cinema jul.2026
Persépolis (Persepolis), de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud
destaques de julho A partir de julho, o Cinema do IMS apresenta, em São Paulo, Abbas Kiarostami em retrospectiva: uma oportunidade para se aprofundar na obra de um dos grandes nomes do cinema mundial em cópias restauradas. Entre curtas, médias e longas, a mostra percorre quase cinco décadas de imagens, que, produzidas em sua maior parte desde o Irã, expandiram as fronteiras do cinema. Contemporânea de Kiarostami e falecida em junho, a cineasta e quadrinista Marjane Satrapi é homenageada com a exibição de Persépolis. Clássico da animação o filme é baseado em uma HQ autobiográfica da realizadora e traz a jovem Marjane crescendo e reivindicando para si um lugar no mundo em um contexto de profundas transformações políticas e sociais. Uma programação de férias para todas as famílias reúne personagens já conhecidos do público, como o Super Mario e a dupla Tom e Jerry, às histórias de Maya, que inventa mundos com seu pai cineasta, e Amélie, uma criança com uma forma única de ver o mundo. Por ocasião da estreia de 8 décadas de amor, do cineasta espanhol Julio Medem, o Cinema do IMS apresenta duas de suas obras mais consagradas: Os amantes do Círculo Polar e Lúcia e o sexo. 25 anos após seu lançamento, A professora de piano, de Michael Haneke, com Isabelle Huppert, retorna ao cinema em restauração 4K. Duas investigações de crises sanitárias e humanitárias sem precedentes: a estreia brasileira de Gaza: Médicos sob ataque, documentário que investiga o impacto das ações militares israelense sobre a cidade palestina, que só foi ao ar após intensa pressão popular; e Anatomia do caos, que acompanha a CPI da covid, que investigou os escândalos políticos na condução da pandemia no Brasil. Ainda este mês: uma cidade que parece argentina, mas fica em Pernambuco; uma revisão da carreira de Alaíde Costa, nome fundamental da música brasileira; o duro julgamento de uma mãe que precisa defender seus filhos; um inesperado encontro de casais; uma síndrome neurológica provocada pelo uso de IA; e as histórias de meninas que brincam de inventar os próprios futuros. [imagem da capa] O viajante (Mossafer), de Abbas Kiarostami 1
Lição de casa (Mashg-e shab), de Abbas Kiarostami
Gaza: Médicos sob ataque (Gaza: Doctors under Attack), de Karim Shah
Lucia e o sexo (Lucía y el Sexo), de Julio Medem
IMS Paulista
Em cartaz 8 décadas de amor (8) Julio Medem | DCP
A fabulosa máquina do tempo Eliza Capai | DCP A noite de Alaíde Liliane Mutti | DCP
A professora de piano (La Pianiste) Michael Haneke | DCP, restauração 4K Anatomia do caos Dandara Ferreira | DCP Apenas coisas boas Daniel Nolasco | DCP
Férias no cinema BuenosAires Tuca Siqueira | DCP
Criadas Carol Rodrigues | DCP Fanon Jean-Claude Barny | DCP Futuro futuro Davi Pretto | DCP
Nós acreditamos em vocês (On vous croit) Charlotte Devillers, Arnaud Dufeys | DCP
A pequena Amélie (Amélie et la métaphysique des tubes) Maïlys Vallade e Liane-Cho Han Jin Kuang | DCP, dublado em português Maya, me dê um título (Maya, donne-moi un titre) Michel Gondry | DCP, dublado em português
Super Mario Galaxy: o filme (The Super Mario Galaxy Movie) Aaron Horvath, Michael Jelenic | DCP, dublado em português
Aqui não entra luz Karol Maia | DCP
É possível assistir a alguns dos filmes em cartaz no Cinema do IMS Paulista com recursos de acessibilidade em Libras, legendas descritivas e audiodescrição. Para retirar o equipamento com recursos, consulte a bilheteria do IMS Paulista. Em caso de dúvidas, entrar em contato pelo telefone (11) 2842-9120 ou pelo e-mail imspaulista@ims.com.br.
2
IMS Paulista
Sessão especial
Abbas Kiarostami em retrospectiva
Gaza: Médicos sob ataque (Gaza: Doctors under Attack) Karim Shah | DCP
A experiência (Tadjrebeh) Abbas Kiarostami | DCP, restauração 2K
Lição de casa (Mashg-e shab) Abbas Kiarostami | DCP, restauração 2K
Como aproveitar o tempo livre: Pintando (Az Oghat-e Faraghat-e Khod Chegouneh Estefadeh Konim: Rang-zanie) Kurosh Afsharpanah, Abbas Kiarostami | DCP, restauração 2K
O viajante (Mossafer) Abbas Kiarostami | DCP, restauração 2K
Persépolis (Persepolis) Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud | DCP
Foco Julio Medem Lucia e o sexo (Lucía y el Sexo) Julio Medem | DCP
Os amantes do Círculo Polar (Los amantes del Círculo Polar) Julio Medem | DCP
3
As cores (Rangha) Abbas Kiarostami | DCP, restauração 2K
O pão e o beco (Nan va Koutcheh) Abbas Kiarostami | DCP, restauração 2K
IMS Paulista
terça
quarta
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1*
2
16:00 18:30 20:00
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14:00 16:00 18:30 20:30
14*
14:00 16:30 18:00 20:00
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14:00 16:00 17:50 19:30
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14:00 15:30 18:00 20:00
4
Férias no cinema Super Mario Galaxy: o filme (98') 8 décadas de amor (126') Apenas coisas boas (104') Nós acreditamos em vocês (78')
Férias no cinema Super Mario Galaxy: o filme (98') BuenosAires (70') Anatomia do caos (89') Nós acreditamos em vocês (78')
Férias no cinema A pequena Amélie (78') Anatomia do caos (89') Nós acreditamos em vocês (78') ABBAS KIAROSTAMI em retrospectiva Como aproveitar o tempo livre: Pintando + O viajante (92')
BuenosAires (70') A professora de piano (131') Futuro futuro (86') Sessão especial Gaza: Médicos sob ataque (65')
8
11:00 14:00 15:30 17:10 19:50
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11:00 14:30 17:00 18:30 20:10
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11:00 14:00 16:30 18:10 20:00
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14:00 15:30 17:30 20:00
8 décadas de amor (126') BuenosAires (70') Apenas coisas boas (104')
Férias no cinema A pequena Amélie (78') BuenosAires (70') Nós acreditamos em vocês (78') 8 décadas de amor (126') Foco JULIO MEDEM Lucia e o sexo (128') Férias no cinema Maya, me dê um título (62') Fanon (133') BuenosAires (70') Nós acreditamos em vocês (78') Anatomia do caos (89')
Férias no cinema Super Mario Galaxy: o filme (98') Fanon (133') Nós acreditamos em vocês (78') Anatomia do caos (89') A noite de Alaíde (100')
BuenosAires (70') A noite de Alaíde (100') A professora de piano (131') Futuro futuro (86')
14:00 16:30 18:40 20:30
9*
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14:00 16:10 18:00 19:30
8 décadas de amor (126') Apenas coisas boas (104') Anatomia do caos (89') Nós acreditamos em vocês (78')
Férias no cinema Maya, me dê um título (62') Nós acreditamos em vocês (78') Anatomia do caos (89') Apenas coisas boas (104')
Férias no cinema A pequena Amélie (78') Nós acreditamos em vocês (78') Anatomia do caos (89') A noite de Alaíde (100')
Férias no cinema Maya, me dê um título (62') BuenosAires (70') A professora de piano (131') Futuro futuro (86')
Criadas (105') Futuro futuro (86') A fabulosa máquina do tempo (70') ABBAS KIAROSTAMI em retrospectiva O pão e o beco + Lição de casa (90')
Em razão da Copa do Mundo de Futebol Masculino, nos dias de possível jogo da Seleção Brasileira as sessões estão sujeitas a cancelamento. Consulte em: ims.com.br
IMS Paulista
sexta 3
14:00 15:30 17:10 19:50 22:00
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14:30 16:00 17:40 19:30 21:30
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15:30 17:40 19:30 21:10
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14:00 15:30 17:30 20:00 21:30
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BuenosAires (70') Nós acreditamos em vocês (78') 8 décadas de amor (126') Foco JULIO MEDEM Os amantes do Círculo Polar (108') Apenas coisas boas (104') BuenosAires (70') Nós acreditamos em vocês (78') Anatomia do caos (89') Sessão especial Persépolis (95') Criadas (105')
Criadas (105') Anatomia do caos (89') ABBAS KIAROSTAMI em retrospectiva As cores + A experiência (72') Fanon (133')
Anatomia do caos (89') Aqui não entra luz (79') A noite de Alaíde (100') Futuro futuro (86') A professora de piano (131')
sábado
domingo
4*
5*
14:00 16:00 17:40 19:20 21:30
11*
11:00 14:00 16:30 18:00 20:00 21:40
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11:00 14:00 16:00 18:00 19:40 21:30
BuenosAires (70') A noite de Alaíde (100') A professora de piano (131') A fabulosa máquina do tempo (70') Futuro futuro (86')
1/ago 14:30 16:30 18:00
19:50 21:40
Aqui não entra luz (79') BuenosAires (70') Nós acreditamos em vocês (78') Apenas coisas boas (104') Fanon (133')
Férias no cinema Maya, me dê um título (62') Criadas (105') BuenosAires (70') Anatomia do caos (89') Nós acreditamos em vocês (78') Fanon (133') Férias no cinema Super Mario Galaxy: o filme (98') Sessão especial Gaza: Médicos sob ataque (65') Anatomia do caos (89') A noite de Alaíde (100') Nós acreditamos em vocês (78') Apenas coisas boas (104') Férias no cinema A pequena Amélie (78') A noite de Alaíde (100') Sessão especial Persépolis (95') ABBAS KIAROSTAMI em retrospectiva As cores + A experiência (72') Futuro futuro (86') A professora de piano (131') A noite de Alaíde (100') A fabulosa máquina do tempo (70') ABBAS KIAROSTAMI em retrospectiva Como aproveitar o tempo livre: Pintando + O viajante (92') Futuro futuro (86') A professora de piano (131')
14:00 16:30 18:20 20:00
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14:40 16:20 18:30 20:00
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18:00 20:00
2/ago 14:00 16:20 17:50 19:40
8 décadas de amor (126') Anatomia do caos (89') Nós acreditamos em vocês (78') Apenas coisas boas (104')
Foco JULIO MEDEM Os amantes do Círculo Polar (108') Foco JULIO MEDEM Lucia e o sexo (128') 8 décadas de amor (126')
Aqui não entra luz (79') Criadas (105') BuenosAires (70') Nós acreditamos em vocês (78')
ABBAS KIAROSTAMI em retrospectiva O pão e o beco + Lição de casa (90') Futuro futuro (86')
Criadas (105') A fabulosa máquina do tempo (70') Futuro futuro (86') A professora de piano (131')
* Nestas datas a venda de ingressos será liberada em nossa bilheteria física e no site ingresso.com apenas no dia da própria sessão.
IMS Poços
Em cartaz
8 décadas de amor (8) Julio Medem | DCP
A fabulosa máquina do tempo Eliza Capai | DCP Anatomia do caos Dandara Ferreira | DCP Apenas coisas boas Daniel Nolasco | DCP BuenosAires Tuca Siqueira | DCP
Fanon Jean-Claude Barny | DCP Futuro futuro Davi Pretto | DCP
6
Férias no cinema
O convite (The Invite) Olivia Wilde | DCP
Quem tem com que me pague, não me deve nada Ary Rosa e Glenda Nicácio | DCP Quinze dias Daniel Lieff | DCP
A pequena Amélie (Amélie et la métaphysique des tubes) Maïlys Vallade e Liane-Cho Han Jin Kuang | DCP, cópia dublada em português Maya, me dê um título (Maya, donne-moi un titre) Michel Gondry | DCP, cópia dublada em português Super Mario Galaxy: o filme (The Super Mario Galaxy Movie) Aaron Horvath e Michael Jelenic | DCP, cópia dublada em português
Tom & Jerry: uma aventura no museu (Mâo Hé Lâoshâ: Xîng Pán Qí Yuán) Gang Zhang | DCP, cópia dublada em português
IMS Poços
Sessão especial
Gaza: Médicos sob ataque (Gaza: Doctors under Attack) Karim Shah | DCP Persépolis (Persepolis) Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud | DCP
Foco Julio Medem
Lucia e o sexo (Lucía y el Sexo) Julio Medem | DCP
Os amantes do Círculo Polar (Los amantes del Círculo Polar) Julio Medem | DCP
7
O convite (The Invite), de Olivia Wilde
IMS Poços
terça
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quinta
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Neste dia não haverá sessões de cinema
7
Neste dia não haverá sessões de cinema
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15:00
Férias no cinema A pequena Amélie (78')
Férias no cinema Tom & Jerry: uma aventura no museu (99')
Férias no cinema Super Mario Galaxy: o filme (98')
Neste dia não haverá sessões de cinema
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Férias no cinema Maya, me dê um título (62')
Férias no cinema A pequena Amélie (78')
Férias no cinema Tom & Jerry: uma aventura no museu (99')
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15:00 19:00
BuenosAires (70')
Quinze dias (87')
Férias no cinema Super Mario Galaxy: o filme (98') BuenosAires (70')
Férias no cinema Maya, me dê um título (62') Futuro futuro (86')
Férias no cinema A pequena Amélie (78') A fabulosa máquina do tempo (70')
Em razão da Copa do Mundo de Futebol Masculino, nos dias de possível jogo da Seleção Brasileira as sessões estão sujeitas a cancelamento. Consulte em: ims.com.br 8
IMS Poços
sexta 3
19:00
10
19:00
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15:00 19:00
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15:00 19:00
Fanon (133')
Anatomia do caos (89')
Férias no cinema Tom & Jerry: uma aventura no museu (99') O convite (107')
Férias no cinema Super Mario Galaxy: o filme (98') Anatomia do caos (89')
Férias no cinema Maya, me dê um título (62') O convite (107')
sábado
domingo
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16:00 18:00
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16:30 18:00
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16:00 18:10
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16:00 18:00
1/ago 16:00 18:00
BuenosAires (70') Apenas coisas boas (104')
16:00 18:00
12
BuenosAires (70') Quinze dias (87')
16:00 17:30
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O convite (107') Anatomia do caos (89')
16:00 18:10
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Futuro futuro (86') O convite (107')
16:00 18:30
A fabulosa máquina do tempo (70') Foco JULIO MEDEM Lucia e o sexo (128')
2/ago 16:00 18:00
Quem tem com que me pague, não me deve nada (100') Quinze dias (87')
Sessão especial Gaza: Médicos sob ataque (65') Sessão especial Persépolis (95')
O convite (107') 8 décadas de amor (126')
Foco JULIO MEDEM Os amantes do Círculo Polar (108') 8 décadas de amor (126')
Futuro futuro (86') 8 décadas de amor (126')
* Nestas datas a venda de ingressos será liberada em nossa bilheteria física e no site ingresso.com apenas no dia da própria sessão. 9
IMS Paulista
Abbas Kiarostami em retrospectiva Kleber Mendonça Filho
Kleber Mendonça Filho é cineasta e curador do Cinema do IMS 10
No Festival de Cannes do ano passado, eu ouvi de um amigo iraniano que há duas maneiras de olhar para um filme feito no Irã hoje. Essa observação foi feita há pouco mais de um ano, antes da guerra que ainda está em curso e antes do período intenso de repressão que resultou na morte de milhares de iranianos no final do ano passado. Segundo o amigo, as duas maneiras de ver um filme iraniano hoje estão codificadas num detalhe de vestimenta: “Há o tipo de filme iraniano em que as mulheres cobrem a cabeça com o hijab e há o tipo de filme iraniano em que elas não usam o hijab”. Segundo ele, isso definiria a visão de mundo de um filme no seu país, o ponto de vista político já na cena. Ao ouvir a observação sobre filmes iranianos, lembrei do enigma constante que é observar um país por meio do seu Cinema. Os dez anos que se passaram desde a morte de Abbas Kiarostami em 2016 são reveladores, em muitas camadas, sobre o Irã, sobre o Cinema e sobre o mundo. Essa oportunidade de poder revisar e descobrir a extraordinária herança deixada por Kiarostami é um acontecimento. São cópias restauradas, projetadas no Cinema do IMS, que poderão apresentar a toda uma nova geração a visão poética, crítica e
singular de um país cuja imagem geopolítica é diariamente apresentada na grande mídia pelos Estados Unidos e por Israel como a de um inimigo a ser vencido com violência, a de uma nação terrorista. Para conhecer melhor um país, veja o Cinema feito lá. Creio que, para os mais velhos, que já tiveram algum contato com os filmes de Kiarostami, essa retrospectiva apresenta também um momento de enorme clareza para podermos olhar o cinema moderno como a união do fim do século passado com o início do novo século. Nascido em 1940, Abbas Kiarostami, tenho essa impressão muito clara, ocupa um espaço justo ao lado de Jean-Luc Godard numa contribuição ao Cinema como escrita de imagem. Há conexão constante e natural com momentos históricos, reflexos de suas realidades por meio do cinema como ferramenta de trabalho e ideias. Vejo também neles o cinema como ponte de documentação entre o século 20 e o 21, e nisso Godard me faz pensar em Kiarostami, e Kiarostami em Godard. A título de comparação (e digressão), sempre me chamou a atenção como a morte de Stanley Kubrick em 1999 – aos 70 anos – encerrou uma obra escrita pela câmera que pertence essencialmente ao século 20, e
afirmo isso sem juízo de valor e com grande interesse. A câmera de Kubrick é a câmera do século 20, e seu último filme, De olhos bem fechados (Eyes Wide Shut, 1999) demonstra isso até mesmo na sugestão de que sua lente estaria fechando. No mesmo ano de 1999, Kiarostami lançava O vento nos levará. Acompanhar o Cinema de Kiarostami a partir de seus primeiros curtas-metragens em 1970 e vê-lo registrar a sua sociedade no antes e no depois da Revolução Islâmica de 1979, vê-lo filmar campo e cidade com um sentido inescapável de lugar e de espaço são elementos de grande riqueza ao vermos esses filmes em conjunto. Observe o uso do hijab nas mulheres em filmes feitos antes da Revolução, como A experiência (1973). Algumas mulheres usam, outras não. Na realidade contemporânea de maior enfrentamento com o regime, uma década após a morte de Kiarostami, o filme de Jafar Panahi Foi apenas um acidente (2025) oferece uma imagem de uso livre, ou opcional, do hijab. É um filme que codifica um posicionamento político numa fase recente mais dura de opressão. Menciono isso para fins de contextualização, num momento em que o cinema iraniano continua oferecendo janelas ousadas para a observação do Irã como nação e cultura. 11
A experiência (Tadjrebeh), de Abbas Kiarostami
Seguir a trajetória de longas-metragens e saber que Kiarostami alcançou reconhecimento internacional (e uma Palma de Ouro) nos anos 1990, quando o Cinema completou 100 anos, me parece simbólico. Como Godard, Kiarostami assimilou novos meios técnicos com grande naturalidade, passou ao largo de um purismo cinematográfico, da dependência química do filme película laboratorial. Kiarostami ressignificou o Cinema sempre numa movimentação de seguir em frente, com um estilo marcante de escrita à mão, em ótico ou em digital.
Tenho curiosidade de entender mais o impacto que um órgão público chamado Kanoon (Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Adolescentes) teve na sociedade iraniana. Kiarostami começou a fazer filmes educativos nessa agência do governo (segundo informações colhidas, o Kanoon ainda existe), como seus curtas Dor de dente, As cores e o já citado A experiência. Numa entrevista recente que fiz com Jafar Panahi, ele apontou para o Kanoon – incubado em bibliotecas públicas espalhadas no Irã – como seu primeiro contato
com filmes experimentais e também seu primeiro contato, ainda adolescente nos anos 1970, com experiências de atuação e fotografia. Foi também um jovem Panahi que deixou mensagem na secretária eletrônica de Kiarostami pedindo uma oportunidade de trabalho no filme que viria a ser Através das oliveiras (1994). Trabalhou como assistente. Ao lembrar de Através das oliveiras, E a vida continua ou Cópia fiel, é evidente que esses filmes surgiram de uma construção que uma retrospectiva apresentada em sala de cinema oferece a rara oportunidade de ver se formar, sessão a sessão. O Cinema de Kiarostami pode ser descoberto com o prazer de uma cinefilia que é renovada a cada filme de curta ou longa-metragem, como também nos revela uma contribuição extraordinária à nossa relação com as imagens de Cinema e com a nossa capacidade de abrir janelas para o Irã, o país, sua cultura política opressora e de natureza fechada no regime. Observo que uma ideia tão forte de “Cinema Iraniano” ecoa no mundo a partir de uma fração pequena do sistema de distribuição de cinema, em grande parte a partir da França na Europa. Essa retrospectiva, por exemplo, não aconteceria sem a mk2 Films, a distribuidora fundada por Marin Karmitz, 12
que ano passado deu voz a Panahi e representou o seu filme Foi apenas um acidente no mundo. No Brasil, a noção herdada de cinema iraniano, que eclodiu com muita força nos anos 1990, foi impulsionada pelos filmes de Kiarostami, de Mohsen Makhmalbaf e sua filha, Samira Makhmalbaf, de Jafar Panahi e Bahman Ghobadi. Esses filmes chegaram ao Brasil graças ao trabalho de Leon Cakoff na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Ele conseguiu ainda distribuir comercialmente esses filmes nos cinemas brasileiros via distribuidora Filmes da Mostra, e, mais tarde, com a Mais Filmes, em parceria com Adhemar Oliveira. Essa onda de filmes fotografados na realidade do Irã contradiz, com delicadeza, o military-industrial complex, com a ironia evidente de que praticamente nenhum dos filmes envolve atos explícitos de violência ou de ação militar em seus enredos. O Cinema Iraniano e a percepção desse grupo de filmes pelos autores iranianos é uma das maiores negações do discurso político de guerra que eu já senti. Críticos ao próprio regime e sempre humanos na sua sabedoria, a herança valiosa deixada por Abbas Kiarostami é uma enorme fonte de sabedoria e cultura histórica.
PS: Um pensamento da artista franco-iraniana Marjane Satrapi, falecida precocemente em junho deste ano, aos 56 anos: “Se tenho uma mensagem para o povo americano é a de que o mundo não é dividido por países. Vocês são americanos, eu, iraniana, não nos conhecemos, mas conversamos e nos entendemos perfeitamente. A diferença entre você e seu governo é maior do que a diferença entre você e eu. E a diferença entre o meu governo e eu é maior do que a diferença entre mim e você. E nossos governos são quase a mesma coisa.”
IMS Paulista
Abbas Kiarostami em retrospectiva
Kiarostami nos levará Maria Chiaretti
Maria Chiaretti é pesquisadora e curadora, mestra em teoria e história do cinema pela Université Paris 8 Vincennes/Saint-Denis e doutora em meios e processos audiovisuais pela Universidade de São Paulo. Foi coorganizadora da retrospectiva e do catálogo Abbas Kiarostami: um filme, cem histórias (CCBB e Fumaça Filmes, 2016). 13
O engajamento de um cineasta em querer mudar a vida cotidiana só é possível pela cumplicidade com o espectador. Abbas Kiarostami
Se estivesse vivo, Abbas Kiarostami completaria 86 anos em 2026. Falecido há exatos dez anos, o cineasta provavelmente estaria devastado com o que está acontecendo na sua terra natal. Infelizmente, este ano marcou o retorno do Irã ao noticiário ocidental depois dos ataques coordenados de Israel e dos Estados Unidos, que bombardearam uma série de cidades do país. Nos primeiros ataques, o aiatolá Ali Khamenei (1939-2026) foi assassinado e, simultaneamente, um ataque norte-americano destruiu uma escola em Minab (cidade no sul do país), onde mais de 150 civis foram mortos, incluindo ao menos 120 crianças (meninas com menos de 12 anos de idade em sua maioria). Segundo o relato de um jornalista independente iraniano, Mansur Jahani, a casa de Kiarostami também foi atingida pelos bombardeios em Teerã. Mas por que começar um texto sobre um dos cineastas mais importantes do século 20 falando dessa bárbara invasão? Porque, a meu ver, o cinema de Kiarostami é um antídoto poderoso aos horrores da guerra e uma prova cabal da bela resiliência do povo iraniano. Seus filmes são fundados em histórias de pessoas comuns, geralmente interpretados por atores ocasionais, e que possuem uma relação muito particular com a paisagem
O vento nos levará (Bad ma ra khahad bord), de Abbas Kiarostami
e o espaço que os cerca. A mostra de Abbas Kiarostami realizada pelo Instituto Moreira Salles exibe cerca de 29 filmes, dentre os quais seus primeiros curtas-metragens, realizados no seio do Kanoon (Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Adolescentes), e todos os seus longas, com exceção de Dez (2002). A autoria desse filme é reivindicada pela cineasta iraniana Mania Akbari, que alega ter sido a responsável pelo argumento e por filmar a situação das mulheres em dez conversas realizadas durante curtas viagens de carro em Teerã. 14
O crítico Godfrey Cheshire, um de seus maiores intérpretes ocidentais, comenta que, se precisássemos reduzir Kiarostami a uma única ideia, não estaríamos errados em dizer que ele passou sua carreira desenvolvendo um equivalente cinematográfico da poesia modernista iraniana. Vale lembrar que filmes como Onde fica a casa do meu amigo? (1986) e O vento nos levará (1998) extraem seus títulos de poemas de Sohrab Sepehri e Forugh Farrokhzad. O próprio Kiarostami era poeta, além de fotógrafo e pintor. Para a geração do cineasta, a poesia ainda era
uma das forças a impulsionar a renovação intelectual do país e até mesmo uma arma poderosa e simbólica contra a ditadura do xá. Ex-ilustrador publicitário, nascido em 1940, Kiarostami tornou-se cineasta após ser convidado, em 1969, para estabelecer uma unidade cinematográfica na Kanoon. Entre 1970 e 1992, realizou praticamente todos os seus 19 filmes para essa organização. A única exceção foi seu primeiro longa-metragem, O relatório (1977). Essa temporada na Kanoon foi imprescindível para o cineasta desenvolver seu método
de filmar com pessoas comuns, em sua maioria crianças, que não obedeciam a um roteiro escrito. A distância cultural entre nós e a cultura persa faz com que muitos significados de seus filmes se percam ou se tornem ilegíveis, mas o cinema de Kiarostami está longe de ser impenetrável. Seus filmes não são objetos fechados em si mesmos, mas estão fundados em um pacto com cada espectador. Para Kiarostami, entre o mundo ideal e fabricado do artista e aquele de seu interlocutor, há um vínculo sólido e permanente. A arte permite ao indivíduo criar sua verdade segundo seus desejos e seus critérios. O fazer cinematográfico de Kiarostami pressupõe uma imersão prévia na escolha da paisagem e dos personagens, elementos que reconfiguram o projeto inicial. Seus filmes convergem na investigação de como os protagonistas interagem com uma realidade opaca e misteriosa; o deslocamento geográfico e a vivência do espaço assumem, assim, um peso igual ou superior à evolução psicológica do enredo. Desse modo, o sujeito é frequentemente confrontado com territórios e populações com as quais estabelece uma relação de alteridade profunda, marcada pela ilegibilidade e pelo sentimento de ser estrangeiro. 15
Mas por onde começar? Concordo com outros intérpretes do cineasta: a ordem em que você assiste aos filmes é fundamental para melhor compreendê-los. E, por isso, se puder, não perca a Trilogia de Koker. Quando começou a filmar Onde fica a casa do meu amigo?, Kiarostami não previa que produziria uma trilogia que abarca, na sequência, E a vida continua… (1992) e Através das oliveiras (1994). O mote surgiu com um imprevisto, um tremor de terra devastador cujo epicentro ocorreu na região de Gilan, onde Kiarostami acabara de filmar Onde fica a casa. O segundo filme conta como o cineasta viaja para essa região, imediatamente após a catástrofe, em busca de crianças que figuravam no seu filme anterior. O terceiro retrata um episódio particular das gravações de E a vida continua...: um adolescente que tinha um papel pequeno é convidado para fazer uma ficção ao lado da jovem por quem está apaixonado na vida real e com quem não pode se relacionar por conta de impedimentos culturais. Kiarostami busca alcançar a verdade da vida através do cinema, distanciando-se, contudo, da estética daquele que foi chamado de cinema direto, ou de documentários que tentam flagrar o cotidiano como se fizessem um documentário para a TV.
Em vez de lançar a câmera em uma busca imediatista pelo “acontecimento”, o cineasta opta por fixá-la de forma serena, convocando a realidade, as pessoas e as situações a se manifestarem. Seu interesse reside na realidade refratada em paisagens e indivíduos, cujas barreiras entre pessoa e personagem se dissolvem. Embora o cineasta tenha sido criticado, tanto dentro quanto fora do Irã, por evitar temas políticos. se comparado à Mohsen Makhmalbaf e a cineastas que foram presos e proibidos de filmar, como Jafar Panahi, pode-se argumentar, a seu favor, que seu modo de conjugar realidade e ficção, realismo e fantasia, pessoa e paisagem, obrigou cineastas, espectadores e críticos a rever antigos dualismos, e este não deixa de ser um gesto profundamente político.
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8 décadas de amor
8 Julio Medem | Espanha | 2025, 126’, DCP (Imovision) Octavio e Adela nasceram no mesmo dia, 14 de abril de 1931. Ao longo de oito décadas, seus caminhos se cruzam entre encontros arrebatadores e dolorosos desencontros, narrados em oito episódios. Essa é a história de um amor intenso entre uma mulher corajosa e determinada e um homem dividido por suas próprias contradições. Juntos, enfrentam não apenas as marcas de uma paixão impossível, mas também o fato de virem de famílias em lados opostos de um país que caminha lentamente para uma Guerra Civil. Tudo isso em meio às transformações históricas da Espanha e da Europa. O mais recente filme de Julio Medem é dividido em 8 capítulos, cada um deles um plano-sequência. Por ocasião desta estreia, 16
o Cinema do IMS exibe dois dos filmes mais consagrados do realizador espanhol: Os amantes do Círculo Polar e Lucia e o sexo. Em uma entrevista a Marcelo Müller, Medem comenta das semelhanças entre Os amantes e 8 décadas, na forma como o “destino” é retratado: “Esse tema ressurgiu de modo nada racional. Realmente não me dei conta de que havia semelhança com Os amantes do Círculo Polar. Conscientemente não busquei isso, mas parti da ideia de entender como duas pessoas que nasceram no mesmo dia, em posições políticas diferentes, serão aproximadas pelo destino. Como isso poderia nos surpreender? E comecei a escrever, primeiro a história de Octavio. Comecei desenhando aquela simbologia da vara de pescar, mas não sabia aonde exatamente essa dinâmica iria dar. Aí escrevi a chegada de Adela, uma personagem comum nascida no mesmo dia, ali na vizinhança. [...] . Ao perceber o que havia feito com Octavio e Adela, vi que tinha o desenho de um 8. Nascimento, virada, cruzamento, até voltar ao mesmo ponto. Gosto muito de ser levado pelo inconsciente, não sabendo o que vai acontecer no decorrer da escrita. [...] Eu queria falar dessas duas Espanhas que perderam os seus pais. Queria mostrar os traumas de cada uma, de como esses traumas influenciaram ambos os personagens.” Ingressos:
IMS Paulista: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). IMS Poços: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
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A fabulosa máquina do tempo
Eliza Capai | Brasil | 2026, 70’, DCP (Descoloniza) No sertão do Piauí, meninas de 10 anos navegam entre TikTok, cultos evangélicos e sonhos de futuro. Ao inventarem uma máquina do tempo, revisitam as histórias duras de suas mães e avós, marcadas pela pobreza e desigualdade, e viajam para um futuro em que se enxergam livres e realizadas. Entre brincadeiras e fabulação, elas questionam o que significa se tornar mulher. Um filme sobre o delicado limiar entre infância e adolescência, narrado por quem ainda está vivendo essa travessia. Em 2013, com uma bolsa da Agência Pública de Jornalismo Investigativo e inspirada no livro Vozes do Bolsa Família, de Walquiria Leão Rego e Alessandro Pinzani, Eliza Capai viajou para Guariba, a cidade piloto desse programa social, para investigar seu impacto nas dinâmicas familiares. Na medida em que eram prioritariamente as mulheres
que recebiam o valor do benefício, para além do impacto na redução da fome e da desigualdade, parecia haver uma transformação nas relações de gênero. Em 2021, Eliza retornou à cidade para fazer uma série de oficinas com meninas de 7 a 12 anos que resultariam em um filme. Em entrevista a Natália Bocanera para o portal Cinema com Crítica, a cineasta relata: “Nesse momento eu conheço as novas crianças que já nasceram com o benefício, ou seja, que já nasceram comendo. Eu me apaixono, porque, além delas estarem na escola, estarem comendo, elas eram tiktokers, elas estavam integradas de uma outra forma. Eu me senti numa máquina do tempo, de grandes transformações num curto período de tempo.” Nesse processo, em vez de apenas encenar cenas pré-escritas, Capai e sua equipe apostam na dinâmica dos jogos e brincadeiras para construir o filme. “A gente foi entendendo que a brincadeira era a forma que elas elaboravam essas grandes questões. A Manu descobre que a mãe é frustrada porque teve filho cedo. Ela vai brincar de casinha, onde ela é a mãe frustrada. A Sofia descobre que criança morre. Ela vai brincar de zumbi. Isso não foi proposto. Ela quer entender como é morrer. E ela ainda ressuscita nessa sabedoria infantil da reconstrução. Então a gente entendeu que a forma [do filme] era brincadeira. Pode até ter uma regra no início, mas ela vai mudar e daqui a 5 minutos vai mudar de novo. Essa é a graça da brincadeira, brincar com as regras também. Eu me esforcei para não ter controle, para estar muito permeável na escuta, na escuta de quais eram os temas, de como esses temas eram vistos e de como esses temas deveriam aparecer no filme.” 17
“Essa preocupação com a brincadeira esteve desde o primeiro momento até o final da pós-produção. Na cor, a gente começou a falar: ‘Vamos brincar aqui’. [...] Sempre teve esse lugar de deixar todo mundo brincar, e todo mundo brincou com o filme. A edição de som brincou com o filme, a montagem brincou, a cor brincou, a trilha é uma grande brincadeira ali com as meninas. A gente sabia que o melhor resultado era deixando a brincadeira seguir.” [Íntegra da entrevista: tinyurl.com/fabulosamt] Ingressos:
IMS Paulista: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). IMS Poços: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
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A noite de Alaíde
Liliane Mutti | Brasil | 2025, 100’, DCP (Bretz Filmes) Alaíde Costa, uma garota simples do subúrbio carioca, chega às rodas da Zona Sul do Rio de Janeiro dos anos 1960. Ali, conquista os holofotes, figurando ao lado de João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e se torna a cantora, pianista, compositora e parceira desses que são tidos como a tríade de ouro da bossa nova. Mas, no auge da carreira, como a voz feminina negra e essencial do movimento, Alaíde é sumariamente ignorada pelas gravadoras. Junto com Johnny Alf, outro pioneiro negro da bossa nova, ela é vetada da lendária apresentação no Carnegie Hall, em Nova York. Agora, do alto dos seus 90 anos, Alaíde vai atravessar a América em busca do palco que é seu por direito. Em entrevista a Lígia Scalise para a Revista E, do Sesc, Alaíde Costa conta de sua participação no surgimento da bossa nova: “Eu estava
gravando o meu segundo álbum, 78 rotações, na Odeon, quando recebi o convite de João Gilberto, através do diretor artístico, o Aloysio de Oliveira, para participar de uma reunião com uns meninos da Zona Sul. Nunca vou me esquecer dos olhares divertidos que vi, quando cheguei no endereço e perguntei por João Gilberto. Só depois é que soube que ele tinha a fama de combinar, mas nunca comparecer aos eventos. A turma toda estava lá: [Ronaldo] Bôscoli, Carlinhos Lyra, enfim, todos, e eu me senti bem à vontade. Participei de várias reuniões dessas. Como eu já era uma cantora profissional, acho que isso foi importante para eles também. Bem, o resto da história todos já sabem. Depois que a bossa nova ficou famosa… eu fiquei de fora.” [...] “Uma vez, eu disse que tive mais tristezas do que alegrias na minha profissão, mas, hoje, é só alegria. O reconhecimento chegou. Tarde, mas chegou. E isso é muito importante. Já pensou morrer levando uma tristeza? Ser cantora é uma missão que cumpri. Não foi fácil, mas eu viveria tudo de novo. Chegar a essa idade me apresentando e tendo o reconhecimento que não tive antes é muito gratificante. Tudo valeu a pena.” [Íntegra da entrevista: tinyurl.com/noiteac] Ingressos:
IMS Paulista: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).
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A professora de piano
La Pianiste Michael Haneke | Áustria, França | 2001, 131’, DCP (Filmicca), restauração 4K Erika, professora de piano no Conservatório de Viena, vive com sua mãe autoritária em um mundo isolado, onde só existe amor, ódio e dependência. Sua vida sexual consiste em voyeurismo e automutilação masoquista. Mas, quando um de seus alunos decide seduzi-la, as barreiras ao seu redor desmoronam. Ao estrear no Festival de Cannes, em 2001, o filme de Michael Haneke baseado em um romance da escritora austríaca Elfriede Jelinek recebeu três dos principais prêmios da competição: o Grande Prêmio do Júri, Melhor Atriz, para Isabelle Huppert, e Melhor Ator, para Benoît Magimel. O filme retorna agora aos cinemas em restauração 4K. “Quando li o romance, eu estava trabalhando em teatro e televisão, mas pensei que, se um dia
fizesse um filme, ele daria um belo filme”, contou Haneke em 2002 à Bomb Magazine. “A profundidade dos personagens e a descrição da psicologia foram o que me atraiu. Esses elementos compõem papéis interessantes para bons atores.” Um depoimento de Huppert para o portal Indie Wire em 2022 parece confirmar essa impressão. Ao ser perguntada sobre a frequência com que interpreta personagens que tendem à autodestruição, ela disse: “Geralmente, esses são os melhores papéis, e não acho que o cinema seja feito para transmitir boas sensações. Para mim, ele serve mais para explorar, sim, o lado sombrio, o bem e o mal, e isso é simplesmente mais interessante. Pode até não ser melhor nem pior. Oferece uma variedade maior. Como atriz, não gosto particularmente quando as pessoas sorriem demais ou estão muito felizes na tela. Isso não me interessa. Uma das minhas falas favoritas em toda a minha vida como atriz é em A professora de piano, quando ela ouve seu aluno, interpretado por Benoît Magimel. Ele toca, e então ela se senta e diz: ‘A frieza significa alguma coisa para você?’. É uma fala ótima, porque com isso ela quer dizer ausência de sentimentalismo. Apenas algo mais puro, mais seco. Gosto dessa ideia, em termos estéticos.” [Íntegra das entrevistas, em inglês: tinyurl.com/mhpianiste e tinyurl.com/ihpianiste] Ingressos:
IMS Paulista: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).
[Depoimento extraído do material de imprensa do filme] Ingressos:
IMS Paulista: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). IMS Poços: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
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Anatomia do caos
Apenas coisas boas
Com amplo acesso ao Senado, a diretora Dandara Ferreira acompanha de dentro a trajetória completa da CPI da covid-19 e transforma esse material exclusivo em um registro cinematográfico de um dos momentos mais marcantes da pandemia no Brasil. A cineasta conta que, ao começar a registrar os trabalhos da CPI em 2021, era movida pela “percepção de que o país atravessava algo maior do que uma crise sanitária. Havia uma disputa brutal em torno da própria realidade. Não se tratava apenas de negligência. Havia uma construção narrativa em curso, uma política da desinformação que transformava a morte em estatística e a dor coletiva em deboche. Esse filme nasce da necessidade pessoal de registrar esse período e da certeza de que algumas imagens precisam continuar abertas, porque elas ainda nos olham de volta.”
Catalão, interior de Goiás, 1984. A região rural da Batalha dos Neves é formada por grandes pastos de lavoura, algumas poucas fazendas e dividida ao meio pelo rio São Marcos. Antônio vive sozinho e isolado, cuidando dos afazeres de sua pequena fazenda, até o dia em que seu destino cruza com o de Marcelo, um motoqueiro solitário que sofre um acidente atravessando a região. Antônio cuida das feridas de Marcelo. Os dois se apaixonam e vivem uma história que transforma, desestabiliza e provoca rupturas em cada um deles. “Acredito que o Apenas coisas boas vem ao encontro de duas investigações que estão presentes em outros filmes que realizei”, comenta Daniel Nolasco em entrevista ao portal Club do Filme. “Uma estética, as possibilidades de representação do homoerotismo em diálogo com as estéticas
Dandara Ferreira | Brasil | 2026, 89’, DCP (Descoloniza)
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Daniel Nolasco | Brasil | 2025, 104’, DCP (Olhar Filmes)
fetichistas; e a outra narrativa, a busca por contar histórias de pessoas queers que vivem em regiões longe dos centros urbanos. Existe nesse filme essa intenção de mostrar a pluralidade de vivências e desejos de pessoas LGBTs que vivem em pequenas cidades do interior do Brasil, mais especificamente no Centro-Oeste. Há também uma vontade de filmar a região em que eu nasci e as transformações que as paisagens desse lugar vêm sofrendo ao longo das últimas décadas. É uma região em que a natureza vem sendo transformada significativamente com a construção de uma barragem e com o avanço do agronegócio. Desde os meus curtas, procuro registrar como esse lugar muda a cada ano que passa.” “A narrativa do filme é dividida em dois momentos diferentes na vida do Antônio – o primeiro é a chegada de Marcelo, e o segundo é quando este desaparece. O começo e o fim de um relacionamento. No filme, existe um interesse em trabalhar com diferentes gêneros cinematográficos para cada momento da vida do protagonista. O primeiro é um diálogo com o western, principalmente na forma como são filmadas as paisagens, como são mostradas a violência e a solidão masculina. E o segundo, o filme se aproxima do thriller policial, com o mistério em torno do desaparecimento do Marcelo e com uma certa dubiedade nas intenções e na moralidade de quase todos os personagens. Uma primeira parte rural, uma segunda urbana. O começo e o fim de uma história de amor. O filme também deixa de narrar 40 anos da vida dos dois, há uma lacuna, as quatro décadas em que o protagonista muda bastante, se torna quase outra pessoa. A intenção nessa quebra tão marcada entre os dois momentos era fazer o 20
espectador perceber essa mudança – se Antônio 40 anos depois é outra pessoa, o filme também é outro. O filme, como forma, também muda junto com o personagem.” [Íntegra da entrevista: tinyurl.com/dncoisasboas] Ingressos:
IMS Paulista: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). IMS Poços: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
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Aqui não entra luz
Karol Maia | Brasil | 2025, 79’, DCP (Embaúba Filmes) Entre memórias pessoais e pesquisas históricas, uma cineasta, filha de uma trabalhadora doméstica, percorre os quatro estados brasileiros que mais receberam mão de obra escravizada e conversa com trabalhadoras domésticas. Mulheres que enfrentam esse legado e lutam para que suas filhas possam sonhar outros destinos. O filme constrói um retrato íntimo e político de como a arquitetura no Brasil ainda carrega os traços da escravidão e reflete sobre como os espaços de moradia foram projetados para segregar corpos e sustentar hierarquias. “Eu acho que o trabalho doméstico mantém privilégios em pé”, comenta Karol Maia em entrevista a Renato Silveira para o portal Cinematório. “Quando a gente tem na construção de um país um projeto de escravização tão bem estruturado
como foi aqui no Brasil, o último país das Américas a abolir a escravidão, continuar a fazer a manutenção desse modelo é confortável pra muita gente. Então, eu acho que, ao falar desse assunto, inevitavelmente a gente vai ter que falar de coisas difíceis, vai ter que falar sobre pontos de responsabilidade individual. E eu acho que o silêncio protege muitas pessoas. Eu acho que protege de formas diferentes. Não posso falar por todas, mas algumas trabalhadoras optam pelo silêncio porque não querem perder seus empregos. E os contratantes optam pelo silêncio porque não querem perder o seu privilégio de remunerar alguém mal e ter essa pessoa disponível pra fazer um trabalho muito complexo e muito difícil, que é o da trabalhadora doméstica. E trabalho doméstico a gente pode entender como babá, como a cozinheira, a faxineira, todo mundo que tá trabalhando nesse ambiente familiar que é um ambiente de segredo, né? Uma família não vai revelar os segredos que estão acontecendo dentro de casa.” “Este filme já teve muitos cortes”, ela conta em outra entrevista concedida a Luana Ibelli para o Brasil de Fato. “Foram muitos anos montando ele. Ele já teve um caminho muito mais político, quase didático mesmo, mais informativo. E aí eu fui abrindo mão de algumas coisas e lapidando cada uma das entrevistas com o que eu considerava o melhor daquele encontro. Porque eu acho que, pra além da entrevista, também tem um tom de encontro com aquelas trabalhadoras. Porque pra eu conseguir chegar naquela intimidade que a gente conseguiu alcançar em pouquíssimo tempo é porque eu também tava me abrindo. Eu também entregava alguma coisa pra elas. Porque o meu interesse era transformar aquele encontro numa 21
coisa íntima. No limite do que uma câmera ligada e pessoas desconhecidas na sua casa permite. Mas eu fui entendendo que, pra mim, a questão política e a questão mais prática da arquitetura foram perdendo espaço, porque eu entendia que tinha muitas nuances das trabalhadoras que eu gostaria de trabalhar. E eu tive que abrir mão de alguma coisa. Quanto mais eu fui entrando, eu, enquanto personagem, fui dando um pouco da minha história pro filme também, e esse ciclo se encerrou.” [Íntegra das entrevistas em: tinyurl.com/kmaquinao e tinyurl.com/kmentraluz] Ingressos:
IMS Paulista: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).
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BuenosAires
Tuca Siqueira | Brasil | 2026, 70’, DCP (Arthouse) Estádio Bombonera, um time chamado Boca Juniors, o Caminito com suas casas coloridas, rádios que tocam tango e um povo que idolatra o Messi. Tudo isso pode ser encontrado na cidade de Buenos Aires… em Pernambuco. Narrado em espanhol, como não poderia deixar de ser, o documentário de Tuca Siqueira embarca no dia a dia da pequena cidade no Nordeste do Brasil que tem o mesmo nome da famosa capital argentina. “Muita gente no Recife nem sabe que existe uma Buenos Aires em Pernambuco”, comenta a diretora Tuca Siqueira em entrevista ao portal Cine Set. “Sempre fui apaixonada pela América Latina e me intrigava essa distância que existe entre nós, muito por causa da língua. Por isso, fiquei curiosa ao descobrir uma cidade onde algumas pessoas buscavam uma aproximação afetiva com a capital portenha, apesar de todas as diferenças culturais.”
“Desde a primeira visita, fiquei impressionada com a capacidade que aquelas pessoas tinham de transformar sonhos em realidade. O exemplo mais marcante era o de um ex-jogador apaixonado pelo Boca Juniors que fundou um clube inspirado no time argentino, com direito até a uma estátua do Maradona. Mais do que qualquer referência à Argentina, o que me fascinou foi justamente essa disposição de sonhar e concretizar esses sonhos.”
primas para trabalhar em casa. Eu morava com a minha avó, mas a minha mãe me teve muito cedo, com 21 anos, e a gente morava no mesmo quintal. Apesar de, afetivamente, o filme ser dedicado à minha avó, acho que a minha família entendeu que o filme é sobre a gente.” [Depoimento extraído de: tinyurl.com/crcriadas] Ingressos:
[Íntegra da entrevista:tinyurl.com/tsbuenos] Ingressos:
IMS Paulista: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). IMS Poços: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
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Criadas
Carol Rodrigues | Brasil | 2025, 105’, DCP (Vitrine Filmes) Sandra retorna à casa de sua prima Mariana em busca de uma foto de sua falecida mãe, que trabalhou ali como empregada residente para os pais de Mariana. Embora tenham sido criadas juntas, Sandra, negra de pele escura, e Mariana, negra de pele clara, viveram aquela casa de formas muito diferentes. Ao se reconectarem, memórias há muito enterradas tomam forma ao redor delas. Fantasmas da infância, da ancestralidade, de um amor que nunca foi embora completamente. “A história fala das contradições internas da minha família”, conta Carol Rodrigues em depoimento veiculado no portal Mundo Negro. “Minha avó veio para São Paulo com 14 anos para trabalhar como empregada do lar. Com 40 anos, se tornou funcionária pública e começou a trazer
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IMS Paulista: R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia).
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Fanon
Jean-Claude Barny | França, Luxemburgo, Canadá | 2025, 133’, DCP (Fênix Filmes) Baseado na história real de Frantz Fanon, o pensador, psiquiatra e ativista martinicano que ousou enfrentar o sistema colonial francês. Em plena Guerra da Argélia, sua trajetória redefiniu não só a psiquiatria e a luta anticolonial, mas a própria ideia de liberdade. Fanon deixou para o mundo um arcabouço teórico e prático de valor incontornável junto ao pan-africanismo e às lutas anticolonial. O diretor Jean-Claude Barny comenta: “Para mim, Fanon foi quem me permitiu ter uma visão diferente de como eu poderia integrar personagens de ascendência africana ao cinema em geral, e construir personagens que fossem totalmente sinceros, autênticos e desprovidos de qualquer servidão à indústria. Tínhamos a impressão de que estávamos criando alguém com um 23
forte senso de humanidade e que era reconhecível como alguém dotado de uma espécie de sinceridade autêntica. Ele é um personagem que estava fora do comum e acima do comum. Mas não podemos transformá-lo em um ícone intocável, um ícone sem realidade. O que nos interessa é trazê-lo de volta ao mundo dos vivos, e não ao mundo de um ícone póstumo. Primeiro tivemos que torná-lo tangível, torná-lo real. Tivemos que construir e desconstruir. Tivemos que edificar um ser humano – e esse ser humano tem um destino extraordinário.” Ingressos:
IMS Paulista: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). IMS Poços: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
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Futuro futuro
Davi Pretto | Brasil | 2025, 86’, DCP (Cajuína Audiovisual) Em um futuro próximo, onde os avanços em inteligência artificial coexistem com o surgimento de uma nova síndrome neurológica, um homem de 40 anos sem memória, chamado K, é acolhido por um clickworker solitário de 60 anos na periferia de uma chuvosa cidade brasileira. Após usar um dispositivo de inteligência artificial, K embarca em uma jornada trágica e absurda para encontrar seu lugar no mundo. Quarto longa-metragem de Davi Pretto, Futuro futuro é uma ficção científica de baixíssimo orçamento, ambientada em um futuro próximo no Brasil, no qual o desenvolvimento da inteligência artificial trouxe crescentes problemas neurológicos à população. Filmado em apenas 16 dias, Futuro futuro foi interrompido por uma tragédia climática: “Tínhamos um orçamento pequeno, então planejamos filmar
durante 16 dias em maio de 2024, em Porto Alegre. Durante a última semana de filmagem, a cidade em que vivemos foi atingida por uma enchente catastrófica sem precedentes”, conta Davi Pretto em depoimento disponibilizado no material de imprensa do filme. “Foi a maior catástrofe climática na história do nosso estado, e uma das maiores que já atingiram o país. Centenas de pessoas perderam suas vidas, e meio milhão de pessoas foram desalojadas de suas casas alagadas." “Eu já planejava usar algumas imagens geradas por IA desde que estava escrevendo o roteiro, mas depois que a enchente destruiu locações que ainda seriam usadas nas filmagens e com parcos recursos para terminarmos o filme, decidi incorporar a imagética da IA radicalmente, tanto como um elemento distópico já planejado na história como quanto uma solução irônica e provocadora para a impossibilidade de completar as filmagens do filme. Através de uma narrativa permeada por imagens geradas por IA que criei ao longo de diversos meses, o filme investiga de maneira provocativa o potencial poético da estupidez e do absurdo das imagens geradas por IA, um debate filosófico e cinematográfico que o filme evoca. No fim, o filme também questiona os desafios e as limitações do cinema independente em si, em um mundo transformado por catástrofes climáticas constantes e imagens artificiais que redefinem radicalmente o nosso olhar e a nossa imaginação.” Ingressos:
IMS Paulista: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). IMS Poços: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). 24
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Nós acreditamos em vocês
On vous croit Charlotte Devillers e Arnaud Dufeys | Bélgica | 2025, 78’, DCP (Filmes do Estação) Alice é uma mulher de 40 anos que enfrenta no tribunal o desafio de defender seus filhos e provar a própria inocência, já que está prestes a perder a guarda deles. Em entrevista ao portal Le Polyester, os diretores contam: “Nos interessamos particularmente pelos relatos das mães protetoras, essas mulheres que mobilizam todas as suas forças para tentar proteger seus filhos e obter justiça após as revelações de agressões sexuais feitas por eles. À medida que nos encontrávamos com vítimas, responsáveis por associações e atores do sistema judiciário, fomos tomando consciência da dimensão do fenômeno e da forma como os procedimentos dos quais falamos no filme são infelizmente corriqueiros, frequentemente
acompanhados de disfunções que geram nas vítimas novos traumas.” “Nosso filme se construiu em torno de uma mistura de advogados de profissão, atores profissionais e crianças. Para nós, era essencial que todos estivessem no mesmo nível de veracidade e que fossem sempre o mais convincentes possível. [...] Para as personagens adultas entre si, preparamos a atuação sob a forma de entrevistas, como as que os advogados têm em suas vidas profissionais com seus clientes. [...] Os advogados não estudaram o texto como tal; valeram-se dele para preparar uma audiência como estão habituados a fazer em sua prática profissional. Os atores profissionais, por sua vez, trabalharam seus roteiros palavra por palavra. O desafio era portanto encontrar, para cada ator, o mecanismo emocional a explorar para enriquecer a interpretação. Quanto ao resto, deixamos o dispositivo fazer seu trabalho: optamos por filmar a cena principal do filme em tempo real (55 minutos), com três câmeras, o que também permitiu capturar momentos de improvisação. A desenvoltura dos advogados nesse exercício imprimiu a cada tomada um novo impulso de imprevisibilidade, o que permitiu aos atores profissionais se deixarem guiar pelo que realmente sentiam em cada momento.” [Íntegra de entrevista, em francês: tinyurl.com/croitcd] Ingressos:
IMS Paulista: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).
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O convite
The Invite Olivia Wilde | EUA | 2025, 107’, DCP (O2 Play) O casamento de Joe e Angela está por um fio. Quando eles convidam o casal de vizinhos do andar de cima para um jantar, a noite toma um rumo inesperado Olivia Wilde contracena com Penélope Cruz, Seth Rogen e Edward Norton. O filme foi todo rodado em película e em ordem cronológica. “A intenção era abordá-lo como uma peça de teatro. Ter a oportunidade de trabalhar em conjunto, de vivenciar um pouco as personagens e ter algum tempo para ensaiar… Para que parecesse autêntico e natural”, declarou a diretora ao portal Deadline. Depoimento extraído e traduzido do inglês de: tinyurl.com/owconvite] Ingressos:
IMS Poços: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). 25
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Quem tem com que me pague, não me deve nada
Ary Rosa e Glenda Nicácio | Brasil | 2025, 100’, DCP (Elo Studios) Henrique, um cineasta paulista frustrado e preso às glórias do passado, vê sua vida mudar quando cruza o caminho de Cristian Mugunzá, um carismático cantor baiano de pagotrap que arrasta multidões no Carnaval de Salvador. No calor do Recôncavo Baiano, o encontro entre esses dois mundos opostos – um cinza e desencantado, outro solar e explosivo – dá origem a situações hilárias, amizades improváveis e uma jornada de redescoberta, alegria e afeto. Quem tem com que me pague, não me deve nada é o mais novo lançamento da produtora Rosza Filmes, sediada no Recôncavo Baiano e responsável por sucessos como Café com canela (2017), Ilha (2018) e Até o fim (2020). “A semente deste filme vem de um desejo antigo de investigar
o humor dentro da nossa filmografia”, contam os diretores em depoimento disponibilizado no material de imprensa do filme. “Desde o nosso primeiro longa, Café com canela, o alívio cômico e a leveza já estavam presentes. Para este novo projeto, quisemos brincar com as possíveis estruturas do humor. A ideia era iniciar com um formato de humor mais ‘clássico’ e contido, ao apresentar o cineasta Henrique Garcia, para depois deixar a comédia florescer em um tom mais popular e vibrante assim que ele desembarca no Recôncavo e encontra Cristian Mugunzá e seu grupo de amigos." Ingressos:
IMS Poços: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
Férias no cinema [Depoimentos extraídos dos portais Almanaque da Cultura e Terra em: tinyurl.com/dlquinze e tinyurl.com/dlquinze2] Ingressos:
IMS Poços: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
O Cinema do IMS apresenta uma programação especial de férias para crianças de todas as idades. Para além dos filmes listados nesta programação, são vivamente recomendados para todas as famílias a animação franco-iraniana Persépolis, de Marjane Satrapi, e o longa-metragem brasileiro A fabulosa máquina do tempo, de Eliza Capai. Ingressos:
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Quinze dias
Daniel Lieff | Brasil | 2026, 100', DCP (Vitrine Filmes) Os planos de férias de um adolescente inseguro são furados por uma visita inesperada: seu vizinho e antigo amigo de infância que passará duas semanas dormindo na sua casa. Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de séries acabam trazendo um turbilhão de sentimentos e questões mal-resolvidas. O filme é uma adaptação do livro homônimo do escritor Vitor Martins, lançado em 2017, com mais de 100 mil exemplares vendidos no Brasil e tradução para nove países. Em depoimentos recentes à imprensa, o autor disse: “Escrevi esse livro pensando no adolescente que eu fui, e agora ver esses personagens ganhando voz e corpo é algo transformador” e “tenho certeza de que também será um acontecimento especial para jovens com corpos fora do padrão que nunca se viram no papel de protagonista nas telas.” 26
IMS Paulista: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). IMS Poços: Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.
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A pequena Amélie
Maya, me dê um título
Super Mario Galaxy: o filme
O mundo é um mistério desconcertante e tranquilo para Amélie, uma garotinha belga nascida no Japão. À medida que desenvolve um profundo apego à governanta de sua família, Nishio-san, Amélie descobre as maravilhas da natureza, bem como as verdades emocionais ocultas sob a superfície da vida idílica de sua família como estrangeiros na Terra do Sol Nascente. O filme é inspirado no livro Métaphysique des tubes [Metafísica dos tubos, em tradução livre], publicado em 2000 pela autora belga Amélie Nothomb.
Maya e seu pai, o cineasta Michel Gondry, vivem em dois países diferentes. Para manterem contato, o pai pede todas as noites: “Maya, me dê um título”. Com base na resposta dela, ele cria um curto filme de animação, no qual Maya é a heroína. Nesta inventiva obra, Michel Gondry, diretor de filmes como Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004), dá vida a uma viagem poética e divertida, que fará os pequenos sonharem e os adultos sorrirem. Maya, me dê um título estreou na edição de 2024 do Festival de Berlim.
Depois de derrotar Bowser e salvar o Brooklyn, Mario e seus amigos enfrentam uma nova ameaça.
Amélie et la métaphysique des tubes Maïlys Vallade e Liane-Cho Han Jin Kuang França | 2025, 78’, DCP (Mares Filmes), dublado em português | Classificação indicativa: 6 anos
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Maya, donne-moi un titre Michel Gondry | França | 2024, 62’, DCP (Filmes da Mostra), dublado em português | Classificação indicativa: 6 anos
The Super Mario Galaxy Movie Aaron Horvath e Michael Jelenic | EUA | 2026, 98’, DCP (Universal Pictures do Brasil), dublado em português | Classificação indicativa: 6 anos
Sessão especial uma revolucionária. Tentando protegê-la, seus pais a enviam para a Áustria, na esperança de que tenha um futuro longe da opressão. A animação conta com as vozes das atrizes Chiara Mastroianni e sua mãe, Catherine Deneuve, na dublagem de Marjane e sua mãe. O filme recebeu dezenas de prêmios, entre eles o Prêmio Especial do Júri em Cannes e o Prêmio do Público na Mostra Internacional de São Paulo, em 2007, além de concorrer ao Oscar, em 2008, na categoria Melhor Animação. IMS Poços
Tom & Jerry: uma aventura no museu
Mâo Hé Lâoshâ: Xîng Pán Qí Yuán Gang Zhang | China, EUA | 2025, 99’, DCP (Imagem Filmes), dublado em português Classificação indicativa: livre A dupla mais famosa do mundo está de volta! Tom & Jerry se envolvem em mais uma de suas aventuras quando, durante uma perseguição dentro de um museu, eles encontram um objeto mágico e acabam sendo transportados no tempo. Perdidos em uma época distante e vivendo muitas confusões pelo caminho, eles precisarão deixar as brigas de lado e trabalhar juntos para encontrar um jeito de voltar para casa antes que seja tarde demais.
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Persépolis
Persepolis Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud | França | 2007, 95’, DCP (Tamasa Distribution), legendado em português | Classificação indicativa: 12 anos Estas exibições são dedicadas à memória da grande quadrinista, escritora e cineasta Marjane Satrapi, falecida no último 4 de junho, aos 56 anos. Segundo familiares, teria partido em decorrência da tristeza pela morte de seu marido, o produtor e ator sueco Mattias Ripa, no ano anterior. Persépolis é baseado na célebre HQ autobiográfica da própria diretora, a artista franco-iraniana Marjane Satrapi, que figura na lista dos 100 melhores livros do século XXI publicada pelo jornal New York Times em 2024. O filme conta a história de Marjane, menina iraniana criada numa família de intelectuais. Quando explode a revolução islâmica, ela é obrigada a usar véu e, diante dessa imposição, passa a sonhar com a ideia de ser também
Ingressos:
IMS Paulista e IMS Poços: Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.
Foco Julio Medem
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Gaza: Médicos sob ataque
Gaza: Doctors under Attack Karim Shah | Palestina, Reino Unido | 2025, 65’, DCP (Zeteo) Gaza: Médicos sob ataque é uma análise forense do impacto das operações militares israelenses no sistema de saúde de Gaza. O documentário examina evidências de destruição generalizada na infraestrutura médica do território, onde todos os 36 principais hospitais foram, segundo relatos, danificados ou destruídos. Centenas de profissionais de saúde, incluindo médicos e cirurgiões, foram mortos, feridos ou detidos, e alguns relatam terem sido presos e maltratados. Em meio a bombardeios incessantes, os profissionais de saúde de Gaza continuam a tratar pacientes com recursos extremamente escassos e, muitas vezes, sob condições precárias e de insegurança. O filme apresenta um relato de coragem, perda e resistência, destacando o papel 29
dos profissionais da linha de frente em um dos contextos humanitários mais precários do mundo. Encomendado pelo canal britânico BBC, o filme seria exibido em televisão originalmente em fevereiro de 2025. A exibição, no entanto foi adiada e, posteriormente cancelada, segundo a emissora como forma de não demonstrar parcialidade. Enquanto isso, o genocídio seguia em curso em Gaza. O adiamento foi criticado como um gesto de censura por jornalistas, ativistas e figuras públicas, o que levou à veiculação de uma carta de repúdio escrita por mais de 600 profissionais da indústria audiovisual, incluindo a vencedora do Oscar Susan Sarandon. Foi veiculada também uma carta assinada por mais de 100 funcionários da emissora pedindo a saída de seu diretor, Tim Davie. A transmissão do filme foi enfim realizada em 2 de julho do mesmo ano pela rede Channel 4. No mesmo dia, um ataque de precisão das forças militares israelenses matou, em sua casa, o dr. Marwan Al-Sultan, um dos últimos cardiologistas de Gaza e diretor do Hospital Indonésio. Em maio de 2026, o documentário recebeu críticas positivas, sendo nomeado pelo The Guardian um dos 50 melhores programas de televisão de 2025, e vencendo o BAFTA TV Award na categoria Melhor Atualidades. Este documentário contém imagens fortes e sensíveis. Ingressos:
IMS Paulista e IMS Poços: Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.
Por ocasião da estreia brasileira de 8 décadas de amor, do diretor basco Julio Medem, o Cinema do IMS exibe dois de seus títulos mais conhecidos: Lúcia e o sexo e Os amantes do Círculo Polar. Ao longo de mais de três décadas, Medem construiu uma obra frequentemente marcada por estruturas não lineares e histórias de amor atravessadas pelo acaso, a coincidência e o destino. Ingressos:
IMS Paulista e IMS Poços: Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.
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Lucia e o sexo
Os amantes do Círculo Polar
Após o desaparecimento do escritor Lorenzo, seu companheiro, Lúcia viaja a uma ilha do Mediterrâneo que ele sempre evitara visitar com ela. Lá, ela descobre relações passadas de Lorenzo e fatos que ele manteve ocultos durante o tempo em que estiveram juntos.
Otto e Ana se conhecem aos oito anos. Pouco depois, o pai de um deles, divorciado, e a mãe do outro, viúva, começam a viver juntos, unindo as duas famílias. Criados como irmãos, Otto e Ana se tornam amantes na adolescência. Separados por circunstâncias inesperadas, voltam a se encontrar 17 anos depois, no Círculo Polar Ártico, sob o sol da meia-noite. “Os amantes do Círculo Polar é uma história de amor apaixonada e secreta, como o são todas as histórias que inventam para si as crianças, os adolescentes e todos os enamorados”, comenta Julio Medem em depoimento disponível no material de imprensa do filme. “Achei interessante desenvolver esse relato através das duas versões separadas de Otto e Ana. Essas duas visões diferentes
Lucía y el sexo Julio Medem | Espanha | 2001, 128’, DCP (Mercury Films)
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Los amantes del Círculo Polar Julio Medem | Espanha | 1998, 108’, DCP (Tamasa Distribution)
expressam os sentimentos que cada um tem pelo outro. O relato se desenvolve à maneira desses círculos que se formam na superfície da água: o primeiro produz uma onda que desenha um segundo círculo, ao mesmo tempo semelhante e diferente do primeiro. Ana e Otto têm, cada um, um olhar profundamente subjetivo, o que modifica o sentido dos acontecimentos. Nenhum dos dois conhece a visão do outro; só o espectador tem acesso a uma visão global dessa surpreendente história, embora a progressão do relato preserve partes do mistério." "Para jogar com essas diferentes visões junto ao espectador, quis trabalhar com movimentos de câmera muito móveis, uma montagem ritmada, um relato construído como um quebra-cabeça, cortado por numerosos flashbacks. O formato scope se impôs para sublinhar o maravilhoso e a poesia de certos planos, a beleza das paisagens polares e essa luz mágica do sol da meia-noite.”
Abbas Kiarostami em retrospectiva O Cinema do IMS apresenta uma retrospectiva da obra de Abbas Kiarostami (1940-2016), um dos grandes nomes do cinema mundial. Dos primeiros curtas realizados no Kanoon (Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Adolescentes), até os longas que o consagraram internacionalmente, a mostra percorre cinco décadas de atividade e de um inquieto pensamento cinematográfico. De julho a dezembro de 2026, serão exibidos seus curtas, médias e longas-metragens, em cópias restauradas em 2K. Uma rara oportunidade para conhecer ou rever, em sua quase totalidade, a poética e prática de um artista que expandiu as possibilidades da imagem em movimento desde o Irã e para o mundo. A programação inclui filmes como O pão e o beco (1970), primeiro curta do diretor, até seu último longa-metragem, 24 frames, lançado postumamente em 2017, passando por obras como a célebre trilogia Koker, que reúne Onde fica a casa do meu amigo, A vida e nada mais e Através das oliveiras; Close-Up, um dos responsáveis por lançar os holofotes do mundo para sua obra; e Gosto de cereja, vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1997. Ingressos:
IMS Paulista: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
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O pão e o beco
Nan va Koutcheh Abbas Kiarostami | Irã | 1970, 12’, DCP (mk2 Films), restauração 2K Uma criança carregando um pão está a caminho de casa, mas a caminho de casa há também um cão assustador, e ela não consegue passar sozinha. De 1960 a 1969, Kiarostami relata ter dirigido mais de 150 anúncios publicitários, em funções diversas, mas raramente como diretor. No fim da década de 1969, foi convidado pelo Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Adolescentes, o Kanoon, a abrir um departamento cinematográfico. O presidente da instituição iraniana gostara de um anúncio feito por Kiarostami para uma marca de aquecedores. Nas palavras de Kiarostami, “os primeiros dez anos de atividade do departamento de cinema foram um período irrepetível. Até o início de 1979, o instituto havia produzido, entre curtas e
longas-metragens, quase 140 filmes, entre os quais muitos desenhos animados. Acho que a principal ruptura no cinema iraniano aconteceu precisamente com as primeiras pesquisas cinematográficas feitas no interior do instituto.” Ele diria ainda: “O elemento decisivo foi o nosso público: era composto de crianças. Contávamos histórias de crianças, e nossos filme não falavam nem de sexo nem de violência, que nesses anos imperavam. Insisto nesse ponto porque acho que a ausência da psicose da bilheteria foi minha sorte: enquanto realizava as primeiras experiências cinematográficas, meu único problema era fazer o meu trabalho da melhor maneira possível. Hoje, já não falaria de cinema de vanguarda, diria ‘filmes do Kanoon’.”¹ Foi nesse contexto que dirigiu seu primeiro filme, o curta O pão e o beco, a partir de uma experiência vivida por seu irmão. Em entrevista ao jornalista e crítico de cinema Godfrey Cheshire, o cineasta diria: “Tem coisas em O pão e o beco que se repetem nos meus outros filmes. É a mãe dos meus outros filmes.”² Entre os relatos do diretor em torno do filme, está a dificuldade em convencer o diretor de fotografia, Mehrdad Fakhimi, um profissional experiente, de que a cena final, em que o menino finalmente chega em casa e o cachorro é deixado do lado de fora e se deita à porta, fosse filmada em um só plano. Foram necessários mais de 40 dias para filmá-la, e ela traz aquilo que Kiarostami chama de uma de suas “principais características: filmar uma cena inteira num único enquadramento”. Por sinal, essa “mãe de todos os outros filmes” inicia justamente ao instrumental de uma famosa canção dos Beatles que diz: “Ob-la-di, ob-la-da, life
goes on”. Nestes versos, que nunca chegam a ser cantados no filme, estaria o título de um dos célebres filmes que Kiarostami faria mais tarde: E a vida continua. [1. Citação extraída do texto “Duas ou três coisas que sei de mim”, de Abbas Kiarostami, com tradução de Álvaro Machado, compilado no volume Abbas Kiarostami (2004), da editora Cosac Naify.]
[2. Citação extraída e livremente traduzida do livro Conversations with Kiarostami (2019), do crítico e especialista em cinema iraniano Godfrey Cheshire, precioso volume que reúne uma série de entrevistas conduzidas com o cineasta ao longo dos anos 1990]
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A experiência
Tadjrebeh Abbas Kiarostami | Irã | 1973, 56’, DCP (mk2 Films), restauração 2K Mohammad, de 14 anos, trabalha para um chefe exigente em uma loja de fotografia, onde tem permissão para dormir. Ele passa a desejar um futuro melhor quando se apaixona por uma jovem de classe média de um bairro abastado. Um dia, ele se oferece para trabalhar na casa dela. Depois de filmar O pão e o beco, Kiarostami faria outro curta, O recreio, que também integra a programação desta mostra e é reputado pelo diretor como um de seus trabalhos mais experimentais. “A reação da crítica não foi positiva; pelo contrário, foi tão incisiva e amarga que me obrigou a trilhar – com o filme seguinte, A experiência [a partir de um argumento do cineasta Amir Naderi] – uma direção completamente diversa: o filme sentimental.”
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“Lembro-me de que queria aprimorar minhas qualidades técnicas, que muitos consideravam insuficientes, e então, para mostrar do que era capaz, fazia acrobacias com a câmera. Usei a câmera no ombro e alguns movimentos de maquinário: se, de um ponto de vista meramente técnico, era uma coisa positiva, por outro lado, desviava a atenção do espectador. Era um procedimento anticinematográfico. Os enquadramentos complexos são interessantes, mas obrigam o espectador a se interessar por virtuosismos técnicos mais do que se concentrar na história.”¹ [1. Citação extraída do texto “Duas ou três coisas que sei de mim”, de Abbas Kiarostami, com tradução de Álvaro Machado, compilado no volume Abbas Kiarostami (2004), da editora Cosac Naify.]
falando é sobre anseio [longing], não sobre futebol em si. O que é ainda mais importante é a ideia de não alcançar os objetivos: o sentido das nossas vidas é correr atrás de uma meta sem necessariamente alcançá-la. Você pode não acreditar, mas, para mim, atingir algo não vem necessariamente com uma sensação de realização.”²
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O viajante
Mossafer Abbas Kiarostami | Irã | 1974, 74’, DCP (mk2 Films), restauração 2K Um jovem e arteiro menino, morador de uma pequena cidade, prefere jogar e assistir a jogos de futebol do que despender energia com as tarefas escolares. Um dia, ele decide viajar para assistir a uma partida importante entre dois grandes times. Ele consegue o dinheiro com a ajuda de um amigo e parte para a capital, enganando os pais e os colegas. Segundo Kiarostami, este, uma obra de baixíssimo orçamento, seria o primeiro filme iraniano realizado com som direto.¹ “O interior do personagem vem de mim, mas eu não sei qual foi a motivação para criar tal personagem. Eu não gostava de futebol, por exemplo”, diz o diretor em entrevista ao crítico de cinema Godfrey Cheshire. “Mas o que esse filme está 33
[1. Declaração extraída do texto "Duas ou três coisas que sei de mim", de Abbas Kiarostami, com tradução de Álvaro Machado, compilado no volume Abbas Kiarostami (2004), da editora Cosac Naify.]
[2. Citação extraída e livremente traduzida do livro Conversations with Kiarostami (2019), do crítico e especialista em cinema iraniano Godfrey Cheshire, precioso volume que reúne uma série de entrevistas conduzidas com o cineasta ao longo dos anos 1990]
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As cores
Rangha Abbas Kiarostami | Irã | 1976, 16’, DCP (mk2), restauração 2K Este curta-metragem estimula a percepção das crianças em relação às cores: vermelho, verde, amarelo, azul, laranja, branco, roxo e preto. Cada cor dá origem a uma lista de objetos do cotidiano a elas associados. A enumeração termina com o preto, a cor do aprendizado (a cor da tinta e dos quadros-negros). “Houve um momento particular em que o Kanoon foi criticado, porque, em vez de produzir filmes para crianças, realizava filmes sobre crianças, nos quais frequentemente o público-alvo não era o infantil, mas o adulto”, relata o cineasta. Foi a partir daí que pensamos que talvez fosse melhor produzir filmes didáticos com uma linguagem expressamente para crianças e para um público infantil. As cores foi um desses trabalhos.”¹
“Se você quer que crianças vejam um filme, você precisa ter ritmo nele”, Kiarostami disse em entrevista ao crítico de cinema e jornalista Godfrey Cheshire. “Os melhores filmes para crianças são comerciais. Quando Ahmad e Bahman eram pequenos, mesmo quando tinham só seis meses ou um ano de idade, eles paravam de comer quando os comerciais começavam. Eles não desviavam a cabeça até o comercial terminar. Eles não entendiam a mensagem, não compravam o produto, mas curtiam o ritmo. E, neste filme, eu incorporei mensagens para eles usando cores. Por exemplo, eles têm que parar no sinal vermelho e atravessar a rua na faixa de pedestres listrada. E outras coisas assim. Mas o que parece mais importante são ritmo e cores.”² [1. Citação extraída do texto “Duas ou três coisas que sei de mim”, de Abbas Kiarostami, com tradução de Álvaro Machado, compilado no volume Abbas Kiarostami (2004), da editora Cosac Naify.]
[2. Citação extraída e livremente traduzida do livro Conversations with Kiarostami (2019), do crítico e especialista em cinema iraniano Godfrey Cheshire, precioso volume que reúne uma série de entrevistas conduzidas com o cineasta ao longo dos anos 1990]
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Como aproveitar o tempo livre: Pintando
Az Oghat-e Faraghat-e Khod Chegouneh Estefadeh Konim: Rang-zanie Kurosh Afsharpanah, Abbas Kiarostami | Irã | 1977, 18’, DCP (mk2), restauração 2K “Muitos trabalhos no mundo demandam especialização. Piloto de avião, por exemplo, juiz ou técnico de laboratório”, diz o narrador ao começo do filme. “Para exercer essas profissões, você tem que trabalhar duro para adquirir uma habilidade Para pilotar um avião, você precisa de conhecimento e experiência. Comparada a essa, outras atividades são mais fáceis e acessíveis a pessoas com pouca experiência. Vamos te ensinar uma delas: a pintura. O trabalho não é muito difícil, mas também não é tão fácil. Requer rigor, cuidado e experiência.” O que se segue é um belo filme educativo que sugere que os jovens, em vez de passar o tempo
livre à toa, se dediquem à pintura e à renovação de portas, janelas e outros itens domésticos. Ao longo de quase 18 minutos, um tutorial minucioso é apresentado, passando por todas as etapas necessárias para esse tipo de serviço. Assim como As cores, Pintando respondia à demanda de que os filmes do Kanoon fossem de fato voltados a crianças e jovens, e não apenas os tivessem como personagens. “Fazia parte da série Como aproveitar o tempo livre?, de cerca de 20 curtas-metragens que produzi pessoalmente. Havia muitos autores, ainda que nenhum realmente famoso. [...] Não me recordo quantos desses episódios nasceram de minhas ideias, lembro-me apenas de ter realizado Pintando e de haver produzido outros.”¹ A despeito dessa declaração de Kiarostami, há alguma controvérsia sobre quem de fato teria dirigido o filme – o que soa natural dado o volume de produções levantado pelo Kanoon, que nem sempre distinguia as atribuições de cada envolvido nos créditos das obras. O curador, cineasta e escritor Ehsan Khoshbakht, publicou em seu blog Notes on Cinematograph suspeitas sobre a real autoria do filme: De fato, o nome de Kiarostami não aparece nos créditos iniciais, e Khoshbakht defende que o diretor seria outro cineasta ligado ao Kanoon, Kurosh Afsharpanah, com quem Kiarostami teria colaborado no roteiro do curta.² Seja diretor ou roteirista, não parece impossível especular que o filme também se alimente de inspirações bastante pessoais. Ahmad, pai de Kiarostami, trabalhava com a pintura de afrescos e tetos. E o próprio Abbas já declarou que, desde criança, quando não tinha o que fazer, se dedicava a tarefas de reparo doméstico e que “ainda
hoje, adulto, tenho necessidade de estar sempre ocupado. Quando estou em casa, sou incapaz de ficar sentado, vendo televisão. Começo a preparar minhas fotografias para uma exposição, a entalhar madeira ou a pintar.”³ [1. e 3. Citações extraídas do texto “Duas ou três coisas que sei de mim”, de Abbas Kiarostami, com tradução de Álvaro Machado, compilado no volume Abbas Kiarostami (2004), da editora Cosac Naify.]
[2. A investigação de Ehsan Khoshbakht em torno da autoria do filme está documentada, em inglês, em seu blog: tinyurl.com/akpintando]
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Lição de casa
Mashg-e shab Abbas Kiarostami | Irã | 1989, 78’, DCP (mk2), restauração 2K De acordo com Kiarostami, Lição de casa não é um filme, mas uma investigação filmada sobre os problemas do sistema educativo iraniano, que se tornam evidentes em conversas com os filhos do cineasta todas as noites, depois da escola. Em entrevistas realizadas na escola pelo próprio diretor, os alunos são filmados em closes, com as costas voltadas para a parede. Eles falam sobre a quantidade excessiva de lição de casa, que compete com os desenhos animados da TV, e sobre as punições que isso acarreta. “Lição de casa é o menos convencional de meus trabalhos”, declarou Kiarostami. “Àquela altura não considerava este trabalho um verdadeiro filme, mas uma pesquisa de caráter pessoal. [...] Não se tratava de rodar um documentário,
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mas de ir à escola de meu filho para ver o que se passava. Por isso filmei em 16 mm, sem recriar nenhuma cena, mas, fazendo apenas certas perguntas simples, consegui mostrar o modo como as crianças estudam, as relações com os pais, se estes os ajudam ou não.” “Quando Lição de casa foi lançado nas salas de cinema, e, depois, na televisão, teve uma influência positiva em nossa sociedade, nos professores e nos pais, muitos dos quais admitiram ter alterado seus comportamentos em relação às crianças; eu mesmo, graças a esse filme, passei a conhecer melhor os meus filhos. Se há filmes capazes de exercer uma ação benéfica sobre os espectadores, acho que Lição de casa é um deles.”¹ [1. Citação extraída do texto “Duas ou três coisas que sei de mim”, de Abbas Kiarostami, com tradução de Álvaro Machado, compilado no volume Abbas Kiarostami (2004), da editora Cosac Naify.]
Instituto Moreira Salles
Os filmes de julho
Cinema
A programação do mês tem o apoio das distribuidoras Arthouse, Bretz Filmes, Cajuína Audiovisual, Descoloniza, Elo Studios, Embaúba Filmes, Fênix Filmes, Filmes da Mostra, Filmes do Estação, Filmicca, Imagem Filmes, Imovision, Mares Filmes, Mercury Films, mk2 Films, O2 Play, Olhar Filmes, Tamasa Distribution, Vitrine Filmes, do projeto Sessão Vitrine Petrobras, Universal Pictures do Brasil e Zeteo. Agradecemos a Ambereen Husain, Elena Baranda, Jacques-Antoine Jagou, Léa Daudon, Maria Chiaretti, Mariana Agier, Melanie Riehl, Romane Muller, Simon Cozette, Stéphane Vieyra e Victòria Bou Subirats.
Coordenador | Curador Kleber Mendonça Filho
Supervisora de curadoria e programação Marcia Vaz Programador Thiago Gallego
Produtora de programação Renata Alberton Analista de programação Lucas Gonçalves de Souza
Projeção IMS Paulista Adriano Brito e Sérgio Wong
Projeção IMS Poços Fagner Andrades e Gilmar Tavares Revista do Cinema do IMS Produção de textos e edição Thiago Gallego e Marcia Vaz Diagramação Marina Smit
Revisão Flávio Cintra do Amaral
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Parceria
Venda de ingressos Ingressos à venda pelo site ingresso.com e na bilheteria do centro cultural, a partir das 12h, para sessões do mesmo dia. No ingresso.com, a venda é mensal, e os ingressos são liberados no primeiro dia do mês. Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala. Capacidade das salas IMS Paulista: 145 lugares IMS Poços: 85 lugares Meia-entrada Com apresentação de documentos comprobatórios para todos os grupos elegíveis à meia-entrada por lei e titulares do cartão Itaú (crédito ou débito). Devolução de ingressos Em casos de cancelamento de sessões por problemas técnicos e por falta de energia elétrica, os ingressos serão devolvidos. A devolução de entradas adquiridas pelo ingresso.com será feita pelo site. Programa sujeito a alterações. Eventuais mudanças serão informadas no site ims.com.br e no Instagram @imoreirasalles. Não é permitido o acesso com mochilas ou bolsas grandes, guarda-chuvas, bebidas ou alimentos. Use nosso guarda-volumes gratuito. Confira as classificações indicativas no site do IMS.
Maya, me dê um título (Maya, donne-moi un titre), de Michel Gondry
A fabulosa máquina do tempo, de Eliza Capai
IMS Paulista
Terça a domingos, inclusive feriados, das 10h às 20h
Fechado às segundas.
Avenida Paulista, 2424 São Paulo
imspaulista@ims.com.br IMS Poços
Terça a sexta,
das 13h às 19h
Sábados e domingos, das 9h às 19h
Fechado às segundas Rua Teresópolis, 90 Poços de Caldas
ims.pc@ims.com.br
ims.com.br
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/institutomoreirasalles