Nº 4849 RÓMULO SANTOS
QUARTA-FEIRA 8-9-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
ANDY WANG
MOP$10
ELEIÇÕES
DISCOS RISCADOS SOFIA MARGARIDA MOTA
CENTRAIS
hoje macau
Meio caminho A partir de dia 15, quem chegar a Hong Kong vindo de Macau e Guangdong, deixa de estar obrigado a quarentena. As entradas estão limitadas a dois mil visitantes por dia, com obrigação de apresentação de teste de ácido nucleico negativo. Aguarda-se agora pela resposta do Governo de Macau, à medida anunciada por Carrie Lam, para que a circulação entra as duas RAE’s possa ser feita sem restrições nos dois sentidos. PÁGINA 2
JOVENS MACAENSES
EXMOO
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ENTRETENIMENTO
A PELE DE CORDERO PÁGINA 3
CHINA | PORTUGAL
49 DIAS DE QUARENTENA ÚLTIMA
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MUDANÇAS À VISTA
2 política
8.9.2021 quarta-feira
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O Governo de Carrie Lam anunciou ontem que a partir de 15 de Setembro pessoas oriundas de Macau e Guangdong podem entrar em Hong Kong sem terem de cumprir quarentena. As entradas na região vizinha serão limitadas a 2.000 por dia, mediante apresentação de teste de ácido nucleico negativo
HONG KONG RESIDENTES DE MACAU ISENTOS DE QUARENTENA À ENTRADA
Uma via que se abre
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partir de 15 de Setembro, residentes de Macau e do Interior da China vão poder entrar em Hong Kong sem terem de cumprir quarentena obrigatória. A medida foi anunciada ontem por Carrie Lam, durante a semanal conferência de imprensa do Conselho Executivo da RAEHK. A isenção de quarentena irá beneficiar um máximo de 2.000 pessoas por dia, divididas entre quem vem de Macau e quem vem de Shenzhen. “Será disponibilizada uma quota diária de 1.000 pessoas para o posto fronteiriço da Ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau e para o posto fronteiriço de Shekou em Shenzhen”, revelou Carrie Lam. A Chefe do Executivo da RAEHK adiantou que a política “Come2HK” (vem para Hong Kong) tem estado em cima da mesa das negociações há bastante tempo, mas foi sucessivamente adiada devido à ocorrência de surtos em Hong Kong e no Interior da China. Carrie Lam anunciou também que a partir de hoje residentes
de Hong Kong que estejam em Macau ou no Interior da China podem regressar à RAEHK sem terem de cumprir quarentena
A partir de hoje residentes de Hong Kong que estejam em Macau ou no Interior da China podem regressar à RAEHK sem terem de cumprir quarentena obrigatória
Eleições Serviços de Educação negam envolvimento em irregularidades
Um representante da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DESDJ) afirmou ontem que
a pessoa apanhada a tirar fotocópias no Centro de Recursos Educativos para a Lista Aliança de Bom Lar não é funcionária pública. A declaração foi feita durante o programa Fórum Macau da Rádio Macau, e tem por base as imagens de videovigilância. Segundo a mesma explicação, a DSEDJ suspendeu a autorização de utilização dos serviços por parte da envolvida, por violação do regulamento de centro.
obrigatória. Esta medida, a que o Governo vizinho chama “Return2HK” (Regresso a Hong Kong), recomeçou a 5 de Agosto, apenas para quem voltava da província de Guangdong, depois de ter arrancado em Novembro do ano passado. Desde então, e depois de mais de 200.000 entradas, “não houve um único caso de infecção confirmada”, declarou Carrie Lam.
Com juízo
As políticas de entrada em Hong Kong requerem a apresentação de resultado negativo a teste de ácido
União para o Progresso Lista diz que lugar de Leong Sun Iok está em risco
A Lista União para o Progresso, que conta com os deputados Ella Lei e Leong Sun Iok, apelou à mobilização dos eleitores, porque um dos lugares está em risco. Segundo uma mensagem de campanha, posta ontem em circulação, Leong Sun Iok pode não ser eleito: “O lugar de Leong Sun Iok está em risco. É preciso o seu voto”, pode ler-se no texto. Apesar da mensagem, em 2017, quando havia 24 listas a concorrer, a Lista União para o Progresso foi a segunda força mais popular, com 16.696 votos, e elegeu dois deputados. Este ano, participam nas eleições apenas 14 listas. Apelos semelhantes foram feitos pelas listas União de Macau-Guangdong, liderada por Zheng Anting, União Promotora Para o Progresso, encabeçada por Leong Hong Sai, Ou Mun Kong I, que tem Ma Kuok Choi no número 1 e Nova Esperança, liderada por Pereira Coutinho.
nucleico no posto fronteiriço e subsequentes testes depois da entrada no território. A novidade anunciada ontem pela Chefe do Governo de Hong Kong aconteceu exactamente 21 dias depois da descoberta do último caso local de covid-19, no passado dia 17 de Agosto. Lam frisou que a passagem dos 21 dias é uma marca temporal importante, porque reflecte o tempo de incubação do vírus. “O que significa que, basicamente, chegámos à marca de zero casos”, acrescentou, citada pelo portal de comunicação do Governo da RAEHK.
A relativa abertura das fronteiras de Hong Kong surge num contexto recente de alívio de medidas de restrição, com particular destaque para a permissão de entrada de empregadas domésticas, inoculadas com duas doses de vacina contra a covid-19, oriundas das Filipinas e Indonésia. A medida, implementada na semana passada requer a apresentação de um certificado de vacinação e quarentena obrigatória de três semanas. João Luz
Hengqin “Nova página no desenvolvimento de Macau” O secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, disse a um canal de televisão de Zhuhai que a zona de cooperação com Hengqin constitui “uma nova página no desenvolvimento de Macau” e que não se baseia apenas na ideia de “um mais um”, existindo uma ligação múltipla. Segundo o jornal Ou Mun, o secretário adiantou que há melhores modelos para levar a cabo esta cooperação,
sobretudo ao nível da legislação comercial. Para Lei Wai Nong, este regime deveria ser semelhante ao que já vigora em Macau. Além disso, o governante considera que a zona de cooperação pode levar Macau a desenvolver as suas políticas nas áreas da saúde, finanças, novas tecnologias e cultura, sendo que o território e Zhuhai podem aproveitar as suas vantagens e operar em conjunto nestas áreas.
quarta-feira 8.9.2021
A
Polícia Judiciária anunciou a detenção de dois homens pela prática dos crimes de agiotagem e sequestro. O caso foi revelado ontem, mas aconteceu no final do mês passado. Durante a detenção, as autoridades procederam ao salvamento da vítima do sequestro. Segundo os detalhes da operação, a vítima, de 41 anos, e os agiotas, de 43 e 19 anos, chegaram a um acordo para um empréstimo às 21h de 29 de Agosto. Todo os envolvidos são do Interior e os agiotas declararam ser desempregados. Por um empréstimo de 27 mil dólares de Hong Kong (HKD), o jogador iria reembolsar os agiotas em 33 mil HKD, além de se comprometer no pagamento de 700 HKD de gorjeta. Depois de várias horas a jogar, na manhã do dia seguinte o homem já tinha perdido todo o dinheiro. Para recuperar o montante perdido, a vítima contraiu outro empréstimo no valor de 12 mil patacas e reconheceu uma dívida total de 48 mil HKD. Repetindo a mesma fórmula, por volta das 17h, todo o dinheiro tinha ficado nas mesas de jogo, deixando o apostador sem fundos para continuar a jogar, acabando por ser levado pelos agiotas para um quarto de hotel no Cotai. Uma vez no quarto, a vítima conseguiu ter acesso ao telemóvel e ligou às autoridades a pedir auxílio. A polícia respondeu, e encontrou-o com os dois sequestradores. O sequestro terá durado cerca de nove horas e meia. As autoridades indicaram que os suspeitos estão indiciados por sequestro, teoria que não foi partilhada pelos alegados agiotas, que recusaram ter cometido qualquer crime. Os detidos admitiram ter feito dois empréstimos com juros altos, mas disseram que a alegada vítima foi conduzida para o quarto de forma voluntária. J. S. F.
Óbito João Pãosinho morre devido a doença prolongada
O economista João Pãosinho, de 62 anos, morreu no passado domingo na sequência de doença prolongada, segundo notícia avançada ontem pela Rádio Macau. O economista residia em Macau desde 1987 e trabalhou no então Instituto Emissor de Macau e na Autoridade Monetária de Macau, onde exerceu as funções de director adjunto do departamento dos assuntos monetários e cambiais. Na década de 1990, Pãosinho passou para o sector privado, ao ingressar no Banco Comercial de Macau, tendo mais tarde assumido o cargo de director-geral da sucursal de Macau do Banco Comercial Português. Estava reformado desde Junho de 2020.
TELEVISÃO MARIA CORDERO PROMETE RENUNCIAR A NACIONALIDADE PORTUGUESA
Na hora da despedida
A macaense Maria Cordero defende o encerramento da indústria do entretenimento do Interior a estrangeiros e promete abdicar da nacionalidade portuguesa para continuar a trabalhar na China
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artista macaense Maria Cordero, presença assídua na televisão de Hong Kong, em particular em programas de culinária e música, prometeu abdicar da nacionalidade portuguesa para continuar a trabalhar no Interior. A promessa foi feita em entrevista a meios de comunicação chinesa, em que abordou a recente campanha do Interior contra artistas de Hong Kong com dupla nacionalidade. “Se uma pessoa que trabalhar no Interior, o correcto é renunciar a qualquer nacionalidade estrangeira. Se alguém quer trabalhar no Interior, deve ter nacionalidade chinesa e não vejo nenhum problema nisso”, afirmou a cantora de 67 anos. As declarações de Cordero surgem na sequência da partilha de uma lista com nomes de artistas em risco de serem banidos do Interior por terem dupla nacionalidade. A lista não foi confirmada pelas autoridades, mas tem nomes muito conhecidos do público como Jet Li, Nicholas Tse, Liu Yifei, Stefanie Su ou Wang Leehom. A possibilidade de exclusão de trabalhos no Interior da China foi afastada por alguns artistas, levando a agência de representa Stefanie Sun a emitir um comunicado a negar a possibilidade. Porém, Nicholas Tse declarou que irá renunciar à nacionalidade canadiana, decisão que foi aplaudida por Maria Cordero.
como a portuguesa, não é apenas uma obrigação para quem quer trabalhar na China, mas também uma atitude pragmática. “Ter nacionalidade chinesa é uma garantia, se tivermos nacionalidade chinesa temos acesso a seguro, protecção laboral e às protecções das políticas sociais”, justificou.
EXMOO
CRIME DOIS DETIDOS POR SEQUESTRO E AGIOTAGEM
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“Se alguém quer trabalhar no Interior, deve ter nacionalidade chinesa, e não vejo nenhum problema nisso.” MARIA CORDERO CANTORA
“Vi a notícia que o Nicholas Tse iria renunciar à nacionalidade canadiana. Acredito que todos os artistas com dupla nacionalidade vão fazer o mesmo, uns atrás dos outros”, vaticinou. “A não ser que não queiram fazer dinheiro
na China e não gostem de viver aqui”, vincou.
O lado pragmático
Segundo Maria Cordero, conhecida como Mãe Gorda, abdicar da nacionalidade estrangeira,
Caridade Chan Meng Kam e Melinda Chan distinguidos na China
Chan Meng Kam e Melinda Chan, ex-deputados e empresários, estão entre as 182 personalidades distinguidas pelo Prémio de Caridade da China, uma das maiores distinções na área social, atribuída no domingo pelo Ministério dos Assuntos Civis da China. Segundo o jornal Ou Mun, o comunicado do ministério destaca o facto de Melinda Chan, directora-executiva da Macau Legend, ter sido distinguida como um “modelo de caridade” com importantes contribuições na luta contra a pobreza. Ao jornal Ou Mun, Melinda Chan disse sentir-se inspirada com o reconhecimento pelo seu trabalho e prometeu continuar a trabalhar na área da caridade e do apoio social. A responsável deseja também que a distinção sirva de exemplo para que mais mulheres participem em questões sociais. Chan Meng Kam foi distinguido na categoria de “doações individuais”.
Além de cantora e de participar em programas de culinária, Maria Cordero tem assumido posições políticas com bastante frequência nos últimos anos, nomeadamente no apoio ao Governo de Hong Kong. É também uma das grandes defensoras da integração de Hong Kong e Macau na Grande Baía. Filha de pai português e mãe chinesa, Maria Cordero nasceu em Macau em 1954 e aos nove anos de idade, por volta de 1963, mudou-se para Hong Kong onde fez carreira na indústria do entretenimento. João Santos Filipe
4 sociedade
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Turismo Associação diz que Hengqin vai criar negócio
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Wong Fai, presidente da Associação de Inovação dos Serviços de Turismo de Lazer de Macau, defende que o novo plano para Ilha da Montanha será um incentivo para o turismo local devido à diversificação de recursos. Segundo o responsável, Hengqin tem muitos recursos marítimos naturais que podem permitir a ligação com Macau e a criação de rotas marítimas, como forma de viajar entre os dois lugares. Wong Fai desejou também que o Governo ouça mais opiniões do sector do turismo porque considera que para haver incentivos são necessárias políticas concretas. Por sua vez, Cheung Kin Chung, presidente da Associação das Agências de Turismo de Macau, apontou que o projecto da Ilha da Montanha vai estimular Macau a procurar novos meios para desenvolver o sector turístico e cultural entre Guangdong e Macau, com vista a criar na Grande Baía o melhor destino turístico mundial.
Hengqin UM fez seminário sobre projecto de cooperação
O Projecto Geral de Construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin esteve ontem em destaque na Universidade de Macau, onde fui tema de um seminário organizado pelo Centro de Estudos da Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau. Um painel de académicos discutiu as diferentes perspectivas do plano e apresentaram sugestões para o desenvolvimento da zona de cooperação. A Universidade de Macau declarou ontem que os participantes concordaram de forma unânime que a zona de cooperação irá inovar a implementação do princípio “Um País, Dois Sistemas”, acrescentando vozes a um vasto coro concordante com o plano anunciado no domingo pelo Governo Central.
Tempestade “Conson” a 800 km de Hong Kong na sexta-feira
Ao meio-dia de ontem, a tempestade tropical “Conson” que se formou a leste das Filipinas estava a 280 quilómetros de Manila, esperando-se que o sistema se intensifique em direcção à ilha de Hainão, ficando a 800 quilómetros de Hong Kong na sexta-feira. Paralelamente, de acordo com os serviços meteorológicos de Hong Kong, outro sistema denominado “Chantun” deverá intensificar-se em direcção a Taiwan, prevendo-se que se torne em tufão no início de sexta-feira. Ambos os tufões deverão passar ao largo de Macau e Hong Kong, prevendo-se, contudo, mais aguaceiros e vento nos próximos dias.
ESTUDO JOVENS SEM PERSPECTIVAS DE MOBILIDADE SOCIAL
Sem passar da cepa torta A crise económica causada pela pandemia está a ter consequências nas expectativas económicas dos jovens de Macau. Segundo um estudo da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, apenas um terço dos inquiridos acredita na melhoria das hipóteses de mobilidade social nos próximos 10 anos
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UASE metade dos jovens de Macau considera que nos últimos cinco anos não houve oportunidades de mobilidade social e apenas 30 por cento diz que as oportunidades vão surgir nos próximos 10 anos. Estes resultados fazem parte do estudo “2021 Relatório sobre o Desenvolvimento da Juventude”, realizado pela Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, com base em 824 questionários. Segundo a informação apresentada ontem em conferência de imprensa, e citada pelo Jornal Ou Mun, os resultados reflectem o ambiente que se vive com a pandemia, mas a tendência não é nova. Apesar de tudo, o panorama actual tornou mais claro para
os inquiridos que Macau é uma sociedade estratificada, onde as pessoas com rendimentos médios e baixos têm maiores probabilidades de baixarem de classe do que de subir, devido à crise económica. Chan Ka In, líder da equipa de investigação e vice-presidente da associação, revelou que menos de um quarto dos jovens, mais preci-
O actual panorama socioeconómico aumenta os índices de competitividade na procura de emprego e alarga o fenómeno do desemprego jovem
samente 22 por cento, acredita que as oportunidades de mobilidade na sociedade são suficientes. Em comparação com o estudo feito em 2019, foi ainda sublinhado que a situação pandémica é tida pelos jovens como a principal alteração. Segundo as conclusões, o actual panorama socioeconómico aumenta os índices de competitividade na procura de emprego e alarga o fenómeno do desemprego jovem.
Aposta na diversificação
Na sequência dos problemas assinalados, os investigadores da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau apontaram a diversificação económica como a solução. No entender da associação, o Governo tem de apostar em outras indústrias, como na tecnologia de
ponta na área da saúde e no mundo da alta finança. Com mais indústria, os investigadores acreditam que as oportunidades de emprego vão aumentar, assim como a mobilidade social em outros sectores. Por outro lado, a associação defende a criação de uma plataforma mais alargada de oferta de empregos, assim como a aposta em estágios pagos, para responder aos anseios da população. De resto a formação profissional para as áreas indicadas nos planos de diversificação é um dos caminhos indicados, com a associação a pedir ao Governo a coordenação de esforços, inclusive a criação de bolsas de estudo. João Santos Filipe
quarta-feira 8.9.2021
O fim do martírio
ASSOCIAÇÃO DE JOVENS MACAENSES JORGE VALENTE PONDERA DEIXAR DIRECÇÃO
Passagem de testemunho
Reconstrução do Sin Fong Garden quase concluída
A
Com oito anos de existência celebrados na última semana, a Associação de Jovens Macaenses pode mudar de presidente no próximo ano. Isto porque Jorge Valente está a ponderar não se recandidatar para dar lugar a sangue novo SOFIA MARGARIDA MOTA
reconstrução do Edifício Sin Fong Garden está praticamente concluída, depois de os trabalhos em altura terem terminado. Nesta fase, segundo o canal chinês da Rádio Macau, estão a ser instalados tubos e canalizações para a electricidade e água. Segundo Wong Man Sang, proprietários de uma fracção habitacional no edifício, a conclusão das obras estava prevista para Agosto. Porém, ocorreram “pequenos atrasos” que fizeram com que tal não fosse possível. Também por esse motivo, os moradores ainda não sabem quando podem voltar a ocupar as suas casas. O proprietário explicou que a reconstrução do edifício foi financiada principalmente pelos proprietários. Para esse efeito, foram feitas das campanhas de recolha de fundos. Na primeira acção foram angariados 70 milhões de patacas e na segunda 100 milhões de patacas. O segundo montante foi conseguido com recursos a empréstimos bancários, apesar de alguns proprietários não terem conseguido cumprir as exigências necessárias para contrair empréstimo. Wong reconheceu ter sido um dos moradores com dificuldades para aceder ao financiamento, mas admite ter recebido assistência para resolver a situação.
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Promessa por cumprir
Sobre a promessa de um donativo de 100 milhões de patacas da Associação de Conterrâneos de Jiangmen,Wong revelou que apenas chegaram 5,12 milhões de patacas.Aassociação apoia ZhengAnting nas eleições de domingo, e que tinha como principal figura ma Assembleia Legislativa o deputado Mak Soi Kun. Recorde-se que em 2012 um dos pilares do recém-construído Sin Fong Garden cedeu e obrigou a que o edifício fosse evacuado para segurança dos moradores. O caso arrasta-se há vários anos nos tribunais, entre processos para apurar a responsabilidades pelas obras e pedidos de compensações. Em Abril deste ano, o Tribunal Judicial de Base condenou sete construtoras e técnicos a pagarem 12,8 mil milhões de patacas à RAEM. J.S.F.
O
mandato de Jorge Valente como presidente da Associação dos Jovens Macaenses termina este ano, e nas próximas eleições a liderança poderá ter um novo rosto. Isto porque o empresário confessou ao HM que está a ponderar não se recandidatar. “Provavelmente não me recandidato como presidente da direcção porque as ideias novas acabam por se esgotar se for sempre a mesma pessoa. Nos últimos anos atraímos mais jovens e preparamos mais pessoas para se chegarem à frente e levarem a associação a fazer coisas mais inovadoras.” Os estatutos determinam que os associados não podem ter mais de 45 anos. Apesar de ainda não ter atingido essa
idade, Jorge Valente disse que está na altura “de surgirem outras pessoas que, no próximo mandato, levem a associação a patamares mais altos”. O actual dirigente “gostaria de ver mais dinamismo e mais vertentes” na associação. Com oito anos celebrados na passada
“Provavelmente não me recandidato como presidente da direcção porque as ideias novas acabam por se esgotar se for sempre a mesma pessoa.” JORGE VALENTE PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS JOVENS MACAENSES
quinta-feira, a Associação dos Jovens Macaenses sofreu as consequências da pandemia, ao ter de cancelar uma série de eventos. “O nosso mandato termina no fim deste ano e para o ano há novas eleições. A próxima equipa terá de definir o que a associação vai fazer no futuro”, declarou.
Balanço positivo
Nos últimos oito anos, a Associação dos Jovens Macaenses viu muitos jovens sair para outras entidades, mas Jorge Valente considera que esse é um sinal de que os jovens macaenses estão hoje mais despertos para o associativismo. “A divulgação aumentou, o que fez com que os jovens macaenses tenham percebido que a sociedade de Macau é inclusiva. Não estamos excluídos. Vários
jovens entraram para a nossa associação, saíram e entraram para outras associações de matriz portuguesa ou outras mais ligadas aos seus passatempos. De outra forma, talvez não tivessem começado.” Em relação ao futuro e à integração regional do território na Grande Baía, Jorge Valente considera que “a comunidade macaense adapta-se e sobrevive”. “É uma questão de fazer ajustamentos e seguir em frente”, frisou. A associação “começou do nada” há oito anos, mas conseguiu “firmar a sua presença”. “Hoje temos uma maior participação, embora ainda seja longe do que queríamos atingir na altura. Mas o balanço que faço é positivo. Ao longo destes anos tivemos de ser de tudo um pouco, para toda a gente. Temos uma vertente de desporto, fazemos viagens de intercâmbio, actividades relacionadas com música, palestras com vários temas”, defendeu. Relativamente ao futuro, Jorge Valente quer que a associação se mantenha eclética e não apenas virada para a vertente comercial. Andreia Sofia Silva
ZAPE Governo recupera terreno
Foi ontem recuperado um terreno situado na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE), no cruzamento entre a Rua de Luís Gonzaga Gomes e a Rua de Xiamen. Segundo um comunicado da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, este terreno destinava-se a zonas verdes e a sua concessão já tinha caducado. A DSSOPT emitiu um aviso aos ex-concessionários para desocuparem o terreno e fazerem a sua entrega voluntária ao Executivo, mas essas acções não foram realizadas dentro do prazo previsto.
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Retóricas de sempre ELEIÇÕES UMA CAMPANHA MORNA NAS RUAS E SEM NOVIDADES NOS PROGRAMAS
RÓMULO SANTOS
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Termina esta sexta-feira o período de campanha eleitoral para as eleições legislativas, que acontecem no domingo. Analistas consideram que os candidatos não trouxeram novos temas para a praça pública e que, num sistema político onde o Executivo domina, é difícil implementar ideias. Perante a desqualificação de deputados, torna-se difícil prever a composição da Assembleia Legislativa fazer certas reivindicações. Parece que agora é geral usar este argumento do aumento dos subsídios para congregar votos.” Também Jorge Fão, antigo deputado e dirigente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), diz que os temas abordados pelos candidatos pouco variaram nos últimos anos. “Quase todas as listas se focam nos mesmos assuntos, que é a habitação, o trânsito, a saúde, o desemprego. São questões que não são fáceis de resolver, como é o caso também da diversificação da economia, de que se fala há dezenas de anos e não sei como pode ser feita.” Jorge Fão destaca que, na implementação de políticas, o poder Executivo domina. “Estamos muito dependentes das políticas do Governo e a AL tem poucas palavras a dizer. O Executivo tem domínio sobre todos os temas do território e o espaço de manobra dos deputados é relativamente pequeno. É preciso que o Governo esteja em sintonia com os comentários e as críticas.” Portanto, as ideias abordadas em plena campanha não passam “de uma retórica eleitoral”, embora Jorge Fão deposite esperanças na verdadeira resolução de um problema antigo: a falta de habitação.
“Acredito que essa questão, com o actual Governo, vai ser resolvida. Pelo que se vê publicamente, e com as construções em curso, acredito SOFIA MARGARIDA MOTA
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AIS habitação, mais apoios sociais e financeiros para combater os efeitos nefastos na economia devido à pandemia da covid-19, um melhor sistema de trânsito e o modelo de gestão do novo hospital das ilhas. Estes têm sido os temas mais marcantes de uma campanha eleitoral que arrancou a 28 de Agosto e termina esta sexta-feira. Analistas ouvidos pelo HM defendem que os programas eleitorais das 14 listas candidatas revelaram-se pouco inovadores em termos de ideias para o território. “Ouvi apenas o programa de duas listas, na rádio, que não falava de outra coisa a não ser do aumento dos subsídios. Portanto, pode ser um tema interessante entre os candidatos, que puxam o seu eleitorado pelos cifrões”, ironizou Leonel Alves, advogado e antigo deputado da Assembleia Legislativa (AL) durante 33 anos. No entanto, o causídico alerta para o facto de os deputados terem pouca margem de manobra para mudar algo nesta área. “A Lei Básica diz-nos que tudo o que esteja relacionado com encargos financeiros e despesa pública depende da proposta do Chefe do Executivo. Portanto, quanto muito, um deputado pode
que a habitação económica e social vai ter uma solução, mas não na totalidade.” Em relação aos restantes pedidos feitos pelos candidatos, o dirigente macaense tem menos crenças. “Quanto ao pedido de mais dinheiro e subsídios, penso que o Governo não terá capacidade para suportar mais encargos, porque sabemos que as receitas de todos os casinos estão a cair.”
Depressão colectiva
“Os temas dos programas eleitorais de há quatro ou cinco anos não variam muito em relação aos deste ano. Houve a desqualificação de alguns deputados e os seus apoiantes poderão não votar. Mas também pode acontecer o contrário.” JORGE FÃO ANTIGO DEPUTADO E DIRIGENTE DA APOMAC
Para Leonel Alves, o facto de a maior parte das listas pedir um aumento dos apoios financeiros parte do sentimento de depressão generalizado sentido pela população desde que a pandemia começou. “Estamos em crise há algum tempo e as perspectivas podiam ser melhores se não fosse o prolongamento deste lockdown em Macau. As pessoas não chegam de Hong Kong, que é um mercado importante. Vejo lojas pequenas a fechar. A saúde da população não está no seu melhor e quando isso acontece obviamente que o medicamento é mais subsídio. Interpreto isso como um sentimento generalizado de que Macau está a passar por uma crise prolongada e sem perspectivas de alteração rápida e a curto prazo.”
Nesse sentido, é “uma preocupação legítima da parte dos candidatos”. A pandemia pode também ter afastado das ruas a normal agitação eleitoral com carros e slogans. “Antes havia mais barulho nas ruas, mais carros a fazer a sua propaganda. Não se se isso se deve à crise ou a outros factores, não tenho visto este burburinho”, lembrou Leonel Alves, que destacou o facto de a maior parte das listas candidatas estarem a apostar nas redes sociais e formatos digitais para transmitir o seu programa político. “Hoje em dia procura-se mais as vias digitais [para fazer a campanha], que evita esta propaganda pelas ruas, e talvez por essa via seja melhor conseguido. Essa é a grande diferença.”
eleições 7
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SOFIA MARGARIDA MOTA
quarta-feira 8.9.2021
“Os temas abordados pelas listas eram os esperados, tendo em conta a sua natureza, as circunstâncias actuais e os precedentes históricos.” SOFIA MARGARIDA MOTA
ANTÓNIO KATCHI JURISTA
“A Lei Básica diz-nos que tudo o que esteja relacionado com encargos financeiros e despesa pública depende da proposta do Chefe do Executivo. Portanto, quanto muito, um deputado pode fazer certas reivindicações.” LEONEL ALVES ADVOGADO E ANTIGO DEPUTADO
António Katchi, jurista, considera que os temas abordados pelas listas “eram os esperados, tendo em conta a sua natureza, as circunstâncias actuais e os precedentes históricos”. “A divisão das classes trabalhadoras em trabalhadores residentes e não residentes - uma das maiores fracturas sociais existentes em Macau - tem sido sempre encarada pelos deputados e pelas listas concorrentes como uma situação normal e inevitável”, sendo este, para o jurista, “um tema estrutural que merecia um amplo debate”. Katchi também destaca a importância de debater nesta campanha os direitos laborais, “quer os direitos individuais, [sobre] o despedimento, o horário de trabalho e as férias, quer os direitos colectivos, como
a liberdade sindical, negociação colectiva e greve”.
Alerta Coutinho
Esta campanha ficou marcada também pelo grito de alerta do deputado e candidato José Pereira Coutinho, líder da lista Nova Esperança, que se assumiu como o único candidato democrata nestas eleições, após a desqualificação de vários candidatos. Coutinho apelou ao voto para que a sua voz política, a única em língua portuguesa, se mantenha no hemiciclo, antevendo dificuldades para manter o assento pela via directa. António Katchi, jurista, concorda com esta posição. “Excluídas as listas ligadas à ‘constelação’da Associação Novo Macau, a lista encabeçada
por Pereira Coutinho é, de facto, a única em que os democratas podem encontrar, por um lado, simpatia e compreensão em relação a eles próprios (da parte das outras listas só encontram hostilidade e desprezo), e, por outro, ideias semelhantes às suas para a sociedade de Macau.” Katchi acredita que a lista Nova Esperança “também captará votos junto dos apoiantes da lista encabeçada por Cloee Chao, excluída das eleições”. Outra parte do eleitorado poderá votar nos deputados ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau, como é o caso de Ella Lei e Leong Sun Iok, da lista União Promotora para o Progresso. Com a desqualificação de candidatos, é difícil para os analistas
preverem como ficará a composição do hemiciclo a partir de domingo. Leonel Alves não antevê, para já, grandes mudanças. “Provavelmente uma ou outra lista manterá o número de deputados. Quem antes tinha dois deputados e passou a ter um, nesta actual situação pode vir a ter novamente dois candidatos eleitos. No geral, o hemiciclo não vai sofrer grandes alterações. Ou há a abstenção ou é diluído, porque o eleitorado também subiu para os sectores tradicionais.” Jorge Fão defende que é ainda uma “incógnita” a futura composição da AL. “Temos deputados que estão lá há mais de 20 anos e que nunca tiveram uma intervenção, entraram calados e saíram mudos. E temos outros que
fizeram muito barulho mas que, na realidade, não fizeram nada, não passaram de retórica”, argumentou. Para o dirigente da APOMAC, o período de campanha eleitoral trouxe algum colorido às ruas, mas nada mais do que isso. “Os temas dos programas eleitorais de há quatro ou cinco anos não variam muito em relação aos deste ano. Houve a desqualificação de alguns deputados e os seus apoiantes poderão não votar. Mas também pode acontecer o contrário, nunca se sabe. Há votos que podem ser aproveitados por outras listas”, rematou Jorge Fão. Andreia Sofia Silva com P.A. e J.S.F.
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comércio externo da China voltou a crescer em Agosto, em termos homólogos, apesar de interrupções causadas por surtos de covid-19 em várias regiões do país, segundo dados oficiais ontem divulgados. As exportações aumentaram 25,6 por cento, em relação ao mesmo mês do ano anterior, para 294,3 mil milhões de dólares, acima do crescimento de 18,9 por cento, registado em Julho, revelam os dados das alfândegas da China. As importações aumentaram 33,1 por cento, para 236 mil milhões de dólares, acima do crescimento de 28,7 por cento registado no mês anterior. Isto ocorreu apesar das interrupções persistentes nas cadeias de produção industrial, devido à paralisação económica global do ano passado, e a um novo aumento nas infecções, nos Estados Unidos e em alguns outros mercados, que diminuíram a confiança dos consumidores. A China desafiou as previsões de que a pro-
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ECONOMIA COMÉRCIO EXTERNO VOLTOU A AUMENTAR NO MÊS DE AGOSTO
Crescimento sustentado de dólares. As importações de produtos europeus caíram 22 por cento, para 25,3 mil milhões de dólares. O superavit comercial da China com a Europa aumentou 10,9 por cento por cento, para 20,9 mil milhões de dólares.
Registo americano
cura pelas exportações estabilizaria à medida que as medidas de prevenção contra a covid-19 fossem aliviadas e as indústrias
de entretenimento e outros serviços fossem reabertos, permitindo aos rivais estrangeiros retornar aos mercados globais. PUB.
“As exportações e importações foram muito mais fortes do que o previsto no mês passado, mesmo com os dados apontando para alguma escassez de oferta”, disse Sheana Yue, da consultora Capital Economics, num relatório. Os números do comércio deste ano estão distorcidos em comparação com os dados de 2020. A procura global afundou no primeiro semestre, depois de os governos fecharem fábricas e lojas para combaterem a pandemia. Os exportadores da China retomaram a actividade depois de o Partido Comunista declarar o vírus sob controle, em Março de 2020, enquanto os seus concorrentes estrangeiros foram prejudicados
por medidas de controlo durante mais tempo. As exportações chinesas para os 27 países da União Europeia caíram 9,9 por cento, em relação ao ano anterior, para 46,2 mil milhões
“As exportações e importações foram muito mais fortes do que o previsto no mês passado, mesmo com os dados apontando para alguma escassez de oferta.”
As exportações da China para os Estados Unidos aumentaram 15,5 por cento, em Agosto, em relação ao ano anterior, para 51,7 mil milhões de dólares, acelerando em relação ao crescimento de 13,4 por cento registado em Julho, e apesar da longa guerra comercial travada entre Pequim e Washington. As importações de produtos norte-americanos aumentaram 33,3 por cento, para 14 mil milhões de dólares, acima dos ganhos de 25,5 por cento, registados no mês anterior. O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que assumiu o cargo em Janeiro, não se comprometeu a reduzir as taxas impostas sobre bens oriundos da China pelo seu antecessor, Donald Trump. O superavit comercial global da China diminuiu 1 por cento, em Agosto, em relação ao ano anterior, para 58,3 mil milhões de dólares. O superavit politicamente sensível com os Estados Unidos aumentou 10 por cento, para 37,7 mil milhões de dólares.
SHEANA YUE CAPITAL ECONOMICS
Covid-19 China soma 36 novos casos, todos oriundos do exterior A China anunciou ontem que foram diagnosticados 36 casos de covid-19 nas últimas 24 horas, todos oriundos do exterior, após o país ter conseguido suprimir surtos recentes, ocorridos em diferentes regiões. Os casos “importados” foram detectados no município de Xangai (leste) e nas províncias de Yunnan (sul), Fujian (sudeste), Liaoning (nordeste), Guangdong (sudeste), Zhejiang (leste) e Shandong (leste). A mesma fonte apontou que, até ao final de domingo, o número total de infectados ativos no país se fixou em 826, entre os quais sete em estado grave. Desde o início da pandemia, 95.064 pessoas ficaram infectadas na China, tendo morrido 4.636 doentes.
Óbito Condolências pela morte de embaixador alemão O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha anunciou na segunda-feira o falecimento do embaixador alemão na China, Jan Hecker. Em resposta, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, disse em conferência de imprensa que a China ficou profundamente chocada com a morte súbita do
embaixador. Depois de tomar posse, o embaixador Hecker promoveu activamente as relações bilaterais, disse Wang. A China também expressa as suas mais profundas condolências aos seus familiares, acrescentou. A China accionará todos os procedimentos de acompanhamento relativos à família e à Embaixada da Alemanha na China.
Jan Hecker tinha assumido o cargo em Pequim a 24 de agosto e era o 14.º embaixador alemão na China. Previamente, Hecker trabalhava, desde 2017, como conselheiro de política internacional de Angela Merkel, tendo sido director do Departamento de Política Externa, Segurança e Política de Desenvolvimento.
quarta-feira 8.9.2021
divina comédia
NUNO MIGUEL GUEDES
Por vezes uma pessoa procura refúgio no que leu, viu, ouviu. Sobretudo se essa pessoa for eu. Mas eis a maravilha e o terror: nada disso nos serve para coisa alguma. Estamos vulneráveis ao que somos (deixai-me saborear a língua portuguesa por uma vez e esquecer a ontologia) e o que somos tem a tendência de nos surpreender na proporção directa das nossas certezas, se tudo correr bem. Ou seja: quanto mais vida (idade, tempo, o eufemismo que o leitor preferir) mais tapete temos para alguém o puxar de forma inesperada e devida e deixar-nos estendidos no chão. Se esse alguém coincidir connosco a coisa torna-se tão misteriosa como bem-vinda. Foi certamente a visita dessa força que agora mesmo guia os meus dedos no teclado. Prometi, quando esta casa me foi gentilmente aberta, dedicar-me às pequenas coisas, até porque o mundo me aborrece. Mas fiz um pacto comigo em que a minha vida seria privada de escrita porque é privada de interesse para os outros. Até agora. Não sei o que terá acontecido nem sequer me faltava assunto para vos infligir; mas nunca sobre mim, a minha vida, os meus. Só que hoje, sem razão aparente, o tapete terá sido puxado com gosto e sadismo pela única pessoa com que não consigo lidar: eu. Não sei porquê. Sei que nesta altura - e são onze da manhã, desperto, descansado e sem desculpas – preciso falar do meu Avô Nabais. Melhor: porquê já sei mas só o direi no fim. Para já, descubro a causa neste paradoxo: quanto mais velhos mais remotas as memórias. Ou seja: não sei qual foi o meu pequeno-almoço mas lembro-me vividamente das cores e imagens dos meus doze anos. E aqui vou percebendo, à medida que escrevo. O meu Avô Nabais foi a primeira perda próxima que tive, o primeiro choque verdadeiro com a mortalidade a que me fizeram o favor de me poupar. Só que, lá está: se existe condição exclusivamente humana que nos redime ao mesmo tempo que nos condena é a memória. Neste caso pouco me importa o desfecho. De repente vejo-me num pequeno jardim de Inverno, numa varanda da Rua Passos Manuel, em Lisboa. A minha Avó cultivava nessa varanda toda a espécie de plantas e era aí que o meu Avô gostava da minha companhia. “Zé, senta-te aqui”. O porquê de me chamar “Zé” não sei; nunca, que me lembre, terá pronunciado o meu nome próprio. Mas pouco me importava: ia e ouvia, deliciado, as suas histórias. Raiano, nascido e criado na aldeia de Vale de Espinho, na Beira Baixa, veio para Lisboa porque era um dos destinos que lhe ofereciam – o seminário ou a cidade. Preferiu migrar para servir como marçano e a partir daí chegar ao que nunca mostrou ambição de ultrapassar: empregado de escritório. Mas com ele vieram as histórias fantásticas de caçadas de javali, o contrabando, o trânsito clandestino de voluntários para a Guerra Civil de Espanha
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Uma ocasião
(e, coisa inadequada aos nossos dias: o Avô era monárquico via franquista, coisa que só muito mais tarde vim a saber), as descrições das casas graníticas e tantas outras aventuras que invariavelmente começavam assim: “Uma ocasião…”. Foram tardes quentes que, percebo agora, terei desperdiçado até este preciso momento em que as lembro e celebro. E tantos outros instantes e características que testemunhei e que precisei de crescer para as identificar. O profundo introvertido,
UM DIA TALVEZ VENHA A DIZER AOS MEUS NETOS “UMA OCASIÃO…”. SOMOS TODOS OS OUTROS QUE VIVERAM E VIVEM EM NÓS E SE HOUVER SENTIDO PARA ESTA COISA DA VIDA QUE SEJA ESTE: PASSAR ESSA VIDA A QUEM MAIS AMAMOS
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à beira da misantropia, que se fechava no quarto se chegassem visitas não anunciadas – filhas, genro, fosse quem fosse. A excepção era eu, neto único na altura. Os rituais escrupulosamente mantidos, como o de sair mais cedo antes de ir trabalhar para poder apanhar o eléctrico certo e ter tempo de ir ao café falar com os amigos sobre o seu amado Belenenses – a única religião que lhe conheci. Um dia regressei do liceu para almoçar em casa dos meus avós, como era habitual. Encontrei a casa cheia de gente alvoroçada, o telefone a tocar, a minha Mãe a falar-me com extremo cuidado. O Avô estava no hospital, de onde não voltaria. Tinha doze anos; por precioso conselho dos meus pais não fui nem a velório nem ao funeral. Fiquei em casa sozinho, televisão ligada mas ausente. Não verti uma única lágrima. Até hoje. Até agora mesmo. E essas lágrimas preciosas são a tinta destas palavras, a sua razão maior e a que estou grato. Um dia talvez venha a dizer aos meus netos “Uma ocasião…”. Somos todos os outros que viveram e vivem em nós e se houver sentido para esta coisa da vida que seja este: passar essa vida a quem mais amamos.
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Um advogado casado (Dan Gallagher) tem um caso rápido com uma editora, em apenas um fim-de-semana. No entanto, o que não passava de uma aventura amorosa depressa se transforma num enorme problema que afecta profundamente a família de Dan. Destaque para as excelentes interpretações de Glenn Close e Michael Douglas. Andreia Sofia Silva
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SHANG-CHI AMD THE LEGEND OF THE TEN RINGS [B]
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Um filme de: Destin Daniel Creton Com: Simu Liu, Tony Leung, Awkwafina, Fala Chen, Meng’er Zhang 14.15, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
THE PROTÉGÉ [C]
Um filme de: Martin Campbell Com: Samuel L.Jackson, Maggie Q, Robert Patrick 14.30, 21.30
CRAYON SHINCHAN: SCHOOL MYSTERY! THE SPLENDID TENKASU ACADEMY [B] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Wataru Takahashi 14.30, 19.30
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FREE GUY [B]
Um filme de: Shawn Levy Com: Ryan Reynolds 14.30, 19.15, 21.30 SALA 3
SINKHOLE [B]
FALADO EM COREANO LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Ji-Hoon Com: Cha Seoung-won, Kim Sung-Kyun, Lee Kwang-Soo, Kim Hye-Jun 14.30, 21.30
ZERO TO HERO [B]
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Jimmy Wan Com: Sandra Ng, Louis Cheung, Leung Chung Hang, Fung Ho Yeung 16.30, 21.30
0 1 8 3 6 1 0 8 SINKHOLE 9 3 3 0 Propriedade Fábrica de Notícias, 7 1 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 8 Gonçalo 4 6M.Tavares; 7 Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo www.4 3 Maia0 e Carmo; 5 Paul 1Rosa 9 Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; hojemacau. Rasquinho; Xinhua de redacção 3 0 1 Secretária 4 6 2e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia com.mo Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo 9 2 3 0 54
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in esquerda.net
opinião 11
José Soeiro
LEIS LABORAIS: UM TRISTE ESPECTÁCULO “QUEM TRABALHA para as plataformas digitais é um trabalhador por conta de outrem e tem direito a um contrato com todos os direitos”. A frase é de António Costa, no Congresso do PS realizado nos últimos dias de Agosto. Pela minha parte, não podia estar mais de acordo com esta declaração do Primeiro-Ministro. E, no entanto, o que Costa diz não bate certo com o que o Governo propõe. Foi João Leal Amado, um dos mais respeitados juristas do trabalho em Portugal, quem fez a observação no início de Agosto, numa entrevista esclarecedora. Segundo o professor de Direito na Universidade de Coimbra, na proposta que o Governo apresentou na concertação social, “no que toca ao trabalho através das plataformas digitais, o que se diz é muito preocupante e, em grande medida, o contrário do que prometia o Livro Verde sobre o Futuro do Trabalho”. De facto, o Livro Verde, cuja coordenação o Governo confiou a dois especialistas (Guilherme Dray e Teresa Coelho Moreira), aponta explicitamente para a criação de “uma presunção de laboralidade adaptada ao trabalho nas plataformas digitais”, no sentido de reconhecer “a existência de uma relação de trabalho dependente entre o prestador e a plataforma digital”. Na linha do que têm sido as decisões no Reino Unido ou em Espanha (quer por via dos tribunais quer através de legislação), o Livro Verde abria assim finalmente a porta para que a lei exigisse de multinacionais como a Uber, a UberEats, a Glovo, entre outras, a assunpção das suas responsabilidades enquanto empregadoras, através da celebração de contratos de trabalho com motoristas e estafetas. Parecia iniciar-se enfim um caminho para garantir direitos básicos aos trabalhadores das plataformas, tais como um salário, segurança social, férias pagas, protecção em caso de acidente, acesso a regras contra o despedimento sem justa causa, para dar apenas alguns exemplos. Mas a proposta do Governo, uma das tais 64 para o “Trabalho Digno”, não acolheu a formulação do Livro Verde que o próprio Governo encomendara, cedendo ao lóbi feito por estas multinacionais. A referência à “salvaguarda de regimes legais específicos”, inscrita no documento apresentado aos parceiros sociais, significa concretamente “manter a lei Uber”, ou seja, perpetuar a figura dos intermediários (no caso, os chamados “operadores de TVDE”) criados para evitar que haja contratos entre o trabalhador e a plataforma. Mas além de propor manter esse modelo que tem sido tão criticado, o Governo prevê mesmo estendê-lo a toda a realidade do trabalho em plataformas e não apenas ao transporte de passageiros, universo a que hoje se aplica. O sinal que o Governo parecia querer dar com o Livro Verde foi assim atropelado pela sua proposta, que descartou as formulações do Livro para insistir num modelo de precarização à medida
O que o Governo tem feito nestes últimos meses no campo do trabalho é muito jogo político e um discurso que procura vender gato por lebre. As declarações do primeiro-ministro não batem certo com as suas propostas e parecem até destinadas a ocultá-las
das multinacionais. É um péssimo indicador e uma trapalhada política. O discurso de Costa no Congresso anuncia assim o que o Governo não propõe e faz propaganda com o que o Governo rejeitou apesar de ter sido proposto. O embrulho retórico esconde um conteúdo contrário ao anúncio feito. Não são menos reprováveis, no tal documento das 64 medidas, as propostas
sobre período experimental e trabalhadores à procura do primeiro emprego, matéria que aliás suscitou, logo em 2019, um debate sobre a sua constitucionalidade. O que propõe o Governo agora? Por um lado, manter o alargamento do período experimental – período durante o qual não se aplica nem a justa causa para despedimento nem qualquer outra proteção – para desempregados de longa duração e trabalhadores à procura do primeiro emprego. Mas propõe acrescentar à lei uma norma que fala por si: “trabalhador à procura do primeiro emprego” passa a ser definido como sendo aquele “que não tenha prestado serviço no âmbito de uma relação de trabalho subordinada por mais de dois anos seguidos ou quatro anos interpolados”. Ou seja, alguém que tenha trabalhado 1 ano e meio na mesma empresa continua a ser considerado como estando à procura do primeiro emprego ao fim desse tempo, se se candidatar a um emprego. Alguém que tenha trabalhado 3 anos e meio com contratos a termo em diferentes empresas é considerado, também, como estando ainda “à procura do primeiro emprego” se for trabalhar para uma nova empresa. Em que mundo é que tal absurdo combate a precariedade? Ao mesmo tempo que apresentava aos parceiros sociais estas propostas, antes das férias, o PS aprovava na generalidade (ou seja, fazia baixar ao debate em comissão especializada) um projeto de lei do PCP
que acabava com o tal período experimental alargado. Boas notícias! Afinal havia, em período pré-Orçamento, um sinal do PS no Parlamento em sentido contrário às propostas do Governo na concertação social. Foi sol de pouca dura. Quinze dias depois, o responsável laboral do PS revelava aos jornais que tal “aprovação na generalidade” era só coreografia e jogo político sem substância: o PS não aceita tocar no alargamento do período experimental e o destino final da proposta aprovada é, como aconteceu no passado, ser chumbada pelo PS, pelo PSD e pelo CDS logo a seguir ao debate orçamental. Triste espectáculo. Mas tem sido assim. O que o Governo tem feito nestes últimos meses no campo do trabalho é muito jogo político e um discurso que procura vender gato por lebre. As declarações do primeiro-ministro não batem certo com as suas propostas e parecem até destinadas a ocultá-las. De facto, só apostando em muita distracção, ou contando com um debate que se ficasse pelos slogans, medidas daquele calibre poderiam ser apresentadas como visando “dar uma proteção acrescida aos jovens” ou “reforçar direitos na economia digital”, que é exatamente o oposto do que fazem. E no entanto, é justamente nestas matérias sensíveis que deveria haver, em vez destas cenas, um esforço à esquerda para medidas sérias e consistentes de combate à precariedade.
“O homem que pouco aprendeu, envelhece como um boi: com muita carne e nenhum conhecimento.” quarta-feira 8.9.2021 PALAVRA DO DIA Dhammapada episódio 69
O Jogo das Escondidas
COVID-19 RALI DO JAPÃO CANCELADO
um folhetim por Fernando
P
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Rali do Japão, que deveria encerrar o Mundial de 2021, entre 11 e 14 de Novembro, foi ontem cancelado devido ao aumento de casos do novo coronavírus no país, prevendo-se o anúncio de um local alternativo em breve. “Dadas as características da competição, que acontece nas vias públicas com a cooperação imperativa de todos os membros da comunidade local, e o facto de que no Japão casos de covid-19 continuam a aumentar a cada dia e que a melhoria da situação continua imprevisível, temos apenas uma opção que é, infelizmente, cancelar o rali”, explicaram os organizadores do evento, em comunicado. Face a esta contrariedade, a entidade organizadora do Campeonato do Mundo de ralis deverá anunciar em breve uma prova de substituição. Após oito provas, o francês Sébastien Ogier (Toyota) lidera a classificação dos pilotos, com 38 pontos, à frente de companheiro de equipa, o britânico Elfyn Evans, e do belga Thierry Neuville (Hyundai). Entre os fabricantes, a Toyota comanda com 48 pontos de avanço sobre a Hyundai. Depois do Rali da Acrópole, na Grécia, que se vai disputar de quinta a domingo, seguem-se os da Finlândia, de 01 a 03 de Outubro, e da Espanha, entre 14 e 17 de Outubro.
Sempre a somar China exige que quem vem de Portugal faça quarentena de 21 dias antes de partir
A
China passou a exigir que os viajantes oriundos de Portugal cumpram uma quarentena de 21 dias antes de partirem para o país, informou ontem a embaixada chinesa em Lisboa, numa medida inédita de prevenção da covid-19. As embaixadas da China na Bélgica, Rússia, Egipto e Peru emitiram comunicados semelhantes, impondo uma quarentena no país de origem, a que se soma outra quarentena na chegada à China, de pelo menos 14 dias. A China, à semelhança de outros países, já exigia que qualquer pessoa que viajasse do exterior cumprisse um período de quarentena à chegada, mas uma quarentena obrigatória antes de embarcar é um requisito inédito. “Todo o pessoal de empresas com capital chinês deve ser colocado em quarentena, com 21 dias de antecedência, e fornecer certificados de quarentena carimbados pelas respectivas empresas”, lê-se no comunicado difundido no portal oficial da embaixada da China em Lisboa.
“Tripulantes que tenham desembarcado em Portugal e pretendam embarcar com destino à China devem ser colocados em quarentena, em Portugal, por pelo menos 14 dias, devendo os certificados de quarentena ser emitidos pelas companhias aéreas”, acrescenta a mesma nota.
E ainda
No caso de Portugal, o único voo directo para a China, operado pela companhia aérea Beijing Capital Airlines, tem como des-
No caso de Portugal, o único voo directo para a China (...) tem como destino a cidade chinesa de Xi’an, que exige 21 dias de quarentena a quem chega do exterior (...) e mais sete dias posteriores na respectiva residência na China
Coreia do Sul Míssil balístico lançado a partir de submarino
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A Coreia do Sul testou um míssil balístico, de fabrico próprio, lançado a partir de um submarino, disse ontem a agência Yonhap. Os testes, coordenados pela agência de desenvolvimento da defesa sul-coreana, foram feitos a partir de um novo submarino
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de três mil toneladas, desenvolvido localmente e equipado com seis tubos de lançamento verticais, indicou a Yonhap, que citou fontes militares não identificadas. Este míssil será uma variante do míssil balístico sul-coreano Hyunmoo-2B, com um alcance de 500 quilómetros,
e entrará em produção, depois de uma nova série de testes, acrescentou a agência de notícias. Com este teste, a Coreia do Sul junta-se ao pequeno grupo de países com tecnologia SSBN (submarinos nucleares com capacidade de lançamento de mísseis balísticos).
tino a cidade chinesa de Xi’an, que exige 21 dias de quarentena a quem chega do exterior, num hotel designado pelas autoridades, e mais sete dias posteriores na respectiva residência na China. Os passageiros devem ainda apresentar o certificado de vacinação ou o certificado de teste de antigénio negativo. Para além de um daqueles dois certificados, o passageiro deve apresentar os resultados negativos dos testes de ácido nucleico PCR e de anticorpos IgM. A ligação entre Lisboa e Xi’an tem a frequência de um voo por semana. A Beijing Capital Airlines suspendeu também, temporariamente, o transporte de passageiros em trânsito para a China, via Lisboa, oriundos da África do Sul, Brasil, Índia, Nepal, Reino Unido,Angola, Moçambique, Itália e Espanha. O país asiático, onde a covid-19 surgiu em Dezembro, foi o primeiro a conter o surto, pelo que passou a temer uma ressurgência devido aos casos oriundos do exterior, sobretudo chineses que tentam regressar ao país.
ARA Joaquim Palha a derrota de Fu Xian e de Max Wolf deixara-o num beco sem saída. Tinha agora a certeza que o tenente Amoroso fizera o jogo dos seus inimigos, o Governador e Ding Ling. Como conseguira ele ser tão dúplice? Max avisara-o para não confiar nele. E Sofia, que sabia ler os homens como ninguém, também. Mas ele confiara nas suas capacidades de persuasão, testadas durante anos em Macau com os melhores resultados. Sabia que nada contara a Félix Amoroso sobre o que planeavam fazer. Como teria ele descoberto? O seu caminho estava agora bloqueado. A discussão com Max Wolf mostrara-lhe que lhe restava pouco espaço de manobra: ou o ódio dos governantes ou o desprezo dos seus opositores. Ou se fazia invisível ou seria erradicado. Que fazer? Fugir de Macau? Meios não lhe faltavam para fazer isso, mas seria era a vida que coroaria todos os seus sonhos? Poderia sobreviver a tudo mas não ao gozo dos seus antigos amigos, que se rapidamente tornariam inimigos. Poderia voltar a Portugal e recomeçar de novo. Mas as notícias chegariam a qualquer parte. Renegar o amor à pátria onde nascera e aliar-se a um alemão para conseguir benefícios contra os interesses de Portugal, quaisquer que estes fossem, não tinham forma de ser apagados. Os mexericos venceriam o que dissesse para se defender. Regressar a Portugal era impossível. Restava-lhe fugir para uma cidade qualquer da Ásia. Ou então tomar a decisão final. Quando Sofia Palha chegou ao escritório de Joaquim este estava deitado de forma grotesca na cadeira. A pistola caíra para o chão. A cabeça tinha sofrido o impacto da bala que o matara. Nada a impressionava. Quando soube o que acontecera no vapor, Sofia sabia que se tinha despoletado o início de um caminho trágico. Não havia remédio. Ficara em casa e abrira uma garrafa de vinho tinto Periquita e fora bebendo e olhando pela janela, de onde se viam as águas calmas do mar. Assim esteve até ao momento em que recebeu a mensagem da secretária de Joaquim a dizer-lhe o que tinha acontecido. Foi como um relâmpago que interrompeu a sua letargia. (continua)