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VACINAS
Nº 4784
TAXA BAIXA
TERÇA-FEIRA 8-6-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
GRANDE PLANO
HOJE MACAU
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MOP$10
CAMPANHA A ANDAR PÁGINA 5
Testes para todos Os Serviços de Saúde estão a estudar a hipótese de submeter, em massa, a população de Macau a testes de ácido nucleico, caso a evolução da pandemia a isso obrigue. Sem adiantar critérios concretos, as autoridades estimam demorar quatro dias a testar a população inteira, sendo necessário instalar 30 postos para o efeito. PÁGINA 4
CINEMA
FITAS COM PODER PUB.
EVENTOS
A MORTE DE UM APICULTOR PAULO JOSÉ MIRANDA
DO PRAZER (E) DA ILUSÃO ANABELA CANAS
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AGNES LAM
hoje macau
8.6.2021 terça-feira
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COVID-19 ÊXITO NA PREVENÇÃO CRIOU FALSA SEGURANÇA E COMPROMETEU TAXA DE VACINAÇÃO
As agulhas da discórdia Porque é que a taxa de vacinação em Macau continua tão baixa? Académicos ouvidos pela agência Lusa defendem que há uma desconfiança generalizada nas vacinas, porque nunca houve um surto comunitário no território. Em Hong Kong, a desconfiança no Executivo é apontada como razão para o facto de uma grande fatia da população não confiar nas vacinas contra a covid-19
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CADÉMICOS especializados na área da saúde ouvidos pela Lusa consideram que a fraca taxa de vacinação em Macau prende-se com a habituação a um ‘novo normal’, mas também à desconfiança das vacinas num território que nunca teve um surto comunitário. O programa de vacinação começou há quase quatro meses, é gratuito, os residentes podem escolher entre duas vacinas, não faltam doses disponíveis. Contudo, os resultados têm sido muito pouco animadores e até o Governo já admitiu que Macau pode ficar numa “situação embaraçosa”: apenas cerca de 10 por cento da população recebeu as duas doses. Há mais de um ano, a situação era a oposta: Macau, um dos primeiros locais a registar os primeiros casos, foi considerado um caso de sucesso no mundo, controlou as fronteiras, rastreou os casos suspeitos, impôs pesadas quarentenas obrigatórias a todos os que regressavam, disponibilizou máscaras a toda a população e o seu uso sempre foi generalizado. Essa receita mostrou-se um sucesso já que Macau detectou apenas 51 casos desde o início da pandemia, não tendo registado qualquer surto local ou infectados entre os profissionais de saúde. “A falsa segurança não deriva apenas do facto de não haver infecção comunitária em Macau, mas também do facto
Ray Choy, professor da Faculdade de Humanidades e Ciências Sociais da Universidade Cidade de Macau, disse que os residentes habituaram-se às medidas sanitárias e “por isso não vêem a urgência de tomar a vacina”
de haver uma taxa de infecção relativamente baixa na China continental desde que o Governo assumiu o controlo da situação no ano passado”, explicou à Lusa antropóloga e investigadora na área da saúde Loretta Lou. “O povo de Macau obedece ao uso de máscaras e ao distanciamento social porque estas medidas repercutem-se nos seus conhecimentos leigos sobre higiene pública e na sua experiência anterior com a epidemia SARS” (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que entre 2002 e 2003 causou a morte a 774 pessoas em todo o mundo, a maioria das quais na China. Também ouvido pela Lusa, Ray Choy, professor da Faculdade de Humanidades e Ciências Sociais da Universidade Cidade de Macau, disse que os residentes habituaram-se às medidas sanitárias e “por
isso não vêem a urgência de tomar a vacina”, frisando ainda que a epidemia no território se encontra estável e isso contribui para que as pessoas se sintam confortáveis. Em relação à reduzida taxa de vacinação no território, o professor explica que a sensação geral da população de Macau é que a preparação e a produção das vacinas demoraram relativamente pouco tempo em relação a outras vacinas convencionais. “Penso que a maioria dos residentes ainda está preocupada com a segurança e eficácia”, sublinhou, acrescentando que as pessoas continuam com a abordagem de “vou esperar e deixar ver”. “Acho que o tempo ajudará a que mais pessoas tomem a vacina”, frisou.
Fora da rotina
Também a antropóloga Loretta Lou refere a desconfiança em relação às vacinas por serem uma novidade, “mas também porque a vacinação não se enquadra na experiência quotidiana das pessoas comuns em matéria de saúde e doenças”. “As pessoas esquecem que as vacinas salvaram muitas vidas ao longo do último século. É por isso que vemos um crescente movimento anti-vacinas a nível mundial”, explicou, detalhando que no caso de Macau “a maioria dos residentes recebeu a sua vacinação programada quando era bebé”. “Para aqueles que não tomaram as vacinas contra a gripe sazonal no
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terça-feira 8.6.2021
“Penso que a população de Macau se sente um pouco confortável demais com o ‘novo normal’, uma vez que os novos casos estão a aumentar rapidamente em Guangzhou e Taiwan.” LORETTA LOU
passado, a vacina contra a covid-19 é a sua ‘primeira vacina desde há algum tempo”, sendo compreensível que as pessoas estejam um pouco preocupadas”. Contudo, a antropóloga deixa uma crítica às autoridades do território: “Os funcionários da saúde pública poderiam ter feito mais educação pública”.
“Os residentes não estão confiantes, ou podem dizer que não confiam no Governo de Hong Kong. Alguns até adoptam uma atitude anti-governo que pode não ser boa em termos de saúde pública.” RAY CHOY
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O Governo tem feito constantes apelos à vacinação e já avisou que a fronteira com a China continental pode endurecer restrições.
Casinos ajudam
Nas últimas semanas, e para contrariar a inacção dos residentes, os casinos de Macau prometeram dinheiro, dias de férias extra e sorteios para quem se vacinar. Uma das operadoras de jogo, a Melco Crown, avançou mesmo com uma campanha ‘milionária para a qual destinou 16 milhões de patacas e que contempla a organização de seminários, pagar mil patacas a cada funcionário “plenamente vacinado” e promover ainda sorteios que podem valer seis prémios de um milhão de patacas. Estes incentivos coincidiram com o surgimento de casos na província de Guangdong, de onde provem a maioria de turistas para Macau e parte substancial da força de trabalho de Macau. Guangdong detectou dezenas de infecções locais desde 21 de Maio, situação que levou as autoridades locais a impor, esta semana, restrições à circulação interna de pessoas, ao ditar que quem quiser sair da província deve fazer um teste à covid-19, e a isolar bairros inteiros. “Penso que a população de Macau se sente um pouco confortável demais com o 'novo normal', uma vez que os novos casos estão a aumentar rapidamente em
Guangzhou e Taiwan. À medida que a sensação de crise se torna iminente, vemos mais residentes a reservar as suas vagas para as vacinas covid-19 nestes últimos dias”, explicou Loretta Lou. Por outro lado, Ray Choy faz uma re-
lação directa entre o aumento de residentes que fizeram reservas para vacinação na última semana e o surgimento de novos casos tanto em Guangdong como em Taiwan. “Na semana passada, mais de 40.000 residentes fize-
ram a reserva para obter a vacina, que é o número mais alto desde que o programa foi introduzido em Fevereiro deste ano”, disse.
O grau de comparação Taxa de vacinação em Hong Kong é superior a Macau
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AY Choy afirmou à Lusa que a fraca taxa de vacinação em Hong Kong resulta da desconfiança no Governo, mas em Macau a razão está relacionada com os bons resultados na prevenção da pandemia. Segundo os últimos dados oficiais, 52.246 foram inoculadas com a 1.ª dose da vacina e 68.149 tomaram as duas doses da vacina. Já em Hong Kong, 1.442.878 (22 por cento) de pessoas receberam a primeira dose e 1.059.737 (16,2 por cento) já estão completamente inoculados. Para o professor da faculdade de humanidades e ciências sociais da Universidade Cidade de Macau, esta é uma questão peculiar já que ambas as populações são chinesas. “A taxa de vacinação em Hong Kong é um pouco mais elevada do que a de Macau, porque agora temos cerca de 16 por cento das pessoas de Hong Kong que receberam duas injecções da vacinação, o que é um
pouco mais elevado do que a de Macau”, detalhou. “A pandemia em Macau foi contida e controlada bastante bem em comparação com Hong Kong é por isso que os residentes de Macau podem sentir-se um pouco à-vontade e adoptam uma atitude de descontração, esperar para ver e assim por diante”, explicou.
Um caso de sucesso
Macau detectou apenas 51 casos desde o início da pandemia, não registou qualquer surto local ou infetados entre os profissionais de saúde. Já em Hong Kong, também com bons resultados iniciais, a situação foi menos bem controlada. Desde o início da pandemia da covid-19, a região administrativa especial chinesa registou 210 mortos e 11.848 casos da doença. Ainda assim, o território não regista casos locais da doença há mais de um mês. A desconfiança em relação às vacinas está na confiança no
Governo, disse Ray Choy, que foi Chefe da Unidade Central de Educação em Saúde, Centro de Protecção da Saúde, Departamento de Saúde, Governo de Hong Kong e membro do Conselho Tutelar, Subcomité do Fundo de Promoção e Cuidados de Saúde no território vizinho. “Os residentes não estão confiantes, ou podem dizer que não confiam no Governo de Hong Kong. Alguns até adoptam uma atitude anti-governo de Hong Kong que pode não ser boa em termos de saúde pública”, disse. “Não estamos a falar de política e questões sociais, estamos apenas a falar de proteger a sua saúde”, afirmou. A vacinação contra a covid-19 ultrapassou os dois mil milhões de doses em todo o mundo em seis meses, num total de 215 países ou territórios abrangidos, anunciou segundo a Agência France Presse (AFP).
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Quarentena Ponderada redução de dias para vacinados
estrangeiro essas medidas existem, mas não nos podemos esquecer que em Macau não há casos há mais de 400 dias e temos de proteger a comunidade”, apontou. Por seu turno, Tai Wai Hou, responsável do plano de vacinação revelou que está a ser ponderado um aumento do número dos postos de inoculação. Isto, tendo em conta que apenas 20 por cento da população (64.575) levou a primeira dose. No total, até à tarde de ontem, foram ministradas em Macau 201.051 doses em 137.338 pessoas.
A necessidade de apresentar testes com menos de 48 horas de validade para poder circular entre Macau e Zhuhai gerou uma corrida aos testes, no Fórum de Macau. A grande afluência registou-se por volta das 15h e foi relatada pelos meios de comunicação social em língua chinesa. De acordo com os relatos, foram vários os alunos que chegaram ao local transportados
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O director dos Serviços de Saúde (SSM), Alvis Lo Iek Long admitiu ontem a possibilidade de, no futuro, passar a existir uma diferenciação entre vacinados e não vacinados, quanto ao número de dias de quarentena obrigatória para quem chega a Macau. Contudo, a redução só será uma realidade para vacinados caso existam fundamentos científicos suficientes. “A curto prazo, não temos esse plano [de reduzir o número de dias para vacinados], mas se houver dados científicos, não afastamos a possibilidade. No
por autocarros de escolas. Ao mesmo tempo, foram também enviados para a zona vários polícias para garantir a ordem. Face ao desenvolvimento, Vong Kuoc Ieng, Director da Escola Choi Nong Chi Tai, pediu ao Executivo para alargar os postos de testagem onde as pessoas podem comparecer sem uma marcação prévia. Actualmente, apenas há dois locais para testes sem marcação, no Terminal do Pac On e no Fórum de Macau.
Filas no Fórum de Macau
Alvis Lo, Director dos Serviços de Saúde “Se a medida avançar, vamos instalar 30 postos de testagem em Macau.”
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director dos Serviços de Saúde (SSM), Alvis Lo Iek Long admitiu ontem a possibilidade de toda a população de Macau ser submetida a testes de ácido nucleico. A revelação foi feita no seguimento do agravamento da situação epidémica na província de Guangdong, em particular nas cidades de Cantão (Guangzhou) e Foshan. “Na cidade de Zhongshan (…) dentro de quatro ou cinco dias vão fazer testes de ácido nucleico dirigidos a todos os cidadãos. Ao observar a situação de Macau, não afastamos a possibilidade de submeter também toda a população ao teste de ácido nucleico. Obviamente que isto está dependente da [evolução] da situação da pandemia, mas temos de estar sempre preparados para garantir a segurança dos cidadãos”, apontou ontem.
COVID-19 SERVIÇOS DE SAÚDE PONDERAM TESTAR TODA A POPULAÇÃO
Alerta vermelho
O director dos Serviços de Saúde admitiu existirem planos para testar toda a população de Macau se a evolução da pandemia o ditar. Cerca de 5.000 pessoas das 5.300 cujo código de saúde passou a vermelho fizeram ontem teste de ácido nucleico. Anunciado corredor aéreo entre Singapura e Macau para facilitar o regresso de residentes Alvis Lo acrescentou tratar-se de um cenário ainda “em fase de estudo” e que implica, para já, averiguar a capacidade que o território tem a nível de recursos e mobilização de pessoal. Contudo, a acontecer, a testagem da população levará quatro dias e serão instalados pela cidade, 30 postos para esse efeito.
“É difícil dizer que critério precisa de ser observado [para testar toda a população]. Temos de acompanhar a evolução da pandemia (…) e, caso haja necessidade, vamos usar todos os recursos. Estamos preparados, mas esta ideia é ainda uma concepção. Se a medida avançar, vamos instalar 30 postos de testagem em Macau”, detalhou.
Recorde-se que, devido à gravidade da situação em Guangdong, desde a manhã de ontem que todos os cidadãos que tenham estado na Cidade de Cantão ou Foshan, nos 14 dias anteriores à entrada em Macau receberam uma mensagem para realizar um teste de ácido nucleico até às 18h de ontem. Segundo, o director
dos SSM, das cerca de 5.300 pessoas notificadas, 5.000 tinham sido testadas. Outra medida que surgiu em resposta ao aumento de casos em Guangdong e que entra em vigor a partir das 10h de hoje, prende-se com a obrigação de os indivíduos que se deslocam entre Guangdong e Macau terem de possuir resultado
negativo ao teste de ácido nucleico, efectuado no prazo de 48 horas. Apesar de o anúncio ter provocado a corrida aos postos de testagem que prescindem de marcação [ver caixa], durante a conferência de imprensa, o responsável dos serviços e educação, Kong Chi Meng, assegurou que a DSEDJ, os SSM e as autoridades de Macau estão a coordenar a realização de testes aos alunos, docentes e funcionários transfronteiriços de Macau.
A opção possível
Durante a conferência de imprensa, a responsável dos serviços de turismo (DST), Lau Fong Chi revelou que a Autoridade de Aviação Civil planeia criar um corredor aéreo entre Singapura e Macau com a frequência de dois voos semanais, “para facilitar o trânsito de residentes de Macau que queiram regressar”, explicou Lau Fong Chi. Pedro Arede
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ELEIÇÕES AGNES LAM DESTACA DESEMPREGO COMO PRIORIDADE DE CAMPANHA
Com outra bagagem
A deputada está preocupada com a comunidade portuguesa e macaense que fala chinês, mas não consegue ler. Agnes Lam diz que é incompreensível que não haja emprego para estas pessoas, mesmo nas grandes empresas, onde o inglês é a língua de trabalho. Rui Leão faz parte da lista
“A Agnes, por ser independente e por estar muito atenta às minorias e a certos tipos de grupos que não têm voz, é muito importante para defender os nossos [macaenses e portugueses] interesses e pontos-de-vista.” RUI LEÃO ARQUITECTO
A candidatura da deputada vai contar com o arquitecto Rui Leão, que deverá ocupar um dos últimos lugares da lista. A ordem ainda não está completamente definida, mas Agnes Lam vai ser a candidata número um e destaca a necessidade de proteger a comunidade portuguesa e macaense, a nível dos direitos laborais. “Durante a pandemia, detectámos casos de portugueses ou macaenses que falam chinês, mas que são incapazes de encontrar emprego. Mesmo nas grandes empresas, em
que o inglês é a língua do trabalho, não contratam essas pessoas”, explicou. “Quando contratam, pedem pessoas que escrevem chinês. Estas pessoas são fluentes no chinês, conseguem falar, só não escrevem. Mas isso também não tem um grande impacto, porque a língua do trabalho é o inglês. [...] Estas pessoas têm de ter os seus direitos de trabalho protegidos. É um assunto novo que vamos defender”, prometeu. Apesar de reconhecer que as prioridades vão sofrer alterações, Lam promete insistir nas questões da habitação para a classe sanHOJE MACAU
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OM a atenção focada na situação do desemprego, Agnes Lam apresentou ontem as 500 assinaturas da comissão de candidatura com o nome Observatório Cívico. A deputada afirmou acreditar que o desemprego vai marcar a campanha para as eleições de Setembro e os primeiros meses da futura Legislatura. “Nos próximos meses vão acontecer muitas mudanças, por isso queremos focar-nos nas questões do emprego e da diversificação económica. Se as pessoas não conseguem manter o emprego ou mesmo arranjar um, então vamos ter muitos problemas sociais”, afirmou Agnes Lam. “Acredito que a nossa campanha e programa político vão ser mais versáteis do que nos anos anteriores, porque as mudanças estão a acontecer a um nível elevado, devido aos impactos da pandemia, que são difíceis de controlar, e queremos responder aos problemas reais”, acrescentou.
duíche, idosos e ainda na falta de empregadas domésticas.
Um apoio português
Entre os membros da lista consta o arquitecto Rui Leão, que explicou o apoio à deputada com o trabalho de Agnes Lam nos últimos quatro anos no hemiciclo, assim como a necessidade de a comunidade portuguesa manter uma voz na política local. “Sinto que com o passar do tempo, Macau, as relações políticas, sociais e culturais também vão mudando muito. As forças que estão no poder também vão mudando e sinto
que é muito importante a comunidade portuguesa ser ouvida e tomada em atenção”, justificou Leão. “É preciso que a comunidade tenha uma voz e que os interesses sejam protegidos. A Agnes, por ser independente e por estar muito atenta às minorias e a certos tipos de grupos que não têm voz, é muito importante para defender os nossos interesses e pontos-de-vista”, completou. O arquitectou fez ainda uma avaliação muito positiva do mandato de Agnes Lam e destacou a evolução ao longo dos quatro anos. “Acompanhei com muito prazer e
fascínio, a Agnes cresceu muito nestes quatro anos e esteve sempre disponível com a porta aberta do escritório para ouvir e dar atenção a questões de pessoas e grupos completamente diferentes”, destacou.
Mais confiante
Em 2017, a lista Observatório Cívico de Agnes Lam foi a 10.ª mais popular com 9.590 votos. Este ano, a deputada admite estar mais confiante do que no ano anterior, por ter quatro anos de trabalho para mostrar aos cidadãos. “A grande diferença face a 2017 passa por termos disponibilizado ao longo de quatro anos serviços à população. Durante este período ajudámos as pessoas, demos-lhes poder, ajudámos aqueles que nos contaram as suas dificuldades e temos casos bem-sucedidos”, explicou. “Este ano temos apoio de pessoas da comunidade que sentiram dificuldades e injustiças e que conseguimos ajudar. Por isso, acho que há um apoio da comunidade que não existia e isso é um factor de confiança e também de reconhecimento. Mostra que o nosso trabalho tem algum valor”, admitiu. João Santos Filipe
Habitação Económica Governo vai ouvir deputados
O Executivo vai à Assembleia Legislativa apresentar o “Sistema de Pontuação da Lei de Habitação Económica” e ouvir as opiniões dos deputados. A sessão está agendada para 11 de Junho, entre as 15h e 18h, e é realizada apenas para deputados, ou seja, é fechada ao público. A Lei de Habitação Económica foi criada em 2011 e alterada, pela última vez, no ano passado. O documento estipulava que o “mapa da pontuação” seria posteriormente divulgado e definido, através de despacho do Chefe do Executivo, que será agora apresentado aos membros da Assembleia Legislativa.
AL Wong Wai Man apresentou comissão de candidatura
Wong Wai Man entregou na sexta-feira passada 353 assinaturas para reconhecimento da comissão da candidatura com o nome “Ajuda Mútua Grassroots”, junto da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). Na altura da entrega, Wong, que se destacou durante a campanha de 2017 por utilizar sempre roupas militares, ter vários grandes gritos de “guerra” e ter sido condenado pelo crime de “violação da liberdade de reunião e manifestação”, explicou que a lista vai ter como prioridades a questão da habitação e do desemprego. Sobre a futura lista, Wong afirmou que vai ter quatro candidatos ligados à indústria da construção. Em 2017 a lista Ajuda Mútua Grassroots reuniu 1.350 votos.
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RECICLAGEM ELLA LEI DECLARA “GUERRA” ÀS GARRAFAS E SÓLIDOS DE PLÁSTICO
Sem tréguas A legisladora dos Operários de Macau está preocupada com os resíduos sólidos de plástico e quer saber se além de medidas para palhinhas e pauzinhos para misturar bebidas, se há espaço para “combater” garrafas de plástico
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RÓMULO SANTOS
L L A Lei perguntou ao Governo se tem planos para combater o fenómeno das garras de plástico não recicladas. A questão faz parte de uma interpelação escrita, divulgada ontem pela legisladora. De acordo com a explicação de Ella Lei, o plástico representa mais de 20 por cento de todos os resíduos sólidos em Macau, o que faz com que seja o segundo resíduo mais prevalente. Apenas o lixo orgânico, como comida, ultrapassa o plástico em termos quantitativos. Apesar de reconhecer que o Executivo tem adoptado restrições para reduzir a utilização de sacos de plástico, caixas de esferovite, e que prepara medidas para controlar o uso de palhinhas e os pauzinhos de plástico para mexer bebidas, Ella Lei defende mais pró-actividade. Por isso, diz que é necessário resolver o problema das garrafas de plástico, não só aumentando a capacidade
“Será que sabem a percentagem de garrafas de plástico que são efectivamente deitadas no lixo?” ELLA LEI DEPUTADA
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de reciclagem, mas também da diminuição do uso. Ella Lei está preocupada com a taxa de reciclagem de plástico e diz que se pode fazer mais: “De acordo com as informações de 2019, nesse ano os resíduos sólidos atingiram 555.000 toneladas métricas, entre as quais mais de 129.000 toneladas métricas eram plástico”, aponta. “No entanto, a reciclagem de plástico não foi além das 304 toneladas métricas, o que significa que a taxa de reciclagem de plástico não tenha foi além de 0,3 por cento”, sublinhou. Contudo, o problema também deve ser “atacado” a partir da produção das garrafas de plástico e da indústria de bebidas. “Os residentes têm de começar a reduzir a utilização de plástico na fonte, para diminuir a quantidade de resíduos sólidos”, indica. “O Governo também deve adoptar medidas práticas para encorajar e promover essa redução”, considera. Neste cenário, Ella Lei pergunta ao Executivo o que vai ser feito: “Será que sabem a percentagem de garrafas de plástico que são efectivamente deitadas no lixo? E além das máquinas que permitem devolver garrafas a troco de dinheiro [...] há medidas para limitar legalmente a utilização de garrafas de plástico?”, questiona. A deputada quer ainda saber se no âmbito da redução das garrafas de plástico se vão ser adoptadas metas para limitar a utilização pela indústria que vende garrafas de águas para máquinas domiciliárias e outras. Outra pergunta foca a existência de planos para instalar mais bebedouros públicos e menos máquinas de venda de garrafas de plástico. João Santos Filipe
4 DE JUNHO ADVOGADA PAULA LING DEFENDE ACÓRDÃO DO TUI
A
advogada Paula Ling, também delegada de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN), defende o acórdão do Tribunal de Última Instância (TUI) que confirmou a proibição da vigília no Largo do Senado em memória das vítimas de Tiananmen. Segundo o jornal Ou Mun, a posição dos juízes do TUI tem um papel positivo na implementação estável e duradoura do princípio “Um País, Dois Sistemas”. Paula Ling acredita também que este princípio tem sido implementado com sucesso em Macau e que “não deve ser destruído de forma irresponsável”. O TUI rejeitou o recurso apresentado pelo deputado Au Kam San, em nome da União de Macau para o Desenvolvimento da Democracia (UMDD), que pedia a anulação da decisão do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), de 25 de Maio, que proibiu a realização da vigília. Segundo o acórdão, estão em causa as expressões usadas em cartazes e que constituem “um planeado e deliberado ataque e insulto a autoridades, entidades e instituições do Governo Central da República Popular da China (RPC)”.
Prevenção de desastres Ho Ion Sang pede rapidez em obras
Ho Ion Sang apela ao Governo para acelerar as obras de prevenção e tratamento de desastres, noticiou o jornal Cidadão. O deputado dos Moradores realçou que as inundações em Macau não só são causadas pelos tufões, mas também pelas chuvas intensas, devido à falta de capacidade de descarga do sistema de escoamento e durante o período da maré astronómica. O deputado sugeriu a inspecção regular da rede das tubagens nas zonas baixas, onde acontecem inundações, e que reforce a frequência da limpeza da canalização. Ho Ion Sang recorda ainda que o Instituto para os Assuntos Municipais planeou estudar a instalação de estações elevatórias no Fai Chi Kei, e deixou a esperança que o Governo concretize as obras o mais depressa possível. Além disso, apontou que as tubagens das zonas antigas estão envelhecidas e que devem ser recolhidos dados das estações elevatórias do Porto Interior para analisar se tem capacidade para lidar com chuva intensa, como aconteceu na semana passada.
Função Pública Lei Chan U pergunta por reforma
Lei Chan U quer saber em que estado se encontra a reforma da Administração Pública. A pergunta faz parte de uma interpelação escrita, divulgada ontem pelo legislador dos Operários. No documento, Lei Chan U recorda que o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, prometeu durante as Linhas de Acção Governativa do ano passado que haveria uma proposta até ao final de 2020 ou no início deste ano. Todavia, realça o deputado dos Operários, a meta não foi cumprida. “Quando é que a população vai ser consultada sobre a futura lei? Será que o Governo já tem um calendário para a realização dos trabalhos?”, questionou. Entre as perguntas, Lei Chan U indica também que em Abril de 2020 o secretário prometeu actualizar as leis sobre responsabilidades de governantes e titulares de cargos públicos, que igualmente ficou por cumprir. Lei Chan U mostrou-se ainda preocupado com o facto de vários deputados terem colocado as mesmas perguntas, mas, até agora, não terem obtido resposta.
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Pagamentos electrónicos Conselheiro sugere melhorias de plataformas
Chan Ngoi Chon, membro do Conselho Consultivo dos Serviços Comunitários da Zona Central, defende que o Governo deve melhorar o funcionamento das plataformas de pagamento electrónico, para que mais utilizadores tenham acesso. Segundo o jornal Ou Mun, o responsável citou os últimos dados do plano de benefícios de consumo por meios electrónicos, que mostram que mais residentes optaram pelo modelo do cartão de consumo, 312 mil, por oposição às 248 mil pessoas que escolheram o apoio através de meios electrónicos. Chan Ngoi Chon acredita que há ainda margem para uma maior generalização deste tipo de pagamento, cabendo às autoridades comunicar melhor com as entidades que operam os serviços, como o MPay.
Cartões de crédito Residentes burlados com roubo de dados
Um homem e três mulheres, com idades compreendidas entre os 24 e 54 anos, todos residentes em Macau, reportaram à Polícia Judiciária (PJ) um caso de alegada burla graças ao roubo dos dados dos cartões de crédito. Segundo informação avançada pela PJ, as quatro vítimas receberam, entre 30 de Maio e 5 de Junho, mensagens escritas no telemóvel que confirmaram transacções com o cartão de crédito no valor de 1,600, 5,600 e 4,292 patacas e ainda 1,499 euros. No entanto, as vítimas disseram à PJ que nunca fizeram tais pagamentos, e após o contacto com os bancos, foram informados de que as movimentações foram feitas online. “Pensa-se que os dados dos cartões de crédito terão sido roubados para fazer as transacções online”, descreve ainda a PJ.
UM Mais de 1500 alunos recebem diploma de graduação dia 19
No próximo dia 19 de Junho a Universidade de Macau (UM) entrega diplomas a mais de 1500 alunos que este ano completam a licenciatura. Deste grupo, 117 terminam os cursos do Colégio de Honra da UM. Segundo um comunicado, a cerimónia de graduação será online, mas também em formato presencial, para permitir que os licenciados e as suas famílias “de todo o mundo participem no evento”. Desta forma, a cerimónia será transmitida em três zonas distintas do campus da UM, e o evento poderá ser visto no website oficial da UM, nas contas da UM na rede social Weibo e YouTube.
Emprego DSAL organiza acção de recrutamento com SJM quinta-feira
É já esta quinta-feira que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais realiza uma acção de recrutamento com a Sociedade de Jogos de Macau (SJM), que terá lugar no sétimo andar do hotel Grand Lisboa entre as 9h30 e as 17h30. A acção de recrutamento destina-se apenas a portadores do BIR e tem por base “a gradual entrada em funcionamento das instalações do Hotel Grand Lisboa Palace e a compensação das vagas perdidas durante a epidemia”. Estão disponíveis 93 vagas para diversos serviços hoteleiros. Segundo uma nota, a DSAL explica que, em breve, “as novas instalações de várias empresas de lazer de Macau irão entrar em funcionamento”, pelo que “haverá uma maior necessidade de recursos humanos residentes”.
Mário Matos dos Santos, administrador da Fundação Casa de Macau “Durante a Expo 98 demos um grande apoio ao espaço e sempre estivemos próximos. Houve uma altura em que o Joe Berardo nos ajudou a colocar muitas coisas naquele jardim.”
JARDIM BOTÂNICO FUNDAÇÃO CASA DE MACAU VAI RENOVAR PAVILHÃO
Chá no Príncipe Real A Fundação Casa de Macau vai restaurar o pavilhão de chá no Espaço Jardim de Macau, situado no Jardim Botânico de Lisboa. O projecto deverá ser feito em parceria com a Universidade de Lisboa e a Fundação Jorge Álvares
O
p a v i l h ã o de chá que esteve exposto na Expo 98, e que está hoje no Espaço Jardim de Macau, dentro do Jardim Botânico de Lisboa, vai ser alvo de obras de remodelação. Este projecto consta do plano de actividades da Fundação Casa de Macau (FCM) em Lisboa para este ano. “Graças à reitoria da Universidade de Lisboa (UL) tem havido uma grande intervenção, sobretudo valorativa. Acompanhamos isso, mas falta valorizar o pavilhão de chá, que veio da Expo 98, que está inscrito no nosso orçamento queremos fazer o mais rapidamente possível”, disse ao HM Mário Matos dos Santos, administrador da FCM. Nesta fase foi proposta cooperação à Fundação Jorge Álvares e à própria reitoria da UL, cujos detalhes ainda estão a ser ultimados. “Não vamos pedir apoio
financeiro a Macau e faremos isto com mais duas entidades directamente interessadas. Gostaríamos de ter a obra pronta no Verão deste ano”, acrescentou. Sem avançar o orçamento, Mário Matos dos Santos referiu apenas que é um “valor normal para este tipo de trabalhos”.
A mão de Berardo
O Jardim Botânico Tropical, que chegou a chamar-se Jardim Colonial de Lisboa, foi criado em 1906. Em 1940, já no período do Estado Novo, realizou-se a “Exposição do Mundo Português”, na qual o jardim albergou uma secção de Etnografia Colonial. Com “o objectivo de documentar e expor ao público fiéis representações de elementos da vida macaense e amostras naturais que constituíam a riqueza e paisagem natural de Macau”, conforme descreve a FCM, foi então concebido o Espaço Jardim
de Macau. Foram construídos elementos como o Arco de Macau e a Rua de Macau, que “se tornaram incontornáveis pontos de interesse daquele Jardim”. Esta iniciativa aconteceu a partir de 1949. No final da Expo 98, a FCM doou alguns equipamentos que tinham feito parte do Pavilhão de Macau. Em Janeiro do ano passado o Jardim Espaço de Macau foi redesenhado e passou a ter plantas asiáticas. Além do trabalho feito pela reitoria, a sua manutenção chegou a ter a ajuda do empresário Joe Berardo. “Durante a Expo 98 demos um grande apoio ao espaço e sempre estivemos próximos. Houve uma altura em que o Joe Berardo nos ajudou a colocar muitas coisas naquele jardim. A grande mudança deu-se com a entrada da reitoria [da UL], e desde esse momento que foram feitas alterações, como um novo
alinhamento do percurso do jardim. A única coisa que falta fazer, e que é da nossa responsabilidade, é o pavilhão de chá”, rematou Mário Matos dos Santos. O HM contactou o general Garcia Leandro, ex-Governador de Macau e actual presidente da Fundação Jorge Álvares, que confirmou a proposta da FCM. “É algo que está muito no princípio. Há muita coisa a fazer no jardim tropical e haverá uma parte ligada a Macau, que precisa de ser trabalhada, e irá contar com o apoio de certeza. Mas não temos pormenores”, concluiu. O Jardim Botânico Tropical está classificado como Monumento Nacional e desde 2015 que integra a UL, sendo actualmente gerido em conjunto com o Museu de História Natural e da Ciência e o Jardim Botânico de Lisboa. A primeira fase da renovação do Jardim Espaço de Macau arrancou em 2019. Andreia Sofia Silva
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episódio 15
CINEMA “O PODER DA IMAGEM” ARRANCA QUINTA-FEIRA NO CCM
O ciclo da sorte
O pequeno auditório do Centro Cultural de Macau recebe entre 10 e 13 de Junho a 13ª edição da mostra de cinema local “Macau – o Poder da Imagem”. Entre curtas-metragens, documentários e animações, serão exibidas 13 produções, que exploram temas como a pandemia, as mudanças ambientais e as relações humanas
A
mostra de cinema local “Macau – o Poder da Imagem” está de volta e, entre os dias 10 e 13 de Junho, promete trazer ao pequeno auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) pontos de vista diversos e localizados, acerca de temáticas globais, actuais e intemporais, como a pandemia, as questões ambientais e as relações humanas. Ao todo, entre curtas-metragens, documentários e animações serão exibidos 13 filmes da autoria de cineastas locais que, de acordo com uma nota do Instituto Cultural (IC), “expressam as mais recentes impressões cinematográficas sobre a cidade”. As obras serão exibidas a partir de quinta-feira e até domingo, repartidas por seis sessões, agrupando várias obras por sessão. “Todos os filmes contam histórias repletas de sabor local, revisitando comunidades e retratando experiências quotidianas. Através do olhar dos realizadores, o público mede melhor o pulsar da cidade ao mesmo tempo que desfruta do seu fascinante mundo imagético”, pode ler-se na brochura da 13ª edição da mostra. No primeiro dia de exibição, serão projectados a partir das 19h30, os filmes “Entre Sombras”, de Jenny Wan, “Uma História de 2020”, de Peeko Wong e Wong Chi Kin, “Pelo Menos Hoje Não”, de Io Lou Ian, e “Casa Flutuante”, de Chang Seng Pong. Na curta “Entre Sombras”, a fragilidade da memória está no
se importa com a vida destes magníficos animais”, apontam os realizadores do documento oficial do evento.
centro de um ensaio acerca da instabilidade mental e a demência, onde um casal se divide entre os papéis de cuidador e paciente e a fronteira ténue entre a memória e o esquecimento. Outro dos destaques do primeiro conjunto é a obra de animação “Uma História de 2020”, onde Peeko Wong e Wong Chi Kin elaboram acerca da vida dos morcegos e o ano de 2020, numa clara alusão à crise gerada pela covid-19. “Quando pensamos sobre os eventos que marcaram o ano de 2020, o maior equívoco está provavelmente relacionado com a vida dos morcegos. Quem
Sinergias digitais
Para sexta-feira está agendada a exibição dos filmes “O Murmúrio dos Icebergues”, de Un Sio San, “Jantar de Família”, de Cheang Ka Hou, “O Sonho do Papá”, de Ray Loi, “Lado a Lado”, de Ng Ka lon e “A Casa do Boxe”, de Chao Kin Kuan. Contactado pelo HM, Ray Loi, realizador de “O Sonho do Papá” conta que a obra de animação aborda a dificuldade
PROGRAMAÇÃO QUINTA-FEIRA – 10/06 • Premier 1 – 19h30 • Entre Sombras (Jenny Wan) • Uma História de 2020 (Peeko Wong, Wong Chi Kin) • Pelo Menos Hoje Não (Io Lou Ian) • Casa Flutuante (Chang Seng Pong) SEXTA-FEIRA – 11/06 • Premier 2 – 19h30
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O Murmúrio dos Icebergues (Un Sio San) Jantar de Família (Cheang Ka Hou) O Sonho do Papá (Ray Loi) Lado a Lado (Ng Ka Lon) A Casa do Boxe (Chao Kin Kuan)
SÁBADO – 12/06 • Premier 2 – 14h30 (Repetição) • Premier 3 – 19h30
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2020 Segundo Man (Catherine Ho) Mui (Wong Weng Chon) Olhos Divinos (Lau Keng U) Quinhentas Cartas Depois (Lei Cheok Mei)
DOMINGO – 13/06 • Premier 3 – 14h30 (Repetição) • Premier 1 – 19h30 (Repetição)
de concretizar sonhos perante as tarefas rotineiras do dia a dia. Além disso, o facto de ser também produtor de videojogos, conta Ray Loi, ajudou-o a “complementar perspectivas entre as duas artes”, no momento da criação do filme. Sobre “O Poder da Imagem”, Loi sublinha que a mostra contribui para que “os espectadores possam apreciar correctamente as obras”, em contraponto com o consumo de vídeos online. Já no documentário “O Murmúrio dos Icebergues”, Un Sio San explora o facto de os oceanos terem estado sempre presentes na história de Macau, quer seja na Era dos Descobrimentos, quer nos tempos actuais de “desenfreada construção de aterros”. Olhando para o futuro, a realizadora procura encurtar a distâncias entre o Oceano Ártico e o Delta do Rio das Pérolas, encontrando paralelismos, ligações e também receios que advêm do acelerar do degelo dos glaciares. “A Casa do Boxe” é outra obra documental incluída no segundo conjunto de exibições e acompanha os obstáculos enfrentados pelo responsável de uma academia de boxe para manter a actividade viva perante os constragimentos colocados pela pandemia.
Loi sublinha que a mostra contribui para que “os espectadores possam apreciar correctamente as obras”, em contraponto com o consumo de vídeos online Por fim, no sábado, o CCM irá projectar as obras “2020 visto por Man”, de Catherine Ho, “Mui”, de Wong Wen Chon, “Olhos Divinos”, de Lao Keng U, e “Quinhentas Cartas Depois”, de Lei Cheok Mei. “2020 visto por Man” é um documentário que aborda a importância de registar os acontecimentos, através do relato do processo de produção de um livro sobre a covid-19 em Macau por um experiente repróter. Por seu turno, “Olhos Divinos” é uma curta de ficção que elabora sobre as fronteiras da realidade e da ilusão, partindo do caso de um jovem que é submetido a um tratamento ocular alternativo. Os bilhetes para a edição deste ano custam 60 patacas por exibição de cada conjunto de filmes [ver caixa]. Recorde-se que o evento “Macau – O Poder da Imagem” realiza-se há mais de dez anos e já promoveu a produção e exibição de mais de 130 filmes. Pedro
Arede e Nunu Wu
O Jogo das Escondidas
D
um folhetim por Fernando
Sobral
ING Ling semicerrou os olhos. Questionou-o: - Ajudar-me? Eu não preciso de ajuda. Tenho vários negócios estáveis e rentáveis. - Menina Ding, eu sei que é inteligente. Que prevê o futuro, antes de muitos outros. Admiro-a. Mas talvez não saiba o que se move para lá do horizonte e que poderá cair como uma bomba em Macau. - Que facto é esse, senhor Wolf? - Max, pode começar a chamar-me Max. Como sabe, há quem diga que a realidade deste local frágil é mais interessante do que o mito que se criou à sua volta. A cidade do pecado, dizem, sequiosos de um prazer imaginado servido por mulheres que ora são sereias, ora deusas. Enquanto jogam a vida e a riqueza que pilharam algures. Eu sei que os homens desta terra são duros. Não temem navios de piratas, nem os das potências coloniais. Não têm medo de armas. Não têm medo de espadas e punhais. Será que não há nada de que possam ter medo? A voz de Max Wolf era pausada e agradável. Mas os seus olhos eram frios como punhais. Há muito que Ding Ling não sentia um arrepio na espinha como naquele momento. Ele continuou: - Sabe, menina Ding, dentro de poucas semanas será anunciada a venda de Macau à Alemanha. Ela estremeceu. - Como sabe isso? - Tenho as minhas fontes. Muito credíveis. Porque eu represento alguns interesses alemães nesta parte do mundo. Não do Governo alemão. Mas de empresas alemãs, que estão desejosas de avançar para aqui, a seguir a esse anúncio. Como imagina, os que defendem a presença portuguesa, ou os que têm ligações a eles, passarão a ter mais problemas para lucrarem com os seus negócios. Nova administração, interesses diferentes, se me é permitido dizer. - E isso, o que tem a ver comigo? Wolf bateu com as pontas dos dedos no tampo da mesa. Ding Ling não gostou do ruído. - Tudo, é claro. Sei que é uma voz escutada em Macau. Tem amigos, bons, junto das comunidades chinesa e portuguesa. Amigos e clientes. Pode aliciá-los para que a presença alemã aqui não seja recebida com desconfiança ou, mesmo, com resistência. É certo que os militares alemães não são como os portugueses. Não são fracos e têm mais meios, em termos de armas e navios de guerra. Será muito mais difícil para quem quiser resistir às novas autoridades. (continua)
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8.6.2021 terça-feira
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MNE REUNIÃO DE MINISTROS DO SUDESTE ASIÁTICO COM COVID-19 NA AGENDA
Unidos venceremos A China vai receber, esta semana, os ministros dos Negócios Estrangeiros de dez países do sudeste asiático, numa altura de competição por influência regional com os Estados Unidos. A criação do passaporte de vacina está na agenda, assim como a busca pela normalidade regional pós-pandemia
A
imprensa oficial chinesa informou que a reunião de hoje na cidade de Chongqing, no sudoeste da China, vai abranger questões como o restabelecimento do turismo e outras trocas económicas afectadas pela pandemia da covid-19 e esforços coordenados no combate à pandemia. Também vai ser abordada a criação de um passaporte de vacina para permitir viagens mais livres entre os países. O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, deve reunir separadamente com cada um dos seus homólogos à margem da conferência. Pequim está a construir influência entre os 10 países que compõem a Associação das Nações do Sudes-
“O facto de os dois lados concordarem em realizar uma reunião, cara a cara, entre os ministros dos Negócios Estrangeiros, apesar da situação sombria da covid-19 em curso, reflecte como os países atribuem grande importância e mantêm grandes expectativas para as relações China – ASEAN.” WANG WENBIN PORTA-VOZ DO MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS CHINÊS
te Asiático, apesar dos atritos com alguns deles sobre reivindicações territoriais no Mar do Sul da China. As Filipinas reclamaram repetidamente a presença de barcos chineses ancorados num recife que reclama como seu e a Malásia protestou na semana passada contra a intrusão de 16 aeronaves militares chinesas no seu espaço aéreo, designando o incidente de "séria ameaça à soberania nacional e à segurança do tráfego aéreo". O peso económico e diplomático chinês ajudou a superar tais preocu-
pações, no entanto, enquanto o bloco não conseguiu formar uma posição unificada, face à oposição dos aliados chineses, sobretudo o Camboja. "Nas últimas três décadas, a cooperação China - ASEAN cresceu fortemente, tornando-se o exemplo mais bem-sucedido e dinâmico de cooperação na região da Ásia - Pacífico", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Wenbin, no domingo, ao anunciar a reunião. "O facto de os dois lados concordarem em realizar uma reunião,
cara a cara, entre os ministros dos Negócios Estrangeiros, e apesar da situação sombria da covid-19 em curso, reflecte como os países atribuem grande importância e mantêm grandes expectativas para as relações China - ASEAN sob as novas circunstâncias", descreveu.
Mares agitados
Os EUA, que mantêm presença naval activa no Mar do Sul da China e fortes relações com a região, expressaram preocupação com a presença crescente da China, par-
COMÉRCIO RECUPERAÇÃO EM MAIO DEPOIS DE ABRANDAMENTO
A
S exportações da China aumentaram quase 28 por cento, em Maio, enquanto as importações subiram 51 por cento, à medida que a procura global recuperou, face ao atenuar da pandemia do novo coronavírus em diversos países. A China liderou a recuperação global, após
ticularmente o seu impacto sobre a segurança e a influência política de Pequim sobre democracias frágeis. Durante uma reunião com o primeiro-ministro cambojano, Hun Sen, na semana passada, a vice-secretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, apontou a construção de novas instalações na Base Naval de Ream pela China e exortou a liderança do Camboja a manter uma política externa independente e equilibrada, "no melhor interesse do povo cambojano".
ter controlado a pandemia, que ainda assola muitas partes do globo, mas que está a atenuar-se em vários países onde o programa de vacinação foi implementado com celeridade. Os dados alfandegários divulgados ontem revelaram que as exportações aumentaram 40
por cento, nos primeiros cinco meses do ano, em relação ao ano anterior. Face ao período de 2019, o aumento foi de 29 por cento. O valor das exportações chinesas, de 263,9 mil milhões de dólares, no entanto, ficou quase ao mesmo nível do mês
anterior. As importações chinesas, de 218,4 mil milhões de dólares, ficaram 1,2 por cento abaixo do valor registado em Abril. O superavit comercial da China em Maio fixou-se nos 45,53 mil milhões de dólares, uma queda de 26,5 por cento, em relação
ao período homólogo de 2020. O comércio com a União Europeia aumentou 28,7 por cento, em termos homólogos, entre Janeiro e Maio. As exportações cresceram 27,9 por cento, durante o mesmo período, enquanto as importações cresceram 30 por cento.
A China, porém, considera a presença naval dos EUA a maior ameaça à segurança na região, particularmente a sua insistência em navegar perto do território chinês, no que Washington denomina de operações de liberdade de navegação. Pequim também se opõe fortemente ao reforço das relações entre os EUA e Taiwan, a ilha autónoma reivindicada pela China. Washington enviou uma forte mensagem de apoio no domingo, quando três senadores voaram para Taipé, num avião de transporte da Força Aérea, para anunciar que os EUA vão fornecer a Taiwan 750.000 doses da vacina contra a covid-19, depois de a ilha ter reclamado que a China está a atrapalhar os seus esforços para garantir vacinas.
terça-feira 8.6.2021
china 11
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Os elefantes encontram-se nos arredores de Kunming, cidade com mais de oito milhões de habitantes
NATUREZA CAMIÕES USADOS PARA TRAVAR ELEFANTES QUE SAÍRAM DE RESERVA
A levar tudo à frente O S quinze elefantes, incluindo três elefantes bebés, deixaram a reserva natural em Xishuangbanna, região no sudoeste da China que faz fronteira com o Laos e o Myanmar, em meados de Abril, rumo ao norte, percorrendo cerca de 500 quilómetros, segundo a imprensa chinesa.
A
China defendeu ontem o plano para construir um ‘campus’ universitário na Hungria e afirmou que os críticos não deviam politizar e estigmatizar as trocas normais entre os dois países, após protestos realizados em Budapeste. Vários milhares de pessoas reuniram-se na capital da Hungria, no sábado passado, para protestar contra o acordo com a Universidade Fudan, sediada em Xangai, para abrir uma filial na cidade, citando o custo e as ligações da instituição ao Partido Comunista da China. O plano, apoiado pelo primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, prevê que
O motivo desta migração permanece um mistério, mas os elefantes destruíram campos de cultivo pelo caminho e causaram extensos danos materiais. No domingo, a televisão estatal CCTV transmitiu imagens de camiões estacionados ao longo de uma pequena estrada secundária na tentativa de afastar a manada
de áreas densamente povoadas. "Estamos aqui para bloquear a passagem dos elefantes", afirmou um motorista de um camião à CCTV, dizendo ter agindo a pedido das autoridades. "Enquanto for necessário, ficarei aqui", descreveu. Os elefantes encontram-se nos arredores de Kunming, cidade com mais de oito milhões de habitantes.
As autoridades também mobilizaram milhares de pessoas para acompanhar os movimentos da manada com drones e câmaras infravermelhas.
Sem respostas
A CCTV difundiu, no fim-de-semana passado, imagens dos elefantes a passear casualmente pelas
O campus de Budapeste China defende plano para construir universidade na Hungria o ‘campus’ de Budapeste esteja concluído até 2024. Trata-se do primeiro ‘campus’ universitário chinês nos 27 países membros da União Europeia. O plano é uma plataforma importante para o intercâmbio entre pessoas e está "alinhado com a
tendência actual dos tempos e com os interesses de todas as partes", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, em conferência de imprensa. "Esperamos que as pessoas relevantes na Hungria
assumam uma atitude objectiva, racional e científica, evitem politizar e estigmatizar as trocas normais entre pessoas, entre a China e a Hungria, e mantenham a situação geral de amizade e cooperação entre os dois países", disse Wang.
Referendo no Danúbio
Orban, um populista de direita, fomentou laços mais estreitos com a Rússia e a China, enquanto enfrenta críticas da União Europeia sobre os seus modos autoritários e firme postura anti-imigração.
As autoridades da cidade de Budapeste opuseram-se à ideia da filial da universidade chinesa, dizendo que o projecto de quase 1,5 mil milhões de euros representaria um enorme fardo para os contribuintes. O Ministro do Gabinete do primeiro-ministro, Gergely Gulyás, disse no domingo que o povo de Budapeste vai poder decidir em referendo se o projecto da Fudan avança, assim que os custos e outras condições estejam finalizados. As autoridades húngaras insistiram que a Fudan, classificada entre as 100 melhores universidades do mundo, ajudará a elevar os padrões do ensino superior na Hungria.
ruas de uma aldeia, deixando para trás árvores derrubadas e portas de garagem danificadas. Desde o início da sua jornada, em meados de Abril, os elefantes devastaram cerca de 56 hectares de plantações, causando danos estimados em 6,8 milhões de yuans, informou a televisão chinesa na semana passada. Os zoólogos não entendem o que fez com que a manada deixasse a sua reserva. Os elefantes selvagens são protegidos na China, com uma população estimada em 300, em comparação com menos de 200 na década de 1980. Estes animais vivem exclusivamente na região turística e tropical de Xishuangbanna.
Weibo App bloqueada por perguntar "que dia é hoje" a 4 de Junho
A conta na rede social Weibo, o Twitter chinês, de uma das mais populares ‘apps' da China foi bloqueada depois de ter ousado perguntar "que dia é hoje" no dia 4 de Junho. Xiaohongshu, plataforma em que os internautas podem trocar recomendações sobre compras e viagens, difundiu uma mensagem no Weibo, na sexta-feira, a perguntar: "Alguém me pode lembrar ruidosamente em que dia estamos". A mensagem não foi necessariamente uma referência àquela data: Xiaohongshu difundiu, no passado, mensagens semelhantes na sexta-feira, em alusão à aproximação do fim-de-semana. A conta da plataforma Xiaohongshu, seguida por 14 milhões de pessoas, não estava disponível no Weibo na segunda-feira. Em vez disso, uma mensagem assinalava que a conta foi excluída "após reclamações sobre a violação de leis e regulamentos".
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cartografias
ANABELA CANAS
E trocar a erudição pelo belo? É o que me pergunto ante alguma distância e secura árida de algum do discurso sobre o discurso. A crítica sobre a obra. O saber sobre a arte ou a poesia, que me faz sempre querer tapar os ouvidos e ver simplesmente. Ouvir. Fruir e mergulhar fundo na ilusão de vida que é o uso da linguagem. O mais sólido e vazio prazer da ilusão, como disse Giacomo Lombardi. Uma astronómica manobra de sobrevivência, dado que o belo nunca desilude. Já a razão é uma barca de derivas abstractas que levam a cenários longínquos e analíticos mas, malgrado a euforia do saber, distanciase do sentir e do embalar da simples e delicada beleza que em si é simplesmente o que é, sem necessidade de explicação ou fundamentação. Mas como dizer que a beleza seja um malabarismo da nossa capacidade de ilusão sem reconhecer a lírica e lúdica apetência do hedonismo que nos salva de todo o resto, sem graça, sem emoção e sem sentido e nos mergulha na trémula e deslumbrada sensação de pura contemplação. Talvez esta seja a chave do precioso segredo da humildade. A capacidade de deslumbramento. Que nada cobra do universo e em vez disso se silencia atónito ante o ver e o admirar. Nem que seja por momentos. Ignorar o próprio ser por momentos, por momentos esquecer e render homenagem ao objecto admirado é como abrir as portas afanosamente aos anjos e que entrem que deslumbrem ou sirvam. Isso é lá com eles. Sem juízos e avaliações e pódios. Sem hierarquizar um momento puro e emocional de prazer ante a beleza de uma frase, escrita, pensada ou lida, de um gesto, de uma paisagem, de um olhar ou de uma vida, ou discorrer sobre ela de um ponto de vista crítico. Às vezes todas as ilusões de nitidez, não para com a vida, não para com nada que nos seja reflectido dos outros, mas com a simples realidade familiar com que nos deparamos em nós. Que pode, de um momento para o outro, tornar-se uma vasta poalha de intermitências indefinições e paradoxos. O querer e não querer e o querer não querer ou o querer querer. Tornando-nos irreconhecíveis
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Do prazer (e) da ilusão ANABELA CANAS
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aos outros, no indeterminado momento em que lhes parecera reconhecer-nos e logo desconhecer. Talvez haja que manter a ilusão. Um certo olhar. Mesmo quando o dia é uma correria mas de repente fica com uma textura fina de calma e eternidade. Como se tudo se silenciasse a fruir um momento. Poderia ser esse brilho ainda tímido de sol de primavera e vizinhança de fim de tarde. Ou pode não ser nada de especial, mas algo que simplesmente acontece. Está bem. Vieste então desinquietar-me e eu encontro uma pertinência difusa e quase impalpável de tão subtil nas tuas razões que não sei. Sei o efeito. Ou antes a forma, depois,
somente depois, o efeito. Mas é o efeito em mim. Esse pavor de não entender, que me persegue como monstro papão da infância já com a insónia pontual que haveria, depois, de se tornar personagem de casa. Sem convite, mas amiga estranha e a quem se instituiu o direito de vir depois, mesmo sem chamamento. Lá longe era o vulto do roupão pendurado atrás da porta, um ser de contornos sombrios a apelar um olhar incauto de um sono que de súbito não vinha. Os murmúrios da casa em respiração que dizem natural e saudável. E que se não existisse seria como viver uma casa morta de si. Mas é estranho. A casa range. É a verdade que me incomoda os passos que sempre quis silenciosos. O universo
“MESMO QUANDO O DIA É UMA CORRERIA MAS DE REPENTE FICA COM UMA TEXTURA FINA DE CALMA E ETERNIDADE. COMO SE TUDO SE SILENCIASSE A FRUIR UM MOMENTO. PODERIA SER ESSE BRILHO AINDA TÍMIDO DE SOL DE PRIMAVERA E VIZINHANÇA DE FIM DE TARDE. OU PODE NÃO SER NADA DE ESPECIAL, MAS ALGO QUE SIMPLESMENTE ACONTECE.”
já é ruidoso por demais. Depois penso como ser feliz. O futuro a deus pertence, diz-se, mesmo que não tocados de uma fé que não temos mas no assumir simples de que é algo susceptível de tantas variáveis que não podemos controlar, que melhor é não termos essa ilusão de o saber. Mas como sobreviver até lá, é a tarefa humana que me ocupa todos os dias. A de não perder paisagens imaginadas, também. Como não nos deixarmos tocar de melancolia e pessimismo sem ignorar a realidade humana e a sua inalcançável mas presente e férrea subjectividade. Plena de oxidações corrosivas e dolorosas de variações cromáticas. Mas adaptável, flexível e sempre sujeita a viajar de um extremo a outro. Deixarmo-nos abundantemente embriagar pelo possível. Pela beleza do possível ou simplesmente pelo belo existente nas coisas. As coisas, um gesto bom, uma carícia sincera. Um elogio à vida como ela é ou como ela se pode construir. Ver. E não como deveria ser e se oferecer. Uma certa forma de ilusão. Como a arte. O copo meio cheio, afinal.
uma asa no além
PAULO JOSÉ MIRANDA
Esta será a primeira de quatro partes à volta de um livro do escritor sueco Lars Gustaffson, «A Morte de um Apicultor». A edição usada nas nossas citações é a da editora Marcador, na tradução de Mélanie Wolfram e Afonso Cruz. A seguir às citações, entre parêntesis, aparece o número de página desta edição. A edição original é de 1978. Estamos perante um livro «sui generis», por várias razões. Primeiro, porque se trata de um livro composto por 3 cadernos, de cores e temáticas diferentes, deixada por um professor primário, que nos conta a história a sua história, embora tenha sido organizada por uma outra pessoa, que é quem começa a narração do livro. Como se o escritor se colocasse de fora do que está a escrever e nos dissesse: isto que vão ler não fui eu que escrevi, apenas organizei. De imediato, faz-nos lembrar de uma peça famosa de Pirandello, Esta Noite improvisa-se, onde no início é o encenador que vem ao palco, não para desculpabilizar-se, como faz Gustaffson no início do livro, mas para dizer que aquilo a que os espectadores vão assistir não é da responsabilidade do escritor Luigi Pirandello, mas dele, o encenador. Embora ao contrário, com uma estratégia inversa, estamos perante o mesmo artifício: a de fazer com que o escritor não seja o foco da atenção do leitor ou espectador. Embora o problema da dificuldade de identificação do que é real e do que é ficção seja muito maior em Pirandello do que no escritor sueco, pois a obsessão filosófica primeira de Gustaffson é a linguagem. E adiantei-vos uma citação: «Contrariamente ao que acontece com a percepção das cores, a linguagem não desenvolveu palavras específicas para definir as sensações das dores. Elas não têm nome.» Faltamnos palavras, não apenas para nos expressarmos, mas para nos conhecermos. Ainda nos falta palavras para sabermos quem somos. Isto sempre foi uma preocupação maior do filósofo Wittgenstein. E estas preocupações no livro de Gustaffsson alargamse no terceiro capítulo, «A Infância», onde o narrador lembra várias expressões que
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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«A morte de um apicultor» (1) ouvia na infância, em reuniões familiares, e analisa-as para além do esperado, isto é, escalpeliza as expressões tentando mostrar o que está de facto por detrás daquelas frases que são repetidas quase sem se pensar nelas. Dou alguns exemplos: «para cúmulo da desgraça»; «uma pessoa que eu cá sei» ou «é sempre a mesma merda». Quase no final do terceiro capítulo «A infância», lê-se: «Sabemos o que querem dizer as palavras, e ao mesmo tempo não as entendemos.» (126) Mas além da questão do entendimento ou não entendimento da linguagem, Gustaffson liga o uso compulsivo dela, o estarmos sempre a falar como uma espécie de procura de redenção ou, pelo menos, um acreditar que alguém nos ouve. Que alguém nos ouve sinceramente. Leia-se: «Liberta a humanidade sofredora / Mas primeiro liberta-me a mim, porque fui quem sofreu mais. / Basta apanhar o eléctrico durante uns quilómetros para perceber a situação. E não conseguirem queixar-se de nada, queixam-se das suas sagradas doenças, das dores dos joelhos, das pedras dos rins, das úlceras, das veias inflamadas, dos soluços e das azias, das diarreias ou das fezes duras como rochas, que fazem barulho ao bater no fundo do penico. / E enquanto falam disso, imaginam que alguém lhe dá importância, só por se queixarem.» (93) O problema da linguagem assume uma duplicidade: o parco conhecimento que temos da linguagem em si mesma e o esperarmos que ela nos liberte da dor ou, pelo menos, nos traga empatia. É esta a razão por que se reza. Rezar é esperar que as palavras que dizemos são escutadas, verdadeiramente escutadas, que alguém realmente nos ouve. O facto das palavras se fazerem ouvir fora de nós, pelos outros, e de também muitas vezes se fazerem compreender, como por exemplo «passa-me o sal», faz com que se extrapole
RICHARD AVEDON, RONALD FISHER, BEEKEEPER
terça-feira 8.6.2021
para um «nós podemos ser compreendidos» ou, na tese mais radical «a nossa necessidade de consolo pode ser satisfeita ao falarmos». Mais: a linguagem impõe que o outro preste atenção em nós. Por isso se diz que é falta de educação não responder. Como se a linguagem nos obrigasse a responder. Se alguém te diz «bom dia», tens de responder de acordo com isso. Neste livro, mais do que o problema da incompreensão, de não sabermos o que estamos a dizer com o que dizemos, a linguagem cria a ilusão de que podemos ser escutados. Ou seja, a linguagem cria a ilusão de que ao falarmos alguém se aproxima de nós, alguém cria empatia por nós e que de algum modo o mal que sentimos ameniza ou sara. De tal modo, que o narrador
“«CONTRARIAMENTE AO QUE ACONTECE COM A PERCEPÇÃO DAS CORES, A LINGUAGEM NÃO DESENVOLVEU PALAVRAS ESPECÍFICAS PARA DEFINIR AS SENSAÇÕES DAS DORES. ELAS NÃO TÊM NOME.» FALTAM-NOS PALAVRAS, NÃO APENAS PARA NOS EXPRESSARMOS, MAS PARA NOS CONHECERMOS.”
identifica a única forma de retórica das camadas inferiores da pequena burguesia sueca: a lamentação. Como se o exercício da lamentação os redimisse de alguma coisa. Lamentar é uma forma de rezar na direcção do outro, ao invés de na direcção de Deus, esperando que os pedidos sejam atendidos. Em relação à linguagem é brilhante aquelas páginas em que, depois da visita dos jovens de 12 anos, adeptos de histórias de terror, surge aquela história fantástica acerca da origem da dor e dos seus meandros, «O Grande Órgão da Ilha de Og», para logo de imediato nos surgir uma descrição «científica» do que é um cancro. Dois modos distintos de abraçarmos a linguagem, e duas idades completamente antagónicas a infância e a idade adulta. A linguagem nunca é a mesma ao longo da vida, ainda que as palavras possam ser. Leia-se esta passagem, também do terceiro capítulo: «É sempre a mesma merda. Vamos para a escola, depois para o liceu, depois para a universidade, e passamos por várias represas que nos levam a uma linguagem cada vez mais refinada. E mais abstracta.» (125) No fundo, o narrador entende que a linguagem está ligada ao mundo que se tem. As palavras podem ser as mesmas, ou quase as mesmas, mas o sentido tornase diferente no mundo que se tem. E este mundo não é apenas o mundo que se abre com as diferentes idades de uma vida, é também no interior de uma classe social, no interior de um modo de se viver, que o narrador identificava claramente quando era professor. Escreve: «A linguagem da classe média era a mais indefinida de todas. [...] Sabemos o que querem dizer as palavras, e ao mesmo tempo não as entendemos.» (126) Por tudo isto e o muito que se verá ainda nesta minha leitura, estamos diante daquilo a que o próprio autor chama, quase no final do livro, de antropologia mística. No mesmo sentido que Wittgenstein denomina tudo aquilo que podemos saber para além da lógica. Para além da lógica há a mística. Porque não nos é possível outra coisa senão traçar um mapa de ilusões, mais ou menos plausíveis. (Continua na próxima semana)
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Um filme de: Justin Lin Com: Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Helen Mirren 14.15, 16.45, 19.15, 21.45
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Um filme de: Craig Gillespie Com: Emma Stone, Emma Thompson 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 3
ENDANGERED SPECIES [C]
Um filme de: M.J. Bassett Com: Rebecca Romijn, Philip Winchester, Isabel Bassett, Michael Johnston 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
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Com lançamento agendado para hoje, Chivalry 2 é um multiplayer em que o jogador assume o papel de um guerreiro dos tempos medievais. Através de espadas, machados e lanças, o objectivo passa por ajudar o nosso lado a vencer as diferentes batalhas, o que acontece através da conquista de certas “metas” ou com a carnificina total da equipa oponente. O jogo não promete um modelo de luta muito realista, mas a capacidade para albergar até 64 jogadores humanos no mesmo mapa promete muito divertimento no meio de todo o caos. Devido ao constante jorrar de sangue e à possibilidade de cortar cabeças e braços, o jogo está classificado para maiores de 18 anos. João Santos Filipe
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CINETEATRO CHIVALRY 2 | TORN BANNER STUDIOS (2021)
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FAST AND FURIOUS 9
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo M.Tavares; Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo
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macau visto de hong kong
David Chan
O TRÂNSITO EM MACAU E AS SOLUÇÕES INSOLÚVEIS NO PASSADO dia 2 ocorreu um acidente grave no Iao On, Macau. Um autocarro atropelou duas crianças, tendo ficado uma delas debaixo do veículo. Os vídeos que circularam na Internet mostraram que alguns transeuntes bateram nas janelas do autocarro para obrigarem o motorista a parar e em seguida ajudaram a retirar a criança. Posteriormente, a transportadora emitiu um comunicado de imprensa onde afirmava que o autocarro atravessava a passadeira à velocidade de 8 Km/hora quando atingiu as crianças. Foi constituída uma equipa de emergência para analisar as causas do acidente. A empresa apresentou um pedido de desculpas às crianças e aos seus familiares e suspendeu temporariamente o motorista. É inegável que um acidente deste género é grave. Não é de estranhar que muitos habitantes de Macau estejam preocupados com esta situação. A transportadora suspendeu imediatamente o motorista, deu início a uma investigação e apresentou um pedido de desculpas às crianças e aos familiares. São indicadores que o caso está a ser tomado muito a sério. A suspensão do motorista terá sido a mais importante de todas as medidas, pois é uma forma de garantir a segurança da população. O apuramento da responsabilidade deste acidente é uma tarefa que cabe à Polícia, ao Gabinete dos Transportes, à transportadora e às crianças envolvidas. A população está mais preocupada com a forma de evitar acidentes semelhantes de futuro. O acidente ocorreu numa esquina. As passadeiras normalmente são colocadas nas extremidades das ruas. A colocação das passadeiras desta forma facilita a passagem entre artérias. Os carros têm de abrandar quando contornam uma esquina, no entanto, ao curvar, o condutor pode perder a visibilidade de certos ângulos da rua. É realmente difícil abarcar toda a complexidade da temática rodoviária. Se surgirem situações menos comuns, como chuva intensa, peões que desrespeitam as regras de trânsito, inclusivamente que atravessam com o sinal vermelho, as estradas ficam ainda mais perigosas. Para além da concepção das vias, levanta-se ainda a questão da consciencialização dos peões. É frequente ver pessoas que não respeitam os sinais quando atravessam. O Governo pode processar quem viola as regras, mas isso só iria castigar quem fosse apanhado em flagrante. Este problema só pode ser resolvido através da pedagogia e todos os projectos que envolvem educação são sempre resolvidos a longo prazo. Se os problemas de trânsito em Macau só puderem
ser solucionados desta forma, os residentes vão ter de sofrer ainda por muito tempo. Entretanto, para evitar que acidentes deste género voltem a acontecer, os peões têm de obedecer às regras e os condutores também têm de manter uma atitude conscienciosa. Mas mais importante ainda, é refazer o traçado das passagens de peões que, se estiverem colocadas a meio da via, vão permitir que os condutores vejam claramente se está alguém a atravessar. Desta forma, os atropelamentos podem ser bastante reduzidos. Claro que em certas ruas de Macau esta mudança não será feita com facilidade, porque muitas delas têm no centro os depósitos para os caixotes do lixo. Se viermos a pôr aí as passadeiras, onde é que poríamos os caixotes do lixo? E onde é que os residentes depositariam os seus resíduos domésticos? Noutras artérias, na parte central foram plantadas árvores e flores. Se estas zonas viessem a ser ocu-
“Claro que em certas ruas de Macau esta mudança não será feita com facilidade, porque muitas delas têm no centro os depósitos para os caixotes do lixo. Se viermos a pôr aí as passadeiras, onde é que poríamos os caixotes do lixo?”
padas com passadeiras, qual viria a ser o destino das plantas? As pontes pedonais e os túneis poderiam ser a solução. No entanto, muitos peões têm relutância em subir e descer de pontes para atravessar a estrada. A taxa de utilização das pontes pedonais é baixa. Além disso, de cima da ponte pode ver-se o interior das casas que se situam ao nível do solo, o que vai naturalmente acarretar consigo toda uma complexa questão de privacidade. Ao contrário das pontes, os túneis não levantam questões de privacidade, mas, desta vez, contemplamos o problema da inundação. Se voltar a haver chuvas torrenciais em Macau e os túneis inundarem, como é que os peões vão ousar entrar nos túneis outra vez? Qualquer solução para este problema desemboca noutro problema e não há nada que possamos fazer para o evitar. Contudo, as condições de circulação do trânsito em Macau têm de ser melhoradas, porque é muito provável que acidentes graves continuem a acontecer.
Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
“Devemos ler para oferecer à nossa alma a oportunidade de luxúria.” PALAVRA DO DIA
FÓRUM MACAU 13ª SEMANA CULTURAL DECORRE ATÉ DEZEMBRO
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OMEÇAM este mês, e prolongam-se até Dezembro, as actividades inseridas na 13ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, organizada pelo Fórum Macau. Este ano, e devido à pandemia, continuam a decorrer actividades em formato online “para permitir ao público de todo o mundo experimentar as ricas e diversificadas tradições e culturas lusófonas”. Uma delas é o “concurso da criação de vídeos promocionais sobre os países de língua portuguesa”, organizado pelo Fórum Macau em parceria com o Instituto Politécnico de Macau. A iniciativa conta com a participação de estudantes de instituições de ensino superior da Grande Baía e de países de língua portuguesa. Os vídeos produzidos pelos estudantes serão votados online 1 de Setembro. Quanto ao programa presencial, destaque para exposições e workshops que se realizam no edifício do Fórum Macau entre esta sexta-feira e 31 de Dezembro. A primeira mostra, precisamente inaugurada na sexta-feira, intitula-se “Notícias da Floresta”, da pintora e artista plástica portuguesa Ana Jacinto Nunes. “À margem das exposições, realizam-se uma série de workshops e durante os quais os participantes podem aprender a confecionar os acessórios tradicionais do mundo lusófono, experienciando a diversidade cultural dos Países de Língua Portuguesa”, aponta a mesma nota.
Caritas Funcionários devem decidir sobre vacina
Paul Pun disse ao jornal All About Macau que a Caritas não vai realizar nenhuma campanha de incentivo à vacinação destinada aos funcionários da instituição e prefere que estes decidam se devem ou não levar a vacina contra a covid-19. Relativamente à deslocação dos funcionários da Caritas à província de Guangdong, Paul Pun referiu que não são necessárias novas medidas para limitar viagens, uma vez que os próprios trabalhadores optaram por não sair de Macau. O responsável acredita também que, caso os Serviços de Saúde determinem que os jovens com 12 anos podem levar as vacinas da Pfizer/BioNTech, a medida pode facilitar a vacinação nas escolas e a vida dos alunos.
IPOR Exposição “Macau em Aguarelas” abre amanhã
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Integrada na iniciativa “Junho – Mês de Portugal”, a exposição “Macau em Aguarelas” da autoria de Luísa Petiz pode ser vista a partir de amanhã na Chancelaria do Consulado-Geral de Portugal em Macau. Segundo uma nota, a mostra inclui 20 peças inéditas, onde a artista procurou retratar imagens icónicas de Macau. “Os trabalhos da artista que constituem esta mostra tiveram início no período de confinamento vivido em Macau em princípios de 2020, momento em que Luísa Petiz partiu à procura de recantos da cidade, fonte de inspiração para a criação deste conjunto de obras”, pode ler-se no comunicado.
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Henry Miller
8.6.2021
IPM APOSTA EM ‘PODCASTS’ PARA FORMAR PROFESSORES DE PORTUGUÊS
Ser todo ouvidos O
Instituto Politécnico de Macau (IPM) anunciou ontem que vai apostar no uso e produção de ‘podcasts’ na formação de professores de português, num ano em que a instituição assinala o seu 40.º aniversário. O IPM justificou a aposta no ‘podcast’, um arquivo digital de áudio disponibilizado na internet, por se tratar de “um poderoso instrumento de ensino”, cuja “criação e a divulgação (…) têm vindo a desenvolver-se rapidamente em todo o mundo, especialmente nos países de língua portuguesa”.
Até porque, salientou, os ‘podcasts’ podem “desempenhar um papel importante no aumento da autonomia e da motivação dos estudantes na aprendizagem de línguas”. Razão pela qual, acrescentou, vai merecer uma especial atenção durante a “Oficina para o Ensino do Português na Grande Baía:
recursos digitais pedagógicos” promovida pelo Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM, num evento ‘online’ agendado entre 1 e 7 de Julho.
Aprender a ouvir
A oficina de formação para o ensino do português tem como
“Serão apresentadas dicas úteis para a produção dos ‘podcasts’, bem como os ‘softwares’ comummente utilizados, a fim de facilitar a sua utilização futura nas práticas de ensino dos professores de língua portuguesa.” IPM
público-alvo professores de língua portuguesa e vai incluir três sessões. A primeira sessão da Oficina “irá demonstrar aos participantes as vantagens da utilização dos podcasts como recurso pedagógico na sala de aula de línguas estrangeiras”. A segunda, “não só vai apresentar os modelos mais comuns utilizados na criação dos ‘podcasts’, como também a sua ligação com a literatura portuguesa, de modo que os participantes possam compreender como os podcasts podem ser utilizados no ensino da literatura desta língua”. Finalmente, “a terceira sessão irá dar a conhecer dicas úteis para a produção dos ‘podcasts’, bem como os ‘softwares’ comummente utilizados, a fim de facilitar a sua utilização futura nas práticas de ensino dos professores de língua portuguesa”. A inscrição é gratuita e “será bem-vinda a participação de todos os professores de português das universidades chinesas, sendo dada a prioridade aos professores de português das universidades da Grande Baía”.
TAILÂNDIA INICIADA VACINAÇÃO EM MASSA COM ASTRAZENECA
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Tailândia iniciou ontem uma campanha de vacinação em massa para a população em geral com a vacina AstraZeneca, numa altura de desconfiança crescente na gestão do Governo devido à lentidão do processo. O primeiro-ministro tailandês, Prayut Chan-ocha, exortou o público a ser paciente, dizendo ser normal que a escassa oferta não pudesse satisfazer rapidamente a elevada procura de vacinas. "As vacinas serão distribuídas gradualmente ao longo do
mês, de acordo com o nível de risco, índice populacional e possíveis novos surtos", disse, durante a cerimónia de abertura da campanha. As autoridades criaram vários centros de inoculação em Banguecoque, o epicentro do actual ressurgimento de casos de covid-19 no país, e darão prioridade à vacinação dos idosos e das pessoas com doenças crónicas. Contudo, outras províncias do país e alguns hospitais da capital anunciaram anteriormente o atraso do início da campanha
devido a dúvidas sobre a recepção de doses suficientes. A estratégia da Tailândia, que já vacinou 1,3 milhões de pessoas com o regime completo, baseia-se principalmente na produção doméstica de 61 milhões de doses da Oxford-AstraZeneca por um laboratório de propriedade do rei tailandês, Vajiralongkorn. O país é actualmente um dos países da região do Sudeste Asiático que tem administrado menos doses à população. Enquanto os residentes da capital começam a receber a vacina, a vacinação já está bem
encaminhada entre a população da ilha turística de Phuket, onde esperam alcançar a imunidade do grupo até 1 de Julho, data prevista para a reabertura da ilha ao turismo estrangeiro. As autoridades tailandesas tencionam levantar quase todas as restrições aos turistas estrangeiros já vacinados que viajam para a ilha a partir do próximo mês, onde devem permanecer pelo menos 14 dias antes de se mudarem para outra região tailandesa. Este plano piloto, que poderá ser alargado no futuro à ilha de Samui.