



Linha de Frente
ENERGIA LIMPA EXIGE COOPERAÇÃO
Entrevista
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Linha de Frente
ENERGIA LIMPA EXIGE COOPERAÇÃO
Entrevista
Seminário destaca o papel da engenharia na modernização das redes e na segurança energética, diante de eventos climáticos extremos



























Editada desde 1942 www.institutodeengenharia.org.br
REVISTA ENGENHARIA
ISSN 0013-7707
Órgão oficial do Instituto de Engenharia

Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 CEP 04012-180 - São Paulo, SP Tel. (55 11) 3466-9200
MARÇO – 2026 – ANO 85 – Nº 668
INSTITUTO DE ENGENHARIA
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Promover a engenharia em benefício do desenvolvimento e da qualidade de vida da sociedade. Realizar esta missão por meio da promoção do desenvolvimento e da valorização da engenharia; promoção da qualidade e credibilidade de seus profissionais; prestação de serviços à sociedade, por meio de fóruns e debates sobre problemas de interesse público, análise e manifestação de opiniões políticas, programas e ações governamentais, elaboração e estudo de pareceres técnicos e propostas para o poder público e para a iniciativa privada; e prestação de serviços para seus associados. Suas ações estão dirigidas para a comunidade em geral; os orgãos públicos e organizações não governamentais; as empresas do setor industrial, comercial e de serviços; as empresas de engenharia, os engenheiros e os profissionais de nível superior em geral; os institutos de pesquisas e escolas de engenharia; e os estudantes de engenharia.

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Reportagem: Juca Guimarães, Julio Costa Barros, Karina Lignelli, Leandro Haberli e Rúbia Evangelinellis
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Impressão e Acabamento: Gráfica Referência
A edição nº 668 da REVISTA ENGENHARIA é uma publicação da Itacarambi Produções Ltda. CNPJ 67.977.249/0001-22aitacarambi@uol.com.br

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PALAVRA DO PRESIDENTE
ÁREAS TÉCNICAS
BIBLIOTECA
CURTAS
VISÃO
PALAVRA DO LEITOR OPINIÃO
POR DENTRO
& ARTE
ARTIGOS
O CEO da Enel Brasil, Antonio Scala, detalha o plano de R$ 25,3 bilhões até 2027 para reduzir o tempo de atendimento, em resposta ao avanço dos eventos climáticos 12

LINHA DE FRENTE
Ronaldo Camargo, diretor institucional da Enel, defende diálogo com governos e empresas para acelerar a transição energética e ampliar investimentos 18

COBERTURA DIA 1
Evento no IE, em parceria com a Enel Brasil, discutiu estratégias de resiliência e modernização das redes elétricas brasileiras para garantir uma infraestrutura mais sustentável 24

COBERTURA DIA 2
Especialistas debatem os desafios da distribuição de energia nas cidades, os modelos de desenvolvimento e a regulação do setor elétrico 48

O impacto e as inovações frente aos desafios dos eventos climáticos extremos no Brasil 62


Ocenário energético brasileiro está em transformação, impulsionado pela evolução tecnológica, pelo crescimento da demanda e pela necessidade de ampliar a segurança e a eficiência do fornecimento de eletricidade.
De acordo com o BEB (Balanço Energético Nacional) 2025, elaborado pelo MME (Ministério de Minas e Energia) em parceria com a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o Brasil mantém uma das matrizes elétricas mais diversificadas do mundo, com forte predominância de energia hidrelétrica e crescimento contínuo da capacidade instalada total do Sistema Interligado Nacional. O país segue ampliando sua infraestrutura para acompanhar o aumento do consumo e garantir confiabilidade ao sistema, refletindo a importância estratégica do setor para o desenvolvimento econômico.
Entretanto, entre os principais desafios do setor elétrico estão a modernização e a expansão das redes para suportar a evolução do consumo, a descentralização da geração e a necessidade de maior flexibilidade operacional. Nesse sentido, a engenharia tem papel fundamental ao desenvolver tecnologias que aprimoram o monitoramento, o controle e a eficiência das redes, promovendo soluções em automação e gestão de ativos, essenciais para garantir um fornecimento seguro e estável.
Outro ponto importante é o impacto de eventos climáticos sobre as redes de transmissão e distribuição. A confiabilidade da infraestrutura elétrica e a capacidade de resposta a ocorrências têm se tornado temas centrais para o planejamento do setor. Essa questão foi debatida no evento “Energia em tempo de mudanças climáticas: desafios, investimentos, inovação e fontes limpas de geração”, realizado em outubro de 2025 no Instituto de Engenharia.
Nesta edição da Revista Engenharia, apresentamos esses e outros temas sob a perspectiva da Enel Brasil, uma das principais companhias do setor elétrico nacional, com atuação em geração, transmissão e distribuição, além da presença relevante em áreas urbanas e industriais estratégicas. Parte do grupo italiano Enel, a empresa opera nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, atendendo milhões de consumidores e investindo continuamente na modernização do sistema elétrico.
Por ser um assunto de extrema importância para a economia nacional, abrir espaço para discutir o setor elétrico é primordial para a construção de um futuro com mais autonomia, resiliência e sustentabilidade para o Brasil. Boa leitura!
José Eduardo Frascá Poyares Jardim Presidente

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ALFREDO MÁRIO SAVELLI
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REVISTA ENGENHARIA
DIRETOR: RUI ARRUDA CAMARGO
SECRETÁRIO: ALÉSSIO BENTO BORELLI
DESENVOLVIMENTO DE INFRAESTRUTURA E LOGÍSTICA
Diretor: Jean Carlos Pejo
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Secretário: Paulo José Assunção Junior
FERROVIAS
Coordenador: Vicente Abate
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ANTONIO GULLO
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E. Q. M. BARRETO
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NAVEGAÇÃO INTERIOR E PORTOS
Coordenador: José Wagner Leite Ferreira
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RODOVIAS
Coordenador: José Manoel de Oliveira Reis
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TRANSPORTES AÉREOS
Coordenador: Adalberto Febeliano
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Secretário:
DESENVOLVIMENTO URBANO E REGIONAL
Diretora: Maria da Penha Pereira Nobre
Vice-Diretor: Neuton Sigueki Karassawa
Secretário: Fernando José de Campos Marsiglia
ÁGUAS E SANEAMENTO
Coordenador: José Eduardo W. A. Cavalcanti
Vice-Coordenador: Milton Ushima
Secretário: Maurício Canton Pladevall
MOBILIDADE E LOGÍSTICA URBANA
Coordenador: Ivan Metran Whately
Vice-Coordenador:
Secretário:
URBANIZAÇÃO
Coordenador: Alberto Epifani
Vice-Coordenador:
Secretário:
MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE
Assessor Especial: José Manoel de Oliveira Reis
Coordenadora:
Vice-Coordenador: Denis Gerage Amorim
Secretário: Henrique Dias de Faria
TRÂNSITO
Coordenador: Vanderlei Coffani
Vice-Coordenador: Jaques Mendel Rechter
Secretário:
BIBLIOTECA
BIBLIOTECÁRIA:
MARIA DE FÁTIMA
SIMÃO DA SILVA
DESENVOLVIMENTO DE PROJETO E SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA
Assessor Especial: Roberto Kochen
Diretor: Francisco José Pereira de Oliveira
Vice-Diretor: Habib Georges Jarrouge Neto
Secretário:
ESTRUTURAS E CONTROLE TECNOLÓGICO
Assessor Especial: Natan Jacobsohn Levental
Coordenador: Douglas Couto
Vice-Coordenadora: Fernanda Albano H. Nurnberg
Secretário:
ARQUITETURA, PAISAGISMO E COMUNICAÇÃO VISUAL
Coordenadora: Taina Vieira Volcov
Vice-Coordenadora: Aurea Lúcia Vendramin Georgi
Secretário:
SISTEMAS
Coordenador: Paulo Eduardo de Queirós Mattoso Barreto
Vice-Coordenador: Sérgio Kater
Secretário:
GEOTECNIA
Coordenador: Arthur Teixeira Askinis
Vice-Coordenador: Lucas Atanasio
Secretária: Fabiana Curtarello Sardella
CONFORTO AMBIENTAL E ACÚSTICA
Coordenador:
Vice-Coordenadora: Maria Luiza Rocha Belderrain
Secretário: Ricardo Santos Siqueira
PROJETOS DE ENERGIA
Coordenador: Roberto Massaru Watanabe
Vice-Coordenador:
Secretário:
DESENVOLVIMENTO DE GESTÃO E OBJETIVOS
Diretora: Débora Sanches de A. Marinello
Vice-Diretor: Constanzio Facci Ticeu
Secretária: Eny Kaori Uono Sanchez
GEOMÁTICA
Coordenador: Aristeu Zensaburo Nakamura
Vice-Coordenadora: Fátima Alves Tostes
Secretário: Osiris Monteiro Blanco
GERENCIAMENTO DE EMPREENDIMENTOS
Coordenador: Sérgio Luiz Azevedo Resende
Vice-Coordenador:
Secretário:
AVALIAÇÕES E PERÍCIAS
Assessor Especial: José Fiker
Coordenador: Ricardo Henrique de A. Imamura
Vice-Coordenadora: Miriana Pereira Marques
Secretário: Evandro Henrique
ENGENHARIA DIAGNÓSTICA
Coordenadora: Stella Marys Della Flora
Vice Coordenadora: Débora Sanches de A. Marinello
Secretária:
ENGENHARIA DE INCÊNDIO
Coordenador: Carlos Cotta Rodrigues
Vice-Coordenador: José Félix Drigo
Secretário: Silvio Paulo Piga
PLANEJAMENTO E ENGENHARIA ECONÔMICA
Coordenador: Bruno Dias
Vice-Coordenador:
Secretário:
SEGURANÇA DO TRABALHO
Coordenador: Jefferson Deodoro Teixeira da Costa
Vice-Coordenador:
Secretário: Sidney Esteves Peinado
COMPLIANCE
Coordenadora:
Vice-Coordenador: Ricardo Henrique de Araujo Imamura
Secretário: Wilson Abramovick Costa
TECNOLOGIAS DIGITAIS
Coordenador: Pedro Badra
Vice-Coordenador:
Secretário:
DIRETORA: TATIANA LOURENÇO MACHADO
VICE-DIRETOR: ROBERTO BARTOLOMEU BERKES
SECRETÁRIO:
PRODUÇÃO E OPERAÇÃO
DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIA, INDÚSTRIA, ENERGIA E TELECOMUNICAÇÕES
Diretor: Aléssio Bento Borelli
Vice-Diretora: Aurea Lúcia Vendramin Georgi
Secretário: Antonio Lambertini
INOVAÇÃO PARA ECONOMIA DO CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO
Coordenador: José Roberto Cardoso
Vice-Coordenador: George Paulus Dias
ENERGIA
Coordenador: Antonio Pedro Timoszczuk
Vice-Coordenador: Luiz Sérgio Mendonça Coelho
Secretário:
INDÚSTRIA DE PETRÓLEO, GÁS, BIOENERGIA, MINERAÇÃO E DUTOVIAS
Assessor Especial: José Eduardo Frasca Poyares Jardim
Coordenador: José Jaime Sznelwar
Vice-Coordenador: João Carlos de Souza Meirelles
Secretário:
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, CONTROLE E AUTOMAÇÃO
Coordenadora: Aurea Lúcia Vendramin Georgi
Vice-Coordenador:
Secretário:
EQUIPAMENTOS AUTOMOTORES PARA SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO FERROVIÁRIA
Coordenador:
Vice-Coordenador:
Secretário:
INDÚSTRIA QUÍMICA, METALÚRGICA E AUTOMOTIVA
Coordenador: Miguel Tadeu Campos Morata
Vice-Coordenador: Rodrigo Terezinho Pires
Secretário: Fernando Duque Barros
INDÚSTRIA 4.0
Coordenador: Anthony Gaspar Talon
Vice-Coordenador: Elcio Kazuaki Niwa
Secretária: Flávia Bartkevicius Cruz
TECNOLOGIAS RENOVÁVEIS
Coordenadora: Simone Cotrufo França
Vice-Coordenadora: Maristhela Passoni Araújo Marin
Secretário:
DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO
Diretor: Marcio Lacerda Gonçalves
Vice-Diretor:
Secretário: Henrique José Boneti
AGRONEGÓCIO, EQUIPAMENTOS E AUTOMAÇÃO
Coordenador:
Vice-Coordenador: Henrique Dias de Faria
Secretário:
INDÚSTRIA DE ALIMENTOS E ABASTECIMENTO
Coordenador:
Vice-Coordenador:
Secretário:
CHRISTOVAM, Francisco Transporte urbano –origens e destinos
São Paulo – SP
Leografic, 2025, 176p.

Reunindo 28 artigos escritos nos últimos cinco anos, a obra combina resgate histórico e análise crítica para compreender como o setor chegou ao cenário atual. Entre os temas abordados estão o Paese, plano para situações de emergência em São Paulo; o Atende, serviço de transporte sob demanda para pessoas com deficiência; e a necessidade de modernização do sistema de trólebus.
A obra também discute questões como tarifa zero, transição energética e regulação do transporte.
NETO, Manuel Rangel Borges; CARVALHO, Paulo
Geração de energia elétrica: fundamentos
São Paulo – SP

Editora Érica, 2012, 160p.
O livro oferece um panorama completo sobre as diferentes formas de geração de eletricidade utilizadas pelo ser humano, combinando teoria e prática por meio de exercícios que facilitam o aprendizado.
A obra apresenta conceitos básicos de energia elétrica, abordando desde o aproveitamento de recursos hídricos e
térmicos até fontes renováveis, como biomassa, biocombustíveis, energia eólica e solar fotovoltaica. Também discute sistemas híbridos, impactos ambientais e a relação entre energia e desenvolvimento, proporcionando ao leitor uma compreensão equilibrada e abrangente das alternativas energéticas disponíveis.
AMORIM, Anália; ROSA, Valdemir Lúcio
Manual de dispositivos de redução de riscos para adaptação às mudanças climáticas
São Paulo – SP ABGE, 2024, 152p.

Desenvolvido por especialistas, o guia aborda planejamento urbano, regularização fundiária e técnicas sustentáveis, como biovaletas, jardins de chuva e contenções em encostas, visando aumentar a segurança e a resiliência das comunidades.
Entre os temas tratados estão erosão, escorregamentos e inundações, com orientações claras sobre prevenção,
contenção e gestão de riscos, oferecendo um recurso essencial para gestores, engenheiros e urbanistas comprometidos com cidades mais seguras e sustentáveis.
ROBERTO, José; MOREIRA, Simões
Energias renováveis, geração distribuída e eficiência energética
São Paulo – SP
LTC, 2021, 520p.

Reunindo contribuições de mais de 30 pesquisadores, especialistas e acadêmicos renomados, a obra analisa a transição do modelo de energia fóssil, que marcou o século 20, para o século das fontes renováveis, destacando as solar, eólica, biomassa, hidrogênio, ondas, marés e geotérmica.
Além de abordar questões técnicas, ambientais, econômicas e regulatórias, o livro explora conceitos como geração distribuída, redes inteligentes e cogeração, oferecendo fundamentos essenciais para o estudo e uso eficiente da energia.
Conheça
o horário de funcionamento da biblioteca do Instituto de Engenharia
DE SEGUNDA A SEXTA-FEIRA, DAS 9H ÀS 16H, FECHADO PARA ALMOÇO DAS 12H ÀS 13H
Endereço: Avenida Dr. Dante Pazzanese, 120, Ibirapuera, São Paulo, SP

USP vai oferecer novo curso de engenharia eletrônica e sistemas computacionais em 2027
A estrutura curricular foi desenhada para integrar teoria e prática desde o primeiro ano
Uma nova formação será oferecida pela Poli (Escola Politécnica) da USP, no campus Butantã, em São Paulo, já no vestibular deste ano para ingresso a partir de 2027. Trata-se do curso de engenharia eletrônica e sistemas computacionais, que contará com uma oferta anual de 56 vagas e resultará do desmembramento de uma das ênfases da engenharia elétrica, ganhando agora autonomia para atender às crescentes demandas do setor tecnológico.
“O curso foi pensado para motivar os alunos a desenvolverem projetos de engenharia ligados à sociedade. Tem como base um forte desenvolvimento em computação, projeto de semicondutores, chips e inteligência artificial”, destaca Gustavo Pamplona, professor da Poli.
A criação do curso foi aprovada pelo Conselho Universitário no final do ano. A estrutura curricular foi desenhada para integrar teoria e prática desde o primeiro ano. Nos dois anos finais, o estudante poderá personalizar sua formação por meio de trilhas de especialização em áreas estratégicas, como inteligência artificial, semicondutores e chips, sistemas embarcados, comunicações e processamento de sinais.

sergipanos levam inovação sustentável
Cinco projetos de Sergipe foram selecionados para a 24ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, realizada em São Paulo. Quatro iniciativas são da rede pública estadual e refletem o avanço da cultura científica nas escolas. Entre os destaques está o desenvolvimento de “biocouro” a partir de recursos regionais, com foco em economia circular.
Também integram a delegação propostas voltadas à triagem precoce do autismo, bebidas funcionais para combater a subnutrição no semiárido e esponjas biodegradáveis de fibra de coco. Promovida pela Universidade de São Paulo, a feira reúne jovens talentos de todo o país e reforça o papel da educação científica no desenvolvimento regional.
Crea-SP
segurança aérea e qualificação na indústria aeronáutica

Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes
Aeronáuticos registraram 175 acidentes aéreos em 2024, com 152 vítimas fatais
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo promoveu, em fevereiro, o seminário “Engenheiro do ar: o engenheiro brasileiro e a indústria aeronáutica”, com formato híbrido e transmissão online.
A iniciativa integra o programa Crea-SP Capacita e ocorre em um contexto de alerta: dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos registraram 175 acidentes aéreos em 2024, com 152 vítimas fatais.
O evento discutiu qualificação técnica, segurança operacional e o papel estratégico da engenharia no setor, com menções a cases como o da Embraer. Em 2025, o Conselho realizou 633 fiscalizações em empresas de manutenção, identificando falhas como ausência de responsáveis técnicos.
O Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) celebrou 100 anos com sessão solene na Câmara Municipal de Curitiba. Fundado em 1926, o instituto é a entidade de engenharia mais antiga do estado e a terceira do país. Ao longo de sua trajetória, teve papel relevante na consolidação da regulamentação profissional e no debate técnico sobre planejamento urbano e infraestrutura. Durante a cerimônia, ex-presidentes foram homenageados, reforçando a importância histórica da instituição para o desenvolvimento do Paraná. A celebração destacou a engenharia como base da execução de políticas públicas e projetos estruturantes.
A URCA (Universidade Regional do Cariri) realizou a aula magna do curso de Engenharia Agronômica e Ambiental em Mauriti, ampliando a presença do ensino superior público no interior do Ceará.
A iniciativa, articulada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, busca alinhar a formação acadêmica às vocações regionais, como agropecuária, energias renováveis e sustentabilidade no semiárido. Com mais de 10 mil estudantes e atuação em municípios estratégicos do Cariri, a URCA consolida seu papel como vetor de desenvolvimento regional, formando profissionais voltados às demandas econômicas e ambientais locais.

O Centro de Inovação em Tecnologia Offshore (OTIC), sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, abriu duas vagas de pós-doutorado em engenharia química, mecatrônica e sistemas mecânicos. O centro é um dos CPAs da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, em parceria com o Grupo Shell. As bolsas oferecem R$ 12.570 mensais, além de reserva técnica. Uma das pesquisas envolve processamento de nuvens de pontos 3D e reconstrução geométrica; a outra investiga a cinética de desestabilização de emulsões sob altas pressões. As oportunidades são abertas a brasileiros e estrangeiros.
O Brasil deu mais um passo na agenda de transição energética e reindustrialização sustentável com o lançamento do edital Finep Mais Inovação Brasil. A chamada pública recebe propostas até 31 de agosto e apoia projetos inovadores de empresas brasileiras em parceria com ICTs (Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação).
A iniciativa integra os programas estruturantes do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), com foco em fortalecer a indústria nacional por meio de ciência, tecnologia e inovação, alinhada às áreas prioritárias de saúde, transformação digital, transição energética e defesa.
O edital contempla oito frentes estratégicas voltadas à redução de emissões e à modernização do setor energético, incluindo: geração de energia de baixo carbono (solar, eólica, hidrelétrica, biomassa e nuclear); hidrogênio de baixa emissão; armazenamento de energia; modernização do sistema elétrico; biomassa e biocombustíveis; combustíveis sustentáveis como diesel verde e SAF; produção de biogás e biometano; e captura, armazenamento e uso de CO2.

#Energia #DistribuiçãoElétrica #EventosClimáticos #Investimentos

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 12 MINUTOS
Antonio Scala, CEO da Enel Brasil
“Preparar a rede para o clima é preparar a cidade para continuar funcionando”
ANTONIO SCALA, CEO DA ENEL BRASIL, FALA SOBRE OS PLANOS DA EMPRESA PARA MODERNIZAR A REDE DE DISTRIBUIÇÃO E DIGITALIZAR PROCESSOS
• Por Leandro Haberli
Face à expansão dos centros urbanos, à intensificação dos eventos climáticos e ao avanço das tecnologias digitais, o setor elétrico brasileiro vive um momento de transformação no mundo. O novo cenário global que se desenha é marcado por modernização da rede de distribuição, fortalecimento da resiliência operacional e incorporação de soluções inteligentes para garantir qualidade e segurança no fornecimento de energia. Atenta a tais tendências, a Enel Brasil atravessa um forte ciclo de investimentos.
Entre 2025 e 2027, a companhia prevê aportar R$ 25,3 bilhões em suas atividades no país, a maior parte na distribuição de energia nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. O volume reflete a estratégia de ampliar a modernização de estruturas, digitalização de processos e uso intensivo de automação.
Na entrevista a seguir, o italiano Antonio Scala, atual diretor-presidente da Enel Brasil, detalha como esses investimentos estão sendo direcionados para intensificar ações preventivas e melhorar o atendimento e os indicadores de qualidade. Formado em Administração de Empresas, ingressou no Grupo Enel, em 2009, como responsável da Risk Management na Enel Produzione Spa, empresa na qual também ocupou o cargo de responsável por Desenvolvimento Industrial. Posteriormente, Scala atuou como head de diversas áreas em diferentes empresas do grupo, como Enel Energia, Enel Global Trading e Enel Green Power.
Com experiência na multinacional Enel, empresa líder europeia, com forte presença em geração de energia renovável, Scala aborda com propriedade o papel das fontes renováveis na estratégia do grupo, a expansão do mercado livre de energia e a necessidade de atualização dos modelos de concessão.
Ao apresentar melhorias em indicadores de desempenho e tempo de atendimento, o executivo reforça que a evolução do setor depende de uma combinação entre investimento, inovação e planejamento. E compartilha sua visão sobre o papel da engenharia na construção de redes mais resilientes e alinhadas às demandas de uma sociedade cada vez mais eletrificada.
QUAIS SÃO OS DESTAQUES DO PLANO DE INVESTIMENTOS 20252027? COMO ESSES RECURSOS SERÃO APLICADOS NAS TRÊS
ÁREAS DE CONCESSÃO DA ENEL NO BRASIL?
Estamos investindo R$ 25,3 bilhões nas operações no Brasil, entre 2025 e 2027, sendo que, deste total, R$ 24 bilhões são destinados à distribuição de energia nos três estados onde a empresa atua – São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro. O valor do investimento em distribuição representa um aumento de 62% em relação ao plano anterior, reforçando nosso compromisso com a melhoria contínua do serviço de fornecimento de energia prestado nessas regiões.
Nosso maior desafio, e isso não apenas na Enel, mas em todas as distribuidoras no Brasil, é tornar a rede de energia mais resiliente diante das novas necessidades das grandes cidades, que vão além da distribuição de energia e passam por tecnologia e resoluções mais rápidas e remotas em casos de interrupções, intensificação de ações preventivas e reforço de equipes em campo.
MUITO SE FALA SOBRE A NECESSIDADE DA EMPRESA DE SE PREPARAR PARA ENFRENTAR EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS. COMO O SENHOR AVALIA O IMPACTO DELES NA OPERAÇÃO DA EMPRESA? E COMO TEM SIDO O PLANEJAMENTO DA ENEL, À MEDIDA QUE ESSES FENÔMENOS SÃO CADA VEZ MAIS FREQUENTES?
Iniciamos projetos para aplicação massiva de tecnologias em regiões com alta concentração de clientes, para deixar a rede mais resiliente
A companhia vem se preparando nos últimos anos para enfrentar as adversidades do clima, que são globais e serão cada vez mais frequentes. A Enel tem investido em modernização de redes com telecontroles para religamento remoto e imediato da luz. Também estamos intensificando ações para fazer frente a um dos grandes fatores de interrupção de energia em situações de ventos fortes e tempestades, que é a queda de galhos e árvores na rede elétrica. Em São Paulo, por exemplo, em 2024, a Enel realizou 638 mil podas preventivas nos 24 municípios onde atua, o dobro de 2023. Vamos manter o patamar dos 600 mil neste ano. No Rio de Janeiro, foram feitas 540 mil podas em 2025 e, no Ceará, 340 mil. O reforço das equipes em campo é outra frente importante. Estamos ampliando nossos quadros de profissionais próprios e desde 2024 e até 2026 serão contratados mais de cinco mil colaboradores nos três estados, sendo que mais de 2,1 mil novos profissionais já foram efetivados. Em São Paulo, onde os episódios foram mais severos, ampliamos em 50% nosso atendimento emergencial, contratando mais 1,2 mil profissionais.
COM RELAÇÃO AOS INVESTIMENTOS EM
DISTRIBUIÇÃO, QUAIS PROJETOS OU INI-
CIATIVAS A COMPANHIA PRETENDE PRIORI-
ZAR NESSE SETOR?
Temos investido, nas nossas três concessões, em modernização para ampliar a resiliência da rede de distribuição. Aporte de tecnologia e novas e mais modernas estruturas estão entre as iniciativas. Atualmente, 98% da rede de média tensão de São Paulo, por exemplo, encontram-se automatizados. Também iniciamos projetos para aplicação massiva de tecnologias em regiões com alta concentração de clientes, para deixar a rede mais resiliente. Fizemos um piloto em três bairros da concessão de Enel São Paulo. Em um deles, localizado no município de Osasco, após a intensificação das automações, aliado a outras ações de manutenção da rede, observamos redução de mais de 50% no número de ocorrências e melhoria expressiva de indicadores de qualidade – queda de mais de 70% no DEC (duração de interrupções) e de mais de 50% no FEC (frequência de interrupções) no acumulado de janeiro a julho deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.
QUE MUDANÇAS ESTÃO SENDO IMPLEMENTADAS NA OPERAÇÃO E NA GESTÃO DE RISCOS DA REDE PARA AUMENTAR A RESILIÊNCIA? QUAIS TECNOLOGIAS E SOLUÇÕES INOVADORAS A EMPRESA CONSIDERA ESSENCIAIS PARA A DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA NOS PRÓXIMOS ANOS?
Reforço que um foco importante está na tecnologia — especialmente em digitalização, automação e inteligência artificial embarcada. Esses dispositivos permitem detectar falhas, fazer manobras para restringir o número de clientes afetados em caso de interrupções e resolver remotamente problemas na rede, serviços antes só possíveis com a presença e intervenção de eletricistas em campo. São vários automatismos que, juntos, compõem um sistema que possibilita o monitoramento e o gerenciamento da rede de forma remota. Em São Paulo, na baixa tensão, por exemplo, mais de 1,5 milhão de

medidores inteligentes foram instalados em unidades consumidoras. São equipamentos que também ajudam na identificação de interrupções à distância. Já os telecontroles adotados nas redes de nossas distribuidoras contam com o sistema self-healing , que permite recomposição do fornecimento de forma automática, além de possibilitar manobras remotas, para reduzir o número de clientes impactados. O trip saver é outra tecnologia que utilizamos. São religadores que recompõem o fornecimento em segundos, em caso de desligamento transitório.
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS DESAFIOS DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO NA PRINCIPAL CI-
DADE ONDE A ENEL ATUA? O QUE TEM SIDO FEITO PARA MINIMIZAR INTERRUPÇÕES ONDE A REDE É MAJORITARIAMENTE AÉREA E A VEGETAÇÃO É INTENSA?
A Enel, assim como as outras distribuidoras que atuam no país, tem o desafio de enfrentar os impactos relacionados aos eventos climáticos cada vez mais severos. Em São Paulo, por exemplo, temos 20 vezes mais clientes por km2 de rede do que a média das outras distribuidoras do país. Por isso, nossas ações e nossos investimentos são voltados para modernização e resiliência.
Intensificação das podas preventivas nos três estados, como já citado, é uma resposta ao principal tipo de interferência externa que ocorre numa rede aérea — galhos e vegetação. Também aumentamos o número de bases regionais, para facilitar o deslocamento de equipes, além de reforçar a frota. De 2025 a 2027, serão incorporados à frota mais 225 veículos em São Paulo, 680, no Rio, e 480, no Ceará. Nas ocorrências em que é necessário reconstruir a rede, temos um parque de geradores com 700 equipamentos, para atender a casos críticos, enquanto as equipes atuam em campo.
COM ESSAS MEDIDAS EM CURSO EM UMA DAS ÁREAS DE CONCESSÃO MAIS CRÍTICAS DO PAÍS, JÁ QUE INCLUI A CAPITAL PAULISTA, O GRUPO ENEL JÁ IDENTIFICOU RESULTADOS?
O resultado é que estamos melhorando nossos indicadores de desempenho, como o TMA (Tempo Médio de Atendimento), assim como estamos tendo redução nas interrupções prolongadas. Em São Paulo, entre novembro de 2024 e março de 2025 (período de alta incidência de chuva), o TMA foi reduzido em aproximadamente 50%, em relação ao mesmo período do ano anterior, mesmo diante do aumento das ocorrências devido ao clima mais severo. Nos outros dois estados onde distribuímos energia, o tempo médio de atendimento também materializa as iniciativas em curso. Entre novembro de 2024 e março de 2025, o indicador reduziu mais de 30% na área de concessão do Rio e quase 40% no estado do Ceará.
Além do TMA, registramos outras melhorias expressivas em indicadores de desempenho. Em São Paulo, as interrupções prolongadas (com mais de 24h de duração) reduziram-se em aproximadamente 85%, entre novembro de 2024 e março de 2025, em comparação com o período passado.
QUAL É O PAPEL DA ENEL COMERCIALIZADORA DENTRO DA OPERAÇÃO DA ENEL
Estamos comprometidos com a diversificação da matriz energética brasileira e com a oferta de mais fontes limpas de energia. Aqui no Brasil, já somos o maior operador eólico e solar, com oito parques eólicos e dois solares
É O PAPEL DAS FONTES RENOVÁVEIS
NA ESTRATÉGIA DA ENEL?
O Grupo Enel, por meio da Enel Green Power, é líder mundial em energia limpa, com capacidade total de mais de 63 GW, e presença na Europa, Américas, Ásia, África e Oceania. Estamos comprometidos com a diversificação da matriz energética brasileira e com a oferta de mais fontes limpas de energia. Aqui no Brasil, já somos o maior operador eólico e solar, com oito parques eólicos e dois solares. A capacidade total instalada renovável chega a mais de 6,6 GW — são mais de 3,5 GW em fonte eólica, mais de 1,8 GW em fonte solar e cerca de 1,3 GW proveniente de fonte hidroelétrica.
CONSIDERANDO QUE A MAIORIA DOS CONTRATOS DE CONCESSÃO TEM CERCA DE 30 ANOS, COMO O SENHOR VÊ A NECESSIDADE DE ATUALIZAÇÕES?
BRASIL, E COMO ELA SE CONECTA À ESTRATÉGIA GLOBAL DO GRUPO?
A Enel Comercializadora está atuando de forma proativa e inovadora para liderar as transformações do setor energético. Reconhecemos o crescimento do mercado livre de energia como uma grande oportunidade para oferecer soluções integradas e cada vez mais customizadas e sustentáveis aos nossos clientes. Investimos em produtos aderentes ao mercado brasileiro, além de ampliar nossa capacidade de atendimento ao diversificado portfólio de consumidores. Nosso compromisso é fazer parte da evolução energética, promovendo modelos de negócio alinhados às demandas por energias limpas e autossuficiência, consolidando nossa posição como uma das líderes mundiais do mercado. Hoje, grande parte do nosso portfólio é destinada para clientes do mercado livre. Com a abertura de mercado, vemos muito potencial de incrementar nosso volume, principalmente em clientes de pequeno e médio portes.
A realidade da distribuição atualmente é completamente diferente. Agora a prioridade é modernizar nossa operação para atender às necessidades das grandes cidades, que se expandem rapidamente. A atualização vai nesse sentido: foco de investimento em automação, digitalização e resiliência de rede. Mas não estamos aguardando o novo contrato para caminhar nessa direção. Há anos, estamos numa curva de incremento de investimentos nos três estados onde atuamos, sempre com a visão de tornar a rede mais resiliente e com tecnologia embarcada.
COMO A ENEL PRETENDE ALINHAR SEUS INVESTIMENTOS E OPERAÇÕES ÀS NOVAS DIRETRIZES REGULATÓRIAS QUE PODEM SURGIR NESSE PROCESSO?
Os investimentos já estão voltados a novas diretrizes, com atenção especial à modernização e expansão de rede. Nós nos antecipamos, e as novas diretrizes, quando chegarem, não nos surpreenderão.



Linha de Frente
#TransiçãoEnergética
#Modernização #Investimento
#EnergiaLimpa #PoderPúblico

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 12 MINUTOS
DIRETOR INSTITUCIONAL DA ENEL APONTA A COOPERAÇÃO ENTRE SETORES PARA ACELERAR A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E A MODERNIZAÇÃO DAS REDES
À• Por Leandro Haberli
frente da diretoria institucional da Enel, o engenheiro, arquiteto e urbanista Ronaldo Camargo exibe uma trajetória profissional diversificada, que inclui longa experiência na gestão pública. Antes de chegar ao setor de energia, ele trabalhou na CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), em São Paulo, por quase três décadas. À época, desempenhou funções como diretor de Operações, superintendente, gerente e coordenador.
Depois de sua longeva passagem pela CET, Camargo ocupou posições de destaque no Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) e no Contran (Conselho Nacional de Trânsito), além de ter acumulado passagens pela administração municipal de São Paulo. Outra prova do perfil profissional multifacetado vem da atuação no setor de saneamento, onde trabalhou na Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia de São Paulo) e na Funasa (Fundação Nacional de Saúde), órgão vinculado ao Ministério da Saúde responsável pela prevenção de doenças, educação em saúde e atenção a populações vulneráveis.
No setor elétrico, o experiente engenheiro tem acompanhado de perto o momento de transformação marcado pela necessidade de expansão da geração de energia e acelera-
Fotos: Divulgação

ção da transição para fontes limpas. “Minha carreira sempre esteve na interseção entre o setor público e o privado, e acredito que essa visão é fundamental para atuar em empresas de grande porte, como a Enel”, afirma.
Na entrevista a seguir, Camargo comenta os desafios da diretoria institucional no âmbito de temas como a modernização das redes de distribuição e o papel da Enel como parceira do desenvolvimento regional e da sustentabilidade. Ele também salienta a importância de fortalecer o diálogo e a transparência com governos, empresas e consumidores. “A proximidade com nossos parceiros e a comunicação clara sobre nossos investimentos e ações de modernização são essenciais para consolidar a confiança institucional.”
O engenheiro explica ainda como a companhia tem atuado para equilibrar eficiência operacional, inovação tecnológica e responsabilidade socioambiental. E acredita que a comunicação e o debate técnico, como o realizado em outubro no Instituto de Engenharia, são fundamentais para os avanços no setor.
O SENHOR CONSTRUIU UMA TRAJETÓRIA MARCADA PELA ATUAÇÃO EM SETORES LIGADOS A ENERGIA, ÁGUA E SANEAMENTO.
DE QUE FORMA ESSA EXPERIÊNCIA CONTRIBUI PARA A SUA VISÃO E ATUAÇÃO NA ENEL BRASIL?
Sem dúvida, trago para a Enel a minha vivência não apenas como presidente de empresas de energia elétrica e saneamento, como a Geração Pirapora e a Emae, mas também a minha atuação em outras empresas privadas e órgãos públicos municipais, estaduais e federais, como o Finep (Banco Federal de Fomento), que tive a honra de presidir. Minha atuação na Enel Brasil é como diretor Institucional e como tal oriento as ações da empresa perante os segmentos públicos e privados, em que tanto atuei. O que eu vejo é que a Enel Brasil, sob a liderança do presidente Antonio Scala, tem se empenhado em ser uma empresa transparente e que cumpre seus compromissos. Além de ser a segunda maior empresa de energia do mundo e, como tal, está fazendo investimentos recordes tanto
em geração de energia quanto na modernização e expansão dos sistemas de distribuição sob sua gestão no Brasil.
O SENHOR ASSUMIU A DIRETORIA INSTITU-
CIONAL DA ENEL BRASIL EM 2025. QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS DESAFIOS E PRIORIDADES NESSA NOVA FUNÇÃO?
Meu desafio — e minha prioridade principal — é justamente intensificar a proximidade com consumidores, empresas privadas e órgãos públicos, aprimorando a comunicação, a transparência e a proximidade. No campo público, temos feito dezenas de reuniões para ouvir queixas e demandas e para apresentar nossos esforços de melhoria e de modernização e nossos vultosos investimentos.
Dentro da Enel, tenho procurado colaborar para uma maior interligação entre áreas internas, garantindo respostas rápidas e coordenadas para os públicos externos de relacionamento. São respostas claras e fundamentadas em compromissos assumidos e cumpridos que fortalecem a confiança institucional de governos, setor privado e de toda a sociedade na Enel.
Enxergo a Enel como uma parceira fundamental do desenvolvimento nas regiões onde atuamos, seja nos dez estados onde fazemos geração de energia, seja em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará, onde somos distribuidores. Somos parceiros dos empreendimentos públicos e privados, pois sem energia não há desenvolvimento. Essa parceria se dá não apenas em transparência e agilização dos prazos de expansão de rede necessários aos novos empreendimentos, mas também no empenho e no cumprimento dos compromissos assumidos.
Em nossas áreas de concessão de distribuição, nos 24 municípios paulistas em torno da capital, a maior do país, em 66 cidades do estado do Rio de Janeiro, e em todo o Ceará, temos feito reuniões semanais ou quinzenais com prefeituras e suas secretarias e com os

governos estaduais e suas pastas específicas, independentemente do posicionamento político de cada gestor. Isso significa proximidade, transparência, diálogo, parceria. Dessas reuniões têm nascido termos de cooperação e ações conjuntas, acompanhamento sistemático do andamento de obras e outros resultados muito proveitosos.
No campo legislativo federal, estadual e municipal, temos atendido, igualmente de forma transparente, a convites para apresentações, esclarecimentos e prestações de contas. Também temos convidado proativamente para visitas à nossa sede, para ouvir e apresentar nossas ações, diversos parlamentares, assim como fazemos com membros do executivo e dirigentes de empresas privadas.
QUANDO FALAMOS EM SUSTENTABILIDADE, O SETOR ELÉTRICO ESTÁ NO CENTRO DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA. QUAL TEM SIDO O PAPEL DA ENEL NESSE PROCESSO NO BRASIL?
O setor elétrico brasileiro está no centro da transição energética e a Enel tem sido uma das protagonistas desse movimento no país. A empresa atua com foco em inovação, eficiência e inclusão social, contribuindo para
uma matriz energética mais limpa e resiliente.
A Enel Green Power é a segunda maior geradora de energia renovável do Brasil e a primeira em energia gerada por usinas solares e eólicas. São 52 instalações, entre hidrelétricas, eólicas e solares, distribuídas por dez estados brasileiros e que produzem 6,6 GW, 100% renováveis. Assim, contribuímos para reforçar a descarbonização e a segurança energética nacional.
Nas distribuidoras, os investimentos em modernização e digitalização das redes como automação e medidores inteligentes elevam a qualidade e a eficiência do fornecimento.
Como parceiros do PEE (Programa de Eficiência Energética) da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), promovemos ações de consumo consciente e seguro da energia para clientes em vulnerabilidade social. Também atuamos em projetos que promovem educação ambiental. Além disso, realizamos chamadas públicas que investem em iniciativas de inovação e sustentabilidade, ampliando o impacto positivo junto a instituições e comunidades.
A QUESTÃO CLIMÁTICA VEM PRESSIONANDO GOVERNOS E EMPRESAS A ACELERAREM COMPROMISSOS DE DESCARBONIZAÇÃO. QUAL A ESTRATÉGIA DA ENEL PARA CONTRIBUIR COM A REDUÇÃO DAS EMISSÕES NO PAÍS?
Além de ser a segunda maior em geração limpa, por meio da Enel Green Power, a Enel promove, no campo da comercialização, o uso de Certificados de Energia Renovável, como o I-REC, que comprovam a origem limpa da eletricidade consumida e ajudam empresas a neutralizar suas emissões, fortalecendo o mercado de energia sustentável.
Na distribuição, a digitalização das redes por meio de medidores inteligentes, os smart meters, permite, não apenas aos consumidores residenciais, mas também às empresas, monitorar o consumo em tempo real, reduzir
perdas e otimizar o uso de energia — um passo essencial para a eficiência e a redução de emissões indiretas.
COMO A COLABORAÇÃO COM PODERES PÚBLICOS, OUTRAS EMPRESAS E ÓRGÃOS REGULADORES INFLUENCIA A CAPACIDADE DA ENEL DE ANTECIPAR CRISES OU INTERRUPÇÕES DE ENERGIA? SE POSSÍVEL, CITE ALGUNS EXEMPLOS.
O diálogo com as prefeituras, por exemplo, é fundamental. A característica principal e histórica da distribuição de energia no Brasil é a utilização de redes aéreas. Em tempos de mudanças climáticas, com as cidades brasileiras registrando ventanias próximas ao conceito técnico de tornado, os trabalhos de poda de árvores e de detecção das árvores não saudáveis, que precisam ser removidas, são fundamentais não apenas para a segurança das pessoas, mas também para a manutenção do fornecimento de energia elétrica.
Dentro desse espírito, a Enel em São Paulo, por exemplo, além de estar executando um número de podas de árvores recorde, entregou para a prefeitura da cidade um diagnóstico preventivo, custeado inteiramente pela empresa, que envolveu a “saúde” de cerca de 630 mil árvores. Dentro desse trabalho, emitimos, por meio de empresa especializada, quase dez mil laudos técnicos de risco, entregues à prefeitura como contribuição para os trabalhos de remoção, a cargo do município, de árvores doentes.
Somos parceiros dos empreendimentos públicos e privados, pois sem energia não há
desenvolvimento
QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS MAIS IMPORTANTES PARA A ENEL AO DECIDIR COLABORAR COM OUTRAS EMPRESAS DE INFRAESTRUTURA NO BRASIL?
Como comentei, a Enel é parceira fundamental no desenvolvimento de qualquer empreendimento público ou privado, não apenas, mas também no campo da infraestrutura. Essa não é uma decisão, mas uma obrigação e um compromisso da empresa.
Por outro lado, nossas atividades, seja criando o maior número de projetos já executados e em execução no Brasil em termos de usinas eólicas e solares, seja investindo bilhões de reais na modernização e expansão de nossas redes de distribuição, geram uma série de oportunidades para empresas especializadas em infraestrutura, como construtoras, fornecedores de equipamentos e prestadores de serviços. Com isso, contribuímos para produzir desenvolvimento, riqueza, empregos e renda.
QUE TIPO DE ALINHAMENTO É NECESSÁ-
RIO ENTRE A ENEL E O PODER PÚBLICO
PARA ACELERAR PROJETOS DE ENERGIA LIMPA E SUSTENTÁVEL?
A construção, por parte do poder público, de um ambiente de negócios favorável ao investimento foi e é fundamental para a expansão da indústria da energia renovável no Brasil.
Para além de incentivos fiscais, tais como REIDI, desconto TUSD/TUST, redução ou isenção de impostos como ICMS, ISS, o incremento de recursos e a modernização dos órgãos de licenciamento ambiental, a implementação de soluções estruturais para a regularização fundiária (uma questão historicamente complexa no Brasil) e a criação de áreas dedicadas ao fomento e apoio ao investimento na área de energia elétrica fizeram com que a matriz energética brasileira, já predominantemente renovável, se diversificasse ao longo das últimas duas décadas.
O poder público também é ator importante na preparação dos territórios para a chegada do investimento. No caso de energia renovável, o “recurso” (vento, sol, água) fica em regiões mais remotas do país, onde também há menor infraestrutura. Como exemplo podemos citar a região onde está instalado o maior complexo eólico da Enel no mundo, no sudeste do Piauí. As cidades onde o complexo se instalou tinham entre quatro e 11 mil habitantes, não havia agências bancárias ou formalização do comércio. O governo do estado fez um trabalho com o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e a Sefaz (Secretaria da Fazenda) para levar a formalização dos empreendedores e articulou junto aos bancos públicos soluções para disponibilizar serviços bancários.
Como agentes formuladores de políticas públicas, os governos também têm o papel de garantir a estabilidade e a segurança jurídico-regulatória para um setor cujos investimentos são de longo prazo.
Como tema ainda a ser resolvido pela sociedade brasileira, podemos citar a questão do curtailment. A adoção, por parte do operador nacional, de uma forma mais conservadora na operação do sistema e a mudança nas regras de ressarcimento por cortes involuntários na geração afetam diretamente o resultado dos geradores de energia renovável. Prejudicam, assim, o retorno dos investidores que consideram o setor elétrico brasileiro uma opção segura para a aplicação de seus recursos. A demora na resolução desse impasse reduz o investimento no setor, o que impacta diretamente toda a cadeia de uma indústria em processo de consolidação.
De toda a forma, a cooperação e o entendimento das capacidades e limitações de ambas as partes, operadores privados, entre eles a Enel e o poder público, são necessárias para que cheguemos à tão desejada transição energética.

Cobertura - Dia 1
#DistribuiçãoElétrica
#InfraestruturadeTransmissão
#Inovação #Eficiência

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 55 MINUTOS
EM SEMINÁRIO CONJUNTO, INSTITUTO DE ENGENHARIA E ENEL BRASIL
REUNIRAM LIDERANÇAS PARA DISCUTIR ESTRATÉGIAS DE RESILIÊNCIA E MODERNIZAÇÃO DAS REDES ELÉTRICAS BRASILEIRAS, PARA GARANTIR O FUTURO
ENERGÉTICO E UMA INFRAESTRUTURA ELÉTRICA MAIS SUSTENTÁVEL
•
Por Karina Lignelli
Em tom de urgência, mas também de cooperação, resiliência e construção de soluções sustentáveis para garantir a segurança energética do país, iniciaram-se as discussões técnicas sobre inovação e sustentabilidade no setor elétrico. Esses sentimentos — e planos de ação — marcaram, do início ao fim, o seminário “Energia em tempos de mudanças climáticas”, promovido pelo Instituto de IE (Instituto de Engenharia), em parceria com a Enel Brasil, nos dias 15 e 16 de outubro de 2025, em sua sede na Vila Mariana, em São Paulo.
Na mesa de abertura, o presidente do IE, o engenheiro José Eduardo Frascá Poyares Jardim, afirmou que o sistema de redes de transmissão de energia e suas suscetibilidades frente aos eventos climáticos representam um dos principais desafios da engenharia: garantir a segurança e a eficiência da distribuição elétrica em um cenário cada vez mais instável.
Em linha com a missão do instituto de promover a engenharia em benefício do desenvolvimento e da qualidade de vida, o evento trouxe discussões técnicas


sobre os desafios impostos pelas mudanças climáticas que afetam o Brasil e o mundo, além de destacar a importância das parcerias institucionais e empresariais para promover soluções sustentáveis que garantam a segurança energética em nível nacional.
O diretor da Revista Engenharia, Rui Camargo, destacou o papel do IE como espaço de debate e difusão de conhecimento técnico. “A revista tem o compromisso de registrar a evolução da engenharia e difundir experiências que impulsionem o avanço tecnológico e a valorização do engenheiro brasileiro”, afirmou.
Declarando os debates abertos, o presidente da Enel Brasil, Antonio Scala, apresentou o compromisso da empresa com a transição energética e com o fortalecimento da resiliência das redes de distribuição. Também destacou que as mudanças climáticas deixaram de ser “uma previsão de futuro, para se tornarem uma realidade cotidiana.”
“Hoje é cada vez mais comum termos ventos de mais de 100 km/h e chuvas intensas. Esses eventos impõem um desafio gigantesco ao setor elétrico, e é por isso que estamos investindo fortemente para tornar nossa infraestrutura mais resiliente”, afirmou.


Scala reforçou a importância do plano da Enel de investir R$ 24 bilhões em três anos em digitalização, automação e expansão das redes de distribuição em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, e apresentou os resultados dessas ações, que já são perceptíveis, como a redução do tempo médio de atendimento em 50%, e diminuição das interrupções prolongadas em até 85%, comparando ao verão passado.
O presidente ressaltou ainda que o grande desafio do setor de geração de energia hoje é integrar corretamente as fontes renováveis ao sistema, garantindo a segurança e a rentabilidade do que é investido, uma vez que o país está lidando com o problema do curtailment (ou corte forçado) enquanto busca utilizar integralmente a capacidade instalada de geração. “Isso exige o desenvolvimento de infraestrutura de transmissão e um quadro econômico que valorize investimentos.”

do IE
OS INVESTIMENTOS DE R$ 10,4 BILHÕES EM SÃO PAULO ATÉ 2027 POSSIBILITAM À DISTRIBUIDORA ACELERAR OS SISTEMAS DE AUTOMAÇÃO, AMPLIAR NÚMERO DE EQUIPES PARA TORNAR MAIS ÁGEIS OS ATENDIMENTOS EM CAMPO, READEQUAR PROCESSOS E APLICAR MEDIDORES INTELIGENTES PARA ENFRENTAR OS IMPACTOS CRESCENTES DOS EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS
• Por Karina Lignelli
Com o tema “Os desafios da modernização e manutenção da rede de distribuição na maior metrópole brasileira em tempos de mudança climática”, o diretor-presidente da Enel-SP, Guilherme Lencastre, apresentou um panorama realista sobre as transformações necessárias para garantir a estabilidade do sistema elétrico diante da nova frequência de eventos climáticos severos.

Ventanias, chuvas intensas e quedas de árvores se tornaram parte da rotina na capital paulista, exigindo da engenharia respostas rápidas, investimentos robustos e uma estrutura cada vez mais inteligente e resiliente.
Lencastre destacou que a Região Metropolitana de São Paulo concentra 8,3 milhões de clientes em apenas 1% do território paulista, abrigando metade da população do estado — o que amplia o impacto de qualquer interrupção no fornecimento.
“A cada novo evento climático, a capacidade de reação precisa ser maior. Lidamos com uma rede altamente densa e complexa, e o efeito de cada falha é multiplicado.”
Desde 2023, a Enel São Paulo vem adotando uma série de medidas para reforçar a infraestrutura da rede, aumentando em 39% os investimentos previstos e aplicando R$ 10,4 bilhões até 2027 em digitalização, automação e expansão do sistema.
Entre as ações prioritárias, foram contratados 1,2 mil profissionais de campo e outros 400, que foram admitidos em 2025; a criação de novas bases operacionais; a utilização de motoeletricistas para tornar mais rápidos os atendimentos; e a ampliação do programa de poda preventiva, já dobrado em relação a 2023 e que chegará a 600 mil em 2025, assim como foi em 2024.
Outra frente de modernização é o avanço dos medidores inteligentes (smart meters), que permitem identificar falhas e monitorar o consumo em tempo real, aumentando a eficiência operacional e o controle dos clientes sobre o uso de energia.
A companhia também aposta em projetos de resiliência local, testando soluções integradas de automação e reforço de rede em áreas específicas da Grande São Paulo, com resultados expressivos em redução de falhas e melhoria na qualidade do serviço.
Assim como nos demais locais onde a Enel atua no Brasil, os reflexos já começam a aparecer: de 2023 para 2025, o tempo médio de atendimento caiu 50%, mesmo diante do aumento de 33% no número de ocorrências, e as interrupções prolongadas foram reduzidas em mais de 85%. Lencastre diz que a evolução se deve não só à modernização da infraestrutura, mas também à melhor integração com prefeituras e órgãos públicos.
“A parceria com os municípios é fundamental para agilizar o trabalho em situações de crise. O diálogo direto
São Paulo concentra 8,3 milhões de clientes em apenas 1% do território paulista, abrigando metade da população do estado – o que amplia o impacto de qualquer interrupção no fornecimento

Diretores da Enel acompanham explicação técnica sobre equipamento
com as prefeituras tem sido decisivo para priorizar áreas críticas e garantir respostas mais rápidas”, explicou.
Com uma gestão voltada à inovação, à sustentabilidade e à proximidade com o poder público, o diretor-presidente diz que a engenharia é o elo entre tecnologia e sociedade.
“Cada tempestade é um novo teste para a nossa rede — e também uma oportunidade para evoluir. A resiliência energética é hoje o maior compromisso da Enel com São Paulo e com o futuro da energia no Brasil”, concluiu.

Autoridades e engenheiros prestigiaram o evento
Entrevista com Guilherme Lencastre, diretor-presidente da Enel São Paulo
INICIATIVA PRIORIZA REDES ISOLADAS, COMPACTAS E AUTOMATIZADAS PARA REDUZIR QUEDAS DE ENERGIA E AMPLIAR A QUALIDADE DO SERVIÇO
A região da Grande São Paulo possui uma densidade demográfica 23% acima da média do Brasil. Ou seja, a interrupção da energia, por um simples galho na rede, incomoda muita gente. Para mitigar os danos e oferecer um serviço mais tecnológico, a distribuidora de energia Enel São Paulo investiu R$ 36 milhões no projeto-piloto de modernização da rede em três bairros, com resultados positivos na redução da duração e frequência das quedas de energia. A iniciativa implantou uma rede isolada, compacta e automatizada, capaz de redirecionar o fluxo elétrico automaticamente em caso de falhas para garantir maior resiliência do sistema.
Guilherme Lencastre, diretor-presidente da Enel São Paulo, conta que as áreas escolhidas têm alta arborização e grande densidade populacional: Alto de Pinheiros (capital), Parque dos Príncipes, em Osasco, e Alvarenga (São Bernardo do Campo).

Guilherme Lencastre, diretor-presidente da Enel São Paulo
Com o aprendizado obtido, Lencastre explica que a empresa pretende expandir o modelo para outras regiões e acelerar investimentos futuros em infraestrutura elétrica, buscando equilíbrio entre custo, eficiência e qualidade do fornecimento.
QUAIS FORAM OS DESAFIOS PARA INICIAR ESSE PROJETO-PILOTO? JÁ É POSSÍVEL FALAR EM RESULTADOS?
Sim, temos resultados relevantes. O desafio inicial foi fazer o planejamento em uma área com grande concentração de clientes.
Porque as intervenções para fazer o investimento exigem a programação de desligamentos de energia, e o período de obras é longo. Você tem quilômetros de rede onde precisa ser feito todo o recondutoramento com uma rede mais robusta etc. Então, tem o desafio da execução e do impacto sobre os clientes, que precisa ser bem comunicado e tudo mais. E tem o segundo momento, que é a etapa de concluir esse projeto, e, de fato, fazer a aferição do benefício.
E aí, você compara períodos que possam ser comparáveis, identificando onde teve ocorrências e qual foi o impacto que isso teve na rede. O Parque dos Príncipes foi o primeiro local onde conseguimos colocar em operação e que trouxe resultados. Tivemos melhoria nos indicadores de qualidade, tanto de duração quanto de frequência. Nosso objetivo era concentrar uma série de investimentos com várias ações num lugar, onde pudéssemos gerar um impacto importante, e medir depois qual seria o resultado com as mesmas ocorrências acontecendo.
QUANDO VOCÊS FALAM EM REDE RESILIENTE, DO PONTO DE VISTA DA ENGENHARIA, QUAIS SÃO ESSAS MELHORIAS?
Por exemplo, você coloca uma rede isolada e compacta. Por ser isolada, um toque de galho de árvore não é suficiente para interromper a energia. Em uma rede normal, que chamamos de ‘rede nua’, quando isso acontece, há interrupção de energia. Se fizéssemos isso em toda a rede, levaria mais tempo e teria um custo elevado. Por isso, concentramos os investimentos nessas três regiões para depois medir os resultados. Isso permite levar as informações para o regulador e dizer: ‘olha como funciona, como poderíamos fazer até mais rápido’. Com isso, podemos discutir maneiras de acelerar os investimentos e sugerir melhorias na regulamentação para apoiar a modernização do sistema elétrico.
Outro ponto é a automação, quando usamos sistemas remotos para fazer o atendimento ao cliente, sem interferência humana. Funciona assim: a rede, quanto mais ramificada e interligada for, mais flexível. Essa flexibilidade significa que, se houver uma interrupção em um ponto, o fluxo de energia pode ser redirecionado, mantendo o atendimento ao cliente muitas vezes sem que ele perceba. No piloto, essas três características foram implementadas: flexibilidade, resistência e automação.

Guilherme Lencastre e equipe acompanharam demonstração do técnico da Enel sobre a diferença dos equipamentos levados pelos motoeletricistas.
A QUESTÃO DO PARQUE DOS PRÍNCIPES SER MUITO ARBORIZADO, PORQUE É UM LOCAL QUE TEM ÁRVORES ENORMES, FOI UM DOS CRITÉRIOS DA ESCOLHA DO LOCAL?
Esse foi um dos motivos para escolhermos esse local. Outros bairros, como Alto de Pinheiros, em São Paulo, e Alvarenga, em São Bernardo do Campo, também têm árvores, mas apresentavam características diferentes, não apenas em relação à rede elétrica, mas também dos clientes, do tipo de cliente, comercial e residencial. Ou seja, sim, são características diferentes, mas, de novo, o objetivo é conseguir fazer investimento, medir o resultado e avaliar como replicá-los em outras regiões.
Por exemplo, colocamos cabos isolados e compactos em alguns quilômetros nessas três regiões. O desafio é repetir o processo em toda a nossa rede, que é muito extensa. Por isso, é necessário priorizar as áreas mais críticas e, ao longo dos anos, expandir gradualmente essas melhorias.
AO CONTAR COM UMAS DAS MATRIZES MAIS LIMPAS DO MUNDO, PAÍS ENFRENTA DESAFIO DE LEVAR ENERGIA RENOVÁVEL AO CONSUMIDOR EM MEIO A GARGALOS NA TRANSMISSÃO E NA GESTÃO DO CURTAILMENT
• Por Karina Lignelli
Reconhecido como uma das nações com a matriz energética mais limpas do mundo, o Brasil vive o paradoxo de ter avançado fortemente em fontes renováveis, mas ainda enfrentar gargalos estruturais na transmissão e integração da energia ao sistema elétrico. A expansão descontrolada e a fragilidade na infraestrutura de transmissão impuseram um desafio sistêmico ao setor elétrico nacional. Essa crise se concentra no fenômeno do curtailment — o corte forçado da geração de energia.
O painel “Brasil, centro mundial de energia limpa: conquistas e desafios atuais — transmissão e curtailment” iniciou a série de debates técnicos com uma reflexão estratégica sobre o papel do país na matriz energética global. Moderado por Luiz Felipe Proost de Souza, membro do Conselho Deliberativo do IE, o encontro reuniu o presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales; o diretor-presidente da Enel Green Power Brasil, Flavio Cozzolino; e o diretor-executivo do Banco do Nordeste, José Aldemir Freire.
Sales, do Acende Brasil, contextualizou que o curtailment é um corte forçado de geração promovido pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) para garantir a estabilidade da rede. Embora sempre tenha existido em grau muito baixo, a intensidade dos cortes se elevou drasticamente após um episódio de grande instabilidade em agosto de 2023, levando o ONS a adotar critérios operacionais muito mais rigorosos.
Em sua avaliação, o problema não decorreu de falhas


nas usinas, mas da falta de infraestrutura de transmissão e da instabilidade do sistema em momentos de pico ou baixa demanda. “Estamos diante de um risco sistêmico. O país investiu bilhões em capacidade de geração, mas parte dessa energia não consegue chegar ao consumidor por falta de linhas de transmissão e de critérios operacionais que precisam ser atualizados.”
Sales lembrou que o crescimento acelerado da micro e minigeração distribuída — que já ultrapassa 50 GW instalados – vem pressionando ainda mais o equilíbrio da rede.
“A geração distribuída deixou de ser micro e tornou-se um elemento relevante do sistema. Sem planejamento adequado, ela pode transformar o que seria uma solução descentralizada em um fator de instabilidade”, analisou.
O presidente da Enel Green Power Brasil reforçou a importância de políticas estáveis e de uma regulação que incentive novos investimentos em renováveis e infraestrutura. Ele destacou que o país alcançou uma posição de destaque global na geração solar e eólica, mas que a previsibilidade e a integração tecnológica serão decisivas para a continuidade desse avanço.
“O Brasil é um laboratório vivo da transição energética. Temos sol, vento e capacidade técnica, mas precisamos garantir segurança jurídica e infraestrutura para transformar potencial em energia efetivamente entregue”, afirmou.
Na mesma linha, o economista José Aldemir Freire, diretor-executivo do BNB (Banco do Nordeste), destacou o papel dos bancos públicos e de fomento na viabilização dos projetos de energia limpa. Segundo ele, o BNB tem ampliado seu portfólio de financiamento para parques renováveis e projetos híbridos, que combinam diferentes fontes e soluções de armazenamento.
“O desafio não é apenas gerar energia limpa, mas assegurar que o sistema financeiro esteja preparado para apoiar a inovação e a expansão sustentável do setor elétrico.”
Com visões complementares, os debatedores convergiram na ideia de que o Brasil reúne as condições ideais para se consolidar como potência energética limpa, desde que se invista em planejamento de longo prazo, ampliação da malha de transmissão, regulação moderna e mecanismos de financiamento ágeis.
Ou, como resumiu Cláudio Sales, “a energia está sendo produzida; o desafio é fazer com que ela chegue a quem precisa, com segurança, eficiência e sustentabilidade”.


O Brasil alcançou uma posição de destaque global na geração solar e eólica, mas que a previsibilidade e a integração tecnológica serão decisivas para a continuidade desse avanço
Entrevista com diretor-presidente da Enel Green Power Brasil, Flavio Cozzolino
DIRETOR-PRESIDENTE DA ENEL GREEN POWER BRASIL, FLAVIO COZZOLINO, DESTACA QUE TECNOLOGIA
PERMITE REDUZIR A DEPENDÊNCIA DE TÉRMICAS E AMPLIAR EFICIÊNCIA DO SISTEMA ELÉTRICO
As baterias vêm ganhando espaço como uma das principais soluções para o armazenamento e a gestão da energia renovável, permitindo reduzir perdas e otimizar a operação do sistema elétrico. Segundo Flavio Cozzolino, diretor-presidente da Enel Green Power, o movimento é global: “Em 2025, no mundo, foram instalados cerca de 180 gigawatts em baterias, o mesmo volume de 2024. Para comparação, o Chile, que está mais avançado em normas regulatórias do que o Brasil, já opera com cerca de 10 GW”, explica.
A tecnologia, segundo ele, já é madura e industrializada. “A bateria armazena o excesso de energia durante o dia, especialmente a solar, e libera essa energia nos horários de pico, que está hoje entre 17h e 19h. Normalmente, elas carregam e descarregam em ciclos de quatro horas, o que ajuda a distribuir melhor o consumo e reduzir a necessidade de acionar as usinas térmicas”, detalha.
Essa capacidade de armazenamento e resposta rápida permite que as fontes solar e eólica ofereçam um serviço semelhante ao das térmicas, com vantagens ambientais. “As baterias tornam possível deixar as térmicas fora da base de produção, mantendo-as apenas como respaldo eventual”, afirma.
O avanço no armazenamento é uma das soluções apontadas como necessárias para evitar o curtainment (corte forçado de energia pelo operador), e consequentemente uma ruptura financeira no setor de energia renovável.
O Brasil, no entanto, ainda aguarda avanços regulatórios para expandir o uso da tecnologia. “Estamos esperando o primeiro leilão, previsto para este ano, e a norma técnica que vai definir como essas


baterias serão implementadas. A partir daí, o ONS poderá calcular o volume necessário de armazenamento para os próximos anos”, pondera Cozzolino.
Questionado sobre eventuais impactos ambientais das baterias, ele descarta conflitos com a sustentabilidade. “As baterias não aumentam a emissão de carbono e não utilizam terras raras. Usam terras críticas, que o Brasil possui em abundância. Além disso, há uma sobrecapacidade global de produção, o que pode baratear custos e acelerar a integração à rede”, conclui.
em situação de emergência: o caso do Rio Grande do Sul e a cooperação entre empresas de diferentes estados
EMPRESAS DISTRIBUIDORAS DE ENERGIA TÊM TRABALHADO
CONJUNTAMENTE EM CASOS DE TRAGÉDIA CLIMÁTICA
•
Por Juca Guimarães
Agrande catástrofe que interrompeu o fornecimento de energia elétrica em grande parte do território do estado do Rio Grande do Sul em 2024, devido a condições climáticas extremas, deixou como grande aprendizado — e também como um terreno fértil de estudo — o potencial de auxílio mútuo de forma ágil e coordenada entre as empresas distribuidoras de energia.
A CPFL Energia é a empresa responsável pela Distribuidora RGE, que tem a concessão de distribuição para 76% do estado do Rio Grande do Sul. Durante a tragédia climática, mais de 95% da região tiveram a energia interrompida, com pico atingindo cerca de 300 mil clientes.
Segundo Alex Almeida Pinhati, diretor de Gestão Operacional do grupo CPFL Energia, as estradas ficaram interditadas por semanas, com muitas áreas alagadas, bairros e cidades inteiros devastados, sobretudo na região serrana. “A empresa teve de usar helicópteros e drones para conseguir avaliar os danos em algumas áreas. Em muitas situações, a rede teve de ser mantida desligada, pois seria um grande risco social restabelecer a energia naquelas condições. Foi uma situação extrema nunca antes vista”, disse.
A ajuda mútua, que contou com o apoio de empresas de outros estados, de forma emergencial, foi importante naquele momento, entre abril e maio de 2024.
A Enel São Paulo foi uma das empresas de fora do estado que participaram do mutirão de ajuda. “Conse-


guimos enviar equipes especializadas em redes reticuladas e subterrâneas, que ajudaram a restabelecer o sistema, que é muito complexo tanto do ponto de vista da engenharia quanto pelas condições devastadoras da região”, comentou Márcio Jardim, diretor de Operações da Enel em São Paulo.
Essa ajuda mútua da Enel São Paulo foi em área de concessão da distribuidora C3E, do Grupo Equatorial. Além das equipes de técnicos especializados, a empresa de São Paulo também disponibilizou equipamentos e uma subestação móvel, que acabou não sendo usada. Houve uma cooperação muito grande entre as equipes da C3E e da Enel.
Meses depois, em outubro de 2024, a própria Enel, contou com a ajuda de diversas empresas distribuidoras próximas, por conta de eventos climáticos extremos que deixaram cerca de três milhões de clientes sem energia. O apoio veio da CDP, da Energisa, da CPFL Energia, entre outras.
“O grande aprendizado foi essa cooperação que aconteceu entre as empresas de distribuição, as prefeituras e a Defesa Civil”, disse Roberto Watanabe, coordenador da Divisão Técnica de Projetos do Instituto de Engenharia.
O coordenador de Qualidade da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Renato Eduardo Farias de Souza, destacou a importância da articulação das distribuidoras frente ao cenário cada vez mais comum e intenso de emergências climáticas extremas no país. Ao mesmo tempo, a agência busca garantir um contexto regulatório, que auxilie a cooperação em situações extremas, sem prejudicar nenhuma empresa do setor.
“Em 2023, a ONU destacou que o Brasil teve a maior quantidade de eventos climáticos extremos da sua história. Por conta disso, a cooperação em eventos climáticos extremos é um tema que tem ocupado bastante a agenda da área técnica da Aneel”, disse o coordenador de Qualidade.
O representante da agência reguladora explicou que o processo de elaboração de regulamento é muito detalhista e, necessariamente, passa por diversas fases de verificação para que seja avaliado o máximo possível de variáveis e consequências indesejadas. “É um rito que chega a demorar um ano, não por ser um processo moroso, mas sim porque é muito verificado. No entanto, por conta das urgências e das medidas que deveriam

Poste temporário utilizado para reestabelecer a energia durante os reparos

ser tomadas com agilidade durante o período em que o Rio Grande do Sul estava alagado, foi criada a Resolução Normativa n.1.092, em cerca de uma semana”, disse Souza. Criada em de maio de 2024, flexibilizou as regras de prestação de serviços e determinou que fosse dado atendimento prioritário às regiões atendidas no Rio Grande do Sul, durante o período de calamidade pública.
A Aneel também ampliou o foco nas questões que envolvem a resiliência de redes das distribuidoras, já considerando eventuais problemas dessa mesma natureza. De acordo com o representante do governo, é preciso uma nova mentalidade de adaptação para que as empresas façam acompanhamento aperfeiçoado de dados meteorológicos, por exemplo.
Outra vertente de avaliação está no radar da Aneel para melhoria da resiliência das redes de distribuição, em situações extremas que exigem a cooperação mútua de distribuidoras de outros estados. É a padronização de parte dos processos e o treinamento de equipes técnicas, capazes de atuar com rapidez e eficiência em sistemas que operam de forma diferenciada.
“A Aneel quer criar as condições ideais para que, em condições muito específicas, esse compartilhamento seja feito com pouco risco”, disse Souza.
O processo de elaboração de regulamento é muito detalhista e, necessariamente, passa por diversas fases de verificação para que seja avaliado o máximo possível de variáveis e consequências indesejadas
EMPRESAS ENCONTRAM DESAFIO EM SISTEMA DE OPERAÇÃO DE ABASTECIMENTO CENTRALIZADO DE ÔNIBUS ELETRIFICADO
• Por Rúbia Evangelinellis
Ocusto da implantação de uma frota de ônibus eletrificada, especialmente no ponto de infraestrutura necessária para ampliar a rede de energia em locais de abastecimento dos veículos, é considerado um desafio para empresas do setor. Ainda que haja um consenso de que o Brasil es-

Mesa 3: “Eletromobilidade: o transporte público sustentável, a experiência de SP e de outros países”
tampa um sistema exemplar, o painel “Eletromobilidade: O transporte público sustentável, a experiência de São Paulo e de outros países” aponta os desafios a serem vencidos para impulsionar a operação.
O engenheiro Flamínio Fischmann, membro do Departamento de Desenvolvimento Urbano e Regional do Instituto de Engenharia, atuou como mediador. Ele destacou a importância de ações que incrementem a operação de frota limpa, excluindo gargalos que emperram o sistema, como concentração de locais de abastecimento.
Tatiana Celani, diretora comercial da Enel SP, apresentou, na abertura do painel, números que demonstram o andamento do processo na capital, que tem de apresentar 100% da frota abastecida com energias limpas até 2038. A executiva explicou o passo a passo necessário para viabilizar o processo e o trabalho desenvolvido pela distribuidora.
Primeiramente, o concessionário precisa apresentar à Enel o projeto de solicitação de energia para obter a infraestrutura de abastecimento de ônibus elétrico. Se aprovado, a distribuidora realiza o redimensionamento da rede de energia na região solicitada, que pode envolver reconstrução de trechos da rede elétrica, troca de postes, cabos e pedido de licença para a execução do trabalho. O prazo médio de obras varia de 120 a 210 dias.
Em paralelo, o concessionário precisa investir na compra de ônibus novos, na construção da cabine primária para receber a energia dentro da garagem, na aquisição e instalação de carregadores. E, após vistoria aprovada pela Enel, é liberada a conexão da energia à garagem.
Desde 2024, a Enel concluiu 23 obras em 22 garagens e outras 15 estão com previsão de término. Isso significa que 50,8 MW abastecem 1.151 veículos coletivos, o equivalente ao consumo de um município do tamanho de Barueri, em São Paulo. A distribuidora investiu R$ 10 milhões em obras de rede, e os concessionários injetaram mais R$ 300 mil para a adaptação. Em 2025, 90 MW de energia foram disponibilizados, capacidade suficiente para abastecer dois mil ônibus.
A Enel mede o consumo de energia das garagens. Em média, representa 18% da demanda contratada. “Observamos que o grande consumo está concentrado no

Tatiana Celani, diretora Comercial da Enel-SP e Renato Eduardo Farias de Souza, coordenador de Qualidade da Aneel

João Carlos de Souza, diretor da ANTU, Milena Romano, presidente da Electra e diretora da Next Mobilidade e Anderson Farias, prefeito de São José dos Campos

Farias, prefeito de São José dos Campos
início da noite e na madrugada, quando é feito o carregamento dos veículos. Como tem uma sazonalidade de consumo e entregamos uma energia flat (contratação de energia no mercado livre, onde o volume total é dividido igualmente entre todas as horas), estamos avaliando com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) um modelo em que eles possam usar mais energia à noite e menos durante o dia, para que tenham benefícios em tarifa ou faturamento.”
Sistema inovador
Anderson Farias, prefeito de São José dos Campos, no interior de São Paulo, relatou a experiência inovadora de implantação dos ônibus elétricos. A cidade tem um corredor para veículos 100% elétricos, por onde circulam 12 articulados desde 2021, com motores e chassis BYD e carroceria Marcopolo. O município adquiriu os veículos, fez a concessão dos estacionamentos rotativos da cidade, Zona Azul, e utilizou o dinheiro da outorga para comprar os ônibus.
O corredor tem 12,5 km e foi montado onde existe a linha de transmissão de energia elétrica, antes chamada de linha. “Era uma cicatriz que cortava a cidade de ponta a ponta, entre Jacareí e Caçapava, ambas em São Paulo. Agora, vamos construir mais 14 km de corredor, ligando a região sul ao centro e o centro à região leste.”
O pulo do gato está na extensão do sistema, por meio da locação de 400 ônibus, que começaram a ser entregues em setembro pela empresa Green Energy, encarregada de intermediar a operação. O fabricante é a Electra, indústria nacional instalada no ABC, na Grande São Paulo. Até setembro de 2026, garante o prefeito, a frota será 100% renovada. Atualmente é de 372 veículos, sendo 360 a diesel e 12 elétricos.
A cidade prepara uma licitação, no início deste ano, para seleção de uma operadora do sistema de transportes público, que terá de oferecer mão de obra necessária, como motoristas e cobradores, além de serviços de mecânica. A manutenção preventiva será feita pela Green Energy, e a corretiva, pela nova contratada.
Outra novidade é o sistema descentralizado de abastecimento por meio de parceria com a iniciativa privada. Serão duas garagens com carregadores a cargo da operadora e mais oito pátios distribuídos pelo roteiro dos coletivos, que serão administrados por futuras con-
"Estamos avaliando com a Aneel um modelo em que eles possam usar mais energia à noite e menos durante o dia, para que tenham benefícios em tarifa ou faturamento", diz Tatiana Celani

Entrevista com Letícia Curado, head de Sustentabilidade da Enel Brasil
“JÁ SOMOS 100% RENOVÁVEIS NO BRASIL – O DESAFIO AGORA É AMPLIAR O IMPACTO SOCIAL”
À frente da área de Sustentabilidade da Enel Brasil, Letícia Curado, que está na companhia desde 2008, assumiu o cargo recentemente. A diretora tem dado continuidade a uma transição estratégica voltada à ampliação dos projetos sociais e de eficiência energética nas três distribuidoras do grupo.
Letícia destaca que a sustentabilidade na Enel é um tema completamente transversal, permeando áreas como gestão de energia, comercial, clientes e financeiro. “A partir de 2026, os relatórios de sustentabilidade passarão a ser integrados às demonstrações financeiras, alinhando-se às exigências da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e às condições de financiamento climático de instituições, como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que vêm vinculando taxas subsidiadas a critérios de ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês) e metas ambientais”, acrescenta.
Criada em 2015, a diretoria de Sustentabilidade da Enel Brasil consolidou frentes de pessoas, clima e transição energética sob uma única governança. O compromisso da empresa com o Acordo de Paris, do qual é signatária desde 2015, reforça a meta global de atingir emissões líquidas zero até 2040, já com o Brasil operando com geração 100% renovável. A atuação local, no entanto, é “tropicalizada”, com foco acentuado em projetos sociais e educacionais vinculados aos ODSs, especialmente os de educação de qualidade (ODS 4), energia limpa e acessível (ODS 7) e trabalho decente e crescimento econômico (ODS 8).
Com o aumento previsto de recursos regulatórios atrelados à ROL (receita operacional líquida) e à expansão de métricas climáticas no setor elétrico, a área de sustentabilidade da Enel Brasil se consoli -

da como um verdadeiro hub de integração entre tecnologia, finanças e território, transformando inovação em benefício concreto: menos desperdício, contas mais justas e cidades mais resilientes.
Além das ações já consolidadas, a área de projetos especiais da Enel tem sido estruturada para olhar para o futuro da energia, com ênfase em descarbonização, hidrogênio verde e cidades verdes. Em parceria com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), a Enel desenvolve estudos para novas soluções e avança na elaboração do inventário de CO2, incorporando metas e indicadores de emissões aos processos internos, como gestão de frota e logística.
“Essa parceria com o IPT contempla a questão de novos projetos. Estamos olhando para temas como eficiência energética, o que já é feito há anos. Nosso olhar é para o futuro”, explica a executiva da Enel Brasil. “Nossa pauta abrange as nossas emissões de CO2. Fazer o inventário de CO2 é algo novo que as empresas estão começando a fazer. Agora, precisamos acompanhar dentro da sustentabilidade e conseguir incluir em nossos processos, por exemplo, o acompanhamento das rotas da frota para sermos mais eficientes”, acrescentou.
cessionárias. “Isso evita a quilometragem ociosa até as garagens para recarga”, disse Tatiana.
Milena Romano, presidente da Electra (que fabrica ônibus elétricos e soluções de mobilidade sustentável) e diretora da Next Mobilidade (operadora de transporte que atua na modernização da região do ABC Paulista, incluindo a introdução de veículos elétricos) comemora o bom momento do Brasil, reconhecido pelos avanços na eletromobilidade. “Estávamos muito atrasados em relação ao mundo, e perdemos mercado nos últimos 20 anos nas vendas de ônibus. Agora, o país retomou e já é o terceiro na América Latina, perdendo para Chile e Colômbia. O Brasil conta com 1.166 ônibus elétricos e mais de 15 cidades em operação. Ainda temos algumas travas de infraestrutura e energia, mas com parceiros locais o sistema está se consolidando.”
Pelas suas contas, um ônibus eletrificado tem uma operação limpa, simples e reduz os gastos de manutenção em torno de 80% em relação ao diesel.
Ela falou ainda do projeto que está sendo desenvolvido para o ABC, que consiste na criação do E-Trol, modelo de veículos que mistura trólebus com elétrico puro, desenvolvida pela Electra, e possibilita recarga durante a rota do ônibus, desde que tenha um corredor exclusivo e rede aérea.
Renato Eduardo Farias de Souza, coordenador de Qualidade da Aneel, destacou a importância de desenvolver projetos que considerem o custo de distribuição da energia, uma vez que os veículos exigem cargas grandes de energia, uma capacidade de corrente muito alta e drenam muito a rede, que não é feita para ter folga, e pensada para atender a demanda.
“No atual cenário, a Aneel, que apoia a eletrificação, está se reestruturando internamente para poder colaborar com essas soluções que a sociedade civil e as distribuidoras pedem. Adotar a mobilidade elétrica é uma decisão social. É um vetor importante de descarbonização.”
João Carlos de Souza, diretor da ANTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), abordou a questão sob o ponto de vista do operador. Considerando o cenário de São Paulo, observou que os operadores “aprenderam” a dar a importância devida
“No atual cenário, a Aneel, que apoia a eletrificação, está se reestruturando internamente para poder cola-borar com essas soluções que a sociedade civil e as distribuidoras pedem",
disse Renato de Souza


Cobertura - Dia 1
à infraestrutura para viabilizar a eletrificação da frota. “Entendemos que não depende apenas da quantidade de energia, porque isso o Brasil tem. Mas sim da distribuição de energia, que varia de região para região.
Um dos desafios é saber como otimizar a rede de carregamento. Para abastecer um ônibus elétrico, leva-se de duas a cinco horas, dependendo do porte do carro. “Isso traz uma dinâmica nova para operação, um aprendizado.”

Ônibus da Electra
A TECNOLOGIA É UMA IMPORTANTE FERRAMENTA PARA APOIAR A MODERNIZAÇÃO, A EFICIÊNCIA E A TRANSPARÊNCIA PARA OS CONSUMIDORES DAS REDES DE SERVIÇOS PÚBLICOS
• Por Julio Costa Barros
Na abertura do painel, Roberto Berkes, vice-diretor Operacional da vice-presidência de Atividades Técnicas do IE (Instituto de Engenharia), reforçou como a inovação tecnológica tem revolucionado de maneira silenciosa o fornecimento de serviços, particularmente, nos setores elétrico e de saneamento. “Realmente são ideias inovadoras, que muitas vezes nós não conhecemos em detalhes”, avaliou.
Engenheiro do IE também chamou a atenção para o papel da Enel Brasil, não só ao investir em P&D (pesquisa e desenvolvimento tecnológico), mas também ao se empenhar em promover a capacitação profissional.
“Não adianta desenvolver novas tecnologias sem gente preparada para operá-las. O treinamento e a formação são tão importantes quanto produzir inovação”, reforçou Berkes, ao parabenizar a distribuidora de energia elétrica

Luiz Renato Fraga Rios, diretor de Proteção da Receita da Sabesp, Roberto Berkes, vice-diretor Operacional da vice-presidência de Atividades Técnicas do IE e Pedro Fazio, especialista-sênior do Projeto Smart Meter da Enel-SP
pela iniciativa em promover capacitação em parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).
Responsável pelo projeto Smart Meter da Enel São Paulo, Pedro Fazio iniciou a sua participação reforçando os benefícios do desenvolvimento de novas tecnologias para impulsionar o setor elétrico em plena era de transformação para o segmento.
Segundo ele, os esforços são impulsionados por quatro grandes pilares. “Vamos falar um pouco da eletrificação, o primeiro desses pilares. Nossa sociedade demanda cada vez mais geração e distribuição de energia elétrica, muito por conta da mobilidade, puxada pela expansão acelerada da frota de veículos elétricos”, disse.
“O segundo pilar é o da descarbonização, envolvendo a sustentabilidade e a busca pela redução da perda não técnica, além de estar relacionado à busca por eficiência energética”, acrescentou Fazio, explicando que o projeto Smart Meter contribui diretamente para tornar o setor elétrico mais sustentável.
Na sequência, citou o terceiro pilar: “Trata-se da transformação da nossa rede convencional em uma rede smart. Isso contribui com a nossa busca constante por flexibilidade, robustez e resiliência”, disse Fazio.
A medição inteligente, o quarto pilar, completa a estrutura apresentada por Fazio. O especialista explicou que os equipamentos desenvolvidos por meio do projeto Smart Meter nada mais são do que “a porta de entrada para o processo de transformação do setor elétrico” promovido pela Enel, pois dão sustentação à transição energética e oferecem maior transparência ao consumidor.
“A ideia é utilizar a medição inteligente para poder conectar o consumidor à rede do futuro. As informações coletadas a partir da medição inteligente vão permitir que a Enel Brasil consiga, de forma remota, ter e oferecer maior controle”, contou Fazio.
O especialista sênior da Enel sustentou que o monitoramento do consumo será bom para a empresa e para o cliente. Isso porque os dispositivos smart meter desenvolvidos pela empresa são bidirecionais. Ou seja, sempre que o consumidor solicitar modificações no tipo da modalidade tarifária não será mais necessária a troca


“A ideia é utilizar a medição inteligente para poder conectar o consumidor à rede do futuro”, contou Fazio
do medidor como ocorre hoje em dia. Todo o processo será feito de maneira remota e automática.
É o caso das tarifas em que o consumidor opta pela modalidade de geração distribuída de energia elétrica. É a eletricidade gerada no local de consumo, ou próxima a ele, por meio de fontes renováveis, como solar, eólica e hídrica, por exemplo.
É o caso também de localidades onde o serviço é fornecido com faixas de multitarifas. Dessa maneira, o cliente também pode solicitar uma tarifa branca, um modelo em que o valor da energia varia de acordo com o horário do dia.
Fazio lembrou que a Enel é pioneira global na tecnologia de smart meter desde que a matriz italiana implementou o Telegestore (2001–2006), instalando 30 milhões de medidores inteligentes. Hoje, o grupo europeu atende 46 milhões de clientes com medição inteligente (Itália, Espanha, Chile, Argentina e Colômbia).
O medidor inteligente ainda conta com sensor de rede capaz de realizar detecção de irregularidades e fraudes (sensores, alarmes, volt detect para “empréstimo de energia” no lado da carga) e que torna viável o atendimento automatizado em emergências com ping (verifica se há energia) e last gasp (o concentrador avisa queda na área do transformador), evitando deslocamentos improdutivos de equipes de serviço.
“Tecnicamente, o cliente não consegue cometer irregularidades, porque esse medidor é totalmente sensorizado. Há um sensor na cúpula do visor do aparelho e, caso alguém tente retirar a tampa que protege o leitor, automaticamente, é acionado um alarme para a nossa central de operação”, contou Fazio.
“A medição inteligente conecta o consumidor à rede do futuro, garante transparência, eficiência e sustentabilidade”, resumiu Fazio.
Novos desafios
O desenvolvimento de um sistema mais moderno de distribuição de energia elétrica também representa novos desafios. Esse é o caso do surgimento dos prosumidores, consumidores que, além de usar energia, também a produzem. Quando geram mais eletricidade

Mesa 4: “Inovação na distribuição de energia: Smart Meters e transparência para o consumidor; Inteligência Artificial na gestão de redes”
O desenvolvimento de um sistema mais moderno de distribuição de energia elétrica também representa novos desafios
do que consomem, o excedente é compartilhado com a distribuidora responsável pela rede.
Fazio avalia que a abertura do mercado e a evolução regulatória exigem avanços da medição inteligente e das redes digitalizadas para viabilizar novas modalidades de contratação.
Medição inteligente para água
O painel prosseguiu com a apresentação de Luiz Renato Fraga Rios, diretor de Proteção da Receita da Sabesp, que apresentou o que classificou como a “virada digital do saneamento” da empresa, privatizada há pouco mais de um ano.
Segundo ele, a Sabesp promove o maior projeto de medição inteligente de água do mundo. “A Sabesp atende 375 municípios de São Paulo, com 29 milhões de pessoas abastecidas com água e 26 milhões com coleta de esgoto, ou 64% da população paulista. A empresa tem até 2029 para universalizar água e esgoto nesses municípios”, detalhou.
O especialista destacou o projeto de modernização como um “passo importante da companhia de saneamento rumo à inovação e à gestão inteligente dos recursos hídricos” no estado de São Paulo.
Pelos novos contratos de concessão de São Paulo e São José dos Campos, a instalação de medidores inteligentes será obrigatória até 2029, com tecnologia digital e telemetria IoT (sigla para o termo “internet das coisas”, em tradução livre).
A implantação total do sistema garantirá que as informações geradas por residências, comércios e indústrias, somadas aos sensores da rede, passarão a chegar instantaneamente aos centros de operação da companhia de saneamento.
Mas algumas questões técnicas precisaram ser superadas antes que os primeiros medidores inteligentes da Sabesp fossem instalados nos imóveis dos consumidores. Isso porque, ao contrário da distribuidora de eletricidade, que instala o smart meter diretamente na rede de energia elétrica que o alimenta, o hidrômetro inteligente não pôde contar com essa mesma facilidade.
“Tivemos de desenvolver um equipamento com bateria parruda, que suporta até dez anos de funcionamento da medição e dez anos de conexão de telecomunicação
“Tivemos de desenvolver um equipamento com bateria parruda, que suporta até 10 anos de funcionamento da medição e 10 anos de conexão de telecomunicação diária para viabilizar o tráfego dos dados entre os nossos clientes e as nossas centrais de controle”, explicou Rios
diária para viabilizar o tráfego dos dados entre os nossos clientes e as nossas centrais de controle”, explicou Rios.
O medidor inteligente da Sabesp usa a mídia telecomunicação NB-IoT, o narrowband internet of things, que é uma bateria capaz de alimentar tanto o circuito de medição quanto o circuito de telecomunicação do dispositivo de medição.
“Planejamos instalar 4,4 milhões de hidrômetros inteligentes de faturamento e vamos instalar também outros cem macromedidores, que são justamente nas entradas estratégicas de água da nossa rede”, adiantou Rios, acrescentando que essas instalações estão escalonadas para acontecer da seguinte maneira: 2026 (1,5 milhão), 2027 (1,5 milhão), 2028 (1 milhão) e o restante, em 2029.
Tecnologia e precisão
O hidrômetro inteligente adota medição ultrassônica (sem partes móveis), o que evita a depreciação metrológica típica dos velocimétricos mecânicos (que podem errar >10% em três anos, sempre contra a distribuidora). Em testes, unidades com nove anos mantiveram erro próximo de zero.
A telemetria usa NB-IoT (rede celular pública para dados) com cobertura de 99% no estado de São Paulo e baixo consumo. “Isso é crucial porque o saneamento não dispõe de energia na ‘tomada’ do medidor. O SIM card é eletrônico, com portabilidade de operadoras ao longo do contrato (15 anos)”, afirmou o representante da Sabesp.
Aplicativo e alertas
Os clientes da Sabesp ganham a possibilidade de maior controle da gestão do consumo de água e, ao mesmo tempo, podem solucionar pequenos vazamentos dentro do imóvel antes mesmo que estes resultem em problemas estruturais na edificação, além de outros tipos de prejuízos financeiros desnecessários.
Pelo aplicativo, o cliente pode acompanhar o consumo diário e receber alertas em situações fora do padrão, como possíveis vazamentos, identificados por consumo contínuo durante a madrugada, ou picos inesperados de uso.
“Implantamos algoritmos que identificam situações

Hidrômetro inteligente da Sabesp

Pedro Fazio apresenta os smart meters

“A integração entre dados de energia e água vai mudar o jeito de gerir cidades.”
Luís Renato Fraga Rios, diretor de Proteção da Receita da Sabesp
“Não há eletromobilidade, automação ou redes inteligentes sem um sistema de controle robusto — é ele que garante supervisão, eficiência e segurança na distribuição de energia .” Roberto Berkes, do IE

atípicas. Quando isso ocorre, o próprio sistema envia o alerta ao nosso cliente”, detalha Rios. “Um grande vazamento ou um pequeno consumo contínuo durante a madrugada é estranho. São sinais que fogem das características de um uso normal, então a gente sugere ao consumidor que inspecione a sua instalação interna”, contou.
A medição inteligente reduz custos de leitura e inspeção, prioriza equipes onde há alta probabilidade de perda comercial e reforça o faturamento justo – nem a mais, nem a menos.
“Vem tudo embarcado no hidrômetro inteligente. O módulo de comunicação, o módulo de corte. Tudo isso em um só corpo. Isso diminui falhas, furto, vandalismo”, disse Rios.
O representante da Sabesp também falou dos alarmes antifraude, que são acionados sempre que alguém tenta burlar o equipamento. Um sinal de anomalia é disparado e transmitido para a central de controle da empresa.
“Nos casos de religação à revelia, por exemplo, se o imóvel teve o fornecimento de água cortado e está com consumo ativo, a situação é diferente do esperado. Receberemos um alerta. Também somos acionados sempre que possíveis fraudes são detectadas, como ataque magnético, uma tentativa de intrusão no hidrômetro, reversão de fluxo de água. Todas essas situações geram alertas que são enviados para a Sabesp”, acrescentou Rios.
“Vem tudo embarcado no hidrômetro inteligente. O módulo de comunicação, o módulo de corte.
Tudo isso em um só corpo. Isso diminui falhas, furto, vandalismo”, disse Rios
“As mudanças climáticas são um dos maiores desafios da engenharia moderna — e a resposta está na união entre inovação e responsabilidade social.”
José Eduardo Frascá Poyares Jardim, presidente do Instituto de Engenharia

“Eventos climáticos deixaram de ser exceção; são a nova realidade e exigem redes mais resilientes e investimentos permanentes.”
Antonio Scala, presidente da Enel Brasil

“Nosso maior desafio não é apenas reconstruir a rede após os temporais, mas antecipar o próximo — e isso se faz com tecnologia, planejamento e gente qualificada.”
Guilherme Lencastre, presidente da Enel São Paulo

“O financiamento sustentável é investimento em soberania energética e climática.”
José Aldemir Freire, diretor do Banco do Nordeste


“Nosso papel é registrar e divulgar o conhecimento que transforma o país.”
Rui Camargo, diretor da Revista Engenharia

“O Instituto de Engenharia é a casa de todos os engenheiros e de todas as engenharias — um espaço aberto para o diálogo e a construção de soluções que tornem o Brasil um centro mundial de energia limpa.”
Luís Felipe Proost de Souza, do IE


“O curtailment virou o sintoma de um sistema que cresceu mais rápido do que sua própria rede de transmissão.”
Cláudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil
“O futuro da energia limpa depende de flexibilidade — integrar geração, armazenamento e regulação em tempo real.”
Flavio Cozzolino, diretor-presidente da Enel Green Power
“A regulação deve prever a emergência — porque a emergência se tornou permanente.”
Renato Eduardo Farias de Souza, coordenador de Qualidade da Aneel

“A solidariedade técnica salvou o sistema gaúcho; o aprendizado agora é institucionalizar essa cooperação.”
Alex Almeida Pignatti, head de gestão operacional da CPFL Energia

“A eletromobilidade é mais do que trocar o combustível; é redesenhar a cidade para o futuro.”
Tatiana Celani, diretora comercial da Enel São Paulo


“O transporte elétrico só será viável com escala e previsibilidade.”
Milena Romano, presidente da Electra
“A energia o Brasil tem — o desafio está na distribuição. A infraestrutura muda de endereço para endereço, e isso é o que define o sucesso da eletrificação da frota.”
João Carlos de Souza, diretor nacional das Empresas de Transportes Urbanos

“Engenharia é decisão face ao imprevisto.”
Roberto Watanabe, do IE


“Fomos os primeiros a eletrificar o transporte municipal e queremos ser exemplo de que sustentabilidade dá retorno.”
Anderson Farias, prefeito de São José dos Campos

“O medidor inteligente é o primeiro passo para o consumidor se tornar protagonista da sua energia.”
Pedro Fazio, especialista-sênior do projeto Smart Meter da ENEL-SP
“Cada tempestade recente virou um laboratório vivo de resiliência.”
Márcio Jardim, diretor de operações da ENEL-S

“O sucesso da eletromobilidade em São Paulo — e no país — depende diretamente da infraestrutura e da alimentação de energia, papel fundamental da Enel e da engenharia.”
Flaminio Fichmann, do IE

Cobertura - Dia 2
#Sustentabilidade #FiaçãoAérea
#OperadorNeutro #Governança

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 30 MINUTOS
EM UM CONTEXTO GLOBAL MARCADO PELA CRISE DO CLIMA, ESPECIALISTAS
REFORÇAM A URGÊNCIA EM REPENSAR O PAPEL DA ENERGIA ELÉTRICA COMO
• Por Julio Costa Barros
Ovice-presidente de Relações Externas do IE, engenheiro Ivan Metran Whately, abriu o segundo dia do encontro destacando o equilíbrio entre crescimento econômico e sustentabilidade ambiental. “O nome deste evento é muito sugestivo. A energia elétrica é a base do desenvolvimento sustentável, pois ela impulsiona o desenvolvimento econômico, promove a justiça social e protege o meio ambiente.”
Na sequência, o diretor de Atendimento Institucional da Enel Brasil da FSB Comunicação, o jornalista Milton Abrucio, reforçou o compromisso da companhia com o diálogo aberto e a transparência nas questões energéticas. A fala de Abrucio sintetizou o tom do encontro: o de promover um debate técnico, mas também humano, sobre as responsabilidades que devem ser compartilhadas entre governo, empresas e sociedade no enfrentamento das mudanças climáticas, sem esquecer dos aspectos regulatórios e técnicos envolvidos em questões de infraestrutura, de regulação e estabelecimento de regras.

Ivan Metran Whately, vice-presidente de Relações Externas do IE


Infraestrutura aérea para diferentes redes
Mediada por Roberto Watanabe, coordenador da divisão técnica de Projetos de Energia do IE, a mesa tratou da disputa por espaço nos postes e da urgência de ordenar o compartilhamento entre energia e telecom. Participaram Dárcio Dias, diretor de Manutenção e Suporte técnico da Enel; Sidney Simonaggio, consultor e advogado especializado em energia; e Cesar Augusto Massaro, membro do IE e do IEE/USP (Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo).
Watanabe começou em tom descontraído a abordar os desafios do setor. “Tentei contato com um senhor chamado Nikola Tesla (inventor e engenheiro sérvio [1856-1943] apontado como um dos criadores da indústria elétrica moderna). Ouvi dizer que ele tinha descoberto uma série de metodologias e de sistemas de transmissão sem fios. O que Tesla criou foi fantástico. Assim, passaríamos a realizar as comunicações de dados, telefonia, voz, tudo sem fio. Contudo, disseram que Tesla morreu levando para a sepultura todas as suas ideias maravilhosas.”
Dárcio Dias, por sua vez, iniciou sua fala descrevendo o arranjo regulatório de Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e a operação diária das distribuidoras,
Promover um debate técnico, mas também humano, sobre as responsabilidades que devem ser compartilhadas entre governo, empresas e sociedade no enfrentamento das mudanças climáticas
que demandam incontáveis análises de rotas, gestão de centenas de contratos, recomposição e manutenção de ativos, além da ampla fiscalização necessária em um parque de mais de cinco milhões de postes administrados pela Enel Brasil.
“Para se ter uma ideia, em 2024, foram 43 toneladas de cabos irregulares removidos e 3.240 notificações por irregularidades ou clandestinidade em nossas infraestruturas. Realizamos 1,6 milhão de visitas de censo e regularizamos 75 mil postes somente no ano passado”, explicou o executivo da distribuidora, ao dar uma dimensão do desafio cotidiano da companhia.
Nesse cenário, a segurança acaba despontando como a maior prioridade da Enel Brasil. “Entendemos a necessidade das parcerias, porque elas são importantes para fortalecer o relacionamento entre operadores e distribuidoras. Precisamos conhecer como opera uma empresa de telecomunicações, e eles também precisam compreender os riscos envolvidos nas operações de uma empresa de distribuição. Só assim geramos, de fato, valor de segurança para todos que atuam nesse segmento”, explicou Dárcio Dias.
O executivo da Enel deu como exemplo a existência de cabos sem identificação em trechos da avenida das Nações Unidas, área nobre da capital paulista, que estão fora da faixa exigida de 50 cm, aumentando assim o risco de curtos e incêndios. “Esse é o cenário em que trabalhamos. Temos um esforço constante em reduzir esse desequilíbrio entre o que exige as resoluções e o que, de fato, acontece nas ruas. Nós sabemos que devemos nos direcionar para auxiliar na disciplina de como tudo deve ser feito, para orientarmos o agente que vai utilizar a infraestrutura de forma organizada e como devem ser respeitadas as normas técnicas”, acrescentou.
Por isso, ele defendeu uma evolução regulatória. “A resolução atual exige que as distribuidoras regularizem 2.100 postes por ano em um universo de mais de cinco milhões. Logo, estamos falando de algumas centenas de anos para que uma empresa pudesse realmente fazer esse ajuste e organizar os cabos, com a identificação correta dessas redes. Na realidade, isso ainda não acontece”, lamentou Dárcio Dias. O motivo? Não existe interesse de outros agentes que utilizam os postes de fazer isso dentro das normas.


Mesa 5: “Infraestrutura aérea para diferentes redes: regulação, responsabilidades e parcerias necessárias”
Sidney Simonaggio, especialista no setor elétrico, apontou a raiz do problema: a multiplicação de operadoras de telecom. Elas foram de oito mil, em 2019, para cerca de 20 mil atualmente. Considerando que um poste possui apenas seis pontos de ocupação, vivemos em um cenário que estimula o que chamamos de “clandestinidade conveniente”. Somada a essa assimetria de fiscalização, na qual as distribuidoras são multadas e as operadoras raramente o são, vivemos esse “caos de fios” nos postes em toda a cidade de São Paulo.
O setor de telecomunicações no Brasil, segundo Simonaggio, precisa ter uma regulação forte e fiscalização eficaz. “Essa bagunça não é enxergada pela Aneel ou pela Anatel. Essas operadoras de telecomunicações não sofrem penalidades regulatórias.” Em sua visão, há excesso de capacidade nas fibras que ficam ociosas, mas são fios sobrepostos uns aos outros. E isso se repete em todas as cidades brasileiras.
“Se pegarmos essa maçaroca de cabos de fibra óptica acumulada nos postes, provavelmente, 10% desse volume já seja suficiente para atender todo o mercado. Mas existe um fator econômico que faz isso ser o modelo de atuação, porque nenhuma empresa vai comprar cabos de fibra óptica fininhos. Elas fazem isso prevendo o futuro. Todo mundo instala seus cabos prevendo o futuro, ou seja, de receber mais dados em seus fios. O resultado é esse: 90% de capacidade adicional desnecessária disposta em fios”, explicou.
Outra crítica de Simonaggio recai sob a figura do “posteiro”, debatido por agências reguladoras (Aneel e Anatel) e entidades do setor, sobre o qual existe um PL (Projeto de Lei) tramitando na Câmara dos Deputados, que, segundo o especialista, é um retrocesso. Simonaggio defende outra solução, a do operador neutro: um único cabo, comercialmente neutro, com acesso aberto por tarifa regulada pela Anatel, um modelo funcional que racionaliza espaço e responsabiliza todos. Mas que é impedido pela “clandestinidade conveniente” e pelos investimentos em ativos já realizados.
Uma solução popular muito falada é do enterramento de fios. Contudo, Simonaggio é categórico: “não dá para levar o caos aéreo para debaixo da terra. Estamos sobrecarregando o subsolo. Não vai dar certo nunca.”
Massaro, recorreu à memória para explicar aos presentes como foi o cenário de choque tecnológico que
“Se pegarmos essa maçaroca de cabos de fibra ótica acumulada nos postes, provavelmente, 10% desse volume de fibras já seja suficiente para atender todo o mercado”, alerta
Simonaggio

o Brasil atravessou quando foram criados os órgãos reguladores do setor. “As agências reguladoras foram concebidas logo após o processo de regulamentação e não ao mesmo tempo. Nós estamos falando do período de 1998 a 2000. Em 2001, por exemplo, o cenário já era outro. A popularização da internet trouxe novos desafios tecnológicos”, contextualizou o integrante do IEE/USP. “Foi assim que as privatizações ocorreram primeiro, para só depois serem criadas as agências reguladoras com suas vantagens e desvantagens”, acrescentou.
“Destaco as requalificações mais recentes, como as do bairro paulistano do Bom Retiro, do Museu do Ipiranga e do Centro Histórico da capital paulista. Foram excelentes oportunidades de sincronizar drenagem, iluminação, semáforos, telecom e energia sob regras claras, inclusive de compartilhamento tecnológico (venda de capacidade de fibra)”, disse o engenheiro, que alertou também para outros condicionantes urbanos envolvidos, como arborização, calçadas, postes, sem falar dos eventos extremos.
Contudo, Massaro lembrou que há cálculos que extrapolam o planejamento e a execução de projetos. “Ajudei a implantar, no início dos anos 2000, uma grande rede de galerias subterrâneas na capital gaúcha. Mas, infelizmente, a enchente histórica do ano passado inundou toda essa infraestrutura. Esse cenário foi algo não previsto à época”, citou o especialista.
Essa troca de experiências práticas e de conhecimento técnico dos participantes da mesa trouxe conclusões conjuntas. É preciso um reforço regulatório com metas exequíveis e responsabilização simétrica entre os agentes; a governança municipal e metropolitana integrando infraestrutura e uso do território é essencial; e a adoção de modelos racionais de acesso, com destaque para o operador neutro, é medida essencial para reduzir sobreposição, elevar a segurança pública e restaurar a confiabilidade dos serviços.
Isso, claro, enquanto precisamos de cabos. Afinal, a expectativa é de que a tecnologia totalmente sem fio se torne realidade, diminuindo alguns dos desafios atuais. Porém, até lá, o gargalo existe, e é preciso fazer mudanças e ter um modelo compartilhado de infraestrutura energética no Brasil.


EVENTOS METEOROLÓGICOS EXTREMOS TENSIONAM REDES ELÉTRICAS EM ÁREAS DENSAS E ARBORIZADAS DA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO, EXIGINDO COORDENAÇÃO ENTRE CONCESSIONÁRIAS E GOVERNOS LOCAIS
• Por Julio Costa Barros
Mediada por Alfredo Mario Savelli, presidente do Conselho Consultivo do IE o debate abordou três temas: desafios de infraestrutura (vulnerabilidade a tempestades e alagamentos, perdas e demanda crescente com eletrificação), forças-tarefas e parcerias (agências reguladoras, prefeituras, defesa civil, universidades e setor privado) e estratégias (monitoramento em tempo real, automação, geração distribuída, redes mais resilientes, mobilidade elétrica e planejamento urbano integrado).
O diretor de operações da Enel São Paulo, Márcio Jardim, apresentou a escala da concessão. São 24 municípios, 43 mil km de rede e 8,3 milhões de clientes. Os temporais extraordinários registrados em novembro de 2023 e outubro de 2024, seguidos do mais recente, em 22 de setembro de 2025, demonstram a sensibilidade do sistema. Nas três ocasiões, as tempestades apresentaram ventania com rajadas superiores a 100 km/h.
Para responder melhor a essas condições climáticas, a Enel acelerou a automação. Jardim citou que foi adotado um sistema de autorrecuperação com mais de 11 mil religadores. Houve também a expansão de dispositivos de medição inteligente, reforço de equipes de campo com a contratação de mais 1.200 novos colaboradores e a criação de um pelotão de motoeletricistas para ganhar rapidez em cenários de mobilidade crítica.


Mesa 6: “Os desafios da distribuição de energia em tempos de mudanças climáticas nas ‘Cidades Verdes’ brasileiras: Forças-tarefas e Parcerias”
Além da duplicação das podas
O prefeito de Osasco, Gérson Pessoa, colaborou com o debate descrevendo a pressão da comunidade sobre a gestão municipal e sugeriu que apenas a integração em tempo real será capaz de fazer isso. “Aproveito a oportunidade para convidar a Enel a participar do nosso Centro de Operações de Osasco para evitar sobreposições e acelerar respostas com a Defesa Civil”, ressaltou.
Já o coordenador do UFRJ/Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Nivalde de Castro, qualificou o cenário atual como um “mundo novo” que não foi previsto nos contratos firmados pelo poder público e a iniciativa privada há três décadas. Para ele, eventos meteorológicos mais frequentes, intensos e duradouros, como os ocorridos nos últimos anos, não foram contemplados.
Castro defendeu incorporar incentivos regulatórios à resiliência climática, sugerindo algo semelhante aos modelos elaborados na Itália, começando por definir tecnicamente “evento climático extremo” para calibrar investimentos e remuneração por desempenho.
O pesquisador sugeriu comparar métricas de tempestades e restabelecimento em cenário internacional para balizar metas realistas a serem replicadas por aqui. Ele também alertou que o enterramento de redes deve ser “cirúrgico” (altas densidades e ganhos claros), dadas as restrições do subsolo e custos. “A solução para esses desafios passa por governança municipal, despolitização das decisões técnicas e internalização de riscos nas escolhas de política energética.”



• Por Julio Costa Barros
Ahead de Sustentabilidade da Enel Brasil, Letícia Curado, trouxe ao centro das discussões a dimensão social da transição energética. Leticia apresentou o guarda-chuva de iniciativas da Enel, listando programas de eficiência energética voltados à população de baixa renda (com troca de geladeiras e lâmpadas, inclusive em escolas e hospitais), como o programa de reciclagem com desconto na conta chamado Ecoenel, ações de educação para uso consciente de energia e o Hortas em Rede – hortas urbanas sob linhas de transmissão. Ao todo são mais de 40 projetos e R$ 95 milhões investidos nas atuações da concessionária em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.
Para detalhar o Hortas em Rede, Carolina Afonso, coordenadora de projetos de sustentabilidade da Enel, explicou que a companhia busca conciliar risco operacional e impacto social. “Ao ocupar terrenos ociosos sob linhas de transmissão com agricultura urbana, este é um projeto que organiza o uso do solo, reduz descarte irregular, aproxima alimento fresco das periferias e cria espaços de convivência”, declarou.
A representante da Enel acrescentou que o desenho do projeto prevê a disseminação de regras de segurança, integração com prefeituras e educação ambiental, convertendo áreas antes degradadas em infraestrutura verde com benefícios climáticos, pois promove

Mesa 7: “Responsabilidade social no setor elétrico: iniciativas para melhorar a vida das pessoas”
o resfriamento de ilhas de calor urbanas e aumenta a drenagem da água de chuva.
Edinilson Ferreira dos Santos, secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e superintendente do Serviço Municipal de Saneamento de Santo André, observou como políticas de longo prazo podem potencializar resultados positivos. Segundo ele, no município do ABC Paulista, que possui 62% do território em preservação ambiental, extensas áreas de manancial e tradição de gestão ecológica, Santo André é uma cidade pioneira em promover a conexão entre adaptação climática e inclusão social.
Para exemplificar essa vocação municipal, Santos destacou a rede robusta de estações de coleta seletiva da cidade, iniciada há 27 anos, o plano de logística reversa de pneus e gesso, além de programas inovadores que unem resíduos sólidos, segurança alimentar e renda. “Mesmo antes da criação da Política Nacional de Resíduos de Sólidos, a gestão municipal já havia implementado ações inovadoras”, lembrou o secretário.
O Programa Moeda Verde promove ainda a troca de materiais recicláveis por alimentos. “A cada cinco quilos de recicláveis, o cidadão recebe em troca um quilo de alimento. Isso acontece em 33 das 145 comunidades carentes da cidade”, contou o secretário municipal. Ele trouxe ainda outro programa social, o Moeda PET, voltado a trocar garrafas plásticas por ração para cães e gatos.
Para mostrar como parcerias surtem resultados positivos, Luísa Haddad, diretora-executiva da ONG Pé de Feijão, explicou como funciona o trabalho feito em dupla com a Enel Brasil. “Nosso projeto de implantar hortas urbanas sob as linhas de transmissão tem uma abordagem sistêmica. Promovemos a agricultura urbana e eliminamos os chamados desertos alimentares, que são áreas carentes em oferta de alimentos orgânicos frescos e de qualidade.”
A iniciativa estimula a compostagem e o consumo consciente. “Além disso, a agricultura urbana contribui para ampliar a biodiversidade, pois atrai insetos polinizadores, aves e outras espécies”, disse Luísa. Ela explicou como, em escala local, essa lógica gera desenvolvimento em oferta de serviço à comunidade, tais como alimentos a preços acessíveis, cultivo de itens demandados pelo bairro e protagonismo de agricul -


Carolina Afonso, coordenadora de Projetos de Sustentabilidade da Enel Brasil

tores, gerando vínculos comunitários.
Cada horta com 1.500 m² é capaz de produzir 1.500 quilos de alimentos, e mais de 6.500 quilos de resíduos orgânicos são compostados em 18 meses. “Todo esse material orgânico vira adubo, deixando de ir para os aterros sanitários, o que evita que uma quantidade imensa de matéria orgânica rica em nutrientes seja desperdiçada”, completou a executiva da Pé de Feijão.
Representando a ISA Energia, Ana Paula de Matos Batista explicou que a empresa possui critérios de priorização. “Realizamos um diagnóstico socioterritorial antes das obras de infraestrutura, sempre focando no desenvolvimento local e no alinhamento aos ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável)”, declarou.
Papel da eficiência energética: regras, benefícios e como o consumidor pode participar
Mediado por Ana Maria Maranho dos Santos, coordenadora de Projetos de Eficiência Energética e Sustentabilidade da Enel São Paulo, o workshop fechou o evento no IE destacando a eficiência energética como estratégia central para reduzir desperdícios, liberar recursos e acelerar a transição justa, sempre por meio de planejamento, cooperação e inovação.
Nélson Assumpção, gerente de Sustentabilidade da Enel São Paulo, contribuiu explicando como funciona a chamada pública do programa de eficiência energética, mecanismo anual e transparente pelo qual clientes apresentam projetos e concorrem a recursos. De acordo com Assumpção, por regulação do setor, 1% da receita operacional líquida das distribuidoras se divide entre PEE (Programa de Eficiência Energética) e P&D (Pesquisa e Desenvolvimento).
“A parcela destinada a projetos de eficiência aumenta em janeiro de 2026, ampliando o volume disponível. Em 2025, a Enel São Paulo destinou R$ 60 milhões à chamada pública via edital para poder público, saúde, educação, iluminação pública, indústria, comércio e serviços”, disse o gerente da empresa.
Assumpção explicou que o dinheiro destinado a entidades públicas e filantrópicas segue a modalidade “fundo perdido”, ou seja, a contrapartida não é necessária. Já para empresas privadas vale o desempenho. O investimento precisa retornar com a economia gerada.
“Nosso projeto de implantar hortas
urbanas sob as linhas de transmissão tem uma abordagem sistêmica.
Promovemos a agricultura urbana e eliminamos os chamados desertos alimentares”, diz
Luísa
Haddad

O diretor técnico Sergio Martins de Oliveira, da Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia), avaliou que o modelo atual com competitividade, transparência e auditoria do setor está mais maduro que o anterior. Mesmo assim, pede evoluções. Na visão de Oliveira, facilitar o acesso de pequenos clientes e municípios menores, inclusive via consórcios, e a digitalização das etapas de análise são caminhos para acelerar o interesse da sociedade nas dinâmicas de conservação e apoio social.
O especialista reforçou a importância de se investir em soluções que busquem eficiência energética. “Na prática, a busca por eficiência energética vai muito além da simples troca de equipamentos, exigindo melhor gestão de hábitos e a formação de uma nova cultura. Um estudo recente produzido pelo governo federal mostra que, para cada R$ 1 investido em eficiência energética, outros R$ 12,66 deixam de ser gastos na expansão do sistema elétrico”, revelou o diretor da Abesco, acrescentando que essa economia poderia ser aplicada de outras maneiras.
Professora doutora do IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo), Cíntia Gonçalves Mendes da Silva trouxe para o workshop sua visão de quem executou projetos tanto em linha prioritária e estratégica quanto via chamada pública recentemente aprovada.
“Hoje, temos oito docentes atuando com dedicação exclusiva para o ensino e a pesquisa de eficiência energética e matrizes renováveis. Nossos alunos realizam diagnósticos energéticos simulados, levando o tema à prática profissional. E os resultados diretos na instituição se materializaram com economias recorrentes que liberam orçamento para investimentos em outras finalidades da escola”, contou a professora.
No fechamento, Ana Maria reforçou que a eficiência energética beneficia o consumidor, qualifica políticas públicas ao reduzir despesas operacionais em prédios e serviços essenciais, e cria oportunidades para o ecossistema educacional. A mensagem final do workshop ecoou o tom do seminário: é preciso mais eficiência no setor de energia, regulação estável e parcerias. Trata-se de um tripé para transformar metas de transição em ganhos concretos na conta, no território e na vida das pessoas.





“Em 2024, foram 43 toneladas de cabos irregulares removidos, 3.240 notificações por irregularidades ou clandestinidade em nossas infraestruturas.”
Dárcio Dias, diretor de Manutenção e Suporte Técnico da Enel

“Este caminho da transição energética justa não é nada fácil, e a gente não consegue fazer sozinho. Só com a união, com o diálogo entre poder público e instituições que conseguiremos ter algum sucesso.”
Letícia Curado, head de Sustentabilidade da Enel Brasil

“Mesmo antes da criação da Política Nacional de Resíduos de Sólidos, a gestão municipal já havia implementado ações inovadoras.”
Edinilson Ferreira dos Santos, secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Santo André
“Ajudei a implantar uma grande rede de galerias subterrâneas na capital gaúcha, Porto Alegre, mas a enchente histórica de 2024 inundou toda essa infraestrutura. Esse cenário não foi previsto à época.”
Cesar Augusto Massaro, membro do IE e do IEE/USP


“Vivemos uma situação de clandestinidade conveniente.”
Sidney Simonaggio, especialista da Simonaggio Eletricidade

“A questão não é se a próxima chuva vai ser pior do que a anterior, porque ela certamente será. O que não sabemos é quando essa tempestade virá, por quanto tempo o fenômeno vai durar e qual será o impacto na infraestrutura.”
Nivalde de Castro, coordenador do UFRJ/Gesel
“Ao ocupar terrenos ociosos sob linhas de transmissão com agricultura urbana, nosso programa (socioambiental Hortas em Rede) organiza o uso do solo, reduz descarte irregular, aproxima alimento fresco das periferias e cria espaços de convivência.”
Carolina Afonso, coordenadora de projetos de sustentabilidade da Enel


Na central de operação da Enel São Paulo, um painel de subtransmissão, equipado com o sistema SCADA (Supervisão e Aquisição de Dados), permite o monitoramento remoto de todos os parâmetros elétricos da rede. Com o desenho completo do sistema — que abrange linhas de alta tensão, subestações e chaves — e o recebimento em tempo real de dados, como carga nas linhas, níveis de tensão, estados de chaves e disjuntores, é possível realizar telecomandos e manobras à distância.


TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 35 MINUTOS
IMPACTO CRESCENTE DOS EVENTOS CLIMÁTICOS EXTREMOS NO BRASIL
• Por Juca Guimarães
Com uma grande dimensão territorial, o Brasil se apresenta como um desafio do ponto de vista da engenharia na consolidação de um sistema de distribuição de energia elétrica confiável, seguro e eficiente para os consumidores residenciais, comerciais e também para as indústrias. É um tema-chave para a economia do país.
Somado a isso, as severas mudanças provocadas pelas emergências climáticas em todo o planeta nas últimas décadas aumentaram em escala os riscos que envolvem a garantia da distribuição de energia elétrica, sobretudo, no período do verão.
Segundo o BEN (Boletim Energético Nacional), do Ministério de Minas e Energia, o consumo de energia elétrica no país cresceu 5,5%, em relação a 2024, na comparação com o ano anterior, o que representa 39,7 TWh (terawatt-hora) a mais. Cada TWh significa um trilhão de watts-hora.
A Enel, uma das maiores empresas do setor de energia, é a responsável pela distribuição de energia em parte importante do Brasil, que inclui a Região Metropolitanda de São
Paulo, 66 municípios do Rio de Janeiro e todo estado do Ceará, somando 15,7 milhões de clientes em 274 cidades.
No início deste ano, apesar da intensidade fraca do fenômeno La Niña, alterações climáticas importantes são observadas no verão brasileiro, com chuvas fortes, ventanias e desconforto térmico, com temperaturas acima da média, colocando em alerta o setor de energia, principalmente os sistemas de distribuição.
Com base nas experiências acumuladas com os verões anteriores no Brasil, a Enel vem implementando uma série de inovações no sistema de automação, na instalação de medidores inteligentes e no aumento do número preventivo de podas de árvores.
Em São Paulo, o diretor de Operações, Márcio Jardim, explica que a empresa é pioneira na automação da rede de média tensão para evitar efeitos transitórios. “Esse modelo de telecontrole permite a solução dos problemas diretamente do nosso centro de controle, sem precisar que as equipes tenham de ir a

campo, o que demoraria muito mais com o deslocamento.” Jardim diz que a Enel conta com 10.600 religadores na Grande São Paulo.
A companhia se preparou para o verão se antecipando às podas preventivas de galhos de árvores próximos da rede elétrica, que colocam em risco a operação. “Entre 75% e 80% dos problemas relatados sobre a rede aérea de distribuição são decorrentes da vegetação. E esse é um grande desafio para garantir a convivência da rede com as árvores, em condições seguras para um rápido restabelecimento da energia, quando necessário”, diz Jardim.
Em São Paulo, a Enel tem 136 subestações de distribuição de energia e cerca de 220 mil transformadores, que fazem a distribuição para um número cada vez maior de clientes. Atualmente, 80% dos consumidores da concessão são residenciais, com grande concentração de densidade demográfica (clientes por km²).
“Além do crescimento do volume de consu-
midores residenciais, também identificamos a chegada de clientes empresariais, como as empresas de data centers. Outro desafio da distribuição de energia é a eletrificação da frota de ônibus da cidade de São Paulo, que deve demandar novas obras e projetos de engenharia”, disse o diretor.
Ceará
No Ceará, a Enel está presente na distribuição de energia elétrica para todos os 284 municípios do estado, com 4,3 milhões de clientes, sendo quase metade deles, 2,1 milhões, consumidores residenciais.
Para garantir o melhor atendimento aos clientes, a empresa tem planos de construir 13 novas subestações de distribuição, além de modernizar e ampliar outras 85 no estado até o final de 2027.
De acordo com o diretor-presidente da Enel Ceará, o engenheiro elétrico José Nunes Almeida, o investimento total da empresa nos


próximos três anos vai chegar a R$ 7,4 bilhões.
“Vamos construir mais de 600 km de rede de alta tensão para apoiar os novos pontos de suprimentos. De equipamentos e materiais, mais de 13,5 mil transformadores e 126

Medidor inteligente
mil postes serão inseridos na infraestrutura atual”, diz Almeida.
Parte do investimento foi destinada à ampliação das equipes de técnicos especializados. Um dos efeitos constatados foi a significativa
A tecnologia de ponta que a Enel desenvolveu na criação dos medidores inteligentes ( smart meters ) fabricados no Brasil, permite que os clientes tenham acesso a mais dados, serviços e segurança no modo de verificação do consumo.
A substituição dos modelos antigos (eletroeletrônicos ou digitais) pelos novos, com alta tecnologia, começou no bairro de Pirituba, na zona norte da capital paulista, de forma pioneira no Brasil, em 2021.
O novo aparelho está conectado diretamente com a empresa e permite que os clientes acompanhem diariamente e, em tempo real, o consumo. Isso pos -
sibilita mais controle dos gastos, transparência, conscientização e planejamento.
Com o medidor inteligente, a leitura da conta de luz pode ser feita de forma remota, e os consumidores podem acompanhar a evolução do consumo por um aplicativo de celular ou no site. É possível receber alertas e avisos personalizados, de acordo com a meta de consumo.
O novo medidor inteligente não precisa de leituristas, o que reduz as chances de erros e eventuais reclamações por conta da leitura presencial, além disso, o corte e a religa podem ser feitos à distância.
Outra função importante do medidor inteligente é a comunicação automática à central de controle. Isso ajuda na agilidade de identificar e resolver os problemas.
A empresa atingiu até novembro de 2025 dois milhões de medidores inteligentes em São Paulo.

redução em 30% no tempo médio de atendimento, no primeiro semestre de 2025, na comparação com o mesmo período anterior.
Por ano, a companhia planeja realizar cerca de 340 mil podas, além de 50 mil manutenções e inspeções em mais de 60 mil km da rede elétrica em todo o Estado.
Assim como em São Paulo, a estratégia para enfrentar os problemas climáticos do verão 2026, com projeção de mais chuvas, a Enel Ceará foca em tecnologia e inovações de engenharia.
“Reunimos no nosso Plano Verão um conjunto de ações estruturadas e investimentos feitos pela empresa para reforçar a rede elétrica. Além dos investimentos realizados em 2025, com subestações, linhas, podas de árvores, manutenções programadas, inspeções, modernização e ampliação da infraestrutura, entre outros, a companhia possui tecnologias, como self-healing, que é uma autorrecuperação de circuitos para recompor a rede após detectar falhas e defeitos, por meio de manobras remotas”, diz Almeida.

José Luis Salas, diretor Grid da Enel Distribuição Rio
Rio de Janeiro
Uma característica que diferencia o Rio de Janeiro de São Paulo e do Ceará, em relação à distribuição de energia elétrica, é a presença das ilhas e a salinização da rede, que exigem limpezas periódicas nos fios. No Rio, a Enel atende os moradores de 181 ilhas.
“Isso traz desafios de engenharia e de logística bem particulares para a operação. Um exemplo é Ilha Grande, localizada no municí-
A Enel anunciou neste ano um investimento de cerca de R$ 6,1 bilhões no estado do Rio para o período entre 2025 e 2027, destinado ao sistema
de distribuição de energia elétrica
pio de Angra dos Reis, na região da Costa Verde fluminense, para onde a energia elétrica é conduzida por cabeamento submarino. Além disso, os elementos da rede de distribuição, como postes, cabos e transformadores, precisam ser transportados por embarcações do continente para as ilhas. Outra peculiaridade da rede de distribuição da Enel Rio é o impacto da salinidade, fator ambiental crítico para a rede de distribuição de energia, especialmente em regiões litorâneas”, diz José Luis Salas, diretor Grid (operações de redes) da Enel Distribuição Rio.
A Enel anunciou um investimento de cerca de R$ 6,1 bilhões no estado do Rio para o período entre 2025 e 2027, destinado ao sistema de distribuição de energia elétrica, um aumento de 74% em relação ao plano anterior, de 2024 a 2025.
Esse recurso ajudou no plano de preparação para este verão, previu manutenções em subestações e linhas de distribuição e a troca e reforma de transformadores.
“Para atender situações de emergência, a Enel Rio disponibiliza subestações móveis, que podem ser acionadas como backup, caso alguma subestação fixa seja impactada. Além disso, geradores podem ser direciona-

dos para unidades públicas de atendimento, como escolas e hospitais, para que os serviços essenciais não sejam interrompidos”, diz Salas.
Outro importante diferencial do Plano Verão 2025-2026 é o aumento no número de equipes formadas por colaboradores próprios da Enel Rio, para otimizar os atendimentos emergenciais. Os novos colaboradores fazem parte de um total de dois mil eletricistas próprios, contratados pela Enel Rio até 2026.
Para dar suporte ao plano de contratação de mão de obra, a Enel está investindo na qualificação de eletricistas. Desde o início de 2024, a empresa está qualificando profissionais em sua Escola de Eletricistas, curso realizado em parceria com a Firjan Senai Sesi, instituição referência em ensino profissionalizante vinculada à Federação das Indústrias do estado do Rio de Janeiro. A qualificação oferece formação técnica de qualidade e bolsa mensal para alimentação e transporte.
“A empresa tem estimulado a participação de mulheres na escola de eletricistas, incluindo a formação de turmas exclusivamente femininas. Apoiamos iniciativas como o ‘Mais Mulheres na Rede’, que visa aumentar a presença feminina no setor, tradicionalmente masculino”, ressalta Salas.
ÁREA DE CONCESSÃO
Estado Total de cidades atendidas
Clientes (em milhões)
Ceará 184 4,3
São Paulo 24 8,3
Rio de Janeiro 66 3,1

PODAS DAS COPAS DAS ÁRVORES PARA PROTEÇÃO DA REDE
Estado Podas (em mil)
Rio de Janeiro 562
São Paulo 639
Ceará 340
REDE RESILIENTE
Está em teste um novo sistema que facilita a recuperação mais acelerada da rede em caso de falhas
MAPEAMENTO DA SAÚDE DAS ÁRVORES
Projeto de análise e identificação das plantas irá identificar aquelas que têm risco de cair e prejudicar a rede de transmissão
MATERIAIS MAIS EFICIENTES

Uso de alumínio em vez de cobre nos fios das redes aéreas
MEDIDOR INTELIGENTE
Novos medidores facilitam o controle dos gastos e automatização da religação ou do corte da energia 2 milhões de medidores inteligentes instalados até novembro de 2025

Fonte: Enel

ÁREA DE COBERTURA DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO
Estado Total (em mil km²)
São Paulo 4,5
Rio de Janeiro 32
PLANO DE INVESTIMENTOS NA REDE DE 2025 A 2027
Estado Valor (em R$ bilhões)
Rio de Janeiro 6,1
São Paulo 10,4
Ceará 7,4


RESPOSTA NO ATENDIMENTO DE CORTES DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA
Tempo médio de atendimento (em minutos)
São Paulo
De novembro/2023 a março/2024
De novembro/2024 a março/2025
Rio de Janeiro
De novembro/2023 a março/2024
De novembro/2024 a março/2025
De novembro/2023 a março/2024
De novembro/2024 a março/2025
Para reduzir os transtornos causados pelas interrupções de energia, a Enel desenvolveu um projeto de modernização da rede elétrica. Concluído em junho de 2025, a ação foi implantada em três bairros considerados estratégicos pela companhia: Alto de Pinheiros (na capital paulista), Parque dos Príncipes (em Osasco, na região metropolitana) e Alvarenga (em São Bernardo do Campo, na região do ABC).
A Enel instalou um modelo de rede que convive em melhor harmonia com a vegetação. É um tipo de rede spacer, de média tensão, e um cabo multiplex, na malha secundária, que a tornam mais robusta para resistir a eventuais
O diálogo com entidades do setor de construção
Especialistas do Instituto de Engenharia destacam a importância de um canal direto de conexão entre os engenheiros projetistas com trabalhos de ligação de rede tanto de média como de baixa tensão, que fogem dos padrões definidos nas normas técnicas e manuais da Enel, antes da fase de análise técnica da obra. Tal medida, de acordo com os especialistas, poderia otimizar os processos e reduzir os tempos de espera.
Como exemplo, Paulo Barreto, coordenador da Divisão Técnica de Sistemas do Instituto de Engenharia, cita algumas situações que são frequentes no cotidiano dos engenheiros projetistas, no que se refere à ligação da energia, como a impossibilidade de implantação de áreas técnicas no piso térreo ou na fachada do terreno, construções que não possuem recuos em relação à rua, subsolos que avançam até a projeção da calçada.
“Essas situações exigem reuniões para discussão prévia de solução da entrada de energia, cabine primária e centro de medição. Por isso, seria importante que a Enel tivesse um suporte técnico permanente, de fácil acesso,
quedas de galhos e outros objetos lançados em casos de vento forte.
Além da substituição da rede convencional pela spacer , o projeto de modernização instalou equipamentos de religamento automático, parte deles capazes de realizar manobras a distância, comandadas da central de telecontrole da Enel.
A empresa estima que a implantação do projeto-piloto de rede resiliente beneficie cerca de 60 mil clientes. A iniciativa já surte resultados positivos, com queda de mais 50% de ocorrências de interrupções e desligamentos.
para que os projetistas pudessem dialogar com os técnicos da Enel”, pondera Barreto.
O diretor de Operações da Enel São Paulo, Márcio Jardim, explica que a empresa aplica a rotina de procedimentos de análises segundo normas e padrões técnicos para o setor criados pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), além de diretrizes estabelecidas por órgãos como Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia).
No entanto, Jardim aponta que projetos inovadores também estão no radar da empresa. “É claro que quando existe um projeto diferente, algo que seja mais disruptivo que não exista no mercado, temos uma área de atendimento que irá discutir de modo eventual”, diz.
O diretor da Enel ressalta também o diálogo com entidades do setor de construção para atualizar os processos de instalação da rede elétrica para o maior número possível de projetos.
“Temos proximidade ao Secovi (Sindicato da Habitação), ao próprio Sinduscon (Sindicato da Construção Civil) para garantir uma comunicação mais assertiva e célere para eventual projeto que não seja dentro dos padrões”, afirma.
#Infraestrutura #DesenvolvimentoNacional
#Investimento #Brasil

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 2 MINUTOS
• Por Roberto Kochen*
Acarência de infraestrutura no Brasil pode representar uma perda de até 20% do PIB (Produto Interno Bruto) ao ano. Essa estimativa, apontada por diversos estudos, é um alerta grave sobre os impactos diretos da negligência em obras estruturais para a economia do país. Empresas enfrentam gargalos logísticos, dificuldades no transporte, instabilidade no fornecimento de energia e limitações no acesso a serviços básicos, fatores que afetam diretamente a competitividade nacional.
O recente rompimento de uma ponte entre Tocantins e Maranhão escancara a precariedade de estruturas essenciais e reforça a urgência de investimentos estratégicos. Infraestruturas antigas, sem manutenção adequada, tornam-se riscos iminentes.
E o problema não se restringe ao que não foi feito — o que foi construído, muitas vezes, está longe de padrões mínimos de qualidade e longevidade. Enquanto em outros países, obras de grande porte são projetadas para durar 100 anos, aqui ainda se fala em 50 anos como referência. Esse descompasso exige uma mudança de mentalidade.
Precisamos de uma engenharia que planeje com visão de futuro, que execute com exce-

lência técnica e que priorize a durabilidade, eficiência e sustentabilidade das soluções. Rodovias, ferrovias, metrôs, portos e centros urbanos não podem mais esperar.
Investir em infraestrutura é investir no desenvolvimento. E o Brasil só se posicionará como uma potência global nas próximas décadas se tratar suas obras com a seriedade e o padrão técnico que a engenharia nacional é plenamente capaz de entregar.
* Roberto Kochen é presidente e diretor-técnico da GeoCompany.
• Por José Eduardo Frascá Poyares Jardim
Ocontrato de concessão para o serviço de distribuição de eletricidade na cidade de São Paulo e em algumas áreas da Região Metropolitana vencerá em 2028 e prevê a possibilidade de renovação por até 30 anos, prazo do documento original assinado em 1998.
A Enel já manifestou seu interesse na prorrogação, que é o procedimento normal nos casos em que o serviço é prestado dentro
Nenhum desses dois
fatores foi levado em conta no contrato originalmente assinado em 1998, e é por isso que se torna absolutamente necessário um novo modelo de contrato, com novas bases econômicas
dos índices de qualidade previstos no instrumento de concessão.
Com a imagem irremediavelmente manchada pelos seguidos apagões generalizados em São Paulo, já seria difícil para a empresa convencer os governos federal, estadual e municipal de que é merecedora dessa prorrogação. Só que há muito mais em jogo neste momento.
Pelo menos dois novos fatores precisam ser considerados ao firmar um novo contrato de concessão para os serviços de distribuição de eletricidade.
O primeiro é o aquecimento global e sua consequência mais visível: o aumento da frequência dos eventos climáticos extremos. Com uma temperatura média mais alta – e sem entrar no mérito das causas desse aumento –, a energia acumulada na atmosfera aumenta, como qualquer estudante do terceiro ano de engenharia aprende nas aulas de termodinâmica.
Essa energia adicional acarreta uma maior quantidade de vapor d’água diluída na atmosfera e um estado permanente de mais turbulência do ar, características que favorecem o desenvolvimento de tempestades, ciclones e tufões mais violentos e a intervalos menores.
Nesse ambiente, as redes aéreas de distribuição de energia, como postes, fios, transformadores e subestações, ficam mais vulneráveis, causando apagões mais frequentes.
A solução passa pelo enterramento dessas redes, o que a princípio pode parece uma solução simples. Mas com cerca de 40 mil km de fios espalhados pela cidade, e tomando por base os 30 anos de prazo do contrato original, seria necessário enterrar aproximadamente 1.300 km de fios por ano, ou pouco mais de 3,5 km por dia. Se, de maneira otimista, estimarmos em quatro meses o tempo necessário para construir a infraestrutura de galerias e instalar a rede, isso significaria que a cidade teria de passar 30 anos convivendo com 420 km de ruas em obras, algo como dez vezes a extensão total das marginais.
Obviamente, seria um caos total, por 30 anos. O caminho não é esse, portanto.
O segundo fator é o desenvolvimento dos sistemas distribuídos de geração de energia, notadamente por painéis solares instalados nos telhados das edificações.
A principal receita das empresas responsáveis pela distribuição de energia elétrica é a revenda: elas compram energia elétrica no atacado das empresas geradoras – Cesp (Cia Energética de São Paulo), Furnas, Eletronuclear e muitas outras – e a revendem para os consumidores no varejo, obtendo uma margem de comercialização.
Quando cada vez mais consumidores instalam seus próprios sistemas de geração, eles diminuem a quantidade de energia comprada das distribuidoras, afetando significativamente o equilíbrio financeiro do contrato de prestação de serviços. Em paralelo surge um outro desequilíbrio: gera-se mais energia do que o necessário durante o dia, e menos do que o necessário à noite. Seria importante que a empresa distribuidora tivesse sistemas que permitissem armazenar essa energia extra produzida durante o dia, por exemplo em grandes bancos de baterias.

Nenhum desses dois fatores foi levado em conta no contrato originalmente assinado em 1998, e é por isso que se torna absolutamente necessário um novo modelo de contrato, com novas bases econômicas, que obrigue a nova concessionária tanto a executar um programa de enterramento dos principais trechos de rede de distribuição, como a instalar bancos de armazenamento de energia, com baterias ou outra tecnologia adequada.
Metas de construção de pelo menos 4 mil km de rede subterrânea em 30 anos e de instalação de bancos de armazenamento a pelo menos 25% do consumo total diário da região de distribuição parecem, à primeira vista, adequados para essa próxima fase.
Aos mais céticos, é bom lembrar que a Sabesp tem uma rede de distribuição totalmente subterrânea com 87 mil km de extensão, construída ao longo de mais 50 anos de atuação.
#MudançaClimática #BillGates
#AquecimentoGlobal
#PolíticaInternacional #IPCC
TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 25 MINUTOS
• Por Olimpio Alvares*
Oartigo analisa em profundidade a mudança de posição de Bill Gates sobre a questão climática, apresentada em sua nota de 28 de outubro de 2025, divulgada pouco antes da COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima). Essa nota representa um ponto de inflexão histórico no debate global sobre mudança do clima.
Pela primeira vez, uma das figuras mais influentes na promoção da ideia de “urgência climática” passa a questionar abertamente o alarmismo, a estratégia de mitigação imediata e o “pensamento mágico” que embasaram políticas climáticas globais ao longo da última década. Em sua nota, Gates desmonta, de forma fundamentada, a narrativa da urgência que, embora amplamente divulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas), mídia e ativistas, não é sustentada pelos re-
Essa simpli fi cação, convertida em slogan político, serviu de justi fi cativa para a criação de metas globais rígidas
latórios técnicos do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês), que jamais utilizaram termos como “emergência”, “catástrofe” ou “colapso civilizatório” em suas conclusões oficiais.
O artigo descreve como a narrativa da urgência nasceu da distorção do famoso “97% dos cientistas”, oriundo do estudo de Cook et al. (2013), que apenas constata concordância de que o ser humano contribui para o aquecimento global – mas sem avaliar gravidade, urgência ou riscos existenciais. Essa simplificação, convertida em slogan político, serviu de justificativa para a criação de metas globais rígidas, como o Net Zero, e implica a mobilização de trilhões de dólares em políticas públicas e investimentos compulsórios, com forte impacto econômico e social dada a escassez de recursos, inclusive nos países desenvolvidos.
O texto argumenta que a urgência comunicada ao público produziu medo, distorções informacionais e decisões precipitadas, incluindo propostas de geoengenharia de alto risco, como a gestão da radiação solar via pulverização de partículas na estratosfera.
O artigo aprofunda também os limites práticos do Net Zero, destacando desafios físicos, técnicos e econômicos da transição para sistemas elétricos baseados majoritariamente em energia eólica e solar, cuja intermitência exige grandes bancos de baterias, fontes despacháveis e redes mais complexas e ca-
ras. Aponta que países que mais avançaram nessa transição, como Alemanha e Reino Unido, enfrentaram aumentos expressivos nos preços da energia, revelando que o discurso de que “vento e sol são gratuitos” desconsidera problemas estruturais, custos sistêmicos e limitações de escala. Para países pobres, esses modelos seriam ainda mais inviáveis, pois comprometeriam a disponibilidade de energia barata, essencial ao desenvolvimento humano.
A nota de Bill Gates defende um novo enfoque: reduzir o foco obsessivo em metas de emissão imediatas e priorizar investimentos em inovação tecnológica disruptiva de alto impacto, adaptação, energia barata e melhorias nas condições de vida, especialmente em países vulneráveis.
Gates passa a afirmar que o aquecimento global é um desafio relevante, mas não uma ameaça iminente à sobrevivência humana, afastando-se do discurso apocalíptico que ajudou a promover e aproximando-se de visões antes marginalizadas, como as de Bjorn Lomborg.
O texto destaca ainda que Gates introduz o conceito de “reparação climática”: países desenvolvidos deveriam assumir maior responsabilidade na causa do aquecimento, contribuindo com a viabilização do financiamento do desenvolvimento humano nos países pobres, condição indispensável para que estes contribuam de forma competente com o esforço climático global.
Por fim, o artigo sugere que a mudança de posição de Gates poderá desencadear uma reorientação profunda das políticas climáticas internacionais, obrigando governos, instituições e cientistas a reavaliar prioridades, corrigir distorções e retomar o debate sobre o clima com mais rigor, justiça, transparência e realismo. A “virada de 180º de Gates”, segundo o autor, inaugura um novo ciclo, em que a humanidade poderá enfrentar o aquecimento global com menos dogmatismo, mais inteligência técnica e maior foco no bem-estar das populações vulneráveis.


“Wicked Science – ciência dos problemas perversos: é uma expressão que se refere a problemas complexos, de grande amplitude, multifacetados, plenos de incertezas e valores conflitantes, difíceis de definir e impossíveis de resolver apenas com conhecimento técnico e pragmatismo; são problemas que requerem, além de amplo conhecimento, sabedoria e humildade daqueles que os enfrentam. A mudança climática é o exemplo clássico desse tipo de problema, por isso alguns estudiosos do clima descrevem a ciência do clima como wicked science.”
Diante de eventos transformadores da realidade, certas verdades tornam-se ainda mais evidentes para quem conhece pelo menos um pouco do contexto panorâmico da “perversa questão” das mudanças climáticas – algumas dessas verdades emergiram com mais clareza a partir de uma intervenção de Bill Gates:
“Fatos recorrentes e indicadores mensuráveis são teimosos e revelam um controverso ambiente cientifico, cultural, econômico e político, especialmente no Ocidente.”
“O crescimento da economia global, a emergência de uma miríade de inovações tecnológicas dependentes de energia abundante e barata (como a inteligência artificial),
o cruel apartheid energético de povos carentes de saneamento, moradia digna, transporte, saúde, educação, segurança, financiamento acessível e estabilidade jurídica e política, demandarão nas próximas décadas quantidades de energia impossíveis de serem supridas apenas pelas atuais tecnologias renováveis intermitentes, caras e indutoras de instabilidade sistêmica na rede elétrica.”
“Por piores que sejam sua índole e seu viés controlador, dominadores globais que se reúnem regularmente no alto de montanhas geladas, também são homens e mulheres de negócio, inclusive nos setores da geração e uso de energia – esses jamais queimam seus próprios dólares.”
“Há um abismo entre a realidade econômica de países com profundas carências e aquela de países desenvolvidos, que não está sendo adequadamente assimilado pelas políticas de descarbonização impostas por uma elite que decide os rumos da estratégia central global do combate às mudanças climáticas.”
DA URGÊNCIA CLIMÁTICA
Com o apoio da grande mídia, ferrenhos gatekeepers do discurso oficial da ONU sobre o aquecimento do planeta, foi construída a narrativa da urgência climática, que já dura vários anos, mas enfrenta agora pela primeira vez um poderoso golpe: a nota de Bill Gates para a COP30, publicada em 28 de outubro de 2025, que, de modo discreto, fundamentado e tachativo, esvazia o alarmismo climático e o “pensamento mágico” descolado da realidade física.
Alegadamente apoiada por 97,1% dos cientistas, a suposta urgência climática tem sido a justificativa da construção de um monumental arcabouço trilionário global de políticas públicas moralmente obrigatórias, visando garantir a vida no planeta, mediante a estabilização do aquecimento ao final deste século.
Ainda que houvesse o reconhecimento do gradual aquecimento global e dos possíveis problemas envolvidos, ousar colocar em dúvida a virtual urgência climática era, até alguns dias atrás, negar a ciência; mas com a “virada de 180º de Gates”, talvez não mais – o tabu parece estar por um fio.
Segundo a narrativa sempre presente na grande mídia (adotada pela grande maioria dos ambientalistas, intelectuais, políticos, autoridades governamentais, estudantes e acadêmicos), 97% dos cientistas concordam que o aquecimento global é causado quase totalmente pelo homem, e requer ação global urgente de mitigação das emissões de carbono. Esse número tem sido a cifra-símbolo da urgência climática, incontestada no universo mainstream.
Entretanto, a narrativa da urgência foi artificialmente criada, e obviamente propiciou a disseminação do medo de possíveis catástrofes climáticas iminentes, além de muitas outras consequências negativas do aquecimento exacerbado. A urgência também colocou as mudanças climáticas na posição de prioridade máxima das nações, legitimando políticas públicas de emergência e mobilizações globais relacionadas ao clima – a “ordem do dia” passava a ser: esqueçam tudo o que foi planejado e revisem todas as políticas públicas sob a perspectiva de salvar a humanidade da ameaça imediata de extinção. Surgiram nessa onda personagens caricatas como Al Gore, Greta Thunberg, Alexandria Ocasio-Cortez, António Guterres e muitos outros que professavam catástrofes climáticas e extinção de povos e espécies em poucos anos.
Todavia, quem conhece em profundidade o tema e as informações técnicas originais dos relatórios do IPCC (Painel Intergovernamen-
tal sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês) sabe que a urgência climática não é uma conclusão científica. O IPCC não afirma que há urgência climática; que há risco de colapso civilizatório ou que o balanço zero de emissões e remoções é uma obrigação moral imediata, custe o que custar.
A cifra teve origem em alguns estudos de revisão de literatura, sendo o mais citado o de Cook et al. (2013), publicado na revista “Environmental Research Letters”. Esse estudo analisou resumos de milhares de artigos científicos sobre mudança do clima e concluiu que 97,1% dos que expressavam uma posição explícita sobre a existência do aquecimento global, atribuíam o fenômeno às atividades humanas – seja lá em que medida frente às causas naturais. Assim, o levantamento registrou apenas a concordância quanto à contribuição humana ao aquecimento global, mas não sobre sua gravidade, aceleração, urgência e consequências do fenômeno no curto, médio e longo prazos.
A partir daí, esse número foi amplamente e indevidamente reproduzido por políticos, escolas, academia, ONGs ambientalistas, agências da ONU e meios de comunicação colocados a serviço da massiva propaganda climática, porém, sem esclarecer sobre as limitações e incertezas metodológicas intrínsecas dos estudos, das medidas do fenômeno, do grau de participação humana e da suposta urgência (ou não) das medidas de mitigação das emissões de carbono.
De fato, esse “número mágico”, na verdade, signi fi ca, exclusivamente, que cerca de 97% dos estudos analisados indicaram que o ser humano contribui em certa medida para o aquecimento gradual do planeta –ponto fi nal.
No entanto, a desordem conceitual e informacional (deliberada ou não) de associar o famoso “97% dos cientistas concordam” à ur-
enganosa parece ser um dos mais irresponsáveis equívocos da comunicação pública da história
gência climática teve graves consequências, especialmente pela implicação da necessidade de reconfigurar a economia e de revisar da priorização de investimentos públicos – tema que, por si só, demandaria um artigo específico apenas para tentar listar uma parte dos problemas.
Em suma, essa narrativa, lamentavelmente enganosa, parece ser um dos mais irresponsáveis equívocos da comunicação pública da história, que pode ter produzido danos econômicos e sociais de grande monta, a serem ainda avaliados por acadêmicos e economistas.
Os danos implicados pela ideia da urgência climática podem ainda ser muito mais amplos e arriscados. Um dos exemplos disso são as ideias de aventureiros de aplicação de técnicas de pulverização de partículas nas camadas superiores da atmosfera para reduzir a radiação solar que atinge a superfície (com consequências imprevisíveis na agricultura, no regime de chuvas etc). Trata-se de um conjunto de técnicas conhecido como Modificação da Radiação Solar (SRM – Solar Radiation Management), um ramo da geoengenharia.
Corrigir o “rumo desse transatlântico” pode ser um dos motivos que levaram Bill Gates – e a gestão atual do governo dos Estados Unidos – a engatar a marcha à ré nas ações de mitigação das emissões de carbono.
Mas o que mais assusta a quem tem alguma noção do significado da ciência é o silêncio e Essa narrativa lamentavelmente
Segundo a modelagem do IPCC, esse esforço concertado de todos os países evitaria que o aquecimento, desde a Revolução Industrial, não ultrapassasse dois graus Celsius no ano 2100
o comportamento “singular” da quase totalidade da comunidade científica: as poucas e honrosas exceções que divergiram sobre um ou outro aspecto da propaganda climática “oficial” catastrofista mainstream foram tratadas com desprezo, isoladas e chamadas por seus pares de “negacionistas” – termo extremamente depreciativo, aplicado aos lunáticos que negaram o holocausto dos judeus. Essa alcunha destrutiva (de cancelamento – para usar um termo mais moderno) é cruelmente dirigida até mesmo aos que reconhecem a existência do problema do aquecimento global, mas apenas divergem quanto à sua urgência e sobre como enfrentá-lo.
Na esteira da urgência climática fabricada após o estabelecimento do chamado “acordo termostato” da COP21 de Paris, em dezembro de 2015, foi também consolidada a “engenhosa” ideia da meta aspiracional Net Zero. Com base na afirmação do IPCC de que emissões líquidas zero seriam necessárias para estabilizar o clima, formalizou-se, no âmbito do Acordo de Paris, a meta do equilíbrio
entre emissões e remoções de carbono, prevista para a segunda metade deste século.
Net Zero - meta de emissões líquidas zero: é o balanço em que a quantidade total de gases de efeito estufa (GEE) emitida pelas atividades humanas é equilibrada pela quantidade removida da atmosfera. As emissões continuam existindo, mas devem ser compensadas – total ou parcialmente – por absorção natural (florestas, solos, oceanos) ou por tecnologias de captura de carbono. O conceito do Net Zero não exige emissão zero absoluta, e sim a neutralização líquida. Não obstante, os esforços para evitar (mitigar) as emissões de GEE devem ser equilibrados com as atividades de remoção.
Tanto a mitigação quanto a remoção para o atingimento do Net Zero envolvem investimentos astronômicos em nível global.
Essa meta implicaria começar imediatamente a direcionar, no conjunto dos países, trilhões de dólares anuais para descarbonizar a economia, captura de carbono, adaptação e outros custos associados ao processo, com vistas ao atingimento de metas nacionais intermediárias e finais de descarbonização para os anos 2030-2035/2050-2060. Segundo a modelagem do IPCC, esse esforço concertado de todos os países evitaria que o aquecimento, desde a Revolução Industrial, não ultrapassasse dois graus Celsius no ano 2100, meta de aquecimento considerada segura pelos cientistas (ou com danos gerenciáveis).
Segundo o estudo da McKinsey & Company (de janeiro de 2022, com base em dados de 2021) intitulado “The net-zero transition: What it would cost and what it could bring”, Net Zero demandaria reconfigurar toda a economia mundial sob o novo paradigma da descarbonização. O valor global total estimado de investimentos em ativos físicos para chegar ao cenário de emissão líquida zero (Net Zero) entre 2021 e 2050 seria de cerca de US$ 275 trilhões. Esses investimentos implicariam inversões anuais, por décadas, de vários pontos percentuais do PIB (Produto Interno Bruto) de diversos países – algo física e economicamente inviável.
Ocorre que, atualmente, esses urgentes compromissos pretendem efetivar um processo global simultâneo de transição imediata para tecnologias de geração e uso de energias renováveis baseadas predominantemente em turbinas eólicas, painéis solares e grandes bancos de baterias destinados a garantir um backup de energia em situações de falta de vento e radiação solar insuficiente, o que os alemães cunharam como dunkelflaute (calmaria escura).
Porém, quando a participação das renováveis intermitentes ultrapassa certos patamares, bancos de baterias não são suficientes ou economicamente viáveis para garantir a estabilidade de redes com alta penetração de geração eólica e solar. Existem diversos
limites técnicos e econômicos que impedem a utilização das baterias e, por isso, é necessário agregar à rede fontes estáveis: nuclear, gás natural, hidrelétrica com reservatório ou outras formas de geração despachável firme, que, assim como os bancos de baterias, encarecem significativamente o capex e opex do sistema, com reflexos negativos nos preços da energia.
Contaram para o mundo e, até hoje, repetem entusiasticamente, que a transição energética para eólica e solar (fotovoltaica) seria possível porque os ventos e o brilho do sol, embora intermitentes, são gratuitos, e os custos das novas tecnologias renováveis seriam supostamente reduzidos, barateando a transição.
O problema é que essa história tem a versão concorrente oposta, claramente ilustrada pelo gráfico abaixo, que mostra a realidade

dos preços da energia em função da penetração da geração renovável na rede elétrica. Os números mostram o contrário do que é propagado por ambientalistas, acadêmicos, lobistas e políticos mal-informados, promotores das tecnologias de geração renovável.
A transição de redes elétricas baseadas em carvão e gás (que pode ocorrer em muitos países) para sistemas dominados por energia eólica e solar, com baterias de backup, envolve desafios técnicos e econômicos profundos. Como mencionado, a geração renovável (eólica e solar) é intermitente, e isso invariavelmente causa instabilidade na rede elétrica, pois esses novos sistemas com despacho variável substituem máquinas síncronas que fornecem inércia e total controle de frequência. Os grandes bancos de baterias podem ajudar por poucas horas, mas não cobrem longos períodos de baixa produção (dunkelflaute).
Para operar com segurança e com grande participação de renováveis, faz-se necessário reforçar linhas de transmissão, ampliar inter-
Sem investimentos
globais trilionários e regras de mercado inovadoras, há risco de instabilidade das redes, altos preços da energia e incapacidade de garantia de fornecimento contínuo em todos os momentos
conexões, criar sistemas de gerenciamento e controle avançados e prever com precisão o clima e a demanda. O custo dessa “modernização”, armazenamento e expansão da rede é muito alto, e a vida útil e a cadeia logística das placas solares, turbinas e das baterias ainda são limitadas – isso sem contar as incertezas geopolíticas da concentração na China, da maior parcela da indústria e do mercado, de matéria-primas, minérios críticos e tecnologias de produção.
Em suma, sem investimentos globais trilionários e regras de mercado inovadoras, há risco de instabilidade das redes, altos preços da energia e incapacidade de garantir fornecimento contínuo em todos os momentos.
A recente explosão dos preços da energia no Reino Unido e Alemanha, que investiram pesado na transição de sua matriz elétrica, não se deve exclusivamente aos desafios técnicos da transição, mas esses fatores contribuíram de maneira relevante, juntamente com choques externos relacionados ao suprimento e à brutal alta do preço do gás natural. Um fator controverso nesse contexto é a transição para sistemas estáveis e limpos baseados na energia nuclear, mas ainda há preconceito em relação a ela, que é a tecnologia mais segura e com menor impacto nos recursos naturais entre todas as existentes. Para muitos estudiosos, uma vez vencida a barreira da irracional rejeição entre ambientalistas, a energia nuclear modular (pequenas unidades) parece ser a melhor resposta para o problema futuro do aumento exponencial da demanda por energia elétrica segura e sustentável.
Entretanto, ainda há muitas incertezas em relação ao potencial de desenvolvimento de tecnologias inovadoras para geração de
energia sustentável, e esse é um aspecto essencial destacado por Bill Gates em sua nota de 28 de outubro: é necessário investir prioritariamente em inovação tecnológica de alto impacto. Isso dependerá dos próximos acordos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento quanto à transferência de tecnologia e ao montante dos investimentos dos países desenvolvidos em pesquisa e desenvolvimento voltados especialmente para a geração de energia barata, confiável e segura, o que daria um impulso definitivo à melhoria dos IDHs (Índices de Desenvolvimento Humano) dos países pobres – outra prioridade da nota de Gates.
Parece evidente que a decisão de inversões massivas de recursos em sistemas renováveis baseados em geração eólica e solar, como a vista na Califórnia (EUA), Alemanha, Reino Unido e Austrália (esta, que como os Estados Unidos, está debatendo a possibilidade de abandonar Net Zero), não atende nem mesmo às necessidades de grande parcela das populações desses países desenvolvidos; todos estão sendo fortemente afetados em suas economias pelos altíssimos preços da energia (de alta penetração de renováveis).
O que dizer, então, sobre desenvolver redes elétricas renováveis similares em países da África, Índia, sudeste da Ásia e América Latina? Haveria, decerto, escassez de energia barata, principal trava para o desenvolvimento desses países, imposta justamente pela falsa urgência climática e pelo atropelo engessado das metas Net Zero.
Conciliar Net Zero com energia barata e desenvolvimento civilizatório em países pobres parece hoje ser algo impossível, mas, como se diz na linguagem popular, “papel aceita tudo”.
Diante desse complexo contexto, em 28 de outubro de 2025, às vésperas da COP30, o mundo acordou com um perfume agradá-
vel, um quê diferente de raríssimo brilho e honestidade. Essa data entrará para a história moderna como marco do desmentido por Bill Gates de si mesmo, da alegada urgência climática (a que nunca foi), e marco do desvendamento do que muitos entendem ser o sonho impossível do Net Zero, que a partir da virada de Gates será provavelmente avaliado com toda cautela e transparência.
Sua nota técnica plenamente fundamentada e alinhada em muitos aspectos com a visão do cientista econômico dinamarquês Bjorn Lomborg, que acaba de ser promovido de um célebre “negacionista da urgência climática” para o pódio de “visionário da estratégia realista de enfrentamento do aquecimento global”.
Na nota, Gates desdisse o que professou durante décadas sobre o alto risco de desastre climático, com status de guru ao lado de Greta Thunberg, a monja da extinção do planeta e estrela woke de Davos, que não sabe argumentar sobre o que prega.
A pequena Greta, até então, por longo período sumida das manifestações e fóruns do clima, fez uma surpreendente aparição na COP30, usando a Convenção de Belém como palco internacional para reforçar sua ação performática em defesa da causa Palestina.
Em sua nota, Bill Gates propõe inversões e mudanças profundas na narrativa e na estratégia de enfrentamento do aquecimento global. Ele agora defende que, embora o aquecimento global seja um problema, não pode ser encarado como o fim da humanidade. Ele se alinha a muitos outros cientistas e aos próprios números e mensagens originais do relatório técnico do IPCC, relativamente à ausência da menção à urgência climática e, portanto, à desnecessidade de medidas imediatas drásticas de mitigação de emissões e captura de carbono.
O IPCC e a narrativa da urgência climática
De fato, em nenhum capítulo e em nenhum Summary for Policymakers das edições mais recentes (AR6 – 2021/2022) aparecem as palavras urgency, emergency, crises, catastrophe como conclusão institucional. O IPCC não afirma que o mundo enfrenta uma ameaça “existencial” ou risco de “colapso civilizatório”. O IPCC não recomenda Net Zero como obrigação, apenas descreve o exercício de diferentes cenários modelados em que metas de aquecimento são associadas a diferentes trajetórias de emissões. Em verdade, o discurso de urgência vem de atores políticos, ativistas, mídia e governos.
Na visão atual de Gates, as políticas públicas devem concentrar-se em canalizar os recursos econômicos escassos de modo mais inteligente, focando em inovação de alto impacto, adaptação, saúde e luta contra a pobreza. Em seu novo entendimento, focar exclusivamente em impor metas consideradas rasas, supostamente urgentes e prioritárias, de redução de emissões (com grande chance de serem econômica e fisicamente inatingíveis), alavancadas pela disseminação do medo mediante discursos apocalípticos de fim do mundo e chantagem moral e econômica velada, cria traumas e desesperança nas gerações mais novas, e desvia a atenção dos investimentos para a solução de problemas reais e imediatos enfrentados por bilhões de pessoas vulneráveis.
* The era of global boiling has arrived - UN Secretary-General António Guterres
Ao mesmo tempo, Gates se afasta da pecha de “negacionista” e reafirma que a transição para energia limpa e tecnologias sustentáveis de baixo carbono é fundamental – todavia, deve caminhar junto com o fortalecimento das condições da vida humana, especialmente entre os povos mais pobres. Para os países em desenvolvimento (como o Brasil), Gates entende, com sabedoria e pés no chão, que não basta focar de forma rasa na redução de emissões; é preciso integrar à estratégia de enfrentamento ao aquecimento global,
aspectos prioritários e realmente urgentes, como a saúde, infraestrutura, agricultura, energia acessível e adaptação, e colocá-los no topo das políticas climáticas.
Esse urgente ajuste de prioridades é de fato fundamental: após décadas de discussões e investimentos em redução de emissões, as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera seguem aumentando, enquanto cerca de um terço da população mundial ainda cozinha e se aquece em seus lares com lenha e estrume seco – o que causa cerca de dois milhões de mortes anuais por exposição continuada à poluição tóxica “indoors”, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).
Quanto a doações, organizações não governamentais de filantropia e ao orçamento público, a recomendação de Gates é verificar (com triple-check) se o dinheiro está de fato sendo usado majoritariamente nas ações de maior impacto humano imediato, e não apenas em metas de emissão abstratas (que não podem ser cumpridas).
Sabe-se, por exemplo, que a maior parcela dos recursos destinados à filantropia na África não chega ao continente; investimentos em energia abundante e barata são negados em razão da doutrinação climática radical e insensível de agentes financeiros de grandes bancos de fomento e fundos verdes – tudo isso em nome da “salvação do planeta” no final do século.
Enquanto isso, segundo o Centre for Research on Energy and Clean Air e o Global Energy Monitor, em 2023, a pragmática China aprovou 114 GW de usinas a carvão mineral e na Índia 5,5 GW foram comissionados, 3,9 GW permitidos e 7,6 GW encontravam-se em estágio de análise.
Está implícito nessa nova abordagem humanizada do combate às mudanças climáticas de Bill Gates que, nas próximas décadas, o intenso desenvolvimento humano, incensado por energia barata e abundante, pode trazer respostas mais eficazes e econômicas que as
caras tecnologias de consistência duvidosa atualmente disponíveis. Trata-se de uma chamada (wake-up call) aos povos e aos decisores globais, a repensar tecnologias, políticas e prioridades de investimentos.
Mas outras razões possivelmente também contribuíram para induzir Bill Gates à delicada decisão de retroceder em alguns aspectos críticos que há anos defendia, supostamente sem uma reflexão mais aguda. Trata-se de uma raríssima e preciosa demonstração de humildade de um guru da tecnologia e das políticas climáticas e filantrópicas – é a confissão de um equívoco estratégico de enorme impacto.
Ao fim e ao cabo, a nota de Bill Gates representa um pedido ao mundo por um freio de arrumação nas ações de combate às mudanças climáticas – uma nova abordagem que cientistas e as nações serão compelidos a avaliar. Aderindo claramente à visão estratégica de alguns cientistas injustamente chamados de “negacionistas”, Gates desloca a questão moral do “pragmático manejo imediato das reduções de emissão via políticas de Net Zero”, para a “necessidade premente de os principais responsáveis pelo aquecimento da Terra (países desenvolvidos) repararem os danos que causaram ao planeta”. Isso implicará investimentos no desenvolvimento humano de povos mais carentes, sem o qual, dificilmente o planeta logrará sucesso na missão “coletiva” de encontrar métodos globais e locais inovadores, visando equilibrar o clima em um padrão gerenciável ao final deste século. Assim, aparentemente, a tal “justiça climática” se faz presente na virada de Gates, mediante o esforço de “reparação financeira”.
Mas especulações sobre mais razões ocultas de Bill Gates não faltarão, uma vez que ele é famoso por transformar crises humanitárias em patrimônio pessoal. O bilionário vem há muito investindo/atuando como protagonista glo-
A nova visão do influente guru do clima, que amortece a preocupante correria climática, atrairá nos próximos meses e anos muitos cérebros privilegiados
bal, em filantropia, energia nuclear de quarta geração (modular), aquisição de terras agricultáveis, alimentação de massas, produtos farmacêuticos e, mais recentemente, em IA (inteligência artificial) e data centers – estes últimos são setores-chave, que demandarão quantidades imensas de energia barata nas próximas décadas, e essa demanda exponencialmente crescente conflitaria com a abordagem de descarbonização imediata de Gates, defendida antes dessa fantástica virada estratégica.
A nova visão do influente guru do clima, que amortece a preocupante correria climática, atrairá nos próximos meses e anos muitos cérebros privilegiados de todo planeta, ensejando abrangentes discussões (oxalá livres de vícios), e os ajustes eventualmente necessários nas atuais e controvertidas políticas públicas relacionadas à proteção do clima.
*Olimpio Alvares é engenheiro mecânico da Escola Politécnica, da Universidade de São Paulo, especializado no Japão e Suécia em controle de emissões veiculares e transporte sustentável, ex-gerente da Cetesb, onde atuou por 26 anos no desenvolvimento de programas de controle de emissões de veículos. Foi diretor da empresa de consultoria L`Avis Eco-Service, com experiência na área de emissões atmosféricas, transporte sustentável, mudanças climáticas e transição energética no setor dos transportes; atua em inúmeros projetos relacionados a esses temas. Reconhecido nacional e internacionalmente, é autor de diversos artigos e publicações e participa ativamente em fóruns nacionais e internacionais sobre meio ambiente e mitigação das mudanças climáticas no setor dos transportes.

A convite do governo do estado de São Paulo, o presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim, e a VP de Administração e Finanças, Miriana Marques, acompanharam a sessão pública de leilão do Centro Administrativo Campos Elíseos.
O Consórcio MEZ-RZK Novo Centro foi o vencedor do leilão para construir a nova sede do governo de São Paulo, no centro da capital paulistana. A obra vai custar cerca de R$ 6,1 bilhões, com previsão de entrega até 2030. O projeto prevê a transferência do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, para um complexo de prédios no entorno da Praça Princesa Isabel .
Novo modelo de licitação para projetos de trilhos em SP é apresentado no IE

O presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim, recebeu, em fevereiro, Augusto Almudin, diretor de Assuntos Corporativos da Secretaria de Parcerias em Investimentos do governo do estado de São Paulo, para uma apresentação sobre as novas fases e diretrizes de licitação
voltadas à contratação de projetos de trilhos. O encontro reuniu diretores, conselheiros e convidados.
Durante a exposição, foram detalhados os principais aspectos do modelo de Diálogo Competitivo Internacional, que prevê etapas de pré-seleção, comentários técnicos, fase competitiva e contratação, com o objetivo de aprimorar estudos, reduzir riscos e ampliar a qualificação das propostas em projetos de alta complexidade.
Ao promover o encontro entre o poder público e especialistas, o Instituto de Engenharia reafirma sua atuação como um articulador isento, contribuindo para o aprimoramento das políticas e das decisões que impactam a engenharia.
IE assina acordo de cooperação técnica com a Autoridade Portuária de Santos

O presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim; o VP de Relações Externas, Ivan Whately; o presidente da APS (Autoridade Portuária de Santos), Anderson Pomini; e o superintendente de Desenvolvimento de Infraestrutura da APS, Luiz Felipe Tonelli, assinaram o acordo de cooperação técnica entre o IE e a APS para suporte a projetos estratégicos do porto.
O acordo de cooperação, que contará com a equipe técnica do Instituto de Engenharia, é destinado a suportar e, quando demandado, avalizar a análise, o estudo e a proposição de soluções técnicas, tecnológicas, operacionais e de infraestrutura de interesse do Porto de Santos e de seu
entorno, em benefício da engenharia e do desenvolvimento logístico portuário.
O termo foi assinado no escritório de representação da APS, em São Paulo, e contou com a presença de membros da diretoria e Conselhos do IE, além do corpo técnico da APS.

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Miriana Marques, VP de Administração e Finanças IE, com Raul Souza (à esq.) e José Eduardo Jardim
O presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim, e membros da diretoria receberam, em janeiro, a visita de Raul de Souza Almeida, que apresentou o projeto Oficina Escola de Artes e Ofícios, em Itu.
Iniciado em 2006 na cidade, o projeto tem como objetivo capacitar adolescentes entre 14 e 17 anos incompletos, de famílias em situação de vulnerabilidade social e estudantes de escolas públicas do município, na arte do restauro de patrimônios históricos, área integrante da construção civil. Instalada no Quartel de Itu, fruto da cessão do espaço pelo Exército Brasileiro e resultado de uma das parcerias e convênios que mantém o Oficina Escola em funcionamento, o curso tem duração de 12 meses, é realizado no período da tarde, de segunda a sexta-feira, e oferece aos alunos refei-
ção diária e bolsa-auxílio mensal. Para ingressar no programa, os candidatos passam por entrevista com a equipe de assistência social. Até o momento, o projeto já formou 357 restauradores.
A grade curricular conta com 717 horas-aula por ano, incluindo disciplinas como história da arquitetura, orçamento de obras, educação patrimonial e AutoCAD 2D, entre outras.
Como parte da associação voltada à inclusão social, o projeto é beneficiado por incentivos fiscais do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente (federal) e do ICMS (imposto estadual), por meio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Escaneie o QRCode, conheça mais sobre o projeto e veja como contribuir
“Um deserto de homens e ideia”

A famosa frase do político brasileiro Oswaldo Aranha deu o tom ao segundo encontro, que aconteceu em dezembro, no Instituto de Engenharia, liderado por Rubens Barbosa, ex-embaixador e presidente do Irice (Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior), sobre a proposta, que tem como objetivo fomentar um debate plural, técnico e apartidário para a criação do documento “Uma estratégia para o Brasil – o lugar do Brasil no mundo”. O texto será um registro da sociedade civil a ser entregue neste ano aos candidatos à presidência da República.
Recebido pelo presidente da Casa, José Eduardo Jardim, pela diretoria, membros dos Conselhos e convidados, Barbosa destacou que a discussão, que levará a esse documento, não pode ser setorial e técnica, “tem que ser uma estratégia para o país (…) temos de procurar alguém que tenha um programa de governo”.
No encontro, o Instituto de Engenharia, por meio do VP de Assuntos Internos, Lawrence Koo, apresentou um diagnóstico estrutural integrado como contribuição ao projeto, com uma visão sistêmica do país, abordando os seguintes pontos: diagnóstico do Brasil; o que propomos de aspirações, do ponto de vista material; ações estruturantes, e potenciais diretrizes imateriais.
Além dessa apresentação, por parte do IE, Barbosa pediu a José Eduardo Jardim que faça articulação com outras entidades “que seriam as vozes da sociedade civil”.
O próximo encontro está previsto para este primeiro trimestre.

Marcelo Rozenberg, conselheiro IE; Ney Zanella, presidente do Conselho Consultivo da ADVB; Lívio Giosa, presidente ADVB; José Eduardo Jardim, presidente Instituto de Engenharia; Miguel Ignatios, ex-presidente ADVB; Vicente Abate, conselheiro IE; e Miriana Marques, VP de Administração e Finanças do IE
O Instituto de Engenharia recebeu, em fevereiro, em sua sede, a cerimônia de posse da nova diretoria da ADVB-seção São Paulo (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil), que terá Lívio Giosa à frente da presidência para a gestão 2026-2028.
O anfitrião, José Eduardo Jardim, presidente do IE, em sua saudação, lembrou a parceria de longa data entre o Instituto e a ADVB e a proximidade com Miguel Ignatios, que deixa a presidência da entidade.
“A ADVB é uma entidade sem fins lucrativos que trabalha com propósito público, conectando pessoas, ideias e iniciativas que ajudam a desenvolver o país. Essa afinidade de missão explica, em grande parte, a parceria próxima e consistente que construímos ao longo dos anos. Miguel,
mais que uma relação institucional, fica também o registro da amizade e da confiança que você cultivou com o nosso Instituto, o que fortaleceu ainda mais a parceria entre as duas entidades.”
Giosa, que era vice-presidente, assume com foco na ampliação da relevância da entidade, fortalecendo o relacionamento com o mercado e impulsionando iniciativas que gerem valor para empresas e profissionais.
SPUrbanismo apresenta

Da esquerda para a direita, Vicente Abate, Massimo Andrea
Rafael Barreto Castelo da Cruz, Pedro Martin Fernandes, José Eduardo Jardim, Miriana Marques, Ivan Whately, Jean Pejo, Renato Meirelles, Lawrence Koo e Ricardo Kenzo
Em janeiro, o presidente do IE, José Eduardo Jardim, e a vice-presidente de Administração e Finanças, Miriana Marques, receberam Pedro Martin e Rafael Barreto Castelo da Cruz Fernando, respectivamente, presidente e diretor de Desenvolvimento Urbano da SPUrbanismo, para uma reunião de apresentação dos próximos projetos que serão realizados na cidade de São Paulo: a obra estrutural do Boulevard Marquês de São Vicente e a obra do Boulevard JK.
Conselheiro do IE é empossado como membro do colegiado Acadêmico da Abrasci
Luiz Felipe Proost de Souza, conselheiro do Instituto de Engenharia, foi oficialmente empossado, em fevereiro, como acadêmico da Abrasci (Academia Brasileira de Ciências,

Artes, História e Literatura), assumindo a cadeira nº 36 do colegiado de Ciências Exatas.
Os acadêmicos da Abrasci são constituídos por personalidades notáveis — intelectuais, artistas e pesquisadores — que preservam, promovem e disseminam o conhecimento, a cultura e a história nacional.
Atuante desde 1910, a Abrasci é uma entidade cultural com o objetivo de promover a pesquisa, o estudo e a divulgação da história, geografia, ciências e áreas correlatas.
*Com informações de Abrasci
do IPEN recebe membros do IE

Ricardo Kenzo, Lawrence Koo, Isolda Costa, José Eduardo Jardim, e Marcelo Rozenberg
Em janeiro, o presidente do Instituto de Engenharia, acompanhado pelo VP de Assuntos Internos, Lawrence Koo, e dos conselheiros Ricardo Kenzo e Marcelo Rozenberg, foi recebido pela presidente do IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), Isolda Costa. O objetivo do encontro foi dar andamento aos assuntos referentes ao acordo de cooperação assinado pelas duas entidades, em 2024.
José Eduardo Jardim participa de reunião com secretário de Segurança
Pública do Estado de SP

A convite do presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo), Yorki Estefan, o presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim, participou, em fevereiro, de uma reunião-almoço com o secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves.
O encontro contou com importantes lideranças da construção civil e foi um momento de diálogo sobre temas estratégicos e seus impactos no setor.
Jardim colocou o Instituto de Engenharia à disposição do secretário, reforçando o compromisso da entidade em contribuir tecnicamente para o aprimoramento de políticas públicas que promovam mais segurança e desenvolvimento para o estado.
Com informações e imagem – SindusCon-SP.

Confira a agenda de eventos do IE

#Vinho #Japão
#VinhoBranco #Peixes
#CulináriaJaponesa

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 7 MINUTOS
• Por Eng° Ivan Carlos Regina*
Um fato indiscutível é a enorme preferência da cidade de São Paulo pela culinária japonesa. Não só em função dos estreitos laços afetivos que ligam o nosso estado ao país do Sol Nascente, mas também pela forte inclinação que a gastronomia japonesa tem pelos pratos mais leves e saudáveis, que não deixam, contudo, de ser saborosos. O fato é que o número de restaurantes japoneses na capital paulista superou o de churrascarias, sendo sua culinária hoje campeã em quantidade de estabelecimentos. Há 50 anos, eles praticamente não existiam, mas hoje caíram no gosto geral das pessoas, que vão constantemente em busca de seus pratos mais emblemáticos, como sushi, sashimi, tempurá ou yakisoba.
Curioso é que essa culinária começou a ser servida para os descendentes de japoneses, depois passou a ser servida nas pensões de estudantes e jovens e, daí, alcançou o grande público.
Bebidas destiladas
tinham uma aceitação maior, e o vinho, por ser fermentado, era preterido em função do consumo do saquê
A culinária japonesa servida no Brasil lembra muito aquela encontrada no Japão, sem, contudo, ser idêntica. Japoneses nativos costumam reclamar de algumas adaptações feitas pelos nossos cozinheiros mais licenciosos, como a adição de maionese, frutas doces e mostarda, principalmente nos pratos mais fáceis, como os temaki, aqueles enroladinhos de alga que aparecem não só como pratos, mas também em redes de fast-food.
Há 35 anos, estagiei longamente no Japão e constatei que o costume de beber vinhos nas refeições estava começando, não era comum. O vinho do Porto era um ilustre desconhecido, embora o conhaque já tivesse uma grande penetração no consumo popular.
Bebidas destiladas tinham uma aceitação maior, e o vinho, por ser fermentado, era preterido em função do consumo do saquê, bebida também fermentada, de história milenar e profundamente enraizada nos primórdios da civilização nipônica.
Hoje, a situação melhorou, inclusive em função da maciça propaganda levada a cabo pelos exportadores de vinho (notadamente os franceses) e pela divulgação das qualidades sápidas do vinho em veículos de cultura de massa popular no Japão, como os mangás (histórias em quadrinhos, amplamente lidas).
A gastronomia japonesa caracteriza-se pela ênfase no uso de ingredientes frescos e sazonais, pelo equilíbrio nutricional bem definido e pela apresentação estética que celebra a beleza da natureza e das estações

do ano, bem como pelo forte respeito à natureza do alimento.
Entre seus principais ingredientes destacam-se o arroz (base da alimentação cotidiana), o shoyu e o missô (líquido e massa, temperos obtidos da fermentação do grão de soja), o tofu (espécie de queijo obtido também da soja), a utilização de vários tipos de peixe e frutos do mar, consumidos in natura ou em diversas cozeduras, legumes variados, alguns comuns no Brasil (como a berinjela, o nabo, o rabanete etc), outros desconhecidos de nossa culinárias (como a bardana ou gobô, a raiz de lótus, o shisô, uma espécie de folha verde usada como tempero e com sabor marcante, o wasabi, raiz verde usada como tempero e semelhante à raiz forte), bem como a utilização de diversos tipos de cogumelos (shiitake, shimeji, hiratake etc) e algas (como
A gastronomia japonesa caracteriza-se pela ênfase no uso de ingredientes frescos e sazonais, pelo equilíbrio nutricional bem definido e pela apresentação estética que celebra a beleza da natureza e das estações do ano, bem como pelo forte respeito à natureza do alimento
kombu, hijiki ou a popular nori).
Com esses ingredientes, é possível criar uma culinária ampla, diversificada, nutritiva, saudável e de fácil digestão.
Antes de passarmos aos vinhos, temos de estabelecer um último conceito com relação aos peixes que, como sabemos, constituem a base da alimentação japonesa. Os peixes com relação à sua condição organoléptica (de sabor) se classificam em três tipos:
- Peixes brancos: apresentam carne branca e sabor delicado, como o linguado, robalo, merluza, pescada, anchova e tantos outros.
- Peixes vermelhos: apresentam carne com cor ou tonalidades vermelhas, normalmente, eles têm sabor mais intenso, como o atum, o bonito e o serra.
- Peixes azuis: apresentam carne firme e sabor forte e oleoso, como a sardinha, a savelha e a cavalinha.
Iniciamos nossa viagem pela combinação entre pratos da culinária japonesa e vinhos, com uma simplificação virtuosa:
Os pratos que levam peixes crus (como sushi ou sashimi) podem sempre ser acom-

panhados por um champagne, ou um outro bom espumante, entre os quais os brasileiros se destacam.
Também vão bem com um branco mais ácido, como um Sauvignon Blanc da Austrália ou do Loire francês.
As sopas, como as de lamen (ramen), de sobá ou de udon (tempurá udon, nabeyaki udon) ou mesmo a difundida missoshiru não vão bem com vinho nenhum, como acontece igualmente com suas congêneres ocidentais.
Estas recomendações para os peixes valem para todos os tipos de prato que levem peixes crus, como o sushi, o sashimi, o temaki, o tirashi (arroz prensado coberto com diversos tipos de peixe e frutos do mar) ou outros
O tonkatsu, finas lâminas de carne de porco empanadas e fritas, precisa de um branco mais encorpado, como um bom vinho da uva Chardonnay ou mesmo um vinho rosado provençal.
O yakisoba é um amigo para todas as horas e ocasiões, indo bem com um branco mais pesado, com um rosado ou mesmo com um tinto leve, dependendo da proteína que o acompanhe (frutos do mar ou carne bovina, por exemplo). O tempurá implora por um branco mais pesado, como um vinho norte-americano feito com a uva Chardonnay, mas se adapta bem com qualquer vinho desta uva.
As entradas e os pratos leves, como guioza (pasteizinhos recheados de carne suína ou

bovina), os takoyaki (bolinhos de polvo, servidos como comida de rua), o okonomiyaki (omeletes, também comidas como entrada ou em redes de fast food), o kushikatsu (espetinhos fritos), o karaage (frango frito) adaptam-se bem a diversos brancos em geral, desde os mais leves até os mais pesados.
Os cozidos, desde o genérico oden (servido no Japão todo) até o refinado sukiyaki, precisam de vinhos de mais classe, como os brancos do Rhone, os Bordeaux brancos ou mesmo um Chablis, vinho branco feito com a uva Chardonnay na Borgonha francesa.
Se quisermos ser puristas e refinarmos a análise, os peixes brancos crus vão bem com vinhos brancos de maior acidez, como os feitos com a uva Sauvignon Blanc, enquanto os frutos do mar crus ou em preparos delicados com uvas delicadas harmonizam como a Alvarinho portuguesa ou a Vedejo espanhol. Peixes de carne vermelha precisam de vinhos mais estruturados, como os feitos com a uva Chardonnay.
Já os peixes ditos azuis ou o unagi (enguia) são de difícil combinação com vinhos, é aquele casamento de alto risco: se acertar é maravilhoso, se errar é um desastre. Recomendamos os feitos com uvas potentes, como a Savagnin blanc do Jura francês, ou um Jerez
do tipo fino ou Manzanilla espanhol.
Estas recomendações para os peixes valem para todos os tipos de prato que levem peixes crus, como o sushi, o sashimi, o temaki, o tirashi (arroz prensado coberto com diversos tipos de peixe e frutos do mar) ou outros.
A esta altura os leitores mais perspicazes já notaram que não falei nenhuma vez em vinho tinto. Sim, é isso mesmo. Pela quase que total ausência de carne bovina na alimentação japonesa cotidiana ou tradicional, os vinhos tintos normalmente são lá bebidos sozinhos, sendo difícil forçar sua introdução harmonizando com os pratos mais comuns, também em virtude de sua estrutura mais leve e delicada.
Deixaremos para outra ocasião o entendimento dos diversos tipos de saquê e sua harmonia com a culinária japonesa.
Por ora, ergamos a nossa taça com vinho branco e exclamemos: Banzaii!, em homenagem a essa cultura tão maravilhosa e tão amiga de nós brasileiros.
*Ivan Carlos Regina é engenheiro do setor de transporte público, associado do Instituto de Engenharia e autor dos livros "Vinho, o Melhor Amigo do Homem" e "Harmonizando Vinho & Comida".
E-mail: ivanregina@terra.com.br.

Para Carolina Bugulin da Fonseca, gerente de planejamento da Enel São Paulo, a diversidade, em todas as suas esferas, é uma grande alavanca para os processos de gestão. Diferentes olhares sobre um mesmo problema podem levar a soluções inovadoras e a análises mais elaboradas e ricas em percepções, além de promover um ambiente de trabalho mais empático em relação aos clientes, sejam eles internos ou externos.
Do ponto de vista técnico, ela destaca que o curso de engenharia elétrica na Unicamp lhe proporcionou uma ampla bagagem, tanto no desenvolvimento analítico, do raciocínio lógico e na resolução de problemas, quanto na riqueza das vivências e oportunidades ao longo da formação.
Foi com a maternidade que Carolina enfrentou as questões de gênero na profissão. “Passei por situações em que decidiram me pou-
par de certos desafios e oportunidades por ser mãe de uma criança pequena. O que mais me incomoda é o fato de decidirem algo por mim, sem me dar a oportunidade de avaliar e decidir”, diz.
Para ela, a melhor forma de superar essas divergências é promover o diálogo com uma abordagem positiva. Carolina acredita que ainda há muito a avançar, apesar dos progressos no compartilhamento de responsabilidades.
Às jovens engenheiras, deixa um conselho: “continuem com o espírito de buscar soluções para os problemas, que é a grande essência da nossa profissão, confiem no seu potencial e não tenham receio de ocupar o seu espaço. Aposte na transparência e na conversa, promova, de forma livre, e leve diálogos sobre a equidade de gênero, pois assim conseguimos mostrar o nosso ponto de vista e, aos poucos irmos mudando os vieses.”


