DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
Os dias contados
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
A UMA SÓ VOZ PÁGINA 6
SUNCITY
FEZ-SE LUZ PÁGINA 7
ANA JACINTO NUNES
Nº 5046
MOP$10
O Governo mantém a postura e recusa, para já, decretar o confinamento geral, apesar das muitas opiniões, prós e contra, em circulação. Qualquer decisão só deverá ser tomada no domingo, após a análise à contabilidade dos testes em massa. Testes esses, que já fizeram sair dos cofres da RAEM mais de 441 milhões de patacas. Macau contava ontem com 1.215 casos positivos. PÁGINAS 2 A 5
QUE ANIMAL É ESTE?
CARLOS MORAIS JOSÉ
XINHUA
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SEXTA-FEIRA 8-7-2022
GCS
HOJE MACAU
OPINIÃO
CAI A MÁSCARA
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JOÃO ROMÃO
PEQUIM | C0VID-19
MAIORES E VACINADOS PÁGINAS 10-11
8.7.2022 sexta-feira
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ECONOMIA CUSTO TOTAL DAS 9 RONDAS SERÁ SUPERIOR A 441 MILHÕES SÓ EM TESTES EM MASSA
Gota no oceano Académico estima que testes rápidos produziram 258 toneladas de resíduos
C
ADA teste rápido pesa cerca de 33 gramas, o que, multiplicando por uma população de cerca de 650 mil pessoas, vezes os seis dias em que já se realizaram este tipo de testes, dá um gasto de resíduos, sobretudo plástico, de cerca de 120 toneladas. Estas foram as contas feitas até ao dia 30 de Junho por David Gonçalves, académico da Universidade de São José (USJ) especialista em questões ambientais. “Os cálculos são feitos muito por alto, tendo em conta o lixo produzido a partir dos testes rápidos. É uma pequena gota no total de lixo produzido por equipamento e desperdício associado ao combate à pandemia. As luvas, máscaras e batas também contribuem para muito mais toneladas de lixo do que os testes rápidos”, adiantou. Segundo os cálculos do HM, hoje a população de Macau irá fazer o 12º teste rápido obrigatório, duplicando a matemática do académico para um assombroso resultado de 258 toneladas de resíduos, apenas com testes rápidos. Annie Lao, activista para as questões ambientais, entende que a população deveria preocupar-se em reciclar este tipo de materiais, sobretudo as caixas
de papel. “Se o Governo de Macau se preocupasse com as questões ambientais, deveria ter lançado um plano de reciclagem há mais tempo”, disse apenas.
Entrar na equação
David Gonçalves entende que, numa altura em que o número de casos de covid-19 continua a aumentar em Macau, as questões de saúde pública são bem mais importantes que as preocupações ambientais. No entanto, alerta para a necessidade das autoridades começarem a ter em conta os problemas ambientais como uma das consequências da pandemia. “Não sei se o desperdício ambiental foi ou não tido em consideração nas decisões de gestão da pandemia, mas a meu ver deverá fazer parte da equação. Neste momento, este tipo de lixo é incinerado, como o resto do lixo em Macau, sendo as cinzas depositadas em aterro, o que contribui ainda mais para a poluição no território.” Segundo David Gonçalves, “alguma parte [desse lixo] é mal gerida e acaba por, directamente, poluir o ambiente, nomeadamente os oceanos pela via fluvial”. “Basta ver o número de máscaras que aparecem nas praias”, concluiu. Andreia Sofia Silva
Contas à vida
Com a conclusão amanhã de mais uma ronda de testes em massa, o Governo terá gasto, no total das nove testagens, mais de 441 milhões de patacas só em testes, faltando ainda apurar despesas com recursos humanos e materiais. Pereira Coutinho considera “difícil” prolongar por muito mais tempo, uma política que “está a esvaziar” a reserva financeira. O peso das testagens nos orçamentos dos Governos locais da China faz-se sentir cada vez mais
O
custo total das nove rondas de testes em massa realizadas em Macau desde Agosto de 2021 deverá ser superior a 441 milhões de patacas só em testes e sem contar com as despesas relacionadas com recursos humanos, equipamentos e materiais. Sem que o Centro de Coordenação e Contingência do Novo Tipo de Coronavírus tenha revelado, até à data, o custo final das várias
rondas de testagem em massa à população, o montante foi calculado tendo por base os dados apresentados no ano passado por Tai Wa Hou, médico adjunto da direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Quando questionado sobre o assunto após aquela que foi a primeira testagem em massa da população de Macau em Agosto de 2021, o responsável disse que, devido à “complexidade da operação”, as contas finais
não estavam ainda feitas. No entanto, o custos dos testes poderia ser calculado multiplicando o número aproximado dos habitantes de Macau (700 mil), pelo preço de cada exame (70 patacas), ou seja, 49 milhões de patacas. Contas feitas, multiplicando o valor por nove rondas, chegamos às 441 milhões de patacas só em testes. “Vamos daqui para frente fazer essas contas, porque foram utilizados vários
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recursos humanos e materiais. É fácil calcular as despesas relativas ao teste ácido nucleico: são 700 mil habitantes a multiplicar por 70 patacas por cada teste, ou seja, são 49 milhões de patacas. Mas não é só esta a despesa, pois [a operação] ainda envolveu vários recursos humanos e materiais. Assim que tivermos os dados vamos anunciar”, disse há quase um ano em conferência de imprensa. Até hoje, a população de Macau foi submetida a nove rondas de testagem em massa, com a primeira a acontecer em Agosto de 2021, a segunda e a terceira em Outubro de 2021 e as restantes seis rondas, a acontecer após o surgimento do actual surto de covid-19, cujos primeiros casos foram detectados a 18 de Junho de 2022. A última ronda de testes em massa está ainda a decorrer e termina amanhã às 18h. De frisar ainda que, a somar aos custos dos testes e de operação das testagens em massa há ainda que contabilizar despesas relacionadas com o fornecimento de testes rápidos à população durante as últimas rondas. O HM procurou obter dados sobre as despesas
sexta-feira 8.7.2022
RON LAM DEFENDIDO FECHO DA CIDADE O deputado Ron Lam disse que a população está a sofrer de “fadiga anti-pandémica” e critica o Governo por ser “incapaz de decidir coexistir com a covid-19, ou de implementar a política de casos zero” de Pequim. À agência Lusa, o deputado sustentou que a população “está à beira de um colapso nervoso” e defende que é crucial que Macau perceba que não tem opção se não “seguir as políticas do interior da China” e que “o Governo tem de ter um plano e um calendário” para controlar o actual surto de covid-19. “A minha opinião é que, como muitos comerciantes me têm dito, o Governo deve fechar completamente Macau o mais depressa possível, durante uma semana, duas semanas”, acrescentou.
CLOEE CHAO TARDE PARA CONFINAMENTO
totais de cada testagem em massa realizada em Macau junto dos Serviços de Saúde. No entanto, as respostas foram remetidas para o final do actual surto, dado que “as equipas estão todas envolvidas no combate epidémico” e que “não há disponibilidade para compilar e informar os números solicitados”.
Custe o que custar
elevados, mas isto não está em causa, tendo em consideração que, sobrepõe-se a isto tudo, a questão da política de zero casos e a defesa da saúde da população e aí, não há discussão possível”, acrescentou. Afirmando que “a saúde pública está de rastos” há mais de 10 anos e que “a economia está cada vez pior”, Pereira Coutinho aponta, contudo, que a maior preocupação consiste no facto de o surgimento de novos surtos estar sempre iminente.
Contas feitas, multiplicando o valor [49 milhões] por nove rondas, chegamos às 441 milhões de patacas só em testes “Mesmo que nós consigamos fazer com que não haja mais casos em Macau, o facto é que, passado umas semanas, pode aparecer mais um caso e fica tudo parado outra vez. Assim não há economia que possa ser sustentável. Quando o surto acabar é uma
contagem decrescente até ao próximo”, rematou.
Alta pressão
A obrigatoriedade da realização de testes para a covid-19 rotineiramente nas principais cidades da China está a ter um peso crescente no orçamento dos governos locais, à medida que Pequim adopta um novo modelo de prevenção epidémica. Segundo a agência Lusa, a correctora China Merchant Securities estimou que o custo com testes de ácido nucleico na cidade de Shenzhen, sudeste da China, entre 6 de Abril e 5 de Junho ascendeu a cerca de 3,16 mil milhões de yuans. Tao Chuan, analista da Soochow Securities, empresa de serviços financeiros com sede no leste da China, estimou num relatório que se todas as cidades de primeiro e segundo nível do país, cuja população somada ascende a cerca de 505 milhões de habitantes, implementarem testes em massa durante um ano, a despesa ascenderá a 1,7 bilião de yuans, o que representaria cerca de 1,5 por cento do PIB da China em 2021, ou cerca de 8,7 por cento da receita fiscal pública do ano passado. Pedro Arede
Cloee Chao, presidente da Associação Novo Macau pelos Direitos dos Trabalhadores de Jogo disse à Lusa que “agora a epidemia não pode ser controlada”, e se “o Governo, no início, fechasse [Macau] completamente, talvez tivesse sido melhor do que a actual testagem massiva contínua”. Cloee Chao sustenta que o arrastar do surto é que é “o grande problema”, uma vez que “a situação actual de ausência de rendimentos durante um longo período de tempo é definitivamente um enorme impacto na vida” dos trabalhadores. “A população de Macau está dividida em dois pontos de vista: do ponto de vista económico, é que Macau deveria ser aberto, no entanto, do ponto de vista da segurança da saúde pública, é que deveria ser implementada a política de zero casos”, explica.
AJM PEDIDO PLANO PARA LOCKDOWN António Monteiro, presidente da Associação de Jovens Macaenses (AJM) considera que “o Governo tem de definir um calendário, uma agenda, um plano e o momento exacto [sobre um eventual confinamento geral] para o executar”. Até porque, destaca segundo a Lusa, “a população não concorda com a abordagem” das autoridades. Mesmo frisando que “Macau não pode ser fechado para sempre”, questionado sobre a hipótese de um confinamento geral, o dirigente associativo deixa o recado em jeito de pergunta: “É mais seguro em casa, eu estou em casa e muitos [funcionários de] departamentos governamentais estão em casa. Mas há pessoas que trabalham em autocarros, sectores privados, supermercados, e têm de fazer testes em massa, e assim que saímos, estamos em risco de infeção. Haverá uma solução melhor?”.
Pontos de fuga Coutinho defende vias especiais para sair de Macau em caso de lockdown
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ERANTE a possibilidade de ser decretado um confinamento geral (gestão circunscrita) em Macau, o deputado José Pereira Coutinho sugeriu que o Governo deve criar corredores especiais para sair do território, a pensar naqueles que têm passagens aéreas marcadas. Para o deputado, o aumento do número de infectados nos últimos dias e as instruções que tem recebido por parte dos serviços da Assembleia Legislativa (AL) sobre a simulação de uma reunião plenária via Zoom, podem indicar que o anúncio sobre um eventual lockdown pode estar para breve. “Com o aumento do número de casos e esta informação que recebi da AL, presumo que pode haver um lockdown. Isto preocupa-me muito porque há muitos portugueses com bilhetes de avião marcados e espero que o Governo de Macau tenha alternativas, como corredores especiais, para permitir às pessoas chegar ao aeroporto e apanhar os aviões nas partidas, de forma segura. Espero que o Governo tenha essa preocupação para com as pessoas que já têm viagens marcadas, porque é um prejuízo e um transtorno para as suas vidas”, disse ao HM. Pereira Coutinho considera mesmo que, se nas
próximas conferências de imprensa, o Chefe do Executivo “der a cara”, será, muito provavelmente para “dar essa notícia”.
Sem dramatizar
Contudo, o deputado defende que, perante aquilo que é, para já, apenas uma possibilidade, “a população não deve estar preocupada”, nem fazer corridas ao supermercados, porque Macau “tem experiência” neste tipo de situações, sendo capaz de garantir o fornecimento de bens essenciais, caso venha a ser necessário. “A quantidade de bens essenciais é manifestamente suficiente para enfrentar esta situação durante cinco ou sete dias, no caso eventual de haver lockdown”, apontou. Sobre as instruções dadas pela AL, Pereira Coutinho detalhou que durante a tarde de hoje os deputados vão reunir pela primeira vez através da plataforma Zoom e recorrendo a tablets fornecidos pelo Governo, para simular, a partir de casa, uma sessão plenária com intervenções antes da ordem do dia. O deputado partilhou ainda que “muitas pessoas estão preocupadas” com os efeitos que um eventual confinamento geral da cidade poderá ter na economia. P. A. LUSA
Contactado pelo HM, o deputado José Pereira Coutinho considera que este tipo de abordagem inerente à política de zero casos de covid-19 está a contribuir para “esvaziar os cofres” da RAEM e que, financeiramente, será difícil de prolongar. Contudo, sublinha, por se tratar de uma política onde está subjacente a defesa da saúde da população e que implica a inexistência de casos, “não há discussão possível”. “Acho que financeiramente é difícil de prolongar este tipo de política porque nós estamos a esvaziar os cofres e as reservas que, com muito esforço, foram acumuladas nos últimos 20 anos”, começou por dizer. “Essa abordagem tem custos económicos extremamente
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CONFINAMENTO GERAL AUTORIDADES REJEITAM MEDIDA, PARA JÁ, E MANTÊM POLÍTICA DE TESTES
As autoridades afastam, por enquanto, a possibilidade de Macau entrar em confinamento total, numa altura em que se registam 1215 casos positivos, com 750 assintomáticos. A política de combinação de testes rápidos com testagem em massa mantém-se activa. Há mais dois hotéis disponíveis para quarentena
GCS
Água mole em pedra
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ideia de o território poder entrar em confinamento geral começa a circular nas redes sociais e a ser defendida por vários analistas, mas as autoridades afastam, para já, essa possibilidade. “Esta informação que circula nas redes sociais é falsa, não temos nenhuma intenção ou decisão quanto ao confinamento. Os bens essenciais são suficientes e temos os supermercados com bastante stock. Em relação ao plano de gestão circunscrita, ainda estamos a ver a situação e iremos divulgar o plano no momento oportuno”, adiantou Leong Iek Hou, médica e coordenadora do Centro de Coordenação e de contingência do novo tipo de coronavírus. No entanto, a mesma responsável frisou que “só depois da sexta ronda [de testes em massa] podemos saber qual a tendência da evolução deste surto”, tendo em conta as próximas medidas a adoptar. Confrontada com as declarações do epidemiologista Manuel Carmo Gomes, publicadas no HM, de que a realização frequente de testes não
NOVOS QUARTOS PARA QUARENTENA resulta com a variante Ómicron, Leong Iek Hou assegurou que essa medida é para continuar. “O nosso objectivo é atingir zero casos e pôr termo à cadeia de transmissão. Os testes em massa
Grand Lisboa Palace Grand Hyatt
470 300
e rápidos são medidas bastante importantes para o alcançarmos. Todas as rondas de testes são importantes para nós. Entre a quarta e a quinta ronda vimos que o número das amostras mistas reduziu.”
De fora, está também a possibilidade de as quarentenas dos infectados serem realizadas em casa, como acontece na maioria dos países ocidentais. “Queremos alcançar o plano de transmissão
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dura “A redução da cadeia é para melhor proteger grupos como os idosos. Este é o nosso princípio e mantém-se inalterado.” LEONG IEK HOU MÉDICA
zero e temos de terminar a cadeia de transmissão na nossa sociedade. A redução da cadeia é para melhor proteger grupos como os idosos. Este é o nosso princípio e mantém-se inalterado”, frisou a responsável.
Mais quartos
Entretanto, foram ontem também anunciadas mais duas unidades hoteleiras que vão passar a receber, a partir de hoje, pessoas para quarentena. Trata-se da ala
TEM LEITE MATERNO? Um jornalista questionou as autoridades sobre a ocorrência de casos em que as mães são impedidas de levar leite materno aos recém-nascidos que estão na neonatologia. As autoridades dizem que só proíbem quando há um elevado risco de transmissão do vírus. “Nunca impedimos as mães de darem o leite materno aos bebés se não houver um risco de contágio. Se houver, aí haverá uma separação entre a mãe e o bebé, que não pode ser vacinado.”
Presos por um fio
Dificuldades na compra de bilhetes para autocarros dourados
V MTC “NÃO É TÃO CIENTÍFICA” A medicina tradicional chinesa (MTC) faz parte do plano de tratamento adoptado pelas autoridades para os casos covid-19 assintomáticos ou com sintomas leves, mas ontem Leong Iek Hou admitiu que “a MTC não é uma forma de intervenção tão científica como a medicação ocidental”. No entanto, “se o paciente consentir, enviamos uma lista de mestres de MTC que, através de uma consulta online, administram chás e medicamentos. Temos um número de pessoas que tomam o chá e os medicamentos de MTC. A maior parte dos doentes toma medicamentos antivirais para atenuar a febre e tosse.”
leste do Grand Lisboa Palace, no Cotai, que irá providenciar 470 quartos, enquanto que a torre B1 do Grand Hyatt irá disponibilizar 300 quartos. De frisar, que hoje começa mais uma ronda de testes em massa, com fim marcado para as 18h de amanhã. As marcações podem começar a ser feitas às 7h de hoje, existindo 63 postos de testagem. Relativamente ao alojamento das empregadas domésticas, foi pedido “um consenso” entre empregadores e trabalhadores. “O dormitório das trabalhadoras domésticas é pequeno e nele vivem muitos trabalhadores de diferentes sectores, tal como da área da limpeza ou segurança. Neste momento existe um risco de transmissão, e uma vez que as trabalhadoras domésticas tomam conta das crianças e idosos, constituiem um elevado risco. Espero que os empregadores possam negociar e chegar a um consenso”, foi dito. Quanto ao caso do hotel Grand Lisboa, selado em virtude de um surto de covid-19, permanecem 504 pessoas no interior, incluindo 260 trabalhadores, 200 trabalhadores do casino e 30 hóspedes. Estas pessoas, recebem das autoridades comida e bens essenciais, como se estivessem numa zona vermelha. Andreia Sofia Silva
ÁRIOS residentes têm relatado ao HM a dificuldade na compra de bilhetes para os autocarros dourados, a fim de se poderem deslocar directamente para o aeroporto de Hong Kong. Um residente, que pediu para não ser identificado, contou ter estado vários dias a tentar adquirir bilhete online para a próxima sexta-feira, dia 16, sendo que os ingressos esgotaram “em poucas horas” na quarta-feira. Após várias tentativas, o residente conseguiu comprar bilhete para esta segunda-feira. “Com a actual situação pandémica, e com voos três vezes por semana via Singapura, deveriam aumentar a oferta de bilhetes para os autocarros dourados”, defendeu. O HM tem conhecimento de outro caso em que dois residentes não conseguem sair de Macau até domingo, por não terem conseguido adquirir o bilhete, temendo ficar no ter-
ritório caso a situação pandémica se agrave. Sara Ng, funcionária da agência de viagens Travel Agency, confirmou que tem recebido muitos pedidos de apoio para a marcação destes bilhetes.
Pedidos de ajuda
Uma vez que muitos residentes portugueses têm viagens de férias marcadas para este período, o HM contactou o Consulado-geral de Portugal em Macau e
Hong Kong que tem mantido um serviço de piquete para o serviço de documentos. Sobre a questão das viagens, foi dito que não há um canal especial de comunicação com empresas para resolver o problema. “Nos nossos registos consta apenas um pedido de apoio deste género, e procurámos transmitir ao interessado as informações disponibilizadas por aquelas companhias transpor-
tadoras.” Sobre questões relacionadas com passaportes, cartões de cidadão ou outros documentos em período de pandemia, o Consulado diz ter “solucionado mais de uma centena de pedidos”. De portas fechadas até hoje, o Consulado diz que vai continuar a coordenar o horário de funcionamento consoante o que o Governo determinar. “A retoma total dos serviços deste Consulado-Geral dependerá da evolução da situação pandémica e das medidas sanitárias tomadas pelo governo da RAEM”, foi referido. A.S.S.
AFP
“O nosso objectivo é atingir zero casos e pôr termo à cadeia de transmissão. Os testes em massa e rápidos são medidas bastante importantes para o alcançarmos. Todas as rondas de testes são importantes para nós.”
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IAS CIRCUITO FECHADO NOS LARES DE IDOSOS TERMINA APENAS QUANDO O NOVO SURTO ESTIVER CONTIDO
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director do Instituto de Acção Social (IAS), Hon Wai, anunciou ontem que o funcionamento em circuito-fechado dos lares de idosos e instituições de apoio a pessoas portadoras de deficiência e tratamento de toxicodependência irá continuar até que o surto de covid-19 que afecta Macau termine. Há mais de uma semana que 36 instituições, a maioria lares de idosos, funcionam em circuito-fechado, o que implica que os funcionários não podem regressar a casa. A medida afecta mais de 1.800 trabalhadores e 2.900 uten-
tes, que vão permanecer nos locais de trabalho até que “a situação na comunidade for segura”, indicou ontem Hon Wai ao canal chinês da TDM. O director do IAS adiantou que os planos de gestão para implementar o circuito-fechado foram revistos e discutidos com as instituições há cerca de três meses. Hon Wai revelou também que o Governo enfrentou grandes dificuldades para encontrar dormitórios capazes de cumprir os requisitos técnicos da gestão em circuito-fechado para acomodar os funcionários dos lares e demais
instituições, mas que ainda assim o IAS conseguiu colocar entre 30 a 40 pessoas através do esquema ponto-a-ponto. Este sistema permite que os trabalhadores descansem num local diferente de onde trabalham, mas sem terem contacto com a comunidade. A saúde física e mental dos trabalhadores é uma prioridade para o IAS, de acordo com Hon Wai, que assegurou ter pedido aos empregadores para respeitarem o direito a férias e descanso, assim como providenciar actividades como sessões de cinema e ioga para os trabalhadores. J. L.
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ANÁLISE EXCLUSÃO DE PRÓ-DEMOCRATAS DEIXOU MACAU SEM “VÁLVULA DE ESCAPE”
Silêncio ensurdecedor
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AZ amanhã um ano que a comissão que gere as eleições para a Assembleia Legislativa (AL) excluiu cinco listas e 21 candidatos, 15 dos quais pró-democracia, por “não defenderem a Lei Básica da RAEM” e não serem “fiéis à RAEM”. A decisão afastou o campo pró-democracia, que detinha quatro lugares na AL, deixando o parlamento com apenas duas vozes mais críticas do Governo, incluindo o português José Pereira Coutinho. “A missão de fiscalização que a Assembleia Legislativa deveria ter desapareceu por completo”, disse à Lusa Leon Ieong, professor de política na Universidade de Macau. A AL “está agora a desempenhar o papel de uma oposição leal”, contrapôs Sonny Lo Shiu-Hing. O comentador político disse à Lusa que os deputados pró-democracia “eram incisivos em identificar assuntos e políticos”,
acções e comentários em público, porque se forem abertamente críticos, podem arriscar uma desqualificação”, admitiu Sonny Lo.
RÓMULO SANTOS
A exclusão do campo pró-democracia das eleições parlamentares, há um ano, deixou Macau “sem válvula de escape” para a crescente insatisfação da população durante o actual surto de covid-19, afirmou Scott Chiang. Já o analista Sonny Lo caracteriza o papel da AL como “oposição leal”
Panela de pressão
mas garantiu que “ainda é possível ouvir diferentes vozes” no parlamento. Dando como exemplo a nova lei que regula a indústria do jogo, Sonny Lo defendeu que “os deputados discutiram a proposta de forma racional e aprofundada e houve algumas críticas ao Governo”. Um dos candidatos pró-democracia excluídos, Scott Chiang Meng Hin, discorda: “A lei dos casinos foi aprovada num período
“A missão de fiscalização que a Assembleia Legislativa deveria ter desapareceu por completo... [e isso] vai também criar dificuldades extras para o Governo receber as opiniões da sociedade”. LEON IEONG DOCENTE DA UNIVERSIDADE DE MACAU
FAOM “Boato” sobre TNR do Interior pode ser burla Leong Sun Iok afirmou que a informação divulgada nas redes sociais a dar conta da importação de trabalhadores do Interior da China para trabalhar em hotéis
relativamente curto, com pouca discussão e enormes consequências. Não vejo como é que a AL teve qualquer papel numa decisão marcante para Macau”. O activista disse à Lusa que continua a haver deputados mais críticos na AL, mas que “o ambiente mudou por completo e o trabalho deles tornou-se mais difícil”. “Os actuais deputados tendem naturalmente a ser mais cautelosos do que anteriormente nas suas
Vários deputados contactados pela Lusa recusaram-se a comentar o impacto da exclusão do campo pró-democracia. A cautela é ainda mais necessária para “potenciais futuros candidatos ou candidatos desqualificados”, acrescentou Sonny Lo. Também Leon Ieong disse acreditar que alguns dos candidatos excluídos em 2021 possam competir em futuras eleições, com a “pré-condição de demonstrarem a sua lealdade”. “Segundo a mentalidade habitual da política chinesa, os termos ‘inimigo’ e ‘amigo” são relativos e alteráveis”, explicou o académico. Algo que não se irá alterar, disse Leon, é a certeza de que, “tal como no caso de Hong Kong, Macau tem agora censura política”. Além disso, realçou o académico, a ausência de uma verdadeira oposição “vai também criar dificuldades extras para o Governo receber as opiniões da sociedade”. “Os 30 anos do movimento pró-democracia em Macau foram um fracasso absoluto, mas pelo menos éramos bastante bons como uma válvula de escape para as preocupações das pessoas”, disse Scott Chiang. Uma ausência que se agudizou durante o actual surto de covid-19, acrescentou o activista. “As pessoas sentem-se muito frustradas, estão no limite da sanidade”, disse. Apesar da proibição de manifestações devido à pandemia, na semana passada houve um protesto de trabalhadores da construção civil, impedidos de regressar a casa, na cidade vizinha de Zhuhai. “É impossível parar um protesto se as pessoas estiverem suficientemente zangadas. Com o tempo, haverá outras formas de oposição. Nesse sentido, estou optimista”, disse Scott.
de quarentena de Macau auferindo salários de 22.000 patacas mensais pode ser uma burla. Em declarações ao jornal Exmoo, uma fonte da agência de emprego
Nam Kwong indicou que normalmente informações relativas a recrutamento de trabalhadores são publicadas pelas empresas nas suas contas oficiais de WeChat.
CCP RITA SANTOS REUNIU COM MARCELO REBELO DE SOUSA
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ITA Santos, na qualidade de representante do Conselho Regional da Ásia e da Oceania do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), reuniu com o Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, tendo abordado “questões como o ensino, divulgação e o uso diário da língua portuguesa em Macau como língua oficial”. Além disso, Rita Santos defendeu também, segundo uma nota de imprensa, “o incremento das relações bilaterais através Comissão Mista entre Macau e Portugal”. A responsável abordou ainda o regresso do voo directo Lisboa-Macau ou via Banguecoque, sem esquecer os problemas de recursos humanos e salariais registados no Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong. Por sua vez, Marcelo Rebelo de Sousa “realçou a importância do papel dos Conselheiros e das Comunidades Portuguesas no estrangeiro”. De frisar que os restantes membros do CCP têm reunido, em Lisboa, com diversos partidos políticos, tendo debatido os problemas verificados com as eleições, nomeadamente a importância de implementar o voto electrónico. Foi sugerido o aumento do número de conselheiros das comunidades portuguesas de 80 para 100, “atendendo ao aumento de recenseamento automático de mais de 350 mil eleitores portugueses residentes nos Círculos da Europa e Fora da Europa para quase 1 500 000 eleitores”, entre outras matérias. Neste encontro, Rita Santos criticou o facto de os programas eleitorais dos partidos “terem poucas referências em relação aos portugueses da diáspora, atendendo a que muitos eleitores no interior da China, Macau e Hong Kong não dominam a língua portuguesa”.
Cartão de consumo Lo Choi In pede nova ronda depois do surto Lo Choi In voltou a pedir mais uma ronda de cartão de consumo depois de o surto de covid-19 estar controlado. A deputada ligada à comunidade de Jiangmen referiu ao jornal Ou Mun que se
for implementado o confinamento geral da cidade, a população irá precisar de apoio adicional, por exemplo, através da distribuição de um “subsídio de subsistência em dinheiro” para os grupos mais
vulneráveis. No fundo, Lo Choi In sugeriu ao Executivo a expansão da cobertura das medidas de auxílio económico, além dos apoios anunciados no valor de 10 mil milhões de patacas.
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IAM DETECTADO MARISCO SECO COM EXCESSO DE DIÓXIDO DE ENXOFRE
SUNCITY GROUP VALOR DAS ACÇÕES TRIPLICA COM DIVULGAÇÃO DE ACTUAL ACCIONISTA
Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) detectou, através de análises aleatórias regulares a produtos alimentares, que o teor de dióxido de enxofre de um produto de amêijoa-gigante seca a granel à venda no mercado excedia o nível estipulado em Macau. O organismo liderado por José Tavares indicou ter “ordenando à loja envolvida a suspensão da venda dos produtos em causa” e apelou aos cidadãos para evitarem o seu consumo. O estabelecimento em questão, é a loja Long Cheong Hong, que fica na Rua de Berlim, no NAPE. O mesmo produto foi encontrado na “loja geral, situada na Avenida do Governador Jaime Silvério Marques, em Macau”. Os produtos foram destruídos. O IAM esclarece que o dióxido de enxofre tem efeito branqueador e conservante, sendo frequentemente adiccionado aos produtos aquáticos secos, frutas e vegetais secos e adoçados, acrescentando que tem “baixa toxicidade e é solúvel em água, podendo a maior parte ser removida através de limpeza e cozedura”. No entanto, o dióxido de enxofre pode representar risco para a saúde das pessoas com asma ou alergias, induzindo sintomas desconfortáveis, como asma, dor de cabeça, náusea ou vómitos. J. L.
O anúncio de que Andrew Lo passou a ser accionista maioritário do Suncity Group impulsionou as acções do grupo fundado por Alvin Chau para ganhos de quase 200 por cento. O novo CEO do grupo, e “partes que com ele actuam”, assumiram assim a carteira de acções detida anteriormente pelo arguido principal de um mega-processo cujo julgamento arranca em Setembro
O
Quando nasce um novo dia
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EPOIS de terem sido retiradas da Bolsa de Valores de Hong Kong sucessivamente desde que Alvin Chau foi detido, o valor das acções do Suncity Group quase triplicou ontem após o anúncio de que Andrew Lo é o novo accionista maioritário. O grupo empresarial emitiu um comunicado a indicar que Andrew Lo Kai Bong, que já ocupava o cargo de director-executivo, e “partes que com ele actuam” passaram a deter 74,89 por cento do capital social do Suncity Group, assumindo a carteira de acções detida anteriormente por Alvin Chau. O documento acrescenta que a nova maioria está obrigada a fazer uma oferta respeitante a todas as emissões de acções da empresa, conforme exigido pelo Código de Aquisições
de Hong Kong. É também acrescentado que Andrew Lo irá submeter a questão do que constitui um “preço apropriado para a oferta” de acordo com o Painel de Aquisições e Fusões da Bolsa de Valores de Hong Kong.
Sol nascente
Quase dois meses depois da última suspensão de
Andrew Lo Kai Bong e “partes que com ele actuam” passaram a deter 74,89 por cento do capital social do Suncity Group, assumindo a carteira de acções detida anteriormente por Alvin Chau
transacções na Bolsa de Hong Kong, as acções do Suncity Group subiam ao meio-dia de ontem 182 por cento, colocando o valor do grupo em cerca de 130 milhões de dólares norte-americanos. Alvin Chau fica assim afastado oficialmente do grupo que fundou, enquanto permanece no Estabelecimento Prisional de Coloane a aguardar julgamento, cuja primeira sessão de audiência está marcada para 2 de Setembro. O antigo líder do Suncity Group é acusado de ter liderado uma sociedade secreta dedicada ao branqueamento de capitais e à promoção de jogo ilegal, tanto online como em apostas paralelas nos casinos de Macau. Alvin Chau foi detido em Novembro de 2021 e é um dos 21 arguidos envolvidos no caso. O processo está nas mãos da juiz presidente Lou Heng Ha. João Luz
CARITAS APOIO PSICOLÓGICO PARA IDOSOS DO EDIFÍCIO FAI FU
P Metro Obras na linha de Hengqin desviam de trânsito
A cobertura para protecção contra chuva no norte do antigo Posto Fronteiriço da Flor de Lótus será demolida, o que vai implicar o condicionamento do trânsito no local entre amanhã e o dia 30 de Setembro, anunciou ontem a Direcção dos Serviços de Obras Públicas. A demolição faz parte das obras do projecto de extensão da linha do Metro Ligeiro na Ilha de Hengqin. Assim sendo, “os veículos no sentido de Macau em direcção a Ilha de Hengqin devem circular na nova via rodoviária junto da Estação do Posto Fronteiriço da Flor de Lótus do Metro Ligeiro e passar pela Ponte Flor de Lótus para o Posto Fronteiriço de Hengqin”. Já o trânsito, “no sentido de Hengqin em direcção a Macau, deve passar pela Ponte Flor de Lótus e entrar directamente na Estrada Flor de Lótus (junto do Studio City Macau) para chegar ao centro.
AUL Pun revelou que a Caritas Macau está a dar apoio psicológico aos idosos que moram no edifício Fai Fu, no Fai Chi Kei, decretado
como zona vermelha. O secretário-geral da Caritas especificou, em declarações ao jornal Ou Mun, que a instituição organizou um grupo de
voluntários que fazem chamadas telefónicas para se inteirarem da situação dos idosos e dar algum apoio e conforto, assim como alertarem para o risco de infecção caso saiam dos apartamentos. O contacto com os moradores assistidos pela Caritas revelou que muitos não tinham sequer conhecimento de que o bloco de prédios estava selado. Como tal, foi necessário explicar-lhes o que isso implicava e qual o significado prático de terem código vermelho. Actualmente, a Caritas tem nove prestadores de cuidados que visitam as fracções e que irão
acompanhar os idosos até que seja levantada a ordem de zona vermelha. Porém, Paul Pun pediu às autoridades para manterem o apoio e proximidade quando os códigos de saúde dos idosos passarem à cor amarela. Também a presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), Ng Sio Lai, confirmou ter enviado uma equipa para confortar os idosos emocionalmente, reiterando que os Kaifong prestam atenção à saúde mental e física dos 556 idosos que moram no edifício Fai Fu, “alguns deles sócios da UGAMM”. N. W.
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Cliques criativo USJ CONFERÊNCIA SOBRE MEDIA DIGITAIS ACONTECE EM NOVEMBRO
Marca lusitana
CCM Workshops InspirARTE de Julho foram cancelados
O Instituto Cultural (IC) cancelou todos os workshops InspirARTE de Verão que tinham início previsto durante este mês (e até 31 de Julho) e que teriam lugar no Centro Cultural de Macau. O IC adianta que informações relativas aos “workshops previstos para Agosto serão divulgadas oportunamente” e que “irá acompanhar de perto a situação epidémica, articular-se de forma activa com as orientações emitidas pelo departamento de saúde e tomar atempadamente as medidas correspondentes”.
Seis filmes portugueses no Festival de Locarno
O Nação Valente”, de Carlos Conceição
filme “Nação Valente”, de Carlos Conceição, integra a competição do Festival de Cinema de Locarno, em Agosto na Suíça, numa edição que terá outras obras de produção e coprodução portuguesa, fora de competição, foi quarta-feira anunciado. Segundo a programação da 75.ª edição, na competição internacional de longas-metragens está “Nação Valente”, um filme de ficção de Carlos
Conceição, que a produtora Terratreme Filmes diz ser sobre “o fim do colonialismo português, a independência de Angola e os traumas da guerra colonial”. O filme conta com a participação de actores como João Arrais, Anabela Moreira, Gustavo Sumpta e Leonor Silveira e foi coproduzido com França e Angola, onde Carlos Conceição nasceu em 1979. Carlos Conceição é autor de filmes como “Versailles” -
apresentado em Locarno em 2013 -, “Coelho Mau” (2017), “Serpentário” (2019) e “Um fio de baba escarlate” (2020). O Festival de Cinema de Locarno, que decorrerá de 3 a 13 de Agosto, contará ainda com outros filmes portugueses fora de competição, nomeadamente “Onde fica esta rua? Ou sem antes nem depois”, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, produzido também pela Terratreme. Em Locarno, onde já foram premiados, os dois realizadores estrearão um documentário rodado em Lisboa, revisitando os lugares do filme “Os Verdes
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A Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de São José acolhe, nos dias 24 e 25 de Novembro, a ARTeFACTo 2022 Macao, uma conferência focada para a área dos media digitais e criatividade ligada ao mundo informático. A instituição privada de ensino superior já está a aceitar propostas de académicos, investigadores e criativos das áreas da cultura, arte ou educação
C O principal objectivo desta palestra é revelar outras realidades emergentes no mundo digital, bem como “promover o interesse na actual cultura dos media digitais e na sua intersecção com a arte, comunicação e tecnologia como áreas de investigação” Anos” (1963), de Paulo Rocha, contando com a participação da atriz Isabel Ruth. Também fora de competição, e no programa dedicado a primeiras obras, estará “Objectos de Luz”, uma reflexão visual sobre a importância da luz na criação cinematográfica, assinada pelo director de fotografia Acácio de Almeida e por Marie Carré, com produção da Bando à Parte.
HAMA-SE ARTeFACTo 2022 Macao e é a próxima conferência organizada pela Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade de São José (USJ). Agendada para os dias 24 e 25 de Novembro, a conferência pretende dar visibilidade a uma série de investigações e projectos na área dos media digitais e na criação de artefactos tecnológicos. Segundo uma nota de imprensa, projectos nas áreas da cultura, arte ou educação, entre outras, bem como iniciativas artísticas, podem ser submetidas para apreciação, a fim de virem a integrar o programa da conferência. O principal objectivo desta palestra é revelar outras realidades emergentes no mundo digital, bem como “promover o interesse na actual cultura dos media digitais e na sua intersecção com a arte, comunicação e tecnologia como áreas de investigação”. Pretende-se mostrar trabalhos que se foquem na conceptualização, design, processos de prática e investigação ou virados para
a criatividade e para o mundo artístico. A ideia é depois mostrar a ligação que existe entre essas vertentes com uma sociedade de informação e de comunicação.
da realizadora marroquina Sofia El Khyari, coproduzido por França, Qatar, Marrocos e Portugal, pela Cola Animation. “O dia do desespero” (1992), filme de Manoel de Oliveira sobre os últimos
dias de vida do escritor Camilo Castelo Branco, irá passar em Locarno na secção “História(s) do Cinema”. Na véspera do arranque do festival de Locarno, na Piazza Grande, será exibido o filme de animação “Interdito a cães e italianos”, do realizador Alain Ughetto, recentemente premiado em Annecy, e que conta com coprodução portuguesa pela Ocidental Filmes. No segundo ano como director artístico do festival de Locarno, Giona A. Nazzaro, descreveu a programação deste ano como “ampla, diversificada e inclusiva”.
Programa abrangente
No programa competitivo “Pardi di domani”, para curtas e médias-metragens, está o filme de animação “L’ombre des papillons”,
O dia do desespero
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Espaço comum
Realizada com um modelo híbrido (presencial e online), a ARTeFACTo 2022 Macao pretende dar visibilidade aos que criam artefactos digitais e aos académicos desta área, a fim de estabelecer “um espaço comum para a discussão e troca de novas experiências”, ao mesmo tempo que se promove “uma melhor compreensão sobre as artes digitais e a cultura num espectro abrangente em termos de práticas culturais, profissionais e disciplinares”. A ARTeFACTo vai contar com um painel artístico e científico, de nível internacional, com oradores e especialistas das mais variadas disciplinas. A ideia é que, com a ARTeFACTo, se possa dar a conhecer trabalhos de investigação, instalações, vídeos ou posters de trabalhos e investigações em curso. A.S.S.
HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Harpago Nome botânico: Harpagophytum procumbens DC. ex Meissner Família: Pedaliaceae. Nomes populares: Garra-do-diabo; Harpagófito; Unha-do-diabo.
mago, cólicas intestinais ou biliares, diverticulose, perturbações do fluxo biliar e inflamação da vesícula. É empregue na diabetes por melhorar o metabolismo (tónico amargo).
Nativo das savanas do Kalahari (Namíbia, Botswana e África do Sul), o Harpago é uma planta rastejante de folhas recortadas e belas flores solitárias, de cor rosa a vermelho-púrpura, em forma de dedal; o fruto, lenhoso, cresce junto ao solo e apresenta umas saliências em forma de gancho, o que originou alguns dos seus nomes populares; da raiz principal, comprida, saem raízes secundárias tuberizadas com atividade medicinal. Devido a colheitas pouco escrupulosas, é cada vez mais raro no estado selvagem sendo atualmente uma espécie protegida. Usado há milhares de anos pelos curandeiros de várias tribos africanas, nomeadamente Bosquímanos, Hotentotes e Bantu, o Harpago tem sido intensamente investigado desde o início do século XX, sendo uma das plantas mais validadas pela ciência.
Outras propriedades Diurético e depurativo, o Harpago induz a eliminação de ácido úrico fazendo descer o seu nível no sangue, tendo indicação na inflamação da bexiga, ácido úrico elevado, gota e cólicas renais. É ainda antioxidante, reduz a taxa de colesterol no sangue, regenera as fibras elásticas das paredes das artérias combatendo a arteriosclerose e desinflama varizes e hemorroidas. É igualmente usado nas dores de cabeça, sinusite, amigdalite e no tratamento da febre e alergias (como adjuvante). Em uso externo, além de antioxidante e anti-inflamatório é um excelente cicatrizante empregando-se nas feridas e úlceras de qualquer tipo, furúnculos e queimaduras solares.
Composição Glucoiridóides muito amargos (harpagósido, harpagido), flavonoides, fitosteróis, ácido cinâmico, glucósidos fenólicos, ceras, glúcidos, lípidos e vestígios de óleo essencial. Ação terapêutica Analgésico, anti-inflamatório e antirreumático o Harpago é uma das plantas mais eficazes para as dores articulares e musculares, agudas ou crónicas, diminuindo a inflamação e a dor e aumentando a mobilidade das articulações. Artroses (cervical, lombar, das ancas ou joelhos), lombalgias, cervicalgias, ciática, bursites, fibrosites, epicondilites, fibromialgia, artrite reumatoide e traumatismos são algumas das suas várias indicações possíveis. Segundo as investigações, é mais eficaz a ingestão de preparações contendo todos os constituintes químicos da raiz do que apenas os seus princípios ativos isolados (o harpagósido ou o harpagido). Com propriedades tónicas e amargas, o Harpago aumenta o apetite e as secreções digestivas favorecendo a digestão e a absorção dos nutrientes; acalma os espasmos e estimula o funcionamento do fígado. É útil na falta de apetite, digestões difíceis, flatulência, obstipação, diarreia, cólon irritável, dores de estô-
Como tomar Uso interno • Maceração: 1 colher de chá de raízes trituradas por chávena de água, 8 horas de maceração. Tomar 3 vezes por dia. Na falta de apetite e afeções do sistema digestivo tomar antes das refeições. •
Em ampolas, tintura, vinho medicinal, cápsulas e comprimidos, o Harpago integra numerosas fórmulas para a saúde do sistema locomotor. Nas doenças reumáticas os tratamentos devem ser de, pelo menos, três meses.
Uso externo • Infusão: 30 gramas de raízes trituradas por litro de água fervente. Aplicar em lavagens, compressas ou fomentações, várias vezes por dia. •
Em creme ou gel para as dores articulares ou musculares.
Precauções Em doses terapêuticas, o Harpago é uma planta segura mesmo em tratamentos prolongados. Devido ao seu sabor amargo, as preparações líquidas podem ocasionar perturbações digestivas ligeiras, como náuseas e vómitos ou diarreia. Contraindicado em caso de úlcera gástrica ou duodenal, obstrução das vias biliares e gravidez. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
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COVID-19 PEQUIM PASSA A EXIGIR PROVA DE VACINAÇÃO PARA ACEDER A LOCAIS PÚBLICOS
Mais vale tarde que Face aos surtos activos e à insatisfatória taxa de vacinação, sobretudo entre os idosos, as autoridades impuseram a obrigatoriedade de apresentar o certificado de vacinação para aceder à maioria dos espaços públicos
O
município de Pequim vai passar a exigir comprovativo de vacina contra a covid-19 para aceder à maioria dos locais públicos, a partir da próxima semana, informaram ontem as autoridades locais. Entre os locais referidos no comunicado, emitido pelo governo de Pequim, constam bibliotecas, museus, cinemas, galerias de arte, centros culturais, instalações desportivas e locais de entretenimento.
Há cerca de dois anos que as principais cidades da China exigem a utilização de uma aplicação para aceder a locais públicos ou residenciais. O utilizador deve primeiro digitalizar o código QR, uma versão bidimensional do código de barras, colocado na entrada de todos os edifícios, assim como nos transportes públicos ou táxis. Estas ‘apps’, além de registarem todos os locais onde o usuário esteve, incluem os resultados dos testes para
A baixa proporção de vacinados entre os idosos tem sido apontada pela China como uma das justificações para a manutenção da estratégia de ‘zero casos’ de covid-19
a covid-19 e o histórico de inoculação. Avacina não era, no entanto, um requisito para aceder aos espaços públicos, em Pequim. A decisão das autoridades surge numa altura em que a capital chinesa tenta aumentar a taxa de vacinação entre a população idosa, e evitar que surtos activos em vários pontos do país se alastrem. Acapital chinesa administrou já 62,5 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 entre população de cerca de
PEQUIM CRITICA SERVIÇOS SECRETOS DOS EUA E DO REINO UNIDO
UCRÂNIA UE PEDE À
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S Estados Unidos são a “maior ameaça à paz, estabilidade e desenvolvimento mundiais”, acusou ontem a China, mantendo a sua retórica assertiva, em resposta a acusações sobre espionagem e ameaça à actual ordem internacional. Os comentários do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, surgem um
dia depois de o director do FBI e o líder da agência de informação interna do Reino Unido (MI5) terem alertado os líderes empresariais de que a China está determinada a usurpar a sua tecnologia para obter ganhos competitivos. “O referido político dos EUA tem usado a teoria da ameaça chinesa para difamar e atacar a China”, disse Zhao aos jornalistas, em confe-
rência de imprensa, após ter sido questionado sobre os comentários do director do FBI, Christopher Wray. Wray reafirmou preocupações de longa data com a espionagem económica e operações de pirataria informática por parte da China, assim como com os esforços do Governo chinês para reprimir a dissidência no exterior.
“Os factos provam plenamente que os EUA são a maior ameaça à paz, estabilidade e desenvolvimento mundiais”, disse Zhao. Zhao disse que o serviço secreto britânico estava “simplesmente a projectar o seu próprio comportamento desonroso na China”. “O chefe do serviço de informação britânico deve sair do quarto escuro e ver
a luz do sol, e não se apegar ao pensamento de ‘tudo ou nada’, ou criar inimigos imaginários”, afirmou.
alto representante da União Europeia (UE) para a política externa, Josep Borrell, pediu ontem ao ministro dos Negócios Estrangeiro da China, Wang Yi, que o país desempenhe um papel “mais construtivo” na guerra da Ucrânia. Numa reunião bilateral em Nusa Dua, na Indonésia, por ocasião da reunião entre os altos diplomatas dos
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Dedos em riste China critica Estados Unidos e NATO em vésperas de reunião de MNEs
A
nunca 21 milhões de habitantes. Mas a baixa proporção de vacinados entre os idosos tem sido apontada pela China como uma das justificações para a manutenção da estratégia de ‘zero casos’ de covid-19.
Fracos números
Em meados de Abril, quando a cidade de Xangai sofreu o surto mais grave de sempre na China, apenas cerca de 63 por cento dos habitantes de Xangai com mais de 60 anos tinham recebido
o esquema de vacinação completo. Também em Hong Kong, um surto de covid-19, provocado pela altamente contagiosa variante Ómicron, causou uma média de mais de 100 mortes por dia, na cidade de 7,4 milhões de habitantes, nos primeiros meses do ano. No início desse surto, apenas 43 por cento dos habitantes de Hong Kong com mais de 80 anos, um dos grupos mais vulneráveis, tinham recebido pelo menos uma dose da vacina, resultando numa das mais
altas taxas de mortalidade do mundo durante a pandemia. Os chineses mais velhos não sentem urgência em receber a vacina, devido aos baixos níveis de infecção no país.
A capital chinesa administrou já 62,5 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 entre população de cerca de 21 milhões de habitantes De acordo com as contas oficiais chinesas, desde o início da pandemia, 226.300 pessoas testaram positivo para o novo coronavírus no país, entre as quais 5.226 morreram, embora o número total de pessoas infectadas exclua casos assintomáticos.
CHINA QUE DESEMPENHE PAPEL “MAIS CONSTRUTIVO” países membros do G20, Borrell “pediu à China que desempenhe um papel mais construtivo” na invasão da Ucrânia pela Rússia e que pare com a “campanha de desinformação sobre as causas e as consequências económicas globais suscitadas” pela guerra. Segundo uma mensagem de Borrell na sua conta oficial na rede social Twitter, o
chefe da diplomacia europeia abordou também com Wang o estado actual das relações China – União Europeia. Borrell destacou no dia anterior, ao chegar à Indonésia, o apoio da UE a “soluções multilaterais para problemas globais”. “Apoiamos a presidência do G20 para encontrar soluções multilaterais para os problemas globais, o que per-
manece tão necessário como sempre, enquanto a guerra da Rússia contra a Ucrânia destrói os fundamentos da ordem baseada em regras”, afirmou. Borrell participa até hoje, em nome da UE, na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G20, que se realiza durante a presidência indonésia sob o lema “Recuperar Juntos, Recuperar Mais Forte”.
China fez quarta-feira duras críticas aos Estados Unidos e à NATO, nas vésperas de o secretário de Estado norte-americano,Antony Blinken, reunir com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Zhao Lijian, considerou que a “chamada ordem internacional baseada em regras é, na verdade, um conjunto de regras de família, feita por um punhado de países, para servir os interesses dos EUA”. Washington “observa as regras internacionais apenas quando lhe convém”, disse Zhao, acrescentando que a NATO “deve renunciar à sua fé cega no poderio militar”. Os comentários ressaltam o relacionamento cada vez mais conturbado entre Pequim e Washington, juntamente com uma política externa da China mais assertiva.
Na cimeira da NATO da semana passada, em Madrid, Blinken acusou a China de “procurar minar a ordem internacional baseada em regras”.
Pontos de discórdia
As relações China-EUA são perturbadas por questões de comércio, Direitos Humanos e Taiwan ou as reivindicações territoriais de Pequim no Mar do Sul da China. A China recusa também condenar a Rússia pela invasão da Ucrânia e critica a imposição de sanções contra Moscovo. Pequim considera a aliança com o país vizinho fundamental para contrapor a ordem democrática liberal, liderada pelos Estados Unidos. Na semana passada, a NATO classificou a Rússia como uma “ameaça” e a China como um “desafio” aos seus “interesses, segurança e valores”.
“A China está a aumentar substancialmente a sua capacidade militar, incluindo armamento nuclear, e a intimidar os países vizinhos e a ameaçar Taiwan”, destacaram os aliados no seu novo Conceito Estratégico. Zhao acusou os EUA de estarem a trabalhar em “estreita colaboração com a NATO para estimular a competição com a China e o confronto entre blocos”. “A história da NATO é a de criar conflitos, travar guerras (…) e matar civis inocentes”, disse Zhao. O porta-voz acusou a NATO de constituir um “desafio sistémico iminente à paz e segurança mundiais”. Blinken deve reunir com Wang, no sábado, à margem da reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países membros do G20, em Bali, na Indonésia.
PUB.
Edital
(6/FGCL/2022) Nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), o Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais (FGCL) deliberou, em 15 de Junho de 2022, autorizar a atribuição dos créditos requeridos a favor dos trabalhadores dos devedores abaixo mencionados (inclusive os eventuais juros de mora), pelo que, de acordo com a alínea 1) do n.º 1 do artigo 9.º da lei acima referida, conjugada com o n.º 2 do artigo 72.º do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M de 11 de Outubro, os devedores abaixo referidos são notificados que o FGCL irá, no prazo de oito dias contados a partir da data da publicação deste edital, atribuir os montantes resultantes dos créditos a favor dos trabalhadores mencionados no quadro abaixo. Além disso, nos termos do artigo 8.º da mesma Lei, o FGCL fica sub-rogado nesses créditos, após a sua atribuição. Número
Devedor(es)
Nome dos trabalhadores
N.º do pedido
1
CLINICA DE MEDICINA CHINESA PATTERN LIMITADA
2
LAM WENG MAN
3
WONG NGAI IONG
SHI QINFENG AO IEONG CHI KIN IAN SIO MENG I AN IO MOU NG MAN WUI WANG SONGBAI
50/2022 75/2022 198/2021 199/2021 219/2021 489/2022
Montante total dos créditos (MOP) $23,178.00 $46,389.70 $23,211.70 $8,541.90 $2,628.30 $17,083.80 $5,913.60 $14,804.00
4
COMPANHIA DE COZINHA E RESTAURAÇÃO DE SAN LONG GRUPO LIMITADA
NING, GUISHENG
169/2021
$12,697.90
5
MDCC TECHOLOGIA LIMITADA
6
仁健裝修設計工程有限公司
7
JAPAN CONCEPT GROUP INTERNACIONAL LDA.
$25,395.80
WANG, XIAOQIONG
463/2022
$12,697.90
LAU KA MENG FANG MANQI LEI LAP CHUN DA SILVA ROBERTO CARLOS CHEONG KIN KUOK LIANG, CAIJIAO LIU, CUIQIONG CHEN, ZENGBO LU, YIFENG YANG, XUYU
467/2022 470/2022 471/2022
$206,414.00 $115,222.00 $76,851.80
472/2022
$38,902.40
432/2022 482/2022 483/2022 484/2022 490/2022 491/2022
$65,063.90 $10,336.00 $16,680.00 $21,498.90 $95,045.30 $26,938.60 $19,591.80
$437,390.20
Os devedores acima referidos podem comparecer, durante as horas de expediente, na sede da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos. 221 a 279, Macau, para consultar o respectivo processo. 6 de Julho de 2022. O Presidente do Conselho Administrativo do FGCL, Wong Chi Hong
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ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO
Discurso Sobre o Ritual
II
O ritual [li] tem três raízes. O Céu e a Terra são a raiz da vida. Ascendentes e antepassados são a raiz da nossa família. Amos e mestres são a raiz da ordem. Sem o Céu e a Terra, como poderíamos viver? Sem ascendentes e antepassados, como teríamos chegado à vida? Sem amos e mestres, como haveria ordem? Basta uma só destas raízes ser negligenciada para ninguém estar seguro. E, assim, o ritual serve o Céu em cima e a Terra em baixo, honra ascendentes e antepassados, exalta amos e mestres. São estas as três raízes do ritual. Desta forma, o rei sacrifica ao fundador da sua linhagem a par com o Céu. Os senhores feudais não se atrevem a destruir os templos ancestrais dos seus próprios fundadores. Os grandes ministros e aristocratas veneram o templo da sua própria linhagem. Este é o modo de distinguir entre nobres começos, pois os nobres começos são a raiz daquilo que possuímos. O sacrifício jiao1 é praticado por ninguém inferior ao Filho do Céu. O altar do sacrifício de solo2 é propiciado por ninguém inferior a um senhor feudal. O sacrifício tan3 estende-se aos aristocratas e grandes ministros. Este é o modo de distinguir como os de elevado estatuto prestam respeito aos de elevado estatuto e os inferiores prestam respeito aos inferiores; o que cabe aos grandes é feito em grande escala e aquilo que cabe aos humildes é feito em pequena escala. Assim, aquele que possui tudo debaixo do Céu presta respeito a sete gerações. Aquele que possui um só estado presta respeito a cinco gerações. Aquele que dispõe de terra suficiente para pôr em campo cinco carruagens presta respeito a três gerações.4 Aquele que dispõe de terra suficiente para pôr em campo três carruagens presta respeito a duas gerações. Aqueles que comem pelo labor das suas mãos não são autorizados a estabelecer um templo de linhagem. Este é o meio de demarcar aqueles que têm grande mérito. Pois aqueles que têm grande mérito deixam um vasto legado, ao passo que aqueles que têm menos mérito deixam um legado diminuto.
1 - Um sacrifício ao Céu. Uma vez que o rei Zhou era considerado o Filho do Céu, só ele podia sacrificar ao Céu. 2 - Um sacrifício que assinalava o fim do luto. 3 - Um sacrifício à Terra praticado pelos senhores feudais, dado possuírem terras pelas quais eram responsáveis. 4 - Para alem das despesas de manter cavalos e equipamento, uma carruagem era normalmente acompanhada por um certo número de soldados a pé, de forma que sustentar uma só carruagem implicava uma quantidade substancial de terra.
Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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antropofobias
CARLOS MORAIS JOSÉ ANA JACINTO NUNES
A Feiyi Alguns animais pertencem a um só lugar, pois as suas características estão intimamente ligadas à terra onde nasceram. São, pois, incapazes de surgir como habitantes de outros territórios. Uma vez nascidos, para sempre ali ficam como se existisse uma lei natural que os impedisse de noutro sítio existir. O mesmo fenómeno ocorre com as plantas. Contudo, outros bichos existem que não se eximem de percorrer o mundo e são mesmo capazes de se adaptar a outros habitates. É o caso da feiyi, uma bela serpente, cujas quatro asas implantadas no seu dorso lhe permitem voar pelos céus, feito que executa com vívido prazer. Um dos lugares onde podemos encontrar uma feiyi é na Montanha do Grande Lótus (assim denominada por causa da sua forma). E repare-se que esta bela mas inóspita montanha não acolhe plantas ou animais, à excepção desta extraordinária cobra, capaz de sobreviver num sítio cuja míngua todos os outros animais assusta. Avistar uma feiyi é, para alguns da escola pessimista de Wuhan, sinal de que uma tremenda seca assolará o país. Já as escolas de Emei adoptam uma postura radicalmente diferente, entendendo a feiyi como um sinal de que algo positivo ocorrerá. E lembram o episódio em que Tang, o primeiro rei da dinastia Shang, ainda antes de adquirir o mandato do Céu, terá avistado uma feiyi, facto interpretado como sinal de desgraça para a moribunda dinastia Xia. Bom ou mau presságio, a feiyi tem sido vista em diversas lugares e por variadas ocasiões. Numa lenda taoista, a feiyi aparece ligada ao culto da imortalidade e à beberragem
AVISTAR UMA FEIYI É, PARA ALGUNS DA ESCOLA PESSIMISTA DE WUHAN, SINAL DE QUE UMA TREMENDA SECA ASSOLARÁ O PAÍS. JÁ AS ESCOLAS DE EMEI ADOPTAM UMA POSTURA RADICALMENTE DIFERENTE, ENTENDENDO A FEIYI COMO UM SINAL DE QUE ALGO POSITIVO OCORRERÁ.
capaz de proporcionar outras dimensões à vida. Não é claro se ela é capaz de produzir o tão almejado elixir ou se ela conduz um mestre à fonte de onde brota o licor que nos torna transcendentes, precisamente situada na Montanha do Grande Lótus. De igual e desgraçado modo, não sabemos de alguém que tenha experimentado o elixir
da imortalidade – ou porque esses felizardos migram para as ilhas do imortais; ou porque vivem discretamente entre os comuns mortais sem alardear a sua relevante condição. Ao que sabemos, a própria feiyi busca continuamente fontes sábias de onde haurir vida. Quando as encontra, nelas se enrosca e suga-as até não restar uma gota.
Daí que mestre Zuo tenha erguido perguntas, cujas dimensões se confundem com a própria grande muralha: “Por que precisa um ser imortal de continuamente procurar outras fontes de imortalidade? Não será o seu estado perene e infinito? Precisará este ser de ciclicamente renovar a sua condição? Poder-se-á ser imortal mas não para sempre?”
3 7 5 2 1 6 4 3 7 4 1 2 6 1 5 [f5]utilidades 1 4 6 2 3 14 1 2 3 4 2 5 1 7 4 5 4 3 7 1 6 6 1 2 5 4 7 5 6 TEMPO AGUACEIROS 2 7 6 3 2 5 4 6
4 5 7 6 2 3 MIN 1
3
S6 U 5 7D3 O 4 2K 1 U 4 7 3 1 6 1 2 4
2 1 4 3 5 6 5 2
7 2 6 4 3 1 5
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6 2 2 1 5 4 4 7 2 7 1 6 4 5 3
5 6 7 7 1 2 3 6 1 3 7 5 4 2
1 3 6 7 5 1 4 6
7 4 5 2 7 3 5 6
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 5
3 5 2 5 4 7 7 1 1
PROBLEMA 6
6
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2 5 6 3 H (Jason Statham) é um 7 3 4 5 trabalhador durão de uma companhia de transporte 5que6 1 4 de valores surpreende os colegas durante um 7 onde 5 2 assalto 1 à carrinha seguiam. Sem que fosse 3 H 2começa7 a 1 esperado, abater todos os ladrões 6 certeiros 4 3na 7 com tiros cabeça. Num filme cheio 4 realizado 1 2por 6 de acção,
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sexta-feira 8.7.2022
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confeitaria
opinião 15
João Romão
DESMASCARADOS
QUASE TRÊS anos depois, voltei a fazer uma viagem internacional, a minha segunda travessia aérea do Pacífico: por inusitados motivos profissionais vi-me pela primeira vez – e última, provavelmente – no famigerado arquipélago do Havai, que até parece estranho escrito assim, com a grafia portuguesa, mas que é globalmente promovido e reconhecido como oásis para férias de verão, paraíso prometido na terra, areia, mar, palmeiras, bom clima e todos os confortos para viajantes que apreciem os prazeres do estio e os decorrentes modos de vida, de recreio e de consumo. Foi naturalmente a minha primeira visita a um destes lugares que se vão designando como “pós-covid”, não porque o vírus tenha desaparecido ou porque se tenha desenvolvido uma qualquer forma de imunidade colectiva, mas porque deixou de ser obrigatório o uso de máscaras de protecção e se voltou a uma convivência “cara a cara”, sem as barreiras higiénicas que o vírus impôs em todo o mundo – e ainda impõe no Japão, onde vivo. Na realidade, são muito semelhantes os números de novos casos diários na cidade onde resido e na cidade de Honolulu, onde passei uma pacata semana. A diferença está nas cautelas que ainda se seguem ou já se deixaram de seguir: em Hiroshima, toda a gente, sem excepção, continua a usar máscara de protecção; em Honolulu, nem sequer quem trabalha em cafés, restaurantes ou pequeno comércio utiliza (com poucas excepções). Nas ruas, além de mim, foram raríssimas as pessoas que vi com máscara.
É também disto que se vai fazendo a globalização: circulam os capitais por circuitos mais ou menos opacos para se valorizarem em mercados especulativos diversos; recusam-se salários decentes; explora-se a miséria de quem procura vida melhor onde for possível;
Pela parte que me toca, dispenso o risco, ainda que fosse certamente mais agradável voltar a fazer parte desse mundo desmascarado que se vai recompondo. O regresso a casa pressupunha a apresentação à chegada de um teste-covid negativo, além dos problemas acrescidos de uma eventual infecção num sítio onde não sou residente. Por isso me mantive entre esses certamente menos de 1 por cento da população que usava máscara. Diga-se que nem por isso senti qualquer tipo de pressão ou condicionamento por não estar a seguir o padrão social dominante. Esse padrão dominante tem outras características: como na generalidade dos sítios com localização costeira e fortes tradições balneares, vive-se num território ultra urbanizado, com um modelo urbano que se vai repetindo ao longo da costa com formas diversas mas com estruturas e funções muito semelhantes: praia, hotéis, centro comercial, mais lojas, cafés. Com ligeiras variações ao longo dos 3 quilómetros da praia de Waikiki, foi por aqui que me entretive à beira mar, mais interessado nas águas mornas do Pacífico do que nas multidões turísticas na sua voragem consumista. Os preços, aliás, não enganam: o custo do alojamento, o dos cafés e restaurantes, o das lojas e até o dos supermercados estão muitíssimo acima daquilo que é o meu padrão quotidiano. As mais destacadas marcas do universo da moda contemporânea têm também aqui as suas lojas e assinalam um certo padrão de consumo ao qual não é fácil escapar: pode não se comprar roupa nestes estabelecimentos mas em algum
sítio se terá que comer, por preços altos ou muito altos, mas nunca por menos que isso. Há, no entanto, um pormenor que é semelhante ao do comércio, restauração e hotelaria em outras destinos turísticos com características estivais semelhantes, mesmo que tenham menos prestígio e gabarito internacional (como seja, por exemplo, o Algarve): em quase todas as lojas, restaurantes, hotéis e centros comerciais se encontram anúncios a anunciar postos de trabalho disponíveis. Conclui-se facilmente que têm dificuldades, estes diligentes empresários, em encontrar pessoas para trabalhar. Não havendo especiais notícias sobre escassez de população e de mão-de-obra no Havai e tratando-se de uma área comercialmente tão atractiva e dinâmica, surpreende esta generalizada procura de pessoas para trabalhar, que percorre quer os estabelecimentos mais luxuosos, quer os de gama média que por ali se encontram. Ocorre então perguntar, como se estivéssemos em Portugal: então e se pagassem salários decentes? Ficamos sem saber, naturalmente, o que aconteceria nessa economia da decência: sabemos é que aqueles empregos, com os salários que se praticam, são manifestamente desinteressantes para a população local. Não é um problema de subsídio-dependência ou de preferência por um qualquer rendimento mínimo garantido: é a rejeição possível do trabalho sem condições que se vai oferecendo, sabendo-se que há sempre alguém que o vai aceitar – é a chantagem sistemática da ameaça do desemprego e não uma qualquer forma de dependência de parcos subsídios. Basta passear pelas ruas mais próximas da famigerada praia de Waikiki, abarrotada de fregueses com generosas carteiras e magníficos cartões de crédito, para se ver que as soluções que se encontram para os postos de trabalho necessário são as mesmas que se encontram – e que na realidade se procuram cada vez mais - em Portugal e noutras paragens: pessoas imigrantes, neste caso do sudoeste asiático, para quem os parcos salários recusados pela juventude norte-americana constituem generosa compensação que não encontrariam nos lugares de onde partiram. Vivem certamente mal, longe da praia e do conforto da massa de turistas que abarrota os hotéis e os espaços públicos - mas ainda assim é uma vida melhor do que a que tinham antes. É também disto que se vai fazendo a globalização: circulam os capitais por circuitos mais ou menos opacos para se valorizarem em mercados especulativos diversos; recusam-se salários decentes; explora-se a miséria de quem procura vida melhor onde for possível; acumulam-se riquezas cada vez maiores em cada vez menos pessoas. Podem até as ruas sugerir um certo ar de prosperidade e modernidade mas basta olhar para quem trabalha para se verificar a habitual e ancestral brutalidade da exploração. São negócios facilmente desmascarados.
“Saber ouvir quase que é responder.” PALAVRA DO DIA
Pierre Marivaux
Amigos como dantes PAMELA MARTIN/GETTY IMAGES
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Xanana Gusmão “A decisão permite que os nossos países avancem de forma positiva para fortalecer a nossa relação de amizade e cooperação.”
“O povo timorense agradece a coragem demonstrada por Collaery e apoiou a posição que tomou nesta matéria. Collaery e o seu cliente, conhecido como Testemunha K, são muito respeitados em Timor-Leste. Reconhecemos a sua enorme contribuição na nossa luta para alcançar as fronteiras marítimas permanentes com a Austrália no Mar de Timor”, escreveu Xanana, lembrando que o actual chefe de Estado, José Ramos-Horta, “trabalhou incansavelmente através de advocacia pública para que a acusação fosse interrompida”.
Felicitações presidenciais
FILIPINAS FERDINAND MARCOS JR. ENCERRA COMISSÃO ANTICORRUPÇÃO
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Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., pôs fim à comissão presidencial anticorrupção, responsável por acompanhar e investigar possíveis crimes de corrupção no Governo, no seu primeiro decreto presidencial, segundo fontes oficiais. No decreto publicado ontem, mas assinado em 30 de Junho, a presidência filipina referiu que o encerramento da comissão presidencial anticorrupção (PACC) visa “atribuir correctamente os recursos
públicos” e evitar “duplicação de organizações” no país. Criada em 2017 pelo ex-Presidente Rodrigo Duterte (2016-2022), a comissão tinha como objectivo coibir casos de corrupção em instituições, organizações e por funcionários públicos em altos cargos do Governo filipino e, somente entre 2019 e 2020, o órgão investigou centenas de casos e concluiu mais de 70 destes. Marcos Jr., filho do ex-ditador Ferdinand Marcos, chegou à presidência filipina
em Maio, após eleições polarizadas, e a sua vitória levantou dúvidas entre especialistas sobre a continuidade da política anticorrupção realizada pelo seu antecessor, já que a família Marcos enfrenta mais de 40 acções cíveis. O actual Presidente também acumula uma série de condenações por crimes fiscais e por corrupção. Neste contexto, vozes críticas ao Governo têm manifestado preocupação com o futuro da comissão presidencial
de boa governação (PCGG), criada em 1986 após a queda do regime de Ferdinand Marcos, para recuperar a suposta fortuna ilícita acumulada pela família durante o seu governo (1965-1986). Até agora, a PCGG conseguiu recuperar cerca de 3,6 mil milhões de dólares ao longo dos seus 36 anos de existência, embora durante a gestão de Duterte, aliado de Marcos Jr., tenha definhado em termos de orçamento e apoio presidencial.
O
primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, demitiu-se ontem como líder dos conservadores, mas disse que se manterá na chefia do Governo até ser substituído à frente do partido. “Concordei que o processo de escolha de um novo líder [dos conservadores] deve começar hoje (ontem)”, disse Johnson à porta de Downing Street, a residência e gabinete oficial do primeiro-ministro. Johnson admitiu que “é claramente a vontade do Partido Conservador que haja um novo líder e, portanto, um novo primeiro-ministro”. O primeiro-ministro disse que estava “triste por desistir do melhor emprego do mundo”. Referiu também que o calendário para a eleição de um novo líder dos conservadores será estabelecido na próxima semana. A demissão do líder conservador, de 58 anos, ocorreu após a saída de dezenas de membros do seu executivo nas últimas 48 horas.
Entretanto, o líder do Partido Trabalhista britânico, Keir Starmer, disse ontem que Boris Johnson não deveria ter permissão para “se agarrar” ao Governo temporariamente e ameaçou apresentar uma moção de censura para o remover do poder. Starmer pediu que Johnson não seja autorizado a permanecer no Governo enquanto é escolhido um novo líder conservador, que se tornará automaticamente primeiro-ministro. “O seu próprio partido chegou finalmente à conclusão de que ele não está apto para ser primeiro-ministro, não deveriam poder agora impô-lo ao país durante os próximos meses”, disse Starmer em declarações à imprensa. “Se eles não se livrarem dele, o Partido Trabalhista vai, no interesse nacional, apresentar uma moção de censura [na Câmara dos Comuns] porque não podemos continuar com este primeiro-ministro durante meses”, acrescentou. GETTY IMAGES
Já ontem, Ramos-Horta felicitou o Governo australiano pela decisão. “Felicitações são devidas ao novo Governo australiano pela inteligência e sentido de justiça para fecharmos mais um capítulo menos positivo nas nossas relações do passado”, disse o Presidente à Lusa.
O polémico caso de Collaery, que tinha suscitado duras críticas ao anterior Governo australiano e ao anterior procurador-geral do país, estava há vários anos em disputa no tribunal, tendo em conta em particular a vontade do Ministério Público australiano de manter parte do processo em segredo. Desde que os Trabalhistas venceram as eleições em Maio, conquistando a maioria absoluta, que o Governo estava a ser pressionado por deputados do partido para retirar a queixa. Enquanto estava na oposição, o próprio Dreyfus tinha criticado o caso, considerando-o “uma afronta à lei” e ontem confirmou a retirada das acusações. O caso envolvia inicialmente um ex-agente secreto, identificado como Testemunha K, que acabou por ser declarado culpado de violar as leis de sigilo, o que levou a pena suspensa de três meses em Junho de 2020.
8.7.2022
REINO UNIDO JOHNSON DEMITE-SE COMO LÍDER CONSERVADOR E FICA COMO PM ATÉ SER SUBSTITUÍDO
Retirada de acusação de espionagem na Austrália é “fundamentada e justa” - Xanana
ex-presidente timorense Xanana Gusmão classificou ontem como “fundamentada e justa” a decisão do Governo australiano de retirar a acusação num caso de espionagem, defendendo que permitirá fortalecer a “relação de amizade” entre Díli e Camberra. “A decisão do Governo australiano em retirar a acusação é fundamentada e justa. É a decisão acertada para a relação entre Timor-Leste e a Austrália. A decisão permite que os nossos países avancem de forma positiva para fortalecer a nossa relação de amizade e cooperação”, disse Xanana Gusmão, em comunicado. O antigo chefe de Estado timorense reagia depois de o procurador-geral australiano, Mark Dreyfus, ter anunciado ontem a retirada da acusação contra Bernard Collaery, que estava a ser julgado por alegadamente ter revelado que os serviços secretos australianos tinham colocado escutas no gabinete governamental de Timor-Leste durante negociações comerciais sobre petróleo e gás. No comunicado ontem divulgado, Xanana Gusmão, que liderou o grupo de negociação de Timor-Leste no Conselho para a Delimitação Definitiva das Fronteiras Marítimas, considerou que as escutas da Austrália a Timor-Leste, “realizadas com fins comerciais, foram ilegais e inconcebíveis”. O dirigente timorense, que actualmente é representante especial para a economia azul de Timor-Leste, disse ter escrito ao primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, agradecendo-lhe, “a ele e ao seu Governo, a decisão tomada no interesse da justiça e da relação de amizade entre Timor-Leste e a Austrália”.
sexta-feira