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Hoje Macau 17 DEZ 2020 #4692

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MOP$10

hojemacau

TIAGO ALCÂNTARA

QUINTA-FEIRA 17 DE DEZEMBRO DE 2020 • ANO XX • Nº 4673

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

ANOS

A meio caminho

O primeiro passo está dado. A proposta de Pereira Coutinho e Sulu Sou para ouvir na Assembleia Legislativa o ex-Chefe do Executivo Edmund Ho, o antigo secretário para a Economia e Finanças Francis Tam e

o empresário Kevin Ho no âmbito do caso da Viva Macau foi aprovada por Ko Hoi In. Resta agora esperar pela luz verde do plenário, o que, a acontecer, seria inédito na história da RAEM.

KIM LEI

PÁGINA 5

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

“A SERPENTE OU O ESCORPIÃO” GRANDE PLANO

EDUCAÇÃO

A base da História PÁGINA 4

ENSINO INFANTIL

Calendário disponível PÁGINA 7

OPINIÃO

PLANO DIRECTOR MÁRIO DUARTE DUQUE

ENTRETENIMENTO

O fim do D2 PÁGINA 8

VERDADEIRO REI V XUNZI

FRINGE | A FESTA DA RUA PUB

EVENTOS

O CANAL E O ENGENHEIRO DUARTE DRUMOND BRAGA

AMÉRICA

LUÍS CARMELO

CRISTALIZAÇÕES ANTÓNIO CABRITA

h


2 grande plano

17.12.2020 quinta-feira

E TUDO 2020 LEVOUO

O

S residentes de Macau que foram lesados na compra de imobiliário no Interior no caso Guang Bo Hui, que causou 70 vítimas na RAEM em 2019, ainda hoje estão à espera de solução. A revelação foi feita pelo deputado Leong Sun Iok, apoiado pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), que mencionou queixas de lesados ao Conselho de Consumidores e Delegação de Guangdong da FAOM. “Nos últimos anos, o Conselho de Consumidores tem alertado os residentes para o risco de comprar casa no exterior, mas este e a Delegação de Guangdong da Federação das Associações dos Operários de Macau continuam a receber pedidos de apoio sobre conflitos na aquisição de habitação no Interior da China, nomeadamente, em Jiangmen, Zhongshan, Zhuhai e Hengqin, envolvendo muitos residentes e montantes avultados”, afirmou. “Os lesados podem pedir o reembolso por via judicial, mas até agora os problemas ainda não foram resolvidos, o que para eles é uma tortura mental diária, aumentando os conflitos familiares e afectando as pressões económicas”, acrescentou. Face à lentidão da justiça no Interior, Leong Sun Iok apresentou sugestões ao Governo de Macau, para que tome medidas e crie um novo mecanismo que efectivamente proteja os residentes no âmbito dos investimentos na Grande Baía. A ideia passa por criar “mecanismos de cooperação para ajudar as vítimas na reivindicação dos seus direitos”.

O democrata considera que a promessa de maior democratização do sistema político está a ser ignorada e é vista hoje como “uma serpente ou um escorpião”. Au disse ainda que a promessa foi promovida antes da transição com base na ideia de que Macau ia deixar de ser uma colónia com um Governador enviado da metrópole

deputado Au Kam San criticou o Governo por recusar qualquer avanço democrático no sistema político, como considerou que havia sido prometido antes da transição. Em intervenção na Assembleia Legislativa, o democrata foi mais longe e falou de um novo ambiente em que a bandeira da pré-transição é quase proibida e vista como “uma serpente ou um escorpião”. Segundo o democrata, antes da transição havia a promessa da defesa dos princípios de “igualdade, da transparência e da justiça, e a concretização da governação íntegra e a promoção ordenada e

gradual dum sistema político democrático”. A evolução democrática do sistema era assim encarada como a concretização do “princípio de ‘Macau governado pelas suas gentes’, em vez de se voltar a ser uma colónia, com a escolha do Chefe do Executivo controlada pela metrópole”. Quando se aproxima o 21.º aniversário da RAEM, Au faz um balanço negativo da progresso político: “Nem sequer um pouquinho de progresso gradual se verificou. Aliás, a matéria foi deixada de lado e até é vista como uma serpente ou um escorpião, uma matéria que ninguém se atreve a mencionar”, apontou.

ECONOMIA IP SIO KAI SUGERE UNIÃO BANCÁRIA COM PLP

I

P Sio Kai, vice-Director-Geral da sucursal de Macau do Banco da China, defende a criação de uma união bancária em Macau com os Países de Língua Portuguesa (PLP), de forma a promover a Grande Baía e desenvolver mais trocas a nível dos serviços financeiros. A ideia foi apresentada

ontem na Assembleia Legislativa, e entre outros aspectos poderia permitir que os PLP, através da compra de dívida em renminbis, invistam no Interior. O deputado defende que desta forma Macau pode afirmar-se na função de plataforma e ser essencial para que também

os bancos comerciais da Grande Baía consigam desenvolver produtos financeiros mais próximos da procura em países como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Brasil ou Portugal. “Através do aproveitamento pleno das vantagens do sector bancário sino-português, ao nível de informações, recursos

humanos, produtos e condutas, deve-se apoiar os bancos comerciais a estabelecerem a sua capacidade de serviços característicos dos PLP”, apontou como estratégia. Segundo Ip Sio Kai, com este posicionamento, Macau pode aproveitar a expansão do renminbi como moeda internacional:

“Os mercados-alvo são a Grande Baía e os PLP, e com capital suficiente, liquidez, produtos complementares, serviços, etc., reforçam-se as funções da plataforma de serviços financeiros China-PLP, com expansão gradual da dimensão do mercado offshore em renminbi”, acrescentou.

RÓMULO SANTOS

IMOBILIÁRIO LESADOS DA GRANDE BAÍA SEM SOLUÇÕES

AU KAM SAN CRITICA FALTA DE DESENVOLVIMENTO DEMOCRÁTICO TIAGO ALCÂNTARA

REFORMA POLÍTICA


grande plano 3

quinta-feira 17.12.2020

Contas acertadas Orçamento para 2021 aprovado por unanimidade

O

S deputados aprovaram por unanimidade o orçamento do Governo para o próximo ano, que prevê um saldo positivo de 597 milhões de patacas. No entanto, como o montante previsto para as despesas é superior às receitas, o saldo positivo só é possível pelo recurso a 26,6 mil milhões de patacas da reserva financeira. Apesar da aprovação, Ella Lei e Leong Sun Iok, ligados à Federação da Associação dos Operários de Macau (FAOM), mostraram algumas preocupações. A legisladora questionou o corte de 200 milhões de patacas nos apoios à saúde. Apesar de o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, ter garantido que o corte não vai ter impacto no sector, Ella Lei confessou estar preocupada com os apoios às clínicas privadas poderem ser afectados, originando uma possível corrida aos centros de saúde públicos. Leong Sun Iok criticou a injecção de 140 milhões de patacas na empresa de capitais públicos Macau Investimento e Desenvolvimento. Esta entidade foi na semana passada alvo de críticas do Comissariado de Auditoria,

O legislador admite que quando o Governo assumiu funções, em Dezembro do ano passado, tinha outras prioridades. Contudo, aponta que o facto de nas Linhas de Acção Governativa para o próximo ano não haver qualquer referência ao desenvolvimento político mostra que o assunto é ignorado. Para o deputado, apesar de os elogios do Governo Central, a falta de avanços no sistema político, que contrastam com os avanços na transparência, justiça e vertente económica, acaba por denegrir o princípio Um País, Dois Sistemas e a dignidade da Lei Básica. “[O progresso do sistema] segundo Deng Xiaoping e os demais

“Nem sequer um pouquinho de progresso gradual se verificou. Aliás, a matéria foi deixada de lado e até é vista como uma serpente ou um escorpião, uma matéria que ninguém se atreve a mencionar.”

Agnes Lam recordou ontem na Assembleia Legislativa a irmã Juliana Devoy, que morreu na segunda-feira, aos 83 anos. Devido à importância do trabalho de acção social e à entrega a causas e direitos das mulheres, a deputada assinalou o momento, ao sublinhar que Juliana Devoy se dedicou a Macau e que merecia ser “reconhecida”. Lam e Devoy colaboraram no caso de Lao Mong Iong, a mulher que foi atacada com ácido e ficou desfigurada, depois de ter pedido o divórcio ao marido.

SEM ÁGUA NEM LUZ

Também ontem foi aprovada, na generalidade e por unanimidade, uma nova lei da construção urbana, que segundo o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, permite cortar o abastecimento de água e electricidade às fracções que não demolirem obras ilegais assinaladas pelo Governo. A questão levantou dúvidas, mas o secretário sublinhou que é uma solução de “último recurso”, que poderá ser ajustada na especialidade, ou seja, quando se discute a lei artigo a artigo. Além desta novidade, a DSSOPT fica com o poder de obrigar os proprietários de um apartamento a fazer obras, quando estiverem em causa questões de segurança pública, como queda de janelas ou reboco, e a garantia dos edifícios irá ser de um período que pode chegar aos 10 anos, após a construção.

criadores do princípio Um País, Dois Sistemas, é a grande concretização social, requer indispensavelmente a revisão constante conforme a experiência acumulada ao longo do processo. Não deve seguir uma mentalidade conservadora, que abdique de quaisquer progressos nem deve ser até “raptado” pelos titulares de interesses já adquiridos, deixando o sistema político democrático sem avanço nenhum”, atirou. “Isto não é defender a Lei Básica nem o princípio “Um País, Dois Sistemas”, mas sim denegrir este princípio e prejudicar a dignidade da Lei Básica”, acusou.

AU KAM SAN DEPUTADO

Óbito Agnes recordou Devoy

devido a gastos desnecessários. O secretário respondeu que o Executivo respeita as conclusões do CA e prometeu “optimizar” as operações da empresa.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

DSSOPT Mak Soi Kun elogia “mana” Chan Pou Ha

Mak Soi Kun, deputado e construtor civil, elogiou ontem o trabalho da directora da Direcção de Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Chan Pou Ha, que apelidou de “mana” Ha. Ontem, o deputado criticou a Administração Pública e

apontou que as melhorias com o novo Governo no funcionamento da “máquina” dependem mais do esforço individual dos directores do que da forma como tudo está organizado. Também o secretário para Administração e Justiça, André Cheong, e Arnaldo Santos, presidente do Instituto de Habitação, receberam elogios. “Os exemplos que citei são bons para demonstrar que o regime está morto e a pessoa é que está viva”, afirmou Mak Soi Kun.

Linhas de Acção Governativa Kou Hoi In “picado”

Sulu Sou criticou a forma como os debates das Linhas de Acção Governativa são organizados pelo presidente da Assembleia Legislativa, principalmente no que diz respeito à sessão com o Chefe do Executivo, por considerar que o modelo não permite contra-argumentos, e por haver cada vez menos tempos para os deputados falarem. A apresentação que contou com relatos dos debates com outros presidentes da AL, como Susana Chou, fez eco de críticas partilhadas por Mak Soi Kun, com base em opiniões da população. Contudo, ao contrário do que aconteceu com Mak, o presidente da AL, Kou Hoi In, não gostou da intervenção e acusou o democrata de não ser rigoroso. Apesar desta situação ter acontecido no início da sessão, o presidente da AL acabaria por voltar ao tema no final, quando advertiu os deputados por fazerem perguntas de especialidade, em debates na generalidade.


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17.12.2020 quinta-feira

EDUCAÇÃO BASE APOSTA NO PATRIOTISMO E CONSCIÊNCIA NACIONAL

Arde sem se ver

Reforçar o patriotismo e o sentimento de pertença nacional são alguns dos objectivos pretendidos com a Base da Educação do Amor pela Pátria e por Macau para Jovens. O local retrata diferentes momentos da história, como o período da dinastia Ming e a transferência de soberania de Macau

F

OI inaugurado ontem um espaço que aposta no patriotismo – a Base da Educação do Amor pela Pátria e por Macau para Jovens, localizada no Museu das Ofertas da Transferência de Soberania. O Chefe do Executivo alertou no discurso em mandarim que Macau se debate com mudanças e que é necessária “visão estratégica” no planeamento do futuro das próximas gerações de forma a garantir “para a posteridade” o amor pela pátria e pela RAEM, bem como pelo princípio “Um País, Dois Sistemas”.

“Neste momento, em que o mundo atravessa grandes mudanças, inéditas nos últimos cem anos, Macau também se debate com as mutações drásticas que se verificam na conjuntura interna e externa”, disse Ho Iat Seng. O Chefe do Executivo recordou a vinda do Presidente Xi Jinping a Macau no ano passado, altura em que assistiu a uma aula de história chinesa e “enfatizou a importância desta disciplina e encorajou os jovens estudantes”. Deixou a mensagem de que o entendimento da história é necessário para se “estabelecer uma base sólida para o patriotismo”.

A Base da Educação – que Ho Iat Seng frisou dar seguimento ao espírito das palavras do presidente Xi Jinping – tem como objectivo a promoção dos valores tradicionais de Macau, e que “a consciência nacional e o patriotismo sejam enraizados nos jovens”. No entanto, o Chefe do Executivo frisou no discurso de inauguração que a base é apenas um “ponto de partida”, encorajando os jovens a sair de Macau para viverem a cultura chinesa, conhecerem o país e integrarem o desenvolvimento nacional. “Estamos empenhados no reforço da consciência de identidade

máximo” e adoptem “medidas de combate” ao vírus, observando que a nível mundial se continua a propagar e existem “muitos factores incertos nas zonas adjacentes” ao território. Por outro lado, o Chefe do Executivo deu instruções para a necessidade de coordenação na aquisição de vacinas e sua administração, de modo a “minimizar as preocupações da população”.

ATITUDE POSITIVA

Perante uma audiência com figuras políticas como Edmund Ho e Kou Hoi In, estudantes locais fizeram a visita guiada pelo espaço que representa diferentes momentos da história da China, nomeadamente um corredor que aborda desde a Dinastia Ming à transferência de soberania. Uma das alunas foi Ho Pui Ieng, da Escola Fong Chong da Taipa. A estudante apontou uma parte do pensamento de Confúcio como a sua preferida, indicando que permite conhecer melhor a história e cultura da China. “O pensamento de Confúcio tem influenciado o pensamento patriótico”, disse. Também Pun Lai San, estudante na escola Kao Yip, abordou este tema. “O pensamento de Confúcio é muito importante para todas as dinastias, e uma essência da história da China. Não só ensina cortesia, mas também outros conhecimentos importantes”, apontou.

TIAGO ALCÂNTARA

Covid-19 Média de passagens de fronteiras ultrapassa 300 mil

O Chefe do Executivo reuniu na terça-feira com o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, indicando que actualmente a média de entradas e saídas do território ultrapassa as 300 mil pessoas, devido à recuperação da mobilidade entre o Interior da China e Macau. Apesar de Macau se considerar uma cidade segura, Ho Iat Seng apelou a que os serviços mantenham “alerta

nacional dos jovens de Macau, da sua ligação à nação e do seu sentimento da pertença nacional, promovendo junto deles a firme confiança no sistema de ‘Um País, Dois Sistemas’ e o seu correcto conhecimento, e um elevado sentido de responsabilidade”, descreveu Ho Iat Seng.

“Neste momento, em que o mundo atravessa grandes mudanças, inéditas nos últimos cem anos, Macau também se debate com as mutações drásticas que se verificam na conjuntura interna e externa.” HO IAT SENG CHEFE DO EXECUTIVO

“Sendo jovem, acho que tenho de conhecer a história da China”, disse a estudante, acrescentando que “é também preciso ter uma atitude positiva”. “Espero que os jovens quando entrem na Base possam de forma rápida conhecer os êxitos da China, nos âmbitos económico e político. Quanto aos pormenores, acho que podem ser ensinados nas escolas, com conteúdos mais aprofundados”, respondeu a jovem, quando questionada sobre se base deve mencionar aspectos negativos. Nos materiais da base é mencionado que depois da transferência, Macau tem desempenhado papel de plataforma de serviços de cooperação comercial entre a China e os países da língua portuguesa, tendo-se tornado “uma porta e um ponto de união insubstituível”. Das informações expostas consta ainda um painel focado no futuro, indicando que quando a República Popular da China chegar aos 100 anos “o país será mais poderoso, um país moderno de socialismo rico, democrático, civilizado, harmónico e belo, ocupando a posição de liderança no mundo”. Salomé Fernandes

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política 5

quinta-feira 17.12.2020

RAZÃO PARA ISSO

A audição é descrita como “necessária e legítima”, tendo como ponto

O

presidente do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, referiu no programa Fórum Macau que os pedidos de apoio financeiro aumentaram face a 2019 – apesar de a ajuda dada ter sido semelhante. O canal chinês da TDM Rádio Macau noticiou que com o contexto da epidemia a afectar algumas famílias, entre Janeiro e Novembro deste ano, as candidaturas para subsídios aumentaram cerca de 40 por cento em comparação com o mesmo período do ano passado. No entanto, o número de casos elegíveis para receber apoio foi semelhante. Hon Wai apontou que algumas das famílias que se candidataram encontraram dificuldades financeiras a curto

VIVA MACAU AUDIÇÃO PROPOSTA POR COUTINHO E SULU SOU VAI SER VOTADA EM PLENÁRIO

Ir ao fundo da questão

A proposta de Pereira Coutinho e Sulu Sou para levar a plenário Edmund Ho, Francis Tam e Kevin Ho foi aprovada e vai ser votada. Os deputados querem que antigos dirigentes esclareçam questões que ficaram por responder na investigação do CCAC sobre os empréstimos à falida companhia aérea Viva Macau, que custaram 212 milhões de patacas ao erário público Kevin Ho, o qual detinha também indirectamente acções da mesma, adoptando critérios de aprovação e condições de garantia pouco exigentes.”

RÓMULO SANTOS

O

S deputados Pereira Coutinho e Sulu Sou querem levar à Assembleia Legislativa o antigo Chefe do Executivo Edmund Ho, o seu secretário para a Economia e Finanças Francis Tam e o administrador da Viva Macau Kevin Ho, entre outros responsáveis, para esclarecer dúvidas sobre os sucessivos empréstimos de fundos públicos à falida companhia aérea Viva Macau. Foi também pedida a audição do presidente da antiga companhia, Ngan In Leng, e Siew Pek Tho, que pertencia à administração da empresa. Ontem, foi andado meio caminho, com a aprovação do pedido pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ko Hoi In. Falta o passo mais difícil que é a aprovação da audição em plenário, algo que nunca aconteceu na história da RAEM. É também pedido que seja facultado aos legisladores a correspondência trocada entre Edmund Ho, Francis Tam, aAutoridade deAviação Civil, a Direcção dos Serviços de Economia, a Viva Macau e outras entidades públicas, “sobre a negociação em torno da concessão dos empréstimos” à companhia low-cost. Os deputados entendem que a investigação feita pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC) pecou por não ouvir os principais responsáveis pelas decisões que levaram aos empréstimos avultados que resultaram na perda irreparável de mais de 200 milhões de patacas para o erário público. Além disso, referem que o CCAC apresentou “várias sugestões, tais como promover e aperfeiçoar o sistema de supervisão no âmbito da utilização de apoios do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização (FDIC), por recurso a uma regulamentação própria por via legislativa”, recomendação que não foi seguida pelo órgão legislativo.

Os deputados entendem que a investigação do CCAC pecou por não ouvir responsáveis por decisões que levaram aos empréstimos avultados que resultaram na perda irreparável de mais de 200 milhões de patacas

de partida uma petição entregue à AL pela Associação Novo Macau, no 12 de Outubro, menos de um mês depois da divulgação do relatório do CCAC sobre o caso. De forma a prevenir um novo caso e aprender com os “ensinamentos retirados do escândalo dos empréstimos avultados à Viva Macau”, Coutinho e Sulu Sou dizem ser essencial conhecer todo o

processo de decisão “os dois decisores principais e máximos”, assim como os membros do conselho administrativo do FDIC. Além disso, o CCAC não ouviu durante a investigação os administradores da Viva Macau, uma lacuna que precisa ser colmatada. Na petição que deu origem à proposta de audição, foi levantada a suspeita de tráfico de

Ajuda, precisa-se Candidaturas a subsídios do IAS aumentaram 40 por cento até ao mês de Novembro

prazo, mas o seu rendimento não cumpre os requisitos abaixo do índice mínimo de subsistência. Note-se que o valor de risco social para um agregado familiar de duas pessoas, por exemplo, é de 7.990 patacas. Por sua vez, Iong Kong Io, presidente do Conselho de Administração do Fundo de Segurança Social, afirmou que devido à situação epidémica o número de requerentes de subsídio de desemprego aumentou significativamente até ao final

do ano. Registaram-se 4.500 pedidos, 2,5 vezes mais do que no ano passado. O subsídio de desemprego foi de 54 milhões de patacas, um aumento de 2,7 vezes.

PROTECÇÃO DE IDOSOS

No mesmo programa, Iong Kong Io indicou que no próximo ano se vai dar mais um mês de apoio económico a idosos que vivem sozinhos, passando a ajuda para 14 meses. Face a preocupações de idosos sobre como a ausên-

interesses durante o processo de empréstimos e salientado que o Chefe do Executivo não declarou impedimento para decidir num processo que envolvia um familiar. Os peticionários sustentaram a tese na alegação de que Edmund Ho terá concedido directamente empréstimos “a uma empresa cujo órgão de administração fazia parte o seu familiar (sobrinho),

cia de injecção de capital no Fundo de Previdência Central vai afectar as suas vidas, Iong Kong Io afirmou que o Governo tem registado receitas ao longo dos últimos 11 anos, mas que a situação epidémica impossibilita a distribuição de excedente. O responsável estima que mais de 80 mil idosos sejam afectados, sublinhando a existência de mecanismos para assegurar a vida básica dos idosos. O representante do Fundo de Segurança Social entende que existem mecanismos para proteger os idosos, acrescentando que apesar de se prever uma descida do índice de preços do consumidor, se mantém a subida de 3 por cento das pensões. S.F. e N.W.

O duo de legisladores elenca o exercício do direito de petição e o direito de audição, estabelecido na Lei Básica, para pedir esclarecimentos sobre um caso em que o erário público ficou “a arder” em 212 milhões de patacas. É mesmo sugerido que “a falta de comparência injustificada, a recusa de depoimento” ou de fornecer documentos e informações “constituem crime de desobediência”. João Luz

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Sinergia Ron Lam mantém-se como presidente da direcção

Os corpos sociais da Associação da Sinergia de Macau foram recentemente eleitos, noticiou a entidade na página do Facebook. Ron Lam vai continuar a assumir o cargo de presidente da direcção, enquanto Johnson Ian assume a vice-presidência. O Conselho Fiscal terá Tam Kam Weng como presidente, e Leong Kin Wa enquanto vice-presidente. A nova direcção comprometeu-se a continuar a debater assuntos sociais e políticos através de ideias novas, bem como a expressar as opiniões da população ao Governo. Além disso, a Associação indicou que vai supervisionar o Governo e apresentar propostas práticas, com vista a melhorar as políticas de Macau em diferentes áreas.


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17.12.2020 quinta-feira

AVISO N.° 52/AI/2020

AVISO N.° 57/AI/2020

AVISO N.° 58/AI/2020

AVISO N.° 59/AI/2020

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se as infractoras abaixo discriminados:----------------------------------------------------1. Mandado de Notificação n.° 753/AI/2020: LEUNG YAU LING, portadora do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Hong Kong n.° P2883xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 57/DIAI/2019, levantado pela DST a 11.03.2019, e por despacho da signatária de 01.12.2020, exarado no Relatório n.° 767/DI/2020, de 24.11.2020, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Avenida Olimpica n.° 66, Jardim de Wa Bao, Bloco 1, 31.° andar F onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 775/AI/2020: YU PIN, portadora do Passaporte da RPC n.° E99839xxx e portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C58681xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 61/DI-AI/2019, levantado pela DST a 13.03.2019, e por despacho da signatária de 27.11.2020, exarado no Relatório n.° 785/DI/2020, de 24.11.2020, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua Cidade do Porto n.° 341, Edf. Kam Yuen, 9.° andar C, Macau onde se prestava alojamento ilegal. ---------------------------- 3. Mandado de Notificação n.° 931/AI/2020: SHI JINHUA, portadora do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C19475xxx e do passaporte da RPC n.° G52487xxx , que na sequência do Auto de Notícia n.° 39/DI-AI/2019, levantado pela DST a 19.02.2019, e por despacho da signatária de 26.08.2020, exarado no Relatório n.° 595/DI/2020, de 17.07.2020, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.°405, Edf. Seng Vo, 11.° andar A. --------------------------------------------------------------Pelo mesmo despacho foi determinado que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito, não sendo admitida a apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.----------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractoros abaixo discriminados:-----------------------------1. Mandado de Notificação n.° 929/AI/2020: DING CHENGCAI, portador do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C64425xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 16/ DI-AI/2019 levantado pela DST a 14.01.2019, e por despacho da signatária de 01.12.2020, exarado no Relatório n.° 950/DI/2020, de 20.11.2020, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Taipa, Estrade Almirante Magalhães Correia n.° 239, Jardim Hoi Wan, 19.° andar Y onde se prestava alojamento ilegal.----- 2. Mandado de Notificação n.° 934/AI/2020: JIANG CHANGTING, portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C75346xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 1/DI-AI/2019 levantado pela DST a 02.01.2019, e por despacho da signatária de 03.12.2020, exarado no Relatório n.° 955/ DI/2020, de 23.11.2020, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.° 1017, Edf. Nam Fong, Bloco 1, 7.° andar G onde se prestava alojamento ilegal. --------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.---------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode os infractoros, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.---------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractoros abaixo discriminados:--------------------------------------------------1. Mandado de Notificação n.° 944/AI/2020: QIAO SUZHONG, portador do Passaporte da RPC n.° E32658xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 12/DI-AI/2019 levantado pela DST a 08.01.2019, e por despacho da signatária de 10.12.2020, exarado no Relatório n.° 965/ DI/2020, de 25.11.2020, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Xiamen n.° 18-G, Edf. Nam Fong, Bloco 2, 15.° andar M onde se prestava alojamento ilegal.--------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 946/AI/2020: FU JUN, portador do Passaporte da RPC n.° EA7576xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 12.2/DI-AI/2019 levantado pela DST a 08.01.2019, e por despacho da signatária de 10.12.2020, exarado no Relatório n.° 967/ DI/2020, de 25.11.2020, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Xiamen n.° 18-G, Edf. Nam Fong, Bloco 2, 15.° andar M. -----------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode os infractoros, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-----------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractoros abaixo discriminados:------------------------------------------------1. Mandado de Notificação n.° 943/AI/2020: HUANG XIAOQIN, portadora do Passaporte da RPC n.° G41200xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 20/DI-AI/2019 levantado pela DST a 15.01.2019, e por despacho da signatária de 10.12.2020, exarado no Relatório n.° 964/ DI/2020, de 25.11.2020, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Nagasaki n.° 50-A, Jardim San On, Bloco 2, 13.° andar L onde se prestava alojamento ilegal.----------------------- 2. Mandado de Notificação n.° 955/AI/2020: CHEN ZHANGCHEN, portador do Salvo Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C42471xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 240/DI-AI/2018 levantado pela DST a 05.12.2018, e por despacho da signatária de 04.12.2020, exarado no Relatório n.° 980/ DI/2020, de 03.12.2020, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Baia da Praia Grande n.° S/N, Torre Lago Panoramico, 13.° andar A, Macau onde se prestava alojamento ilegal. ------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode os infractoros, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.----------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 10 de Dezembro de 2020.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Dezembro de 2020.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Dezembro de 2020.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Dezembro de 2020.

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

ANÚNCIO DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS

ANÚNCIO DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS

ASSUNTO: REGIME DE QUALIFICAÇÃO E EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DE CONTABILISTA – AUDITORES DE CONTAS COM O REGISTO SUSPENSO

ASSUNTO: REGIME DE QUALIFICAÇÃO E EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DE CONTABILISTA – CONTABILISTAS COM O REGISTO SUSPENSO A Lei 20/2020, Regime de Qualificação e Exercício da Profissão de Contabilista, entrou em vigor no dia 1 de Dezembro de 2020. Nos termos do disposto no artigo 98.º da referida lei, os contabilistas registados que tenham o registo suspenso na data da respectiva entrada em vigor podem requerer, junto da Comissão Profissional dos Contabilistas, a sua inscrição como contabilistas, no prazo de 180 dias contado a partir daquela data. As inscrições não serão aceites após o término daquele prazo. Uma vez promovida a inscrição como contabilista, o interessado pode, no prazo de três anos contado a partir da data da entrada em vigor da lei acima mencionada, requerer, junto da Comissão, o registo na lista referida no n.º 1 do seu artigo 93.º e a autorização para prestar a clientes serviços contabilísticos, fiscais e outros relacionados. A Comissão delibera sobre o pedido apresentado em função do requerente ter ou não participado em trabalhos relacionados com contabilidade ou auditoria durante o período da suspensão. O interessado poderá ainda, no prazo de três anos contado a partir da data da entrada em vigor da lei, participar em curso especial sobre auditoria a organizar pela Comissão, sendo a conclusão do mesmo e a aprovação obtida na correspondente avaliação considerada equiparada ao preenchimento da condição prevista na alínea 3) do n.º 1 do artigo 15.º da citada lei. Caso o registo tenha sido suspenso por incompatibilidade de funções, e o interessado tenha sido inscrito como contabilista e obtido aprovação no curso especial sobre auditoria no prazo de três anos acima mencionado, o mesmo pode requerer, junto da Comissão, a emissão de licença para o exercício da profissão e de cartão profissional, três anos após a entrada em vigor da referida lei e uma vez decorridos seis meses sobre a data da cessação da respectiva incompatibilidade. A Comissão delibera sobre o pedido apresentado em função do requerente ter ou não participado em trabalhos relacionados com contabilidade ou auditoria durante o período da suspensão.

A Lei 20/2020, Regime de Qualificação e Exercício da Profissão de Contabilista, entrou em vigor no dia 1 de Dezembro de 2020. Nos termos do disposto no artigo 95.º da referida lei, os auditores de contas que tenham o registo suspenso na data da respectiva entrada em vigor podem requerer, junto da Comissão Profissional dos Contabilistas, a sua inscrição como contabilistas, no prazo de 180 dias contado a partir daquela data. As inscrições não serão aceites após o término daquele prazo. Uma vez promovida a inscrição como contabilista, o interessado pode requerer, no prazo de três anos contado a partir da data da entrada em vigor da lei acima mencionada, junto da Comissão, a emissão de licença para o exercício da profissão e de cartão profissional. A Comissão delibera sobre o pedido apresentado em função do requerente ter ou não participado em trabalhos relacionados com contabilidade em auditoria durante o período da suspensão. Caso o registo tenha sido suspenso por incompatibilidade de funções, o interessado pode apresentar o referido pedido, junto da Comissão, seis meses após a data da cessação da referida incompatibilidade, não estando sujeito ao mencionado limite de três anos.

10 de Dezembro de 2020

O Director Iong Kong Leong

10 de Dezembro de 2020 O Director Iong Kong Leong


sociedade 7

quinta-feira 17.12.2020

Xangai Cancelada quarentena para quem passou pela região A partir das 18h de ontem, foram canceladas as medidas de quarentena para indivíduos que nos 14 dias anteriores à entrada em Macau tenham estado nas vilas de Zhuqiao, Zhoupu e Zhangjiang,

da região de Xangai. A decisão, motivada pelas mudanças na situação da epidemia nesses locais, foi anunciada pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus.

Gongbei Comércio com Macau atinge 290 mil milhões de renminbis A Alfândega de Gongbei revelou ontem que desde a transferência de Macau em 1999, o total acumulado de exportações e importações entre Gongbei e Macau já ultrapassou os 290 mil milhões de renminbis. De acordo com o canal chinês da TDM-Rádio Macau, a Alfândega de

Gongbei apontou que, no decorrer do ano passado, os valores alcançados foram 4,6 vezes maiores quando comparados com o ano de 1999, sendo que, desde então, o aumento médio anual tem sido de 7,9 por cento. De acordo com a mesma fonte, ao contrário do que

EDUCAÇÃO INSCRIÇÕES DO ENSINO INFANTIL PARA NOVO ANO LECTIVO COMEÇAM A 6 DE JANEIRO

Regresso à normalidade

F

OI revelado ontem o calendário para o ano lectivo 2021/2022 dos alunos que vão ingressar no ensino infantil pela primeira vez. Segundo a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) as inscrições podem ser feitas online entre os dias 6 e 20 de Janeiro de 2021. De acordo com Wong Ka Ki, subdirector substituto da DSEJ, este ano foram apenas introduzidos “aperfeiçoamentos” no processo, tendo em conta as opiniões recolhidas ao longo do ano junto de estabelecimentos de ensino e encarregados de educação. Assim, além de não haver um limite máximo de inscrições ou entrevistas, o responsável adiantou que serão diferenciados “os horários de pico das entrevistas”, através do prolongamento do seu período que, este ano, começa uma semana antes, a 27 de Fevereiro [ver tabela]. Concluídas as entrevistas, a DSEJ e as escolas irão publicar em simultâneo, no dia 9 de Abril, as listas dos alunos admitidos. Por seu turno, durante a apresentação, Ng Mei Kei, Chefe de Divisão de Educação Pré-Escolar e Ensino Primário da DSEJ, apontou que o organismo irá “reforçar a protecção de dados pessoais e o sistema de registo online” do processo. Questionada sobre os moldes concretos em que o tratamento dos dados e fotografias das crianças foi

GONÇALO LOBO PINHEIRO

O registo para o primeiro acesso ao ensino infantil no ano lectivo 2021/2022 pode ser efectuado entre 6 e 20 de Janeiro. Segundo a DSEJ, para o próximo ano estão acauteladas mais de 6.300 vagas, a ser ocupadas por 5.300 crianças em idade de ingressar no 1.º ano do ensino infantil

melhorado para o próximo ano lectivo, a DSEJ apontou que “a protecção de dados será reforçada com base na lei” e que as informações “só serão enviadas para as escolas escolhidas”. Durante a conferência de imprensa, a DSEJ assegurou ainda que, para o próximo ano lectivo existem vagas escolares suficientes para todos, avançando que há mais de 6.300 vagas a serem ocupadas por 5.300 crianças nascidas entre 2016 e 2018.

PASSO A PASSO

A partir do dia 1 de Janeiro de 2021, os encarregados de educação podem consultar informações relativas às inscrições dos alunos e das diferentes escolas, seguindo-se o período dedicado ao registo central, onde podem ser seleccionadas, no máximo, seis escolas. Depois de publicados os horários das entrevistas, as mesmas serão realizadas até 28 de Março, sendo os resultados conhecidos no dia 9 de Abril. Concluído o período de confirmação, segue-se a publicação, a partir de 14 de Abril, das listas dos alunos admitidos que estavam em lista de espera. Daí para a frente, os encarregados de educação devem deslocar-se à escola, no prazo anunciado munidos do documento de identificação do aluno, para procederem às formalidades de matrícula ou transferência escolar. Caso haja necessidade de inscrever os alunos noutras escolas, ou caso o período de registo tenha sido ultrapassado, a partir de 19 de Abril é ainda possível consultar o website da DSEJ para verificar a situação das vagas escolares nas diferentes escolas. Pedro Arede

pedro.arede.hojemacau@gmail.com

acontecia anteriormente com os artigos de vestuário, a maioria dos produtos exportados actualmente são do ramo da electrónica. Entre Janeiro e Novembro de 2020, os produtos importados de Macau via Gongbei totalizaram 12,57 mil milhões de renminbi.

CALENDARIZAÇÃO 202 ENSINO INFANTIL

1 DE JANEIRO • Consulta de informações sobre a inscrição 6 A 20 DE JANEIRO • Período de Inscrição 4 A 9 DE FEVEREIRO • Publicação dos horários das entrevistas 27 DE FEV. A 28 DE MAR. • Entrevistas para acesso escolar 9 DE ABRIL • Publicação das listas dos alunos admitidos 9 A 12 DE ABRIL • Período de confirmação A PARTIR DE 14 DE ABRIL • Publicação das listas dos alunos admitidos em lista de espera 15 A 17 DE ABRIL • Período de matrículas nas escolas dos alunos admitidos 19 A 30 DE ABRIL • Período de matrículas nas escolas dos alunos admitidos em lista de espera A PARTIR DE 19 DE ABRIL • Inscrição em outras escolas

Há mais de 6.300 vagas a serem ocupada por 5.300 crianças nascidas entre 2016 e 2018


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17.12.2020 quinta-feira

ENTRETENIMENTO CRISE LEVA CLUBE D2 A ENCERRAR NO FIM DO ANO

A última dança

Legend Palace Hotel alerta para conta falsa a tentar obter dados

Francisco Coelho, gerente do espaço de divertimento nocturno, fala do momento mais triste dos últimos 20 anos de negócio, e admite que o posto de 30 trabalhadores não-residentes fica em risco. “Já estamos há quase um ano nesta situação e não aguentamos mais. São condições muito difíceis”, admite D2

O hotel Legend Palace publicou uma nota na página de Facebook a alertar os concorrentes num sorteio para uma conta falsa a tentar obter dados. A instituição alega que foi encontrada uma conta falsa a fazer-se passar pela página de facebook do Legend Palace Hotel, “para defraudar a informação pessoal e das contas de cartão de crédito dos vencedores” de um sorteio. O Legend Palace esclarece que os vencedores do “Legend Fan Lucky Draw” não precisam de clicar em qualquer link e devem manter as suas informações confidenciais se receberem mensagens pessoais.

CEM Actualizações em edifícios antigos vai custar 30 milhões

Vong Kok Seng, presidente da Comissão de Ligação CEM-Clientes confirmou que os accionistas da Companhia de Electricidade de Macau (CEM) vão despender 30 milhões de patacas para actualizar as instalações eléctricas dos edifícios antigos, noticiou o jornal “O Cidadão”. O responsável apontou que a intenção é assumir maior responsabilidade social e aumentar o grau de segurança da população no uso de electricidade. Vong Kok Seng destacou que a utilização de electricidade é um tema recorrente nas reuniões, e que já apelou ao Governo para criar regulamentos ou instruções no âmbito das instalações eléctricas nos espaços públicos, tendo o Executivo respondido que está a estudar o assunto. Actualmente, há mais de 3.000 edifícios com idade superior a 30 anos e menos de sete andares.

TNR DESEMPREGADOS

De acordo com o gerente, o sector do entretenimento atravessa a crise mais grave dos últimos 20 anos de operações. Como consequência, cerca de 30 trabalhadores não-residentes vão ficar sem emprego. Por sua vez, os locais são transferidos do D2 para o D3. “Quando o D2 encerrar os postos de trabalho vão ser extintos. Os trabalhadores locais vão para o D3, mas os trabalhadores não-residentes vão ficar sem emprego. Também, actualmente, não dá para transferir os TNR de posto de trabalho”, justificou.

“Temos de parar porque não há outra forma de enfrentar esta crise. É uma situação muito difícil.” FRANCISCO COELHO EMPRESÁRIO

Economia Associação Económica mantém previsão de nível “mau”

No último relatório publicado pela Associação Económica de Macau sobre a tendência do índice de prosperidade económica no território, manteve-se uma pontuação de 3 a 3,2 para o primeiro trimestre do próximo ano, o que representa um nível “mau”. Segundo o jornal Ou Mun, a equipa deste relatório prevê que a recuperação económica só acelere depois de uma vacinação em larga escala, no segundo trimestre do próximo ano. Ou seja, estima-se que antes do primeiro trimestre do próximo ano a recuperação se mantenha lenta, apesar de os principais índices terem melhorado, tais como as receitas do jogo, o volume de turistas e a ocupação hoteleira.

Doca dos Pescadores. O D3 vai permanecer aberto: “O D3 vai continuar aberto. Mas, o D2 vai fechar, porque é muito difícil ter dois clubes nocturnos no mesmo espaço e ao mesmo tempo”, reconheceu.

O

espaço de diversão nocturna D2, na Doca dos Pescadores, vai encerrar as portas no final do ano. A decisão, motivada pela crise do turismo relacionada com a pandemia da covid-19, está tomada e foi con-

firmada, ontem, pelo proprietário, Francisco Coelho. “Tomamos a decisão de fechar depois do dia 31 de Dezembro. Por isso, no dia 1 de Janeiro já não vamos abrir as portas”, afirmou Francisco Coelho, ao HM. “Não sabemos se vai ser possível abrir

no futuro novamente, temos de ver. Mas as rendas não baixam e, como as coisas estão, não vejo que o turismo vá regressar no próximo ano”, explicou. Além do espaço D2, Coelho é igualmente responsável pelo clube D3, que também fica situado na

O encerramento de um negócio desenvolvido há 20 anos e a situação de desemprego não deixa o empresário indiferente, que aponta viver tempos difíceis. “É uma situação muito triste. Ninguém gosta de ver este tipo de acontecimentos. Já estamos há quase um ano nesta situação e não aguentamos mais. São condições muito difíceis”, confessou. “Quando passar a crise queremos abrir novamente o D2, talvez num espaço diferente. Mas, agora, estamos a atravessar o momento mais difícil para a indústria do divertimento nocturno dos últimos anos. Acho mesmo que é o momento mais difícil e nunca vi nada tão grave”, sublinhou. Ainda sobre a decisão, Coelho afirmou não haver alternativa: “Temos de parar porque não há outra forma de enfrentar esta crise. É uma situação muito difícil”, concluiu. João Santos Filipe

Joaof@hojemacau.com.mo


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quinta-feira 17.12.2020

BURLA RESIDENTE DESFALCADO EM 4,9 MILHÕES EM ESQUEMA COM FICHAS DE JOGO

Fortuna de plástico

P

ARA poupar 100 mil dólares de Hong Kong no pagamento de uma dívida de jogo numa sala VIP, um residente de Macau aceitou trocar 4,9 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) por fichas de jogo. Contudo, ao tentar saldar a dívida, as fichas de jogo revelaram ser falsas, tendo sido detidos quatro suspeitos. Há mais duas vítimas envolvidas no caso. Segundo revelou ontem a Polícia Judiciária (PJ) em conferência de imprensa, tudo começou na passada segunda-feira, quando a vítima, de apelido Kuan, conheceu através de um amigo (Chai), um dos suspeitos, de apelido Lok, sob a promessa de que seria capaz de o ajudar a saldar a dívida de 5 milhões de HKD que contraiu numa sala VIP situada no NAPE. Isto, porque o suspeito estaria disposto

POLÍCIA JUDICIÁRIA

Para pagar uma dívida de 5 milhões de HKD a uma sala VIP, um residente aceitou trocar 4,9 milhões por fichas de jogo com o intuito de poupar 100 mil HKD. No entanto, as fichas eram falsas, tendo sido detidos quatro suspeitos

SEM RETORNO

RÓMULO SANTOS

ONG Sio Chak, secretário para a Segurança, atribuiu um louvor a João Augusto da Rosa, adjunto do Comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU). A distinção, publicada ontem em Boletim Oficial (BO) é justificada, segundo avançou a TDM-Rádio Macau, pelo seu desempenho “excepcional” ao longo de 40 anos.

No BO, o secretário destaca ainda, entre outras qualidades o “profissionalismo pragmático” e a “coragem na assunção de responsabilidades” de José Augusto da Rosa. Também ontem, tomaram posse três agentes para ocupar funções de chefia em diferentes departamentos da Polícia Judiciária (PJ). De acordo com um

comunicado oficial, tomaram posse Sam Kam Weng, que assumiu as funções de chefe do Departamento de Informações e Apoio, Mok Heong Io, como chefe da Divisão de Informações em Geral e Ho Weng Kin, como chefe da Divisão de Cibersegurança. Com a tomada de posse, a PJ acredita que as três chefias conseguirão liderar as suas subunidades no sentido de concretizar os conceitos de “investigação criminal orientada pelas informações” e de “recurso à tecnologia para melhorar o trabalho policial”. O objectivo passa por “alcançar o controlo do crime transfronteiriço e todos os tipos de crimes graves”, implementando “uma boa protecção da cibersegurança” e mantendo a “segurança e estabilidade” de Macau.

Ao tentar saldar a dívida, contudo, as fichas de jogo revelaram ser falsas, tendo sido detidos quatro suspeitos pediu a um outro amigo para levar as 20 fichas de jogo à sala VIP para começar a saldar a dívida. No entanto, após receber as fichas de jogo, um funcionário da sala VIP verificou que estas eram falsas. O amigo ligou de imediato a Kuan a relatar o sucedido que, por sua vez, reteve os suspeitos e alertou a PJ para o caso. Segundo a PJ, após a detenção, os suspeitos negaram a prática do crime. No entanto, foram apreendidos, para além de 143 mil HKD em dinheiro, mais 30 fichas falsas, cujo valor unitário era, alegadamente, de 100 mil dólares. Os quatro suspeitos foram presentes ontem ao Ministério Público (MP) por suspeita do crime de burla de valor consideravelmente elevado, podendo ser punidos com pena de prisão entre 2 a 10 anos. Pedro Arede

No dia seguinte, enquanto estava com os suspeitos na zona da Areia Preta, Kuan

SEGURANÇA ATRIBUIDO LOUVOR A JOÃO AUGUSTO ROSA

W

a vender fichas de jogo no valor de 5 milhões de HKD em troca de 4,9 milhões, poupando assim à vítima 100 mil HKD. Interessado nas condições apresentadas, e na posse de apenas de 4 milhões de dólares de Hong Kong, Kuan, a vítima, pediu a dois amigos, entres eles Chai, para lhe emprestarem 700 mil e 200 mil HKD, respectivamente. Os amigos acederam e, no mesmo dia, já na posse do montante de 4,9 milhões, Kuan acordou encontrar-se com outros dois suspeitos (de apelido Leng e Sheng) para concretizar o negócio. Contudo, um dos suspeitos exigiu que o pagamento pelas fichas de jogo fosse feito em renminbi e em duas vezes, tendo de imediato indicado uma outra pessoa (de apelido Sam), capaz de prestar o serviço de câmbio. Uma vez mais, Kuan concordou com as condições apresentadas e, após converter os 4,9 milhões de HKD em renminbis, o montante foi transferido para uma conta bancária. Em troca, a vítima recebeu 20 fichas de jogo com o valor unitário de 100 mil HKD, correspondentes à primeira transferência efectuada e acordada entre os dois.

pedro.arede.hojemacau@gmail.com

HABITAÇÃO PUBLICIDADE ENGANOSA DO INTERIOR DA CHINA PREOCUPA GOVERNO

A

Direcção dos Serviços de Economia (DSE) e o Conselho de Consumidores (CC) reuniram ontem com o sector imobiliário e da publicidade para abordar os casos que têm vindo a público sobre residentes que alegam ter sido lesados na compra de casas no Interior da China. Segundo um comunicado oficial, tanto a DSE como o CC lembraram os representantes dos sectores que o conteúdo da publicidade “não deve ser exagerado” e que “deve obedecer ao princípio de veracidade”, de forma a “defender os direitos e interesses dos consumidores”

Além do dever de informar com verdade, lembra a DSE, a publicidade deve conter informações como o prazo de entrega, condições de venda e a área útil das unidades destinadas a venda. Caso contrário, “a autoridade administrativa irá sancionar nos termos legais e confiscar suportes publicitários ilícitos”. Por seu turno, o CC apontou que tem vindo a reforçar a comunicação com as associações de consumidores da Província de Guangdong, tendo emitido várias “dicas para consumidores”, de modo a alertar os residentes para os riscos na aquisição de imóveis situados fora de Macau. “Antes de assinar contrato-promessa de compra e venda ou contrato de compra, os consumidores devem ler, com toda a atenção, as cláusulas contratuais, confirmando tomar conhecimento pleno das mesmas”, pode ler-se na mesma nota. P.A.


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17.12.2020 quinta-feira

Maioridade da cr “E

JUSTIN HOYIN

A 20.ª edição do Festival Fringe foi ontem apresentada, ocupando o calendário artístico de Macau entre os dias 20 e 31 de Janeiro. Com um cartaz composto pela “prata da casa”, o evento volta a desafiar as barreiras criadas pelos conceitos de palco, artista e público, com espectáculos espalhados por toda a cidade

KIM LEI

FESTIVAL FRINGE CRIATIVIDADE INUNDA A CIDADE ENTRE 20 E 31 DE JANEIRO

M 1999, uma ‘criança travessa’ do teatro nasceu em Macau”. Foi assim que Mok Ian Ian, presidente do Instituto Cultural, começou por apresentar a 20.º edição do Festival Fringe. A celebração da arte contemporânea que decorre entre 20 e 31 de Janeiro, tem um cartaz composto por 18 programas extraordinários e 17 actividades de extensão, que se multiplicam em mais de 200 sessões. Quanto ao orçamento, a 20.º edição vai custar o mesmo que a anterior: 3,2 milhões de patacas. Depois de um ano marcado pela pandemia, o próprio Fringe reflecte de alguma forma as restrições a que todos são obrigados. Em primeiro lugar, em termos organizacionais, como Mok Ian Ian admitiu.

“As dificuldades levaram a que colegas do Interior da China não pudessem vir a Macau, por não terem condições para chegar, mas contribuíram de outra forma. Além disso, a participação de artistas locais foi muito elevada”, explicou a presidente do IC. Este ano, o peso da “prata da casa” no cartaz é de 83 por cento. Não está previsto que nenhum artista convidado seja obrigado a fazer quarentena, sendo o caso mais flagrante o de um artista de Hong Kong. Como vive há muitos anos em Cantão, não terá de fazer quarentena para participar no Fringe.

A

Aqui e além

S imagens captadas por 87 fotógrafos e fotojornalistas portugueses num ano marcado pela pandemia da covid-19, no âmbito do projecto “Everyday Covid”, foram reunidas num livro, “um documento para memória futura”, apresentado ontem em Lisboa. “Everyday Covid - Diários fotográficos em estado de emergência” é definido como “um documento para memória futura”, é a materialização de um projecto que começou em Março deste ano com uma página na rede social Instagram, everydaycovid, iniciada pelos fotojornalistas

CRÈME DE LA FRINGE

Um dos vértices fundamentais do festival é a interacção entre público e performer. Seguindo a filosofia típica do evento, a arte vai sair à rua, em múltiplas instâncias. De

Mok Ian Ian, presidente do IC “As dificuldades levaram a que colegas do Interior da China não pudessem vir a Macau, mas contribuíram de outra forma. Além diss

regresso ao cartaz do Fringe, esta edição volta a oferecer, pela terceira vez, a série “On Site”, uma experiência que aspira a que “um dia seja tão fácil assistir a apresentações de dança contemporânea em Macau como assistir a um filme”, descreve Tracy Wong, a curadora do “On Site”. Saindo dos palcos de teatro e dos centros culturais para o contexto urbano, dançarinos de Macau e do Interior da China, vão juntar-se ao músico local Bruce Pun, para dar corpo ao som e impro-

Projecto fotográfico “Everyday covid” reúne imagens de Macau e Portugal

Gonçalo Borges Dias e Miguel A. Lopes. A página funcionou, entre 16 de Março e 13 de Junho, como um diário visual. Ao longo de três meses, diariamente, iam sendo partilhadas imagens relacionadas com a pandemia da covid-19, “estruturadas em vários formatos: reportagem, documental, retrato de sociedade e diários caseiros”, captadas por jor-

nalistas e fotojornalistas, em Portugal e em Macau. “O isolamento, o sentido de clausura, a nova realidade das máscaras, a dinâmica dentro dos hospitais, lares, desinfecções, momentos políticos e até funerais, são alguns dos temas retratados”, lê-se no texto de apresentação do livro. As imagens partilhadas na página de Instagram iam

visar danças que prometem surpreender o público. “Viajante do corpo” é mais uma performance que vai tomar as ruas, nos dias 22 e 23 de Janeiro, com interpretações de peças de dança executadas por Lin Ting-Syu, bailarino indicado para o PrémioArtístico Taishin, Yang Shih Hao, artista de roda acrobática, o Ghost Group, grupo de dança contemporânea, além de outros artistas.

ARTES COM TODOS

O Fringe tem uma secção inclusiva que traz ao palco pes-

sendo seleccionadas por um grupo de ‘oito editores’: André Dias Nobre, Angelo Lucas, Gonçalo Borges Dias, Gonçalo Delgado, João Pedro Almeida, Miguel A. Lopes, Rui Miguel Pedrosa e Rui Soares. O grupo “reunia-se todas as noites, em videoconferência, para editar e escolher as fotografias a publicar, projectando também novas ideias para os dias seguintes”. Este projecto foi levado a cabo por profissionais que, “na sua maioria, estão em situações de trabalho bastante precárias, espelhando bem o cenário que se vive hoje em

soas portadoras de deficiência mental e física, e idosos. Com a curadoria de Jeny Mok, presidente da Associação de Arte e Cultura Comuna de Pedra, a secção nasceu de uma série de questões da artista e coreógrafa. “De quem são as rotinas de dança executadas pelos participantes? A dança deve ser executada por corpos bem constituídos por meio de um trabalho de pés preciso e composições envolventes? O que torna um desempenho emocionante e agradável? Por que será que algumas pessoas

dia no jornalismo nacional — um meio com futuro incerto e angustiante para quem faz dele profissão”. O projecto Everyday Covid “foi levado a cabo sem qualquer incentivo financeiro, apenas motivado pela necessidade fulcral de informar e registar, para memória, a luta e as respostas dos portugueses face à pandemia, para que o futuro não esqueça”. O livro inclui mais de 500 fotografias de 87 fotógrafos e fotojornalistas portugueses.

não são capazes de se expressar diante de um público?” As respostas para estas questões vão levar artistas ao espéctaculo “A Tarefa Interminável do Momento”, da responsabilidade da Comuna de Pedra e da Associação dos Familiares Encarregados dos Deficientes Mentais de Macau. Os intérpretes vão “partilhar as suas histórias de vida através da dança com os seus corpos, e serão executadas no seu próprio estilo de dança”, explica Jenny Mok. A actuação está marcada


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quinta-feira 17.12.2020

F’ART FOR U

criança traquina

so, a participação de artistas locais foi muito elevada, cerca de 83 por cento.”

para o palco do Teatro Caixa Preta, no Edifício do Antigo Tribunal, às 20h dos dias 20 e 21 de Janeiro. Nos dias 23 e 24 de Janeiro, o Jardim Lou Lim Ieoc recebe a performance “Treetalk”, organizada pela Unlock Dancing Plaza e a Associação das Idosas de Fu Lun de Macau. A ideia é transportar para a dança a passagem do tempo, visível nos anéis das árvores, mas também no corpo humano. O espectáculo procura despertar a apreciação da beleza do

corpo envelhecido e alterar estereótipos em relação aos idosos. Uma das mais originais propostas da 20.º edição do Fringe é o “F’art for U”, um nome inspirado numa aplicação para encomendar comida, sem qualquer outra influência gastrointestinal. A ideia assemelha-se à realidade de encomendar comida através de uma conhecida aplicação, algo que se tornou ainda mais popular em tempo de pandemia. A diferença está na comida, que é real, e entregue por um artista

que actua na casa do cliente/ espectador. O menu artístico oferece ópera chinesa, dança, teatro ao preço de 19 patacas, sem contar com a refeição. Com um cartaz diversificado e fortemente local, onde não vão faltar também workshops e palestras, Mok Ian Ian deixou ainda a ideia de dar continuidade aos eventos mais populares do cartaz desta edição do Fringe e levá-los até ao próximo Festival de Artes de Macau. João Luz

info@hojemacau.com.mo

Clube Militar Apresentadas 51 obras originais e mostra fotográfica

Cinquenta e uma obras originais de 51 artistas de Macau vão estar expostas, a partir de hoje e até 21 de Fevereiro, no Clube Militar de Macau, que comemora 150 anos, anunciou a organização. Este ano, o Salão dos Artistas de Macau apresenta "o maior número de participantes de sempre", com obras que "ilustram o extraordinário escopo temático, abrangência técnica e criatividade dos artistas visuais do território", destacou. O Salão é também dedicado à celebração do 150.º aniversário do Clube Militar, com uma mostra fotográfica documental, sobre a história e actividades entre 1870 e 2020, indicou, em comunicado. Integrado na série anual "Pontes de Encontro", que se realiza há já cinco anos, o Salão dos Artistas de Macau segue-se à exposição de pintores de língua portuguesa, em Outubro. A série conta com o apoio da Fundação Macau, da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), do Grupo Sam Lei e do Comendador Ng Fok.

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12 china

Cerca de quatro meses depois de terem sido interceptados pelas autoridades quando seguiam numa lancha com destino a Taiwan, os 12 activistas, onde se inclui o jovem de nacionalidade portuguesa e chinesa, são agora acusados formalmente de “travessia ilegal” das águas da China continental

O

Ministério Público chinês anunciou ontem a acusação formal de “travessia ilegal” das águas da China continental a 12 manifestantes antigovernamentais de Hong Kong detidos em Agosto, entre eles um jovem luso-chinês.

17.12.2020 quinta-feira

JUSTIÇA MP ACUSA FORMALMENTE 12 MANIFESTANTES DE HONG KONG

As notas de culpa

anti-governamentais do ano passado, em Hong Kong, tinham iniciado a viagem com destino a Taiwan, onde se pensa que procuravam asilo, quando a lancha em que seguiam foi interceptada, em 23 de Agosto, pela guarda costeira chinesa. Segundo familiares dos detidos, desde a detenção nenhum dos activistas pôde contactar a família nem ter acesso a advogados mandatados pelos seus familiares.

O HOMEM DUPLO

Segundo uma nota publicada na rede social chinesa Weibo pela Procuradoria-Geral de Yantian, em Shenzhen, cidade chinesa adjacente a Hong Kong, dois dos jovens são ainda suspeitos de organizar a passagem ilegal da fronteira. Dois jovens serão julgados à porta

fechada por serem menores de idade, acrescenta a nota. A campanha #save12hkyouths (“salvem os 12 jovens de Hong Kong”) revelou à Lusa que só a família de um dos detidos tinha sido informada da acusação formal, tendo ontem recebido uma chamada de um advogado que

terá sido nomeado pelo Governo chinês para defender o activista. A campanha confirmou que a família do estudante universitário Tsz Lun Kok, detentor de passaportes português e chinês, não recebeu ainda qualquer informação oficial. Os detidos, a maioria ligados aos protestos

A #save12hkyouths anunciou a 19 de Novembro que familiares de sete dos detidos receberam cartas alegadamente escritas pelos activistas. Na altura a campanha confirmou à Lusa que a família de Tsz Lun Kok não tinha recebido qualquer mensagem do jovem. O jovem, que tem nacionalidade portuguesa e chinesa, embora a China não reconheça a dupla nacionalidade, tinha já sido detido em 18 de Novembro de 2019 em Hong Kong, e mais tarde libertado, durante o cerco da polícia à Universidade Politécnica daquele território, sendo acusado de motim, por ter participado alegadamente numa manobra para desviar as atenções das forças de segurança com o objectivo de permitir a fuga de estudantes refugiados no interior.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 35/P/20 Faz-se público que, por despacho da Ex.ma Senhora Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, de 30 de Novembro de 2020, se encontra aberto o Concurso Público para o «Fornecimento de Material de Consumo Clínico para o Serviço de Obstetrícia e Ginecologia dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 16 de Dezembro de 2020, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP47,00 (quarenta e sete patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 15 de Janeiro de 2021. O acto público deste concurso terá lugar no dia 18 de Janeiro de 2021, pelas 10,00 horas, na “Sala de Reunião”, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP96.200,00 (noventa e seis mil e duzentas patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 10 de Dezembro de 2020 O Director dos Serviços Lei Chin Ion

COVID-19 DETECTADO PELA PRIMEIRA VEZ VÍRUS EM ALIMENTOS CONGELADOS PRODUZIDOS NO PAÍS

A

S autoridades de uma cidade do leste do país anunciaram ontem que encontraram, pela primeira vez, vestígios do novo coronavírus numa embalagem de carne de frango congelada de produção doméstica, noticiou a imprensa oficial. A China relatou nos últimos meses vários casos em que detectou vestígios de SARS-CoV-2 em embalagens de alimentos congelados oriundos de outros países, entre os quais o Brasil foi particularmente visado. O Centro de Prevenção de Doenças de Lai’an, na cidade de Chuzhou, província deAnhui, indicou que os testes a um lote de coxas de frango congeladas de uma fábrica local da multinacional norte-americana Cargill foram positivos para o novo coronavírus. A nota, divulgada pelas autoridades de Chuzhou, explicou que “medidas de emergência foram imediatamente adoptadas”, incluindo a realização de testes a mais de 2.700 funcionários. Ne-

nhum obteve, até à data, resultado positivo. Mais de 260 testes foram também realizados em veículos de transporte de alimentos congelados ou linhas de produção, mas também não acusaram o vírus. Pequim aumentou a regulação para importação de produtos alimentares congelados, incluindo a realização de testes em embalagens de bens oriundos de países fortemente atingidos pela pandemia. As autoridades chinesas argumentaram que os alimentos congelados importados, principalmente carnes e peixes, são a principal fonte de novos surtos no país, uma vez que as cadeias de transmissão locais foram praticamente eliminadas. A imprensa oficial tem mesmo sugerido que o surto inicial da pandemia, registado no centro do país, poderá estar relacionado com a importação de bens congelados, sem apresentar, contudo, provas.

PANDEMIA FOSUN COMPRA 100 MILHÕES DE VACINAS DO CONSÓRCIO PFIZER-BIONTECH

O

grupo chinês Fosun, que detém várias empresas em Portugal, anunciou ontem um acordo com a BioNTech para a compra de 100 milhões de doses da vacina para a covid-19, desenvolvida pela empresa alemã em conjunto com a norte-americana Pfizer. Numa nota enviada à Bolsa de Valores de Hong Kong, a Fosun explicou que o negócio está ainda dependente da autorização da China para a comercialização daquela vacina. A primeira parte do acordo prevê a venda de 50 milhões de doses, para as quais será feito um pagamento equivalente a 125 milhões de euros, até 30 de Dezembro. O restante será pago quando as autoridades chinesas derem luz verde para comercializar a vacina no país. A empresa chinesa ficará com 65 por cento das receitas brutas anuais obtidas com a comercialização da vacina na China. A BioNTech fica com os restantes 35 por cento. A Fosun advertiu, no entanto, que “não

há garantia” de que a vacina da BioNTech receba autorização para ser comercializada na China, um país que ainda não aprovou nenhuma vacina que não seja para uso de emergência e em casos muito específicos, apesar de várias empresas chinesas possuírem vacinas na última fase de testes. No início deste mês, um representante do Governo chinês disse que Pequim vai aprovar a comercialização de 600 milhões de doses da vacina contra o coronavírus antes do final do ano, mas não houve ainda confirmação oficial. A vacina desenvolvida pela Pfizer e a BioNTech já recebeu autorização em vários países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Singapura, México e Costa Rica.


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quinta-feira 17.12.2020

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S acções da Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC), principal fabricante de semicondutores da China, caíram ontem nas praças financeiras de Xangai e Hong Kong, face aos rumores de uma possível demissão do CEO. As acções da empresa caíram 4,94 por cento, em Hong Kong, e 5,53 por cento, em Xangai, perante a hipótese de o presidente do conselho de administração se demitir, depois de a empresa ter sido incluída na lista negra dos Estados Unidos, que restringe a exportação de alta tecnologia. Em comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong, a empresa pediu a suspensão temporária das negociações, voltando a retomar após o intervalo do meio-dia. Em outro comunicado, difundido durante o intervalo da sessão, a SMIC indicou que o conselho de administração “viu que alguns meios de comunicação relataram que o CEO e o co-CEO da empresa, Liang Mong Song, está prestes a renunciar aos cargos e que a empresa soube da intenção de Liang de renunciar condicionalmente”. “A empresa está a verificar com Liang a sua intenção de renunciar”, explicou. No início deste mês, os Estados Unidos colocaram a SMIC na lista negra do Pentágono, por alegados laços ao exército chinês. No total, são já 35 as empresas chinesas que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentou à lista negra em 2020. Huawei, Hikvision ou China Telecom são outros dos grupos visados. A lista dos EUA decorre de uma lei aprovada em 1999, mas até este ano estava vazia. Foi a administração de Trump que designou as em-

BOLSA ACÇÕES DE FABRICANTE DE SEMICONDUTORES CAEM APÓS RUMOR DE DEMISSÃO DO CEO

Pela boca morre o peixe

O boato de que o presidente do conselho de administração da mais famosa empresa chinesa de fabrico de semicondutores se iria demitir, no seguimento da inclusão na lista negra dos Estados Unidos, fizeram cair as acções da Manufacturing International Corporation cerca de 5 por cento em Hong Kong e em Xangai

presas chinesas como estando sob controlo do Exército de Libertação Popular, as forças armadas chinesas. A partir do próximo ano, investidores norte-americanos estão proibidos de comprar acções de empresas que fazem parte da lista negra. A ordem executiva assinada por Trump permite que se desfaçam

das acções até Novembro de 2021.

GUERRA ABERTA

As relações entre os Estados Unidos e a China deterioraram-se rapidamente nos últimos dois anos, que ficaram marcados por uma prolongada guerra comercial e tecnológica, e divergências

SMIC indicou “viu que alguns meios de comunicação relataram que o CEO e o co-CEO da empresa, Liang Mong Song, estavam prestes a renunciar aos cargos e que a empresa soube da intenção de Liang de renunciar condicionalmente”

em assuntos como o estatuto de Hong Kong, a questão de Taiwan ou a soberania no mar do Sul da China. A China quer reduzir a sua dependência de alta tecnologia norte-americana, incluindo dos semicondutores produzidos pelos Estados Unidos, pelo que a SMIC desempenha um papel crucial. A SMIC triplicou o seu valor de mercado quando entrou na bolsa de Xangai há um ano e meio. O valor das acções triplicou no primeiro dia de negociações, demonstrando a confiança dos investidores no apoio de Pequim ao desenvolvimento do sector.

SUPERLIGA CHINESA SALÁRIOS DE FUTEBOLISTAS ESTRANGEIROS LIMITADOS A TRÊS MILHÕES DE EUROS

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Federação Chinesa de Futebol (CFA) anunciou esta terça-feira que limitará os salários dos jogadores estrangeiros a actuarem nos campeonatos nacionais a três milhões de euros anuais, uma medida que poderá afastar a chegada de grandes nomes da modalidade. “O salário individual dos jogadores estrangeiros durante uma temporada não pode ultrapassar os três milhões de euros, antes de ser aplicada a taxa de impostos. Esta política visa conter as bolhas de

investimento nos nossos campeonatos e promover o desenvolvimento saudável e sustentável do futebol profissional”, justificou a CFA, na sua página oficial na Internet. Esta regra aplicar-se-á a partir de 1 de Janeiro de 2021 para todos os jogadores estrangeiros, incluindo aqueles que, actualmente, estão a jogar na China, mas, de acordo com o organismo, os jogadores com um vencimento superior a três milhões de euros poderão assinar com os

seus clubes “um acordo adicional para acordar uma forma de pagamento da diferença”. A Superliga chinesa conta com o português Daniel Carriço, ao serviço do Wuhan Zall, e com o compatriota Vítor Pereira, ao ‘leme’ do Shanghai SIPG, equipa na qual alinham nomes conhecidos como o austríaco Marko Arnautovic e o brasileiro Óscar. O eslovaco Marek Hamsik e o também brasileiro Anderson Talisca, ex-Benfica, actuam igualmente na principal divisão do país.

PUB HM • 1ª VEZ • 17-12-20

ANÚNCIO Divisão de coisa comum n.º

CV2-17-0041-CPE

2º Juízo Cível

Autores: 1. CARLOS LEUNG ou LEUNG MENG KUONG CARLOS (梁明廣), de nacionalidade chinesa, residente em Macau, no Beco da Ilha Verde n.º 7-79, 寶華工貿 大廈, 5.º andar D; e a sua mulher 2. HERINNA TONG LEUNG ou LEUNG TONG YOK KAN HERINNA (梁董 玉簡), de nacionalidade chinesa, residente em Macau, no Beco da Ilha Verde n.º 7-79, 寶華工貿 大廈, 5.º andar D. Reus: 1. CHONG IOK TONG (鍾煜堂), de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na Travessa do Mata-Tigre n.º 10-10D, Edf. Seng Meng Kok, 4.º andar B; e a sua mulher 2. LAU IN VAN (劉燕雲), de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na Travessa do Mata-Tigre n.º 10-10D, Edf. Seng Meng Kok, 4.º andar B; 3. CHAN CHAN MENG ou CHIN KYIN MEIN (陳振明), de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na Estrada de Adolfo Loureiro n.º 3D, Ef. Va On, 5.º andar B; e a sua mulher 4. LAO UT HOU (劉月好), de nacionalidade chinesa, residente em Macau, na Estrada de Adolfo Loureiro n.º 3D, Edf. Va On, 5.º andar B. Nos autos supra identificados, foi designado o dia 19 de Janeiro de 2021, pelas 11:00 horas, neste Tribunal, para a venda por meio de propostas em carta fechada, o bem abaixo identificado. IMÓVEL A VENDER Denominação da fracção autónoma: FR/C, Rés-do-Chão “F”. Situação: Em Macau, nºs 6 a 10-A da Avenida do Almirante Lacerda, nºs 81 a 97 da Rua de João de Araujo e nºs 21 a 29 da Rua de S. João de Brito. Fim: Para Comércio. Número de matriz: n.º 073242. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: nº. 11907, a fls. 31V do Livro B32. O valor da base da venda: MOP$17.470.728,00 (Dezassete Milhões, Quatrocentas e Setenta Mil, Setecentas e Vinte e Oito Patacas). Os preços das propostas devem ser superiores ao valor da base da venda acima indicado. *** Os interessados na compra devem entregar a sua proposta em carta fechada, com indicação nos envelopes das propostas, a seguinte expressão “proposta em carta fechada”, “2º Juízo Cível” e o “Processo Número: CV2-17-0041-CPE”, na Secção Central deste Tribunal, até o dia 18 de Janeiro de 2021, até 17:45 horas, podendo os proponentes assistir ao acto da abertura das propostas. Quaisquer titulares de direito de preferência na alienação do imóvel supra referido, podem, querendo, exercerem o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma proposta for aceite, nos termos do artº 787º do C.P.C.M. Macau, em 09 de Novembro de 2020. *****


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h

Xunzi

U

SA as categorias apropriadas para lidar com casos confusos, e o usa o único padrão correcto para gerir a miríade de situações, começando e depois terminando, terminando e depois começando outra vez, tal como uma bracelete de jade, que não tem princípio nem fim. Se abandonares estas coisas, todo o mundo entrará em declínio. O Céu e a Terra são a origem da vida. Ritual e yi [justiça] são a origem da ordem. A pessoa exemplar é a origem do ritual e de yi. Praticando-os, ganhado o hábito deles, acumulando por eles grande estima, ganhando afecto por eles – essas são as origens da pessoa exemplar. Assim, Céu e Terra dão à luz a pessoa exemplar, que traz ordem ao Céu

17.12.2020 quinta-feira

Minha alma é aquilo

O Governo do Verdadeiro Rei

e à Terra. A pessoa exemplar é o terceiro parceiro do Céu e da Terra, um supervisor da miríade de coisas e uma mãe e um pai para o povo. Se não existissem pessoas exemplares, o Céu e a Terra não seriam apropriadamente ordenados e ritual e yi não teriam guia unificador. Em cima, não existiriam senhores ou mestres, em baixo, não existiriam pais e filhos. Esse é o estado de caos absoluto. Quando as posições de senhor e ministro, pai e filho, irmão mais velho e irmão mais novo, marido e mulher têm todas começo e fim, fim e começo, quando pertencem à mesma ordem do Céu e da Terra, durando tanto como a miríade de gerações – a tal se chama a grande raiz. Assim, os funerais, sacrifícios, cerimó-

Elementos de ética, visões do Caminho PARTE V

nias de corte, saudações reais e assuntos militares decorrem todos segundo esse padrão. Enobrecimento e degradação, dar a morte e dar à luz, dar e tirar, decorrem todos segundo este padrão. Tratar o senhor enquanto senhor, o ministro enquanto ministro, o pai enquanto pai, o filho enquanto filho, o irmão mais velho enquanto irmão mais velho e o irmão mais novo enquanto irmão mais novos são todas coisas que decorrem segundo este princípio. Tratar o lavrador enquanto lavrador, o oficial enquanto oficial, o artífice enquanto artífice e o mercador enquanto mercador são todas coisas que decorrem deste princípio. A água e o fogo têm qi, mas não têm vida. Ervas e árvores têm vida, mas não

têm consciência. As aves e bestas têm consciência, mas não têm yi. Os humanos têm qi e vida e consciência, mas também têm yi. São, por isso, as coisas mais preciosas sob o Céu. Não são fortes como bois, nem velozes como cavalos, mas bois e cavalos são por eles usados. E porquê? Por causa das divisões sociais. De que modo podem as divisões sociais ser postas em prática? Através de yi. Se recorrem a yi para implementar divisões sociais, estarão em harmonia. Se estiverem em harmonia, estarão unificados. Estando unificados, terão mais força. Tendo mais força, serão mais fortes. Sendo mais fortes, serão capazes de dominar os animais. E, assim, chegam a viver em casas e palácios.

Tradução de Rui Cascais Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, juntamente com o próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quinta-feira 17.12.2020

que não tem

Crónico Oriente Duarte Drumond Braga

O canal e o engenheiro

O

PIÁRIO é o poema de Fernando Pessoa, publicado no primeiro número da revista Orpheu (1915) em que se estreia a voz do engenheiro naval Álvaro de Campos. Encontramo-lo a bordo de um navio, o que não seria à partida estranho, e de regresso à Europa. Mas o nosso engenheiro exprime a dada altura este estranho desejo: “Não chegues a Port-Said, navio de ferro! / Volta à direita, nem eu sei para onde”. Ora, Port Said fica na costa do mar Mediterrâneo, à entrada do Canal de Suez, de que o ano passado 150 anos decorreram sobre a abertura. O falso poeta Campos prefere antes ir para aquela direção misteriosa, entrevista por entre os vapores do ópio, e que havia sido formulada no quarto verso da estrofe introdutória: “Um Oriente ao oriente do Oriente”. É preciso ainda saber que o heterónimo escreve confinado na sua cabine, a bordo e em pleno canal. O paratexto dá a seguinte referência: “1914, Março. / No canal de Sués, a bordo”. Tudo ficcional, bem entendido. À época celebrada como grande proeza da engenharia moderna, o engenheiro Campos não parece interessar-se por essa marca do progresso material da “civilização ocidental”. Foi o pai gay de Álvaro de Campos (não que o filho deixasse de ser) e não o tímido pederasta Marinetti, que o ensinou a olhar para a tecnologia moderna. Para o poeta de Leaves of Grass, esta encontrava o seu fim último no continente americano, implicando uma genealogia civilizacional. Ora, um dos pontos focais de transferência dessa herança da Europa para as Américas é precisamente o Suez: “(…) the strong light Works of engineers,/ (…)/ In the Old World the East the Suez canal” (Whitman, Passage to India), e um dos pontos de passagem da sua sexualização do cosmos, como um omphalos ou um genital do mundo. O Suez é, afinal, um episódio romântico, no sentido de haver sido assumido como forma de “progresso” técnico, afirmação espectaculosa e tardia de conquista da natureza. Na geografia simbólica da transição para o século XX, foi um local entendido como novo centro simbólico da terra, unindo Ocidente e Oriente. Aclamado como símbolo do progresso, louvado como prova de que a geografia deixaria de separar o Oriente e o Ocidente, o Oriente e o Ocidente, o canal foi quase o centro do mundo. Ao estudar o processo de construção desta obra, entra-se em pleno território simbólico, isto é, depara-se com o capital imaginário que as principais potências coloniais daquela época depuseram sobre um particular espaço geográfico. É

toda uma complexa teia de representações aplicada a um espaço que, em termos materiais, se trata apenas de uma linha de água atravessando um deserto, em simultâneo causa e efeito do confronto de várias posturas ideológicas. Pouco importa a realidade objetciva, antes a sua representação, é o que o canal parece dizer, algo que na nossa modernidade não é nada estranho. Por tal razão, o projecto de engenharia é baptizado pelo seu idealizador, Ferdinand de Lesseps, como “pensée morale”, pensamento moral. O canal não é um canal, é um pensamento. Edward Said, no seu livro de 1978, Orientalism, que discute as representações que a Europa foi fazendo da Ásia, propô-lo como o sinal da viragem epistemológica que ocorre no próprio orientalismo: a passagem do Oriente, como categoria sinalizando um espaço perigoso e exterior, para uma “noção administrativa ou executiva” (2004, p. 107), já no contexto pan-imperial da segunda metade do século XIX, dominado pela Inglaterra e pela França. O feito de engenharia torna-se símbolo evidente da indistinção geográfica e política entre Oriente e Ocidente, de um Ocidente que devorou o Oriente.

São, pois, vários os elementos que circulam em torno do canal. O promotor da escavação do istmo é francês, os seus construtores são egípcios, e o capital que patrocina a obra é, quer egípcio, quer o grande capital europeu. Por último, os seus detentores serão os ingleses, com a ocupação do Egipto e subsequente controlo do canal entre 1882 e 1956. É assim um fenómeno da comunidade internacional, promovido por interesses expansionistas, e que joga com a sobreposição de valores (capitais monetários e imaginários) sobre um território em constante redefinição.

O projecto de engenharia é baptizado pelo seu idealizador, Ferdinand de Lesseps, como “pensée morale”, pensamento moral. O canal não é um canal, é um pensamento.

Se é certo que são a Inglaterra e a França os mais envolvidos na gestão real e simbólica do Suez, por serem as forças mais interessadas numa passagem de navegação entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho, o canal também não deixa de remeter para a cultura portuguesa, uma vez que esta nova porta de acesso realiza por fim, ainda que por outras mãos, a necessidade antiga de chegar à Ásia por terra. O Suez vem tornar obsoleta a travessia marítima do continente africano que servira o projecto imperial português na sua formação. Ora, o português moderno e desiludido chamado Álvaro de Campos estudara engenharia naval em Glasgow. É significativo que este, como nós todos, herdeiro dos descobridores de Quinhentos se forme no Reino Unido, à altura possuidor da maior força naval do mundo. Mas agora vamos encontrá-lo duplamente desempregado. Não tem emprego certo, mero e desiludido passageiro de um cruzeiro quasi-burguês, e o mundo já não precisa de descobridores para as suas índias, já todas mais que descobertas: “Pertenço a um género de portugueses/ Que depois de estar a Índia descoberta/ Ficaram sem trabalho. A morte é certa./ Tenho pensado nisto muitas vezes”.


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retrovisor Luís Carmelo

17.12.2020 quinta-feira

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América

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ADA um de nós tem a sua América. Será um misto de fascínio, cinema, pragmatismo e universo de possibilidades, mas também de selvajaria, isolamento, ensimesmamento, rudeza e grandeza suicidária. O que tornou possível um Watergate, também tornou possível quatro anos de patologia Trump (sempre a mentir e a efabular), codificada, no entanto, como se se estivesse a viver num aquário da mais perfeita normalidade. O que fez a Europa sair do jugo nazi e das ameaças do gulag, foi também o que tornou também possível as chacinas da guerra fria no Vietname. Respirando fundo: a América de cada um de nós é, como toda a realidade, uma incongruência. Mas uma incongruência que nos permitiu muitas vezes poder respirar acima da linha de água. Sem a América, hoje não haveria democracia, tal como a entendemos. Há imensas abordagens sobre a América e nenhuma delas será a última e a perfeita. A maior parte delas provém dos americanos que não têm medo de levar a cabo a sua própria catarse quase em tempo real. Pouco tempo depois da guerra da Coreia, da questão cubana, da guerra do golfo, do 09/11 ou da invasão do Iraque, logo apareceram os filmes, as narrativas e um sem fim de diagnósticos que se auto-celebravam e sobretudo denunciavam. Sob este ponto de vista a América é única. Tenho sobre a mesa dois livros de autores europeus que analisaram a América em visita. Um e outro têm em comum um olhar em que o deslumbre se funde com a negação. O ‘América’ de Jean Baudrillard foi publicado em 1985 e o livro da Natália Correia, ‘Descobri que era Europeia’, desdobrou-se em três tempos (1950, 1978 e 1983). Ao fim e ao cabo, estamos perante duas visões que aterram no início dos anos oitenta e que tentam olhar em frente. É isso que faz um livro não ser estritamente actual e poder, por isso mesmo, merecer por parte do editor um aval que não corresponderá apenas à fome da liquidez imediata e efémera. Há três aspectos comuns nestes dois livros, provenientes, como se sabe, de sensibilidades muitíssimo diferentes: (a) selvajaria e utopia de mãos dadas, (b) paraíso e distopia e (c) uma inevitável colisão ‘Eu - Outro’ (que recairá ou na revelação ou numa estética da alienação). O primeiro aspecto levou Natália a sublinhar que os EUA nasceram “com o racismo”, “desenvolveram-se no racismo” e “vivem no racismo”. Este pano de fundo convive com um outro traduzido pela “descartabilidade do indivíduo” e ainda pelo contraste gritante entre a

“submersão na racionalidade” e a cegueira primária, a solidão urbana ou a marginalização dos imigrantes vencidos e dos idosos. Por outras palavras: um vulcão por arrefecer que propõe fertilidade nas pradarias circundantes. Já Baudrillard preferiu referir-se a “uma imensa utopia realizada”, mas essencialmente paradoxal e que terá chegado a um ponto em que se tornou legítimo interrogar: “...e o que fazer depois da orgia?”. O segundo aspecto circunscreveu-se para Natália ao “pragmatismo da felicidade”, embora associado, “à mais completa morte da individualidade e à mais completa morte da diferença física, emocional, intelectual e cultural”. Baudrillard foi menos impetuoso, mas alertou para o facto de o paraíso americano ser “fúnebre, monótono e superficial”. Tal como em Paris, Texas de Wenders, a metáfora do deserto envolve todos os interstícios profundos da América e permite aos americanos aceitar a sua insignificância diante da (ininterrupta) simulação de paraíso em que vivem (os “malls” são

iguais em todas as Américas do mundo, convenhamos). O terceiro aspecto é o que incide na alteridade e na comparação. No caso de Natália, o efeito da visita foi decisivo. Leia-se: “Foi na América que tive a grande revelação. Levara comigo as minhas raízes europeias. Mas uma visão de contrastes e de agressivos antagonismos trouxe-me à consciência os ramos gerados na profundidade das minhas raízes. Descobri então com deslumbramento a minha posição no mundo: era europeia. E os laços temperamentais que me prendiam à família europeia, deixaram de ser líricas aspirações para se fundirem no aço dum deliberado amor.” A óptica de Baudrillard foi menos inocente e, à boa moda francesa, resgatou a “estrutura” da história como argumento: “Sem passado ou verdade fundadora, por não ter conhecido uma acumulação primitiva de tempo, a América vive numa atualidade perpétua” e numa “simulação perpétua”, pois “não experimentou uma acumulação lenta e secular”. Contudo, no final,

A América de cada um de nós, porventura à imagem da herança que Alexandre-o-Magno deixou nos povos por onde passou, corresponde a uma poética necessariamente de ignição violenta, mas que, para o bem ou para o mal, nos fornece também aquele êxtase próprio das drogas fortes

Baudrillard colocou o dedo na ferida: “É esse o problema da América e, através dele, tornou-se do mundo inteiro”. Ou seja: “nós, europeus, não fazemos outra coisa senão imitá-los, parodiá-los com cinquenta anos de atraso, e sem sucesso, aliás. Falta-nos a alma e audácia do que se poderia chamar o grau zero de uma cultura, a potência da incultura”. Este indefinível território chamado América é parte de todos nós, contemporâneos do que, daqui a um milénio, se dirá ter sido a rápida transição entre a primeira e a segunda dezena de séculos dC. A América de cada um de nós, porventura à imagem da herança que Alexandre-o-Magno deixou nos povos por onde passou, corresponde a uma poética necessariamente de ignição violenta, mas que, para o bem ou para o mal, nos fornece também aquele êxtase próprio das drogas fortes. Assim é, quer por ingénua admiração, quer por preconceituosa (e ignorante) rejeição. A abrir as portas à fantástica “Beat Generation”, Allen Ginsberg, no seu poema ‘Uivo’, publicado em 1956, parece ter dito tudo. E fê-lo com o nitrato da explosão verbal que tudo absorve e absolve, seja a selvajaria, a utopia, o paraíso, a distopia e todas as indescortináveis colisões com o ‘Outro’ que podem, por sua vez, revelar, alienar, matar ou até reinventar o mundo inteiro de raiz. Termino com uma pequena parte desse poema memorável - ao jeito de uma torrente de lava - que fala realmente por si (tradução da Margarida Vale de Gato): “...um batalhão perdido de conversadores platónicos saltando o gradeado das escadas de incêndio dos parapeitos de janelas do Empire State além da Lua, patati‐patateando gritando vomitando sussurrando factos e memórias e anedotas e tripes oculares e choques elétricos dos hospitais das cadeias das guerras intelectos inteiros regurgitados em recordação total durante sete dias e noites de olhos brilhantes, carne para a Sinagoga atirada à calçada, que desapareciam para a Terra do Nunca da Nova Jérsia Zen deixando um rasto de ambíguos postais ilustrados da Assembleia Municipal de Atlantic City sujeitando‐se aos suores orientais e aos ossos triturados em Tânger e às enxaquecas na China sob uma ressaca de droga no quarto desmobilado de Newark...”. Etc, etc, etc.

Baudrillard, Jean. ‘América’. Verso, Paris, 1988. Correia, Natália. ‘Descobri que era Europeia: impressões duma viagem à América’. Editorial Notícias, Mem Martins, 2002. Vale de Gato, Maria (Ed., intro, trans. and notes) de Allen Ginsberg, ‘O Uivo e Outros Poemas’ (The Howl and Other Poems). Relógio d’Água, Lisboa, 2014.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

quinta-feira 17.12.2020

diário de Próspero António Cabrita

12/12/20 Uma mulher belíssima, com um olho vazado. Ou foi uma ilusão de óptica? Pode esta dúvida, por si, constituir personagem? Trazia com ela um lobo-de-alsácia que se alçou sobre as patas no largo parapeito da janela da cervejaria, nas minhas costas. As unhas do cão arranharam o alumínio e lancei um relance para trás das costas, vendo a mancha cinza do cão, a sua túmida língua rosa, e sobre a cabeça deste aquele semblante radioso, a quem a máscara não conseguia obstruir a luz, nem a sombra enigmática no olho esquerdo desfeava. Um cabelo à Lauren Bacall e traços que me evocavam uma mulher que julguei amar como uma estátua distante numa repetida rota de comboio e que, soube depois, morreria de aneurisma. O génio modernista não deixou de acoitar os seus cretinismos. Para Gertrude Stein chamar a uma obra artística bela significaria que ela estava morta. Que juízo austero! Contudo, a impressão que me deixou esta belíssima (mesmo com um olho vazado) e fugaz aparição feminina era a de que, rompendo qualquer insípida harmonia, me sorvia a atenção pela impossibilidade de ser definida, o que a tornava desejável e porosa, digamos, uma representação viciosamente viva. Como se aquele breve segundo não se dissipasse mas se se implantasse, imprimindo-me na retina uma obra de arte. A feiosa Gertrude que se dane! 15/12/20 Volto ao Brecht, à peça prometida à Maria João Luís, e que gostaria de terminar até ao fim do mês. Escreveu o dramaturgo alemão numa breve nota de 10.06.50, no seu Diário de Berlim: «Li um trabalho sobre mim e Gorky, escrito por um estudante trabalhador de Leipzig. Nada mais do que ideologia, mais ideologia e, sempre, ideologia. Em nenhuma das suas partes se enxerga um único conceito estético; o todo lembra vagamente a descrição de um prato onde nada seja dito sobre o sabor. Devemos organizar prioritariamente exposições e aulas destinadas à formação do gosto, i. é. que tenham em vista o prazer de viver.» Um pequeno reparo que me faz reconciliar com a personagem (visto que, como ser humano, quanto mais o conheço mais o acho um traste). Mas, curioso, é como fisionomicamente são parecidos, ele e o António Guerreiro. Se fizesse um filme sobre o Brecht recrutava-o. Tal como a Maria João Luís tem, é patente, o mesmo tipo físico da Heléne Weigel, que incorporá. E isto lembra-me um conto burlesco que escrevi, ainda inédito, onde exploro as cruéis ou divertidas parecenças entre algumas figuras da pintura clássica e algumas figuras públicas de diversos quadrantes. Como aqui:

Cristalizações

«Deixei então de querer ser um autor e comecei a sentir-me atraído pela ideia de me converter no sósia de um personagem que representasse indubitavelmente o estigma da Saudade. Que a superasse, dando-lhe um corpo. Posto ser a única esperança que nos resta para refundir o elo perdido: encarnar o avatar. Sempre me senti um artista, um artista verdadeiro, e como artista não queria fixar simplesmente a imagem para um corpo (o que não passaria de um espectro) mas sim construir um corpo para a imagem. Tive a certeza disso quando vi o retrato de Carlos III pelo Goya, e vi que o rei era afinal o actor Miguel Guilherme. A carreira de Miguel Guilherme, tenho a certeza, nunca descolará como verdadeira expressão artística e não crescerá internacionalmente (não falo da popularidade de que já beneficia em Portugal) antes dele assumir esta cristalização, tornando-se monárquico.» “Tem a certeza” o personagem do conto, não eu, que estimo e desejo os maio-

res sucessos ao Miguel Guilherme. Mas, digam-me lá se eu não dava para olheiro? Vou fazer uma agência de casting. 16/12/2020 Foi hoje a cerimónia de lançamento de dois livrinhos que fiz em colaboração com a Cooperação Espanhola, em Maputo. Dois livros bilingues, de cujas traduções me encarreguei (com a Teresa Noronha), O passo que se habita, um longo poema de 30 páginas (nesta edição) de Esther Peñas, e Escrever, de Chantal Maillard, outro poema unitário, de 19 páginas. Ficaram belíssimos, os livros – o projecto gráfico é do pintor e gráfico moçambicano Luís Cardoso. Agora, vamo-nos atirar aos próximos livros da colecção. Aqui deixo um excerto do primeiro: « As abelhas voltejam no portão que separa o deus despossuído/ da multidão que reclama sangue/ porque não

Tive a certeza disso quando vi o retrato de Carlos III pelo Goya, e vi que o rei era afinal o actor Miguel Guilherme. A carreira de Miguel Guilherme, tenho a certeza, nunca descolará como verdadeira expressão artística e não crescerá internacionalmente (não falo da popularidade de que já beneficia em Portugal) antes dele assumir esta cristalização, tornando-se monárquico.»

reconhece o valor do sangue,/ se soubesse que o sangue que corre em cada homem,/ em cada deus,/ é, mais do que sangue, energia sagrada, mas a turba já/ esqueceu o sagrado e o seu conceito, já não sabe alimentá-lo/ de madeira nem talhar nela/ a cena da fome./ O deus ruge, a seu pesar,/ e parece menos deus assim, tão dolente,/ tão pouca coisa este deus que se sofre no seu infinito;/ as abelhas corroem o ferro, fundem-no,/ obstinam na ordem profunda dos humildes poetas que segregam seda/ para não perder o sonho,/ as abelhas/ corroem o ferro, fundem-no, / juntam-se aos pés do deus/ e essa imagem,/ as abelhas dispondo-se num cortejo inverosímil,/ as abelhas,/ que segregam sonhos,/ devolvem-lhe a sua natureza primeira, a sua altura celeste/ e o deus responde em actos, baixa do patíbulo e a sua presença/ derrama-se pela praça,/ a sua dignidade trémula impõe-se,/ a multidão abre-se de um só golpe/ e um silêncio cósmico ressoa/ enqunto o deus confia às abelhas a inércia do passo./ recompõe-se,/ abre os olhos,/ abre os olhos e vê o que está para além do que neles cabe;/ poderia vingar-se, sim,/ mas a sua é a bondade feita existência;/ as abelhas acompanham-no, como nuvem de gatafunhos;/ há medida e recato no seu gesto,/ é um gesto de homem caído a pique capaz de levantar-se./ As abelhas sabem a quem servem,/ porque segregam cera,/ e as talárias pressentem.» São duas poetas de respiração cósmica. Mas delas falarei numa próxima crónica.


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A Indonésia, o quarto país mais populoso do mundo, vai administrar gratuitamente a vacina contra o covid-19 aos seus 267 milhões de habitantes, disse ontem o presidente Joko Widodo numa mensagem ao país. “Após muitos comentários públicos e de cálculos realizados

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às finanças do Estado posso anunciar que o acesso à vacina contra o covid-19 vai ser gratuito para todos”, declarou. Joko Widodo ordenou ao Ministério das Finanças para «estabelecer prioridades e acertar outros orçamentos para que seja assegurada a vacinação».

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Cineteatro 22 SALA 1

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FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Sotozaki Haruo 14.30, 16.45, 17.15, 21.30 SALA 2

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C I N E M A

THE MOVIE DEMON SLAYER: KIMETSU NO YAIBA MUGEN TRAIN [C]

Um filme de: Dave Franco Com: Dan Stevens, Alison Brie, Shiela Vand 14.30, 16.30. 19.30, 21.30

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SALA 3

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FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Adrian Kwan Com: Andy Lau, Lowell Lo, MArk Lui, Hugo Ng 16.30, 19.30

UM FILME HOJE Chamar documentário a Rolling Thunder Revue talvez seja um erro, mas é aí que assenta o toque de Midas de Martin Scorsese. Composto por material ficcionado e não ficcionado, Rolling Thunder Revue leva o espectador a acompanhar a épica tour de Bob Dylan pelos Estados Unidos da América em 1975. Além de incluir entrevistas contemporâneas de figuras como Joan Baez, Sam Shepard e o próprio Dylan, é possível ver testemunhos ficcionados interpretados por actores, como o suposto produtor StefanVan Dorp e Sharon Stone, protagonizando uma versão ficcionada de si própria. A fronteira entre realidade e ficção fica onde o espectador assim o entender. O génio de Dylan, esse, é transversal aos dois mundos. Pedro Arede

ROLLING THUNDER REVUE: A BOB DYLAN STORY. MARTIN SCORSESE I 2019

4 3 2 5 1 2 1 7 9 6 6 5 3 4 8 7 6 1 3 THE4RENTAL 5 8 9 2 7 1 9 6Fábrica8de 5 Propriedade Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 3 7M.Tavares; 8 6Inês Oliveira; 9 João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Gonçalo Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul 9 4Paula1Bicho;3Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de Chan 2 Wai Chi; redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de 8 5 n.º719, Centro 2 Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo Santo 4 Agostinho,


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quinta-feira 17.12.2020

MÁRIO DUARTE DUQUE

Plano Director VII

O

DA MORFOLOGIA URBANA DO TRAÇADO HIPODÂMICO AO DESENHO PARAMÉTRICO sistema de planificação urbana mais recorrente na história do urbanismo é o da quadrícula, que remonta ao séc. V BCE, e é atribuído a Hipódamo de Mileto, a quem Sócrates se refere como o fundador do urbanismo. Consta de uma malha urbanística regular que se tornou conhecido por Sistema Hipodâmico. O sistema consiste na organização das cidades através de ruas dispostas numa matriz ortogonal, criando blocos (ou quarteirões), em que todos os edifícios habitacionais (insulæ), públicos e religiosos, ou praças, se encaixam nessa malha. Supõe-se que foi utilizado pela primeira vez na reconstrução de Mileto em 479 BCE, na Jónia (actual Turquia) após a sua destruição pelos Persas, onde Hipódamo trabalhou activamente. Experiência que veio a ser utilizada no planeamento da cidade portuária do Pireu (Atenas), e a que Alexandre, o Grande, recorreu na construção de Alexandria, assim como na maior parte das cidades coloniais gregas. O mesmo modelo voltou a ter relevância no renascimento com o filósofo francês René Descartes, não apenas na sua génese geométrica, mas na vertente da representação matemática do espaço. O mesmo sistema, ou grelha, passou a chamar-se também cartesiano, assim como tudo o que se pauta por características racionais e metódicas, e que se compreende simplesmente pela acção de pensar cientificamente. O período que dista entre estas duas gerações (a Antiguidade e o Renascimento) corresponde à época medieval do ocidente, e

da crise de muitos modelos clássicos associados à vida urbana, em que a morfologia das cidades passaram a ser predominantemente acrópoles fortificadas, e o seu traçado passou a ser consequência apenas de uma topografia. Em Macau o modelo da acrópole repercutiu-se na cidade dentro de portas em torno de uma colina fortificada, como também foi utilizado o modelo cartesiano, em que todos os edifícios habitacionais, públicos e religiosos, ou praças, se encaixam nessa malha, na cidade fora de portas. Um sinal da persistência universal desse modelo urbano é a continuidade dos mesmos elementos, mesmo com a atribuição de finalidades de outras épocas. Por exemplo, a um dos quarteirões fora de portas encaixados nessa malha os romanos chamavam “Campo de Marte”, o qual permanecia livre, reservado para o acampamento de tropas em viagem, cuja entrada na cidade era origem de distúrbios, por isso não desejável. O elemento urbanístico persistiu, e serviu para acomodar mercados sazonais, jogos e eventos ao ar livre, ou mesmo a instalação da tenda das companhias de circo itinerantes. Em subsequentes períodos de matriz classicista chegou a invocar-se a designação “Campo de Marte” na toponímia das cidades, muito embora nenhuma tropa alguma vez aí se aquartelasse. O Tap Seac é o “Campo de Marte” de Macau, i.e. um quarteirão desocupado fora de portas, onde nenhuma aquartelamento alguma vez estacionou, mas que serviu e serve para eventos ao ar livre, apenas agora incompleto na pauta de eixos viários que completava o enquadramento da malha, e que era exactamente nisso onde residia a referência clássica urbanística. As malhas urbanas são moldes de compreendermos e nos orientarmos na cidade, sem precisarmos de conhecer todo o seu detalhe, na medida em que o sistema permite que a razão deduza e represente grande parte daquilo que não conhecemos da cidade. E porque na história do conhecimento ora prevalece a razão, ora os sentidos, foi também ao serviço de outras estratégias que o desenho das cidades assegurou a sua compreensão por via sensorial, nomeadamente visual. É essa

uma característica da cidade barroca, onde os elementos de orientação passaram a ser os eixos visuais e a matriz do desenho passou a ser necessariamente radial. Nesse desenho urbano é essencial para a orientação de cada eixo visual fosse identificado por um elemento próprio para o qual aponta ao fundo, fosse a fachada de um edifício importante a onde esse eixo conduz, fosse um obelisco numa praça que servisse de rotunda de mudança para outras direcções. Na falta desses elementos ou de outros que a razão extraísse, estaríamos perdidos. Experiência do mesmo também temos em Macau em torno da Rotunda Carlos da Maia (os Três Candeeiros) onde vias que irradiam dessa rotunda se sobrepõem à quadrícula cartesiana. Da nossa experiência resulta que essa é a zona da cidade onde também facilmente nos perdemos, e que só retomamos a nossa orientação quando vemos a Rotunda Carlos da Maia ao fundo de uma rua, se não tivermos outras referências locais, nomeadamente de uma ou outra loja que já conheçamos. Razão por que a Rotunda foi há muito assinalada no centro por um cadeeiro eléctrico. O urbanismo contemporâneo acumula todas estes elementos e tradições de desenho urbano. A malha cartesiana continuou a ser o sistema com capacidade de gerar espaço urbano que corresponde ao que dele somos capazes de representar e de nos orientar, mesmo quando não o conhecemos. O aperfeiçoamento dessas malhas vem residindo principalmente nas orientações que tomavam e na aferição da dimensão e da proporção dos quarteiros, em função da geografia e das tipologias da construção em vista. Os grandes eixos diagonais passaram a designar-se por bulevares e passaram principalmente a assegurar a circulação mais rápida, sem prejuízo das suas funções cénicas, ao mesmo tempo exprimindo funcionalmente e esteticamente a contemporaneidade, no tempo em que todos os modos de circulação ainda coexistiam na mesma via. O domínio da gestão desses territórios urbanos determinava que a sua representação se fizesse por modelos simplificados, e

que as regras da sua génese fossem também aquelas que estão ao alcance da razão humana processar. Foi por via de inteligência artificial que vem sendo possível trabalhar esses territórios com modelos numéricos que não só permitissem melhor representação do território urbano, mas também introduzir condições de génese para resultados mais bem ajustados e de melhor efeito para o funcionamento das cidades. Foi com o desenho paramétrico assistido por computador que passou a ser possível acrescentar e trabalhar logo de início níveis de informação que podem representar não só a topografia, como todas as condições laterais que afectam um território, sejam as que caracterizam o clima, ou as que resultam da presença de águas abertas ou de rios. Passou assim a ser possível que toda a capacidade de sistematização das malhas cartesianas, se “deformasse” em sistemas de referência diferentes dos ortogonais, que procuram as melhores pendentes do terreno existente, ou a gerar, para uma melhor drenagem, ou que distribuam a massa da edificação para melhor diferenciação da radiação térmica da massa construída e, consequentemente, melhor circulação e higiene do ar. Consequente e necessariamente, malhas urbanas caracterizadas por um desenho volumétrico que não é de altura uniforme, truncada para todo o volume de construção. Desenho paramétrico que resulta em novas categorias formais que são muito mais que mera gratificação estética, pois resultam de condições pertinentes, mais bem ajustadas e de vantagem para um território urbano. Inovação que não seria alheia ao espírito das Linhas de Acção Governativa do Chefe do Executivo para o ano de 2021, e do repto aos dirigentes e funcionários em geral da RAEM para actualizarem e inovarem os métodos e os procedimentos da acção administrativa e da administração dos bens públicos onde se inscreve a urbanização. ACarta deAtenas (1933), o manifesto seminal do “movimento moderno” da arquitectura e no urbanismo do séc. XX, já concluíra que “o planeamento urbano é uma ciência baseada em três dimensões, não em duas”.


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Hoje Macau 17 DEZ 2020 #4692 by Jornal Hoje Macau - Issuu