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Guia de apoio a professores

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Prezado(a) Professor(a), Conhecer e compreender a história e cultura quilombola no Brasil é mergulhar na história dos descendentes diretos de homens e mulheres que foram levados de África para o Novo Mundo, há mais de 400 anos. A sua história é sobre liberdade e dignidade. A sua história é a de todos nós! Você está recebendo o material de apoio pedagógico “Aspectos da Cultura Quilombola”. Trata-se de um DVD sobre a cultura quilombola filmado pelos próprios quilombolas em algumas comunidades do Maranhão, estado localizado na região nordeste do Brasil, com orientações e sugestões para sua utilização em sala de aula. O DVD “Aspectos da Cultura Quilombola” é fruto das ações realizadas pelo projeto “O Percurso dos Quilombos: de África ao Brasil e o regresso às origens”, executado pelo Instituto Marquês de Valle Flôr (ONGD portuguesa), em parceria com a ACONERUQ – Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão; a ONG guineense AD – Ação para o Desenvolvimento e a Plataforma das ONGs de Cabo Verde e tem o propósito de promover e enriquecer o diálogo intercultural por meio da valorização e da difusão da cultura quilombola.


A realidade quilombola no Brasil Para saber sobre a história do surgimento dos quilombos atuais é preciso voltar no tempo e relembrar como os primeiros africanos chegaram ao Brasil e quais as formas que usaram para lutar e resistir ao regime da escravidão. Homens e mulheres africanos escravizados não tinham direitos. Eram tratados como mercadoria com valor de uso e troca pelo seu “dono”. Foram transportados, através do Oceano Atlântico em péssimas condições de higiene. Eram vendidos aos proprietários de fazendas de cana-de-açúcar ou de café nos entrepostos. Quando chegavam ao seu destino eram tratados de forma violenta, para garantir a continuidade do trabalho. Os escravizados não aceitaram essa situação. Dentre as formas de resistência à escravidão, organizaram revoltas contra o sistema escravista por todo o Brasil em busca de uma vida digna e em liberdade. Uma outra forma de resistência foi a criação de quilombos localizados em lugares distantes e de difícil acesso e com visibilidade maior possível para se protegerem das investidas contra eles. Para o quilombo, fugiam as pessoas vítimas da escravidão e as que estavam indignadas com a opressão do regime escravocrata. Mantinham contato com a cidade mais próxima para realizarem trocas comerciais com artesãos, mascates (vendedores), pequenos proprietários, agricultores e comerciantes de modo geral. Os parceiros que trabalhavam nas fazendas ou nos engenhos, escondiam os quilombolas e partilhavam a comida. Outro objetivo era libertar outros negros cativos e, ainda, para conseguir novos membros para o quilombo. Foram realizadas muitas investidas da Coroa Portuguesa para desbaratar os quilombos. Os quilombolas resistiam e/ou fugiam e reconstruíam as moradas em outro lugar. Dentre os mais expressivos exemplos de organização comunitária quilombola, está o Quilombo de Palmares – considerado o maior e mais importante quilombo do Brasil. Palmares chegou a ter 20 mil habitantes e resistiu por quase um século (100 anos). A República de Palmares, como ficou conhecido por historiadores, ocupava os atuais estados de Pernambuco e Alagoas, na região nordeste do Brasil. Segundo alguns estudiosos, o Quilombo de Palmares era um conjunto de quilombos com organização própria e articulados entre si.


A estrutura física do Quilombo dos Palmares era constituída de armadilhas que cercavam todo o quilombo e de imensas muralhas com acesso somente pelos portões voltados para os pontos cardeais. Ali havia uma boa visão dos quatro cantos do quilombo e os negros se revezavam na guarda para evitar ataques surpresa. Após muitos ataques ao quilombo, Zumbi – último líder do Quilombo dos Palmares – foi traído por um de seus comandados em troca de favores e promessas de liberdade. Após sua morte, sua cabeça foi exposta numa praça central na cidade de Recife, estado de Pernambuco.

Quilombos contemporâneos Quilombo não significa apenas um espaço geográfico, um lugar ocupado por negros. Quilombo é lugar de sonho, de liberdade, de respeito ao ser humano, de respeito à natureza, à terra e às diferenças culturais. Nos dias atuais consideram-se quilombos contemporâneos as comunidades negras rurais habitadas por descendentes de africanos escravizados, com laços de parentesco. Os quilombos têm suas raízes na memória viva da comunidade, nos seus hábitos e práticas passados de geração a geração e na manutenção de vivências nos mesmos lugares de seus antepassados, no seio de seu território. As histórias e os cânticos são veículos de transmissão dos valores tradicionais aos mais novos. Os homens e mulheres quilombolas vivem de culturas de subsistência (plantam o que necessitam para se alimentar: milho, feijão, arroz) em terras doadas, compradas ou ocupadas secularmente. Valorizam as tradições culturais de seus antepassados e as recriam no presente. Possuem história comum, normas de pertencimento e consciência racial. Atualmente, no Brasil, existem cerca de 3 mil comunidades remanescentes de quilombos segundo os dados da Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura. Os estados com maior concentração de quilombos são Maranhão, Bahia e Minas Gerais.


Atividades anteriores à visualização do vídeo Com o intuito de aproximar os alunos da realidade quilombola, sugere-se que na aula anterior à exibição do vídeo, o(a) professor(a) pergunte aos(às) alunos(as) sobre o que eles(as) imaginam que seja um quilombo, quem são os quilombolas, como vivem, o que fazem, o que plantam... A partir desse breve compartilhamento sobre a realidade quilombola, sugira uma breve pesquisa por meio de conversas com mais velhos, livros, internet sobre o que significa a palavra ‘quilombo’ / ‘quilombola’, sua origem semântica e significados. No dia da apresentação do vídeo, antes de exibi-lo, o(a) professor(a) deve acionar o repertório informativo que o aluno construiu sobre quilombos para introduzi-los no universo da cultura quilombola. Pode-se fazer uso de mapas geográficos para mostrar as rotas do tráfico negreiro e a localização no Brasil dos quilombos atuais os quais existem em quase todos os estados da federação brasileira. Atividades posteriores à visualização do vídeo A partir dos conteúdos apresentados no vídeo: cotidiano, alimentação, festas, música, religiosidade, verifique o que mais chamou a atenção dos alunos e as palavras novas aprendidas. Dependendo da faixa etária dos alunos, você pode propor uma conversa em pares ou em grupos sobre o que perceberam sobre a cultura quilombola, sobre o que é um quilombo, o que é cultura de subsistência. Após o trabalho em pares ou grupos, partilhe as construções com a turma toda e construa um quadro ou um mural sobre cultura quilombola. Outra atividade que pode ser bastante interessante é organizar dramatizações (peça teatral/esquete). Os alunos podem confeccionar figurinos, tambores e cenário com aproveitamento de material reciclado ou sucata. Pode-se também sugerir que os alunos construam maquetes dos quilombos nas quais ficarão evidenciadas a organização espacial do quilombo e as formas de proteção do quilombo. Não esquecer que as malocas (casas) ficavam sempre afastadas umas das outras. Texto referência: Palmares – a guerra dos escravos, de Décio Feitas, que descreve a organização do Quilombo dos Palmares.


Na cultura quilombola, a tradição de respeito aos anciãos encontra paradigma em solo africano. O respeito aos mais velhos e o aprendizado por meio da tradição oral é uma das características dessa cultura. Propomos que você possa trabalhar a temática da família, dos laços de parentesco, dos locais de origem, solicitando que, em datas marcadas, alguns alunos possam trazer um parente mais velho (ancião) para conversar com a turma sobre sua vida, sua origem, sua cultura. Uma forma lúdica de trabalhar com crianças menores é dividir a turma em grupos para formarem palavras. O(a) professor(a) distribui conjuntos de letras que formam as palavras: ‘quilombos’, ‘juçara’, ‘mandioca’, ‘tambor de crioula’, ‘dança do coco’, ‘território’. Se você tem cinco grupos de alunos, você terá que ter cinco conjuntos idênticos com as palavras ‘quilombo’, ‘juçara’, ‘mandioca’ e assim por diante. Solicite que eles dêem nomes aos grupos. Você distribui o mesmo conjunto de palavras para cada grupo. Quando tudo estiver pronto, você anuncia a palavra que você quer que os grupos formem e dá um minuto para que eles formem a palavra que você indicou. O grupo que conseguir terminar primeiro vai fazendo pontos. Ao final, ganha um brinde aquele que pontuou mais. Uma outra sugestão é você solicitar que façam uma redação sobre “cultura quilombola”, sobre ‘o que mais gostou no vídeo que assistiu sobre a cultura quilombola’. Atividades para turmas do ensino médio Além das atividades anteriores à exibição do vídeo já assinaladas, propõe-se a realização de trabalho em grupos com leitura de texto e pesquisa na internet para a apropriação das diversas interpretações sobre o conceito de quilombos e como essa idéia chega aos dias atuais. Outra atividade é uma pesquisa sobre o problema de reconhecimento das terras quilombolas no Brasil. Indica-se sites governamentais www.planalto.gov.br – www.mda.gov.br – www.palmares.gov.br – e sites não-governamentais como o site do próprio projeto – www.quilomboscontemporaneos.org.com o fonte de pesquisa. Para atividades ligadas às artes, sugere-se a pesquisa sobre os valores da tradição quilombola: circularidade, oralidade, ancestralidade, territorialidade e como estes valores estão presentes nas festas, nas danças, no cotidiano das comunidades quilombolas.


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