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ISSN 0013- 7 7 0 7
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INSTITUTO DISCUTE OS DESAFIOS FUTUROS DO BRASIL E DO MUNDO
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ENGENHARIA I
Fundadores Apparício Saraiva de Oliveira Mello (1929-1998) Ivone Gouveia Pereira de Mello (1933-2007)
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TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. NENHUMA PARTE DESTA PUBLICAÇÃO (TEXTOS, DADOS OU IMAGENS) PODE SER REPRODUZIDA, ARMAZENADA OU TRANSMITIDA, EM NENHUM FORMATO OU POR QUALQUER MEIO, SEM O CONSENTIMENTO PRÉVIO DA ENGENHO EDITORA TÉCNICA OU DA COMISSÃO EDITORIAL DA REVISTA ENGENHARIA
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NESTA E
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ENTREVISTA
ROBERTO RODRIGUES EMINENTE ENGENHEIRO DO ANO DE 2018 “A AGRICULTURA JÁ CAMINHA RUMO À AGROINDÚSTRIA 4.0”
Para o engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues, escolhido Eminente Engenheiro do Ano de 2018 pelo Instituto de Engenharia, a integração da agropecuária, da agricultura de precisão e do plantio direto são temas que já estão assimilados no país, só que por enquanto entre os grandes produtores. “Mas precisamos conquistar a adesão de todo mundo, ou seja, da legião de pequenos produtores também. Mas aí só por intermédio do associativismo. Só o sistema de cooperativas de produção e também de crédito – estas de importância capital – pode dar escala ao micro, pequeno e médio agricultor. O que nem sempre se percebe é que estamos caminhando com enorme vigor para uma agricultura e agroindústria 4.0, o que vai exigir cada vez mais capacidade de gestão do produtor.”
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LINHA DE FRENTE
RICARDO DARUIZ BORSARI Secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo “SP PODERÁ TER O SEU SANEAMENTO UNIVERSALIZADO DENTRO DE 10 ANOS”
Na visão do engenheiro Ricardo Borsari, secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, o saneamento é um grande instrumento de redução das desigualdades num país tão desigual como o Brasil. Ele considera que esse aspecto é o grande agente motivador de todos que atuam na área. Ele ressalta outra característica importante que torna o território paulista um ente privilegiado: o fato de ter havido a continuidade de governos estaduais com a mesma orientação estratégica, o que permitiu que o estado pudesse sair de um patamar muito ruim de cobertura em saneamento e melhorasse bastante os índices nos últimos 40 anos. Borsari acha inclusive importante que essa condição persista por ainda mais tempo.
PALAVRA DO PRESIDENTE CARTAS PALAVRA DO LEITOR CURTAS DIVISÕES TÉCNICAS
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SEÇÕES
EDITADA DESDE 1942
www.brasilengenharia.com ISSN 0013-7707 REVISTA ENGENHARIA Órgão Oficial do Instituto de Engenharia
91 93 94 96 98
CRÔNICA MEMÓRIAS DA ENGENHARIA ENGENHO & ARTE BIBLIOTECA OPINIÃO
ASSINATURAS WWW.BRASILENGENHARIA.COM ENGENHARIA 639 / 2018 ENGENHARIA 606 / 2011
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I ENGENHARIA
EDIÇÃO
CAPA
Roberto Rodrigues é o Eminente Engenheiro do Ano de 2018 Fotos: divulgação CNH Industrial (foto de fundo)
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Roberto Rodrigues (foto de André Siqueira)
INSTITUTO DE ENGENHARIA – PROJETO BRASIL
INSTITUTO DISCUTE OS GRANDES DESAFIOS DO BRASIL E SUA INSERÇÃO NO PLANETA
O Instituto de Engenharia, por iniciativa de seu presidente, Eduardo Lafraia, quer ajudar a sociedade brasileira a criar um projeto para o país e também dar sua contribuição para o estudo e a solução de desafios globais, como a superpopulação, a expansão urbana desordenada e a poluição ambiental daí decorrente. Um dos levantamentos mais interessantes responde pelo nome de “Instituto de Engenharia do Futuro”, foi coordenado pelo engenheiro Victor Brecheret Filho, e representa um passo fundamental nessa importante caminhada
SANEAMENTO E SEGURANÇA HÍDRICA
O LEGADO DA GRANDE CRISE E AS VISÕES PARA O FUTURO
Na visão de futuro de três especialistas ouvidos pela revista, o legado deixado pela crise de escassez hídrica no período 20142015 foi o de aprimorar a disponibilidade de água e a segurança hídrica. E, ao mesmo tempo, seguir avançando na implantação de estruturas de coleta e tratamento de esgoto, com viabilidade técnica e econômica, contribuindo para a universalização dos serviços. Tais diretrizes são os principais focos de atenção tanto da Sabesp como de outros órgãos e agências do setor, como DAEE e ABES
ENGENHARIA TRANSPORTE / ARTIGO
O ENTORNO DAS ESTAÇÕES METROVIÁRIAS: UM OLHAR A SE AMPLIAR Paulo Carvalho Ferragi
ENGENHARIA INDUSTRIAL / ARTIGO
TRABALHO AOS DOMINGOS E FERIADOS: NECESSIDADE DAS INDÚSTRIAS Alexandre Ferraz Naumoff / Rafael Chuvalski Starbulov ENGENHARIA GEOTECNIA / ARTIGO
INFLUÊNCIA DA SUBPRESSÃO NAS FUNDAÇÕES DE ATERRO RODOVIÁRIO Letícia Leonardi Jardim / Wilson Shoji Iyomasa WWW.BRASILENGENHARIA.COM
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A MISSÃO DO INSTITUTO DE ENGENHARIA
Promover a engenharia, em benefício do desenvolvimento e da qualidade de vida da sociedade. Realiza essa missão por meio da: promoção do desenvolvimento e da valorização da engenharia; promoção da qualidade e credibilidade de seus profissionais; prestação de serviços à sociedade, promovendo fóruns e debates sobre problemas de interesse público, analisando e manifestando-se sobre políticas, programas e ações governamentais, elaborando estudos, pareceres técnicos e propostas para o poder público e para a iniciativa privada; prestação de serviços aos associados. Suas ações estão dirigidas para: a comunidade em geral; os órgãos públicos e organizações não governamentais; as empresas do setor industrial, comercial e de serviços; as empresas de engenharia, engenheiros e profissionais de nível superior em geral; os institutos de pesquisas e escolas de engenharia; e os estudantes de engenharia. ENGENHARIA 639 / 2018
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ENGENHARIA I
PRESIDÊNCIA PRESIDENTE Eduardo Lafraia presidencia@iengenharia.org.br 1º DIRETOR SECRETÁRIO Ivan Metran Whately iwhately@terra.com.br 2º DIRETOR SECRETÁRIO Habib Georges Jarrouge Neto habib.jarrouge@gmail.com ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DIRETOR George Paulus george@salaviva.com.br JORNALISTA Isabel Cristina Dianin site@iengenharia.org.br CÂMARA DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM DO INSTITUTO DE ENGENHARIA DIRETOR Andre Steagall Gertsenchtein camara@iengenharia.org.br
VICE-PRESIDÊNCIA DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS VICE-PRESIDENTE Victor Brecheret Filho vicepresidente@iengenharia.org.br 1º DIRETOR FINANCEIRO Fernando Bertoldi Correa fernando@herjacktech.com.br DIRETOR DE TI Abram Belk abram@tqs.com.br ADMINISTRATIVO FINANCEIRO Sueli Caballeria Mesquita financeiro@iengenharia.org.br
VICE-PRESIDÊNCIA DE ATIVIDADES TÉCNICAS VICE-PRESIDENTE Jerônimo Cabral Pereira Fagundes Neto jcmijs@terra.com.br CURSOS DIRETOR Marco Antonio Gullo m.a.gullo@mgconsult.com.br VICE-DIRETORA Eny Kaori Uono Sanchez eny@uonosanchez.com.br DIRETOR DA BIBLIOTECA Mauro José Lourenço diretoria@ltdengenharia.com.br SECRETÁRIO
Aléssio Bento Borelli alessio.bento@gmail.com
VICE-PRESIDÊNCIA DE RELAÇÕES EXTERNAS
André Steagall Gertsenchtein Angelo Sebastião Zanini Arlindo Virgílio Machado Moura Carlos Cotta Rodrigues Carlos Pereira de Magalhães Neto Cláudio Amaury Dall’acqua Edson José Machado Flávia Bartkevicius Cruz Francisco Armando N. Christovam João Baptista Rebello Machado Jorge Pinheiro Jobim José Eduardo F. Poyares Jardim José Roberto Cardoso José Olímpio Dias de Faria José Roberto Bernasconi Kleber Rezende Castilho Luiz Felipe Proost de Souza Luiz Fernando Portella Marcelo Rozenberg Pedro Márcio Gomes dos Santos Renato Mattos Zuccolo Ricardo A. Carneiro La Terza Ricardo Kenzo Motomatsu Roberto Bartolomeu Berkes Roberto Kochen Rui Arruda Camargo Vicente Abate
VICE-PRESIDENTE Marcos Moliterno info@mmoliterno.com.br DIRETOR DE RELAÇÕES EXTERNAS Miracyr Assis Marcato energo@terra.com.br DIRETOR REGIONAL DE SALVADOR/BA Carlos Alberto Stagliorio stagliorio@stagliorio.com.br DIRETOR REGIONAL DE BELO HORIZONTE/MG Jose Augusto da Silva dirreluca@hotmail.com DIRETOR REGIONAL DE FORTALEZA/CE Lawton Parente de Oliveira engeterra.ce@construtoraengeterra.com
VICE-PRESIDÊNCIA DE ASSUNTOS INTERNOS VICE-PRESIDENTE Miriana Pereira Marques miriana.marques@terra.com.br DIRETOR DE ASSUNTOS UNIVERSITÁRIOS Vitor Marques vitinho1991@terra.com.br DIRETOR DE ASSUNTOS ACADÊMICOS Angelo Sebastião Zanini azanini@usjt.br DIRETORIA DE ASSOCIAÇÕES DE EX-ALUNOS DIRETORA Flavia Bartkevicius Cruz flavia.b.cruz@gmail.com VICE-DIRETOR Oswaldo Boccia Junior obocciajr@gmail.com DIRETORIA CULTURAL DIRETOR Nestor Soares Tupinambá nstupinamba@uol.com.br COORDENADOR MUSICAL Sergio Martoni sergiomartoni@hotmail.com DIRETOR DE VISITAS TÉCNICAS Sokan Kato Young sokan@chinatur.com.br
CONSELHO CONSULTIVO
CONSELHO DELIBERATIVO PRESIDENTE Eduardo Lafraia SECRETÁRIO Edson José Machado CONSELHEIROS Adolfo Bolivar Savelli Alfredo Mário Savelli Alfredo Petrilli Junior
PRESIDENTE João Antonio Machado Neto SECRETÁRIO Miracyr Assis Marcato
CONSELHEIROS Adolfo Bolivar Savelli Alberto Pereira Rodrigues Aléssio Bento Borelli Alfredo Eugenio Birman Alfredo Mário Savelli Alfredo Petrilli Junior Amândio Martins André S. Gertsenchtein Antonio Galvão A. de Abreu Antonio Hélio Guerra Vieira Antonio Mª Claret Reis de Andrade Arlindo Virgilio Machado Moura Arnaldo Calil P. Jardim Beatriz Vidigal Xavier da S. Rosa Camil Eid Carlos Antonio Rossi Rosa Carlos Costa Neto Carlos Eduardo M. Gonçalves Cláudio A. Dall’Acqua Cláudio Arisa Clorival Ribeiro Dario Rais Lopes Dirceu Carlos da Silva Edemar de Souza Amorim
Edgardo Pereira Mendes Jr. Edson José Machado Eduardo Ferreira Lafraia Enio Gazolla da Costa Ettore José Bottura Hélio Martins de Oliveira Ismael Junqueira Costa Ivan Metran Whately Jerônimo Cabral P. Fagundes Neto João Antonio Machado Neto João Ernesto Figueiredo Jorge Pinheiro Jobim José Eduardo Cavalcanti José Geraldo Baião José Olímpio Dias de Faria José Pereira Monteiro José Roberto Bernasconi José Walter Merlo Kleber Rezende Castilho Lourival Jesus Abrão Luiz Felipe Proost de Souza Luiz Fernando Portella Maçahico Tisaka Marcelo Rozenberg Marcos Moliterno Miracyr Assis Marcato Miriana Pereira Marques Nelson Aidar Nestor Soares Tupinambá Neuza Maria Trauzzola Ozires Silva Paulo Ferreira Paulo Setubal Neto Pedro Márcio Gomes dos Santos Permínio Alves M. Amorim Neto Plínio Oswaldo Assmann Reginaldo Assis de Paiva Renato Mattos Zuccolo Ricardo Alberto Carneiro La Terza Ricardo Kenzo Motomatsu Roberto Bartolomeu Berkes Roberto Kochen Rui Arruda Camargo Sonia Regina Freitas Tomaz Eduardo N. Carvalho Tunehiro Uono
CONSELHO FISCAL
PRESIDENTE João Ernesto Figueiredo EFETIVOS Marcello Kutner Nelson Newton Ferraz SUPLENTES Clara Cascão Nassar Odécio Braga de Loureiro Filho Paulo Eduardo Queiróz Mattoso Barreto
INSTITUTO DE ENGENHARIA
Reconhecido de utilidade pública pela lei nº 218, de 27.05.1974 Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 - CEP 04012 180 - São Paulo - SP Telefone: (+55 11) 3466 9200 - Fax (+55 11) 3466 9252 Internet: www.iengenharia.org.br E-mail: secretaria@iengenharia.org.br
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PALAVRA DO PRESIDENTE
I ENGENHARIA
Um novo caminho para o Brasil
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ivemos hoje um momento especial. O Brasil acaba de eleger seu novo presidente, além de novos governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais e passa por um período de transformação que envolve não apenas o Instituto de Engenharia como todas as organizações da sociedade civil. Essa mudança nos poderes Executivo e Legislativo implicará na troca de equipes, o que abre espaço para uma maior participação de cidadãos e entidades que desejam apresentar seus projetos e ideias. Na última década, o Brasil passou por distorções causadas por desgovernos, devido a equivocadas decisões administrativas que causaram perdas financeiras, a mais profunda recessão da sua história e 13 milhões de desempregados. Agora, para corrigir o que foi feito, será preciso promover reformas política, fiscal e previdenciária. Essas mudanças serão bastante desafiadoras, pois mexerão com muitos interesses, mas poderão gerar um futuro grandioso. Diante desse cenário, o Instituto de Engenharia oferece seu espaço para reflexão e construção de projetos voltados ao desenvolvimento do país, de pontos de convergência para a ação conjunta suprapartidária, buscando uma política de aproximações sucessivas. Precisamos nos unir para conciliar as partes polarizadas e seguirmos fortes – e em uma única direção. Temos de alinhar os vetores e encontrar um ponto de convergência. Se cada um puxar seus interesses próprios, em lados opostos, não iremos a lugar algum. Devemos exercer a democracia, no significado mais amplo da palavra. Se quisermos ver o país voltar a crescer não vejo outra saída a não ser pela união. Juntos, promoveremos discussões, formaremos uma oposição responsável, defenderemos e fomentaremos a participação de todos no debate público. O Instituto de Engenharia é uma arena democrática para o compartilhamento de conhecimento, o debate de ideias e a construção de soluções. Propostas para o desenvolvimento do país Estou muito confiante com o que vem por aí. No que depender do Instituto de Engenharia, muitos projetos serão criados pelos grupos multidisciplinares do Instituto. As equipes são compostas por associados, apoiadores ocasionais, entidades e empresas que investem tempo e dinheiro nos projetos desenvolvidos pela instituição, contam atualmente com mais de 150 participantes e estão à procura de novos voluntários. Por meio de um “Projeto Brasil”, o Instituto de Engenharia vem desenvolvendo diversos estudos com a proposta de trazer soluções aos problemas do País. Conheça alguns deles: Ocupação Sustentável do Território Nacional pela Ferrovia Associada ao Agronegócio – Sugere ações de investimento no transporte ferroviário moderno, com integrações hidroviárias e rodoviárias que viabilizem a ocupação sustentável do território nacional; o escoamento da produção, com redução dos custos logísticos e do impacto socioambiental, e a criação de cidades inteligentes. A Hidrovia como Vetor de Desenvolvimento e de Integração Multimodal do Brasil e da América do Sul – Visa ampliar a participação do transporte hidroviário, ainda pouco explorado, apesar dos 42 000 quilômetros de rios potencialmente navegáveis no país.
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EDUARDO FERREIRA LAFRAIA Brasil: Alimentos para o Mundo – O objetivo é aponPresidente do Instituto de Engenharia tar o protagonismo que o E-mail: presidencia@iengenharia.org.br Brasil pode e deve assumir na alimentação do planeta nas próximas décadas, devido à sua capacidade de ser produtor e exportador de alimentos prontos e semiprontos. Governança Metropolitana dos Transportes – Aponta a necessidade urgente da adoção de um modelo de autoridade metropolitana de transporte para a melhoria nas condições de mobilidade e logística nas regiões metropolitanas do Brasil – e, em particular, na de São Paulo. De olho na educação e no futuro do planeta Além dessas iniciativas, o Instituto desenvolve projetos voltados à área de educação, a exemplo de “Escolas de Engenharia”, que discute e propõe ações na formação das novas gerações de engenheiros. Outro destaque é o programa “’Mentoria a Serviço da Engenharia”, que abre espaço para a formação de mentores e para promover a transferência de conhecimento entre profissionais e estudantes de diversas áreas da engenharia. O Instituto de Engenharia se preocupa com o hoje, mas também com o amanhã. Por isso criou o “Instituto de Engenharia do Futuro”, um Centro de Estudos Avançados (think tank) para realizar trabalhos, estudos e discussões de longo prazo sobre os problemas globais provenientes do crescimento populacional desordenado e demais demandas. Engenheiros de destaque Quando falamos em desenvolvimento do país, lembro que isso só é possível porque existem pessoas capacitadas e que fazem a diferença. E entre elas, as que têm uma história de contribuição e se destacam na área da engenharia, são homenageados pelo Instituto de Engenharia, por meio do evento “Eminente Engenheiro do Ano”. E nesta edição de 2018, também foram celebrados os 102 anos da instituição! O profissional escolhido neste ano foi o engenheiro Roberto Rodrigues, por sua carreira sólida e brilhante, de 55 anos. Sua trajetória é repleta de conquistas e benfeitorias no setor do agronegócio – um dos mais promissores do Brasil. No futuro, o Instituto de Engenharia pretende estar ao lado de pessoas como o Roberto Rodrigues e de empresas comprometidas em gerar renda e empregos. O objetivo é caminhar junto às organizações que não se limitam a interesses corporativos de curto prazo e são engajadas no desenvolvimento do país. Os planos do Instituto de Engenharia incluem ainda a entrega dos projetos da Casa aos governantes, a fim de que possam integrar as políticas públicas. A instituição apoiará o novo presidente, no que se refere às reformas política, fiscal e previdenciária. Também ajudará os novos governadores a desenvolverem seus trabalhos e acompanhará tudo de perto para cobrar mudanças, se necessário. Este é o papel a que se propõe o Instituto, sem abrir mão do seu protagonismo de pensar no desenvolvimento do Brasil, por meio da engenharia. Acredito na força da instituição e na união com outras entidades, governantes e sociedade, que poderá trazer de volta ao País o progresso que os brasileiros tanto esperam – e merecem!
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CARTAS&E-MAILS O QUE REALMENTE INTERESSA AO PAÍS “Os setores produtivos estão prontos para colaborar com o governo eleito no que for necessário para garantir o bem do país. O Brasil precisa entrar em uma rota de crescimento sustentado, capaz de gerar emprego e renda para sua população. Para isso, consideramos fundamental a aprovação de um projeto de reforma da Previdência com a maior urgência possível, de preferência ainda em 2018. Quanto mais o tempo passa, mais se agrava a bomba do déficit previdenciário. É muito importante também trabalharmos com afinco para buscar a reforma tributária, o ajuste fiscal, a queda de juros, a redução da burocracia e a melhoria do ambiente de negócios para estimular novos investimentos. Isso é o que realmente importa ao Brasil. Os setores produtivos nacionais estarão ao lado do governo eleito para trabalhar por esses pontos, que interessam a toda a Nação. Sobre nomes para a composição do novo governo ou sobre a estrutura organizacional dos ministérios, entendemos que esta é uma responsabilidade do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que tem a legitimidade conferida por mais de 57 milhões de votos para organizar a administração do Estado da forma que considerar mais eficiente. Ele tem o nosso voto de confiança para isso.” Paulo Skaf Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) São Paulo - SP
SANEAMENTO DA METRÓPOLE PAULISTA “O planejamento e implementação do saneamento da metrópole paulista não pode ser reduzido à requalificação do Rio Pinheiros. As condições sanitárias da metrópole são deficientes com respeito às necessidades da população de 22 milhões de habitantes: abastecimento de água deficiente na periferia na estiagem com planejamento e implementação falhos; coleta, transporte e tratamento dos esgotos responsáveis pela poluição dos córregos e rios, tornando-os impedidos devido ao odor e para qualquer utilização; a falta de controle, transporte e tratamento das águas pluviais causa prejuízo significativo à população inundando casas e impedindo
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o trânsito; a falta de coleta, transporte e de colaboração da população na deposição do lixo, somados à falta de controle da erosão do solo, pela sedimentação, provocam estrangulamento dos meios de escoamento. Os sanitaristas apregoam que os índices necessários à qualidade de vida da população estão se deteriorando. O exemplo dos países desenvolvidos mostra a necessidade de planejamento que possibilite a implementação necessária aos objetivos desejados, tais como, garantia de segurança de abastecimento, despoluição dos rios permitindo abastecimento de água, transporte, lazer etc., controle das enchentes e dos resíduos sólidos. A requalificação pretendida por alguns para a região do Rio Pinheiros prevê o tratamento de águas (50 metros cúbicos/segundo) do Tietê e Pinheiros possibilitando o recalque para o Reservatório Billings para abastecimento e geração de energia, resultando no controle dos odores e estimulando o desenvolvimento imobiliário da região. Infelizmente não está sendo levado em conta a necessidade de controlar as enchentes que acontecem quase anualmente no Rio Pinheiros mostrando que a capacidade da calha que protege contra cheias é limitada à TR 20 Anos, quando necessariamente o planejamento do saneamento exigirá TR 100 Anos. Por outro lado a falta de vertedouro, utilizável em Billings, e a limitação de vazão no vertedouro de Guarapiranga para evitar enchentes a jusante, representam riscos que não podemos continuar ignorando! O investimento e prazo para os testes e obras necessárias ao tratamento para que sejam obtidos os índices exigidos para o recalque da água para a Billings obrigarão ao esquecimento do planejamento e implementação do saneamento à metrópole – os córregos e rios continuarão poluídos, as enchentes, lixo e erosões continuarão perturbando a população. A experiência da dita prioridade da educação para atender a todos com a qualidade necessária, infelizmente impedida pelas indicações políticas que tornaram no tempo o setor de educação sem a estrutura e profissionalização necessárias, resultando no quebra-galho das cotas para atender à demagogia dos políticos, com respeito às vagas nas universidades públicas. Até quando recorreremos à fuga das responsabilidades com a população com respeito ao futuro? O argumento, contra o planejamento e
a implementação, é da falta de recursos, o qual deve ser combatido com as providências necessárias ao aumento da produtividade das organizações do estado (federais, estaduais e municipais), prejudicado pelo inchamento resultante das indicações políticas, que consome parcela significante do orçamento e causa prejuízo muito maior à população devido à ineficácia e ineficiência das organizações. O planejamento e implementação do saneamento na metrópole de 22 milhões de habitantes exigirá investimentos vultosos num prazo superior a 70 anos, que naturalmente deverá estar incluso no ‘Planejamento e Implementação Urbana da Metrópole’. Durante este prazo a produtividade das organizações do estado e estatais terá aumentado devido à proibição e fiscalização das indicações! A implementação da lei de saneamento na metrópole paulista é essencial: é preciso divulgar para a população que as indicações políticas constituem desvios, por impedir a estruturação e profissionalização das organizações do estado!” Darcy Andrade de Almeida Engenheiro consultor, associado ao Instituto de Engenharia São Paulo - SP
O USO DO BIM NAS OBRAS “Quando avaliamos a adoção do conceito de BIM (Building Information Modeling, ou Modelagem das Informações de Construção), percebemos que existem diversas iniciativas na área de projeto, porém poucas evoluíram para a obra. Se a dúvida é como será implantar processos de BIM em contratos de gerenciamento de obra ou quais serão as dificuldades e barreiras, assim como as novidades, podemos dizer que os ganhos serão muito significativos e fáceis de apurar, pois é na obra que está o grande volume de dinheiro e é onde ocorrem os problemas e atrasos. A primeira aplicação que se tem em mente ao pensar no gerenciamento usando o BIM é o 4D, ou seja, o acompanhamento do modelo tridimensional associado ao cronograma. Em outras palavras, o tempo como a quarta dimensão. Para a montagem no 4D é necessário ter os modelos das diversas disciplinas plenamente compatibilizados, ou seja, modelos com todas as interferências e conflitos já sanados, pois não faz sentido associar um planejamento a um modelo com problemas. WWW.BRASILENGENHARIA.COM
Em um processo tradicional não há esta capacidade de detecção de interferências de forma tão simples e rápida, assim é comum ter alguns aspectos que passam despercebidos. O gerenciador fará seu planejamento e elas serão notadas na obra. No processo BIM, elas iam aparecer. Este ponto, necessariamente, leva à antecipação de discussões que fatalmente iriam acontecer ao longo do gerenciamento para seu início. A fase inicial do gerenciamento ganha um protagonismo e uma capacidade de agregar muito valor ao serviço, revisando o modelo, eliminando problemas e reduzindo riscos. A equipe e o esforço a ser considerado nesta fase deve ser incrementado, agregando além do conhecimento em planejamento e aportando know-how construtivo e de produto. No decorrer do contrato, há possibilidade de aplicação de uma série de novas tecnologias que automatizam o processo, eliminam trabalho e geram informações para aplicação no processo BIM. Algumas delas são: (a) IoT - podemos destacar o uso de ‘beacons’ para o controle do fluxo de funcionários na obra, monitorando o trânsito em áreas de risco ou, até mesmo, associando este fluxo com os treinamentos de segurança realizados, ficando registrado no modelo quem e quando acessou qual área; (b) digitalização - para geração de ‘as build’, ou registro do avanço de obra, é de grande valia a nuvem de pontos gerada por escâneres à laser. Estas nuvens podem ser comparadas com o projeto para indicar problemas ou validar montagens – a nuvem também pode ser utilizada para checar processos construtivos, como planicidade de fachada, flambagem de pilar ou nível de piso; (c) robótica - a utilização de estações robóticas entra no lugar da tradicional topografia. Com elas, os dados de campo são registrados no modelo de forma automática. São equipamentos que trabalham sozinhos ou apenas com um operador e que buscam e gravam dados diretamente no modelo BIM; (d) Realidade Virtual – tem o objetivo de auxiliar a compreensão do modelo. Sua aplicação é ideal para obras e projetos complexos. No gerenciamento, a aplicação está na associação do modelo ao cronograma para pleno entendimento dos cenários e avanço da obra. Ideal para salas de situação e gerenciamento de obras em locais remotos. A entrega do trabalho de gerenciamento também deve ser alterada. A produção de documentos deve perder a importância. Dados do gerenciamento inWWW.BRASILENGENHARIA.COM
seridos dentro do modelo vão ser muito mais úteis que documentos. Relatórios vão ser menores e ficar restritos às análises do gerenciamento e não mais conter dados e mais dados, como os relatórios atuais. Para o cliente final, que vai utilizar o modelo BIM para a fase de operação, não interessa as informações em forma de texto dentro de documentos, mas sim tê-las em base de dados estruturada e associada ao modelo BIM.” Marcus Granadeiro Engenheiro civil, presidente do Construtivo São Paulo - SP
COMO PROTEGER A INFRAESTRUTURA COM IIOT “A digitalização da indústria, também conhecida como IIoT (Industrial Internet of Things ou Indústria 4.0), já é realidade em diversos setores no Brasil. Esse novo modelo de manufatura é composto por tecnologias que envolvem a conexão entre maquinário, no chão de fábrica, e processos industriais, interligando-os a sensores, hardwares de controle e softwares. Trata-se de uma comunicação entre equipamentos e inteligência que resulta em análises precisas e aumento da eficiência para a cadeia de produção. Mas, para acompanhar toda essa evolução, reforçar a segurança com relação à infraestrutura de internet, cibersegurança e treinamento de pessoal é importante. Sistemas – Após a implementação do maquinário de processo industrial e para manter a continuidade da fabricação, o primeiro ponto é garantir que se tenha conexão estável, seja qual for o ambiente de internet, de modo a assegurar a digitalização. É preciso definir uma estratégia de rede (servidor etc.), que seja sempre revisitada. Também é importante que essa estratégia seja alinhada com a cibersegurança. Ao contrário do que antes era senso comum, a segurança cibernética, hoje, não é voltada apenas a computadores. Na indústria, é ela quem garante a proteção das máquinas, evitando interferências ou ataques ao sistema. Mas, em um cenário tão dinâmico, além de manter uma atualização contínua dos softwares de proteção, vale contar com soluções de segurança mais robustas, como o EcoStruxure Triconex, da Schneider Electric. Em sua versão 11.3, o sistema (comENGENHARIA 639 / 2018
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CNH INDUSTRIAL. ONDE TEM DESENVOLVIMENTO, TEM A NOSSA MARCA.
História, pioneirismo, liderança e tecnologia tornam a CNH Industrial referência em inovação. Marcas que atuam em sinergia para oferecer as melhores soluções aos setores essenciais para o desenvolvimento socioeconômico. Com investimentos contínuos em inovação, a empresa conta na América Latina com 7 centros de Pesquisa e Desenvolvimento e mais de 400 engenheiros dedicados, que buscam antecipar às necessidades de seus clientes, com foco em produtividade, eficiência e sustentabilidade. AG R I C U LT U R A
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PALAVRA DO LEITOR BENEFÍCIOS SOCIOAMBIENTAIS DO SISTEMA DE COMPARTILHAMENTO DE BICICLETAS E PROJETOS DE TRANSPORTE NÃO MOTORIZADOS MARCELO CARDINALE BRANCO*
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cidade de São Paulo implantou em 2012 o sistema de compartilhamento de bicicletas, em parceria com a iniciativa privada. Mais do que oferecer os equipamentos para lazer, procurou-se criar um sistema complementar à rede de transportes públicos da cidade, de forma sustentável, saudável e integrado à paisagem urbana. Um projeto dessa natureza tem o condão de trazer benefícios muito mais amplos, ultrapassando seus objetivos iniciais, de transporte e lazer. Estudo elaborado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer da Organização Mundial de Saúde (OMS), classifica a poluição do ar gerada pela queima de combustíveis fósseis como uma das principais causas de câncer de pulmão, mostrando que a concentração desses poluentes é mais danosa ao sistema de saúde pública do que o uso do cigarro. Pelo estudo feito em 2013, mais de 220 000 pessoas morrem anualmente vitimadas por câncer de pulmão causado pela existência de materiais particulados na atmosfera, provenientes da queima de combustíveis fósseis. Os motores a combustão são responsáveis ainda pela emissão de gases de efeito estufa, como o CO2, considerado o principal responsável pelo aquecimento global. A utilização de grandes volumes de energia, característica dos sistemas de transportes motorizados tradicionais, também é um fator que merece atenção, pela crescente preocupação com o custo e a escassez de energia e com os impactos ambientais consequentes dos sistemas de geração. Os prejuízos causados pelos congestionamentos estão dimensionados em algumas dezenas de bilhões de reais ao ano, somente na cidade de São Paulo incluindo aí os desperdícios de combustíveis, custo de acidentes, horas perdidas no trânsito, diminuição da produtividade, emissão de poluentes. A vida saudável em cidades não depende apenas do grau de contaminação do ar. Cada vez mais, as pessoas mostram sinais de que desejam ter uma vida mais livre no ambiente urbano, mais saudável, menos dependente do carro para locomoção, em que possam circular mais a pé ou de bicicleta, cidades com menor índice de ruídos, também largamente produzidos pelos automóveis e motocicletas. As relações humanas, aspecto fundamental para a vida em cidades, são, em grande parte, afetadas positiva ou negativamente pela forma como as cidades são organizadas e o sistema de transportes motorizado individual contribui, e muito, para a deterioração das relações sociais, tanto pela segregação de áreas da cidade isoladas por grandes avenidas de tráfego (caso das marginais dos rios Pinheiros e Tietê na cidade de São Paulo, que cortam o ambiente urbano, separando fisicamente regiões vizinhas), como também pelo enorme nível de estresse causado pelas, não raras vezes,
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horas de congestionamento a que o paulistano se submete diariamente. Podemos acrescentar a isso a utilização desigual do espaço urbano, favorecendo os proprietários de automóveis em detrimento daqueles que circulam a pé ou de transporte público. A cidade de São Paulo tem aproximadamente 21% de sua área urbana destinada a ruas e avenidas e pouco ou nenhum cuidado com suas calçadas, comumente estreitadas para a ampliação da largura das ruas. Um veículo médio tem por volta de 7,5 metros quadrados e leva, em média 1,6 pessoas, o que nos dá quase 5 metros quadrados de utilização de via por cada passageiro transportado nesse modo. Se esse mesmo passageiro for transportado em um ônibus, não utilizará mais de 1 metro quadrado de via, considerando a lotação média desses veículos, área muito próxima daquela utilizada por um ciclista. Uma pessoa a pé utiliza menos de meio metro quadrado de área para sua circulação. Importante anotar, a capacidade de transporte de um sistema de transporte coletivo é muito maior do que aquela observada em uma faixa utilizada somente por ciclistas ou por automóveis e motocicletas, e essa capacidade é fundamental no planejamento de transportes de uma cidade, não sendo possível imaginar a substituição de uma faixa de ônibus por uma ciclofaixa, por exemplo, sem enorme perda de capacidade de transporte. Portanto, as cidades construídas para os automóveis demandam área de vias muito maiores do que aquelas necessárias para transporte coletivo e a segregação desse espaço destinado ao automóvel aumenta significativamente as distâncias a serem percorridas por quem circula de bicicleta ou principalmente a pé, gerando maiores custos de manutenção viária, maior impermeabilização do solo, reflexão de calor. Cidades com áreas maiores, maiores distâncias, manutenção e administração mais complexas, bairros mais distantes do centro e entre si, maior custo para o transporte público, seja por ônibus ou metrô. Em um modelo mais equilibrado, cidades grandes como São Paulo deveriam ter uma rede de metrô suficientemente ampla para suprir a necessidade de transportes de maior distância e ter os percursos menores cobertos pela rede de ônibus; ser provida de estrutura para circulação a pé (incluindo aí calçadas que realmente se prestem a circulação a pé, e que não sejam somente área para a colocação de postes, árvores e lixeiras e o respeito fundamental às leis de trânsito que protegem os pedestres, como sua prioridade absoluta na travessia em faixas de pedestres) e de transporte não motorizado, complementando à rede de transportes públicos e humanizando a cidade. O resultado seria uma cidade mais enxuta, mais agradável e um ambiente mais equilibrado. Para buscarmos uma nova realidade, desejada fortemente pelos cidadãos, é preciso enxergar o ambiente urbano de forma distinta da tradicional, em que os espaços de convivência foram, gradativamente, incorporados aos condomínios residenciais e comerciais e onde os espaços públicos são relegados a um segundo plano. Ao contrário, uma cidade saudável deve proporcionar acesso, ter projetos que permitam que os espaços comuns sejam utilizados pelas pessoas, preferencialmente de forma saudável e coletiva. A qualidade de vida nesses ambientes urbanos depende
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fortemente dos conceitos adotados em cada um dos projetos urbanos. Ter uma cidade coletiva, com projetos conceitualmente modernos como o de compartilhamento de bicicletas é fundamental para a qualidade de vida das pessoas, contribui para a humanização dos centros urbanos, para a melhor qualidade de vida, ajudando a desenhar o futuro diferente. Proporciona não só um ambiente com menor grau de poluição atmosférica, mas também a oportunidade de planejar de forma diferente a estrutura viária, com maiores volumes de áreas verdes por cada metro quadrado impermeabilizado, com estruturas que realmente permitam que as pessoas utilizem mais as vias a fim de se locomover de forma não motorizada, para seu lazer nos finais de semana, que se desfrute melhor da cidade, fora de seus condomínios. Não mudaremos a cidade do dia para a noite com um único projeto, mas a mudança de paradigma, de conceitos, fará com que o futuro possa ser distinto e melhor. Uma vez que as estruturas tradicionais (voltadas ao transporte motorizado individual) trazem enormes prejuízos coletivos, é natural observar que projetos de transporte, lazer e utilização coletiva da cidade trazem, em contraponto, benefícios socioambientais, compartilhados pelos munícipes. A rigor, quando analisamos um serviço público ou de utilidade pública, o valor total dos benefícios sociais e ambientais gerados por eles deverá superar o volume de recursos investidos. Assim, a avaliação de determinado projeto dessa natureza deve envolver a mensuração não somente da equação econômico-financeira utilizada recorrentemente pelo mercado privado, mas também a avaliação do “lucro social”, isto é, verificar os benefícios gerados pelo projeto para a sociedade. Quando avaliamos um serviço de utilidade pública que é colocado à disposição da sociedade certamente concluímos, avaliando a sua equação econômica e cotejando os benefícios socioambientais a ele associados que, mesmo que haja prejuízo financeiro no projeto, este pode ser mais que compensado pelos benefícios socioambientais recebidos pela sociedade. É fundamental que a administração pública adquira o hábito de produzir e manter atualizados seus balanços sociais, em cada uma das áreas de atuação, como forma de mostrar, de forma transparente, quais os benefícios gerados à sociedade por cada um dos seus programas e projetos implantados. Em última análise, quanto cada tostão gasto pelo governo trouxe efetivamente de benefício às pessoas. Olhando especificamente para o projeto de compartilhamento de bicicletas como foi implantado na cidade, podemos afirmar que, conceitualmente, demonstra caráter de utilidade pública, trazendo enormes benefícios sociais e ambientais, que se ampliaram ao longo do tempo com o crescimento do projeto e aumento significativo do número de viagens. O projeto foi idealizado sob a forma de uma permissão de implantação com contrapartida de utilização de espaço publicitário nos próprios equipamentos. Não será difícil enxergar o enorme benefício proporcionado pelo projeto à cidade de São Paulo, adicionando ainda o benefício de que seu custo não é pago diretamente pelos munícipes ou usuários de forma direta (através do pagamento da tarifa) ou indiretamente (subsidiado pelo poder público), sendo subsidiado pela iniciativa privada em aproximadamente 90%.
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De fato, ao longo desses quase seis anos da criação do projeto mais de 30 milhões de viagens foram realizadas, mais de 70 milhões de quilômetros percorridos, gerando um enorme impacto positivo, não apenas na locomoção dos usuários, como também a redução de emissão de poluentes gerados, se essa mesma locomoção se desse de carro, motocicleta ou até mesmo através da rede de ônibus municipais. Segundo pesquisa do operador do sistema, mais de 65% desses veículos foram utilizados como meio de transporte e 35% como lazer. Adicionalmente, o compartilhamento de bicicletas contribui fortemente para a apropriação das áreas públicas pelos munícipes, reforçando o conceito de que as cidades devem ser feitas para as pessoas, e não para os carros, conceito que temos defendido em outras oportunidades. Caminhamos, com projetos dessa natureza, para recuperar a função social das ruas, das áreas públicas, tão degradadas pela utilização massiva do automóvel. Incentivemos nossas autoridades a nos brindar com mais projetos como esse. * Marcelo Cardinale Branco é administrador de empresas com mestrado em Engenharia pela Poli/USP, consultor em transportes, urbanismo e gestão. Professor convidado, curso de pós-graduação em Gestão de Cidades - Poli/USP, responsável pela matéria Meio Ambiente e Cidades. Atualmente preside o Conselho Gestor de Transporte e Mobilidade do Município de São Paulo E-mail: marcelobranco@uol.com.br
IOT E O MERCADO DA CONSTRUÇÃO
A nova forma de interação humana e como nossos negócios precisam se adequar JULIANA ACHCAR*, DIOGO ENOQUE**
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IoT (internet das coisas) representa a inclusão da tecnologia em todas as demais áreas de conhecimento, fazendo com que este entrelaçamento permita a evolução para um mundo qu e cada vez mais se conecta a esta rede neural virtual, conduzindo todos a adequar processos, gerir grande quantidade de dados e evoluir tecnologicamente, reduzindo as distâncias entre as pessoas e a informação, tornando tomadas de decisão rápidas e assertivas. E da mesma forma que as relações humanas se alteram, as demais interações também se transformam. Por isso, o mercado da construção rapidamente está se adequando às evoluções tecnológicas, tais como o uso de nuvens aliadas à BigData que permite conectar engenheiros e arquitetos a dados para ter suporte à tomada de decisão. Todavia, apesar do termo IoT estar cada vez mais presente nos projetos de inovação das empresas, poucas instituições e estudiosos conseguem prever com precisão o tamanho da revolução que será provocada. Ainda permanecem muitas dúvidas em torno das barreiras e benefícios que essas tecnologias irão oferecer e, principalmente, qual a melhor forma de implantá-las. O estudo do Gartner1 estima que, em 2018, algo como 80% das implementações de IoT vão desperdiçar oportunidades de transformação. Além deste, o recente estudo da Cisco2 mapeou que um terço dos projetos de IoT não são considerados um sucesso.
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PALAVRA DO LEITOR Em contrapartida, as previsões mais otimistas estimam que a IoT será o maior mercado de tecnologia até 2020. O cálculo da BI3 indica que essa tendência tem o poder de revolucionar todas as coisas – casas, negócios e cidades inteiras, demandando um investimento na ordem de 6 trilhões de dólares até 2020. Atualmente, o que já podemos notar é o protagonismo da IoT na denominada 4ª Revolução Industrial. Klaus Schwab descreve que esta nova revolução começou na virada do século e “baseia-se na revolução digital, caracterizando-se por uma Internet mais ubíqua e móvel, por sensores menores e mais poderosos que se tornaram mais baratos e pela inteligência artificial e aprendizagem automática4” (machine learning). Sendo assim, a aplicação da internet das coisas (IoT) nesse novo contexto vai muito além dos seus eletrodomésticos ligarem sozinhos quando você estiver chegando em casa. Ela traz uma ruptura importante, já que dispositivos e tecnologias conectadas têm um grande potencial de resolver problemas graves de políticas públicas, negócios complexos e de transformar indústrias inteiras. A interconectividade, colaboração e compartilhamento de dados são pilares essenciais da implantação do IoT. Com isso toda a cadeia de valor será afetada, tais como clientes, parceiros e fornecedores. À medida que a IoT se espalha pelas empresas e casas, certas indústrias estão liderando investimentos em tecnologias revolucionárias que estão mudando a forma como vivemos e trabalhamos. Outro relatório da Gartner Group5 revela que no final de 2016, 43% das empresas do mundo já haviam adotado alguma iniciativa de IoT. De acordo com o IDC6, o setor de indústria e manufatura é de longe o que mais tem investido nessa tecnologia, seguido de transportes e utilidades. A quantia expressiva que tem sido investida em IoT na indústria, que em 2018 deve chegar em 194 bilhões de dólares apenas nos Estados Unidos, se divide em duas principais frentes: interna e externa. A primeira diz respeito a automatização e otimização do processo produtivo, visando principalmente a melhoria da qualidade e redução de custos. Já a segunda tem como objetivo desenvolver produtos cada vez mais inteligentes e que revolucionem o uso e experiência por parte do cliente. Ambas as frentes movem estudos como o do Instituto McKinsey7 a estimar que o impacto econômico gerado pela IoT será entre 3,9 trilhões de dólares a 11 trilhões de dólares por ano em 2025, e a BI estima que já em 2020, serão quatro dispositivos conectados por pessoa no planeta3. Entretanto, esses dispositivos só terão impactos se conectados a uma grande rede de dados, processada, estruturada e confiável. Por isso, o volume e disponibilidade de dados para tomadas de decisão irão redefinir os novos modelos de negócios. As corporações transitaram entre o modelo de contratação voltado a recursos humanos, depois aos escopos de trabalho, e atualmente definidos por evidências e resultados. Mas a IoT começa a formatar uma direção a um novo modelo de negócio, definido pelo trânsito, processamento e posse de dados. Para analisarmos a viabilidade de aplicação do IoT e dessas mudanças no setor da construção civil, primeiramente devemos entender a maturidade desse setor. Essa indústria historicamente é muito conservadora e bastante resistente a mudanças. Verdade seja dita, o setor dificilmente se posiciona como pioneiro na aplicação de melhores práticas de gestão, produtividade e inovações disruptivas. Pelo contrário, geralmente as inovações começam na manufatura e serviços e depois são (ou não) adotadas ou adaptadas na execução e gestão de obras.
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Com isso, as consequências são preocupantes, pois como Farmer Review reporta8, nos últimos 20 anos este foi o setor que menos apresentou aumento na produtividade, ficando atrás da área industrial, serviços e de outros setores da economia. O que aparenta ser ceticismo, na verdade tem o objetivo de trazer dados realistas e que nos façam pensar, analisar e por fim descobrir a melhor forma de mudar esse cenário. Uma das saídas para toda esta mudança é a inovação. Uma pesquisa no Reino Unido sobre inovação na construção civil pelo CIOB9 mostrou que 83% dos entrevistados no setor consideram a inovação muito importante para o futuro da construção. Também é importante ressaltar que inovação nesse setor é prioritariamente estruturada em uma visão de cadeia da construção. Ou seja, boa parte dos desenvolvimentos é realizada por outros agentes, como fornecedores de insumos, máquinas e serviços. Ou seja, o setor da construção não é e nem será o pioneiro em relação à IoT, mas é preciso estar atento para que o setor possa ter uma capacidade de resposta adequada e também uma visão de portfólio que permita balancear diferentes movimentos inovadores. Portanto, podemos afirmar que indiretamente ou diretamente a IoT afetará o setor. Seja com os fornecedores de maquinários incorporando sensores em seus equipamentos nos canteiros das obras, mercado de real estate investindo cada vez mais em smartbuildings ou em planos governamentais audaciosos de smartcities. Prova disso é o valor impressionante de 63 bilhões de dólares de investimento em tecnologia Smart City que países da região Ásia-Pacífico10 pretendem fazer até 2023. Já em termos do mercado brasileiro, o mercado de internet das coisas deve movimentar 8 bilhões de dólares no Brasil neste ano11, sendo esperado que os principais setores a investir na tecnologia sejam aqueles elencados no Plano Nacional de IoT, liderado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). As principais linhas de investimento de IoT no Brasil mapeadas foram saúde, indústria, agricultura e infraestrutura urbana11. Estes planos começam a se estruturar e já existe, por exemplo, um ranking12 das 100 cidades mais inteligentes e conectadas do Brasil. Considerando essa visão sobre estratégia pública, deve-se ressaltar que esta implantação é altamente dependente de executores, e estes fornecedores, sejam eles de tecnologia, equipamentos, engenharia, construção ou serviços, precisam estar preparados para entregar em um novo modelo de negócio, novos produtos condizentes com a IoT e com a internet 4.0. Sem essa preparação os resultados podem ser controversos. Quando observamos novamente o setor da construção civil brasileira, vemos os principais indícios das barreiras13 que impedem que empresas possam se preparar para o IoT: modelos de negócio baseados em objetos; imaturidade de inovação; ecossistema desestruturado. Este novo mundo trabalha com uma grande diversidade de objetos, cada um com formas de trabalho diferenciado. Uma vez que os modelos de negócio são estruturados com base nestes objetos, com o crescimento exponencial da sua diversidade, a complexidade desses negócios também tende a dificultar a manutenção e transparência das corporações. Nesta revolução também precisamos inovar constantemente, pois cada vez mais novos métodos, serviços, produtos e conexões estão sendo produzidos. O setor da construção precisa passar a aceitar a sua reinvenção constante, assim como o setor de tecnologia já faz. WWW.BRASILENGENHARIA.COM
Sem contar o multiverso desse setor rondado de tecnologias proprietárias, com conceitos de estrutura de dados diferentes e muitas vezes conflitantes, formando um ambiente de baixa aderência ao conceito de Open Data. Essas grandes barreiras precisam ser vencidas para tornar o setor da construção apto a receber novos modelos de negócio aderentes ao universo do IoT. Se o setor da construção não se estruturar, grandes estratégias públicas de um novo modus operandi da nossa sociedade fará o setor estar sempre a parte dos investimentos e da grande onda acumulativa e recorrente de inovações que o mundo está prestes a vivenciar. NOTAS FRIEDMAN, T.; LANEY, D.; HARE, J. 2016. Prepare to Monetize Data from the Internet of Things. Gartner Research Relatório G00309409. Stamford, EUA: Gartner, Inc. 2 CULP, B. 2017. Cisco Survey Reveals close to Three-Fourths of IoT projects are failing, acessado em: https://newsroom.cisco.com/press-release-content?type=webcontent&articleId=1847422 3 CAMHI, J. 2015. BI Intelligence projects 34 billion devices will be connected by 2020. Business Insider Intelligence report, acessado em: http:// www.businessinsider.com/bi-intelligence-34-billion-connected-devices-2020-2015-11 4 SCHWAB, Klaus. A quarta revolução industrial. Tradução de Daniel Moreira Miranda. São Paulo: Edipro, 2016. 5 GESCHICKTER, C.; TULLY, J. 2016. Survey Analysis: Early adopters of Internet of Things Poised to Make 2016 the Year of the Customer. Gartner Research Relatório G00298428. Stamford, EUA: Gartner, Inc. 1
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Worldwide Semiannual Internet of Things Spending Guide. IDC Relatório P29475. Massachusetts, EUA: IDC, Inc. 7 MCKINSEY & Company Global Institute. The Internet of Things: Mapping the value beyond the hype. Junho, 2015. 8 FARMER, Mark. 2016. The Farmer Review of The UK Construction Labour Model. Modernise or Die. Time to decide the industry’s future. Construction Leadership Council (CLC). Londres, Reino Unido. 9 DALE, Jamie. 2007. Innovation in Construction: Ideas are the currency of the future. Chartered Institute of Building (CIOB) estudo para Office of National Statistics. Londres, Reino Unido. 10 Smart Cities: Asia Pacific. Navigant Research. Colorado, EUA: 2014. 11 Previsão da IDC para o mercado de TIC no Brasil em 2018 aponta crescimento de 2,2% . IDC Latin-America, acessado em: http://br.idclatin. com/releases/news.aspx?id=2275. São Paulo, brasil. 12 URBAN Systems. Resultados do Ranking Connected Smart Cities, acessado em: http://www.connectedsmartcities.com.br/resultados-do-ranking-connected-smart-cities/ 13 WURSTER, L.F. 2014. Emerging Technology Analysis: Software Licensing and Entitlement Management Is the Key to Monetizing the Internet of Things. Gartner Research Relatório G00251790. Stamford, EUA: Gartner, Inc. 6
* Juliana Achcar é gerente – especialista em Inovação – Diretoria Técnica de Integração e Processos da Concremat Engenharia e Tecnologia ** Diogo Enoque é arquiteto – especialista em Inovação – Diretoria Técnica de Integração e Processos da Concremat Engenharia e Tecnologia
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PALAVRA DO LEITOR CONECTIVIDADE NO CAMPO: REALIDADE PARA O AGRO, FUTURO PARA AS EMPRESAS DE TELECOM RAFAEL MIOTTO*
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s máquinas já estão se “comunicando” e têm pleno contato com o produtor rural. Temos vários exemplos de agricultores no Brasil que lançam mão de planejamentos com base em dados oriundos da agricultura de precisão, da telemetria, monitoramento de produtividade ou corte de seção. Gerenciam frotas, seguem regularmente as linhas de plantio, pulverização e colheita realizadas há três, quatro, cinco safras. Eles antecipam possíveis erosões no solo, manutenção de máquinas e, independentemente do operador, conseguem seguir um roteiro de custos controláveis e de alto rendimento. E pensar que esse é apenas o começo! Se ao atravessarmos um túnel, ficarmos na base de uma rua íngreme ou se caminharmos dentro de casa o sinal de celular já falha, imagine no campo, distante 200 ou 300 quilômetros da cidade mais próxima? O produtor rural tem sede por tecnologia desde antes de pensar em plantio direto, pilotar uma automotriz – como eram chamadas as colheitadeiras – ou trocar a tração animal por um trator. Essa busca por novidades está no seu DNA e ganhou novo impulso com os filhos e netos trocando a cidade grande pela propriedade rural, voltando às origens e passando a produzir alimentos enquanto estão conectados por um celular, tablet ou monitor no escritório. O agricultor demanda mais informações em tempo real e a indústria de máquinas está preparada. O que falta, então? Mesmo com uma conexão aquém da esperada, é fato que a internet das coisas, o big data e a nuvem são ferramentas usadas nas máquinas agropecuárias, porém, podem ser demandadas ainda mais. O desafio está na conectividade, no acesso pelo agricultor à rede, o que exige investimento das empresas de telecomunicação. O ponto-chave é fazer com que os dados circulem e criem uma conexão contínua, produzam informações, que se transformem em auxílio pleno para a tomada de decisão. Essa é a grande virada de jogo: quando a infraestrutura das telecom chegar com um conjunto de soluções para as necessidades do agricultor, como as que criamos na New Holland Agriculture. É questão de tempo que isso aconteça, já que o campo é um mercado extremamente rico e sedento por internet, conexão rápida e tecnologia da informação. Nas cidades a concorrência é esmagadora para qualquer empresa do setor, inclusive as grandes – o campo, com sua demanda abundante, será o alento que as empresas precisam perante a realidade. E vale a essas empresas uma máxima que gostamos de citar: cuidado para não trazer o que o produtor não quer ou simplesmente não precisa. Entregue o que ele necessita e deixe que o mercado, que apresenta um dinamismo incontestável, dite o caminho. Essa é a opinião de quem vive o campo há muitos anos e deseja verdadeiramente que as telecomunicações cheguem ao campo o mais rápido possível, mas sem reduzir a competitividade dos nossos agricultores com custos desnecessários. * Rafael Miotto é vice-presidente da New Holland Agriculture para a América Latina
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CURTAS ENGENHARIA I BENTLEY SYSTEMS
RECICLAGEM DE RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO O resíduo de construção reciclado atualmente é uma solução atraente para a construção civil, num momento em que o agregado natural extraído de pedreiras está escasso e caro. Cidades paulistas como a capital São Paulo, São José dos Campos, Campinas, entre outras regiões mais adensadas, possuem elevada geração de resíduo de construção. Ao invés de reciclarem, acabam pagando caro com descarte em aterros sanitários e de inertes. Este foi um dos principais problemas discutidos no Seminário Nacional Abrecon 2018, realizado em 22 de novembro, em São Paulo, durante a Waste Expo Brasil 2018. O seminário foi realizado pela Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), que apresentou a Pesquisa Setorial 2017/ 2018, com dados do setor coletados com as usinas de reciclagem de RCD (Resíduo da Construção e Demolição).
de ativos em tempo real para melhorar a eficiência do gerenciamento de ativos remotos. O modelo servirá como um repositório de informação à larga escala para melhorar o desempenho e obter dados de forma mais eficiente. A Infraero já obteve uma economia de 540 000 reais por ano com a melhoria do gerenciamento da informação. A empresa prevê expandir seu uso de métodos BIM na fase de operação e manutenção de seus outros ativos. Patrícia Oliveira, especialista BIM na Infraero, afirma que a modelagem digital abrangente permitida por software de projeto da Bentley Systems irá promover a integração e colaboração em áreas diferentes da empresa. “Isto será uma vantagem para todos os setores empresariais e oferecerá informação consistente e atualizada a todos os stakeholders.”
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ABRECON
A Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) é uma das três maiores operadoras aeroportuárias do mundo, administrando 54 aeroportos no Brasil. Suporta mais de 100 milhões de passageiros todos os anos, representando quase 60% do tráfego aéreo do Brasil. A Infraero está criando um modelo paramétrico 3D e uma base de dados para a informação subterrânea, terrestre e aérea do Aeroporto de Londrina para melhorar sua inteligência empresarial e suas operações. O Aeroporto de Londrina será o primeiro do Brasil a ter um gêmeo digital. O produto final incluirá a modelagem 3D de 20 edifícios, uma pista de decolagem e aterrissagem, dois estacionamentos de aeronaves, pistas de taxiamento e estradas de acesso, com uma área superficial do aeroporto total de 920 354 metros quadrados. A Infraero está se tornando digital para melhorar sua inteligência empresarial e sua tomada de decisão. Usando o DNA digital (informação de engenharia digital) para gerenciar seus ativos, a Infraero pode assumir uma abordagem mais preventiva à manutenção, usar eficazmente o espaço aeroportuário e melhorar a segurança do aeroporto. As equipes de manutenção poderão usar monitoramento e controle
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CNH INDUSTRIAL/FARMERS EDGE
ACORDO PARA SOLUÇÕES DE CONECTIVIDADE A CNH Industrial, uma das líderes globais no setor de bens de capital, e a Farmers Edge, empresa de agrotecnologia canadense especialista em sistemas de dados para o setor agrícola, anunciaram um acordo que disponibilizará um portfólio de soluções de conectividade para clientes da Case IH e da New Holland Agriculture. Pela parceria, eles terão acesso à FarmCommand, plataforma exclusiva que faz interface com os portais de agricultura de precisão de ambas as marcas agrícolas da empresa, estendendo ainda mais a gama e as informações de planejamento, análise, execução e tomada de decisão no campo. Os clientes terão acesso a serviços com níveis crescentes de dados e suportes disponíveis, capacitando-os a optar pelo que melhor atenda às suas necessidades. Os serviços de nível básico se concentram na plataforma FarmCommand, da Farmers Edge, que gerencia os dados coletados das fazendas e salvos na “nuvem” e os analisa em tempo
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real, assim como as imagens de satélite – em parceria com a PlanetLabs –, oferecendo informações diárias e relevantes de crescimento de colheitas. Somados a isso, há também os dados climáticos originados no campo, os dados de veículos e de suporte agronômico, completados com prescrições de taxas variáveis, via serviços de amostragens de solo genéricas ou por zona. “Agora conseguiremos
oferecer a nossos clientes uma plataforma agrícola digital integrada exclusiva, ajudando-os a otimizar ainda mais a produtividade e eficiência de suas operações. Com o ritmo rápido das mudanças que ocorrem nas tecnologias do agronegócio, a CNH Industrial está comprometida em permanecer na dianteira”, diz Hubertus Muhlhauser, CEO da CNH Industrial. WWW.BRASILENGENHARIA.COM WWW.BRASILENGENHARIA.COM
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INFRAERO AUMENTA SEGURANÇA DE SEUS AEROPORTOS
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VOCÊ SABIA? NO ÚLTIMO ANO O METRÔ TRANSPORTOU 1,1 BILHÃO DE PASSAGEIROS. MAIS QUE 5 VEZES A POPUL AÇÃO DO BRASIL . O Metrô de São Paulo comemora meio século de sua fundação entregando à população, em grande estilo, sua mais nova estação: a Estação Memória. Um espaço expositivo montado na Estação Sé que explica, por meio de painéis, totens e telas interativas, como o primeiro metrô do Brasil continua sendo um exemplo de grandiosidade e inovação. Dê uma passada na Estação Sé e confira, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.
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cursos modulares
A PÓs
Duas Atualizações compõem um Aperfeiçoamento.
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Três Atualizações compõem uma Especialização.
SAIBA MAIS e inscreva-se: 20
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Pós-Graduação Modular do Instituto Mauá de Tecnologia está com inscrições abertas
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São mais de 20 cursos pensados para serem adaptados ao tempo e à necessidade de cada aluno O Instituto Mauá de Tecnologia está com inscrições abertas para seus cursos de Pós-Graduação Modular 2019, um modelo de educação continuada, lançada pela instituição com o objetivo de atender as necessidades dos profissionais com rotina atribulada, mas que, mesmo assim, desejam manter-se atualizados e preparados para os desafios e inovações do mercado de trabalho. “Atualmente, as pessoas precisam saber administrar a carreira, o tempo e o dinheiro, e a Mauá tem o compromisso de ajudá-las nessa missão. Por isso, a pós-graduação modular foi criada no momento certo do mercado e está atendendo os indivíduos que demandam flexibilidade”, afirma o coordenador de Pós-Graduação do Instituto Mauá de Tecnologia, prof. Julio Cesar Lucchi. Entre os mais de 20 cursos disponíveis, os candidatos têm como opções Especiali-
Prof. Julio Lucchi - Coordenador de Pós-Graduação do Instituto Mauá de Tecnologia. WWW.BRASILENGENHARIA.COM
zação (360 horas), Aperfeiçoamento (240 horas), Atualização Profissional (120 horas), em áreas como Engenharia Automotiva, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Processos com ênfase em Projetos Industriais, Automação e Controle de Processos, Engenharia de Embalagem, Engenharia Civil, Gerenciamento de Projetos, Design, Inovação, Tecnologia da Informação e Administração para Engenheiros. Dividido por módulos, o aluno conquistará certificados diferentes a cada semestre. Por exemplo, ao cursar um módulo de um semestre, o estudante recebe um certificado de Atualização. Cursando outro módulo de um semestre - seja ao mesmo tempo que o primeiro, imediatamente após ele, seja algum tempo depois - obtém o certificado de Aperfeiçoamento. Já na terceira etapa de meio ano de estudos dessa modalidade de Pós-Graduação, o aluno recebe um certificado de Especialização. “Em meses, a vida muda, as pessoas precisam ou decidem se reinventar. A entrega de cada curso de Atualização é bem clara: em um semestre, este profissional sairá com novas competências de que necessita de imediato”, destaca Lucchi. Os interessados podem obter mais informações pelo telefone (11) 4239-3401,
de segunda a sexta-feira, das 11h às 22h, pelo email posgraduacao@maua.br ou no site dos cursos. ATUALIZAÇÃO - Módulo básico - Número de disciplinas: de 4 a 6 - Carga horária: 120 horas - Duração: 6 meses APERFEIÇOAMENTO - Soma de duas atualizações - Número de disciplinas: de 8 a 12 - Carga horária: 240 horas - Duração: 6 meses (atualizações simultâneas), 1 ano (atualizações consecutivas) ou “no seu tempo” (o aluno faz uma atualização e volta quando for mais conveniente para ele). ESPECIALIZAÇÃO - Soma de três atualizações - Número de disciplinas: de 12 a 18 - Carga horária: 360 horas - Duração: 1 ano (mix de atualizações simultâneas e consecutivas), 1 ano e meio (atualizações consecutivas) ou “no seu tempo”. ENGENHARIA 639 / 2018
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São Paulo : Economizar água VLJQL¿FD HFRQRPL]DU GLQKHLUR
Há quase duas décadas atrás um shopping center na cidade de São Paulo teve uma ousada iniciativa para economizar água. Até hoje, a tecnologia de esgoto a vácuo implantada proporcionou uma economia ao empreendimento que já pagou várias vezes o seu investimento. A água é preciosa no Brasil. Em 2015, o reservatório que abastece a região metropolitana da cidade de São Paulo, com aproximadamente 20 milhões de pessoas, quase secou. Em 2017, haviam 872 cidades na região nordeste do Brasil sob um estado de emergência federal por causa da seca. Em São Paulo o custo da água varia entre R$ 20 e R$ 40 reais o m³, aproximadamente de 5 a 10 euros. Em comparação, o custo médio do m³ da água em 65 cidades da Europa Ocidental é de menos de 2 euros. ³1R %UDVLO D FULVH KtGULFD WRUQD D iJXD FDUD H MXVWL¿FD D SURFXUD GH soluções alternativas originais”, diz o Eng. Jean Pierre Bernard, gerente geral da Evac Brasil. 6KRSSLQJ )UHL &DQHFD Em 2001, o Shopping Frei Caneca construiu um centro comercial completo com entretenimento, cultura, centro de convenções e negócios - em um complexo com 87 mil m², incluindo 33 mil m² de área bruta locável, que recebe aproximadamente 750 mil visitantes por mês. Os custos com água proporcionaram aos empreendedores uma boa razão para considerar as tecnologias ecológicas. O Frei Caneca foi o primeiro shopping center do Estado de São Paulo a dar um passo tão progressivo. Seus planos buscam a neutralização total da emissão de gás carbono, em um processo supervisionado por um auditor ambiental. A poluição gerada pelo consumo de energia elétrica foi compensada com o plantio de árvores. A captação da água em três poços profundos é tratada e utilizada para o consumo. A água da chuva é direcionada para as descargas dos vasos sanitários. Nos banheiros, o sistema de esgoto a vácuo reduziu drasticamente o consumo de água. As centrais Parati com a tecnologia de esgoto a vácuo Evac foram selecionadas para atender a demanda de aproximadamente 200 vasos sanitários a vácuo. O sistema da Evac economiza aproximadamente 2 mil m³ de água por mês, cerca de 400 mil metros cúbicos desde 2001. O que começou com o objetivo de economizar água acabou criando um sistema de água quase totalmente autônomo.
(FRQRPLD GR VLVWHPD D YiFXR (YDF Somente com as tecnologias de esgoto a vácuo da Evac, o Shopping Frei Caneca calcula que economiza aproximadamente 900 mil reais por ano. O sistema também elimina os odores comuns dos esgotos, e reduz a proliferação de pragas (ratos, baratas...). O sistema economiza energia, também. “Com o sistema por gravidade você tem uma bomba de recalque que transporta um grande volume de água para o topo do prédio”, diz o Eng. Flavio Toshio Kimori, gerente de operações da Evac. “Com o sistema a vácuo esse volume de água é reduzido, limitando proporcionalmente o funcionamento das bombas de recalque e economizando energia elétrica.” Comparado com o sistema por gravidade, poderá obter-se até 30% de economia na energia elétrica com a tecnologia a vácuo. Economizar água e energia é importante, tornando os números cada vez mais atrativos quando é considerado que o sistema pagou por si mesmo em menos de um ano. “Isto é raro nos meus negócios,” diz o Eng. Ricardo Oliveira, Gerente de Operações do Shopping Frei Caneca. “O sistema tem apresentado uma relação custo-benefício muito interessante !” E os sistemas da Evac continuam economizando. Há quase duas décadas, e o sistema fornecerá pelo menos mais 3 décadas de economia. %HQHItFLRV DOpP GD HFRQRPLD Desde 2001, a Evac já instalou diversos sistemas no Brasil até cinco vezes maiores que o Shopping Frei Caneca. Mas o Frei Caneca foi o primeiro shopping a implantar e conhecer de perto a tecnologia de esgoto a vácuo da Evac - por esta razão o empreendimento tem ganhado destaque no Brasil. Informações sobre o uso racional da água são transmitidas ao público do shopping center, por meio de adesivos instalados próximos aos vasos sanitários dos banheiros. O empreendimento já foi destaque na imprensa pelas suas práticas de cunho ambiental minimizando impactos ao planeta. Recentemente a mídia divulgou um ranking global sobre as construções sustentáveis e o Brasil está na 4° posição em termos de projetos ecológicos - uma tendência liderada pelo Shopping Frei Caneca. “Recebemos constantes elogios pela tecnologia utilizada e por sua FRQWULEXLomR DR PHLR DPELHQWH ´ GL] 2OLYHLUD ³e H[WUHPDPHQWH JUDWL¿cante saber que há quase 18 anos iniciamos um processo em uma época que não havia a preocupação ambiental com o uso racional de água.”
6REUH D (YDF – A Evac é líder mundial no fornecimento de sistemas GH JHUHQFLDPHQWR GH iJXD H UHVtGXRV HP OXJDUHV FRQ¿QDGRV QDYLRV plataformas, edifícios) bem como sistemas de proteção contra a corrosão, para as indústrias naval, offshore e da construção civil. Com escritórios em 14 países e representantes em mais de 70 países, nos cinco continentes, nos orgulhamos de estar perto de nossos clientes onde quer que estejam no mundo. (YDF %UDVLO Alameda Campinas 463, Jardim Paulista, 01404-902, São Paulo Tel. : +55 (11) 51 81 68 11 - www.evac.com/pt WWW.BRASILENGENHARIA.COM
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Organograma
DIVISÕES TÉCNICAS TÉCNICAS presidente: ('8$5'2 )(55(,5$ /$)5$,$ vice-presidente de atividades técnicas: -(5Ð1,02 &$%5$/ 3 )$*81'(6 1(72 diretor programação: 5,&$5'2 +(15,48( '( $ ,0$085$ departamento de engenharia de energia e telecomunicações GLUHWRU $OpVVLR %HQWR %RUHOOL divisão de geração e transmissão coordenador: Manoel Ribeiro de O. Neto
divisão de distribuição de energia coordenador: Carlos Costa
divisão de telecomunicações FRRUGHQDGRUD )ODYLD %DUWNHYLFLXV &UX] 6HFUHWiULR 2JHOVRQ 'LDV GD )RQVHFD
departamento de engenharia do habitat e infraestrutura diretor: Roberto Kochen YLFH GLUHWRU +DELE *HRUJHV -DUURXJH 1HWR divisão de estruturas Coordenador: Natan Jacobsohn Levental Vice-coordenador: Lúcio Martins Laginha Secretário: Rafael Timerman divisão de eng. sanitária e recursos hídricos e biotecnologia Coordenador: José Manoel de Oliveira Reis Vice-coordenadora: Paula Fernanda Morais Andrade Rodrigues divisão de geotecnia e mecânica dos solos e fundações coordenador: Francisco José Pereira de Oliveira
divisão de instalações elétricas FRRUGHQDGRU 3DXOR (GXDUGR GH 4 0 %DUUHWR VHFUHWiULR 2VZDOGR %RFFLD -XQLRU
divisão de segurança no trabalho FRRUGHQDGRU -HႇHUVRQ 'HRGRUR 7HL[HLUD GD &RVWD YLFH FRRUGHQDGRU 7KHRSKLOR 'DUFLR *XLPDUmHV
divisão de controle e automação FRRUGHQDGRUD $XUHD /~FLD 9HQGUDPLQL *HRUJL
divisão de construção sustentável e meio ambiente coordenador: José Manoel de Oliveira Reis vice-coordenador: Amir Hernandez Musleh VHFUHWiULR +HQULTXH 'LDV GH )DULD
departamento engenharia de atividades industriais e de serviços
divisão de acústica coordenador: Schaia Akkerman YLFH FRRUGHQDGRUD 0DULD /XL]D 5RFKD %HOGHUUDLQ secretário: Ricardo Santos Siqueira
divisão de manutenção coordenador: Micelli Rodrigues Camargo vice-coordenador: Welton da Silva Marinho
departamento de engenharia química diretor: Miguel Tadeu Campos Morata YLFH GLUHWRU 0DXUtOLR /XL] 9LHLUD %HUJDPLQL
divisão de equipamentos para transporte de carga e urbano de passageiros
departamento de engenharia de mobilidade e logística diretor: Ivan Metran Whately vice-diretor: Neuton Sigueki Karasawa
divisão de materiais coordenador: Cláudio Ricardo Hehl Forjaz
divisão de equipamentos para o agronegócio
divisão de equipamentos automotores
departamento de engenharia de produção GLUHWRU $QWRQLR *XLOKHUPH 0HQH]HV %UDJD YLFH GLUHWRUD 'HERUD 6DQFKHV GH $ 0DULQHOOR VHFUHWiULD )ODYLD 0DOX]D %UDJD divisão téc. de gerenciamento de empreendimentos coordenador: Sergio L. A. Rezende
divisão técnica de avaliações e perícias coordenador: José Fiker vice-coordenador: José Marques secretário: Alfredo Vieira da Cunha divisão da qualidade e produtividade coordenador: Everardo Ruiz Claudio vice-coordenadora: Tatiana Lourenço Machado divisão de planejamento e engenharia econômica FRRUGHQDGRU 9LWRU 3ODWHUR 'LVWDVL vice-coordenador: Rogério Carvalho Ribeiro Nogueira secretária: Adriana Araujo divisão de patologias das construções FRRUGHQDGRUD 6WHOOD 0DU\V 'HOOD )ORUD vice-coordenador: Odair dos Santos Vinagreiro
divisão de transportes metropolitanos coordenador: Fernando José de Campos Marsiglia
divisão de transporte ativo coordenador: Reginaldo Assis de Paiva vice-coordenador: José Ignácio Sequeira de Almeida divisão de trânsito coordenador: Maria da Penha Pereira Nobre YLFH FRRUGHQDGRU 9DQGHUOHL &RႇDQL divisão de logística coordenador: José Wagner Leite Ferreira
departamento de engenharia de agrimensura e geomática diretor: Miguel Prieto vice-diretor: Aristeu Zensaburo Nakamura VHFUHWiULR 2VLULV 0RQWHLUR %ODQFR divisão de cadastro urbano e rural coordenadora: Fátima Tostes
GLYLVmR GH VLVWHPDV GH LQIRUPDomR JHRJUi¿FD coordenador: Aristeu Zensaburo Nakamura
departamento de tecnologia e ciências exatas
divisão de engenharia de sistemas e inovação
divisão de informática coordenadora: Regina Coeli Ruschel YLFH FRRUGHQDGRU 1LOFH 0HLUH *DUFLD
departamento de engenharia de agronegócios
divisão de engenharia de incêndio coordenador: Carlos Cotta Rodrigues YLFH FRRUGHQDGRU -RVp )pOL[ 'ULJR secretária: Ana Paula de Camargo Kinoshita
diretoria de cursos GLUHWRU 0DUFR $QWRQLR *XOOOR GLUHWRUD (Q\ .DRUL 8RQR 6DQFKH]
divisão de compliance coordenadora: Milene Costa Facioli YLFH FRRUGHQDGRU 5RGULJR %UDQGmR )RQWRXUD
diretoria da revista engenharia diretor: Rui Arruda Camargo VHFUHWiULR $OpVVLR %HQWR %RUHOOL editor da revista: Ricardo Pereira de Mello
departamento de arquitetura GLUHWRUD %LDQFD *LJOLR %HWHORQL vice-diretora: Mayra Mendonça secretário: Olavo Suniga divisão de preser. do patrimônio histórico e cultural da engenharia coordenador: Marcos Moliterno YLFH FRRUGHQDGRU )HUQDQGR %HUWROGL &RUUrD secretária: Miriana Marques
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O SISTEMA CANTAREIRA E A CRISE HÍDRICA DE 2014 NA BACIA DO ALTO TIETÊ JOSÉ EDUARDO CAVALCANTI* mananciais de seus sistemas produtores, tais como volumes armazenados, variações das precipitações, água tratada produzida etc. Desta forma, através de consulta a este Portal podemos extrair alguns dados interessantes que permitem retratar com números o nível de “stress” hídrico por que passou aqueles mananciais ao longo da crise. Com relação aos dados de volumes armazenados a Sabesp dispõe do denominado índice armazenado (I1), definido como a relação entre o volume útil armazenado (o que de fato se encontra estocado no reservatório) e o VU, ou volume útil estocado no reservatório, que pode ser utilizado sem bombeamento, estimado em 982 milhões de m³. Outro índice disponível (I2) relaciona o volume útil armazenado e o VT, ou volume total (1 269,5 milhões de m³) o qual leva em conta, além do volume útil, também o volume da RT, ou “reserva técnica” (287,5 milhões de m³). Durante a crise hídrica, a Sabesp disponibilizou a partir de 16 de abril de 2015, por exigência de uma liminar, um terceiro índice (I3), que relacionava a diferença entre o [volume armazenado - volume da reserva técnica (RT)] dividido pelo volume útil (VU). Esta exigência decorreu da necessidade de se ter transparência da real utilização pela Sabesp do “volume morto” do manancial. Em maio de 2017, a Sabesp optou por não mais utilizar este índice, pois desde janeiro de 2016 não se extraía mais volumes de água por bombeamento dos reservatórios. A na l isa ndo -se os dados do monitoramento da Sabesp desde 2013, nota-se que desde junho daquele ano o índice armazenado (volume útil armazenado) vinha decaindo sistematicamente. Quando o índice Gráfico – Sistema Cantareira, evolução do índice armazenado (I1) estava em 8,2% Sistema Cantareira é o maior produtor de água da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) que sozinho produz 33 m³/s de um total de 71,4 m³/s devido a outros sistemas produtores. Exclui-se deste total o Sistema São Lourenço, ainda em operação assistida, que inexistia à época da crise hídrica. No período compreendido entre 2014 e 2015 em que ocorreu a crise hídrica o sistema Cantareira com 1 269,5 milhões de m³ literalmente quase que “secou”, só não ocorrendo graças a existência do “volume morto” rebatizado, durante a crise, de “reserva técnica” em razão dos temores da população com relação àquela denominação macabra. A chamada “reserva técnica”, termo muito mais apropriado que “volume morto” nada mais é do que o volume de água contido nos reservatórios que não pode ser escoado por gravidade por estar abaixo da soleira dos vertedores, necessitando, portanto de bombeamento. O fato é que a existência da “reserva técnica” do Sistema Cantareira permitiu à Sabesp contornar, embora no limite, o racionamento de água que fatalmente ocorreria em toda a sua extensão, não fosse a existência do “volume morto” previsto na concepção inicial do Sistema por eminentes sanitaristas dotados de larga visão estratégica. A Sabesp mantém atualizados, em seu Portal, os dados coletados diariamente dos
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em 16 de maio de 2014, a primeira reserva técnica entrou em operação e acrescentou mais 182,5 milhões de m³ ao sistema (18,5% de acréscimo). Em decorrência o (I1) subiu para 26,7%. Posteriormente, em 24 de outubro de 2014, quando o índice (I1) já tinha caído a 3% uma segunda reserva técnica entrou em operação acrescentando mais 105 milhões de m³ ao sistema (10,7% de acréscimo). Em decorrência o (I1) subiu para 13,6%. Analisando-se o Índice (I3), disponível desde 16 de abril de 2015 no monitoramento da Sabesp com (-10%), revelou-se oficialmente que o Sistema Cantareira operava, pelo menos no período entre abril até 30 de dezembro de 2015, com o índice armazenado (I3) negativo significando efetivamente que restava apenas o “volume morto” no reservatório e ele estava sendo paulatinamente consumido. Somente em janeiro de 2016 o índice (I3) se positivou com 0,7%. Oficialmente, a divulgação do (I3) prosseguiu até maio de 2017 com 65%. Na realidade, o índice (I3), embora não existisse formalmente, já estava negativado desde agosto de 2014 com -3,2% (1 de agosto de 2014). O período em que ficou negativado abrangeu efetivamente 20 meses e não somente nove meses como divulgado oficialmente (trecho em marrom no gráfico). Disso se depreende que a Sabesp operou a reserva técnica durante 20 meses entre os anos de 2014 e 2015. Em 2015, a retirada total de água do Cantareira foi em média de 15,6 m³/s sendo o menor valor registrado como 13,21 m³/s em junho de 2015 (a Sabesp somente disponibilizou estes dados a partir de 15 de janeiro de 2015, indicando a retirada de uma vazão de 19,41 m³/s). Em julho de 2018, a retirada de água do Cantareira voltou ao patamar anterior (31,64 m³/s em 1 de julho de 2018). Nesta data, o índice armazenado (I1) estava em 43,7%, valor inferior a julho de 2013 (56,5%), que marcou o início da crise. Na realidade a queda do volume do Cantareira na crise iniciou-se dois meses antes com ENGENHARIA ENGENHARIA 639 639 // 2018 2018
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DIVISÕES TÉCNICAS
A MORTE DO ENGENHEIRO GABRIEL OLIVA FEITOSA engenheiro Gabriel Oliva Feitosa faleceu no último dia 4 de setembro em São Paulo (SP). Nascido em 1926, Feitosa era formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli /USP) em 1952 e se especializou em cálculos estruturais. Juntou-se a mais três colegas de turma e formou o escritório de projetos Civil Tetra. A empresa teve duração efêmera e Feitosa montou um escritório com seu nome, que mais tarde se transformou no Escritório Técnico Feitosa e Cruz. Ele começou também a frequentar a recém-criada Divisão de Estruturas do Instituto de Engenharia e foi eleito por aclamação para a coordenação da Divisão, na qual permaneceu por 25 anos. Na Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) foi conselheiro em sucessivas gestões, de 1994 a 2008, e foi condecorado com o título de Associado Honorário em 2002. Como projetista, foi o responsável
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pelos projetos de alguns dos shoppings mais conhecidos de São Paulo (SP), como West Plaza, Jardim Sul e Paulista, e do Shopping Praia de Belas, em Porto Alegre (RS). Foi condecorado com inúmeros prêmios em reconhecimento ao seu trabalho e atuação, entre eles as medalhas de ouro do Instituto de Engenharia como coordenador da Divisão Técnica (Estruturas) mais atuante nos biênios 1967/1968 e 1969/1970; Engº Gabriel Oliva Feitosa troféus e diplomas do Insconcedido pela Abece em 2005. tituto de Engenharia como coordenador Deixa, ao longo de sua brilhante trada Divisão Técnica (Estruturas) mais jetória, incontáveis amigos que lembraatuante de 1969 e 1981; Prêmio “Emílio rão, com saudade, agradecimento e resBaumgart” recebido do Ibracon (Instituto peito, da figura humana e sensível que Brasileiro do Concreto), no ano de 1993, sempre acolheu a quem dele precisou. na 35ª REIBRAC, em Brasília, outorgado Gabriel Oliva Feitosa foi sepultado no anualmente ao projetista de estruturas Cemitério do Araçá, na capital paulista, considerado destaque do ano e Prêmio no dia 5 de setembro último. Personalidade Engenharia Estrutural
O FALECIMENTO DE JOSÉ ROBERTO LEITE RIBEIRO
ARQUIVO DA FAMÍLIA
aleceu no último dia 22 de julho o engenheiro José Roberto Leite Ribeiro, vítima da gripe aviária. Nascido em São Paulo em 1945, Ribeiro formou- se no Mackenzie em 1971 e começou a trabalhar
Engº José Roberto Leite Ribeiro
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no Metrô de São Paulo em 1972. Ele foi um dos primeiros engenheiros de shield no Metrô e no Brasil. Acabou deixando a companhia em 2017, por meio de PDV, e foi administrar a fazenda de cafés finos da família, em Guaxupé (MG). Ele trabalhou no Metrô por mais de quatro décadas e sentia orgulho de ter participado dessa obra grandiosa que é o metrô paulistano, onde, inclusive, foi chefe das obras da Linha 4-Amarela. A paixão da vida dele foi a fazenda, que foi do avô, depois do pai e finalmente dele, onde, desde pequeno, passava as férias. Ele contava que saiam de São Paulo no trem leito, viajavam à noite toda e quando chegavam à estação ferroviária de São José do Rio Pardo pegavam uma jardineira para chegar à fazenda. Estudou no Colégio Dante Alighieri junto com os irmãos e primos, pelo fato de ter ascendência italiana, pois era neto do escritor e poeta Menotti Dell Picchia (que era brasileiro, mas filho de italiano). Quando
jovem, jogou tênis no Clube Pinheiros, mas depois abandonou o esporte. Casou-se em março de 1975 e teve três filhos: Marcelo, engenheiro e professor universitário, José Roberto, advogado e especialista ambiental, e Luiz Augusto, biólogo e agrônomo. Sempre mexeu com café e vendia sua produção para a Cooxupé, onde era cooperado. Gostava da época da colheita, o movimento dos apanhadores de café no campo e de ver o café espalhado no “terreirão”. Abria um sorriso de orelha a orelha. Seu sonho era morar na fazenda depois que se aposentasse e fez isso por dois anos e meio. Gostava de sentar-se no alpendre e de ficar curtindo a natureza, observando os tucanos que faziam ninho no abacateiro, os saguis que vinham comer as frutinhas da época, os jacus, os pássaros. Era a vida que ele pediu a Deus. Teve dois netos, um casal, e o momento de glória era quando subia no carro com os netinhos atrás.
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Roberto Rodrigues Eminente Engenheiro do Ano de 2018 Para o engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues, escolhido Eminente Engenheiro do Ano de 2018 pelo Instituto de Engenharia, a integração da agropecuária, da agricultura de precisão e do plantio direto são temas que já estão assimilados no país, só que por enquanto entre os grandes produtores. “Mas precisamos conquistar a adesão de todo mundo, ou seja, da legião de pequenos produtores também. Mas aí só por intermédio do associativismo. Só o sistema de cooperativas de produção e também de crédito – estas de importância capital – pode dar escala ao micro, pequeno e médio agricultor. O que nem sempre se percebe é que estamos caminhando com enorme vigor para uma agricultura e agroindústria 4.0, o que vai exigir cada vez mais capacidade de gestão do produtor.” Ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, ressaltou no Global Agribusiness Forum de 2018 (GAF 2018) a importância do Brasil no papel de fornecedor de alimentos para o restante do mundo. Para ele, o Brasil precisa abraçar o desafio lançado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de crescer 40% na produção de alimentos em dez anos para que o mundo possa crescer 20%. “Há uma demanda de fora para dentro inédita na história contemporânea”, afirmou. A seu ver, o Brasil tem tecnologia, terra e gente para cumprir essa meta e ele defende a conscientização da sociedade urbana sobre a importância do agronegócio para garantir a segurança alimentar no mundo. Ele acrescenta que o que lastreia os citados órgãos de cooperação internacional para levantar a bandeira que podemos crescer 40% em dez anos na oferta global de alimentos, é justamente a trinca tecnologia, terras agricultáveis disponíveis e gente capacitada. Sobre tecnologia da informação ele antevê que daqui a alguns anos o empreendedor que é fazendeiro vai morar na cidade, a 1 000 quilômetros de distância, vai levantar de madrugada, apertar um botão no seu computador ou smartphone, e as nanopartículas espalhadas pela propriedade dele vão informar qual a temperatura do ar, do solo, a umidade, a velocidade e direção do vento para orientar a sua operação naquele momento.
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engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues costuma dizer que uma das características da globalização da economia é o fato de que a margem por unidade de produto é cada vez menor, resultando na circunstância de que a renda da agricultura só se faz na escala. É o grande quem ganha dinheiro. Então o pequeno, por definição, não tem escala e estaria liquidado. Mas não é bem assim, porque ele pode fazer a sua escala por meio do associativismo, ou seja, pelo sistema de cooperativas, do qual ele é um dos maiores especialistas do país, notadamente no setor do agronegócio. Roberto Rodrigues, paulista de Cordeirópolis, completou 76 anos no último dia 12 de agosto. É engenheiro agrônomo formado em Piracicaba, no interior paulista, pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) em 1965, com cursos de aperfeiçoamento em administração rural. Divorciado, Rodrigues tem quatro filhos e sete netos. Ele é neto, filho e pai de engenheiros agrônomos e agricultores. Seu pai, Antônio Rodrigues, fundou entidades de representação do agronegócio e foi secretário de Agricultura de São Paulo no início da década de 1960, no governo de Adhemar de Barros. Roberto Rodrigues desenvolveu carreira na academia, no mundo empresarial e na política. Além das funções já citadas ele é doutor honoris causa pela Universidade Estadual de São Paulo (Unesp). Como ministro da Agricultura, Rodrigues promoveu a completa reestruturação da instituição, trabalhou pelas leis de biotecnologia, dos produtos orgânicos, seguro rural, novos documentos de comercialização, regulamentou a defesa sanitária, ampliou o comércio agrícola brasileiro e implementou as bases de uma agricultura moderna. Ainda na área política, foi secretário da Agricultura de São Paulo, de 1993 a 1994, no governo de Luiz Antônio Fleury Filho. Em seguida, foi vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Também presidiu a Sociedade Rural Brasileira (SRB), foi coordenador do Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Agricultura, coordenou o setor privado no Fórum Nacional da Agricultura, e criou a Agrishow, juntamente com a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), SRB, Associação Brasileira de Máquinas e Equi-
pamentos (Abimaq) e Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Na área do cooperativismo, Roberto Rodrigues é o embaixador especial da FAO para as cooperativas. Foi dirigente de cooperativas agrícolas e de crédito rural, com abrangência local (Guariba/SP), regional (Campinas/SP), e estadual (São Paulo/SP). Foi presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) por dois mandatos (1985/1991), da Organização Internacional de Cooperativas Agrícolas (de 1992 a 1997) e da Aliança Cooperativa Internacional, ACI (1997/2001), órgão centenário que congrega mais 900 milhões de pessoas em todo o mundo, através de 250 organizações nacionais de cooperativas, representando uma centena de países. Conhece 80 países, em todos os continentes. Recebeu a Medalha Albin Johansson do cooperativismo sueco, por seu trabalho em favor da democracia e da paz no mundo todo, além de condecorações da Organização de Cooperativas Brasileiras (OCB), da Organização das Cooperativas das Américas (OCA) e de inúmeros movimentos cooperativos de estados brasileiros. Presidiu também o Comitê de Promoção de Cooperativas (Copac), com sede em Genebra. Além disso, criou e presidiu a Eximcoop, trading de cooperativas que permitiu o acesso de agricultores de soja a novas margens de renda nos negócios internacionais. Foi responsável pela internacionalização do cooperativismo brasileiro, tendo sido coordenador dos trabalhos que levaram à autogestão do sistema cooperativista, através das conquistas obtidas junto à Constituição de 1988, alcançadas pela Frente Parlamentar Cooperativista, estimulada quando ele era então presidente da OCB. Recebeu o prêmio “Pioneiros de Rochdale” em Manchester (Inglaterra), berço do cooperativismo mundial. Em entrevista exclusiva à REVISTA ENGENHARIA Roberto Rodrigues abordou os mais variados assuntos, entre eles o do financiamento de associações de pequenos agricultores por meio de cooperativas de crédito e eventualmente pelas modernas fintechs de crédito. E como estamos na era da indústria 4.0, ele vê com otimismo a perspectiva de que se possa agregar valor aos produtos do agronegócio fazendo o setor avançar para uma agroindústria moderna e robusta. Nas páginas seguintes, a íntegra da entrevista.
MONTAGEM COM FOTOS DE ANDRÉ SIQUEIRA / DIVULGAÇÃO
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“A agricultura já caminha rumo à agroindústria 4.0”
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“SP poderá ter o seu saneamento universalizado dentro de 10 anos” esse recurso natural precisa ser cuidado para que tenha sustentabilidade para o benefício das gerações futuras. “Boa parte dos prefeitos já percebeu a necessidade de se obedecer a legislação vigente e fazer obra enterrada de saneamento. Ele revela que no início deste terceiro trimestre de 2018 a secretaria paulista de Saneamento e Recursos Hídricos entregou para cidades do interior paulista mais de 200 planos setoriais de saneamento ambiental – água, captação e tratamento de esgoto, resíduos sólidos e drenagem. Inclusive entre eles havia vários planos que funcionaram como uma complementação a projetos que já estavam em andamento. “Alguns municípios tinham água e esgoto, mas não contavam com tratamento de resíduos sólidos, por exemplo, e nós fornecemos esses 200 planos num grande esforço da secretaria para dar impulso aos prefeitos”, diz Borsari, lembrando que pela lei atual os municípios que não possuem os planos completos de saneamento estão impedidos de ter acesso aos financiamentos “Acho importante frisar isso”, diz.
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Na visão do engenheiro Ricardo Borsari, secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, o saneamento é um grande instrumento de redução das desigualdades num país tão desigual como o Brasil. Ele considera que esse aspecto é o grande agente motivador de todos que atuam na área. Ele ressalta outra característica importante que torna o território paulista um ente privilegiado: o fato de ter havido a continuidade de governos estaduais com a mesma orientação estratégica, o que permitiu que o estado pudesse sair de um patamar muito ruim de cobertura em saneamento e melhorasse bastante os índices nos últimos 40 anos. Borsari acha inclusive importante que essa condição persista por ainda mais tempo. “Acho que no curto prazo dos próximos dez anos vamos ter a universalização do saneamento em nosso estado, até numa região tão complicada como a Grande São Paulo”, diz. Mas ele sublinha que essa condição virtuosa não é a que se observa no resto do país. E aproveita para alertar que, como é do senso comum que a água é um bem finito,
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Ricardo Daruiz Borsari Secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo
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maio de 2018 assumiu pela segunda vez a superintendência do DAEE, órgão com que tem ligação profissional desde 1978. Entre outubro de 2011 e janeiro de 2015 ocupou a presidência da EMAE. Também presidiu a Pirapora Energia em 2014. Ele acompanhou de perto muitas obras importantes na Grande São Paulo, como o aprofundamento e alargamento do Rio Tietê, as barragens no Alto Tietê, o Piscinão do Guamiranga (o maior da capital, na Vila Prudente), a Barragem da Penha, o Parque Ecológico do Tietê e ainda a criação do Programa Água Limpa de apoio ao saneamento de municípios do interior do estado. Além disso, ele participou da implantação de inovações em termos de tecnologia e regulamentação, como a Sala de Situação do DAEE e a rede telemétrica (controle de cheias), a nova outorga do Cantareira, novo sistema de outorga eletrônica de uso da água e outras iniciativas. — O que mudou na visão dos paulistas (governo e população) depois do episódio da crise de abastecimento no período 2013-2014? — perguntamos a Borsari. “Essa foi a crise mais grave que observamos ao longo de toda a nossa série histórica. Antes dela, a maior tinha sido a observada em 1953/1954. Evidentemente que essa situação de escassez aflorou uma série de questões. Mas, principalmente, fez vir à tona uma questão que nós, anteriormente, em 2012, concluímos o que houvemos por bem chamar de Plano da Macrometrópole Paulista e nós tínhamos elencado ali um conjunto de obras para atendimento às demandas de água até 2045. Dessa forma, no momento da grande crise hídrica de 2013-2014 tínhamos um ferramental disponível que nos permitiu executar obras rapidamente para atender o novo cenário de escassez. Fundamental-
mente a Grande São Paulo é operada pelo reservatório que é responsável por praticamente 50% de toda produção de água para a região, que é o Sistema Cantareira, um sistema robusto, mas ainda pequeno em face da concentração de população e as necessidades enormes de consumo que temos na nossa região metropolitana. O que fizemos, então? Fomos ao plano, identificamos ali as obras que estavam indicadas como necessárias e avançamos para executá-las rapidamente. Houve um primeiro período dentro da crise que trabalhamos muito a interligação de redes internas para permitir que a Sabesp pudesse atender áreas do Sistema Cantareira com outros mananciais... E enquanto isso nos preparamos para executar as obras de segurança hídrica que puderam nos ajudar a superar esse período crítico.” — Qual o papel dos hábitos da população nessa fase? — indagamos. “Bom, aí assistimos basicamente à mudança do padrão de consumo das pessoas. Quer dizer, a população foi chamada a colaborar com uma redução de consumo e prontamente atendeu. Aliás, sempre que ela é chamada ela atende bem, desde que a informação seja bem veiculada e entendida. Isso foi bem percebido na época do apagão de energia elétrica de 2001 e 2002. Houve colaboração muito grande da população com o setor elétrico. E não foi diferente na nossa crise hídrica. As pessoas, inclusive, foram estimuladas a dar essa colaboração por meio de uma política muito bem estruturada pelo governo paulista à época. Ou seja, a política de bônus e ônus. Decidiu-se premiar o cliente da Sabesp que viesse a economizar água. Ele teria o abatimento de preço na sua conta de água pelo menor consumo. Então isso é uma lição que tanto nós, enquanto dirigentes, quanto a sociedade como um todo
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scolhido como personagem para esta edição da tradicional série “Linha de Frente” da REVISTA ENGENHARIA, Ricardo Borsari tem larga experiência em gestão dos recursos hídricos. Antes de passar para a entrevista exclusiva que ele concedeu à revista, segue uma breve descrição de sua formação acadêmica, profissional e funcional. Ele é mestre em Engenharia Hidráulica e Sanitária pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e foi professor da Escola de Engenharia Mackenzie, da Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Álvares Penteado, Faculdade de Engenharia Elétrica da PUC São Paulo e da própria Politécnica da USP. Desde maio deste ano, Borsari ocupa o cargo de secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo. Antes disso foi, por duas vezes, superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), inclusive durante 2013-2015. Naquele biênio, do ponto de vista hidrometeorológico as pouquíssimas precipitações da estação chuvosa, com ênfase na Região Sudeste – e particularmente na área de abrangência do Sistema Cantareira –, constituíram um duro golpe para o sistema de abastecimento de água às populações. E não só da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) – mas principalmente dela. Antes de assumir o mais alto escalão do DAEE ele colecionou vários cargos no Centro Tecnológico de Hidráulica (CTH), inclusive a presidência da Fundação CTH no período agosto/1994 a agosto/1995 e agosto/1998 a agosto/2000. A primeira gestão como superintendente do DAEE foi de setembro de 2001 a fevereiro de 2007. Depois disso, Borsari exerceu a presidência da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE). De janeiro de 2015 a
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I ENGENHARIA experimentamos: a lição de que se as autoridades informam de maneira correta, a população responde muito bem àquilo que é necessário fazer para o enfrentamento de uma crise de grandes proporções.” — Ao que parece, o consumidor se mantém consciente dos perigos, mesmo depois de debelada a parte mais aguda da crise? — quisemos checar. “A continuidade do comportamento da população mesmo depois de superado o olho do furacão e suas implicações, é um reflexo da contingência de que conseguimos passar as informações básicas sobre o significado da situação. Ou seja, pudemos disseminar a ideia de que estamos na cabeceira do Rio Tietê, rio que corre pra dentro, com todas as singularidades daí provenientes. Então a produção de água aqui na região metropolitana – ou a disponibilidade hídrica, como nós costumamos dizer – é insuficiente para tanta demanda. Se a gente dividir a disponibilidade de água da Bacia do Alto Tietê pelo número de habitantes dos municípios que compõe a área metropolitana, resulta que a região pode ser considerada mais seca que o semiárido nordestino. É por isso que se torna necessário receber de outra bacia hidrográfica 50% da água que se consome aqui na Grande São Paulo. Não é porque tem pouca água e sim porque tem muita gente. Foi a concentração populacional e a exuberância econômica da RMSP que levou a essa situação de se ter que importar água de outros sistemas. Dessa forma, uma vez conscientizada dessa realidade a população manteve um padrão de redução de consumo. Dos 72 metros cúbicos que a gente conseguia produzir e distribuir para a população, hoje estamos trabalhando aí na faixa dos 62 metros cúbicos. Quer dizer, uma redução de 10 metros cúbicos, o que representa uma diminuição importantíssima. É um reflexo também das obras que estamos executando, para trazer esse adicional de 10 metros cúbicos, além de representar um referencial para quanto de investimento estamos precisando ainda fazer para garantir segurança hídrica para a região.” — Pode fazer um balanço das principais obras realizadas do início da crise para cá e seus resultados concretos? — pedimos. “É preciso voltar sempre a dar o devido valor à importância do planejamento. Quando fizemos o Plano da Macrometrópole, nós nos preparamos não apenas para enfrentar o crescimento dessa imensa reWWW.BRASILENGENHARIA.COM
gião até 2045 como nos municiamos com antes disso, tinha se iniciado a captação um conjunto de estudos e obras que nos e transporte de água da Bacia do Sistema permitiriam atender também uma situação São Lourenço – no Rio Juquiá –, trazida de maior escassez intensa. Fundamentalpara a área oeste do Estado e para a bacia mente nós fizemos uma primeira transmetropolitana. Obra que está entregue, posição de água do braço do Rio Grande pronta e produzindo 2 metros cúbicos/ do Reservatório Billings para a Represa segundo já neste momento. Essa também de Taiaçupeba no SPAT [Sistema Produfoi outra obra que estava elencada em tor do Alto Tietê]. Por que isso foi impornosso planejamento e já estava contratada tante? Porque a Estação quando do início da crise de Tratamento [ETA] de hídrica. Esse conjunto de “A população já Taiaçupeba foi ampliada obras, somado à colabode 10 para 15 metros cúração da população, foi entendeu que a bicos/segundo. E nessas o que nos permitiu endisponibilidade de condições nós tínhamos frentar neste ano de 2018 água na RMSP não dá uma situação de escassez grande capacidade de tratamento. Essa foi uma hídrica que até agosto para suprir tamanha primeira obra. Ao lado passado era da mesma demanda” disso, nós tivemos uma intensidade observada pequena intervenção no no período 2014/2015. E Rio Guaió, com possibilidade de captação sem nenhum problema de abastecimento. de até 1 metro cúbico/segundo, água que Então hoje estamos transpondo água do também vem para a região do Alto Tietê. Paraíba do Sul para o Cantareira; água da Para situar, o Rio Guaió nasce no municíBillings para o Taiaçupeba; estamos propio paulista de Mauá, ao lado da nascente duzindo 2 metros cúbicos/segundo no do Rio Tamanduateí, no Parque Ecológico Sistema São Lourenço e aumentamos a Santa Luzia. Feito isso nós também traprodução na ETA Alto da Boa Vista.” balhamos numa grande transposição, uma — Ou seja, é uma constatação da imgrande obra de segurança hídrica, que é portância do planejamento? — pedimos a interligação do Reservatório de Jaguari, que opinasse. no Rio Paraíba do Sul, com o Reservatório “Sim. Fiz recentemente uma palestra de Atibainha, na Bacia do PCJ [Piracicaba/ na Feira Nacional de Saneamento e Meio Capivari/ Jundiaí]. Com isso a gente conAmbiente, a Fenasan, promovida há 29 segue transpor algo como 5 metros cúbianos consecutivos pela Associação dos cos/segundo em duplo sentido. Quer dizer, Engenheiros da Sabesp, a AESabesp. E o numa situação de escassez da região da objetivo era focar a importância de se ter Bacia do Paraíba do Sul também é possível planejamento. Às vezes o governo não infazer transposições de vazões a partir do veste nem dá importância ao planejamento Sistema Cantareira em direção ao Paraíba. mas ele é sumamente importante para que Com isso podemos reforçar o Cantareira a gente possa ter enfrentamento eficaz das em 5 metros cúbicos/segundo. Uma intersituações críticas. Acha que o retorno não venção muito importante.” é tão imediato mas ele é importantíssimo — Que outras intervenções físicas fonessas ocasiões em que se possa ter insram realizadas? — continuamos. trumentos para enfrentamento das crises. “Depois das interligações de rede que São Paulo saiu na frente novamente. Agofizemos aqui na Grande São Paulo também ra mesmo, por exemplo, estamos inicianaumentamos a capacidade de tratamento do o estudo de viabilidade para um novo de água na ETA Engº Rodolfo José da Cosprojeto. Não vamos executar a obra já, é ta e Silva, da Sabesp, localizada no Alto da um projeto de prateleira, da Bacia de JuBoa Vista, na zona sul da capital. A ETA rumirim para trazer água para São Paulo. Alto da Boa Vista recebe águas do Sistema É um estudo para ficar à disposição, se um Billings-Guarapiranga. Na realidade eram dia a gente precisar.” 14 metros cúbicos/segundo e passamos — Como são as duas novas barrapara 16 metros cúbicos/segundo por meio gens que vão ser construídas no interior de sistema de membranas para tratamenpaulista? — prosseguimos. to da água. Esse foi um caso interessante “São duas novas obras que vão se iniporque num prazo muito curto a Sabesp ciar agora no final do ano – são duas barconseguiu importar esses equipamentos ragens que vão ser construídas em Amparo e colocá-los para funcionar, aumentando e em Pedreira. A barragem de Pedreira e a capacidade de tratamento. Enquanto, a barragem de Duas Pontes no municíENGENHARIA 639 / 2018
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ENGENHARIA I LINHA DE FRENTE necessária. Foi um entendimento amigável que redundou num acordo inédito.” — No caso da Interligação Jaguari-Atibainha, os dois sentidos de bombeamento estão operacionais e testados? — pedimos. “Estão em pré-operação desde maio passado e agora em operação mesmo – e quase no limite da capacidade de bombeamento. Isso aconteceu depois de uma série de programas de testes que se estendeu a partir de fevereiro. Vale ressaltar que esta também foi uma negociação muito importante porque esse acordo para a retirada das águas do Reservatório Jaguari, no Paraíba do Sul, para o Reservatório Cantareira foi construído no STF [Supremo Tribunal Federal] com interveniência do ministro Luiz Fux, que trabalhou muito nessa construção de pacto – até porque havia vários entes federados envolvidos nas negociações. Não só São Paulo e Rio de Janeiro, mas também Minas Gerais. E nós chegamos a bom termo, junto com o STF. Fui a Brasília assinar. Também este foi um acerto inédito, com muito entendimento de alto nível – inclusive político – no sentido de que a grande obra fosse construída para atender a população. Só para você ter uma ideia, o Reservatório Jaguari tem o dobro da capacidade do reservatório do Sistema Cantareira. Então com isso a gente tem lá um manancial importante para o abastecimento público.” — Pode-se dizer que o sentido Atibainha-Jaguari é muito eventual, até mesmo emergencial? — solicitamos. “Depende do regime de chuvas que se tem. Há uma demanda muito variada em relação ao Reservatório Jaguari. Além dos usos de lazer e recreação, que são muito desenvolvidos em torno do reservatório, há a utilização para geração hidrelétrica. Lá há uma usina pequena, mas que, de
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sos Hídricos, cerca de 1 500 empregos pio de Amparo. Que também vão dobrar diretos serão gerados durante as obras. a regularização de vazão nesses rios. Os — E na questão da regulação, quais reservatórios, um no Rio Jaguari, nos muforam os avanços? — indagamos. nicípios de Pedreira e Campinas, e outro “Essa é outra questão que também no Rio Camanducaia, em Amparo, serão reputo importante. É preciso lembrar que construídos abaixo do Sistema Cantareira nós trabalhamos na linha do planejamene criarão uma reserva hídrica estratégica to e das obras. Mas na linha da regulação na Bacia do PCJ. O reservatório de Pedreinós tivemos um evento importante que ra ocupará uma área de 4,3 quilômetros foi construído ao longo de todo o período quadrados, com capacidade para acumular da crise – que terminou em maio de 2017 31,9 milhões de metros cúbicos de água, e – que foi a renovação da outorga do Sistedisponibilizará uma vazão de 8 500 litros ma Cantareira. O contrato de água por segundo. de outorga havia sido asJá o reservatório Duas “Em termos de sinado por mim em 2004, Pontes terá uma área quando eu era superintende 8,8 quilômetros quaregulação, um dente do DAEE, e agora drados, com capacidade evento importante voltei a assinar em 2017, para 53,4 milhões de também superintendente metros cúbicos, e disfoi a renovação da do DAEE. Essa renovação ponibilizará uma vazão outorga do Sistema veio na esteira da construde 8 700 litros de água ção de um entendimento por segundo. Vai nos dar Cantareira” muito interessante. Eu diuma grande reservação ria que o caso foi quase de água para a bacia de um procedimento inovador. Porque o do PCJ, o que vai ajudar muito no abasgoverno estadual nunca estabeleceu distecimento de água em duas situações: na tinção entre os paulistas da região da Baseca, para não faltar água como aconteceu cia de Piracicaba e os paulistas da RMSP. recentemente, e depois, na época da cheia, Somos todos paulistas e negociamos uma para evitar as enchentes. Como se vê, são outorga que, na nossa visão – junto com obras de segurança hídrica que dão tranas obras de segurança hídrica, fundamenquilidade para a Bacia do PCJ. E de certa tais para que a nova outorga tenha sido maneira aliviam a demanda sobre o Sistepossível – hoje divide esses recursos hídrima Cantareira, que poderia ficar mais decos de uma maneira bastante adequada, dicado, dentro dessa nova condição, para garantindo a possibilidade de crescimento o atendimento da RMSP.” para a Bacia do PCJ também. Acho que Pelo que já foi divulgado, a consisso foi um ganho. Nós interrompemos a trução das duas barragens representam negociação durante a crise, retomamos investimento de 427,1 milhões de reais as conversas em 2016/2017, no final da do governo estadual. A obra é financiacrise. Concluímos essa negociação dida pelo Banco de Desenvolvimento da fícil, mas importantíssima porque isso América Latina (CAF). Segundo o Delevou a que todos os paulistas – tanto partamento de Águas e Energia Elétrica do PCJ como do Alto Tietê – tivessem (DAEE), autarquia que é vinculada à secondições de ter água em quantidade cretaria estadual de Saneamento e Recur-
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I ENGENHARIA qualquer forma, é uma geradora de energia. E agora se soma a isso a transferência de água para abastecimento do Sistema Cantareira, além do importante esquema de manutenção de vazões para o Estado do Rio. Mas o Jaguari é muito grande e consegue atender todos esses usos. Agora, na seca, a geração de energia elétrica é mais baixa até porque ela não é tão importante dentro do conjunto que gera energia para os fluminenses. Gera-se um pouco menos de energia, estamos bombeando para o Atibainha. Mas o Rio de Janeiro tem a geração de suas necessidades atendida a contento a partir do Reservatório de Paraibuna, além de outras cascatas existentes. Até mesmo num período de criticidade hídrica como chegamos a passar este ano.” — Aproveitando o tema, como vê a tendência futura para o clima? — perguntamos. “De uma maneira geral, nada será como antes em termos de pluviometria. Com essas mudanças climáticas que temos observado vamos ter sempre períodos de chuvas muito intensos e períodos de seca igualmente intensos. Quer dizer, vamos ter situações extremadas que obrigarão a que tenhamos que aprender a lidar com os novos cenários. E os conjuntos de obras de que estamos falando tomaram forma justamente nesse sentido de segurança hídrica – de como podemos nos preparar para abastecer 22 milhões de pessoas na RMSP em situações de possível escassez. Há de se ressaltar aqui, além do planejamento, a grande capacidade da Sabesp no atendimento. E na rapidez como ela atuou para que essas obras ficassem prontas em tão pouco tempo. De 2015 para cá – menos o Sistema São Lourenço – o planejamento feito pela secretaria, com a essencial colaboração da Sabesp, praticamente permitiu fazer todas as obras. Também é preciso ressaltar a capacidade do DAEE na parte da regulação, no sentido de conseguir estabelecer parâmetros de negociação muito razoáveis tanto para os paulistas como para os fluminenses. E no caso específico dos paulistas, bons acordos tanto para a Bacia do Alto Tietê como para a Bacia do PCJ. Ou seja, foi uma orquestração de ações que conduziram a essa situação de mais tranquilidade para futuros enfrentamentos. Aliás, como fizemos anteriormente o planejamento, estudos de viabilidade e projetos das intervenções cujas obras foram construídas? Nas obras mais emergenciais nós fizemos a licitação – havia um projeto básico, as empresas ganhadoWWW.BRASILENGENHARIA.COM
no alto da Serra do Mar. Nós fazemos uma ras desenvolviam o projeto executivo, a captação de até 2 metros cúbicos/segundo Sabesp aprovava aquele projeto e tocava a no máximo. Isso é uma regra operativa e obra dentro daquele orçamento que havia vai depender de um monitoramento que sido definido na licitação. Sem necessidaestamos fazendo para se decidir quanto de de aditivos e sem sustos no percurso. de água vai passar para o Reservatório de Foram licitações feitas com tranquilidade e Biritiba Mirim, que é um dos componentes que conduziram à solução dos problemas, do SPAT. Também é uma obra de seguranque é o que interessa.” ça hídrica para a região metropolitana, já — Está correta a visão de que quanestá licitada, já está licenciada e vamos do se fala em redundâncias, estas são neobter a possibilidade de ter a licença de cessárias para enfrentar crises como a de instalação definitiva e começar a execu2014? — pedimos que explicasse. tar a obra. Acho que é “O que você chama também uma obra que se de redundância eu cha- “A Bacia do PCJ insere da mesma forma mo de obras de segurança nesse conjunto de ações hídrica. No fundo, é uma tem direito a de segurança hídrica para reserva... Exemplifico: 158 milhões de a região metropolitana.” nós temos capacidade de Tecnicamente falanprodução de 70 metros metros cúbicos, no do, o SPAT é um concúbicos/segundo instalaperíodo seco, de junto de cinco reserda, mas temos obras que vatórios (ou barragens) quando essa capacidade junho a novembro” localizados entre Suzano de produção não é atene Salesópolis, concebidos visando o aprodida, elas podem entrar de maneira supleveitamento múltiplo de recursos hídricos, mentar para dar atendimento. Essa é uma com ênfase para o controle de enchentes, questão complexa que chega até a beirar o abastecimento público, irrigação, diluição problema tarifário... Como é que se interde esgotos e lazer. Os cinco reservatórios naliza, em termos de investimento, os dissão Ponte Nova, no Rio Tietê, na divisa pêndios feitos na segurança hídrica? Essa dos municípios de Salesópolis e Biritiba é uma discussão que vamos ter no futuro. Mirim; Paraitinga, no Rio Paraitinga, em Mas não há dúvida que atualmente vamos Salesópolis; Biritiba, no Rio Biritiba, na ter que trabalhar com uma situação em que divisa dos municípios de Biritiba Mirim e se prevê a possibilidade de sistemas que fiMogi das Cruzes; Jundiaí, no Rio Jundiaí, cam em stand by para, num determinado em Mogi das Cruzes; e Barragem de Taiamomento, atender situações de crise.” çupeba, no Rio Taiaçupeba, na divisa de — Essa filosofia não era aventada Mogi e Suzano. até pouco tempo atrás? — indagamos. — Como está o abastecimento de “Essas ideias eram de conhecimento água nas demais macrorregiões paulisdo setor. Ocorre que nós nunca tivemos tas como a da Grande Campinas e Litoral um período com o nível de estresse hídrico Norte? — solicitamos. como o que enfrentamos recentemente. “A Grande Campinas não tem nenhum Detalhe fundamental: se tivéssemos feiproblema de abastecimento. Exercemos a to essas obras lá atrás e passado 20 anos outorga do Cantareira, operamos de acorsem usar seriamos acusados de ter realido com as regras estabelecidas na outorga. zado um investimento sem retorno. O imA Bacia do PCJ tem direito a 158 milhões portante não é discutir se deveria ser feide metros cúbicos, no período seco, que to antes as obras ou não. O importante é vai de 1 de junho até 1 de novembro.” que foram feitas em tempo e a tempo para — Na prática, como é que é a nova que a gente pudesse atender a população, outorga do Cantareira? — pedimos que mesmo num ano seco como foi o de 2018. detalhasse. Mantivemos a possibilidade de atender “Esse é um aspecto importante para a as necessidades sem restrição de fornecigente falar. Temos que manter vazões mímento de água em nenhum momento.” nimas em determinados pontos da bacia. — Pode dar detalhes sobre o aproA gente opera isso, mas quem decide a veitamento da Bacia do Rio Itapanhaú, operação e a demanda de água no perívisando o reforço da capacidade de proodo seco é a Câmara Técnica de Monitodução de água do Sistema Produtor Alto ramento Hidrológico da Bacia do PCJ. Ela Tietê (SPAT)? — prosseguimos. verifica quais são as descargas para que “O Itapanhaú é um rio da vertente ocese atendam as condições mínimas ali. Pelas ânica do Alto Tietê, perto de Biritiba Mirim ENGENHARIA 639 / 2018
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ENGENHARIA I LINHA DE FRENTE populacionais como economicamente. É novas regras, a operação do sistema ocoruma região que tem um futuro econômico rerá por faixas. As regras para as chuvas, enorme e vai precisar ter todas as necessientre dezembro e maio, e a estiagem, entre dades hídricas atendidas.” junho e novembro, são a principal novidade. Elas combinam volumes de água arma— Como o senhor encara o Novo Marzenados nos reservatórios com as vazões do co Legal do Saneamento proposto pela Rio Atibaia, medida em Valinhos, e do Rio Medida Provisória 844/18? — arguimos. Jaguari, medida em Buenópolis. Os gesto“Com preocupação. Eu não tenho nada res estabeleceram os limites das faixas, e contra a concorrência, aliás, acho que ela as vazões de retirada em cada uma delas é benéfica para todos. Considero que a foram definidas com o objetivo de minimisobrevivência de uma empresa do porte zar os vertimentos e manter o reservatório da Sabesp depende da procura contínua equivalente em níveis de pela competitividade. Enarmazenamento acima tão se tem um privado que “O saneamento é um da faixa de Operação queira operar ele passa a Especial – que é quando representar uma meta, por grande instrumento os reservatórios operam assim dizer, para que a emde redução das com capacidade de até presa pública atinja pata20% –, aumentando a mares mais altos. O que me desigualdades num segurança hídrica do preocupa? O saneamento, país tão desigual sistema. Fizemos um diferentemente do setor exercício e no primeiro elétrico, começou a ser recomo o nosso” período em 2017 não gulado mais recentemente, se gastou a totalidade em datas muito mais próxida água a que tinham direito. Este ano a mas aos dias de hoje. Então existe um arprevisão é que também não vão gastar, ou cabouço regulatório que ainda está sendo seja, estamos conseguindo manter uma elaborado pelas entidades do setor, pelos condição adequada na bacia sem gastar a órgãos reguladores, agências reguladoras totalidade daqueles 158 milhões de metros e assim por diante. Na época da medida cúbicos que nós destinamos para a Bacia 579, da mudança do setor elétrico, promodo PCJ, porque não há necessidade. Esse vida na gestão da presidente Dilma, a inifoi um conceito diferente: em vez de esciativa desestruturou o setor, mesmo num tabelecer uma descarga mínima obrigatósistema bem regulado. Desestruturou porria na barragem, nós estabelecemos no rio, que a geração de caixa da empresas para que é onde interessa. Esse é um conceito futuros investimentos ficou prejudicada. novo e que se mostrou muito eficiente para Na época, eu era presidente da EMAE [Emo abastecimento público e inclusive com presa Metropolitana de Águas e Energia]. condições adequadas ambientalmente.” Nós já tivemos um embate em relação a — Com o advento das duas novas baressa questão, mas era um sistema que era ragens – Pedreira e Duas Pontes –, como muito mais regulado e com capacidade. No serão as demandas? — perguntamos. setor de saneamento essa regulação não é “Essas demandas serão diferentes e tão firme. Então o que acontece? O preainda por cima existe a possibilidade fufeito, que é o poder concedente, faz uma tura da construção de um sistema adutor licitação. O privado entra e ele vai entrar regional que vai pegar desses dois reseronde o investimento que ele fizer tiver vatórios e vai levar da Bacia do Jaguari retorno. E nós sabemos que no caso do para a Bacia do Atibaia. Porque existem saneamento os pequenos municípios são municípios na Bacia do Atibaia que não deficitários. Por que nós podemos operar teriam acesso diretamente às águas se não nos pequenos municípios? Nós, quando tivéssemos uma condição de transposição eu digo, são as companhias estaduais de interna na Bacia do Piracicaba. Esse é um saneamento... Elas podem operar porque movimento que vamos ter que fazer no fuabrangem um conjunto muito grande de turo. É uma obra que está planejada pelo municípios, um ganho de escala consideDAEE – que já desenvolveu um estudo de rável, e aí conseguimos atender de forma viabilidade econômica e financeira para adequada também as pequenos cidades essa obra. Provavelmente ela será impledeficitárias. A todo rigor eu não tenho a mentada a tempo e hora para que a gente preocupação de que haja uma investida da então possa ter garantias adequadas para iniciativa privada, que em boa hora pode toda a Bacia do PCJ, que, por sinal, cresce trazer sua capacidade de investimento a taxas impressionantes em termos não só para o setor, não tenho nenhuma dúvida
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disso. Acho importante que isso aconteça, até porque o saneamento é um setor que demanda muito recurso financeiro e nem sempre os governos têm condições de atender esses dispêndios. Mas o privado vai onde ele possa ter retorno. E a MP 844 não regula isso. Vão fazer uma licitação e quem ganhar leva. Então, qual é a situação? Você tem o filé mignon e a carne de pescoço. Dessa forma, o setor público tem que atender os municípios pequenos, mais deficitários, enquanto os municípios melhores, mais superavitários em termos de operação, poderiam ser concedidos à iniciativa privada. Mas é preciso regular isso direito. Mais do que isso: o que me preocupa também é a situação dos ativos. Por exemplo: a Sabesp detém ativos em determinado município, a medida provisória não diz em nenhum momento como eles serão remunerados no caso de mudança de concessionária. Seja da Sabesp para um privado, seja de um privado para outro privado, e seja de um privado para a Sabesp numa situação futura de renovação. Acho que isso tudo não deveria ser feito através de MP e sim por meio de um projeto de lei do poder executivo, estruturado a partir da contribuição de todo o setor de saneamento.” — O senhor concorda que os investimentos públicos são essenciais em setores com alto impacto social e com grande absorção de emprego – como saneamento? — indagamos finalmente. “Não tenho dúvida. Não acho que seja só privado e nem só público. É uma questão de discutir a questão para ver se vai ser parceria público-privada ou outra modalidade. Saneamento é importante porque melhora a saúde e qualidade de vida das pessoas. Permite o desenvolvimento econômico das comunidades. Porque uma empresa não vai para uma cidade que não tem saneamento. Tem a questão da certificação dos produtos da empresa, da responsabilidade social com os empregados da empresa. E mais do que isso: o saneamento é um grande instrumento de redução das desigualdades num país tão desigual como o nosso. Então acho que esse é o grande motivador de todos nós da área. Outro aspecto: a continuidade dos governos que tivemos em nosso estado nos permitiu sair de um patamar muito ruim do saneamento e melhorar muito nos últimos 40 anos. É importante que isso continue. Acho que no curto prazo dos próximos dez anos vamos ter a universalização do saneamento no território paulista.” WWW.BRASILENGENHARIA.COM
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FIOS DO BRASIL NO PLANETA O Instituto de Engenharia, por iniciativa de seu presidente, Eduardo Lafraia, quer ajudar a sociedade brasileira a criar um projeto para o país e também dar sua contribuição para o estudo e a solução de desafios globais, como a superpopulação, a expansão urbana desordenada e a poluição ambiental daí decorrente. Um dos levantamentos mais interessantes responde pelo nome de “Instituto de Engenharia do Futuro”, foi coordenado pelo engenheiro Victor Brecheret Filho, e representa um passo fundamental nessa importante caminhada
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SANEAMENTO E SEGURANÇA HÍDRICA
O LEGADO DA GRANDE CRISE E AS VISÕES PARA O FUTURO POR JUAN GARRIDO
Na visão de futuro de três especialistas ouvidos pela revista, o legado deixado pela crise de escassez hídrica no período 2014-2015 foi o de aprimorar a disponibilidade de água e a segurança hídrica. E, ao mesmo tempo, seguir avançando na implantação de estruturas de coleta e tratamento de esgoto, com viabilidade técnica e econômica, contribuindo para a universalização dos serviços. Tais diretrizes são os principais focos de atenção tanto da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) como de outros WWW.BRASILENGENHARIA.COM
órgãos e agências do setor, como Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES). No caso da Sabesp, o objetivo é manter a universalização da cobertura e atendimento em abastecimento de água, juntamente com altos níveis de qualidade e disponibilidade, executando 783 000 ligações de água entre 2018 e 2022 e também elevar a cobertura de esgoto, realizando aproximadamente 1,1 milhão de novas ligações no mesmo período ENGENHARIA 639 / 2018
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SA N E A M E N TO pessoas, correspondendo a 47% dos ceram a infraestrutura e deram mais habitantes do Estado de São Paulo. A resiliência aos diferentes sistemas de soma de fatores como atividade ecoabastecimento. O retorno das chuvas nômica, alta densidade populacional, em condições próximas à normalidaocupação desordenada e irregular de e a mudança de hábitos da popudo solo e localização geográfica (na lação, que compreendeu a criticidade cabeceira da Bacia do Alto Tietê) redo momento e passou a economizar sultam em baixíssima disponibilidade água, também foram fatores fundahídrica, em situação mentais para a supeque pode ser comO Sistema Produtor ração da crise. Supeparada às realidades rado o período mais São Lourenço foi vivenciadas em regiseco (2014-2015), o ões desérticas. A méano de 2017 manteve inaugurado em dia anual de 160 000 com a tendência iniabril passado, com a 200 000 litros per ciada em 2016 de recapita representa um cuperação dos prinum investimento décimo do valor incipais sistemas que de 2,2 bi dicado como crítico abastecem a RMSP. (“pobre”) pela OrgaA contribuição natunização das Nações Unidas (ONU) – ral (afluência) para os mananciais foi que vai de 1,5 milhão a 2,5 milhões de 71% da média histórica, resultante de litros por habitante/ano. uma pluviometria 90% dessa média, Neste ambiente de permanente com menor precipitação no segundo escassez, fenômenos climáticos exsemestre, quando registrou 75% da tremos como o ocorrido no biênio chuva esperada. Ainda assim, em 31 2014-2015, com a mais severa estiade dezembro de 2017 o volume global gem que se tem notícia na RMSP, torresultante de uma pluviometria 90% nam ainda mais desafiadora a tarefa da média histórica, com menor precide manter a segurança hídrica e a popitação no segundo semestre, quando pulação atendida. Contudo, o colapso registrou 75% da chuva esperada. do abastecimento foi evitado em raA manutenção do volume estocado zão de uma soma positiva de esfordiante de afluência e chuvas abaixo ços, a começar pelas já citadas obras da média histórica pode ser explicada, emergenciais implementadas desde os no rol de consumidores residenciais, primeiros sinais da crise, que fortalepela conscientização de parte da po-
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pulação, em especial os consumidores particulares, com a incorporação de hábitos racionais de consumo e adquiridos ao longo da crise hídrica. Dessa forma, o consumo per capita em 2017 foi de 130 litros habitante/dia, mantendo patamar de 2016 e 23% menor que os 169 litros habitante/dia registrados em 2013, antes da prolongada estiagem. Esse comportamento se reflete, em parte, na queda da produção média diária de água tratada em 2017 para abastecer a RMSP que foi de 60,6 metros cúbicos/segundo, 12% menor que os 69,1 metros cúbicos/segundo médios produzidos em 2013, imediatamente anterior à deflagração da crise hídrica. NOVA OUTORGA DO SISTEMA CANTAREIRA – Dois eventos importantes pós-crise hídrica citados por Pauli, foram a nova outorga do Sistema Cantareira (2017-2027) e a entrada em operação do novo Sistema Produtor São Lourenço. A nova outorga do Sistema Cantareira foi postergada duas vezes em razão das incertezas trazidas pela crise hídrica. Com o retorno da normalidade, as regras foram finalmente estabelecidas por uma resolução conjunta entre o Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE) e a Agência Nacional de Águas (ANA).
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SA N E A M E N TO controle de cheias, em caso de chuvas fortes, também bombeando a água de um lado para o outro, mas neste caso da represa mais cheia para a mais vazia. A interligação foi concluída em março passado, com sete meses de antecedência. A obra pode bombear até 8 500 litros por segundo de água para a Represa Atibainha, do Sistema Cantareira. No sentido oposto, pode transferir até 12 200 litros por segundo em direção à Represa Jaguari, na bacia do Paraíba. O investimento foi de 555 milhões de reais, gerando benefício para 39 milhões de pessoas que são abastecidas por águas dessas duas áreas: a capital e a Grande São Paulo, a região de Campinas, o Vale do Paraíba e a cidade do Rio de Janeiro e sua região metropolitana. A Sabesp também já assinou o contrato para a captação do Rio Itapanhaú, que trará até 2 000 litros por segundo de água de ótima qualidade de um formador desse rio para o Sistema Alto Tietê.
No caso Itapanhaú, que ainda depende de resolução de problema ambiental, a autorização para as obras de reversão das águas do Rio Itapanhaú para o Sistema Produtor Alto Tietê vai trazer um grande benefício para os moradores da capital e da RMSP como um todo, já que permitirá bombear em média os citados 2 000 litros de água por segundo para aumentar a segurança hídrica. O investimento na obra será de 91,7 milhões de reais. Será feita uma estrutura de bombeamento no Ribeirão Sertãozinho, um formador do Rio Itapanhaú. A água captada do ribeirão será transferida por tubulação até o reservatório Biritiba Mirim, que faz parte do Sistema Alto Tietê. Dessa forma, a Sabesp terá mais água à disposição para tratar e distribuir às casas, comércios e indústrias. A obra deve gerar 1 070 empregos diretos e indiretos. O bombeamento das águas do Itapanhaú beneficiará diretamente cerca de 4,5 milhões de moradores que são
abastecidos pelo Sistema Alto Tietê e, indiretamente, cerca de 21 milhões de pessoas que moram e trabalham na capital e Grande São Paulo, já que a Sabesp possui um sistema interligado e que pode realizar manobras operacionais no aproveitamento dessa água nova. O fato da captação de água do Itapanhaú ter sido determinada em 2 000 litros por segundo na média anual, respeita a outorga definida e a disponibilidade hídrica da bacia. Essa vazão equivale ao consumo de 600 000 pessoas. O modelo de captação escolhido pela Sabesp para esta obra é semelhante ao utilizado em Nova York (The Catskill Aqueduct). Há pelo menos 150 anos, a água que abastece os nova-iorquinos vem das montanhas que ficam a cerca de 160 quilômetros da cidade. A água tem qualidade superior, já que os rios praticamente não sofrem impacto da ação humana. O mesmo acontece com a água que será captada do Rio Itapanhaú.
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Praça da República - preservação do espaço público original
PAULO CARVALHO FERRAGI* questão prioritária da Cia. do Metrô de São Paulo é sem dúvida o atendimento da demanda do transporte de massa da população de São Paulo, e é isto o que tem sido muito bem feito nestes seus 50 anos de vida, onde grandes foram tantos os desafios como as realizações. Hoje apesar da meia idade, a empresa encontra-se ainda em processo de crescimento, atendendo assim o permanente anseio e necessidade dos usuários do sistema de transporte de passageiros principalmente na capital do Estado. O progresso para a cidade não se limitou ao “ir e vir” de passageiros em linhas de metrô, mas, em grau de importância sempre assumiu relevância a implantação de uma nova estação metroviária, geralmente bem-vinda, salvo exceções, à região ou bairro onde se acomoda. O impacto provocado por uma nova estação em seu entorno imediato, gera desde o aumento dos usuários que acessam o bem público, pedestres ou não, como o reordenamento da questão da circulação de au-
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tos, ônibus ou vans que buscam a estação. A chegada desta obra pública à região proporciona também o reaquecimento do comércio local e atrai por vezes novos negócios (mesmo ambulantes), ou seja, altera claramente a dinâmica e o equilíbrio do local onde se enraíza, lembrando que o objeto Estação, assume caráter permanente e não transitório. Cabe entender naturalmente, e já colocado, que a preocupação primeira da empresa é com o sistema e suas conexões, como retrata o Metrô em seu Estatuto quando define como atribuição da empresa: “Execução das obras e dos serviços complementares ou correlatos necessários à integração do sistema de transporte de passageiros ao complexo urbanístico da cidade”. O novo Estatuto se apresenta como um nobre avanço em complementação a missão da empresa, quando permite a abertura de execução de medidas de cidadania ao seu entorno imediato. UM REGISTRO HISTÓRICO DE AÇÕES Registrou o Metrô em seu início de caminhada, por ocasião da implantação da Linha Norte-Sul (hoje Linha 1-Azul), a exemplo da região da Estação Sé, o ade-
quado tratamento da área de superfície da estação com a remodelação da praça central da cidade, criando na ocasião um adicional à questão principal – o transporte de pessoas – e na mesma linha observamos na Estação São Bento a preocupação em agregar valor ao espaço público. É importante excluirmos desta colocação a pura e simples execução de terminais de ônibus anexos, por se tratar de áreas adicionadas a estação, e, que atendem basicamente a conexão dos sistemas e não da melhora ou requalificação do espaço urbano. A segunda intervenção da malha metroviária deu-se pela execução da Linha Leste-Oeste (hoje Linha 3-Vermelha), que veio acompanhada em sua obra civil por inúmeras desapropriações, mas que ofertou o excedente de área principalmente à implantação de nova rede viária paralela às linhas de transporte (CPTM e Metrô), e mais recentemente, nas áreas remanescentes agregando centros de compras na busca de receitas acessórias a empresa. As linhas 2-Verde e 4-Amarela priorizaram as conexões e foram mais modestas em desapropriações, seja pelo custo ou dificuldade de
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ENGENHARIA I INDUSTRIAL
7UDEDOKR DRV GRPLQJRV H IHULDGRV QHFHVVLGDGH GDV LQG~VWULDV ALEXANDRE FERRAZ NAUMOFF* RAFAEL CHUVALSKI STARBULOV**
Neste artigo são analisados e comentados os tipos de serviços e trabalhos executados nas indústrias onde é necessária a jornada de trabalho aos domingos e feriados para que não haja a interrupção de serviços essenciais, e de processos industriais que exigem trabalho contínuo. Além disso, discutese o Decreto nº 27.048 de 12 de Agosto de 1949 que aprova o Regulamento da Lei nº 605 de 5 de janeiro de 1949, e proíbe o trabalho aos domingos e feriados, mas que por outro lado apresenta novas possibilidades e formas de relacionamentos com os sindicatos, trazidas pela recente Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nº 945 de 8 de julho de 2015
O DECRETO N° 27.048 O Decreto nº 27.048 de 12 de agosto de 1949, aprovou o Regulamento que rege a execução da Lei nº 605 de 5 de janeiro de 1949, o qual dispõe sobre o repouso semanal remunerado e o pagamento de salário nos dias feriados civis e religiosos. No Artigo 1º deste Decreto é estabelecido que todo o empregado tem direito ao repouso remunerado num dia de cada semana, preferencialmente aos domingos, nos feriados civis e nos religiosos, de acordo com a tradição local, salvo as exceções previstas naquele Regulamento. Em seguida, é apresentada no Artigo 2º a extensão do Decreto aos trabalhadores rurais que trabalham como empregados, aos trabalhadores que trabalham sob a forma autônoma, mas agrupados por intermédio de um sindicato, ou caixa portuária ou outra entidade congênere, como os estivadores, conferentes, conservadores e assemelhados
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e aos trabalhadores das entidades autárquicas, desde que não estejam sujeitos ao regime dos funcionários com situação análoga a dos servidores públicos. No Artigo 3º é mostrado que este regulamento não se aplica aos funcionários públicos da União, dos Estados, dos Municípios e dos Territórios; além disso, neste mesmo Artigo, também é indicado que não se aplica aos empregados domésticos. Porém, a partir da Emenda Constitucional nº 72 de 3 de abril de 2013 (do Projeto de Emenda Constitucional PEC 66/2012), ficou garantido aos empregados domésticos os mesmos direitos dos demais trabalhadores, tais como seguro-desemprego, fundo de garantia, irredutibilidade salarial, adicional noturno, salário família, assistên-
cia em creches, em pré-escolas e também o repouso semanal remunerado, que é um descanso semanal de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos domingos e da mesma forma com direito a feriados civis e religiosos, sendo apenas necessário que o empregado tenha cumprido integralmente o horário de trabalho semanal. Embora o Decreto enfatize o direito do empregado ao repouso remunerado de um dia por semana (aos domingos e aos feriados civis e religiosos), ele também estabelece algumas exceções. No Artigo 4º é informado que o Repouso Semanal Remunerado é de 20 horas consecutivas e no 5º apresenta-se a obrigação deste repouso nos dias de feriados locais, até o máximo de sete por ano, desde que declaFOTO: DIVULGAÇÃO
INTRODUÇÃO lei de proibição de trabalho aos domingos e feriados, desde 1949, sempre foi um problema para as empresas industriais que necessitavam de trabalho ininterrupto, pois eram obrigadas a obter uma autorização governamental, que somente era concedida após a anuência dos Sindicatos, bem como da sua regularidade em relação ao cumprimento das normas que disciplinam a jornada, e as normas de saúde e segurança do trabalho. Somente a Portaria nº 945 de 8 de julho de 2015 é que trouxe duas importantes mudanças com o intuito de facilitar a autorização do trabalho aos domingos e feriados.
Helicóptero em manutenção WWW.BRASILENGENHARIA.COM
ENGENHARIA I GEOTECNIA
,QIOXrQFLD GD VXESUHVVmR QDV IXQGDo}HV GH DWHUUR URGRYLiULR Caso da ruptura no km 164 da Rodovia dos Bandeirantes – Limeira-Cordeirópolis (SP) LETÍCIA LEONARDI JARDIM * WILSON SHOJI IYOMASA**
Estudos específicos de subpressão em fundações de aterros de barragens são muito comuns, porém na construção de aterros de rodovias, sobretudo em área com topografia elevada, esse tipo de avalição não é sistemático. A ruptura do aterro da Rodovia dos Bandeirantes (Limeira-Cordeirópolis), durante a fase construtiva, foi estudada sob o aspecto geológicogeotécnico que revelou o mecanismo dessa ruptura. A influência de falhas geológicas associadas a uma camada de baixa resistência mecânica da Formação Irati, composta por camada físsil de folhelho carbonático, e a presença de água nas estruturas geológicas, permitiram que parte do maciço de fundação e o aterro se movimentassem em decorrência das subpressões atuantes na região das fundações do aterro. O mapeamento realizado no local, os testemunhos de sondagens, os ensaios laboratoriais e as instrumentações geotécnicas comprovaram não apenas esse movimento, mas também o sentido do deslocamento ocorrido INTRODUÇÃO E OBJETIVOS uitos dos acidentes relacionados a obras de engenharia civil são atribuídos a causas de ordem geotécnica. Portanto, o estudo geológico-geotécnico é indispensável para o êxito técnico dos empreendimentos. E nesse sentido, é indispensável que os parâmetros do subsolo sejam determinados e associados ao comportamento do maciço terroso e solicitações empregadas. Porém nem sempre é viável prever o real comportamento do terreno, dado a sua complexidade e heterogeneidade. A partir do aprendizado extraído das adversidades ocorridas em obras anteriores, podem-se estabelecer maneiras de se prevenir futuros eventos geotécnicos indesejáveis a partir de conhecimentos já adquiridos. O presente relato tem por objetivo descrever e discutir o caso da ruptura do aterro e do maciço de fundações, ainda no período de construção, no km 164 da Rodovia dos Bandeirantes – Limeira-Cordeirópolis, onde um trecho de aproximadamente 360m de comprimento e 20m de altura de aterro apresentou fenda [Fissura: fenda de largura capilar e perceptível a uma distância inferior a 1,50 m; e Trinca: fenda facilmente visível com abertura superior à da fissura (DNIT, 2010, p.2)], e deslocamentos devido à subpressão elevada decorrente das características particulares da geologia e geotecnia local. A realização de estudos e investigações de supressões é comum nas fundações e nos aterros de barragens de terra, porém em aterros de obras rodoviárias o assunto, em geral, não é analisado detalhadamente, já
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que, não se prevê barramento de água – ao contrário procura-se drenar e direcionar as águas para evitar que se acumule no interior do aterro, bem como, na bacia de montante. DESCRIÇÃO GERAL DA GEOLOGIA LOCAL A obra em foco é o prolongamento da Rodovia dos Bandeirantes, de Limeira a Cordeirópolis, onde ocorreu ruptura do aterro em solo e do maciço de fundações junto ao km 164, na época da construção (janeiro/2002), na pista do sentido interior/capital. A extensão total do aterro em solo era de 720m e altura variável de 12m a 20m. No maciço das fundações dessa obra verificam-se a ocorrência de sedimentos e rochas vulcânicas da Bacia do Paraná, além do solo de cobertura. De acordo com Pastore e Fontes (1998), a geologia predominante onde o aterro estava
sendo construído ocorre solo de alteração do sill de diabásio (SAD), também denominado por solo saprolítico de diabásio do tipo III (termo utilizado no contexto das obras), constituído por camadas de argila siltosa pouco arenosa, de consistência mole a média, com passagem de camadas de areia argilosa e siltosa, em geral, de cor amarelada. O solo de alteração de diabásio (SAD) por vezes apresentava “descontinuidades (juntas) localmente preservadas e cobertas por filmes de óxidos de manganês” (IPT, 2002). Ressalta-se que esse óxido na presença de água pode comportar-se como um verdadeiro lubrificante. E sob esse SAD ocorre uma camada delgada de solo de alteração da Formação Irati (SAI), constituída por argila pouco arenosa, como foi observado nos testemunhos de sondagens, exceto em um trecho onde o SAD estava sobre as rochas alteradas da For-
Figura 1 - Planta do local da ruptura do aterro e maciço terroso [Planta geral da área do aterro do projeto original, em solo, que sofreu ruptura. As três drenagens naturais e subparalelos entre si que aparecem na parte superior e à esquerda da figura, formam as nascentes do Córrego Saltinho, afluente do Ribeirão do Tatu que se localiza no canto superior direito. Fonte: Modificado de ARTESP (2001)]
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CRÔNICA
Namastê, meu amigo!
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ão tenho a mínima ideia de quantos leitores seguem minhas crônicas ou sequer se os tenho. Eu mesmo não sei se as leria até o fim. Mas volto a contar histórias destas que, ao fim, pretendem lembrar a necessidade de se manter o processo civilizatório em marcha. Ou, do ponto de vista cristão, que se cumpram os 10 mandamentos. Acho até que cumpridos os dois ou três primeiros nossas vidas mudariam. São histórias que valorizam o ser humano. Valores materiais, vícios culturais, crenças baseadas no senso comum que são postas de lado. Lembrei-me delas ao responder a um amigo que gostara do budismo, mas não queria “afastar-se de sua religião”. Diz o budismo que você não se converte a ele, mas você “se descobre budista”. Não é uma religião... Um ótimo exemplo é dado pelo japonês que convive, ao mesmo tempo, com o budismo e o xintoísmo. Este último valoriza os fenômenos naturais como o vento, montanhas, rios, florestas etc. Quando alguém quer ter mais mobilidade (talvez por ter artrite etc.) vai a um templo xintoísta e pede ao vento e/ou aos rios que “flua” melhor. Se outro está, indeciso, com dúvidas existenciais e não sabe que rumo dar à sua vida, vai a um templo budista e “filosofa” segundo os critérios da impermanência da vida. As duas correntes juntas proporcionam ao povo japonês uma harmonia e uma soma assertiva. Eu sempre admirei esse modo de pensar e agir. Esforcei-me para chegar ao Zen Budismo. Ao cabo uns 20 anos percebo-me apenas um Zé Bun...! Mas, ao menos, aliviou-me a ansiedade. Teria muitas histórias para ilustrar o que afirmo, mas por razões de espaço, contarei três. Mas com força exemplar. A elas! Dois jovens fizeram seu aprendizado num monastério budista por anos a fio. Um, terminando, voltou às aldeias da região, situadas num vale no sopé das montanhas. O outro se submeteu a um conhecido teste ou também aprendizado levado em plena natureza. Para poucos... O “treinando”, com alta capacidade de concentração, entra em pose de lótus em plena natureza, ao ar livre. Como conseguem baixar o ritmo metabólico e com pressão sanguínea quase zero (essas condições já foram aferidas por universidades inglesas e indianas), não comem por um longo período – de meses, alguns por até um ano inteiro. Cabelos e unhas crescem. Também raízes e plantas envolvem o meditador. Já vi um filme onde monges vão retirar, dessa hibernação, o discípulo. Com cuidado e vagarosamente cortam suas unhas e cabelos. Depois começam a estirar membro por membro muito lentamente. E levam-no para um banho no lago e/ou numa cachoeira. As feras, como tigres e ursos, passam e deitam ao lado do discípulo sem molestá-lo. Algo fora do comum, mas já registrado. Mas, retornando, o jovem que hibernara vai até as vilas procurar seu companheiro de iniciação. Até que o encontra, mas estupefato, não consegue acreditar no que vê! WWW.BRASILENGENHARIA.COM
Seu amigo com um avental NESTOR SOARES TUPINAMBÁ e com as mãos sujas de sangue é engenheiro, mestre em urbanismo e de algum animal (na Índia o boi consultor de transporte é sagrado). Ele trabalhava num E-mail: nstupinamba@uol.com.br açougue! Mas eis que, nessa hora, ele teve um insight ao perceber a tremenda superação de seu amigo ao enfrentar algo tido como proibido. Em compensação estava em um local onde poderia orientar as pessoas que, achava, mais poderiam precisar do ideário budista! Vamos à outra história... Uma noite de forte nevasca num mosteiro do Himalaia os monges tiritavam encolhidos e abraçados pelo frio intenso e pela fogueira que se extinguia. Chega o velho monge cheio de neve e quando vê a fogueira só com poucas brasas surpreende-se e avisa: “a noite mal começou! Vocês irão morrer de frio na madrugada!” Ao que os monges respondem que acabara a lenha e lá fora havia mais de um metro de neve. Como fazer? O sábio monge já abraçara, então, uma enorme estátua de madeira do Buda carregando-a em direção à fogueira. Para a perplexidade dos monges atirou-a ao fogo. E sentou-se em posição de lótus esfregando as mãos perto das primeiras labaredas. Antes de aquietar-se apenas murmurou: “se vocês estavam dispostos a morrer achando que o Buda está nesta estátua, vocês não entenderam nada!”. De outra feita o monge e seu discípulo iam por um campo quando chegaram a um regato estreito, mas de águas revoltas devido às pedras. Ao lado uma jovem grávida pedindo ajuda para atravessar, por medo de cair e molestar o feto. O discípulo desculpou-se, mas lembrou dos votos de castidade e de que não poderia tocá-la. E atravessou a corrente. Quando olha para trás surpreende-se com o velho monge carregando-a. Três dias depois, no monastério, o discípulo pergunta ao mestre como rompera os votos? O monge responde: “eu a carreguei por três minutos e você a está carregando por três dias!”. O entendimento, elegante, curto e direto, foi rápido e didático. Estas são as histórias que talvez leve alguém, como eu, a se identificar com uma filosofia, ou um estilo de vida, que mostra que deve-se pensar mais no lado importante da vida, no lado humano. Superar o tabu do animal morto para a nossa alimentação para poder ajudar as pessoas. Nem morrer de frio devido a imagens, nem deixar de ajudar uma pessoa necessitada por crenças que, naquele momento, não tinham a menor importância. Penso que esse conjunto de histórias nos faz lembrar que é preciso pensar em fatos mais importantes e focados em valores humanos do que em ondas passageiras por um ou outro fato momentâneo. Superando ídolos que, na maioria das vezes, são falsos. Superando também a ansiedade do “TER” para a paz do “SER”. E conservarmos, sempre e cada vez mais, os laços afetivos que tivermos, a ligação com as pessoas que gostamos e com as quais convivemos. Afinal existe algo mais importante do que isso em nossas vidas? ENGENHARIA 639
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MEMÓRIAS DA ENGENHARIA
“Na Poli a tradição é zelar pela excelência”
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ascida em 11 de julho de 1958 na cidade de Jarinu, interior de São Paulo, a nova diretora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), a engª Liedi Legi Bariani Bernucci, foi a primeira mulher a assumir o cargo máximo de uma das principais escolas de engenharia do Brasil. Foi também a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-diretora da Poli e a chefiar o Departamento de Engenharia de Transportes, cargo que ocupou por sete anos, até março de 2014. Também foi a primeira mulher a ser escolhida como “Professor do Ano” pela Associação dos Engenheiros Politécnicos (AEP), homenagem recebida em 2016. E desde 1995, coordena o Laboratório de Tecnologia de Pavimentação (LTP) do Departamento de Engenharia de Transportes. “Eu sempre quis seguir a carreira acadêmica, me planejei e trabalhei para isso”, conta Liedi. A diretora da Poli – empossada em março deste ano – sempre estudou em escola pública e ingressou na USP em 1976, no curso de geologia. Mas resolveu prestar novamente vestibular e entrou na Poli em 1977, tendo optado por engenharia civil no segundo ano e concluído a graduação em 1981. “Na graduação da Poli eu descobri o prazer de estudar”, ela costuma dizer quando reflete sobre sua formação. Ela sempre enfatiza que, em que pese ter sido a primeira mulher a ocupar a direção da Escola, a instituição não rompe com sua tradição, pois tradição na Poli não é uma questão de gênero – afinal o símbolo da engenharia é uma mulher, a Minerva, deusa da sabedoria e da estratégia da guerra. “Tradição, na Poli, é zelar pela qualidade e excelência. Este deve ser um compromisso coletivo, pelo qual nós, da nova diretoria, estamos trabalhando”, apontou. Liedi Bernucci fez mestrado em engenharia geotécnica na Poli-USP, concluído em 1987. Parte da pesquisa foi desenvolvida em uma especialização feita no Institut Fuer Grundbau und Bodenmechanik – Eidgenoessische Technische Hochschule Zürich (ETHZ), na Suíça, onde permaneceu de 1984 a 1986. Na mesma instituição fez também um doutorado sanduíche (um programa de bolsa de estudo no qual o estudante tem a chance de fazer parte do seu curso de doutorado em outra instituição brasileira ou internacional). Esse período foi fundamental para sua formação, já que a ETHZ é considerada a “Escola Politécnica-Mãe”, um modelo para a constituição da Poli-USP. Finalizou seu doutorado em engenharia de transportes pela USP em 1995, sob a orientação do professor Franco Balduzzi, da ETHZ, e coorientação pelo professor Jorge Pimentel Cintra, da Poli-USP. Em 1986, tornou-se professora da Poli, depois de um convite do professor Antonio Galvão Novaes, então chefe do Departamento de Engenharia de Transportes. Ela realizou sua livre-docência em 2001, cujo título é “Desenvolvimentos e Aprimoramentos de Tecnologia de Utilização de Solos Tropi-
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ENGª LIEDI LEGI BARIANI BERNUCCI cais e de Misturas Asfálticas em Pavimentação”. Em 2006, aos 48 anos, Liedi Bernucci atingiu o topo da carreira de docente, ao ser nomeada professora titular da Poli-USP. Como professora, foi homenageada quatro vezes por alunos. Reformulou e introduziu disciplinas na graduação e na pós-graduação e recebeu dezenas de prêmios em razão de seus trabalhos publicados em periódicos e congressos nacionais e internacionais. É uma pesquisadora reconhecida, tanto pela academia como pelo setor produtivo, por sua competência na área de infraestrutura de transportes. Autora de um livro que é referência para estudantes e profissionais, Pavimentação Asfáltica: Formação Básica para Engenheiros – juntamente com Laura M.G. Motta, Jorge A. P. Ceratti e Jorge B. Soares – Liedi Bernucci publicou mais de 160 trabalhos. Docente da Poli há 32 anos, já lecionou para mais de 3 000 alunos de graduação e orientou cerca de 40 alunos de mestrado e doutorado. Coordena e orienta projetos de pesquisa financiados por órgãos de fomento, agências e por empresas públicas e privadas, nacionais e internacionais. Foi coordenadora da Comissão de Asfalto do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustível (IBP). É também pesquisadora do CNPq. “Antes de qualquer coisa, tenho um compromisso com o exemplo”, observa ela referindo-se ao seu atual cargo de diretora da Poli. “Como vice-diretora da Escola eu já era um exemplo para muitas meninas, e estar no cargo mais alto tem esse aspecto relevante: as jovens poderão olhar e pensar que é possível não só ser engenheira, mas ascender na profissão.” “Em uma formatura festiva de alunos da turma da Engenharia Civil na qual fui a homenageada recentemente, muitas das meninas que abracei quando entreguei o diploma me falaram que eu servia de exemplo. Mas gostaria de destacar que, acima de tudo, acredito que as pessoas devem fazer a opção de carreira independentemente do gênero: devem escolher porque têm talento, gostam de fazer aquilo, sentem paixão pela profissão e querem ser respeitadas.” Reforçando essa convicção, Liedi defende que as pessoas devem optar pela profissão na qual elas se enxerguem como um ator relevante para si e para a sociedade. “Muitas alunas cobram que devíamos ter mais mulheres na engenharia, mas eu honestamente não sei se precisamos ter 30% ou 50% de mulheres.” Ela destaca que na Escola Politécnica da Zurique, que é chamada de escola-mãe justamente por ter sido a inspiração para a criação da Poli em São Paulo, as alunas representam 8% do total. “E estamos falando de um país mais desenvolvido e rico. Na Poli, estamos próximos de chegar a 20% de alunas. Quando entrei em nossa Escola, éramos 4% as mulheres na graduação; hoje as mulheres são quase um quinto. Estamos evoluindo. Precisamos incentivar os talentos e ter respeito não só pelas mulheres, mas pelo ser humano em geral.”
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ENGENHO&ARTE
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s miúdos são carnes das vísceras dos animais que tradicionalmente entram na nossa alimentação, como o gado bovino, ovino e caprino, os porcos e as aves, entre os principais. Enganam-se aqueles que os consideram carnes de terceira categoria, utilizados apenas porque ficam disponíveis após a venda das carnes mais nobres, ou por fazerem parte dos costumes ancestrais de grande parte das civilizações humanas. Eles podem ser deliciosos e mesmo elegantes, como atestam a “Tripa à moda do Porto” ou o controverso “foie gras” francês, dos quais falaremos adiante. Os miúdos têm a necessidade de serem consumidos extremamente frescos, de preferência no dia do abate do animal ou logo depois, pois se deterioram rapidamente. À exceção dos rins e dos fígados, eles pedem cocção lenta para ficarem saborosos e com boa textura. A utilização dos miúdos varia de acordo com a cultura, por exemplo, os países muçulmanos preferem os de ovelha e os chineses usam especialmente os de porco. No Ocidente até há pouco tempo seu consumo vinha diminuindo, mas ultimamente eles têm ganhado mais espaço, pois são fontes de diversas vitaminas e em especial de ferro, que é a deficiência nutricional mais comum entre os seres humanos. O consumo de miúdos é muito antigo, sendo considerada uma iguaria entre os gregos, os romanos e os gauleses. Os romanos consumiam os testículos de vitelos, e até mesmo as tetas e as vulvas das porcas que abatiam. Dizem que Catarina de Médici era grande consumidora de rins e adorava um prato feito com cristas de galo sobre fundos de alcachofras. Começando pelo Brasil, temos vários pratos regionais feitos com miúdos, como o sarapatel nordestino, feito de vísceras de porco, a buchada de bode baiana, o guisado de fígado pernambucano, o mocotó com pirão, o fígado à milanesa mineiro, todos eles pratos que pedem um tinto sem muitos taninos, como um Merlot brasileiro da Serra Gaúcha ou chileno. O xinxim de bofe baiano, por levar camarão seco, pode ser harmonizado com um Sauvignon Blanc do Brasil ou da América do Sul. A língua é um miúdo dos mais versáteis, com gosto suave e textura diferenciada. Quando feita ao molho madeira acompanhe-a com um bom alentejano tinto, nos pratos com molho de tomate com um vinho mais estruturado como um Barbera italiano, e nas preparações mais neutras eu gosto dela com um vinho de maior acidez, como um Bourgueil, Saint Nicolas de Bourgueil ou Saumur Champigny, todos eles vinhos feitos com a uva Cabernet Franc no Loire. O ossobuco não é uma víscera, sendo o corte transversal do joelho do vitelo ou boi, mas está sempre lembrado nestas relações de comidas maravilhosas. Acompanhado com “gremolade”, um molho feito com limões sicilianos, pede um vinho macio como um bom Dolcetto D’Alba piemontês ou
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Os vinhos e um Langhe, da mesma região e feito com a uva Nebbiolo. Os guisados de fígado são executados por toda a Europa, pedindo sempre vinhos locais para acompanhamento, pois são pratos e bebidas de expressão regional. No Norte da Itália, degustei o famoso fígado à veneziana com um bom Valpollicela Clássico Superiore. Em Portugal as “Iscas com elas” são lascas de fígado com batatas, combina com um bom Bairrada tinto, de enorme acidez; na França com um Languedoc tinto; na Espanha com um Rioja tinto crianza, e vinhos de corpo médio e com mais acidez sempre caem bem, como os já citados e o Salice Salentino, um tinto feito na Puglia italiana, na região do Salento. O fígado ainda dá origem a bolinhos, como os “Leberknödel”, cozidos com baço picado num caldo, típicos da Baviera e que podem ser servidos com vinhos brancos alemães do Pfalz ou do Rheingau, de grande expressão e sensacionais, como os Rieslings. O Knödel austríaco, de preparo semelhante, muitas vezes leva pulmão bovino e pode ser escoltado por vinhos feitos com a Gruner Veltliner, também de grande expressão. Alguns dos miúdos são de difícil harmonização com vinhos. A guimirella, um tradicional prato originário da Puglia italiana, é
os miúdos assunto complicado. Trata-se de um pequeno bifinho de fígado de vitelo ou boi, enrolado num pauzinho de louro e recoberto por redanho, que é uma rede de gordura existente na barriga do porco. Isto tudo vai grelhado na brasa rapidamente, integrando seus sabores, que são muito intensos. Procuramos na literatura e não encontramos referência sobre qual vinho harmonizaria com tal prato, e fizemos uma degustação com vários tipos, para ver qual se sairia melhor. O vinho preferido de todos foi um Tondonia branco, um vinho meio oxidado e que tem uma pontinha de iodo e vinagre, numa vinificação ao estilo ancestral. A rabada demanda um preparo esmerado, mas está entre os grandes preparados gastronômicos do mundo. Na Espanha pode ser servida com um Ribera Del Duero, na França com um Chateneuf Du Pape e na Itália com um Brunello di Montalcino ou um Carmignano, vinho toscano feito com a uva Sangiovese. Na Grécia seus habitantes têm a mania de levar a tudo à grelha, sempre untada com azeite e seus alimentos são aromatizados com limões sicilianos. Assim, como grelham polvos e outros frutos do mar, também grelham fígado, pulmões, coração, timo e baço bovinos, que podem ser harmonizados com os tintos frutados e com pouco tanino, sempre típicos da região.
IVAN CARLOS REGINA A “parrilada” aré engenheiro do setor de transporte público, gentina inclui sempre associado do Instituto de Engenharia as mollejas (timo), e autor dos livros Vinho, o Melhor Amigo glândula bovina indo Homem e Harmonizando Vinho&Comida titulada “ris de veau” E-mail: ivanregina@terra.com.br na França ou “Aminel-la” na Itália, podendo conter também tetas de vaca e as tripas do intestino delgado, que são intituladas chinchulines, e podem ser servidas com um Merlot argentino. Os rins são um clássico da culinária francesa, como os “Rognons à La Bordelaise” que são servidos com vinhos da região, como um Bordeaux Superior, um Médoc ou um Graves. O tutano ou mocotó é um miúdo com diversidade de preparo muito grande. Grelhado, ou em preparações mais refinadas, pede um branco feito com a Chenin Blanc na África do Sul, um Chardonnay do Novo Mundo ou um Verdelho português. Já no nosso mocotó à baiana o melhor casamento é com um tinto sem taninos, como um Shiraz paulista. Na Suíça encontramos a Busecca, uma sopa feita com vegetais e tripas, na região de Ticino, e que é acompanhada de um Merlot local, e a “Zürcher Leberspiessli”, uma espécie de “kebab” feito com bacon e fígado de boi, que pede um vinho feito com a uva local Savagnin, base do famoso “vin Jaune”. As tripas são um caso à parte, bem no estilo ame ou odeie. Eu adoro. As tripas à parmegiana, italiana, pode ser servida com um Valpolicella ou um Sangiovese da Emilia Romagna. As tripas romanas com um bom Sangiovese do Lazio e às “alla Fiorentina” com um bom Chianti Clássico Superiore ou mesmo um mais simples Chianti Colli Senesi, que também vão bem com um Crostini di Fegatini, tradicional antepasto toscano, feito com fígados de galinha. As tripas ou dobrada à moda do Porto são maravilhosas, alcunhando inclusive seus habitantes, que são chamados de tripeiros. É um prato rico, copioso, que também leva embutidos de sabor forte e curado, que necessita de um bom vinho tinto de mesa do Douro para harmonizar seu expressivo sabor. Já terminando, nossas preparações caseiras de moelas de frango, farofa de miúdos de aves ou farofas natalinas pede sempre um bom branco para acompanhar. Deixado por último, o foie gras francês é sempre alvo de polêmicas, seja pela sua maneira de produção seja pelo seu preparo e acompanhamento. O que não se pode negar, contudo, é a excelência de seu sabor. Na França ele é servido na entrada, em Bordeaux, escoltado por um bom vinho doce de Sauternes ou Barsac, ou como prato principal, quando pede um tinto de grande corpo. Os miúdos são parte expressiva dos sabores que nos são oferecidos, e devem sempre ser degustados como iguarias que são. Saúde, um copo de vinho que se ergue brindando nossa alegria!
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SANTOS NETO, Pedro Murrieta. Mecânica dos solos. BOTELHO, Manuel Henrique Campos; CARVALHO, Luis Fernando Meirelles. Quatro edifícios, cinco locais de implantação, vinte soluções de fundações. 3ª edição.
São Paulo – SP, Blucher, 2018, 263p. Quatro edifícios x cinco locais de implantação = vinte soluções de fundações é de autoria de Luis Fernando Meirelles Carvalho e Manoel Henrique Campos Botelho, autor também do livro Concreto armado eu te amo. A criação do livro é do Eng. Manoel H. C. Botelho e a consultoria de fundações é do Eng. Meirelles Carvalho, especialista na área. Neste livro, para tornar mais compreensível e didático o estudo de fundações de casas e pequenos prédios, adotou-se o método didático de discussão de casos. Foram escolhidos quatro prédios (casa térrea, sobradinho, pequeno prédio de apartamentos e galpão industrial) e cada um deles foi colocado em cinco locais de implantação geotecnicamente diferentes. Os frutos didáticos desta forma de apresentar o assunto são muito ricos.
COGO, João Roberto; SIQUEIRA FILHO, José Batista. Capacitores de potência e filtros de harmônicos. Rio de Janeiro – RJ, Editora Ciência Moderna, 2018, 338p. Este livro está dividido em dez capítulos. Introduz o conceito básico de capacitância, materiais isolantes e dielétricos e mostra a formação de unidades capacitivas e bancos de capacitores com as normas aplicáveis etc. Conceitua as denominadas Cargas Elétricas Especiais (CEEs) e apresenta de forma didática os conceitos envolvendo as potências ativa, reativa e aparente, bem como do fator de potência. Naturalmente em função das características deste tipo de cargas o livro aborda também a análise dos harmônicos presentes nos sinais de tensão e corrente. Mostra como definir os bancos de capacitores ou filtros de harmônicos para atenuar as distorções de tensão e corrente bem como para corrigir o fator de potência, apresenta procedimentos, para evitar multas pelo denominado “Faturamento de Energia Reativa – FER” com as metodologias e as bases teórica e prática aplicáveis, tanto para o sistema elétrico com cargas lineares como para aqueles não lineares (CEEs). Aponta ainda resultados de simulações em exemplos práticos utilizando o software para cálculos de transitório eletromagnéticos.
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Rio de Janeiro – RJ, Elsevier, 2018, 368p. Mecânica dos Solos, do professor Pedro Murrieta que leciona há mais de 40 anos na área de Geotécnica do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília, surge para ocupar uma lacuna entre os livros didáticos que abordam a mecânica dos solos. Livro voltado para o aluno de graduação da Engenharia Civil ou da Engenharia Ambiental, a apresentação dos capítulos obedece à sequência das disciplinas de Geotécnica 1 e Geotécnica 2 da Universidade de Brasília e cobre com folga as disciplinas de Mecânica dos Solos 1 e 2 ministradas nos cursos de Engenharia Civil da maioria das universidades brasileiras. Com ênfase em exercícios propostos ou resolvidos, retirados de provas aplicadas, esta obra é uma valiosa contribuição aos muitos estudantes e profissionais da área.
COSTA, Giovani Glaucio de Oliveira. Curso de probabilidades e estatística inferencial: teoria e prática – 2ª edição revisada e ampliada. Rio de Janeiro – RJ, Editora Ciência Moderna, 2018, 389p. Este livro expõe os assuntos de maneira objetiva, prática e instrumental, de forma que os conceitos são contextualizados em áreas como administração, economia e outros campos do conhecimento. Na maioria dos casos, apresenta os conceitos sucintamente para serem usados imediatamente em institutos de pesquisas ou em empresas, sem formalismos ou grandes demonstrações matemáticas. O seu diferencial é dar uma visão clara, didática e prática de probabilidades e inferência estatística. Versa de forma bem nítida e acessível, a estatísticos e a não estatísticos, sobre introdução ao cálculo das probabilidades, variáveis aleatórias, modelos probabilísticos, distribuições por amostragem, estimação, testes de significância, análise da variância, correlação de variáveis etc.
ABRÃO JÚNIOR, Latif; BARRERO, Marcos. Empresários brasileiros. São Paulo – SP, L2M Comunicação, 2014, 467p. O livro “Empresários Brasileiros” apresenta um perfil pessoal e empresarial de 51 líderes brasileiros do período de 1962 a 2013. Percorre uma trajetória que se inicia com a história do lançamento do carro romi-isetta, numa época em que nem existia o marketing, no século XX, e alcança o início do século seguinte, chegando a empresas modernas, como Dudalina e Grupo Doria. No fundo, o leitor terá em mãos uma história do Brasil construída pelos empreendedores, em quase 500 páginas, capa dura e papel couche, repleto de ilustrações.
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OPINIÃO
Reforma da Previdência já
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os anos 1980, o caso do “engenheiro que virou suco” ficou famoso, na mídia e na boca do povo naqueles tempos pré-internet, como expressão dos efeitos desastrosos para a economia brasileira da recessão de 1982, que atingiu fortemente o setor de engenharia de projetos e de construção. Um engenheiro da capital paulista, desempregado, precisou abrir uma loja de sucos para ganhar a vida e tornou-se o símbolo da chamada década perdida da economia nacional. Nessa década, não houve investimento em infraestrutura e tampouco empregos para engenheiros. A engenharia é o instrumento do desenvolvimento, do crescimento econômico, da construção de bens físicos, e o engenheiro é o seu operador. Quando a economia entra em parafuso e inicia uma espiral descendente por motivos políticos e de equívocos de gestão, gerando entre outros o gigantesco déficit fiscal do governo, os engenheiros e as empresas de engenharia de projetos e de construção tendem a serem as primeiras vítimas da pior recessão da nossa história, que já produziu cerca de 13 milhões de desempregados. Nesse período, mais de 100 000 arquitetos e engenheiros perderam seus postos de trabalho nas atividades de projeto, gerenciamento de obras e construção. Sinal dos tempos, o profissional da engenharia desempregado nos dias atuais pode vir a ser conhecido como “o engenheiro que virou Uber”. Esse cenário é lamentável. Com a demissão de engenheiros e o fechamento ou a venda de empresas brasileiras de engenharia a concorrentes estrangeiras, o Brasil perde conhecimento estratégico e capacidade produtiva, fatores essenciais para o desenvolvimento do país. Joga-se fora boa parte da competência da engenharia brasileira, reconhecida internacionalmente. Essa engenharia começou a ser reconstituída – após o desmanche dos anos 1980/1990 – a partir da primeira década dos anos 2000, quando a economia brasileira foi favorecida pela demanda internacional por commodities, deixando a balança de pagamentos superavitária. Atualmente, o Brasil vem produzindo superávits na balança de pagamentos, com o aumento relativo das exportações, favorecidas ainda pelo dólar em patamares elevados. As grandes empresas, nacionais e internacionais aqui sediadas, principalmente as dedicadas à mineração e ao agronegócio, estão com caixa robusto, aguardando um cenário de maior certeza econômica, equilíbrio fiscal e segurança jurídica para investir no desenvolvimento de infraestrutura e na expansão de suas atividades. Para isso, a pedra angular, ou a única forma de reconstituir o equilíbrio fiscal, dizem 11 em cada 10 econo-
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mistas sérios, chama-se JOSÉ ROBERTO BERNASCONI Reforma da Previdência é engenheiro e advogado, foi presidente Social. Essa reforma é a do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia base para a recuperação (Sinaenco) e do Instituto de Engenharia das contas públicas e a E-mail: bernasconi@maubertec.com.br retomada da confiança dos investidores nacionais e internacionais. Reconstruir o equilíbrio fiscal significa recuperar a capacidade de investimento do poder público, nas três esferas. Assim, instaura-se um ciclo virtuoso na economia: o equilíbrio fiscal, iniciado com a Reforma da Previdência, permite a retomada do desenvolvimento. Com essa retomada, pode-se também superar os índices pífios de investimento na infraestrutura praticados nos últimos anos, da ordem de 0,5% a 0,7%, quando o recomendado para as condições brasileiras é de investir 5% do PIB ao ano, a fim de superar os grandes gargalos que travam a expansão da economia e o desenvolvimento do país. E o governo conseguirá oferecer segurança jurídica e receber investimentos privados, por meio de parcerias público-privadas, concessões e, em determinados casos, privatizações, essenciais ao crescimento do país e à geração de empregos. E, consequentemente, o formidável acervo de conhecimentos obtidos pela engenharia brasileira voltará a ser utilizado, recuperando esse setor essencial para qualquer país. Para isso, é imperioso aprovar a Reforma da Previdência Social ainda neste final de governo Temer. A Previdência teve déficit de 268,8 bilhões de reais em 2017, o equivalente a 2,8% do PIB brasileiro; em 2016, o déficit foi de 2,4% do PIB. Com a atual curva demográfica apontando para o aumento cada vez maior da expectativa de vida dos brasileiros, o déficit só tende a crescer, de forma explosiva, se a reforma previdenciária não for aprovada. As estimativas são de que o déficit da Previdência atinja 350 bilhões de reais em 2018, ou seja, quase 30 bilhões de reais de contas deficitárias por mês. Não há orçamento que suporte tal desequilíbrio. O presidente Michel Temer e os congressistas podem, assim, deixar uma marca positiva para o país, reafirmando o compromisso com a estabilidade fiscal e melhorando sensivelmente as condições macroeconômicas do Brasil. E reconhecer o recado claro dado pelas urnas. Esse verdadeiro nó górdio das contas públicas precisa ser cortado. E este é o momento. É preciso retomar a trilha do crescimento e do desenvolvimento, única forma de gerar empregos e renda para atender às demandas atuais dos brasileiros. O desafio está lançado. Cabe ao presidente Michel Temer e aos atuais congressistas mostrar que estão à altura do momento histórico e enfrentá-lo. A sociedade agradece. WWW.BRASILENGENHARIA.COM
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