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Hoje Macau 15 JULHO 2022 #5050

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CHAMADA À PEDRA PÁGINA 4

Nº 4760

PUB.

OLGA SANTOS

ONU | RAEM

CONFINAMENTO

EDUCAR ESTRANGEIROS PÁGINA 5

JOGO

FERIDA ABERTA ÚLTIMA

HOJE MACAU

TERÇA-FEIRA 4-5-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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SEXTA-FEIRA 15-7-2022

MOP$10

Nº 5051

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

O futuro dirá Confinar ou não confinar, eis a questão. O que o futuro nos reserva para a próxima semana depende dos resultados das últimas rondas de testes em massa, que terminam no domingo. Uma coisa é certa. Se o confinamento parcial for levantado, será substituído por “medidas mais rigorosas” para quem tiver de sair de casa. PÁGINAS 2-3


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RÓMULO SANTOS

2 especial covid-19

SURTO FIM DE CONFINAMENTO PODE IMPLICAR MEDIDAS “RIGOROSAS” DE CONVIVÊNCIA

A vida no limbo

O eventual levantamento do confinamento parcial de Macau na próxima semana apenas será decidido após a 10ª ronda de testes em massa que termina domingo. A acontecer, haverá “medidas de substituição mais rigorosas” para quem trabalha, assegurou a médica Leong Iek Hou. Um idoso de 86 é quinta morte por complicações associadas à covid-19. Detectados 25 casos suspeitos de violar medidas de prevenção


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especial covid-19 3

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(…) já no hospital, teve sintomas de pneumonia e uma infecção grave”, partilhou o médico, Lei Wai Seng.

A caravana passa

Questionada sobre se o facto de os donos de animais domésticos estarem obrigados a lidar com os respectivos dejectos dentro de casa, não poderá constituir um perigo para a saúde pública, Leong Iek Hou disse não ter qualificações suficientes para emitir um parecer sobre o assunto. “Como não sou veterinária (…) não sei muito bem”, começou por dizer. “Sobre as necessidades dos animais, uma vez que a minha especialidade é a higiene de pessoas, não vou dar a minha opinião. Mas, no que diz respeito à higiene pública, se todo o lixo e resíduos forem tratados de forma correcta, isso não irá implicar um risco elevado para a higiene pública”, considerou.

“Até às 15h de hoje [ontem] foram feitos 505 avisos e, desde o dia 11 de Julho, foram acumulados 25 casos de violação da lei de prevenção das doenças transmissíveis.” CHEONG KIN IAN SPU

O

eventual levantamento do confinamento parcial a que Macau está sujeito até à próxima segunda-feira poderá implicar a introdução de medidas de convivência mais rigorosas, especialmente para quem trabalhar fora de casa. Contudo, certezas sobre a próxima semana, apenas serão conhecidas após a conclusão das últimas duas rondas de testes em massa à população, garantiu a médica Leong Iek Hou. “Quando deixar de ser necessária a implementação da medida de confinamento parcial, vai ser preciso criar medidas mais rigorosas para as pessoas que têm de ir trabalhar. Por exemplo, como é que vamos assegurar que usam correctamente a máscara e não comem no serviço? [Temos de ter em conta] que alguns locais de trabalho não têm condições que permitam aos funcionários tomar uma refeição sozinhos”, começou por dizer. “Quando pudermos levantar o confinamento parcial, temos de ter outras medidas de substituição para reduzir o risco [de transmissão].

Neste momento, estamos ainda a estudar qual será a melhor forma de não prejudicar os cidadãos e evitar riscos. Ainda não sabemos que medidas vamos tomar na próxima semana porque (…) ainda temos a 9ª e a 10ª rondas de testes em massa e depois de estas rondas terminarem, temos de observar os resultados. Por exemplo, havendo 10 casos ou um caso, as medidas a tomar serão diferentes”, apontou ontem Leong Iek Hou durante a conferência de actualização sobre a covid-19.

“Quando deixar de ser necessária a implementação da medida de confinamento parcial, vai ser preciso criar medidas mais rigorosas para as pessoas que têm de ir trabalhar.” LEONG IEK HOU MÉDICA

Na sequência da resposta, a responsável frisou ainda que poderá haver “necessidade de fazer testes de ácido nucleico em massa com maior regularidade” e que, como todas as medidas têm vantagens e desvantagens, será preciso fazer uma “análise global” sobre se o efeito das medidas está ou não a “prejudicar a vida dos cidadãos e (…) as actividades económicas”. Também o médico adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Lei Wai Seng apontou que, no futuro, Macau poderá “vir a ter testagens em massa de forma mais frequente”. Em conferência de imprensa foi ainda anunciada a quinta morte por complicações associadas à covid-19 no decorrer do actual surto. O caso diz respeito a um idoso de 86 anos com uma doença crónica, vacinado contra a doença. “Trata-se de um idoso com 86 anos que morava no edifício Fai Fau. Após ter sido infectado no presente mês de Julho, foi encaminhado para o Centro Clínico de Alto de Coloane para tratamento. Este idoso (…) tinha uma doença crónica renal e

Relativamente aos casos de violação da lei de prevenção das doenças transmissíveis, o chefe de Divisão de Ligação de Assuntos Policiais e Relações dos Serviços Polícia Unitários (SPU), Cheong Kin Ian, apontou que desde segunda-feira foram identificados 25 suspeitos, sendo que durante o dia de ontem foram feitos cerca de 500 avisos.

O médico adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Lei Wai Seng apontou que no futuro Macau poderá “vir a ter testagens em massa de forma mais frequente.” “Até às 15h de hoje [ontem] foram feitos 505 avisos e, desde o dia 11 de Julho, foram acumulados 25 casos de violação da lei de prevenção das doenças transmissíveis. A maior parte desses casos dizem respeito a situações em que as pessoas estão a correr ou não utilizaram a máscara”, revelou. Pedro Arede

29 casos na quarta-feira

O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou ontem a confirmação de 29 novos casos positivos de covid-19 nas 24 horas de quarta-feira. As infecções correspondem a “26 casos nas zonas de código vermelho e hotéis de observação médica, que foram encontrados durante a fase de gestão e controlo; um caso de contactos próximos, um caso positivo encontrado nos testes massivos e 1 caso encontrado na comunidade”. No total, desde 18 de Junho o número de casos totaliza 1.644. Além disso, até às 08h de ontem, as autoridades efectuaram o acompanhamento de 20.175 indivíduos, 3.151 contactos próximos, 11.145 com os mesmos itinerários dos casos confirmados, 948 contactos próximos por via secundária, 254 contactos gerais e 767 acompanhantes.

Zhuhai Surto cresce para 67 casos

Até ao meio-dia de ontem, o Governo da cidade vizinha de Zhuhai contabilizou um total de 67 casos positivos de covid-19, desde que foram descobertas infecções num jardim de infância na passada segunda-feira. Ontem foram acrescentados 29 casos novos, com as autoridades do Interior a afirmar serem todos relativos à cadeia de transmissão inicial e a pessoas de contacto próximo que estavam em isolamento. Os novos casos são referentes a pessoas entre 1 ano e 59 anos de idade. Entretanto, as autoridades de Zhuhai encerraram os estabelecimentos de restauração no distrito de Xiangzhou.

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funcionários testam positivo no Parisian

A chefe da Divisão de Prevenção e Controlo de Doenças Transmissíveis dos Serviços de Saúde, Leong Iek Hou anunciou ontem que sete funcionários do Hotel Parisian testaram positivo para a covid-19. Segundo a responsável, tanto os trabalhadores como os hóspedes que estavam a fazer ou tinham terminado a quarentena, vão ter assim de prolongar o período de observação médica. “Os que terminaram o processo de observação médica vão ter de prolongar a quarentena por mais cinco dias. Assim, 29 pessoas terão de prolongar observação médica. Outras 144 pessoas que estão em observação médica têm de fazer mais cinco dias”, explicou Leong Iek Hou.

Importados Diagnosticados dois casos assintomáticos

Foram diagnosticados na quarta-feira dois casos importados de covid-19 sem sintomas. Segundo uma nota de imprensa do Centro de Coordenação de Contingência do novo tipo de coronavírus, tratam-se de dois homens, com idades compreendidas entre os 49 e 53 anos, que não tiveram a doença antes e foram reencaminhados para isolamento.


4 política

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AL Alterações ao orçamento devem ser aprovadas online

O hemiciclo está a analisar a possibilidade de realizar um plenário por videoconferência, para aprovar as alterações ao Orçamento da RAEM que visam a concessão de mais apoios económicos, noticiou ontem a TDM Rádio Macau. As medidas já haviam sido anunciadas pelo secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, no início do surto, e implicam gastos de cerca de 10 mil milhões de patacas. Recorde-se que, no passado dia 7 de Julho, e conforme adiantou o deputado José Pereira Coutinho ao HM, os deputados reuniram para simular uma sessão plenária através da plataforma Zoom, recorrendo a tablets fornecidos pelo Governo.

ONU MACAU NÃO TEM APLICADO PACTO DE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS COM CONSISTÊNCIA

Por caminhos sinuosos

O Comité dos Direitos Humanos da ONU apontou a proibição da vigília do 4 de Junho e a exclusão de candidatos às eleições do ano passado como situações em que o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos “foi mal interpretado”. O facto de a lei de combate à violência doméstica não contemplar casais do mesmo sexo foi também alvo de reparos. Governo diz que, segundo a Lei Básica, o pacto é aplicado através das leis de Macau e irá remeter mais respostas por escrito

O

Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP) tem sido aplicado pelo sistema judiciário de Macau “em moldes que não são consistentes”, avisou na quarta-feira o Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas numa reunião com representantes do território. Numa sessão de duas horas, realizada por videoconferência, o Comité dos Direitos Humanos da ONU, reunido em Genebra, na Suíça, questionou uma delegação de Macau, liderada pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, sobre a implementação do PIDCP no território. “Parece que o PIDCP tem sido aplicado pelo sistema judiciário em moldes que não são consistentes com o seu significado, conforme interpretado e reflectido na jurisprudência desta comissão”, alertou o membro Christopher Arif Bulkan segundo a agência Lusa. O advogado guianês, o primeiro de quatro elementos do comité a questionar a delegação de Macau, mencionou vários exemplos, nomeadamente as decisões do

Tribunal de Última Instância (TUI) quando, em 2021, proibiu uma vigília em memória das vítimas de Tiananmen ou, num outro momento, confirmou a exclusão de candidatos pró-democracia às eleições para a Assembleia Legislativa. “Em todas estas instâncias, o pacto foi mal interpretado”, notou Bulkan. As decisões do TUI, apontou ainda, “sugerem que as várias instituições [de Macau] não estão familiarizadas” com a convenção. E questionou: “Como é que o conhecimento deste mesmo acordo é divulgado na sociedade?”. Liu Dexue, da Direcção dos Serviços para os Assuntos Jurídicos de Macau, explicou, que, “de forma a proteger os direitos humanos e implementar” este pacto, o Governo local tem dado “grande atenção à sensibilização e formação de juízes e de quem aplica a lei”, tendo organizado uma série de palestras e ‘workshops’ com cerca de um milhar de participantes. Liu Dexue acrescentou que, de acordo com a Lei Básica, o PIDCP é “implementado através das leis de Macau”. No entanto, Bulkan não se deu por satisfeito com a resposta:

“Macau referiu no relatório [enviado em 2021] que o pacto foi aplicado pelo tribunal em 32 casos. (…) Pode dizer-nos em que casos, para termos uma noção de como é implementado, que direitos estiveram envolvidos e, em particular, se foram encontradas violações ao acordo em alguns desses casos?” Os representantes de Macau, que vão ter nos próximos dois dias mais duas sessões com a comissão, referiram que esta e outras respostas que ficaram por responder chegarão à ONU por escrito.

De tabu em tabu

Shuichi Furuya, também membro do comité, sublinhou na sessão o facto de a lei da prevenção e combate à violência doméstica,

“Parece que o PIDCP tem sido aplicado pelo sistema judiciário em moldes que não são consistentes com o seu significado” ARIF BULKAN ADVOGADO

de 2016, não contemplar casais do mesmo sexo. O responsável japonês quis saber que medidas a região está a tomar para o “reconhecimento legal de pessoas transgénero” e para que este grupo possa alterar a identificação de género nos registos de nascimento ou documentos de identidade. Na réplica, André Cheong referiu que estes são temas “controversos em sociedades orientais, profundamente influenciadas por valores e culturas tradicionais” e que “Macau não é excepção”. “Sem a formação de um consenso social, será difícil conseguir o apoio do corpo legislativo para alterar leis. Por isso, é necessário levar a cabo um diálogo inclusivo”, considerou ainda o secretário. Recorde-se que o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos é um dos instrumentos que constituem a Carta Internacional dos Direitos Humanos da ONU. Em 1992, quando Macau era ainda um território administrado por Portugal, Lisboa procedeu à extensão desta convenção à região. Embora a China tenha assinado o tratado em 1998, nunca o ratificou, não estando vinculada às normas aí presentes.

UCM VICE-REITOR QUER LAÇOS ESTREITOS ENTRE CHINA E PORTUGAL

O

vice-reitor da Universidade Cidade de Macau (UCM), Ip Kuai Peng, disse numa conferência sobre talentos que os laços entre China e Portugal devem aprofundar-se. Segundo o Jornal do Cidadão, o responsável lembrou que as relações comerciais entre China e países de língua portuguesa têm vindo a crescer desde a criação do Fórum Macau, em 2003, destacando o progresso ao nível do valor do investimento directo em projectos que aumentou mais de 50 vezes. Neste sentido, o vice-reitor da UCM acredita que Macau pode tirar partido das vantagens que tem em termos de localização, bem como a existência de diversas culturas e idiomas, reforçando a sua função de plataforma comercial. Ip Kuai Peng pede que Macau se junte a empresas nacionais no desenvolvimento de infra-estruturas nos países de língua portuguesa, a fim de reforçar a cooperação. A conferência que serviu de plataforma para a partilha de opiniões do académico intitula-se “O problema dos dez mil talentos” e foi organizada pela Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong, em coordenação com o Departamento de Educação Nacional. O objectivo do evento foi “reforçar a formação de talentos e o intercâmbio técnico e cultural entre o interior da China, Macau e Hong Kong”. N. W.


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da pataca, ponderada pelas suas quotas do comércio, foi de 108,6 em Junho, com aumentos de 0,22 pontos e 6,22 pontos, respectivamente, sobre os dados do mês anterior e relativos a Junho do ano passado. Isso significa que “globalmente a pataca subiu face às moedas dos principais parceiros comerciais de Macau”, aponta a AMCM.

Microplásticos DSPA diz que risco de poluição é baixo “A avaliação geral da poluição de microplásticos face ao ambiente de Macau é de risco relativamente baixo”, tendo em conta o “estudo de investigação e estratégias de resposta ao microplástico de Macau”. Esta foi a posição tomada por Raymond Tam, director da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), em resposta a uma interpelação escrita do deputado Ho Ion Sang. Ainda assim, a DSPA

RÓMULO SANTOS

AMCM Reservas cambiais com quebra de 0,6% Dados divulgados ontem pela Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM) revelam que as reservas cambiais de RAEM atingiram 214 mil milhões de patacas em Junho, registando-se uma quebra de 0,6 por cento face a Maio, mês em que as reservas cambiais atingiram o valor de 215,4 mil milhões de patacas. A taxa de câmbio efectiva

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promete “considerar as experiências de diferentes regiões para desenvolver os trabalhos em tempo oportuno”. Na mesma resposta a interpelação, Raymond Tam descreve, sobre a reciclagem, que a DSPA “vai continuar a incentivar todos os sectores a reduzir o uso do plástico e a reciclar resíduos, através de campanhas de sensibilização realizadas junto dos residentes, escolas, hotéis e supermercados”.

CONFINAMENTO ASSOCIAÇÃO DIZ SER NECESSÁRIO SENSIBILIZAR ESTRANGEIROS SOBRE INFRAÇÕES

Problemas de expressão

Após as primeiras condenações por violação das regras do confinamento parcial de Macau, o Centro da Política da Sabedoria Colectiva considera que os empregadores têm de esclarecer os trabalhadores estrangeiros sobre as medidas em vigor, dado que estes “não são fluentes em chinês” e “não dão atenção às notícias locais”. A vice-presidente da associação ligada aos Kaifong defende ainda que o Governo deve reforçar o apoio prestado à saúde mental da população

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vice-presidente do Centro da Política da Sabedoria Colectiva, Cheong Sok Leng, considera que à luz do aumento diário das infracções às regras do confinamento parcial, os empregadores e outros agentes devem sensibilizar os trabalhadores estrangeiros com quem mantêm contacto, de forma a sensibilizá-los para o cumprimento das medidas de excepção em vigor até à próxima segunda-feira. Citada pelo jornal Ou Mun, a responsável da associação ligada aos Kaifong, mostra-se “preocupada” com o facto de “alguns dos suspeitos de violar as actuais medidas de prevenção da pandemia serem estrangeiros”, nomeadamente por não usarem máscara na rua, tirarem a máscara para fumar e fazerem exercício físico ao ar livre. Além disso, aponta, na base das infracções estará o facto de estes trabalhadores não serem fluentes em chinês e de não prestarem atenção às notícias locais. Por isso, refere que os empregadores “têm a responsabilidade de fornecer aos trabalhadores estrangeiros, informações sobre as medidas mais actualizadas de prevenção e combate da pandemia e contribuir para a sua sensibilização”. Depois da confirmação das primeiras condenações por viola-

Os empregadores “têm a responsabilidade de fornecer aos trabalhadores estrangeiros, informações sobre as medidas mais actualizadas de prevenção e combate da pandemia

ção das regras do confinamento, Cheong Sok Leng disse ainda esperar que, tanto os trabalhadores estrangeiros como os residentes, “não devem interpretar a lei à medida das suas necessidades” e sugere que aqueles que costumam fazer exercício físico passem a fazê-lo dentro de casa para re-

duzir o risco de transmissão da covid-19.

Em nome da harmonia

Em pleno “período crítico” de combate à pandemia, a vice-presidente do Centro da Política da Sabedoria Colectiva disse ainda esperar que as autoridades reforcem o apoio à

saúde mental da população, através da criação de mais linhas telefónicas de apoio, destinadas a prestar aconselhamento geral e emocional. Isto, quando ao fim de mais de dois anos, os residentes estão “inevitavelmente cansados” da pandemia e, devido à crise económica gerada pela mesma, muitos estão

a enfrentar enormes dificuldades financeiras para sustentar as suas famílias ou pagar as dívidas. Recorde-se que, desde segunda-feira, as forças de segurança enviaram ainda para o Ministério Público 19 casos de pessoas suspeitas de violarem as restrições, revelou o chefe da Divisão de Ligação de Assuntos Policiais e Relações-Públicas dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), Cheong Kin Ian. Na quarta-feira, o Tribunal Judicial de Base (TJB) aplicou a primeira sentença desde o início do confinamento através de um processo sumário, a um residente encontrado “sem máscara a fumar na rua” na terça-feira à noite, revelou o dirigente policial na ocasião. Além de uma pena de prisão de cinco meses, suspensa por cinco meses, o homem tem ainda um mês para pagar uma multa de 10 mil patacas, disse Cheong Kin Ian. Segundo o despacho do Chefe do Executivo que decretou a suspensão das actividades não essenciais de Macau, «todas as pessoas têm de permanecer no domicílio, salvo por motivos de trabalho necessário e compra de bens básicos para a vida quotidiana ou por outros motivos urgentes”. A violação destas regras pode ser punida com uma pena de prisão de até dois anos ou até 240 dias de multa. Pedro Arede com Nunu Wu


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Mente sã, cor

SAÚDE MENTAL RESIDENTES CRIAM PROGRAMAS GRATUITOS DE NUTRIÇÃO E EXERCÍCIO PARA ALIG

Mercados Vendedores não podem comer no trabalho

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) indicou que vendedores dos mercados municipais devem usar máscara sempre que estiverem a trabalhar e que não podem fazer refeições nos mercados. “Os vendedores não podem comer durante as actividades nas bancas, não apenas para proteger sua própria higiene e segurança, mas também para cumprir os requisitos de prevenção de epidemias”, lê-se numa nota de imprensa. Além disso, o IAM exige que os vendedores apenas bebam água “quando não houver clientes por perto”, devendo colocar a máscara imediatamente a seguir. Além disso, as autoridades destacam que os comerciantes têm a documentação especial que lhes permite usar os transportes públicos, mas apenas “para ir para o trabalho e voltar para casa ao fim do dia ou para refeições e descanso durante a pausa para almoço”.

Conselho dos Consumidores Vogal pede preços estáveis

Ao Sio Peng, vogal do Conselho dos Consumidores (CC), também ligada à Associação Geral das Mulheres, pediu às empresas que gerem os supermercados da região que mantenham os preços estáveis, sugerindo que os consumidores façam queixas nas plataformas oficiais sempre que detectem produtos anormalmente inflacionados. Ao Sio Peng disse ainda que as autoridades têm mantido contacto estreito com os funcionários dos supermercados, fazendo inspecções frequentes nestes locais e nos locais de venda de produtos a retalho. Ainda assim, o CC diz ter recebido muitas reclamações de residentes sobre variações de preços em alguns supermercados, mesmo que as empresas tenham explicado que tal se deveu a erros dos funcionários na colocação de etiquetas de preços nos produtos. Neste sentido, a responsável sugeriu a aposta na formação dos funcionários.

Catarina Rodrigues, coach “Os desafios que criei foram no sentido de aumentar o bem-estar dos participantes. Concentrei-me nos pilares do auto-cuidado, redução do stress e exercício”

Catarina Rodrigues, coach de Nutrição Integrativa e Fome Emocional, e Cíntia Leite Martins, co-fundadora da plataforma Mana Vida, criaram programas online gratuitos de exercício e nutrição. O objectivo é promover a saúde mental em época de confinamento

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UITOS têm sido os relatos sobre o difícil panorama que se vive em Macau em matéria de saúde mental, com cada vez mais pessoas a procurar ajuda psicológica. A pensar nisso, duas residentes decidiram criar programas online que combinam nutrição com exercício a fim de fomentar uma vida mais activa em casa.

Um deles é “Stayin Vida Challenge”, gratuito e sem horários pré-definidos, é uma ideia de Cíntia Leite Martins, co-fundadora da plataforma de bem-estar e exercício Mana Vida. As inscrições podem ser feitas através do Instagram cintia.milk. “Todas as terças e sextas-feiras faço aulas online. Além disso, os participantes também recebem instruções e emails com conteúdos so-


rpo são

GEIRAR O CONFINAMENTO

maiores desafios é fazer com que a pessoa tome posse e se responsabilize pela sua própria saúde. Um desafio destes, com o apoio da comunidade e de uma coach, permite que a pessoa encontre ferramentas e se dê conta dos bloqueios mentais que não a permitem atingir os seus objectivos.”

Integrar uma comunidade

bre nutrição e exercício. As pessoas podem inscrever-se até ao final do mês e não precisam concretizar todas as tarefas”, contou Cíntia, que lecciona vários cursos na área do desporto. No ano passado, a plataforma Mana Vida lançou um programa semelhante, focado para quem cumpria quarentena, que fez sucesso. “Este programa ajuda as pessoas a manterem uma rotina

saudável e a se focarem na descoberta de novos talentos. Podem traçar planos para poderem concretizar sonhos, que, muitas vezes com uma vida agitada, não conseguimos planear”, contou. Num período em que o território está parado, com toda a população em casa, as especialistas ouvidas pelo HM destacam a importância de seguir a máxima “mente sã, corpo são”. “Um dos

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Catarina Rodrigues é coach de Nutrição Integrativa e Fome Emocional, com formação feita nos EUA e experiência profissional em Macau desde 2007. Actualmente, reside em Portugal, mas acompanha de perto a situação no território onde é residente permanente. Desta forma, decidiu criar um programa vocacionado para quem se vê obrigado a ficar fechado em casa e quer ocupar melhor o tempo. O programa chama-se “Nutrir Corpo&Mente”, e funciona de forma gratuita no Telegram, onde são partilhadas receitas e dicas de nutrição para a perda de peso. De um grupo de 41 participantes, 17 são de Macau. “Por estar a acompanhar algumas pessoas e ter amigos em Macau, estou ciente do que se está a passar, por isso quis criar algo gratuito que pudesse beneficiar quem aí vive. O mais difícil num lockdown é a sensação de ansiedade, desânimo, falta de controlo por um lado e a ausência de rotina por outro. Os desafios que criei foram no sentido de aumentar o bem-estar dos participantes. Concentrei-me nos pilares do autocuidado, redução do stress e exercício”, contou ao HM. Catarina Rodrigues destaca que o mais importante neste processo de confinamento é cada um saber “que não está sozinho e que faz parte de uma comunidade”, o que “faz toda a diferença”. Andreia Sofia Silva

GCS

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A questão da habitabilidade Deputado sugere transferência de moradores do San Mei On para hotéis

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deputado Nick Lei defende que as autoridades devem avaliar as condições de habitação do edifício San Mei On, actualmente classificado como zona vermelha, devendo levar os moradores para quarentena em hotéis caso as condições não forem apropriadas. Em declarações ao Jornal do Cidadão, Nick Lei apontou que muitos moradores estão preocupados com o risco de transmissão do vírus, situação agravada pelos problemas de higiene existentes no prédio. Como tal, muitos defendem que devem fazer a quarentena em hotéis, tal como aconteceu no ano passado. Nick Lei, que é também presidente da associação Aliança do Povo de Insti-

tuição de Macau, sugere que seja reforçada a desinfecção e limpeza do prédio, bem como as inspecções às zonas vermelhas, a fim de evitar que os moradores saiam de casa e se desloquem nas áreas comuns dos edifícios.

Comida de outros

Importa referir que as autoridades apelaram ontem à organização dos moradores dos edifícios situados em zonas vermelhas. Segundo o Instituto para os Assuntos Municipais, alguns residentes dos prédios San Mei On, Lok Fu Garden ou Son Lei “saíram do domicílio sem autorização, andaram pelo corredor do prédio sem máscara, descartaram lixo doméstico de forma inadequada e até se apropriaram de materiais de subsistência de outrem”.

Desta forma, indica o organismo liderado por José Tavares, “é da responsabilidade dos moradores a manutenção da ordem pública no edifício, bem como a higiene ambiental dos espaços comuns”. Enquanto as zonas estiverem classificadas como vermelhas, devido ao elevado risco de transmissão do novo coronavírus, os moradores “estão estritamente proibidos de deixar as suas casas sem autorização, circular no hall de entrada, nos corredores ou escadas do edifício e fazer visitas”. O lixo deve ainda ser colocado correctamente fora dos apartamentos, sendo recolhido pelo Instituto para os Assuntos Municipais entre as 18h e as 20h, altura em que é feita a limpeza e desinfecção.

CONFINAMENTO MAIS DE 5.000 FILIPINOS AFECTADOS

U

M total de 5,295 filipinos que trabalham nos sectores do turismo e do jogo foram directamente afectados pelo confinamento parcial que vigora em Macau desde segunda-feira, ficando sem salário ou por terem sido infectados com covid-19. Os dados são avançados pela organização governamental Philippines Department of Migrant Workers (DMW), e citados pela Macau News Agency. A entidade estatal filipina tem apoiado trabalhadores diagnosticados com covid-19 ou que perderam rendimentos neste período. Desde o início do mais recente surto de covid-19,

todas pessoas que estão em Macau, incluindo trabalhadores estrangeiros, têm sido sujeitos a testes rápidos e de PCR diariamente. Até terça-feira, 57 filipinos testaram positivo nas zonas vermelhas e amarelas, enquanto que nos hotéis designados para quarentena 26 trabalhadores filipinos testaram positivo ou foram classificados como contactos próximos. Entretanto, cem trabalhadores filipinos receberam apoio alimentar do consulado das Filipinas em Macau. Trabalham na RAEM 26.400 filipinos, metade são empregadas domésticas.

Para atenuar as dificuldades da comunidade, a agência Philippines Overseas Workers Welfare Administration (OWWA) providencia apoio de 200 dólares americanos aos trabalhadores que tenham covid-19 e que necessitem de hospitalização ou ficar em isolamento. “Os restantes trabalhadores filipinos, no entanto, podem requerer ajuda alimentar providenciada pelo consulado durante o período de confinamento parcial. Estes pedidos são avaliados de acordo com as directrizes da OWWA”, disse Hans Cacdac, administrador da agência. A. S. S.


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HABITAÇÃO PROPRIETÁRIOS DE CASAS INACABADAS RECUSAM PAGAR PRESTAÇÕES

Com paredes de papel

Proprietários de habitações na China, cuja obra ficou inacabada devido à situação precária das construtoras, estão a recusar pagar as prestações dos imóveis, disseram fontes do sector que atravessa uma crise de liquidez

E

M pelo menos uma centena de projectos imobiliários na China, os donos de casas estão a recusar pagar as prestações mensais, de acordo com dados da empresa especializada no sector CRIC, publicados ontem. Estes projectos estão espalhados por 50 cidades diferentes. “A lista [de projectos afectados] duplicou nos últimos três dias”, apontaram, num relatório, analistas do banco de investimento norte-americano Jefferies, estimando um défice para as construtoras em 388 mil milhões de yuans. As pré-vendas são a maneira mais comum na China de vender imóveis. A crise no imobiliário tem fortes implicações para a classe média do país. Face a um mercado de capitais exíguo, o sector concentra uma enorme parcela da riqueza das famílias chinesas – cerca de 70 por cento, segundo diferentes estimativas. As incertezas ligadas à política da China de ‘zero casos’ de covid-19, que penaliza a actividade económica e pesa no rendimento das famílias, estão a fragilizar

O

primeiro-ministro das Ilhas Salomão, Manasseh Sogavare, assegurou ontem que não vai permitir a construção de uma base militar chinesa no seu país, apesar do pacto de segurança celebrado com Pequim. Sogavare lembrou que a construção de uma base chinesa tornaria a nação do Pacífico Sul e os seus cidadãos em “alvos de possíveis ataques militares”. O governante fechou um acordo de segurança com Pequim, em Abril passado, que suscitou receios, face à possibilidade de a China construir uma base militar permanente a 2.000 quilómetros da costa nordeste da Austrália. Durante uma reunião entre os líderes das nações insulares do Pacífico, rea-

o mercado, numa altura em que muitos grupos imobiliários no país se encontram já em dificuldades financeiras. No ano passado, os reguladores chineses passaram a exigir às construtoras um tecto de 70 por cento na relação entre passivo e activos e um limite de 100 por cento da dívida líquida sobre o

património, suscitando uma crise de liquidez no sector. Devido à falta de dinheiro em caixa, algumas construtoras não conseguem terminar projectos e entregar propriedades que foram já vendidas.

Tijolo e cimento

(Produto Interno Bruto) da China e foram um importante motor do crescimento económico do país nas duas últimas décadas. Nos últimos meses, as construtoras Sunac e Shimao tornaram-se as mais recentes construtoras chinesas a entrar em incumprimento. O caso mais emblemático envolve a Evergrande Group, cujo passivo supera o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal. A crise da Evergrande, a maior construtora da China, está a penalizar indirectamente os seus concorrentes, com os compradores a mostrarem-se cada vez mais relutantes em investir em imobiliário. A recusa em pagar as prestações é “particularmente preocupante”, porque ameaça também o sistema financeiro, alertou ontem o banco Nomura. Segundo a agência de informação financeira Bloomberg, o ministério da Habitação chinês realizou esta semana várias reuniões de emergência com os reguladores financeiros e os grandes bancos do país.

O sector imobiliário e a construção pesam mais de um quarto no PIB

Arquipélago da paz e amor Ilhas Salomão descartam hipótese de China construir base militar

lizada quarta-feira e ontem nas Fiji, o governante negou veementemente aquela possibilidade. “No momento em que estabelecêssemos uma base militar estrangeira, imediatamente passávamos a ser um inimigo. E colocaríamos também o nosso país e o nosso povo como alvos de possíveis ataques militares”, disse Sogavare, aos jornalistas. “Não há base militar, nem qualquer outra instalação ou instituição militar no acordo. Esse é um ponto muito importante que continuamos a reiterar à família da região”, acrescentou. Os Estados Unidos e a Austrália avisaram as

Ilhas Salomão que não tolerariam a construção de uma base militar chinesa no país. Desde então, o Governo do novo primeiro-ministro australiano Anthony Albanese foi eleito, com a promessa de mais ajuda e envolvimento com os vizinhos insulares. Sogavare cumprimentou Albanese com um abraço na quarta-feira, na sua primeira reunião presencial, que ocorreu em Suva, à margem da cimeira dos líderes do Fórum das Ilhas do Pacífico.

Conversas pacíficas

O fórum inclui as 18 nações insulares, até que

Kiribati se retirou esta semana. Albanese descreveu a reunião como “muito construtiva”, enfatizando que “os interesses da Austrália seriam afectados ao ter uma base militar tão perto”. “Congratulo os comentários [de Sogavare] que descartam a existência de uma base chinesa [perto] da Austrália”, disse Albanese. A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, disse ter falado francamente com Sogavare durante uma reunião na quarta-feira, sobre as preocupações com o pacto chinês. Ela disse que os dois líderes encontraram

um “terreno comum” sobre a necessidade de limitar a militarização na região. A cimeira ficou marcada pelas tensões geopolíticas entre China e Estados Unidos, que demonstraram o valor estratégico elevado da região. O primeiro-ministro das Fiji, Frank Bainimarama, que presidiu a cimeira, disse aos seus homólogos, no discurso de abertura, que o “cenário global e geopolítico é altamente competitivo”. “Estamos a ver um sistema multipolar emergir, com todos a quererem moldar o mundo a seu favor”, disse Bainimarama.

HEILONGJIANG INUNDAÇÕES DEIXAM TRÊS MORTOS E CINCO DESAPARECIDOS

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ELO menos três pessoas morreram, esta semana, e cinco estão desaparecidas, devido às inundações que afectam a província de Heilongjiang, no nordeste da China, informou ontem a imprensa estatal. Fortes chuvas registadas na terça-feira causaram “inundações repentinas”, de acordo com a cadeia televisiva CCTV. As mortes ocorreram no distrito de Dongfeng, na cidade de Wudalianchi, quando alguns dos habitantes foram arrastados pela repentina torrente de água. De acordo com a CCTV, as operações de busca e resgate continuam, envolvendo equipas de Wudalianchi e da cidade vizinha de Heihe. Nas últimas semanas, outras partes da China, incluindo as províncias de Hunan e Sichuan, ambas no centro do país, sofreram inundações, que deixaram dezenas de mortos e mais de um milhão de desabrigados. No Verão passado, inundações na província central de Henan, causadas por chuvas de intensidade inédita nas últimas décadas, deixaram bairros inteiros e secções do metropolitano da cidade de Zhengzhou submersas, resultando em mais de 300 mortes. Também uma vaga de calor extremo afecta a China, com a temperatura a exceder os 40 graus em partes do sul, centro e leste do país. Na província de Zhejiang, na costa leste, alguns hospitais relataram a admissão de pacientes afectados por insolação, vários dos quais morreram. Especialistas dizem que estes eventos climáticos extremos estão a tornar-se cada vez mais frequentes devido às alterações climáticas.


sexta-feira 15.7.2022

antropofobias

CARLOS MORAIS JOSÉ

O renyue

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ANA JACINTO NUNES

Nesta peregrinação pelas montanhas da China – numa virtuosa demanda por animais nunca referidos nos compêndios do Ocidente – somos invadidos pela felicidade de aportar ao sopé da Montanha do Bambu, que se caracteriza pela profusão vegetal e pela beleza insuperável das suas encostas. Delas se inclinam árvores retorcidas sobre abismos temperados de musgos, pelos vales cabriolam rolos de nuvens, no seu íntimo repousam metais preciosos, dos quais somente o ferro ousa mostra-se, dotando a paisagem de marcas rubras sob o sol da manhã. A temperatura é amena praticamente todo o ano e do seus bosques emerge uma sinfonia vital, que causa o espanto dos homens e parece ter adquirido o beneplácito dos deuses. Além da vegetação prolífica, da Montanha do Bambu brotam numerosas nascentes de uma água puríssima, cujo caudal, ao longo de barrancos e vales, se transforma em ribeiros, cascatas e lagos. Num desses cursos de água, o rio Cinábrio, vive um peixe chamado renyu que, apesar do seu nome (peixe humano), em nada se assemelha a uma pessoa, sequer às tribos habitantes de certos subúrbios. O renyu não é uma sereia, não apresenta uma face humana, não passará de um peixe vulgar, com quatro barbatanas. No entanto, a sua carne é extremamente apreciada porque se diz ter o poder de curar ilusões. Que ilusões?, perguntará o visitante, abismado, na sua inocência, com a pretensa capacidade deste peixe de afugentar das mentes pensamentos desviantes e perigosos. Sim, respondem os alfarrábios, mas também a imaginação doce e subtil é bloqueada pela carne deste animal, impedindo a piedade e o amor. Por isso, o renyu é servido apenas a pessoas com graves problemas psíquicos, soterradas em estranhas ilusões, despedaçadas interiormente por visões tenebrosas e maléficas. Segundo o historiador Sima Qian, no túmulo do primeiro imperador da dinastia Qin ardiam milhares de velas, feitas com gordura de renyu. Tal

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facto tem sugerido numerosos comentários ao longo dos séculos. Alguns atribuem-no ao extremo brilho que proporciona. Mas outros consideram-no uma velada crítica às ilusões do imperador relativas à imortalidade, como se a gordura do renyu, ardendo na sua câmara funerária, finalmente o libertasse da ilusão de se tornar imortal, algo em que torrou largas fatias do tesouro estatal, uma despesa que o cadáver ali presente claramente revelara infrutífera.

O RENYU NÃO É UMA SEREIA, NÃO APRESENTA UMA FACE HUMANA, NÃO PASSARÁ DE UM PEIXE VULGAR, COM QUATRO BARBATANAS. NO ENTANTO, A SUA CARNE É EXTREMAMENTE APRECIADA PORQUE SE DIZ TER O PODER DE CURAR ILUSÕES.

Poderia a gordura do renyu ter sido usada para eliminar as ilusões do imperador morto ou, simplesmente, para lembrar que a imortalidade nunca passará de isso mesmo – uma ilusão? Mestre Zuo, no seu comentário, não deixa de espetar uma ínfima alfinetada na questão: “O que se me torna menos digerível é a demanda da imortalidade por parte de alguém que acredita na vida depois da morte ou não teria gastado tantos recursos do país na construção do seu mausoléu.”


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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; Julie Oyang; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo


sexta-feira 15.7.2022

opinião 11

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in esquerda.net

Manuel Afonso

TRABALHAR PARA AQUECER, LUTAR PARA ARREFECER VIVEMOS POR ESTES DIAS uma onda de calor inédita em Portugal. Nas redes sociais, alguns insistem em afirmar que nada disto é excepcional, que calor sempre houve. Fazem-nos certamente a partir de algum gabinete com ar condicionado. Para milhares de nós, estes são dias de grande stress térmico no trabalho. Stress térmico é, simplesmente, a dificuldade do corpo humano em regular a sua temperatura em situações extremas. Factores como o calor e a humidade determinam se o organismo consegue manter as suas funções vitais equilibradas. Caso a temperatura corporal suba acima dos 38°C, as funções físicas e cognitivas são afetadas (potenciando acidentes de trabalho, p.ex.), acima dos 40,6 °C o risco de vida é real. Após os 50 anos de idade ou em pessoas com doenças vasculares ou outras, o risco é maior. Diz a OIT, no seu relatório Trabalhar num Planeta mais Quente, “temperaturas acima de 39°C podem matar”. No entanto, vemos por estes dias tantas e tantos a trabalhar ao pico do sol na construção civil, oficinas, cozinhas ou estufas em trabalhos físicos e exigentes. Para quem vive a trabalhar, o negacionismo climático é um luxo inacessível.

A produtividade ou a vida

Não se invertendo o catastrófico caminho do aquecimento global, este é um problema crescente (ou mesmo que o façamos, pois um certo nível de aquecimento é já inevitável). Vale lembrar que, segundo um relatório do IPCC de 2021, Portugal será dos países mais afetados pelo aquecimento e pela seca. Não por acaso, a OIT já soou o alerta. No estudo já citado, de 2019, assinala-se que “a cerca de 33-34°C, assumindo um trabalho de intensidade física moderada, os/as trabalhadores/as perdem 50% da capacidade de trabalho. (…) até 2030, quando se prevê que a temperatura global tenha subido cerca de 1,3°C, a percentagem do total de horas de trabalho perdidas aumentará para 2,2 % [do PIB global] – uma perda de produtividade equivalente a 80 milhões de empregos.” Em países mais pobres, e mais quentes, a queda pode ser de 9 %! Há, contudo, vida (e mortes) além do PIB. Se altos estudos pensam na produtividade, nós, que trabalhamos, pensamos nas nossas vidas. Sabemos que é sobre elas que os capitalistas tentarão descarregar as perdas. Em particular, pessoas racializadas e migrantes, já de si empurradas para trabalhos como a construção e agricultura (os dois setores que a OIT prevê serem mais afetados), estão particularmente expostas. O mesmo é válido para os países do Sul Global. Em Janeiro deste ano, no Rio Grande do Sul, no Brasil, um trabalhador da construção morreu pelo calor em pleno trabalho. Em

Espanha, a Fiscalia de Sevilha pediu que empresários da construção fossem acusados por homicídio involuntário de um trabalhador que morreu a asfaltar uma estrada em 2017 com temperaturas de 41°C (em que o alcatrão pode subir aos 150°C!). Por cá, se verificarmos os dados da ACT, vemos que, nos anos de 2020 e 2021, o maior número de acidentes de trabalho mortais (133 em 2021!) se deu nos meses de junho, julho e setembro (em agosto, devido a férias, o trabalho diminui). A construção civil é, de longe, o setor mais afetado. É possível estabelecer uma correlação entre calor, precariedade e mão-de-obra migrante e racializada, prevalente nos empregos de risco. Outros tantos dados são difíceis de coletar: quantas mortes e doenças que não se verificam imediatamente no trabalho poderão ter sido agravadas deste modo? Nada disto é inevitável. A OIT prescreve, para combater o stress térmico no trabalho, “períodos de repouso regulares nos locais de trabalho para trabalhadores/as aclimatizados e não aclimatizados” e lembra que em dias quentes “os horários de trabalho devem ser reduzidos ou serem introduzidas pausas incluídas no horário de trabalho”. Escusado será dizer que sem a luta coletiva, tais medidas não serão adotadas; ou, a sê-lo, terão como enfoque a produtividade e não

“Vemos por estes dias tantas e tantos a trabalhar ao pico do sol na construção civil, oficinas, cozinhas ou estufas em trabalhos físicos e exigentes. Para quem vive a trabalhar, o negacionismo climático é um luxo inacessível.”

a vida de quem trabalha, abrindo portas à desregulamentação de horários, perda de salários, etc. É necessário estabelecer limites máximos de temperatura para trabalhar. Mais períodos de pausa e descanso, nos meses de calor e trabalhos de risco devem ser implementados. Investimento na climatização dos locais de trabalho deve ser obrigatória. Nos sectores mais expostos, devem ser introduzido um número de dias por ano, aplicáveis nos períodos mais quentes, em que os trabalhadores são dispensados de trabalhar (ou se dedicam a tarefas sem risco, como receber formação em locais climatizados) sem perda de remuneração. A par disto, medidas mais gerais como a diminuição de ritmos e horários de trabalho são vitais. Podemos e devemos lutar para que estas normas sejam incluídas na legislação geral e especificadas na contratação coletiva dos setores mais expostos. A luta por justiça climática é uma tarefa da classe trabalhadora e ondas de calor como a que vivemos (além de outros fenómenos climáticos extremos, cada vez mais recorrentes) tornam-no evidente. Organizações laborais e movimentos por justiça climática podem unir-se também nesta frente e, defendendo a vida e saúde de quem trabalha, despertar a classe trabalhadora para protagonizar a luta pelo planeta.


sexta-feira

“Se queres prever o futuro, estuda o passado.” PALAVRA DO DIA

CASINOS PERDEM 600 MILHÕES DE DÓLARES TODOS OS MESES

ONU MACAU QUESTIONADO PORQUE NUNCA ATRIBUIU ESTATUTO DE REFUGIADO

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Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas questionou ontem Macau sobre a razão pela qual o território nunca atribuiu o estatuto de refugiado a requerentes de asilo, sendo que dois aguardam resposta “há mais de uma década”. Numa sessão de duas horas, realizada por videoconferência, o Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas, reunido em Genebra, na Suíça, questionou pelo segundo dia consecutivo uma delegação de Macau sobre a implementação do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP). “A delegação pode clarificar a situação destes dois pedidos pendentes que aguardam uma decisão há mais de uma década”, apelou Vasilka Sancin, membro do comité. A responsável eslovena questionou ainda o grupo de Macau, liderado pelo secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, sobre a razão desses “atrasos excessivos” e sobre medidas para “limitar a repetição de situações semelhantes no futuro”. Sem responder às questões, o director do Instituto de Acção Social (IAS) sublinhou que os dois requerentes recebem um apoio mensal de 4.350 patacas (536 euros) – “o suficiente para responder às necessidades diárias” – além de terem direito a alojamento, um “espaço independente de cerca de 200 pés quadrados [18 metros quadrados]”. “Têm assistência médica gratuita e podem movimentar-se livremente em Macau”, complementou Hoi Wan. Ao que o comité pressionou: “Quais foram as razões pelas quais foram rejeitados até hoje todos os pedidos de asilo em Macau?” Zhang Guo Hua, assessor do secretário para a Segurança, acabaria por dizer que a Comissão de Refugiados, que dirige a instrução dos processos, está “activamente empenhada em processar estes pedidos”. Shuichi Furuya, também membro do Comité dos Direitos Humanos da ONU, questionou “por que razão as empregadas domésticas não-residentes são tratadas de forma diferente” e, ao contrário de outros trabalhadores, não estão abrangidas pelo salário mínimo.

Sangria desatada E M pleno confinamento parcial, e depois de dois anos a tentar reerguer um negócio que outrora rendeu milhões, as operadoras de jogo estão neste momento a perder cerca de 600 milhões de dólares americanos todos os meses, além de enfrentarem sérios problemas de liquidez, com grandes quebras de receitas. Os valores avançados pela Reuters traçam o cenário do duro período que os casinos vivem devido ao prolongamento das medidas para lidar com a pandemia. O analista e director da consultora de jogo 2NT8, Alidad Tash, considera que os casinos ainda vão ter de “jogar um longo jogo”. “É apenas uma questão de recuperação quando tudo começar de novo. A parte triste é que vai demorar anos até que o negócio regresse ao que costumava ser”, frisou. Para se manterem à tona e lidar com o concurso público que irá renovar as licenças de jogo, as concessionárias estão a pedir empréstimos às empresas parcerias. À Reuters, o analista DS Kim, da JP Morgan, prevê que a Sociedade de Jogos de Macau (SJM) irá pedir um empréstimo no valor de cinco mil milhões de dólares de Hong Kong à Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM). O analista acredita que a SJM terá apenas dinheiro em caixa para um mês, caso os casinos permaneçam fechados. Na segunda-feira a Sands China anunciou ter assegurado um empréstimo de mil milhões de dólares americanos à Las

Vegas Sands. Isso dará, segundo a JP Morgan, capacidade de liquidez à Sands China para 15 meses. Em Junho, a Wynn anunciou o pedido de empréstimo de 500 milhões de dólares americanos à Wynn em Las Vegas.

O bom aluno

15.7.2022

Confúcio

A Reuters escreve ainda que as operadoras de jogo têm tentado mostrar o seu papel social, mantendo trabalhadores e salários. Além disso, procuram também respeitar o papel em matéria de responsabilidade social corporativa, ao disponibilizar hotéis para quarentenas ou dar apoio a negócios locais. Questionadas pela Reuters, as operadoras não responderam às questões sobre esta matéria. É também referida a questão do jogo VIP, seriamente afectado por casos como a detenção de Alvin Chau, ex-CEO do grupo Suncity, e a

nova lei do jogo, que reduz as concessões de 20 para 10 anos e prevê que um contrato possa ser rescindido por questões de interesse público. As contas feitas pela Reuters mostram que, desde 2002, as operadoras de jogo pagaram ao Governo um total de 160 mil milhões de dólares americanos em impostos. Outro assunto elencado pela Reuters prende-se com as questões de segurança nacional levantadas pela nova lei do jogo, que assume agora uma posição importante na atribuição das licenças e da sua manutenção. “É uma questão de geopolítica e de segurança nacional, porque o panorama de norte-americanos dominarem 50 por cento da principal indústria económica de Macau é, provavelmente, um risco inaceitável em matéria de segurança nacional”, rematou Ben Lee. A. S. S.

CRIME KEVIN SPACEY DECLARASE INOCENTE, JULGAMENTO EM 2023

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actor norte-americano Kevin Spacey declarou-se ontem inocente das acusações de cinco crimes sexuais, num tribunal em Londres, num processo cujo julgamento começará em Junho de 2023, foi ontem anunciado. Kevin Spacey, 62 anos, tinha sido formalmente acusado, a 13 de Junho passado, de agressão sexual a três homens, entre os 30 e os 40 anos, e ficou em liberdade, porque a justiça considerou não haver risco de fuga, uma vez que colaborou com a polícia e na investigação. Ontem o actor apresentou-se num tribunal, em Londres, onde se declarou inocente das acusações de crimes que terão sido cometidos entre 2005 e 2013, no Reino Unido. O julgamento deste caso foi marcado para 6 de Junho de 2023. A polícia de Londres tinha aberto uma investigação após receber queixas de agressões sexuais contra o actor, algumas das quais alegadamente cometidas na zona de Lambeth, onde se situa o teatro Old Vic, do qual foi director artístico entre 2004 e 2015. Kevin Spacey, de 62 anos, já tinha sido visado em vários casos de agressão sexual e comportamento inapropriado em 2017, numa polémica que desencadeou denúncias com outras figuras do entretenimento e esteve na origem do movimento #MeToo. Até então uma figura respeitada do cinema norte-americano e do teatro britânico, o actor, vencedor de dois Óscares, acabou despedido da série “House of Cards”, da plataforma Netflix, e retirado do filme “Todo o dinheiro do mundo”, de Ridley Scott.

Ucrânia Guerra matou pelo menos 349 crianças e feriu 652 A guerra na Ucrânia já matou pelo menos 349 crianças desde que a Rússia invadiu o país a 24 de Fevereiro, de acordo com dados oficiais recolhidos até esta quarta-feira. “Mais de mil crianças foram afectadas na Ucrânia como resultado de uma agressão armada em larga escala por parte da Federação Russa”, publicou na plataforma Telegram a Procuradoria-Geral ucraniana. As mil crianças afectadas incluem 349 crianças mortas e 652 feridas em diversos graus nos

ataques e bombardeamentos russos em todo o país, de acordo com a mesma fonte. “Os números não são definitivos, uma vez que estão em curso esforços para determinar as baixas em áreas de hostilidades activas, em territórios temporariamente ocupados e libertados”, acrescentou. Um total de 2.126 instituições ligadas à educação foram danificadas devido a bombardeamentos e ataques das forças armadas da Rússia. Destes, 216 foram totalmente destruídas.


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Hoje Macau 15 JULHO 2022 #5050 by Jornal Hoje Macau - Issuu