PANORAMA BÍBLICO – ESTUDO Nº 10 PANORAMA HISTÓRICO DO ANTIGO TESTAMENTO INTRODUÇÃO A fim de prosseguirmos em nosso Panorama de Toda a Bíblia, livro por livro, considerando cada narrativa, fato e evento do Livro do Céu, mister é ter uma visão ampla da cronologia do primeiro volume da Bíblia, o Antigo Testamento. Ele pode ser dividido em diferentes períodos organizados de acordo com seus eventos principais. Não afirmamos ser detentores de conhecimento absoluto quanto à datação, nem este tema é assunto específico de nossos estudos bíblicos, contudo, considerando algumas datas cardeais bem fixadas, nosso empenho é apresentar uma cronologia aproximada, coesa e consistente com os fatos históricos e com a narrativa da Bíblia. Ou seja: ainda que não seja possível fixar dias e meses, podemos alcançar considerável segurança quanto à ordem dos fatos e de como se sucederam. PERÍODO 1: DA CRIAÇÃO AOS PATRIARCAS (c. 4000 a 1659 a. C.) Da Criação do Universo (c. 4000 a.C.?) à entrada de Jacó no Egito (c. 1659 a.C.) • • • • • • • •
Criação e convívio pacífico entre Deus e a humanidade (quanto tempo?) Queda e exílio de Adão e Eva O Dilúvio (c. 2236 a.C.) Há consenso em dizer que a história de Jó deu-se neste ponto. Nascimento de Abraão (c. 1944 a.C.) Nascimento de Isaque (c. 1845 a.C.) Nascimento de Jacó (c. 1789 a.C.) A família de Jacó emigra para o Egito (c. 1659 a.C.)
Livros deste período: A história sagrada era transmitida pelas gerações de fieis. Os livros que se referem a este período são: • Gênesis • Jó PERÍODO 2: O ÊXODO E A CONQUISTA DE CANAÃ (c. 1444 a 1382 a.C.) Desde o chamado de Abraão até à entrada de Jacó no Egito, passaram-se 215 anos; o povo de Israel viveu no Egito durante outros 215 anos, perfazendo o número de 430 anos, como lemos em Êxodo 12:40,41 e Gálatas 3:16,17.
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Dominação dos Israelitas pela nova geração de Egípcios. Deus envia Moisés para libertar o povo com grandes sinais e prodígios. O povo deixa o Egito e peregrina durante 40 anos no deserto. Sob o comando de Josué, na direção de Deus, os Israelitas conquistam a terra que fora prometida a seus pais.
Livros deste período: • Êxodo • Levítico • Números • Deuteronômio • Josué PERÍODO 3: OS JUÍZES (c. 1361 a 1050 a.C.) Imediatamente à morte de Josué, seguiu-se um período de anomia e perturbação no seio do povo de Deus. Guerra civil, práticas esdrúxulas, idolatria e sincretismo. Este período está na parte final do livro dos Juízes, caps. 17-21. Também neste período se deu a história de Rute, a ancestral moabita do rei Davi, integrada ao povo de Deus. O período dos juízes durou mais de três séculos; foi o período em que Deus suscitava ao povo, precedido de arrependimento de pecados e clamor sincero, juízes que eram líderes locais cuja missão era dupla: julgar o povo segundo a Lei (esta era a tarefa principal e contínua) e liderar o povo em campanhas militares debaixo da direção do Senhor (provida através dos profetas e do uso do Urim e Tumim do Sumo-Sacerdote e do Tabernáculo). Os juízes eram líderes locais, regionais, por isso houve contemporaneidade entre eles, e também eram líderes apontados por Deus. Quatro deles figuram no rol dos Herois da Fé: Baraque, Giderão, Jefté e Sansão. Durante o Juizado de Sansão deu-se a infância e o chamado de Samuel, o qual, logo após a morte do Nazireu, assumiu como último dos Juízes. Livros deste período: • Juízes • Rute • 1 Samuel (até 25:1) PERÍODO 4: O REINO UNIDO DE ISRAEL E JUDÁ (de 1050 a 931 a.C.) A partir deste período temos muito maior convicção em exatidão de datas e grande e vasto supedâneo arqueológico já encontrado. O período 4 é inaugurado pela eleição e unção de Saul como Rei de Israel. É trágico que o povo tenha rejeitado ao profeta Samuel como seu Juiz e escolhido Saul por razões tão espúrias. Contudo não devemos nos esquecer que Samuel é, em grande medida, um dos maiores tipos de Cristo do Antigo Testamento, inclusive em sua rejeição pelo povo. Deus é o Senhor soberano da história. A unção de Saul inaugurou um reinado que começou deveras fragmentado, em que ele teve de se empenhar para conquistar a adesão das partes do povo ainda [2]
distantes de seu ideal. Durou 40 anos, mas no seu 16º ano de reinado foi rejeitado por Deus quando fez trégua com os Amalequitas (cuja destruição tinha sido ordenada desde os dias de Moisés) e profanou o sacrifício fazendo-o a revel, como lhe pareceu melhor. Os 24 anos seguintes são o período de decadência de Saul, em que ele empreendeu perseguições a Davi, desenvolveu caráter beirando a loucura e se envolveu com superstições, misticismos e causou sua própria falência. Davi foi aclamado Rei de Judá em 1011 a.C. e 7 anos depois, portanto em 1004 a.C., proclamado Rei também de Israel. Como rei de todo o povo, regeu por 33 anos; seu reinado é datado pelos 40 anos entre 1011 e 971 a.C. Foi o grande período de integração nacional e sobrepujança sobre os inimigos do povo de Deus. Houve um período de conturbação no final de seu reinado, mas Deus deu a Davi condições de vencer seus inimigos e solidificar sua sucessão. Salomão foi escolhido sucessor de Davi e foi o último rei do chamado “Reino Unido de Judá e Israel”. Reinou também por 40 anos (este período 4 tendo durado 120 anos) e seu reinado foi o ápice cultural, social, econômico e geral do povo. Houve, como seu pai, um período longo de perturbação e decadência, encerrado por um público arrependimento (o Eclesiastes) mas cujas consequências já estavam instaladas em definitivo no seio do povo. Livros deste período: • 1 Samuel 25-31 • 2 Samuel • 1 Reis 1-11 • 75 dos Salmos são de Davi, 2 são de Salomão • Provérbios • Cantares • Eclesiastes PERÍODO 5: OS REINOS DO NORTE E DO SUL (de 931 a 586 a.C.) Na próxima página há uma tabela que detalha datas, rei do norte, rei do sul, e profetas de Deus. Este é o período de maior ação profética na história do Antigo Testamento, claro, porque o povo entrou em espiral. As palavras dos profetas passaram a ser registradas nos livros proféticos porque exceto em poucas ocasiões, os profetas não eram ouvidos pelos reis nem pela maioria do povo. Deus preservou a identidade nacional, sem dúvida almejando que se mantivesse a promessa de salvação, pois o Salvador seria descendente de Abraão, Isaque, Jacó e Davi. Também para que a história e a revelação nos livros já dados fosse preservada; o Templo ainda era necessário, e continuou a funcionar ainda que precariamente por algum tempo. Foi um período longo e agonizante, especialmente quanto ao Reino do Norte, que, depois de sua queda em 722 a.C. se espalhou pelo mundo e dissipou; o reino do Sul, Judá, conseguiu manter sua identidade e teve alguns, porém poucos, reis bons. Igualmente foram dominados e Jerusalém caiu no ano 586 a.C., o que leva ao período 6 da história, o exílio da Babilônia. [3]
TABELA CRONOLÓGICA DE PROFETAS E REIS DO PERÍODO nº 5 DO AT Reis de Judá Profetas Reis de Israel Saul (1050-1010) Samuel Davi (1011-971) Natã e Gade Salomão (971-931) Roboão (931-913) Semaías Aías Jeroboão I (931-910) Abias (913-911) Asa (911-869) Hanani Nadabe (910-909) Jeú Baasa (909-886) ‘’ Ela (886-885) ‘’ Zimri (885) ‘’ Tibni (885-880) ‘’ Omri (885-874) Josafá (872-848) ‘’ Elias e Micaías Acabe (874-853) ‘’ Acazias (853-852) Jorão (854-841) Eliseu Jorão (852-841) Acazias (841) ‘’ Jeú (841-814) Rainha Atalia (841-835) ‘’ Joás (835-796) ‘’ Joacaz (814-798) Amazias (796-767) Jonas (790) Joás (798-782) Uzias (790-739) Amós (767-753) Jeroboão II (793-753) Oseias (755-725) Zacarias (753) ‘’ Salum (752) ‘’ Manaém (752-742) ‘’ Peca (752-732) Jotão (750-731) Isaías (745-685) ‘’ Pecaías (742-740) Acaz (735-715) Miquéias (740-700) ‘’ Oseias (732-722) Ezequias (729-686) ‘’ QUEDA DO REINO Manassés (697-642) ‘’ REIS BABILÔNIOS Amom (642-640) Naum (c.640) Nabopolasar Josias (640-609) Jeremias (626-850) (626-605) Joacaz (609) Habacuque (c.630) Nabucodonosor Jeoaquim (609-598) Sofonias (c.630) (605-562) Joaquim (598-597) Joel e Daniel (603-535) Belssazar Zedequias (597-586) Ezequiel (593-592) e Obadias (556-539) GOVERNADORES REIS PERSAS Zorobabel (539-?) Ageu (520) e Zacarias (520-518) Ciro (539-530) Esdras (457-?) Artaxerxes (465-423) Neemias (444-?) Malaquias (425-?) Fim do Antigo Testamento e Início do Período Intertestamentário
Livros do período do reino dividido: • 2 Reis 12-25 • Jonas (norte) • Amós (ambos) • Oséias (norte) • Isaías (sul) • Miqueias (sul) • Naum (sul)
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Jeremias (sul) Habacuque (sul) Sofonias (sul) Joel (sul) Ezequiel (sul) Obadias (sul)
Não podemos deixar de notar a forma amorosa como Deus enviou profetas a chamar o povo ao arrependimento e ao retorno aos caminhos do Senhor. Ainda que as tragédias tenham vindo, cremos que muitos dentre o povo deram ouvidos aos profetas e creram em seu Deus para sempre bendito. [4]
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PERÍODO 6: O EXÍLIO NA BABILÔNIA Os Assírios dizimaram o reino do norte em 722 a.C.; espalharam os israelitas, dez das doze tribos, por todo o mundo e até ao dia de hoje essa grande descendência de Abraão permanece sem identificação, miscigenados dentre as outras nações do mundo. Também os mesmos Assírios implantaram gente gentia na terra do reino do norte, dando origem aos Samaritanos, que chegaram a um alto número populacional, mantido até os dias do Salvador, que existem até hoje, porém em escala muitíssimo reduzida. Em 586 a.C. os Babilônios venceram sobre Jerusalém. O período antecedente foi cheio de ação profética, mas mesmo assim o povo não deu ouvidos à mensagem do Senhor. A nobreza de Israel foi levada para servir na corte babilônica, inclusive o jovem príncipe Daniel e seus companheiros, os quais se destacaram imensamente na corte de Nabucodonosor e deixaram alguns dos magos com informações da revelação divina (de cujo número, alguns séculos depois, três vieram adorar o Senhor ao ver a Sua estrela no céu). Alguns judeus se destacaram na corte a ponto de exercer considerável preeminência, ainda que isso fosse oscilante, como vemos na vida do próprio Daniel que, posteriormente foi relegado, ainda que ao final de sua vida tenha sido novamente exaltado. Jeremias, santo profeta, morreu no exílio; por ele veio a afirmação divina de que aquilo era temporário e que 70 anos depois retornariam para sua terra. Livros escritos neste período: • Daniel • Parte de Jeremias e das Lamentações de Jeremias
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PERÍODO 7: RECONSTRUÇÃO (539 a 425 a.C.) Os babilônios foram conquistados pelos persas, 538 a.C. Nos termos exatos que Deus falou por meio de Isaías, Ele ergueu um homem chamado Ciro, por meio de quem, em 539 a.C., aconteceu a libertação de uma primeira parcela do povo, a se instalar novamente em Jerusalém e ali reiniciar uma colônia de herdeiros da promessa. Zorobabel foi escolhido para comandar esta primeira etapa; ainda que a terra estivesse desabitada, encontraram inúmeras dificuldades. O inimigo das almas é opositor dos propósitos santos de Deus e Seu povo. Ageu e Zacarias foram levantados para expressar a indignação que havia no Céu contra as prioridades que o povo escolheu: preferiram edificar suas próprias residências (e ainda que isso fosse essencialmente importante, passaram a se dedicar ao luxo e ao lazer depois da construção pronta), negligenciando a reconstrução do Templo, sinal da aliança entre o povo e Deus e sobretudo da obra que posteriormente se efetuaria no Calvário. Nesse ínterim, em Susã, Mardoqueu e Ester foram usados por Deus para um livramento do povo do Senhor das garras do diabo e de seu boneco Hamã, cujas intenções consistiam em liberar quaisquer diabólicos inimigos para matar impunemente o povo de Deus. A intenção era clara: que o Salvador não tivesse Sua linhagem prometida pela qual viria ao mundo. Hamã foi um dos grandes instrumentos de Satanás na história da humanidade; contudo, completamente vencido. Esdras, a quem chamamos “o Lucas do Antigo Testamento”, foi levantado por Deus para que não somente houvesse Templo edificado, mas funcionando. Foi ele quem compilou a história do povo no livro das Crônicas, o qual se difere essencialmente do livro dos Reis porque, enquanto o livro dos Reis se refere, como diz o nome, aos Reis e alguns acontecimentos de seus reinados, tendo sido escrito praticamente em simultaneidade pelos profetas Natã, Eliseu, Jeú e outros; o livro das Crônicas diz respeito à história da Nação e de seu estado para com o Senhor. Esdras também foi o prolífico compilador dos Salmos e o eficaz reorganizador do serviço do Templo e disciplinador do povo. Incansável, meticuloso e zeloso. É considerado o fundador da casa dos escribas. Após, somos apresentados a Neemias, o terceiro e último governador, que atuou em cooperação com Esdras e levou o povo a concluir a obra, terminando de cercar a cidade a qual foi também muito expandida. Livros do período nº 7, da reconstrução: • 1 e 2 Crônicas • Compilação final dos Salmos • Esdras • Neemias • Ester
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PERÍODO 8: INTERTESTAMENTÁRIO (400 anos de silêncio) (425 a 6 a.C.) Após o fim do governo de Neemias (não sabemos se ele morreu em Jerusalém ou se foi chamado de volta para sua função de copeiro do rei), o povo entrou em nova decadência espiritual. O profeta Malaquias, de escrita tão significativa e profunda, até mesmo dura, foi levantado por Deus neste tempo; porém, a tradição histórica nos informa que foi rejeitado pelo povo com grande resistência, ao ponto de ter sido morto. Durante 400 anos, até aos dias de João o Batista (em quem se cumpriu a profecia final de Malaquias, 4:6) Deus não enviou emissário nem profeta, ainda que tenha protegido a linhagem de Jacó tendo em vista Suas grandes promessas. Nesse tempo, os persas sucumbiram aos gregos, que impuseram aos judeus grave idolatria e profanação do Templo pelas mãos de Antíoco Epifânio. Na Septuaginta há 7 livros, chamados com justiça apócrifos porque não são texto inspirado, oriundos desse período nº 8 da história do Antigo Testamento, que preservam a corajosa resistência dos judeus à imposição grega, especialmente da mulher Judite e da família dos Macabeus, que instalaram um pequeno reinado, ainda que em subserviência aos gregos, dos quais descendeu a casa de Herodes. Livro inspirado deste período: • Malaquias [8]