TERÇA-FEIRA 8 DE OUTUBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº4386
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
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MÁRIO CRUZ/LUSA
MAIS PERTO DE XI
NÚMEROS POSITIVOS
GRAND LISBOA
VISÕES MÚLTIPLAS EVENTOS
hojemacau
Até já, camaradas
O PS foi o vencedor de uma noite eleitoral que consagrou a posição maioritária da esquerda no parlamento português, em contraste com o estrondoso desaire do CDS-PP e com o fraco resultado do PSD. António Costa deverá assim voltar a procurar uma solução de Governo à esquerda. Para a história, ficam ainda uma abstenção de 45,5 por cento, a subida do PAN e a estreia no hemiciclo do Livre, Iniciativa Liberal e Chega. GRANDE PLANO
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IDOSOS
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8.10.2019 terça-feira
MUDANCA NA CONTINUIDADE LEGISLATIVAS
PS E ESQUERDA VENCEM EM NOITE HISTÓRICA PARA PEQUENOS
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O
PS venceu sem maioria absoluta e terá de tentar a repetição de uma solução de Governo à esquerda, numa eleição marcada pela derrota histórica da direita e pela entrada de três novos partidos no parlamento. Com 36,6 por cento dos votos, o PS de António Costa vê legitimada a governação, mas com 106 deputados - quando falta apurar os resultados para eleger quatro
mandatos no estrangeiro - fica obrigado a tentar nova solução de Governo à esquerda, que poderá ser alargada ao PAN e ao Livre, que elegeu pela primeira vez uma deputada (Joacine Katar Moreira). A noite eleitoral trouxe um sabor amargo ao CDS, que com 4,2 por cento fica reduzido a cinco deputados na Assembleia da República e perde a sua líder, Assunção Cristas, que decidiu não
se recandidatar num Congresso a ser convocado pelo Conselho Nacional. O PSD de Rui Rio tem também um dos seus piores resultados, mas face às expectativas criadas a derrota acabou por ter um sabor agradável, não se tendo ouvido uma voz a exigir a ‘cabeça' do líder. Os sociais-democratas alcançaram 27,9 por cento e 77 deputados, o pior resultado percentual deste século em legislativas. A entrada de três novas forças políticas para o parlamento e a subida do PAN marcaram também a noite das legislativas. O Livre, o Iniciativa Liberal e o Chega conseguem cada um o seu deputado no hemiciclo de S. Bento, que pela primeira vez acolhe um deputado conotado com a extrema-direita, André Ventura, o líder deste terceiro partido. A CDU recua para 6,4 por cento e perde cinco deputados, vendo ao mesmo tempo o Bloco de Esquerda consolidar-se como a terceira força política, com 19 deputados e 9,6 por cento dos votos, ainda assim um resultado inferior ao das legislativas de 2015. Dois recordes marcaram esta noite de legislativas: o parlamento conta pela primeira vez com deputados de nove partidos. Por outro lado, a abstenção atingiu um novo máximo em legislativas, 45,5 por cento.
DAS OPÇÕES
O secretário-geral do PS admitiu governar com acordos pontuais, procurando a estabilidade "dia-a-
-dia", se não conseguir repetir um entendimento com os parceiros de esquerda, e frisou que nunca colocará em risco a credibilidade externa do país. Esta tipo de solução, semelhante àquela que foi posta em prática pelo Governo de António Guterres entre 1995 e 1999, com acordos pontuais `do PS tanto à direita como à sua esquerda, foi admitida por António Costa na conferência de imprensa sobre os resultados das eleições legislativas de domingo. Questionado pela agência Lusa sobre em que medida está MÁRIO CRUZ/LUSA
António Costa vai continuar a ser primeiro-ministro, depois dos socialistas arrecadarem 36,65 % dos votos. Os partidos à esquerda ganharam a larga maioria dos assentos parlamentares, apesar do fraco resultado da coligação PCP/ Verdes. PAN passa de um deputado para quatro e estreiam-se no hemiciclo representantes do Livre, Iniciativa Liberal e Chega. CDS-PP foi um dos derrotados da noite, comAssunção Cristas a abandonar a liderança do partido
“A vontade de todos é que o próximo Governo dure quatro anos e seja do PS. A experiência de 2015 revelou-se uma boa solução. Acho que aquilo que correu bem não deve ser alterado.” ANTÓNIO COSTA PS
disponível para acordos pontuais com o PSD, designadamente em matéria orçamental e num cenário de contenção orçamental, António Costa defendeu que "a direita foi derrotada" nestas eleições legislativas. "Se interpreto bem os resultados, os portugueses desejam a continuidade da actual solução política. Se não houver vontade dos outros parceiros na continuidade dessa solução, terei de respeitar naturalmente essa vontade e teremos de prosseguir com um Governo do PS que trabalhará dia-a-dia para manter essa estabilidade ao longo dos quatro anos", respondeu o secretário-geral do PS. Neste ponto, António Costa disse mesmo ter "a certeza que não há um único português que tenha votado pela instabilidade ou por um Governo com um prazo dois anos". "A vontade de todos é que o próximo Governo dure quatro anos e seja do PS. A experiência de 2015 revelou-se uma boa solução. Acho que aquilo que correu bem não deve ser alterado", defendeu. António Costa afirmou respeitar a interpretação do PCP de que os últimos quatro anos não correram como os portugueses queriam e que houve "uma luta da esquerda contra o PS". Pelo contrário, segundo o secretário-geral do PS, "os portugueses não disseram que esta era uma solução para não repetir". "Um PS reforçado aumenta a estabilidade. Temos um programa com compromissos claros e com contas certas a sustentá-lo. Não estamos
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MÁRIO CRUZ/LUSA
disponíveis para colocar em causa a credibilidade externa do país", advertiu o líder socialista.
DERRAPAGEM À DIREITA
O presidente do PSD assumiu que o partido não conseguiu o seu grande objectivo, vencer as eleições, mas considerou que o resultado não foi uma "grande derrota" e afirmou que vai ponderar "com serenidade" a continuidade na liderança. "Não atingimos o objectivo, mas não é a grande derrota que muitos previam, essa grande derrota não existiu", defendeu Rui Rio, em declarações aos jornalistas, no hotel em Lisboa onde o partido acompanhou a noite eleitoral. Questionado se vai abandonar a liderança do PSD -- pergunta que motivou risos e protestos da assistência -, Rui Rio começou por dizer que a pergunta partia do pressuposto errado, de que o PSD tinha tido a "grande derrota que muitos profetizavam e até desejavam". "Essa pergunta que me está a fazer vai merecer serenidade e ponderação e ouvir as pessoas", afirmou. Já o antigo parceiro de coligação do PSD teve uma noite amarga. A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, assumiu a derrota do seu partido nas legislativas e anunciou que não se recandidatará no próximo congresso extraordinário, que pediu para ser convocado em breve. “Assumimos o resultado com humildade democrática”, afirmou Cristas, rodeada pela sua direcção na sede nacional do partido, em Lisboa, numa curta declaração aos
jornalistas. A presidente do CDS afirmou que pediu a antecipação do congresso nacional, estatutariamente previsto para Março de 2020, que vai ser convocado pelo conselho nacional em data a anunciar. Assunção Cristas afirmou que deu o seu melhor ao longo de quatro anos e que, perante o resultado das eleições, optou por demitir-se e não se recandidatar
no próximo congresso. “Tomei a decisão de não me recandidatar”, acrescentou a líder dos centristas, que começou por “felicitar o PS” e “desejar a António Costa sucessos nos destinos" do país. Numa declaração sem perguntas dos jornalistas, não esclareceu se iria, por exemplo, assumir o seu lugar de deputada. Abel Matos Santos, porta-voz da Tendência Esperança
em Movimento-CDS (TEM-CDS), saudou a demissão de Assunção Cristas da presidência do partido, e vai candidatar-se à liderança no próximo congresso. Em declarações à Lusa, Matos Santos afirmou que será candidato porque este não é “tempo de estratégias ou tácticas”, mas de assumir as “responsabilidades” e vai apresentar uma moção e uma candidatura no congresso GRÁFICO VISÃO/SAPO
nacional, que será antecipado, por proposta da líder, Assunção Cristas. “É preciso o partido assumir as suas ideias com clareza, assumir-se como partido de direita democrática e deixar o politicamente correcto”, disse.
NOVE NO HEMICICLO
O porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), André Silva, congratulou-se pela eleição de quatro deputados e por o "conservadorismo" de CDS-PP, PSD e PCP ter perdido a maioria no parlamento. "O conservadorismo perdeu a maioria que tinha no parlamento. PSD, CDS e PCP perderam mandatos e estão reunidas as condições para que Portugal avance em convergência com os valores do século XXI", afirmou André Silva, que discursava no Museu da Cidade, em Lisboa, após a confirmação da eleição de quatro deputados pelo PAN. Para o dirigente do PAN, havia duas maiorias parlamentares "e uma delas caiu, que foi a maioria conservadora, que impediu Portugal de avançar em várias matérias". André Silva, que subiu ao púlpito depois do discurso do secretário-geral do PS, António Costa, salientou que o PAN foi a quinta força política nos círculos de Lisboa, Porto, Setúbal e Faro, referindo que o resultado é sinal de que o partido "consolidou-se no sistema político português". Continua na página seguinte
Questionado sobre um possível acordo com o PS, André Silva voltou a frisar algo que já tinha dito em campanha: "O PAN não quer fazer parte da solução governativa". "O PS precisa apenas do Bloco de Esquerda ou da CDU", notou, referindo que isso não impede o partido de fazer avançar propostas, tal como fez na última legislatura. O partido Iniciativa Liberal (IL) festejou a entrada no parlamento, ao eleger um deputado, com gritos de “liberdade” e um banho de champanhe, prometendo uma oposição “incansável e implacável” ao Partido Socialista. O partido fundado em 2017 e que é presidido por Carlos Guimarães Pinto fez esta noite “história” ao eleger um deputado, João Cotrim de Figueiredo, pelo círculo eleitoral de Lisboa.
VOTO POSTAL
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Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong indicou à agência Lusa que, de num total de 65 mil eleitores e 67 inscritos para votarem presencialmente, 44 exerceram esse direito nas eleições legislativas de domingo. “O número total de eleitores inscritos nos cadernos eleitorais de Macau e Hong Kong era superior a 65.000”, mas “a grande maioria terá votado por correspondência”, adiantou o cônsul-geral, Paulo Cunha-Alves. “No que diz respeito ao voto presencial tudo decorreu dentro da normalidade. No que respeita ao voto por correspondência, temos conhecimento que alguns cidadãos não receberam o envelope com o boletim de voto, possivelmente devido ao facto de terem mudado de residência e não terem informado o Consulado Geral nem a autoridade eleitoral”, explicou. O diplomata sublinhou que “o voto postal implica a actualização da morada do eleitor no respectivo cartão de cidadão, pois é para essa morada que a Secretaria Geral do MAI [Ministério da Administração Interna] envia os boletins de voto”.
EM CAMPO OPOSTO
Por sua vez, o presidente do Chega, André Ventura, eleito deputado por Lisboa nas eleições legislativas de domingo, destacou o "feito histórico" do partido, "o mais votado dos partidos pequenos", e rejeitou acordos para formar Governo. Em declarações aos jornalistas, em Lisboa, André Ventura considerou que o Chega devolveu "a esperança a um país que não a tinha", sublinhando que com "poucos meses [de existência" o partido "conseguiu um lugar na Assembleia da República". "O dr. António Costa escusa sequer de me contactar, porque não vale a pena", reiterou André Ventura, acrescentando também que "está fora de questão" qualquer acordo com PSD e CDS. O cabeça de lista anunciou que iria seguir em desfile, com vários militantes e simpatizantes, rumo à Assembleia da República. No polo oposto do espectro ideológico, Joacine Katar Moreira, a cabeça de lista do Livre por Lisboa eleita nas legislativas de domingo, afirmou que “não há lugar para extrema-direita no parlamento”, salientando que o seu partido será “a esquerda anti-fascista e anti-racista”. “Não há lugar para extrema-direita no parlamento português”, gritou Joacine Katar Moreira no púlpito montado na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa, após confirmar que tinha garantido a eleição.
ELAS NO HEMICICLO
As eleições legislativas permitiram eleger mais 14 mulheres do que nas de 2015, num total de 89 eleitas do
sexo feminino, quando faltavam definir apenas os quatro mandatos no estrangeiro. Nas eleições legislativas de 2015 tinham sido eleitas 75 mulheres, 33 pela coligação PPD/PSD/CDS-PP, 27 pelo PS, cinco pelo Bloco de Esquerda (BE), sete pelo PCP-PEV e três pelo PPD/PSD (Açores e Madeira). Segundo os resultados eleitorais das eleições legislativas de domingo, foram eleitas 89 mulheres, 42 pelo PS, 26 pelo PPD/ PSD, nove pelo BE, cinco pelo PCP-PEV, três pelo CDS-PP, três pelo Partido Animais e Natureza (PAN) e uma pelo Livre.
“Assumimos o resultado com humildade democrática e tomei a decisão de não me recandidatar.” ASSUNÇÃO CRISTAS CDS-PP
A taxa de abstenção registou um nove recorde nas eleições legislativas de domingo, ao situar-se nos 45,5 por cento, segundo a Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI). Os dados da abstenção das eleições de domingo dizem respeito aos cerca de 9,3 milhões de eleitores recenseados no território nacional, faltando ainda os cerca de dois milhões de eleitores residentes no estrangeiro. A taxa de abstenção nas eleições legislativas tem vindo a registar um aumento ao longo dos anos. Em 2015, a taxa de abstenção tinha atingidos os 44,4 por cento e, em 2011, ficou nos 41,1 por cento, tendo dois anos antes se situado nos 39,4 por cento. Em 2002, quando os sociais-democratas, liderados por Durão Barroso, ganharam as eleições, a taxa de abstenção cifrou-se em 38,52 por cento, ligeiramente abaixo dos 38,91 por cento registados na segunda eleição de Guterres, em 10 de Outubro de 1999. Logo nas eleições seguintes, em 2005, que deram a Sócrates o seu primeiro mandato como primeiro-ministro, a abstenção ficou-se pelos 35,74 por cento. Já nas eleições para a Assembleia Constituinte, em 1975, a abstenção ficou nos 8,3 por cento e nas primeiras legislativas, em 1976, situou-se nos 16,4 por cento. Segundo a SGMAI, mas eleições legislativas de domingo
registaram-se 129.599 votos brancos (2,54 por cento) e 88.539 votos nulos (1,74 por cento). De acordo com a SGMAI, estavam recenseados para as eleições de domingo 10.810.662 eleitores, mais cerca de 1,1 milhões do que nas anteriores legislativas, em 2015, devido ao recenseamento automático no estrangeiro. ANDRE KOSTERS/EPA/LUSA
RUI RIO PSD
Perante mais de uma centena de militantes, que se encontram concentrados no “The House of Hope and Dream”, em Lisboa, Carlos Pinto Guimarães anunciou o feito, ao som de gritos de “liberdade, liberdade”. “Quero começar por saudar os vencedores da noite, o PS, apesar da forma como geriu o país, começou por dizer o líder do IL, prometendo, em seguida, uma “verdadeira oposição ao socialismo”. “Agora vão ter uma oposição diferente. Uma oposição ideológica. Seremos a verdadeira voz da liberdade política e económica”, afirmou. Antes de passar a palavra ao deputado eleito, Carlos Guimarães Pinto destacou o percurso do partido, com “apenas dois anos de existência”. “Somos um partido que chega aqui sem figuras mediáticas. Chegamos aqui pelas ideias. Ideias que irão fazer oposição ao socialismo”, reiterou. Por seu turno, o candidato eleito pelo IL, João Cotrim de Figueiredo, num curto discurso, prometeu ser uma “voz activa” na Assembleia da República. “Serei incansável e implacável para ser a voz do liberalismo no Parlamento”, prometeu.
ANTÓNIO COTRIM/LUSA
“Não atingimos o objectivo, mas não é a grande derrota que muitos previam, essa grande derrota não existiu.”
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ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
TIAGO PETINGA/LUSA
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“O conservadorismo perdeu a maioria que tinha no parlamento. PSD, CDS e PCP perderam mandatos e estão reunidas as condições para que Portugal avance em convergência com os valores do século XXI.” ANDRÉ SILVA PAN
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SEGURANÇA LEONEL ALVES DESTACA SEVERIDADE LEGAL EM DETENÇÃO DE JOVENS
“A
SOFIA MARGARIDA MOTA
lei é severa, algo radical”, mas as autoridades temem “um efeito multiplicador junto da juventude, tendo em conta Hong Kong”, o que leva “a hipervalorizar estes factos”, comentou o advogado Leonel Alves. Em declarações à Lusa, o ex-deputado fez uma breve análise aos recentes episódios de reforço securitário, como a detenção de dois jovens que colavam cartazes de apoio aos protestos em Hong Kong e à recusa de entrada em Macau de activistas da região vizinha. Para o também membro do Conselho Executivo, os episódios levantam questões de “direitos e liberdades como a de expressão” que ilustram a intenção das autoridades em “prevenirem um rastilho que leve a perturbações mais graves, à semelhança do que se passa em Hong Kong”, explicou. No passado domingo, contudo, o secretário para a Segurança, negou a existência de uma ‘lista negra’, mas salientou que “as autoridades têm a responsabilidade de salvaguardar a segurança, a estabilidade e paz do território, sendo esses pressupostos do desenvolvimento e prosperidade local”. Leonel Alves, que esteve na Assembleia Legislativa entre 1996 e 2017 e que em 2008 se tornou membro do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, defendeu que “a questão das entradas em Macau é já um ‘clássico’, uma vez que na perspectiva da polícia tratam-se de ‘personas non gratas’ e que podem perturbar a ordem pública, (…) algo que é sempre subjectivo e questionável”. Por outro lado, identificou aquele que é um dos conselheiros do Governo, esta é uma situação que se pode agudizar tendo em conta o que se passa em Hong Kong, mas também pelo facto de ser esperada em Macau a visita do Presidente chinês em Dezembro.
PATRIOTISMO CARTA DE XI PARA IDOSOS DE MACAU RECEBIDA COM EMOÇÃO
As palavras sem idade
O Presidente Xi Jinping respondeu a uma carta enviada por um centro de idosos gerido pela União Geral das Associações dos Moradores de Macau. A missiva, recebida com emoção, enaltece o papel da terceira idade na formação patriótica dos jovens. Chui Sai On e Ho Iat Seng garantem que o espírito da carta será estudado
“S
OMOS cidadãos da Nova China, da mesma geração. Vocês testemunharam a enorme mudança do país ao longo de décadas, experimentaram a realização bem-sucedida do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ em Macau e têm orgulho por serem chineses, algo que acredito ser o pensamento da maioria dos compatriotas de Macau”. Foi assim que Xi Jinping se dirigiu aos idosos do Centro de Lazer e Recreação dos Anciãos da União Geral das Associações dos Moradores de Macau, numa missiva recebida na véspera do dia do Culto dos Antepassados. Xi demonstrou esperança de que os idosos se sintam valorizados, contribuam para a sociedade e contem “histórias de antes e depois da transferência para encorajar os jovens de Macau a “amar a pátria e amar Macau” e a participarem no projecto da Grande Baía.
“A vossa carta faz-me me lembrar a minha visita a Macau há dez anos. Fiquei muito contente por saber que têm uma vida feliz depois de se terem aposentado”. Xi Jinping terminou a missiva, que foi entregue pelo director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, Fu Ziying, a desejar a todos os idosos uma longa, saudável e feliz vida, em véspera do dia do Culto dos Antepassados.
REACÇÃO EUFÓRICA
A carta de Xi Jinping foi recebida com fervor em Macau. Por um lado, os idosos a quem foi endereçada a correspondência disseram ao canal chinês da TDM
que não esperavam uma resposta tão pronta. “A última vez demorou dois meses para receber a resposta, mas esta vez só demorou alguns dias, recebemos a carta antes do festival Chong Yeong. Até fiquei com insónias de tanta emoção por receber a carta do Presidente”, comentou à TDM a Sr.ª Chan, membro da equipa do centro de apoio social. O Chefe do Executivo, Chui Sain On, salientou o facto de esta ser “a terceira resposta do Presidente Xi Jinping aos residentes de Macau”, relembrando a primeira dirigida, no ano passado, aos estabelecimentos do ensino superior de Macau e a segunda aos alunos
Xi demonstrou esperança de que os idosos contribuam para a sociedade e contem “histórias de antes e depois da transferência para encorajar os jovens de Macau a “amar a pátria e amar Macau.”
Terceira idade Deputado pede melhores cuidados
O deputado Lei Chan U defendeu a necessidade de o Governo melhorar diversos aspectos da vida da população idosa, nomeadamente as acessibilidades, a qualidade das habitações e os recursos humanos, ao nível dos curadores. Esta foi uma ideia deixada em declarações ao jornal Ou Mun, em que o também vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau elogiou o trabalho no Governo em relação aos membros da terceira idade. Segundo Chan, os idosos estão “totalmente seguros e adequadamente apoiados em termos de necessidades físicas, segurança física e mental”. Na mesma intervenção, o legislador deixou ainda um alerta para o envelhecimento da população, problema que se tem agravado nos últimos anos.
da Escola de Talentos Anexa à Escola Hou Kong. Chui garantiu que o Governo da RAEM “irá, com seriedade, aprender e transmitir o espírito inscrito nesta carta” e promover o papel dos idosos como “orientadores e instrutores na transmissão e reforço do espírito de amar a Pátria e amar Macau”. Também o Chefe do Executivo eleito, Ho Iat Seng, reagiu com entusiasmo às palavras de Xi Jinping. “Na carta, o Presidente reconheceu os serviços de acção social e de caridade e os trabalhos destinados aos idosos desenvolvidos em Macau, bem como, o sentimento de amar a Pátria e amar Macau e a implementação com sucesso do princípio de ‘Um País, Dois Sistemas’, referiu Ho Iat Seng em comunicado. O futuro governante de Macau apela também à população que estude o significado das palavras escritas por Xi Jinping. João Luz (com I.N.N.) info@hojemacau.com.mo
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CARMO CORREIA
Paradeiro incerto
IC precisa de mais de três meses para notificar proprietário de convento
O O bispo defendeu que a Diocese também não pretende “exagerar o impacto do incidente” e estar na origem de “mal-entendidos”
O
Bispo de Macau, Stephen Lee, recusou a existência de mal-estar na Diocese de Macau em relação à projecção de símbolos do Partido Comunista Chinês nas Ruínas de São Paulo, durante as celebrações do 70.º aniversário do estabelecimento da República Popular da China (RPC). Os esclarecimentos de Lee foram feitos no domingo, depois de a própria Diocese ter emitido um comunicado, na semana passada, a pedir que em futuras projecções nas Ruínas fosse tido em conta “o âmbito religioso” do monumento. Em declarações aos jornalistas, citadas pelo portal All About Macau, Lee explicou que a circular tinha sido o resultado das várias opiniões recolhidas pela Igreja em Macau, mas que não há “insatisfação” face o Governo. Por outro lado, o bispo defendeu que a Diocese também não pretende “exagerar o impacto do incidente” e estar na origem de “mal-entendidos”. No comunicado era defendido um maior diálogo entre o Governo e a Diocese de Macau no futuro, e Lee voltou a insistir nesse ponto. De acordo com o bispo, se houver mais comunicação haverá uma maior
CATOLICISMO BISPO STEPHEN LEE RECUSA MAL-ESTAR COM GOVERNO
Mou man tai
Apesar do comunicado da Diocese de Macau a pedir ao Executivo que tenha em conta o âmbito religioso nas futuras projecções de luzes nas Ruínas de São Paulo, o representante local da Igreja desmentiu haver qualquer insatisfação compreensão entre as diferentes pessoas e sectores da sociedade que irá acabar por aumentar o grau de felicidade e harmonia no território. Ainda no sentido de desvalorizar o acontecimento, Lee apontou que a situação mostra a multiculturalidade de Macau e que o único objectivo da projecção foi celebrar o aniversário da RPC, afastando qualquer intenção negativa por parte do Executivo.
ABERTURA TOTAL
O incidente foi igualmente comentado por Maria Helena de Senna Fernandes, directora da Direcção de Serviços de
Turismo (DST), entidade responsável pelo departamento que organizou a projecção de luzes relativa ao dia de celebração do 70.º aniversário da RPC. De acordo com a responsável, o Governo mantém uma postura de abertura para dialogar com as diferentes instituições do território e que tem toda a abertura para ouvir as diferentes opiniões. Por outro lado, Helena de Senna Fernandes defendeu o espectáculo, reconhecendo que foram projectados símbolos da República Popular da China nas Ruínas de São Paulo porque o objectivo era celebrar o estabelecimento do actual regime.
Semana Dourada DST anuncia que número de turistas cresceu 13 por cento Até às 17h de ontem, passaram pelos postos fronteiriços de Macau mais de 300 mil pessoas, naquele que foi o derradeiro dia da Semana Dourada, marcado pelo Culto dos Antepassados. Até ao final da tarde, pelas Portas do Cerco tinham passado mais de 212 mil pessoas. De acordo com a Direcção
dos Serviços de Turismo, houve um total de 125.840 de visitantes no sexto dia (domingo), o que representou um aumento de 11,4 por cento em termos anuais, dos quais 87.950 mil são oriundos do Continente, tendo havido um aumento de 4,3 por cento. Nos primeiros seis dias da Semana
Maria Helena de Senna Fernandes disse ainda que as Ruínas de São Paulo são um dos vários lugares onde têm sido feitas projecções de luz porque é um monumento muito popular. Porém, apontou que já houve outros lugares a receberem espectáculos do género e que no futuro mais lugares de projecção poderão ser identificados, inclusive na Taipa. Anteriormente, a DST já tinha reconhecido que tinha recebido seis queixas diferentes face à projecção de símbolos nacionais nas Ruínas de São Paulo.
Dourada houve um total de 906,078 mil turistas, o que corresponde a um aumento anual de 13 por cento, entre eles, 744,647 mil pessoas vieram do Interior da China, número que subiu 10,7 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo informação da Rádio de Macau.
João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
Instituto Cultural (IC) está com dificuldades para contactar o proprietário da Colina da Ilha Verde para lhe pedir que proceda às obras de restauro do convento, que ali se encontra. Os problemas foram reconhecidos por Leong Wai Man, vice-presidente do IC, no domingo, em declarações ao Jornal do Cidadão. Segundo a versão apresentada pela responsável, a primeira carta enviada ao proprietário, que segundo o Comissariado Contra a Corrupção é a empresa Companhia de Desenvolvimento Wui San Limitada, não chegou ao destinatário. O Governo vai agora enviar uma nova correspondência e caso esta falhe, vai noticiar a companhia através de anúncios publicados nos jornais da RAEM. Foi em Junho deste ano que o CCAC emitiu um comunicado em que deixou fortes críticas ao IC por nunca ter dado os passos necessários, à luz da Lei de Salvaguarda do Património Cultural, para obrigar o proprietário a conservar o convento neste terreno. “O CCAC considera que, tendo sido conferidos pela lei meios suficientes e efectivos, o IC deveria promover e até concretizar, de forma empenhada, as respectivas obras de restauro e assumir efectivamente o dever legal de salvaguarda do património cultural, não podendo deixar a Colina da Ilha Verde e os edifícios tal como o convento continuar a ficar em estado de caos e degradação”, escreveu, a 25 de Junho, o organismo liderado por André Cheong. Contudo, três meses depois o proprietário continua por notificar para a realização das obras, apesar do mediatismo da situação.
SEM ACUSAÇÃO
Em relação ao caso dos dois jovens que afixaram folhas A4 de apoio aos manifestantes de Hong Kong, o IC veio negar que já tivesse feito qualquer acusação. Os esclarecimentos vieram a público depois de ter sido noticiado que o IC estaria por trás de uma queixa pela prático do crime de dano, que é punido com uma pena de prisão que pode chegar aos três anos. “Relativamente à recente reportagem sobre a afixação de cartazes, o Instituto Cultural (IC) tomou conhecimento preliminar de que alguns materiais teriam sido afixados num edifício de interesse patrimonial ou dentro de uma zona de protecção, sendo que a propriedade privada”, foi contextualizado. “Pelo exposto, informa-se que até agora, o IC não denunciou ninguém relativamente ao incidente, de acordo com a Lei de Salvaguarda do Património Cultural, sendo que o IC irá cooperar com a investigação da PSP”, foi acrescentado. Finalmente, em relação às obras da futura biblioteca pública, no edifício do antigo tribunal, Leong Wai Man afirmou que o concurso público poderá ser feito até ao final do ano. J.S.F / J.N.C.
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T
R Ê S anos depois da entrada em vigor da lei da violência doméstica, que decretou a instituição do crime público, não há ainda condições para a revisão do diploma. Quem o diz é o Instituto de Acção Social (IAS) no relatório divulgado na passada sexta-feira, relativo aos três anos de entrada em vigor da lei. “A lei da violência doméstica entrou em vigor há apenas três anos, alguns casos ainda se encontram ou entram sucessivamente em processo judicial, motivo pelo qual seria impossível efectuar de forma global uma revisão objectiva e uma análise razoável sem acumular mais experiências práticas. Como conclusão, é de referir que, por enquanto, não estão reunidas condições necessárias para apresentar propostas destinadas à revisão da respectiva lei”, lê-se no documento. Os números mostram que apenas quatro casos de crime de violência doméstica foram julgados em primeira instância e um resolvido pela conciliação judicial. “É de referir que o número de conclusão dos processos judiciais não foi grande, razão pela qual é necessário acumular-se mais experiências práticas, de modo a efectuar uma avaliação adequada”, acrescenta o relatório. Em Fevereiro, o IAS chegou a reunir com personalidades que desde sempre lutaram pela constituição da violência doméstica como crime público, a fim de ponderar uma eventual revisão. As personalidades ouvidas, como Cecília Ho, presidente da Coligação Anti-Violência Doméstica, ou Sulu Sou, em representação da Associação Novo Macau, pediram uma clarificação do que constitui o crime, um maior apoio legal às vítimas, a criação de um fundo financeiro e a inclusão na lei de casais do mesmo sexo.
MENOS CASOS SUSPEITOS
Apesar do Governo não avançar, para já, com uma proposta de revisão da lei, o relatório faz um balanço positivo dos trabalhos de cooperação entre entidades governamentais e agentes policiais no combate à violência doméstica. “A implementação da lei da violência doméstica decorreu de forma satisfatória, tendo não só sido reforçados plenamente os mecanismos de cooperação e de comunicação interdepartamental, como também alcançados alguns resultados positivos no que diz respeito à prevenção e protecção contra a violência doméstica.” Dados revelados pelo sistema central de registo de casos de violência doméstica dão conta de uma “tendência de redução dos casos suspeitos, cujo número médio mensal passou de dez, no quarto
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA IAS DIZ QUE NÃO HÁ CONDIÇÕES PARA REVER A LEI
Um triénio positivo O Instituto de Acção Social divulgou na sexta-feira o relatório de balanço de três anos de implementação da lei da violência doméstica. Apesar de notar uma redução dos casos de risco, o Governo indica que não há ainda condições para rever o diploma, tendo em conta o baixo número de casos que chegaram à justiça trimestre de 2016, para oito em 2017, diminuindo posteriormente de seis em 2018 para quatro no primeiro semestre de 2019”, aponta o relatório. Para o IAS, os números demonstram “o reforço da preocupação social em relação à questão de violência doméstica”. O relatório dá conta da obtenção de “18 resultados mais significativos”, que se resumem em cinco acções, sendo uma delas
o estabelecimento de um “mecanismo regular de colaboração e de contacto”, com entidades como o Ministério Público e da Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça a realizarem reuniões periódicas, sem esquecer a participação da Polícia Judiciária e a Comissão de Apoio Judiciário. Foi também “optimizado o processo de tratamento de casos suspeitos de violência doméstica”,
“É de referir que o número de conclusão dos processos judiciais não foi grande, razão pela qual é necessário acumular-se mais experiências práticas, de modo a efectuar uma avaliação adequada.” RELATÓRIO DO IAS
além de ter sido “estabelecido um canal mais conveniente nos serviços de urgência dos hospitais públicos, com vista a reduzir a possibilidade de danos secundários sofridos pelas vítimas”.
PARA HOMENS
No que diz respeito ao alojamento disponibilizado às vítimas, o IAS “aumentou o número de vagas destinadas aos serviços de acolhimento para as mulheres”, tendo criado também “residências temporárias e centros de abrigo para homens, os quais podem disponibilizar um total de 100 lugares, por forma a proporcionar apoios suficientes para as pessoas com necessidades de abrigo”. Foi feito um reforço da equipa de serviços de emergência de 24
horas, além da criação de serviços de acompanhamento hospitalar às crianças vítimas de violência doméstica. O IAS instituiu também a prestação de serviços de aconselhamento voluntário aos violadores, entre outras medidas. Foram ainda “criados e reforçados o mecanismo de comunicação dos casos suspeitos de violência doméstica e o sistema central de registo de casos de violência doméstica”. Neste âmbito, até Junho deste ano, foram recebidos 3500 casos, “especialmente notificados pelas entidades policiais”. O IAS dá ainda conta de que “o número de serviços públicos e instituições de serviços sociais aderentes ao mecanismo de comunicação continua a aumentar, com a maioria dos casos relacionados com disputas ou conflitos familiares”. Em três anos foram realizadas cerca de 600 actividades de divulgação sobre a violência doméstica, tendo sido registada a participação de mais de 120 mil pessoas. Ao mesmo tempo, a fim de reforçar o conhecimento dos cidadãos sobre a violência doméstica, foram realizadas 121 acções de formação, bem como mais de 60 sessões de formação de conhecimentos profissionais e visitas de estudo, tendo estas acções contado com a participação de 13.942 cidadãos e quadros profissionais. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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8.10.2019 terça-feira
SSM ESCLARECIDO CASO DE ALEGADA ADMINISTRAÇÃO DE VACINA FORA DO PRAZO
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HEUNG Yun Sau, directora do Colégio Perpétuo Socorro Chan Sui Ki, disse ao Jornal do Cidadão que é correcto o uso de manuais escolares de Hong Kong por parte de escolas de Macau. O estabelecimento de ensino em causa é uma das duas escolas do território que utiliza estes livros. A responsável frisou que a escola não ensina todos os conteúdos do livro, mas apenas uma parte como referência. A directora disse ainda que a matéria ensinada versa muito sobre questões patrióticas, servindo para abordar assuntos relacionados com direitos e leis civis, para que os alunos possam desenvolver um pensamento crítico. “O material em causa é muito patriótico, fala sobre a Bandeira, o Hino Nacional e a história do país. Apenas um por cento dos conteúdos do livro aborda situações incomuns ou desagradáveis para a sociedade”, explicou. Por este motivo, a responsável considerou que os manuais utilizados são adequados e garantem o equilíbrio, ao abordarem todos os aspectos sociais, não contendo apenas elogios. “Um livro assim é uma boa referência”, frisou. Para Cheung Yung Sau, os professores têm o papel de ensinar os alunos a respeitar a lei e os direitos dos outros de forma “pacífica, racional e não violenta”, pelo que os livros de Hong Kong
ENSINO ESCOLA DEFENDE USO DE MATERIAIS DIDÁCTICOS DE HONG KONG
Lições do vizinho
Macau tem duas escolas que adoptam manuais escolares de Hong Kong, e o Colégio Perpétuo Socorro Chan Sui Ki é uma delas. A directora do estabelecimento de ensino, Cheung Yung Sau, explicou que a matéria ensinada nas salas de aula é muito virada para questões patrióticas, mas com garantias de equilíbrio, a fim de os alunos desenvolverem um pensamento crítico vão continuar a ser utilizados no estabelecimento de ensino.
SEM PRESSÕES
A directora garantiu ainda que não sentiu quaisquer pressões por parte da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) quanto ao uso destes materiais, e que sempre tem mantido uma estreita comu-
nicação com este organismo público. Em Setembro, aquando do arranque de um novo ano lectivo, Lou Pak Sang, director da DSEJ, garantiu que as escolas têm autonomia para decidir que manuais adoptam. “Nós queremos que os alunos cuidem da sua segurança e que evitem deslocar-se a locais perigosos”, disse, apelando a que os
A directora [do Colégio Perpétuo Socorro Chan Sui Ki] garantiu ainda que não sentiu quaisquer pressões por parte da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) quanto ao uso destes materiais, e que sempre tem mantido uma estreita comunicação com este organismo público
estudantes manifestem as suas opiniões “de forma pacífica”. No que diz respeito ao debate sobre a situação política de Hong Kong na sala de aula, Cheung Yung Sau referiu que “já foi explicado que o uso da violência é errado”. “Seja qual for a sua posição, todos têm o seu pensamento razoável. No entanto, no mundo não existe apenas uma linha de pensamento, há diversidade e isso permite que o mundo se desenvolva de forma abrangente”, apontou. A directora adiantou também que “é normal que os alunos tenham sua própria opinião”, sendo importante “respeitar as suas ideias sempre que seguem o princípio de paz, razão, e não violência”, concluiu. J.N.C.
S Serviços de Saúde de Macau (SSM) emitiram ontem um comunicado em que esclarecem um alegado caso de administração de uma vacina fora da validade. O esclarecimento foi feito após informações publicadas nas redes sociais “que relatam que um fiscal dos Serviços de Saúde aconselhou uma enfermeira de uma clínica, que estava a ser investigada por eventual suspeita de administrar uma vacina fora do prazo de validade a um bebé, a descartar as vacinas fora do prazo da validade naquele mesmo dia”. Os SSM negam ter efectuado uma acção de vistoria no dia do incidente, uma vez que os seus fiscais “apenas foram notificados do incidente após o encerramento da clínica (na noite do dia 24 de Setembro)”. “Após a notificação os Serviços de Saúde contactaram os familiares da vítima, que se encontrava no hospital, para entender a situação” e, no dia seguinte, “quando a clínica já estava aberta, os Serviços de Saúde enviaram o seu pessoal para proceder a uma fiscalização no local”, esclarecem. Aquando da visita “não foi encontrado nenhum armazenamento de vacinas durante a auditoria, mas foram instaurados um auto de notícia e um processo, de modo a acompanhar e apurar as responsabilidades legais do pessoal envolvido”, conclui o mesmo comunicado.
Acidente Mulher morre quando pintava sinalização
Uma mulher de 68 anos morreu ontem, depois de ter sido atropelado quando pintava a sinalização horizontal de um parque de estacionamento subterrâneo, na Alameda Dr. Carlos Assumpção. O caso foi relatado pelas autoridades e terá acontecido por volta das 13h00, quando um residente de 50 anos, croupier, circulava no estacionamento. Foi o condutor que deu o alerta para o acidente e chamou as autoridades, assim que percebeu que tinha atingido uma pessoa. Quando os bombeiros chegaram ao local a mulher já estava morta. O transporte ao Hospital Conde São Januário serviu apenas para confirmar o óbito.
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terça-feira 8.10.2019
JUSTIÇA INTERIOR ENTREGOU UM DOS CONDENADOS PELO RAPTO DE NETO VALENTE
Pecados de outros tempos Apesar de não haver um acordo de extradição com o Interior da China, as autoridades do outro lado da fronteira entregaram um dos homens condenado pelo rapto de Neto Valente, que se encontrava em fuga há 16 anos
A
S autoridades do Interior da China entregaram à Polícia Judiciária (PJ) um dos fugitivos que tinha sido condenado devido ao rapto do advogado Jorge Neto Valente, em 2001. A entrega foi feita na manhã de sábado e contou com a presença dos órgãos de comunicação social. O homem, de 49 anos, tinha sido condenado a 14 anos de prisão, mas conseguiu fugir para o Interior da China, onde terá estado ao longo dos anos na província de Cantão. Porém, em 2017, foi detido em Zhuhai por um crime relacionado com tráfico de droga e acabou condenado com uma pena de três anos. “Quando a polícia do Interior estava a investigar o
caso descobriu que se tratava de um fugitivo ligado a um crime grave em Macau. No entanto, ele teve de cumprir a pena primeiro no Interior, de acordo com a lei chinesa, e só depois pode ser entregue. A entrega foi feita, apesar de o caso de droga não ter ligações com o crime do rapto”, afirmou o porta-voz da PJ, de acordo com o Canal Macau. “Depois de cumprir a pena foi imediatamente transferido para Macau e foi-nos entregue para lidarmos com o caso. Após chegar à RAEM, o homem foi levado imediatamente para a prisão de Coloane para cumprir a pena”, foi acrescentado.
FUGA DE 16 ANOS
O homem que começou a cumprir no sábado em Co-
Também Mário Soares, ex-presidente e amigo pessoal de Neto Valente, se envolveu no caso e entrou em contacto com o então Chefe do Executivo, Edmund Ho. “Ele telefonou hoje a um amigo meu, para me dar o recado que estão a fazer tudo o que podem”, garantiu na altura, também à RTP.
“Quando a polícia do Interior estava a investigar o caso descobriu que se tratava de um fugitivo ligado a um crime grave em Macau. No entanto, ele teve de cumprir a pena primeiro no Interior.” PORTA-VOZ DA PJ
loane estava há 16 anos em fuga e tinha sido um dos oito condenados por ligações ao rapto do presidente da Associação dos Advogados de Macau. O rapto de Neto Valente foi altamente mediático e aconteceu em 2001, quando o advogado se dirigia a casa, após um dia de trabalho. A
situação levou as autoridades portuguesas a interceder junto do Governo da RAEM e a uma reacção pública de António Guterres, então primeiro-ministro, que assegurou não se tratar de um crime contra a comunidade portuguesa. “As garantias que nos são dadas por parte do Go-
verno de Macau são muito explícitas. Não há nenhuma razão que os leve a pensar que se trata de um caso político contra Portugal ou contra os portugueses. Todos os meios de investigação estão neste momento mobilizados”, disse, na altura, António Guterres à RTP.
Neto Valente acabaria por ser salvo por uma equipa do Grupo de Operações Especiais, que envolveu 15 agentes. Um dos raptores acabaria por morrer durante a operação, quando saltou da janela para fugir às autoridades.
GABINETE DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA TRANSACÇÕES SUSPEITAS DESCEM 32,2%
BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS MACAU CUMPRE REQUISITOS DO GRUPO ÁSIA-PACÍFICO
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ACAU registou, nos três primeiros trimestres deste ano, 2.089 participações de transacções suspeitas, menos 32,2 por cento comparativamente a igual período de 2018, indicou o Gabinete de Informação Financeira (GIF). De acordo com o site do GIF, que publicou a informação na sexta-feira, a diminuição deveu-se ao número de
transacções suspeitas comunicadas “pelo sector financeiro e por outras instituições”. A maioria das denúncias foi das operadoras de jogo (66,2 por cento), com 1.382 registos, e de instituições financeiras e companhias de seguros (30,6 por cento), com 649 participações, enquanto outras instituições comunicaram 67 (3,2 por cento), acrescentou o GIF.
Em 2018, Macau registou 3.716 participações de transacções suspeitas, mais 20,45 por cento do que em relação a 2017. Os sectores referenciados, como os casinos, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção igual ou superior a 500 mil patacas, no âmbito da lei de combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao turismo.
relatório do Grupo Ásia-Pacifíco (APG) contra branqueamento de capitais, no qual Macau passou a todas as recomendações de conformidade técnica em Agosto último, foi revisto e aprovado por todos os membros do grupo, foi anunciado. O documento, que fornece um resumo da luta contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo em Macau, tinha sido concluído em Agosto, depois de o território se ter tornado na primeira jurisdição mundial a obter notações positivas nas 40 recomendações da do FATF [Financial Action Task Force]. Já neste mês, o primeiro relatório de progresso efectuado (FUR) de Macau de 2019, já aprovado em plenário do APG, foi sujeito
João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
a um processo de revisão pelos membros do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI/FATF) para garantir a conformidade com os padrões internacionais, de acordo com um comunicado divulgado na sexta-feira pelo Gabinete de Informação Financeira (GIF) do território. O APG foi criado em 1997 e é um dos membros do FATF. As 41 regiões que integram o APG são obrigadas a cumprir rigorosamente os padrões definidos pelo FATF. Em 2001, Macau passou a ser um dos membros do APG. O GAFI, é também uma organização intergovernamental fundada em 1989 e visa combater a lavagem de dinheiro global e o financiamento do terrorismo.
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YONAMINE
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AIS de 20 obras de artistas do bloco lusófono estão à vista, desde sexta-feira, no Grand Lisboa, um dos casinos explorados pela Sociedade de Jogos de Macau (SJM). A mostra, intitulada “Autores Lusófonos na coleção da Fundação PLMJ” fecha a série de exposições que a SJM promoveu este ano no âmbito do festival de arte que o Governo lançou em conjunto com as operadoras de jogo, com um orçamento global de 3,8 milhões de euros, e que tem como nome “Art Macao”. Com curadoria de Paulo Corte-Real, a exposição apresenta obras do acervo da Fundação PLMJ, uma sociedade de advogados que desenvolve uma actividade regular no sector do coleccionismo e que tem colaborado com autores e artistas plásticos do mundo lusófono. O português Pedro Cabrita Reis, o artista de Macau Tang
KESTER
JOSÉ CHAMBEL
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Uma mostra “multidiscipli
GRAND LISBOA EXPOSIÇÃO DE ARTISTAS LUSÓFONOS INSERIDA NA INICIATIVA “ART MACAO”
Obras de artistas oriundos dos países lusófonos, pertencentes à colecção da Fundação PLMJ, estã Grand Lisboa, inserida na iniciativa “Art Macao”. Paulo Corte-Real, curador da mostra, fala de pre tidisciplinariedade que pretende revelar diferentes visões artísticas ao público de Macau Kuok Hou, o moçambicano Celestino Mudaulane e os angolanos Délio Jasse e Yonamine estão entre os 18 artistas representados na exposição. Ao HM, Paulo Corte-Real destaca o facto de estarmos perante uma mostra multidisciplinar, talvez a diferença principal face às restantes exposições que se vão fazendo pelo território com a lusofonia como tema. “Esta mostra consiste numa exposição de obras
de artistas representantes do universo lusófono que desenham uma geografia plural pertencente a uma geração que desenvolveu o seu trabalho num contexto de uma diáspora que se estende por cidades e lugares de todo o mundo”, explicou o curador. No Grand Lisboa podem ser vistas obras que têm como objectivo “mostrar ao público o trabalho que tem vindo a
ser desenvolvido nas Artes Visuais nos paises lusófonos, através de um olhar atento a novas propostas estéticas e às experiências que, no âmbito da Lusofonia, nos trazem novas leituras e uma perspectiva global sobre o nosso tempo e a sua correspondente criação artística”, acrescentou Paulo Corte-Real. Em representação de Portugal estão trabalhos de Pedro Cabrita Reis e Rita Ferreira.
Se um é um “peso pesado da arte contemporânea portuguesa”, outro pertence a uma geração mais recente. “A Rita Ferreira é uma artista em ascensão. Por outro lado, o trabalho do Pedro Cabrita Reis é já sobejamente reconhecido e foi dos primeiros ser adquiridos pela Fundação da PMLJ”, frisou. Paulo Corte-Real fala ainda da importância desta colecção. “Há muito que a
Fundação se dedica a coleccionar trabalhos da lusofonia, e achei que tinha uma boa hipótese de dar a conhecer ao público de Macau o trabalho que se está a desenvolver nestes países.” De Macau, destaque para a presença de fotografias de Rui Calçada Bastos e Tang Kuok Hou. Se o primeiro é um português que residiu em Macau durante muitos anos, o segundo é natural do
COLAGENS LIVRARIA PORTUGUESA RECEBE TRABALHOS DE BURRY BUERMANS
DST JAPÃO VENCE 3
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entidade D’As Entranhas Macau - Associação Cultural inaugura esta sexta-feira, por volta das 18h30, a exposição de colagens de Burry Buermans Retrospectiva, na Galeria de Arte da Livraria Portuguesa. A mostra apresenta uma selecção de 20 trabalhos do artista plástico belga, realizados com colagens,
a partir de livros antigos, revistas e jornais , cujos desenhos e imagens datam de 1874 até ao presente. A exposição estará patente até ao dia 31 de Outubro, tendo entrada livre. Nascido em 1982, Burry Buermans nasceu na Bélgica e vive em Portugal desde 2012. Autodidacta no domínio das
artes plásticas, desde cedo experimentou diferentes formas artísticas. Percorreu um longo caminho à procura do seu próprio meio de expressão, até que acidentalmente encontrou as colagens. Sem recurso ao Photoshop, a sua inspiração são as notícias diárias, o cinema e a sua própria
fantasia de assinatura belga, absurda e surreal. O seu lema de vida é “perseguir os seus sonhos, onde quer que eles o levem”, e assim recuperou velhos carros Trabant, começou uma companhia de teatro, produziu e decorou as suas próprias festas e andou pelo mundo à boleia. Já expôs na Bélgica e em Portugal.
Japão venceu o 30.º concurso internacional de fogo-de-artifício de Macau (CIFAM), tendo a China e a França ficado no segundo e terceiro lugares, respectivamente, anunciou a Direcção dos Serviços de Turismo (DST). As últimas apresentações do concurso, que começou a
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terça-feira 8.10.2019
PEDRO CABRITA REIS
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inar”
ão em exposição no esença de uma multerritório. Também aqui Paulo Corte-Real quis estabelecer um contraste. “Estamos perante duas visões distintas do espaço urbano”, rematou.
LUSOFONIA DESDE 2010
A Fundação PLMJ, ligada ao escritório de advogados com o mesmo nome, adquire há vários anos obras de arte portuguesa, tendo começado, em 2010, a investir em obras de artistas do espaço
da CPLP. Nesta mostra do hotel Grand Lisboa, constam também nomes como o de José Chambel, natural de São Tomé e Príncipe, Yonamine, de Angola e ainda Filipe Branquinho, oriundo de Moçambique. Na inauguração, que decorreu na sexta-feira, estiveram presentes, entre outros, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves, o cônsul honorário de Portugal em Hong Kong, Ambrose So, e a presidente do conselho de administração da SJM, Daisy Ho. Com o apoio das concessionárias e subconcessionárias de jogo, o festival internacional Art Macau teve início oficial em Junho. A organização prometeu transformar os ‘resorts’ integrados, consulados (entre os quais o de Portugal) e alguns espaços
“Há muito que a Fundação se dedica a coleccionar trabalhos da lusofonia, e achei que tinha uma boa hipótese de dar a conhecer ao público de Macau o trabalho que se está a desenvolver nestes países.” PAULO CORTE-REAL CURADOR
públicos em ‘galerias’ de arte, juntando mostras de arte de artistas ocidentais e chineses. Andreia Sofia Silva com Lusa andreia.silva@hojemacau.com.mo
30.º CONCURSO INTERNACIONAL DE FOGO-DE-ARTIFÍCIO 7 de Setembro, decorreram no sábado, junto à Torre de Macau, e couberam às companhias pirotécnicas do Japão e da Austrália. Este ano, a DST convidou pela primeira vez 12 equipas para seis noites de espectáculos pirotécnicos, que decorreram em 7, 13, 21 e 28
de Setembro e a 1 e a 5 de Outubro, sob o tema “Dupla Celebração em Macau”. As 12 equipas participantes na edição deste ano do CIFAM eram, por ordem de actuação, da Malásia, Filipinas, Portugal, Coreia do Sul, Reino Unido, Roménia, África do Sul, Canadá, Fran-
ça, China, Japão e Austrália. Para este ano, o orçamento do concurso, cuja primeira edição se realizou em 1989, foi superior a 24 milhões de patacas, que contemplou a realização de actividades complementares e de uma palestra ao longo dos seis dias de espectáculo.
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Aviso
Segunda Candidatura para Projectos de Investigação Científica Co-financiados pelos Ministério da Ciência e da Tecnologia da República Popular da China e Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau para 2019 Conforme com o “Acordo entre o Ministério da Ciência e da Tecnologia da República Popular da China e o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau, relativo ao Co-financiamento de Projectos de Investigação realizados através da Cooperação entre o Interior da China e Macau”. O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau (FDCT)e o Ministério da Ciência e da Tecnologia da República Popular da China (MOST) elaborar conjuntamente, o programa de cofinanciamento de projectos de investigação para o ano de 2019. I.
II.
III.
Projectos prioritários
A fim de atender às necessidades de desenvolvimento social e económico de Macau e de usufruir plenamente das vantagens dos recursos de investigação do Interior da China, serão prioritariamente apoiados projectos relacionados com a sociedade da China e de Macau, bem como projectos de cooperação com a indústria, sobretudo no âmbito da informática, biomedicina, conservação de energia e protecção do ambiente, novos materiais, aeronáutica e astronáutica, ciência marinha.
Método e requisitos de candidatura
i. A unidade de aplicação principal de Macau deve negociar com o parceiro do Interior da China o conteúdo, o plano e a divisão de tarefas da investigação, preenchendo o Plano de Candidatura, assinando o acordo ou memorando de cooperação e apresentando a candidatura ao FDCT no prazo indicado; ii. O valor máximo de apoio financeiro deste género de projectos é de 2.5 milhões de patacas, com o prazo máximo de 3 anos, sendo atribuído periodicamente. A entidade de Macau financiada deverá realizar o projecto de acordo com o disposto na Declaração de Aceitação do Financiamento assinada com o FDCT; iii. O investigador principal (PI) da parte de Macau apenas se pode encarregar, durante o mesmo período, de um só projecto apoiado, financiamento conjunto com MOST-FDCT or financiamento conjunto com FDCT-NSFC. Não ficam sujeitos a esta restrição os membros. iv. O parceiro do Interior da China deverá simultaneamente entregar ao MOST, podendo as instruções relativas ao formato da mesma ser consultadas em detalhe do MOST.
Processo de avaliação
i. Findo o prazo de candidatura, o FDCT e o MOST irão verificar em conjunto a lista dos projectos, sendo aceites como “Projectos FDCT-MOST” os projectos alistados simultaneamente pelo FDCT e pelo MOST. ii. O FDCT e o MOST procedem separadamente à avaliação dos projectos aceites, sendo o processo de avaliação do FDCT igual ao actual processo de avaliação dos projectos de investigação científica e tratado com prioridade. iii. Após a conclusão do processo de avaliação, o FDCT e o MOST seleccionam conjuntamente, a partir dos projectos aprovados, os projectos co-financiados, sendo a lista dos mesmos publicada simultaneamente por ambas as entidades.
IV.
Data do requerimento
V.
Forma de preenchimento e Apresentação dos elementos
8 de Outubro 2019 até 27 de Novembro de 2019. Faça login no sistema de aplicativos on-line para concluir o aplicativo. Endereço: Av. Do Infante D. Henrique, no 43-53A, Edf. “The Macau Square” 11° K, Macau. Telefone: 28788777; Fax: 28722680 Correio electrónico: saf@fdct.gov.mo O Presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia Ma Chi Ngai, Frederico 4 de Outubro de 2019
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terça-feira 8.10.2019
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primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o Presidente chinês, Xi Jinping, irão reunir-se na sexta-feira no sul da Índia para discutir as relações bilaterais e disputas territoriais, anunciaram ontem as autoridades indianas. A reunião entre os líderes das duas nações mais populosas do mundo será uma “cimeira informal”, seguindo o formato da reunião anterior, que aconteceu em Abril de 2018 na cidade de Wuhan, na China. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia não anunciou oficialmente a cimeira, mas anunciou a abertura da credenciação à imprensa. O encontro irá decorrer na cidade de Mamallapuram, no estado indiano de Tamil Nadu, conhecida pelos seus templos e esculturas em pedra, informou a imprensa indiana. Os dois líderes deverão visitar os pontos turísticos da cidade após a reunião. O estatuto de independência da Caxemira Indiana, revogado neste Verão por Nova Deli, e a sua divisão em dois territórios separados não agradaram ao líder chinês. A China, por seu lado, reivindica partes de Ladaque, um deserto dos Himalaias que faz fronteira com as regiões de Xinjiang e do Tibete, na parte oriental da Caxemira. “A Índia perseverou em corroer
CIMEIRA MODI E XI JINPING REÚNEM-SE SEXTA-FEIRA PARA DISCUTIR RELAÇÕES BILATERAIS
Um ponto de situação
A reunião entre os líderes das duas nações mais populosas do mundo será uma “cimeira informal”, seguindo o formato da reunião anterior, que aconteceu em Abril de 2018 na cidade de Wuhan, na China
a soberania territorial da China, alterando unilateralmente a sua lei doméstica”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, em Agosto. A Índia reivindica partes de Ladaque controladas pela China. Nova Deli também está preocupada com o projecto "Nova Rota da Seda", uma rede de infraestruturas
e rotas de transporte convergentes para a China, parte da qual atravessa a Caxemira paquistanesa, um território que a Índia vê como seu.
PARA A TROCA
O comércio representa igualmente um ponto de discórdia entre os dois países asiáticos. De acordo com a
imprensa local, a Índia levantou recentemente a questão do seu défice comercial de 50 mil milhões de euros e instou a China a dar às empresas indianas um melhor acesso ao seu mercado doméstico. O líder chinês Xi Jinping deverá convidar Narendra Modi a abrir o mercado indiano às redes 5G da
empresa de equipamentos para redes e telecomunicações Huawei, a multinacional tecnológica que está na lista negra do governo norte-americano por suspeita de espionagem em nome das autoridades chinesas.
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HONG KONG
GÁS LACRIMOGÉNEO CONTRA MANIFESTANTES COM MÁSCARAS
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polícia de Hong Kong lançou domingo gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes que desafiaram a proibição de protestar com máscaras. Dezenas de milhares de pessoas desfilaram domingo à tarde, apesar da chuva torrencial, em manifestações não autorizadas em três bairros de Hong Kong. Muitos dos manifestantes usavam máscaras e gritavam “usar máscara não é crime”, em protesto contra a proibição, em vigor desde sábado, decretada pela líder do Governo, Carrie Lam, para minimizar os protestos que já decorrem há quatro meses. A medida, anunciada na sexta-feira, deu origem a distúrbios e episódios de violência e de vandalismo, estes especialmente dirigidos contra a empresa que gere o metropolitano de
Hong Kong, MTR, acusada de estar ao lado da China. Nos protestos de domingo, que envolveram bastante mais pessoas que os de sábado, voltaram a registar-se incidentes e a polícia lançou granadas de gás lacrimogéneo contra manifestantes que tentavam erigir barricadas. Os críticos temem que o recurso à proibição das máscaras, uma lei promulgada pelos governantes colonialistas britânicos em 1922, possa abrir caminho para regulamentações mais draconianas por parte da Chefe do Executivo. Carrie Lam argumentou que o uso de máscaras permite que manifestantes radicais ocultem a sua identidade, e a sua a proibição é necessária para parar a violência que “semiparalisou” a cidade, não descartando novas medidas se a violência continuar. Um adolescente foi baleado na sexta-feira à noite na coxa por um polícia de folga, que disparou em legítima defesa, alimentando o medo de mais confrontos sangrentos.
DECLARAÇÃO DA UE SOBRE VIOLÊNCIA CONSIDERADA “CRIMINOSA”
A
embaixada chinesa em Paris classificou ontem a declaração da União Europeia a condenar a violência em Hong Kong como "criminosa e muito perigosa" e afirmou o "desprezo" de Pequim face à "hipocrisia" europeia. "Expressamos a nossa profunda insatisfação e profundo desprezo pela hipocrisia da declaração europeia", aponta a embaixada da China, através da sua conta oficial na rede social Twitter. A diplomacia chinesa considerou ainda que a União Europeia "glorificou publicamente os abusos dos manifestantes e desrespeitou flagrantemente as acções de autodefesa adotadas pelos polícias de Hong Kong para defenderem as suas vidas contra os agressores". A mensagem refere-se a uma declaração do Gabinete de Federica Mogherini, a Alta Representante da União Europeia para a
Política Externa e Segurança, que considera que o diálogo é o "único caminho" para solucionar a crise na região semiautónoma chinesa. "A escalada da violência e a contínua turbulência em Hong Kong, incluindo o uso de munições reais, que provocaram ferimentos críticos em pelo menos uma pessoa, são muito perturbantes", lê-se na nota difundida na semana passada pela UE. "A União Europeia mantém a sua posição de que a contenção, a redução da escalada e o diálogo constituem o único caminho.Actualmente, são cada vez mais necessários que nunca, e garantem a única base para uma solução duradoura". O comunicado sublinha que as liberdades fundamentais, incluindo o direito de reunião dos cidadãos de Hong Kong, devem ser mantidas, e assegurada a possibilidade de promoveram manifestações pacíficas. "Estes direitos devem ser exercidos pacificamente. Qualquer violência é inaceitável, e qualquer acção das autoridades responsáveis pela segurança deve manter-se de forma estritamente proporcional", pode ler-se no texto.
COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público, de acordo com o n.º 1 do ponto 6.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, elaborados nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, do artigo 13.º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1.º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nºs 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Web-site”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista definitiva dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilista Registado e Técnico de Contas no ano de 2019, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Mais se informa que a prestação de provas foi pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude reconhecida como um dos itens subsidiáveis no âmbito do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo”. Os candidatos poderão pois optar por liquidar as taxas devidas deduzindo o respectivo montante da sua conta do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo” (adverte-se, no entanto, para o facto de que apenas se aceitará o pagamento integral do valor em causa). Em caso de dúvidas, agradecemos que contacte a CRAC, durante as horas de expediente, através dos números de telefone 85995344 ou 85995342. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 25 de Setembro de 2019 O Presidente da CRAC Iong Kong Leong
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Que me deixem livre de compromissos afectivos
Das coisas começadas
SIMON NORFOLK
Amélia Vieira
8.10.2019 terça-feira
A matéria de que somos feitos é um defeito. A matéria é um animal que mal sustenta os seus cascos. Poder do Demo quando bem empregue, bom, ao lado das coisas que são sombras. Quando a torturamos mais do que pode suportar somos possuídos por trevas sem fim. O Demo em nós é por vezes o único amigo quando bem compreendido. Tenhamos também por ele compaixão, é que neste chão um secreto amor lhe foi também preciso. O nada disto entender é ser esquecido. Pois que Demo e esta matéria já não são os mesmos, somos então um novo crescendo. A anima que aguenta e levanta a forma pesada, também muda, e volta sem nada. Há simulacros ditando os nortes vários mas a vitória é virá-los. Não são demónios, são anjos, caídos na robustez, nós vemo-los por vezes passar sem lhes descobrirmos a tez. Podem ser belos também - Lúcifer em vaga e lava- e podem ser feros sem ver onde projectam a alma. Nós já fomos os vulcanos das terras de todos os amos, e tentamos, tentamos, esconjurar esses danos. Toda a matéria flutua no vazo híbrido das coisas, e coisa sem forma é sentida como o marulhar dos tormentos. Se com eles se fizerem os assentos, e com os marulhares os incêndios, perderemos de vez o entendimento de quem nos fere no tempo. Deus emigrou e está no alto do planisfério, por vezes sentimos que dorme do lado de lá do Universo, e que em poema nos dá o luto para cobrirmos as lendas.
Mata um samurai, e sai. Depois vem peregrino, e Demo e Deus vão sozinhos na construção dos acasos. Redobram de forças quando as nossas já falecem, e se lhe sentirmos as sebes transportamos nós as vestes, que ventos, degelos, e fogo, terão um dia o encontro dos encantos que nos despem. Lúcifer, o que fere e cura, que luz e fera em si mesmo se procura; vem! Hoje de negro cobalto, negros de luz e olfacto, vem a este teu Fado. Somos o vaguear de uma coluna de fogo, somos milhões e não parece haver de novo o novo que será o seu maior evento. Cobrindo então de cinzento a Terra inteira vestido de vento, vem do lado de todo o firmamento. Que se perde na noite longa da Fogueira. Depois disto tudo que vislumbrámos nas acácias do Verão, os solos viram-se então... Já são tectos glaciares e vozes vêm dos mares- náufragos da terra perdida- pois vós ireis avançar:
O tempo já não está. Feridos de tempo e sem Deus, a vida prosseguirá, não encontrando seu Demo que nos fizera companhia nos tempos da longa vigília
Quem nos segue está escondido! Manchas e sulfatos de cobre despem as ilhas do meio, e sem medo marinheiro, rema para lá. Os dias vão ficar na nuvem e só haverá sol para além da bruma... Dias sem sol e sons de fora fazem no painel da Hora um recanto de silêncio. A bolha de cristal de fios de tule e vagas imperiosas vagueia entre todas as terras povoadas. Com receios de auroras e já sem Demo nem Deus, encobertos p´la. fuligem, as nossas vidas que passam são a suspeita de que ficámos sós na parte sagrada que não nos dirá mais nada. Vamos percorrer esta estrada, para quem nos encontrar seremos um quase nada, materializados nas Sombras que se arquearam em dobras... O nosso tempo vai-se embora! O tempo já não está. Feridos de tempo e sem Deus, a vida prosseguirá, não encontrando seu Demo que nos fizera companhia nos tempos da longa vigília. Derrete Inferno de esmalte, contorce-te em tua sina de fera gleba sem guia, e senta-te a contar as estrelas. Não haverá grutas, nem saudades de fazê-las. Há lilases, flores que irás refloresce-las para os olhos nascerem nas órbitas do velho iceberg que no olho da cratera será o ciclope que te vela. Teremos saudades de ti, um dia que a saudade venha, mas de ti não quero que tenhas a vida que aqui nasceu. Voamos, somos mais anjos, soltos somos melhorados, e todos seremos enfim, o maior acto sonhado de quem ainda segue e ri na vaga definição deste ocaso. São satélites de vida todos guardados nesses dias, podem cair, desdobrar-se, tudo a sonda sondará, e quem já foi encontrado pode sair por esse lado de lá. Quem não for encontrado é porque não estava marcado, marcas que o Demo nos dá. Corre outra essência, rios mais fundos, pois que vai e reencontra, são estes os desígnios dos mundos. Está prostrada a matéria e as fomes foram vencidas, e há alimento que sobra desses manjares da antiga vida. Comem-se os elementos brandamente numa outra Era- Estação... quando o tempo voltar e a voz recomeçar, talvez a mesma do Verbo Inaugural, que carne e verbo foram semente de todas as formas do mal. Quando estivermos distantes mesmo assim teremos lembranças, das núpcias que fizeram as belas alianças e alcançaram o dom da forma perfeita, que um Homem, mesmo derrotado, é saudade que nunca será desfeita. Está vento, calor, derretimento, fogo, e muito lento o vapor. Está um sabre junto a esta encruzilhada que guia os passos proscritos e todas as naturezas mortas das mesas dos aflitos. O necrófilo emanado do seu estado vegetativo engoliu as coisas, está exangue. É tempo de partir de forma conseguida, que a fome não se sente, e o quebrar das coisas enfeita os graus da consciência. A eternidade não pode mais com o ciclo que sucumbe e tenta virar a noção do espaço que ocupa, nós já não somos iguais, e onde não há igualdade são duros os sinais. Acabo aqui. Vim para ficar e desobedeci. Também aqui, não quero estar. Duro trabalho foi este do retorno ao lar. E um Ámen se escutou na Galáxia muito para além dos sois e seus planetas habitados. Tudo se transfigurou. E na senda, fomos mudados.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
terça-feira 8.10.2019
MUSICANDO, CARYBÉ
Contos para normais Paulo José Miranda
A
discussão estava acesa no Gaivota, botequim junto à praia do Campeche. Joel, guitarrista e vocalista de várias bandas na ilha de Florianópolis, teimava que “País Tropical” de Jorge Ben Jor era provavelmente o expoente da música brasileira. Aliás, dizia, toda a obra de Jorge Ben Jor é o Brasil traduzido em música. Nem Cartola, nem Adoniran Barbosa, nem Milton Nascimento, nem João Gilberto chegaram a esse nível, o de serem o Brasil. Virou a “jola”, pegou no violão e começou a tocar a maravilhosa entrada de “Chove Chuva”, continuando depois a cantar os primeiros versos da canção: “Chove Chuva / Chove sem parar” e foi por ali fora até “Por favor chuva ruim não molhe mais meu amor assim”. Fez uma pausa, pediu mais uma “jola” ao Caio e começou a tocar e a cantar “Mais que Nada”. À volta da mesa todos aplaudiram. Carlinhos, outro músico da ilha, que tocava vários instrumentos, teimava que Caetano era o músico mais brasileiro, porque a música do Brasil é feita de todo o estrangeiro, a música brasileira não é só a herança negra. Para ele, o disco “Cores, Nomes” era a pedra preciosa da música brasileira. Não era só a composição, a melodia, as letras, eram
A discussão política também os arranjos, onde o Brasil se encontra com o resto do mundo. “E nas letras, não precisamos de dizer Brasil, tropical, negro, para sermos brasileiros. A primeira música do disco é uma bomba total, mas a segunda – “Ele Me Deu Um Beijo Na Boca” – é um hino!” E pegou no violão do Joel e começou a tocar e a cantar, com a ajuda de todos nas precursões, com o que havia à mão. A meio da música Carlinhos cantava “Política é o fim // E a crítica que não toque na poesia / O Time Magazine quer dizer que os Rolling Stones / Já não cabem no mundo do Time Magazine / Mas eu digo (ele disse) / Que o que já não cabe é o Time Magazine / No mundo dos Rolling Stones / Forever Rockin’ / And Rolling // Por que forjar desprezo pelos vivos / Fomentar desejos reactivos?” Então parou
e disse: “Estes versos valem uma literatura, por que forjar desprezo pelos vivos, fomentar desejos reactivos? Isto é política séria. E só por isso, tenho de dizer que a nossa discussão só faz sentido por estarmos a elogiar ambos os músicos, independentemente das nossas preferências. A grande música não tem segundos lugares, só primeiros. Jorge Ben Jor, Caetano, Cartola, Adoniran Barbosa são todos primeiros, independentemente da maior ou menor brasilidade.” Estavam todos de acordo, evidentemente. Era quase tudo músicos, naquele boteco. Joel, que enrolava um baseado, disse: “Cara tu tocou na ferida, Caetano é muito político, a começar pelo ‘ele me deu um beijo na boca’ e o Jorge Ben Jor é mais religioso, mais total.” Carlinhos não acrescentou nada, partilhou o ba-
No final da música, e do baseado, deram ambos um gole na “Antarctica” e ficaram com aquele ar de quem entende que no Brasil não há música que não seja política, e que as preferências pessoais pelos músicos têm tanto do modo de pensar a cidade e o mundo
seado com Joel e ficaram a ouvir a música de Milton Nascimento, “Maria, Maria”, que Caio pôs a passar, como que a dizer que na música há mais marés que marinheiros. E Milton cantava: “Maria, Maria / É o som, é a cor, é o suor / É a dose mais forte e lenta / De uma gente que ri / Quando deve chorar / E não vive, apenas aguenta”. No final da música, e do baseado, deram ambos um gole na “Antarctica” e ficaram com aquele ar de quem entende que no Brasil não há música que não seja política, e que as preferências pessoais pelos músicos têm tanto do modo de pensar a cidade e o mundo. Olharam à volta, vendo a galera cantando e dançando com a música do Milton, e perguntaram, quem é que naquele boteco gostava mesmo de bossa nova? Provavelmente ninguém, ainda que pudessem gostar da melodia e respeitar a harmonia. Hoje, Carlinhos continua a ir ao boteco Gaivota e junto com Joel e Caio escutam, entristecidos, Chico Buarque cantar “Cálice”: “Pai, afasta de mim esse cálice / De vinho tinto de sangue”. Esta canção da década de 70 parece tão miseravelmente actual que acaba com a discussão sobre quem é mais brasileiro, se Jorge Ben Jor ou se Caetano Veloso.
16 desporto
8.10.2019 terça-feira
A
situação estava a ser monitorizada há mais de dois meses, mas depois de consultadas todas as partes envolvidas, os organizadores do “Hong Kong ePrix”, a única prova de automobilismo da região vizinha, decidiram cancelar o evento programado para o dia 3 de Março do próximo ano. A decisão foi confirmada na passada sexta-feira pelo Conselho Mundial da FIA, apesar do órgão máximo do desporto motorizado não justificar as razões da saída de Hong Kong do calendário do Campeonato FIA de Fórmula E de 2019/2020. Contudo, ao South China Morning Post, um dos pilares da organização da prova justificou esta decisão pelo receio da incapacidade de colocar o evento de pé devido aos contínuos protestos pró-democracia que têm abalado Hong Kong. “Montar o circuito ia custar muito dinheiro. Se alguma coisa acontecesse no dia do evento por causa da agitação social, se não pudesse começar, seria uma enorme perda”, disse Lawrence Yu, o presidente da Associação Automóvel de Hong Kong (HKAA) e principal mentor deste projecto desde o seu início. Esta seria a quarta edição do evento e a
“Montar o circuito ia custar muito dinheiro. Se alguma coisa acontecesse no dia do evento por causa da agitação social, se não pudesse começar, seria uma enorme perda.”
AUTOMOBILISMO HONG KONG DEIXA CAIR PROVA DE FÓRMULA E
Mais uma vítima
LAWRENCE YU PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO AUTOMÓVEL DE HONG KONG
organização já tinha ultrapassado grandes obstáculos, como o financiamento de um evento que deu prejuízos nas três edições realizadas e o alargamento do circuito desenhado pelo arquitecto português Rodrigo Nunes. Yu afirmou PUB
Tribunal Judicial de Base Juízo Criminal Extracto da sentença 2.º Juízo Criminal N.º do Processo: CR2-19-0088-PCC Elementos de identificação do arguido NG CHON WANG (伍俊宏0124-0193-1347), do sexo masculino, nascido em Macau, filho de 伍XX e de 范XX, casado, desempregado, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Macau n.º 515XXXX(X). Elemento da infracção Após julgamento público, o Tribunal apurou os factos seguintes: 1) No dia 18 de Fevereiro de 2018, cerca das 22H20, o Sr. 高, a sua mulher, Sra. 劉, e três filhos menores, fizeram sinal para um táxi parar, de cor preta de matrícula M-32-94, conduzido pelo arguido NG CHON WANG, à porta do Tam Kah Shark´s Fin (譚家魚翅), sito na Estrada Governador Nobre de Carvalho, Taipa1, a fim de se deslocar ao Hotel Wynn Palace, sito na Avenida da Nave Desportiva, Taipa. 2) Depois de entrar no carro, foi dito pelo arguido ao Sr. 高que as tarifas de viagem custariam MOP$80 e que não seriam cobradas de acordo com o taxímetro; Na verdade, se as tarifas fossem calculadas de acordo com o taxímetro, o preço da viagem seria de MOP$60 a MOP$70. O Sr. 高não concordou, o que gerou uma discussão entre as partes, tendo o Sr. 高chamado a polícia. 3) Sendo o arguido um motorista profissional, sabia muito bem que lhe competia cobrar o preço de serviço conforme a tarifa legal definida na tabela, 向他人提 供費2 , mas não o fez, prestando o serviço de transporte de passageiros superiores aos permitidos pelo regime legal, o que não ocorreu apenas por razões alheias à sua vontade. 4) O arguido agiu de forma livre, voluntária e consciente ao praticar dolosamente as supracitadas condutas, punido por lei. Decisão e sanções aplicadas: 1. O arguido NG CHON WANG praticou, como autor material, com dolo e na forma não consumada: o crime de “Preço ilícito” (tentativa), p. e p. pela alínea a) do n.º 1 do artigo 23.º do Regime das infracções contra a saúde pública e contra a economia aprovado pela Lei n.º 6/96/M, conjugado com o artigo 4.º do mesmo regime e o artigo 1.º da Portaria n.º 214/98/M, alterada pela Ordem Executiva n.º 79/2017, e é condenado a uma pena de 120 dias de multa, à taxa diária de MOP$80, o que perfaz um total de MOP$9,600. Se a multa não for paga, ou não é autorizada a substituição desta pena de multa por trabalho, é condenado alternativamente a uma pena de prisão de 80 dias. Com pena acessória, é proibido ao arguido o exercício da actividade de taxista por um período de 4 meses (Para o efeito, foi aplicada a cominação prevista no n.º 3 do artigo 10.º da Lei n.º 6/96/M). 2. É condenado o arguido ao pagamento de MOP$500, para proteger as vítimas de crimes violentos (quantia prevista no n.º 2 do artigo 24.º da Lei n.º 6/98/M, pulicado em 17 de Agosto de 1998). 3. É condenado o arguido ao pagamento de 8 UC de taxa de justiça (de acordo com a alínea a) do n.º 1 do artigo 71.º do “Regime das Custas dos Tribunais), bem como todos os encargos do processo e honorários a favor do respectivo defensor nomeado. Região Administrativa Especial de Macau, 29 de Maio de 2019
também ao diário da ex-colónia britânica que organização da Fórmula E e o governo local esperam que a prova, que curiosamente é a preferida do piloto luso António Félix da Costa, regresse em 2021, dado o contributo positivo
do evento para o campeonato de carros eléctricos.
RUGBY SEVENS MANTÉM-SE FIRME
O cancelamento da etapa da Fórmula E vem no seguimento da anulação de outros grandes eventos desportivos
em Hong Kong. A última etapa do PGA Tour Series-China deveria ser disputada entre os dias 17 e 20 de Outubro na antiga colónia britânica, em vez disso será disputado de 10 a 13 de Outubro em Macau. O torneio do circuito feminino de ténis em Hong Kong, programado para este mês também foi adiado indefinidamente, enquanto que os jogos da liga de futebol deste fim-de-semana foram suspensos. Por enquanto, o mais famoso evento desportivo do território, o Hong Kong Rugby Sevens, mantém-se firme e os organizadores deixaram já claro que não têm planos para que este não se realize no fim-de-semana de 4 e 5 de Abril do próximo ano. Sérgio Fonseca
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Spa-Francorchamps não perdoa Participação de Macau na “TCR Spa 500” aquém das expectativas
A
passagem da equipa “Macau PS Racing” pela primeira edição da “TCR Spa 500” – uma prova de resistência de 500 voltas ao circuito belga de Spa-Francorchamps – não terminou como o quinteto de pilotos do território certamente desejaria. Filipe Souza, Ryan Wong, Kelvin Wong, Ng Kin Veng e Kam San Lam foram obrigados a abandonar devido
a um acidente quando tinham cumprido apenas 85 voltas ao mítico traçado plantado na Floresta das Ardenas. O Audi RS3 LMS DSG com as cores da RAEM até teve um princípio de corrida muito bom, com Souza a realizar o primeiro turno de condução, conseguindo “subir várias posições”. Numa corrida que contou com dezassete concorrentes, um número que
ficou aquém das expectativas do organizador, o Audi nº853 já rodava na décima primeira posição ao início da noite fria, em que a chuva já se fazia sentir, quando se deu o pior. Na zona de Blanchimont, a segunda curva à esquerda rapidíssima do circuito belga de Fórmula 1, Kelvin Wong perdeu o controlo do carro germânico e bateu nas barreiras de protecção do circuito.
O veterano piloto de Macau não se magoou, mas o carro, alugado a uma equipa local, ficou demasiado danificado para continuar apesar dos esforços dos mecânicos para o recuperarem. Apesar da natural desilusão com o final prematuro, Souza admitiu ao HM que “gostou muito da experiência”, numa pista que é das mais exigentes do mundo, realçando que “aprendemos muito durante estes dias”, não fechando a porta a um possível regresso. Também presente na prova belga esteve Kevin Tse, também ele um piloto que defende as cores de Macau, que fazendo equipa com três pilotos de Hong Kong, teve a mesma sorte do quinteto da “Macau PS Racing”. O Audi RS3 LMS DSG de Tse abandonou a três horas do fim devido a um acidente protagonizado por um companheiro de equipa, curiosamente também na zona de Blanchimont. A prova foi ganha pelo Cupra TCR onde estavam Tom Coronel e Pepe Oriola. S.F.
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terça-feira 8.10.2019
8 0 3 6 9 4 5 1 7 2 4 7 9 0 5 2 1 8 3 6 2 1 8 7 6 3 9 5 4 0 5 6 1 4 0 8 7 3 2 9 TE 3 M5P O2 9M U 7 I T1 O0 N 4 U6B L8A D O 6 4 7 2 3 0 8 9 1 5 7 9 5 8 4 6 3 2 0 1 8 0 3FAZER 2 5 6 7 9 4 O1 QUE 9 2 6SEMANA 1 8 7 4 0 5 3 ESTA 0 3 4 5 1 9 2 6 8 7
?
Diariamente EXPOSIÇÃO 33 | “LÍNGUA FRANCA – 2ª EXPOSIÇÃO ANUAL DE
ARTES ENTRE A CHINA E OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA” 8 2Verdes 9 e Antigo 3 1Estábulo 7 Municipal 4 5 de0Gado6Bovino Vivendas Até0 8 de Dezembro 5 6 8 3 4 7 1 2 9
1 4 | EXPOSIÇÃO 5 6 DE2PINTURA 8 9LUSÓFONA 0 3 EXPOSIÇÃO Clube Militar | 26 de Outubro
7 7 9 4 1 6 0 3 2 5 8 2 3 | “QUIETUDE 7 0 E5CLARIDADE: 9 6 4 8 1 EXPOSIÇÃO OBRAS DE CHEN ZHIFO DA COLECÇÃO 5 6 8 4 9 2 0 7 1 3 DO MUSEU DE NANJING” MAM 6| Até017 /11 3 7 8 1 5 9 4 2 3 7 1 2 4 5 8 6 9 0 EXPOSIÇÃO | “HOT FLOWS - PEARL RIVER DELTA ARTS RETROSPECTIVE” 4 1 0 9 7 3 2 8 6 5 Armazém do Boi | Até 13 /10 9 8 2 5 0 6 1 3 7 4 1 0 9 2 4 5 6 3 8 7
4 5 7 8 6 3 1 2 9 0
3 8 0 1 9 7 2 6 5 4
Cineteatro
6 7 2 5 3 4 8 9 0 1
7 3 5 6 8 0 4 1 2 9
9 2 4 0 1 8 3 5 7 6
2 1 6 4 7 9 0 8 3 5
5 9 8 3 0 6 7 4 1 2
0 4 3 9 2 1 5 7 6 8
9 3 4 8 M I5N 6 7 2 1 0
0 6 2 1 5 8 7 2 6 244 1 7 9 0 4 3 3 5 8 9
7 4 8 9 7 5 3 6 9 1 0 3 0M1A X2 5 8 0 2 3 4 8 5 6 4 9 7 6 2 1
2 3 0 4 1 2 4 5 3 908 3 9 6 1 7 0 8 6 5 7
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8 6 1 7 5 2 9 0 4 3
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7 5 0 9 1 6 3 2 4 8
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 36
JOKER
Um filme de: Todd Phillips Com: Joaquin Phoenix, Robert de Niro, Zazie Beetz 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Daniel Lee Com: Jing Wu, Ziyi Zhang, Yi Zhang, Boran Jing, Ge Hu 16.15, 21.00
SALA 2
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EURO
8.88
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5 4 8 2 9 0 6 3 1 7
1 6 2 3 5 7 9 0 8 4
4 2 9 8 7 1 5 6 3 0
ABOMINABLE [C]
SALA 3
FALANDO EM CANTONÊS LEGENDADO EM INGLÊS Um filme de: Jill Culton 14.30, 16.30, 19.15
Um filme de: James Gray Com: Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Ruth Negga 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
AD ASTRA [B]
www. hojemacau. com.mo
9 8 3 1 0 4 2 5 7 6
6 7 5 0 4 3 8 9 2 1
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YUAN
1.13
VIDA DE CÃO
UMA EXPLICAÇÃO
6 0 7 8 3 4 2 5 9 1 2 3 9 7 6 1 5 4 8 0 1 4 3 2 0 5 9 8 7 6 5 8 4 1 9 7 6 0 2 3 0 9 6 5 8 2 7 1 3 4 7 1 2 0 4 8 3 6 5 9 9 6 5 3 7 0 4 2 1 8 3 2 8 4 1 9 0 7 6 5 4 7 1 9 5 6 8 3 0 2 8MANIFESTAÇÃO 5 0 6 2 3 PROIBIDA 1 9 4 7
O localista de Hong Kong Edward Leung conseguiu 66 mil votos numa eleição intercalar e nas legislativas de 2016 foi proibido de participar. A lista que criou acabaria por eleger dois deputados, que foram expulsos do LegCo. Neste documentário, Nora Lam revela as frustrações de Edward Leong, na voz do próprio, o sentimento de injustiça por ter sido impedido de ser eleito e ainda parte do processo que acabou com a sua condenação a seis anos de prisão, por agressão a um polícia em Mong Kok. Um relato pesado, sincero e, por vezes, egoísta sem qualquer pretensão de heroísmo por parte do criador do slogan “Liberate Hong Kong, Revolution of our Time”. João Santos Filipe
JOKER [C]
65-95%
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UM FILME HOJE
THE CLIMBERS [B]
(f)utilidades 17
AO Tribunal Conselheira de Última das Comunidades Instância fez Portuguesas, uma interpretação Rita Santos, históricafoidasurLei preendida de Reuniãopelos e Manifestação amigos com e considerou um jantar ilegal de aniversário uma acçãoeque partilhou visava oa momento Polícia de na Hong suaKong. conta A leitura de wechat, dos juízes na quarta-feira Sam Hou Faià enoite. Song Na Manocasião Lei foi respeitada esteve o colega e no diadas agendado lutas associativas, para a manifestação o deputado apenas José Pereira Coutinho, compareceram noelocal o ex-secretário cerca de oito depolícias Estado das fardados Comunidades e um número Portuguesas, semelhante Josédodeque Almeida aparentavam Cesário. ser agentes à paisana.
C I N E M A
SALA 1
1 5 8 6 0 7 6 9 H7U3M 4 2 5 8 9 1 2 0 3 4
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9 3 6 5 8 6 4 5 7 8 9 2 6 3 1 0 7 5 8 7 1 2 9 3 7 9 3 2 8 4 2 5 0 9 6 7 1 8 2
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PROBLEMA 37
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3 1 7 0 6 0 2 3 7 0 1 5 3 8 0 7 1 2
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5 7
1 0 3 9
1 1
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3 2 8 0 0 9 3 7
S U D O K U
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É irónico que numa sociedade tão pronta para se afirmar católica, como acontece em Macau e com muitos macaenses, que haja incompreensão face ao mal-estar criado pela projecção de imagem nas Ruínas de São Paulo. Para um católico não existe nada acima de Deus e é isso que se chama fé. Para um verdadeiro católico, que percebe o que vai fazer à Igreja e à missa, Deus é a referência máxima e está acima de comparações ou banalizações. Neste sentido, a questão dos símbolos chineses é altamente sensível, por um lado, porque historicamente o regime não gosta do catolicismo, assim como das outras religiões, e, por outro, porque a projecção banaliza e coloca em segundo plano um lugar altamente simbólico e que é/era de culto. Se os católicos não aceitam que a religião fique em segundo 38 este ponto chega para perceber plano, a razão de se sentirem ofendidos. Mas 8 há5dificuldades 0 se mesmo assim6ainda em perceber o mal-estar 1 3 da6Igreja, 2 torno as coisas mais fáceis. Imaginem que em 2de projectarem 4 símbolos nacionais 8 vez nas Ruínas de São Paulo que utilizavam 0 2 1 4 3 7 o Gabinete de Ligação e o símbolo da 5 para projectarem 2 imagens 9 católiRPC cas e imagens de Deus. As imagens de 6 9 2 Deus não são ofensivas, como não são os símbolos2nacionais, 9 4 mas 3 neste 5 caso 6 aposto que aqueles que agora recusam 0 8 dos católicos 4 seriam compreender o lado os primeiros a sentirem-se 3 5 8ofendidos... 9 Dito isto, não acredito que o Governo 5 intenção 0 1 de6ofender tenha tido a mínima os crentes. João Santos Filipe
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LOST IN THE FUMES | NORA LAM (2017)
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4 3 6 7 8 5 0 2 0 9 7 3 1 1 9 8 4 5 8 0 2 6 3 5 6 3 9 8 2 0 9 7 6 1 3 0 2 6 0
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0 9 8 4 3 5 8 4 7 2 3 8 6 5 7 4 7 3 4 5 1 8 0 6 4 8 4 9 2 7 2 3 6 5 0 2 9 0 1 4 2 9 1 4 5 0 2 7 8 5 0 3 1 8 7 3 1 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Juana Ng Cen; Colaboradores 0 António 4 2Falcão; 8 Gisela 6 Casimiro; 1 7Gonçalo 5 Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; 1 José Drummond; 5 José 4 Navarro de Andrade; Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 6 7 4 6 1 0 Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo1 Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 4 7 6 0 2 2 0 6 1 de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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18 opinião
8.10.2019 terça-feira
O sucesso “It is important to protect the environment while pursuing economic and social progress – to achieve harmony between man and nature, and harmony between man and society.” President Xi Jinping
A
S últimas sete décadas foram um período extremamente bem-sucedido economicamente para a República Popular da China (RPC), que celebrou o septuagésimo aniversário da sua fundação a 1 de Outubro de 2019. O seu PIB real cresceu de quarenta e quatro mil e quatrocentos milhões de dólares para mais de treze triliões em 2018, quase trezentas vezes mais, com uma taxa de crescimento anual média de 8,1 por cento. O PIB real per capita cresceu de oitenta e dois dólares em 1949, para nove mil e quatrocentos e quinze dólares em 2018, ou seja mais cento e quinze vezes, com uma taxa média de crescimento anual de 6,8 por cento. A China tornou-se a segunda maior economia do mundo, depois dos Estados Unidos, tendo ultrapassado o Japão em 2006. O PIB da China, em 1949, era inferior a 2 por cento do PIB dos Estados Unidos e em 2018, era de 64 por cento. O PIB começou a mostrar um crescimento consistente depois de a China ter implementado reformas e aberto a economia em 1978. A taxa de crescimento acelerou após a sua adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001. A China tornou-se a segunda maior nação comercial do mundo, depois dos Estados Unidos. O Japão fez um bom progresso económico de 1949 a 1990, e a sua economia começou a estagnar, estando em processo de total recuperação. A economia dos Estados Unidos cresceu de forma constante durante o período, excepto durante a Grande Recessão, um período de declínio económico nos mercados mundiais, desencadeado pela crise financeira global de 2008-2009. Ainda que a taxa de crescimento anual da China tenha flutuado bastante antes das reformas económicas e da abertura em 1978, não teve um único ano de crescimento negativo desde então, tendo crescido a uma taxa mais alta do que os Estados Unidos desde 1978, e do Japão. O Japão teve uma taxa de crescimento real do PIB mais alta do que os Estados até 1974, quando ocorreu o primeiro choque petrolífero mas desde 1991, o Japão teve um crescimento mais lento em comparação com a China e os Estados Unidos e com o rápido crescimento da economia, a qualidade de vida na China melhorou tremendamente nos últimos setenta anos. É de ressaltar que um desses indicadores
é a expectativa de vida, que mais que duplicou, passando de trinta e cinco anos em 1949 para setenta e sete anos em 2018. A melhoria mais rápida na expectativa de vida ocorreu entre 1961 e 1970 (em parte devido aos esforços dos “médicos de pés descalços”, ou agricultores com treino médico básico, nas áreas rurais). Espera-se que a expectativa de vida aumente gradualmente como resultado de maiores rendimentos disponíveis “per capita”, urbanização e melhores cuidados de saúde. O que é ainda mais notável é o sucesso na erradicação da pobreza, um dos principais objectivos do governo. Tal, conjuntamente com a preservação e protecção ambiental, são os dois objectivos que ainda são obrigatórios no “Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social da China”. Assim, de acordo com os padrões de pobreza de 1978, 2008 e 2010, mesmo se for usado o padrão mais rigoroso de 2010, quase 100 por cento da população da China estaria abaixo do limiar de pobreza em 1949. O padrão de 2010 diz que uma pessoa deveria ganhar pelo menos um pouco mais de um dólar (a preço de 2018) por dia. A taxa de pobreza caiu para 1,7 por cento, em 2018. Prevê-se que a pobreza seja completamente erradicada até 2020, em conformidade com a medição pelo padrão de pobreza de 2010. Provavelmente não há outro país que leve a erradicação da pobreza tão a sério quanto a China. É tradição e prática do Partido Comunista da China (PCC) ter em conta os interesses de todas as partes interessadas quando empreende reformas. Durante a transição de uma economia planeada centralmente para uma economia socialista de mercado, a China empregou a abordagem de “via dupla”, que permitiu a coexistência do plano central obrigatório e do livre mercado, protegendo todos os direitos económicos preexistentes e impedindo o surgimento de “perdedores” da reforma. Quando o sistema de responsabilidade contratual das famílias foi introduzido no sector agrícola, por exemplo, as famílias foram obrigadas a continuar a fornecer a quantidade fixa de grãos alimentícios ao governo sob o plano central antes que pudessem participar do mercado livre. Tal permitiu ao governo continuar a fornecer grãos alimentícios nas áreas urbanas. Ainda que a China tenha beneficiado bastante da globalização, também percebeu que o livre mercado não compensará os “perdedores” por si só. Assim, o governo chinês tomou medidas activas para compensar os “perdedores” da globalização económica e ajudar as pessoas que não tiveram qualquer benefício, e embora a disparidade do rendimento tenha aumentado na China nos últimos anos, todos estão comparativamente em melhor situação, graças às reformas e esse é o segredo do sucesso da China. A China fez importantes contribuições para a meta de desenvolvimento sustentável
da redução da pobreza em todo o mundo e com a implementação da estratégia precisa de alívio da pobreza, o país alcançou resultados notáveis na dura batalha contra a pobreza, que consta de um relatório do Ministério dos Negócios Estrangeiros intitulado “Relatório do Progresso da China sobre a Implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” de 2019. O número de pessoas que vivem na pobreza nas áreas rurais diminuiu de cinquenta e cinco milhões e setecentas e cinquenta mil pessoas para dezasseis milhões e seiscentas mil pessoas, com o seu rendimento disponível “per capita” subindo de sete mil e seiscentos e cinquenta e três yuans (cerca de mil e noventa e três dólares) para dez mil e trezentos e setenta e um yuans do final de 2015 ao final de 2018, segundo o relatório. Foi dada atenção especial ao aumento do apoio a crianças, mulheres, pessoas com deficiência e outros grupos especiais em áreas pobres. Até ao final de 2018, um total de trezentos e oitenta e três mil milhões e oitocentos milhões de yuans de empréstimos garantidos tinha sido concedido em apoio a seis milhões e quintas e setenta mil mulheres para iniciar os seus próprios negócios e melhorarem a sua situação económica, o que, por sua vez, levou a uma melhor segurança social para as mulheres. O país trabalhou activamente para a comunidade internacional para identificar a redução da pobreza como uma prioridade na implementação da agenda de desenvolvimento sustentável para 2030 e por meio
do “Fundo de Paz e Desenvolvimento China-ONU” e do “Fundo de Assistência de Cooperação Sul-Sul”, a China e os seus parceiros implementaram quase cem projectos de redução da pobreza nos países em desenvolvimento. A implementação do plano de cooperação China-África para a redução da pobreza e a subsistência das pessoas está em pleno curso, e foram realizados duzentos projectos de “Vida Feliz”. É importante salientar que em 2018, foram realizados trinta e nove treinamentos e capacitação contra a pobreza para países em desenvolvimento, beneficiando mil e quatrocentos e quarenta formandos. O país continuou a implementar aldeias demonstrativas de redução da pobreza nos países em desenvolvimento e realizou conferências internacionais de alto nível, como o “Fórum Mundial de Alto Nível sobre Redução da Pobreza e Desenvolvimento”, conferências de redução da pobreza e desenvolvimento do “Fórum de Cooperação China-África” e “Fórum China-ASEAN sobre Desenvolvimento Social e Redução da Pobreza” e compartilhou as suas próprias experiências. A China continuará a realizar mais trabalhos sobre a redução da pobreza, ampliando áreas de extrema miséria e especialmente grupos vulneráveis, para que não se preocupem com alimentos ou roupas e desfrutem de segurança na educação obrigatória, atendimento médico básico e habitação de acordo com o relatório. Também se esforçará para estender gradualmente a cobertura bá-
opinião 19
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perspectivas
JORGE RODRIGUES SIMÃO
da China
sica de doações a todos os grupos pobres e vulneráveis, para que todos os idosos sejam atendidos adequadamente. A cobertura do seguro relacionado ao trabalho será ampliada. O país também aumentará as trocas internacionais e a cooperação quanto à redução da pobreza, compartilhará experiências com outros países em desenvolvimento e aprofundará a cooperação pela via da experiência, contribuindo positivamente para atingir a meta global de desenvolvimento sustentável sem pobreza. A China pede um esforço coordenado para ajudar todas as nações a alcançar os objectivos da ONU em termos de sustentabilidade. Salientando a importância do multilateralismo e o papel central da ONU, o apoio do país à cooperação global para alcançar o desenvolvimento sustentável é de extrema importância. O desenvolvimento é a eterna busca da humanidade e não deixar ninguém de fora parece ser a responsabilidade compartilhada da China. O “Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável”, é o órgão da Assembleia Geral da ONU para orientar acções para alcançar os “17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”. O fórum fez parte da cimeira de dois dias sobre os “Objectivos de Desenvolvimento Sustentável”, realizada durante a Assembleia Geral da ONU que decorreu entre 21 e 27 de Setembro de 2019. A China instou os líderes mundiais da cimeira a ter em consideração as preocupações dos países
em desenvolvimento e garantir um desenvolvimento económico, ecológico e social coordenado para atingir os seus objectivos de desenvolvimento sustentável. Os 17 objectivos, adoptados por todos os estados membros da ONU em 2015 como “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, estabeleceram um plano para a paz e prosperidade global para as pessoas e planeta. A “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” abriu um novo capítulo na cooperação para o desenvolvimento em todo o mundo, e são necessárias medidas eficazes para aprofundar a parceria global para um maior desenvolvimento. A China deixou a sua marca na facilitação da cooperação global e o país pretende promover o desenvolvimento para todos, através de maior abertura e colaboração e construindo uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade. O país continuará a procurar a cooperação na “Iniciativa Faixa e Rota” e ampliando a cooperação Sul-Sul. A China também fez conquistas quanto ao seu desenvolvimento, identificando o desenvolvimento sustentável como uma política fundamental do Estado e está a tomar medidas abrangentes para implementar a “Agenda 2030”. O país está em um novo ponto de partida para o desenvolvimento, pois comemorou o seu septuagésimo aniversário, e está comprometido em concluir a construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos até 2020. O progresso que a China fez na consecução dos objectivos de desenvolvimento sustentável, notadamente no combate à pobreza, na melhoria da educação e nas condições de saúde e promoção do reflorestamento. O secretário-geral da ONU, disse a 24 de Setembro de 2019 que, embora o mundo não esteja no caminho de atingir as metas relacionadas com o desenvolvimento sustentável, a China alcançou vários objectivos de desenvolvimento sustentável antes do previsto. A China espera erradicar a pobreza absoluta doméstica até o 2020. Quase todos os alunos do ensino fundamental e médio terminaram os seus estudos na China, superando a média global, em 2017 O país está a estender o seguro médico a toda a população e a taxa de mortalidade materna foi de 1,83 mortes por dez mil nascidos vivos em 2018, atingindo a meta com uma década de antecedência. A nova cobertura florestal na China representou 25 por cento do total global de 2000 a 2017. Apesar das conquistas da China, ainda é um país em desenvolvimento que enfrenta um grande desafio de desenvolvimento desigual e inadequado, e fica muito atrás dos países desenvolvidos e uma vida melhor para mil milhões e quatrocentos milhões de chineses será a maior contribuição do país para o desenvolvimento global.
O país está a colocar o bem-estar do seu povo à frente e a adoptar uma nova filosofia de desenvolvimento de alta qualidade inovador, coordenado, verde e aberto para o benefício de todos, e em paralelo à “Agenda 2030”, que representa um sonho para um futuro melhor para o mundo, é o sonho chinês de rejuvenescimento nacional. É de acreditar que a China trabalhará incansavelmente com o resto da comunidade internacional para atingir as metas de desenvolvimento sustentável para 2030, e trazer um futuro melhor para todos. A China urbanizou-se a um ritmo acelerado desde a fundação da “Nova China” em 1949, especialmente nos últimos quarenta anos. É de considerar que setenta anos atrás, a população urbana da China representava apenas 10,6 por cento do total, muito abaixo da média global de 29 por cento da época. Até ao final de 2018, a taxa de urbanização da China em termos de registo de domicílios era superior a 43 por cento, mas a população residente urbana permanente havia atingido quase 60 por cento do total, superior à taxa de urbanização global de 55 por cento. A taxa de urbanização da China aumentou 49 por cento e quase setecentos e setenta e quatro milhões de pessoas passaram das áreas rurais para as áreas urbanas, o que constitui um fenómeno raro em todo o mundo.
O país está a colocar o bemestar do seu povo à frente e a adoptar uma nova filosofia de desenvolvimento de alta qualidade inovador, coordenado, verde e aberto para o benefício de todos, e em paralelo à “Agenda 2030”, que representa um sonho para um futuro melhor para o mundo, é o sonho chinês de rejuvenescimento nacional A urbanização ajudou a melhorar muito o padrão de vida das pessoas e desde 1996, a população urbana anual recém-aumentada da China ultrapassou os vinte milhões. Em 2014, um novo tipo de política de urbanização substituiu o conceito de simplesmente procurar a rápida urbanização, por um conceito de urbanização orientada para as pessoas, baseado na integração da infra-estrutura urbana e rural e na equalização dos serviços públicos e como resultado, a urbanização da China entrou em um estágio de desenvolvimento de alta qualidade. O “Relatório de Trabalho do Governo de 2019” e as principais tarefas de um novo tipo de urbanização emitido pela “Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma”
enfatizam ainda mais a importância de promover uma urbanização de alta qualidade. O número de cidades chinesas aumentou de cento e trinta e duas para seiscentas e setenta e duas, de 1949 a 2018, e a rede de estrutura urbana melhorou gradualmente. É de atender que com a expansão espacial da área urbana construída e o estabelecimento de novas áreas do nível nacional para o município, a área urbana da China aumentou de sete mil e quatrocentos quilómetros quadrados em 1981 para cinquenta e seis mil e duzentos quilómetros quadrados em 2017. Assim, graças à rápida urbanização, a China formou uma série de aglomerados de cidades com forte influência económica global, incluindo o aglomerado de cidades do Delta do Rio Yangtzé, o aglomerado de cidades do Delta do Rio das Pérolas e o aglomerado de cidades de Pequim-Tianjin-Hebei, que são importantes transportadoras espaciais do desenvolvimento da qualidade da urbanização da China. A rápida urbanização não apenas atraiu enormes investimentos para a China e aumentou a procura em termos de consumo, mas também promoveu significativamente a reforma e a abertura, acelerando a acumulação de capital humano, optimizando a estrutura industrial, aumentando o ímpeto do desenvolvimento económico, diminuindo o hiato urbano-rural e melhorando os meios de subsistência das pessoas. No final de 1949, a população empregada total da China era de cento e oitenta milhões e oitocentas e vinte pessoas, com uma população empregada urbana de quinze milhões e trezentas e trinta pessoas e a taxa de desemprego urbano era de 23,6 por cento. A população total empregada, até ao final de 2018, havia atingido setecentos e setenta e cinco milhões e oitocentos e sessenta mil pessoas, com 27,6 por cento envolvidas no sector secundário e 46,3 por cento no sector terciário, graças à transferência de trabalho rural excedente para os dois sectores, o que significa que o emprego e o desenvolvimento económico tornaram-se a normalidade da urbanização. A estrutura dupla das áreas urbanas e rurais impediu o desenvolvimento das áreas rurais nos primeiros anos da “Nova China”, e a diferença de rendimento entre os residentes rurais e urbanos era muito maior do que nos países desenvolvidos. A rápida urbanização da China rompeu a fronteira urbano-rural do mercado de factores de produção, promovendo o livre fluxo de factores de desenvolvimento e diminuindo a lacuna entre as áreas rurais e urbanas. Em particular, desde a implementação do novo tipo de estratégias de urbanização e rejuvenescimento rural, o desenvolvimento coordenado de áreas urbanas e rurais tornou-se o objectivo da urbanização. O aumento contínuo do rendimento e do consumo dos habitantes mostra que os padrões de vida do povo chinês melhoraram bastante graças às mudanças induzidas pela urbanização.
O tempo é teu capital; tens de o saber utilizar. Franz Kafka
terça-feira 8.10.2019
PALAVRA DO DIA
Meter água NORTE-COREANOS RESGATADOS APÓS COLISÃO DE EMBARCAÇÕES
EUA JUIZ FEDERAL OBRIGA TRUMP A ENTREGAR DECLARAÇÕES FISCAIS
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M juiz federal de Nova Iorque autorizou ontem um procurador distrital a ter acesso a declarações fiscais do Presidente dos EUA, Donald Trump, que luta há meses para impedir a divulgação dos documentos. O procurador de Manhattan Cyrus Vance está a investigar suspeitas de violação de lei de financiamento de campanhas eleitorais por parte do candidato Donald Trump, em 2016, relacionadas com um pagamento à actriz pornográfica Stormy Daniels, para comprar o seu silêncio sobre um caso sexual que manteve com o agora Presidente. Cyrus Vance tinha feito o pedido de acesso às declarações fiscais de Donald Trump para saber se o Presidente tinha reembolsado o pagamento feito por um seu antigo advogado, Michael Cohen, à actriz, o que constituiria uma violação da lei de financiamento de campanhas. Até agora, a Casa Branca recusou o acesso aos documentos fiscais, alegando que um Presidente em exercício não pode ser investigado, o que o torna imune a qualquer tentativa de inquérito criminal, até que deixe o seu cargo. Ontem, o juiz federal Victor Marrero, do círculo de Manhattan, aceitou o pedido do procurador, considerado o argumento da Casa Branca “repugnante para a estrutura governamental da nação e para os valores constitucionais” e acrescentando que os Presidentes e as suas famílias não estão acima da lei. Os advogados de Donald Trump já reagiram, dizendo que vão recorrer desta sentença, o que poderá conduzir a um adiamento no acesso aos dados fiscais do Presidente, e acusam o procurador Cyrus Vance, que é um Democrata, de estar a agir com motivações políticas.
S
ESSENTA tripulantes de um barco norte-coreano foram resgatados ontem após uma colisão no mar do Japão contra uma embarcação de patrulha da Agência de Pesca japonesa, segundo um novo balanço divulgado pela comunicação social nipónica. O incidente ocorreu a cerca de 350 quilómetros a noroeste da Península de Noto (Japão central), no Mar do Japão e em águas da Zona Económica Exclusiva (ZEE) do Japão, sublinhou em conferência de imprensa um responsável pela Agência de Pesca Japonesa. As autoridades nipónicas alertaram o navio norte-coreano de que tinha invadido águas japonesas e ordenaram que a embarcação deixasse a área, utilizando inclusivamente disparos de canhão de água. Após a colisão entre as duas embarcações, o navio norte-coreano começou a afundar-se e a sua tripulação caiu na água, de acordo com as autoridades japonesas. Segundo o canal de televisão pública japonês NHK, os 60 tripulantes resgatados foram levados para outro barco norte-coreano que se encontrava numa zona próxima. O acidente não provocou feridos japoneses, avançaram os meios de comunicação do Japão.
A
Shinzo Abe, primeiro-ministro japonês “Continuaremos a agir decisivamente para impedir operações ilegais de embarcações estrangeiras na ZEE [Zona Económica Exclusiva] do nosso país.”
Num anterior balanço, as autoridades japonesas, que estão a conduzir a operação de resgate, indicavam mais de 20 pescadores norte-coreanos resgatados após o naufrágio da sua embarcação.
À PESCA
“Continuaremos a agir decisivamente para impedir operações ilegais de embarcações estrangeiras na ZEE [Zona Económica Exclusiva] do nosso país”, reagiu ontem o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, perante o Parlamento.
Nos últimos anos foram registados centenas de casos de navios norte-coreanos que entraram em águas japonesas, bem como de pescadores resgatados pela Guarda Costeira nipónica ou encontrados sem vida após naufrágios. Acredita-se que os pescadores norte-coreanos frequentemente se afastem das suas costas em busca de maiores capturas, devido à escassez de alimentos no seu país ou para cumprir as quotas de produção estatais.
CLIMA MANIFESTANTES DETIDOS EM LONDRES E MADRID
A
polícia londrina deteve ontem 135 manifestantes do movimento Extinction Rebellion que tentaram bloquear uma estrada na capital, Londres, com protestos pelo clima idênticos em várias capitais europeias. Uma das manifestantes detidas, Sarah Lasenby, de 81 anos, disse à Associated Press, que é “imperativo que o governo tome medidas sérias e pressione outros estados e poderes para reduzir radicalmente o uso de combustíveis fósseis”.
HONG KONG ASSOCIAÇÃO CHINESA SUSPENDE COOPERAÇÃO COM HOUSTON ROCKETS
No protesto, que decorreu junto ao Ministério da Defesa do Reino Unido, tambores marcaram passo com os manifestantes que arrancaram para duas semanas de iniciativas que visam interromper o ritmo da cidade em protesto contra as políticas ambientais seguidas até agora. Em Madrid, 33 foram detidos e três ficaram presos por desobediência aos agentes da polícia de choque que intervieram num protesto em que ten-
taram interromper uma estrada. Durante alguns instantes, ontem de manhã, algumas dezenas de activistas acorrentaram-se uns aos outros e à estrutura de um viaduto sobre o Paseo de la Castellana. Centenas de outros membros do movimento acamparam à porta do Ministério da Transição Ecológica. A onda de acções de protesto semelhantes chegou também a Berlim e Amsterdão.
Associação Chinesa de Basquetebol vai suspender a cooperação com os Houston Rockets após uma publicação numa rede social de um responsável da equipa norte-americana da NBA de apoio aos manifestantes pró-democracia em Hong Kong. AAssociação Chinesa de Basquetebol informou no domingo, na sua conta oficial no Weibo (o Twitter chinês), que Daryl Morey fez “comentários impróprios sobre Hong Kong”. Este episódio revela a extrema sensibilidade de Pequim sobre as posições estrangeiras em relação aos protestos no território semi-autónomo que se arrastam há quase quatro meses e que têm sido marcados por uma escalada da violência. Na publicação de Morey no Twitter, entretanto apagada, podia ler-se: “Lutem pela liberdade. Apoiem Hong Kong”. O proprietário do Houston Rockets, Tilman Fertitta, tentou distanciar a equipa da publicação de Morey, com uma nova publicação, também no Twitter: “Ouçam. @Darylmorey não fala pelos @HoustonRockets. A nossa presença em Tóquio é sobre a promoção da @ NBA internacionalmente e nós não somos uma organização política”. O chefe de comunicações da NBA, Mike Bass, divulgou um comunicado na noite de domingo. “Reconhecemos que as opiniões expressas pelo responsável dos Houston Rockets, Daryl Morey, ofenderam profundamente muitos de nossos amigos e fãs na China, o que é lamentável”, escreveu Bass. “Temos um grande respeito pela História e cultura da China e esperamos que o desporto e a NBA possam ser usados como uma força unificadora para superar as diferenças culturais e aproximar as pessoas”.