PANORAMA BÍBLICO – ESTUDO Nº 7 – JOSUÉ INTRODUÇÃO Autor: Josué (maior parte do livro), Anciãos que o sucederam narraram o epílogo. Ocasião: Da morte de Moisés até à de Josué, passando pelo período da Conquista (c. 30 anos) em que Deus, de forma maravilhosa, deu vitórias a Israel sobre os povos canaanitas.
RESUMO DO LIVRO I.
PREPARANDO-SE PARA CONQUISTAR. (1:1 – 5:15) a) Josué é designado como Juiz do povo, 1:1-9 b) Os preparativos espirituais, 1:10 – 2:24 c) O povo atravessa, miraculosamente, o Jordão, 3:1 – 4:25 d) Acampamento em Gilgal, 5:1-15
II.
A CONQUISTA DE CANAÃ. (6:1 – 12:24) a) Fé e obedência na conquista de Jericó, 5:13 – 6:27 b) Pecado, derrota, justiça, vitória, 7:1 – 8:29 c) Renovação da Aliança com Deus, 8:30-35 d) Vitórias ao Sul, 10:1-43 e) Vitórias ao Norte, 11:1 – 12:25
III.
A DIVISÃO DA TERRA. (13:1 – 22:34) a) A missão de cada tribo, 13:1 – 19:51 b) Cidades de Refúgio, 20:1-9 c) O Sustento do Ministério, 21:1-45 d) A virtude da lealdade, 22:1-34
IV.
ACONTECIMENTOS FINAIS E EPÍLOGO. (23:1 – 24:33) a) O discurso final de Josué e o compromisso do povo, 23:1 – 24:28 b) Epílogo, 24:28-33
MAPA DA DIVISÃO DAS TRIBOS DE ISRAEL SETA INDICANDO LOCALIZAÇÃO DE JERICÓ [2]
ALGUMAS LIÇÕES ESPIRITUAIS DO LIVRO DE JOSUÉ 1. Josué não é Moisés. Mas também é um homem de Deus. O livro começa com a nomeação de Josué pelo próprio Deus para conduzir o povo dali em diante. Sabemos como o comportamento humano é volátil, por um momento alguém questionaria a legitimidade de Josué; por isso Deus o apontou desde os dias de Moisés; por outro lado, o próprio Josué precisava de ter da parte de Deus sua designação que foi acompanhada de palavras de segurança tanto quanto ao povo, quanto ao próprio Josué. Ele não exerceria o papel que Moisés exerceu. Enquanto Mediador da Aliança, Moisés era o Legislador, o Juiz, o Comandante e o Medianeiro entre o povo de Deus. Josué em nenhum momento ocupou papel senão o que Deus lhe deu. Ele deixou que a condução do culto e do conselho, bem como da consulta a Deus, fosse feita pelos sacerdotes. A ele bastava seu lugar como Juiz. Enxergamos em Josué uma figura, mais um tipo de Cristo do Antigo Testamento. Ele foi ungido para levar o povo rumo à promessa – assim Cristo adquiriu para nós a salvação e nos leva ainda hoje em rumo ao descanso. Ainda notamos que nós mesmos, enquanto povo de Deus, temos de compreender diferentes tempos e personalidades, reconhecendo em cada um a mão de Deus a agir e a construir Seu propósito para Sua glória e nosso bem.
2. O povo de Deus, pela FÉ e OBEDIÊNCIA alcançará grandes vitórias. A primeira grande lição de obediência e fé, e grande sinal de que Deus era com o povo, foi a passagem do rio Jordão. Contornar pela cabeceira do rio seria uma viagem muito longa e perigosa, expondo o povo aos inimigos do norte (a quem posteriormente venceria no poder do Senhor), então Deus agiu de forma maravilhosa, abrindo o rio. Dali foram retiradas pedras memoriais (4:6b) como sinal a todas as gerações de mais uma obra poderosa de Deus.
OS ISRAELITAS ATRAVESSANDO O JORDÃO [3]
O povo compreendeu o sinal, porque no capítulo 5 nós encontramos três marcantes episódios: A circuncisão dos homens, um verdadeiro reconhecimento da dependência de Deus; a celebração da Páscoa, um memorial daquelas coisas grandiosas que Deus tinha feito pelo povo em antecipação das próximas obras do Senhor, e então, 5:13-15, Josué tem um encontro com o Senhor Deus, uma Cristofania (manifestação pré-encarnada de Cristo). Em seguida veio a segunda prova do agir do Senhor: A tomada de Jericó. Uma das principais cidades daquele tempo e local, Jericó era rica, grande e murada. Havia duas muralhas a certa distância uma da outra. Era forte e podia confiar em sua força. Que têm a ver cornetas e gritos com o que se passou? – Nada, senão a lição da fé e da obediência, que são as introdutoras do querer de Deus para Seu povo, tanto coletiva quanto individualmente.
Com respeito a Raabe (6:22-27) temos preciosas lições: Um passado perdoado, ela é uma ancestral do Salvador! (Mateus 1:5) Uma fé genuína, creu em Deus ao ouvir de Suas obras! (Josué 2:9-11) Protegeu a vida em vez de se conformar a vantagens ambiciosas. Até ao minuto extremo, creu ma promessa expressa num fio vermelho. Fé. Deus está formando um povo que aprende a lição da fé e da obediência, pelas quais chega até nós o favor de Deus e Sua vontade para nossa vida.
3. Deus não tolera que Seu povo tolere o pecado. Em seguida, porém (capítulo 7), ao sair contra inimigos MUITO mais fracos que Jericó, e em condições MUITO mais favoráveis, o povo se frustrou com a derrota. Os conselheiros de guerra de Josué presumiram que a vitória seria fácil (7:3), e a narrativa deixa claro que não consultaram o Senhor. A derrota foi tremenda! O episódio se prolonga para revelar que foi um certo Acã, que reunindo sua família num complô de desobediência, mentira e ambição, trouxe pecado encoberto para dentro do acampamento. A punição foi severa, o pecado era grave. Aprendamos que a igreja deve viver em sinceridade para com o Senhor. [4]
4. Devemos revisitar nossa aliança com Deus com frequência. Depois de vencer a batalha contra Ai, o povo (4:30-35) tinha avançado dentro da terra prometida, e ao chegar ao Monte Ebal foi dedicado um momento a revisitar a aliança entre o povo e o Senhor Deus. Holocaustos, um monumento da lei e a leitura da lei a todo o povo retratam bem a forma como nós mesmos devemos sempre separar tempo para que o Senhor sonde nosso coração e nos mostre novamente as verdades da Sua palavra. Uma vez salvos e cheios do Espírito Santo, podemos viver em comunhão com Deus em todo o tempo, aprendendo em nosso íntimo as verdades do Céu. Assim é que podemos viver vidas que Deus contempla em aprovação. Este, de fato, é um dos propósitos ao celebrarmos a Ceia do Senhor – memorial em que relembramos aquilo que Cristo fez por nós, examinamo-nos a nós mesmos, e com estes dois elementos fortalecemos nossas decisões de vida cristã.
5. Em vez de sermos precipitados, aprendamos a depender de Deus. Capítulo 9 nos relata “o estratagema dos gibeonitas”: fingindo ser de terra longínqua, os de Gibeão pediram uma aliança de paz a Josué e aos líderes do povo. Eles, mesmo sendo homens experimentados e de considerável idade cometeram o erro de avaliar segundo a aparência, ingênua e despreocupadamente; seu erro maior de todos (9:14) foi “não pediram conselho ao Senhor”. Quando a verdade veio à tona, restava somente arcar com as consequências e buscar andar, dali em diante, de maneira diferente. Aprendamos a ser “prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mateus 10:16), em todas as esferas da vida, pois nenhuma há que não seja do interesse de Deus e para Sua glória. Porém, aqui novamente vemos que até nossos erros, conquanto errados em si mesmos, de alguma forma se encaixam no plano-maior de Deus: (10:1-5).
(Josué 5:13-15) [5]
6. Deus faz coisas extraordinárias por meio e em favor de Seu povo. De capítulo 10:1 até 12:25 lemos de duas campanhas militares em que Josué comandou o povo debaixo da bênção de Deus; a primeira teve seu gatilho exatamente nos gibeonitas da questão anterior. Aprendamos a ser compassivos e generosos para com aqueles que nos causaram mal! Foi assim que Deus deu ao povo de Israel uma grande vitória contra um consórcio de reis canaanitas do sul, comandados pelo rei de Jerusalém. Os cinco reis se uniram, com seus exércitos, recursos e alianças, contra o povo do Senhor. Se não fosse Deus, o que seria de Israel ali? “Não fosse o Senhor, que esteve ao nosso lado, Israel que o diga: não fosse o Senhor que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós, e nos teriam engolido vivos, quando a sua ira se encheu contra nós;” (Salmo 124:1-3) Um grande sinal de que Deus era com Israel é que, de forma única na história, 10:12-15, o movimento natural foi interrompido em favor do povo de Deus. Como explicar?! Intervenção sobrenatural do Céu – e muitas são as vidas que têm provado do agir da mão interventora de Deus – sobretudo a salvação de uma alma incrédula! Então Deus deu muitas e grandes vitórias ao povo; o povo que tinha saído do deserto fazia quarenta anos e que não era senão um grupo de errantes pelos ermos, obteve vitórias sobre cidades estabelecidas, exércitos e povos numerosos, fortes e dotados de recursos; como? Pelo poder de Deus! As igrejas do Senhor avançarão quando cumprirem com integral dedicação o querer de Deus, confiando no Senhor e não na força do homem, e indo adiante com Deus, para operar Sua vontade santa. Deus não muda! (Malaquias 3:6) e da mesma forma agirá para com Suas igrejas neste tempo, fazendo grandes maravilhas, operando grandes milagres, alegrando Seu povo, se este povo tão-somente Lhe render obediência.
7. O povo ficou responsável por ocupar o demais da terra. Depois de ter sido distribuído o quinhão de cada tribo, ficou definido por Deus que o povo ali deveria se incumbir de, no poder e nas promessas de Deus, ir avante e alcançar o que o Senhor lhes prometeu dar. Deus operou nossa salvação, nos deu promessas e poder do Espírito Santo (Atos 1:8) e sem dúvida agirá por meio de nós, mas é nossa a responsabilidade de buscar e de fazer a vontade do Senhor. Ninguém poderá culpar a Deus por escolher pecar, nem pelas consequências (sempre incalculáveis) do pecado; antes, devemos assumir com zelo e diligência nossa conformidade à Lei do Senhor; Israel “dormiu no ponto” (13:6 contr. 13:13) – se há um que seja dormindo entre nós: “Desperta, ó tu que dormes!” (Efésios 5:14).
8. As Cidades de Refúgio do ano de 2018. Outro ponto importante no livro de Josué são as “Cidades de Refúgio”. A lei com respeito a elas fora instituída desde os tempos de Moisés (Números 35:6-28) em que se estatui que alguém que cometa pecado grave SEM TER PLANEJADO O MESMO PECADO pode se abrigar numa das seis Cidades de Refúgio para que o vingador não lhe tome a vida. Há muitas e preciosas lições nisto e no zelo com que Josué as fez separar na terra: [6]
(a) Deus perdoa os contritos. Imaginemos que alguém planejou um assassinato com crueldade e dissimulação – foge, então, para a Cidade de Refúgio. Sobre ele, porém, pesará que o mesmo Deus que mandou haver aquela cidade era o que sabia de sua culpa verdadeira – a Cidade de Refúgio não era abrigo para os cínicos, mas para aqueles que tinham sinceridade o suficiente para invocar a Deus como testemunha de sua sinceridade. Entrar na cidade era uma grande admissão de culpa, mas também colocar-se debaixo da graça de Deus para obter perdão e vida. (b) O vingador não estava errado. Tanto não estava errado que era feita uma providência especial para que o homicida honestamente contrito diante de Deus pudesse viver. Não é este um retrato da salvação? Pecadores que admitem ser pecadores encontram abrigo não da injustiça, mas exatamente da justiça que lhes seria terrivelmente implacável. Quem é este abrigo? NOSSO SENHOR JESUS CRISTO! “Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo!” (1Co 15:57) (c) A Cidade era uma demonstração da misericórdia de Deus. Somente pela misericórdia de Deus poderia um pecador PUNÍVEL não ser punido sem que a justiça fosse quebrada. Assim é conosco! Somos culpados, admitimos nossa culpa, mas sem nenhum cinismo ou hipocrisia nos lançamos nas mãos de Deus para que faça de nós o que Lhe aprover – e bendito seja Seu nome – Ele nos salva! Em Ti concilia-se a santa justiça que não pode a culpa deixar sem castigo com a compaixão que, por graça, recebe e exime de culpas o réu pecador! Haverá tais cidades neste ano de 2018? Digo aos irmãos que neste bairro há uma. Fica à Rua Gardênia, 390. É aqui que nos encontramos todos os que pela graça de Deus temos obtido perdão e salvação. Cada igreja de Deus é o lugar onde vidas podem ser restauradas pela graça, perdoadas por completo, edificadas como pilares santos do templo de Deus. Ninguém é mais ou menos aqui, todos somos igualmente salvos por um grande Salvador. Vivamos, pela graça de Deus, nessa compreensão e firmados no propósito de ser uma CIDADE DE REFÚGIO, onde quer que estivermos.
9. A importância do sustento do Culto e do Ministério. Ao lado da instrução quanto às Cidades de Refúgio vinham as dos levitas; a igreja deve sustentar tanto o Culto quanto o Ministério do Senhor. Para uma igreja do Novo Testamento, seu Pastor é uma dádiva do Céu, por quem a igreja ora, a quem a igreja ama, por cuja vida zela e cujo sustento provê; o Pastor, de sua parte, também zela pela igreja e na direção do Senhor a conduz; essa relação é um grande propósito de Deus, que deve ser acolhido em fé e obediência, pois é o veículo de grandes bênçãos.
10. Devemos ser leais. Josué 22:1-9: As duas tribos e meia cujas posses ficavam ao Oriente, do outro lado do rio Jordão, foram reconhecidas por Deus em sua lealdade à promessa de assistir seus irmãos na grande conquista. Que exemplo! Não foram movidos pelo egoísmo nem pela fissura materialista que governa a mente e coração de muitos hoje – sejamos de tal coração, porque o amor aos irmãos é amor a Deus, evidência da salvação e Deus em Seu trono não deixa de recompensar! (Hebreus 10:6; 1 Tessalonicenses 1:2-10, et.al.) [7]
11. Deus é gloriosamente fiel. Esta é a história, a grande história, do livro – Josué, um homem de fé, um tipo de Cristo, foi um instrumento da fidelidade de Deus e da forma como Deus implementa todo o Seu poder para cumprir Suas promessas e fazer Seu querer tanto na vida dos crentes quanto das igrejas. Sejamos nós leais à vontade do Deus Fiel hoje e sempre! Assim obteremos vitórias e vivemos debaixo de Sua bênção e favor!
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