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Hoje Macau 24 JUNHO 2021 #4795

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24 DE JUNHO

HISTÓRIA NA NET EVENTOS

O TEMPO E O MODO PÁGINA 7

ELEIÇÕES

A VEZ DE SCOTT PÁGINA 5

OPINIÃO

OPORTUNIDADE NA CRISE COLUMBANO BORDALO PINHEIRO

SANDRA BEAUDOIN

JORGE RODRIGUES SIMÃO

SAUDADES SEM MUNDO LUÍS CARMELO

QUINTA-FEIRA 24-6-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

hoje macau

Um século em fotos Foi ontem inaugurada a exposição fotográfica de celebração do 100.º aniversário do Partido Comunista da China, patente no Fórum Macau. Ho Iat Seng destacou o papel

fundamental de liderança do partido, enquanto o coordenador do Gabinete de Ligação defendeu a necessidade de traçar uma linha clara contra forças separatistas. PÁGINA 4

MACAU - HONG KONG

ANÁLISE À POLÍTICA DE ‘‘ZERO CASOS’’ GRANDE PLANO

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JULGAMENTO SANDS

Nº 4795


2 grande plano

24.6.2021 quinta-feira

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COVID-19 ANALISTAS DIZEM QUE POLÍTICA DE “ZERO CASOS” PODE DEFINHAR ECONOMIA LOCAL

Quando a cura A possibilidade de abrir novamente a bolha de viagem entre as RAEs ao fim de 28 dias sem casos locais de covid-19 em Hong Kong pode ser essencial para a recuperação de Macau. Analistas ouvidos pelo HM entendem que a política de “zero casos” do Governo de Macau é “exagerada” e pode levar a uma situação económica muito difícil. Porém, antes de existir, a bolha rebentou com a notícia de um possível surto de covid-19 em Hong Kong

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espera das autoridades de Macau pela inexistência de casos locais de covid-19 na vizinha Hong Kong para abrir as fronteiras pode levar a economia da RAEM a definhar cada vez mais. É esta a ideia deixada por vários analistas contactados pelo HM quando questionados sobre os efeitos da possível bolha de viagem com Hong Kong, caso se atinjam 28 dias sem novos casos locais de infecção. Porém, ontem foi noticiado nos media da região vizinha um possível surto no bairro de Tai Po, depois da detecção de uma elevada carga viral nos esgotos da zona. As autoridades da RAEHK procederam à testagem em massa de habitantes de 30 prédios. Além desta situação, o South China Morning Post, noticiou que as autoridades de saúde de Hong Kong estão ainda a investigar um caso de teste positivo à covid-19 de um residente na zona de Tai Po e que trabalha no Aeroporto Internacional de Hong Kong. As autoridades da região vizinha confirmaram também dois casos importados, um deles da Indonésia. Pedro Cortes, advogado e especialista na área do jogo, acredita que “a política de “casos zero” terá consequências gravosas para a economia, mais cedo ou mais tarde”. “Não se morre da doença, mas morre-se da cura. Vemos em algumas zonas de Macau as lojas fechadas e há muita gente no desemprego. Percebo esta política, mas tem de haver alguma flexibilidade, caso contrário vamos demorar muito tempo até recuperar para a situação que tínhamos antes da pandemia”, referiu. Ideia semelhante é defendida pelo economista Albano Martins, que considera que o Governo tem exagerado em muitas das medidas tomadas. “Há um grande exagero e não pode funcionar o ‘‘ou tudo ou nada’’. Temos países em que o Governo não tem mão em nada, como os EUA na primeira fase com Trump. Macau conseguiu controlar a pandemia, mas está a exagerar. O poder está a cair na

Bairro Tai Po

“Há um grande exagero e não pode funcionar o ‘‘ou tudo ou nada’’. Temos países em que o Governo não tem mão em nada, como os EUA na primeira fase com Trump.” ALBANO MARTINS ECONOMISTA

mão do pessoal da saúde, que são funcionários, mas que não sabem muito bem o que é a economia do território. É preciso jogar um pouco com maior flexibilidade, porque caso contrário não se morre da doença, mas da cura.” Glenn Mccartney, docente e investigador da Universidade de Macau (UM), especialista na área do turismo, diz que tudo depende de que lado se está. “Tudo depende se somos accionistas, casinos, o Governo ou investidores. Isto é uma


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grande plano 3

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pode matar “[Abertura de Hong Kong] compensaria de certeza absoluta o que foram as últimas semanas de entradas da China. Seria uma pequena lufada de ar fresco na indústria do jogo, mesmo com todas estas reservas” PEDRO CORTES ADVOGADO

defende que está na altura de as autoridades locais flexibilizarem mais as medidas. “Macau continua com alguma abertura em relação à China que apresenta números bem diferentes de Hong Kong. Não abre para Hong Kong de uma forma quase incompreensível.” O causídico refere que “a situação de Macau é complicada”, uma vez que as operadoras de jogo “estão há bastante tempo sem conseguir operar em termos normais”. “Houve um sopro de positividade durante a Semana Dourada, em Maio, mas, neste momento, parece-me que o facto de Macau continuar isolado é mau para o território”, adiantou.

Tubo de escape

pandemia e é muito difícil adivinhar o seu percurso. Podemos ter excesso de zelo, mas em alguns casos isso pode ser bom, tudo depende de que lado se está. Penso que, de momento, a precaução pode ser um factor positivo, estamos a seguir em frente, a ter algumas receitas. Claro que os investidores querem mais receitas e lucros, mas as consequências de fazer tudo muito depressa é a ocorrência de casos comunitários.” Também Óscar Madureira, advogado e especialista em jogo,

“Neste momento, era importante que a população de Macau se vacinasse. O Governo deveria ter uma palavra de maior pedagogia, sei que algumas operadoras já o fizeram e com bons resultados” ÓSCAR MADUREIRA ADVOGADO

Olhando para os dados dos visitantes que entraram em Macau em 2019, no período pré-pandemia, os visitantes de Hong Kong representavam cerca de 20 por cento. Para Pedro Cortes, a reabertura de uma bolha de viagem com o território vizinho “seria muito bom para a indústria do jogo e local, como os restaurantes e o pequeno retalho que vivem muito dos visitantes de Hong Kong”. Além disso, a abertura, a acontecer, pode funcionar como uma alternativa face às consequências negativas resultantes do aumento de casos de covid-19 em Guangdong. “Compensaria de certeza absoluta o que foram as últimas semanas de entradas da China. Seria

uma pequena lufada de ar fresco na indústria do jogo, mesmo com todas estas reservas. Sei por alguns clientes nossos que o fecho das fronteiras tem sido bastante prejudicial”, defendeu Pedro Cortes. Albano Martins recorda que “Hong Kong é um mercado apetecível para o jogo de Macau”, mais antes de 1999 do que depois, quando o mercado chinês passou a dominar o sector. “Toda e qualquer abertura é boa para o crescimento do PIB [Produto Interno Bruto]”, frisou o economista, que aponta o dedo às autoridades pela forma como estão a gerir a questão da renovação das concessões de jogo. “O problema é a opacidade do Governo. Não se sabe muito bem se o Governo está a tentar manter o mercado do jogo ou se simplesmente está com a ideia, legítima, mas que na prática não é viável a curto prazo, nem nos próximos 20 anos, de diversificar, mas pela aniquilação do jogo. Acredito que o jogo vai continuar, as operadoras estão muito preocupadas porque não há luz verde nenhuma sobre como vão ser os processos de concessão e têm um investimento colossal.” Glenn Mccartney lembrou que as família são, um segmento importante para os casinos, sobretudo na área do entretenimento e lazer. “Temos de pensar que as crianças não poderão vir porque não estão vacinadas. Temos de pensar neste cenário de visitantes sem famílias, e haverá certamente uma aproximação passo a passo a Hong Kong [ao mercado]. Não vejo que esta bolha de viagem tenha um impacto imediato no sector do jogo, porque continuam as restrições.” Cautela é palavra de ordem no discurso do académico da UM. “Estas duas semanas [de análise] poderão ser estendidas. Com base naquilo que sabemos sobre o vírus, o Governo de Macau será ainda mais cauteloso. Há mais variantes do vírus e isso gera preocupações acrescidas.” Abrir as fronteiras com Hong Kong e manter o corredor com a província de Guangdong “pode

Wynn optimista para o Verão

A vice-presidente da Wynn Macau, Linda Chen, revelou que a estabilização da situação da pandemia nas regiões de Guangdong e Hong Kong ] e razão para estar optimista em relação ao número de visitantes esperados no próximo mês. À margem da apresentação da 9ª edição da exposição internacional da indústria do turismo de Macau, Linda Chen considerou que, pelo facto de estarem programadas várias actividades turísticas, culturais e desportivas para Julho, faz com que exista a expectativa de que a média diária de visitantes possa ultrapassar os 40 mil, à imagem do que aconteceu na semana dourada do 1º de Maio. Sobre o plano de expansão do Wynn Palace, a vice-presidente afirmou esperar que as novas instalações “correspondam ao desenvolvimento de Macau no futuro”.

levar a uma recuperação lenta” da economia local, defendeu.

Prémios pelas vacinas

No meio de toda esta equação, está um factor que pode resolver parte dos problemas: a vacina contra a covid-19. As autoridades de Macau frisaram que só poderão viajar para Hong Kong, com isenção da quarentena, quem tiver as duas doses da vacina. Pedro Cortes vai mais longe e pede que sejam criados benefícios para quem está vacinado, que poderiam passar, por exemplo, pela redução dos dias de quarentena. Se em Macau tem sido difícil conquistar a população para as vacinas, a situação não é melhor em Hong Kong, onde uma pequena percentagem da população está vacinada. Óscar Madureira acredita que é necessária uma maior intervenção do Governo. “Neste momento, era importante que a população de Macau se vacinasse. O Governo deveria ter uma palavra de maior pedagogia, sei que algumas operadoras já o fizeram e com bons resultados. Mas a percentagem da população vacinada não atingiu ainda números satisfatórios e isso prejudica a população de Macau. Se as fronteiras abrirem e houver contaminação será mais grave, e com a vacinação o Governo pode estar mais confiante.” Os últimos dados divulgados pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus mostram que em Macau apenas cerca de 91 mil pessoas tomar as duas doses da vacina. Andreia Sofia Silva e Pedro Arede


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24.6.2021 quinta-feira

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PCC TRANSFERÊNCIA PÔS FIM A “100 ANOS DE HUMILHAÇÃO”, HO IAT SENG

Aprender com a história

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Chefe do Executivo de Macau, Ho Iat Seng afirmou ontem que o retorno de Hong Kong e Macau à pátria apenas foi possível devido à criação do princípio “Um País, Dois Sistemas”, política fundamental para pôr fim a “100 anos de humilhação”. “O Partido Comunista da China apresentou, de forma inovadora, a importante política ‘um País, dois sistemas’e, sucessivamente, retomou o exercício da soberania sobre Hong Kong e Macau, findando assim cem anos de humilhação da nação chinesa”, afirmou ontem Ho Iat Seng por ocasião da inauguração da Exposição de Fotografias de Celebração do 100.ºAniversário do Partido Comunista da China (PCC).

HOJE MACAU

Durante a inauguração da exposição fotográfica que celebra o centenário do Partido Comunista da China, Ho Iat Seng afirmou que a criação do princípio “Um País, Dois Sistemas” foi fundamental para permitir que Hong Kong e Macau regressassem à pátria, colocando um ponto final a “100 anos de humilhação da nação chinesa”. Fu Ziying alertou para a necessidade de traçar uma linha clara contra forças separatistas

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Ho Iat Seng afirmou ainda que a exposição fotográfica “visa sobretudo aprofundar o conhecimento de todos os residentes de Macau, especialmente da geração mais jovem, sobre a jornada dos 100 anos do PCC”

EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto

: 41/E-BC/2021 : 173/BC/2021/F : Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) : Rua da Gruta n.º 37, Edf. Jardim de Luís de Camões, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar D (CRP:D5), Macau.

Local

Lai Weng Leong, Subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 06/SOTDIR/2020, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 11, II Série, de 11 de Março de 2020, faz saber que ficam notificados o dono da obra e o proprietário do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada: Infracção ao RSCI e motivo da demolição 1.1 Construção de um compartimento Infracção ao n.º 4 do artigo com cobertura metálica, paredes em 10.º, obstrução do caminho de alvenaria de tijolo, janelas de vidro e evacuação. chapas plásticas. Obra

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Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores no referido espaço, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desse espaço enquanto caminho de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de 4 000,00 a 40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

RAEM, 18 de Junho de 2021

Pela Directora de Serviços O Subdirector Lai Weng Leong

O líder político do território sublinhou ainda que, sem a liderança do PCC, “Macau não usufruiria da prosperidade e da estabilidade”, apenas permitida pelo mesmo princípio. “O PCC é o pioneiro, o líder, o praticante e o defensor da causa ‘Um País, Dois Sistemas’. Devemos estar cientes que o apoio e a defesa da liderança do PCC constituem a base do sucesso da prática ‘Um País, Dois Sistemas’ em Macau”, acrescentou. Apontando que conhecer a história é fundamental para rumar a “um futuro mais brilhante”, Ho Iat Seng garantiu ainda que

o Governo está empenhado na prevenção da pandemia, manutenção do bem-estar da população e implementação de estratégias nacionais como o projecto da Grande Baía. A aplicação “plena e correcta” do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, a “firme” implementação do princípio “Macau governado por patriotas” e a consolidação da base político-social do “amor pela Pátria e por Macau” são também missões fundamentais.

Para miúdos e graúdos

Durante o discurso, o Chefe do Executivo afirmou ainda que a exposição fotográfica

ALL ABOUT MACAU FICOU DE FORA O portal noticioso All About Macau revelou no Facebook que não foi autorizado pela Fundação Macau para cobrir a inauguração da Exposição de Fotografias alusiva à Celebração do 100.º Aniversário do Partido Comunista da China. De acordo com a nota, a participação do evento foi rejeitada na passada segunda-feira, após o jornalista destacado ter sido inscrito dentro do prazo estabelecido e realizado o teste de ácido nucleico obrigatório. Depois de protestar, a organização do evento esclareceu na terça-feira que o número de vagas era limitado e que, das 23 inscrições recebidas, foi dada prioridade aos jornais diários, à rádio e à televisão, ficando de fora cinco publicações semanais e mensais. Reagindo à resposta, o All About Macau considerou que, à luz dos procedimentos dos anos anteriores e por publicar conteúdos online diariamente e em formato físico mensalmente, a prática “não é razoável” e viola o princípio da liberdade de imprensa.

“visa sobretudo aprofundar o conhecimento de todos os residentes de Macau, especialmente da geração mais jovem, sobre a jornada dos 100 anos do PCC”, e assim recordar a sua “gloriosa história de um século de luta”, relembrando “os seus grandes contributos em prol do País, do povo, da nação e do mundo”. “A história é o melhor livro escolar”, acrescentou. A exposição “Os 100 Anos do Partido Comunista da China – Exposição de Fotografias de Celebração do 100.º Aniversário do Partido Comunista da China” vai estar patente até 15 de Julho, no Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e inclui 298 fotografias. A ocasião contou ainda com a presença do Coordenador do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, Fu Ziying, que afirmou que Macau deve apoiar sempre à liderança do Partido Comunista para defender os seus interesses, a segurança nacional e traçar uma linha clara contra qualquer força separatista. “Na sociedade de Macau devemos aderir e seguir firmemente a liderança do Partido Comunista da China, defendendo a segurança nacional de uma forma resoluta, perseguindo o seu desenvolvimento e traçando conscientemente uma linha clara contra quaisquer forças separatistas, tais como as que são a favor da independência de Hong Kong e Taiwan”, vincou Fu Ziying. Pedro

Arede com Nuno Wu.

LABORAL EM QUASE 10 ANOS APENAS 11 QUEIXAS DE PROFESSORES

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OU Pak Sang, director da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), garantiu, em resposta a uma interpelação escrita do deputado Sulu Sou, que foram recebidos desde o ano lectivo 2012/2013 “11 casos de pedidos de informações, apresentação de sugestões e queixas” sobre questões relacionadas com o pessoal docente. Estes casos “têm sido alvo de acompanhamento”, frisou o director. Lou

Pak Sang assegura que “o pessoal docente pode contactar as escolas, a DSEDJ e os serviços competentes para pedir informações, apresentar sugestões ou queixas sobre a remuneração e o descanso compensatório de trabalho extraordinário, entre outros assuntos”. Sobre professores com excesso de trabalho, que têm de realizar tarefas além das aulas, Lou Pak Sang adiantou que o Governo “tem lançado diversas políticas de apoio ao trabalho

pedagógico dos docentes”. No ano lectivo de 2020/2021, “os tempos lectivos semanais dos docentes dos ensino infantil, primário e secundário foram, em média, de 20,8, 16,3 e 14,3 por cento, tendo diminuído 11, 9 e 14 por cento, respectivamente”. Lou Pak Sang disse ainda que a DSEDJ “incentiva as escolas a obterem um equilíbrio entre o tempo de descanso dos docentes e as tarefas de cuidado das necessidades de desenvol-

vimento e crescimento dos alunos”. O responsável nega ainda a existência da situação de, “em todos os anos lectivos, as escolas necessitarem de negociar com os docentes a renovação do seu contrato de trabalho”. Isto porque, com base na lei laboral, “além da contratação para satisfazer as ‘necessidades temporárias’, também os contratos de trabalho de outros docentes são considerados ‘contratos sem termo’”, rematou. A.S.S.


quinta-feira 24.6.2021

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RÓMULO SANTOS

ELEIÇÕES SCOTT CHIANG ASSUME LIDERANÇA PARA COMBATER CORRUPÇÃO

O homem que se segue A lista da APDM tem Scott Chiang como líder para concorrer às eleições legislativas. Em tempos de “incerteza”, o candidato promete lutar contra a corrupção e apostar na revitalização da economia, mantendo o espectro democrata vivo em Macau. Chiang não vê como Macau se pode aproximar do sistema eleitoral de Hong Kong da Assembleia legislativa sejam eleitos directamente pelos cidadãos. Se Pequim partilhar a mesma vontade, estamos mais do que satisfeitos em cooperar nesta temática”, começou por dizer. “O status quo do sistema político em Macau não é ideal, mas é possível trabalhar com ele. Não consigo ver como é que as medidas que estão a ser implementadas em Hong Kong podem ser implementadas em Macau, mas concordamos que, no geral, qualquer sistema político deve ser melhorado de forma contínua para melhor e não ao contrário”, rematou. Pedro Arede

SOFIA MARGARIDA MOTA

GORAé que é. Está confirmado. Scott Chiang é o cabeça de lista da candidatura da Associação de Próspero Macau Democrático (APDM), onde também está Ng Kuok Cheong, para concorrer às eleições legislativas de Setembro. A lista final foi confirmada ontem e, para além de Scott Chiang e Ng Kuok Cheong, que surge agora como número dois, está também Leong Pok Man, Chao Iao On e Kong Shun Mei. Sobre o programa eleitoral, Scott Chiang revelou que a lista que encabeça vai apostar no combate à corrupção, à revitalização da economia e à implementação do sufrágio directo para a eleição do Chefe do Executivo. Tudo isto, tendo em conta uma base de continuidade sobre o trabalho feito nas últimas décadas pelos democratas e actuais deputados da Assembleia Legislativa (AL), Ng Kuok Cheong e Au Kam Sam. “Queremos continuar a lutar contra a corrupção, porque existem abusos ao nível da utilização do erário público. Os recursos públicos estão a ser utilizados de forma injusta e nós, incluindo o Ng Kuok Cheong e Au Kam San, temos travado esta batalha ao longo de vários anos. Vamos continuar essa tarefa, começou por dizer Scott Chiang. “Quero continuar a missão dos democratas, esperando, quando chegar a altura certa, passar esse legado. Para já, é preciso convencer os eleitores que, agora, sou eu o candidato indicado para transportar o testemunho”, acrescentou. Questionado sobre os objectivos traçados para a candidatura, Scott Chiang disse que não foram estabelecidas metas quanto ao número de deputados a eleger, mas que, num tempo de “incertezas”, fará “o melhor” para que sejam ocupados o maior número possível de cadeiras na AL.

política 5

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Scott Chiang, candidato à Assembleia Legislativa“Nós, os democratas, enquanto campo do panorama político, devemos continuar a sobreviver nestes tempos de incerteza. Mais que nunca, diria. Esse é o nosso dever.”

“Se olharmos para os resultados das últimas eleições, o campo democrático conquistou, no total, três lugares, ou até mais (…) essa responsabilidade está agora em cima dos nossos ombros. O nosso trabalho passa por persuadir os nossos apoiantes, ou potenciais apoiantes, de que o caminho que estamos a trilhar é aquele que vale a pena e que nós, os democratas, enquanto campo do panorama político, devemos continuar a sobreviver nestes tempos de incerteza. Mais que nunca, diria. Esse é o nosso dever”, apontou. O candidato rejeitou ainda que a existência de

várias listas no campo pró-democrata possa vir a dividir o eleitorado. “Encorajamos sempre a participação da sociedade nas eleições e fora delas. Não se pode dizer que seja algo negativo. Devemos acreditar que é do interesse de todos, que existam mais hipóteses de escolha, permitindo que os eleitores possam escolher o candidato que melhor se adequa aos seus anseios”, explicou.

Busca pela perfeição

Sobre a eventual reforma do sistema eleitoral de Macau à imagem do que aconteceu em Hong Kong, ideia avançada recentemente

pelo vice-director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau, Deng Zhonghua, o candidato da APDM, diz que não entende como a ideia poderá ser concretizada em Macau, mas mostra-se aberto a colaborar com Pequim se for para “melhorar”. “Não há sistemas perfeitos. Todos os sistemas que existem têm espaço para melhorias. Mas como se define o que são melhorias? Insistimos que a eleição do Chefe do Executivo deve ser feita por sufrágio directo. Além disso, a Lei Básica permite também que a maioria dos deputados

Eleições Apresentada lista liderada pelo deputado Si Ka Lon Foi ontem oficialmente apresentada na Comissão para os Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) a lista liderada pelo deputado Si Ka Lon que será candidata às eleições legislativas de Setembro. A deputada Song Pek Kei ocupa a segunda posição numa lista composta por um total de 13 membros, incluindo Nick Lei, presidente da associação Aliança do Povo de Instituição de Macau, e Chan Peng Peng, vice-presidente da mesma associação, que ocupam o terceiro e quarto lugar na lista. Segundo o jornal All

About Macau, Si Ka Lon defendeu, na apresentação do programa político, que todos os anos deveriam ser abertos concursos de candidatura à habitação económica, com a oferta de cinco mil fracções por ano. O programa exige a criação de um conselho de supervisão para a responsabilização dos dirigentes de altos cargos públicos, bem como uma empresa de capitais públicos que investia diversificação das indústrias. Si Ka Lon disse estar confiante em manter os dois lugares no hemiciclo pela via directa.

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24.6.2021 quinta-feira

Crime Homem detido por forçar entrada em wc para mulheres

GCS

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Um homem de 62 anos foi apanhado pelas autoridades a tentar entrar em casas de banho públicas para mulheres. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o homem foi detido na manhã de segunda-feira depois de ter tentado entrar numa casa de banho pública na Taipa onde se encontrava uma mulher de 30 anos. Esta estava a lavar as mãos quando percebeu que o homem estava a forçar a entrada no local, tendo-se escondido num dos compartimentos da casa de banho e chamado as autoridades. O homem é suspeito do crime de devassa da vida privada.

Fraude Detido por desfalque superior a 170 mil yuan

A Polícia Judiciária deteve um homem de 58 anos que trabalhava na construção civil por defraudar colegas, prometendo-lhes ajuda com os processos de candidatura a blue card a troco de dinheiro. Segundo noticiou o canal chinês da Rádio Macau, a fraude terá sido superior a 170 mil yuan. Entre Junho do ano passado e Janeiro de 2021, o suspeito terá burlado 12 pessoas. O indivíduo foi ouvido pelas autoridades na segunda-feira, tendo admitido que defraudou os trabalhadores e que devolveu 42 mil yuan, tendo perdido o restante montante.

SMG Previstos aguaceiros fortes e trovoadas para hoje

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) preveem que ocorram hoje aguaceiros fortes e trovoadas, com a possibilidade de inundações, devido à “passagem de um vale depressionário que vai continuar a trazer o tempo instável para a costa de Guangdong”. Os SMG apontam ainda que, “devido à maré astronómica, ocorrerá uma ligeira inundação na área do Porto Interior entre as 7h e as 10h”. Hoje o tempo deverá ser “instável”, com “céu muito nublado”. Esperam-se ainda ventos com força 3 a 4 de sudoeste com rajadas.. PUB.

AVISO N.º 79/AI/2021 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores abaixo discriminados:------------------------------1. Mandado de Notificação n.° 378/AI/2021:NGUYEN THI NHUNG, portadora do Passaporte do Vietnam n.° B6680xxx e portadora do Título de Identificação de Trabalhador Não-Residente n.° 20802xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 311/DI-AI/2019, levantado pela DST a 11.11.2019, e por despacho da signatária de 20.05.2021, exarado no Relatório n.° 415/DI/2021, de 28.04.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua Nove Bairro Iao Hon n.° 8, Hong Tai, 3.° andar G (F355) onde se prestava alojamento ilegal. -------- 2. Mandado de Notificação n.° 409/AI/2021:ZHAN ZIHONG, portador do Passaporte da RPC n.° E13651xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 253/DI-AI/2019, levantado pela DST a 19.09.2019, e por despacho da signatária de 20.05.2021, exarado no Relatório n.° 452/DI/2021, de 14.04.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.os 361-B 361-K, Edf. I On Kok, 20.° andar A onde se prestava alojamento ilegal. ------------------------------------------------ 3. Mandado de Notificação n.° 535/AI/2021:YUNG MENG FAT, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 74455xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 157/ DI-AI/2019, levantado pela DST a 11.06.2019, e por despacho da signatária de 15.03.2021, exarado no Relatório n.° 270/DI/2021, de 26.02.2021, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Rua de Seng Tou n.° 493, Urbanização da Nova Taipa - Fase I, Bloco 29, 25.° andar A onde se prestava alojamento ilegal. ---------------------------------------------Pelo mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Hot Line” (Centro “Hot Line”), 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 10 de Junho de 2021. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

DST PROMOÇÕES EM HONG KONG DEPENDEM DE DIRECTIVAS DOS SSM

Está tudo a postos

Helena de Senna Fernandes diz que os Serviços de Turismo estão a aguardar as directivas dos Serviços de Saúde sobre a bolha de viagem com Hong Kong, mas que já estão a ser pensados planos de divulgação do turismo para o mercado vizinho. Macau recebe em Julho a 9ª Exposição Internacional de Turismo

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Direcção dos Serviços de Turismo (DST) ainda aguarda directivas dos Serviços de Saúde (SSM) sobre a possível reabertura da bolha de viagem com Hong Kong, mas já está a pensar em campanhas de divulgação do turismo do território. A garantia foi dada ontem por Helena Senna Fernandes, directora da DST, à margem de uma conferência de imprensa de apresentação de uma exposição internacional de turismo. “Alvis Lo [director dos SSM] explicou as medidas, mas não temos mais informações. Sabemos que precisamos que Hong Kong tenha zero casos [de covid-19] em 28 dias para se lançar um plano de isenção de quarentena. Estamos à espera dos planos dos SSM, mas vamos pensar na divulgação. Caso a bolha de viagem regresse, temos de produzir vídeos para Hong Kong, à semelhança do tipo de material promocional destinado ao mercado da China continental”, frisou.

Helena de Senna Fernandes destacou que a região vizinha constitui “um mercado muito importante”. “Esperamos a normalização da passagem da fronteira com Hong Kong e que se possa manter uma situação estável. Além da área do turismo, muitos residentes têm família em Hong Kong, assim como residentes de Hong Kong que trabalham em Macau. Penso que todos estão à espera [da bolha de viagem]”.

Uma expo a caminho

Entretanto, foi ontem apresentada a 9ª Expo Internacional de Turismo (Indústria) de Macau, que decorre no Venetian entre os dias 9 e 11 de Julho. O evento

será um “contributo para a recuperação e revitalização” do sector, uma vez que é fundamental manter o contacto com os operadores turísticos, para Macau estar preparado para "quando o turismo revitalizar”, referiu a directora da DST. O presidente do Associação das Agências de Viagem, Alex Lao, frisou que os bons resultados no combate à pandemia em Macau fizeram com o que o território se pudesse ‘vender’ ao mundo como uma “cidade saudável e segura” e assim criar uma “plataforma sustentável entre Macau e o interior da China”. Além do formato presencial, a expo vai estar também online,

“Estamos à espera dos planos dos SSM, mas vamos pensar na divulgação. Caso a bolha de viagem regresse, temos de produzir vídeos para Hong Kong, à semelhança do tipo de material promocional destinado ao mercado da China continental.” HELENA SENNA FERNANDES DST

uma medida para reforçar as bolsas de contacto e aumentar o alcance do evento numa altura de pandemia em que muitas das restrições fronteiriças continuam em vigor. Na mesma ocasião, as autoridades revelaram ainda que esta nona edição vai focar-se em reforçar as iniciativas ‘em nuvem’, integrar exposições online e offline e expandir a escala da ‘Rua de Macau’, entre outras. Pretende-se também impulsionar a economia turística local e promover a herança, inovação e intercâmbio gastronómico através de demonstrações culinárias. O objectivo é ainda integrar o “turismo + indústrias culturais e criativas”, promover o desenvolvimento da indústria do turismo local, promover as “Lojas com características próprias” e melhorar a imagem das marcas. Andreia Sofia Silva

com Lusa e N.W.


quinta-feira 24.6.2021

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JUSTIÇA CONSULTOR APONTA PREOCUPAÇÕES COM PROJECTO DA AAEC

Testemunho disputado O advogado da Asian American Entertainment Corporation (AAEC) tentou ontem que Carlos Lobo não testemunhasse, no julgamento que tem no banco dos réus a Las Vegas Sands. Com luz verde para depor, o consultor jurídico que acompanhou o concurso público para a atribuição de licenças de jogo indicou que a apresentação da AAEC não foi bem-recebida pelo organismo TIAGO ALCÂNTARA

ARL OS Lobo, que foi consultor jurídico da comissão do primeiro concurso público para atribuir concessões de jogo, testemunhou ontem no processo que a Asian American Entertainment Corporation (AAEC) instaurou contra a Las Vegas Sands. No Tribunal Judicial de Base, a testemunha indicou que a comissão não gostou da apresentação da AAEC, nomeadamente por não querer uma ligação entre instituições financeiras e o jogo. No entanto, a percepção da testemunha é de que o organismo “reagiu muito bem” ao projecto do grupo Sands. A data do fim da relação entre as duas entidades voltou a ser alvo de atenção. Recorde-se que a Las Vegas Sands e a AAEC submeteram um pedido para licença de jogo, mas a Sands decidiu mudar de parceiro para se aliar à Galaxy Entertainment, acabando por obter uma concessão em 2002. A autora da acção defende que o vínculo entre o grupo Sands e a AAEC se manteve até dia 1 de Fevereiro de 2002, quando a comissão foi notificada do término da relação. Por sua vez, a representação da Las Vegas Sands defende que a ligação terminou em meados de Janeiro, data que consta de um relatório da comissão. De acordo com Carlos Lobo, a comissão percebeu que haveria um potencial “problema” e a necessidade de explicar aos concorrentes porque tinha sido aceite a proposta em que o grupo Sands se ligava à Galaxy e não à AAEC. A testemunha reconheceu não conhecer a relação entre o grupo Sands e a AAEC entre 15 de Janeiro e 1 de Fevereiro de 2002, mas explicou que se entendeu a primeira data como o momento do final do vínculo entre as duas partes com base em documentação. Por outro lado, no final de Janeiro, a AAEC apresentou um pedido de associação a outro concorrente, que foi indeferido. A tentativa de associação à Aspinall’s Clube foi recordada por Carlos Lobo, que indicou ter sido “uma surpresa” e algo que não teria lógica. No

sociedade 7

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entender da testemunha, Sheldon Adelson, das Las Vegas Sands, não entraria numa relação com a Aspinall’s Clube.

Falar ou não

O advogado da autora, Jorge Menezes, tentou impedir Carlos Lobo de testemunhar em tribunal, alegando estar em causa o sigilo profissional e a absoluta necessidade do depoimento da testemunha. Em causa estava a sua ligação profissional à Venetian Macau S.A. durante quatro anos em que o processo esteve pendente, entre 2012 e 2015. Além disso, Menezes argumentou que enquanto advogado estagiário, Carlos Lobo teve como patronos

De acordo com Carlos Lobo, a comissão percebeu que haveria um potencial “problema” e a necessidade de explicar aos concorrentes porque tinha sido aceite a proposta em que o grupo Sands se ligava à Galaxy e não à AAEC advogados “que são mandatários das rés neste processo”. “Ninguém acreditaria que durante os quatro anos em que este processo esteve pendente a testemunha não teve acesso, directo ou indirecto, a elementos do mesmo”, observou Menezes, frisando a proximidade entre patrono e estagiário, bem como a da testemunha ao concurso de

jogo. Além disso, apontou que a obrigação de segredo profissional só cessa mediante autorização prévia da Associação dos Advogados de Macau (AAM) e que não foi feito qualquer pedido neste sentido. Para o advogado da autora, admitir o testemunho de Carlos Lobo “descredibilizaria a classe dos advogados e a sua respeitabilidade profissional”.

No entanto, Luís Cavaleiro de Ferreira, representante das Las Vegas Sands, contestou a análise, argumentando que o âmbito do sigilo profissional do advogado se limita aos factos de que tomou conhecimento durante o exercício de funções. Nesse sentido, destacou que “as rés apenas pretendem ouvir a testemunha sobre factos ocorridos em 2001 e 2002”. Como nessa altura Carlos Lobo ainda “não era sequer advogado estagiário”, o advogado entende que qualquer pedido de levantamento de sigilo apresentado à AAM seria “considerado inapropriado”. A testemunha garantiu que se manteve “sempre longe deste processo”, indicando que não teve acesso a novos elementos que não tivessem sido tornados públicos entre 2010 e 2015. O juiz acabou por determinar não existirem motivos para impedir Carlos Lobo de depor. Note-se que foi ontem indicado em tribunal –por Luís Cavaleiro de Ferreira e Carlos Lobo no seu depoimento – que Jorge Menezes foi co-autor do relatório fundamentado da comissão que analisou as propostas a concurso. Ontem compareceu também em tribunal o empresário taiwanês Marshall Hao, que controla a AAEC, sem que tenha prestado declarações. Salomé Fernandes

AMCM Alerta para sociedade sem licença para actividades financeiras A Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) alerta para o facto de a sociedade 港澳貸款易 (cuja tradução literal será “empréstimos fáceis Hong Kong e Macau) não ter licença para exercer actividades financeiras. Segun-

da uma nota ontem divulgada, a AMCM foi informada de que a sociedade terá angariado clientes para empréstimo através das redes sociais. A AMCM assegura que a empresa “não está, nem nunca esteve, autorizada a exercer

quaisquer actividades financeiras na RAEM”, apelando a que as pessoas “adquiram serviços financeiros legais através das instituições financeiras autorizadas, de modo a evitar situações de burla e prejuízos desnecessários”.


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MELHORES MARCADORES

Patrik Schick 3 golos

Cristiano Ronaldo 3 golos

Romelu Lukaku 3 golos

Georginio Wijnaldum 3 golos

ASSISTÊNCIAS

Steven Zuber 3

Pierre Höjbjerg 3

Joshua Kimmich 2

Donyell Malen 2

PRÓXIMOS JOGOS De sábado para domingo 00:00

País de Gales-Dinamarca

03:00

Itália-Áustria

Duelo fronteiriço

Áustria e Itália não se defrontam desde 1998

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O segundo duelo dos oitavos de final do Euro 2020, austríacos e transalpinos entram em campo às 3h, de sábado para domingo, no estádio de Wembley em Londres. No jogo em terra de Sua Majestade, a Itália terá o peso de não se ter qualificado para o Mundial de 2018 em cima dos seus ombros. Os azzurri atravessaram uma humilhação há três anos e têm pelo caminho uma oportunidade única para se redimirem e mostrarem a sua verdadeira qualidade. Mas para o conjunto de Roberto Mancini, o passado tem de ser colocado de lado e a concentração terá de residir no presente. A equipa italiana tem sido demolidora em todos os momentos do jogo. Durante a fase de grupos não sofreu golos e o seu guardião, Gianluigi Donnarumma, defendeu apenas dois remates em três jogos. Manuel Locatelli lidera a categoria da melhor percentagem de remates à baliza com 100%, sendo juntamente com Ciro Immobile um

dos melhores marcadores do Euro com 2 golos. Com tantas lideranças de Itália no departamento estatístico da competição, será prudente constatar que a Áustria não está muito atrás. David Alaba lidera o Euro em toques na bola (278), número de cantos (15), passes para finalização (9), tem duas assistências e é dos jogadores com mais minutos na competição. Mas esta equipa não é só Alaba. Marcel Sabitzer é quem fez mais passes para a grande área (8), Stefan Lainer lidera em bloqueios (14) eAleksandar Dragović tem uma percentagem perfeita de duelos aéreos ganhos (100%). Com qualidade dos dois lados, e sem se enfrentarem em competições oficiais desde o Mundial de 1998, Franco Foda admite um jogo dividido. “Não há adversários fáceis e sabemos disso. A Itália não perde há uma eternidade, mas talvez chegue o momento. Será importante para nós prepararmo-nos com foco e recuperarmos.” concluiu o seleccionador austríaco.

24.6.2021 quinta-feira

GRUPO D FECHADO COM VITÓRIA INGLESA E CROATA

Ao serviço d De calculadora na mão, Inglaterra e Croácia entraram em campo com mentalidades diferentes. Os pupilos de Gareth Southgate já tinham bilhete para os oitavos, os quatro pontos conquistados antes do embate contra a República Checa eram suficientes. Os axadrezados, porém, ainda tinham de vencer a Escócia para continuarem na prova. Apesar de contextos diferentes, ambas cumpriram a sua missão

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O I em solo britânico que ficou decidido o Grupo D do Euro 2020. A selecção da Escócia jogou com a Croácia em Glasgow, e os ingleses defrontaram os checos em Londres. Com vantagem caseira para duas equipas, apenas uma saiu ilesa e com passagem para a fase seguinte do torneio. No jogo que opôs croatas e escoceses ficou claro quem pertencia na fase seguinte, mesmo sem se saber o resultado do outro encontro do grupo. Na selecção de Zlatko Dalic não há como falhar. Uma equipa repleta de talentos como Ivan Perišić, Mateo Kovačić, Nikola Vlašić, Marcelo Brozović e Luka Modrić aproxima qualquer equipa da vitória. Com quantidade na qualidade, a Croácia não teve uma noite fácil frente à Escócia. A equipa de Steve Clarke, ex-adjunto de José Mourinho, nesta fase de grupos, não foi capaz de vencer um único jogo muito devido à sua inconsistência no momento da organização ofensiva. O recurso aos cruzamentos foi constante e não existiam unidades criativas com capacidade de progressão e finalização. Consoante a posse de bola que tinham, a grande unidade criativa e disruptiva do ataque escocês era o lateral esquerdo, Andy Robertson. No jogo de ontem, e apesar da vertente rudimentar do ataque do Exército de

Tartan, o defesa do Liverpool concluiu a sua campanha no Euro como o jogador com mais cruzamentos (15) e mais cruzamentos para a grande área (5). Conseguiu alcançar também a liderança de passes para finalização (9). E é numa situação como esta, a de eliminação, que Clarke se arrependerá de não ter convocado um dos melhores jogadores da Liga NOS deste ano e que detém nacionalidade escocesa, Ryan Gauld. Mas a Escócia até causou diversos problemas à vice-campeã mundial de 2018 com o seu bloco baixo e aposta na transição ofensiva. Porém, os escoceses tiveram de lidar com Modrić sempre perto da bola. Num jogo até ineficaz em oportunidades de golo, aos 17 minutos de jogo surge o primeiro tento do encontro marcado por Nikola Vlašić num remate dentro da grande área. A resposta veio perto do intervalo, com a Escócia a empatar com golo de Callum McGregor aos 42 minutos. Na segunda parte e aos 62 minutos, o ex-Bola de Ouro, Luka Modrić marca um golaço de trivela perto da entrada da grande área. Durante a partida, o médio croata esteve longe da zona de remate e a sua equipa sofreu com isso. Mas quando teve a oportunidade, marcou um dos melhores golos desta edição do Euro. A exibição do médio croata não terminou com o golo de trivela, juntando a assistência para

Em jogo de grande intensidade, a qualidade Escócia vai para casa, curiosamente o mesm


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de Sua Majestade

de Modric fez a diferença. A Croácia alcançou o segundo lugar do Grupo D e irá defrontar o segundo classificado do Grupo E. Já a mo sítio onde deixaram Ryan Gauld

Ivan Perišić marcar de cabeça aos 77 minutos. Em jogo de grande intensidade, a qualidade de Modrić fez a diferença. A Croácia alcançou o segundo lugar do Grupo D e irá defrontar o segundo classificado do Grupo E. Já a Escócia vai para casa, curiosamente o mesmo sítio onde deixaram Ryan Gauld.

Vitória confortável

Com o apuramento já, praticamente, assegurado e com necessidade de mexer na equipa, devido também à proximidade que jogadores como Ben Chilwell e Mason Mount tiveram com o infectado pela covid-19, Billy Gilmour da Escócia, Gareth Southgate colocou, finalmente, em campo como titular Jack Grealish. O jogador do Aston Villa teve logo impacto na partida com a assistência do único golo da partida, marcado por Raheem Sterling. O cruzamento de Grealish deu golo logo aos 12 minutos com os checos a não darem grande resposta durante o resto da partida. Dos melhores em campo foi o guardião da República Checa, Tomáš Vaclík, que já frente à Escócia tinha feito uma enorme exibição. Apesar das limitações ofensivas de ambas as equipas, o jogo deu para estrear caras novas na parte inglesa. Bukayo Saka, Harry Maguire, Jordan Henderson e Jadon Sancho estrearam-se no jogo de ontem pela selecção dos Três Leões. Com apenas 68 minutos jogados, Grealish foi dos melhores em campo. Tal como Gauld, não se percebe como é que o médio do Aston Villa não consegue ter lugar no onze inicial da equipa de Southgate. Mesmo sendo um jogador que vem de lesão, Grealish foi o jogador que mais faltas sofreu na Premier League este ano (109), foi o 3.º jogador da competição com mais passes para finalização (83) e o 4.º jogador com mais assistências (10). A vitória pela vantagem mínima faz com que Inglaterra fique à espera para saber quem irá defrontar nos oitavos de final. Será o 2.º classificado do grupo de Portugal que é decidido de quarta para quinta-feira às 3h. Um confronto entre ingleses e portugueses seria interessante e histórico.

OITAVOS COMEÇAM EM TERRA DE CRUYFF

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INAMARCAe País de Gales formam um par inesperado no primeiro jogo da fase a eliminar do Euro 2020. O palco do embate entre os dois conjuntos é a Arena Johan Cruyff em Amesterdão, casa de um dos clubes mais emblemáticos da Europa, o Ajax. Num palco tão importante, e com o nome de uma das grandes lendas do futebol mundial, cada equipa terá sobre si níveis de pressão diferentes. O histórico de ambas na competição assim o diz. Para o País de Gales o palco ainda é novo. A equipa de Robert Page está a participar no seu segundo Euro sendo que o primeiro, em 2016, ficou marcado pela eliminação nas meias-finais por Portugal. Na primeira presença fica a uma vitória da final e na segunda, ainda a decorrer, passa a fase de grupos. Quanto à Dinamarca, o historial é mais longo. A conquista surpreendente do Euro em 1992 colocou a selecção nórdica no leque de 15 países que venceram a prova. Porém, a equipa de Kasper Hjulmand tem mais jogadores a actuar nas melhores equipas do mundo do que em 1992. Contudo, o talento não se esgota todo no conjunto dinamarquês, tendo o País de Gales jogadores experientes e habituados aos grandes palcos do futebol como Gareth Bale, Aaron Ramsey e Joe Allen. Desta maneira, galeses e dinamarqueses têm intervenientes capazes de tornar o jogo de sábado para domingo, às 00h, numa partida interessante, aberta e com emoções à mistura. O primeiro encontro dos oitavos de final promete colocar frente a frente o velho confronto entre experiência e inexperiência. Para a Dinamarca, validar o seu passado glorioso é motivação suficiente. Para o País de Gales derrotar um histórico europeu é um belo início de caminhada na sua segunda presença na competição de selecções do velho continente.


10 eventos

Mariana Pereira, arqueóloga e doutoranda em património cultural, criou um website para recordar e reunir dados sobre a batalha de 24 de Junho de 1622, quando os portugueses impediram a invasão de Macau por forças holandesas. O projecto, que fica hoje online, tem o apoio do Instituto Internacional de Macau

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hoje oficialmente lançado o site dedicado à batalha travada em Macau a 24 de Junho de 1622, quando portugueses derrotaram as holandesas que tentavam invadir o território. O projecto é apoiado pelo Instituto Internacional de Macau (IIM), mas nasce da iniciativa de Mariana Pereira, macaense e arqueóloga, actualmente a fazer um doutoramento na área do património cultural. “Espero que no futuro esta seja uma plataforma onde se possa colocar informação disponível sobre o 24 de Junho, que se desdobra em muito mais do que aquilo que

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HISTÓRIA BATALHA DE 24 JUNHO DE 1622 RECORDADA COM LANÇAMENTO DE SITE

Quatro séculos depois

as pessoas veem e as celebrações que decorrem”, defendeu ao HM. O projecto vai estar disponível em português, chinês e inglês e visa reunir memórias, fotografias, estudos e outras informações históricas dispersas sobre este evento histórico, mas que é também uma demonstração da identidade local. Segundo Mariana Pereira, existem “vários tipos de 24 de

FRC Celebração dos 200 anos de “Der Freischütz” esta tarde

A Fundação Rui Cunha apresenta hoje, às 18h30, a sétima sessão do ciclo de Conversas Ilustradas com Música, sob o título “Efemérides na Ópera: Der Freischütz – 200 Anos”. Desta feita, o evento assinala dois séculos da estreia da a obra fundamental do compositor alemão Carl Maria von Weber, com apresentação de Shee Va e Leung Hio Meng. A 18 de Junho de 1821 estreava em Berlim a ópera “Der Freischütz” (O Franco-Atirador) de Carl Maria von Weber. Em comunicado, a Fundação Rui Cunha aponta que esta é uma obra crucial no panorama musical do romantismo germânico e que, para o efeito, foi convidado o professor de música e pianista Leung Hio Meng, que irá analisar através de “uma ilustração musical os vários momentos da representação lírica”.

Junho”. “O que está a acontecer é que o 24 de Junho está muito associado a uma festa portuguesa que parece ser mais recente do que a celebração da batalha. O arraial está a ter uma maior visibilidade e gostaríamos de trazer algum equilíbrio, com outras componentes, porque tudo forma o 24 de Junho em Macau”, acrescentou. Este é “o único evento macaense”, que não se celebra em outro lugar do mundo, e que está muito “associado à história de Macau como cidade”. “Quem acha que tem alguma ligação emocional ou histórica com a celebração deveria poder juntar-se e relacionar-se com este evento”, disse Mariana Pereira, que será a gestora do projecto.

História esquecida

A responsável pela iniciativa aponta que a parte histórica do 24 de Junho “tem sido extremamente esquecida”. “Esta não foi apenas uma batalha dos portugueses, mas de muitos macaenses, chineses e escravos. Houve muita gente envolvida a defender Macau neste dia, mas não se sabem muito bem as histórias, há muitos rumores e dados por confirmar.” Como exemplo, Mariana Pereira fala do tiro ao paiol. “Talvez tenha havido mais do que um

tiro, mas os holandeses dizem que não levou com tiro nenhum. Não há registos arqueológicos, mas apenas escritos. Julga-se que foi um evento mais complexo do que aquilo que se escreve, mas foi uma vitória para a Macau que existia na altura. Foi reconhecida pelos mandarins, que enviaram um apoio a Macau, mas não se sabe bem para quem.” O São João já era celebrado em Macau antes de 1622, mas só depois da batalha foi proclamado santo patrono da cidade. “O 24 de Junho foi tomado como uma vitória local e o Leal Senado referiu

“Esta não foi apenas uma batalha dos portugueses, mas de muitos macaenses, chineses e escravos. Houve muita gente envolvida a defender Macau neste dia, mas não se sabem muito bem as histórias, há muitos rumores e dados por confirmar” MARIANA PEREIRA

a divina intervenção de São João, pelo que há aqui um elemento religioso e católico forte, que é interessante. É por isso que São João Baptista passa a ser um dos santos patronos de Macau.” Mariana Pereira está a fazer o seu doutoramento no Cambridge Heritage Research Centre, da Universidade de Cambridge, e tenciona terminar a sua tese no próximo ano. O seu estudo foca-se na forma como as comunidades portuguesa e macaense na diáspora usam o património cultural para expressar a sua identidade, usando as celebrações do 24 de Junho e do festival da Lusofonia como exemplos. O website será apresentado hoje, a partir das 18h30, numa sessão aberta promovida pelo IIM para assinalar a data histórica. A sessão conta com apresentações da Associação dos Macaenses, Casa de Portugal em Macau, Associação dos Jovens Macaenses e Associação dos Embaixadores do Património de Macau. Serão também abordadas “perspectivas para o futuro sobre esta importante data que recentemente tem sido comemorada através de um Arraial que foi classificada como um dos elementos do Património Cultural Intangível de Macau”. Andreia Sofia Silva


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HONG KONG PRIMEIRO JULGAMENTO AO ABRIGO DA LEI DE SEGURANÇA NACIONAL

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M homem acusado de conduzir uma motocicleta contra polícias de Hong Kong, enquanto transportava uma bandeira de protesto, tornou-se ontem na primeira pessoa a ser julgada ao abrigo da lei de segurança nacional, aprovada em 2020. Na abertura do processo, Tong Ying-kit, de 24 anos, que foi acusado de terrorismo, incitação à secessão e conduta perigosa, declarou-se inocente. Este julgamento vai decorrer sem júri, de acordo com uma decisão anunciada em Maio por um tribunal do território, o que marca uma mudança no sistema judiciário de Hong Kong. Tong foi preso em 1 de Julho passado, um dia depois de ter entrado em vigor a lei de segurança nacional no território, por ter conduzido uma motocicleta deliberadamente contra agentes policiais, enquanto transportava uma bandeira com as palavras de ordem dos protestos. Três agentes ficaram feridos. Tong interpôs um recurso perante dois tribunais sobre a decisão da Justiça de ser julgado sem júri. O recurso foi rejeitado pelo tribunal do topo da hierarquia judicial. Ao abrigo da lei de segurança nacional, um painel de três juízes pode substituir os jurados e o líder da cidade tem o poder de designar juízes para ouvir tais casos. Mais de 60 pessoas foram acusadas de violarem a lei de segurança nacional, incluindo várias figuras do movimento pró-democracia na cidade. A maioria encontra-se actualmente sob detenção.

Covid -19 Detectados 24 novos casos importados

A China detectou 24 casos de covid-19 nas últimas 24 horas de ontem, todos oriundos do estrangeiro, anunciaram as autoridades de saúde do país. Os casos foram diagnosticados em viajantes provenientes do estrangeiro na cidade de Xangai e nas províncias de Sichuan, Guangdong, Jiangsu e Fujian. A Comissão de Saúde da China adiantou que o número total de casos activos é de 514, incluindo 16 em estado grave.

MEDIA ÚLTIMO NÚMERO DO APPLE DAILY ESTÁ HOJE NAS BANCAS

A derradeira maçã O último número do jornal Apple Daily de Hong Kong foi publicado hoje. A decisão de encerrar a publicação surge após o congelamento de cerca de 18 milhões de HKD e das acusações de crimes cometidos pelo jornal ao abrigo da lei de segurança nacional

A

decisão do conselho de administração surgiu menos de uma semana depois de a polícia ter detido cinco responsáveis e congelado bens no valor de 18 milhões de dólares de Hong Kong. O "Apple Daily decidiu que o jornal vai terminar a actividade a partir da meia-noite e que hoje será o último dia de publicação", escreveu o diário na página digital, onde precisou que o sítio na internet do jornal "deixará de ser actualizado a partir da meia-noite". Alguns minutos antes, o conselho de administração tinha anunciado, num curto comunicado,

que o último número impresso seria o de sábado, 26 de Junho de 2021, deixando a versão digital de estar acessível a partir das 23h59, também de sábado. O proprietário e magnata dos 'media' Jimmy Lai está actualmente detido, condenado a várias penas de prisão pelo envolvimento em protestos antigovernamentais em 2019.

Foi também acusado, ao abrigo da lei de segurança nacional, que prevê a pena de prisão perpétua para crimes de secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras.

Comunicação amiga

Na quinta-feira da semana passada, mais de 500 polícias invadiram os escritórios do jornal, numa opera-

O “Apple Daily decidiu que o jornal vai terminar a actividade a partir da meia-noite e que hoje será o último dia de publicação”, escreveu o diário na página digital, onde precisou que o sítio na internet do jornal “deixará de ser actualizado a partir da meia-noite”

ção que resultou na detenção de cinco responsáveis e no congelamento de bens no valor de 18 milhões de dólares de Hong Kong de três empresas ligadas ao Apple Daily. Um dia depois, o director do jornal, Ryan Law, e o director-geral, Cheung Kim-hung, foram acusados de "conluio com um país estrangeiro ou elementos externos para pôr em perigo a segurança nacional" chinesa. Um tribunal de Hong Kong negou, no sábado, fiança para os dois responsáveis. Na terça-feira, a Chefe do Executivo falou do caso afirmando que "criticar o Governo de Hong Kong não é um problema, mas se existe uma intenção de organizar acções que incitem à subversão do Governo, então é claro que é diferente". "Os amigos dos meios de comunicação social devem ser capazes de distinguir entre os dois", acrescentou Carrie Lam. Lam disse que o caso contra o Apple Daily não era um ataque ao "trabalho jornalístico normal", mas acusou o diário de ter tentado minar a segurança nacional da China em artigos publicados. Questionada sobre o que considera o Governo de Hong Kong "trabalho jornalístico normal", Carrie Lam respondeu apenas: "Penso que está em melhor posição para responder a essa pergunta".


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As saudades sem mundo

Retrovisor

SANDRA BEAUDOIN

LUÍS CARMELO

O homem move o polegar e o indicador da mão direita. Fá-lo em círculos sucessivos que fazem lembrar a espuma a explodir na rebentação das ondas. Não retira os dedos do botão do rádio, atento ao ruído que se ouve entre as raras estações muito distantes que se captam. O número de decibéis varia, as interferências sucedem-se e a distorção altera a forma do sinal. O homem sabe por experiência própria que o ruído é branco quando se torna constante em todas as frequências. Talvez a largura de banda se revele insuficiente ou tudo não passe de desvanecimento, o que acontece quando a propagação dos sinais se faz por múltiplos percursos. Estranhas amplitudes de uma noite quase sem fim. Nos dedos da mão esquerda, a cinza do cigarro morre e cai para o chão sem que o homem dê conta. A frequência perde-se outra e outra uma vez. O Diderot avança pelo meio do oceano com a atroada das comunicações a balbuciar estes sons ora compassados, ora estridentes. Lê-los é desobedecer, perceber que funcionam como um cosmos desintegrado, entender que as quebras da emissão são o convite para conquistar uma armada distante que nunca se rende. O homem sabe disso e espelha-o com um sorriso cáustico, pois tudo ali, na exiguidade da cabine, se oculta em surdina sob o peso das vibrações convertidas numa cadeia de obscuros rugidos metálicos. Outro cigarro se acende para que a cinza volte a morrer e o fumo penetre nas vigias circulares de onde se avista a proa a afastarse da linha do vento. O futuro é um nó que se desata, um amanhã infiel, uma invasão que resiste a qualquer ordem. A linguagem indecifrável do rádio é uma espécie de voz do futuro e nem o próprio homem, tão batido por estes ofícios de escuta, imagina que há uma mulher no mundo que, daqui a quatro décadas, se entregará à tarefa de averiguar as origens desta viagem. Essa mulher existe antes ainda de ter nascido, tão desejada ela é, e, nos compartimentos a estibordo, a futura mãe diluise no sonho de sonhar com o homem que dorme a seu lado no beliche e que a foi buscar a Vancouver. Também ele sonha e, talvez por ter incorporado há

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dias e dias o ruído roufenho do rádio como pano de fundo (o Diderot já desceu o Pacífico desde o Canadá, atravessou o canal do Panamá e entrou depois no Atlântico a caminho da Europa), associa o burburinho não apenas a uma metáfora do futuro, mas também do passado e visiona a filha imaginária à procura do rasto desta viagem que nunca terá existido. Refira-se, de qualquer modo, que os sonhos têm uma apetência igual a todas as grandes histórias: eclipsam-se no bulício que as perfaz e destina. De manhã, o ar fresco invadiu o convés e o jovem casal sentouse a observar o horizonte hoje

“OUTRO CIGARRO SE ACENDE PARA QUE A CINZA VOLTE A MORRER E O FUMO PENETRE NAS VIGIAS CIRCULARES DE ONDE SE AVISTA A PROA A AFASTAR-SE DA LINHA DO VENTO. O FUTURO É UM NÓ QUE SE DESATA, UM AMANHÃ INFIEL, UMA INVASÃO QUE RESISTE A QUALQUER ORDEM.”

completamente limpo de nuvens. Um e outro no ponto de abalo que é a marca de um início de vida. Ela a regressar à Europa, agora que a guerra terminou há quase dois anos, e a lembrar-se da fuga ao nazismo num dos últimos navios americanos que partiu de Roterdão. Ele que nunca a esqueceu desde os tempos em que se conheceram numa festa em Leiden. É certo que não existe hospitalidade na leitura do mundo. O sentido é um curto-circuito que apenas esporadicamente se transforma em explosão. Todavia, para compreender o que se avizinha - ou o que estará por vir - a tentação manda que se procure sempre uma luz sob a qual persiste a mais estranha das obscuridades. Há exemplos que falam por si. No ano de 2017, em entrevista à neta do homem que continua a tentar sintonizar o rádio, Steiner contou algo que se passou ao mesmo tempo que esta viagem do Diderot decorria. Começou por revelar que fora visitar o pai a Nova Iorque e que lhe deu conta de duas boas propostas de universidades americanas de topo. O pai de Steiner já bastante doente, reflectiu e comentou: “Só tu podes decidir. Mas se deixares a Europa, Hitler terá ganho”. Steiner ligou imediatamente à mulher e foi muito assertivo: “Não suportaria sentir de novo o desprezo contido nessa frase do meu pai. Seja o

que for que tivermos que fazer, regressamos à Europa.”. No caso de Steiner, o regresso à Europa teve a carga e o sentido de uma vida que jamais se submete. O mesmo aconteceu com os nossos dois viajantes do Diderot. Dois dias depois, chegou via rádio a autorização para o desvio de rota. Tratava-se de fazer escala em Lisboa antes da chegada prevista para Southampton. Foi aí que tudo se reiniciou. A filha do casal, Cláudia, viria a nascer em Tomar no ano seguinte, em 1948. Passou parte importante da vida a dar a volta ao mundo e a pesquisar todos os vestígios da sua família materna. Tudo desapareceu à excepção de uns primos distantes que conheceu em Limoges. Eram as saudades à procura do seu mundo, pois a ausência merece um lugar em tudo igual à presença. Pelo seu lado, o homem do rádio nunca deixou de mover o polegar e o indicador em rotações continuadas que sempre associou à espuma da rebentação das ondas. O pai de Cláudia acompanhou-o durante inúmeras horas ao longo da viagem e, até ao fim da vida, manteve nos ouvidos aquele sussurro fanhoso e martelado. Era não apenas uma metáfora física do futuro e do passado, mas igualmente de um tempo para o qual não existem denominações, nem um nó-górdio possível. Um tempo estrangeiro, um tempo de extravios, um tempo de ruídos brancos em todas as frequências.


6 9 3 4 5 1 8 7 2 1 5 8 7 3 2 9 6 4 9 8 -2feira 1 724.6.2021 6 4 5 3 quinta 5 4 7 8 9 3 2 1 6 3 1 6 5 2 4 7 8 9 4 6 9 3 1 8 5 2 7 8 2 5 9 6 7 3 4 1 TEMPO AGUACEIROS MIN 7 3 1 2 4 5 6 9 8

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 54

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PROBLEMA 55

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PUB.

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7 4 7 3 6 9 8 6 5 ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 20/P/21 3 8 6 Faz-se público que, por despacho da Ex. Senhora Secretária para os Assuntos Sociais e8Cultura, de 10 de 1Junho 6de 2021, se encontra aberto o Concurso Público para o «Fornecimento de Equipamentos Laboratoriais Cedidos como 7 Contrapartida do Fornecimento1 de Reagentes 8 para Doseamento de Hemoglobina Glicada ao Serviço de Patologia Clínica dos 4 Serviços 5 de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à ma

disposição dos interessados desde o dia 23 de Junho de 2021, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP41,00 (quarenta e uma patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 20 de Julho de 2021. O acto público deste concurso terá lugar no dia 21 de Julho de 2021, pelas 15,00 horas, na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP216.000,00 (duzentas e dezasseis mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 17 de Junho de 2021 O Director dos Serviços de Saúde Lo Iek Long

7 5 4 8 5 9 2 1 6 7 3 6 1 4 23 8 2

1 9 2 5 8 2 4 3 3 1 7 4 5 6 MAX 9 7

2 4 6 8 3 1 5 6 3 7 9 1 7 4 7 6 www.hojemacau.com.mo 3 1 4 9 3 8 9 5 6 7 4 7 4 5 8 2 9 5 8 9 2 1 5 8 3 1 3 8 9 7 2 8 2 2 8 H U M 7 5 - 9 8 % ´• 5 1 4 3 6 6 9

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58 PRETEND IT’S A CITY | MARTIN SCORCESE | 2021 UM57 DOCUMENTÁRIO HOJE 7 6 8 4 2 1 3 5 9 8 6 3 9 5 1 4 56 5 3 4 9 6 8 1 2 7 4 7 5 2 6 8 1 Nesta série documental de sete 5 8 9 2 1 3 7 5 6 4 8 2 1 o9espectador 4 3é levado 7 5 episódios, 1 8 3 9 a intrometer-se numa conversa 3 7 5 2 8 6 9 1 4 1 8 7 de6 Nova 9 Iorque 2 3 sobre a cidade 4 2 1 entre 1 43 9 74 56 3 8 6 2 3 5a sarcástica 6 8 escritora 1 4 e9 humorista Fran Lebowitz e o 6 8 22 1 9 4 5 7 33 9 4 2do 3 7 docu5 6 realizador próprio mentário, Martin Scorcese. Ao 4 5 36 8 1 2 7 9 67 7 3dos 1 5 8Lebowitz 6 2 longo capítulos, vai elaborando sobre tópicos 2 1 7 65 3 9 4 8 5 5 9 4 7 2 3 8 como a dificuldade que é circular 88 92 67 5 4 7 2 3 1 2 cidade, 8 1o seu4ódio9por7 a6 pé pela 59 58 7 1 2 38 8 6 54 4 9 4 2 1 9 3 87 6 5 76 1 6 42 www. 2 73 5 hojemacau. com.mo 8 99 3 60

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qualquer tipo de desporto, os transportes públicos e o dinheiro. “Faz de conta que Nova Iorque 60 é uma cidade” é o pregão que a1 escritora 8 costuma 7 5 lançar 2 9para6 tentar que as pessoas que estão 4 2o passeio 8 1saiam 6 da5 a3 bloquear frente. 5 9 Pedro 6 Arede 7 3 4 2

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C I N E M A

SALA 1

SALA 2

FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Enrico Casarosa 14.30, 16.30, 19.30

Um filme de: John Krasinski Com: Emily Blunt, Noah Jupe, Millicent Simmonds 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Um filme de: Patrick Huges Com: Ryan Reynolds, Samuel L. Jackson Salma Hayek 21.30

A QUITE PLACE PARTII [C]

SALA 3

GREAT WHITE [C]

Um filme de: Martin Wilson Com: Katrina Bowden, Aaron Jakubenko Kimie Tsukakoshi 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

6 3 5 4 9 8 4 3 29 4 9 5 1 7 9 7 8 1 78 3 2 6 1 8 THE HITMAN´S WIFE´S BODYGUARD 3 9 8 75 66 5 6 1 4 2 5 7 3 8 9 56 7 6 23 45 1 7 2 3 9 8 1 4 5 6 1 2 4Fábrica89de Notícias, 3 97Lda Director Carlos Morais 9 5José 8 4João6Luz;3José C.7Mendes 2 Redacção 1 Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Propriedade Editores Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 7 8M.Tavares; 25 9Gonçalo 5 Waddington; 3 3José9Simões 5 Morais; 8 Luis 7 Carmelo; 2 Nuno Gonçalo Inês Oliveira;4João6 Paulo1 Cotrim; Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo;8 Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; 4 9 3 Paul 1 Chan 8 Wai4 Chi; Paula Bicho; Tânia 2 dos7Santos 9 Grafismo 6 4Paulo8Borges, 1 Rómulo 3 5 Olavo 6 Rasquinho; Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; 7 6 GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 4 5Morada 1 Pátio 6 da7Sé, n.º22, 2 Edf. Tak Fok, R/C-B,8Macau; 3 Telefone 5 128752401 7 Fax 2 28752405; 9 6e-mail 4 info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo Welfare 7

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9 6 8 5 9 6 2 4ANÚNCIO 2 7 CONCURSO PÚBLICO N.o 19/P/21 2 9 8 1 Faz-se público que, por despacho da Ex. Senhora 5 1 Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, de 10 de Junho de 2021, se encontra3 aberto o Concurso Público para a «Prestação de Serviços de Aluguer de Equipamentos para o Sistema 2 Automático de Diálise4Peritoneal aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde 9 6 ma

o dia 23 de Junho de 2021, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP34,00 (trinta e quatro patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov. mo ). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 20 de Julho de 2021. O acto público deste concurso terá lugar no dia 21 de Julho de 2021, pelas 10,00 horas, na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP124.000,00 (cento e vinte e quatro mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 17 de Junho de 2021 O Director dos Serviços de Saúde Lo Iek Long

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO N.o 1/CON/DTNE/2021 - Concurso Público Faz público que, de acordo com o Despacho de 16 de Junho de 2021 da Ex.mo Senhor Secretário para a Economia e Finanças, encontra se aberto, pelo Fundo de Turismo, o concurso público “Serviços de organização e coordenação do Festival de Luz de Macau 2021”. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos, os anexos e demais documentos suplementares, mediante o pagamento de duzentas patacas (MOP200,00); ou ainda consultar o website da Indústria Turística de Macau: http://industry.macaotourism.gov.mo , e fazer “download” do mesmo. A Sessão de esclarecimento será realizada na sala de reunião da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 5.o andar pelas 11:00 horas do dia 25 de Junho de 2021. Os pedidos de esclarecimento devem ser feitos por escrita e apresentados até ao dia 2 de Julho de 2021 pelas 17:30 na área de Informação relativa às aquisições do website da Indústria Turística de Macau (http://industry.macaotourism.gov.mo), as respectivas respostas também serão publicadas no mesmo website. O preço total proposto: O limite máximo do valor global da prestação de serviços é de dezoita milhões patacas (MOP18.000.000,00). Critérios de adjudicação e factores de ponderação: Critérios de adjudicação Preço Criatividade e design - Descrição do evento e design dos percursos - Conteúdo e organização do programa  Das instalações luminosas  Jogos interactivos  “Website” do evento  Cerimónia de abertura - Novas técnicas - Qualificação profissional da equipa criativa Plano de trabalho - Planta dos locais e desenho das instalações - Informações sobre os equipamentos e planta de instalação - Informações sobre elementos de decoração e respectivo design - Plano de trabalho e plano de construção - Plano de protecção ambiental - Plano de gestão de controle de ciruculação de pessoas Experiência do concorrente - Prestação de serviço de realização de actividades semelhantes dos serviços públicos de Macau - Prestação de serviço de realização de actividades semelhantes do sector privado em Macau

Factores de ponderação 30% 30%

30%

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Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 13:00 horas do dia 26 de Julho de 2021, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais da RAEM, prestar a caução provisória de MOP360.000,00 (trezentas e sessenta mil patacas), mediante: 1) depósito em numerário à ordem do Fundo de Turismo no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem do Fundo de Turismo 4) por transferência bancária na conta do Fundo do Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau. O acto público do concurso será realizado na sala de reunião da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 5.o andar pelas 10:00 horas do dia 27 de Julho de 2021. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados a concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora de sessão de esclarecimento e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 18 de Junho de 2021. A Directora, Maria Helena de Senna Fernandes


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perspectivas

24.6.2021 quinta-feira

Jorge Rodrigues Simão

A OPORTUNIDADE NA CRISE “The Chinese use two brush strokes to write the word ‘crisis.’ One brush stroke stands for danger; the other for opportunity. In a crisis, be aware of the danger-but recognize the opportunity.” John F. Kennedy

OS NEGÓCIOS não funcionam no vácuo, por isso a sua história está ligada à nossa história social mais ampla. A pandemia revelou e acelerou tendências mais amplas na cultura e política, porque é de acreditar que uma geração de mudanças empreendidas em nome do capitalismo minou o seu sistema, e o que podemos fazer a esse respeito. Esta tem sido uma crise mundial com duas teses. Primeiro, o impacto mais duradouro da pandemia será como um acelerador. Apesar de iniciar algumas mudanças e alterar a direcção de algumas tendências, o principal efeito da pandemia tem sido o de acelerar a dinâmica presente na sociedade. Em segundo lugar, em qualquer crise há oportunidades; quanto maior e mais perturbadora for a crise, maiores serão as oportunidades. Contudo, o optimismo em relação à segunda tese é temperado pela primeira pois muitas das tendências que a pandemia acelera são negativas e enfraquecem a nossa capacidade de recuperar e prosperar num mundo pós-COVID-19. Há um ditado atribuído a Lenine de que “Nada pode acontecer durante décadas, e depois décadas podem acontecer em semanas”. Não foi Lenine, mas sim o deputado escocês George Galloway que o parafraseou, com a típica brevidade escocesa, algo muito mais redondo e obtuso o que Lenine disse em 1918, após as mudanças radicais operadas pela sua revolução. Este tema, décadas em semanas, está a ser abordado na maioria dos sectores e facetas da vida. O comércio electrónico começou a criar raízes em 2000. Desde então, a quota do comércio electrónico no comércio a retalho tem crescido aproximadamente 1 por cento todos os anos. No início de 2020, aproximadamente 16 por cento do comércio a retalho era transaccionado através de canais digitais. Oito semanas após a pandemia ter atingido os Estados Unidos a 12 de Março de 2019, esse número saltou para 27 por cento e não vai voltar atrás. Registamos uma década de crescimento do comércio electrónico em oito semanas. O período para o social, empresarial, ou pessoal é de dez anos e considera-se rápido. Mesmo que a sua empresa ainda não esteja presente, o comportamento do consumidor e do mercado assenta agora no ponto 2030 que é a linha de tendência positiva ou negativa. Se a sua empresa tinha um balanço fraco, é agora insustentável. Se está no retalho essencial, os seus bens são mais essenciais do que nunca. Se está na venda a retalho discricionária, está mais arbitrária do que nunca. Na sua vida pessoal, se estava a brigar com o seu parceiro, as suas discussões são piores. As boas relações têm agora mais dez anos de história e boa vontade. Durante décadas,

as empresas investiram milhões de dólares em equipamento para reuniões virtuais, na esperança de diminuir as distâncias.As universidades adoptaram a contragosto ferramentas tecnológicas, incluindo o “Blackboard” no início dos anos de 1990 para acompanhar o ritmo do mundo exterior. As empresas de comunicação publicaram numerosos anúncios com jantares familiares virtuais, médicos a ver pacientes, e estudantes a aprender com os grandes professores do mundo sem saírem da sua cidade natal. E durante décadas, não aconteceu grande coisa. Os sistemas de videoconferência multimilionários não funcionaram, e os professores resistiram a qualquer tecnologia mais complexa do que o “Dry Erase” ou o “PowerPoint”. O “FaceTime” e o “Skype” fizeram incursões nas nossas comunicações pessoais, mas não atingiram a massa crítica. Depois, em semanas, as nossas vidas mudaram “online” e os negócios passaram ser feitos à distância. Cada reunião de negócios tornou-se virtual, cada professor tornou-se um educador “online”, e as reuniões sociais passaram para um ecrã. Nos mercados, os investidores calibraram o valor das empresas problemáticas, com base não nas semanas ou anos seguintes, mas em pressupostos da posição da empresa em 2030. A Apple levou quarenta e dois anos para atingir o valor de um trilião de dólares, e vinte semanas para acelerar de um trilião para dois triliões de dólares (Março a Agosto de 2020). Nessas mesmas semanas, a Tesla tornou-se não só a empresa automóvel mais valiosa do mundo, mas mais importante do que a Toyota, Volkswagen, Daimler, e Honda combinadas. Durante décadas, os presidentes de câmara das grandes cidades e os responsáveis pelo planeamento têm apelado a mais pistas para bicicletas, acesso pedonal, e menos carros. E durante décadas, o tráfego, a poluição atmosférica e os acidentes congestionaram as nossas ruas e os nossos céus. Depois, em semanas, os ciclistas tomaram conta da estrada, as mesas de jantar ao ar livre brotaram, e os céus desobstruíram. As tendências negativas podem ter acelerado a um ritmo maior. Durante décadas, os economistas têm vindo a advertir que a desigualdade económica se estava a aprofundar, enquanto a mobilidade económica estava a diminuir. Uma economia com tendências subjacentes incómodas transformou-se numa distopia. Quarenta por cento dos americanos, teriam dificuldade em cobrir uma despesa de emergência de quatrocentos dólares. Mas uma expansão económica de onze anos sem precedentes significou que a maré nunca se esgotou. Depois, nos primeiros três meses da recessão Covid-19 os Estados Unidos perderam mais emprego (13 por cento) do que perderam nos dois anos da Grande Recessão (5 por cento). Metade das famílias americanas tiveram pelo menos uma pessoa a perder um emprego ou a sofrer um corte salarial devido à pandemia. As famílias com rendimentos inferiores a quarenta mil dólares foram as mais atingidas

e cerca de 40 por cento foram despedidas ou dispensadas no início de Abril de 2020, em comparação com apenas 13 por cento das famílias com rendimentos superiores a cem mil dólares. O mundo girou mais depressa, para melhor ou pior. As crises trazem oportunidades. É um cliché que tem uma razão e o presidente John F. Kennedy fez dele um dos seus principais discursos da sua campanha. O ex-vice-presidente dos Estados Unidos e Prémio Nobel da Paz, Al Gore, utilizou-o no seu discurso de aceitação do Prémio Nobel. A palavra chinesa para crise consiste em dois símbolos, um que significa perigo, o outro, significa oportunidade. Que oportunidades nos esperam no post-COVID-19?Apandemia tem um lado bom que pode rivalizar com o tamanho da “nuvem”. A América tem uma maior taxa de poupança e menos emissões e três das maiores, e mais importantes categorias de consumidores (saúde, educação, e mercearia) estão num estado de ruptura sem precedentes e, possivelmente, de progresso. Embora a esmagadora maioria dos hospitais devido à COVID-19 tenha sido a história principal, a narrativa mais duradoura pode ser como os outros 99 por cento das pessoas que tiveram acesso aos cuidados de saúde durante a pandemia sem pôr os pés num consultório médico, muito menos num hospital. A adesão forçada à telemedicina promete uma explosão de inovação e abre uma nova frente na guerra contra os custos e os encargos do fracturado sistema de saúde americano. Da mesma forma, o abraço forçado da aprendizagem à distância, por mais desajeitado e problemático que tenha sido, poderia catalisar a evolução do ensino superior, produzindo custos mais baixos e taxas de admissão mais elevadas, e devolvendo à aptidão o seu papel de lubrificante para a mobilidade ascendente dos americanos. Ainda mais fundamental do que a educação, a nutrição está no precipício da revolução,

O patriotismo costumava ser um sacrifício, agora é um estímulo. Na pandemia, a América e os seus líderes falaram com as suas acções; milhões de mortes americanas seriam más, mas um declínio no NASDAQ seria trágico. O resultado tem sido um sofrimento desproporcionado

se a dispersão da mercearia através da entrega criar oportunidades para uma distribuição mais eficiente, maior alcance para alimentos frescos, e adopção de bens locais. Por baixo destas mudanças, a chegada à idade adulta numa crise mundial tem o potencial de amadurecer uma geração com um renovado apreço pela comunidade, cooperação e sacrifício; uma geração que acredita que a empatia não é fraqueza, e que a riqueza não é virtude. As oportunidades não são garantias. De facto, a história popular sobre a palavra chinesa para crise não é muito correcta. O primeiro caracter significa perigo, mas o segundo caracter é melhor traduzido como uma conjuntura crítica. Uma encruzilhada. Para os compatriotas de Lenine, as transformações radicais de 1917 também apresentavam oportunidades. O seu fracasso em aproveitá-las levou a um imenso sofrimento. É fácil acreditar que isso não nos vai acontecer, que “não pode acontecer agora”. Mas consideremos que não há muito tempo (meados do século XX), foram postos setenta e cinco mil cidadãos americanos atrás do arame farpado porque tinham ascendência japonesa. Considerando que nenhum de nós, no início da pandemia, pensou que os Estados Unidos poderiam perder mais vidas por dia para um vírus que outros países (menos desenvolvidos) travaram no seu caminho. A resposta americana a esta crise não inspirou confiança. Apesar de terem mais tempo para se prepararem, gastando mais nos cuidados de saúde do que qualquer outro país, e acreditando que eram a sociedade mais inovadora da história, com 5 por cento da população mundial, os Estados Unidos suportaram 25 por cento das infecções e mortes. Foram necessários os últimos dez anos para criar vinte milhões de empregos e dez semanas para destruir quarenta milhões. As viagens estão em baixa, os restaurantes estão na obscuridade, a bebida e as vendas de armas de fogo estão em alta. Mais de dois milhões de “Gen Zers” voltaram a viver com os seus pais, e setenta e cinco milhões de jovens vão à escola no meio da incerteza, conflito e perigo Os historiadores podem dissecar os passos errados que os trouxeram até aqui. A causa mais profunda do seu fracasso é clara. O envolvimento daAmérica na II Guerra Mundial durou três anos e oito meses, e quatrocentos e sete mil americanos pereceram. Apesar do “stress financeiro” do tempo de guerra, foi pedido aos agregados familiares que esvaziassem os seus bolsos e comprassem títulos de guerra. Os fabricantes remodelaram as suas fábricas para construir bombardeiros e tanques, e foi imposto um limite de velocidade “Vitória” a quarenta quilómetros por hora a nível nacional para poupar combustível e borracha para o esforço de guerra. Preparam estudantes e professores do ensino secundário que deram as suas vidas pela liberdade. Após a guerra, investiram nos seus inimigos e produziram mais riqueza e prosperidade do que qualquer sociedade até à data. Durante algum tempo, distribuíram de forma mais justa


quinta-feira 24.6.2021

do que nunca. Mudaram o local onde viviam (subúrbios) e como viviam (o carro e a televisão), e começaram a contar com as suas mais profundas desigualdades de raça e género. As forças americanas lutam no Afeganistão há dezanove anos, e perderam dois mil e trezentos e doze efectivos. O conflito transformou-se em violência que se estende por metade do globo, com mortes de centenas de milhares de civis. Durante esse tempo, eram vistos “slogans” nos veículos utilitários desportivos com autocolantes “apoiem as nossas tropas”, mas não existia dificuldade em encontrar chocolate, ou qualquer outra coisa que se pudesse desejar, na loja ou no telefone. Quanto mais dinheiro ganham, mais baixa é a taxa de imposto, e ninguém pede para comprar um título de guerra. Em vez disso, subcontrataram a guerra a um exército voluntário de jovens da classe trabalhadora, financiado pelas gerações futuras através de um aumento do défice de quase sete triliões de dólares. O patriotismo costumava ser um sacrifício, agora é um estímulo. Na pandemia, a América e os seus líderes falaram com as suas acções; milhões de mortes americanas seriam más, mas um declínio no NASDAQ seria trágico. O resultado tem sido um sofrimento desproporcionado. Os americanos com rendimentos mais baixos e as pessoas de cor têm mais probabilidade de serem infectados e enfrentam o dobro do risco de doenças graves do que as pessoas de famílias com rendimentos mais elevados. Para os ricos, o tempo com a família, a Netflix, as poupanças, e o valor da carteira de acções aumentaram à medida que as deslocações e os custos diminuíram. Se os Estados Unidos estão a dirigir-se para um

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futuro de “jogos da fome” ou para algo mais brilhante depende do caminho que escolherem depois da COVID-19. Um dos aspectos mais surpreendentes da crise da COVID-19 tem sido a resiliência dos mercados de capitais. Após uma breve queda quando o surto se transformou numa pandemia, os principais índices de mercado rugiram de volta. No Verão de 2020, tinham recuperado a maior parte do terreno perdido, apesar de quase duas centenas de milhares de mortes nos Estados Unidos, do desemprego recorde, e de nenhum sinal de que o vírus tivesse recuado. A Bloomberg Businessweek chamou-lhe “The Great Disconnect” numa reportagem de capa de Junho de 2020 e mesmo os profissionais de Wall Street”, declaram que ficaram “atónitos”. Dois meses mais tarde, na altura em que o artigo foi escrito, o vírus estava a matar mais de mil americanos por dia, e os índices de mercado continuavam a subir. Os índices de mercado podem, no entanto, ser enganadores. A “recuperação” tem sido o produto de ganhos de dimensão exagerada de algumas empresas, nomeadamente as grandes empresas de tecnologia e outros actores importantes. Não se reflecte nos mercados públicos mais vastos. De 1 de Janeiro a 31 de Julho de 2020, o S&P 500, que acompanha as quinhentas maiores empresas públicas, foi apenas positivo no ano. Mas as empresas do meio, de média capitalização, caíram 10 por cento. E as seiscentas empresas de pequena dimensão que foram seguidas no S&P 600 tiveram uma redução de 15 por cento. Enquanto os meios de comunicação social foram distraídos por objectos brilhantes como grandes índices

tecnológicos, um incansável abate do rebanho está bem encaminhado. Os fracos não estão apenas a ficar para trás, estão a ser abatidos. A lista de falências é longa e chocante. As acções “BEACH” (reservas, entretenimento, companhias aéreas, cruzeiros e casinos, hotéis e resorts) desceram em média 50 a 70 por cento. Isto ajuda a explicar o forte desempenho dos líderes de mercado. A avaliação de uma empresa é uma função dos seus números e narrativa. Neste momento, a dimensão pode alimentar uma narrativa não só sobre como uma empresa irá sobreviver à crise, mas também sobre como irá prosperar no mundo pós-COVID-19. Após a crise, quando as chuvas regressam, há mais folhagem para menos elefantes. Empresas com dinheiro, com garantias de dívida, com acções altamente valorizadas, serão posicionadas para adquirir os activos de concorrentes em dificuldades e consolidar o mercado. A pandemia está também a impulsionar uma narrativa de “inovação”. As empresas consideradas inovadoras estão a receber uma avaliação que reflecte estimativas de fluxos de caixa daqui a dez anos, e com desconto de volta a uma taxa incrivelmente baixa. Os investidores parecem estar concentrados na visão de uma empresa, na sua narrativa sobre onde poderá estar dentro de uma década. É assim que o valor de Tesla excede agora o da Toyota, Volkswagen, Daimler, e Honda combinados. Isto apesar do facto de em 2020 a Tesla ir produzir aproximadamente quatrocentos mil veículos, enquanto as outras quatro empresas vão construir um total de vinte e seis milhões. O mercado está a fazer apostas ousadas sobre o ambiente pós-COVID-19, e estamos

opinião 15

a assistir tanto a grandes ganhos como a declínios abruptos. No final de Julho de 2020, a Tesla subiu 242 por cento em relação a 2019, enquanto a GM desceu 31 por cento. A Amazon subiu 67 por cento, e a JCPenney faliu. Esta “desconexão” entre o grande e o pequeno, o inovador e o antiquado é tão importante como o fosso mais falado entre o mercado e a economia em geral. Os vencedores de hoje são julgados como os maiores vencedores de amanhã, e os perdedores de hoje parecem condenados. O que se passa com as previsões do mercado de capitais é que elas se autorrealizam, em certa medida. Ao decidir que a Amazon, Tesla, e outras empresas promissoras são vencedoras, os mercados reduzem o custo de capital dessas empresas, aumentam o valor da sua compensação (através de opções de compra de acções), e aumentam a sua capacidade de adquirir o que não podem construir por si próprios. E há uma quantidade incrível de capital à procura de um lar neste momento. O governo americano injectou 2,2 triliões de dólares na economia, e devido a algumas decisões políticas terríveis uma enorme quantidade desse montante vai directamente para os mercados de capitais. Assim, as empresas que se estavam a sair bem antes da pandemia beneficiaram notavelmente desta crise mundial. Encontraram fundos disponíveis para absorver as perdas de receitas, enfrentar a concorrência e expandirem-se para as novas oportunidades que a pandemia está a abrir. Entretanto, os seus concorrentes mais fracos foram excluídos dos mercados de capitais e verão as suas notações de dívida serem reduzidas, os detentores das suas contas a telefonarem, e os clientes a ficarem nervosos com os negócios a longo prazo. Há um árbitro não económico para quem perece, sobrevive, ou prospera que é o apoio do governo. As companhias aéreas, por exemplo, não estão em condições de sobreviver a esta pandemia na sua forma actual. É difícil imaginar um produto mais propício à propagação de um vírus do que um avião. A pandemia acelera o trabalho remoto e evita as viagens de negócios, a vaca a dinheiro da indústria. Além disso, as companhias aéreas têm enormes despesas gerais e dificuldade em reduzir os custos quando as receitas diminuem. Várias pequenas companhias aéreas nacionais, não vistas como campeãs nacionais, e uma série de transportadoras estrangeiras, incluindo a Virgin Atlantic, declararam falência. Mas suspeito de que não veremos uma única grande transportadora dos Estados Unidos a afundar-se, porque as companhias aéreas têm um controlo mortal sobre o Congresso. Em Abril de 2020, o governo deu-lhes vinte e cinco mil milhões de dólares, e é provável que recebam mais. Uma combinação de bons lobistas e pessoas de relações públicas, alta consciência dos consumidores, e uma profunda ligação ao orgulho nacional podem salvar uma indústria, dando-lhe uma linha de vida com capital.


“O espectáculo é o sol que nunca se põe no império da passividade moderna.” PALAVRA DO DIA

Guy Debord

quinta-feira

24.6.2021 episódio 24

O deputado Leong Sun Iok interpelou o Governo sobre a necessidade de avaliar a capacidade de drenagem dos parques de estacionamento públicos nas zonas baixas, tendo em conta a inundação no parque de estacionamento na praça Ferreira do Amaral no início deste mês. O deputado questiona se o Governo pensa implementar um sistema de supervisão dos parques durante 24 horas, além de pedir um mecanismo de apoio aos proprietários dos veículos danificados por inundações, uma vez que estes demoram a obter as compensações monetárias por danos.

MAR NEGRO ARMADA RUSSA DISPARA EM INCIDENTE COM NAVIO BRITÂNICO

A

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S forças da Marinha russa destacadas no mar Negro dispararam ontem tiros de advertência contra um contratorpedeiro britânico que terá entrado em águas territoriais russas a sul da península ucraniana da Crimeia, divulgou a defesa russa. “O contratorpedeiro foi avisado com antecedência sobre o possível uso de armas em caso de violação da fronteira estatal da Rússia. Não reagiu ao aviso”, alegou o Ministério da Defesa russo, citado pela agência Interfax, informando que um avião Su-24 e um “navio de patrulha fronteiriça” dispararam “tiros de advertência”. Após os disparos, o navio de guerra britânico deixou a área e o incidente não teve mais desenvolvimentos. Segundo a informação disponibilizada pelo ministério russo, um navio de patrulha da armada russa efectuou os primeiros dois disparos de aviso e poucos minutos depois o aparelho Su-24M lançou quatro bombas OFAB-250 numa área em frente ao navio de guerra britânico. “Às 12h23 horas locais (17h23 hora de Macau), as acções conjuntas da frota do mar Negro e das tropas da guarda fronteiriça acabaram com a violação da fronteira estatal russa pelo contratorpedeiro HMS Defender, que se retirou das águas territoriais russas”, acrescentou o ministério russo. Na sequência do incidente, o Ministério da Defesa russo convocou o adido militar da embaixada do Reino Unido na Rússia. O incidente relatado por Moscovo ocorreu perto do Cabo Fiolent, a sul da península ucraniana da Crimeia, território anexado pela Rússia em 2014, numa acção fortemente condenada pelo Ocidente.

REPRESENTAÇÃO DE MIAMI SUBMERSA COM A SUBIDA DA ÁGUA DO MAR

Estacionamento Leong Sun Iok quer melhor drenagem

O Jogo das Escondidas um folhetim por Fernando

“Para algumas megalópoles, deltas, pequenas ilhas e comunidades árticas, as consequências podem ser sentidas muito rapidamente, durante a vida da maioria das populações actuais.” Painel Intergovernamental de Especialistas sobre a Evolução do Clima

Perigo à beira-mar Aquecimento global ameaça cidades costeiras de todo o mundo

A

subida do nível do mar, as inundações e a intensificação das ondas de calor estão a ameaçar as cidades costeiras de todo mundo, segundo o relatório provisório do Painel Intergovernamental de Especialistas sobre a Evolução do Clima. De Bombaim a Miami, Daca ou Veneza, estas cidades e os seus milhões de habitantes que vivem na foz dos estuários ou nas linhas sinuosas da costa estão “na linha da frente” da crise climática que corre o risco de redesenhar os mapas dos continentes, aponta o relatório provisório do Painel Intergovernamental de Especialistas sobre a Evolução do Clima (IPCC, na sigla em inglês), citado pela agência de notícias France-Presse (AFP). “O nível do mar continua a subir, as inundações e as ondas de calor são cada vez mais frequentes e intensas e o aquecimento aumenta a acidez do oceano”, referem os cientistas neste relatório de 4.000 páginas sobre os

impactos das mudanças climáticas. De acordo com os peritos climáticos, é preciso “fazer escolhas difíceis”. Sob o efeito combinado da expansão dos oceanos e do degelo causado pelo aquecimento, a subida do nível do mar também ameaça contaminar os solos agrícolas com água salgada e engolir infraestruturas estratégicas, como portos ou aeroportos. Um “perigo para as sociedades e para a economia mundial em geral”, alerta o IPCC, sublinhando que cerca de 10 por cento da população mundial e dos trabalhadores estão a menos de 10 metros acima do nível do mar. “E para algumas megalópoles, deltas, pequenas ilhas e comunidades árticas, as consequências podem ser sentidas muito rapidamente, durante a vida da maioria das populações actuais”, é referido no documento.

Maré sempre alta

De acordo com os peritos, o nível do oceano pode subir 60 centímetros até ao final

do século. “O destino de muitas cidades costeiras é sombrio sem uma queda drástica nas emissões de CO2”, segundo os peritos, acrescentando que “qualquer que seja a taxa dessas emissões, o aumento do nível dos oceanos acelera e continuará a ocorrer durante milénios”. “A maioria das cidades costeiras pode morrer. Muitas delas serão dizimadas por inundações de longo prazo. Em 2050, teremos uma imagem mais clara”, disse Ben Strauss, da organização Climate Central. Mas, apesar dessas previsões sombrias, as cidades costeiras continuam a crescer, multiplicando as vítimas em potencial, especialmente na Ásia e na África. Segundo o documento, um aquecimento global acima do limiar de 1,5 ºC (graus centígrados), fixado pelo acordo de Paris, teria “impactos irreversíveis para os sistemas humanos e ecológicos”, com os peritos a frisarem que a sobrevivência da humanidade pode estar ameaçada.

Sobral

- A dúvida é a nossa vida, tenente. Nem sempre é fácil distinguir os verdadeiros sentimentos dos falsos. Porque tudo se compra e se vende. Num mundo em desordem moral todos estão dispostos a vender-se. Talvez até a sua amiga. - Nem todos, padre. - Acredita mesmo nisso, tenente? Pense em si. Amoroso sentiu as palavras como um murro no estômago. Bebeu mais um gole de cerveja. Sentiu vontade de sair dali e entrar na “Noite Tranquila” para falar com Ding Ling. Confrontá-la com o que Benedito lhe dissera. Por momentos sentiu-se atraiçoado pela mulher que fnalmente conseguira acalmar os seus ânimos. Com sexo e ópio, Ding Ling domara a sua fúria. Sentira-se amado. Agora parecia outra vez um náufrago. Benedito abanou a cabeça: - Não é caso para tanto, meu caro tenente. Não é preciso manter uma relação conflituosa com a realidade. Sabe que quanto maiores são as nossas debilidades, mais vastos costumam ser os nossos planos. A menina Ding sabe os seus pontos fracos. Como é que se diz? O seu calcanhar de Aquiles. E você sabe que ela sabe isso. Por isso aumenta as expectativas. Não o faça. Amoroso não respondeu. Os seus olhos concentravam toda a sua fúria, mas o corpo ia deixando de estar tenso. Estava a acalmar-se, o que era a melhor solução. Falaria com Sing Ling depois, quando a tempestade se concentrasse toda dentro de uma garrafa. E a pudesse atirar para o mar, para que fosse apenas aberta noutras latitudes. Foi buscar mais duas cervejas. - Tsingtao, meu caro Benedito. Para não nos esquecermos do que é importante. Continuo a achar que esse alemão nos levará até ao assassino do secretário Silva. - Pode ser que tenha razão, tenente. É uma questão de paciência. Amoroso olhou para Benedito Augusto. Sentiu-se desconfortável. O padre leu-lhe o pensamento. Sabia que quanto mais um homem te conta, mais perigoso te tornas para ele. E quanto mais perigoso és menos opções tens no futuro. Tinha que evitar que Amoroso pensasse que ele poderia ser seu inimigo. (continua)


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Hoje Macau 24 JUNHO 2021 #4795 by Jornal Hoje Macau - Issuu