Skip to main content

Relatório de Pesquisa_Requalificação do Porto de Pesca de Barra Velha SC.

Page 1

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Relatório de Pesquisa Acadêmica Isadora de Borba Coelho Celuppi Orientadora Laura Bahia Ramos Moure


SUMÁRIO 1.0 Introdução......................................................................................2 2.0 Delimitação do Tema......................................................................3 2.1 Problematização.....................................................................................3 2.2 Justificativa............................................................................................4 2.3 Perfil do Usuário.....................................................................................4 3.0 Objetivos.......................................................................................5 3.1 Objetivo geral........................................................................................5 3.2 Objetivo específico.................................................................................5 4.0 Metodologia de Desenvolvimento de Projeto.................................6 4.1 Levantamento histórico...........................................................................6 4.2 Referenciais Projetuais............................................................................6 4.3 Análise de inserção urbana....................................................................6 4.5 Entrevistas..............................................................................................6 4.6 Revisão normativa..................................................................................6 5.0 Referenciais Teóricos e Conceituais................................................7 5.1 Referenciais Teóricos..............................................................................7 5.2 Análise de Estudo de Caso.....................................................................8 5.3 Análise de Correlatos...........................................................................10 5.3.1 Besiktas Fish Market..................................................................10 5.3.2 Mercado do Porto de Vodice......................................................12 5.3.3 Tabela Comparativa..................................................................14 6.0 Definições Gerais.........................................................................16 6.1 Levantamento da área de intervenção..................................................15 6.1.1 Levantamento Histórico Urbano.................................................15 6.1.2 Análise Ambiental.....................................................................16 6.1.3 Análise de Densidade................................................................16 6.1.4 Conectividade Urbana...............................................................17 6.1.3 Análise Viária............................................................................18 6.2 Levantamento Fotográfico....................................................................20 6.3 Condicionantes Físicos e Climáticos......................................................21 6.4 Dados Técnicos....................................................................................22 6.5 Condicionantes Legais e Normatizações...............................................22 6.6 Definição de Programa.........................................................................23 6.6.1 Requerimentos Funcionais e Espaciais........................................23 6.6.2 Programa de Necessidades........................................................24 6.7 Partido Arquitetônico e Urbanístico.......................................................25 7.0 Evolução Arquitetônica.................................................................29 8.0 Referências Bibliográficas............................................................31 Apêndices...........................................................................................31 Anexos...............................................................................................31 Fonte: Click RBS adaptado pela autora


1.0 Introdução

O presente trabalho tem por objetivo desenvolver um anteprojeto de requalificação arquitetônica e urbanística do Porto de Pesca Artesanal de Barra Velha, Santa Catarina. A pesca artesanal, é definida por Silva (2014), como uma atividade oposta a pesca de larga escala, na qual seu praticante, o pescador, é entendido por Ramalho (2004) como “portador de um conhecimento e de um patrimônio sociocultural, que o permitem conduzir-se, ao saber o que vai fazer nos caminhos e segredos das águas”. No Brasil, segundo Diegues (1999), a pesca artesanal é uma atividade praticada muito anterior a vinda dos portugueses ao país. A prática brasileira provém dos indígenas, que fizeram da pesca base importante da sua dieta alimentar. Mussolini (1953), observa que o litoral brasileiro, muitas vezes possui aspectos culturais e sociais da prática pesqueira similares por sua extensão. A costa brasileira, apresenta atividades que provém de uma mesma miscigenação de povos, sendo estes: o português, o indígena e o africano. De acordo com Mussolini (1953), é possível classificar os instrumentos de pesca em 3 classes: a) perfurantes; b) redes e c) armadilhas. É possível entender que existe a utilização destes instrumentos em comum por todas extensão do país. Assim como o arpão (perfurante), antes utilizado na pesca de baleias no sul, o qual é utilizado hoje em rios da Amazônia. Isto sugere a unidade destas práticas por todo território nacional, e mais do que isso, sugere a pesca artesanal como reflexo de história e tradição brasileira. Barra Velha é um cidade no norte catarinense que surge dos precedentes apresentados anteriormente. Por volta de 1812, ocorreu a vinda dos primeiros colonizadores açorianos. Estas famílias provinham das Ilhas dos Açores, a pedido da corte portuguesa, para estabelecer uma armação baleeira1 na região. O objetivo era o óleo da baleia que, na época, utilizava-se como combústivel para a iluminação pública principalmente no Rio de Janeiro, então capital do páis. (GONÇALVES e MOURA, 1990). De acordo com Machado (2013), a armação nunca foi criada, no entanto a população oriunda das ilhas dos Açores permaneceram em Barra Velha. Com a chegada destes açorianos formou-se uma vila que replicaria suas tradições e costumes pesqueiros por gerações, associados ao saber-fazer indígena. Como resultado, a cidade foi consolidada a partir da pesca artesanal, sendo um exemplar do processo 1 Armação Baleeira é segundo Cormelato (2011) “empreendimentos coloniais dedicados à pesca da baleia e ao beneficiamento das partes econômicas deste cetáceo.”.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Barra Velha

5

10 km

Perímetro Urbano. Destaque: Porto de Pesca

250

500 m

Porto de Pesca

50 100 m

Localização Geográfica Porto de Pesca.

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

02 35


2.0 Delimitação do Tema

2.1 Problematização Barra Velha é resultado de uma vila de subsistência de pescadores. As famílias açorianas recém chegadas à costa no século XIX vinham residir no Brasil, a pedido de Dom João VI, com o objetivo de fortalecer a atividade da pesca de baleias para a extração de óleo. De modo que até o final do século XIX o óleo era combustível para iluminação das casas e ruas do Rio de Janeiro (GONÇALVES e MOURA, 1990). Assim, a permanência deste povo açoriano, fez com que esta terra refletisse seus costumes. Seu saber-fazer e suas práticas foram passadas adiante por gerações. A cidade surge de uma vila de pescadores a partir

razão desse pensamento é devido a não valorização de seu trabalho, da sua história, da falta de apoio e estímulo da prefeitura ao não oferecer infraestrutura suficiente a estes trabalhadores. Medeiros et al (1997) esclarece:

de 1812. As casas dos pescadores situavam-se defronte ao porto de pesca, e ali eram feitas as confecções de suas redes e reparos das embarcações. A colônia de pescadores torna-se então o primeiro núcleo de povoamento urbano, ao considerar que a maioria da população residia em ambiente rural na época. Portanto, o porto foi responsável pela estruturação da cidade. Hoje, no porto de pesca, encontram-se práticas e tradições pesqueiras, oriundas dos açorianos em conjunto com as dos indios Carijós da região. Essas mesmas técnicas prevalecem, com algumas adaptações, porém com a mesma essência (MACHADO E GOMES, 2014). Contudo, há uma preocupação quando se percebe que as práticas e o modo de fazer, inerente a essência de uma população, possui risco de desaparecimento. Em entrevista aos pescadores da cidade de Barra Velha, muitas respostas foram resultado de uma indiferença quanto ao futuro do porto de pesca. Cerca de 60% dos entrevistados, vide apêndice, responderam que não possuíam interesse em um projeto dedicado a eles, visto que acreditam que estão velhos ou acham desnecessário. A

Dessa forma, é possível compreender o motivo pelo qual estas tradições não são mais passadas adiante. O esvaziamento gradativo é uma realidade no porto de pesca de Barra Velha. Pois em entrevista aos pescadores, dois profissionais contaram que seus filhos não desejam assumir a atividade, do mesmo modo que em outras bibliografias, como Machado (2013) e Medeiros et al (1997) alega-se esta mesma suposição. Além disso, o porto se encontra em irregularidade quanto as normas de vigilância sanitária, essa falta de adequação as normativas vigentes, poderá causar a supressão das tradições de venda e manipulação dos pescados. Logo, este trabalho tem a intenção de propor um projeto urbanístico e arquitetônico no qual ofereça subsídios suficientes para compatibilizar as práticas tradicionais com as exigências atuais de vigilância sanitária. Por fim, evitar o desaparecimento desta tradição centenária no Porto de Pesca Artesanal de Barra Velha.

“Eles (os pescadores), parecem alegar problemas muito mais relacionados à desvalorização sócio cultural do que econômica, uma vez que os pescadores percebem um certo descaso das autoridades competentes.” (MEDEIROS et al, 1997, pag 40)

Fonte: acervo pessoal, 2018.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

03 35


2.0 Delimitação do Tema 2.2 Justificativa O patrimônio cultural imaterial é definido pela Unesco (2003, pag 2), como uma prática que é passada de geração em geração, geradora de sentimento de identidade à população, sendo composta por conhecimentos ou técnicas reconhecidas pelos integrantes. Acima de tudo, o patrimônio imaterial é o tratamento de memória e identidade, o qual por isso é muito mais delicado em sua abordagem. Em virtude disso, para manter a memória e identidade de uma parte integrante da cultura açoriana em Barra Velha, percebe-se a necessidade de haver um projeto de requalificação do porto de pesca. O principal intuito é que a arquitetura trabalhe como agente ao dar subsídios onde prevaleçam condições de trabalho dos pescadores artesanais. É necessário também, que aconteça o fortalecimento e divulgação do patrimônio imaterial de forma que a população tenha conhecimento e se torne engajada na preservação dessa identidade.

2.3 Perfil do Usuário Portanto, como apresentado pelo diagnóstico feito pelo Ibama e Epagri (1992), vide anexo, necessita-se a garantia de uma organização mínima que permita ao pescador ter acesso a melhores condições para a prática de sua atividade e, consequentemente, evolução de seu padrão de vida. Dessa maneira, o maior desafio deste projeto será justamente esta preservação, isto é, a tentativa de valorização dos pescadores com o espaço criado. Este visará o respeito das suas tradições, o mantimento da essência do porto de pesca e das práticas a eles vinculadas. Sendo assim, a delicadeza do tratamento de fatores como normas de vigilância sanitária, a informalidade que hoje permeia no porto, o respeito às necessidades e tradições dos trabalhadores, além do próprio tratamento de patrimônio imaterial é algo intrínseco no sucesso desta requalificação.

De acordo com entrevistas realizadas pela autora deste trabalho e por trabalhos de Machado (2013) e Medeiros et al (1997), vide anexo, foi possível determinar as características destes usuários. Este perfil envolve tanto os próprios pescadores e auxiliares, personagens determinantes ao porto de pesca, e comerciantes de outros gêneros alimentícios, como feirantes da área rural, a fim de posteriormente cumprir um dos objetivos específicos. Foi possível constatar que a maioria dos pescadores da colônia possuem já idade avançada, entre 40 a 60 anos, sendo que 60% dos entrevistados praticam a profissão por mais de 30 anos. Entre estes trabalhadores existem muitos descendentes diretos dos primeiros açorianos que chegaram a costa de Barra Velha, ou seja, carregam a tradição açoriana por séculos. (MACHADO, 2013, pag 171). Os auxiliares são as personagens das fileteiras, mulheres de 30 a 50 anos que limpam os peixes depois da venda e os tripulantes. O último definido por Machado (2013), como um ajudante ou pescador que ajuda nas embarcações em troca de comissão. O tripulante é resultado da falta de mão de obra do próprio porto, terceirizado a fim de substituir o papel do filho do pescador. Os feirantes são trabalhadores rurais que fazem a comercialização de sua produção na área urbana. Suas idades variam de 20 a 50 anos e possuem tanta participação feminina quanto masculina. Cerca de 40% dos feirantes já praticam a profissão por mais de 30 anos. Por volta de 80% moram em outras cidades, como São João do Itaperiú. Esta profissão conta com a hereditariedade de práticas, dois dos entrevistados são filhos dos produtores. Ou seja, é evidente a participação familiar nesta produção. Por fim, é preciso estabelecer dois tipos de perfis: o atual e o desejado. No atual se enquadram os pescadores, auxiliares e os feirantes. Enquanto no desejado encontra-se a inversão de um quadro de esvaziamento. A exemplo têm-se os filhos de pescadores que hoje muitos não mais seguem as tradições dos pais, mas em um novo cenário, poderão retornar as atividades no porto de pesca, apresentando um perfil muito mais jovem do que o atual.

Fonte: acervo pessoal, 2018

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

04 35


3.0

Objetivos

3.1 Objetivo geral

Realizar um anteprojeto arquitetônico e urbanístico de requalificação do Porto de Pesca de Barra Velha/SC.

3.2 Objetivo específico

a. Propor projeto que atenda e compatibilize as normas da vigilância sanitária brasileira com as práticas e tradições pesqueiras, visando preservar e valorizar o patrimônio imaterial. b. Propor uma requalificação da centralidade, apresentando um projeto urbanístico e arquitetônico que enalteça e subsidie as práticas e tradiçõespesqueiras. c. Propor um projeto com diversidade de uso que preveja inserção de outros gêneros alimentícios complementares a atividade pesqueira.

Fonte: acervo pessoal, 2018.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

05 35


4.0 Metodologia de Desenvolvimento de Projeto 4.1 Levantamento histórico Teve como objetivo o entendimento do processo histórico e da evolução urbana da cidade, de maneira que comprovasse a importante participação do porto de pesca no desenvolvimento do traçado urbano e nas formações de centralidades existentes. Além disso, o levantamento histórico serviu para comprovar a relevância histórica e patrimonial do Porto de Pesca, bem como embasou a problemática deste presente trabalho. Como fontes deste levantamento foram reunidos trabalhos de Machado (2013), Gonçalves e Moura (1990) e Boer (1992). 4.2 Referenciais Projetuais As referências oriundas de correlatos e estudo de casos foram de extrema importância, pois apontam soluções arquitetônicas e urbanísticas de situações similares ao que se encontra em Barra velha, sendo possível auxiliar no desenvolvimento do projeto posteriormente. Foram escolhidos mercados de peixe que fazem uso do contexto urbano fortemente assim como preposições arquitetônicas as quais prevaleçam a essência histórica do mercado e a relação pessoal do vendedor com o cliente. São estes: Mercado de Peixe de Besiktas, na Túrquia e o Mercado do Porto de Vodice, na Croácia. No estudo de caso, por se tratar de um tema tão específico como deste trabalho, buscou-se identificar exemplos os quais possuem as mesmas características do Porto de Pesca de Barra Velha, isto é, a venda informal e manipulação de pescados. Esta singularidade resultou em dificuldade para achar boas referências projetuais do tratamento destes fatores. Portanto, na colônia dos Pescadores Z13 em Copacabana, na Praia da Pinheira em Palhoça, e na Armação do Itapocorói em Penha, foram analisadas suas soluções quanto ao tratamento de patrimônio imaterial através da arquitetura. 4.3 Análise de inserção urbana A fim de compreender a área em que se insere urbanisticamente o porto de pesca, foi necessário realizar um diagnóstico com o propósito de identificação e entendimento da centralidade e

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

outras características urbanas. Para isto, foram feitos mapas e diagramas que graficamente expõem estas análises. Suas temáticas contemplam: a) conectividade ambiental (que inclúi diagnóstico das potencialidades e problemáticas) b) densidade (diagnóstico da maneira que a cidade se distribui populacionalmente) c) conectividade urbana (diagnóstico dos usos, fluxos e vias que juntos configuram a malha urbana). 4.5 Entrevistas Foram entrevistados os usuários do porto, tanto os pescadores e trabalhadores envolvidos como os compradores dos pescados, com a finalidade de compreender o perfil do usuário e suas necessidades. A entrevista foi realizada com cerca de cinco pescadores e cinco clientes frequentadores do Porto. Junto com a entrevista realizada pela autora deste trabalho, foi usada as entrevistas da dissertação de Machado (2013), com os pescadores de Barra Velha. Estas entrevistas ajudaram a perceber as potencialidades e problemas no porto de pesca atual. Além do porto de pesca, foram feitas entrevistas nos comércios itinerantes encontrados na cidade, as feiras dos produtores rurais. Para compreender a possibilidade de agregar este uso complementar ao programa original do porto, foram entrevistados 6 feirantes e 8 clientes. 4.6 Revisão normativa O sucesso desta requalificação, como dito anteriormente, está na preservação da essência do porto, assim como a valorização de seu patrimônio imaterial. Portanto foi realizada a revisão normativa que dará suporte para compatibilizar a essência do porto com as normas que regularizem as atividades portuárias. As normas que interessam este trabalho são: a) vigilância sanitária: decreto estadual No. 31.455 e lei complementar municipal No 179. b) normativas de gerenciamento costeiro: Decreto 5010 e Mapa de Zoneamento Ecológico e Econômico Costeiro.

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

06 35


5.0 Referenciais Teóricos e conceituais

5.1 Referenciais Teóricos gando esta identidade. A população tem portanto um papel na preservação do patrimônio. Além disso, a carta recomenda que não se deve por nenhum momento perder a integridade destas Dessa maneira, considera-se que este trabalho possui tradições, logo a delicadeza no tratamento já mencionado em características de um projeto de salvaguarda. Ao propor uma outros itens, é de suma importância no objetivo de requalificar o requalificação para o porto de Pesca, se estará reafirmando o Porto de Pesca. patrimônio, com isso, efetuando a viabilidade do patrimônio cultural imaterial. Entretanto, a definição de Patrimônio Imaterial no BraEntende-se por “patrimônio cultural imaterial” as sil é um tanto nova em comparação com os registros de bens práticas, representações, expressões, conhecimentos materiais. Foi somente depois de 1998 que foram reconhecidos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, ar- os bens imateriais como passiveis a salvaguarda e integrantes tefatos e lugares culturais que lhes são associados do patrimônio cultural brasileiro (IPHAN, 2003). Porém apenas - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhece como parte integrante em 2000, no decreto n. 3.551, que se instituiu o registro destes bens, formou o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial e é de seu patrimônio cultural. (UNESCO, 2013, Pag 4) o primeiro instrumento de preservação. Hoje o patrimônio ima Portanto, além de abranger o ”saber-fazer”, o patrimô- terial apoia-se na Recomendação de Paris, de 1989 que traz uma nio imaterial é responsável por reconhecer as práticas com que referência sobre a salvaguarda da cultura tradicional e popular. as pessoas se identificam ou que fazem a essência do local em Um dos itens desta recomendação é: si. Em Barra Velha, não muito diferente, é possível perceber o Deve-se sensibilizar a população para a importância quanto o Porto de Pesca, com as canoas posicionadas na areia, da cultura tradicional e popular como elemento da torna-se um marco e integra a natureza do município. Logo seu identidade cultural. Para que se tome consciência do nome, popularmente chamado de Porto das Canoas, faz jus a valor da cultura tradicional e popular e da necessidaimportância deste para a cidade. Assim, o Porto representa mais de de conservá-la, é essencial proceder a uma ampla difusão dos elementos que constituem esse patrimôque um “saber-fazer” da arte pesqueira, mas um acúmulo de nio cultural. Numa difusão deste tipo, contudo, dehistória, tradição, representação e identidade da população barve-se, evitar toda deformação, a fim de salvaguardar ravelhense. a integridade das tradições. (UNESCO, 2013, Pag 5) Ainda, para melhor compreensão, deve-se entender a definição de salvaguarda. A Unesco (2003), estabelece que: Esta consciência que aborda a Recomendação de Paris

Ao identificar a potencialidade deste Porto de Pesca como Patrimônio Imaterial é possível destacar alguns documentos que comprovam e orientam este trabalho. Primeiro deve-se compreender o que faz um patrimônio Imaterial e o que fazem parte desta definição. Na Convenção para Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, disponibilizado pelo Iphan e encontrado no anexo deste trabalho, a Unesco (2003) traz este esclarecimento:

Entende-se por “salvaguarda” as medidas que visam garantir a viabilidade do patrimônio cultural imaterial, tais como a identificação, a documentação, a investigação, a preservação, a proteção, a promoção, a valorização, a transmissão – essencialmente

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

por meio da educação formal e não-formal - e revitalização deste patrimônio e seus diversos aspectos.

como tão importante para a preservação destes patrimônios é um dos fatores primordiais neste trabalho. Ao realizar um projeto de requalificação do Porto, não se estaria somente valorizando os profissionais pescadores e suas tradições, mas também difundindo este valor para o restante da população e ainda prolon-

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Fonte: acervo pessoal, 2018

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

07 35


5.0 Referenciais Teóricos e conceituais 5.2 Análise de Estudo de Caso

Praia da Armação do Itapocorói_SC

Esta análise tem o intuito de explanar e reafirmar ainda mais a justificativa do tema. Parte-se do principio de que a requalificação arquitetônica e urbanística do porto de pesca tem o papel de subsidiar e equipar os trabalhadores, e mais ainda, evocar a autoestima dos pescadores artesanais ao tratar do patrimônio imaterial de suas práticas. Sendo uma atividade recorrente no litoral brasileiro, com aproximadamente 1 milhão de pescadores (SILVA, 2014), é possível perceber a dificuldade dos órgãos públicos em lidar arquitetonicamente com a comercialização dos produtos e a preservação da essência dos portos. É entendido que um dos maiores desafios da requalificação é compatibilizar as normas de vigilância sanitária com as práticas do patrimônio, a fim de resultar em uma valorização de ambas as partes. Porém, a realidade nos portos de pesca artesanais brasileiros que foram requalificados é de tentativas que pouco valorizam as práticas e tradições. Nestes portos são resolvidos os problemas estruturais e oferecem um espaço a prática artesanal, porém como em sua grande maioria ocorre em criações de boxes fechados de venda de pescados, estes resultam em uma perda de experiência e relações os quais embasam este patrimônio imaterial. Com isso, foi possível entender que um estudo de caso em qualquer um desses portos, seria para apontar os problemas destas tentativas e posteriomente usa-las como conhecimento na proposição da requalificação do porto de pesca artesanal de Barra Velha. Dessa forma, a seguir, apresenta-se uma breve análise de estudo de caso em Armação do Itapocorói e um breve correlato em outros 2 portos os quais acontece este patrimônio no Brasil: um de maneira muito similar a Barra Velha, como no caso da Praia da Pinheira, outro em que houve uma tentativa de organização das vendas como na Colônia Z13 em Copacabana, Rio de Janeiro.

A Armação do Itapocorói, possui esse nome por ter sido o local de uma das mais importantes armações baleeiras da região (GOULART e TEIXEIRA, 2005, pag 5). Com a raridade das baleias no século XIX, a caça foi substituída pela pesca artesanal. Os pescadores desta praia cultivam outros frutos do mar como camarão e mariscos.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Arterial

Local

A comercialização dos produtos foi tratada de forma a oferecer “boxes” independentes, permeáveis visualmente na praia. Sua inserção urbana acontece por uma via sem saída, sendo interrompida na praia. Esta via tem características locais por possuir grande número de residências unifamiliares, e como apontado no esquema gráfico ao lado, apresenta terrenos subutilizados que não incentivam a passagem de pessoas ou cria um ambiente confortável de se passar pela rua. Portanto, a via ao apresentar estas características não conduz o usuário a naturalmente descobrir o local, somente pessoas que sabem que a venda de pescados existe nesta rua vão a ela.

Mapa Inserção Urbana. Fonte: Google Maps adaptado pela autora.

Tipologia Quiosque de venda. Fonte: Acervo Pessoal, 2018.

Inserção Urbana. Fonte: Google StreetView adaptado pela autora.

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

São dois pontos de venda que contam com bancadas e aparelhos de limpeza dos pescados. Além destes boxes, não existe a venda direta do pescador ao cliente. Portanto, a formalidade enrustida de comprador e vendedor e a perda de contato com o pescador artesanal, erradicou um dos maiores elementos deste patrimônio imaterial.

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

08 35


5.0 Referenciais Teóricos e conceituais

Colônia dos Pescadores Z13_RJ

A colônia dos pescores Z13 situa-se em Copacabana na cidade do Rio de Janeiro e possui existência formal à 80 anos. Foi possível perceber atráves do documentário Z-13 Longa Metragem (PITORESCO, 2014) que esta colônia apresenta a mesma dinâmica de Barra Velha, as embarcações zarpam de manhã cedo para retornar no meio da manhã. O reparo das embarcações ocorre na faixa de areia, no mesmo local assim como a venda dos pescados. Porém, diferente de Barra Velha que ainda faz comercialização desses produtos nas próprias embarcações, na Z13 funciona por meio de bancadas azulejadas, que substituem as antigas de madeira. A bancada e a maneira que se dispõe no espaço não agrega qualidade ou preocupação arquitetônica ou valoriza as práticas, pois não enaltece as embarcações ou os prórpios pescadores, entretanto atende aos requisitos de vigilância, sendo funcional.

Praia da Pinheira_SC

Bancadas expositoras. Fonte: Camila A. em Yelp, 2013.

Este é um exemplo muito similar ao porto de pesca de Barra Velha e que apresenta os mesmos problemas: a falta de subsídios e infraestrutura. As vendas dos pescados acontecem ou nas embarcações ou em mesas de madeira na lateral do barco. Os próprios pescadores efetuam as vendas e limpeza dos peixes. A preocupação é que em um futuro próximo, seja impedido de se comercializar os produtos desta maneira por conta de higiene e manipulação imprópia, logo as modificações que serão feitas poderão não ser em favor da preservação da essência do porto. Nesta praia, os pescadores sofrem pela mesmo situação de descaso de Barra Velha, assim sendo um exemplo de outro porto em que a prática centenária não é abastecida com condições melhores de trabalho. As fotos ao lado ainda indicam que com o passar dos anos, a situação da praia e da venda dos pescados continuam da mesma maneira.

Embarcações. Fonte: copacabana.com, acesso em 19 jun 2018.

Sobre a sua inserção urbana, se trata de um equipamento quase centenário o qual conseguiu se estabelecer e ser respeitado em plena praia de Copacana. O passeio largo típico da praia permite que haja relação entre as bancadas expositoras e a prórpia vizinhança.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Fonte: Lélio Cézar, 2004.

Fonte: Renato de Souza, 2012.

A inserção urbana neste caso se trata de uma praia rodeada por residências unifamiliares. Isto sugere que o acesso ocorre somente a pessoas que tem o objetivo de ir a praia especificamente para comprar o pescado, não sendo uma inserção em centralidade com grande fluxo de pessoas que gere a espontaneidade de conhecer e divulgar o local.

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

09 35


5.0 Referenciais Teóricos e conceituais 5.3 Análise de Correlatos Inserção urbana

5.3.1 Besiktas Fish Market Ficha técnica Arquiteto: GAD Localização: Besiktas, Turquia Área: 320 m² Ano: 2006 O correlato a seguir se refere a reconstrução do mercado de peixe existente por mais de um século em Besiktas, Turquia. O Antes O Mercado de Peixes de Besiktas antigo era composto por um estrutura metálica que ocupava todo o terreno triangular, porém muito deteriorada com o tempo e sem manutenção. As bancadas de trabalho possuíam uma disposição desordenada no espaço, sendo elas de madeira com pouca manutenção. A higiene questionável era uma realidade do mercado, de maneira que evoluiu ao desvio da clientela para as redes de mercados privados. Em virtude disso, os comerciantes perceberam a necessidade de reinvindicar essa reconstrução aos órgão públicos com a finalidade de agregar valor a suas tradições e dar qualidade ao local de vendas.

Mapa 1_ Inserção Urbana Fonte: Google Maps Adaptado pela Autora

Esquema gráfico 1_ ponto 1 Fonte: Google Streetview Adapt. pela Autora

Objetivos Os objetivos e intenções quanto ao projeto foram: _melhorar vendas dos produtos; _proporcionar melhores condições de trabalho, higiene; _”reconstruir o container para preservar o conteúdo” (GAD, 2006) _preservar a essência e prática particular do mercado de peixes

O mercado, situado em terreno triangular, foi implantado em um bairro em que prevalece as relações urbanas, tanto ao priorizar as pessoas na maneira como suas ruas são configuradas, quanto ao estimular a vitalidade ao proporcionar a diversidade de usos. Um dos usos que prevalecem no entorno imediato do mercado de peixe, é o gastronômico, funcionando como um sistema, mercado > restaurantes. (Ver esquemas 1 e 2) A tipologia arquitetônica das edificações adjacentes ao mercado se dá por edifícios de gabarito no máximo de 4 pavimentos, com fachadas ativas por comércio no térreo. Por isso a relação com a rua é muito presente no bairro, respeitando a dimensão humana e ainda fortalece a relação interno-externo pelas fachadas. As vias imediatas ao projeto são estreitas, limitadas a passagem de pequenos veículos, como motos, a baixo fluxo (BRAVO, 2012). Essas vias só podem ser estreitas e pequenas pois possuem avenidas paralelas de apoio. Elas são proporcionadas pelas vias de maiores portes nas laterais (Ver Mapa 1). Esta inserção urbana ilustrada no Mapa 1, assim como a propriação do terreno triângular é usada posteriormente como partido do projeto.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Foto Inserção Urbana. Fonte:GAD

Foto Interação gastronômica. Fonte: GAD

Esquema gráfico 2_ponto 2 Fonte: Google Streetv. Adapt. pela Autora

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Foto Inserção Urbana. Fonte:GAD

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

10 35


5.0 Referenciais Teóricos e conceituais 5.3 Análise de Correlatos 5.3.1 Besiktas Fish Market Partido O terreno e a inserção urbana é o grande partido deste projeto. A maneira de posicionar as bancadas fazem delas ligeiramente mobílias urbanas. A circulação do mercado (ver mapa 2), permeia-se no tecido urbano tornando-se parte integrante do meio. Manteve-se toda a extensão do terreno triangular e assim se fez a cobertura. Um triângulo que replica a área disponível e possibilita que este mercado cultive e perpetue a sua essência histórica.

circulação

Dentre as bancadas, fica clara suas 4 tipologias. Porém, não é possível determinar se as bancadas possuem um sistema de refrigeração nas superfícies ou se seu funcionamento ocorre por meio de gelo, manualmente. O que é passível de percepção é que algumas tipologias apresentam um refrigerador logo abaixo da superfície expositora. _Tipo 1: bancada com 26 m² aproximadamente, com duas cubas e armários para armazenamento, sem refrigeração. Logo, verduras e legumes são mais apropriadas. _Tipo 2: bancada com 26,5 m² porém com uma disposição diferente. Possui 4 cubas e armário com refrigeração abaixo do expositor. Por oferecer maior aparatos hidráulicos de higiene, fica evidente que os peixes frescos deverão se posicionar nestas bancadas. _Tipo 3: bancada com 21,5 m², sendo esta o menor exemplar. É a versão um pouco reduzida da tipo 1. _Tipo 4: maior bancada do mercado com 40 m², nela é possível fazer a venda de ambas mercadorias (legumes e peixes) pelo espaço que ela oferece. Além dos expositores e da bancada comum na extremidade, inclui-se uma ilha central de apoio, sendo esta tipologia a mais completa e mais dinâmica.

Materialidade/Estrutura A cobertura advém de uma estrutura metálica radial com 25m de vão e vigas de 80cm de altura. Ela é então revestida por placas cimentícias, dando o aspecto brutalista a obra. Por fim, há uma abertura zenital no centro que proporciona luz natural ao interior do mercado. A iluminação artificial do mercado provém de um elemento arquitetônico da cultura turca, replicada em outros mercados de peixe do país, os soquetes livres pendurados. O arquiteto o usa como elemento plástico ao agregar a cor laranja aos condutores de energia. Diagrama 1 Composição. Fonte: GAD adaptado pela autora

Mapa 2_ Circulação. Fonte: Google Maps adaptado pela Autora

Funcionalidade O mercado é constituído por 6 bancadas triangulares e metálicas que formam uma circulação radial. (ver Planta 01, ao lado.). A intenção do arquiteto foi fazer com que todas as bancadas tivessem ambos contato com o perímetro externo e o ponto central da planta, sendo ela democrática. Não existe setorização de usos definida, porém a disposição do mobiliário indica qual produto seria mais adequado para a venda naquela específica bancada.

Foto dinâmica bancadas Fonte: Chiyi

Foto interior mercado. Fonte: GAD

Conclusão _mercado que renuncia portas automáticas, ar condicionado, escadas rolantes e estacionamento subterrâneos ao se permanecer fiel a sua verdadeira essência; _uma cobertura cívica que garante a interação social; _ integração urbana, a circulação do mercado torna-se via urbana; Planta 1 tipologia bancadas. Fonte: GAD, adaptado pela autora

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

11 35


6.0 Definições Gerais 5.3 Análise de Correlatos

Inserção urbana

5.3.2 Mercado do Porto de Vodice

Vodice é uma pequena cidade litorânea na Croácia, com costa para o mar mediterrâneo. Possui segundo o censo de 2011, disponibilizado pelo site de estatíticas da Croácia, somente 8 mil habitantes e a economia predominante é o turismo. O mercado público fica situado em uma centralidade da cidade. É posicionado em frente a uma praça e o seu entorno predomina comércios de usos variados, entretanto o uso gastronômico com bares e restaurantes é o mais presente. Foi possível perceber o caráter intimista da cidade e a prioridade a pessoas no tratamento de ruas, sendo elas estreitas e de baixa velocidade. Na centralidade, destaca-se a presença de fachadas ativas impulsionadas por restaurantes com mesas na calçada, as quais estimulam a vitalidade. O gabarito do entorno é de no máximo 4 pavimentos em algumas edificações isoladas.

Ficha técnica Arquiteto: Dinko Peracic Localização: Vodice, Croácia Área: 1200 m² Ano: 2011 O correlato a seguir se refere a reforma de um mercado de peixe e vegetais, existente na cidade de Vodice, Croácia. O Antes Durante a história da Croácia, independente da Iugoslávia socialista em 1995, houve um processo de transição ao capitalismo. Com isso, Vodice investiu no turismo. (BRAVO, 2016). Este encadeamento resultou na perda de espaços públicos para o interesse privado. Este mercado foi uma iniciativa do órgão público de requalificar o restante espaço público existente. O mercado antigo possuía um caráter improvisado com uma cobertura metálica, em formato de tenda, sendo coberto por material têxtil. Possuía bancadas posicionadas paralelamente, sendo estruturada em “U” com um tampo em pedra. Não possui setorização de espaços, sendo todas as funções realizadas no mesmo espaço.

Mapa Vodice 1. Fonte: Google Maps adaptado pela autora

antes

depois

Fonte: Damir Žižić

Mapa Vodice 2. Fonte: Dinko Peracic adaptado pela autora

Objetivos

Fonte: Damir Žižić

A partir da observação da autora por meio de recursos como Google StreetView, foi possível perceber que talvez existisse a possibilidade da praça em frente ao mercado ter fraca fluidez com tecido urbano. A razão desta conclusão é a praça oferecer bancos, que bloqueiam a total permeabilidade física, tornando-se barreiras ao pedestre. Esta barreira existe tanto do lado do mercado, como da rua, portanto, a praça não faz parte do mercado.

_recuperação de espaços públicos; _respeitar a pequena escala dos trabalhadores locais; _certificar de que qualquer solução para o estado degradado do local não implique expulsão dos comerciantes com menos recursos; Visuais Fonte: Google Street View adaptado pela autora

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

12 35


6.0 Definições Gerais As bancadas possuem os mesmos tampos de pedra do mercado original, porém restauradas. O arquiteto faz uso de grades de ventilação brancas do setor rosa ao setor amarelo, de maneira que forneça ventilação cruzada. Este é o mesmo material de todos os portões e portas. Todo o mercado compartilha do mesmo piso cimentício, com o desenho particular que muito faz relação com a cobertura. A drenagem do mercado (ralo), acontece logo na entrada, se estendendo pelo todo como uma listra. Uma maneira sútil de tratá-lo.

5.3 Análise de Correlatos 5.3.2 Mercado do Porto de Vodice Funcionalidade

Conclusão Planta 2, Mercado. Fonte: Dinko Peracic adaptado pela autora

Foto entrada Mercado. Fonte: Damir Žižić

A partir da reforma, o mercado passa a setorizar seu programa (ver planta 2) de maneira que houvesse maior organização e higiene. As bancadas com tampo de pedra agora são para suporte de verduras e legumes (rosa), fechou-se uma área para manipulação e venda de pescados (amarela) e ainda, adjacente a isto, um setor de serviços, com lavabo, depósitos e sala administrativa (laranja).

_Setor Rosa: Abriga 16 bancadas independentes fruto de junções de partes de 1,50m. O comprimento delas portanto é definido pelo número de partes posicionadas, dando um caráter flexível ao projeto. O setor possui ainda um tanque de uso coletivo. _Setor Amarelo: Ocorre a comercialização de pescados, tendo 2 expositores metálicos refrigerados, um maior que o outro. Possui pouca integração com o setor rosa. A alameda faz o papel de dar unidade. _Setor Laranja: Consta com 2 depósitos de aproximadamente 9 m², sala administrativa de 10 m² e lavabos. A alameda é tratada de forma que contenha o mesmo piso do interior do mercado, seguindo a desenho do rejunte do piso, logo a integração do espaço interno-externo é muito presente. A alameda torna-se parte do mercado e impulsiona que o mesmo aconteça.

_mercado isola o comércio de peixe da permeabilidade com a vida urbana; _proporciona que os comerciantes de pequeno porte possam ganhar a vida em um espaço público inclusivo e produtivo; _faz uso de materialidade que destaque os produtos;

_usa uma linguagem arquitetônica contemporânea para concretizar um típico mercado mediterrâneo; _a não inclusão da praça no projeto, desrespeita o potencial urbanístico da centralidade;

Materialidade/estrutura

Foto setor de pescados. Fonte: Damir Žižić

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Cores claras e limpas são muito presentes. A materialidade escolhida resulta em destaque para o colorido dos produtos. A cobertura é composta por uma estrutura em madeira entrelaçada, sendo sobreposta com uma membrana têxtil que garante a translucidez ao mercado, proporcionando a entrada de luz natural. Ela é suportada por pilares em “V” de concreto pintado de branco posteriormente. Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Diagrama de materialidade. Fonte: Dinko Peracic adaptado pela autora

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

13 35


6.0 Definições Gerais 5.2 Análise de Correlatos 5.3.3 Tabela Comparativa

Conclusão

NOME

MERCADO DE PEIXE DE BESIKTAS

MERCADO DO PORTO DE VODICE

COLÔNIA PESCADORES Z13

LOCALIZAÇÃO (DISTRITO/CIDADE)

Distrito de Besiktas, Istambul, Turquia.

Vodice, Croácia.

Copacabana, Rio de Janeiro, RJ

HABITANTES NA ÁREA

186.067 Habitantes

8.875 Habitantes

146.392 Habitantes

HABITANTES X BANCADAS

1 bancada a cada 30.000 habi- 1 bancada a cada 493 habitantantes. tes.

1 bancadas a cada 8.132 habitantes

ESTIMATIVA DE NÚMERO DE VENDEDORES POR BANCADAS

6 bancadas em alumínio com 4 tipologias

16 bancadas de módulos de 150 x 60 + 2 bancadas refrigeradas de pescados

18 bancadas posicionadas linearmente de 1m de largura aproximadamente com uma cobertura em tecido simples.

ÁREA TOTAL CONSTRUÍDA

320 m²

450 m² área coberta 1200 m² contando alameda externa

Não possui

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Tanto o mercado de Besiktas, como o de Vodice mostram abordagens diferentes de mercados de peixes e de preservação da essência e identidade dos comércios. Ambos apresentam inserções em espaço público semelhantes. Esta inserção justifica a razão da diferença em número de habitantes não influenciar na quantidade de bancadas e metragem quadrada, justamente por ter umarelação das pessoas com o urbano muito intensa. As diferenças são na disposição, tipologia e usos de bancadas e materialidade. Besiktas integra as bancadas no tecido urbano, tratando elas muito mais como elementos individuais. Cada comerciante fica recluso em suas bancadas, tendo a noção de dentro/fora ou o privado/ público muito clara. Em Vodice, as bancada posicionadas linearmente não possuem aspecto de privado ou público, tanto o vendedor como o cliente ocupam o mesmo espaço, porém isso só ocorre com a manipulação de vegetais, já que as bancadas de pescados são fixas e ainda em um ambiente dedicado a este uso. Em Copacabana, na colônia Z13, diferente de Besiktas e Vodice, se faz uso de bancadas com função de exposição dos pescados somente, atuando como um mobiliário de apoio as vendas, o que justifica a pequena dimensão da bancadas.

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

14 35


6.0 Definições Gerais 6.1 Levantamento da área de intervenção

200 anos, com a chegada dos Açorianos em terras

antes possuíam suas residências em frente ao local

brasileiras. Sabe-se que por registro fotográfico e

do trabalho. Hoje, os pescadores contam com so-

pelo mapeamento feito, o Porto de Pesca de Barra

mente seu rancho, depósito e a praia propriamente

Velha está localizado no mesmo local preservando

dita, onde são encalhados as embarcações. A partir do mapa 3 ao lado, pode-se en-

mos açorianos repassaram seu saber-fazer, práti-

nhamento à orla marítima. Por esta mesma lineari-

cas e tradições pesqueiras por gerações, sendo que

dade os eixos norte-sul tem a maior importância na

muitos dos pescadores da colônia são seus descen-

cidade e foram as primeiras vias a serem formadas.

dente diretos (MACHADO, 2013). Portanto, este

(Linha preta).

A

maneira linear até os anos 50, decorrente ao ali-

ELH

hoje se conhece como a área do porto. Estes mes-

QUINTA DOS AÇORIANOS

RA V

tender que a cidade de Barra Velha se formou de

Porto de Pesca possui importância histórica para a

Percebe-se também que as centralidades1

cidade e sua evolução urbana, por ser a origem e a

consolidadas na cidade são dadas pelas vias mais

sua primeira centralidade a ser formada.

antigas, mostrando que a cidade surge em decor-

OA DE

BAR

Este povo formou uma vila em torno do que

LAG

as mesmas características e hábitos desde 1920.

ANO

espaço da Colônia dos Pescadores no porto, que

OCE

Barra Velha inicia sua história há cerca de

ATLÂ NTIC O

6.1.1 Levantamento Histórico Urbano

AV. PARANÁ

CENTRO

Pelas fotos 1 e 2 é possível perceber a gra-

rência destas centralidades. Ao fim da década de

dativa transformação de vila para cidade. Os ca-

60, com a consolidação da BR-101 em alguns tre-

MORRO DO CRISTO

minhos tornam-se vias mais definidas e o aumen-

chos, é possível notar como ela alterou a dinâmica

to do número de casas construídas é notável. Isso

dos bairros ao dividir Barra Velha. Hoje, o Itinga é

AV. BERNARDO AGUIAR

se decorreu do fato de que nos anos 50, houve o

um bairro que possui vida independente do centro

início da chegada do turismo à orla. Este mesmo

ao consolidar sua própria centralidade, sendo esta

turismo e a valorização imobiliária foi reduzindo o

independência a razão da não interferência na di-

ITINGA

PORTO DE PESCA

AV. SANTA CATARINA

1 Foi definida como centralidade locais que apresentam uma vasta dinâmica de usos e circulação de pessoas.

ANO

ATLÂ N

TICO

BR-101

OCE

malha 1940 1950 1960 1970 1980 Atual ITAJUBA

Foto 2: Vista do Morro do Cristo para o Porto dos Pescadores. Década de1950. Fonte: Artur Wichral

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centralidades

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

>

Foto 1: Vista do Morro do Cristo para o Porto dos Pescadores. Década de 1920. Fonte: Artur Wichral

Relatório de Pesquisa

Mapa 2: Fonte Prefeitura de Barra Velha adaptado pela autora Fonte Informações: Gonçalves e Moura, 1990.

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

15 35


Pontos de Ressaca

6.0 Definições Gerais

Canais

área de ampliação

Vegetação

6.1.3 Análise de Densidade Densidade Bruta Habitante/KM²

Barra Velha além da lagoa, possui o rio Cancela. Este foi transformado em canal de esgotamento sanitário que se dá diretamente ao mar, a cerca de 100m do Porto de Pesca. Isto não somente é extremamente poluente, mas também altera a dinâmica de Pesca. Por esses fatores ambientais, os pescadores relatam que hoje eles têm de fazer uma viagem muito mais longa em alto-mar, já que os cardumes não mais aproximam à costa (MACHADO, 2013). No mapa pode-se observar que o rio faz a coleta de esgoto desde o Itinga, em sua grande maioria por galerias. Em alguns pontos: céu aberto.

Loteamento recém consolidado

ATLÂ NTIC O

6.1 Levantamento da área de intervenção 6.1.2 Análise Ambiental

OCE ANO

2017- 4279 237 - 819 Área de dunas com vegetação preservadas. Possuem papel de proteger área de marés, ressacas, etc.

12 - 158 área de ampliação

QUINTA DOS AÇORIANOS

BAR RA V E

LHA

OCE ANO

ATLÂ N

TICO

922 - 2000

Após o aplanamento das dunas resultar em várias problemas como ressacas e soterramentos de casas, ficou proibida a construção e novas edificações, sendo a razão da baixa densidade.

LAG OA DE

QUINTA DOS AÇORIANOS

LAG

OA DE

BAR

RA V

ELH

A

CENTRO

Pontos sujeitos a ressacas maritmas provenientes de maré alta.

CENTRO

PORTO DE PESCA

ITINGA

Identifica-se que o porto de pesca fica localizado em um setor de alta densidade em relação com a cidade, por fazer parte de uma área com diversidade de usos grande e edificios em altura.

Rio Cancela: Torna-se canal de esgotamento sanitário com saída direta ao mar sem qualquer tratamento PORTO DE PESCA ATLÂ N

TICO

ITINGA

OCE

ANO

ATLÂ N

TICO

Por ainda ser uma região sem loteamentos, a vegetação nativa permite a proteção do canal neste ponto.

ITAJUBA >

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Mapa 3: Prefeitura de Barra Velha adaptado pela autora

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

OCE

ANO

Identifica-se canais a céu aberto no meio urbano com vegetações no entorno. As vegetações não fazem parte de uma tentativa de proteção ambiental mas sim de evitar e repudiar o canal.

ITAJUBA

>

A área de dunas destacadas no mapa se deve ao fato que quando começados os loteamentos na área, foram aplanadas e retirada a vegetação nativa. Hoje, as casas construídas nas dunas sofrem com ressacas e diversas patologias estruturais, muitas abandonadas. Em razão disso, o IBAMA proíbe que as casas desta região efetuem qualquer alteração no terreno, e FUNDEMA proíbe a prefeitura de Barra Velha de permitir construções.

Área de dunas aplanadas com objetivo de loteamento.

O bairro Itinga se concentra maior número de casas unifamiliares, o que justifica a alta densidade. É um bairro que se tornou independente do centro, porém possui muitas famílias de baixa-renda.

Mapa 4: Prefeitura de Barra Velha adaptado pela autora. Fonte: IBGE - Censo 2010

Facilmente se percebe a alta densidade, em relação a cidade, nas proximidades do Porto de Pesca. Uma das razões é a alta diversidade de usos nesta região, agregando comércios, edifícios residenciais em altura com uso misto e residência unifamiliares. Além disso, os loteamentos são encarregados pelos outros pontos com alta densidade, podendo percebê-los por sua morfologia urbana retilínea. No Itinga, a alta densidade se deve por ser uma bairro autossuficiente, tendo equipamentos urbanos, como escolas, postos de saúde, igrejas, entre outros. É um bairro com gabarito muito baixo, cerca de 2 pavimentos somente, porém com volume de residência unifamiliares muito grande.

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

16 35


prefeitura

porto de pesca

6.0 Definições Gerais

02_USOS/ATIVIDADES

quadra na areia morro do cristo

praça central

ed. misto_ res + comer.

rodoviária

6.1 Levantamento da área de intervenção

ed. residencial

lagoa

6.1.4 Conectividade Urbana

residência unifamiliar comércio comércio alimentício

Para este diagnóstico foi utilizada a metodologia de análise por camadas, que ao criar sobreposições de informações, melhora a visualização, portanto a compreensão das temáticas, gerando uma síntese automática de informações.

igreja centralidades

01_MOBILIDADE

Sugestão Área Recorte

lagoa Av. Gov. Celso Ramos

Av. Paraná

av. Beira Mar _via coletora _fluxo e velocidade baixa _1 faixa estreita + estacionamento 45º _função de lazer _única com ciclovia

av Gov Celso Ramos _via arterial _eixo sentido norte sul _fluxo intenso _proveniente BR-101 (acesso a cidade)

Av. Beira-mar

10 1

rodoviára: cidade com transporte coletivo intermunicipal somente

Praça + Lagoa

av. Paraná _via arterial _eixo sentido leste oeste _fluxo intenso

lagoa

Av. Santa Catarina

Transporte Público Alternativo Barra Velha não possui transporte público urbano. O mais próximo disso é o transporte intermunicipal, que parte das viações particulares provenientes da rodoviária. Por não possuir ciclovias ou transporte público, o único meio de mobilidade urbana em grandes distâncias é o carro. Ainda, a cidade perde a oportunidade de estimular o transporte por bicicletas, ao não proporcionar meios para isso, sendo que se trata de uma cidade em grande parte plana e com extensões pequenas de alcance. Portanto, para desestimular o uso do carro, principalmente nas vias ao redor do porto de pesca, deve-se considerar o aumento do número de ciclovias. As ciclovias terão papel fundamental ao facilitar o acesso ao porto tanto das pessoas, quanto dos próprios pescadores que fazem uso de bicicletas frequentemente.

av. Santa Catarina + av. B. Aguiar _via arterial _prinipal eixo sentido norte sul _fluxo intenso _proveniente BR-101 (acesso a cidade)

traçado ciclovia

BR

Vias Assim como observado anteriormente no item 6.1.1, a análise da evolução urbana de Barra Velha, as vias mais antigas da cidade hoje são os eixos estruturantes e as vias de maior porte, sendo assim, vias de características arteriais perante a Barra Velha. O Porto de Pesca, sendo o começo da urbanização de Barra Velha, está entre duas vias, a Av. Beira Mar e Av. Santa Catarina: _Av. Beira-mar: Cumpre um papel similar ao da época em que foi maior estruturada nos anos 70, sendo a única com ciclovia na cidade, que não possui o papel de mobilidade, mas sim lazer e turismo. Possui características de baixo fluxo e baixa velocidade de veículos, alto trânsito de pedestres, durante dia e noite. Portanto, um dos locais de maior vitalidade da cidade, impulsionados ainda pelo porto de pesca já existente. _Av. Santa Catarina: Via que mais agrega diversidade de uso em sua extensão na cidade. Possui alto fluxo, porém com velocidade razoável e alta circulação de pessoas. É uma das vias de acesso a cidade e não possui espaço para circulação de bicicletas porém oferece vagas de estacionamento. Logo, é possivel comprender que a vitalidade no porto já existe. A requalificação deverá aproveitá-la para impulsionar ainda mais as atividades no porto de pesca artesanal, fomentando a circulação de pessoas e o apreço sobre ele.

hospedagem

Mirante

Rodoviária

Porto de Pesca

00_PONTOS DE ATRAÇÃO / FLUXOS Turismo Lazer Comércio Porto de Pesca 0

100 200

Transporte

500 m

Mapa 5. Prefeitura de Barra Velha adapatda pela autora.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

17 35


6.0 Definições Gerais 6.1 Levantamento da área de intervenção 6.1.3 Análise Viária

estacionamento

ciclovia/ciclofaixa

arborização viária

comércio no térreo

ed. misto - com. + residência residência unifamiliar

igreja

educação

mirante morro do cristo

Com finalidade de obter melhor diagnóstico, é necessário a elaboração gráfica de estudos de vias. Foi efetuado estudos nas vias de maior influência de tráfego e funcionamento da cidade, como já esclarecido nos diagnósticos anteriores. Com os perfis apresentados, foi possível perceber um certo padrão de itens que se encontram nestas vias ou não, como existência de ciclovias, mobiliário urbano, arborização viária, estacionamento e comércio associado ao uso misto. Das vias analisadas, todas possuem uma faixa de estacionamento, porém a precariedade em ciclovias é grande. A única ciclofaixa existente (av. Beira Mar), não funciona adequadamente por estar em conjunto com o passeio. A arborização viária não é muito adotada, quando existe são espaçadas, não efetuando o papel de estimular o conforto térmico, assim como a circulação de pessoas. Foi observado a concentração de usos mistos nestas vias, dando a entender a vitalidade que se emprega nelas, porém estas não estimulam permanência ao não oferecer locais de parada, como bancos e afins. Com propósito de estimular ainda mais esta vitalidade, se tem a necessidade de uma adequação viária destas vias, em dimensão e mobiliários.

residência multifamiliar +4 pav residência multifamiliar +7 pav hospedagem imóvel abandonado

praia central

praça + lagoa

porto de pesca pedras naturais

02_USOS

PERFIL 6 Possível Rota turística

PERFIL 4 PERFIL 5

AV. PARANÁ PERFIL 2

Usos A partir desta analise mais apurada foi possível perceber a concentração de usos mistos (comércio no térreo e residência acima) e comércios que garantem e estimulam a circulação de pessoas. É possível perceber que não se concentra estes usos em um só local, mas ocorre uma homogeneidade linear, sendo dissolvida ao chegar no uso predominantemente residencial.

comércio comércio alimentício

PERFIL 1 PERFIL 3 AV. SANTA CATARINA

Considerando a requalificação do porto de pesca não somente como um equipamento comercial e de lazer, mas sim um equipamento que carrega a história e identidade da cidade, é importante que este proporcione qualidade de vida a região. Com isso, as análises efetuadas acima trazem o propósito de descobrir as potencialidades e problemáticas, para posteriomente expor-las.

01_VIAS

AV. BEIRA MAR 0

100 200

500 m

Mapa 6. Fonte: Prefeitura de Barra Velha adaptado pela autora

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

18 35


6.0 Definições Gerais

problemáticas

potencialidades

Perfil 1 Via com vitalidade por ter térreos comerciais associados a uso misto; faixa de rolamento em tamanho adequado; passeio com pouca dimensão. Não possui ciclovias. Perfil 2 Via do projeto de requalificação apresenta vitalidade pelos usos. Faixas de rolamento no limite; passeio pequeno, ciclovia em conjunto com passeio, não funciona devida a sua dimensão pequena, insegurança dos pedestres; estacionamento dos dois lado da

via desnecessário. Apresenta arborização espaçadas. RESIDENCIAL Perfil 3 Ciclovia em conjunto com passeio inviabiliza a mesma, insegurança aos pedestres; Possui vegetações ao longo da via. PASSEIO 2,80M Perfil 4 Via com vitalidade por ter térreos comerciais 3 associados ao usoPERFIL misto DE comRUA residência; faixa de rolaAV. BEIRA MAR mento no limite. Estacionamento dos dois lados da via desnecessário. Não possui ciclovias.

Perfil 5 Passeio muito pequeno, não estimula caminhabilidade; não possui ciclovias; praça à direita além de ser posicionada em um ponto central da cidade, CICLO PASS. estimula e é estimulada pela vitalidade da área. FAIXA SUL 1,20M 2,68M 3,50M Perfil 6 Via de grande transição de pessoas; faixa de rolamento no limite; não possui ciclovias; passeio com pouca dimensão em ambos os lados.

RESIDENCIAL

RESIDENCIAL X 10

RESIDENCIAL X 14

COMÉRCIO

COMÉRCIO

RESIDENCIAL

COMÉRCIO

COMÉRCIO

PASSEIO 2,00M PASSEIO 2,00M

FAIXA SUL 3,65M

FAIXA NORTE 3,65M

ESTACIO. 2,50M

PASSEIO 2,30M

ESTAC. 2,40M

FAIXA SUL 3,10M

FAIXA NOR. ESTAC. PASSEIO 2,40M 1.90M 3,10M

PERFIL DE RUA 4 AV. SANTA CATARINA

PERFIL DE RUA 1 AV SANTA CATARINA

RESIDENCIAL

COMÉRCIO

MAR

PASSEIO 2,00M

ESTAC. 2,40M

FAIXA SUL 3,10M

PASSEIO 9,50M

FAIXA NOR. ESTAC. 2,40M 3,10M

FAIXA S 5,00M

PERFIL DE RUA 2 AV SANTA CATARINA E AV. BEIRA MAR

COMÉRCIO

P. B. 1M 1M

PRAÇA PASSEIO 1.50M

FAIXA SUL 3,33M

FAIXA NORTE 3,33M

ESTAC. 2,40M

PERFIL DE RUA 5 AV. PARANÁ

COMÉRCIO

IGREJA

RESIDENCIAL

PASSEIO 2,80M

FAIXA SUL 3,50M

CICLO 1,20M

PASSEIO 2,00M

PASS. 2,68M

ESTAC. 2,40M

FAIXA SUL 3,10M

PERFIL DE RUA 6 AV. PARANÁ

PERFIL DE RUA 3 AV. BEIRA MAR

requalificação do porto de pesca de Barra Velha RESIDENCIAL X 10

COMÉRCIO

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

RESIDENCIAL X 14

Relatório de Pesquisa

FAIXA NORT. ESTAC. PASSEIO 2,40M 2.00M 3,10M

Esquemas. Fonte: autora

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

19 35


6.0 Definições Gerais 6.2 Levantamento Fotográfico

a

d

Chegada no porto proveniente da Av. Santa Catarina. Fonte: Acervo Pessoal, 2018

b

Observa-se grande quantidade de circulação de pesssoas. Fonte: Acervo Pessoal, 2018

e

Mapa 7. Fonte: Prefeitura de Barra Velha adaptada pela autora

Este levantamento fotográfico foi realizado em dois dias: 15 de Abril às 15:00 e 09 de Junho de 2018 às 8:00, Domingo e Sábado respectivamente. Foi possível perceber que Domingo é o dia em que os pescadores também trabalham, organizando suas redes e outros instrumentos de trabalho. Eles se reúnem na praia, alguns somente sentados conversando, outros levando seus equipamentos de um lado para o outro. A praia se torna muito mais que seu local de trabalho, mas uma extensão de seu lar. Neste sábado em questão foi um dia ensolarado que coincidiu com a época de pesca de tainhas a qual atrai um grande público ao porto. Com as fotos é possível perceber a configuração espacial presente atualmente no porto: a disposição das canoas, a arquitetura imparcial do rancho de pesca e a apropriação da rua em frente pelas pessoas.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Rancho dos pescadores. Fonte: Acervo Pessoal, 2018

c

Via corta porto ao meio. Fonte: Acervo Pessoal, 2018

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

A faixa de areia torna-se depósito e ambiente de trabalho. Fonte: Acervo Pessoal, 2018

f

Disposição espontânea das embarcações na faixa de areia. Fonte: Acervo Pessoal, 2018.

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

20 35


6.0 Definições Gerais 6.3 Condicionantes Físicos e Climáticos Antes O Porto de Pesca e a Av. Beira Mar passaram por uma revitalização urbana em 2010. Anteriormente, o Porto assim como a edificação do rancho dos pescadores ocupavam mais espaço na faixa de areia sendo a Av. Beira Mar interrompida; junto com ela a passagem de carros, bicicletas e pessoas. Porém o porto possuía mais espaço para realizar suas atividades. O trajeto continuava pela av. Santa Catarina, até poder então retomar a av. Beira Mar. (ver mapa abaixo, linha verde).

Depois Na revitalização foi portanto construída a continuidade da av. Beira Mar reduzindo o espaço útil do porto, porém prosseguindo o fluxo de automóveis, pedestres e bicicletas. O problema é que em nenhum momento foi pensado na valorização do porto, sendo que essas modificações somente prezaram o turismo. Segundo a dissertação de Machado (2011) em entrevista aos pescadores, alguns comentam que o espaço resultante é insuficiente para as canoas, já que quando a maré enche, as canoas são posicionadas na via a fim de evitar danos, interrompendo o trânsito local, não sendo uma revitalização eficiente. Logo a intervenção em parte trouxe benefícios como a fluidez no fluxo de pedestres e ciclistas, porém ao inserir o carro em uma via que possui outro propósito, ocorre a valorização deste. O apreço de belezas naturais e lazer, acaba perdendo um espaço válido tanto para o porto como para espaço público da cidade. Mapa 8. Fonte: Prefeitura de Barra Velha adaptado pela autora

Ao observar em uma menor escala percebe-se o uso misto concentrado na avenida de maior porte (av. Santa Catarina), associado ao residencial, predominante na av. Beira Mar. Nesta localização específica, por observação da autora, possui uma intensa circulação de pessoas, sejam elas em fluxo comercial como em lazer. Na av. Beira Mar é grande o número de pessoas que praticam esportes, corrida e caminhada, a qualquer hora do dia, sendo portanto um local de grande vitalidade urbana, agregando potencial a proposta de requalificação da área. O entorno do porto possui edificações de baixo gabarito que pouco influenciam na trajetória solar, possuindo sol o dia todo. Um dos maiores problema porém da área é a falta de saneamento básico na cidade. O rio Cancela destacado hoje atua como esgotamento sanitário que como visto nos levantamento anteriores, carrega o esgoto proveniente de outros bairros. Este é descartado no mar, afetando negativamente a biologia marinha do local assim como a qualidade da água. Machado (2013), escreve que os pescadores relataram que através dos tempos eles têm de buscar pescar cada vez mais longe da costa, uma vez que os cardumes não mais se aproximam. Além do impacto ambiental claro, ocorrem a má frequentação da praia em que o rio segue, um lógico preconceito e depreciação da área.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Diagramas Urbanos. Fonte: Pref. de Barra Velha adaptd. pela autora

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

21 35


6.0 Definições Gerais 6.4 Dados Técnicos

6.5 Condicionantes Legais e Normatizações

A área de interesse se dá pelas áreas tracejadas abaixo. O porto de pesca, como já explanado anteriormente, se estende muito mais que o conceito concreto de uma edificação, a praia toda torna-se parte dele, sendo uma requalificação tanto urbanistica como arquitetônica. Por essa razão e considerando o item 6.3, em que se estuda a incorporação da Av. Beira-mar ao porto novamente, a área ficou delimitada a quadra do porto em conjunto com o que antes era a via. Ainda se considera parte desta preposição de requalificação, todo o canto da baia que compartilha visuais com o porto. A área de intervenção urbanística são 12.970 m², sendo a linha traceja vermelha abaixo. A área onde é permitido haver projeto arquitetônico é a destacada por linha tracejada roxa, de 2000 m².

Estas normatizações poderão ser encontradas no anexo deste trabalho. Plano Diretor de Barra Velha Lei Complementar 63/2008 de 17 de Novembro de 2008 A área se encontra em uma área de interesse turístico da cidade, sendo favorável a sua utilização como desenvolvimento desta. Além disso, fica posicionada em uma ZP2 que admite gabaritos de 8 pavimentos. Por ser um equipamento de origem pública é passível de adequações na Lei Municipal. Vigilância Sanitária _DECRETO ESTADUAL No. 31.455, de 20 de fevereiro de 1987. Definições e recortes que se aplicam ao projeto: IX -ALIMENTO “IN NATURA” -aquele de origem vegetal ou animal, para cujo consumo imediato exija-se apenas a remoção da parte não comestível e os tratamentos indicados para a sua perfeita higienização e conservação.

mação, evisceração e filetagem do pescado destinado à indústria e ao comércio deve fazê-las exclusivamente nas dependências de peixarias, entrepostos e indústrias de pescado ou barcos pesqueiros. Art. 37 -É permitida a venda de pescado, fora dos recintos de peixarias, indústrias e entrepostos de pescado, nos seguintes casos e condições: I -in natura, pescado fresco, quando a pesca for realizada por pescador profissional devidamente matriculado no órgão federal competente, devendo o gelo representar, no mínimo, 30% do peso da mercadoria; _LEI COMPLEMENTAR MUNICIPAL No. 179, de 13 de outubro de 2014. Art. 1º Os assuntos pertinentes à vigilância em saúde no município de Barra Velha são regidos pela presente Lei, atendidas as legislações, Estadual e Federal. Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro de Santa Catarina

ANEXO DO DECRETO ESTADUAL 5010, que define as diretrizes da faixa de areia da Zona de Preservação Art. 34 -É considerado pescado In natura, eviscerado Permanente, onde o Porto de Pesca se encontra. Esta ou não: baseada em mapa de zoneamento fornecido. (vide I - pescado fresco: quando dado ao consumo sem ter anexo) sofrido qualquer processo anterior de conservação, exceto a ação contínua do gelo, na proporção de 30% do peso da mercadoria; Mapa 8. Fonte: Prefeitura de Barra Velha adaptado pelo autora.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Art. 35 -A pessoa ao realizar as operações de desca-

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

22 35


6.0 Definições Gerais 6.6 Definição de Programa 6.6.1 Requerimentos Funcionais e Espaciais Como mencionado no item 6.3, o Porto de pesca já passou por uma alteração de dinâmica arquitetônica e urbanística. Porém além da mudança viária do local a prefeitura resolveu substituir o antigo rancho, possuidor de características locais e de identidade dos próprios pescadores, por um pré-moldado, sem sensibilidade a cultura e tradições ali permeadas. De acordo com a dissertação de Machado (2013), os pescadores em entrevistas relataram que a sua necessidade inicial era somente do conserto do telhado, mas não a reconstrução total do equipamento como foi feito. Em entrevista realizada pela autora deste trabalho, um pescador conta como rancho hoje funciona: O térreo possui área destinada ao conserto de embarcações e para pendurar redes. Acima, cada pescador possui 1 quarto (cerca de 30 quartos) a fim de depositar seus pertences como óleo, combustível, redes, ferramentas, entre outros. Ainda é possível perceber que o rancho conta com um banheiro de acesso público e um quiósque alimentício. Os pescadores quando questionados sobre sua satisfação quanto ao novo rancho de Pesca relataram a Machado (2013) que as escadas sendo muito íngremes, não facilitavam o deslocamento das ferramentas e utensílios aos quartos individuais, muitos nem fazendo uso do edifício, guardavam seus pertences na própria embarcação, sujeito a roubo e danos. Além disso, contaram que o térreo possui o pé direito muito alto resultando em um ambiente muito aberto e que não possui locais para pendurar as redes, tendo que expô-las a chuva. É possível compreender as reclamações, ao comparar o antigo rancho com o novo (MACHADO, 2013). O rancho antigo possivelmente construído pelos pescadores traduzia uma identidade. O novo, nega toda e qualquer identidade e ainda por cima, não facilitou a vida destes trabalhadores. Outro problema desta reforma foi os danos ao diminuir a área do porto para a passagem da via. Quando acontece ressacas maritimas, algo natural do ambiente litorâneo, os pescadores trazem os barcos para a rua, a interrompendo, a fim de evitar danos às embarcações.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

O que manifesta a necessidade do espaço original para o porto. Desse modo, o programa de necessidades é baseado tanto na realidade em que o porto se encontra hoje, levando em consideração o programa atual e toda a infraestrutura do rancho descrita anteriormente, como as intenções e objetivos deste trabalho. Portanto, o programa atualmente consta com 6 “ambientes” e 3 setores. No setor de serviço é pensado no depósito, oficina e banheiros públicos, desempenhando a função do rancho dos pescadores existente. No setor de comércio agrega-se principalmente o espaço onde serão dispostas as bancadas de vendas de pescados e legumes/ verduras. Ele também possui o papel de regularizar o comércio atual de pescados, oferecendo uma nova alternativa de disposição de produtos e sua manipulação, esta sendo compatível as normas de vigilância, porém sempre considerando as práticas originais do porto. A fim de estimular permanência e agregar ao comércio alimentício, são pensados em quiósques que funcionarão de maneira a estender as práticas do porto. A ideia principal é que estes quiosques manipulariam os produtos vendidos do próprio porto, concretizando um ciclo de compra tal como: pescador faz a venda ao cliente do pescado/verdura ou legume fresco, este é levado ao quiosque e preparado ali mesmo, podendo ser consumido no local. Por fim, teria a função de valorização dos produtos e vivência do porto por parte dos usuários. Para amarrar estes usos, é pensado portanto em um setor de convivência e permanência que agregue todos eles a obtém uma unidade para este equipamento. Em conclusão, por se tratar de um espaço um tanto reduzido, a arquitetura deverá adaptar-se ao local juntamente com seu programa, com o intuito de valorizar e melhorar a vida e dinâmica, e por fim cumprir os objetivos estabelecidos neste trabalho. Logo, com o parecer dos próprios pescadores, foi possível perceber a exigência funcional do Porto e portanto, incluí-la no programa. De maneira a estipular áreas, serão utilizadas parâmetros como a área que hoje o rancho já oferece e a média de área/unidade de bancadas que os correlatos utilizaram.

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Foto 1; Porto após ressaca. Fonte: Claudemir Matias, 2016

Foto 2; Rancho Antigo. Fonte: Machado, 2013.

Foto 3; Rancho Novo. Fonte: Acervo Pessoal, 2018

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

23 35


6.0 Definições Gerais 6.6.2 Programa de Necessidades

Descrição

Ambiente

Quantidade

Área

Área Total

Mobiliário

Serviço Área destinada a guardar utensílios e equipamentos pesqueiros por pescador;

Depósito

Não possui

30

5 m²

150 m²

Oficina

Área livre destinada ao reparo de embarcações e estender redes;

1

100 m²

100 m²

WC Trabalhadores

Sanitário de acesso dos trabalhadores

2

15 m²

30 m²

Quiósques Alimentícios

Área para a comercialização de alimentos, originários do próprio porto, e bebidas.

2

20 m²

40 m²

Bancadas de preparação: cubas, fogão, refrigeradores, etc.

Comércio Alimentício

Área destinada a posicionamento de bancadas a fim de realizar comércio de peixes e outros gêneros alimentícios como: vegetais, legumes etc. do próprio porto, e bebidas.

6

17 m²

102 m²

Bancadas: cubas de água corrente, refrigeração, armários, expositores.

1

2.978 m²

2.978 m²

Mobiliário urbano: bancos, lixeiras, iluminação.

Estendais; Mesa de Apoio; Peças Sanitárias, etc.

Comércio

Convivência Plataforma

Área destinada a agregar todos os usos de maneira que seja uma área de convívio e permanência.

Urbano

Área Urbana que integra a requalificação.

1.678 m²

Área Total

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Mobiliário urbano: bancos, lixeiras, iluminação.

5.081 m²

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

24 35


6.0 Definições Gerais 6.7 Partido Arquitetônico e Urbanístico Baseado em todas as considerações e diagnóstico apresentadados anteriormente, o produto arquitetônico e urbanístico provém de uma sequência de constatações as quais interferem diretamente no Porto de Pesca. A dinâmica existente atualmente é resultado de uma valorização do automóvel em um espaço público o qual o protagonista é outro, os pescadores e suas práticas. Com isto em mente, pensou-se em estudar a maneira que o porto se organiza, atentando-se aos fluxos dos barcos, pescadores e transeuntes. Foi possível perceber que os fluxos convergem aos barcos. Conclui-se que a essência do porto é baseada neles e que o rancho e o tanque de filetagem são posicionados nas laterais justamente por serem o espaço remanescente posteriormente pensado, isto sugere que os barcos são a estrutura primária deste Porto de Pesca. Como citado anteriomente a área sofre por ressacas maritmas, recorrente em litorais, as quais comete que os pescadores tragam os barcos para cima da via em frente, por falta do espaço que lhes foi tirado. Em vista disso e no objetivo de valorizar o porto de pesca, é proposta a supressão da via que nunca agregou ao bom funcionamento deste equipamento. A supressão possibilita a criação de uma plataforma que possui o intuito tanto em evitar as consequências de uma ressaca, os danos aos barcos, como de ser um plano unificador de usos. Esta plataforma é elevada a 50 cm do chão, de maneira que integre os barcos ao porto por meio de um plano inclinado, ela se estende pela área de interesse do porto até o canto da baía com a mesma materialidade a fim de criar uma continuidade. Portanto, é permitido que os barcos integrem a dinâmica do porto, promovendo-os como patrimônio imaterial deste Porto. O rancho, local onde acontece o reparo das embarcações e contrução de redes, é uma das estruturas do porto de pesca que carrega tradições e práticas pesqueiras. Dessa maneira, antes negligenciado, agora é entendido pelo valor que ele traduz ao introduzi-lo ao meio do porto. Com isso, é possível enaltecer o saber-fazer encontrado e ainda facilitar a logística dos barcos com o rancho, uma vez que estes funcionam em conjunto.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

25 35


6.0 Definições Gerais

O sucesso desta requalificação também depende do tratamento urbano da área que fomentará a vitalidade do porto de pesca. A fim de ilustrar a apropriação das pessoas na área do porto, é apresentado este diagrama sensorial que traduz possibilidades de atividades que poderão acontecer no porto. 1.passeio: diz respeito a chegada das pessoas ao porto proveniente da Av Beira-mar. A via antes existente agora tem a possibilidade de tornar-se palco de manifestações culturais, como apresentações de dança e esportes, a qual possibilita ser uma área urbanística multiuso. As escadas que dão acesso para o desnivel do porto (+50), tornam-se assentos informais. O passeio com nível elevado encaminha as pessoas ao porto.

1. passeio

Calungas. Fonte: Sanaa People

2. porto

Calungas. Fonte: Sanaa People

3. mirante

Calungas. Fonte: Sanaa People

Diagrama sensorial Diagrama. Fonte. Acervo pessoal, 2018. Calungas. Fonte: Sanaa People

2. porto: como já mencionado, a plataforma elevada (+50) juntamente com seu plano inclinado conseguem trazer os barcos para dentro do porto de maneira que a relação das pessoas com os barcos não se percam, ao contrário, a fortaleça. 3. mirante: o canto da baía possui troca de visuais com o porto de pesca, dessa maneira foi pensado nele como uma extensão do próprio porto o qual exerça atividade de contemplação.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Mapa Situação. Fonte: Prefeitura de Barra Velha adaptado pela autora.

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Ilustrações. Fonte: Acervo Pessoal, 2018

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

26 35


6.0 Definições Gerais

Uma das características mais marcantes no porto de pesca é a interação do pescador com seu barco e das embarcações com as pessoas que fazem a compra dos pescados. Estas relações significam a singularidade que o porto possui e deve-se preservar sua integridade como parte integrante do patrimônio imaterial. Partindo do posicionamento dos barcos e a sensação do passar entre eles, se dá atenção aos ângulos das embarcações de maneira que os usa como partido para a morfologia espacial da bancada. Estas são inclinadas 60º e dipostas não de maneira paralela aos barcos, mas sim considerando os fluxos e as chegadas ao porto. Independente da direção que se está vindo, as bancadas traduzem o passar entre barcos. Estas bancadas então conseguem de alguma forma se camuflar e se integrar na dinâmica do porto.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

27 35


6.0 Definições Gerais

Fluxograma

Setorização

Setor Convivência: Trata-se da plataforma, esta elevada a 70 cm do solo e com dois planos de baixa inclinação de acesso. Ela amarra os usos e os complementa ao oferecer espaços de permanência. Possui 3.400 m².

Setor Serviço: Inclui o rancho dos pescadores, lugar de reparo das embarcações e redes + depósito coletivo + banheiro público. Aqui se concentra toda a função de serviço do porto. O rancho possui 120 m² com possibilidade para 5 embarcações simultaneas. O depósito possui 50 m² e os banheiros públicos 30 m².

Setor Comércio: Trata-se das morfologias de bancadas. Pensou-se que todos os comércios seguirão esta tipologia, porem os adaptando em materialidade. Os quióques alimentícios possuem área ligeiramente maior de 26 m² pela sua necessidade em equipamentos maior. Os demais são de 17 m². Quiósque alimentício Comércio leg./lerduras

Área Urbana: Também agrega a requalificação urbana que soma 1.681 m² ao projeto. Totalizando 5.081 m².

Comércio pescado

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

28 35


7.0 Evolução Arquitetônica

Ao longo do processo de concepção arquitetônica, partindo da primeira proposta a qual somente se encontrava o bloco de serviço ao centro e as bancadas adjacentes a ele, foi possível evoluir de maneira a considerar que este bloco de serviço deveria ser posicionado ao lado no lugar do centro, pois o mesmo estaria causando uma obstrução visual ao porto. Desta maneira, o bloco se multiplica em dois andares, possibilitando ali resolver todas as questôes técnicas do porto como: banheiros e depósitos. As bancadas antes pensadas para serem fixas, agora possuem uma característica mais flexível. Ao torna-las móveis e desmontaveis, a arquitetura se assemelha muito com a espontaneidade dos barcos já existentes. Estas são somente possibilitadas através da criação das cubas fixas coletivas que oferecem o apoio hidráulico que a atividade necessita. Consta no programa a ideia dos quiosques alimentícios que estimulam permanência e uma experiência gastronômica ao porto. Estes quiosques são levados ao primeiro pavimento por meio da criação de mezaninos, e assim se tem setores de atividades diferentes bem divididos porém que ainda possuem relação espacial muito presente. Estes mezaninos foram idealizados de maneira que houvesse divegência de alturas por meio deles, conectados por rampas de inclinção baixa. Esta ondulação do piso faz com que a trama de madeira engastada ondule também, garantindo movimento a arquitetura.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

1_primeira proposta

2_bloco de serviço

3_bancadas móveis

4_mezanino

5_trama + quiósques alimentícios

6_porto de pesca

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

29 35


8.0 Referências Bibliográficas COMERLATO, Fabiana. As armações baleeiras na configuração da costa catarinense em tempos coloniais. Volume 15. p. 481-501. 2011. GONÇALVES, Andrea. MOURA, Tassiana. Análise Urbana do Balneário de Barra Velha - 1940 a 1990. 1990. Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC. Florianópolis, 1990. BOER, Peter. Barra Velha através dos tempos. 1ª edição. Barra Velha: Arte e editora, 1992. MACHADO, C. B. G. O território da pesca artesanal da Colônia Z4, Barra Velha, SC: o paradoxo entre a tradição e a modernidade. 2013. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Programa de Pós-Graduação em Geografia, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Guarapuava. IBAMA; EPAGRI. Situação da Pesca Artesanal no Estado de Santa Catarina. Projeto: conscientização e divulgação das medidas de administração pesqueira, Itajaí, n. 1, p. 04, 1992. MEDEIROS, R. P. et al. Diagnóstico Socio-econômico e cultural nas comunidades pesqueiras artesanais do litoral centro-norte do estado de Santa Catarina. Faculdade de Ciências do Mar, Universidade do Vale do Itajaí, Itajaí, 1997. UNESCO. Convenção para Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial. Paris, 2003 SILVA, A. P. Pesca artesanal brasileira: aspectos conceituais, históricos, institucionais e prospectivos. Embrapa Pesca e Aquicultura. Palmas, Correlatos e Estudos de Caso GOULART, Mônica. TEIXEIRA, Salete. Estudo da percepção do meio ambiente a praia de armação do Itapocorói, Penha, SC. 2005. Universidade Estadual de Londrina - Departamento de Geociências, Londrina. Z-13 longa-metragem. Produção de Coletivo Pitoresco, 1h01 min, son., color. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=8MepEWDw1PU>. Acesso em: 30 MAR. 2018 BRAVO, David. Besiktas Fish Market. Disponível em: 20 Acessado em: 18 MAR 18 ETHERINGTON, Rose. Besiktas Fish Market by GAD. Disponível em: https://www.dezeen.com/2010/02/16/besiktas-fish-market-by-gad/ Acessado em: 18 MAR 18 BRAVO, David. Harbour Market. Disponível em: http://www.publicspace.org/en/works/j032-trznica-i-ribarnica-vodice Acessado em: 19 MAR 18 PERACIC, Dinko. Tržnica Vodice. Disponível em: http://www.kuzmanic-simunovic.hr/wp-content/uploads/Vodice_description.pdf Acessado em: 19

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

30 35


Apêndices Apêndice A - Modelo Entrevistas realizadas

CENTRO UNIVERSITÁRIO – CATÓLICA DE SANTA CATARINA CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – TCC ACADÊMICA ISADORA DE BORBA COELHO CELUPPI ORIENTADORA LAURA BAHIA PESQUISA DE CAMPO PARA TCC I COMERCIANTES NOME: RESIDE EM BARRA VELHA: (SIM)

(NÃO) ONDE:

QUANTOS ANOS PRATICA A PROFISSÃO: POR QUAL MOTIVO VOCÊ SE ESTABELECEU NESTE LOCAL? A QUANTO TEMPO?

VOCÊ ESTÁ SATISFEITO COM ESTE LOCAL? SE PUDESSE, O QUE MUDARIA?

SE HOUVESSE UM LOCAL PROJETADO PARA VOCÊS, ACHARIA INTERESSANTE?

QUAIS SÃO SUAS NECESSIDADES QUANTO AO SEU COMÉRCIO?

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

31 35


Comerciantes

Apêndices Apêndice B - Entrevistas realizadas no Porto de Pesca Usuários

CONCLUSÃO Usuários: _O frescor da mercadoria, a praticidade e a informalidade sustenta a vida deste comércio _Vir comprar a mercadoria (peixe) nesta situação é uma atividade que faz parte das vidas das pessoas _Os usuários sentem necessidade de organização e higiene, ainda simpatizam com os comerciantes (pescadores), gostariam que fosse proporcionado melhores condições. _É percebido a vontade de um local de permanência maior. (clima) _Esta simpatia com o comerciante se dá justamente por essa informalidade existente, a maneira de relação do comerciante e cliente não poderá ser perdida, ela sustenta a essência deste local.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Comerciantes: _Pescadores percebem o local como único; _Eles se sentem esquecidos por parte da prefeitura, desincentivados; _Sentem necessidade de organização maior e poder prolongar as vendas na parte da tarde; _Os comentários da não viabilidade de um espaço projetado provém de uma realidade em que os filhos destes pescadores não assumem mais a atividade justamente por falta de valorização e condições do trabalho, desta maneira, ocasionando o esvaziamento gradativo e a perda portanto da prática e cultura dessa população _ Fala de um pescador foi “pra mim não interessa mais”.

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

32 35


Comerciantes

Apêndice Apêndice C - Resultado entrevistas realizadas nas Feiras Itinerantes Usuários

CONCLUSÃO Usuários: _A qualidade dos produtos sustenta a vida dessas feiras, logo a localização delas não importa, as pessoas iriam atrás dela pelos produtos; _A maioria dos usuário acredita que pela qualidade destes produtos, mereceria um local mais estruturado e organizado para atende-los; _A frequencia de compra é alta, se houvesse feira todos os dias, se sustentaria;

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Comerciantes: _Feirantes residem na área rural, seus produtos são proveniente direto da fonte; _A prática é passada de pais para filhos; _Estes feirantes se instalam onde são bem vindos ou permitidos; _A maioria gostaria de um local mais organizado; _Observou-se a diferença de resposta entre o feirante de menos idade com o de maior idade. o de menor idade percebe e quer melhoria no ambiente de traballho;

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

33 35


Anexos Anexo A - Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro Anexo Decreto 50101

1 O mapa de Zoneamento Ecológico e Econômico Costeiro disponibilzado pelo GERCO, pode ser consultado no link: http://www. spg.sc.gov.br/visualizar-biblioteca/acoes/gerco/setor-1/99-mapa-e-zeec-pgzc-barra-velha/file ACESSO EM 22 MAI 18

Anexo B - Situação da Pesca Artesanal no Estado de Santa Catarina. EPAGRI e IBAMA, 1992.

IBAMA; EPAGRI. Situação da Pesca Artesanal no Estado de Santa Catarina. Projeto: conscientização e divulgação das medidas de administração pesqueira, Itajaí, n. 1, p. 04, 1992.

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

34 35


6.0 Definições Gerais Anexo B - Vigilância Sanitária_Decreto Estadual 31.455/87

SUBSEÇÃO II Do Pescado Art. 33 -A pessoa não pode expor à venda ou ao consumo, vender para as indústrias pesqueiras, ou empregar na elaboração de derivados ou subprodutos comestíveis, pescado que tenha sido recolhido já morto ou capturado em águas contaminadas ou poluídas, em estado capaz de prejudicar a saúde do consumidor. § 1º. -A pessoa não pode expor á venda ou ao consumo pescado envolvido ou que contenha areia. § 2º. -As disposições deste Regulamento e, em especial, as deste artigo, são extensivas as algas marinhas, crustáceos, moluscos, anfíbios, quelônios e mamíferos de água doce ou salgada usados na alimentação humana. Art. 34 -É considerado pescado In natura, eviscerado ou não: I - pescado fresco: quando dado ao consumo sem ter sofrido qualquer processo anterior de conservação, exceto a ação contínua do gelo, na proporção de 30% do peso da mercadoria; II - pescado resfriado: quando devidamente acondicionado em gelo e mantido em temperatura entre -0,5ºC (meio grau centígrado negativo e 2ºC (dois graus centígrados negativos) em câmara ou outro dispositivo frigorífico; II - pescado congelado: quando submetido a processo industrial adequado de congelação, em temperatura não superior a -25ºC (vinte e cinco graus centígrados negativos) e, posteriormente, mantido em câmara ou outro dispositivo frigorífico, até a sua entrega ao consumidor, em temperatura não superior a –18ºC (dezoito graus centígrados negativos). Parágrafo único - O pescado, uma vez descongelado, não pode ser novamente recolhido a câmaras frigoríficas ou outros dispositivos de produção de frio. Art. 35 -A pessoa ao realizar as operações de descamação, evisceração e filetagem do pescado destinado à indústria e ao comércio deve fazê-las exclusivamente nas dependências de peixarias, entrepostos e indústrias de pescado ou barcos pesqueiros. Art. 36 -A pessoa deve, na industrialização e no comércio de derivados e subprodutos comestíveis do pescado, obedecer aos preceitos deste Regulamento, resguardadas,

requalificação do porto de pesca de Barra Velha

no entanto, as indicações condicionadas pelas peculiaridades de cada produto e a legislação pertinente. § 1º. -A industrialização do pescado, inclusive a salga, prensagem, cozimento e defumação, só é permitida em estabelecimentos industriais devidamente licenciados pela autoridade de saúde. § 2º. -É obrigatória a limpeza e evisceração do pescado utilizado na elaboração de produtos curados ou em conserva, qualquer que seja a forma de seu processamento, exceto o pescado miúdo, a critério do órgão competente. Art. 37 -É permitida a venda de pescado, fora dos recintos de peixarias, indústrias e entrepostos de pescado, nos seguintes casos e condições: I -in natura, pescado fresco, quando a pesca for realizada por pescador profissional devidamente matriculado no órgão federal competente, devendo o gelo representar, no mínimo, 30% do peso da mercadoria; II -in natura, descamado ou esfolado, eviscerado ou filetado, resfriado ou congelado, desde que observadas as exigências especificas mínimas deste Regulamento; III -pré-embalado e congelado, devidamente rotulado e oriundo de estabelecimento industrial licenciado, em estabelecimentos comerciais de gêneros alimentícios e outros desde que mantido em dispositivos congeladores semifixos, de funcionamento automático quanto à produção de frio adequado, observadas as demais exigências regulamentares e a critério do órgão competente. Art. 38 -A pessoa somente pode entregar pescado a domicilio através dos estabelecimentos do ramo, devendo o mesmo estar acondicionado em recipiente que o mantenha em temperatura adequada.

Centro Universitário Católica de Santa Catarina Curso de Arquitetura e Urbanismo Trabalho de Conclusão de Curso I

Relatório de Pesquisa

Acadêmica Isadora Celuppi Orientadora Laura Bahia

35 35


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Relatório de Pesquisa_Requalificação do Porto de Pesca de Barra Velha SC. by celuppi.isadora - Issuu