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Hoje Macau 8 NOV 2013 #2970

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

• ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Deputados querem fiscalizar orçamentos várias vezes ao ano PÁGINA 4

• MÃO-DE-OBRA IMPORTADA

David Chow e outros empresários das PME contra proibições PÁGINA 6

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 8 DE NOVEMBRO DE 2013 • ANO XIII • Nº 2970

WUSHU

JIA RUI RENOVA TÍTULO MUNDIAL. CHONG KA SENG, CAMPEÃO AOS 16 ANOS

PÁGINA 16

ENTREVISTA

AL Projecto de deputado sobre violência doméstica reprovado

Governo inibido

Os deputados decidiram, pela segunda vez, reprovar o projecto de lei sobre a violência doméstica apresentado por José Pereira Coutinho. Agora, de acordo com o Regimento da AL, o Governo - ou outro deputado - não pode apresentar uma proposta sobre a mesma matéria até nova sessão legislativa, ou seja, apenas em 2014. Nem crime público, nem semi-público. Um valente nada. A sessão de ontem, a primeira transmitida, em directo, pela TV Cabo, ficou ainda marcada pela discussão da falta de medidas do Governo no sector imobiliário. PÁGINAS 2 E 3

• 60.º GRANDE PRÉMIO DE MACAU

Primeiro fim-de-semana com Loeb, Ávila e Couto SUPLEMENTO ESPECIAL

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Ter para ler

• ANA PAULA CLETO

“MACAU PRECISA DE UMA FACULDADE DE BELAS ARTES” PÁGINAS 12 E 13


POLÍTICA

As rendas são altas, a especulação imobiliária continua e a habitação pública não resolve os problemas. Os deputados apontam o dedo ao Executivo, mais uma vez, sobre a falta de medidas no sector da habitação

hoje macau sexta-feira 8.11.2013

AL DEPUTADOS CRITICAM FALTA DE MEDIDAS DO GOVERNO NO SECTOR IMOBILIÁRIO

O reino por um tecto GONÇALO LOBO PINHEIRO

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HABITAÇÃO PÚBLICA NÃO RESOLVE

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

sector da habitação continua a deixar os deputados preocupados. Ontem, no período antes da ordem do dia no plenário da Assembleia Legislativa (AL), as interpelações da maioria dos deputados debruçaram-se sobre a questão, com fortes críticas a serem tecidas ao Executivo. “A política implementada pelo Governo para o controlo do mercado imobiliário não consegue resolver o problema entre a oferta e a procura”, começou por dizer Si Ka Lon, número dois de Chan Meng Kam.

deputado considera que o Executivo não procede a um avaliação do mercado imobiliário, nem a capacidade da população em suportar os encargos de uma habitação e que, por isso, não consegue lançar medidas para o controlo eficaz dos preços dos imóveis. Segundo dados apresentados ontem pelos deputados, o rendimento mediano dos residentes de Macau apenas duplicou em dez anos, enquanto os preços das casas sofreram um aumento de mais de 1000%. Uma diferença abismal, dizem, que demonstra que o preço dos imóveis está muito aquém da capacidade aquisitiva da maioria dos residentes.

Recorde-se que Lau Si Io, secretário para as Obras Públicas e Transportes, anunciou o ano passado 18 medidas, que passam, por exemplo, pela cobrança de uma taxa adicional de 10% aplicada a investimento estrangeiro. Mas, essas recentes políticas para arrefecer o mercado imobiliário e controlar a especulação - isto, porque o preço das casas por metro quadrado aumentou 1077% em nove anos - não estão a ser úteis, segundo os deputados.

O ESSENCIAL As recentes políticas para arrefecer o mercado imobiliário e controlar a especulação - isto, porque o preço das casas por metro quadrado aumentou 1077% em nove anos - não estão a ser úteis, segundo os deputados.

Para Ho Ion Sang, por exemplo, o Executivo está a dar demasiada liberdade ao mercado da habitação. “O Governo ainda não pensa implementar qualquer medida específica para o

arrefecimento dos preços do imobiliário, dando antes liberdade ao mercado. Portanto, é bastante preocupante a sua atitude demasiado optimista face ao problema da habitação em Macau.” O

“A passo de caracol” C

HAN Meng Kam está desiludido com o sistema de recrutamento centralizado para a Função Pública. Numa intervenção na Assembleia Legislativa (AL), ontem, o deputado criticou a demora do processo. “O concurso centralizado devia ter tido lugar em finais de 2011, mas foi adiado oito meses. A publicação da lista classificativa, a realização de provas e a divulgação da classificação final demoraram um ano e dois meses e há ainda que fazer uma entrevista, cujo horário será divulgo apenas no dia 13 deste mês”,

começa por explicar. “Acredito que, depois da entrevista se tenha de esperar algum tempo até que os candidatos escolhidos possam iniciar as suas funções.” O deputado diz não entende como é que o sistema - implementado para evitar que os serviços públicos escolham os funcionários de forma independente e para acabar com “o compadrio” - demora mais de um ano. Em causa, está o recrutamento centralizado de 128 técnicos auxiliares. “Se este concurso dura há mais de um ano, então quem é que, durante este tempo, tem assegurado as

TIAGO ALCÂNTARA

CHAN MENG KAM CRITICA RECRUTAMENTO CENTRALIZADO PARA FUNÇÃO PÚBLICA

Além do problema da demasiada procura e pouca oferta – que eleva os preços das habitações privadas -, os membros do hemiciclo voltam a colocar o dedo na ferida no que diz respeito à habitação pública. “Encontram-se escondidos problemas nas actuais políticas de habitação pública. Muitos dos agregados que se candidataram incluíram filhos pequenos, mas entretanto, passados vários anos [de espera], os filhos estão em idade de casar. Como já foram beneficiados como elementos desses agregados, não podem candidatar-se novamente”, acusou Si Ka Lon. A escassez de habitações do Governo e a morosidade no processo para as obter é criticada pelos deputados, sendo que Kwan Tsui Hang

aponta mesmo que a solução não é assim tão complicada. “No tempo da administração portuguesa, o Governo não tinha tantas receitas quanto tem agora, mas tinha terras disponíveis e soube negociar com os promotores, trocando as terras pela construção de habitações sociais e económicas para resolver o problema da habitação. Actualmente, as receitas do Governo são avultadas (...), a resolução do problema não depende da suficiência de recursos, mas sim da actuação do Governo.” Zheng Anting, que se estreia como deputado na AL, sugere mesmo ao Executivo que pondere a viabilidade de arrendar ou adquirir terrenos na ilha da montanha para construção de habitações públicas. Para Si Ka Lon, é “lamentável que a agilização da autorização de plantas de edifícios privados e que a aceleração da construção de habitação pública nunca tenham sido concretizadas” - não se registando, por isso, um aumento “evidente” quanto à oferta habitacional. Kwan Tsui Hang fala ainda nas rendas. “O valor dos preços das habitações e das rendas está fora do alcance dos trabalhadores e, mesmo que ambos os cônjuges trabalhem, têm dificuldades no pagamento das rendas e não têm capacidade financeira para adquirir casa.” Os deputados instam o Executivo a criar uma legislação relativa ao arrendamento, “para que as rendas das habitações e dos estabelecimentos comerciais possam manter-se a nível razoável”.

funções previstas para os novos funcionários?” Chan Meng Kam questiona se os trabalhadores são mesmo necessários, uma vez que, se o concurso demora tanto tempo, alguém estará a efectuar as suas funções, mas aponta, por outro lado, que, se realmente são precisos, então a Administração está a pecar por ineficácia. “Passado mais de um ano ainda é necessário preencher estas vagas?” O deputado deixou o exemplo da China - onde, diz, o concurso para entrar na Função Pública demora dois meses e tem mais de um milhão de concorrentes - para acusar o recrutamento centralizado de Macau andar “a passo de caracol”. Para as 128 vagas concorreram cerca de 15.700 pessoas. - J.F.


política 3

hoje macau sexta-feira 8.11.2013

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

Governo não poderá apresentar a proposta de lei sobre a violência doméstica até Agosto do próximo ano. Isto, porque a reprovação de ontem do projecto de lei dos deputados José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai sobre a mesma matéria vem inibir que uma nova proposta sobre tema semelhante possa ser apresentada. “Eu não tenho dúvidas, porque o artigo 109 do Regimento da Assembleia Legislativa é claro”, reiterou José Pereira Coutinho à margem do plenário de ontem da AL. O artigo diz que tanto os projectos – apresentados pelos deputados - , como as propostas de lei – estas da responsabilidade do Governo – “não aprovados ou definitivamente rejeitados não podem ser renovados na mesma sessão legislativa”. A sessão de ontem ficou marcada pela segunda reprovação do projecto de lei sobre a violência doméstica dos dois deputados da Nova Esperança. Esta é a segunda vez que o projecto – que previa a criminalização pública da violência doméstica, ao invés do que o Governo propõe (semi-público) – é apresentado para aprovação do hemiciclo e a segunda vez que reprova. Na legislatura anterior, o chumbo teve como justificação a falta de tempo para analisar o projecto. Nesta, foram problemas técnicos encontrados pelos deputados que ditaram 10 abstenções, 12 votos

COMO VOTARAM OS DEPUTADOS • VOTOS A FAVOR Melinda Chan Leong Veng Chai José Pereira Coutinho Ella Lei Kwan Tsui Hang Ng Kuok Cheong Au Kam San • ABSTENÇÕES Mak Soi Kun Song Pei Kei Wong Kit Cheng Si Ka Lon Chan Hong Ho Ion Sang Lam Heong Sang Leonel Alves Chan Meng Kam Cheang Chi Keong

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA REPROVAÇÃO DE PROJECTO DE DEPUTADO INIBE GOVERNO DE APRESENTAR NOVA PROPOSTA

Adeus e até para o ano?

Foi a segunda vez. Pereira Coutinho viu ir por água abaixo a tentativa de criar uma lei que previsse a violência doméstica como crime público. Os deputados reprovaram o projecto de lei por consideraram que seria melhor esperar pela proposta do Governo – que anunciou o processo legislativo para breve, na terça-feira. Mas, há uma questão: segundo o Regimento da AL, mais ninguém pode apresentar uma proposta sobre a mesma matéria até uma nova sessão legislativa contra e apenas sete a favor, a par de um outro factor: o Governo anunciou há dias que tinha a proposta de lei pronta. “O Governo já anunciou que ia apresentar a lei, é melhor esperar”, sugeriu Tsui Wai Kwan, sendo imediatamente apoiado por alguns deputados, como Gabriel Tong, Vong Hin Fai, Angela Leong e Leonel Alves. “Mais vale esperar pela proposta do Governo, porque também podemos continuar a insistir no crime público. Se aceitarmos este projecto de lei, vamos estragar a proposta que o Governo fez”, declarou Gabriel Tong. Também Leonel Alves falou pela primeira vez desde que começou esta legislatura. “O Governo já vai dar início ao processo legislativo. Concordo com o que foi dito, que é mais prudente esperar. Aprovar a lei sem que o Governo se pronuncie é entrar num conflito desnecessário.”

TIAGO ALCÂNTARA

JOANA FREITAS

agendado o plenário de ontem, onde se discutiria este projecto – é que o Governo anunciou que tinha condições para que o processo legislativo começasse. Até esta data,

as últimas informações prestadas sobre a proposta do Governo foram em Julho, ao HM, onde o Instituto de Acção Social dizia não saber se esta ia ser entregue este ou no

próximo ano. Isto, depois de terem sido feitas duas auscultações em 2011 e 2012. A espera desejada pelos colegas do hemiciclo fez Pereira Coutinho disparar: foi precisamente pelo tempo que o Governo demorou a apresentar a lei, que o deputado decidiu voltar a apresentar o projecto. “Não sabemos o que andou o Governo a fazer estes dois anos. Se não fosse agendada esta sessão de aprovação se calhar nem enviavam o comunicado de imprensa [a dizer que a lei estava quase pronta]”. A questão da espera, contudo, também já não pode estar mais em cima da mesa, pelo menos até que comece a nova sessão legislativa, segundo Pereira Coutinho. “O artigo 109 é para evitar que haja pessoas a apresentar a mesma lei, nomeadamente deputados, mas isto é extensível ao Governo. Essa norma é clara, a matéria é que está em causa. Portanto, não interessa se é crime público ou semi-público, falamos em matéria de violência doméstica.” No plenário, Leonel Alves discordou, afirmando que “se o objecto” da lei for outro, “o facto de não ter sido aprovado, não significa que não possa haver outro projecto”. Mas, Pereira Coutinho diz não ter dúvidas. “O facto é que a matéria não pode ser a mesma, uma vez não aprovada pela AL. Quer seja proposta do Governo, quer seja projecto do deputado, se for rejeitado como foi a de agora, o Governo não pode apresentar na mesma sessão legislativa.” O deputado assegura que quem votou contra ou se absteve é que poderá ter inibido o Governo a apresentar a proposta e assegura que este ano não podemos esperar uma lei de violência doméstica este ano.

SÓ PARA O ANO

Antes do resultado da aprovação – e em resposta às discordâncias dos colegas do hemiciclo – Melinda Chan foi uma das que mais interveio. À insistência dos colegas de que a actual lei penal já prevê que a violência dentro de portas seja crime público “quando em casos de ofensa grave à integridade física”, a deputada ripostou duramente. “O que é que é considerado ofensa grave? As mulheres vão ter de ficar sem pernas e braços para que se faça algo?” Do lados dos democratas – Ng Kuok Cheong e Au Kam San -, o apoio foi frisado, com o segundo a dizer mesmo que seria mais fácil, caso necessário, alterar o projecto de Coutinho do que analisar o do Governo. Pereira Coutinho e Leong Veng Chai disseram também estar disponíveis para mudanças técnicas na lei, caso esta passasse para aprovação na especialidade. Recorde-se que só cerca da meia-noite de terça feira – depois de ter sido admitido e de ter sido

JULIANA DEVOY LEMBRA QUE GOVERNO DISSE À CEDAW SER NECESSÁRIO CRIAR UM CRIME PÚBLICO PARA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

“Como vai explicar esta falha?” RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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EPOIS de anunciado esta semana pelo Executivo que a proposta de violência doméstica, enquanto crime semi-público, ia entrar em breve em processo legislativo, Juliana Devoy lembrou que o Governo disse à “Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher” (CEDAW, na sigla inglesa), em 2010, que era necessário torná-la crime público. “O Governo disse à CEDAW que, embora a código penal seja adequado, em resposta aos pedidos do IAS e de ONG’s, que têm programas para vítimas

de violência doméstica, estava a preparar a lei de violência doméstica. Razão dada: a natureza do crime. Isto porque, ao não ser crime público, a vítima necessita de iniciar um processo criminal”, lembra a directora do Centro Bom Pastor, uma das organizações que lida com vítimas de violência doméstica. “Quão irónico é que a única razão que foi dada para fazer esta legislação específica tenha sido descartada em prol de um status quo, isto é, a violência doméstica mantém-se como crime semi-público, não há punição para os perpetradores a não ser que a vítima faça queixa”, frisa. Ainda sem saber que depois

de entregue um projecto-lei sobre violência doméstica não será possível admitir na AL outro sobre o mesmo tema - mesmo tratando-se de uma legislação do Governo -, Juliana Devoy pede aos deputados um voto “inteligente”. “Quero apenas chamar a atenção de que Macau, sob comando da China, que tem obrigações para com a assinatura da CEDAW”, explica a directora do Centro Bom Pastor, evidenciando uma das directivas - “que os perpetradores sejam processados e punidos”. “Em 2014, o Governo de Macau vai ter de submeter um relatório à CEDAW. Como vai explicar esta falha para cumprir um compromisso que fez?”, questionou.


4 política

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Os deputados que DEPUTADOS QUEREM ANALISAR ORÇAMENTOS DA estudam a execução ADMINISTRAÇÃO MAIS DO QUE UMA VEZ POR ANO orçamental pedem relatórios mais do que uma vez por ano, semestralmente ou trimestralmente. Quanto aos 26 projectos plurianuais, acima de 100 milhões de patacas, referentes 2012. A 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), ao Orçamento que estudou ontem pela primeira vez o diploma, entende que os de 2012, está a gastos destas despesas plurianuais, ser estudada na acima das 100 milhões de patacas, têm de ser estimados a longo-prazo especialidade a nos gastos em análise. A ideia é, sobretudo, evitar derrapagens. “De possibilidade de o acordo com o relatório apresentado Governo avançar só constam as despesas do ano de O problema é que normalos valores dos anos 2012. mente os projectos de grande envolvem despesas seguintes para evitar dimensão plurianuais e, por conseguinte, alguns deputados entendederrapagens

Projectos plurianuais, despesas estimadas a longo-prazo

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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Á 26 projectos, no âmbito do PIDDA - Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração que deixam os deputados de pé atrás no relatório sobre a execução do Orçamento de

ram que o Governo deve dar informações em relação às despesas estimadas para cada ano”, explica Chan Chak Mo. O assessor económico do Governo, que esteve a analisar o relatório, ontem apetrechado com elementos adicionais entregues pelo Governo, diz que “é bastante

LAG 2014 ENCONTROS COM O CHEFE DO EXECUTIVO

Mais casas e mais cheques CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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OIS grupos tiveram ontem reuniões com o Chefe do Executivo, para mostrar o que pretendem que seja incluído nas Linhas de Acção Governativa (LAG), a ser apresentadas na próxima terça-feira. A União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) e a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) pediram mais casas públicas e o aumento do valor dos cheques do plano de comparticipação pecuniária a distribuir pelo Governo aos residentes de Macau. Chui Sai On admitiu que ia estudar o aumento do limite do rendimento para os candidatos da habitação pública. A presidente dos Kai Fong,

Ng Siu Lai, revelou que o Chefe do Executivo prometeu estudar retirar as terras abandonadas para a construção de habitação do Governo. Ng Siu Lai disse ainda que o Chefe do Executivo disse ter ouvido as opiniões da sociedade sobre o valor do cheque pecuniário para o próximo ano: os residentes querem dez mil patacas, mas Chui Sai On não disse se vai distribuir este valor. Já Pereira

Coutinho recomenda que o aumento seja antes para as 12 mil patacas e o subsídio para os idosos de dez mil patacas. O presidente da UGAMM disse que o Chefe do Executivo “concorda” com as recomendações, mas que tem de as estudar cuidadosamente. O deputado descreveu que Chui Sai On mostrou “abertura” às recomendações, por isso disse estar “satisfeito” com a reunião.

detalhado”, no entanto, levantou algumas questões: “Os critérios adoptados para o aumento das despesas será que têm a ver com a taxa de crescimento do PIB?”, reproduziu o presidente da comissão. O assessor deixou a sugestão de que, por exemplo, a “possibilidade de o Governo facultar à Assembleia no primeiro semestre [de seis em seis meses] essas contas ou até de forma trimestral”, disse Chan Chak Mo, sobre uma questão que pretendem colocar ao Governo. O entrave, explica, prende-se com a possível “confidencialidade” dos montantes. “É uma questão que vamos colocar ao Governo, se achar viável é possível que todos concordem. Mas depois de nos apresentar as contas podemos entregar à comissão de acompanhamento das contas públicas. Mas chegámos a pensar, poderá isto envolver a confidencialidade? Porque uma vez com as contas já divulgadas, embora provisórias, pode posteriormente sofrer alterações”, lembra. A comissão liderada por Chan Chak Mo entende que o Governo deve fornecer dados durante o ano em que o Orçamento é aplicado. Por isso, aAssembleia vai sondar junto do Executivo a possibilidade de serem enviados relatórios a cada três meses ou, então, de meio em meio ano. Ontem, esteve na discussão da especialidade do relatório do Orçamento 2012 o secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, e para a semana está já agendada nova reunião também com o Governo. A baixa execução do Plano de Investimentos, que recebe mais dinheiro do que gasta efectivamente, deverá ser uma das perguntas colocadas, tal como em todos os anos, avança Chan Chak Mo.

Regime de segurança ocupacional “não é polémico” mas redacção não é clara sobre multas, diz Kwan Tsui Hang

“T

AL como aconteceu no plenário, a proposta de lei não é polémica. Garante a segurança nos estaleiros de construção civil”, salienta a presidente da presidente da 1ª Comissão Permanente da AL, que estuda o Regime do Cartão de Segurança Ocupacional na Construção Civil. Mas, tal como na aprovação da proposta na especialidade, os deputados que a estudam na especialidade levantaram dúvidas quanto aos trabalhadores não-residentes (TNR), que mesmo com permanência legalizada terão de obter o título para trabalhar no estaleiro. “Falou-se do aperfeiçoamento de sanções, algumas dúvidas sobre a aplicação das multas mas tratam-se de questões no âmbito técnico e jurídico. Não há grandes problemas,

só questões técnicas que têm de ser limadas”, explica Kwan Tsui Hang. Até serem aperfeiçoados estes aspectos, não haverá mais nenhuma reunião. O novo diploma obriga a que os trabalhadores locais e não-residentes - bem como empregadores, dirigentes e engenheiros - obtenham este título, válido por cinco anos, para poderem trabalhar. O título pode ser obtido depois de feito um exame público (acessível online), ao qual estarão mais facilmente aptos a passar aqueles que frequentem um curso de seis horas. Caso não obtenham o cartão, tanto a parte laboral como a patronal estarão sujeitas a multas, no valor de 500 patacas para trabalhadores e entre 1000 a 7000 patacas a empresas por cada empregado. - R.M.R.


política 5

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60º Grande Prémio de Macau - Concurso de Fotografia Organizado pela Comissão do Grande Prémio de Macau com a co-organização de: Associação Fotográfica de Macau, Associação de Salão de Fotografia de Macau, Foto Nice, Foto Princesa Regulamento

(a ordem é aleatória)

1.

Macau e Cabo Verde assinam acordo de cooperação jurídica e judiciária

Protecção mútua O s Governos de Macau e de Cabo Verde assinaram ontem um acordo-quadro de cooperação jurídica e judiciária, que poderá vir a abrir caminho à troca de pessoas condenadas entre as duas jurisdições. Trata-se de um “acordo importante” que “demonstra claramente o nível das relações” entre Cabo Verde e Macau, mas também entre Cabo Verde e a República Popular da China”, disse o ministro do Turismo, Indústria e Energia cabo-verdiano, Humberto de Brito, no final da cerimónia de assinatura do acordo firmado, do lado de Macau, pela secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan. O acordo versa sobre diversas áreas no âmbito da cooperação jurídica, nomeadamente em matéria de formação profissional, registos, notariado e identificação civil, bases de dados e informática jurídica, bem como na dispensa de legalização de actos públicos judiciais e extrajudiciais, podendo abrir caminho à transferência de pessoas condenadas. “Teremos de, no âmbito deste acordo-quadro, encetar negociações para concretizar nos acordos mais específicos, como é o caso das pessoas condenadas”, explicou Florinda Chan. Além da questão da transferência de pessoas condenadas, vai ser também

dada continuidade às negociações em matéria de cooperação na captura e entrega de infractores em fuga, de reconhecimento e execução de sentenças, notificação de actos judiciais em matéria penal e civil, investigação de obtenção de provas, de decisões arbitrais e notificação de actos extrajudiciais e reconhecimento da sua validade, entre outros, de maneira a implementar o acordo. “Obviamente que temos um sistema jurídico idêntico ao da República de Cabo Verde - o sistema continental -, [pelo que] tenho certeza que haverá muitas partes em comum”, afirmou Florinda Chan, ressalvando, porém, que tal terá de ser feito “dentro do âmbito e das subdelegações das autorizações aprovadas pelo Governo Central no caso de acordo internacional”, tal como sucedeu ontem, dado que o acordo-quadro foi firmado ao abrigo do artigo 94.º da Lei Básica, que prevê a delegação de poderes por parte de Pequim na RAEM.

O terceiro acordo

Macau assinou, até ontem, dois acordos de transferência de pessoas condenadas: um com Portugal - que remonta ao início do estabelecimento da Região Administrativa Especial -, de cariz internacional e um outro com Hong Kong, regional. O ministro cabo-verdiano destacou, por outro lado,

que o “abrangente” acordo vem também complementar um outro firmado anteriormente. “Assinámos, em 2010, um acordo de eliminação de dupla tributação e também de protecção de investimentos - um acordo fundamental para o aprofundamento das relações económico-empresariais, que facilita investimentos entre Cabo Verde e Macau e a circulação de pessoas, de bens e de capitais”. Isto mostra “claramente” que a República de Cabo Verde e Macau “estão a trabalhar juntos no sentido de cada vez mais haver confiança”, considerou ainda Humberto Brito. “Quando a justiça, a assistência judiciária, a formação, a troca de informações se relaciona também com a parte económica e financeira, mas acompanha o nível de excelência que nós temos a nível político, diplomático e institucional, demonstra-se que estamos a trabalhar verdadeiramente para a consolidação de uma relação secular e que tem, do nosso ponto de vista, pernas para andar, para se aprofundar e para que todos possamos tirar partido das relações históricas, linguísticas, mas também económicas e de protecção mútua”, complementou. Cumpridas as formalidades internas, o acordo entrará em vigor 30 dias após a data da recepção da última notificação por qualquer das partes. - Lusa

Objectivos: Promoção as actividades do Grande Prémio de Macau dirigidas ao público Concurso de Fotografia dos Carros e Motas de Corridas durante 60º Grande Prémio de Macau, a fim de criar estabilidade e alegria da comunidade. Todas as obras seleccionadas e premiadas, para além de serem exibidas publicamente, poderão ser ainda utilizadas na promoção do Grande Prémio. 2. Locais, data e hora : Local: Praça Tap Seac (Carros) Data e hora : 17:00 a 20:00, 8 de Novembro de 2013 10:00 a 20:00, 9 de Novembro de 2013 10:00 a 17:00, 10 de Novembro de 2013 Local: Praça de Amizade (Motas) Data e hora : 17:00 a 20:00, 8 de Novembro de 2013 10:00 a 20:00, 9 de Novembro de 2013 10:00 a 17:00, 10 de Novembro de 2013 Local: A Macao Convention e Exhibition Center Venetian - E Salão (Carros clássicos) Data e hora : 10:00 a 20:00, 8 a 9 de Novembro de 2013 10:00 a 20:00, 11 a 16 de Novembro de 2013 Local: parada dos Carros clássicos Data e hora : 10 de Novembro de 2013 17 de Novembro de 2013 3. Formato: Fotografias a cores de 8R que terão de ser entregues conjuntamente com um CDR de alta resolução ou em filme. 4. Requisitos dos candidatos: Todos os residentes de Macau, com interesse em fotografia. 5. Número de obras: 1 fotografia cada candidato. 6. Identificação da obra: Os candidatos devem inscrever no verso da obra, todos os dados inerentes à mesma. (Ver verso do boletim de inscrição) 7. Local de entrega: As fotografias devem ser entregues, pessoalmente, nos locais seguintes. Não são aceites envio por correios:  Comissão do Grande Prémio de Macau N.º 207, Av da Amizade, Edif. do Grande Prémio de Macau  Associação Fotográfica de Macau Rua Almirante Costa Cabral, N.º 36, Edif. Veng Cheong, “C”  Associação de Salão de Fotografia de Macau Avenida da Praia Grande 702, 2.º andar  Foto Nice Avenida da Praia Grande n.º 616, Edf. Milionário, Macau  Foto Princesa Avenida Infante D.Henrique, N.os 55-60 8. Data para entrega dos trabalhos: 18 de Novembro a 31 de Dezembro de 2013. 9. Data de selecção dos trabalhos: a anunciar. 10. Júri: Comissão do Grande Prémio de Macau e representantes das entidades coorganizadoras. 11. Prémios: 1.º classificado: Prémio Monetário de MOP9.000,00 e taça 2.º classificado: Prémio Monetário de MOP6.000,00 e taça 3.º classificado: Prémio Monetário de MOP3.000,00 e taça 3 menções honrosas: Placa e Prémio monetário no valor de MOP1.000,00 12. Publicação dos resultados do concurso: a anunciar 13. Data da Exposição e atribuição dos prémios: a anunciar 14. Outras disposições regulamentares: 1 - Os participantes obrigam-se a aceitar o presente Regulamento e as decisões do Júri. 2 - Se as obras não corresponderem ao exigido pelo Regulamento, a entidade organizadora tem o direito de desqualificar o participante. 3 - A organização terá o direito de usar as obras seleccionadas para fins de publicação, introdução na página electrónica e promoção, não sendo necessária a autorização do participante, nem havendo pela utilização referida, direito a qualquer pagamento de compensação pecuniária. 4 - Em caso de omissão do presente Regulamento, compete à entidade organizadora a sua interpretação e decisão. 5 - Todos os problemas relacionados com direitos de autor, de imagem e ao bom nome são da inteira responsabilidade do autor da obra. 6 - Os trabalhos concorridos vão ficar em arquivo da Comissão do Grande Prémio de Macau. E a Comissão do Grande Prémio de Macau tem o direito de pôr em exposição ou outros fins esses trabalhos em qualquer local ou tempo, mas é necessário a publicação dos nomes dos classificados. 7 - Os trabalhos não classifcados, não são devolvidos. * Todo o pessoal da Comissão do Grande Prémio de Macau e dos serviços envolventes está interdito de participar no concurso. ** Os dados dentro do formulário são apenas para o concurso. O prazo de arquivo desses dados é de 2 anos


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SOCIEDADE

hoje macau sexta-feira 8.11.2013

MÃO-DE-OBRA DAVID CHOW REUNIU 30 REPRESENTANTES DE VÁRIOS SECTORES

PME imploram por importação As Pequenas e Médias Empresas estão contra a criação de leis que proíbam contratação de estrangeiros, porque é-lhes quase impossível recrutar locais. Da reunião de ontem vão sair propostas para as LAG de 2014 ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

S

ÃO de ramos de actividade muito diferentes, mas os problemas são comuns: não conseguem recrutar funcionários. E mesmo que o consigam, eles deixam a empresa ao fim de uns meses em busca de

O

Comissariado Contra a Corrupção de Macau (CCAC) anunciou ontem ter enviado para o Ministério Público um caso suspeito de falsificação de documento e fraude por funcionários da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. O caso envolve três trabalhadores, incluindo um elemento da chefia, que, a par de outro colega, é suspeita de ter ajudado “permanentemente” um outro colega a “picar o ponto”, encobrindo a sua ausência, “de modo a fugir à responsabilidade proveniente da falta injustificada” e a “receber, de forma fraudulenta, o vencimento de montante superior a 50 mil patacas”, explica o CCAC em comunicado. Após a investigação, o CCAC detectou que o funcionário em causa saiu habitualmente de Macau dentro do seu horário de serviço, desde 2010, para se deslocar ao interior da China, durante um perí-

um trabalho mais atractivo. É este o drama vivido actualmente pelas Pequenas e Médias Empresas (PME) locais, e que foi ontem exposto numa reunião da Associação Comercial Federal Geral das PME de Macau, criada pelo empresário David Chow. Do encontro saíram um conjunto de propostas para entregar ao Chefe do Executivo para a elaboração das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2014. “Espero que haja uma legislação que permita contratar mais pessoal que não seja só de Macau. Sou a favor do recrutamento ao exterior, e podemos treinar esse pessoal”,

disse Li Ji Fung, em representação do ramo das ourivesarias. Chui Heng Teng, colega do sector dos relógios, disse ser “muito difícil recrutar pessoal porque os jovens só querem trabalhar em empresas grandes. E há um problema sério de falta de pessoal. Não concordo com uma legislação que diga que só pode ser contratado pessoal local”. David Chow, dono dos empreendimentos Doca dos Pescadores e Landmark Macau, disse que o Executivo “devia criar leis de promoção à diversificação económica” ao invés de equacionar a hipótese de mexer na lei de contratação de

croupiers. “Esta conferência é para dizer ao Governo que os comerciantes se esforçam por desenvolver a diversificação das actividades económicas. Mas é preciso haver condições para desenvolvê-las. Macau tem mais de 300 mil trabalhadores e mais de 100 mil são estrangeiros. Com estes números as PME não conseguem desenvolver os seus negócios. As PME mantém os velhos e os jovens foram todos para os casinos o que quebrou a continuidade dos negócios.”

QUOTAS PARA TODOS

Para além de ter sido levantada a questão das rendas elevadas,

muitos empresários pediram ao Governo para que haja dados mais concretos sobre a taxa de desemprego, que actualmente ronda os 1,9%. Pedem que haja uma clarificação por sectores de actividade, para terem maior conhecimento do panorama do sector. Muitos exigem ainda que o Executivo abra o grupo de quotas de importação a todos os ramos de actividade. “É preciso muito dinheiro para recrutar pessoas para podermos funcionar como deve ser e actualmente precisamos de muitos estrangeiros. O Governo deve criar condições para recrutarmos o número de pessoas suficiente para responder a tantas obras. Devia ser criada uma quota para a área de consultoria de engenharia”, disse Chan Mun Fung, representante do sector. Representantes de associações de condutores profissionais falam de um sector com salários que rondam as 18 a 20 mil patacas, com prémios anuais, mas que mesmo assim não consegue manter os funcionários mais do que breves meses. “O nosso negócio funciona 24 horas por dia e há muitos residentes que não querem trabalhar neste ramo. Dependemos do recrutamento do exterior para manter o serviço. Se houver uma legislação que proíba o recrutamento vamos ter mais problemas no futuro”, frisou Leong Chen Ip, em representação das casas de penhores.

DETECTADO CASO SUSPEITO DE FALSIFICAÇÃO E FRAUDE POR FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

Fugir às responsabilidades

odo de tempo superior a 140 dias, “suspeitando-se que o mesmo terá, em 96 dias do referido período, feito os seus registos de assiduidade com a ajuda de terceiros. Nos termos do Código Penal de Macau, os crimes de falsificação de documento e fraude praticados por um funcionário, no exercício das suas funções, podem ser punidos com pena de prisão de até cinco anos. Em paralelo, no decurso da investigação, foi detectado ainda “o depósito de uma grande quantidade de objectos pessoais no local de trabalho, na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, incluindo mais de 40 gaiolas para aves e mais de dez pássaros, o que levou o CCAC a solicitar “um reforço da gestão do pessoal, bem como a adopção de medidas eficazes para evitar situações idênticas”, refere-se no comunicado. - Lusa


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GOVERNO OBRIGA À REDUÇÃO DE 10% DE ESPAÇO PARA FUMADORES

GONÇALO LOBO PINHEIRO glp@hojemacau.com.mo

Castigo para 16 salas de jogo AS 16 SALAS DE JOGO PUNIDAS

TIAGO ALCÂNTARA

O

S Serviços de Saúde (SS) decidiram castigar 16 salas de jogo por não respeitarem os parâmetros de qualidade de ar exigidos. Por isso, as salas de jogo punidas serão obrigadas a reduzir a área de fumadores em 10%. A punição terá efeito a partir de Janeiro do próximo ano. No entanto, as empresas têm de apresentar uma nova planta de distribuição das áreas bem como nova medidas contra o excesso de fumo no espaço de 30 dias. “Exigimos aos casinos a apresentação de uma planta de redução das áreas em dez por cento e também um plano das medidas de aperfeiçoamento da qualidade do ar na área para fumadores, e também a respectiva calendarização”, referiu, ontem, aos jornalistas o director dos SS, Lei Chin Ion, em conferência de imprensa convocada de urgência. As novas medidas e as plantas com redução serão apreciadas, posteriormente, por vários departamentos do Governo. As salas de jogo castigadas [ver caixa] já foram informadas da decisão governamental em Setembro passado e algumas até já se manifestaram contra a decisão. Outras ainda o poderão

• SOCIEDADE DE JOGOS DE MACAU: Casino Jimei, Casino Emperor Palace, Casino Lan Kwai Fong, Club Vip Legend, Casino Kam Pek, Casino Diamond, Casino Grandview (Macau Jockey Club), Casino Golden Dragon • GALAXY: Casino StarWorld • MELCO CROWN: Mocha Hotel Royal, Mocha Hotel Taipa Square, Mocha Marina Plaza, Mocha Golden Dragon, Mocha Hotel Sintra, Mocha Lan Kwai

fazer. O director dos SS espera que no início de 2014, os trabalhos de redução de espaço para fumadores estejam já totalmente realizados. Até essa data tudo ficará na mesma e, no futuro, apesar da medida respeitar “o princípio de redução progressiva” existe a possibilidade dessas salas de jogo conseguirem reaver o espaço perdido.

SALAS VIP DE FORA

Questionado sobre a qualidade do ar nas salas VIP, Lei Chin Ion

disse não haver resultados pois é preciso fazer muitas análises. “Existe uma grande quantidade de salas VIP, por isso ainda estamos na fase de medição”, referiu, deixando a promessa de divulgar conclusões mal os resultados das análises estejam prontos. Seja como for, os SS deixam claro que “a redução da área para fumadores não é uma sanção mas sim uma medida de controlo do tabagismo”. “O êxito dos trabalhos de controlo do tabagismo PUB

EPM APENAS A ALA FEMININA DEVE ESTAR CONCLUÍDA NO PRÓXIMO MÊS

Nova prisão sem calendário CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

conclusão da construção do novo Estabelecimento Prisional de Macau (EPM) já está atrasada há mais de um ano, mas ainda não há qualquer calendário concreto para que o novo edifício veja a luz do dia. Contudo, o chefe de divisão de segurança e vigilância do EPM garantiu ontem que a obra de

alargamento da ala feminina deverá estar concluída no final deste ano. Lei Cheong Wang disse que desde Junho que já não existe nenhuma prisioneira a dormir no chão, uma vez que a capacidade da ala feminina aumentou de 184 para 315 mulheres. “Este aumento dá para responder às necessidades até que a nova prisão esteja construída. Mas neste momento não posso garantir até quando esse aumento

consegue responder às necessidades.” “No final deste ano vão estar concluídas as obras da primeira fase, mas as obras da segunda fase ainda estão sob concurso público pelas Obras Públicas. De facto houve um atraso de cerca de um ano devido ao sol e chuva”, disse Lei Ka Nang, engenheiro do projecto. As obras começaram em Novembro do ano passado e já estão orçamentadas em 30 milhões de patacas. Entretanto o número de mulheres detidas tem vindo a aumentar, de 158 em finais de 2011 até 198 até Outubro último. Três das reclusas vivem com os seus filhos com menos de quatro meses, sendo que uma está grávida. Com as obras, a ala feminina passa a contar com mais camas e sobretudo celas individuais – nove, face às actuais quatro. Vão ainda surgir celas para reclusas portadoras de deficiência e para jovens entre os 16 e 18 anos. A nova ala feminina promete ainda ser amiga do ambiente, uma vez que a iluminação utilizada vai permitir a poupança de 50% de energia. Há um novo sistema de aquecimento de água através do calor recolhido através do ar condicionado.

Fong, Mocha Hotel Taipa Square.

depende essencialmente da participação e dos esforços do sector do jogo, gestores dos estabelecimentos, não fumadores, fumadores e órgãos competentes do Governo”, complementou Lei Chin Ion. De recordar que, desde Janeiro de 2013, em todos os casinos em Macau, foi admitida a criação de áreas para fumadores até

um máximo de 50% do total da área destinada ao público. Os SS já concluíram os trabalhos de medição do ar das áreas para fumadores localizadas em 44 casinos. Agora, depois de nova medição do ar nos 28 casinos cuja qualidade do ar não satisfazia as exigências na primeira medição, acabaram por sair punidos apenas 16 casas de jogo.


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CHINA

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VICE-PRESIDENTE BRASILEIRO PARA DESTACAR RELAÇÕES BILATERAIS

Emergentes com interesses comuns O

vice-presidente do Brasil, Michel Temer, e o seu homólogo chinês, Li Yuanchao, destacaram ontem o estado positivo das relações bilaterais num encontro mantido no Grande Palácio do Povo, na capital chinesa. No início do encontro, Michel Temer, que está em

Pequim no âmbito de uma visita de cinco dias à China, agradeceu aos anfitriões a “calorosa recepção” recebida no país e destacou a importância das relações entre as duas economias emergentes. Por sua vez, Li Yuanchao destacou o papel que o vice-presidente brasileiro teve nas relações sino-

-brasileiras e indicou que durante a estada de Temer na China será analisada a relação bilateral e assuntos de interesse comum. A reunião, que se prolongou por uma hora, aconteceu depois de uma cerimónia de boas-vindas no Grande Palácio que incluiu o hino dos dois países e uma revista à guarda de honra.

XINHUA GOOGLE “NÃO ESTÁ EM POSIÇÃO MORAL” PARA DAR LIÇÕES DE LIBERDADE

As duas faces A agência oficial chinesa, Xinhua, publicou ontem um editorial contra a Google onde sublinha que a empresa “não está em posição moral de dar lições sobre a liberdade na Internet” depois do presidente da empresa instar Pequim a levantar a censura à Rede. A Xinhua acusa a Google e o seu presidente, Eric Schmidt, de ter “duas faces” e de atirar a “moralidade” fora ao colaborar com o Governo norte-americano em actos de espionagem dos seus utilizadores e ceder informações. “Na realidade a Google tem duas faces: a aparência comercial e a cara política e de acordo com as necessidades mudam a sua actuação” refere o texto ao enfatizar que se a “Google com duas faces não volta à China, é melhor”. Em Hong Kong depois de ter estado em Pequim onde se reuniu com o Presidente Xi Jin-

ping e com o primeiro-ministro Li Keqiang, Eric Schmidt concedeu uma entrevista ao diário South China Morning Post onde sublinha que a liberdade de informação na Internet é “chave” para o êxito de reformas a aplicar na China. Noutras declarações ao “The Wall Street Journal”, o presidente da Google disse que o “regime de censura na China piorou desde que a empresa saiu do país, pelo que alguma coisa tem de mudar para que regresse”. Em 2010 a Google mudou o seu servidor da China continental para Hong Kong depois de fracassarem as negociações com o Governo chinês sobre a regulação da actividade do motor de busca. A Xinhua pergunta ainda se a Google pode assumir o papel de colaborador do Governo norte-americano em actos de espionagem, qual a razão para não cumprir a lei noutros países.

Ainda ontem Michel Temer teve um encontro com o Presidente chinês, Xi Jinping onde também foram discutidas as relações bilaterais e temas globais de interesse comum. Na quarta-feira, o vice-presidente brasileiro liderou a delegação do seu país que participou na III sessão da Comissão China-Brasil

de Alto Nível de Concertação e Cooperação que decorreu em Cantão, capital da província de Guangdong, adjacente a Macau e Hong Kong. Entre os acordos que os dois países assinaram está um protocolo para a compra de milho brasileiro por parte da China que supõe uma troca comercial

de cerca de 4.000 milhões de dólares. Assinaram ainda um compromisso que prolonga por mais dez anos a cooperação espacial que inclui o lançamento de satélites a partir da China e Michel Temer recebeu ainda notícia que será posto fim à proibição de entrada de carne bovina brasileira no país. Michel Temer está na China depois de ter participado em Macau na reunião ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

TAIWAN ASSINOU PACTO DE COOPERAÇÃO ECONÓMICA COM SINGAPURA

Após três anos de negociações T AIWAN assinou ontem um acordo de cooperação económica bilateral com Singapura depois de três anos de negociações e do fim da oposição da China o que consolida a campanha da ilha em selar outros pactos com países não aliados. O acordo segue-se a outro já rubricado com a Nova Zelândia e contribuirá para reduzir as taxas aduaneiras para os produtos de Singapura em Taiwan e para os da ilha Formosa em Singapura, revelaram representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan em conferência de imprensa. Sob a designação oficial de Acordo de Cooperação Económica entre Singapura e o território Aduaneiro Separado de Taiwan, Pescadores, Kinmen e Matsu, o pacto foi

assinado em Singapura pelo representante de Taiwan na cidade Estado, Hsieh Fadah, e pelo representante de Singapura em Taiwan, Calvin Eu. O pacto ontem assinado é o primeiro de Taiwan com um país da Associação de Nações do Sudeste Asiático e é um marco na vontade da ilha participar na integração regional e reforçar laços com os países do Pacífico asiático, refere uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Singapura é o quinto parceiro comercial de Taiwan e o seu quarto maior mercado de exportações e oitava fonte de importações com um comércio bilateral em 2012 de 28.200 milhões de dólares cerca de 200.000 milhões de patacas, 5% do comércio externo de Taiwan.


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A Guiné-Bissau vai receber “já” da China um “acordo de assistência” no valor de 140 milhões de dólares em alimentos. Ao HM, Malam Becker Camara diz que projectos de infra-estruturas também foram aprovados ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

presença da delegação governamental da Guiné-Bissau no Fórum Macau correu tão bem que Rui Duarte Barros, primeiro-ministro, decidiu realizar o balanço do evento no próprio país ao invés de Macau, como estava agendado. A garantia foi dada ao HM por Malam

REPRESENTANTE DO PAÍS AFRICANO NO FÓRUM MACAU CONFIRMA

China envia “solução de emergência” à Guiné-Bissau Becker Camara, representante do país no Fórum Macau, que diz ainda que todos os objectivos propostos inicialmente foram conseguidos. Foi selado “um acordo de emergência e de assistência da China à Guiné-Bissau no valor de 140 milhões de dólares, que se comprometeu a enviar já uma ajuda em cereais e outros produtos alimentares”. Ficou ainda prometida a análise e apoio financeiro “de alguns projectos de energia para uma barragem hidroeléctrica, de portos de águas profundas. Tudo o que tínhamos projectado teve uma receptividade óptima pelas autoridades chinesas, por isso consideramos que valeu muito a pena a vinda do primeiro-ministro”. Tudo poderá ser realizado “num futuro breve”. Com isto, “foi demonstrada a pretensão da Guiné

PEQUIM VAI REDUZIR EM 40% NOVAS LICENÇAS PARA CARROS

Exigidos mais veículos verdes A

cidade chinesa de Pequim vai reduzir nos próximos cinco anos quase 40% das emissões de licenças de novos veículos e exigirá que mais de um quarto dos novos carros sejam automóveis eléctricos, híbridos ou movidos a hidrogénio. A medida agora anun-

ciada visam combater a crescente poluição na capital chinesa, um problema que afecta muitas outras cidades do país. Segundo a agência Xinhua, que ontem explicou o plano de acção contra o “smog” a decorrer até 2017 o número de novas licenças

emitidas anualmente vai cair das actuais 240.000 para 150.000, número que irá vigorar entre 2014 e 2017. Dos 600.000 novos carros que irão circular na capital chinesa nesse período, 170.000 terão de utilizar as “novas energias” como combustível.

As autoridades de Pequim consideram que uma das principais causas da elevada poluição na cidade, frequentemente envolta em neblina, é o elevado número de automóveis a circular nas ruas que subiu de dois milhões em 2003 para 5,4 milhões na actualidade.

em relançar a nossa cooperação e tornar esta relação com a China sendo um parceiro estratégico”.

INCIDENTE SERÁ “ULTRAPASSADO”

A conferência de imprensa que estava agendada para ontem em nada teve a ver com a agressão de que foi vítima o ministro guineense Orlando Viegas, com a pasta dos transportes, e que é ainda dirigente do Partido de Renovação Social. “A delegação teve outra agenda e preferiu-a. A situação do país está na normalidade. Do que tenho seguido, foram tomadas as devidas medidas pelas autoridades e não há nada demais. Acredito que vai ser ultrapassado.” Malam Becker Camara concorda que a instabilidade política que o país vive neste momento não ajuda ao fomento económico. As eleições voltaram a ser adiadas para o próximo ano, por falta de fundos. “Tudo está a encaminhar-se para a realização das eleições. Em termos de estabilidade política temos consciência de que afecta em certa medida o desenvolvimento e estamos a fazer por isso. Estamos a tentar resolver o problema dessa variável.”

REGIÃO

Fundo Petrolífero de Timor-Leste ultrapassa os 14,5 mil milhões de dólares O Fundo Petrolífero de Timor-Leste atingiu no terceiro trimestre deste ano 14,6 mil milhões de dólares, segundo um relatório ontem divulgado pelo Banco Central timorense. O relatório, referente ao período entre Julho e Setembro, refere que as entradas brutas de capital durante o terceiro trimestre foram de 703,30 milhões de dólares, dos quais 269,31 milhões em contribuições e 433,9 milhões em pagamentos de ‘royalties’ provenientes da Autoridade Nacional de Petróleo. “As saídas de dinheiro foram de 181,97 milhões de dólares, dos quais 180 milhões foram transferidos para o Orçamento do Estado e 1,97 milhões foram pagos pelo Banco Central de Timor-Leste para cobrir os custos de gestão operacional”, acrescenta o documento.

Filipinas preparam chegada de tufão com ventos de 330 km/h

Sobreviventes do terramoto de Outubro nas Filipinas abandonaram hoje os seus abrigos temporários integrando as deslocações em massa no país devido à aproximação do super tufão Haiyan com ventos de cerca de 330 quilómetros por hora. As autoridades do país estão receosas com a força da tempestade que deverá atingir a costa na sexta-feira influenciando o estado do tempo no centro e no sul das Filipinas, áreas ainda em recuperação do sismo de Outubro que atingiu uma magnitude de 7,1. “Esta tempestade é muito perigosa, as autoridades locais sabem disso e estão a deslocar as pessoas, a dar indicações para que possam estar em maior segurança”, explicou Glaiza Escullar, dos serviços de meteorologia locais, em declarações à agência AFP.


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ARTE

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UM leilão nocturno da casa China Guardian, em Maio de 2011, “Eagle Standing on a Pine Tree” (Águia sobre um pinheiro), pintura a nanquim feita em 1946 por Qi Baishi, um dos mestres da arte chinesa do século XX, foi arrematada por um preço surpreendente: 65,4 milhões de dólares norte-americanos (512,5 milhões de patacas). Nunca antes uma pintura chinesa tinha atingido um valor tão alto em leilão. No final do ano, a venda da tela teve implicações globais, ajudando a China a superar os Estados Unidos como o maior mercado mundial de arte e leilões. Dois anos depois, porém, a obra-prima de Qi Baishi ainda está parada num depósito em Pequim. O autor da licitação vencedora negou-se a pagar pela tela porque a autenticidade da mesma foi questionada. “O mercado encontra-se numa fase muito dúbia”, disse Alexander Zacke, especialista em arte asiática que comanda a casa de leilões internacionais on-line Auctionata. “Ninguém leva muito a sério os resultados na China.” De facto, ao mesmo tempo que o mundo da arte reage com assombro ao ‘boom’ do mercado chinês, uma revisão feita pelo “New York Times” ao longo de seis meses constatou que muitas das vendas não chegaram a concretizar-se. São transacções que teriam gerado até um terço da receita chinesa de leilões nos últimos anos. Facto igualmente problemático é que o mercado está inundado de obras falsificadas, com frequência produzidas em massa, e tornou-se campo fértil para a corrupção, na medida em que executivos de empresas subornam autoridades com obras de arte. A explosão de compradores de arte foi alimentada pelo consumismo antes reprimido dos novos-ricos. Há duas décadas, a China praticamente não tinha nenhum mercado para esse sector. Apesar disso, no ano passado, a receita divulgada dos leilões no país subiu 900% em relação a 2003, chegando a 8,9 mil milhões de dólares norte-americanos (69,7 mil milhões de patacas) - embora tenha caído 24% em relação a 2011. Já nos EUA, a receita do mercado de leilões em 2012 foi de 8,1 mil milhões (63,4 mil milhões de patacas). Os compradores chineses geralmente interessam-se por trabalhos chineses tradicionais, alguns de mestres do século XV e outros de artistas modernos que optaram por trabalhar no estilo antigo. Essa própria reverência ao passado cultural contribui para o aumento das obras falsificadas. Os artistas na China são ensinados a imitar os velhos mestres chineses, produzindo cópias de alta qualidade. Essa tradição coincidiu com a demanda do mercado de arte, no qual reproduções - que muitos artistas possuem a habilidade necessária para criar - frequentemente são oferecidas como se fossem artigos genuínos. “Esse é o desafio do momento”, disse

FALSIFICAÇÕES INUNDAM MERCADO CHINÊS

Uma questão de autenticidade Wang Yannan, presidente e director da China Guardian, a segunda maior casa de leilões do país. “A primeira pergunta que cada chinês se faz é se a obra é falsificada.” Escândalos que vieram a público expõem a extensão das falsificações e semeiam dúvidas quanto ao mercado mais amplo. Em 2010, veio à tona que uma pintura a óleo atribuída ao artista do século XX Xu Beihong e vendida por mais de 10 milhões de dólares norte-americanos (78,3 milhões de patacas) tinha sido reproduzida 30 anos após a morte do artista por um estudante, durante um exercício de sala de aula numa das principais academias de arte da China. Ainda mais constrangedora foi a decisão tomada pelo Governo chinês, em Julho passado, de fechar um museu particular em Hebei por suspeitas de que quase tudo no seu acervo fosse falsificado - 40 mil artefactos, incluindo um vaso de porcelana da dinastia Tang. “Sempre existiram falsificadores no mercado, mas é uma questão de proporção”, comentou Robert D. Mowry, ex-curador de arte asiática na Universidade Harvard e hoje consultor da Christie’s. O sector de leilões e o Governo dizem que estão esforçando-se para combater os abusos, mas enfrentam

a dificuldade de uma brecha na lei, que exime as casas de leilões de responsabilidade quando uma obra leiloada é falsificada. O problema da falsificação ajuda a explicar o número crescente de casos em que pagamentos não são realizados. Nos últimos três anos, um estudo feito pela Associação de Leiloeiros da China sobre as casas de leilão chinesas constatou que mais ou menos metade das vendas de obras de arte de valor superior a 1,5 milhão de dólares norte-americanos (11,7 milhões de patacas) - que representam uma parte importante do

Os compradores chineses geralmente interessam-se por trabalhos chineses tradicionais, alguns de mestres do século XV e outros de artistas modernos que optaram por trabalhar no estilo antigo

mercado - não ficou completa porque o comprador deixou de pagar o preço acordado. (No caso das grandes casas de leilão americanas, segundo vários especialistas, o índice de não pagamento por obras de valor equivalente é mínimo). “Isso tem algo a ver com o ambiente geral”, disse a presidente da associação, Zhang Yanhua. “Como sabem, a China ainda está a esforçar-se para construir a obediência às leis.” De acordo com especialistas, outras explicações possíveis para a onda de inadimplência e de pagamentos feitos com atraso incluem casos em

que pessoas arrependeram-se das licitações que fizeram ou simplesmente fizeram licitações altas para elevar o valor de obras de um artista particular que elas coleccionam. Mesmo levando em conta que os relatórios de receita nem sempre reflectem a realidade, a alta nas aquisições de arte nos últimos dez anos foi meteórica. Bancos chineses, estatais e grandes empresários continuam a investir no ‘boom’. Obras de arte são uma espécie de nova moeda na China, e tantas pessoas coleccionam arte que os leilões com frequência recebem multidões. Mais de 20 programas de


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outras pessoas fazer licitações por eles ou então compram todas as obras.”

casa internacional de leilões a operar independentemente na China. São novidades que podem ajudar a fomentar a competição e a elevação dos padrões no mercado.

ANTIGUIDADE NOVA EM FOLHA

PREÇO EM ALTA

televisão na China oferecem dicas para quem colecciona arte e quer identificar relíquias culturais. Diante desse interesse, os marchands chineses estão a deslocar-se para a Europa e Estados Unidos no sentido de recomprar relíquias chinesas que estão fora do país. Houve também uma série de furtos de antiguidades chinesas em museus. Surgiu um mercado negro de artefactos, com chamados ladrões de túmulos a escavar tesouros enterrados que possam vender. O interesse em reparar os pontos fracos do mercado pode ter contribuído para a decisão recente da China de afrouxar as regras que dificultam o acesso das casas de leilão ocidentais ao mercado chinês. Agora a Sotheby’s tem uma ‘joint venture’ com uma empresa estatal, e a Christie’s ganhou uma licença este ano para se tornar a primeira

A manipulação de preços é frequente no mercado chinês de arte. Coleccionadores e investidores, possivelmente um fundo de investimento em arte que tenha investido muito num artista específico, fazem licitações altas sobre uma obra, com o objectivo de empurrar para cima o valor de seu stock inteiro. De acordo com especialistas, às vezes, as próprias casas de leilão fazem licitações falsas. Os chineses têm um nome para esse processo de empurrar preços para cima: “refogar”. Enquanto alguns coleccionadores importam-se profundamente com as suas obras de arte, muitos compradores, segundo especialistas, são investidores interessados em lucrar com a revenda de uma obra de arte. Uma pintura de Qi Baishi, “Fish and Shrimp” (Peixe e camarão), foi vendida quatro vezes em leilões ao longo de dez anos até Dezembro passado. O seu preço subiu de 30 mil dólares norte-americanos (235,1 mil patacas) em 2002 para 794 mil (6,2 milhões), caindo no ano passado para 552 mil dólares norte-americanos (4,3 milhões de patacas). As oportunidades de revenda são uma prioridade para muitos compradores. Num leilão em Pequim em Setembro, quatro homens de Cantão compraram várias pinturas no valor de dezenas de milhares de dólares. Um deles comentou: “Amaioria das pessoas que vi não tem um emprego de verdade. É o nosso caso, somos revendedores. Compramos as obras e as revendemos a pessoas instruídas e ricas”. Analistas dizem que a revenda de obras de arte contribui para o problema de inadimplência do mercado. Antes de um leilão, um comprador pode encontrar um coleccionador interessado numa obra. Pode fazer licitações e arrematar o trabalho, mas negar-se a pagar por ele se o seu acordo com o coleccionador não se concretizar. E há os problemas de pagamento que surgem porque o mercado de arte chinês é jovem, economicamente falando, e os seus compradores adquiriram o seu dinheiro recentemente. “Ainda existe uma grande diferença entre Oriente e Ocidente no entendimento dos leilões - sobre se elevar uma placa de oferta num leilão constitui ou não um contrato legalmente válido”, disse Philip Tinari, do Centro Ullens de Arte Contemporânea, em Pequim. “Alguma jovem actriz compra um lote de pinturas num leilão, sai do local e fala ‘não quero os números 13, 11, 7, 6 e 5’. Acontece quase sempre.” Mesmo com as fraudes e falsificações, muitos coleccionadores e investidores dizem que o mercado vale a pena. Mas o artista, crítico e curador Jiang Yinfeng referiu que as pessoas que têm pouca experiência podem sofrer num mercado tão super-aquecido. “Alguns dos meus

Facto problemático é que o mercado está inundado de obras falsificadas, com frequência produzidas em massa, e tornou-se campo fértil para a corrupção, na medida em que executivos de empresas subornam autoridades com obras de arte amigos usam as suas próprias casas como garantia para comprar obras de arte”, contou. “Outros contraem empréstimos com juros altos.” Um dos factores que tem movido o mercado de arte na China é o costume de dar presentes, algo que leva as autoridades provinciais a chegarem em massa a Pequim durante o Festival de Meados de Outono, em Setembro, levando obras de arte, bebidas e outros objectos como presentes para dar a altos funcionários governamentais. A arte pode ser usada também em esquemas de suborno mais complexos. Em alguns casos, um funcionário governamental recebe uma obra de arte com instruções para oferecê-la em leilão. Depois, um empresário a utilizará como moeda de pagamento de luvas, comprando a obra a um preço inflacionado. Em muitos casos, a autenticidade da obra dada de presente não vem ao caso, porque o comprador pretende

gastar muito de qualquer maneira. E, se o esquema fosse descoberto, o valor mínimo da obra falsificada significaria que o castigo seria menor. O uso de arte para pagar luvas a funcionários governamentais é algo tão corriqueiro que os chineses cunharam um termo para descrever esse tipo de corrupção estética: é o “yahui”, ou “suborno elegante”. Em 2009, quando as autoridades detiveram Wen Qiang, o vice-chefe de polícia da cidade de Congqing, por proteger uma quadrilha criminosa, descobriram que ele tinha uma colecção de arte surpreendentemente grande e cara. Wen teria recebido mais de cem obras como presente. Foi executado pelos seus crimes no ano seguinte. “Quem está presente no mercado de leilões?” perguntou Li Yanjun, especialista e autenticador de obras de arte na Universidade Oriental de Pequim. “Funcionários do Governo. Eles escondem-se e mandam

O rasto dos bronzes, pinturas e antiguidades falsificados percorre a China inteira. Em Jingdezhen, no sudeste do país, oficinas produzem belíssimas reproduções de porcelanas das dinastias Ming e Qing. Em Yanjian, na região central da província de Yenan, elas aplicam amónia sobre bronze para induzir a corrosão, de modo que um sino ou recipiente usado em rituais com vinho possa fazer-se passar por um artefacto encontrado num túmulo. Em Pequim, Tianjin, Suzhou e Nanjing, pintores e calígrafos reproduzem as pinceladas de mestres reverenciados. Em todo o país, pintores copiam obras de mestres como Qi Baishi e Fu Baoshi. “Já vi 700 a 800 pessoas numa oficina de pintura, com uma divisão de trabalho muito clara, reproduzindo as obras de Qi Baishi”, diz Zhang Jinfa, autenticador profissional de obras de arte. Um estudo feito no ano passado estimou que 250 mil pessoas em 20 cidades chinesas podem estar a produzir falsificações. Milhares de pessoas em Jingdezhen, centro de produção de porcelana na antiguidade, trabalham criando obras de argila segundo moldes antigos. Mais adiante na linha de produção, pintores mergulham os seus pincéis em tinta e copiam sobre as cerâmicas os contornos de flores ou desenhos chineses tradicionais. A tradição da cópia na China reflecte mais que uma simples atitude de reverência diante do passado: é o reconhecimento de que a beleza foi captada de uma forma que merece ser emulada. Diferentemente do Ocidente, onde se admira o chamado “choque do novo”, a China valoriza a tradição. As suas obras mais vendidas com frequência homenageiam obras criadas centenas de anos atrás e se parecem com elas. Nas escolas de arte, alunos praticam o “lin mo”, ou imitação dos grandes mestres. A falsificação e a fraude não fazem necessariamente parte da tradição, embora pintores famosos como Zhang Daqian, falecido há 30 anos, se tenham divertido ludibriando os especialistas. “Zhang Daqian achava que estava no mesmo nível que os velhos mestres”, explicou Maxwell K. Hearn, diretor do departamento de arte asiática do Museu Metropolitano de Arte de Nova York. “Assim, a verdadeira prova dos nove era ver se seria capaz de copiar as obras deles.” Uma história que ilustra a abordagem irreverente de Zhang à cópia diz respeito a uma viagem que ele fez em 1967 para ver uma exposição das obras de Shitao, pintor do século XVII, no Museu de Arte da Universidade de Michigan. Os guias mostraram-lhe, orgulhosos, os trabalhos do pintor célebre, morto mais de dois séculos antes. Espantaram-se quando Zhang começou a rir e apontou para várias obras na parede, dizendo: “Fiz esse! E também aquele!”. - in New York Times


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ENTREVISTA

JOSÉ C. MENDES info@hojemacau.com.mo

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abertura hoje, na Casa Garden, pelas 18h30, da 4.ª edição do Salão de Outono foi o pretexto para uma conversa com a responsável da Fundação Oriente (FO) em Macau, Ana Paula Cleto. Ao HM, a investigadora, há quatro anos à frente do destino da FO no território, fez um balanço positivo do que têm sido as últimas edições do evento e do trabalho desenvolvido por aquela instituição em prol da actividade cultural na RAEM. Embora optimista, deixa no entanto no ar a ideia de que ainda há muito por fazer a bem das artes. Que balanço faz das últimas edições do Salão de Outono e que expectativas tem para a mostra deste ano? O Salão de Outono teve início em 2010. Esta é, portanto, a quarta edição e o balanço que faço é bastante positivo, uma vez que temos vindo a assistir a uma adesão enorme dos artistas locais ao concurso.

Embora pretendamos sempre que haja um leque de mais consagrados, o Salão de Outono aposta nos novos talentos Que critérios é que regem a selecção dos concorrentes? Os concorrentes são muitos e fazemos uma selecção tendo em conta padrões de qualidade e de inovação, pensando sempre em atrair a camada de jovens artistas, embora tenhamos também uma série de artistas mais conceituados. No primeira exposição fizemos um convite aos artistas, mas a partir dessa altura passou a haver candidaturas e embora pretendamos sempre que haja um leque de mais consagrados, o Salão de Outono aposta nos novos talentos. O nosso princípio é que este evento deve ser um incentivo aos artistas para continuarem as suas carreiras. O que nem sempre acontece. Pois, infelizmente, muitas vezes os jovens artistas, por

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SALÃO DE OUTONO COM APOSTA DIVERSIFICADA EM JOVENS ARTISTAS

“Que a Casa Garden seja uma casa não serem apoiados, têm tendência a enveredar por outras carreiras. O Salão de Outono pretende precisamente incentivar os artistas e o seu trabalho. Como correu a adesão dos jovens, este ano? Foi boa, embora o número não seja muito diferente de anos anteriores. O facto é que este ano foram seleccionados muito mais jovens artistas. A exposição deste ano é nos mesmos moldes das anteriores ou podemos esperar algumas diferenças? As mostras são sempre diferentes. Umas vezes aparece mais um determinado tipo de obras. Este ano não vamos ter tanta instalação, por exemplo. A aposta é maior na fotografia e na pintura, e também há alguma escultura.

AGENDA CHEIA NA FO Falando agora um pouco das actividades da FO, que iniciativas estão marcadas até ao final do ano? Vamos terminar o ano com uma grande exposição da fotógrafa Carmo Correia e o seu projecto Ponto de Luz que está a ser desenvolvido há mais de um ano. Segundo creio, engloba uma série de fotografias das diversas zonas do Oriente, nomeadamente Macau, Goa, Damão, Diu, Coxim, Malaca, Timor, Japão, etc.. São as zonas por onde os portugueses passaram. Este projecto, que vai ser inaugurado na Casa Garden no dia 10 de Dezembro, vai também resultar na apresentação de um livro. Essa é a última iniciativa do ano. E até lá? Até lá ainda vamos ter a colaboração com o Jazz Club de Macau, com um concerto hoje (ontem), de um quarteto holandês, e um outro no dia 4 de Dezembro. Entretanto, estamos também a programar com a Casa de Portugal, realizar na próxima semana, no dia 13 de Novembro, um concerto no jardim da Casa Garden, se não chover, senão será dentro da Casa, dividido em duas partes. A primeira será com o guitarrista clássico Pedro Luís, que faz parte


entrevista 13

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de cultura” do grupo Microduo - que já tocou na Casa Garden - com o mestre Pinheiro Nagi, que se encontra no território. A segunda parte vai ser feita por um grupo de músicos que trabalharam no Hard Rock Café e que vai interpretar música portuguesa. Esta é uma das apostas da FO, a parceria com outras associações da cidade. Como é que está a correr esse trabalho? Está a correr bem. Nós apostamos muito no trabalho de co-organização de eventos, por duas razões. Primeiro, porque estes eventos envolvem custos e no panorama das actuais contenções, e tendo a FO a sua sede em Portugal - que atravessa uma situação difícil -, procuramos trabalhar com outras instituições. Temos um espaço privilegiado na cidade o que facilita estas colaborações. PUB

Por outro lado, esta é também uma forma de manter a Casa com uma actividade cultural regular. Esse é o nosso objectivo, que a Casa Garden seja uma casa de cultura. A FO, à semelhança do que acontecia no passado, tem, ou pensa desenvolver iniciativas de cariz social? Sim. A FO mantém também um trabalho mais direccionado para a área social, só que essas iniciativas são menos visíveis. Não as divulgamos como acontece com os eventos

culturais. Para citar alguns exemplos, damos um apoio mensal ao orfanato “Berço da Esperança”. Temos também uma outra contribuição mensal para os “Special Olympics” e ainda apoiamos pontualmente pedidos que nos são dirigidos dentro desta área. Continuamos, portanto, a investir nesse trabalho de índole social, fazendo-o inclusive para a China, onde ajudamos na construção ou recuperação de escolas, por exemplo. Só que esse é o lado menos visível da FO. Como é que vê o estado actual da cultura no território? Há quatro anos que estou na FO. Estou mais atenta e vejo que nos últimos anos tem havido um grande desenvolvimento e um grande

Continuamos, portanto, a investir nesse trabalho de índole social, fazendo-o inclusive para a China, onde ajudamos na construção ou recuperação de escolas, por exemplo. Só que esse é o lado menos visível da FO

incentivo na área cultural. Hoje em dia acontece uma coisa que se calhar há dois anos atrás não acontecia, que é existirem vários eventos ao mesmo tempo. Antigamente tínhamos um evento num dia, ou dois acontecimentos por semana. Agora há vários eventos no mesmo dia e as pessoas não podem ir a todos. As instituições estão mais activas, mas será suficiente? Nota-se realmente que existem muitas instituições em Macau, particularmente instituições privadas, que estão a desenvolver um trabalho cada vez mais activo na área da cultura. O Governo também tem apostado na cultura, através do Instituto Cultural, do Museu de Arte de Macau, do próprio Instituto de Assuntos Cívicos de Macau. Agora... claro que não é suficiente. Do ponto de vista do apoio aos artistas, não restam dúvidas de que ainda é necessário fazer muita coisa. O Governo da RAEM precisa de ter um papel preponderante, até porque penso que é possível fazê-lo aqui.

As bases têm de começar nas escolas. É preciso criar cursos de arte. Não existe em Macau uma Faculdade de Belas-Artes, por exemplo. Isso é absolutamente necessário criarse. Não é só o gosto e o saber fazer, como o próprio espírito crítico Ainda há um caminho longo a percorrer? Tudo o que ainda está num processo de desenvolvimento tem um caminho longo a percorrer. Tenho esperança de que se vá fazendo cada vez mais, de modo a que daqui a alguns anos, a acti-

vidade cultural em Macau e os artistas sejam totalmente apoiados. E o que pensa que seja necessário fazer para que isso venha a acontecer? Penso que isso passa muito por algo que já foi várias vezes dito que é a formação. Se não existir formação e não criarmos de base o interesse pela arte e pela cultura, as pessoas não se vão interessar por isso. As bases têm de começar nas escolas. É preciso criar cursos de arte. Não existe em Macau uma Faculdade de Belas-Artes, por exemplo. Isso é absolutamente necessário criar-se. Não é só o gosto e o saber fazer, como o próprio espírito crítico. Sem estes instrumentos não conseguimos fazer milagres. Mas penso que há interesse da parte do Governo, até com este novo campus universitário na Ilha da Montanha, bastante alargado. Espero que haja espaço para que estas coisas venham a acontecer. Está optimista? Sim. É preciso ter um espírito optimista!


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CULTURA

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CINEMA MANOEL DE OLIVEIRA SEM VERBAS PARA RODAR UM NOVO FILME

“Velho do Restelo” não escapa à crise A um mês de completar 105 anos, o realizador Manoel de Oliveira afirmou à revista francesa Cahiers du Cinéma que está pronto para rodar um novo filme, “O velho do Restelo”, mas falta-lhe financiamento. “Fazer este filme é como ganhar uma batalha: É difícil. A conjuntura económica trava e fragiliza a montagem financeira do filme”, afirmou o realizador português. Na entrevista, feita pelo investigador António Preto e publicada na edição de Novembro da revista, Manoel de Oliveira deixou ainda um lamento: “Penso que no país há uma grande indiferença pelo que já realizei. Tanto faz que o

meu cinema exista ou não exista”. Manoel de Oliveira está há mais de um ano a trabalhar no argumento de “O velho do Restelo”, a partir de textos de Camões, Teixeira de Pascoaes, Camilo Castelo Branco ou Cervantes, que se debruçam de alguma forma sobre esta personagem. O filme será uma média metragem, com actores portugueses, e com um orçamento de cerca de 3,5 milhões de patacas que o produtor Luís Urbano conta conseguir em breve, para arrancar com a rodagem no começo de 2014, como explicou à agência Lusa. A propósito da personagem pessimista e derrotista do “Velho do Restelo”, Manoel de Oliveira opina, na entrevista,

MAM ABRE INSCRIÇÕES PARA MONTRA DE ARTES

Só para artistas locais O

TIAGO ALCÂNTARA

Museu de Arte de Macau (MAM), sob a tutela do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), vai abrir as inscrições para a Montra de Artes de Macau 2014. Todos os artistas locais, desde que possuidores de BI de Residente, podem apresentar as suas propostas individualmente, devendo os trabalhos poder ser exibidos sob a forma de uma peça (conjunto), ou uma série de obras. O prazo limite para a apresentação das propostas é

31 de Dezembro de 2013, informa o comunicado de imprensa da organização. O programa Montra de Artes de Macau foi lançado em 2012, com o objectivo de encorajar novas criações e promover o desenvolvimento das artes contemporâneas em Macau ao providenciar uma plataforma aberta para os artistas locais exporem, e também fomentar a diversidade. Este ano, oito artistas já apresentaram as suas últimas criações na Montra, acrescenta a nota de imprensa.

Em 2014, a Montra de Artes de Macau continuará a ser organizada em duas modalidades, por convite e através de inscrições abertas. Todos os artistas locais (possuidores de BIR) estão convidados a apresentar as suas propostas, sob a forma de uma peça (conjunto), ou uma série de obras, no médium criativo à sua escolha e de formato livre, incluindo pintura, fotografia, cerâmica, instalação, gravura e vídeo. Os trabalhos a exibir terão de ser originais, nunca antes publicados ou expostos publicamente em Macau. O orçamento a atribuir ao trabalho seleccionado para exposição está limitado a um máximo de 70.000 patacas. Através do programa, os participantes podem aproveitar as instalações de exposição do MAM, bem como outros recursos disponíveis, para prosseguirem o seu trabalho criativo, finaliza a nota.

sobre a actualidade - “vivemos um presente suspenso da realidade” -, sobre a crise económica - “um mal que se abateu sobre nós” - sobre a derrota e a “esperança da vitória”. O realizador explicou ainda que pretende fazer “O Velho do Restelo”, porque quer reflectir novamente sobre a História de Portugal, em particular sobre “a Invencível Armada e o presente”. Fazendo jus à vitalidade e à capacidade de trabalho, que desafiam os seus 104 anos, Manoel de Oliveira revelou ainda que já concluiu o argumento para um outro filme centrado nas mulheres que fazem as vindimas, ainda que esta prática tenha já sido retratada anteriormente pelo autor.

MÚSICA ÁLBUM DE KATY PERRY CONFISCADO NA AUSTRÁLIA

Risco de contaminação N

ÃO, não se trata de um escândalo envolvendo a cantora. É outra coisa: o álbum de Katy Perry é mau, pelo menos para o ambiente. É o que as autoridades australianas invocam. Paradoxos: o álbum da cantora americana, intitulado Prism, ocupa o 1.º lugar do top de vendas no país, mas o pacote de sementes de flores que o acompanha está sob investigação das autoridades agro-pecuárias e a sua importação foi proibida. Isso mesmo. Ao que parece o problema é que o álbum é acompanhado por um pequeno pacote de sementes de flores, pondo em causa a rígida regulamentação do que pode ou não entrar no país. Diz a lei inflexível que “sementes ou material orgânico alheio ao ecossistema da Austrália constituem um risco para o meio ambiente e para a bio-segurança.” Parece apenas uma história divertida. Bem, é um

pouco. Mas no país o assunto é sério, porque as espécies invasoras são uma grande preocupação no contexto de ecossistemas isolados, precisamente porque a Austrália foi acolhendo ao longo de décadas imensas plantas e animais, artificialmente introduzidas, que acabaram por criar diversos problemas ambientais.

No caso do CD de Katy Perry, face ao que a lei impõe, um organismo do Governo expediu de imediato um auto de interdição que barra o ingresso de exemplares de Prism produzidos no exterior. Diga-se que a proibição não atinge os CDs feitos na Austrália. É que aí podem ser produzidos com recurso à semente conhecida como margarida australiana.


DESPORTO

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JOÃO ROXO

info@hojemacau.com.mo

“Carlsen é o maior talento que eu jamais vi, mas a minha tarefa é a de estar preparado e dar o meu melhor. É isso o que eu vou fazer” - Vishwanathan Anand “Penso que vai ser realmente algo de especial, algo de invulgar, para mim e espero que para toda a comunidade xadrezista” - Magnus Carlsen

C

OMEÇA amanhã e vai até 28 de Novembro, o ansiado ‘match’ para o campeonato mundial de xadrez, que colocará frente a frente o actual campeão do mundo, o indiano Vishwanathan Anand e o jovem prodígio, Magnus Carlsen, da Noruega. O campeonato será disputado em Chennai, Índia, cidade-natal do campeão do mundo e consta de doze partidas clássicas. Vai ser um ‘match’ aguardado desde há muito, onde o favoritismo vai para o ‘challenger’, apesar da vantagem que o actual campeão tem pelo facto de ir jogar em casa. A razão pela qual existe uma expectativa mais no sentido de que o ceptro mundial do xadrez vá finalmente mudar de mãos, relaciona-se essencialmente com o facto de Magnus Carlsen haver recentemente quebrado o recorde do mais alto ‘rating’ da história do xadrez, que pertencia anteriormente e há quase 20 anos a Garri Kasparov. Na verdade, Carlsen é soberano enquanto número um do ranking mundial de xadrez desde os seus 19 anos. Anand, por seu turno, é apenas o número oito deste mesmo ranking. De acordo com a lista de Novembro de 2013 da Federação Internacional de Xadrez (FIDE), o campeão tem 2775 pontos ELO enquanto Calsen tem 2870. Além do mais, Anand já tem 44 anos, contra os 22 de Magnus Carlsen. Talvez por isso, as bolsas de apostas apenas concedam a Anand uma probabilidade contra três, de conservar o seu título. Mas atenção, a experiência também tem uma palavra a dizer.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Anand nasceu em 11 de Dezembro de 1969, em Chennai, cidade que anteriormente se chamava Madras, na costa de Coromandel, baía

CAMPEONATO MUNDIAL DE XADREZ ESTÁ À PORTA COM JOGO ENTRE ANAND E CARLSEN

O Tigre e o Crocodilo de Bengala, habitat do quase extinto tigre de Bengala. Por isso, tem por cognome no xadrez “O Tigre de Madras”. Os primeiros ocidentais a chegar a Madras foram os portugueses, em 1522, onde construíram um porto (Porto de São Tomé) e cerca de 120 anos mais tarde foi a vez dos ingleses. Mas também o próprio estilo xadrezista de Anand tem algo de felino, sendo muito táctico e criativo, rápido a atacar, fazendo jus à terra das especiarias. Anand aprendeu a jogar com seis anos de idade, ensinado pela mãe, tendo-se sagrado campeão da Índia aos 14 anos. Disputou pela primeira vez um ‘match’ para o campeonato do mundo, contra o mítico Anatoly Karpov, em 1995, que acabou por perder mas sob autêntica protecção da FIDE ao seu adversário, que suscitou viva polémica na altura e de que ainda hoje se fala. Mas sagrou-se campeão mundial em 2000, tendo mantido o título até hoje. Tem o estatuto de

herói nacional na Índia e é extremamente desportista não havendo um xadrezista que não simpatize com ele -, participando ainda em diversas iniciativas de solidariedade social. O seu hobby é a astronomia, mas agora é tempo de exclusiva dedicação à preparação do ‘match’. Segundo ele próprio, nas últimas semanas faz duas horas de exercício físico após acordar e dedica o resto do dia ao xadrez, com intervalos para o almoço e o jantar. O outro cognome de Anand é Lucky Luke, porque

é considerado “o xadrezista mais rápido do que a própria sombra”, tendo batido ao longo da sua carreira todos os recordes de troféus em competições Blitz (partidas de xadrez com apenas cinco minutos de tempo para cada jogador). É visto como um talento colossal e o mais versátil de sempre no xadrez, que ganhou muitos torneios, mas que podia ter ganho muitos mais, se não fosse algo mais relaxado na vida do que os outros xadrezistas de topo, apenas concentrando-se a 100% nos ‘matches’ de um

ONDE VER E LER Resta-me acrescentar que podem acompanhar as partidas ao vivo e em tempo real através de vários websites, desde o website oficial em http://chennai2013.fide.com ou o www.chessdom.com, e ainda nas várias redes sociais, nomeadamente: Twitter: https://twitter.com/FWCM2013, Facebook: https://www.facebook.com/pages/FIDE-WorldChampionshipMatch-FWCM-2013/438596976250550 e Flickr: http://www.flickr.com/photos/anand-carlsen/. Aqui, no HM, podem ir encontrando diariamente, a partir de segunda-feira, os resultados das partidas, e espero também poder conseguir relatar-vos mais desenvolvidamente as vicissitudes do campeonato do mundo, eventualmente com a análise de alguns bons momentos deste histórico embate xadrezista, terça e sexta-feira.

contra um, precisamente, para o campeonato do mundo. Carlsen nasceu em Tonsberg na Noruega, em 30 de Novembro de 1990 e aprendeu xadrez aos oito anos, apenas porque o pai gostava que a irmã mais velha tivesse alguém com quem jogar lá em casa. O que aconteceu em seguida foi a descoberta de um talento sem precedentes e aos 13 anos, Carlsen tinha ganho torneio após torneio, incluindo o campeonato da Noruega e chegava a Grande-Mestre. Pelo caminho, tinha empatado com aquele que muitos consideram o melhor jogador de todos os tempos, na altura um campeão do mundo em topo de forma, Garri Kasparov. Diz-se que o seu QI é de 186, apenas um ponto abaixo do de Albert Einstein. Carlsen é um fenómeno de popularidade, não só no xadrez como globalmente, que também faz ocasionais passagens de modelos e tem contratos multimilionários com marcas de renome mas que tem conseguido até ao momento manter-se como uma pessoa normal, quase simples, que até há bem pouco continuava a andar na escola e que gosta de jogar futebol e estar com a família nos tempos livres. Mas é implacável no tabuleiro das 64 casas e nunca desiste enquanto não esgotar todas as possibilidades, por mais

microscópicas que sejam, de liquidar o adversário. Numa entrevista recente à televisão russa perguntaram-lhe que animal escolheria ser, se isso fosse possível. A resposta dele foi: “Talvez um crocodilo. O crocodilo parece ter uma boa vida, ali deitado, a relaxar... pode matar qualquer outro animal... sim, sim, um crocodilo, definitivamente.” Quando adolescente, o seu estilo era muito semelhante ao de Anand mas pouco a pouco foi-o modificando para um tipo de jogo posicional sem paralelo, onde combina um fortíssimo meio-jogo com uma mestria nos finais de partida. Dá menos importância às aberturas, conseguindo uma maximização ímpar de pequenas vantagens e surpreendendo pela forma aparentemente simples e harmoniosa como acaba por ganhar as suas partidas. Carlsen é capaz de encontrar o elemento subtil que faz a diferença melhor do que ninguém. Daí o cognome, “O Mozart do Xadrez”, com que os meios de comunicação social o baptizaram. Se ganhar o campeonato do mundo, Magnus Carlsen será o mais jovem campeão de sempre na história do xadrez, o primeiro europeu ocidental a consegui-lo desde 1937 e o primeiro ocidental desde Bobby Fisher (1975).


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MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

É

a modalidade que mais vezes levou as cores de Macau ao mais alto patamar do pódio em grandes competições internacionais e em Kuala Lumpur a tradição manteve-se. A capital malaia acolheu durante os últimos dias a 12.ª segunda edição do Campeonato do Mundo de Wushu e a delegação que representou o território no evento não defraudou. Um mês depois de terem dado nas vistas na edição de 2014 dos Jogos da Ásia Oriental, os atletas do território voltaram a competir ao mais alto nível e a garantir boas prestações, numa prova disputada por mais de mil e quinhentos atletas oriundos de oitenta países e territórios dos quatro cantos do mundo. A competição foi dominada quase de forma incontestada pelos representantes da República Popular da China. Os atletas chineses conquistaram um total de 18 medalhas (17 das quais de ouro) e deixaram o Irão e a anfitriã Malásia a uma distância constrangedora. PUB

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WUSHU MACAU SETE VEZES NO PÓDIO EM KUALA LUMPUR

Em maré de medalhas

A representação da Região Administrativa Especial de Macau não assinou uma performance suficientemente forte para lutar

pelos lugares cimeiros do ranking das nações e territórios mais medalhados, mas também não desiludiu. A selecção do território

encerrou a participação na prova com sete medalhas conquistadas, três das quais de ouro. Um mês depois de ter chamado a si o primeiro

lugar nos torneios de wushu gunshu e de wushu changquan dos Jogos da Ásia Oriental, Jia Rui voltou a celebrar novo grande triunfo a nível internacional, ao levar a melhor sobre o japonês Daisuke Ichikizaki e sobre o sul-coreano Cho Seung-jae na corrida pelo título mundial na categoria de gunshu. Jia Rui não defraudou e juntou mais um título de campeão do mundo a um já extenso palmarés, mas o maior feito da selecção que representou Macau na Malásia foi assinado por Chong Ka Seng. O jovem atleta do território tornou-se, aos 16 anos, um dos mais jovens campeões do mundo de todos os tempos, ao bater o singapurenho Samuel Tan e o francês Pierre Rouviére nos exercícios obrigatórios de taijiquan. Iao Chon In também levou as cores de Macau ao degrau cimeiro do pódio no Campeonato do Mundo de Kuala Lumpur. O atleta triunfou no evento de taijijian, superiorizando-se ao sul-coreano Kim Dong-Yeong e ao malaio Loh Jack Chang.

Ás três medalhas de ouro, a delegação da RAEM juntou ainda duas medalhas de prata e dois galardões de bronze. Huang Jun Hua perdeu para o chinês Wu Jielong o título mundial de wushu nandao, roubando ainda assim o segundo lugar ao iraniano Farshad Arabi. Chu Chi Wai e Wu Nok In regressaram a Macau com uma medalha de bronze, ao concluírem respectivamente as provas de qiangshu e de changquan (os exercícios obrigatórios) na terceira posição. Longe das prestações obtidas em outras edições do Campeonato do Mundo de Wushu, as representantes de Macau ficaram aquém das expectativas e conquistaram uma única medalha, ao terminarem a prova colectiva feminina de wushu duilian na segunda posição em ex-aequo com Hong Kong. A formação do território que disputou o evento era constituída por Li Yi, Tan Dong Mei e Ho Si Hang e não conseguiu evitar que as ucranianas Myroslava mala, Anna Derbenyova e Tetyana Kondratyeva garantissem o primeiro lugar e o patamar mais alto do pódio.


FUTILIDADES

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TEMPO

POUCO

NUBLADO

[TELE]VISÃO TDM 13:00 13:30 14:40 18:00 19:00 19:30 20:30 21:15 21:30 22:00 23:00 23:30 23:45 00:45 01:15

TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO Caminho das Índias (Repetição) TDM Talk Show (Repetição) Vingança Telejornal Ler + Ler Melhor Cenas do Casamento Caminho das Índias TDM News Resumo Liga Europa Portugueses Pelo Mundo Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

RTPi 82 15:00 15:35 16:05 16:30 17:00 18:00 19:00 19:40 20:10 21:00 22:15 23:10

Telejornal Madeira Ligados à Terra Sal na Língua Consigo Bom Dia Portugal Decisão Final Vingança Best of Portugal Voo Direto Jornal da Tarde O Preço Certo Portugal no Coração

MIN

22

MAX

28

HUM

60-95%

] C I N E M A

[

Viola Davis, Abigail Breslin 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2 SALA 1

ENDER’S GAME [B] Um filme de: Gavin Hood Com: Hailee Steinfeld, Ben Kingsley,

THOR: THE DARK WORLD [B] Um filme de: Alan Taylor Com: Natalie Portman, Anthony Hopkins 14.30, 16.30, 21.30

THOR: THE DARK WORLD [3D] [B] Um filme de: Alan Taylor Com: Natalie Portman, Anthony Hopkins 19.30 SALA 3

A PERFECT MAN [C]

Um filme de: Kees van Oostrum

•

EURO

10.7

40 - FOX Movies 12:25 Enough 14:20 Homeland 15:10 The Walking Dead 16:00 Fat Albert 17:35 Upside Down 19:25 Tooth Fairy 2 21:00 Lost World: The Jurassic Park 23:10 Jurassic Park Iii 00:45 Ghost Rider 41 - HBO 11:50 Rush Hour 13:25 Solo 15:00 The Borrowers 16:30 Showtime 18:10 Contraband 20:00 Serangoon Road 21:00 Journey 2: The Mysterious Island 22:35 Ocean’S Twelve 00:50 The Sweetest Thing 42 - Cinemax 12:50 Loose Cannons 14:25 Valentine 16:00 The Counterfeit Traitor 18:25 Kung Fu: The Legend Continues 20:00 Abduction 21:45 Epad On Max 22:00 Strike Back 23:00 Thor 00:55 Hunted

YUAN

1.3

Com: Jeanne Tripplehorn, Liev Schreiber 14.30, 16.15, 18.00, 19.45

LIBRARY WARS [C]

(FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Shinsuke Sato Com: Junichi Okada, Fukushi Sota, Eikura Nana 21.30

Foto: Joana Freitas

POR MIM FALO

Pu Yi

As lojas porreiras desaparecem sempre

30 - FOX Sports 13:00 Liga Bbva 2013/14 Rayo Vallecano vs. Real Madrid CF 14:30 Dutch Eredivisie 2013/14 Ajax Amsterdam vs. Vitesse Arnhem 16:00 River Rat Race Stockton 16:30 World Archery Championships 2013 17:00 NASCAR Nationwide Series 2013 - Highlights 18:00 Liga Bbva 2013/14 La Liga World 18:30 Football Asia 2013/14 19:00 (LIVE) FOX SPORTS Central 19:30 Liga Bbva 2013/14 Weekly Preview 20:00 Liga Bbva 2013/14 La Liga World 20:30 FOX SPORTS Central 21:00 The Ultimate Fighter 22:00 UFC 167 Primetime 22:30 Classic Boxing 31 - STAR Sports 10:00 (LIVE) Australian PGA Championship Day 2 15:00 Asian Festival Of Speed 2013 15:30 Total Rugby 16:00 Hot Water 2013/14 17:00 2 Wheels 17:30 Liga Bbva 2013/14 Getafe CF vs. Valencia CF 19:00 2 Wheels 19:30 Football Asia 2013/14 20:00 V8 Supercars C’ship Series 2013 - Highlights 21:00 FIA World Touring Car Championship 2013 - Highlights 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Football Asia 2013/14 22:30 Motorsports@ Petronas 23:00 La Liga 2013/14 Rayo Vallecano vs. Real Madrid CF

0.2

Cineteatro

M A C A U [ S Ã ] A S S A D O LER E ESCREVER

BAHT

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• Que maravilhoso, ter um livro para ler e, aparentemente, não o fazer. Esta fantástica actividade para incitar crianças a ler é realmente um “paráissonum” conto de “historias”. E é tão bom que os “destinaterios” sejam crianças pequeninas!

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA COZINHA TRADICIONAL DE MOCAMBIQUE • Paola Rolleta Moçambique oferece o manjar típico com uma fusão de valores culturais que dão sabor especial a uma cozinha mestiça, curiosa, apetecida. Produtos da terra, como mandioca, batata-doce, mapira, amendoim, castanha de caju, mangas, papaias e coco… Produtos do mar, como garoupas, carapaus, amêijoas, e os famosos camarões… Enfim, uma variedade infinita que faz da culinária moçambicana um mosaico de sabores e cores, agora num livro em que Paola Rolletta lembra que a culinária deste país africano é tão quente quanto a nação. COZINHA TRADICIONAL DE ANGOLA • Ana da Costa Cabral Cozinha Tradicional de Angola, da autoria de Ana da Costa Cabral, é mais um título que cria água na boca. Angola - uma terra de fascínio, cor e alegria, com uma natureza vibrante, um povo afável e um clima único. Entre as suas muitas riquezas encontramos uma gastronomia deliciosa e muito variada. Aqui poderá encontrar, entre muitas outras, as seguintes receitas: Funje de Mandioca, Feijão com Óleo de Palma, Muamba de Galinha, Quizaca com Camarão e Jinguba, Muzongue, Quifufutila, Cocada. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

A mim custa-me quando me retiram de repente os lugares que fazem parte do quotidiano. Não gosto de rotinas e tento fugir sempre dos lugares comuns, mas se há coisa que eu gosto é deste ou daquele café. Porque é calmo, porque tem sofás confortáveis para ler enquanto a chuva bate lá fora, porque não vai quase ninguém. Contudo, aqui em Macau esses lugares são-nos retirados frequentemente, sem dó nem piedade, só porque os senhorios querem. Aquele café-restaurante na Rua do Campo que fechou ontem, cheio de estudantes de uniforme escolar, era um exemplo. Uma pessoa chegava lá, não via caras conhecidas e só pagava 40 patacas por um bom prato de comida. Ou aquele Starbucks encantador no Largo do Senado: quando se apanhava um sofá vago lá em cima, era óptimo para passar uma tarde chuvosa. Poderia falar do Lvsitanvs, que alberga noites de fado em sextas-feiras livres e é óptimo para se visitar depois de um dia cheio de passeios a pé. Mas também esse sítio nos vai ser retirado como se de uma machadada se tratasse. Macau é uma terra de sonho para muitos mas depois os pequenos sonhos do nosso quotidiano são-nos roubados assim, de repente, num ápice, e não respiramos. Depois tentamos encontrar os mesmos espaços noutros lugares, mas é difícil: nunca mais voltei a ler no Starbucks numa tarde de chuva. O autismo deste Governo é uma coisa que me revolta um bocadinho todos os dias. É ele que tira as lojas mais porreiras da nossa vida de Macau, de forma despercebida. O mercado é livre, mas ele está lá, como um fantasma de lençol branco.


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OPINIÃO

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ISABEL CASTRO

isabelcorreiadecastro@gmail.com

contramão

N

UNCA gostei de política – da política dos congressos, dos jogos de bastidores, dos negócios, das negociatas, dos esquemas, das mentiras e dos compadrios. Nunca gostei desta política de comícios encenados, a política sem espontaneidade, as conversas nos corredores, a postura dos assessores, a política dos jotinhas vindos das associações académicas transformadas em partidos de meninos que sonham em ser gente, gente importante. A verdade é que, no início da profissão, ainda em Portugal, levei com muitos congressos, comícios e afins. Da esquerda clássica à direita burguesa, passando pelo então recém-nascido Bloco de Esquerda. E, sem ainda saber ler nem escrever, apanhei com o congresso em que Paulo Portas passou a liderar o irrevogável centro. Nunca gostei desta política – eu queria mesmo era escrever sobre as coisas das pessoas e não sobre os engravatados extraordinariamente iguais uns aos outros –, mas aprendi a gostar de outra política quando vim para Macau. Não que morra de amores pela política de Macau – que de política tem pouco – mas, por força das circunstâncias, acabei por me interessar pelo exercício que os homens fazem quando se organizam uns aos outros. Passei a gostar, portanto, da política que vem nos livros, da política das ideias, da política que é sobre as coisas das pessoas.

cartoon por Stephff

WASSILY KANDINSKY, COMPOSICAO VII

Política de pele bronzeada

De cada vez que vem cá uma delegação de Portugal sinto-me num regresso ao passado – um passado com 15 anos, porque Macau não detém o exclusivo da monotonia dos rostos políticos. Nos meus primeiros anos fora de Portugal, os políticos portugueses vinham cá pouco: a transferência tinha acabado de acontecer e Macau era assunto do passado que não interessava sequer ao menino jesus. Confesso que gostei desses anos, longe do estilo politiqueiro português, longe dos nós de gravata dos políticos de quem não gosto, da esquerda à direita, passando pelo centro. Quando Portugal voltou a perceber que a China valia as horas de viagem (a primeira vez

foi há 500 anos), que a China afinal valia o esforço, ei-los a chegar com frequência. Vêm em nome das relações cordatas, em nome da cooperação, em nome – isso sim – dos negócios que (sem caírem em graça, nem serem engraçados) dizem eles serem da China. Ei-los a chegar com irrevogáveis promessas, irrevogáveis atrasos, irrevogáveis pancadinhas nas costas, irrevogável desconhecimento do protocolo da terra, irrevogáveis piadinhas em momentos sérios e solenes. Uma irrevogável superioridade e uma irrevogável falta de humildade. Do ministro que passou a irrevogável e dos outros também, a começar por quem escreve os discursos cheios de vento.

CONTA DA AMNISTIA NA TAILÂNDIA

É nestes momentos que me lembro que não gosto mesmo de política. Não gosto da política portuguesa, da política do disse-mas-não-disse, da política da inversão de marcha, da política que acha que 10 milhões + 5 milhões de portugueses servem para fazer papel de embrulho. Não gosto da política da mentira, do engano, das irrevogáveis negociatas, das revogáveis convicções. Não gosto da política de pele bronzeada. Também não gosto da política das viagens para auscultação das preocupações da diáspora. A política das passeatas para ouvir as comunidades, os políticos que dizem sempre que está tudo bem, quando toda a gente sabe que não está tudo bem, quando a gente queria que alguém dissesse alguma coisa, que não andassem com o rabinho entre as pernas, que fossem gente, que fossem os políticos dos livros e das ideias, não os políticos dos negócios e dos bolsos de fora, os bolsos que se querem levar cheios daqui.

Não gosto da política portuguesa, da política do disse-mas-não-disse, da política da inversão de marcha, da política que acha que 10 milhões + cinco milhões de portugueses servem para fazer papel de embrulho. Não gosto da política da mentira, do engano, das irrevogáveis negociatas, das revogáveis convicções. Não gosto da política de pele bronzeada Nunca gostei de política porque não acredito nos políticos um bocadinho mais velhos do que eu. Não tenho tempo de vida para me lembrar dos outros políticos, daqueles que pensaram o mundo, que organizaram ideias e escreveram livros a sério. Daqueles que sabiam os sinónimos das palavras. Daqueles que sabiam ir ao dicionário ver os significados das palavras. É que irrevogável é a imagem que se deixa quando olhamos para pessoas que não são o nosso espelho. Irrevogável é a perda das pessoas que partem, as reformas que se tiram, a miséria que se cria nas casas dos que já não têm idade nem força para darem a volta ao texto e baterem com a porta. Irrevogável é o tempo que se perde. Os minutos que nos fazem perder. Irrevogável é o tempo que se queima, o tempo que nos mata, as horas que nos fazem lembrar que assim não se vai lá. Nunca gostei de política.


opinião 19

hoje macau sexta-feira 8.11.2013

João Corvo

fonte da inveja

Se queres viver em Coloane, arranja um cabane. “The Meiji government discovered the developmental trick encapsulated in Michael Lipton’s dictum as: ‘If you wish for industrialization, prepare to develop agriculture.” Joe Studwell How Asia Works: Success and Failure in the World’s Most Dynamic Region

O

famoso jurista, economista e antropólogo húngaro Karl Polanyi, na sua obra “A Grande Transformação”, publicada em 1944, faz uma dura e acutilante crítica ao carácter evolucionista e eurocêntrico do pensamento clássico, numa óptica comparativa e tendo em conta as investigações posteriores, põe em evidência o carácter excepcional da mudança operada na sociedade ocidental pelo progresso do comércio de longo curso. Todavia, esses trabalhos não esclarecem as condições que possibilitaram o desenvolvimento desse comércio e a formação do capitalismo mercantil na Europa a partir do século XI. A excepção europeia, com efeito, não tem a ver como o seu grau de avanço tecnológico, nem com a existência de uma classe de comerciantes. Tal como afirmou de forma assaz brilhante, o historiador e sinólogo inglês, Joseph Needham, no seu livro “Within the Four Seas: The Dialogue of East and West”, publicado em 1969, de que o progresso dos conhecimentos técnicos pode desenvolver-se independentemente de qualquer problemática mercantil. Durante mais de quinze séculos, a China esteve mais avançada no plano tecnológico que a Europa, sem que daí resultasse a emergência de um capitalismo mercantil ou industrial. A constituição no século XIII do Império Mongol, que unificou provisoriamente o imenso espaço que vai da China ao litoral russo do Mar Negro e à Hungria, permitiu aos mercadores italianos prescindir dos intermediários árabes para ter acesso às riquezas do Oriente. Estabeleceram-se assim as rotas comerciais terrestres com a Índia e a China, como relatou o veneziano Marco Pólo. No período de mais de um século, ou seja, entre 1430 e 1540, os negociantes, navegadores e conquistadores europeus exploraram as costas da África, que finalmente conseguiram contornar, apoderando-se do comércio árabe e indiano no Oceano Índico, chegam à China e ao Japão, descobrem o continente americano e completam a sua conquista. Embora os marinheiros sejam muitas vezes italianos, os iniciadores destas aventuras comerciais são, curiosamente, os monarcas de nações que até então se contentavam com um estatuto marginal no cenário europeu. Primeiro Portugal, com um milhão de habitantes e apenas 89,000 km2 no princípio do século XVI, tornou-se em poucas décadas a alma de um império comercial que se estendeu

JORGE RODRIGUES SIMÃO

A ascensão do Japão do Brasil a Macau, abrangendo as duas costas de África e o caminho marítimo para a Índia. Os historiadores são unânimes em colocar na origem desta expansão alucinante a sede de ouro, cuja escassez colocou dificuldades aos comerciantes. Desde a Antiguidade, o mundo ocidental era deficitário nas suas trocas comerciais com o Oriente. O continente europeu era pobre em metais preciosos e dependia do comércio com os muçulmanos para financiar as suas compras de especiarias, pérolas e tecidos preciosos orientais. O progresso da navegação e o recuo do Islão ao longo de todo o século XV fizeram prever a possibilidade do acesso directo às minas africanas. Na época, de facto, o ouro era um produto africano, cujo circuito comercial era controlado pelos muçulmanos. A cidade de

do genovês Cristóvão Colombo, que também se propõe atingir a Índia navegando para Oeste, e que receberia por fim o apoio da rainha de Castela, desejosa de celebrar deste modo a conquista de Granada aos mouros, em 1492. Segundo a Espanha, no período de quatro anos, completa a descoberta do “Novo Mundo” que se propôs colonizar e que se estendia do Chile à Califórnia, da Argentina à Florida, contornando o Brasil, mas destruindo na sua passagem, qual terramoto, as civilizações asteca e inca e aniquilando a população indígena, que no México antes da chegada do temível e cruel conquistador Hernan Cortez foi de 25 milhões de pessoas. É de considerar que deste empreendimento de alcance mundial, a Europa extraiu uma riqueza fabulosa. Ao afluxo de ouro e prata juntaram-se a

A cidade Lisboa substituiu Veneza como centro do comércio das especiarias, mas é Antuérpia que se afirma como principal porto europeu na primeira metade do século XVI, mas foi perdendo progressivamente a sua importância em benefício de Amesterdão que passou a primeira praça económica e financeira da Europa e a conservou até ao final do século XVII Génova, a grande rival de Veneza, apoiou-se em Lisboa, fase cómoda na rota da Europa do Norte, mas também posição privilegiada dominando as costas noroeste de África, para tentar encontrar um caminho marítimo para o ouro do Sudão. Os primeiros êxitos no Norte de África e a descoberta das riquezas da África Ocidental, como o ouro, marfim e escravos, dão um novo ânimo ao Reino de Portugal, cujo maior impulsionador foi o Infante D. Henrique, que rapidamente se distancia dos genoveses, que rumam a Sevilha, outra paragem entre os dois Mediterrâneos, convertida pelos italianos em praça comercial e financeira. A partir de 1490 existia a possibilidade dos Portugueses fazerem a circum-navegação de África e nos últimos anos do século XV, Vasco da Gama dobra o Cabo da Boa Esperança e chega à Índia. É quebrado o monopólio veneziano do comércio das especiarias enfraquecido pela queda de Constantinopla em 1453.Adescoberta desta última rota explica sem dúvida a recusa da coroa portuguesa em financiar a expedição

grande quantidade de produtos desconhecidos que revolucionaram a alimentação, como o café, cacau, açúcar, batata, tomate, milho e arroz e frutos tropicais, entre muitos outros, e as manufacturas, como o algodão, anil, pau-brasil e o marfim, proporcionando lucros fabulosos aos comerciantes que conseguiram controlar os novos circuitos comerciais. O valor dos metais preciosos e especiarias importados pela Europa representou cinco vezes o valor do comércio intra-europeu do trigo que no século XVI, constituiu a corrente de trocas marítimas mais considerável em volume. A Itália, privada do monopólio do comércio de especiarias, minada por lutas internas e devastada por invasões estrangeiras deixou de dominar a economia europeia. A cidade Lisboa substituiu Veneza como centro do comércio das especiarias, mas é Antuérpia que se afirma como principal porto europeu na primeira metade do século XVI, mas foi perdendo progressivamente a sua importância em benefício de Amesterdão que passou a pri-

perspectivas

meira praça económica e financeira da Europa e a conservou até ao final do século XVII. O surgimento da economia-mundo europeia entre a metade do século XV e a metade do século XVII não foi marcado por inovações técnicas apreciáveis. O pluralismo político, característico do espaço europeu, é o que distinguiu a economia-mundo do império. A característica das economias-mundo que precederam a da Europa como a da Mesopotâmia, Mediterrâneo Antigo, Roma, é acabarem sempre por se transformarem em impérios no dizer do famoso sociólogo americano, Immanuel Wallerstein. O Japão é o país onde o nacionalismo económico obtém os resultados mais espectaculares. O Japão é único país não europeu que passou pela Revolução Industrial do século XIX. O Japão é o único Estado não europeu que não sofreu a dominação colonial. O historiador belga, Paul Bairoch, defende a tese de que tal particularidade deve-se à distância geográfica, ao clima temperado, que excluía qualquer produção de tipo colonial capaz de interessar os ocidentais, assim como ao atraso técnico em comparação com a China e Índia, o que limitava a sua oferta de artigos manufacturados de luxo, somando uma política de isolamento praticada de forma deliberada durante quase dois séculos, ou seja, entre os períodos de 1639 a 1859, que praticamente interrompeu todos os contactos com os comerciantes europeus. O Japão não sofreu o traumatismo da alienação de soberania, não viu a sua indústria minada pela invasão de produtos ocidentais, nem o seu regime demográfico perturbado pela intrusão europeia. O atraso técnico era relativo na medida, na medida em que, ao iniciar-se a era Meiji, o Japão era uma sociedade altamente alfabetizada e urbanizada, com uma indústria muito próximo da Europa no limiar da industrialização. A partir de 1894, com a intervenção na Coreia e a derrota da China, o Japão afirma os seus intuitos expansionistas. Obtém a revisão dos tratados comerciais firmados em meados do século XIX, pondo termo à sua inferioridade diplomática. A vitória espectacular contra a Rússia, em 1905, deu-lhe acesso aos recursos da Manchúria e transforma-o numa potência internacional de primeiro plano. O traço específico da economia-mundo europeia moderna é o seu carácter capitalista. O termo capitalista para Immanuel Wallerstein, não se refere a certo nível de desenvolvimento das forças produtivas, nem ao predomínio da relação salarial, nem à existência de empresas com fins lucrativos, nem mesmo à presença simultânea de todos estes elementos. Designa um sistema estruturalmente orientado para a acumulação ilimitada de capital. Esta característica única só podia surgir no Ocidente.

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Hoje Macau 8 NOV 2013 #2970 by Jornal Hoje Macau - Issuu