DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
QUINTA-FEIRA 8 DE NOVEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4169 PUB
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
hojemacau
A Associação Novo Macau volta à carga com a questão das escutas telefónicas. Jason Chao exige que o Tribunal de Última Instância publique
o número de casos de comunicações interceptadas e acusa o secretário Wong Sio Chak de distorcer o conceito de segredo de justiça.
PÁGINAS 4-5
THIS IS MY CITY
Sons da festa EVENTOS
Peso da lei PÁGINA 6
AP
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Quantos foram?
ASSEMBLEIA
ESTADOS UNIDOS
CONTAS DE DIVIDIR GRANDE PLANO
ENSINO ESPECIAL
ESTADO DE GRAÇA PÁGINA 9
Ordenhar com amor h LUÍS CARMELO
2 grande plano
8.11.2018 quinta-feira
DIVIDIR E CONQUISTAR O EUA | ELEIÇÕES REPUBLICANOS VENCEM SENADO E DEMOCRATAS CÂMARA DOS REPRESENTANTES
As eleições intercalares norte-americanas, que se realizaram ontem, ganharam contornos de referendo à governação da Administração Trump. O resultado alinha-se com a divisão do país e deixa o Congresso dividido. Republicanos expandem o controlo do Senado, enquanto os democratas reconquistam a Câmara dos Representantes numa das campanhas mais sujas em termos de retórica
S resultados das eleições para o Congresso norte-americano, que se realizaram ontem, são uma boa representação simbólica da situação política que o país vive. “Tremendo sucesso esta noite! Obrigado a todos” e “Amanhã será um novo dia” são duas citações que, à partida, poder-se-iam atribuir a uma só força política vitoriosa. Não foi o caso. Seguindo o seu estilo linguístico habitual e a sua plataforma de preferência, Twitter, o “tremendo sucesso” foi a reacção de Donald Trump. Enquanto a mensagem de esperança no futuro é da autoria da líder democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi. Contados os votos, o Partido Republicano alarga a maioria de que dispunha no Senado, que vai continuar a ser liderado por Mitch McConnell, depois arrecadar assentos nos estados do Indiana, Dakota do Norte e Missouri. Por outro lado, o Partido Democrata recupera o controlo da Câmara dos Representantes, com Nancy Pelosi a regressar ao controlo da câmara baixa do Congresso norte-americano, depois de virarem mais de duas dúzias de lugares. Numa das corridas legislativas mais quentes dos últimos tempos, as eleições de ontem foram caracterizadas como um referendo aos dois primeiros anos de Donald Trump na Casa Branca, aliás, um argumento de campanha usado pelo próprio para motivar a sua base eleitoral para acorrer às urnas. O facto do sufrágio que elege membros dos órgãos legislativos num sistema de governo presidencialista ser um teste ao ocupante da Casa Branca não é nada de novo. Diga-se de passagem que, tradicionalmente, este teste não corre bem. Como tal, não é de estranhar que o partido do Presidente
O Partido Republicano alarga a maioria de que dispunha no Senado, que vai continuar a ser liderado por Mitch McConnell, depois de arrecadar assentos nos estados do Indiana, Dakota do Norte e Missouri
apenas não tenha perdido lugares na Câmara dos Representantes em três eleições desde a Guerra Civil: 1934, 1998 e 2002.
VENCEDORES E VENCIDOS
Enquanto do lado democrata havia a esperança de que uma onda azul varresse estas eleições em sinal de repúdio perante os discursos de divisão proferidos por Trump, os resultados eleitorais mostraram que um muro vermelho separa politicamente os Estados Unidos. Na corrida ao Senado, o resultado ficou praticamente garantido quando o republicano Kevin Cramer derrotou a senadora democrata de Dakota do Norte, Heidi Heitkamp, e quando o empresário republicano Mike Braun bateu o senador Joe Donnelly em Indiana, da ala mais conservadora dos democratas. Outro dos resultados de maior destaque foi a confirmação de Ted Cruz na câmara alta do Congresso, depois de ver o seu favoritismo ameaçado pelo democrata Beto O'Rourke, um político democrata em ascensão. Entretanto, na Florida Ron DeSantis foi reeleito depois de derrotar o democrata Andrew Gillum, apesar de ter afirmado
que esperava que o eleitorado não “monkey-up”, não “amacacasse”, as eleições. Gillum é afro-americano. Ainda no domínio na supremacia branca, destaque para a vitória do republicano Steve King, do Estado do Iowa, apesar da reeleição ter sido conseguida com uma margem consideravelmente inferior ao último sufrágio, somando o seu nono mandato. É de referir que no mês passado, King questionou o valor da diversidade em entrevista ao Unzensuriert, uma publicação associada ao Partido da Liberdade da Áustria, fundado por um antigo oficial das SS. Hoje é dirigido por Heinz-Christian Strache que, sem
SENADO
Democratas: 45 lugares, perderam 2 lugares Republicanos: 51 lugares, ganharam 2 lugares * Independentes incluídos contabilizadas 31 de 35 eleições
CÂMARA DOS REPRESENTANTES Democratas: 219 lugares, ganharam 26 lugares Republicanos: 193, perderam 26 lugares * contabilizadas 412 de 435 eleições
surpresas, é neonazi. A ligação a grupos de extrema-direita tem sido uma constante na vida política de Steve King, muitas vezes isolado politicamente do Partido Republicano, mas que nos dias que correm, com as múltiplas campanhas de diabolização de imigrantes, tem passado incólume no panorama conservador.
DIA DA MULHER
As eleições de ontem colocam no Congresso norte-americano mais de uma centena de mulheres, o número mais alto de sempre, com particular destaque para as candidatas com raízes nativo-americanas. Neste aspecto, importa salientar as candidatas democratas Deb Haaland, do Novo México, e Sharice Davids, do Kansas, que fizeram história como as primeiras mulheres indígenas a serem eleitas para o Congresso, na Câmara dos Representantes. Davids, advogada e ex-lutadora de artes marciais, é a primeira mulher indígena nos EUA a ser eleita para o Congresso, mas também a primeira lésbica. Já Haaland, que liderou o Partido Democrata do Novo México (2015-2017) e foi responsável pelo voto dos indígenas na campanha presidencial de Barack Obama em 2012, vai ocupar a vaga deixada pelo também democrata Michelle Lujan Grisham, que conquistou a eleição para o cargo de Governador do Novo México. Mais de dez mil pessoas já serviram na Câmara dos Representantes e quase 1.300 no Senado dos EUA, mas nunca antes uma mulher indígena tinha sido eleita para o órgão legislativo. Juntam-se aos outros dois políticos de origem indígena que servem actualmente na Câmara dos Representantes: os republicanos Markwayne Mullin e Tom Cole, ambos de Oklahoma, que foram igualmente reconduzidos.
grande plano 3
quinta-feira 8.11.2018
AP
Destaque também para Rashida Tlaib e Ilhan Omar, que vão ser as primeiras mulheres muçulmanas no Congresso.
CAPITÓLIO DIVIDIDO
O regresso dos democratas ao controlo de uma das câmaras do Capitólio reequilibra as forças no poder legislativo, o que se pode materializar em paralisia e num contratempo para a Administração Trump, que deverá enfrentar uma série de investigações no Congresso. Aliás, mesmo antes das eleições os democratas com assento na Câmara dos Representantes já preparavam audiências, citações e inquéritos sobre vários possíveis problemas legais de Donald Trump. É de salientar que deve estar para breve a apresentação do relatório da investigação do procurador-especial Robert Muller sobre a alegada interferência russa no sufrágio que elegeu Donald Trump. Outra consequência política é o aumento do poder de negociação dos democratas, que podem exigir contrapartidas para aprovarem propostas republicanas. Entre as propostas na agenda da Adminis-
tração Trump que podem ser bloqueadas, destaque para a revogação da política de saúde conhecida como Obamacare, uma nova vaga de cortes de impostos e reforma nas políticas de migração. Porém, uma das consequências mais importantes da tomada da Câmara dos Representantes pelos democratas é a possibilidade de serem iniciados os procedimentos de destituição de Donald Trump. As razões para recorrer à “opção nuclear” são várias, nomeadamente o conluio entre os serviços secretos russos
O Partido Democrata recupera o controlo da Câmara dos Representantes, com Nancy Pelosi a regressar ao controlo da câmara baixa do Congresso norteamericano, depois de virar mais de duas dúzias de lugares
e a campanha de Donald Trump, as acusações de crimes sexuais e várias práticas duvidosas dos negócios do magnata de Nova Iorque. Outra das consequências destas eleições prende-se com a continuidade do controlo republicano do Senado, principalmente no que toca à nomeação de juízes e aprovação de membros do Executivo chefiado por Trump.
RHODE ISLAND À PORTUGUESA
O lusoamericano Peter F. Neronha venceu a eleição para procurador-geral em Rhode Island por uma margem substancial, confirmando o favoritismo do candidato democrata num estado onde também venceram outros sete lusodescendentes em diversos cargos. Com 99,8 por cento das mesas de voto contadas, Peter Neronha venceu com 79,8 por cento da preferência dos eleitores, correspondente a 271.750 votos. O opositor do candidato lusodescendente, o independente Alan Gordon, recebeu 65.132 votos e terminou com 19,1 por cento. Assim que foram conhecidos os resultados, que o Estado de Rhode
Uma das consequências mais importantes da tomada da Câmara dos Representantes pelos democratas é a possibilidade de serem iniciados os procedimentos de destituição de Donald Trump Island ainda classifica como não oficiais até à certificação final, o novo procurador-geral agradeceu às "pessoas incríveis" que fizeram parte da sua jornada até à vitória e declarou-se "grato" pela oportunidade de servir os cidadãos do Estado no cargo. A plataforma da campanha do lusodescendente focou-se na luta contra a corrupção no sector público e contra a crise de adição a opiáceos, um problema crescente em todo o país nos últimos anos. Neronha, de 54 anos, sucede a outro democrata, Peter Kilmartin,
que cumpriu dois mandatos como procurador-geral do estado. O lusodescendente liderou o gabinete de procurador dos Estados Unidos entre 2009 e 2017, tendo sido nomeado pelo anterior Presidente Barack Obama. No Estado de Rhode Island, foram a votos outros sete lusoamericanos para o Senado e Câmara dos Representantes estaduais. Destes, venceram seis, todos democratas: Adam Satchell para o Senado estadual e Charlene Lima, Joseph J. Solomon, Julie A. Casimiro, Deborah A. Fellela e Dennis M. Canario para a Câmara dos Representantes. Stephen Frias, candidato republicano à Câmara dos Representantes, foi derrotado. A nível local, o democrata Robert DaSilva foi eleito o primeiro 'mayor' (presidente da câmara) de East Providence, que até aqui tinha um formato de governo assente no conselho e num gestor da cidade. João Luz com agências info@hojemacau.com.mo
4 política
HOJE MACAU
ONU “DÁ MUITO TRABALHO” FAZER UMA COLIGAÇÃO DE ASSOCIAÇÕES
8.11.2018 quinta-feira
J
ASON Chao, antigo presidente e agora conselheiro da Associação Novo Macau, é desde há muito o rosto por detrás dos relatórios submetidos à ONU, que são a única voz da sociedade civil de Macau nesta matéria. Questionado sobre a possibilidade de se vir a constituir uma coligação de associações, Jason Chao garantiu que tal “dá muito trabalho”. “Tentei fazer algo no passado, mas isso exige muito trabalho. As línguas de trabalho base na ONU são o inglês, o francês e o espanhol, então para a maior parte dos mecanismos da ONU só podem ser submetidos relatórios nestas três línguas, o que constitui uma grande barreira. Também importa ter o conhecimento técnico que é exigido pelos especialistas da ONU. São avaliados os méritos dos relatórios que submetemos.” Dessa forma, para o activista, “o facto de atingirmos este nível [com a submissão de um relatório] é extraordinário”, mesmo que um único documento possa “não constituir uma voz forte o suficiente tendo em conta os constrangimentos em termos financeiros ou de recursos humanos”. Um dos pontos abordados no documento, submetido em Março deste ano, faz referência às proibições de entrada no território. “Não é uma prática nova por parte das autoridades, e estas têm afirmado que não se tratam de decisões políticas. Contudo, para nós é difícil acreditar que essas decisões foram feitas apenas com base em questões de segurança. É ainda menos convincente quando afirmam que essas proibições foram feitas de acordo com a lei.” “Em Hong Kong há muitos advogados, escritores e organizações não governamentais que trabalham nesses relatórios de forma profissional. Muitas pessoas viajam e fazem lobbying para que haja uma maior atenção sobre Hong Kong. A situação é bastante diferente”, referiu. A.S.S.
´Agua mole em SEGURANÇA NOVO MACAU QUER QUE TUI DIVULGUE INTERCEPÇÃO DE COMUNICAÇÕES
A Associação Novo Macau defende que o Tribunal de Última Instância deve, ao abrigo do futuro regime de intercepção de comunicações, divulgar o número de pessoas sujeitas a este método de investigação. Jason Chao acusa Governo de “distorcer” o conceito de segredo de justiça
O
futuro regime de intercepção de comunicações continua na mira da Associação Novo Macau (ANM), que vem agora exigir que o Tribunal de Última Instância (TUI) publique o número de pessoas cujas comunicações serão alvo de intercepção por parte das autoridades no âmbito da nova lei.
“Pedimos que seja criado um mecanismo que permita ao TUI a publicação do número de todos os casos em que as comunicações tenham sido interceptadas. Recentemente, o secretário Wong Sio Chak recusou esta proposta, e podemos argumentar que este tem uma postura de aversão à opinião pública”, disse Jason Chao. Num comunicado oficial, Wong Sio Chak fez referência ao
Código do Processo Penal para explicar que “na fase de inquérito deve-se cumprir o segredo de justiça”. “Relativamente à questão de se poder ou não publicar os dados estatísticos sobre escutas telefónicas ou a intercepção de comunicações, a mera publicação dos dados estatísticos, no que diz respeito ao número de casos sujeitos a intercepção de comuni-
cações e ao número de casos não autorizados por juiz, de facto, não possui função de fiscalização. Por isso, estamos convictos de que a divulgação dos dados estatísticos sobre estas duas vertentes não satisfazem o pedido apresentado”, referiram ainda as autoridades. A Novo Macau não concorda com a postura do Governo que considera ilegal a divulgação de
política 5
quinta-feira 8.11.2018
Lápis vermelho Eliminadas opiniões de ONG de Hong Kong em relatório
O
pedra dura dados relativos à intercepção de comunicações, tendo apresentado como exemplo o Código Penal alemão. Isto porque o Direito continental está na base do Direito português e, consequentemente, do Direito de Macau. “Em termos de genealogia da lei, a Alemanha é o avô, Portugal é o pai e Macau é apenas o filho em termos de tradição do Direito penal. Os tribunais alemães tornam públicos estes dados e o Governo alemão publica todos os anos os dados das pessoas que são escutadas. Este pedido de maior transparência com a publicação de dados não é contra a tradição do Direito penal”, disse Jason Chao.
NÃO É BEM ASSIM
A Novo Macau acredita também que Wong Sio Chak tem distorcido o conceito de segredo de justiça nas suas afirmações públicas.
“As autoridades expandiram a interpretação do segredo de justiça para justificarem tudo o que querem manter em segredo. Estas têm publicado números de suspeitos e investigações, pelo que a divulgação dos números relativos à intercepção de comunicações não constitui uma violação ao segredo de justiça.” Neste sentido, o deputado Sulu Sou acredita que a sociedade não
“As autoridades expandiram a interpretação do segredo de justiça para justificarem tudo o que querem manter em segredo.” JASON CHAO CONSELHEIRO DA ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU
está atenta aos avanços securitários de Wong Sio Chak. “Os residentes devem estar atentos à expansão de poderes de Wong Sio Chak. Temos de ter consciência disso.” Neste sentido, “o que falta não é apenas uma questão de confiança do público, mas há também falta de uma opinião pública efectiva. Tudo é mantido no escuro e não há pistas de como as coisas funcionam”, apontou Jason Chao. Para a Novo Macau, o governante “evita a opinião pública”. “Há sinais e discursos que dão a entender que ele não gosta da opinião pública. Acreditamos que evita a opinião pública e essa é uma das motivações por detrás da introdução de novas políticas que são dúbias.” Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) eliminou parte das opiniões contidas no relatório assinado por várias organizações não governamentais (ONG) que pertencem à Coligação Exame Periódico Universal Hong Kong (Hong Kong UPR Coalition, em inglês). De acordo com o website Hong Kong Free Press, “grupos civis internacionais”, onde se inclui o partido pró-independência Demosisto, a Human Rights Watch ou o Centro para os Direitos Humanos e Democracia do Tibete (TCHRD, na sigla inglesa), “expressaram preocupações depois da ONU ter removido os documentos submetidos relacionados com a questão dos direitos humanos na China”. No dia 3 de Setembro, a submissão do relatório da coligação ainda surgia no website oficial do Conselho dos Direitos Humanos, mas pouco tempo depois, foi removido durante algumas semanas. A 16 de Outubro foram referidas “razões técnicas” para o desaparecimento do documento, que voltou a estar online, sem conter algumas opiniões. No passado dia 2, verificou-se que a eliminação das opiniões do Demosisto e do Centro para os Direitos Humanos e Democracia do Tibete se mantinha. Em declarações ao website Hong Kong Free Press, Joshua Wong, líder do Demosisto, considerou tratar-se de um caso de “censura política”, uma vez que “há claramente pressão política por parte de Pequim”. Convidado a comentar este caso, Jason Chao, conselheiro da Associação Novo Macau (ANM) e autor, juntamente com Rocky Chan, do único relatório submetido à ONU por parte de uma ONG de Macau, defendeu que esta situação é “vergonhosa”. “Felizmente que a nossa submissão sobreviveu à censura”, disse ontem à margem de uma conferência de imprensa. “Confirmei esta manhã que as nossas opiniões passaram na censura. O nome da Novo Macau
aparece na parte das entidades que submeteram opiniões. Claro que é vergonhoso.”
DOS CONSTRANGIMENTOS
Em resposta à coligação de Hong Kong, a ONU garantiu que é necessário respeitar a “soberania” e “independência” da China. “Como um órgão subsidiário da assembleia-geral da ONU, o Conselho dos Direitos Humanos e Grupo de Trabalho do Exame Periódico Universal devem aderir à posição oficial da ONU e respectiva terminologia que são reflectidas nas resoluções da assembleia-geral. Além disso, devemos respeitar a soberania, independência e a integridade territorial do Estado em causa”, foi também dito às ONG, que não obtiveram nova resposta depois deste esclarecimento. Jason Chao lamenta este caso, que intitula de “censura”, mas assegura que não é novidade. “Para sermos realistas temos de admitir o facto de que estes órgãos internacionais na área dos direitos humanos pertencem a uma espécie de clube de elite. A aplicação de tratados de direitos humanos nunca foi assim tão fácil.” Isto porque “nos tratados na área do comércio há forças dos Estados que manipulam e coagem outros Estados a seguir as suas regras, mas na área dos direitos humanos podemos ver que a aplicação dos tratados exige o consentimento dos Estados e esses tratados apresentam constrangimentos ao exercício de soberania.” Para o activista, “há aqui uma interacção interessante que faz com que seja difícil aplicar estes tratados”. “Na realidade os comentários e observações que são feitos por estes órgãos internacionais podem servir quase como uma autoridade moral em matéria de direitos humanos.” “É vergonhoso também que na ONU alguns desses órgãos estejam alinhados com Estados que apresentam registos dúbios nesta área. A censura a este nível é algo particularmente vergonhoso”, disse ainda Jason Chao. A.S.S.
6 política
ainda em vigor e que são agora revogados.
GCS
O diploma que prevê que quase três centenas de leis e decretos-leis de 1988 a 1999 sejam revogados deve demorar pelo menos um ano até ser votado pela Assembleia Legislativa
8.11.2018 quinta-feira
TAREFA HERCÚLEA
Para a 1.ª Comissão Permanente da AL, a protecção dos direitos adquiridos e as situações jurídicas constituídas nos termos e durante o período de vigência desses diplomas ou após a cessação da mesma desde que por via de qualquer acto de direito público com efeitos definitivos constitui um ponto fundamental. “É importante ter essa garantia salvaguardada”, sublinhou Ho Ion Sang, apontando que os deputados vão focar-se “essencialmente” nessa norma, já prevista na lei relativa a determinados leis e decretos-leis publicados entre 1976 e 1987.
A
proposta de lei que determina a não vigência de leis e decretos-leis publicados entre 1988 e 1999 deve demorar pelo menos um ano a subir a plenário para ser votada em sede de especialidade. Isto pelo menos a avaliar pelas declarações do presidente da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) que antecipa um “enorme volume de trabalho” e por ser preciso mais tempo do que aquele que demorou a ser apreciado o primeiro lote que dizia respeito a determinados diplomas publicados entre 1976 e 1987. O articulado, como constatou Ho Ion Sang, tem apenas seis normas, mas “reveste-se de grande complexidade”, desde logo porque os 283 diplomas em causa “implicam um amplo universo de legislação complementar” que, à luz das estimativas da assessoria da AL, deve traduzir-se em “milhares de documentos”. Além disso, dado que os diplomas são mais recentes podem afectar “um maior número de direitos adquiridos e as situações jurídicas
LAG Funcionários públicos com aumento salarial de 3,5 por cento em 2019
Os funcionários públicos deverão ser aumentados no próximo ano em 3,5 por cento, noticiou ontem a Rádio Macau. O valor de cada ponto do índice da tabela salarial vai subir de 85 para 88 patacas, o que corresponde então, na prática, a uma actualização salarial de 3,5 por cento, segundo a emissora. A actualização salarial vai ser anunciada no próximo dia 15 durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2019. A confirmar-se a subida de 3,5 por cento, tratar-se-á do maior aumento percentual desde 2015 (6,76 por cento), dado que a partir de então a actualização foi sempre inferior a três por cento: em 2016 o aumento foi de 2,53 por cento, em 2017 de 2,46 por cento e este ano correspondeu a 2,4 por cento.
O articulado, como constatou Ho Ion Sang, tem apenas seis normas, mas “reveste-se de grande complexidade”, desde logo porque os 283 diplomas em causa “implicam um amplo universo de legislação complementar”
AL “ENORME VOLUME DE TRABALHO” COM PROPOSTA DE LEI PARA REVOGAR 283 LEIS
Carga legal constituídas em comparação com a primeira fase”, complementou. Esta proposta de lei corresponde à segunda fase da recensão
da legislação, depois de, em 2017, ter entrado em vigor a lei que ditou a não vigência de leis e decretos-leis publicados entre
1976 e 1987, que esteve sensivelmente um ano sob apreciação no hemiciclo. O principal objectivo – como recordou – passa por “clarificar e simplificar o ordenamento jurídico da RAEM”. O articulado em análise tem dois anexos: o primeiro diz respeito a 275 leis ou decretos-leis revogados tacitamente ou caducados, cuja vigência é expressamente confirmada ou declarada; enquanto o segundo abarca oito diplomas que se entendem estar
As assessorias do Governo e da AL vão reunir-se agora para apreciar cada um dos diplomas, enquanto os deputados vão elaborar uma lista de questões a remeter ao Governo, de modo a que, numa próxima reunião, possam ser prestados mais esclarecimentos, a respeito da situação jurídica dos diplomas e da justificação dada para a declaração de não vigência de cada um deles, indicou o presidente da 1.ª Comissão Permanente daAL. Diana do Mar
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LAG APOMAC PEDE REDUÇÃO DO TEMPO DE ESPERA NO HOSPITAL PÚBLICO
O
secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, esteve ontem reunido com os dirigentes da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC). O encontro teve como objectivo ouvir sugestões para as Linhas de Acção Governativa (LAG) do próximo ano, que serão apresentadas na Assembleia Legislativa (AL) no próximo dia 15. De acordo com um comunicado divulgado pela APOMAC, foi pedida a redução do tempo de espera para consultas
e tratamentos no Centro Hospitalar Conde de São Januário. “Os dirigentes da APOMAC, bem como os seus associados, apresentaram diversas propostas no sentido de melhorar a prestação de cuidados de saúde dos idosos, tendo
manifestado a necessidade de reduzir o tempo de espera para um diagnóstico ou uma simples operação cirúrgica (por exemplo, às cataratas), que por vezes demoram meses, senão anos, no hospital público.”
Além disso, foi pedido que Alexis Tam “inclua nas suas políticas o rastreio gratuito do cancro da mama, cujo índice de pacientes tem aumentado anualmente”. De acordo com um estudo recentemente publicado, o rastreio é gratuito, mas as filas de espera são longas e há falta de conhecimento quanto aos benefícios. Além disso, Francisco Manhão, presidente, e Jorge Fão, presidente da mesa da assembleia-geral, pediram também apoios para os idosos, sobretudo no que diz respeito ao aumento das pensões e do número de camas em lares.
Como resposta, o secretário Alexis Tam referiu que “apostou fortemente na aquisição e melhoria de todos os equipamentos hospitalares”, e que está “convicto de que muito em breve o hospital público será considerado um dos mais avançados em termos tecnológicos nesta região”. Quanto à contratação de pessoal, o secretário afirmou que “tem encontrado algumas dificuldades”, mas que “não irá exigir da política de contratação de mais profissionais”, adianta o mesmo comunicado. A.S.S.
sociedade 7
quinta-feira 8.11.2018
PONTE HKZM CANO REBENTADO FEZ COM QUE FRONTEIRA DE MACAU METESSE ÁGUA
Chão escorregadio
O rebentamento de um cano na fronteira de Macau da nova ponte fez com que água caísse do tecto da nova estrutura. A situação foi relatada, ontem, pelo jornal Oriental Daily. As autoridades confirmaram a situação e referiram que o problema foi resolvido FOTOS ORIENTAL DAILY
Crime Pancadaria no Cotai foi vingança de vítima de sequestro
A polícia prendeu ontem quatro indivíduos do Interior da China, após uma cena de pancadaria no Casino Wynn Palace, no Cotai. De acordo com as informações do jornal Exmoo, na origem da luta esteve a vingança de um jogador contra dois agiotas, que o tinham raptado no final de Outubro, por dívidas de jogo. Dias depois, o jogador acabou por se libertar e, ontem, deu de caras com os seus raptadores na zona de jogo do casino. Nesse momento, o jogador não hesitou em confrontar os antagonistas, o que terá dado origem à luta, que ficou captada em imagens. A polícia está agora a investigar o caso e os agiotas já foram detidos.
Crime PJ investiga possível burla de 3 milhões de dólares de HK
Uma mulher do continente terá sido burlada num valor de 3 milhões de dólares de Hong Kong na área do ZAPE. A polícia identificou quatro suspeitos em fuga através de câmaras de videovigilância e iniciou acções de busca no território. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a Polícia de Segurança Pública (PSP) explicou que a alegada vítima entrou em Macau com quatro homens da China no passado dia 6, tendo entrado em duas joalharias. Numa delas trocaram três milhões de dólares de Hong Kong por renminbis, mas os dois homens alegaram que podiam ajudar a mulher a trocar o dinheiro e fugiram com o montante. Quando a mulher percebeu que tinha sido enganada, descobriu também que os dois homens tinham fugido. O passo seguinte foi a apresentação de queixa junto da PSP. A Polícia Judiciária está a investigar o caso.
BNU Lucros caíram 15,7 por cento nos primeiros nove meses
O Banco Nacional Ultramarino (BNU) fechou os primeiros nove meses do ano com lucros de 475,91 milhões de patacas, contra 564,08 milhões apurados em igual período do ano passado, o que representa uma diminuição de 15,7 por cento. Segundo o balancete, de 30 de Setembro, publicado ontem em Boletim Oficial, o BNU registou proveitos de 1,29 mil milhões de patacas e custos de 814,12 milhões. Em 2017, o BNU registou lucros de 706 milhões, impulsionados pela mais-valia da venda de um imóvel pelo que o presidente executivo do BNU, Carlos Cid Álvares, afirmou esperar terminar 2018 com sensivelmente 600 milhões, ou seja, menos 100 milhões. O BNU, do grupo Caixa Geral de Depósitos, é, a par com o Banco da China, banco emissor de moeda em Macau, contando actualmente com duas dezenas de agências, incluindo uma na Ilha da Montanha, em Zhuhai. A mais recente foi inaugurada a 30 de Outubro, na Universidade de Macau.
O
rebentamento de um tubo fez com que o tecto da Zona Fronteiriça de Macau da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau começasse a deitar água. A situação foi relatada ontem pelo jornal Oriental Daily, que informa que os funcionários do Governo local apenas estavam preparados com baldes e esfregonas para lidar com a situação. “Um leitor denunciou-nos que, apesar do edifício fronteiriço de Macau só ter entrado em funcionamento há pouco mais de dez dias, houve um rebentamento suspeito de um tubo e a zona de partidas ficou com o tecto a deitar água”, pode ler-se no portal do jornal de Hong Kong. “Para lidar com a situação, os trabalhadores só estavam equipados com baldes, esfregonas e sacos de plástico”, foi acrescentado.
A situação do rebentamento foi, horas mais tarde, confirmada pela Direcção dos Serviços das Forças de Segurança de Macau (FSM), que negou que a ocorrência se tenha ficado a dever à fraca qualidade dos materiais utilizadas ou eventuais defeitos. “Acredita-se que o acidente [rebentamento do cano de água] foi causado por uma empresa de manutenção durante uma operação de rotina, no dia 5 de Novembro (segunda-feira)”, pode ler-se no comunicado da FSM. “Após o caso, a empresa precedeu imediatamente aos trabalhos de reparação, que duraram cinco horas”, foi revelado.
De acordo com o relato ao jornal, o rebentamento fez com que algumas escadas rolantes tivessem de ser vedadas e que durante algumas horas fossem utilizados baldes e sacos de plástico para conter a água que caía do tecto.
TRABALHOS POR FAZER
As críticas à nova estrutura de Macau não se ficaram pelo rebentamento do tubo. Segundo outras questões relatadas pelo Oriental Daily, os separadores das diferentes vias das estradas ainda estão por concluir, assim como a instalação de telefones. A própria sinalética também
“Acredita-se que o acidente [rebentamento do cano de água] foi causado por uma empresa de manutenção durante uma operação de rotina, no dia 5 de Novembro (segunda-feira)”
mereceu reparos na publicação de Hong Kong, que refere que o sinal que indica a paragem de autocarros ainda está envolto em papel plastificados. Em relação aos telefones públicos, as FSM negaram as críticas e explicaram a situação. “Antes da abertura da ponte foram instalados e testados 22 telefones, que estão em funcionamento e podem ser utilizados pelos passageiros. Os outros seis telefones tiveram problemas, foram resolvidos a 26 de Outubro. Estão todos em funcionamento”, foi escrito no comunicado. Sobre a sinalética, as FSM não negam que estão em papel, mas que há instruções para que com o tempo o sistema seja melhorado com sinais permanentes. João Santos Filipe Vítor Ng
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8 sociedade
RÓMULO SANTOS
8.11.2018 quinta-feira
AMCM Crédito usado no terceiro trimestre sobe 13,7 por cento
O
caso remonta a Novembro de 2013, quando um taxista atropelou uma mulher numa passadeira na Taipa. A vítima sofreu uma série de lesões, das quais levou dois anos a recuperar, ficando com uma incapacidade permanente de 70 por cento. O Tribunal de Última Instância (TUI) condenou o condutor a pagar uma indemnização total de 4,8 milhões de patacas (em danos patrimoniais e não patrimoniais). Segundo o acórdão, datado de 31 de Outubro, apenas tornado público ontem, foi concedido provimento parcial ao recurso, o que, na prática, resultou numa redução do valor a ressarcir à vítima. O TUI fixou a indemnização por perda da capacidade de ganho em 4,1 milhões de patacas e em 700 mil patacas a relativa aos danos não patrimoniais, mantendo em tudo o resto o que foi decidido pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI). O condutor foi primeiramente condenado pelo Tribunal Judicial de Base (TJB), em Junho do ano passado, pela prática de um crime de ofensa grave à integridade física por negligência, na pena de um ano e meio de prisão, bem como no pagamento do valor total de 7,04 milhões de
O crédito usado no terceiro trimestre atingiu 5,6 mil milhões de patacas, traduzindo um aumento anual de 13,7 por cento, indicam dados divulgados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). O adiantamento de numerário correspondeu a 227,5 milhões, correspondendo a 4,1 por cento do total do crédito usado entre Julho e Setembro. O número de cartões de crédito pessoal emitidos pelos bancos em Macau alcançou 1,2 milhões no final de Setembro, registando um crescimento de 10,3 por cento. O total dos cartões de crédito denominados em patacas (903.711 cartões) subiu 9,7 por cento; enquanto os denominados em dólares de Hong Kong (93.294) cresceu 6,4 por cento. Já os denominados (285.727 cartões) aumentaram, por seu turno, 13,7 por cento. Até ao final de Setembro, o limite de crédito dos cartões de créditos emitidos pelos bancos em Macau foi de 32,5 mil milhões – mais 17 por cento face ao período homólogo do ano passado.
Voos Air Macau volta a aumentar preços
TUI TAXISTA CONDENADO A PAGAR 4,8 MILHÕES POR ATROPELAMENTO NA PASSADEIRA
Tarifa reduzida
O Tribunal de Última Instância (TUI) condenou um taxista, que atropelou uma mulher na passadeira, a pagar uma indemnização total na ordem de 4,8 milhões de patacas, reduzindo o montante aplicado pelo TSI patacas. Inconformado, recorreu para o TSI que, em Maio último, reduziu a indemnização por perda da capacidade de ganho para 4,3 milhões e a indemnização por danos não patrimoniais para um milhão, ou seja, para um total de 5,3 milhões de patacas.
TUI reduziu valor da indemnização por danos a pagar por taxista que, há cinco anos, atropelou uma mulher na passadeira
O condutor alegou nomeadamente que os danos da incapacidade para o trabalho eram elevados, até porque o salário da vítima manteve-se, argumento que não colheu, com o TUI a apontar que a perda da capacidade de ganho por incapacidade permanente (parcial ou total) é indemnizável, ainda que o lesado mantenha o mesmo salário que auferia antes da lesão. Já relativamente aos danos patrimoniais, o TUI entendeu ser ajustada a indemnização de 700 mil patacas. Apesar de constatar que o acidente de viação teve consequências negativas para
a vida da vítima, o TUI nota, porém, que os factos descritos são relativamente escassos. “No fundo, não conhecemos com exactidão a situação física actual da ofendida. Não sabemos se se desloca bem ou mal, com menos ou mais dificuldades. Se consegue correr ou não. Se pode estar de pé longo tempo ou não. E não sabemos porque a quem competia alegar e provar os factos, não o fez”, diz o acórdão. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com.mo
A Air Macau vai aumentar os preços do combustível por voo, que a partir do dia 1 de Dezembro deixam de ter o valor de 28 dólares que passa a ser de 32 dólares, aponta um comunicado ontem emitido. Na prática, tal vai significar um aumento dos preços dos voos da companhia. “Todos os bilhetes emitidos no dia 1 de Dezembro ou depois para viagens de Macau para a China, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul e Vietname serão sujeitos a novas taxas de combustível. Algumas sobretaxas podem ser aplicadas a bilhetes de adultos, jovens e crianças”, lê-se.
Função pública Novo centro de serviços da Taipa abre em 2019
O novo centro de serviços da RAEM vai entrar em funcionamento no primeiro trimestre de 2019, estando localizado no empreendimento Nova Park, da empresa Shun Tak de Pansy Ho. A informação foi ontem avançada pelos membros do Conselho Consultivo dos Serviços Comunitários das Ilhas após uma reunião que contou com a presença de membros do Governo. De acordo com o Jornal do Cidadão, foi referido que o novo centro de serviços irá disponibilizar aos cidadãos um total de 300 serviços administrados prestados por 26 serviços públicos, onde se incluem os serviços de migração, identificação e assistência social. Serão também instalados 33 balcões de atendimento, sendo que alguns serviços vão funcionar 24 horas por dia.
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INVESTIGAÇÃO IC ATRIBUI BOLSAS A CINCO PROJECTOS
GCS
quinta-feira 8.11.2018
O
Instituto Cultural (IC) anunciou ontem a atribuição de bolsas de investigação académica a cinco projectos de um universo de 41 candidatos de Macau e do estrangeiro. Geoffrey Charles Gunn, doutorado em Ciências Humanas/Políticas pela Universidade de Monash (Austrália) e investigador da história de Macau, foi um dos contemplados. Segundo um comunicado do IC, o professor propõe-se a estudar o processo de evolução de Macau na era da guerra e revolução do século XX, tendo como foco a vida dos povos de Macau durante a guerra, a sociedade no início da época do pós-guerra e as mudanças políticas e económicas de Macau até 1999. Já Wu Yuxian, doutorada do Departamento de História da Universidade de Macau, actualmente investigadora associada da Universidade da Cidade de Macau, vai debruçar-se sobre a gestão urbana e desenvolvimento de medicina e saúde de Macau na idade moderna. Tang Chon Chit, doutorado em Estudos de Literatura, História e Filosofia pela Universidade de Shandong, actualmente professor do Departamento da Língua e Literatura Chinesa da Universidade de Macau, focar-se-á, por seu turno, no estudo da sociedade literária “Xueshe” de Macau, que foi a primeira associação na história da literatura de Macau. Lu Chi Seng, doutorado em Filosofia pela Universidade de Macau e especialista na tradução jurídica chinês/ português e vice-versa, actualmente assessor de tradução, intérprete-tradutor jurídico e assessor jurídico do Governo, apresentou um projecto sobre as componentes culturais relevantes dos princípios orientadores para a tradução jurídica bilingue de Macau. Por fim, Zhou Long, doutorado em Filosofia no Estudo de Planeamento, Design e Construção pela Universidade de Oklahoma (EUA), actualmente professor associado da Universidade da Cidade de Macau vai abordar a protecção, prevenção de desastres e gestão dos bairros culturais e históricos de Macau.
Invalidez Aumento de subsídio nas mãos de Chui Sai On
O Instituto de Acção Social (IAS) revelou que já sugeriu ao Governo o aumento do subsídio de invalidez e que agora a decisão cabe ao Chefe do Executivo, Chui Sai On, de acordo com o jornal Ou Mun. A informação surge na sequência da entrega de uma petição junto da sede do Governo a solicitar o aumento do referido subsídio. Segundo os assinantes do documento, esta ajuda social não tem qualquer actualização há dois anos pelo que não já não é suficiente face às despesas que os tratamentos muitas vezes exigem.
ENSINO ESPECIAL ALEXIS TAM ELOGIA QUALIDADE DOS APOIOS EXISTENTES
Acima de Singapura
Melhores condições do que na Cidade-Estado. É desta forma que o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura vê os apoios em Macau para os alunos com condições especiais e promete uma escola especial no Canídromo
P
ARA Alexis Tam os recursos disponibilizados para as crianças com necessidades especiais estão no topo, em comparação com o estrangeiro, e as filas de espera são reduzidas. A declaração foi feita, ontem, pelo secretário para osAssuntos Sociais e Cultura em resposta à petição assinada por cerca de sete mil pessoas, que exige um aumento no subsídio de invalidez. “O nosso objectivo é prestar os serviços adequados às crianças com necessidades especiais, para que elas não tenham de se preocupar com os recursos financeiros.
Vamos continuar a prestar todos os apoios necessários e mesmo no Canídromo vamos construir uma escola para o ensino especial”, disse Alexis Tam, à margem da cerimónia de bênção do Grande Prémio de Macau. “É uma nova instalação que vai permitir aumentar os nossos recursos para este tipo de ensino. É também uma forma de dar ainda mais apoio a estas crianças”, considerou. Sobre a possibilidade de haver um aumento no subsídio de invalidez, que as famílias das crianças com deficiência se queixam de não ser suficiente para
fazer face às despesas, Alexis Tam elogiou a qualidade das condições existentes. “Em 2016 foram criados os mecanismos necessários para apoiar estas pessoas. Na altura não tínhamos instalações suficientes e a estrutura ainda não estava madura, mas estamos a optimizar os serviços de auxílio, através da contratação de terapeutas e também de formação interna, e entretanto criámos as infra-estruturas necessárias”, explicou. “Actualmente temos especialistas suficientes para os serviços necessários. Temos também pessoas com capacidades para darem formação aos novos profissionais, e ainda podemos contratar mais especialistas em Hong Kong ou Taiwan. Mas temos uma resposta adequada”, acrescentou.
RESPOSTA ACELERADA
No que toca ao ensino especial, o secretário disse que Macau fornece melhores condições do que Singapura, e que na RAEM os serviços são gratuitos. “O Governo de Singapura não tem serviços gratuitos para as crianças com dificuldades. Em países como esse, as pessoas precisam de usar os seus recursos financeiros, mas em Macau isso não acontece”, declarou. Alexis Tam apontou ainda que o Governo fornece de forma gratuita transporte, refeições e outras condições para as crianças com necessidades. “Dar mais subsídios as estas pessoas é algo que vai ser considerado, mas também temos que ter em conta que o Governo já disponibiliza vários serviços
DESPEDIMENTO “LAMENTÁVEL”
A
lexis Tam considerou que o despedimento dos nadadores-salvadores por parte da Surf Hong, empresa que fornece o serviço às piscinas do Instituto do Desporto, é “lamentável”. “É lamentável o que se passou com os nadadores-salvadores que foram despedidos [...] Lamento o que se passou e a companhia não devia ter agido desta maneira”, opinou. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura fez questão de destacar que o caso está sob a alçada da Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), que fica sob a tutela do secretário para a Economia e Finanças, mas que toda a situação vai ser levada em conta em futuros concurso públicos.
para as pessoas nestas situações”, acrescentou. Por outro lado, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura disse que a nível da saúde e apoios para as crianças os tempos de espera são reduzidos. “Lá fora para ter acesso a estes serviços é necessário ficar na lista de espera, que demora muito. Mas isso não acontece em Macau, já estamos preparados para as pessoas com necessidades especiais”, frisou. Questionado sobre o tempo de espera, Alexis Tam disse que a informação seria disponibilizada posteriormente. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
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8.11.2018 quinta-feira
Quatro cidades, mais de 30 convidados e 10 dias de duração são os dados recorde da edição, deste ano, do festival This is My City que acontece a partir de 22 de Novembro. O evento alarga a sua abrangência geográfica a Zhuhai e vai também estar representado em São Paulo, no Brasil. Os destaques vão para os chineses Re-TROS e para os projectos portugueses Celeste Mariposa e DJ Kitten
O
festival This Is My City (TIMC) vai, este ano, dividir-se em dois momentos. Um primeiro que inclui Macau, Zhuhai e Shenzhen entre os dias 22 e 25 de Novembro, e um segundo, entre 5 e 9 de Dezembro quando o festival arranca para São Paulo onde vai integrar a Semana Internacional da Música. Este alargamento geográfico faz com que a edição de 2018 seja a maior de sempre, referiu ontem o co-organizador Manuel Correia da Silva, na conferência de imprensa de apresentação do evento.
A música vai continuar a ser o núcleo do certame e a organização destaca a vinda, pela primeira vez, dos Re-TROS a Macau. A banda de Pequim é considerada uma das grandes representações do pós punk chinês. O grupo já actuou em festivais na Europa, nos Estados Unidos e fez as primeiras partes de bandas com os Depeche Mode e o The XX, bem como dos Gang of Our e dos PiL, projecto de Jonh Lydon dos Sex Pistols. Os Re-TROS são influenciados pelo “som underground de bandas como Joy Division e Bahaus”, revelou a organização, e transformou-se num
A cidade dispersa
MY CITY FESTIVAL TRAZ A MACAU RE-TROS, CELESTE MARIPOSA E DJ KITTEN
dos grupos mais significativos no panorama da música independente chinesa logo desde o lançamento, em 2005, do primeiro EP “Cut off” que contou com a colaboração de Brian Eno nas teclas. O último álbum, “Before theApplause” foi produzido por Hector Castillo que também já colaborou com artistas como David Bowie, Lou Reed e Bjork. Em Macau, têm presença marcada no dia 25 de Novembro, nas Oficinas Navais 2.
EXPRESSÃO LUSA
Outro dos pontos altos desta edição vai para a apresentação
do projecto de Lisboa Celeste Mariposa de Francisco Sousa e Wilson Vilares. Criado em 2008, Celeste Mariposa dedica-se a “espalhar a palavra e a promover a música dos países africanos de expressão portuguesa”, apontou a organização. Para o efeito, e tal como tem vindo a fazer em Portugal, os espectáculos em Macau vão ser em formato Afro Baile e têm lugar no dia 23 de Novembro no D2, e no dia seguinte no LMA. De acordo com Manuel Correia da Silva, estes concertos vão dar a conhecer “uma colec-
ção completa de música dos países africanos de língua portuguesa, incluindo álbuns históricos e muitas edições de autor raras”. A 25 de Novembro, Celeste Mariposa segue para Shenzhen, onde actua no The Oil Bar Também de Lisboa vem João Vieira para um DJ set enquanto DJ Kitten. Aapresentação em Macau tem lugar nos dias 24, no D2, e 25 no LMA. Recorde-se que João Vieira é ainda o mentor de projectos como os Xwife e White Haus O TIMC não esqueceu os artistas locais e no dia 24
de Novembro é o momento para ver e ouvir a banda indie local “Forget the G” nas Oficinas Navais 2. Segundo a organização trata-se de uma banda que combina música experimental com pós rock, adicionando elementos multimédia nos espectáculos ao vivo.
PONTO DE ENCONTRO
A edição deste ano vai ter ainda espaço para uma série de conferências todas elas essencialmente debruçadas sobre o papel dos festivais na dinâmica das cidades, afirmou Manuel Correia de Oliveira.
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quinta-feira 8.11.2018
HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Ylang-Ylang Nome botânico: Cananga odorata (Lam.) Hook.f. & Thomson Sinonímia científica: Canangium odoratum (Lam.) Baill. ex King Família: Annonaceae. Nomes populares: CANANGA; ILANGUE-ILANGUE; KANANGADO-JAPÃO (Brasil).
Neste sentido, o TIMC vai abrir com a conferência “Global Creative Network”, no dia 22 pelas 18h, nas Oficinas Navais 2. O festival segue com as palestras abertas ao público “Live Houses and the City” e “Festivals and the City”. Entre os oradores vão estar presentes João Vaz da produtora portuguesa Pataca Discos, Márcio Laranjeira da promotora Lovers and Lollypops e Luís Viegas da agência musical Até ao Fim do Mundo. O objectivo destes momentos é ainda “procurar por em contacto artistas e projectos chineses e lusófo-
nos (...) e ligar os mercados asiáticos, europeus, africanos e sul americanos”, afirmou o organizador.
SURPRESAS NA MANGA
Além do cartaz já divulgado ainda vai haver surpresas, afirmou Manuel Correia da Silva. “Vamos oferecer mais concertos, certamente, e vamos também abordar uma outra área das industrias criativas, neste caso a fotografia”, disse. De acordo com o responsável, “isto é importante porque acreditamos que este não é só um festival de música
e queremos cada vez mais mostrarmo-nos como um festival multidisciplinar”. Para o ano, os esforços vão ser dedicados em conseguir um alargamento do evento a Portugal até porque “há datas a celebrar relativamente às relações entre a China e Portugal”. A entrada é livre para todos os eventos neste festival que conta com um orçamento de cerca de meio milhão de patacas. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
Originário das regiões tropicais, particularmente da Indonésia e Filipinas, onde pode ser encontrado em estado selvagem, o Ylang-Ylang é cultivado na Ásia tropical e África (Madagáscar, Reunião e Ilhas Comores). Trata-se e uma árvore sempre-verde, com ramos pendentes, que pode alcançar 25 metros de altura; tem folhas lanceoladas e grandes flores amarelas lembrando estrelas-do-mar, muito fragantes. O seu nome Ylang Ylang significa, em idioma malaio, a flor das flores. Reputada planta afrodisíaca nas ilhas do Pacífico, as suas flores constituem um adorno tradicional no Extremo Oriente; em Java, são espalhadas no leito nupcial e, maceradas em azeite e aplicadas, são empregues para proteger a pele e os cabelos do Sol. O Ylang-Ylang é também o ingrediente principal do óleo de Macassar, um popular produto para o cabelo usado por homens na época Vitoriana. O óleo essencial é muito usado na elaboração de perfumes, sendo considerado um bom fixador; também é usado na aromatização de sabonetes, sabões e detergentes. Embora as flores constituam um remédio tradicional, actualmente é mais usado em fitoterapia o óleo essencial. Composição Ésteres do linalol e do geraniol, sesquiterpenos (germacreno), eugenol, safrol, cadineno, pineno, e ácidos acético, benzóico, fórmico, salicílico e valérico. Aroma doce e exótico. Acção terapêutica Com propriedades tranquilizantes, o Ylang-Ylang acalma a actividade nervosa e promove o relaxamento, sem produzir alterações no estado de vigília; é ainda ansiolítico, antidepressivo e reduz os efeitos do stress. É um óleo essencial valioso no tratamento da ansiedade, nervosismo, insónia, stress, depressão, sobretudo quando acompanhada por tensão nervosa, e estados de agitação, ira, choque, medo e pânico. É igualmente muito usado, em banhos e massagens, simplesmente para relaxar o corpo e a mente. Além de calmante, o Ylang-Ylang reduz a pressão arterial elevada, especialmente quando acompanhada de palpitações, e
diminui a pulsação (o ritmo cardíaco), beneficiando casos de hipertensão arterial e taquicardia. É recomendado nos espasmos gastrintestinais, cólon irritável, dores menstruais e cefaleias, pela actividade antiespasmódica, e na asma brônquica por ser um broncodilatador. Nas doenças infecciosas auxilia a baixar febre, sendo tradicionalmente usado na malária. Possui ainda efeitos antioxidantes e antimicrobianos. Como afrodisíaco, o seu óleo essencial está indicado na frigidez, impotência e astenia sexual. Outras propriedades Externamente, o Ylang-Ylang tem acção adstringente e anti-séptica, anti-inflamatória, hidratante e suavizante da pele, e regula a secreção de sebo das glândulas sebáceas, sendo por isso útil para todos os tipos de pele (como regulador). Emprega-se no tratamento da hipersecreção sebácea, acne, manchas e para atenuar as rugas. É um tónico e estimulante do couro cabeludo, promovendo o crescimento e o aumento de volume dos cabelos, e prevenindo a sua queda e as pontas espigadas. Como tomar • Uso externo: Inalações: deitar 3 a 5 gotas de óleo essencial num lenço ou na almofada antes de se deitar e respirar profundamente; começar com inalações durante 30 segundos e aumentar progressivamente para 2 minutos. Fazer duas vezes por dia. Banhos de imersão: adicionar 6 a 10 gotas de óleo essencial à água tépida do banho. Óleo de massagem: adicionar 25 gotas de óleo essencial a 50 ml de óleo base (por exemplo, óleo de Amêndoas-doces). Champô: adicionar 40 gotas de óleo essencial a 200 ml de um champô neutro, com ingredientes naturais, sem cor ou perfume. O Ylang-Ylang encontra-se em champô, óleo protector e bálsamo reparador, para fazer face às agressões do Sol, mar, areia ou piscina. Também em loção hidratante para o corpo, creme hidratante para mãos, óleo para massagem, etc. Precauções O óleo essencial não deve ser ingerido, excepto sob vigilância de um profissional. Em uso externo, pode produzir dermatites de contacto. Não aplicar topicamente a pessoas com alergias respiratórias ou hipersensibilidade a este ou outros óleos essenciais. Devido ao seu forte aroma, deve ser usado em pequenas quantidades e curtos períodos de tempo, caso contrário pode provocar dores de cabeça e náuseas. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
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8.11.2018 quinta-feira
IMOBILIÁRIO PREÇO DAS CASAS PODE CAIR ATÉ 5 POR CENTO EM 2019
O
BANCO CENTRAL PRESIDENTE PROMETE MAIOR APOIO AO SECTOR PRIVADO
O crédito em saldos
Y
I Gang, presidente do Banco Popular da China (BPC), prometeu na terça-feira uma série de políticas para ampliar os canais de financiamento para o sector privado. “Há muita água na ‘piscina monetária’, mas precisamos de injectar fundos para as empresas privadas com falta de dinheiro”, disse ele à Xinhua em uma entrevista, citando as políticas na emissão de títulos, empréstimos bancários e financiamento de capital. O BPC acrescentou um novo índice na avaliação macroprudencial para os bancos comerciais e forneceu-lhes fundos de créditos baratos de longo prazo, a fim de incentivar mais empréstimos para as empresas privadas, disse Yi.
Este ano, o banco central aumentou as cotas de refinanciamento num recorde de 300 mil milhões de yuans, e diminuiu as taxas de juros de refinanciamento em 0,5 ponto percentual para os pequenos credores. Além disso, a China decidiu apoiar a emissão de bónus pelas empresas privadas, com apoio de liquidez do banco central. Yi disse que está a iniciar um plano piloto, sob o qual o primeiro lote de três empresas arrecadaram um total de 1,9 mil milhões de yuans com o
seu bónus subscritos em grande excesso. “Outras 30 empresas privadas estão a preparar-se para a emissão de bónus.” O BPC apoia também o financiamento de capitais pelas empresas privadas, disse o presidente do banco. “O banco central fornece fundos iniciais e incentiva a participação das instituições financeiras e outros investidores,” apontou ele. Yi enfatizou que, as dificuldades de financiamento para as empresas privadas, especialmente as pequenas e médias
“Há muita água na ‘piscina monetária’, mas precisamos injectar fundos para as empresas privadas com falta de dinheiro.” YI GANG PRESIDENTE DO BANCO POPULAR DA CHINA
entidades, se tornaram um problema fortificado no mundo, e que a China desenvolverá mais esforços para resolver o “fracasso de mercado.”
CONTAS CASEIRAS
A China manteve um ambiente de política monetária prudente e neutra e garantiu liquidez razoável e suficiente. A medida do BPC para rebaixar os depósitos compulsórios dos bancos libertou um valor líquido de 2,3 biliões de yuans para o mercado monetário este ano. Até ao final de Setembro, os micro-empréstimos não liquidados fixaram-se em 7,73 biliões de yuans, um aumento de 18,1por cento em termos anuais. Os novos micro-empréstimos chegaram às 959,5 mil milhões de yuans nos primeiros três trimestres.
preço do imobiliário na China atingiu o seu valor máximo e pode cair até cinco por cento, em 2019, segundo um relatório publicado ontem pela agência de avaliação de risco Standard & Poor’s (S&P). As políticas adoptadas pelo Governo chinês para travar o aumento do preço das casas, que incluem tornar o crédito mais difícil ou aumentar o valor mínimo de entrada, estão a fazer efeito, apontou o analista da S&P Christopher Yip, em comunicado. Estas medidas estão a “reverter gradualmente o aumento dos preços”, sublinhou. “Após uma actividade robusta, durante mais de dois anos, os meses de Setembro e Outubro, tradicionalmente fortes para o imobiliário chinês, foram de inércia”, considerou o analista. Em Setembro, as vendas registaram uma queda homóloga de 0,8 por cento, enquanto outros indicadores, como a compra de terrenos e investimentos imobiliários também entraram
em terreno negativo, pela primeira vez em dois anos. A S&P prevê ainda que o volume de transacções de casas cairá entre 3 por cento e 7 por cento, levando a uma contracção de 8 por cento a 12 por cento no sector. A agência advertiu que as cidades pequenas são “muito mais vulneráveis” a uma possível desaceleração, que poderá fazer com que passem “rapidamente” de “motores de crescimento” a “travões ao crescimento”. Para os promotores imobiliários chineses, os grandes riscos são a “liquidez e refinanciamento”, recordou Yip, sublinhando o “panorama de financiamento mais desfavorável em anos”. As empresas, que precisam de refinanciar dívidas próximas de vencer, procurarão vender o produto o mais rápido possível, reduzindo os preços se necessário, visando obter liquidez.
Energia Bloqueada venda de empresa a consórcio chinês
A Austrália alertou ontem que pretende bloquear uma oferta de aquisição de um consórcio chinês e de Hong Kong por uma empresa de infraestrutura na área de energia por entrar em conflito com o interesse nacional. A oferta do consórcio, avaliada em cerca de 8,2 mil milhões de euros, para assumir o controlo da empresa australiana APA Group precisava de ser aprovado pelo Conselho de Revisão de Investimentos Estrangeiros da Austrália. Um responsável por esta autoridade de Camberra afirmou que na sua opinião preliminar a aquisição não é do interesse nacional e por isso a venda será bloqueada. A aquisição “resultaria numa concentração indevida de propriedade estrangeira por um único grupo na nossa empresa mais importante de transmissão de gás”. A China é o principal parceiro comercial da Austrália, mas as relações bilaterais têm estado tensas nos últimos meses devido às suspeitas de que Pequim interferiu na política interna de Camberra.
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quinta-feira 8.11.2018
EUA EX-SECRETÁRIO DO TESOURO ALERTA PARA CORTINA DE FERRO ECONÓMICA
O “longo Inverno” comercial
TURISMO CHINA ULTRAPASSARÁ A FRANÇA COMO MAIOR DESTINO ATÉ 2030
E
O antigo secretário do Tesouro da administração de George W. Bush, Henry Paulson, antevê um ambiente negro e de longa duração nas relações comerciais entre os Estados Unidos e a China, com grande impacto na economia global
O
antigo secretário do Tesouro norte-americano Henry Paulson advertiu ontem para a perspectiva de uma “cortina de ferro económica” entre a China e os Estados Unidos, apelando a ambos que trabalhem para resolver as disputas comerciais. O responsável máximo pelo Tesouro dos EUA durante a administração de George W. Bush avisou que a guerra comercial entre Pequim e Washington está a “chegar a um ponto de não retorno”, durante um discurso na conferência
“A região [asiática] deve hoje estar preocupada com a transformação de uma competição estratégica saudável numa guerra fria em grande escala.” HENRY PAULSON EX-SECRETÁRIO DO TESOURO NORTE-AMERICANO
Bloomberg New Economy Forum, em Singapura. “A região [asiática] deve hoje estar preocupada com a transformação de uma competição estratégica saudável numa guerra fria em grande escala”, disse Paulson, que era secretário do Tesouro quando implodiu a crise financeira global, em 2008. O Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs já taxas alfandegárias de até 25% sobre 250 mil milhões de dólares de importações oriundas da China. Pequim retaliou com taxas sobre bens importados dos EUA. Em causa está a política de Pequim para o sector tecnológico, nomeadamente o plano “Made in China 2025”, que visa transformar as firmas estatais do país em importantes actores globais em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos. Os EUA consideram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas es-
trangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa. Bruxelas ou Tóquio partilham das mesmas queixas.
NEGRAS PERSPECTIVAS
O governo norte-americano acusa ainda Pequim de expansionismo militar, violação de liberdades civis e religiosas e até de interferência nas eleições norte-americanas, visando penalizar a administração de Donald Trump. Henry Paulson disse que pôr em causa décadas de progresso nas relações comerciais entre a China e os Estados Unidos acarreta grandes impactos económicos. “Temo que partes importantes da economia global estejam a fechar-se ao comércio e inves-
timento”, disse. “E agora vejo a perspectiva de uma cortina de ferro económica, que irá erguer novas barreiras em cada lado e romper com a economia mundial como a conhecemos”, acrescentou. Washington deu alguns sinais positivos, nas últimas semanas. Trump disse no início do mês que teve uma “conversa muito boa” por telefone com o homólogo chinês, Xi Jinping, sobre questões comerciais e a Coreia do Norte. O Departamento de Estado anunciou ainda conversações de alto nível com Pequim, sobre segurança, em Washington, para esta sexta-feira. Henry Paulson prevê, ainda assim, “um longo inverno nas relações sino-norte-americanas”.
STÁ previsto que a China supere a França como o maior destino turístico do mundo até 2030, já que a crescente classe média na Ásia está disposta a gastar mais em viagens, de acordo com um relatório divulgado esta terça-feira pela Euromonitor International, um grupo de investigação de mercado. No relatório, a Euromonitor prevê que serão realizadas 1,4 mil milhões de viagens em 2018, mais 5 por cento do que no ano passado. Até 2030, espera-se que as chegadas internacionais aumentem em mais de mil milhões, com a China a ultrapassar a França, e tornando-se o destino mais visitado do mundo. O analista de viagens da Euromonitor, Wouter Geerts, disse que o processo gradual de redução das restrições aos vistos tem facilitado as viagens, com 80 por cento das chegadas à Ásia originárias da região. Geerts disse também que, com a realização das olimpíadas de Inverno de 2022 em Pequim, os eventos desportivos provavelmente impulsionarão ainda mais o turismo. A previsão é de que a China ultrapasse os EUAe aAlemanha, tornando-se a maior fonte de turistas de saída até 2030. O turismo é um pilar fundamental da economia chinesa, e muito investimento tem sido feito para melhorar a infraestrutura e os padrões, além das políticas e iniciativas favoráveis ao sector, indica o Diário do Povo.
AERONÁUTICA REVELADO NOVO ‘DRONE’ DE COMBATE FURTIVO
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MA empresa estatal chinesa revelou ontem um novo modelo de ‘drone’ (veículo aéreo não tripulado) de combate furtivo, na Feira Aeronáutica eAeroespacial de Zhuhai, sul do país, ilustrando a crescente capacidade de combate aéreo da China. O ‘drone’ CH-7 ilustra também
a crescente competitividade da China no mercado global para aquele tipo de engenho. O país tem realizado vendas no médio oriente e em outras regiões, impulsionadas por preços baixos e ausência de condições políticas. Shi Wen, responsável pela criação do aparelho, garante
que este pode “voar durante muitas horas, observar e atingir o alvo quando necessário”. “Muito em breve, acredito que nos próximos dois anos, vamos ver o CH-7 a voar”, afirmou Shi, citado pela agência TheAssociated Press. Shi afirmou que o fabricante Chinese Aerospace Science
and Technology Corporation planeia testar voos com o ‘drone’, no próximo ano, e arrancar com a produção em massa em 2022. Um modelo do CH-7 está esta semana exposto na Feira Aeronáutica e Aeroespacial de Zhuhai, um avento que se realiza a cada dois anos,
e mostra os últimos avanços da China nos sectores militares e aviação civil. Com uma largura de asas de 22 metros e um comprimento de 10 metros,
o aparelho tem a dimensão de um avião de combate e o seu monomotor pode atingir a velocidade de um avião comercial. Os Estados Unidos, a Rússia e a França estão também a desenvolver ‘drones’ de combate furtivo, um sector que é há muito liderado por Israel.
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8.11.2018 quinta-feira
ensinaste-me a fazer uma casa: com as mãos e os beijos
Diários de próspero António Cabrita
Dos jornais SHINTARO NAKAOKA
T
OMÉ não planeou enfiar-se no chapa e raspar-se com a viatura quando a viu estacionar à frente da barraca Trinitá e topou o motorista a esgueirar-se - torcido pelo gotejar de uma mija - para as traseiras. O apagão que logo a seguir, com artes de cleptómano, fez desaparecer a cidade é que lhe ondulou na cabeça e aí limitou-se a obedecer ao impulso. Entrou na cabina, rodou a chave na ignição. A carrinha deslizou suavemente por entre os volumes enegrecidos (experimentou os óculos Ray-Ban que se encontravam no tablier), e só no fim da rua acelerou. Estava no papo. Não havia mais que quatro ou cinco passageiros mergulhados no breu, mansas criaturas amodorradas, e ninguém dera pela troca do motorista. Deixou-se seguir sem acender as luzes interiores, sem o tinir duma sílaba - gado bom de ordenhar. Era estranha a música que o leitor de dvds emitia, uma toada electrónica que parecia velha como o mundo. Ouvia-a e vinha-lhe à cabeça um refrão: há quantos anos deixei de usar ganga? Vacilava, se achava mais bizarro o gosto musical daquele motorista se o modo como as frases lhe despontavam na mente, cometas chegados de nenhures para um destino inadivinhável. Há quantos anos deixara de usar ganga? Deixou a música fluir, a ver onde aquilo ia. Conhecia a rota como a palma da mão e levou a viatura sem custo até ao seu término. Aí encheu o carro de people, botões que se acotovelavam na gana de aninharem em casa. Aproveitou para descobrir que música era aquela. Neu!
Hallogallo. Quase gala-gala, mas não conhecia. Voltou a pisar o play. Algas com ferrugem num mar electrónico – como vira uma vez na Costa do Sol. Já apinhado o carro, deu conta que aquele chapa andava sem cobrador - melhor, cobrou ele logo à cabeça. Era vinte e duas horas em ponto e o apagão alastrara a sua tinta de polvo por toda a cidade. Ladeava o muro da lixeira do Zimpeto quando sacou da pistola com silenciador que havia comprado ao china e, sem se virar, atirou ao acaso por detrás do pescoço, visando duas vezes à esquerda e três à direita. O silenciador funcionava, não fazia mais ruído que um peido de formiga. O escuro, a surpresa, a sua rapidez - ajudaram. O alarido só rebentou quando numa guinada parou o chapa à beira do muro e, gozando o prato, acendeu as luzes virando-se para trás, de pistola em riste. Os passageiros, no calado de um navio de muitos quilates, miravam as vítimas de cabeça
pendida. Atingira um olho, um coração, uma testa, um cotovelo que guinchava e um pescoço gorgolejante. Uma mulher gritou, pela última vez na sua vida. Remédio santo para os demais. Disse-lhes: - Bradas, passem tudo o que têm nos bolsos. Depositaram tudo no lugar do morto. Moedas, notas, telemóveis, porta-chaves. Até camisinhas. Encheu os bolsos. Depois fechou as luzes do chapa e articulou, pausadamente: - Zuca lá para fora mas easy, relax, vamos pôr os mortos onde devem estar... Aos ouvidos dos seus acagaçados passageiros a sua voz soava metálica, não se apercebia. Desceram do chapa retardando o passo, mais enfiados que o esterco no rabo do cabrito. Veio-lhe ao nariz a certeza de que um gordo se borrara. Depois do gordo desceu um madala com umas calças de ganga. Há quantos anos deixara de usar ganga? Desligou a música. Alinhou-os contra o muro. Aproveitando-lhes o estupor, na ra-
Ladeava o muro da lixeira do Zimpeto quando sacou da pistola com silenciador que havia comprado ao china e, sem se virar, atirou ao acaso por detrás do pescoço, visando duas vezes à esquerda e três à direita. O silenciador funcionava, não fazia mais ruído que um peido de formiga. O escuro, a surpresa, a sua rapidez - ajudaram
pidez que lhe dera o treino de comandos, mudou o carregador da arma. Contou-os, eram treze. Abateu o gordo: - Crazy, não gosto do treze e o camone fedia... Uma mulher soluçou. Baixinho. Grossas bátegas de calafrio entrechocavam-se como seixos na testa dos homens. Ao redor, os grilos faziam de segundos violinos. Vivalma. Noite de trevas, muito ao longe acenava o farol dum carro, mais solitário que o lenço de mulher esquecido. O gordo gemia. Um balázio na cabeça serenou-o. Tomé suspirou, entediado e observou: - Black é assim mesmo, vive da bacela do medo. Vamos ao que interessa. Quatro a quatro, peguem nos corpos e atirem-nos por cima do muro. Sempre que falharem abato um dos quatro... Os homens superam-se. Os cadáveres rebolavam sobre si mesmo, impulsionados à justa. O quarto corpo elevou-se um pouco mais, somou uma reviravolta ao trajecto e pairou no ar antes do ombro esquerdo ir embater no topo do muro fazendo-o girar para o outro lado. Suspiros. Não ficaria mal aqui a ratonice dum corvo, se um corvo fosse capaz de se interrogar, Há quantos anos deixei eu de usar ganga. Porém, Tomé congelara a música dos alemães Neu! Ao baque do último corpo no outro lado do muro, Tomé gabou: - Somos melhores que os mambas... os moçambicanos só precisam de uma motivação... - e atirou para o ar - Alguém guia? Um rapaz novo, receoso, levantou a mão. Tomé - deu-lhe um súbito cansaço - deixou cair a arma, olhou para ele e sugeriu, atencioso: - Leva-os daqui... – após o que sorriu, antegozando a ideia - Para os jornais digam que foi um comando da Renamo, e largou uma gargalhada. Num ápice, desapareceram. Foram no encalço de um velho Mercedes que passou, tossicando. Tudo correra pelo melhor. O apagão, a hora, a pouca afluência de carros, não ter havido um passageiro que se julgasse com estofo de herói... até a piada final lhe saíra a primor. Além disso, Tomé que, como o seu xará bíblico, gostava de ver para crer, era obrigado a reconhecer que os chineses, afinal, não têm à venda só a fancaria das lojas de trezentos, tinham do bom. Encaminhou-se para casa, ali perto. A mulher esperava-o. No dia seguinte podia comprar-lhe um micro-ondas, tão prático para durante a noite se aquecer o biberão do bebé. Os óculos Ray-Ban ficavam-lhe a matar. Glossário: madala, cinquentão; bacela, brinde; mambas, equipa moçambicana de futebol
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
quinta-feira 8.11.2018
JOHN CARPENTER, THE FOG
Retrovisor Luís Carmelo
E
XISTEM coisas terríveis no planeta azul, é verdade. A amostra e o armazém confundem-se: jaíres que amam a estabilidade das ditaduras, sanguinários sauditas à solta e, virando a página, milhões e milhões de refugiados a errarem na parte sul do Sudão, nas Américas ou no Mediterrâneo. E dias há em que a televisão nos dá a ver inundações e tsunamis, mas há sempre vozes ventríloquas a papagaiar que tudo se passa lá muito ao longe. As coisas terríveis têm a mania de acontecer na outra margem. Como se existisse um rio entre nós e a realidade, interrompido apenas quando sobre a nossa cabeça se abate uma gigantesca bigorna de aço. Se acordássemos do choque, essas vozes persistiriam. Cair uma bigorna na cabeça de alguém é sempre um pára-arranca a deambular lá muito ao longe. Nem seria preciso citar Napoleão a acossar pirâmides do Egipto, para concluir que os humanos gostam de imaginar os longes (‘longes bem longínquos’ onde tudo arde), adoram lucubrar sobre episódios terríveis e até se deram ao trabalho de inventar o teatro e a própria palavra “catarse”. Colocando de lado por instantes o ‘coiso’ do Brasil, os tsunamis e os ventríloquos, é coisa corrente no dia-a-dia que as grandes e pequenas monstruosidades andam geralmente camufladas. Atravessamos a rua no fim da tarde de uma sexta-feira amena e temos aquela sensação na boca de estar a solfejar “Amor, I love you” de Marisa Monte, ou então vemo-nos a apanhar da calçada uma
Ordenhar com amor uma vaca da Frísia folha de plátano com toda a ternura, antes de teclar um coração no iphone. Depois, encaramos as nuvens paradas e concluímos que a vida é bela, cheia daquela harmonia dos verões da infância, lânguida de ardores (dos que antecedem os arsénicos de Emma Bovary). Poderemos até abraçar um peru ainda vivo ou ordenhar com amor uma vaca da Frísia e dizer que o natal é quando a alma de Mahatma Gandhi quiser. Então porquê as monstruosidades camufladas? Não, não é por paixão carnavalesca. Talvez seja, na mesma ordem de ideias que levou Polonius a questionar Hamlet - “Will you walk out of the air, my lord?”, por causa daquele grau de suspeita que permite deduzir que ‘eles andam aí’. Por vezes nem precisam do ar que respiram. Sobrevivem ao jeito da melanina que protege do sol os mais apetecidos recessos cutâneos. ‘Eles andam aí’, pequenos e grandes, e comportam-se com tique de máscara mal colocada, fazendo lembrar osgas, louva-a-deus, cavalos-marinhos, sapos, lagartas, girafas, aranhas e corujas que sabem confundir-se com o pano de
fundo da natureza onde se acoitam, sejam florestas, desertos ou corais. Só que, de um momento para o outro, aparece quase sempre quem os detecte. Coisa de sortudo e não de pobre diabo. Pobre diabo é uma designação feliz, sim. Dizem que os pobres diabos são tão leves que sobem ao reino dos céus como sumaúma. E podem inesperadamente ser muitos, muitos milhões. Por exemplo: já experimentou, caro leitor, telefonar para Meo a perguntar por que razão a factura mensal aumentou de repente (e sem qualquer razão)? A voz gravada há-de desafiar a sua paciência celestial durante 40 minutos e depois você desiste por ter compromissos marcados. Já experimentou, caro leitor, ir às finanças anular um pagamento que teve como base o lapso de um funcionário? Há-de conseguir a validação dos dados, sim, mas, logo a seguir, terá que subir à secção das dívidas e vão dizer-lhe, a esfregar as mãos feitas de sumaúma: “a intervenção humana está feita, mas o sistema tem os seus timings próprios e, por isso, vai ter que pagar (e com juros),
O pessoal vê sites e notícias sobre os jaíres pistoleiros e as novas “invasões bárbaras”, o pessoal vê crianças mortas nas praias e ouve a nova geração de políticos da Hungria, da Polónia ou de Itália e, a caminho do ginásio ou de regresso das finanças, vai pondo uns likes na atmosfera
caso contrário haverá penhora das contas bancárias”. De um momento para o outro, os predadores confundem-se com as osgas, as louva-a-deus, os cavalos-marinhos, as aranhas, etc, etc, e não com o pobre diabo que se lembrou de ir resolver umas coisinhas correntes, no fim de uma amena tarde de sexta-feira, quando na esplanada do bairro toda a gente cantava em uníssono “Amor, I love you”. Há alegorias que valem mais pela amostra do que pelo armazém. Seja qual for a escala do desvelo, caro leitor, confesso que não há gramática que resista a uma bela bigorna a perfurar o tálamo ou às pirâmides de gizé a mangarem com a estatura de Napoleão, pois tudo se passará inevitavelmente do outro lado, na outra margem, no silêncio de Polonius. O pessoal vê sites e notícias sobre os jaíres pistoleiros e as novas “invasões bárbaras”, o pessoal vê crianças mortas nas praias e ouve a nova geração de políticos da Hungria, da Polónia ou de Itália e, a caminho do ginásio ou de regresso das finanças, vai pondo uns likes na atmosfera. E com os phones cada vez mais enterrados nos ouvidos, a maior parte do pessoal continuará a ouvir sem parar os anjinhos ventríloquos e natalícios a fazerem de coro grego: ‘Let it be’, ‘No pasa nada’, ‘Baby It’ll be alright’ e outros hits tipo rap evangélico. Tal como Camus escreveu no romance A Peste: “...o flagelo reunia todas as suas forças para as lançar sobre a cidade e se apoderar dela definitivamente” (1). Já faltou mais. (1) Camus, A. A Peste, Livros do Brasil, Lisboa, s/d, p.156.
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8.11.2018 quinta-feira
AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL
EDITAL Edital n.º : 18 /E-DC/2018 Processo n.º : 19/DC/2013/F Assunto : Audiência dos interessados sobre ocupação ilegal de terreno do Estado Local : Terreno situado junto ao Edf. Billows Bay na Avenida Marginal do Lam Mau n.os 240 250, Macau (demarcado a tracejado na planta em anexo) Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados os ocupantes ilegais do terreno indicado em epígrafe, cujas identidades e moradas se desconhecem, do seguinte: 1. A DSSOPT, no exercício dos poderes de fiscalização conferidos pela alínea b) do n.º 3 do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 29/97/M, de 7 de Julho, verificou que no terreno indicado em epígrafe foram depositados materiais de construção, veículos e contentores em grande quantidade, sem que tenha sido emitida pela DSSOPT a respectiva licença de obra, nem sido atribuída aos ocupantes a respectiva licença de ocupação temporária nos termos dos artigos 76.º a 81.º da Lei n.º 10/2013 (Lei de terras). Por conseguinte, foi instaurado o procedimento administrativo n.º 19/DC/2013/F relativo à desocupação e restituição do terreno ao Estado. 2. De acordo com a certidão da Conservatória do Registo Predial (CRP), de 7 de Setembro de 2018, o terreno consta da planta cadastral n.º 10200009, emitida em 13 de Julho de 2018 pela DSCC, não se encontra registado a favor de particular (pessoa singular ou pessoa colectiva) o direito de propriedade ou qualquer outro direito real, nem há qualquer registo de concessão por aforamento ou arrendamento, pelo que o mesmo considera-se terreno disponível do Estado, nos termos do artigo 7.º da Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) e do artigo 8.º da Lei n.º 10/2013 (Lei de terras). 3. Com efeito, a ocupação de propriedade do Estado por ocupantes que não disponham de contrato de concessão ou de licença de ocupação temporária prevista na Lei de terras a autorizar a sua posse, determina que o terreno seja desocupado e entregue ao Governo da RAEM, órgão responsável pela gestão, uso e desenvolvimento dos solos e recursos naturais, nos termos do artigo 7.º da Lei Básica da RAEM, competindo ao Chefe do Executivo determinar a respectiva ordem de desocupação e fixar um prazo para o efeito, ao abrigo do disposto no n.º 1 do artigo 208.º da Lei de terras. 4. O terreno indicado em epígrafe possui uma área de 618 m2. Nos termos da alínea 2) do artigo 196.º da Lei de terras, quem ocupar ilegalmente terrenos do Estado é punido, consoante a área do terreno ocupado, com multa de $150 000,00 a $ 750 000,00 patacas. 5. Considerando a matéria referida no ponto 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 10 (dez) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto dos artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA). 6. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.o 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 30 de Outubro de 2018. O Director dos Serviços Li Canfeng Processo n.º: 19/DC/2013/F Local : Terreno situado junto ao Edf. Billows Bay na Avenida Marginal do Lam Mau n.os 240-250, Macau (demarcado a tracejado na planta em anexo) Planta em anexo:
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Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Rua de Choi Long, n.ºs 143 e 151 e Beco da Sorte, n.º 140, na Ilha da Taipa, (Edifício Siu Keng Toi); - Estrada de Seac Pai Van, n.ºs 250 e 272, na Ilha de Coloane (Edifício Estação de Serviço ESSO). Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 18 de Outubro de 2018. O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong
AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1.
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Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Avenida do Almirante Lacerda, n.º 119, em Macau; - Avenida da Praia Grande, n.ºs 712 e 716, em Macau; - Travessa da Escama, n.º 2E, em Macau. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 18 de Outubro de 2018. O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong
desporto 17
quinta-feira 8.11.2018
GP PRESIDENTE DA FIA ENVIOU MENSAGEM A ELOGIAR EVENTO
Aplausos de fora GCS
Jean Todt agradeceu a Alexis Tam a contribuição do Grande Prémio de Macau para o automobilismo, assim como o esforço da organização. O secretário voltou a apelar à compreensão da população e fala numa fase sem precedentes na história da prova, que comemora 65 anos
Sub-23 Desafios com Timor, Japão e Myanmar
A selecção sub-23 de Macau vai defrontar Timor-Leste, Japão e Myanmar na fase de qualificação para o Campeonato Asiático de Futebol do escalão. O sorteio para a competição que se realiza em 2020 na Tailândia foi feito ontem, em Kuala Lumpur, capital da Malásia. Ontem ainda não havia datas para os jogos de Macau, que serão todos realizados no Myanmar, num formato de mini torneio. O vencedor do grupo e os quatro melhores segundos lugares dos onze grupos são apurados para a próxima fase. A última edição da prova foi conquistada pelo Uzbequistão.
HORÁRIOS FLEXÍVEIS
Nos últimos anos, o Governo tem autorizado que os funcionários públicos entrem uma hora mais cedo ou mais tarde no serviços durante a realização do Grande Prémio. Após quatro anos, o balanço da medida é positivo e vai continuar a ser uma aposta também neste edição. “A partir da próxima quinta-feira voltamos a ter um regime de flexibilidade no horário de trabalho dos funcionários públicos, tal como nos anos anteriores. O objectivo passa novamente por fazer com que o trânsito não se concentre todo nas horas de ponta, para que também haja um maior alívio nessas alturas mais críticas”, justificou o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura.
“Também recebi uma mensagem de Jean Todt, presidente da FIA, que reconheceu o nosso trabalho em prol do automobilismo.”
O
presidente da Federação Internacional Automóvel (FIA), Jean Todt, enviou uma mensagem ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultural a elogiar o trabalho da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, que este ano celebra 65 anos. A revelação foi feita pelo secretário, ontem, após a cerimónia tradicional do Pai San, para abençoar a prova. “Esta é a 65.ª edição do Grande Prémio de Macau e acreditamos que vai ser um sucesso. Toda a equipa envolvida neste projecto acredita nisso e queremos que seja uma edição em grande”, começou por dizer Alexis Tam. “Também recebi uma mensagem de Jean Todt, presidente da FIA, que reconheceu o nosso trabalho em prol do automobilismo”, revelou.
nível internacional e integra três provas de cariz mundial numa só edição”, apontou.
ALEXIS TAM SECRETÁRIO PARA OS ASSUNTOS SOCIAIS E CULTURA
A prova vai para a estrada na próxima quinta-feira e prolonga-se durante o fim-de-semana. As principais provas voltam a ser a corrida de Fórmula 3, Taça Mundial GT e Taça do Mundo de Carros de Turismo (WTCR). O secretário sublinhou, por
isso, a qualidade do programa e apontou que a prova há muito que deixou de ter importância apenas no panorama desportivo, com uma influência que abrange toda as áreas. “Este evento promove muito a imagem de Macau, além de
contribuir para a difusão da nossa Gastronomia, enquanto Cidade Criativa da UNESCO na área da Gastronomia, e de promover o desenvolvimento de Macau como Centro Mundial de Turismo e Lazer”, frisou. “O Grande Prémio está numa fase sem precedentes a
“Esperamos que a população perceba a situação [da organização do Grande Prémio] e vamos continuar a fornecer-lhe a informação necessária para saber as alterações ao trânsito”, realçou. Por último, Alexis Tam apelou ainda às pessoas que se desloquem ao Circuito da Guia durante os quatro dias do evento. “Agradecemos à população e voltamos a pedir o seu apoio. Esta é também uma grande oportunidade para a população, que pode assistir a três provas de cariz internacional”, considerou. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
FÓRMULA 1 GRANDE PRÉMIO DO VIETNAME, EM HANÓI, EM 2020
O
Vietname vai acolher uma prova do campeonato do mundo de Fórmula 1 a partir de 2020, confirmaram ontem os responsáveis da competição, à margem do Grande Prémio do Brasil, em São Paulo. O circuito será citadino, com 5,565 quilómetros de extensão, na capital daquele país asiático, em Hanói. Trata-se do primeiro anúncio de um novo Grande Prémio feito pelos novos donos da competição, a
Liberty Media. "Desde que nos envolvemos neste desporto em 2017 que temos vindo a falar em desenvolver novos destinos e o Grande Prémio do Vietname é a concretização dessa ambição", sublinhou o norte-americano Chase Carey, presidente executivo da Fórmula 1. O director executivo do Vingroup, Nguyen Viet Quang, explicou que o objectivo desta parceria é "melhorar a vida da popula-
ção do Vietname", através da criação de "mais postos de trabalho" e da "melhoria das infraestruturas da cidade". Nguyen Viet Quang prometeu ainda apresentar durante o evento, dentro de dois anos, "o primeiro construtor automóvel vietnamita, o VinFast". O responsável autárquico de Hanói, Nguyen Duc Chung, disse acreditar que esta prova vai ser "uma demonstração das
capacidades do país", com "uma das economias que mais crescem em todo o mundo", além de permitir "atrair mais turismo". O circuito será montado num subúrbio de Hanói e congrega o que de melhor têm alguns dos circuitos tradicionais do campeonato. As curvas 1 e 2, um pouco mais apertadas, fazem lembrar Nurburgring, na Alemanha, enquanto a zona da curva 17 é semelhante à subida de Sainte
Devote, no Mónaco. A secção entre as curvas 16 a 19 será similar à dos ‘esses' de Suzuka, no Japão. De acordo com o director de corridas da Fórmula 1, o britânico Charlie Whiting, que já visitou o local, "a maior parte do traçado será em ruas já existentes, mas há uma secção que ainda não está construída". "Será num espaço aberto, onde as boxes serão instaladas", explicou.
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CINEMA | DOC LISBOA - “O CANTO DO OSSOBÓ” DE SILAS TINY 18h30 | Auditório Dr. Stanley Ho
Diariamente EXPOSIÇÃO KEITH HARING MAZE MACAO Venetian Expo Hall F | Até 31/12 EXPOSIÇÃO SALÃO DE OUTONO Casa Garden | Até 30/11 EXPOSIÇÃO “PARA ALÉM DA PAISEGEM” DE WU LI Museu de Arte de Macau | Até 11/11 EXPOSIÇÃO | PAISAGEM MUTANTE Museu de Arte de Macau | Até 10/02/2019
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“FINDING DREAMS IN THE FALL OF RUA DOS ERVANÁRIOS” Até Dezembro
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O CARTOON STEPH 29
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UM DISCO HOJE
PATRICK CODE BLUE: THE MOVIE [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masaki Nishiura Com: Yamashita Tomohisa, Aragaki Yui,Toda Erika 14.30, 19.15, 21.30
MY HERO ACADEMIA THE MOVIE - TWO HEROES [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kenji Nagasaki 16.45
HALLOWEEN [C] Um filme de: David Gordon Green Com: Lee Curtis, Judy Greer, Will Patton, Nick Castle 19.30
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1.16
O mundo tende a gritar diferenças entre esquerdas e direitas. Os insultos são mútuos e as redes sociais constatam isso mesmo. Os comunistas de um lado, os fascistas do outro. Só esse teatro consegue “salas cheias” ao mesmo tempo que esconde o pior. É o atear de ódios, como se isso desse algum sentido às pequenas existências que recorrem ao conforto do sofá e ao escudo do ecrã para mostrar os monstros que encarnam e as lutas fictícias que alimentam. Não fosse o aflorar de uma crueldade que parece estar à flor da pele dos humanos, tudo isto não passaria de um passatempo. Mas não é. Com a bipolaridade quase psicótica que parece encher as vidas de muitos, o alerta vai para a falta de empatia que se instalou nesta sociedade contemporanea, filha e escrava da tecnologia. O outro passou a ser uma identidade abstracta e que se quer derrotada, morta, num combate sem humanidade, para que o desejo de genocídio não acarrete qualquer remorso. O problema não é político, é pior. Vem de dentro e é contra toda a diferença. O outro morreu. Ficou atirado para o recanto da apatia. Sem existência, é mais fácil ser alvo de exercícios de pequenos poderes. O perigo: os poderes pequenos crescem. Sofia Margarida Mota
“MEZZANINE” | MASSIVE ATTACK
Lançado em 1998 “Mezzanine” comemora em 2018 21 anos. O álbum pode nem ser o melhor da banda de Bristol, mas foi o que lançou o nome de Massive Attack para a ribalta não deixando de representar uma referência musical e mais um excelente trabalho dos britânicos que de alguma forma revolucionaram a sonoridade electrónica nos anos 90. Como a maioria dos discos que são bons, Mezzanine é intemporal e deve ser relembrado de vez em quando. Sofia Margarida Mota
SALA 3
HICHKI [B] FALADO EM HINDI LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Siddharth P Malhotratiqua Com: Rani Mukerji 14.30, 16.45, 19.15
SALA 2
MY HERO ACADEMIA THE MOVIE - TWO HEROES [B]
Um filme de: Mandie Fletcher Com: Beattie Edmondson, Ed Skrein, Tom Bennett, Jennifer Saunders 14.30, 16.30, 21.30
FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kenji Nagasaki 21.30
PATRICK [A]
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8.11.2018 quinta-feira
8 3 2 1B A H T 0 . 2 4 Y U A N 5 9 VIDA DE CÃO 6 4 PSICOPATIA 7
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PROBLEMA 30
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 29
SALA 1
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DE
EXPOSIÇÃO “THE CITY IN MY HEART” Armazém do Boi | Até 18/11
Cineteatro
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opinião 19
quinta-feira 8.11.2018
RUI TAVARES in Público
LIN GUA, PEDRAS DA LEI (PORMENOR)
Eleições nos EUA: o fim do princípio?
H
Á dois anos e dez dias, uma sondagem dava Hillary Clinton e os democratas cerca de cinco pontos percentuais acima de Trump e dos republicanos. Nas condições específicas daquele ano, isso significaria não só uma vitória de Clinton na Casa Branca como uma vitória do Partido Democrático nas duas câmaras do Congresso. Por sua vez, um resultado desses permitiria a Obama, nos últimos meses do seu mandato, concluir com sucesso o processo de nomeação do seu candidato ao Supremo Tribunal, que os republicanos tinham bloqueado numa táctica dilatória. Com uma possível maioria progressista no Supremo Tribunal, coisas que antes pareceriam impossíveis nos EUA passariam a ser matéria de debate: por exemplo, a abolição da pena de morte ou o fim das doações de empresas a partidos políticos, que Hillary Clinton, sob pressão de Bernie Sanders, prometera tornar no teste decisivo para a nomeação de qualquer juiz no Supremo.
Repito esta memória não para especular sobre o que teria sido uma presidência Clinton — se a minha avó tivesse rodas era um carro eléctrico —, mas para enfatizar o que mais importa a longo prazo numas eleições estado-unidenses: não a Câmara dos Representantes, não o Senado, nem sequer a Casa Branca, mas sim o Supremo Tribunal. Com a vitória de Trump, os republicanos têm assegurada uma maioria por 5-4 ou mesmo 6-3 de conservadores sobre progressistas entre os nove juízes do Supremo. Com essa maioria, aquilo de que os EUA vão falar por muito tempo não vai ser em abolir a pena de morte ou limitar o poder das empresas nas campanha eleitorais no país. Com um Supremo Tribunal que vai ser conservador durante décadas, os temas das decisões judiciais futuras vão sobretudo ser os prediletos de Donald Trump:
Enfatizo o que mais importa a longo prazo numas eleições nos EUA: não a Câmara dos Representantes, não o Senado, nem sequer a Casa Branca, mas sim o Supremo Tribunal
como impedir imigrantes de terem acesso à cidadania americana, garantir que não se faz nenhum esforço para que as minorias étnicas e raciais possam votar, e assegurar que o dinheiro privado e empresarial continua a falar mais alto do que a mobilização política dos cidadãos comuns. Por sua vez, enfatizar esta conclusão não serve apenas para provar que as eleições têm consequências que podem durar gerações, nem para reforçar qualquer tipo de fatalismo. Pelo contrário; a razão para nos focarmos no Supremo Tribunal americano é simples e analítica: entendermos que a vitória de Trump em 2016 é uma vitória cujas consequências nos vão acompanhar por muito tempo. Enquanto escrevo, milhões de americanos exercem o seu direito de voto (mesmo na Geórgia, onde as secções de votos de maioria negra têm uma irritante mania de ter todas as máquinas de votação avariadas — o secretário de estado que organiza as eleições é também o candidato republicano a governador, contra uma candidata democrata negra). Mesmo aqui em Nova Iorque, onde as vitórias dos democratas, incluindo socialistas democráticos como Alexandria Ocasio-Cortez, são certas, as filas para votar são longas.
Mas mesmo na melhor das hipóteses, uma vitória democrata na Câmara de Representantes permitiria iniciar um processo de impeachment contra Trump por uma das suas várias vilanias — mas não encerrar esse processo. E uma vitória dos democratas no Senado, improbabilíssima, mesmo que numa hipótese ainda mais remota encurtasse o mandato de Trump, não chegaria para lidar com o impacto total da sua acção na Casa Branca — e aí não falo só da maioria a longo prazo que ele firmou no Supremo mas também da agressividade, polarização e corrosão que ele introduziu no discurso público neste país e que vão demorar muitíssimo a expurgar, ainda que parcialmente. O tempo não anda para trás, é a lição que fica de 2016. Independentemente dos resultados, o melhor desta eleição intercalar nos EUA é desde já a iniciação política de uma geração mais à esquerda que qualquer outra no pós-guerra americano. O horizonte político dessa geração terá sempre de ser a longo prazo. Para os próximos dois anos, porém, a sua principal missão vai ser a limitação de danos. Estas eleições não vão ser o fim de Trump, nem sequer o princípio do fim. Com um bocado de sorte, poderão ser apenas o fim do princípio.
Permitir uma injustiça é abrir caminho para todas as outras que virão depois.” PALAVRA DO DIA
Willy Brandt
Benefícios fecais
Zhuhai Ex-presidente da Câmara expulso do partido
Bill Gates apresenta sanita inovadora que não precisa de água ou saneamento
O Governo Central aprovou a decisão de expulsar do partido Li Zezhong, que foi presidente da câmara de Zhuhai, de forma interina, até Setembro de 2017, altura em que começou a ser investigado. De acordo com um comunicado do órgão máximo contra a corrupção da China, Li Zezhong, de 48 anos, violou a disciplina do partido, cobrou despesas públicas indevidas, recebeu presentes de empresários e abusou do poder. Além de ser expulso do Governo e do partido, Li tem de devolver os dinheiros recebidos de forma ilegal.
China Vítor Pereira conquista campeonato
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O treinador português Vítor Pereira levou ontem o Shanghai SIPG à conquista do primeiro título de campeão chinês de futebol, ao impor-se por 2-1 na recepção ao Beijing Renhe, em jogo da 29.ª e penúltima jornada do campeonato. O Shanghai SIPG, que na ronda anterior tinha vencido por 5-4 no estádio do perseguidor Guangzhou Evergrande e ficado a apenas um ponto de vencer pela primeira vez a prova, resolveu o jogo a seu favor com golos do uzbeque Odil Akhmedov, aos 20 minutos, e do goleador Wu Lei, aos 47, antes de o senegalês Makhete Diop reduzir, aos 65. Vítor Pereira, de 50 anos, sagrou-se campeão no terceiro país, depois dos títulos conquistados em Portugal, no FC Porto (2012 e 2013), e na Grécia, no Olympiacos (2015), quebrando a hegemonia do Guangzhou Evergrande, campeão chinês nas sete épocas anteriores, as últimas três sob o comando do brasileiro Luiz Felipe Scolari, antigo seleccionador português.
quinta-feira 8.11.2018
O Os números não enganam Investimento chinês será debatido mas mantém-se com Bolsonaro
O
administrador-executivo do Haitong Banco de Investimento do Brasil, Alan Fernandes, considerou ontem que a relação comercial entre Pequim e Brasília se vai manter, mas admitiu que o Presidente eleito brasileiro, Jair Bolsonaro, vai discutir o tipo de investimento. “Sem dúvida que vão acontecer discussões sobre a característica do investimento, nomeadamente na propriedade de terras”, afirmou, em Pequim, Alan Fernandes, que é também administrador executivo do Haitong Portugal, o antigo Banco Espírito Santo Investimento (BESI). Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro classificou o investimento chinês no Brasil de predatório, face à aquisição de empresas e activos estratégicos por firmas do país asiático. “A China não está comprando no Brasil, ela está comprando o Brasil. Você vai deixar o Brasil na mão do chinês”, disse. Em declarações à agência Lusa, Fernandes admitiu que, pela “característica nacionalista” de Bolsonaro, existe uma “preocupação” com o investimento chinês, mas ressalvou que há “muita coisa que é parte da campanha” e que “não dá para ignorar” os dados da relação comercial.
“A China é o maior parceiro comercial do Brasil: 25% de todo o comércio exterior brasileiro está ligado à China. Você não pode simplesmente maltratar quem compra ou vende um quarto de tudo o que você consome ou produz”, observou. Em 2017, o comércio entre o Brasil e a China atingiu 87,53 mil milhões de dólares, uma subida homóloga de 29,55%. A China vendeu bens no valor de 29,23 mil milhões de dólares e importou mercadorias no montante de 58,30
“A China é o maior parceiro comercial do Brasil: 25% de todo o comércio exterior brasileiro está ligado à China. Você não pode simplesmente maltratar quem compra ou vende um quarto de tudo o que você consome ou produz.” ALAN FERNANDES ADMINISTRADOR DO HAITONG BANCO DE INVESTIMENTO DO BRASIL
mil milhões de dólares, segundo dados das alfândegas chinesas.
NO TERRENO
Alan Fernandes lembrou ainda que um potencial proteccionismo de Bolsonaro face ao investimento chinês é apenas viável numa empresa estatal, já que as privadas podem fazer uma negociação bilateral. “Não existe nenhum instrumento que permita ao Governo travar a aquisição por uma empresa estrangeira, de qualquer origem, de um activo [privado] no Brasil”, afirmou. O administrador considerou que o “tempo vai trazer a manutenção do relacionamento comercial” com a China, mas previu uma mudança nos laços de Brasília com o mundo emergente. “A política do antigo Presidente Lula [da Silva], de ligação com países em desenvolvimento, principalmente em África e na América Latina, como Venezuela ou Cuba, deve mudar, mas em relação à China não”, disse. Alan Fernandes desloca-se à China “quatro ou cinco vezes por ano” para acompanhar o trabalho de uma equipa de chineses, montada em 2017, dentro do Haitong Securities, que se dedica às operações do Haitong Bank.
filantropo norte-americano Bill Gates apresentou ontem uma sanita que não necessita de água ou ligação a sistemas de saneamento, transformando os dejectos em fertilizante, o que poderá reduzir a mortalidade infantil nos países mais pobres. O fundador da Microsoft mostrou o novo modelo ao público em Pequim, numa exposição dedicada a novas soluções sanitárias, visando “reinventar as sanitas” e acelerar a adopção e comercialização de sistemas inovadores. “Esta exposição apresenta, pela primeira vez, tecnologia e produtos de saneamento descentralizados e totalmente novos, e prontos a serem comercializados”, afirmou Bill Gates, em comunicado. Este novo modelo, que não precisa de estar ligado a um sistema de saneamento ou de água e transforma os dejectos humanos em fertilizante, está a ser testado na cidade sul-africana de Durban, onde também estão a ser testados outros modelos, que se alimentam de energia solar, explicou Gates. O multibilionário explicou que a rápida expansão destes novos produtos e sistemas de saneamento que não necessitam de estar conectados a nenhuma rede poderá reduzir drasticamente o número de mortos e o impacto da falta de higiene na saúde da população nos países mais pobres. A fundação de Bill Gates e da sua mulher, Melinda Gates, gastou 200 milhões de dólares desde 2011 para promover a investigação e o desenvolvimento de tecnologia sanitária segura. Segundo a Unicef, quase 900 milhões de pessoas não têm escolha senão fazer as suas necessidades ao ar livre. Só na Índia, estima-se que sejam 150 milhões. O Presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, destacou que o saneamento é uma das prioridades para a sua organização, que se vai aliar com a Fundação Bill e Melinda Gates para levar instalações sanitárias seguras a todas as partes do mundo.