RÓMULO SANTOS
PCC 100 ANOS
BONS VENTOS DE MACAU GRANDE PLANO
Nº 4805 QUINTA-FEIRA 8-7-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
ORQUESTRA DE MACAU
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EVENTOS
APREENSÕES DE CLOEE CHAO
GRANDE FINAL
OPINIÃO
O SUCESSO DO PCC
JORGE RODRIGUES SIMÃO
hoje macau
Cadeiras de sonho
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RÓMULO SANTOS
MOP$10
CASINOS
Os dados estão lançados. Um total de 159 candidatos pela via directa, e 12 pela via indirecta, concorrem a um lugar no hemiciclo cujas eleições terão lugar no próximo mês de Setembro. A esmagadora maioria dos pretendentes a um assento continua a ser do sexo masculino, com as mulheres a representarem menos de um terço dos aspirantes a legisladores. PÁGINA 4
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Numa palestra promovida pela Associação Portuguesa dos Amigos da Cultura Chinesa, a propósito do centenário do Partido Comunista Chinês, o Embaixador chinês em Portugal destacou Macau como o bom exemplo da concretização de “Um País, Dois Sistemas”, alertando para os “comentários desenfreados” feitos por outros países face à situação de Hong Kong. Já o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros português Martins da Cruz referiu que Macau “nunca foi uma ameaça aos interesses chineses”
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ACAU tem sido apontado como o território onde tudo correu bem na aplicação do princípio “Um País, Dois Sistemas”, e essa ideia voltou a ser destacada numa palestra online promovida pela Associação Portuguesa dos Amigos da Cultura Chinesa, em Portugal, a propósito do centenário do Partido Comunista da China (PCC). Um dos oradores foi o embaixador chinês em Lisboa, Zhao Bentang, que lembrou o facto de Deng Xiaoping “e outros comunistas chineses terem rompido com a mentalidade da Guerra Fria e, salvaguardando a unidade nacional e os interesses vitais dos compatriotas de Hong Kong e Macau produziram de maneira criativa a grande ideia ‘Um País, Dois
Sistemas’, concretizando a transição pacífica e o retorno bem sucedido de Hong Kong e Macau”. Na visão do diplomata, a realidade comprova que o princípio de integração “não é apenas a melhor solução para a questão de Macau, mas também o melhor sistema para manter a prosperidade e estabilidade de Macau a longo prazo”. Zhao Bentang referiu também a situação da região vizinha. “Quanto às medidas tomadas pela China em relação a Hong Kong, na verdade estamos a aprender as boas experiências na prática de ‘Um País, Dois Sistemas’ em Macau, e isso também tem o objectivo de assegurar o desenvolvimento estável e a prosperidade de Hong Kong.” O embaixador destacou ainda o facto de “alguns
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CENTENÁRIO DO PCC O LUGAR DE MACAU E O BOM EXEMPLO
Uma peça países tentarem sempre fazer comentários desenfreados sobre as nossas medidas em relação a Hong Kong”, algo que é “um desrespeito e interferência grosseira nos assuntos internos da China”. António Martins da Cruz, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros português, também participou na palestra, referindo a importância de
“Há críticas a fazer a este sistema político? Certamente, se o compararmos com os nossos sistemas. Mas não temos o direito de impor os nossos.” ANTÓNIO MARTINS DA CRUZ
“saber valorizar o papel de Macau” na hora de celebrar o centenário do PCC. “Com uma situação bem diferente de Hong Kong, com um ambiente agreste, Macau nunca foi, ao longo dos séculos e ainda hoje, uma ameaça para os interesses chineses.” Para Martins da Cruz, o território representa “um marco de estabilidade no panorama actual” e uma “plataforma que facilita os investimentos mútuos e a presença das empresas chinesas em Portugal e portuguesas na China”. “Tudo isto é possível graças à visão do PCC e dos seus políticos, ao longo dos anos, que sempre souberam ter em conta a especificidade de Macau. E por isso lhe devemos estar gratos”, frisou. Martins da Cruz lembrou também que, ao contrário de outros países estrangeiros, a
China sempre manteve boas relações com Portugal. “Só Portugal foi uma excepção: estabelecido em Macau desde o século XVI, com o acordo de poder central chinês da altura e durante todos estes séculos, até 1999, Portugal não participou na violência, nos saques, na ocupação pelas potências estrangeiras, na humilhação do povo chinês. Foi aliás nessa altura que os ingleses se apoderarem de Hong Kong e que outros ocuparam Xangai, que se promoveram medidas para enfraquecer o povo chinês e destruir uma civilização com milhares de anos.” Wu Zhiwei, membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e empresário, também destacou o bom exemplo da RAEM no contexto nacional. “A 20 de Dezembro de 1999, Macau regressou ao seio da pátria, e
nestes últimos 22 anos o seu desenvolvimento económico avançou a passos gigantes, o nível de vida dos residentes tem melhorado de forma continuada, a sociedade é estável e harmoniosa e as múltiplas culturas completam-se numa relação mútua. O amor à pátria e a Macau constituem os valores no território. Macau tornou-se num exemplo da concretização bem-sucedida do modelo ‘Um País, Dois Sistemas’”, referiu.
Sem imposições
Numa sessão onde todos os participantes destacaram os ganhos obtidos nos últimos 100 anos graças ao PCC, nomeadamente a quase erradicação da pobreza na China e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), foi também abordado o sistema político no país. Martins da Cruz colocou a questão: “poderia
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na evolução
DISCUTIDO EM PALESTRA EM PORTUGAL
“A realidade comprova que ‘Um País, Dois Sistemas’ não é apenas a melhor solução para a questão de Macau, mas também o melhor sistema para manter a prosperidade e estabilidade de Macau a longo prazo depois do seu retorno ao país.” ZHAO BENTANG EMBAIXADOR DA CHINA EM PORTUGAL
ter sido outra força política a assumir o rumo desde 1949? Podia, mas não foi. E se fosse, provavelmente, não se manteria no poder desde então.”
“No Ocidente, na Europa e nos EUA, alguns Governos, embora de forma assimétrica, mas sobretudo comentadores e activistas (uma nova classe de geração espontânea que não consigo definir) criticam a China por não ter os nossos valores e princípios. Não entenderam a cultura e a civilização chinesas e o papel do PCC na história da China no último século. Os países devem manter relações e entendimentos independentemente dos seus regimes políticos. Senão Portugal só reconheceria talvez um terço dos Estados que tem regimes semelhantes ao nosso”, destacou o antigo embaixador. Para Martins da Cruz, “o interesse da Europa é que a China seja um país estável, desenvolvido, previsível e confiante no seu próprio sistema”. Tudo isso acontece “graças ao pragmatismo e ao papel do PCC”.
O ex-ministro adiantou ainda um cenário hipotético. “Mas, por absurdo, vejamos outro cenário: a China com um sistema político igual aos ocidentais. Nesse caso, e sempre segundo os parâmetros daqueles que defendem a teoria, seria mais desenvolvida do que agora. Mas seria um perigo maior para o ocidente, pois seria mais desenvolvida e com os mesmos objectivos. Representaria um desafio maior na estratégia, na política e na economia. Mas os que invocam esta possibilidade não sabem ou não querem responder a este paradoxo. Porque não lhes conviria.” Segundo Martins da Cruz, estas personalidades “não conseguem admitir que a visão do PCC, a visão chinesa sobre a situação e os equilíbrios globais não é a
mesma que nós temos, nem tem de ser”. “Não entendem que na cultura chinesa os interesses colectivos prevalecem sobre os interesses individuais. Que o exercício de hierarquia começa ainda na família e se reflecte nas empresas, na administração e no Estado. Não compreendem, ou não conseguem entender, que na cultura chinesa disciplina significa segurança. Que é indispensável para superar a pobreza e permitir a convivência de 1 bilião e 400 milhões. E que o PCC é o garante desse interesse colectivo, dessa hierarquia e dessa segurança”, adiantou. Martins da Cruz não deixou, contudo, de colocar uma questão. “Há críticas a fazer a este sistema político? Certamente, se o compararmos com os nossos sistemas. Mas não temos o direito de impor.”
básicos do marxismo com a realidade concreta da China.”
Palavras de Kevin Ho
Kevin Ho, empresário de Macau e membro da Assembleia Popular Nacional, foi outro dos oradores a tecer rasgados elogios a Pequim. “Se olharmos para o nosso país actualmente, quem pensaria que iria acontecer tudo isto nos últimos 100 anos? O que era a China? O nosso país estava essencialmente dividido em muitas partes e governado por diversas pessoas. Tínhamos uma absoluta pobreza e desde a sua formação, há 100 anos, o PCC tem estado comprometido em construir um melhor lugar para os chineses.”
“Portugal não participou na violência, nos saques, na ocupação pelas potências estrangeiras, na humilhação do povo chinês. Foi aliás nessa altura que os ingleses se apoderarem de Hong Kong e que outros ocuparam Xangai, que se promoveram medidas para enfraquecer o povo chinês e destruir uma civilização com milhares de anos.” ANTÓNIO MARTINS DA CRUZ
E sobre a não imposição de sistemas políticos também falou o embaixador Zhao Bentang. “Todos ganham com a coexistência harmoniosa de sistemas da China e do ocidente”, frisou, sem esquecer os ganhos que a sociedade chinesa obteve nos últimos anos. “O Presidente [Xi Jinping] disse porque é que o socialismo com características chinesas pode obter o sucesso e dar benefícios ao povo. O marxismo pode ser viável. Desde o dia em que foi fundado, o partido tornou o marxismo como pensamento orientador e persiste na combinação dos princípios
Para Kevin Ho referiu ainda, a partir da Reforma e Abertura implementada por Deng Xiaoping “vimos as vidas das pessoas a melhorar, e em 2021 declaramos com sucesso a erradicação da pobreza”. “Nos últimos 80 anos, e sob liderança do PCC, muitos milhões deixaram o estado de absoluta pobreza, o que é um milagre mundial. Não temos qualquer intenção de olhar para as políticas dos outros países e interferir nos outros países, e esperamos que a mesma percepção exista para o nosso país”, concluiu o empresário. Andreia Sofia Silva
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CAEAL MACAU VITÓRIA APRESENTOU QUEIXA POR PRESSÕES
ELEIÇÕES 159 CANDIDATOS CONCORREM À ASSEMBLEIA LEGISLATIVA PELA VIA DIRECTA
Muita parra, pouca uva
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O Chun Seng, cabeça-de-lista da Macau Vitória, apresentou ontem uma queixa por escrito à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). Em causa estão alegadas pressões sobre pessoas que integram a lista para que desistam a corrida eleitoral. Segundo Lo ocorreram “movimentações de bastidores” para que os candidatos desistissem.As pressões não foram feitas através “ameaças directas”. Além das movimentações menos claras, o cabeça da lista Macau Vitória indicou que alguns candidatos foram pressionados pela família para desistir. Como a lista Macau Vitória tem apenas quatro candidatos, uma desistência pode fazer com que a lista não possa participar no acto eleitoral, que exige um mínimo de quatro candidatos. No entanto, mesmo que nesta altura alguns candidatos comuniquem à CAEAL a desistência, a lista tem até 12 de Junho para “suprir as deficiências”. Só após esse prazo é que a Macau Vitória arrisca ficar sem alternativas. Aos jornalistas, Lo lamentou a situação: “É verdade que venho do campo pró-democrata, mas sou uma pessoa muito discreta”, indicou. “Não somos uma ameaça, mas para estes poderes ocultos isso não interessa... Ainda temos de enfrentar jogos de bastidores”, acrescentou.
As listas candidatas ao hemiciclo são dominadas por membros do sexo masculino, com uma proporção de 68,5 por cento, ou seja, superior a um terço. As informações publicadas antecipam também que as eleições indirectas vão ser uma formalidade, com o número de candidatos a ser igual às vagas RÓMULO SANTOS
mem, enquanto as restantes cinco são lideradas por mulheres. Estes dados reflectem-se em proporções de 73,7 por cento e 26,3 por cento.
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O total, 159 candidatos distribuídos por 19 listas concorrem pelo sufrágio directo à Assembleia Legislativa (AL). O acto eleitoral vai realizar-se a 12 de Setembro e a constituição das listas admitidas pela Comissão dos Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) foi publicada na tarde de ontem, no Edifício Administração Pública. Os dados revelados mostram que a maioria dos candidatos pelo sufrágio directo são do sexo masculino, ou seja 109 dos 159 candidatos, o que representa uma
proporção de 68,5 por cento. As candidatas são 50, o que representa 31,5 por cento, ou seja, representam menos de um terço. Naturalmente, a lista que tem mais membros do sexo feminino
Em 19 listas, 14 têm como primeiro candidato um membro do sexo masculino. As restantes 5 são lideradas por mulheres
é a Aliança Bom Lar, liderada por Wong Kit Cheng, e que tem ligações à Associação das Mulheres de Macau. As candidaturas com mais membros do sexo masculino são a Poderes do Pensamento Político, liderada por Nelson Kot, que tem 10 homens e duas mulheres, assim como a lista Associação dos Cidadãos Unidos por Macau, liderada por Si Ka Lon, que em 13 candidatos tem 10 homens. A maior representatividade masculina reflecte-se nos cabeças-de-listas. Em 19 listas, 14 têm como primeiro candidato um ho-
A informação publicada ontem pela CAEAL confirma também que as eleições indirectas vão servir praticamente para “cumprir calendário”. No total, vão participar nas eleições indirectas 12 candidatos para igual número de vagas, como já tinha sido antecipado. Em relação às eleições pela via indirecta de 2017, este ano vai trazer três diferenças. Ho Ion Sang, deputado que até agora tinha sido eleito pela via directa, passa para o colégio eleitoral dos sectores dos serviços sociais e educacional. Ho substitui Chan Hong, que deverá ser nomeada por Ho Iat Seng, de forma a manter-se como deputada. Ao nível do colégio eleitoral dos sectores cultural e desportivo, Chan Chak Mo mantem a candidatura, mas a lista tem agora o nome de União Cultural e Desportiva Sol Nascente e conta com Angela Leong, que substitui Vitor Cheung Lup Kwan. No que diz respeito ao colégio eleitoral dos sectores industriais, comercial e financeira Chui Sai Cheong, Vong Hin Fai e Chan Iek Lap são os candidatos, e no sector profissional Kou Hoi In, Chui Sai Peng, Ip Sio Kai e Wang Sai Man vão ser os eleitos. Finalmente, no colégio eleitoral Lei Chan U e Lam Lon Wai, ligados à Federação dasAssociações dos Operários de Macau, são os únicos candidatos. João Santos Filipe
GCS
Para cumprir calendário
NATALIDADE WONG KIT CHENG DEFENDE INTRODUÇÃO DE MEDIDAS DE ACESSO A REPRODUÇÃO ASSISTIDA
A
deputada Wong Kit Cheng considera que a produção legislativa ao nível da medicina de reprodução assistida tem sido lenta face à procura e aos avanços sociais e científicos e espera que o Governo introduza medidas para que o acesso a serviços de fertilização in vitro seja facilitado à população.
Através de interpelação escrita, a deputada lembra que, na base do problema está o facto de o desenvolvimento socioeconómico ter acentuado “as situações de casamento e procriação tardias”. “Com a queda contínua da taxa de natalidade, as acções de incentivo à natalidade têm de ser acompa-
nhadas de medidas de apoio complementares, podendo a reprodução assistida ter aqui um papel importante”, apontou Wong Kit Cheng. A deputada aponta ainda que o Governo só disponibiliza serviços de inseminação artificial (IA) “cuja taxa de sucesso é baixa”, impedindo que a população tenha aces-
so a serviços de fertilização in vitro (FIV), “cuja taxa de sucesso é maior”, a preços mais acessíveis. “Os casais com problemas de fertilidade tiveram de passar a recorrer a esses serviços no exterior ou noutras instituições médicas a expensas próprias. Uma instituição médica do sector
privado criou um Centro de Reprodução Assistida com serviços de FIV, mas a verdade é que estes serviços não beneficiam dos apoios financeiros e os seus custos são bastante altos para as famílias normais, o que, directa ou indirectamente, acaba por afastá-las”, acrescentou Wong Kit Cheng.
Relativamente à necessidade de acelarar a produção legislativa nesta matéria, a deputada refere que há “lacunas que têm de ser integradas por lei” e que, desde 2019, o texto da proposta de lei da medicina de reprodução assistida “aguarda” a chegada à Assembleia Legislativa. P. A.
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CASINOS CLOEE CHAO PREOCUPADA COM IMPACTO DOS VISITANTES DE HONG KONG
existe qualquer tipo de política destinada a obrigar os funcionários a tomar as vacinas” começou por dizer Cloee Chao. “Além disso, há funcionários diagnosticados com doenças crónicas ou cardiovasculares que não devem ser forçados a tomar a vacina contra a covid-19”, acrescentou.
Apesar de a concretização da bolha de viagem entre Macau e Hong Kong ser cada vez mais uma incógnita, a presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo defende a criação de zonas dedicadas aos detentores do código de saúde de cor azul, no interior dos casinos
Ajudar quem precisa
Todo o cuidado é pouco
A
presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo, Cloee Chao, entregou ontem uma carta dirigida ao Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, onde defende a criação de zonas dedicadas exclusivamente à circulação e utilização por parte de visitantes de Hong Kong dentro dos casinos. Para a também candidata à Assembleia Legislativa pela lista da “Novos Jogos de Macau”, apesar de estar previsto que estes visitantes sejam portadores de um código de saúde de cor azul que os
impede de tirar a máscara e participar em determinadas actividades, é preciso fazer mais. Desta forma, Cloee Chao considera imperativo que, para acautelar as medidas de prevenção da pandemia no interior dos casinos, as zonas a frequentar exclusivamente por visitantes de Hong Kong funcionem “como salas VIP”, mas onde não há comida ou bebida e a utilização de máscaras tem de ser feita de forma ininterrupta. “Mesmo que usem sempre máscara, quando os clientes bebem água acabam por tirá-la.
Na verdade, muitos clientes usam esta ‘lacuna’ para tirar a máscara durante algumas horas”, acrescentou Cloee Chao.
Cloee Chao considera imperativo que (…) as zonas a frequentar exclusivamente por visitantes de Hong Kong funcionem “como salas VIP”, mas onde não há comida ou bebida
Após entregar a carta, a candidata revelou ainda o caso de uma sala VIP que terá pago 300 patacas aos funcionários para “fechar os olhos” às situações em que os jogadores tiram as máscaras para fumar nas mesas de jogo. Outro dos pedidos endereçados por Cloee Chao está relacionado com o facto de algumas empresas do sector serem suspeitas de forçar trabalhadores a tomar a vacina contra a covid-19. “Acreditamos que estas decisões terão sido tomadas por alguns quadros superiores, pois os casinos já declararam que não
A presidente da Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo defendeu ainda que o Governo deve aumentar o prazo de validade dos testes de ácido nucleico de dois para sete dias, para quem vem da província de Guangdong. “Para muitos residentes e trabalhadores que moram em Zhuhai, o facto de os testes serem efectuados com muita frequência, não consomem muito tempo, como se tornam também num encargo caro para a população”, referiu Cloee Chao. Sobre a atribuição de bónus de Verão, a responsável apontou que todas as concessionárias devem seguir o exemplo da SJM Resorts, tendo em conta que muitos funcionários estão em regime de licença sem vencimento há mais de um ano. Nunu Wu e Pedro Arede
HENGQIN CC CONTACTA AUTORIDADES DA CHINA EM NOME DE PROPRIETÁRIOS LESADOS
N
O seguimento de 50 famílias de Macau lesadas no processo de aquisição de imóveis na Ilha da Montanha (Hengqin), o Conselho dos Consumidores (CC) prometeu contactar as autoridades do Interior da China com o objectivo de encontrar
uma solução para os proprietários. A tomada de posição surgiu após uma reunião entre uma delegação composta por seis dos proprietários lesados e o Presidente do CC, Wong Hon Neng, promovida pelo Gabinete do deputado
José Pereira Coutinho. De acordo com uma nota partilhada pelo deputado, Wong Hon Neng fez uma breve apresentação sobre a compra de imóveis no Interior da China por parte dos residentes de Macau, deixando um apelo para que, antes de
se avançar para a compra, os consumidores se informem correctamente e efectuem “as respectivas consultas através da plataforma disponibilizada pelo Governo de Hengqin”. Do lado dos proprietários lesados, foram partilhados os “truques”
que estiveram na base do aliciamento da venda de imóveis, bem como o facto de terem sido “forçados a aceitar imóveis não acabados”. Recorde-se que segundo Pereira Coutinho, este é o oitavo grupo de residentes de Macau a sofrer prejuí-
zos após investir em imobiliário do Interior da China. Na maior parte dos casos, os imóveis são promovidos como fracções de habitação, sendo, na verdade, escritórios. P.A.
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Cantão Subdistritos sem obrigação de quarentena
Desde as 18h de ontem que foram canceladas as medidas de quarentena para os indivíduos que nos 14 dias anteriores à entrada em Macau tenham estado no Subdistrito de Dashi do Distrito de Panyu da Cidade de Cantão (Guangzhou), da Província de Guangdong, conforme exigências da autoridade sanitária. A revogação das medidas de quarentena foi publicada ontem pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. Além destas medidas, também ontem foi anunciado que as pessoas que nos 14 dias anteriores à entrada em Macau tenham estado na Cidade de Ruili da Sub-Região Autónoma Dai e Jingpo de Dehong precisam de cumprir quarentena.
Saúde Registados quase cinco mil doadores de órgãos
FITCH RECEITAS SÓ DEVERÃO REGRESSAR AOS NÍVEIS PRÉ-COVID EM 2024
Quem espera, desespera A agência de notação financeira Fitch acredita que as receitas do jogo só vão chegar aos níveis de 2019 dentro de três anos. Se forem considerados os primeiros seis meses do ano, entre 2019 e 2021 os casinos viram as receitas caírem mais de 100 mil milhões de patacas
A
Fitch diz que as receitas do jogo só vão regressar aos valores anteriores à pandemia em 2024. Esta é uma previsão que a agência considera “conservadora” e que faz parte de um comunicado emitido na terça-feira, citado ontem pelo portal GGR Asia. Nos primeiros seis meses deste ano, as receitas dos casinos foram de 49,02 mil milhões de patacas. No entanto, em 2019, os primeiros seis meses viram os casinos receber em apostas perdidas um montante de 149,50 mil milhões. Segundo a previsão da Fitch, vai ser preciso esperar
mais três anos para que a diferença de 100 mil milhões de patacas possa ser recuperada. O comunicado da Fitch, tem como principal foco a MGM Resorts International, a maior accionista da concessionária MGM China. O relatório da agência aborda o negócio da compra pela MGM Resorts
Nos primeiros 6 meses deste ano as receitas dos casinos foram de 49,02 mil milhões de patacas
International de 50 por cento da empresa CityCenter, que controla o casino Aria Resort and Casino. Após concluir a compra da CityCenter, a MGM vai ficar com 100 por cento das acções da empresa, que posteriormente vai vender ao fundo de investimento The Blackstone Group, por 3,89 mil milhões de dólares americanos. Além dos números de Macau, a Fitch classifica a notação da MGM Resorts International no nível “BB-”, ou seja, são investimentos em empresas com risco de incumprimento, no caso de se verificarem alterações contrárias às tendências actuais.
A MGM International Resorts é a principal accionista da MGM China, com uma participação social de 55,9 por cento. Entre os principais accionistas da concessionária estão ainda a empresária Pansy Ho, com 22,5 por cento, e a Snow Lake Capital (HK) Limited, com 8,03 por cento. Em Macau, a concessionária MGM China é responsável pelos casinos MGM Macau, o primeiro da empresa a operar na RAEM, e MGM Cotai. João
Santos Filipe
Os Serviços de Saúde de Macau (SSM) garantiram, em resposta a uma interpelação escrita da deputada Wong Kit Cheng, que estão registados no território 4978 doadores de órgãos. Em relação ao pessoal médico com capacidade para executar transplantes, existe uma equipa médica no Centro Hospitalar Conde de São Januário com experiência em transplante renal, e quatro médicos especialistas em transplante de fígado. “No futuro será melhorada a reserva de pessoal para o transplante de outros órgãos e elevado continuamente o nível de tecnologia médica”, aponta Cheang Seng Ip, director substituto dos SSM. O responsável disse ainda que “é necessário solucionar o problema da origem de órgãos humanos doados”, uma vez que a população local é reduzida. “Os SSM estão a realizar vários trabalhos, tais como a formação dos recursos humanos, a disposição de instalações e equipamentos e a cooperação interdepartamental, com vista a fazer os preparativos suficientes para iniciar o trabalho de transplante de órgãos”, conclui-se ainda na resposta.
Grande Baía Kevin Ho apela à busca de mais oportunidades
Kevin Ho, empresário local e membro da Assembleia Popular Nacional (APN), defendeu numa palestra que os jovens de Macau devem procurar integrar-se na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau ao invés de ficarem no território com uma vida confortável, deixando os empregados qualificados para os talentos das restantes cidades que compõem a Grande Baía. Segundo o jornal Ou Mun, Kevin Ho diz que Hengqin constitui um “tesouro” em termos de desenvolvimento e que os jovens de Macau podem desenvolver as suas competências nas cidades da Grande Baía. O empresário apelou também aos jovens locais, incluindo os de Hong Kong, para conhecerem melhor o Partido Comunista Chinês e o sistema do socialismo com características chinesas, com vista a terem um maior espírito patriótico.
Biblioteca Obras no ar condicionado até meio de 2022
O Instituto Cultural anunciou ontem que as obras de substituição do sistema de ar condicionado da Biblioteca Sir Robert Ho Tung têm conclusão prevista para o segundo trimestre do próximo ano. As visitas guiadas e outros serviços serão suspensas durante o período das obras, e algumas zonas no interior da biblioteca vão encerrar temporariamente ao público.
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JUNKETS TRIBUNAL ENTENDE QUE 50 MILHÕES DE DÓLARES DE HONG KONG NÃO DEVEM SER PAGOS
O
Tribunal de Última Instância (TUI) decidiu que uma pessoa que contraiu duas obrigações de 50 milhões de dólares de Hong Kong a um promotor de jogo, quando este não tinha licença, não as deve pagar à empresa da
qual este junket era sócio. Segundo o acórdão ontem divulgado, entre a empresa, o sócio e o homem que pediu as obrigações existia “uma relação material”, pelo que “não se afigura constituir motivo algum que obste ao normal
prosseguimento da execução instaurada”. Como “o concedente do crédito só obteve a licença de promotor de jogo em 2008 [as obrigações foram concedidas em 2005 e 2006], é evidente concluir que a concessão de crédito
para jogo não respeitou os necessários requisitos na lei previstos”, adianta o TUI. Em Maio de 2010, este promotor de jogo assinou contratos de autorização da concessão de crédito e de promoção de jogos com
a Sociedade de Jogos de Macau. Em Dezembro desse ano, a pessoa que pediu o dinheiro “aceitou que as quantias fossem pagas à empresa [de que o promotor era sócio], mas não efectuou o pagamento”.
PJ DESMANTELADA REDE TRANSFRONTEIRIÇA DEDICADA A BURLA DE NAMORO ONLINE
A ponta do icebergue POLÍCIA JUDICIÁRIA
A Polícia Judiciária deteve o cabecilha e outros três suspeitos de pertencer a uma rede criminosa transfronteiriça dedicada à prática de burlas de namoro online e a pretexto de investimentos. Em Macau houve pelo menos sete vítimas, lesadas em 400 mil patacas. No entanto, a polícia estima que as perdas totais possam rondar 1,8 milhões de patacas
A empresa levou o caso a tribunal a fim de cobrar a dívida, mas perdeu na primeira instância. O Tribunal de Segunda Instância (TSI) dar-lhe-ia razão, mas o TUI teve agora outro entendimento.
teis e vários cartões telefónicos. Interrogado pela PJ, o cabecilha do grupo “não mostrou vontade de colaborar na investigação”, nem conseguiu explicar a origem do dinheiro apreendido. Outro detido revelou, contudo, ter recebido ordens do cabecilha do grupo para que os montantes angariados com as burlas fossem transferidos para a sua conta bancária. A PJ descobriu ainda que os outros suspeitos trabalhavam como intermediários para angariar pessoas disponíveis a fornecer as suas contas bancárias como destino para depositar os montantes angariados com as burlas. Segundo a polícia, a movimentação de depósitos nestas contas era de 1,10 milhões de patacas.
Em contagem crescente
Em Macau, o grupo desfalcou, pelo menos, sete residentes em 400 mil patacas
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M coordenação com as autoridades de Hong Kong, a Polícia Judiciária (PJ) desmantelou uma rede criminosa transfronteiriça dedicada a tirar dividendos em vários países do Sul da Ásia, através da prática de burlas de namoro online e relacionadas com investimentos em plataformas financeiras.
Em Macau, o grupo desfalcou, pelo menos, sete residentes em 400 mil patacas, tendo sido detidos na passada terça-feira quatro suspeitos, entre os quais o cabecilha do bando. Por seu turno, em Hong Kong, a rede terá sido responsável por perdas de 20 milhões de patacas, tendo a operação conjunta resultado na detenção de três membros.
De acordo com informações reveladas ontem em conferência de imprensa, a troca de informações entre as autoridades de Macau e Hong Kong permitiu descortinar inúmeros crimes que envolviam os dois territórios vizinhos e outros tantos países do Sul da Ásia, locais para onde os montantes resultantes das burlas eram transferidos.
Casa do Mandarim Condutor detido por danificar parede Um motorista, de apelido Lau e com 64 anos, foi detido esta terça-feira por alegadamente ter feito um rasgão de cerca de oito metros numa parede da Casa do Mandarim, edifício classificado. Segundo o jornal Ou Mun, a Polícia Judiciária (PJ) verificou as imagens captadas pelas câmaras de videovigilância e descobriu que o homem conduzia um camião betoneira que, passando na rua estreita, aca-
bou por danificar a parede, tendo o motorista ignorado a situação e fugido. Lau admitiu às autoridades que provocou o dano mas não quis assumir as responsabilidades e fugiu. O caso já está a ser investigado pelo Ministério Público, sendo Lau suspeito do crime de dano qualificado. O Instituto Cultural adiantou que o custo de reparação da parede ronda as 14 mil patacas.
Seguindo estas pistas e identificados em Macau quatro indivíduos pertencentes ao grupo, a PJ iniciou uma operação em várias zonas da cidade que terminou com a detenção dos suspeitos. Na casa do cabecilha, natural do Mali, foram apreendidas 300 mil patacas em dinheiro, dois cartões de crédito, mais de 10 computadores portá-
A PJ acredita que através da operação colocou um ponto final à actividade do grupo. No entanto, o número de lesados deverá ser muito maior, com a polícia a estimar que as perdas totais incluindo casos de vítimas não identificadas ou que não apresentaram queixa, poderão rondar 1,8 milhões de patacas. O caso seguiu ontem para o Ministério Público, onde os suspeitos irão responder pela prática dos crimes de burla de valor consideravelmente elevado e branqueamento de capitais. De acordo com a porta-voz da PJ, as autoridades locais vão continuar a colaborar com a polícia de Hong Kong para concluir a investigação do caso e de outros da mesma génese. A PJ deixou ainda um alerta para que os residentes que se vejam envolvidos em situações suspeitas, não transfiram dinheiro para pessoas desconhecidas, nem adquiram moedas virtuais através de sites e aplicações ou façam apostas ilegais. Pedro Arede
Motoristas Deputado exige melhores condições rodoviárias O deputado Leong Sun Iok defende melhores condições nas estradas para benefício dos motoristas de autocarro. Segundo o jornal Exmoo News, Leong Sun Iok, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau, defende que o Governo deveria melhorar as passadeiras e os semáforos para que os motoristas de
autocarro tenham melhores condições de trabalho. Segundo o deputado, os motoristas sentem pressão no trabalho devido às más condições nas estradas, o aumento dos requisitos e as queixas dos passageiros. Leong Sun Iok pede também que seja reforçada a segurança dos condutores dos autocarros que muitas vezes se deparam com conflitos
com os passageiros. Quanto às condições de trabalho, o deputado pede que seja reduzido o tempo de espera para o exame, a fim de obter a licença de motorista, e uma maior formação subsidiada, uma vez que muitos residentes pretendem trabalhar como motoristas em contexto de pandemia, tendo em conta os salários elevados.
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Nos limites do humano ITÁLIA ELIMINA ESPANHA NOS PENÁLTIS
Estando em jogo uma ida à final do Euro 2020, transalpinos e espanhóis não desiludiram. O jogo, em tempo regulamentar, deu empate (1-1) mas não houve falta de espectáculo entre duas equipas muito semelhantes. Os italianos continuam em prova depois de vencerem La Roja na marcação de grandes penalidades, mas o jogo foi muito mais do que uma vitória
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Á há uns anos que Itália e Espanha não fazem grandes brilharetes nas competições internacionais. Os italianos não se qualificaram para o último Mundial e os espanhóis foram eliminados pela Rússia nos oitavos de final. No Euro de 2016, defrontaram-se com a Itália a levar a melhor, mas sem fazer muito mais a partir daí. Em 2021, a história agora é outra. Em dia de final antecipada em Wembley, o jogo foi equilibrado e com os dois gigantes europeus a não colocarem um pé em falso. Espanha aparentava ter mais bola, mas o tempo com que
ambas controlavam o esférico parecia sempre curto devido à eficácia da pressão contrária. Apesar disto, Luis Enrique surpreendeu quando não colocou nenhum ponta de lança no onze inicial. O treinador estudou a agressividade com que Verratti e Barella se distanciam de Jorginho no meio-campo italiano. Para atacar esta fragilidade, Enrique colocou em campo Dani Olmo, que praticamente fez de quarto médio e deu aos espanhóis superioridade numérica na zona média do terreno. Para contrastar este aspecto, Roberto Mancini continuou a soltar na mesma os seus centro campistas numa pressão
“Causaram-nos problemas com essa mudança (jogar sem um avançado de início), mas conseguimos organizar-nos e não arriscámos muito. Sabíamos que a Espanha ia ter bola desde o início, mas tivemos de nos ajustar e lutar muito.” ROBERTO MANCINI SELECCIONADOR DE ITÁLIA
alta, mas colocou o central Bonucci mais à frente da linha defensiva para tapar os movimentos de Olmo. O médio espanhol ganhava espaço no meio devido à capacidade com que Koke e Pedri conseguiam arrastar Verratti e Barella para fora das suas posições centrais em direcção às alas, abrindo assim espaço no miolo do terreno. Com o desequilíbrio feito, os pupilos de Enrique quando tinham a bola procuravam rodá-la o mais depressa possível para o lado contrário. A pressão italiana era activada, quando a bola chegava aos alas de Espanha. Com isto, Emerson, lateral esquerdo de Itália, pressionava o lateral direito Azpilicueta mas quando o fazia deixava Chiellini sozinho contra Oyarzabal. A saída da bola do lado direito espanhol, que evitava a pressão transalpina quando o esférico chegava a Olmo ou a Pedri e depois a Oyarzabal numa situação de 1v1, foi um dos planos bem-sucedidos da equipa de Luis Enrique. Também as tropas de Mancini mostraram estar à altura de um bom ataque posicional, apesar de alguns obstáculos. A saída de bola entre os centrais e o lateral direito continuava, mas Itália tinha mais dificuldade em fazer chegar a bola aos seus médios, fruto da
bem executada pressão dos espanhóis. Como plano B, os italianos procuravam o ataque à profundidade através de passes para Immobile ou Chiesa, devido ao facto de a linha defensiva espanhola estar muito subida. Na segunda parte, os italianos, arranjaram mais espaço em contra-ataque quando Insigne e Chiesa tinham metros para correr. Foi assim que surgiu o primeiro golo do jogo, marcado pelo extremo da Juventus aos 60 minutos depois de um remate
“Fomos superiores e não ganhámos antes dos penáltis por detalhes. Depois de nove anos de uma travessia no deserto, a Espanha voltou. Houve uma equipa que tentou mais do que a outra.” LUIS ENRIQUE SELECCIONADOR DE ESPANHA
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Calcanhar de Aquiles Euro já teve 43 lesões em 48 jogos
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que deixou o guardião espanhol preso ao chão. Porém, a resposta de Espanha só chegou aos 80 minutos por Morata e depois de uma grande jogada. Com tudo empatado foi necessário prolongamento e aqui, tal como na segunda parte, os centrais de Espanha tiveram mais bola nos pés devido ao bloco mais baixo de Itália. Apesar de algumas oportunidades espanholas falhadas, o jogo foi mesmo decidido nos penáltis. Jorginho marcou o derradeiro castigo máximo depois de três penáltis desperdiçados no total.
Caminho traçado
Sobre a final alcançada, Mancini elogiou as dificuldades impostas pelo adversário. “Causaram-nos problemas com essa mudança (jogar sem um avançado de início), mas conseguimos organizar-nos e não arriscámos muito. Sabíamos que a Espanha ia ter bola desde o início, mas tivemos de nos ajustar e lutar muito.”, começou por referir o treinador finalista. O técnico azzurri debruçou-se também sobre o percurso da sua equipa. “Os penáltis são cruéis. A Espanha é uma grande equipa e jogou muito bem. Nós não jogámos como é habitual, mas lutámos muito. O cré-
dito vai todo para os meus rapazes, porque há três anos que acreditaram nisto. Mas ainda não acabou.”. Do outro lado, Luis Enrique achou que a sua equipa merecia mais. “Fomos superiores e não ganhámos antes dos penáltis por detalhes. Depois de nove anos de uma travessia no deserto, a Espanha voltou. Houve uma equipa que tentou mais do que a outra.”, confessou o treinador espanhol deixando também elogios aos seus jogadores. “Nos penáltis disse que não se preocupassem caso falhassem. O Dani Olmo fez um jogo sensacional. Mas alguém viu o que fez o Pedri, um menino de 18 anos? Nunca vi nada assim, nem do Iniesta.”
OM o desmaio de Christian Eriksen, logo no início do Euro, muitas outras selecções, além da Dinamarca, têm perdido jogadores devido a lesões e à covid-19. Não havendo grande tempo para recuperação, porque a distância entre jogos é relativamente curta, e com a ameaça do vírus que causou uma pandemia a pairar sobre jogadores, treinadores e adeptos, as mazelas parecem não ter fim neste torneio. Segundo o jornal AS, nos 48 jogos disputados na competição 43 jogadores saíram lesionados - convém informar que, para a UEFA, a covid-19 é considerada lesão. O golpe mais recente, deu-se durante o jogo dos quartos de final entre Itália e Bélgica, quando o lateral
MELHORES MARCADORES CRISTIANO RONALDO
5 GOLOS
PATRIK SCHICK
5 GOLOS
KARIM BENZEMA
4 GOLOS
EMIL FORSBERG
4 GOLOS
Leonardo Spinazzola, num sprint, rompeu o tendão de Aquiles. O jogador italiano da Roma tem pela frente um período de recuperação de cerca de 6 meses. Após o mesmo jogo, o médio belga Kevin De Bruyne admitiu ter entrado na partida sem estar a 100 por cento. “Foi um milagre ter jogado porque havia dano no meu tornozelo. Um rompimento nos ligamentos. Mas senti a responsabilidade de jogar pelo meu país.”. Já quanto à covid-19, Sergio Busquets foi dos primeiros jogadores a acusar positivo ainda antes do Euro começar e descreveu assim a experiência. “Aqueles 10 dias foram difíceis porque eu só queria estar no Euro, sabendo que pode ser o meu último.”, confessou o médio espanhol.
ASSISTÊNCIAS STEVEN ZUBER
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PIERRE HÖJBJERG
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LUKE SHAW
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DANI OLMO
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MÜLLER CRÍTICA ESTRATÉGIA DE JOACHIM LÖW
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saída prematura da ex-campeã mundial de 2014 do Euro continua a fazer correr tinta. Contudo, na Alemanha não se está a festejar o triunfo da Inglaterra sobre a Mannschaft por 2-0, a contar para os oitavos de final da competição. Para os alemães, nomeadamente Thomas Müller, a derrota não foi ainda digerida e há dedos a apontar. “Faltou-nos eficácia nos dois lados do campo. Fracassámos
porque concentrámo-nos em não sofrer golos e optámos por uma estratégia defensiva mais passiva e centrada na solidez.”, começou por referir o avançado do Bayern de Munique. Descontente com o plano de Joachim Löw, Müller mencionou as várias falhas da equipa alemã, cujo único triunfo da competição europeia de selecções foi contra Portugal e por 4-2, que já vêm de trás. A Alemanha
já no último Mundial ficou pela fase de grupos e não mostrou muitas melhorias em 2021, mesmo tendo chegado mais longe do que em 2018. Para o veterano jogador alemão, nunca faltou qualidade à equipa germânica. “O plantel que eu encontrei pela frente tinha qualidade, garra e ética de trabalho, qualidades necessárias para retornar aos êxitos do passado.”, concluiu.
10 eventos
ORQUESTRA CHINESA FIM DA TEMPORADA COM “HERANÇA, DESENVOLVIMENTO”
Cereja no topo do bolo “Herança, Desenvolvimento” - 100 Anos de Música Chinesa é o nome do espectáculo que vai encerrar a temporada 2020/2021 da Orquestra Chinesa de Macau. O concerto, marcado para o dia 30 de Julho, terá lugar no grande auditório do Centro Cultural
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STÃO à venda os bilhetes para o concerto de encerramento da temporada 2020/2021 da Orquestra Chinesa de Macau. O espectáculo realiza-se no dia 30 de Julho, uma sexta-feira, às 20h no grande auditório do Centro Cultural de Macau. “Herança, Desenvolvimento” - 100 Anos de Música Chinesa fecha com chave de ouro um ano complicado para qualquer orquestra do mundo. Sob a batuta do director musical e maestro principal Liu Sha, este concerto leva ao palco do centro cultural a experiência de uma música consagrada e a vivacidade de uma jovem estrela emergente na interpretação de instrumentos tradicionais chineses. Assim sendo, a orquestra encerrada a temporada com um nome maior huqin, Jiang Kemei. Com um currículo que inclui a direcção da Orquestra Chinesa de Radiodifusão da China, mestre no Conservatório Central de Música e directora da Orquestra Nacional Chinesa, Jiang Kemei é um vulto dos instrumentos de cordas tradicionais. A sua abordagem ao huqin trouxe inovação e elegância acrescida ao clássico instrumento, além da graciosidade que esbanja durante as suas performances
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ao vivo, elevando o requinte do legado clássico. No capítulo do “desenvolvimento”, o maestro Liu Sha irá dirigir a jovem Wang Yuje no yangqin, um instrumento clássico de corda percutidas. Nesta confluência geracional, o Instituto Cultural (IC) afirma que “com estas instrumentistas emergentes e de renome reunidas no concerto, os aficionados podem desfrutar do legado e do desenvolvimento da música chinesa e passar um serão inesquecível”.
Desenho sonoro
O concerto de fim de temporada vai contar no reportório com a apresentação de uma obra encomendada a um jovem compositor, nascido na década de 1990, Li Bochan. O nome da obra é “Esboço de Macau”,
uma peça orquestral que “tem como pano de fundo as culturas inclusivas de Macau, retratando o espírito humanista de Macau através de uma melodia fluente”, descreve o IC.
“Com estas instrumentistas emergentes e de renome reunidas no concerto, os aficionados podem desfrutar do legado e do desenvolvimento da música chinesa e passar um serão inesquecível.” INSTITUTO CULTURAL
A vez de Jiang Kemei pegar no huqin será na apresentação do concerto para Banhu “Impromptu”, de autoria do compositor Wang Danhong, que expressam as características da ópera tradicional local de Shanxi, Bangzi. A intérprete terá a seu cargo também a peça Banhu e Ensemble “Flor Vermelha de Pessegueiro” de autoria da própria Jiang Kemei e Shen Dan, uma peça que promete trazer para o centro cultural “o encanto artístico da ópera Laoqiang de Huayin”. Neste concerto, Wang Yujue irá interpretar o Concerto para Yangqin N.º 2 “Harmonia” de Zhang Chao. Os bilhetes estão à venda desde terça-feira e custam 200, 160, 140 e 120 patacas. O concerto tem duração de cerca de 1 hora e 30 minutos, incluindo um intervalo. João Luz
Super BOK em cena
Festival vai celebrar teatro experimental com mais de 100 actividades
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NTRE 31 de Julho e 8 de Agosto, o teatro experimental terá como epicentros locais a freguesia de São Lázaro e a Centro de Arte Contemporânea de Macau - Oficinas Navais N.º 2, em mais uma edição do BOK Festival, evento organizado pelas associações Own Theatre, Macau Experimental Theatre e MyLand Culture. O BOK Festival começou em 2013 fruto do sonho e do trabalho de associações privadas, tornando-se num evento bienal dedicado ao experimentalismo e à expressividade artística não constrita conceptualmente. Este ano, o tema do festival é ‘Demo for Mary’, que representa a ideia de que a música liga todas as peças da programação num cruzamento de diversas formas de performance. O evento será dividido em dois momentos. O primeiro e mais recheado é o BOK Movement, que consiste em actuações de “seis unidades artísticas multidisciplinares” de Macau, Pequim, Xangai e Japão. Uma das performances, intitulada “There is no day as usual”, será interpretada no Centro de Arte Contemporânea de Macau - Oficinas Navais n.º 2 nos dias 4 e 5 de Agosto, às 19h30. Da autoria de Iat U Hong, Akitsugu Fukushima e Ivan Wing, a actuação tem como pano de fundo o conceito da música ambiente num contexto que se aproxima da ideia de concerto que musica um dia normal, “como outro qualquer”, descreve a organização do evento. Baseado na sinergia criada no anterior BOK, de 2019, Iat U Hong volta a colaborar com o guitarrista japonês Akitsugu Fukushima e o baterista Ivan Wing. O trio pretende levar o público a “examinar o quotidiano normal”, através de sonoridades evocativas do imaginário do cinema. Outro dos destaques será “After Party”, uma mistura entre djset, com Zarah responsável pelas batidas, e show visual multimédia. Este espectáculo segue-se a “There is no day as usual”, no mesmo local e dias, às 21h30.
São Lázaro reerguido
Jiang Kemei
Wang Yujue
Como se estivesse a sair da cova, de regresso à vida, o BOK Festival volta a transferir sangue novo no bairro de São Lázaro, com eventos marcados para a Calçada da Igreja de São Lázaro, o Albergue SCM e o Armazém do Boi na Rua do Volong. Entre os dias 31 de Julho e 3 de Agosto, das 11h às 22h, o Albergue terá uma atracção original que usa a realidade virtual para simular durante 20 minutos um mundo de dança. A instalação multimédia chama-se “Or Bit”, realizada pelo artista de Xangai Daming Zhang, coreografada por Fan Jiang, que também dança com Ge Lu. Para usufruir da experiência, o público (três pessoas de cada vez) equipado com óculos de realidade virtual, embarca numa viagem de exploração do corpo e J.L. da linguagem.
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“Cortar os pés para ajustá-los aos sapatos não levará a lugar nenhum”, disse Xi Jinping, que recusa a imposição de um modelo único para todos
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O discursar na Cimeira do PCC e Partidos Políticos do Mundo via videoconferência em Beijing, na terça-feira, o líder chinês, Xi Jinping, pediu aos partidos políticos no mundo que assumam a sua responsabilidade pela procura do bem-estar das pessoas e o progresso da humanidade. Xi, secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e presidente chinês, pediu também aos partidos políticos que fortaleçam a cooperação para lidar com os desafios globais, incluindo a pandemia da COVID-19, desigualdade, terrorismo e a mudança climática. Xi criticou as práticas de bloqueio da tecnologia, politização da pandemia, "manipulação política para fins de sabotar o desenvolvimento de outros países", e práticas de "procurar a hegemonia por meios da política de grupo". A cimeira, que reuniu líderes de mais de 500 partidos e organizações políticos de mais de 160 países, foi convocada quando a sociedade humana "se encontra mais uma vez numa encruzilhada histórica" que pode conduzir ao confronto hostil ou ao respeito mútuo, à seclusão e isolacionismo ou abertura e cooperação, jogo de soma zero ou de ganhos recíprocos. "A escolha está nas nossas mãos e a responsabilidade cai nos nossos ombros", disse Xi aos líderes partidários.
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XI PEDE AOS PARTIDOS POLÍTICOS QUE ASSUMAM AS SUAS RESPONSABILIDADES
Os pés e os sapatos "Com um forte sentimento de responsabilidade pelo futuro de toda a humanidade, precisamos defender os valores comuns da humanidade, fomentar uma tolerância de mente aberta em relação à compreensão dos valores de diferentes civilizações e respeitar as experiências de diferentes povos para transformar tais valores em realidade", afirmou Xi. “Os partidos políticos precisam assumir a responsabilidade para promover o desenvolvimento trazendo maiores benefícios para todos os povos de uma maneira mais justa”, disse Xi.
Indicando que todos os países e nações têm igual direito às oportunidades e direitos de desenvolvimento, Xi referiu que “os partidos políticos devem enfrentar com sinceridade os principais problemas, como disparidade de riqueza e divisão de desenvolvimento, com a atenção e o cuidado particulares dados aos países e regiões subdesenvolvidos e pessoas carentes”.
Pedindo mais cooperação na abordagem dos riscos e desafios globais, Xi disse que, face à pandemia, os partidos políticos devem trabalhar juntos para estreitar a "disparidade de imunização" e devem-se opor à prática de politizar a pandemia ou de anexar um rótulo geográfico ao vírus. "O julgamento sobre se um país é ou não democrático
“Devemo-nos opor à prática do unilateralismo disfarçado de multilateralismo e dizer não à hegemonia e à política de poder”
Responsabilidade dos partidos
“Os partidos políticos, como uma importante força por trás do progresso humano, precisam estabelecer o curso correcto e assumir a responsabilidade histórica de garantir o bem-estar das pessoas e procurar o progresso da humanidade”, disse Xi.
deve ser feito por seu povo, não por alguns outros", disse.
Contribuições para o mundo
“É o objetivo inabalável do PCC administrar bem a casa da China, garantir uma vida feliz para os mais de 1,4 mil milhões de chineses e promover a paz e o desenvolvimento para toda a humanidade”, disse ainda Xi. “O PCC unirá e liderará o povo chinês na promoção da modernização do estilo chinês para fazer novas contribuições para a busca da humanidade por meios de modernização. Não existe um modelo fixo para o caminho da modernização, e o caminho que se adapte a um país será o que o serve bem, afirmou o presidente. "Cortar os pés para ajustá-los aos sapatos não levará a lugar nenhum", concluiu. Desde o 18º Congresso Nacional do PCC, todos os 98,99 milhões de moradores rurais que viviam abaixo da actual linha da pobreza na China foram tirados da pobreza, possibilitando ao país alcançar a meta estabelecida na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU 10 anos antes do programado. “O PCC está disposto a contribuir com mais soluções e força da China para o processo de redução da pobreza em todo o mundo”, disse Xi. “O país não poupará esforços para apoiar a cooperação internacional contra a COVID-19 e promover a acessibilidade e a disponibilidade das vacinas nos países em desenvolvimento, e contribuir mais para a luta global contra a mudança climática”, acrescentou. Xi disse que o PCC melhorará activamente a governação global para dar novas contribuições para a resposta conjunta da humanidade aos desafios comuns. "Devemo-nos opor à prática do unilateralismo disfarçado de multilateralismo e dizer não à hegemonia e à política de poder", disse Xi. "A China nunca buscará hegemonia, expansão nem esfera de influência", acrescentou.
ALFÂNDEGA CONFISCADAS 2,2 TONELADAS DE ESCAMAS DE PANGOLIM NA FRONTEIRA COM O VIETNAME
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S autoridades alfandegárias do sul da China desmantelaram uma organização contrabandista envolvida no tráfico de espécies protegidas e apreenderam 2,2 toneladas de escamas de pangolim, informou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua.
Na sequência daquela operação, na Região Autónoma de Guangxi, foram presos dois suspeitos, que teriam aproveitado a localização da região, que faz fronteira com o Vietname, para comprar escamas no país vizinho e contrabandear para a China, informou a
Xinhua, acrescentando que o caso ainda está sob investigação. As autoridades chinesas redobraram os seus esforços, desde o ano passado, para erradicar o comércio e o consumo de animais selvagens, ambos proibidos por Pequim após
o novo coronavírus surgir em Wuhan. Alguns especialistas sugerem que as quintas que criam animais selvagens podem ser a origem do coronavírus. Peter Daszak, membro da delegação da Organização Mundial da Saúde
(OMS), que investigou a origem da pandemia na China, no início deste ano, declarou em Março que a rota mais provável de transmissão do vírus seria a partir de morcegos para algum animal selvagem, criado em cativeiro no sul da China, e finalmente
para o ser humano. No ano passado, a China listou os pangolins entre os animais protegidos de primeira categoria. O pangolim é consumido pelas suas supostas propriedades curativas, destacadas pela medicina tradicional chinesa.
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retrovisor
LUÍS CARMELO
Levanta-se diante da janela e do outro lado os flocos de neve têm a dimensão de mastros de alto bordo, galeões orbiculares a caírem sem cessar do céu avermelhado. A rua desvanece-se e nas fachadas aparecem rostos apertados entre as cortinas a contemplarem o rasto que o início da noite lhes devolve. As lanternas dos candeeiros baloiçam fortemente, uma delas solta-se dos fios e despenha-se. O rosto que aparece na janela da frente pertence a Erik que não desiste de procurar o local exacto onde a lanterna terá caído. Em vão. Hoje, todo prédio que se desmoronasse esvair-se-ia e com ele toda a história, toda a memória. Apesar disso, Erik lembrar-se-á estranhamente do verão passado. Uma mulher, um pinhal e aquelas imagens sem figuras que descem por dentro de cada floco de neve. Erik amou-a de tal forma que se apoderou de todos os seus esquecimentos. Só ele tem acesso a todos os factos, situações, objectos, pessoas, paisagens, esquinas ou palavras que ela, um dia, esqueceu. A noite é de um temporal tão ameaçador que, não obstante, desperta em Erik a vontade de percorrer os dois mil quilômetros que o separam dessa mulher. A silhueta que na fachada da frente observa os passos do jovem holandês volta a sentarse, mas sem nunca abandonar a tempestade que enche a escuridão do céu de lés a lés com flocos maiores do que telhas, centelhas esbranquiçadas que despregam a construção da noite. Sobre a mesa coloca um plástico azul cortado à medida e é nos limites desta capa - tão parecida com um oceano domesticado - que seguirá os percursos de Erik. O tempo que irá passar é o das formigas que reatam sempre o mesmo trajecto, sem
ERIK LEMBRAR-SE-Á ESTRANHAMENTE DO VERÃO PASSADO. UMA MULHER, UM PINHAL E AQUELAS IMAGENS SEM FIGURAS QUE DESCEM POR DENTRO DE CADA FLOCO DE NEVE. ERIK AMOU-A DE TAL FORMA QUE SE APODEROU DE TODOS OS SEUS ESQUECIMENTOS
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Cortejo que, pelo menos aparentemente, o questionem. O mais grave de tudo é que, entre o muito que sabe, Erik está agora ciente de que ela o esqueceu. Também ele faz parte da longa lista de esquecimentos dessa mulher, chamemos-lhe Laura. O esquecimento é um potente glaciar que não escorre do mesmo modo ao longo do seu curso. Por isso Erik parte em viagem para tentar alterar a ordem das coisas. Surge agora numa praia a calcorrear a beira-mar em passo largo, cada pegada é um véu que se rompe ou o corpo ideal que avidamente procura. Junto à arriba que avança em desfiladeiro até ao pequeno cabo, vê desenhados na areia os contornos precisos de Laura: os cabelos gravados em espinha sobre os volteios da cintura e o vinco que define a boca virado para os pés que deslizam sobre a sua própria invisibilidade. Toda a imagem contradita a sua enorme presença. Com a máquina de escrever assente no plástico azul, a silhueta hesita entre seguir a tempestade que ainda se abate sobre a janela ou tocar com os dedos nas assimetrias do teclado. Em ambos os planos, Erik cansa-se de procurar a sua amada e, numa das muitas noites da sua demorada estadia em Portugal, sonha com um sem número de figuras - iguais à que viu desenhadas na areia - a desembarcarem na praia. Entre elas distingue-se um rei com a cabeça cheia de grinaldas que se diz hermafrodita. Tal como Laura, esse excêntrico rei anda lentamente e de cabeça baixa como que à procura de algum sinal, primeiro na areia e depois já em terra firme. Talvez a atenção o atraia às flores amarelas do centauro das areias, aos goivos violetas das dunas ou apenas às orquídeas silvestres que são brancas como a neve do grande temporal. Sem conseguir deter a roda do mundo, Erik regressa. Chegado aos Pirenéus, já a meio da viagem, olha na direcção daquele litoral distante e, pela primeira vez, desvenda o corpo concreto de Laura. Traz um vestido preto e em vez de cabeça tem um vaso onde alguém pintou um rei amarrado ao mastro duma barca a ouvir duas sereias que tocam a mesma lira. De cada lado do rei, um animal marinho faz sombra sobre a paisagem aquática do fundo. O vaso não permite ver os demais tripulantes, apenas o castelo da proa e o vasto oceano plastificado a recortar o horizonte do mundo que agora tem a forma de uma mesa ainda virada para o grande nevão. Todo o esquecimento contradita uma ausência maior.
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SÉRIE HOJE
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9 4 1 2 7 6 0 5 8 3
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3 2 4 1 5 0 6 7 9 8 9 1 8 5 0 2 4 6 7 5 7 0 4 8 2 9 3 1 6 5 7 3 9 1 8 6 4 2 1 6 8 9 3 7 4 2 5 0 2 6 0 4 7 3 5 9 8 9 8 2 3 1 5 7 6 0 4 4 3 9 8 6 1 7 2 0 Direcção dos Serviços de Finanças 4 5 1 0 2 6 8 9 3 7 Anúncio 7 4 5 0 3 9 2 8 1 - Concurso Público nº 8/CP/DSF-DGP/20216 3 7 5 9 4 0 8 2 1 6 0 2 3 8 5 1 7 4 Objectivo: Fornecimento de artigos ecológicos aos serviços e organismos do sector público administrativo da RAEM durante o ano de 2022. 7 0 9 2 6 8 1 5 4 3 0 8 1 2 4 6 9 3 5 Entidade adjudicante: Secretário 2 1para6a Economia 7 0e Finanças 9 3 4 8 5 1 2 6 7 9 4 0 5 3 Entidade onde decorre o processo do concurso: 8 9dos Serviços 3 6de Finanças 4 1 5 0 7 2 3 5 7 6 2 0 8 1 9 Direcção Prazo 0 e local 4 de5entrega 8 das7propostas: 3 2 1 6 9 8 9 4 1 5 7 3 0 6 Dia 30 de Julho de 2021, até às 17:30 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças”, Departamento de Gestão Patrimonial – 8º andar – sala nº 810
Caução Provisória: Valor: Dez mil patacas (MOP$10.000,00) Modo de prestação: garantia bancária ou depósito em numerário: - para prestação mediante garantia bancária, deve apresentar documento conforme o modelo constante do ANEXO IV do programa do concurso; - para prestação através de depósito em numerário, deve ser solicitada a respectiva guia de depósito no Departamento de Gestão Patrimonial destes Serviços e posteriormente proceder ao depósito no banco indicado.
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C I N E M A
WIDOW [B] 5BLACK Um filme de: Cate Shortland Com: Scarlett Johansson, Florence Pugh, Weisz, David Harbour 3 14.00,Rachel 16.30, 19.00 7PETER RABBIT 2: RUNAWAY [B] 0THE FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Will Gluck Rose Byrne, Domhnal Gleeson 9Com: 14.30, 19.30 PLACE PART II [C] 8AUmQUIT filme de: John Krasinski 6 2 1 4 SALA 2
1.23
Com: Emily Blunt, Noah Jupe, Millicent Simmonds 16.30, 21.30 SALA 3
LUCA [A]
FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Enrico Casarosa 14.30, 16.30, 19.30
THE ICE ROAD [B]
Um filme de: Johnathan Hensleigh Com: Liam Neeson Holt McCallany, Laurence Fishburne 21.30
3 1 0 2 8 9 1 4 6 5 3 7 7 0 4 6 1 8 3 5 7 2 9 0 2 9 5 7 9 1 2 0 3 4 6 8 8 4 3 5 7 0 9 6 4 8 2 1 THE ICE ROAD 6 2 9 0 1 3 6 9 0 5 7 8 2 1 4 3 4 6 2 9 5 7 1 3 2 4 8 7 5 9 0 6 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos José Editores 3 8 7 4 6 5 2 Morais 8 4 3 6 João 1 Luz;0José7C. Mendes 5 9Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo Inês Oliveira; 7 9M.Tavares; 1 3Gonçalo 0 Waddington; 2 8 João 1 Paulo 5 2Cotrim;0 José3Simões 9 Morais; 6 7Luis4Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; 1 Rasquinho; 4 6 7Paul 9 4dos3Santos 6 Grafismo 5 9Paulo 1 Borges, 0 8Rómulo 2 Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; Olavo Chan 8 Wai Chi; Paula Bicho;7Tânia GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 5 0Morada 8 Pátio 1 da4Sé, 6n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, 9 0Macau; 6 Telefone 7 428752401 2 8Fax 28752405; 3 1 5e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo Welfare
Data e local de Entrega das amostras: Dia 12 de Outubro de 2021 Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave
TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo
SALA 1
YUAN
10
Data, hora e local de Abertura do concurso: Dia 2 de Agosto de 2021, às 10:00 horas Avenida da Praia Grande, nºs 575, 579 e 585, Edf. “Finanças” – Auditório da Cave
Assine-o
0.24
Consulta do Programa do Concurso, do Caderno de Encargos e da Relação dos artigos a adquirir: - Durante o horário normal de expediente, na Sala nº 810 do Departamento de Gestão Patrimonial (8º andar) do Edf. “Finanças”. Preço das cópias dos referidos documentos e respectivo suporte informático: Cinquenta patacas (MOP$50,00); ou por - Descarregamento gratuito na página electrónica da DSF (website: http://www.dsf.gov.mo) Critérios de adjudicação: O prazo e as condições de fornecimento de cada produto, neste concurso são definidos no programa do concurso, e a adjudicação de cada fornecimento é feita segundo os seguintes parâmetros e percentagens: a) Preço – 40% b) Qualidade do produto a fornecer – 45% c) Qualidade dos produtos, idêntica, aos fornecidos nos últimos 3 anos – 15%
3 0 1 5 6 9 7 8 4 2
Anúncio Faz-se saber que no concurso público n.o 18/P/21 para a «Prestação de Serviços de Lavagem e Engomagem aos Serviços de Saúde», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 24, II Série, de 16 de Junho de 2021, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 3.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, e também estão disponíveis na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 1 de Julho de 2021
Tempestade: Em caso de encerramento destes Serviços por motivos de tempestade ou outras causas de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora de abertura das propostas, inicialmente estabelecidos, serão alterados de acordo com os pontos nºs 5.6.2 e 7.1. do programa do concurso. O Director dos Serviços Iong Kong Leong
O Director dos Serviços de Saúde, Substituto Cheang Seng Ip
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perspectivas
Jorge Rodrigues Simão
O SUCESSO DO PARTIDO COMUNISTA CHINÊS “In accordance with the principle of Marxism, the economy is the foundation of all kinds of development. Therefore, as long as economic development is achieved, society will be relatively stable and the legitimacy of CCP governance will be strengthened.” Mu Chunshan
DESDE O início da civilização humana, a humanidade tem procurado a melhor forma de governo. Durante milhares de anos, os nossos sistemas políticos evoluíram constantemente com a mudança dos valores políticos e o progresso das civilizações humanas, até ao final dos anos de 1980 quando se afirmou que esta evolução tinha chegado ao fim. O colapso dos regimes comunistas na Europa de Leste e na União Soviética parecia marcar o golpe de misericórdia do comunismo e sugerir a superioridade da democracia liberal ocidental. Desde então, a democracia liberal ocidental tem sido reivindicada como "o ponto final da evolução ideológica da humanidade" e "a forma final do governo humano". Parecia que, mais cedo ou mais tarde, a democracia liberal ocidental, o chamado "melhor" sistema político e a "última" conquista da humanidade iria derrotar todas as outras formas de sistemas políticos (de qualidade inferior) e tornar-se a única forma de governo no mundo. Pelo contrário, a sua resiliência tem colocado desafios sem precedentes ao domínio esmagador da democracia ocidental. Agora, mais de trinta anos após a queda do comunismo na Europa Oriental e na União Soviética, o partido comunista na China tem colocado um forte desafio à democracia liberal ocidental. Em vez de cair, como muitos esperavam durante décadas, o Partido Comunista Chinês (PCC) realizou um milagre económico notável além de um controlo inimaginável sobre a COVID-19. Em 2011, a China ultrapassou oficialmente o Japão para se tornar a segunda maior economia do mundo. Com uma taxa de crescimento anual do PIB superior a 7 por cento, espera-se que a China se torne a maior economia mundial dentro de uma década. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a China tinha, em 2014, substituído os Estados Unidos para se tornar a maior economia do mundo. Agora, mais do que nunca, o mundo tem-se interrogado se ou mesmo quando é que a China irá liderar o mundo. A 1 de Julho de 2021, o PCC celebrou 100 anos desde a sua fundação com uma série de eventos públicos destinados a legitimar o domínio do partido sobre a China e a autoridade absoluta do seu líder, o Presidente Xi Jinping. O regime comunista da China atribui grande valor simbólico aos aniversários, pelo que o centenário é considerado uma data extremamente importante, e uma ocasião cuidadosamente preparada para recordar ao país e ao mundo as realizações do regime e durante
uma cerimónia maciça diante de mais de setenta mil pessoas em Pequim, o Presidente Xi disse que nada podia deter a ascensão da China e que "só o socialismo pode salvar" o país. Sendo a única força política que governa com autoridade a segunda maior potência mundial, o PCC é sem dúvida o partido político mais poderoso do mundo, e a sua permanência no poder desde 1949 até ao presente tem desmentido e surpreendido muitos peritos ocidentais que ao longo das décadas previram o seu colapso. Hoje, todos acreditam que o poder do partido é sólido, graças a uma mistura de adaptabilidade, preparação e legitimidade por parte da liderança comunista, que aprendeu a equilibrar a autoridade com os benefícios derivados do crescimento económico excepcional. O sucesso do Partido Comunista também foi reconhecido no estrangeiro. Para os Estados Unidos e o Ocidente, por exemplo, a China tornou-se não só um adversário estratégico, mas também um adversário ideológico, pois o modelo de governo apresentado pelo partido apareceu tão eficiente nos últimos anos que Joe Biden, o presidente americano, disse recentemente que o sucesso da China levou o mundo a perguntar "se as democracias são capazes de competir". De muitas maneiras, então, os membros do PCC poderiam celebrar o aniversário com satisfação. Mas apesar disso, o Partido nunca deixou de governar a China, com uma mistura de optimismo, preocupação e ansiedade. O Presidente Xi Jinping, desde que chegou ao poder, forçou o aparelho do Partido a estudar o colapso da União Soviética, nos anos de 1990, para evitar cometer os mesmos erros. O PCC não foi realmente fundado a 1 de Julho de há cem anos. Esta data convencional foi escolhida nos anos de 1940 do século XX, mas a maioria dos historiadores concorda que a reunião secreta em que o Partido foi fundado teve lugar a 23 de Julho desse ano, numa casa da Concessão Francesa em Xangai, a área da cidade dominada pelos colonialistas franceses (nessa altura várias potências ocidentais tinham dividido a cidade, ocupando grandes áreas). O encontro contou com a participação de menos de quinze pessoas, incluindo o jovem Mao Tse Tung, que em poucos anos se tornou o líder indiscutível do Partido. Em 1921 o Partido Comunista tinha apenas cerca de cinquenta membros, mas rapidamente cresceu e tornou-se uma ameaça para o Kuomintang, o partido nacionalista presidido por Chiang Kai-shek, que então governava a China. A rivalidade entre os dois partidos transformou-se numa guerra civil em 1927, durante a qual o Partido Comunista se viu à beira de poder ser destruido. Em 1934 veio a Longa Marcha, uma retirada maciça das forças comunistas lideradas por Mao, que ao longo de vários meses viajou nove mil quilómetros a
pé para retirar-se ao exército do Kuomintang. A Longa Marcha é considerada como um acto de coragem excepcional. A guerra civil foi interrompida pela invasão da China pelo Japão em 1937, e pelo início da II Guerra Mundial em 1939, quando o Partido Comunista e o Kuomintang se aliaram para contrariar a invasão japonesa. Os conflitos civis recomeçaram após o fim da II Guerra Mundial em 1945, e as forças do Kuomintang, enfraquecidas pela guerra com os japoneses e desencorajadas pelo regime corrupto e ineficiente de Chiang Kai-shek, foram incapazes de responder ao avanço comunista, embora fossem apoiadas pelos Estados Unidos. Em 1949 os comunistas entraram em Pequim, e a 1 de Outubro Mao anunciou a fundação da República Popular da China, enquanto Chiang Kai-shek e o que restava das forças nacionalistas fugiram para Taiwan. O período entre 1949 e a morte de Mao em 1976 foi marcado por uma enorme mudança. O Partido Comunista consolidou o seu poder sobre toda a China excepto Taiwan, mas sob a liderança de Mao existiram dois funestos períodos que foi o Grande Salto em Frente de 1958, tendo-se registado uma das maiores fomes da história e a Revolução Cultural de 1966. Após a morte de Mao, o líder mais importante do Partido Comunista (e da China como a conhecemos) foi Deng Xiaoping, que alcançou dois resultados importantes no espaço de poucos anos pois a partir de 1979, reformou gradualmente a economia chinesa para a abrir ao mercado e ao livre empreendimento, lançando as bases para o crescimento económico excepcional das décadas seguintes, que tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza e também reformou o Partido para evitar desastres e instabilidade. Pôs fim ao governo absoluto de Mao, tornando a gestão do Partido mais colegial; impôs um limite de dois mandatos e cinco anos aos cargos de presidente da China e secretário-geral do Partido (tradicionalmente ocupado pela mesma pessoa, indicando a identificação
“O povo chinês, não só tem sido bom a destruir o velho mundo, mas também a construir um novo.“ XI JINPING PRESIDENTE DA CHINA
entre o Partido e o Estado); e eliminou o culto à personalidade que Mao tinha cultivado até à sua morte. O principal sucesso de Deng foi ter conseguido criar um novo pacto social entre o Partido Comunista e o povo chinês, segundo o qual o Partido garantiria o crescimento económico e a prosperidade, bem como um grau crescente de liberdade pessoal, em troca de um controlo absoluto sobre a vida política do país. Os dois sucessores de Deng, Jiang Zemin e Hu Jintao, respeitaram largamente a abordagem dada ao Partido e a estrutura política do país desenvolveu-se a partir de 1979, e inicialmente parecia que Xi Jinping, filho de um proeminente líder comunista que tinha feito a revolução com Mao também iria manter o status quo. Nomeado Secretário-Geral do Partido em 2012 e Presidente da China em 2013, Xi provou ser o líder mais ambicioso e inovador desde Mao e Deng. No início do seu mandato, lançou uma grande campanha anticorrupção que colocou centenas de milhares de pessoas, incluindo muitos membros de alto nível do Partido, sob investigação, e nos anos seguintes limpou algumas das estratégias maoístas que tinham sido abandonadas por Deng. Apertou a disciplina ideológica, forçando os funcionários a sessões contínuas para estudar a teoria comunista, que entre outras coisas tem um forte elemento de revisionismo histórico, enquanto até há poucos anos atrás o debate sobre o legado de Mao era relativamente vivo mesmo dentro da China, e actualmente aqueles que questionam as primeiras três décadas de domínio comunista sobre o país são acusados de "niilismo histórico". O Presidente Xi reavivou o culto da personalidade e limitou a gestão colegial do Partido, que está em grande parte nas suas mãos. Mais importante ainda, em 2018, fez avançar a remoção do limite de dois mandatos para a presidência, sugerindo que permanecerá no poder depois de 2023, quando o seu mandato estiver prestes a terminar. Tendo concentrado o poder dentro do Partido, o Presidente Xi Jinping estendeu a sua influência a numerosos estratos da sociedade como disse num discurso em 2017, "a leste, oeste, sul e norte, o Partido comanda tudo". As empresas públicas voltaram a tornar-se centrais para a economia, e o governo criou gabinetes de controlo político geridos pelo partido na maioria das grandes empresas privadas. Muitos empresários famosos, como o fundador da Alibaba, Jack Ma, só recentemente revelaram que são membros do Partido. O poder do Partido estendeu-se a toda a sociedade sob a vigilância do Presidente Xi Jinping. Sob o domínio do Presidente Xi Jinping, o PCC chega aos 100 anos desde a sua fundação, aparentemente em excelentes condições. Governou a China durante 72 anos, e em dois anos, em 2023, ultrapassará o Partido Comunista da União Soviética como o Partido Comunista com o mais longo mandato no poder.
quinta-feira 8.7.2021
Tem mais de noventa e cinco milhões de membros e não faltam novos recrutas, porque a filiação no Partido é necessária para obter os empregos seguros e bem pagos na função pública e em empresas estatais. O Presidente Xi Jinping ordenou nos últimos anos que a taxa de novas admissões fosse reduzida, para diminuir o número de especuladores. Além disso, várias pesquisas independentes realizadas ao longo dos anos demonstraram que o nível de satisfação das pessoas com a administração pública é bastante elevado, e as grandes celebrações do centenário que começaram há meses com um enorme esforço levou à publicação de filmes patrióticos, à exibição de cartazes, à organização de inúmeras cerimónias públicas e de grandiosos eventos comemorativos transmitidos ao vivo na televisão que deveriam reforçar entre os chineses o sentimento de patriotismo e nacionalismo que o Presidente Xi Jinping cultiva há anos. O segredo da longevidade do partido reside também numa mistura de "resiliência", "adaptabilidade ideológica", e a capacidade de redistribuir os lucros do crescimento económico ao contrário dos partidos dominadores que governaram outros países no passado, o PCC conseguiu conter pelo menos parte da corrupção e não se transformar numa cleptocracia.Apesar disso, o Partido foi capaz de resolver várias contradições perigosas. O Financial Times escreveu que o PCC dirige uma economia sofisticada, de alta tecnologia, animada por energias que teriam sido familiares a Milton Friedman (economista americano considerado
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um dos maiores campeões do mercado livre). Segundo muitos estudiosos, o Presidente Xi Jinping e funcionários do Partido estão convencidos de que o apoio da população não está a mudar e que o contrato social estipulado no tempo de Deng e renovado até hoje é duradouro, porque a adesão do povo chinês ao domínio do Partido Comunista não é ditada pela ideologia ou convicção, mas pelas boas condições de oportunidade económica, prosperidade e autonomia pessoal que o Partido tem conseguido assegurar nas últimas décadas. Só se estas condições falhassem o que não é minimamente previsível, o Partido poderia entrar em colapso. Esta é também a razão pela qual desde que chegou ao poder o Presidente Xi Jinping citou repetidamente a União Soviética. O Presidente Xi despreza Nikita Khrushchev, o líder soviético que iniciou algumas tímidas reformas políticas nos anos de 1960, e especialmente Mikhail Gorbachev, que no final dos anos de 1980 e início dos anos de 1990 introduziu reformas que levaram ao "súbito e retumbante" colapso do Partido Comunista Soviético. O colapso aconteceu porque "ninguém era homem suficiente para se levantar e resistir", disse o Presidente Xi num discurso interno do Partido no início do seu mandato, e é bastante claro que pretende ser esse homem. Da varanda acima da Porta de Tienanmen, onde Mao declarou o início do regime comunista em 1949, o Presidente Xi Jinping abriu as celebrações para assinalar o centésimo aniversário do nascimento do PCC com o sorriso confiante de quem está consciente de que é o
líder vitalício do único poder capaz de assustar os Estados Unidos e de ser o secretário do partido mais poderoso do mundo. O Presidente Xi espancou os "inimigos do povo", tanto internos como externos. Vestido com um fato cinzento "maoísta" e mantendo a sua habitual atitude seráfica, o "Tio Xi", como gosta de ser chamado pelo povo que realmente o teme por causa do seu superpoder e do seu punho de ferro contra a mais pequena forma de dissidência, fez um discurso apologético para com os fundadores do PCC e exaltou o desempenho do “Dragão”, que num século deixou de ser uma criatura pobre e atrasada para passar a ser uma muito rica e moderna. No que diz respeito ao resto do mundo, o Presidente Xi reservou palavras de desprezo como nunca antes o tinha feito. Esta é uma reacção previsível, especialmente após a recente digressão do Secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, com o objectivo de reunir a Europa e todo o Ocidente contra o “Dragão”, mas o Secretário-Presidente acrescentou uma não pequena agressão por esta oportunidade. O líder advertiu que quem tentar intimidar a China "verá derramamento de sangue". No seu discurso de tomada de posse foi o Presidente Xi quem apresentou uma agenda mais arrojada, para o dizer de forma suave, na esfera estrangeira, mas a selecta multidão aplaudida não parecia lembrar-se disso. Afinal de contas, aqueles que participaram na cerimónia fazem parte do estabelecimento e concordam com a linha de pensamento do Presidente Xi. E se não estivessem de acor-
opinião 15
do, não o mostrariam. Durante uma hora, numa linguagem invulgarmente enérgica, o presidente também afirmou que a nação deve respeitar a regra do partido único, enfatizando o papel dos comunistas em trazer a China para a proeminência global. O Presidente Xi, que está a considerar um terceiro mandato como secretário do PCC a partir do próximo ano, recebeu os mais altos aplausos quando disse que o partido tinha restaurado a dignidade da China após décadas de subjugação às potências ocidentais e ao Japão nos séculos XIX e XX. O Presidente Xi afirmaria que “O povo chinês não permitirá absolutamente que qualquer força estrangeira nos oprima ou nos escravize, e quem tentar fazê-lo enfrentará cabeças partidas perante a Grande Muralha de Ferro de 1,4 mil milhões de chineses". O Presidente Xi também garantiu que o partido manterá o controlo absoluto sobre os militares, que agora tem o segundo maior orçamento anual do mundo, depois dos Estados Unidos. "Transformaremos o Exército Popular num exército de classe mundial, com capacidades ainda mais fortes e meios ainda mais fiáveis para salvaguardar a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento da nação". Uma promessa aos chineses, uma ameaça para os povos do resto do mundo. É importante de realçar outras passagens do seu discurso como a de que “O renascimento da China é um processo histórico irreversível assim como o povo chinês acordou e os tempos em que poderiam ser pisados, ou sofrer e ser oprimidos nunca mais voltarão”. "Nunca aviltámos povos de outros países e nunca o faremos, e não permitiremos que forças estrangeiras nos abusem, oprimem ou subjugam". Aqueles que o tentarem fazer "encontrar-se-ão em rota de colisão" com Pequim. A China acolherá sugestões de outras culturas, mas não aceitará "pregações fanáticas" no seu caminho de desenvolvimento. "Vamos assegurar que o desenvolvimento da China permaneça firmemente nas nossas mãos", acrescentou o Presidente XI. Qualquer tentativa de dividir o Partido do povo, advertiu, está condenada ao fracasso pois o PCC está enraizado no povo e representa os interesses fundamentais do povo chinês. O presidente Xi prosseguiu dizendo que resolver a questão de Taiwan e conseguir a reunificação completa da ilha com a China é uma "missão histórica" do PCC. "Ninguém deve subestimar a determinação do povo chinês em defender a sua soberania nacional e integridade territorial", e que "só o socialismo pode salvar a China, e só o socialismo com características chinesas pode desenvolver a China". "O povo chinês, não só tem sido bom a destruir o velho mundo, mas também a construir um novo"; a China conseguiu a construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos.
‘‘A amizade é irmã do amor, mas não na mesma cama.’’ PALAVRA DO DIA
Sophie Arnould
quinta-feira
8.7.2021 episódio 33
O Jogo das Escondidas
China Panda deixa de ser espécie “em perigo” e passa a “vulnerável”
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O Governo chinês declarou ontem que o número de pandas selvagens atingiu os 1.800 exemplares no país asiático, pelo que deixou de ser uma espécie “em perigo” para se tornar “vulnerável”. Cui Shuhong, diretor do Departamento de Proteção Ecológica do Ministério da Ecologia e Meio Ambiente, explicou em conferência de imprensa que as “condições de vida de algumas espécies raras foram melhoradas”, como os ursos panda ou os antílopes tibetanos. O nível “vulnerável” é o quinto na escala de espécies ameaçadas de extinção. Cui também mencionou o aumento da população de outras espécies ameaçadas de extinção, como tigres e leopardos siberianos ou os íbis japoneses. O Fundo Mundial para a Natureza ajustou já o estatuto de ameaça dos pandas, em 2016, para “vulnerável” e declarou que existem 1.864 espécimes no mundo. O habitat natural dos plantígrados está actualmente limitado, de acordo com aquela organização, a seis áreas montanhosas espalhadas pelas províncias chinesas de Sichuan, Shaanxi e Gansu.
Zhejiang Guarda costeira resgata nove baleias
A
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guarda costeira chinesa resgatou nove baleias que ficaram presas nas águas da costa da província de Zhejiang, leste da China, mas não puderam evitar a morte de outras três, informou ontem a imprensa local. Equipas de resgate deslocaram-se para uma praia na cidade de Linhai, na manhã de terça-feira, após serem notificadas que 12 baleias encalhadas foram avistadas na área, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua. No entanto, o calor, o peso e a localização complicaram a tarefa de devolvê-las à água, e três dos cetáceos morreram antes da chegada das equipas de resgate. Segundo a agência, trata-se de 12 baleias com cabeça de melão (Peponocephala electra), uma espécie com cerca de três metros de comprimento e 200 quilos de peso, que costuma habitar oceanos tropicais e subtropicais. Cerca de 150 pessoas participaram do resgate, durante o qual foram cavados buracos ao redor dos mamíferos marinhos e despejada água sobre os seus corpos para evitar que se afogassem na lama. As equipas de resgate também usaram toalhas molhadas para manter os animais húmidos e ergueram protecções contra o sol, disse um oficial local à emissora estatal CCTV. Após quase 10 horas, as equipas conseguiram salvar as nove baleias restantes e transportá-las para um local seguro. As autoridades enviaram duas das baleias resgatadas para um aquário, outras duas para um parque costeiro e as cinco restantes para uma empresa local de criação de animais marinhos, disse a Xinhua.
Cerca de 11.000 atletas são esperados para os Jogos Olímpicos, obrigando as autoridades japonesas a tomar medidas drásticas a todos os participantes das provas
TÓQUIO2021 GOVERNO DECRETA NOVO ESTADO DE EMERGÊNCIA
Pela sua saúde O Governo japonês decidiu declarar um novo estado de emergência em Tóquio, avançaram ontem meios de comunicação social, devendo abranger todo o período dos Jogos Olímpicos, que começam dentro de duas semanas, devido ao aumento de casos de covid-19. “O Governo decidiu declarar o quarto estado de emergência em Tóquio e já comunicou a decisão à coligação” que apoia o Governo, noticiou ontem a estação televisiva estatal NHK. O estado de emergência ficará em vigor até 22 de Agosto, segundo diversos meios de comunicação social, cobrindo o período dos Jogos Olímpicos, que decorrem em Tóquio entre 23 de Julho e 8 de Agosto. De acordo com a agência Kyodo, que cita um alto
funcionário do Governo, também é possível que as provas olímpicas não tenham público a assistir. Em Março, os organizadores tinham proibido a presença de espectadores oriundos do estrangeiro nos Jogos, o que é um facto inédito na história olímpica. Mais tarde, em Junho, as autoridades japonesas anunciaram que iriam autorizar a presença de espectadores locais, mas com 50 por cento da capacidade dos locais das provas e com o limite máximo de 10.000 pessoas. Mais recentemente, o Governo alertou para a hipótese de fechar as portas à presença de espectadores para as provas, mas apenas como uma das opções que estavam a ser estudadas, perante o agravamento da situação pandémica.
Uma decisão final sobre as restrições a aplicar sobre a presença do público deve ser tomada nos próximos dias, após uma tomada de posição oficial do Governo sobre o estado de emergência.
Medidas extremas
O Japão foi relativamente poupado, na pandemia de covid-19, em comparação com muitos outros países, com cerca de 14.800 mortes registadas desde o início da pandemia, mas os especialistas têm-se mostrado particularmente preocupados com o efeito dos Jogos Olímpicos num eventual aumento de propagação do novo coronavírus. Cerca de 11.000 atletas são esperados para os Jogos Olímpicos, obrigando as autoridades japonesas a tomar medidas drásticas a todos os participantes das provas.
um folhetim por Fernando
Sobral
UDO era um jogo, como ele dissera com um sorriso maldoso: - Vendemos as nossas almas, jogamos com elas e voltamos a ganhálas. Fu Xing deixara de usar camisas encarcadas de suor devido ao calor sufocante. Agora vestia um fato de linho claro e ia deixando crescer um bigode. Não cortara, claro, os laços com os antigos companheiros. Estes tinham juncos e lorchas cheias de armamento em pleno Porto Interior, incluindo modernas espingardas Winchester. Pareciam barcos de pesca ou de transporte de mercadorias mas, na realidade, a sua actividade era outra. A polícia não ía ali, por isso não era necessário estarem muito disfarçadas. Fu Xing não temia o passado. Afinal, por ali os piratas eram prezados. Gastavam muito dinheiro e os portugueses desviavam o olhar se eles circulassem, sem muito ruído, pela Rua da Felicidade ou pelo Porto Interior, como se não os vissem. Fu Xing ocupava agora parte do seu tempo a encontrar-se com comerciantes chineses. O seu centro de operações era o Grande Hotel, onde também podia jogar fantan. Perto do mar, encontrara um refúgio perfeito em terra: um lugar com amplas salas e confortáveis quartos. Só o cenário mudava, porque o resto era igual: ópio, mulheres, falsos amores e traições. Benedito Augusto era agora o seu correio em Xangai e Singapura. Levava mensagens para os seus contactos e trazia as respostas de volta. Ninguém o pressionava, porque andava disfarçado de padre. Perguntara a Benedito: - Quando partes para Xangai? Tenho recados para levares. - Dentro de dias, mas ainda não sei. Tenho, primeiro, de resolver um problema aqui. - Tu tens problemas? - Soou-me que os alemães poderão comprar Macau. E se isso acontecer... - Estarás seguro. - Como sabes? - Ontem esteve aqui um alemão. Como se chama ele...? Max Wolf. E fez-me uma bela proposta. - Um negócio? - Sim. Ele não sabe se Portugal vai vender Macau. Se vender, muito bem. Se não vender, nada correrá mal. O seu objectivo é outro. Ganhar dinheiro. Muito dinheiro. Benedito viu o olhar guloso de Fu Xing. - Que te propôs o alemão? (continua)