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hoje macau Nº 4723
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ÚLTIMA
Uniões de facto O futuro do país continua a ser discutido em Pequim, na sessão anual da Assembleia Popular Nacional. O princípio “Hong Kong governado por patriotas” deverá ser estendido a Macau. No entanto, devido às realidades distintas que se vivem nas duas regiões, a legislação local poderá ou não ser alterada. GRANDE PLANO
MOP$10
GONÇALO LOBO PINHEIRO
SEGUNDA-FEIRA 8-3-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
CHRISTIANA IEONG
O PAPEL DA MULHER
HOJE MACAU
ENTREVISTA
HERITAGE FOUNDATION
POR MAUS CAMINHOS PÁGINA 5
AMIGOS ENTRE MONTANHAS PAULO MAIA E CARMO
SEIS RAMOS DA MTC JOSÉ SIMÕES MORAIS
MYANMAR
SOLIDARIEDADE EM MACAU PÁGINA 7
2 grande plano
8.3.2021 segunda-feira
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APN PRINCÍPIO ‘MACAU GOVERNADO POR PATRIOTAS’ É “RESPONSABILIDADE DE
Na sequência da implementação do princípio “Hong Kong governado por patriotas”, deliberado pela Assembleia Popular Nacional, o governo da RAEM entende que o mesmo deve ser estendido a Macau. Contudo, poderão não ser necessárias alterações na legislação local
O
Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), no contexto da quarta sessão da 13ª Assembleia Popular Nacional (APN), onde está a ser apreciado um projecto de "aperfeiçoamento do sistema eleitoral de Hong Kong", no sentido de implementar o princípio "Hong Kong governado por patriotas", considerou em comunicado que não só apoia este projecto na medida em que garante " a prosperidade e estabilidade de Hong Kong a longo prazo", como a extensão do mesmo princípio a Macau. "Desde o retorno de Macau à pátria, o Governo da RAEM e os vários sectores da sociedade têm dado elevada importância à promoção da tradição do amor à pátria, defendendo com firmeza o conceito de país e o patrio-
tismo (...). Sob a liderança do Governo Central, a RAEM tem promovido, gradualmente, o desenvolvimento do sistema político democrático, de acordo com a Constituição da República Popular da China e a Lei Básica da RAEM, estabelecendo regimes eleitorais do Chefe do Executivo e da Assembleia Legislativa que correspondam às realidades de Macau, no sentido de salvaguardar (...) o exercício do direito democrático da população, facto que veio criar uma conjuntura favorável a 'Macau governado por patriotas', bem como garantir que a implementação do princípio 'um país, dois sistemas' avance sempre na trajectória correcta", regista o comunicado. Para o Governo de Macau, "envidar todos os esforços para salvaguardar a estabilidade da sociedade local e consolidar a conjuntura de 'Macau
governado por patriotas' são responsabilidades de todos os residentes de Macau". Isto para não sujeitar o princípio 'um país, dois sistemas' a " a alterações ou desvios", que deve ser implementado com "características de Macau". Em questão está a aplicação do princípio " um país, dois sistemas", no qual o Governo afirma manter a sua "confiança firme", desde que não enverede por caminho prejudiciais ao país. Assim, segundo o comunicado, "a RAEM irá unir forças com todos os sectores da sociedade, assegurar permanentemente a direcção correcta da sua aplicação, reforçar constantemente o desempenho da sua missão e consolidar a sua base sociopolítica, implementando o princípio fundamental de “Macau governado por patriotas” de forma plena e aperfeiçoando continuamente o sistema de eleição local, de acordo com a situação real de Macau."
Chefes de acordo
Entretanto, a agência de notícias Xinhua informou que o vice-primeiro-ministro Han Zheng, responsável pelos assuntos de Hong Kong e Macau, teve uma reunião no sábado passado com o Chefe do Executivo de Macau Ho Iat Seng e a Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, em Pequim. No encontro, Han Zheng revelou que espera que o Governo de Hong Kong "implemente seriamente a decisão tomada pela APN de melhorar o sistema eleitoral em Hong Kong, bem como as alterações aos dois anexos da Lei Básica de Hong Kong, e que faça um bom trabalho na legislação local para garantir que a prática do princípio 'um país, dois sistemas' vai na direcção certa".
FOTOS LUSA
Um por todos, Ambos os Chefes das RAEs agradeceram ao governo central o seu forte apoio ao desenvolvimento de Hong Kong e Macau e garantiram que agirão "activamente de acordo com os requisitos do governo central, cumprindo os seus deveres para manter a prosperidade e estabilidade a longo prazo de Hong Kong e Macau". Han Zheng manifestou ainda "a esperança de que o governo da RAEM continue a trabalhar para prevenir e controlar a epidemia; melhore o sistema jurídico e os seus mecanismos de implementação para salvaguardar a segurança nacional e organize a eleição da 7ª Assembleia Legislativa de Macau". O responsável não deixou também de referir que "é necessário obter o apoio do governo central para a construção de Hengqin (Ilha da Montanha), na medida em que "as oportunidades da zona de cooperação Guangdong-Macau promovem activamente o desenvolvimento económico diversificado e desempenham
um papel activo na ajuda ao país na construção de um novo padrão de desenvolvimento".
Macau mantém confiança
Por seu lado, o Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM expressou na sexta-feira um firme apoio à APN na deliberação do projecto de melhoramento do sistema eleitoral de Hong Kong. "O projecto fornece garantia institucional sólida para a plena implementação do princípio "Hong Kong governado por patriotas", disse um porta-voz do Gabinete. Segundo a mesma fonte, este princípio é "fundamental para a soberania nacional, segurança e interesses de desenvolvimento, bem como para a prosperidade e estabilidade duradouras de Hong Kong". Trata-se de um "passo importante para aderir e melhorar o princípio de "um país, dois sistemas", salvaguardando a ordem constitucional estipulada na Constituição e na Lei Básica", disse o porta-voz. "A
mudança é significativa para promover o desenvolvimento estável e sustentado de 'um país, dois sistemas' e manter a prosperidade e estabilidade duradouras de Hong Kong", acrescentou. Ainda segundo o Gabinete, "o sistema eleitoral é um componente importante do sistema político da RAEHK.A melhoria do sistema eleitoral deve ser liderada pelas autoridades centrais, que detêm o poder de decisão". A APN, que delibera o projecto de decisão, está em conformidade com as estipulações relevantes da Constituição e da Lei Básica da RAEHK e é adequado à realidade de Hong Kong, tornando-o indubitavelmente legítimo, justo e necessário", justificou o porta-voz. Mas, por outro lado, "os compatriotas de Macau sempre foram patriotas, com um forte sentimento de identidade nacional e de pertença ao país e orgulho da nação", sublinhou o porta-voz. Daí que o Gabinete tenha expresso "confiança
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todos por um
TODOS OS RESIDENTES”
patriotas', salvaguardando a soberania nacional, segurança e interesses de desenvolvimento", o que poderá significar que as alterações ao sistema eleitoral de Hong Kong são desnecessárias em Macau.
editorial
Em Macau é diferente É
EUA não desistem de interferir
de que o governo da RAEM e todas as camadas da sociedade continuarão a implementar plenamente o princípio de 'Macau administrado por
Entretanto, os Estados Unidos não desistem de interferir nos assuntos internos da RPC e consideraram durante o fim de semana que a reforma eleitoral que a China pretende impor em Hong Kong constitui “um ataque directo” contra a autonomia do território. “Os Estados Unidos condenam os ataques persistentes da República Popular da China contra as instituições democráticas de Hong Kong”, declarou o porta-voz da diplomacia norte-americana, Ned Price. O responsável assinalou ainda que aquela reforma
“limitaria a participação, reduziria a representação democrática e silenciaria o debate, num sentido contrário à vontade clara do povo de Hong Kong”, acrescentou. A reforma deve concentrar-se na designação da Assembleia Legislativa de Hong Kong, onde já existe uma maioria patriótica, que
se opõe às vozes localistas e pró-independência, apoiadas e fomentadas pelos EUA e pela Grã-Bretanha, a ex-potência colonial que, durante a sua administração, nunca admitiu eleições livres e reprimiu sempre duramente as vozes pró-China. Este parlamento deve ser renovado em Setembro próximo.
HONG KONG LEI TROUXE PAZ E ESTABILIDADE À CIDADE
“M
ELHORAR o sistema eleitoral em Hong Kong é uma tarefa crítica e urgente para fornecer salvaguardas institucionais”, disse um porta-voz do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RegiãoAdministrativa Especial de Hong Kong (RAEHK). “Nos últimos anos, alguns elementos anti-China e separatistas radicais locais, apoiados e instigados por forças anti-China de países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, entraram na estrutura governamental da RAEHK, através de brechas eleitorais, espalhando ideias da chamada 'independência para Hong Kong', resistindo à jurisdição das autoridades centrais, e obstruindo a administração do governo, e sendo até coniventes com forças externas para tentar tomar a jurisdição através da manipulação de eleições”, referiu o porta-voz. Segundo a mesma fonte, “tais actos e actividades danificaram gravemente a ordem constitucional de Hong Kong e
o estado de direito, desafiaram a Constituição, a Lei Básica da HKSAR e a lei de segurança nacional, prejudicaram a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento, minaram a estabilidade social de Hong Kong e prejudicaram o bem-estar dos residentes de Hong Kong”. Nas últimas semanas, especialistas jurídicos e consultores políticos intensificaram os pedidos de mudanças no sistema eleitoral de Hong Kong para preencher as suas lacunas. O princípio de “Hong Kong governado por patriotas” foi estabelecido pela primeira vez pelo falecido líder chinês Deng Xiaoping na década de 1980. Na sessão anual da APN do ano passado, realizada em Maio, foi adoptada uma decisão sobre “estabelecer e melhorar o sistema legal e os mecanismos de aplicação da RAEHK para salvaguardar a segurança nacional”, depois de meses
de agitação e violência nas ruas. Hong Kong entrou na situação “mais grave” desde seu retorno à pátria em 1997. Em 30 de Junho de 2020, o Comité Permanente da APN adoptou a lei da segurança nacional na RAEHK, antes de ser promulgada localmente pelo governo. Os legisladores de Hong Kong, presentes na sessão anual da APN, elogiaram a lei de segurança nacional. Condenando as actividades violentas de 2019, que trouxeram “danos desastrosos” a Hong Kong, Tam Yiu-chung, membro do Comité Permanente da APN, disse que, desde a aplicação da lei de segurança nacional, a sociedade de Hong Kong restaurou gradualmente a paz e a estabilidade. “A mudança provou a necessidade e a importância da lei”, disse Tam.
totalmente absurdo da parte das potências ocidentais julgarem que poderiam utilizar Hong Kong ou Macau como plataformas para atacarem o governo central da China. Contudo, foi a esta tentativa que assistimos nos últimos anos. Não em Macau, onde a lei e o costume não deram azo a tal desiderato, mas com sucesso em Hong Kong, onde uma poderosa campanha anti-China causou a paralisia e o caos na ex-colónia britânica. As forças separatistas de Taiwan, apoiadas pelos EUA de Donald Trump, conseguiram introduzir em Hong Kong um cavalo de Tróia chamado lei da extradição, a propósito da fuga para a RAEHK de um criminoso comum, fomentando ao mesmo tempo numerosas manifestações contra essa mesma lei, tendo os manifestantes “esquecido” que não fora proposta pelo governo central. Rapidamente essas acções alteraram o seu mote para exigir mais autonomia ou mesmo independência. Apoiadas por uma extensa e bem financiada campanha mediática local e globalmente, as forças anti-China em Hong Kong conseguiram seduzir um elevado número de jovens locais, que se deixaram arrastar durante meses em reivindicações tão irrealistas quão absurdas, impedindo o normal funcionamento da cidade. Foi, contudo, debalde que tentaram estender
o mesmo movimento a Macau. Por aqui não resultaram o mesmo tipo de manobras, nem a cidade conheceu a mesma agitação social. Aparentemente, a população local não se deixou manobrar como os seus compatriotas de Hong Kong pelos interesses estrangeiros que cuidavam fazer das duas regiões plataformas para desestabilizar a RPC e impedir o seu desenvolvimento e abertura. A partir de certa altura, tornou-se imperativo acabar com a situação em Hong Kong que se tornara insustentável. A RPC fê-lo através da lei de segurança nacional e não, como alguns pareciam desejar, através da força. Agora a implementação do princípio “HK governado por patriotas” surge como constituinte óbvio do “um país, dois sistemas”, pois como poderia existir “um país” num local em que se conspira pela independência e se pretende como ponta de lança no ataque ao governo central? Que outra nação qualquer admitiria isto no seu seio? Já em Macau este problema não existe, nem nunca existiu. A RAEM implementou a sua lei da segurança nacional sem precisar de Pequim, de acordo com a Lei Básica, e os seus habitantes nunca tiveram quaisquer veleidades separatistas, incluindo os residentes estrangeiros. Em Macau é diferente.
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TRABALHO LEI CHAN U PEDE AUMENTO DO PERÍODO DA LICENÇA DE MATERNIDADE
Esbater as diferenças
ECONOMIA PIB DE MACAU CONTRAI 56,3% EM 2020
Num comunicado à imprensa, Lei Chan U apela ao Governo para aumentar o tempo da licença de maternidade até às 14 semanas, e pede que a legislação laboral passe a incluir dispensa de uma hora diária para amamentação. O deputado afirma ainda que as barreiras de acesso ao emprego enfrentadas pelas mulheres já foram eliminadas
E
M 2020, o Produto Interno Bruto (PIB) de Macau registou uma contracção anual de 56,3 por cento. De acordo com dados divulgados na sexta-feira pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), no ano passado o PIB atingiu 194,4 mil milhões de patacas e o PIB per capita fixou-se em 285.314 patacas. Segundo a DSEC, o resultado deve-se, sobretudo, ao impacto no território da pandemia de covid-19. “Em 2020 as actividades económicas a nível mundial foram afectadas pela pandemia da pneumonia causada pelo novo tipo de coronavírus. A economia de Macau, em que predominam as exportações de serviços, não podia ficar imune à significativa descida da procura global ao longo do ano, o que resultou numa contracção de 56,3 por cento, em termos reais”, pode ler-se na mesma nota. Sobre a procura externa, o contexto, impulsionado por uma diminuição 85 por cento do número de visitantes, originou uma quebra anual de 74,9 por cento das exportações de serviços. Simultaneamente, a procura interna registou uma retracção anual de 10,3 por cento, ao passo que a despesa de consumo privado caiu 16,3 por cento, “dadas as reduções no consumo fora de casa e nas viagens ao exterior efectuadas pelos residentes” e as “incertezas das perspectivas económicas”. Contudo, a tendência é para melhorar, dado que a DSEC indicou que, no quarto trimestre de 2020 “o PIB registou uma contracção anual de 45,9 por cento em termos reais, a qual se atenuou em relação à do trimestre precedente (-63,8 por cento)”. P.A.
10 por cento, revelando horários de trabalho “mais instáveis” para as mulheres.
Mudar para melhor
Apesar de reconhecer que há espaço para melhorias, o deputado não deixa de considerar que houve “mudanças significativas” no estatuto e carreiras das mulheres, que associa tanto ao esforço das mulheres como a um reflexo do “respeito da sociedade” por elas.
Lei Chan U apontou que o Governo “trabalhou muito” para reduzir a discriminação e promover igualdade de género, destacando as barreiras de acesso ao emprego para as mulheres foram “destruídas”. Num registo positivo observa ainda uma redução gradual da disparidade de género em cargos de liderança e chefias governamentais. Um dos exemplos dados foi o aumento da percentagem de mulheres enquanto membros das
“Apesar de não haver barreiras à entrada das mulheres no mercado de trabalho, ainda há fenómenos discriminatórios como o tratamento injusto de mulheres grávidas quando encontram um trabalho.” LEI CHAN U DEPUTADO
comissões consultivas de 13,64 por cento em 1999 para 28,83 por cento em 2019. O deputado dos Operários não fez menção à licença de paternidade, que em Macau é apenas de cinco dias úteis. Num relatório da OIT de 2014, conclui-se que a atribuição de tempo livre para os pais comparecerem a consultas de saúde pré-natal com a mãe e o direito individual de licença prolongada depois do parto exclusiva para o pai, são medidas importantes para uma participação activa dos homens nos cuidados à criança. “Políticas de licença parental mais equitativas também aumentam a probabilidade de a mulher voltar ao trabalho depois da licença e passar mais tempo em trabalho remunerado”, indica o documento. Salomé Fernandes
CCAC/GIF Branqueamento de capitais em discussão A Adjunta do Comissário contra a Corrupção (CCAC) e Directora dos Serviços contra a Corrupção, Ao Ieong Seong, encontrou-se na quinta-feira com a Coordenadora do Gabinete de Informação
Financeira (GIF), Chu Un I, para discutirem o reforço das medidas de combate ao branqueamento de capitais e aos crimes de corrupção. No encontro, a responsável do CCAC deixou o desejo de que
além “da investigação de casos, espera-se, no futuro, o apoio do GIF no âmbito da formação de pessoal”. Por sua vez, Chu Un I apelou para que houvesse ainda mais cooperação entre as duas par-
tes e troca de contactos. O GIF fez ainda um ponto de situação dos casos de branqueamentos de capitais e explicou quais os principais riscos e as tendências mais recentes ligadas a este crime.
TIAGO ALCÂNTARA
L
EI Chan U defende que apesar de a participação social das mulheres estar a aumentar, o desenvolvimento dos seus direitos laborais “não é satisfatório”. Em comunicado, o deputado aponta que apesar de a licença de maternidade ter aumentado para 70 dias continua a ser inferior às 14 semanas estipuladas pela convenção sobre a protecção da maternidade, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Assim, apelou ao Governo para gradualmente aumentar o tempo de licença até ao nível recomendado. A nota observa ainda que existe um “tratamento diferenciado” entre as mulheres que trabalham na função pública – tendo por isso direito a 90 dias de licença – e as restantes. E recordou que há cerca de oito anos, de um grupo de 185 países e regiões do mundo apenas 27 tinham uma licença de maternidade inferior a 12 semanas. O legislador, ligado aos Operários de Macau, também quer que as autoridades tomem por referência o Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública e na Lei das Relações de Trabalho o direito de as mães que amamentem os filhos serem dispensadas uma hora em cada dia de trabalho até a criança perfazer um ano de idade. Por outro lado, comentou que “apesar de não haver barreiras à entrada das mulheres no mercado de trabalho, ainda há fenómenos discriminatórios como o tratamento injusto de mulheres grávidas quando encontram um trabalho”. O deputado mostrou-se preocupado com um estudo que mostrou que a proporção de mães adolescentes com trabalho por turnos é superior à dos pais em cerca de
segunda-feira 8.3.2021
HERITAGE FOUNDATION GOVERNO DIZ QUE ÍNDICE É BASEADO EM “DECLARAÇÕES FALSAS”
Não vão por esse caminho TIAGO ALCÂNTARA
Reagindo à exclusão de Macau do índice de liberdade económica da Heritage Foundation, o secretário para a Economia e Finanças manifestou “forte oposição” à análise da Heritage Foundation. Sulu Sou quer saber se o Governo está a ponderar medidas para colmatar eventuais riscos para a diversificação económica do território
política 5
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O
Governo manifestou na passada sexta-feira “forte oposição” ao facto de Macau ter sido excluído do índice mundial da liberdade económica da Heritage Foundation. Num comunicado divulgado pelo gabinete do secretário para a Economia e Finanças, pode ler-se ainda que a análise do “think tank” norte-americano se baseia em “declarações falsas”. “Manifestamos a nossa forte oposição sobre a divulgação, por alguma instituição, de declarações falsas que ignoram os factos, através da emissão dos alegados comentários”, pode ler-se na nota. O gabinete de Lei Wai Nong faz ainda questão de frisar que o Governo “não faz qualquer comentário sobre o acto da respectiva instituição”, que tem vindo a incluir, desde 2009 e “por iniciativa própria”, Macau no índice mundial da liberdade económica. Por último, é reiterado que o Governo da RAEM é detentor de um elevado grau de autonomia, “sendo que a sua economia tem vindo a ser desenvolvida de forma constante sob o suporte do Governo Central”. Recorde-se que na passada quinta-feira, aquando da publicação do relatório que excluiu igualmente
Hong Kong do mesmo índice, a Heritage Foundation argumentou que a avaliação apenas é feita em locais onde os governos detêm o total controlo das políticas económicas. Isto, apesar de reconhecer que em Macau e Hong Kong existe mais liberdade económica que no Interior da China. “Não há dúvida de que tanto Hong Kong como Macau, enquanto Regiões Administrativas Especiais, desfrutam de políticas económicas que em muitos aspectos oferecem aos seus cidadãos mais liberdade económica do que a que está disponível ao cidadão comum da China, mas desenvolvimentos em anos recentes demonstraram inequivocamente que essas políticas são em última instân-
cia controladas através de Pequim”, lê-se no documento.
E agora?
Recordando que, desde 2009, o próprio Governo tem feito bandeira
“Manifestamos a nossa forte oposição sobre a divulgação, por alguma instituição, de declarações falsas que ignoram os factos.” GABINETE DO SECRETÁRIO PARA A ECONOMIA E FINANÇAS
AL Saída de Au Kam San dificulta eleição de democratas O deputado Ng Kuok Cheong acredita que o campo democrata vai ter dificuldade em manter os actuais três lugares na Assembleia Legislativa, com a saída de Au Kam San do hemiciclo. As declarações foram feitas em entrevista à Rádio Macau.
O deputado disse igualmente que o espaço para a intervenção política nas ruas é cada vez mais reduzido, não só devida à pandemia da covid-19, mas por influência da situação de Hong Kong. Ainda no que diz respeito ao direito de reunião e
manifestação, Ng Kuok Cheong considera que a interpretação do Governo de que os não residentes não gozam desses direitos é uma erosão das liberdades fundamentais, que vai contra os direitos humanos. “Não me parece que, antes, mesmo que
se estivessem a manifestar no Largo do Senado, fossem impedidos, enquanto agora... Isso é realmente a perda de um direito fundamental em Macau e é óbvio que temos a enorme responsabilidade de o tentar reaver no futuro”, afirmou.
da liberdade económica e a estabilidade financeira que é possível gozar em Macau, Sulu Sou mostra-se preocupado com o impacto negativo que a exclusão de Macau do índice da Heritage Foundation pode ter a longo prazo, especialmente ao nível da confiança de investidores e empresários para continuar a apostar no território. Numa interpelação escrita divulgada ontem, o deputado questiona assim o Governo sobre quais os riscos que a “perda do importante reconhecimento” pode vir a ter para a economia do território, nomeadamente para a “diversificação adequada da economia de Macau”.
Por escrito, Sulu Sou pergunta ainda se o Governo pondera contactar a Heritage Foundation, com o objectivo de, a curto prazo, “obter uma classificação separada” para Macau ou ainda, se irá tomar outro tipo de iniciativas. “O Governo irá procurar, por iniciativa própria, incluir Macau noutros índices internacionais de índole semelhante, com o objectivo de criar condições para a internacionalização e o desenvolvimento económico de Macau?”, perguntou o deputado. Pedro Arede
Lei do Ruído Ng Kuok Cheong pede maior consciência Através de uma interpelação escrita, Ng Kuok Cheong questionou o Governo sobre o que está a ser feito para divulgar a lei do ruído à população. Por escrito, o deputado reiterou que, apesar de a lei do ruído já estar em
vigor há seis anos, existem ainda muitos residentes que continuam a ter dúvidas sobre o facto de ser impossível fazer obras de remodelação durante os feriados não obrigatórios. Para Ng Kuok Cheong, importa reforçar o
conhecimento sobre a lei, caso contrário, não é possível garantir o direito ao descanso da população, a punição dos infractores e que os agentes das autoridades não são forçados a fazer horas extraordinárias.
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GRAND LISBOA PALACE JOSÉ AVILLEZ NEGOCEIA RESTAURANTE
Verão azul Código de saúde vai exibir registo de vacinação contra a covid-19
A
partir das 11h00 de amanhã o sistema do código de saúde de Macau irá acolher uma nova actualização, passando a permitir que os residentes já ministrados com as duas doses da vacinação contra a covid-19, exibam o respectivo registo. De acordo com um comunicado divulgado na sexta-feira pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, o código de saúde dos residentes que tenham completado as duas doses da vacinação contra a covid-19 será exibido na cor azul, juntamente com uma hiperligação onde se pode ler “Administradas duas doses de vacina covid-19”. Clicando na ligação, será possível aceder à versão electrónica do cartão de vacinação contra a covid-19, com o objectivo de “consultar e apresentar os registos e informações da vacinação”. De acordo com a mais recente actualização da situação da vacinação contra a covid-19, até às 16h00 de sábado já tinham sido vacinadas em Macau com a primeira dose 20.218 pessoas, não tendo havido registo de efeitos adversos nas 24 horas anteriores. O Centro de Coordenação do Novo Tipo de Coronavírus revelou ainda que, desde que foram disponibilizadas as vacinas em Macau foram registados 11 “eventos adversos menores”, tais como dor no local de inoculação, dor de cabeça e febre. Até ao momento, foram feitos 45.245 agendamentos para a vacinação contra a covid-19 no território.
Marcação à zona
Além do registo de vacinação contra a covid-19, a nova versão do código de saúde de Macau introduz também um modelo de gestão por zonas “caso haja necessidade de iniciar medidas específicas de prevenção”, divididas por “categorias e zonas”. Desta feita, em caso de um eventual surto epidémico em Macau, o código de saúde das pessoas que se encontrem dentro da área afectada será ajustado para a cor vermelha ou amarela, passando a ser impossível editar informações relativas à morada durante esse período. Por isso mesmo, também a partir de amanhã, a nova versão do código de saúde irá exigir aos que declararam um endereço impreciso, para voltarem a preencher o campo “de forma correcta”. O novo preenchimento será exigido, por exemplo, explica o Centro de Coordenação, caso o utilizador ao inserir a morada tenha seleccionado “apenas o nome do conjunto habitacional” onde reside e não o edifício P.A. específico.
Hipótese na mesa
Lisboa, Porto, Dubai e... Macau? Representante de José Avillez confirmou a existência de negociações para a abertura de um restaurante no espaço da Sociedade de Jogos de Macau
e 2015 o português esteve durante alguns dias no restaurante Vida Rica, no Hotel Mandarim Oriental, numa iniciativa que permitiu aos residentes de Macau experimentarem alguns dos melhores pratos do chef.
Segundo projecto
De acordo com o portal oficial, o português tem actualmente oito restaurantes, sete dos quais em Lisboa e Porto. O restaurante mais famoso do chef é o Belcanto, na capital portuguesa, distinguido com duas estrelas Michelin. Estas não foram as únicas distinções, mas anteriormente, José Avillez já tinha feito parte da equipa do Restaurante Tavares, também conhecido como “Tavares Rico”, em Lisboa, que em 2009 foi distinguido com uma estrela Michelin. Avillez ocupava nessa altura a posição de chef executivo.
“Posso revelar que vamos ter um restaurante com comida portuguesa e um chef muito famoso de Portugal.” ANGELA LEONG CO-PRESIDENTE DA EMPRESA MÃE DA SJM
J
OSÉ Avillez está em negociações com a Sociedade de Jogos de Macau para abrir um restaurante no hotel e casino Grand Lisboa Palace, a aposta da concessionária fundada por Stanley Ho para o Cotai. A informação foi avançada por uma representante do chef, após ter sido questionada sobre as declarações de Angela Leong, que tinha adiantado que o Grand Lisboa Palace vai ter um restaurante com comida portuguesa.
“Quanto ao tema em referência, tem havido conversações, mas não há nada certo”, foi respondido pela representante de José Avillez, ao HM. A abertura de um restaurante com comida portuguesa e um Chef distinguido pelo guia turístico Michelin foi revelada por Angela Leong, co-presidente da empresa mãe da SJM, no final de Fevereiro, que prometeu uma surpresa para a comunidade portuguesa. “Posso revelar que vamos ter um restaurante com comida
Casamentos Negócio com quebra de 20 por cento No ano passado o volume de negócios no sector dos casamentos registou uma quebra de 20 por cento, segundo as declarações de Pang Man Hoi, presidente da Associação de Organização de Casamento e Banquete de Macau, ao jornal Ou Mun. O mesmo responsável adiantou que os banquetes de casamento realizados foram mais
pequenos do que em anos anteriores e que houve casos em que as festas foram adiadas. O presidente da associação considerou ainda que a pandemia veio trazer novos desafios aos noivos, uma vez que quando organizam as festas têm de pensar muito bem nas pessoas que podem vir a Macau devido às restrições da pandemia da covid-19.
portuguesa e um chef muito famoso de Portugal […] Não vou ainda revelar o nome, mas se em Portugal se disser o nome dele todos sabem quem é. Por enquanto fica como segredo, depois será uma surpresa”, afirmou Angela Leong, na altura. “Queremos dar uma surpresa a todos os portugueses e aos residentes que gostam da comida portuguesa. Vai ser um restaurante com comida muito boa”, acrescentou. As ligações entre Avillez e Macau não são novas. Em 2014
Este terá sido uma das razões para a menor dimensão. Pang afirmou também que apenas cinco por cento dos banquetes de casamento foram cancelados. Em relação a este ano, Pang Man Hoi antevê uma nova quebra de 20 a 30 por cento no negócio dos casamentos, com as melhorias a serem esperadas apenas para o final do ano.
O oitavo restaurante do cozinheiro tem como nome “Tasca”, situado no Dubai no Hotel Mandarim Oriental, o mesmo grupo responsável pela vinda a Macau em 2014 e 2015, e permite às pessoas nos Emirados Árabes Unidos experimentarem pratos tradicionais e modernos com sabores gastronómicos portugueses. Além dos restaurantes, Avillez participou em programas de televisão, rádio, escreveu livros e inclusive lançou uma marca de vinhos. As obras de construção do hotel que poderá receber Avillez já estão concluídas, e a abertura depende da fiscalização e obtenção de licenças. Em 2019, a empresa esperava que o hotel com cerca de 1.900 quartos tivesse um custo final de 39 mil milhões de dólares de Hong Kong, mas era admitida a possibilidade do preço aumentar. João Santos Filipe
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MYANMAR VIGÍLIA JUNTA CERCA DE UMA CENTENA DE PESSOAS
Velas solidárias HOJE MACAU
Pessoas de religiões diferentes, mas com a democracia como crença comum, marcaram ontem presença numa vigília para rezar por quem perdeu a vida no seguimento do golpe de Estado na antiga Birmânia
do Governo local, é a nossa responsabilidade”. A vigília juntou pessoas de diferentes crenças religiosas, ecoando cânticos ocasionalmente marcados pelo soluçar de participantes. “Apesar de acreditarmos em religiões diferentes e sermos de diferentes etnias, acreditamos na democracia. (...) Como sabemos, o Myanmar é um dos países mais pobres da Ásia, por isso temos de fazer algo e estamos a tentar, com Aung San Suu Kyi. Num curto período de tempo, durante cinco anos, começámos a seguir o nosso caminho rumo ao sistema democrático, com um Governo eleito”, disse Oscar Lay, referindo que os acontecimentos recentes alteraram a situação. Sem poder regressar a casa, sendo-lhe assim vedada a possibilidade de participar, Oscar Lay conclui que resta rezar pelas pessoas que se encontram no Myanmar.
Recuperar do choque
Han Zaw, estudante “Todos estamos profundamente tristes e chocados por esta tragédia devastadora.”
C
ERCA de uma centena de pessoas juntou-se ontem para rezar por quem morreu no Myanmar, no seguimento do golpe de Estado sofrido pelo país. O evento, organizado pelo Myanmar Social Club de Macau decorreu no Centro Bom Pastor. Foram depositadas flores em frente de um mural que expunha rostos e nomes de vítimas, impressos em papel com indicação da causa, data e local da morte. Voltadas para esse espaço estiveram dezenas de pessoas que foram gradualmente acendendo velas que iluminaram o final da tarde. “O objectivo de nos juntarmos hoje (ontem) é fazer o luto e rezar
pelas pessoas que perderam as suas vidas desde 1 de Fevereiro até agora”, disse Ricky Myint, um dos organizadores, ao HM. O presidente do Myanmar Social Club descreveu que a tristeza gerada levou a que criasse um espaço para as pessoas do Myanmar
que se encontram no território se juntarem e rezarem juntas. Questionado sobre a indicação do Corpo de Polícia de Segurança Pública em como os não residentes não têm direito a manifestar-se no território, Ricky Myint respondeu que “todos temos de seguir a lei
Han Zaw frisou estar presente para celebrar os cidadãos que “deram as suas vidas na luta contra os militares” bem como na “procura pela democracia”. “Todos estamos profundamente tristes por esta tragédia devastadora e todos ficámos chocados. Foi uma tomada do país imprevisível e abrupta, detendo o Governo oficialmente eleito”, descreveu o estudante que se encontra em Macau há cerca de dois anos. Luis, que é também estudante do ensino superior, frisou a tristeza sentida com o recurso a força letal por parte de militares contra os protestantes envolvidos em campanhas não violentas: “para mim é uma situação muito triste”. Para alguns, a preocupação é constante. “Quando estamos a trabalhar continuamos a pensar no Myanmar, e quando comemos também pensamos no Myanmar. Estamos muito preocupados e perturbados”, disse Cecilia. Salomé Fernandes
MANIFESTAÇÃO WU SHAOHONG REÚNE HOJE COM AUTORIDADES Wu Shaohong, vice-presidente da associação Poder do Povo, disse ao HM que vai reunir-se hoje com a polícia sobre a organização de uma manifestação, a propósito da situação política no Myanmar. A entrega às autoridades de um aviso prévio para a realização de uma manifestação na quarta-feira, por parte de um grupo de residentes de Macau, foi noticiada na sexta-feira pela TDM Rádio Macau. O objectivo é ter uma manifestação na Rotunda Carlos da Maia, mas caso isso não aconteça a alternativa passa por realizá-la
“online”. A iniciativa surgiu depois da Polícia de Segurança Pública insistir que os trabalhadores não residentes (TNR) não têm direito a manifestar-se no território. “A polícia está a distorcer o sentido da lei”, disse Wu Shaohong, acrescentando que no passado se realizou uma manifestação a favor de Timor-Leste, em 1999. “Houve várias manifestações, a polícia identificou todos participantes para verificar se eram ou não residentes de Macau para lhes permitir a manifestação?”, questionou.
Biblioteca Central Projecto vencedor anunciado hoje
O Instituto Cultural apresenta hoje o projecto vencedor para a construção da nova Biblioteca Central de Macau, no local onde actualmente se encontra o Hotel Estoril. Para o concurso, segundo o Governo, foram convidadas 10 equipas chinesas e internacionais que contam no currículo com prémios internacionais na área da arquitectura. Entre essas, quatro equipas provenientes da Holanda, Finlândia, Irlanda e Suíça, apresentaram propostas e uma delas será a vencedora. A Nova Biblioteca Central era para ficar situada no edifício do Antigo Tribunal, e o Governo, que na altura tinha como secretário para os Assuntos Sociais e Cultural Alexis Tam, atribuiu o projecto ao atelier de Carlos Marreiros. No entanto, o Governo de Ho Iat Seng fez questão de revogar essas decisões para lançar o concurso cujo resultado é hoje conhecido.
Banca Depósitos de residentes com quebra ligeira
Em Janeiro os depósitos dos residentes registaram uma quebra de 3,7 mil milhões de patacas, face ao período homólogo, caindo de 680,4 mil milhões para 676,7 mil milhões de patacas. Os números foram revelados no sexta-feira pela Autoridade Monetária e Financeira (AMCM). No entanto, entre Dezembro e Janeiro houve uma tendência de subida de 673,7 mil milhões para os 680,4 mil milhões de patacas. Ainda de acordo com os números revelados houve um aumento dos empréstimos dos bancos de Macau aos negócios privados, que passou de 534,3 mil milhões para 547,4 mil milhões de patacas.
Fai Chi Kei Idoso embriagado cai à água
Um homem de 66 anos caiu ontem ao mar, perto da Rua do Comandante João Belo, no Fai Chi Kei. De acordo com informações divulgadas ontem pelo canal chinês da TDM-Rádio Macau, o idoso terá caído à água por volta das 14 horas, tendo sido posteriormente salvo por um agente dos Serviços de Alfândega, que acorreu ao local após um cidadão ter dado o alerta. Segundo a mesma fonte, o homem nunca perdeu a consciência, tendo apenas alguns arranhões na perna esquerda.
8 entrevista
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CHRISTIANA IEONG DIRIGENTE DO ZONTA CLUBE DE MACAU
Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, que hoje se celebra, a presidente da assembleia-geral do Zonta Clube de Macau diz que gostaria de ver mais mulheres na política, mas que cabe ao Governo liderar esse processo. Christiana Ieong defende a despenalização do aborto para assegurar o acesso das mulheres aos cuidados de saúde e o seu poder de decisão. Sobre a violência doméstica, a responsável alerta para a baixa taxa de condenações
Como está a correr a SMART Nursery desde a abertura? Com a pandemia, que estratégias foram implementadas em termos de gestão? Estamos muito gratos por este projecto porque podemos fazer algo de forma directa para as mulheres e crianças. Temos muita sorte e sobretudo no que diz respeito às crianças, cada vez que falamos com os pais vemos que todos estão agradecidos pelo trabalho que fazemos. Em termos das operações, depois do lançamento em Setembro de 2019, mas não muito depois, fomos atingidos pela pandemia. Este foi o maior desafio mas não apenas para nós. E gerimo-lo bem. Estivemos fechados durante quatro meses e nesse período aproveitei para pensar na gestão da creche. Com esta nova equipa avançamos muito em pouco tempo e esse foi o lado bom da pandemia. Tornámo-nos uma das mais populares creches em Macau, por isso estamos no caminho certo. Compreendemos o que faltava ao mercado e criamos um produto novo, focado nas famílias mais jovens, por isso não estamos a competir com as creches tradicionais, que funcionam há mais de 30 anos e que fazem um excelente trabalho. Incorporamos novos elementos educativos, damos liberdade e um programa estruturados. As crianças podem brincar, criamos um ambiente que estimula a exploração. O Dia Internacional da Mulher celebra-se hoje. Vê algumas mudanças na sociedade de Macau ao nível da igualdade e no acesso das mulheres a cargos de topo, nomeadamente na política? O Chefe do Executivo expressou as suas preocupações sobre a igualdade de género e acredito que vai fazer alguma coisa em relação a isso. Acredito nas suas palavras porque ele é um homem de honra, e o que ele diz e o que vê ele faz, e faz da forma correcta. Reconhece o problema. Mas a questão é que quando nos referimos à igualdade e ao empoderamento das mulheres, olhamos para os centros de poder e quem está lá? Na Assembleia Legislativa há poucas mulheres e até temos uma a menos [Melinda Chan, que não foi reeleita nas últimas eleições], e nunca concordei com isso. Mesmo os deputados nomeados são quase todos homens. No Conselho Executivo também não há muitas mulheres. Se o Chefe do Executivo abordou esta questão acredito que vai fazer al-
GONÇALO LOBO PINHEIRO
“O aborto é questão social
guma coisa. E mesmo nas eleições por sufrágio directo nunca vimos muitas mulheres a participar, e também por sufrágio indirecto. Porquê esta pouca participação na política? O Governo tem de estar na liderança em relação a este assunto, porque não é algo que aconteça já amanhã. Isto exige muita determinação, então se o Chefe do Executivo fez menção a este assunto é porque vai fazer algo. Ele é muito competente e tem uma forma de o fazer [promover a igualdade de género]. Veremos o que acontece nas próximas eleições. Mas as mulheres também precisam de se mostrar mais.
O facto de poucas mulheres participarem nestas áreas é também um problema social. Sim. Precisamos de nos mostrar e aproveitar as oportunidades quando elas aparecem, sair da nossa zona de conforto. A pandemia afectou o papel da mulher na sociedade, a nível laboral e também familiar? Os problemas que já existiam tornaram-se mais evidentes? A gestão da pandemia tem corrido bem em Macau comparando com outros territórios. Mas o efeito secundário é sobretudo emocional, porque muitas crianças ficaram fechadas em casa sem escola e isso
atingiu mais as mulheres, porque têm ocupado o papel central no cuidado dos filhos e da família, sobretudo as mães que trabalham. A lei laboral não nos ajuda muito porque torna a nossa vida difícil. É complicado contratar empregadas domésticas, e isso revela
“As mulheres têm o direito de decidir o que fazer com os seus corpos. Isto é básico. Então apostemos na legalização [do aborto].”
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l que precisa ser discutida” É necessária uma nova mentalidade em relação à violência doméstica? Sim, e também para reportar estes casos as vítimas têm de confiar nas autoridades. Se não houver consequências para os que cometem o crime, porque é que as vítimas vão denunciar os casos? É necessária essa confiança. Há também a preocupação do aumento dos casos com o prolongamento da pandemia. Haverá um maior stress financeiro devido aos casos de desemprego e conflitos familiares pelo facto de as pessoas estarem em casa.
“A lei laboral não nos ajuda muito porque torna a nossa vida difícil. É complicado contratar empregadas domésticas.”
que quando estavam a legislar não houve muitas opiniões de mulheres, dadas as desvantagens que a lei tem para o nosso lado. O Governo tem de pensar em ter mais mulheres no hemiciclo para nos representar. É uma lei difícil e que não é prática. Como vou contratar alguém de fora, em regime interno, um completo estranho, através de uma entrevista online? No caso de uma ausência prolongada da empregada temos de contratar uma substituta, e isso causa muita pressão às mulheres, afectando o desenvolvimento da sua carreira. As mulheres migrantes estão numa situação mais frágil em relação
à protecção dos seus direitos, em comparação com as mulheres locais? Os seus problemas são muito diferentes dos vividos pelas mulheres locais ou expatriadas. Em termos económicos falamos de níveis sociais diferentes. Não posso falar muito sobre esse assunto porque não se pode generalizar.
“A taxa de acusações ou de condenações continua a ser muito baixa. É preciso uma maior consciência [em relação à violência doméstica].”
Se o Governo melhorasse os salários destas trabalhadoras, estas poderiam estar num nível sócio-económico diferente. Penso que isso já foi feito, com o aumento do salário mínimo. É algo que está em progresso, está a melhorar. Que comentário faz ao trabalho da Comissão para os Assuntos das Mulheres e Crianças? Penso que fizeram um bom trabalho no geral, porque construíram o enquadramento para a garantia dos direitos das mulheres e crianças. Mas dentro da comissão há dois grupos pequenos, um para os direitos das mulheres e outro para os direitos das crianças, e são
liderados por homens. Falamos da necessidade de dar mais oportunidades às mulheres, mas isso não acontece dentro desta comissão. Sobre a lei da violência doméstica. O Governo deveria avançar para uma revisão? A taxa de acusações ou de condenações continua a ser muito baixa. É preciso uma maior consciência. A minha preocupação reside na forma como a lei é implementada. É preciso sensibilidade para com as vítimas que têm de viver com este trauma. Será que as autoridades têm experiência suficiente, e formação, para tratar devidamente destes casos?
Há muitas associações tradicionais em Macau que têm uma visão mais tradicional do papel da mulher. É preciso mudar isso, uma vez que essa visão acaba por influenciar as novas gerações? Sim, sem dúvida. Em tudo. Há uma forma de mudar para melhor e para o amanhã. Quem achar que é perfeito tem um problema. Temos de nos juntar para mudar a sociedade. As associações como a Associação Geral das Mulheres ou a União das Associações de Moradores têm feito coisas boas por Macau há várias décadas. Deve ser feito um reconhecimento ao seu trabalho. Mas há novas questões sociais de diferentes segmentos da sociedade e o Zonta Clube de Macau está aqui para fazer o seu trabalho também. Há coisas que não podemos fazer sozinhos e temos de fazer esse trabalho em conjunto. Há novos assuntos relacionados com as mulheres que precisam de ser abordados? A despenalização do aborto, por exemplo? Não sou anti-aborto ou pró-aborto. Mas olho para isso como uma questão social que precisa de ser discutida e com a qual temos de lidar. Todas as mulheres deveriam ter acesso a cuidados médicos em todas as alturas. E as mulheres têm o direito de decidir o que fazer com os seus corpos. Isto é básico. Então apostemos na legalização. Andreia Sofia Silva
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ANNOUNCEMENT 1. Objective:
Open invitation to one tender.
2. Procuring entity: 3. Address of procuring entity: 4. Works, goods and services to be procured: 5. Location of work and installation: 6. Conditions of entry:
Macao Science Center Limited. Avenida Dr. Sun Yat-Sen, Macao Science Center.
7. Method for obtaining tender documentation:
For “Interactive Exhibit Fabrication for Gallery 6 of Macao Science Center” PA-21-049 Macao Science Center. Registered supplier under relevant categories of Macao Science Center Limited. Interested parties can send in your request through email to tender@msc.org.mo and please attach with commercial registration documents & contact details.
8. Tender submission Location: location and Deadline: deadline: 9. Tender opening location and time:
10. Validity period of the tender: 11. Provisional guarantee: 12. Definitive guarantee: 13. Construction Period: 14. Selection criteria:
15. Additional information:
16. Base price:
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Avenida Dr. Sun Yat-Sen, Macao Science Center. 7th April, 2021 (Wednesday) at 5:00 pm (Macao time). Location: Avenida Dr. Sun Yat-Sen, Macao Science Center. Time: The first working day after the deadline or 8th April, 2021 (Thursday) at 3:00 pm (Macao time). Bidders or its representative shall be present at the Tender Opening for clarification of possible questions arisen from submitted tenders. If bidder or its representative cannot be present in the Tender Opening, and clarification is required, Tender Opening Committee will send a notification letter to the bidder. The bidder must present a clarification letter and send back to the Tender Opening Committee before the deadline specified in the notification letter .The qualified list of bidders will be released afterwards. 90 days starting from the date of tender opening (the validity period may be extended according to the Tender Procedures). Exempted. Exempted. The design, production and construction period should be no more than 120 days. Please refer to Part III. Tender Regulations - Evaluation – Open consultation document, tender to be evaluated according to the following elements: 1. Design and technology (50%) 2. Price (50%) All related information will be uploaded to Macao Science Center website (http://www.msc.org.mo) from the day following the publication of this announcement until the tender closing date. Bidders are responsible to visit the website for additional information. No base price. Macao Science Center Limited 8th March, 2021
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 190/AI/2021
1ª Vez publicado no dia 2021-03-08
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora KOU IOK CHENG, portadora do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 51725xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 85/DI-AI/2018 levantado pela DST a 25.04.2018, e por despacho da signatária de 08.10.2020, exarado no Relatório n.° 671/DI/2020, de 07.10.2020, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $220.000,00 (duzentas e vinte mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Travessa da Amizade n.° 82, Centro Internacional de Macau, Bloco 8, 7.° andar D onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 30 dias, conforme o disposto na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo DecretoLei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.---------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-----------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 10 de Fevereiro de 2021.
ANÚNCIO
A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
Autos de Execução Fiscal n.º
2011/93/000944/90 ________________
REF
Exequente: Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização, sito na Rua Dr. Pedro José Lobo, nº 1-3, Ed. Banco Luso Internacional, 6º andar, Macau. -----------------Executado: Ho Ping Kwong, masculino, casado, titular do B.I.R.M., residente na Rua da Ribeira do Patane nº 117, Edif. Lei Cheong, 9º andar “D”, Macau. ------------------------------------------------------------------------------------------------FAZ-SE SABER que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos dos Executados para, no prazo de QUINZE DIAS, que começam a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contados da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenha garantia real e que é o seguinte: -------------------------IMÓVEL PENHORADO ----Denominação da fracção autónoma: “D9” do 9º andar “D”. ----Situação: sito em Macau, N.º 117 da Rua da Ribeira do Patane, Edif. Lei Cheong. ----------------------------------------Finalidade: Habitação. --------------------------------------------Número de matriz: 70689. ---------------------------------------Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: n.º 13161 a fls. 92V do Livro B35. ---------------------------A registada a favor do executado pela inscrição: n.º 2019 a fls. 90 do Livro G14L. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------Na R.A.E.M., 2/Março/2021 A Chefe Auxiliar da REF, Amélia Maria Minhava Afonso
segunda-feira 8.3.2021
O
presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos (ACIML) disse à Lusa que Portugal pode aproveitar a tensão política e diplomática entre Pequim e Camberra para exportar mais vinho para a China. “Portugal pode tornar-se num dos maiores fornecedores de vinho no mercado chinês”, defendeu Eduardo Ambrósio, lembrando que a China tem imposto elevadas taxas alfandegárias sobre o vinho australiano. O responsável salientou que a aposta empresarial de exportação para o mercado chinês tem de se focar “em produtos de primeira qualidade”. E deu exemplos, para além do vinho: o café produzido em boa parte dos países lusófonos (com o Brasil à cabeça), a madeira e o algodão de Moçambique, o caju da Guiné-Bissau. A água é outro dos exemplos, defendendo que se tem fracassado na promoção na China. “Há que corrigir essa ‘gap’ [falha] e procurar entrar no mercado, como conseguiu a França”, explicou. A associação, sediada em Macau, tem todas as condições para conseguir fazer a ponte entre os diferentes mercados, sustentou, já que os empresários “percebem os chineses, Macau e os países de
china 11
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ACIML PORTUGAL PODE EXPLORAR TENSÕES ENTRE PEQUIM E CAMBERRA PARA VENDER MAIS VINHO
Mais um copinho? Eduardo Ambrósio, presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos defende o aproveitamento da tensão entre a China e a Austrália por Portugal para aumentar a exportação de vinhos. O responsável sugere também a criação de um museu lusófono do café a pensar no mercado chinês língua portuguesa, a cultura e os mercados”, sustentou.
Vai um cafezinho?
O presidente da ACIML disse também que quer um museu lusófono do café em Macau que traduza a nova aposta empresarial na exportação do produto para a China. A criação do museu depende “de um acordo com o Governo de Macau”, com “o apoio do [empresário] Rui Nabeiro, da Delta” Cafés, explicou Eduardo Ambrósio.
A ideia do Museu do Café dos países de língua portuguesa passa por permitir a residentes de Macau e turistas contacto com a produção e cultura do produto nos países lusófonos, mas tem também um outro significado: traduzir “a aposta que se quer fazer no mercado da China continental”, acrescentou. Eduardo Ambrósio lembrou que “o consumo do café está a crescer 20 por cento em termos anuais”, com “os jovens a beberem cada vez mais café e menos chá”. Uma opor-
tunidade para países como Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, exemplificou Eduardo Ambrósio. O projecto de criação do museu foi abordado com o Governo no final de Fevereiro, num encontro com o secretário para a Economia e Finanças.
Haja saúde
Relativamente à medicina tradicional chinesa, Eduardo Ambrósio acredita que a nova lei vai intensificar a exportação destes produtos para países
africanos de língua portuguesa. “A informação que tenho é que há pelo menos 25 empresas que se chegaram à frente a pedir emissão de alvarás para produção” de produtos associados à medicina tradicional chinesa, cuja indústria representa anualmente um negócio de muitas centenas de milhões de euros, em especial no mercado asiático, adiantou Eduardo Ambrósio. O objectivo é produzir e registar em Macau, para dar mais valor e confiança nos países de expressão portuguesa”, explicou, acrescentando que a exportação também deve abranger equipamentos médicos descartáveis, muitos dos quais “têm sido comprados à Índia e são mais caros”. Mercados como Angola, Moçambique e Cabo Verde são considerados importantes e de grande potencialidade, concretizou Eduardo Ambrósio. Esta aposta está em sintonia com um dos mercados definidos como prioritários para a ACIML, o da Grande Baía.
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Joe Biden está “de mãos atadas”
HM • 2ª vez • 8-3-21
Kishore Mahbubani alerta para dificuldades na ligação dos EUA com a China
A
crescente hostilidade da classe política norte-americana face à China vai “atar as mãos” do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na relação com Pequim, previu à Lusa um proeminente diplomata e autor de Singapura. “Acho que é bastante claro que Joe Biden vai ter uma tarefa sinuosa”, afirmou Kishore Mahbubani, autor do livro “A China Já Ganhou?”. “Há um consenso anti-China muito forte em Washington”, apontou. “Os republicanos vão destruí-lo caso ele seja brando com a China (…), mas, por outro lado, penso que ele vai ter uma química muito boa com [o Presidente chinês], Xi Jinping”, acrescentou. Investigador do Instituto de Pesquisa sobre a Ásia, na Universidade Nacional de Singapura, Mahbubani foi durante mais de 30 anos diplomata, tendo assumido a presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas entre 2001 e 2002. O autor considerou que a política de confrontação adoptada pelo anterior governo norte-americano de Donald Trump não conseguiu conter a ascensão do país asiático. “O resultado, após quatro anos, é uma China mais forte e uma América mais fraca”, resumiu. E, embora tenha parado com ataques retóricos e anúncios quase diários
de novas sanções contra a China, a administração de Joe Biden ainda não anulou nenhuma das medidas do executivo anterior.
“Graves erros”
Mahbubani advertiu, porém, que os EUA estão a cometer “graves erros
estratégicos” e a “subestimar” a China, ao avaliar o país de uma “perspectiva ideológica”. “Isto não é uma disputa entre uma democracia dinâmica nos Estados Unidos e um sistema comunista rígido na China”, apontou. “Na verdade, os EUA tornaram-se uma plutocracia e a China uma meritocracia.” O autor lembrou que o Partido Comunista Chinês “recruta para os seus quadros as melhores mentes da China”, enquanto as doações privadas desvirtuaram o sistema político norte-americano, ao constituírem um “suborno legalizado”, que impede a execução de reformas e retira influência ao voto popular. Mahbubani notou que o Ocidente em particular, os Estados Unidos - tem vindo a cometer “erros estratégicos” que permitiram a ascensão da China. “A guerra no Iraque foi um presente geopolítico para a China: durante a década que a China mais cresceu, os EUA estiveram atolados a travar uma guerra completamente desnecessária.” “O mundo está a tornar-se multicivilizacional, onde a civilização ocidental não tem mais o monopólio, seja em termos de inteligência, conhecimento ou superioridade moral”, descreveu. “É um mundo muito, muito diferente”.
ANÚNCIO Execução Ordinária CV3-20-0105-CEO 3º Juízo Cível - EXEQUENTE: LEI CHOI HONG, residente na Avenida Panorâmica do Lago Nam van, Edifício Lake View Mansion, Bloco I, 8º M em Macau.------------------------------------------------------ EXECUTADO: LAI, KA U, solteiro, residente na Rua de Luís João Baptista, 2-A, Edifício Yan Weng, r/c B em Macau. ----------------FAZ-SE SABER QUE por este Juízo, correm éditos de VINTE DIAS, contados da segunda e última publicação do anúncio, citando os Credores Desconhecidos do executado, para no prazo de QUINZE DIAS, decorrido que seja o dos éditos, reclamarem o pagamento dos respectivos créditos pelo produto do direito de aquisição penhorado ao executado sobre que tenham garantia real. --------------------------------------------------------------------------------- Direito de aquisição da fracção autónoma designada por E18, do 18º andar E, para habitação, omisso na matriz, Freguesia de Nossa Senhora do Carmo (Taipa), do prédio descrito na Conservatória do Registo Predial sob o número 22792-I e pertencente ao executado LAI, KA U, conforme inscrição número 365372G. -----------------------------------------------------------------------RAEM, 24 de Fevereiro de 2021
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8.3.2021 segunda-feira
Dois amigos entre altas montanhas e rios impetuosos PAULO MAIA E CARMO
texto e ilustração
“Partiste e os meus sonhos povoaram-se da dor da tua partida, partiste e pétalas murcharam cá em casa/ E na pequena galeria redonda onde cantávamos ao fim da tarde, e onde regresso,/ Tantas emoções aqui sozinha no pavilhão da Primavera, ao luar/ A mesma lua que também ilumina a tua ausência no caminho das flores.» Poema de Zhang Mi (930-?)
Wang Zhenpeng (activo entre 1275-1330) o autor de uma das mais reconhecidas representações da célebre reunião budista entre Vimalakirti e Manjusri, faria uma pintura igualmente icónica, de um outro encontro entre duas personagens históricas tornadas símbolos. Em «Boya tocando o qin» (rolo horizontal, tinta e aguada sobre seda, 31,4 x 92 cm) que está no Museu do Palácio, em Pequim, sentados sobre rochas duas figuras trajando como literatos; Yu Boya (387-299 a. C.) toca um instrumento, Zhong Ziqi escuta. Na descrição do acontecimento nos Anais da Primavera e do Outono do Mestre Lu (Lushi Chunqiu) escritos por Lu Buwei em 239 a. C. está contada a história de uma imprevista amizade. Boya, um virtuoso do instrumento guqin, estava um dia tocando sozinho ao luar quando surgiu um lenhador que se sentou a escutar. Questionado pelo músico o que aquele som lhe sugeria Ziqi, representado na pintura como literato mas na verdade um rústico lenhador, atribuiu à melodia as palavras que esta lhe inspirava e como ficaria conhecida até hoje: «Altas montanhas, águas correntes» (gaoshan liushui). Um título em que figuram as palavras shan e shui, que descrevem um género de pintura. O relato prossegue, referindo como eles tinham marcado encontro no ano seguinte mas Ziqi não compareceu, tendo falecido por exaustão ao cortar madeira de dia e dedicar-se à leitura de noite. Boya, então, destruiu o seu instrumento e, num gesto
de piedade filial, encarregarse-ia de cuidar da família de Ziqi. O emocionante encontro dos dois que se reconheceram ao som da música, ficaria conhecido como zhiyin «conhecer o tom», entendido como «ter um amigo chegado». Na pintura de Wang Zhenpeng os dois amigos estão abstraídos, isolados de qualquer cenário mas outros quiseram fazer reverberar a música do qin numa paisagem. Wen Zhenming (1470-1559) é o suposto autor de uma pintura que está no Museu de Arte de Cleveland (rolo vertical, tinta e cor sobre papel, 132 x 50,5 cm) intitulada «Tocando o qin num vale escondido» onde, numa paisagem monumental, concentrando o olhar se descobrem dois amigos sentados de frente um para o outro. Um deles está tocando o qin, o instrumento dos letrados, e o seu som ondulante como um marulho, escuta-se com o olhar. Uma inscrição na pintura descreve-a com um poema: «Miríades de cumes acumulando-se oferecem uma festa ao olhar,/ Uma cascata escorrendo dez mil pés pode lavar um espírito empoeirado./ Através da melodia tangida neste qin de cordas vermelhas,/ A minha humilde resposta ao som murmuro que se ameiga entre os pinheiros.» Existem outras versões da pintura, que entendidos preferem atribuir a Lu Zhi (c. 1496-1576) um discípulo de Wen Zhenming e muitas outras do mesmo tema, o que talvez mostre que, tal como a música nostálgica de Yu Boya, ele corresponde à expressão de algo fundamental.
segunda-feira 8.3.2021
JOSÉ SIMÕES MORAIS Essencialmente preventiva a Medicina Tradicional Chinesa usa quatro processos de diagnóstico médico: Wang (望): inspecção pelo olhar, observar e ver a face, com exame da tez e órgãos dos sentidos, em especial a língua, para entender no corpo o yin-yang dos Cinco Elementos; Wen (闻): ouvir e cheirar, ao auscultar o paciente pela história médica de como fala e do que sente, escuta-o no som das respostas do questionar Wen (问); já fora do rosto e para confirmar o entendido anteriormente, o medir o pulso, Qie (切). Assim é feita a história clínica na MTC. Após o diagnóstico realizado, os mestres de Medicina Chinesa têm seis diferentes vias terapêuticos (6 Zhi) para curar (ajudar a equilibrar o corpo): Bian (砭), terapia cujo método gua sha usa o raspar a pele ao longo dos meridianos com um utensílio, sendo inicialmente realizado por as mãos e depois com uma pedra polida, ou um osso, substituído por uma colher de porcelana ou uma faca de cobre, serve para expulsar pelos poros da pele as toxinas e estimular no interior o desobstruir a energia nos meridianos. Zhen (针) significa agulha e no ocidente acupunctura (acus – agulha e punctura – colocação), sendo prática já usada no quinto milénio antes da nossa Era, existindo desde então classificadas diferentes agulhas de pedra como, agulha de pedra, pedra bian e pedra pontiaguda e na dinastia Shang (1600-1045 a.n.E.) as agulhas passaram a ser feitas de bronze. Zhang Zhongjing (150219) descobriu inúmeros pontos (os Huatuo Jiaji) de acupunctura e deu os fundamentos para a prática clínica, tornando-se na dinastia Ming o principal método terapêutico usado na China. Jiu (灸) significa fogo e no ocidente, moxibustão, terapia que usa moxa (feita pela folha da chinesa artemísia) que quando queimada e colocada próximo da pele, sem lhe causar estragos, o calor penetra no corpo profundamente e vai aquecer os meridianos, revigorando o fluxo de energia que nele circula. O cone de moxa aceso por fogo pode ser também colocado no interior de uma campânula e após aplicada numa área da pele, o ar aquecido começa a arrefecer e forma-se um vácuo parcial no seu interior. A diferença de pressão entre o ar interior e o exterior acaba por gerar uma força de sucção (ventosa terapia) a restaurar o equilíbrio do corpo.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Seis vias terapêuticas da MTC
Yao (药), filoterapia (do grego therapeia = tratamento e phyton = vegetal) é o estudo das plantas medicinais e suas aplicações na cura das doenças, que na China surgiu por volta de 2800 a.n.E. com o Ancestral Soberano Shennong. Conhecida como medicina herbal, pode também usar ingredientes de origem animal ou mineral na elaboração das suas fórmulas e preceitos relativos à preparação de efusões e sopas (medicamentos), com combinações em proporções que maximizam os efeitos desejados e inibem possíveis efeitos colaterais. Do século II a.n.E. o livro farmacológico ‘Herbanário’ inclui 365 tipos de drogas, lista que ao longo dos séculos foi aumentando pela experimentação empírica e com pesquisas para actualizar os registos na farmacopeia oficial. Desde 1929 esse trabalho tem sido também realizado na forma científica de molde ocidental. Diversas plantas (50 fundamentais), ou seus componentes, já possuem aplicação na medicina ocidental e recentemente a investigação da planta Qing Hao, Artemisia carvifolia, por exemplo, utilizada na MTC para febres, resultou na atribuição em 2015 do Prémio Nobel da Medicina a Youyou Tu pela pesquisa sobre o
“TODO O NASCIMENTO É UMA CONDENSAÇÃO, TODA A MORTE UMA DISPERSÃO DE MATÉRIA.” NAN HUA JING
efeito de um de seus componentes, a Artemisinina. Em Macau, em meados do século XIX existia à venda nas farmácias chinesas a famosa receita do chá sin-cap (os pães de sin-cap), uma mezinha preparada pelo Dr. Vicente Pitter era considerada um bom estomáquico e eupéptico. Usado como profiláctico após um chá gordo ou lauto banquete, era muito estimado contra afecções gastrointestinais de diferentes etiologias pois é composto de oito simples, quase todos específicos contra doenças do tubo digestivo e usados em medicina tradicional chinesa, segundo registo da Prof. Ana Maria Amaro. An qiao (按跷), técnica de massagens (An – uso da mão e qiao – uso do pé, para massajar) a estimular ou sedar os pontos dos meridianos do paciente, visando o equilíbrio do fluxo de energia nestes canais e relaxar os músculos. Uma das técnicas de massagem é Tui Na (massagens cegas, com Tui, empurrar, impulsionar e Na, agarrar, prendes com a mão) frequentemente usada junta com outras técnicas terapêuticas, como a acupunctura, moxabustão, filoterapia chinesa e qigong. Já o Lajin, ao estender os membros por alongamentos torna o corpo flexível ao procurar os seus limites e ir para além deles. O paida, bater com as mãos em diversas partes do corpo como método de estimular e provocar a reacção e desobstruir os meridianos energéticos. Dao yin (导引), meditação de origem daoista cujo conceito
de Wu wei (acção sem agir) é um dos princípios básicos para a realização do dao yin, que significa conduzir e assimilar e ambos estabelecem uma relação yin yang de acção e não acção. Talvez proveniente de danças tribais e práticas xamãs, tem referências anteriores à sistematizada pelos daoistas no Período dos Reinos Combatentes (403-221 a.n.E.), ainda hoje praticada na Montanha de Wudang (WudangShan, em Hubei) como método para assegurar a saúde e cultivar o espírito. Está associada aos movimentos do Taijiquan e do Qigong (certos exercícios são praticados há 3000 anos) nos dois estilos, o ruangong – suave, que ajuda a relaxar o corpo e o espírito, aumentar a vitalidade interna e canalizar a força, permitindo num estádio avançado realizar proezas inacreditáveis e o yinggong – duro, mais violento, usado como método de autodefesa no qual o Wushu (Kungfu) está enquadrado. O livro O Segredo da Flor de Ouro (Tai Yi Jin Hua Zong Zhi) dá a conhecer o Dao Yin, com os estágios da realização do espírito através da meditação para criar um novo corpo de energia. Na cosmologia chinesa, os conceitos Origem das Origens (Wu ji) e Energia Vital (Qi) são encontrados conjugados num só, Apogeu Supremo (Tai ji), Espaço infinito contido no princípio da vida. Wu ji, o vazio anterior à criação do Universo é de onde se origina o Tai ji, formado do estado primordial da matéria quando se diferencia em yin e yang e relacionado com os Cinco Elementos geram tudo o que existe. Já o processo de meditação Dao Yin faz-se em sentido contrário, com as dez mil coisas a regressarem aos Cinco Elementos e recuperado o equilíbrio yin-yang desfaz o Tai Ji para se integrar no vazio original, a origem da existência. Para realizar tal momento, exercitar o cultivo da energia vital. “O primeiro efeito da meditação é a extinção da percepção do corpo físico, em seguida penetra-se num estágio em que tudo é energia e a nossa consciência torna-se o próprio campo energético e por último, atingimos o estado de extrema quietude que está na energia repouso, sem trabalho, nem tensões.” <Todo o nascimento é uma condensação, toda a morte uma dispersão de matéria>, Nan Hua Jing.
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CINETEATRO
MAX
THE UNTOLD TALE OF THE THREE KINGDOMS [B]
FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Yuichi Fukuda Com: Oixumi Yo, Kaku Kento, Hashimoto Kanna, Yamamoto Mizuki 14.30, 16.34, 21.30
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Um filme de: Paul W. S. Anderson Com: Milla Jovovich, Tony Jaa, Ron Perlman 16,45, 19.30 SALA 3
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FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Pete Docter 16.30, 19.30
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Herman Yau Com: Andy Lau, Sean Lau, Ni Ni 19.00
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HUM
SOUL [A]
SHOCK WAVE 2 [C]
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C I N E M A
SALA 1
Um filme de: Jaume Balagueró Com: Famke Janssen, Freddie Highmore, Astrid Bergès-Frisbey
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WAY DOWN [B]
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Um filme de: Charles Martin Smith Com: Luke Treadway, Kristina Tonteri Young, Phaldut Sharma 14.30, 21.30
Publicado antes do 1984 de George Orwell, é uma distopia que também se foca em elementos políticos como a vigilância, tendo como figura opressora o “Benfeitor”. No Estado representado pelo autor russo, a vida é sujeita a um controlo matemático, em que os nomes dos cidadãos são substituídos por números, vivem envoltos em paredes de vidro e têm até os horários de relacionamentos sexuais condicionados pelas autoridades, e existem operações cirúrgicas destinadas a remover a imaginação. A história mostra as mudanças de vida que um engenheiro quando conhece uma mulher que desafia as regras. Salomé Fernandes
7 4 3 5 1 9 0 1 5 4 7 8 9 8 4 6 2 3 3 9 8 7A GIFT6FROM 0 BOB 2 5 6 8 9 4 1 6 9 2 0 5 Propriedade 8 0 7Fábrica 1 de3Notícias, 2 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo 4 7M.Tavares; 2 0 Gonçalo 8 1Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; 6 Rasquinho; 3 0 9Paul 5Chan7Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; Olavo GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 5 2Morada 1 Pátio 3 da4Sé,6n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo Welfare
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segunda-feira 8.3.2021
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ai, portugal, portugal
opinião 15
André Namora
O ALQUEVA PODE NÃO CHEGAR PARA TODOS
HOJE VOU contar-vos uma história surreal. Encontrei um amigo alentejano e falou-me do maior lago artificial da Europa, o Alqueva. Todos devem estar lembrados de como começou o Alqueva, com a possibilidade de as águas virem a submergir algumas aldeias ali existentes e até se construiu uma aldeia semelhante a uma que ficou debaixo de água. O meu amigo contou-me que na altura de se retirarem pessoas e bens da aldeia, o seu pai estava no hospital. Ele levou para sua casa montes de caixas e objectos da família. Nas caixas de papelão encontravam-se imensos escritos de seu pai que o meu amigo resolveu mexer mais tarde até porque o senhor seu pai veio a falecer. Recentemente, resolveu começar a rasgar papéis e encontrou uma carta do pai onde estava escrito que tinha construído um alçapão por baixo da sala da lareira e que no seu interior encontrava-se o dinheiro (muito) de uma vida. Naturalmente, que o meu amigo quase enlouqueceu porque a aldeia e o dinheiro estão lá muito no fundo das águas do Alqueva. E um lago que é o maior da Europa, local já de grande turismo, com barcos-casas, com aviões a amarar, com uma praia fluvial lindíssima, com tudo isto, está em perigo de não chegar para todos no Alentejo. Um reservatório gigante de água pode vir a ter restrições severas e imediatas para aqueles que actualmente são servidos. A barragem
do Alqueva é um sonho com séculos dos alentejanos que foi concretizado apenas na década passada. As obras começaram em 1996 e as comportas foram encerradas em 2002. Neste momento, com a muita chuva que tem caído, está apenas a três metros do seu limite de enchimento. A quantidade máxima de água é de 4 150 000 000 000 litros de água, uma monstruosidade, mesmo assim este volume é da mesma ordem de grandeza de todo o consumo anual de água em Portugal incluindo todo o regadio, o abastecimento humano e a indústria. A título de exemplo, olhando para as disponibilidades do Guadiana vemos um rio muito artificializado e explorado do lado espanhol, mas que faz chegar à barragem de Alqueva, por ano e em média, de cerca de 2000 hm3 e logo a sua albufeira pode armazenar cerca de 2 anos de escoamento médio. Na verdade, o Alentejo parece outro, há hectares verdinhos e onde nunca mais faltará água. Mas, há um problema bicudo: o Alqueva pode não chegar para todos. Como assim? Acontece que os responsáveis pela barragem têm os seus clientes e os acordos para determinados regadios e esses clientes começaram a estragar tudo em 2019. Esses proprietários que já estão beneficiados têm naturalmente, outra perspectiva pois acreditam que a expansão pode lhes ser confiada
O Alentejo está lindo com o Alqueva, mas é importantíssimo pensar que a água é um bem indispensável com tendência mundial a desaparecer
para estenderem as suas redes privadas de distribuição de água às áreas vizinhas. Muitos deles já concretizaram essa expansão explorando as chamadas “áreas precárias”. Segundo os técnicos é essencial travar o crescimento de essas “áreas precárias” que já somam cerca de 18 mil hectares, quando o total da rega atinge 95 mil hectares. A água do Alqueva não é ilimitada, mas com os cenários de consumo e eficiência que hoje conhecemos será suficiente para garantir o abastecimento de todos os clientes actuais – integralmente em áreas exploradas pelos responsáveis da barragem e reforçando os sistemas confinantes ligados – bem como toda a expansão projectada que já começou a ser concretizada e conta com financiamento assegurado. O que o Alqueva nos deixa a pensar é como antes, durante décadas, os alentejanos viviam com as secas e iam à fonte com o recipiente de barro buscar água para beber e para a horta e nos tempos de hoje já se pensa na ganância total para se ficar rico expandindo a água por onde lhes apeteça. O Alentejo está lindo com o Alqueva, mas é importantíssimo pensar que a água é um bem indispensável com tendência mundial a desaparecer. *Texto escrito com a antiga grafia
“O fraco nunca perdoa. O perdão é a característica do forte.” PALAVRA DO DIA
O
A
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PESAR de terem surgido notícias a apontar que Macau tinha suspendido as importações de ananases de Taiwan, o Conselho para a Agricultura da Ilha Formosa indica que não recebeu nenhuma notificação sobre o assunto por parte da RAEM. A posição foi divulgada ontem em vários órgãos de comunicação social em língua chinesa. No início deste mês, o Governo do Interior declarou que as importações de ananases vindas da Formosa ficavam suspensas, por alegadamente terem sido encontrados nos carregamentos deste tipo de fruta “pestes” que
8.3.2021
Gandhi
GP FIA MARCA TAÇA DO MUNDO DE FÓRMULA 3 NO CARTAZ INTERNACIONAL
Já está no calendário
América. Perante este cenário, os carros terão que viajar de avião directamente para Macau, o que irá impedir, muito provavelmente, que as equipas realizem testes de preparação para a prova. Recorde-se que no ano passado, pela primeira vez desde 1983, a tradicional corrida de Fórmula 3 não se realizou no Circuito da Guia, tendo sido substituída por
uma prova do Campeonato da China de Fórmula 4. A corrida, que marcou a estreia da Fórmula 4 em Macau, foi ganha por Charles Leong da RAEM. Em Novembro do ano passado, Jean Todt, o presidente do organismo que tutela o automobilismo, afirmou que gostaria de ver novamente as três Taças do Mundo a serem decididas
nas ruas de Macau em 2021. No entanto, do primeiro Conselho Mundial da FIA deste ano não saiu qualquer observação sobre a Taça do Mundo de GT da FIA, que poderá, ou não, ser realizada na RAEM. Na pretérita edição, a Taça GT Macau realizou-se com a participação de vários concorrentes do Campeonato da China de GT, competição que já revelou
GCS
Conselho Mundial da Federação Internacional do Automóvel (FIA), realizado na passada sexta-feira em Genebra, determinou a colocação da Taça do Mundo FIA de Fórmula 3, no Circuito da Guia, no calendário internacional de provas de 2021. Contudo, esta decisão ainda não é a confirmação que haverá Grande Prémio de Macau este ano. É possível ler no comunicado publicado pela federação internacional que: "A Taça do Mundo de Fórmula 3 da FIA foi confirmada no Calendário Desportivo Internacional e está agendada para ter lugar a 21 de Novembro de 2021, em Macau, China (sujeito a contrato com o promotor)". A data da 68.ª edição do Grande Prémio de Macau já era conhecida, pois a prova consta do calendário de 2021 da Taça do Mundo de Carros de Turismo da FIA - WTCR. Todavia, as autoridades locais ainda não decidiram se o evento, que nunca foi interrompido desde 1954, irá acontecer este ano. O Governo da RAEM ainda estará a analisar a evolução da pandemia na Europa para depois tomar uma decisão. Ao contrário de 2020, o evento deste ano não terá qualquer contrato em vigor com promotores internacionais. O calendário do Campeonato de Fórmula 3 da FIA de 2021 encaixa na realização da habitual corrida de fim de época em Macau, embora a última prova do campeonato esteja agendada para o fim de semana de 23 e 24 de Outubro em Austin, nos Estados Unidos da
segunda-feira
Salada de frutas
Taiwan desconhece suspensão da exportação de ananás para Macau
ameaçam a segurança alimentar do outro lado da fronteira. A justificação do Governo de Pequim não convenceu o Governo de Taiwan, que defendeu que a motivação é política. O Executivo liderado por Tsai Ing Wen acredita que a suspensão é uma retaliação e foram vários os membros do Governo da Formosa que compararam a suspensão da importação de ananás à suspensão, pelo Interior, de vinhos vindos da Aus-
trália, que dizem ter sido igualmente feita devido a motivações políticas. Na sequência deste litígio entre Pequim e a Taipé que a publicação China Reviews News Agency, de Hong Kong, citou um director da Quinta Chen Nong, em Taiwan, a dizer que também Macau tinha suspendido as importações e que já não era possível enviar ananases para a RAEM. Por sua vez, o jornal Apple Daily, na edição de sábado, apresentou um
cenário diferente. Ao mesmo tempo que vendedores de Taiwan afirmaram à publicação que ainda conseguiam enviar produtos para Macau e Hong Kong, houve vendedores em Hong Kong que disseram que era possível enviar carregamentos com a fruta de Taiwan, não só para RAEHK mas também para a RAEM.
Em silêncio
Apesar de a informação sobre a suspensão da importação de ananases ter surgido na sexta-feira e de circular nas principais publicações em língua chinesa de Macau, até ontem o Governo não tinha tomado uma posição. O HM
entrou em contacto com o Instituto para os Assuntos Cívicos para confirmar se havia qualquer ordem de suspensão, mas até ao fecho da edição não recebeu qualquer resposta. No entanto, ontem, o Conselho para a Agricultura de Taiwan veio revelar que não recebeu qualquer aviso, como é prática nestas situações, para a suspensão da importação dos ananases por parte de Macau. Ainda de acordo com as estatísticas do Conselho para a Agricultura, no ano passado a RAEM importou 27 toneladas de ananases de Taiwan. João Santos Filipe
o seu calendário para este ano, constando novamente Macau como prova de encerramento de temporada.
Vencedor das motas em 2017 quer voltar
Se houver Grande Prémio de Motos de Macau em 2021, o vencedor da fatídica edição de 2017 não esconde que se tiver uma oportunidade regressa à prova. Glenn Irwin foi declarado vencedor na corrida de 2017, que foi interrompida à sétima volta devido ao acidente fatal na Curva dos Pescadores do inglês Dan Hegarty. O piloto da Irlanda do Norte disse numa entrevista recente à publicação News Letter que hoje se sente mais confiante em regressar ao desafiante circuito citadino do território. Esta mudança de atitude do vencedor de 2017, que voltou a elogiar o evento e a pista, segundo o próprio, deve-se também ao envolvimento de Stuart Higgs e Mervyn Whyte na co-organização da corrida. O Grande Prémio de Motos de Macau não se realizou no ano passado devido à falta de quórum, visto que grande parte dos pilotos considerou inviável a quarentena obrigatória à chegada a Macau. Sérgio Fonseca
Taipa Taxistas presos por danificarem restaurante
Dois taxistas foram detidos por danificarem um restaurante na Taipa, noticiou ontem o jornal Ou Mun. Os suspeitos de apelido Hong e Ho têm cerca de 50 anos e 30 anos, respectivamente, e em causa está um ajuste de contas. O episódio aconteceu a 28 de Fevereiro, quando o taxista diz que transportou três homens para o restaurante e que por isso, devido a um acordo com o proprietário do espaço, tinha de receber 300 patacas por cada pessoa que consumisse. Como o acordo não terá sido respeitado, o taxista chamou colegas ao local e, com um deles, começou a virar as mesas e a danificar ouros objectos. O responsável do restaurante diz ter sofrido prejuízos de 39 mil patacas. Além dos detidos, a polícia terá ouvido mais três homens, que apesar de terem estado no restaurante na noite do ataque, não terão participado nas acções que geraram danos.