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Hoje Macau 1 JUL 2014 #3121

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

WWW.HOJEMACAU.COM.MO

TERÇA-FEIRA 1 DE JULHO DE 2014 • ANO XIII • Nº 3121

hojemacau SALÁRIO MÍNIMO Diploma vai hoje a votos

´ EFEITO DOMINO O que está em causa é a implementação de um salário mínimo de 30 patacas para empregadas de limpeza e porteiros. Teme-se um efeito de “choque em cadeia” na economia que pode levar ao desaparecimento de mais PME.

SONHOS, SUOR, IMAGINAÇÃO E CURIOSIDADE

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A VERTIGEM DE ANDRÉ CARRILHO

E eles dizem que não... POLÍTICA PÁGINA 3

ÓCIOS & NEGÓCIOS

BABEL, A PAIXÃO PELAS ARTES Margarida Saraiva e Tiago Quadros com um conceito inovador. Um Museu sem paredes e sem fins lucrativos, em que os projectos artísticos são os verdadeiros protagonistas. PÁGINA 2

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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VERTIGO

Sufrágio universal

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PÁGINA 4


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ÓCIOS & NEGÓCIOS BABEL PROMOVER A ARTE EM TODAS AS FORMAS

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Um museu sem paredes

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Á cerca de um ano, Margarida Saraiva fundou, juntamente com o marido Tiago Quadros, a BABEL. É uma organização sem fins lucrativos dedicada à arte em todas as suas formas. Ao HM, Margarida explica que o conceito passa, principalmente, por “criar um museu sem paredes”, ou seja, um museu sem colecção própria, mas que capitaliza as colecções de outros museus. Para a também curadora, não é difícil estabelecer uma organização ou uma empresa no seio da comunidade de Macau. Principalmente quando se trata de uma associação que ajuda artistas locais a expandirem o seu talento mundo fora. “O nosso processo de trabalho passa por criar parcerias à escala internacional, com instituições de referência tanto na área da cultural, como na da educação e lançar-lhes desafios”, clarificou a fundadora. Actualmente, são desenvolvidos projectos com conhecidas instituições culturais lusas, como a Fundação Calouste Gulbenkian, o Museu Berardo ou o museu de arte contemporânea da Fundação Serralves. Uma das iniciativas deverá culminar na mostra “Memória e Arquivo”, a ser apresentada em Macau já em Agosto, no âmbito do programa InFLUXUS 2014, igualmente criado pela BABEL. “Nunca foi visto em Portugal. É único”, acrescenta Margarida.

valioso”. E assim foi. Hoje, a BABEL conta com a colaboração de várias pessoas com diferentes capacidades e conhecimentos.

ARTE PARA OS MAIS NOVOS

FÃS INTERNACIONAIS

O gosto pela educação e por dar a conhecer a arte aos mais novos também está bastante presente no projecto da BABEL, uma vez que vai contar com a participação de estudantes de Macau, Pequim e Portugal. A ideia de criar esta organização não surgiu repentinamente, mas sim da vontade de dar continuidade a outros projectos que o casal havia já encetado em terras lusas. “Por um lado, havia em nós uma consciência muito clara de que há lacunas muito grandes em termos de arte, arquitectura e ambiente em Macau. Sentimo-nos capazes de ajudar a colmatar essas lacunas, de dar o nosso contributo de forma directa. Os nossos membros possuem um ‘know-how’ nas suas áreas respectivas que consideramos raro e

hoje macau terça-feira 1.7.2014

BABEL

A BABEL nasceu de uma ideia inovadora. Sem procurar fazer dinheiro, aquilo que realmente move o casal fundador da associação é a paixão pela arte e pelo seu fomento

ção de exposições. É preciso ter consciência de que a arte não vive só de subsídios. É preciso excelência, qualidade, capacidade de diálogo intelectual com o mundo contemporâneo”, diz a representante da BABEL, quando questionada sobre o que faz falta em Macau. Para além de haver poucos espaços dedicados à cultura, a curadora acredita que a crítica de arte é o que mais falta faz. Considera-a uma vertente pouco trabalhada, mas promete estar a trabalhar no sentido de a expandir. Exemplo disso é o projecto New Visions, pensado como rampa de lançamento de artistas locais e de promoção da crítica de arte. Quando compara o ambiente artístico local com o de Portugal, Margarida refere a profissionalização como maior diferença. “Em Macau vive-se ainda num sistema bastante amador, pouco regulado que deixa os artistas e os agentes culturais numa situação de alguma fragilidade”, explica.

“GOSTÁVAMOS DE ENCONTRAR UM MECENAS”

Mas, como se espalham ideias e conceitos no mundo contemporâneo? Questionada sobre as várias ferramentas de difusão, presentemente ao dispor de todos, Margarida entende que todos os mecanismos são fundamentais “quando se procura comunicar os valores de uma organização e da sua cultura de inovação”. É, contudo, o Facebook que desempenha um dos papéis mais importantes na difusão da BABEL e da

sua mensagem central. A página da associação conta já com dois mil ‘likes’ de pessoas provenientes dos quatro cantos do mundo, incluindo Bélgica, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos. “Os nossos fãs são jovens adultos, havendo um equilíbrio interessante em ambos os géneros. Fazemos da nossa página também uma forma de divulgação de notícias nas áreas da arte contemporânea, do ambiente e da arquitectura”.

CRIAR CULTURA

De acordo com a fundadora da associação, falta cultura em Macau. Isto porque, mesmo que haja projectos em desenvolvimento, vários

“Em Macau vive-se ainda num sistema bastante amador, pouco regulado que deixa os artistas e os agentes culturais numa situação de alguma fragilidade” MARGARIDA SARAIVA

são direccionados para uma vertente lúdica e de entretenimento. Assim, a BABEL é vista como uma entidade de criação de cultura. Como? “Através de um investimento muito significativo em educação, procurando colocar os jovens de Macau a trabalhar com artistas, realizadores, coreógrafos, arquitectos de excelência à escala global, sejam estes profissionais oriundos da China, de Portugal, da Alemanha ou do Brasil”, explicou Margarida ao HM. No fundo, é um ciclo vicioso porque todos os participantes dos projectos acabam por trazer novas ideias e perspectivas para o ambiente artístico e cultural de Macau, conforme diz Margarida. É um trabalho de equipa que corre nas veias da associação. “O confronto com a qualidade e a excelência são uma experiência educativa sem igual. Além disso, o que os nossos programas propõem é criar em conjunto com artistas convidados e os nossos artistas ou estu-

dantes. Dos nossos programas resultam sempre obras novas, feitas pelos próprios participantes.” Ainda que a favor de todas as formas artísticas, é a arte contemporânea que ganha mais relevo na BABEL. Um dos projectos mais recentes foca precisamente isso. Chama-se “InFLUXUS – Creative Dialogues” e compreende o intercâmbio internacional de estudantes – realizadores de cinema, artistas e curadores. Duas das próximas publicações da associação versam precisamente sobre estes temas: uma reflecte sobre o meio urbano e arquitectónico actual de Macau e da China e outra contém ilustrações de várias árvores do território. Está ainda preparado o projecto piloto “Horta pedagógica”. Tal como o nome indica, foi pensado para ensinar a arte da jardinagem aos mais novos.

O QUE FAZ FALTA

“Seria benéfica a criação de mais espaços para a realiza-

A BABEL foi criada sem necessidade de capital e, embora adopte uma gestão empresarial, insiste em permanecer apenas como organização de apoio cultural. “Somos uma organização sem fins lucrativos, porque realmente não queremos ser outra coisa”, clarificou a fundadora. Acrescenta, no entanto, que seria positivo encontrar alguém que os pudesse apoiar. “Gostávamos de encontrar um mecenas”, confessa. Embora não pretendam gerar dinheiro com a BABEL, os fundadores sabem que este recurso é essencial para o desenvolvimento de qualquer artista. No entanto, uns precisam mais do que outros, dependendo dos projectos que desenvolvem. “O que falta é ajustar o tipo de apoios. Ou seja, fazer uma exposição local requer um orçamento, enquanto fazer uma retrospectiva da obra do Edgar Martins requer outro. Financiar um filme de um jovem de Macau em início de carreira requer um orçamento, ao passo que financiar uma obra da Clara Law ou de Ivo Ferreira requer outro. Não é possível tratar por igual aquilo que é diferente”, rematou a curadora.


POLÍTICA

hoje macau terça-feira 1.7.2014

SUFRÁGIO UNIVERSAL DEPUTADOS CONTRA VOTAÇÃO JÁ EM 2019

A proposta de emissão de votos apresentada ontem por Ng Kuok Cheong e Au Kam San acabou chumbada pelo hemiciclo. Muitos evocaram violação do regimento da AL e pediram uma reforma política gradual com o apoio da população ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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M dia depois das eleições para a comissão eleitoral que irá eleger o próximo Chefe do Executivo, os deputados chumbaram uma proposta de emissão de voto que pedia o sufrágio universal para este acto já em 2019. A proposta, feita pelos deputados Ng Kuok

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TIAGO ALCÂNTARA

Não à “ditadura democrática”

Cheong e Au Kam San, já tinha sido apresentada no domingo, mas Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa (AL), optou por adiar o assunto para ontem. Apesar de muitos deputados do hemiciclo concordarem com a adopção do sufrágio universal, muitos não defendem a sua implementação em Macau já em 2019, ano em que se voltam a realizar eleições para o cargo de chefe do Governo. “Em relação à democracia, liberdade e o sufrágio universal podem contar com o meu apoio. Mas isso não significa que tenha de ser em 2019, porque é um processo gradual. Essa data não é científica porque sem auscultação e consenso haverá problemas, não pode haver uma ditadura democrática”, disse Mak Soi Kun. A deputada Melinda Chan referiu que o sufrágio

S deputados aprovaram ontem na generalidade a nova proposta de lei de mediação imobiliária, cerca de um ano depois dos protestos que o novo diploma gerou junto do sector e que ditou o seu regresso ao hemiciclo para uma alteração. A nova lei propõe um período provisório de cinco anos para as agências imobiliárias que estejam situadas em edifícios residenciais, algo que os deputados aplaudiram. “Quanto à validade das licenças, até 2019, creio que é uma alteração justa e razoável”, disse o deputado Mak Soi Kun. Contudo, o prazo provisório apresentado pelo Governo acabou

universal “é a meta final da reforma política”. Contudo, “não acho o calendário adequado e temos de adoptar um desenvolvimento adequado à situação de Macau e promover a educação cívica. Adoptar o sufrágio universal à força só vai trazer problemas”, disse a deputada, que citou dados de acesso da população ao ensino superior, inferiores a regiões vizinhas. “Trata-se de uma proposta apresentada de forma precipitada. Temos de trabalhar passo a passo para se chegar a um consenso, caso

“Adoptar o sufrágio universal à força só vai trazer problemas” MELINDA CHAN, deputada

“Em relação à democracia, liberdade e o sufrágio universal podem contar com o meu apoio. Mas isso não significa que tenha de ser em 2019” MAK SOI KUN, deputado

contrário chega-se a uma divisão social”, acrescentou a deputada indirecta Ella Lei. “Não afastamos e concordamos que devemos desenvolver o nosso sistema político e que algum dia seja concretizada a eleição do Chefe do Executivo por sufrágio universal. Em 2012 já demos um passo e temos de fazer avaliação da experiência obtida”, expressou Ho Ion Sang. A deputada Song Pek Kei lembrou ainda que “o processo de democratização tem de seguir o que está instituído na Lei Básica, que diz que o Chefe do

Executivo é escolhido pelo Governo Central. Na manutenção da estabilidade e progresso de Macau temos de ouvir a opinião da população. Quanto à data para a sua concretização não deve ser decidida por duas pessoas, mas sim por todas as pessoas de Macau”.

MUITAS ACUSAÇÕES

As críticas à proposta apresentada pelos deputados da Associação Novo Macau (ANM) continuaram, tendo muitos deputados acusado Ng Kuok Cheong e Au Kam San de violarem o regimento da AL. O argumento utiliza-

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do é que o pedido de emissão de voto só deve ser utilizado em ocasiões especiais. “Segundo o regimento uma emissão de voto é para propor votos de protesto, censura ou louvor. Tem objectivos muito limitados e não é permitida a discussão e a manifestação de vontade política. Trata-se de um abuso da sua competência. Se é em 2019 que se elege o Chefe do Executivo pelo sufrágio universal temos de seguir a Lei Básica. Não podemos aproveitar a emissão de votos para forçar a pronunciação de outros deputados sobre a sua vontade política. É um sequestro dos demais deputados”, acusou o deputado nomeado Gabriel Tong. Já o deputado Ma Chi Seng frisou que Ng Kuok Cheong e Au Kam San estariam a “pedir ao Governo para fazer uma reforma política, abusando de um regime para solicitar um pedido que deve ser feito por outras vias”. Dominic Sio não esqueceu as reformas políticas levadas a cabo há dois anos, que resultaram no aumento de quatro deputados para a AL. “Para o Chefe do Executivo ser eleito por sufrágio universal temos de seguir a Lei Básica. Em 2012 aprovámos as leis para rever o sistema eleitoral e na altura a maioria da população concordou com o conteúdo. Chegámos a pontos consensuais no sentido de promover a evolução do sistema político, algo que deve ser feito progressivamente. Assim é que deve ser considerada a democracia, e ignorando os consensos sociais creio que não é adequado”, disse o deputado.

IMOBILIÁRIO NOVA LEI DE MEDIAÇÃO APROVADA

Onde vais estar daqui a cinco anos? por ser questionado, pois muitos deputados quiseram saber o que será feito depois de 2019. “Depois de cinco anos, o que vai acontecer?”, questionou Au Kam San, que também quis saber os motivos para o prazo de um ano para as mudanças. “Passou mais de um ano, só agora se fez uma simples alteração? As pessoas já morreram de fome!”, frisou. Foram mesmo exigidas compensações. “O Governo não aten-

deu a essas opiniões e fez aprovar a lei, e agora quer vir resolver a questão. Não estou a dizer que o Governo errou, mas alguns que já encerraram a sua actividade e alguns operadores ficariam. Há algum mecanismo para compensar esses operadores?”, disse Leong Veng Chai. “(O Governo) tem de assumir as suas responsabilidades”, frisou José Pereira Coutinho. “Porque é que se arrastou por tanto tempo

esta proposta de lei? Porque é que as pessoas tiveram de suportar tanto tempo esta pressão? Em relação aos prejuízos já causados, quem vai assumi-los? Não se pode fazer uma simples alteração e ponto final”, adiantou o deputado. André Cheong, director dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ) garantiu que a proposta de lei demorou um ano a ser revista por exigir um “racio-

cínio jurídico complexo”. “Todos estão preocupados em saber como é que surgiu este problema que levou a AL a mudar uma lei que entrou em vigor recentemente. Os prejudicados por este regime não são muitos e levou o seu tempo a compor a proposta de lei. O período transitório é para resolver um problema criado pela história, e por isso estabelecemos um limite temporal”, garantiu o director da DSAJ. - A.S.S.


4 política

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Angela Leong pede túnel em “Y” até Zhuhai

A deputada Angela Leong utilizou o período antes da ordem do dia para pedir ao Executivo que avance no projecto de construir um túnel em forma de “Y” que ligue a zona do Porto Interior à vizinha Zhuhai. “O projecto de construção do túnel subaquático de ligação entre o Porto Interior e a Lapa (Zhuhai) foi concebido em 2005, mas até agora ainda não se viram resultados dos estudos sobre esses projectos. O Governo deve avançar, o quanto antes, com a construção deste túnel e considerar a forma em “Y”, para um melhor escoamento dos visitantes, atenuar a pressão nos postos fronteiriços e impulsionar o desenvolvimento das actividades económicas no Porto Interior”, disse a deputada na sua interpelação oral.

Si Ka Lon quer “lista negra” para empresas de baixo custo

O deputado Si Ka Lon pediu ontem no hemiciclo que o Governo crie travões às empresas de construção civil que ganham os concursos públicos pelo preço mais baixo, mas que depois pedem reforços de orçamento. “Neste momento quem ganha são as empresas de baixa qualidade que apresentam preços mais baixos, portanto deve ser criada, o quanto antes, uma lista negra, com vista a excluir estas empresas do mercado, que atrasam gravemente as obras”, disse o deputado na sua interpelação antes da ordem do dia. “Nas obras públicas importantes, o prazo de conclusão está sempre a ser adiado e os orçamentos sofrem sempre reforços significativos (…) segundo o sector da construção civil, estes problemas acontecem nas obras concedidas a baixo preço, e depois as empresas pedem reforço do orçamento. Toda a Macau sabe isto, é um segredo público!”, acusou ainda Si Ka Lon.

Exigida investigação à fixação de preços

Os deputados Wong Kit Cheng e Ho Ion Sang pediram ontem ao Executivo que promova a investigação de alegadas práticas de fixação de preços em cartel, pedindo a atenção do Conselho dos Consumidores. “Muitos consumidores começam a suspeitar da existência da prática de monopólio e cartel, actos estes que prejudicam gravemente os seus direitos e interesses”, escreveu Wong Kit Cheng, que pede ainda avanços nas leis anti-monopólio e a favor de concorrência justa no mercado. A deputada pediu ainda um novo “estatuto mais funcional” para o CC. Já Ho Ion Sang pediu uma “investigação profunda sobre a existência de monopólio e cartel”, para além de novas leis “para combater a fixação concertada de preços e o monopólio, entre outras irregularidades, com vista a proteger os direitos e interesses dos residentes”.

Aprovada lei de prevenção à corrupção

O debate de ontem ficou ainda marcado pela votação na generalidade do regime de prevenção e repressão dos actos de corrupção no comércio externo, que visa responder à Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. Vasco Fong, comissário do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) explicou um diploma que visa combater actos de corrupção de funcionários públicos estrangeiros e dos que trabalham para organizações internacionais públicas. O deputado Chan Chak Mo pediu mais dados sobre o número de funcionários em questão, mas Vasco Fong prometeu adiantar esses números em sede de comissão.

SALÁRIO MÍNIMO VOTAÇÃO DE DIPLOMA ADIADA PARA HOJE

A cadeia salarial

O estabelecimento de um salário mínimo de 30 patacas por hora para porteiros e empregadas de limpeza da Função Pública pode gerar aumentos salariais no privado, insustentáveis para as PME e muitas empresas de condomínio, defenderam alguns deputados, que pediram ainda um salário mínimo universal ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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OMEÇOU ontem a discussão na generalidade da proposta de lei que visa implementar o salário mínimo de 30 patacas por hora para empregados de limpeza e porteiros de edifícios da Administração. O hemiciclo aprovou o “primeiro passo” dado pelo Governo, mas as dúvidas foram maiores dos que as certezas. Isto porque os

“O Governo pode pagar os salários mínimos, tem os cofres cheios, mas os proprietários não. Não entendo como é que, estando no final do seu mandato, enviou esta bomba” SONG PEK KEI Deputada

deputados temem que a criação do salário mínimo possa resultar num aumento de salários no sector privado e falências de muitas Pequenas e Médias Empresas (PME). “Este regime vai causar alguns choques à nossa economia e vai ter algum impacto para alguns condóminos de prédios, porque alguns não estão a auferir salário”, disse Ng Kuok Cheong. “O Governo pensou nos efeitos em cadeia que vão entrar em choque com as PME? O Governo pode pagar os salários mínimos, tem os cofres cheios, mas os proprietários não. Não entendo como é que, estando no final do seu mandato, enviou esta bomba”, referiu a deputada Song Pek Kei ao Secretário para Economia e Finanças, Francis Tam. Kou Ho In, que votou a favor para “não assumir a posição de um empregador sem escrúpulos”, traçou o retrato geral do que pode advir da proposta de lei. “O salário mínimo só vai dar lugar ao aumento dos custos de vida. Embora o Governo defina o salário mínimo só para estas áreas, tenho a certeza de que vai causar impacto noutros

sectores. Há um impacto nos patrões que têm forçosamente de aumentar o salário do seu trabalhador”, frisou o também empresário.

SALÁRIO MÍNIMO PARA TODOS

Com o plenário a fechar portas perto das 20 horas, Francis Tam não teve tempo para responder aos deputados que exigiram um salário mínimo para todas as profissões. A deputada Ella Lei falou das convenções internacionais ratificadas por Macau e nunca cumpridas. “Temos de cumprir o que está internacionalmente estabelecido. Sabemos que a remuneração mensal está cada vez mais afastada do crescimento económico. Há pessoas a trabalhar mais de oito horas por dia e a receber menos de

seis mil patacas. Não temos prestado atenção suficiente aos trabalhadores porque não temos um salário mínimo, e é esse o rumo, a sua generalização e aplicação universal”, frisou a deputada, que falou ainda de “desigualdades e injustiças”. José Chui Sai Peng, deputado indirecto e primo do Chefe do Executivo, partilhou da mesma opinião. “Estamos a proteger apenas dois sectores, qual a mensagem que a sociedade tem? Estamos a apoiar ou a discriminar? Será que o salário mínimo vai ser implementado para toda a sociedade, como acontece noutros países? Ou será que o Governo pretende estatizar a sociedade?”, referiu. O debate acabaria por focar-se também no subsídio para baixos rendimentos, ao qual se podem candidatar trabalhadores que ganhem até cinco mil patacas mensais. Os deputados pediram ao Executivo para actualizar os valores, caso a proposta de lei entre em vigor. “Muitas pessoas estão a auferir esse subsídio e já que vai haver uma actualização...”, propôs Ho Ion Sang. De frisar que o Governo considera esta medida “experimental”, tendo, em 2012, incumbido a Universidade de Macau da realização de um estudo sobre o tema. Tal resultou na decisão de definir o salário mínimo de 30 patacas por hora, ou 6240 patacas mensais. Tais valores deverão ser revistos anualmente.

“Há pessoas a trabalhar mais de oito horas por dia e a receber menos de seis mil patacas. Não temos prestado atenção suficiente aos trabalhadores porque não temos um salário mínimo...” ELLA LEI Deputada


política 5

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Os deputados pedem que a futura Lei do Erro Médico venha a incluir os seguros obrigatórios para a protecção dos utentes. Segundo a AMCM, 48 médicos do sector público têm acordo com seguradoras, contra 14 do sector privado ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

proposta de Lei do Erro Médico esteve ontem mais uma vez em análise na 3ª. Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), tendo os deputados

ERRO MÉDICO AMCM DIZ QUE É POSSÍVEL SEGUROS OBRIGATÓRIOS

Ainda nos preliminares pedido ao Governo que venha a introduzir na proposta de lei seguros obrigatórios. Depois de ter sido concluído que a lei vai prever o regime de responsabilidade civil extracontratual, ou seja, fazendo com que seja o paciente quem tem de apresentar provas em caso de erro médico, a questão dos seguros voltou à discussão. A introdução do seguro obrigatório nestes casos é uma das formas de garantir essa responsabilidade. Segundo dados apresentados pela Autoridade Monetária e Cambial (AMCM), existe um total de 62 apólices de seguro na área da saúde, sendo que 48 pertencem a médicos e 12 a clínicas privadas. Os dois hospitais privados, Kiang Wu e o da Universidade de Ciências e Tecnologia (MUST), também possuem seguro.

A hipótese de criar seguros obrigatórios já tinha sido colocada em anteriores comissões, tendo a AMCM admitido que “tecnicamente” é possível a sua criação. Segundo o deputado Cheang Chi Keong, que preside à Comissão, os trabalhos preliminares já estão a ser feitos, mas

ELEIÇÕES QUATRO VOTOS NULOS CONSIDERADOS VÁLIDOS

Lusos ocupam lugares CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

Assembleia de Apuramento Geral (AAG) repescou ontem quatro de quase 200 votos considerados nulos na votação para a Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo. Segundo o presidente da AAG, Mai Man Ieng, foi feita a recontagem de 198 votos, sendo que quatro passaram a ser considerados válidos. Os principais problemas consistiram num preenchimento errado do boletim de voto, mas houve também quem quisesse passar mensagens. Foi o caso de um voto, que tinha escrito em chinês “Sufrágio Universal para o Chefe do Executivo! Contra as eleições do pequeno ciclo!”.

A maioria dos votos mal preenchidos tinha vistos antes dos nomes dos candidatos, em vez de uma cruz a preencher totalmente o quadrado. Poucos dos votos foram considerado nulos devido à escolha de mais do que um candidato. Não se sabem muitos pormenores sobre os quatro considerados válidos, nem sequer a que sectores pertencem. Mai Man Ieng também não elaborou muito sobre as explicações, tendo recusado responder a perguntas dos jornalistas. Depois do apuramento final ontem, às 18h, ficou a saber-se que Rita Santos, secretária geral-adjunta do Fórum Macau, e Jorge Fão, ex-deputado entram no subsector do trabalho,

ao lado da ex-presidente da Escola Portuguesa, Edith Silva, e do também antigo deputado João Leão, que representam a educação. Estes juntam-se aos nomes de António Fernandes, presidente da Associação Recreativa e Desportiva dos Deficientes de Macau, e de Maria do Carmo Madeira de Carvalho, presidente da Associação de Badminton. Eram estes seis portugueses que cuja confirmação na integração da Comissão faltava apurar. Já no domingo, foi anunciado que o arquitecto Carlos Marreiros, o provedor da Santa Casa da Misericórdia António José de Freitas e a ex-presidente da AL Anabela Ritchie, entre outros, foram escolhidos também.

As eleições para ditar quem será o próximo Chefe do Executivo de Macau acontecem a 31 de Agosto e, de acordo com despacho publicado ontem em Boletim Oficial, o montante máximo permitido a cada candidato para efeitos de campanha política não deverá exceder os 5,8 milhões de patacas. As eleições têm lugar depois da escolha das pessoas que compõem o Colégio Eleitoral que decidirá quem vai se vai candidatar a ocupar o lugar de Chui Sai On, ainda que o actual Chefe do Executivo seja, para já, o único candidato na corrida para o posto.

DEFINIR VALOR MÍNIMOS

A inclusão do seguro obrigatório na área da saúde também tinha sido proposta durante o período de auscultação pública sobre a Lei do Erro Médico, tendo a Associação dos Advogados de Macau (AAM) proposto um valor mínimo de três milhões de patacas. “As seguradoras aceitam porque é um negócio, mas temos de definir um valor mínimo para o seguro. Muitos deputados defendem a proposta da AAM, mas também se pediu um seguro colectivo. Em Macau são muitos médicos de clínica geral e se calhar não é justo pagar o mesmo dos especialistas. Esperamos ter a resposta do Governo brevemente”, acrescentou o deputado Cheang Chi Keong.

Função Pública Song Pek Kei questiona avaliação

A

deputada Song Pek Kei fez ontem uma interpelação escrita onde coloca em causa a avaliação dos funcionários públicos. A deputada cita recentes números que indicam que cerca de 84% dos trabalhadores da função pública tiveram uma avaliação de “satisfaz muito”, para dizer que os cidadãos não estão assim tão “satisfeitos” com os trabalhos dos serviços públicos. Song Pek Kei quer que as autoridades expliquem se as pessoas que fazem esta avaliação à função pública também são avaliadas.

“O sistema de avaliação é muito importante para o efeito do trabalho dos funcionários públicos. O sistema também influencia o nível de administração do Governo, mas com a diferença entre os resultados da avaliação do Governo e a avaliação dos residentes locais, é preciso questionar se quem faz esta avaliação tem a atitude de que ‘todos têm de ter uma boa nota’?” Mas, mais ainda, a deputada quer também saber se as normas de avaliação também não serão atrasadas, tendo em conta as exigências da sociedade perante

os serviços públicos. “Na avaliação, quem dá nota é o superior daquele funcionário público, mas a avaliação do funcionários é apenas uma opinião. Se o resultado da avaliação apenas depender do superior, isso pode influenciar o efeito e justiça deste sistema. Será que as autoridades vão fazer uma revisão ao sistema de avaliação, ou seja, além da avaliação do superior, também os funcionários normais, bem como os cidadãos, podem participar na avaliação do seu trabalho? Assim o resultado poderia ser mais razoável e credível.”- C.L.

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Edital

Por não reunirem os requisitos previstos no Plano de Comparticipação Pecuniária no Desenvolvimento Económico, bem como, na prestação do apoio pecuniário, os indivíduos identificados no mapa abaixo indicado, devem repor no cofre do Tesouro da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), os montantes indevidamente recebidos: Nome

CE Eleições a 31 de Agosto

o Governo ainda não deu a sua decisão final. “A Comissão tem uma posição muito clara: quando optarmos por este regime não podemos enfraquecer os direitos e interesses dos utentes. A AMCM tem vindo a encetar contactos e já começou a elaborar projectos caso o seguro

obrigatório venha a ser incluído”, disse ainda o deputado. Se em 2013 os casos que obrigaram à utilização de seguro levaram a gastos “pequenos” de “milhares de patacas”, este ano houve apenas um caso com o mínimo de um milhão de patacas. Cheang Chi Keong garantiu que em 2013 não foi activado seguro na área da saúde.

WAT KA LOK; WAT YUN CHI; LEUNG KWAN WAI WANG FENGYE WANG FEIQUAN HUANG YUBING TSE KWAI YING JUDY HUI PING YEE KHO PATRICIA LAW SIU FUNG TAN JINGYU MO LIUYING RICHARD WONG CHEN GUANGFA LIANG LIXIA YOU JIAMIN; YOU YAOBO; LIANG LIXIA WONG CHI WAI ZHANG YUNYUN

Ex-titular do bilhete de identidade de residente da RAEM, n.º

Montante da Reposição (MOP)

xxx6677(x) xxx2455(x) xxx2474(x) xxx2483(x) xxx5222(x) xxx5190(x) xxx6205(x) xxx6203(x) xxx9439(x) xxx3730(x) xxx1071(x) xxx2086(x) xxx3579(x)

21 000 4 800 4 800 4 800 13 200 13 200 4 200 4 200 4 800 4 800 9 000 4 800 6 600

xxx3577(x)

10 800

xxx0897(x) xxx5008(x)

4 800 4 800

Para o efeito, os interessados que constam do referido mapa, devem dirigir-se ao Centro de Apoio ao Pagamento da Comparticipação Pecuniária, instalado na cave do Edifício “Finanças”, sito na Avenida da Praia Grande, n.ºs 575, 579 e 585, Macau , a fim de tratar das formalidades necessárias ao processamento da reposição do montante recebido, no prazo previsto no artigo 73.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), ou seja, dentro dos 15 dias subsequentes à data da afixação do presente Edital. Não sendo apresentada junto do referido Centro de Apoio, ao abrigo do artigo 148º do CPA, qualquer reclamação relativa a uma eventual não reposição, deve o pagamento da reposição ser efectuado naquela entidade e dentro do mesmo prazo (15 dias), conforme o estipulado pelo número 1 do artigo 39.º do Regime de administração financeira pública (aprovado pelo Regulamento Administrativo n.º 6/2006, com as alterações introduzidas pelo Regulamento Administrativo n.º 28/2009, e republicado integralmente pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 426/2009). A falta de pagamento naquele prazo determina a cobrança da quantia em dívida, nos termos admitidos para as execuções fiscais, conforme o previsto no número 3 deste artigo 39.º. Caso os interessados abrangidos pelo mapa, residam ou se encontrem fora da RAEM, os prazos acima fixados, para uma eventual reclamação ou para pagamento, só se iniciam decorridos os dias aprazados no artigo 75.º do CPA, designadamente, conforme residam ou se encontrem, respectivamente: a) em outras regiões da República Popular da China – dez dias; b) noutro país asiático – vinte dias; c) em país fora da Ásia – 30 dias. Macau, ao 1 de Julho de 2014.

Directora dos Serviços Vitória da Conceição


SOCIEDADE

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DSEJ APOIOS PARA ALUNOS DE ENSINO ESPECIAL A PARTIR DE SETEMBRO

Por uma vida mais saudável

TIAGO ALCÂNTARA

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O próximo ano lectivo vai contar com uma série de medidas que visam melhorar a vida de pais e filhos. O ensino especial vê reforçado o apoio do governo ao nível de transportes e alimentação, entre outros aspectos LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

A

Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) vai começar a disponibilizar, no próximo ano lectivo 2014-2015, três diferentes apoios para pais e alunos do ensino especial, incluindo o transporte de ida e volta da escola, a refeição do almoço e serviços de acolhimento depois das aulas e durante as férias. O lançamento das três medidas de apoio surge depois da implementação de um conjunto de outras decisões - como o aumen-

to das horas de desporto obrigatórias, a extensão do período de aulas anual e a frequência obrigatória de actividades extracurriculares -, que também incluía a promessa de mais atenção para as crianças com necessidades especiais. Para o financiamento do almoço dos alunos, a DSEJ calculou a despesa das escolas com refeições e o preço de mercado. Os almoços deverão ser preparados de acordo com as exigências nutritivas e alimentares estabelecidas pelo Governo, seguindo um plano de refeições saudáveis. O financiamento do percurso entre a escola e a

casa dos alunos de turmas de ensino especial ficará a cargo do Governo, estando igualmente incluído o pagamento de sessões de reabilitação para os jovens que precisem. Os veículos de transporte deverão estar equipados com mecanismos de segurança e apoio, como cadeiras de rodas. A terceira medida da DSEJ pretende dar apoio às escolas no sentido de oferecer mais actividades aos alunos durante o horário pós-escolar ou de férias, funcionando como um Ateliê de Tempos Livres.

FINANCIAR O DESPORTO

Já são 21 as escolas que estão a ser subsidiadas pela

DSEJ para transformarem pequenos espaços já existentes em centros desportivos diversificados, de modo a que a extensão obrigatória do período de actividade desportiva possa ser feita sem dificuldades. Recorde-se que, aquando do anúncio desta nova medida, uma das maiores preocupações das escolas era a falta de espaços preparados para a prática de exercício físico. Desconhece-se ainda se o financiamento governamental vai abarcar todas as escolas da região, sendo algo que terá que ser discutido com cada uma das instituições de ensino, uma vez que todos os casos são diferentes.

INVALIDEZ FSS E IAS EXPLICAM REQUISITOS PARA SUBSÍDIOS

Só ao alcance de alguns inf@hojemacau.com.mo

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EPOIS da polémica sobre a não atribuição de subsídios de invalidez a alguns deficientes, o Instituto de Acção Social (IAS) e o Fundo de Segurança Social (FSS) realizaram ontem uma conferência de imprensa para explicar quem são os residentes elegíveis ao subsídio. De acordo com os representantes, os beneficiários devem ser residentes permanentes de Macau e têm de ter efectuado, pelo menos, 36 contribuições mensais para o FSS. Além disso, têm de ter perdido a capacidade de trabalho ou de sustento temporária ou permanentemente e de forma absoluta, em consequência de doença ou acidentes comuns ou profissionais. A invalidez tem de ter sido verificada antes de obtida a qualidade de beneficiário. O subsídio de invalidez será de 3180 patacas por mês, mas o pagamento é efectuado trimestralmente, nos meses de Janeiro, Abril, Julho e Outubro de cada ano. O período para o pedido e a atribuição será de 24 de Julho de

2014 a 31 de Dezembro de 2015, ainda que com retroactivos ao mês em que a pessoa começou a ser beneficiária. Após a entrega do pedido, os requerentes necessitam de efectuar um exame médico pela Junta Médica das duas autoridades. Tang Veng Si, chefe da Divisão de Reabilitação do IAS, referiu ainda que este subsídio não TIAGO ALCÂNTARA

FLORA FONG

pode ser acumulado com outros subsídios ou pensões do FSS, sendo que, caso isso aconteça, o beneficiário terá de escolher

3180

patacas por mês, subsídio de invalidez

ALTERAÇÃO DE CURRÍCULO APROVADA

O diploma legal que define o prolongamento do ano lectivo escolar para 195 dias e a alteração dos currículos e matérias leccionadas entrou ontem em vigor e tem efeito a partir do próximo ano lectivo, que começa em Setembro. As escolas vão sofrer as alterações de forma faseada até ao ano lectivo de 2019-2020, incluindo o aumento do número de aulas e o ajustamento do plano curricular considerado pela DSEJ como mais adequado para Macau. O mesmo diploma define ainda a obrigatoriedade da prática desportiva e da frequência de actividades extracurriculares.

receber o subsídio que lhe for mais vantajoso. O chefe do Departamento de Solidariedade Social do IAS, Choi Sio Un, admitiu que esta medida pode vir a melhorar. Ainda que o Governo tenha já lançado um subsídio para os portadores de deficiência que não efectuaram contribuições suficientes para o FSS e que não serão qualificados para obter o subsídio de invalidez, Choi frisa que, tal como o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, disse, é preciso tempo para rever a lei, “analisando medidas mais viáveis”, rematou Choi.

Fórum Macau Vicente de Jesus Manuel é novo Secretário-Geral Adjunto

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ICENTE de Jesus Manuel toma hoje posse como Secretário-Geral Adjunto do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países da Língua Portuguesa. O diplomata moçambicano foi indicado pelos representantes dos Países de Língua Portuguesa (PLP) e vem substituir o guineense Marcelo Pedro D’Almeida. Até hoje, Vicente de Jesus Manuel ocupava o cargo de Director Adjunto para a Ásia e Oceânia no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique e tem, desde 2003, acompanhado os trabalhos desenvolvidos no seio do Fórum de Macau. Hoje é também o dia em que tem lugar a visita de uma Delegação Ministerial dos PLP que integra Ministros, funcionários de nível ministerial e directores-gerais de vários países. A visita, que está pensada para durar até sexta-feira, vai compreender um encontro entre os membros da Delegação e o Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, bem como com as autoridades do Governo Central na RAEM. - L.S.M.


sociedade 7

hoje macau terça-feira 1.7.2014

METRO ENERGIA CÍVICA ENTREGA PROPOSTA AO GOVERNO

FLORA FONG

info@hojemacau.com.mo

Mais perto da população

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GNES Lam vai entregar ao Governo uma lista de sugestões sobre o metro ligeiro. Isso mesmo foi uma conclusão retirada após uma mesa redonda, no domingo, organizada pela Energia Cívica de Macau. A presidente do grupo, que foi candidata a deputada no ano passado, juntou-se ao também membro da organização, o arquitecto Rui Leão, que considera que a escolha do local das paragens de metro deve ter em conta a proximidade aos residentes, de forma a fazer com que a população prefira este meio de transporte para se deslocar pelo território. Para Rui Leão, no entanto, a questão deve ser ponderada quando estiver em causa o património cultural de Macau, sendo que deve ser feita a preservação do mesmo. O arquitecto considera ainda que não é essencial que se desmantele o Jardim da Areia Preta para construir o viaduto para o metro ligeiro, justificando que é possível construir o viaduto do segmento norte

São várias as propostas em cima da mesa apresentadas pelo grupo presidido por Agnes Lam. A construção do viaduto na Areia Preta, ou o troço junto da estátua Kun Iam são algumas das questões levantadas. Associações pedem uma consulta pública diferente

do metro do lado de fora do jardim. No que toca ao troço junto da estátua Kun Iam, na zona dos NAPE, Rui

Leão considera que através das obras do metro, pode ser reconstruído um espaço recreativo onde actualmente se encontra a

figura da deusa, melhorando a localização. A mesa redonda surgiu depois da apresentação de três traçados pelo Governo,

MFE VENETIAN VOLTA A ACOLHER FEIRA INTERNACIONAL DE MARCAS

Para todos os gostos e feitios LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

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Macau Franchising Expo (MFE) volta ao salão de exposições do casino Venetian durante três dias, da próxima sexta-feira até domingo. Esta, que é a quinta edição da feira, serve para mostrar as marcas de Macau ao mundo e vice-versa: a feira vai contar com 180 expositores de 170 empresas internacionais, incluindo Macau, China, Hong Kong e Portugal. Para além dos já conhecidos stands de mostra de produtos, os visitantes e empresários vão poder participar numa série de actividades desenvolvidas pelas organização

e que compreendem workshops e palestras e degustação de comidas e bebidas. A MFE vai ainda disponibilizar, como em anos passados, serviços de consultoria e apoio empresarial para os visitantes e marcas envolvidas no projecto. Macau está em maioria, surgindo na feira com 46 expositores de diferentes marcas alimentares, de produtos de limpeza, acessórios para casa e outros. De acordo com Wilson Lee, presidente da Associação de Licencia-

180

expositores de 170 empresas internacionais

mento e Franchising de Hong Kong, este ano os visitantes poderão contar com a presença de mais marcas da RAEHK do que em 2013, duas delas já “bastante influentes” a nível regional. Os stands de produtos de Hong Kong deverão totalizar 10% a 20% do espaço da feira. A Unaun, por exemplo, é uma marca de lingerie e fatos de banho sediada em Hong Kong e terá o seu próprio expositor na feira. A representante da marca esteve em Macau e explicou ao HM que este é um sector em contínua expansão e que cada vez mais mulheres procuram este tipo de lojas, uma vez que a Unaun se especializa em lingerie, mas tem também pijamas e fatos de banho.

que estão agora em consulta pública. A académica e ex-candidata às eleições legislativas, Agnes Lam, referiu que vai entregar uma proposta detalhada ao Governo que deverá incluir conselhos de como o Executivo poderá efectuar um melhor trabalho de consulta pública. A mesma opinião tem a Associação Choi In Tong Sam, uma das sub-associações da Associação dos Operários. Para Lam U Tou, vice-presidente, o Governo deve mudar a forma como tem feito as consultas públicas. Apesar de concordar com o projecto do viaduto para os NAPE, o responsável diz que “é

“O nosso objectivo é crescer. Já temos lojas em Guangzhou e Hong Kong, mas queremos estabelecer a nossa marca em mais cidades chinesas e em Macau. A participação na feira tem também em vista a criação de contactos com outras empresas para que, eventualmente, possam ser feitas parcerias”, explicou Lee. Já Portugal vai trazer 19 marcas de vários sectores, incluindo serviços de educação, alimentação – orgânica e biológica –, cuidados médicos, produtos de casa e cosméticos. O salão vai ainda albergar balcões de auxílio às pequenas e médias empresas (PMEs), área jurídica incluída. A feira vai estar aberta ao público no próximo fim de semana, estando sexta-feira reservada aos participantes e empresários e à realização de várias actividades. A entrada é gratuita e a MFE está aberta das 11 às 20 horas.

urgente decidir a linha da península de Macau” e que “dentro do período de consulta, o Gabinete para as Infra-Estruturas de Transportes (GIT) não deve manter as medidas habituais de consulta, mas entrar realmente nos bairros, esclarecendo as dúvidas e preocupações da população”. Além disso, diz, “durante o período da consulta pública, o Governo deve comunicar realmente com residentes de todas os classes, de todos os sectores e especialmente com os residentes que moram perto das obras”.

“...durante o período da consulta pública, o Governo deve comunicar realmente com residentes de todas os classes, de todos os sectores...” LAM U TOU Vice-presidente da Associação Choi In Tong Sam

USJ abre mestrado em Estudos Lusófonos de Literatura A Universidade de São José vai abrir, no próximo ano lectivo, um curso de mestrado em Estudos Lusófonos de Literatura, que tem como base Macau e a interculturalidade do território devido à influência de Portugal e dos Países de Língua Portuguesa. O curso deverá abarcar dimensões sociais, políticas e culturais e destina-se para estudantes que já tenham uma base académica na área do português, mas pretendam aprofundar os seus conhecimentos nesta área. As inscrições para o novo mestrado já se encontram abertas e as aulas deverão ter início em Setembro.


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CHINA

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S autoridades recusaram dar de comer durante dez dias ao intelectual uigure Ilham Tohti, acusado de separatismo e que se encontra a aguardar julgamento na prisão, disse a advogada do prisioneiro, Wang Yu, à agência Efe. “Ele está bem, mas perdeu 16 quilos desde que foi detido”, afirmou a advogada, depois de ter feito uma visita, na quinta-feira passada, ao intelectual uigure, o que sucedeu pela primeira vez desde que Ilham Tohtifoi preso, em meados de Janeiro. Considerado um dos académicos mais proeminentes da etnia uigure da China, Ilham Tohti, de 44 anos, foi detido depois de Pequim ter decidido reforçar a segurança em Xinjiang e endurecer a sua política relativamente aos grupos que denomina de “terroristas” e de “separatistas” na região. O intelectual tem saído em defesa dos direitos uigures em Xinjiang, mostrando-se crítico em relação às políticas do Governo chinês

hoje macau terça-feira 1.7.2014

UIGURES AUTORIDADES ACUSADAS DE NEGAR COMIDA A INTELECTUAL DETIDO

A lei do mais forte

O académico uigure, que aguarda julgamento numa prisão chinesa, continua a afirmar-se inocente, assegurando que tudo o que fez “foi pelo bem do país e da etnia han” na região autónoma, mas nunca terá advogado pela independência. “Tohti insiste que é inocente e que tudo o que fez e disse foi pelo bem do país e da etnia han. Nunca apoiou o separatismo, apenas quer que a região do Xinjiang melhore, que a relação entre as etnias seja mais estável”, assinalou Li Fangping, também advogado do académico. Na visita de quinta-feira, Li e Wang ficaram a saber que as autoridades não alimentaram Tohti durante dez dias, depois de este ter realizado uma greve de fome por causa de as autoridades

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HM - 1ªvez - 1.7.14

ANÚNCIO

Proc. Execução Ordinária

n.º CV3-13-0108-CEO

3º Juízo Cível

EXEQUENTE: MELCO CROWN (MACAU) S.A., com sede em Macau, na Alameda Dr. Carlos d´Assumpção, nºs 411-417, Edifício Dynasty Plaza, 15º andar O, P, Macau.------------------------------------EXECUTADOS: 1. CROWN UNIVERSAL SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA, ausente em parte incerta, com última domicílio conhecida em Macau na Avenida Padre Tomás Pereira, nº 889, Hotel New Century, Loja G, Taipa;----------------------------2. CHEANG CHEOK WAI, ausente em parte incerta, com última domicílio conhecida em Macau, na Rua de Nam Keng, nº 31, Flower City, Edifício Lei Mau, 30º andar AA, Taipa ou Rua da Felicidade, nº 50, 1º andar;------------------------------3. CHEN MEI HUAN, com domicílio em Macau, na Avenida Padre Tomás Pereira, nº 889, Hotel New Century, Taipa.-----*** FAZ-SE SABER que, pelo Tribunal, Juízo e processo acima referidos, correm ÉDITOS DE TRINTA (30) DIAS, a contar da data da segunda e última publicação dos respectivos anúncios, citando, o 1º executado CROWN UNIVERSAL SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA e o 2º executado CHEANG CHEOK WAI, para no prazo de VINTE (20) DIAS, decorridos que sejam os dos éditos, pagar ao exequente a quantia de MOP$27,435,262.94 (Vinte e Sete Milhões, Quatrocentas e Trinta e Cinco Mil, Duzentas e Sessenta e Duas Patacas e Noventa e Quatro Avos), e demais acréscimos legais, ou no mesmo prazo, deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de não o fazer ser devolvido ao exequente o direito de nomeação de bens à penhora e seguindo o processo os ulteriores termos até final à sua revelia, com a advertência de que é obrigatória a constituição de advogado, do citado diploma, caso sejam opostos embargos ou tenha lugar a qualquer outro procedimento que siga os termos do processo declarativo. Tudo conforme melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 3º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente.

se terem negado a facultar-lhe comida halal na prisão, contou Wang. “Depois da greve, que terminou quando lhe deram comida halal, as autoridades pararam, de repente, de lhe servir refeições, a 1 de Março”, disse a causídica.

“Deram-lhe apenas um copo de água por dia. Ele sobreviveu com isso” LI FANGPING Advogado de Ilham Tohti

MERKEL SÉTIMA VISITA EM NOVE ANOS

Destino de eleição A

chanceler alemã, Angela Merkel, visita a China entre 6 e 8 de Julho, na sua sétima viagem ao país em nove anos, anunciou ontem um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. A visita irá “ampliar a confiança política mútua”, “alargar a cooperação bilateral” e “elevar para um novo patamar a parceria estratégica” entre a China e a Alemanha, disse o porta-voz governamental, Hong Lei. Além do homólogo chinês, Li Keqiang, Merkel vai encontrar-se com o Presidente Xi Jinping, que é também secretário-geral do Partido Comunista, e com o presidente da Assembleia Nacional Popular, Zhang Dejiang, indicou a mesma fonte.

A Alemanha é o maior parceiro comercial da China na Europa e o país europeu que mais investe na nova potência emergente na Ásia Central. Pelas contas chinesas, em 2013 o comércio sino-alemão somou 161,56 mil milhões de dólares, colocando a Alemanha no sexto lugar dos parceiros comerciais da China, a seguir aos Estados Unidos, Hong Kong, Japão, Coreia do Sul e Taiwan. No conjunto, o comércio sino-alemão representa mais de um quarto de todas as trocas comerciais entre a China e o conjunto da União Europeia. A Alemanha é igualmente o maior investidor europeu na China e um dos principais destinos do crescente investimento chinês na Europa.

Esse dia foi o mesmo em que um grupo de pessoas armadas com facas, alegadamente de etnia uigure, atacou dezenas de civis na estação de comboios de Kunming, capital da província de Yunnan, no sudoeste do país, fazendo 26 mortos e 143 feridos. “Deram-lhe apenas um copo de água por dia. Ele sobreviveu com isso”, salientou o advogado Li, denunciando ainda que os guardas prisionais também deixaram Tohti com os pés acorrentados durante quase um mês. Os advogados manifestaram o receio de que os recentes ataques ocorridos na região do Xinjiang – às mãos de grupos separatistas uigures segundo a versão das autoridades – possam ter consequências no caso de Tohti. “Não sabemos o que vai acontecer. Temos ainda que compilar informação”, disse Wang, assinalando que o intelectual, caso condenado, arrisca uma pena de dez anos de prisão e até a pena capital, se os juízes considerarem a ofensa grave.

Linha Pequim-Xangai com mais de 220 milhões de passageiros

A linha de comboios de alta velocidade entre Pequim e Xangai registou uma movimentação superior a 220 milhões de pessoas desde a sua inauguração no dia 30 de Junho de 2011. O número dos passageiros da linha - que liga duas das cidades mais importantes da China - tem vindo a aumentar nos últimos três anos. Durante o primeiro semestre deste ano, 49,64 milhões de pessoas usaram este serviço, que tem uma media diária de 272 mil passageiros. Este ano, o auge de ocupação ocorreu durante dois feriados nacionais da China. Só no dia 6 de Fevereiro, o sétimo dia do primeiro mês do calendário lunar, quando a maioria dos chineses termina as celebrações do Ano Novo Chinês e regressa da terra natal, o comboio transportou 335 mil pessoas. Já no dia 4 de Abril, durante o feriado nacional de três dias do Dia dos Finados, o número de passageiros da linha subiu para 369 mil ocupantes.

PCC Ritmo de adesões a diminuir

Mais 2,41 milhões de chineses aderiram ao Partido Comunista Chinês (PCC) em 2013, elevando para 86,69 milhões o número de filiados. Contudo, o ritmo de adesões diminuiu, anunciou ontem o departamento de Organização do Comité Central do PCC. Devido à introdução de “um modo de recrutamento mais prudente e equilibrado”, no ano passado, o PCC cresceu apenas 1,8%, menos 1,3 pontos percentuais do que em 2012, explicou o departamento. Os números foram divulgados na véspera do 93.º aniversário da fundação do PCC. Trata-se da maior organização política do mundo, fundada no dia 1 de Julho de 1921, em Xangai, por 13 delegados, entre os quais o futuro presidente Mao Zedong, representativos dos 53 militantes organizados em todo o país. No poder há 65 anos, o PCC pretende agora “controlar o crescimento” da sua organização e “melhorar a qualidade e promover o papel dos militantes na sociedade” através de novas regras de recrutamento que privilegiam o “critério político” e em particular a “crença no marxismo”.


REGIÃO

hoje macau terça-feira 1.7.2014

COREIA DO NORTE JAPÃO CRITICA LANÇAMENTO DE MÍSSEIS MAS MANTÉM ENCONTRO

Conversa de alto nível A reunião entre as autoridades das duas nações tem lugar em Pequim, onde se espera que questões como os sequestros durante a Guerra Fria, os mísseis ou o nuclear sejam abordadas

O

Japão manifestou-se no domingo contra o lançamento de mísseis balísticos pela Coreia do Norte mas prometeu avançar com o diálogo de alto de nível, previsto para hoje, com Pyongyang.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Fumio Kishida, disse aos jornalistas ter contestado o lançamento através dos canais diplomáticos, mas realçou que não há alterações relativamente às conversações marcadas para hoje em Pequim. O encontro tem como objectivo avaliar o progresso da investigação, prometida por Pyongyang, relativamente ao destino dos cidadãos japoneses sequestrados por agentes norte-coreanos durante a Guerra Fria. Fonte do Ministério da Defesa da Coreia do Sul disse que a Coreia do Norte lançou dois mísseis balísticos para o Mar do Leste (Mar do Japão) a partir da sua costa leste, os quais caíram em águas internacionais. “Apesar de o encontro servir para abordar a questão dos sequestros, pensamos que esta pode ser também uma importante oportunidade para abordar a questão dos mísseis e do nuclear”, acrescentou.

Japão Navios chineses nas águas disputadas

Dois navios chineses entraram ontem em águas territoriais das ilhas Diaoyu, administradas pelo Japão, mas cuja soberania é reivindicada por Pequim, anunciou Tóquio. Os navios foram avistados pela guarda costeira nipónica, cerca das 10h30, nas águas em torno das ilhas. Esta é a terceira vez desde o início de Junho que embarcações chinesas se aventuram nas águas das ilhas. A disputa da soberania territorial das ilhas Diaoyu tem décadas, mas a compra, em Setembro de 2012, por parte de Tóquio, de três dos cinco ilhotes do pequeno arquipélago, de apenas sete quilómetros veio agudizar o conflito. O arquipélago desabitado, mas potencialmente rico em recursos minerais, fica no Mar da China Oriental, a cerca de 120 milhas náuticas de Taiwan, que também reclama a sua soberania, e a 200 milhas náuticas de Okinawa, no extremo sul do Japão.

Coreia do Norte Turistas dos EUA detidos e julgados

Dois turistas norte-americanos, detidos na Coreia do Norte em Abril, alvo de várias acusações por parte de Pyongyang, incluindo “actos hostis”, vão ser julgados, anunciou ontem a agência estatal KCNA. Provas e os próprios testemunhos de Matthew Miller Todd e Jeffrey Edward Fowle confirmaram as suspeitas de que praticaram “actos hostis”, pelo que estão em curso os preparativos para que sejam presentes a tribunal, detalhou a agência oficial norte-coreana. Jeffrey Edwards Fowle, de 56 anos, foi detido após ter sido acusado de deixar uma bíblia no quarto de hotel, enquanto Matthew Todd Miller, de 24 anos, por protagonizar um suposto incidente à sua passagem pela imigração em Abril, quando rasgou o seu visto e pediu asilo ao país comunista. Além dos dois turistas, a Coreia do Norte mantém detido Kenneth Bae, cidadão norte-americano de origem coreana, desde Novembro de 2012, que foi condenado a 15 anos de trabalhos forçados por ter, segundo a justiça norte-coreana, tentado derrubar o regime.

Tailândia Dois polícias mortos em tiroteio

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O encontro vai ter lugar cerca de um mês depois de Tóquio ter anunciado que irá aliviar as sanções contra Pyongyang se a Coreia do Norte voltasse a inves-

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tigar os casos de sequestro, um assunto que o primeiro-ministro conservador, Shinzo Abe, tem vindo a tentar resolver. Tóquio sustenta que, entre 1977 e 1983, pelo menos 17 japoneses foram sequestrados pela Coreia do Norte para ministrarem aulas de línguas e cultura no âmbito dos seus programas de formação de espiões. Apenas cinco puderam regressar a casa, com Pyongyang a assegurar que os restantes morreram ou que nem sequer pisaram território norte-coreano, uma versão colocada em causa pelo Executivo japonês. O regime norte-coreano comprometeu-se a criar uma comissão de inquérito nas próximas três semanas, apesar de muitas vozes no Japão, incluindo familiares dos sequestrados, estarem de pé atrás, dado que Pyongyang prometeu, em 2008, resolver o assunto e desde então não se verificaram progressos. O Japão e a Coreia do Norte não têm relações diplomáticas.

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OIS polícias morreram num tiroteio enquanto patrulhavam uma estrada na conflituosa região muçulmana do sul da Tailândia, num incidente que coincide com o início do Ramadão, informou no domingo a imprensa local. Pelo menos dez rebeldes escondidos junto à estrada abriram fogo à passagem de um grupo de seis polícias perto da localidade de Tak Bai, na província de Narathiwat, indica o diário Bangkok Post. Os outros quatro agentes envolveram-se num tiroteio com os rebeldes que durou cerca de 20 minutos e que resultou em dois feridos. Cerca de seis mil pessoas morreram nas províncias de Pattani, Yala e Narathiwat desde que o movimento separatista islâmico, formado por meia dezena de grupos, decidiu retomar a luta armada, em Janeiro de 2004. Os atentados com recurso a armas ligeiras, homicídios e atentados à bomba nas três províncias muçulmanas do sul da Tailândia ocorrem a um ritmo quase diário, apesar do destacamento de cerca de 40 mil efectivos das forças de segurança e vigência do estado de excepção. Os insurgentes denunciam a discriminação da maioria budista no país e exigem a criação de um Estado islâmico que integre as três províncias que formavam o antigo sultanato de Pattani, anexado pela Tailândia há um século.


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MUNDIAL

hoje macau terça

Grécia «Todos os gregos estão orgulhosos», diz PM

O primeiro-ministro da Grécia, Andonis Samaras, felicitou a selecção helénica, eliminada nos oitavos de final frente à Costa Rica, e enalteceu o orgulho do país em relação ao desempenho do grupo comandado por Fernando Santos no Mundial 2014. «Todos os gregos estão orgulhosos da nossa equipa nacional», disse Andonis Samaras, acrescentando:«Felicidade para todos os rapazes.» Apesar de se ter ficado pelos oitavos de final, este foi o melhor desempenho da Grécia em Mundiais e outros membros do Governo quiseram também felicitar a equipa nacional. «Foi um feito sem precedentes: colocar a Grécia nas 16 melhores equipas do Mundo e respirar um pouco dos quartos de final», realçou o vice-ministro da Cultura e Desportos, Yannis Adrianos. O viceprimeiro-ministro, Evangelos Venizelos, elogiou «o espírito de luta, ética e dignidade» que a selecção demonstrou.

Herrera «O senhor do apito deixa-nos fora do Mundial»

Miguel Herrera, seleccionador do México, deixou críticas a Pedro Proença após a derrota com a Holanda (2-1), nos oitavos-definal do Mundial2014: «O senhor do apito deixa-nos fora do Mundial. Espero que vá para casa como nós» «Saio de cabeça levantada. Satisfeito com o comportamento individual e colectivo. Gostava que o sonho se tivesse prolongado. Espero que sirva de aprendizagem.»

Recorde de audiências à escala mundial

Os jogos do Campeonato do Mundo que está a decorrer no Brasil estão a bater todos os recordes de audiências televisivas, desde a Bélgica aos Estados Unidos. As receitas de publicidade e as subscrições de canais desportivos também sofreram aumentos significativos à escala mundial. Cerca de 11,5 milhões de holandeses assistiram à vitória da equipa laranja sobre o Chile, nos oitavos de final. 10,2 milhões nas respectivas casas e 1,3 milhões em locais públicos. Um recorde de 42,9 milhões de brasileiros também se sentou em frente à televisão para ver o jogo de abertura com a Croácia. Um jogo que também juntou 81,3 por cento da audiência da Croácia. O jogo de abertura também bateu recordes no Reino Unido, com mais de 11,2 milhões de espectadores, um número mais elevado que a melhor marca num jogo de abertura que já datava de 2002. O Inglaterra-Uruguai também bateu recordes em Inglaterra, com mais de 20 milhões de telespectadores, registando-se o maior pique de audiência desde os Jogos Olímpicos de 2012. Mais de 27,3 milhões de alemães também assistiram ao triunfo sobre os Estados Unidos, enquanto em Itália cerca de 15,3 milhões de adeptos assistiram ao embate com a Inglaterra.

OS NÚMEROS

56

o número de tentos apontados com a camisola argentina por aquele que ainda é hoje o maior goleador da formação alviceleste. O marcador mor da selecção argentina não é nem Lionel Messi, nem Diego Armando Maradona. Gabriel Batistuta fez por 56 vezes o gosto ao pé com a selecção das Pampas em 78 partidas disputadas com a selecção.

118

número de partidas disputadas por Heinz Hermann com a camisola da selecção suíça. O actual treinador do FC Vaduz, do Lichenstein, é o mais internacional de sempre por terras helvéticas. Em treze anos de internacionalizações, Hermann apontou quinze golos.

JOGO DE HOJE ARGENTINA – SUÍÇA 00:00 – Arena Corinthians, São Paulo • HISTORIAL J V E D GM GS P. Disputadas 6 4 2 0 14 3 OS DADOS DIZEM RESPEITO À EQUIPA POSICIONADA EM PRIMEIRO LUGAR;

BÉLGICA – ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA 04:00 – Arena Fonte Nova, São Salvador da Baía • HISTORIAL J V E D GM GS P. Disputadas 5 4 0 1 8 5

ARGENTINA E SUÍÇA DISCUTEM PASSAGE

Contra Messi P

ERMANECE bem fresco na memória dos suíços o derradeiro confronto a colocar frente-a-frente a selecção helvética e a sua congénere argentina. Há pouco mais de dois anos, as duas formações esgrimiram argumentos num encontro de preparação disputado em Berna. Empreendido num momento em que ter Lionel Messi em campo era sinónimo de espalhar magia, o desafio coroou a genialidade do craque argentino, com o dianteiro a apontar o seu primeiro hat-trick com a camisola da selecção alviceleste. Na vitória por três bola a uma dos argentinos, Messi marcou por três ocasiões, com Xherdan Shaqiri a apontar o tento de honra da formação helvética. Os olhos do mun-

do voltam a repousar com particular incidência uma vez mais sobre os dois atletas na próxima madrugada, quando argentinos e suíços se voltarem a defrontar na Arena Corinthians, em São Paulo. Os golos apontados por Lionel Messi na fase de grupos do Campeonato do Mundo de Futebol abriram as portas dos oitavos-de-final à selecção das Pampas, mas a eficácia ofensiva do avançado do Barcelona poderá não bastar aos argentinos face a uma das selecções mais promissoras ainda em prova no Mundial. Messi carregou às costas a Argentina até à segunda fase da competição, ao converter quatro dos seis golos apontados pela selecção sul-americana. Os tentos do dianteiro alviceleste revelaram-se


mundial 11

a-feira 1.7.2014

DADOS DOS JOGOS

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EM AOS QUARTOS DE FINAL EM SÃO PAULO

i e contra a história providenciais nas partidas contra a Nigéria e contra o Irão, com o dianteiro do Barcelona a quebrar na derradeira jogada do desafio o impasse e a rigor táctico com que a formação persa confrontou os argentinos.

A OUTRA ESTRELA

A Suíça não é, no entanto, nem um Irão, nem uma Bósnia-Herzegovina. Nos helvéticos, o grupo de trabalho orientado por Alejandro Sabella deverá encontrar o seu mais rigoroso adversário até ao momento e no onze suíço há um atleta a ter em conta: aos 22 anos, Xherdan Shaqiri é a principal referência da formação orientada por Ottmar Hitzfeld e o jovem médio do Bayern de Munique não tem deixado créditos por

mãos alheias nos relvados brasileiros. Os três tentos que apontou no confronto com as Honduras – e que valeram a qualificação da Suíça para a segunda fase do Mundial – acabaram por vir confirmar o valor de um atleta que se apresentou desde o primeiro desafio no Brasil como o cérebro de uma formação voluntariosa. Ao marcar por três ocasiões no duelo frente ao onze hondurenho, Shaqiri colocou um ponto final num enguiço com mais de meio século. O centrocampista de ascendência kosovar tornou-se o primeiro jogador helvético a marcar mais de dois golos na fase final do Campeonato do Mundo de Futebol desde 1954, ano em que a Suíça chamou a si o estatuto de país anfitrião do certame.

Mesmo dispondo de um onze inigualável em termos históricos, a Suíça tem com que se preocupar mais logo em São Paulo. As preocupação não vêm apenas do facto de terem de defrontar o sempre irredutível Lionel Messi, mas também do histórico que a selecção da Confederação apresenta frente aos argentinos. As selecções já se encontraram em campo por seis ocasiões, com a Argentina a vencer quatro encontros e a consentir um empate nos restantes dois desafios. O primeiro frente-a-frente – o único a contar para a fase final de um Campeonato do Mundo – ocorreu em 1966. Há 48 anos, os argentinos derrotaram os rivais suíços por duas bolas a zero, com golos apontados por Luís Artime e Ermindo Onega.


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luz de inverno

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Boi Luxo

EIEN NO ZERO (THE ETERNAL ZERO), TAKASHI YAMAZAKI, 2013

I

DENTIFICA-SE, actualmente, no Japão, uma vontade entre alguns membros da classe política em tornar o país mais expressivo militarmente, contrariando as disposições pacifistas que sobre ele se desenharam (e têm vindo a ser cumpridas) após a Segunda Grande Guerra pela potência vencedora. Ao mesmo tempo, persistem outras questões satélites que acompanham este desejo, uma delas a da “suavização” da percepção dos excessos cometidos durante a guerra. Este simples filme de Takashi Yamazaki tem causado alguma perturbação porque sublinha, segundo alguns, essa tendência contemporânea. Todavia, dizer que este se trata de um filme abertamente pró-militarista é um disparate. Menos disparatado será lembrar que no panorama cinematográfico japonês recente não há nada de semelhante porque estes são assuntos de que no Japão não se fala muito abertamente. O seu aparecimento já é, assim, significativo. E é inegável que a inscrever esta história neste subtil debate ter-se-á de o fazer colocando-a do lado daqueles que visam uma atenuação da maneira como são entendidos alguns dos excessos praticados pelos japoneses durante a Grande Guerra. Esta história é um pouco incómoda porque essa suposta lavagem, mesmo que muito subtil, se opera com o uso de um mecanismo (fácil/populista) a que grande parte do público japonês é particularmente sensível: uma história de família. Por outro lado, não é possível negar que se trata da história de um aviador japonês bondoso, íntegro e com uma dúvida sólida sobre o fenómeno dos kamikaze que o cobre - numa sociedade e num momento histórico em que a obediência cega era o único caminho possível - de uma conotação de cobardia.

Não há praticamente cenas empolgantes de natureza militar, e o filme tem tido também muitos detractores entre a direita japonesa. Não existe, aliás, uma tradição militarista ou patriótica no cinema nipónico. Mesmo durante os anos 40, a indústria mostrou-se incapaz de produzir filmes de propaganda no sentido tradicional do termo. Os que se fizeram causaram alguma perplexidade (e até alguma derrisão) por força da ausência de um modo propagandístico compreensível aos olhos ocidentais. Deve acrescentar-se uma outra consideração: o facto de este ser um filme de uma grande banalidade a nível artístico. Toda a estética pobre e triste da série de televisão japonesa se exibe nele sem vergonha – música sentimental em momentos de tensão; tiques de representação; um tom de voz suave e melado; a tendência para o grande plano e zooms lentos; a trama exposta de modo simples e muito claro, as analepses devidamente bem assinaladas. Não há, na sua linguagem, qualquer marca de ousadia, novidade ou autorização própria, antes uma densa trivialidade em tons claros, suaves e proto-sentimentalóides – uma condição espalhada por vários países da Ásia Extrema na sua produção fílmica e televisiva. Deve juntar-se a esta insuficiência uma incontornável evidência. A de que este filme tem sido um grande êxito de bilheteira, um dos maiores da última década no que respeita ao cinema japonês. Esta glória deve-se também, certamente, à acessibilidade e simplicidade da sua linguagem. Em 2013, Hayao Miyazaki completou um filme que se refere igualmente aos céus, Kaze Tachinu (The Wind Rises, 2013), mais precisamente sobre Jiro Horikoshi, coincidentemente o responsável pelo desenho do avião Zero – um dos he-

róis do filme de Yamazaki. O filme centra-se na paixão pessoal que Horikoshi demonstra pela aviação mas esta envolve-se inevitavelmente com os acontecimentos da Segunda Grande Guerra. Em Eien no Zero acontece algo de semelhante, uma vez que se trata de uma história que leva ao desvendar da vida de um piloto que se mostra contra a desumanidade da guerra. Mas Eien no Zero, que é uma história sobre um pequeno mistério de família, não se distancia nunca, de um modo suficientemente preciso e inequívoco, das “razões” da guerra japonesa. Uma outra parcela vem complicar as contas. Eien no Zero é baseado num livro de Naoki Hyakuta, actualmente uma figura destacada da NHK (cuja tradicional neutralidade parece agora ameaçada), por intervenção do primeiro-ministro Abe, e conhecido autor de afirmações controversas sobre o Massacre de Nanjing e a Segunda Grande Guerra. Mais confusão: Hayao Miyazaki (o realizador japonês internacionalmente

“...A RELATIVA POBREZA DO CINEMA JAPONÊS ACTUAL PARECE ESPELHAR PERFEITAMENTE UMA DECADÊNCIA GERAL E UMA INCLINAÇÃO CADA VEZ MAIS NOTÓRIA PARA A INSULARIDADE”

mais admirado e respeitado da actualidade) acusou directamente Yamazaki de construir o seu filme a partir de um conjunto de mentiras. De todas estas forças desprende-se uma curiosidade histórica que é este ser um filme controverso numa altura em que o cinema japonês é tudo menos isso. Tirando dois ou três autores não há hoje em dia no Japão nomes, a nível nacional ou internacional, que provoquem especial paixão ou curiosidade. Esta pequena lista esgotar-se-ia com Kitano, Miike Takashi (estes dois um pouco excessivos e/ou incompreensíveis para o público não japonês), Hayao Miyazaki (na animação), Hirokazu Koreeda (um chato) e Iwai Shunji (pouco conhecido). Não há filmes recentes que tenham excitado alguma polémica particular. Este aborrecido filme de Yamazaki recebe-se com essa vantagem pouco ordinária. Já aqui várias vezes se chamou a atenção para o facto de que a relativa pobreza do cinema japonês actual parece espelhar perfeitamente uma decadência geral e uma inclinação cada vez mais notória para a insularidade. Será interessante ver se essa decadência não estará na origem, como tantas vezes acontece, de uma populista propensão para o disparate. Como complemento a este filme que teve estreia nos cinemas de Macau há pouco tempo - dever-se-á ver Wings Of Defeat (Tokko, 2007), um documentário de Risa Morimoto, sobre os tokkotai. Este tem origem na revelação de que um tio de Morimoto fizera parte de um corpo de pilotos suicidas. O documentário desmonta todo o sistema. O filme de Yamazaki desenvolve-se a partir de um episódio semelhante: a revelação de que o avô de dois jovens havia também pertencido a um grupo suicida.


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André Carrilho

VERTIGO

A

O viajar vejo séries. Daquelas que se costumava ver na TV, mas que agora basta uns cliques num browser para a elas se ter acesso. Da TV já não precisamos, e ela sabe perfeitamente disso. Demitiu-se de transmitir algo que valha a pena, e por isso os programas que nela vemos se assemelham cada vez mais a estática. Estática cultural, feita de barulho indistinto e personalidades de texturas a preto e branco. Cobertas de cores de pastilha elástica, é certo, mas indissociáveis umas das outras. Até nos canais documentais já só se encontram “reality shows”, que de realidade têm menos do que qualquer obra de ficção. No estertor final da televisão enquanto provedor de algo que valha a pena chamar de cultura, conhecimento, os canais por cabo perceberam uma coisa: o debitar semanal de novos episódios de uma dada série pode ser complementado pela repetição desses

mesmo episódios enquanto não são transmitidos os mais recentes. Para mim também foi uma revelação. Percebi que aquela ânsia de ver determinado programa que começava a dar e que eu não podia perder, não se traduzia numa memória duradoura. Passado uns dias, já não me lembrava do que tinha visto, e se fosse transmitido via-o outra vez. Assim dei por mim a rever capítulos, ou épocas inteiras, de algumas séries que não me estorvavam o acto de desenhar e me faziam companhia. Em Lisboa, via o Dr. House. Ao viajar, via o que me apetecia, no que agora se resolveu chamar “binge watching”, palavra inglesa para o acto não muito diferente de vício compulsivo, de ver todos os episódios de uma série de seguida, às vezes perdendo muitas horas de sono. Assim, o que via ao viajar era só visionado uma vez, numa sucessão rápida de episódios. Em casa, preso à TV, via os mesmos

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episódios repetidos ad nauseum, porque mesmo essa repetição era melhor do que mudar para um dos milhentos canais que me nos tentam constantemente desligar o sentido crítico. Ao ver os mesmos episódios várias vezes, começa-se a reparar em pormenores que de outra maneira nos passariam ao lado. Repara-se em todo o trabalho que está para lá da direcção de actores. Iluminação, décors, consistências de continuidade. Elementos que compõem o carácter de uma série ou filme mais do que um leigo das artes audiovisuais alguma vez vai saber. E no consultório do Dr. Wilson, o amigo do Dr. House, reparei num poster. É um dos posters mais familiares a quem gosta de cinema e de design gráfico, o poster do filme Vertigo, de Alfred Hitchcock. Como é sabido a alguém que se interesse minimamente por estas coisas, o poster em questão é obra de uma das sumidades do design do século XX, um senhor cuja estatura artística nunca é demais sublinhar, chamado Saul Bass. Se só podemos ver mais longe subindo ao ombro de gigantes, sabemos no entanto que agarrar o calcanhar de Saul Bass já seria digno de nota. Ao ver o seu conhecido poster no consultório de um médico de uma série americana, não deixei de sentir alguma vergonha por tal coisa nunca me ter ocorrido. Pois claro! Identificar as obras de design gráfico que me marcaram ao longo da vida, adquirir cópias, e pendurar na parede! Toca a copiar o gesto. Neste momento tenho dois posters na parede da sala. Um, que vi na sala de estar de um personagem do filme A 25a Hora, de Spike Lee, é o poster do filme Cool Hand Luke, com a cara escarrapachada de Paul Newman, desdobrada num padrão amarelo e laranja. O outro é o poster do Vertigo. E olho muito para eles, porque a TV da parede em frente cada vez tem menos interesse, menos do que imagens estáticas impressas em meados do século XX. O poster do Vertigo é assustadoramente simples. Fundo laranja integral, com um pequeno casal de silhuetas negras no centro, rodeadas pelo que parece ser um entrelaçado de espirais brancas. É ao olhar repetidamente para essas espirais que uma pequena obsessão se começa a instalar. Estou mais ou menos familiarizado com algumas técnicas de desenho de espirais, digitais ou não, e não sei como reproduzir a do poster. Parecem várias espirais que ao se juntarem seguindo um padrão misterioso, formam uma outra, maior e de

arco mais dilatado. Sei que na altura em que o poster foi feito não haveria acesso a ferramentas de desenho digitais que permitissem calcular e imprimir um desenho deste tipo. Provavelmente há uma fórmula matemática simples que explique este padrão visual, mas como o passar à mão para o papel, com o mínimo de rigor?

HOJE EM DIA, SE ME QUISER CONFRONTAR COM ALGUM TIPO DE REALIDADE, OLHO PARA TRÁS, PARA A PAREDE, E VEJO AS HISTÓRIAS SOBREPOSTAS DE UM REALIZADOR, UM FILME, UM DESIGNER E UM ARTISTA PLÁSTICO. SONHOS, SUOR, IMAGINAÇÃO E CURIOSIDADE CONDENSADOS NUMA VERTIGEM Uma luz ténue do meu passado infantil acende-se. Lembro-me de, cada vez à mais tempo, quando era criança, haver uns jogos de desenho que permitiam a repetição circular de várias formas. Uma investigação online facilmente descobre o nome desses engenhos: Espirógrafos. O espirógrafo é um brinquedo que é composto de várias peças móveis, entre as quais uma espécie de escantilhão com áreas vazias e várias rodas dentadas perfuradas. Ao colocar uma roda dentada dentro de um dos espaços do escantilhão, enfia-se o bico de uma caneta dentro de um dos furos da roda e começa-se a desenhar, seguindo o movimento a que a caneta assim é obrigada. O resultado são vários tipos de padrões circulares, compostos de uma mesma figura geométrica repetida segundo um eixo, com a frequência imposta pela roda e espaço do escantilhão que se escolheu. Mas há um problema, é um padrão


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demasiado simples. Apesar de se poderem sobrepor vários padrões circulares, fazendo uma textura mais intrincada do que a do poster, os desenhos do espirógrafo são sempre obviamente repetições que seguem um eixo central sempre da mesma maneira, enquanto que no poster a repetição não se consegue explicar tão simplesmente. No poster parece que o elemento, seja ele qual for, que dá origem ao padrão, vai diminuindo, fazendo a espiral vertiginosa. Tropeço num vídeo que parece explicar tudo. Uma artista espanhola fez o seguinte exercício. Cortou uma garrafa de água ao meio e inverteu-a de modo a que o gargalo ficasse virado para baixo. Cobriu o gargalo com a tampa e furou-a. Prendeu a garrafa a um ponto no tecto com alguns cordéis compridos, de modo a que a garrafa quase tocasse um papel preso ao chão, e encheu-a de tinta, que pingaria pelo furo no gargalo. Ao imprimir à garrafa um movimento pendular com uma certa inclinação de modo a fazer uma curva, o desenho que vai aparecendo no chão começa por se assemelhar a uma elipse. Mas imediatamente se vai torcendo e vai fazendo elipses mais e mais pequenas, à medida que a garrafa perde velocidade e vai seguindo as forças de atrito e gravidade. O desenho resultante é incrivelmente parecido com o do poster. Mas isso não me acalma totalmente a curiosidade. No poster o desenho parece feito com precisão de impressora, enquanto que no vídeo o desenho é mais salpicado, sujo. Uma garrafa com um furo não é propriamente um instrumento de precisão. Tenho que investigar mais. Chego a um blog, de entre os muitos dedicados a Saul Bass, e descubro que as espirais não são da sua autoria. Como grande designer que era, Bass sabia reconhecer elementos úteis nas obras de outros artistas e colaborava com quem achava que podia dar uma mais-valia ao seu trabalho. Neste caso o convidado foi John Whitney, artista mais obscuro mas não menos importante para a sua área de especialidade: a animação computadorizada. Whitney identificou o potencial gráfico do percurso de um pêndulo com uma trajectória curva, e quis arranjar uma maneira de o registar. Descobriu uma máquina desenvolvida pelos militares, pois claro, que permitia calcular com algumas variáveis matemáticas a mira de canhões, orientando-os para seguir alvos em movimento. No que foi provavelmente uma das primeiras aplicações de um computador ao desenho artístico, Whitney programou o movimento pendular na máquina, usando-a como plataforma de suporte para a superfície de desenho, suspendendo do tecto uma caneta com um reservatório de tinta pressurizada.

E um dos resultados está no poster de Saul Bass, com cores invertidas fotograficamente de preto para branco. O génio do poster está em usar uma figura visual gerada por um pêndulo, cujo movimento é comandado pelas forças da gravidade e atrito, forças que por

sua vez influenciam a queda das personagens do filme. O poster continua e vai continuar na minha sala, em frente à televisão. Com o sofá por baixo, viro-lhe as costas a maior parte do tempo, e tento ver TV. Mas hoje em dia, se me

quiser confrontar com algum tipo de realidade, olho para trás, para a parede, e vejo as histórias sobrepostas de um realizador, um filme, um designer e um artista plástico. Sonhos, suor, imaginação e curiosidade condensados numa vertigem.


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EVENTOS

É a segunda película rodada em Macau, do realizador nascido em Singapura. A longa-metragem contou na maioria com técnicos e actores locais e fala do choque cultural de quem regressa a casa

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CINEMA THOMAS LIM COM SEGUNDO FILME FEITO EM MACAU

“Os Retornados”

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

M

INA volta a Macau 12 anos depois, devido à morte da mãe. Por cá, e depois de viver no estrangeiro, Mina tem de voltar a enfrentar o pai, de quem se afastou devido à sua tirania. Foi por causa dele que a jovem decidiu sair do território, deixando para trás uma figura paterna severa e uma adolescência infeliz. E é na história de Mina que se foca o mais recente filme de Thomas Lim, realizador nascido em Singapura. Depois de ‘Roulette City’ – inteiramente filmado em Macau e projectado no Cinema Alegria -, ‘Returnees’ é a mais recente película de Lim. “A história é fruto da mistura de sentimentos que eu senti quando, no fim de uma estadia de dois anos em Macau, decidi regressar a Singapura, após uma ausência de 10 anos”, explica Thomas Lim ao HM. “Acredito que um dos sentimentos mais difíceis de suportar é aquilo a que eu chamo de ‘choque cultural invertido’, que é quando uma pessoa sente um choque cultural ao regressar ao seu país de origem, o que não devia acontecer visto ser essa a sua cultura original. Poucos sabem sequer que tal possa acontecer, visto serem poucas as pessoas que passam por uma situação destas.”

Como um estrangeiro a viver em Macau, Thomas Lim diz rapidamente ter-se apercebido que as muitas pessoas “de outras partes do mundo” que cá vivem, decidem continuar a chamar Macau de casa por razões diferentes das que as trouxeram cá em primeiro lugar. Thomas Lim viveu isso mesmo e foi esta experiência que o inspirou a criar ‘Returnees’. “Como praticava teatro na altura, acabei por conhecer a comunidade local de teatro e fiquei amigo de muitos deles. Foi por causa destas amizades, aliado ao charme natural da cidade, que decidi vir viver para Macau em 2008, altura em que decidi fazer o ‘Roulette City’. E foi toda esta experiência que me levou a criar as personagens de Mina e de Han.” Han é o motorista do pai de Mina e veio de Singapura para Macau para poder estar com Faye, a mulher que amava. Mas Faye não se habituou à vida no território e decidiu regressar, deixando para trás Han, que acabou

por cá ficar devido à generosidade do pai de Mina, que o ajudou e empregou quando cá chegou. “O pai de Mina representa tudo aquilo de que não gostamos no nosso país natal e nos leva a procurar residência no estrangeiro. São aquelas coisas com que vamos ter de lidar quando regressarmos um dia a casa”, explica Lim. “Mas, após vários anos, nós mudamos, assim como o nosso país de origem. Espera-se assim que estes retornados tenham mais facilidade em obter um equilíbrio entre o seu passado e as suas raízes e a pessoa que são hoje. Era esta a minha esperança quando deixei Macau e regressei a Singapura.”

TALENTO LOCAL

Inicialmente chamado de ‘Stamps’, ‘Os Retornados’ conta com Thomas Lim no papel de Han, mas incluiu locais como as personagens principais. “Foi todo filmado em Macau, contando na maioria com

“...uma pessoa sente um choque cultural ao regressar ao seu país de origem, o que não devia acontecer visto ser essa a sua cultura original.”

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA OS DA MINHA RUA • ONDJAKI Há espaços que são sempre nossos. E quem os habita, habita também em nós. Falamos da nossa rua, desse lugar que nos acompanha pela vida. A rua como espaço de descoberta, alegria, tristeza e amizade. “Os da Minha Rua” tem nas suas páginas tudo isso.

técnicos e actores locais. Eu também desempenhei um papel neste filme, mas além de mim, os outros membros da produção são quase todos de Macau.” As actrizes principais são Sio Ng e Firmina Mendonça, que fazem o papel de Mina. Firmina Mendonça, com oito anos, interpreta Mina na sua infância e Sio Ng faz o papel da jovem adulta. Sio Ng é uma artista de Macau. Também de Macau, ainda Billy Hui. “Billy é provavelmente o pai do teatro moderno em Macau e apesar de normalmente trabalhar como encenador, eu sempre fui grande fã da sua qualidade como actor. É por isso natural que ele tenha desempenhado um papel excelente”, frisa Thomas Lim. Billy interpreta o papel do pai de mina. O filme está concluído e segue agora para festivais “à volta do mundo”. Thomas Lim, que tem em mãos a produção de outro filme filmado em Macau (The Last Room, de terror), espera ter tanto ou mais sucesso quanto ‘Roulette City’. “Ainda não sei como vai ser recebido, mas espero que tenha no mínimo o mesmo sucesso de Roulette City. Se conseguir ser ainda mais bem recebido, melhor ainda.” - com HM

Rota das Letras 3ª. edição de Concurso de Contos

A 3ª. edição do Concurso de Contos do Festival Literário de Macau – Rota das Letras está oficialmente em marcha. A partir de agora e até ao dia 30 de Setembro, o festival vai receber textos em português, inglês e chinês. Os contos devem ter como tema Macau e os vencedores vão ser seleccionados por escritores que passaram por edições anteriores do Rota das Letras, depois de haver uma pré-selecção a cargo de um júri composto por representantes da organização do festival. Os vencedores – haverá um em cada língua - terão direito a um prémio pecuniário de 10 mil patacas, mas a principal recompensa vai ser a publicação em livro dos textos, na sua versão original e traduzidos para as outras duas línguas. Os textos serão publicados ao lado de outros já escritos pelos autores que visitaram Macau em Março deste ano. O próximo volume da colecção Contos e Outros Escritos será lançado durante a quarta edição do Festival Literário de Macau, em 2015.

Recital de piano na Fundação Rui Cunha

No dia 5 de Julho, pelas 17h00, terá lugar um recital de piano na Fundação Rui Cunha, interpretado por Abia Ng e os seus estudantes. Abia Ng estudou música na Universidade de Leeds e lançou em 2011 o seu primeiro álbum de solos de piano, chamado “Journey to Music”. O evento, intitulado “Música de Encantar”, é aberto ao público e tem entrada livre.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

UMA ESCURIDÃO BONITA • ONDJAKI Numa das muitas noites em que falta a luz em Luanda, dois adolescentes ensaiam o seu primeiro beijo, mas este primeiro beijo precisa de muitos ensaios, de muitos momentos de aproximação e afastamento, de certezas e de inseguranças… o ambiente ajuda e o pretexto surge: estão os dois na varanda da avó Dezanove, às escuras, à espera do cinema bu: um cinema que só acontece (na p. 80) quando um carro passa com a velocidade e os faróis certos para projetar sombras/imagens nas paredes brancas das casas da rua escura. Eleito um dos melhores livros de 2013 para a infância e juventude, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) do Brasil.


( F ) UTILIDADES

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TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 27 MAX 32 HUM 75-95% • EURO 10.8 BAHT 0.2 YUAN 1.2

Cineteatro

CINEMA

LÍNGUA DE gATO

TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION SALA 1

SALA 2

Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 14.30, 21.00

Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 18.45

TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [B]

TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [3D] [B]

SALA 3

SALA 2

TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [3D] [B]

Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 18.00

EDGE OF TOMORROW [C] Um filme de: Doug Liman Com: Tom Cruise, Emily Blunt, Bill Paxton, Kick Gurry 21.45

Pu Yi

TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [B]

Os representantes também não sabem votar

MALEFICENT [B]

Um filme de: Robert Stromberg Com: Angelina Jolie, Sharlto Copley, Elle Fanning, Sam Riley 14.30, 19.30, 21.30

Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 16.30

ACONTECEU HOJE

1 DE JULHO

Nasce Amália Rodrigues, a diva do fado • Hoje é dia de recordar Amália Rodrigues, que nasceu a 1 de julho de 1920, em Lisboa. Filha de um sapateiro fadista, Amália viveu sempre com o fado e foi aclamada como a voz de Portugal. Amália da Piedade Rodrigues nasceu em Lisboa, neste dia, em 1920. Dedicou a sua vida ao fado, com incursões pelo cinema. É considerada o expoente máximo do fado, aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX. De um país onde este género musical tem raízes profundas, Amália tornou-se conhecida no mundo com a ‘rainha do fado’, embaixadora da cultura portuguesa no mundo. O seu contributo para a história do fado em Portugal é inestimável. Amália Rodrigues introduziu a novidade de cantar poemas de grandes autores portugueses consagrados, depois de musicados. Os maiores poetas portugueses criaram letras das músicas interpretadas pela ‘voz de Portugal’, David Mourão Ferreira, a Pedro Homem de Mello, passando por Ary dos Santos, Manuel Alegre e Alexandre O’Neill – nomes eternos da literatura portuguesa. Cantou e encantou em todo o mundo, de Paris a Nova Iorque, de Berna a Roma, de Trieste a Dublin. Transportou a cultura lusa pelos quatro cantos do planeta e transformou-se a maior diva do fado. A 6 de Outubro de 1999, Amália Rodrigues morre, em sua casa, com 79 anos. António Guterres, primeiro-ministro em exercício, decreta três dias de luto nacional. No funeral de Amália, centenas de milhares de portugueses saem à rua para prestar uma última homenagem. Amália viria a ser sepultada em Lisboa, no Cemitério dos Prazeres. Dois anos depois, em Julho de 2001, o seu corpo foi trasladado para o Panteão Nacional. Neste dia 1 de Julho, em 1722, é executada, em Portugal a última mulher condenada à pena de morte. Em 1944, nasce Salgueiro Maia, militar com intervenção importante na revolução de 25 de Abril.

U M L I V R O H O J E VIAGEM AO MUNDO DA DROGA (CHARLES DUCHAUSSOIS) Do ópio ao haxixe, da heroína ao LSD. “Viagem ao Mundo da Droga” – ‘Flash’ na sua edição original – é uma espécie de auto-biografia de Charles Duchaussois. Li este livro quando tinha cerca de 14 anos, a conselho do meu pai. Hoje, continua comigo onde quer que vá. Apesar das imperfeições na tradução portuguesa, “Viagem ao Mundo da Droga” leva-nos numa viagem a uma vida de um consumidor de drogas que faz mais do que comprá-las: a paixão pelos estupefacientes leva Charles de Marselha ao Líbano, de Istambul a Bagdad, de Bombaim a Benares. Em Catmandu, conhece um oásis de droga. Em Beirute, passa a ser traficante de armas e colhe haxixe. No Nepal, torna-se um médico... De barco, a pé e de carro, Charles Duchaussois descreve-nos um mundo que ama, mas que é, ao mesmo tempo, arrepiante, intenso, de aventuras e desventuras, que deixa que nos apercebamos melhor do que é realmente uma “Viagem ao Mundo da Droga”. - Joana Freitas

fonte da inveja

A falta de ar induz à defenestração. Mas a falta de ser não nos leva a mergulhar em abismos.

João Corvo

Acabaram as eleições dos membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo e fiquei surpreendido. E explico-vos o que me surpreendeu: é que os nossos caros representantes também não sabem votar. Houve cerca de 200 votos considerados como voto errados! Lembrei-me que, nas eleições dos deputados da Assembleia Legislativa, os residentes – cidadãos comuns – fizeram com que houvesse 4300 votos errados. Mas, muitos deles são idosos, ou, pessoas com baixo nível de educação. Desta vez, não há desculpa. Os nossos caros representantes são todos melhor educados e sabem ler os cartazes que estão nas urnas e que explicam como votar correctamente. Porque é que ainda há cerca de 200 votos errados? Alguns jornalistas consideraram que estes votos com problemas são deliberados. Por exemplo, um voto onde se pode ler “contra as eleições de pequeno ciclo, sufrágio universal”, mostra que mesmo os caros representantes eleitores não estão satisfeitos com as eleições do Chefe do Executivo. No domingo passado já houve alguns eleitores que se queixaram de ter sido importunados pelos activistas democratas. Queixaram-se de que ter uma opinião diferente não significa que não possam participar nas eleições do Chefe do Executivo. O que posso dizer é que, neste Verão, vai andar aí outra vez a guerra das palavras.


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OPINIÃO

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VITÓRIO ROSÁRIO CARDOSO*

o monóculo, a pena e a espada

A França que nunca perdeu o sonho imperial e a “missão civilizadora”

O

dia 1 de Julho de 1997 com a retirada do poder britânico da China marcou para sempre um novo paradigma da história da presença colonial europeia na Ásia Oriental. Das desavenças tradicionais das relações anglo-francesas entre as margens do Canal da Mancha, ou das pontuais alianças de interesses estratégicos globais entre estas duas potências europeias, em muito influenciaram intimamente o relacionamento entre o Reino Unido e a França na Ásia marítima e em especial na China e em Macau. Ao remontarmos a maritimização da potencia continental que a França representa desde o século XVII, com o forte

impulso do mesmo Cardeal Richelieu que facilitou a restauração da Independência de Portugal face ao Estado espanhol, não podemos deixar cair no esquecimento as várias frentes de guerra e de conquista colonial perpetradas pelo poder de Paris sobre o Oriente. As invasões francesas e consequente Guerra Peninsular despoletou ao largo de Macau a Batalha da Boca do Tigre onde uma coligação negativa dos interesses britânicos, franceses e piratas dos mares do Sul da China desafiaram sem sucesso o interesse nacional português, depois seguiram outras disputas forjadas a ferro e fogo pela França sobre as populações asiáticas. Sob o lema de Napoleão III em que o “Império francês significa paz”, a Marinha de Guerra francesa desencadeou um rol de acções bélicas nomeadamente

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com a campanha e conquista da Conchinchina de 1858 a 1862, no mesmo período a França junta-se ao Reino Unido na I Guerra do Ópio contra a China, em 1860, para a hegemonia nos mares do Sul da China, seguindo os ataques à Coreia e ao Japão, em 1866, à guerra sino-francesa em 1884 a 1885, com as batalhas de Fuzhou, de Shipu, de Zhenhai e dos Pescadores, com o bloqueio do arroz, na foz do rio Yangtzé. O poder marítimo é mais uma vez um desígnio estratégico para as potências apostadas no comércio internacional. Consideremos as principais e actuais bases navais da Marinha Francesa, que vai de Toulon, Brest, Ile Longue e Chebourg na França “metropolitana”, contamos ainda com uma presença francesa nas principais rotas do comércio internacional e da circum-navegação, contemplando assim as bases navais nos territórios ultramarinos de Paris, tais como no Forte de França, em Martinica, Degrad de Cannes, na Guiana Francesa, Port dês Galets, em Reunião, Noumeá, na Nova Caledónia e Papeete, na Polinésia Francesa. À semelhança da estratégia naval britânica, outras bases estão situadas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em Dakar, no Senegal e no Djibouti, no Corno de África. Esta linha de defesa marítima gaulesa conta com o apoio logístico dos territórios ultramarinos franceses presentes em todos os oceanos e continentes, nas Américas estão as administrações francesas da Guiana Francesa, São Pedro e Miquelão, São Martinho e São Bartolomeu, Guadalupe e Martinica, em África, Maiote e Reunião, na Oceania, a Nova Caledônia, Wallis e Futuna, Marquesas, Arquipélago da Sociedade e Polinésia Francesa e na Antártica, a Terra Adélia, Kerguelen, Crozet, Amsterdam e São Paulo. A capacidade de projecção de poder e dos interesses nacionais franceses é global, tendo ainda em conta um facto interessante, que é em Macau e Hong Kong que se encontram a segunda maior comunidade emigrante de França no mundo, secundando apenas a comunidade francesa no Reino Unido, totalizando cerca de 16 mil cidadãos franceses no Sul da China. O papel crescente que a China está a tomar nos negócios internacionais é incontornável, assim como a estratégia francesa para a Ásia marítima e China está cada vez mais afinada e agressiva. Nos dias que correm, com as sucessivas crises económicas em França, o Eliseu está como sempre esteve, mais ou menos dissimulado, voltado para e atento aos negócios do mundo, está bem ciente do “boom” económico na Ásia, do papel da China em África e noutros pontos es-

tratégicos do comércio internacional e da importância do Delta do Rio das Pérolas e do Acordo CEPA. Neste momento em que os países da UE, muitos em crise apostam forte na chamada diplomacia económica, perante o aumento da concorrência, Paris não deixa de encorajar a consolidação da cooperação económica e militar a nível bilateral com países como a Índia, com relacionamento histórico, o Japão, a Coreia, a Indonésia, Singapura, o Vietname até à Austrália. A França está também determinada em explorar as oportunidades em países como as Filipinas, o Laos e Myanmar.

“França, é o realismo político, económico, diplomático e militar em todo o seu esplendor, de um sonho filosófico que nunca o deixou de ser...” Toda esta visão estratégica está assente em três pilares, tais como a do melhoramento da competitividade das exportações e serviços franceses, parcerias baseadas nos interesses e necessidades dos países asiáticos e não tanto nas exportações dos produtos tradicionais franceses, e por fim, e não menos importante, na presença estratégica francesa no mundo baseada no princípio da cooperação no sector da defesa numa base auto-financiada. A França deixou de olhar para a Ásia como um bloco uniforme, mas sim está dotada de uma visão especializada caso a caso, país a país, região a região, município a município e é aqui que os agentes de influência franceses ou pró-franceses fazem toda a diferença no esforço da conquista da superioridade estratégica no terreno. Toda esta capacidade poderá já estar enraizada nas academias locais, nos pólos de difusão linguística e cultural, presentes nos circuitos de cooperação económica e comercial entre a China e os mercados estratégicos africanos, nos meios de comunicação social, entre outras fontes estratégicas para levar avante o desígnio do superior interesse nacional da França, é o realismo político, económico, diplomático e militar em todo o seu esplendor, de um sonho filosófico que nunca o deixou de ser, do império continental na Europa e da missão civilizadora no mundo. *Membro da Associação de Jovens Auditores para a Defesa, Segurança e Cidadania de Portugal (DECIDE Portugal)


opinião 19

hoje macau terça-feira 1.7.2014

FERNANDO VINHAIS GUEDES

desporto e não só

E o sonho acabou!

O

sonho de passar à fase seguinte deste Mundial de futebol de 2014 acabou! É verdade, que esse sonho foi em grande parte, fabricado, à escala nacional, por um conjunto de pessoas e Instituições, com interesses na exploração de sentimentos, exageradamente nacionalistas e comerciais! Afinal as expectativas altas, que foram criadas ao desempenho da Selecção Portuguesa acabaram mesmo por ser contrariadas, ainda antes do último jogo que terminou com a vitória, a sobre a Selecção do Gana por duas bolas a uma.

Se quisermos ser objectivos, justos e imparciais, temos de aceitar, que as exibições e o rendimento da selecção foram demasiado fracas para merecerem outra sorte. O superstar Ronaldo afirmou, depois do empate com a USA: ”não somos uma equipa de topo, somos uma equipa com limitações”e ainda:”Selecção média? se calhar, sim. Seria mentir da minha parte se dissesse que éramos de topo (….) temos de ser humildes e reconhecer a capacidade que temos”. Com estas declarações, o melhor jogador do mundo em título, descia à terra e contra-

dizia as declarações prestadas oito dias antes ao afirmar. ”A Selecção está bem, confiante e temos esperança num bom Mundial. Este vai ser o ano de Portugal. Amanhã (jogo com a Alemanha) será a mudança”. No jogo com o Gana, a equipa portuguesa ainda esboçou algumas reacções, à procura duma vitória folgada capaz de tirar proveito da derrota dos EUA frente equipa Alemã, mas faltou força anímica e atlética, principalmente na segunda parte. Mesmo assim, as alterações feitas na equipa deram, a espaços, um pouco mais de dinâmica, principalmente no meio campo, aspecto bem diferente ao que tinha acontecido nos jogos anteriores. Em três jogos a Selecção marcou apenas dois golos! Os outros dois foram auto-golos! Se quisermos ser objectivos, justos e imparciais, temos de aceitar, que as exibições e o rendimento da selecção foram demasiado fracas para merecerem outra sorte. Não basta ter o melhor jogador do mundo, prémio merecido. Era também necessário, que o melhor do mundo tivesse feito a diferença, o que infelizmente não aconteceu! Ronaldo andou praticamente ausente deste campeonato, ao contrário de Messi, que em três jogos marcou quatro golos, em jogadas individuais e de livre, colocando o seu País nos oitavos da final. Entretanto, ainda não tinha terminado esta fase do campeonato e já começava outro jogo! O jogo do passar as culpas entre os responsáveis. Paulo Bento afirmou já que não se demite e nem sequer irá por o seu ligar à disposição. Jorge Humberto, vice-presidente deixou entender que o treinador poderia ter outra posição. O médico Hen-

rique Jones argumentou que os jogadores que se lesionaram tinham um historial de lesões contraídas nos seus clubes e alguns deles tinham sido recuperados já durante o estágio acrescentando, que a escolha da cidade, Campinas não era da sua conta etc, etc. Neste falatório à comunicação social Portuguesa, só o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol ficou calado, deixando para mais tarde, penso, para dizer de sua justiça. Ao virem a terreiro falando mais do que era aconselhável, contribuíram para um cli-

ma de alguma instabilidade ao contrário do que era necessário e recomendável. Quando do somatório de boas partes, não se consegue fazer um todo de qualidade, a responsabilidade, parece-me recair, nos que tiveram a responsabilidade das decisões tomadas e isso só mais tarde e não agora poderão ser apuradas. Temo que, como já aconteceu infelizmente noutras situações, como foram os casos de Saltillo no México e na Coreia do Sul, tudo fique em “águas de bacalhau” sem sabermos o que correu mal e porquê!

cartoon EIIII, OLHA!

COREIA DO NORTE DISPARA MÍSSEIS NO MAR...

por Stephff

AGORA NÃO!

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Hoje Macau 1 JUL 2014 #3121 by Jornal Hoje Macau - Issuu