Skip to main content

Hoje Macau 7 DEZ 2018 #4189

Page 1

RÓMULO SANTOS

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

SEXTA-FEIRA 7 DE DEZEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4190

MOP$10

hojemacau TEMPESTADE À VISTA GRANDE PLANO

Apenas o Governo se opõe à gravação de imagens dentro dos táxis. Após três propostas de regulação do sector, Raimundo do Rosário recusa avançar com uma nova versão, que inclua a captação de imagens, para não “chatear” Chui Sai On. “Já pedi ao Chefe do Executivo para refazer o processo duas vezes, não quero pedir outra vez”, sublinhou. PÁGINAS 4-5

PUB

h PAULO JOSÉ MIRANDA

PUB

Plano de corte

UM LIVRO PERDIDO AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

PARIS


2 grande plano

7.12.2018 sexta-feira

FEBRE DE SÁBADO À FRANÇA GOVERNO TEME “GRANDE VIOLÊNCIA” NOS PROTESTOS DE AMANHÃ

Emmanuel Macron teme que a violência regresse às ruas de Paris na sequência dos protestos do movimento dos coletes amarelos. Apesar das cedências a algumas das reivindicações, as autoridades receiam o pior amanhã. A ministra do Interior declarou ter informações de que entre os manifestantes há quem não reivindique nada e só se interesse por espalhar o caos


grande plano 3

sexta-feira 7.12.2018

como tinha sido anunciado na terça-feira. Com este novo anúncio, o Governo francês pretendia evitar a todo o custo que se repitam amanhã as cenas de guerrilha urbana dos protestos do passado dia 1 de Dezembro em Paris. Mais de 400 pessoas foram detidas no sábado em Paris, de acordo com o chefe de polícia, que falou de actos de violência de “gravidade sem precedentes”. Acusado de reagir tarde e mal à crise dos “coletes amarelos”, o Executivo defendeu ontem a sua gestão da situação na Assembleia Nacional, numa sessão que introduziu no hemiciclo as reivindicações do movimento contestatário.

TEORIA DO CAOS

ÀONOITE Governo francês admitiu temer “uma grande violência” no sábado, depois de no passado fim-de-semana terem sido detidas mais de 400 pessoas, no âmbito dos protestos dos “coletes amarelos”. Citado ontem pela agência de notícias francesa, France-Presse, o Governo francês disse: “Temos motivos para temer uma grande violência”.

A declaração surge numa altura em que se multiplicam os apelos para uma nova mobilização de “coletes amarelos” por toda a França. Os apelos surgem não obstante o Presidente francês, Emmanuel Macron, ter dado mais um passo para aplacar o mal-estar liderado pelos “coletes amarelos”, ao anular a taxa sobre combustíveis em vez de a suspender durante seis meses,

A ministra do Interior francesa, Jacqueline Gourault, advertiu ontem para a existência de manifestantes violentos entre os denominados “coletes amarelos” que querem “que a França caia no caos”. Em entrevista ao canal BFMTV, Jacqueline Gourault destacou que esta não é a intenção de todos os “coletes amarelos”, mas sim de uma parte e deu o exemplo de um porta-voz que expressou vontade em invadir o Palácio do Eliseu, sede da presidência. A ministra do Interior explicou que, tendo em conta os protestos marcados para amanhã, particularmente em Paris, recebeu informações de que “além dos coletes amarelos, há pequenos grupos que querem o confronto”, como tal “há o risco de as coisas correrem mal”. Em ciclo contrário, as autoridades francesas apelaram à “responsabilidade de todos”, na crise dos “coletes amarelos”, depois de os sindicatos se organizarem e os estudantes universitários prometerem juntar-se a novas manifestações. O Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu para que “todas as forças políticas e sindicais, os empregadores façam um claro e explícito apelo à calma”. A frase foi citada pelo porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, e revela bem como Macron se procura associar ao executivo de Édouard Philippe, o primeiro-ministro que, tal como o Presidente, procura medir cada palavra na tentativa de placar a crise dos “coletes amarelos”.

ESTUDANTES NA RUA

Michel Wieviorka, sociólogo da Escola de Altos Estudos de Paris, citado pela agência France Presse, diz que os manifestantes estão a tentar provar que o “Governo tem falta de jeito e que nunca reconhecerá a natureza negativa da sua política”. E esta perspectiva, vinda de dentro do círculo universitário parisiense, parece alastrar-se, com a indicação, de núcleos activistas da Sorbonne, de que os estudantes se preparam para se associarem ao movimento, em maior força e com maior visibilidade.

O Governo francês admitiu temer “uma grande violência” no sábado, depois de no passado fim-de-semana terem sido detidas mais de 400 pessoas, no âmbito dos protestos dos “coletes amarelos” Uma sondagem da empresa Elabe, divulgada ontem, revela que 78 por cento dos franceses pensa que as medidas esta semana anunciadas pelo Governo não respondem às solicitações dos manifestantes e dos cidadãos descontentes que as apoiam. A sondagem indica que a aprovação popular das manifestações continua alta e que 72 por cento dos franceses mostram simpatia pelo movimento “coletes amarelos”. As medidas anunciadas terça-feira pelo primeiro-ministro, Édouard Philippe, de suspender aumentos de impostos foram ineficazes perante os ânimos exaltados dos manifestantes, que dizem que elas sabem “a pouco e vieram tarde”. Contudo, a sondagem da Elabe também revela que os franceses consideram que tem havido muitos excessos e são já 37 por cento (mais 6 por cento do que há duas semanas) os que consideram que os protestos devem abrandar de tom.

COLETES NO PARLAMENTO

Os excessos das recentes manifestações em Paris levaram a que um juiz indiciasse 13 pessoas, incluindo um menor, de cometer actos de degradação no monumento do Arco do Triunfo, com três delas a serem colocadas em prisão preventiva. Os suspeitos foram indiciados por “intrusão não autorizada em local histórico” e por participação em grupo formado para fomentar violência e degradação de património”, entre outros crimes. Mais de 400 pessoas foram detidas no sábado em Paris, de acordo com o chefe de polícia Michel Delpuech, que ontem falou de actos de “violência de gravidade sem precedentes”. As detenções resultaram em 383 colocações em custódia policial (349 para adultos e 34 para

A ministra do Interior, Jacqueline Gourault, advertiu ontem para a existência de manifestantes violentos entre os denominados “coletes amarelos” que querem “que a França caia no caos”

menores), de acordo com um relatório final do Ministério Público. O primeiro-ministro convocou para a Assembleia “todos os actores do debate público” para assumirem “responsabilidade”, enquanto os “coletes amarelos” preparando-se para as novas manifestações agendadas. “Todos os actores no debate público, políticos, líderes sindicais, editorialistas, cidadãos, serão responsáveis pelas suas declarações nos próximos dias. Sim, eu lanço aqui um apelo por responsabilidade”, disse o líder do Executivo. As palavras do primeiro-ministro esbarraram no sentimento dos manifestantes. Benjamin Cauchy, um dos porta-vozes do movimento “coletes amarelos” referiu que “os franceses não querem migalhas”.

TAXAR COLOSSOS

O ministro da Economia e Finanças francês anunciou ontem que será aplicado um imposto nacional aos ‘gigantes’ da Internet se não houver acordo europeu para tributar essas empresas, que estão sujeitas, na prática, a uma taxação inferior. “A partir de 2019 avaliaremos os ‘gigantes’ digitais em todo o país se os estados europeus não assumirem as suas responsabilidades”, disse Bruno Le Maire em entrevista ao canal de televisão France 2. Macron, no entanto, descartou a hipótese de fazer regressar o imposto sobre a riqueza, que é também uma das exigências dos “coletes amarelos”, uma taxação à qual o Presidente colocara um ponto final depois de chegar ao poder, como um gesto para tornar a França num país mais atractivo para os investidores. O ministro da Economia e Finanças explicou como será compensada a perda de receita ao ser abandonado o imposto sobre o combustível: “aqueles que têm dinheiro são os ‘gigantes’digitais, que obtêm benefícios consideráveis graças ao consumidor francês, graças ao mercado francês, e que pagam como mínimo 14 pontos a menos que as demais empresas”. Nos últimos meses, Le Maire tem sido um dos principais defensores de um imposto europeu sobre os ‘gigantes’ da Internet sobre 3 por cento da sua facturação. No entanto, confrontados com a relutância de vários dos seus parceiros da União Europeia, e em particular da Alemanha, Paris e Berlim chegaram a um acordo na última segunda-feira, que reduz a proposta inicial, de forma a que o imposto se limitasse à facturação dos serviços, publicidade online e não, por exemplo, à comercialização de dados. Esta proposta, que será submetida à aprovação do Conselho Europeu até Março, só entrará em vigor se não for encontrada uma solução internacional que está a ser negociada dentro da estrutura da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e que tem encontrado muitas resistências, em particular por parte dos Estados Unidos. LUSA


4 assembleia legislativa

Governo tenciona distribuir terrenos

RÓMULO SANTOS

7.12.2018 sexta-feira

Concurso público prometido pelo secretário

O

Governo vai lançar um concurso público brevemente para a atribuição de concessões de terrenos. A novidade foi deixada ontem pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, que não adiantou detalhes. “Tenho uma boa notícia para o deputado Au Kam San. Vou lançar um concurso público para a concessão de terrenos e a informação vai ser publicada brevemente em Boletim Oficial”, afirmou Raimundo do Rosário, numa altura em que contestava as críticas do deputado pró-democrata, que o acusara de “parecer estar a gozar com a população”. Au Kam San criticou o Governo por considerar que não tem trabalhado no sentido de aumentar a oferta de habitações no mercado privado. Foi no âmbito desta conversa que Raimundo do Rosário fez a revelação, deixando a entender que os terrenos vão ser concessionados com esse propósito em vista. Sobre este procedimento não houve mais esclarecimentos, mas a

informação ficou prometida para mais tarde. Por outro lado, o secretário contestou as críticas de Au Kam San, defendendo que a equipa que lidera está sempre a trabalhar e pediu ao pró-democrata para não dizer que” parece estar a gozar com a população”. “Se estou a brincar com a população, porque é que os 3330 trabalhadores que estão comigo estão sempre a trabalhar, trabalhar e trabalhar? Não diga que parece que estamos a gozar com a população, não é verdade”, apontou. Ainda em relação às críticas de que foi alvo por parte do pró-democrata, Raimundo do Rosário, numa altura mais bem-disposta do debate, revelou uma história: “Uma pessoa importante, que não vou dizer quem é, disse-me que para eu saber o que precisava só tinha de ler os jornais e ver as críticas, como as do deputado Au Kam San”, disse. Em resposta, o deputado admitiu que o tempo na AL para intervenções é limitado e que por isso tende a apontar os problemas da população e a focar os aspectos negativos. Porém, aproveitou para elogiar a prestação geral de Raimundo do Rosário: “O seu trabalho é bom”, reconheceu. J.S.F.

Por favor, não incomode D TÁXIS SECRETÁRIO RECUSA GRAVAÇÃO DE IMAGENS PARA NÃO “CHATEAR” CHEFE DO EXECUTIVO

EPOIS de três propostas sobre a mesma lei de táxis, Raimundo do Rosário explicou que não quer incluir a gravação de imagens dentro dos veículos porque não quer voltar a “chatear” o Chefe do Executivo. A explicação foi dada ao deputado Leong Sun Iok, ligado aos Operários, que questionou o secretário para os Transportes e Obras Públicas sobre o facto de

Após terem sido apresentadas três propostas diferentes para regular o sector dos táxis, Raimundo do Rosário recusa a possibilidade de gravação de imagens no interior dos veículos. O secretário não quer pedir a Chui Sai On que volte a coordenar mais uma proposta para incluir a instalação de câmaras nos táxis

PUB

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 753/AI/2018

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 754/AI/2018

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHEN DONGHAI, portador do Salvo-conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° C38207xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 140/DI-AI/2016 levantado pela DST a 22.11.2016, e por despacho do Director dos Serviços de Turismo, Substituto, de 03.08.2018, exarado no Relatório n.° 505/DI/2018, de 30.07.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida de Kwong Tung n.os 154-F-154-J, Nam San Bloco IV, 8.° andar C, Taipa onde se prestava alojamento ilegal.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHUI, KAN SANG, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Hong Kong n.° A3703xx(x), que na sequência do Auto de Notícia n.° 80/DI-AI/2017 levantado pela DST a 05.04.2017, e por despacho da signatária de 27.11.2018, exarado no Relatório n.° 687/DI/2018, de 21.11.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.° 1321, Edf. Hung On Center, Bloco 3, 10.° andar U, Macau onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 26 de Novembro de 2018.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 27 de Novembro de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços,

Maria Helena de Senna Fernandes


assembleia legislativa 5

sexta-feira 7.12.2018

“Já não vou chatear, entre aspas, o novo Chefe do Executivo [para apresentar uma nova versão com gravação dentro dos táxis]. Já pedi ao Chefe do Executivo para refazer o processo duas vezes e não quero estar a pedir-lhe tanta vez.”

MONG HÁ DECISÃO DO TUI? “NÃO ERRÁMOS”, CONTESTA RAIMUNDO DO ROSÁRIO

RÓMULO SANTOS

apenas o Governo se opor à instalação de captação de imagens dentro dos táxis para detectar infracções. Em causa está o facto de que cada nova versão que as comissões analisam na especialidade o diploma ter de voltar a passar por vários departamentos, como Direcção de Serviços para os Assuntos Jurídicos, diferentes tutelas do secretários, Conselho do Executivo e pelo Chefe do Executivo. Como este processo já foi repetido três vezes, incluindo a versão inicial, o secretário recusa a hipótese de incluir captação de imagens para não ter de repeti-lo mais uma vez. “Todos os diferentes passos têm de ser assinados pelo Chefe do Executivo. Depois da proposta dos táxis ter sido aprovada na generalidade [1.ª versão], houve 12 reuniões. Depois houve uma nova proposta entregue a 9 de Agosto. A 12 de Outubro houve mais uma nova versão”, justificou Raimundo do Rosário, sobre a discussão do diploma. “Já não vou chatear, entre aspas, o novo Chefe do Executivo [para apresentar uma nova versão com gravação dentro dos táxis]. Ontem mesmo houve a 15.ª reunião e não entreguei mais nenhuma proposta. Já pedi ao Chefe do Executivo para refazer o processo duas vezes e não quero estar a pedir-lhe tanta vez”, frisou. Actualmente, os deputados da 3.ª Comissão Permanente da AL e o Governo estão num diferendo, principalmente com o secretário devido à captação de imagens dentro dos táxis. Por esta razão, Raimundo do Rosário foi igualmente questionado se Chui Sai On estava ciente do caso. Contudo, o secretário recusou divulgar se comunica

RAIMUNDO DO ROSÁRIO

com o Chefe do Executivo sobre o assunto: “As nossas conversas são feitas como membros do Governo e o conteúdo é confidencial”, afirmou. No entanto, deixou uma garantia: “O Chefe do Executivo está informado sobre o que se passa dentro das reuniões, através das informações das conferências de imprensa”, revelou.

CHUVA DE ELOGIOS

Apesar da resposta pouco comum no hemiciclo, o trabalho de Raimundo Rosário mereceu elogios de vários quadrantes. Já em reuniões passadas, o deputado e construtor Mak Soi Kun havia feito comentários muito positivos ao desempenho de Rosário, que na altura agradeceu. Ontem o tom elogioso foi generalizado. Primeiro foi Davis Fong, que enalteceu os trabalhos nas fronteiras, seguindo-lhe o exemplo Chui Sai Peng, Iau Teng Pio, Lan Lon Wai, entre outros. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

A

Terras de luxo Ella Lei acusa Governo de Edmund Ho de conluio devido a concessão de terreno

O

f a c t o do terreno na Taipa junto à Ponte Nobre de Carvalho nunca ter sido utilizado para a construção de um parque de diversões, como foi planeado há 21 anos, e haver um projecto para a construção de residências de luxo, valeu acusações de conluio ao Governo de Edmundo Ho. A incriminação partiu da deputada Ella Lei, que ilibou Raimundo do Rosário de culpas e fez questão de referir que as decisões foram tomadas antes do secretário tomar posse. Segundo a deputada, em causa está o facto de uma companhia ter entrado no capital social da empresa que tinha a concessão, em 2005, o que terá permitido que o projecto fosse alterado para a construção de residências de luxo. “O terreno era para um parque temático, mas já se passaram 21 anos e nada foi construído. Naquela altura, o contrato dizia que em 2008, a concessão

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 766/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LOU JUNYUE, portador do Passaporte da RPC n.° E93693xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 177.1/DI-AI/2017, levantado pela DST a 05.07.2017, e por despacho da signatária de 10.07.2018, exarado no Relatório n.° 447/DI/2018, de 15.06.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Cantao, n.° 72-R, I San Kok, 6.° andar F.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.-----------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 26 de Novembro de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

do terreno caducava. Mas não foi o que aconteceu”, recordou. “Em 2005 uma empresa de Hong Kong injectou capital na concessionária. Foi só um teatro que se fez naquela altura. A verdade é que o terreno foi avaliado em 4 mil milhões de patacas, na altura, e o projecto acabou alterado para residências de luxo”, apontou. A deputada atacou depois a antiga Lei de Terras: “Era este o problema. As concessionárias vendiam os terrenos e conseguiam prolongamento dos prazos de concessão. Era tudo conluio! O Governo não devia ter autorizado o prolongamento dos prazos. Mesmo agora deve limitar, sem deixar que o propósito inicial dos terrenos seja alterado”, acusou. Ella Lei defendeu ainda que sempre que a finalidade de um terreno concessionado for alterado, o Governo tem a obrigação de divulgar claramente as razões. Outro ponto levantado por Ella Lei foi o facto do Governo ter pedido ao Comissariado Contra Corrupção (CCAC) para analisar os processos de declaração de caducidade dos terrenos já recuperados, apesar de já haver decisões dos tribunais. Na resposta, Raimundo do Rosário limitou-se a dizer que o terreno do parque temático está em processo de recuperação, pelo que não pode disponibilizar mais informações. Em relação à decisão do pedido ao CCAC, a questão foi ignorada pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas. J.S.F.

tutela do secretário Raimundo do Rosário foi obrigada a repetir o concurso público do Pavilhão e Habitações Públicas de Mong Há, depois de o Tribunal de Última Instância considerar que a proposta vencedora, por ter um accionista comum a outra proposta, deveria ter sido rejeitada à partida. O concurso vai agora ser repetido, o que acontece pela segunda vez, depois da tutela se ter enganado das contas no concurso das obras do Parque de Materiais e Oficina do Metro Ligeiro. No entanto, Raimundo do Rosário recusou a ideia de ter havido um erro no caso mais recente: “Face ao Parque dos Materiais e Oficina do Metro Ligeiro, sei as minhas responsabilidades. Mas temos de ver que em Mong Há os meus colegas não trabalharam

erradamente, acho que não cometeram um erro”, disse Rosário, apesar da decisão contrária do TUI. Ainda em relação ao Parque de Materiais e Oficina, o secretário recusou revelar como vai ser paga a compensação à empresa prejudicada no concurso público, devido a um erro que atribui a vitória à Companhia de Engenharia e de Construção da China. A vencedora, de acordo com o TUI, devia ter sido a China Road Bridge. A pergunta tinha sido colocada pelo deputado e empresário Si Ka Lon. “Creio que o deputado, como empresário, compreende que não podemos dizer como vamos negociar e o que temos para oferecer. Acho que sabe, como empresário, que numa negociação não se informa a outra parte antes de começarem as conversações”, sublinhou o secretário.

Contratos Raimundo tem 13 meses para renovar ou alterar sete concessões Até ao final do actual mandato, Raimundo do Rosário vai ter de tratar da renovação de sete contratos de concessão em diferentes áreas. O cenário foi traçado pelo secretário, depois de ter sido questionado sobre a opção de renovar, durante quinze meses, as concessões das empresas de autocarros

públicos que terminavam este ano. A opção foi vista como o adiamento da questão. “Em 13 meses vou ter de alterar ou renovar sete contratos de concessão. Desses, dois são das empresas de autocarros. São assuntos que levam tempo e que vamos ter de resolver no próximo ano”, reconheceu.

Trânsito Mortalidade preocupa DSAT O Governo está preocupado com o aumento de mortalidade nas estradas e Lam Hin San, director da Direcção de Serviços para os Assuntos Tráfego, prometeu prestar atenção a este aspecto. “O número de acidentes voltou a níveis de 2014 ou 2012. Entre Janeiro

e agora houve nove mortes, o que é mais um do que no ano passado, quando o número de vítimas foi 8”, revelou Lam Hin San. “Vamos ponderar reforçar a fiscalização nas estradas e ver as medidas adequadas para lidar com esta situação”, acrescentou.

Estacionamento Passes mais caros O preço dos passes mensais de estacionamento vai aumentar quando acontecer a actualização do montante pago por hora para a utilização dos parques e lugares públicos. A garantia foi deixada por Raimundo do Rosário, após ter sido questionado pelo deputado Sulu Sou sobre o assunto. “Reconheço que o preço dos passes não acompanha o valor pago pelas horas no estacionamento. Mas vamos tornar os preços mais caros, quando actualizarmos

o preço pago por hora nos estacionamentos públicos”, respondeu o secretário para os Transportes e Obras Públicas. Ainda em relação ao trânsito e aos veículos que não cumprem limites de emissão de gases, o director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) explicou que desde o início do ano já foram apreendidas 60 viaturas. Quanto ao número de inspecções a veículos pesados de mercadorias e passageiros, foi de sete mil.


6 publicidade

7.12.2018 sexta-feira

Notificação n.° 37/DLA/SAL/2018

Notificação da decisão sobre pagamento dos custos de remoção de publicidade ilegal Considerando queque Considerando não não se revela se revela possívelpossível notificar os interessados, ofício ou outras formas, para de cobrança dos custos de remoção de publicidade nos termos dos artigosaprovado 10.° e 58.° do “Código do Procedimento dos artigospor 68.º e 72.° do “Código doefeitos Proceestabelecimento: verificando-se que oilegal, interesPúblicos”, pelo Regulamento Adnotificar os interessados, ofício ou do respectivo estabelecimento remoAdministrativo”, os interessados, do n.o 3sado Administrativo”, aprovado pelopor Decreto-Lei n.° outras 57/99/M, dedimento 11 de Outubro, notifico, pela presente, nos termos do do artigo 3.º do Decreto-Lei n.o 52/99/M, não de 4 de Outubro,ministrativo e dos artigos 68.º 72.° do “Código do Procedimento n.º e28/2004, executar a remoção, formas, para efeitos de cobrança dos custos de seguinte conteúdo: veu o seu material e eventual suporte publicitá- directamente ou por intermédio de terceiros. Administrativo”, os interessados, do seguinte conteúdo: remoção de publicidade ilegal, nos termos dos rio ilegal, dentro do prazo fixado, este Instituto Além disso, nos termos do n.º 2 do artigo 144.° 1. O signatário, no de uso das competências 1. 10.° O signatário, no uso das competências conferidas pelo Presidente do Conselho Administração e constantespode, do Despacho n.º 15/PCA/2017, 11 de Dezembro de 2017, tomou a seguinte decisão, a impor ao interessado do artigos e 58.° do “Código do Procedimennos termos do artigode136.° e n.º 2 do “Código do Procedimento conferidas pelo Presidente Conselho Ad- suporte estabelecimento: verificando-se que pelo o interessado do respectivo estabelecimento não removeudo o seu material edeeventual dentrododoProcedimento prazo fixado, esteAdInstitutodopode, nos termos do artigo 136.° eAdministrativo”, n.º 2 do artigo 144.° to Administrativo”, aprovado Decreto-Lei artigopublicitário 144.° do ilegal, “Código todas as despesas produzidas pela remoção por ministração e constantes Despacho 15/3 do ministrativo”, do do Procedimento Administrativo”, aprovado Decreto-Lei n.° 57/99/M, de do 11 de Outubro, en.º do n.° artigo 33.º do “Regulamento Espaços Públicos”, Administrativo n.º 28/2004, n.°“Código 57/99/M, de 11 de Outubro, notifico, pela pelo aprovado Geral pelo dos Decreto-Lei n.° aprovado pelo Regulamento intermédio de terceiros devem correr por devem conta PCA/2017, de nos 11 de Dezembro deartigo 2017, tomou executar a remoção, directamente por artigo intermédio Além disso, termos do n.º 2 do 144.° do “Código do Procedimento todas pela remoção por intermédio de terceiros 3 do 3.º de doterceiros. presente, nos termos do n.o ou 57/99/M, de 11 deAdministrativo”, Outubro, e do n.°as3despesas do ar- produzidas 52/99/M, de 4 de Outubro, e a seguinte decisão, a impor ao interessado do tigo 33.º do “Regulamento Geral dos Espaços do obrigado. Decreto-Lei correr por contan. doo obrigado.

N.o

Proprietário, possuidor ou detentor, pessoa ou entidade responsável pela distribuição de mensagens publicitárias

陳金土

N.o do Bilhete de Identidade/ Local de instalação Nome do estabelecimento Registo Comercial de publicidade Bilhete de Identidade de Residente da República Popular da China /330325197XXXXXXXXX

尚貢匯禮品店

Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.o 580, r/c, loja O, Macau

Quantidade de publicidade

Data de remoção

Custos de remoção

Data do despacho

2

05/10/2015

MOP 5000

11/06/2018

2. OOsignatário, no uso conferidas belecimentos: pelo Presidente do Conselho de Administração e constantesdigo do Despacho n.º 08/PCA/2018, de 20 de Junho de 2018, tomou a seguinte a impor aos interessados dos 2. signatário, no das uso competências das competências verificando-se que os interessados do Procedimento Administrativo”, aprovado directamente ou decisão, por intermédio de terceiros. Além estabelecimentos: verificando-se que os interessados dos respectivos estabelecimentos não removeram o seu material e eventual suporte publicitário ilegal, dentro do prazo fixado, este Instituto pode, nos termos do artigo 136.° e n.º 2 do conferidas pelo Presidente do Conselho de Ad- dos respectivos estabelecimentos não removeram pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro, disso, nos termos do n.º 2 do artigo 144.° do “Cóartigo 144.° doe“Código do Procedimento Administrativo”, pelo Decreto-Lei 57/99/M, de 11 de Outubro, n.° 3n.° do3artigo 33.º do33.º “Regulamento Geral dos Espaços pelo Regulamento Administrativo ministração constantes do Despacho n.º 08/ aprovado o seu material e eventualn.° suporte publicitário ilegal, e do e do do artigo do “Regulamento Geral Públicos”, digo do aprovado Procedimento Administrativo”, todas n.º as 28/2004, executar a remoção directamente por intermédio de terceiros. Alémfixado, disso, nos do n.ºpode, 2 do artigo 144.° do doPúblicos”, Procedimento Administrativo”, todas as despesas produzidas pela remoção por intermédio de terceiros PCA/2018, de 20 de Junho de 2018, ou tomou a se- dentro do prazo estetermos Instituto nos terdos“Código Espaços aprovado pelo Regulamendespesas produzidas pela remoção por intermédio devem por aconta do obrigado. guinte correr decisão, impor aos interessados dos esta- mos do artigo 136.° e n.º 2 do artigo 144.° do “Có- to Administrativo n.º 28/2004, executar a remoção de terceiros devem correr por conta do obrigado.

N.o

Proprietário, possuidor ou detentor, pessoa ou entidade responsável pela distribuição de mensagens publicitárias

N.o do Bilhete de Identidade/ Registo Comercial

Nome do estabelecimento

Local de instalação de publicidade

Quantidade de publicidade

Data de remoção

Custos de remoção

Data do despacho

SOCIEDADE DE INVESTIMENTO COMERCIAL E INDUSTRIAL MCP. LIMITADA

Certidão de registo comercial (Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis) /5961 SO

夜光杯餐廳

Avenida Dr. Sun YatSen, n.o 1343, Macau

4

15/06/2016

MOP 14 000

29/06/2018

HOI MENG SON

Bilhete de Identidade de Residente de Macau /1331XXX(X)

太原超級市場

Avenida Leste do Hipódromo, n.o 337, r/c, loja K, Macau

1

31/03/2016

MOP 3500

29/06/2018

LIU IP TO

Bilhete de Identidade de Residente de Macau /7041XXX(X)

利富士多

Rua do Bocage, n.o 3, r/c, Macau

1

30/09/2015

MOP 3500

11/07/2018

AGÊNCIA IMOBILIÁRIO I.W. SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA

Certidão de registo comercial (Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis) / 46975 SO

AGÊNCIA IMOBILIÁRIO I.W. SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA

Rua Central da Areia Preta, Edifício Jardim Kong Fok Cheong, Bloco V, r/c, loja BQ, Macau

2

23/11/2015

MOP 3500

11/07/2018

WONG ALEXANDRE FRANCISCO

Bilhete de Identidade de Residente de Macau /5202XXX(X)

駿慧地產

Rua de Entre-Campos, n.o 37, r/c, Macau

1

03/10/2015

MOP 3500

11/07/2018

鍾良君

Bilhete de Identidade de Residente da República Popular da China /511027197XXXXXXXXX

MERCADO DE RELOGIO E JOIA VENG CHUN

Rua de Berlim, n.o 254, Magnificent Court, r/c, P, Macau

1

14/06/2016

MOP 4000

13/07/2018

SIN LENG IOI

Bilhete de Identidade de Residente de Macau /7419XXX(X)

ESTABELECIMENTO DE COMIDAS FAT KEI

Calçada Central de S. Lázaro, n.o 11, Edifício Hei Lei, Macau

1

30/09/2015

MOP 3500

13/07/2018

WONG MENG HONG

Bilhete de Identidade de Residente de Macau /1327XXX(X)

環球電訊

Estrada dos Cavaleiros, n.o 73, Edifício Kong Nam, r/c, loja C, Macau

3

08/05/2017

MOP 5500

24/07/2018

Os interessados devem pagar os custososdecustos remoção, no prazo de 10 Fiscais (dez) diasda (contados partir efeitos do dia seguinte da publicação presente no30 Centro de Serviços do Instituto para do os Assuntos e Municipais para o autor dodaacto e/ou,notificação), no prazo de (trinta) artigos 25.º a 28.º “CódigoCívicos do Processo AdExecuções DSF, apara de ao Os interessados devem pagar os (Avenida da Praia Grande, n. 762-804, Edifício China Plaza, 2.º andar, Macau); caso contrário, este Instituto emitirá uma certidão de execução à Repartição das Execuções Fiscais da DSF, para efeitos de cobrança coerciva. o de remoção, no prazo de 10 (dez) dias (conta- cobrança coerciva. dias, nos termos do n. 1 do artigo 155.º e do artigo ministrativo Contencioso”. dos a Nos partir do dos diaartigos seguinte da epublicação 156.ºn.°do57/99/M, mesmode Código, apresentar recurso hierártermos 145.º,ao148.º 149.° do “Código do Procedimento aprovado Decreto-Lei 11 de Outubro, os interessados podem, no prazo de 15 (quinze) informação dias, contadosou a partir do diado da Para qualquer consulta Nos termosAdministrativo”, dos artigos 145.º, 148.ºpelo e 149.° da presente notificação), no Centro de Sero quico necessário ao Conselho de Administração do 1 do artigo 155.º e do artigo 156.º do mesmo Código, apresentar recurso hierárquico necessário ao Conselho publicação da presente notificação, apresentar reclamação para o autor do acto e/ou, no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do n. processo, podem dirigir-se à Divisão de Licenviços do Instituto para os Assuntos Cívicos do “Código do Procedimento Administrativo”, IACM, salvo actos nulos. de Administração do IACM, salvo actos nulos. ciamento Administrativo dos Serviços de Ame Municipais (Avenida da Praia Grande, n.os aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de biente e Licenciamento, sita na Avenida da Praia Outubro, os interessados podem, no prazo de 15 Os interessados podem ainda interpor re762-804, Edifício China Plaza, 2.º andar, Os interessados podem ainda interpor recurso judicial ao Tribunal Administrativo, nos termos das condições e dos prazos previstos nos artigos 25.º a 28.º do “Código do Processo Administrativo Contencioso”. Macau); caso contrário, este Instituto emitirá (quinze) dias, contados a partir do dia da publica- curso judicial ao Tribunal Administrativo, nos Grande, n.os 762-804, Edifício China Plaza, 2.o Para qualquer do processo, à Divisão de Licenciamento Administrativo dos Serviços Ambienteeedos Licenciamento, sita na Avenida da Praiazona Grande, n.os 762-804, Edifício China Plaza, 2.o ção dadirigir-se presente notificação, apresentar reclamação termos das de condições prazos previstos nos andar, F, Macau. uma certidão de informação execuçãoouà consulta Repartição das podem andar, zona F, Macau. Aos 20 de Novembro de 2018. O Vice-Presidente do Conselho de Administração Lei Wai Nong WWW. IACM.GOV.MO


política 7

sexta-feira 7.12.2018

LEI DE BASES GOVERNO ARGUMENTA COM CONVENÇÃO QUE NÃO SE APLICA EM MACAU

Pouco convencional

TSI OU TJB?

A

ISTOCK

Para justificar a ausência de recurso para o Chefe do Executivo na nova lei de bases da organização judiciária, o Governo recorreu a uma convenção europeia que não se aplica a Macau. O deputado Vong Hin Fai desvalorizou e diz que se trata apenas de uma referência de direito comparado equipa da secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, recorreu a uma convenção europeia dos direitos do Homem que não se aplica no território para justificar o facto do titular do cargo de Chefe do Executivo continuar a não ter direito a recurso judicial na revisão da lei de bases da organização judiciária. Na última reunião da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), que analisa a proposta de lei, o presidente da mesma, Vong Hin Fai, falou do Protocolo nº7 da Convenção para a Protecção dos Direitos do Homem e Liberdades Fundamentais, que foi adoptado em 1984. “Este direito [de recurso] pode ser objecto de excepções em relação a infracções menores, definidas nos termos da lei, ou quando o interessado tenha sido julgado em primeira instância pela mais alta jurisdição”, pode ler-se no artigo citado pelo Governo. Ao HM, Vong Hin Fai, deputado e também advogado, disse concordar com esta opção, apesar da convenção não se aplicar a Macau. “A meu ver, em termos de direito comparado, o proponente [Governo] chamou a atenção à comissão sobre a existência deste

Vong Hin Fai “A jurisprudência em Portugal também é citada pelos juízes em Macau. É apenas uma referência tendo em conta o direito comparado.”

regime, onde o direito de recurso é limitado, tendo em conta este documento internacional.” “Houve essa referência. É apenas uma fonte de inspiração por parte do proponente [Governo]”, acrescentou Vong Hin Fai, que deu o exemplo das referências relativas ao Direito português feitas pelos juízes locais. “A jurisprudência em Portugal também é citada pelos

juízes em Macau. É apenas uma referência tendo em conta o direito comparado.” A convenção em causa foi implementada, em 1950 pelo Conselho da Europa, no seguimento do estabelecimento da Declaração Universal dos Direitos do Homem proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas a 10 de Dezembro de 1948. Importa referir

correr da sentença condenatória e da pena a uma instância superior, em conformidade com a lei”, lê-se no documento.

que a China nunca ratificou esta convenção. Um outro documento internacional, o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, implementado em 1966 e que vigora na RAEM, determina que todos os cidadãos de um território têm direito a recurso judicial, sem excepção. “Toda a pessoa declarada culpada por um delito terá o direito de re-

A questão do recurso relativamente aos co-arguidos em processos conjuntos com titulares dos principais cargos ainda não está concluída. Vong Hin Fai referiu ontem que está por decidir qual o tribunal que irá julgar os co-arguidos envolvidos em processos que incluam o Chefe do Executivo e secretários. “Como é que estes co-arguidos vão ser julgados na primeira instância? No Tribunal de Segunda Instância (TSI) ou no Tribunal Judicial de Base (TJB)? Alertamos o Governo para acautelar esta situação”, disse o deputado. Caso a proposta do Governo venha a definir que os co-arguidos venham a ser julgados no TSI, tal como os secretários, surge uma situação de desigualdade, uma vez que só poderão recorrer para o Tribunal de Última Instância (TUI). Pelo contrário, os co-arguidos de processos conjuntos com o Chefe do Executivo são julgados no TJB, tendo duas possibilidades de recurso. Questionado sobre este ponto, Vong Hin Fai assegurou que não há problema. “Concordamos com o princípio de que os titulares dos principais cargos e os cidadãos comuns devem ser julgados no mesmo processo. Assim evitamos problemas com a prescrição e com todas as formalidades. A comissão concorda que deve haver, pelo menos, uma possibilidade de recurso.” Contudo, o deputado não afastou a hipótese do Governo vir a decidir que os co-arguidos de processos conjuntos com secretários possam ser julgados no TJB. “Não podemos afastar essa possibilidade no futuro, teremos de ver”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

DIPLOMACIA MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS AUGUSTO SANTOS SILVA EXPLICA GAFE

A

PESAR de ter dito República da China, designação utilizada para Taiwan, Augusto Santos Silva defende que se estava a referir à República Popular da China. Segundo uma entrevista concedida à TDM, no domingo à noite, Augusto Santos Silva afir-

mou o seguinte: “Será uma visita com muitos resultados substantivos. Nós teremos uma declaração conjunta, assinaremos vários memorandos de entendimento e de acordo com a República da China em vários domínios, que vão do domínio científico ao económico”.

Em resposta ao HM, a tutela respondeu que o ministro se estava a referir à China. “É evidente que o Ministro dos Negócios Estrangeiros se estava a referir à China, isto é, à República Popular da China”, respondeu a tutela. Face à questão se a gafe do ministro resultaria numa

investigação, à imagem do que aconteceu com o diplomata Paulo Chaves, que apelidou os chineses de DDT [Donos Disto Tudo] num comentário privado no Facebook, a tutela não forneceu qualquer resposta. Por outro lado, foram deixadas garantias de

que Augusto Santos Silva conhece a diferença entre República Popular da China, criada pelo Governo de Pequim, e a República da China, que denomina Taiwan, vista como uma província rebelde por parte do Governo Central de Pequim. O Ministério

dos Negócios Estrangeiros negou que haja intenção de serem reestabelecidas relações diplomáticas com Taiwan. “Não”, foi a breve resposta à pergunta colocada.


8 sociedade

7.12.2018 sexta-feira

Crime Três indivíduos detidos por violação

Foram detidos três indivíduos pela Polícia Judiciária (PJ) e levados ao Ministério Público (MP) pelos crimes de coacção sexual e ameaça na sequência da queixa de uma mulher alegando que tinha sido violada num hotel do Cotai. De acordo com o Jornal Ou Mun, uma professora do continente, com mais de vinte anos de idade, veio de visita ao território e entrou em contacto com um homem de 37 anos que já conhecia. Este homem reservou um quarto de hotel e deu à vítima 10 mil dólares de Hong Kong e vales de compras no valor de 12 mil, tendo-lhe pedido para o acompanhar. Chegados ao hotel, a mulher terá sido violada. Para escapar à situação, a vítima pediu ajuda quando conseguiu sair do quarto a pretexto de ir à casa de banho. Além do homem em causa, estão ainda envolvidos neste crime mais dois indivíduos por cumplicidade.

Portas do Cerco Circulação de veículos limitada a partir de amanhã

PEARL HORIZON LESADOS PEDEM NOVA INVESTIGAÇÃO DO CCAC

À boleia do Chefe

Os lesados do caso Pearl Horizon entregam na próxima terça-feira uma carta junto do Comissariado contra a Corrupção a exigir uma investigação ao processo relativo à concessão do terreno. Kou Meng Pok acredita que uma decisão a seu favor pode levar a uma conclusão das obras

O

S promitentes compradores do empreendimento habitacional Pearl Horizon decidiram apanhar boleia da decisão do Chefe do Executivo e também decidiram pedir ao Comissariado contra a Corrupção (CCAC) uma investigação ao terreno que foi concessionado à Polytex e que passou para as mãos da Administração. Kou Meng Pok, presidente da União Geral dos Proprietários do Pearl Horizon, disse ao HM que vai ser entregue uma carta junto do CCAC na próxima terça-feira com esse pedido. De frisar que o Chefe do Executivo, Chui Sai On, anunciou

nas Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2019 que o CCAC iria investigar a aplicação da lei de terras relativa a todos os terrenos já revertidos para a Administração por falta de aproveitamento, onde se inclui o terreno onde iria nascer o Pearl Horizon. Kou Meng Pok espera, por isso, que o organismo liderado por André Cheong apure os factos e aponte responsabilidades pela não conclusão do projecto.

“Somos inocentes e esperamos que o CCAC faça uma investigação, para que haja justiça e se apurem os factos.” O porta-voz dos lesados defende que a investigação do CCAC a favor da Polytex pode anular a decisão do Tribunal de Última Instância (TUI), que deu razão ao Governo na declaração de caducidade do terreno, e, como consequência, levar à conclusão do edifício habitacional. “No contexto de uma política de círculo restrito, tudo pode acontecer

“No contexto de uma política de círculo restrito, tudo pode acontecer se o Chefe do Executivo assim o entender” KOU MENG POK PORTA-VOZ DOS LESADOS DO PEARL HORIZON

se o Chefe do Executivo assim o entender”, acrescentou. Kou Meng Pok salientou que os lesados pagaram os impostos e adoptaram todos os passos nos termos da lei, mas ficaram sem a casa adquirida em regime de pré-venda. Como tal, considera que os promitentes compradores foram privados de direitos merecidos.

PEQUIM, AJUDA-ME

Kou Meng Pok apresentou ontem uma missiva junto do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, com o objectivo de pedir um encontro, a fim de comunicar a situação em que se encontram os lesados. O presidente confessou ao HM que nunca recebeu qualquer resposta do Gabinete de Ligação, apesar das várias solicitações feitas. Nesta carta, Kou Meng Pok pediu também a demissão da secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, e de Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas. Para o porta-voz, os dois dirigentes precisam de assumir as suas responsabilidades no caso, por terem deixado os lesados a sofrer durante três anos sem uma resolução. Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo

Os meios de transporte das agências de viagem vão estar proibidos de entrar no lado leste da Praça das Portas do Cerco, das 16h às 20h, aos sábados, domingos e feriados públicos. A medida vai ser implementada a partir de amanhã. De acordo com o Jornal Ou Mun, este impedimento visa atenuar a pressão do trânsito na zona das Portas do Cerco e foi acordado entre o Governo e as empresas ligadas ao sector de turismo. Após a entrada em vigor, os veículos das agências de viagem podem utilizar a ponte Hong Kong-ZhuhaiMacau e outros postos fronteiriços para transportar turistas. Segundo a mesma fonte, a Polícia de Segurança Pública (PSP) pode ainda tomar medidas provisórisa de acordo com a situação do trânsito e da circulação de pessoas para proibir a entrada de veículos das agências de viagem na Praça das Portas do Cerco, fora do período indicado.

Trabalho FAOM organiza feira de emprego no fim-de-semana

A Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) organiza este fim-de-semana uma feira de emprego que terá 500 vagas disponibilizadas por cerca de 30 empresas participantes, em áreas como a tecnologia informática, engenharia, serviços, restauração e segurança. De acordo com o Jornal Ou Mun, as vagas de emprego disponíveis estão abertas a várias faixas etárias, sendo adequadas aos residentes.


china 9

sexta-feira 7.12.2018

CANADÁ PEDIDA LIBERTAÇÃO IMEDIATA DA DIRECTORA FINANCEIRA DA HUAWEI

Perigo de extradição

A filha do fundador da Huawei Technologies foi detida no sábado em Vancouver, a pedido das autoridades norte-americanas, por alegadamente ter violado as sanções impostas contra o Irão. A também vice-presidente da administração da empresa enfrenta uma possível extradição para os Estados Unidos. Representantes chineses protestam contra a detenção de Wanzhou Meng e exigem a sua libertação imediata

A

Embaixada da China no Canadá divulgou ontem um comunicado no qual pede a libertação imediata da directora financeira da empresa Huawei Technologies que foi detida em Vancouver, a pedido dos Estados Unidos. Wanzhou Meng, de 46 anos, é filha do fundador da Huawei. A mulher foi detida no sábado depois de Washington ter pedi-

do a sua extradição por supostamente ter violado as sanções impostas pelas autoridades norte-americanas contra o Irão. Os representantes chineses protestaram contra as autoridades norte-americanas e canadianas e exigiram que estas corrigissem o erro imediatamente e devolvessem a liberdade a Wanzhou Meng. “Acompanharemos de perto o desenvolvimento desta questão e tomaremos medidas para proteger re-

solutamente os legítimos direitos e interesses dos cidadãos chineses”, pode ler-se no comunicado. Na declaração também se refere que a China “se opõe com firmeza e protesta com energia” à detenção “que prejudicou gravemente os direitos humanos da vítima”. As autoridades canadianas anunciaram na quarta-feira que detiveram a directora financeira da chinesa Huawei Technologies, que

agora enfrenta uma possível extradição para os Estados Unidos. O porta-voz do Departamento de Justiça, Ian McLeod, disse que Meng Wanzhou foi detida em Vancouver, na Columbia Britânica, no sábado. McLeod afirmou que havia uma interdição de divulgar informação, pelo que não podia avançar mais detalhes. A interdição foi solicitada por Meng, que tem uma audiência esta sexta-feira. PUB

Sichuan Pelo menos 17 feridos em ataque com explosivo Pelo menos 17 pessoas ficaram feridas após um homem ter detonado um explosivo num autocarro, no sudoeste da China, onde na semana passada nove chineses morreram atropelados por um carro, foi ontem noticiado. A polícia local, citada pelo jornal South China Morning Post, de Hong Kong, adiantou que a detonação, na tarde de quarta-feira, causou fe-

rimentos a 17 pessoas, que foram transportadas para um hospital de Leshan, encontrando-se estáveis. Nas imagens de videovigilância do autocarro divulgadas nas redes sociais, vê-se um homem a entrar, a acender um volume embrulhado num pano, a atirar o que tinha na mão e a fugir imediatamente antes da deflagração. A explosão, embora não fosse de grande

potência, partiu as janelas do autocarro, que ficou envolto pelo fumo, e gerou o pânico entre os passageiros. Nesta mesma cidade da província de Sichuan, nove pessoas morreram na terça-feira da passada semana, depois de um carro se ter desviado bruscamente para o passeio e ter colidido com uma paragem de autocarro, por razões ainda desconhecidas.

COMÉRCIO PEQUIM VAI IMPLEMENTAR “IMEDIATAMENTE” MEDIDAS ACORDADAS COM EUA

A

China vai implementar “imediatamente” as medidas comerciais acordadas com os Estados Unidos na reunião entre os Presidentes Donald Trump e Xi Jinping, anunciou ontrm o Ministério do Comércio chinês. “A China vai implementar imediatamente o consenso alcançado por ambos sobre produtos agrícolas, energia, automóveis e outros bens específicos”, disse o porta-voz do ministério, Gao Feng, aos jornalistas. Os dois países estabeleceram uma trégua comercial, que vai adiar por 90 dias o aumento das taxas alfandegárias norte-americanas impostas sobre importações chinesas, depois de Donald Trump e Xi Jinping chegarem a acordo durante um jantar, no final da cimeira do G20, que decorreu entre sexta-feira e sábado, em Buenos Aires.

A administração norte-americana tinha anunciado que as taxas alfandegárias sobre importações chineses no valor de 200 mil milhões de dólares iam aumentar de 10 por cento para 25 por cento no início do próximo ano e Trump estava a considerar alargar o número de bens chineses que iriam sofrer esse aumento. A Casa Branca acrescentou que se os dois lados não chegassem a acordo no prazo de 90 dias, então o aumento das taxas alfandegárias seria aplicado.

O The Wall Street Journal tinha informado no início deste ano que as autoridades dos EUA estavam a investigar se a Huawei tinha

violado sanções dirigidas ao Irão. Meng é também vice-presidente da administração e filha do fundador da empresa, Ren Zhengfei.


10 eventos

7.12.2018 sexta-feira

O Fringe está de regresso. O cartaz do festival, que vai decorrer entre 11 e 27 de Janeiro, contempla 18 propostas pensadas para “quebrar as barreiras e as convenções e redescobrir o excepcional da vida quotidiana”

É

com “Sigma”, uma produção do grupo Gandini Juggling (Reino Unido), que combina ritmos, padrões e cores exuberantes num cenário de espelhos, celebrando o diálogo entre os mundos do malabarismo, da música e da dança clássica indiana que vai abrir o XVIII Festival Fringe, cujo cartaz foi ontem apresentado. Subordina-

da ao tema “Extra. Ordinário”, a iniciativa, organizada pelo Instituto Cultural (IC), pretende levar o público a “quebrar as barreiras e as convenções e a redescobrir o excepcional da vida quotidiana” através de um total de 18 propostas, a terem lugar entre 11 e 27 de Janeiro. É também do Reino Unido que chega “Wet Sounds”, um concerto subaquático “sem precedentes”, apresentado por Joel

À descobert

ARTES FESTIVAL FRINGE REGRESSA EM JANEIRO COM UM TOTAL DE 18 P

Cahen que vai transformar uma piscina comum num espaço para música, bem como “The Icebook”, o “primeiro livro pop do mundo em vídeo ‘mapping’, dos artistas britânicos Davy e Kristin McGuire. Já com a marca dos Estados Unidos surge “Transmissão Silenciosa”, pela mão da artista Morgan O’Hara, conhecida pelo desenho ao vivo “Live Transmissions”, que vai juntar-se à Associação de Desenvolvimento Comunitário para explorar o significado do desaparecimento e da incompletude da vida. “Peixe-dourado” titula a peça da Four Dimension Spatial de Macau e da Companhia de Dança Moderna de Changde (China), que

DESENHO EXPOSIÇÃO DE UNG VAI MENG INAUGURA NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA NO ALBERGUE

U

NG Vai está de regresso às exposições individuais. “Vestígios de Linhas”, que abre na próxima quarta-feira, pelas 18h30, no Albergue SCM, surge integrada nas celebrações do 19.º aniversário da RAEM. No total, são 29 obras organizadas em cinco séries temáticas – “Instantes”, “Santos”, “Anjos”, “Ópera Chinesa” e “Esboços” –, explorando “uma linguagem, onde a pintura tradicional chinesa se cruza com o desenho a carvão”, diz um comunicado divulgado ontem pelo Albergue SCM. A mostra, comissariada pelo arquitecto Carlos Marreiros, vai estar patente ao público até 13 de Fevereiro. Com entrada livre, pode ser visitada de terça a domingo entre as 12h e as 20h. Nascido em Macau, onde estudou desenho e aguarela, Ung Vai Meng realizou uma vasta gama de exposições individuais em Macau, Hong Kong, na China e na Europa, tendo vencido inúmeros prémios em competições de arte e design em Macau e no exterior. Ung Vai Meng, que foi presidente do Instituto Cultural, é actualmente professor convidado e mentor de doutoramento da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. D.M.

se propõe a revelar memórias ocultas de tabus emocionais sob a lógica do sonho.

DESENHOS QUE SOAM

O Fringe oferece 18 programas, duas exposições e instalações, sete ‘workshops’...

O Conjunto de Música Urbana Interactiva, por seu turno, vai apresentar uma instalação com desenhos de diferentes instrumentos musicais que podem ser tocados. “É uma instalação interactiva baseada nas formas de arte de rua. Basicamente, é uma parede de seis por três metros com desenhos de instrumentos que ao serem tocados vão dar som”, explicou o português João Oliveira, sem esconder a expectativa de ver a reacção do público. “Hei-de vir todos os dias para filmar,

PRÉMIO OBRA “HABITABLE STRUCTURE” VENCE TRIENAL DE GRAVURA DE MACAU

A

obra "Habitable structure", da autoria do artista polaco Lukasz Koniuszy, venceu o prémio de ouro da terceira Trienal de Gravura de Macau, organizada pela Instituto Cultural (IC). A prata e o bronze foram atribuídos, respectivamente, às obras "The remains of the painful thing 6" e "The way of harvester No. 2", ambas da autoria de artistas tailandeses (Warranutchai Kajaree e Rattana Sudjarit). O anúncio foi feito ontem pelo IC em comunicado, dando conta de que foram ainda atribuídas sete menções honrosas a Alberto Balletti (Itália), Bianca Cork (Reino Unido), Chalita Tantiwitkosol (Tailândia), Cao Jianhong, Li Can e Zuo

Wei (China) e a Lee Wen-Jye de Taiwan. Na mesma nota, o IC destaca a enorme adesão à Trienal de Gravura de Macau, dado que foram recebidos 1097 trabalhos da autoria de 720 artistas oriundos de um total de 39 países e territórios. Um número recorde desde que a iniciativa foi lançada em 2012. As 175 obras premiadas e finalistas vão ser exibidas a partir do próximo dia 28, e até 17 de Março, no Centro de Arte Contemporânea de Macau – Oficinas Navais N.º 1, na Galeria Tap Seac, na Galeria de Exposições Temporárias do IACM, bem como na Galeria de Exposições e Casa Nostalgia das Casas da Taipa.


eventos 11

sexta-feira 7.12.2018

ta do excepcional

PROPOSTAS

porque, para mim, o que tem piada é isso mesmo, não haver distanciação entre os artistas e quem observa. Na realidade, o público é o artista, eles é que vão fazer algo”, sublinhou. João Oliveira explicou ainda que estarão patentes instrumentos distintos, desde chineses a indianos, ou mesmo da música electrónica, como sintetizadores. Em paralelo, vão ter lugar pequenas performances com o objectivo de explicar um pouco o conceito a quem passar pela Praça de Jorge Álvares. O programa tem, de resto, uma forte componente local, como “Pequeno Escape”, que revela histórias de vida entre os corredores de um PUB

... e três palestras temáticas, num total de mais de 100 sessões ao longo de 17 dias

supermercado, da autoria de Lei Sam I, bem como “Sê Meu Velho Amigo”, produzido pela companhia local Dream Theater Association, em que, por via de objectos de estimação, velhos amigos contam histórias pessoais, lembrando a Macau do antigamente. Destaque também para “Flash Mob – Phubber Drama”, de Cherrie Leong, que reflecte sobre a sociedade actual, centrada no mundo dos “phubbers”, ou seja, dos que ignoram alguém por estar constantemente fixado no telemóvel ou para “Sonia”, escrita pelo dramaturgo local Ma Wai In e encenada por Ku Ieng Un, em que o público

vai ser convidado a ouvir uma história que, dando vida a personagens não-humanas, reproduz a realidade. A oferta inclui ainda espectáculos transdisciplinares e fruto de colaborações inter-regionais, como “Horizonte Corporal”, da Companhia de Dança Amálgama (Portugal), Dancecology (Taiwan) e Stella e Artistas de Macau, que apresentará uma nova perspectiva que permitirá ver Macau de um outro ângulo, através das linhas da paisagem com a extensão dos corpos. O Fringe contempla ainda espectáculos para públicos de diferentes idades, tais como “Magia de Luz e Sombra”,

apresentado pelo mimo francês Edi Rudo e pelo CANU Theatre, os quais irão criar um mundo teatral absurdo, usando luzes e sombras com as mãos; e o concerto “Era uma vez a cantar em Português”, da Casa de Portugal em Macau, que apresenta clássicos da Disney e canções tradicionais infantis portuguesas. O XVIII Festival Fringe, com um orçamento de três milhões de patacas, oferece 18 programas, duas exposições e instalações, sete ‘workshops’ e três palestras temáticas, num total de mais de 100 sessões ao longo de 17 dias. Diana do Mar (com J.L.) info@hojemacau.com.mo


12

h

7.12.2018 sexta-feira

a eternidade é nossa, em madeira esculpidos!

José Simões Morais

O tráfico de cules via Macau

“A

NTES da Guerra do Ópio, os ingleses e os portugueses recrutavam os trabalhadores chineses através de Macau para as suas colónias, nas diversas partes do mundo. A proibição da emigração não foi cumprida pelos oficiais chineses em Macau antes de 1849”, segundo Liu Cong e Leonor Diaz de Seabra, que referem, “Com o desenvolvimento da emigração de cules chineses neste porto, desde 1851, o governo chinês permaneceu ignorante e indiferente ao tráfico humano em Macau, durante um longo período.” Já desde 1844 agentes provenientes da Guiana Inglesa, Cuba e Peru chegavam aos portos chineses e recrutavam cules para ir lá trabalhar. Muitas vezes raptados e contratados à força pelos angariadores, eram mal tratados durante a viagem de barco e quando chegavam ao destino, muitos caíam nas redes de traficantes de escravos. Assim se dá início ao tráfico de cules. Segundo as estatísticas recolhidas por Arnold J. Meagher, “Entre 1851 e 1874 [período em que decorreu o tráfico de cules chineses em Macau], mais de 210.054 cules chineses emigraram através de Macau para vários destinos, como Cuba, Peru, Guiana Britânica, Suriname, Costa Rica, Ásia do Sudeste, Moçambique, Califórnia e Austrália”, sendo a maioria destes para Cuba (122.454) e para o Peru (81.552). Os corretores (angariadores) andavam pelo interior da China a aliciar pessoas para emigrar e em Macau entregavam-nos aos contratantes (agentes), que determinavam as condições laborais e de viagem, sem haver até 1851 conhecimento oficial das autoridades de Macau. “A emigração de trabalhadores chineses para a América – originariamente de Hong-Kong para a Califórnia – realizou-se também em Macau a partir de 1851, principalmente para Cuba. Para restringir os muitos abusos que caracterizavam esse tráfico, o governo de Macau adoptou medidas que, levadas correctamente a cabo, satisfariam os mais caprichosos legisladores e filantropos. Pelas ordenanças de 1853, o governo controlou os barracões ou casas de cules; e tratou das acomodações e requisitos sanitários adequados aos emigrantes, tanto em terra como durante a viagem. Para evitar o transporte clandestino de cules enganados, tornou-se obrigatório, em 1855, o registo dos contratos e o interrogatório dos cules em terra pelo procurador e a bordo pelo capitão do porto. Outra regulamentação de 1856 exigia que os agentes de cules tivessem licenças e caução, além de os sujeitar a sanções por enganar e coagir emigrantes, ou por não custear a passagem de regresso e as despesas dos cules rejeitados pelo gover-

no ou pelos agentes de emigração em Macau; os menores de dezoito anos não podiam emigrar excepto se acompanhados dos pais; e, mesmo depois de terem assinado o contrato, os cules podiam cancelá-lo se o desejassem, pagando as despesas legais custeadas, por sua causa, pelos agentes”, segundo Montalto de Jesus (MJ).

A VENDA DE LEITÕES

O Governador Guimarães, Visconde da Praia Grande, publicou um edital em Março de 1859 condenando os abusos dos corretores e mandava encerrar os depósitos ilegais. “Para evitar trocas de identidade, passou a ser exigido, dali em diante, que os emigrantes assinassem o contrato perante duas testemunhas”, MJ. Em Abril, os magistrados de Nanhai e Puanyo publicaram uma proclamação contra os corretores da emigração, referindo haver “vagabundos que iam por essas terras enganar os pobres chineses com promessas de chorudos salários no estrangeiro; traziam-nos para Macau e outros portos e vendiam-nos para países

estrangeiros. A isto chamavam eles chu-chai (leitões, ou seja, venda de leitões)”, como refere o Padre Manuel Teixeira, “Os culpados deviam ser punidos, os depósitos encerrados e publicado um regulamento claro e firme. Todos deviam indagar se as promessas haviam sido feitas de boa-fé; o contrato devia determinar o salário do trabalho, a duração deste, o local onde eram destinados e se podiam escrever à família e amigos e remeter-lhes dinheiro. Uma vez que se assentasse em tudo isto, não havia objecções contra a emigração”, segundo os magistrados. Mas os abusos continuaram e levaram ainda “o Governador Isidoro Guimarães a nomear por port. de 30 de Abril de 1860, um superintendente da emigração Chinesa, coadjuvado por um intérprete. A prática era a seguinte. Os corretores iam convidar os chineses às suas terras; os que aceitassem tinham transporte gratuito para Macau. Uma vez entrado no depósito, o emigrante declarava a sua idade; tendo menos de 18 anos e não tendo pai ou mãe que o

Em Abril, os magistrados de Nanhai e Puanyo publicaram uma proclamação contra os corretores da emigração, referindo haver “vagabundos que iam por essas terras enganar os pobres chineses com promessas de chorudos salários no estrangeiro; traziam-nos para Macau e outros portos e vendiam-nos para países estrangeiros. A isto chamavam eles chu-chai (leitões, ou seja, venda de leitões)”

acompanhassem, era rejeitado. Quem não tivesse 25 anos de idade, devia apresentar o consentimento dos pais, tendo-os”, segundo o Padre Manuel Teixeira.

EMIGRAÇÃO POR CONTRATO

Pelo Act for the regulation of Chinese Passengers de 30 de Junho de 1855, o governo britânico de HK regulava o transporte de chineses a bordo dos seus navios. Ano em que os franceses contrataram 900 cules chineses para trabalhar em Guadalupe e Martinica. Com a II Guerra do Ópio (1856-60) “Por Hong Kong, só nos três primeiros anos considerados (1856, 1857 e 1858), saíam 56.256 colonos (mais do dobro do que em Macau [20.610 colonos])”, refere Fernando Figueiredo. “A Segunda Guerra do Ópio proporcionou aos ingleses uma oportunidade de forçar o governo Qing a permitir e regular a emigração dos cules chineses. Em 1859, durante a ocupação anglo-francesa da cidade de Cantão, o governador Bo Gui (柏贵) e mais tarde, o vice-rei Lao Chongguang (劳崇光), por requerimento dos ingleses, permitiram a emigração chinesa por contrato. Em 1860, ainda sob a ameaça militar anglo-francesa, o governo central chinês, pelas Convenções de Pequim, permitiu o recrutamento dos trabalhadores chineses por ingleses e franceses para fora da China e o direito dos chineses a fazerem contratos com os ocidentais e emigrarem, sozinhos ou acompanhados pelas famílias. O abandono da lei secular da proibição à emigração, pelo governo chinês, fez parte das mutações que a China teve de enfrentar, perante as novas circunstâncias internacionais sem precedentes. Depois de admitir a emigração por contrato, o próximo passo foi regular e uniformizar esta actividade em todos os portos abertos (dos tratados)”, segundo Liu Cong e Leonor Seabra. Beatriz Basto da Silva refere, “A Convenção Anglo-Chinesa de 1860, pretendendo regulamentar o tráfego através de contratos legais, foi estendida a outras potências, como a Espanha, e em 1866 aos representantes da França, estabelecendo-se nesta altura a cláusula de que os emigrantes chineses teriam direito a repatriamento gratuito e automático no fim de cumprir cinco anos de contrato. A Inglaterra e a França não ratificaram a posição dos seus representantes e a China recusou-se a consentir a emigração noutros termos. Praticamente com as ‘mãos vazias’, as nações intervenientes resolveram contornar a questão e o fluxo de saídas passou a fazer-se mais intensamente em Macau, que não tinha entrado nas negociações”, pois a China não tinha rectificado com Portugal o Tratado de Daxiyangguo de 1862.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

sexta-feira 7.12.2018

plano de corte José Navarro de Andrade

Q

UANDO no outro dia acabei de ver “Broken Lance” (“A lança quebrada”) na TV reforçou-se-me a convicção de que dar atenção aos filmes pela assinatura do realizador, segundo o vigente e peremptório dogma do “cinéma d’auteur”, traz menos benefícios do que prejuízos a quem quiser ver o cinema sem os óculos escuros dos estereótipos. Quase ignoto, pode-se considerar “Broken Lance” como um anódino produto saído em 1954 da linha de montagem de Hollywood. Edward Dmytryk, o seu realizador, nunca se fez digno do pendão e caldeira dos “auteurs.” E se David Thomson, sumo pontífice da história do cinema, o despacha como um que de tanto lhes puxar o lustro as suas fitas redundavam embaciadas e pomposas, também Pauline Kael a insurgente da crítica clássica, além de não ligar pevas ao filme, nunca isenta Dmytryk da sua mordacidade nas escassas referências que lhe faz em 5001 noites de cinema. Estaríamos conversados não fosse “Broken Lance” uma caubóiada lauta e suculenta como um bacalhau com todos. Ora aqui está um belo exemplo de que para percebermos como as coisas resultam convém perceber como são feitas. No período exuberante de Hollywood as

De cavalo para burro obras tanto poderiam surdir da ambição de um produtor em haurir a popularidade de um elenco, como despontar de um argumentista que trouxesse um guião promissor. Normalmente estas e outras mil intenções, em concordando, transitavam para a produção. De modo que realizadores com influência e arbítrio para convencerem os produtores a investirem nos seus projectos eram apenas um punhado, aqueles que tinham o “nome acima do título” – e mesmo estes, as guerras que tiveram para conseguirem, quando conseguiam, meter a unha na montagem final… Há filmes bons e filmes maus e é aqui que tudo vem ter antes e depois de

Artefacto de confecção industrial, comparado com os filmes de hoje “Broken Lance” dá-nos boa medida do quanto cinema se desvigorou. Todo o cinema

qualquer “ideia de cinema.” E se amiúde um filão de filmes notáveis confere com o nome de um autor, raro é que um determinado autor rubrique sempre filmes relevantes. Ora observar o todo pelos seus particulares e a partir das excepções, dar-nos-á dele o melhor, mas bastante peixe graúdo passa pela malha larga dessa rede. Os eloquentes méritos de “Broken Lance”, que a ele nos prendem, promanam em primeiro lugar do cativante argumento. Veio ele de Philip Yordan, que apesar de vender histórias avulsas, mormente a companhias de 2.ª, o seu estro era sobejamente respeitado pelos pares. Que tenha ganho um Oscar depois de três vezes nomeado, valerá talvez menos hoje do que ter escrito o idolatrado “Johnny Guitar”. “Broken Lance” é um filme com ”mensagem” e está cosido de referências cultas – gato de rabo de fora é a alusão a Rei Lear e seus herdeiros. Mas à boa maneira clássica isto é exposto sem levantar a voz; quem quiser ou puder, vê, e quem não vir não se perde no enredo. Por esta altura já o western não elidia a sua maior inclinação para o trágico do que para o épico. Fanada a suposta superioridade moral da conquista do Oeste o foco assestava agora nos dilemas e nos conflitos impiedosos que aquela terra

sem barreiras acicatava. Portanto o argumento de “Broken lance” não poupa esforços para nos inquietar. Merecedor de apreço paralelo ao da história é o elenco. Spencer Tracy, ciente do seu Outono, investe na personagem a altivez e a fúria que ela exige, mas também a convicção e o denodo que a tornam respeitável, traços de só um actor sazonado seria capaz. Com ele contrasta um Robert Wagner a filar o osso da sua crescente celebridade e um Robert Wydmark que por esta altura nunca deixava por mãos alheias os seus créditos como vilão. Com balas deste calibre no revólver Edward Dmytryk tem o tento de não as desperdiçar. Ou seja, não estraga com temperos de “autor” os óptimos ingredientes que lhe deram. E nesta discrição manifesta-se a sua competência. Artefacto de confecção industrial, comparado com os filmes de hoje “Broken Lance” dá-nos boa medida do quanto cinema se desvigorou. Todo o cinema. Quer o de cariz industrial, tributário dos planos de marketing, quer o que se diz independente ou auto-intitula de cultural, inflamado de propósitos ou afectado de estilo, mas que só ocasionalmente se desonera da falta de polimento e da parcimónia do artesanato.


14

h

Máquina Lírica Paulo José Miranda

V

EM agora a lume As Constituições Perdidas de Aristóteles, com tradução do filósofo António de Castro Caeiro. Trata-se de um livro envolto em mistério e polémica. Logo na introdução, Caeiro escreve “Os fragmentos são citações de livros perdidos, imputados a Aristóteles. (...) Os fragmentos foram coligidos a partir de obras de outros autores e cobrem um período de mais de mil anos.” Adiante, o filósofo que aqui faz de tradutor acrescenta: “Aristóteles não escapou ao processo de falsificação.” Estamos, por conseguinte, diante de um livro que levanta inúmeros problemas, mesmo antes de analisarmos o seu conteúdo. Mas os olhares que mais me interessam salientar neste livro são outros e dois: o literário e o político, ambos extremamente contemporâneos, actuais. E começo pelo sentido político que grassa as páginas deste livro. Ao lermos estas Constituições não podemos deixar de ser invadidos pelo sentimento de estranheza que habitava estes povos, que no seu conjunto constituíam a Hélade. Ao lermos o livro vemos bem que o mundo é todo ele constituído de diferenças, de estranhezas. O mundo é um lugar estranho. E é este o ponto de vista que grassa os fragmentos. As palavras mostram esta estranheza que é a verdadeira dimensão do humano. Só quando está a sós e sem pensar é que um humano não é estranho para si próprio. Fora desse momento a estranheza invade-o e tudo para quanto olha aparece como não sendo familiar. Ao se agrupar num mesmo texto estes fragmentos sobre “outros povos”, pois é disto que se trata, está-se a promover a visualização da diferença numa tentativa de compreensão do outro. O tom do livro não é o da crítica ou repulsa do hábito do estrangeiro, mas do espanto e da tentativa de aproximação, de querer entender, de querer ver para além da evidente distância que há entre esse hábito e o nosso. Num dos fragmentos, o 611, III parte, Constituição de Creta, 15, ficamos a ver que a hospitalidade aos estrangeiros não era comum, fazendo dos cretenses um povo à parte. Escute-se esta passagem: “Todos os cretenses costumavam-se sentar em cadeiras. Foram eles os primeiros a partilhar alimentos com os hóspedes. Depois de terem dado uma parte do rendimento aos hóspedes, davam quatro porções ao rei: uma tal como deram aos outros, a segunda para o seu reinado, a terceira para a sua casa e a quarta para as suas peças de mobiliário. Em geral, em Creta há uma enorme boa vontade para com os estrangeiros. Também lhe chamavam o lugar de honra”

7.12.2018 sexta-feira

´

Apresentação de um livro perdido e actual Há aqui de algum modo, com o elemento que nos parece estranho de mostrar terem sido os cretenses os primeiros a sentarem-se em cadeiras, um elogio aos cretenses, mostrando que eram um povo evoluído, civilizado, e que isso se mostrava também ou principalmente pelo modo como tratavam os estrangeiros. Como se a atenção ao diferente fosse uma marca de civilização, uma marca de evolução, fazendo da aproximação entre os humanos uma mais-valia, um universal desejado e ambicionado.

Quero, contudo, deixar claro que este esforço pela anulação da distância não vai promover a anulação da estranheza. Veja-se como exemplo o fragmento 611, Constituição de Esparta, 13: “As mulheres espartanas não tinham nenhum adorno, nem sequer podiam trazer o cabelo comprido ou andar com ouro. Alimentavam os filhos de tal sorte que nunca ficassem saciados, para que se habituassem a ser capazes de suportar a fome. Também os ensinavam a roubar e castigavam com açoites quem fosse apanhado a roubar, para que fossem capazes, como resultado deste treino, a sofrer e a permanecerem acordados se caíssem em mãos inimigas. Começavam logo desde crianças a falar de forma breve e a serem comedidos tanto a gozarem com os outros como a serem gozados pelos outros. As suas sepulturas são simples e iguais para todos. Entre eles ninguém coze pão, pois não têm farinha de trigo, mas apenas cevada.” Mas talvez os fragmentos em que este esforço de entender a diferença, o estranho, apareçam de modo mais claro sejam os fragmento 538 e 539. Vejamos primeiro o 538: “A krypteia era chamada a agência secreta dos lacedemónios - se é que se tratava de um dos órgãos de governação de entre os que foram incluídos na constituição de Licurgo, como nos informa Aristóteles.

Como quer que tenha sido, permitiu a Platão formar uma opinião sobre a Constituição dos Lacedemónios e Licurgo. A krypteia agia assim: os comandantes jovens enviavam, de tempos a tempos, aqueles que lhes pareciam ser os mais inteligentes para o campo, apenas com um punhal e ração de sobrevivência. Mais nada. Escondiam-se durante o dia, espalhados por locais desconhecidos, e descansavam. Mas, de noite, faziam-se a caminho e assassinavam todos os Helotas que apanhassem. Aristóteles diz ter sido sobretudo quando os Éforos chegaram ao poder que decidiram declarar logo guerra aos Helotas, para o massacre poder ser praticado sem violação de escrúpulo religioso.” Percebemos claramente, no final, o esforço de Aristóteles em incutir racionalidade a um acto que em si mesmo parece falido de razão. E iremos ver o mesmo no fragmento 539: “Como diz Aristóteles, quando chegaram ao poder, os Éforos mandaram anunciar aos cidadãos que deviam cortar o bigode e obedecer às leis, para não terem de ser duros com eles. Eu acho que propuseram a coisa do bigode para que os mais novos se acostumassem a obedecer, mesmo a respeito dos mínimos detalhes.” Embora este último fragmento tenha um carácter cómico, à luz dos nossos dias, se em comparação com o primeiro, a verdade é que estamos diante da mesma espécie de fenómenos: por um lado a prepotência e irracionalidade dos actos perpetrados e, por outro, uma tentativa de compreensão, de conferir racionalidade ao que nos é estranho. Mas voltando ainda ao espectro da estranheza e da diferença, e neste caso em relação a nós aqui e agora, leia-se o fragmento 542: “Aristóteles diz que na Constituição dos Lacedemónios que estes usavam para os combates um uniforme cor de púrpura e isto por dois motivos. Primeiro, por causa da virilidade da cor. Depois, porque o sangue é dessa cor e assim ajuda a fazer pouco caso do sangue derramado.” Esta ligação da cor púrpura à virilidade soa-nos claramente estranha. Mas imbuídos do espírito do livro, deste exercício de aproximação ao estranho e distante, ficamos presos ao segundo argumento, o de ser duma cor semelhante à do sangue e por isso ter ou poder ter efeitos práticos e úteis. Esta aproximação contínua ao estranho e diferente faz deste livro um livro actual. Actual, porque necessário aqui e agora. Falta-nos hoje, e cada vez mais, este exercitar-nos na aproximação ao diferente e estranho. Aliás, o que temos visto recentemente é o nosso mundo a caminhar cada vez mais para uma anulação do

diferente. Caminhamos perigosamente, e na contramão deste livro de Aristóteles, não num conferir racionalidade ao que nos parece carecer dela, mas conferir irracionalidade ao que nos escapa por falta de exercício racional. Isto só por si faz deste livro um livro urgente, um livro que tem um uso actual e necessário. Um livro político, na melhor acessão da palavra. Do ponto de vista literário, estes fragmentos estão repletos de pequenas pérolas narrativas, como se se tratassem de micro-contos, que, no seu conjunto, acabam por nos dar um retrato panorâmico da Antiga Grécia e da sua enorme diversidade. Relatos que nos instiga a querer ver mais do que nos é contado, a imaginar, a fazermos nós uma continuação daquilo que nos é contado, que é a função da grande literatura. E apenas como exemplo disto, vou ler-vos o fragmento 609: “Aristóteles, o filósofo, relata que alguns dos Gregos, quando regressavam de Tróia, foram surpreendidos, ao contornar o cabo Maleia, por uma tempestade violenta. Arrastados pelos ventos durante tanto tempo, vaguearam por muitos mares, acabando por ir dar a um local de Ópica, chamado Lácio, e que fica no mar Tirreno. Contentes por verem terra, puxaram os barcos para aí mesmo passarem a estação das tempestades, preparando-se para partir quando chegasse a Primavera. Então, numa noite depois de o fogo lhes ter destruído as embarcações, sem saber o que fazer para prepararem a partida, a inevitabilidade inesperada obrigou-os a fazerem vida justamente no local onde tinham ido dar. Isto aconteceu-lhes por causa das mulheres cativas que traziam de Tróia. Foram elas quem incendiou as embarcações, com medo da partida para a casa dos Aqueus, porque uma vez lá chegadas iriam para a escravidão.” Estamos assim perante uma versão da fundação da cidade de Roma, mais literária e mais humana do que a versão mitológica conhecida. E ao longo deste livro temos várias pérolas literárias semelhantes a esta. Terminava esta apresentação voltando à estranheza que percorre as páginas deste livro e que não vos deve ter passado despercebido ao escutarem os fragmentos que vos li. De facto, a estranheza está não só no conteúdo, para nós agora e para os povos da Hélade, confrontados uns com os outros nos seus hábitos, mas também na forma, neste confronto entre as línguas gregas que falam nos textos originais e a nossa língua portuguesa. Resta agradecer ao António de Castro Caeiro este livro fazer agora parte da nossa língua.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

sexta-feira 7.12.2018

tonalidades António de Castro Caeiro

A lapiseira amarela

L

Como é que a única coisa de que damos falta, que está ausente, em paradeiro desconhecido, passa a ser a única coisa em que pensamos, a que damos consistência

APISEIRAS era o que eu mais perdia na infância. Sempre as achei fascinantes. Eram lápis sofisticados. Não requeriam aparo. As minas eram substituídas. Eram mais grossas do que as que eu agora uso. As lapiseiras tinham uma estrutura metálica em forma de garra para prender as minas. Havia de muitas cores. Lembro-me em particular de uma amarela. Transportava-a dentro do estojo em forma de chuteira de futebol com borracha Rotring, que ia dentro da mochila. Houve alturas que sublinhava a vermelho e a azul, a lápis e depois a tinta, mas prefiro os livros sublinhados de leve. Ainda não consigo fazer como em Oxford. Não sublinhar os livros não é ainda para mim uma opção. Uso, não minto, os PDF’s para buscar palavras e ocorrências e as ler em contexto, mas cada vez mais estou dependente do papel, seja em livro seja em fotocópia. Vejo mal ao longe e ao perto, mas as letras em tamanho máximo no ecrã não são tão cómodas como as palavras no papel. Lapiseiras era o que mais perdia na infância. Mas perdia muitas outras coisas. Não sei se eram roubadas as coisas ou não. Quero acreditar que não. Desapareciam. Estavam ao pé de mim. Depois, sem me aperceber de como desapareciam completamente. Como é que a única coisa de que damos falta, que está ausente, em paradeiro desconhecido, passa a ser a única coisa em que pensamos, a que damos consistência. Li mais tarde a formulação latina praesentia in absentia. Quando perdemos uma coisa, não sabemos onde ela está. É o advérbio interrogativo que faz a pergunta. Onde está a lapiseira? Onde deixei a lapiseira? Onde está X? Sabemos ou julgamos saber onde estão todas as coisas ou não nos importa saber onde elas estão. Não é por precisarmos dela necessariamente que perguntamos onde estará a lapiseira. Pode ser só para saber onde está, para sossegarmos, porque não lidamos

bem com a perda de objectos que são nossos. Não lidamos bem com a perda. É simbólica esta perda? Ou não será porque damos valor ao que temos. Damos o valor ao dinheiro que resulta do esforço do trabalho para podermos comprar coisas. Damos valor afectivo às coisas. “As nossas coisas” dizemos. Queremos saber da sua disponibilidade. Queremos saber onde estão as coisas, as nossas coisas. Mas aquela única coisa que julgamos perdida é interrogada a respeito do seu lugar. Não achamos que evaporou, mas é como se se tivesse evaporado. Abre-se um campo de latência mais ou menos definido dos sítios onde pode estar. Debaixo das peças de mobiliário da sala de aula, das cadeiras e das secretárias. Revolvo a mochila, procuro em todos os cantos e recantos. Lembro-me de ter tido a lapiseira na mão e depois sobre a secretária. Não pode não estar senão ali. E nada. Em casa, procuro-a por toda a parte. Afinal, posso ter-me confundido. Não não posso ter-me confundido. E a mãe diz que sou desleixado e distraído. A distração sempre foi uma maleita confesso. Depois mais tarde foi objecto de trabalho aturado, mas está sempre à coca. Mal sinta que baixo a guarda, aí vem ela. Tantas lapiseiras que tive. “Agora, vê lá se a perdes”. “A” é a nova lapiseira. É amarela e preta como alguns lápis antigos. Mas onde é que raio foi parar a lapiseira amarela? Assaltou-me agora essa memória da infância. A memória da lapiseira, a memória da perda de objectos do passado. Sou transportado para o Santa Maria de Belém, numa rua onde fui há pouco tempo jantar com o João Paulo Cotrim. Uma rua que tem um externato, onde eu andei. Foi há mais de 40 anos. As ruas são engolidas pelos bairros que não frequentamos e desaparecem da vista e do quotidiano. Onde estará a lapiseira amarela e a minha infância e tudo o que havia?


16 desporto

E

SPERAVAM-SE algumas decisões importantes do último Conselho Mundial da FIA de 2018 no que respeitava ao futuro das três Taças do Mundo da Federação Internacional do Automóvel que fazem parte do programa do Grande Prémio de Macau. De São Petersburgo, na Rússia, veio a esperada confirmação da continuidade da Taça do Mundo de Carros de Turismo, o voto de confiança de como o Circuito da Guia é o palco certo para a Taça do Mundo FIA de GT e uma nebulosa incerteza em relação à prova de Fórmula 3. Como anunciado aqui há duas semanas, o circuito citadino da RAEM acolherá a nona das dez jornadas triplas da Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCR) de 2019. Todavia, Macau deixa de ser prova de fim de época, rumando o campeonato à Malásia, em data a determinar, para a prova de encerramento de temporada. Em declarações à imprensa francesa, François Ribeiro, o CEO da Eurosport Events, empresa que tem os direitos de promoção do campeonato, referiu que a maioria dos pilotos do WTCR mostraram-se a favor que o Circuito da Guia, pela sua natureza, não fosse palco da última e decisiva prova do campeonato. Para além de ter anunciado também algumas alterações no sistema de pontuação e o limite de dois carros por equipa e quatro carros por construtor no campeonato, o número máximo de inscritos para a temporada completa passa de 28 para 32. A FIA confirmou também que aceitará a participação de “wild cards”, ou pilotos convidados, no campeonato, mas estes não marcarão pontos. Recorde-se que foi através de “wild cards” que Macau esteve representado este ano na Corrida da Guia com seis concorrentes. O número de “wild cards” do WTCR estava limitado a dois por prova, mas Macau quebrou essa limitação, permitindo a par-

7.12.2018 sexta-feira

GP MACAU TAÇAS DO MUNDO DE TURISMOS E GT CONTINUAM NO CARTAZ

Duas já cá cantam

ticipação de André Couto, Filipe Souza ou Rui Valente.

LUZ VERDE AOS GT

Apesar do número de inscritos ter ficado aquém das expectativas na edição do passado mês de Novembro, a Comissão de GT da FIA deu o seu aval para que a próxima edição da Taça do Mundo FIA de GT seja realizada no território, decisão “sujeita à homologação do circuito e acordo com o promotor”. O comunicado da federação internacional também refere que uma “classe dedicada a pilotos Prata será introduzida”. Em 2017, a própria FIA exigiu que a prova realizada dentro da Taça GT Macau fosse apenas para pilotos Ouro e Platina de acordo com o sistema de categorização do órgão máximo que regula o desporto auto-

móvel a nível mundial. Esta decisão terá afastado a participação de alguns pilotos, principalmente privados que são essenciais para construir uma grelha de partida com mais de duas dezenas de participantes. Stéphane Ratel, cuja empresa SRO Motorsport Group coordena esta corrida em parceria com a Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC), afirmou que as duas corridas sem incidentes da pretérita edição vão ajudar

à reabilitação da Taça do Mundo FIA de GT, esperando cativar o interesse de mais construtores e pilotos privados em 2019.

INCERTEZA NA F3

No país dos czares, a FIA anunciou o calendário do seu novo campeonato de Fórmula 3, organizado pelas mesmas pessoas que fazem o mundial de Fórmula 1, mas não se pronunciou sobre o Grande Prémio de Macau. Notícias que vieram a lume na im-

O circuito citadino da RAEM acolherá a nona das dez jornadas triplas da Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCR) de 2019. Todavia, Macau deixa de ser prova de fim de época, rumando o campeonato à Malásia, em data a determinar, para a prova de encerramento de tempo

prensa internacional especializada na quarta-feira deram conta da possibilidade do Grande Prémio manter a aposta nos monolugares actuais, que têm homologação até ao final de 2019, para a corrida de Fórmula 3 do próximo ano, em vez de dar as boas-vindas aos mais modernos, mais seguros e mais rápidos monolugares da última geração. Contudo, a FIA deixou a porta aberta a estes monolugares da última geração no Grande Prémio, visto que a última ronda da temporada do novo campeonato de Fórmula 3 está marcada para o mês de Setembro na Rússia, dando tempo mais que suficiente para preparar a viagem de final de ano à RAEM. As negociações entre a FIA e a Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau sobre este assunto deverão decorrer nas próximas semanas. Todavia, há uma dúvida que sobressai caso a opção recaia sobre os monolugares vistos este ano a competir na prova de Fórmula 3. É que a FIA não permite o uso da nomenclatura “Fórmula 3” em qualquer campeonato que não utilize os Fórmula 3 da última geração. Isto é, campeonatos de Fórmula 3 que usam monolugares das gerações anteriores não podem usar a nomenclatura “Fórmula 3”. O defunto Campeonato Europeu FIA de F3 chamar-se-á a partir do próximo ano Formula European Masters e o ex-campeonato espanhol da especialidade, que usa os mesmos carros, é designado de Euroformula Open. Se o entendimento das entidades responsáveis ditar a manutenção dos chassis Dallara F317 e se a FIA mantiver a coerência, a possibilidade do Grande Prémio de Macau outorgar a Taça do Mundo de Fórmula 3 pelo quarto ano consecutivo poderá ficar comprometida. Por outro lado, esta opção adiará apenas por um ano uma decisão mais importante que é o próprio futuro da corrida que atribui o título de vencedor do Grande Prémio de Macau. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo

PUB

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 756/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor ZHANG JIANXIN portador do Passaporte da RPC n.° G27597xxx e portador do Salvo-Conduto para Deslocação a Hong Kong e Macau da RPC n.° W97388xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.°199/DI-AI/2017 levantado pela DST a 09.08.2017, e por despacho do Director dos Serviços de Turismo, Substituto, de 03.08.2018, exarado no Relatório n.° 515/ DI/2018, de 26.07.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.os 361-B - 361-K, Edf. I On Kok, 10.° andar B.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.----------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora XIA AIJIN, portadora do Passaporte da RPC n.° G32100xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 81.1/ DI-AI/2017, levantado pela DST a 05.04.2017, e por despacho da signatária de 30.08.2018, exarado no Relatório n.° 545/DI/2018, de 09.08.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Praceta de Um de Outubro n.os 119 -131-B, Edf. I Keng Kok, 6.° andar B.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.----------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 26 de Novembro de 2018.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 26 de Novembro de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 761/AI/2018

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


desporto 17

sexta-feira 7.12.2018

O

S veteranos do Vitória de Setúbal vão voltar a representar Portugal no Torneio da Soberania, a disputar nos próximos dias 14 a 16. No regresso a Macau, os sadinos trazem Hélio Sousa, um histórico do clube, campeão do mundo de sub-20 em Riade, 1989, (Arábia Saudita) e actual seleccionador nacional de sub-19.

Francisco Manhão, fundador e antigo presidente da Associação dos Veteranos de Futebol de Macau “Se bem que é a segunda vez que o Vitória de Setúbal participa no nosso torneio, este ano traz uma referência muito especial para o torneio: o Hélio Sousa.”

FUTEBOL TORNEIO DA SOBERANIA VAI CONTAR COM HÉLIO SOUSA, UM DOS HERÓIS DE RIADE

Jogos da glória de volta “Se bem que é a segunda vez que o Vitória de Setúbal participa no nosso torneio, este ano traz uma referência muito especial para o torneio: o Hélio Sousa. É o cartaz mais importante da equipa”, realçou Francisco Manhão, fundador e antigo presidente daAssociação dos Veteranos de Futebol de Macau, a entidade que organiza o evento e ontem deu ontem a conhecer as equipas que vão integrar a 18.ª edição da prova. Além de Portugal, representado pelo Vitória de Setúbal, bem como de Macau, Hong Kong, Taipé, participa a China (representada pela província de Sichuan), a Coreia do Sul e o Vietname. Francisco Manhão não arrisca avançar com um favorito, embora destaque em particular o potencial de três das oito formações de antigos futebolistas. É o caso da Coreia do Sul, cuja hegemonia no Torneio da Soberania – onde se sagrou campeã por oito vezes, a última das quais na competição do ano passado – não deixa ninguém indiferente. “Penso que é a equipa mais disciplinada e, portanto, tem uma grande vantagem”, apontou. Para Francisco Manhão, o Vietname também desperta grande interesse desde logo porque, desta vez, traz mesmo a selecção nacional de veteranos, sendo de esperar que também tenha “uma palavra a dizer no torneio”. Olhar atento também para o Vitória de Setúbal e não só porque conta com Hélio Sousa. “Este ano parece que vem mais bem preparado, começaram os preparativos com bastante antecedência e tiveram muitas competições em que participaram”, realçou Francisco Manhão, dando o exemplo de uma conquista recente dos sadinos num torneio em Angola.

HOJE MACAU

O “fininho” de Setúbal, como ficou conhecido Hélio de Sousa, campeão do mundo de sub-20 em 1989, em Riade, vai marcar presença no Torneio da Soberania

Já da China vem uma equipa da província de Sichuan, que fará a sua estreia. “É sempre bom [ter] uma equipa nova”, apontou Francisco Manhão. E a RAEM? “O mais importante é a equipa da RAEM ter ganhado a primeira edição. É dar oportunidade para as outras equipas também, não é? Macau não pode ganhar sempre”, gracejou. O torneio divide-se em dois grupos: o primeiro, de equipas por convite, junta Portugal, Coreia do Sul, Malásia e Vietname, enquanto o segundo as restantes quatro formações (Macau, Hong Kong, China e Taiwan), cuja ordem vai ser definida por sorteio na próxima quinta-feira. A final realiza-se domingo, dia 16, no relvado do Canídromo.

SONHOS ANTIGOS

Francisco Manhão faz um balanço positivo da prova, que entra no 18.º

ano, enaltecendo o crescente interesse de muitas equipas em alinharem, nomeadamente de Portugal, dando o exemplo do Estoril. “Isto é bom sinal”, observou Francisco Manhão, para quem o torneio tem sido “bem promovido” por via de elementos do Vitória de Setúbal, do Marítimo e do Sporting. “Acho que isso ajudou bastante a promover o interesse desses clubes” pela prova. Francisco Manhão não esconde que gostaria de contar com o Benfica ou o FC Porto, mas reconhece as limitações. “É muito difícil [trazê-los], porque têm muitas exigências e somos uma associação sem fins lucrativos que está sempre dependente de subsídios” para organizar o evento desportivo de cariz anual, orçado em aproximadamente um milhão de patacas. Em paralelo, apontou, não seria “justo”: “Se conseguíssemos oferecer aquilo que eles pedem, como seria com as restantes equipas?” “Eu

bem gostaria que viesse o Benfica ou o Porto porque, de facto, têm equipas de veteranos muito poderosas, com estrelas antigas e seria um bom cartaz para o torneio”, admitiu.

A PENSAR EM 2019

Para 2019, “ano especial”, dado que se assinalam os 20 anos da RAEM e da Associação dos Veteranos de Futebol de Macau, Francisco Manhão gostaria de fazer mais: “Em vez de ser só quatro dias de torneio penso que deve fazer mais alguma coisa, como uma exposição fotográfica desde a primeira edição [do Torneio da Soberania] e outras actividades desportivas para ter mais impacto e despertar o interesse do público em geral”. Diana do Mar

dianadomar@hojemacau.com.mo

PUB

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL

AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL

1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Rampa da Taipa Grande, n.ºs 135 a 275, na Ilha da Taipa, (Edifício One Grantai); - Estrada Governador Nobre de Carvalho, n.ºs 730 a 802, na Ilha da Taipa (Edifício The Greenville). 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 6 de Novembro de 2018. O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong

1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 129A a 129BA, em Macau, (Edifício Hung Van Kok); - Ramal dos Mouros, n.ºs 8 a 10B e Estrada de D. Maria II, n.ºs 5 a 5B, em Macau, (Edifício O K Garden); - Ramal dos Mouros, n.ºs 12 a 14E, em Macau, (Edifício Chan Chu Kok); 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 6 de Novembro de 2018. O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong


18 (f)utilidades

?

C H U VA

MIN

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje CINEMA 14 | FESTIVAL INTERNACIONAL

DE CURTAS METRAGENS DE MACAU 8 D.0PEDRO 7 V4 5 16H3| TEATRO

6 1 2 9 1 6 5 7 4 3 Amanhã 4 |6FESTIVAL 7 INTERNACIONAL 3 8 1 2 5 CINEMA DE CURTAS METRAGENS DE MACAU 1 0 5 9 2 6 7 4 14H | TEATRO D. PEDRO V 8 3 4 5 1 0 9 7 DOMINGO | CINEMA | FESTIVAL INTERNACIONAL 9 2 6 0 7 3 1 8 DE CURTAS METRAGENS DE MACAU 1 D.2PEDRO 4 V6 8 0 9 14H5| TEATRO 0 7 3 8 9 2 5 6 Diariamente 6 5 | KEITH 9 HARING 2 3MAZE4 MACAO 8 0 EXPOSIÇÃO Venitian Expo Hall F | Até 31/12 7 4 8 1 0 9 3 2

2 0 9 8 6 4 3 1 7 5

17

9 8 0 3 2 5 7 4 1 6

EXPOSIÇÃO | PAISEGEM MUTANTE Museu de Arte de Macau | Até 10/02/2019

16

EXPOSIÇÃO 1 3 | CHAPAS 6 9SÍNICAS 5 8 4 Museud e Ofertas sobre a Transferência 8 0| Até47/127 2 3 9 de Macau

9 5 3 1 6 2 7 8 3 7 5 2 Cineteatro 4 9 0 6 0 4 9 3 2 1 8 5 7 6 1 0 5 8 2 4

0 4 1 8 7 6 3 9

7 9 4 2 1 0 5 6

8 5 0 7 6 3 2 1

5 3 7 4 9 2 8 0 1 6

1 8 2 6 3 0 9 7 4 5

2 4 3 9 8 6 5 1 7 0

7 0 5 8 4 1 3 6 2 9

9 6 0 1 7 5 2 4 3 8

6 9 8 7 5 4 1 3 0 2

4 1 6 5 0 8 7 2 9 3

21

HUM

75-95%

•

2 6 4 1 8 3 5 7 9 0

0 5 2 3 6 1 8 9 4 7

7 1 6 0 9 5 2 4 8 3

3 5 9 2 1 7 0 8 6 4

8 2 1 0 6 3 4 9 5 7

0 7 4 3 2 9 6 5 8 1

EURO

9.16

BAHT

0.24

YUAN

1.16

VIDA DE CÃO

BOM DIA 19

19

4 54 5 73 17 01 80 8 96 29 9 2 0 86 48 4 7 1 5 93 9 6 51 75 7 2 08 0 7 40 4 8 2 9 36 3 1 85 8 47 64 36 93 9 20 2 1 1 23 2 0 9 8 75 7 64 18 1 5 72 67 6 0 34 3 46 94 9 3 0 2 51 75 7 2 87 8 5 4 1 93 9 6 0 0 16 91 9 3 45 24 2 78

O CARTOON STEPH 21

2 3 4 5 1 6 9 8 0 7

20

3 2 9 4

DE

C I N E M A

18

MAX

21

3 0 9 4 8 2

05 80 8 62 76 7 94 39 3 3 9 71 7 4 52 5 0 86 0 8 64 26 32 13 1 5 97 17 31 3 9 5 8 46 24 2 9 26 2 0 8 1 37 3 45 4 57 5 1 3 6 89 8 20 26 92 9 3 0 5 18 41 4 8 5 47 14 01 20 2 6 39 2 3 86 8 9 04 0 7 51 41 04 0 75 97 9 23 82 8 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 21

23

23

9 71 6 4 1 5 4 0HOJE 5 0 8 UM LIVRO 53 85 8 02 10 1 76 97

3 9 2 Lúcio 2 3foi 9condenado 0 5 a7 1 4 8 6 4cumprir 16anos 9 1 de9 2 53 5 8 4 de7dez prisão pelo homicídio de de4Loureiro, 2Ricardo 90 9 75 7 1 23 3 8 seu amigo. Após ter cumprido 5 a pena, 70 confessa-se 5 9Lúcio 7 6 48 4 1 32 inocente e conta o que de 8facto 0 3aconteceu, 8 53 5alertando 9 72 67 46 4 que se trata de uma histó6 ria6capaz 83 8 9 50 1 4de2ser vista 4 7 como irreal, contido a verdadei4 10 91 9 3 56 25 2 8 ra. “A confissão de Lúcio” de 67Mário 56 de5Sá8Carneiro, 2 4 03 10 1 mais do que um romance, é um ponto de partida para várias reflexões acerca do que é ou não verosímil quando se fala de amor, obsessão e loucura. Sofia Margarida Mota

1 8 9 0 4 2 7 3 5 6 2 4 8 0 6 3 1 5 7 9

22

20 5 97 3 58 2 6 39 4 40 1

48 9 1 75 0 7 3 6 4 52

22

31 92 86 45 4 4 0 7 8 8 3 63 9

03 9 38 4 51 72 95 20 86 7

PROBLEMA 22

24

24

7 97 2 1 1 54 5 8 39 0 0 3 6 86

9 0 72 5 36 17 3 84 1 8

Bom dia. Um cumprimento banal que parece mudar o mundo quando é utilizado. Nasci e cresci numa aldeia. Dizer bom dia, boa tarde e boa noite eram palavras que saiam espontaneamente em qualquer encontro de rua. Não interessava o grau de proximidade do interlocutor. Bastava existir para que fosse digno de cumprimento. E nunca um bom dia era dito e ficava sem resposta. Mais tarde, já na cidade, continuou a ser um conjunto de duas palavras que não emudeciam quando alguém entrava no elevador do prédio. A naturalidade da existência deste cumprimento escondia a sua importância. Sim, porque num lugar como o de cá, em que o cumprimento matinal é quase um incógnita, quando se faz entoar, revela o seu poder. Há pouco tempo comecei a atrever-me a pronunciar no elevador, em voz baixa, , um “zhou san”. A reacção inicial foi de espanto, quase de perplexidade, seguida de um sorriso inesperado e de uma retribuição amigável. Como os horários de encontro matinal são muitas vezes os mesmos entre vizinhos, com o passar dos dias, e a repetição da acção, já era eu a cumprimentada. As caras deixaram de olhar só para baixo, e começaram-se a reconhecer um outro ser. A noção de uma existência comum deu lugar a pequenas conversas até ao rés do chão. Chegados ao destino, já oiço muitas vezes votos de bom trabalho ou de bom fim-de-semana, conforme a altura. Não sei, mas parece-me que um bom dia é capaz de mudar o mundo, quanto mais não seja, naquele momento, em que saímos de nós e, de boa vontade percebemos que partilhamos o espaço com outros, humanos, como nós. Sofia Margarida Mota

04 36 9 7 51 98 0 12 63 5

0 3 4 02 35 49 78 1 6 87

92 1 6 40 63 14 27 5 9 8

9 85 50 4 76 31 2 7 28 63

61 8 5 9 7 3 54 0 2 96

6 24 2 31 8 0 65 3 17 9

7 2 78 63 4 25 6 89 1 0

0 6 23 1 35 7 9 2 58 4

8 7 02 9 3 6 31 64 5 10

24 5 70 67 9 8 3 16 2 1

2 13 7 6 0 95 4 31 9 8

7 81 45 28 76 19 0 93 4 32

5 48 4 2 7 1 86 59 70 63

9 04 91 0 2 43 8 5 7 6

6 5 37 9 93 41 2 58 4 0

31 8 3 80 09 24 16 5 2 57

53 4 6 68 70 32 41 7 9 95

5 1 08 6 47 93 4 32 0 9

8 6 90 1 14 59 7 63 5 2

02 7 9 23 1 5 50 6 8 14

4 0 4 “A CONFISSÃO DE LÚCIO” | MÁRIO DE SÁ CARNEIRO 3 9 54 5 2 7 8 2 6 0 5 8 19 1 7 6 31 3

3 0 7 6 9 2 1 8 5 4

S U D O K U

TEMPO

7.12.2018 sexta-feira

6 0 9 3 8 4 2 7 1 5

MORTAL ENGINES SALA 1

MORTAL ENGINES [B] Um filme de: Christian Rivers Com: Hugo Weaving, Hera Hilmar, Robert Sheehan 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

NATSUME YUJIN-CHO THE MOVIE: EPHEMERAL BOND [B] Um filme de: Takahiro Omorim Hideaki Ito 14.30, 19.30

MORE THAN BLUE[B] FALADO EM PUTONGHUA

LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Gavin Lin Com: Jasper Liu, Ivy Chen 16.30, 21.30 SALA 3

THE NUTCRACKER AND THE FOUR REALMS [B] Um filme de: Lasse Hallstrom, Joe Johnston Com: Keira Knightley, Mackenzie Foy, Morgan Freeman, Helen Mirren 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

sexta-feira 7.12.2018

confeitaria

JOÃO ROMÃO

A

meio desta semana a neve e o frio chegaram com persistência a Sapporo: as temperaturas desceram até perto dos 10 graus negativos e as ruas a tornaram-se brancas e silenciosas, com muito menos carros e os respectivos sons abafados e absorvidos pelo suave manto branco que cobre o asfalto das estradas e também o cimento dos passeios. Seria coisa normal se acontecesse bastante mais cedo: normalmente os primeiros nevões chegam em meados de Outubro e as temperaturas negativas instalam-se no início de Novembro, assim ficando por largos meses, até uma tardia Primavera cujos sinais não são visíveis antes do final de Abril. Sapporo, com quase dois milhões de habitantes, é a maior cidade de Hokkaido, uma ilha no norte do Japão, com uma área semelhante à de Portugal e uma geografia muito particular: ainda que a latitude seja semelhante à da França (Sapporo está a 43 graus norte e Bordéus está a 44 graus norte), é a região mais a sul do planeta onde se fazem sentir os efeitos dos ventos e correntes marítimas do Ártico. O resultado é um longo e intenso Inverno, com a neve a ocupar a cidade de Sapporo por quase seis meses e a permanecer ainda mais tempo nas zonas de montanha. Aliás, a região é destino privilegiado de praticantes de ski e outros desportos invernais e Sapporo já acolheu Jogos Olímpicos de Inverno (em 1972), preparando-se agora para nova candidatura. Com uma ocupação tardia pela população japonesa, que chegou a este território de clima hostil em finais do século XIX, Sapporo é uma cidade moderna, com vias e avenidas largas, onde não se encontram as ruas estreitas e os encantos da tradição arquitectónica do Japão antigo, e que se tornou uma das maiores metrópoles do país (é hoje a quinta maior cidade do Japão). Essa modernidade e as adversas condições climatéricas obrigam a uma impressionante infraestrutura urbana que inclui, por exemplo, longos passeios subterrâneos a ligar várias zonas do centro da cidade sem que seja necessário caminhar ao ar livre. Igualmente impressionante é o funcionamento do aeroporto internacional, que além das ligações directas às maiores cidades da Ásia, oferece 32(!) voos diários para Tóquio (a ligação com maior frequência no mundo), sem que os quase 6 meses de neve (e ocasionais ventanias) afectem significativamente as operações. Em tempo de aceleradas transformações climatéricas no planeta – cuja emergência é uma vez mais reiterada na cimeira das Nações Unidas sobre o Clima que se realiza por estes dias na cidade polaca de Katowi-

Aquecimento global

ce – é nos polos que são mais evidentes os sinais da mudança. Exemplos bastantes conhecidos são os dos canais navegáveis nos mares da região do Ártico, cujos períodos de navegabilidade têm vindo a aumentar sistematicamente, em alguns casos passando de duas ou três semanas no pico do verão para quatro ou cinco meses. Ainda assim - apesar dos apelos e declarações que assinalam a agenda mediática em ocasiões como a realização das cimeiras do clima (António Guterres declarou mesmo que este é o maior problema da humanidade actualmente) - nem sempre parecem sensatas as reacções ao fenómeno: na realidade, o alargamento do período de navegabilidade de partes significativas do Ártico está a ser usado para aumentar o tráfego marítimo e intensificar a exploração de recursos (como o gás natural e o petróleo), sempre com licenças (e eventual apoio) governamental e frequentemente com suporte científico, envolvendo Universidades e centros de investigação que, mais do que procurar estratégias de mitigação de impactos

negativos, se dedicam à exploração de novas oportunidades comerciais e de financiamento. O capitalismo, já se sabe, é um sistema particularmente hábil na transformação de crises em oportunidades.

O aquecimento do planeta, vai fazendo o seu caminho, implacável. Não sei se o atípico Inverno que estou a viver em Hokkaido é fruto dessa alteração lenta e estrutural do clima na Terra ou apenas o fruto de circunstâncias ocasionais. Em todo o caso, tamanha transformação não deixa de ser impressionante e intimidativa

As declarações e documentos que se vão apresentando na cimeira do clima mostram que pouco caminho se fez para contrariar a tendência do aquecimento global: as medidas vão-se revelando insuficientes e, na realidade, está longe de se ter concretizado o que se acordou em Paris em 2015. Pior do que isso, parte dos países que subscreveram o acordo expressaram a intenção de o abandonar, na sequência das mudanças nas respectivas lideranças políticas (Estados Unidos e Brasil, pelo menos), e alegando que a maior urgência é preservar empregos. Já o aquecimento do planeta, vai fazendo o seu caminho, implacável. Não sei se o atípico Inverno que estou a viver em Hokkaido é fruto dessa alteração lenta e estrutural do clima na Terra ou apenas o fruto de circunstâncias ocasionais. Em todo o caso, tamanha transformação não deixa de ser impressionante e intimidativa, mesmo que torne muito menos desconfortáveis os longos meses de neve e frio nestas paragens.


Esqueçamos com generosidade aqueles que não nos podem amar. Pablo Neruda

PALAVRA DO DIA

GONÇALO LOBO PINHEIRO

A quanto obrigas Ho Iat Seng está de baixa, mas recebeu associação de Fujian em dia de LAG

A USJ Eric Sautedé perde acção em tribunal

O Tribunal de Segunda Instância (TSI) decidiu ontem a favor da Universidade de São José (USJ) no caso interposto pelo antigo docente da instituição, Eric Sautedé. O caso diz respeito ao pedido de indemnização por parte do professor no valor de 1,3 milhões de patacas após o despedimento ocorrido em 2014. O HM tentou obter um comentário por parte de Sautedé, no sentido de perceber se este vai recorrer da decisão do TSI, mas este não quis comentar por não estar ainda inteirado dos detalhes desta fase mais recente do processo.

PESAR de estar de baixa, de ter falhado todas as sessões das Linhas de Acção Governativa (LAG), à excepção do dia em que o Chefe do Executivo esteve no hemiciclo, o presidente da Assembleia Legislativa (AL) recebeu na passada segunda-feira a visita de uma comitiva da Associação de Beneficência dos Naturais de Fukien (Fujian). A data do encontro foi revelada ao HM pela própria associação. Segundo a explicação oficial, Ho Iat Seng sofre de uma inflamação aguda no nervo ciático e está de baixa. Contudo, no mesmo dia em que Alexis Tam esteve na AL a apresentar as LAG para a área dos Assuntos Sociais e Cultura, sessão a que Ho Iat Seng não presidiu, o presidente recebeu uma associação de Fujian.

Avisita foi revelada pelo jornal Ou Mun Iat Pou, que se escusou a revelar o dia da mesma. No artigo de quarta-feira apenas se refere que o evento tinha acontecido “recentemente”. Porém, ao HM, a Associação de Beneficência dos Naturais de Fukien (Fujian) revelou que o encontro aconteceu na passada segunda-feira. O HM tentou igualmente perceber com que tipo de baixa se encontra Ho Iat Seng, mas ontem, até à hora do fecho da edição, não tinha sido recebida qualquer resposta. Já anteriormente, o HM tinha questionado a AL para saber até quando a baixa ia durar, mas sem resposta. Além do nome da patologia que afecta Ho Iat Seng, o que se sabe da condição do presidente de 61 anos foi revelado por Chui Sai Cheong, vice-presidente da AL. Aos meios de comunicação

em língua chinesa, o também irmão do Chefe do Executivo revelou que Ho não consegue estar sentado durante longos períodos, pelo que estaria de baixa, cerca de duas semanas. As estimativas apontavam para que o presidente da AL só regressasse na próxima semana. Anteriormente um especialista ouvido pelo HM explicou que uma inflamação aguda no nervo ciático é “uma situação temporária que se pode resolver com cirurgia ou fisioterapia”. O mesmo especialista clarificou ainda que a nível profissional uma pessoa afectada por esta patologia “continua activa” para fazer o que for necessário. João Santos Filipe Com V.N.

joaof@hojemacau.com.mo

Urso BoBo Entregues assinaturas contra embalsamamento

O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) recebeu ontem um total de 550 assinaturas contra o embalsamamento do urso BoBo, recolhidas por oito associações na reunião ocorrida no passado sábado, no jardim da Flora. Segundo um comunicado, os três representantes das associações criticaram o facto de que José Tavares, presidente do IACM, tenha optado por não divulgar que o embalsamamento do urso estava em curso numa altura em que um deputado [Sulu Sou] contestou a acção. Sulu Sou fez este pedido num debate das Linhas de Acção Governativa na área da Administração e Justiça.

A Associação de Beneficência dos Naturais de Fukien (Fujian) revelou que o encontro [com Ho Iat Seng] aconteceu na passada segunda-feira

sexta-feira 7.12.2018

CNN COREIA DO NORTE ESTÁ A TESTAR NOVOS MÍSSEIS

A

Coreia do Norte estará a testar novos mísseis de longo alcance, apesar de ter acordado com os EUA a desnuclearização da península, de acordo com imagens ontem divulgadas pela CNN. As imagens da estação televisiva, ontem divulgadas, revelam bases de mísseis que nunca foram reconhecidas pelo governo norte-coreano e onde podem estar a ser ensaiados testes com novas armas de longo alcance. O departamento de Defesa dos EUA já reagiu: “Estamos a seguir muito de perto a Coreia do Norte, mas não podemos discutir assuntos dos serviços secretos”. O Presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e o Presidente dos EUA, Donald Trump, tinham acordado, numa cimeira em Junho, “a completa desnuclearização da península da Coreia”. Desde essa altura, Kim tem prometido fechar várias bases de testes de mísseis nucleares e Trump congratulou-se pela atitude do governo norte-coreano. Contudo, em Agosto, o Conselho de Segurança das Nações Unidas recebeu um relatório que demonstrava que a Coreia do Norte não tinha parado o seu programa nuclear. Em Setembro, Donald Trump disse acreditar que a Coreia do Norte tinha recuado nos testes de mísseis e que o plano de desnuclearização estaria completo em janeiro de 2021. As imagens ontem reveladas pela CNN provam que o governo de Kim Jong-un não só não procedeu ao desmantelamento dos mísseis como estará até a desenvolver novas armas de longo alcance.

TAIWAN GUERRA COMERCIAL DEVE DURAR PELO MENOS MAIS UM OU DOIS ANOS

O

PUB

governador do Banco de Taiwan,Yang Chin-long, afirmou no parlamento que a disputa comercial entre a China e os Estados Unidos não será resolvida no curto prazo, mas que "durará pelo menos um ou dois anos".

"É provável que as tensões diminuam no curto prazo, mas as questões-chave provavelmente não serão resolvidas imediatamente", disse Yang durante uma sessão parlamentar em Taipé. Taiwan é um dos territórios mais afectados pela

guerra comercial porque mantém investimentos multimilionários na China de empresas que exportam os seus produtos para todo o mundo, incluindo os Estados Unidos. A incerteza na disputa comercial entre a Pequim

e Washington, apesar da trégua acordada entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, durante a cimeira do G20, continua a afectar a economia da ilha.

Um número crescente de empresas daquele território que fabricam principalmente na China começaram a transferir parte de sua produção para a ilha e para outros países vizinhos. Na mesma sessão parlamentar,

o ministro das Finanças, Su Jianrong, disse que a disputa comercial "não é uma questão puramente comercial", porque "está ligada a problemas estruturais que são difíceis de resolver no curto prazo".


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 7 DEZ 2018 #4189 by Jornal Hoje Macau - Issuu