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Panorama Bíblico: JUÍZES

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PANORAMA BÍBLICO ESTUDO Nº 8 – JUÍZES INTRODUÇÃO Autor: Os próprios Juízes, Samuel servindo de compilador. Ocasião: Da morte de Josué até ao apaziguamento dos filisteus, pela mão de Sansão.

I. PRÓLOGO (1:1 – 2:15) “Depois da morte de Josué”: o povo estava com a responsabilidade (e as promessas de Deus para isso!) de conquistar a terra. Somos apresentados, nos primeiros versos, a uma cena rara neste livro: o povo fez o que Deus queria que fizessem! – e por isso o Senhor lhes deu vitória! – o povo tinha poder nas mãos do Senhor! Otniel aparece pela primeira vez, sendo-nos mostrado como, de âmbito local, suas ações eram abençoadas por Deus. ele era sobrinho de Calebe e casou-se com sua filha. Porém, logo ao virar a página, já vemos a forma como o povo se esfriou em sua fé para com nosso Deus: • 1:19: Após uma série de vitórias impressionante, Judá temeu carros de ferro, como se Deus não pudesse vencê-los! 1:21: Os Benjamitas não tomaram posse de Jerusalém. • 1:27: Os Manassitas preferiram ganho incrédulo obtido pelos tributos e trabalhos forçados do que a vitória que viria pela fé no Senhor. • 1:29: Efraim; 1:30: Zebulom; 1:31: Aser; 1:33: Naftali. • 1:34: Até que tinham alguma terra os filhos de Dã, mas foram vencidos, em vez de vencer. • 2:1-5: Uma grande Cristofania ali aconteceu, que levou a um período de avivamento e quebrantamento para com Deus. • 2:6-15: A geração vindoura não temeu a Deus e introduziu o maior período de apostasia, anomia, decadência e violência da história do Antigo Testamento! II. CRONOLOGIA DO “EPÍLOGO” (17:1 – 21:25) O epílogo (17:1 – 21:25) é um dos trechos mais negativos do Antigo Testamento, e tem levado muitos a interpretar que o período dos juízes foi seguido por uma longa decadência espiritual e moral no seio do povo. Contudo, neste estudo acompanhamos os antigos e clássicos intérprete da Bíblia, que fazem inserção deste período entre 2:15 e 2:16. Algumas razões por que é assim:


(1) 17:1: A frieza espiritual que levou ao surgimento daquela estranha forma de idolatria lucrativa tem a ver com um período de vazio compatível com o vácuo causado pela morte de Josué, após o que cada tribo foi militar por sua própria herança. Se fosse depois de Sansão, Mica teria sido combatido veementemente por seus compatriotas. Obs: A tribo de Efraim sofreu grandes baixas numéricas nos dias de Jefté. Também isso acompanha esta compreensão. (2) 18:1: Estes acontecimentos se deram num momento da história em que a tribo de Dã ainda não tinha alcançado posse da sua herança. Sansão, porém, era danita, e em sua história vemos que a tribo de Dã já tinha alcançado herança. Naturalmente, portanto, os fatos desse epílogo tiveram alguma simultaneidade com 1:34, quando Dã já tinha herança, ainda que em conflito com os amorreus. (3) Na guerra civil (19:1 – 21:24): A tribo de Benjamim sofreu baixas numéricas impressionantes; não seria natural encontrar a tribo já novamente fortalecida que havia nos dia de Samuel se essa guerra tivesse acontecido logo antes; nem tampouco um benjamita, Saul, seria escolhido como rei se os ressentimentos não estivessem muito distantes na história. A história do epílogo pode ser resumida em seus dois episódios: O primeiro episódio, capítulos 17 e 18 vem nos revelar o ambiente profundamente idólatra e supersticioso em que o povo estava mergulhado. Falsos sacerdotes de falsos deuses, cunhando ídolos e outros se apegando a esses ídolos; Mica fez um ídolo e sua casa se tornou um centro de culto; ele contrata um sacerdote e aquele ídolo se torna afamado. Vêm os danitas pensando que por ali consultariam o Senhor Deus, e, roubando o ídolo e subornando o sacerdote, tomam uma cidade e ali estabelecem um novo centro, ao norte, de idolatria. O segundo episódio, capítulos 19 a 21, é um dos mais lamentáveis de toda a história da Bíblia: Um levita ia de viagem com sua concubina; pernoitou em Gibeá, cidade dos benjamitas, mas ali não lhe foi oferecida acolhida; os homens da cidade, agindo com assustadora violência, agem de tal forma que resulta na morte da concubina. O levita chama as demais tribos para justiçar tal ação; os benjamitas se recusam a consentir que justiça fosse trazida sobre os moradores de Gibeá, o que resulta numa guerra civil das demais tribos de Israel contra Benjamin. Ao fim da batalha, após cada ancião ter jurado que os benjamitas não teriam esposa entre si, como resolver o problema de manter o nome do filho de Jacó na história? (Lembre-se que Saul e o próprio Paulo eram desta tribo!) – encontra-se que os moradores de Jabes Gileade tinham se ausentado da assembleia do povo (crime punível com a morte) e, mortos os homens, foram dadas mulheres aos benjamitas, bem como forma tomadas as virgens de Siló. Realmente tempos pouca coisa no Antigo Testamento que se assemelhe aos acontecimentos desse “epílogo” do livro dos Juízes. Mas devemos observar que em nossa sociedade as mesmas ações acontecem, infelizmente com certa ‘naturalidade’, e que tudo isso é não mais que consequência violenta e repugnante do pecado. Por que, então, inserir este epílogo fora da ordem natural que seria no começo do livro? Sem dúvida, para que sirva de advertência. Advertência ao povo que saiba o que pode acontecer quando se abandona os caminhos do Senhor. É impressionante como os moradores de Gibeá agiram semelhantemente aos de Sodoma! Contudo, o gérmen do pecado está em cada coração e só pela graça de Deus se pode vencê-lo.

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III.

OS JUÍZES (2:16 – 16:31)

Um Juiz não tinha como papel fazer a vez de rei. Sua função na história do povo era prover liderança com autoridade espiritual para campanhas militares e, pontualmente, conselhos. Os sacerdotes mantiveram o Tabernáculo em funcionamento, onde aconteciam os sacrifícios e a consulta a Urim e Tumim. Os Juízes nada tinham a ver com o Culto, nem fazendo centralização; via de regra, um Juiz era um líder local, e em alguns casos houve simultaneidade entre eles. Durante o período do Juizado, as tribos de Israel viviam em autonomia a qual requeria do povo maior dependência de Deus e oração. Devemos militar contra a ideia de que o período dos juízes foi um período de anomia, apostasia e miséria; de fato, colocado em contraste com o período da monarquia, em que a figura do rei e do governo central seria uma resposta aparentemente ótima, o tempo dos Juízes foi de superior prosperidade e paz; nunca houve opressão total de todo o Israel; o período que durou cerca de 350 anos, foi caracterizado por mais de 2/3 de prosperidade e paz, enquanto no período dos reis a fração é exatamente a oposta. Igualmente, os Juízes têm, por muitas vezes, sido retratados como pessoas de languidez e fraqueza moral; os casos de Baraque, Gideão, Jefté e Sansão são os mais apontados pela “Nova Teologia Evangélica” como homens pusilânimes e de caráter enviesado; contudo, são justamente estes quatro que, em Hebreus 11, representam todos os demais como Herois da Fé. Prova de que não podemos jamais deixar de considerar o que nos é revelado por Deus, na Bíblia, um pouco mais adiante, sobre o que temos em nossa frente. O período dos Juízes, sumamente, nos revela que é melhor estar sem estrutura, porém dependendo de Deus, do que tentar instituir uma solução humana que aparentemente funciona, mas, espiritualmente, é ineficaz. JUIZ Josué Otniel Eúde Sangar Baraque Gideão Tola Jair Jefté Ibsã Elom Abdom Sansão Samuel

IV.

PROCEDÊNCIA

INIMIGO

T. OPRESSÃO

Judá Mesopotâmia 8 Benjamim Moabe 18 ? Filístia Naftali Canaã 20 Manassés Midiã 7 Issacar Abimeleque* 3 Gileade* Manassés Amom 1? Belém* Zebulon ? Dã Filístia 40 Efraim Filístia Começou aqui o período da Monarquia

T. LIBERTAÇ. 40 80 11 40 40 23 22 6 7 10 8 20 c. 90

PONTOS SALIENTES

(1) Otniel (3:7-11) Um grande rei, de nome Cusã-Risataim, provindo da Mesopotâmia, a terra dos grandes reis daquele período, colocou Israel debaixo de tributo por 8 anos. Consequência do que é descrito entre 2:16 – 3:6. Mas quando o povo clamou ao Senhor (3:9), Deus lhes suscitou um Libertador. Otniel, com a unção do Espírito Santo (3:10) julgou Israel, isto é, disciplinou os pecados que o povo cometia e ensinou o caminho reto, além de ter enfrentado um inimigo tão poderoso, obtendo vitória. A terra, (3:11) ficou em paz 40 anos. [3]


(2) Eúde (3:12-30) Outro rei, de nome Eglom, governante do reino de Moabe, se levantou contra Israel. Apoderou-se das ruínas de Jericó, numa aliança com os Amonitas e os Amalequitas, e impôs seu domínio durante 18 anos. Eúde foi a resposta do Senhor ao clamor do povo (3:15) e, matanto Eglom, venceu a aliança entre Moabe, Amon e Amaleque. 3:26 nos mostra a única vez em que ídolos tiveram alguma utilidade. “A terra” (3:30) “ficou em paz oitenta anos.” Somente no poder do Senhor um povo subjugado havia 18 anos poderia obter uma vitória tão impressionante; lamentável que, apesar de o pecado ter custo tão alto, o povo ainda mergulhe de cabeça.

(3) Sangar (3:31) Terá, muito provavelmente, co-julgado com Eúde durante esses notáveis 80 anos. Houve uma iniciativa local dos filisteus, e Sangar, sem dúvida nenhuma capacitado por Deus, venceu 600 homens sem nenhum instrumento de guerra. Foi uma vitória dada pela mão do Senhor. Em Sangar, como nos demais juízes, podemos ver uma figura do Salvador, um tipo: Um homem de pouca notoriedade (até mesmo no todo do livro) que por um instrumento improvável obteve uma grande e impressionante vitória; Nosso Senhor era desprezado de todos, mas pela cruz do Calvário operou a grande redenção que nos dá vida e luz! Cada Juiz não somente é um homem de Deus, é também uma figura, um tipo de Cristo: Otniel libertou o povo de um grande opressor; Eúde atacou corajosamente um inimigo particularmente maligno; não são estas figuras daquilo que o Senhor Jesus fez a Satanás e aos demônios? E a forma como agiram, cheios do Espírito Santo e fazendo grandes coisas pelo povo e no poder do Senhor, não são retratos da forma como Cristo fez por nós tão grande Salvação?

(4) Baraque (4:1 – 5:31) (4:1-3) Vemos que novamente Israel pecou; seu pecado era tão verdadeiro quanto era seu arrependimento antes; e o pecado trouxe um fruto de consequência muito terrível: o domínio por um “rei de Canaã”; do povo que Deus havia prometido que Israel venceria. Nós, neste tempo, temos assegurada a vitória contra as tentações e os intentos de Satanás contra o povo de Deus; mas quando baixamos a guarda e contemplamos o pecado, aquilo contra o que tínhamos assegurada a vitória torna-se nosso opressor. (4:3) “Clamaram os filhos de Israel ao Senhor”: ao fim de 20 anos de violenta opressão, o coração do povo quebrantou-se; quanto tempo é necessário para que nosso coração se quebrante? – Veja, ainda, que seu clamor era genuíno, Deus para ele atentou; mas deve nos impressionar que durante tanto tempo invenções tolas tenham suprimido o genuíno arrependimento que deveria ter acontecido. (4:4) “Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo.” – o papel de Débora deve ser bem entendido, ainda que seja uma mulher louvável e admirável: Havia um tal estado espiritual que não havia nem sequer um homem que poderia ser chamado para o ofício profético. Sim, que Deus tenha chamado Débora era um grande julgamento e protesto contra o comportamento daqueles homens de Israel. Ela o fez num período de opressão, por isso quando diz “(Débora) julgava a Israel naquele tempo”, temos aprendido que este era o papel pastoral do Juiz: admoestar o povo; contudo ela não tomou liderança militar nem da estratégia que deveria ser seguida para se obter libertação. Baraque foi, então, chamado: E é por vezes chamado de homem fraco e timorato, que não queria se expor ao perigo do campo de batalha; contudo, em Hebreus Baraque é chamado de Heroi da Fé, por isso devemos entender seu agir à luz do perfil de um Heroi da Fé: Baraque não queria glórias para si! Baraque já tinha visto os ciclos em que o povo vivia de infidelidade [4]


e isso pesava sobre seu coração; Baraque recusou-se a ir sem Débora porque era por meio dela que Deus falava naquele tempo e sem a Palavra de Deus Baraque não ousaria ir! – É um Heroi da Fé! De coração humilde, verdadeiramente quebrantado e que confessa sua dependência de Deus sem fingimento. Jael ouviu a profecia de Débora, de que o grande comandante Sísera, dos exércitos de Canaã, seria morto pela mão de uma mulher; ao vê-lo pedir abrigo em sua casa compreendeu, com a luz do Céu, que era ela a mulher. Naquele momento ela teve a oportunidade e usou de uma força incomum (4:21) para trazer o juízo de Deus sobre o idólatra e maligno Sísera. Cumpriu-se a Palavra anteriormente proferida: pela mão de uma mulher morreu o Comandante Canaanita. O Cântico de Débora e de Baraque (5:1-31) é um grande salmo da redenção e de grato louvor pelo agir de Deus: • (5:1-11) O estado espiritual de adormecimento e frieza do povo é descrito em termos bem claros, para deixar visível que tinham pecado contra Deus. (v.7) “as aldeias ficaram desertas” e (v.8) “escolheram-se deuses novos”. Débora (v.7) se levantou “por mãe em Israel”, e como mãe que conversa com filhos esfriados na Fé ela admoestava (“julgava”) os grandes homens a que temessem o Senhor e se lembrassem do seu Deus. Sem dúvida Deus usou da profecia de Débora para quebrantar o coração do povo a que O buscasse novamente. • (5:15-23) A atuação de alguma das tribos é louvada e repreendida: Zebulom e Naftali dedicaram-se à batalha (v.18) enquanto Rúben, Dã, as cidades de Gileade, Aser, não foram ao socorro de seus irmãos. Que diferença da lealdade que os pais tinham demonstrado anteriormente! • Meroz (5:23) uma cidade no caminho da batalha negou socorro. Pobres os crentes que se esquivam dos esforços de suas igrejas, que vivem suas vidas cristãs em negligência! Chegará o dia em que chorarão tal vivência! • (5:24-30) Jael é demonstrada como mulher exemplar: Não tolerou a maldade; não fez aliança com a iniquidade; foi revestida por Deus da força necessária para usar da oportunidade que teve de cumprir uma palavra autenticadamente profética: elimi-ar Sísera com juízo. Nossas jovens cristãs devem ter diante de si o exemplo de firmeza e fé de Jael para que vivam vidas felizes e abençoadas! • (5:31) Um clamor de grande avivamento: “Assim, ó Senhor, pereçam todos os Teus inimigos! Porque os que Te amam brilham como o sol que se levanta no seu esplendor.” – O Juízo de Deus e a luz da fé! (5:31b) “E a terra ficou em paz quarenta anos.”

(5) Gideão (6:1 – 9:57) “Os filhos de Israel fizeram o que era mau perante o Senhor” (5:1a), novamente Israel se entregou à idolatria e aos pecados contra o Senhor Deus. Foram oprimidos pelos midiani-tas (povo das regiões próximas ao deserto, indo para o que hoje é a Arábia Saudita) por sete anos e esses midianitas se aliaram aos amalequitas, com o objetivo não somente de dominar ou tributar Israel, mas de extinguir o povo: (6:3-6) não somente exigiam tributos mas também destruíam a colheita, num intento de ceifar a vida do povo de Deus. O que subjazia a esta atitude? Sem dúvida a influência de Satanás, pois naquele povo estava a promessa do Salvador que viria; cada tentativa de eliminar o povo, seja de Faraó, dos [5]


Midianitas ou de Nabucodonosor não é senão um intento de apagar a salvação e o agir de Deus da história do mundo. Um profeta (6:8-10) foi enviado, mas não vemos em sua palavra nenhuma mensagem de conforto; somente uma exortação; entendemos, então, que o povo em sua malícia tinha fingido arrependimento quando clamou a Deus (6:7), não era um clamor por perdão, mas por alívio; nem, tampouco, movido por fé genuína, mas pelo simples desejo de escapar das consequências do seu pecado. 6:10: “contudo, não destes ouvidos à minha voz.” O encontro do Anjo do Senhor e Gideão. Gideão também é chamado de Heroi da Fé (Hebreus 11:32), e algumas de suas características são aqui apresentadas: • Alteridade: Gideão malhava o trigo no lagar; seu cuidado com sua família e seus compatriotas. • Consciência: Gideão sabia que o povo estava debaixo do juízo do Senhor! (6:13) • Humildade: Reconheceu, diante do grande propósito, sua pequenez. (6:15) • Fé: Deus o chamou de valente (6:12), afirmou ser com ele (6:12), apontou sua força (6:14) e lhe deu promessas de vitória (6:14) nas quais Gideão creu. • Gideão prestou culto a Deus com sacrifícios e reconheceu Sua presença. • Gideão edificou um altar “JEOVÁ SHALOM”, “O Senhor é Paz”. Um coração que meditava nas coisas de Deus. Gideão destrói o Altar de Baal. Gideão, o Juiz, muitas vezes é julgado por sua atuação neste episódio, afinal de contas (6:27) ele temeu os homens da cidade! – Os comentários clássicos nos livram de cair neste julgamento: Gideão temeu ser impedido em sua obra, por isso destruiu à noite o altar. Seus dez auxiliares eram homens também que temiam o Senhor, e sabendo dos riscos, agiram por fé, na boa liderança do Heroi. Seu pai já mostra a influência que lhe trazia a fé do filho: “Se (Baal) é deus, que por si mesmo contenda, pois derribaram o seu altar.” – a fé de Gideão brilhou naquele tempo de escuridão para revelar até mesmo a idolatria que se havia instalado na mente e coração do povo. A Grande Batalha contra os Midianitas. Havia 120.000 midianitas, além de amalequitas cujo número não sabemos, que se ajuntaram e passaram contra o povo do Senhor. era chegado o momento do grande confronto. E a primeira coisa que aconteceu nos mostra que Deus iria agir ali: (6:34) “então o Espírito do Senhor revestiu a Gideão”, o primeiro movimento da batalha foi espiritual: Deus mostrou de que lado estava. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 6:31) – o que o homem cheio do Espírito Santo fez? Mobilizou o povo. Mesmo o povo sendo fraco e em pecado, ele reuniu o maior número que pôde; não o exército, mas o povo todo mobilizado e unido. 300 soldados. Somos informados pela aritmética do texto que se apresentaram 32.000 israelitas; mesmo sendo um número significativo, diante de 120.000 a desvantagem era de 4 para 1. Gideão manteve sua fé, mesmo diante de uma situação tão desfavorável e que parecia que o que Deus havia dito não se cumpriria. Mas Deus (7:2) disse: “é demais o povo que está contigo”. Gideão recebe a ordem de dispensar os “tímidos e medrosos”. É de pasmar que 22.000 se foram. Infelizmente até hoje haja corações egoístas e indiferentes à Causa e, sobretudo, às promessas do Senhor. Sobraram 10.000; havia 12 para cada 1 na batalha. Mas a ordem era a de beberem água e então separarem os que enfiassem a cara na água, e também os que se ajoelhassem para bebê-la; eram por um lado os desesperados que se colocaram em posição de desarme, os outros tinham em seu coração o costume dos idólatras de Baal de se ajoelharem para beber água, eram idólatras; foram dispensados. Sobraram 300. [6]


A proporção agora era de 400 para 1, mas diz o Senhor (7:7) “com estes trezentos homens Eu vos livrarei e entregarei os midianitas nas tuas mãos.” O episódio que se deu ali não tem outra explicação senão o agir do Senhor: os trezentos sobem com tochas e com cântaros de barro; os cântaros, quebrados, as tochas e as trombetas e os gritos; sem dúvida uma cena impressionante, mas seu resultado: “todo [o arraial] deitou a correr, e a gritar, e a fugir” – foram cercados de pânico! Provérbios 10:24: “Aquilo que teme o perverso, isso lhe sobrevém, (...)” Provérbios 3:25,26: “Não temas o pavor repentino (...) porque o Senhor será a tua segurança e guardará os teus pés se forem presos.” Atitudes Incompatíveis com o Povo de Deus. (8:1-21) Na primeira parte do capítulo 8, vemos algumas atitudes incompatíveis com o povo de Deus, ainda que praticadas no seio desse mesmo povo: i. A arrogância dos Efraimitas. Em certo lance da batalha, dois dos príncipes de Midiã, Orebe e Zeebe fugiram e foram interceptados pelos homens de Efraim. (Notaremos a atitude sempre divisória dos efraimitas, que culmina, ao fim, na secção do Reino) Eles decidem protestar contra Gideão. Em favor do Juiz, somente podemos dizer que fez o que fez cheio do Espírito Santo, e que sem dúvida havia um propósito de Deus em não serem chamados os homens de Efraim: que estivessem onde estavam para interceptar e julgar os príncipes. Se há disposição conflituosa em nosso coração, aprendamos que tal atitude não condiz com nossa posição enquanto filhos e filhas de Deus! Sejamos, antes, como Gideão, em cuja vida vemos Provérbios 15:1: Respondeu com sabedoria, o que nos mostra que mesmo para com os irmãos mais belicosos devemos mostrar amor e tolerância. ii. A perigosa posição dos homens de Sucote e Penuel. A segunda atitude, porém, não somente é incompatível; é aquela que nunca desejaremos ver num servo ou serva do Senhor: posicionar-se ao lado do mundo, isentar-se da campanha cristã, negar estender a mão ao irmão em necessidade. (8:6,8) – Há em nosso coração essa mesma atitude, ai de nós! Há muitas ocasiões em que vemos pessoas demonstrarem essa “isenção” porque não querem se prejudicar em seus negócios com o mundo, ou os mundanos; Deus nos abençoe com posição! – Há outros para quem os esforços de sua igreja estão muito longe de sua capacidade; há muitos em nosso tempo os quais, se a obra cristã dependesse deles, sucumbiria. Foram disciplinados os homens de Sucote e Penuel e sem dúvida serão disciplinados os crentes que lhes fazem companhia. iii. O medo de fazer o que deve ser feito. Jéter, filho de Gideão, temeu liquidar Zeba e Salmuna. Seu pai desejava que ele pudesse desenvolver a coragem necessária para enfrentar os períodos dificílimos de luta que se levantariam ainda; seu pai não desejava senão que seu filho tomasse parte num processo difícil, mas necessário; “temia, porquanto ainda era jovem” (v.20). O medo de Jéter pode até ser compreendido, mas não é compreendida a isenção de alguns crentes já experimentados da obra de Deus por causa de receios infundados. Medo tal como esse é incompatível. “Vós, de ânimo dobre, alimpai o coração.” (Tiago 4:8) A Tolice de Gideão. (8:22-35) Num ato de grandiosidade moral, Gideão recusa ser rei (8:22,23) – porém, numa atitude estranha e paradoxal, Gideão requer do povo ouro, argolas de ouro, e fez uma estola sacerdotal (uma vestimenta religiosa). A intenção de Gideão não fica clara, senão que era um [7]


objeto de vaidade e aspecto externo; a Bíblia nos diz que Gideão errou: (8:27b) “e todo o Israel se prostituiu ali após ela; a estola veio a ser um laço para Gideão e à sua casa.” Há inúmeras aplicações para este relato: Devemos ser sempre vigilantes quanto aos desejos de nosso coração; Gideão tinha acabado de acertar em cheio; mas errou feio! – Devemos ser atentos a coisas externas e envaidecedoras, na vida e no Culto da Igreja. A Igreja que constrói uma Casa de Oração luxuosa demais está cometendo o mesmo erro que Gideão, e depois vai ser um laço a manutenção deste luxo, a vida espiritual viciada que ela introduz. As músicas que cantamos no culto, a forma como vivemos, as ambições que cultivamos, sejam sempre simples e espirituais para que não venhamos a trazer para dentro de nosso lar, ou igreja, um laço. Bem nos diz a Bíblia que foi um laço para Gideão e sua família. Porque dali em diante, sua vida familiar entrou em decadência: setenta filhos de “muitas mulheres” (v.30) algo que Deus nunca aprovou; uma concubina em outra cidade, um filho criado fora do seio do lar, do convívio do pai e dos irmãos, que cresceu para se tornar uma das maiores pedras de tropeço na história dos Juízes, quiçá de todo o Antigo Testamento!

(6) A Segunda Guerra Civil (8:33 – 9:57) Após a morte de Gideão, não havia mais quem julgasse o povo (e aqui vejamos a função diária do Juiz que era a de instruir o povo e exortar quanto aos caminhos do Senhor), a maldade idólatra aflorou com vigor e até mesmo a casa de Gideão foi desprezada. Foram quarenta anos de paz, mas pouca, ou nenhuma, gratidão havia no coração do povo. Era a cena perfeita para as atuações ignominiosas de Abimeleque. Deu-se lugar para um período de terrível conturbação, traições, conspirações; mas do registro desse período, aprendemos a reconhecer um falso dissimulado: ➔ Vem com palavras agradáveis, ➔ Exaltando ânimos e manipulando ressentimentos, ➔ Dirige, canaliza, as emoções agitadas contra um inimigo, ➔ Promete tempos melhores, se debaixo da sua mão, ➔ Age inescrupulosa e ardilosamente, ➔ Não presta respeito a autoridades, família, somente a si e seu querer, ➔ Estabelece domínio de terror e opressão. Foi assim que Abimeleque matou todos os seus irmãos; foi assim que um certo Gaal tentou fazer com Abimeleque o que ele tinha feito a sua família; Abimeleque justiçou Gaal, mas foi morto de forma cênica, quando uma pedra de moer grãos é lançada sobre sua cabeça, ele pede que seu companheiro o mate. Assim foi o fim dessa guerra civil trágica em que se revelou, novamente, o pior do que o ser humano é capaz. Porém, reconheçamos que falsos profetas ainda existem, e, via de regra, sua infiltração se dá pelo mesmo passo-a-passo. O domínio de Abimeleque foi curto, durou cerca de quatro anos. Quanto ao “Apólogo de Jotão” (9:7-21), dizemos somente que foi uma palavra que veio da parte de Deus, para admoestação do povo, inclusive prenúncio das calamidades que viriam sob o domínio de Abimeleque, contudo, houve uma preferência pecaminosa a se colocar debaixo do reinado de Abimeleque, sobretudo por sua aparência externa e pela conveniência ao raciocínio carnal; o povo rejeitava não somente a Palavra de Deus, mas até mesmo o bom-senso.

(7) Tola (10:1,2) Este Juiz, de breve biografia no livro, é, por muitas vezes, maltratado pela nova teologia evangélica, que o chama de “juiz menor e inexpressivo”; devemos enxergar em Tola seu [8]


contraste com Abimeleque, e corajosa oposição ao mesmo; Tola foi levantado por Deus e por vinte e três anos conduziu bem o povo, debaixo dos juízos do Senhor. Todo Juiz era enviado por Deus, como figura da Nova Aliança (ainda que limitada) e para inspirar devoção e fé, justiça e correção, no coração do povo.

(8) Jair (10:3-5) Foi seguido por Jair, que julgou durante 22 anos; portanto, a sucessão pacífica entre Tola e Jair, que até aqui se deu uma única outra vez neste período da história (entre Eúde e Sangar) produziu 45 anos de paz e bênção; não devemos enxergar que os filhos de Jair estavam vivendo em luxos no meio do povo, pois não houve nenhuma violência da parte deles depois da morte de seu pai; antes, eles eram juízes-assistentes, que viajavam pelas cidades para manter a ordem e o benefício do povo. Foi um período de prosperidade e bênção para Israel.

(9) Jefté (11:1 – 12:7) No mesmo ano (10:8) começou a opressão Amonita; 18 anos os amonitas oprimiram Israel; vemos, novamente, como o pecado faz mal! Foram necessários dezoito anos para que o coração do povo se arrependesse; o que vemos em 10:10-18 é um diálogo entre o povo e Deus na intermediação de um profeta: Deus diz: “ide e clamai aos deuses que escolhestes; que eles vos livrem no tempo do vosso aperto.” (10:14). Contudo, grande é a graça de Deus! Em face do arrependimento sincero do povo (10:15,16a), nosso grande Deus lhes mostra COMPAIXÃO: “então já não pôde reter a Sua compaixão por causa da desgraça de Israel.” – “ao coração quebrantado e contrito não resistirás, ó Deus” (Salmo 51:17). Destaques quanto ao relato da biografia e juizado de Jefté: i. Sua origem de humilhação e o agir de Deus em sua vida. (11:1-3a) Jefté nasceu de um relacionamento escuso de seu pai; contudo, não deixou sua vida se dominar pelas influências em redor. Mesmo sendo injustamente traído por seus conterrâ-neos e familiares, não deixou que isso em si criasse inúmeros complexos ou amarguras. Note-se, ainda, que mesmo na honrada companhia dos Juízes, Jefté é apresentado como tendo uma só filha (11:34), o que nos fala de sua vida: sem muitas mulheres, como, por exemplo, Gideão. Um homem de comportamento moderado e sóbrio! ii. Um bando de levianos transformado em valentes guerreiros. (11:3b-11) Assim como Davi com os seus “Valentes”, Jefté transformou um bando de levianos num regimento organizado e ordeiro de guerreiros ao seu lado; lidando com cada um, pôde ensinar ordem, decência, valores intrinsecamente puros e valiosos, dignos de estima e respeito. Somente um homem de Deus poderia fazê-lo. Quando foi chamado pelos mesmos compatriotas que o haviam desterrado para ir ao seu auxílio contra os amonistas, não somente Jefté obteve deles uma palavra de justiça, mas levou-os até Mispa (v.11) onde estava, então, o Tabernáculo do Senhor, para que ali eles fizessem juramento de lealdade ao comando de Jefté, inclusive depois da vitória. Jefté, já escolhido por Deus para o juizado, antevê sua vitória e se prepara para lidar com homens cujo comportamento já conhecia. iii. Conhecedor da Palavra de Deus, resistiu a Satanás. Este, sem dúvida, é um grande momento na vida de Jefté: Ele envia mensageiros de paz ao rei de Amom, o qual respondeu que Israel tinha tomado terras suas e que ele somente queria a restituição de tais terras. (vv.12,13). Como é bom ser conhecedor da Palavra de Deus e da história do povo de Deus! Jefté com base nas Escrituras prova para o rei de Amom que nunca nenhuma terra Amonita foi tomada, pois os Amonitas (Gênesis 19:38) eram descendentes de Ló. A terra que o rei requeria, de [9]


forma muito cínica, era dos Amorreus, não dos Amonitas. (vv.21-24) “Assim possuiremos nós o território de todos quantos o Senhor, nosso Deus, expulsar de diante de nós.” – Uma sutileza intrincadamente planejada para enganar! Quando nos tornamos conhecedores da Palavra, Deus nos dá sabedoria e discernimento para enxergar os em-bustes e neles não cairemos! “Não sou eu, portanto, quem pecou contra ti! Porém tu fazes mal em pelejar contra mim; o Senhor, que é juiz, julgue hoje entre os filhos de Israel e os filhos de Amom.” – Veja que Jefté não tentou negociar a paz em troca de terras, nem chegar a um ‘meio-termo’, mesmo sendo a parte mais fraca na disputa; ele se fortaleceu em Deus pela Fé; mesmo quando os Amonitas rejeitaram a razão e a verdade. iv. Vitória no poder do Senhor. (11:29-34) “Então, o Espírito do Senhor veio sobre Jefté” (v.29) e foi assim que ele foi capacitado e ungido para vencer os Amonitas. “O Senhor os entregou na mão de Jefté” (v.32). Ele obteve força física para percorrer grande distância em perseguição aos inimigos, obteve inteligência para elaborar uma boa estratégia e outras infinitas variáveis, uma por uma, se mostraram favoráveis aos Israelitas. “foi mui grande a derrota, e assim foram subjuga-dos os filhos de Amom diante dos filhos de Israel.” É preciso saber reconhecer os momentos em que somos fortalecidos e auxiliados pelo Senhor Deus, pois do contrário tornar-nos-íamos corações ingratos e mentes ressecadas, incapazes de perceber a mão e o agir do Senhor Deus. A vitória que foi alcançada o foi no poder do Senhor. v. Jefté não fez sacrifício humano. (11:29-31, 34-40) Uma das questões que pesa sobre Jefté é que ele teria sacrificado a própria filha, e isso, alguns críticos apontam como um grande demérito – que seria, se ele tivesse, de fato, sacrificado a filha, mas, como veremos, não foi o que aconteceu: • • • •

Jefté estava cheio do Espírito Santo quando fez o voto (11:29); “esse será do Senhor” (11:31); “Holocausto” (lit: oferta queimada) poderia ser uma designação de consagração; “Fiz voto ao Senhor e não tornarei atrás” (11:35) – pela Lei dos Votos, era, então, um voto aceitável a Deus, e o sacrifício humano seria inaceitável. • A própria filha de Jefté concordou com o voto, por reconhecer que Deus havia feito algo de grandioso por seu pai e povo; • 11:39: “Ao fim dos dois meses, tornou ela para seu pai, o qual lhe fez segundo o voto por ele proferido; assim, ela jamais foi possuída por varão.” • Está claro que era um voto de castidade, virgindade, perpétua. O que era um voto válido. vi. Novamente, os Efraimitas. (12:1-7) No último relato que diz respeito a Jefté, vemos que logo depois da vitória contra os Amonitas, vieram os filhos de Efraim com a mesma contenda que tinham tido com Gideão. A casa de Efraim sempre teve atitude de separação e secessão contra o demais do povo; foi pela insurreição de Efraim que o Reino foi dividido, quase 200 anos depois. Diferente de Gideão, Jefté justiçou os efraimitas, mas não ao ponto de extinguir a casa de Efraim. A tolerância para com certas atitudes infantis não deve ser perpétua; o crescimento é necessário. A conjunção do relato de Jefté com o de Gideão nos ensina esta preciosa lição. – Jefté julgou o povo seis anos (12:7).

(10) Ibsã (12:8-10), Elom (12:11, 12) e Abdom (12:13-15) Assim como no relato com respeito a Tola e Jair, temos aqui juízes suscitados por Deus que trouxeram ao povo 25 anos de paz, auxiliados por seus filhos (Ibsã, trinta filhos e trinta filhas (e trinta genros)) e Abdom (quarenta filhos e trinta netos). Afirmam alguns comentaristas que estes três eram dos valentes de Jefté. O período de paz foi de 31 anos. [10]


(11) Sansão (13:1 – 16:31) O Heroi do Departamento Infantil! É Heroi da Fé, segundo Hebreus 11, e deve ser nosso Heroi também. Sansão é uma das grandes personagens do Antigo Testamento e em sua história nós vemos a queda e a restauração de um grande homem de Deus; a verdade principal sobre Sansão é que ele começou muito bem sua caminhada; errou, sim, depois; mas Deus lhe restituiu graça ao seu fim. i. O anúncio do nascimento de Sansão Novamente depois de 31 anos de paz no juizado de Jefté e seus sucessores, o povo fez o que era mau diante do Senhor: idolatria, indiferença, imoralidade, violência; tudo isso aflora no lugar onde se apaga a luz da fé. São seres das trevas, que crescem na escuridão. Que a luz brilhe sempre, que sejamos luz e vivamos como luz do Senhor! O Anjo do Senhor (13:3) apareceu à esposa de Manoá, e anunciou o nascimento de um livrador que “começaria” (13:5) a livrar o povo dos filisteus. Num relato que parece muito com o nascimento de João Batista e de Nosso Senhor, Manoá também recebe a palavra do Anjo do Senhor, trazendo paz ao seu coração. Manoá e esposa sabiam que tinham visto a Deus; Seu nome é “Maravilhoso” (13:18)! ii. A Estratégia Contra os Filisteus Em 14:1 – 15:8 vemos uma estratégia aparentemente confusa da parte de Sansão, mas que a Bíblia nos assegura que vinha de Deus; era uma estratégia. Ele pediu a seus pais uma esposa da terra dos filisteus; isso não somente era proibido a um israelita, mas em especial a um Nazireu. 14:4: “mas seu pai e sua mãe não sabiam que isto vinha do Senhor, pois este procurava ocasião contra os filisteus; porquanto, naquele tempo, os filisteus dominavam a Israel.” E 14:6: “então o Espírito do Senhor de tal maneira se apossou dele (de Sansão)”. O casamento jamais foi consumado (15:1) e vemos que os próprios filisteus usavam de ameaças violentas para fazer maldade contra Sansão e Israel; eles tinham ameaçado à Noiva (14:15) e o próprio pai dela a deu a outro, apesar do compromisso assumido com Sansão; o Juiz mesmo diz: “Desta feita, sou inocente para com os filisteus, quando lhes fizer algum mal.” (15:3) cumpriu-se a estratégia. Infelizmente, os filisteus cumpriram sua ameaça (15:6) e assim se deu ocasião para a primeira ação de Sansão justiçando os filisteus. iii. 20 Anos de Juizado Depois disto, homens de Judá tentaram entrar em aliança com os filisteus, entregando-lhes nas mãos Sansão, chegando a amarrá-lo; contudo, pelo Espírito Santo (15:14) Sansão venceu um número imenso de filisteus, armado de uma queixada de jumento. Assim como Sangar (3:31) Deus fez uso de um instrumento improvável para efetuar grande e gloriosa salvação. O Juizado de Sansão começou, também, com uma experiência de resposta de oração; pois após esta vitória, ele sentiu sua força vital enfraquecer; ele clamou, e Deus lhe deu águas restauradoras; o monte se chamou Ramote-Leí (o monte da queixada) e a fonte Em-Hacoré (a fonte daquele que clamou), como memoriais do agir de Deus por meio de Seu servo. Note: “Por intermédio do Teu servo, deste esta grande salvação;” (15:18b). No agir de Deus Sansão começou seu juizado de 20 anos. iv. A Queda de Sansão A decadência precedeu à Queda de Sansão, muito semelhante, note-se, à de Salomão, algumas décadas depois. Sansão primeiramente deitou-se com uma meretriz (16:1), depois, se afeiçoou de uma filisteia chamada Dalila (16:4); seu nome, que significa “veneradora” e “devotada” nos dá a entender que era de alguma forma sacerdotisa de Baal e Astarote. Nesse [11]


relacionamento Sansão entregou toda sua santidade e compromisso anterior. Quão zelosos devem ser os jovens de seus relacionamentos e das pessoas com quem se envolvem! Dalila era uma “agente-dupla”, e mesmo diante de sua pública traição, Sansão não recuou em seu envolvimento com ela; talvez por estar cego de vaidade e auto-engrandecimento. Seus olhos foram vazados, e sua força, que não era muscular, mas espiritual, esvaiu-se; “o Senhor se tinha retirado dele” (16:21b) – por que não antes? Saiba-se, irmãos, que havia um propósito em tudo o que ali se deu; Deus restauraria graça a Sansão e sua restauração seria a maior derrota da Filístia. • OBSERVAÇÃO DE ALTÍSSIMA IMPORTÂNCIA: A “retirada” do Espírito Santo era uma característica da Antiga Aliança, quando sua habitação era temporária e funcional. Nós, que somos da Nova Aliança, temos diferentes funções no Reino; e recebemos o Espírito não somente como capacitador, mas também como selo e garantia da salvação. v. A restauração de Sansão O fim da vida de Sansão (16:28-31) foi marcado por uma grande restauração da graça; num lugar absolutamente impuro, a Casa de Dagom, Sansão estava exposto como objeto de escárnio (não deixamos de enxergar o paralelo com a Crucificação do Rei da Glória); estavam ali zombando e se alegrando em seus pecados cerca de 3.000 homens e mulheres, principalmente os príncipes das cinco cidades dos Filisteus. Naquele lugar, Sansão fez uma oração. A única oração ali feita que foi ouvida! E pela fé, creu no perdão e na compaixão de Deus; abraçou as colunas, houve uma destruição colossal. Ele disse: “morra eu com os filisteus” (16:30) “e foram mais os que matou na sua morte do que os que matara na sua vida.” Deus contemplou a fé de Sansão, e o levou para junto de Si.

(12) De 17:1 até os dias de Samuel Sabemos que os episódios relatados nos capítulos 17-21 precederam ao juizado de Otniel; uma das razões para isso é que Sansão desferiu grande golpe nos Filisteus e no tempo de Samuel, os filisteus estavam em grande medida pacificados. Samuel terá sido o Juiz logo em sucessão a Sansão, que foi contemporâneo de Eli, Hofni e Fineias. O período dos Juízes é, portanto, o cenário onde podemos ver com grande clareza a forma como o pecado introduz a injustiça e a loucura mesmo no meio dos melhores; e vemos que cada Juiz era uma resposta de oração do Céu ao clamor de um povo arrependido, pela grande e infinita compaixão do Senhor Deus. Era melhor viver no tempo dos Juízes que no tempo dos Reis. Retenhamos isto em nosso coração para cada vez que formos tentados com a beleza e aparente funcionalidade de uma estrutura que vai em choque àquilo que vemos não somente neste livro, mas principalmente preconizado como modelo para as igrejas de Deus no Novo Testamento, até à volta do Senhor. Sejamos um povo que valoriza e ama seus enviados de Deus; que zela pela oração e que sempre age no poder do Senhor, em santidade, para alcançar aqueles que são os desejos do coração de nosso grande e maravilhoso Deus.

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Panorama Bíblico: JUÍZES by Hugo Zica - Issuu