OLGA SANTOS
REGRAS DE CONFINAMENTO
SEM CARTÃO AZUL PÁGINA 6-7
HONG KONG
PULSOS CONTADOS PÁGINA 8
CHINA
EFEITO ZERO
HOJE MACAU QUINTA-FEIRA 14-7-2022
MOP$10
Nº 5050
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
ÚLTIMA
DEFESA DOS ANIMAIS
PETIÇÃO DE DONOS PÁGINA 5
LARES DE IDOSOS
PRESAS AO SISTEMA PÁGINA 4
Foram ontem anunciadas as primeiras condenações de residentes por violarem as regras do confinamento parcial. Três arguidos foram julgados no Tribunal Judicial de Base, um deles condenado a cinco meses de prisão, com pena suspensa por dois anos, por ter sido apanhado a fumar na rua. Ao todo, o Ministério Público recebeu 16 casos suspeitos de violação das medidas de prevenção da epidemia. PÁGINA 2-3
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Mão pesada
2 grande plano
CASO IMPORTADO O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus revelou que na passada segunda-feira foi detectado um novo caso importado de covid-19. Num comunicado divulgado ontem, a proveniência do paciente, de 54 anos, não é indicada, sendo revelado apenas que foi enviado para “um local designado para efeitos de isolamento”.
CONFINAMENTO HOMEM CONDENADO A 5 MESES DE PRISÃO SUSPENSA POR FUMAR
OLGA SANTOS
Um residente foi ontem condenado pelo Tribunal Judicial de Base a pena de cinco meses de prisão, suspensa por dois anos, por fumar na rua, enquanto outro foi condenado a pena de quatro meses, suspensa por um ano. Desde segundafeira, foram encaminhadas 19 acusações para o tribunal por violação das regras de confinamento
14.7.2022 quinta-feira
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Pequenos
Leong Iek Hou, médica “No Interior da China, se num local não houver casos numa semana, parte das actividades podem regressar à normalidade, mas isso não significa que não haja
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Tribunal Judicial de Base (TJB) condenou ontem, em processo sumário, dois residentes por infracções às medidas sanitárias preventivas. Um dos residentes foi condenado a cinco meses de pena de prisão, suspensa por dois anos, por no dia anterior ter sido apanhado no Pátio Fu Van a fumar sem máscara. Ficou deci-
dido que o homem tem de pagar dez mil patacas dentro de um mês. Esta foi a primeira condenação anunciada por infracção das regras de confinamento. O homem “admitiu que depois de jantar na casa do avô materno quis fumar um cigarro, pelo que saiu, tirou a máscara, colocando-a no bolso direito das calças e começou a fumar” e, segundo as auto-
ridades, terá confessado conhecer as regras do confinamento parcial. Entretanto, desde segunda-feira, um total de 19 acusações foram encaminhadas para tribunal, além de que as autoridades realizaram esta terça-feira um total de 588 avisos. “O Ministério Público (MP) encaminhou três dos arguidos ao Tribunal Judicial de Base para que
fossem julgados, no mesmo dia, sob a forma sumária, pela prática do crime de infracção de medida sanitária preventiva, sendo um arguido condenado na pena de prisão de 5 meses, cuja execução foi suspensa por 2 anos, sob a condição de pagar uma contribuição de 10.000,00 patacas à RAEM, no prazo de um mês, e, um outro arguido condenado na pena de
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grande plano 3
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NA RUA
MAIS UMA RONDA Inicia-se hoje mais uma ronda de testes em massa, que termina amanhã. As marcações podem começar a ser feitas a partir das 7h de hoje, sendo que foi ajustado o horário de quatro postos de testes, que passam a funcionar entre as 09h de hoje à 01h, enquanto que amanhã o horário de funcionamento é entre 08h e 18h. Os restantes postos de testagem mantêm o mesmo horário de funcionamento.
CASA REAL E VENETIAN COM CASOS O hotel Casa Real, na avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, é neste momento uma zona vermelha, por terem sido detectados três casos positivos de covid-19 entre os trabalhadores. Também no Venetian foram descobertos três casos associados a um restaurante. Relativamente às áreas comuns dos edifícios residenciais, as “Club Houses”, onde funcionam ginásios, cafés e salas para actividades de entretenimento, não devem servir de locais de ajuntamento de moradores, disseram ontem os responsáveis do Centro de Coordenação de Contingência.
1.615 CASOS Foi ontem anunciado que durante as 24
delitos
risco. Em Macau também teremos em consideração a situação real.”
prisão de 4 meses, cuja execução foi suspensa por 1 ano”, adiantou ontem à noite o MP, sem referir a pena aplicada ao terceiro arguido. Até ontem, o MP recebeu 16 casos suspeitos da violação das medidas de prevenção da epidemia, encaminhados pela polícia, que envolveram “16 indivíduos que não usaram máscara quando saíram, usaram máscara diferente
da ordenada ou se sentaram para lazer, deram um passeio ou correram sem necessidade nos espaços públicos”, foi acrescentado. O período de confinamento parcial termina na próxima segunda-feira, mas as autoridades não adiantaram o que se seguirá. “Conseguimos um resultado notório de controlo da transmissão do vírus, o risco baixou. Mas, mesmo
assim, não podemos ficar descansados, porque não sabemos a fonte da transmissão. É ainda possível existirem cadeias de transmissão ocultas. O Governo vai avaliar de forma geral a situação e o plano que vamos ter num próximo passo.” Leong Iek Hou disse também que “a definição do regresso à normalidade pode variar”. “Segundo o interior da China, se num local
hora de terça-feira foram acrescentados 32 novos casos de covid-19 ao total de 1.615 infecções. Os novos positivos reportam-se a “22 casos nas zonas de código vermelho e hotéis de observação médica, que foram encontrados durante a fase de gestão e controlo; 5 casos de contactos próximos, 4 casos positivos encontrados nos testes massivos e grupos alvo, e 1 caso encontrado na comunidade. Até às 08h de ontem, as autoridades efectuaram o acompanhamento de 19.956 indivíduos, 3.110 contactos próximos, 11.080 com os mesmos itinerários de casos confirmados, 935 contactos próximos por via secundária, 254 contactos gerais e 766 acompanhantes.
houver zero casos numa semana, uma parte das actividades pode regressar à normalidade, mas isso não significa que não há mais risco. Por exemplo, em Xangai, continuam a realizar os testes e, passo a passo, é que regressam à normalidade. Em Macau também teremos em consideração a situação real”, frisou.
Quatro mortes
Entretanto, registou-se ontem a quarta morte desde o início do surto. Trata-se de uma idosa de 94 anos, diagnosticada com covid-19 no passado dia 3 de Julho, dependente de cuidados permanentes e com doenças crónicas. “Nestes casos, não recomendamos a utilização de equipamentos vitais para salvar a idosa, os familiares
perceberam”, foi referido na conferência de imprensa. As autoridades revelaram ontem que dois dos quatro idosos que faleceram durante o surto pandémico estavam vacinados com duas doses da vacina. Porém, foi ontem referido que os falecimentos não se devem directamente à covid-19. “Não morreram de covid-19, mas de doenças crónicas que levaram a complicações de saúde que originaram a morte.” Questionados sobre a situação das empregadas domésticas, que relatam más condições de trabalho nas casas dos patrões e discriminação, as autoridades apenas pedem diálogo com os patrões. “Apelamos aos empregadores que negoceiem com as empregadas para permitir que elas fiquem na sua casa, reduzindo as actividades e deslocações.As empregadas devem ter tempo de descanso. Esta é uma medida de curto prazo e podemos, em conjunto, ultrapassar as dificuldades, voltando à normalidade”, disse Leong Iek Hou. Quanto ao panorama de saúde mental da população, foi garantido que existe resposta das autoridades. “Neste período de luta, a população tem a liberdade controlada e isso traz prejuízo à saúde mental. Nos lares em gestão de circuito fechado os trabalhadores sentem uma alta pressão. Queremos que os cidadãos fiquem cientes de que têm de colaborar com as medidas de prevenção da pandemia. Muitas pessoas em isolamento têm apresentado problemas psicológicos e destacamos os nossos profissionais de assistência social para ligarem a essas pessoas.” Relativamente aos 27 casos de covid-19 detectados em Zhuhai, com ligação a um jardim de infância, as autoridades adiantaram que não têm, para já, conexão com Macau. Andreia Sofia Silva
COPC Apelo para se evitar actividades desnecessárias em prédios
O Centro de Operações de Protecção Civil (COPC) lançou ontem um apelo para os cidadãos não participarem em actividades desnecessárias nos clubes recreativos dos prédios. “O COPC verificou que há pessoas a praticar actividades desnecessárias nos clubes recreativos dos prédios, podendo aumentar o risco de transmissão do vírus. O COPC lembra que todos os indivíduos que se encontram em Macau necessitam cumprir rigorosamente as medidas de prevenção epidémica previstas no despacho”, pode ler-se em comunicado. O COPC revelou ainda que já entrou em contacto com a Associação de Administração de Propriedades, com o objectivo de “lembrar as companhias de administração” para “reforçar a supervisão sobre as áreas públicas dos edifícios”, apelando às mesmas para encerrarem clubes recreativos dos prédios sob a sua jurisdição.
14.7.2022 quinta-feira
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LARES LONGE DA FAMÍLIA, FUNCIONÁRIOS EM “STRESS PSICOLÓGICO” PEDEM MEDIDAS CONCRETAS
A esticar a corda O Sindicato dos Assistentes Sociais de Macau criticou o IAS por não ter lançado medidas para proteger os funcionários dos lares que estão a trabalhar em circuito fechado e sem contacto com a família desde o início do surto. Na primeira pessoa, funcionários relatam stress psicológico por estarem longe dos filhos e não receberem bens essenciais. IAS vai implementar descanso por turnos “fora do circuito”
sentida nestes dias por quem trabalha em circuito fechado nos lares de Macau, se deve ao facto de muitos, estarem impedidos de cuidar ou contactar com os seus filhos menores ou recém-nascidos, necessitando, muitas vezes, do auxílio de medicamentos para dormir. Além disso, com a entrada em vigor do decreto do Chefe do Executivo que confinou parcialmente Macau, foi partilhado, os funcionários deixaram de poder receber bens essenciais através das entregas feitas pelas famílias. “Na execução da medida, o Governo não teve em conta as necessidades dos funcionários dos lares”, disse um trabalhador. “Não estou desiludido com o regime de circuito fechado em si, mas desapontado por não existir qualquer indicação sobre datas concretas do seu fim ou atribuição de folgas. O Governo não pode resolver os problemas dos funcionários apenas com agradecimentos”, disse outro trabalhador.
Apagar fogos
Funcionário “Estamos no fundo da cadeia alimentar e não temos hipótese de recusar este trabalho. Todos temos família. Será que alguma vez consideraram que os funcionários dos lares também têm limites?”
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TRAVÉS de uma conferência de imprensa transmitida online e cartas tornadas públicas pelo Sindicato dos Assistentes Sociais de Macau, funcionários que se encontram a trabalhar nos lares subsidiados em circuito fechado desde o início do surto, criticaram a postura do Instituto para os Assuntos municipais (IAS) no que toca à falta de medidas concretas para aliviar a pressão psicológica. Isto, tendo em conta que a sua chamada para trabalhar em regime de circuito fechado nos
lares surgiu repentinamente, sem que houvesse tempo para preparar bens essenciais, e que a situação já se arrasta há muito tempo, deixando funcionários afastados das famílias. Na primeira pessoa, um dos funcionários afectados disse estar a sofrer de stress psicológico profundo, devido à falta de descanso e afastamento prolongado da família e rejeitou a ideia veiculada oficialmente pelo Governo de que todos os trabalhadores “têm muita vontade de integrar o trabalho em regime de circuito fechado dos lares”.
“Estamos no fundo da cadeia alimentar e não temos hipótese de recusar este trabalho. Todos temos família. Como é que este arranjo não prevê situações de reunião familiar? Será que chegaram alguma vez a considerar que os funcionários dos lares também têm limites no que diz respeito à pressão psicológica que podem aguentar?”, pode ler-se numa carta publicada na página de Facebook do Sindicato dos Assistentes Sociais de Macau. Outro trabalhador conta que, muita da pressão psicológica
Durante a conferência de actualização sobre a covid-19 de ontem, o Chefe de Departamento de Solidariedade Social do IAS, Choi Sio Un, revelou que os 36 lares subsidiados que se encontram a trabalhar em regime de circuito fechado, “já identificaram os trabalhadores que precisam de sair” e estão, neste momento, “a preparar locais para isolamento”. Além disso, revelou, um desses lares vai começar hoje o processo de substituição dos funcionários que pretendem sair, sendo esperado que, nos próximos dias, o mesmo comece a acontecer noutros lares para “promover o descanso dos trabalhadores”. “O IAS sabe que há falta de camas. Dispomos de camas dobráveis, podem contactar-nos. Os trabalhadores dizem que os seus familiares não conseguem entregar bens essenciais nos lares, mas apelamos para o cumprimento das medidas de prevenção, pelo que pedimos que fiquem em casa. Caso precisem de algum bem o IAS pode disponibilizar”, disse. Num comunicado divulgado na manhã de ontem, o IAS disse ainda que, para além de implementar “em breve” o plano de descanso por turnos “fora do circuito”, os lares estão a “considerar activamente” a atribuição de salários e subsídios adicionais aos funcionários que trabalham em circuito fechado. Hoje Macau
TIAGO ALCÂNTARA
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EPM PRISÃO DE COLOANE EM REGIME DE CIRCUITO FECHADO
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ESDE o dia 4 de Julho que o Estabelecimento Prisional de Coloane (EPM) se encontra a operar em gestão de circuito fechado, à semelhança dos lares de idosos. Segundo uma nota de imprensa, os 310 funcionários da prisão e do Instituto de Menores (IM) devem fazer um teste rápido todos os dias para irem trabalhar e usar equipamentos de protecção. Além disso, zonas prisionais, alas de internamento do IM, viaturas celulares e outras instalações públicas são limpas com desinfectante todos os dias. A implementação do regime de circuito fechado deve-se ao facto de o EPM ser um espaço “densamente povoado e fechado, pelo que, caso ocorra um caso de infecção, as consequências serão muito graves”. Os guardas prisionais trabalham por um período de sete dias, fazendo isolamento de sete dias nos dormitórios dos instruendos das Forças de Segurança de Macau e guardas prisionais, que estão equipados “com instalações básicas”. Segundo a Direcção dos Serviços Correccionais, os funcionários têm ao seu dispor “espaço suficiente para secar vestuário e roupa de cama”, além de existirem “suprimentos e instalações sanitárias que respondem aos padrões de higiene”. É disponibilizado o serviço de lavagem dos uniformes. As refeições diárias são confeccionadas pela cantina dos trabalhadores. A. S. S.
quinta-feira 14.7.2022
sociedade 5
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ANIMAIS SULU SOU CRITICA DECISÃO EXCLUSIVA DO CPSP
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ULU Sou juntou-se ao coro de vozes que critica a proibição, decretada pelas autoridades, de passear animais nas ruas. O ex-deputado deu o exemplo de uma idosa que esteve detida mais de dez horas por ter saído de casa para passear o cão na rua, porque este não conseguia fazer as necessidades em casa. Numa publicação nas redes sociais, Sulu Sou disse que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) é o organismo público mais qualificado para lidar com as questões dos animais, e que o despacho do Chefe do Executivo, em vigor desde domingo, deveria acompanhar as sugestões do IAM. Sulu Sou entende que este organismo deveria definir horários para as pessoas levarem os animais à rua, não se devendo apenas seguir as orientações do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), que não tem competências técnicas para tal. Importa recordar que, à TDM - Rádio Macau, o médico veterinário Henrique Galvão disse que a ordem que está a indignar os defensores dos animais partiu do CPSP e não do IAM. Sulu Sou referiu também que o foco do IAM tem sido errado, uma vez que o maior problema não é o acolhimento dos animais, pelo facto de os donos estarem em quarentena, mas sim o facto de não poderem sair à rua satisfazer necessidades básicas. N. W.
Turismo Preços do alojamento com quebra anual de 15%
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O Índice de Preços Turísticos (IPT) no segundo trimestre do ano foi de 114,87, o que representou uma quebra de 1,77 por cento “devido, principalmente, à descida de preços dos quartos de hotéis, das malas e dos relógios”. Segundo dados ontem divulgados, a maior quebra, anual, registou-se nos preços dos quartos de hotel, de 15,03 por cento, face ao segundo trimestre do ano passado. Em comparação ao trimestre anterior deste ano, a quebra nos preços do alojamento foi de 19,79 por cento. Olhando para o primeiro semestre do ano, em comparação ao mesmo período de 2021, a queda do IPT em termos dos preços do sector da hotelaria foi de 9,10 por cento, “o maior decréscimo” de várias áreas de actividade avaliadas. Ainda em termos trimestrais, o IPT desceu 1,79 por cento, enquanto que o IPT das áreas de retalho [vestuário e calçado] cerce 6,57 por cento, devido ao “lançamento do vestuário de verão”.
Zona A Aberto concurso público para quatro empreitadas
Foram ontem publicados em Boletim Oficial, os concursos públicos de concepção e construção de quatro empreitadas na Zona A dos novos aterros (lotes A10, A5, A6 e A11). Ao todo, serão edificadas cerca de 3.980 habitações em mais de 30 mil metros quadrados, onde serão construídos não só edifícios, mas também parques de estacionamento, zonas comerciais e equipamentos sociais. O prazo máximo de concepção e construção das quatro empreitadas varia entre os 1.090 e os 1.250 dias de trabalho.
Petição “Ao mesmo tempo, a fim de apoiar a luta governamental contra a pandemia, os cidadãos estão dispostos a cooperar, pelo que deveria ser permitido passear os seus estimados animais sozinhos, usando uma máscara KN95 nesse período.”
ANIMAIS PETIÇÃO EXIGE PERMISSÃO PARA PASSEIOS NA RUA
A voz dos donos
“Os passeios de cães deveriam ser permitidos durante o confinamento parcial” é o nome da petição que circula online desde ontem e que contava à hora de fecho desta edição com mais de 2700 assinaturas. O documento pede o fim da proibição de levar animais à rua, para evitar problemas de saúde e até a morte
O
Governo decidiu que até segunda-feira será proibido circular na rua, incluindo para levar cães a passear ou para fazerem as suas necessidades básicas. Uma medida que está a levantar muitos protestos por parte da sociedade. Depois de associações como a ANIMA e Masdaw se terem mostrado contra a decisão, surgiu ontem uma petição online com o objectivo de pedir o fim da proibição. O documento, intitulado “Os passeios de cães deveriam ser permitidos durante o confinamento parcial” [Dog-walking should be allowed during partial-lockdown] alerta para os problemas graves de saúde que podem ser causados aos animais
se estes não puderem fazer as suas necessidades fora de casa. “Do ponto de vista humano, a maior parte dos cães em Macau urina na rua ou em casas de banho públicas para cães. É contra a natureza mudar os seus hábitos fisiológicos para que façam as necessidades em casa num curto período de tempo. Tal pode potencialmente causar sérios problemas de saúde e até a morte de alguns cães”, pode ler-se. Desta forma, os autores da petição, que se intitulam “um grupo de cidadãos e donos de animais” descrevem que “um grande número de pessoas expressou preocupação e ansiedade tendo em conta a interpretação das autoridades do despacho do Chefe do Executivo”.
“Depois de dois dias de questões colocadas pelos media e pelas associações de defesa dos direitos dos animais, aparentemente a posição das autoridades não mudou. Ao apresentar esta petição, gostaríamos que o Governo tenha a percepção de que este não é um pedido de poucos donos de animais a título individual, mas sim um respeito pelos direitos básicos e interesses da maioria de cidadãos responsáveis.” A petição cita ainda a lei da protecção dos direitos dos animais, nomeadamente o artigo relativo aos deveres dos donos. No diploma, em vigor desde 2016, lê-se que quem tem animais deve “proporcionar ao animal alimentação e água potável adequadas,
bem como espaço suficiente para a sua movimentação”. O dono deve ainda “prestar ao animal os demais cuidados apropriados” ou “tomar as medidas necessárias para evitar que a saúde pública seja prejudicada pelo alojamento do animal”. “Ao mesmo tempo, a fim de apoiar a luta governamental contra a pandemia, os cidadãos estão dispostos a cooperar, pelo que deveria ser permitido passear os seus estimados animais sozinhos, usando uma máscara KN95 nesse período”, escrevem os autores da petição. Os passeios seriam pequenos e de curta duração, apontam ainda.
Uma carta aberta
Entretanto, o grupo Everyone Stray Dogs Macau Volunteer Group enviou uma carta aberta ao Governo onde afirma que tem recebido muitas queixas apresentadas por donos de animais. A associação volta a reiterar que não levar os animais à rua constitui um perigo para a sua saúde, porque muitos deles não conseguem fazer as necessidades em casa. Alguns problemas de saúde apontados pela associação prendem-se com uremia, disfunção da bexiga, insuficiência renal, doença da próstata ou problemas na coluna vertebral. A situação piora quanto mais velhos forem os animais, que também poderão sentir ansiedade por estarem fechados. Andreia Sofia Silva
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14.7.2022 quinta-feira
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TNR PERDA IMEDIATA DE BLUE CARD POR VIOLAR CONFINAMENTO É “IR LONGE DEMAIS”, ADVOGADOS
TIAGO ALCÂNTARA
Advogados ouvidos pelo HM consideram que a cassação imediata de vistos de TNR que violem regras do confinamento é uma situação “excessiva”. Tal, defendem, apenas poderá acontecer após condenação e não por decisão dos Serviços de Migração. Miguel de Senna Fernandes diz que o comportamento da população de Macau tem sido “exemplar”, apesar do cansaço em relação à pandemia e do tom “intimidatório” das autoridades nos últimos dias
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O seguimento de as forças de segurança terem apontado que os trabalhadores não residentes (TNR) que violem regras do confinamento parcial de Macau podem perder, de imediato, o seu visto de trabalho, advogados ouvidos pelo HM consideram que tal pode acontecer, mas que será “ir longe demais”, caso a decisão seja tomada pelos Serviços de Migração, antes da condenação. Começando por sublinhar que Macau continua em estado de prevenção imediata, Miguel de Senna Fernandes aponta que, nesta fase, “tudo tem a ver com a interpretação dessa situação de excepcionalidade”, mas duvida, contudo, que a cassação imediata dos vistos de trabalho possa ser feita “à luz da lei”. “Os não residentes estão em Macau e sujeitos às leis da RAEM e, como qualquer residente, pode cometer um crime de desobediência. No entanto, não sei se cancelar logo o título de trabalho, não é ir longe de mais”, começou por dizer. “Não li despacho nenhum a permitir isto e tenho dúvidas que este tipo de situações possa ir tão longe”, reforçou. O advogado lembra, contudo, que, se durante esta semana, um TNR é apanhado a passear na rua “como se nada fosse”, incorre naturalmente numa ofensa grave, a situação “pode ter consequências em termos da renovação do seu título de trabalho”, numa fase posterior. Recorde-se que na terça-feira, Cheong Kin Ian, representante dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), avisou que se os TNR violarem as regras do confinamento parcial podem perder o seu visto de trabalho. “Os TNR que infringirem a lei, poderão incorrer em responsabilidade criminal e sujeitar-se ao cancelamento do bluecard”, disse na altura.
RÓMULO SANTOS
Hino à desproporc
À la carte
Miguel de Senna Fernandes, advogado “Não li despacho nenhum a permitir isto e tenho dúvidas que este tipo de situações possa ir tão longe.”
Um outro advogado, acostumado a tratar de casos relacionados com os vistos de trabalho de TNR, e que preferiu não ser identificado, começou por vincar que o despacho do Chefe do Executivo que decretou a suspensão de todas as actividades não essenciais de Macau até à próxima segunda-feira é “muito vago em relação a questões muito importantes”.
Lembra também que qualquer pessoa, residente ou não, poderá sofrer as consequências legais “se não cumprir as normas que estão estipuladas para este confinamento”, mas vinca que, no caso dos detentores de blue card, o cancelamento do visto de trabalho, apenas poderá acontecer após uma condenação.
Situação que, partilhou, não tem sido o procedimento habitual. Nos últimos tempos. “Diz a lei que os detentores de blue cards não podem ter registo criminal nem em Macau, nem na sua terra natal, logo eles podem perder o visto por uma condenação criminal, nomeadamente por este crime.
quinta-feira 14.7.2022
especial covid-19 7
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cionalidade
com uma condenação feita pelos Serviços de Migração. Se a migração disser que é arguido, a pessoa automaticamente perde o blue card e, infelizmente, esta tem sido a prática, que é perfeitamente antagónica com a lei”, reforçou.
Nunca antes visto
Sobre a situação que se vive em Macau, Miguel de Senna Fernandes diz que “nunca se viu nada assim” no território e aponta que a abordagem do Governo nos últimos dias tem sido “intimidatória” perante uma população que, apesar de “cansada”, tem sido “exemplar”.
“Se a memória não me trai, Macau nunca viveu uma coisa assim, o que só por si já é intimidatório. Algumas destas medidas vão além daquilo que eu esperava. Há-que ter em conta que a população está cansada e é preciso dizê-lo.”
Jogo do empurra
Leong Sun Iok denuncia “injustiça” de trabalhadores de casinos que vivem em Zhuhai
L
EONG Sun Iok, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) reclama tratamento igual para todos os trabalhadores do sector do jogo. Num artigo publicado ontem no Jornal do Cidadão, o deputado afirmou ter enviado uma carta à Sociedade de Jogos de Macau (SJM) a pedir explicações para aquilo que argumenta ser a forma injusta como a empresa está a tratar os trabalhadores oriundos do Interior. O deputado afirma que os funcionários que vivem do outro lado da fronteira enfrentam situações complicadas e estão há um mês sem receber salário por não poderem vir a Macau assinar o acordo de licença sem vencimento, ou por estarem condicionados pela obrigação de cumprimento de sete dias de quarentena, mais três de autogestão no regresso a Zhuhai. Além disso, refere que os trabalhadores que ficaram em quarentena por estarem em horário de expediente na altura em que o Grand Lisboa encerrou também estão sem receber salário. “As empresas de jogo estão a aplicar medidas que têm os empregados que vivem no Interior como alvos e que os impedem que pedir licença sem vencimento. Estas políticas são irrazoáveis e injustas. Esperamos que as concessionárias assumam as suas responsabilidades sociais e tratem os trabalhadores com igualdade, e que o Governo intervenha em coordenação com as empresas para
ajudar os trabalhadores”, afirmou o deputado.
Zonas a cores
Além dos trabalhadores que moram no Interior da China, Leong Sun Iok realçou que os funcionários de casinos que vivem em edifícios onde foi decretada zona amarela ou vermelha vivem situação semelhante. O deputado da FAOM sugeriu ao Governo da RAEM que negoceie com as autoridades de Zhuhai a abertura de um corredor humanitário que permita a saída de pessoas de Macau por motivos de doença severa, e que seja facilitada a possibilidade de cumprir quarentena na cidade vizinha, processo complicado pela dificuldade em encontrar vagas em hotéis. J. L.
MIGUEL DE SENNA FERNANDES ADVOGADO
Agora, o que a migração tem feito em relação a este tipo de situações é perfeitamente disparatado. Ou seja, basta uma pessoa ser constituída arguida para a migração passar a considerar essa pessoa como um criminoso, pois não espera pelo trânsito em julgado da decisão”, apontou. A mesma fonte diz ter tratado
de um caso semelhante em que uma professora acabou por perder o visto de trabalho logo após ter sido constituída arguida. Isto, apesar de ter sido absolvida de todas as acusações. “Efectivamente, os TNR podem perder o blue card, mas, no meu entender, só depois de uma condenação com trânsito em julgado, não
“Se a memória não me trai, Macau nunca viveu uma coisa assim, o que só por si já é intimidatório. Algumas destas medidas vão além daquilo que eu esperava. No fundo, há-que ter em conta que a população está cansada e é preciso dizê-lo”, começou por partilhar. “A população está cansada porque o mundo não é só Macau e estamos a ver o que se passa lá fora (…) em que já quase ninguém usa máscaras e a tendência é a de conviver com o vírus. Isto aumenta a frustração das pessoas e, por isso mesmo, isto pode estar na base do tom algo intimidatório que temos vindo a assistir, para que essas medidas sejam acatadas. As pessoas compreendem (…) mas indubitavelmente a população está frustrada. Até por levar o cão à rua para fazer necessidades uma pessoa pode ser multada e há muitas proibições. Isto é absolutamente inédito”, rematou. Pedro Arede
Economia Ng Sio Lai exige novo cartão de consumo A presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau, Ng Sio Lai, defende que o Governo deve criar medidas de fomento económico além das que estão a ser implementadas a curto prazo no contexto da pandemia. Neste sentido, e segundo o jornal Ou Mun, a responsável defende uma nova ronda do plano de benefícios de consumo por meios electrónicos, uma vez que continuam a ser identificados no Interior
da China casos positivos de covid-19, nomeadamente com o novo surto descoberto em Zhuhai. Este panorama é encarado pela responsável dos Kaifong como um sinal de que a recuperação económica do território não deverá acontecer tão cedo. Desta forma, Ng Sio Lai dá eco das preocupações que recolheu de residentes, nomeadamente no que toca ao encerramento de empresas e ao aumento do desemprego.
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Acertar contas
Comércio externo cresce 9,4% no primeiro semestre
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Lo Chung-mau, secretário da Saúde de Hong Kong “Todas as cidades são diferentes. Hong Kong é muito diferente de Xangai ou Macau (...) Hong Kong já passou por uma quinta vaga de infecções de larga escala. Pagámos esse preço.”
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secretário da Saúde, Lo Chung-mau, afirmou que a partir de amanhã as pessoas infectadas e que estejam a cumprir isolamento em casa serão obrigadas a usar pulseiras electrónicas para assegurar que não violam os regulamentos de contingência da pandemia e que não saem de casa prematuramente. As autoridades de Hong Kong estão a estudar a implementação de um sistema ao usado em Macau, através da leitura de códigos QR na aplicação LeaveHomeSafe, com as três cores verde, amarelo e vermelho para verificar se o cidadão estão ou não a cumprir as directrizes do Executivo. Lo Chung-mau reforçou a ideia de que as novas medidas irão tornar mais fácil a identificação de
HONG KONG INFECTADOS PASSAM AMANHÃ A USAR PULSEIRA ELECTRÓNICA
Tomar o pulso A partir de amanhã, quem testar positivo à covid-19 ou cumprir isolamento em casa vai passar a usar uma pulseira electrónica que irá monitorizar o paradeiro. Na terça-feira, Hong Kong reportou mais de 2.500 novos casos positivos pessoas infectadas com o novo tipo de coronavírus e que um sistema de registo com a identidade completa irá aumentar a eficácia na luta contra a pandemia. A proposta para o novo tipo de código de saúde irá também ser aplicada
a quem chega do exterior para cumprir quarentena nos hotéis designados para o efeito. Esse grupo de pessoas ficará com código amarelo. O membro de Governo, citado pela emissora pública RTHK, indicou que este segmento
da população poderá retomar a sua vida normal, ir trabalhar ou frequengtar aulas, mas que ficariam proibidos de participar em “actividades sem máscara ou entrar em instalações de risco elevado, como hospitais e lares de idosos”.
Para já, o Governo de John Lee não planeia impedir estas pessoas de usar os transportes públicos.
Diferente de Macau
As novas propostas foram anunciadas como formas de controlar o retorno dos elevados números de novas infecções diárias. “Todas as cidades são diferentes. Hong Kong é muito diferente de Xangai ou Macau, tanto em termos do tamanho da população, como na distribuição de idades e também nas taxas de vacinação. Hong Kong já passou por uma quinta vaga de infecções de larga escala. Pagámos esse preço”, afirmou o secretário da Saúde, citado pela RTHK. “Além disso, Hong Kong é uma cidade muito internacional. Todos estes aspectos são considerados nas nossas decisões”, acrescentou. João Luz com agências
DEMOGRAFIA ESPERANÇA MÉDIA DE VIDA AUMENTA PARA OS 78,2 ANOS
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esperança média de vida na China, o país mais populoso do mundo, atingiu os 78,2 anos, em 2021, segundo dados divulgados ontem pela Comissão Nacional de Saúde chinesa. A média representa um crescimento de 0,27 anos, em relação à expectativa de 77,93 anos registada em 2020, de acordo com a agência
noticiosa oficial Xinhua. A taxa de mortalidade materna no país asiático caiu de 16,9 mortes por 100 mil nascimentos, em 2020, para 16,1, em 2021. A Comissão também observou uma diminuição na taxa de mortalidade infantil, que passou de 5,4 mortes por cada mil bebés nascidos, para 5. A mesma fonte disse que as
taxas de mortalidade entre mulheres grávidas, bebés e crianças menores de 5 anos caíram para os níveis mais baixos de sempre no país. Nas últimas décadas, a China avançou em muitos indicadores de saúde, como esperança média de vida e mortalidade infantil, embora os dados tendam a ser díspares entre as cidades costeiras mais
desenvolvidas e as áreas do interior. De acordo com o último censo nacional, realizado a cada dez anos e apresentado em Maio de 2021, a China tem cerca de 1,4 mil milhões de habitantes, embora o envelhecimento e as baixas taxas de natalidade preocupem as autoridades. Mais de metade das 31 províncias do país relataram
um declínio populacional no ano passado. Mesmo as províncias com o maior número de nascimentos registaram a menor taxa em décadas. A população com idade superior a 60 anos representa já 18,7 por cento da população total da China, com previsão de aumento para 28 por cento até 2040, segundo a Organização Mundial da Saúde.
comércio entre a China e o resto do mundo registou um crescimento homólogo de 9,4 por cento, no primeiro semestre de 2022, para 19,8 biliões de yuans, segundo dados oficiais divulgados ontem. De acordo com a Administração Geral das Alfândegas do país asiático, as exportações denominadas na moeda chinesa avançaram 13,2 por cento, entre Janeiro e Junho, para 11,14 biliões de yuans. As importações aumentaram 4,8 por cento. O excedente comercial da China fixou-se em cerca de 2,48 biliões de yuans - um crescimento de 52,1 por cento, em relação ao primeiro semestre de 2021. “O comércio internacional da China experimentou uma recuperação notável nos meses de Maio e Junho”, disse o porta-voz das alfândegas, Li Kuiwen, em conferência de imprensa. Li apontou o sucesso do país em conter os surtos de covid-19, que na primavera atingiram regiões chave para a indústria chinesa, incluindo Xangai, e o efeito das “políticas de estabilização do crescimento”, como factores dessa recuperação. Nos primeiros seis meses do ano, os principais parceiros comerciais do país asiático foram a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e a União Europeia, com as quais o comércio cresceu 10,6 por cento e 7,5 por cento, respectivamente, em relação ao mesmo período em 2021. As trocas entre China e Estados Unidos aumentaram 11,7 por cento, em relação ao primeiro semestre de 2021. As alfândegas também divulgaram ontem os dados referentes ao mês de Junho, quando as trocas comerciais entre a China e o resto do mundo subiram 14,3 por cento, em termos homólogos. As exportações continuam a ser um dos grandes motores da economia chinesa, que divulga na próxima sexta-feira os dados do Produto Interno Bruto (PIB), do primeiro semestre do ano, incluindo a evolução da produção industrial, investimento em activos fixos, vendas a retalho e emprego, durante os meses marcados pela imposição de medidas de prevenção epidémica em várias cidades do país.
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Jaroslaw Iwaszkiewicz (1894-1980) foi poeta, prosador, dramaturgo e político polaco. O amor e a morte e sua relação, assim como efemeridade da vida sempre figuraram como temas importantes na sua obra. Vários dos contos de Iwaszkiewicz serviram como inspirações para os filmes de Andrzej Wajda. Foi um dos fundadores e membro de Skamander (Escamandro) o mais importante grupo poético do entreguerras polaco. Sua obra lírica, extremamente melódica e pessoal é marcada pela constante presença de elementos contrários: afirmação da vida e fascinação pela morte, fé no poder da arte e dúvida no poder das ações humanas, elementos contemplativos e sede de viver.
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“Na margem do rio. Diálogos com a morte nos versos de quatro poetas polacos” APRESENTAÇÃO E TRADUÇÃO DE PIOTR KILANOWSKI*
Quatro poemas, quatro poetas, um tema. Ou quase um. Temos três diálogos antes da viagem para o paradeiro mais misterioso das nossas vidas e um poema que reflete a solidão dessa viagem inconcebível. Dois dos poemas, o de Jarosław Iwaszkiewicz e o de Tadeusz Różewicz, ambos marcando seu silêncio pela falta de um título, ambos saindo da garganta apertada (talvez a articulação de Różewicz esteja mais apertada, mais essencial e mais simples e por isso mais impactante) nos colocam diante do último diálogo da mãe e do filho. A figura de pietá, na qual a ordem da natureza está revertida, obriga a doadora da vida ser também a pessoa que ajuda a fazer a transição para a não-vida, a outra margem. O que está nela? O nada? Se for, dentro dele também há uma réstia de esperança, como no poema de Iwaszkiewicz, o infinito do não saber. Todos esses poemas contêm em si a escuridão e a tentativa de expressar o inexpressável. Todos são um grito, um protesto que ele mesmo sendo mudo, por tentar expressar o silêncio, emudece o leitor. O protesto contra a condição humana e, em algum nível, também a aceitação da sua inevitabilidade. O drama existencial nos primeiros três poemas é encenado pela primeira forma de um drama: diálogo. E se no poema de Aleksander Wat temos a situação que pode se referir ao último diálogo apenas metaforicamente, o mais essencial dos poemas, o mais dramático, da autoria de Różewicz, é também aquele que nos despoja de quaisquer ilusões. As palavras mais banais, mais gastas, quase todas com marcas de oralidade são dispostas pelo poeta de uma maneira que não apenas rasga o leitor mas também o obriga a mergulhar no infinito das palavras como “tudo” e “nada” colocadas em uma oposição completa. Começando pela situação coloquial, que sugere uma partida ou viagem, Różewicz
por meio de absoluta economia de palavras, que ecoam ao longo do poema e do diálogo, fortalece o efeito da nossa impotência diante do inevitável. Renovando as palavras gastas nos aproxima daquilo que não pode ser dito.
Mamã, eu fiquei cego? “Não, filho. Só a noite escura”.
“Busco as palavras que não existem”, disse Jerzy Ficowski no livro A leitura das cinzas, que por meio da palavra poética tentou instaurar o monumento à ausência provocada pelo Holocausto. Różewicz não
Mesmo assim, tenho medo. “Deus é bom – diz Epicuro”.
Por que é tão terrível? “Nada, filho. Não tarda”. E ainda frio por cima “Depois não sentirás mais nada”.
Oh, tem uma réstia na frente. “Chamam isso de existência”. Roma, IV-V, 1975.
procura essas palavras. Por meio das que existem nos aproxima à não-existência que sustenta a nossa existência. Tudo isso, “a vida inteira”, para nós, seres compostos da eterna insatisfação, será sempre um espantoso “só isso” … * Escritor, tradutor e editor da Revista Piparote, https:// revistapiparote.com.br/, com a qual o Hoje Macau inicia assim uma colaboração.
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O documentário de Michael Moore é uma crítica ao sistema de saúde dos Estados Unidos. Apesar de nada imparcial, muito ao estilo do realizador, “Sicko” explora com habilidade o deficiente sistema de saúde norte-americano, onde quem pretende permanecer saudável, o melhor é fazer tudo para não adoecer. Através de exemplos de pessoas comuns, obrigadas a passar pelos serviços de atendimento médico e hospitalar, somos levados a questionar como milhões de vidas estão sujeitas a um 10sistema, que só beneficia ineficaz alguns grupos de poder endinheirados. Além de analisar a situação do país, o realizador estabelece ainda uma comparação com a eficiência da saúde pública praticada em Cuba ou no Canadá. Hoje Macau
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CINETEATRO SICKO | MICHAEL MOORE | 2007
C I N E M A
SALA 1
LIGHTYEAR [B]
FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Angus MacLane 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2
TOP GUN: MAVERICK [B] Um filme de: Joseph Kosinski Com: Tom Cruise, Jennifer Connely, Val Kilmer, Miles Teller 14.00, 19.15
JURASSIC WORLD: DOMINION [B] Um filme de: Colin Trevorrow
Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Laura Dern, Jeff Goldblum 16.30, 21.45
THE LOST CITY [B]
Um filme de: Adam Nee, Aaron Nee Com: Sandra Bullock, Channing Tatum, Daniel Radcliffe, Brad Pitt 14.30, 16.30, 21.45 SALA 3
EVERYTHING EVERYWHERE ALL AT ONCE [C]
Um filme de: Daniel Kwan, Daniel Scheinert Com: Michelle Yeoh, Stephanie Hsu, Ke Huy Quan, James Wong 19.00
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in Madremedia
Manuel Cardoso
LAND OF THE FRITOS ESTOU NO ESTADOS UNIDOS há dois meses e perdi uns quilos. Sim, sim, esqueçam a Depuralina e o jejum intermitente - a solução para um português perder peso é efectivamente apanhar um avião para a América. “Mas Manuel, nos Estados Unidos da América? Estamos a falar do mesmo país que sofre há décadas de uma epidemia de obesidade mórbida? Cujo meio de transporte predilecto a seguir ao automóvel talvez sejam aquelas scooters elétricas de mobilidade que transportam indivíduos com elevados valores de IMC? Da mesma nação que te obriga ingerir três litros de Dr. Pepper ao dia, caso contrário tens o delegado de saúde à perna? Estamos mesmo a falar da república que teve como 45.º presidente um indivíduo que punha ketchup em cima do seu bife?” Compreendo as reservas, mas é a mais pura das verdades. E notem, não tive de fazer qualquer dieta. É um método que advém da repulsa gastronómica. Simplesmente, um português não engorda nos Estados Unidos porque se recusa terminantemente a descer ao nível culinário desta malta. Reparem, é normal de vez em quando comer porcaria -— sou partidário de McDonald’s em tardes de ressaca — mas esta gente está em cheat day desde 4 de Julho de 1776. Tudo aqui é panado! Frango? Siga, pana. Camarão? Pana-me isso. Bolachas Oreo? Pana já. É um povo que só está bem a panar. Quem lhes tira a fritadeira, tira-lhes tudo.
“Consigo comer uma panela inteira de arroz de lingueirão e nem uma colher de mac and cheese. Consigo comer um pão de Rio Maior inteiro com manteiga, mas fico-me por meio bagel com queijo creme. Sou fã de rancho, nem tanto de molho ranch.”
E não se enganem, estivesse eu a passar o Verão em Portugal e neste momento e já teria juntado mais quatro ou cinco quilos à minha colecção. Foi sorte geográfica. É que eu consigo comer uma panela inteira de arroz de lingueirão e nem uma colher de mac and cheese. Consigo comer um pão de Rio Maior inteiro com manteiga, mas fico-me por meio bagel com queijo creme. Sou fã de rancho, nem tanto de molho ranch. Prefiro a tosta mista ao grilled cheese; o prego ao Philly Cheesesteak; o frango do Rio de Mel ao frango do Popeye’s. Sou capaz de beber uma dezena de imperiais Super Bock numa tarde, mas não vou além de uma pint de Bud Light. No fundo, é muito mais fácil controlar o apetite num sítio em que tudo é enjoativo. Neste momento, o dólar está igual ao euro. Como se não bastasse ser má, a comida aqui fica-me mais cara a cada dia que passa. Enquanto eles engordam, a nossa economia emagrece. Como europeus, podemos ficar atrás em todos os indicadores económicos, mas espero que o BCE esteja orgulhoso do nosso défice calórico.
opinião 11
“As luzes que descobriram as liberdades inventaram também as disciplinas.” PALAVRA DO DIA
Michel Foucault
EUA JOHN BOLTON CONFESSA TER AJUDADO A PLANEAR GOLPES DE ESTADO
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14.7.2022
Xangai Registada temperatura mais alta desde 1873
A temperatura na cidade chinesa de Xangai atingiu ontem 40,9 graus, a temperatura mais alta desde que começou a haver registos, em 1873, informou o jornal oficial Global Times. O recorde anterior datava de Agosto de 2013, quando a temperatura atingiu os 40,8 graus. Devido à onda de calor que atinge a China, o serviço meteorológico nacional emitiu o alerta laranja, o segundo mais alto, devido às altas temperaturas na cidade e outras regiões do país. As temperaturas vão exceder os 40 graus em várias regiões do sul, centro e leste da China. Na província de Zhejiang, próxima de Xangai, alguns hospitais relataram a admissão de pacientes afectados por insolação, vários dos quais morreram. As províncias costeiras vizinhas de Jiangsu e Fujian também estão a sofrer com o calor intenso, enquanto Henan, Sichuan e Heilongjiang, no interior, registaram várias hospitalizações por insolação, com um número ainda não relatado de mortes.
O
antigo conselheiro de segurança nacional durante a administração do ex-Presidente Donald Trump assegurou na terça-feira que “participou no planeamento de golpes de Estado” fora dos Estados Unidos. A declaração foi feita na cadeia de televisão CNN, onde comentava as audições da comissão parlamentar sobre o ataque ao Capitólio. Em resposta à afirmação da jornalista de que um responsável pelo ataque ao Capitólio não tinha de ser “brilhante para tentar um golpe”, John Bolton respondeu num tom natural: “Discordo. Como alguém que ajudou a planear golpes de Estado, não aqui, mas fora, é preciso muito trabalho”. Bolton afirmou ainda que a invasão a 6 de Janeiro de 2021 não foi uma tentativa de golpe de Estado por parte de Trump, que estava “apenas a mudar de uma ideia para outra”. Conhecido pela sua posição bélica na diplomacia, Bolton, que serviu como conselheiro de segurança nacional da Casa Branca em 2018, antes de ser demitido pelo Presidente republicano em Setembro de 2019, não especificou de que golpes estava a falar. Contudo, referiu-se à tentativa falhada na Venezuela de expulsar o Presidente, Nicolás Maduro, do poder em 2019 pelo líder da oposição Juan Guaidó, apoiado por Washington. Ao lado dos neoconservadores, John Bolton, conhecido também pelas suas posições duras com o Irão, Afeganistão e Coreia do Norte, foi um dos arquitectos da invasão do Iraque em 2003.
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EIU “O nível de imersão das empresas na China - com planos plurianuais que dependem do país como motor de crescimento futuro, - torna difícil que se afastem dessa estratégia no curto prazo.”
“ZERO COVID” PODE DIMINUIR INVESTIMENTO ESTRANGEIRO NA CHINA
Outra matemática O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) na China deve cair, nos próximos anos, à medida que o país insiste na estratégia de ‘zero casos’ de covid-19, previu a unidade de análise da revista The Economist. A Economist Intelligence Unit (EIU) descartou, no entanto, um êxodo corporativo em massa do país, face à atractividade exercida pelo vasto mercado local e importância da China nas cadeias globais produtivas. “Mesmo que não abandonem o mercado chinês, esperamos que os investidores estrangeiros cada vez mais vejam o Sudeste Asiático, onde os governos adoptaram uma estratégia de ‘coexistência com o vírus’, como opção atractiva para investimentos futuros”, lê-se no relatório difundido hoje pela EIU. A unidade de análise da The Economist considerou que a estratégia constitui um dos “maiores desafios” que os investidores
estrangeiros enfrentaram no país, na história recente. No entanto, o relatório lembrou que a China desempenha um papel chave no fornecimento de componentes que não estão disponíveis noutros países, e uma infraestrutura logística “inexistente”, no resto da Ásia ou em outros lugares, “em dimensão e sofisticação”. O forte crescimento da classe média do país, na última década, encorajou também as empresas a adoptarem o modelo “na China, para a China”, que consiste em produzir e vender localmente. “O nível de imersão das empresas na China - com planos plurianuais que dependem do país como motor de crescimento futuro, - torna difícil que se afastem dessa estratégia no curto prazo”, apontou o relatório.
Choques em cadeia
A EIU previu que o IDE recue a partir de 2022, em comparação com os dois anos anteriores, com o efeito a prolongar-se até 2024. A manutenção da estratégia ‘zero covid’ vai ter maior impacto
no IDE nos sectores voltados para o consumo doméstico, face aos choques desproporcionais no retalho, infligidos por bloqueios repentinos e outras restrições ao movimento de pessoas, apontou. A tolerância zero à covid-19 implica também o encerramento praticamente total das fronteiras da China. O país autoriza apenas um voo por cidade e por companhia aérea, o que reduziu o número de ligações aéreas internacionais para o país em 98 por cento, face ao período pré-pandemia. Quem chega à China tem que cumprir uma quarentena de dez dias. Isto dificulta a atracção de talentos globais e frustra futuros planos de investimento, já que os quadros das empresas estrangeiras não conseguem supervisionar o lançamento ou o alargamento de projectos, destacou a EIU. Gigantes tecnológicos como a Apple e Samsung transferiram, nos últimos anos, partes das suas cadeias de fornecimento para o Vietname.
Rússia ONU estima 16 mil detidos em protestos contra guerra
Mais de 16 mil pessoas foram detidas na Rússia durante os últimos meses por protestos contra a guerra na Ucrânia, estimam especialistas das Nações Unidas (ONU), que ontem denunciaram a repressão de activistas e jornalistas russos. “A censura dos meios de comunicação e das organizações humanitárias, a perseguição de activistas e as contínuas violações da liberdade de expressão e associação reduziram ainda mais o espaço cívico no país”, consideraram os peritos da ONU num comunicado. Desde a invasão russa da Ucrânia em 24 de Fevereiro, foram abertos cerca de 60 processos penais por “falsas notícias sobre a guerra”, pelo menos sete por “desacreditar” e “apelar à obstrução” do exército russo. Além disso, praticamente todos os meios de comunicação social independentes do país foram censurados, juntamente com dezenas de jornais ou jornalistas estrangeiros. O Twitter, Facebook e Instagram também foram suprimidos ou bloqueados, enquanto o Meta, aplicação “mãe” do WhatsApp, foi encerrada por ser “uma organização criminosa”.