Skip to main content

Cinema do IMS, setembro de 2026

Page 1

cinema set.2026


Morte e vida Madalena, de Guto Parente


destaques de setembro Em um pequeno vilarejo rural no norte do Irã, Abbas Kiarostami realizou os três filmes que ficariam conhecidos como Trilogia de Koker. Exibidos este mês no Cinema do IMS Paulista em cópias restauradas, Onde fica a casa do meu amigo?, E a vida continua e Através das oliveiras são obras que referenciam umas às outras em um intricado jogo narrativo e marcam um momento em que o cineasta aprofunda seus interesses e experimentos temáticos, poéticos e formais. Com A ascensão, seu último longa-metragem concluído, Larisa Shepitko ganharia o prêmio principal do Festival de Berlim. “O filme mais comovente sobre o horror da guerra que conheço”, como descreveu Susan Sontag, será exibido em cópia restaurada em São Paulo, junto a Você e eu, primeiro longa a cores de Shepitko, e A despedida, concluído postumamente por seu parceiro Elem Klimov. Memórias negras: arquivos para o futuro, em cartaz em Poços de Caldas e São Paulo, apresenta dois programas de curtas que ampliam a discussão sobre as formas de preservar e produzir memórias da população negra. Entre documentários, ficções e experimentações, os filmes partem de diferentes contextos para abordar as relações entre memória e experiências negras no Brasil e na diáspora. Também dedicada a curtas-metragens brasileiros, a Sessão indeterminações apresenta no Cinema do IMS Paulista uma multifacetada investigação em torno de temas como espaço, arquitetura, raça e colonialidade. A sessão conta com um debate entre os fundadores da plataforma indeterminações e o pesquisador e curador Heitor Augusto. Entre as estreias do mês, retratos do cantor Gonzaguinha e do cineasta Jorge Bodanzky; um sequestro que mobilizou os EUA; as dinâmicas de uma cozinha solidária em Ceilândia; as desventuras de uma cineasta que precisa conciliar trabalho, luto e gestação; um estranho retiro para mulheres de bem; e a vida de uma semente de mamão que sonha em voar. [imagem da capa] Dona Beatriz Ñsîmba Vita, de Catapreta 1

E a vida continua (Zendegi va digar hich), de Abbas Kiarostami

A ascensão (Voskhozhdenie), de Larisa Shepitko

Boi romeiro, de Milena Rocha


IMS Paulista

Em cartaz A professora de piano (La Pianiste) Michael Haneke | DCP, restauração 4K

Não existe almoço grátis Pedro Charbel e Marcos Nepomuceno | DCP

Acampamento Miasma: adolescência, sexo e morte (Teenage Sex and Death at Camp Miasma) Jane Schoenbrun | DCP

Nosso segredo Grace Passô | DCP

não recomendado para menores de 18 anos

não recomendado para menores de 18 anos

Akira Katsuhiro Ōtomo | DCP, remasterização 4K Amelia Toledo – Lembrar de não esquecer Hélio Goldsztejn | DCP Anistia 79 Anita Leandro | DCP

Papaya Priscilla Kellen | DCP Um olhar inquieto: O cinema de Jorge Bodanzky Jorge Bodanzky e Liliane Maia | DCP Virtuosas Cíntia Domit Bittar | DCP

Sessão indeterminações Ruínas de sangue

O olho na rua e o ouvido na cozinha Joélia Santos, Luis “Lula” Lourenço, Mª Helena Rabadan, Flora Lamour, Fernanda Cursino, PV Zé e Lena | DCP, restauração 2K Morde & assopra Stanley Albano | DCP Dos Reis Magos dos Tupiniquins Orlando Bomfim Netto | DCP, restauração 2K Casa Forte Rodrigo Almeida | DCP Dona Beatriz Ñsîmba Vita Catapreta | DCP

Gonzaguinha, da maior liberdade Susanna Lira | DCP Morte e vida Madalena Guto Parente | DCP É possível assistir a alguns dos filmes em cartaz no Cinema do IMS Paulista com recursos de acessibilidade em Libras, legendas descritivas e audiodescrição. Para retirar o equipamento com recursos, consulte a bilheteria do IMS Paulista. Em caso de dúvidas, entrar em contato pelo telefone (11) 2842-9120 ou pelo e-mail imspaulista@ims.com.br.

2


IMS Paulista

O cinema de Larisa Shepitko A ascensão (Voskhozhdenie) Larisa Shepitko | DCP, restauração 2K A despedida (Proshchanie) Larisa Shepitko e Elem Klimov | DCP Você e eu (Ty i ya) Larisa Shepitko | DCP

Foco Grace Passô República Grace Passô | DCP

Memórias negras: arquivos para o futuro Programa 1

Boi romeiro Milena Rocha | DCP Luis do Charme Tuanny Medeiros | DCP O Pantanal é preto Raylson Chaves | DCP Sonho em ruínas Priscila Nascimento | DCP

Programa 2 Banzeiro e maresia Pablo Monteiro | Arquivo digital Casa de Luiza Rodrigo Antonio | DCP My Ray of Sunshine Laís Andrade | Arquivo digital Sombras de macumba na luz da memória Mysteryo | DCP

3

Abbas Kiarostami em retrospectiva

Onde fica a casa do meu amigo? (Khane-ye doust kojast?) Abbas Kiarostami | DCP, restauração 2K E a vida continua (Zendegi va digar hich) Abbas Kiarostami | DCP, restauração 2K Através das oliveiras (Zir-e derakhtan-e zeytun) Abbas Kiarostami | DCP, restauração 2K


IMS Paulista

terça

quarta

quinta

1 15:30 Acampamento Miasma... (112') 17:40 Akira (124') 20:00 Nosso segredo (108')

2 14:50 Nosso segredo (108') 17:00 Akira (124') 19:30 abbas kiarostami em retrospectiva Onde fica a casa do meu amigo? (83')

8 14:20 Gonzaguinha, da maior liberdade (78') 16:00 Não existe almoço grátis (74') 17:30 Nosso segredo (108') 19:40 o cinema de larisa shepitko Você e eu (91')

9 14:00 Não existe almoço grátis (74') 15:30 Nosso segredo (108') 17:40 Um olhar inquieto: O cinema de Jorge Bodanzky (85') 19:30 abbas kiarostami em retrospectiva E a vida continua (95')

3 14:00 Gonzaguinha, da maior liberdade (78') 15:40 Akira (124') 18:00 Um olhar inquieto: O cinema de Jorge Bodanzky (85') 19:50 foco grace passô República + Nosso segredo (124')

15 14:20 Papaya (75') 15:50 Gonzaguinha, da maior liberdade (78') 17:30 Nosso segredo (108') 19:40 o cinema de larisa shepitko A despedida (121')

16 14:00 Não existe almoço grátis (74') 15:30 Papaya (75') 17:00 Akira (124') 19:30 abbas kiarostami em retrospectiva Através das oliveiras (103')

22 14:00 Papaya (75') 15:30 Anistia 79 (105') 17:40 Morte e vida Madalena (85') 19:30 o cinema de larisa shepitko A ascensão (109')

23 14:30 Nosso segredo (108') 17:30 Akira (124') 20:00 Morte e vida Madalena (85')

29 15:00 16:30 18:00 20:00

30 16:00 Anistia 79 (105') 18:10 Virtuosas (88') 20:00 Amelia Toledo - Lembrar de não esquecer (82')

4

Papaya (75') Não existe almoço grátis (74') Morte e vida Madalena (85') Virtuosas (88')

10 14:30 Papaya (75') 16:10 Nosso segredo (108') 19:00 sessão indeterminações Ruínas de sangue (62'), seguida de debate com Heitor Augusto, Lorenna Rocha e Gabriel Araújo 17 14:00 A professora de piano (131') 16:30 Um olhar inquieto: O cinema de Jorge Bodanzky (85') 18:20 Gonzaguinha, da maior liberdade (78') 20:00 Morte e vida Madalena (85')

24 14:00 Papaya (75') 15:30 Virtuosas (88') 18:00 memórias negras: arquivos para o futuro – Programa 1 (68') 19:40 memórias negras: arquivos para o futuro – Programa 2 (60'), sessões apresentadas por Marcell Carrasco


IMS Paulista

sexta 4 14:00 15:40 17:50 19:30 22:00

Não existe almoço grátis (74') Nosso segredo (108') Gonzaguinha, da maior liberdade (78') Akira (124') Acampamento Miasma... (112')

11 14:00 16:30 18:20 19:50 22:00

Akira (124') Gonzaguinha, da maior liberdade (78') Papaya (75') Anistia 79 (105') Acampamento Miasma... (112')

18 14:00 15:30 17:40 19:50 21:40

Papaya (75') Anistia 79 (105') Nosso segredo (108') Morte e vida Madalena (85') Akira (124')

25 14:00 16:10 18:20 20:10 22:00

Anistia 79 (105') Nosso segredo (108') Morte e vida Madalena (85') Virtuosas (88') Acampamento Miasma... (112')

Programa sujeito a alterações. Eventuais mudanças serão informadas em ims.com.br. 5

sábado

domingo

5 14:00 16:20 18:00 19:40 21:50

6 14:00 Não existe almoço grátis (74') 15:30 Um olhar inquieto: O cinema de Jorge Bodanzky (85') 17:15 Akira (124') 19:40 foco grace passô República + Nosso segredo (124')

Anistia 79 (105') Gonzaguinha, da maior liberdade (78') Não existe almoço grátis (74') Nosso segredo (108') Akira (124')

12 14:00 Anistia 79 (105') 16:00 Papaya (75') 17:30 o cinema de larisa shepitko A ascensão (109') 19:40 Akira (124') 22:00 Acampamento Miasma... (112')

19 14:00 Um olhar inquieto: O cinema de Jorge Bodanzky (85') 15:50 foco grace passô República + Nosso segredo (124') 18:20 o cinema de larisa shepitko Você e eu (91') 20:10 Morte e vida Madalena (85') 22:00 Acampamento Miasma... (112') 26 14:00 Morte e vida Madalena (85') 16:00 memórias negras: arquivos para o futuro – Programa 1 (68') 17:30 o cinema de larisa shepitko A despedida (121') 20:00 Virtuosas (88') 21:45 Akira (124')

13 14:00 Um olhar inquieto: O cinema de Jorge Bodanzky (85') 16:00 Papaya (75') 18:00 abbas kiarostami em retrospectiva Onde fica a casa do meu amigo? (83') 19:45 Nosso segredo (108') 20 14:00 A professora de piano (131') 16:30 Papaya (75') 18:00 abbas kiarostami em retrospectiva E a vida continua (95') 20:00 Morte e vida Madalena (85')

27 15:00

memórias negras: arquivos

16:30

sessão indeterminações

18:00

para o futuro – Programa 2 (60')

Ruínas de sangue (62')

abbas kiarostami em retrospectiva

Através das oliveiras (103') 20:00 Morte e vida Madalena (85')


IMS Poços

Em cartaz

Foco Grace Passô

Memórias negras: arquivos para o futuro

Akira Katsuhiro Ōtomo | DCP, remasterização 4K

República Grace Passô | DCP

Programa 1

Gonzaguinha, da maior liberdade Susanna Lira | DCP Morte e vida Madalena Guto Parente | DCP Não existe almoço grátis Pedro Charbel e Marcos Nepomuceno | DCP Nosso segredo Grace Passô | DCP Papaya Priscilla Kellen | DCP Refém por um fio (Dead Man’s Wire) Gus Van Sant | DCP

Sessão especial Mosaicos Jesuane Salvador | Arquivo digital

Boi romeiro Milena Rocha | DCP Luis do Charme Tuanny Medeiros | DCP O Pantanal é preto Raylson Chaves | DCP Sonho em ruínas Priscila Nascimento | DCP

Programa 2 Banzeiro e maresia Pablo Monteiro | Arquivo digital Casa de Luiza Rodrigo Antonio | DCP My Ray of Sunshine Laís Andrade | Arquivo digital Sombras de macumba na luz da memória Mysteryo | DCP

6


IMS Poços

quinta

sexta

sábado

domingo

3 19:00 Nosso segredo (108')

4 19:00 Refém por um fio (104')

6 16:00 Akira (124') 18:30 Refém por um fio (104')

10 19:00

11 19:00 Refém por um fio (104')

5 16:00 Não existe almoço grátis (74') 18:00 foco grace passô República + Nosso segredo (124') 12 16:00 Gonzaguinha, da maior liberdade (78') 18:00 Akira (124')

13 16:00 Papaya (75') 18:00 Refém por um fio (104')

19 16:00 Papaya (75') 18:00 Gonzaguinha, da maior liberdade (78')

20 16:00 Morte e vida Madalena (85') 18:00 Akira (124')

sessão especial

Mosaicos (41'), seguida de roda de conversa com Jesuane Salvador, Lucas Marks e os artistas retratados

17 19:30 Nosso segredo (108')

18 19:00 Morte e vida Madalena (85')

24 19:00 Não existe almoço grátis (74')

25 19:00 Gonzaguinha, da maior liberdade (78')

26 15:00 Papaya (75') 16:30 memórias negras:

arquivos para o futuro

18:00

27 16:00 Akira (124') 18:30 Morte e vida Madalena (85')

programa 1 (68')

memórias negras:

arquivos para o futuro programa 2 (60')

Programa sujeito a alterações. Eventuais mudanças serão informadas em ims.com.br. 7


IMS Paulista

Sessão indeterminações

Ruínas de sangue Lorenna Rocha e Gabriel Araújo

Lorenna Rocha é historiadora, crítica e programadora de mostras e festivais de cinema. Mestra em comunicação (UFPE), é cofundadora da Plataforma indeterminações e editora-chefe da revista câmarescura. Fez parte da curadoria de festivais como Janela Internacional de Cinema do Recife e FestCurtasBH. Desde 2024, integra a equipe de programação de curtas da Mostra de Cinema de Tiradentes. Gabriel Araújo é jornalista graduado em comunicação social pela UFMG e atua como crítico e programador de cinema, com passagem por mostras e festivais como FestCurtasBH, forumdoc.bh e LONA. É cofundador da plataforma indeterminações e do Cineclube Mocambo, e correspondente da Folha de S.Paulo em BH. 8

Um vigilante noturno percebe ter cometido um crime. À luz do dia, a tragédia fica exposta no jardim de um casarão colonial. O corpo de uma mulher branca sangra, enquanto a banda sonora ainda reverbera o urro de um homem negro com o olhar carregado de desespero. Intrusiva, a força sorrateira que habita a arquitetura faz ver outro sangue: aquele herdado das paredes, dos artefatos barrocos e, como não, das hierarquias de poder. De um passado delirante, pois vívido, de sombras impregnadas por todos os lugares. Tal energia possessiva presente no longa-metragem O anjo da noite (Walter Hugo Khouri, 1974) compõe a imaginação de ruínas de sangue. No programa, caminhamos por um conjunto de curtas-metragens, realizados entre as décadas de 1970 e 2020, a fim de investigar formas de habitação, rasura e cocriação de espaços instaurados, construídos e marcados pela colonialidade. A persistência na espacialidade, não só como estrutura de algo, mas em figurações, significações e modos de ocupação, nos direcionou a obras em que as superfícies coloniais passam a ser esgarçadas, remexidas, preenchidas, deslocadas e remodeladas a partir do contato entre as diferentes imagens e experimentações sonoras. Instaura-se, por

assim dizer, um jogo contínuo de luz e sombra, em que trauma, cura, esquecimento, rememoração, erotismo e violência deformam o cotidiano e renegociam as interpretações sobre um país edificado sob contínuo sangue. O olho na rua e o ouvido na cozinha (Joélia Santos, Luis “Lula” Lourenço, Mª Helena Rabadan, Flora Lamour, Fernanda Cursino, PV Zé e Lena, 1978) nos convida a um exercício de abertura da nossa sensibilidade. O ritmo lento e as mudanças de perspectiva da câmera nos fazem adentrar em uma casa fincada no Alto do Moura, município de Caruaru, localizado no Agreste pernambucano. Livremente inspirado num conto homônimo de Hermilo Borba Filho, o curta-metragem abriga uma fantasmagoria singular, herdada do solo, e o lirismo de uma certa tradição cinematográfica, com tons maurianos. Morde & assopra (Stanley Albano, 2020) pode ser um deboche, uma revanche ou uma retomada – ou tudo ao mesmo tempo. Do interior do casarão em que o avô trabalhou, a bicha preta que desejava o ócio criativo e um encontro consigo mesma, uma rehab descrita como “programa de redução de danos da burguesia”, acaba sendo banhada de dúvidas, obrigada a lidar com a lembrança latente de uma


reparação histórica que nunca chega. Se a restituição pode vir como maldição no curta de Albano, a reforma estrutural da Igreja dos Reis Magos, no filme de Orlando Bomfim Netto, Dos Reis Magos dos Tupiniquins (1985), é estranhamente desmontada, rasurada e questionada pela vivacidade dos movimentos culturais populares de Vila de Nova Almeida, no Espírito Santo. O som inquieto de um país, em pleno processo de redemocratização, também perturba o projeto de restauração do empreendimento colonial. Por outro lado, as imagens dos letreiros e fachadas de um bairro da zona norte do Recife nos conduzem, em Casa Forte (Rodrigo Almeida, 2013), a um relato falsamente banal. A cada nova palavra, a experiência de refletir sobre o próprio prazer cria uma massa estranha de sentimentos: da ingenuidade ao escárnio, do tesão à ternura, da vingança à fossa. Enquanto as ruínas de um casarão colonial e um abraço inconciliável dão forma aos fantasmas de um relacionamento, a casa da protagonista de Dona Beatriz Ñsîmba Vita (Catapreta, 2024) funciona como laboratório para a replicação de uma vida possível diante da iminência do fim, do início e do recomeço. Na animação, ambientada em uma Belo 9

O olho na rua e o ouvido na cozinha, de Joélia Santos

Horizonte distópica, observamos, quase que sensorialmente, o cumprimento de uma missão sagrada incumbida a uma mulher. Entre braços, pernas, vísceras e sangue, ela garante o princípio de continuidade. Multiplica-se. E projeta a destruição como possibilidade. A sessão conta com o comentário crítico do curador e pesquisador Heitor Augusto, que participa de uma conversa com o público mediada pelos cofundadores da plataforma indeterminações . A vinheta é

assinada pelo cineasta e escritor alagoano Lucas Litrento. Já o ensaio “Já era, já é: o desejo pela casa ainda é grande”, da artista da dança e escritora Alana Falcão, mergulha nas reminiscências onipresentes do trauma histórico, não para negá-las ou reprimi-las, mas para tateá-las e encará-las como combustível e fertilizante na criação cinematográfica, do mundo. Nesta edição, o sangue, elemento vermelho, quente, assombroso, retorna, derrama-se e torna-se, por assim dizer, substância de reinvenção.


IMS Paulista

Sessão indeterminações

Já era, já é: o desejo pela casa ainda é grande Alana Falcão

Alana Falcão é artista do corpo, professora e crítica. Mestra em dança pela Universidade Federal da Bahia, editora da Revista Barril (BA) e membra da Associação Internacional dos Críticos de Teatro (AICT), compôs a equipe de debates da 28ª e 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes (MG). 10

A sessão ruínas de sangue exibe cinco filmes articulados pelos signos do escombro. Há no ar uma certa sensibilidade contemporânea ao distópico, ao estéril e às suas diferentes formas de verificação do fim do mundo. Aqui, mais do que insinuar que a habitação, a cidade, a nação ou a civilização que testemunhamos já era, que já está arruinada mesmo estando de pé, pode-se dizer que, se a construção tombou, se o sobrado colonial virou manicômio, se o casarão não se presta mais ao projeto original, tal sucessão de derrocadas documenta diferentes projetos e ideias de Brasil, de Nordeste e de raça nas obras apresentadas nesta ocasião de exibição. Com temporalidades, temperamentos estéticos e apontamentos de mundo tão diversos, esses filmes têm em comum a construção colonial como perso nagem conceitual trans-histórico da terra brasilis. Menos como tema e mais como fator performativo, esses casarões operam como scanner dos tempos superpostos, como vetores de sentido. São entes subjetivadores e sujeitos ao mesmo tempo. Casas que nunca estão plenamente vazias, abandonadas ou estéreis, para nossa sorte ou azar; pelo contrário, estão sempre em movimentos de reiteração, atualização e

invenção. De presença sólida e fantasmática, elas falam, indicam, relembram, veem, fazem. Estão longe de serem ruínas plenamente arruinadas, sem agência. Estando vivas, pode-se dizer que sua argamassa é à base de sangue (Dona Beatriz Ñsîmba Vita, Catapreta, 2024) em circulação pelas suas colunas e paredes, práticas, eróticas e dinâmicas, ecoando aqui e ali nas palavras que nomeiam a cidade (Casa Forte, Rodrigo Almeida, 2013) e na distinção do que merece dignidade histórica (Dos Reis Magos dos Tupiniquins, Orlando Bomfim Netto, 1985). Assim, os filmes apresentados se relacionam com os aspectos arquitetônicos desses casarões e mais ainda com os aspectos arqueológicos e suas sucessivas camadas, desveladas e reposicionadas a cada nova interação. Especialmente se considerarmos a interface de recepção histórica que o presente impõe aos filmes, ou melhor, que os filmes estabelecem uns com os outros, contemporaneamente. A cópia restaurada em 2K de Olho na rua, ouvido na cozinha (Joélia Santos, Luis ”Lula” Lourenço, Mª Helena Rabadan, Flora Lamour, Fernanda Cursino, PV Zé e Lena, 1978), livre adaptação audiovisual do conto homônimo de Hermilo Borba Filho, apresenta, a despeito do aparato narrativo da estrutura


do conto, certa respiração entre o interior e o exterior da casa no bairro do Alto do Moura, em Caruaru, conhecido pelo artesanato em barro e pela célebre figura do Mestre Vitalino. De partida, as cartelas de início e fim insinuam alvorada e pôr do sol, e as ocorrências dentro desse intervalo se sucedem quase como fotografias do Agreste: mobiliário e paredes formando um continuum monocromático de madeira, barro ou adobe. A mesa vazia, as louças, a moringa, os armários, gavetas. Um homem olha através das janelas, os olhos da casa. Perscruta os arredores, o horizonte e, por dentro dele, vemos as pessoas em seus afazeres na rua. A casa vê o mundo para além dos olhos e ouvidos sugeridos no título, sobretudo a partir da manualidade: abrir a gaveta, pegar papel e lápis são gestos dedicados a testemunhar e registrar aquelas formas de vida por meio das mãos. Com as mãos, ele escreve, com as mãos, mulheres lavam roupa e crianças pescam à beira do rio; são também as mãos que lavam a louça dentro de casa, e que cuidam, metonimicamente, da criança. Uma casa, de certo modo, é feita de afazeres à mão – frequentemente os corpos a que pertencem são pouco visíveis. Embora o teor das anotações do sentinela não nos seja informado, nem suas motivações, o 11

trabalho de observação e registro do mundo é também um trabalho manual. Aquele mundo é, afinal, digno de nota, bem como é digna sua assinatura anônima. A vida laboral das mãos enquanto seta que aponta simultaneamente para o trabalho servil, para o gesto de expropriação e para o roubo como reparação, aparece também em Morde & assopra (Stanley Albano, 2020). Saindo de seu barraco, isolada pela pandemia, a protagonista negra vai direto para um sobrado colonial, onde seu avô trabalhou no passado, pois ela se vê sorteada para um fim de semana em um programa de redução de danos. Pensando e bebendo sem parar, num monólogo a respeito de dívidas e penhoras, exploração, aposentadoria e trabalho, a Suzzie-Barbie-Preta performa entre as posições ambivalentes de madama e de empregada, de zelador e concierge, de puta, ladra ou mestranda. Entre cigarros, becks e drinques, conjuga a performance da dondoca com a do trabalhador servente, invisível, alternando entre a da sinhá – a comicamente insolente que usufrui das mansões – cujas mãos se ocupam apenas de segurar piteiras, virar taças e gesticular reclamações aos criados a respeito do café da manhã, e a do garçom, mordomo ou açougueiro. A um só tempo,

deseja e desdenha da vida do casarão colonial que sua alma penada, a alma viva do Brasil, ajudou a construir. Toda essa série de gestos de contrafactualidade histórica, seja na substituição dos quadros da sala por retratos glamourosos de seu rosto, seja no roubo da luva de malha de aço, ou nos pequenos momentos de prazer, ensaia a verdadeira redução histórica de danos. Ainda na chave do desejo delirante, angustiado, mal resolvido e incontrolável, o filme Casa Forte (Rodrigo Almeida, 2013) tece um inventário do tesão forjado nos complexos processos de subjugação e poder, no qual humanidade, animalidade e subalternidade próprias da herança colonial são polos que invertem constantemente os sinais daquilo que poderia ser lido como certo ou errado na ética racial, mas que não podem ser controlados dentro das dinâmicas do campo sexual. Matizes eróticos se revelam pouco a pouco na variedade de formas contraditórias que povoam os desejos de um jovem, cujas aventuras homoeróticas escutamos sem correspondência de representação dos atos em tela. Enquanto o rapaz nos conta como passou uma semana entorpecido de desejo, pensando nas senzalas destinadas aos homens escravizados denominados


Casa Forte, de Rodrigo Almeida

“reprodutores”, o que se vê é um desfile de nomes de edificações e prédios comerciais do Recife contemporâneo, provas da reminiscência quase onipresente do passado escravista: não cansam de aparecer nomes contendo as palavras engenho, casa-grande, senzala disso e daquilo, colonial (eventualmente ao lado de palavras como Triunfo ou 12

Vitória, isso quando não dizem respeito ao bairro ou à cidade do Recife, ou mesmo a uma estação do ano); há também uma grande quantidade de moradias e condomínios levando variações de sinhá, barão e baronesa em seus endereços, bem como Zumbi, Monjolo e outros nomes com referências a escravizados. As peripécias sexuais do rapaz

mencionam personagens como negão-delícia e um outro rapaz denominado agalegado, nomenclaturas que nos colocam na posição de incerteza a respeito da sua autodeclaração racial nos questionários do IBGE, uma vez que o reposicionam constantemente na régua racial durante o filme. Ao som da canção “Fim de festa”, de Itamar Assumpção,


assistimos a uma despedida amorosa numa casa grande abandonada entre figuras racialmente distintas. A casa mencionada no título tem sua força muito menos na extensão arquitetônica que na extensão simbólica e social, como os processos de nomeação revelados na obra nos fazem vislumbrar. Não é um solo ilibado que pavimenta as vias do desejo. As reminiscências onipresentes do trauma histórico são combustível e fertilizante desses campos; nomeá-las e jogar com elas parece mais interessante que negá-las ou reprimi-las. Fazer isso soaria como falsear camadas indesejadas daquilo que, feliz e infelizmente, é parte do tecido histórico sangrento que nos constitui. Se os processos histórico-culturais possuem topologias tão ambíguas como faixas de Moebius, Dos Reis Magos dos Tupiniquins (Orlando Bomfim Netto, 1985, cópia restaurada em 4K) é um filme que aposta na dupla natureza daquilo que ocorre entre o material e o imaterial, o patrimonial, o predial e as manifestações populares; o dentro e o fora, o visível e o invisível, o histórico e o contra-histórico, os processos oficiais e os apócrifos, que carecem de decifração. Em vertiginosa sequência documental de volutas arquitetônicas e turbilhões de gente, reproduz o 13

processo de restauração do altar da igreja da Vila de Nova Almeida (antiga aldeia jesuítica dos Reis Magos), no estado do Espírito Santo, por volta de 1981, junto a imagens de festas populares. Sabe-se que em 1610 a igreja – esse grande casarão colonial, maquinário moedor de gente – já estava sendo construída por indígenas tupiniquins para ser residência dos jesuítas. Dedicado ao pai do cineasta, desaparecido político do período da ditadura militar brasileira em 1975, o filme é embalado por uma série de canções célebres do período da ditadura brasileira como “O bêbado e o equilibrista” (João Bosco e Aldir Blanc, 1979), “Apesar de você” (Chico Buarque, 1970), “Querelas do Brasil” (Maurício Tapajós e Aldir Blanc, 1978), bem como por uma certa oficialidade sonora que aparece em trechos do programa radiofônico A voz do Brasil e no hino nacional brasileiro que encerra o filme. Como espólio da construção eclesiástica, sabe-se que a população indígena da região fora reduzida a 36 famílias (dado que é anunciado contrapondo a humildade das casas de adobe das gerações tupiniquins de então à suntuosidade e solidez do empreendimento arquitetônico jesuítico). Para a entrega do altar restaurado da igreja, foi preparada uma grande festa

no dia 6 de janeiro, Dia de Reis, os Reis Magos Tupiniquins. Se em Dos Reis Magos dos Tupiniquins os processos de dentro e fora apareciam imiscuídos, mas ainda distintos e reconhecíveis, na animação Dona Beatriz Ñsîmba Vita (Catapreta, 2024), o traço torna tudo absolutamente da mesma família: material e imaterial, orgânico e fabricado, sangue e asfalto, natural e mágico, vento e concreto. As linhas de caneta em vermelho e azul compõem aquele mundo de brutalidade fantástica como uma livre fábula sobre a heroína e profetisa congolesa Kimpa Vita. No filme, negras esguias se reproduzem em cópias idênticas, seguindo uma receita cujos ingredientes são membros de seus corpos, que, depois de autoamputados, são aquecidos em forminhas de assar, de onde surgem novas pessoas humanas. Esse exército de mulheres idênticas é assolado por algumas intempéries; elas se tornam presas de papagaios carnívoros e atravessam ventos fantasmáticos de destruição. Por entre os escombros de concreto, fantasmas, aves predadoras e sangue, por meio da travessia do traço, todas as matérias se equivalem. Saem algumas mulheres debaixo das ruínas, sem condições ideais. Decerto recomeçarão tudo outra vez sobre esse chão de sangue, como no nosso mundo.


IMS Poços

IMS Paulista

Memórias negras: arquivos para o futuro

Memórias negras e cinema Marcell Carrasco e Silvana Marcelina

Marcell Carrasco é mestre em comunicação social pela PUC-Rio, pós-graduado em jornalismo cultural pela Uerj e graduado em comunicação social pela Universidade da Cidade (UniverCidade), desenvolve pesquisas sobre cinemas negros, além de atuar nas áreas de direção e roteiro. Integra a equipe de Comunicação do IMS. Silvana Marcelina é graduada e mestra em serviço social pela UFRJ, é especialista em linguagens artísticas, cultura e educação pelo IFRJ, bacharela e licencianda em artes visuais pela Uerj e doutoranda no PPGMS/Unirio. Atua como pesquisadora, curadora, artista e educadora. Desde 2020, trabalha com o acervo do fotógrafo Januário Garcia. 14

O Seminário Memórias Negras nasceu como uma iniciativa no escopo da pesquisa e do processamento do Arquivo Januário Garcia, fotógrafo que reuniu um grande conjunto de documentação das vivências afrodiaspóricas, no Brasil e em diversos países. Realizada em 2024, a primeira edição ocorreu em parceria com o Museu de Arte do Rio e teve como tema “As vozes de nossos ancestrais”. O evento trouxe debates em torno das memórias negras no âmbito dos arquivos, das religiosidades de matriz africana e das iniciativas com protagonismo negro. Além disso, celebrou os 80 anos de Januário, com a estreia do curta documentário Janu – A fotografia como movimento (2024), dirigido por Marcell Carrasco e Silvana Marcelina. O seminário se somou a outros esforços realizados pelo IMS com o intuito de rever seu acervo, ampliar diálogos e valorizar as múltiplas vozes que compõem a diversidade cultural brasileira. Na ocasião, ficou evidente a importância do encontro, tanto pela significativa participação de público quanto pelas presenças e experiências que foram apresentadas. Em diversos formatos – de museus digitais e canais de vídeos a casas-museus, espaços culturais, páginas de redes sociais, murais de arte etc. – essas iniciativas promovem a valorização de uma memória ancestral e

a afirmação da resistência no presente. É o gesto que materializa o ensinamento filosófico de Sankofa, olhar para o passado e dele adquirir sabedoria para seguir no presente e semear o futuro. E foi nessa toada que, em 2025, planejamos o II Seminário Memórias Negras, com o tema “Arquivos para o futuro”. Voltada para as histórias, as práticas e as memórias que frutificam um afrodevir, a segunda edição ampliou a participação com chamadas nacionais de trabalhos e de filmes. O escopo das parcerias também foi expandido, contando agora com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), por meio da Superintendência de Equidade Étnico-Racial e de Gênero (Supeerg), da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PR-3), do Departamento Cultural (Decult) e do Núcleo de Memória Audiovisual (NuMA/CTE), além da Gerência de Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal de Educação e do Centro de Documentação do CPDOC-FGV. A entrada da produção audiovisual no escopo do evento se deu pelo reconhecimento do lugar fundamental que o cinema ocupa nesse movimento de disputa pela memória. As imagens produzidas por realizadores negros não apenas registram experiências, mas também criam outros


O Pantanal é preto, de Raylson Chaves

modos de olhar para o passado, o presente e o futuro. Por isso, ampliamos a programação com uma mostra de filmes dedicada às relações entre cinema, memória e arquivos afrodiaspóricos. Convidamos realizadoras e realizadores negras e negros de todas as regiões do país a compartilharem obras que dialogassem com essas questões, entendendo o cinema como uma ferramenta de reinvenção das nossas histórias. 15

A seleção reuniu curtas-metragens de até 25 minutos, em diferentes formatos e linguagens, tendo como eixo comum as relações entre memória, arquivo e história da população negra no Brasil e na diáspora. Em 14 dias de chamada, foram 209 inscrições válidas, de 20 estados, com filmes de 2015 a 2025. Em relação aos formatos, a grande maioria era de documentários (cerca de 60%), além de obras experimentais e

ficcionais. Para nós, tais números indicam a profusão de produção audiovisual voltada ao tema; a importância do cinema como uma ferramenta de enfrentamento ao apagamento histórico das narrativas negras; e a tomada dos meios de produção de discursos e poder por parte das novas gerações negras. Estamos disputando os espaços, os meios e retomando nossas histórias e referências.


Para a árdua tarefa de selecionar os filmes convidados a compor a programação do II SMN, formamos um time curatorial interno do IMS, com a presença de Márcia Vaz, supervisora de programação da área de Cinema, e Marcell Carrasco, cineasta e jornalista, que atua na área de Comunicação. Para somar nesse trabalho e trazer um olhar aguçado do circuito, convidamos a roteirista e pesquisadora de cinema Kariny Martins, que integra a curadoria de importantes festivais de cinema no Brasil. Ao longo das análises, percebemos que os filmes que mais nos interessavam não queriam, necessariamente, preservar a memória como um monumento, mas colocar aquelas imagens em movimento. Foi essa percepção que orientou a escolha dos oito filmes que compõem a mostra. Embora partam de lugares muito distintos entre si em linguagem, duração e território, os filmes compartilham uma mesma urgência. Com realizadores do litoral maranhense ao Pantanal, passando por Marajó, Recife, Espírito Santo, Piauí e Rio de Janeiro, cada obra encontra uma forma própria de acessar aquilo que permanece vivo. Quando reunidos, esses filmes mostram que a memória negra não se organiza em torno de uma única forma de registro. 16

Assim, a mostra não funciona apenas como um complemento do seminário, ela é parte da própria discussão. Os filmes disputam, cada um à sua maneira, quais histórias continuam existindo e quais correm o risco de desaparecer. Mostra de filmes II SMN Em outubro de 2025, em meio ao seminário, a maior chacina já registrada no Rio de Janeiro, com 121 mortos, irrompeu na rotina carioca e impregnou de horror e pesar os dias seguintes. Enquanto pensávamos sobre como preservar histórias, trajetórias e experiências da população negra, a realidade nos lembrava, de forma brutal, das forças que historicamente tentam interromper essas mesmas vidas e apagar não só a memória, mas a existência do povo negro. Diante daquele cenário, optamos por seguir com o evento de modo remoto, transmitindo via YouTube a programação de debates e as apresentações dos projetos que marcam a resistência negra ante o racismo estrutural. Para nós, ter mantido este espaço de diálogo foi um modo de nos acolhermos diante da violência e de pensarmos conjuntamente sobre como construir arquivos capazes de preservar histórias que tantas vezes foram interrompidas.

Acreditamos que uma das possibilidades de seguir está justamente em olhar para aqueles que vieram antes de nós, olhar para quem abriu caminhos e criou ferramentas para que pudéssemos reivindicar e narrar nossas próprias histórias. Como nos lembra Januário Garcia, “existe uma história do negro sem o Brasil, o que não existe é uma história do Brasil sem o negro”. É por tudo isso que seguimos, e realizaremos a mostra de filmes do II SMN meses depois do planejado, num gesto de afirmação e valorização das memórias negras. Serão apresentados dois programas, que contarão também com a exibição de trechos das entrevistas gravadas com representantes dos filmes, que viajaram de diferentes cidades para participar do seminário e apresentar suas obras, mas foram impedidos pelas circunstâncias daquele dia. É uma alegria, enfim, compartilhar esse conjunto de filmes com o público do IMS Paulista e do IMS Poços, ampliando a circulação dessas produções e as reflexões que elas proporcionam. Agradecemos também à equipe de Cinema do IMS, que tornou possível o encontro desses filmes com novos públicos e a conquista do espaço que merecem.


Em cartaz

IMS Paulista

A professora de piano

La Pianiste Michael Haneke | Áustria, França | 2001, 131’, DCP (Filmicca), restauração 4K não recomendado para menores de 18 anos

Erika, professora de piano no Conservatório de Viena, vive com sua mãe autoritária em um mundo isolado, onde só existe amor, ódio e dependência. Sua vida sexual consiste em voyeurismo e automutilação masoquista. Mas, quando um de seus alunos decide seduzi-la, as barreiras ao seu redor desmoronam. Baseado em um romance da escritora austríaca Elfriede Jelinek, o filme recebeu três dos principais prêmios do Festival de Cannes em 2001: o Grande Prêmio do Júri, Melhor Atriz e Melhor Ator. Ingressos IMS Paulista terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). 17

IMS Paulista

Acampamento Miasma: adolescência, sexo e morte

Teenage Sex and Death at Camp Miasma Jane Schoenbrun | EUA, Canadá | 2026, 112’, DCP (Retrato Filmes) não recomendado para menores de 18 anos

Após anos de sequências desleixadas, a franquia de filmes de terror slasher Camp Miasma é entregue a uma jovem e entusiasmada cineasta. Ao visitar a estrela do filme original, hoje uma atriz reclusa e envolta em mistério, as duas mergulham em um mundo ensanguentado de desejo, medo e delírio. Exibido na abertura da seção Un Certain Regard do Festival de Cannes deste ano, o filme recebeu a Palma Queer. Ingressos IMS Paulista terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

IMS Poços

IMS Paulista

Akira

Katsuhiro Ōtomo | Japão | 1988, 124’, DCP (Sato Company), remasterização 4K Um dos mais clássicos filmes japoneses de animação de todos os tempos. Baseado no mangá homônimo de Katsuhiro Ōtomo, que também assina a direção. O filme parte de 1988, quando uma explosão nuclear destruiu Tóquio, reconstruída em 2019 como Neo Tokyo. Kaneda e Tetsuo são amigos e integram uma gangue de motoqueiros que disputa as ruas com a gangue rival dos Palhaços. Após um acidente, Tetsuo desenvolve estranhos poderes e é levado pelo exército. Ingressos IMS Paulista terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). IMS Poços R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).


IMS Paulista

Amelia Toledo – Lembrar de não esquecer

Hélio Goldsztejn | Brasil | 2025, 82', DCP (Bretz Filmes) Documentário sobre a vida e a obra de uma das artistas mais inquietas e inovadoras da arte brasileira, que vai do desenho de joias à escultura, experimentando com materiais tão diversos quanto acrílico, chapas de metal, pedras e conchas. Como professora, Amelia Toledo deixou sua marca em instituições como o Mackenzie e a Faap, além de ter integrado a equipe da recém-criada Universidade de Brasília, sob a reitoria de Darcy Ribeiro. Ingressos IMS Paulista R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

18

IMS Paulista

Anistia 79

Anita Leandro | Brasil | 2026, 105’, DCP (Embaúba Filmes) Em 1979, centenas de exilados e militantes pela anistia no Brasil chegam a Roma. É preciso uma intervenção efetiva no processo de abertura política, pois a ditadura militar não quer libertar os presos políticos e articula uma anistia que inclua também os torturadores. Um jovem exilado filma o evento e guarda os negativos num porão, em Paris, por quase 50 anos. Na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, Anistia 79 recebeu os prêmios de Melhor Filme dos júris oficial e popular. Ingressos IMS Paulista terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

IMS Poços

IMS Paulista

Gonzaguinha, da maior liberdade Susanna Lira | Brasil | 2026, 78’, DCP (Synapse)

Um filme que busca resgatar em letras, imagens e sons a fúria e a poesia de um dos artistas mais importantes para a construção e a discussão popular de nossa história democrática: Luiz Gonzaga Jr. Montado a partir de material de arquivo, o filme reúne e reconstitui entrevistas e apresentações do artista. Ingressos IMS Paulista terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). IMS Poços R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).


IMS Poços

IMS Paulista

IMS Poços

IMS Paulista

IMS Poços

IMS Paulista

Morte e vida Madalena

Não existe almoço grátis

Nosso segredo

Madalena é uma produtora de cinema lidando com a morte recente do pai, sua gravidez de oito meses e a produção de uma ficção científica B em que tudo parece dar errado. Em seu mais recente filme, uma comédia metalinguística, Guto Parente se insere na vasta e rica tradição do humor cearense, apostando nas vias “da autoironia, do absurdo e dos diálogos”, como destaca o cineasta. O longa estreou no 36º FIDMarseille, onde recebeu um prêmio de apoio à distribuição.

Em Sol Nascente, uma das maiores favelas do Brasil, Socorro, Jurailde e Bizza lideram uma das Cozinhas Solidárias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), distribuindo almoços de graça diariamente. Para a posse do presidente Lula em 2023, estão encarregadas de cozinhar para centenas de pessoas que chegarão a Brasília para assistir à cerimônia. No 56º Festival de Brasília, Não existe almoço grátis foi eleito Melhor Filme pelo júri popular e recebeu a Menção Honrosa do júri oficial.

Uma família tenta reconstruir sua rotina após uma perda recente. Enquanto cada um foge do luto à sua maneira, o filho caçula guarda um segredo capaz de fazê-los enfrentar a dor. Nosso segredo é o primeiro longa-metragem da cineasta, atriz e dramaturga Grace Passô, diretora também do curta República (2020) e do média Vaga carne (2019, codirigido com Ricardo Alves Jr.). O filme teve sua estreia mundial na edição deste ano da Berlinale, na seção Perspectives.

Ingressos IMS Paulista terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Ingressos IMS Paulista terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

IMS Poços R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

IMS Poços R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Guto Parente | Brasil | 2025, 85’, DCP (Embaúba Filmes)

19

Pedro Charbel e Marcos Nepomuceno | Brasil | 2023, 74’, DCP (Descoloniza)

Grace Passô | Brasil | 2026, 108’, DCP (Vitrine Filmes)

Ingressos IMS Paulista e IMS Poços R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia).


IMS Poços

IMS Paulista

Papaya

Priscilla Kellen | Brasil | 2025, 75’, DCP (Vitrine Filmes) Papaya é uma semente de mamão diferente das outras… Ela não quer se enraizar e ser árvore como sua mãe. Seu sonho é poder voar livremente para conhecer o mundo todo. Numa de suas tentativas de voo, ela se perde e acaba descobrindo um mundo duro e complexo. Para realizar seu sonho, ela terá que enfrentar desafios e mistérios da natureza e da tecnologia. Ingressos IMS Paulista e IMS Poços R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia).

IMS Poços

Refém por um fio

Dead Man’s Wire Gus Van Sant | EUA | 2025, 104’, DCP (Pandora Filmes) Em 1977, um homem desesperado invade uma companhia hipotecária e faz um executivo refém usando um dispositivo que torna qualquer tentativa de resgate um enorme risco. Inspirado em um caso real que paralisou os Estados Unidos, o mais novo filme de Gus Van Sant, diretor de filmes como Milk: a voz da igualdade, Elephant e Garotos de programa, acompanha horas de tensão, negociações e a crescente atenção da imprensa sobre um dos sequestros mais incomuns da história. Ingressos IMS Poços R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

20

IMS Paulista

Um olhar inquieto: O cinema de Jorge Bodanzky

Jorge Bodanzky e Liliane Maia | Brasil | 2025, 85’, DCP (Lança Filmes) Em 1973, Jorge Bodanzky, filmando para a TV alemã, capturou uma imagem intrigante: uma grande maloca em meio à densa floresta amazônica, cercada por indígenas isolados tentando atingir o avião com flechas. Meio século depois, o registro recuperado pelo Instituto Moreira Salles leva o cineasta de volta a Aripuanã. O filme conecta o passado e o presente, explorando sua trajetória e os mistérios da Amazônia a partir dos seus inúmeros rolos de super-8. Ingressos IMS Paulista terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).


Memórias negras: arquivos para o futuro

IMS Paulista

Virtuosas

Cíntia Domit Bittar | Brasil | 2025, 88’, DCP (Olhar Filmes e Filmes do Estação) Um retiro VIP para mulheres em busca de sua melhor versão se transforma em uma jornada absurda e perigosa. Com a atriz Bruna Linzmeyer no papel de uma influenciadora e coach de nome Virginia, Virtuosas é a estreia de Bittar na direção de longas-metragens. Na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme recebeu o Prêmio Netflix. Ingressos IMS Paulista terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

21

Memórias negras: arquivos para o futuro amplia a discussão sobre as formas de preservar e produzir memórias da população negra. A mostra reúne oito curtas-metragens, que partem de diferentes contextos para abordar as relações entre memória e experiências negras no Brasil e na diáspora. A seleção inclui documentários, ficções e trabalhos experimentais, trazendo a diversidade de caminhos encontrados pelos realizadores para trabalhar com essas questões. A escolha dos filmes partiu do interesse por obras que não tratam a memória apenas como algo a ser preservado, mas como uma matéria que pode ser revisitada e transformada pelo cinema. Arquivos, relatos, experiências pessoais, pesquisas, entre outras estratégias, aparecem em diferentes relações, criando outras possibilidades de leitura para histórias que foram muitas vezes apagadas ou pouco representadas. A mostra chega ao IMS Paulista e ao IMS Poços, ampliando a circulação dos filmes e retomando uma parte importante do II Seminário Memórias negras, realizado pelo IMS em outubro de 2025, no Rio de Janeiro. A programação também exibe trechos das entrevistas com representantes dos filmes, gravadas durante o seminário. Ingressos IMS Paulista e IMS Poços Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.

Programa 1

IMS Poços

IMS Paulista

Boi romeiro

Milena Rocha | Brasil | 2025, 20’, DCP (Acervo da diretora) Guiado por um sonho, Mestre Junim parte em uma jornada ao interior do Piauí para cumprir a promessa de seu pai. Entre lembranças e toadas do boi Mimo de Santa Cruz, o documentário aborda a força de um legado que pulsa em cada nota.


IMS Poços

IMS Paulista

IMS Poços

IMS Paulista

IMS Poços

IMS Paulista

Sonho em ruínas

O Pantanal é preto

Luis do Charme

Um sonho traz à tona a história ainda não contada de uma bisavó negra.

Os fantasmas insistem em perseguir, mas não estavam preparados para o esquecimento.

Luis do Charme promove um encontro entre pai e filha para abordar a paternidade através das memórias de um homem que dedica sua vida à dança.

Priscila Nascimento | Brasil | 2024, 4’, DCP (Acervo da diretora)

22

Raylson Chaves | Brasil | 2022, 5’, DCP (Acervo do diretor)

Tuanny Medeiros | Brasil | 2025, 22’, DCP (Acervo da diretora)


Programa 2

IMS Poços

IMS Paulista

My Ray of Sunshine

Laís Andrade | Brasil | 2024, 8’, Arquivo digital (Acervo da diretora) Mãe e filha, separadas pelo oceano, usam ondas sonoras para se comunicar. O filme mergulha na memória do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas através do conceito de tempo espiralar. A obra imagina as mensagens de voz que uma mãe escravizada poderia ter enviado à sua filha.

23

IMS Poços

IMS Paulista

Sombras de macumba na luz da memória

Mysteryo | Brasil | 2024, 15’, DCP (Acervo do diretor) Entre páginas antigas da hemeroteca, segredos enterrados emergem, revelando um antigo Rio de Janeiro imerso em mistérios, onde sombras ecoam cantos luminosos e rituais ancestrais se eternizam.

IMS Poços

IMS Paulista

Banzeiro e maresia

Pablo Monteiro | Brasil | 2023, 10’, Arquivo digital (Acervo do diretor) Cruzamentos de águas transatlânticas demarcam territorialidade Bantu no litoral ocidental maranhense. Encruzando o terreiro, Benedita Cadete e Caboclo Urubatã avançam em rastros de fumaça para equilibrar seus doentes.


Foco Grace Passô

IMS Poços

IMS Paulista

Casa de Luiza

Rodrigo Antonio | Brasil | 2023, 11’, DCP (Acervo do diretor) Ronaldo viaja para a cidade de Soure, na ilha do Marajó, e planeja a reforma da casa dos seus pais, há muito tempo desocupada.

IMS Poços

IMS Paulista

República

Grace Passô | Brasil | 2020, 16’, DCP (Acervo IMS) O Brasil é um sonho. República é um curta-metragem de Grace Passô realizado com estrutura caseira, durante o início da quarentena de 2020, em São Paulo. Nas palavras da diretora: “Eu queria encontrar uma expressão, tanto falando quanto atuando, do tamanho da impossibilidade de acreditar nesse lugar, nesse grande pesadelo, que a gente estava e está mergulhado. E, ao mesmo tempo, como esse pesadelo é antigo.” O curta fez parte do programa IMS Convida e será exibido em algumas das sessões do longa Nosso segredo, de Grace Passô.

24

Sessão especial

IMS Poços

Mosaicos

Jesuane Salvador | Brasil | 2025, 41’, Arquivo digital (Acervo da diretora) Em um olhar afetivo e intimista para a produção contemporânea de artes plásticas, o filme debate o deslocamento dos campos estético e produtivo para o existencial, pensando as dinâmicas que reestruturam o tecido social. A obra traz entrevistas com os artistas plásticos Cláudio Guedes, Roseli Fontaniello, Bia Brasileiro, Jô Lobo, Luiz Mota e Dalmoni Lydijusse. A exibição será seguida de uma roda de conversa entre a diretora Jesuane Salvador, Lucas Marks e os artistas retratados. Ingressos IMS Poços Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.


Sessão indeterminações Ruínas de sangue A persistência na espacialidade, não só como estrutura de algo, mas em figurações, significações e modos de ocupação, nos direcionou a obras em que as superfícies coloniais passam a ser esgarçadas, remexidas, preenchidas, deslocadas e remodeladas a partir do contato entre as diferentes imagens e experimentações sonoras. No programa, O olho na rua e o ouvido na cozinha (Joélia Santos, Luis “Lula” Lourenço, Mª Helena Rabadan, Flora Lamour, Fernanda Cursino, PV Zé e Lena, 1978), Morde & assopra (Stanley Albano, 2020), Dos Reis Magos dos Tupiniquins (Orlando Bomfim Netto, 1985) e Dona Beatriz Ñsîmba Vita (Catapreta, 2024) instauram um jogo contínuo de luz e sombra, em que trauma, cura, esquecimento, rememoração, erotismo e violência deformam o cotidiano e renegociam as interpretações sobre um país edificado sob contínuo sangue. Um elemento vermelho, quente, assombroso, que retorna, derrama-se e torna-se substância de reinvenção. Ingressos IMS Paulista Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.

25

IMS Paulista

O olho na rua e o ouvido na cozinha Joélia Santos, Luis “Lula” Lourenço, Mª Helena Rabadan, Flora Lamour, Fernanda Cursino, PV Zé e Lena | Brasil | 1978, 17’, DCP (Cinelimite/Felipe Karnakis), restauração 2K

Livremente inspirado no conto homônimo de Hermilo Borba Filho, o curta-metragem busca nas imagens e nos sons formas de contemplar o ritmo e a paisagem em uma casa localizada no Alto do Moura, em Caruaru, município do Agreste pernambucano. Os seres que habitam o lugar aparecem como expressão de encantamento e, por vezes, fantasmagoria.

IMS Paulista

Morde & assopra

Stanley Albano | Brasil | 2020, 11’, DCP (Acervo do diretor) Uma bicha preta quer fazer um filme. No casarão em que o avô trabalhou, passa o final de semana questionando se pode mesmo se chamar de artista. Venenosa e debochada, rememora o passado e lança uma maldição sobre o futuro.


IMS Paulista

Dos Reis Magos dos Tupiniquins Orlando Bomfim Netto | Brasil | 1985, 12’, DCP (Acervo Capixaba/Pique-Bandeira Filmes), restauração 2K

Canções da música popular brasileira e a vivacidade das práticas culturais na Vila de Nova Almeida rasuram a restauração do altar-mor da igreja dos Reis Magos… e a própria história do Brasil.

26

IMS Paulista

IMS Paulista

Casa Forte

Dona Beatriz Ñsîmba Vita

Um bairro, um desejo, uma confissão: o abraço inconciliável.

Dentro de sua casa, um corpo automutilado se oferece à multiplicação. A destruição figura, então, possibilidade. O filme é livremente inspirado na história de Kimpa Vita, profetisa e líder política do reino do Congo no século XVII.

Rodrigo Almeida | Brasil | 2013, 11’, DCP (Acervo Surto & Deslumbramento)

Catapreta | Brasil | 2024, 11’, DCP (Acervo do diretor)


O cinema de Larisa Shepitko O Cinema do IMS em São Paulo apresenta em agosto e setembro uma seleção especial da obra de Larisa Shepitko, cineasta de origem ucraniana-soviética. Esta mostra é parte do projeto Mulheres Pioneiras do Cinema. Shepitko estudou no VGIK, primeira e mais antiga escola de cinema do mundo, na Rússia, onde foi aluna de Alexander Dovzhenko. Desde seus primeiros filmes, deixou marcas incontornáveis no cinema soviético do pós-guerra, com abordagens críticas do conflito armado, dos estereótipos de gênero e de questões sociais, chegando a enfrentar problemas com a censura estatal. Asas, seu segundo longa-metragem, trata de uma ex-pilota de guerra lutando para se readaptar à vida civil. O filme, hoje considerado uma de suas obras mais importantes, gerou controvérsia na URSS por sua leitura pouco convencional do heroísmo bélico e acabou tendo a circulação restrita. Com A ascensão, Shepitko ganharia reconhecimento mundial. O filme recebeu o Urso de Ouro, principal prêmio do Festival de Berlim, em 1977. Os dois filmes serão exibidos em cópias restauradas nesta mostra, que também apresenta outras obras da diretora, além de dois filmes do cineasta Elem Klimov, seu marido. São eles Larisa, curta-metragem em homenagem a Shepitko, e A despedida. Este último era originalmente um projeto de Shepitko, que foi levado a cabo por Klimov após sua morte. Ingressos IMS Paulista R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). 27

IMS Paulista

IMS Paulista

Você e eu

A ascensão

Pyotr e Sasha, dois jovens e talentosos neurocirurgiões, iniciam a carreira profissional juntos, mas Pyotr decide se mudar para a Suécia em busca de uma oportunidade de trabalho. Anos depois, seu retorno a Moscou é repleto de desencontros e frustrações, e ele acaba aceitando um emprego em uma parte remota da Sibéria. Obra singular na filmografia de Shepitko, é seu primeiro longa-metragem em cores. Exibido na seleção oficial do 33º Festival de Veneza, em 1972, o filme aposta em uma estrutura elíptica e não linear para traçar a jornada de seus protagonistas.

Na Bielorrússia ocupada pelos nazistas, no inverno de 1942, dois partisans soviéticos – Sotnikov, jovem e debilitado, e Rybak, mais forte e experiente – saem em busca de suprimentos para sustentar o grupo. Capturados, interrogados e torturados por soldados alemães e colaboracionistas, os dois enfrentam dilemas morais e existenciais extremos, sendo levados a escolher entre a morte e a traição como única forma de sobrevivência. Adaptado do romance Sotnikov, do escritor Vasil Bykov e filmado em condições de inverno

Ty i ya Larisa Shepitko | URSS | 1971, 91’, DCP (Mosfilm/CPC-UMES Filmes)

Voskhozhdenie Larisa Shepitko | URSS | 1977, 109’, DCP (Mosfilm/CPC-UMES Filmes), restauração 2K


extremas, este foi o último filme que Shepitko pôde finalizar em vida. Reconhecido como uma de suas obras mais célebres, A ascensão ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim de 1977. Shepitko, que retornaria a Berlim no ano seguinte como integrante do júri, consagrou-se como a segunda cineasta mulher a ser reconhecida com o prêmio principal do festival, após a vitória da húngara Márta Mészáros em 1975. Em um ensaio de 2002, publicado na revista The New Yorker, a filósofa e ensaísta Susan Sontag reflete sobre representações da guerra e sua capacidade de sensibilização moral e política: “Existe um antídoto para a eterna sedução da guerra? E esta é uma pergunta que uma mulher teria mais probabilidade de fazer do que um homem? (Provavelmente, sim.) Seria possível ser mobilizado ativamente contra a guerra por uma imagem (ou por um conjunto de imagens), assim como alguém pode se tornar um opositor da pena de morte ao ler, por exemplo, Uma tragédia americana, de Dreiser, ou ‘A execução de Troppmann’, de Turguêniev, um relato de uma noite passada com um criminoso notório que está prestes a ser guilhotinado? Uma narrativa parece ter mais chances de ser eficaz do que uma imagem. Em parte, trata-se de uma questão de quanto tempo somos obrigados a olhar e a sentir. Nenhuma fotografia, nem mesmo um conjunto de fotografias, consegue se desenrolar, avançar e avançar ainda mais, como faz A ascensão (1977), da diretora ucraniana Larisa Shepitko – o filme mais comovente sobre o horror da guerra que conheço.” [O ensaio “Looking at War”, de Sontag, pode ser lido, em inglês, em tinyurl.com/ascensaoims] 28

IMS Paulista

A despedida

Proshchanie Larisa Shepitko e Elem Klimov | URSS | 1981, 121’, DCP (Mosfilm/CPC-UMES Filmes) Devido à construção de uma usina hidrelétrica, o vilarejo siberiano de Matiora terá que ser inundado pelo rio que o cerca. Todos os moradores do local devem ser transferidos para um novo assentamento urbano, um movimento que é traumático para a geração mais velha. Baseado no romance Adeus a Matiora, de Valentin Rasputin, clássico da prosa rural russa, este é um projeto inacabado de Larisa Shepitko. Em 1979, com 41 anos, ela faleceu em um acidente de carro, junto a membros da equipe, quando visitava locações para o filme. Elem Klimov, viúvo de Shepitko e um dos responsáveis pela preservação e difusão de sua obra, assumiu o projeto. “Temos que ter em mente que os pensamentos e as ideias originais sobre a realização de

A despedida pertenciam a Larisa e a seus amigos. Portanto, depois da morte deles, [...] esses pensamentos e essas ideias desapareceram com eles”, contou Klimov em entrevista a Ron Holloway para a revista Kinema, em 2008. “E foi por isso que tivemos que começar do zero. Precisávamos fazer um filme em um espaço de tempo muito curto e limitado. Tivemos que modificar o roteiro e escolher um novo estilo. Isso sem mencionar que eu estava realizando reuniões com o diretor de fotografia e o designer de produção enquanto lidava com o estresse provocado pela morte da minha esposa.” “De qualquer maneira, tudo o que mencionei afetou a qualidade do filme. E sou muito crítico em relação a ele. Assim como tenho certeza de que, se Larisa tivesse feito A despedida, o filme teria se mostrado muito mais interessante. [...] No fim, não fomos capazes de fazer mais do que fizemos. E acho que fizemos a coisa certa ao dedicar este filme, como uma lembrança, aos queridos amigos que perdemos, ao mesmo tempo que nos voltávamos para os problemas discutidos e descritos por Valentin Rasputin em seu romance.” A despedida teve sua circulação sabotada pelas autoridades cinematográficas soviéticas, que recusaram um convite para inscrevê-lo no Festival de Cannes, e negaram a licença de exportação para que ele fosse exibido no Festival de Berlim, em 1984. Somente três anos depois, já no processo de abertura política de Gorbachev, e com Klimov como presidente do Sindicato dos Cineastas Soviéticos, o longa foi exibido em Berlim. [Íntegra da entrevista de Klimov, em inglês: tinyurl.com/elemdespedida]


Abbas Kiarostami em retrospectiva O Cinema do IMS apresenta uma retrospectiva da obra de Abbas Kiarostami (1940-2016), um dos grandes nomes do cinema mundial. Dos primeiros curtas realizados no Kanoon (Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Adolescentes), até os longas que o consagraram internacionalmente, a mostra percorre cinco décadas de atividade e de um inquieto pensamento cinematográfico. De julho a dezembro de 2026, serão exibidos seus curtas, médias e longas-metragens, em cópias restauradas em 2K. Uma rara oportunidade para conhecer ou rever, em sua quase totalidade, a poética e prática de um artista que expandiu as possibilidades da imagem em movimento desde o Irã e para o mundo. A programação inclui filmes como O pão e o beco (1970), primeiro curta do diretor, até seu último longa-metragem, 24 frames, lançado postumamente em 2017, passando por obras como a célebre trilogia Koker, que reúne Onde fica a casa do meu amigo, E a vida continua e Através das oliveiras; Close-Up, um dos responsáveis por lançar os holofotes do mundo para sua obra; e Gosto de cereja, vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1997. Ingressos IMS Paulista Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.

29

IMS Paulista

Onde fica a casa do meu amigo?

Khane-ye doust kojast? Abbas Kiarostami | Irã | 1987, 83’, DCP (mk2 Films), restauração 2K Ahmad, um menino de oito anos, levou para casa por engano o caderno de um amigo. Agora, precisa devolvê-lo para evitar que o amigo seja punido por não fazer o dever de casa. Vencedor do Leopardo de Bronze no Festival de Locarno de 1989, este foi o primeiro trabalho de Kiarostami premiado no Ocidente. O diretor conta que este foi o filme que lhe trouxe mais sorte, e também o que obteve mais sucesso inesperado. Foi fruto de uma revolução interior na vida de Kiarostami, enquanto, no mundo exterior, o Irã também passava por uma revolução. Onde fica a casa do meu amigo? é considerado o primeiro filme da Trilogia de Koker, como é chamada por críticos e pesquisadores, que reúne também E a vida continua e Através das olivei-

ras. Uma série de filmes ambientados na cidade de Koker, no norte do Irã, que referenciam um ao outro de diferentes maneiras. Com um elenco todo composto por moradores da região dos arredores, Kiarostami conta, em entrevista ao crítico Godfrey Cheshire, como chegou até seu protagonista: “Encontrei a criança principal no meio de uma multidão, em um lugar chamado Imamzadeh Hashem. Havia cerca de 200 homens que estavam se esforçando para erguer uma grande cúpula a partir de um caminhão, para colocá-la sobre um santuário. Era tão grande quanto uma casa. Esse garoto estava entre as outras crianças. Eu vi seus olhos: ele estava preocupado com o destino daquela cúpula – que, quando a colocassem no lugar, ela poderia cair, quebrar ou ser danificada. Enquanto as outras crianças brincavam, ele estava olhando a cena de longe, com um olhar de preocupação. Estava tudo nos olhos dele. Essa foi a primeira coisa que me chamou a atenção. Ele foi muito útil para mim, porque, durante as filmagens, eu precisava daqueles olhos preocupados e atormentados – o tema do filme é preocupação e ansiedade. Não sei quem foi que disse isso, mas, para encontrar um bom ator, basta olhá-lo nos olhos. Você consegue ver a alma da pessoa apenas olhando para os olhos. Não só ele tinha esses olhos, como também era um menino verdadeiramente responsável. E muito sensível.” [Citação extraída e livremente traduzida do livro Conversations with Kiarostami (2019), do crítico e especialista em cinema iraniano Godfrey Cheshire, precioso volume que reúne uma série de entrevistas conduzidas com o cineasta ao longo dos anos 1990]


IMS Paulista

E a vida continua

Zendegi va digar hich Abbas Kiarostami | Irã | 1992, 95’, DCP (mk2 Films), restauração 2K “Em 1990, um terremoto devastou uma região inteira do Irã setentrional, a mesma em que, alguns anos antes, eu rodara Onde fica a casa do meu amigo?”, conta Kiarostami no texto “Duas ou três coisas que sei de mim”. “Naqueles dias, o rádio anunciava que 95% da população morrera sob os escombros. Eu estava preocupado com o destino dos dois pequenos protagonistas do filme, pois habitavam aquela região, e não havia notícia deles. Três dias depois, decidi ir ao local do desastre na companhia de meu filho. Fiz uma viagem de um dia, partindo de manhã e regressando à noite, e não consegui encontrá-los.”

30

“Quando se recebe a notícia com o filtro da mídia, pensa-se imediatamente na catástrofe e na morte. Eu mesmo, logo que cheguei às zonas abaladas, tive a sensação de que a aldeia havia se tornado apenas um monte de escombros. Depois comecei a perceber alguns detalhes: algumas pessoas lavavam os tapetes e as cobertas, estendendo-os para secar nas árvores; uma senhora tentava, sozinha, retirar um tapete debaixo de quatro metros de escombros; mulheres limpavam o corpo de um menino morto no terremoto e, bem ao lado, na mesma água, outras mulheres lavavam as roupas. Vi muitas cenas desse gênero, que testemunhavam o desejo dos habitantes de sobreviver. O drama adquiria um outro valor e uma nova dimensão. De um lado, a tragédia; de outro, a sensação do sol escaldante, a extraordinária presença das montanhas contrapondo-se às ruínas. Podia sentir um extraordinário sentido de vida.” Passado um tempo, já munido da informação de que os dois meninos sobreviveram, Kiarostami decidiu filmar essa história: um cineasta e seu filho retornam ao local do desastre para tentar encontrar, entre os sobreviventes, dois garotos que participaram de Onde fica a casa do meu amigo?. “Comecei as filmagens cinco meses depois do desastre, e a história começa cinco dias depois do terremoto, de modo a garantir o distanciamento necessário e evitar o aspecto da reportagem sensacionalista”, ele relata.¹ Em entrevista ao crítico e pesquisador Godfrey Cheshire, o cineasta conta que, para além de reencenar uma situação traumática, um dos desafios que encontrou com o elenco de pessoas da região foi que eles se recusavam a vestir as roupas sujas durante as filmagens do terremoto.

“Para a filmagem, eles vestiram suas melhores roupas, como as que usariam num casamento. Duas coisas se misturaram: vida e morte. A vida estava diante da câmera e era muito mais forte, enquanto a morte era uma realidade de que eles seriam relembrados. Naquele dia eu percebi que não podia forçá-los a vestir roupas sujas. Aqui, as palavras do velho carpinteiro de Onde fica a casa do meu amigo? me ajudaram. Ele dizia não entender que tipo de arte mostra as pessoas mais feias e mais velhas do que de fato são. Em E a vida continua ele repete esse texto. Então eu tomei esse sentimento e pedi que vestissem suas melhores roupas. Eles trouxeram suas melhores coisas: coisas que haviam tirado dos escombros e restaurado. E pensei: por que não? Não estamos retratando a realidade, estamos fazendo um filme. Se eu quisesse voltar no tempo, voltaria para antes do terremoto e diria a eles para irem embora. Não posso controlar a realidade; estou reconstruindo-a. Isso me lembrou que Godard dizia que a vida é um filme malfeito, mas quando você quiser fazer um filme sobre ela, faça um filme melhor.”² 1.

2.

Declarações extraídas do texto “Duas ou três coisas que sei de mim”, de Abbas Kiarostami, com tradução de Álvaro Machado, compilado no volume Abbas Kiarostami (2004), da editora Cosac Naify.] Citação extraída e livremente traduzida do livro Conversations with Kiarostami (2019), do crítico e especialista em cinema iraniano Godfrey Cheshire, que reúne uma série de entrevistas conduzidas com o cineasta ao longo dos anos 1990.]


IMS Paulista

Através das oliveiras

Zir-e derakhtan-e zeytun Abbas Kiarostami | Irã, França | 1994, 103’, DCP (mk2 Films), restauração 2K Uma equipe de cinema se instala, entre os oliveiros, em um vilarejo no norte do Irã que acaba de ser devastado por um terremoto. Keshavarz, o diretor do filme, intitulado E a vida continua, está em busca de seus atores. O cinema faz as crianças de uma escola sonharem. Elas participarão da produção ou assistirão às filmagens. O diretor logo percebe que Hossein, um jovem que se divide entre servir chá para a equipe e interpretar um dos personagens, está apaixonado na vida real por Tahereh, que fará o papel da esposa. A família da moça é hostil ao casamento, mas o terremoto e o filme dão a Hossein uma nova esperança.

31

“Era o último dia das filmagens de E a vida continua e estávamos ao redor de uma fogueira. Eu observava os atores e pensava que o casamento do rapaz com a moça poderia ser um evento interessante para um outro filme. Essa ideia caiu em esquecimento durante muito tempo até que um dia, por acaso, vi uma fotografia publicada na revista Film Monthly que mostrava os ‘bastidores’ do filme. Nunca antes havia visto essa imagem. Era uma foto minha e de Tahereh enquanto conversávamos. Fiquei surpreso, porque normalmente não falo com os atores e as atrizes. Jamais havia falado com aquela moça. Perguntei-me que coisa estaria discutindo de modo tão sério com ela. Depois lembrei do tema do diálogo: a moça tivera um problema com Hossein e não queria continuar a representar, pois ele lhe havia feito uma proposta de casamento, e ela o rejeitara. Nesse momento nasceu o argumento de Através das oliveiras. Eu não tinha, a priori, nenhuma intenção de realizar um filme sobre o cinema. Não pretendia, sobretudo depois de ter rodado Close-Up. Minha única intenção era contar a história de Tahereh e de Hossein da forma mais adequada. Durante a elaboração do roteiro, essa dimensão se impôs e deixei-me levar. Era muito interessante fazer dialogar, numa mesma narrativa, a realidade e a imaginação – que é o aspecto mais importante do cinema.” “O próprio filme é simples… ou quase. Existem três diretores: o que está por trás da câmera sou eu; o segundo é o diretor de E a vida continua, interpretado por Keshavarz; e o terceiro é Kheradmandi, que interpreta o personagem do diretor em viagem. [...] O filme é uma reconstrução da realidade, e não a própria realidade, é a

reconstrução do set, e não o próprio set. Por isso, nas claquetes estava sempre escrito Através das oliveiras, e não E a vida continua. Pelo mesmo motivo, a voz radiofônica que escutamos no carro fala de maio de 1993, o período em que rodamos Através das oliveiras. Afinal, o interessante deste filme é que todas as referências temporais perdem a sua definição. Há um filme que fala de um filme anterior que, por sua vez, se refere a um filme mais anterior. Presente e passado misturam-se num mesmo tempo. Através das oliveiras e E a vida continua estavam de tal modo encadeados que, no momento das filmagens, nem eu conseguia distingui-los.” Dentre os muitos jogos operados pela metanarrativa de Kiarostami, um vale ser ressaltado: os dois meninos que atuam em Onde fica a casa do meu amigo? e nunca são encontrados em E a vida continua reaparecem neste filme, no papel de dois ajudantes de set que carregam um vaso de flores para a locação. Por fim, eles sobreviveram ao terremoto. [Declarações extraídas do texto “Duas ou três coisas que sei de mim”, de Abbas Kiarostami, com tradução de Álvaro Machado, compilado no volume Abbas Kiarostami (2004), da editora Cosac Naify.]


Instituto Moreira Salles

Os filmes de setembro

Cinema

A programação do mês tem o apoio das distribuidoras Bretz Filmes, CPC-UMES Filmes, Descoloniza, Embaúba Filmes, Filmes do Estação, Filmicca, Lança Filmes, mk2 Films, Mosfilm, Olhar Filmes, Pandora Filmes, Retrato Filmes, Sato Company, Synapse, Vitrine Filmes e do projeto Sessão Vitrine Petrobras. Agradecemos a A Margem, Aaron Cutler, Acervo Capixaba, Adam Giely, Alana Falcão, Bernardo Torres, Bia Brasileiro, Cláudio Guedes, Dalmoni Lydijusse, Felipe Karnakis, Gabriel Araújo, Heitor Augusto, Igor Oliveira, Jacques-Antoine Jagou, Jesuane Salvador, Jô Lobo, Jyan França, Laís Andrade, Léa Daudon, Lorenna Rocha, Luiz Mota, Lula Lourenço (in memoriam), Mariana Shellard, Milena Rocha, Mysteryo, Pablo Monteiro, Priscila Nascimento, Raylson Chaves, Rodrigo Antonio, Roseli Fontaniello, Surto & Deslumbramento, Tuanny Medeiros, Vitor Graize e William Plotnick.

Coordenador | Curador Kleber Mendonça Filho

Supervisora de curadoria e programação Marcia Vaz Programador Thiago Gallego

Produtora de programação Renata Alberton Analista de programação Lucas Gonçalves de Souza

Projeção IMS Paulista Ana Clara da Costa, Adriano Brito e Sérgio Wong

Produção de textos e edição Thiago Gallego e Marcia Vaz Diagramação Marcela Souza

Revisão Flávio Cintra do Amaral

Sessão indeterminações Realização: Cinema do IMS Curadoria: Lorenna Rocha e Gabriel Araújo Produtor associado: Jyan França Produção executiva: Miracéu Audiovisual Vinheta: Lucas Litrento apoio

32

Capacidade das salas IMS Paulista: 145 lugares IMS Poços: 85 lugares Meia-entrada Com apresentação de documentos comprobatórios para todos os grupos elegíveis à meia-entrada por lei e titulares do cartão Itaú (crédito ou débito).

Parceria

Projeção IMS Poços Fagner Andrades e Gilmar Tavares Revista do Cinema do IMS

Venda de ingressos Ingressos à venda pelo site ingresso.com e na bilheteria do centro cultural, a partir das 12h, para sessões do mesmo dia. No ingresso.com, a venda é mensal, e os ingressos são liberados no primeiro dia do mês. Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala.

Devolução de ingressos Em casos de cancelamento de sessões por problemas técnicos e por falta de energia elétrica, os ingressos serão devolvidos. A devolução de entradas adquiridas pelo ingresso.com será feita pelo site. Programa sujeito a alterações. Eventuais mudanças serão informadas no site ims.com.br e no Instagram @imoreirasalles. Não é permitido o acesso com mochilas ou bolsas grandes, guarda-chuvas, bebidas ou alimentos. Use nosso guarda-volumes gratuito. Confira as classificações indicativas no site do IMS.


Gonzaguinha, da maior liberdade, de Susanna Lira


IMS Paulista

Terça a domingos, inclusive feriados, das 10h às 20h

Fechado às segundas.

Avenida Paulista, 2424 São Paulo

imspaulista@ims.com.br IMS Poços

Terça a sexta, das 13h às 19h

Sábados e domingos, das 9h às 19h

Fechado às segundas Rua Teresópolis, 90 Poços de Caldas

ims.pc@ims.com.br

ims.com.br

/institutomoreirasalles @imoreirasalles Papaya, de Priscilla Kellen

/imoreirasalles

/institutomoreirasalles


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Cinema do IMS, setembro de 2026 by Instituto Moreira Salles - Issuu