PANORAMA BÍBLICO LIÇÃO 01 – GÊNESIS O LIVRO DE CINCO HISTÓRIAS OS PEREGRINOS DO SENHOR I.
RESUMO DO LIVRO 1. Primeira História: Começos, Queda e Promessa (1:1 – 11:26) 2. Segunda História: Abraão (11:27 – 25:11) 3. Terceira História: Isaque (25:19 – 27:46) 4. Quarta História: Jacó (27:46 – 35:29) 5. Quinta História: José (37:1 – 50:26)
II.
COMENTÁRIOS ÀS HISTÓRIAS
(1) Os Começos, a Queda e a Promessa (1:1 – 11:26) Os primeiros dois capítulos (1:1 – 2:25) nos apresentam a revelação da Criação do Universo pelo poder e pela palavra de Deus. Este é um dos textos bíblicos que mais é enriquecido e aprofundado pelo Novo Testamento, porque em João, Colossenses e Hebreus, dentre outros, somos apresentados à revelação da atuação de Cristo no processo da Criação, bem como também do Espírito Santo. Nesta visão “breve”, nossa ênfase está em que Deus criou todas as coisas em perfeita ordem e o ser humano em perfeita moral (1:31). Em 3:1 – 4:26 encontramos a entrada da maldade no mundo bom original. Satanás vem e engana a mulher, a qual transmite seu erro ao marido. São separados de Deus, expulsos daquele lugar de comunhão com Ele. Passam a viver uma vida destituída da presença benfazeja do
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Senhor. Seus filhos carregam consigo esse mal (4:1-26) Caim pratica o culto profano e o assassinato cruel de seu irmão, Abel. Deus, porém, em 3:15 não deixa a humanidade em completo desespero; antes, provê uma promessa maravilhosa de salvação. Essa promessa é a base da salvação no Antigo Testamento. Em Gênesis 5 encontra-se uma genealogia que por muitos é tida como um texto profético, ligado a essa promessa: NOME Adão Sete Enos Cainã Maalalel Jarede Enoque Lameque Noé
SIGNIFICADO “Homem” “Apontado” “Mortal” “Sofrimento” “O Deus Bendito” “Descerá” “Ensinando” “Sua Morte Trará” “Consolação”
Se tidos como uma frase profética, os nomes nos ensinam: “(O) Homem (foi) apontado (para o) Mortal Sofrimento, (mas) O Deus Bendito Descerá Ensinando (e) Sua Morte Trará Consolação.” ➔ É importantíssimo notar que esta forma de leitura em nada é estranha ao povo para quem este texto foi originalmente escrito. A maldade foi aumentando, apesar da promessa e das muitas bênçãos que Deus dispensava sobre a descendência de Adão. Em 6:1 – 9:29 encontramos o relato da segunda manifestação de juízo santo da parte de Deus para com a humanidade: O DILÚVIO. O Dilúvio é um acontecimento registrado em todas as culturas antigas, e podemos encontrar muitas evidências dele no mundo natural: os fósseis, as camadas do solo, as formações de água de que até hoje nos aproveitamos, as calotas polares, dentre muitos outros. Seguiu a tragédia diluviana o estabelecimento de uma forma de civilização, porém imbuída do desejo de contrariar o desígnio do Senhor 2
desde seu primeiro momento, por isso esse plano arrojado foi interrompido pelo surgimento de diferenças entre as pessoas 10:1 – 11:26 Registrando o surgimento das línguas e dos povos da terra, somos introduzidos (como o autor queria desde o começo do livro) à genealogia que nos trouxe ABRAÃO. (2) AS PEREGRINAÇÕES DE ABRAÃO (11:27 – 25:11) Deus Se revelou a Abraão. Esta revelação trouxe consigo um chamado, e a ambos só se poderia responder se movido pela Fé genuína e salvadora. Ele partiu a peregrinar no mundo, trazendo consigo sua família, movido por um ímpeto que ele não conseguiria jamais implantar em outros. A Fé é pessoal. Assim entendemos por que Sara criou um problema enorme ao envolver sua serva; ou Ló preferiu viver nas campinas de Sodoma. Até mesmo os erros de Abraão tornam-se compreensíveis, porque ele era movido por Fé ainda que sem maior conhecimento de como as coisas deveriam ser. Passou a vida inteira andando, sem ter seu lugar próprio, e sempre esperando pela promessa do Senhor. É chamado de “amigo de Deus” (Isaías 41:8) e “pai da Fé” (Gálatas 3:7). Hebreus 11:8-10 assim fala dele: “8Pela Fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia. 9 Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; 10porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador.” Jesus, em João 8:56, falou de Abraão: “(Ele) viu o Meu dia; viu-o e regozijou-se.” (a) A peregrinação no Egito – 12:10-20 (b) A peregrinação e guerra em Canaã: 14:1-24 . Aliança com Melquisedeque . A promessa de um Filho – 15:1-21 . O “jeitinho” de Sara e Agar – 16:1-16 . O Selo da Descendência (Circuncisão): 17:1-27 . Sodoma e Gomorra (18:1 – 19:38) 3
(c)
A peregrinação em Gerar (Filístia) – 20:1-20 . O nascimento de Isaque (21:1-34) . Problemas na Tenda...
(d) A peregrinação no deserto (Berseba) – 21:32 . A grande prova (cap. 22) . A morte de Sara . Uma esposa para Isaque (cap. 24) (e)
O fim das peregrinações - 25:7-11
(3) A História de Isaque O “Filho da Promessa” não era o Salvador do Mundo. Ainda haveria, e Abraão sabia, muito para se transcorrer, embora ele não soubesse tudo. Isaque, ou Isaac, nasceu nas tendas, e seu destino era suceder seu pai como Chefe do povo e como líder do Culto do Deus Altíssimo. Desde jovem demonstrou Fé como a do pai (veja o capítulo 22) e a convicção de que estava sob o cuidado de Deus (a história dos poços no capítulo 26). Teve dois filhos, em quem o destino da família de Abraão se pôde distinguir com ainda maior clareza. Esaú era forte, vivaz, corajoso – certamente Isaque pensou que era por meio dele que viria o Descendente Salvador. Aqui aprendemos a não julgar de forma tão superficial – Deus havia eleito Jacó para esse lugar, ainda que o próprio Jacó tivesse de ter sua própria caminhada rumo à hombridade e conversão. No fim da vida, Isaque foi enganado. Perdeu a vista e em vez de consultar o Senhor quanto a quem deveria ser seu herdeiro, foi guiado por seus conceitos. Rebeca agiu por detrás dos panos, Esaú menosprezou a posição de ser escolhido de Deus, Jacó avantajou-se e nasceu um dos maiores conflitos familiares de que se tem notícia. Felizmente Deus permitiu que Jacó e seu irmão se reconciliassem, bem como Isaque partisse desta vida com um pouco de paz. Para compreendê-lo, é preciso ir à história de Jacó, a quarta história do relato do Gênesis.
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(4) A História de Jacó Jacó é um dos nomes mais mencionados na Bíblia. Apenas um contraste, encontramos o nome Abraão 234 vezes na Bíblia; Jacó, 333. Deus é chamado de “Deus de Jacó” algumas e importantes vezes na Escritura. Por quê? - Porque em Jacó nasceu a Nação, a partir de seus 12 filhos, que mais tarde se constituiria no povo de Israel. Abraão teve muitos filhos, mas eles constituíram, cada um, uma nação; os filhos de Jacó, apesar de todos os conflitos, mantiveram (e mantêm até hoje) sua identidade nacional. Um feito do Senhor. - Porque Jacó foi um homem em quem se viu claramente a Fé operando transformação e dedicação pessoal a Deus. Ele nasceu como enganador, mas Deus fez dele um homem do Senhor. De Jacó, “substituidor”, a Israel, “aquele que luta com Deus”. 4.1. Nasceu entrando no lugar de outro. (25:19-26) 4.2. “Roubou” a bênção do irmão. (cap. 27) 4.3. Fugiu: . Seu primeiro encontro com Deus (28:10-22) . A constituição da família nas tendas de Labão (29:1 – 30:26) . Enriquece e vai embora de volta. 4.4. Voltando e acertando as coisas: . 32:3-21, com medo de reencontrar Esaú. . 32:22-32: seu segundo encontro com Deus e a transformação. . 33:1-17, reconciliação com seu irmão. . 33:18 – 35:29: Entre Siquém, Betel e Belém (vivendo em Canaã) (5) A História de José (37:1 – 50:26) A grande chave de leitura em Gênesis, e na verdade em grande parte do Antigo Testamento, consiste em enxergar as semelhanças tipológicas (proféticas) entre alguns personagens da história e Cristo – pois Deus fez uso desses homens imperfeitos, como Isaque, José, Davi e Salomão, para prefigurar Seu Filho Unigênito que viria ao mundo operar a grande obra da redenção. José é um homem em quem enxergamos seus erros, mas é impossível não reconhecer sua semelhança em muito com Cristo, Nosso Senhor, a Quem ele prefigurava. 5
5.1. Honrado pelo Pai. Era o filho mais velho de Raquel. Amado, profundamente amado, honrado com uma posição de chefia, não obstante sua juventude. Perante os seus outros filhos, Jacó já anunciava quem o sucederia no comando. Isso, ao lado de uma imprudência imatura, ocasionou o sentimento cruel e humilhado no coração dos filhos mais velhos. 5.2. Traído e Vendido. No calor da humilhação, os irmãos decidem matá-lo. A mão de Deus sempre age, e Rúben, primeiro filho de Lia, intervém em favor do irmão. Na sua ausência, é vendido (mas até nisso age do Senhor Deus) e uma caravana de ismaelitas o leva ao Egito, onde é vendido a Potifar. 5.3. Traído, Preso e Esquecido. Em mais uma brecha do seu descuido, a maldosa mulher de Potifar cria uma situação de injustiça em que José termina preso. Lá na Prisão, assim como na Casa de Potifar, suas habilidades e caráter o colocam em posição privilegiada. Ao ser instrumento de Deus em favor de um servo de Faraó, recebe como gratidão o esquecimento. Até nisso agia o Senhor Deus. 5.4. Lembrado e Honrado, o “SALVADOR DO MUNDO”. É chegado o momento de Deus agir e intervir. Faraó recebe da parte de Deus um sonho que ninguém conseguia interpretar, senão aquele mesmo que Deus escolheu. O próprio Faraó o admite (41:38): “Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus?” – José é posto na posição de governador-geral do Egito; enriquece muitíssimo o Faraó, leva o Egito a um período sem precedentes de prosperidade; durante a fome, ele provê para todas as nações do mundo, e seu nome egípcio é Zafenate-Paneia, “O Salvador do Mundo”, ou, segundo alguns eruditos, “O Sustentador da Vida”. Resta claro que é um título de altíssima honra e que prefigura Nosso Senhor. 5.5. A Família se reúne. A Reunião familiar é ocasionada pela fome. José prova seus irmãos algumas vezes, e encontra neles um coração realmente sensibilizado, passados todos esses anos. Ao se revelar a eles, perdoa-lhes tudo o que fizeram (o que torna a fazer no Capítulo 50, depois que Jacó morre); provê para sua família uma terra privilegiada no Delta do Nilo, traz todos para sob seus cuidados. 6
(6) EPÍLOGOS DE GÊNESIS (48:1 – 50:26) Gênesis é um livro com uma longa, longa tarefa: começar com a origem do universo e das condições humanas e oferecer, por meio de uma narrativa sucinta e não-cronológica os acontecimentos que desembocaram em o povo de Deus estar vivendo no Egito. O livro é, seguramente, da autoria de Moisés, por isso termina no Egito, onde começa o livro seguinte. Como termina? Primeiramente, com a Bênção de Jacó (cap. 49) em que de forma profética, Jacó nomeia seus doze filhos e apropria a cada um características que eventualmente se cumprem na história Bíblica, desde a localização da herança da tribo (como Zebulom, Simeão, Levi) ou de um descendente em particular: Nosso Senhor descendeu de Judá (vs. 812) e o Apóstolo Paulo descendeu de Benjamin (v. 27), dentre outros.
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No capítulo 50 Jacó falece e, alguns anos depois, José. Depois da morte do pai, José reafirma sua convicção na direção do Senhor sobre todos os acontecimentos, bem como seu perdão a seus irmãos (vs. 15-21). Roga que seu corpo seja levado a Canaã quando o povo for liberto, no futuro. Por isso, o autor de Hebreus o lista entre os heróis da Fé (11:22): “Pela Fé, José, próximo do seu fim, fez menção do êxodo dos filhos de Israel, bem como deu ordens quanto a seus próprios ossos.”
1. O Universo é a obra do poder e sabedoria de Deus, seu Criador. 2. O homem foi criado para a glória de Deus e comunhão com Ele. 3. Porém, pecamos. Deus é quem prometeu (e efetuou) nossa salvação. 4. A humanidade carrega muitas das terríveis marcas do pecado. 5. Pela Fé, tornamo-nos filhos de Abraão. 6. Pela Fé, peregrinamos, contemplando a recompensa. 7. Nosso Deus está sempre no controle de tudo, e tudo conduz para Sua glória e nosso bem.
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