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Hoje Macau 8 OUT 2013 #2949

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

ASSEMBLEIA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • TERÇA-FEIRA 8 DE OUTUBRO DE 2013 • ANO XIII • Nº 2949

Ter para ler

CHUI SAI ON ESCOLHE OS SEUS SETE MOSQUETEIROS. NOVIDADE PARA MA CHI SENG

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Transladação do corpo da luso-angolana está num impasse

À espera de Dulcineia A transdalação do corpo de Dulcineia Fernandes do Nepal para Macau irá custar 180 mil dólares de Hong Kong. Um valor bastante avultado mas que o advogado Pedro Redinha assume ser possível pagar

BARCOS-DRAGÃO

• JULGAMENTO CASO LA SCALA

HOJE MACAU CONSEGUE SEGUNDO LUGAR EM REGATA DE HONG KONG

Depoimento do CCAC coloca Lau e Lo em apuros PÁGINA 2

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“por amigos da família”. O apoio do Consulado de Portugal, explica o jurista ao HM, é meramente “moral”. Para já, questões de índole “ética e religiosa” travam o regresso de Dulcineia ao território. CENTRAIS

• INQUÉRITO SOBRE ELEIÇÕES

Nova Visão contra resultado final PÁGINA 5

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• SEMANA DA CHINA E LUSOFONIA

Orçamento reforçado e Kumpania Algazarra PÁGINA 13


POLÍTICA

Antes e após a apresentação de propostas das três concorrentes ao concurso por convite de venda do terreno em frente ao aeroporto, Steven Lo e Ao Man Long mantiveram contactos telefónicos indirectos, por meio de intermediários. Na mesma altura, a Chinese Estates encomendava um estudo a um ateliê de arquitectura para um projecto na área. Este foi ontem o depoimento de Iu Fu Chun, técnico superior do CCAC, que corroborou com a tese apresentada pelo Ministério Público Tribunais com novos juízes

Um despacho publicado ontem em Boletim Oficial dá conta da nomeação de novos juízes para os tribunais locais. Tong Hio Fong será juiz no Tribunal de Segunda Instância (TSI), “sob proposta da Comissão Independente responsável pela indigitação de juízes”, pode ler-se. Até ao momento Tong Hio Fong era presidente do Tribunal Judicial de Base (TJB) e do Tribunal Administrativo (TA). Para presidir o cargo de juiz presidente do Tribunal Colectivo dos Tribunais de Primeira Instância (TCTPI) foram nomeados Lam Peng Fai e Cheong Un Mei, que até então estavam no TJB. Já Rui Carlos dos Santos Pereira Ribeiro, que estava no TJB, transita para juiz presidente do TCTPI durante dois anos. Todas as nomeações entram em vigor a partir do próximo dia 15 de Outubro.

hoje macau terça-feira 8.10.2013

CASO LA SCALA AO MAN LONG BENEFICIOU JOSEPH LAU E STEVEN LO, SEGUNDO TESTEMUNHO DE INSPECTOR DO CCAC

Acusação soma trunfos TIAGO ALCÂNTARA

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RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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ESES antes do lançamento do concurso por convite para a venda de um terreno em frente ao aeroporto, pertencente à CAM - Sociedade de Aeroporto Internacional de Macau - e administrado por cinco sociedades, nas quais o Governo detinha 88% do capital social -, começaram os primeiros contactos entre Steven Lo, antigo sócio maioritário da Moon Ocean - subsidiária da Chinese Estates Holdings -, e Ao Man Long, ex-secretário dos Transportes e Obras Públicas. Quem o diz é Iu Fu Chun, técnico superior do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), que ontem serviu de testemunha ao Ministério Público, comprovando em boa parte a tese da acusação. Ou seja, o inspector do CCAC, responsável pela investigação dos cinco lotes junto ao aeroporto, conseguiu - por meio de registos telefónicos, agendas e cadastros fronteiriços - corroborar a ideia de que o empresário de Hong Kong já estava informado de antemão da venda do terreno de mais de 78 mil metros quadrados e, por isso, foi beneficiado no concurso. No entanto, segundo conta o investigador, a relação entre Lo e Ao era feita por meio de intermediários - Ho Meng Fai, testa-de-ferro de Ao Man Long, já condenado, o assistente de Steven Lo, e ainda Castanheira Lourenço, representante da Lei Pou Fat, companhia criada pelo Governo para representar as cinco sociedades

que administravam o terreno do aeroporto. “Steven Lo através de Castanheira Lourenço conheceu Ao Man Long. Lam Kei Tai, assistente de Lo, foi apresentado a Ao Man Long por Ho Meng Fai. Steven Lo e Lam Kei Tai falavam por telefone com Ho Meng Fai”, explicou a testemunha, ao anunciar que houve acesso aos registos telefónicos mas não às gravações neste período de avaliação, que começou em Dezembro de 2014. Recorde-se que o concurso por convite feito pela Lei Pou Fat à Jones Lang LaSalle, a imobiliária que escolheu a Moon Ocean para potencial compradora dos terrenos, e a outras duas empresas, foi aberto a 16 de Junho de 2005 e as propostas entregues a 27 do mesmo mês. A empresa detida por Steven Lo ganhou-o a 23 de Setembro desse ano.

RECURSO APRESENTADO PELA DEFESA

Na mesma altura, entra a Chinese Estates em acção e, inevitavelmente, Joseph Lau, presidente da empresa. O inspector do CCAC confirma que o gerente de projectos da Chinese Estates, Li Sau Lung, reuniu-se com o ateliê de arquitec-

tos de Hong Kong Heng Ip a 22 de Fevereiro, quatro meses antes da abertura do concurso, e “Steven Lo esteve presente para dar informações sobre os cinco lotes”, no sentido de ajudar na execução de um plano habitacional. “Temos um documento facultado pela Heng Ip de que foi ela a incumbida da concepção do projecto. O mapa foi entregue para que a fizesse. A Heng Ip procede a uma notificação quando conclui a concepção e entrega a proposta à Chinese Estates”, garante Iu Fu Chun, ao destacar que também nesta altura Steven Lo e Ho Meng Fai, hoje procurado pela Interpol, mantinham contactos, até porque a Heng Ip veio a Macau em Março de 2004. Foi, de resto, com base na agenda de Li Sau Lung, que já testemunhou no âmbito deste quarto caso conexo ao escândalo de corrupção Ao Ma Long, que o inspector do CCAC fez referência a um encontro entre Ao e Lo. A defesa, nomeadamente pela voz de Rui Sousa, advogado de Steven Lo, decidiu interpor recurso sugerindo que o conteúdo dá agenda não deve ser considerado quando a testemunha em questão

ADVOGADO COMUM PARA DOIS ARGUIDOS O julgamento ontem não começou sem que os advogados dos oito arguidos estivessem presentes na sala de audiência. Aparentemente, faltava o causídico em representação de Chan Ying Lun mas, quando o juiz Mário Silvestre, se apresentou ficou a saber-se que a advogada Joana Teixeira representaria Chan ao mesmo tempo que representava Pedro Chiang. Chan é acusado de corrupção activa, enquanto Chiang é acusado de corrupção passiva e de branqueamento de capitais.

já tinha sido ouvida. E questionou a validade do documento copiado e a sua autoria. Também David Azevedo Gomes, advogado de Joseph Lau, pediu os 10 dias para interpor recurso. Iu Fu Chun, que destacou as dificuldades financeiras da CAM em 1990, pelo que já então viu na venda dos terrenos uma solução para equilibrar as contas, disse, no entanto, que só após estes contactos foi convocada uma reunião extraordinária por Castanheira Lourenço, coordenador do Gabinete do Desenvolvimento das Infra-estruturas (GDI), onde foi decidido que rapidamente seriam vendidos os lotes. “A seguir à reunião, Ao Man Long através de Ho Meng Fai telefonou a Steven Lo”, disse o técnico superior do CCAC. Apesar da Chinese Estates não ter sido convidada, ressalvou, foram feitos “preparativos” e “um dia depois do convite para concurso, solicitou novamente as brochuras para fazer rectificações sobre os cálculos da área” e, na mesma data, apuraram-se mais contactos telefónicos entre Ao Man Long e a empresa dirigida por Joseph Lau. “Lei Pou Fat recebeu os documentos [do concurso, dentro do prazo] e os da Jones Lang LaSalle eram muito mais complexos com cento e tal páginas. Era muito pormenorizado, com referência até à jardinagem.” Por outro lado, a STDM com participações da CAM, que participou na criação da Lei Pou Fat - opôs-se ao concurso, disse Iu Fu Chun, ainda que fosse escolhida como uma das concorrentes, e, mais tarde, chegou a pedir a prorrogação do prazo de entrega das propostas, alegando que seis dias úteis não eram suficientes para um terreno de valor tão elevado. Findo o prazo, a 27 de Junho, houve “registos telefónicos anormais entre Ao Man Long e Ho Meng Fai, que falou com Steven Lo”, por outro lado, houve entradas e saídas fronteiriças, pela mesma altura, do representante da Jones Lang LaSalle que chegou a Macau com o Steven Lo. Iu Fu Chun salientou também que, depois de novos registos telefónicos entre Ao, Ho e Lo, Castanheira Lourenço ligou para Ao Man Long. Em 19 contactos entre os dois no ano de 2005, 14 foram feitos só em Junho. “Concentrou-se muito mais no período de concurso e antes da avaliação de propostas”, explicou. Recorde-se que Joseph Lau e Steven Lo estão a ser julgados por lavagem de dinheiro e suborno a Ao Man Long no valor de 20 milhões de Hong Kong dólares para vencer a licitação do terreno junto ao aeroporto, onde o La Scala – um projecto de construção de luxo - deveria ter nascido. A tese do Ministério Público ganhou ontem, por isso, nova força.


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PUBLICADA LISTA OFICIAL DOS DEPUTADOS NOMEADOS

Vira o disco e toca o mesmo

GONAÇALO LOBO PINHEIRO

hoje macau terça-feira 8.10.2013

Ma Chi Seng é a única cara nova escolhida pelo Chefe do Executivo para se sentar na Assembleia Legislativa. Fong Chi Keong, ex-indirecto, também é novidade, tal como a saída de Ho Sio Kam. Ao HM, Paulo Godinho diz que Chui Sai On quis manter a presença das mais importantes famílias da RAEM no hemiciclo ANDREIA SOFIA SILVA* andreia.silva@hojemacau.com.mo

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HUI Sai On já escolheu os sete deputados que quer ver sentados no hemiciclo na próxima legislatura, mas as novidades são muito poucas. No despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO) surge o nome de Ma Chi Seng, presidente da associação de jovens empresários e neto do influente Ma Man Kei, vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e uma das principais figuras da sociedade local. O nome, que já tinha sido avançado pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM), mostra, na opinião do sociólogo Paulo Godinho, que há “uma vez mais uma preocupação de continuar a manter os representantes das famílias principais da região”, disse ao HM. “Tanto quanto sei (Ma

Fong Chi Keong

Chi Seng) não tinha feito nada de relevante em Macau. Mas só o facto de ser familiar de uma das principais figuras da comunidade chinesa é suficiente para ser nomeado pelo Chefe

do Executivo”, disse ainda o sociólogo. Quanto à nomeação de Fong Chi Keong, e saída de José Chui Sai Peng para a via indirecta, Paulo Godinho considera ter sido “quase um

NOMEADOS “PELO INTERESSE GERAL DE MACAU” Num comunicado oficial divulgado ontem, Chui Sai On justificou as suas escolhas na ala dos nomeados com base “na ponderação de um conjunto de circunstâncias globais e tendo como critério os interesses gerais de Macau”. “Macau é uma sociedade pequena e muitas individualidades têm identidade transectorial e em diferentes áreas. Alguns são profissionais que se dedicam a serviços sociais, mas também pessoas que participam em actividades comerciais, sendo por isso personalidades identificadas com diversos ramos”, pode ainda ler-se. Chui Sai On disse ainda que “o critério de designação dos deputados nomeados deve basear-se nos serviços prestados a toda a população e os interesses gerais da sociedade, além de ter em conta a experiência e capacidade de tais individualidades.” “O Governo ouve sempre a opinião pública, estando convicto de que, após o início da nova legislatura, com base na manutenção de boas relações de cooperação e diálogo, o Governo reforçará os trabalhos de coordenação com o órgão legislativo e submeter, o mais rápido possível, as propostas de lei relacionadas com os assuntos da vida da população”, acrescentou o Chefe do Executivo.

Lau Veng Seng

pequeno truque para evitar que o Chefe do Executivo fosse obrigado a nomear o seu primo (Chui Sai Peng)”. A única saída é a de Ho Sio Kam, da Associação de Educação de Macau. “Como existe um circulo indirecto que elege pessoas na área da educação, eventualmente o Chefe do Executivo achou que a representante dessa área na via indirecta compensaria. Mas é meramente especulativo”, aponta Godinho ao HM. Mantém-se ainda os nomes de Tsui Wai Kwan, Gabriel Tong, Vong Hin Fai, Tommy Lau Veng Seng e Dominic Sio.

NECESSÁRIO REFORÇO NA ÁREA JURÍDICA

Paulo Godinho não só considera que as novidades no hemiciclo não serão muitas como deveriam existir mais rostos da área do Direito. “Poderia admitir-se nos nomeados ter alguém ligado à comunidade jurídica, embora hajam dois nomeados (Vong Hin Fai e Gabriel Tong). Admito que se calhar faria sentido ter mais alguém com experiência do meio jurídico. (Os restantes) no fundo, não trazem nada de novo. O Ma Chi Seng não tem nada a ver com essa área.” Até porque “considerando que a AL até cresceu e agora tem 33 elementos, fazia sentido reforçar essa componente, que não terá sido”, acrescenta. - *com Cecília Lin

Ma Chi Seng

AS REACÇÕES DOS NOMEADOS À RÁDIO MACAU • MA CHI SENG: “Vou primeiro aprender com os antigos deputados para ouvir as diferentes opiniões de diferentes sectores para servir a sociedade. Vou continuar a dar atenção aos assuntos dos jovens e trazer mais a voz dos jovens para a AL” “Não estou preocupado com o facto da minha família poder vir a influenciar o que os outros pensam de mim. Acho que ser deputado, seja indirecto, ou, como eu, nomeado, o que é importante é servir a sociedade. Eu participei em muitas questões ligadas à juventude. Agradeço a confiança do Chefe do Executivo”

• HO SIO KAM: “Não sinto pena de não ter sido nomeada outra vez. Como a deputada pela via indirecta Chan Hong já está a representar o serviço social e educacional, já tinha a sensação de que não iria continuar como deputada. Só tenho pena que no meu mandato não tenha sido aprovada a nova lei do ensino superior”

• FONG CHI KEONG: “O meu papel na AL mudou, e a minha maneira de falar também vai mudar. Apesar de acusar o Governo também vou fazer recomendações. Achei inesperada a troca com José Chui Sai Peng. Já tinha pensado em deixar de participar nas eleições, para gozar dos momentos de lazer. Mas em finais de Agosto recebi uma chamada do Chefe do Executivo, que me disse que, como não havia caras novas, esperava que eu continuasse a estar na AL. Se a AL inclui muitos membros do sector empresarial, é bom para a sociedade, especialmente para a economia”

Sio Chi Wai

Tong Io Cheng

Tsui Wai Kwan

Vong Hin Fai


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hoje macau terça-feira 8.10.2013

OCDE DIZ QUE MACAU SEGUE PADRÕES NA TROCA DE INFORMAÇÃO FISCAL

De acordo com a bitola internacional M

segunda fase de avaliação que se concentrou na “legislação sobre a troca de informações e a situação de execução do respectivo sistema de fiscalização, a qualidade da troca de

informações efectuada por Macau no passado, bem como o trabalho de acompanhamento das recomendações constantes do relatório de avaliação da 1.ª fase”, acrescenta a

nota. “O Grupo de Revisão Paritária aprovou o relatório e deliberou, por unanimidade, que a Região Administrativa Especial de Macau possui a respectiva legislação e o respectivo

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sistema de fiscalização e que, na prática, as autoridades responsáveis executam, de forma eficaz, a troca de informações correspondendo aos padrões internacionais”, sublinha

Chan Meng Kam pede atenção às casas deterioradas em Coloane

TIAGO ALCÂNTARA

ACAU executa “de forma eficaz” a troca de informações para fins fiscais de acordo com padrões internacionais, considera um organismo da OCDE citado pelo executivo local em comunicado oficial. A avaliação foi feita no Fórum Global sobre Transparência e Troca de Informações para fins fiscais da OCDE tendo Macau assistido à reunião do Grupo de Revisão Paritária que decorreu em Paris e onde foram debatidos os relatórios da segunda fase de avaliação sobre a transparência e troca de informações para fins fiscais de várias regiões do mundo, refere uma nota oficial divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social. Depois da aprovação da primeira fase do relatório em 2011, decorreu agora a

a nota oficial que reporta as conclusões da reunião. Mais tarde, o relatório de avaliação da segunda fase de avaliação será aprovado no Fórum Global. Para as autoridades de Macau a aprovação do relatório “traduz-se num novo marco no que diz respeito à execução dos trabalhos relativos à transparência fiscal” na cidade ao mesmo tempo que, em breve, será dado início ao “estudo e acompanhamento das sugestões de melhoria descritas no relatório” e encetados contactos para estabelecer acordos fiscais com mais países e regiões assumindo as “responsabilidades internacionais inerentes a cada um dos membros do Fórum”. Macau tem acordos com 15 países ou regiões para a troca de informações ou acordos para evitar a dupla tributação fiscal. No que se refere à troca de informações fiscais, a Região concluiu negociações com o Reino Unido e tem assinado documentos com o Japão e a Espanha, mantendo negociações com as Ilhas Guernsey e Argentina. - Lusa

O

Chan Meng Kam

deputado Chan Meng Kam alertou, numa interpelação escrita ao Governo, para o facto de haver 200 casas em risco, na ilha de Coloane, e acusou o Executivo de não cumprir com a promessa de tratar os pedidos com prioridade. “Em 2009, o Governo fez o plano de concessão de terra da vila de Coloane para acelerar a aprovação de pedidos dos moradores. Mas, durante quatro anos, recebeu 23 pedidos e apenas aprovou quatro. O que significa que, por ano, autorizou um pedido. Isso não se chama acelerar.” O deputado sublinhou que como as casas de Coloane são alvo de uma escritura polémica, compreende-se que o Governo seja mais rigoroso nos pedidos de construção de casas mas a esta velocidade não é aceitável. Além disso, o deputado interrogou o Governo sobre o processo de dois estudos de plano de reordenamento da cidade antiga de Coloane, que começaram no ano passado, e criticou a falta de acompanhamento a estes estudos. Em geral, acusou o Governo de falta de consideração quando faz os planos urbanísticos.


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TIAGO ALCÂNTARA

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INQUÉRITO MAIORIA DOS ENTREVISTADOS SATISFEITOS COM RESULTADOS DAS ELEIÇÕES PARA A AL

Nova Visão diz que há empresários a mais Participantes do inquérito da Associação Nova Visão de Macau dizem estar satisfeitos com resultados das eleições, mas docentes dizem que opiniões não estão de acordo com a realidade CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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Associação Nova Visão de Macau (ANVM) publicou ontem os resultados de um inquérito sobre os resultados das últimas legislativas. O trabalho, realizado entre os dias 23 e 25 de Setembro, mostra que a maioria dos entrevistados faz comentários positivos sobre a Comissão para os Assuntos Eleitorais (CAEAL), sem esquecer os deputados eleitos. Contudo, os promotores do inquérito discordam da visão dos mais de 800 inquiridos. Lou shenghua, presidente da ANVM e docente do

curso de Administração Pública do Instituto Politécnico de Macau (IPM), disse que os resultados são “uma representação do luxo” e que são iguais aos resultados das próprias eleições: podem não representar a realidade. “Os entrevistados foram, na sua maioria, idosos, e se calhar as suas opiniões não representam a opinião geral dos residentes de Macau. Por coincidência a maioria dos eleitores que votaram nas eleições são idosos, por isso o resultado deste inquérito corresponde ao resultado das eleições. Também estou confuso, mas é esta a realidade de Macau.” No total, 817 pessoas responderam aos inquéritos via telefone,

das mais de cinco mil chamadas efectuadas. “41,25% dos entrevistados não tinha qualquer ideia sobre os deputados eleitos, enquanto que 34,27% mostraram-se satisfeitos com os resultados das eleições. Quanto ao trabalho da CAEAL, 41,25% mostraram-se satisfeitos, enquanto que 32,93% não fazia qualquer ideia. Ambos os comentários foram neutros ou com uma tendência positiva.” A maioria dos entrevistados consideraram que o período de campanha foi o ideal, enquanto que 17,38% consideraram o período de campanha “muito curto”. Já 10,65% defenderam um mês para as listas apresentarem as suas ideias.

A “CORRUPÇÃO INDIRECTA”

O inquérito abrangeu ainda questões sobre os mais diversos elementos da campanha eleitoral, desde o volume de som utilizado pelos altifalantes ao tipo de cartazes. “39,9% dos entrevistados pensam que a cultura da campanha se manteve igual à das últimas eleições, enquanto 18,73% pensa que foi pior”, disse Lou Shenghua.

Ho Chio Meng (procurador-geral do Ministério Público) já afirmou em público que os dois casos de corrupção não têm uma ligação directa com os deputados eleitos, e que isso não iria influenciar o resultado. Isso pode ser legal, mas não é racional. Ninguém viola a lei sem ter interesses ou pela ordem de alguém LI LUE Da Associação Nova Visão de Macau

A corrupção foi também um tema abordado, com 9,42% a considerarem a situação “grave”. 33,78% disse que viagens, prendas, ofertas para o supermercado ou jantares oferecidos pelas associações funcionam como “corrupção indirecta”. Li Lue, outro membro da direcção da associação, disse que a Lei Eleitoral deveria ser alterada. “Ho Chio Meng (procurador-geral do Ministério Público) já afirmou em público que os dois casos de corrupção não têm uma ligação directa com os deputados eleitos, e que isso não iria influenciar o resultado. Isso pode ser legal, mas não é racional. Ninguém viola a lei sem ter interesses ou pela ordem de alguém.” Tanto Lou Shenghua como Li Lue consideram que não há novidades nos deputados recentemente nomeados. “É a realidade de Macau, a sociedade está sempre ocupada pelos deputados, não é como em Hong Kong, onde há mais especialistas. Aqui são quase todos empresários.”


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SOCIEDADE

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CONSELHO DE MAGISTRADOS JUDICIAIS TERMINOU A AVALIAÇÃO DOS JUÍZES DE PRIMEIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS

Inspecção concluída O

Conselho de Magistrados Judiciais terminou os trabalhos iniciados no ano passado relativos à inspecção dos juízes de Primeira e Segunda Instância, segundo avançou ontem a Rádio Macau. Neto Valente tinha vindo a lançar críticas sobre a ausência de avaliação e fiscalização dos juízes porque, no entender do presidente da Associação dos Advogados, o facto de os juízes locais terem cargos vitalícios e não estarem sujeitos ao processo regular de classificação levanta dúvidas sobre o sistema. A inspecção é vista agora como um primeiro passo para a classificação dos juízes, uma responsabilidade do Conselho dos Magistrados Judiciais. Os trabalhos foram conduzidos pelo juiz Viriato Lima junto dos juízos cíveis. Quanto às varas criminais, a inspecção foi da competência da juíza Song Man Lei. As anteriores inspecções ao trabalho dos juízes datam de 2003 e 2005. Estas duas avaliações foram as únicas a corresponderem, em termos de frequência, ao que dispõe a lei de Macau – de acordo com o Estatuto dos Magistrados, os juízes são classificados de dois em dois anos. Se os magistrados judiciais não forem avaliados com esta periodicidade, o mais provável é manterem a classificação obtida na inspecção anterior. A classificação faz-se sobretudo com base no relatório da inspecção, na resposta do magistrado e na informação final do inspector. Entre os critérios para a classificação estão o volume e complexidade do serviço a cargo do magistrado, as condições de trabalho, a preparação técnica e os trabalhos jurídicos publicados. Um juiz que, no final da inspecção, receba um “medíocre” - a nota mais fraca entre cinco possíveis - é de imediato suspenso e fica sujeito a uma acção disciplinar por incompetência profissional.

LEI DE IMPRENSA VICTOR CHAN VAI ANALISAR COM DSAJ ARTIGOS ESTIPULADOS NO PROJECTO

Liberdade de expressão garantida A consulta pública sobre a Lei de Imprensa continua a decorrer tendo sido marcada ontem a terceira sessão com a presença de doze representantes de publicações semanais e mensais. E Victor Chan, director do Gabinete de Comunicação Social (GCS), diz-se atento às opiniões já recolhidas pelo que vai analisar em conjunto com a DSAJ artigos estipulados no projecto-lei de forma a que sejam mais esclarecedores. O responsável salienta que o diploma revoga os artigos sobre o “Conselho de Imprensa” e o “Estatuto do Jornalista”, considerando que, por isso,

haverá mais espaço de manobra para o sector discutir dando um passa no garantia da liberdade de expressão e no desenvolvimento do sector. Os representantes da imprensa abordaram ontem a liberdade de acesso às fontes de informação, referido no projecto de revisão da lei de imprensa, a definição de confidencialidade e qualificação de segredo e crimes cometidos através da imprensa, bem como, a exactidão da tradução jurídica entre a versão chinesa e portuguesa, os direitos e deveres dos jornalistas e algumas partes dos artigos do projecto da lei.

CTM sofreu alegado ciber-ataque

Por volta das 22 horas deste domingo o serviço de internet disponibilizado pela CTM sofreu uma falha. Em comunicado, a empresa garantiu que o bloqueio da rede se deveu a uma “grande quantidade de tráfico suspeito que impediu de continuar a operação dos serviços de internet”. A CTM aponta ainda que conseguiu resolver o “tráfico anormal” trinta minutos depois da meia noite de ontem.


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AAM NÃO ESTÁ SATISFEITA COM A NOVA TABELA DE HONORÁRIOS SOBRE O APOIO JUDICIÁRIO

Decisão sem consulta prévia aos advogados CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

A

direcção da Associação dos Advogados de Macau (AAM) lançou um comunicado na noite de domingo no qual expressou insatisfação sobre a nova taxa de apoio judiciário, segundo noticiou ontem o jornal Ou Mun. Em causa, um despacho do Chefe do Executivo, em Setembro, que baixou os valores mínimos atribuídos aos advogados que prestam este serviço. Isto depois de, em Abril, Chui Sai On ter rectificado em alta a tabela de honorários do regime geral de apoio judiciário. Os advogados entendem, por isso, que deveriam ter sido consultados. Os valores estão relacionados somente com processos penais e foram três PUB

- competência do tribunal colectivo, competência do tribunal singular e sumário - cujos valores atribuídos aos advogados decresceram, além da sentença. Ou seja, os valores mantiveram-se, em geral, equiparados aos

“honorários devidos pelo patrocínio oficioso no âmbito do apoio judiciário”, fixados em 1997. O processo de competência do tribunal colectivo e o recurso mantiveram os mesmos valores de há 16

anos, depois de em Abril se ter decidido aumentar para 7500 e para “metade do valor aplicável ao processo principal”, respectivamente. E o processo de competência do tribunal singular e o processo sumários

aumentaram 200 patacas, depois de em Abril terem subido para 5000 e 2000 patacas, respectivamente. “Os valores mínimos nos n.ºs 5.1 e 5.2 da presente tabela correspondem a um quinto dos seus valores

iniciais, o valor mínimo no n.º 5.3 é igual a metade do valor inicial e o valor mínimo no n.º 5.6 é de 1 000 patacas”, explica o recente despacho do Chefe do Executivo 59/2013, publicado em Boletim Oficial a 16 de Setembro. No comunicado, a AAM dá conta de que a “tarifa de assistência jurídica criminal, definida pelo tribunal normalmente é próxima do mínimo da Tabela de honorários no âmbito do apoio judiciário”. A AAM frisa que esta mudança é quase igual à antiga tabela e que “o Governo não ouviu opinião da AAM quando decidiu baixar os honorários, no despacho”. “O Governo deveria ouvir as opiniões dos advogados porque a mudança de honorários influencia-os directamente”, sublinha a missiva. “A mudança não melhora a justiça mas, antes, causa danos aos advogados quando estes preconizam um direito dos cidadãos de Macau.” A AAM revelou que em curto prazo vai ouvir as opiniões dos advogados e estagiários para melhor se pronunciar.


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CHINA

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ILHÕES de chineses regressam ao trabalho na terça-feira, mas depois de uma semana de longas horas parados no trânsito ou acotovelando-se entre compactas multidões, muitos deles vão precisar de verdadeiras férias. “Semana Dourada ou Confusão Dourada?”, questionou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua a propósito do “mar de gente” que nos últimos sete dias inundou as estradas e as principais atracções turísticas do país. Aproveitando a abolição das portagens durante a ‘semana dourada’ iniciada a 1 de Outubro, o dia nacional da República Popular da China, cerca de 85 milhões de veículos circularam diariamente nas auto-estradas do país. Um repórter da Xinhua precisou de doze horas para percorrer os 540 quilómetros que separam Harbin de Shenyang, no nordeste da China. Em Pequim, esperava-se uma hora para comprar bilhete para o antigo Palácio Imperial, monumento que num dia chegou a receber

hoje macau terça-feira 8.10.2013

“SEMANA DOURADA” MUITO STRESSANTE E CHEIA DE GENTE

Férias ou pesadelo? 154.100 visitantes - mais de o dobro da sua capacidade. O caso mais dramático, e que suscitou até tumultos, ocorreu na quarta-feira em Jiuzhaigou, um famoso

parque do sudoeste da China, com lagos cujas águas mudam de cor. Devido a um engarrafamento de trânsito envolvendo mais de 400 autocarros,

cerca de 4.000 pessoas, incluindo idosos e crianças, ficaram retidas no parque até à noite ou tiveram de caminhar a pé uma dezena de quilómetros.

TUFÃO ATINGE SUDESTE DO PAÍS COM VENTOS E CHUVA

Meio milhão de deslocados U M tufão atingiu esta segunda-feira o sudeste da China com ventos fortes e chuvas torrenciais, causando a interrupção do fornecimento de energia, o cancelamento de

voos e a suspensão de várias ligações ferroviárias. O tufão Fitow atingiu a cidade do Fuding, da província de Fujian, com ventos até 151 quilómetros por hora nas

primeiras horas da manhã. De seguida, enfraqueceu passando a tempestade tropical, informou o Centro Meteorológico Nacional. Mais de meio milhão de pessoas foram retiradas das suas casas e milhares de barcos de pesca voltaram a terra, enquanto as autoridades emitiam um alerta vermelho este domingo, com a aproximação do tufão. De acordo com o estado de Zhejiang, vizinha de Fujian, 574 mil pessoas foram evacuadas e 35.800 embarcações retornaram à costa este domingo. O governo de Fujian disse que 177 mil pessoas tinham sido transferidas por uma questão de segurança e que cerca de 30 mil barcos de pesca voltaram para a costa. Houve cortes de energia nas cidades da província de Zhejiang , enquanto os serviços de transporte ferroviário de alta velocidade na região foram suspensos. De acordo com agência de notícias estatal, Xinhua, pelo menos 27 voos que sairiam do aeroporto de Wenzhou, em Zhejiang foram cancelados.

A ‘semana dourada’ de Outubro é o maior movimento de massas na China depois da passagem do novo ano lunar, a principal festa tradicional das famí-

lias chinesa, em Janeiro ou Fevereiro Só os comboios transportaram em média 8,1 milhões de passageiros por dia (mais 10,9% do que no ano passado) e no dia 1, o número ultrapassou os dez milhões. Cerca de 7,2 milhões, mais 8,3% do que em 2012, viajaram de avião. Nos transportes públicos ou nos restaurantes, a frase mais ouvida era sempre a mesma: “Ren Tai Duo” (demasiada gente). Criada no final da década de 1990 para estimular o consumo interno, a “’semana dourada’ está a perder o seu brilho”, dizia China Daily no domingo. As queixas apontadas pelo jornal parecem evidentes: “trânsito caótico, grandes multidões e alto nível de stress”. Mesmo no plano económico, a ‘semana dourada’ não será, afinal, uma mina de ouro. Antes de 1999, as receitas do turismo cresceram em média 28,75% ao ano, mas desde então o crescimento abrandou para 17,91%, segundo um estudo citado pelo China Daily.

DIFERENDO COM TAIWAN TEM DE TER UM FIM

Pequim une família A

disputa entre Pequim e Taiwan não pode ser transmitida “de geração em geração”, disse esta segunda-feira o Presidente chinês, Xi Jinping, a propósito de uma reunião com o emissário do Presidente de Taiwan à margem do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico. Num encontro com Vincent Siew, antigo vice-presidente de Taiwan, Xi Jinping disse que Taipé e Pequim se deveriam considerar como “uma família”. “Nós não podemos transmitir estes problemas

de geração em geração”, acrescentou o líder chinês, segundo a agência de notícias chinesa. Vincent Siew é o emissário do Presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, ao Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC). Os líderes de Taiwan estão proibidos de participar na APEC, a China recusa a sua presença. Num outro encontro paralelo, também à margem da APEC, reuniram-se Wang Yuqi, alto responsável de Taiwan para as relações com Pequim, e o seu homólogo chinês, Zhang Zhijun. Este encontro é o primeiro do género, segundo Taiwan, e é classificado como “evento marcante” por Kuan Chung-ming, responsável pelo Conselho de Taiwan do Desenvolvimento e da Planificação Económica. Taiwan autoproclamou-se independente em 1949, apesar de Pequim considerar a ilha como rebelde e não excluir o uso da força para voltar a ter o seu controlo. Desde a eleição de Ma Ying-jeou em 2008, e reeleição em 2012, que as relações com a China estão no melhor momento desde 1949.


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Aliança sem pretexto para intervir em disputa de soberania territorial

Os chanceleres dos EUA, Japão e Austrália realizaram a quinta reunião ministerial de diálogo estratégico trilateral durante a reunião ministerial da APEC, em Bali, Indonésia. Após a reunião, foi emitido um comunicado conjunto mencionando as questões do Mar da China Oriental e o Mar da China Meridional. Sobre esta matéria, a porta-voz da Chancelaria chinesa, Hua Chunying, afirmou ontem que os EUA, o Japão e a Austrália são aliados, mas que isso não deve servir de pretexto para intervir em disputas de soberania territorial. Segundo a porta-voz, esse acto pode complicar ainda mais a situação e prejudicar os interesses das diversas partes. Hua Chunying afirmou ainda que a China tem uma posição sempre clara em certas questões. A China pede que os países relacionados respeitem a verdade e sejam justos, para além de pararem com as afirmações ou actos que prejudiquem a estabilidade regional.

Frota da Marinha chinesa chega ao Chile

CHINESES PROTESTAM CONTRA NOVO IMPOSTO SOBRE PRODUTORES ELÉCTRICOS

Promessas quebradas na EDP O

S accionistas chineses da EDP, a China Three Gorges, estão contra a nova contribuição especial que o Governo anunciou na semana passada para os produtores de electricidade, alegando que a parte portuguesa não está a respeitar as garantias que deu na privatização da empresa. A primeira reacção oficial de protesto contra o que a CTG considera ser uma “desagradável surpresa” foi enviada este fim-de-semana, por correio electrónico, ao vice-primeiro-ministro Paulo Portas, de acordo com fonte conhecedora do processo. A CTG entende que o anúncio do Governo é “particularmente grave”, por contrariar “repetidas garantias” que lhe tinham sido dadas pelo Governo “ao mais alto nível”, de que seria mantida

a estabilidade do quadro regulador do sector eléctrico. O maior accionista da EDP, com 21,35% dos votos, defende que a nova medida “pode afectar negativamente os resultados da EDP”, diminuindo o seu valor e , desse modo, o valor da sua participação accionista. A empresa que é dona da maior barragem do mundo e detida pelo Estado chinês diz que o valor que pagou pela EDP tinha por base essas garantias e que “isso foi essencial para a decisão da CTG, nomeadamente a avaliação que fez” da empresa. A medida, segundo a CTG, vai contra o que tem sido a história do acordo accionista: “até agora, todos os compromissos têm sido honrados por ambas as partes”. Os chineses invocam que têm cumprido a parte que lhes cabia no quadro da parceria estratégica assinado com o Governo, especial-

mente ao nível de uma cooperação crescente, entendendo que não é isso que acontece neste momento do lado português, com o referido anúncio. Dizem esperar, por isso, uma alternativa que não afecte o valor da empresa e “permita que o processo de cooperação crescente continue a desenvolver-se”. A CTG cita na mensagem como exemplos de cooperação a aquisição de parcelas minoritárias em empresas da EDP (sublinhando serem operações que têm libertado capital da EDP), o empréstimo de cerca de 18 mil milhões de patacas do Banco da China e do Banco de Desenvolvimento da China, as negociações para investimentos conjuntos das duas empresas fora da União Europeia e a recente missão que levou 40 empresários portugueses a Pequim, entre outros. O ministro do Ambiente e

Energia, Jorge Moreira da Silva, anunciou na semana passada que a contribuição especial sobre as empresas produtoras de electricidade, através da qual o Governo português tenta responder a pelo menos duas questões da troika (medida alternativa a novos cortes na despesa e descida do nível de rendas do sector energético), deverá gerar uma receita adicional de cerca de 1000 milhões de patacas no próximo ano, de acordo com as previsões oficiais. O presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, Eduardo Catroga, foi uma das vozes a defender os interesses dos accionistas chineses na empresa, considerando que a medida significava o incumprimento de garantias dadas pelo Estado português. No domingo à tarde, o gabinete de Paulo Portas dizia não ter ainda conhecimento da missiva.

A frota da Marinha chinesa chegou esta segunda-feira a Valparaíso, começando assim uma visita de cinco dias ao Chile. O país é a primeira etapa da viagem da frota à América do Sul. Um grupo de cerca de 300 pessoas, incluindo funcionários da embaixada chinesa no Chile, representantes das instituições de capital chinesa e estudantes chineses no Chile foram ao cais para receber a frota, informa a rádio China. Durante a visita, o comandante do esquadrão vai se encontrar com os almirantes chilenos. Serão ainda realizadas várias actividades de intercâmbio entre os marinheiros dos dois países. O esquadrão da Marinha chinesa partiu no dia 3 de Setembro para a América do Sul. Esta é a terceira vez que a frota visita o Chile, depois de 1997 e 2009. Segundo o plano, o esquadrão vai realizar uma manobra conjunta com a Marinha chilena e depois parte para a sua segunda etapa, no Rio de Janeiro, Brasil.


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ÓBITO

hoje macau terça

NÃO HÁ DECISÃO

Os últi

Ainda não é certo s Nepal – vai ser crem advogado da famíli geral de Portugal em ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

H

AVIA três anos e quatro meses que Dulcineia Fernandes estava em prisão preventiva na prisão de Katmandu, a capital de um dos países mais pobres do mundo, o Nepal. Apanhada com droga no aeroporto do país em 2011, quando se preparava para deixar o país, Dulcineia viu-se nas mais precárias condições quando foi transferida para a prisão. A sua morte pôs fim a um longo ciclo de doenças contínuas. Estava internada no hospital da cidade acompanhada pela mãe, Idalina. “Era uma verdadeira panóplia de problemas, desde epilepsia, a graves problemas gastrointestinais, anemia, um vastíssimo conjunto de doenças, entre as quais infecções do trato urinário, malária congénita que veio dos tempos de Angola, doença de Crohn... Temíamos desde o primeiro momento que ela não iria sobreviver às condições de reclusão numa penitenciária de uma das cidades mais pobres do mundo”, disse ao HM Pedro Redinha, o advogado que sofreu de perto com a morte da mulher de 33 anos. “Conheço há muitos anos a família, vi crescer Dulcineia,

A transferência para o Estabelecimento Prisional de Macau (EPM) era impossível do ponto de vista diplomático, pois Dulcineia tinha passaporte português e não chinês


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FINAL SOBRE TRANSLADAÇÃO DO CORPO DA LUSO-ANGOLANA

imos dias de Dulcineia

se o corpo de Dulcineia Fernandes – falecida em Katmandu, mado ou se será transladado para Macau. Ao HM, o ia, Pedro Redinha, diz que o apoio anunciado pelo cônsulm Macau é apenas “moral” e não financeiro era minha visita usual neste escritório, e foi um choque, apesar de saber que as circunstâncias eram muito precárias. Foi um verdadeiro choque a notícia da morte dela.” Tantos anos de prisão preventiva não apagavam a esperança da resolução do caso de tráfico de droga em que a portuguesa, residente em Macau há 25 anos, se viu envolvida. “Ela estava à espera da apreciação do último recurso apresentado no Tribunal Supremo do Nepal, a 30 de Agosto. Tínhamos de esgotar todos os trâmites da jurisdição nepalesa para depois fazermos o apelo à diplomacia portuguesa. O que estava no horizonte era contactar com as autoridades para uma transferência para a execução de pena em Portugal. Porta que só podia ser aberta com uma decisão transitada em julgado, o que nunca chegou a acontecer.” A transferência para o Estabelecimento Prisional de Macau (EPM) era impossível do ponto de vista diplomático, pois Dulcineia tinha passaporte português e não chinês.

APOIO DIPLOMÁTICO É “MORAL”

Segundo Redinha, o irmão mais velho de Dulcineia viajou ontem à tarde para Katmandu para se juntar a outro irmão e

à mãe de ambos. Lá será feita a decisão final quanto ao destino a dar ao corpo da jovem. “Ainda não há uma decisão tomada, e são razões do foro ético e religioso da família. Há opiniões divergentes. Mas por outro lado também poderão ser fruto da ponderação das razões financeiras subjacentes.” O advogado garantiu ainda que o já anunciado apoio público à transferência de corpo, feito por Vítor Sereno, cônsul português em Macau, não é financeiro. “Devo dizer-lhe que é um apoio moral, não se trata de um apoio financeiro. Esse teremos de ir buscar a outro lado. Há um extenso número de amigos da família e estaríamos em condições de fazer o pagamento de transladação do corpo”, frisa Redinha. Os preços, esses, são exorbitantes. Transladar o corpo de Dulcineia Fernandes iria custar 120 mil dólares de Hong Kong de Katmandu até Hong Kong, sendo que depois teria de ser deslocado de Zhuhai a Macau, acrescentando-se à factura mais de 60 mil dólares de Hong Kong. “Temos o dinheiro, é uma questão de opção da família, naturalmente.”

DOENTE E SEM FALAR COM NINGUÉM

Esta não era a primeira vez que Dulcineia se encontrava

para visitar a filha. “A DulPEDRO REDINHA Advogado de Dulcineia Fernandes cineia, por falta de domínio fluente da língua inglesa, e por total desconhecimento da língua local, nunca nos soube explicar tudo muito bem (a situação de saúde). A mãe obteve apoios do consulado de Angola, onde a Dulcineia internada no hospital. Tinha nasceu.” Pedro Redinha garante muitos medicamentos para tomar, de valor elevado, ainda ao HM que nunca mais sendo que metade dos trata- houve notícias do marido mentos ficou pelo caminho. de Dulcineia, um nigeriano desaparecido desde 2011. “Não tenho porém quaisquer dúvidas de que ele esteve por detrás do movimento que levou dólares de Hong Kong é quanto a Dulcineia ao Nepal, custará a trasladação do corpo do sem ter disso dado prévio conhecimento à faTemíamos desde o primeiro momento Nepal até Macau mília. Ela casou-se sem que ela não iria sobreviver às condições ter dado conhecimento à “Visitei-a uma vez e tive a família, e não tenho dúvidas de reclusão numa penitenciária de uma percepção pessoal do que é em afirmar de que, ao casardas cidades mais pobres do mundo uma pessoa de outro mundo -se, assinou a sua sentença cair numa penitenciária da- de morte.” PEDRO REDINHA Advogado de Dulcineia Fernandes quelas e viver num estado lamentável”, recorda Redinha. A socialização da portuguesa com outros reclusos era praticamente inexistente. “Penso que não tinha ninguém com quem falar. Era ostracizada pelos companheiros de cela, devido aos problemas de saúde que tinha, que lhe davam diarreia e vómitos quase constanConsulado Geral da República de Angola temente, e tinha uma total Região Administrativa Especial de Macau incapacidade para se adaptar à alimentação local - ou era essa ou não havia outra.” Para além disso, era “uma rapariga com problemas a Foi com o mais profundo pesar que o Consulado Geral da nível da exacta percepção República de Angola na Região Administrativa Especial de da realidade, o que aliás foi um dos argumentos que Macau da República Popular da China, tomou conhecimento do a defesa dela utilizou para falecimento da Sra. Dulcineia da Cruz Fernandes, filha da cidadã justificar a posse do produto apreendido”. angolana Idalina Augusta Chantre da Cruz e Rêgo. Transferir Dulcineia para uma prisão hospitalar estava fora de questão, uma vez que Vergados pela dor, o Consulado Geral da República de Angola na Katmandu não possui esse tipo de instalações. “As conRAEM, endereça à família enlutada os mais sinceros sentimentos dições de assistência médica de pesar. na penitenciária são inexistentes. Um paciente com difíceis condições de saúde é sempre transferido para o hospital central da cidade.” Do hospital, porém, nunca O Cônsul-Geral chegavam as notícias mais actualizadas sobre o estado de saúde da portuguesa.

180 mil

NINGUÉM SABE DO MARIDO Prisão de Katmandu

Devo dizer-lhe que é um apoio moral, não se trata de um apoio financeiro. Esse teremos de ir buscar a outro lado. Há um extenso número de amigos da família e estaríamos em condições de fazer o pagamento de transladação do corpo

Idalina sempre conseguiu apoios da família e dos amigos

Pedro da Silva Feijó Sobrinho


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VIDA

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SUBMUNDO DE PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS ONLINE POSTO A NU

HOJE NO PRATO

Falso artigo aceite por mais de 150 revistas A operação foi meticulosamente planeada e a sua execução durou um ano. Os resultados, revelados esta sexta-feira pela revista Science, falam por si: em troca de pagamento por parte dos autores, dezenas de revistas científicas de acesso livre mostraram-se dispostas a publicar um artigo com falhas metodológicas graves e óbvias, cujo autor concluía, saltando directamente do tubo de ensaio para a clínica, ter descoberto um promissor novo medicamento contra o cancro. O autor da cilada, John Bohannon, jornalista de ciência da Universidade de Harvard (EUA), enviou a sua “descoberta”, assinada por um cientista fictício que trabalhava numa universidade fictícia, para os editores de 304 revistas online de acesso livre especializadas em investigação médica e áreas afins. Dessas, 98 recusaram o artigo – mas 157 aceitaram-no.

Recorde-se que, ao contrário das revistas com assinaturas pagas (como a Science ou a Nature), as revistas de acesso livre (a mais conhecida das quais é a PLoS ONE) são financiadas através do pagamento de uma dada quantia pelo cientistas cujos artigos são aceites para publicação. Mais resultados: das 255 revistas que enviaram uma resposta de recusa ou de aceitação, 60% fizeram-no sem dar qualquer sinal de que os resultados tivessem sido submetidos a uma avaliação científica pelos pares – a norma, em termos de controlo de qualidade, em qualquer revista científica digna desse nome. E das 106 revistas que realizaram de facto alguma avaliação, 70% acabaram por aceitar o artigo para publicação. “Qualquer revisor com conhecimentos de química acima do ensino secundário e a capacidade de perceber um gráfico elementar

deveria ter detectado imediatamente as falhas do artigo”, escreve Bohannon na Science. “A qualidade das experiências é tão má que os resultados não fazem qualquer sentido.” Nem todas as revistas que aceitaram o falso artigo podiam ser vistas como publicações de vão de escada ou de duvidosa honestidade: entre elas, houve publicações ligadas a gigantes da edição científica como a Elsevier de Amesterdão ou a Sage de Nova Iorque. Bohannon refere em particular o caso da Journal of International Medical Research, da Sage, cujo director é professor de psicofarmacologia no King’s College de Londres – e que, sem exigir qualquer alteração do artigo, lhe enviou uma carta de aceitação e uma factura de 3100 dólares. Pelo contrário, a PLoS ONE esteve à altura do desafio: rejeitou o artigo em duas semanas com base na sua falta de qualidade científica.

Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Uva Nome botânico: Vitis vinifera L. Família: Vitaceae.

“Os resultados desta golpada revelam os contornos de um Oeste selvagem emergente nas publicações académicas”, salienta Bohannon. Embora perto de um terço das revistas “apanhadas” por esta operação secreta tenha sede na Índia (64 aceitações e 15 rejeições), os EUA vêm logo a seguir no palmarés, com 29 aceitações e 26 recusas. “Mas mesmo quando as editoras e as contas bancárias têm sede em países em desenvolvimento, a empresa que em última análise recebe os lucros pode estar nos EUA ou na Europa”, faz notar Bohannon. “Toda a gente concorda em dizer que o acesso livre é uma coisa boa. A questão é como concretizá-lo”, frisa um dos cientistas que acompanhou todo o processo, citado por Bohannon. PUB

AVISO da Direcção dos Serviços de Identificação A Direcção dos Serviços de Identificação solicita a atenção para o seguinte: AVISO

A emissão de registo criminal leva tempo, pelo que se deve requerê-lo com antecedência adequada para que não se venha a faltar tempo para a obtenção do certificado. O prazo normal para a entrega do certificado de registo criminal é de 5 dias úteis, e de 2 dias úteis se for caso de pedido de emissão urgente, pela qual é devida uma taxa adicional (Os prazos de entrega são contados a partir do dia seguinte à apresentação do requerimento). O requerimento do certificado de registo criminal pode ser entregue nos Serviços de Identificação (Av. de Praia Grande, n.º 804, “China Plaza, 1.º andar”) ou no Centro de Serviços da RAEM (Rua Nova da Areia Preta n.º 52). Para informações sobre as formalidades do requerimento, queira telefonar para 28370888 e para marcação prévia pode-se recorrer ao website da DSI: www.dsi.gov.mo,

Curso de Preparação para Desportista Náutico Marinheiro

As inscrições para o Curso de Marinheiro estarão

abertas nos dias 7 a 16 de Outubro de 2013 (nos dias de

expediente), na Secretaria da Escola de Pilotagem, Rua do Almirante Sérgio, s/nº (Largo do Pagode da Barra) Macau, das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 18H30.

Qualquer esclarecimento relativo ao curso, poderá

ser solicitado pelo telefone 28588866 durante as horas normais de expediente.

Director da Escola de Pilotagem Wong Chio Fat

Originária da Ásia Menor, a Videira foi cultivada pela primeira vez no Cáucaso cerca de 6.000 anos a.C. Atualmente, a sua cultura encontra-se amplamente distribuída pelos países mediterrânicos e de clima temperado, sobretudo para a produção de vinho. Curiosamente, a utilização medicinal do vinho era já conhecida dos povos da Antiguidade, que o aplicavam como antissético sobre feridas – assim o refere Dioscórides, o célebre médico grego do século I. Deste arbusto trepador, quase tudo é medicinal: as folhas, a seiva e as sementes, além das Uvas, que são um dos frutos mais medicinais que se conhecem e integram a nossa alimentação. COMPOSIÇÃO A Uva é rica em açúcares facilmente assimiláveis e vitaminas, sendo pobre em proteínas e lípidos. Contém ainda sais minerais e oligoelementos, fibra solúvel, ácidos orgânicos responsáveis pelo seu sabor ligeiramente ácido, flavonoides (quercetina), uma substância fenólica (resveratrol) e pigmentos (antocianinas). O resveratrol e as antocianinas encontram-se sobretudo na Uva preta e na pele. Seca, em passa, a Uva concentra as vitaminas, os sais minerais e as fibras. AÇÃO TERAPÊUTICA A Uva é tonificante e reconstituinte, remineralizante e antianémica, aumenta a resistência à fadiga e eleva o estado de ânimo, sendo especialmente recomendada na fraqueza geral, convalescença e pós-operatórios, esgotamento físico, falta de rendimento, tensão nervosa, stress, desmineralização e anemia por falta de ferro. Antioxidante potente, a Uva tonifica o coração, fortifica os vasos sanguíneos e dilata as artérias permitindo que o sangue circule com maior fluidez; diminui a tendência para as plaquetas se agruparem formando coágulos, inibe a oxidação do colesterol impedindo que este se deposite nas artérias e aumenta o colesterol HDL (o bom). Em suma, favorece o bom estado das artérias, especialmente das coronárias que irrigam o coração, detendo a progressão da arteriosclerose. Por tudo isto se considera a Uva um alimento protetor do coração, capaz de

prevenir e tratar as afeções cardiovasculares: hipertensão arterial, excesso de colesterol no sangue, angina de peito, enfarte do miocárdio, trombose ou derrame cerebral (AVC). OUTRAS PROPRIEDADES Com propriedades diuréticas e depurativas, este precioso fruto alcaliniza o sangue e a urina favorecendo a eliminação de resíduos do metabolismo; tem sido usado tradicionalmente em caso de edemas, níveis elevados de ácido úrico no sangue, gota, litíase renal, artritismo, obesidade, doenças de pele (acne, eczema, psoríase, urticária, herpes, furúnculos), alimentação rica em alimentos de origem animal, e ainda na nefrite, nefrose ou insuficiência renal. Estudos efetuados com o resveratrol comprovam as suas propriedades anti-inflamatórias e inibidoras do crescimento das células cancerígenas no cancro da mama, cólon, estômago e leucemia pelo que se recomenda um consumo abundante de Uvas como preventivo ou adjuvante. COMO CONSUMIR A Uva deve ser colhida madura. Pode ser consumida fresca ou em passa. As Uvas frescas devem apresentar-se intactas e sem enrugamentos ou manchas. Conservam-se poucos dias à temperatura ambiente, mas pode guardá-las no frigorífico para uma conservação mais prolongada. Devem ser lavadas apenas no momento de as consumir. Sugestões: • Como fruta, ao natural, de preferência fora das refeições • Em sumo (sem aditivos) ou em passas • Frescas ou secas, adicionadas às saladas de frutas ou de vegetais • Em saladas frias de frango ou atum, tortilhas, ou pratos de aves, caça, peixe e frutos do mar • Ingrediente do arroz árabe e do pão com passas • Em bolos e tartes, compotas e geleias • Em regime de monodieta (cura de Uvas): Sob aconselhamento de um profissional. É a melhor forma de usufruir dos benefícios da Uva. PRECAUÇÕES Os diabéticos devem comer a Uva com moderação. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.


CULTURA

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JOSÉ C. MENDES info@hojemacau.com.mo

F

OI ontem, pelas 16h, apresentado no Auditório Permanente do Fórum Macau, o programa da 5.ª Semana cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, que se realiza entre 28 de Outubro e 7 de Novembro, e que conta este ano com artistas de todos os países lusófonos, para além de uma representação da província chinesa de Anhui. No ano em se comemora o 10.º aniversário do estabelecimento do Fórum de Macau e em que se realiza a 4.ª Conferência Ministerial do Fórum de Macau, o orçamento da 5.ª edição da Semana Cultural foi reforçado, passando de sete milhões de patacas, em 2012, para 12 milhões de patacas, este ano. Do programa constam várias actividades ligadas à gastronomia, artesanato, cultura e entretenimento. Assim, de 28 de Outubro a 7 de Novembro, o restaurante Feast do Hotel Sheraton vai contar com a presença de 10 Chef’s , provenientes dos países e regiões de língua portuguesa, que diariamente apresentarão as suas especialidades, ao almoço e jantar. Os visitantes terão à sua disposição pratos como caril de porco, pataniscas de bacalhau, caldo de chabéu, ou frango com recheio de gambas, entre outras especialidades. Nas mesmas datas, entre as 16 e as 21h, vai estar na Feira do Carmo na Taipa, uma mostra de artesanato da província chinesa de Anhui. Os artesãos trabalharão junto aos expositores e as suas obras, em pedra, papel, madeira, vidro, cerâmica, etc. estarão à venda ao público. A partir de 28 de Outubro e até 22 de Novembro, o Cônsul de Portugal abre as portas da Residência no antigo Bela Vista onde vai estar patente ao público a Exposição Fotográfica e Documental sobre “Patrimónios Comuns dos Países de Língua Portuguesa”. Com curadoria e comissariada por Joaquim Magalhães de Castro, a mostra tem como suporte a fotografia documental, narrativas poéticas e documentários. A arte contemporânea portuguesa vai também estar representada na Casa de Exposições Temporárias da Taipa, onde a partir de dia 29 de Outubro e até 17 de Novembro vão ser exibidas

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SEMANA CULTURAL DA CHINA E DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA ESTE MÊS

Orçamento saiu mais reforçado

obras de sete artistas dos países lusófonos. De Portugal vem António Trindade, que se junta a outros nomes da arte contemporânea, como Eduardo Fonseca, do Brasil, ou João Carlos Barros, da Guiné-Bissau, entre outros. A música vai chegar ao Largo do Senado entre 29

e 31 de Outubro, a partir das 19h, onde vão passar grupos como os Maya Cool, de Angola, Ammy Injai, da Guiné-Bissau, Syndicate & Floor Fillers, de Goa Damão e Diu, ou Edu Casanova, do Brasil, entre outros. Portugal marca presença com os Kumpania Algazarra.

Do programa consta ainda a habitual parada de artistas, que este ano terá lugar no dia 3 de Novembro, e que partirá das Ruínas de São Paulo com destino ao Leal Senado. A organização espera contar com cerca de 200 artistas de Macau, de Anhui e dos

países lusófonos no evento deste ano. Em paralelo com estas actividades, a organização, em colaboração com a Associação de Fotografia Digital de Macau, promove também o Concurso de Fotografias sobre o evento, que tem como objectivo o registo fotográfi-

co das actividades constantes do programa da 5.ª Semana cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. O prazo de entrega das fotos será no dia 15 de Novembro. As melhores fotos receberão prémios monetários e serão posteriormente exibidas em lugar a anunciar.

“Florbela” conquistou seis prémios Sophia, mas perdeu melhor filme para “Tabu”

A

longa-metragem “Florbela”, de Vicente Alves do Ó, conquistou seis prémios Sophia, mas perdeu o de melhor filme para “Tabu”, de Miguel Gomes, anunciou no domingo a Academia Portuguesa de Cinema. Numa cerimónia que aconteceu no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, a Academia Portuguesa de Cinema distinguiu os melhores filmes portugueses estreados ao longo dos últimos meses. “Florbela”, filme inspirado

na biografia da poetisa Florbela Espanca, somava 15 nomeações, mas só arrecadou seis prémios, entre os quais os de melhor actriz - Dalila Carmo - e actriz secundária - Anabela Teixeira. Vicente Alves do Ó foi eleito o melhor realizador, mas o filme perdeu uma das principais categorias para “Tabu”. O filme de Miguel Gomes, premiado em 2012 em Berlim e que tinha nove nomeações nos Sophia, conquistou ainda o prémio de melhor montagem.


14 cultura

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REALIZADOR DE BANDITI A MILANO COMETEU SUICÍDIO AOS 91 ANOS

A morte de Carlo Lizzani O

seu amigo Mario Monicelli suicidou-se a 29 de Novembro de 2010, saltando da janela do Hospital San Giovanni, em Roma, onde dera entrada dias antes para tratamento a um cancro na próstata. Sábado, Carlo Lizzani, realizador, argumentista, actor, “homem do cinema”, resumia o La Reppublica, escolheu o mesmo fim. Aos 91 anos, o realizador de Banditi a Milano, saltou da varanda do terceiro andar que habitava em Roma. Enquanto o presidente italiano Giorgio Napolitano, citado pela AP, destacava a contribuição de Lizzani para “o cinema, a cultura e o desenvolvimento democrático do país”, o realizador Ettore Scola declarava simplesmente “este é um momento de grande tristeza”. Paolo Baratta, presidente da Biennale, destacou a forma como Lizzani deu nova vida ao Festival de Veneza durante os anos (de 1979 e 1982) em que foi seu PUB

director. “Ele soube como criar um núcleo de jovens estudantes e especialistas que representariam no futuro a verdadeira elite. O mundo do cinema italiano deve-lhe muito”, cita a AP. Nascido em Roma a 3 de Abril de 1922, Lizzani iniciaria a sua actividade após o final da II Guerra Mundial. Estreia-se como actor em 1946 em Il Sole Sorge Ancora, de Aldo Vergano, filme de guerra, e cinco anos depois como realizador de ficção,

imerso no espírito e estética neo-realista, em Achtung! Banditi!, história de resistência (em tempos de guerra, naturalmente). A sua filmografia contabiliza mais de sessenta títulos, entre os quais se destacam Banditi a Milano, que lhe valeu em 1968 a distinção de Melhor Realizador atribuída pela Academia Italiana do Cinema, ou Celluloide, obra de 1996 que se debruça sobre a criação de Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rosselini (a

academia italiana distinguiria novamente Lizzani, desta vez pela assinatura do argumento). O La Repubblica recuperava sábado uma entrevista em que Lizzani afirmava: “A minha vida tem sido ao serviço do cinema”. Assim, acrescentava, se serviu também dele para conhecer o seu país, “o mundo, a História, o século XX”. Militante do Partido Comunista Italiano até 1957, manteve-se sempre um homem de esquerda, questionador do passado que conheceu e curioso pelo país que o rodeava. Começou como crítico de cinema, foi depois actor, argumentista (para Rosselini em Germania Anno Zero, 1948, por exemplo), realizador (ainda em 1948 dirige um documentário sobre o líder do Partido Comunista Italiano, Palmiro Togliatti). Ao longo da sua extensa carreira trabalhou também com nomes como Jean-Luc Godard, Marco Bellochio ou Pier Paolo Pasolini. O seu último filme, Hotel Meina, chegou às salas em 2007.

Fundação Oriente em Timor-Leste abre candidaturas para Prémio de Língua Portuguesa

A delegação da Fundação Oriente em TimorLeste abriu candidatura para o Prémio de Língua Portuguesa para jovens estudantes timorenses, refere em comunicado divulgado à imprensa o sítio na Internet daquela fundação. Os estudantes timorenses interessados em participar devem entregar um texto em prosa dedicado ao tema “Mar” até ao próximo dia 30, segundo o documento. O comunicado refere também que o vencedor vai receber um prémio de 2.500 dólares destinados a apoiar a estada do vencedor em Macau para frequentar, em Julho de 2014, o curso de verão de Língua e Cultura Portuguesa na Universidade de Macau. O objectivo do curso é “desenvolver as competências linguísticas e de comunicação em português”, acrescenta o comunicado. As candidaturas estão abertas para estudantes timorenses a frequentar uma instituição de ensino local e com idades compreendidas entre os 17 e os 25 anos.


cultura 15

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A

10 de Outubro passarão cinquenta anos desde que Edith Piaf, aquela que a França entronizou como sua cantora, se silenciou para sempre. Que faria La Môme se se erguesse nesse dia do seu túmulo no cemitério de Pére-Lachaise? Naturalmente, veria a França preparada para a homenagear. O Le Figaro elencava no final de Setembro as acções preparadas para a celebração. Concertos reunindo a nova geração francesa que a mantém como referência, documentários sobre a sua música e os seus amores, edições em CD com as suas 100 melhores canções ou com as suas obras em inglês. Mas mais que CDs ou DVDs, os 50 anos passados sobre a sua morte serão assinalados em forma de livro. Já existem dezenas de biografias da sua vida mas este ano, em França, será editorialmente o ano Piaf. O Figaro recomendava nove obras lançadas em território gaulês em 2013 e, entre elas, há uma que se destaca: Édith Piaf - Un Mythe Français (ed. Fayard). Se Piaf reaparecesse, calcorreando a sua Pigalle ou a zona de Belleville em que nasceu, e se se deparasse com o livro de Robert Belleret, antigo jornalista do Le Monde e biógrafo de Léo Ferré (Léo Ferré, Une Vie d’Artiste, é considerado uma referência), ver-se-ia como a França não chegou a vê-la. Iria ver-se assim: Como alguém que construiu uma lenda à volta da sua vida, recheada de episódios que engrandeciam a sua aura, mas que, defende Belleret, não sobrevivem à verdade dos factos. Em Édith Piaf - Un Mythe Français, o biógrafo desmistifica o nascimento da cantora de La vie en rose nas ruas de Belleville, a cegueira na infância, curada por intervenção de Santa Teresa de Lisieux, a paixão pelo pugilista Marcel Cerdan, “o único amor da sua vida”, para quem terá escrito L’hymne de l’amour, ou, matéria mais sensível, a sua actuação heróica durante a ocupação nazi. Em entrevista ao site C’est Une Chanson, Belleret afirma que “Edith não construiu a sua lenda premeditadamente, ela deixou que dissessem ou escrevessem histórias frequentemente rocambolescas sem jamais as desmentir”. Belleret conta que, quando da primeira digressão em Nova Iorque, em 1947, a sua chegada foi antecedida pela distribuição de completíssimo dossier de imprensa que, naturalmente, incluía toda as mistificações (“marketing antes de existir marketing”, classifica). As quase 800 páginas de Édith Piaf - Un Myhe Français não nasceram de grandes descobertas, da revelação de documentação inédita. Belleret afirma ter-se limitado a escavar mais fundo,

NO CINQUENTENÁRIO DA MORTE, A BIOGRAFIA ESCRITA POR ROBERT BELLERET

O outro lado do mito Edith Piaf

do Étoile de Kleber. “Mas também dos residentes [do prédio]”, acrescenta Belleret.

SEM SENSASIONALISMOS

trabalhando como repórter de investigação, que foi, de resto, durante duas décadas no Le Monde, e confrontando a historiografia oficial com os factos registados nas cartas que Piaf escreveu, nos jornais de época, nos arquivos policiais. Exemplo paradigmático, o seu papel durante a Ocupação Nazi. Belleret afirma que a sua dimensão de resistente é uma efabulação criada para “escapar a represálias depois da guerra”. “Não tenho por objectivo colocar Piaf em tribunal,

mas a sua história é pura fantasia”, disse ao Sunday Times. “Primeiro disse que ajudou 118 prisioneiros a escapar, depois 147, depois mais de 200. Mas nem um deles surgiu para lhe agradecer publicamente e defender que ela merecia uma medalha”. Édith Piaf viveu dois anos, entre 1942 e 1944, no terceiro andar de um prédio na rua Villejust (actualmente rua Paul Valéry, no XVI bairro). Abaixo de sua casa, funcionava o Étoile de Kléber, um bordel de luxo. A cerca de 200 metros de distância

encontrava-se instalada a sede da Gestapo francesa e os seus altos quadros eram presença habitual no estabelecimento. O terceiro andar ocupado por Piaf permitia-lhe, dizia, receber apenas “quem quisesse, quando quisesse”. Mas permitiu-lhe também, afirma Belleret, escapar às restrições do racionamento em tempo de guerra. A rua Villejust, pela sua localização um centro muito activo do mercado negro, providenciava que o champanhe e caviar estivessem disponíveis no menu dos clientes

As revelações agora surgidos não devem, porém, enquadrar-se na lógica sensacionalista de tantas biografias que procuram o lado negro de figuras míticas impolutas. O Figaro, por exemplo, escrevia que Un Mythe Français começa a ganhar o estatuto de referência entre os especialistas na vida e obra de Edith Piaf. E é Robert Belleret quem afirma na entrevista supracitada que “a complexidade e as zonas de sombra de uma personalidade e especialmente de uma artista aumentam a riqueza e o interesse do seu percurso e da sua obra”. Lida a biografia, sabidos os factos, mudará alguma coisa na nossa relação com Édith Piaf, a cantora de Un legionnaire, Les bleuses blanches, La vie en rose ou Non, je ne regrette rien? Aquela que Jean Cocteau, que sucumbiu seis horas depois de a morte dela ser anunciada, nos exortava a ver verdadeiramente: “Vejam esta pequena pessoa com cujas mãos são as do lagarto das ruínas. Vejam a sua a fronte de Bonaparte, os seus olhos de cego que acaba de recuperar a visão...” Mudará saber que não nasceu sob a calçada de Belleville, mas no Hospital de Tenon? Que a suposta cegueira na infância, enquanto vivia no bordel dirigido pela sua avó paterna, não terá passado, no máximo, de uma infecção de algumas semanas? Que sob a imagem propagada de mulher sofredora às mãos dos homens que amou se escondia “uma sedutora insaciável” que coleccionava amantes como “vingança pelos seus anos de miséria e submissão”? Que quando morre Marcel Cerdan num acidente de aviação nos Açores, ela estaria a preparar-se para o abandonar e que L’hymne de l’amour, a canção que imortalizou a paixão entre os dois foi primeira oferecida a Yvette Giraud e só recuperada por Piaf depois da morte do seu amante? “Ela consumiu a sua vida pela sua arte, a chanson”, afirma Robert Belleret. No seu vestido preto, obrigatório em concerto, só lhe víamos a cabeça e as mãos. O corpo desaparecia no negro e toda ela era expressão: as mãos que se agitavam crescentemente enquanto a canção se encaminhava para o clímax, o rosto que ia revelando o sentimento que a canção escondia. E, depois, a voz que dizia mais do que as palavras podiam dizer. É esta Edith Piaf. Esta a sua biografia.


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DESPORTO

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PENÚLTIMO CLASSIFICADO DA LIGA ISLANDESA OFERECE UM PART-TIME AOS SEUS JOGADORES

Futebolistas e pescadores D

URANTE mais de uma década, a maior parte dos adeptos de futebol só terá conseguido identificar um jogador islandês de relevo. Eidur Gudjohssen, avançado, andou por alguns dos maiores clubes da Europa, como o PSV Eindhoven, o Chelsea e o Barcelona, e, aos 35 anos, cumpre os momentos finais da sua carreira no Club Brugges, da Bélgica. A grande referência actual do futebol islandês é Gylfi Sigurdsson, médio do Tottenham de Villas-Boas, e, em Portugal, há dois jogadores internacionais por este país nórdico, ambos no Belenenses, os médios Helgi Danielsson e

Eggert Jonsson – o clube do Restelo até tentou explorar mais este filão, tentando contratar Gudjohnssen, mas não conseguiu. Mais difícil será identificar algum clube islandês. A resposta que qualquer adepto dará à pergunta sobre qual será o maior clube da Islândia é Futebol Clube Reiquejavique e, mesmo sendo “ao calhas”, não andará longe da verdade, embora a sigla pelo qual é conhecido, KR, diz pouco sobre a sua localização. O Knattspyrnufélag Reykjavíkur (FC Reiquejavique) é o actual campeão da Islândia, tendo conquistado na passada semana o seu 26.º título (o campeonato, de

12 equipas, disputa-se entre Maio e Setembro), mas tem pouca expressão no futebol europeu, nunca tendo passado da primeira ronda das provas da UEFA. Mais conhecido dos portugueses será o Akranes, contra quem o Sporting conseguiu uma das suas maiores vitórias europeias. Na viagem à Islândia, para a primeira eliminatória da Taça UEFA em 1986-87, os “leões” venceram por 9-0, enquanto em Alvalade o triunfo foi por “apenas” 6-0. KR e Akranes estão em polos opostos do futebol islandês. O primeiro foi campeão, o segundo, que tem 18 títulos no seu historial, foi último e despromovido.

Na descida foi acompanhado pelo Víkingur Ólafsvík, que apenas se manteve uma época no primeiro escalão, depois de ter tido uma ascensão fulgurante, da terceira divisão à primeira em

HOJE MACAU TRAZ TAÇA PARA A RAEM HOJE MACAU

três anos, um feito incrível para o clube de uma localidade com apenas mil habitantes. Não será fácil atrair jogadores para esta pequena vila piscatória, mas o Víkingur até tem um plantel surpreendentemente internacional. Tem jogadores da Bósnia, da Eslovénia, do Togo, das Ilhas Feroé, da Croácia, da Polónia, da Letónia e da Espanha, que é o país mais representado nesta “Babel” nórdica, com cinco atletas. Segundo conta ao jornal Marca Samuel Jiménez, um desses espanhóis, o dono da equipa oferece um suplemento de salário aos jogadores em troca dos seus serviços na sua frota pesqueira. “Alguns vão duas ou três vezes por semana para a faina para complementar o ordenado. Eu também fui, mas foi mais por diversão”, explicou Jiménez, que também jogou na equipa de futsal do Víkingur.

Hóquei em patins Colômbia vence Macau por 13-0

O Hoje Macau (embarcação ao centro) ficou em segundo lugar na Regata Internacional de Barcos-Dragão que decorreu, este domingo, em Hong Kong. Ao contrário do que sucedeu em anos anteriores, onde esteve sempre a chover, a região vizinha foi invadida por um dia de sol para assistir à disputa na categoria de Ouro, onde o nosso jornal, liderado por Vicent Vong, conseguiu trazer um honroso segundo lugar.

A selecção de Macau voltou a perder no mundial de hóquei em patins de sub-20. Depois da derrota por 0-14 frente à Espanha na ronda inaugural do grupo A, desta vez os jovens foram igualmente goleados pela equipa da casa, a Colômbia, por 0-13. Noutra partida do mesmo grupo a Espanha venceu a Inglaterra por 10-1, e lidera o grupo juntamente com os colombianos, ambos com quatro pontos. Macau, Inglaterra e Uruguai continuam a zeros, mas os comandados de Alberto Lisboa jogaram esta madrugada frente aos uruguaios, já depois do fecho desta edição.


FUTILIDADES

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TEMPO

MUITO

NUBLADO

[TELE]VISÃO TDM 13:00 13:30 14:30 17:35 18:30 19:35 20:30 21:00 21:30 22:00 23:00 23:30 00:30 01:00

TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO Caminho das Índias (Repetição) TDM Desporto (Repetição) Vingança Telejornal TDM Entrevista (Irmãos e Irmãs Sr.4) Caminho das Índias (India - A Love Story) TDM News Portugal Aqui tão Perto Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

RTPi 82 14:00 14:35 15:00 15:30 16:00 17:00 17:30 18:15 19:10 20:00 21:15 22:00 23:20

Telejornal Madeira Solares de Portugal Iniciativa O Nosso Tempo Bom Dia Portugal O Segredo Portugueses Pelo Mundo O Teu Olhar (Telenovela) Viva a Música Jornal da Tarde O Preço Certo Profissões Portugal no Coração

MIN

24

[

MAX

HUM

55-80%

•

EURO

] C I N E M A

SALA 1

ELYSIUM [C]

Um filme de: Neill Blomkamp Com: Matt Damon, Jodie Foster, Sharlton Copley, Alice Braga 14.00, 16.00, 19.45, 21.45

GRAVITY [B]

29

Um filme de: Alfonso Cuarón Com: Sandra Bullock, George Clooney 18.00

SALA 2

GRAVITY [B]

Um filme de: Alfonso Cuarón Com: Sandra Bullock, George Clooney 14.30, 21.30

RUNNER, RUNNER [C]

Um filme de: Brad Furman Com: Justin Timberlake, Ben Affleck, Gemma Arterton 16.15, 18.00

10.8

40 - FOX Movies 12:55 What To Expect When You’Re Expecting 14:45 Shallow Hal 16:40 Armageddon 19:10 End Of Watch 21:00 Seeking A Friend For The End Of The World 22:45 The Walking Dead 00:20 Safe 41 - HBO 13:00 Salmon Fishing In The Yemen 15:05 Madagascar 3 16:40 About Schmidt 18:45 The Core 21:00 And Soon The Darkness 22:30 Serangoon Road 23:30 Footloose 42 - Cinemax 11:45 The Long Kiss Goodnight 13:45 Fallen 16:00 The Collector 18:00 Hard Eight 19:45 The Game 22:00 The Craft 23:40 Red Water

0.2

YUAN

1.3

Cineteatro GRAVITY [B] 3D

Um filme de: Alfonso Cuarón Com: Sandra Bullock, George Clooney 19.45 SALA 3

ABOUT TIME [B]

Um filme de: Richard Curtis Com: Rachel McAdams, Domhnall Gleeson, Bill Nighy 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

M A C A U [ S Ã ] A S S A D O MOTO... QUÊ?

Foto: Facebook

• Algumas das placas de estacionamento de Macau estão reservadas a Motociolos... sim, leu bem. Parece que o Governo, numa de criar uma alternativa aos residentes, decidiu importar os motociolos. Experimente. Pode ser que se dê bem. Nós continuamos a preferir os motociclos.

30 - FOX Sports 13:00 Liga Bbva 2013/14 Weekly Review 14:00 Liga Bbva 2013/14 Rayo Vallecano vs. Real Sociedad 15:30 Inside WTCC 16:00 Liga Bbva 2013/14 Weekly Review 17:00 American League Division Series A 19:00 (Delay) Baseball Tonight International 2013 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 Dutch Eredivisie 2013/14 Highlights 21:00 Singha Football Crazy 21:30 Liga Bbva 2013/14 Highlights Rayo Vallecano Vs Real Sociedad 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 The Ultimate Fighter 23:30 Liga Bbva 2013/14 Highlights Atletico Madrid Vs Celta Vigo 31 - STAR Sports 13:00 Planet Speed 2013/14 13:30 Motorsports@ Petronas 14:00 SBK Superbike World Championship 2013 - Race 1 & 2 16:00 International Motorsport News 2013 17:00 Planet Speed 2013/14 17:30 Motorsports@ Petronas 18:00 Liga Bbva 2013/14 FC Barcelona vs. Real Valladolid 19:30 Inside WTCC 20:00 SBK Superbike World Championship 2013 - Race 1 21:00 Golf Focus 2013 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Singha Football Crazy 22:30 Golf Focus 2013 23:00 SBK Superbike World Championship 2013 - Race 2

BAHT

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POR MIM FALO

Pu Yi

Recordar é viver ou meras questões da vida Apropriei-me da minha memória desencantando tantas recordações e lembrei-me de forma ilusória de palpitantes e sentidas emoções. Enredos turvados da meninice efervescência pela juventude, perante o aproximar da velhice no crescente viver que nos ilude. Replicaram sinos pelo âmago transitaram-me melodias de cor

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA PENSAR, DEPRESSA E DEVAGAR • Daniel Kahneman Daniel Kahneman, distinguido com o Prémio Nobel da Economia em2002 pelo seu trabalho fundamental em psicologia que questionou o modelo racional de tomada de decisões e de formulação de juízos, é um dos mais importantes pensadores da atualidade. Pensar, Depressa e Devagar transformará a maneira como pensamos acerca de tudo.

A ÁRVORE DA VIDA • Peter Sis Charles Darwin lamentava não ter aprendido a desenhar, por isso, fazia descrições pormenorizadas de tudo o que via. E foram essas passagens – densa e vividamente escritas – dos seus diários, das suas cartas e dos seus registos que inspiraram Peter Sis na utilização dos seus desenhos, baseados em fontes contemporâneas, para contar a história da sua vida. Os seus desenhos são acompanhada de um texto que foi livremente estabelecido a partir das diversas descrições, pelo próprio Darwin, da sua viagem no Beagle. (Prémio de Não Ficção da Feira Internacional de Bolonha, 2004). RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

entre colisões de tanto relâmpago. Salpicos vários de tamanho valor entre a desilusão e o afago com muito tempero de puro amor.


OPINIÃO

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FERNANDO VINHAIS GUEDES

desporto e não só

Histórias tristes

R

ECORDAM-SE de Paul Gascoigne? Antigo Jogador do Newcastle e da Selecção Inglesa, centro campista, agressivo, duro e com mau feitio, acabou por se retirar da competição arrastado pelo álcool. Várias vezes sujeito a tratamentos, voltou a ser notícia, pelas piores razões agora com 46 anos! “Gazza”, como era conhecido nos tempos em pisava os relvados, envolveu-se numa cena de pancadaria com um segurança de um pub acabando mesmo por agredir a sua ex-esposa. Aquilo que sucedeu com Gascoigne, não é infelizmente caso raro no mundo do futebol, bem pelo contrário. Os exemplos de atletas que resvalaram para o alcoolismo e para outros tipos de dependência são suficientes para escrever um livro. Mané Garrincha, o pernas tortas, internacional brasileiro, exímio a driblar e campeão do mundo pelo seu país acabou tombado pelo álcool, morrendo na miséria e ao abandono. George Best, uma estrela, que jogou no Manchester United conhecido pelo seu drible curto e rápido, não resistiu à dependência do álcool e muito embora sujeito, por mais do que uma vez , a tratamentos de desintoxicação acabaria por falecer precocemente. Gerhard “Gerd” Müller, ponta de lança do Bayern de Munique e da Selecção da Alemanha na década de setenta, duas vezes bola de ouro, vive alcoolizado nas estações do metropolitano, recusando tratamentos contra a dependência do álcool. Em Portugal, ouve também casos com final triste. Matateu, grande goleador do Belenenses e da Selecção Nacional, na fase final da sua carreira, jogou no Grupo Desportivo de Chaves, era pago por cada jogo. No final, rumava sempre para o mesmo café, como tive a oportunidade de ver pessoalmente, e bebia uma dúzia de copos de cerveja. Acabaria por falecer no Canadá, país para onde emigrou. Também o atleta Quaresma, internacio-

nal do Clube de Futebol “Os Belenenses”, não resistiu à tentação do álcool, tendo resvalado para a miséria, abandonado, acabando os seus últimos tempos de vida, sem amigos e sem família, de mão estendida, como arrumador de automóveis Contudo e a nível nacional, talvez o caso de Vítor Baptista, internacional, que jogou futebol primeiro em Setúbal e depois no Benfica tenha sido o mais dramático. A sua dependência não era o álcool, mas as drogas injectáveis. Feitas várias tentativas de desabituação, sem resultados, Vítor Baptista, acabou pobre e abandonado, tendo,

como sua última profissão, sido coveiro num cemitério. No mundo do desporto de alta competição, quando as “luzes da ribalta se apagam”, quando os artistas deixam de ser notícia, quando deixam de vender, quando caem no anonimato, esta sociedade de consumo, depressa os ignora, substituindo-os por novos “heróis”. A ideia de que os desportistas de alta competição, são seres humanos especiais que vivem num mundo de rosas, é pura ficção! Eles são gente como o comum dos mortais. Tem alegrias e tristezas. Muitos são gente feliz com lágrimas.

ALEXANDER DEINEKA, OS CORREDORES

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A ideia de que os desportistas de alta competição, são seres humanos especiais que vivem num mundo de rosas, é pura ficção! Eles são gente como o comum dos mortais. Tem alegrias e tristezas. Muitos são gente feliz com lágrimas


opinião 19

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Ricardo Pinho

disse-me um passarinho...

twitter.com/ricardo

Virtuoso é aquele que escolhe escrupulosamente os momentos em que não é.

HELDER FERNANDO

I Fomos sabendo, ao longo destes quase 14 anos de RAEM, o que sobrou do desenvolvimento sócio-político-profissional deixado pela presença secular portuguesa a esta região administrativa tão especial. Pouco para tanto tempo de permanência da Bandeira Portuguesa. Em menos de 100 anos, e chegando muito depois - não vamos falar da guerra do ópio, matéria óptima para outra análise - os britânicos não tiveram receio do aparecimento óbvio dos lóbis em Hong Kong, formando engenheiros, arquitectos, advogados, etc., especializando profissionalmente uma fatia importante da população local, fomentando a língua, preparando quadros, como se sabe responsabilizando as elites colonizadas dando-lhes funções de relevo. A partir de determinada época, longe no tempo, os governadores britânicos não vinham com hostes de funcionários arrebanhados aos partidos políticos. Nas derradeiras décadas do poder inglês em Hong Kong, os governadores nomeados traziam apenas um assessor diplomático, um género de chefe de gabinete e uma secretária ou secretário. A máquina administrativa não abanava com a mudança de governador, em despedidas e chegadas, com a distribuição de cargos e tachos a ingleses deste ou daquele partido consoante o resultado das eleições no Império. Para além da realidade importantíssima de muitos dos governadores britânicos chegarem apoiados pela sua vasta experiência no terreno chinês, dominando a língua, sendo vários deles sinólogos com obra publicada. A conhecida excepção foi precisamente o derradeiro governador, Chris Patten, político total, destinado a enfrentar a transição - por sinal com pormenores finais não muito bem sucedidos, como sabemos. Apesar dos pesares, observe-se a apoteose popular de cada vez que Patten visita a sua ex-colónia. Pouco ou nada disso, em Macau e em todo o lado, as sucessivas administrações portuguesas praticaram, incluindo as barricadas permanentemente erguidas contra o sentido crítico dos residentes. Não podiam e não souberam poder. Mero exemplo: somente na década anterior à data da transição da administração de Macau para a China, foi criada um, então pequeno estabelecimento de ensino superior. E a trabalheira que deu a alguns governantes da época. Então, se retirarmos a importância da língua, relativamente conhecida nas ex-colónias portuguesas em África, e muito vagamente conhecida em Timor Leste - basta verificarmos os índices de analfabetismo, em português ou nas línguas maternas, nas colónias (para não mencionar o analfabetismo no Portugal

Olhar livre europeu), à data do 25 de Abril de 1974 - a forte mistura de sangues e hábitos com as populações africanas, o provadíssimo afecto mútuo que nobremente se mantém, as fortes iniciativas empresariais portuguesas por lá, o que sobrou? Políticos no activo preparados pelas governações portuguesas, zero. Os portugueses residente na RAEM, se quisermos os lusófonos, criticamos, e felizmente fazemo-lo por vezes asperamente, aspectos da governação chinesa - a tal de “Macau governada pelas suas gentes” - porque existe a formalidade de obedecer ao aspecto estipulado na Lei Básica quanto à liberdade de opinião. Simultaneamente podemos lembrar-nos que a generalidade dos governantes que temos, com as excepções conhecidas, não foi sob matriz portuguesa que se prepararam para governar Macau. Alguns deles, devem lembrar-se, por vezes parece que não, que a única coisa que podem agradecer à governação portuguesa é serem descendentes de famílias que se tornaram poderosas financeira, empresarial e socialmente, graças aos senhores governadores portugueses e seus secretários-adjuntos, directores de serviços e outros influentes de ocasião. II Vem a propósito do que escrevi acima, a notável entrevista dada ao JTM (jornalista Hélder Almeida), por um académico chinês, Zhidong Hao, professor de sociologia da Universidade de Macau, publicada a 30 de Setembro. Limito-me a recordar, citando com a vénia habitual, algumas verdades, discutíveis como tudo na vida, ditas tranquila e lucidamente por este professor que tem reflectido sobre a sociedade civil em Macau, Hong Kong, Taiwan e China continental. Destacarei apenas as observações relativamente à RAEM, sugerindo ao prezado leitor que não leu a mencionada entrevista, que o faça, pois a matéria é importante e vasta na sua análise também sobre aspectos em Hong Kong e Taiwan relacionados com o poder central chinês. Respondendo à pergunta sobre que tipo de sociedade existe em Macau, o académico Zhidong Hao reflecte: “Em Macau o que temos é uma mistura da chamada sociedade popular e sociedade civil, no sentido em que a maior parte das organizações são apelidados de patrióticas. Um dos seus objectivos é apoiar o Governo, em vez de serem independentes

do Governo. Providenciam serviços, mas geralmente não têm activismo cívico, não são críticas. Muito poucas organizações em Macau promovem a crítica política, assim a política em Macau está subdesenvolvida. Desta forma, a sociedade civil em Macau está também subdesenvolvida (...)”.

Cada vez com mais urgência e muita, muita atenção, esta região especial chinesa que é Macau deve ser observada. De dentro para dentro e de fora para este interior. Felizmente há quem deseje, com inteligência e sem disfarces, olhar livre para este pedaço tão particular da grande China À questão sobre porque isto acontece na RAEM, o professor responde: “Temos de voltar à governação portuguesa em Macau. O Governo não levou em conta muitas responsabilidades sobre questões sociais, como a educação e serviços sociais. Eles passaram essa tarefa a organizações sociais para fazerem tudo isso, seja a associação dos operários, a igreja católica ou outras. Então, subdesenvolveram o seu poder em fazer estas coisas. Quando a governação retornou à China essa situação continuou. As organizações da sociedade civil continuaram a prestar serviços sociais. Só que desta vez têm uma boa relação de trabalho com o governo chinês de Macau, tornaram-se aliados, tornaram-se um. (...) Perderam o criticismo que tinham no passado porque enfrentavam um governo estrangeiro, o governo português de Macau. Mas com o governo chinês de Macau pensam: este é o nosso governo, por isso

à flor da pele apoiamos em vez de criticar. Para além disso o Governo incorporou algumas dessas pessoas. Por exemplo, apontando-as para serem deputados ou incorporando-as nos departamentos da Administração para que se tornassem mais ligados ao Governo e não fossem tão críticas”. Um aspecto salientado pelo entrevistado, ao JTM, comparando a governação inglesa em Hong Kong com a governação portuguesa em Macau: “Em termos de desenvolvimento de Hong Kong, o governo britânico era mais activo, interferia mais. O Governo português não parecia ser assim tão activo. Mas se pensarmos em termos de infra-estruturas foram feitas várias obras. E politicamente, por acaso, também fizeram algo, introduziram este esquema político de eleições dos deputados em três partes, na década de 70, e Hong Kong não fez nada disso até aos anos 90. Macau foi politicamente mais desenvolvido do que Hong Kong. Neste sentido, não podemos dizer que o Governo português de Macau não fez nada, fez alguma coisa. Mas acho que também há uma relação com a tradição democrática. Portugal não era... houve a ditadura e talvez essa tradição tenha afectado Macau. Por outras palavras, a democracia foi também uma coisa nova em Portugal (…)”. Reflectindo sobre para onde a sociedade civil desta região penderá no futuro, o professor de sociologia observou: “Essa é uma escolha de Macau, mas é capaz de pender para o lado da China continental. Se o continente desenvolver a sua sociedade civil, então Macau vai seguir. Não vai de certeza seguir Hong Kong. (...) As elites do poder querem manter o poder para elas próprias. (...) É a realidade e um problema real. Em Macau a sociedade civil não está realmente a funcionar. Escrevi um artigo sobre a necessidade de as organizações comunitárias se transformarem em organizações políticas e em partidos políticos. Se não dão esses passos não conseguem resolver os problemas actuais e a actual estrutura política não poderá ser mudada. A propósito de um livro de autoria do entrevistado onde são abordadas as alegadas dificuldades no progresso social desta região, Zhidong Hao refere “pelo menos duas: Uma é a cultura. A sociedade tem sido largamente conservadora, muito porque está na sombra da China continental e de Hong Kong. (...) Não tem força suficiente para encontrar o sei próprio caminho a nível político, económico, social”. Cada vez com mais urgência e muita, muita atenção, esta região especial chinesa que é Macau deve ser observada. De dentro para dentro e de fora para este interior. Felizmente há quem deseje, com inteligência e sem disfarces, olhar livre para este pedaço tão particular da grande China.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Zhou Xuefei [estagiária] Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Tiago Alcântara; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau terça-feira 8.10.2013

Nobel da Medicina vai para o sistema de transporte das células

cartoon por Stephff

Os cientistas norte-americanos James Rothman, Randy Schekman e o alemão Thomas Sudhof são os vencedores do prémio Nobel da Medicina em 2013. Os três dedicaram-se a estudar o sistema de transporte de células no corpo humano. James Rothman (professor de Biologia Celular e de Química, Universidade de Yale), Randy Schekman (professor de Biologia, Universidade de Berkeley) e Thomas C. Südhof (professor de Medicina, Universidade de Standford) são distinguidos «pelas suas descobertas da maquinaria de regulação do tráfego vesicular, um importante sistema de transporte nas nossas células», refere a Academia Nobel. «Revelaram, através dos seus estudos, os sistemas de controlo para o transporte e colocação do conteúdo das células no lugar correcto e no momento adequado», explica ainda o Instituto Karolinska. «Estas descobertas são importantes para perceber o funcionamento do corpo humano e têm implicação no estudo de doenças de vários órgãos, do sistema nervoso, a diabetes e outras», justificou o professor Jan-Inge Henter, especialista em oncologia, em conferência de imprensa. Os laureados irão receber os prémios no dia 10 de Dezembro.

Juros As três faces da Euribor

A taxa Euribor subiu a seis meses, manteve-se a três e nove meses e desceu no prazo de 12 meses, em relação aos valores fixados na sexta-feira. A Euribor a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação, subiu 0,001 pontos percentuais face a sexta-feira, ao ser fixada em 0,339%. As taxas a três e nove meses mantiveram-se nos mesmos valores de sexta-feira, respectivamente em 0,225% e 0,446%

Ténis João Sousa entre os 50 melhores do mundo

É oficial. A mais recente actualização da lista do ranking mundial de ténis coloca o português João Sousa no 49.º lugar. A subida de João Sousa na lista era uma certeza, após a conquista do torneio ATP de Kuala Lumpur, mas desconhecia-se a que nível. Recorde-se que João Sousa passou, com essa vitória, a ser o primeiro tenista luso a lograr um título ATP. Ao topo da lista voltou o espanhol Rafael Nadal, destronando, 101 semanas depois, o sérvio Novak Djokovic, com quem perdeu no último domingo na final do Open da China, pelos parciais de 6-3 e 6-4.

ONU confirma destruição de bombas e ogivas químicas

GUINÉ-BISSAU ESCRITOR COM FERIMENTOS LEVES E SEM TELEMÓVEL

José Luís Peixoto assaltado O escritor português José Luís Peixoto foi assaltado e agredido numa das ruas de Bissau, capital da Guiné-Bissau, ao princípio da noite de domingo, contou à agência Lusa o autor, que sofreu um ferimento ligeiro no rosto. José Luís Peixoto encontra-se no país pela primeira vez, para participar em actividades literárias promovidas até sábado por uma associação cultural. O escritor foi abordado por

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Universidade quer fazer torre com 20 km

Um grupo de engenheiros e cientistas da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, pretende construir uma torre com 20 quilómetros de altura, e para isso estão a desenvolver um projecto que permita que tal aconteça. Segundo o jornal brasileiro Globo, objectivo desta construção é facilitar a vida aos astronautas, que poderiam «chegar» ao espaço de «elevador». A ideia foi do autor de ficção científica Neal Stephenson, e os especialistas acreditam que será possível concretizar. À BBC, o engenheiro, Keith Hjelmstad disse que basta usar um bom aço, e tornase possível realizar esta construção. O único problema que preocupa os especialistas é o vento, que poderá danificar a estrutura. A acontecer, este edifício será 20 vezes mais alta que a actual torre mais alta do mundo, o Burj Khalifa, no Dubai.

O AUSENTE

um grupo de pessoas perto do local onde está alojado, no Bairro da Cooperação Portuguesa, à entrada de Bissau. Na altura, regressava a casa, a pé, depois de ter visitado o Mercado do Bandim, a maior área com bancas e comerciantes de rua da capital guineense. “Levaram-me o telemóvel que trazia na mão e tentaram tirar-me a carteira”, contou à agência Lusa. A carteira não saiu do bolso das calças, mas o escritor não evitou ser agredido com um murro na

face, que lhe deixou uma cicatriz no nariz. Os agressores fugiram e o incidente foi ontem relatado à polícia local, referiu José Luís Peixoto. O escritor não tem esperança em recuperar o telemóvel e disse encarar a situação como um caso isolado. José Luís Peixoto foi vencedor do prémio literário José Saramago em 2001 e vencedor do prémio da Sociedade Portuguesa de Autores 2012, na categoria de poesia.

A ONU confirmou domingo que uma equipa de especialistas internacionais destruiu ogivas, bombas e equipamentos para misturar produtos químicos, no primeiro dia da campanha para desmantelar o arsenal de armas químicas da Síria, de acordo com um comunicado divulgado pelo organismo. «O processo de destruição do programa de armas químicas sírias começou hoje [ontem]», informou o organismo, que acrescentou que a comissão internacional está a «observar, verificar e a reportar», se Bashar alAssad está a fornecer informações exactas sobre os locais onde se encontra o arsenal químico. Os especialistas da ONU já estão em Damasco há alguns dias para começar a destruição de todo o arsenal químico, no âmbito da resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada em Setembro.

Suécia quer incentivar cooperação com Moçambique

O vice-primeiro-ministro da Suécia, Jan Bjorklund, está já em Maputo, capital de Moçambique, com o intuito de incentivar a cooperação económica e social entre os dois países, preparando uma estratégia de cooperação para o período entre 2014 e 2020. «Desenvolvimento económico e criação de emprego» é a chave para o novo programa, cujos pilares assentam nos sectores da agricultura, pesquisa e inovação, boa governação e a assistência a instituições do Estado, como o Tribunal Administrativo. Jan Bjorklund tem reuniões agendadas com o primeiro ministro moçambicano, Alberto Vaquina, e o ministro das Finanças, Pedro Couto, além de encontros com grandes empresas moçambicanas e suecas.


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Hoje Macau 8 OUT 2013 #2949 by Jornal Hoje Macau - Issuu