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HM-9-1-12

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEGUNDA-FEIRA 9 DE JANEIRO DE 2012 • ANO XI • Nº 2526

Ter para ler

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Reforma política continua dominada pelo mundo masculino

Menina entra... mas pouco

As mulheres são mais de metade da população da RAEM, mas na Assembleia só há 4 em 29 deputados. Vários países criaram quotas e Portugal foi um deles. Maria de Belém Roseira ajudou a impor a lei e explicou a luta ao Hoje Macau. “As mulheres não podem ser apenas destinatáriasdas decisões dos homens.”

TRIBUNAL DEU OK

ETAR DA PENÍNSULA DE MACAU JÁ PODE AVANÇAR Última

PÁGINA 4

PROBLEMA EM VÁRIOS PAÍSES

IMPLANTES MAMÁRIOS DEFEITUOSOS DEIXAM CHINESAS EM PÂNICO Página 2

BENFICA VENCE FC PORTO

ENCARNADOS MOSTRAM MAIS FUTEBOL Página 12


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ACTUAL

Implantes mamários da PIP causam pânico

Escândalo mundial chega às chinesas

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MA reportagem saída num jornal chinês de economia, sobre a possibilidade de os implantes mamários produzidos pela empresa francesa PIP conterem produtos cancerígenos, causou o pânico entre muitas utilizadoras de implantes na China. A PIP (Poly Implant Prothése) entrou no mercado chinês em 2009, mas muitos cirurgiões plásticos declararam entretanto ter deixado de usar esses implantes, recorrendo agora a produtos americanos. Os implantes da PIP foram vendidos em 66 países por todo o mundo, em grande parte devido ao seu baixo custo. Estas próteses, sabe-se agora, possuem um gel industrial usado como aditivo para combustíveis e que também é empregue na construção de navios. Segundo os processos que decorrem em alguns países, são defeituosas, com risco de rompimento, calculando-se que tenham aplicadas em mais de 400 mil mulheres.

INDIGNAÇÃO GLOBAL

Depois das manifestações em França, também na Venezuela um grupo de mulheres tem um documento

a correr no Facebook, com cerca de duas mil assinaturas, onde exigem aos tribunais a extracção segura dos implantes e a sua substituição por outros certificados como biologicamente seguros. Enquanto isso, na Austrália, um outro grupo, de cerca de 4.500 mulheres, pondera a possibilidade de apresentar uma queixa colectiva.

CIRURGIAS A ORIENTE

A aplicação de implantes mamários começou a ser feita na China em 1990 e desenvolveu-se rapidamente, em função do aumento da população e do crescimento económico do país. Os produtos da francesa PIP foram usados por cirurgiões um pouco por todo o lado, de Pequim a Xangai, Fujian, Anhui e Guangdong. Embora um representante da PIP na China declare não existirem provas sólidas de que o produto aplicado nos implantes seja cancerígeno, o pânico parece estar instalado, não se sabendo para já qual o número exacto de pessoas afectadas. O que se sabe é que a China já é o terceiro país do mundo a usar esta cirurgia, com cerca de 100 mil operações por ano, a seguir aos Estados Unidos, com 400 mil, e Brasil, 150 mil.

WEN JIABAO QUER MAIS CONTROLO DO RISCO BANCÁRIO

O MAIS DE 4 MIL FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS PUNIDOS

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S autoridades chinesas informaram que 4.843 funcionários chineses de altos cargos foram castigados em 2011 por delitos disciplinares, indicou o diário “China Daily”. O porta-voz do Departamento de Inspecção Disciplinar do Comité Central do Partido Comunista da China, órgão máximo da disciplina no país, Cui Shaopeng, disse que 777 do total dos funcionários foram transferidos para os departamentos judiciais respectivos.

primeiro-ministro chinês Wen Jiabao defendeu o reforço do controlo dos riscos bancários e mais acções para ajudar os empresários a manterem o crescimento económico e assim fazer face a uma possível desaceleração global. Wen Jiabao disse numa conferência sobre planeamento financeiro realizada este fim-de-semana que as indústrias financeiras chinesas estão saudáveis mas que enfrentam riscos. O líder chinês não adiantou, porém, detalhes sobre as eventuais reformas para fortalecer os mercados relativamente aos empréstimos.

CELEBRAÇÕES DO NOVO ANO LUNAR

Migração em massa A

maior migração anual de pessoas começou na China, com milhões a atravessarem o país de transportes públicos para as celebrações do novo ano lunar. O governo estima que o número de passageiros em viagens de comboio, avião, barco e autocarro ascenda aos 3,2 mil milhões por ocasião do Ano Novo Chinês, a mais importante festividade das famílias chinesas, também conhecida por “Festival da Primavera”, o que a concretizar-se significará um aumento de 9,1% em relação ao ano passado. O ministro da segurança pública advertiu os automobilistas sobre as “severas

condições climatéricas”, com previsões de nevoeiro, chuva e neve em várias regiões do país, durante as celebrações que terminam a 16 de Fevereiro. Apesar da festividade ter oficialmente início a 23 de Janeiro, a procura anteci-

pada de bilhetes tem vindo a provocar grandes filas há já algumas semanas, com os trabalhadores migrantes, desesperados por regressar às suas terras natais, a esperarem horas ou até dias para conseguirem comprar os bilhetes de viagem.


A inaceitável desvalorização do valor social do trabalho conduz à generalização de expressões que vamos escutando a todo o momento, com a novilíngua dominante a procurar disfarçar o vazio de ideias e (o que é pior) o vazio de sentimentos. Trabalhadores? Que expressão tão fora de moda... Professores? Jornalistas? Técnicos disto ou daquilo? Népia. “Colaboradores”, isso sim. Pedro Correia, P.15

TAIWAN | DETIDO CANDIDATO ÀS ELEIÇÕES

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m político independente candidato a um lugar de deputado no Parlamento de Taiwan foi detido na sextafeira por alegadamente ter comprado votos para as eleições da próxima semana. Segundo os procuradores, o candidato foi preso após uma busca à sua sede de campanha e residências de alguns dos seus principais apoiantes. As autoridades não identificaram o suspeito nem especificaram o montante despendido na compra dos votos, mas a imprensa local publicou fotos do político Tseng Wen-chen algemado e a ser levado pela polícia. A mãe do político já proclamou a sua inocência e disse acreditar que o filho irá levar a eleição até ao fim. Tseng, agora candidato independente, era membro do partido no governo (Kuomintang).

COREIA DO NORTE | VOLTA A CASA PARA PESCADORES

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S três tripulantes de um pesqueiro norte-coreano que alcançou a costa japonesa na sexta-feira, depois de dias à deriva, pediram para regressar ao país de origem, informou a cadeia japonesa NHK. Junto aos três pescadores, que asseguraram que a sua intenção não era desertar, foi encontrado o cadáver de outro tripulante que terá morrido devido “a esgotamento”.

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Fábrica chinesa de produto alimentar com aditivos letais

O óleo da infertilidade masculina

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a lume quando, numa visita de negócios à fábrica, um vendedor - que posteriormente contactou o repórter - estranhou haver espalhadas pelo chão, ao sol, garrafas de óleo congelado de várias marcas. Mais tarde o jornalista foi “contratado”como empregado da fábrica, para misturar óleo. Durante o estágio, o proprietário mostrou-lhe as essências que deveria usar para dar ao óleo o sabor do amendoim, declarando que ficaria muito caro usar amendoins verdadeiros. Acrescentou ainda que não tinha declarado o uso de essências aromatizantes às autoridades, porque isso dava muito trabalho. Depois das essências, o proprietário acrescentou o gossipol, “para ficar com uma cor mais atraente”. Segundo o jornalista, o gossipol não parecia ser o mais adequado à confecção de óleo, assemelhando-se mais a óleo diesel. As condições sanitárias da fábrica também estavam longe de ser as melhores e no processo de fabricação eram por vezes usados óleos fora do prazo de validade. As refeições dos empregados são também cozinhadas com o referido óleo, o que levou o jornalista a comer apenas arroz e vegetais frescos durante o tempo que lá permaneceu.

MA fábrica de Dongguan, na província de Guangdong, foi descoberta a produzir “óleo de amendoim” que não continha vestígio algum deste oleaginoso. Além disso, o produto provoca encolhimento testicular, conduzindo à infertilidade masculina, segundo relata o jornal The Sun de Hong Kong. Um jornalista fez-se passar por empregado da fábrica, escrevendo depois que o agente responsável pela infertilidade poderá ser o gossipol, um fenol natural que deriva do algodão e foi encontrado na composição do óleo. O caso pode afectar cerca de uma dúzia de produtos, incluindo uma famosa marca de noodles, a Master Kong. Algumas das marcas contêm rótulos com o referido óleo, embora se duvide da veracidade dos mesmos.

AMENDOINS NEM VÊ-LOS

A ‘Zhontang Yonglong” produzia “óleo de amendoim”, misturando restos de óleo de desperdícios com óleo de soja, de palma e essências aromatizantes. Cerca de 3,5 toneladas da mistela são produzidas e vendidas diariamente nas maiores cidades da província, como Shenzen, Dongguan e Foshan. O caso veio pela primeira vez

AGÊNCIA NOTICIOSA ESTATAL DA CHINA FALA SOBRE ESTRATÉGIA DOS EUA NA ÁSIA

Se vierem por bem está tudo bem A

agência noticiosa oficial Nova China considerou positiva a nova política de defesa norte-americana, que reforça a presença na Ásia, mas avisou que deverá ter como objectivo a paz e a estabilidade na região. Na quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou a nova política, que defende a preparação americana para responder a desafios de países como a China, mas o governo

FILIPINAS | GRUPO TERRORISTA DESTRÓI PONTE

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grupo extremista Abu Sayyaf, com ligações à AlQaida, destruiu no sábado uma ponte usada pelas forças do governo e população no sul das Filipinas, sem causar vítimas. O porta-voz da polícia filipina, Agrimero Cruz, disse que a explosão, de grande dimensão, para derrubar uma ponte na localidade de Patikul, na ilha de Jolo, não causou feridos.

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chinês ainda não teve uma reacção oficial. “O papel dos Estados Unidos, se for cumprido de forma positiva e sem mentalidade de guerra fria, será não somente favorável à estabilidade e à prosperidade regionais, mas igualmente bom para a China”, refere o comentário da agência noticiosa, onde se lê também um aviso quanto a avanços militaristas. “Ao reforçarem a sua presença na Ásia-Pacífico, os Estados Unidos devem evitar mostrar os dentes.”

Leia mais notícias sobre a China e a Ásia em www.hojemacau.com.mo


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4 Mais de metade da população do território são mulheres, mas isso não tem paralelo onde se decide o seu futuro. O Hoje Macau falou com quem já lutou pelos direitos que agora se discutem.

POLÍTICA Faz sentido pôr mais mulheres na Assembleia Legislativa?

A quota e o mérito

Joana Freitas

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joana.freitas@hojemacau.com.mo

ARIA de Belém Roseira é a ex-líder parlamentar do Partido Socialista (PS) português e desempenhou funções como Ministra para a Igualdade entre 1999 e 2000. “As mulheres não podem ser apenas destinatárias das decisões dos homens, é indispensável a participação”, disse ao Hoje Macau. Na possibilidade de se avançar para uma reforma política no território, já se conhecem as opiniões sobre o número de deputados a colocar no hemiciclo – a maioria pede o acréscimo de mais quatro legisladores. Há, contudo, vozes diferentes no que toca ao sector ou grupo social que deve entrar na Assembleia Legislativa (AL). Entre profissionais, médicos, engenheiros e assistentes sociais, mais representatividade para jovens e mulheres é um dos apelos daqueles que já disseram o que pensam. Para Maria de Belém Roseira, a introdução de vozes femininas no plenário pode caber ao Chefe do Executivo, podendo este reservar mais lugares nos assentos dos deputados nomeados. Actualmente, são apenas quatro as mulheres que fazem parte da AL de Macau: Angela Leong, Kwan Tsui Hang e Melinda Chan – eleitas directamente – e Ho Sio Kam, a única nomeada pelo Chefe do Executivo.

PEDIDO NATURAL

Rita Santos considera um pedido natural o que está a ser feito por muitas das representantes políticas e associativas do território. Contudo, a secretária-geral adjunta do Fórum Macau explica ao Hoje Macau existirem muitas dificuldades no ingresso do sexo feminino na vida política, pelo que a permissão de que mais mulheres se candidatassem pela via directa

Maria de Belém Roseira

era um aspecto positivo. “Mesmo nas eleições pela via indirecta devia dar-se a oportunidade às mulheres.” Neste caso, Rita Santos assegura que a “boa-vontade” dos homens – principalmente os que já têm lugares definidos no plenário – é outra das dificuldades. “Sinceramente, não é fácil. A mulher na AL não tem apenas de defender os seus direitos legítimos, mas também os da sociedade.” Maria de Belém Roseira discorda. “Quando se estabeleceu em Portugal uma legislação - defendida por mim -, a exigir que, pelo menos, 1/3 dos sexos tinha de estar representado, não foi algo que aconteceu naturalmente”, explica. “Os homens não têm de ter boa vontade, porque são naturalmente os homens que desempenham cargos directivos em associações, empresas ou partidos.” A ex-líder parlamentar do PS afirma que a tendência é a reprodução da sociedade no masculino, o que leva a, em casos de nomeações deste género, sejam recordados

Rita Santos

outros homens para desempenhar funções. Por isso mesmo, o processo de introduzir mulheres no meio político não acontece por meios naturais. Ainda assim, alerta que é imprudente não se aceitarem mulheres na vida política. “Primeiro por uma questão de princípio. As mulheres têm os mesmos direitos e capacidades intelectuais do que os homens, logo devem ser envolvidas em questões globais.” A evolução ao longo de gerações, considera, dota o sexo feminino de maior sensibilidade para alguns aspectos da sociedade. Apesar de admitir diferenças entre a realidade de Macau e a de Portugal, a ex-ministra acredita que se os homens abdicarem das mulheres nestas questões ficam mais pobres.

REALIDADES SOCIAIS

“Não há muita participação das mulheres, porque é preciso haver mais sensibilização face ao papel da mulher”, adianta Rita Santos. “As mulheres não são apenas para

tratar da casa, os trabalhos da família e a educação dos filhos são coisas que têm de ser partilhadas. Só assim a mulher pode entrar no mercado de trabalho e na vida política.” A secretária geral adjunta do Fórum Macau espera mesmo que a introdução de vozes femininas aconteça na AL do território, de forma a que seja encontrado um equilíbrio. “O ideal seria haver 50% homens e 50% mulheres, mas isso será muito difícil.” Na entrada no hemiciclo pela via directa, põe-se a questão dos meios financeiros. “Seria mais fácil que fosse dada uma oportunidade pela via indirecta às mulheres.”

A METADE SEM REFLEXO

Mok Kai La, da Comissão Consultiva da Zona Centro, esteve presente numa das sessões de debate sobre a reforma política. A representante lembrou que “mais de metade da população de Macau é do sexo feminino, só que a participação na vida política não reflecte esta realidade”.

A semana passada, durante as sessões de debate sobre a reforma política, houve quem pedisse mesmo a reserva de lugares nos nomeados para os jovens e as mulheres. Rita Santos acredita que apenas uma pré-definição de lugares não é suficiente, mas é necessária a participação e a entrada com mérito no hemiciclo. Face às mulheres do território, a representante do Fórum Macau mostra-se confiante. “De certeza que temos mulheres com mérito e basta olhar para os jornais todos os dias para podermos ver mulheres que contribuem constantemente para a sociedade e para a economia.” Questionada sobre se a reserva de um determinado número de lugares na AL para mulheres poderia implicar a entrada de mulheres sem competência só para preencher os assentos, Maria de Belém Roseira responde com outra questão. “Quando são os homens os nomeados alguém se preocupa com a sua competência?”


MUDANÇAS TÊM DE SER JUSTIFICADAS, DIZ ACADÉMICO

Mais de 20 académicos juntaram-se, sexta-feira, no Centro de Estudos “um país, dois sistemas” do IPM, para debater o desenvolvimento político do território. Todos acreditam haver espaço para que sejam optimizados os princípios de justiça e representatividade social. Lou Shenghua, professor de Administração Pública do IPM, defende que a comissão que elege o Chefe do Executivo e a actual estrutura da Assembleia Legislativa de Macau são mantidos há 12 anos e têm demonstrado ser capazes de satisfazer as necessidades, ainda que haja sempre espaço para optimização. Contudo, defende, não basta mudar o número de assentos, é preciso “ter bases que justifiquem” essas alterações.

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NETO VALENTE DISCORDA COM REFORMA POLÍTICA E SUFRÁGIO UNIVERSAL

“Até hoje não houve eleição directa totalmente limpa” Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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EM reforma política nem sufrágio universal - não é indispensável que Macau altere o seu sistema eleitoral. Quem o diz é Jorge Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM). “Não creio que a solução para Macau seja aproximarmo-nos rapidamente do sufrágio directo. Seria desastroso e ainda bem que a lei não obrigue sequer que o haja.” À margem de uma sessão de debate sobre a reforma política, Neto Valente falou à TDM e apontou críticas a alguns deputados actualmente eleitos pela via directa, que considera estarem mais preocupados em arranjar dificuldades ao Governo. “Da parte de alguns deputados eleitos pelo sufrágio directo há mais barulho do que trabalho. Qualquer que seja o Governo, PUB

qualquer que seja a orientação ou a decisão tomada e qualquer que seja o Chefe do Executivo estão sempre contra, porque o objectivo é provocar e arranjar agitação, não é servir Macau.” Neto Valente já tinha, noutras ocasiões, mostrado que não apoiava a democratização do sistema. A corrupção eleitoral é o assunto que põe o presidente da AAM de pé atrás. “Até hoje não houve uma eleição de sufrágio directo totalmente limpa, houve sempre corrupção eleitoral”, afirma. “Não me venham dizer que é melhor ir pela corrupção eleitoral porque quanto mais interesses em conflito houver para o sufrágio directo, maior é a probabilidade de haver corrupção.” À Rádio Macau, o advogado frisou, contudo, que não é indispensável alterar a Lei Básica para a reforma do sistema de escolha do Chefe do Executivo ou dos deputados da

Assembleia Legislativa, mas que em Macau isso vai fazer-se de qualquer forma. “Em Macau é natural, não por necessidade de progresso político, mas porque é politicamente correcto.”

PELO VOTO INDIVIDUAL

Enquanto Neto Valente acredita que o sufrágio universal não é o

mais indicado – até porque, diz, a AL de Macau já é maioritariamente eleita e já há confronto de opiniões -, José Pereira Coutinho defende acerrimamente o voto individual. “Todos temos o direito de eleger e ser eleito”, disse na sessão de debate que reuniu representantes de associações. Como presidente da Associação dos Trabalhadores

da Função Pública (ATFPM), Pereira Coutinho voltou a pedir mais equilíbrio na AL. São conhecidos os apelos de representantes políticos e associativos que, ao longo da semana passada, têm deixado no ar a sugestão de acrescentar mais quatro lugares ao hemiciclo. Dois pela via directa e dois pela via indirecta, aumentando, assim, para 33 o número de deputados. Neste caso, Pereira Coutinho é dos poucos que se mostra contra esta alteração, preferindo outra. “Desde 2009 até agora, vimos sempre a apelar para aumentar os deputados pela via directa, pelo menos de 12 para 16.” Ainda assim, não quer mais membros no hemiciclo. A sugestão para que se mantenham apenas 29 assentos é retirar quatro nomeados. Os funcionários públicos concordam com o aumento e a revisão do sistema político.


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6 Virginia Leung

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virginia.leung@hojemacau.com.mo

Governo de Macau promoveu a cerimónia de entrega dos galardões destinados a distinguir os melhores do desporto macaense. O “Prémio de 2011 Para os Atletas e Treinadores Macaenses de Elite”. A cerimónia teve lugar no Salão de Exposições da Doca dos Pescadores e contemplou 81 atletas e treinadores envolvidos em 11 eventos desportivos, ao longo do ano de 2011. Foram também homenageados outros 327 atletas e treinadores envolvidos num total de 26 competições desportivas. O montante total dos Prémios ascendeu a mais de MOP 3.885.000. Vong Iao Lek, o Presidente do Instituto do Desporto, afirmou o empenho da sua organização na defesa do Desporto de Competição e do Desporto Amador, assim como também na implementação de um planeamento estrutural a longo prazo para o sector. Adiantou ainda que o Instituto irá incentivar a introdução de treino motivacional para encorajar os atletas a darem o seu melhor. Outra notícia animou os atletas presentes: o Instituto projecta a

SOCIEDADE Notícia em dia de entrega de prémios

Instituto do Desporto quer fazer centro polivalente

construção de um Centro Polivalente, de modo a proporcionar um ambiente de treino profissional, especializado e com concentração de meios.

OS QUE MAIS SE ESFORÇAM

António Fernandes, presidente do Comité Paralímpico de Macau, adiantou que o Comité Internacional para os Jogos Paralímpicos anunciará a lista dos atletas qualificados no final deste mês, inícios do próximo, e espera ver nessa lista “pelo menos oito atletas macaenses”. Os atletas macaenses com deficiência participaram durante o ano de 2011 nas Olimpíadas de Verão, nos Jogos Mundiais em Cadeira de Rodas e nos Campeonatos Mundiais de Ciclismo para Surdos, provas nas quais obtiveram excelentes resultados, com a angariação de prémios monetários no valor de MOP 700.000. “Actualmente os atletas com deficiência desenvolvem um esforço maior e passam por treinos mais exigentes do que os outros atletas. Não nos preocupamos com avaliações exteriores, é mais importante que nos concentremos no nosso trabalho e que lhes permitamos a integração na sociedade, para que possam receber o apoio dos residentes.”

MINISTÉRIO PÚBLICO DEDUZIU ACUSAÇÃO A CHINÊS DO CONTINENTE

DEPUTADA PREOCUPADA COM EFICÁCIA DE LIGAÇÕES DE TRÁFEGO

De sampana para a prisão

Estimular as ligações fronteiriças

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ESISTÊNCIA e coacção, uso de armas proibidas e reentrada ilegal no território são os crimes pelos quais um indivíduo de apelido Cheng irá responder nos tribunais. O Ministério Público (MP) concluiu a investigação e acusação sobre o caso de agressão à polícia que ocorreu em Setembro do ano passado. Cheng, residente do interior da China, foi interceptado pelos agentes alfandegários de Macau quando estava a furtar, com a ajuda de dois homens também residentes da China, os motociclos estacionados debaixo da ponte Sai Van. O arguido, que voltou a Macau numa sampana – embarcação asiática de fundo chato, movida a remos laterais -, foi expulso do território em 2008 e proibido de reentrar em Macau durante quatro anos. Cheng resistiu, tendo agredido os agentes com um pau de dois metros na sampana, enquanto um seu cúmplice tentou também agredir os agentes com uma arma branca. Nessa altura, um dos agentes disparou três tiros para o ar, como alerta ao arguido, sem efeito. Com o desenrolar da situação, acabou

por disparar um tiro na perna direita do arguido, que depois foi interceptado no mar pelos agentes de segurança pública da vizinha Zhuhai. Após análise do caso e provas obtidas, o MP considerou haver fortes indícios dos crimes de resistência e coacção, detenção de armas proibidas e reentrada ilegal do território de Macau, pelo que ao arguido foi deduzida a acusação e o caso foi entregue ao tribunal para o agendamento de julgamento.

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deputada da Assembleia Legislativa Angela Leong abordou a questão da “Ponte MacauZhuai – Hong Kong” numa interpelação escrita, para questionar, agora que o plano da infra-estrutura está prestes a entrar numa nova fase, qual a melhor forma de Macau abordar o complexo sistema de transportes. A deputada sublinhou que o desenvolvimento deste tipo de infra-estruturas é a melhor forma de promover a economia local e criticou o facto de a fronteira entre Macau e Zhuai não satisfazer as necessidades tanto dos residentes, como dos turistas, salientando a fraca

capacidade de resolução daquele posto fronteiriço.

MAIS QUALIDADE

Angela Leong sublinhou que, após a realização das obras do Metro e da referida ponte, os problemas provocados pelo aumento de tráfego e a falta de um grande terminal de transportes se farão sentir com mais intensidade. Para que Macau possa ser um “Centro Mundial de Turismo e Lazer”, há que reforçar a qualidade dos transportes entre Zhuai, Hong Kong e Macau, acrescentou. Inquiriu ainda sobre os pormenores da nova travessia e se o governo poderia apresentar o calendário previsto para a

execução deste projecto. Para além disto, assinalou a concretização do acordo entre a “Lingnan Tong” de Guangzhou e o “MacauPass”, e questionou sobre quando estaria o serviço a funcionar em pleno, de modo a estimular o intercâmbio entre as duas localidades. - V.L.


MAIS UMA BARRACA DEITADA ABAIXO NA ILHA VERDE

O Bairro da Ilha Verde voltou a ser local de demolições, desta vez de uma barraca que servia de café instalada no lote destinado a habitação pública. A demolição – e desocupação – foi ontem bem cedo, logo às seis da manhã. As Equipas de Fiscalização e Controlo das Barracas dizem que os ocupantes têm agora cinco dias para requerer a devolução do recheio da barraca, até porque não houve acordo sobre a desocupação. O Governo diz que a construção de uma rede viária foi a justificação para deitar abaixo a barraca e prometeu uma compensação aos proprietários, ainda sem valor definido.

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S “revoluções” no seio do império de Stanley Ho roubaram-lhe lugares no top dos mais poderosos da economia da região vizinha.A lista dos 40 mais ricos de Hong Kong, publicada pela Forbes, mostra que o multimilionário abandonou a 13ª posição que assumia há um ano. A filha, Pansy Ho (12º lugar), e a quarta mulher, Angela Leong (21º lugar), entram pela primeira vez no ranking da revista norte-americana. Os primeiros sinais de que os negócios de Stanley Ho estariam a mudar surgiram no início de 2009. Isto porque a revista norte-americana Forbes anunciou que o rei dos casinos estaria 89% menos rico. A reacção do magnata foi de ironia. Agradeceu à Forbes ter sido considerado “mais pobre”, porque desta forma não teria de fazer doações elevadas, assim como a possibilidade de um rapto PUB

STANLEY HO FORA DOS 40 MAIS RICOS DE HONG KONG

A reforma do rei dos casinos deixaria de fazer sentido, dado “não ter dinheiro”. Agora, com os novos dados, regista-se a saída do top 40 dos mais ricos. Há um ano a 13ª posição correspondia a uma fortuna avaliada em 3,10 mil milhões de dólares americanos. Segundo o analista da Forbes Russell Flannery, as mudanças ocorridas no seio do império do magnata dos casinos são apontadas como a causa principal para esta queda. Na lista da Forbes, Li Ka-Shing surge como o homem mais rico, graças a um espólio financeiro de 22 mil milhões de dólares. O presidente da Henderson Land, Lee Shan Ka, assume a segunda posição, com 17 mil milhões de

dólares. Já a família Kwok destaca-se no terceiro lugar, com 15 mil milhões de dólares.

O PODER DE ANGELA LEONG No ano em que foi considerado menos rico, Stanley Ho sofreu um traumatismo que

lhe viria a mudar o rumo dos negócios. Empurrado para uma cadeira de rodas aos 90 anos, o magnata tomou decisões que geraram polémica no seio da sua família. No início de Dezembro do ano passado, transferiu para Angela Leong

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os 7% da sua participação na Sociedade de Jogos de Macau (SJM), tendo esta assumido o lugar de administradora delegada da empresa. O magnata decidiu ainda transferir os 11,55% que detinha na Shun Tak para a empresa Hanika Realty Co., controlada pela sua segunda mulher, Lucina Laam, e os cinco filhos em comum (Pansy, Daisy, Maisy, Josie e Lawrence). Estas posições adoptadas por Angela Leong e Pansy Ho mostram o porquê da sua integração na lista da Forbes. Pansy, com uma fortuna avaliada em 3,3 mil milhões de dólares, é actualmente directora da Shun Tak, empresa ligada aos transportes e investimentos.Além disso, a filha de Stanley Ho controla 29% da MGM China, detentora do MGM Macau, empreendimento que resulta de uma joint venture com a norte-americana MGM Resorts. Já Angela Leong, deputa-

da da Assembleia Legislativa (AL), detém uma fortuna calculada em 1,6 mil milhões de dólares.

FORTUNAS DIMINUÍDAS

Os negócios dos mais ricos de Hong Kong não podem estar dissociados do fulgurante crescimento da economia chinesa, mas também do abrandamento que esta tem vindo a conhecer nos últimos tempos. Por esta razão, a Forbes apontou uma descida na ordem dos 7% nas fortunas dos 40 mais ricos, para 151 mil milhões de dólares, com as maiores perdas a registarem-se nos investimentos do mercado imobiliário. A riqueza dos três primeiros da lista também sofreu uma quebra, tendo o mais rico de Hong Kong sofrido uma diminuição da fortuna em 8%. Mesmo com perdas, porém, os mais ricos mantêm investimentos no Continente, que têm tendência para crescer.


vida

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8 Todos os dias, centenas de pequenos papagaios verdes e barulhentos passam a rasar os prédios e jardins de Lisboa, como se esta fosse uma cidade tropical. O Público foi à procura dos periquitos-de-colar, ave exótica que fugiu há 30 anos da gaiola e que nunca mais quis voltar.

A

NTÓNIO Gonçalves Pedro tem 92 anos e mora ao lado do Jardim da Estrela. Todos os dias lá vai. Sentado num banco no final de uma tarde fria e ventosa de Inverno, olha para a copa das árvores e para os estranhos pássaros verdes que estão empoleirados nos ramos sem folhas. “Andam sempre por aí. Já os vejo neste jardim há uma dúzia de anos”, diz, procurando confirmação nos olhos do seu amigo que está sentado ao lado. Manuel Mendes, 62 anos, lá confirma. E acrescenta: “a esta hora começam a regressar ao jardim, para dormir, depois de terem passado o dia a alimentarem-se nos campos, lá longe. Todos aqui gostam de os

Sabia que... ...ao comprar conchas ou corais está a contribuir para a destruição dos recifes?

Que misteriosas aves verdes e estridentes são estas que invadiram Lisboa?

Capital tropical ver e ouvir”, comenta, enquanto vai olhando para cima, para o periquito-de-colar, verde e estridente. Os menos distraídos já terão dado pela presença em Lisboa das aves Psittacula krameri, sombras verdes, rápidas, de cauda comprida, que rasgam os céus em pequenos bandos, com gritos estridentes. São da família dos papagaios e por isso nada tradicionais por estes lados. A sua terra fica muito longe, nas florestas da África e da Índia. Como veio parar aos céus e às árvores de Lisboa? Ninguém sabe ao certo, mas Rafael Matias, biólogo e um dos autores do livro “Aves de Portugal”, publicado em 2010, tem uma forte desconfiança. “O periquito-de-colar começou a reproduzir-se em estado selvagem em Portugal nos anos 80 do século passado, talvez por fuga acidental de cativeiro ou introdução deliberada. Era uma ave muito popular nas lojas de animais”, diz. Em 2003, Rafael Matias esteve no Jardim da Estrela, o maior dormitório conhecido no país desta espécie, para contar os periquitos, de bico vermelho, que se balançam nos ramos finos de plátanos e de outras árvores, aos dois, três ou cinco. Na altura, esti-

mou que ali estivessem mais de 200 aves. Hoje, ninguém sabe quantos existem no país. “Havia pessoas que me perguntavam se não era bom libertar as aves no jardim, por achar que ‘ficavam bonitas aqui’”, recorda. O Jardim das Conchas, no Lumiar, é outro dos dormitórios do periquito-de-colar. Verónica Bogalho e Nuno Ventinhas, do Centro de Recuperação de Animais Silvestres de Lisboa (CRAS) percorrem os caminhos do jardim, fazendo uma pequena visita guiada à procura desta ave exótica. Até que se começam a ouvir ao longe os gritos estridentes da ave verde. “É verdade que não há um estudo concreto. Mas a autarquia sabe os locais, conhece os dormitórios principais. Esta não é uma espécie desconhecida nem descontrolada”, conta Verónica Bogalho. Pouco depois, três periquitos poisam nos ramos de altos eucaliptos, ao Sol fraco de Inverno. “Aos primeiros raios de Sol formam bandos e dispersam-se, deslocando-se para vários locais de alimentação (principalmente sementes, mas também bagas e frutos) em Lisboa e na periferia. Podem percorrer distâncias de 11km entre locais de dormida e

de alimentação. Antes do pôr-do-Sol regressam aos dormitórios”, acrescenta.

IMPACTOS DA AVE EXÓTICA

De volta ao Jardim da Estrela, quando o Sol começa a querer esconder-se, os periquitos-de-colar tomam conta das árvores frondosas, perto do parque

infantil, dos baloiços e do lago dos patos. Chamam-se uns aos outros num barulho que ninguém consegue ignorar e que faz lembrar sons de uma floresta tropical de um destino distante. Um casal de aves espreita para dentro de um ninho num buraco no tronco de um plátano mas depressa muda de ideias e voa para a árvore do lado,

JAPÃO PÕE ROBÔS A TRABALHAR SOLOS AGRÍCOL

Tecnologia em prol da ag O

Japão está a planear uma quinta agrícola futurista numa zona arrasada pelo tsunami de 11 de Março, onde são os robôs que lavram a terra e colhem arroz, trigo, soja, fruta e vegetais. O chamado “Dream Project” do Ministério japonês da Agricultura, na província de Miyagi – 300 quilómetros a Norte de Tóquio –, vai durar seis anos e conta com um investimento de cerca de 40 milhões de euros. Numa propriedade com 250 hectares, tractores sem condutor vão lavrar os terrenos e robôs vão fazer as colheitas, colocando os produtos nas respectivas caixas. O uso de fertilizantes químicos será reduzido.

O tsunami, gerado por um sismo de magnitude 9, inundou a costa Nordeste do país, matando mais de 19.000 pessoas. Cerca de 24.000 hectares de solos agrícolas férteis ficaram danificados, nomeadamente


DSPA VAI OUVIR POPULAÇÃO SOBRE USO DE SACOS DE PLÁSTICO

A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) está preocupada com o aumento do uso de sacos de plástico em Macau e o seu impacto no ambiente. Seja como for, e antes de decidir que medidas adoptar, o Governo mostra-se disponível para ouvir a população, através de um inquérito que arrancou ontem. O inquérito, que faz parte do estudo encomendado a uma empresa de consultadoria, termina no próximo dia 17 de Fevereiro. Todos são convidados a participar, respondendo às perguntas dos funcionários na rua, por telefone, ou na internet.

equilibra-se nos ramos e limpa as penas com o bico. Lá em baixo, crianças seguem em triciclos ao lado dos pais, outras brincam nos baloiços e na esplanada do café desfiam-se conversas sobre a crise. Segundo o livro “Aves de Portugal”, esta é uma espécie cuja “população parece estar em rápido crescimento”. A principal zona de ocorrência é a Grande Lisboa, onde frequenta sobretudo jardins e parques. Mas já há registos em Queluz, Belas, Algueirão, Oeiras; Mira; Grande Porto; da zona do vale do Baixo Tejo até à região do Entroncamento e em Torres Novas. Ainda assim, “o periquito-de-colar, para já, não é considerado praga. A tendência é para a população aumentar mas não de forma muito significativa”, diz Verónica Bugalho. Rafael Matias é da mesma opinião. “Pode competir por locais de reprodução com outras aves que criem em buracos nas árvores, como os pica-paus, trepadeiras, estorninhos e poupas. Mas o periquito ainda se restringe a meios urbanos e essas

espécies não estão presentes aqui em grande número. Por enquanto não há grande perigo”. Mas se vier a expandir-se para zonas agrícolas e pomares, “aí pode ser que venha a ter algum impacto. É potencialmente invasora”. A situação em Portugal é muito diferente da situação nos países onde a ave é originária. “Estes animais são considerados uma praga na África subsaariana e Índia, onde ocorrem aos milhares. Lá, o impacto económico é acentuado”, comenta Rafael Matias. Este investigador “gostava de puder actualizar as contagens destes animais, porque já estarão muito desactualizadas. Mas não há ninguém a acompanhá-las”. Por enquanto, o periquito-de-colar continuará a ser a ave que quis deixar de viver numa gaiola e que conseguiu a liberdade muito longe do seu habitat original. Adaptou-se e hoje é a protagonista de uma história com um enredo diferente: desta vez, a ave não foi retirada da natureza para uma gaiola; fez o caminho inverso e não tenciona regressar.

LAS DEVASTADOS POR TSUNAMI DE MARÇO

gricultura com a deposição de combustíveis e com elevados níveis de sal. A central nuclear de Fukushima, afectada pelo tsunami que inundou os seus sistemas de arrefecimento dos reactores, libertou radioactivida-

de que entrou na cadeia alimentar e obrigou as autoridades a condicionar a venda de determinados produtos, como o leite, a carne e o arroz produzidos na região. O acidente nuclear, considerado o mais grave desde Tchernobil (Ucrânia) em 1986, foi o último golpe desferido num sector agrícola a braços com a concorrência dos produtos vindos de outros países. Companhias tecnológicas, como a Panasonic e a Fujitsu, estão a ser convidadas para fazerem parte deste projecto, que pretende ajudar os agricultores das zonas inundadas e a reanimar a agricultura japonesa, noticiou o jornal nipónico Nikkei.

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CASTA DESAPARECIDA NA EVOLUÇÃO FOI RECRIADA NO LABORATÓRIO

O renascimento das formigas super-soldado O

S soldados são uma casta comum às formigas, mas super-soldados só existem em algumas espécies do grupo das Pheidole. São exemplares ainda maiores com uma cabeça enorme que tapam os buracos de entrada do formigueiro quando está sob ataque. Os cientistas conseguiram agora, em laboratório, reprogramar super-soldados, através de um tratamento hormonal, em espécies de formigas que já não costumam criar esta casta gigante. Os resultados foram publicados na revista da Science. A descoberta foi fruto do acaso. Ehab Abouheif, biólogo da Universidade McGill, no Canadá, olhou para o chão, no estado de Nova Iorque, e viu soldados anormalmente grandes da espécie Pheidole morrisi. “Ando a recolher estes indivíduos há 15 anos. Um dia, olhei para uma colónia selvagem e vi que havia soldados monstruosos”, disse o biólogo líder do estudo, citado num artigo noticioso da Nature. “Têm mandíbulas maiores, se apanham os dedos dói mesmo.” O género Pheidole tem mais de 1000 espécies, mas só oito é que têm super-soldados. O seu desenvolvimento faz parte das opções normais que uma larva de formiga tem no início da sua vida. Mas estas opções são determinadas pelo ambiente. Se até um primeiro momento a larva receber uma certa hormona, fornecida pelas formigas trabalhadoras, ela irá transformar-se numa rainha – maior do que o normal e com asas. Se não receber, a larva pode desenvolver-se numa trabalhadora, uma “dona de casa” que também vai buscar alimentos, ou numa formiga soldado, que luta pela protecção do formigueiro. A hipótese fica em aberto até um segundo momento. Se receber uma nova quantidade de hormona, então transforma-se num soldado, se não receber, passa a trabalhadora. Nas oito espécies que têm super-soldados, a larva precisa de receber uma dose extra de hormona neste segundo momento para se desenvolver nas gigantes. Nas outras, isto normalmente não acontece. Depois de Abouheif ter visto as super-soldados Pheidole morrisi na natureza resolveu experimentar dar a dose a mais de hormona no

laboratório, nas larvas desta espécie, utilizando uma substância química similar. O biólogo obteve super-soldados. Experimentou o mesmo noutras espécies do mesmo género, que “naturalmente” não desenvolvem esta casta gigante, e produziu o mesmo resultado.

EVOLUÇÃO EM MARCHA

“Por isso quando se trata qualquer espécie a uma dada altura do desenvolvimento, só com esta hormona, pode-se induzir o desenvolvimento de um super-soldado”, explicou o cientista, citado pela BBC News. A descoberta fez a equipa pensar sobre a evolução deste género de formigas, e comparou a história evolutiva entre onze espécies. “O facto de se induzir em todas estas diferentes espécies [que não têm esta casta naturalmente], significa que um antepassado comum de todas elas tinha [super-soldados].”

Ao longo da evolução, algumas espécies foram perdendo a capacidade natural de desenvolver a casta, e outras foram ganhando esta capacidade, mostrando que o potencial genético estava lá. As oito espécies com super-soldados vivem no Sul dos Estados Unidos e no Norte do México. Uma região onde há formigas guerreiras, muito violentas, que atacam os formigueiros. As cabeças dos super-soldados tapam os buracos do formigueiro e protegem-no destas formigas. Mas existem espécies do género Pheidole que não desenvolvem esta casta especial apesar de também viverem com o mesmo perigo iminente das formigas guerreiras. Optaram por fugir dos formigueiros e não voltaram a desenvolver a casta super-soldado. Em Nova Iorque, a espécie que Ehab Abouheif estuda não precisa de temer as formigas guerreiras, que não atingem aquelas latitudes. Por isso, a casta de super-soldados é aparentemente desnecessária. Ou não? Abouheif acredita que, de vez em quando, a natureza deixa algumas delas desenvolverem-se: “Estes potenciais antigos estão bloqueados, e as mutações libertam-nos em frequências baixas. Eles estão lá para a selecção natural tomar conta.”

Click ecológico

AS DELÍCIAS DE UMA LONTRA • Uma lontra come um peixe no Zoo de Chester, no Norte da Inglaterra. O animal faz parte de um programa de reprodução em cativeiro naquele centro. Foto: Phil Noble/Reuters/Público


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CULTURA

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Livro de autora anónima vendeu mais de um milhão na China

Êxito misterioso chega à Europa

M

UITO antes de terem acesso à tradução já muitos editores o tinham adquirido, curiosos sobre o seu sucesso. Foi assim o impacto do livro “Under the Hawthorn Tree” (título em inglês), que já vendeu mais de um milhão de cópias na China e foi adquirido por 14 editoras de diversos países da Europa, assim como Brasil, Canadá, Taiwan e Japão. Uma editora tailandesa foi a última a adquirir os direitos desta história, segundo o site China Book International. Também o Reino Unido adquiriu os direitos do livro,

que deverá ser lançado no mercado inglês pela editora Virago, ainda este mês. Ao jornal inglês The Guardian, Lennie Goodings, da Virago, afirmou que é uma bonita história de amor, quase como o Romeu e Julieta. “É algo real sobre pessoas que tentam viver um amor além das diferenças sociais. Acontece durante a Revolução Cultural e mostra o início das mudanças políticas desse período, que afectaram – e infectaram – o amor deles”. O aspecto curioso sobre esta obra reside no facto da autora permanecer sob anonimato. Assinando com

o nome de Ai Mi, pensa-se que a escritora, que já manteve um blogue, terá cerca de 50 ou 60 anos e residirá na Florida, Estados Unidos, país para onde foi terá ido estudar há vários anos.

TEMA CONTROVERSO

É na cidade de Yichang, na província de Hubei, que se passa a história sobre o amor vivido entre a jovem Zhang Jingqiu e Sun Jianxin, rapaz de idade próxima. As opções tomadas por Mao Tsé-Tung em reeducar a juventude chinesa levam Zhang Jingqiu, jovem urbana e educada, a ir para a aldeia de Xiping, lugar onde há um

pinheiro chamado “a árvore dos heróis”, em homenagem aos chineses mortos durante a Segunda Guerra Mundial. Acolhida na casa de uma família local, é aí que o amor acontece entre ela e o estudante de geologia Sun Jianxin. Contudo, depressa as diferenças no seio familiar vêm ao de cima. Enquanto o pai deste jovem é um militar de alta patente, o pai de Jingqiu é um prisioneiro político na China, além de que a mãe é uma professora considerada “capitalista”. Mais tarde, Jianxin descobre que sofre de leucemia. Devido ao facto de abordar um tema forte da história

da China, a autora de “Under the Hawthorn Tree” preferiu manter-se escondida atrás das palavras. No capítulo de abertura do livro, citado pelo The Guardian, explicou os motivos de tanto secretismo. “Claro que tinha de ser feito em segredo. Não só porque tem coisas ligadas à União Soviética, o que poderia tornar-se perigoso, como, mais importante, algo contaminado com a ideia de ‘amor’ poderia ser considerado como uma má influência da classe capitalista. ‘The Hawthorn Tree’ seria considerado obsceno e com um ‘estilo impróprio’ devido às palavras ditas pelos dois jovens”.

Do romance ao filme “Under the Hawthorn Tree” passou para as telas do cinema em 2010. Zhang Yimou dirigiu o filme - antes do seu mais recente “As Flores da Guerra” - que obteve várias distinções. Além de ter sido nomeado como melhor filme asiático nos Prémios de Cinema de Hong Kong, a película chegou à Europa com passagem pelos festivais de Oslo, Udine e Valladolid. Foi em Espanha, aliás, que Dongyu Zhou, que desempenha a jovem Jinqiu, foi considerada a melhor actriz. Na cidade italiana de Udine, o filme ficou em segundo lugar nas escolhas do público.


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DESPORTO

1.ª JORNADA

FC PORTO 0-3 BENFICA • Árbitro: Rando FC PORTO

BENFICA

33 Lino Lopes 4 Friday 5 Wamba 18 Zheng Rui (11 Francisco Cunha) 2 Éder 21 Alison 3 Nuno Capela 6 Francisco do Rosário (17 Hélder Ricardo) 10 Pedro Pereira 16 Mané (7 Odilson) 13 Henrique Street

1 Juan Castro 4 Fábio Silva 5 Amorim 6 Lao Pak Kin (11 Iuri) 13 Filipe Duarte 17 Kong Cheng Hou (8 Chan Pak Chun) 18 Pedro Pires (32 Lei Kam Hong) 19 Adilson 26 Lei Ka Hou 21 Joadson 20 Christopher Nwaorou.

TREINADOR: Daniel Pinto

TREINADOR: Rui Cardoso

MARCADORES

0-1, Christopher Nwarou 0-2, Joadson 0-3, Filipe Duarte

Marco Carvalho

F

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OI chegar, jogar e vencer. A Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau estreou-se no convívio dos grandes do futebol do território com uma vitória esclarecedora por três bolas a zero frente ao Futebol Clube do Porto, naquele que foi o primeiro “clássico” de inspiração portuguesa do Extremo Oriente. Com muitas alterações no grupo de trabalho que na última temporada assegurou a subida à Liga de Elite, a formação orientada por Rui Cardoso não demorou a justificar as expectativas que tem vindo a criar ao longo dos últimos meses, depois de ter anunciado a contratação de quatro futebolistas profissionais oriundos dos escalões secundários do futebol português. Os novos reforços da formação encarnada tiveram um papel preponderante na obtenção da primeira vitória do Benfica no principal escalão do desporto-rei da RAEM, com Christopher Nwarou a capitalizar uma início avassalador de partida por parte da equipa. O nigeriano correspondeu da melhor forma a um bom trabalho do lado direito do ataque encarnado

Benfica vence primeiro “clássico” do Oriente

Águias de primeira e empurou para o primeiro golo da partida logo aos seis minutos. A saída dos irmãos Simon e Samuel Ramoseau deixou o Futebol Clube do Porto debilitado em termos defensivos e a utilização de Francisco do Rosário e de Éder Arruda no eixo da defesa acabou por se revelar mais um problema do que uma solução para o onze azul e branco. Sem capacidade para organizar o ataque, os dragões do território acabaram por conceder o segundo golo à passagem do minuto 21, numa grande jogada do brasileiro Joadson. O extremo encarnado lê bem a posição do guarda-redes Lino Lopes e desfere um remate arqueado de fora da área que morre apenas no fundo das redes do Futebol Clube do Porto. O onze da Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau chegou ao intervalo a vencer por duas bolas a zero com inteira justiça, mas o reatar da partida trouxe ao relvado do Campo

da Universidade de Ciência e Tecnologia um Porto transfigurado. Aformação orientada por Daniel Pinto tomou conta do jogo no início da segunda metade e esteve perto de reduzir aos 47 minutos, num cabeceamento colocado do camaronês Wamba a que o guarda-redes Juan Castro respondeu com uma defesa segura. O conjunto azul e branco chamou a si as rédeas da partida durante os primeiros vinte minutos do segundo tempo, mas acabou por ser o Benfica a festejar de novo. Aos 67 minutos, Filipe Duarte deu o melhor seguimento a um livre-directo apontado por Nwarou no lado direito do ataque encarnado, ao cabecear com sucesso para o terceiro golo da tarde. O tento acabou por dizimar as esperanças do Futebol Clube do Porto. A disputar pela terceira vez a principal prova, os dragões do território procuraram a todo o custo o golo de honra frente ao arqui-rival Benfica, mas o marcador não voltaria a alterar-se.

FOTO REBECA BORGES

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O que eles disseram • “O resultado foi sofrido, quer a gente queira ou não queira. Estávamos a ganhar por uma bola a zero e de repente perdemos um jogador. Não é fácil manter o espírito da equipa em alta depois de um golpe deste género, mas o Ka I conseguiu e marcou mesmo o segundo. É, ainda assim, apenas o primeiro jogo e eu sei que falta ainda um pouco mais de entrosamento à equipa e este é um problema que temos de resolver. Mas esta equipa, com um pouco mais de trabalho, tem condições para fazer uma boa época.” Joseclér, treinador do Ka I

• “Para qualquer equipa, não há melhor resultado do que começar o Campeonato a vencer. Sabíamos que íamos ter um desafio difícil pela frente. Estámos ainda desfalcados e acabámos por jogar com algumas limitações, mas este bom arranque de temporada acaba por valer para o resto do Campeonato.” Lucas, jogador do Ka I

O que eles disseram • “Para o primeiro jogo do Campeonato, gostei imenso do que vi. O resultado é satisfatório. Poderíamos ter tido mais um ou outro golo mas no cômputo geral foi bom para ver até onde vai o entrosamento entre os jogadores e estamos esperançados de que vamos ter uma época bastante boa”. Leonel Alves, presidente do Benfica • “O balanço é positivo apesar da derrota. Nós perdemos, mas o Benfica foi superior na primeira parte. O Porto conseguiu responder de forma satisfatória na segunda parte, apesar de não ter conseguido marcar. Na segunda parte, viu-se um Futebol Clube do Porto muito mais movimentado, muito mais aguerrido. Temos alguns jovens na equipa e essa é para mim a parte mais interessante. Gostei de os ver jogar. Eles deram conta do recado e estou certo de que o Futebol Clube do Porto vai aprender com a derrota e vai melhorar” Daniel Pinto, treinador do FC Porto • “Foi um bom jogo. Nós dispusemos de três oportunidades e não conseguimos concluir. O Benfica foi mais feliz e conseguiu concretizar as oportunidades de que dispôs, mas o Campeonato está no começo e eu acredito que com o decorrer do Campeonato, o Porto vai melhorar.” Éder Arruda, capitão do FC Porto • “Na primeira parte fomos superiores. Na segunda parte já contávamos com a reacção do Futebol Clube do Porto e preparámos uma estratégia que passaria por tentar surpreender o adversário com bolas metidas pelas costas, mas o Porto jogou no campo todo, com a defesa muito recuada. Poderíamos ter marcado mais um ou dois golos, mas eles também poderiam ter feito um golo, mas creio que o resultado é justo e premeia aquilo que o Benfica fez dentro das quatro linhas.” Rui Cardoso, treinador do Benfica

MONTE CARLO E KA I CUMPREM; LAM PAK COMPROMETE • No outro jogo grande da jornada, o campeão em título Ka I mostrou ter argumentos para lutar pela revalidação do triunfo no Campeonato. A formação agora dirigida pelo brasileiro Joseclér não se ressentiu da saída de Rui Cardoso para o Benfica e derrotou o sempre exigente Lam Pak pelo parcial de duas bolas a zero, no encontro inaugural da nova temporada. Com muitas novidades no onze inicial, o Ka I demorou apenas treze minutos a exorcizar dúvidas e receios. Gilberto Ferreira, médio brasileiro que há duas épocas vestiu a camisola do Monte Carlo, saltou mais alto que a defensiva adversária e catapultou os campeões do território para a frente do marcador. Mais rápido a sair para o ataque, o Ka I parecia ter o jogo sob controlo, mas o entusiasmo de

Joseclér e companhia desvaneceu-se aos 31 minutos, depois de Fábio Ritchie ter visto o segundo cartão amarelo e o consequente vermelho. Sem genica e sem capacidade de resposta, o Lam Pak não aproveitou a superioridade numérica e acabou por sofrer o segundo golo no primeiro minuto da segunda parte. Lucas, atleta que também alinhou há duas temporadas no Monte Carlo, marcou o segundo tento do encontro e selou o destino da formação orientada pelo veterano Chan Man Kin. A perder por duas bolas a zero, o Lam Pak acabou por sofrer nova contrariedade aos 55 minutos, com Che Chi Man a receber ordem de expulsão depois de ter entrado de forma dura sob um adversário ao meio-campo. O vice-campeão Monte Carlo estreou-se na

edição de 2012 da Liga de Elite ao fim da tarde de ontem frente a uma das surpresas da época passada, a Selecção de Sub-23 da Associação de Futebol de Macau. Orientado pelo português Paulo Bento, o conjunto “canarinho” não deixou créditos por mãos alheias e derrotou o adversário por três bolas a zero, num encontro em que os novos reforços brasileiros da equipa deixaram boas referências. Renival, médio ofensivo formado nas escolas do Corinthians, inaugurou o marcador aos 29 minutos. A cinco minutos do intervalo, Fabrício reforçou a vantagem do Monte Carlo e aos oito minutos da segunda parte foi a vez de Márcio Luiz deixar o nome na história da partida, ao apontar o tento que encerrou as contas do placard.– M.C.


Cineteatro | PUB SALA 1

LAUGHING GOR TURNING POINT 2 [C]

Um filme de: Herman Yau Com: Michael Tse, Francies Ng, Chapman To 14.30, 16.15, 18.00, 21.45

THE TWILIGHT SAGA BREAKING DAWN PART1 [C]

Um filme de: Bill Condon Com: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner 19.45 SALA 2

THE AWAKENING [C] Um filme de: Nick Murphy

[ ] Cinema

[f]utilidades SEGUNDA-FEIRA 9.1.2012 www.hojemacau.com.mo

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Com: Rebecca Hall, Dominic Wes 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 3

NEW YEAR’S EVE [B] Um filme de: Garry Marshall Com: Halle Berry, Jessica Biel, JonBon Jovi 14.30, 16.45, 19.15

SHERLOCK HOLMES A GAME OF SHADOWS [B]

Aqui há gato

Um filme de: Guy Ritche Com: Robert Downey Jr., Jude Law, Noomi Rapace 21.30

VERTICAIS: 1-Acariciar; Grande onda. 2-Arquivo de filmes cinematográficos. 3-Batráquio anuro; Roer; Decifra. 4-Cavar ‘a superfície; Antílope africano. 5-Arrastar com o rodo o sal das marinhas; Brisa. 6-Partes duras da Madeira; Desembaraçado. 7-Transitva; Prefixo designativo de ar. 8-Asno. Irmãos. 9-Indignação; Bagaço de uva, de que se faz água-pé. 10-Arrecadados. 11-Argola; Que tem calos.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Medida agrária; Rama de nabo pouco desenvolvido. 2-Sucesso desairoso; Antiga cidade da Caldeia. 3-Prefixo designativo de negação; Óleo de gergelim. 4-Conceber; Aspecto; Freguesia do concelho de Oliveira de Azeméis. 5-Delicado; Panela de barro. 6-Grande porção de ratos; Imposto sobre o Rendimento das pessoas Colectivas. 7-Espécie de pandeiro ou adufe do Norte de Africa; Gema de ovo batida com açucar. 8-Assistir; ância com que as abelhas fabricam os favos; O mais (ant.). 9-Antes de Cristo; Tumor duro que se forma em volta das articulações dos ossos. 20-Garboso; Ósmio (s.q.). 11-Unidade monetária da União Europeia; Bom sendo.

[Tele]visão TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Jornal das 24h RTPi 14:30 RTPi Directo 16:00 Liga Sagres: Sporting - FC Porto (Repetição) 17:30 Que Loucura de Família 18:00 Música Movimento 18:30 Contraponto ( Repetição ) 19:30 Amanhecer 20:30 Telejornal 21:00 TDM Desporto 22:10 Passione 23:00 TDM News 23:30 Portugueses Sem Fronteiras 00:00 Telejornal - Repetição 00:30 RTPi Directo INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Gostos e Sabores 15:00 Magazine EUA Contacto – N. Jersey 15:30 Radar de Negócios 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 O Elo Mais Fraco 18:00 Resistirei 18:45 Linha da Frente 19:15 Pai à Força 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:15 Magazine EUA Contacto – N. Jersey 22:45 Portugal no Coração ESPN 30 13:00 13:30 14:00 14:30 16:30 19:30 20:00 21:00 21:30 22:00 22:30 23:00

(Delay) Argentina Chile Peru Dakar Rally 2012 Day 8 (Delay) Argentina Chile Peru Dakar Rally 2012 Weekly Highlights Bupa Great North Run Pac 12 Men’s Basketball 2011/12 Arizona vs. USC Olympic Gala (LIVE) Sportscenter Asia 2012 Abl Season 3 Countdown Argentina Chile Peru Dakar Rally 2012 Day 8 Argentina Chile Peru Dakar Rally 2012 Weekly Highlights Sportscenter Asia 2012 Geico PBA Team Shootout Closeness Of Victory

23:30

Spirit Of London

STAR SPORTS 31 12:00 FA Cup 2011/12 Fleetwood Town vs. Blackpool 14:00 Australian Open Classic Match 2005 16:30 Planet Speed 2011/12 17:00 Asian Rugby Sevens 2011 18:00 Spirit Of Yachting Series 2011 18:30 FEI Equestrian World 19:00 Game 19:30 FA Cup 2011/12 Birmingham City vs. Wolverhampton Wanderers 21:30 (LIVE) Score Tonight 2012 22:00 Motorsports@Petronas 2011 22:30 When The Games Begin 23:00 Australian Open Tennis 2004 Official Film 03:40 (LIVE) FA Cup 2011/12 Arsenal vs. Leeds United FOX MOVIES 40 12:45 It’s A Wonderful Afterlife 14:30 Kung Pow: Enter The Fist 15:55 Tangled 17:40 500 Days Of Summer 19:20 Hancock 21:00 Vantage Point 22:35 Jennifer’S Body 00:15 Chain Reaction HBO 41 12:00 13:45 15:45 17:35 19:05 20:35 22:00 23:05 00:35

The Tourist Platoon Dear God Ladybugs Supernova Primo Curb Your Enthusiasm Universal Soldier Analyze That

CINEMAX 42 12:45 14:30 16:00 17:30 19:15 19:45 20:05 22:00 23:35

Hard Target Cyborg The Werewolf First Men In The Moon Hollywood Buzz The Making Of Boardwalk Empire Boardwalk Empire Spaceballs Rob Roy

HORIZONTAIS: 1-Acre; Nabiça. 2-Fiasco; Ur. 3-An; Sirage. 4-Gerar; Ar; Ul. 5-Amável; Ola. 6-Rataria; IRC. 7-Tar; Gemada. 8-Ver; Cera; Al. 9-AC; Nodo. 10-Galhardo; Os. 11-Euro; Siso. VERTICAIS: 1-Afagar; Vaga. 2-Cinemateca. 3-Rã; Ratar; Lê. 4-Escavar; Nhu. 5-Rer; Ar. 6-Nós; Ligeiro. 7-Ia; Aer. 8-Burro; Manos. 9-Ira; Lia. 10-Guardados. 11-Anel; Caloso.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA ALDINA DUARTE - PRINCESA PROMETIDA (DVD) • Manuel Mozos

Um retrato da figura única que é Aldina Duarte, senhora-menina, fadista por convicção e amor. Traçando o seu perfil, desvendando a sua personalidade, viajando com ela através da sua cidade, Lisboa, pelos locais que lhe são mais queridos e que ela tão bem conhece, expondo-se livre e aberta, generosa e viva, inocente mas sábia, com a frontalidade e certa malícia cheia de pudor e respeito que tão bem a caracterizam.

JOSÉ CARDOSO PIRES - DIÁRIO DE BORDO (DVD) • Manuel Mozos

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

No ano em que José Cardoso Pires recebeu o Prémio Pessoa, o mais prestigiado prémio português, Manuel Mozos filmou um retrato daquele que foi um dos grandes autores da língua portuguesa. A vida e a escrita, o cinema, o erotismo e a morte, são alguns dos temas deste filme, rodado em Lisboa e na Caparica (o refúgio do escritor) no Outono e Inverno de 1997.

PERSÉPOLIS (DVD) • Marjane Satrapi, Vincent Paronnaud

É a história comovente de uma menina que cresce no Irão durante a Revolução Islâmica. É através dos olhos da precoce e extrovertida Marjane, de 9 anos, que vemos a esperança de um povo ser destruída quando os fundamentalistas tomam o poder, forçando as mulheres a usar o véu e mandando para a prisão milhares de pessoas. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

A DIFÍCIL TAREFA DE LIDAR COM O DINHEIRO GUITO – PARTE I O dinheiro é coisa estranha por estas bandas. Quando falo em estranho falo no modo como é tratado pelas pessoas. Senão vejamos. O meu dono foi um destes dias – e já lhe sucedeu o mesmo noutras ocasiões – depositar alguma massa ao banco. Naquele dia levava com ele um punhado de notas de yuan que lhe haviam sobrado da sua ida à vizinha Zhuhai. Algumas centenas, umas quantas dezenas e uma nota de cinco yuans. O caixa do Banco Nacional Ultramarino da Almeida Ribeiro declinou a última. “Não aceitamos esta nota”, afirmou. Lá ficou a nota de cinco – novinha em folha – guardada na carteira. O caixa ainda explicou que notas pequenas não são aceites. Eu, nesta minha cabeça felina, questiono: “Mas dinheiro não é dinheiro?” O meu dono contou-me que em Portugal os bancos aceitam todo o valor facial de dinheiro. Aliás, houve já quem depositasse diversas moedas – enchiam um saco - de um cêntimo que valiam cerca de 500 euros (bem mais do que o ordenado mínimo português) e não ocorreram males de maior. Ouvi relatos de que algumas pessoas nem notas de 10 patacas conseguiram depositar nas suas poupanças. Enfim, coisa de mundo (sub) desenvolvido. GUITO – PARTE II Melhor, melhor são as chapinhas de latão que representam os valores faciais mais baixos da moeda de Macau. Em muitos locais não aceitam as moedas de 10, 20 e 50 avos. Eu pergunto-me: “Mas dinheiro não é dinheiro?” Se, amiúde, não aceitam este tipo de moedas porque é que elas existem? Acho que o Governo podia fazer uma daquelas publicidades animadas a dizer: “O dinheiro de Macau tem valores desde os avos até à pataca. Por favor, aceite todos os valores faciais do dinheiro do território.” Ainda há outra questão interessante, o endossamento de cheques. Parece que por estas bandas ninguém sabe o que isso é ou pelo menos, no que aos casos que sei diz respeito, o endossamento de cheques é um “bicho papão” para os empregados bancários. Levar um cheque dirigido a uma pessoa que não o depositante mas endossado pela primeira a este é coisa que parece não entrar no léxico bancário do território. Sinceramente não entendo se os casos que conheço são simples coisas do acaso ou se essa é a regra. Que venha um desses directores bancários explicar-me, e ao jornal onde vivo, como funciona o sistema bancário de Macau porque é muito diferente do que acontece na Europa ou nos EUA, por exemplo. Pu Yi


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OPINIÃO

Medo, suicídio

e eutanásia da cidadania Paulo Granjo In Le Monde Diplomatique

N

UM quadro de recessão, de precariedade, de crescente desemprego e de discursos oficiais prevendo tumultos e insegurança pública, o medo dos cidadãos não se limita a ser um sentimento capaz de refrear a sua participação em protestos e de incentivar condições laborais antes impensáveis. É também um potencial instrumento para a destruição dos mais básicos direitos de cidadania, em nome da segurança. O nosso medo pode tornar-se o nosso pior inimigo. Há cerca de 2 meses, o Diário de Notícias divulgou partes de um relatório elaborado por dirigentes da PSP e dos serviços secretos. Em virtude das políticas de austeridade e suas consequências, os relatores previam a ocorrência dos “tumultos mais graves desde o PREC” e apontavam várias medidas a tomar. A par do reforço do treino e dos meios para contra-insurreição, tais medidas incluíam a identificação e controlo dos grupos contestatários, seus instigadores e cabecilhas – um processo que o próprio documento indicava já estar em curso. Talvez o único pressuposto do relatório que podia merecer o acordo de especialistas que não partilhem a mentalidade policial dos seus autores fosse a consciência, por estes demonstrada, de que a actual situação social é de tal forma violenta para os cidadãos que pode vir a suscitar reacções violentas. No entanto, esse potencial de violência não se situaria, aos olhos dos comandos policiais e de espionagem interna, na indignação, revolta e desespero de cidadãos “comuns” subitamente precarizados, empobrecidos e espoliados dos seus meios de subsistência, talvez descobrindo-se sem tecto nem comida para darem aos filhos. Para essas chefias, o potencial de violência residia, antes, em grupos que protagonizassem o protesto contra a situação criada. Por outras palavras, não procuravam a ameaça de insegurança na própria situação social; aquilo que procuravam era “inimigos internos”. Um centramento deste tipo não constituía propriamente uma novidade, pelo menos no caso dos serviços secretos. Afinal, por diversas vezes tinham sido denunciadas escutas e tentativas de infiltração em sindicatos e mesmo partidos políticos com representação parlamentar, que assim eram tratados como inimigos do Estado. Não obstante, a sua reafirmação num relatório que pretendia estabelecer doutrina e era partilhado por comandos policiais suscitava justificadas preocupações. Confirmava, por um lado, que os comandos dos serviços policiais e de espionagem interna vêem a sua missão de uma forma que não corresponde, em sentido estrito, à defesa dos cidadãos e da segurança pública que

lhes está legalmente atribuída. Em vez disso, parecem assumir que lhes cabe defender as políticas governativas e os governos contra quem se lhes oponha, com isso assumindo como objecto legítimo da sua intervenção as expressões públicas de contestação e oposição a tais políticas, mesmo que elas se desenrolem dentro dos quadros de direitos, liberdades e garantias consignados legalmente. A justificação para essa peculiar atitude residiria, neste caso, na violência prevista pelas hierarquias dos organismos de segurança. Mas, não existindo experiência recente de protesto violento por parte dos sindicatos e partidos políticos da oposição, o “inimigo interno” (que postulam existir) terá agora que ser procurado, à falta de melhor, entre os cidadãos que participam em voláteis e inorgânicas plataformas como aquelas que organizaram as manifestações de 12 de Março e de 15 de Outubro, ou entre os pouco relevantes grupos ou indivíduos que expressem o seu apoio a protestos violentos, mesmo que em conversas de café.

“ESPIÕES À RASCA”

Esta curiosa situação de “espiões à rasca”, por não terem propriamente organizações a quem espiar, sugere que as acções de “identificação e controlo” já assumidamente em curso (de forma ilegal, visto não existir base possível para que estejam a ser legitimadas por mandatos judiciais) versam cidadãos que se tornam suspeitos aos olhos dos órgãos policiais e de espionagem pelo facto de, precisamente, exercerem os seus direitos de cidadania. Contudo, baseando-se esses abusos no pressuposto da violência futura, a realidade e o carácter organizado desta têm que ser enfatizados e aceites pelos cidadãos, para que os abusos sobre os seus próprios direitos (escutas, controlos de movimentos, violações de privacidade, escrutínio injustificado dos seus actos e opiniões) possam ser tolerados. Dessa forma, cria-se um perigoso caldo de cultura política e social que, tudo indica, já estaremos a viver. Com o intuito de controlar eventuais protestos violentos, atemorizam-se os cidadãos com a iminência do caos, que só será evitável através de abusos sobre os seus direitos, por parte dos especialistas em segurança. Sub-repticiamente, somos colocados perante a troca de parte da nossa liberdade por um possível reforço da nossa segurança – uma troca que, segundo Benjamim Franklin, só é adequada a quem não mereça nem uma coisa nem outra.

FAZER ACONTECER O QUE SE TEME

Este processo parece ter sofrido um desenvolvimento lógico, mas algo descarado, durante a greve geral do passado dia 24 de Novembro. Conforme os meios de comunicação social profusamente se fizeram eco, houve ao fim do

No seu conjunto, estes três acontecimentos e a forma como foram divulgados sugerem antes que - trate-se ou não de uma estratégia deliberada, e tenham ou não os seus actores plena consciência disso – vivemos um momento de potenciais abusos sobre os nossos direitos de cidadania mais elementares, cometidos e legitimados em nome da nossa protecção contra a insegurança pública, que por sua vez nos é repetidamente apresentada como uma ameaça que devemos temer. Nessa linha de ideias, deveríamos, não apenas submeter-nos a tais abusos, mas concordar com eles. dia um incidente frente à Assembleia da República, quando participantes na manifestação convocada pela plataforma que organizara a iniciativa de 15 de Outubro tentaram ocupar as escadarias exteriores do parlamento. As forças policiais retomaram violentamente o espaço, foram feitas algumas detenções, e esse pouco relevante acontecimento parecia encerrado. No entanto, depressa se verificou que os manifestantes mais incitadores e entusiastas da ocupação da escadaria voltavam depois a ser vistos, fotografados e filmados a efectuar detenções ou a conferenciar com os colegas fardados. Nas imediações do local, grupos de outros jovens um pouco serôdios mas cuidadosamente vestidos “à revolucionário” eram também vistos e filmados a prender manifes-

tantes, por vezes com rara violência e recurso a equipamento proibido. Em suma, esse acontecimento veio mostrar que a preocupação com tumultos que é partilhada pelas direcções policiais e de espionagem não se limita a encontrar vazão na detecção e controlo de “inimigos internos” suspeitos de poderem vir a ser violentos. Tudo indica que, na ausência de tumultos espontâneos, as próprias forças policiais ou elementos seus acharam por bem providenciá-los, dando razão às suas expectativas e ao difuso temor popular. Apar disso, o mesmo jornal que havia dado a conhecer o preocupado relatório que comecei por comentar escolheu para manchete, no dia seguinte a uma greve geral de grande impacto, o peculiar título “Polícia teme mais conflitos após incidentes na greve”. É verdade que, nos acontecimentos e processos complexos, não podemos descartar à partida a possibilidade de coincidências, ou sequer o papel que a ingenuidade (jornalística ou outra) possa eventualmente desempenhar. Mas seria necessária, por sua vez, uma razoável dose de ingenuidade da nossa parte para que partíssemos do princípio de que estamos, simplesmente, perante uma cadeia de acasos e uma mera confluência de idiossincrasias corporativas. No seu conjunto, estes três acontecimentos e a forma como foram divulgados sugerem antes que - trate-se ou não de uma estratégia deliberada, e tenham ou não os seus actores plena consciência disso – vivemos um momento de potenciais abusos sobre os nossos direitos de cidadania mais elementares, cometidos e legitimados em nome da nossa protecção contra a insegurança pública, que por sua vez nos é repetidamente apresentada como uma ameaça que devemos temer. Nessa linha de ideias, deveríamos, não apenas submeter-nos a tais abusos, mas concordar com eles.

O MEDO, NOSSO INIMIGO

Em si mesma, a manipulação do medo como instrumento político nada tem de original. É, aliás, quase um truísmo afirmar que o medo (seja pela nossa integridade física, seja de perdermos algo que consideremos importante) é um dos elementos centrais de qualquer relação de poder. Tão pouco será original a manipulação do medo da insegurança, para convencer os cidadãos a prescindirem dos seus direitos (primeiro, em relação aos supostos agentes do perigo, depois, em relação a si próprios), em benefício da sua protecção. É, pelo menos, já suficientemente relevante no séc. XVIII para justificar a tal frase de Benjamim Franklin, tantas vezes citada. Mas torna-se, talvez, ainda mais relevante na nossa época, que surge marcada por um particular centramento na questão da segurança. É um bom exemplo disso a velocidade com que, mal Ulrich Beck cunhou essa expressão, se espalhou a crença de que nos países capitalistas desenvolvidos vivemos na “sociedade do risco”. Ao aceitar e repetir essa ideia, contudo, não o fazemos no sentido que lhe atribuiu esse autor (o de vivermos em sociedades que produzem ininterruptamente riscos tecnológicos incontroláveis e de consequências imprevisíveis), mas julgamos viver nas sociedades mais perigosas de sempre.


Ciclone

Gente que em tudo diz sim, não serve para si nem para mim. Por Fernando

Isto, mesmo se é difícil apontar, noutros locais do globo ou momentos da história, sociedades onde os seres humanos tenham estado mais salvaguardados da violência aleatória, da fome, da doença, de acidentes trágicos e de outros perigos mortais ou muito graves. Talvez não seja, por isso, surpreendente que a utilização do medo para restringir direitos - embora bem mais antiga – tenha atingido níveis extremos de eficácia na sequência dos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001. Nesse caso, perante um ataque terrorista traumático e perante a repetida enfatização de que ele era apenas a ponta de um icebergue de ameaça permanente e generalizada, uma sociedade retoricamente muito ciosa dos seus direitos individuais não se limitou a tolerar que eles fossem pontualmente desrespeitados, nos casos em que estivessem em causa assustadores suspeitos de terrorismo.Aprovou e apoiou convictamente, através do PatriotAct, a instauração de um estado de excepção em que qualquer suspeita por parte das autoridades policiais permite, arbitrária mas legalmente, retirar a um cidadão os mais importantes direitos, garantias e formas de protecção de que este goza. Aquilo que esperam de nós é algo de semelhante, embora por certo mais moderado, em virtude da enorme discrepância entre os perigos que alegadamente ameaçam quem vive de um lado e do outro do Atlântico. Mas, afinal, se tolerámos que cidadãos europeus fossem impedidos de entrar no país devido ao crime de trazerem consigo panfletos pouco agradáveis para a NATO ou as forças policiais, porque razão não deveremos, a bem da nossa segurança nas ruas, aceitar que as pessoas suspeitas de poderem querer ser violentas sejam ilegalmente esquadrinhadas, ou que o mesmo nos aconteça a nós, caso o nosso desagrado também nos torne suspeitos? Não se justificará esse preço, para que possamos ser protegidos do terrível caos dos “tumultos mais graves desde o PREC”? Aquilo que se espera de nós, afinal, é que esqueçamos a frase de Steve Biko que lapidarmente concentrou páginas e páginas de Gramsci: “A mais poderosa arma nas mãos do opressor é a mente do oprimido.” Porque, uma vez dado esse passo, uma vez tolerado o desrespeito pelos direitos de cidadania dos outros, por eles parecerem (às ‘autoridades competentes’) suspeitos de poderem colocar em risco a ordem pública, tudo se simplifica. Rápida e facilmente acharemos normal que, quando nos assustam, percamos as nossas liberdades individuais. Os nossos direitos serão coisas para tempos normais; e os tempos de excepção serão de cada vez que nos convençam disso. O nosso medo de tumultos e insegurança, solicitamente instigado por quem de direito, tornar-se-á o instrumento do suicídio da nossa cidadania. Por isso, a intolerância para com abusos sobre os direitos de cidadania é, hoje, mais necessária do que nunca.

SEGUNDA-FEIRA 9.1.2012 www.hojemacau.com.mo

15 ca d er n o d i á r i o Pedro Correia

SEXTA, 30 Kim Jong-il é enterrado com

honras de Rei-Sol num mausoléu de cem mil metros quadrados no palácio memorial de Kumsusa, em Pionguiangue. Morreu, aparentemente de síncope cardíaca, mas permanece distinguido com cargos honoríficos post mortem, como aliás sucedeu ao pai, Kim Il-sung, falecido em 1994. Sucede-lhe o filho mais novo, Kim Jong-un, com apenas 29 anos. Mas o regente, pelo menos por enquanto, será um tio, Jang Song-Thaek. Na Coreia do Norte, autoproclamada “pátria dos trabalhadores”, o poder é uma questão de família, como sucedia nas monarquias feudais. Estamos perante uma ditadura? Claro que sim. É, aliás, este o termo utilizado pela imprensa internacional mais qualificada - do El Mundo ao New York Times, passando pelo Estado de São Paulo - para classificar o regime norte-coreano. Mas em Portugal, ainda hoje, um jornal como o Público dedica uma página inteira ao assunto sem jamais utilizar termos como “ditadura” ou “ditador”. Precisamente na mesma edição, noutra notícia, alude ao regime que vigorou na Argentina entre 1976 e 1983 como “ditadura” onde se praticaram “crimes contra a humanidade”, “detenções”, “torturas” e “assassinatos”. Lendo este jornal, concluiríamos que nada disto sucede na Coreia do Norte, submetida desde 1948 à despótica dinastia Kim. Este é um caso muito mais generalizado do que podíamos imaginar à partida. A autocensura, por um lado, e a percepção, por outro lado, de que existem de facto ditaduras e “ditamoles” (as de esquerda, que não prendem, não silenciam, não agridem, não torturam nem assassinam) está de tal modo generalizada nas redacções de jornais que conduz à multiplicação de casos como o do Público. O general Mubarak, por exemplo, só começou a ser tratado como ditador pela generalidade da imprensa portuguesa no dia seguinte ao da sua deposição - mais ou menos quando foi afastado da Internacional Socialista, a que pertencia há longos anos. E ainda hoje são raras as vezes em que o coronel Kadafi é lembrado em Portugal como deposto ditador líbio. Já para não falar do quase eterno general Castro em Cuba. Duplo critério. Mau jornalismo.

DOMINGO, 1 Resolução de Ano Novo: em 2012 só lerei clássicos. Totalmente nas tintas para as “novidades” editoriais. Sobretudo quando escritas no aberrante aborto ortográfico. TERÇA, 3 Há uma camada de políticos que se mostra mais fiel à forma do que ao fundo, mais preocupada com o nome da coisa do

que com a coisa em sim. Um desses políticos, ainda há poucos anos levado em ombros por uma certa opinião bem pensante portuguesa, sempre deslumbrada com o que descobre além-fronteiras, era José Luis Rodríguez Zapatero. O chefe do Governo espanhol que se ufanava de ultrapassar todos os antecessores em credenciais de esquerda, era o campeão do progresso. Nas palavras. “Não existem desempregados, existem pessoas que estão no desemprego”, afirmou Zapatero em Fevereiro de 2008. Valeu-lhe de pouco a aula de correcção política que ministrou aos compatriotas. Ao abandonar o poder, há poucos dias, deixou ao sucessor - o conservador Mariano Rajoy, vencedor incontestado das legislativas de 20 de Novembro - um legado nada invejável: cinco milhões de desempregados (perdão, de pessoas sem emprego), o que corresponde a 21,5% da população activa e é a maior cifra do género desde que há registos oficiais em Espanha. Há hoje cerca de milhão e meio de lares espanhóis em que marido e mulher estão simultaneamente desempregados. E 48% dos menores de 30 anos não consegue encontrar trabalho por lá nos dias que vão correndo. Para o socialista que durante sete anos e meio ocupou o Palácio da Moncloa, entre Março de 2004 e Dezembro de 2011, o optimismo antropológico era quase uma raison

d’ État. Ele mesmo proclamara, noutra tirada cheia de floreado “progressista”, em Julho de 2008: “Ser optimista é mais do que um acto de racionalidade - é uma exigência moral, um rasgo de decência e até de elegância.” Esta obrigação de se proclamar optimista, para continuar a garantir os aplausos da corte do progresso, levou-o a jurar em Fevereiro de 2010: “Comigo como presidente [do Governo espanhol] jamais haverá cortes sociais neste país.” O “jamais” de Zapatero era um vocábulo de geometria variável: três meses depois desta última proclamação, anunciou a primeira redução salarial dos funcionários públicos e o primeiro congelamento de pensões alguma vez registado em Espanha. A forma à frente do fundo.

QUARTA, 4 A inaceitável desvalorização

do valor social do trabalho conduz à generalização de expressões que vamos escutando a todo o momento, com a novilíngua dominante a procurar disfarçar o vazio de ideias e (o que é pior) o vazio de sentimentos. Trabalhadores? Que expressão tão fora de moda... Professores? Jornalistas? Técnicos disto ou daquilo? Népia. “Colaboradores”, isso sim. Tudo para transmitir a ideia de que estamos numa sociedade descartável, num mundo descartável, onde nenhum vínculo perdura ou permanece, onde nenhuma qualificação humana sobressai. Um lamentável vazio vocabular que exprime afinal um indisfarçável vazio de valores.

QUINTA, 5 A frase da semana: «Se fosse

possível explicar-te tudo, não precisarias de perceber nada.» (Agostinho da Silva)

Estamos perante uma ditadura? Claro que sim. É, aliás, este o termo utilizado pela imprensa internacional mais qualificada - do El Mundo ao New York Times, passando pelo Estado de São Paulo - para classificar o regime norte-coreano. Mas em Portugal, ainda hoje, um jornal como o Público dedica uma página inteira ao assunto sem jamais utilizar termos como “ditadura” ou “ditador”.

SÁBADO, 7 Sporting-FC Porto: um estádio quase cheio, com milhares de pessoas irmanadas por fervor clubístico de parte a parte. Muitos antes de ser dado o pontapé de saída, partilham-se cânticos, histórias, abraços, gargalhadas. São ocasiões únicas, numa sociedade como a portuguesa, que tem uma tendência ancestral para exibir uma aura melancólica e uma irreprimível vocação para se fechar sobre si própria. O futebol é um espectáculo que continua a escapar à compreensão de muitos teóricos da psicologia das multidões. Mesmo numa noite como esta, em que o jogo acabou por ficar aquém das expectativas, com as defesas das duas equipas a impor-se às linhas atacantes e o resultado se ter cifrado num frustrante zero-a-zero. À saída, mantém-se a partilha - de uma cerveja, de uma bifana, de mais um abraço, de mais uma história. Só é pena que sejamos assim apenas no futebol.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Redacção Andreia Sofia Silva; Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; José C. Mendes; Nuno G. Pereira; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Carlos Picassinos; Hugo Pinto; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros; Vanessa Amaro Colunistas Arnaldo Gonçalves; Carlos M. Cordeiro; Boi Luxo; Correia Marques; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia; Peng Zhonglian Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


c a rtoon por Steff

CRISE HUMANITÁRIA NO SUDÃO DO SUL

MACAU BISPO ESPERA MAIS ATENÇÃO AO POVO O bispo de Macau lamenta que os governantes locais defendam mais os seus interesses do que o “bem comum”, considerando necessário um maior espírito de serviço público e uma maior e melhor representatividade dos órgãos legislativo e Executivo. Em declarações à agência Lusa, José Lai disse “achar bem” o facto de o Governo de Macau ter decidido avançar este ano com uma reforma política, ao constatar que o território “está a desenvolver-se muito”. PME GOVERNO APOIA A PARTICIPAÇÃO EM FÓRUM Com o alto patrocínio do Governo da RAEM, o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF) terá lugar no The Venetian Macao-Resort-Hotel, de 29 a 31 Março de 2012, e terá como tema a “Economia Verde – O Novo Motor para o Crescimento”. Para encorajar a participação das PME locais, o MIECF 2012 criou um plano de apoio financeiro especial, através do qual concede um apoio de 60% do custo de exposição. Os organizadores esperam que, através da participação activa no Fórum, os empresários de Macau promovam as indústrias de tecnologia amiga do ambiente e possam explorar mais o intercâmbio, a cooperação e novas oportunidades de negócio com os mercados internacionais.

EMIGRAÇÃO PORTUGUESES TÊM LUGAR EM MACAU Macau “não é um maná”, mas “não é difícil encontrar emprego”, defendeu ontem o presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, em declarações à agência Lusa. “Não é difícil encontrar colocação de emprego em Macau, mas é preciso ter noção que não são empregos de quatro, cinco ou seis mil euros.” Fernando Gomes realçou que o território pode absorver “dois mil ou três mil” portugueses nos próximos dois anos “sem grandes atropelos”. Na área de hotelaria ou serviços, exemplificou, “não é difícil” encontrar emprego com salários de “pelo menos 1.000 a 2.000 euros” - o que, hoje em dia, “não se consegue” em Portugal - e a procura “tem sido bastante grande ao nível do recrutamento de trabalhadores”. O responsável antevê, por isso, que não será muito complicado para a comunidade portuguesa que emigra “porque quase todos dominam o inglês”.

Tribunal indefere a suspensão de eficácia do acto de adjudicação do contrato

ETAR nas primeiras mãos Gonçalo Lobo Pinheiro

O

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consórcio formado pela empresa de Macau CESL-Asia, pela portuguesa Indaqua e pela chinesa Tsing Hua Tong Fang vai mesmo dirigir as operações da ETAR da Península de Macau. O acórdão do Tribunal de Segunda Instância (TSI), tornado público apenas ontem mas com data de 24 de Novembro do ano passado, é claro: “Acordam neste Tribunal de Segunda Instância em indeferir a suspensão da eficácia do acto de adjudicação do contrato.” Sendo assim, torna-se claro que

o consórcio acima referido irá voltar aos trabalhos na ETAR de Macau, até porque o interesse público assim o exige. “Torna-se obviamente subsistente o alegado interesse público para a oposição à suspensão provisória”, pode ler-se no acórdão proferido pelo TSI. Depois de Va Tech ter perdido um dos dois recursos em tribunal contra a adjudicação, outra das concorrentes do consórcio vê também o seu recurso deitado ao lixo. O TSI considera que da suspensão da adjudicação “advêm a forçada paralisação da ETAR e os graves prejuízos decorrentes, tais como a poluição do meio aquático e do ar ambiental nas imediações

intensivamente populacionais, e ainda sério perigo para a saúde pública”. “Não se deixa de ser previsível que a solução transitória em alternativa proposta pela requerente é inerente a enorme inconveniência”, pode ainda ler-se no documento ontem divulgado pelo TSI. Sendo assim, e caso não haja qualquer hipótese de recurso para a Última Instância, a ETAR da Península de Macau passa para as primeiras mãos nas quais o Governo liderado por Fernando Chui Sai On depositou as devidas esperanças depois de aprovar um projecto orçamentado em 604 milhões de patacas.

SEGUNDA-FEIRA 9.1.2012 www.hojemacau.com.mo

EDP PRESIDENTE DA CEM E ROCHA VIEIRA FALADOS João Marques da Cruz é um dos nomes propostos para integrar a administração da EDP portuguesa. Segundo a Rádio Macau, o presidente do conselho de administração da Companhia de Electricidade de Macau (CEM), que tem estado na liderança da EDP Ásia, e Vasco Rocha Vieira, antigo Governador de Macau, podem integrar a lista de novos membros propostos para o conselho geral e de supervisão. Cao Guangjing e mais três representantes da China Three Gorges fazem também parte das possíveis nomeações. A proposta, divulgada na internet, aponta ainda António Mexia como o escolhido para a presidência do conselho de administração. Na equipa que é proposta para a administração da EDP saem a presidente da EDP Renováveis, Ana Maria Fernandes, e também Cruz Morais, entrando João Marques da Cruz e Miguel Stilwell de Andrade, administrador da EDP Distribuição. Eduardo Catroga deverá liderar este conselho e Cao Guangjing, o presidente da empresa chinesa, passa a ser o vice-presidente. VOTOS ELEITO CONSELHO DO DESPORTO Os novos membros do Conselho do Desporto para o próximo biénio foram ontem eleitos numa só volta. Os novos 10 membros do órgão consultivo do Governo em matéria de desporto foram eleitos sob a fiscalização do presidente do Instituto do Desporto (ID), Vong Iao Lek, e dos vice-presidentes Pun Weng Kun e José Tavares, que referiu ao Hoje Macau acreditar nas pessoas eleitas. “Nos próximos dois anos esperamos maior dinâmica porque entrou sangue novo para o Conselho do Desporto.” LISBOA CONCEIÇÃO JÚNIOR APRESENTOU O SEU LIVRO O macaense António Conceição Júnior deslocou-se a Lisboa para assistir à cerimónia de lançamento da sua última obra, “Conversas do Chá e do Café”, uma edição da Livros do Meio. O anfiteatro da Delegação Económica e Comercial de Macau encheu-se de inúmeros amigos e admiradores do autor. Gabriela César elogiou o percurso artístico e cultural de António Conceição Júnior, cabendo a Ana Paula Laborinho a análise literária da obra. A sessão transformou-se numa manifestação de carinho por este agente cultural nascido em Macau. No final, alguns dos presentes na plateia aproveitaram a oportunidade para elogiar o autor ligado a fotografia, pintura, design e moda. O convívio terminou com uma sessão de autógrafos e beberete, que serviu para matar saudades de Macau.


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