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Hoje Macau • 2010.10.08 #2224

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Academia sueca atribui Prémio Nobel da Literatura, mais do que merecido, ao peruano Mário Vargas Llosa

António Mota, um dos elos entre Macau e Timor, realça a diferença da RAEM no capítulo da Lusofonia

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tempo períodos dispersos de chuva min 23 max 27 humidade 65-85% câmbios euro 11.1 baht 0.26 yuan 1.20 pub

Agência Comercial Pico • 28721006

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Director carlos morais josé • sexta-feira 8 de outubro de 2010 • ANO X • Nº 2225

Lixos separados vão para a central de incineração

Reciclar p’ró boneco?

O lixo destinado à reciclagem, colocado em contentores distintos para papel, vidro e plástico pelos cidadãos conscientes e preocupados com o ambiente, vai parar à central de incineração. A iniciativa do Instituto para os Assuntos Cívicos de Macau (IACM) não passa de uma encenação a coberto daquilo a que o organismo chama uma experiência, a ver se funciona. >página 3

Grupo de trabalho propõe nacionalização da empresa Páginas 6 e 7

Aplausos para Chui Sai On • P.4 e 5

António Falcão | bloomland.cn

Não ao serviço “púdico”

Governo

Macau

Receitas do jogo voltam a subir • P.8

Justiça

Hong Kong recusa casamento de transexual • P.2

Economia

China lança aviso à Europa • P.2

Desporto

Fernandes para página de ouro • P.9

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sexTa-feira 8.10.2010 www.hojemacau.com

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actual

Primeiro-ministro chinês na cimeira de Bruxelas

Apoiar mas devagar O primeiro ministro chinês, Wen Jiabao, foi claro na mensagem que deixou ontem aos europeus, na cimeira bilateral de Bruxelas: a China vai continuar a apoiar o euro mas não cede às pressões para valorizar o yuan. Wen Jiabao garantiu que a China é “o verdadeiro amigo da Europa”, como demonstra o facto de “não se manter de parte quando alguns países da Zona Euro tiveram dificuldades” durante a crise de dívida que eclodiu na primavera. “Comprámos uma quantia importante de títulos [de dívida] europeus na época mais difícil, entre eles da Grécia, da Irlanda, de Espa-

Unidos como da Europa, que defendem que um yuan baixo favorece as exportações chinesas mas penaliza os produtos norte-americanos e europeus. Wen Jiabao, por seu lado, entende que os desequilíbrios comerciais entre a Europa e a China respondem mais à estrutura do comércio internacional do que ao baixo valor do yuan, como prova o facto de o excedente comercial chinês se ter multiplicado nos últimos anos, apesar da subida controlada do valor da sua divisa. No encontro entre as duas potências que decorreu ontem, em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia,

nha, de Portugal e de Itália”, recordou o primeiro ministro chinês, assegurando que vai continuar com esta política enquanto “os países do euro tiverem problemas”. No entanto, pediu aos líderes políticos e empresariais europeus que parem de pressionar a China para que permita uma maior flutuação da sua moeda, uma vez que, consideram os chineses, uma valorização do yuan poderia provocar uma crise no gigante asiático, provocando a perda de milhares de empregos e um “desastre” para a economia de Pequim. A valorização da moeda chinesa é uma exigência reiterada tanto dos Estados

Durão Barroso, exigiu às autoridades chinesas uma “apreciação do yuan ampla e ordenada” para evitar danos na recuperação económica da União Europeia, que, sendo o principal mercado das exportações chinesas, também afectaria negativamente aquele mercado asiático. Durão Barroso pediu ainda que sejam reflectidos em medidas concretas os

Objecto: Aquisição de equipamentos informáticos, para as Novas Instalações e Residência de Estudantes da responsabilidade do Instituto Politécnico de Macau. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas. Prazo da Apresentação das propostas do concurso: Hora e Data: 26 de Outubro de 2010, pelas 17H45. Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes. Abertura das Propostas do Concurso: Data e Horas: 27 de Outubro de 2010, pelas 10H00. Local: 1º andar, Anfiteatro II do Edifício Wui Chi do Instituto Politécnico de Macau. Caução Provisória: Devem os concorrentes prestar uma caução provisória, no valor de $70 000,00 (setenta mil patacas), mediante depósito no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau, ou mediante garantia bancária. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: -Preço (30%) -Conformidade de qualidade e requisitos técnicos de bens com as exigências do utente (40%) -Manutenção, apoio e serviços de protecção (15%) -Prazo de entrega de bens (10%) -Curriculum Vitae, competências e experiência do concorrente (5%) Esclarecimento: Data e Hora: 11 de Outubro de 2010, pelas 15H00. Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes. Consulta e Aquisição do Programa do Concurso e do Caderno de Encargos: O Programa do Concurso e o Caderno de Encargos podem ser consultados e adquiridos na Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, mediante o pagamento de MOP100,00 (cem patacas). Horário: de 2a feira a 5a feira das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45. 6a feira das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30. Informações: 8599 6175, 8599 6143 e 8599 6153 Macau, aos 6 de Outubro de 2010. O Presidente, Lei Heong Iok

abastecimento de minerais raros (essencial para a indústria da Europa) e em relação à propriedade intelectual.

Tribunal de Hong kong decide pedido de transexual

Casamento foi recusado

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Aquisição de Equipamentos informáticos Concurso público n.o 01/DOA/2010

anúncios “positivos” da China em relação ao tratamento igualitário para as empresas europeias, à segurança do

O Tribunal de Primeira Instância de Hong Kong indeferiu uma acção interposta por uma mulher transexual, que foi a primeira a desafiar a justiça da região a pronunciarse sobre o direito de se casar com o namorado. W, como é identificada no processo, é uma mulher com cerca de 20 anos que mudou de sexo num hospital público de Hong Kong, tendo sido impedida de se casar com o namorado pelo registo civil

da Região Administrativa Especial chinesa. A lei da ex-colónia britânica permitiu a esta transexual mudar o sexo no seu bilhete de identidade e nos certificados escolares, mas não na sua certidão de nascimento, o que impediu a sua união com um indivíduo do sexo masculino. Com base na legislação da região, uma mulher transexual a residir em Hong Kong tem o direito de se casar, mas apenas com uma mulher, apesar de os casamentos entre pessoas do mesmo sexo serem proibidos na região, realçou numa das audiências o advogado, Michael Vidler. pub

A defesa da transexual pediu ao tribunal para rever o termo “sexo feminino” na lei relativa ao casamento e incluir o termo “mulher transexual” ou então para declarar que a legislação relativa ao casamento entra em conflito com o direito ao casamento previsto na Lei Básica, a mini constituição do território. O juiz do Tribunal de Primeira Instância defendeu, na leitura da sentença, a necessidade de o executivo da antiga colónia britânica lançar uma consulta pública sobre os direitos dos transexuais, mas disse não ter sido apresentada no caso em análise prova de um consenso ou entendimento geral de que o casamento de transexuais é aceite em Hong Kong e decidiu, na terça feira, indeferir a acção A defesa da transexual defendeu que a própria Lei Básica de Hong Kong é ambígua relativamente ao casamento, referindo apenas que a “liberdade de casamento dos residentes de Hong Kong e o seu direito de formarem livremente uma família deve ser protegido pela lei” e prometeu recorrer da decisão judicial. Dados oficiais indicam que 29 pessoas mudaram de sexo em Hong Kong entre 2000 e 2009, das quais 22 eram homens que se tornaram mulheres.


Nas eleições brasileiras de princípios dos anos sessenta saiu fartamente votado com 200.000 votos o “Cacareco”, o hipopótamo do Zoo do Rio, numa campanha em que sobressaiu o slogan de Ademar de Barros: “Ademar rouba, mas realiza”. Intuímos que Ademar foi haurir isto à consciência popular, e a prova é que ganhou... Luís Sá Cunha P.23

António Falcão

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Sustentabilidade é o único caminho para o futuro

Lixo para que te quero

rui rasquinho

Não se pense que Macau é uma cidade com pretensões ambientais, na verdade o que o território tem feito até agora foi apenas construir uma imagem cheia de boas intenções mas que na verdade não passam de uma fraude. Se pensa que a separação do seu lixo , que tem efectuado ao longo dos anos com toda a dedicação, é uma boa acção, colocando o papel para um lado, o plástico para o outro, e o metal num outro recipiente, é melhor esquecer o assunto, porque na verdade o lixo que é recolhido pelos serviços municipais, nos recipientes espalhados pela cidade, especificamente para reciclagem, acaba por ter o mesmo fim que todos os outros detritos que Macau produz diariamente: a incineradora. Esta foi a informação levada a lume por um painel de especialistas presente na Universidade de São José para uma conferência sobre sustentabilidade ambiental. Ainda em Abril passado, durante um colóquio realizado na Taipa sobre assuntos comunitários, o presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), Tam Vai Man, reiterava a validade da acção dos serviços de recolha de lixo afirmando que os resíduos separados pela população são efectivamente alvo de tratamento. O boato já tinha circulado entre os moradores e “é motivo de muita preocupação”, afirmou um dos participantes no seminário, saber que a vontade de criar um mundo melhor, separando o lixo, é na verdade uma grande conversa fiada. Para o presidente do IACM, o facto dos lixos reciclados serem enviados para a central incineradora, era “um grande mal entendido.” O processo foi explicado pelo professor SK Chan, membro do Conselho do Ambiente, sugerindo que todo o lixo é queimado. “A única recolha efectuada é o metal retirado” poste-

sexta-feira 8.10.2010

evidência na preservação ambiental, espalhando o seu campo de acção por instituições educativas e empresas privadas que acreditam num futuro sustentável. O seu projecto, que entretanto adquiriu o estatuto de fundação, elaborou toda uma rede ecológica que tem congregado o apoio cada vez maior da população de Hong Kong, fazendo face ao progresso desenfreado da ilha onde está situado um dos maiores aeroportos da Ásia, a Disneylândia e onde o urbanismo tem ganho cada vez mais terreno em relação aos espaços verdes. Fernando Madeira expôs o seu projecto particupub

Se pensa que a separação do seu lixo , que tem efectuado ao longo dos anos com toda a dedicação, é uma boa acção, colocando o papel para um lado, o plástico para o outro, e o metal num outro recipiente, é melhor esquecer o assunto riormente dos resíduos calcinados por aparelhos magnéticos. A mesma suspeita foi constatada há poucos meses por Fernando Madeira, da associação “na Terra”, ao observar uma funcionária municipal a misturar os três tipos de resíduos, previamente separados, dentro do mesmo saco. A informação deu azo a outra narrativa, revelada ao mesmo dirigente associativo, por uma fonte envolvida no processo, de que efectivamente o lixo não era reciclado. E que o sistema instalado pelo IACM não passava de “um acto de sensibilização”, que

mais tarde seria verdadeiramente aplicado. Este foi um dos motivos de interesse da mesa redonda da USJ, que teve o objectivo de revelar as prioridades para a melhoria da sustentabilidade ambiental de Macau, trazendo três exemplos concretos do esforço levado a cabo por diversas entidades em Macau e em Hong Kong. Do outro lado do Delta veio a professora Jenny Quinton, que reside no território vizinho há cerca de 21 anos, com o seu projecto Ark Eden, que floresce na ilha de Lantau, como um dos pólos de maior

lar em Macau, que a uma escala minuciosa e exemplar desenvolve todo o ciclo da natureza integrando-o no quotidiano citadino, num território “onde as pessoas deixaram de ter contacto com a natureza.” Para a associação “naTerra” a prioridade é a educação, incitando os jovens ao contacto com a natureza com uma ligação prática com o meio ambiente, “trazendo a natureza para a cidade.” Na falta de espaços concretos este processo pode realizarse na camada superficial dos edifícios com um sem número de terraços, que podem ser o local ideal para experiências ecológicas e comunitárias elevando o

nível de vida de população de Macau. Madeira realçou ainda o projecto de reformulação dos detritos urbanos em Hong Kong com a contratação de uma equipa especializada australiana que aplicou o processo de compostagem, com a utilização de vermes, como a solução ideal para os problemas efectivos dos lixos orgânicos, transformando-os em produtos reutilizáveis pela natureza. Ho Wai Tim, presidente da Sociedade Ecológica de Macau, apontou a necessidade premente de protecção da reserva de “colhereiros de bico preto” para a conservação desta espécie que escolheu o território de Macau para aqui nidificar. Propostas exemplares que transformam toda a motivação de um pequeno nicho da população mundial em prol da sobrevivência do planeta.


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política

Chefe do Executivo recebido com alegria em plena arruada

Como um político em plena campanha eleitoral a tentar ganhar votos, Fernando Chui Sai On foi recebido nas zonas da Praia do Manduco e no Sam Kio com palmas e sorrisos, ao contrário do que sucedeu no dia anterior na Areia Preta. Ouviu muito, mas prometeu pouco. Uma caminhada triunfal foi aquilo que se viu na manhã de ontem.

gonçalo Lobo pinheiro

Chui amigo, o povo está contigo

Gonçalo Lobo Pinheiro hojemacau@yahoo.com

O Chefe do Executivo, sempre parco em palavras e de semblante fechado, lá ia percorrendo as ruas e vielas da zona da Praia do Manduco logo às nove horas de ontem. Amiúde abordado, Chui Sai On ia prestando atenção aos pedidos da população. “Mais habitação social e económica”, gritou uma mulher, gerando o habitual murmurinho dos restantes elementos da comitiva enquanto o corpo de segurança abria alas para a arruada passar. “Garanto que tudo faremos para remodelar as habitações na Praia do Manduco. Estas traseiras da Casa do Mandarim têm de ser rentabilizadas. Um espaço de lazer parece ser uma óptima opção”, disse Chui Sai On. E assim continuava o percurso numa manhã cinzenta e de pouca inspiração. Aqui e ali as pessoas cumprimentam o Chefe do Executivo. Ele retribui de fugida. Passeios altos, falta de estacionamento, prédios velhos, parques de lazer, entre outros, foram os pedidos que mais se ouviram. “Era tão bom um Centro de Saúde aqui no bairro. A população está extremamente envelhecida. Custa muito a deslocação ao centro mais próximo”, pediu uma idosa, enquanto segurava a mão de Chui Sai On. Mais uns metros, outros tantos aplausos. A arruada parecia correr bem. Qual carismático líder a cum-

primentar as hostes. Com a sua equipa, o líder do terceiro Governo da RAEM lá ia trocando impressões que, faladas em cantonense, passaram quase despercebidas à comunicação social portuguesa. Uma hora depois do início da visita, a caminhada seguia o seu rumo. A comitiva parou junto a um parque de lazer provisório. “Aqui vai nascer o Complexo do Bairro Comunitário”, soltou Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Os restantes abanaram a cabeça em sinal de aprovação e Chui Sai On sorriu a andar em direcção à rua do Almirante Sérgio. Por ali, a confusão foi maior. A rua mais larga, mais carros, mais

pessoas. O dispositivo de segurança ia afastando curiosos e elementos que pudessem perturbar o andamento da carruagem. Mas, de resto, a rotina foi a mesma. Cumprimentos aqui, cumprimentos ali. Lá ia o Chefe do Executivo feliz da vida e comovido. “Aqui era onde comprava material de pesca quando era pequeno”, afirmou ao proprietário, à porta de uma loja tradicional com um extenso acervo piscícola. Primeira ronda terminada. Chui Sai On seguiu de carro até Sam Kio. Abram alas para o Chui

Na Travessa da Corda, no bairro de Sam Kio, o líder do Governo

foi recebido efusivamente. Nada de novo. Continuou o seu périplo pelas ruas da zona da cidade mais fustigada com as chuvas. Alguns residentes lembraram que as cheias de 2008 ainda estão bem frescas nas suas memórias. “Foram momentos de aflição. As inundações não nos deixam dormir e depois, no final das contas, os estragos são imensos”, desabafou um morador desesperado. Chui Sai On lá ia dizendo que se mostra preocupado com a situação. O antigo edifício Fok Neng está em ruínas - parece a Torre de Pisa, de torto que está. Por enquanto as coisas não sugerem

uma preocupação exagerada mas o que os olhos vêem não augura um final feliz. Fala-se que o promotor responsável pela reconstrução do edifício, em litígio com os moradores, tem de apresentar um projecto concreto. “Sem isso nada feito mas vamos estar atentos”, prometeu o director das Obras Públicas, Jaime Carion. A jornada continuou. Houve de tudo. As pessoas que passavam comentavam: “Ah, é o Chui Sai On”. Houve quem quisesse tirar fotografias ao líder do Executivo. Houve quem se benzesse à sua passagem, houve quem risse e quem se admirasse. Um lojista pediu menos burocracias. Disse que “com a nova legislação apareceram muitas formalidades. Isso implica o encarecimentos dos negócios. Por isso ansiamos por mais regalias. É necessário que o Governo tome medidas no sentido de salvaguardar as pequenas e médias empresas”. Chui Sai On, sempre parco em promessas, ouviu com atenção e partiu na sua demanda. Procurou interacções com o público. Seguiu por um mercado ao ar livre, ainda na Travessa da Corda, e nem os pregões das vendedoras lhe ofuscaram a passagem. “Muitos trabalhos do Governo têm sido feitos nesta zona. Agradecemos o facto”, exulta um morador. Satisfeito, o Chefe do Executivo estava prestes a terminar o seu estirão. Na avenida Horta e Costa estavam os carros governamentais à sua espera. Resumem-se as despedidas que a tarde estava dedicada à auscultação pública.

Muitos pedidos e pouco “pão-ananás” O auditório da Associação Geral dos Chineses Ultramarinos de Macau foi apertado para receber tanta gente. Pessoas sentadas e de pé prontas a questionar Chui Sai On e os restantes membros do Executivo que se fizeram representar. O Chefe do Executivo é recebido, novamente, com aplausos. Nota-se um certo nervosismo na sala, na ânsia de cada um perguntar e saber aquilo a que tem direito. Começou a conversa. Muitas das questões ou pedidos foram os mesmos que o líder do Governo ouviu ao longo da manhã. Desenvolvimento urbano, procura da identidade histórica e cultural da cidade, melhores condições para comerciantes, centros de cuidados de saúde, zonas de lazer ou complexos comunitários foram algumas das pretensões dos moradores da Barra, da Praia do Manduco e de Sam Kio. Nota para algumas intervenções mais calorosas com alguém a afirmar que a zona que vai da Barra até ao Leal Senado é “um museu sem paredes

e deve ser devidamente recuperado”; “não temos uma política a longo prazo em questões de habitação”, ou então, num tom mais cómico alguém que disse a Chui Sai On que “não deve comer tanto ‘pão-ananás’ porque faz mal”. Houve queixas acerca da valorização do yuan em relação à pataca e o consequente encarecimento dos produtos na RAEM. Falou-se do Festival de Gastronomia dos Três Candeeiros e do reforço de ligações entre Macau e Taiwan. Tudo num ambiente sério, mas descontraído. No final ficou o conselho ao Executivo: “Deviam aderir mais às novas tecnologias e criar uma página no Facebook e no Twitter”, numa alusão ao facto de não existir uma plataforma directa de troca de opiniões entre a população e o Governo, como já acontece em Hong Kong. Fernando Chui Sai On, nada mais disse e delegou as conclusões finais aos seus companheiros de Executivo que apenas agradeceram as questões e propostas da população.


Democratas duvidam de 19 mil habitações sociais em 2012

sexta-feira 8.10.2010

A Associação Novo Macau Democrático organizou ontem uma conferência de imprensa para pedir ao Governo uma maior responsabilização quanto aos 19 mil fogos de habitação social prometidos para até 2012. O dirigente da associação, Jason Chao, exige um calendário preciso, para garantir que as casas vão começar a ser ocupadas imediatamente após à sua conclusão. Os democratas acreditam que devido às formalidades burocráticas a população irá levar “uns quantos meses ou anos” a ter um tecto.

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Académico considera contactos com o povo por parte de Chui Sai On um bom princípio

Um longo caminho a percorrer para ser Obama hojemacau@yahoo.com

Falta-lhe uma “pitada de carisma” e “mais à vontade”, mas decidir sair à rua para conviver com o povo já é um sinal de grande avanço na forma de governar de Chui Sai On. O académico Larry So considera que o facto do Chefe do Executivo ouvir as opiniões cara-a-cara é algo inédito em Macau, mas classifica a acção de “golpe de marketing” e uma tentativa de populismo. “Claramente, Chui Sai On quer promover a sua imagem, criando a noção de que está a dar ouvido a tudo e a todos. Quer mostrar que é um governante aberto e transparente. Faz parte da sua estratégia de marke-

“Ele nunca será um Obama. Faltalhe uma pitada de carisma, mais à vontade. Jamais pegaria com ternura uma criança ao colo ou abraçaria um idoso”, diz Larry So.

antónio mil-homens

Vanessa Amaro

ting”, aponta o professor do Instituto Politécnico de Macau. Apesar de não demonstrar grande à vontade no contacto com a população, como aponta Larry So, o líder do Governo está realmente a prestar atenção ao

que lhe dizem. “Uma análise à sua linguagem corporal indica que ele está atento e interessado nas conversas”, sublinha. Ainda assim, não significa que as opiniões e queixas serão levadas em consideração, já que, na opinião

do professor, as próximas Linhas de Acção Governativa (LAG) provavelmente já estão delineadas e não deve criar grandes surpresas. “A estratégia é muito boa. Chui Sai On já sabe quais devem ser as linhas orientadoras da sua política

de governação e sabe bem o que é preciso mudar ou melhorar. Quando as próximas LAG forem apresentadas, muitos dos pontos dos quais se queixa a população vão lá estar, como habitação pública, controlo da inflação ou salário mínimo. As pessoas vão então achar que foram realmente ouvidas e atendidas”, explica o académico. O esforço é válido e positivo “por demonstrar abertura e transparência”. No entanto, o Chefe do Executivo deveria melhorar alguns aspectos das suas aparições públicas. “Ele nunca será um Barack Obama. Falta-lhe uma pitada de carisma, mais à vontade. Jamais pegaria com ternura uma criança ao colo ou abraçaria um idoso”, aponta Larry So.

E por que é que na zona norte da cidade Chui foi recebido com hostilidade, enquanto que na parte sul foi saudado como um deus? O professor do Instituto Politécnico tem uma resposta, que se prende com o facto das diferenças sócioculturais dessas duas áreas de Macau. “No bairro da Praia do Manduco, existem muitos idosos, pessoas que lá vivem há anos. Todos conhecem-se e mantêm laços sociais bastante fortes. As associações locais mobilizaram a população a intervir no passeio do Chefe do Executivo de forma alegre. Já na Areia Preta e em Iao Hon, há mais problemas, a sociedade não é muito coesa, porque há muitos chineses recém-chegados que ainda não fixaram raízes. É a zona mais problemática da cidade e é normal que o nível de descontentamento seja mais elevado”, sublinha Larry So.

pub Tender Notice for Hong Kong-Zhuhai-Macao Bridge Main Bridge Project Contractor’s All Risks and Third Party Liability Insurance Leading Insurer and Co-insurer(s) Selection Hong Kong-Zhuhai-Macao Bridge Authority (“Project Owner”) has decided to select, through open tender, the Leading Insurer and Co-insurer(s) for Contractor’s All Risks and Third Party Liability Insurance (CAR & TPL Insurance) of Hong Kong-Zhuhai-Macao Bridge Main Bridge Project (“The Project”). All insurers with due qualifications as specified herein are invited to submit their tender document in respect of CAR & TPL Insurance for the Project.

A Associação dos Advogados de Macau, associando-se às exéquias em memória do Decano dos Advogados , Dr. Henrique de Senna Fernandes, falecido no passado dia 4, convoca os Colegas e Advogados Estagiários que o possam fazer, para comparecerem na Igreja de S. Lázaro, no próximo Sábado, dia 9, pelas 9H45, envergando o seu traje profissional. Pelas 11 horas, será celebrada, no local, missa de corpo presente. À família enlutada, a Associação dos Advogados de Macau expressa as mais sentidas condolências.

Macau, 7 de Outubro de 2010 A Direcção

I. Project Profile The Project stretches for about 29.6km, starting from the Boundary between Guangdong Province & Hong Kong Special Administration Region and ending at Zhuhai/Macao Boundary Artificial Island, includes a bridge section of 22.9km long, a 6.7km long immersed tube tunnel section and two artificial islands at both ends of the tunnel. The Project is expected to be put into operation by 31st December, 2016. II. Scope of Work The Leading Insurer and Co-insurer(s) shall be selected through open tender with respect to the provision of CAR & TPL insurance coverage and risk management service during the Project construction and maintenance period. III. Key Requirements for the Tenderer Tenderer to the Project must meet the criteria stated as below: 1. The Tenderer must be incorporated within the territory of People’s Republic of China, approved by China Insurance Regulatory Commission (CIRC) to conduct general insurance business and operate as an independent legal entity. 2. The minimum registered capital of the Tenderer must be no less than RMB1.5 billion (as by 31st December 2009). 3. The 2009 total written premium of the Tenderer must have exceeded RMB1 billion. 4. The Tenderer must have been in operation for more than 3 years (as by 31st December 2009). 5. The solvency margin of the Tenderer must be no less than 100% according to CIRC standard (as by 31st December 2009). 6. The Tenderer must have an existing branch in Guangdong Province. IV. Qualification Review A post-qualification review will be conducted for the tender. V. Instructions to Tenderer 1. A Consortium of Tenderers is not acceptable for the tender. 2. The Tenderer must submit tender document in the name of its Head Office. 3. The Tenderer must officially obtain the Tender Invitation Document from the Project Owner, and those failing to do so will be considered disqualified for the tender. 4. Any Tenderer, affiliated to Project Owner and/or Insurance Broker or having conflict of interests in the Project, shall be precluded from the tender. VI. Obtaining Tender Invitation 1. The Tenderer could obtain the Tender Invitation Document within the following period at the following address: Time: 9:00am - 11:30am, 14:30pm - 16:30pm, from 9th October, 2010 to 11th October, 2010 (Beijing Time, except Chinese Public Holidays) Address: Room 605, Eastern Gate of Jiuzhougang Plaza, No. 428 Qinglunan Road, Zhuhai City, Guangdong Province 2. The Tenderer must present the following documents:• Original copy of the Exclusive Letter of Authorization, signed & sealed by the legal representative of its Head Office. • The Confidentiality Agreement, signed & sealed by the legal representative (or the authorized person) of its Head Office. • Duplicates of the Business License of its Head Office. The template of the above referenced Exclusive Letter of Authorization and Confidentiality Agreement could be downloaded from the website of Hong Kong-Zhuhai-Macao Bridge Authority http://www.hzmb.org. VII. Submission of Tender Document The tender submission must be delivered to the following address at the specified time: Time: 9:00 am - 11:30 am (Beijing Time), 15th November, 2010 Address: Room 605, Eastern Gate of Jiuzhougang Plaza, No. 428 Qinglunan Road, Zhuhai City, Guangdong Province VIII. Contact Person of the Project Owner The Tenderer can contact the Project Owner through the following channel: Contact Person: Mr. Li Qiang, Finance Dept., Hong Kong-Zhuhai-Macao Bridge Authority Address: Room 605, Eastern Gate of Jiuzhougang Plaza, No. 428 Qinglunan Road, Zhuhai City, Guangdong Province Tel: 0756 - 3292181 Fax: 0756 - 3292000 E-mail: lq@hzmbo.com Project Owner: Hong Kong-Zhuhai-Macao Bridge Authority Insurance Broker: Marsh (Beijing) Insurance Brokers Co., Ltd.


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sociedade

Governo estuda transformação da televisão e rádio em empresa pública

Nacionalização a caminho O relatório sugere claramente que se acabem com as ambiguidades: a televisão de Macau deve estar totalmente nas mãos do governo e os privados irem transmitir para outra freguesia, já que também raramente se empenharam na estação. Por um serviço realmente público e pelo fim do serviço púdico. O Governo vai agora analisar as recomendações e anunciará o que vai acontecer à TDM, dentro de um mês. Vanessa Amaro

hojemacau@yahoo.com

Quase seis meses depois de ter sido criado, o Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento Estratégico da TDM entregou o seu relatório ao Executivo, em que defende que a estação deixe de ser uma entidade operada com dinheiro público para se transformar numa empresa totalmente pública. Fernando Chui Sai On disse que irá analisar o documento durante um mês e vai ponderar a concretização das sugestões em prol de um “serviço de referência”. O funcionamento da TDM, com seis canais televisivos e duas rádios e 450 trabalhadores, é, desde 2002, totalmente suportado por verbas subsidiadas pelo governo, que, entre 2007 e 2009, ascenderam a cerca de 287,3 milhões de patacas. O grupo de trabalho, formado por sete membros, entre eles os deputados Kwan Tsui Hang e Ung Choi Kun, que têm sido críticos em relação à TDM, foi criado em Abril, por despacho do Chefe do Executivo, para estudar os

problemas da emissora e apresentar ideias sobre a sua estratégia de desenvolvimento. O tempo, segundo Kwan Tsui Hang, responsável pelo trabalho, foi apertado para avaliar tantas falhas e apontar caminhos eficazes para alterar o modelo. “O posicionamento e os objectivos são pouco claros, o regime é imperfeito, a gestão não estão regulamentada e a fiscalização é débil”, começa por ressaltar o documento, acrescentando que a população considera o desempenho da estação “muito aquém das exigências” (ver mais no texto da página 7). A população foi consultada, modelos das regiões vizinhas foram usados para termos de comparação e os empregados da empresa foram ouvidos. A palavra mais utilizada ao longo do documento é “fiscalização” e aplica-se a todos os níveis, desde a criação de novos programas e conteúdos, passando pelo departamento financeiro e acabando nos administradores. “A TDM deve esclarecer o seu posicionamento,

Só para chinês ler Na terça-feira, o Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento Estratégico da TDM divulgou, através do Gabinete de Comunicação Social, que apresentaria ontem o seu relatório ao Chefe do Executivo e que o disponibilizaria à consulta pública uma hora mais tarde. No entanto, à hora prometida o documento em português não estava disponível no website do Governo e não há ainda previsões de quando estará. “A versão portuguesa do relatório completo do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento Estratégico da TDM – Teledifusão de Macau, S.A. estará disponível em data a anunciar brevemente”, diz a mensagem de acesso à página. A versão integral do relatório, portanto, só foi tornado público na sua versão chinesa.

cau’, importa ter diplomas legais ou acordos próprios, onde constem o posicionamento, as características, as responsabilidades, as funções e o funcionamento da TDM, e que sejam vistos como critérios para avaliar o seu desempenho e os seus serviços.” Abertos a investidores

Encontrar investidores interessados é outra proposta do grupo de trabalho. Quando as condições estiverem maduras, considera, o Governo “poderá considerar convidar empresas baseadas em recursos naturais e empresas internacionais para participarem na TDM”. O objectivo é a abertura de novos mercados no interior da China e na Ásia, expandindo o espaço para o desenvolvimento da empresa. Os membros consideram que é dever do Governo “intensificar a administração da TDM, evitando situações de falta de investidores interessados, de abuso de competência pelos gestores ou de inexistência de fiscalizadores, garantindo o funcionamento ordenado, eficiente e de alta qualidade”. Auditorias dentro e fora

revisar os estatutos, aperfeiçoar a gestão e reforçar a fiscalização, com vista à implementação de um estabelecimento de serviço público de radiodifusão em Macau, que é normalizado, transparente, de elevada eficiência e qualidade”, aponta o relatório como medidas necessárias a curto prazo. Outra acção é promover “a revisão do contrato de concessão do serviço de radiodifusão televisiva e sonoro e dos estatutos da TDM”.

O relatório defende que, “para satisfazer as aspirações da população, a TDM terá de definir com clareza o seu posicionamento, optimizar a sua estrutura, aperfeiçoar a gestão e elevar a qualidade dos programas”. O projecto de reforma proposto para a TDM defende, a curto prazo, a criação de uma “equipa especializada para acompanhar e orientar a transição da TDM para um estabelecimento de serviço público de radiodifusão,

fixando-se um período de transição”. É pedido também um conjunto de leis e diplomas para regulamentar a entidade, sondagens regulares de satisfação sobre os programas, tratamento de queixas da sociedade e mais atenção por parte do Governo e da Assembleia Legislativa ao que se passa no edifício da rua de Francisco Xavier Pereira. “Para atingir o objectivo de criar uma ‘radiodifusão pública das gentes de Ma-

O grupo sugere que seja recrutada imediatamente uma empresa de auditores para fiscalizar a situação de caixa, activos líquidos e imobilizados e controlo financeiro da empresa. “Esta deve apresentar pareceres e propostas que se servem de referência para futuros investimentos do Governo”, escrevem os sete membros. Também é proposta a criação de uma comissão consultiva, que daria orientações e exerceria fiscalização sobre as políticas de exploração, as estratégias de desenvolvimento e a qualidade da produção e difusão. Programas interculturais

A médio prazo deverão criar-se, através de parcerias, canais e programas sobre Macau e principais países lusófonos para promover o


Concurso para uma sociedade íntegra e honesta O CCAC e a Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau estão a promover um “Concurso de Produção de Rádionovela”, aberto à participação de equipas de estudantes do ensino superior e secundário. Os temas são “Incorruptibilidade”, “Competição justa”, “Honestidade e rectidão” e “Somos responsáveis para uma sociedade íntegra”. O concurso, dividido em dois grupos, tem o objectivo de sensibilizar os participantes para a importância de uma sociedade íntegra. Os três classificados em cada grupo serão premiados, aos quais serão atribuídas bolsas de estudo no valor de 4000, 3000 e 2000 patacas no grupo do ensino superior, e no valor de 3000, 2000 1000 patacas, no grupo do ensino secundário. Serão ainda atribuídas cinco menções honrosas em cada grupo. O prazo de entrega de trabalhos termina no dia 30 de Novembro.

O que diz o relatório - “Deve-se promover, atempadamente, a revisão do contrato de concessão do serviço de radiodifusão televisiva e sonoro e dos estatutos da TDM, ou a celebração de cláusulas complementares.” - “É necessário estabelecer mecanismos de avaliação e de fiscalização.” - “Uma fiscalização eficaz é uma garantia fundamental para a TDM conseguir uma exploração regulamentada, transparente e de alta eficiência.” - “A TDM deve ter um melhor planeamento sobre os recursos humanos e estabelecer mecanismos de formação e de captação de quadros qualificados.” - “O Governo não interfere na liberdade de imprensa, na autonomia editorial e no funcionamento normal da TDM.” - “A nível internacional e nas regiões vizinhas, uma entidade de serviço público de radiodifusão é normalmente de natureza pública.” - “Para atingir o objectivo de criar uma ‘radiodifusão pública das gentes de Macau’, importa ter diplomas legais ou acordos próprios, onde constem o posicionamento, as características, as responsabilidades, as funções e o funcionamento da TDM.” - “Deve-se promover, de forma programada, a reforma de canais e programas e investir na elevação da qualidade de programas para amplificar a projecção dos serviços da TDM.” - “Pode-se criar, mediante forma de cooperação, canais e programas sobre Macau no delta do Rio das Pérolas e principais países lusófonos.” - “A TDM deve investir mais esforços na concepção e elaboração de programas.”

papel de Macau como ponte entre a China e a lusofonia, realça o relatório. Sobre o futuro do serviço em português da TDM, a porta-voz do grupo de trabalho, Kwan Tsui Hang, disse aos jornalistas que “não foi considerado o factor língua na elaboração do relatório, apenas a gestão da empresa”, mas defendeu que “o que já está estabelecido não vai ser afectado”.

Kwan Tsui Hang | administração da TDM requer mais responsabilização

Mais competência, precisa-se Enquanto falava como presidente do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento Estratégico da TDM, Kwan Tsui Hang também deixou as suas impressões, na qualidade de deputada, em relação ao actual funcionamento da estação. As suas críticas recaem, sobretudo, nas camadas dirigentes, cuja actividade “não está muito regulamentada”. A deputada da Assembleia Legislativa não quis avançar se defende uma profunda alteração nos quadros directivos da TDM – “essa é uma decisão que cabe ao Chefe do Executivo” -, mas adiantou que é preciso mais competência para gerir com transparência o serviço de radiodifusão. “Espero que haja uma posição mais responsável e com mais competência de gestão”, apontou. Kwan Tsui Hang observou também que a “direcção actual da TDM tem muitos problemas” que se arrastam há anos, consequentes do próprio “sistema e mecanismo em si”. “O mais importante agora é a fiscalização. É o que mais faz falta.” Por várias vezes, a deputada frisou que Manuel Gonçalves, administrador-delegado da empresa, deverá “responsabilizar-se pelos factos”, sem especificar como, e recusando-se a fazer mais comentários sobre os actuais “cabeças” da estação. “Neste momento é preciso estabelecer mecanismos de gestão transparentes e ter camadas

dirigentes justas e correctas. Temos de respeitar a história e a estrutura da TDM”, acrescentou. O responsável da emissora não quis prestar declarações aos jornalistas, apesar de ter referido, no mês passado, que iria pronunciar-se publicamente sobre o relatório, “bem como sobre as diversas etapas de todo este processo”. No início de Setembro, a respon-

sável do grupo de trabalho acusou Manuel Gonçalves de “concentrar demasiado poder”. O administradordelegado classificou, posteriormente, a declaração de “não consubstanciada, fundamentada ou comprovada” e afirmou que as palavras da deputada situavam-se “claramente num plano de ‘pessoalização’ da questão TDM”. Apesar de mostrar-se preocupada

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7 com a tentativa da emissora em fazer pressão sobre uma jornalista sem papas na língua, Kwan ressaltou ontem que a função do grupo não era acompanhar problemas internos da TDM. “Só tivemos a função de preparar o relatório. Tratando-se de matéria tão grave, os empregados com problemas podem recorrer aos tribunais ou ao Governo. Protegemos a liberdade de imprensa e estamos atentos aos mau-tratos aos jornalistas.” O deputado Paul Chan Wai Chi apresentou uma interpelação escrita ao Governo, no mês passado, em que revelava que uma jornalista do departamento de informação televisiva em chinês da TDM tinha sido afastada do noticiário diário na sequência de uma queixa apresentada por um entrevistado. A jornalista em causa criticou abertamente o seu supervisor, acusando-o de auto-censura e intervenção despropositada sobre o juízo próprio dos jornalistas, durante as reuniões organizadas pelo Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento Estratégico da TDM no início de Junho. Paul Chan disse que a repórter terá sido afastada do noticiário diário por três meses, alegadamente para se concentrar em questões mas de fundo, relacionadas com a comunidade local. O departamento de informação em chinês da TDM emitiu a seguir um comunicado em que esclarecia que a jornalista continuava a trabalhar na redacção, sublinhando que as reportagens eram cruciais para o departamento de notícias e que trabalhar nelas era bom para os jornalistas. - V.A.

Povo quer maior “profundidade” nos noticiários da TDM

Vigiar o Governo do alto da torre de TV Kahon Chan

hojemacau@yahoo.com

Uma sondagem de opinião mostra que os telespectadores locais têm uma clara expectativa de maior profundidade e mais críticas, na produção noticiosa da TDM, que aparenta ser uma fonte mais proeminente de notícias locais do que os jornais ou a rádio. A abordagem detalhada dos assuntos e o seu carácter de “vigilância” sobre a actuação do Governo são enumeradas como exigências pendentes do público. Um total de 1044 residentes locais com idade superior a 16 anos foram contactados pela equipa de investigação da Universidade de Macau, a quem foi encomendado o estudo, realizado no início do Verão, com o propósito de perceber a visão que a opinião pública tinha da TDM em Macau. A sondagem revela que a TDM era a fonte principal de informação dos residentes, no que diz respeito a notícias locais (70,7 por cento), seguida

da imprensa (63,3 por cento) e da Internet (15,5 por cento). No entanto, os canais de televisão de Hong Kong continuam a ser o principal fornecedor de programas de entretenimento (76,8 por cento), com a TDM a ficar apenas em segundo, mas com grande atraso (9,1 por cento). A TDM Macau (o canal principal em chinês) é o canal de TV mais visto, com 92 por cento, seguido do canal de notícias chinês CCTV News. O canal português foi o menos visto da TDM, numa população dominantemente chinesa. Dos inquiridos, 68 por cento identificaram-se como espectadores frequentes de programas noticiosos na TDM TV, enquanto 23 por cento consideraramse “espectadores ocasionais”. Apesar da esmagadora audiência, os programas noticiosos da TDM não desfrutam de boa reputação. O departamento de informação da TDM recebeu uma classificação de 58,5 pontos em termos de rigor, 54,4 por pontualidade, 52,5 por objectividade e 49,25 pela abordagem

detalhada dos assuntos. Os programas de entretenimento da TDM, por seu turno, pontuaram 34,5 e a programação desportiva, que inclui a transmissão gratuita de jogos do Mundial de futebol e da Premier League inglesa, foi a que melhor classificação obteve: 61,75. O questionário apontou as cinco principais funções supostamente exercidas pela TDM, nomeadamente: promover Macau, fornecer notícias e informação, vigiar a actuação do Governo, atender às exigências da educação e perceber quais são (e satisfazer) as necessidades culturais e de entretenimento. O cumprimento de todas essas cinco “funções” é inferior a 30 por cento e apenas 22 por cento dos inquiridos concordaram que a TDM exercia efectivamente um controlo e fiscalização sobre o Governo. A qualidade da programação noticiosa recebeu clara preocupação por parte dos inquiridos, com 90 por cento a sentirem falta de “reportagens em profundidade”.


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SOCIEDADE

8

As estimativas de crescimento global anual das receitas brutas de jogo nos casinos de Macau subiram para mais de 50 por cento no que diz respeito ao ano de 2010, de acordo com o director da autoridade que coordena e inspecciona a actividade do jogo comercial em Macau. “É já possível dizer que [as receitas de jogo] irão aumentar em mais de 50 por cento comparativamente ao ano anterior”, afirmou Manuel Joaquim das Neves, chefe da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), citado pelo “Macau Daily Times”. As estimativas anteriores apontavam para uma subida anual de 30 por cento. O responsável pôde já avançar também que os primeiros dias de Outubro foram “muito positivos” para a indústria do jogo local. “Pulverizámos o recorde diário em dois dias consecutivos [durante o feriado]. A 3 de Outubro, a receita bruta de jogo estabeleceu um novo recorde para um só dia, que foi batido logo de seguida no dia a seguir”, afirmou Neves. As receitas brutas de jogo em pub

Liquidez aumenta O agregado monetário da RAEM registou um crescimento em Agosto. Com o crescimento nos empréstimos dos não residentes, o rácio empréstimo/depósitos bancários registou um acréscimo. A circulação monetária diminuiu 0,1%, os depósitos à ordem cresceram 0,8%, as responsabilidades quase monetárias aumentaram 0,9% e a pataca registou um “peso” de 28,7%. Os depósitos de residentes cresceram 0,9%, sendo que esses depósitos efectuados em patacas e em outras moedas (excepto HKD) desceram 3,2% e 1,0%, respectivamente. Os depósitos dos não residentes diminuíram 1,0% e os depósitos do sector público da actividade bancária de Macau ascenderam continuamente de 5,9%. Os empréstimos internos ao sector privado mantiveram-se e registaram um acréscimo ligeiro de 0,1% mas os empréstimos ao exterior elevaram 2,4%.

Receitas de jogo afinal vão subir mais de 50 por cento em 2010

Jackpot financeiro para Macau totais dos casinos nos primeiros nove meses do ano aumentaram 60,1 por cento comparativamente a 2009, atingindo os 133,24 mil milhões de patacas, o que já é mais do que os casinos locais conseguiram arrecadar em todo o ano passado (119,4 milhões de patacas). Wynn e Sands acompanham crescimento

Macau atingiram os 15,3 mil milhões de patacas no mês passado, o que representa um aumento de 39,8 por cento, de acordo com dados oficiais. Trata-se do mais baixo crescimento – comparativamente ao período homólogo do ano anterior – registado até agora em 2010. Mas as receitas brutas

O panorama radioso que se vislumbra para o mercado dos casinos em Macau tem-se reflectido, como não poderia deixar de ser, no desempenho individual dos concessionários de jogo. As empresas-mãe têm-se deliciado com os frutos que estão a colher em solo macaense, como são bons exemplos a Wynn Resorts e a Las Vegas Sands. Foi graças à actividade em Macau que a Wynn viu as suas acções subirem 3,9 por cento para

90,51 dólares no índice Nasdaq, da Bolsa de Nova Iorque. Por seu turno, a Las Vegas Sands saltou 3,6 por cento para os 36,44 dólares. Mas a Melco Crown e a MGM Resorts também não se podem queixar do seu desempenho em Wall Street – subiram 5,9 e um por cento para $5,39 e $11,36, respectivamente. A introdução de medidas para esfriar o mercado imobiliário na China ter-se-á feito sentir na menor afluência de apostadores a Macau. Mas apesar do abrandamento do crescimento em relação ao ritmo verificado no primeiro semestre, quando a recuperação económica fez disparar os números do jogo, as perspectivas são optimistas. O crescimento em Macau está “ainda em níveis atractivos, mesmo com o ritmo a desacelerar”, considera a analista Janet Brashear, da Sanford C. Bernstein, de Nova Iorque, citada

no site da Bloomberg. “A verdadeira novidade é a batalha pelas quotas de mercado que está a decorrer. Relatos sugerem que a MGM e a Melco têm estado particularmente agressivas na tentativa de atrair ‘junkets’ para os seus casinos.” Na semana passada, a MGM apresentou uma candidatura preliminar a uma oferta pública inicial em Hong Kong. A MGM China Holdings – “joint-venture” entre o maior proprietário de casinos de Las Vegas e Pansy Ho, filha do multimilionário Stanley Ho – anunciou que pretende vender acções na Ásia ainda este ano. “O desempenho macro-económico da Ásia continua a ser forte e Macau irá beneficiar enquanto esta dinâmica se mantiver”, considera o consultor industrial independente Jonathan Galaviz, alertando, no entanto: “Continua a haver enormes bolhas na região. Por isso, estamos também cautelosos em relação a Macau devido à sua vulnerabilidade em relação a uma eventual recessão na Ásia em algum momento de 2011.”


desporto João Fernandes de novo ao lado de Michael Rutter

Marco Carvalho

hojemacau@yahoo.com

No ano em que cumpre o seu quinto aniversário, a equipa francesa de motociclismo “Team of Paris” quer deixar a sua marca na quinquagésima sétima edição do Grande Prémio de Macau. A formação, fundada em 2005 para prestar apoio logístico ao francês Bruno Bonhuil (piloto que acabaria por falecer nesse mesmo ano numa das sessões de treino do principal evento do calendário desportivo do território), conta este ano uma vez mais com o britânico Michael Rutter nas suas fileiras. O hexa vencedor do Grande Prémio de Motociclismo do território corre com as cores da formação parisiense pelo segundo ano consecutivo, depois de em 2009 não ter conseguido melhor que o sexto lugar na competição, numa corrida ganha pelo compatriota Stuart Easton. Em onze participações na mais conceituada prova urbana de motociclismo do continente asiático, Michael “The Blade” Rutter conseguiu seis vitórias (igualando o recorde de Ron Haslam) no evento, tendo subido aos lugares sub-alternos do pódio por mais três ocasiões. Naquela que é a sua 12ª participação no Grande Prémio de Macau, Rutter vai tentar alcançar um feito que já lhe foge há cinco anos, o de conseguir nas curvas e contra-curvas da Guia uma histórica sétima vitória no Grande Prémio de Motociclismo de Macau. O piloto britânico vai competir aos comandos da novíssima Du-

De Paris, com amor

cati Testastretta Evolucione, tendo como companheiro de investida o compatriota Martin Jessop, seu companheiro de equipa na formação oficial da Ducati que este dis-

putou o Campeonato Britânico de Superbikes. Completam a armada da formação gaulesa o luso-francês Antonhy dos Santos, piloto que se sagrou em 2007 vice-campeão do

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Ávila satisfeito com a escolha de Zhuhai

A organização da Taça Porsche Carrera Ásia confirmou ontem oficialmente que a última prova da temporada irá decorrer no Circuito Internacional de Zhuhai, como prova de apoio dos “1000 km Zhuhai”, a prova de resistência ao estilo das míticas “24 horas de Le Mans”. Terminar a temporada de 2010 em Zhuhai é do agrado de Rodolfo Ávila, o piloto de Macau participante na mais importante competição automobilística do sudeste asiático. “Depois dos sobressaltos que tivemos na primeira metade da época, queremos deixar uma boa imagem nos dois eventos que faltam para o fim da época, Xangai e

Zhuhai“, disse Ávila ao Hoje Macau, afirmando também que “correr em Zhuhai é praticamente como correr em casa. O apoio que recebo é sempre extraordinário e só comparável ao Grande Prémio de Macau. O quartel general da minha equipa, o Team Jebsen, é em Hong Kong, portanto correr em Zhuhai também para eles tem outro significado, um significado especial”. A competição monomarca da marca alemã de automóveis de luxo já visitou a cidade adjacente a Macau este ano, no mês de Junho, tendo Ávila obtido em “pole-

Sérgio Fonseca

mundo de Endurance e João Fernandes, o piloto do território que conquistou dois pódios consecutivos na categoria supersport nas duas últimas edições do certame.

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9 Olivier Pierson, dono da “Team of Paris” e actual director técnico da equipa, diz que a formação quer inscrever o seu nome na história do principal evento desportivo da RAEM e conta com o contributo de João Fernandes para ajudar a escrever uma página de ouro na história do Grande Prémio de Macau: “Tínhamos que assegurar o melhor dos alinhamentos para podermos celebrar o quinto aniversário da equipa com um resultado de sonho. Michael Rutter e João Fernandes conhecem como ninguém os cantos ao circuito. Martin Jessop e Anthony dos Santos são duas estrelas em ascenção. O Anthony foi vice-campeão do mundo de endurance e é um dos melhor pilotos franceses da actualidade. O João tem oito Grandes Prémios nas pernas e duas subidas ao pódio. Não lhe falta nem experiência, nem talento”, remata Pierson. O piloto lisboeta, radicado há vários anos em Macau, apadrinha a estreia do luso francês Anthony dos Santos nas curvas e contra-curvas da Guia. Ambos os pilotos deverão disputar a prova aos comandos de uma Suzuki 1000 GSXR, com João Fernandes a dar o ambicionado salto para as superbikes ao fim de sete participações na prova. Para a “Team of Paris” o objectivo primordial é fazer ainda melhor do que na edição de 2009 do Grande Prémio de Macau, quando conseguiu colocar três pilotos nos doze melhores da classificação, ao mesmo tempo que triunfou na prova de supersport pela mão do francês Amaury Baratin.

“É o mesmo que correr em casa” position”, resultado que não conseguiu materializar nas duas corridas. “É uma pista que conheço desde 2003, onde venci a minha primeira corrida na Taça Porsche o ano passado e onde habitualmente sou bastante rápido”, afirmou o piloto do Porsche 997 GT3 Cup com o número vinte. A corrida em solo chinês vai substituir a prova cancelada na Coreia do Sul em Agosto, devido aos atrasos no futuro Autódromo construído para receber um dia a Fórmula 1. Quando falta pouco mais de um mês para o Grande Prémio de Macau, Ávila

recebeu propostas para participar noutras corridas, mas prefere concentrar-se a cem por cento no troféu

Porsche asiático. “Recebi dois convites para correr na Superleague Formula by Sonangol este fim-de-semana

em Pequim, mas estou a cem por cento concentrado na minha temporada na Taça Porsche Carrera Ásia. É sempre reconfortante saber que as equipas europeias não esqueceram as minhas participações nos dois anos em que corri na Europa”, rematou o ex-piloto da RAEM de Fórmula 3. Depois das duas corridas disputadas no Circuito Marina Bay, em Singapura, o piloto do Team Jebsen subiu uma posição no campeonato, estando agora no quinto lugar na classificação geral. A próxima corrida da Taça Porsche Carrera Ásia realiza-se de 22 a 24 de Outubro, na capital económica da República Popular da China, mais precisamente no Circuito Internacional de Xangai.


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10 Aquisição de Equipamentos- Mobiliários Concurso público n.o 05/DOA/2009

Objecto: Aquisição de equipamentos- mobiliários, para as Novas Instalações e Residência de Estudantes da responsabilidade do Instituto Politécnico de Macau. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas. Prazo da Apresentação das propostas do concurso: Hora e Data: 25 de Outubro de 2010, pelas 17H45. Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes. Abertura das Propostas do Concurso: Data e Horas: 26 de Outubro de 2010, pelas 10H00. Local: 1º andar, Anfiteatro II do Edifício Wui Chi do Instituto Politécnico de Macau, sita na Avenida de Dr. Rodrigo Rodrigues. Caução Provisória: Devem os concorrentes prestar uma caução provisória, no valor de $120 800,00 (cento e vinte mil e oitocentas patacas), mediante depósito no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau, ou mediante garantia bancária. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: -Preço (30%) -Conformidade de qualidade dos artigos com as exigências do utente (40%) - Características de segurança e protecção do ambiente (10%) -Garantia/Serviços-pós-venda (5%) -Prazo de entrega de bens (10%) -Curriculum Vitae, competências e experiência do concorrente (5%) Esclarecimento: Data e Hora: 11 de Outubro de 2010, pelas 10H00. Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes. Consulta e Aquisição do Programa do Concurso e do Caderno de Encargos: O Programa do Concurso e o Caderno de Encargos podem ser consultados e adquiridos na Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, mediante o pagamento de MOP100,00 (cem patacas). Horário: de 2a feira a 5a feira das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45. 6a feira das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30. Informações: 8599 6123, 8599 6140 e 8599 6163. Macau, aos 6 de Outubro de 2010. O Presidente, Lei Heong Iok

EDITAL

EDITAL Edital n.º: 261/E/2010 Processo n.º: 1480/BC/2010/F Assunto: Início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI). Local:CorredorescomunsdetodososandaresdoEdf.東方麗都 situado na Avenida do Almirante Lacerda, Macau. Chan Pou Ha, Subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pela alínea 7) do n.º 1 do Despacho n.º 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), n.º 16, II Série, de 22 de Abril de 2009, faz saber por este meio aos donos das obras e proprietários das fracções seguintes, cujas identidades se desconhecem, o seguinte: 1. O agente de fiscalização desta DSSOPT constatou nas fracções 5.º andar A, 5.º andar B, 6.º andar A, 6.º andar B, 6.º andar C, 7.º andar B, 7.º andar C, 7.º andar D, 8.º andar A, 8.º andar B, 9.º andar B, 9.º andar C, 10.º andar A, 10.º andar B, 10.º andar C, 11.º andar A, 11.º andar B, 11.º andar C, 12.º andar A, 12.º andar B, 12.º andar C, 13.º andar A, 13.º andar B, 13.º andar C, 13.º andar D, 14.º andar A, 14.º andar B, 15.º andar A, 15.º andar C, 17.º andar A, 17.º andar B, 17.º andar C, 18.º andar B, 18.º andar C, 19.º andar A, 20.º andar B, 21.º andar A, 21.º andar C, 22.º andar B, 22.º andar C, 23.º andar A, 23.º andar B, 23.º andar C, 24.º andar B, 24.º andar C, 24.º andar D, 25.º andar B, 25.º andar C, 26.º andar B, 28.º andar B, 29.º andar A, 30.º andar A, 30.º andar B, 30.º andar C, 33.º andar A, 33.º andar C e 35.º andar B do edifício em epígrafe a realização de obra sem licença, cuja descrição e situação é a seguinte:

1.1

Obra

Situação da obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Instalação de portão metálico no corredor comum do edifício, perto da entrada da referida fracção.

Concluída

Infracção aos n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.

2. Sendo as escadas e corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos

conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no nº 4 do artigo 10º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei nº 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelo infractor nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que terá necessariamente de ser determinada pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do nº 3 do artigo 87º do RSCI, a infracção ao disposto no nº 4 do artigo 10º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o nº 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou segurança do edifício. 4. Considerandoamatériareferidanospontos2e3dopresente edital, podem os interessados, querendo, pronunciarse por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.os 32-36, Edifício CEM, 2.º andar, Macau (telefone n.os 85977154 e 85977227).

Edital n.º: 262/E/2010 Processo n.º: 1479/BC/2010/F Assunto: Início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI). Local: Fachada do Edf. 東方麗都 situado na Avenida do Almirante Lacerda, Macau. Chan Pou Ha, Subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pela alínea 7) do n.º 1 do Despacho n.º 09/SOTDIR/2009, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), n.º 16, II Série, de 22 de Abril de 2009, faz saber por este meio aos donos das obras e proprietários das fracções seguintes, cujas identidades se desconhecem, o seguinte: 1.

Instalação de gaiola me1.1 tálica junto à varanda da fracção na parede exterior do referido edifício.

A Subdirectora dos Serviços, Engª Chan Pou Ha

Situação da obra Concluída

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Infracção aos n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso aos pontos de penetração do edifício.

O agente de fiscalização desta DSSOPT constatou nas fracções 6.º andar B, 7.º andar B, 8.º andar B, 9.º andar B, 10.º andar B, 11.º andar A, 11.º andar B, 11.º andar C, 12.º andar B, 13.º andar B, 13.º andar C, 14.º andar B, 15.º andar A, 17.º andar A, 17.º andar B, 18.º andar B, 18.º andar C, 19.º andar A, 21.º andar A, 22.º andar B, 24.º andar B, 24.º andar C, 25.º andar A, 25.º andar B, 26.º andar B, 28.º andar A, 28.º andar B, 28.º andar C, 30.º andar A, 31.º andar A, 31.º andar B, 33.º andar A e 35.º andar B do edifício em epígrafe a realização de obra sem licença, cuja descrição e situação é a seguinte: Obra

Aos 29 de Setembro de 2010

3.1

Fechamento da varanda 2.1 da fracção com janela em caixilharia de alumínio junto à varanda da fracção na parede exterior do referido edifício.

Situação da obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Concluída

Infracção aos n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso aos pontos de penetração do edifício.

Obra

Situação da obra

Instalação de gradeamento metálico junto à janela da fracção na parede exterior do referido edifício.

Concluída

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Infracção aos n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso aos pontos de penetração do edifício.

4.

Sendo as janelas e varandas do edifício consideradas como pontos de penetração para realização de operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não podem ser dificultado com os elementos fixos (gaiolas, grelhagens, etc.) de acordo com o disposto no n.º 12 do artigo 8.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei nº 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelo infractor nos referidos espaços, descritas nos pontos 1, 2 e 3 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto pontos de penetração no edifício e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que terão necessariamente de ser determinada pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada.

5.

Nos termos do nº 7 do artigo 87º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 12 do artigo 8.º, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00.

6.

Considerando a matéria referida nos pontos 4 e 5 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI.

5.

O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.os 32-36, Edifício CEM, 2.º andar, Macau (telefone n.os 85977154 e 85977227).

O agente de fiscalização desta DSSOPT constatou nas fracções 5.º andar A, 5.º andar B, 6.º andar A, 8.º andar A, 8.º andar B, 9.º andar B, 9.º andar C, 9.º andar D, 10.º andar A, 10.º andar B, 10.º andar D, 11.º andar B, 11.º andar C, 12.º andar B, 12.º andar C, 12.º andar D, 13.º andar A, 13.º andar B, 13.º andar D, 14.º andar A, 14.º andar B, 15.º andar C, 17.º andar A, 17.º andar B, 18.º andar B, 18.º andar D, 23.º andar A, 23.º andar B, 23.º andar D, 24.º andar A, 25.º andar C, 26.º andar B, 26.º andar D, 28.º andar A, 28.º andar B, 29.º andar A, 29.º andar B, 29.º andar C, 30.º andar B, 30.º andar C, 31.º andar D, 32.º andar C, 33.º andar A, 33.º andar C, 33.º andar D, 35.º andar B e 35.º andar C do edifício em epígrafe a realização de obra sem licença, cuja descrição e situação é a seguinte: Obra

2.

3. O agente de fiscalização desta DSSOPT constatou nas fracções 11.º andar D e 13.º andar D do edifício em epígrafe a realização de obra sem licença, cuja descrição e situação é a seguinte:

Aos 29 de Setembro de 2010

A Subdirectora dos Serviços,

Engª Chan Pou Ha


cultura Mário Vargas Llosa é o novo Nobel da Literatura

O eterno vencedor António Falcão* hojemacau@yahoo.com

Era um dos eternos candidatos ao Prémio Nobel, que ano após ano ficava de fora da escolha da Academia Sueca. Não porque o seu acto de escrita se centrasse na obtenção de um prémio mas simplesmente porque se existe um galardão no mundo para os melhores escritores, Mario Vargas Llosa era um dos escritores que o merecia em pleno, como alguns outros que continuam à espera. A atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Mario Vargas Llosa é “um grande incentivo” a todos os que se preocupam com os países onde não há democracia ou a liberdade está ameaçada”, disse o filho do escritor. Mario Vargas Llosa, de 74 anos, “ficou na dúvida até ao último momento, quando fizeram o anúncio oficial”, disse o filho. “Ainda não acredito”, disse Vargas Llosa, em declarações ao El Mundo, reconhecendo que no início pensou que se tratava de uma brincadeira de um amigo. O escritor peruano recebeu a notícia quando estava em sua casa na cidade de Nova Iorque, onde se encontra a exercer a profissão de professor, na Universidade de Princeton. Foi aí que mais tarde os jornalistas o encontraram no prolongamento de um dos momentos mais emotivos da sua carreira, que decerto nunca se irá extinguir, afirmando sentir-se “muito comovido e entusiasmado” pela concessão do Prémio Nobel da Literatura. “Levanto-me muito cedo (05:30) para ler”, contou o escritor, quando a sua mulher atendeu um telefonema e o informou que não sabia bem o que queriam. “Voltaram a ligar e foi então que me disseram que tinha sido premiado”, explicou. Declarando que “há muitos anos” que o seu nome já não era incluído entre os favoritos para receber o galardão. “Fiquei a pensar se era uma brincadeira que um amigo me tivesse feito”, disse. De acordo com o seu filho, Álvaro Vargas Llosa, recordou que “há muitos anos”, alguém se fez passar por um membro da academia e anunciou ao seu pai que tinha ganho o Nobel da Literatura. “Nunca mais teremos

que responder à maldita pergunta porque é que não deram o Nobel da Literatura a Vargas Llosa”, comentou. O retrato do poder

Llosa foi reconhecido por uma escrita que faz a “cartografia das estruturas do poder”, justificou hoje a Academia Sueca. O organismo elogiou ainda um autor cuja obra revela “imagens mordazes da resistência, revolta e dos fracassos do indivíduo”. As saudações ao escritor peruano multiplicaram-se de imediato pela Internet assim que foi conhecida a decisão do Comité Nobel. Dezenas de pessoas deixaram mensagens de saudação e de parabéns na página do escritor no Facebook, como nome do escritor a ser referido em milhares de mensagens na rede Twitter. De pronto o mundo das letras se levantou também para aplaudir o escritor peruano. “É uma grande notícia. Estou muito contente. Mas penso que já devia ter sido

premiado há mais tempo porque toda a sua obra é digna de ser reconhecida com um Nobel”, sublinhou Juan Ossio, o ministro da Cultura peruano. A atribuição do prémio Nobel da Literatura a Mario Vargas Llosa é “motivo de grande alegria e honra” constituindo um reconhecimento pelo que se esperava “há vários anos”, afirmou também o director da Real Academia Espanhola. “O mundo académico estará verdadeiramente satisfeito” disse Victor Garcia de La Concha. Para o escritor espanhol Javier Marías o reconhecimento consagrado a Vargas Llosa “é um dos prémios que ninguém ou quase ninguém discute”, apontou. “Alegro-me muitíssimo. Como tem havido alguns Nobel que são, às vezes, um pouco enigmáticos, dizendo-o de forma suave, neste caso é um prémio completamento diáfano, plenamente justificado e que me dá uma grande alegria.” Marías considerou Vargas Llosa “um dos escritores de maior

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calibre do século XX e XXI” que demonstrou uma capacidade de trabalho “tão enorme como os seus admirados Victor Hugo e Gustave Flaubert”. Reconhecimento público

Por vezes a Academia tem o dom de trazer para a ribalta escritores desconhecidos do grande público. Como foram os casos da escritora alemã de origem romena, Herta Müller, no ano passado; do francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, em 2008 e de Elfriede Jelinek, da Áustria que venceu o prémio em 2004; assim como o português José Saramago, em 1998, que obteve uma grande projecção internacional a partir desse momento, com o reconhecimento de uma carreira que levou atrás toda uma nova geração de autores portugueses que viram os olhos do mundo abrir-se para a sua produção literária. Para além do valor pecuniário atribuído pela Academia Sueca, cerca de dez milhões de patacas, o Nobel é a certeza de uma carreira que se multiplica nas vendas de todas as livrarias do mundo inteiro por muitos e muitos anos. Llosa era já um sucesso de vendas. As Publicações Dom Quixote, editora da maior parte da obra do escritor em Portugal, congratularam-se pela distinção em comunicado. “Depois de vários anos em que o seu nome foi sucessivamente apontado como vencedor do Nobel”, lê-se, “a Academia Sueca decidiu, finalmente, premiar a obra de Vargas Llosa, conhecida e admirada em todo o mundo.” Também Francisco José Viegas, director editorial da Quetzal, que publicará em 2011 o mais recente romance do escritor, considerou a escolha “absolutamente inesperada”, isto, “tendo em conta a tradição dos últimos anos, pelo menos, ou das últimas décadas, do Nobel”. Obras como “A Tia Júlia e o Escrevedor”, “Conversa na Catedral”, “A Guerra do Fim do Mundo”, “Elogio da Madrasta” e o livro de memórias “Como Peixe na Água”, fazem já parte do inconsciente dos leitores de todo o mundo que num estado onírico tiveram o privilégio de conviver com o escritor e com o seu poder inventivo durante horas memoráveis de prazer de leitura. Esta é a 11.ª vez que o Nobel da Literatura é atribuído a um autor em língua espanhola, entre os quais Camilo José Cela (1989), Gabriel García Márquez (1982), Pablo Neruda (1971) e Gabriela Mistral (1945). *com LUSA

Uma vida de letras O escritor Mario Vargas Llosa, 74 anos, hoje galardoado com o Prémio Nobel da Literatura 2010, é um dos mais premiados autores da América Latina pelo seu trabalho como romancista, ensaísta e dramaturgo. Nascido em Arequipa, no Peru, a 28 de Março de 1936, Jorge Mario Vargas Llosa, já era reconhecido com um dos maiores escritores em língua espanhola, com uma carreira também dedicada ao jornalismo, a ensaística e ao activismo político. Da longa bibliografia destacam-se "A Casa Verde" (1967), "Conversa na Catedral" (1969), "Pantaleão e as Visitadoras" (1973), "A Tia Júlia e o Escrevedor" (1977) e "A Guerra do Fim do Mundo" (1981), "História de Mayta" (1984), "Quem Matou Palomino Molero?" (1986), "O Falador" (1987), "Elogio da Madrasta" (1988). A partir da década de 1990 escreveu, entre outros, "Como Peixe na Água" (1993), "Os Cadernos de Dom Rigoberto" (1997), "Cartas a Um Jovem Romancista" (1997), "A Festa do Chibo" (2000), o "Paraíso na Outra Esquina" (2003), "Travessuras da menina má" (2006), e "Diário do Iraque" (2007), o mais recente. Filho único nascido numa família de classe média, estudou no Colégio Militar Leôncio Prado, em La Perla, como aluno interno, experiência que servirá de tema do seu primeiro livro, “La ciudad y los perros” ("A cidade e os cães") (1963). Estudou Letras e Direito na Universidad Nacional Mayor de San Marcos, em Lima, e nos anos 1950 recebe uma bolsa de estudos para estudar em Espanha, na Universidade de Madrid, onde obtém um doutorado em Filosofia e Letras. Como intelectual e escritor foi fortemente influenciado pelo existencialismo do filósofo francês Jean Paul Sartre e também pela obra do norte-americano William Faulkner. Na área política, presidiu, em 1983, a uma comissão que investigou a morte de oito jornalistas, no final dessa década lançou um movimento liberal contra a desestatização da economia, e em 1990 concorreu à presidência do país com a Frente Democrata (FREDEMO), partido de centro-direita, mas foi Alberto Fujimori que acabou por ganhar as eleições. Na sequência dessa derrota, retomou a actividade literária em Londres, cidade que mais tarde apreciaria pelo anonimato e a calma que lhe proporcionava para poder escrever, mas também dividiu residência por Paris, Barcelona e Madrid. Foi galardoado, entre outros, com o Prémio Rómulo Gallegos (1967), o Prémio Cervantes (1994), o Prémio Nacional de Novela do Peru (1967), o Prémio Príncipe das Astúrias de Letras Espanha (1986) e o Prémio da Paz de Autores da Alemanha, concedido na Feira do Livro de Frankfurt (1997). Em 1985 foi condecorado pelo governo francês com a Medalha de Honra. Depois da contestação ao governo de Fujimori, em 1993 pediu a nacionalidade espanhola, mantendo também a peruana. Aos 74 anos, Mário Vargas Llosa, membro da Real Academia Espanhola da Língua, mantém-se ainda em intensa actividade como romancista, crítico literário, colunista na imprensa, ensaísta, dramaturgo e professor universitário.


García Marquez com novo livro

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12 Pavilhão do reino unido

Tiago Quadros* hojemacau@yahoo.com

Da autoria de Thomas Heatherwick, o pavilhão do Reino Unido na Exposição Universal de Xangai, denominado de Catedral das sementes, é uma demonstração visual impressionante de criatividade. O tema geral do pavilhão do Reino Unido gira em torno da essência dos seus conteúdos, da origem da Vida. A sua dimensão significa a adopção de uma temporalidade sustentada pelo que é permanente, por aquilo que se instala como memória comum, por aquilo que nos instiga enquanto colectivo. A peça central do edifício da representação britânica é um objecto de seis andares, formado por cerca de 60 mil hastes delgadas transparentes, que em suspensão baloiçam ao vento. Cada haste tem incorporada, na sua ponta, pub

uma semente. Durante o dia, cada uma das hastes, de 7.5 metros de comprimento, é como um filamento de fibra óptica, recorrendo à luz natural para iluminar o interior, criando assim um espaço contemplativo inspirador. O interior está em silêncio, iluminado apenas pela luz que passa filtrada por cada semente. À noite, as fontes de luz na extremidade interior de cada haste permitem que toda a estrutura brilhe. O Reino Unido com os seus jardins, parques públicos e praças ajardinadas foi pioneiro na forma como conseguiu integrar a natureza nos espaços urbanos, tornando-os espaços melhores para serem habitados pelo homem – 40% da cidade de Londres é verde. O pavilhão do Reino Unido convida-nos a olhar para o papel da natureza e a perguntar se ela poderia ser usada para resolver

O Nobel da Literatura Gabriel García Marquez lança este mês um novo livro - “Yo No Vengo a Decir Un Discurso” -, compilação de 22 discursos que o escritor leu publicamente em diversas ocasiões e deverá ser lançado na América Latina e em Espanha no dia 29 deste mês. O escritor colombiano, que tem 84 anos e vive no México desde a década de 80, já não publicava desde 2004, quando lançou “Memória das minhas putas tristes”. O livro, cujo título reproduz a frase de abertura do discurso com que se despediu, em 1944, dos seus condiscípulos do liceu Zipaquirá, encerra com o texto que leu perante os reis de Espanha em 2007, quando fez 80 anos.

A memória e o de

os actuais desafios sociais, económicos e ambientais das nossas cidades. Há, no espírito britânico, uma tendência para a manutenção de uma

relação estreita e directa com a natureza. Os caminhos que levam à Catedral das sementes, em conjunto com a área envolvente onde está implantado o pavilhão, fornecem uma história rica em conteúdo que incorpora o passado e o presente do Reino Unido, bem como a sua liderança em temas como a biodiversidade, a arquitectura, a ciência e a tecnologia. A área envolvente ao pavilhão, palco para apresentações públicas, demonstra a história do Reino Unido nas artes, na cultura e no paisagismo. A plataforma onde está implantada a Catedral das sementes lembra um papel que serviu de embrulho ao edifício – prenda do Reino Unido à China. Na parte inferior dessa mesma plataforma estão situadas uma série de galerias que levam o visitante a uma viagem através do passado, do presente e do futuro do Reino Unido. As galerias foram con-

cebidas pela Troika, companhia britânica de criativos que, para o efeito, colaborou com muitas instituições de investigação científica, incluindo o The Royal Gardens em Kew e o Instituto de Botânica de Kunming. O The Royal Botanic Gardens é uma organização respeitada internacionalmente pela sua competência científica relativamente à diversidade vegetal, à conservação e desenvolvimento sustentável no Reino Unido, bem como pela sua excelente colecção de plantas vivas e herbário. Os 132 hectares de Wakehurst Place, casa do The Royal Botanic Gardens, são, desde Julho de 2003, Património Mundial. Wakehurst Place é também a casa do maior banco de sementes de plantas silvestres no mundo. Prevê-se que, até ao final de 2010, a equipa de Wakehurst Place recolha e conserve 10% das sementes de plantas floridas silvestres de todo o mundo.

De certo modo, a Catedral das sementes apresenta-se como plataforma para difundir o trabalho do The Royal Botanic Gardens e as suas metas relativamente ao banco de sementes. A presença física de mais de 60.000 sementes no centro do pavilhão do Reino Unido é uma representação impressionante da importância da conservação e de se atingir, no decurso do século XXI, um equilíbrio entre a


Jazz anima as noites de Hong Kong Depois do sucesso do fim-de-semana passado em Zhuhai com a realização do Festival de Internacional de Jazz de Beishan, os músicos que animaram o evento actuam neste Domingo no Centro Cultural de Hong Kong, num concerto ao ar livre que promete animar toda a zona. Em palco estarão os Buzz Bros Band (Holanda), Sylvain Gagnon Quintet (um misto de músicos internacionais), os Logic (Austrália) e os locais Renfrew Group. O espectáculo fecha a programação do Festival Internacional de Hong Kong que se realizou durante esta semana.

esejo

natureza e a tecnologia. O pavilhão do Reino Unido incentiva um estilo de vida sustentável, lembrando os visitantes da importância da biodiversidade. Com efeito, o pavilhão foi projectado para usar o mínimo de energia possível e, desse modo, minimizar o seu impacto sobre o meio ambiente. Uma equipa da Enviromental Resources Management (ERM) de Xangai calculou a pegada de

carbono do pavilhão do Reino Unido e concluiu que a pegada total do edifício projectado por Thomas Heatherwick equivale às emissões anuais de cerca de 600 habitantes do Reino Unido. O resultado é animador considerando que o número de visitantes ao pavilhão ultrapassou já as dezenas de milhões. Uma parte significativa dos materiais de construção – em particular o alumínio e o aço – será reciclada, reduzindo, consideravelmente as emissões globais. O atelier de Thomas Heatherwick foi fundado em 1994 e tem-se destacado nas áreas da arquitectura, da infraestrutura urbana, da escultura e do desenho de mobiliário. Os colaboradores de Thomas Heatherwick provêm de áreas disciplinares que incluem a arquitectura, o design de produto, a produção de modelos, o paisagismo, as artes e a curadoria. Heatherwick é membro honorário do Royal Institute of British Architects (RIBA) e do Royal College of

Art. O arquitecto britânico recebeu o Doutoramento honorário de quatro universidades do Reino Unido – Sheffield Hallam, Brighton, Dundee e Manchester Metropolitan. Venceu o prémio Prince Philip Designers em 2006. Participou em painéis consultivos em diversos concursos internacionais de arquitectura, tendo efectuado comunicações na Bartlett School of Architecture e na Universidade de Yale. O atelier de Heatherwick opera a partir das suas instalações de Kings Cross em Londres. Entre outras distinções o pavilhão do Reino Unido foi distinguido com o prestigiante prémio Lubetkin do Royal Institute of British Architects (RIBA) para o trabalho de arquitectura de maior destaque internacional realizado por um membro do RIBA. A arquitectura da Catedral das sementes procura apresentar-se enquanto manifestação directa dos conteúdos que exibe. As sementes, em suspensão, representam a memória e, ao mesmo tempo, o desejo de uma densa concisão, que se constitui por via de uma desconcertante ideia de vestígio. A vida, como a criatividade, está na origem do gesto extraordinário de Heatherwick. O trabalho de Thomas Heatherwick em Xangai demonstra que a arquitectura deve referir-se a valores cívicos. Ao celebrar a Vida, a Catedral das sementes aspira à gravidade do monumento. E essa é a sua maior conquista. *Arquitecto. Mestre em Cor na Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa

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Obras centenárias do Museu do Prado expostas pela 1ª vez

A importância da História A exposição está organizada em três secções. A primeira, ‘Bibliotheca Artis’ (Biblioteca de Arte), é a mais importante, com grandes obras da literatura europeia sobre arte, começando com os grandes tratados do Renascimento italiano. Em exibição estão as primeiras edições dos textos-chave sobre a pintura por Leon Battista Alberti (1547) e Leonardo da Vinci (1651), bem como o primeiro tratado sistemático sobre as perspectivas de Daniele Barbaro, que é o tema de um retrato de Ticiano vindo directamente do acervo do Museu. A difusão das ideias renascentistas no norte da Europa é melhor representada por escritos teóricos de Dürer, dos quais um exemplo apresentado é a primeira edição em latim do seu tratado Sobre Medida (1532). Também estão incluídos nesta secção uma cópia do texto fundador da história da arte, Vidas Vasari, uma obra que exerceu uma influência notável na Itália e no resto da Europa. A teoria de arte durante a Idade de Ouro espanhola representa um outro ponto importante dentro desta mostra, com cópias de vários textos inovadores na exposição. Entre os tratados do século XXVI por exemplo, é o ‘Comentário de la pintura’ de Felipe de Guevara, redescoberto recentemente entre as explorações da biblioteca Madrazo e exibidos ao público pela primeira vez. O professor de Velázquez, e também sogro, Francisco Pacheco, encontra-se representado por um pequeno troço da primeira edição de sua ‘Arte de la Pintura’ (1649), acompanhado de um folheto extremamente raro (o único exemplo numa biblioteca em espanhol) com anotações manuscritas pelo autor e contendo uma reprodução do auto-retrato de Velázquez . Outros itens presentes também na mostra pela primeira vez, são a cópia do manuscrito do ‘Discursos’ por Jusepe Martínez (ca.1673-1675) e um dos placas de cobre usadas para as ilustrações de Palomino El Museo Pictorico (1715). A segunda secção, ‘Bibliotheca Architecturae’ (Biblioteca de Arquitectura) reúne um grupo seleccionado de tratados de arquitectura. Mais uma vez o tema chave é o Renascimento italiano, com importantes edições de obras de Vitrúvio, Vignola, Serlio

e Palladio. Além de enfatizar a importância e a beleza de alguns destes textos, tal como a edição de Vitrúvio publicada por Cesare Cesariano em 1521 (o mais antigo livro na exposição), esta secção também incide sobre a maneira dos pintores do Renascimento, como El Greco e as suas ilustrações usadas para criar o fundo arquitectónico nas suas próprias composições. Esta secção também inclui livros em francês, alemão e espanhol sobre a arquitectura e conclui com uma área dedicada a uma pequena selecção de livros de sobre as estruturas arquitectónicas elaboradas para celebrações projectadas para as entradas reais, canonizações, funerais, etc, por artistas da estatura de Rubens. A terceira secção, ‘Bibliotheca Imaginis’ (Biblioteca da Imagem) incide sobre o importante papel que desempenhou em ilustrações de livros de arte europeu no início da era moderna. Inclui desenho manuais, que eram um elemento essencial na formação de artistas como eles ofereceram modelos para aprender a desenhar a figura humana passo a passo. Entre eles estão os ‘Princípios’ de García Hidalgo (ca.1700), o mais importante e mais raro dos manuais em espanhol, produzido nos anos finais da Idade de Ouro. Os livros eram de importância fundamental para os como fontes formais e iconográficas para a criação das suas próprias obras, estando na origem de inúmeras pinturas, funcionando também como testemunhas únicas para a sua posterior fortunas críticas. Os mais importantes ciclos de pinturas europeias foram reproduzidas em formato impresso e divulgado através de álbuns sumptuosos, enquanto as primeiras colecções de pinturas (privadas, em primeiro lugar, aristocrático e real e, posteriormente, os públicos) tornouse conhecido em toda a Europa através de livros como o ‘Prodromus’ (1735), um dos volumes de maior importância, que abre com o primeiro grande texto teórico que sistematizou os princípios da pintura renascentista – ‘Pittura Alberti’. A exposição encerra com o nascimento da instituição que marcou a evolução das artes visuais na idade moderna: o Museu.


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ideias l u z de i n ver n o Boi Luxo

Hani Susumu

Furyo Shonen (Bad Boys), 1961

Este é um filme que é apresentado como sendo um documentário em que os acontecimentos e as figuras nele retratados são fictícios. Baseado num livro de ficção, Tobenai Tsubasa, (Asas Que Não Voam) de Aiko Jinushi, utiliza actores não profissionais para contar o quotidiano de pequenos delinquentes, a sua vida num reformatório, pedaços desgarrados do seu passado e um imenso desejo de uma liberdade que eles próprios desconhecem. Asas que não voam. Perdoem-me a insistência. Volto a um filme de Susumu Hani. Hani fez poucos filmes mas estes surpreendem-nos sempre de um modo muito particular, como se cada um deles tivesse uma maneira muito pessoal de nos permitir saborear um choque que é, ao mesmo tempo, suave e quase familiar, mas também semelhante a um pequeno mas profundo corte na pele. Já por várias vezes me referi a filmes como sendo necessários. Os filmes de Susumu Hani são necessários ao nosso entendimento de que o cinema deve ser urgente e que é preciso que o cinema tenha sido assim já nos anos 60 e deste modo continue a ser, porque há uma necessidade vertiginosa de que seja assim para a sanidade das mentes e das gentes de ontem, de hoje e de um futuro que se deseja cheio de brilho. Ter subitamente deixado de fazer filmes de ficção numa altura em que atingira alguma fama (dedicou-se depois de Hatsukoi: jigokuhen, Nanami: Inferno of First Love, o seu filme mais famoso, de 1968, ao documentário e depois mais tarde em exclusividade ao documentário de animais) é prova de que os filmes que fez foram realizados com uma urgência precisa. Eles, os seus filmes, atingemnos, um pouco como acontece com os filmes de Fassbinder, como objectos necessários e metálicos, audazes e descomprometidos. Muito mais íntimos que os filmes daquele os de Hani não deixam de ter o condão de

nos fazer caminhar na sua direcção, de nos fazer sentir uma apaixonada curiosidade e de nos fazer tomar o seu partido. Este é um filme que é apresentado como sendo um documentário em que os acontecimentos e as figuras nele retratados são fictícios. Baseado num livro de ficção, Tobenai Tsubasa, (Asas Que Não Voam) de Aiko Jinushi, utiliza actores não profissionais para contar o quotidiano de pequenos delinquentes, a sua vida num reformatório, pedaços desgarrados do seu passado e um imenso desejo de uma liberdade que eles próprios desconhecem. É um filme sob um tipo de liberdade e a sua momentânea impossibilidade. Centra-se especialmente em Hiroshi Asai, um pequeno delinquente de 18 anos, habitante de Tóquio, mas deixa-se interessar por outros jovens que aquele conhece e com quem se relaciona quando em liberdade e no reformatório para onde é enviado após um patético assalto a uma joalharia. O intérprete principal é um jovem que passara por um percurso idêntico ao percurso da figura que é retratada no filme. É ele que em grande parte dá ao filme a sua beleza brutalista própria, uma beleza com uma origem completamente desintelectualizada. Os outros actores do filme são também delinquentes e marginais, muito mais retratados como vítimas de circunstâncias adversas que como Maus Rapazes, actores momentâneos brutos e belos como o próprio filme.

A surpresa que os filmes de Hani causam é um tipo de surpresa particularmente útil aos dias de hoje sendo este um cinema aparentado a algum do cinema que se faz agora, um cinema em que nos podemos rever hoje, numa altura em que fazer filmes se tornou muito mais acessível tecnicamente. Algum do cinema artesanal contemporâneo, que a tecnologia permite, não difere muito em intenção do que se fez nos anos 60 e 70 porque esta foi uma altura em que se pensava (e se provou) que tudo era possível. Sem pretender valorizar uma época em relação a outra, nem infantilizar o cinema mais antigo ao descobrir-lhe traços que hoje desenhamos ou desejamos é de notar com arrogante aplauso que este autor japonês conseguiu não só realizar estes filmes como conseguiu com que estes conhecessem uma carreira comercial nacional notável além de reconhecimento internacional em festivais - de qualquer modo este sempre mais receptível, liberto da imposição do lucro, ao excesso e à experimentação. O vigor renascentista da nossa época – que é a época do acesso - não deixará de aplaudir a atitude destes realizadores, os quadros que dela resultam e o clima intelectual que permitiu o seu sucesso comercial. Bocados do passado de alguns destes jovens aparecem no filme como que por acidente e é precisamente um carácter acidental que o marca, uma liberdade casual, sem guião, ao sabor do que os seus protagonistas

escolhem contar. Constantemente, ao fundo, vemos o mar e a sua lonjura e a liberdade que os miúdos não têm no reformatório. São vários os momentos de silêncio, como naturezas mortas em movimento, quadros de pequenos movimentos aparentemente desnecessários. Não consigo lembrar outro cinema em que haja uma atenção tão detalhada ao desnecessário, outro cinema que se afaste tanto da obrigação de contar, que se afaste tanto da ditadura da estória e que como ele nos arraste tão inexoravelmente para o seu abandono. Este já é um filme diferente dos filmes sobre jovens rebeldes, os taiyozoku dos anos 50, um género que atingiu o seu momento de maior brilho em Kurutta Kajitsu (Crazed Fruit), de Ko Nakahira, já aqui objecto de admirada apreciação. Outros filmes dos anos 60, realizados por autores que aparecem conotados com a Nova Vaga Japonesa, tratam de estórias com adolescentes e crianças. É fácil de perceber que assim seja. Na suas vidas inocentes imprimem-se de modo mais visível as marcas da pressão social, da injustiça e da intolerância. Estas são aqui mostradas com uma poética displicência, longe dos constrangimentos que a necessidade de julgar ou de denunciar de modo demasiado estridente acarretam. Este é um rio suave, ou de uma turbulência abandonada, um filme que olha para nós de uma maneira que nos faz tentar aproximar-nos dele cautelosa mas decididamente.


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15 É por não recusar nenhuma água que para ele flua que um oceano é tão imenso.

Capítulo 119 Lao Tzu disse: Tal como o céu, os sábios tudo cobrem; tal como a terra, tudo suportam e brilham sobre todas as coisas como o sol e a lua. Trazem harmonia, tal como o yin e yang, e acalentam o desenvolvimento tal como as quatro estações. Todos os seres abraçam sem nunca serem os mesmos. Para eles nada existe de antigo, novo, remoto ou familiar. Assim, para aqueles que conseguem emular a Natureza, o céu não tem só uma única estação, a terra não tem só um único material e os homens não têm apenas uma única tarefa. É por isso que existem muitos tipos de trabalho e muitos tipos de busca. Aqueles que destacam exércitos podem ser descuidados ou ser sérios, podem ser gananciosos

ou ser modestos. Estas são coisas contraditórias e não podem ser unificadas. Os descuidados desejam agitação, os sérios desejam sossego; os gananciosos desejam tomar; os modestos não se interessam por aquilo que lhes não pertence. Assim, é possível enviar os corajosos à batalha, mas é difícil de os manter em posição. É possível fazer com que os sérios fiquem de guarda, mas é difícil fazê-los desprezar o inimigo. Pode-se fazer com que os gananciosos se lancem em ataques e pilhagens, mas é difícil de os fazer dividir os espólios. É possível fazer com que os modestos se mantenham no seu posto, mas é difícil fazer com que pilhem agressivamente. É possível fazer com que homens de confiança mantenham suas promessas, mas é difícil fazer com

que se adaptem à mudança. Estes cinco tipos são empregues pelos sábios, que os usam segundo suas capacidades. O céu e a terra não abarcam apenas um ser, yin e yang não produzem apenas uma espécie. É por não recusar nenhuma água que para ele flua que um oceano é tão imenso; a madeira das montanhas é tão alta porque não recusa o curvo e o retorcido. Os sábios não recusam sequer as palavras daqueles que transportam lenha e, como tal, a sua reputação se alarga. Se ficarmos num canto e negligenciarmos a miríade de aspectos da totalidade, se nos apegarmos a uma coisa desdenhando o resto, a pouco chegaremos e pouca será a profundidade de nossa mestria.

Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

O texto conhecido por Wen Tzu, ou Wen Zi, tem por subtítulo a expressão “A Compreensão dos Mistérios”. Este subtítulo honorífico teve origem na renascença taoista da Dinastia Tang, embora o texto fosse conhecido e estudado desde pelo menos quatro a três séculos antes da era comum. O Wen Tzu terá sido compilado por um discípulo de Lao Tzu, sendo muito do seu conteúdo atribuído ao próprio Lao Tzu. O historiador Su Ma Qian (145-90 a.C.) dá nota destes factos nos seus “Registos do Grande Historiador” compostos durante a predominantemente confucionista Dinastia Han. A obra parece consistir de um destilar do corpus central da sabedoria Taoista constituído pelo Tao Te Qing, pelo Chuang Tzu e pelo Huainan-zi. Para esta versão portuguesa foi utilizada a primeira e, até à data, única tradução inglesa do texto, da autoria do Professor Thomas Cleary, publicada em Taoist Classics, Volume I, Shambala, Boston 2003. Foi ainda utilizada uma versão do texto chinês editada por Shiung Duen Sheng e publicada online em www.gutenberg.org.


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Ideias

16 per s pecti va s Jorge Rodrigues Simão

“Climate changes are expected to impact vegetation as manifested by changes in vegetation extent, migration of species, tree species composition, growth rates, and mortality. The International Panel on Climate Change (IPCC) has included discussions on how forests may be impacted, and how they may be used to mitigate the impacts of changes in climate, to possibly slow the rate of change.”

S

Managing Forest Ecosystems: The Challenge of Climate Change Felipe Bravo, Valerie LeMay, Robert Jandl and Klaus von Gadow

e analisarmos um noticiário típico na rádio ou na televisão, vemos que os temas são tratados em períodos, que são de poucas dezenas de segundos, e apresentados como se fossem totalmente distintos. Cada história é demasiado curta, para que se perceba qual o contexto histórico, em que se insere, ou quais são as suas grandes implicações. Assim, como a fragmentação das nossas vidas, é cada vez maior, também os meios de comunicação fragmentam o mundo que nos rodeia. Confrontamo-nos com outro problema, muito diferente. A grande estratégia de sobrevivência da nossa espécie foi a capacidade de adaptação, que actualmente nos cega e nos impede de ver o que se passa. A maleabilidade da nossa espécie permitiu recorrer ao cérebro, para reconhecer padrões de regularidade, naquilo que nos rodeava e explorar tais padrões, em nosso proveito. Quando adquirimos um certo controlo dos factores, que influenciavam a nossa vida, adaptámo-nos a vários “habitats”, dado que o ser humano é um eterno “vir a ser”, que iam da floresta da Amazónia aos desertos da Austrália, às enormes planícies africanas e à tundra do Árctico. Alguns, conseguiram adaptar-se a Nova Iorque, Londres e São Paulo. Esta transformação cultural e social, foi mais rápida que a alteração genética, registada numa determinada espécie, mas desenrolou-se ao longo de séculos ao até de milénios. Actualmente, a mudança, tornou-se uma componente normal do nosso modo de vida. Presentemente, as alterações tornaramse uma componente normal da nossa forma de vida. Esperamos com ansiedade e saudamos até, quase todas as modificações, e consideramo-las um sinal de progresso. A nossa capacidade de adaptação a mudanças rápidas, fez-nos perder a perspectiva do tempo e da velocidade. Assim, enquanto os povos primitivos de certas regiões do globo, continuam a pensar em estruturas temporais, que abrangem gerações passadas e futuras, as nossas prioridades são muitas vezes impelidas por modelos anuais de automóveis, ou pela moda no domínio do vestuário, por dividendos pagos periodicamente, ou pelo próximo depósito do salário. Por outras palavras, esquecemo-nos depressa das coisas, e não temos referências, com as quais possamos comparar o presente.

Desflorestacão e ambiente Uma das lições mais importantes que os povos primitivos nos ensinaram, foi a ouvir os membros mais velhos. As pessoas mais idosas dos países desenvolvidos, dizem que a vida se alterou nos últimos 70 anos, a ponto de ficar irreconhecível. A maior parte, são desprezados pelos governos, quando deviam ser os mais acarinhados, porque são o único registo vivo das enormes mudanças que ocorreram no espaço de uma vida humana. Ao projectar no futuro as alterações vividas, é evidente que os nossos filhos, vivem actualmente num mundo radicalmente diminuído, e que o planeta não pode manter este ritmo de mudança, durante mais um século. No passado, dizia-se, que existiam muitos mais recursos naturais no local, de onde os presentes tinham vindo. No presente não existe abundância. Em todo o planeta, a selva está a desaparecer e, com ela, cerca de cinquenta mil espécies por ano. No passado, outros encolheriam os ombros e diriam que era o preço do progresso. Mas, não é progresso esgotar o que deve ser a herança dos nossos filhos, e de todas as gerações futuras. Os maiores obstáculos que enfrentamos, para nos convencermos da gravidade da crise ecológica que vivemos, são os filtros físicos, através dos quais captamos a realidade. Esses filtros, considerados de verdades sagradas, são noções que se encontram tão profundamente enraizadas, que são dadas por certas e nunca questionadas, apesar de serem muitas vezes, as causas dos problemas por resolver. Consideramos que os seres humanos são superiores a outras formas de vida e, como a nossa inteligência nos permite compreender e controlar o que nos rodeia, estamos fora do mundo natural. Cerca de 91 por cento de americanos e 80 por cento de europeus, vivem nas cidades e em aglomerados urbanos. Vivemos num ambiente criado pelo homem, que dá a ilusão de que podemos gerir o que nos envolve. Além disso, a própria noção de estado selvagem, ou as nossas raízes biológicas tornaram-se depreciativas. Os silvicultores falam das antigas florestas,

chamando-as de “florestas selvagens”, e referem-se às plantações de árvores que as substituem como “florestas normais”. As “florestas normais”, são a opção mais competitiva, na luta contra as alterações climáticas, como afirmou o diretor-geral-adjunto do Departamento Florestal da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (em inglês, FAO), durante o XXIII Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (em inglês, IUFRO), cujo tema foi “Florestas para o Futuro: a manutenção da sociedade e do meio ambiente.”, realizada, entre 23 e 28 de Agosto, em Seul. Acrescentou, que o adequado uso dos recursos florestais, pode recuperar os níveis de dióxido de carbono (CO2), da era pré-industrial, em cem anos. Outros intervenientes defenderam, que redução do desflorestamento, exige uma concentração sistémica e apresentaram evidências científicas, que constatam o binómio “florestas normais” e saúde, tais como, dois ou três dias na natureza, aumentam os níveis de serotonina, um neurotransmissor, que reduz a depressão, distúrbios digestivos e a agressividade. Mais de 2750 participantes, de 92 países, estiveram no evento. Durante seis dias, realizaram-se cerca de 180 reuniões, em que foram apresentados, cerca de dois mil trabalhos de investigação, em domínios como as alterações climáticas, biodiversidade, uso sustentável das “florestais normais”, comunidade e culturas, ou florestas, saúde e segurança ambiental. O tema mais importante, que arrasta as ditas “florestas normais” ao palco do teatro mundial, é o papel que desempenham, face às alterações climáticas globais, dado serem um grande depósito de CO2, e o desflorestamento e a degradação serem responsáveis, actualmente, por 20 por cento das emissões mundiais. Esta taxa é maior, que a de todo o sector mundial do transporte. O reconhecimento desta situação foi a única vitória ambiental palpável, surgida da Cimeira

de Copenhaga sobre a Alteração Climática (COP 15), realizada, em Dezembro de 2009, com a criação de incentivos à conservação das “florestas normais”, através do mecanismo REDD+ (Redução de Emissões provenientes de Desmatamento e Degradação). O Fundo Monetário Internacional (FMI), um mês após a realização da Cimeira de Copenhaga, criou um fundo de investimento, superior a 100 mil milhões de dólares, destinados a estes projectos. As “florestas normais” podem ajudar na luta contra as alterações climáticas, não só, mediante a conservação das áreas florestais existentes, mas também devido ao uso sustentável de produtos das florestas, para a construção ou produção de energia, contribuindo para reduzir as emissões, ao substituir outras fontes de maiores taxas de emissão, como o aço, concreto (mistura de cimento, água, pedra e areia) e plásticos. O uso adequado dos recursos florestais, poderia fazer recuperar os níveis de CO2 atmosféricos da era pré-industrial, em apenas 100 ou 150 anos. Uma grande oportunidade, para uma solução complexa. Os investimentos em REDD+, supõem uma grande possibilidade para a melhoria das florestas selvagens e normais do mundo, mas não será uma solução simples. Sem dúvida, que se abre a porta a um grande número de sinergias. Conservar as florestas e evitar a sua degradação, é algo de muito positivo para a biodiversidade. As florestas, independentes do tipo e designação, são um dos lugares, onde as mais variedades espécies habitam. Estes investimentos representam, uma oportunidade, para a melhoria das condições de vida dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. É onde se concentram as maiores taxas de desflorestamento e degradação. Será um amplo criador de emprego em países, com Portugal e Espanha, que vêm os seus recursos florestais, todos os anos, delapidados por falta de limpeza, e que mãos assassinas e a negligência dos governos autárquicos e populações consentem, muitas das vezes por falta de recursos, ou mero comodismo. Portugal e Espanha e outros países em idênticas circunstâncias, podem reduzir em mais de 5 por cento as actuais taxas de desemprego, criando empregos neste sector produtivo e ambiental. O lucro será inestimável, dado proteger recursos naturais; criar melhoria da qualidade de vida; diminuir consideravelmente as emissões de gases causadores de efeito de estufa, produzidos por devastadores incêndios; diminuição da criminalidade, marginalidade e exclusão social, acrescido da transformação com aplicação de tecnologias ambientais de resíduos florestais e outros, em produtos verdes. O social e ambiental deve proceder o político e a economia de consumo. Os países estão a agravar as suas crises, porque os governantes não querem admitir uma “terza via”, que não é incompatível, com as outras duas tradicionais, mas que a complementam.


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Vong Iu Tong | COZINHEIRO ARTISTA

“ O sole” de Coloane Paulo Reis

hojemacau@yahoo.com

E que tal umas amêijoas à chinesa, numa esplanada coberta, ao som de uma voz de tenor, que canta “O sole mio” com a letra em mandarim? Se isto não for suficiente para agradar ao mais exigente dos clientes, ainda se pode acrescentar outro intérprete que oferece um repertório mais variado, com acompanhamento à viola, percorrendo os clássicos do rock’ roll e passando por “I only have my name”, a mais conhecida e trauteada canção do “pai rock chinês”, Cui Jian. Quanto ao manducar, há condutos mais que suficientes, depois de aberto o apetite com as já mencionadas – e dignas dos maiores elogios – amêijoas. A cozinha resulta de uma fusão interessante entre pratos portugueses, receitas chinesas e macaenses, temperados com um toque individual e personalizado de um autodidacta, o sr. Vong Iu Tong, que há 38 anos abriu o restaurante Nga Tim Café, em Coloane. Além disso, também se pode saborear um leitão à Bairrada, umas espetadas à portuguesa, caril de caranguejo e o prato que tem

mais saída, as amêijoas na caçarola com vinho branco. Este último petisco é uma prova da capacidade de inovar, adaptar e combinar sabores diferentes do sr. Vong. As ditas amêijoas (que aliás, são sempre de bom porte e dimensão, frescas e seguras de ingerir) são refogadas com umas finas fatias de cebola, vinho branco português e salsa, em lugar dos tradicionais coentros que se usam em Portugal. A troca compensa, porque o sabor é mais suave do que o habitual tempero com coentros. Na altura em que o sr. Vong abriu o restaurante, não havia sequer a ponte Nobre de Carvalho e a ilha mais remota de Macau era habitada apenas por pescadores e camponeses. Ir até lá requeria planeamento antecipado, marcação de barco, farnel e chapéu. Aliás, em vários sites sobre o território há descrições e fotos de grupos e famílias macaense, em excursões a Coloane. O proprietário, “chef” e animador cultural de serviço todas as noites, sem falta, arrancou para aquela aventura quase apenas

com o apoio da mulher. A ideia de abrir um restaurante surgiu depois de anos de intensa labuta, primeiro como ajudante de barbeiro do próprio pai, um imigrante vindo da China, depois taxista, empregado de mesa em “part-time”, distribuidor de garrafas de gás e até funcionário das Obras Públicas. “A vida na Administração Pública era mais fácil”, recorda o sr. Vong. Mesmo assim, abandonou esse trabalho mais seguro e tranquilo, para se lançar na aventura de abrir o restaurante Nga Tim. A aposta funcionou e pelo restaurante do sr. Vong já passaram muitas centenas de milhar de pessoas, desde turistas dos quatro recantos do mundo, passando por vários governadores portugueses e membros do Executivo, políticos de Hong Kong, incluindo Donald Tsang, gente famosa como Andy Lau, e até o então ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Jaime Gama – um autêntico “aficcionado” do Nga Tim Café que, sempre que se deslocava ao território, fazia questão matar saudades daquela boa mesa.

E é com orgulho que o sr. Vong explica a sua filosofia de serviço, em duas frases: “Se eu enganar os clientes, estou a enganar-me a mim próprio” e “ quem corre por gosto, não se cansa”. Por isso, a comida, ali, quando sobra, nunca é guardada para o dia seguinte: “Vai tudo para o lixo”, assegura o artista-cozinheiro. Este Bulhão Pato de Macau aprendeu a cozinhar com amigos, em patuscadas bem regadas e, a partir daí foi ganhando o gosto pelo tacho, até se impor como uma espécie de Escoffier local. E quanto ao futuro, estejam os amantes das comezainas tranquilo, porque o sr. Vong já tem, no filho mais novo, sucessor e herdeiro garantido. PS – Quase todos os pratos acima mencionados foram provados e aprovados pelo autor, acompanhado pela respectiva consorte e filho, satisfazendo totalmente os seus diferentes gostos (português e ocidental, chinesa e o rebento). A conta foi devidamente paga (à excepção de um digestivo oferecido pela casa). Esta crónica é apenas um publicitação da boa mesa e não uma publicidade ao estabelecimento.

paulo reis

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entrevista

ANTÓNIO MOTA, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE AMIZADE MACAU-TIMOR LOROSAE

É antiga e relevante a ligação de Timor-Leste a Macau. Este território continua sendo porto de abrigo de timorenses. Por outro lado, são conhecidas antigas e novas polémicas entre a comunidade timorense no seu país e em Macau. Concepções ou interesses diferentes é o que leitor vai julgar da leitura desta entrevista ao presidente da Associação de Amizade Macau-Timor-Leste (ou Timor Lorosae). António Mota rsponsabiliza elementos da igreja católica em Dili, incluindo o padre Domingos Soares, então porta-voz do Episcopado de Dili e actualmente a residir em Macau, por actos de tortura praticados em 2005 na residência do Bispo de Dili, inclusivamente sobre cidadãos portugueses. A AAMTL, reconhecida oficialmente pelo Forum Macau e pela embaixada timorense em Pequim, promete bater-se sempre pela paz em Timor Leste e pelos interesses dos timorenses residentes na RAEM. Que razões encontraram os fundadores da AAMTL para se organizarem e criarem esta associação? Os laços históricos entre Macau e Timor e a convivência com famílias Macaenses radicadas no então Timor Português e alí deixaram gerações que ajudaram a enriquecer aquele primor que enaltece Timor-Leste – a miscegenação - foram os factores primordias que inspiraram um grupo de timorenses radicados em Macau a organizarem-se para criar esta AAMTL. É de realçar que, no passado, foram famílias macaense que deram guarida aos estudantes timorenses e portugueses que vieram de Timor para prosseguir os seus estudos no Liceu de Macau. Estamos a falar de meados/ finais dos anos 50s e princípos dos anos 60´ do século passado. O Forum Macau reconhece a AAMTL como única representante da comunidade timorense aqui residente, apesar da existência da “Rai Timor”. Que comentário pode fazer? A decisão do Forum de Macau é um reflexo da prevalência do bom senso diplomático e do respeito pela decisão do representante de um Estado Soberano na República Popular da China. A Embaixada de Timor-Leste em Pequim

António Falcão | bloomland.cn

“Reforçar a característica ímpar

A curto e médio prazos, a AAMTL gostaria de transmitir à nova geração, nascida fora do país, os valores e a cultura timorenses para garantir a continuidade da sua existência em Macau. A nossa Associação também gostaria de participar nas futuras sondagens de opinião pública que sejam iniciativas do governo da RAEM, como forma de contribuir para o desenvolvimento sustentável desta região e para a manutenção das características muito singulares desta parcela do Globo. notificou, por escrito, o Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Forum, que a AAMTL seria a Associação da comunidade timorense sedeada na RAEM a “intervir como interlocutora para o Festival da Lusofonia e Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa”. O Forum terá tomado conhecimento dessa decisão da Embaixada em 8 de Setembro e agiu em conformidade com a mesma. Também a Embaixada de TimorLeste em Pequim vos confere o “direito exclusivo” de representar a comunidade timorense na RAEM. Não há risco de uma associação cívica ficar demasiado politizada?

A nossa Associação prima-se pelo apartidarismo político. Isto significa que os seus associados apoiarão incondicionalmente todas as iniciativas úteis e proveitosas, quer da parte do governo, quer do lado oposto da bancada parlamentar, e serão contundentes nas críticas que vierem a tecer contra políticas que eventualmente conduzam Timor-Leste e o seu povo para o abismo. Isso significa que estão reunidas todas as condições para a Associação poder intervir como mediadora, se para tal for chamada, em situações de crise política entre o partido no poder e a oposição, como já aconteceu. Correu mundo, obviamente incluindo Macau, que durante a gra-

ve crise timorense em 2005 houve prática de actos digamos que terroristas praticados ou fomentados alegadamente por elementos ligados à igreja católica em Dili. Inclusivamente há testemunhos tornados públicos. Tem algum dado ou comentário a acrescentar? Já que me faz essa pergunta, gostaria de acrescentar em relação à resposta anterior, que o dr. Olímpio Branco, enquanto embaixador, demonstrou idoneidade e sentido de estado. Mas respondendo directamente à questão que me colocou. Acontece que o nome do porta-voz do Episcopado de Dili que saiu em defesa dos actos de terrorismo fundamentalista religioso fomentados pela igreja católica de Timor-Leste

durante a crise de 2005, coincide com o do actual presidente da direcção da “Rai Timor”. O artigo intitulado “Dois Portugueses Maltratados em Dili”, publicado no Diário de Noticias, edição de 1 de Maio de 2005 e assinado pelo jornalista João Pedro Fonseca, refere a dado passo: sic “O porta-voz do Episcopado, o padre Domingos Soares, que, segundo testemunhas contactadas pelo DN, acompanhou todo este incidente, acabaria por reconhecer tudo isto numas declarações impressionantes ao jornalista da RTP/Antena 1 em Díli ‘Todas as pessoas de quem desconfiamos, e cuja atitude é diferente, são levadas para o centro de investigação para esclarecer as


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com Helder Fernando

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de Macau dada pela lusofonia” suas atitudes, para que não possa acontecer o mesmo outra vez.’”. O mesmo artigo refere que os dois portugueses “foram sujeitos a um “tribunal popular na casa do bispo de Díli e maltratados durante quatro horas”. Sendo assim, a decisão do sr. embaixador não poderia ser outra, tanto mais que a Embaixada da República Popular da China em Dili já se encontava em pleno funcionamento quando tudo isso aconteceu e estou convencido que o governo central chinês conhece os pormenores desses crimes e a identidade dos seus autores. A AAMTL, a que o António Mota preside, nomeou como porta voz ou uma coisa semelhante, um cidadão, não sei se timorense, agora residente em Macau,que alegadamente foi vítima de tortura na residência do Bispo de Dili. Isto é verdade? A pessoa em causa realçmente não é timorense, mas sim um dos dois portugueses maltratados em Dili. Ele já teve a oportunidade de relatar os maus tratos de que foi vítima na residência do Bispo de Díli numa entrevista que dada à jornalista Sónia Nunes precisamente neste jornal, no HojeMacau, em 2009, e relatou, se me permite recordar, precisamente o seguinte: “...Estávamos nós a levar porrada quando chega um carro preto. Saem dois ‘gorilas’ e, em fracções de segundo, meteram-nos lá dentro. Levaram-nos para a residência do bispo de Díli – ele não estava lá; não sei se tinha conhecimento.”, e ... “Imagine-se um julgamento popular. Nós estávamos de um lado da mesa; do outro, estavam três juízes; dos lados, timorenses que nos chamavam ‘comunistas’. Terror psicológico ao máximo.” sic. Decidi, pois, convidá-lo para desempenhar o referido cargo (que ainda carece do aval da direcção) por que ele referiu na entrevista que gostou imenso de estar em Timor-Leste e sentiria prazer em regressar. Sendo assim, achei que ele deveria juntar-se à nossa associação e sentir o conforto do calor humano dos timorenses honestos, civilizados e pacíficos, radicados em Macau. Acha que esse caso de tortura, e eventualmente outros, ficarão impunes?

Acho que sim. Já lá vão cinco anos e, tanto quanto se sabe, ainda não foram iniciados inquéritos para apurar responsabilidades e processar criminalmente os infractores, incluindo o então portavoz do Espiscopado de Dili, cuja autorização de permanência em Macau deveria, no meu entender, ser revista por quem de direito! Vamos aos principais objectivos da Associação e o essencial da vossa agenda de trabalhos a curto e médio prazo. A AAMTL só foi reactivada em 22 de Junho deste ano. Como deve calcular, as nossas atenções estão, neste momento, concentradas no 13° Festival da Lusofonia e na 2ª Semana Cultural da China e dos Países da Língua Portuguesa, bem como na 3ª Conferência Ministerial do Fórum de Macau. Quanto ao futuro, os projectos serão alinhavados após a realização das efemérides que acabei de citar. Todavia, posso-lhe adiantar que a curto e médio prazos, a AAMTL gostaria de transmitir à nova geração, nascida fora do país, os valores e a cultura timorenses para garantir a continuidade da sua existência em Macau. A nossa Associação também gostaria de participar nas futuras sondagens de opinião pública que sejam iniciativas do governo da RAEM, como forma de contribuir para o desenvolvimento sustentável desta região e para a manutenção das características muito singulares desta parcela do Globo. Isso implica, necessariamente, que a Associação admita profissionais como sócios e crie um painel de especialistas para poder garantir substância aos pareceres que eventualmente submeterá ao governo. O que é necessário para ser associado? A AAMTL acolhe todos aqueles que manifestem interesse por Macau e por Timor, independentemente de nacionalidades, raças e crenças religiosas, desde que não sejam xenófobos ou racistas. Os interessados terão que preencher um formulário para admissão como sócio e, uma vez admitidos, ficam sujeitos ao pagamento de uma jóia de 200 patacas e uma quota mensal de 20. No próximo Festival da Lusofo-

nia o vosso espaço-pavilhão vai destacar alguma área da realidade timorense em particular? A fachada do pavilhão será uma réplica da casa típica da zona de Lospalos onde serão expostas peças de artesenato Timorense. Haverá projecção de vídeos sobre paisagens, usos e costumes de Timor-Leste e temas de interesse turístico. Pelo menos nos últimos dois ou três anos tem sido comentado que devido ao sucesso desta iniciativa lusófona, a enorme afluência de pessoas, a zona do

Carmo já não oferece condições para as associações desenvolverem ali a sua actividade nem conforto e perfeita segurança ao público. Há mesmo quem tenha sugerido a Doca dos Pescadores. O que tem a dizer? Estou plenamente de acordo com a Doca dos Pescadores e com os motivos que invocou para justificar a mudança de local. Para que isso aconteça, sou da opinião que se deveria submeter ao IACM e ao Forum uma proposta conjunta de todas as associações intervenientes na Festa da Lusofonia no

Em termos políticos, estou convencido que as relações entre a China e Timor-Leste são boas neste momento e penso que serão preservadas. A China foi um dos países que esteve do lado dos timorenses desde a primeira hora da luta pela libertação do país, pelo que acharia bem que houvesse um reforço nas relações bilaterais com essa potência regional e a segunda maior economia do mundo e tentar atrair investimentos chineses em Timor-Leste.

sentido de promover e defender essa ideia. Que perspectiva tem das relações entre a China e Timor-Leste? Em termos políticos, estou convencido que as relações entre a China e Timor-Leste são boas neste momento e penso que serão preservadas. A China foi um dos países que esteve do lado dos timorenses desde a primeira hora da luta pela libertação do país, pelo que acharia bem que houvesse um reforço nas relações bilaterais com essa potência regional e a segunda maior economia do mundo e tentar atrair investimentos chineses em Timor-Leste. Recentemente, alguns elementos de relevo no aparelho governamental de Timor-Leste foram acusados de corrupção; o viceprimeiro-ministro Mário Carrascalão, encarregado de combater a corrupção, em choque com Xanana Gusmão, apresentou a demissão. Como observa o actual momento político de Timor-Leste? Observo com procupação. Não haverá dissolução do parlamento e convocação de eleições antecipadas. Isso provavelmente aconteceria se o Partido Social Democrata abandonasse a coligação, com consequências adversas para a bancada parlamentar do governo, por que perderia três elementos, retirando-lhe, assim, o benefício de ser maioritária. Se isso acontecesse, o primeiro-ministro teria que decidir - governar, ou não, até o final do seu mandato. Como vê as possibilidades da lusofonia continuar a ter importância real e consequente na RAEM? A lusofonia é um garante para a prevalência da identidade da RAEM que é singular em relação ao resto da China. Sendo assim, acredito que seja do interesse dos governos central e local reforçar essa característica ímpar de Macau, dando-lhe mais importância real e consequente. E quanto ao relacionamento da AAMTL com outras associações lusófonas em Macau? A AAMTL deseja manter relações amistosas com outras associações lusófonas e já enviou ofícios a todas elas a manifestar-lhes essa justa aspiração.


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o Hoje [r]ecomenda

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[f]utilidades Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1 – Toda a superfície sobre a qual assenta um corpo; que me pertence; tumor a que também se dá o nome de arrieira. 2 – Vertebrado ovíparo, de sangue quente, respiração pulmonar, com o corpo coberto de penas, bico córneo, desdentado, e com os membros anteriores transformados em asas; pequena bigorna de aço, sem hastes; pref. de origem latina, que exprime a ideia de aquém de, do lado de cá de, deste lado de. 3 – Porção de tenuíssimas partículas que andam suspensas no ar e que se depositam sobre o corpo; uma centena; prep. designativa da relação de meio, qualidade, modo, lugar, causa, duração de tempo, continuação, substituição, etc. 4 – Tornar pouco denso; órgão excretor que tem a seu cargo a função da formação da urina. 5 – Erguer; curso de água natural; pedra circular e rotativa de moinho ou lagar. 6 – Emissão de voz; bebida alcoólica, proveniente da destilação do melaço. 7 – Planta liliácea da China; que tem saúde; penteado em que se prende parte do cabelo. 8 – Altar cristão; que não é a mesma. 9 – Um milhar; impulso rápido (fig.); a minha pessoa. 10 – Cedem gratuitamente; vaso de pedra para líquidos; sinal gráfico que serve para nasalar a vogal a que se sobrepõe. 11 – Contr. da prep. a com o art. def. o; caminhar ou dirigir-se para o lugar onde estamos; a tudo o que faz pressão. VERTICAIS:Aquele que baptiza; contr. da prep. de com o art. def. a. 2 – A mãe do pai ou da mãe; frade que não exerce cargos superiores. 3 – A si mesmo; chefe etópe; antigo preceptor de príncipes. 4 – Dispendiosos. 5 – Possuir; parte terminal dos membros superiores do homem; nome da letra grega que corresponde ao P latino. 6 – Sugar (o leite) da mãe ou da ama; escutar. 7 – Existes; gracejar; corda de reboque. 8 – Diferente. 9 – Coloração da face; reduza a pó; a ti. 10 – Pequeno (bras.); aqui está. 11 – Arsénio (s.q.); luneta de uma só lente.

Soluções do problema HORIZONTAIS: 1-BASE. MEU. MA. 2-AVE. TAS. CIS. 3-PO. CEM. POR. 4-RARAR. RIM. 5-IÇAR. RIO. MO. 6-SOM. RUM. 7-TI. SÃO. TOTO. 8-ARA. OUTRA. 9-MIL. VOO. EU. 10-DÃO. PIA. TIL. 11-AO. VIR. PESO. VERTICAIS: 1-BAPTISTA. DA. 2-AVO. IRMÃO.3-SE. RAS. AIO. 4-CAROS. 5-TER. MÃO. PI. 6-MAMAR. OUVIR. 7-ES. RIR. TOA. 8-OUTRO. 9-COR. MOA. TE. 10-MIRIM. EIS. 11-AS. MONOCULOS.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

«Telephantasm», Soundgarden

Os Soundgarden são uma das bandas associadas regularmente aos anos 90, apesar de se terem destacado na cena de Seattle ainda na década anterior. O regresso mais que esperado é assinalado da mesma forma que se despediram. «Telephantasm» é o resumo de carreira típico de quem quer reavivar a memória dos fãs, mostrar aos outros porque razão faz sentido voltar e ainda dar a conhecer aos mais novos o que ficou para trás.

[ Te l e ] v i s ã o TDM 13:00 13:30 14:30 19:00 19:30 20:28 20:35 21:00 22:00 22:58 23:00 23:30 01:10 01:40

DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters - Bullet Proof Water 14:00 World War II In Colour - Lightning War 15:00 Build It Bigger - Singapore Skypark 16:00 The Colony - A Test Of Faith 17:00 Dirty Jobs - Wind Farm Technician 18:00 How It’s Made 19:00 World War II In Colour - Lightning War 20:00 Mythbusters Shark Week Special 22:00 Sharkbite Summer 23:00 Crimes That Shook The World 00:00 One Way Out - Bee Stung Brit

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Ásia Global (Repetição) Olhos de Água Acontecimentos Históricos Telejornal Jornal da Tarde da RTPi Novela: O Clone Acontecimentos Históricos TDM News Coyote Ugly (Coyote Bar) Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 13:00 Supercar 14:00 Kidnapped In Iraq 15:00 Monster Fish - Alligator Gar 16:00 Strom Worlds - Alien Wind 17:00 Photography Month - War Zone 18:00 Super Factories - UPS 19:00 Death In The Jungle 20:00 Supercar 21:00 Photography Month 22:00 Taboo - Fat 23:00 Taboo - Body Modification 00:00 Death In The Jungle

INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 14:00 14:30 15:00 15:30 16:00 17:00 17:45 18:45 20:00 21:15 21:45 22:15

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ANIMAL PLANET 52 13:00 Australia’s Lost Eden 14:00 Super Mole 15:00 Dogs Who Teach Bears 16:00 Equator - Challenge Of Change 17:00 Caught In The Moment - British Columbia 18:00 Orangutan Island 19:00 Groomer Has It - The Fashion Show 20:00 In The Shadow Of Armoured Giants 21:00 Romeo & Juliet: A Monkey’s Tale 22:00 Wild Indonesia - Island Castaways 23:00 Caught In The Moment - Costa Rica 00:00 In The Shadow Of Armoured Giants

(MCTV 41) HBO 21:00 the curious case of benjamin button

20:00 20:30 21:00 21:30 22:00

Game Ace 2010 Football Asia (LIVE) Score Tonight MotoGP World Championship 2010 - Highlights Grand Prix of Japan 23:00 (Delay) Kolon Korea Open Day 2 H/ls 02:25 (LIVE) 2011 UEFA European U21 C’ship Qualifier England vs. Romania STAR MOVIES 40 12:25 Eve Of Destruction 14:05 Killshot 15:50 Janky Promoters 17:30 Passengers 19:10 Transporter 3 21:00 The League Of Extraordinary Gentlemen 23:00 Pulse 2 00:35 The Day The Earth Stood Still HBO 41 13:00 14:40 16:30 17:50 19:05 21:00 23:40

Moonstruck Introducing Dorothy Dandridge Curious George 2: Follow That Monkey Scooby- Doo And The Samurai Sword Appaloosa The Curious Case Of Benjamin Button Dead Man Walking

HISTORY CHANNEL 54 13:00 Gods Of War 14:00 Enter & Exit 15:00 Monster Close Encounters 16:00 Hitler’s Escape 17:00 Pawn Stars 18:00 Ice Age Monsters 19:00 The Empire Of Reason 20:00 Cursed Treasure 21:00 Underwater Universe 23:00 The Invasion Of Britain 00:00 WWII Lost Films STAR WORLD 63 12:50 Ugly Betty 13:35 The King Of Queens 14:00 How I Met Your Mother 14:25 Britain’s Next Top Model 15:15 90210 16:05 Ugly Betty 16:55 Britain’s Next Top Model 17:45 Rules Of Engagement 18:10 How I Met Your Mother 18:35 Idol Chat 19:30 Rules Of Engagement 20:00 Cougar Town 20:25 Accidentally On Purpose 20:50 Magic With David Foster 21:15 David Foster With Friends 21:40 Rules Of Engagement 22:00 How I Met Your Mother 22:25 America’s Next Top Model 23:20 Cougar Town 23:45 America’s Next Top Model 00:35 Idol Chat

CINEMAX 42 12:00 Fx: Murder By Illusion 13:45 The People Under The Stairs 15:30 Eyewitness To Murder 17:00 Fire From Below 18:30 House Of Wax 20:15 The Strangers 21:45 Epad On Max 80 22:00 April Fool’S Day 23:30 Tmz 339 00:00 Spartacus: Blood And Sand MGM CHANNEL 43 11:45 The Perez Family 13:30 In the Heat of the Night 15:00 UHF 16:45 A Fistful of Dynamite 19:15 North of Chiang Mai 21:00 The Return of a Man Called Horse 23:00 Mayrig

Informação Macau Cable TV


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[O]bjectiva Gonçalo Lobo Pinheiro

21 Raio [X]

O que é a vontade? Ju Lee

Vontade, essa obsessão pelo futuro que para

tai o

trás deixa o presente e elimina o passad. A tal,

Para[ ]comer • Pérola 3/F, Sands, Largo de Monte Carlo, no.203 8983 82222888 3352 http://www.sands.com.mo • VINHA Alm Dr. Carlos d' Assumpção 393 r/c AC 2875 2599vinha@macau.ctm.net http://www.vinha.com.mo • FAT SIU LAU (SINCE 1903) Av.Dr.Sun Yat-Sen,Edf.Vista Magnifica Court Rua de Felicidade No.64, R/C Macau 2857 3585fsl1903@macau.ctm.net http://www.fatsiulau.com.mo

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que nos trouxe pequenas pedras que agora constroem a nossa própria prisão. • Galo (Tp) Clérigos 45 2882 7318 http://www.yp.com.mo/domgalo • Riquexó Av Sid Pais 69 2856 5655

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Tacos – Cozinha internacional & Café Bar (Macau) – Rua Cidade de Braga 51 A r/c. Tel.28750151

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Agora olho para o futuro, no qual sempre quis acreditar, sem força, sem saúde. Estas pesadas sentenças, são pragas que me atingem. Sinto-me um navegador à terceira tentativa, falhada na procura de um novo mundo novo,

• Restaurante Thai Abreu Nunes 27E 2855 2255

descobrir que são meras sombras daquilo que

• LA COMEDIE CHEZ VOUS Ed Zhu Kuan S/N G (Oppsite Cultural Centre) 2875 2021

• Bar Oporto Tv Praia 17 2859 4643 • Maria’s Comida Portuguesa Patane 8A 2823 3221

• LE BISTROT (Tp) Nova Taipa Garden Block 27, G/F 2884 37392884 3994

• Restaurante Pinocchio (Tp) Regedor 181-185 2882 7128 • Canal dos Patos Parque Municipal Sun Yat Seng 2822 8166

• CHURRASCÃO Nova Taipa Garden, Block 27 G/F, Taipa 2884 37392884 3994 • Yin Alª Dr Carlos d’Assumpção 33 2872 2735

Cineteatro | PUB

pelo destino, caminhos segui, deixei-me levar.

• Bangkok Pochana Ferrª Amaral 31 2856 1419 • Kruatheque Henrique Macedo 11-13 2835 3555

• Afonso III Central 11A 2858 6272

brooklyn’s finest

Muitas vontades matei, muitas vezes traçadas

• Fogo Samba VENETIAN-Grand Canal Shoppes Apt 2412 2882 8499

[ ] Cinema

Sala 1 Resident evil afterlife [C] Um filme de: Paul W. S. Anderson Com: Milla Jovovich, Ali Larter, Wentworth Miller 14.30, 16.15, 19.30, 21.30

SALA 2 detective dee [C] (Japonês com legendas em inglês) Um filme de: Hark Tsui Com: Andy Lau, Carina Lau 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

SALA1 devil [C] Um filme de: John Erick Dowdle Com: Chris Mesina, Geoffrey Arend 18.00

Sala 3 Brooklyn’s finest [C] Um filme de: Antoine Fuqua Com: Richard Gere, Don Cheadle, Ethan Hawke 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

aquele com que todos sonhamos, apenas para nos mata a sede e a fome. O meu amor pela utopia leva-me a pensar assim, a ser fatalista ao mesmo tempo que me lança na eterna procura da felicidade. A vontade, essa matou-me...

[Ju tem uns anos aqui, uns anos ali]

Anúncio: Tem algum Raio X para mostrar ao mundo? O Hoje Macau recicla as suas radiografias, sem custos, sem uso de maquinaria moderna, sem corpo médico. Basta que as envie ao nosso cuidado para raiox@hojemacau.com.mo e nós tratamos das suas maleitas. Mostre-nos o que os outros não vêem. Sem medo. Ficamos à sua espera. Obrigado.


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opinião u m gr i to n o des er to Paul Chan Wai Chi*

Quando o mercado imobiliário irá arrefecer

S

eis meses se passaram desde que o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Si Io, anunciou que seriam tomadas duas medidas para suprimir a escalada dos preços no mercado imobiliário, em Abril de 2010. Por fim, o Governo acabou por anunciar outras 10 medidas destinadas a arrefecer o mercado de imóveis. Ainda assim, o principal objectivo dessas 10 medidas é facilitar o desenvolvimento sustentável do negócio imobiliário, em vez de fazer baixar o preço das casas. Serão essas medidas efectivas no arrefecimento dos elevados preços das propriedades? Aqui há uns dias, um homem abordoume a perdir que o aconselhasse sobre se seria este o momento certo para adquirir uma propriedade, enquanto eu estava a distribuir publicações editadas pela Associação de Novo Macau. O sujeito explicou-me que os seus filhos estavam a crescer e que, por isso, o seu actual apartamento estava a tornar-se pequeno para toda a família poder viver junta. Algum tempo atrás, o homem chegou a considerar comprar um apartamento localizado no distrito Norte de Macau, que lhe custaria 1,4 milhões de patacas, para melhorar as condições de vida da família. Na altura, teve de ir a uma consulta médica na China Continental e, quando regressou a Macau na semana seguinte, o preço do

ca r t o o n por Steff

apartamento que queria comprar já tinha subido para 1,5 milhões de patacas. Visto que o preço tinha aumentado 100 mil patacas em apenas sete dias, desistiu então da ideia de adquirir o apartamento. Hoje em dia, diz o homem, o mesmo apartamento está a custar 1,8 milhões de patacas. Esse homem tem de gastar todas as suas poupanças se quiser comprar esse apartamento. É inaceitável e incomportável para ele pagar mais 100 mil patacas em apenas uma semana de intervalo. Pagar mais 400 mil patacas é algo totalmente fora de questão. Para um cidadão normal, 400 mil patacas são um montante significativo de dinheiro, mesmo que não o sejam nada aos olhos dos especuladores. Foi por isso que ele me perguntou quando seria a altura ideal para comprar uma propriedade. Sendo tão responsável quanto possível, tenho de facto de responder à questão desse homem. Apenas posso dizer-lhe que o actual mercado imobiliário de Macau continua a ser uma bolha. Uma vez terminado o ciclo de baixas taxas, com condições de crédito mais apertadas e o mercado a atinjir o seu ponto de saturação, podia ser que os exorbitantes preços das casas baixassem. Mas com o excessivo fluxo de dinheiro no mercado hoje em dia e com o Governo a ser incapaz de fornecer fracções autónomas destinadas à habitação pública, parece impossível que os actuais

O Governo carece de determinação em esfriar o sobreaquecido mercado de imóveis. Quando será a governação de transparência capaz de fazer baixar a sua temperatura enquanto estiver exposta a um sol escaldante? Quem me dera que os nossos leitores me pudessem responder... preços das propriedades venham a cair. Apesar de tudo, creio que as coisas se vão desenvolver na direcção oposta quando se tornarem demasiado extremas. Como a bolha imobiliária vai rebentar algum dia, aconselhei o homem a observar o mercado imobiliário por mais seis meses antes de tomar qualquer decisão sobre adquirir qualquer propriedade. Depois de ter ficado a conhecer as 10 medidas anunciadas, dei-me conta de que o Governo tinha ficado do lado dos promotores imobiliários em vez de assumir

nacionalismo sobe na china

a determinação de arrefecer um mercado em ebulição. O objectivo final de cada uma dessas medidas é manter um desenvolvimento sustentável no mercado de imóveis e propriedades. Mesmo o Governo tendo proposto acabar com os direitos de transferência de propriedade intermédia de 0,5 por cento e taxar a transferência de propriedade em 3%, de forma a aumentar os custos de transacção para os especuladores, no final, acabam por ser os compradores a pagar pelos custos da especulação. O Governo quis também limitar a percentagem do valor do imóvel a incluir no empréstimo, por exemplo, um máximo de 70 por cento de empréstimo para propriedades acima dos 3,3 milhões de patacas, 90 por cento de empréstimo no máximo para propriedades abaixo desse valor e um tecto máximo 2,31 milhões de patacas para o valor máximo de um empréstimo. Embora todos esses pacotes de hipoteca serem oferecidos apenas a residentes de Macau, parece que a ideia por detrás é garantir que o negócio das hipotecas sobreviva de forma estável, ao invés de reduzir os crescentes preços das propriedades, até porque o Governo fixou o preço de referência nos 3,3 milhões de patacas. Há meio ano, o Governo apareceu com a ideia da “revitalização dos edifícios industriais”, pondo a leilão uma porção de terreno com 30 mil pés quadrados. Só agora é que o Governo actualizou o que tinha alegado que iria fazer. Parece que o Governo não põe muito empenho no arrefecimento dos preços dos imóveis. Quanto à proposta de regular os intermediários imobiliários e as vendas de imóveis residenciais incompletos, através de legislação, já tinha sido apresentada há uns anos. Não é uma solução nova de todo. Finalmente, quanto à redução da taxa de imposto cobrado sobre imóveis residenciais alugados, os proprietários são os únicos a beneficiar com isso. Algum proprietário terá a iniciativa de reduzir a renda se não houver apartamentos a preços razoáveis no mercado? A única coisa que realmente aprecio é que o Governo não encobriu os objectivos por trás destas medidas. É claro para os cidadãos que o Governo está meramente preocupado com como ajudar o sector imobiliário a atingir o desenvolvimento sustentável. O Governo carece de determinação em esfriar o sobreaquecido mercado de imóveis. Quando será a governação de transparência capaz de fazer baixar a sua temperatura enquanto estiver exposta a um sol escaldante? Quem me dera que os nossos leitores me pudessem responder... *Deputado e presidente da Associação Novo Macau Democrático


O que se requer são

obras e não palavras ou discursos.

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Padre Manuel teixeira [1912-2003]

A

Brasil - Manhã de carnaval?

Luís Sá Cunha

hojemacau@yahoo.com

ntes de o mundo avançado ter inventado o estado espectáculo, no Brasil, como diriam os brasileiros, “já era”. No Brasil nada devia ser tomado demasiado a sério, não era permitida nuvem sobre aquele céu. Muito menos na política (como a pescada, desacreditada já antes de o ser). O povo sábio sabia que tolerar os desconcertos da política e desmandos da corrupção era barateza para resguardar o seu jardim de felicidade. O império do carnaval vassalizava o Brasil por inteiro, e por todo o ano: para disfarçar fazia-se mais clamor naqueles dias em Fevereiro. O Brasil, como sempre o vimos, era o descanso universal dos olhos. Os dois pulmões do mundo: a Amazónia e a concepção paradisíaca da vida. Deixa pra lá, meu bem, não esquenta, meu amor! Nevoentos, frios, sisudos, nevróticos, escravizados à produção, obsidiados pela riqueza e pelas estatísticas, estavam fora do eden os outros, o civilizadismo dos outros, os do norte, os desenvolvidos, ávidos de possidências e peso mundial. O povo brasileiro sabia esta coisa simples:a riqueza estava ali, para quê virar infeliz a esgalgar-se por ela? O Brasil, fora do tempo dos outros, a viver vagarosa, sapidamente, o seu tempo na festa de todos os dias. Que fossem os outros os escravos cardíacos (diria o Pessoa) dos cronómetros e das estatísticas... O futuro radioso estava sempre à frente, ter é destruir ou ser destruído... De repente o Brasil despertou num sacão formidável, jungiu-se às engrenagens da corrida mundial, escala o podium das grandes potências mundiais. Inexoravelmente o Brasil vai mudar, já está a mudar, não sabe talvez ainda que irá mudar mais, na inércia ainda dos seus ritmos de sempre. E saberá, talvez, quando o carnaval for só uma semana. . . Já o nosso Eça tinha andando pela América do Sul, talvez por Bristol, nas itinerâncias diplomáticas, quando aproveitou pausa graciosa para vir matar saudades a Lisboa, que, diria ele, com a China era a única coisa que não mudava no mundo. Excitação entre os velhos amigos, companheiros de letras e de tertúlia, logo a preparar-lhe recepção de estalo, simpósio bem regado na melhor tradição do banquete espirituoso. Na farta casa do Ficalho, ou do Resende, ou de outro, tanto monta, e lá estavam os velhos companheiros, o Antero, o Junqueiro... mas um tema

monopolizava sombriamente o repasto e as conversas: o desfalque! o escandaloso desfalque, por mão baixa de possidente figura da anestesiada capital do reino, um desfalque, que horror, era o fim do mundo! É então que Antero, retomando as velhas práticas da praxe coimbrã (quando mandava o criado galego ao lanternim da casa proclamar às estrelas as máximas de Platão!) requisitou solenemente a opinião definitiva de D. Maria, a chefe da criadagem, para fechar o assunto. Depois de muito instada, e encorajada pelo anfitrião, a senhora lá excogitou timidamente : “Meus senhores, roubar sim, mas tanto não”. Eça chispou a pupila e disse que aquilo era uma das frases de sabedoria de século! Com o lúcido monóculo de observador, o Eça, que já previra a era da poluição (quando n’ A Cidade e as Serras registava as fumigações incómodas de umas fábricas), sabia também que se aproximavam os tempos da grande corrupção, força do multiplicar e acumular dos dinheiros e dos amolecimentos morais. Sim, em breve chegariam os tempos de do mal, o menos, da corrupção moderadamente institucionalizada. Dizia-se nos anos sessenta que Kubitchek de Oliveira se tornara numa das maiores fortunas do mundo, depois da construção de Brasília... Sim, mas depois, depois de ter glorificado o Brasil com a mais grandiosa marca arquitectónica da modernidade... Nas eleições de princípios dos anos sessenta saiu fartamente votado com 200000 votos “cacareco”, o hipopótamo do Zoo do Rio, numa campanha em que sobressaiu o slogan de Ademar de Barros: “Ademar rouba, mas realiza”. Intuímos que Ademar foi haurir isto à consciência popular, e a prova é que ganhou... Agora mesmo a alma carnavalesca do Brasil se espraia pela festa da campanha eleitoral, onde pontifica o vulto circense de Tiririca, o palhaço analfabeto cujo slogan proclama: “Tiririca, se isto está mal, pior não fica !”. Não há dúvidas de que a grande vaga populista de Lula se reflecte e transfere para a sua continuadora Dilma Rousseff, mas em meio da grande bagunça destoam outras vozes, como a do conceituado jornalista Olavo de Carvalho, que veio à liça exigir de Dilma que esclarecesse algumas sombras da sua folha de militante revolucionária dos anos 68/69. Aí, entre várias operações ou planeamentos operacionais da actual candidata à Presidência do Brasil (assalto ao Banco Banesta, assalto à Casa de Armas Diana, assalto ao Banco Mercantil de S. Paulo, assalto ao Quartel da Força Pública

Agora mesmo a alma carnavalesca do Brasil se espraia pela festa da campanha eleitoral, onde pontifica o vulto circense de Tiririca, o palhaço analfabeto cujo slogan proclama: “Tiririca, se isto está mal, pior não fica !”. Barro Branco, planeamento do assassinato do capitão Charles Chandler, tudo registado na ficha da Polícia como “ actividades terroristas”) consta o famoso assalto à residência do governador Ademar de Barros em que Dilma terá apresurado a carteira da amante de Ademar, com dois milhões e seiscentos mil dólares, números nunca quantificados e de destino nunca cabalmente explicado, diz o jornalista. Sobre Lula e Dilma correram pela imprensa do Brasil vários casos de fumos de corrupção, o último dos quais foi o escândalo de Erenice Guerra, sucessora de Dilma na Casa Civil, e que parece ter retirado a Dilma três pontos nas sondagens e a maioria absoluta na primeira volta. É que

Lula já realizou e Dilma ainda não, e assim se explica que Lula tenha participado em mais comícios do que na sua própria campanha, ”cobrindo” Dilma, que ele deve ver como curto hiato ao seu retorno. Sobre Dilma, com este currículo, ocorre perguntar se não seria mais adequado nomeá-la Ministra da Guerra, se mesmo assim não fosse desaconselhado à imagem conciliadora que o Brasil tem, e terá cada vez mais que cultivar, nas suas altas mediações internacionais... O carnaval, pelo menos um certo carnaval, pode estar em emurchecimento no Brasil, num Brasil que terá a partir de agora que afivelar a máscara sóbria e sisuda das grandes responsabilidades políticas na cena internacional, o Brasil grande potência mundial, grande potentado económico do mundo, que se pretende hegemónico do Mercosul e do espaço lusófono, um dos cinco grandes já dentro de poucos anos. O samba irá ter que começar talvez a ser outro, pelo menos a certo nível, porque o Brasil começará a estar exposto às lupas do mundo e da imprensa internacional, às críticas e denúncias de outros “grandes” no quadro das refregas de interesses dos poderes mundiais, e a “ consciência internacional” estará menos complacente para tolerar que sejam ultrapassados certos limites, como sabiamente disse D. Maria, limpando timidamente as mãos ao avental rendado, ante a admiração de Eça . Desta campanha, porém, uma coisa ficará como a mais sábia na antecipação e compreensão do futuro político do mundo: a autenticidade brasileira do slogan de Tiririca, como o foi o de Ademar em meio do passado século. Num mundo paciente de sucessivas crises, de constantes agravamentos estruturais da sua economia, em profunda transformação para outro sistema, quem acreditará em promessas optimistas de candidatos ao poder? Quem não iria agora, Europa fora, votar no candidato que garantisse, ao menos, que não aumentaria impostos ou cortaria benefícios sociais, no Tiririca que garantisse que “pior não fica”? Mas, cá de longe, tememos que o Brasil desafogado e festivo, exuberante e solto a tiriricar, agora apresurado às árduas rampas das concorrências e das disciplinas violentadoras do seu carácter, esse Brasil comece a rever-se mais no samba de Ary Barroso, aquela “manhã de carnaval”olheiruda e nostálgica, depois de libérrima era de festa dionisíaca. E, se assim fôr, será um pouco mais da beleza que, todos os dias, se vai retirando da face do mundo.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José editor Paulo Reis Redacção António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; Kahon Chan; Rodrigo de Matos; Vanessa Amaro Colaboradores Carlos Picassinos; João Carlos Barradas; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; João Miguel Barros; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte; Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges; Catarina Lau Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (hojemacau@gmail.com) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail hojemacau@yahoo.com Sítio www.hojemacau.com


a fechar sexta-feira 8.10.2010

Sociedade A poderosa Michelle Obama

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A primeira dama dos EUA é a mulher mais poderosa do mundo. Na lista top 100 divulgada pela "Forbes", Michelle Obama lidera o ranking anual elaborado pela revista norteamericana, derrotando chefes de Governo, grandes empresárias e celebridades. A segunda mulher mais poderosa, segundo a "Forbes", é a empresária Irene Rosenfeld, CEO do grupo Kraft Foods, que comandou a oferta hospital de 18 mil milhões de dólares pelo controlo da britânica Cadbury. A apresentadora de televisão e empresária das comunicações Oprah Winfrey completa do pódio.

Economia Taxas de juro mantidas baixas

O Banco Central Europeu manteve a taxa de juro num mínimo histórico de 1%, pelo 17º mês consecutivo e tal como era esperado pela generalidade dos economistas. As expectativas do mercado já apontavam para que a taxa de juro ficasse em 1% e que a autoridade monetária mantivesse as medidas excepcionais de financiamento à banca, pelo menos até ao fim do ano. Há muito que a pressão para que sejam mantidas está a aumentar, depois do Japão ter anunciado uma nova intervenção, e numa altura em que se especula que a Fed siga o exemplo.

Ténis Wozniacki destrona Serena Williams

Caroline Wozniacki tornou-se na primeira dinamarquesa a subir ao primeiro lugar do ranking WTA Tour, destronando assim a sempre mediática Serena Williams. Este feito foi conseguido ao bater a checa Petra Kvitova por 6-3 6-2, passando aos quartos-de-final do Open da China e beneficiando ainda da ausência da norte-americana na competição, que não consegue somar qualquer ponto para manter a liderança do ranking WTA desde a vitória em Wimbledon.

Futebol Vaticano tenta Trappatoni

O Vaticano vai realizar o sonho de ter a sua própria selecção de futebol e para os comandos da equipa elegeu um dos mais prestigiados e católicos treinadores italianos, Giovanni Trappatoni, campeão português com o Benfica em 2004/05. No entanto, o sonho do Vaticano irá durar somente um dia, já que se trata de um jogo particular contra a Guardia de Finanza (polícia financeira italiana) para recolha de fundos que se destinam à Caritas e às famílias dos agentes. A selecção do Vaticano, equipada de branco e amarelo, entrará em campo pela primeira vez a 23 de Outubro, num centro desportivo de Roma, frente à equipa da polícia financeira que será também orientada por um ex-seleccionador italiano Roberto Donadoni.

Selecção do Lótus defronta hoje Taiwan em Kaoshiung

Torneio para dragõezitos Marco Carvalho

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A selecção de futebol de Macau estreia-se ao fim da tarde de hoje na edição de 2010 da Longtan Cup (Taça do Dragão, na tradução portuguesa), um torneio quadrangular promovido pela Associação de Futebol de Taiwan, com o intuito de favorecer a rodagem de algumas das selecções menos cotadas do desporto-rei do continente asiático. Para além de Macau, a prova é disputada pela selecção anfitriã e ainda pelas Filipinas e por Hong Kong, sendo que a vizinha Região Administrativa Especial está representada no torneio formosino pela sua Selecção de Sub-23. A razão pela qual o organismo que chama a si a tutela do desporto-rei na antiga colónia britânica decidiu enviar a Taiwan uma equipa de segunda água prende-se com o carácter pouco competitivo do certame. Ao contrário do que sucede na RAEHK, nenhum dos atletas que integram os grupos de trabalho das selecções de Taiwan, de Macau e das Filipinas fazem do futebol a sua ocupação exclusiva. Amadoras por natureza,

as três formações poucas ou nenhumas hipóteses teriam de jogar de igual para igual com a selecção principal de Hong Kong, num torneio destinado a avaliar a evolução de equipas com uma estrutura futebolística muito semelhante. O pontapé de saída na competição, que tem o Estádio Nacional da cidade meridional

defrontarem a selecção anfitriã num encontro que se espera equilibrado. Há muito afastada da ribalta do futebol asiático, a selecção de Taiwan não deve abdicar dos seus principais trunfos para defrontar a equipa do Lótus no desafio de mais logo, ainda que a experiência internacional de grande parte dos jogadores de Taiwan seja quase nula.

Procurando responder ao expediente da renovação, Leung Sui Wing aproveitou o carácter menos competitivo do torneio formosino para lançar na selecção principal do território alguns dos jogadores que deram nas vistas ao longo da temporada passada. de Kaoshiung como palco, é dado ao fim da tarde de hoje, com a pouco cotada selecção das Filipinas a defrontar os Sub-23 da RAEHK, numa partida que o onze da antiga colónia britânica deve, ainda assim, vencer sem problemas. A estreia de Macau no torneio está agendada para as 19:30, com os pupilos de Leung Sui Wing a

Neste aspecto em particular – o da experiência internacional – os jogadores que integram o grupo de trabalho da selecção do território que se deslocou a Taiwan não estão muito melhor. Procurando responder ao expediente da renovação, Leung Sui Wing aproveitou o carácter menos competitivo do torneio formosino para lançar na selecção principal do território

alguns dos jogadores que deram nas vistas ao longo da temporada passada. O alcance da renovação efectuada no grupo de trabalho da selecção do Lótus é tamanho que dos vinte jogadores convocados para a Longtan Cup apenas Chan Kin Seng, avançado do Ka I, é presença habitual na equipa. Jogadores como Liu Kin Chou, considerado na última época com o melhor guardaredes do Campeonato da 1a Divisão, Tang Ho Fai, Leong Ka Hang, Mok Chi Ieong ou Chao Vai Ho deverão ter a oportunidade de se estrear na selecção A, depois de marcarem presença regular nas selecções jovens do território. Depois de se estrear ao início da noite de hoje na edição de 2010 da Taça do Dragão, a selecção do território regressa à acção ao fim da tarde de domingo, defrontando a formação de Sub-23 da RAEHK. Macau despede-se da prova na próxima terça-feira, frente ao onze das Filipinas, naquele que poderá ser o mais acessível dos três encontros que o grupo de trabalho orientado por Leung Sui Wing deverá disputar durante os próximos dias em Kaoshiung.


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Hoje Macau • 2010.10.08 #2224 by Jornal Hoje Macau - Issuu