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Hoje Macau Especial GP 22 NOVEMBRO 2021 #4896

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º GRANDE PRÉMIO

ESTE SUPLEMENTO É PARTE INTEGRANTE DO HOJE MACAU E NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE

DE MACAU SEGUNDA-FEIRA 22.11.2021

DUPLA DE SUCESSO Textos JOÃO SANTOS FILIPE • SÉRGIO FONSECA


GP FÓRMULA 4 CHARLES LEONG CONQUISTOU O SEGUNDO TRIUNFO NO CIRCUITO DA GUIA RÓMULO SANTOS

O piloto de Macau é o rei das edições do Grande Prémio em tempos de covid-19 ao somar a segunda vitória consecutiva na Fórmula 4. No final, Leong definiu o fim-de-semana como perfeito e mostrouse satisfeito por ter tido a oportunidade de mostrar o seu “talento” CHARLES LEONG venceu a prova rainha da edição de 2021 do Grande Prémio de Macau, ao dominar treinos livres, qualificação e as duas corridas. Ao longo do fim-de-semana apenas Andy Chang pareceu rodar perto de Leong, mas alguns azares e erros fizeram com que nunca tivesse em posição de verdadeiramente ameaçar o rival.

O DIA de sábado ficou marcado por dois aparatosos acidentes na Taça GT Macau. No início da tarde, no “Warm Up”, uma sessão que não tem qualquer influência nos resultados, mas que todos os pilotos foram obrigados a participar, Dennis Zhang Ya Qi bateu de frente nas barreiras de protecção do lado de fora da Curva do Mandarim. Numa zona em que os carros da categoria GT3 atingem velocidades superiores a 215 km/h e os pilotos não travam, o chinês não se apercebeu que estava a ser ultrapassado por dentro por Alex Imperatori, e ambos os carros acabaram por se tocar. O

resultado para o piloto do Audi foram duas costelas partidas, um pneumotórax e uma contusão no pulmão direito. Imperatori também não vai esquecer o episódio, até porque lhe custou uma possível vitória no domingo. O Porsche 911 GT3 R da Meidong Racing chegou à grelha de partida da corrida da tarde de sábado fora de horas e com os pneus montados do “Warm Up”, não tendo oportunidade para os trocar. Uma jante danificada causou um furo lento quando o piloto suíço residente em Xangai seguia em terceiro, o que obrigou a uma ida às boxes e a queda até ao 14.º lugar.

UMA EPOPEIA A SEGUNDA vitória na Taça GT Macau foi uma história recheada de peripécias para Darryl O’Young. Depois de cumprir 21 dias de quarentena e de ter sido vítima de um aparatoso acidente na corrida de qualificação, o piloto de Hong Kong tinha muitas razões para sorrir no final da corrida. “Estou sem palavras, para ser honesto”, disse O’Young, que arrancou da segunda posição e ultrapassou o Porsche 911 GT3-R de Leo Ye Hongli logo nos primeiros metros da corrida. “Conseguimos chegar à grelha quando faltavam dez segundos. Se abrissem o portão e eu não conseguisse sair, estava fora. Literalmente dez segundos antes conseguimos ter o carro pronto. Os rapazes trabalharam durante toda a noite. Esta vitória é para eles”. O experiente piloto de Hong Kong, com o seu Mercedes-AMG GT3 remediado, conseguiu subir

ao primeiro lugar no arranque e aguentou a pressão do vencedor da corrida do ano passado no reinício da corrida para uma volta de “tudo ao nada” final. “O carro ainda está danificado, o chassis está dobrado. GCS

DESENTENDIMENTO CAUSA BRUTAL ACIDENTE

TAÇA GT O’YOUNG VENCE E YE QUEIXA-SE Estou seguro de que os rapazes que iam atrás podiam ver que estava em muitas dificuldades. Apenas tentei controlar a corrida. Na montanha não puxava muito para tentar poupar os pneus e cá em baixo tentei dar


No entanto, Charles adorou o fim-de-semana: “Foi uma corrida perfeita, desde a preparação feita em Zhuhai [onde ganhou quatro corridas de F4 em Outubro] até hoje [ontem]. É fantástico, não tive qualquer falha mecânica”, indicou. “É um sentimento incrível, é mesmo muito especial, porque sou de Macau, nasci aqui e cresci aqui. É simplesmente especial. Não sei como descrever este sentimento de ganhar pela segunda vez” confessou. A prova teve pouca história, mas o mesmo não se pode dizer da participação de Andy Chang. Após falhar o arranque na corrida de sábado, foi penalizado com drive through quando seguia em segundo, por falsa partida. Cumprida a penalização, vol-

o máximo, onde me podiam atacar. Talvez o Safety-Car me tenha salvo um pouco, hoje”, explicou o vencedor da corrida.

disse que o seu adversário deveria ter sido advertido por estar a espalhar óleo na pista, dificultando e de que maneira a sua condução. “Parabéns ao Darryl, realizou um bom trabalho”, disse Leo Ye. “O problema é que durante toda a corrida atirava óleo para o meu pára-brisas. No final já não conseguia ver nada. Também os meus pneus estavam cobertos de óleo. Mas gostei da luta com o Darryl. Ele defendeu-se bem”. No fim da prova, a equipa de Leo Ye, a Toro Racing, protestou o arranque de O’Young. Contudo, os comissários técnicos verificaram a informação do dispositivo de registo de dados consideraram que o vencedor não infringiu a velocidade máxima de 90 km/h no arranque. A surpresa da prova foi Luo Kai Luo, que fez a sua estreia este fim de semana no Circuito da Guia no Mercedes-AMG GT3 da Toro Racing. O piloto chinês foi uma ameaça consistente ao longo da corrida, passando toda a prova na traseira do seu colega de equipa Leo Ye para conquistar um inesperado terceiro lugar.

Amargo óleo

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Leo Ye, que tinha sido o mais rápido na qualificação e vencido a corrida de sábado, terminou no segundo lugar e visivelmente desagradado, queixando-se do óleo que saía do escape do Mercedes. O piloto chinês

tou à pista em quarto. Porém, como Andy e Charles estavam tão acima da concorrência, não teve problemas em recuperar. “Foi uma corrida dura, e o meu início foi terrível, porque acho que estava a ser muito lento. Arrisquei na Curva do Hotel Lisboa ao tentar travar mais tarde, porque achei que era a única hipótese de ultrapassá-lo [ao Charles], mas não consegui”, resumiu. “Depois recebi uma penalização, mas ainda consegui regressar ao segundo lugar. Fiquei feliz com o resultado”, considerou. Apesar do início lento, Chang foi melhorando os tempos de forma progressiva e à nona das 12 voltas estabeleceu o tempo de 2m29s331, novo recorde para a F4 no traçado da Guia.

ADMITE ABANDONAR A CARREIRA DE PILOTO MINUTOS DEPOIS de vencer pela segunda vez o Grande Prémio de Macau, Charles Leong admitiu sentir que nas condições actuais é incapaz de acrescentar muito mais à carreira. O piloto pretende assim focar-se na licenciatura universitária e numa carreira como agente e promotor dos pilotos locais. “Não tenho a certeza sobre o que vou fazer no próximo ano. Tenho de terminar os estudos universitários, porque estou no segundo ano da licenciatura. Também nestas condições é muito complicado competir. Antes das corridas de Zhuhai, no mês passado, quase não corri. Foram 10 meses sem entrar no carro”, desabafou. “Com tantas limitações e como não se pode competir em Macau, pelas condições naturais, fico com o sentimento já cumpri a

minha parte [no automobilismo local]”, acrescentou. No entanto, o futuro não implica um afastamento da modalidade. Charles Leong diz estar focado na promoção de talentos locais. “Quero ajudar a desenvolver os pilotos locais e a cultura de automobilismo. Temos bons recursos em Macau, como o Grande Prémio, a pista e provas de karting, mas sinto que falta alguém que saiba acompanhar os jovens e agência-los”, admitiu. “Como eu e o Andy temos experiência das corridas na Europa e conhecemos o meio, talvez possamos fazer esse papel”, acrescentou. “Acho que posso dar um acompanhamento aos pilotos que não tive, quando aos 16 anos fui para o Reino Unido. Na altura, tive de organizar as coisas por mim, mas os outros tinham agentes. Isso ajuda”, sublinhou.

TRAÍDO PELA SINALIZAÇÃO DARRYL O’YOUNG estava a fazer a corrida de qualificação de sábado e o suficiente para arrancar da primeira linha da grelha de partida para a corrida decisiva de ontem. Contudo, quando rodava confortavelmente na segunda posição, à quinta volta, o pior aconteceu: “Havia um carro parado à minha frente (ndr: o Lamborghini Huracán GT3 Evo de Tang Ruo Bin) com o motor partido e eu estava a aproximar-me bastante depressa porque não havia qualquer indicação de óleo na pista”, recordou. “Também não conseguia ouvir bem com o meu rádio... Eu sabia que havia um acidente à minha frente, mas não reparei que havia óleo na pista e não vi qualquer bandeira a assinalar que a pista estava escorregadia. Travei ligeiramente, mas não muito levemente e assim que toquei nos travões, o carro perdeu a traseira e ficou fora de controlo”, acrescentou sobre um dos grandes acidentes da prova. Apesar de combalido, o experiente piloto de Hong Kong, e

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No domingo, Leong arrancou da pole-position e fez uma corrida solitária. Ainda foi pressionado por Andy Chang logo no arranque, mas o segundo classificado saiu largo e perdeu o contacto com a frente. A partir daí, o vencedor apenas teve de gerir, apesar de recusar que a vitória tenha sido simples. “Pode parecer muito fácil visto de fora, mas é sempre necessário evitar que o carro atinja as barreiras. Por exemplo, quando se compete com uma distância grande para os adversários não quer dizer que não se corra riscos, é preciso estar sempre muito concentrado, porque não deixamos de travar tarde para as curvas e há riscos na pista”, explicou.

RÓMULO SANTOS

O jovem imperador

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primeiro vencedor da Taça GT Macau em 2008, realçou que “o carro sofreu um forte impacto”, mas que estava bem. “Apenas tive que ir ao Centro Médico para ser examinado”, contou. Mal o carro chegou à zona das boxes, os mecânicos da Craft Bamboo Racing começaram a desmontar o Mercedes-AMG GT3 de forma a perceber se este estaria em condições para correr. Além da limitação de pessoal, pois os membros estrangeiros da equipa de Hong Kong não puderam estar presentes no evento, e do limite

de passes atribuídos às equipas, restringindo a presença de apenas três mecânicos, um engenheiro e um chefe de equipa por carro, havia a questão de existirem em Macau todas as peças sobressalentes e se o chassis do carro alemão estaria danificado. Depois de uma “directa” a trabalhar no duro, os elementos da equipa conseguiram terminar a reparação do Mercedes a dez minutos do fecho do pitlane. Como o próprio piloto confessou, o carro ficou com o chassis danificado, mas tal não colocou em causa a segurança.


FOTOS RÓMULO SANTOS


ANOS

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CARROS DE TURISMO CORRIDA MARCADA POR DOIS ACIDENTES VIOLENTOS E PILOTOS

Célio Alves Dias foi o grande vencedor da prova, mas faltou à cerimónia do pódio, por se encontrar no hospital. Para Rui Valente, a manhã começou com o seu pior acidente de sempre no Circuito da Guia

Caos matinal CÉLIO ALVES Dias foi o vencedor da Corrida de Carros de Turismo de Macau, que terminou com dois acidentes que envolveram 19 viaturas. As colisões aconteceram após a saída do safety car, e levaram três pilotos para o hospital, entre os quais o vencedor e Lin Li. A confusão começou à terceira volta, quando Cheong Chi Hou

(Peugeot RCZ) parou com uma avaria perto da recta da meta e a viatura teve de ser removida da pista. O procedimento levou à entrada do Safety Car. Com o recomeço da corrida, gerou-se a confusão. A existência de óleo no circuito terá levado a que Cheang Kin Sang (Mini) se despistasse, após a Curva R, e a

uma colisão com 16 viaturas. O carro de Cheang ficou numa zona cega e de aceleração, e os outros concorrentes pouco conseguiram fazer para evitar as colisões. Ao HM, Célio Dias afirmou que a existência de óleo pode ter estado na origem do acidente. “Quando passei naquele local do acidente [na altura do recomeço], senti

que havia ali óleo porque o carro escorregou bastante”, revelou. Junio Pereira (Ford Fiesta) também esteve envolvido no acidente, entrou em pião, mas evitou danos. “Vi que as bandeiras amarelas já não estavam a ser mostradas e comecei acelerar a fundo, para acompanhar o carro que estava à minha frente. De repente, e sem

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CHALLENGE CUP VITÓRIA DE WONG WAN LONG MARCADA POR DUELO MACAENSE

A LEI DO MAIS FORTE

O PRIMEIRO vencedor do dia de ontem foi Wong Wan Lon, que se impôs a toda a concorrência e com muito à vontade, durante as 12 voltas da corrida Challenge Cup. O piloto já tinha mostrado no sábado que tinha o melhor ritmo, porém, um excelente arranque na prova de ontem permitiu-lhe fugir luta à entre os perseguidores. “Estou muito feliz com a vitória. Parti como líder do pelotão e estava à espera de ser muito atacado. Não foi isso que aconteceu e felizmente encontrei um bom ritmo que me permitiu chegar ao fim e ganhar”, disse Wong, no final da prova. Imune a pressões, o vencedor distanciou-se dos três Mitsubishi de Delfim Mendonça Choi, Luciano Lameiras e Chan Chi Ha, responsáveis por um dos duelos mais interessantes de todo o fim-de-semana. Delfim Mendonça a levou a melhor, com um segundo lugar. O piloto arrancou em terceiro, foi relegado para quarto, mas nunca desistiu. A luta pelo segundo lugar foi a mais intensa e Choi chegou mesmo a bater na


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PILOTOS MACAENSES

NO HOSPITAL

que esperasse, vi surgiram vários carros batidos, a bloquear a maior parte da pista”, contou Pereira, ao HM. “Só pensei em encontrar um buraco para me desviar da confusão, foi o que fiz, mas perdi a traseira. Felizmente não acertei no muro”, acrescentou. Menos sorte teve Lin Li (Honda Civic) ao embater no carro de Lam Ka Chun (Ford Fiesta) e capotar. A piloto teve de ser transportada de ambulância para o hospital, onde foi diagnosticada com uma fractura da vértebra T11. Lin está numa situação estável.

Um mal nunca vem só

Além da curva R, também a curva seguinte, a primeira do circuito causou problemas. Célio Dias que liderava, ao mesmo tempo

TAÇA CHALLENGE

que atrás acontecia a confusão, foi igualmente surpreendido por óleo na pista. O Mini perdeu o controlo e foi atingido por Lui Man Fai (Mini), que sofreu uma fractura lombar. O piloto está numa condição estável. “Eu não sei bem o que se passou. Acho que havia óleo na pista, porque fui cuidadoso na abordagem à curva. No entanto, o carro começou a escorregar na curva, por isso, acho que havia óleo”, relatou Célio Dias. No mesmo local, bateu também Rui Valente (Mini). O piloto travou forte para evitar Célio e Liu, mas acabou por perder o controlo e ter o “acidente mais violento da carreira” em Macau. “Quando entrei na curva, apercebi-me que houve um acidente

e puxei o carro para a esquerda. Em vez de virar, entrei em pião, por isso, não sei se fui tocado por trás, ou se havia óleo”, relatou. “O carro ia muito depressa e já só me apercebi que ia bater no rail. Bati muito forte, e tenho o carro todo partido”, acrescentou. A corrida foi imediatamente dada por terminada. Célio Dias foi considerado vencedor, à frente de Sabino Osório Lei e Lui Man Fai. “É a primeira vez que fiquei em primeiro em Macau. Por isso, estou contente com a vitória, mas também fiquei com um carro novo destruído”, afirmou Célio sobre a vitória. O vencedor faltou à cerimónia do pódio, porque foi transportado para o hospital onde esteve três horas a ser observado. No seu lugar do pódio esteve a mulher, Kitty.

GT4 GCS

JERÓNIMO BADARACO EQUACIONA PARTICIPAR NO PRÓXIMO ANO

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traseira de Luciano Lameiras na parte mais lenta do circuito. Na altura do toque, Lameiras já enfrentava problemas de sobreaquecimento, que fizeram com que tivesse de abrandar e perder várias posições, o que jogou a favor de Chan, que assim foi terceiro. Ao longo das 12 voltas, Jerónimo Badaraco foi o piloto mais rápido em pista. No entanto, como já tinha acontecido na prova de sábado, em que desistiu com problemas mecânicos, o carro não aguentou até ao fim. Badaraco perdeu os travões quando já tinha recuperado várias posições e era o mais rápido em pista, e acabou por sair em frente no gancho da curva Melco. No final, assumiu as responsabilidades no incidente, por ter puxado demasiado o carro.

COM O FIM da corrida, Jerónimo Badaraco já está focado na prova do próximo ano. Em cima da mesa está a possibilidade de participar ao volante de um BMW GT4, na Taça da Grande Baía, ou seja, numa categoria diferente da actual Challenge Cup. “O regresso vai depender da equipa, vou ver como vamos fazer a preparação. Está em cima da mesa a possibilidade de correr de GT4”, revelou. “A equipa está a preparar-se para regressar e a hipótese é partici-

par de BMW GT4, só que nesta altura só estamos na fase inicial das conversações”, acrescentou. Badaraco vê a mudança com muitos bons olhos, por conduzir um carro desenvolvido por uma equipa de fábrica. “É bom poder conduzir vários tipos de carros. O GT4 da BMW é um carro de fábrica, e eu tenho experiência de conduzir este tipo de carros, por isso, pode ser uma experiência muito interessante. São carros bons” justificou.

DELFIM MENDONÇA CHOI Mitsubishi Evo 9 Posição: 2.º • UM SONHO CUMPRIDO Delfim subiu pela primeira vez ao pódio no Circuito da Guia e cumpriu um sonho de infância: “Estar no pódio em Macau é um sonho. Vou celebrar muito com a minha família, a namorada e a minha equipa. É um resultado muito especial”, afirmou Delfim, ao HM. “Nunca parei de puxar durante toda a prova e tive muitas lutas intensas até alcançar este resultado”, confessou. Apesar disso, Mendonça acredita que poderia ter alcançado mais: “Este segundo lugar foi um bom resultado, mas gostava de ter alcançado o primeiro. Talvez se a prova tivesse mais voltas eu conseguisse fazer a diferença para o primeiro, ou, pelo menos, dar outra luta”, frisou. EURICO DE JESUS Honda H70 Civic Posição 7.º • TRAÍDO PELOS PNEUS Eurico de Jesus alcançou o sétimo lugar, numa corrida com muitas desistências. No entanto, a selecção dos pneus para a prova foi uma grande condicionante. “Não posso dizer que este ano o meu desempenho tenha sido tão bom. Não porque não tenha conduzido bem, até acho que não estive mal, mas os pneus eram novos, não tive tempo de pista suficiente e não acertei com as afinações”, explicou. “Tive uma prova muito solitária, porque não tinha andamento para quem estava à minha frente e, para os pilotos de trás, tinha uma vantagem superior a um minuto. Foi uma corrida em que estive focado em terminar e em desfrutar da pista”, acrescentou. LUCIANO LAMEIRAS Mitsubishi Evo 9 Posição, 11.º • SOBREAQUECIMENTO Durante a prova, Luciano Lameiras rodou por várias voltas no terceiro lugar e até esteve na luta pelo segundo. Contudo, problemas com o aquecimento do carro condicionaram o resultado. “No início o carro estava muito bom, com muita velocidade. Só que a meio da prova comecei a ter problemas. No início não eram muito sérios, mas a temperatura do carro começou a aquecer e tive de reduzir o ritmo. Já não podia ir a 100 por cento, só a 90 por cento”, revelou o piloto do Mitsubishi Evo 9. Contudo, pressionado por Delfim Mendonça, de quem até sofreu um toque na traseira, acabou por ver os problemas agravarem-se. “Ao ritmo de ataque era difícil arrefecer o carro, porque estava a ser muito pressionado. Isso fez com que não pudesse gerir a temperatura. E depois os problemas agravaram-se. Fiquei desiludido por não ir ao pódio”, admitiu. “Mas as corridas são assim e diverti-me bastante”, contou. JERÓNIMO BADARACO Mitsubishi Evo 9 Posição: Desistiu • TRAVÕES LEVARAM À SAÍDA Badaraco fez a melhor volta com uma distância de pelo menos um segundo para todos os outros. Porém,faltou a fiabilidade. “Este fim-de-semana não estive acompanhado pela sorte e as coisas não correram muito bem. Na última corrida, e talvez tenha tido culpa no que aconteceu, puxei demasiado e fiquei sem travões, na curva da Melco. Se não fossem os travões acredito que tinha ficado no pódio”, considerou. “O carro estava com um ritmo mesmo muito elevado, mas depois de sair na Melco só parei quando cheguei à passadeira [à frente do Edifício da DSAT]. Os travões também se incendiaram, e como tinha perdido muitas posições, desliguei o carro e decidi parar por ali”, explicou.

CARROS DE TURISM0 DE MACAU CÉLIO ALVES DIAS Mini Cooper Posição: 1.º • CARRO PARA A SUCATA A corrida de ontem marcou a estreia de Célio Alves Dias a vencer em Macau, depois de várias tentativas e de um ritmo muito forte. “Estou contente com a vitória, mas foi uma corrida muito agridoce. Não estava à espera de ganhar e acabar com o carro todo destruído. Era novo e vai para a sucata. É uma sensação agridoce”, afirmou, no final, ao HM. Apesar da destruição, Célio não afasta a possibilidade de voltar a competir no próximo ano. “Claro que quero voltar para competir. Mesmo sem carro, vou pensar numa solução”, sublinhou. SABINO OSÓRIO LEI Ford Fiesta Posição: 2.º • LUGAR MUITO ESPECIAL Para Sabino Osório a corrida acabou por ter um sabor misto. Feliz por ter terminado no pódio, o piloto não deixou de lamentar os violentos acidentes. “Estou feliz com o segundo lugar, porque é a terceira vez que estou a competir nesta pista, que é um lugar muito especial para mim. Adoro esta corrida”, começou por dizer Sabino. “Infelizmente aconteceu este acidente, e só desejo que todos fiquem bem. São acontecimentos que ninguém gosta de ver nas corridas”, acrescentou. RUI VALENTE Mini Cooper Posição: 5.º • EMOCIONADO Rui Valente esteve envolvido num acidente muito violento e, no final, não conseguiu esconder toda a emoção. Numa altura em que atravessa um momento complicado da vida pessoal, devido à morte do pai, o português não conseguiu evitar as lágrimas. “Tinha dito que se ganhasse era o último ano de Grande Prémio de Macau. Não ganhei, apesar de fazer uma grande corrida. Não sou vaidoso no que faço, mas acho que foi uma das minhas melhores prestações em Macau”, disse Rui Valente. “Estava muito empenhado. Muita coisa se passou nos últimos dois meses, com o falecimento do meu pai, e agora com este acidente. Estou muito emocionado, mas não ganhei. Vou voltar”, prometeu. JUNIO PEREIRA Ford Fiesta Posição: 26.º • MAIS INTENSO O macaense Junio Pereira realizou a estreia no Grande Prémio ao participar na corrida de Carros de Turismo de Macau. Apesar de um enorme susto, e de ter entrado em pião no principal acidente do fim-de-semana, Pereira conseguiu atravessar a confusão sem qualquer dano. No final, admitiu ter adorado a adrenalina da competição. “Era um sonho participar no Grande Prémio e depois desta corrida, se tiver a oportunidade, vou regressar”, disse Pereira, ao HM. “Depois dos problemas dos primeiros dias, hoje [ontem] ganhei muitos lugares. Acabou por ser um fim-de-semana muito mais intenso do que estava à espera”, confessou. Na altura das declarações, Pereira ainda não tinha sido penalizado com 30 segundos, por ultrapassar durante o período de Safety Car.


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RÁPIDAS

CERCA DE 56 MIL ESPECTADORES

Os três dias das provas contaram com cerca de 56 mil espectadores, de acordo com os números avançados ontem por Pun Weng Kun, presidente do Instituto do Desporto e coordenador da Comissão Organizadora. De acordo com a mesma informação, a maior parte dos espectadores pagou bilhete, embora também tenha havido muitos ingressos oferecidos, principalmente às escolas.

A LOTARIA DOS FUROS Pneus decidem vencedor da 50.ª Corrida da Guia

JASON ZHANG Zhi Qiang venceu a 50.ª edição da Corrida da Guia, obtendo o seu segundo triunfo consecutivo na prova e o terceiro da marca chinesa de automóveis Lynk & Co. A equipa oficial do construtor automóvel do grupo GeelyAuto confirmou o seu favoritismo, mas o que parecia um triunfo fácil acabou por se tornar uma vitória à tangente. Quanto aos pilotos do território, continua a manter-se a tradição de meio século sem pilotos locais no pódio. Com o título do campeonato TCR Ásia também em jogo, Ma Qing Hua venceu a corrida de 8 voltas de sábado e colocou-se na pole-position para corrida de ontem, tendo ao seu lado Jason Zhang. Para este último, o segundo lugar atrás do seu companheiro de equipa era o suficiente para ir para casa com o título no bolso. Todavia, logo nos primeiros metros da prova ficou perceptível que esta não ia ser uma corrida aborrecida. Inesperadamente, Sunny Wong, no terceiro Lynk & Co 03 TCR oficial, intrometeu-se entre os dois pilotos que discutiam o título. Depois, Lo Sze Ho, que guiava aqui pela primeira vez um Hyundai i30 N TCR, juntou-se ao grupo, mostrando que era capaz

de, também ele, ter uma palavra a dizer na luta por um lugar no pódio.Acrescentando uma pressão suplementar aos favoritos, Filipe Souza seguia imediatamente atrás, a aguardar um erro de algum dos seus adversários. Na primeira metade da prova, Ma, Zhang e Wong trocaram diversas vezes de posições, com Ma a subir a primeiro, seguido de Zhang e Wong. Entretanto, Filipe Souza desaparecia. O melhor dos pilotos de Macau recebeu uma penalização de “Drive Through” por alegada falsa partida, mas, como não a cumpriu ao fim de duas voltas, mostraram-lhe a bandeira preta e foi desclassificado.

Para todos os gostos

O construtor de pneus inglês Avon foi nomeado este ano como forneGCS

FILIPE SOUZA tinha razões para estar desgostoso no final do dia. O piloto de Macau viu novamente fugir-lhe um lugar no pódio. Depois de ter obtido um brilhante segundo lugar na qualificação, na corrida de sábado, o piloto do Audi RS 3 LMS TCR caiu para sexto no arranque, recuperando duas posições até ao final da corrida de oito voltas para garantir a quarta posição na grelha de partida para a corrida decisiva de ontem. Porém, rapidamente todo o esforço se esfumou. “O sistema de luzes não é igual às provas internacionais, o ritmo aqui é diferente”, explicou Souza ao HM. “As luzes têm um ritmo diferente de acender e apagar. Por isso, falhei o arranque e recebi um ‘Drive Through. Foi azar.” Apesar de reconhecer o erro, Souza também aponta o dedo à direcção da corrida pelo que sucedeu a seguir. “Eu reparei que tinha o ‘Drive Through’, mas eles também falharam. Primeiro mostraram-me o aviso com o número nº26, o meu número, e depois mostram-me com o nº27. Fiquei na dúvida se seria o meu número ou não, e se não era um erro. Por isso, não entrei nas boxes imediatamente e ao dar mais uma volta recebi logo a bandeira preta. Não dava para entrar nas boxes”, esclareceu o piloto do território. “Eu disse à organização que tinha visto dois números diferentes, mas sabia que tinha feito uma falsa partida. Só que a ver uma bandeira com um número diferente, pensei que tinham errado. Esperei que me mostrassem o número correcto mais uma vez, só que em vez disso, mostraram-me a bandeira preta. Acho que falharam um bocado. Complicaram as coisas. Mas não sei... Foi um azar”, disse o conformado experiente piloto da RAEM. Num fim de semana em que voltou novamente a rodar na parte da frente da corrida, Souza acredita que teria sido possível terminar nos três primeiros classificados: “Eu estava com um ritmo bom e se não fosse o ‘Drive Through’ teria passado os dois carros que estavam à minha frente e tinha ido ao pódio. Tinha reparado que eles estavam com problemas de pneus e acabaram por rebentar. O carro estava bom, bem afinado. Estava com boas sensações e a lutar com pilotos de fábrica. Nunca poderia competir contra eles, porque eles têm apoios muito melhores. Para o ano ainda não sei o que vou fazer, vou parar e ver.”

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DIA INGLÓRIO PARA SOUZA

cedor exclusivo de pneus para a Corrida da Guia, sem nunca antes ter equipado a grelha de partida de uma corrida internacional com viaturas TCR. E acabaram por ser mesmo os pneus a ditar o vencedor da corrida. Na última volta, quando Ma seguia à frente e Zhang era um feliz segundo classificado, o ex-piloto de testes de F1 teve um furo. O seu companheiro de equipa apercebeu-se da situação, mas não quis ficar com a vitória, até porque o título já não lhe fugia, e ambos os carros continuaram em marcha lenta sem trocar de posições num espectáculo bizarro. Zhang aguentou a tentação até onde foi possível, mas como Lo Sze Ho rapidamente recuperou os seus trinta segundos

de atraso, o piloto chinês partiu rumo à vitória na corrida, colocando a “cereja no topo do bolo”, vencendo pela segunda vez a mais prestigiada corrida de carros de Turismo da Ásia, conquistando assim o seu primeiro título internacional. Lo Sze Ho subiu ao segundo lugar do pódio, fruto de mais um fim de semana imaculado, enquanto a “coxear” Ma cortou com esforço a linha de meta no terceiro lugar. Pior sorte teve Wong, no terceiro carro da equipa, que desistiu também ele com um furo. E continuando a falar de furos, Kelvin Wong, em SEAT Leon TCR, foi o melhor dos pilotos de Macau, na 11.ª posição, também ele a terminar com um furo. Já no sábado, um furo arruinou as esperanças de um bom resultado final a um dos favoritos da corrida. Andy Yan (Honda Civic) foi obrigado a desistir quando seguia na terceira posição a pressionar os Lynk & Co. Oito horas depois da corrida, foi confirmada a desclassificação de Lo Sze Ho, por irregularidades no turbo do Hyundai, sendo promovido Ma a segundo e Yang Xiao Wei (SEAT Léon) a terceiro.


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