GRANDE PLANO
Nº 4793 TERÇA-FEIRA 22-6-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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MOP$10
FUNÇÃO PÚBLICA
REFORMAS NO PLENÁRIO
ILHA VERDE
PUB.
HOJE MACAU
PARALISIA PANDÉMICA
RÓMULO SANTOS
PORTUGAL | CHINA
INVASÃO DAS TARTARUGAS
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hoje macau
28 dias depois Começaram as negociações para abrir uma bolha de viagem, sem quarentena, entre Macau e Hong Kong para quem tomou as duas doses da vacina. No início de Maio, Ho Iat Seng dizia que para se aliviar as restrições MORTE DE UM APICULTOR PAULO JOSÉ MIRANDA
a região vizinha teria de ficar 14 dias sem casos locais. Ontem a RAEHK atingiu essa meta, mas serão precisos mais 14 dias para abrir a bolha de viagem (que pode incluir o Aeroporto de Hong Kong). PÁGINAS 6-7
GRANDE PLANO
DO BAIRRO
ANABELA CANAS
2 grande plano
22.6.2021 terça-feira
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PORTUGAL-CHINA
PANDEMIA ARREFECE A RELAÇÃO BILATERAL E TRAZ ESTAGNAÇÃO
Em modo de pausa
A questão do investimento no Porto de Sines, entre outras, veio demonstrar que “o momento da China em Portugal pode não ser tão forte como aparenta”. A conclusão é do académico Paulo Duarte, que acaba de publicar um artigo sobre o assunto na revista JANUS, da Universidade Autónoma de Lisboa. O investigador acredita que, devido à pandemia, a relação bilateral sofre mesmo de alguma estagnação
“
T
HE covid-19 factor in Portugal-China relations: time to rest” [O factor covid-19 nas relações Portugal-China: tempo para descansar” é o nome do mais recente artigo assinado pelo académico português Paulo Duarte sobre uma relação bilateral que não se tem revelado tão forte como apontam os discursos oficiais. Uma das conclusões do artigo, publicado na última edição da revista JANUS, da Universidade Autónoma de Lisboa, conclui que “apesar de iniciativas sem precedentes, os desenvolvimentos da covid-19 vieram demonstrar que o momento chinês em Portugal pode não ser tão forte como aparenta ser”. E isso nota-se em alguns
investimentos estratégicos que acabaram por estagnar, como é o caso do Porto de Sines. Em Abril deste ano, foi notícia o facto de o concurso internacional para a construção e concessão do novo terminal ter terminado sem qualquer proposta, quer chinesa, quer americana. No entanto, as duas grandes potências mantém este activo debaixo de olho. Escreve Paulo Duarte que “os EUA escolheram o momento certo [o foco de Pequim nos protestos de Hong Kong e a covid-19 ainda numa fase inicial” para realizar uma visita de alto nível ao Porto de Sines a 12 de Fevereiro de 2020. Considerando que a China já tinha demonstrado interesse no Porto de Sines”, esta “não foi uma viagem de lazer, mas sim geopolítica”.
Segundo explicou Paulo Duarte ao HM, “os projectos da China em Portugal, e em vários pontos do mundo, estagnaram por causa da covid-19 na expectativa de que a China se restabeleça em primeiro lugar, algo que tem
“A política externa portuguesa tem sido particularmente habilidosa em lidar com a China, enquanto mantém os antigos compromissos lado a lado com a UE e os EUA” ARTIGO
Paulo Duarte, académico “Não deveríamos dar monopólio nenhum, mesmo como membros ponto de vista geoestratégico, é uma ponte entre a Europa, África e as Américas.”
conseguido comparando com outros países”. Mas mais do que isso, nota-se “muita assertividade no tom entre a China e EUA, mais do que propriamente uma mudança de posicionamento de Portugal face à China”. Com a reconquista democrata da Casa Branca como pano de fundo, Paulo Duarte acredita que ainda é cedo para uma análise sobre o que irá mudar no tabuleiro da política internacional. “A questão do Porto de Sines e da rede 5G poderão ser factores primordiais para testar a fidelidade portuguesa face aos EUA. Mas o certo é que não vemos mais o tom de ultimato como vimos com a Administração Trump através do seu ex-embaixador em Portugal.
Mas teremos de ver o que vai acontecer.”
O poder da NATO
Portugal, um velho aliado da NATO, mas também um forte parceiro comercial da China, “deverá certamente privilegiar o aliado de longa data”, tendo em conta os interesses de ambos os países. Ao HM, Paulo Duarte confirma isso mesmo. “Não tenhamos dúvidas [de que Portugal vai sempre manter uma ligação com a NATO”. A relação Portugal-China é comparada pelo académico à ligação que o país tem com a Grécia, mas “não vem retirar fidelidade [de Portugal] em relação à NATO, EUA ou União Europeia (UE)”. Ainda assim, a China continuará como um importante player.
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da NATO e da UE, a empresas apenas dos EUA. Temos de ter a porta aberta a várias propostas. Portugal não é um grande mercado e tanto os EUA como a China sabem disso. Mas, do
“Portugal vai aproveitar algumas propostas feitas pela China, nomeadamente em relação à rede 5G e outras, para desenvolver o nosso mercado. Isso é algo que António Costa [primeiro-ministro] e o nosso Governo tem conseguido aproveitar, com uma diplomacia talentosa face à China e EUA.” Mas, mais uma vez, a imprevisibilidade da pandemia faz com que seja cedo para traçar conclusões definitivas. “Quando tudo estiver mais ultrapassado em termos de vacinação contra a covid-19 vamos voltar a ver a competição por outros activos estratégicos portugueses”, frisou o académico. Apesar deste jogo marcado por dois poderes, Paulo Duarte defende um maior pluralismo de parceiros estratégicos de Portugal. “Não de-
veríamos dar monopólio nenhum, mesmo como membros da NATO e da UE, a empresas apenas dos EUA. Temos de ter a porta aberta a várias propostas. Portugal não é um grande mercado e tanto os EUA como a China sabem disso. Mas, do ponto de vista geoestratégico, é uma ponte entre a Europa, África e as Américas.”
Covid-19 é mais um passo
No artigo assinado por Paulo Duarte, é defendido que a pandemia não representa mais do que “uma fase do multilateralismo chinês”. “Antes da pandemia o multilateralismo chinês já tinha demonstrado uma incrível sofisticação (implícita no acesso de vários estados da UE ao Banco de Investimento de Infra-estruturas Asiático contra a vontade dos
“Os projectos da China em Portugal, e em vários pontos do mundo, estagnaram por causa da covid-19 na expectativa de que a China se restabeleça em primeiro lugar, algo que tem conseguido comparando com outros países” PAULO DUARTE ACADÉMICO
EUA), e na era pós-covid-19 ainda se mantém”, lê-se ainda. Com uma nova ordem mundial “a ganhar forma”, e sem que haja um consenso sobre como vai ser a diplomacia mundial nos próximos tempos, só um ponto ganha “relativa convergência” face a como será o mundo no pós-pandemia. “Há uma consciência de que a pandemia mostrou as vulnerabilidade do mercado global, mas também [a ideia] de que ‘nenhum Estado soberano deveria continuar a depender de Estados terceiros em domínios estratégicos e, claro, [na área] da medicina e equipamento médico, cuja produção é dominada pela China.” No texto, o académico fala da “diplomacia da máscara” levada a cabo pela China no apoio a outros
países, nomeadamente à própria UE, que recebeu uma resposta mais rápida por parte das autoridades chinesas e russas no combate à pandemia. O académico considera que, apesar da sociedade portuguesa não ser “colectivista”, ao contrário da chinesa, “onde há a propensão para obedecer a uma figura forte”, a capacidade de Portugal para responder à pandemia “não foi menos notável do que na China, que construiu hospitais em poucos dias”. “A população portuguesa seguiu de forma escrupulosa as medidas de confinamento, algo que não aconteceu, por exemplo, em Itália. Portugal procurou evitar os erros cometidos por outros em vez de os repetir. O mesmo pode ser dito a propósito da China, que foi incomparavelmente mais rápida a aprender com os seus próprios erros, tal como a gestão de episódios passados, como a SARS”, lê-se no artigo. Em termos gerais, o autor denota que “a política externa portuguesa tem sido particularmente habilidosa em lidar com a China, enquanto mantém os antigos compromissos lado a lado com a UE e os EUA”. Relativamente a uma das principais conclusões da última cimeira do G7, sobre a possível criação de uma política ocidental semelhante à iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, Paulo Duarte defende que não é mais do que uma resposta tardia do ocidente. “A UE acordou tarde para o projecto “Uma Faixa, Uma Rota”, não tinha uma resposta ao início e hoje tem, mas é pautada por diferentes visões de países da UE, também a nível mais macro.” Além da UE, “o mundo começou a acordar de forma tardia para esta questão e percebeu que a China tem conseguido canalizar muitos países para a sua iniciativa, de modo que os países ditos do mundo ocidental perceberam que têm de ter uma resposta. Mas isto acontece por reactividade e não por pró-actividade”, aponta Paulo Duarte. Quem reagiu a esta iniciativa do G7 foi a China, que mostrou forte oposição. Na última terça-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Zhao Lijian, disse que a proposta não passa de uma difamação da China e “transgride os propósitos e princípios da ONU e a tendência dos tempos de paz, desenvolvimento e cooperação de ganho mútuo”. A mesma proposta do G7 “põe em evidência as más intenções dos EUA e de uns outros países para criar deliberadamente antagonismo e ampliar as diferenças. A China está fortemente insatisfeita e opõe-se firmemente a isso”, disse Zhao Lijian. Andreia Sofia Silva
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RÓMULO SANTOS
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Educação Ella Lei quer mudar escolas sem ‘céu azul’ do Canídromo
Ella Lei pediu ao Governo para voltar a planear o uso do terreno do Canídromo, para melhorar o ambiente das escolas em edifícios fora do projecto ‘céu azul’, que visa proporcionar mais espaços ao ar-livre. A deputada apontou que apesar de o Executivo ter confirmado ser prematuro estudar o uso da área antes da divulgação do Plano Director, a sociedade concorda com o plano original para o Canídromo, divulgado em 2018. Na altura, foi anunciado que o terreno teria finalidades recreativas, sociais e culturais, com lotes para construir escolas. Ella Lei também quer saber quantos estabelecimentos de ensino vão estar dentro de prédios e se existe a possibilidade de mudar a sua localização. Dado que a taxa de nascimentos em Macau aumentou entre 2010 e 2014, os pedidos de vagas para escolas secundárias deverão atingir um pico dentro de alguns anos. Por esse motivo, Ella Lei questionou se o sector da educação tem tempo suficiente para melhorar a oferta educativa para corresponder às necessidades.
Migração Ron Lam e Lei Chan U querem manter definição de “residência” FUNÇÃO PÚBLICA SONG PEK KEI QUER DEBATER APOSENTAÇÃO ANTECIPADA
A inércia da máquina
A criação de um plano de reforma antecipada e voluntária para a Função Pública vai ser discutida na Assembleia Legislativa, na sequência da admissão de um pedido de debate apresentado por Song Pek Kei. A deputada considera o actual regime de aposentação “pouco humano”
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ONG Pek Kei quer debater na Assembleia Legislativa a implementação de um plano de reforma antecipada e voluntária para funcionários públicos, por considerar que pode ajudar a resolver “a estagnação sanguínea” na Administração Pública e aumentar a sua eficiência. A proposta de debate apresentada pela deputada do “grupo de Fujian” foi admitida. “O Governo deve implementar, quanto antes e a título experimental, o plano de aposentação voluntária de funcionários públicos, nos serviços que se mostrarem interessados”, diz o documento. A deputada argumenta que a medida pode resolver a estagnação e aumentar a qualidade dos serviços públicos e “a eficiência administrativa”. De acordo com Song Pek Kei, na Administração Pública existem
“muitos problemas acumulados” e as alterações realizadas pontualmente “são lentas e pouco eficazes”. Assim, coloca o foco nos recursos humanos, frisando a importância de estabilidade e qualidade. Apesar de reconhecer que o volume de funcionários é superior a muitas regiões, a legisladora considera que não chegam para todas as tarefas, acabando por ser “pouco eficientes” no tratamento de assuntos sociais complexos. Além disso, a deputada entende que existe confusão na divisão de competências e funções, o que impede o desenvolvimento da sociedade.
“Em resultado da estagnação de há muitos anos, os funcionários públicos estão apáticos, cansados do trabalho, inactivos, e os canais de mobilidade vertical dos jovens estão impedidos. Se a situação se mantiver, o problema tornar-se-á irremediável”, descreve.
Falta de humanidade
A saúde dos trabalhadores está também entre as preocupações apresentadas. Song Pek Kei reconhece que há funcionários sujeitos a pressão elevada e prolongada no tempo, e que
“Os funcionários públicos estão apáticos, cansados do trabalho, inactivos, e os canais de mobilidade vertical dos jovens estão impedidos. Se a situação se mantiver, o problema tornar-se-á irremediável.” SONG PEK KEI DEPUTADA
trabalhadores de base como auxiliares desenvolvem problemas de saúde dada a “força braçal ou concentração” exigida pelas suas funções. “Uma vez que o actual regime de aposentação é pouco humano e não atende aos casos em concreto, os que querem antecipar a aposentação por razões de saúde não o podem fazer”, observa. A deputada aponta que os regimes de aposentação e afastamento dos serviços “são antigos” e “inalterados há muito tempo”, recordando que no passado o plano de aposentação voluntária não avançou por falta de consenso. Mas a situação terá mudado. No requerimento de debate, Song descreve que 80 por cento dos participantes num inquérito promovido pelo Governo se mostraram interessados na aposentação voluntária antecipada. Salomé Fernandes
O candidato às eleições directas para a Assembleia Legislativa e presidente da Associação da Sinergia de Macau, Ron Lam, e o deputado Lei Chan U esperam que o Governo mantenha a actual definição de “residência” que consta na lei. As reacções surgem depois da notícia de que o Governo está a considerar atribuir residência aos portadores de Bilhete de Identidade e Residência (BIR) não permanente que estudem ou trabalhem em Macau, mas não pernoitem no território. Segundo o jornal Ou Mun, Ron Lam defende que a alteração ao “Regime jurídico do controlo de migração e das autorizações de permanência e residência na RAEM” irá gerar “disputas e conflitos sociais desnecessários”, caso o tema “não seja discutido” e a população “consultada”. Lei Chan U segue o mesmo sentido, afirmando que a mudança pode revelar-se “conflituosa”. Para o deputado, o Governo deve aproveitar as vantagens da atribuição de residência no território para “importar quadros qualificados” que querem ficar em Macau.
Fundos autónomos Associações cresceram 500% desde anos 90
Sónia Chan, coordenadora do Gabinete para o Planeamento da Supervisão dos Activos Públicos da RAEM, garantiu que se mantém a intenção de uniformizar a atribuição de subsídios a associações através da revisão de dois diplomas em vigor desde finais da década de 90. Em resposta a interpelação escrita de Sulu Sou,a ex-secretária afirma que a sociedade mudou e hoje o número de associações é bastante maior. “Os dois despachos entraram em vigor há mais de 20 anos e foram elaborados pelo legislador de acordo com a situação social de Macau [da altura]. Em consideração dos dados daquela altura, os fundos autónomos tinham a competência de conceder apoio financeiro a associações eram a Fundação para a Cooperação e o Desenvolvimento de Macau e a Fundação Macau, enquanto que as associações registadas eram 1700. Agora há mais de 20 fundos autónomos e as associações registadas aumentaram em 10 mil, um aumento de 488 por cento.” Tal como garantiu o mesmo gabinete em Maio, “o trabalho preliminar da produção legislativa para estabelecer um regime básico uniformizado de apreciação e autorização do apoio financeiro” continua, é referido na resposta.
terça-feira 22.6.2021
ILHA VERDE TARTARUGAS INVASORAS PREOCUPAM KAIFONG
E esta, hein?!
A Associação de Moradores do Bairro da Ilha Verde acredita que a preservação do ambiente ecológico da Colina da Ilha Verde está a ser ameaçada por espécies invasoras de tartarugas detidas ilegalmente por residentes. O caso veio a lume após as inundações do início do mês terem provocado a fuga de vários animais pelo bairro HOJE MACAU
Mosquitos Risco de proliferação de doenças é baixo
Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SSM), garantiu, em resposta a interpelação de Leong Sun Iok, que “o risco de doenças transmitidas por mosquitos em Macau é baixo”, embora o “índice do ovitrap detectado nos domicílios é muito elevado”. No primeiro trimestre deste ano, “os SSM efectuaram mais de 2 mil inspecções e 360 acções de eliminação de mosquitos em locais com maiores riscos de higiene”.
Bullying Associação das Mulheres quer prevenção nas escolas
A vice-presidente da Associação Geral das Mulheres, Loi I Weng, espera que o Governo, as instituições de ensino e as famílias contribuam, em conjunto, para prevenir o bullying nas escolas. De acordo com o jornal Ou Mun, Loi I Weng sugeriu que o Executivo continue a trabalhar no manual de prevenção do bullying, que a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) planeia lançar, com o objectivo de sensibilizar encarregados de educação. Quanto aos docentes, a responsável frisou que devem integrar acções de formação para saber como classificar os diferentes cenários relacionados com bullying. Aos alunos, defende Loi I Weng, devem ser transmitidas ferramentas que os tornem capazes de resolver conflitos relacionais.
Consumidores Inspeccionadas mais de mil lojas
Entre Janeiro e Maio, o Conselho dos Consumidores realizou mais de mil inspecções não periódicas a estabelecimentos comerciais, nomeadamente a Lojas Aderentes e Lojas Certificadas. “O CC efectua inspecções não periódicas às Lojas Certificadas, no intuito de fiscalizar o cumprimento do ‘Compromisso das Lojas Certificadas’ assim como proceder à avaliação. Também fornece formação que visa assegurar a qualidade das Lojas Certificadas, de maneira a prestar melhores serviços aos consumidores”, lê-se num comunicado emitido ontem.
A
Associação de Beneficência e Assistência Mútua dos Moradores do Bairro da Ilha Verde, ligada aos Kaifong, está preocupada com a descoberta de espécies de tartaruga invasoras na Colina da Ilha Verde, que podem colocar em risco o ambiente ecológico da zona, nomeadamente destruindo habitats de espécies endémicas como a formiga “Leptanilla macauensis”. Segundo revelou ontem a presidente do organismo, Lei Tong Man, a associação recebeu duas tartarugas de orelha vermelha capturadas na Colina da Ilha Verde por residentes daquela zona. “Os residentes descobriram que houve alguém a criar lagos na Colina da Ilha Verde para alimentar tartarugas. Temos de ter em conta que a tartaruga de orelha vermelha entrou na lista das 100 piores espécies invasores a nível mundial, definida pela União Internacional da Conservação da Natureza (IUCN), podendo roubar alimento e os habitats das espécies locais, bem como transmitir doenças e parasitas aos animais selvagens,” apontou. Por seu turno, a vice-presidente da associação, Chan Fong revelou que as tartarugas fugiram do local onde habitualmente viviam devido à chuva intensa do passado dia 1 de Junho e que, depois do sucedido, o dono dos animais se comprometeu a cuidar delas. No entanto, após entrar em contacto com Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), o Instituto Cultural (IC) e a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Chan Fong confessou ter “dúvidas” em relação ao seguimento a dar pelo dono dos animais. Por sua vez, a presidente da associação, Lei Tong Man, acrescentou que, tendo em conta os inúmeros casos recentes de animais abandonados no território, o Governo “deve elaborar uma lista com os animais que não podem ser importados para Macau”, à luz da lei de protecção dos animais.
Formiga na carreira
Autocarros Retomado corredor entre a Barra e a Doca do Lam Mau
A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou ontem que o funcionamento do corredor exclusivo para os autocarros entre a Barra e a Doca do Lam Mau foi retomado. Segundo a DSAT, o período de funcionamento do corredor é das 07h30 às 09h e das 16h30 às 19h, podendo ser aplicada uma multa de 600 patacas em caso de infracção.
sociedade 5
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Lei Tong Man, Kaifong “A tartaruga de orelha vermelha entrou na lista das 100 piores espécies invasores a nível mundial.”
Durante a conferência de imprensa, Chan Fong recordou ainda que a Colina da Ilha Verde acolhe uma espécie de formiga que só existe em Macau, designada por “Leptanilla macauensis”, descoberta em 2018 pelo biólogo e investigador de Macau Danny Chi-Man Leong. Além disso, pedindo que o Governo concretize “em breve” o planeamento para a Colina da Ilha Verde, a responsável frisou que o mesmo espaço alberga, lado a lado, construções ilegais e um convento jesuíta com mais de 190 anos. “A Colina da Ilha Verde pertence a Macau e a sua preservação é da responsabilidade de todos. Se a situação continuar, a Colina da Ilha Verde será destruída”, apontou Chan Fong. Nunu
Wu e Pedro Arede
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Com muito COVID-19 BOLHA DE VIAGEM COM HONG KONG APÓS 28 DIAS SEM CASOS
Shenzhen e os testes
Quem passou pelo Aeroporto Internacional de Shenzhen Bao’an entre 10 e 18 de Junho, deve sujeitar-se a cinco testes de ácido nucleico, ao longo de 14 dias e cumprir “autogestão de saúde rigorosa”. Segundo o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus inclui-se neste grupo, quem esteve em qualquer terminal, estação de autocarros e metro do aeroporto, sendo que o seu código de saúde passará a ser amarelo. A medida é atribuída à “existência de indícios da disseminação da variante Delta do vírus” no Aeroporto de Macau.
Medicamentos suficientes
O director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo Iek Lo garantiu ontem que o stock de medicamentos para fazer face à pandemia em Macau é suficiente e que actual foco é aumentar a taxa de vacinação. “Além do número de vacinas, o stock de medicamentos para fazer face à pandemia é suficiente. O que podemos fazer agora é apostar na vacinação, este é o trabalho principal e é uma tarefa cujo resultado depende dos esforços do público e do Governo”. Sobre o plano de testagem em massa Alvis Lo acrescentou que já estão disponíveis, caso haja um surto na comunidade, 42 postos que permitem analisar toda a população no espaço de quatro dias. PUB.
DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS EDITAL IMPOSTO COMPLEMENTAR DE RENDIMENTOS Faço saber, face ao disposto no n.º 1 do artigo 43.º do Regulamento do Imposto Complementar de Rendimentos, aprovado pela Lei n.º 21/78/M, de 9 de Setembro, que ao exame dos contribuintes referidos no n.º 3 do artigo 4.º, do mesmo Regulamento, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 6/83/M, de 2 de Julho, estarão patentes os respectivos rendimentos colectáveis atribuídos pela Comissão de Fixação. Poderão os contribuintes, de 16 a 30 de Junho do corrente ano, reclamar para a Comissão de Revisão, caso não se conformem com o rendimento fixado, não terminando, porém, o prazo, sem que hajam decorridos vinte dias sobre a data do registo dos avisos postais enviados aos contribuintes. Aos, 25 de Maio de 2021. O Director dos Serviços Iong Kong Leong
Passados 14 dias sem casos locais de covid-19 em Hong Kong, as autoridades iniciaram negociações, mas querem esperar mais 14 dias até abrir uma bolha de viagem para vacinados, sem quarentena obrigatória. No entanto, serão exigidos testes de ácido nucleico nas partidas e chegadas
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M Maio, o Chefe do Executivo foi peremptório: abrir uma bolha de viagem com Hong Kong só ao fim de 14 dias sem casos locais na região vizinha.Agora que foi atingida a meta, as autoridades decidiram esperar um pouco mais. Ontem o Governo de Macau começou a negociar com Hong Kong os moldes em que será feita a abertura de fronteiras, algo que só
será realidade ao fim de 28 dias sem casos locais na região vizinha e apenas para quem tiver as duas doses da vacina contra a covid-19. Além disso, serão exigidos testes de ácido nucleico à entrada dos dois territórios. “Hoje [ontem], às 15h, a secretária Elsie Ao Ieong U [com a tutela dos Assuntos Sociais e Cultura] comunicou com as autoridades de Hong Kong. Sabemos que a situação em Macau
e Hong Kong é mais estável e por isso será possível levantar a quarentena”, disse Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SSM). A medida “vai entrar em vigor quando Hong Kong não tiver novos casos durante 28 dias”. Só nessa altura “vamos disponibilizar quotas para a abertura da fronteira”. Alvis Lo adiantou que “os residentes de Macau e Hong Kong, antes da deslocação, têm de tomar as duas doses da vacina, e após a chegada a Macau é necessário fazer vários testes de ácido nucleico, sendo que a sua actividade será restringida antes da obtenção dos resultados”. Em caso de necessidade de deslocação entre as duas regiões por curto período de tempo, serão feitos menos testes. “Uma pessoa de Hong Kong que chega a Macau, e que vai ficar durante 14 dias, vai sujeitar-se a vários testes de ácido nucleico. Se ficar um ou dois dias não exigimos que faça tantos testes. Mas isso não impede que a pessoa tenha de fazer o teste antes de chegar a Macau”, explicou Alvis Lo.
Mecanismo de suspensão
O director dos SSM referiu que vão existir quotas para circulação de pessoas, sendo que
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cuidadinho OMISSÃO NÃO É CRIME
Os responsáveis do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus garantiram que o homem que corresponde ao 53º caso de infecção por covid-19 não incorre em crime por ter ocultado que trabalhou na Índia antes de se deslocar para Macau. “Ele disse a verdade quanto à sua estadia nos últimos 28 dias. Mas quando fizemos mais perguntas sobre esses dias ele omitiu que tinha estado na Índia, pelo que não se aplica a lei. Só quando houver um problema na sociedade ou um impacto com danos graves é que haverá responsabilidade criminal”, disse Leong Iek Hou, coordenadora do Centro
MIL VACINAS POR DIA Durante a apresentação do novo posto de vacinação, Alvis Lo revelou que o espaço do Centro Desportivo de Mong-Há tem capacidade para vacinar 1.000 pessoas por dia e que é mais um passo para “melhorar a conveniência” do processo. “A vacinação começou a 9 de Fevereiro e, desde então, temos vindo a melhorar a conveniência. Em Macau já temos 18 postos de vacinação e 10 mil vagas no total. Este centro tem capacidade para vacinar 1.000 pessoas por dia”, apontou. O director dos SSM partilhou ainda que a percentagem de jovens com mais de 12 anos que estão inoculados é de 34 por cento, taxa que considerou ser “muito elevada”. Minutos depois da abertura do novo posto, que apenas disponibiliza a vacina da Sinopharm, algumas dezenas de pessoas compareceram para ser inoculadas. O subdirector do Hospital Kiang Wu, Cheung Chun Wing, informou que o novo posto possui 10 postos de vacinação e conta com a colaboração de 25 profissionais de saúde daquele hospital privado.
a qualquer momento o mecanismo pode ser suspenso, caso surjam novos casos locais. “Quando houver novos casos em Hong Kong vamos suspender as medidas. Ainda estamos a falar e a debater a possibilidade de isenção de quarentena. Temos de reunir mais vezes antes de chegar a um resultado definitivo.” Alvis Lo também não adiantou mais informações sobre casos específicos, nomeadamente sobre a circulação de crianças, uma vez que as reuniões ainda decorrem. “As medidas têm de assegurar a segurança da população. A pessoa tem de se vacinar, e depois de chegar a Macau ou a Hong Kong, tem de fazer mais um teste de ácido nucleico e não pode praticar algumas actividades.”
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Alvis Lo assegurou que faltam discutir muitos assuntos com Hong Kong nos próximos 14 dias, mas que a abertura da bolha de viagem vai também permitir deslocações até para o Aeroporto Internacional de Hong
“Ainda estamos a falar e a debater a possibilidade de isenção de quarentena. Temos de reunir mais vezes antes de chegar a um resultado definitivo.” ALVIS LO DIRECTOR DOS SSM
Kong. “Se conseguirmos abrir a fronteira com Hong Kong, quem está isento de quarentena pode também ir para o aeroporto, isso não tem a ver com o corredor [de viagem] entre Macau e Hong Kong. “ Está também a ser equacionada a divisão por zonas, que limitam a circulação na RAEHK de acordo com a maior ou menor incidência da pandemia. “Não excluímos a possibilidade de dividir [a cidade] por zonas. Neste momento, olhamos para toda a cidade de Hong Kong, mas é uma alternativa que podemos colocar com o Governo de Hong Kong”, frisou Alvis Lo. Andreia Sofia Silva e Pedro Arede
O outro vírus 37,7% da população negativa em relação à vacina contra a covid-19
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MA sondagem da Universidade de Macau revelou que 37,7 por cento dos residentes estão hesitantes ou negativos em relação à vacina contra a covid-19, que tem uma taxa de vacinação reduzida. Segundo o inquérito do Instituto de Ciências Médicas Chinesas (ICMS), referente a Maio de 2021 e divulgado ontem, entre quem não planeia sair de Macau, 49,5 por cento estão hesitantes ou negativos quanto à vacina e “cerca de 35 por cento estão preocupados com reacções adversas graves após a vacinação”. Depois de apurados 552 questionários válidos, os investigadores concluíram que as preocupações sobre reacções adversas graves após a vacinação e a confiança dada a informação consumida online influenciam negativamente a vontade de tomar a vacina. Por outro lado, “o aumento da conveniência da vacinação, a promoção da responsabilidade social e a existência de incentivos adequados são factores positivos que influenciam a intenção de receber a vacina”, lê-se no comunicado.
As recomendações
Face aos resultados, os investigadores propõem quatro recomendações: “optimizar a conveniência da vacinação, aumentando a capacidade, acessibilidade, e mobilidade dos locais de vacinação (…) fomentar parcerias com organizações apropriadas para divulgar informação sobre vacinação ao público através da utilização de múltiplos canais (…) envolver profissionais de saúde para fornecer proactivamente informação científica sobre vacinação ao público para dissipar dúvidas e rumores (…) encorajar o público a identificar objectivamente o risco e os benefícios de ser vacinado, a fim de tomar medidas preventivas de forma atempada e assumir responsabilidade social”. O programa de vacinação começou em 9 de Fevereiro, é gratuito, oferece a possibilidade de escolha entre duas vacinas, não faltam doses disponíveis, contudo, os resultados têm sido muito pouco animadores e até o Governo já admitiu que Macau pode ficar numa “situação embaraçosa”.
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MELHORES MARCADORES
Patrik Schick 3 golos
Cristiano Ronaldo 3 golos
Roman Yaremchuk Andriy Yarmolenko 2 golos 2 golos
ASSISTÊNCIAS
Steven Zuber 3
Rafa Silva 2
Joshua Kimmich 2
Robin Gosens 2
PRÓXIMOS JOGOS 03:00
República Checa - Inglaterra
03:00
Croácia - Escócia
Na defesa está o ataque
E
Itália sai invicta da fase de grupos
NTRE as características mais vezes apontadas a Itália, a organização defensiva está no topo. Esta tradição faz parte da presente equipa, orientada por Roberto Mancini. Com o triunfo frente ao País de Gales (1-0), os azzurri igualaram o recorde da selecção italiana de Vittorio Pozzo entre 1935 e 1939 quando estiveram 30 jogos sem qualquer derrota. Para Mancini e os seus pupilos, a chave tem sido o incansável meio-campo e a capacidade atacante de Domenico Berardi, Lorenzo Insigne e Leonardo Spinazzola mas é na defesa que está a resposta para tanto triunfo. Além da marca histórica de jogos sem perder, a Itália segue para os oitavos de final do Euro 2020. A vitória sobre o País de Gales foi clara e evidente, apesar de alguns sustos pelo caminho, nomeadamente, o falhanço de Gareth Bale em frente à baliza de Gianluigi Donnarumma, por volta do minuto 75. Mas a chave esteve sempre na defesa com Leonardo
Bonucci a ser um maestro de passes progressivos. O central da Juventus iniciou várias ligações ofensivas desde trás, ajudando Marco Verratti, que se estreou oficialmente no Euro, Jorginho e Matteo Pessina. O médio da Atalanta, que fez o único golo do encontro aos 39 minutos após passe de Verratti, fez um pouco de todo dentro de campo. Atacou a profundidade, movimentou-se como um avançado e funcionou como um ala. Depois da humilhação de não se qualificar para o Mundial de 2018, a Itália assume cada vez mais o papel de candidato a vencer o Euro 2020. No outro jogo do Grupo A, a Suíça derrotou a Turquia por 3-1. Os golos helvéticos foram marcados por Xherdan Shaqiri (2) e Haris Seferović. O único tento turco da competição foi marcado por Irfan Kahveci. A Suíça fica com 4 pontos, tendo a possibilidade de passar à próxima fase, se estiver entre os quatro melhores terceiros classificados.
22.6.2021 terça-feira
GRUPO B FECHA HOJE
Dia de decisões
Após a conclusão do Grupo A, é a vez do Grupo B. Num Euro que parece correr como o vento, é hora de colocar os pontos nos is e perceber quem vai passar à fase seguinte. No segundo grupo da competição está a Bélgica, a nova ‘‘favorita’’ a precisar de juntar o seu talentoso grupo de jogadores a troféus de primeira instância. Mas pelo caminho há uma Dinamarca motivada, uma Finlândia com garra e uma Rússia capaz de dificultar a vida a qualquer equipa
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ÃO há elogios suficientes para a selecção da Bélgica, dotada de um talento de outro mundo. Os diabos vermelhos têm a melhor geração de jogadores de que há memória. Apenas 5 dos 26 jogadores convocados por Roberto Martínez jogam fora dos 5 principais campeonatos da Europa. Em todas as facetas do desporto-rei, jogar contra a Bélgica parece injusto e complexo. A capacidade de jogo é tremenda, havendo poucas nações capazes de a derrotar. Com a ascensão de um conjunto de jogadores que está capacitado para ombrear com Alemanha, França, Itália, Espanha e outros, os seus adversários de grupo podem, e devem, tomar todos os cuidados necessários. Mas o Grupo B do Euro 2020 é talvez o mais resiliente. Começando com a Dinamarca. A equipa nórdica parece adversa à desistência. Mesmo depois do colapso repentino de Christian Eriksen, os dinamarqueses deram uma resposta com cabeça, mãos e pés. Apesar da derrota por 2-1 contra os belgas, a Dinamarca foi competente e competitiva até ao apito final. De hoje para amanhã (00:00) os dinamarqueses vão defrontar a Rússia, outra selecção convicta da sua competência. Os pupilos do seleccionador da Dinamarca, Kasper Hjulmand, completarão os três jogos em Copenhaga, trazendo desta maneira uma ligeira vantagem para o confronto frente à equipa treinada por Stanislav Cherchesov. A Rússia demonstrou muito mais na vitória frente à Finlândia (1-0) do que tinha mostrado quando foi goleada frente à Bélgica (3-0), estando a chave desse triunfo nos pés de Aleksey Miran-
chuk, médio da Atalanta, que além de marcar o golo da vitória fez uma exibição de encher o olho. Do lado dinamarquês desponta Yussuf Poulsen. Frente à Bélgica, o avançado do RB Leipzig foi uma dor de cabeça para a defesa liderada por Jan Vertonghen, tendo marcado o primeiro e único golo da Dinamarca neste Euro. Pierre-Emile Højbjerg, médio do Tottenham, coroou um bom desempenho com a assistência para o golo nórdico. Há ainda Simon Kjær e Martin Braithwaite na equipa de Hjulmand, jogadores com habilidade suficiente para vencer uma partida. Do lado russo, os desempenhos de Miranchuk, Aleksandr Golovin e Igor Diveev frente aos finlandeses pintam um ataque robusto e solidez defensiva. Os treinadores de ambas as equipas, acreditam que a chave da vitória está na capacidade de trabalho. Para Cherchesov, o factor casa dos dinamarqueses não incomoda. “Este vai ser o nosso primeiro jogo fora em dois torneios seguidos e sem os nossos adeptos. No entanto, isso não é um problema. Não usámos a palavra ‘problema’ nos últimos cinco anos. É apenas uma
Os diabos vermelhos têm a melhor geração de jogadores de que há memória. Apenas 5 dos 26 jogadores convocados por Roberto Martínez jogam fora dos 5 principais campeonatos da Europa
contingência e sabemos como lidar com ela.”. Já o seleccionador da Dinamarca acredita na dificuldade da tarefa pela frente. “Aconteça o que acontecer, vamos tentar ganhar o jogo. Vai ser um duelo incrivelmente difícil frente à Rússia. Eles têm uma boa equipa. Não temos de forçar nada.” rematou o seleccionador da Dinamarca.
Produto do talento
A Finlândia tem pela frente jogadores como Romelu Lukaku, Eden Hazard e o regressado Kevin De Bruyne, que no jogo frente à Dinamarca marcou e fez uma assistência, trunfos que vai tentar contrariar com a vontade de disfrutar o último jogo da fase de grupos. “Criámos mais contra a Rússia, mas o último passe ainda não foi o ideal. Precisamos de melhorar este aspecto. Os jogadores estão bem-dispostos e faremos tudo para tirar proveito do último jogo da fase de grupos. Todos conhecemos a qualidade da selecção belga e estamos bem cientes de que vamos ter uma tarefa difícil.” sublinhou o seleccionador da Finlândia, Markku Kanerva. Do lado da equipa orientada por Roberto Martínez a conquista do Grupo B é um objectivo mínimo, com as ambições dos belgas a estar na conquista do troféu de campeão europeu devido à aglomeração de tantos jogadores acima da média. Com o favoritismo em mente, a Bélgica não deverá olhar para o jogo com a Finlândia como um mero amigável. O objectivo belga passa por assegurar a conquista do grupo o mais depressa possível para o foco se alargar para a final, onde uma equipa como a Bélgica pertence.
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AS CONTAS QUE VÃO DEFINIR O GRUPO D
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no Grupo D do Euro 2020 que reside a maior esperança futebolística. A selecção de Inglaterra, com todo o aparelho mediático desportivo implícito, tem a distinta tarefa de validar todos os elogios direccionados à equipa de Gareth Southgate. Luka Modrić, médio croata, já tinha deixado claro estes sentimentos quando referiu que a arrogância dos ingleses provinha dos seus jornalistas e comentadores, inflacionando as capacidades colectivas e individuais das tropas de Sua Majestade. A equipa de Southgate não tem estado ao melhor nível e jogadores como Jack Grealish têm ficado de fora do onze inicial. O jogador do Aston Villa em apenas 20 minutos de jogo contra a Escócia sofreu quatro faltas - o recorde de maior número de faltas sofridas por um suplente num Euro pertence a Éder, que frente a França em 2016 sofreu cinco. O nível exibicional tem sido fraco e não há jogadores a destacar-se. O empate contra a Escócia (0-0) com poucas oportunidades de golo deu azo à urgência inglesa de acabar com esta fase menos positiva. Pela frente está a República Checa que tem no seu plantel um dos melhores marcadores do torneio, Patrik Schick. Os checos têm uma selecção que gira à volta do atacante do Bayer Leverkusen, muito devido à sua qualidade e características físicas notáveis. Além de Schick há jogadores como Tomáš Souček e Vladimir Coufal, ambos representam o West Ham e trazem para a equipa uma dinâmica mais combativa e defensiva. O jogo será apitado pelo português Artur Soares Dias. Na outra partida do Grupo D, defrontam-se Escócia e Croácia. Modrić tem carregado a selecção de Zlatko Dalić nas suas costas, não se esperando nada de diferente frente a uma selecção escocesa que com bola não é perigosa e sem ela tem algumas limitações.
10 eventos
22.6.2021 terça-feira
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AFA EXPOSIÇÃO A SOLO DE LEI CHEK ON ARRANCA NA QUINTA-FEIRA
No mundo das memórias Lei Chek On expõe pela primeira vez a solo na Art For All Society, numa mostra que reúne obras abstractas que passam os seus pontos de vista, traçam representações do espaço e tecem sátira social. “Implicit Memory – Works by Lei Chek On” vai estar patente entre 25 de Junho e 22 de Julho
“Lei utiliza duas representações de pedaços de carne de ‘porco’ para satirizar o destino trágico de quem tem como únicos objectivos de vida comida e moda, sem outras considerações sobre o que significa verdadeiramente ser feliz.”
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Art For All Society (AFA) acolhe a partir desta quinta-feira a primeira exposição a solo do artista local Lei Chek On. A inauguração de “Implicit Memory – Works by Lei Chek On”, que integra uma série de exposições de jovens artistas. A inauguração está marcada para as 18h30. Em comunicado, a AFA descreve que Lei faz uso da arte para representar o mundo, e que “a simplicidade das suas pinturas abstratas é notável e impressionante”. Amostra reúne um conjunto de escultura e pinturas a óleo. “No seu percurso artístico, Lei considera a relação entre a visão da vida e valores universais. Há uma série de trabalhos na exposição sobre vários assuntos actuais. O artista usa temas sociais como base e aplica técnicas implícitas e abstractas para narrar o seu ponto de vista. Na sua primeira exposição a solo, o ‘mundo’ de Lei Chek On parece ter evoluído de uma paisagem na terra para um universo mais vasto”, descreve a nota. O nome da exposição está relacionado com o processo criativo do artista, que a curadora associa à memória implícita, presente em actividades como andar de
universais”, descreveu Alice Kok ao HM. Destaque também para um trabalho constituído por duas esculturas de pedra que se assemelham a nacos de carne de porco, com os nomes “Iok Iok” e “Tun Tun”. De acordo com a curadora, os títulos referem-se a alcunhas dadas a pessoas de Macau. Na página electrónica daAFA, Alice Kok descreve que “Lei utiliza estas duas representações de pedaços de carne de ‘porco’ para satirizar o destino trágico de quem tem como únicos objectivos de vida comida e moda, sem outras considerações sobre o que significa verdadeiramente ser feliz’’.
ALICE KOK CURADORA
bicicleta ou tocar um instrumento musical. Alice Kok explicou que quando Lei Chek On pinta, entra num estado em que se dissocia dele próprio, “quase como um transe”. Algumas pinturas estão relacionadas com o espaço. “Não consigo deixar de imaginar se o mundo interior que Lei vê é originado de vidas passadas, que não foram necessariamente na Terra, mas num canto mais distante do universo”, escreveu a curadora num texto publicado na página electrónica da AFA. Lei Chek On nasceu em Guangdong em 1994, mudou-se para Macau em 2013 e completou a licenciatura em escultura em 2017. A exposição estará aberta
ao público de 25 de Junho a 22 de Julho, nas instalações da AFA no Art Garden, na Avenida Rodrigo Rodrigues.
Ironia social
Além das pinturas mais abstractas, a curadora indica que Lei Chek On também apresenta trabalhos mais “socialmente identificáveis”, por exemplo sobre o desenvolvimento de Macau. Entre eles uma obra intitulada “Golden Avenue”, pintada num mapa da zona A da Nova Zona Urbana de Macau. “Há outra pintura chamada ‘No Man's Land’em que retratou fotografias antigas da Estátua da Liberdade, inspirado em preocupações sociais relacionadas com valores
“Ele também tem algumas séries mais relacionadas com o tecido social. Como por exemplo uma pintura abstracta chamada ‘Weaving Voices’, onde usa diferentes cores. Como sabemos, recentemente, em Hong Kong, Macau e até Taiwan, usamos cores para representar diferentes tipos de vozes e opiniões”, indicou ao HM. O artista usa estas cores na tela, usando tinta semitransparente para as sobrepor, mas onde a cor de fundo continua a revelar-se. “Cria uma imagem abstracta que aos meus olhos parece um pouco os aglomerados de habitação pública em Hong Kong”, nota Alice Kok. As ideias do artista são representadas através de meios abstractos, de forma implícita. “Ele não é uma pessoa muito expansiva, mesmo no seu trabalho não é assim. Então usa a sua expressão artística para revelar o que lhe é importante”, explicou a curadora. Salomé Fernandes
Em tons de bronze
“TeamLab SuperNature Macao” ganha prémio de inovação
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“TeamLab SuperNature Macao”, no Venetian, recebeu um prémio de bronze na categoria de ‘Inovação em Eventos de Entretenimento’, nos Asia-Pacific Stevie Awards, comunicou a Sands. A cerimónia de entrega dos prémios vai decorrer online, dia 14 de Julho. Esta experiência decorre num espaço interactivo tridimensional que se estende por cinco mil metros quadrados. Os visitantes têm a oportunidade de mudar a natureza dos trabalhos artísticos em tempo real, através de interação sinergética. “As obras de arte não são imagens pré-gravadas, mas criadas por um programa de computador que as processa e reconfigura continuamente com base no envolvimento humano”, descreve a operadora de jogo, observando que os momentos visuais não conseguem ser replicados. “O teamLab SuperNature Macao representa uma nova referência tecnológica em entretenimento onde cada participante pode desfrutar de uma experiência totalmente única. Essas instalações notáveis permitem que os visitantes explorem novas percepções do mundo e da relação entre os humanos, a natureza e a tecnologia”, disse Sean McCreery, Vice-Presidente Sénior das Operações de Resort, Sands China Ltd, citado em comunicado.
Quebrar limites
O representante indicou ainda que o reconhecimento atribuído pelos Stevie Awards “é muito gratificante” e um incentivo para “continuar a expandir os limites no entretenimento e recreação”. Na mesma categoria foram também premiadas outras iniciativas com prémio bronze: o espectáculo “Water of Stars Water Music Fountain” e a campanha “3 Hong Kong X Hong Kong Chinese Orchestra”, de Hong Kong, bem como a iniciativa “Tencent DNF Carnival 2018”, de Pequim. A Sands relata que nas diversas categorias foram analisadas mais de 900 nomeações de diferentes entidades da região, com a atribuição dos prémios a ser determinada por pontuações de mais de 100 executivos que actuaram como jurados.
terça-feira 22.6.2021
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jornal Apple Daily, em Hong Kong, indicou ontem que não consegue pagar os salários dos jornalistas, depois dos bens do grupo terem sido congelados, o que poderá levar ao encerramento. O proprietário do jornal, Jimmy Lai, está a cumprir actualmente uma pena de vários meses de prisão por instigação aos protestos de 2019 e enfrenta ainda acusações por "conluio com forças estrangeiras", por defender sanções contra dirigentes de Pequim e de Hong Kong. "O nosso problema não é falta de fundos, temos 50 milhões de dólares no banco", explicou à cadeia de televisão CNN um conselheiro de Lai a viver no estrangeiro, Mark Simon. "O nosso problema é que o secretário responsável pela Segurança e a Polícia não nos deixa pagar aos jornalistas (...), ao pessoal (...) e fornecedores. Bloquearam as nossas contas", disse. O congelamento dos bens foi ordenado em 17 de Junho, horas depois de a polícia ter efectuado buscas ao jornal e detido cinco pessoas. Dezoito milhões de dólares de Hong Kong de bens detidos pelo jornal foram congelados ao abrigo da Lei de Segurança Nacional. Dois responsáveis do Apple Daily, Ryan Law e Cheung Kim-hung, este último também director-geral da empresa-mãe do diário Next Digital, foram detidos e acusados de "conspirar com forças estrangeiras", ao abrigo da lei de segurança nacional. Três outros responsáveis do jornal foram, entretanto, postos em liberdade sob caução. De acordo com a polícia local, o Apple Daily publicou "dezenas de artigos", entre os quais uma coluna de opinião assinada pelo proprietário do jornal, uma das figuras mais conhecidas da oposição pró-democracia de Hong Kong, que provariam que o diário conspirou com forças ou elementos estrangeiros. Organizações não governamentais internacionais como a Amnistia Internacional consideraram rusgas e detenções como um "novo ataque à liberdade de imprensa" na antiga colónia britânica, mas as autoridades locais alegaram que a operação é parte de um "caso de conspiração" e não está relacionada "com o trabalho dos meios de comunicação ou dos jornalistas".
HONG KONG APPLE DAILY NÃO CONSEGUE PAGAR SALÁRIOS
Dentada na maçã
cerrada, pelo menos suspensa para cooperar com a aplicação da lei", disse Lawrence Tang, membro da Associação Chinesa de Estudos de Hong Kong e Macau, no domingo. De acordo com o artigo 31 da lei de segurança nacional de Hong Kong, um organismo incorporado ou não incorporado, como uma empresa ou uma organização que cometa uma infracção nos termos da lei, será multado, e o funcionamento da empresa ou organização será suspenso ou a sua licença ou licença de negócio será revogada se o organismo tiver sido punido por cometer uma infracção nos termos da lei. "Há fortes indícios de que dezenas de artigos publicados pelo Apple Daily desde 2019 desempenharam um papel crucial na conspiração que forneceu munições a países e instituições ou organizações estrangeiras para impor sanções à China e à região de Hong Kong", disse o Superintendente Sénior da polícia de Hong Kong, Steve Li Kwai-wah, aos repórteres após as detenções de quinta-feira.
Acusações de conluio
“O trabalho jornalístico normal é realizado com liberdade e respeito pela lei em Hong Kong”, disse o secretário da Segurança, John Lee, que deixou um aviso aos jornalistas locais. “Façam o vosso trabalho jornalístico com a liberdade que desejarem, de acordo com a lei e assumindo que não conspiram ou têm a intenção de violar a lei de Hong Kong, muito menos a lei de segurança nacional", disse.
Jornal poderá ser encerrado
Alguns advogados e peritos jurídicos em Hong Kong consideram a suspensão da operação do jornal e um encerramento completo como "uma medida legítima e necessária dada a sua má conduta por suspeita de violação da lei de segurança nacional". "A intenção do jornal é desafiar a lei de segurança nacional usando a 'liberdade de expressão' como
'escudo', mas nenhum direito ou liberdade, incluindo o de imprensa, pode atravessar a linha da segurança nacional", disseram alguns peritos jurídicos que consideram ser a altura de encerrar o Apple Daily, pois "em vez de ser um meio de comunicação social, o jornal tornou-se uma ferramenta anti-governamental radical na divulgação de mentiras e ódio, ao fazer reivindicações atraentes e sediciosas com preconceitos para atingir objectivos políticos, e não abandonou as suas tentativas de conluio com forças estrangeiras desde que a lei de segurança nacional de Hong Kong entrou em vigor". "O que o Apple Daily fez é absolutamente claro: o jornal toma a lei de segurança nacional como nada e continua a violá-la, indo muito além dos padrões éticos e jornalísticos", disse Louis Chen,
1 de Julho Frente Civil dos Direitos Humanos cancela protesto A Frente Civil dos Direitos Humanos (CHRF) de Hong Kong cancelou, pela primeira vez em 18 anos, a manifestação de 1 de julho, data da transferência da soberania do território do Reino Unido para a China, em 1997. Esta é a primeira vez, desde do início das manifestações, em 2003, que o evento não se vai realizar, devido a “dificuldades
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administrativas e à atmosfera política na cidade”, disse um dos responsáveis da CHRF (sigla em inglês), citado pelo portal ‘online’ Hong Kong Free Press. Chung Chung-fai afirmou que as dificuldades enfrentadas pela organização, com alguns dos membros presos pela participação em manifestações não autorizadas pela polícia, e a certeza de que o
protesto não teria a aprovação das autoridades levaram ao cancelamento. Chung acrescentou que a plataforma pró-democracia, que inclui várias organizações, vai analisar em setembro, durante uma reunião geral, a dissolução, ou não, das atividades, já que perdeu força com a saída de alguns dos membros, devido à situação política na cidade.
secretário-geral da Hong Kong Legal Exchange Foundation. "Há toneladas de provas que mostram o Apple Daily a conspirar com forças estrangeiras e a instigar à sedição, quer se trate da conversa ao vivo de Lai a pedir ajuda às forças ocidentais ou de alegações publicadas do chamado apoio de políticos ocidentais, todos eles suspeitos de violar a lei", disse Chen, observando que as autoridades devem impedir a publicação do jornal. Outro jornal de Hong Kong, o Oriental Daily, noticiou no domingo que desde que pelo menos 10 quadros superiores do seu sector editorial desistiram, o que tem dificultado o seu funcionamento. "O caso envolve o chefe e os seus quadros superiores, o que torna toda a empresa uma plataforma suspeita de pôr em perigo a segurança nacional, que deveria ser en-
O antigo chefe executivo do governo da RAEHK, Leung Chun-ying, publicou várias vezes no seu próprio Facebook, questionando o papel legítimo do Apple Daily como meio de comunicação social quando publicou anteriormente os slogans dos protestos anti-governamentais e quando alguns fundos de caridade relacionados com o jornal subvencionaram os tumultos em 2019. Na sequência das últimas detenções e operações policiais, o Apple Daily publicou uma carta aos seus leitores dizendo que o seu pessoal se manteria fiel ao seu trabalho, o que Leung chamou de "vergonha até ao fim, vergonha de Hong Kong e vergonha dos meios de comunicação globais". Entre três directores independentes não executivos, Louis Gordon Crovitz é americano e a sua esposa Minky Worden, que trabalha para a Human Rights Watch, tem "apelado constantemente para que a comunidade internacional pressione a China e ataque o país sobre as suas políticas de Xinjiang e Hong Kong, bem como apelando a um boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno na China", disse Leung num post, perguntando "quem mais se pode comparar ao Apple Daily sobre conluio com forças externas?
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cartografias
ANABELA CANAS
J. é do bairro. Na verdade é de África mas sabe-se lá quanto de uma pessoa pertence ao passado e quanto pertence ao futuro. O presente é estranho. Um homem quase menino, espigado e magro como um cálamo e quase a intuir-se-lhe esse pequeno passo que o separa, como um vime, de quebrar. O presente em que se apresenta sinuoso um e o outro. Quanto daquele corpo se formou e desapareceu desde que foi um atleta vocacionado e prometedor. Futebolista daqueles em que há como uma inteligência rápida a mobilizar os reflexos psicomotores como se uma estratégia estudada guiasse no momento certo um movimento instantâneo, uma resposta, um salto sobre o espaço que medeia a corrida e a bola - a abordagem e o domínio - e o objectivo. Um mapa prévio ao disparo. Um animal felino, atendendo às proporções, mas de que a massa muscular desapareceu. O álcool, dizem no bairro, mas já não. Drogas. Talvez. Mas uns dias sim e outros não. E uns dizem que sim e outros que não. É misterioso e sem norte, o que sempre dá trabalho à imaginação. Trabalha focado. Dilacerado por uma história de insucesso do passado. Pai militar que lhe exigia. Regras. Levantar-se de madrugada porque sim. Um dia o fascínio da dança. Algo nele suspeito de feminino. Mas a dança não seria sintoma sério. Nem a doença, doença. Não podia ser. Não entendi bem a cronologia da rejeição. Algo organiza a dança antes ou depois do futebol. E as drogas antes ou depois do álcool. E expulso de casa. Como pode ser casa de quem é a casa e haver um vómito. Uma autoridade, uma prepotência. Pais donos de filhos e donos de casa e se uns não estão em sintonia com outros, pais que se demitem violentamente de ter decidido um dia dar ao mundo alguém que não pediu para nascer. Mas algo nele adora esse pai de antes ou de depois, como se pode adorar - mesmo assim - quem faz mal. E espera. Talvez. J. é uma sombra desse atleta pujante e tridimensional. Sobra-lhe a altura mas quebrada de uma certa inclinação com que se mexe, como a tentar não ocupar todo o espaço que a fita métrica lhe admitiria. Oferece trabalho nas obras. Asseado. Com a força incontestável do
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Do bairro ANABELA CANAS
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desespero que não pergunta, simplesmente lhe diz: pega. Meticuloso. Uns dias, sim. Outros, desaparecido e triste. Não, triste é o olhar todos os dias. Do passado chega ao presente e sem apelo, a adoração por esse pai longínquo que expulsou de casa. Militar. Dono da bola. Como aqueles meninos nos recreios e que negam aos outros o direito de brincar, somente porque podem. Sobra o presente. Onde não se consegue imaginar a cartografia da memória. A distância de casa. A casa limpa e arrumada, que não paga há dois anos. Custo a ler o mapa em que se desenha este bairro
e a dança e o futebol e o tempo vindouro. Se há. A relação com esta rua. A irrequietude com que aparece e desaparece na obra. O olhar que não se prende, talvez sempre presa de outras miragens passadas ou futuras. Aceita um bolo e sem olhar e já lá não está. Arrepia-me pensar que alguém não come o suficiente. J. É do bairro. Todos o conhecem. Resta saber de onde se sente. J. De cá ou de lá. Preso de um desejo de reparação ou de um desapontamento sobre o que poderia ter tido em troca, mas não houve. Mais esguio do que uma sombra. Persigo-o com os olhos
“TRABALHA FOCADO. DILACERADO POR UMA HISTÓRIA DE INSUCESSO DO PASSADO. PAI MILITAR QUE LHE EXIGIA. REGRAS. LEVANTAR-SE DE MADRUGADA PORQUE SIM. UM DIA O FASCÍNIO DA DANÇA. ALGO NELE SUSPEITO DE FEMININO. MAS A DANÇA NÃO SERIA SINTOMA SÉRIO.”
à espera de comprovar se faz ou não sombra nas paredes ao longo das quais se esgueira entre tarefas. Sombrio ele. Mas sem espaço. Quando a obra terminar. Faz-me lembrar furtivamente as esculturas de Giacometti. O homem que caminha. Mas este, se bem que igualmente fino, furtivo. Com uma qualidade de rapidez e aleatoriedade, que mais nos traz a noção de que há uma mente a determinar, não a caminhada em frente, persistente e imparável, mas a qualidade do movimento rápido, com que se esgueira, esquivo. Está e deixa de estar. É rápido. Uma espécie de felino na floresta urbana. Escuro como uma pantera e sem rasto. Como se algo, à partida, o tivesse apagado. Mas é do bairro. Como a senhora que ia ao pão com o cãozito pela trela. E roupão turquesa. Gosto deste bairro vindo da idade média e de pessoas que vêm de tão longe como de lá e como eu.
terça-feira 22.6.2021
uma asa no além
PAULO JOSÉ MIRANDA
Veja-se como o narrador pressente que pode haver outro modo de viver que mais se adeque a si, quando começa a relação com Anna: «Estar tão próximo de uma outra vida que acontecia noutro lugar, um ambiente tão diferente, era como se estivesse a viver uma vida dupla. Esse era, talvez, o tipo de vida dupla de que precisava, sem me aperceber. / (Sempre tive a sensação de que todas as soluções se encontravam algures entre a minha vida e uma outra.)» (72-3) E estas palavras a seguir: «Mas os olhos dela faziam-me lembrar algo. Pura e simplesmente, acordavam-me para a vida. / Davam-me a sensação de que existia uma coisa muito importante que tinha sempre descurado.» O que o narrador nos diz, e que tomou consciência naquele momento, é que descurou a sua própria existência, ao deixar que pensassem por ele e, desse modo, fazendo com que ele agisse pelos outros. Ele toma consciência de que a vida como a vivemos está errada. Por fim, quase no final deste capítulo «Casamento», escreve: «Uma utopia, pensei eu. Uma utopia tornada realidade. / Sempre o pressenti. Nada nos impede, afinal de contas, de viver fora das regras. E pensar que nunca tinha percebido isto!» (78) Nem ele, nem nós. De qualquer modo, um casamento acaba sempre por encontrar as suas próprias leis. Veja-se como o narrador descreve o seu: «Saber mais do que os outros era uma maneira de ficarmos ligados um ao outro. // E nós estávamos ligados: sem sentimentalismo, sem grande sensualidade, mas de um modo confortável. Sentíamo-nos como dois solitários que se tinham encontrado e que, por causa dessa solidão, tinham algo em comum e deixavam de ser solitários. Mantermo-nos juntos, a Margareth e eu, era uma forma de dizer.» (63) Outro modo substancial de nos pôr a ver o mundo como usualmente não vemos prende-se com a aquilo que escreve acerca das abelhas. Leia-se: «A morte de um enxame sente-se quase como a morte de um animal. É uma entidade que deixará saudades, como se fosse um cão, ou, pelo menos, um gato. // Mas a morte de uma abelha deixanos completamente indiferentes. Deitamo-la no lixo, e já está.» (19) Esta passagem é absolutamente estonteante. Gustaffson mostra-nos aqui duas coisas extraordinárias e distintas. Primeiro, não é que nas abelhas o colectivo é que importa e não
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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«A morte de um apicultor» (3)
o individual, mas como isso nos faz pensar imediatamente no ser humano. Ele não fala do humano, mas obriga-nos a pensar nele, ao descrever tão clara e categoricamente a distinção entre colectivo e individual, entre enxame e abelha. Aliás, mais tarde, no segundo capítulo, escreverá: «(“A mim próprio”, “eu próprio”: hoje em dia. Acho esta expressão absurda. Não tem conteúdo. Mas não consigo explicar bem.)» Este não consigo explicar é fundamental ao longo do livro. Nós não conseguimos explicar bem as coisas, não só aquilo que está fora de nós, mas também aquilo que está em nós. Por conseguinte, por que carga de água um romance teria de ser capaz de explicar? O que melhor pode fazer é mostrar, no sentido de Wittgenstein, na célebre distinção entre mostrar e dizer. Escreve o filósofo que nós podemos dizer aquilo que pode ser explicado, aquilo que pode ser colocado em uma proposição lógica. O que não pode ser colocado em uma proposição lógica deve ser mantido calado, em silêncio. Ou então, mostrar. Mostrar é a função
da arte. Através da arte podemos mostrar o que nos acontece, mas através da lógica, não. Seja como for, naquela distinção entre enxame e abelha e mais tarde a incompreensão do «eu próprio», Gustaffson faz-nos pensar em tudo isto. Em tudo isto e muito mais que não consigo explicar bem. Depois, e ainda em relação à passagem do enxame e da abelha, Gustaffson liga claramente a nossa indiferença à falta de comunicação, que não tem necessariamente de ser por palavras, evidentemente. É este o sentido daquela comparação do enxame, muito acima da abelha, «como se fosse um cão, ou, pelo menos, um gato.» A hierarquia fica claramente estabelecida: um cão acima do gato; o gato está mais próximo da abelha do que um cão o está. Porquê? Segundo este modo de nos fazer pensar, de Gustaffson, porque um gato fechase em si de tal modo que mais se assemelha a uma abelha e não a um enxame. O gato não comunica, ou, pelo menos, não comunica directamente connosco como o faz um cão. O cão assemelha-se mais ao
“REPARE-SE QUE A COMUNICAÇÃO É SEMPRE VISTA DO PONTO DE VISTA DO HUMANO, NÃO DO ANIMAL OU ANIMAIS. POR ISSO, TAMBÉM O ENXAME GANHA A NOSSA SIMPATIA, A ABELHA NÃO. «HÁ ENXAMES COM UMA PERSONALIDADE TREMENDA», ESCREVE O NARRADOR.”
enxame, subentende-se, pensa-se, devido à sua predisposição para comunicar connosco. Repare-se que a comunicação é sempre vista do ponto de vista do humano, não do animal ou animais. Por isso, também o enxame ganha a nossa simpatia, a abelha não. «Há enxames com uma personalidade tremenda», escreve o narrador. Por fim, gostava de abordar o capítulo IV, «Interlúdio». Neste capítulo são inúmeras as perplexidades que o autor nos causa. Enumeremo-las: a dificuldade de lidar com a esperança quando depostos na dor; a noção de que o paraíso é um lugar de que somos expulsos, isto é, tal como Adão e Eva não se davam conta de que viviam no Paraíso até serem expulsos, também nós só nos damos conta de termos sido expulsos do paraíso quando começam as dores; a vida não tem saída; mostra-nos a inutilidade das listas, quer seja acerca do que é melhor dentro de uma arte quanto nas diversas artes, através de uma lista completamente aleatória da ordem de importância das artes; por fim, o planeta nº3 do sistema nº 13 de Aldebarã, onde não é possível mentir. Esta passagem tem ligação directa com a quarta parte de As Viagens de Gulliver, como é evidente, embora esta passagem de Gustaffson seja muito rudimentar se em comparação com o capítulo de Swift. Aliás, paira sobre todo o livro de Gustaffson a sombra desse livro de Swift. De qualquer modo, gostava de salientar a dificuldade pragmática que seria a vida com a inexistência de símbolos. Por exemplo, é bom não esquecer que um dos factores para o desenvolvimento da filosofia na Magna Grécia, além da língua comum e de um sistema de mitos comuns, foi a invenção da moeda. Com moedas, as pessoas passaram a viajar mais e com isso a trocar mais ideias, já não precisavam de levar aquilo que tinham de comer, podia trocar a comida por dinheiro. Agora expanda-se isto até aos sinais de direcção, o que quer que seja. O narrador diz-nos mesmo que nesse planeta não era possível a astronomia. O que aqui está em causa é mostrar-nos que, talvez mais do que os sentimentos, a abstracção define o humano. Sem abstracção não havia ser humano. A linguagem é a abstracção maior, porque permite que uma dor seja enunciada, isto é, que aquilo que se sente seja enunciado. (Continua na próxima semana)
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3 2 7 8 4 1 6 4 1 6 8 5 9 6 2 5 7 2 3 [8f]utilidades 7 6 4 9 5 2 1 3 14 4 9 5 2 4 2 1 7 1 3 6 3 6 2 1 3 4 5 8 9 4 3 6 5 8 3 7 4 9 1 8 4 7 9 5 1 2 3 7 T E M4P O N U B L A D O 2 7 3 4 9 6 5 8 2 5 9 1 7 51 2
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UM52 FILME HOJE 9 7 6 5 3 2 8 1 3 6 9 4 “Uncut Gems” é um grande filme, apesar 4 5de ter2 Adam 7 Sandler 1 8 como protagonista, actor com 2 8 1envenenada 9 4 por 5 uma filmografia comédias românticas, com uma 3 6 4 8 7 1ou outra excepção. “Uncut Gems” é um thriller 5 de 9 cortar 7 a3respiração, 2 6 negro, com uma narrativa aluci7 4seguindo 5 1a montanha 8 3 nante, veloz russa que é a vida de Howard 6 3 8 2 5 Rat9 ner, um joalheiro viciado em apostas. Visualmente, 1 2 9o filme 4 é6escuro, 7
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1 8 7 2 7 5 1 9 2 9 6 4 4 8 2 5 6 www.hojemacau.com.mo 4 5 3 5 9 8 2 3 2 1 6 2 1 4 3 4 7 8 9 6 7 3 1 8 5 2 7 3 6 7 4 7 3 4 1 1 4 5 6 HUM 75-98% • ´ EURO 5 6 9 8 8 2 9 7
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com grão a dar ares de anos 70, ao ponto de tornar desconfortável ver o 54 protagonista à luz do dia. O optimismo alucinado de Ratner, sempre5à beira 2 1do precipício, 3 9 4é exasperante, mas profundamente 4e merecedor 8 6 5de empatia. 7 1 humano Um enorme 7 9 filme 3 e2o papel 8 6da vida de Sandler. Disponível no Netflix.3 João 6 Luz 2 1 5 7
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Um filme de: Roseanne Liang Com: Chloe Grace Moretz, Nick Robinson Beulah Koale 14.30, 16.30, 21.30 FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Craig Gillespie Com: Emma Stone, Emma Thompson 19.00
terça-feira 22.6.2021
opinião 15
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Pepe Escobar in Resistir
G7: UMA PROCURA DESESPERADA POR RELEVÂNCIA O PRÓXIMO G7 na Cornualha à primeira vista pode ser encarado como o estranho encontro da “América está de volta” (“America is Back”) com a “Global Britain”. Contudo, o grande quadro é muito mais delicado. Três cimeiras seguidas – G7, NATO e EUA-UE – estarão a abrir caminho para um muito aguardado drama de suspense: a cimeira Putin-Biden em Genebra – a qual certamente não será uma reinicialização. Os interesses que controlam por trás o holograma que dá pelo nome de “Joe Biden” têm uma agenda claramente abrangente: arregimentar democracias industrializadas – especialmente as da Europa – e mantê-las coesas a fim de combater ameaças “autoritárias” à segurança nacional dos EUA, a “maligna” Rússia e a China. É como um regresso àqueles dias tão estáveis da Guerra Fria dos anos 70, completos com James Bond a combater demónios estrangeiros e a subversão comunista do Deep Purple. Bem, os tempos em estão mudados. A China está consciente de que agora o Sul Global “representa quase dois terços da economia global a comparação com um terço do Ocidente: na década de 1970, era exactamente o oposto”. Para o Sul Global – ou seja, a esmagadora maioria do planeta – o G7 é em grande medida irrelevante. O que importa é o G20. A China, a superpotência económica em ascensão, provém do Sul Global e é líder no G20. Por todos os seus problemas internos, os actores da UE no G7 – Alemanha, França e Itália – não podem dar-se ao luxo de antagonizar Pequim em termos económicos, comerciais e de investimento. Um G7 reinicializado como uma cruzada sinofóbica não terá compradores. Incluindo o Japão e convidados especiais na Cornualha: a potência tecnológica da Coreia do Sul, a Índia e a África do Sul (ambos membros dos BRICS), apresentaram a cenoura suspensa de uma possível adesão ampliada. A ofensiva de relações públicas de Washington resume-se a vender-se como o primus inter pares do Ocidente, como um líder global revitalizado. A razão pela qual o Sul Global não compra isso pode ser observada, graficamente, pelo que aconteceu durante os últimos oito anos. O G7 – e especialmente os americanos – simplesmente não conseguiu responder à ampla estratégia de comércio/ desenvolvimento pan-euro-asiático da China, a Belt and Road Initiative (BRI). A “estratégia” americana até agora – demonização constante do BRI como uma “armadilha da dívida” e uma máquina de “trabalho forçado” – não teve êxito. Agora, demasiado pouco e demasiado tarde, surge um esquema do G7, envolvendo “parceiros” como a Índia, para “apoiar”, pelo menos em teoria, vagos “projectos de alta qualidade” por todo o Sul Global: é a Iniciativa Verde
Limpo (Clean Green Initiative), centrada no desenvolvimento sustentável e na transição verde, a ser discutida tanto nas cimeiras do G7 como nas cimeiras EUA-UE. Em comparação com a BRI, a Clean Green Initiative dificilmente se qualifica como uma estratégia geopolítica e geoeconómica coerente. A BRI foi endossada e participada por mais de 150 estados-nação e organismos internacionais – e isso inclui mais da metade dos 27 membros da UE. Os factos no terreno contam a história. A China e a ASEAN estão prestes a fechar um acordo de “parceria estratégica abrangente”. O comércio entre a China e os países europeus do centro e do leste (CCEC), também conhecidos como o grupo 17+1, incluindo 12 países da UE, continua a aumentar. A Estrada da Seda Digital, a Estrada da Sede da Saúde e a Estrada da Seda Polar continuam a avançar. Assim, o que resta é um estridente ronco ocidental sobre vagos investimentos em tecnologia digital – talvez financiados pelo Banco Europeu de Investimento, sediado no Luxemburgo – a fim de extirpar o “alcance autoritário” da China por todo o Sul Global. A cimeira UE-EUA pode estar a lançar um “Conselho de Comércio e Tecnologia” para coordenar políticas sobre 5G, semicondutores, cadeias de fornecimento, controlos de exportação e regras e normas tecnológicas. Um lembrete gentil: a UE e os EUA simplesmente não controlam este ambiente complexo. Eles precisam muito da Coreia do Sul, de Formosa e do Japão. Espere um minuto, sr. Cobrador de impostos Para ser justo, o G7 pode ter prestado um serviço público a todo o mundo quando os seus ministros das Finanças fizeram um alegado acordo “histórico” no sábado passado em Londres sobre um imposto global mínimo de 15% sobre as empresas multinacionais
(MNCs). O triunfalismo estava a funcionar – com infindáveis elogios à “justiça” e à “solidariedade fiscal” aliados a notícias realmente más para variados paraísos fiscais. Bem, isso é ligeiramente mais complicado. Este imposto foi discutido aos mais altos níveis da OCDE, em Paris, durante mais de uma década – especialmente porque estados-nação estão a perder pelo menos US$427 mil milhões por ano em evasões fiscais das multinacionais e multi-milionários variados. Em termos do cenário europeu isso nem mesmo chega à perda de IVA por fraude – algo alegremente praticado pela Amazon, dentre outros. Por isso, não é de admirar que os ministros das Finanças do G7 tivessem os US$1,6 milhão de milhões (trillion) da Amazon quase na sua mira. A divisão de computação em nuvem da Amazon deveria ser tratada como uma entidade separada. Neste caso, o grupo mega-tecnologia terá de pagar mais impostos corporativos em alguns dos seus maiores mercados europeus – Alemanha, França, Itália, Reino Unido – se o imposto global de 15% for ratificado. Portanto, sim, trata-se sobretudo da Big Tech – peritos em fraude fiscal e em lucrar com paraísos fiscais localizados mesmo dentro da Europa, tais como a Irlanda e o Luxemburgo. A forma como a UE foi construída permitiu que a concorrência fiscal entre os estados-nação se instalasse. Discutir isto abertamente em Bruxelas continua a ser um tabu virtual. Na lista oficial da UE de paraísos fiscais, não se encontra o Luxemburgo, os Países Baixos ou Malta. Poderia tudo isto ser apenas um golpe de RP? É possível. O grande problema é que no Conselho Europeu – onde governos dos estados-membro da UE discutem as suas questões – eles têm estado a arras-
tar os pés durante um longo tempo e o destino delegou tudo isso para a OCDE. Tal como estão as coisas, pormenores sobre o imposto de 15% ainda são vagos – mesmo que o governo dos EUA se prepara para tornar-se o grande vencedor, porque as suas MNCs deslocaram lucros maciços por todo o planeta a fim de evitar os impostos corporativos dos EUA. Sem mencionar que ninguém sabe se, quando e como o acordo será globalmente aceite e implementado: isso será uma tarefa de Sísifo. Pelo menos será discutido, novamente, no G20 em Veneza, em Julho. O que quer a Alemanha Sem a Alemanha não haveria qualquer avanço real no Acordo de Investimento UE-China do fim do ano passado. Com uma nova administração nos EUA, o acordo está outra vez num impasse. A chanceler Merkel, que está de saída, é contra a desconexão económica China-UE – assim como os industriais alemães. Será um grande prazer assistir a esta subtrama no G7. Em suma: A Alemanha quer continuar a expandir-se como uma potência comercial global utilizando a sua grande base industrial, ao passo que os anglo-saxões abandonaram completamente a sua base industrial para abraçar a financeirização não produtiva. E a China, por seu lado, quer comerciar com todo o planeta. Adivinhe quem é o jogador bizarro. Considerando o G7 como um encontro de facto da potência hegemónica com as suas hienas, chacais e chihuahuas, será também um grande prazer observar a semântica. Que grau de “ameaça existencial” será atribuído a Pequim – especialmente porque para os interesses por trás do holograma “Biden” a verdadeira prioridade é o Indo-Pacífico? Estes interesses não se poderiam importar com um anseio da UE por uma autonomia mais estratégica. Washington anuncia sempre os seus ditames sem sequer se preocupar em consultar Bruxelas previamente. Portanto, é disto que trata este Triplo X de cimeiras – G7, NATO e UE-EUA: a potência hegemónica a fazer tudo para conter/fustigar a emergência de um poder em ascensão, alistando as suas satrápias para “combater” e assim preservar a “ordem internacional baseada em regras” que concebeu há mais de sete décadas. A história nos ensina que isto não funcionará. Apenas dois exemplos: os impérios britânico e francês não poderiam travar a ascensão dos EUA no século XIX. E, ainda melhor, o eixo anglo-americano só travou a ascensão simultânea da Alemanha e do Japão pagando o preço de duas guerras mundiais, com o império britânico destruído e a Alemanha outra vez como potência líder na Europa. Isso deveria dar à reunião da “América está de volta” (“America is Back”) e da “Global Britain” na Cornualha o estatuto de uma mera nota de rodapé histórica.
terça-feira
“A vida é a imitação de algo essencial, com o qual a arte nos põe em contacto.” PALAVRA DO DIA
China Mil milhões de vacinas administradas
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Ministério da Saúde da China garantiu ter ultrapassado a administração de 1.000 milhões de doses de vacina contra a covid-19, sem adiantar, contudo, quantase pessoas foram vacinadas com as duas doses. O número de doses injectadas representa mais de um terço do total em todo o mundo, que ultrapassou na sexta-feira os 2.500 milhões de vacinações, segundo uma contagem feita pela agência noticiosa France-Presse (AFP), com base em fontes oficiais. Inicialmente, as autoridades sanitárias chinesas não se apressaram com a vacinação, já que o vírus foi virtualmente erradicado do país por mais de um ano, graças a quarentenas obrigatórias, exames massivos ou aplicativos de controlo móvel de viagens. No entanto, o Governo e as empresas adoptaram uma abordagem mais pró-activa, pressionando fortemente residentes e funcionários para se vacinarem, enfatizando a solidariedade nacional e o dever como cidadãos. O surgimento nas últimas semanas de alguns casos locais na densamente povoada província de Guangdong também serviu para recordar o risco da retoma da epidemia. No total, foram administradas 1.010 milhões de doses, segundo o Ministério da Saúde chinês. A China espera imunizar pelo menos 70 por cento de sua população até o final do ano, ou cerca de um 1.000 milhões de pessoas.
Bitcoin Várias províncias da China proíbem “mineração”
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Várias províncias da China suspenderam a “mineração” da criptomoeda Bitcoin, a pedido do Governo, que lançou uma campanha contra aquelas operações, devido ao seu alto consumo de electricidade, informou ontem a imprensa local. Segundo o portal de notícias Sohu, a província central de Sichuan foi a última a emitir uma ordem de suspensão daquelas operações, depois de Qinghai, Mongólia Interior, Yunnan ou Xinjiang. Estas áreas eram atractivas para a “mineração”, devido aos baixos custos da electricidade. As autoridades de Sichuan investigaram 26 empresas envolvidas naquele tipo de operação e ordenaram o seu encerramento, no domingo, e exigiram que os fornecedores de electricidade verificassem esta semana se os seus clientes estão envolvidos na “mineração”. Em caso afirmativo, devem ser desconectados da rede. O processo de “mineração” recorre a supercomputadores, que resolvem cálculos complexos, visando validar transações com criptomoedas. O computador mais rápido recebe dinheiro digital em troca.
Antonin Artaud
Os verdes anos Nova política da juventude inclui cerca de 30% da população
O relatório aborda também propostas como a reforma do ensino técnico-profissional, a necessidade de maior apoio às famílias monoparentais e o reforço da aposta em cursos de formação
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Governo decidiu estender a sua política da juventude até à idade de 35 anos, aumentando o limite etário do conceito de “jovem”, que antes estava fixado entre os 13 e 29 anos. Esta é uma das alterações previstas para a nova Política da Juventude de Macau (20212030), segundo o relatório da consulta pública ontem divulgado pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Considera-se que “é mais adequado que a faixa etária dos 13 aos 29 anos dos jovens seja alargada para os 35 anos”, tendo em conta “o desenvolvimento social” e uma “melhor articulação com a política de juventude nacional e das diversas cidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”. Esta mudança faz com que a Política da Juventude do Governo chegue a 30 por cento da população total, abrangendo “mais grupos juvenis de diferentes cama-
das sociais e afectados por diferentes situações, tais como o prosseguimento dos estudos, o emprego, a criação de negócios e a aquisição de habitação”, entre outras.
Sim ao pensamento crítico
O relatório dá ainda conta que a nova Política da Juventude irá acrescentar “a expressão relativa ao pensamento crítico”, por se considerar que “o significado de ‘pensamento distintivo’ [proposta no documento de consulta] e ‘pensamento crítico’ é o mesmo”. No documento de consulta fala-se de pensamento distintivo com base “na cultura tradicional chinesa e nas indicações do livro ‘Clássico dos Ritos - Doutrina do Meio”, e que significa alguém que “estude extensivamente, aprenda detalhadamente, pense cautelosamente, distinga claramente e execute efectivamente”. A ideia é que os jovens cultivem “a capacidade de pensar de forma independente” e que saibam “distinguir o certo do errado”.
O patriotismo assume um papel central nesta política. “A maioria das opiniões considera que ‘o sentimento de amor pela Pátria’, a ‘visão internacional’ e a ‘participação social’ são conteúdos necessários e que constituem um conjunto de orientações correctas para a formação dos jovens”. Além disso, “um grande número de opiniões concorda muito com a integração dos jovens de Macau no desenvolvimento nacional”. O relatório aborda também propostas como a reforma do ensino técnico-profissional, a necessidade de maior apoio às famílias monoparentais e o reforço da aposta em cursos de formação. O Executivo promete optimizar “a configuração curricular e a elaboração de materiais didácticos”, além de serem “implementadas actividades extracurriculares diversificadas sobre o sentimento patriótico”. No total, o Governo recolheu mais de 1400 opiniões, incluindo junto de 110 instituições. A.S.S.
22.6.2021 episódio 22
O Jogo das Escondidas um folhetim por Fernando
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Sobral
ACAU engana-nos, dizia Benedito Augusto com voz matreira. Parece que o sexo está sempre visível. Mas isso não é verdade. Nem sempre o vemos. Sabemos que ele está por ali, em todo o lado, sempre à espreita. Olhou para o tenente Félix Amoroso, tentando avaliar a sua reacção. Este parecia não notar que uma vaga parte destas afirmações também estavam dirigidas a ele. Benedito sussurrou: - Há algo maligno nestas ruas. Uma coisa estranha, uma escuridão onde se movem sombras. Almas perdidas que não se querem salvar. Ele falava do sexo. Insinuava também que João Carlos da Silva morrera por causa dele. Por excesso. Enquanto muitos outros continuavam a viver por causa dele. O tenente contornou o copo de cerveja com os dedos, antes de dizer: - Nunca sentes desejo, Benedito? - Sou mais forte do que ele. - Mas o sexo tenta-te... - A vida é um conjunto infinito de tentações. Saber escolher as que fazemos é a forma de concretizarmos a nossa vitória sobre elas. Falando assim Benedito escondia o passado e, depois, esclarecia o presente: - Sim, acho que o senhor Silva foi morto por causa do sexo. Não tem a ver com qualquer conspiração política que se desenvolve nas sombras desta cidade. - Há uma conspiração? - Que acha, tenente? É ingénuo? Sente-se no ar, entre os fortes aromas das comidas orientais e a conservadora cozinha portuguesa. A conspiração transpira, como os picantes mais fortes. Veremos o que acontece, mas alguém está à espera de ganhar, e muito, com o que se pode vir a passar. Benedito Augusto e Félix Amoroso bebiam cerveja e comiam arroz com galinha numa taverna chinesa na Rua da Felicidade. Antes, o tenente tinha estado a jogar fan-tan com marinheiros chineses, até que o padre chegou e o afastou do vício. Dissera-lhe: - O vício causa-nos alucinações e, depois, conduz-nos ao abismo. - Tenho outros vícios piores, Benedito. - Eu sei. Conheço-os. - Mais do que eu desejaria. - Sabe, tenente, não é por mal. Faz parte de mim e do que faço. Saber é poder. Mas diga-me, jogar não lhe faz desenvolver um sentimento de culpa? (continua)