PANORAMA BÍBLICO – DEUTERONÔMIO INTRODUÇÃO Autor: Moisés. Em breve será lançado um especial documentário sobre Moisés. Título: “Devarim” (Heb) significa “Palavras” (veja 1:1). “Deuteronômio” (do grego “deutero” + “nomos”) significa “SEGUNDA LEI”. Ocasião: Fim da peregrinação, no estacionamento do povo na planície de Moabe. Deuteronômio é o livro reflexivo do Pentateuco. Composto pelos quatro discursos de Moisés quando o povo estava acampado na divisória entre a terra da peregrinação e a terra da promessa, de onde o próprio Moisés pôde contemplar, do alto do Monte Nebo, toda a extensão da terra, ali o Líder propõe ao povo uma série de reflexões sobre as quatro décadas passadas desde que tinham saído do Egito até chegarem àquele lugar. Um primeiro pensamento: é o de que mesmo entre as virtudes deve haver equilíbrio. A reflexão é uma virtude; a ação dirigida por propósitos válidos também o é; não se deve pender somente a uma dessas. Algumas pessoas são tão reflexivas que deixam de agir; outras, igualmente, agem tanto que deixam de refletir. A santificação ocorre no exercício entre todas as partes, formando-nos naquilo que somos naturalmente tendenciosos, hábeis; mas também naquilo que não é o “nosso forte”. É um exemplo para nós a iniciativa de Moisés a dialogar com o povo, propondo que não fossem mecânicos nem superficiais, mas dotados de sensibilidade para com as coisas de Deus. A fé, de fato, é coletiva, mas não é “de massa”. Um segundo pensamento: o dever que a igreja tem para com as gerações mais jovens, adolescentes, juniores, crianças. Eles, assim como a segunda geração de libertos, necessitavam de formação espiritual, de doutrinamento quanto a Deus, de ser ensinados quanto às obras de Deus. O capítulo 6 fala sobre o dever doméstico, o pai que já experimentou e reconhece a libertação de Deus em sua vida transmitindo a seu filho essas lições de fé; assim igualmente deve ser na igreja: os crentes devem ter sensibilidade e até mesmo engajamento para se aproximar dos mais jovens, procurar exercer sobre eles uma influência benfazeja; esforçar-se para
que a igreja possa lhes oferecer esteio e direcionamento, interceder por eles e zelar pelo seu bem. Assim, partimos às considerações de quatro grandes temas do livro, seguidos de alguns pontos de destaque interessantes para nossa consideração.
1. NOSSA MEMÓRIA DEVE RETER AS DEMONSTRAÇÕES DE FIDELIDADE DO SENHOR PARA CONOSCO. O primeiro discurso de Moisés (1:6 – 4:40) visa frisar para o povo que se estavam onde estavam, se tinham obtido as vitórias que obtiveram, se alcançaram tudo o que tinham alcançado, não era senão pela fidelidade de Deus. A preocupação pastoral de Moisés era a de que o povo se ensoberbecesse, e dessa maneira pecasse contra Deus, abandonando-o, confiando em suas próprias forças e, por fim, sendo completamente derrotados, vencidos e aniquilados pelos seus inimigos. É importante notar que Moisés o tempo todo fala dos pecados do povo, não como acusação, mas para que o povo reconhecesse sua infidelidade e propensão a ser infiéis, mas que Deus, sendo Ele santo como é, permaneceria fiel, absolutamente fiel às Suas promessas. Igualmente, que a geração jovem, ascendente, compreendesse que somente obteriam vitórias se andando em dependência de Deus e observando Seus caminhos. A ênfase, podemos afirmar, está em reter uma memória humilde, devota, sempre reconhecendo a primazia de Deus, Sua soberania e poder em agir em favor do Seu povo. [2]
A mesma coisa é de grande importância também para nós, pois nosso coração pode em determinado momento se levantar, arrogar a si mais do que deve, negar a bondade de Deus, confiar em suas próprias forças. Leiamos 8:17-20. “Aquele, pois, que pensa estar de pé, veja que não caia.” (1 Coríntios 10:12) “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus.” (Miquéias 6:8) “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém, antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” (Romanos 12:3)
2. NOSSA CONSCIÊNCIA DEVE ATENTAR À SANTIDADE DO SENHOR E SOBRE COMO DEVEMOS ANDAR EM RETIDÃO DIANTE DELE. O segundo discurso de Moisés é a origem de o livro, na nomenclatura grega, ter sido denominado “Deuteronômio”. A palavra significa “Segunda Lei” e se deve ao fato de que o Mediador da Primeira Aliança, com o povo reunido, repetiu os Dez mandamentos, engravados nas segundas tábuas da lei, bem como diversos outros ítens da Lei que Deus tinha dado ao povo no monte Sinai. Esse segundo discurso está em (5:1 – 26:19) e inclui a repetição não somente dos dez mandamentos no capítulo 5, mas a repetição de vários quesitos da Lei, sendo trazidos a uma nova geração como (1) revelação da santidade de Deus, (2) da perdição humana, (3) da necessidade de salvação, (4) do porquê do sistema de sacrifícios, e (5) do que significa andar em retidão na presença do Senhor Deus. Nossa consciência em todo o tempo deve estar cativa à Lei de Deus. Não somos “foras-da-lei”, não somos estranhos aos preceitos da santidade do Senhor. De fato, não estamos mais debaixo da condenação da Lei, bendito seja o nome do Senhor, mas com certeza que o Espírito Santo nos capacita a meditar continuamente na Lei, viver segundo o padrão que a Lei revela de santidade e perfeição moral, andar em retidão sendo guiados por Deus, todas estas coisas de fato são esperadas dos [3]
crentes; santidade abrangente, em todas as áreas do viver, fruto de um coração que ama a Deus e de uma consciência sensível à santidade do Senhor e que procura viver em retidão. Nossa justiça deve exceder à dos escribas e fariseus (Mateus 5:20).
3. NOSSO CORAÇÃO DEVE DESEJAR ANDAR DEBAIXO DA BÊNÇÃO DE DEUS. O quadro “os dois caminhos”, acima, é um exemplo da implicação da Lei. Moisés compreendeu isso. No seu terceiro discurso, ele falou ao povo do caminho da obediência, que é eivado de bênçãos, e do caminho da desobediência, que é maldito e seu fim é a maldição final abismal. Há um viés moral: Estamos o tempo todo expostos à tentação e devemos compreender que pecar nos priva a comunhão com o Senhor, limita nosso acesso a Sua presença e nos impede de viver debaixo da sua bênção. [4]
Mas há uma distinção importante: A de que a primeira aliança era condicional; de fato, a segunda, a nova aliança, também o é, mas as condições já foram cumpridas pelo Senhor Jesus. Estamos numa posição de segurança que, em vez de nos isentar, exige de nós muito mais do que a primeira aliança exigia dos Israelitas. De fato, não estamos mais expostos à maldição, pois o Senhor Se fez maldito por nós, mas nós temos muito mais de Deus que eles, e podemos usufruir muito maior comunhão com o Senhor. Devemos enxergar sempre nestas palavras o apelo de Deus ao coração humano, mesmo apelo que se encontra na repetição da promulgação da Lei (5:29): “Quem dera eles tivessem tal coração que Me temessem e guardassem em todo o tempo todos os Meus mandamentos, para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre!” O quarto discurso de Moisés (caps. 29, 30) é chamado de renovação da aliança. Não e trata de uma substituição da Aliança do Sinai, não; é uma renovação, a geração seguinte àquela que primeiro saiu do Egito reafirma seu compromisso, sua dependência e obrigação para com Deus, para fazer aquilo que Deus exige e requer. É uma renovação da aliança para que o povo pudesse andar com o Senhor assim como fora proposto à geração de seus pais, ainda que eles tivessem sido pecadores e rebeldes.
4. MOISÉS, UM EXEMPLO DE HOMEM DE DEUS. Os capítulos finais de Deuteronômio (caps. 31 a 34) registram os últimos atos da vida de Moisés. São de profundidade perscrutadora; são textos que, se considerados à extenso, nossa vida inteira estaria exposta às suas verdades impactantes. No Capítulo 31 Moisés chama o povo à fé, entrega seu mandato a Josué, 31:24 deixa o livro da Lei ao lado da Arca da Aliança (de onde suas inúmeras cópias vieram e até nós chegaram, com fidelíssima exatidão!). É a conclusão de seu ministério. A Palavra de Deus deve ser importante para nós até ao fim! Capítulo 32 encontramos aquele belíssimo salmo mosaico, seu cântico de libertação e de vitória, de alegria em Deus e em Sua salvação. Descrevendo as ações de Deus, o próprio caráter de Deus, em palavras cheias de sentido profético, ele conclui: “Aplicai o coração a todas as palavras que hoje testifico entre vós, para que ordeneis a vossos filhos que cuidem de cumprir todas as palavras desta lei. Porque esta palavra não é para vós outros coisa vã; antes, é a vossa vida; e, por esta palavra, prolongareis os dias na terra à qual, passando o Jordão, ides para a possuir.” Capítulo 33 registra para nós a bênção que Moisés, enquanto Mediador da primeira aliança, enquanto profeta e juiz, enquanto verdadeiro pai, pronuncia sobre Israel. Passando tribo por tribo (assim como Jacó, em Gênesis 49) ele dispensa [5]
bênçãos em nome do Senhor Deus, profetizando, inclusive, quanto ao porvir do povo; sua base é a salvação: “Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu? Povo salvo pelo Senhor.” (33:29) Capítulo 34, enfim, nos conta com doçura e tristeza o fim da vida de Moisés. No cume do monte Nebo, sepultado por Deus, termina seus dias, uma história de vida singular, típica do Salvador, marcada pela ação de Deus, instrumento do Altíssimo, operando e testemunhando de forma única a Pessoa e a Obra do Senhor Deus. Moisés não é somente uma figura de Cristo no Antigo Testamento; em muito ele é um exemplo para nós de como devemos e podemos também peregrinar pela fé, amando o povo do Senhor, com mansidão, humildade, fé, coragem, dedicação, compromisso, serviço e honradez. Sem dúvida um dos propósitos de Deus em registrar a vida deste Herói é inspirar-nos (Hebreus 12) a uma vida cristã altaneira e revestida de dignidade. Igualmente a Moisés, todos os que permanecem firmes na fé obterão de Deus a recompensa de adentrar a Seu descanso. Ainda que Moisés tenha pedido a Deus que lhe concedesse entrar na Terra Prometida (3:23-26), recebeu de Deus muito mais, ao entrar no Descanso, nas Moradas Eternas, na Bênção completa. Devemos aprender que Deus sabe muito bem o que é melhor para nós e com resignação e fé conformar-nos a Seu querer.
5. ALGUNS DESTAQUES NO LIVRO DE DEUTERONÔMIO. • 7:6-8: A causa do amor de Deus para com Seu povo é o próprio Deus. • 15:12-18: A Lei dos servos descreve em certa medida a dedicação que os crentes devem ter para com seu Senhor, Jesus Cristo. • 18:15-22: A Profecia do Grande Profeta era uma das grandes expectativas messiâncias do Antigo Testamento, apontando para o Senhor como grande Profeta anunciando a Palavra de Deus. • 25:17-19: A gravidade do pecado que Saul cometeu está aqui mostrada a nós.
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APÊNDICE A: ACAUTELAI-VOS DOS FALSOS PROFETAS! 2 Pedro 2:1-17 “Acautelai-vos dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos de ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (Mateus 7:15) “Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, (...)” (Filpenses 3:2) Os falsos profetas são agentes de Satanás, pessoas carnais, cujos objetivos são incrédulos e malsãos; como sua estratégia é a do engano, sua entrada é sempre quase imperceptível e cheia de boas promessas; contudo a Bíblia nos ensina alguns princípios preciosos: 1. Falsos profetas SUAVIZAM a mensagem de Deus. • Jeremias 6:13, 14 • Marcos 13:22 • 2 Coríntios 11:13-15 • 2 Timóteo 3:8 “O falso profeta prega mil sermões sobre o amor de Deus, mas nenhuma sobre Sua justiça e juízo. Isso faz dele um falso.” (David Martin Lloyd-Jones) 2. Falsos profetas NEGAM POR COMPLETO a mensagem de Deus. • Jeremias 23:16, 17 • 1 Reis 8:1-28 (destacar) • Atos 13:8 • 1 João 4:1 3. Falsos profetas COBRAM PARA ENSINAR, almejam lucro. • Atos 8:18-23 4. Falsos profetas VIVEM e SANCIONAM uma vida irregular. • 2 Pedro 2:2,10,14 • Apocalipse 2:14 5. Deus os julgará. • 2 Pedro 2:1, 17 • Jeremias 28:15-17 No tempo de hoje, dentre os falsos profetas estão os que negam a integridade, e/ou a autoridade da Bíblia, reduzindo-a a uma colcha de retalhos forjada, cheia de mitos e mentiras. Tais pessoas devem ser de todo ignoradas e resistidas pelo povo de Deus.
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APÊNDICE B: A IMPORTÂNCIA DO PENTATEUCO Concluindo com os irmãos esta primeira etapa de nosso panorama bíblico, nós devemos fazer algumas considerações sobre esta primeiro “segmento” da Bíblia, considerando: (1) Sua importância histórica. Deve ser nossa primeira consideração, porque ao ter nas mãos os cinco livros de Moisés estamos diante de um dos mais antigos escritos humanos, cuja preservação ao longo do tempo não é senão um milagre. A forma como Deus cuidou de que Seu livro chegasse a nós, trazendo informações históricas sobre a ação de Deus no mundo. A Bíblia não é um livro de História, nem tampouco um livro de Estórias, mas sim o conjunto dos fatos sobrenaturais de Deus na história humana. Os que negam, hoje, a Criação, o Dilúvio, o Êxodo, são também os mesmos que negam a origem divina da Bíblia. Se estes livros são originais (e são!) então cai por terra toda a torre do ateísmo do nosso tempo. Em particular, nós, como crentes, devemos ser gratos a Deus por grandes ministérios de pesquisa científica e arqueológica que se têm levantado para firmar na fé o povo de Deus neste tempo tão mau. (2) Sua importância no todo da Bíblia. De fato, todos os primeiros e principais fatos espirituais que determinam a forma como cremos estão nestes cinco livros. A importância da posição criacionista fica cada dia mais salientada; as evidências do dilúvio, quando as percebemos, são impressionantes; mas ao lado disso encontramos promessas Messiânicas, Tipos de Cristo que nos ajudam a conhecê-Lo e amáLo mais e melhor; o pacto da primeira aliança, os princípios morais santos e eternos que se revelam na Lei de Deus. Nosso Senhor, nós sabemos, quando tentado por Satanás no deserto, desferiu contra o Inimigo palavras do livro de Deuteronômio, com as quais o venceu. “O grande Acusador dos servos do Senhor já condenado está, vencido cairá por uma só palavra.” O povo de Israel no Antigo Testamento, em particular no Pentateuco, são o perfeito retrato espiritual, temos visto, de nossa peregrinação por este mundo, enquanto aguardamos ser levados para o Lar Eterno. Assim como eles, estamos em guerra contra este mundo, dependemos de Deus para obter vitórias, devemos nos santificar diariamente e buscar a comunhão com o Senhor. As palavras da Lei são nossa meditação de dia e de noite, e isso é, para nós, grande felicidade. Gênesis conta a história dos começos da humanidade. Êxodo: A grande interversão de Deus contra os ídolos libertando Seu povo. Levítico: Como habitar na presença do Santo? Purificando-nos e santificando-nos. Números: A jornada pelo deserto, o que nos atrasa, o que nos leva adiante. Deuteronômio: Trazer à memória as obras do Senhor. [8]