como por exemplo, incêndio ou roubo. Depois de examinar os riscos e o prêmio do seguro, você não encontra uma clara preferência entre a opção de adquirir o seguro e a opção de deixar o imóvel sem seguro. Porém, chama-lhe a atenção que a seguradora está oferecendo um novo produto chamado Seguro Probabilístico. Nesse produto, você paga inicialmente metade do prêmio de um seguro tradicional. No caso de dano, existe uma probabilidade de 50% de que você pague a outra metade do prêmio e que a seguradora cubra todas as perdas. Existe também uma probabilidade de 50% de que, no caso de dano, você receba o valor já pago pelo prêmio e não seja ressarcido pelas perdas. Por exemplo, se o acidente ocorre em um dia ímpar, você paga a outra metade do prêmio e tem as perdas ressarcidas. Se o acidente ocorre em dia par, então a seguradora lhe devolve o prêmio pago e as perdas não são cobertas. Lembre-se de que o prêmio do seguro tradicional é tal que você avalia que o seguro praticamente equivale ao seu custo. Sob essas circunstâncias, você prefere comprar o Seguro Probabilístico? ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B Sim Não Fonte: Kimura et. al. (2006). Tabela 12: Prospectos do Seguro Probabilístico. Alternativas F % A 72 33,64 B 142 66,36 Total 214 100,00 Fonte: Pesquisa da autora (2010).


74

Os prospectos dos problemas 4 e 10 são equivalentes, no entanto, foram apresentados por meio de diferentes elementos, o que gerou resultados distintos, conforme demonstra a tabela 13. Tal fator é denominado efeito isolamento, onde os indivíduos tendem a simplificar o processo de escolha entre alternativas e com isso desconsideram os componentes que as distingue. Figura 4: Enunciado do estudo da influência da estruturação dos prospectos nas escolhas. Problema 10. Considere um jogo de dois estágios. No primeiro estágio, existe uma probabilidade de 75% de que o jogo termine sem que você ganhe nada e uma probabilidade de 25% de que se mova ao segundo estágio. Se você atingir o segundo estágio, você pode escolher entre as alternativas a seguir. Observe que a escolha deve ser feita antes do início do jogo. ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 80% de chance de ganhar $4.000 100% de chance de ganhar $3.000 20% de chance de ganhar $0 Fonte: Kimura et. al. (2006). Tabela 13: Influência da estruturação dos prospectos nas escolhas. Problema

Prospecto 4 C: (R$ 4000: 20%; R$ 0: 80%) D: (R$ 3000: 25%; R$ 0: 75%) 10 A: (R$ 4000: 20%; R$ 0: 80%) B: (R$ 3000: 25%; R$ 0: 75%) Fonte: Pesquisa da autora (2010).

Resultado 47,66% 52,34% 26,64% 73,36%

Quando considerados os resultados finais, os problemas 11 e 12 podem ser considerados idênticos. Porém, ao analisar essas proposições, os indivíduos tendem a ignorar essa informação comum e fixar a escolha levando em consideração o ganho certo do problema 11 e a possibilidade de evitar a perda do problema 12. Tais atitudes corroboram para explicar o efeito reflexão, que é a existência de aversão ao risco em situações de ganho e propensão a este em circunstâncias de perda. Conforme demonstra a tabela 14, os colaboradores da USB atribuem mais importância às alterações de riqueza do que ao estado final desta.


75

Figura 5: Enunciado do estudo da importância das alterações na riqueza em contraposição aos resultados finais. Problema 11. Além dos recursos que você possui, você recebeu mais $1.000. Agora, deve escolher entre as alternativas a seguir. ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 50% de chance de ganhar $1.000 100% de chance de ganhar $500 50% de chance de ganhar $0 Problema 12. Além dos recursos que você possui, você recebeu mais $2.000. Agora, deve escolher entre as alternativas a seguir. ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 50% de chance de perder $1.000 100% de chance de perder $500 50% de chance de perder $0 Fonte: Kimura et. al. (2006). Tabela 14: Importância das alterações na riqueza em contraposição aos resultados finais. Problema Prospecto Resultado 11 A: (R$ 1000: 50%; R$ 0: 50%) 33,64% B: (R$ 500: 50%) 66,36% 12 C: (- R$ 1000: 50%; R$ 0: 50%) 49,07% D: (- R$ 500: 50%) 50,93% Fonte: Pesquisa da autora (2010). O enunciado do problema 13 resume duas formas distintas de apresentar a mesma situação. Na estrutura 1 os resultados são apresentados de forma negativa (morte) levando a uma preferência de 71,03% para a alternativa B. Porém, na estrutura 2 os resultados são apresentados de forma positiva (salvar a vida) o que reduz para 58,41% a escolha pela opção B (tabela 15).


76

Figura 6: Enunciado do estudo de falhas na invariância. Problema 13. Suponha que o Brasil esteja se preparando contra uma doença asiática incomum. Estima-se que a doença irá matar 600 pessoas. Dois programas alternativos de combate à doença são propostos. Assuma que as estimativas científicas exatas das consequências dos programas sejam dadas a seguir: Estrutura 1 Se o Programa A for adotado, 400 pessoas morrerão; Se o Programa B for adotado, existe uma probabilidade de 33% de que ninguém morra e uma probabilidade de 67% de que todas as 600 pessoas morram. De qual você é a favor? ( ) Programa A ( ) Programa B Estrutura 2 Se o Programa A' for adotado, 200 pessoas serão salvas; Se o Programa B for adotado, existe uma probabilidade de 33% de que todas as pessoas sejam salvas e uma probabilidade de 67% de que nenhuma das 600 pessoas seja salva. De qual você é a favor? ( ) Programa A' ( ) Programa B' Fonte: Kimura et. al. (2006). Tabela 15: Estudo de falhas de invariância. Problema Programa Resultado 13 A 28,97% B 71,03% A' 41,59% B' 58,41% Fonte: Pesquisa da autora (2010). A tabela do apêndice A faz uma analogia entre a idade dos funcionários da USB e a postura adotada diante de decisões financeiras. Percebeu-se que os respondentes que fazem parte da primeira faixa etária, de indivíduos que tem até 20 anos, são mais propensos ao risco que os demais respondentes. Essa atitude pode estar relacionada ao período que estes estão vivendo, no qual a maioria ainda não constituiu família. Notou-se também que os indivíduos que tem entre 21 e 30 anos assumiram uma atitude mais conservadora em suas respostas que as pessoas com até 20 anos, porém, sua postura ficou intermediária, uma vez que os demais respondentes (acima de 31 anos) foram ainda mais avessos ao risco. Na tabela do apêndice B foi realizado um cruzamento entre a função desempenhada na IASD e o perfil adotado na tomada de decisão financeira. Notou-se que os tesoureiros se destacaram por manter uma atitude estável diante das alternativas expostas, assim, apresentaram tendências insignificantes aos desvios de avaliação que geralmente são identificados


77

pelo instrumento utilizado. Esse resultado demonstra a qualidade de suas decisões financeiras, o que pode estar diretamente relacionado com a experiência profissional destes, pois, conforme demonstra a tabela 16, as funções diretor e tesoureiro são as que apresentam pessoas com maior tempo de trabalho para a IASD. Vale destacar ainda que tal racionalidade diante de circunstâncias que envolvem decisões financeiras pode estar relacionada também com a idade destes e consequentemente com a maturidade, pois, 58,1% dos tesoureiros da USB possuem mais de trinta anos (tabela 17). Tabela 16: Função dos colaboradores x tempo de trabalho na IASD Tesoureiros As. Financeiro Contador RH Diretor Outros F % f % F % f % f % f % Até 5 anos 9 20,93 7 28,00 27 81,82 11 55,00 1 4,17 53 76,81 6 a 10 anos 15 34,88 13 52,00 6 18,18 3 15,00 3 12,50 3 4,35 11 a 15 anos 9 20,93 3 12,00 0 0,00 2 10,00 9 37,50 3 4,35 16 a 20 anos 4 9,30 2 8,00 0 0,00 3 15,00 6 25,00 2 2,90 21 a 30 anos 5 11,63 0 0,00 0 0,00 1 5,00 3 12,50 5 7,25 Acima de 30 anos 1 2,33 0 0,00 0 0,00 0 0,00 2 8,33 3 4,35 Total 43 100,00 25 100,00 33 100,00 20 100,00 24 100,00 69 100,00 Fonte: Pesquisa da autora (2010). Tabela 17: Função x idade dos funcionários da USB As. Tesoureiros Financeiro Contador RH Diretor

Outros

f

%

f

%

F

%

f

%

f

%

F %

Até 20 anos

0

0,00

3

12,00

5

15,15

3

15,00

0

0,00

12 17,39

21 a 30 anos

18

41,86

15

60,00

26

78,79 11 55,00

0

0,00

38 55,07

31 a 40 anos

11

25,58

7

28,00

2

6,06

5

25,00 12 50,00 10 14,49

41 a 50 anos

11

25,58

0

0,00

0

0,00

1

5,00

7

29,17

4

5,80

Acima de 50 anos

3

6,98

0

0,00

0

0,00

0

0,00

5

20,83

5

7,25

Outros

0

0,00

0

0,00

0

0,00

0

0,00

0

0,00

0

0,00

Total

43

100,00

25

100,00

33 100,00 20 100,00 24 100,00 69 100,00

Fonte: Pesquisa da autora (2010).

As respostas dos contadores foram as que apresentaram os maiores percentuais de propensão ao risco, conforme tabela do apêndice B. Esse resultado pode estar relacionado à experiência profissional destes, uma vez que de acordo com a tabela 16, 81,8% destes são funcionários da IASD a um período de tempo igual ou inferior a cinco anos.


78

A tabela do apêndice C relacionou o grau de escolaridade dos respondentes com o perfil dos indivíduos perante a tomada de decisões. Percebeu-se que os colaboradores que possuem especialização ou estão cursando a mesma apresentam percentuais de propensão ao risco bem maiores que as pessoas graduadas ou que concluíram o curso técnico. Portanto, o resultado evidencia que o conhecimento torna as pessoas mais seguras diante de escolhas, tornando-as mais propensas a correr riscos. Na tabela do apêndice D foi feita uma analogia entre a instituição na qual os respondentes trabalham e a forma como tomam decisões financeiras. Notou-se que os colaboradores da MOSR e da ACSR adotaram uma postura estável ao tomarem decisões, ou seja, não houve significativas diferenças entre as escolhas que envolviam ganho certo ou provável daquelas que envolviam riscos em ambas alternativas. Vale destacar que a ACSR se mostrou mais conservadora em suas decisões que a MOSR. A AC foi a instituição que apresentou maior grau de aversão ao risco, principalmente em situações que envolvem ganho certo. A USB e ASP apresentaram uma postura bem conservadora diante de ganhos certos ou prováveis e uma grande propensão ao risco em circunstâncias que apresentavam riscos em ambas as alternativas, preferindo aquelas que propiciavam um maior retorno e maior risco. A ACP, ANP e ASR foram as instituições que apresentaram os maiores percentuais de propensão ao risco, em situações que envolveram ganho certo. Essa postura foi menos acentuada, porém, maior que as demais organizações. A tabela do apêndice E faz uma analogia entre os resultados da pesquisa com os colaboradores da USB, a pesquisa brasileira (Kimura et al, 2006) e a pesquisa original (Kahneman e Tversky, 1979). Percebeu-se que as tendências aos efeitos certeza, reflexão e isolamento se repetiram na pesquisa em questão, no entanto, os resultados dos prospectos pares, aqueles que envolvem risco predominante em ambas as alternativas, foram menos acentuados. Esse resultado revela que os gestores financeiros da USB demonstram um perfil bastante conservador em relação a tomada de decisão financeira. Ao considerar a praxe da instituição (Regulamentos Eclesiástico-Administrativos, 2007) percebe-se que os resultados obtidos na pesquisa em questão vem ao encontro com o que a organização espera de seus gestores, ou seja, são requeridas atitudes ponderadas, uma vez que é determinado que estes não devem contrair financiamentos, dar empréstimos, endossar letras de câmbio, assinar cartas de garantia além de terem que reservar em seu orçamento anual um valor para situações de emergenciais.


79

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após o desenvolvimento da pesquisa, alguns pontos merecem destaque. Em relação ao primeiro objetivo específico, a pesquisa atingiu a finalidade estabelecida, uma vez que pelas fontes de evidências utilizadas (questionário estruturado e pesquisa documental) foi possível traçar um perfil do administrador financeiro da IASD na Região Sul. Após tabulação, análise e interpretação dos dados concluiu-se que os colaboradores da União Sul-Brasileira em sua maioria são do sexo masculino, originários da Região Sul do Brasil, com idade inferior a trinta anos, estão cursando ou concluíram a graduação e trabalham a um tempo de até cinco anos para a IASD. No que se refere à tomada de decisão financeira, estes apresentaram as mesmas tendências observadas na pesquisa original e brasileira, no entanto, com uma menor intensidade para a propensão ao risco em situações onde ambas as alternativas envolviam grande probabilidade de perdas. Essa tendência de aversão ao risco pode estar relacionada aos princípios de administração financeira adotados pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, a qual estabelece que seus decisores devem ser ponderados diante de escolhas financeiras, não assumindo financiamentos ou negócios arriscados. A pesquisa permitiu ainda, através do segundo objetivo específico, mapear as instituições pertencentes à IASD na União Sul-Brasileira e a estrutura da tomada de decisão destas organizações. Percebeu-se que o perfil adotado diante de decisões financeiras varia de uma instituição em relação à outra. A AC foi a organização que apresentou o maior grau de aversão ao risco, enquanto que a ACP, a ANP e a ASR apresentaram os maiores percentuais de propensão ao risco. A MOSR e ACSR demonstraram uma postura estável diante de decisões financeiras. Quanto ao terceiro objetivo específico, comparar o resultado dos perfis dos tomadores de decisão nos quesitos formação acadêmica, idade e função desempenhada na instituição, concluiu-se que os colaboradores que possuem ou estão cursando especialização adotaram uma postura mais propensa ao risco em relação àqueles que possuem graduação ou curso técnico. Essa atitude demonstra que o conhecimento torna os indivíduos mais seguros diante de decisões, fazendo com que estes avaliem o risco de forma sistemática e calculada. No que se refere à idade, percebeu-se que as pessoas mais jovens são mais propensas ao risco, e isso se explica pela fase mais liberal e destituída de compromissos que os indivíduos que têm até vinte anos estão vivenciando, uma vez que a maioria ainda não constituiu família ou tem uma carreira profissional estabilizada. No que tange a função desempenhada na IASD, notou-se que os tesoureiros apresentaram uma postura estável diante das alternativas propostas, evidenciando pouca tendência aos desvios identificados pelo instrumento utilizado, enquanto que os contadores foram os mais propensos ao risco. Esses resultados podem


80

estar relacionados à idade e tempo de trabalho para a IASD, uma vez que os tesoureiros são os indivíduos com maior experiência profissional e idade, enquanto que os contadores são os mais jovens e com menor tempo de trabalho para a IASD. Considerando o quarto objetivo específico, comparar funcionários recém contratados com os mais antigos no intuito de verificar se a experiência como colaborador da IASD tem impacto sobre a forma como tomam decisões, percebeu-se que existe uma correlação positiva entre o tempo de trabalho para a IASD e o grau de propensão ao risco, uma vez que os indivíduos que estão entre o quadro de funcionários da IASD a mais tempo são mais conservadores ao tomarem decisões financeiras. Assim, mediante a pesquisa realizada foi possível identificar o perfil dos indivíduos mais conservadores e daqueles que são mais arrojados ao tomar decisões. Dessa maneira, quando a instituição disponibilizar um cargo que demanda inovação, desenvolvimento e crescimento poderá optar por uma pessoa mais jovem, com maior grau de escolaridade e com menor tempo de experiência de trabalho para a IASD, enquanto que ao necessitar de um indivíduo conservador e que venha apenas manter ou continuar aquilo que foi estabelecido, poderá buscar o perfil de uma pessoa mais experiente, graduada ou técnica e com maior tempo de trabalho como colaborador da IASD. Ao analisar individualmente cada instituição pertencente à USB percebeu-se um comportamento heterogêneo no que se refere à tomada de decisão ao comparar com os resultados evidenciados na USB. Com isso, sugere-se para futuras pesquisas um estudo mais profundo de cada instituição no intuito de entender as causas de tais diferenças. Levando em consideração que a Instituição pesquisada está estabelecida na Região Sul Brasileira, recomenda-se também um estudo comparativo com outras instituições pertencentes à IASD localizadas em outras regiões do Brasil. Ainda como sugestão de pesquisas futuras, seria pertinente desenvolver um estudo de campo com o intuito de identificar as personalidades e correlacionar com esta pesquisa, buscando evidências psicológicas no processo de tomada de decisão e os impactos causados por cada perfil de tomador de decisão financeira para a instituição. Por fim, dentre as restrições da presente pesquisa vale ressaltar que apesar da amostra utilizada ser representativa, não foram alcançados todos os funcionários tomadores de decisões financeiras da USB. Outro aspecto a ser mencionado refere-se às respostas a questão cinco, uma vez que a maioria dos respondentes que se enquadraram como pertencentes a USB são colaboradores do IAP e clínicas, pois essas instituições são vinculadas diretamente à USB e não às Associações. Portanto, entre as respostas dos decisores que representaram a USB houve pouca participação dos colaboradores diretos desta instituição. Também houve dificuldades em encontrar


81

material para uma anรกlise mais profunda e comparativa entre autores, uma vez que o tema estudado faz parte de um campo novo e existe pouco material bibliogrรกfico sobre o assunto.


82

REFERÊNCIAS

BALDO, Dinorá. Biomarcas nas anomalias da teoria da utilidade esperada. 2007. Dissertação (Mestrando em Economia) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. BARATELLA, Fábio de Mattos. Excesso de Confiança: Estudantes versos Gerentes. 2007. Dissertação (Mestrando em Administração) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. BARROS, Gustavo. Racionalidade e Organizações: Um estudo sobre comportamento econômico na obra de Hebert A. Simon. 2004. Dissertação (Mestrado em Economia) – Universidade de São Paulo – SP. BETHLEM, Agrícola de Souza. Modelos de processo decisório. Revista de Administração, São Paulo, v.22, n.3, p.27-39. Jul/Set 1987. BORGES, Elaine Cristina. O efeito comportamental na decisão de investimento: o impacto dos preços máximo e mínimo das últimas 52 semanas no volume negociado. 2007. Dissertação (Mestrando em Administração de Empresas) – Fundação Getúlio Vargas: Escola de Administração de Empresas de São Paulo, São Paulo. CARDOSO, Ricardo Lopes; RICCIO, Edson Luiz. Framing Effect em Um Ambiente de Informação Contábil: Um Estudo Usando a Prospect Ttheory. Encontro Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração. 29º, 2005, Brasília. CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2002. DACORSO, Antonio Luiz Rocha. Tomada de decisão e riscos: a administração da inovação em pequenas indústrias químicas. 2000. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade de São Paulo – SP. DAFT, Richard L. Administração. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005.


83

DAMODARAN, Aswath. Avaliação de Investimentos: ferramentas e técnicas para a determinação do valor de qualquer ativo. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2001. FERREIRA, Caio Fonseca; YU, Abraham Sin Oih. Todos acima da média: excesso de confiança em profissionais de finanças. R. Adm., São Paulo, v.38, n.2, p.101-111. Abr/Jun 2003. FREITAS, João Paulo Pinto Dias de. Decisões Individuais sob Incerteza em Investimentos: um estudo descritivo confirmatório da cumulative prospect theory e the adaptive toolbox. 2007. Dissertação (Mestrando em Administração) – Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba. GAVA, Alexandre Majola; VIEIRA, Kelmara Mendes. Tomada de decisão em ambiente de risco: uma avaliação sob a ótica comportamental. REAd, v.12, n.1, p.1-25. Jan/Fev 2006. Disponível em: <http://read.adm.ufrgs.br/edicoes/busca.php>. Acesso em: 29 set. 2009. GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2002. GONÇALVES, C. F. F. Estatística. Londrina: Eduel, 2002. GONTIJO, Arimar Colen; MAIA, Claudia Santos Castro. Tomada de decisão, do modelo racional ao comportamental: uma síntese teórica. Cadernos de Pesquisa em Administração, São Paulo, v.11, nº4,

p.

13-30,

out/dez

2004.

Disponível

em:

<http://www.regeusp.com.br/resumos/v11-

4resumos.htm#2>. Acesso em: 29 set. 2009. HALFELD, Mauro; TORRES, Fábio de Freitas Leitão. Finanças Comportamentais: aplicações no contexto brasileiro. RAE, São Paulo, v.41, n.2, p.64-71. Abr/Jun 2001. Disponível em: <http://www16.fgv.br/rae/rae/index.cfm?FuseAction=Artigo&ID=392&Secao=FINAN%C3%87AS2&Volu me=41&Numero=2&Ano=2001>. Acesso em: 29 set. 2009. JÚNIOR, Aldemir de Alcântara Velho Barretto. Vieses cognitivos em decisões de investimentos: uma análise do excesso de confiança, aversão à ambigüidade e efeito disposição sob a perspectiva das Finanças Comportamentais. 2007. Dissertação (Mestrando em Administração) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife.


84

JUNIOR, Tarcísio Saraiva Rabelo; IKEDA, Ricardo Hirata. Mercados Eficientes e Arbitragem: Um Estudo sob o enfoque das Finanças Comportamentais. Revista Contabilidade & Finanças – USP, São

Paulo,

n.34,

p.97-107.

Jan/Abr

2004.

Disponível

em:

<http://www.eac.fea.usp.br/eac/revista/revista_busca.asp>. Acesso em: 29 set. 2009. KIMURA, Herbert. Aspectos comportamentais associados às reações do mercado de capitais. RAE,

v.2,

n.1,

p.1

14.

Jan/Jun

2003.

Disponível

em:

<http://www16.fgv.br/rae/eletronica/index.cfm?FuseAction=Artigo&ID=1880&Secao=2%C2%BAPWC&V olume=2&Numero=1&Ano=2003>. Acesso em: 29 set. 2009. KIMURA, Herbert; BASSO, Leonardo Fernando Cruz. Finanças Comportamentais: Investigação do Comportamento Decisório dos Agentes Brasileiros. ENANPADE, 2003. KIMURA, H.; BASSO, L. F. C.; KRAUTER, E.. Paradoxos em Finanças: Teoria Moderna Versus Finanças Comportamentais. RAE, v. 46, n. 1, p. 41-58. Jan/Mar 2006. Disponível em: <http://www.rae.com.br/rae/index.cfm?FuseAction=Artigo&ID=3407&Secao=FÓRUM&Volume=46&Nu mero=1&A>. Acesso em: 29 set. 2009. LIMA, Murillo Valverde. Um estudo sobre Finanças Comportamentais. RAE, v.2, nº1, p.1-19. Jan/Jun 2003.

Disponível

em:

<http://www16.fgv.br/rae/eletronica/index.cfm?FuseAction=Artigo&ID=1873&Secao=2%C2%BAPWC&V olume=2&Numero=1&Ano=2003>. Acesso em: 29 set. 2009. LINHARES, Odair; WALDVOGEL, Isolina A. História de Nossa Igreja. 2.ed. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 1965. MACEDO JUNIOR, Jurandir Sell. Teoria do Prospecto: uma investigação utilizando simulação de investimento. 2003. Tese (Doutorando em Engenharia de Produção) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia. 17ª ed. 2008. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de Pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1999.


85

MAXWELL, Mervyn C. História do Adventismo. 1. ed. Santo André: Casa Publicadora Brasileira, 1982. MORETTO, Cleide Fátima. Ensino Superior, Escolha e Racionalidade: Os processos de decisão dos universitários do município de São Paulo. 2002. Tese (Doutorado em Economia) – Universidade de São Paulo – SP. OLIVEIRA, Enoch de. A Mão de Deus ao Leme. 1.ed. Santo André: Casa Publicadora Brasileira, 1985. PASIANI, Rafael Fagan. Finanças Comportamentais: a Teoria dos Prospectos e o comportamento dos gestores maringaenses na tomada de decisões financeiras. 24 f. Artigo (Artigo de conclusão de especialização) – Cesumar – Centro Universitário de Maringá, Maringá, 2008. PORTO, Geciane Silveira. Características do Processo Decisório na Cooperação EmpresaUniversidade.

RAC,

v.8,

n.3,

p.29-52.

Jul/Set

2004.

Disponível

em:

<http://anpad.org.br/periodicos/content/frame_base.php?revista=1>. Acesso em: 29 set. 2009. Regulamentos Eclesiástico-Administrativos, 2007. Regulamentos Eclesiástico-Administrativos, 2010. RICHARDSON, Roberto Jarry e Colaboradores. Pesquisa Social: Métodos e Técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. SÁ, Marcelo Martins de. Decisões financeiras em condições de risco por gerentes, diretores e firmas brasileiras: uma análise baseada nas finanças comportamentais. 2007. Dissertação (Mestrando em Administração de Empresas) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo. SANTOS, José Odálio dos; SANTOS, José Augusto Rodrigues dos. Mercado de Capitais: Racionalidade versus Emoção. R. Cont. Fin. – USP, São Paulo, n.37, p.103-110. jan/abr 2005. Disponível em: < http://www.eac.fea.usp.br/eac/revista/revista_busca.asp>. Acesso em: 29 set. 2009.


86

SANTOS, Marcelo Chapper dos. Utilizando as Finanças Comportamentais para promover o desenvolvimento econômico: a criação e aplicação de um novo axioma comportamental. 2006. Dissertação (Mestrando em Economia) – Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. SANTOS, Bernardo Queima Alves dos. Finanças Comportamentais: Diversificação ingênua em planos de previdência. 2007. Dissertação (Mestrando em Administração de Empresas) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. SAUAIA, Antonio Carlos Aidar; ZERRENNER, Sabrina Arruda. Jogos de Empresas e Economia Experimental: Um Estudo da Racionalidade Organizacional na Tomada de Decisão. RAC, Curitiba, v.13, n.2, p.189-209. abr/jun 2009. Disponível em: < http://anpad.org.br/periodicos/arq_pdf/a_853.pdf>. Acesso em: 29 set. 2009. STEINER, Pedro et. al. A Teoria dos Prospectos Revisitada: a influência dos beneficiários da decisão. ENANPAD, 1998. YIN, Robert K. Estudo de Caso: Planejamento e Métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. www.usb.org.br.


87

APÊNDICES


88

APÊNDICE A – Tabela 1: Influência da Idade sobre a tomada de decisão financeira na IASD

Idade 00├─20

Alternativas Prob 1 A 30,40% B 69,60% 21├─30 A 30,60% B 69,40% 31├─40 A 29,80% B 70,20% 41├─50 A 8,70% B 91,30% > 50 A 23,10% B 76,90% Fonte: Pesquisa da autora (2010).

Prob 2 52,20% 47,80% 40,70% 59,30% 36,20% 63,80% 47,80% 52,20% 46,20% 53,80%

Tabela 1: Influência da idade sobre a tomada de decisão financeira Prob 3 Prob 4 Prob 5 Prob 6 Prob 7 Prob 8 Prob 9 Prob 10 30,40% 65,20% 30,40% 56,50% 34,80% 78,30% 26,10% 21,70% 69,60% 34,80% 69,60% 43,50% 65,20% 21,70% 73,90% 78,30% 25,90% 50,90% 15,70% 36,10% 24,10% 62,00% 33,30% 33,30% 74,10% 49,10% 84,30% 63,90% 75,90% 38,00% 66,70% 66,70% 25,50% 40,40% 23,40% 40,40% 14,90% 61,70% 36,20% 19,10% 74,50% 59,60% 76,60% 59,60% 85,10% 38,30% 63,80% 80,90% 13,00% 43,50% 13,00% 34,80% 21,70% 52,20% 39,10% 17,40% 87,00% 56,50% 87,00% 65,20% 78,30% 47,80% 60,90% 82,60% 15,40% 23,10% 23,10% 38,50% 8,30% 61,50% 30,80% 23,10% 84,60% 76,90% 76,90% 61,50% 91,70% 38,50% 69,2 76,90%

Prob 11 39,10% 60,90% 35,20% 64,80% 29,80% 70,20% 30,40% 69,60% 30,80% 69,2

Prob 12 39,10% 60,90% 54,60% 45,40% 42,60% 57,40% 39,10% 60,90% 61,50% 38,5

Prob 13-1 26,10% 73,90% 33,30% 66,70% 25,50% 74,50% 26,10% 73,90% 15,40% 84,60%

Prob 13-2 26,10% 73,90% 41,70% 58,30% 44,70% 55,30% 47,80% 52,20% 46,20% 53,8


89

APÊNDICE B – Tabela 2: Relação entre a função exercida na IASD e o perfil na tomada de decisão

Função Tesoureiro

Alternativas Prob 1 A 20,90% B 79,10% As. Financeiro A 16,00% B 84,00% Contador A 33,30% B 66,70% RH A 35,00% B 65,00% Diretor A 25,00% B 75,00% Fonte: Pesquisa da autora (2010).

Tabela 2: Relação entre a função exercida na IASD e o perfil na tomada de decisão Prob 2 Prob 3 Prob 4 Prob 5 Prob 6 Prob 7 Prob 8 Prob 9 Prob 10 41,90% 34,90% 34,90% 18,60% 37,20% 9,30% 51,20% 32,60% 30,20% 58,10% 65,10% 65,10% 81,40% 62,80% 90,70% 48,80% 67,40% 69,80% 28,00% 16,00% 48,00% 16,00% 40,00% 20,00% 68,00% 36,00% 20,00% 72,00% 84,00% 52,00% 84,00% 60,00% 80,00% 32,00% 64,00% 80,00% 60,60% 27,30% 60,60% 21,20% 48,50% 42,40% 66,70% 33,30% 30,30% 39,40% 72,70% 39,40% 78,80% 51,50% 57,60% 33,30% 66,70% 69,70% 35,00% 15,00% 50,00% 20,00% 25,00% 30,00% 65,00% 35,00% 30,00% 65,00% 85,00% 50,00% 80,00% 75,00% 70,00% 35,00% 65,00% 70,00% 41,70% 20,80% 41,70% 20,80% 54,20% 12,50% 70,80% 41,70% 16,70% 58,30% 79,20% 58,30% 79,20% 45,80% 87,50% 29,20% 58,30% 83,30%

Prob 11 25,60% 74,40% 36,00% 64,00% 36,40% 63,60% 40,00% 60,00% 37,50% 62,50%

Prob 12 Prob 13-1 Prob 13-2 46,50% 30,20% 39,50% 53,50% 69,80% 60,50% 56,00% 32,00% 52,00% 44,00% 68,00% 48,00% 48,50% 33,30% 39,40% 51,50% 66,70% 60,60% 55,00% 30,00% 40,00% 45,00% 70,00% 60,00% 41,70% 12,50% 37,50% 58,30% 87,50% 62,50%


90

APÊNDICE C – Tabela 3: Relação entre o grau de escolaridade e o perfil na tomada de decisão Tabela 3: Relação entre o grau de escolaridade e o perfil na tomada de decisão Grau de Escolaridade Alternativas Prob 1 Mestrado C A 50,00% B 50,00% Mestrado I A 0,00% B 100,00% Especialização C A 33,33% B 66,67% Especialização I A 42,85% B 57,15% Graduação C A 19,30% B 80,70% Graduação I A 32,46% B 67,54% Curso Técnico C A 24,00% B 76,00% Curso Técnico I A 0,00% B 100,00% Ensino Médio C A 36,36% B 63,64% Ensino Médio I A 0,00% B 100,00% Fonte: Pesquisa da autora (2010).

Prob 2 50,00% 50,00% 0,00% 100,00% 53,33% 46,67% 71,42% 28,58% 36,84% 63,16% 41,55% 58,45% 36,00% 64,00% 100,00% 0,00% 45,45% 54,55% 0,00% 100,00%

Prob 3 0,00% 100,00% 0,00% 100,00% 26,37% 73,33% 14,29% 85,71% 21,06% 78,94% 28,57% 71,43% 20,00% 80,00% 0,00% 100,00% 36,36% 63,64% 0,00% 100,00%

Prob 4 100,00% 0,00% 0,00% 100,00% 40,00% 60,00% 57,14% 42,85% 42,11% 57,89% 55,84% 44,16% 36,00% 64,00% 100,00% 0,00% 63,64% 36,36% 0,00% 100,00%

Prob 5 0,00% 100,00% 50,00% 50,00% 30,00% 70,00% 0,00% 100,00% 22,81% 77,19% 14,29% 85,71% 8,00% 92,00% 100,00% 0,00% 36,36% 63,64% 0,00% 100,00%

Prob 6 100,00% 0,00% 100,00% 0,00% 36,67% 63,33% 57,14% 42,86% 40,35% 59,65% 35,06% 64,94% 32,00% 68,00% 100,00% 0,00% 45,45% 54,55% 50,00% 50,00%

Prob 7 0,00% 100,00% 0,00% 100,00% 26,67% 73,33% 14,29% 85,75% 17,54% 82,46% 22,08% 77,92% 28,00% 72,00% 100,00% 0,00% 18,18% 81,82% 50,00% 50,00%

Prob 8 100,00% 0,00% 50,00% 50,00% 60,00% 40,00% 85,71% 14,29% 57,89% 42,11% 66,23% 33,77% 52,00% 48,00% 100,00% 0,00% 63,64% 36,36% 100,00% 0,00%

Prob 9 50,00% 50,00% 0,00% 100,00% 30,00% 70,00% 28,57% 71,43% 38,60% 61,40% 33,77% 66,23% 36,00% 64,00% 100,00% 0,00% 18,18% 81,82% 0,00% 100,00%

Prob 10 0,00% 100,00% 0,00% 100,00% 26,64% 73,36% 14,29% 85,71% 24,56% 75,44% 32,47% 67,53% 20,00% 80,00% 0,00% 100,00% 36,36% 63,64% 0,00% 100,00%

Prob 11 50,00% 50,00% 0,00% 100,00% 33,33% 66,67% 28,57% 71,43% 26,32% 73,68% 40,26% 59,74% 24,00% 76,00% 100,00% 0,00% 54,55% 45,45% 0,00% 100,00%

Prob 12 50,00% 50,00% 0,00% 100,00% 43,33% 56,67% 42,86% 57,14% 49,12% 50,88% 62,34% 37,66% 32,00% 68,00% 0,00% 100,00% 36,36% 63,64% 0,00% 100,00%

Prob 131 50,00% 50,00% 0,00% 100,00% 13,33% 86,67% 14,29% 85,71% 26,32% 73,68% 33,77% 66,23% 44,00% 56,00% 0,00% 100,00% 18,18% 81,82% 100,00% 0,00%

Prob 132 100,00% 0,00% 50,00% 50,00% 36,67% 63,33% 28,57% 71,43% 45,61% 54,39% 40,26% 59,74% 44,00% 56,00% 0,00% 100,00% 27,27% 72,73% 100,00% 0,00%


91

APÊNDICE D – Tabela 4: Relação entre a instituição na qual trabalha e o perfil na tomada de decisão

Instituição MOSR

Alternativas Prob 1 A 33,30% B 66,70% ACSR A 27,30% B 72,70% ASR A 33,30% B 66,70% AC A 18,20% B 81,80% ANP A 32,40% B 67,60% ACP A 33,30% B 66,70% ASP A 18,80% B 81,20% USB A 20,00% B 80,00% Fonte: Pesquisa da autora (2010).

Tabela 4: Relação entre a instituição na qual trabalha e o perfil na tomada de decisão Prob 2 Prob 3 Prob 4 Prob 5 Prob 6 Prob 7 Prob 8 Prob 9 Prob 10 Prob 11 44,40% 38,90% 38,90% 22,20% 27,80% 38,90% 55,60% 22,20% 33,30% 55,60% 55,60% 61,10% 61,10% 77,80% 72,20% 61,10% 44,40% 77,80% 66,70% 44,40% 24,20% 33,30% 36,40% 21,20% 33,30% 15,20% 57,60% 30,30% 30,30% 36,40% 75,80% 66,70% 63,60% 78,80% 66,70% 84,80% 42,40% 69,70% 69,70% 63,60% 48,50% 27,30% 57,60% 21,20% 51,50% 27,30% 69,70% 33,30% 30,30% 36,40% 51,50% 72,70% 42,40% 78,80% 48,50% 72,70% 30,30% 66,70% 69,70% 63,60% 45,50% 15,20% 39,40% 15,20% 39,40% 9,10% 57,60% 18,20% 24,20% 18,20% 54,50% 84,80% 60,60% 84,80% 60,60% 90,90% 42,40% 81,80% 75,80% 81,80% 20,60% 17,60% 32,40% 17,60% 38,20% 14,70% 55,90% 41,20% 14,70% 32,40% 79,40% 82,40% 67,60% 82,40% 61,80% 85,30% 44,10% 58,80% 85,30% 67,60% 51,90% 14,80% 48,10% 18,50% 40,70% 29,60% 55,60% 40,70% 22,20% 25,90% 48,10% 85,20% 51,90% 81,50% 59,30% 70,40% 44,40% 59,30% 77,80% 74,10% 50,00% 18,80% 62,50% 31,30% 43,80% 31,30% 81,30% 43,80% 18,80% 37,50% 50,00% 81,20% 37,50% 68,70% 56,20% 68,70% 18,70% 56,20% 81,20% 62,50% 70,00% 35,00% 85,00% 10,00% 35,00% 25,00% 80,00% 45,00% 45,00% 40,00% 30,00% 65,00% 15,00% 90,00% 65,00% 75,00% 20,00% 55,00% 55,00% 60,00%

Prob 12 Prob 13-1 55,60% 33,30% 44,40% 66,70% 48,50% 27,30% 51,50% 72,70% 42,40% 24,20% 57,60% 75,80% 45,50% 33,30% 54,50% 66,70% 52,90% 44,10% 47,10% 55,90% 37,00% 25,90% 63,00% 74,10% 56,20% 25,00% 43,80% 75,00% 65,00% 10,00% 35,00% 90,00%

Prob 13-2 50,00% 50,00% 27,30% 72,70% 48,50% 51,50% 27,30% 72,70% 52,90% 47,10% 51,90% 48,10% 31,20% 68,80% 45,00% 55,00%


92

APÊNDICE E – Tabela 5: Comparação entre os resultados das pesquisas com a USB, Brasileira e Original

Tabela 5: Comparação entre os resultados das pesquisas com a USB, Brasileira e Original Problema 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Prospecto A: (R$ 2500:33%; R$ 2400:66%; R$ 0:1%) B: (R$ 2400:100%) C: (R$ 2500:33%; R$ 0: 67%) D: (R$ 2400: 34%; R$ 0: 66%) A: (R$ 4000: 80%; R$ 0: 20%) B: (R$ 3000: 100%) C: (R$ 4000: 20%; R$ 0: 80%) D: (R$ 3000: 25%; R$ 0: 75%) A: (Viagem de 3 semanas para a Inglaterra, França e Itália: 50%; Nada: 50%) B: (Viagem de uma semana para a Inglaterra: 100%) C: (Viagem de 3 semanas para a Inglaterra, França e Itália: 5%; Nada: 95%) D: (Viagem de uma semana para a Inglaterra: 10%; Nada: 90%) A: (R$ 6000:45 %; R$ 0:55%) B: (R$ 3000:90%; R$ 0:10%) C: (R$ 6000:0,1%; R$ 0: 99,9%) D: (R$ 3000:0,2%; R$ 0: 99,8%) A: (W–X:(1–R)P; W–Y:RP; W–RY:1–P) B: (W–X:P; W:1–P) A: (R$ 4000: 20%; R$ 0: 80%)

USB 27,57% 72,43% 42,06% 57,94% 24,30% 75,70% 47,66% 52,34% 19,16% 80,84% 39,25% 60,75% 21,96% 78,04% 62,62% 37,38% 33,64% 66,36% 26,64%

Brasileira 30% 70% 52% 48% 29% 71% 57% 43% 20% 80% 49% 51% 23% 77% 72% 28% 28% 72% 22%

Original 18% 72% 83% 17% 20% 80% 65% 35% 22% 78% 67% 33% 14% 86% 73% 27% 20% 80% 22%


93

11 12 13

B: (R$ 3000: 25%; R$ 0: 75%) A: (R$ 1000: 50%; R$ 0: 50%) B: (R$ 500: 50%) C: (- R$ 1000: 50%; R$ 0: 50%) D: (- R$ 500: 50%) A B A'

73,36% 33,64% 66,36% 49,07% 50,93% 28,97% 71,03% 41,59%

78% 30% 70% 65% 35% 30% 70% 71%

78% 16% 84% 69% 31% 22% 78% 72%

B'

58,41%

29%

28%

Fonte: Pesquisa da autora (2010) e Kimura et al (2006).


94

ANEXOS


95

ANEXO A â&#x20AC;&#x201C; Organograma da Igreja Adventista do SĂŠtimo Dia

Fonte: Pesquisa da autora (2010).


96

ANEXO B – Organograma da União Sul-Brasileira

Associação Geral

DSA

USB

MOSR

6 Escolas

49 Igrejas

ACSR

9 Escloas

Clínica de Porto Alegre

95 Igrejas

Fonte: Pesquisa da autora (2010).

ASR

IACS

14 Escolas

Clínica de Curitiba

112 Igrejas

ASP

9 Escolas

CATRE

ACP

96 Igrejas

10 Escolas

ANP

108 Igrejas

12 Escolas

IAP

168 Igrejas

AC

IAESC

CATRE

14 Escolas

191 Igrejas


97

ANEXO C – Questionário aplicado aos colaboradores da USB

Este questionário corresponde a uma pesquisa acadêmica de conclusão do curso de Administração da Faculdade Adventista Paranaense desenvolvida pela acadêmica Luciele Rodrigues Gonçalves, com o tema principal norteado pelos conceitos de Finanças Comportamentais. Sua contribuição é fundamental para o sucesso desta pesquisa. Seja o mais honesto possível em suas respostas, pois elas poderão contribuir muito para o desenvolvimento da organização da IASD. 1 - Gênero? ( ) Masculino

( ) Feminino

2 - Se brasileiro, anote nas opções abaixo qual é sua região de origem? Se estrangeiro, informe seu país de origem______________________________ ( ) Sul ( ) Norte ( ) Sudeste ( ) Nordeste ( ) Centro-Oeste 3 - Idade? ( ) Até 20 anos ( ) De 21 a 30 anos ( ) De 31 a 40 anos

( ) De 41 a 50 anos ( ) Superior a 51 anos

4 - Assinale e responda, item a item, desde o menor até o seu maior grau de escolaridade. Doutorado ( ) Completo ( ) Incompleto Qual?_______________________________ Mestrado ( ) Completo ( ) Incompleto Qual?_______________________________ Especialização ( ) Completo ( ) Incompleto Qual?_______________________________ Ensino Superior ( ) Completo ( ) Incompleto Qual?_______________________________ Curso Técnico ( ) Completo ( ) Incompleto Qual?_______________________________ Ensino Médio ( ) Completo ( ) Incompleto Qual?_______________________________ 5 - A instituição na qual você trabalha pertence a: ( ) Missão Ocidental Sul RioGrandense ( ) Associação Norte Paranaense ( ) Associação Central Sul RioGrandense ( ) Associação Central Paranaense ( ) Associação Sul RioGrandense ( ) Associação Sul Paranaense ( ) Associação Catarinense ( ) União Sul Brasileira 6 - Você trabalha em alguma instituição de Ensino? Em caso positivo responda a questão 7, senão, pule para a questão 8. ( ) Sim ( ) Não 7 - Nome completo da instituição de Ensino em que você trabalha? __________________________________________________________________________________ 8 - Função que você exerce: ( ) Tesoureiro ( ) Assistente Financeiro

( ) RH ( ) Diretor

( )Contador ( )Outra__________________


98

9 - Há quanto tempo você trabalha para a IASD? ( ) Até 5 anos ( ) De 16 a 20 anos ( ) De 6 a 10 anos ( ) De 21 a 30 anos ( ) De 11 a 15 anos ( ) Superior a 31 anos 10 - Se já realizou ou realiza outra atividade profissional fora da IASD, descreva as seis principais atividades que desempenha ou desempenhou. (Se desempenha ou desempenhou atividades fora da IASD responda também a questão 11, senão, pule para a questão 12) Atividade 1: ________________________ Atividade 4:______________________________ Atividade 2: ________________________ Atividade 5:______________________________ Atividade 3: ________________________ Atividade 6: ______________________________ 11 - Somando todas as atividades realizadas fora da IASD, qual o tempo total que você dedicou a esta (s) atividade (s)? ( ) Até 5 anos ( ) De 16 a 20 anos ( ) De 6 a 10 anos ( ) De 21 a 30 anos ( ) De 11 a 15 anos ( ) Superior a 31 anos Se você exerce a função de Diretor ou Tesoureiro responda as questões 12 e 13. Os demais casos passar para a questão 14. 12 - De acordo com suas percepções, qual é a sua autonomia nas atividades organizacionais que envolvem dinheiro (investimentos, compras de insumos, custeio, pagamentos em geral etc.)? ( ) Nenhuma autonomia ( ) Muita autonomia ( ) Pouca autonomia ( ) Total autonomia ( ) Média autonomia 13 - Quem participa do processo de decisão financeira em sua instituição? (Pode assinalar mais de um item) ( ) Diretor ( ) Coordenador ( ) Tesoureiro ( ) RH ( ) Contador ( ) Assistente Financeiro ( ) Secretária ( ) Outra _______________________________ 14 - Os problemas apresentados a seguir se propõem a medir o seu comportamento em relação às finanças. Responda a todas as questões assinalando apenas uma opção de acordo com sua preferência: Problema 1. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 33% de chance de ganhar $2.500 100% de chance de ganhar $2.400 66% de chance de ganhar $2.400 1% de chance de ganhar $0 Problema 2. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa C ( ) Alternativa D 33% de chance de ganhar $2.500 34% de chance de ganhar $2.400 67% de chance de ganhar $0 66% de chance de ganhar $0


99

Problema 3. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 80% de chance de ganhar $4.000 100% de chance de ganhar $3.000 20% de chance de ganhar $0 Problema 4. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa C ( ) Alternativa D 20% de chance de ganhar $4.000 25% de chance de ganhar $3.000 80% de chance de ganhar $0 75% de chance de ganhar $0 Problema 5. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 50% de chance de ganhar uma viagem de três 100% de chance de ganhar uma viagem de semanas para a Inglaterra, França e Itália. uma semana para a Inglaterra. 50% de chance de não ganhar nada Problema 6. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa C ( ) Alternativa D 5% de chance de ganhar uma viagem de três 10% de chance de ganhar uma viagem de semanas para a Inglaterra, França e Itália. uma semana para a Inglaterra. 95% de chance de não ganhar nada. 90% de chance de não ganhar nada. Problema 7. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 45% de chance de ganhar $6.000 90% de chance de ganhar $3.000 55% de chance de ganhar $0 10% de chance de ganhar $0 Problema 8. Qual das duas alternativas você prefere? ( ) Alternativa C ( ) Alternativa D 0,1% de chance de ganhar $6.000 0,2% de chance de ganhar $3.000 99,9% de chance de ganhar $0 99,8% de chance de ganhar $0 Problema 9. Suponha que você esteja considerando a possibilidade de segurar um imóvel contra algum dano, como por exemplo, incêndio ou roubo. Depois de examinar os riscos e o prêmio do seguro, você não encontra uma clara preferência entre a opção de adquirir o seguro e a opção de deixar o imóvel sem seguro. Porém, chama-lhe a atenção que a seguradora está oferecendo um novo produto chamado Seguro Probabilístico. Neste produto, você paga inicialmente metade do prêmio de um seguro tradicional. No caso de dano, existe uma probabilidade de 50% de que você pague a outra metade do prêmio e que a seguradora cubra todas as perdas. Existe também uma probabilidade de 50% de que, no caso de dano, você receba o valor já pago pelo prêmio e não seja ressarcido pelas perdas. Por exemplo, se o acidente ocorre em um dia ímpar, você paga a outra metade do prêmio e tem as perdas ressarcidas. Se o acidente ocorre em dia par, então a seguradora lhe devolve o prêmio pago e as perdas não são cobertas. Lembre-se de que o prêmio do seguro tradicional é tal que você avalia que o seguro praticamente equivale ao seu custo. Sob estas circunstâncias, você prefere comprar o Seguro Probabilístico? ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B Sim Não


100

Problema 10. Considere um jogo de dois estágios. No primeiro estágio, existe uma probabilidade de 75% de que o jogo termine sem que você ganhe nada e uma probabilidade de 25% de que se mova ao segundo estágio. Se você atingir o segundo estágio, você pode escolher entre as alternativas a seguir. Observe que a escolha deve ser feita antes do início do jogo. ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 80% de chance de ganhar $4.000 100% de chance de ganhar $3.000 20% de chance de ganhar $0 Problema 11. Além dos recursos que você possui, você recebeu mais $1.000. Agora, deve escolher entre as alternativas a seguir. ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 50% de chance de ganhar $1.000 100% de chance de ganhar $500 50% de chance de ganhar $0 Problema 12. Além dos recursos que você possui, você recebeu mais $2.000. Agora, deve escolher entre as alternativas a seguir. ( ) Alternativa A ( ) Alternativa B 50% de chance de perder $1.000 100% de chance de perder $500 50% de chance de perder $0 Problema 13. Suponha que o Brasil esteja se preparando contra uma doença asiática incomum. Estima-se que a doença irá matar 600 pessoas. Dois programas alternativos de combate à doença são propostos. Assuma que as estimativas científicas exatas das conseqüências dos programas sejam dadas a seguir: Estrutura 1 Se o Programa A for adotado, 400 pessoas morrerão. Se o Programa B for adotado, existe uma probabilidade de 33% de que ninguém morra e uma probabilidade de 67% de que todas as 600 pessoas morram. De qual você é a favor? ( ) Programa A ( ) Programa B Estrutura 2 Se o Programa A' for adotado, 200 pessoas serão salvas. Se o Programa B for adotado, existe uma probabilidade de 33% de que todas as pessoas sejam salvas e uma probabilidade de 67% de que nenhuma das 600 pessoas seja salva. De qual você é a favor? ( ) Programa A' ( ) Programa B'


Trabalhos