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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
hojemacau MOP$10
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • QUINTA-FEIRA 9 DE JUNHO DE 2011 • ANO X • Nº 2385
TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 27 MAX 32 HUMIDADE 60-95% • CÂMBIOS EURO 11.7 BAHT 0.26 YUAN 1.2
Médicos reprovados em exame de internato já exercem no privado
Ficar doente cá? Não, obrigado Um doce perigo no pacote Depois de medicamentos, foi a vez de uma marca de bolachas produzidas em Taiwan fazer soar o alarme. Análises de qualidade detectaram níveis excessivos da substância plastificante DEHP, prejudicial à saúde humana. Os “Chuang’s Square Cookies” ainda estão a ser retirados das prateleiras. >Página 7
Dos 316 candidatos ao internato no sistema público de saúde, mais de 40 já exercem a profissão no privado, mas não foram capazes de assinalar as respostas correctas num teste de múltipla escolha. O deputado Ng Kuok Cheong quer provas mais facilitadas, mas a Associação dos Médicos dos Serviços de Saúde de Macau argumenta que qualquer pessoa que tivesse tirado o curso de Medicina passaria. O hospital Kiang Wu também veio à baila, acusado de falta de transparência na escolha de profissionais. > PÁGINAS 6 E 7
Porta aberta a mais candidatos
O Governo decidiu e os deputados concordaram. Depois de 16 anos, as habitações económicas podem ser vendidas no mercado privado a outros residentes de Macau ou o Executivo exerce o direito de preferência à aquisição do imóvel comprando-o de acordo com o preço de mercado. Só falta saber quando é que as casas saem do papel. >Página 5
Geração da década de 80 pede mais do Governo
UMA MIRAGEM CHAMADA CASA PRÓPRIA • PÁGINA 4
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Economia vai crescer mais de 8% até 2013
economia chinesa vai crescer a uma média anual superior a 8% até 2013, segundo as estimativas globais do Banco Mundial apresentadas ontem. As previsões do Banco Mundial representam uma queda de cerca de um ponto percentual em termos anuais, mas especialistas do organismo internacional descartam sinais negativos no processo. “Não deve tomar-se esta análise como algo de preocupante, mas sim como um caminho necessário para atingir índices de crescimento sustentáveis”, afirmou Hans Timmer, director do grupo de analistas, ao apresentar o relatório.
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ACTUAL Números de fazer inveja Já sobre a pressão inflacionária que atinge a China, o mesmo responsável minimizou o seu impacto imediato e assinalou que a “chave do êxito chinês não está na procura, mas sim na oferta, já que o país aumenta anualmente com o crescimento da produtividade e o que ajudará à evolução favorável da economia no médio e longo prazo”. Hans Timmer considerou, contudo, que a China deve ter em atenção os seus
crescente inflação nos mercados emergentes pode prejudicar o frágil sistema financeiro internacional e dificultar a recuperação económica global, afirmou Liu Mingkang, o principal regulador bancário da China, em entrevista publicada pelo “Study Times”, jornal apoiado pelo Partido Comunista Chinês. Potenciais elevações nas taxas de juros em mercados emergentes podem reverter a liquidez excessiva, expondo a fragilidade do sistema financeiro e pesando ainda mais sobre a recuperação da economia real, disse Liu. “As taxas de inflação nos EUA e na Europa dobraram em comparação com os números baixos anteriores,
gastos de forma a conseguir manter uma margem de manobra para possíveis turbulências financeiras globais e não porque as contas não estejam equilibradas. O economista do Banco Mundial Aardo Hansson disse, por sua vez, que a China adoptou as medidas correctas para enfrentar a crise internacional, mas agora deveria aplicar mais políticas de mercado do que de Estado, em linha com as políticas macroeconómicas
REGULADOR BANCÁRIO DA CHINA FAZ ALERTA SOBRE INFLAÇÃO
Sobe, sobe, preço sobe enquanto os países em desenvolvimento estão a enfrentar pressões inflacionárias importadas”, observou a autoridade, destacando o aumento nos preços ao consumidor do Brasil, da Índia, da Rússia, da Argentina e do Vietname. “Apesar de sinais de recuperação da economia global, a crise financeira ainda não ficou para trás”, disse Liu, citando a lenta recuperação dos EUA, a crise de dívida e as altas taxas de
desemprego da zona do euro, o terramoto e o desastre nuclear no Japão e a instabilidade no norte da África. A autoridade chinesa afirmou ainda que, embora os bancos chineses tenham saído ilesos da crise financeira global, precisam dar muita atenção para os riscos dos empréstimos ao sector imobiliário.
POLÍTICA MONETÁRIA
As actuais políticas monetárias
da China não são suficientes para controlar a persistente inflação e o país precisa melhorar o mecanismo usado para determinar a taxa de câmbio do yuan para limitar a inflação importada. As afirmações foram feitas num artigo publicado no jornal International Finance News, pertencente ao People’s Daily, que, por sua vez, é controlado pelo Partido Comunista da China.
actuais e advertindo para a necessidade de uma “mudança estrutural”. Já sobre a relação entre a China e outros países emergentes como o Brasil, Hans Timmer considerou que essa relação “excede o meramente comercial e perfila-se como um importante bloco financeiro” que pode superar as que são mantidas com os Estados Unidos e a União Europeia. Os dois dirigentes do Banco Mundial acreditam também que o yuan possa ser cotada no mercado internacional num prazo que não exceda os 20 anos, um movimento que precisa, contudo, de ser acompanhado de uma maior abertura do mercado financeiro do país.
Segundo o diário, as razões para a actual inflação da China são amplamente estruturais e os maiores contribuintes para o aumento no índice de preços ao consumidor são os preços dos alimentos e as pressões de inflação importadas, que se devem ao substancial crescimento do valor das comodidades globais - como o petróleo e o ferro. O actual aperto monetário chinês, que envolve taxas de juros, compulsório bancário e câmbio, não é suficiente para combater a pressão inflacionária importada, disse o jornal. As informações são da Dow Jones.
CANDIDATA FRANCESA EM PEQUIM PARA CONSULTA DE APOIO
Enamorar a China A
ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, chegou ontem a Pequim para defender a sua candidatura ao cargo de directora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), depois de ter cumprido um périplo idêntico na Índia. Christine Lagarde deverá reunir-se com o governador do banco central chinês, Zhou Xiaochuan, com o vice-primeiro ministro, Wang Oishan, e com o ministro das Finanças, Xie Xuren, além do chefe da diplomacia Yang Jiechi, adiantou fonte diplomática francesa. A ministra francesa da
Economia tem o apoio dos Estados Unidos, Alemanha, Grã Bretanha e Itália e é considerada como a grande favorita à sucessão do seu compatriota Dominique Strauss-Kahn, que se demitiu na sequência da acusação de agressão sexual contra uma funcionária de um hotel em Nova Iorque. No final de Maio, os cinco países emergentes membros do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) protestaram contra a vontade da França de manter o cargo de director geral do FMI, sem antes chegar a acordo sobre uma candidatura comum.
Segundo uma regra não escrita, mas em vigor desde 1946, esta função foi sempre ocupada por um europeu, enquanto que a do Banco Mundial era concedida a um americano. Pequim já sublinhou que a escolha do novo director geral do FMI deve fazer-se “de maneira aberta, transparente e sobre uma base de mérito”. A candidata francesa tem dois rivais declarados, o director do banco central do México, Augustin Carstens, e o do banco central do Cazaquistão, Grigori Martchenko. As candidaturas a director do FMI são reveladas até 10 de Junho.
CASAMENTOS AOS MILHÕES
Um grupo de noivos guiam bicicletas a seguir a uma cerimónia em massa no parque de Wuhan, na província central de Hubei. A China registou mais de 465 mil divórcios no primeiro trimestre deste ano com uma média de 5000 por dia, mais 17,1% do que no mesmo período de 2010.
INUNDAÇÕES NA CHINA MATAM 52 E OBRIGAM À RETIRADA DE 100 MIL Chuvadas intensas provocaram inundações em Guizhou, no sul da China, matando 52 pessoas e obrigando à retirada de mais de 100 mil pessoas. Dezenas de milhares de pessoas deixaram as suas casas para fugir do alto nível da água nos últimos dias, segundo a agência oficial de notícias Xinhua. Outras 32 pessoas estão desaparecidas. Quase 8000 casas foram destruídas pelas enchentes e milhares de hectares de terras agrícolas sofreram inundações. A região foi anteriormente afectada por uma grave seca.
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Embaixada de Portugal na China cria Conselho para ajudar empresas portuguesas
Agarrar o riquexó com as duas mãos
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Embaixada de Portugal em Pequim criou um Conselho Empresarial para “ajudar as empresas portuguesas que queiram estabelecer-se ou fazer negócios na China”, numa iniciativa inédita na diplomacia económica do país. É “uma estrutura totalmente informal”, constituída por dois diplomatas e oito executivos portugueses que trabalham na China em empresas portuguesas, multinacionais ou organismos internacionais, indicou hoje à agência Lusa o embaixador José Tadeu Soares. Mais de 500 de empresas portuguesas fazem negócios com a China, mas apenas uma dezena terão um representante ou um escritório perma-
nente naquele país. “Não há um número suficiente de empresas que permitisse a criação de uma Câmara de Comércio tradicional e, por outro lado, é preciso ter em conta que estamos numa economia de mercado altamente dirigida”, salientou Tadeu Soares. O conselho empresarial da embaixada, que reúne uma vez por mês, sob a presidência de uma advogada portuguesa, “é uma solução prática para compensar a falta de uma Câmara de Comércio” e prestará “um auxílio gratuito” às empresas interessadas, acrescentou o diplomata. Em declarações à agência Lusa, o embaixador Tadeu Soares realçou também que “a China é um mercado
de consumo em explosão, onde todos os produtos de qualidade e as ideias novas vendem”. Segundo a administração-geral das Alfândegas chinesas, nos primeiros quatro meses de 2011 as exportações portuguesas para a China aumentaram 45,6 por cento em relação a igual período de 2010, para 294,86 milhões de dólares. Em alguns produtos, como o vinho e o azeite, o aumento foi ainda mais acentuado. “É bom, mas é possível fazer muito mais”, comentou o embaixador português em Pequim. As exportações chinesas para Portugal também aumentaram (35,4%), somando 1204 milhões de dólares nos primeiros quatro meses deste ano.
PARTIDO COMUNISTA CHINÊS ABRE ESPAÇO PARA SUGESTÕES DE ACADÉMICOS
Uma abertura histórica Patrícia Ferreira
patricia.ferreira@hojemacau.com.mo
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GOVERNO PROIBIU A PUBLICAÇÃO DE 43 ROMANCES PICANTES
A China proibiu a publicação de 43 romances pornográficos desde Outubro do ano passado, de acordo com informações ontem divulgadas por parte do Instituto Nacional contra publicações pornográficas e ilegais. Desde o final de 2010, a Administração Geral de Imprensa e Publicações emitiu várias ordens para investigar uma dúzia de romances pornográficos e sites que os hospedam. A Agência Cultural de Direito de Execução de Pequim puniu 24 sites e exigiu a supressão de 209 ligações para conteúdos ilegais. Oito dos websites foram fechados devido a exposição de conteúdos de pornografia. O aviso adverte também que está a ser cada vez mais difícil detectar sites pornográficos, já que estes estão cada vez mais especializados em criar truques para esconder os conteúdos passíveis de censura. Alguns emitem sinais para servidores de outras províncias ou mesmo no exterior, enquanto outros encontram formas criativas para disfarçar o conteúdo pornográfico. – P.F.
EMPRESAS DE FORA IMPEDIDAS DE OFERECER SERVIÇOS VIRTUAIS
A única forma permitida para indivíduos e organizações no exterior para prestar serviços de mapeamento da Internet na China é a criação de “joint ventures”, de acordo com informações ontem divulgadas pela Secretaria de Estado de Topografia e Cartografia. O diploma, já em vigor, diz expressamente organizações internacionais e indivíduos estrangeiros não estão autorizados a oferecer qualquer serviço de mapas virtuais no país. O regulamento também determina que, para as “joint ventures” com mapeamento da Internet como a sua única actividade, o investimento por parte de investidores estrangeiros deve ser limitado a um máximo de 50% do total. – P.F.
UMA rara mostra de abertura, o Partido Comunista Chinês (PCC) realizou um simpósio com académicos e estudiosos estrangeiros, para recolher sugestões que possam ser aplicadas no funcionamento das políticas no futuro. “O PCC está disposto a manter um intercâmbio com especialistas estrangeiros em todos os sectores de uma forma aberta”, disse Liu Yunshan, membro do departamento político do Comité Central do PCC, a seguir uma reunião com seis estudiosos estrangeiros. Durante a reunião de uma hora, Liu respondeu quase todas as questões levantadas, abordando temas como a publicidade externa da China e como lidar com a incompreensão do tigre asiático no exterior. Liu, que também é chefe do Departamento de Publicidade do Comité Central do PCC, notou que gosta de ouvir opini-
ões de especialistas sobre o desempenho do PCC. O oficial também referiu que aprecia os esforços que os académicos estrangeiros têm feito para ajudar o mundo a ganhar uma compreensão mais
objectiva e abrangente da China e do PCC, dizendo que as opiniões têm influência sobre a tomada de decisões no seio do partido. “O PCC nunca parou de acumular experiências
durante a sua construção e processo de governo, e também nunca parou de aprender com as experiências dos partidos no poder e em outros países”, disse Liu, citado pela agência Xinhua.
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Virginia Leung
virginia.leung@hojemacau.com.mo
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procura de habitação por parte da geração nascida depois de 1980 é significativa no mercado imobiliário em Macau. Mas os jovens acabam por encontrar obstáculos que acabam por ser decisivos para a sua desistência de adquirir um imóvel. Essa e outras particularidades do mercado imobiliário da Macau de hoje em dia foram discutidas por especialistas na conferência “Tendências e Políticas do Mercado Imobiliário de Macau. Um sentimento de desconfiança em relação ao Governo e aos empresários parece generalizado nos jovens, que normalmente acabam por achar praticamente impossível conseguir comprar casa num futuro próximo, assinalou Pong Kai Fu, vice-presidente da União Acção de Três Décadas de Macau. Para os nascidos depois de 1980, a ideia de adquirir uma moradia própria leva-os a trilhar um caminho agreste, por entre o sonho e a realidade, mas quase sempre sem chegar a lado nenhum. Os altos preços deixam a juventude sem alternativas a não ser procurar empregos mais bem pagos.
POLÍTICA
Juventude com grandes dificuldades para conseguir comprar habitação
Esta cidade não é para jovens Possuir uma casa é o sonho básico da maioria das pessoas, sobretudo na cultura chinesa. Pong explicou haver dois níveis de preocupações para os jovens que desejam comprar casa. Primeiro: a falta latente de auto-confiança. Depois, a falta de confiança na sociedade. Muitos jovens estão convencidos de que não têm capacidade para subir a escada social em direcção a um melhor salário e à possibilidade de conseguirem fazer face aos altos preços da habitação. Isso reflecte, para o responsável, que eles têm sido sobre-protegidos durante demasiado tempo e acusam uma enorme falta de competitividade. Sugestão: o Governo deve melhorar os sistemas de educação e mecanismos de competição. A falta de confiança na sociedade, no sector empresarial
e no Governo é também sintomática. O aumento dos preços no mercado residencial, assinalou Pong Kai Fu, tem-se verificado de forma imprevisível, deixando os jovens assustados em relação aos aumentos súbitos e fazendo com que se apressem a tentar comprar casa. Isto porque não acreditam que o Governo tenha a capacidade e a determinação necessárias para ajudar os residentes a resolverem os seus problemas de habitação. “Comprar uma casa é usar as nossas próprias mãos em vez de depender do Governo”, observou, sublinhado ser indispensável “uma situação em que o mercado imobiliário esteja a desenvolver-se de forma saudável”. Por isso, o responsável sugeriu ao Governo que implementasse planos de longo prazo para
as políticas habitacionais e reforçasse a transparência da mensagem de forma a fomentar uma tomada de decisão “científica” e a publicitação. Pong apelou ao Governo para que acelerasse a concretização das políticas.
MERCADO A ENTRAR EM “MODO HONG KONG”
O mercado de compra e venda de imóveis em Macau está a tornar-se cada vez mais semelhante ao de Hong Kong, onde o imobiliário se tem consolidado ao longo dos anos como uma das mais importantes formas de investimento, referiu na mesma conferência Tommy V.S. Lau, presidente da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau. Actualmente, referiu, o mercado imobiliário está em plena “guerra de atrito
financeiro” entre compradores e proprietários. No momento, o mercado está sobreaquecido e à espera de acabar de queimar todo o “combustível” (capital para investimento em imobiliário) ou a tentar aumentar a oferta, acelerando a combustão do capital de forma a que isso leve a um ponto de inflexão nos preços. Para já, os preços no mercado imobiliário continuam a aumentar. As pessoas que já realizaram o objectivo de possuir casa própria passam, em geral, rapidamente à fase seguinte: comprar uma casa melhor para elevar o seu nível de vida. Também por isso é que, cada vez mais edifícios novos estão a posicionar-se num escalão habitacional de luxo, acompanhando a actividade do investimento. Para quem não tem casa, por outro lado, o rápido aumento dos preços das moradias torna cada vez mais difícil conseguirem comprar casa. Aos jovens que querem comprar casa, Tommy Lau deixou um conselho: avaliem racionalmente a sua capacidade de cumprimento e observem a situação do mercado de forma cuidadosa. Ainda na observação de tendências, Tommy Lau observou que as pessoas que ainda não possuem casa
estão a manifestar um crescente interesse pela opção China. Comprar habitação e ir viver do outro lado da fronteira aparece como uma forma cada vez mais atraente de fugir aos altos preços do mercado imobiliário de Macau. Essa tendência pode levar a um aumento significativo dos fluxos de capitais e pessoas à escala regional, notou o responsável. “Deve ou não a habitação económica ser absorvida pelo mercado privado?” - esta foi outra das questões abordadas na conferência e uma das mais controversas, que tem alimentado longos debates nos últimos tempos. Song Yu, professor assistente da Faculdade de Gestão e Administração da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), é contra. Para se concretizar como uma verdadeira política social, a habitação económica deve desenvolver a sua função de mecanismo de segurança social de forma optimizada, até para evitar qualquer problema posterior que possa ter lugar após o período de interdição à revenda da habitação económica, tal como a interferência sobre os mecanismos de investimento e o sistema de preços original do mercado de propriedades privadas.
CHUI SAI ON JÁ NÃO VAI A BRUXELAS EM JULHO
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Segundo informações avançadas ontem pela Rádio Macau, a deslocação oficial do Chefe do Executivo à União Europeia (UE) já não se realiza em Julho, como previsto. Dificuldades de agenda impedem Chui Sai On de visitar Bruxelas no próximo mês, mas a viagem irá ser feita ainda este ano. A previsão é que o líder do Governo seja recebido pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, visite o Parlamento Europeu, encontre-se com deputados europeus e também vá à Delegação Económica e Comercial de Macau em Bruxelas.
Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo
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presidente da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), Cheang Chi Keong, pediu “resposta urgente” ao Governo e tudo aquilo que, na última reunião, eram possibilidades são agora certezas. Após os 16 anos, e caso o adquirente decidir alienar a fracção, o Governo tem preparado dois mecanismos. As casas podem ser vendidas no mercado privado a outros residentes de Macau – permanentes ou não, e apenas a estes – ou o Executivo exerce o direito de preferência à aquisição do imóvel comprando-o de acordo com o preço de mercado. Os deputados, mesmo os que defendem que a alienação deveria ser feita apenas em regime fechado, concordam. “É uma nova medida para que estes recursos sejam aproveitados em prol dos residentes de Macau”, explicou Lau Si Io aos jornalistas no final da reunião de ontem. O secretário para os Transportes e Obras Públicas referiu ainda que não há valores para os tectos mínimo e máximo dos limites de rendimentos, nem tão pouco preços dos valores das habitações. “Acapacidade financeira de cada indivíduo tem de ser avaliada para o limite mínimo, mas ainda não temos valores. Vamos rever as nossas fórmulas e apresentaremos brevemente valores à Comissão”, referiu Lau Si Io. Em análise desde Fevereiro, a proposta de lei sobre a construção e venda da habitação económica já começa a mostrar consensos. Os deputados parecem aceitar as intenções do Executivo liderado por Fernando Chui Sai On. Cheang Chi Keong, presidente da Comissão, referiu que haverá sempre pontos contra mas que no geral há consensos para a proposta de lei avançar. “Há sempre questões técnicas ou políticas. No entanto, o articulado tem de avançar com a introdução de algumas alterações por parte do Governo que agora irá estudar a versão de trabalho com o apoio da assessoria e do deputado Tong Io Cheng.” As coisas estão prestes a
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Habitação económica pode chegar ao privado mas com condições
A última palavra é do Governo seguir para a segunda fase de trabalhos com o texto a ficar redigido nos finais de Junho, conforme esperam os deputados. “Julho é o mês de apreciar o texto final e
jornalistas que o limite plausível seriam os 20%, mas aguarda que a norma relativa ao despacho pelo Chefe do Executivo seja mudada para saber que valores
As casas podem ser vendidas no mercado privado a outros residentes de Macau – permanentes ou não, e apenas a estes – ou o Executivo exerce o direito de preferência à aquisição do imóvel comprando-o de acordo com o preço de mercado elaborar um parecer para ser entregue no plenário e ser discutido até 16 de Agosto, altura das férias.” Praticamente está tudo decidido. Cheang Chi Keong admitiu perante os
o Governo irá apresentar. Parece estar assim bem definido o regime de alienação dos imóveis que causava brado entre os deputados. Cheang Chi Keong relembrou uma vez mais que vão existir
sanções financeiras para quem preste falsas declarações e disse ainda que está aberta a hipótese de Macau copiar Singapura, no que diz respeito a aplicar também sanções criminais. Com a abertura de Lau Si Io para ajustamentos nos limites de rendimentos, Cheang Chi Keong acredita que esta é “uma boa posição que pode abrir portas a mais candidaturas”. Depois da aprovação da proposta de lei do “Regime de Construção e Venda de Habitação Económica” só fica a faltar a construção propriamente dita dos blocos habitacionais. Para quando Seac Pai Van, senhor secretário?
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AUTORIDADE MONETÁRIA DE MACAU ANÚNCIO ASSUNTO: LIQUIDAÇÃO DO BANK OF CREDIT AND COMMERCE INTERNATIONAL (OVERSEAS) LIMITED – SUCURSAL DE MACAU Em cumprimento do despacho do Exmº. Senhor Secretário para a Economia, exarado no uso dos poderes delegados pela Ordem Executiva n.º 121/2009, em 15 de Abril de 2011, na deliberação n.º 233/CA, adoptada na sessão de 8 de Abril de 2011 do Conselho de Administração da AMCM, convocam-se todos os actuais credores do Bank of Credit and Commerce International (Overseas) Limited – Sucursal de Macau para solicitarem o pagamento total ou adicional, consoante o caso, dos créditos reconhecidos no âmbito desta liquidação, no período compreendido entre o dia 1 de Junho de 2011 e o dia 29 de Julho de 2011, no R/C do Edifício-Sede da AMCM, sito na Calçada do Gaio números 24-26, em Macau, durante o horário normal de expediente (de segunda a sexta feira, no período da manhã, das 9:30 às 12:30 horas e, no período da tarde, das 14:30 às 17:15 horas). Para esse efeito, devem os interessados apresentar os documentos que comprovem a existência e reconhecimento dos respectivos créditos (original e 1 cópia de cada documento apresentado) e preencher o modelo de requerimento disponibilizado pelos serviços da AMCM. Findo o prazo supra fixado todos os créditos não exigidos e prescritos revertem a favor da RAEM. Autoridade Monetária de Macau, aos 27 de Maio de 2011. Pel’O Conselho de Administração da AMCM: O Presidente do Conselho de Administração, Anselmo Teng. O Administrador, António José Félix Pontes. O Liquidatário Local, Rui José Cunha.
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SOCIEDADE
Saúde | Parte dos candidatos que falhou exames de internato já exerce no privado
Médicos? Quais médicos? Filipa Queiroz e Virgínia Leung
“Só há duas opções: ou os candidatos não estavam qualificados ou não estavam preparados para o exame”. O clínico vai mais longe e atira que este resultado “mostra a qualidade dos candidatos que chegam a Macau”. Fernando Gomes garantiu que os SSM “não vão pelo facilitismo” e discorda totalmente com a revisão das provas. Os Serviços de Saúde anunciaram no mesmo comunicado que será aberto outro concurso de internato geral “com a maior brevidade”, reiterando que a prioridade de admissão é dada ao pessoal de saúde local e que os maus resultados no último exame “não têm nenhuma relação com a contratação de médicos no exterior”.
filipa.queiroz@hojemacau.com.mo virginia.leung@hojemacau.com.mo
O
deputado da Assembleia Legislativa (AL) Ng Kuok Cheong apresentou ontem uma interpelação escrita sobre o anúncio feito pelo Governo de que iria investir 10 mil milhões de patacas nos sistemas de saúde para os próximos dez anos. Uma das críticas da interpelação: o Executivo não terá feito o devido esforço para incluir os profissionais locais no plano. O deputado da Associação Novo Macau Democrático (ANMD) sublinha que ainda não foram atingidos 10% de aprovações nas recentes audições para médicos estagiários no regime geral, o que levanta preocupações de que os profissionais locais possam ser negligentemente deixados de fora. Para as 30 vagas de estágio abertas, candidataram-se aos testes 316 pessoas, sendo que apenas duas foram aprovadas. A taxa de aprovação decresceu para situar-se abaixo dos 10%, comparativamente aos 30 a 40% verificados no passado, observou Ng Kwok Cheong. Os Serviços de Saúde de Macau (SSM) explicaram que os testes estão com perguntas mais difíceis e sistemas de pontuação mais rigorosos, o que terá contribuído para essa grande taxa de reprovação, mas o deputado não gostou da explicação e fez notar que os requisitos para a admissão de médicos eram bem menos rigorosos do que os exigidos aos estagiários. De acordo com o democrata, segundo informações que lhe terão sido passadas por pessoas de dentro do sector, os 316 candidatos referidos já exerciam medicina em Macau, alguns deles operando diariamente, mais de 40 dos quais, em hospitais e clínicas privadas do território. Muitos deles passaram nos exames nacionais de qualificação para médicos, mas foram agora desqualificados da candidatura a estágio. Ng Kuok Cheong pede por isso ao Executivo que reveja o sistema, porque há um grande hiato entre médicos qualificados e os padrões de admissão exigidos para trabalhar nos hospitais públicos. Na opinião do democrata, é mais provável que o problema esteja num teste exageradamente difícil do que em médicos qualificados, pelo que o deputado exigiu ao Governo que
CASO KIANG WU
Dos 316 candidatos ao internato no sistema público de saúde, mais de 40 já exercem a profissão em hospitais e clínicas privadas no território. Muitos deles passaram nos exames nacionais de qualificação para médicos, mas foram agora desqualificados da candidatura a estágio tomasse certas medidas para assegurar os padrões médicos e eliminar obstáculos à entrada de recursos humanos locais nas instituições médicas do Governo.
FORMAÇÃO MAL PARADA
Fernando Gomes, vice-presidente da Associação dos Médicos dos SSM, disse ao Hoje Macau que o resultado dos exames de admissão ao internato são inéditos e “assustadores”. O clínico defende que a solução não passa pela revisão dos testes nem é desculpa para contratar profissionais lá fora. Recorde-se que o Governo continua a tentar recrutar duas centenas de clínicos de Portugal, Singapura e Continente. “Abaixa taxa de aproveitamento relacionou-se com as perguntas constantes da prova e o regime de cálculo da pontuação, que foram rigorosos”, justificaram os SSM num comunicado enviado à comunicação social. “O internato geral é um projecto de formação importante antes de os mesmos ingressarem na car-
reira médica dos SSM”, salientaram, acrescentando que “é necessário que os candidatos possuam bons conhecimentos de medicina para prestarem cuidados de saúde com qualidade ao público no futuro”. O organismo pretendia recrutar 30 candidatos para formação de profissionais qualificados para a prestação de serviços com qualidade ao público. “Por isso, as exigências e requisitos de selecção não devem diminuir por não se ter conseguido admitir pessoal de saúde”, é frisado no comunicado. Os SSM justificaram que a baixa taxa de aproveitamento se deveu ao nível de rigor e exigência das questões constantes da prova e regime de cálculo da pontuação. Fernando Gomes defende que “o exame não era difícil”. “Eram questões de resposta múltipla sobre coisas que estão nos livros de Medicina. Qualquer pessoa que tenha realmente estudado Medicina podia passar no exame”, apontou o vice-presidente da Associação
dos Médicos dos SSM. Metade das perguntas do exame de admissão era de múltipla escolha e as restantes de dupla opção (verdadeiro ou falso), sendo que estavam submetidos a um regime de penalidade de cálculo de pontuação. “Quando se faz a escolha neste tipo de perguntas, é necessário pensar mais profundamente. Alguns candidatos não estavam familiarizados com esse tipo de perguntas”, explicaram os SSM, ressalvando no entanto que “em todos as perguntas houve candidatos que optaram por respostas correctas, o que comprova que as perguntas não eram difíceis”. Fernando Gomes é peremptório:
Também contactado pelo Hoje Macau, o presidente da Assembleia Geral da Associação de Médicos de Macau dos SSM, Lei No Teng explicou que os médicos profissionais qualificados no território geralmente têm de ter o certificado de conclusão de curso da universidade e o cartão de identificação de Macau antes de exercer no território. “É obrigatório para qualquer médico que trabalhe no serviço público ou para o Governo de Macau ter o curso completo e uma licença da Unidade Técnica de Licenciamento das Actividades e Profissões Privadas de Prestação de Cuidados de Saúde dos Serviços de Saúde”, desenvolveu. “Para a Unidade há um determinado padrão a cumprir, eles não aceitam qualquer certificado. Contudo, para os hospitais privados é responsabilidade deles
SINGAPURA AMEAÇA REINADO DE MACAU NO JOGO
Especialistas na indústria do jogo acreditam que Singapura irá ultrapassar Las Vegas e tornar-se o segundo maior reduto de casinos do mundo já este ano. Frank Fahrenkopf, presidente da Associação Americana do Jogo, apontou que Singapura encerrou o ano passado com 5,1 biliões de dólares de receitas de casinos e que este ano a previsão é de 6,4 biliões. Las Vegas, por sua vez, ficou pelos 5,8 biliões de dólares em 2010, sem que haja, para este ano, uma grande perspectiva de crescimento. Macau vai manter-se na liderança e deve fechar 2011 com um crescimento entre 25 e 50%, apontou o entendido.
Clínicos mal preparados ou profissionais não qualificados? Os resultados desastrosos das provas de admissão ao internato geral nos serviços de saúde pública despertaram a celeuma. Ng Kuok Cheong atirou a primeira pedra De acordo com os dados divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, no final do ano passado 376 dos 496 estabelecimentos de cuidados de saúde primários da RAEM eram clínicas e consultórios privados, com 758 médicos e 471 enfermeiros ao serviço. O número total de consultas nestes estabelecimentos aumentou significativamente em Macau no ano passado, mais precisamente 21% em relação a 2009. A culpa, apontam os SSM, terá sido da expansão rápida da influenza e infecção enterovírus e da contínua execução do programa de comparticipação do Governo nos cuidados de saúde. O serviço público manteve a proporção de 2009, 564 médicos e 1200 enfermeiras nos três hospitais de Macau, ou seja, 2,4 médicos e 2,8 enfermeiros por cada mil habitantes. Dados do Kiang Wu, disponibilizados no seu website, afirma que em 2008 o hospital recebeu 10.400 pacientes nas urgências e outros 26 mil para consultas, o que torna a unidade a primeira na preferência da população de Macau.
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PRODUTO DE TAIWAN À VENDA NOS SUPERMERCADOS TEM EXCESSO DE DEHP
Veneno nas bolachas Filipa Queiroz
filipa.queiroz@hojemacau.com.mo
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OI detectado um produto contaminado com o químico plastificante DEHP num produto comercializado em Macau. A equipa técnica no âmbito do Grupo de Coordenação Sobre a Segurança dos Produtos Alimentares, que está a levar a cabo a análise de vários alimentos importados de Taiwan e disponíveis no mercado local, descobriu uma carga anormal do químico nocivo nos biscoitos “Chuang’s Square”, fabricados pela empresa Chuong’s King Tai Chang Food Co. Limited. Numa visita guiada ao Laboratório do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) ontem à tarde, o director da unidade, Ung Wai How, explicou que “foram detectados 3,7 ppm de DEHP na amostra ultrapassando o valor máximo de segurança situado nos 1,5 ppm”. O responsável adiantou que desde a passada quarta-feira já foram verificados cerca de 80
FILIPA QUEIROZ
recrutar médicos, eles podem ter os seus próprios padrões.” Ora, a fiar nas declarações do deputado Ng Kuok Cheong, vários dos 316 candidatos ao internato promovido pelos SSM já se encontravam a exercer no hospital Kiang Wu, o único hospital privado do território. Contactada pelo Hoje Macau, a unidade hospitalar escusou-se a comentar o assunto, mas Fernando Gomes acredita que não há coincidências. “Os SSM não têm qualquer controlo sobre que o que se passa lá, é um mundo à parte”, atirou. “Todos os médicos teoricamente deviam estar registados nos SSM mas fala-se que há médicos no Kiang Wu que só lá vão aos fins-de-semana, não têm qualquer registo e ninguém sabe de onde é que vêm.” O vice-presidente da Associação dos Médicos dos SSM frisou que “nada tem sido feito nos últimos anos no sentido de esclarecer esta situação publicamente”.
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produtos, numa média de dez por dia. Um trabalho incansável feito por cerca de 16 profissionais divididos em duas equipas. “Estamos a utilizar um método sincronizado com aquele usado no exterior, utilizamos o mesmo equipamento que Hong Kong e Taiwan para detectar vestígios de DEHP”, frisou Ung Wai How. O Grupo de Coordenação Sobre a Segurança dos Produtos Alimentares fez saber que está
neste momento a proceder ao contacto com todos os pontos de venda dos biscoitos “Chuang’s Square” em Macau, de forma a que sejam retirados do mercado. O organismo também já comunicou às autoridades de Hong Kong e Taiwan o sucedido e apela a toda a população para que não consuma aquele produto, garantindo que vai continuar a fiscalizar os alimentos e bebidas indicados pelos Serviços de Saúde de Macau (SSM).
No passado dia 3 de Junho os SSM ordenaram a recolha de um medicamento de Taiwan, o “Scrat Suspension”, produzido pela Standard Chem. & Pharm, após ter sido detectado um químico nocivo. Já foram retiradas do mercado cerca de 6400 unidades. O medicamento, usado no tratamento de doenças de estômago, continha o plastificante DIBP, uma substância que apresenta um nível de toxicidade semelhante ao Bis ftalato (DEPH), composto químico que tem estado na origem da crise de produtos contaminados de Taiwan e que, caso consumido por um período longo ou em grandes dosagens, pode ter impacto no sistema reprodutor masculino e causar perturbações hormonais. Alguns países e territórios, incluindo Hong Kong, já proibiram a importação de produtos provenientes de Taiwan, nomeadamente de bebidas, por conterem excessivas quantidades do composto químico DEPH.
MACAU PRECISA DE 10 ANOS PARA TRANSFORMAR-SE NUM CENTRO TURÍSTICO
Uma década pela frente Vanessa Amaro
vanessa.amaro@hojemacau.com.mo
O
S planos do Executivo de transformar Macau num centro internacional de turismo vão ter de esperar pelo menos uma década para começar a dar frutos. É pelo menos essa a previsão de Grant Bowie, director-executivo do MGM China. Segundo ele, a empresa mãe nos Estados Unidos levou entre 25 e 30 anos para alcançar essa meta, pelo que a RAEM está já no bom caminho. Para Bowie, contudo, o principal eixo de desenvolvimento continuará a ser o Cotai, que poderia ser utilizado como factor diferenciador na indústria do turismo. O MGM não quer ficar de fora desse ‘boom’ e espera avançar em breve para a construção de um novo resort entre a Taipa e Coloane. “Macau deve lidar com a falta de terrenos, de mão-de-obra e de infra-estruturas e atrair turistas que queiram ficar mais tempo na cidade”, apontou o executivo, citado pela “Bloomberg”. Já Huein Suen Ng, analista do sector do jogo na empresa CLSA Asia Pacific, acredita que o território não irá conseguir dar o salto para o patamar do turismo diversificado com tanta facilidade. Para ela, a economia local está já tão vinculada às receitas do jogo, que os visitantes
nunca pensar ir a Macau sem ter em mente passar o dia num casino. “O território precisa de mais estruturas”, afirma, referindo-se a quartos de hotéis com preços diversificados, a ponte de ligação a Hong Kong e um comboio de alta velocidade que traga turistas da China. Os últimos dados estatísticos, referentes a 2010, demonstram que cada turista passa, em média, 1,7 dia em Macau. Isso leva ao cálculo fácil de que a maior parte deles gasta mais tempo a entrar e a sair do território do que propriamente dentro dele. Bowie, do MGM, está convencido que pode ajudar a impulsionar o turismo na região. O resort que está planeado para o Cotai será quase o dobro no existente no NAPE e quer oferecer mais quartos, restaurantes, lojas e um complexo de entretenimento. Em vez de grandes espectáculos - como o Cirque du Soleil, no Venetian ou o The House of the Dancing Water, no City of Dreams – Bowie sugere mais pequenas atracções. O MGM espera receber luz verde para o projecto até ao fim deste ano. A construção começaria logo a seguir, no início de 2012, com a data de conclusão da primeira fase apontada para 2015. O prazo poderá ser alargado, reconhece Bowie, dependendo da quantidade de trabalhadores da construção civil disponíveis
para o projecto. “Todos nós sabemos desse problema e reconhecemos que o Governo está a trabalhar progressivamente no assunto. Estamos confiantes que teremos trabalhadores suficientes, mas também reconheço que será uma tarefa difícil.”
vida
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Reaproveitamento do lixo transformou vida de aldeia no Camboja
Os milagres do saco plástico R
ECOLHER sacos plásticos para transformá-las em malas, chapéus e outros acessórios ajudou uma aldeia do Camboja a melhorar o seu nível de vida e, ao mesmo tempo, limpar o lixo da comunidade. Chamcar Bei, aldeia com cerca de 4000 habitantes, localizado na província de Kep, é um dos poucos lugares do país onde quase não se vê lixo acumulado, já que a maioria dos resíduos vale dinheiro. A população de um dos últimos redutos do antigo regime do Khmer Vermelho viveu durante décadas sob a linha da pobreza e com a pecuária e o arroz como praticamente únicos pilares da economia. Esse cenário era até 2008, quando chegou a organização não governamental britânica Funky Junk, que ofereceu aos moradores um pagamento a quem recolhesse sacos plásticos. “Pensamos qual era o maior problema da poluição e, sem
que o pequeno lixo também deve ser apanhado, apesar de não o reciclarmos. Nem todos fazem isso”, explicou Misy. A Funky Junk compra cerca de 160 quilos de sacos plásticos a cada mês, mas o povo não gera a quantidade suficiente, por isso a limpeza estendeu-se para cidades próximas, como a capital provincial, Kep. Uma vez recolhidos, os sacos são lavados e cortados em tiras, para serem transformados numa pequena oficina que emprega uma dezena de costureiras. Depois, as
dúvida, eram os sacos, já que as pessoas largavam-nos em qualquer lado”, explica Sob Misy, um dos líderes da Funky Junk, à agência de notícias Efe. Garrafas, metal e madeira já eram comprados por outros comerciantes, mas o restante,
não. Agora, os moradores guardam cuidadosamente os sacos em cestas até que tenham uma quantidade suficiente para vender. O restante lixo é queimado, apesar de alguns resíduos ainda ficarem pelas ruas. “Ainda não entenderam
O ANIMAL TERRESTRE VIVO MAIS ANTIGO DO MUNDO
Um verme cheio de histórias U
M verme que vive mais profundamente do que qualquer outro animal terrestre foi encontrado numa mina de ouro da África do Sul. A nova espécie “Halicephalobus mephisto” pode sobreviver a sufocantes 48ºC na água que se infiltra entre fissuras cerca de 1,3
Planeta em númer
quilómetro abaixo da crosta da Terra - uma surpresa para os cientistas que acreditavam quem só bactérias unicelulares poderiam sobreviver nessas condições. A descoberta da equipa do geólogo da Universidade de Princeton (EUA), Tullis Onstott, foi publicada na revista “Nature”.
Os pesquisadores encontraram duas espécies do verme: “Halicephalobus mephisto” e “Plectus aquatilis”. A falta de oxigénio parece frustrar qualquer forma de vida, mas os pesquisadores colocaram filtros nos furos das minas por meio dos quais milhares de litros de águas subterrâneas derramaram e, dessas amostras, eles geralmente recuperavam apenas bactérias, então os vermes foram uma surpresa. Mas como os vermes chegaram lá? A água onde os vermes foram encontrados tem entre 3000 e 10 mil anos. Os pesquisadores acreditam que os animais originalmente vieram da superfície mas foram empurrados pelas fendas da crosta terrestre pela chuva. Os vermes medem cerca de meio milímetro, se reproduzem de maneira assexuada e alimentam-se preferencialmente de bactérias.
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milhões de das suas ca naturais no dobro do n
tiras plásticas viram acessórios como gorros, malas, além de cestas de diferentes tamanhos que são vendidas em lugares turísticos ou pela Internet. Hein Pove e os seus quatro filhos, por exemplo, viviam antes do arroz que cultivavam numa área de dez metros quadrados. “Naquela época não tínhamos dinheiro para comer nada de manhã. A terra dava muito pouco”, conta a mulher de 33 anos. Há cinco anos, Pove aprendeu a costurar plástico e trabalha cinco dias por semana na oficina, actividade que lhe garante até 700 patacas mensais. Ela também utiliza os coloridos cestos que cria para recolher o lixo na sua casa ou como vaso para as flores e plantas do jardim. “Agora nos preocupamos com o lixo, não só para vender resíduos, mas porque assim as crianças ficam menos doentes”, afirmou.
DEMANDA POR ALIMENTO CONTINUA A PRESSIONAR FL
Desflorestar para encher a A
desflorestação mais lenta e a maior consciência sobre o valor das árvores podem chegar tarde demais para salvar as maiores florestas tropicais do planeta, de acordo com um estudo mundial ontem publicado. As florestas tropicais estão sob ameaça pela pressão para produção de alimentos e biocombustíveis, bem como para o plantio de árvores de crescimento rápido, destinadas à fabricação de madeira, combustível ou papel. A consciência sobre a protecção florestal está a crescer nos países tropicais, com um maior interesse pela agricultura sustentável, especialmente no Ocidente, mas talvez não com a rapidez suficiente para conter o crescimento da demanda mundial por alimentos, disse Duncan Poore, co-autor do estudo e ex-director da União Mundial para a Conservação da Natureza. “Está a ocorrer uma extraordinária mudança de atitude e cultura. Podem não estar a praticá-la, ou serem capazes
de fazer isso, devido à falta de recursos, mas eles sabem que isso existe”, disse Poore. Mas o cientista não se mostra optimista em relação ao destino das maiores áreas de floresta tropical no Brasil, Indonésia e África central. “O ponto fundamental é que conservar florestas não é tão lucrativo como usá-las para outras coisas. Quando se avalia o aumento do consumo na China ou Índia, essa é uma perspectiva muito alarmante”, afirmou, referindo-se à demanda para converter florestas em área cultivável para produção de alimentos e biocombustíveis. A área global de florestas tropicais naturais permanentes vai provavelmente continuar a reduzir-se a médio prazo, diz o relatório intitulado “Situação do Gerenciamento da Floresta Tropical em 2011”.
PREOCUPAÇÕES
O relatório foi publicado pela agência internacional para monitorar e promover a sustentabilidade, a Organização
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SUBSTÂNCIA NA CASCA DA MAÇÃ FAZ CRESCER MÚSCULOS EM RATOS
O ácido ursólico, uma substância encontrada na casca da maçã, reduz o desgaste muscular e gera o crescimento dos músculos em ratos, aponta um estudo ontem publicado pela revista “Cell Metabolism”. O químico reduz a gordura, os níveis de açúcar no sangue, o colesterol e os triglicerídes pelo qual, conforme os pesquisadores, a substância poderia ser útil no tratamento do desgaste muscular e dos transtornos metabólicos como o diabetes.
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PRÉ-HISTÓRIA PROJECTA CATÁSTROFE DEVIDO A AQUECIMENTO ACTUAL
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e pessoas foram forçadas a fugir asas por conta de desastres o mundo em 2010, mais do que o número registado no ano anterior
Na casa de Mou Earn, ainda se pode ver a quantidade de lixo acumulado que vai sendo queimado pouco a pouco num canto do jardim. As frutas que a sua mãe vendia e o arroz colhido a cada ano não garantiam a alimentação dos oito membros da família. Com isso, acabaram por interessar-se pela reciclagem. “Conseguimos dinheiro fácil ao recolher os sacos plásticos. Mas o trabalho de costura é mais estável”, disse. Earn é um dos que mais impulsionar os moradores a recolher o lixo. “Digo a eles que precisam de recolher o lixo, mas não me custa muito convencê-los. Estão contentes de ver as ruas limpas”, declarou. Segundo um recente estudo do Ministério do MeioAmbiente, apenas 1,5% dos cambojanos acredita que é necessário manter as comunidades limpas para a luta contra o impacto da mudança climática.
Os antigos é que sabem M
ILHÕES de anos atrás, grandes e súbitas emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera provocaram um aumento da temperatura global de quase cinco graus centígrados. A má notícia é que actualmente o ritmo de emissão de CO2 é pelo menos cinco vezes maior. Há 56 milhões de anos aconteceu um episódio baptizado pelos cientistas como Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (PETM, na sigla em inglês). As causas permanecem um mistério, mas os cientistas concordam que foi gerado por fortes emissões de CO2 - considerado um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa - e que resultou num brusco aquecimento do clima em tempos remotos. Segundo especialistas, esse fenómeno que originou profundas mudanças ecológicas no planeta Terra e nas suas formas de vida pode estar prestes a acontecer novamente. No passado, porém, foi necessária apenas uma “pequena fracção” de CO2 gerado actualmente pela humanidade para se chegar a este resultado, afirma o estudo publicado na revista britânica “Nature Geoscience”. “Estamos a libertar CO2 na at-
mosfera a um ritmo quase dez vezes mais elevado que a média durante o PETM. Isto significa que o sistema climático deve actualmente adaptar-se a perturbações muito mais intensas”, resume um dos autores do estudo, Lee Kump, geólogo da Universidade da Pensilvânia (EUA). De acordo com as projecções do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) da ONU, o aumento de temperatura até o fim do século XXI oscilaria de 1,8 grau a 4 graus na média, e pode alcançar 6,4 graus, segundo as estimativas de emissões de gases. “A vida é tão sensível à rapidez das mudanças, que sofre com a amplitude destas. Em consequência, o consumo de energias fósseis está provavelmente a alterar os ecossistemas de todo o planeta como poucas vezes aconteceu na história da Terra, e certamente como nunca ocorreu durante o PETM”, destacou Kump à AFP.
RECONSTRUÇÃO VIRTUAL
Para avaliar as emissões de dióxido de carbono responsáveis pelo PETM, os cientistas analisaram os sedimentos marinhos de uma ampla área na ilha norueguesa de Spitzberg, o que permitiu reconstruir o percurso de distin-
tas formas de carbono na atmosfera e nos oceanos. Depois recorreram a um modelo virtual para calcular o nível das emissões de CO2 na atmosfera, durante a época do PETM. No ponto mais forte deste episódio pré-histórico, as simulações sugerem que entre 0,3 e 1,7 gigatonelada de gás carbónico invadiram a atmosfera a cada ano. A título de comparação, actualmente as actividades humanas emitem mais de 8 gigatoneladas de CO2 por ano em consequência do uso das energias fósseis como carvão, petróleo e gás. Na escala de transtornos ecológicos, o PETM e outros episódios longínquos de aquecimento são como
LORESTAS
Click ecológico
barriga
ernacional de Madeira Tropical, m sede no Japão. O texto expressa emor com a fraqueza na implemenão das leis, recursos inadequados ra a protecção da floresta, escassez informação sobre gerenciamento florestas e incerteza sobre direitos posse. A área total de floresta tropical tural em 2010 era de 761 milhões hectares, dos quais 403 milhões hectares eram explorados, por emplo, para extracção de espécies árvores nativas para madeira, e 358 lhões de hectares eram protegidos. rea explorada com práticas de susntabilidade aumentou levemente, gundo o estudo, passando de 36 lhões de hectares em 2005 para 53 lhões de hectares e, 2010. Uma brusca queda na área progida nesse período, em especial Brasil e na Índia, deve-se muito ovavelmente a mudanças na forma cálculo, diz o texto. As taxas de sflorestação entre 2005 e 2010 esta-
vam abaixo de 1%, de acordo com o estudo, mas eram muito maiores em alguns países, especialmente no Togo e na Nigéria. Essas conclusões reforçam um relatório da agência da ONU para a agricultura e alimentação, a FAO, que constatou que a taxa de destruição das três maiores florestas mundiais caiu 25% nesta década em comparação com a anterior, mas permanecia alarmantemente alta em alguns países. A longo prazo, um sistema proposto de pagamentos para países tropicais, para redução da desflorestação e da consequente emissão de gases (REDD), pode fazer com que valha mais a pena preservar as árvores do que cortá-las, diz o relatório. Mas essa proposta não avançou nas conversações da ONU sobre o clima, que permanecem estagnadas em razão do impasse sobre o quanto países industrializados e economias emergentes devem reduzir nas emissões de gases do efeito estufa.
URSO ADOPTADO NA ESLOVÉNIA
• O filhote de urso que recebeu o nome de Medo foi adoptado por uma família eslovena. Na foto, o urso brinca com o cão da família Logar, que se encantou pelo animal quando ele entrou no seu terraço há cerca de 30 dias. Apesar de eles terem pretendido manter Medo em casa, num espaço cercado, as autoridades veterinárias preferiram levá-lo para um abrigo para animais selvagens.
uma lenta pressão exercida sobre o ambiente. O consumo de energias fósseis, no entanto, parece-se mais com o “impacto de um asteróide”, segundo Lee Kump. De acordo com Bryan Lovell, presidente da Geological Society de Londres e especialista em Ciências da Terra da Universidade de Cambridge, “o PETM fornece aos mais cépticos a prova de que a mudança climática provocada pelo homem é potencialmente um problema sério para todos nós, e para o próprio planeta”. “Este estudo confirma a ideia de que é a rapidez com que emitimos dióxido de carbono, assim como seus grandes volumes, que são perigosos”, conclui.
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CULTURA
70 a 80% do património cultural português edificado é da Igreja Católica
Nas mãos de Deus
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NTRE 70 e 80% do património cultural português edificado é propriedade da Igreja Católica, mas não existem dados concretos disponíveis, disse à Lusa a directora do secretariado nacional dos bens culturais da Igreja (SNBCI). “Em termos de números propriamente ditos não há um estudo de facto feito. Aquilo que sabemos é que há uma percentagem muito elevada de património cultural português que é propriedade da Igreja Católica, na ordem dos 70 a 80%”, afirmou Sandra Costa Saldanha. De acordo com a directora do SNBCI, a questão
da propriedade não foi estudada ou quantificada, sabendo-se apenas que a maior parte dos edifícios espoliados à Igreja, com a lei da separação de 1911, foi sendo devolvido a partir da concordata de 1940. Também significativo, mas não quantificado, é o património que se encontra sob usufruto da igreja. “Em 1940, o Estado concedeu e reconheceu à igreja a necessidade de utilizar esse património, excepto os monumentos ou edifícios utilizados pelos serviços do Estado e excepto os edifícios classificados”, explicou Sandra Costa Saldanha. O facto de não existir uma quantificação do patri-
mónio religioso português deve-se, segundo a máxima responsável do SNBCI, a uma “falta de poder de concretização e de execução” típica do país. Com concordata de 2004, assinada entre Portugal e a Santa Sé, foi criada uma comissão bilateral, constituída por elementos do Estado e da Igreja, que teria como função resolver algumas questões pendentes. “A verdade é que não tem funcionado e portanto continuamos completamente no limbo. Esta comissão bilateral podia, se funcionasse, ser uma ferramenta muito importante a todos os níveis”, disse. Segundo Sandra Costa Saldanha, a maior parte dos
edifícios devolvidos pelo Estado à Igreja, logo a partir de 1918, mas sobretudo em 1940, foram igrejas. “Aquilo que foi devolvido à igreja, sem mais, foram os edifícios dos quais o estado nunca se apoderou, que nunca utilizou verdadeiramente. Foram aquelas igrejas que se mantiveram desde a apropriação afectas ao culto”, disse. A directora do SNBCI
considerou que quem beneficiou muito com as “andanças do património” foram os quartéis ou as escolas, “serviços que se instalaram em edifícios que não eram os mais adequados para aquele tipo de funcionamento”. “É evidente que encontrámos vandalismos imensos e más utilizações destes edifícios. Um quartel da GNR a funcionar num convento de clarissas não é propriamente
o mais indicado”, sublinhou. Para, Sandra Costa Saldanha este “é um tema preocupante”. “Não estamos a falar de meia dúzia de edifícios ou de um património insignificante, estamos a falar de uma percentagem que é enorme do património cultural português, não é de uma instituição, acho grave que não sejam tomadas resoluções mais firmes nesta matéria”, destacou.
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HÉLDER BEJA VENCE CONCURSO DE CONTO DO MACAU DAILY TIMES
Para ler em fogo lento Gonçalo Lobo Pinheiro
o que se julga poder vir a acontecer daqui a cerca de dois meses. Hélder Beja, ribatejano, nasceu em Santarém mas viveu na Marmeleira mais de metade da sua vida. Desde 2005 que é jornalista tendo colaborado com o jornal Público, Sexta, I, entre outros. Actualmente reside em Macau.
glp@hojemacau.com.mo
O
jornalista da RAEM Hélder Beja foi o vencedor do concurso de conto em versão portuguesa promovido pelo jornal de língua inglesa Macau Daily Times. “Fogo Lento” é uma obra que conta a história de um homem solitário em Macau que tem uma obsessão por mulheres. “Não é um conto politicamente correcto”, referiu o autor. “É uma óptima notícia. Nunca concorri a nada antes e desta vez concorri para ganhar”, revelou ao Hoje Macau. O conto do jornalista foi votado para primeiro lugar por unanimidade e no bornal leva já 5000 patacas mais a possibilidade de edição do conto em livro, e em três línguas: português, chinês e inglês. “A decisão do júri foi unânime o que me deixa ainda mais satisfeito. Nunca pensei poder publicar o meu conto em três línguas e, especialmente, em chinês. É muito bonito.” Devido ao regulamento do concurso, o jornalista teve de submeter o “Fogo Lento” sob pseudónimo. Baltasar Archimboldi foi o nome escolhido. “Tem uma expli-
NAS OUTRAS LÍNGUAS
cação. Baltasar por causa de dois livros: ‘Memorial do Convento’, de José Saramago, e ‘O Remorso de Baltazar Serapião’, de valter hugo mãe. Archimboldi porque é o apelido do escritor ‘fantasma’ sobre o qual o Roberto Bolaño escreve no seu ‘2666’.” Na língua portuguesa destaque ainda para o segundo prémio arrebatado por Jerónimo Gonçalves Santos, autor de “O Espírito do Fogo”, e o terceiro lugar atribuído a Elsa Botão Alves com “Voltar”. À versão portuguesa concorreram cinco trabalhos. Aentrega dos prémios irá coincidir com o lançamento dos livros,
Na língua inglesa o primeiro lugar foi entregue ao filipino Zenon Arthur Siloran Udani, tendo o conto “Mommy, come home” merecido a preferência maioritária do júri. A completar o pódio Mia Thayer, de 16 anos, com o conto “Silent Cries”, e Kit Kellen com “Denial”. No total foram presentes 16 trabalhos a concurso. Do lado chinês venceu Lao Ka Ian com o conto “Aqui é onde nasci, cresci e morri” (tradução) e o segundo prémio foi para Lei Ion Long, com o conto “Nota Morta” (tradução). Não houve terceiro classificado mas o júri decidiu atribuir duas menções honrosas a U Ngai pelo “Ling Ling” e a Cheong Ho I pelo “Casa Vazia” (tradução). À versão chinesa concorreram sete trabalhos.
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MORREU O ESCRITOR E POLÍTICO ESPANHOL JORGE SEMPRÚN
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O escritor e político espanhol Jorge Semprún morreu na noite de terça-feira, às 23h30, em Paris, vítima de doença degenerativa. Semprún, de 87 anos, estava há meses hospitalizado no hospital parisiense Georges Pompidou. Jorge Semprún sofreu os dramas do século XX: a Guerra Civil Espanhola, a ocupação nazi da Europa, a prisão no campo de concentração de Buchenwald, a militância e dissidência comunista.
O
dicionário da língua antiga da Mesopotâmia foi terminado. A produção da obra, de 21 volumes, teve início em 1921 e os vários livros foram sendo publicados ao longo das mais de cinco décadas. A obra, chamada “O dicionário de Assírio de Chicago”, foi produzida pelo Instituto Oriental da Universidade de Chicago, Estados Unidos, e tem a explicação de 28 mil palavras em acádio, uma língua semita que foi falada e escrita nas cidades do Médio Oriente da civilização da Mesopotâmia, onde hoje ficam a Síria e o Iraque. Antigamente, chamava-se a esta língua o sírio, e o dicionário acabou por ficar com este nome. Apesar da língua ser mais antiga, os significados das palavras referem-se a um período entre 2500 a.C. até 100 d.C.. A obra ultrapassa a função de explicar o significado de uma palavra PUB
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DICIONÁRIO DA LÍNGUA DA ANTIGA MESOPOTÂMIA TERMINADO AO FINAL DE 90 ANOS
Vamos finalmente falar em acádio? e coloca cada termo dentro de um contexto, fazendo várias associações históricas, que se ligam à literatura, leis, religião, comércio ou o quotidiano. “Cada termo, cada palavra torna-se uma janela para a cultura”, disse citada pelo New York Times a reitora de humanidades da Universidade, que trabalha no projecto desde 1979 e é a editora principal desde 1996. A explicação da palavra “umu”, que significa “dia”, estende-se por 17 páginas. Uma das referências é a sua utilização no Épico de Gilgamesh, escrito em acádio, uma das primeiras epopeias poéticas da humanidade, que diz: “Aqueles que tomaram coroas que em dias passados regeram a terra.”
“Muito do que se vê é absolutamente reconhecível”, disse à AP Matthew Stolper, professor da Universidade de Chicago que trabalhou na obra, intermitentemente, durante 30 anos. “As pessoas a expressarem medo e raiva, a expressarem amor, a pedirem amor.” “Há inscrições de reis a dizerem quão fantásticos eram, e inscrições de outros que diziam que estes homens não eram assim tão fantásticos”, disse Stolper. “Há também muitas versões antigas de ‘o seu cheque está no caixa de correio’. E há uma frase comum em cartas antigas babilónicas que quer dizer literalmente ‘não te preocupes com nada’”. O acádio é escrito em símbolos coniformes, e re-
presenta um dos sistemas de escrita mais antigos da humanidade. Os especialistas analisaram tábuas de pedra inscritas. “Retirava-se o pó, e poderia emergir uma carta de alguém sobre uma nova criança na família, ou outra tábua que podia ser sobre um empréstimo até à época da colheita”, disse Robert Biggs, um professor emérito do instituto que trabalhou durante 50 anos neste projecto e que como arqueólogo desenterrou tábuas que foram utilizadas para a obra. “Apercebemo-nos que isto não foi uma cultura só de reis e rainhas, mas também de pessoas comuns, como nós, com as mesmas preocupações de segurança, alimentação e de abrigo para
elas e para a sua família”, disse o arqueólogo citado pelo The Guardian, acrescentando que estas cartas lidas hoje dão vida às suas
experiências. Ao longo dos 90 anos, os editores da obra foram sucedendo-se. O primeiro volume foi publicado em 1956. Segundo Gil Stein, o director do Instituto Oriental, esta obra é “uma ferramenta de investigação indispensável para qualquer estudioso que quer explorar o registo escrito da civilização da Mesopotâmia”, disse, citado pelo “The New York Times”, numa conferência esta semana. “Virtualmente, tudo o que temos como certo, a sua origem é a Mesopotâmia, quer seja a própria origem das cidades, as sociedades estatais, a invenção da roda, a forma como medimos o tempo, ou o mais importante, a invenção da escrita”, disse Matthew Stolper à AP. “Se alguma vez quisermos compreender as nossas raízes, temos que compreender esta grande primeira civilização.”
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clube da Luz estará a ponderar a apresentação de uma queixa na FIFA contra o Real Madrid, “por assédio indevido e não autorizado a Fábio Coentrão”, revelou à agência Lusa fonte ligada ao processo. Os vice-campeões nacionais estão a estudar a hipótese depois de o diário desportivo espanhol “As” ter publicado na terça-feira uma entrevista com Fábio Coentrão, na qual o defesa esquerdo internacional português afirma que
DESPORTO Benfica equaciona queixa à FIFA por assédio do Real Madrid
Um tsunami de nome Coentrão já tomou a decisão de se transferir para o Real Madrid. Na sequência da entrevista não autorizada pelos responsáveis “encarnados”, o Benfica também decidiu instaurar um processo
disciplinar a Fábio Coentrão, como confirmou à Lusa, ao início da tarde, uma fonte do clube lisboeta. O regulamento interno do Benfica impede que os jogadores concedam entrevistas sem auto-
rização do clube, norma que o defesa esquerdo terá infringido, ao prestar declarações ao As, nas quais assume que já tomou a decisão de rumar ao Real Madrid, treinado por José Mourinho.
COENTRÃO JÁ FALA À REAL
Na entrevista publicada na edição desta terça-feira do diário desportivo “As”, Fábio Coentrão dá por praticamente adquirida a transferência para a capital espanhola. “Vou com a intenção de ajudar o Real Madrid em tudo. Claro, espero jogar o máximo. Vou trabalhar imenso para ajudar. Sei que estão lá os melhores, e eu quero ser mais um. Quero ganhar tudo pelo Real Madrid. Também por isso vou, pela Champions e pela Liga”, disse. O lateral esquerdo admitiu mesmo que se sentiu nervoso nos últimos dias, e que por isso mesmo não esteve ao melhor nível no jogo da selecção nacional, frente à Noruega. “Quem visse o jogo notaria que não era o verdadeiro Coentrão”, aponta. “Sentia algo forte dentro de mim que me impediu de ser eu. Estava nervoso, sendo jogador do Benfica mas a um passo do Madrid. Coincidi com bons jogadores no Benfica, e agora tenho a possibilidade de estar com os melhores do mundo no Madrid... Vou aprender muito e serei um jogador melhor dentro de dois ou três anos”, explicou o futebolista.
ADEUS, RONALDO Ronaldo realizou o último jogo da sua carreira no Estádio Pacaembú, em São Paulo, na noite de terça-feira (madrugada de quarta em Macau). O avançado, que já tinha abandonado a competição, jogou os últimos 15 minutos da primeira parte no seu jogo de despedida e homenagem, um particular que a selecção do Brasil ganhou à Roménia (1-0). Ronaldo teve três oportunidades, mas não marcou. O brasileiro sai de cena com dois títulos de campeão do mundo, três prémios de melhor jogador do mundo e muitos golos.
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LBERTO Beltrán Niño é o médico colombiano apontado de forma quase unânime como o responsável pelos casos de doping que abalaram a Volta a Portugal de 2009 e levaram à extinção da Liberty Seguros. No inquérito conduzido pela Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), dirigentes e ciclistas disseram não saber que Beltrán já tinha sido falado em Itália por dopagem. Cândido Barbosa, ex-ciclista da equipa, desmentiu esta versão e disse que chegou a falar deste assunto com os colegas Nuno Ribeiro e Hector Guerra. Revelou também ter sido pressionado pelo director desportivo, Américo Silva, a usar eritropoietina (EPO). Facto que o dirigente nega.
CICLISMO | CÂNDIDO REVELA PRESSÃO DO TREINADOR PARA USAR DOPING
Colombiano arca com as culpas Cândido já tinha deixado a Liberty Seguros quando esta foi extinta devido aos testes positivos de Ribeiro, Guerra e Isidro Nozal. Competia pela Palmeiras Resort-Tavira, mas Nuno Ribeiro nomeou-o testemunha abonatória. Cândido revelou ao instrutor do processo, nomeado pela FPC, que quando esteve na Liberty “lhe foi sugerida a prática de dopagem”. O ciclista contou que antes da Volta a Trás-os-Montes e Alto Douro de 2004 recebeu um telefonema de Américo
Silva, em que este afirmou ter um recuperante diferente do habitual. Cândido “questionou que produto era esse, ao que o director desportivo lhe respondeu que era EPO e que podia tomar sem problema, pois naquela prova não havia controlo antidopagem. Perante isto, o declarante respondeu que não admitia sequer continuar com a conversa e que, sendo assim, não contasse com ele para fazer aquela prova”, pelo que o treinador recuou, descreve o instrutor no processo que levou à suspensão de Ribei-
ro, por dois anos, e que o DN consultou. Américo Silva nega a ocorrência desta conversa. “Nós sempre tivemos um médico na equipa. Se fosse assim, para quê termos um médico na equipa? Lógico que nego isso. Só fui director desportivo, não fui patrão, nem dono. A equipa tinha director desportivo, administrador e médico. Recuperantes eram tratados entre o médico e a equipa. Quando uma equipa não tem médico até se pode colocar essa hipótese ao nível dos recuperantes. Mas se a
equipa paga para ter médico fará isso algum sentido? Eu estipulava as competições e geria a parte técnica”, vincou Américo Silva ao DN, reforçando o que já dissera no seu testemunho: que ele não controlava os produtos que o clube comprava e que os clínicos administravam. As responsabilidades do técnico são ponto de divergência entre os ciclistas que ainda estavam na equipa e Cândido. Os primeiros “fizeram questão de referir que Américo Silva tinha competências meramente
funcionais e não intervinha na parte médica”. Motivo pelo qual o instrutor não propôs a abertura de um processo contra o dirigente. O corredor Hernâni Broco disse que era o treinador quem estipulava quais ciclistas deveriam estar em forma, mas não havia mais provas. Cândido afirmou que “todas as substâncias dadas aos atletas eram do conhecimento” do treinador, até porque “o plano médico está associado ao de treino”. Mas o depoimento deste foi considerado pelo instrutor como estando “desfasado no tempo”, pois o corredor já tinha deixado a Liberty há várias épocas e não havia garantias de que o’ modus operandi’ se mantinha.
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SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-ABSTER. APUS. 2-NUTO. NAÇAÇU. 3-IBAIRIBA. UE. 4-CU. TORUMA. C. 5-HILAR. SORVI. 6-AAA. ICO. AIA. 7-R. RODO. OBA. 8-NOROESTE. C. 9-NAZA. RIOSTE. 10-OV. TUIRA. OC. 11-MANEIRA. VOO. VERTICAIS: 1-ANICHAR. NOM. 2-BUBUIA. NAVA. 3-STA. LAROZ. N. 4-TOIRA. ORATE. 5-E. RORIDO. UI. 6-RNIR. COERIR. 7-ABUSO. SIRA. 8-AÇAMO. OTOA. 9-PA. ARABES. V. 10-UÇU. VIA. TOO. 11-SUECIA. CECO.
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Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR
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HORIZONTAIS: 1-Ter moderação, sobriedade. Nome antigo da ave-doparaíso. 2-Arbítrio. Espécie de palmeira. 3-Árvore leguminosa do Brasil. Exprime admiração. 4-Parte do pião oposta ao ferrão. Árvore silvestre. 5-Relativo ao hilo. Chupei. 6-Artilharia antiaérea. Planta caparídea do Brasil. Criada para companhia. 7-Êmbolo dos cilindros das máquinas de vapor. Cada uma das seis divisões de cada antiga tribo Ateniense. 8-Entre o N. e o Oeste. 9-Naxa. Cordão de linha entrançada. 10-Elemento de origem latina que significa ovo. Pardo. Partícula que, no dialecto românio falado ao sul do Loire, significa sim. 11-Abertura na saia, no lugar onde se aperta o cós. Arroubamento, êxtase. VERTICAIS: 1-Colocar em posição rendosa. Dantes, não. 2-Espécie de pega indiana, de bico e pés amarelos. Planície, planura. 3-Antig., esta. Barrote que sustenta a tancaniça. 4-Mata de castanheiros. Indivíduo pouco sensato. 5-Orvalhado. Designativa de surpresa, admiração, repugnância ou dor. 6-Cair com ímpeto rapidamente. Aderir reciprocamente. 7-Práticas condenáveis. Siría. 8-Açaime. Otoscópio. 9-Personagem mitológica. Homens da Arábia. 10-Grande. Qualquer canal do organismo humano. Trovão. 11-Instrumento de serralheiro e de ferreiro. A parte mais larga do intestino grosso.
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OPINIÃO
A nossa nação de fantasia? A direita americana quer menos impostos, menos dívida pública e mais cortes no ensino. Será que eles aspiram a tornar os Estados Unidos numa nação parecida com o Paquistão? Nicholas Kristof In The New York Times/i
C
OM os conservadores do Tea Party e muitos republicanos a recusarem a subida do tecto da dívida, deixem-me oferecer-lhes um exemplo de uma nação que está à altura dos seus ideais. Tem uma das mais baixas cargas fiscais de qualquer grande país: menos de 2% das pessoas pagam impostos. O governo é limitado, para que as pesadas regulações nunca afectem o emprego. Esta sociedade adopta valores religiosos tradicionais e uma sensibilidade conservadora. Ninguém se importa com orações na escola, o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é inimaginável e os criminosos nunca são tratados gentilmente. A prioridade orçamental vai para um ramo militar forte, a mais respeitada instituição da nação. Quando os generais decidem uma política para, digamos, o Afeganistão, os políticos acatam. Os cidadãos são profundamente patrióticos e ninguém queima bandeiras. Onde fica então este paraíso republicano, esta utopia? No Paquistão. É óbvio que Sarah Palin e John Boehner não pretendem transformar Washington numa Islamabad sobre o Potomac. E têm razão acerca de não ser necessário lidar agora com questões orçamentais a longo prazo. Mas quando muitos republicanos insistem em “matar à fome o monstro” do governo, cortando impostos, regulações e serviços sociais - retalhando tudo menos os militares - estamos a caminhar na direcção do Paquistão. Os Estados Unidos não estão, é claro, em perigo de se tornar no Paquistão, da mesma forma que não nos tornaremos na Suécia, no outro extremo. Mas à medida que a América fica mais desigual, à medida que cortamos as tábuas de salvação do Estado aos americanos mais necessitados, já que metade dos estados planeiam efectuar cortes no ensino superior este ano, é preciso clarificar o nosso caminho - e a reviravolta que uma vitória republicana na questão do orçamento iria representar. A longa trajectória da história tem mostrado os governos a arcarem com mais responsabilidades e os cidadãos a pagarem mais impostos. Chegamos agora a um ponto de viragem, com os republicanos a argumentar que temos de inverter a direcção. Passo grande parte do tempo a analisar países em desenvolvimento, do Congo à Colômbia. Estes são, tipicamente, caracterizados por impostos mínimos, altos níveis
de desigualdade, desregulação empresarial e gastos militares elevados. Faz-lhe lembrar alguma coisa? Nos países da América Latina, África ou Ásia, vejo às vezes tanques e caças novinhos em folha - mas as escolas têm dificuldade em pagar aos professores. Parece-lhe familiar? E o resultado são sociedades quase feudais, estratificadas por classe social, atrasadas devido a uma noção limitada de bem comum. Talvez seja por isso que a crescente desigualdade na América me dói tanto. A percentagem de um por cento dos americanos mais ricos possui já mais riqueza do que os 90% mais pobres, segundo dados da Reserva Federal. Ainda assim, dois terços dos cortes orçamentais propostos pelo republicanos iriam prejudicar as famílias de baixos e médios rendimentos, segundo o Center on Budget and Policy Priorities. Para um país que se orgulha tanto da sua mobilidade social, onde o ensino superior tem sido a escada tradicional para chegar a uma vida melhor, os cortes no acesso à universidade são um escândalo. G. Jeremiah Ryan, presidente da Bergen Community College de New Jersey, diz-me que quando
a universidade se estabeleceu, em 1965, dois terços dos custos de funcionamento eram supostamente cobertos pelo estado e pelos governos locais e um terço pelo alunos. A realidade actual, diz Ryan, é que os alunos suportam 78% dos custos. Para sermos justos em relação ao Paquistão e ao Congo, as pessoas ricas de tais países conseguem viver com um conforto surpreendente. Em vez de financiar a educação com impostos, estas elites feudais enviam os filhos para escolas privadas de elite. Em vez de financiar uma força policial de confiança, contratam guarda-costas. Em vez de promover um sistema de saúde para todos, voam para hospitais em Londres. Podemos ver os casos extremos pelo zunido dos geradores a diesel à noite. Em vez de pagar impostos para ter uma rede eléctrica de confiança, cada família rica instala, ao invés, o seu próprio e poderoso gerador para alimentar as luzes e o ar condicionado. É barulhento e cheira mal, mas não temos de pagar para os pobres. Sempre gozei com tais países, mas agora vejo ecos de tal padrão na privatização de serviços públicos na América. Os orçamentos
da polícia estão a ser cortados, mas os ricos refugiam-se em comunidades fechadas com segurança privada. Os seus filhos são poupados ao impacto dos cortes orçamentais nas escolas públicas e nas universidades estatais porque frequentam instituições privadas. Os transportes públicos estão sub-financiados; afinal de contas, os Mercedes-Benz e os jactos privados são muito mais práticos. E talvez o mais impressionante empurrão para esta viragem nas tendências históricas seja o plano republicano para desmantelar o Medicare como programa de cuidados de saúde universais para os mais idosos. Existe mesmo um eco do problema do gerador eléctrico. Há cada vez mais lares abastados nos subúrbios a comprar geradores eléctricos para utilizar quando a energia falha. Nesta época de debates políticos, lembremo-nos que não estamos apenas a discutir tectos orçamentais ou de dívida mas também questões mais vastas no que diz respeito à América. A nossa aspiração será, realmente, enveredar pelo caminho para um paraíso laissez-faire de impostos baixos... como no Paquistão?
Os ingratos
polulam como os cogumelos com terreno húmido.
Padre Manuel Teixeira [1912-2003]
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A questão do euro é política Francisco Sarsfield Cabral In Sol
O
euro vale agora cerca de 1 dólar e 43 cêntimos. Quando nasceu valia 1,17 dólares. Depois baixou, gerando receios de não se aguentar, mas recuperou, chegando a quase um dólar e meio. Um câmbio demasiado alto para as exportações europeias, mas revelador de uma moeda que não é tão débil como se diz (é certo que as perspectivas de subida da taxa directora do BCE impulsionam a cotação do euro). Há dias o Banco Mundial publicou um estudo onde se prevê que daqui a 15 anos o dólar já não será a única divisa hegemónica, tendo que partilhar essa posição com a moeda chinesa e o euro. Dito isto, a verdade é que o euro está metido num sarilho. O problema imediato é a dívida soberana de alguns países. Os governantes gregos e portugueses e os banqueiros irlandeses são os principais responsáveis pela situação. Mas também há culpas da Comissão Europeia e do Ecofin, que fecharam os olhos aos défices orçamentais e externos desses países. Os próprios mercados, durante anos, quase não distinguiam entre as dívidas dos vários Estados do euro. Só a crise grega os acordou para as diferenças. Os alemães, que relutantemente substituíram o marco pelo euro, receavam a indisciplina financeira da Itália. Por isso impuseram o Pacto de Estabilidade. Só que a própria Alemanha violou o Pacto, sem consequências. A disciplina do euro não funcionou. Por outro lado, consta do Tratado a proibição de resgatar um país da Zona Euro. Por isso, os juros dos empréstimos da UE são mais altos do que os do FMI: é que, se o crédito for concedido muito abaixo dos juros do mercado, o Tribunal Constitucional alemão poderá proibir a ajuda. O resultado é, por um lado, uma enorme desorientação e uma longa hesitação dos dirigentes europeus, e em particular de A. Merkel, na resposta à crise da dívida soberana. E, por outro lado, essa resposta é (sobretudo no caso da Grécia) tão punitiva que não resolve, antes agrava, os problemas financeiros dos países que recebem a ajuda.
Ou seja, a arquitectura do euro tem falhas (contra mim falo, que sou defensor da moeda única). Delors insistia na necessidade de um ‘governo económico europeu’ para contrabalançar o governo monetário do BCE. Mas o que se avançou nesta área foi pouco, quase só para evitar derrapagens orçamentais e não para coordenar políticas económicas. Contra o que se esperava, o euro não foi um dinamizador da integração política europeia. Com um orçamento comunitário que não chega a 1% do PIB da UE, não podem funcionar os ‘estabilizadores automáticos’ que existem nos Estados federais. Se, por hipótese, o Estado do Texas entrasse em recessão (por cair o preço do petróleo, por exemplo), automaticamente – isto é, sem necessidade de qualquer decisão política – os texanos passariam a receber mais dinheiro de Washington (subsídios de desemprego, etc.) e diminuiriam as receitas fiscais transferidas para a capital, pois os rendimentos das pessoas e das empresas do Texas seriam mais baixos. Nada disto existe na Zona Euro. Poderá o euro subsistir apesar de aumentarem as divergências de crescimento económico entre os países da zona? Há a hipótese de a Zona Euro se limitar aos ‘bem comportados’, expulsando os outros, como Portugal (o que seria para estes uma tragédia económica). Além disso, o fim do euro tal como o conhecemos revelar-se-ia provavelmente fatal para manter o Mercado Único europeu e para toda a construção europeia. No fundo, a questão é política. Estarão hoje os alemães dispostos a apostar no euro e na construção europeia, como apostou Kohl? Isso implicaria a RFA aceitar coisas que até agora tem recusado, como a UE emitir euro-obrigações ou permitir que o futuro Fundo de Estabilização Financeira compre dívida soberana. Ora, Berlim mostra-se cada vez menos solidária com os seus parceiros. Não apenas na Europa: recorde-se a abstenção alemã na resolução do Conselho de Segurança sobre a Líbia. E a opinião pública da RFA está contra ajudar os países periféricos. As perspectivas não são famosas.
O euro está metido num sarilho. O problema imediato é a dívida soberana de alguns países. Os governantes gregos e portugueses e os banqueiros irlandeses são os principais responsáveis pela situação
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Filipa Queiroz; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Patrícia Ferreira, Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros, Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Luís Sá Cunha, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
EUROPA POPULAÇÃO PICO EM 2040 A população da União Europeia (UE) dos 27 deverá ser a mais elevada em 2040, período em que uma em cada oito pessoas vai ter 80 anos, segundo projecções do Eurostat entre 2010 e 2060. A população deverá aumentar de 501 milhões de habitantes em Janeiro do ano passado para 525 milhões em 2035, e em 2040 vai atingir o pico de 526 milhões, para diminuir progressivamente e estabilizar nos 517 milhões de pessoas em 2060. A população da UE 27 também vai continuar a envelhecer, estimando o Eurostat que a percentagem de 17% da população com mais de 65 anos, registada em 2010, aumente para cerca de 30% em 2060, e a dos 80 anos deverá progredir de cinco por cento para 12% durante o mesmo período. FRANÇA PRIMEIRO CASO DE E. COLI A França confirmou ontem o primeiro caso de contaminação com a bactéria E. coli, anunciando ainda que existe outro caso “provável” e sete doentes com diarreia hemorrágica, que estão a ser submetidos a análises. O Instituto Nacional de Vigilância Sanitária (InVS) sublinhou num comunicado que desde que apareceram os primeiros casos na Alemanha, até ao momento em França se registaram 13 casos de diarreia hemorrágica em pessoas que tinham estado naquele país nos 15 dias anteriores ao aparecimento dos sintomas.
Patrão da Sands distinguido com “Prémio Visionário da Ásia”
Um olho na taça, outro no negócio
O
presidente da Las Vegas Sands, Sheldon Adelson, foi distinguido ontem em Macau com o Prémio Visionário da Ásia 2011, galardão da Global Gaming Expo Asia (G2E Asia), pelo seu “contributo” para o desenvolvimento da indústria do jogo. O prémio reconhece o “papel chave” que o empresário norte-americano desempenhou no lançamento de uma nova fase do jogo em Macau, com a abertura dos empreendimentos Sands (2004) e Venetian (2007) e o desenvolvimento contínuo da “strip” do Cotai,
c a r t o on por Steff
REALEZA CUNHADOS SUSPEITOS DE NAMORO Pippa Middleton, irmã de Kate, e o príncipe Harry, irmão de William, estão a dar azo a boatos de que estão a viver um romance. Segundo publicações britânicas, os cunhados foram apanhados a encontrarem-se secretamente num bar de Londres, em clima de romance. Harry, de 26 anos, e Pippa, de 27, beberam chá e comeram bolos no pub “The Troubadour”, famoso por receber lendas da música como Bob Dylan e Led Zeppelin. Estiveram à conversa por duas horas e saíram abraçados do bar.
onde a Las Vegas Sands espera inaugurar um novo complexo em 2012. A organização do G2E Asia justificou ainda a atribuição do prémio com a abertura do Marina Bay Sands, em 2010, em Singapura, “actualmente um dos casinos mais lucrativos do mundo”. “Ao longo da sua carreira de seis décadas, Sheldon Adelson deu contributos inestimáveis para a indústria de jogo”, sublinhou o presidente da Associação Americana de Jogo, Frank J. Fahrenkopf, a quem coube entregar a distinção. “A sua visão com práticas de
negócio inovadoras e a sua liderança revolucionária mudaram drasticamente a forma como olhamos a experiência global de jogo, tanto nos Estados Unidos como na Ásia”, realçou. A entrega do prémio teve lugar durante o G2E Asia, que decorre até hoje no “resort” Venetian, o maior casino do mundo e da propriedade de Sheldon Adelson que, à conversa com Frank J. Fahrenkopf, recordou o passado e a “visão” que o levou a transportar o universo de Las Vegas para Macau e o futuro. Ao prever que os mercados de Macau e de Singapura “vão continuar a crescer”, Adelson defendeu que nem a concorrência irá abalar este posicionamento, uma vez que os proventos “não estão a crescer, mas a explodir”. “Podemos ter dez locais [na Ásia com indústria do jogo] e mesmo assim o mercado não ficará saturado”, avaliou, ao salientar que em causa está “uma indústria muito diferente”. Sheldon Adelson indicou ainda, durante o G2E Asia, que está em “conversações” com cinco ou seis países e territórios com vista à expansão do seu conceito de “‘resort’ integrado”. “É o modelo (…) todos querem copiar, em especial o de Singapura”, acrescentou. E, se na Ásia, o presidente da Las Vegas Sands pode “piscar o olho” à potencial abertura de mercados de jogo como Taiwan e Vietname, já na Europa Adelson voltou a salientar que planeia construir uma “Euro-Vegas” em Espanha, numa área com o dobro da “strip” do Cotai. “Estamos a olhar para Espanha – para Madrid ou Barcelona – (…) onde vamos construir uma ‘Euro-Vegas’ e colocar ao dispor todas as infra-estruturas e criar o mercado”, aditou. Sheldon Adelson, de 77 anos, é hoje um dos homens mais ricos do mundo. O prémio Visionário da Ásia é atribuído há quatro anos, contando-se entre a lista de galardoados Stanley Ho, vencedor da edição de 2009.
KHADAFI NÃO SAI
QUINTA-FEIRA 9.6.2011 www.hojemacau.com.mo
VIOLÊNCIA JOVENS ACUSADAS DE ESPANCAR MAIS TRÊS RAPARIGAS A investigação às jovens que espancaram uma rapariga de 13 anos - cena de violência registada num vídeo que foi colocado no Facebook revelou antecedentes de outros crimes violentos. Na mesma tarde e no preciso local onde ocorreram as agressões do vídeo que chocou o país, outras três raparigas menores foram também roubadas e agredidas. Há ainda suspeitas de que as agressoras tenham cometido outros crimes na tarde do dia 19 de Maio - cercaram e encostaram à parede uma rapariga menor que, sob coacção e violência, ficou sem os seus bens. Acredita-se que as agressoras atacavam sempre com cúmplices, rapazes, mas ainda não se sabe se haverá mais cenas de violência gravadas. CRISE MÉDIO ORIENTE ACENTUA PROBLEMA A economia global poderá sofrer uma desaceleração mais severa se a instabilidade política no Médio Oriente e Norte de África se prolongarem e provocar um aumento crescente do preço do petróleo, alerta o Banco Mundial. Este é um dos riscos para o crescimento global da economia apontados pelo Banco Mundial no seu relatório “Perspectivas Económicas Globais”, ontem divulgado. O organismo alerta para a ameaça que constitui o encarecimento do preço do petróleo, que se tem registado nos últimos meses, e que, segundo o Banco Mundial, tem contribuído para a subida do preço dos alimentos. “A política monetária tem respondido, mas a política fiscal e a política cambial podem ter de desempenhar um papel maior para conter as pressões inflacionistas”, refere, recomendando cortes na despesa e subidas das taxas de juro. BENFICA NUNO GOMES DISPENSADO Nuno Gomes foi informado por Luís Filipe Vieira, presidente do SL Benfica, de que não fará parte do plantel da próxima época. O avançado ficou a conhecer, também, a intenção do Benfica em mantê-lo no clube, integrando a estrutura do futebol. Mas Nuno Gomes, como afirmou publicamente, pretende jogar mais um ano e, neste momento, tudo indica que deixará a Luz. O presidente do Benfica vai fazer, ainda, um esforço para impedir a partida do maior símbolo da equipa. Vieira espera que Nuno Gomes seja sensível a argumentos que conta apresentar pessoalmente, numa reunião, que poderá ser agendada nos próximos dias.