KEBUR
Boletim Informativo Nº 3 – 1º Semestre de 2011 Distribuição Gratuita
PDSA - Programa Descentralizado de Segurança Alimentar e Nutricional nas Regiões da Guiné-Bissau
PA MUNDO RURAL Acesso a água na produção hortícola BALANÇO DA IMPLEMENTAÇÃO DO PDSA NAS REGIÕES Principais intervenções já realizadas
ENTREVISTA Leonor Silva Directora Regional de Agricultura de Cacheu. “Há uma aceitação muito boa do projecto.”
EDITORIAL Caros Leitores, A época seca é o período por excelência para o cultivo de hortícolas, agro-processamento, construções, balanço da campanha agrícola da época das chuvas precedente e preparação da próxima, que, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia e o African Centre of Meteorological Applications for Development (ACMAD), se prevê que fique abaixo da média das últimas décadas. O PDSA promoveu, então, neste primeiro semestre de 2011, um forte acompanhamento da horticultura comunitária impulsionada em 35 perímetros de 7 regiões. Na maioria dos casos, tratou-se da primeira experiência de cultivo extensivo e comunitário, e os resultados foram francamente positivos, sendo notável o empenho das beneficiárias – são as mulheres as tradicionais responsáveis por esta actividade. Durante este período foram aferidos os resultados da produção de arroz, cereais secos, raízes e tubérculos do PDSA na campanha das chuvas de 2010, os quais evidenciaram, em geral, bons rendimentos por hectare das diferentes variedades em todo o País, e foi apoiada a produção de arroz irrigado na região de Bafatá, através da distribuição de sementes e entrega de 5 motobombas. Foram ainda identificadas as necessidades em termos de sementes e material vegetal para a próxima campanha, levando em consideração as previsões meteorológicas, realizada a subsequente distribuição e assegurados os ordenamentos hídricos necessários, sempre em parceria com as Organizações da Sociedade Civil (OSC) responsáveis pela implementação do programa a nível regional. O primeiro semestre de 2011 viu também o arranque da construção e/ou reabilitação de 26 poços e 13 bancos de cereais, precedido de fortes esforços de sensibilização para a contribuição comunitária para os mesmos (legalização de terrenos, areia, cascalho, alimentação dos trabalhadores, etc.) e para uma gestão eficiente e sustentável. Os mesmos esforços foram encetados no quadro da distribuição de equipamentos de agro-processamento, com a qual abrimos este 3º número da Kebur.
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Ainda neste número, abordamos os progressos realizados a nível regional no quadro do PDSA e, através do Ministério de Agricultura e Desenvolvimento Rural, damos a conhecer o Plano Nacional de Investimento Agrícola. Na habitual rubrica Pa Mundu Rural abordamos problemáticas agrícolas acompanhando os desenvolvimentos do programa, e terminamos esta edição com uma entrevista à Directora Regional de Agricultura de Cacheu e com actualizações sobre o programa radiofónico do PDSA. Como sempre, bon kebur!
SUMÁRIO Títulos Entrega de equipamentos de transformação agrícola Balanço da implementação do PDSA nas Regiões Nobas de MADR Pa mundo rural: gestão e manutenção de poços hortícolas Entrevista a Leonor Silva, Directora Regional de Agricultura de Cacheu
Páginas 03 04 08 09 11
FICHA TÉCNICA Edição: IMVF (Carla Carvalho) Redação: Graciete Brandão, Paulo Lopes, Carla Carvalho e MADR Revisão: IMVF (Carla Carvalho, João Monteiro e Rita Caetano) Contacto: pdsa_imvf@hotmail.com e comunicacao@imvf.org Site: www.imvf.org Concepção gráfica: Matrioska Design Impressão: A Fábrica das Letras - Sociedade Gráfica Lda Tiragem: 300 exemplares
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ENTREGA DE EQUIPAMENTOS DE TRANSFORMAÇÃO AGRÍCOLA Com vista a promover o aumento do acesso, disponibilidade e utilização estável de bens alimentares agrícolas, o PDSA aposta em diferentes eixos de intervenção, um dos quais a introdução e disseminação de tecnologias de agro-processamento. O agro-processamento é de suma importância para combater a insegurança alimentar, a qual não resulta apenas de baixos índices de produção, mas também da incapacidade das comunidades transformarem a sua produção. Não sendo estranha à Guiné-Bissau, a agro-transformação é, não obstante, para além de limitada ao nível da abrangência, tradicionalmente realizada de forma manual, com fortes dispêndios de tempo e esforço físico. Assim, os equipamentos de transformação agrícola não só contribuem para a promoção da segurança alimentar e geração de rendimento pelas comunidades, como fomentam, também, acréscimos imediatos de qualidade de vida, eficácia e eficiência. Com base no Diagnóstico Participativo de Prioridades de Intervenção Regionais realizado no início do Programa, foram identificadas tabancas e associações para beneficiar de 15 descascadoras de arroz, 9 moinhos de milho/ mandioca e 44 prensas de óleo de palma. No entanto, a mera disponibilização de equipamentos desta natureza, ainda que se tratem de tecnologias já conhecidas e adaptadas ao País, não é suficiente para promover o seu uso sustentável. Para reduzir efectivamente a sua vulnerabilidade e fomentar a sua auto-suficiência, é imperativo que os beneficiários sejam capacitados em termos técnicos para a operação e manutenção do equipamento, mas também que estejam organizados de forma a rentabilizar o seu uso e promover a sua durabilidade. Vantagens da transformação: - Diminuição das perdas pós-colheita - Alargamento da vida útil dos produtos agrícolas e distribuir a oferta ao longo do ano, reduzindo os períodos de falta de alimentos - Aumento da variedade da dieta alimentar - Diminuição da perda do valor nutricional - Aproveitamento do excesso de produção e sub-produtos - Incremento do valor do produto final
Assim, para além de garantir a formação dos operadores das máquinas, o PDSA vem promovendo a constituição, no seio da comunidade ou Associação beneficiária, de Comités de Gestão específicos, com membros e funções bem definidas para uma correcta gestão do uso e manutenção do equipamento. Para fomentar a sustentabilidade financeira do uso e manutenção dos equipamentos, os Comités de Gestão comprometem-se com o pagamento de uma parte do equipamento que reverte para um fundo próprio, alimentado por quotizações e uma quota-parte fixada do rendimento dos equipamentos. Este investimento evidencia a motivação das comunidades/ associações beneficiárias – elemento-chave para o sucesso da intervenção. Até ao momento, e atendendo ao critério de robustez dos Comités de Gestão, foram já entregues 14 descascadoras, 8 moinhos e 34 prensas de óleo de palma. Continuam em curso os trabalhos de reforço das capacidades das comunidades com uma organização mais frágil, e, até ao final do projecto, serão entregues os restantes equipamentos. O eixo de agro-processamento do PDSA ficará concluído com a disponibilização de um secador solar na região de Tombali e com o equipamento de uma Unidade de Transformação de Produtos Hortícolas e Agrícolas no Sector Autónomo de Bissau. 03
Equipamentos disponibilizados até Junho de 2011 Região Parceiro Bafatá GUIARROZ DIVUTEC Sub-total Biombo DDS-IEGB Sub-total Cacheu AGB Sub-total ADIC NAFAIA Gabú Sub-total Quinara ADS/AIFA PALOP Sub-total Tombali Apromodac/ DDS-IEGB Sub-total
Sectores Descascadoras Contuboel 2 Xitole - Bafatá 2 Bafatá 4 Quinhamel 1 Prabis 1 Biombo 2 Cacheu - Canchungo 1 Cacheu 1 Pitche - Sonaco - Gabú - Fulacunda 3 Quinara 3 Bedanda 2 Catio 2 Quebo - Tombali 4
TOTAL PROJECTO
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Moinhos Prensas - - 10 - - 10 - - 2 - 2 - 4 1 2 1 6 3 1 4 - 3 0 3 - 8 - 5 3 3 13 8
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Cerimónia de abertura do processo de entrega de equipamentos de transformação agrícola, Cacheu, 1 de Março de 2011
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BALANÇO DA IMPLEMENTAÇÃO DO PDSA NAS REGIÕES Nos números anteriores da Kebur apresentámos as 9 Organizações da Sociedade Civil Guineenses seleccionadas para a implementação dos Projectos de Implementação Regional do PDSA (PIR), em parceria com o IMVF, a par das iniciativas de âmbito nacional (formação, divulgação, programa radiofónico, assistência técnica e financeira). Apresentamos agora um balanço das respectivas intervenções e execução a nível regional.
ONG: ADIC NAFAIA Região de Gabú
Sectores de Pitche, Sonaco e Pirada 28 Tabancas, 2.230 beneficiários directos e 25.340 beneficiários indirectos Objectivos Específicos • Aumento da produtividade e da produção de cereais secos, tubérculos, raízes e hortícolas • Introdução e disseminação de tecnologias inovadoras de transformação pós-colheita e armazenamento Principais Intervenções Realizadas • Distribuição de mais de 2,5 toneladas de sementes e material vegetal para o cultivo e multiplicação (quando aplicável) de sementes de cereais secos, raízes, tubérculos e leguminosas • Distribuição de 570 utensílios agrícolas e 21 toneladas de Ureia e NPK • Criação de 7 perímetros hortícolas comunitários e distribuição de 10,5 kg de sementes hortícolas • Arranque da construção de 6 poços hortícolas • Entrega de 4 moinhos de milho/ mandioca e capacitação para a sua operação, manutenção e rentabilização • Arranque da construção de 5 Bancos de Cereais • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores • Sensibilização e capacitação dos Comités de Gestão das infraestruturas, equipamentos e actividades para a respectiva gestão comunitária, manutenção e rentabilização, bem como para técnicas e práticas agrícolas melhoradas
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Principais Intervenções a Realizar • Vedação melhorada de 6 perímetros hortícolas comunitários • Conclusão da construção dos poços hortícolas • Conclusão da construção dos Bancos de Cereais • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores
ONG: DIVUTEC Região de Bafatá
Sectores de Campossa e Xitoli 10 Tabancas, 537 beneficiários directos e 3.222 beneficiários indirectos Objectivos Específicos • Aumento da produção de arroz no perímetro de Campossa • Melhoraria das condições socioeconómicas das mulheres produtoras de óleo de palma e suas famílias Principais Intervenções Realizadas • Distribuição de 3,9 toneladas de sementes de arroz de bas-fonds para cultivo e multiplicação • Distribuição de 67 utensílios agrícolas e 8,5 toneladas de Ureia e NPK • Entrega de 2 motobombas para o cultivo de arroz irrigado e capacitação para a sua operação, manutenção e rentabilização • Entrega de 2 descascadoras de arroz e 10 prensas de óleo de palma melhoradas e capacitação para a sua operação, manutenção e rentabilização • Levantamento topográfico, elaboração e execução de plano de ordenamento hídrico-agrícola do perímetro orizícola de Camposa (65 hectares) • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores • Sensibilização e capacitação dos Comités de Gestão das infraestruturas, equipamentos e actividades para a respectiva gestão comunitária, manutenção e rentabilização, bem como para técnicas e práticas agrícolas melhoradas Principais Intervenções a Realizar • Construção de bacia no perímetro orizícola de Camposa • Entrega e capacitação para a operação, manutenção e rentabilização de 4 prensas de óleo de palma melhoradas • Distribuição de materiais para comercialização de óleo de palma • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores
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ONG: Guiarroz Região de Bafatá
Sector de Contuboel 4 Tabancas, 473 beneficiários directos e 4.666 beneficiários indirectos Objectivos Específicos • Contribuição para o aumento da produção e diversificação de culturas através da recuperação dos perímetros orizícolas do Plano 5, 6 e Contuboel e respectivo melhoramento hidráulico • Introdução de tecnologias de transformação de cereais secos Principais Intervenções Realizadas • Distribuição de 13,9 toneladas de sementes de arroz pré-base e de bas-fonds para cultivo e multiplicação • Distribuição de 245 utensílios agrícolas e 9 toneladas de Ureia e NPK • Entrega de 3 motobombas para o cultivo de arroz irrigado e capacitação para a sua operação, manutenção e rentabilização • Levantamento topográfico, elaboração e execução de plano de ordenamento hídrico-agrícola dos perímetros orizícolas do Plano 5, Plano 6, Wakilare I e Wakilare II (62 hectares) • Entrega de 2 descascadoras de arroz e capacitação para a sua operação, manutenção e rentabilização • Arranque da reabilitação de 2 Bancos de Cereais • Construção de 1 hangar para máquinas agrícolas • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores • Sensibilização e capacitação dos Comités de Gestão das infraestruturas, equipamentos e actividades para a respectiva gestão comunitária, manutenção e rentabilização, bem como para técnicas e práticas agrícolas melhoradas Principais Intervenções a Realizar • Finalização da reabilitação dos Bancos de Cereais • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores
ONG: Igreja Evangélica da Guiné-Bissau Região de Biombo
Sectores de Quinhamel e Prabis 11 Tabancas, 740 beneficiários directos e 4.870 beneficiários indirectos Objectivos Específicos • Diversificação da produção através do aumento da produção de legumes e árvores fruteiras Principais Intervenções Realizadas • Criação de 10 perímetros hortícolas comunitários e distribuição de 13,7 kg de sementes hortícolas • Distribuição de 1.600 porta enxertos e garfos para a propagação de plantas fruteiras de citrinos e mangas, enxertia e instalação de viveiros • Distribuição de 910 utensílios agrícolas • Arranque da construção de 3 poços hortícolas/ frutícolas • Entrega de 2 descascadoras de arroz e 2 prensas de óleo de palma e capacitação para a sua operação, manutenção e rentabilização • Construção de 2 hangares para as descascadoras de arroz • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores • Sensibilização e capacitação dos Comités de Gestão das infra-estruturas, equipamentos e actividades para a respectiva gestão comunitária, manutenção e rentabilização, bem como para técnicas e práticas agrícolas melhoradas Principais Intervenções a Realizar • Vedação melhorada de 2 perímetros hortícolas • Conclusão da construção dos poços hortícolas melhorados • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores
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ONG: Amigos da Guiné-Bissau Região de Cacheu
Sectores de Cacheu e Canchungo 11 Tabancas, 665 beneficiários directos e 11.234 beneficiários indirectos Objectivos Específicos • Aumento da produção de arroz de mangrove, de produtos hortícolas e cereais secos, raízes, tubérculos e leguminosas • Introdução de tecnologias inovadoras de transformação Principais Intervenções Realizadas • Distribuição de mais de 0,4 toneladas de sementes e material vegetal para o cultivo e multiplicação (quando aplicável) de sementes de cereais secos, raízes, tubérculos e leguminosas • Distribuição de 8 toneladas de sementes de arroz de mangrove para cultivo e multiplicação • Criação de 4 perímetros hortícolas comunitários e distribuição de 8,8 kg de sementes hortícolas • Distribuição de 364 utensílios agrícolas • Arranque da construção de 3 poços hortícolas • Estudo hidrológico e reabilitação de 617 ha de bolanhas de mangrove • Entrega de 1 moinho de milho/ mandioca, 1 descascadora de arroz e 6 prensas de óleo de palma e capacitação para a sua operação, manutenção e rentabilização • Arranque da construção de 2 Bancos de Cereais • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores • Sensibilização e capacitação dos Comités de Gestão das infraestruturas, equipamentos e actividades para a respectiva gestão comunitária, manutenção e rentabilização, bem como para técnicas e práticas agrícolas melhoradas
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Principais Intervenções a Realizar • Vedação melhorada de 3 perímetros hortícolas • Conclusão da construção dos poços hortícolas melhorados • Entrega e capacitação para a operação, manutenção e rentabilização de 1 descascadora de arroz e 1 moinho de milho/ mandioca • Finalização da construção dos Bancos de Cereais • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores
ONG: ADS e AIFA PALOP Região de Quinara
Sectores de Empada, Fulacunda e Tite 16 Tabancas, 4.478 beneficiários directos e 11.011 beneficiários indirectos Objectivos Específicos • Aumento da produção de arroz de mangove e de legumes • Instalação de tecnologias inovadoras de transformação pós-colheita Principais Intervenções Realizadas • Distribuição de 9,4 toneladas de sementes de arroz de bas-fonds e mangrove para cultivo e multiplicação • Criação de 6 perímetros hortícolas comunitários e distribuição de sementes hortícolas • Distribuição de 1.600 porta enxertos e garfos para a propagação de plantas fruteiras de citrinos e mangas, enxertia e instalação de viveiros • Distribuição de 992 utensílios agrícolas • Arranque da construção de 6 poços hortícolas • Estudo hidrológico e reabilitação de infra-estruturas hidro-agrícolas em 225 ha de bolanhas • Entrega de 3 descascadoras de arroz e 3 prensas de óleo de palma e capacitação para a sua operação, manutenção e rentabilização • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores • Sensibilização e capacitação dos Comités de Gestão das infraestruturas, equipamentos e actividades para a respectiva gestão comunitária, manutenção e rentabilização, bem como para técnicas e práticas agrícolas melhoradas Principais Intervenções a Realizar • Vedação melhorada de 6 perímetros hortícolas • Conclusão da construção dos poços hortícolas melhorados • Entrega e capacitação para a operação, manutenção e rentabilização de 2 prensas de óleo de palma • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores
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ONG: APROMODAC e Igreja Evangélica da Guiné-Bissau Região de Tombali
Sectores de Bedanda, Catió e Quebo 26 Tabancas, 3.265 beneficiários directos e 9.184 beneficiários indirectos Objectivos Específicos • Aumento da produção de arroz de mangove e de legumes • Instalação de tecnologias inovadoras de transformação pós-colheita • Melhorar as condições de conservação das sementes de arroz Principais Intervenções Realizadas • Distribuição de 29.7 toneladas de sementes de arroz de bas-fonds e mangrove para cultivo e multiplicação • Criação de 8 perímetros hortícolas comunitários e distribuição de 11 kg de sementes hortícolas • Distribuição de 1.600 porta enxertos e garfos para a propagação de plantas fruteiras de citrinos e mangas, enxertia e instalação de viveiros • Distribuição de 728 utensílios agrícolas • Arranque da construção de 8 poços hortícolas • Estudo hidrológico e reabilitação de infra-estruturas hidro-agrícolas em 577 ha de bolanhas • Entrega de 3 moinhos de milho/ mandioca, 4 descascadoras de arroz e 13 prensas de óleo de palma melhoradas e capacitação para a sua operação, manutenção e rentabilização • Arranque da construção e reabilitação de 4 bancos de cereais (2 novos e 2 recuperados) • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores • Sensibilização e capacitação dos Comités de Gestão das infraestruturas, equipamentos e actividades para a respectiva gestão comunitária, manutenção e rentabilização, bem como para técnicas e práticas agrícolas melhoradas Principais Intervenções a Realizar • Vedação melhorada de 6 perímetros hortícolas • Conclusão da construção dos poços hortícolas melhorados • Entrega e capacitação para a operação, manutenção e rentabilização de 4 prensas de óleo de palma • Entrega e capacitação para a operação e manutenção de um secador solar de hortícolas e frutícolas • Finalização da construção e reabilitação dos Bancos de Cereais • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores
ONG: Amba Sector Autónomo de Bissau Sector Autónomo de Bissau
5 Tabancas/ bairros, 545 beneficiários directos e 384.960 beneficiários indirectos Objectivos Específicos • Aumento da produção hortícola • Facilitação do escoamento dos produtos agrícolas locais • Aumento da capacidade de conservação e transformação de produtos agrícolas Principais Intervenções Realizadas • Reforço de 5 perímetros hortícolas comunitários e distribuição de 35 kg de sementes hortícolas • Distribuição de 704 utensílios agrícolas • Reabilitação dos canais de irrigação da Granja de Pessubé • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores • Sensibilização e capacitação dos Comités de Gestão das infraestruturas, equipamentos e actividades para a respectiva gestão comunitária, manutenção e rentabilização, bem como para técnicas e práticas agrícolas melhoradas Principais Intervenções a Realizar • Equipamento de uma área de transformação de hortícolas e frutícolas • Equipamento de uma área de comercialização de hortícolas e frutícolas • Construção de 1 arrecadação para máquinas e utensílios agrícolas • Replicação da formação recebida – óptica de formação de multiplicadores
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NOBAS DE MADR Nos dias 17 e 18 de Janeiro decorreu, no Hotel Azalai-24 de Setembro, em Bissau, uma Mesa Redonda Nacional sobre “Financiamento do Plano Nacional de Investimento Agrícola” (PNIA), cujos objectivos são acelerar o crescimento agrícola, reduzir a pobreza e alcançar a segurança alimentar e nutricional. No plenário, sob alçada do Ministério de Agricultura e Desenvolvimento Rural – MADR, encontraram-se diferentes Organizações Governamentais, Não Governamentais, Associações Camponesas, Organizações Sub-Regionais (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental - CDEAO, União Económica e Monetária do Oeste Africano - UEMOA) e Organizações Internacionais (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, Organização para a Agricultura e Alimentação - FAO, União Europeia - UE e União Africana - UA). Nesta KEBUR apresentamos o PNIA, um Programa que segue as orientações do Programa Detalhado para o Desenvolvimento Agrícola Africano (PDDAA), assim como as da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD). Os objectivos destes apoios aos países Africanos visam eliminar a fome, reduzir a extrema pobreza e a insegurança alimentar e, simultaneamente, gerar um excedente comercializável que permita o aumento das exportações e, portanto, os rendimentos das famílias rurais. O PDDAA, em conexão com a NEPAD, pretende apoiar os países Africanos nos seus esforços para alcançarem um maior nível de crescimento económico, através do desenvolvimento da agricultura como base da economia da maioria dos países Africanos e, em especial, os da região Oeste Africana. O Programa de Desenvolvimento Agrícola Global Africano prevê um crescimento agrícola anual de 6%, o acesso dos produtos Africanos aos mercados mundiais e criação de mercados locais de produtos agrícolas.
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Assim, a Guiné-Bissau, à semelhança de outros países, lançou-se nesta dinâmica de desenvolvimento agrícola para resolver os problemas da fome, da desnutrição e de insegurança alimentar. Já em 2002, na Carta de Política de Desenvolvimento Agrícola, o Governo tinha fixado quatro objectivos prioritários: • Garantir a segurança alimentar; • Aumentar e diversificar as exportações agrícolas; • Garantir a boa gestão e conservação dos produtos agro-silvo-pastoril; • Melhorar as condições de vida das populações rurais. O PNIA adoptou os quatro grandes domínios de intervenção ou “Pilares” definidos pelo PDDAA, sendo, assim, orientado para a implementação de métodos sustentáveis de gestão das terras, controlo de água, gestão dos recursos hídricos, melhoria das infra-estruturas rurais e infra-estruturas de comercialização para facilitar o acesso ao mercado, aumentando a oferta de alimentos e redução da fome. Acrescenta-se ainda, o desenvolvimento da pesquisa agrícola, a difusão e adopção de tecnologias para sustentar o crescimento e a produtividade a longo prazo, bem como o desenvolvimento sustentável da pecuária, das pescas e das florestas.
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PA MUNDO RURAL GESTÃO E MANUTENÇÃO DE POÇOS HORTÍCOLAS
Para o sucesso de uma horta e da produção hortícola devem considerar-se três aspectos fundamentais: Local (terreno); Acesso a água; Vedação. Aqui vamos abordar unicamente o aspecto da água. A água utilizada para irrigação nas hortas pode ter várias origens, dependendo do local onde está situado o campo hortícola: poços, rios de água doce, charcos, lagoas, nascentes ou pequenos cursos de água. As quantidades de água que estas fontes podem disponibilizar dependem, por sua vez, do regime pluviométrico da zona. A água é a componente principal para a garantia da produção. Assim, a relação entre quantidade de água existente, superfície a irrigar e características físicas do solo deve ser analisada antes do cultivo, de forma a dimensionar correctamente a horta. Essa análise vai prevenir que o horticultor corra riscos de insuficiência de água para rega ou de excesso de água por insuficiência da área cultivável. A título de exemplo, para produzir 1 kg de tomate, a planta necessita de consumir 30 a 40 litros de água. Já a cebola necessita, em média, de 50 a 70 litros de água por metro quadrado e por irrigação. A disponibilidade de água para consumo das plantas é também condicionada pela constituição fisica do solo (textura, estrutura, teor em matéria orgânica). Esta define a sua capacidade de retenção de água, com implicações na frequência de irrigação e ao nível dos caudais dos poços, e, consequentemente, na frequência das manutenções (necessidades frequentes de aprofundamento do poço para melhorar o seu caudal). A gestão e manutenção de um poço hortícola têm exigências diferentes consoante se trate de um poço num campo hortícola individual ou num campo colectivo:
• Poço de campo hortícola individual A gestão do poço é assegurada pelo próprio dono da horta, que deve garantir a sua manutenção de acordo com a necessidade. Esses poços, frequentemente construídos de forma tradicional e em condições improvisadas, necessitam de frequentes manutenções, sobretudo quando construídos em locais cujos sub-solos apresentam fortes teores de areia (o que ocasiona frequentes desmoronamentos de paredes do poço). De facto, o horticultor individual, com meios financeiros limitados para construir um poço equipado de anilhas de protecção e que garanta água suficiente, deve fazer recurso a escavações frequentes sempre que o poço é obstruído pelos efeitos de desmoronamento de paredes ou seca. Esta situação instável, e onerosa tem outro efeito adverso: leva à escavação de vários poços dentro dos campos hortícolas, diminuindo, desta forma, o espaço de cultivo.
• Poço de campo hortícola colectivo A gestão e manutenção do poço, pertencente a uma determinada organização, devem ser assumidas por um Comité de Gestão criado para o efeito, a partir de elementos indigitados pelo colectivo dos beneficiários. Esse Comité de Gestão deverá ter por atribuições, entre outras, assegurar a manutenção periódica do poço, garantida por um fundo próprio proveniente de quotizações dos horticultores beneficiários destinadas a esse fim. A gestão deve organizar a utilização do poço de forma equilibrada, garantindo um igual benefício para os usufruintes. Assim, deve assegurar uma distribuição equitativa de água aos horticultores, através de um calendário que faça respeitar as oportunidades de cada beneficiário, de forma a evitar conflitos no seio do grupo.
ciando um maior caudal ao poço. O nível mais baixo do lençol freático na Guiné-bissau pode ser observado em Abril/ Maio: é esse o período propício para a escavação ou manutenção de poços hortícolas. É, aliás, costume, na nossa terra, dizer-se que “fonti cobadu na mis di Maio i ta tene iagu tudu anu”.* ☑ Sabe-se que é hábito das populações levar roupa suja para a horta para, depois de irrigarem os seus canteiros, passarem à lavagem da roupa nos arredores dos poços. Também é frequente as pessoas tomarem banho nas zonas periféricas do poço. Essas práticas são bastante nocivas. De facto, por um lado, contribuem para o encharcamento das zonas periféricas do poço (já em parte molhadas durante as irrigações), fazendo entrar para dentro do poço artesanal lamas e outros detritos. Por outro lado, a água suja contendo sabão, vai infiltrar-se no poço e, assim, poluir a água, alterando, desta forma, a sua qualidade e tornando-a imprópria para o consumo de plantas. As plantas, são exigentes em água, mas não só em quantidade: também a qualidade da água é fundamental para assegurar um metabolismo normal. Sendo o sabão um detergente à base de produtos com efeitos prejudiciais para as plantas, como para qualquer ser vivo, deve-se evitar deitar água suja e com sabão nas plantas. ☑ A utilização de água proveniente de esgotos para irrigações e lavagem de hortaliças depois da colheita é extremamente perigosa pois contém agentes poluentes e mesmo micróbios susceptíveis de transmitir doenças se as hortaliças não forem cuidadosamente lavadas com água contendo lixívia ou cloro (de acordo com as recomendações dos agentes da Saúde). * Fonte cavada no mês de Maio tem água todo o ano.
Em ambos os casos, e quer se trate de poços artesanais ou melhorados, há princípios fundamentais que devem ser observados. Deixamos, então, aqui as nossas recomendações para um uso, gestão e manutenção eficaz e eficiente de poços agrícolas: ☑ Para garantir água suficiente às plantas durante todo o seu ciclo, um poço hortícola deve ser construído quando o lençol freático atingir o nível mais baixo, garantindo uma maior profundidade e propi-
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REABILITAÇÃO DE DIQUES
A cultura do arroz depende da quantidade e qualidade de água e de bons solos para o seu desenvolvimento. As áreas mais propensas para o seu cultivo são bolanhas de mangrove (salgadas) e bas-fond (doces), com características ecológicas muito particulares. As zonas de mangroves são geralmente rodeadas por rios de águas salgadas, cujos caudais são fortemente influenciados pelas marés, o que tem efeitos negativos nas áreas destinadas à produção de arroz. Quanto às zonas de bas-fond (lalas), os seus solos resultam de depósitos de sedimentos transportados pela erosão, das áreas mais altas para zonas mais baixas.
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As áreas de cultivo de arroz estão, então, sempre ameaçadas de destruição ou destabilização, quer pelas águas salgadas (mangrove), pelas erosões ou outros efeitos climáticos, principalmente as chuvas (bas-fond). Para as proteger dessas ameaças, devem, então, construir-se barreiras. Por outro lado, para garantir a produção de arroz é importante manter o nível de água no interior das bolanhas. Estes aspectos (protecção, parcelamento e manutenção de água no interior das bolanhas) são garantidos pela construção de estruturas designadas de diques. Os diques são infra-estruturas agrícolas importantíssimas, que se constroem nos sistemas de cultivo de arroz e que têm uma influência determinante na produção deste cereal.
• Tipos de diques e sua construção Há vários tipos de diques, mas os dois principais para as culturas de mangrove e bas-fond são os seguintes: - Os Diques de Cintura são estruturas que podem atingir mais de 1,5 metros de altura e uma largura de 0,5 a 1 metro. As suas funções variam conforme o tipo de bolanha.
Kebur|Nº3|1º Semestre 2011
No caso das bolanhas de mangrove, os diques de cintura impedem a entrada de água salgada e outras substâncias ou matérias, provenientes do rio ou das bacias hidrográficas, para dentro da área destinada ao cultivo de arroz e que podem alterar a qualidade dos solos. Servem também para reter a água das chuvas. São geralmente levantados ao longo da zona periférica dos rios e dos mangais facilmente inundáveis pelas marés, para servirem de barreiras. Ao longo desses diques, e com intervalos convenientes, são instalados mecanismos de evacuação de águas excedentárias ou águas de primeiras chuvas utilizadas para a lavagem da bolanha, evacuando, desta forma, sais que se encontram na camada superior do solo – as raízes da planta de arroz concentram-se nos primeiros centímetros de solo, temporariamente sem sal. Estes mecanismos são dispositivos feitos de troncos de palmeiras, cibes, ou ainda de canoas, e são chamados de bombas. Estes diques devem ser construídos no início ou no final da época de chuvas, com solos ainda ou já húmidos serão mais sólidos se os solos forem ricos em argila. Ainda na situação de bolanhas salgadas, a preservação da flora é capital na conservação do ecosistema e, eventualmente, da própria zona de cultivo de arroz. Os “tarrafes” constituem barreiras naturais que ajudam na protecção dos diques contra marés fortes e na luta contra erosão (fixação de solo), cujos efeitos resultam na inundação das bolanhas. Deve-se, então, evitar o corte dos tarrafes para pistas de acesso aos rios para práticas de pesca. Algumas plantas que se encontram em cima dos diques também reforçam a solidez dos mesmos, uma vez que as suas raízes são fixadoras de solos, pelo que não devem ser cortadas. Nas bolanhas de bas-fond, os diques de cintura constituem barreiras anti-erosão, impedindo a entrada de materiais que podem alterar a textura do solo e, assim, desestabilizar a sua estrutura, tornando a área imprópria para a cultura do arroz. A sua solidez também depende do nível de argila no solo. Em ambos os casos (mangrove e bas-fonds), é importante considerar que acontecem fenómenos climáticos imprevisíveis que podem comprometer a produção. É o caso de chuvas fortes que podem provocar cheias, transbordo dos rios e, consequentemente, inundações nas bolanhas.
É, então, importante ter esse fenómeno em conta durante a construção dos diques de cintura, e promover o aumento da sua altura e robustez, sobretudo nas zonas mais expostas. - Os Diques de Parcelamento, para além de servirem de vias de acesso ao interior da bolanha, são estruturas com a função de dividir a área de cultivo em parcelas, de forma a permitir uma melhor distribuição de água dentro da área cultivada. Servem também como estruturas de retenção de água. São levantados nas bolanhas de mangrove com base nos conhecimentos e experiência dos próprios camponeses. Nas bolanhas de bas-fond, se se pretender um melhoramento hidráulico, as dimensões das parcelas devem obedecer à topografia do terreno.
• Reabilitação dos Diques Durante as campanhas agrícolas, os diques são degradados pela acção de diferentes agentes, de entre os quais se destacam: - O próprio homem, através da sua utilização como pistas de acesso, ou da escavação de minhocas para pesca; - Os animais, durante o pasto, e ratos, caranguejos e outros animais que usam os diques para abrigos; - O vento; - A pressão das águas, marés e chuvas. É, assim, necessário proceder com regularidade à reabilitação dos diques, a qual deve ocorrer, normalmente, nos períodos pós-colheita, e, por vezes, mesmo durante a campanha agrícola. Este trabalho implica recolher lama e paus para os locais a reabilitar, servindo os paus para fixar as lamas. Este trabalho é organizado durante a fase de marés mortas, em que as cheias não atingem com agressividade as zonas dos diques. Os diques de parcelamento devem ser reabilitados quando necessário, durante toda a campanha, para impedir a fuga de água de uma parcela para outra, o que pode, em certos casos, transportar pragas para parcelas vizinhas.
ENTREVISTA E como tem decorrido esta parceria? Acho que temos uma boa colaboração e comunicação. Seria bom, no entanto, que pudéssemos articular ainda mais os nossos programas. Quais as principais dificuldades que tem encontrado na implementação das actividades do PDSA? Temos tido poucas dificuldades em relação à implementação do PDSA na nossa região. Entre a população há uma aceitação muito boa do projecto.
Entrevista com a Dr.ª Leonor Silva, Directora Regional de Agricultura de Cacheu sobre a implementação do PDSA na sua região. PDSA: Como Directora Regional de Agricultura, como vê a intervenção do PDSA na Região de Cacheu? Vejo a intervenção do PDSA como algo de bom, porque chegou no momento certo para permitir que a comunidade tenha um pouco de sementes para poder trabalhar. Quanto à ONG que trabalha na Região de Cacheu com o PDSA, aprecio as acções que desenvolvem nas comunidades onde intervêm e há uma excelente comunicação com a Direcção Regional de Agricultura de Cacheu, sendo que fazemos frequentemente visitas conjuntas ao terreno. Como avalia a situação da Segurança Alimentar na Região de Cacheu? A segurança alimentar na Região de Cacheu tem feito bons progressos graças à Politica Agrária do MADR que valoriza o papel das ONG e projectos. Principalmente no ano em curso o arroz foi produzido em grande escala. Cerca de 44% da produção da região foi de arroz, mas é também produzido em grande quantidade inhame, mancarra, feijão e manfafa. Esses produtos influenciam muito a nutrição e a dieta alimentar da população. Do seu ponto de vista, qual o papel que a DRA tem desempenhado neste projecto, tendo em conta a parceria entre o Ministério de Agricultura e o IMVF? Colaboração, principalmente. Dada a parceria existente entre IMVF e MADR, o PDSA informa a DRA de todas as intervenções que faz na região. A DRA acompanha as acções do PDSA no terreno, junto das comunidades, e está sempre disponível para colaborar com o PDSA, como aconteceu há bem pouco tempo, em que a DRA seleccionou tabancas onde o PDSA não intervém directamente para receberem sementes de arroz, e assegurou a sua distribuição. De facto, a DRA está sempre disponível para colaborar e supervisionar a distribuição de materiais e insumos agrícolas que as organizações disponibilizam para as comunidades, bem como o seu uso.
São já visíveis nas populações os benefícios gerados pelo Projecto? Nas comunidades onde o PDSA intervém são os próprios membros que comentam que já sentem os efeitos da ajuda recebida, durante as visitas da DRA. Quando pergunto como vai o projecto, respondem que o PDSA tem um bom programa a ser implementado nas suas tabancas. Uma acção com um impacto imediato nessas comunidades é a entrega de materiais de transformação agrícola, como descascadoras de arroz, moinhos e prensas de óleo de palma. Esses materiais vão diminuir o esforço energético – físico - e o tempo que as mulheres despendem na realização de algumas actividades, como a limpeza do arroz, etc. Que outras intervenções julga que seriam importantes na região? A disponibilização de outros materiais agrícolas que possam ajudar a comunidade a trabalhar a terra, como moto-cultivadoras, ou, se possível, tractores. Também seria positivo um reforço dos sistemas de irrigação, para que a população não esteja apenas dependente da época da chuva. Assim, se o camponês estiver dotado de conhecimentos e equipamento de irrigação nas bolanhas, poderá cultivar nas duas estações do ano, aumentando ainda mais a produção. Já próximos do final do Projecto, que acções julga importantes para garantir a sustentabilidade dos resultados do PDSA? Para garantir a sustentabilidade dos resultados o PDSA deve dotar as ONG de conhecimentos para implementarem de forma autónoma as acções no terreno e promover o dinamismo e prontidão para alargarem as suas intervenções a outras comunidades que não beneficiem do PDSA. Da nossa parte, a Direcção Regional de Agricultura de Cacheu estará sempre activa, mesmo após o fim do projecto, para continuar com o seguimento das acções implementadas no quadro do PDSA. Gostava de deixar uma mensagem aos agricultores da região de Cacheu: estamos em plena época chuvosa e as sementes já se encontram distribuídas à população, e é, portanto, preciso que se faça bom uso dessas sementes. Assim, mesmo que ainda não tenha começado a chover com a intensidade esperada, estamos no período de lavoura e é necessário começar já a cultivar, a virar a terra e a prepararmo-nos espiritual e materialmente para a lavoura desta campanha agrícola de 2011. Bem-hajam!
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Programa de Rádio do PDSA chega aos ouvintes em directo e em djumbai “Escola Agrícola do PDSA” é o Programa Radiofónico do PDSA que procura sensibilizar a população local para a agricultura e informá-la sobre boas práticas agrícolas. Pretende-se, com o programa, contribuir para o aumento da produtividade e da produção agrícola e para uma melhoria da dieta da população. As rádios emissoras do “Escola Agrícola” receberam, nos últimos meses, vários pedidos para que o PDSA proporcionasse o esclarecimento de dúvidas e a discussão sobre os temas tratados no Escola Agrícola. Assim, o PDSA lançou programas em directo, bimensais, na Rádio Sol Mansi para prestar esclarecimentos aos ouvintes sobre os temas do Escola Agrícola emitidos nos dois meses precedentes, e realizou já dois djumbais com ouvintes radiofónicos em rádios do Norte e Centro do país: Em Junho de 2011, a Rádio Kasumai de São Domingos, norte do país, organizou um djumbai entre 12 representantes de diferentes Associações de mulheres horticultoras da região e a equipa do PDSA. Durante cerca de hora e meia, os representantes das associações puderam colocar questões sobre horticultura e aprofundar as informações transmitidas no Escola Agrícola. A equipa do PDSA, e, em particular o agrónomo Paulo Lopes, enalteceu a importância das mulheres horticultoras se organizarem e praticarem o cultivo comunitário, partilhando custos e garantindo uma melhor produção e uma comercialização facilitada. Sessão idêntica decorreu em Ondame, secção de Biombo, também em Junho último, organizada pela Rádio Comunitária N´Jirapa Có – Voz de Biombo. Desta feita, cerca de 200 mulheres horticultoras da Associação local No Pega Tesu - Ndjapagsa tiveram a oportunidade de tirar dúvidas junto da Equipa do PDSA sobre os temas emitidos na rádio local no quadro do Programa “Escola Agrícola do PDSA”. As ouvintes participantes no Djumbai aproveitaram para agradecer a emissão do Programa e para evidenciar a sua necessidade de parceiros adicionais na área da Segurança Alimentar, a fim de rentabilizarem as suas actividades agrícolas.
“ESCOLA AGRÍCOLA DO PDSA” AGENDA PROGRAMAS DE RÁDIO: 2011 Agosto a Outubro – Fruticultura e sua Transformação Outubro – Programas em directo na Rádio Sol Mansi sobre Produção, Informação e Consumo de Legumes, Tubérculos e Raízes e sobre Fruticultura e sua Transformação
Ouça nas Rádios:
Rádio Comunitária de Bafatá, Bafatá (leste) 105.5 Rádio Kassumai, São Domingos (norte) 104.8
FM
FM
Rádio Djam Djam, Bubaque (ilhas Bijagós) 102.0
FM
Rádio Gandal, Gabú (leste) 104.7 FM Rádio Voz de Catió, Catió (sul) 103.1 FM Rádio N’jierafa Có, Biombo (centro) 103.7 FM
Rádio Sol Mansi (cobertura nacional) 90.0 e 101.8
FM
Esta publicação foi produzida com o apoio da União Europeia e do IPAD. O seu conteúdo é da exclusiva responsabilidade do Instituto Marquês de Valle Flôr e não pode, em caso algum, ser tomada como expressão das posições da União Europeia e do IPAD.