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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 9 DE DEZEMBRO DE 2011 • ANO XI • Nº 2510
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AGNES LAM Governo não estimula jovens a estudar no estrangeiro
Sozinhos em casa
Agnes Lam critica o Governo por não existirem mais estímulos para os jovens estudarem no estrangeiro. E tudo começa na educação local que não os prepara para esse tipo de confronto. Reforma política, LAG e uma eventual candidatura à Assembleia Legislativa, são outros tópicos que a professora, que quase conseguiu um lugar de deputada nas últimas eleições, abordou com o Hoje Macau. > PÁGINA 5
CHOI WAI HAO
LÍNGUA PORTUGUESA É UMA RIQUEZA DE MACAU • CENTRAIS
VIDEOVIGILÂNCIA
SONS NÃO SERÃO GRAVADOS • PÁGINA 7
• CHINA, A ESPADA E O SÍMBOLO
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SEXTA-FEIRA 9.12.2011 www.hojemacau.com.mo
2 Foi o governador de Macau entre 1979 e 1981 e o primeiro a visitar a China. O general Melo Egídio faleceu na madrugada de quarta-feira, no hospital militar da Estrela, com 89 anos.
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ELO Egídio foi o primeiro chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) a não acumular o cargo com outro de natureza política após o 25 de Abril e sucedeu ao general Ramalho Eanes no cargo, entre 1981 e 1984. No final de 1979 substituiu Garcia Leandro e foi o primeiro Governador de Macau a visitar a China, em 1980, cerca de um ano depois de Portugal e China terem PUB
ACTUAL MORREU O GENERAL MELO EGÍDIO, QUE FOI DURANTE DOIS ANOS GOVERNADOR DE MACAU
General e diplomata restabelecido relações diplomáticas. Os dois anos de governação não deram espaço para que Melo Egídio realizasse qualquer tipo de obra no território. O Presidente da República lembrou o general Melo Egídio como “modelo de militar distinto”, enaltecendo a sua “grande nobreza de carácter”. “O seu exemplo permanecerá como modelo de militar distinto e homem público com elevado sentido de Estado e grande nobreza de carácter”, lê-se numa mensagem de condolência enviada pelo chefe de Estado à família do general Melo Egídio e que divulgada no ‘site’ da Presidência da República. Recordando a forma como o general Melo Egídio se distinguiu como oficial das Forças Armadas “com uma brilhante carreira” que o levou “ao desempenho das altas
funções de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas”, Cavaco Silva faz ainda referencia à “profunda dedicação” a Macau que evidenciou quando foi Governador. O general Melo Egídio faleceu esta madrugada no Hospital Militar Principal, na Estrela. Nuno Viriato Tavares de Melo Egídio foi governador de Macau entre 1979 e 1981 e CEMGFA entre 1981 e 1984, sucedendo a Ramalho Eanes. Em Macau, Melo Egídio sucedeu ao general Garcia Leandro como governador, tendo sido substituído pelo almirante Almeida e Costa. O ministro da Defesa recordou Melo Egídio como um militar com papel “relevante” na construção da democracia portuguesa e que “elevou alto” o nome do país, assinalando o seu “sentido de serviço público e patriotismo”. “Lamento a
ocorrência, é sempre um momento em que devemos fazer uma reflexão sobre os portugueses que no passado contribuíram de forma relevante, como foi o caso, para a construção da democracia e para elevar alto o nome de Portugal”, afirmou José Pedro Aguiar-Branco. “Neste momento rendo homenagem a esse português que fez o seu melhor honrando o seu país e prestando um serviço que hoje
devemos sempre registar, numa época em que o sentido de serviço público e de patriotismo andam às vezes arredados”, sublinhou Aguiar-Branco. Na opinião do ministro da Defesa, são exemplos como o do general Melo Egídio “que devemos reter”. Já o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, recorda o general como “um militar de excepção” que serviu Portugal “com honra e patriotismo”. «Recebi hoje com profundo pesar a notícia do desaparecimento do general Melo Egídio. Militar de exceção, o general Melo Egídio serviu sempre Portugal com honra e patriotismo, nomeadamente quando desempenhou os cargos de Governador de Macau e de Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas», refere o primeiro-ministro.
Macau é a ponte ideal da China para a Lusofonia e o ensino e uso do Português deveriam ser cada vez mais desenvolvidos. É também por aí que a identidade própria da RAEM se afirmará. Isto parece ser lógico, ser óbvio, ser desejável. Resta perguntar por que razão se encontram ainda tantas resistências a este desiderato de Pequim. Falta de patriotismo ou mera cegueira sulista? Venha o demo e escolha. Carlos Morais José P.21
Empresa chinesa tem propriedade do nome e quer indemnização
Apple não pode usar marca iPad
U
M tribunal do sul da China decidiu que a Apple não tem o direito de usar a marca “iPad” para os seus tabletes no mercado do gigante asiático, já que o nome pertence originalmente a uma firma local com a qual a multinacional americana deverá negociar. Segundo sentença do Tribunal Popular Intermédio de Shenzhen, cidade onde a Apple monta boa parte dos iPads vendidos no mundo, o uso legal dessa marca pertence a uma firma chamada
Proview Technology, com sede na vizinha Hong Kong, que registou o nome em 2000. Após a leitura da sentença, representantes legais da Proview Technology asseguraram que a empresa irá pedir à Apple uma compensação de 10 mil milhões de yuans devido à violação de direitos de propriedade intelectual. Se Apple e Proview não alcançarem um acordo para a compra da marca, a empresa americana “teria de vender os seus iPads com um novo nome na China”, país
onde os produtos da multinacional têm vindo a registar um sucesso enorme. O braço taiwanês da Proview registou a marca “iPad” em vários países no ano de 2000, muito antes de os tablets da Apple serem lançados. Em 2009, a Apple adquiriu junto à Proview o direito de usar o nome “iPad” por apenas US$ 54.600, mas a empresa de Hong Kong manteve o poder sobre o nome na China, razão pela qual apresentou o processo contra a Apple.
MINISTÉRIO DA SEGURANÇA QUER ACABAR COM CRIANÇAS PEDINTES
Tirar as crianças da rua Maria João Belchior info@hojemacau.com.mo
V XI JINPING | EUA NÃO DEVEM POLITIZAR A ECONOMIA O vice-presidente chinês Xi Jinping apelou aos Estados Unidos para que “evitem politizar as questões económicas”, numa altura em que as duas principais economias mundiais se defrontam sobre o proteccionismo às empresas de energia solar. Xi Jinping, que deverá tornar-se chefe de Estado chinês em 2013, fez o apelo durante um encontro com o antigo secretário americano do Tesouro, Henry Paulson. No final da semana passada, a China criticou a decisão norte-americana de investigar se as empresas do país estão a prejudicar as empresas de painéis solares dos Estados Unidos, sublinhando que foi tomada sem provas suficientes e demonstra a forte tendência de proteccionismo americano. A Comissão norte-americana de comércio internacional tinha votado anteriormente uma investigação depois de queixas de sete companhias de painéis solares dos Estados Unidos que acusam a empresas chinesas de estarem a vender produtos a energia solar a um preço demasiado baixo.
ENDEDORES de rosas e pedintes com cinco anos e menos enchem as ruas dos bares e discotecas em cidades grandes como Pequim, Xangai, e Chongqing. Um fenómeno que aumentou desde os Jogos Olímpicos, os meninos e meninas que passam as noites na rua são cada vez mais uma preocupação social. Para o Ministério da Segurança Pública chinês está na altura de juntar vários esforços para acabar com a exploração infantil, que está por vezes associada a tráfico. Chen Shiqu, deputado do Ministério da Segurança Pública, quer abrir uma campanha onde se possa coligir informação sobre quem são estas crianças. Para Chen Shiqu, a sociedade civil pode apresentar queixa à polícia de cada vez que vir estas crianças na rua. A saírem sobretudo à noite, os pequenos pedintes estão muitas vezes juntos a velhotes que como eles circundam as áreas dos bares. As rosas tornaram-se um sucesso de vendas à porta de bares e discotecas famosas. Chen Shiqu que é também director do departamento contra o tráfico humano disse que vão juntar-se esforços de várias representantes na sociedade. Em 2009 uma campanha nacional conseguiu tirar em poucos meses mais de 1500 mulheres e crianças das ruas. A preocupação está também relacionada com o rapto de menores, uma prática que às vezes está ligada a famílias rurais que deixam os filhos saírem das vilas para as cidades na companhia familiares. Deixar os filhos ir para a cidade com menos de cinco anos reflecte a dimensão de um problema que em última instância advém de situações de pobreza extrema no campo. Desde Julho deste ano que a polícia tem autorização para tirar as crianças da rua e levá-las até estabelecimentos que recebem meninos da rua.
Esta é, no entanto, uma tarefa difícil, uma vez que por mais pequenos que sejam, os meninos e as meninas já sabem que têm de fugir da polícia. A divulgação deste problema através da internet levou ao aparecimento de microblogues onde se apela à divulgação de imagens das crianças para que estas possam ser resgatadas. Mas Chen Shiqu considera que o método deve ser envolver as forças de segurança, políticas e civis, na mesma causa de acabar com centenas de crianças a trabalhar pela noite fora como vendedores de rosas ou pedintes profissionais.
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3 TAILÂNDIA AMERICANO PRESO POR INSULTOS Um cidadão americano natural da Tailândia foi sentenciado a dois anos e meio de prisão por um tribunal tailandês por insultos à família real daquele país. Joe Gordon foi acusado de traduzir excertos de uma biografia tailandesa proibida do Rei Bhumibol Adulyadej e de os publicar online. O veredicto, divulgado na sexta-feira por um tribunal de Banguecoque, indicava cinco anos de prisão, mas o juiz comutou a pena, em atenção ao réu se ter declarado culpado em Outubro. LÍDER DE REDE DE PROSTITUIÇÃO EXECUTADA Wang Ziqi, mulher que liderou uma rede de prostituição em hotéis e salões de beleza da cidade de Chongqing foi executada no âmbito da campanha antimáfia implementada naquela localidade, informou a imprensa local. Não foram revelados detalhes do local ou método da execução. Wang e uma irmã terão forçado centenas de mulheres a prostituir-se, apropriando-se das identificações das vítimas como forma de impedi-las de abandonar a rede, indicou o diário “Chongqing Daily”. A campanha anti-máfia foi implementada pelo governador de Chongqing, Bo Xilai (antigo ministro) e já levou a outras execuções como a do ex-director do departamento da Justiça da cidade, Wen Qiang. BILL GATES AJUDA CHINA NO NUCLEAR O empresário Bill Gates confirmou que uma empresa que ajudou a fundar está a cooperar no desenvolvimento de um novo tipo de reactor nuclear na China mais resistente aos desastres naturais como os terramotos, informou ontem o jornal “China Daily”. “A TerraPower está a trabalhar no que designamos por energia nuclear de quarta geração (G4), e a ideia é que seja de muito baixo custo, bastante segura e que gere muito poucos resíduos”, explicou Bill Gates numa conferência de imprensa depois de uma reunião com o ministro da Ciência e Tecnologia da China, Wan Gang, onde foram analisadas esta e outras formas de cooperação. A TerraPower está a trabalhar em conjunto com a Cooperação Nacional Nuclear da China (CNNC, na sigla inglesa). O fundador da Microsoft disse que a nova tecnologia não será adoptada a curto prazo e que o desenvolvimento do novo modelo de reactor vai requerer o investimento de milhões de dólares nos próximos anos, e que os planos de demonstração e construção custarão “biliões”.
VENDAS DA GM CRESCERAM 8,2%
SEXTA-FEIRA 9.12.2011
As vendas da multinacional automóvel americana General Motors (GM) na China registaram um aumento interanual de 8,2 por cento entre Janeiro e Novembro, com mais de 2,35 milhões de veículos vendidos. Só em Novembro, foram vendidas 237.130 unidades (mais 20 por cento do que em igual período do ano passado), acima das vendas de Outubro e de Setembro, que registaram crescimentos interanuais de 10 e 15,3 por cento, respectivamente. Os números de Novembro da GM na China contrastam com os de outros concorrentes internacionais, como a Ford, cujas vendas caíram sete por cento no mês passado, com 43.338 unidades, ou como a Honda, que registou um decréscimo interanual de 13 por cento, com 17.330 unidades.
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ACTUAL
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China e EUA reúnem militares em Pequim
QUEBRA NAS EXPORTAÇÕES
Sobram os mercados emergentes A
China pretende concentrar-se na expansão das exportações para os mercados emergentes e reforçar a sua competitividade para fazer face às perspectivas pessimistas sobre o comércio global em 2012, disse um responsável do Ministério do Comércio. Wang Shouwen, director geral para o comércio externo do Ministério do Comércio chinês, disse numa conferência de imprensa que não espera a recuperação das exportações chinesas no próximo ano devido à fraca procura dos
Juntos e felizes
Estados Unidos e Europa e aumento dos custos de produção na China. Wang antecipou dificuldades e desafios para as empresas chinesas em 2012 e disse que a estratégia passa por a China concentrar-se nos países em desenvolvimento e por impulsionar a competitividade das empresas chinesas. O crescimento económico da China está ligado aos Estados Unidos e Europa, que têm sido os maiores mercados para a exportação de brinquedos, artigos electrónicos e têxteis chineses. PUB
MACAU ANGLICAN COLLEGE Requires English speaking, qualified and experienced teachers for the 2012/2013 school year. IGCSE and A levels: - English Language and Literature; - Mathematics; - Science (Physics, Chemistry); - Chinese. MAC offers an attractive package, small class sizes and a multicultural ethos. Send cover letter, CV and contactable referees to cissychan@acm.edu.mo or fax 85328850022. In your application letter, kindly state how you meet all the above requirements. Include the names of two contactable referees.
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LTOS responsáveis militares chineses e americanos estiveram reunidos quarta-feira em Pequim, algumas horas depois de o Pentágono ter pedido à China para agir com toda a “transparência” sobre a modernização das suas forças armadas. A sub-secretária da Defesa, Michelle Flournoy, número três do Pentágono, foi recebida no ministério chinês da Defesa pelo chefe de estado-maior adjunto Ma Xiaotian, indicou a embaixada dos Estados Unidos. Trata-se da 12.ª sessão destas “discussões a título consultivo”, precisou a chancelaria americana. O encontro ocorreu um dia depois de o presidente chinês Hu Jintao ter apelado à marinha chinesa a estar pronta a combater e a prosseguir a sua modernização a fim de defender a segurança nacional da China. A China tem “o direito” de reforçar as suas capacidades militares mas deve agir com toda a “transparência”, comentaram, de seguida, os porta-vozes do Pentágono. O Exército Popular de Libertação chinês - o maior do mundo - cultiva um grande secretismo sobre os seus programas militares, impulsionados pelo forte crescimento económico do país. Nos últimos anos, Pequim tem-se esforçado para recuperar o atraso em relação a Washington e Moscovo, dando grandes passos na modernização das suas forças armadas nas diferentes áreas, e causando preocupação aos
países vizinhos em virtude das suas ambições marítimas cada vez mais afirmadas.
ALIANÇAS AMERICANAS NÃO VISAM A CHINA
A subsecretária da Defesa americana, Michele Flournoy, disse ontem que os esforços dos Estados Unidos para estreitar as suas alianças militares na Ásia não visam atingir ou conter a China. Michele Flournoy disse que passou a mensagem aos responsáveis chineses durante a reunião anual de defesa realizada entre ambos os países, em Pequim, na quarta-feira. A responsável disse que o seu comentário surgiu em resposta às questões dos responsáveis chineses quanto à decisão dos Estados Unidos colocarem 2500 soldados em treinos na Austrália no próximo ano. Michele Flournoy disse ainda que ambas as partes iriam reprogramar exercícios conjuntos anti-pirataria, entre outros programas adiados em Setembro pela China em retaliação pela venda de armas dos Estados Unidos a Taiwan.
GOLDMAN SACHS ANALISA ECONOMIAS ASIÁTICAS PARA 2012
China supera expectativas Maria João Belchior info@hojemacau.com.mo
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crescimento vai ficar abaixo dos outros anos mas a China deve ficar um pouco acima das expectativas para 2012, disse o banco de investimento internacional Goldman Sachs. As previsões para o ano que vem e para 2013 prevêem um crescimento de 8.6 e 8.7 por cento do produto nacional bruto. Números que continuam a ser impressionantes quando a outra metade do mundo continua em recessão. O crescimento das economias asiáticas no próximo ano deve ser menor que deste ano. Excluindo o Japão, as previsões apontam para crescimentos de 6.3 por cento em 2012 e 7.1 por cento em 2013. A analisar que as bolsas de Xangai e Shenzhen vão manter-se estáveis durante os próximos três meses, o banco de investimento considera que não há razões de alarme na economia chinesa. O mercado imobiliário e o financiamento do governo não terão aterragens forçadas. A questão do “timing” é crucial uma vez que o governo tem contraído empréstimos de curto
prazo para financiar projectos de longo prazo. Assim, não existe uma crise de crédito mas sim uma necessidade de refazer o calendário dos empréstimos. Em 2012 o governo chinês pretende apostar em políticas macroeconómicas para corrigir falhas do mercado. O Índice de Preços do Consumidor (IPC) deverá descer até três por cento. Depois de ter conseguido estabilizar o número em 5.5 por cento em Outubro, o governo chinês estabeleceu a meta de quatro por cento para 2012. Um dos grandes riscos da economia chinesa está na subida da inflação interna num cenário em que a diminuição das exportações, tornou o consumo interno fundamental para o crescimento. Em Julho deste ano o IPC atingiu um máximo dos últimos três anos com o valor de 6.5 por cento. Pequim continua a tomar medidas macroeconómicas para injectar capital no mercado e evitar espirais como as que sucedem na Europa. Do seu lado, tem o facto da sociedade chinesa não estar endividada, não sendo fácil para a maior parte dos chineses aceder a créditos bancários.
TURQUEMENISTÃO CHINA LANÇA SATÉLITE A China vai construir e lançar em 2014 um satélite de telecomunicações para o Turquemenistão, um dos regimes mais isolados da comunidade internacional, informaram responsáveis chineses do projecto. O satélite será lançado a partir da base de Xichang, no sudoeste, de onde habitualmente são colocados em órbita os satélites chineses. A empresa francesa Thales Alenia Space France também participa no projecto, tendo desenhado o satélite em cooperação com a empresa China Great Wall Industry Corporation (CGWIC). Desde 1990, a empresa chinesa já lançou um total de 38 satélites para outros países, incluindo o “Simon Bolivar” venezuelano, também destinado às telecomunicações. HK SEGUNDO CASO DE CÓLERA DETECTADO O Centro para a Protecção de Saúde de Hong Kong anunciou estar a investigar um caso de cólera, numa mulher de 36 anos. Tratase do segundo caso de cólera detectado este ano na antiga colónia britânica, contra os nove descobertos em 2010. Em 2009 não foi registado qualquer caso e em 2008 foram reportados sete. A mulher começou a sentir os primeiros sintomas a 26 de Novembro e procurou atendimento na Índia - onde esteve entre 14 e 28 de Novembro - e em Hong Kong, onde foi internada na segunda-feira.
XANGAI EUA INSTALAM SISTEMA DE DETECÇÃO Um sistema de detecção de radiação foi inaugurado em Xangai, no maior porto da China, fruto da cooperação entre a China e os Estados Unidos para combater o contrabando de materiais nucleares para armas ou terrorismo. O sistema faz parte da “Megaports Initiative”, do Departamento da Energia americano, para fornecer sistemas de ‘scanning’ aos 100 maiores portos mundiais. O porto de Xangai é o 40.º porto a instalar o sistema.
POLÍTICA
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Agnes Lam | Governo não estimula programas de intercâmbio para estudantes locais
Uma geração de saloios
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lia.coelho@hojemacau.com.mo
OMO são os jovens do século XXI em Macau? Quais as oportunidades que lhes são dadas numa terra que tem defendido ser um centro internacional de turismo e de lazer? Segundo as palavras de Agnes Lam, vive-se sob um Governo que fala muito e dá muito, mas que não estimula uma abertura para ir estudar no estrangeiro. A coordenadora do curso de comunicação da Universidade de Macau (UMAC) e ex-candidata à Assembleia Legislativa, aponta o dedo ao Executivo de não saber distribuir o dinheiro que dá aos jovens. “Porque é que em vez de darem cheques pecuniários, não usam o dinheiro para financiar mais programas de intercâmbio? Acho que devia ser mais promovido”, sublinha. A professora é de opinião que se deve dar a possibilidade aos alunos para irem estudar fora das linhas territoriais. “Deviam ser dadas mais oportunidades para eles irem ver o mundo”. Alguns querem ir estudar ou tirar mestrado fora, mas não têm dinheiro. Agnes Lam defende que é preciso disponibilizar mais fundos neste sentido. As razões passam pelas claras mudanças a que Macau assiste. Além de ser necessário pessoas com conhecimento local, o ideal é ter gente com ideias novas, criatividade e acima de tudo experiência, se queremos uma Macau contemporânea e aberta ao mundo. “Tudo isto é fulcral para desenvolver o território e ir ao estrangeiro beneficia”, frisa a professora. É importante ter pessoas de várias áreas e com diferentes visões, tanto de universidades locais, como estrangeiras. Mas os que querem sair não conseguem por falta de dinheiro e o Governo não auxilia – forma-se uma geração fechada, o que não se coaduna com as intenções de ser internacional.
FALAR É FÁCIL MAS... E SOLUÇÕES?
Os jovens estão a ser bombardeados com críticas. Dizem que estão perdidos e não encontram o seu caminho. Falar é fácil, mas agir talvez seja de-
masiado trabalhoso. Se, na verdade, a geração de hoje está em conflito, algo se passa. O que torna necessário encontrar a razão e soluções, o que ainda ninguém se parece ter lembrado. Facilitar-lhes a vida com dinheiro, como é feito, é perigoso e torna-os ainda mais desleixados. Agnes Lam evoca ainda da falta de um modelo que a juventude siga e admire. “Só pensar no crescimento económico não leva a lado nenhum”. Talvez se assista a uma perda de valores sociais em detrimento de encher bolsos da população. “Uma forma preguiçosa e rápida de fazer política”, assim descreve a professora as acções do Governo.
A professora reprova ainda as críticas constantes aos jovens que tanto têm sido frisadas na Assembleia Legislativa (AL). “Critica-se demasiado, mas não se procura a causa dos comportamentos desviantes da nossa juventude”, refere. O que tem acontecido na assembleia são meras opiniões e não debates políticos, nas palavras da professora. Algo sem sentido. Lam apela: “Por favor, proponham qualquer coisa. Debatam. Isso é ser político: ter pontos de vista e defendê-los”. Atitudes que estão a deixar a nova geração intolerante a outras culturas, porque Macau os mima. E mais fechada ao mundo, porque
é através das novas tecnologias que eles se passeiam por outros locais. No futuro isto poderá agravar-se, é perigoso e as culturas não se vão diversificar, explica Lam. “Enquanto se pensar unicamente em economia, vão-se deixando os problemas sociais de lado”. Alguns jovens quando saem para o estrangeiro não se conseguem adaptar aos país que os recebe – também um reflexo da visão de vida fácil que o território oferece, mas não promove. Sunny Chan, professor no Instituto Politécnico de Macau (IPM) concorda com Agnes Lam e defende que o Executivo devia promover mais bolsas para aju-
dar os estudantes locais e ir para universidade de referência. “Devia haver mais investimento nos jovens e nos estudos”, frisa. Mas se uns querem e não têm dinheiro, outros têm o entrave da língua. O não saber falar sequer o inglês é um problema. Como solução, Chan defende a promoção de aprendizagem de línguas estrangeiras. “É necessário repensar a educação”, refere. O desinteresse da nova geração pela escola, pode também ser estimulada, com a criação de programas especiais para os professores. “Por exemplo promover aulas de teatro, tornar a escola mais excitante”, exemplifica ainda.
HOJE MACAU
Lia Coelho
LAG 2012
Agnes Lam direcciona as críticas de imediato para a situação da juventude. As LAG não a satisfazem – diz serem vagas e pouco eficazes. O que foi apresentado na Assembleia Legislativa (AL), a professora caracteriza como redundante: “Expressão de ideias demasiado ideológicas, que não se referem a nenhuma política em concreto”, enuncia.
CANDIDATURA
Agnes Lam avançou ao Hoje Macau que o grupo a que pertence está neste momento em fase de discussão e debate de políticas para o futuro, para apresentar a candidatura nas próximas eleições para a Assembleia Legislativa. Contudo, quem vai dar a cara ainda não se sabe. “Ainda estamos em fase de preparação e de discussão dos assuntos. Quem vai se candidatar ainda não foi definido”, afirmou.
REFORMA POLÍTICA
A professora universitária sustenta que é um primeiro passo de grande importância. Para ela, 50% dos deputados que compõem a AL deviam ser eleitos directamente. Para a eleição do Chefe do Executivo devia ser alargado o número de pessoas que podem votar. Na opinião desta política a população deve ser ouvida e esclarecida. “temos as condições, mas ainda existem algumas irregularidades, que precisam de mudança.
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POLÍTICA
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PRIMEIRO ARRENDAR E DEPOIS COMPRAR
Q
UANDO se candidatam à habitação social, muitas pessoas não imaginam como estará a sua situação financeira no momento em que chegar a sua vez de receber uma casa do Governo. Porque muitos dos candidatos em lista de espera há mais tempo podem ter melhorado a sua situação ao longo dos anos, o Governo deveria instituir um sistema de “primeiro arrendar, para depois comprar”, dando assim mais opções às pessoas, defendeu Ung Choi Kun, presidente da Associação dos Empresários do Sector Imobiliário de Macau. Com grandes áreas e condições de venda bastante atraentes, as unidades do Edifício da Tranquilidade estão a ter muita saída junto dos candidatos à habitação social mais antigos, avançou Ung Choi Kun, o que demonstra uma maior capacidade de aquisição e desejo de compra desses candidatos, que procuram casas com maior qualidade. O deputado da Assembleia Legislativa (AL) Au Kam San observou que a nova “Lei da Habitação Económica” veio trazer condições mais rigorosas e apelou ao Governo para abrir uma nova fase de candidaturas à habitação económica, o mais depressa possível, para dar assim resposta à procura. - V.L.
ADESÃO DA AMCM AO ACORDO MULTILATERAL DA COOPERAÇÃO DA IAIS A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) viu aprovada a sua adesão ao “Acordo Multilateral de Cooperação” com o ok da “International Association of Insurance Supervisors” (IAIS). O acordo estabelece os padrões mínimos para proteger a confidencialidade e de respeito pelos órgãos de supervisão da actividade seguradora das jurisdições aderentes no que respeita ao intercâmbio de informação. Por outro lado, servirá para assegurar que esta informação será utilizada exclusivamente para os efeitos de supervisão para que foi solicitada. A AMCM torna-se assim no 20º aderente ao MMOU da IAIS.
Conselho Executivo concluiu a discussão de diversos projectos
Procurador terá braço direito
portuguesa e chinesa/inglesa, justifica-se que seja criada esta divisão. Serão ainda criadas a Divisão de Serviços Gerais, com o objectivo de melhorar e assegurar a administração das instalações dos tribunais porquanto, e mais três lugares de assessor, com o objectivo de reforçar a prestação de apoio técnico e consultadoria GPTUI. Com estas novas mudanças, o projecto determinou o acréscimo no quadro de pessoal do GPTUI, de 209 para 214.
Gonçalo Lobo Pinheiro
N
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UMA perspectiva de “dar resposta às exigências actuais do trabalho” do Ministério Público (MP), o Governo quer ver aprovada a criação do cargo de chefe-adjunto do Procurador, que será o seu braço-direito. Assim, será criado o Departamento de Cooperação Judiciária e Departamento de Apoio para prestação de apoio jurídico e técnico-profissional nos âmbitos de colaboração e intercâmbio judiciários. O novo departamento está ainda dividido em diversas secções: Divisão de Colaboração Judiciária, Divisão de Património e Equipamentos e a Divisão de Informática. Aos já existentes Departamento de Apoio Judiciário, Departamento de Assuntos Jurídicos e Departamento de Gestão Pessoal e Financeira serão criadas as seguintes subdivisões: a Divisão de Assuntos Judiciários e a Divisão Técnica; a Divisão de Assuntos Legais e a Divisão de Divulgação e Intercâmbio; a Divisão de Gestão Financeira e a Divisão de Gestão Pessoal, respectivamente. Haverá ainda alterações no Tribunal de Última Instância (TUI). Para já, e tendo em conta os anos de experiência do funcionamento do Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância (GPTUI), a alteração da
DIPLOMACIA A QUANTO OBRIGAS
Lei de Bases da Organização Judiciária bem como o alargamento do quadro dos magistrados do Tribunal de Segunda Instância e do Tribunal Judicial de Base, o Governo achou “necessário” alterar o Regulamento Administrativo n.º 19/2000, que aprova a organização e funcionamento do GPTUI. Assim, o Executivo sugere
também a criação do cargo de chefe-adjunto do gabinete, a fim de melhorar a gestão das atribuições do mesmo. O projecto também sugere que a Divisão de Apoio à Tradução passe para nível de departamento, isto é, devido ao impacto e à magnitude dos resultados produzidos e tendo presente os cerca de 50 intérpretes-tradutores das línguas chinesa/
Outra discussão concluída refere-se ao projecto do Regulamento Administrativo sobre a alteração ao Regulamento Administrativo n° 20/2000, que regula a atribuição de cartões de identificação dos agentes diplomáticos e funcionários consulares. O Governo pretende ver clarificado “o leque de destinatários da atribuição dos referidos cartões de identificação”. O Regulamento actual apenas prevê a atribuição de cartões de identificação a agentes diplomáticos e funcionários consulares. A novidade é que está prevista a sua atribuição àqueles que beneficiem de estatuto equiparado. Os novos cartões passarão a ser emitidos através de meios electrónicos e a sua validade passará a ser de cinco anos. Findo esse tempo, deverão “ser restituídos ao Gabinete do Chefe do Executivo”.
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MISSA DE 7 DIA ANA MARIA BRAVO CUNHA Rui José da Cunha, cumpre o doloroso dever de participar o falecimento de sua Esposa, Ana Maria Bravo Cunha,ocorrido em Portugal, dia 2 de Dezembro. No próximo dia 9, sexta-feira, na Sé Catedral, pelas 18 horas, Rui José da Cunha, seus filhos Rui Pedro Bravo Cunha e Isabel Alexandra Bravo Cunha, genro Jerome Pin e netos, Matilde, Mónica e Hugo, mandam celebrar uma Missa de sétimo dia pela Paz da sua Alma. A todos que comparecerem, desde já e embora ausentes, deixam o mais reconhecido agradecimento.
AGÊNCIA CHINESA DAGONG BAIXA “RATING” DA DÍVIDA FRANCESA
A agência de notação chinesa Dagong baixou o “rating” da dívida soberana da França de “AA-” para “A+”, num anúncio feito ontem, com base no fraco crescimento económico e endividamento público cada vez mais elevado do país. “Devido aos problemas estruturais no plano interno, a economia francesa apresentou sinais de menor vitalidade e a sua competitividade internacional continua a deteriorar-se. A médio prazo, o crescimento continuará a ser fraco”, estimou a agência. A diminuição da competitividade da França é ilustrada pela redução das suas exportações, incluindo de produtos de alta tecnologia, e pelo “aumento gradual do seu défice da conta corrente, lento crescimento económico e elevado desemprego”, indicou a Dagong.
Gonçalo Lobo Pinheiro
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A recta final da discussão ainda subsistem algumas dúvidas relativamente à definição de espaço público. Os deputados, reunidos na 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) para debater a proposta de lei do “Regime jurídico da videovigilância em espaços públicos”, assumem esse como o cerne da questão para que a lei seja devolvida ao plenário. “É preciso evitar qualquer tipo de conflito”, admitiu o deputado Cheang Chi Keong, presidente da Comissão. Os deputados defendem que o conceito de espaço público expresso no novo articulado difere do que está consagrado no Regulamento Geral dos Espaços Públicos e isso tem de ser “devidamente clarificado”. “Se criarmos diversas interpretações não vamos ter uma lei que nos ajude”, explicou Cheang Chi Keong. Os deputados já pediram “equilíbrio” para esta proposta de lei. O articulado tem, exclusivamente, que assegurar que sejam garantidos os direitos dos cidadãos e ao mesmo tempo a manutenção da ordem pública. “É uma lei. E o Governo já reconheceu que pode restringir direitos. O documento final não pode devassar a privacidade das pessoas. Esse é um princípio que sempre defendemos desde o início da discussão”, explicou o presidente da 3.ª Comissão. O conflito de interesses ainda parece ser o calcanhar de Aquiles da discussão. Se, por um lado, a proposta tem como objectivo
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POLÍTICA
Privacidade é direito inalienável assegurar a ordem pública, por outro, é difícil garantir os direitos dos cidadãos. “A discussão tem sido profícua na resolução dessa questão”, garantiu Cheang Chi Keong aos jornalistas. Seja como for, o diálogo começa a ser consensual, contudo os deputados ainda não viram totalmente esclarecido o conceito de espaço público e de uso colectivo. “As câmaras devem apenas ser instaladas pelas autoridades policiais e pelas empresas de segurança”, disse, taxativamente, Cheang Chi Keong. Na reunião anterior, os membros da Comissão queriam alargar o regime sancionatório previsto no articulado para quem utilize indevidamente os dados audiovisuais recolhidos e atribuir ao Gabinete de Protecção de Dados Pessoais (GPDP) mais competências. O Governo fez a vontade aos deputados. “Se conferimos o direito às autoridades de recolherem informação
e dados e, caso alguém os utilize de forma ilícita, temos de impor sanções”, admitiu Cheang.
SOM É QUE NÃO
Quanto à gravação sonora a coisa pia de outra forma. A lei contempla que “é proibida” mas que também “há uma salvaguarda”. Os deputados assumem que isso pode gerar conflito e deixam, para já, que as assessorias do Governo e da AL se debrucem sobre o assunto de modo a adoptar-se “uma redacção mais clara”. A maioria dos membros da Comissão ainda se manifestaram preocupados em relação ao objecto e âmbito de aplicação da proposta de lei. O Governo garantiu na reunião que não quer alargar o âmbito de aplicação e prometeu “eliminar algumas normas para melhor interpretação da lei”. Breve apontamento ainda para o artigo 16.º. Segundo a proposta,
caso as autoridades recolham gravações que indiquem factos de relevância criminal devem elaborar um auto no prazo de três dias. Contudo, esta indicação entra em conflito com o Código de Processo Penal (CPP), que prevê que esta acção seja feita “o quanto antes”, para que não se perca a oportunidade de capturar os autores do crime. “Já pedimos ao Governo a revisão desse ponto.” Este articulado tem vindo a ser discutido em sede de especialidade
Juntos venceremos O
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Videovigilância | Proposta de lei começa a revelar consensos entre deputados e Governo
LEI DE IMPRENSA | GOVERNO RESPONSÁVEL POR PROMOVER DEBATE
Governo recebeu uma petição e respondeu de imediato. Para evitar dúvidas, o Executivo compromete-se a promover o debate entre todos os profissionais da comunicação social, sejam eles chineses ou de língua portuguesa. A petição chegou às mãos do Gabinete de Comunicação Social (GCS) e referia-se à sondagem deliberativa trazida pelo académico James Fishkin, da Universidade de Stanford, dos EUA, e que vai ser o mote para a revisão da Lei de Imprensa e da Lei de Radiodifusão. Promulgadas há mais de 20 anos, estas estipulam a criação do Conselho
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de Imprensa, Conselho de Radiodifusão e Estatuto dos Jornalistas. A ideia, agora, é saber se se deve ou não retirar os artigos que dizem respeito aos dois conselhos, resolvendo assim o cumprimento pleno de ambas as legislações. O Governo reiterou que quer auscultar as diversas entidades e associações do sector, contudo “respeita a liberdade académica e profissionalismo da equipa responsável pela sondagem deliberativa”. “A equipa cumpre, de forma rigorosa, o método profissional de DP e os procedimentos pré-definidos, que consiste em factores científicos,
públicos e de grande transparência, o que permite uma participação do público no processo de consulta sobre as duas leis e um conhecimento completo do processo aos OCS e cidadãos”, referiu fonte do Executivo. A “Sondagem Deliberativa”, com uma participação activa de grupos da sociedade civil e de profissionais da comunicação social, representa a primeira do género realizada em Macau. “É uma experiência de grande valor e uma marca importante para a participação cívica”, refere a resposta do Governo. - G.L.P.
desde o Verão. Depois de aprovado na AL com apenas uma abstenção – de José Pereira Coutinho, que é membro efectivo da 3.ª Comissão –, Cheang Chi Keong garantiu que tudo se está a aproximar do fim. “As assessorias estão a fazer o seu trabalho e penso que o novo documento que o Governo entregar à Comissão já será aquele que a Comissão irá entregar de novo para aprovação no plenário. Estamos na recta final do nosso trabalho”, assegurou Cheang Chi Keong.
REVISÃO DEVE PERCEBER COMO É O JORNALISMO EM MACAU A revisão das Leis de Imprensa e de Radiodifusão deve começar pela definição do que torna o jornalismo local único e com identidade própria, defendeu o académico Gustavo Cardoso, membro da equipa de analise à alteração dos diplomas. Conforme cita a agência Lusa, Gustavo Cardoso considera que “o que está em causa é a definição daquilo que torna o jornalismo de Macau único e que lhe concede uma identidade que o diferencia dos outros jornalismos que são praticados aqui à volta e no contexto mesmo global porque mesmo uma comparação entre a Europa, o jornalismo de cada um dos países tem as suas marcas próprias”. O académico defende que o exercício da sondagem deliberativa é o ponto de partida para perceber o entendimento das pessoas sobre o que torna o jornalismo de Macau único e o que é que os jornalistas de Macau consideram também ser o seu jornalismo. “Esse é o ponto de partida para então depois fazer a discussão formal sobre os diferentes organismos, leis, códigos, seja a escolha final que exista em cima da mesa”, considerou.
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direito à educação e ao trabalho está vigente na lei, bem como a oferta de cuidados aos idosos, menores e deficientes. Esse é um dos factores que coloca o território no cumprimento das convenções internacionais dos direitos humanos. “Está claro na Lei Básica que os cidadãos têm direitos protegidos por lei e que, caso isso não aconteça, tem de se fazer uma lei ou emendas a esse diploma”, diz Wai Kin Lok, autor de um estudo apresentado numa convenção do tema, no mês passado. Mas, para que todos os cidadãos tenham acesso aos seus direitos sociais, a chave está em quem comanda. A transferência dos direitos que estão no papel para a sua aplicação real “depende largamente do Governo”, que não deve só implementar medidas focadas na população, como fazer com que elas sejam concretizadas. O sistema político de Macau, bem como o sistema de segurança social, são administrados pelo Executivo. Assim, defende o académico, o Governo tem muito a fazer. Deve ter um papel activo na formulação de políticas que favoreçam a concretização dos direitos sociais dos residentes, mas de uma forma efectiva e eficiente. “Só assim os direitos dos cidadãos podem ser assegurados”. Por isso mesmo, a função de supervisão dos deputados deve ser reforçada, principalmente quando uma má conduta ou omissão da Administração puser
SOCIEDADE Estudo | Desenvolvimento económico ajuda na aplicação de regalias sociais, mas não as traz
Só conversa não chega Um estudo de Wai Kin Lok, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Macau (UMAC), frisa a necessidade do Executivo não só elaborar políticas, mas aplicá-las. Educar a sociedade é fundamental, para encontrar um equilíbrio racional entre a oferta e a procura
Políticas concretizadas Wai Kin Lok apresenta, no seu estudo, algumas políticas implementadas pelo Governo que conseguiram concretizar direitos sociais. DIREITO À EDUCAÇÃO: • Implementação do plano de desenvolvimento educativo durante
DIREITO À ECONOMIA: • Financiamento de três mil patacas para a primeira casa
• Implementação do regime de ensino gratuito durante 15 anos
• Subsídios para as rendas às famílias que estão em lista de espera para habitação pública
• Subsídios para a aquisição de material escolar • Realização do Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo
• Subsídio de cinco mil patacas para os idosos • Seis mil patacas injectadas no Fundo de Previdência Central • Cheques de comparticipação pecuniária • Vales de saúde
em causa os direitos da população. Wai Kin Lok relembra como isso já aconteceu. “Em tempos, o Governo negligenciou a política da habitação”. Perante os preços exorbitantes do mercado imobiliário, foi impossível, para muitos, comprar casa, que levou a que as pessoas pensassem não ter partilhado dos frutos do desenvolvimento económico. “Por aí se vê que o desenvolvimento económico não traz exactamente a realização dos direitos sociais. Para isso acontecer, o Governo deve é criar políticas que concretizem os direitos sociais e a partilha dos frutos financeiros”.
A MATÉRIA-PRIMA
Na base da realização dos direitos sociais está, sem discussão, o desenvolvimento económico,
que conduz à melhoria da vida da população. “Sem o desenvolvimento económico, o acesso a direitos como a educação, o trabalho e a segurança social seriam restritos”. Ou seja, o crescimento da economia não traz necessariamente a realização dos direitos sociais, mas sem ela era também impossível concretizar na prática esses direitos. “Isso pode ser facilmente comprovado com os direitos sociais dos residentes de Macau antes e depois da transferência”. Ainda que não tenha sido na legislação, que se mantém semelhante nas duas Administrações, o Governo da RAEM formulou políticas pró-população, compatíveis com os desejos da sociedade. Com a elaboração da política das 19 mil habitações públicas,
por exemplo, o Governo mostrou conseguir formular a base para um dos direitos sociais. “Para conseguir satisfazer os direitos, o Executivo terá de levar a cabo a concretização da política”, frisa Wai Kin Lok.
ENCONTRAR EQUILÍBRIO
Há melhorias no âmbito da segurança social, mas há, também, desafios constantes. A manutenção de políticas a curto-prazo sem que estas sofram alterações é uma barreira para assegurar os direitos dos cidadãos. Aí, apela-se ao equilíbrio. “Deve o sistema de Comparticipação Pecuniária continuar ou ser modificado? Os cidadãos não se importam de receber dinheiro anualmente para o poderem gastar. Mas isto não é a melhor forma de garantir a segurança social e o desenvolvimento económico a longo-prazo”. A questão da distribuição de cheques é uma medida há muito criticada pelos membros da Assembleia Legislativa. A fraqueza do regime é fácil de explicar: assim que a economia de Macau atravesse uma fase menos boa e não for possível manter a distribuição de dinheiro poderão originar-se conflitos e revoltas sociais. “É urgente transformar esta medida temporária num sistema a longo-prazo de poupança central, por exemplo”. Se, por um lado, a realização dos direitos sociais depende de recursos fornecidos pelo Governo, por outro tem de perceber-se os limites dos recursos. Então como encontrar um equilíbrio? É possível tratar os cidadãos de forma diferente? Wai Kin Lok responde a estas questões pegando no exemplo da exigência de permanência no território de, pelo menos, 183 dias do residente que pretenda receber dinheiro do Regime de Poupança Central. “Sem permanecer esse tempo, o cidadão não tem direito ao dinheiro. Há quem considere que estas restrições são questionáveis. Mas os residentes têm de perceber o que é igualdade e o que é justo. A igualdade total pode causar um colapso no sistema de segurança social, devido ao peso da despesa”. Então, ainda que os cidadãos tenham, por lei, direitos sociais assegurados, também importa ensiná-los que não basta receber. “É preciso fazer com que a população tenha linhas orientadoras para formar uma atitude racional perante as medidas e desenvolver um comportamento mais maduro”.
NOVOS ATERROS TÊM DE CONTAR COM INSTALAÇÕES PARA JOVENS Os Conselhos de Educação para o Ensino Não Superior e Conselho de Juventude reuniram-se na terça-feira para trocar opiniões acerca do planeamento urbanístico dos novos aterros no âmbito do projecto do Plano Director das Novas Zonas Urbanas. Os membros pretendem que alguns locais dos novos aterros sejam destinados à utilização educativa e às instalações para os jovens. A distribuição destas instalações foi também discutida. A distribuição destes terrenos tem de ser contemplada no plano director, dizem os membros, tendo em vista desenvolver trabalhos relacionados com a educação e com os jovens.
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Comissão da Luta contra a SIDA promove educação sexual para reduzir casos de infecção
A longa marcha para o ‘zero’
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Comissão de Luta contra a Sida prevê reduzir em metade os novos casos de sida e eliminar a infecção de mãe para filho, até 2015. Os objectivos fazem parte da intenção da Comissão em atingir a meta “zero” proposta pela UNAIDS (Programa de luta contra a SIDA da Organização Mundial das Nações Unidas). “Zero”novos casos de infecção de Sida,
“zero”casos mortais de Sida e “zero”discriminação” vão assim ser os factores de motivação para que Macau continue a promover trabalhos de prevenção e tratamento da doença e a estudar o fornecimento de metadona nos estabelecimentos de saúde que mantenham condições para tal. O Hospital das Ilhas e os centros de saúde das novas zonas de habitação pública são já locais destinados a este processo.
As ideias foram frisadas por Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde, numa reunião sobre o tema, que teve lugar na quinta-feira. Os responsáveis da Comissão querem ainda promover a educação sexual, principalmente entre os trabalhadores da indústria de entretenimento. “Conta-se com a colaboração da experiente associação de Hong Kong ‘Action for Reach Out’ para desenvolver
o programa de serviços de diagnóstico e tratamento de doenças sexuais em trabalhadores do sexo”, frisa a Comissão em comunicado. Este ano, foram realizadas mais de 40 actividades com o intuito de ganhar a aceitação da população sobre os centros de metadona. Recorde-se que, em Maio, abriu o novo centro de tratamento na Areia Preta, depois de muitas manifestações dos residentes que não queriam
MACAU PROMOVIDO EM FEIRA DE TURISMO DE NEGÓCIOS EM BARCELONA
Minha querida Catalunha
A
Direcção dos Serviços de Turismo (DST) promoveu Macau junto dos catalães. De 29 de Novembro a 1 de Dezembro, quem se deslocou ao centro de exposições de Barcelona viu, à distância, um pouco do território. Juntamente com três representantes de organizações de eventos, “Destination Marketing Companies” e um representante de uma unidade hoteleira, a DST mostrou os mais recentes desenvolvimentos da indústria de turismo e de negócios da RAEM. A “European Incentive & Business Travel & Meetings
Exhibition (EIBTM 2011)”, é um dos eventos mais importantes a nível mundial para a indústria de reuniões, incentivos, conferências e exposições (MICE, da sigla inglesa) e é realizada anualmente na Europa. O evento atraiu mais de 3100 expositores, provenientes de mais de 90 países, incluindo 3800 “hosted-buyers”, num total de 14 mil profissionais, e é um dos certames mundiais mais significativos para promoção, troca de contactos e oportunidades de negócio. A promoção de Macau na EIBTM2011 contribuiu para a divulgação dos novos produtos
MICE do território, bem como para aumentar a exposição da cidade no mercado europeu, fortalecendo a imagem de Macau como destino de MICE na Ásia. A DST teve 21 encontros pré-agendados e realizou sete apresentações no local. No decorrer dos três dias de evento, o stand de promoção de Macau divulgou o Guia para a Organização de Reuniões e o Guia de Incentivo. Por outro lado, a DST recebeu vários pedidos de informação por parte de planeadores de turismo de negócios e compradores relativamente à organização de eventos MICE em Macau.
a entidade aberta no bairro. A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) está a planear a revisão do curso de educação sexual para jovens, tendo já terminado a consulta sobre a estrutura do mesmo. Nos primeiros seis meses deste ano foram detectados 11 novos casos de SIDA, sendo sete dos infectados homens. Com estes dados, o número de doentes com o HIV subiu
para 465, desde 1986, quando se iniciou o registo da doença. A maioria das infecções deve-se à partilha de seringas. Ainda assim, o coordenador nacional da UNAIDS China, Mark Sterling, que esteve em Macau o mês passado, teceu vários elogios à forma como são tratados os casos no território. Sterling pediu apenas mais reforço no trabalho de prevenção da doença em homossexuais. -J.F.
MELCO CROWN ANGARIOU DE 6.576 MILHÕES
Bolsa dá mais vida A
Melco Crown Entertainment, com concessão de jogo em Macau, angariou 6.576 milhões de dólares de Hong Kong na sua estreia na bolsa da antiga colónia britânica com a venda de 251 milhões de acções. As acções da Melco Crown foram colocadas no mercado a um valor de 26,25 dólares de Hong Kong por acção, tendo valorizado durante a sessão para um máximo de 26,4 dólares e caído para um mínimo de 25,9 dólares, encerrando a negociação com um valor de 26 dólares. A Melco Crown, liderada por Lawrence Ho, de 34 anos, filho do magnata Stanley Ho, e que já marca presença no índice Nasdaq, em Nova Iorque, foi a
última das seis operadoras de jogo em Macau a entrar na bolsa de Hong Kong. O vice-presidente e CEO (presidente executivo) da Melco Crown, Lawrence Ho, defendeu, aquando do anúncio da entrada em bolsa, que este passo da empresa pretende “colocá-la a par dos seus concorrentes, oferecer mais liquidez aos accionistas e o acesso directo a oportunidades de investimento [na operadora] aos investidores locais e asiáticos”. A Melco Crown Entertainment registou um lucro líquido de 113,3 milhões de dólares no terceiro trimestre, contra os 15,8 milhões de dólares auferidos em igual período de 2010.
PRICEWATERHOUSECOOPERS PREVÊ DUPLICAÇÃO DE RECEITAS DOS CASINOS ATÉ 2015
A cor do dinheiro A
PricewaterhouseCoopers prevê que os casinos de Macau tenham, até 2015, receitas brutas de 500 mil milhões de patacas anualmente, cerca do dobro do que vão arrecadar este ano. A projecção, revelada no início da semana, indica que nesse ano o mercado do jogo irá gerar receitas de 497 mil milhões de patacas, um crescimento
anual de cerca de 21,5% entre 2011 e 2015. Para o mercado global a empresa prevê um crescimento médio anual de 9,2% para o período entre 2010 e 2015. Só mercado asiático irá crescer a um média de 18,3%, correspondente a cerca de 43% do mercado mundial. Para 2011, dados compilados pela agência Lusa indicam receitas brutas
de cerca de 265 mil milhões de patacas de receitas brutas dos casinos. Macau é a capital mundial do jogo em termos de receitas dos casinos desde 2006, ano em que superou Las Vegas, e conta com 34 casinos – 20 da Sociedade de Jogos de Macau, seis da Galaxy Casino, três da Venetian Macau, um da Wynn Resorts, três da Melco Crown e um da MGM.
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U
M pesquisador chinês publicou, após 30 anos de estudo, uma teoria revolucionária sobre o famoso Exército de Terracota de Xian, na qual defende que as famosas figuras de argila não protegiam a tumba do Primeiro Imperador Qin, mas eram usadas para treinar guerreiros de carne e osso. Publicada na última edição da revista chinesa “História Militar”, esta tese, que começou a agitar os círculos arqueológicos do país, sustenta que os soldados de terracota eram utilizados para simular batalhas para testar os exércitos reais do império Qin (século III a.C.). Sun Jiachun, membro do gabinete geológico da província chinesa de Shaanxi – cuja capital é Xian –, é o grande defensor desta teoria, que menciona como um dos seus principais argumentos o facto de que o agora turístico Exército de Terracota fica longe demais da suposta tumba do imperador, a 1,5 km de distância. Os arqueólogos acreditam que, entre os soldados de terracota e a tumba imperial, podem haver
CULTURA
Exército de Terracota foi feito para treino militar, diz novo estudo
West Point no século III a.C.? ainda mais figuras de argila, ainda não desenterradas, já que muitos são reticentes a realizar escavações na área temendo destruir os tesouros de uma tumba supostamente tão grande. Nem sequer a tumba do imperador foi aberta, apesar de ser visitada por milhares de turistas diariamente. Arqueólogos testaram o uso de robôs para entrar, imitando as pesquisas nalgumas pirâmides do Egito. Sun aproveita esta ausência de novos avanços na teoria da tumba imperial para desenvolver a sua própria, defendendo um uso mais pragmático dos soldados de terracota. Para ele, outra prova que mostra que este peculiar Exército não acompanha o imperador na sua vida para além da morte é a desorganização dos soldados, em-
pilhados, e o facto deles não terem um general ou comando que os lidere, algo que seria inadmissível numa formação militar da época. “Isso contradiz o sistema militar da China antiga e as crenças tradicionais nas quais se dizia que um imperador morto deveria ser servido da mesma forma como quando estava vivo”, afirma o especialista na sua tese, divulgada pela imprensa oficial chinesa. Outra razão apontada pelo pesquisador, aproveitando os seus conhecimentos geológicos, é a distinta profundidade à qual estão os soldados com relação ao mausoléu imperial. Este fica, segundo os arqueólogos, dez metros debaixo da terra, enquanto o Exército, naquela época, estava a apenas um ou dois metros de profundidade. Antes de Sun, outros especialis-
tas tinham desenvolvido novas teorias sobre o Exército de Terracota, embora nenhuma delas tão ousada. Um célebre historiador, Wang Xueli, tinha notado, por exemplo, que os três grupos de soldados actualmente expostos aos turistas representavam diferentes cenas (o primeiro e mais conhecido, um agrupamento de batalha; o segundo, um acampamento; e o terceiro, alguns quartéis), mas não se tinha atrevido a levar a tese por diante. No entanto, Sun aproveita as ideias de Wang para reforçar as suas e sublinhar que todo o sítio arqueológico não é mais do que uma escola militar. As ideias do pesquisador chegaram a outros especialistas sobre o assunto, e embora não as tenham refutado completamente, defenderam que a teoria da tumba imperial
continua a ser a mais convincente. “Eu pessoalmente acho que se trata de um exército de guerreiros para o imperador após a sua morte, mas, seja como for, precisamos de mais evidências para sustentar as suas teorias e as nossas”, assinala Duan Qingbo, professor da Universidade Noroeste de Xian, citado pela agência de notícias oficial Xinhua. O Exército de Terracota, construído na época do unificador do império chinês Qin Shihuang, foi descoberto há 37 anos por um camponês, por acaso, e o achado é considerado um dos mais importantes da arqueologia do século XX. O Museu do Exército de Terracota foi estabelecido em 1979. Em 1987, foi incluído na lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
IIM LANÇA DOIS VOLUMES DA COLECÇÃO MISSIONÁRIOS PARA O SÉCULO XXI
Mais dois volumes da colecção “Missionários para o Século XXI” vão ser hoje, às 18 horas, no auditório do Instituto Internacional de Macau (IIM). Depois de obras dedicadas aos Padres Lancelote Rodrigues, Mário Acquistapace e Joaquim Angélico Guerra, seguem-se agora “P. Benjamim Videira Pires, Meu irmão” e “Luigi Versiglia e Callisto Caravario - Mártires Salesianos na China”, cujos autores são o Padre Francisco Videira Pires e o jornalista Luís Cunha. A colecção é uma homenagem do IIM aos missionários que contribuíram para a afirmação e consolidação de Macau. Na mesma sessão, será ainda lançada a obra “Em busca da China e dos Países Lusófonos - Potencialiddaes Turísticas e Estratégias Promocionais”.
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AIS de 600 artistas de países como Portugal e Brasil vão participar num mega desfile multicultural para promover Macau como uma “cidade latina”, no dia em que se assinal o 12.º aniversário da transferência de soberania para a China. Na tarde do dia 20, feriado em Macau, e sob o tema “Amor, Paz e Integração Cultural”, artistas de Macau, China continental, Portugal, Brasil, França, Itália, Colômbia, Chile, Venezuela, Peru, Equador e Costa Rica vão parar o trânsito entre as Ruínas de São Paulo, bairro de São Lázaro e praça do Tap Seac, no centro histórico da cidade, marcado pela arquitectura colonial portuguesa. De Portugal participam no desfile a Companhia de Dança Amalgama, a Companhia PIA (Projetos de Intervenção Artística) e o grupo de músicos-acrobatas Tumbala, de Espanha chega a ‘arte de cabelos’ dos Osadía e do Peru o grupo Jallmay, que apresentará a tradicional ‘Dança das TesouPUB
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DESFILE MULTICULTURAL NO ANIVERSÁRIO DA TRANSIÇÃO
Bem-vindos à cidade latina ras’, classificada este ano como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Ao samba, capoeira, danças da Índia e Filipinas juntar-se-ão sessões de magia, ópera cantonense, coros infantis para um “espectáculo multiétnico”, onde não faltará um dragão voador feito especialmente para o evento pelos franceses Les Plasticiens Volants e uma árvore dos desejos para festejar o regresso de Macau à “mãe pátria”. “Desfile por Macau, Cidade Latina” será um evento “em grande escala” que, segundo os organizadores, será realizado à imagem de um cortejo de Carnaval “sob o espírito da centenária integração harmoniosa das culturas oriental e ocidental” no território, que foi administrado por Portugal durante mais de
quatro séculos e até 20 de dezembro de 1999. A iniciativa tem um orçamento de 14 milhões de patacas e é da responsabilidade do Instituto Cultural (IC) em colaboração com outros departamentos governamentais, associações locais e com o Secretariado Permanente do Fórum Macau. O presidente do IC, Guilherme Ung Vai Meng, salientou em conferência de imprensa que o evento pretende “mostrar que Macau é uma cidade de cultura aberta”, explorando a vocação do território como “plataforma para o intercâmbio cultural”. “Macau é uma cidade que possui caraterísticas latinas, apresentando uma mestiçagem de caraterísticas ocidentais e orientais”, disse, justificando a aposta do Governo na promoção de uma
“cidade latina” cujas caraterísticas “estão patentes nas construções, gastronomia, hábitos locais, língua e religião”. O presidente da Associação de Macau para a Promoção do Intercâmbio entre a Ásia Pacífico e América Latina (MAPEAL) uma das organizadoras do cortejo -, Gary Ngai, explicou que esta foi uma ideia proposta em 2006 ao antigo chefe do Executivo, Edmund Ho, pelos consulados latino-americanos em Hong Kong por “Macau ter muitos hábitos e tradições semelhantes aos dos países da América Latina”. O desfile será uma “espécie de Carnaval, uma oportunidade para os locais conhecerem a cultura de diferentes países e mostrar que Macau não tem só jogo, mas também uma cultura rica”, disse.
AGENDA CULTURAL DE FIM-DE-SEMANA
SEXTA-FEIRA • Festival Experimental de Vídeo Asiático em Macau Armazém do Boi 20h, patente até ao dia 11 • Cerimónia de inauguração da Exposição ‘Infecção, Indústria, Upsych’ Galeria do Tap Seac 18h30 • Cerimónia de abertura da nova Biblioteca de Mong-Há Edifício de Mong Sin Avenida de Venceslau de Morais 11h30 SÁBADO • Primeiro congresso de jornalistas de Macau A partir das 8h no Venetian Até dia 11
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ENTREVISTA
A posição da língua portuguesa há-de continuar para alé Deng Xiaoping. Até porque temos de olhar para a actual situa chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), os países que s Angola está a afirmar-se no cenário internacional como uma g
Choi Wai Hao, director da Escola de Línguas e Tradução do IPM
“Riqueza grande é este encontro secular entre a C ao Ensino Superior, serviços de Educação e Juventude, etc. Mesmo aqui, no IPM, concedemos bolsas de estudo aos melhores alunos. Para os que vêm da parte continental, também existem bolsas, por exemplo para o melhor resultado escolar ao nível nacional. As propinas não são muito caras. Para a licenciatura, quatro anos, são 24 mil patacas por ano.
GONÇALO LOBO PINHEIRO
V
AI para 7 anos como director da Escola de Línguas e Tradução do Instituto Politécnico. Já traduziu Torga, Sophia, Mário de Sá Carneiro. Reflecte que para ser bom tradutor é importante estagiar em países de língua portuguesa. Aplaude tudo o que sejam iniciativas em Macau no âmbito da lusofonia. Sugere que se aposte cada vez mais e melhor no ensino do português. Na opinião deste professor, a língua portuguesa não tem limite temporal em Macau, pelo contrário, crescerá cada vez mais. Bacharel, licenciatura e curso complementar, são as etapas, no âmbito desta escola, na formação de tradutores-intérpretes das línguas chinesa e portuguesa. Qual a média anual, nos últimos anos, de alunos formados? Com licenciatura, entre 25 e 30 anualmente, nas turmas diurna e nocturna. Alguns alunos, depois de obtido o bacharel, param de estudar, por vários motivos, entre os quais terem arranjado trabalho. Muitos deles voltam depois para tirarem a licenciatura. O bacharelato tem geralmente mais alunos, à volta de 40 por ano. A qualidade também é um factor importante. Sem dúvida, muito importante! Nós aqui exigimos sempre a máxima qualidade. A Escola selecciona os alunos entre todos os candidatos? Sim, temos um critério de qualidade. Entre os cerca de 80 candidatos anuais, nem todos têm condições para virem a ser intérpretes-tradutores. Também quanto aos candidatos macaenses, que são a minoria se compararmos com o número de candidatos chineses, nós concedemos algumas prioridades. Os candidatos locais, a serem alunos do curso de língua portuguesa, são uns 35%. Mas por exemplo, neste último ano, admitimos na turma diurna 36 alunos; 18 deles são locais. Dividimos em duas turmas, misturando os alunos oriundos de partes diferentes, deste modo é pedagogicamente mais correcto, pois também trocam boa aprendizagem mútua. Na turma da noite, cerca de 30 alunos, todos são locais. Para melhor dimensionar o trabalho desta Escola, quantos alunos se formaram nos últimos 10 anos?
Há 16 universidades na China, em várias cidades, a ensinar a língua portuguesa ao nível de licenciatura. Cinco dessas universidades em Pequim. Até na antiga capital, Xian, uma universidade ensina a língua portuguesa.
Desde o ano 2000, mais de 200 bacharéis. Destas duas centenas, 150 concluíram depois a sua licenciatura. Segundo as estatísticas, o maior número de graduados concentrase no Centro de Tradução da Administração Pública. O segundo lugar onde há mais tradutores graduados pelo Instituto Politécnico
através desta sua Escola é o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. Calculamos que à volta da metade dos 150 formados estão a trabalhar na Função Pública. Também há os que vão para empresas estatais e privadas, inclusivamente no exterior de Macau.
Geralmente, esses são os que vieram da China continental. Também há casos de alunos nossos que depois da formação vão trabalhar para empresas do continente. E as propinas, são acessíveis? Os estudantes locais têm diversos meios para conseguirem bolsas de estudo, tanto no Gabinete de Apoio
As oportunidades profissionais, depois de obtido o curso, não devem faltar. Imensas. Na China têm emprego quase garantido, em empresas estatais ou privadas. Também alguns desejarão ser professores. Atenção que para o exercício da profissão de professor, as exigências agora são maiores, comparadas com aquelas que existiam há uns 5 ou 6 anos. Agora, para ser professor não basta a licenciatura, tem de possuir o mestrado. O mestrado pode ser tirado em Portugal ou na Universidade de Macau, pois o IPM ainda não tem competência legal para tal. Quer dizer que se for alterada a lei do ensino superior, o Instituto Politécnico vai reivindicar competência legal para poder atribuir o mestrado? Quando essa lei for alterada, nós desejamos ter competência legal para atribuir mestrados e doutoramentos, sim. Como observa uma série de iniciativas realizadas em Macau, oficialmente ou através de instituições privadas, na forma de palestras, simpósios, seminários, conferências, o Festlatino, etc., todas tendo como pano de fundo a chamada lusofonia? Considero muito importante a organização em Macau desse género de iniciativas a que nós podemos chamar de encontros académicos.
ém dos tais 50 anos definidos pelo nosso líder ação internacional. O Brasil integra o grupo se destacam pelo seu crescimento económico. grande economia africana e mundial.
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com Helder Fernando
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China, Portugal e os países de língua portuguesa” São muito bem vindos e muito úteis pelo contributo que também dão ao ensino da língua portuguesa, sobretudo em termos da divulgação dos valores culturais dos países que falam a língua. Esses encontros são verdadeiros promotores não apenas da língua como das culturas dos países lusófonos, tanto o Brasil, como na Ásia, Timor-Leste, como os países africamos que falam português. E também das culturas de Macau. Fala-se bastante da importância de Macau nesse contexto, até como local privilegiado para o ensino do português na China. Macau tem essa tradição. Até Dezembro de 1999, ao tempo da administração portuguesa, o ensino da língua portuguesa estava praticamente vocacionado apenas para Macau. Depois de 2000, o ensino, a investigação, passaram a ser fortemente voltados para o País. Com o desenvolvimento das relações económicas, comerciais e até políticas e culturais da China com Portugal e os outros países de língua oficial portuguesa, o número de alunos aprendendo a língua portuguesa subiu imenso. Podemos dizer que foi uma explosão. A Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim, durante 50 anos, formou 500 tradutores-intérpretes, ou seja 10 por ano. Agora, estudantes inscritos anualmente só naquela universidade são 350! Sem contar as inscrições para cursos de curta duração, esses são cerca de uns 5000. Grande evolução em meio século... Enorme. Há 50 anos, na China quase não havia tradutores para a língua portuguesa. Sei que queriam criar um curso destinado a esta língua, mas não encontraram professores de português. Então, começaram a vir até Macau para procurar. Então encontraram pessoas que ajudaram na criação desse curso em Pequim. A Universidade de Línguas Estrangeiras reconhece que foi com a ajuda de Macau que foi possível criar o curso de tradução e interpretação chinês-português, português-chinês. De tal modo que até houve comemorações desses 50 anos em Macau e em Pequim, com várias actividades. Sim, uma das actividades foi o lançamento do primeiro volume do livro “Portugal Global”, de autoria de professores académicos como Malaca Casteleiro e as professoras da Universidade de Lisboa Carla
Oliveira e Luísa Coelho. Gostei muito dos debates em Pequim, pois todas as universidades reconheceram a importância e as condições de Macau no papel de formação de professores. Todos concluíram que Macau deve desempenhar cada vez com maior dinamismo esse importante e activo papel do ensino da língua portuguesa para a China. Este Fórum académico sobre o ensino e investigação da língua portuguesa para a China devem ser realizados de dois em dois anos. O próximo será em 2013. A realizar em que cidade? Naturalmente que nós desejamos que se realize em Macau, mas a Universidade de Dalian também quer organizar esse 2º Fórum. Seja como for, Em Macau ou noutra cidade, o Instituto Politécnico sempre dará apoio. Repare que há 16 universidades na China, em várias cidades, a ensinar a língua portuguesa ao nível de licenciatura. Cinco dessas universidades em Pequim. Até na antiga capital, Xian, onde estão os mundialmente conhecidos 8 mil guerreiros em terracota, uma universidade ensina a língua portuguesa.
Muito recentemente, alguns deputados da Assembleia Legislativa de Macau, defenderam a dinâmica do ensino da língua portuguesa em Macau. As autoridades da vizinha Shenzhen, há algum tempo que vêm manifestando interesse em realizar festas e encontros no âmbito da lusofonia. Que comentário faz? Isso é muito bom! Muito estimulante para o nosso trabalho, nós estamos aqui para prestar a maior ajuda, dentro das nossas actividades e competências. Queremos sempre participar nessas actividades. Mesmo na Festa da Lusofonia, os nossos alunos participam sempre, incluindo o nosso grupo de danças folclóricas portuguesas. A disponibilidade da nossa escola e posso dizer também da nossa instituição, é constante. Então, o futuro da língua portuguesa em Macau está assegurado... Sendo eu um professor da língua portuguesa, com a minha experiência aqui em Macau há mais de 20 anos, acho que a posição da língua portuguesa há-de continuar para além dos tais 50 anos definidos pelo nosso líder Deng Xiaoping. Até porque temos de olhar para a actual
situação internacional. Por exemplo, o Brasil integra o grupo chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), os países que se destacam pelo seu crescimento económico. Depois há o caso de Angola que está a afirmarse no cenário internacional como uma grande economia africana e mundial. E outros países do espaço lusófono. Então, Macau tem todas as condições para desempenhar o papel de ligação entre os países de língua portuguesa e a China. Esta proximidade de Macau com os países lusófonos é uma das maiores vantagens desta região em termos de língua e cultura. Todos sabemos que Macau deve aproveitar estas condições tão favoráveis. Como se diz em português: “Abençoados por Deus”! Cada vez são mais necessárias pessoas a falar português. Por isso aqueles deputados chamaram a atenção do governo para um maior investimento neste aspecto. Nas escolas públicas tem de melhorar o ensino do português. Acho importante a exigência de qualidade. Nesta matéria, devem ser definidas políticas para o ensino primário e secundário. Por outro lado, não gostava
que houvesse mais lusófonos a aprender a língua chinesa? Sim, claro! Isso foi uma falta no tempo da administração portuguesa que praticamente não formou intérpretes tradutores portugueses para trabalharem na tradução de chinês-português e português-chinês. Há também o aspecto cultural, como mencionou, que na prática nem sempre é visto com atenção. Considero que é uma riqueza muito grande este encontro secular entre a China e Portugal e os países de língua portuguesa. Macau tem e é de há muito, testemunha desta riqueza, deve valorizá-la. Dessa forma melhor enfrenta a situação internacional actual. Enfrenta economicamente através das receitas dos casinos. Sim, e isso é importante, mas também deve olhar para a área cultural. Macau tem que ser realmente diferente de qualquer cidade da China, mantendo a sua riqueza material, mas também social e cultural, nos seus valores patrimoniais. A identidade própria de Macau pode fazer com que prevaleça ainda mais esta imagem, estes valores que Macau tem e que mostra ao mundo.
Da terra de Confúcio a adepto portista O
director da Escola de Línguas e Tradução do IPM, recebe-me com a sua proverbial simpatia. Nas mesas de trabalho do seu gabinete, há jornais locais de língua portuguesa espalhados em pastas, os mais recentes, os do dia, separados, alguns abertos. Nas estantes há livros de escritores portugueses. O professor Choi Wai Hao mostra-me uma colectânea de contos portugueses donde seleccionou um de Vergílio Ferreira, “Uma Esplanada Sobre o Mar” que será alvo de estudo por parte dos alunos. Conhece bem Portugal onde vai com alguma frequência no âmbito das relações com os Institutos Politécnicos de Portugal, o Conselho Superior dos Politécnicos Portugueses de que Macau é membro através do IPM. Do Instituto Politécnico de Leiria, este professor também fala com particular afecto. Assim como é visível o seu entusiasmo quando fala sobre o intercâmbio de alunos e professores entre Macau e Portugal: “Agora, cada vez mais Politécnicos querem colaborar com o IPM em várias áreas!”
Na agenda das iniciativas mais próximas, o director da Escola de Línguas e Tradução destaca o 7º Concurso de Declamação de Poesia em Português a realizar entre Março e Abril deste ano. Para o mês de Novembro está agendado o 3º Concurso de Debate do Ensino Superior em Português, destinado a alunos do ensino superior de língua portuguesa não materna. Em Macau desde 1989, Choi Wai Hao nasceu há 58 anos, na província de Shandong, terra de Confúcio. A sua segunda língua foi o castelhano, nela se licenciou na Universidade de Línguas Estrangeiras em Pequim, escolhido para tal depois de ser finalista do ensino secundário. Começou verdadeiramente a aprender a língua portuguesa em Moçambique, entre 1977 e Dezembro de 1979, na Universidade Eduardo Mondlane onde garante ter tido excelentes professores, alguns portugueses, e um belga que ensinava gramática portuguesa. Melhorou os seus conhecimentos em Portugal, entre 1983 e 85, através de uma bolsa concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian. Ainda hoje, de cada ocasião que vai a Portugal, visita a família portuguesa que o acolheu e com quem desenvolveu também prática de diálogo e muito afecto. “A experiência em Portugal fez com que começasse
a pensar, a raciocinar em português, isso foi um grande avanço na minha aprendizagem da língua portuguesa”, recorda o professor com entusiasmo, considerando que para ser “um bom tradutor-intérprete é muito importante fazer estágio num país de língua portuguesa” . Quando chegou a Macau começou por ser tradutor-intérprete na agência de notícias Xinhua, depois num banco local. Após a transição de Macau para o Governo chinês, e dado a manifesta falta de tradutores, assumiu essas funções no Instituto Politécnico onde desde Setembro de 2004 dirige a Escola de Línguas e Tradução e continua dando aulas 3 horas semanais a alunos do 4º ano. Já traduziu para língua chinesa várias obras de autores portugueses, como Miguel Torga (“O Senhor Ventura”), edição do Instituto Cultural de Macau, alguns contos de Sophia de Mello Breyner (“Contos Exemplares”), outros contos de Mário de Sá Carneiro. O gosto pela literatura em língua portuguesa, revela que nasceu em Moçambique, pela leitura de obras de autores africanos, portugueses e brasileiros. E, quando se trata de futebol, é adepto do Futebol Clube do Porto... “porque jogam com muita vontade de ganhar”.
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17 ANÚNCIO [N.º 93/2011]
Para os devidos efeitos, vimos por este meio notificar os representantes dos agregados familiares seleccionados da lista de espera de habitação económica abaixos mencionados: N.º do boletim de candidatura 84348 91603 114775 92315 126234 88656 74523 102579 72563 101499 93716 51943 101471 100355 78629 111549 104853 81666 103931 87720 71841 81528 90402 100523 104542
Nome HO U HONG MAK KUAN WENG IEONG MAN FAI TANG CHONG CHOI CHI CHONG FU SU IN LEONG U TENG CASTILHO NUNES DEOLINDA IEONG LAI FUN CHENG HIO CHONG WONG MOK KAN CHAN WAI LENG CHAO FONG FONG TAM PEK KEI NG TANG ALIAS NG TANG SIT CHAO LAI KA LEI PENG CHEONG LENG WONG KUAI MUI LEI ON NA LEI CHONG NGAI CHEANG SUT CHAN CHEONG OI IENG CHOI WA I CHONG WENG SANG
N.º do boletim de candidatura 85325 104527 89685 113814 52905 71396 84826
LEONG SOU FONG MAK SI KEI CHOI TIN PUI CHAU POU CHAN FONG WAI CHEONG FONG CHI WA WONG KUAN IENG
76784
FONG CHI U FILIPE
86675 93656 90571 52037 97996 86178
WONG WAI CHAN MA KAN PUN KU SOU LEONG VONG KOK VAI LAI U CHAN KUOK IN
72998
LOI KAT FA
80809 94141 114441 84190 51844 73374 89652 90607 102640 107151
CHEONG SAO WAN KOU KEI FU CHAN CARMEN LEONG MAN CHON TONG KENG IO MAK NGAN IENG YAN CHI CHI CHEANG CHI CHAI CHONG WENG IAN LON WENG CHI
Nome
De acordo com os termos do artigo 12.º do Decreto-Lei n.º 26/95/M, de 26 de Junho, o Instituto de Habitação (IH) informa os representantes dos agregados familiares acima referidos, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao IH, sita na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau (perto da Escola Primária Luso-Chinesa do Bairro Norte), no dia 21 de Dezembro de 2011, às horas fixadas nos respectivos ofícios, para escolha das fracções de habitação económica disponíveis de T1 na zona de Macau. Nessa altura, os agregados familiares da lista de espera acima referidos devem apresentar os documentos comprovativos (originais e cópias) abaixo mencionados, para efectuar a nova verificação dos requisitos da candidatura da aquisição de habitação económica. Caso as respectivas informações afectem os actuais requisitos da aquisição de fracção ou existirem mudança da composição dos agregados familiares acima referidos, este Instituto irá suspender, imediatamente, o procedimento da escolha de habitação económica: 1. 2. 3.
Documentos de identificação de todos os elementos do agregado familiar e os seus cônjuges (caso houver) registados no boletim de candidatura de habitação económica. Prova de casamento (aplicável aos indivíduos casados. Caso tenha entregue ao IH, nos últimos três meses, não é necessário a entregar de novo.) Boletim de candidatura dos dados dos agregados familiares de habitação económica devidamente preenchidos e assinados.
De acordo com os termos do n.º 2 do artigo 13.º do decreto-lei acima referido, com as alterações introduzidas pelo Regulamento Administrativo n.º 25/2002, caso os agregados familiares da lista de espera acima referidos não tenham comparecido no IH, no dia e horas fixados, e apresentado os documentos acima referidos, para escolha de habitação ou não pretendam adquirir nenhuma das fracções de habitação económica disponíveis no momento podem optar entre, por motivo não justificado, implica a perda do direito de escolha e passagem automática para o último lugar da lista geral; ou após a apreciação dos dados apresentados, verifique que não reunirem com os requisitos da candidatura, os agregados familiares seleccionados serão excluídos na lista geral. No intuito de proporcionar os agregados familiares seleccionados para terem mais conhecimentos sobre as informações das fracções de habitação económica disponíveis, o IH juntamente os ofícios enviará em anexo o catálogo com descrições das fracções para venda, tabela dos preços, rácio bonificado, pontos de observação, informações sobre a fracção de modelo. Caso os agregados familiares seleccionados não tenham recebidos os ofícios remetidos pelo IH, até sete dias antes da data fixada, poderão dirigir-se ao IH sito na Travessa Norte do Patane n.º 102, Ilha Verde, Macau) ou consultar através do telefone n.º 2859 4875, durante o horário de expediente. O Presidente,
Tam Kuong Man 7 de Dezembro de 2011
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PERFIL
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HENRIQUE SILVA | CRIATIVO
O dono do bordel Nuno G. Pereira
nuno.pereira@hojemacau.com.mo
“Costumo dizer que a minha profissão
é como a das prostitutas: quando somos novos, temos os clientes que queremos, fazemos o preços que queremos. Quando somos velhos, ou somos donos do bordel ou então estamos na estrada atrás dos camionistas.” A profissão é criativo, o dono do bordel é Henrique Silva. Aos 44 anos, diz que já não tem idade para ser freelancer. Por isso, largou o Portugal onde escasseiam perspectivas profissionais para regressar ao sítio onde já foi feliz e espera voltar a ser: Macau. “Estava longe de passar fome, mas faltava-me um projecto mais estável e com outros horizontes. E o mercado da publicidade em Macau dá-me isso.” Até porque ideias não lhe faltam - na agência Goldfish, recém-criada com um sócio -, e em projectos paralelos, como pôr toda a gente a atender a campainha de casa, esteja onde estiver. “Um dia tinha feito uma compra online e estava ansioso que chegasse a encomenda. Como não passava muito tempo em casa, lembrei-me de deixar um recado na porta do prédio, com o meu número de telefone, para que o estafeta me telefonasse.” Isto foi há algum tempo, ainda em Portugal, marcando o nascimento de uma ideia que já lhe valeu um prémio: saber quem nos toca à campainha e atender via telemóvel.
“Tive um acidente grave de mota, fiquei uns meses largos em casa. Soube pela net do concurso da Acredita Portugal e concorri.” A associação criou um concurso de ideias para ajudar o país, estimulando negócios. A campainha no telemóvel tocou bem alto e Henrique, entretanto já com dois sócios, ganhou o 3º lugar. “Fui buscar pessoas para me ajudarem, nas engenharias e na gestão de projecto, até porque foi nesta fase que decidi voltar a Macau.” O projecto (“Mobile Bell - Knock, knock on my phone”) continua a crescer. “Estamos em processo de registo de patente e procura de investidores.” Tudo em paralelo com o objectivo que lhe ocupa a maior parte dos dias: erguer uma agência de publicidade em Macau. O nome escolhido traz a paixão de Henrique pela Ásia e o optimismo de quem trabalha para ter a sorte do seu lado. “Goldfish, por ser um nome relacionado com a boa fortuna e uma referência oriental.”
AMORES ETERNOS
A paixão pelo Oriente começou quando veio para Macau pela primeira vez. “Tinha tirado Design de Comunicação e feito um estágio na área, de seis meses, num atelier em França. Regressei a Portugal, mas continuava cheio de vontade de ir para fora. Foi aí que um amigo meu, arquitecto, teve hipótese de
vir para Macau. Só que não quis. Quando me contou, eu disse-lhe ‘pera aí, vamos beber um copo ao Bairro Alto, falar sobre isso com calma’. Pouco tempo depois viemos para Macau. Ele ainda cá está, eu estou de volta.” Henrique (Bibito para os amigos - “toda a gente me conhece assim”) chegou em 1991 com a mulher, estabelecendo uma ligação eterna ao território. “Os nossos dois filhos nasceram cá.” Começou a trabalhar como designer no Instituto Cultural e depois entrou na publicidade com a sua própria empresa, a Tool Design Communication. “Trabalhava quase em exclusivo para o Governo de então. Quando foi a transição, o meu mercado de trabalho esgotou-se. Voltei a Portugal nessa altura onde, juntamente com três sócios, abri outra agência de publicidade.” A viagem custou-lhe. “Arrependi-me mal cheguei a Portugal, fiquei com a ‘síndroma do retornado’ (risos). Havia coisas que me surpreendiam imenso, os pagamentos de clientes a 30 e a 60 dias ou fornecedores que nunca cumpriam prazos de entrega. Em Macau, a palavra tem outro valor.”
LONGE DA FAMÍLIA
Nesta segunda fase em Macau, onde reina mais uma vez o optimismo, há
ainda assim uma faceta dura. “A parte familiar é complicada. O meu filho está a fazer 19 anos e a minha filha tem 15, não estão com vontade de sair de Portugal. A minha mulher também tem uma situação profissional boa. Outro dia a minha filha fez anos, estávamos a falar, ela chorava, eu chorava, as emoções estão mais presentes.” Por outro lado, as distâncias já não são o que eram, ajudando a minimizar dificuldades. “Andar de um lado para o outro é agora mais barato e a internet veio aproximar muito as pessoas. É incomparável com a separação que os portugueses já viveram. Sempre fomos para o mar (risos)!” Estar onde se gosta é a grande vantagem. “Há sempre uma saudade nos primeiros meses, mas depois Macau agarra-nos. É fascinante. E deve-se viver esta gente, esta cultura. Para viver só com portugueses e no meio da cultura lusa mais vale estar em Portugal.” Henrique identifica-se com a estética asiática, no exotismo e em tudo o resto. “Apesar de não jogar, gosto da exuberância dos casinos, o kitsch extremo e os seus ambientes, como também adoro Coloane, com as tasquinhas, as palafitas e os pescadores. Mau só mesmo não conseguir apanhar táxi ou encontrar estacionamento quando quero.”
[f]utilidades SEXTA-FEIRA 9.12.2011 www.hojemacau.com.mo
Cineteatro | PUB
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SALA 1
SEEDIQ BALE 2 WARRIORS OF THE RAINBOW [C]
(Falado em japanês & seediq)(Legendado em chinês) Um filme de: Te-Sheng Wei Com: Qing-tai Lin, Da-qing You, Zhixiang Ma 14.30, 17.00, 21.30
YOU ARE THE APPLE OF MY EYE [C]
(Falado em putonghua, legendado em chinês e inglês) Um filme de: Giddens Ko Com: Zhendong Ke, Yanxi Chen, Siu-Man Fok 19.30
Aqui há gato
Pu-Yi
SRD DOBLY SURROUND SOUND SYDTEM
[Tele]visão TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24h 14:30 RTPi DIRECTO 18:30 That 70\’s Show (Que Loucura de Família) 19:00 TDM Talk Show (Repetição) 19:30 Amanhecer 20:35 Telejornal 21:00 Ásia Global 21:30 Desperate Housewives (Donas de Casa Desesperadas) 22:15 Passione 23:00 TDM News 23:30 Evelyn 01:00 Telejornal (Repetição) 01:30 RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM
22:30
RTPi 82 14:00 14:30 15:00 16:00 17:00 17:50 19:00 20:00 21:15 22:15 22:45
Telejornal Madeira Com Ciência O Sabor da Despedida Bom Dia Portugal Velhos Amigos Fado – Património da Humanidade Estado de Graça Jornal Da Tarde O Preço Certo Estranha Forma de Vida – Uma História da Música Popular Portuguesa Portugal no Coração
STAR MOVIES 40 11:45 Death Warrior 13:20 Sorcerer’S Apprentice, The 15:15 Species Iii 17:05 Stealth 19:10 Knight & Day 21:05 The Walking Dead 22:50 From Paris With Love 00:25 Species Iii
ESPN 30 12:30 13:30 15:30 16:30 19:30 20:00 20:30 21:00 22:00
2011 International Challenge Of Champions Big East Conference Basketball Harvard vs. Connecticut 2011 International Challenge Of Champions US Open Championship 2011 3rd Round (LIVE) Sportscenter Asia Football Asia 2011/12 The Football Review X Games 17 Sportscenter Asia
Rugby World Cup 2011 New Zealand vs. Canada
STAR SPORTS 31 13:00 FIM S1 Supermoto World Championship 2011 14:00 FA Classics FA Cup 1998/99 Final Manchester United vs. New Castle United 15:00 GT Asia Round 11 16:00 Best Of Australian Open Tennis 2011 18:00 British Rally Championship 2011 19:00 FA Cup 2011/12 Luton Town vs. Cheltenham Town 21:00 FA Cup 2011/12 Highlights 21:30 (LIVE) Score Tonight 22:00 British Rally Championship 2011 23:00 Best Of Australian Open Tennis 2011
HBO 41 12:25 14:10 16:10 17:45 20:05
Unstoppable Flatliners When In Rome A Knight’S Tale The Walking Dead
CINEMAX 42 12:30 Ike: Countdown To D-Day 14:00 Terminator Salvation 16:00 The Revenge Of Frankenstein 17:30 Ace High 19:30 Hollywood Buzz 20:00 Dead Again 21:45 Epad On Max 22:00 Arachnophobia 23:50 Beverly Hills Cop Iii
Um filme de: Andrei Konchalovsk Com: Charlie Rowe, John Turturro 14.30, 16.39, 19.30, 21.30 SALA 3
ARTHUR CHRISTMAS 3D [B] (Falado em cantonense) Um filme de: Sarah Smith 14.15, 16.00, 17.45, 19.30
STARRY STARRY NIGHT [A] (Falado em putonghua) (Legendado em chinês e inglês) Um filme de: Tom Lin Shu-Yu Com: Josie Xu, René Liu, Harlem Yu 21.30
HORIZONTAIS: 1-Corcova (pl.). O m. q. contrabaixos (Mús.). 2-Vaso com asas. Amima. 3-Afecção súbita que fere como um golpe (Med.). Puxar à sirga (Prov.). 4-Corda de reboque. Gritos de dor. Omoplata da rês. 5-Fizessem sentar. 6-Leigo, laical. 7-Tiretei de frio. Alago. 8-Sal resultante do ácido fosforoso. 9-Juntas, somas. Enlaçai. 10-Fluido aeriforme. Esvaziada. Falo em tom oratório. 11-Profissão (Suf.). O cerne, o centro. Existes. VERTICAIS: 1-Instrumento de sopro com vários orifícios, que se toca com os lábios. Nome de homem. 2-Isca para a pesca (pl.). Aplicar. 3-Dês pancadas. Nome de letra (pl.). 4-Ajunto, somo. Armadura antiga para a cabeça (pl.). 5-Solitário. Anexais. Cabo da Guiné. 6-Pássaro conirrostro. Põe em foco. 7-Tua (Arc.). Tirai à força. Prata (s. q.). 8-Admiração (Interj.). Liberta, desprende. 9-Projécteis de arma de fogo. Macaco. Americano. 10-Refeição que os primitivos cristãos faziam em comum. Lavre com charrua. 11-Dão ou restituem a saúde a. Lazeres, folgas.
SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-GIBAS. TUBAS. 2-ASADO. AFAGA. 3-ICTO. T. ALAR. 4-TOA. UIS. APA. 5-ASSENTASSEM. 6-LAICO. 7-TREMI. ALACO. 8-I. FOSFITO. C. 9-ADES. O. ATAI. 10-GAS. OCA. ORO. 11-OR. AMAGO. ES. VERTICAIS: 1-GAITA. TIAGO. 2-ISCOS. DR. DAR. 3-BATAS. EFES. 4-ADO. ELMOS. A. 5-SO. UNAIS. OM. 6-TITI. FOCA. 7-TA. SACAI. AG. 8-UFA. SOLTA. O. 9-BALAS. AOTO. 10-AGAPE. C. ARE. 11-SARAM. OCIOS.
Dizem que o amor não escolhe idades. Nem escolhe, mio eu, coisa alguma. Como raças ou lugares. Vi-a pela primeira aqui em Macau, num passeio pelo parque ao fim do dia. A luz era pouca, mas as manchas brancas luzidias desenhavam cortes misteriosos no horizonte. Atraído pelas visões enigmáticas, fui-me aproximando até perceber o que era. Quem era. As manchas brancas eram pêlo que só apetecia acariciar. Mais macio do que o meu, admito. Melhor ainda, misturava-se com outro tanto de manchas pretas, num conjunto onde sobressaíam os olhos mais arrebatadores. Fiquei apaixonado no exacto segundo em que me apercebi da silhueta completa. Apaixonado por uma panda. Os primeiros dias foram fantásticos. Passeámos de pata dada pelos jardins. Dormimos em conchinha. Dei-lhe bambu à boca. Andava nas nuvens. Principalmente quando saltitava naquela barriguinha branca. Passaram-se semanas. O gato mais ternurento e a panda mais amistosa sempre juntos. Bateram-se recordes de fofura. Eu sempre a dar-lhe bambu à boca. Ao fim de uns meses, reparei que a minha vida era só patas dadas, sonos em conchinha e horas intermináveis a alimentar aquela lambona do bambu. Convidei-a para irmos dançar a uma discoteca. Não quis. Abraçarmo-nos na torre em bungee jumping. Torceu o nariz. Molharmos as patas no lago. Arrepiou-se. Mudou de assunto e pediu uma sopinha. Vocês sabem de quê. Não me tomem por egoísta, mas a minha vida sentimental precisa de algo mais do que transportes de bambu. Além de dar muito jeito, confesso, uma namorada mais leve, pois a minha agilidade felina começa a ressentir-se seriamente dos embates amorosos. A separação foi a evolução natural de duas espécies com interesses diferentes. Mas dura, claro. Daquelas que nos deixam a partir a cabeça. A pensar, por exemplo, se a incapacidade de experimentar rotinas novas é um problema dos pandas ou de quem vive em Macau. Como os jovens que não querem conhecer outras culturas ou os Governos que não estimulam a fazê-lo. Eu não sou assim. O namoro fracassado já está esquecido e até já tenho aí outra miúda fisgada. Também é uma panda... mas vermelha. Dizem que esta espécie é muito irrequieta à noite. Miau!
NUTCRACKER IN 3D [B]
Su doku [ ] Cruzadas
QUEM QUER CONFORTO QUANDO PODE TER O MUNDO?
SALA 2
[ ] Cinema
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA COZINHA D’AMIGOS• Miguel Sousa Tavares Cozinha d’Amigos não é mais um livro de cozinha. É, sobretudo, um livro sobre o gosto e prazer de cozinhar, o pretexto para partilhar com os amigos, com tempo e deleite, uma refeição elaborada com tempo e com muito carinho. Traduz, neste sentido, amar e respeitar o espaço-cozinha mais do que a cozinha-culinária, propriamente dita. Reflecte também o gosto e a filosofia de alguém que se habituou a “trabalhar” (como dizem os cozinheiros) com aquilo que Portugal tem de melhor e, às vezes, único: o peixe e o marisco, a caça e o porco, as ervas, o azeite, as batatas - e a não complicar. Neste sentido, é também um livro sobre a superioridade da cozinha natural, simples e de amigos, em relação à cozinha de autor, à “Nouvelle Cuisine” e ao “show-off” a ela associado. PAPA-QUILÓMETROS• Ljubomir Stanisic Papa-quilómetros - Caminhada pela gastronomia portuguesa é um livro de culinária. Não só, mas também. Uma obra que teve vários formatos e acabou por ser aquilo que tinha de ser: uma homenagem às coisas boas da vida, a Portugal, aos produtos portugueses, ao povo, aos amigos, à família, às viagens... à cozinha. Dez capítulos, dez localidades, somados a inúmeros ingredientes locais igual a muitas receitas assinadas pelo chefe de cozinha jugoslavo mais português de sempre. Ljubomir Stanisic fez de cada capítulo um hino às tradições nacionais e mostra como conhece Portugal muito melhor que muitos portugueses. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
REGRAS |
Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR
OPINIÃO
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21 ed i t or i a l Carlos Morais José
Quem pensa mete medo? AAPOMAC,umaassociaçãoconstituída por seniores desta sociedade, apresentou um plano para o futuro de Macau. Trata-se de um documento bastante completo e repleto de propostas inteligentes, exequíveis e necessárias. Não sabemos se o Governo prestou a exigível atenção a este documento, mas o que o que nos deixa satisfeito é saber que existe nesta terra quem a pense e bem. De facto, a julgar pelos “think-tank” promovidos pelo Executivo, estaríamos num local onde pensar enferruja o cérebro. Não se percebe o que, afinal, andam aqueles génios cuidadosamente seleccionados a fazer, a pensar, a produzir. Conclusão: oiçam as pessoas locais que são as que estão melhor colocadas para emitir opinião numa terra conhecida pela sua complexidade social e cultural. É muito natural que para um especialista estrangeiro surjam imediatamente soluções cuja aplicabilidade esbarrará com a realidade local. Para compreender isto, para escapar a armadilhas, não basta estudar: é preciso viver, sentir, comungar com esta cidade e os seus habitantes. Logo, não será numa semana, num mês, num ano, que um recém-chegado poderá tirar conclusões eficazes. Pelo contrário, muitos valores locais encontram-se a pairar num limbo ou não são suficientemente ouvidos por quem tem a faca e o dinheiro na mão. É o caso de personalidades como Carlos Marreiros e António Conceição Júnior, por exemplo, cujas capacidades, criatividade e experiência não são, na minha opinião, devidamente aproveitadas. Ou de homens como Jorge Fão, na área social, ou Jorge Neto Valente, na política e judiciário. Estes são apenas alguns exemplos, mas muitos outros existem por esta cidade fora. O problema é que talvez o Governo da
É muito natural que para um especialista estrangeiro surjam imediatamente soluções cuja aplicabilidade esbarrará com a realidade local. Para compreender isto, para escapar a armadilhas, não basta estudar: é preciso viver, sentir, comungar com esta cidade e os seus habitantes. RAEM, na esteira do general Rocha Vieira, deteste ver a seu lado quem de facto tem talento, ideias e ambições para esta cidade. Pois é: diz-me com quem andas e eu te direi quem és. * Nesta edição do Hoje Macau, uma oportuna entrevista de Helder Fernando a Choi Wai Hao, director da Escola de Línguas e Tradução do Instituto Politécnico, reafirma uma vez mais o que andamos a ficar carecas de dizer: Macau é a ponte ideal da China para a Lusofonia e o ensino e uso do Português deveriam ser cada vez mais desenvolvidos. É também por aí que a identidade própria da RAEM se afirmará. Isto parece ser lógico, ser óbvio, ser desejável. Resta perguntar por que razão se encontram ainda tantas resistências a este desiderato de Pequim. Falta de patriotismo ou mera cegueira sulista? Venha o demo e escolha. * O belicismo americano no Pacífico está a provocar reacções da China. Esta semana, o presidente Hu Jintao disse à sua marinha para se preparar para o combate, ou seja, a coisa vai escalando, pouco a pouco. Esperemos que não até ao confronto final. Os americanos, com toda a hipocrisia deste
e do outro mundo, continuam a pretender o domínio absoluto do planeta, embora tenham já compreendido que os seus melhores tempos já passaram. Contudo, ainda fazem mossa, ainda chateiam, ainda se intrometem, pelos piores motivos, na vida dos outros povos. Que os chineses mantenham uma das suas mais veneráveis virtudes: a paciência. Nós, os Ocidentais, é que já não suportamos mais ver os nossos valores utilizados com cinismo e inverdade, por quem deles faz mera propaganda para assegurar o domínio económico e político. Os EUA estão mais em posição de questionar as suas práticas democráticas do que em recomendá-las aos outros. O país é um pesadelo pendular que oscila entre os lóbis democrata e republicano, fincando os pés na mentira e na corrupção. Os manifestantes de “Ocupy Wall Street”, em Nova Iorque ou Seattle, são tratados pela polícia com mais violência que os críticos de Putin na Rússia mas isso não coíbe os governantes americanos de criticarem e opinarem sobre o que se passa em países estrangeiros. Seja como for, o que se perfila no horizonte é uma nova corrida aos armamentos, provocada pelos EUA na Europa, com a instalação da cortina de defesa anti-míssil, e no Pacífico com o reforço de bases militares e envio de soldados. Claro que sabemos quem ganha com isso. E também temos tristes exemplos de como essas corridas costumam, normalmente, acabar.
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OPINIÃO
22 p er sp ect i va s Jorge Rodrigues Simão
Desarrumação mental “A maioria das pessoas vive, quer seja física, intelectual ou moralmente num círculo muito restricto das suas possibilidades. Todos temos reservas de vida, que nem sequer sonhamos”. William James
V
IVEMOS numa época de relativismo moral e ético não causando nenhum espanto que os princípios judaico-cristãos sejam muitas das vezes opostos à cultura institucionalizada, não sendo necessário fazer qualquer esforço de ajustamento ou de adaptação. Os valores societários a viver, devem ocorrer em termos multiculturais e transculturais, adaptando-os a cada situação que enfrentamos. Na realização dessa efectivação quotidiana, necessitamos de possuir uma mente limpa e calma, que saiba catalogar os valores e aplicá-los a cada momento sem prejuízo da mesma e do social. Mas o tempo que vivemos, para além das várias crises que assolam o mundo, desde a sistémica ocidental de cariz financeiro-económico, com fortes consequências no tecido social dos Estados, traduzido no aumento do desemprego, da pobreza, da marginalidade, da exclusão social e da criminalidade, fatalmente fazem agravar a crise de valores, atingindo directamente o nosso mundo mental. Os Estados inseguros quer interna, quer externamente, relaxam-se nas políticas publicas incapazes de implementá-las por falta de meios e perante contestações violentas de sectores da sociedade. Uma das políticas públicas mais atingidas é a da saúde ao longo dos tempos, e que há muito feridas no seu âmago, merecem cura imediata, mais quando a tantas crises se soma talvez a maior de todas, que é a de vivermos num mundo de desarrumação mental. Se pouco se cuidava do ente físico corpo e quase nunca do ente psíquico, nestes velhos-novos tempos é deixado ao cuidado do acaso. As políticas de saúde dos países cada vez falam menos na saúde pública mental. Universidades e cursos são criados sem o cuidado de focar um dos aspectos fundamentais dos direitos dos seres humanos, que é o singular direito à saúde e aos seus cuidados e que atinge a sua concretização na qualidade de paciente, quando da mesma carece, e que deve ser considerado como entidade psicofísica e não apenas física, como
objecto de aplicação das melhores tecnologias médicas existentes (na unidade hospitalar do país em que se encontra). Tal conceito deriva do de saúde, conforme é definido pela “Organização Mundial da Saúde (OMS)”, como sendo uma situação de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a não existência de doença, daí que a mesma não se limita apenas à entidade física do indivíduo, indo muito além e abrangendo a sua mente, emoções e as suas relações com a sociedade, pelo que todos os demais sectores concorrem, em particular, o económico para a concretização desse direito fundamental, fazendo envolver as instituições sociais e revelado por meio das diversas políticas públicas dos países. Será possível atingir esse total bem-estar físico, mental e social definido pela OMS que afinal nada mais é que a humanização da medicina? Não deixando dúvidas de interpretação e aplicação, a designada como “Primeira Conferência Internacional sobre a Promoção da Saúde”, realizada em Ottawa, em Novembro de 1986, que elaborou a designada por “Carta de Ottawa”, cuja pretensão quanto às intenções é da população mundial atingir o que foi designado por “Saúde para Todos no Ano 2000” e anos seguintes. Essa “Conferência” foi uma aceitação às esperanças crescentes numa nova perspectiva de saúde pública que se anseia a nível mundial. Os trabalhos da dita conferência focaram essencialmente as carências reveladas na saúde dos países desenvolvidos, sendo estudado as mesmas igualmente, para os países em desenvolvimento e todos os demais das restantes regiões do mundo sub-desenvolvido, onde a situação parece não ter grandes possibilidades de tratamento e menos de cura a longo prazo. Os trabalhos tiveram por base a “Declaração de Alma-Ata para os Cuidados Primários em Saúde”, cuja conferência se realizou nessa cidade da então União Soviética, entre 6 e 12 de setembro de 1978, onde pela primeira vez e na alínea primeira se expressa a dita necessidade da saúde ser considerada como um completo estado de bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade, mas também considerada como um direito humano fundamental, e que a realização do mais alto nível possível de saúde é o mais importante objectivo social mundial, cuja efectivação requer a acção de muitos outros sectores sociais e económicos. A alínea segunda, põe enfâse na gritante desigualdade existente no estado de saúde dos povos, particularmente entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, assim como no interior dos mesmos, e é política, social e economicamente inaceitável e constitui, portanto, objecto de preocupação comum de todos os países.
Aalínea terceira, defende que o desenvolvimento económico e social baseado numa ordem económica internacional (interessante que apesar de se realizar em época de pleno vigor do comunismo soviético e de guerra-fria, anuncia os presságios para o nascimento de uma nova ordem económica internacional, que seria o suporte de realização das políticas públicas de cariz social, como a da saúde e a do desenvolvimento económico social e que apareceram com novos desenhos, após a queda do Mundo de Berlim, em 9 de Novembro de 1989) é de importância fundamental para a mais plena realização do fim da “Saúde para Todos no Ano 2000” (idos sem que tal melhorasse, antes pelo contrário, se começaram a delinear os contornos definitivos para a derrocada do considerado “Estado de bem-estar”, em completa falência no presente). Tem ainda em consideração, que para a redução da lacuna existente entre o estado de saúde dos países em desenvolvimento e o dos desenvolvidos, a promoção e proteção da saúde dos povos é essencial para o contínuo desenvolvimento económico e social e contribui para a melhor qualidade de vida e para a paz mundial. Algo que os países igualmente, pouco ou nunca aplicaram e que tem ficado pela retórica das palavras como é usual, e é abordado na alínea quarta, como sendo o direito e o dever dos povos de participarem (de forma activa) individual e colectivamente no planeamento e na implementação dos cuidados de saúde.
Será possível atingir esse total bem-estar físico, mental e social definido pela OMS que afinal nada mais é que a humanização da medicina? A maioria dos governos dos países subscritores definitivamente esqueceram-se mais uma vez, do que subscreveram e que constitui a abordagem efectuada na alínea quinta, de que é apenas e tão só, que a saúde é uma responsabilidade dos governos (não dos cidadãos como se tenta fazer crer ou impingir) que só pode ser realizada por meio de adequadas medidas sanitárias e sociais, e que um dos seus principais desideratos (como foi referido) das políticas sociais dos governos, das organizações internacionais e de toda a comunidade internacional na década de 1980 (ida) de que todos os povos do mundo, até ao ano 2000, atinjissem um nível de saúde que lhes permitisse levar uma vida social e economicamente produtiva e que os cuidados primários de saúde constituissem a chave para que esse objectivo fosse atingido, como parte do desenvolvimento, num espírito de justiça social.(na realidade o recuo foi significativo)
A alínea sexta, aborda a questão do que são cuidados de saúde primários, devendo ser os essenciais baseados em métodos e tecnologias práticas, cientificamente bem fundamentadas e socialmente aceitáveis, colocadas ao alcance universal de indivíduos e famílias da comunidade, mediante a sua plena participação e a um custo que a mesma e o país possam manter em cada fase do seu desenvolvimento, num espírito de autoconfiança e automedicação. Daí, que devem fazer parte integrante tanto do sistema de saúde do país, do qual constituem a função central e o foco principal, quanto do desenvolvimento social e económico global da comunidade e representam o primeiro nível de conctato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde, pelo qual os cuidados de saúde devem ser levados o mais proximamente possível aos lugares onde as pessoas vivem e trabalham, e devem constituir o primeiro elemento de um continuado processo de assistência à saúde. O elenco dos principais princípios que constituem os cuidados primários de saúde vêm rigorosamente elaborados na alínea oitava, sobressaindo desde logo, entre os sete subdividos que os constituem, o de por exemplo, atentos os principais problemas de saúde da comunidade, devem proporcionar serviços de protecção, cura e reabilitação, conforme as necessidades (não dos serviços das instituições hospitalares, mas dos pacientes e quem não os cumprir sejam instituições e agentes da saúde violam não apenas um instrumento internacional vigente no direito dos países subscritores de carácter supra constitucional e parte integrante das regras e princípios constitutivos da OMS. É impossível a prestação de cuidados de saúde por parte das instituições e dos seus agentes, em violação a tais regras e procedimentos. É através da educação e sensibilização dos cidadãos que é possível fazer que participem nas políticas dos governos, as compreendam e aceitem. Não é pela imposição do desconhecido que os governos conseguem a adesão dos cidadãos às suas políticas. O direito à participação da colectividade na elaboração das políticas sociais é um acto de cidadania, cujo seu exercício pleno pressupõe a titularidade de direitos civis, políticos e sociais. Apesar de se encontrar plasmada ou resultar das constituições dos Estados, a cidadania plena é ainda incipiente e gatinha. Só é possível exercer a cidadania no conhecimento que origina a mudança de mentalidades e atitudes. A sabedoria é a única fonte da mudança pessoal como disse Suzuki, num outro contexto mas aplicável ao presente, de que “Sou um artista da vida; a minha obra de arte é a minha vida”. A cada um cumpre realizar a sua obra de arte, que por certo não será pinceladas à toa, esfacelar a escultura ou rasgar a tela.
Ciclone
Os americanos, como de costume, continuam a ser o travão de qualquer acordo para diminuir a emissão de gases a nível global. Por Fernando
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OPINIÃO
u m g r i t o n o d eser t o Paul Chan Wai Chi*
10 dias que não abalaram Macau
S
E assistiu à transmissão em directo dos 10 dias de debate sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG) na Assembleia Legislativa (AL), pela televisão ou pela rádio, penso que a audiência deverá ter achado o debate uma chatice, graças ao desempenho dos seus participantes, e que o design do debate era um arranjinho. As questões colocadas pelos vários deputados foram respondidas a todas de uma vez, o que provocou dispersão. Algumas perguntas só tiveram resposta no dia seguinte a serem apresentadas, o que não foi nada apreciável. Não houve diálogos imediatos nem troca de opiniões entre deputados e representantes do Governo. Os discursos feitos por ambas as partes transformaram-se em auto-narrativas. Os 30 minutos a que os deputados tinham direito para exporem as suas ideias foram encurtados para 15 minutos. E em nome de dar atenção a todas as questões a levantar, todas tiveram de ser espremidas nesse quarto de hora. O resultado foi que o enfoque se perdeu e os discursos feitos pelos deputados pareceram-se com o “uso da palavra no período de antes da ordem do dia”, que é meio desinteressante. No que diz respeito à forma como os representantes do Governo responderam às questões levantadas pelos deputados, acabaram por ser respondidas uma a uma. Mas este ano, talvez por haver demasiadas pessoas presentes nas
Se o resultado das sessões de debate for frutífero e acompanhado de respostas substanciais do Governo, a fortuna até terá sido bem gasta. Caso contrário, é um grande desperdício de dinheiro, o que não é do interesse de Macau. sessões de debate, os representantes governamentais optaram por responder de uma forma orientada por tópicos. Nalguns casos, as perguntas feitas por alguns deputados não foram de todo atendidas pelos funcionários do Governo. Essa forma de debate deve ter feito com que a TDM perdesse audiência nas suas transmissões em directo das sessões de debate. Com o desejo de tornar as sessões de debate menos maçadoras, aproveitei o período de intervalo para falar com outros deputados à minha volta sobre a possibilidade de introduzir uma mudança na fórmula da sessão de debate no próximo ano. A minha ideia é que cada deputado tenha direito a 15 minutos para colocar as suas questões, mas que durante esse período o deputado e representante do Governo possam interagir. Primeiro, o deputado usaria cinco minutos para colocar perguntas, depois o governante teria cinco minutos para responder; então, o deputado teria dois minutos para replicar às respostas do Governo e, por último, o governante teria os restantes três minutos para dar explicações relativas às últimas opiniões e questões feitas pelo deputado. Esse seria
um ciclo completo para um deputado. Cada parlamentar teria os seus 15 minutos e, se tudo corresse bem, poderia mesmo ter lugar a uma segunda ronda, com cada deputado a dispor de mais 15 minutos. Dessa forma, os deputados poderiam focar-se nas questões que trariam, enquanto os representantes do Governo teriam de responder ou dar “feedback” às questões e opiniões dos deputados. Além disso, o fluxo da sessão de debate seria acelerado, enquanto o conteúdo e objecto da discussão tornar-se-ia mais preciso e claro. No final das contas, a capacidade de debate dos deputados e representantes do Governo melhorariam com o tempo. Pergunto-me se o Conselho Executivo da AL irá aceitar esta sugestão! De facto, a cultura parlamentar de Macau precisa de melhorias. Não se pode tentar manter a estabilidade em cada questão levantada para discussão ou tentar escapar à discussão sobre essas questões. Não se pode transformar as coisas em chacota com o propósito de tentar ganhar atenção pública através da invenção de notícias. A razão é que a AL é um local solene usado para discussão e debate. Se eu
tivesse de escolher entre as diferentes formas de debate parlamentar, sou um adepto da utilizada em Inglaterra. O parlamento inglês permite o método mais liberal e com o mais elevado grau de liberdade nas suas sessões de debate. As duas partes em debate interagem e isso acaba por ajudar a elevar a qualidade das sessões de debate. Areforma política de Macau será lançada mais tarde, de acordo com a agenda. O desempenho dos deputados de diferentes sectores pode mesmo ser usado como referência para rever a alocação de assentos na AL. Se os deputados eleitos por um determinado sector tiverem sido muito capazes na maximização da funcionalidade da AL, valerá a pena manter esse sector e desenvolvê-lo. Se assim não for, esse sector deveria passar à história. Durante os 10 dias de debate, muitos dos representantes do Governo apareceram diante dos 31 deputados que estiveram presentes. E com 40 horas de trabalho, isso deve ter custado ao Governo uma fortuna. Se o resultado das sessões de debate for frutífero e acompanhado de respostas substanciais do Governo, a fortuna até terá sido bem gasta. Caso contrário, é um grande desperdício de dinheiro, o que não é do interesse de Macau. *Deputado e presidente da Associação Novo Macau Democrático
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Redacção Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Lia Coelho; Nuno G. Pereira; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Carlos Picassinos; Hugo Pinto; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros; Vanessa Amaro Colunistas Arnaldo Gonçalves; Carlos M. Cordeiro; Boi Luxo; Correia Marques; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Peng Zhonglian Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
c a r t o on
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por Steff
MACAU TRÊS NOVOS LIVROS O Instituto Internacional Macau, lança hoje, sextafeira, pelas 18h00, nas suas instalações, três novos livros. Em representação do Governo de Macau, Rita Santos, Secretária Geral Adjunta do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, apresenta “Novos Caminhos”,“À Descoberta da China e dos Países Lusófonos - Potencialidades Turísticas e Estratégias Promocionais”, uma publicação que pretende ser mais um contributo para um conhecimento amplo do mundo lusófono. Os outros dois títulos anunciados são “P. Benjamim Videira Pires, Meu irmão”, da autoria do Padre Francisco Videira Pires, e “Luigi Versiglia e Calisto Caravario,– Mártires Salesianos na China”, escrito pelo jornalista Luís Cunha ITÁLIA DETIDO LÍDER DA MÁFIA A polícia italiana deteve Michele Zagaria, líder do clã “Casalesi”, uma das famílias mais poderosas da Camorra, a máfia napolitana, divulgou a agência noticiosa ANSA. Zagaria, de 53 anos, era um dos elementos da Camorra mais procurados pela Justiça, sem paradeiro conhecido desde 1995. Acusado de associação criminosa mafiosa, homicídio, posse ilegal de armas e extorsão, constava na lista dos dez fugitivos mais perigosos de Itália. Foi encontrado num esconderijo subterrâneo, localizado numa das suas residências na província de Caserta. SEXO AUMENTA O NÚMERO DE SEXTING São muitas fotos e vídeos com teor sexual a circular nos telemóveis e emails. Sexting foi o nome arranjado para esta partilha de conteúdos, que cada vez mais cresce entre os adolescentes sem que estes se apercebam dos perigos inerentes à exposição da sua intimidade. “Autoridades públicas, legisladores e educadores enfrentam um aumento do número de jovens que se auto-retratam durante as relações sexuais e ainda uma minoria que grava essas imagens e depois as divulga, tanto pelo telemóvel como pela Internet”, avisa o Centro de Investigação de Crimes Contra Menores da Universidade de New Hampshire, que acaba de publicar os resultados do primeiro estudo nacional dos EUA sobre o sexting. As raparigas são quem mais se deixa fotografar.
PUTIN OUTRA VEZ
Terrenos | Questionados benefícios aos casinos
Barato para quem já tem Virginia Leung
A
virginia.leung@hojemacau.com.mo
“Lei de Terras” está claramente desactualizada e os prémios previstos são muito inferiores ao nível de mercado. A crítica foi lançada pelo deputado da Assembleia Legislativa (AL) Chan Meng Ka.Apresentou uma interpelação escrita a alertar para a gravidade de uma situação que, na sua opinião, leva a que as pessoas ponham em dúvida se tudo não passará de um arranjo do Governo para beneficiar com terras baratas as grandes multinacionais do jogo. Chan Meng Kam atacou duramente o que considera ser um desajuste entre o objectivo do “Centro Mundial de Turismo e Lazer” e os desenvolvimentos do Cotai. Considera que deveriam ter um enfoque não apenas na indústria do jogo, mas adoptar outros elementos turísticos. O sistema de audiência pública foi também defendido pelo deputado como uma forma de deixar que o público tivesse uma compreensão
mais abrangente de tudo o que está em causa e apresentasse sugestões e opiniões. Por essa razão, defende, talvez as candidaturas de casinos à atribuição de terrenos devessem ser submetidas também a audiência pública. A resposta oficial da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSOPT) à interpelação de Chan Meng Kam veio no final do mês passado, pela voz do director do organismo. Jaime Roberto Carion afirmou que a RAEM vinha seguindo minuciosamente o desenvolvimento e actividades da indústria do jogo, para garantir que as empresas concluíssem os projectos de investimento a que se propuseram. Qualquer atribuição de terrenos para a construção de recintos de jogo, garante, será sempre submetida a uma consideração cuidadosa e irá seguir à risca a “Lei de Terras” e legislação relevante, tendo em conta a experiência anterior com o candidato, o seu estado financeiro e outros factores que permitam uma avaliação abrangente. O Governo, sublinha Carion, está
“constantemente a rever e a ajustar as formas de estabelecimento dos prémios de terras” para os conteúdos anexos e já procedeu a revisões em 2004 e 2007. O director da DSOPT lembrou que o Governo, em relação aos prémios de terras, teve ainda um terceiro ajustamento na segunda metade de 2010, para uma revisão abrangente. E não deixou de destacar as várias consultas públicas que já foram feitas e grupos de trabalho encarregados de recolher opiniões para optimizar o conteúdo da “Lei de Terras”. Acrescentou ainda que há um esboço a ser analisado pela Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça, a ser apresentado à AL antes do próximo ano. Sobre a audiência pública, Carion afirmou que tal sistema tem sido utilizado desde 2008 - com um foco em questões que chamam mais a atenção da sociedade, que afectam a paisagem e os projectos que implicam construções de determinada dimensão - mas admitiu que o sistema poderia ainda ser alvo de melhoramentos no futuro.
PEQUIM | QUEDA DO YUAN MOSTRA INDEPENDÊNCIA DO MERCADO
“Desvalorização é bom sinal” O yuan começou a dar sinais de desvalorização e a taxa de câmbio em relação ao dólar registou a primeira descida dos últimos três anos. Para o Governo chinês, trata-se de um bom sinal e da prova de que a taxa de câmbio do renminbi não é controlada por Pequim, estando sujeita aos ajustamentos naturais do mercado. Citado pelo jornal “Ou Mun”, Chong Quan, representante interino do Ministério do Comércio da República Popular da China para a área do comércio internacional, foi peremptório em considerar que a desvalorização do yuan era “muito bom sinal”, confirmando que a moeda não era manipulada ou controlada pelo Governo da China. A depreciação tratava-se assim pois de uma flutuação ditada pelos movimentos e pela procura do mercado. Mas é possível que o yuan tenha espaço para continuar a
crescer? Chong Quan considera que sim, mas lembra que isso irá depender das flutuações do mercado – é possível voltar a subir, mas também pode desvalorizar continuamente, num movimento do tipo “onda”. Poon Hon San, director de planeamento de negócios da Hong Kong and Shanghai Banking Corporation (filial de Hong Kong), considera que a moeda chinesa deve finalmente afirmar-se no espaço da livre troca e estima que, por volta de 2020, o yuan possa ser a terceira moeda mundial em montante líquido. No entanto, prevê, o renminbi não deverá anexar qualquer outra moeda. Quanto à desvalorização verificada, considera que uma pequena flutuação entre 1% e 2% – seja valorização ou desvalorização – faz parte de um “desenvolvimento saudável” e, por isso, não deve ser vista com pessimismo. - V.L.
EGIPTO IRMANDADE MUÇULMANA VENCE PRIMEIRA FASE ELEITORAL O braço político da organização islamista Irmandade Muçulmana, o Partido Liberdade e Justiça, venceu a primeira das três fases das eleições legislativas egípcias, segundo os resultados oficiais divulgados hoje pela comissão eleitoral e citados pela agência Efe. O Partido Liberdade e Justiça obteve 36,6% dos votos, logo seguido pelo partido salafista Al-Noor, com 24,3%, e os liberais do Bloco Egípcio, com 13,3%. Os resultados oficiais foram divulgados no dia em que o novo governo tomou posse. STANDARD & POOR’S PÕE UE SOB VIGILÂNCIA A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) colocou sob vigilância o ‘rating’ que atribui à dívida da União Europeia (UE), de AAA, o melhor nível possível. A UE está impedida de emprestar dinheiro directamente aos Estados para financiarem os seus défices orçamentais. No entanto, já emitiu obrigações com maturidade a cinco e a 15 anos para financiar a ajuda dos países membros em dificuldades, nomeadamente Hungria, Roménia, Grécia, Irlanda e Portugal. A S&P, que atribui o triplo A à UE desde 1976, explicou, em comunicado, que o financiamento da União vai sofrer com as consequências da crise de dívida pública da Zona Euro. VENEZUELA MAU TEMPO DESALOJA 2000 PESSOAS O mau tempo continua em várias regiões venezuelanas, entre elas a cidade de Caracas, onde nas últimas horas os bombeiros desalojaram preventivamente duas mil pessoas e o número de mortos subiu para três. O número de desalojados foi confirmado pelo comandante dos Bombeiros do Distrito Capital, William Martínez, que disse ainda que as actuais condições meteorológicas se manterão por mais 72 horas. EUA MANIFESTANTES EXIGEM MAIS IMPOSTOS PARA RICOS Mais de mil pessoas de vários pontos dos Estados Unidos, incluindo sindicalistas, desempregados e activistas anti-Wall Street, manifestaramse na quarta-feira, em Washington, pelo emprego e por uma fiscalidade mais pesada para os mais ricos. Segundo a agência AFP, a polícia identificou 62 manifestantes.