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Hoje Macau 8 OUT 2014 #3188

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

WWW.HOJEMACAU.COM.MO

IFT

hojemacau

Q U A R TA - F E I R A 8 D E O U T U B R O D E 2 0 1 4 • A N O X I V • N º 3 1 8 8

Património/UNESCO

GOVERNO COMPROMETIDO SOCIEDADE PÁGINA 6

FANNY VONG, PRESIDENTE DO IFT SOBRE O COTAI

RAEM sem capacidade de resposta

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

HOTEL WALDORF ASTORIA EM MÃOS CHINESAS

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A seguradora Anbang, que oferece produtos financeiros a mais de 20 milhões de pessoas, adquiriu o histórico hotel nova iorquino.

Ter para ler PUB

NOVA IORQUE

CHINA PÁGINA 10

OCCUPY CENTRAL

Agnes Lam alerta para possíveis repercussões em Macau POLÍTICA PÁGINA 4

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PÁGINAS 2-3


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ENTREVISTA

hoje macau quarta-feira 8.10.2014

FANNY VONG, PRESIDENTE DO IFT, AINDA À ESPERA DE RESPOSTA DO GOVERNO PARA EXPANSÃO DO CAMPUS

Há quatro anos que o Instituto de Formação Turística pretende expandir o actual campus universitário para abrir mais cursos, mas o Governo ainda não reagiu ao pedido de mais um terreno. Com 1600 alunos, o IFT tem uma taxa de empregabilidade acima dos 90%, afirma a presidente ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Começou em Setembro mais um ano lectivo. Quais serão os principais desafios do IFT para este ano? O espaço será o maior desafio, mas estamos felizes por ver algumas melhorias a esse nível, uma vez que vamos ter um bloco de alojamento no velho campus da Universidade de Macau (UM). O desafio será mudar os estudantes para lá, temos de fazer alguns trabalhos de preparação antes que isso aconteça e o tempo é muito apertado. Essa mudança será este mês, conforme já foi avançado? Esperamos que sim. O IFT já fez uma proposta ao Governo para ter novas instalações. Em que fase está esse projecto? Temos este campus e apenas precisamos de mais um terreno para a sua expansão, para avançarmos com os novos programas académicos que queremos lançar. Não temos ainda nenhuma informação do Governo, mas vamos manter o diálogo. Se o IFT tivesse esse terreno, quantos estudantes poderia ter, para além dos que possui actualmente? Actualmente temos 1600 alunos. É difícil dizer neste momento quantos estudantes poderíamos ter, mas poderíamos ter mais, sem dúvida. Mas também depende dos recursos que vamos ter. Mais um terreno é apenas um dos tipos de recursos de que precisamos. Para providenciar

uma maior e melhor educação precisamos também de mais recursos académicos e recursos humanos. Há muitas coisas que têm de ser feitas antes de termos mais alunos. Um terreno na Ilha da Montanha seria bom para o IFT? Estamos abertos a diferentes alternativas. Não tem de ser em Hengqin. Penso que em Macau, se olharmos com atenção, se forem feitos alguns ajustamentos, haverá algum terreno disponível. Em relação à cultura portuguesa e macaense, o IFT vai ter novos projectos nesta área? Os elementos da cultura macaense e portuguesa sempre foram preservados por este instituto, em várias formas. A cultura portuguesa tem estado presente nos nossos currículos e temos ainda actividades extra-curriculares em que organizamos cursos nessa área, nos quais a participação é bastante elevada. Na nossa Escola de Turismo e Hotelaria são disponibilizados com frequência cursos de cozinha portuguesa e macaense. O nosso restaurante-escola também disponibiliza esse tipo de gastronomia. Frequentemente, alteramos os nossos menus para que possamos oferecer aos nossos clientes novos sabores. Em 2011, lançamos uma nova licenciatura em culinária. Dentro desse programa também temos disciplinas sobre cozinha portuguesa e macaense. Os nossos alunos da licenciatura em Culinária são confrontados com o conceito da cozinha macaense, os seus in-

NOVO HOSPITAL PRECISA-SE Apesar de dizer que o desenvolvimento económico trouxe educação e saúde gratuitas para a população, Fanny Vong acredita que os residentes se deparam com “inconvenientes no seu dia-a-dia”. Um deles é a habitação. “Espero que o próximo Governo cumpra a promessa de desenvolver mais casas para a população e criar um mecanismo para que os cidadãos mais maiores necessidades possam ter um bom ambiente de alojamento”. A presidente do IFT diz ainda que é “fundamental” construir o novo hospital. “É algo que tem estado na agenda. Estão a planear construir o novo hospital e isso é algo muito importante não apenas para satisfazer a procura local mas também os turistas, uma vez que este será um sítio com muita mobilidade de visitantes.” - A.S.S.

IFT

“Estamos abertos a diferentes alternativas”


entrevista 3

hoje macau quarta-feira 8.10.2014

gredientes e formas de confecção dos alimentos e também com os elementos culturais. Isso está incluído e merece estar num curso porque há muito para aprender sobre a cozinha macaense. Não são apenas as técnicas, mas também a parte cultural: como é que esta gastronomia apareceu? Os nossos programas académicos, sejam licenciaturas ou cursos profissionais, têm elementos culturais. Temos um curso de Gestão do Património onde se fala de história e património. Temos alunos a trabalhar em projectos e diversas vezes eles têm temas ligados à cultura macaense. Também temos cursos de guia turístico e a especialização em guia turístico na área do património, ligado à UNESCO. Então, em diversas vertentes, temos alunos expostos à cultura macaense. Falou do curso de Gestão do Património. Foi publicada uma notícia de uma aluna que dizia que o curso não é muito conhecido e que sentiu dificuldades quando chegou ao

Quais deveriam ser as principais políticas e prioridades a adoptar pelo novo Governo na área do Turismo? O desenvolvimento das infra-estruturas deveria ser uma prioridade. Falo dos transportes, por exemplo, e como podemos diversificar os pontos turísticos para além das zonas que já estão muito concentradas. Quando tivermos uma rede de transportes implementada o mais cedo possível, essas áreas podem ficar menos congestionadas.

alunos frequentam actualmente o IFT

local de trabalho. Acredita que podem haver cursos do IFT que poderão não ser bem recebidos no mercado de trabalho ou compreendidos pelos empregadores? Primeiro que tudo temos de olhar para o conteúdo desse curso. Não é um curso que seja requisitado pela indústria, como é o caso do curso de Gestão Hoteleira ou de Eventos. Quando falamos destes cursos, existe um grande leque de oportunidades profissionais, especialmente em Macau, onde o Turismo é um sector muito

Os elementos da cultura macaense e portuguesa sempre foram preservados por este instituto, em várias formas

O sector hoteleiro está numa fase de maturidade, tal como toda a indústria do Turismo, e existem muitas oportunidades de trabalho que é um curso de especialização, é específico. E isso reflecte-se no facto de todos os anos termos um pequeno número de alunos que entram no curso, por comparação aqueles que entram nos cursos mais “populares”, ou seja, com mais ofertas de emprego. Mas no curso de Gestão do Património temos muitos bons alunos, são muito determinados e sabem o que querem. Que saídas profissionais têm tido os alunos que finalizam este curso? Vemos que ano após ano, a maioria dos alunos vão trabalhar para o Governo, outros continuam os seus estudos, na Universidade de Hong Kong ou no estrangeiro. Depois da licenciatura e de uma acumulação

de experiências podem existir mais oportunidades. Também sabemos que existem hotéis a contratar licenciados em gestão do património, porque têm grande conhecimento na cultura local. Eles sentem que isso é de grande valor para os hóspedes. Qual a actual taxa de empregabilidade para os licenciados pelo IFT? Cerca de 98%, sendo que o tempo médio para que os alunos encontrem emprego é de três meses. Temos cerca de 78% que estão a trabalhar em áreas relacionadas com os cursos. São alunos que trabalham em turismo ou no sector hoteleiro. Há uma percentagem mínima que prefere seguir os estudos no estrangeiro ou em regiões próximas.

EM DEFESA DE MAIS INFRA-ESTRUTURAS E OUTRAS MEDIDAS

“Instituições locais não vão conseguir profissionais suficientes para o Cotai” não forem implementadas novas políticas? Qualquer país que tenha locais classificados pela UNESCO enfrenta essa questão. Temos uma reputação nas mãos e as pessoas gostam de visitar esses locais porque uma das coisas que está no espírito da UNESCO é a partilha do legado de uma cultura, uma identidade. Então partilhar é algo que temos de fazer, não faz qualquer sentido fazer com que as pessoas deixem de visitar para proteger. Mas a UNESCO também tem um sistema de preservação, com regras de gestão. Penso que eles estão a controlar a situação e o Governo está atento e bastante disponível em relação à sua manutenção e sustentabilidade, caso contrário acabará para sempre. Vemos que em muitos locais classificados pela UNESCO

há um controlo das pessoas que podem entrar, como o Museu de Arte Sagrada atrás das Ruínas de são Paulo. E também na Casa do Mandarim. São medidas que o Governo tem vindo a tomar e é algo que tem de continuar a fazer, no sentido de ter um plano de longo prazo para manter estes espaços sustentáveis.

O desenvolvimento das infra-estruturas deveria ser uma prioridade. Falo dos transportes, por exemplo, e como podemos diversificar os pontos turísticos para além das zonas que já estão muito concentradas

A Direcção dos Serviços de Turismo conta com uma nova directora. Como avalia o trabalho que tem desempenhado até aqui, por comparação com o antigo director? O antigo director esteve cerca de 20 anos no cargo, enquanto que a actual directora está no cargo há cerca de um ano. Não há necessidade de comparar o

Esse será um problema maior num futuro próximo se não se implementar já uma estratégia? O Governo tem vindo a tentar diversificar os locais turísticos para além das áreas que já estão congestionadas, desenvolvendo novos percursos e roteiros. À medida que vão acumulando experiências, os turistas vão fazendo opções com mais informação sobre a cidade. Vão haver diversas forças em questão para se chegar a um equilíbrio. Mas claro que esperamos que no futuro, quando tivermos melhores infra-estruturas, possamos ter mais turistas espalhados pela cidade. Em relação à preservação do património, com todos os turistas que visitam o centro histórico, acredita que pode estar em perigo se

IFT

O Cotai vai ter um grande desenvolvimento em termos de empreendimentos nos próximos anos. Qual deverá ser a estratégia a adoptar pelo Governo nesse sentido? Creio que serão necessários trabalhadores na ordem dos cinco dígitos. Claramente as instituições académicas locais não vão conseguir disponibilizar o número de profissionais suficientes para todas as vagas. As capacidades necessárias para estas posições de emprego são muito diversas: algumas são muito técnicas, como as da área da construção e infra-estruturas. Também nessa área não temos capacidade para providenciar os trabalhadores necessários. Deve ser feita uma combinação de várias políticas, como a importação de mão-de-obra ou o conhecimento das capacidades da mão-de-obra local. Isso irá levar a uma estratégia global para os recursos humanos para o desenvolvimento dos próximos anos.

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importante. O sector hoteleiro está numa fase de maturidade, tal como toda a indústria do Turismo, e existem muitas oportunidades de trabalho. Então, primeiro, temos de compreender esse contexto. A gestão do património é um curso de especialização e quando os estudantes terminam a licenciatura estão preparados para compreender o património em traços gerais e como este deve ser preservado e gerido. Essas noções são muito úteis para a criação de políticas públicas e para trabalhar na Função Pública ou em organizações não governamentais. Mas olhando para a Macau, e comparando com o sector hoteleiro, vemos uma grande diferença. Não diria que este curso é menos bem recebido do que outros, mas diria

trabalho por eles desenvolvido, porque a directora estava na direcção. Ela conhece muito bem o que tem sido feito até aqui e quais as políticas a desenvolver. Algumas vão continuar a ser feitas, outras precisam de ser criadas pela sua equipa, devido às mudanças que ocorreram entretanto. Não vemos uma grande diferença ou quebra em termos de políticas. A visão geral é para desenvolver Macau como uma cidade internacional de turismo e lazer e isso não vai mudar. Outro grande ponto é desenvolver Macau enquanto um lugar de turismo sustentável, um lugar onde os residentes tenham orgulho e alegria em viver. Isso também não vai mudar. Falando de estratégias

de pequena dimensão, temos os novos percursos turísticos. Mas penso que as estratégias têm de mudar, por exemplo, temos de ser pró-activos na área do ambiente. Há vozes que defendem que a DST deveria ser transferida para a tutela da Economia. Concorda? Esta mudança poderia trazer mudanças para o sector? O Turismo é um área muito complexa. Há argumentos para ficar na tutela dos Assuntos Sociais e Cultura, porque o turismo não está apenas ligado aos turistas, mas também está ligado à comunidade, para que se desenvolva o turismo de uma forma que a comunidade local goste mais e que seja sustentável. Mas é também um sector económico para Macau, então há vozes que defendem que deveria estar na tutela da Economia e Finanças para uma melhor sinergia e cooperação. Mas, mesmo aí, o Turismo é uma área tão complexa que envolve vários departamentos públicos e não há forma de escapar a isso. Há o património, o Grande Prémio de Macau... tem de se trabalhar com os Serviços de Saúde, o Instituto Cultural, até com a área da Segurança. Então daqui a uns tempos vamos propor a mudança da DST para a Segurança? O Governo está a tentar encontrar a melhor sinergia. Independentemente do que venha a ser implementado, vai ser sempre uma área que exige o trabalho entre vários departamentos. - A.S.S.


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POLÍTICA

‘OCCUPY’ AGNES LAM ALERTA PARA POSSÍVEIS MANIFESTAÇÕES EM MACAU

FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

A causa de não ter casa

A

Se o Governo não alterar as políticas do imobiliário, deve estar atento a possíveis manifestações como as que aconteceram em Hong Kong. O alerta parte de Agnes Lam, que frisa que os jovens de Macau têm um sentimento fraco de pertença ao território. A académica diz não querer um ‘Occupy’ aqui, mas o que aconteceu na região vizinha “deve servir de exemplo ao Executivo” HOJE MACAU

GNES Lam diz que as manifestações em Hong Kong contaram com a participação de Macau porque os problemas que a vizinha RAEHK enfrenta são semelhantes aos do território. Em declarações ao programa de rádio ‘Macau Talk’, a professora do Departamento de Comunicação da Universidade de Macau afirma que o movimento ‘Occupy’, que se estendeu por mais de uma semana nas ruas de Hong Kong, tem de servir de exemplo ao território, até porque pode vir a acontecer por cá.

hoje macau quarta-feira 8.10.2014

Caso o Governo de Macau não apresente medidas e políticas [sobre os imóveis], é possível em Macau repetir-se o que aconteceu em Hong Kong “Não quero que aconteça em Macau, mas temos de começar por analisar a desconfiança na relação do Governo Central com o território. Se quisermos aprender com a experiência do ‘Occupy Central’, não devemos ignorar o

problema dos preços altos dos imóveis”, refere, dando como exemplo o facto de muitos jovens de Macau já não conseguirem pagar uma casa, como acontece em Hong Kong. “Podemos observar que, no encontro

que apoiou o movimento ‘Occupy’ em Macau, participaram muitos jovens que nasceram nos anos 1990 ou depois, que já não têm esperança em comprar apartamentos em Macau nem boas perspectivas para

o futuro. Por isso, o sentimento de pertença deles [ao território] é fraco.” A também analista política relembra que, em Hong Kong, foi permitido que se lucrasse muito com a venda de casas e os problemas com a falta de habitação acontecem há, pelo menos, uma década. Alguns jovens, por exemplo, vivem nos chamados apartamentos-gaiolas na região vizinha, porque não conseguem suportar as rendas. Agnes Lam adverte para o facto de Macau estar a seguir o mesmo caminho. “Chega-se à conclusão de que estamos a ir na direcção de Hong Kong, porque o sistema permitiu que se lucrasse em demasia com o mercado imobiliário.”

ALTERAÇÕES AO SISTEMA

Se as rendas das casas começaram a fazer com que os jovens de Hong Kong perdessem o sentimento de pertença, o mesmo, na opinião de Agnes Lam, pode vir

HO ION SANG LEIS DO GOVERNO FORA DO PLANO INFLUENCIAM TRABALHOS

a acontecer com Macau, caso o Governo não interceda. “Estamos a ter sentimentos semelhantes a Hong Kong, que vão fazer com

Muitos jovens que nasceram nos anos 1990 ou depois, já não têm esperança em comprar apartamentos em Macau nem boas perspectivas para o futuro. Por isso, o sentimento de pertença deles [ao território] é fraco

deputado directo Ho Ion Sang critica a existência de propostas de lei apresentadas pelo Governo fora do plano legislativo. Algo que, afirma, influencia os trabalhos da Assembleia Legislativa (AL). Ho Ion Sang apela, por isso, a uma produção centralizada das leis por parte do Executivo, algo que já tem vindo a ser pedido por diversos deputados. Em declarações ao diário de língua chinesa Jornal do Cidadão, Ho Ion Sang fez o balanço da última sessão legislativa, referindo que o hemiciclo está limitado pela apresentação de diplomas por parte do Governo.

“Nos anos passados, o Governo entregava um plano legislativo à AL, mas não fez isso no ano passado. Então, houve muitas propostas fora do plano legislativo, o que influenciou o trabalho da AL, porque os departamentos públicos trabalham e produzem as legislações à sua própria maneira”, disse ao mesmo jornal.

MESMAS LEIS, MESMO ANO

Ho Ion Sang considerou ainda que o poder de coordenação do Executivo não é suficiente. “Durante os três anos de funcionamento da Direcção dos Serviços de Reforma Jurídica e Direito Inter-

TIAGO ALCÂNTARA

“Coordenação legislativa nunca melhorou” O

que as pessoas olhem de modo igual para o sistema político e critiquem o sistema político da mesma forma. Vai haver cada vez mais gente que não tem uma casa e que não pode pagar uma renda, que vai sentir-se do mesmo modo. Caso o Governo de Macau não apresente medidas e políticas [sobre os imóveis], é possível em Macau repetir-se o que aconteceu em Hong Kong.” Agnes Lam considera a região vizinha como um “estudo de economia imobiliária”, onde as pessoas precisam de pagar muito pelas casas e onde, inclusivamente, diz, a desigualdade económica é grave, o que faz com que as pessoas considerem a sociedade não democrática. Já sobre a democracia, a académica vinca que o caminho para o sufrágio universal no futuro de Macau, deve ser feito com base num consenso da maioria da população e dos grupos políticos. Lam adverte, contudo, para que, quando se implementar o sufrágio em Hong Kong, os residentes de Macau deverão também tentar persegui-lo. A professora de Comunicação salienta que, hoje em dia, com as redes sociais e comunicação mais facilitada, as ideias são trocadas com mais rapidez. “Os jovens de Macau também querem um melhor futuro, pelo que as reivindicações, que até agora têm sido de natureza social, podem transformar-se a breve prazo em exigências de alteração do sistema político”, alerta.

nacional (DSRJDI), a coordenação legislativa nunca melhorou e os departamentos do Governo nunca têm em conta o quadro jurídico legal quando apresentam novas propostas de lei, fazendo as suas políticas e operações próprias. Isso causa um problema de execução”, defendeu. O deputado deixou ainda algumas sugestões. Ho Ion Sang pede a elaboração de um plano legislativo de longo prazo, sugerindo que o actual Regime de Legislatura seja ajustado. Tudo para que propostas de lei com a mesma natureza possam ser apresentadas no mesmo ano legislativo, mesmo que os projectos de lei apresentados pelos deputados tenham sido chumbados. O deputado afirma que, caso contrário, “os processos legislativos poderão ser impedidos”. - F.F.


política 5

Numa interpelação escrita ao Governo, o número dois de José Pereira Coutinho, Leong Veng Chai, aponta o dedo à má qualidade das infra-estruturas do campus da UM que acabou de estrear

TIAGO ALCÂNTARA

hoje macau quarta-feira 8.10.2014

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

NOVO CAMPUS DA UM DEPUTADO PÕE EM CAUSA FISCALIZAÇÃO DO GOVERNO

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deputado Leong Veng Chai entregou mais uma interpelação escrita ao Governo onde fala das más condições do novo campus da Universidade de Macau (UM) na Ilha da Montanha. A interpelação surge depois de reportagens nos média locais, incluindo no HM, darem conta de diversos problemas no local. As queixas, diz Leong Veng Chai, foram denunciadas no gabinete do deputado por vários estudantes. “Recebi muitas queixas sobre vários problemas ao nível das instalações e do ambiente do novo campus, que afectam gravemente a sua vida”, escreve o deputado. Leong Veng Chai questiona, por isso, os trabalhos de

A pressa é inimiga da perfeição fiscalização do Executivo na construção do campus universitário. “O Governo procedeu à fiscalização rigorosa das obras de construção do referido campus? Vai apurar quais são as responsabilidades do empreiteiro?”, questiona o deputado, acusando ainda o Governo de “não ter retirado os devidos ensinamentos da situação verificada com as habitações públicas de Seac Pai Van”. Leong Veng Chai afirma que os estudantes lamentam a urgência do Governo na

FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

O

presidente da Associação dos Técnicos da Administração Pública de Macau (ATAPM), Kun Sai Hoi, receia que o Executivo venha a gastar grandes somas de dinheiro público nos próximos anos. O responsável falou ao jornal Ou Mun, comentando as declarações de Chui Sai On aquando da campanha eleitoral, quando este frisou que o orçamento do Executivo não iria aumentar. Kun Sai Hoi não concorda com as declarações do líder do Governo. “Nos próximos anos será o auge em termos de gastos de dinheiro,

mudança para o novo campus, apesar da falta de boa preparação ao nível quer das instalações quer do ambiente.

E A UM?

Além disso, o deputado quer saber se a UM “adoptou medidas para salvaguardar a saúde e segurança dos estudantes”, questionando ainda o calendário para a abertura de todo o campus. “As aulas começaram há aproximadamente três semanas, mas várias instalações ainda não entraram em

funcionamento. Quando é que as obras vão estar totalmente concluídas?”, aponta o deputado directo da Assembleia Legislativa. Leong Veng Chai dá exemplos e fala de casos concretos. “As aulas tinham

começado há apenas uma semana quando se deu o rompimento de canalizações nos dormitórios dos estudantes. O mais grave é que já apareceram fendas nas paredes de alguns dormitórios. Existem ainda

“O Governo procedeu à fiscalização rigorosa das obras de construção do referido campus? Vai apurar quais são as responsabilidades do empreiteiro?” LEONG VENG CHAI Deputado

GOVERNO KUN SAI HOI PREVÊ GRANDES GASTOS NOS PRÓXIMOS ANOS

Sorvedouros de dinheiro devido ao investimento na zona dos novos aterros, a construção do metro ligeiro, os planos para a saúde ou os cuidados com os idosos”, começa por dizer. “Espero

que o Governo consiga controlar os custos para os cofres públicos e que não haja influência nos ajustamentos razoáveis dos salários da Função Pública”, defendeu Kun Sai Hoi.

ALTERAÇÕES

Por outro lado, e apesar da advertência e das previsões, o presidente da ATAPM refere ainda outros problemas que precisam de ser resolvidos. Essa resolução, contudo, pode passar por necessitar de dinheiro.

O responsável refere que o Regime das Remunerações e Abonos dos Serviços Públicos já foi revisto há alguns anos, mas que não ainda não foi implementado. Kun Sai Hoi sugere, por isso, que seja adicionado um pagamento adicional aos polícias, pessoal dos Serviços de Saúde e da Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos que trabalham durante os períodos de tufão e outras tempestades. Kun Sai Hoi sugeriu ainda a revisão do Estatuto dos Trabalha-

outros problemas, como a queda de vidros e ainda a qualidade do pavimento do parque de estacionamento”, escreve o deputado, que fala ainda da existência de gases no ar, cuja permanência poderá afectar a saúde dos estudantes. De frisar que os problemas apontados por Leong Veng Chai já foram descritos numa reportagem publicada pelo HM em Setembro. Até ao momento, a UM manteve-se em silêncio face às perguntas feitas pelo HM sobre os problemas estruturais do novo campus.

dores da Administração Pública e do Regime das Carreiras dos Trabalhadores dos Serviços Públicos, pedindo que o hemiciclo conclua o mais cedo possível a proposta de lei do Regime de Contrato de Trabalho nos Serviços Públicos, de forma a criar “um mecanismo de mobilização de pessoal mais flexível, para aumentar a eficiência da Função Pública”. Recorde-se que o orçamento para este ano aumentou 13,95% face a 2013 para 153,62 mil milhões de patacas, sendo que o Executivo se propôs a gastar menos e a acumular um saldo positivo maior. Chui Sai On previu que as receitas correntes subiriam 24,2% para 141,28 mil milhões de patacas.


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SOCIEDADE

hoje macau quarta-feira 8.10.2014

PATRIMÓNIO EXECUTIVO JÁ TEM PLANO DE GESTÃO DO CENTRO HISTÓRICO PARA A UNESCO

Duas consultas e um documento LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

O

Governo já está a preparar o plano de gestão do centro histórico pedido pela UNESCO em Maio do ano passado e com data limite até ao dia 1 de Fevereiro de 2015. O Governo compromete-se a cumprir a data indicada pela organização internacional, mas, questionado pelos jornalistas, Guilherme Ung Vai Meng não deu certezas sobre se a data será cumprida, tendo apenas dito que “todo o trabalho estará pronto no próximo ano”. Ontem, em conferência de imprensa, o chefe de Departamento do Património, Cheong Cheok Kio, assegurou que o Instituto Cultural (IC) está empenhado em cumprir o prazo imposto. Primeiro, contudo, vão ser colocadas em acção duas consultas públicas, que terão lugar a partir do dia 10 de Outubro e seguem até 8 de Dezembro. “(...) Foi decidido que o Governo vai ter que apresentar um relatório no prazo que termina a 1 de Fevereiro do próximo ano, sobre o ponto de situação dos trabalhos [de protecção do património], inclusivamente a nível jurídico e de opiniões da sociedade. Temos que relatar todas essas opiniões e factos à UNESCO”, explicou o responsável. Questionado sobre o cumprimento, ou não, da data limite de Fevereiro do próximo ano, os responsáveis presentes – que incluíem o chefe do Departamento de Planeamento Urbanístico da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Lao Iong, e Ung Vai Meng, presidente do IC – disseram apenas que es-

HOJE MACAU

O Governo tem que entregar até dia 1 de Fevereiro do próximo ano um novo plano de salvaguarda e gestão do património à UNESCO. Até agora, apenas o esboço do documento foi feito, mas o Instituto Cultural compromete-se a cumprir o prazo imposto. Entretanto, vai ser levada a cabo uma consulta pública

tão a trabalhar para executar um documento “mais rigoroso” do actual esboço, para fazer face às expectativas da UNESCO. Contudo, frisaram, este documento que vai a consulta pública não se trata do plano final, mas sim de um primeiro esboço.

MAIS MEDIDAS PARA O ANO

Por agora, sabe-se apenas que o rascunho do plano será alvo de con-

CONSULTA PÚBLICA • Considera que se deve dar importância à salvaguarda da identidade e integridade dos espaços urbanos do “Centro Histórico de Macau”? • Concorda com os critérios que foram definidos para a regularização das construções? • Concorda com os esforços de protecção que foram apresentados para a salvaguardar o ambiente do Centro Histórico de Macau?

sulta pública e vem efectivar um dos artigos da Lei de Salvaguarda do Património Cultural, que obriga ao cumprimento de determinadas normas para a manutenção e restauro dos edifícios protegidos do centro histórico e zonas tampão. De entre os vários aspectos, o documento pretende servir para criar normas sobre o “controlo e gestão de paisagens, sobretudo do enquadramento urbano e dos corredores visuais” e para estabelecer restrições de construção respeitantes à altura e volumetria dos edifícios, por exemplo. O plano final apenas estará concluído depois das duas fases de consulta pública, em Dezembro. “As autoridades vão concluir um relatório final depois de reunirem opiniões, prevendo-se que, durante o próximo ano, possam ser implementadas medidas mais detalhadas” no plano, esclareceu Ung Vai Meng. De acordo com Cheong Cheok Kio, há ainda duas outras premis-

sas: a criação de medidas para proteger o “tecido urbano”, mantendo a largura das ruas, e a definição de critérios arquitectónicos para assegurar a conservação e o restauro, tendo em conta a escolha dos materiais e as propriedades do monumento.

“As autoridades vão concluir um relatório final depois de reunirem opiniões, prevendo-se que, durante o próximo ano, possam ser implementadas medidas mais detalhadas” UNG VAI MENG Presidente do IC

LISTA DE PATRIMÓNIO GERA DISCÓRDIA Sabe-se já que o Instituto Cultural (IC) está a tentar reunir consenso sobre quais os edifícios e monumentos a figurar na lista de património cultural a ser protegido. No entanto, a situação complica-se com a discórdia de vários membros no que diz respeito a esta questão. O vogal do Conselho do Património Cultural (CPC), Lau Veng Seng, referiu que a revisão desta lista não pode ser realizada de forma simples, pois uma pesquisa extensa demora tempo, provocando mais discórdia no seio dos responsáveis. No entanto, o também deputado acredita que as autoridades terão a capacidade para entregar um esboço da nova lista até ao final deste ano para que o CPC possa então discutir outros pormenores. Também o presidente da Associação dos Embaixadores do Património de Macau, Tam Chi Kuong, considera que o IC já decidiu quais os projectos que constam da lista. Tam sugere que se faça uma consulta pública repartida em diferentes fases, de forma a acelerar a actualização da lista. Em declarações à rádio Macau, o responsável da associação considera ainda que os critérios de salvaguarda do património não devem apenas incluir museus e exposições. Antes, deve estudar-se a hipótese de ocupar espaços patrimoniais, encorajando ainda a que os proprietários reservem os locais para fazer negócios. - F.F.

No entanto, nada mais se sabe sobre quais e como serão aplicados os referidos critérios e de que forma poderá a lei vir a ser executada. Assim, falta então saber pormenores específicos acerca das restrições sobre a altura e largura dos espaços protegidos, bem como as sanções para quem não cumprir o devido. O pedido da UNESCO por um novo plano por parte da RAEM, feito em Maio de 2013, surgiu depois de um primeiro relatório do Governo ter sido rejeitado pela organização, que o caracterizou como “insuficiente para a protecção eficaz” do património. No relatório de conclusão sobre o plano entregue pelo Executivo, a UNESCO mostrou-se preocupada com a preservação do património cultural do centro histórico. “O Comité do Património Mundial congratula-se com o progresso realizado [por Macau] no sentido de dar resposta à inadequação do actual sistema de gestão, no entanto, gostaria de salientar a preocupação com o ritmo da finalização do Plano de Gestão para lidar com potenciais ameaças aos atributos do património classificado”, referia o documento da organização.


sociedade 7

hoje macau quarta-feira 8.10.2014

A proibição total de fumar nas salas comuns dos casinos está em vigor e, de 40, apenas uma dúzia não apresentou pedidos para salas de fumo. Os funcionários apoiam a iniciativa, mas dizem temer que as operadoras contornem a lei. Ângela Leong insiste na proibição total

TABACO DOZE CASINOS SEM PROPOSTAS PARA SALAS DE FUMO

A angústia do funcionário CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

FILIPA ARAÚJO

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

S

AVISOS E MULTAS Choi Kam Fu disse ao Ou Mun que houve funcionários que referiram que as empresas já colocaram anúncios quanto à proibição do fumo em espaços comuns, mesmo nas zonas de altas apostas. O HM foi aos casinos e verificou que a publicação dos avisos aconteceu de facto. Até ao momento, informam as autoridades, 14 casinos foram inspeccionados, sendo que cinco pessoas – todas turistas – foram acusadas por violarem a lei. O Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo recebeu ainda 14 participações e queixas de que existiriam pessoas a fumar ilegalmente nas áreas comuns dos casinos.

O

S Serviços de Saúde (SS) detectaram mais dois casos de febre de dengue no território. Um deles, foi registado num residente de 25 anos, que viajou das Filipinas para o território. O outro, foi identificado numa trabalhadora oriunda de Zhuai.Até ontem, foram registados 11 casos de pessoas infectadas com febre de dengue em Macau, dos quais apenas dois são locais. De acordo com comunicado dos SS, o residente

ÃO doze os casinos que ainda não apresentaram qualquer proposta para a criação de salas de fumos nos seus espaços, garantem os Serviços de Saúde (SS). De acordo com dados dos SS, outros 16 projectos ainda estão em análise. Primeiramente é preciso clarificar os números: se a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) apresenta 35 casinos como o número total destes espaços em Macau, o valor já é diferente quando os SS fazem as contas, já que este organismo contempla também algumas salas de máquinas, perfazendo assim um total de 40 casinos. Em nota à imprensa, os SS informaram que das 28 propostas

recebidas para salas de fumo, 12 receberam uma resposta positiva. Nessa lista estão incluídos os casinos Wynn, Mocha Inner Harbour, StarWorld, Mocha Hotel Sintra, Fortuna, Sands, Babylon, Venetian, Sands Cotai Central, Mocha Hotel Royal, Mocha Macau Tower e casino Rio, que no total já criaram 28 salas de fumo. Em falta ficam “ainda 12 casinos, que até agora não apresentaram qualquer proposta”, clarificaram os SS ao HM, enquanto outras 16 propostas ainda “estão em análise”.

PREOCUPAÇÕES

Recorde-se que a proibição total de fumar nas salas de jogo comum dos casinos entrou em vigor no dia 6. Contudo, apesar da satisfação geral dos funcionários, ainda há preocupações em relação à execução da lei no futuro. Em declarações ao jornal Ou Mun, Choi Kam Fu, presidente

da Associação de Empregados das Empresas de Jogo de Macau (AEEJM), disse esperar que o Governo possa continuar a implementar com

“Há quem se preocupe que, depois de algum tempo, as operadoras vão permitir que os clientes fumem nas salas principais, ou que se transformem algumas zonas das salas principais em salas VIP” CHOI KAM FU Presidente da Associação de Empregados das Empresas de Jogo de Macau

ANGEL A LEONG QUER PROIBIÇÃO TOTAL A deputada e administradora da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Angela Leong, disse ontem ao canal chinês da Rádio Macau que a nova política de proibição do fumo nas áreas comuns dos casinos é uma

forma de “gastar dinheiro e recursos humanos” e apelou ao Governo para implementar a proibição total do fumo nos casinos, algo que já pediu várias vezes no hemiciclo. A deputada considera que só assim

Dengue Mais dois casos registados em Macau da RAEM de 25 anos havia regressado recentemente das Filipinas, tendo apresentado sintomas de febre, dores de cabeças e articulares à altura da sua chegada, tendo sido internado e sujeito a tratamento no hospital Kiang Wu. A infectada, com 49 anos de idade, trabalha num estabelecimento de restauração localizado na Rua da Doca Seca no Bair-

rigor a lei, reforçando as inspecções aos locais. Só assim, diz, o trabalho ao controlo do tabagismo pode ter um efeito a longo prazo. Apesar disso, há funcionários que temem que a execução da lei sofra alterações. “Há quem se preocupe que, depois de algum tempo, as operadoras vão permitir que os clientes fumem nas salas principais, ou que se transformem algumas zonas das salas principais em salas VIP. Isto porque até agora há zonas de apostas elevadas que têm espaços fisicamente separados após as obras de remodelação”, disse Choi Kam Fu ao Ou Mun. Choi Kam Fu deu o exemplo da fase inicial da implementação da nova Lei de Prevenção e Controlo do Tabagismo, em que as operadoras apenas terão cumprido as regras no início, mas depois aproveitaram as zonas cinzentas da lei. “Não pode ser um tigre no início e uma cobra no fim”, disse o presidente da associação, numa referência a um provérbio chinês que significa que o Governo não pode ser muito rigoroso no início e depois deixar passar algumas violações. Choi Kam Fu espera que tanto o Governo como as empresas de jogo devem ser rigorosos na implementação de novos regulamentos, proibindo, de facto, os clientes de fumar. O presidente acredita ainda que os clientes têm vontade de cooperar.

ro de Fai Chi Kei e reside na Rua de Fernão Mendes Pinto no Bairro de Rotunda de Carlos da Maia. No dia 4 de Setembro, a doente apresentou, entre outros, sintomas de febre e recorreu a um hospital em Zhuhai. O resultado do teste PCR realizado pelo Centro de Prevenção e Controlo da Doença de Zhuhai confirmou a existência de mais um caso

de Febre de Dengue do tipo I. Nas duas semanas anteriores à data de apresentação de sintomas, a infectada deslocou-se por várias vezes ao seu domicílio em Zhuhai e nenhum colega ou amigo convivente da mesma em Macau manifesta sintomas semelhantes. Os SS registaram um outro caso no mês passado, desta vez numa cidadã

do interior da China que trabalhava numa fábrica do território. No entanto, e após realizados os testes, a entidade concluiu que os restantes funcionários não constituíam perigo de infecção da doença, que se pensa ter sido contraída na província de Fujian. De acordo com os serviços de saúde da província de Guangdong, foram registados mais de 21500 casos de febre de dengue, dos quais seis resultaram em morte.

pode existir um ambiente saudável nos casinos. Angela Leong falou ainda das receitas da SJM durante a Semana Dourada, tendo referido que os resultados “foram melhores do que o esperado”.

Universidade Cidade de Macau Acordo com Hawai

A Universidade Cidade de Macau assinou um acordo com a Faculdade de Turismo e Gestão Internacional da Universidade de Hawai System. A universidade local vai cooperar com a universidade norte-americana de forma a oferecer uma plataforma de intercâmbio para os alunos. A Universidade de Hawai System é uma instituição académica de ensino público com 87 licenciaturas, 87 mestrados e 53 doutoramentos.


8 sociedade

hoje macau quarta-feira 8.10.2014

SERVIÇOS SOCIAIS DEPARTAMENTO PÚBLICO PARA FORMAR EMPRESAS

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

Saber tratar do negócio

J

ENNIFER Chau, responsável pela Associação Fu Hong, considera que o plano de apoio financeiro para as associações de cariz social, criado pelo Governo, tem de ajudar a que se tenha uma maior noção de como montar um negócio. Em declarações ao Ou Mun, a responsável apela a uma maior cooperação entre o Governo e empreendedores da área dos serviços sociais. O Governo acaba de lançar a segunda fase do plano de apoio financeiro para a promoção do emprego para pessoas com deficiência e, segundo o jornal Ou Mun, existem poucas candidaturas, apesar do apoio poder auxiliar associações de cariz social.

Jennifer Chau pede a criação de um departamento público para a cooperação de empreendedores, académicos e profissionais na criação de empresas sociais com garantia de retorno do investimento feito criação de uma empresa social, a parte financeira é importante. Mas se quisermos ter mais apoios e outro tipo de mecanismos de ajuda, o Governo pode ter em conta o que acontece em Hong Kong, criando prémios e fundos para empresas sociais”, referiu. Jennifer Chau considera que os bónus às empresas podem servir de encorajamento

SEM EXPERIÊNCIA

Jennifer Chau explicou que os funcionários dessas associações são, na sua maioria, profissionais de serviço social, que não têm experiência na criação de negócios, pelo que a atribuição de apoio deveria colmatar estas falhas. “Na primeira fase de

a vários sectores para abrirem negócios com objectivos sociais, expandindo não só o negócio como pode também levar ao aumento da experiência, o que pode levar mais pessoas a investir no sector.

o Governo lidera um sistema de cooperação entre profissionais, empreendedores e académicos. “Os empresários fazem os negócios, enquanto os académicos podem oferecer apoio a uma plata-

forma de formação na área. Desta forma complementam-se e podem explorar-se ideias inovadoras, além de serem usadas as experiências para o desenvolvimento das empresas”, referiu ainda. Como já tinha referido ao HM numa entrevista, a responsável chegou a estudar Administração de Empresas e, por isso, abriu uma empresa com os colegas de curso. “Nos últimos anos, reparámos que pessoas que não pertencem apenas à área da reabilitação também tinham interesse em participar em projectos de empresas sociais, para resolver problemas sociais”, explicou.

A FÓRMULA CERTA

A responsável pela Associação Fu Hong recomenda ainda que o Governo crie

um departamento próprio para o desenvolvimento de estratégias para a criação deste tipo de empresas. “Devem ser considerados fórmulas para saber como é que uma empresa social pode ter o retorno do investimento, para medir a sua eficácia no desenvolvimento a longo prazo desta área em Macau”, disse Jennifer Chau. Em Hong Kong, referiu,

“Se quisermos ter mais apoios e outro tipo de mecanismos de ajuda, o Governo pode ter em conta o que acontece em Hong Kong, criando prémios e fundos para empresas sociais” JENNIFER CHAU Responsável pela Associação Fu Hong

CEM CONTINUA COM ESTÁGIOS PARA DEFICIENTES Pelo quinto ano consecutivo a Companhia de Electricidade de Macau (CEM) vai desenvolver o plano de estágios a portadores de deficiência em conjunto com a Macao Special Olympics. Serão seis estagiários com deficiência mental que irão estagiar em diferentes departamentos da empresa durante dez semanas. Desde 2010 que um total de 33 pessoas usufruíram deste programa, sendo que muitos deles já participaram em trabalhos sociais. A Macao Special Olympics afirma esperar que esta actividade possa promover mais oportunidades de emprego a estas pessoas e uma maior integração na sociedade.

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HM-2ª vez 8-10-14

ANÚNCIO

Proc. de Divisão de Coisa Comum n.º CV1-12-0113-CPE

HM-2ª vez 8-10-14

1º Juízo Cível

REQUERENTE: Siu Keng Hou, maior, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Macau nº 5164XXX(X), residente em Macau , na Nova da Areia Preta, n.º 313, Edif. Kam Hoi San, Bloco 1, 7 andar B.------------------------------------------------------------REQUERIDA: Wong Iok Hou, maior, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Macau nº 1301XXX(X), residente em Macau, na Rua de Alegria n.º 93-B, Choi Ieng, 4 andar B.-------* -----FAZ-SE SABER que, no dia 12 de Novembro de 2014, pelas 11:30 horas, no local de arrematação deste Tribunal e no processo acima indicado, vai à venda por meio de propostas em carta fechada, do seguinte imóvel comum:----------------------------------------------------IMÓVEL ---- Denominação: fracção autónoma, “B4” do 4º andar “B”.-------------------------------------- Situação: sito em Macau, n.º 93B – 93-BA da Rua de Alegria.-------------------------------- Finalidade: para habitação.-------------------------------------------------------------------------- Número de matriz: 70112.--------------------------------------------------------------------------- Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: n.º 8202, a fls. 164 v. do Livro B25.---------------------------------------------------------------------------------------------------- O Valor base da venda: Três Milhões, Seiscentas Mil Patacas (MOP$3.600.000,00).------- São convidados todos os interessados na compra daquele bem a entregar na Secretaria deste Tribunal, as suas propostas, até ao dia 11 de Novembro 2014, pelas 17:45 horas, devendo preço das propostas ser superior ao valor acima indicado e o envelope da proposta, conter expressamente, a indicação de “PROPOSTA EM CARTA FECHADA” bem como o “NÚMERO DO PROCESSO CV1-12-0113CPE”.------------------------------------------------------------------------------------------------------- O dia da abertura das propostas, podem os proponentes assistir ao acto.----------------------Durante o prazo dos editais e anúncios, são os interessados/ comproprietários obrigado a mostrar os bens a quem pretenda examiná-los.------------------------------------------------------- Quaisquer titulares de direito de preferência na alienação do bem supra referido, podem, querendo, exercer o seu direito no próprio acto da abertura das propostas, se alguma proposta foi aceite, nos termos do art. 787.º do C.P.C.M.---------------------------------------------------- Aos 29 de Setembro de 2014.-------------------------------------------------------------------

ANÚNCIO

PROCESSO: Despejo

CV1-14-0016-CPE

HM-2ª vez 8-10-14 1º juízo Cível

AUTORA: LO BING CHIU, de sexo masculino, de nacionalidade chinesa, casado, titular do HKID nº. B1xx3xx(0), residente em Hong Kong.--------------------------------------------------------RÉUS: 1) HERDEIROS INCERTOS de CHAN I MUI aliás ENG MWE.----------------------2) INTERESSADOS INCERTOS e DESCONHECIDOS.------------------------------------- FAZ-SE SABER, que pelo 1º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., correm éditos de TRINTA DIAS, contados, da segunda e última publicação do anúncio, citando os Réus acima identificados, para no prazo de TRINTA DIAS, decorridos que sejam o dos éditos, contestarem a Acção de Despejo, cujo pedido resumidamente consiste em:-------------------------------- 1. Ser ordenado o despejo dos Réus e terceiros que, provavelmente, estejam na fracção sita em Macau na Rua Quatro do Bairro Iao Hon, n.º82, Edf. “Seng I, 4.ºB (inicialmente designado por apartamento B434) e a pagarem as rendas vencidas até à data da caducidade do respectiva contrato de arrendamento, no valor de HKD95.160,00 (correspondente a MOP98.015,00).----------------------- 2. Caso o supracitado pedido não seja aceite, requer-se, subsidiariamente, ser resolvido o contrato de arrendamento, por falta de pagamento de renda, ser ordenado o despejo dos Réus e terceiros que, provavelmente, estejam na supracitada fracção, a pagarem as rendas em dívida, no valor de HKD109.200,00 (correspondente a MOP112.476,00), bem como a renda vincenda até à devolução da supracitada fracção.----------------------------------------------------------------------------- 3. Casos os pedidos formulados nos pontos 1 e 2 não sejam aceites, requer-se, subsidariamente, ser ordenado aos Réus e terceiros que, provavelmente, estejam na supracitada fracção a pagarem as rendas em dívida, no valor de HKD109.200,00 (correspondente a MOP112.476,00) e indemnização no valor total de HKD218.400,00 (correspondente a MOP224.952,00), bem como a renda vincenda até à devolução da supracitada fracção e da respectiva indemnização.-------------- 4. Ser ordenado os Réus e terceiros que, provavelmente, estejam na supracitada fracção a pagar as custas processuais e procuradoria do autor.---------------------------------------------------------------- Tudo como melhor consta da petição inicial, cujo duplicado se encontra nesta secretaria à disposição do citando.-------------------------------------------------------------------------------------------- A intervenção dos citados nos autos implica a constituição de advogado – art. 74º do C.P.C. de Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Caso os citados pretendam beneficiar do regime geral de apoio judiciário, deverão dirigir-se ao balcão de atendimento da Comissão de Apoio Judiciário, sito na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administração Pública, 1.º andar, Macau, para apresentarem o seu pedido, sendo que poderão pedir esclarecimento através do telefone n.º 2853 3540 ou correio electrónico info@caj.gov.mo.------------ Para o efeito, terão de comunicar ao processo a apresentação do pedido àquela Comissão, para beneficiar da interrupção do prazo processual que estiver em curso, nos termos do n.º 1, do art.º 20.º, da Lei 13/2012, de 10 de Setembro.------------------------------------------------------------------ Aos 26 de Setembro de 2014.----------------------------------------------------------------------------*

Proc. Acção Ordinária n.º

ANÚNCIO CV2-13-0086-CAO

2º Juízo Cível

AUTORES:

TAI KUOK KUN, solteiro, maior, de nacionalidade chinesa, residente na Travessa do Sal, nº 5, “Luen Cheong”, 5º andar B; TAI PUI LENG, casada, de nacionalidade chinesa, residente na Rua de Évora, nº 181, Edf. Flower City, Bloco Lei Tou, 23º andar I, Taipa, Macau; TAI MEI KAM, casada, de nacionalidade chinesa, residente na Rua da Harmonia, nº 85, Edf. Koi Fu Fa Un, 5º andar E; TAI MEI NGAN, casada, de nacionalidade chinesa, residente na Rua de Brás da Rosa, nº 42, Edf. Cheong Meng Fa Un, Bloco Meng Seng, 12º andar D.

RÉUS:

HO CHU FONG e os seus herdeiro incertos.

*** Faz saber que, por este Juízo, correm éditos de 30 (TRINTA) DIAS, contados da segunda e última publicação deste anúncio, citando os Réus: HO CHU FONG e os seus herdeiro incertos, para, no prazo de 30 (TRINTA DIAS), findo dos éditos, contestarem a acção supra identificada, instaurada pelos fundamentos constantes da petição inicial que se encontra à disposição dos citandos neste Juízo, cujo pedido consiste em: 1) serem declarados os autores, na qualidade dos comproprietários, iniciaram a partir do ano 1962 a posse do imóvel cujo proprietário é Ho Chu Fong, situado em Macau, Travessa dos Poços nº 2, R/C, descrito na Conservatória do Registo Predial sob o nº 5487 e inscrito na matriz sob o nº 7564 G7; 2) ser ordenada a Conservatória do Registo Predial de Macau para proceder ao registo do facto da aquisição por usucapião pelos Autores da propriedade do imóvel acima referido, cujo proprietário é Ho Chu Fong; se não forem aceites os pedidos, requer que ser declarada que os Autores, desde o ano 1962, são possuidores públicos, pacíficos e de boa fé do imóvel, cujo proprietário é Ho Chu Fong, com área de 60 m2, ou seja Rua da Roseira nº 5, situado em Macau, Travessa dos Poços nº 2, R/C, descrito na Conservatória do Registo Predial sob o nº 5487 e inscrito na matriz sob o nº 7564 G7, tendo a propriedade do imóvel adquirida através da posse e usucapião. E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso seja contestar (nos termos do art.º 74º do C.P.C.M.) Macau, aos 23 de Setembro de 2014. *****


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hoje macau quarta-feira 8.10.2014

INDÚSTRIAS CULTURAIS RENDAS, FALTA DE ESPAÇOS E CURSO UNIVERSITÁRIO

As mil e uma queixas Uma delegação de vinte membros ligados à cultura reuniu-se com o Chefe do Executivo em busca de mais apoios para o sector

O

sector das indústrias culturais e criativas queixa-se de escassez de espaços e recursos humanos, do preço elevado das rendas e de dificuldades em expandir negócios. Isso mesmo referiram 20 membros desta indústria, que estiveram

pedem mais: a criação de um curso de ensino superior relacionado com a cultura e as indústrias criativas, até agora inexistente nas universidades do território.

MACAU NO MAPA reunidos ontem com o Chefe do Executivo. Este é já o segundo sector a reclamar por medidas que ajudem as indústrias mais pequenas de Macau a sobreviver, depois de, na segunda-feira, uma reunião entre o líder do Governo e membros de associações sociais se ter queixado dos mesmos problemas.

CHEFE PONDERA

Em resposta, Chui Sai On disse ponderar a optimização de instalações, mas a construção de mais espaços nos novos aterros é outra das ideias do Executivo. Vários foram os membros que sugeriram a

criação de políticas governamentais no sentido de utilizar Macau enquanto marca, ajudar a expandir o território a nível internacional e apoiar o desenvolvimento desta indústria através das plataformas digitais. À semelhança das associações sociais, os mais de 20 membros presentes sugeriram que fosse aumentado o valor atribuído à indústria cultural, bem como a quantidade de recintos para exposições e espectáculos. Os representantes consideraram ainda que é necessário “proteger a propriedade intelectual” e apoiar os jovens na criação de negócios, mas

Sin Fong Moradores protestam esta sexta-feira

Os proprietários dos apartamentos do edifício em risco de ruína Sin Fong Garden não desistem da sua luta pelo regresso às moradias. Segundo o Jornal Tribuna de Macau, está agendado um protesto “pacífico” para esta sexta-feira, para celebrar dois anos desde que os moradores foram obrigados a deixar as suas casas. Segundo disse ao jornal Chao Ka Cheong, porta-voz dos moradores, o objectivo da iniciativa é mostrar à população de Macau que o caso ainda não está resolvido. Tal como já tinha sido avançado pelo HM, não há ainda consenso sobre o que vai ser feito ao prédio, sendo que a reconstrução era, até hoje, o que ainda se mantinha em cima da mesa. PUB

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1.

2. 3.

Faço sabe que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º10/2013 << Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu tempo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos - Rua Marginal do Canal das Hortas, n.ºs 282 a 474 e Rua Norte do Canal das Hortas, n.ºs 47 a 241, em Macau, (Edifício Hou Kuong); - Rua Norte do Canal das Hortas, n.ºs 3 a 37 e Rua Marginal do Canal das Hortas, n.ºs 236 a 270, em Macau, (Edifício Moradias Económicas Bloco de Realojamento C); - Rua do Canal das Hortas, n.ºs 3 a 51, Rua dos Currais, n.ºs 8 a 12 e Rua Marginal do Canal das Hortas, n.ºs 162 a 204, em Macau, (Edifício Moradias Económicas Bloco de Realojamento B); - Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, n.ºs 371 a 453, Rua Marginal do Canal das Hortas, n.ºs 116 a 142, Rua do Canal das Hortas, n.ºs 20 a 98 e Rua da Hortense, n.ºs 5 a 17, em Macau (Edifício Moradias Económicas Bloco de Realojamento A). Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos , 5 de Setembro de 2014. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição

Uma das mais recentes apostas do Executivo tem sido precisamente esta área, entendida como uma das portas de entrada de Macau para o mundo, nomeadamente através da criação de um parque dedicado às indústrias culturais e criativas na Ilha da Montanha. Chui Sai On garantiu mais uma vez que o Governo tem vindo a fazer vários esforços para potenciar e desenvolver esta área específica, no sentido de colocar a RAEM no mapa. A reunião contou não só com representantes deste sector, mas também com membros do Fundo das Indústrias Culturais e do Conselho para as Indústrias Culturais. - L.S.M. PUB

Semana Dourada Aeroporto com mais 17% de passageiros

O Aeroporto Internacional de Macau registou um aumento de 17% no número de passageiros durante a Semana Dourada, indica a Rádio Macau. Entre os dias 1 e 5 deste mês, passaram pelo aeroporto 74 mil pessoas, que viajaram em mais de 700 aviões. No mês passado, registou-se uma subida de 1,4% no número de passageiros, em comparação com o mesmo mês de 2013, tendo ultrapassado os 440 mil. Verificou-se ainda um aumento de 7,7% no mercado do Sudeste Asiático. Em sentido ascendente está também o número de passageiros que voa de e para a China, diz a rádio, já que este segmento registou uma subida de 2%. Já o mercado de Taiwan registou uma ligeira descida em relação ao ano passado.

Produtos contrabandeados em 47 supermercados

Um estudo dos Serviços de Alfândega mostrou que 47 supermercados vendem produtos contrabandeados, alguns deles pertencendo a cadeias alimentares. De acordo com comunicado do Conselho de Consumidores (CC), todos os estabelecimentos que venderem produtos sem certificado de qualidade e fora dos padrões exigidos, serão sancionados, podendo ver o seu certificado de qualidade suspenso por seis meses. “O CC chama a atenção do sector de supermercados e mercearias para terem cuidados na aquisição de mercadores assegurando que tenham sido importadas de forma legal”, explica o documento. Para ajudar a manter o nível de qualidade dos produtos vendidos, o CC publicou um ofício destinado a mais de 120 supermercados e mercearias, para “lembrar” que os negócios devem ser feitos em conformidade com a lei.


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CHINA

Aquele que já foi em tempos considerado o maior hotel do mundo, com 47 andares e 1500 quartos, passa agora para as mãos da seguradora chinesa Anbang

hoje macau quarta-feira 8.10.2014

NOVA IORQUE GRUPO CHINÊS COMPRA HOTEL WALDORF

Investimento de luxo altas no mundo por um hotel, será reinvestida noutros hotéis do grupo espalhados pelos Estados Unidos.

A FAZER HISTÓRIA

O

hotel Waldorf Astoria, de Nova Iorque, foi vendido a uma empresa de seguros chinesa Anbang, por 1,95 mil milhões de dólares, anunciou esta segunda-feira em comunicado o grupo hoteleiro americano Hilton Worldwide. O hotel Waldorf Astoria continuará a ser operado pelo Hilton Worlwide durante 100 anos, anunciou o grupo hoteleiro no comuni-

cado sobre o acordo com a seguradora chinesa. Durante o processo de transacção, o hotel “sofrerá uma grande reforma para PUB

HM - 2ª vez - 8.10.14

Habilitação (Apenso)

ANÚNCIO nº CV1-14-0009-CPE-A

1º Juízo Cível

REQUERENTE: KOUK MUI, viúva, de nacionalidade chinesa, portadora do B.I.R.M., residente em Macau, na Alameda da Tranquilidade, no 228, Edf. Jardim Hoi Keng, Bloco I, 13.º andar A. REQUERIDOS: (1) CHAN IAU THAI, masculino, maior, portador do B.I.R.H.K., residente em Hong Kong “長洲東來苑6B號2樓”; (2) CHAN TAI SHING, masculino, maior, com última residência conhecida em Hong Kong nº 1-A, Sam Pak Che Street, Cheong Chau; (3) CHAN WAH CHO, masculino, maior, portador do B.I.R.H.K., residente em Hong Kong “新界長洲新北街1A號 2 樓 F” ; (4) Herdeiros incertos do falecido CHAN KWONG TIM; (5) Herdeiros incertos do falecido CHAN KWONG LING. *** FAZ-SE SABER que pelo 1º Juizo do Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., correm éditos de TRINTA DIAS contados a partir da 2ª e última publicação deste anúncio, citando 2º requerido CHAN TAI SHING, 4º requerido herdeiros incertos do falecido CHAN KWONG TIM e 5º requerido herdeiros incertos do falecido CHAN KWONG LING, supra identificados, para no prazo de DEZ DIAS, findo o dos éditos, deduzir oposição à presente habilitação, nos termos dos artigos 301.º e 302.º do Código de Processo Civil, com advertência de que a falta de contestação não importa a confissão dos factos articulados pelo/a requerente, e ainda que é obrigatória a constituição de advogado (nos termos do artigo 74.º do C.P.C.), caso contestem, tudo como melhor consta do requerimento inicial, cujos duplicados se encontram nesta Secretaria à disposição. Mais fica citado de que deve fornecer a identificação e o endereço de contacto de outros herdeiros, caso se tenha.

restaurar a sua grandeza histórica”, lê-se no comunicado. A receita da venda, considerada como uma das mais

Esta venda é o primeiro grande investimento para a Anbang, seguradora chinesa nos Estados Unidos da América, criada em 2004 e com sede em Pequim, que emprega cerca de 30 mil pessoas e oferece serviços e produtos financeiros e de seguros a mais de 20 milhões de pessoas, acrescenta o comunicado do grupo Hilton. Inaugurado em 1931, na Park Avenue, em Nova Iorque, o hotel Waldorf Astoria chegou a ser considerado o maior hotel do mundo, com 47 andares, 1500 quartos, 100 suites e o primeiro a incluir o serviço de quartos. O hotel, que ao longo dos anos tem recebido inúmeras personalidades de

renome, possui 5000 metros quadrados de espaço de alta tecnologia, vários restaurantes de alta qualidade, um ‘spa’, boutiques e bares. Em 2012 tinha 20 colmeias instaladas num espaço aberto do 20º andar, cujo mel era utilizado e oferecido nos restaurantes do hotel. Também uma horta foi plantada no telhado.

1,95

mil milhões de dólares, preço da venda do hotel

O hotel Waldorf astoria tornou-se um marco de luxo no grupo hoteleiro, impulsionando a expansão internacional para além dos Estados Unidos, incluindo Amesterdão (Holanda), Pequim (China), Dubai (Emirados Árabes Unidos), Jerusalém (Israel) e Xangai (China). A longo prazo deverão ser abertos hotéis em Bali (Indonésia), Banguecoque (Tailândia) e Beverly Hills (Estados Unidos da América).

HONG KONG DIÁLOGO COM O GOVERNO NO HORIZONTE

Depois da tempestade A

PÓS uma semana intensa, o número de manifestantes pró-democracia nas ruas de Hong Kong diminuiu ontem, ao mesmo tempo que foi aberta a porta para o diálogo com o Governo. De acordo com a AFP, entre 200 a 300 manifestantes estavam ontem de manhã nos três principais locais da cidade onde, desde dia 28 de Setembro, se juntaram dezenas de milhares de pessoas. Já na segunda-feira

Lester Shum

a cidade voltava a uma relativa normalidade, com a maioria dos funcionários a regressar ao trabalho (depois de uma Semana Dourada de feriados), as escolas a reabrir e o fim do bloqueio à sede do Governo, onde cerca de 3.000 pessoas puderam voltar a ocupar os seus postos. Ainda assim, algumas rotas de autocarros continuam desviadas devido às barreiras que se mantêm nas ruas. Como consequência, a circulação

automóvel é lenta, com muitos engarrafamentos.

MOMENTO PARA O DIÁLOGO

O movimento pró-democracia conseguiu atrair um vasto apoio da opinião pública, mas após oito dias de paralisação, o descontentamento começou a fazer-se sentir, descreve a AFP. Os estudantes, que na segunda-feira à noite se encontraram com um representante do Governo para “discussões preliminares” sobre a abertura de um diálogo oficial, aceitaram iniciar uma negociação. “Vamos ter várias rondas de negociação”, explicou Lester Shum, secretário-geral adjunto da Federação de Estudantes de Hong Kong, uma das organizações que lidera o movimento. Já Ray Lau, responsável pelos assuntos constitucionais e da China continental, manifestou “esperança” que se possa “exprimir o respeito mútuo” durante estas discussões.

FMI China crescerá 7,4% em 2014

O Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou esta terçafeira a sua previsão de crescimento de 7,4% para a economia chinesa em 2014, mas advertiu sobre os riscos a curto prazo num mercado imobiliário reaquecido. “Em linha com os objectivos do governo chinês”, a segunda economia mundial manterá um crescimento elevado este ano, graças principalmente a medidas de apoio à actividade, segundo as previsões mundiais do FMI.

100 mil Xbox One vendidas numa semana

A Xbox One foi oficialmente lançada na China há poucos dias. Trata-se da primeiro consola lançada no país após um hiato de 14 anos (a China proibiu a venda no ano 2000). E tudo parece estar a correr muito bem. Mais de 100 mil unidades da consola de última geração da Microsoft foram vendidas durante a primeira semana após o lançamento, segundo fontes chinesas (este número também inclui a pré-venda). Segundo o site de jogos chinês 17173, a Shanghai Media Group (empresa responsável pela distribuição do equipamento no país) e o seu vice-presidente, Zhang Dazhong, esperam vender mais de 1 milhão de consolas Xbox One até Outubro de 2015.


REGIÃO

hoje macau quarta-feira 8.10.2014

O

Governojaponês anunciou ontem que vai aumentar os seus esforços para prevenir o terrorismo no país, depois de notícias de um estudante nipónico que planeava juntar-se ao Estado Islâmico na Síria. “Vamos tomar medidas para conter os extremistas”, afirmou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros, Fumio Kishida, depois de ser questionado pela imprensa sobre a investigação policial a vários japoneses suspeitos de estarem a planear juntarem-se ao grupo ‘jihadista’, ou de fazerem recrutamentos para o grupo terrorista. As autoridades estão “determinadas a impedir” que cidadãos japoneses viajem para a Síria, Iraque e outros países “para cometer actos terroristas ou juntarem-se a grupos extremistas”, acrescentou o ministro, em declarações divulgadas pela agência Kyodo. “Como membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da comunidade internacio-

Encontrado navio malaio que estava desaparecido

ESTADO ISLÂMICO JAPÃO INTENSIFICA COMBATE AO TERRORISMO

Aspirante a ‘jihadista’

A polícia japonesa deteve um estudante de 26 anos que pretendia viajar até à Síria para se converter em membro activo do Estado Islâmico

nal, tomaremos medidas pró-activas para prevenir o terrorismo”, afirmou o secretário de imprensa do Governo, Yoshihide Suga.

Na passada segunda-feira, a polícia japonesa interrogou um estudante de 26 anos depois de este ter manifestado a inten-

ção de viajar até à Síria e converter-se em membro activo do Estado Islâmico. O jovem tinha já adquirido um bilhete de avião só

“Vamos tomar medidas para conter os extremistas” FUMIO KISHIDA Ministro dos Negócios Estrangeiros

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de ida para a Turquia, e a partir deste país pretendia aceder à Síria, segundo a cadeia televisiva Nihhon. Esta foi a primeira vez que um cidadão nipónico foi detido por querer apoiar ou unir-se a uma milícia extremista na Síria.

As equipas de resgata da Malásia encontraram ontem o navio de guerra do país depois de este ter estado desaparecido durante 31 horas e todos os sete tripulantes estão bem de saúde, revelou a imprensa local. O CB 240 foi localizado perto de uma estação da Malásia nas ilhas Spratley, no Mar do Sul da China, a cerca de 239 quilómetros de Kota Kinabalu, no estado de Sabah, no norte da ilha do Borneu, revelou o diário “The Star”. Abdul Aziz Jaafar, comandante da marinha malaia, explicou que um dos barcos envolvidos nas buscas detectou segunda-feira um sinal de alerta que o levou até ao CB 240 que foi arrastado pela corrente depois de sofrer uma avaria nos motores. O CB 240 zarpou domingo do porto de Kota Kinabalu numa missão de patrulha de 10 horas junto de outra embarcação que regressou ao mesmo porto devido ao mau tempo. Uma utilização de diferentes frequências de rádio e a ausência de contacto visual impediram o segundo navio de se aperceber das dificuldades do CB 240.

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ANÚNCIO “Aquisição, pelo IACM, de um veículo pesado com grua e rampa de acesso” Concurso Público n° 005/IACM/2014

Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM, tomada em sessão de 19 de Setembro de 2014, se acha aberto concurso público para a “Aquisição, pelo IACM, de um veículo pesado com grua e rampa de acesso”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais ( IACM ), sito na Avenida de Almeida Ribeiro nº 163, r/c, Macau. O prazo para a entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 17 de Novembro de 2014. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM e prestar uma caução provisória no valor de MOP30,000.00 (trinta mil patacas). A caução provisória pode ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n° 163, r/c, por depósito em dinheiro, cheque, garantia bancária ou seguro-caução, em nome do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório do Centro de Formação do IACM, sita na Avenida da Praia Grande, n.° 804, Edf. China Plaza 6.° andar, pelas 10:00 horas do dia 18 de Novembro de 2014. Macau, aos 23 de Setembro de 2014. O Presidente do Conselho de Administração Vong Iao Lek WWW. IACM.GOV.MO

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 16/P/14 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 15 de Setembro de 2014 , se encontra aberto o Concurso Público para <<Prestação de Serviços de Apoio Técnico Informático aos Serviços de Saúde >>, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 8 de Outubro de 2014, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, nº 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP36,00 (trinta e seis patacas), título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo) As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São

Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 28 de Outubro de 2014. O acto público deste concurso terá lugar no dia 29 de Outubro de 2014, pelas 10,00 horas, na sala do <<Auditório>> situada junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação e uma caução provisória no valor de MOP 56.460,00 (cinquenta e seis mil, quatrocentas e sessenta patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/SeguroCaução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 24 de Setembro de 2014 O Diretor dos Serviços Lei Chin Ion


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EVENTOS

hoje macau quarta

O artista chinês a residir em Itália expõe até dia 9 de Novembro trabalhos produzidos este ano que combinam elementos orientais e ocidentais

CCM “DIÁRIO DE UM LOUCO” NO PEQUENO AUDITÓRIO

Olhar sobre a China

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melhor da nova vaga de teatro chinês chega a Macau com o Diário de um Louco, uma adaptação rebelde e arrojada do dramático texto escrito por Lu Xun, pai da moderna literatura chinesa. Interpretada ao som forte do rock, a peça lança um olhar “mordaz e inteligente” sobre a história, a cultura e a sociedade chinesas, através do olhar de um narrador psicologicamente perturbado. Escrito há quase um século, o “Diário de um Louco” mantém uma actualidade desconcertante, com

um impacto profundo nos tempos que agora vivemos. Apresentada pelo grupo de teatro independente New Youth Group, sediado em Pequim, a peça conta-nos a história de um homem que se torna obcecado com o canibalismo, um fenómeno que acredita ser prática comum de todos quantos o rodeiam. O encenador alternativo Li Jianjun vê nesse mundo literário inúmeras referências com o presente, achando que nos devemos questionar, tanto o público como ele próprio, sobre os valores que agora procura-

mos já que “atravessamos um ponto de viragem, à espera que novos valores se levantem”, afirma. Aclamada pela crítica em Pequim, Taipé e Berlim, esta adaptação do pequeno conto confronta o público com uma reflexão precisa sobre os tempos que vivemos, com uma peça independente do que se produz na China. O espectáculo está marcado para as 20h00 no Centro Cultural de Macau e será em mandarim, com legendas em chinês. Os bilhetes custam 180 patacas.

escultor chinês John Lau Kwok Hung exibe, nas Casas-Museu da Taipa, a exposição “Andante”. A mostra junta obras de escultura criadas este ano. Actualmente a viver em Itália, de onde retira o nome para a exposição - “Andante” é um termo musical originário do italiano, que tem como referência o ritmo do andar humano -, o escultor chinês cria obras que combinam a arte da escultura, a caligrafia chinesa, a pintura ocidental e a música, numa relação que o autor apelida de “harmoniosa”. Natural de Hong Kong, John Lau cultivou grande interesse pela pintura e caligrafia desde muito jovem. Estudou dança e canto, artes cuja influência se atesta na sua escultura.

TAIPA PEÇAS CONTEMPORÂNEAS NAS C

Música e escu John Lau intitulou esta exposição de “Andante”, representando os esforços incessantes e o ultrapassar dos limites.

ELEGÂNCIA MUSICAL

“É de um andamento agradável e elegante e relativamente

lento, semelhante a um passeio musical. No processo criativo, não usa o cinzel tradicional. Em vez disso, utiliza um maçarico de soldagem oxiacetilénica de modo a compor formas artísticas a partir de barras de ferro. O

Lou Lim Ioc Fotografias de Wong Sek Kuan

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Á está aberta a exposição fotográfica “Sombra, Pintura e Sentimento”, da autoria de Wong Sek Kuan. Integrada no Projecto de Promoção de Artistas de Macau e organizada pela Fundação Macau, a mostra está aberta ao público todos os dias das 9h00 às 19h00 no Pavilhão Chun Chou Tong, no Jardim Lou Lim Ioc.

A exposição reúne mais de 60 fotografias do fotógrafo local Wong Sek Kuan, sendo que será ainda lançado um álbum fotográfico sobre as obras expostas com o mesmo título. Wong Sek Kuan, natural de Macau, é o director da Associação Promotora para as Indústrias Criativas na

Freguesia de São Lázaro. É igualmente membro do Conselho para as Indústrias Culturais e tem vindo a participar ao longo dos anos em várias actividades que visam a promoção da cultura, das artes e fotografia no território. As fotografias expostas foram tiradas pelo artista nos últimos anos e

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA

tratam essencialmente dos três grandes temas que dão nome à exposição. A maior parte destas imagens refere-se ao património arquitectónico do território e à fisionomia das zonas mais antigas da cidade. A exposição estará patente ao público entre 8 e 17 de Outubro e a entrada é gratuita.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

PROSAS APÁTRIDAS • Julio Ramon Ribeyro

A CIDADE DE ULISSES • Teolinda Gersão

Muitas vezes divertidos, às vezes melancólicos, mas sempre profundos e íntimos, os fragmentos que compõem estas Prosas Apátridas permitem-nos aceder ao universo de um narrador maravilhoso. O leitor tem nas suas mãos o testemunho espiritual de um dos grandes autores hispânicos do século XX.

Um homem e uma mulher encontram-se e amam-se em Lisboa. A sua história, que é também uma história de amor por uma cidade, levará o leitor a percorrer múltiplos caminhos, entre os mitos e a História, a realidade e o desejo, a literatura e as artes plásticas, o passado e o presente, as relações entre homens e mulheres, a crise civilizacional e a necessidade de repensar o mundo.


eventos 13

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OUTRAS MÚSICAS Joey Tang e Elaine actuam este sábado, nas Casas Museu da Taipa. Os jovens músicos, conhecidos do território, vão tocar em conjunto com outros dois artistas, Arie e John. Joey Tang, elemento da Banda Tai Chi, é produtor e director musical, compositor e guitarrista. Recentemente, está a tocar em conjunto com bandas de rock. Elaine é também uma guitarrista considerada marcante que foi convidada para actuar no concerto de Alan Tam. Já Arie e John compõem um dueto, sendo que Arie é ao mesmo tempo psicólogo e músico e John músico e guitarrista. O desejo de ambos é utilizar a música como terapia do mundo. O concerto está marcado para as 17h30 no anfiteatro das Casas Museu da Taipa, já no próximo sábado.

CASAS-MUSEU

ultura de braço dado fogo derrete o ferro, o material bruto de ferro apresenta linhas delicadas que dão vida às suas obras”, explica um comunicado sobre a exposição. “[John Lau] cria seres humanos diferentes, incluindo músicos, bailarinos e atletas.

Realista e sólido, a sua obra também exibe as pinceladas da caligrafia, enriquecendo as suas criações com recursos adicionais.” Uma característica única das suas obras são os detalhes requintados dos rostos humanos

e dos objectos importantes, sendo que noutras partes existem apenas contornos grosseiros. A composição, aparentemente inacabada, é semelhante a inúmeras esculturas gregas que apresentam apenas o núcleo central do corpo.

STAND-UP COMEDY JOÃO SEABRA NO CONSULADO

Macau também pode rir O humorista João Seabra começou ontem um programa de cinco dias de espectáculos de stand-up comedy e de ventriloquismo em Macau. O primeiro dia foi dedicado às crianças das escolas luso-chinesas e do curso para crianças do Instituto Português do Oriente (IPOR), entidade responsável pelo convite do artista. No próximo sábado, contudo, o humor será espalhado entre os mais graúdos. O humorista vai apresentar um espectáculo de stand-up comedy pelas 20h30, no auditório Dr. Stanley Ho do Consulado-Geral de Portugal. A entrada é gratuita, mas só é permitida a maiores de 16 anos.

Todas as obras da exposição foram criadas este ano e baseiam-se, principalmente, no tema “Sinfonia da Estrada da Seda”, que John tem tratado recentemente. São esculturas de espectáculos musicais chineses e ocidentais que atravessam as fronteiras das culturas e escolas musicais. A exposição está patente na Casa de Exposições das Casas-Museu da Taipa até dia 9 de Novembro, das 10h00 às 18h00 e tem entrada livre.

João Seabra conta com várias participações em diversos projectos de diferente áreas. No cinema, o humorista marcou papel nos filmes “Desta Água” e “Balas e Bolinhos”, na televisão fez parte das séries ‘Bolhão Rouge’ e ‘Humor Cão’. ‘Levanta-te e Ri’ foi o programa que mais projecção deu à carreira do humorista que já pisou palcos um pouco por toda a Europa e, também, no Brasil. O convite do IPOR surge na continuidade do programa iniciado em 2013, que contou com a participação do humorista Pedro Tochas e que pretende promover o contacto com expressões artísticas assentes na exploração lúdica e criativa da língua portuguesa. Por outro lado, “esta é uma forma de trazer a Macau imagens de contemporaneidades artísticas de Portugal e suscitar a criação de diálogos com agentes locais”, diz a direcção do IPOR.

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O QUE FAZER ESTA SEMANA HOJE

CORO LÍRICO SICILIANO (FIMM) Igreja de São Domingos, 20h00 ENTRADA GRATUITA MAS LIMITADA AOS LUGARES EXISTENTES

ABERTURA DA EXPOSIÇÃO “BEYOND PIXELS” DE VICTOR MARREIROS (ATÉ DIA 31/12) Signum Living Store, Rua Almirante Sérgio, 19h00 ENTRADA LIVRE

ABERTURA DA EXPOSIÇÃO “VIAGEM À TERRA DOS SONHOS” DE SU JIAN LIANG (ATÉ DIA 23/10) Galeria da Fundação Rui Cunha, 18h30 ENTRADA LIVRE

AMANHÃ

FESTIVAL DE JAZZ & BLUES Venetian, Cotai 18h30 – Bleu Rascals / Jazz Quartet 19h00 – Skyline / DJ sessions 19h30 – Big Small Quintet with Tess Collins 20h00 – Afro Jazz 20h30 – Andy Fresco & The UN 21h00 – Trio Ricardo Special 22h00 – Sister Sparrow and the Dirty Birds 23h00 – Anthony Strong / Blue Note ENTRADA LIVRE DOMINIC MILLER BAND (FIIM) Fortaleza do Monte, 20h00 ENTRADA LIVRE

SEXTA-FEIRA

FESTIVAL DE JAZZ & BLUES Venetian, Cotai 18h00 – Big Small Quintet with Tess Collins / DJ Sessions 18h30 – Blue Note 19h00 – Old Style Sextet 19h30 – Blue Note 20h00 – The Kandinsky Effect 21h00 – 3-0-3 Tango Fusion 21h30 – 80 & Tal 22h00 – Soulmate 23h30 – Andy Fresco & The UN / Flipside DJ Sessions ENTRADA LIVRE INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE CONCEIÇÃO JÚNIOR “TERRITÓRIOS” Clube Militar, 18H15 ENTRADA LIVRE INAUGURAÇÃO DO WORLD PRESS PHOTO (ATÉ 2 DE NOVEMBRO) Casa Garden, 18h30 ENTRADA LIVRE

SÁBADO

FESTIVAL DE JAZZ & BLUES Venetian, Cotai 13h00 – Jazz Jam 15h30 – Blue Note 17h30 – 80 & Tal 18h00 – Concrete/Lotus 19h00 – The Moreira Project 20h00 - Lowcal 21h00 – Budda Power Blues (Portugal) 22h00 – The Northern Governors 23h00 – Andy Fresco and The UN ENTRADA LIVRE


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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WANG CHONG

王充

OS DISCURSOS PONDERADOS DE WANG CHONG

Sobre a morte – 5 Pela sua natureza, o Céu e a Terra podem acender novos fogos, mas não reacender fogos já extintos; podem fazer nascer homens, mas não podem ressuscitá-los depois de mortos. O Céu e a Terra, são incapazes de reanimar fogos extintos e, por isso, duvido que os mortos possam voltar a ter forma [humana]: ou seja, o facto de fogos extintos não poderem ser reanimados mostra claramente que os mortos não podem transformar-se em fantasmas. As pessoas pensam que os fantasmas são os espíritos subtis dos mortos. Mas se tal fosse deveras o caso, os fantasmas deveriam aparecer completamente nus, em vez de completamente vestidos. E porquê? Porque as roupas não possuem fluidos subtis. Quando uma pessoa morre, as suas vestes decompõem-se com o seu corpo: como poderia [o seu fantasma] tornar a vestir-se? Os espíritos subtis residem sobretudo no sangue, que está constantemente ligado ao corpo [durante a vida]; quando o corpo se corrompe, se os espíritos continuassem [juntos, em vez de se dissiparem], poderíamos, em rigor, acreditarem que pudessem transformar-se em fantasmas [e transmitir uma ilusão do corpo]. Mas as roupas são feitas de seda ou de outros tecidos, não se encontram em contacto com os fluidos sanguíneos durante a vida e não possuem elas próprias tais fluidos. Uma vez decompostas, as roupas desaparecem completamente com o corpo: como poderiam, de moto próprio, retomar a sua anterior forma de roupa [para vestir o fantasma]? As roupas [do fantasma] assemelham-se às [do morto], e o corpo [do fantasma] assemelha-se ao do morto. Desta falsa semelhança, podemos concluir que o fantasma não é formado pelos fluidos subtis do morto. Tradução de Rui Cascais | Ilustração de Rui Rasquinho

Wang Chong (王充), nasceu em Shangyu (actual Shaoxing, província de Zhejiang) no ano 27 da Era Comum e terá falecido por volta do ano 100, tendo vivido no período correspondente à Dinastia Han do Leste. A sua obra principal, Lùnhéng (論衡), ou Discursos Ponderados, oferece uma visão racional, secular e naturalista do mundo e do homem, constituindo uma reacção crítica àquilo que Wang entendia ser uma época dominada pela superstição e ritualismo. Segundo a sinóloga Anne Cheng, Wang terá sido “um espírito crítico particularmente audacioso”, um pensador independente situado nas margens do poder central. A versão portuguesa aqui apresentada baseia-se na tradução francesa em Wang Chong, Discussions Critiques, Gallimard: Paris, 1997.


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artes, letras e ideias 15

O fantasma nĂŁo ĂŠ formado pelos fluidos subtis do morto.


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António Guerreiro IN PÚBLICO

LER O QUE NUNCA FOI ESCRITO

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STE livro, anunciado como a edição de um romance inacabado do espólio de José Saramago, é um híbrido. Integra nove notas breves que o escritor escreveu enquanto trabalhava nele, numa altura em que já estava doente, e inclui ainda um texto do seu biógrafo, Fernando Gómez Aguilera, para além de outro do jornalista italiano Roberto Saviano, conhecido pela sua luta contra a Máfia, mais uma série de desenhos de Günter Grass. Exceptuando as notas, plenamente justificáveis, para quê esta acumulação de materiais a acompanhar o texto inédito, que o sufocam e desviam completamente no momento em que ele vai chegar pela primeira vez aos leitores? É fácil adivinhar: porque as vinte e duas páginas que Saramago escreveu para aquele que deveria ser o seu último romance é algo demasiado inacabado para interessar ao leitor comum. Para não o confinar ao universo estrito dos especialistas e curiosos, o editor fabricou um simulacro. Quando se publica postumamente um texto inédito, tem de haver um responsável pela edição que geralmente nos informa do estado em que encontrou o texto, dos critérios que seguiu para o editar. Sendo esse editor o intermediário, é necessário que ele nos diga em que consistiu a sua intermediação. Mas aqui não existe a indicação de quem procedeu a esse trabalho. E o leitor só descobre que está perante um romance inacabado quando lê o texto da contracapa, que o informa de que Saramago deixou escritas trinta páginas. Ou serão vinte e duas, como diz Fernando Gómez Aguilera? O biógrafo pecou por avareza ou a editora achou por bem levar até ao fim o jogo demagógico das ampliações?. Em que consiste a parafernália destinada a fazer-nos ler o que nunca foi escrito e a criar condições para a recepção do livro que não são aquelas que um texto inédito, póstumo e inacabado jamais deve ter? As ilustrações de Günter Grass (que fazem parte da edição comemorativa de um dos seus romances) são, nesta perspectiva, relativamente inócuas. Menos inócuo é o texto do biógrafo que glosa o mito do escritor que, já no limite da sua resistência, ganha, na força com que se agarra à escrita, uma condição sobre-humana. Pode ser verdade, mas quando o tom está entre a hagiografia e a epopeia sentimos a vontade de proteger o escritor do seu biógrafo e desdenhamos do seu incitamento a lermos as letras “que não puderam ser escri-

tas”. Assim termina o seu texto: “Um Saramago em estado puro até à última das suas letras, incluindo aquelas que não puderam ser escritas no lugar a que a vontade as tinha destinado, mas que, contudo, ainda hoje ecoam da liberdade da sua poderosa consciência insubstituível”. E, algumas páginas antes, tinha escrito: “Surpreende a enorme energia que as histórias revelam na imaginação e na determinação do narrador, mesmo antes de serem formalizadas no papel e de chegarem ao leitor”. Esta literatura que já o era antes de ser “formalizada no papel” também dispensaria o texto de Saviano, que tem outra função: a de prolongar a causa e a denúncia da guerra e dos mecanismos de violência e terror que conseguimos adivinhar nos três capítulos do romance inacabado de Saramago. A causa é certamente justa, mas não é justo pôr o texto imediatamente ao serviço dela ainda antes de ter sido objecto de leitura e recepção públicas.

E como se tudo isto não fosse suficiente para colocar os leitores sob tutela, o texto é paginado com destaques a vermelho que entram pela mancha da página como decoração gráfica. Que ideia tem a editora do que é publicar um inédito, quando se permite fornecer aos leitores um texto sublinhado (é esse o efeito dos destaques) por quem o edita? Percebemos bem o alcance de

EM QUE CONSISTE A PARAFERNÁLIA DESTINADA A FAZER-NOS LER O QUE NUNCA FOI ESCRITO E A CRIAR CONDIÇÕES PARA A RECEPÇÃO DO LIVRO QUE NÃO SÃO AQUELAS QUE UM TEXTO INÉDITO, PÓSTUMO E INACABADO JAMAIS DEVE TER?

toda esta operação quando lemos as declarações do editor Manuel Alberto Valente, reproduzidas num artigo sobre o livro, no “Expresso”, da autoria de José Mário Silva: “Creio que nele [no livro] podemos encontrar Saramago no seu melhor. Eu em tempos fui seu vizinho e ele dizia-me que podia só escrever dez linhas numa manhã, mas que essas linhas ficavam prontas, definitivas, já não lhes tocava mais”. Ao editor, dá muito jeito que nós acreditemos nisto, mas por azar uma das notas de Saramago desmente-o: “Regressei a Belona S. A. [Saramago pensava então chamar-lhe assim]. Corrigi os três primeiros capítulos (é incrível como o que parecia bem o deixou de ser)”. E, no mesmo artigo, Pilar del Río vai ainda mais longe nesta ideia e o leitor só tem de seguir as instruções e embarcar na ilusão do “como se”: “As personagens evoluiriam, a investigação também, mas rapidamente se precipitaria o desenlace. Acabaria por


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Luís Osório IN I

Saramago não merecia

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ter uns seis capítulos e talvez o dobro do tamanho, não mais”. Embalado por esta lógica que constrói um romance hipotético, José Mário Silva remata com números mais precisos: “Os três capítulos correspondem a 66 páginas, pelo que o tamanho final ultrapassaria em pouco as cem páginas”. O leitor só precisa de imaginar essa totalidade que é uma espécie de futuro anterior do livro, mas com a ajuda do editor e com o efeito dos seus ecos é muito fácil. Tanto mais fácil quanto Saramago revelou numa nota: “O livro terminará com um sonoro ‘Vai à merda’”. Só falta um passo para editores, biógrafos e demais gente mobilizada para os grandes empreendimentos da coisa literária garantirem aos leitores que o “Vai à merda” só não foi impresso na última página para não cheirar mal. E agora, que já ocupámos tanto tempo e espaço a desactivar os intercessores, é tempo de ler o texto, que não tem de responder por eles.

OSÉ Saramago foi um dos mais extraordinários inventores de ideias universais e também de uma original métrica de palavras e pontuação. Ficará na história da literatura portuguesa e continuará a ser, por longas décadas, uma referência ideológica e de pensamento para milhares de pessoas em todo o mundo. Numa escolha subjectiva e meramente pessoal, três dos seus livros ajudaramme a perceber o mundo, a alargá-lo e a questioná-lo: “História do Cerco de Lisboa”, “Memorial do Convento” e “Ensaio sobre a Cegueira”. Na sua vida foi um polemista, não se desviou dos confrontos, assumiu de frente os combates que achou por bem. Exilou-se em Espanha numa fuga ao lado mais sombrio do cavaquismo. Manteve-se comunista até ao fim, mas, ao contrário da larga maioria, ganhou dentro do PCP um estatuto de excepção, o de individualista. No final da sua vida, muito pela influência de Pilar, reaproximou-se de Portugal. Não fez tudo bem, como qualquer homem ou mulher, mas marcou o seu tempo, carimbou-o com um apelido que à partida o condenaria ao anonimato dos pais ou avós. Por tudo isto, não é concebível a forma como se lançou “Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas”. Vinte e poucas páginas escritas, poucas notas do autor e o desejo de uma frase para o final - a isso juntaram-se imagens de Günther Grass, comentários do seu biógrafo e de um escritor italiano... Os autores da ideia executaram um plano estratégico de ataque aos mercados vendendo a ideia de que o projecto de livro é um Saramago “vintage”. Não havia necessidade. É um golpe publicitário que Saramago não merecia, um oportunismo mascarado de interesse público. Se Saramago tinha 20 páginas originais, deveriam ser divulgadas e ficar no seu espólio, não ser vendidas num embrulho que, fazendo muito volume, o empequenece. Celebrar o escritor e a sua genialidade criativa é um dever de todos os que preservam a memória. Aplaudirei homenagens a tudo o que nos deixou, mesmo àquilo de que gostei menos ou ao que nada me disse. Não me peçam é que aplauda o que ele próprio rejeitou em vida: a glorificação do mercado. Para um escritor que sempre fez segredo dos seus livros, que apenas os divulgava quando estavam finalizados, é de uma feroz ironia que o seu último livro passe a ser um que não passou do princípio.

Exmo.º Senhor Director O Gabinete de Informação Financeira vem por este meio clarificar alguns aspectos referentes a uma notícia publicada no jornal que V. Exª dirige a 26 de Setembro de 2014, com chamada à capa em manchete sob o título “Por baixo dos panos” e desenvolvimento na página 4 da mesma edição sob o título “O amigo americano”, assinado pela jornalista Joana Freitas, e ainda sobre a notícia publicada na coluna na mesma página 4, da mesma edição de sexta-feira dia 26 de Setembro, a negrito, sob o título “Memorandos secretos causam preocupação” assinada com as inicias HM. O que faz nos seguintes termos: O GIF recebeu um e-mail da jornalista Joana Freitas em representação do jornal Hoje Macau, em 13 de Agosto de 2014, pelas 16h52. Não houve qualquer outra troca de e-mails entre o GIF e o Jornal Hoje Macau acerca deste assunto. 1. O GIF estranha que a simples resposta [enviada ao jornal] tenha resultado num acervo de declarações tão prolíficas em quantidade e conteúdo atribuídas a este Gabinete as quais, como é óbvio, nunca fez. 2. Todavia, num perspectiva de colaboração com os órgãos de comunicação social, o GIF reafirma a informação prestada a esse jornal através do e-mail acima transcrito de que a entidade do Governo da RAEM com competência para a negociação dos TIEAs é da Direcção dos Serviços de Finanças pelo que quaisquer questões sobre o assunto devem ser endereçadas àquela Direcção de Serviços. 3. Os memorandos de entendimento assinados entre o

GIF e entidades congéneres não são secretos, têm a sua assinatura autorizada através dos actos normativos adequados publicados no Boletim Oficial da RAEM e o seu conteúdo baseia-se, genericamente, nos “Princípios para a Troca de Informações entre Unidades de Informação Financeiras” do Grupo de Egmont, os quais se encontram publicados na página electrónica daquele Grupo de Egmont e acessíveis a qualquer interessado incluindo profissionais da imprensa. Mais solicita este Gabinete que, de futuro, não lhe sejam assacadas declarações que não prestou ou competências e atribuições que lhe não estão atribuídas face à lei vigente em Macau. Por último gostaríamos ainda de solicitar a V. Exª. que esta clarificação fosse inserida num dos próximos números do diário que dirige por forma a que o público em geral seja devidamente informado duma forma consentânea com o exercício deontologicamente correcto do dever de informar. Com os melhores cumprimentos, Ng Man Seong, Deborah Gabinete de Informação Financeira Coordenadora

Nota da Editora: Em virtude da carta enviada pelo GIF a este jornal, vimos responder o seguinte: De facto, foi a Direcção dos Serviços de Finanças que enviou ao HM as respostas sobre o acordo financeiro entre a RAEM e os EUA e a Austrália, pelo qual pedimos desculpa aos visados. De qualquer forma, por favor queiram notar que o nosso artigo se debruça sobre dois temas e, relativamente ao foco principal do nosso artigo, – isto é, relacionado com a assinatura de um memorando que vai ditar novos regulamentos a ser seguidos pela RAEM face à troca de informações fiscais – não está escrito, em lado algum, que a informação nos foi fornecida ou pelo GIF ou pela DSF. O nosso artigo foi feito com base em informações prestadas em comunicado e outras prestadas pela Comissão de Protecção de Dados Pessoais portuguesa, tal como indicado no texto. Já o artigo assinado com as iniciais HM foi feito com base em fontes que nos são credíveis, incluindo o portal do GIF. Daí, vimos assim explicar que não há qualquer erro no nosso texto, com a excepção do assumido acima: meramente que as informações que se referem a um acordo de combate à evasão fiscal terão de ser atribuídas à Direcção dos Serviços de Finanças e não, como foi erradamente, ao GIF. Com os melhores cumprimentos,


DESPORTO

MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

Nono título de campeão asiático, sexto consecutivo. Macau ainda é a selecção que mais ordena no panorama do hóquei em patins do continente asiático? É. Provámos mais uma vez que, mesmo com as dificuldades que enfrentamos para nos prepararmos para a prova, conseguimo-nos superar e superar os adversários que encontrámos pelo caminho. Fizemo-lo com muita humildade e graças à enorme amizade que há no seio do grupo de trabalho que representa Macau. Foram estas as razões que permitiram que levássemos o barco a bom porto. Jogaram o encontro decisivo contra Taiwan. Uma final que acabou por se revelar um bocadinho mais fácil do que aquilo que estariam à espera: derrotaram Taiwan por duas vezes por uma margem superior a dez golos. O Japão foi talvez a equipa que se apresentou perante vós com um hóquei mais equilibrado. No entanto, esta final inédita com Taiwan … É sinal que algo está a mudar no hóquei patinado do continente asiático? Sim, ainda que tenhamos que ter em conta que o sorteio e a forma como o calendário foi estabelecido permitiu que uma equipa que à partida não seria candidata pudesse chegar à final. Ainda assim, os jogos tornaram-se fáceis porque nós os fizemos fáceis: trabalhamos o jogo para que as coisas corressem a nosso favor desde o início. No entanto, é errado pensar que este Campeonato Asiático foi um passeio. O início das partidas, sobretudo dos dois primeiros encontros, foi muito complicado porque há sempre aquele período em que é necessário estudar o adversário, perceber o que ele poderá fazer. Conseguimos, ainda assim, superar isso. Nos dois primeiros jogos – recordo-me – entramos a perder, mas depois rectificámos a nossa maneira de jogar, corrigimos as nossas marcações, começámos a acertar no espaço em profundidade e a dilatar o marcador. O Paquistão desistiu. Olhando de uma forma abrangente para o panorama do hóquei em patins asiático,

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pedido, que era voltarmos a ser campeões. Afortunadamente, foi o que aconteceu.

ANTÓNIO FALCÃO

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ALBERTO LISBOA, SELECCIONADOR DE HÓQUEI EM PATINS, PERSPECTIVA A PARTICIPAÇÃO NO MUNDIAL B

“Se ficarmos a meio da tabela será excelente” Já perdeu a conta aos triunfos que conquistou e aos golos que marcou com a camisola da selecção do território e diz-se incansável. Aos 46 anos, Alberto Lisboa, continua a calçar os patins e a dar o contributo aos campeões asiáticos dentro e fora dos ringues e a despedida até poderá nem estar para breve. Depois de se ter sagrado novamente campeã asiática em Haining, a formação do Lótus prepara desde o início da semana a participação no Mundial B, mas em Canelones as dificuldades serão outras, sustenta o seleccionador de hóquei em patins de Macau que balanço pode ser feito? O cenário está a melhorar? Há renovação? O Japão apresentou-se com muita gente jovem. O Japão levou a Haining uma equipa muito jovem. Se eles continuarem nesta

senda, nas próximas edições do Asiático serão um sério candidato a discutir o título. A Índia… Pessoalmente esperava um pouco mais da Índia. A selecção com que se apresentou no certame não era propriamente fraca,

Os resultados são fruto de um vasto trabalho e de uma enorme dedicação e não falta [isto] aos atletas que integram a selecção, ainda que não tenhamos um espaço condigno para treinar

mas esperava uma equipa com uma maior agressividade. Só mostrou entrega e competitividade frente a Macau e nos restantes encontros mostrou alguma inconstância, com alguns altos e baixos. Taiwan acabou por ser a equipa mais regular e por isso conseguiu discutir a final connosco. O Japão entrou no Campeonato muito mal e nos últimos jogos subiu muito de rendimento. Os dois jogos que fez contra nós, por exemplo, foram bastante equilibrados. O resultado não é isso que espelha,

porque tivemos a felicidade de ter maior sangue frio na hora de facturar. Nós fomos à baliza deles e marcámos e eles não foram felizes no capítulo da finalização: no primeiro jogo não saíram da estaca zero e no segundo golo conseguiram marcar um golo à nossa equipa. A diferença, creio, passou também pela experiência do guarda-redes. O nosso esteve impecável, a exemplo do que sucedeu com a restante equipa. Todos estiveram concentrados a cem por cento nos objectivos traçados e no que lhes era

E Macau? Tem patins para continuar a dominar o hóquei no continente asiático? Ou manter o predomínio começa a ser difícil? As coisas já estão complicadas há bastante tempo. Quem está por dentro da modalidade conhece bem as dificuldades pelas quais passamos, no que toca à preparação e a uma série de outras questões. Não basta distribuir dinheiro para que uma modalidade cresça. O dinheiro não forma jogadores, o dinheiro não compra nem ganha campeonatos. Temos de os jogar, temos de os conquistar e para que tal aconteça necessitamos de formar atletas. Os resultados são fruto de um vasto trabalho e de uma enorme dedicação e não falta [isto] aos atletas que integram a selecção, ainda que não tenhamos um espaço condigno para treinar. Esta situação deixa-nos bastante tristes, mas ao mesmo tempo são estes pequenos obstáculos que nos dão força para fazermos aquilo de que gostamos, que é garantir que a modalidade tem futuro em Macau. Futuro que se coaduna com uma das novidades que ganhou forma em Haining. O hóquei de Macau esteve representado na segunda edição do Campeonato Asiático de Juniores. A selecção do território terminou no terceiro e último lugar da tabela. O futuro do hóquei patinado está garantido? Sim. Foi uma experiência muito positiva para eles. Se entretanto forem aparecendo mais interessados em praticar hóquei, e tendo em conta que alguns destes atletas ainda são elegíveis para voltar a participar no certame, creio que daqui a dois anos os resultados poderão ser outros. Não será fácil, ainda assim. Os miúdos vão crescer e é inevitável que sejam absorvidos pelos seniores. Não digo todos, mas um ou outro poderão ser confrontados com essa opção, o que é muito bom. Vamos jogando e treinando com os jogadores que temos e com o local que nos dão. Cada vez é mais difícil nós treinarmos. Para que possa ter uma ideia, treinamos três vezes por semana, durante uma hora. Não é nada, é muito pouco. Mas ainda


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assim não desistimos e foi a perseverança que nos ajudou a trazer mais esta medalha para Macau. Falava na renovação. Há dois anos já houve sangue novo na equipa que disputou o Mundial B, em Canelones, no Uruguai. Algum destes jovens jogadores que estiveram em Haining poderão marcar presença no Mundial B que se avizinha? Penso que sim. Esta é uma questão que está dependente de outros factores, como sejam a vontade dos pais ou a escola. Teremos de falar com os pais para tentar perceber qual é a abertura da parte deles para libertar os jogadores para os treinos e para esta deslocação ao Uruguai. Tive já a oportunidade de falar com alguns miúdos que estão entusiasmados com a possibilidade e gostariam muito de ir caso fossem seleccionados. Agora, depende é dos pais, se os autorizam ou não a marcar presença porque em primeiro lugar está a escola e só depois está o hóquei em patins. Temos de respeitar estas decisões. Vamos seguir com os treinos, que começaram já esta segunda-feira, sempre esperançados de que os miúdos apareçam para continuar o trabalho. Este Campeonato Asiático serviu para preparar o Mundial B? Foi um bom ensaio? Foi. Foi um bom ensaio. Não podemos esquecer, contudo, que o Mundial B é uma prova muito mais física e as equipas estão melhor preparadas. Em termos físicos, as equipas participantes são bem mais exigentes que as que disputaram o Campeonato Asiático. Até pode parecer que estou a arranjar desculpas, mas com a preparação que temos estado a ter será muito difícil. Se o Campeonato Asiático se prolongasse por mais alguns dias, a nossa prestação em termos de Mundial se calhar seria bem melhor. Infelizmente, vamos voltar outra vez, não diria à estaca zero, mas à realidade e a realidade é esta: uma hora de treino três vezes por semana e ponto final. As outras selecções treinam cinco vezes por semana, durante duas horas. É complicado. É muito complicado. Os objectivos da participação no Mundial B passam, então, por

fazerem boa figura sem grandes pretensões? Sim. Para a Associação de Patinagem de Macau o principal objectivo da participação no Mundial B passa, obviamente, por procurar fazer o melhor. O segundo propósito passa por tentar melhorar sempre a prestação face aos resultados obtidos na anterior edição da prova. É isso que vamos tentar fazer no Uruguai. É sempre esse o nosso objectivo quando tentamos participar no Mundial e mais uma vez, contra tudo e contra todos, vamos marcar presença para tentar melhorar a nossa prestação. O Alberto voltou a provar em Haining que quem sabe nunca esquece. Aos 46 anos voltou a calçar os patins e a dar o contributo à equipa. No Uruguai, vamos tê-lo também a liderar as operações dentro de campo? É uma hipótese que ainda está a ser equacionada. Tenho de discutir esta questão com o presidente da Associação de Patinagem e com alguns jogadores. Eles conhecem-me bem e sabem do que eu sou capaz. Como disse há pouco, no Mundial os jogos são muito mais exigentes. São muito mais rápidos, muito mais violentos em termos de entrega e exigem mais, em termos físicos. Com a idade que tenho, o período de recuperação é muito mais lento. O primeiro e o segundo jogos não seriam grande problema, mas a partir do terceiro jogo, talvez a

recuperação começasse a ser um bocado penosa. Não decidi, ainda assim, se jogo ou não. Vou ponderar a questão durante mais algum tempo para tentar perceber como me sinto até lá e logo decido se irei como jogador-treinador ou como seleccionador apenas. Da China voltaram com um novo título asiático e uma vez mais também com o melhor ataque e o melhor marcador. Ter um avançado a marcar tantos golos como o Hélder Ricardo facilita a tarefa a que a selecção se propõe? Sim, sim. Há dois anos, no último Mundial, em Canelones, fomos a melhor selecção em termos de golos marcados e o Hélder foi o melhor marcador, portanto

Eu costumo dizer que na Ásia devemos ter abertura suficiente para esperar tudo. Já estivemos presentes em Asiáticos piores, em que vencemos e nem medalhas tinham para nos entregar só temos é de ficar contentes. Na China, mais uma vez, as coisas resultaram e foram ao encontro do que eu digo à equipa. Quando um jogador está num bom momento de forma, o grupo trabalha em prol desse jogador. Se as coisas estiverem a sair bem, insistimos em apoiar ao máximo a prestação desse atleta e é o que tem vindo a acontecer nestes últimos torneios: um jogador entra bem na competição e nós, de certa forma, jogamos em função do seu rendimento e do que se está a passar no momento. O Hélder tem sido afortunado, nós temos trabalhado para ele e ele só tem de fazer o que lhe compete: marcar golos e ajudar a equipa a vencer. A selecção regressou de Haining com o tí-

tulo, mas sem um troféu. Volta e meia isto acontece... É lamentável que tal aconteça? Não. Não houve nem troféus colectivos nem individuais e é lógico que quando um jogador se evidencia e se sagra melhor marcador, ou melhor guarda-redes é sempre bom para esse atleta ver o seu trabalho agraciado. No caso da equipa, o objectivo do grupo era ser campeão. Era isso que tínhamos em mente e conseguimo-lo. É óbvio que gostaríamos de ter trazido um troféu para melhor guarda-redes, para melhor atleta e para melhor marcador, mas nós sabemos quem foi, portanto… E o troféu colectivo? Como se explica que não haja troféu colectivo? Eu costumo dizer que na Ásia devemos ter abertura suficiente para esperar tudo. Já estivemos presentes em Asiáticos piores, em que

vencemos e nem medalhas tinham para nos entregar. Foram feitas à última da hora. De certa forma já estamos habituados a que isto aconteça. É triste, só posso dizer que é triste. O mínimo que se pode exigir de um torneio ou de uma competição é que haja uma taça ou um troféu que consagre os vencedores. Teme que isto prenuncie alguma coisa face ao futuro do hóquei em patins no continente asiático? O futuro da modalidade está seguro? Esta questão dos troféus depende da comissão organizadora das competições. Já houve situações em que não tivemos quase medalhas e outras em que houve troféus para tudo e mais alguma coisa. Quem está à frente é que estipula estas questões do protocolo. Neste caso esqueceram-se das taças. Não sei muito bem como é que foi em relação ao in-line e às corridas e por isso não me posso pronunciar. Se foi igual para todos, tudo bem. Se não foi, devia ter sido: três equipas foram ao pódio e como tal mereciam uma taça. De um mesmo modo, há dois outros troféus que nos deviam ter sido entregues, porque quando se ganha três vezes consecutivas o Asiático ou uma prova internacional tem-se direito estatutariamente a receber um troféu que assinala o feito. Já alcançamos essa proeza por duas vezes e ainda não recebemos nada, mas vamos continuar à espera. O título asiático não chegou a sair de Macau e já cá mora de novo. O que seria uma boa participação em termos quantitativos no Mundial B? Com as selecções que já confirmaram a participação no Mundial B, creio que se ficarmos a meio da tabela será excelente. Com o problemas todos com que nos deparamos em termos de preparação e condições de treino, isso seria muito bom para nós. Quarto, quinto lugar? Quarto ou quinto lugar. Vai ser muito difícil mas vamos trabalhar para isso.


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ANÚNCIO

CONCURSO PÚBLICO PARA “OBRA DE DECORAÇÃO DA RESIDÊNCIA DO ESTUDANTE DO EDIFÍCIO LEI SAN”

AQUISIÇÃO DE MÁQUINA DE ECOCARDIOGRAMA PARA O INSTITUTO POLITÉCNICO DE MACAU CONCURSO PÚBLICO N.º 05/DOA/2014

1. Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau.

1. 2. 3.

2. Modalidade de concurso: Concurso Público.

4.

3. Objecto do Concurso: Aquisição de Máquina de Ecocardiograma para o Instituto Politécnico de Macau. 4. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas. 5. Garantia provisória: $20 000,00 (Vinte mil patacas), através de depósito no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau ou mediante garantia bancária a favor do Instituto Politécnico de Macau, em Macau. 6. Garantia definitiva: 4 % do preço global da adjudicação (para garantia do contrato). 7. Condições de admissão: Entidades com sede ou delegação na RAEM cuja actividade total ou parcial se inscreva na área objecto deste concurso.

5. 6. 7. 8. 9.

10. 11. 12.

8. Local, data e hora de explicação: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data: 10 de Outubro de 2014, pelas 10H00. 9. Local, data e hora do limite da apresentação das propostas: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data: 21 de Outubro de 2014, antes das 17H45.

13.

10. Local, data e hora da abertura do concurso: Local: Sala de Reunião do Pavilhão Polidesportivo do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data: 10H00, 22 de Outubro de 2014. 11. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: - Preço Razoável (40%) - Conformidade de qualidade dos artigos com as exigências do utente (30%) - Poupança de energia e características de segurança (5%) - Prazo de entrega (10%) - Garantia/Serviços-pós-venda (10%) - Curriculum Vitae, competências e experiência do concorrente (5%) 12. Local, hora e preço para exame do processo e obtenção da cópia do processo: Local de exame: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau Local de obtenção: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua Luis Gonzaga Gomes, em Macau, mediante o pagamento de MOP100,00 (cem patacas). Hora: de 2ª feira a 5ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45. 6ª feira das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30. Telefone: 8599 6178, 8599 6123, 8599 6287 Macau, aos 26 de Setembro de 2014 Presidente do Instituto, Lei Heong Iok

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Entidade que põe a obra a concurso: Instituto Politécnico de Macau (IPM). Modalidade de concurso : concurso público. Local de execução da obra: Rua de Luís Gonzaga Gomes, N.º 136 Edifício Lei San, 4º andar, A4~H4. Objecto da empreitada: execução dos trabalhos de reconstrução e decoração da residência do estudante do Instituto Politécnico de Macau, no local de execução da obra. Prazo máximo de execução: 75 dias. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de 90 dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por Série de Preços. Caução Provisória: MOP 180.000,00 (cento e oitenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço base: não há. Condição de admissão: inscrição na DSSOPT na modalidade de execução de obras. Local, dia e hora do limite para entrega das propostas: Local : Divisão de Obras e Aquisições do IPM, Rua de Luís Gonzaga Gomes. R/C, Macau; Dia e hora do limite: 29 de Outubro de 2014 (Quarta-feira), pelas 17H45 Em caso de encerramento dos serviços e entidades públicas da RAEM, por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora do limite para a entrega de propostas serão adiadas para o mesmo tempo do primeiro dia útil seguinte. Local, dia e hora do acto público: Local: Anfiteatro III, 1.º andar do Edifício Wui Chi do Instituto Politécnico de Macau, sita na Avenida de Dr. Rodrigo Rodrigues. Dia e hora: 30 de Outubro de 2014 (Quinta-feira), pelas 10H00 Em caso de adiantamento da data do limite para a entrega de propostas mencionada de acordo com o número 12 ou em caso de encerramento dos serviços e entidades públicas da RAEM na hora estabelecida para o acto público de abertura das propostas acima mencionadas por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes os seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do Processo; Local: Divisão de Obras e Aquisições do IPM, Rua de Luís Gonzaga Gomes, R/C, Macau; Dia: A partir do dia deste anúncio até ao dia e hora do acto público do concurso. Horário: Horário de Expediente. Na Divisão de Obras e Aquisições do IPM poderão ser solicitadas cópias do processo de preço de MOP1.000,00 (mil patacas), por exemplar. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço razoável 60% - Plano de trabalhos 10% - Experiência e qualidade em obras 18% - Integridade e honestidade 12% Junção de esclarecimentos: Os concorrentes deverão comparecer na Divisão de Obras e Aquisições do IPM, Rua de Luís Gonzaga Gomes, R/C, Macau, a partir de 16 de Outubro de 2014 (inclusive) e até à data do limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Macau, 29 de Setembro de 2014 O Presidente do Instituto Politécnico de Macau, Lei Heong Iok


ócios / negócios

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GREENS KITCHEN & JUICERY ABBI MITCHELL-MORLEY E KATYA MAIA, CO-FUNDADORAS

SE TEMOS QUE COMER, ENTÃO QUE SEJA BEM FILIPA ARAÚJO

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

S

ERÁ que é possível comer chocolate, açúcar e os tão irresistíveis molhos como a maionese ou a mostarda, sem que estes nos façam mal? Abbi Mitchell-Morley, Katya Mendes da Maia e Sophie Lei dizem-nos que sim. As três são fundadoras do Greens Kitchen & Juicery, um novo espaço que pretender ensinar como comer bem e de forma saudável. O projecto surgiu há pouco mais de um ano, quando Katya Maia e Sophie Lei começaram a idealizar um conceito de comida saudável para Macau. Logo depois se juntou Abbi Mitchell-Morley, grande apaixonada pela comida vegetariana. “Foi depois de, numa festa, eu ter levado um bolo sem açúcar mas de chocolate - que a Katya achou fantástico – que surgiu o actual conceito do Greens”, conta-nos Abbi. Sem resistir ao sabor “incrível” do bolo confeccionado por Abbi, as jovens empreendedoras decidiram unir a nutrição à cozinha “de raiz”. “O que nós fazemos aqui é confeccionar os nossos pratos desde a raiz, ou seja, se alguém me perguntar de que são feitos os meus ingredientes eu sei responder de olhos fechados. Nada do que oferecemos aos nossos clientes tem ingredientes ‘desconhecidos’. Usamos produtos o menos processados possível e o mais saudável possível”, explica a também Chef, Abbi Morley. Para as empresárias é errado pensar que não se pode comer este ou aquele alimento, sendo a maionese um dos exemplos mais usados durante a conversa com o HM. “Há um grande tabu que envolve a maionese, porque é muito calórica, porque faz mal à saúde, porque é muito gorda”, começa por explicar Abbi, argumentando que esta fama pouco simpática deriva muito do conceito que a publicidade criou. “O Greens não priva os seus clientes de comer maionese, mas é uma maionese nada processada. É feita aqui com alimentos saudáveis, por isso pode e deve ser incluída nas dietas das pessoas”.

MENU MUSICAL PARA O JAZZ AND BLUES Para os que ficaram com água na boca, saibam que resta apenas um dia para conhecerem o que oferece o Greens sem ter de vir a Macau. Isto porque, de amanhã até domingo, menus especiais vão estar disponíveis no Cotai Jazz e Blues Festival, que decorrerá no Venetian. “Estou super, mesmo muito, entusiasmada com esta participação no festival”, começa por dizer Abbi. A razão é simples. “Criámos um menu especial, totalmente inspirado no conceito americano com a mistura do jazz”, conta sem esconder o entusiasmo. “Convido todas as pessoas de Macau a ir experimentar o nosso menu que também inclui dois tipos de limonadas tão típicas do sul dos Estados Unidos”, convida a Chef. “Tudo sem açúcar e super saudável”, garante.

do novo espaço, demore “um pouco mais” a conquistar os clientes. “Quem prova gosta, isso é certo. Mas mais do que gostar é preciso saber que os alimentos que estão a ingerir não lhes fazem mal, são o mais naturais possíveis”, explica Abbi, adiantando que é sempre preciso ter em conta o que cada organismo precisa. “A ideia que queremos implementar é que, se temos que comer, então que seja bem”, defende.

DOIS EM UM

O Greens não é, contudo, apenas um espaço hoteleiro que serve comida saudável. “Podemos dividir o conceito em duas áreas: confecção vegan e detox. Na parte da Abbi, que é a responsável pela comida e a sua confecção, disponibilizamos aos nossos clientes menus de pequeno-almoço ou almoço, que são servidos durante todo o dia por isso podem ser jantar também”, começa por explicar Katya. “Por outro lado, temos a parte da nutrição e detox, que é da minha responsabilidade. Ou seja, os nossos clientes podem consultar-me e elaborar uma dieta indicada para o seu tipo de organismo e depois têm ao seu dispor pacotes – que têm feito um verdadeiro sucesso – de sumos detox para eliminar o excesso de gorduras do corpo”, clarifica. Ou seja, no Greens, a manhã pode começar com ‘granola’, confeccionada por Abbi, e um iogurte sem açúcar de coco, seguindo-se um almoço diário de sopa do dia com salada e/ou sanduíche com saladas. A promessa é de que os clientes podem deliciar-se seja a que horas for. “A nossa comida é servida durante todo o dia, portanto quem quiser pode vir a qualquer hora. Não existem horas de almoço ou jantar”, explica Katya.

INAUGURAÇÃO MARCADA

Apesar de já ter aberto ao público há mais de duas semanas, é apenas no dia 20 deste mês que está agendada a inauguração oficial do novo espaço de comida saudável. Questionadas sobre a adesão do público até agora, as jovens empresárias mostram-se bem entusiastas. “Superou qualquer expectativa que tínhamos criado. É incrível, as pessoas passam aqui para provar os nossos menus ou apenas para conhecer o espaço”, conta Katya, que reforça, “temos recebido um excelente feedback”. Para a Chef, Abbi, o conceito tem sido aceite de forma gradual pelo público.

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“Quem prova gosta, isso é certo. Mas mais do que gostar é preciso saber que os alimentos que estão a ingerir não lhes fazem mal, são o mais naturais possíveis” ABBI MORLEY

“Ainda há algumas dúvidas se de facto é possível comer maionese ou chocolate que contenham poucas gorduras e açúcares”, começa por explicar. Segundo Abbi, a população local “tem muita consciência do que é uma dieta saudável” e quais os ingredientes a colocar nos seus regimes alimentares ou não. “De um forma geral, o povo asiático tem esta ideia de regime alimentar pré-concebida, muito por causa das informações disponíveis na internet, creio”, conta. Talvez por isso, segundo as proprietárias

O QUE É LOCAL É BOM

Além de pretender injectar na sociedade de Macau o conceito de comida natural e saudável, o Greens é também um projecto que apoia o negócio local. “Em tudo o que conseguimos damos prioridade às compras locais”, conta Abby, dando o exemplo do pão utilizado para as sanduíches e até a criação da imagem da marca, tal como o café, que adiantando “também é local”. O espaço fica também no coração de Macau, na Calçada de Santo Agostinho, perto da Avenida da Amizade e está aberto das 8h30 às 19h00.


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( F ) UTILIDADES

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POUCO

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MAX

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HUM

45-75%

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Cineteatro

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CINEMA

DRACULA UNTOLD

Pu Yi

SALA 3

Um filme de: Gary Shore Com: Luke Evans, Dominic Cooper, Sarah Gadon, Charles Dance 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Um filme de: James Wan Com: Annabelle Wallis Ward Horton 14.15, 16.00, 17.45, 21.30

DRACULA UNTOLD [C]

A desgraça súbita Há uma árvore ténue no meio da avenida. Durante o ano muda de cor e esse ritmo prossegue inalterável apesar de estar plantada na separação dos dois sentidos, fustigada pela poluição. Espera por esse grande vento que a derrubará, ou um suzuki ou um mercedes, conduzido por uma rapariga inocente e alcoolizada. A árvore não protestará. A árvore não é grande nem frondosa. Distingui-a nitidamente, numa torção de pescoço, quando atravessei a avenida a correr ignorando a passadeira e o carro da rapariga de hálito inocente e alcoólico. Não sei se ainda lá está a árvore erecta a meio da Horta e Costa, a avenida mais nova-iorquina de Macau. Mas eu sou um gato sem sentimentos. O que me interessa realmente é chegar a casa. Abusei do meu passeio e afastei-me demasiado. Já sinto fome e saudades da família. E, afinal, onde estão as gatas prometidas? Só um cheiro a peixe podre me entope as narinas. Vem dos passeios e vem das casas, vem dos esgotos e vem das almas. É doloroso este regresso. Chego à redacção do jornal e lambo as feridas. Ninguém deu pela minha ausência. Sabe a gasolina o pó na língua. Será que me vou incendiar? A desgraça súbita não polui. Amanhã saio outra vez.

SALA 1

SALA 2

THE MAZE RUNNER [B]

Um filme de: Wes Ball Com: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

ANNABELLE [C]

THE BOXTROLLS [A] FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Graham Annable Anthony Stacchi 19.30

ACONTECEU HOJE

8 DE OUTUBRO

Saramago torna-se no primeiro autor de Língua Portuguesa a ganhar o Nobel

U M L I V R O H O J E “VIVER PARA CONTÁ-LA” (GABRIEL GARCIA MARQUEZ) Um livro de confidências e memórias, quase um rol de desabafos entre o prémio Nobel da Literatura em 1982 e o seu leitor, numa obra essencial para compreender os seus livros e personagens. Escreve Garcia Marquez numa das páginas, reproduzindo um diálogo que teve com a sua mãe: - Dizem que se quisesses poderias ser um bom escritor. - Se fosse para ser escritor, teria de ser dos grandes e esses já não se fazem – respondi à minha mãe. – Ao fim e ao cabo, para morrer de fome há outros ofícios melhores. A história haveria de ditar Gabriel Garcia Marquez como um dos maiores escritores de língua espanhola do século XX. - Andreia Sofia Silva

fonte da inveja

O instante queima-nos se não o

incendiarmos instantaneamente.

• Neste dia, em 1998, José Saramago conquistou o Prémio Nobel da Literatura, tornando-se no primeiro autor de Língua Portuguesa a conquistar a mais importante distinção que um escritor pode arrecadar. O prémio chegou três anos depois do escritor ter conquistado o Prémio Camões. José Saramago foi escritor, argumentista, teatrólogo, ensaísta, jornalista, dramaturgo, romancista e poeta português, responsável pelo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. Nasceu na Azinhaga, Santarém, a 16 de Novembro de 1922, ainda que o registo de nascimento apresente o dia 18. Filho de agricultores, não pôde seguir os estudos universitários, por não ter meios financeiros. O primeiro emprego que teve foi como serralheiro mecânico. No entanto, exerceu o prazer pela cultura na biblioteca municipal, que frequentava, todas as noites. Em 1947, aos 25 anos, publica o primeiro romance: ‘Terra do Pecado’. Era o início de uma longa caminhada pelas letras. ‘Levantado do Chão’, ‘Memorial do Convento’, ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’, ‘A Jangada de Pedra’, ‘O Evangelho Segundo Jesus’, ‘Ensaio Sobre a Cegueira’, ‘Todos os Nomes’, ‘A Caverna’, ‘O Homem Duplicado’, ‘Ensaio Sobre a Lucidez’, ‘As Intermitências da Morte’, ‘Caim’ e ‘Clarabóia’ são algumas das suas obras literárias, sendo que assinou diversos trabalhos no teatro, em contos e poesia. O reconhecimento internacional pelo trabalho de um dos grandes escritores portugueses chegou com o Prémio Nobel, a 8 de Outubro. Casado com a espanhola Pilar del Río, viveu até aos últimos dias da sua vida na ilha de Lanzarote, situada nas Ilhas Canárias. Morreu com 87 anos, vítima de leucemia, a 18 de Junho de 2010.

João Corvo


DIÁRIO DE BORDO

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POR CARLOS MORAIS JOSÉ

ontem macau

A CRIAÇÃO DO UNO A presença da água empresta mais irrealidade e transgressão a este beijo, registado numa fotografia anónima. Ao abrigo dos olhares, dois seres encontram-se e fundem-se no ambiente amniótico do mar, entabulando um regresso a uma eventual unidade perdida.

horah

Os louros e o vazio

“Que medidas eficazes serão implementadas no futuro pelo Governo no sentido de facilitar a vinda de turistas de outros continentes nomeadamente com a facilitação de voos directos de Macau?” LEONG VENG CHAI • DEPUTADO

“Agora não posso fumar enquanto jogo. Quando volto, depois de ir até à sala de fumo, sinto que a fortuna desapareceu” JOGADORA NÃO IDENTICADA

Não é isto que nós sempre desejámos? Voltar para casa num dia frio e ver uma mulher ferida, deitada no chão de uma rua suja, estreita e escura? Os nossos desejos cumprem-se de um modo ainda mais intenso se essa mulher nos quiser contar os seus segredos.

“Se quisermos aprender com a experiência do ‘Occupy Central’, não devemos ignorar o problema dos preços altos dos imóveis” Agnes Lam, Académica, P.4

BOI LUXO • CRÍTICO

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édito

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau. com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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UNS MESITOS de resultados inferiores ao ano passado no sector do Jogo e tocaram os alarmes da cobiça, como se o caminho pudesse ser sempre para cima, rumo ao infinito da fortuna. Agasalha-se prudentemente que, em termos absolutos, este ano vai bem e recomenda-se, registando valores superiores ao seu irmão transacto. Mas sendo o Jogo a monocultura e a monofonte dos verdadeiros rendimentos, veio o Governo a terreiro impor o bom senso nas hostes. Mais surpreendente foi que, enquanto semeava razões, o Executivo tenha recolhido louros. Nas palavras de Francis Tam, tratou-se de uma estratégia governamental: baixar as receitas dos casinos, enquanto aumentava o número de turistas. Como? Pode repetir? Portanto: para o secretário, a diversificação da economia, o sucesso das PMEs e o bem estar das famílias está directamente relacionado com a queda dos lucros do Jogo. Mais: existiu uma estratégia do Governo, provavelmente da sua secretaria, nesse sentido e com resultados estrondosos, através do que ele considera a “diversificação do turismo”. Para Tam, os turistas vão menos aos casinos e andam mais pelas ruas a gastar o seu dinheiro noutras actividades económicas. Custa a crer que Tam acredite realmente nisto. E se acredita parece então alheado da realidade de Macau. É saber comum que os lucros do Jogo dependem maioritariamente da presença de clientes VIP e não do chamado jogo de massas. Por outro lado – e mais grave – basta viver por aqui para saber que a parte de leão do dinheiro dos fluxos de turistas é capturada por empresas de média-grande dimensão, com capital suficiente para resistir às rendas actualmente praticadas. Ourivesarias, grandes lojas, marcas de luxo e populares, ocupam quase tudo, não dando espaço a um outro tipo de comércio. O tal das PMEs. Tentar recolher louros de uma situação que nada a ver tem com a acção do Governo, expõe o vazio que tem sido a estratégia económica que, ao deixar nas mãos cegas do mercado toda a iniciativa económica, transformou a cidade num estaleiro de vendas, que pouco já tem de singular, na mão de meia-dúzia de tendeiros. E o Jogo nada tem a ver com isto.


hoje macau quarta-feira 8.10.2014

Nobel da Física atribuído a três japoneses

cartoon por Stephff

IMPOSSIBILIDADES

O prémio Nobel da Física de 2014 foi atribuído esta terça-feira a três japoneses pela invenção de emissores eficientes de luz azul, anunciou a Real Academia Sueca das Ciências, em Estocolmo. Isamu Akasaki e Hiroshi Amano trabalham na Universidade de Nagóia, no Japão, e Shuji Nakamura é da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, nos EUA. Mais do que uma descoberta, o galardão deste ano distingue uma invenção: o díodo emissor de luz, também conhecido pela sigla em inglês LED (light-emitting diode). A invenção dos três cientistas permite economizar energia em quantidade muito importante, destacou o júri do Nobel num comunicado divulgado em Estocolmo.

Rede fixa da CTM afectada por obras

A rede de telefone fixo da Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), na zona da Avenida de Lopo Sarmento de Carvalho e Estrada de São Francisco, foi afectada por um incidente ocorrido durante uma obra, estimando-se que 600 utilizadores tenham sido prejudicados. O incidente teve lugar ontem, durante as obras de reparação da via, inviabilizando o funcionamento dos cabos subterrâneos aí instalados. Embora a equipa técnica tenha tentado resolver o problema de imediato, tal não foi possível, devido à inundação do local afectado. Em comunicado, a empresa lamenta o sucedido, esperando que a situação fique normalizado durante o dia de hoje.

UNESCO Birmânia lista templos de Bagan

As autoridades da Birmânia iniciaram uma campanha para inscrever os templos de Bagan na lista do Património Mundial da Humanidade elaborada pela Unesco, revelou ontem o organismo das Nações Unidas. No fim de semana de 11 e 12 de Outubro, o museu de Bagan, um complexo monumental na região central do país, vai acolher uma conferência presidida pelo ministro da Cultura, Aye Myint Kyu, que marcará o início da campanha que conta com o apoio de países como a Itália, Suiça ou Japão, refere a Unesco em comunicado. Com mais de 2.000 templos e pagodes que datam entre os séculos XI e XII, o complexo arqueológico de Bagan é o principal destino turístico do país.

TAS RECURSO DE FERNANDO SANTOS DECIDIDO ATÉ DIA 13

A última palavra

O seleccionador terá de esperar até à véspera do seu primeiro jogo pela equipa das quinas para saber se se senta no banco

O

Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) anunciou ontem que recebeu o recurso do seleccionador português de futebol, Fernando Santos, e um pedido de suspensão do castigo imposto pela FIFA, sobre o qual decidirá até segunda-feira. No seu sítio oficial na Internet, o TAS confirma a recepção do recurso de Fernando Santos ao castigo imposto pela FIFA de oito jogos de suspensão e à multa de 20.000 francos suíços, por conduta anti-desportiva contra um árbitro no Mundial2014, quando era seleccionador da Grécia. “Juntamente com o seu pedido de recurso, o treinador avançou com um pedido de suspensão da decisão recorrida, para poder estar no próximo jogo oficial da selecção principal portuguesa [com a Dinamarca], a 14 de Outubro. O TAS vai tomar uma posição sobre este assunto a ou antes de 13 de Outubro de 2014”, lê-se no sítio desta instância jurídica internacional. O Comité de Apelo da FIFA rejeitou a 24 de Setembro o recurso

apresentado por Fernando Santos, confirmando os oito jogos de suspensão ao técnico português. A 04 de Agosto passado, a FIFA tinha suspendido Fernando Santos por oito jogos, devido a “conduta anti-desportiva para com os árbitros” quando ainda comandava a selecção da Grécia, no jogo com a Costa Rica, dos oitavos de final do Mundial2014.

Caso se confirme a suspensão, Fernando Santos vai estar impedido de se sentar no banco em toda a fase de grupos de qualificação para o Euro2016, que vai ser disputado em França. A sua estreia oficial será numa eventual segunda mão do “play-off” de apuramento ou no segundo jogo da fase final, se Portugal se qualificar.

China Sexto título consecutivo nos Mundiais de Ginástica

A China entrou ontem para a história da ginástica artística, ao chegar ao sexto título de campeã mundial consecutivo na competição masculina da modalidade, nos campeonatos que decorrem em Nanning, na China. Perante o seu público, os chineses totalizaram 273.369 pontos nos seis aparelhos, com apenas mais 0,1 pontos que o Japão. Os Estados Unidos terminaram na terceira posição, com 270.369. Tanto em masculinos como em femininos, nenhum país conseguiu alguma vez conquistar os Mundiais seis vezes consecutivas. Apenas as ginastas da antiga União Soviética ganharam oito ouros consecutivos em Jogos Olímpicos, de 1952 a 1980. A China, bicampeã olímpica em título, impôs-se mesmo no final do concurso, depois de o Japão ter tido vantagem na barra fixa, face aos desempenhos de Yusuka Tanaka e Kohei Uchimura, tetracampeão mundial no concurso completo. Os desempenhos de Deng Shudi e Lin Chaopan mantinham a China atrás do Japão e foi Zhang Chenlong que obteve os pontos necessários para colocar na dianteira a equipa da casa e provocar uma explosão de alegria entre os 41.000 espectadores no ginásio Guangxi.

Ébola Marido garante que a mulher cumpriu as normas

“E

LA fez tudo o que lhe disseram”, garantiu o marido da auxiliar de enfermagem que ontem se tornou no primeiro caso de contágio de ébola fora de África. O homem está a ser acompanhado e referiu ainda que, apesar da gravidade do caso, a mulher sente-se bem. Salientou ao El Mundo que a mulher “nunca teve qualquer preocupação” e que voltou a casa “normal” depois de tratar do missionário que estava infectado com o vírus do ébola. Assegurou que a auxiliar não fez nada de incorrecto ao tratar o paciente: “Ela esteve a trabalhar normalmente e seguiu todos os protocolos.” O homem referiu ainda que a mulher começou com febre no dia 30 de Setembro, mas foi sempre baixa. “Nunca subiu”, disse. A auxiliar de enfermagem tornou-se no primeiro caso de contágio de ébola fora de África e está a ser tratada em Madrid. É a terceira espanhola infectada. Os outros dois casos foram dois missionários, infetados na Libéria e Serra Leoa (foi a tratar este último que se deu o contágio). Na África Ocidental já morreram mais de três mil pessoas devido a este vírus.


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Hoje Macau 8 OUT 2014 #3188 by Jornal Hoje Macau - Issuu