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Hoje Macau 7 DEZ 2017 #3951

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

QUINTA-FEIRA 7 DE DEZEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3951

Helder M. Pereira

TRANSPORTES E OBRAS PÚBLICAS TAIWAN PÁGINA 13

Terminal motiva CHIANG CAI discussão acesa DO PEDESTAL

h

ANTÓNIO CABRITA

Surrealismo sempre h

PÁGINAS 4-5

JOÃO PAULO COTRIM

SOFIA MARGARIDA MOTA

hojemacau HO IAT SENG RECONHECE NÃO CONTROLAR PAISANAS NA ASSEMBLEIA

ISOLDA BRASIL MACAU E A ESCRITA ENTREVISTA

EVENTOS

HEAVY PARA TODOS

Os caça fantasmas A presença de polícias na Assembleia Legislativa foi encomendada pelo presidente. Mas Ho Iat Seng não sabia que viriam à paisana e ainda menos que interfeririam com o trabalho dos jornalistas. Contudo, ele não vê nenhum problema nisso.

PÁGINA 7

MACAU NA LISTA NEGRA DA UNIÃO EUROPEIA | ÚLTIMA

Pequim fala de inconsistência


2 ENTREVISTA

ISOLDA BRASIL ESCRITORA E ADVOGADA

Macau e o realismo mágico

SOFIA MARGARIDA MOTA

A viver há oito anos em Macau, Isolda Brasil sempre teve dentro de si uma linguagem que está para além da que usa para advogar em causas laborais. É, essencialmente, escritora e o seu primeiro livro “O Último Sangue da Trindade” chega agora às bancas virtuais e físicas. A obra é uma saga familiar que se desenrola num ambiente mágico inspirado os Açores, onde a autora cresceu


3 quinta-feira 7.12.2017 www.hojemacau.com.mo

Porque só agora surge um livro escrito em português? Na verdade, já estava escrito há dois anos. Primeiro escrevi um livro em inglês em 2014 (The Wanton Life of My Friend Dave), com o qual ganhei o prémio norte-americano do The IndieReader Discovery Awards. Logo de seguida comecei este livro, “O Último Sangue da Trindade”, em português. Foi escrito de uma forma muito rápida mas, entretanto, ficou suspenso entre o trabalho e a maternidade, porque também fui mãe. Não houve muito tempo para pensar no assunto. Entretanto, surgiu a oportunidade de publicar pela editora Alfarroba. O livro era para ter sido publicado no início deste ano mas as coisas acabaram por se atrasar um bocadinho e ficou decidido deixar para a segunda época de publicação em Portugal, ou seja, para o Natal. Daí ter saído agora, ficou disponível a partir de dia 1 de Dezembro online. O livro é marcado por uma matriz profundamente matriarcal e foi escrito enquanto se preparava para ser mãe. Estes timmings foram coincidência? Não exactamente. Na altura em que escrevi o livro estava grávida da minha primeira filha, ainda não sabia o que era ser mãe, ainda não tinha tido essa experiência. O livro foi influenciado pelo que se passava na minha vida, é claro, a pessoa vai sempre buscar aquilo que lhe está mais próximo, aquilo que conhece. Ao mesmo tempo, foi também um pouco inspirado na história de outras mães e trouxe essa realidade emprestada que não conhecia em primeira mão. Mas não é só uma história de mães, o livro aborda relações familiares, fraternais, tudo o que nos está no sangue. Como foi o processo de escrita de “O Último Sangue da Trindade”? Decidi tentar o prémio Leya. Necessariamente, tinha de escrever em português. Escrevi este livro em muito pouco tempo, em cinco meses escrevi 500 páginas. No final do dia de trabalho, chegava a casa e escrevia. Não fazia mais nada, foi um

“Comecei outro livro em que parte da acção é em Macau. Passa-se aqui muita coisa, Macau é muito denso, é tudo muito cheio, de gente, de estados de espíritos, culturas e isso confunde-me um bocado por causa do excesso.” processo muito intensivo. Fins-de-semana e noites a escrever. Tendo em conta que tinha muito pouco tempo, optei por um tipo de história que me saísse naturalmente e numa linha que eu gosto muito que são as sagas familiares e o realismo mágico. Foi muito fácil escrever a história, saiu-me muito naturalmente. Escrevi o livro tendo os Açores como pano de fundo, apesar de nunca serem referidos de forma específica. Eu nasci na Madeira, mas

“Macau é um sítio pequeno onde tudo é em grande escala. Aqui aglomera-se tudo, acho que isso dificulta um bocado, é uma gestão que se tem de fazer na parte escrita porque é tudo demasiado.”

cresci nos Açores, a minha mãe é madeirense e o meu pai açoriano, portanto, sou um mix. Os Açores são uma realidade que conheço de perto, apesar das minhas raízes serem madeirenses tenho uma grande afinidade com os Açores que é o lugar ao qual sinto que pertenço mais, a minha alma é açoriana. Foi a opção que tomei por achar que era aquilo com que me sentia mais confortável e que conseguiria fazer, em pouco tempo de forma a escrever uma história que tivesse pés e cabeça numa realidade que me é familiar. Não quis atribuir o local da narrativa a uma ilha concreta, apesar de haver detalhes históricos dos Açores muitos deles ligados ao elemento mágico que, de certa forma, lhe dão alguma graça. Por exemplo, o vulcão dos Capelinhos na Ilha do Faial, entra na narrativa com uma explicação mágica para um acontecimento traumático da história, que é um desgosto amoroso. Uma grande erupção de mágoa de uma personagem que dá origem ao vulcão e que vem acrescentar um quilómetro à ilha. Também uso referências à primeira guerra mundial, à forma como o povo açoriano sentiu esse período, algo que tive conhecimento através de histórias de família. Também me foquei na forma como as pessoas viviam num mundo bastante isolado, foi também uma realidade que procurei transmitir sem ser exaustivamente descritiva. Tentei transmitir a realidade do que é ser açoriano, ser ilhéu, e a vivência do ilhéu com o resto do mundo. Quando os açorianos se referem a Portugal continental, referem-se ao continente que é lá fora, enquanto que nós estamos aqui dentro. É um pouco como Macau, fala-se do Interior da China e nós estamos no Exterior. Como foi escrever um livro inspirado na realidade açoriana a meio mundo de distância? É feito com base na memória e em muita saudade, obviamente, com base naquilo que se guarda da ilha e das suas pessoas. Dei também um tratamento à própria linguagem, que é muito tipicamente açoriana. O dis-

curso directo no livro segue aquela forma enrolada que os açorianos têm de falar, a forma como colocam as palavras na frase. Tentei transmitir uma ideia de evolução da forma de falar à açoriano desde o início do século XX, uma forma muito respeitosa. No fim do livro, quando chegamos aos tempos modernos, as personagens já têm outro tipo de tratamento linguístico.

“O que fala mais forte em mim é a escrita. Se me perguntarem se sou advogada ou escritora primeiro, sou escritora primeiro, sem dúvida.” Como é para uma autora escrever num território onde há muito poucos potenciais leitores que leiam em português? Como é escrever para um público que está longe? Não racionalizei isso. Claro que a minha escrita já sofreu influência por tudo aquilo que passei desde que saí de

Portugal. Quando escrevi o livro em inglês, quem o leu foram os meus amigos, como é óbvio. Resolvi ver o valor desse livro em inglês, uma vez que os nosso amigos dizem sempre que escrevemos muito bem. Mas uma pessoa quer saber se o que escreveu é bom, ou não. O prémio norte-americano já veio depois de eu ter escrito o livro em português. Portanto, quando escrevi, não pensei num público em particular, não tive essa sensibilidade. O primeiro livro escrevi-o para ver se conseguia escrever um livro em inglês e depois pensei em escrever em português. Tinha o deadline do prémio Leya para o ter pronto, sem pensar no público mas a pensar no tipo de livro que eu gosto de ler. Vive em Macau há oito anos. Há por aqui também um realismo mágico, um absurdo na cidade. Até que ponto acha que é uma cidade que induz imaginação, que inspira? Há muitas coisas sobre Macau que inspiram. Comecei outro livro em que parte da acção se passa em Macau, aí vou mesmo atribuir-lhe um lugar específico. Passa-se aqui muita coisa, Macau é muito denso, é sempre tudo muito cheio, de gente, de estados de espíritos, culturas e isso confunde-me um bocado por causa do excesso. Como fonte de inspiração, acho que tem uma grande potencialidade para isso, mas é preciso fazer uma boa gestão porque é tudo em grande. É um sítio pequeno onde tudo é em grande es-

cala. Em Portugal estamos habituados a espaços mais arejados em todos os aspectos, físico, intelectual, o nosso espaço e o dos outros é maior. Aqui aglomera-se tudo, acho que isso dificulta um bocado, importa uma gestão na parte escrita porque é tudo demasiado. Gerir toda a informação, passá-la para papel e tentar utilizar isso na escrita não é fácil. Quando comecei o livro que estou a escrever agora senti essa dificuldade, como usar Macau na escrita e como fonte de inspiração. Acha que vai conseguir algum dia parar de escrever? Acho e espero que não. Honestamente, espero que não. Sou advogada de profissão, mas não é esta a minha paixão. Gosto muito daquilo que faço, sinto-me realizada na minha profissão, mas não é aquilo que fala mais forte em mim. O que fala mais forte em mim é a escrita, eu sempre escrevi desde miúda. Participei e ganhei muitos prémios literários na adolescência, parei durante a faculdade e início da vida profissional e só retomei agora quando escrevi o primeiro livro em inglês. Mas não quero parar, quero continuar e, se possível, fazer da escrita a minha profissão. Seria um prazer porque é aquilo que realmente me dá gosto. Se me perguntarem se sou advogada ou escritora primeiro, sou escritora primeiro, sem dúvida. João Luz

info@hojemacau.com.mo

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Faz-se saber que no concurso público n.o 42/P/17 para a « Empreitada de Concepção e Remodelação do Bloco Operatório Periférico do Centro Hospitalar Conde de São Januário », publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 46, II Série, de 15 de Novembro de 2017, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, e também estão disponíveis no website dos S.S. (www. ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 30 de Novembro de 2017 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


4 LAG TRANSPORTES E OBRAS PÚBLICAS

Prática terminal PAC ON COUTINHO ACUSA SECRETÁRIO DE NÃO TER APLICADO MULTAS AO EMPREITEIRO

PLANO DIRECTOR

2019 JÁ NÃO É UMA CERTEZA, SÓ POSSIBILIDADE

No segundo dia do debate das LAG na área dos Transportes e Obras Públicas o secretário fez questão de esclarecer que, afinal, 2019 poderá não ser o ano da conclusão do Plano Director do território. “Reconheço que nos atrasamos e não tenho a certeza se conseguimos terminar em 2019. O Plano de Desenvolvimento Quinquenal de Macau diz que o Plano Director fica concluído em 2019, eu disse ontem que vou envidar todos os esforços, mas não consigo dar a certeza de que vou acabar em 2019. Com todo o processo, não tenho a certeza.”

PLANEAMENTO À ESPERA DO PLANO DIRECTOR

O deputado José Pereira Coutinho acusou Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, de ter violado a lei por não ter aplicado multas ao empreiteiro responsável pela construção do terminal marítimo do Pac On, dado o atraso do projecto. O secretário defendeu-se, invocando o tribunal: “se não cumpri a lei, o senhor deputado pode iniciar o processo que entender” GCS

ZONA NORTE DA TAIPA

7.12.2017 quinta-feira

Li Canfeng, director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, adiantou ontem que o planeamento da zona norte da Taipa está dependente do Plano Director, que também não tem uma data concreta para ver a luz do dia. “Não paramos, estamos a fazer o plano urbanístico. Temos seguido a planta de condições urbanísticas e está tudo atrasado porque não temos plano director.”

DSSOPT RAPIDEZ

NA AVALIAÇÃO DE PROJECTOS “NÃO MELHOROU”

O director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Li Canfeng, admitiu ontem no hemiciclo que persiste a demora na avaliação dos projectos de construção. “Parece que não houve melhorias. Demos mais competências às chefias e não estamos a ver muitos resultados, ou não vemos mesmo nenhuns. Não conseguimos dar resposta. Esperamos que possamos fazer mais em termos de reformas e que possam ver mais resultados no próximo ano.” Li Canfeng chamou ainda a atenção para a necessidade de tradução de um diploma publicado em 1963, na área das obras públicas, e que está apenas em português. “A Imprensa Oficial tem uma tradução que não é oficial e o sector diz que a tradução não está bem feita. É um problema grave porque há grandes discrepâncias na interpretação do diploma. Estamos a ver se é possível alguma empresa traduzir este diploma, a maioria dos engenheiros e arquitectos não sabem português.

RAIMUNDO DO ROSÁRIO

Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas “Preveni os deputados de que a obra não tinha a qualidade (...) ter acabado a obra já foi um grande mérito”

D

EPOIS da inauguração do novo terminal marítimo do Pac On, que demorou cerca de dez anos a acontecer, o espaço está a ser alvo de novas obras de ampliação, que só estarão concluídas em 2019. O deputado José Pereira Coutinho levantou a questão dos atrasos na obra, no segundo dia de debate sobre as Linhas deAcção Governativa (LAG) para 2018, tendo feito acusações ao secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Ro-

sário. “A lei é imperativa no que se refere à aplicação de multas, nunca podendo ser entendida como algo discricionário por parte das autoridades, mas deve sim como um dever a cumprir de forma escrupulosa. Há um termo em latim para isto: Dura Lex, Sed Lex.” O secretário admitiu os erros mas frisou: “O senhor deputado sabe onde se dirigir. Se acha que eu violei a lei, pode iniciar o processo que entender.” Raimundo do Rosário lembrou que a adjudicação,

quando do concurso público, foi feita pelo valor mais baixo, o que levou a múltiplos problemas. “Não foram aplicadas multas porque é do domínio público que essa obra foi adjudicada por um preço baixo e já foi bom estar concluída. Assumo o erro. Quando convidei os deputados para visitarem a obra do novo terminal, disse que se calhar a maioria não esperava que um dia a obra ficasse concluída. Antes dessa visita preveni os deputados de que a obra não tinha a qualidade que

deveria ter mas que já era muito bom porque, de facto, ter acabado a obra já foi um grande mérito”, acrescentou o secretário. Na sua intervenção, o deputado José Pereira Coutinho lembrou que a qualidade das obras públicas continua a ser má, problema que, aliás, foi admitido pelo secretário esta terça-feira, no primeiro dia de debate das LAG sobre a sua tutela. “A qualidade de execução das obras públicas em Macau é, de uma maneira geral, má. Há

EM PROL DA SIMPLICIDADE

O secretário para os Transportes e Obras Públicas garantiu ontem que não admite que na sua tutela existam departamentos e directores de serviços em excesso. “Os serviços da minha tutela não podem ter tantos departamentos e directores, acho que não é necessário que os serviços público sejam de grandes dimensões. Estou sempre atento a isso”, frisou.

EXPANSÃO DO AEROPORTO APROVAÇÃO DE PEQUIM DEVE CHEGAR EM 2018

Raimundo do Rosário, secretário para os Transportes e Obras Públicas, garantiu ontem que no próximo ano o Governo deverá receber das mãos do Governo Central a aprovação do projecto de expansão do aeroporto internacional de Macau. “Esperamos conseguir a aprovação da expansão do aeroporto no segundo trimestre do próximo ano. Já entregamos o projecto ao Governo Central. Queremos mesmo ampliar o aeroporto.” A questão foi levantada pelo deputado Ip Sio Kai, que defendeu que o aeroporto, a manter-se com as actuais dimensões, “vai ser marginalizado” face às regiões vizinhas. “A capacidade do aeroporto está saturada, mesmo com a primeira fase de ampliação a sua capacidade é de sete milhões de visitantes. Até 2030 o número de visitantes será de 15 milhões e o mais importante é o foco na competitividade regional. O aeroporto de Zhuhai já recebe seis milhões de visitantes, e o Governo de Zhuhai já fez um plano de ampliação para receber 12 milhões de visitantes. O aeroporto de Macau vai perder competitividade”, considerou.

GÁS NATURAL OBRIGADOS A ENCONTRAR TERRENO PARA SINOSKY

O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, disse ontem que o Executivo é obrigado, com base no contrato de concessão para a produção de gás natural, a conceder um terreno para que a concessionária, a Sinosky, possa desenvolver a parte que lhe compete no contrato. “Há exigências e temos de arranjar um terreno para fazer isto, porque há uma cláusula no contrato em que temos de arranjar um terreno para o desenvolvimento do gás natural”, apontou. O secretário frisou ainda que a próxima etapa da construção da rede de gás natural será na península, se bem que o Governo “quer desenvolver também esse trabalho nas novas zonas, porque há condições. Vamos ter um projecto em Ka-Hó com geradores de gás natural”, adiantou.


LAG 5

quinta-feira 7.12.2017

muitos empreiteiros com as costas largas, os técnicos de fiscalização das obras têm medo de actuar e acatam cegamente as instruções superiores. E se levantam problemas são afastados dos trabalhos e postos na prateleira.”

NOVAS ROTAS PRECISAM-SE

O deputado Davis Fong questionou o Executivo sobre a necessidade de abrir novas rotas marítimas entre a China e Macau, que passem pelo novo terminal do Pac On. “Nos próximos anos qual o ponto de situação do terminal marítimo da Taipa? E como vão ser divididas as tarefas entre os dois terminais? O Governo vai pensar em receber embarcações de outras companhias, com uma ligação a Dongguan, Cantão? Tendo em conta a população de 2015 estão em causa 58 milhões de habitantes e poderemos atrair mais visitantes.” Susana Wong, directora dos Serviços dos Assuntos Marítimos e da Água, adiantou que já foram avançadas conversações, mas que, por enquanto, não há novidades ao nível da abertura de novas rotas além de Shenzen ou Hong Kong. “Estamos a falar de 60 por cento de passageiros num lado e 30 por cento de passageiros no outro terminal. Nos últimos anos temos vindo a dialogar com as empresas e elas demonstraram vontade em abrir novas rotas na zona do Delta, mas têm enfrentado muita competitividade com a rede terrestre e os seus itinerários a nível profissional tem vindo a diminuir. Há muitos desafios. Quando as empresas tiverem planos de operação e se tivermos condições em termos de recursos humanos vamos abrir mais rotas.” Susana Wong deixou ainda uma garantia: daqui a dois anos o terminal marítimo do Pac On estará a funcionar em pleno, com serviços de transporte de helicóptero. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

NOVO HOSPITAL: PERGUNTEM A EDDIE WONG O QUE SE PASSA

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atraso na obra do novo hospital das ilhas voltou a ser assunto de debate, tendo o deputado José Pereira Coutinho pedido ao secretário para os Transportes e Obras Públicas para este questionar o arquitecto Eddie Wong, responsável pela concepção do projecto e membro do Conselho Executivo. “De quem é a responsabilidade? O secretário Alexis Tam chuta para si, você diz-nos que não tem os planos. Quem vai desenhar o plano está dentro do Conselho Executivo, pergunte-lhe o que se passa.” Raimundo do Rosário manteve a resposta de ontem: sem planos não há lugar a concurso público e a avanço nas obras.

A

comissão da Assembleia Legislativa que está a discutir a lei dos benefícios fiscais para a contratação de pessoas com deficiência considera que o montante proposto de 5 mil patacas não é atractivo para os empregadores. A posição foi dada a conhecer, ontem, por Vong Hin Fai, presidente da comissão, após mais uma reunião do grupo. “A comissão explicou que o montante sugerido não é atractivo. Em resposta, o Governo diz que se trata de uma medida inovadora, que poderá ser ajustada depois de entrar em vigor. Vai depender do desenvolvimento da economia de Macau e da situação após a implementação da medida”, disse Vong Hin Fai, deputado que preside aos trabalhos da comissão. “O Governo mostrou uma posição de total abertura para fazer alterações no futuro sobre esta questão”, revelou. Neste sentido, a comissão defende que o benefício para a contratação de pessoas com deficiência deve ser de 8640 patacas, valor que foi definido com base na tabela do Imposto sobre o Rendimento, Imposto

O

prazo para apresentação de candidatura para as eleições dos delegados de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN) terminou ontem e de acordo com o Jornal Ou Mun, Ho Iat Seng, Lao Ngai Leong, Ho Sut Heng, Paula Ling, actuais delegados de Macau à APN, já apresentaram as suas candidaturas para uma possível reeleição. Si Ka Lon, deputado à Assembleia Legislativa (AL), entregou também, junto das autoridades, o boletim de inscrição e 325 cartas de nomeação. O também deputado referiu ainda que com base na sua carreira política enquanto tribuno reúne as condições para desempenhar o papel de ponte em prol da melhoria da qualidade de vida dos residentes. Para Si Ka Lon, a experiencia que tem reunido é de valor na medida em que se refere a trabalhos para um equilibrado desenvolvimento da sociedade e de fiscalização do próprio Governo. Já Dominic Sio, ex-deputado à AL, entende que Macau precisa de participar de forma activa nos grandes projectos como é o caso da política “Uma Faixa, Uma Rota” e a “Grande Baía”. Dominic Sio puxou também da experiência arrecada enquanto deputado e membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês de Tianjin pelo que acredita ser capaz de contribuir para a cooperação inter-regional. O candidato entrou na corrida com 436 cartas de nomeação. Kevin Ho, responsável da KNJ e sobrinho de Edmund Ho, apre-

Deputados pedem mais

Comissão propõe benefícios de 8640 patacas para pessoas com deficiência

Complementar de Rendimentos e Imposto profissional. Outra das questões levantadas pelo deputados está relacionada com os diferentes níveis de deficiência. Segundo a proposta, os empregadores têm direito a 5 mil patacas em benefícios fiscais, independentemente do grau de incapacidade da pessoa. A comissão considera que isto não é justo e defende que deve haver diferentes níveis de benefícios. “Foi discutida a possibilidade de a dedução fiscal ter em conta o

“De acordo com o regime dos cuidados de saúde prestados em regime de gratuitidade há diversos graus, por isso será justo que o benefício seja de 5 mil patacas para todos?”

grau de incapacidade das pessoas. De acordo com o regime dos cuidados de saúde prestados em regime de gratuitidade há diversos graus, por isso será justo que o benefício seja de 5 mil patacas para todos? É que os deficientes com diferentes graus têm custos diferentes”, questionou Vong Hing Fai.

GOVERNO VOLTA ATRÁS

Sobre a reunião de ontem, o presidente da comissão considerou como o facto mais relevante o recuo do Executivo na forma de estabelecer o montante dos benefícios. O Governo propunha que o valor fosse estabelecido através de um despacho do Chefe do Executivo, mas a legislação em vigor obriga a que as questões fiscais sejam estabelecidas através de leis. “Quando se trata de matéria fiscal, a legislação exige que seja definida por lei. O Governo justificou que tinha apresentado esta

A corrida a Pequim Já são conhecidos os 15 candidatos locais à ANP

sentou 259 cartas de nomeação, e considera que os delegados à APN são representantes da população, sendo que se for eleito, promete que vai ouvir as opiniões dos residentes para que sejam transmitidas a Pequim.

OS DO COSTUME

O presidente da AL, Ho Iat Seng, recolheu 430 cartas de nomeação e fez saber que caso seja reeleito vai

continuar, como habitualmente, a cumprir as suas tarefas e espera avançar com opiniões para a elaboração do código civil da China. Outro dos delegados de Macau à APN que pretende continuar o mandato, Lao Ngai Leong, entregou 437 cartas de nomeação. Aos jornalistas confessou que tem assumido o cargo de delegado local de forma séria e garantiu que vai impulsionar o desenvolvimento

proposta a pensar numa maior flexibilidade e rapidez do processo, mas, agora, admite fazê-lo através de lei”, apontou. Numa reunião que demorou cerca de duas horas, os deputados debruçaram-se igualmente sobre o facto da lei não ter benefícios fiscais para pessoas portadoras de deficiência que sejam profissionais liberais: “Uma pessoa com deficiência também pode trabalhar por conta própria, como trabalhador independente. Pode ser um engenheiro, arquitecto ou exercer uma profissão liberal. Nesse caso a proposta não oferece benefícios fiscais, porque a lei está feita para o empregador, mas não para o trabalhador”, apontou Vong Hing Fai. Esta foi a primeira reunião da Comissão Permanente que decorreu sem Sulu Sou, depois do deputado ter sido suspenso na passada segunda-feira do cargo. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

da Grande Baía e aproveitar as políticas do Governo Central para melhorar as condições dos postos fronteiriços locais. A delegada e também vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), Ho Sut Heng, reuniu 348 cartas de nomeação. No momento de candidatura a responsável sublinhou que se conseguir continuar o mandato, vai avançar com opiniões relativas a assuntos como a construção do país e os níveis de felicidade dos residentes. Também Paula Lin pretende a reeleição. Para o efeito juntou 281 cartas de nomeação e referiu que estar atenta, especialmente, aos trabalhos jurídicos e judiciais, bem como fomentar a criação do primeira código civil nacional para poder sair até 2020. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, um total de 15 candidatos foram inscritos na corrida à APN. As eleições estão agendadas para o próximo dia 17 e são 12 as vagas para representantes de Macau. Os 15 candidatos a delegados à APN são Ho Iat Seng, Chui Sai Peng, Lao Ngai Leong, Paula Ling, Ho Sut Heng, Ng Siu Lai, Si Ka Lon, Dominic Sio, Kevin Ho, Lok Po, Iong Weng Ian, Kou Hoi In, Fong Ka Fai, Wong Ian Man e Lai Sai Kei. Destes, oito estão em processo de reeleição.


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7.12.2017 quinta-feira

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política 7

quinta-feira 7.12.2017

DIA DA SUSPENSÃO PRESIDENTE DA AL PEDIU PRESENÇA DA POLÍCIA

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dia talvez tenha feito história no meio político da RAEM e esperava-se grande agitação. No dia em que o deputado Sulu Sou viu o seu mandato ser suspenso, vários polícias à paisana encontravam-se dentro da Assembleia Legislativa (AL). O presidente da AL, Ho Iat Seng, pediu a sua presença, mas nada teve a ver com o que se passou depois. “Temos um entendimento com as forças policiais. Só quando nós solicitamos a intervenção é que eles actuam. Temos a nossa dignidade como órgão legislativo. O procedimento que as forças policiais adoptaram foi o que eles entenderam”, disse ontem Ho Iat Seng quando interpelado por jornalistas a seguir ao debate sobre as Linhas de Acção Governativa. O presidente da AL adiantou que nada teve a ver com o facto dos agentes policiais terem estado à paisana, muito menos com as eventuais fiscalizações e gravações à actividade dos jornalistas. “Isso não é comigo, eles vão ter de responder perante os seus

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deputado Iau Teng Pio está presente em 46 associações locais, mas tem dúvidas sobre alguns dos cargos que desempenha nas mesmas. O facto foi admitido pelo legislador, de 53 anos, na declaração de rendimentos. Depois de ter preenchido a parte em que revela as associações que integra, o deputado nomeado por Chui Sai On acrescenta, nas observações, que poderá ter omitido algumas funções por não ter conseguido confirmar as informações. “Existem funções [nas associações] que não podem ser declaradas [no

superiores, podem usar o que eles entenderem. Como a presença dos agentes da PSP foi solicitada por mim, foram eles que fizeram a avaliação da situação na altura. Se eles acharam que houve necessidade de gravações, assim o entenderam.” Ainda assim, o presidente da AL garantiu que nunca foi sua intenção proibir ou evitar qualquer reportagem. “Todos os que têm telemóvel podem dizer que estão a gravar para fazer reportagem e qualquer pessoa pode entrar aqui na sala de reuniões sem dar nenhuma satisfação. Há pessoas que entram e podem ser jornalistas estrangeiros. Quando perguntamos porque vão fazer a reportagem e transmiti-la lá fora... não posso fazer essas interrogações.”

ZELAR PELA SEGURANÇA

Questionado sobre o facto da AL ter vindo a receber uma maior presença de agentes policiais nos últimos tempos, Ho Iat Seng garantiu que os tempos são outros. “Quando recebemos a informação de que vai haver muito público a assistir às reuniões é que chamamos as

TIAGO ALCÂNTARA

Antes que o Céu nos caia em cima da cabeça

Ho Iat Seng, presidente da AL “Agora há muitos manifestantes, diferentes pessoas interessadas em assistir às reuniões ou para se manifestar e, como presidente, tenho de fazer uma avaliação dos riscos que corremos”

forças policiais. Agora há muitos manifestantes, diferentes pessoas interessadas em assistir às reuniões ou para se manifestar e, como presidente, tenho de fazer uma avaliação dos riscos que corremos. É essa a minha responsabilidade

e competência, e se não fizer isso será a minha falha.” O presidente do hemiciclo desvalorizou também o facto de terem sido feitas filmagens pelos polícias à paisana, uma vez que, nos dias que correm, todos recorrem ao telemóvel para fotografar ou filmar. “Quando vamos na rua somos muitas vezes filmados com vídeo ou gravadores pelas pessoas e toda a gente agora usa o telemóvel. Se acharmos que estamos a ser sempre fiscalizados, como iremos fazer? Se fosse tirada uma fotografia comigo não iria colocar nenhum problema.” Ho Iat Seng definiu-se ainda como sendo alguém “tolerante”. “Já me conhecem há muitos anos. Quando pedimos a presença dos agentes policiais, os agentes fardados naturalmente ficam lá fora, à paisana ficam no interior. O que acontece depois do fim da reunião é outro assunto, mas dentro da sala não podemos permitir que qualquer acto ilegal aconteça dentro da sala de reuniões”, concluiu.

Nem ele tem a certeza

Iau Teng Pio com dúvidas sobre os seus 46 cargos associativos

boletim] devido à falta de informação, que carece de confirmação, e à falta de registo”, escreveu o membro da Assembleia Legislativa, na nota que consta na declaração de rendimentos. Sobre os cargos que conseguiu confirmar, Iau Teng Pio declara ser presidente em três associações, nomeadamente na Associação de Estudos de Direito, Administração Pública e Tradução de Macau, desde 2013, da Associação de

Estudo de Direito Criminal de Macau, desde Março de 2014, e da Associação para Estudo e Inovação, desde Março do ano passado. O deputado é ainda presidente honorário na Associação dos Conterrâneos de Cham Kong de Macau. Em relação a vice-presidências, Iau Teng Pio desempenha essas funções na Associação de Federação e Comercial União de Shun De de Maca, na Associação Geral de Comercial de Shun De de Macau, e na

Associação Fat Ian Cheng Cho Chong Sam, uma tradução fonética de Associação dos Conterrâneos de Xingning da Província de Guangdong de Macau.

O EDUCADOR

Na sessão de suspensão de Sulu Sou, Iau Teng Pio fez questão de acusar indirectamente o deputado suspenso de não ter crescido com uma educação saudável. O legislador de 53 anos decidiu ainda clarificar a diferença entre suspensão e

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

expulsão durante a sessão, porque afirmou que havia muitos alunos das escolas com essa dúvida. A postura do deputado como educador não é uma surpresa, dado que é director-adjunto na Faculdade de Direito da Universidade de Macau e é membro do conselho de mais duas instituições de ensino: a Escola Pui Tou e a Escola Kwong Tai. Além disso, está envolvido em associações de antigos alunos. Já ao nível dos imóveis, Iau Ten Pio tem um casa, a que habita, que foi comprada em nome do cônjuge. Também detém 25 por cento escritório, para investimento. J.S.F. e V.N.

SULU SOU QUER REUNIR COM RAIMUNDO DO ROSÁRIO AINDA ESTE MÊS

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STEVE, pelo segundo dia desde que viu o seu mandato como deputado ser suspenso, sentado na bancada reservada ao público, mas não deixou de marcar presença. Sulu Sou entregou ontem uma carta ao secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, com cinco pontos. “O principal tem a ver com o planeamento da habitação pública, sobretudo com o projecto da avenida Wai Long. Também falei da questão da lei de protecção ambiental e do planeamento dos resíduos, bem como da actualização das tarifas dos autocarros, da localização do crematório e do planeamento da povoação de Lai Chi Vun”, disse ao HM. Sulu Sou pretende não só obter uma resposta a estes cinco pontos como já pediu para se reunir com Raimundo do Rosário ainda este mês. No que diz respeito à construção do crematório, Sulu Sou teme que haja impactos ambientais para a zona adjacente. “Em relação ao impacto ambiental do projecto da avenida Wai Long (...) penso que esse planeamento não vai cobrir o impacto que o novo crematório irá ter. Questiono o secretário se não haverá um eventual conflito, e se o projecto da avenida Wai Long não terá de esperar por esse relatório de impacto ambiental, pois a saúde da população é o mais importante.” A carta foi entregue ao secretário no intervalo do debate, que aceitou a missiva. À margem do debate, o director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Li Canfeng, disse aos jornalistas que a localização do novo crematório deverá situar-se junto ao cemitério Sa Kong, na Taipa, apesar de ainda não haver uma decisão final sobre esse assunto. A.S.S.


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TIAGO ALCÂNTARA

7.12.2017 quinta-feira

O presidente do APIM garante que “o jardim de infância é para ficar com as características que lhe são muito próprias”, incluindo a língua portuguesa, mas como é um projecto de longo prazo, são precisos meios para o efeito”.

A Assembleia Geral da APIM reúne extraordinariamente na próxima quarta-feira para discutir a adesão do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes à rede de escolas públicas. Miguel de Senna Fernandes garante que a transferência em nada alterará a natureza do estabelecimento, incluindo a língua portuguesa

O apelo da rede ENSINO INFANTÁRIO COSTA NUNES DISCUTE INTEGRAÇÃO NA REDE DE ESCOLAS PÚBLICAS

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Assembleia Geral extraordinária da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) está marcada para quarta-feira, às 18h. O único ponto da ordem de trabalhos é a discussão da integração do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes no sistema de escolaridade gratuita. Miguel de Senna Fernandes, presidente da associação que gere o infantário, explicou ao HM que a reunião servirá para “auscultar a opinião dos membros e, naturalmente, pedir um voto de confiança para a comissão directora que conduz esse processo”. A reunião pretende também recolher orientações do órgão colegial e auscultar as opiniões dos seus membros. O presidente da APIM releva que este é “um processo compli-

Táxis pagam 150 yuans para atravessar ponte A Comissão para o Desenvolvimento e Reforma de Guangdong tem duas propostas para a cobrança de portagens para a Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau, que vão ser discutidas a 21 deste mês. Segundo a primeira opção, táxis e carros privados pagam 150 yuans por cada travessia, carrinhas pagam 60 yuans, camiões 115, autocarros e shuttles 450. Na segunda opção, os preços são quase todos semelhantes aos anteriores, com a diferença que os autocarros e shuttles apenas pagaram 200 yuans de portagem. A reunião de dia 21 de Dezembro vai ter lugar no Interior da China, em Zhuhai.

cado, mas é algo que é necessário equacionar para o futuro”, principalmente porque “os custos são cada vez maiores” e precisam ser encarados com realismo e ponderação. No fundo, a adesão ao sistema de escolaridade gratuita representa a atribuição do subsídio do próprio sistema e a sua repartição. Algo que obedece a um conjunto de regras bem definidas que carecem de adaptações da escola. “Não é como comprar um bilhete e entrar na sala de cinema”, compara Miguel de Senna Fernandes. Independentemente disso, o infantário “já cumpre muitas das regras que estão estabelecidas na lei de bases do sistema educativo”.

ESSÊNCIA MANTÉM-SE

Uma coisa é garantida pelo presidente do APIM, “o jardim

de infância é para ficar com as características que lhe são muito próprias”, mas como é um projecto de longo prazo, são precisos meios para o efeito”. Se for aprovada a integração no sistema de escolaridade gratuita, o processo de integração implicará uma série de adaptações “meramente administrativas e financeiras, que em nada têm relação com a autonomia da escola e a sua filosofia”. Miguel de Senna Fernandes garante que “a língua portuguesa também não está em causa” e será salvaguardada. O presidente da APIM acrescenta que a mudança não traz alterações, além da óbvia que é “os pais passarem a não pagar propinas”. Além disso, as actividades extracurriculares vão continuar a ser pagas, uma vez que são des-

Cheang Chi Keong nomeado para a AMCM

O ex-deputado Cheang Chi Keong foi nomeado membro da Comissão de Fiscalização da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), substituindo Lao Pun Lap. A decisão foi tomada, a 15 de Novembro, pelo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, e publicada, ontem, em Boletim Oficial. Cheang Chi Keong foi deputado durante vários anos e conta com uma vasta experiência no sector bancário, depois de ter trabalhado para a representação em Macau do Banco da China. Além disso, Cheang Chi Keong desempenhou anteriormente o cargo de Membro do Conselho Executivo, já durante o mandato de Fernando Chui Sai On.

pesas que não estão cobertas pela gratuitidade do sistema. Para Miguel de Senna Fernandes, é necessário pensar também ao nível da contratação de pessoal docente com capacidades académicas. “Não está em causa o cumprimento de um requisito da lei, é algo do nosso funcionamento”, revela o presidente da APIM. Para já, o Costa Nunes prepara-se para aderir a uma rede de onde só estão de fora duas ou três escolas, uma dela a Escola Portuguesa de Macau. A integração não será imediata, uma vez que pressupõe um período de adaptação à nova realidade. João Luz

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Lam Lon Wai deixa conselho do IACM

O deputado Lam Lon Wai, eleito pela via indirecta pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), foi substituído por Un Oi Mou, no cargo de membro do Conselho Consultivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Este conselho é liderado por António Azedo, tendo igualmente como membro Kevin Ho, sobrinho de Edmund Ho e accionista do grupo Global Media, em Portugal, que detém o Diário de Notícias. Além disso, ontem foi anunciada a renovação dos mandatos dos membros que fazem parte deste conselho consultivo do IACM, uma renovação que entra em vigor a 1 de Janeiro do próximo ano.


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quinta-feira 7.12.2017

BANDEIRAS AO CONTRÁRIO RESULTAM EM MULTAS E SUSPENSÃO

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S agentes dos Serviços de Alfândega responsáveis pelo içar da bandeira chinesa ao contrário, na Ponte Cais de Coloane, em Abril, e no Terminal Marítimo do Porto Exterior, em Julho, foram alvos de multas e suspensão. O desfecho dos dois casos foi conhecido ontem, através de um comunicado do Gabinete do Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak. “Segundo o resultado das investigações, os dois agentes dos SA, envolvidos na ocorrência de Julho [Porto Exterior], foram punidos com pena de multa, sendo que o outro agente, também do mesmo serviço, envolvido no caso acontecido em Abril do corrente ano [Coloane], foi punido com pena de suspensão”, consta na nota de imprensa. No mesmo comunicado, o secretário admite que havia vontade de instaurar processos disciplinares aos responsáveis, no entanto, “como existe dificuldade na recolha de provas”, tal não foi possível. Wong Sio Chak aproveitou ainda os dois casos e a investigação para deixar uma mensagem às autoridades: “Quem cometer erros será punido. Quanto mais elevada for a posição, maior será a responsabilidade”, é sublinhado. O secretário para a Segurança também “exigiu rigor aos outros serviços da sua tutela para que tomem estes casos como exemplos e referência e defendam escrupulosamente a dignidade das bandeiras nacional e regional”.

Programa Ou Mun Tin Toi foi palco de mais uma discussão sem espaço para esclarecimento e lógica. A FAOM não quer empregadas domésticas abrangidas pela lei, o Governo concorda e junta empregados deficientes à exclusão. O patronato entende já atribui se assistência social suficiente

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Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), uma força de peso na política local, entende que as empregadas domésticas devem estar de fora da proposta de lei do salário mínimo, seguindo a lógica de discriminação a trabalhadores não residentes defendida pela organização. A discussão da lei do salário mínimo teve como palco a edição de ontem

O representante do patronato entende que o fardo dos salários mais baixos de Macau não deve ser suportada pelos patrões, mas sim pelos cofres públicos

Do mal o mínimo Salário mínimo continua a causar confusão ao patronato

do programa “Fórum Macau”, Ou Mun Tin Toi, do canal chinês da Rádio Macau, que contou com a presença da directora substituta da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Ng Wai Han. De acordo com dados estatísticos, há cerca de 2800 trabalhadores locais a receber um salário inferior a 30 patacas por hora. Facto trazido para a discussão pelo vice-coordenador do conselho de direitos e interesses da FAOM, que recordou que Macau tem tentado implementar o salário mínimo há dezenas de anos. O representante dos operários entende que a proposta terá impactos reduzidos na sociedade e que será algo que pode garantir justiça social. Do lado do patronato, Wang Sai Man, do Conselho Permanente da Concertação Social, acha que o Governo já disponibiliza apoios sociais suficientes e a vários níveis como, por exemplo, subsídios a quem tem rendimentos baixos. Como tal, o representante do patronato entende que o fardo dos salários mais baixos de Macau não deve ser suportado pelos patrões, mas sim pelos cofres públicos.

AUMENTO FANTASMA

Wang Sai Man é da opinião que a atribuição de apoios sociais pode ser a chave para terminar com a polémica que a discussão do salário mínimo tem suscitado. Durante o programa, um ouvinte manifestou preocupação com o possível aumento dos preços nos consumidores após a entrada em vigor da proposta do Governo. Uma opinião totalmente alinhada com o representante do patronato, que argumentou que a fixação de um salário mínimo levará à subida dos ordenados dos funcionários de todos os sectores. Algo que terá como consequência inevitável a inflação. Por seu lado, a directora substituta da DSAL, Ng

Wai Han, confessou que o objectivo da legislação do salário mínimo é oferecer garantias básicas no âmbito de rendimentos aos funcionários, e que não terá impacto em rendimentos que não sejam tão baixos. O representante dos empregadores sugeriu que as pequenas e médias

empresas com poucos trabalhadores, empregadas domésticas e trabalhos em que seja difícil o cálculo de horas de trabalho estejam excluídos da proposta. A representante da DSAL entende que além das empregadas domésticas, os trabalhadores de-

ficientes não devem estar abrangidos pelo salário mínimo. O fim da consulta pública para o caso está marcado para 27 de Dezembro, sendo que até agora o Governo recebeu até ao momento 41 opiniões por escrita relativas a esta matéria.


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7.12.2017 quinta-feira


quinta-feira 7.12.2017

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7.12.2017 quinta-feira

COREIA DO SUL UE CRITICADA POR INCLUSÃO EM LISTA DE PARAÍSOS FISCAIS

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Ministério das Finanças da Coreia do Sul criticou ontem a União Europeia (UE) por incluir o país na lista negra de paraísos fiscais, argumentando que essa decisão “não está em conformidade com padrões internacionais”. Os ministros da Economia e Finanças da União Europeia (UE), reunidos na terça-feira em Bruxelas, adoptaram uma “lista negra” de 17 paraísos fiscais, por serem consideradas jurisdições não cooperantes, entre as quais figura a Coreia do Sul. A inclusão da quarta economia da Ásia surge em resposta ao facto de ter “regimes fiscais preferenciais

prejudiciais e de não se ter comprometido a corrigi-los ou aboli-los antes de 31 de Dezembro de 2018”, de acordo com o documento emitido pelo Ecofin. Segundo um comunicado publicado hoje pelo Ministério das Finanças da Coreia do Sul, “a UE decidiu que o regime fiscal [de isenções] para empresas estrangeiras em zonas económicas especiais e outras zonas designadas” que se aplica na Coreia do Sul “entra dentro da classificação de regime tributário preferencial”. Seul considera, no entanto, que “estas decisões da UE não se encontram em conformidade com padrões

internacionais como os da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] e também vão contra acordos internacionais”. Entre outros, o executivo sul-coreano advoga que, segundo o projecto BEPS [sigla do Plano de Acção para o Combate à Erosão Tributária e à Transferência de Lucros da OCDE], o sistema de apoio ao investimento sul-coreano não cai na qualificação de ‘regime preferencial’”. Também considera que o bloco dos 28 estendeu o foco de aplicação ao sector manufactureiro quando, segundo Seul, os critérios do BEPS geralmente apenas limitam sectores como o financeiro ou de serviços. A “lista negra” inclui Samoa Americana, Bahrein, Barbados, Granada, Guam, Coreia do Sul, Macau, Ilhas Marshall, Mongólia, Namíbia, Palau, Panamá, Santa Lúcia, Samoa, Trinidad e Tobago, Tunísia e Emirados Árabes Unidos. Além da lista de 17 jurisdições consideradas não cooperantes, a UE elaborou uma lista “cinzenta” de 47 jurisdições que se comprometeram a cumprir os critérios exigidos e que serão reavaliadas, entre as quais se conta Cabo Verde.

TAILÂNDIA PEDIDA RETIRADA DE ACUSAÇÃO DE LESA-MAJESTADE CONTRA HISTORIADOR

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MA organização não-governamental (ONG) pediu ontem à procuradoria da Tailândia para retirar a acusação de lesa-majestade contra o tailandês Sulak Sivaraksa, por ter posto em causa um relato histórico do século XVI. Sulak Sivaraksa, distinguido em 1995 pela Fundação Right Livelihood – que entrega os chamados Prémio Nobel Alternativo –, vai ser presente hoje, quinta-feira, a um tribunal militar de Banguecoque, onde arrisca um processo judicial por ter posto em causa, durante uma conversa universitária, uma batalha, que data de 1592, entre o rei tailandês Naresuan e o príncipe birmanês Minchit Sra. Na sessão de quinta-feira, o tribunal militar vai determinar se procede com o caso ou deixa cair a acusação. “A liberdade académica e a liberdade de expressão na Tailândia vão sofrer devastadores golpes se o julgamento contra Sulak avançar”, advertiu, em comunicado, Brad Adams, director da ONG de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) para a Ásia. Para Adams, a norma legal em causa é “abusiva e absurda” e reivindicou a “retirada imediata e incondicional” da acusação.

Segundo a denúncia, apresentada há três anos e admitida por um tribunal militar no início de Outubro, o intelectual incorre numa pena de até 15 anos de prisão ao abrigo das leis que protegem a imagem da monarquia tailandesa. Numa missiva enviada há dois meses ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Tailândia, 44 laureados pela Fundação Right Livelihood apontaram que a acusação não tem fundamento e vergonhoso, defendendo que Sulak “simplesmente exerceu a sua liberdade de expressão académica para comentar um facto histórico”. O governo tailandês colocou os casos de lesa-majestade sob jurisdição de tribunais militares, cujas sentenças são – de acordo com organizações de defesa dos direitos humanos – duas vezes mais severas do que as que são proferidas por tribunais civis. Desde a subida dos militares ao poder, o número de casos de lesa-majestade, previstos no artigo 112 do Código Penal, ascende a centenas, isto quando há uma década apenas superavam uma dezena por ano.


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quinta-feira 7.12.2017

TAIWAN APROVA LEI PARA APAGAR SÍMBOLOS DE SUA HISTÓRIA AUTORITÁRIA

Adeus, velho ditador Chang Kai-chek e outros símbolos do regime nacionalista e do “terror branco” vão ser retirados

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S símbolos criados em homenagem ao ex-ditador nacionalista taiwanês Chang Kai-chek serão retirados da ilha após a aprovação de uma lei que pretende fechar um capítulo de seu passado autoritário. Os deputados taiwaneses aprovaram na terça-feira uma lei sobre a “justiça transicional”, que prevê a retirada obrigatória de todos os símbolos de homenagem e dos monumentos dedicados ao polémico dirigente. Estátuas serão derrubadas e os nomes de muitas ruas e escolas serão modificados. A lei também abre o caminho para uma investigação exaustiva sobre o “terror branco” regista-

Estátuas serão derrubadas e os nomes de muitas ruas e escolas serão modificados

do em Taiwan a partir de 1949, quando os nacionalistas do partido Kuomintang (KMT) fugiram da China continental após sua derrota às mãos das tropas comunistas de Mao Zedong. De 1949 a 1987, quando foi revogada a lei marcial, milhares de pessoas consideradas hostis ao governo foram torturadas e assassinadas sob o mandato de Chang e de seu filho.

Alguns taiwaneses lutam há muito tempo para limpar os nomes das pessoas que foram presas injustamente e das vítimas executadas, assim como para que os autores dos crimes sejam denunciados publicamente. O governo autoritário de Chang Kai-chek deve ser “expurgado de toda legitimidade” porque viola a liberdade e a democracia, afirma a

lei. “Com este objectivo, instituições, escolas, edifícios e espaços públicos não poderão contar com símbolos comemorativos do reinado autoritário”, destaca o texto. “Os símbolos e os sinais relacionados a este deverão ser retirados, renomeados ou eliminados”. A presidente Tsai Ing-wen deverá ratificar a lei nas próximas duas semanas.

XI JINPING PROMETE CHINA MAIS ABERTA AO MUNDO

Moon em Pequim

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Presidente chinês, Xi Jinping, assegurou ontem que a China facilitará o comércio e investimento e estabelecerá um novo padrão de abertura ao mundo com novas alianças globais e maior liberalização económica. Numa mensagem enviada ao Fórum Fortune Global, que arrancou ontem em Guangzhou, cidade do sul da China, Xi incitou as empresas estrangeiras a investir na China e a partilhar as oportunidades geradas pelas reformas e desenvolvimento do país. “A China não fechará a porta ao mundo e continuará a forjar alianças globais, expandir interesses comuns com outros países e a impulsionar uma globalização económica mais aberta, inclusiva, equitativa e benéfica para todos”, afirmou. Pequim tem assumido a defesa do livre comércio e da globalização, numa altura em que a liderança de

Donald Trump, nos Estados Unidos, e o ‘Brexit’, na Europa, sugerem a emergência do proteccionismo nos países ocidentais. No entanto, apesar da retórica da liderança chinesa, as empresas acusam a China, o maior mercado do mundo para vários bens de consumo e serviços, de interditar o acesso de capital externo a vários sectores, incluindo finanças e telecomunicações. O país asiático ocupa o 59.º lugar, entre 62 países, do ‘ranking’ da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que avalia a abertura ao investimento directo estrangeiro. Na mensagem difundida pela agência noticiosa oficial Xinhua, Xi Jinping disse que o país facilitará o comércio e investimento, visando maior integração da China no mundo e um ambiente de negócios mais aberto, transparente e regulado.

Visita de presidente sul-coreano na próxima semana

presidente sul-coreano Moon Jae-In visitará a China na próxima semana, anunciou seu gabinete nesta quarta-feira, num momento de grande tensão pela ameaça nuclear de Pyongyang. Moon virá à China poucas semanas depois de o regime da Coreia do Norte testar um míssil balístico intercontinental (ICBM), um desafio aos vários pacotes de sanções da ONU, o que levou Washington a pedir uma atitude mais firme de Pequim perante Pyongyang. O sul-coreano desembarcará em Pequim na próxima quarta-feira para

uma visita de Estado de quatro dias e se reunirá com o presidente chinês Xi Jinping para discutir formas de “resolver pacificamente a questão nuclear da Coreia do Norte”, afirmou o gabinete de Moon Jae-In. Esta será a primeira viagem de Moon a China desde que assumiu o cargo de presidente. Os dois países tentam fortalecer os laços, após um aumento da tensão provocado pela instalação de um sistema de defesa antimísseis americano na Coreia do Sul, que Pequim considerou uma ameaça contra sua própria capacidade militar.

Austrália China não interfere nos assuntos internos

A China não tem intenções de interferir nos assuntos internos da Austrália, disse na terça-feira Geng Shuang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China. Segundo as reportagens, o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, disse que as novas leis da Austrália proibirão as doações estrangeiras políticas para evitar a interferência externa na política nacional, citando as “reportagens preocupantes sobre a influência da China”. “A China sempre segue o princípio do respeito mútuo e não interferência nos assuntos internos em meio ao desenvolvimento de sua cooperação amistosa com outros países”, declarou Geng. A China aderirá à dita política para construir as relações bilaterais com a Austrália, acrescentou o funcionário chinês. “Não temos intenção de interferir nos assuntos internos da Austrália nem exercer influência na sua política interna mediante doações políticas”, disse Geng. O porta-voz também pediu que a Austrália abandone os preconceitos e trate a China e as relações bilaterais de uma maneira mais objetiva e justa. “Laços saudáveis e estáveis entre a China e a Austrália beneficiam os interesses dos dois países. Esperamos que a parte australiana possa ter um entendimento claro”, assinalou o porta-voz.

Banco Central contra juros baixos por muito tempo

Um investigador da China aconselhou os bancos centrais a adoptarem políticas monetárias que não encorajem os mercados a esperar taxas de juros baixas por tempo indefinido, por encorajar um risco excessiva dos bancos, noticiou nesta quarta-feira o Securities Times. O jornal informou que Sun Guofeng, director-geral do instituto de pesquisa do Banco do Povo da China, disse que se os bancos centrais mantiverem as taxas de juros baixas por períodos muitos longos os bancos, que têm uma tendência natural a tomar riscos, vão assumir uma alavancagem excessiva. Sun, que fez as declarações numa conferência financeira em Pequim, afirmou que juros muito baixos são a principal causa de bolhas de activos e que é por isso que a China está a estabelecer uma estrutura dupla de política monetária e avaliação macroprudencial para lidar com os ciclos no sistema financeiro, segundo o jornal. Sun destacou que a decisão do Federal Reserve, banco central norte-americano, de reduzir o seu balanço patrimonial tem o objectivo de elevar os juros de longo prazo para impedir outra crise financeira.


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7.12.2017 quinta-feira

A força de Guangd

IPM Cinco novos prémios no concurso mundial de tradução chinês-português

CONCERTO FORCE DEFENDER TRAZEM O HEAVY METAL DE SHENZHEN AO PALCO DO LMA

atribuição de cinco menções honrosas a trabalhos que se distingam pela excelência são a novidade para a segunda edição do concurso mundial de tradução chinês-português, anunciou ontem o Instituto Politécnico de Macau (IPM). O objectivo de atribuir mais estes cinco prémios é encorajar “a participação de mais alunos” de todo o mundo e “não só de Macau, da China Interior, de Portugal e do Brasil”, como se verificou na primeira edição deste concurso, disse o presidente do IPM, Lei Heong Ieok. “Queremos incentivar os alunos de todo o mundo, fortalecer e aumentar as suas capacidades e, através deste concurso, atrair mais equipas de outros países da Lusofonia”, sublinhou, numa referência aos países africanos de língua portuguesa. O IPM “vai continuar a reforçar o ensino da língua portuguesa e manter a cooperação com Portugal”, disse Lei Heong Ieok, sublinhando o papel e a importância de Macau no ensino da língua portuguesa e na área da tradução chinês-português, fundamental na concretização da iniciativa chinesa “Uma Faixa, Uma Rota”. As equipas concorrentes, compostas por dois ou três alunos e um professor orientador, terão três meses para traduzir um texto de português para chinês, contendo mais de cinco mil frases e sem ultrapassar as dez mil. De acordo com o regulamento do concurso, organizado pelo IPM e pelo Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), no final de janeiro próximo terminam as inscrições e, a 01 de março os organizadores enviam o texto a traduzir para os concorrentes, que devem apresentar a 01 de junho o trabalho concluído. No final de julho são anunciados os vencedores do concurso. O primeiro prémio é de 140 mil patacas, o segundo de 105 mil e o terceiro de 75 mil. Cada equipa que ganhar uma menção honrosa receberá 25 mil patacas. A organização vai atribuir um prémio especial para as equipas das instituições de ensino superior de Macau, de 68 mil patacas para o primeiro lugar e de 35 mil para o segundo. A primeira edição do concurso contou com a participação de 48 equipas do interior da China, 27 de Macau, dez de Portugal e duas do Brasil.

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Amanhã o LMA oferece uma noite de rock pesado aos aficionados do heavy metal e hard-core com o concerto dos Force Defender. A banda de Shenzhen faz parte de um movimento, relativamente recente, de grupos com sonoridades pesadas na cidade a norte de Hong Kong

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UANDO se procura no Google “Heavy metal in Shenzhen” os resultados dão conta de acidentes por contaminação tungsténio e cobalto, resultado do crescimento rápido da cidade. Mas há mais do que contaminação ambiental a corroer a metrópole com cerca de 12 milhões de habitantes. O heavy metal e o hard-core acrescentam dissidência ao panorama cultural da cidade imediatamente a norte de Hong Kong, para além do típico e delico-doce cantopop. Os Force Defender, uma das bandas de destaque no movimento alternativo pesado de Shenzhen, apresentam-se amanhã no palco do LMA para uma noite de rock pesado a partir das 21h. O metal tem sido uma presença constante na subcultura dos últimos 50 anos do Ocidente. Porém, na China este tipo de música chegou tarde. “A cena heavy começou a estabelecer-se a sério em Shenzhen por volta do ano 2003, com bandas excelentes como os YiJiao e Zhaliewanou que tocavam frequentemente na cidade”, conta Cynric W, o vocalista dos Force Defender. O cantor recorda que esse momento de explosão foi bastante importante para o desenvolvimento dos movimen-

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA INOCENTE PARA ALÉM DE QUALQUER DÚVIDA • Carlos Cruz

“Leia este livro. Por favor. Esqueça quem é o autor e ponha-se no lugar dele. Apanhará um grande susto. Porque poderia muito bem ser. Verá a facilidade com que a ausência da presunção da inocência e, sobretudo, do benefício da dúvida, podem condenar um arguido muito antes de ter sido formalmente condenado. Este livro é a defesa de Carlos Cruz — a defesa que quase ninguém conhecia. O que pensávamos saber baseava-se em cabeçalhos bombásticos e reportagens aparentemente sérias que mais não fizeram do que demonstrar o imenso poder do mau jornalismo. (...) É um caso que a grande maioria das partes envolvidas gostaria que ficasse arrumado, para que não se lembrasse a fraca figura que fez. Os que mais quiseram falar são os que agora mais querem calar. Leia este livro, para poder respirar fundo. E por uma questão de justiça...” in prefácio de Miguel Esteves Cardoso

tos musicais independentes na cidade. “No entanto, a cultura de bandas atravessou uma fase de declínio por volta de 2010, com a comercialização dos espaços e cada vez menos espectáculos ao vivo”, contextualiza. Situação que viria a alterar-se de novo por volta de 2013 com o influxo de concertos de bandas internacionais a apresentar a sua música ao vivo em Shenzhen. “Recomeçaram a surgir novas bandas locais de heavy metal e hard-core”, explica o vocalista dos Force Defender.

VOZES FORTES

Apesar de terem surgido numa altura em que o panorama da música

Os Force Defender, uma das bandas de destaque no movimento alternativo pesado de Shenzhen, apresentam-se amanhã no palco do LMA para uma noite de rock pesado a partir das 21h.

independente estava moribundo, os Force Defender persistiram e mantém-se no activo desde a sua data de formação em 2011. No ano em que começaram a tocar, o género musical em Shenzhen vivia um período negro, no mau sentido, mas a banda “defendeu a força da música” com toda a garra. “Começámos por ser amigos, já nos conhecíamos uns aos outros há bastante tempo, pensámos que tínhamos algum talento musical e vontade de fazer algo especial”, revela Cynric W acerca do momento em que a banda começou a dar os primeiros passos. Hoje em dia são uma referência num panorama em efervescência em Shenzhen em termos de metal e hard-core, apesar “da cena ser recente e de precisar de boa comunicação e mais público”. Os Force Defender vão apresentar o seu disco de estreia “1118” em Macau no LMA. O título do álbum “é a data em que saiu, marca o dia de fim de uma Era e o início de um novo começo”, descodifica o baterista, Cyrus Chi Man Tse. Asonoridade da banda é influenciada por aquilo que os membros ouvem em casa, como por exemplo Lionheart, Chimaira ,Dream Theater, Terror, Bullet For My Valentine e Madball. As letras dos Force Defender não têm meias palavras, são fortes como os riffs de guitarra e a bateria pulsante. Em “USHL” o vocalista conta que nasceu numa família revolucionária que jamais será derrotada, que lutou na segunda grande guerra mundial e que marchou com o exército vermelho. O refrão é um grito onde Cynric W repete que é assim que o seu sangue flui, “unstoppable hardcore lineage”, sem hipóteses além de lutar sozinho. Este tipo de mensagens fortes não se encontra apenas nas letras das músicas, mas também no seu site bandcamp, onde dizem lutar contra a “porcaria” que os rodeia. Cynric W descodifica essa mensagem ao explicar que os Force Defender

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

A PINTORA DE XANGAI • Jennifer Cody Epstein

Baseado em factos reais, este livro de Jennifer Cody Epstein narra o percurso extraordinário de uma mulher – de uma vida de prostituição às galerias de arte de Xangai e de Paris. Com uma linguagem cativante e um ritmo narrativo seguro, contanos a história de Pan Yuliang, vendida na adolescência a um prostíbulo por um tio viciado em ópio e resgatada por um cliente, que a leva como concubina e lhe permite o acesso a um novo mundo sofisticado. O talento cedo se revela, transportando-a à Paris boémia dos anos 20. Mas amor e arte revelam-se incompatíveis e Pan compreende que terá de fazer uma escolha dolorosa.


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quinta-feira 7.12.2017

J dong lutar contra “a disputa, o confronto e o egoísmo da vida em Shenzhen”. Apesar do carácter interventivo das letras, característico do rock mais pesado, a banda não teme represálias. “Tentamos constantemente levar positividade ao público, encorajar as pessoas a superarem-se, a darem a volta aos problemas que enfrentam e a acreditarem nelas mesmas, em vez de seguirem a via dos abusos e queixumes”, conta o vocalista. Mesmo com a atitude de desafio à conformidade, Cynric W revela que “até ao momento não tiveram qualquer tipo de problema” com os poderes instituídos. Amanhã sobem ao palco do LMA para continuar a defesa daquilo em que acreditam. João Luz

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OHNNY Hallyday, considerado o pai do rock & roll francês, morreu ontem, em Paris, aos 74 anos, vítima de cancro, informou a família. O músico morreu na sua casa em Marnes-la-Coquette, a oeste de Paris, para onde foi transferido após ter deixado uma clínica da capital francesa onde esteve internado seis dias, segundo um comunicado divulgado pela mulher, Laeticia. “Johnny Hallyday partiu. Escrevo estas palavras sem acreditar. (…) Ele deixou-nos esta noite como venceu tudo ao longo da sua vida, com coragem e dignidade”, escreveu. Jean-Philippe Léo Smet, de seu verdadeiro nome, nasceu em Paris, na França ocupada de 1943. Filho da modelo Huguette Clerc e do artista belga de ‘music-hall’ Léon Smet, viveu em Londres com a tia e o marido desta, um artista de variedades a quem ‘roubou’ o nome artístico.

Adieu Johnny Morreu o pai do rock & roll francês

Conhecido como o “Elvis francês” era sempre comparado em França com o ‘rei’. Foi precisamente o tema “Loving You”, do seu ídolo Elvis Presley, que o levou a decidir que queria ser cantor e tocar em estabelecimentos noturnos.

Johnny Hallyday publicou em 1960 o primeiro álbum, “Hello Johnny”. Um ano depois, sai o seu grande êxito discográfico, uma versão francesa de “Let’s Twist Again”, intitulada “Viens danser le twist”, que se tornou disco de ouro.

A partir de então, consolidou a sua popularidade, vertendo temas clássicos do rock & roll para francês, e lançou álbuns como “Jeune Homme, Rivière... Ouvre ton Lit y Vie”. Hallyday foi uma das maiores estrelas francesas, com uma carreira de mais de 50 anos e mais de 900 canções, com 100 milhões de discos vendidos. Entre os seus temas de rock & roll contam-se “Rester vivant”, “O Carole” ou “Noir c’est noir”, a versão francesa de “Black is black”, de Los Bravos. Também “Au Café de l’Avenir”, “Oh! ma jolie Sarah”, “Gabrielle”, “La fille de l’été dernier”, “Allumer le feu” ou os clássicos “Mystery Train” ou “Blue Suede Shoes”. Nos concertos não faltaram também hinos de gerações como “Requiem pour un fou”, “Ma gueule”, “L’Idole des jeunes”, “Que je t’aime”, a lírica “J’ai pleuré sur ma guitare” ou temas ‘pop’ como “Quelque chose de Tennessee”.

Entre as músicas ‘country’ destacou-se “De l’amour”. Dos últimos trabalhos figuram a balada “Seul” e “Le pénitencier”, uma canção emblemática da sua carreira, gravada em 1964, que é a adaptação francesa do tema ‘folk’ norte-americano “The House of the Rising Sun”, popularizado pelos The Animals. Hallyday morreu devido a cancro do pulmão, doença que anunciou publicamente em Março último. Nos últimos anos, teve uma saúde frágil, agravada pelos excessos com álcool, drogas e tabaco. Em Dezembro de 2009 foi hospitalizado nos Estados Unidos, tendo-lhe sido provocado coma induzido devido a um grave problema respiratório. No passado dia 17 de Novembro foi hospitalizado de urgência devido a uma insuficiência respiratória, tendo sido submetido a uma nova sessão de quimioterapia.


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Que silêncio se evola de uma fotografia!

A Poesia Completa de Li He

七月 星依雲渚冷,露滴盤中圓。 好花生木末,衰蕙愁空園。 夜天如玉砌,池葉極青錢。 僅厭舞衫薄,稍知花簟寒。 曉風何拂拂,北斗光闌干。

Sétima Lua Frio faiscar de luz estelar rodeia a Ilha Nebulosa,1 Sobre o prato tombam gotas de orvalho como contas. Finas flores nascem das pontas dos galhos,2 Jardins desertos choram a morte de orquídeas. O céu nocturno torna-se num terraço de jade, Folhas no charco dos lótus, incontáveis moedas verdes. Agastada com a finura da sua túnica de dança Sente um arrepio subir pelo seu colchão florido. Um vento acorda suspirando só ao raiar do dia, A Grande Taça esplende pelos céus abaixo.3

1 A Via Láctea. 2 Hibisco. 3 Asterismo da constelação da Ursa Maior.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 21

quinta-feira 7.12.2017

diário de um editor João Paulo Cotrim

Fragmentos de políptico CENTRO PORTUGUÊS DE SURREALISMO, FAMALICÃO, 25 NOVEMBRO Andam aos trabalhões em mim, feito caixa de bolos classic nouveau da Confeitaria Moderna, as palavras de Cesariny dirigidas, em 1958, «Aos Escritores Por Causa do Que Se Lê», ditas em toada Precipício para a nação friorenta. E ausente, já agora. (A nação parece-me sempre ausente e resfriada.) «Viver o fragmento tem sido a condição sem qual não de todos nós, portugueses. Já temos o fragmento de editor, o fragmento de leitor e o fragmento de biblioteca. Herdámos (cito-o de opiniões abalizadas): o melhor fragmento de barroco, o melhor fragmento de freira, o melhor fragmento de políptico e o melhor fragmento de marquês, o fragmento de doutor e o fragmento de morto. Neste fragmento perpétuo, só mais um fragmento podia efectivamente introduzir-se, patentear-se, afirmar: o fragmento de liberdade.» E continua em vórtice delirante até aos mais conhecidos versos de «Fragmento de Poema»: «Autoridade é do que é autor./ Só a autoridade confere autoridade./ A autoridade não é uma quantidade./ Todo o homem é teatro de uma inexpugnável autoridade./ (…) Liberdade/ A liberdade conhece-se pelo seu fulgor./ Quatro homens livres não são mais liberdade do que um só./ Mas são mais revérbero no mesmo fulgor./ (…) Ser-se livre é possuir-se a capacidade de lutar contra o que nos oprime. Quanto mais perseguido mais perigoso. Quanto mais livre mais capaz./ Do cadáver dum homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro – nunca sairá um escravo./ AUTORIDADE E LIBERDADE SÃO UMA E A MESMA COISA» Vendidas ou esquecidas as heranças, migalhas de doce conventual (jesuítas, barrinhas de freira, fidalguinhos e viúvas, são gonçalos), teimamos em não subir ao palco deste teatro de inexpugnável autoridade. Ainda que seja total a disponibilidade para selfies e entrevistas avulso. Sorriso sobre a mão (ver foto de Eduardo Tomé nesta página, mote visual dos encontros deste ano). TANOEIRO, FAMALICÃO, 25 NOVEMBRO O animado grupo no qual pontificava o abade Perfecto [E. Cuadrado], oficiante dos mais prometaicos, órficos, dionisíacos, báquicos e minoritários cultos, escancarou com delicadeza esta conhecida porta pela qual se pode, em sabendo, aceder

ao sagrado. Perfecto garantiu, por via de obscuros comércios com as divindades, uma eternidade de leituras e prazeres. Não disse que podia começar logo ali. O ritual como que começa com as papas de sarrabulho, embora haja por ali queijos e presuntos, além de outros despiciendos. Tudo preliminares, digo atrasos, para o esplendor que chega com os sublimes rojões à minhota. Pode a refeição prosseguir com mais detalhes, estes edulcorados, mas o fim de boca, digo, mundo, incendeia-se com velha aguardente Moura Basto. Surgindo das trevas e do frio em versão completa e sem variações (tarrenego!), com tripa enfarinhada e sangue cozido, rojões evoca como nenhum outro prato a terra. Em telúrica dimensão: esplendor e danação. METRO, LISBOA, 28 NOVEMBRO Jamais terei perdido autocarro, comboio, avião, enfim, hora de viagem marcada. Prazos, sim, mais que muitos, azarinho. Não por gosto, apenas pela sobreposição das urgências, bebinca seria, se fosse doce, com distendidas camadas de veludo amanteigado e canela e pitada de preguiça. Ou por redefinição de prioridades, afinal a liberdade que resulta da autoridade. Se, suspiro, fosse autor dos meus dias oferecia-me esta liberdade, inspiro. Ainda não foi desta que perdi comboio, mas por um triz. Da Horta [Seca] disto duas paragens de Apolónia, a Santa. Aplicava ao caminho a sacrossanta meia-hora, aquela que permite chegar minutos antes a qualquer lugar da minha casidade, Lisboa. Estava mais que bem, se não me tivera enganado e tomasse rumo ao Cais do Sodré. Ri-me, de tão cansado, atei paralelos e meridianos em nó. Voltei atrás, havia tempo. A voz altifalanta da nova carruagem insistia em dizer Cais do Sodré, não sei se com artigo, mas quem se lembra dos Sodré, bem que preferia Remolares, mas nem os lugares conservam os nomes, quanto mais os nomes vestirem lugares. Confirmada a asneira no cais de chegada, soltei palavrão feito altifalante. Não contente com falhar por virgem vez o metro que trago tatuado, dupliquei o engano em aposta de casino. Tive sorte, apanhei o comboio final, rumo ao norte, como convém. Mas ficou uma marca, traço de carril (embrulhado, para levar). FAMALICÃO, 29 NOVEMBRO A mais madrugadora inauguração está prestes a acontecer, pelas 9h40, com a manhã pendurada em alto frio e luz tra-

Só este país se revê em modo consensual no amargo sorriso do punk mais querido. Punk querido? Só neste país. çadora do mais ínfimo contorno, se não vemos montanhas, há que procurá-las. Trôpego, tropeço em grupo, soltando sussurros em ladainha, de olhos disparados às A4 devidamente coloridas, presas na parede abandonada. São folhas de mortos, distribuídas com parcimónia pelo comércio, mas também afixadas perto do informal mercado das hortaliças. As preces são mero reconhecimento dos que partiram, não vislumbrei surpresa, nem consolo, tão só constatação de recorrente normalidade. Mais um rio à beira do rio. Se adiante merecer campa, fica dito, preferia grelos na vez de lírios. Atenção: sonho-os postos à mão e viçosos, colhidos em hora certa, alimentícios e pouco decorativos. Adiante, ainda que o tema, não parecendo, pede frescura. Desafiado pelo António [Gonçalves], convocámos treze ilustradores treze para outros tantos pontos museológicos de interesse nesta Vila Nova, onde se morre e se nasce. Produzimos ferramenta em formato livro que usa a ilustração para recolher visões de temas tão díspares como o automóvel ou a cerâmica, o surrealismo ou Camilo para dizer que o conjunto compõe identidade. Frágil como o esquecimento ou elástica que nem rede, depende de cada qual. Empurrado pelo azul da Cristina Lamego, na capa e prolongado com ges-

to puxando fio do tecido da Bárbara R. na contracapa, falei de frescura. Os trabalhos continuaram, afinal a inauguração abria o encontro da rede de museus, mas que sentido para frescura ficou a ecoar, o minhoto de roupa branca, o de limpeza, vigor ou aragem fresca? Temo que tenha sido o abrasileirado. Azarinho, azarou. HORTA SECA, LISBOA, 30 NOVEMBRO Chega. Basta de arrepios ao ver desfilar no telemóvel os números dos que já não atendem e que não consigo apagar. Digam lá que faz parte da vidinha, digam a ver se interessa, semana sim, semana sim, este obituar de braço amparando cabeça contra a parede para ver e esconder lágrimas escorrer na calçada. Digam. Que outro punk teve sorriso como este? O Zé Pedro (1956-2017) fez da raiva, de comum desviver, do supremo desatino, uma forma de resistir, de subir ao palco e tocar. Contra tudo, contra ninguém. Desdobrou-se em generosidade, em acolhimento, em entrega ao domicílio. Dasse! Quem como ele? O Sérgio [Godinho] viu bem que só neste país se diz neste país. Ora só neste país se grita, verso fora, no funeral do próprio estadista: Soares é fixe! Só este país se revê em modo consensual no amargo sorriso do punk mais querido. Punk querido? Só neste país.


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Anúncio de concurso (157/2017) 1. Entidade promotora do concurso: Instituto de Habitação (IH). 2. Modalidade do concurso: Concurso público. 3. Designação do concurso: Prestação de serviços de limpeza das delegações do IH. 4. Objecto: Prestação de serviços de limpeza para as seguintes delegações do IH: Designação da delegação Delegação de Cheng Chong

Morada Estrada do Canal dos Patos, n.o 204, Edf. Cheng Chong A, R/C, Macau (O âmbito do objecto da prestação de serviços inclui as fracções A e C a U, do R/C)

Delegação das Ilhas

Rua de Zhanjiang, n.os 66-68, Edf. do Lago, 1.º Andar “D”, Taipa

Delegação de Seac Pai Van

Avenida da Harmonia, n.os 656662, Edf. Ip Heng, Bloco III, R/C -“D”, Coloane

Prazo da prestação de serviços

De 1 de Abril de 2018 a 31 de Março de 2020

Estrada Nova da Ilha Verde, Centro de apoio à protecção civil Habitação Social da Ilha Verde – Edf. Cheng Nga, 1.º Andar B 5. Condições do concurso: Podem candidatar ao presente concurso as sociedades comerciais que se encontrem registadas na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis, cujo âmbito de actividade, total ou parcial, inclua serviços de limpeza. 6. Obtenção do programa e processo do concurso: Os concorrentes podem consultar e obter o respectivo processo de concurso na recepção do IH, sita na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, durante as horas de expediente. Caso pretendam obter fotocópia do documento acima referido, devem pagar a importância de MOP 1 000,00 (mil patacas), em numerário, relativa ao custo das fotocópias, ou podem proceder ao download gratuito na página electrónica do IH (http://www.ihm. gov.mo). 7. Visita aos locais: Os concorrentes interessados devem dirigir-se pessoalmente à recepção do IH, sita na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, ou contactar o IH, antes do dia 12 de Dezembro de 2017, através do telefone n.º 2859 4875, durante as horas de expediente, para procederem à marcação prévia da visita aos locais, (o número de participantes de cada sociedade comercial não pode ser superior a 2 pessoas e o transporte para ida e volta, aos locais da visita é disponibilizada pelo próprio), devendo os concorrentes interessados, que tenham procedido à respectiva marcação, chegar à delegação de Cheng Chong, no dia 13 de Dezembro de 2017, pelas 09h30. 8. Caução provisória: O montante da caução provisória é de MOP34 800,00 (trinta e quatro mil e oitocentas patacas). A caução provisória pode ser prestada por garantia bancária legal ou por depósito em numerário na conta, em nome do IH, na sucursal do Banco da China, em Macau. 9. Local, dia e hora para entrega das propostas: As propostas devem ser entregues, a partir da data da publicação do presente anúncio até às 17h45 do dia 17 de Janeiro de 2018, durante as horas de expediente, na recepção do IH, na Travessa Norte do Patane, n.º 102, rés-do-chão, Ilha Verde, Macau. 10. Dia, hora e local do acto público do concurso: Será realizado na sede do IH, sita na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, no dia 18 de Janeiro de 2018, pelas 10h00. 11. Critério de adjudicação: Em conformidade com o resultado da avaliação das propostas, pela comissão de avaliação de propostas, a presente prestação de serviços será adjudicada ao concorrente que reunir todas as condições fixadas no Caderno de Encargos e que apresente o preço proposto mais baixo. 12. Outros assuntos: Os pormenores e observações ao presente concurso encontram-se disponíveis no respectivo processo de concurso. As informações actualizadas sobre o presente concurso serão publicadas na página electrónica do IH (http://www.ihm.gov.mo). Instituto de Habitação, aos 29 de Novembro de 2017. O Presidente, Arnaldo Santos


ARTES, LETRAS E IDEIAS 23

quinta-feira 7.12.2017

Diários de Próspero António Cabrita

01/12/2017

Defendia Derrida, em 1998, que a transformação tecnológica é um dos factores essenciais da aceleração política e que um regime totalitário não sobreviveria a uma certa densidade da rede telefónica, a uma certa densidade de informação televisiva, de mails, etc. Vinte anos depois constata-se uma torção na aprendizagem dos valores e também a qualidade da democracia cede ao influxo da informação e à densidade das redes sociais. A democracia padece do seu sucesso. Pelos motivos mais simples, o pendor dos meios de comunicação de massas para a nivelação da experiência, a) foi nublando a separação entre representação e realidade efectiva, e, dada a redundância informativa, b) instalou-se uma atmosfera de imediatez e esquecimento que favorece a ilusão apriorística, a qual tem na opinião o seu grande instrumento. Eis o conhecimento preterido pelo espectáculo da opinião, pela flutuação das pertinências. E foi-se tornando claro que o meio é (mesmo) a mensagem, à medida que perdeu relevo a qualidade ou a substância das opiniões. Ora, ao arrepio da ideia dominante é preciso afirmar: nunca fomos todos iguais. Esta ilusão que uma utópica e generosa cultura de esquerda propagou e o multiculturalismo cavalgou, ganhou metástases na esfera da razão comunicacional. Mas é preferível a lucidez de Bloch, ao elaborar o seu conceito de não-contemporaneidade: «Nem todos existem no mesmo presente. Estão só exteriormente, porque podem ser vistos no dia de hoje. Mas nem por isso vivem o mesmo tempo dos outros», ou seja, - a discriminação é de José Jiménez, cujos argumentos cito – há um desnível entre o tempo exterior, a época e o tempo interior. Mesmo vivendo na mesma época, porque tiveram oportunidades cognitivas diferentes ou vêem de tradições distintas nem todos os homens vivem o mesmo tempo. Daí que apesar do esplendor da tecnologia emergente o enxamear das opiniões, tão histericamente reclamadas, não reflicta uma pauta de valores satisfatórios. E invertendo a lógica libertária que impulsionou as utopias da internet, hoje ao reinado da opinião, tão rés ao mundano, foi reservado o mesmo papel dos Silenciadores oficiais na corte dos imperadores bizantinos – cuja função era calar os perturbadores de toda a ordem, para que reinasse apenas o pensamento estabelecido. Hoje silencia-se com a algazarra da opinião e o hábito de postar sentenças em vez de debater argumentos ou com a arrogância performativa do ignorante. Ainda julgo com Jerome Bruner, que só a educação pode transformar a sociedade. Porque, demonstrou ele, até as revoluções não são melhores do que as ideias que personificam e que os meios que estas mobilizam para realizar tais ideais. É porém inescamoteável: temos de lidar com as patologias do sistema de ensino, que se demite do seu papel de transmissor de cultura humanística e cede

52º Retrato do Soldado Desconhecido

Helder Moura Pereira ou O Soldado Desconhecido?

à pressão mediática e à cultura de massas – a tal que nivela tudo por baixo. Contemos um episódio com uma filha. No 12º ano a professora de português pediu aos alunos que escolhessem um au-

tor português que não fosse contemplado pelo currículo escolar e redigissem um trabalho sobre ele. Passei-lhe uma dúzia de livros e ela, para minha felicidade, escolheu o Carlos de Oliveira. A surpresa

Dantes havia o pronto-a-vestir e os alfaiates, a escola agora é a primeira a admitir que o fast food alimenta da mesma maneira. É uma mentira

veio depois: a professora não fazia ideia de quem fosse. A mesma professora que eu havia encontrado em férias com exemplares de Dan Brown e de Gonçalo Amaral nas mãos. Fiquei boquiaberto, mas não devia. Tal como Trump esta professora era já um fruto transgénico, com código de barras, dos códigos e limites da cultura de massas, ao que se aliou o desacerto dos currículos pedagógicos. Todorov escreveu um livro sobre esta situação: A Literatura em Perigo. Aí lembra que a missão da escola desde o Iluminismo reflectia a vocação do ser humano em aprender a pensar por si mesmo, «em lugar de se contentar com as visões do mundo previamente prontas, encontradas em seu redor». Esta missão foi desvirtuada desde que também a Escola visa alimentar o Mercado, como função primeira, vendo-se arredada dos seus corredores a formação de um pensamento crítico. Paralelamente – o que, se não é de propósito, parece - o estudante deixou de estar em contacto directo com a literatura, remetida para um lugar periférico e substituída pela Teoria da Literatura e por métodos de análise, esquecendo-se que a literatura é, em primeiro lugar, «a encarnação de um pensamento e de uma sensibilidade» que interpretam o mundo. A literatura passou a ser não o lugar da fruição como «a ilustração dos meios necessários à sua análise». Será por isso que a professora da minha filha prefere a “literatura” que prescinde totalmente de crivo hermenêutico? Eis a contradição: as escolas não preparam os alunos para lerem Alberto Pimenta ou Herberto Helder, ou António Franco Alexandre, ou Manuel Gusmão. Totamente desfasados os programas escolares e as novas sensibilidades e códigos. Esteve um poeta excelente quase a ganhar o Prémio Oceanos, o Helder Moura Pereira. Faça-se um inquérito aos professores: quantos conhecem? Ademais, a heterogeneidade manifesta em poetas como Fernando Pessoa, Haroldo de Campos, Carlos de Oliveira, João Miguel Fernandes Jorge, ou Luís Quintais, torna difícil explicar a experiência da poesia a quem não a experimenta. Por isso a poesia perdeu leitores e os professores vão-se apegando às receitas que o mercado fornece. É o pronto-a-vestir. Embora no difícil é que esteja o ganho. Dantes havia o pronto-a-vestir e os alfaiates, a escola agora é a primeira a admitir que o fast food alimenta da mesma maneira. É uma mentira, ou o novo hábito dos fake news, apenas o mecanismo perverso do celebrado poder das redes sociais, meras instâncias da informação em autototelia.

06/12/2017

Faço um ano de crónicas no Hoje Macau. Gramo maningue. Por isso, meu (caro) leitor, meu hipócrita, meu irmão (Baudelaire), só me resta dizer como ao smart guy que tentava quebrar a última resistência da miúda à sua sedução: «…se não nos viermos entretanto, então até à próxima!».


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7.12.2017 quinta-feira

Rectificação da notificação edital (45/FGCL/2017) Nos de pedido: 58/2016, 367/2016, 368/2016, 370/2016, 371/2016, 372/2016, 373/2016, 335/2016, 377/2016

Em conformidade com a deliberação do Conselho Administrativo deste Fundo em 21 de Abril de 2017, notifica-se o devedor dos números de pedido acima referidos, “Group Bullion (Macau) Sociedade Unipessoal Limitada”, com sede na Avenida da Praia Grande, nº 409, China Law Building, 21º andar, Macau, da rectificação para $460 427,20 (quatrocentas e sessenta mil, quatrocentas e vinte e sete patacas e vinte avos), referente ao montante total dos créditos pagos por este Fundo a nove ex-trabalhadores (Tam Seong Man, Shiu Mei Leng, Ao Ieong Wai Cheng, Iau Wai San, Lao Man I, Cheong Kuan Hou, Ng Pun Meng, Leong Wai Hong e Wong Ian I), em consequência dos juros de mora previstos na Lei n.º 10/2015 só se aplicarem a créditos laborais existentes depois de 1 de Janeiro de 2016. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o processo.

Rectificação da notificação edital (46/FGCL/2017) Nos de pedido: 359/2016, 360/2016, 361/2016, 362/2016, 364/2016, 366/2016

Em conformidade com a deliberação do Conselho Administrativo deste Fundo em 21 de Abril de 2017, notifica-se o devedor dos números de pedido acima referidos, “Van Full Diversões e Investimento, Sociedade Unipessoal Limitada (Titular do Jun Bao Club)”, com sede na Avenida Doutor Mário Soares, Torre Lago Panorâmico, 22o andar P, Macau, da rectificação para $9 952,70 (nove mil, novecentas e cinquenta e duas patacas e setenta avos), referente ao montante total dos créditos pagos por este Fundo a seis ex-trabalhadores (Lai Soi San, Wong Chong Wa, Pang Chon In, Hong Lai I, Cheong Weng Ian e Vong Soi Heng), em consequência dos juros de mora previstos na Lei n.º 10/2015 só se aplicarem a créditos laborais existentes depois de 1 de Janeiro de 2016. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o processo. 5 de Dezembro de 2017

5 de Dezembro de 2017

Rectificação da notificação edital (47/FGCL/2017)

Anúncio Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico para o ano de 2014

Nos de pedido: 12/2016, 31/2016, 59/2016, 353/2016, 365/2016, 375/2016

Em conformidade com a deliberação do Conselho Administrativo deste Fundo em 21 de Abril de 2017, notifica-se o devedor dos números de pedido acima referidos, “Empresa Hoteleira de Macau Limitada (Titular do Hotel Palacio Imperial Beijing)”, com sede na Avenida Padre Tomás Pereira nº 889, Taipa, Macau, da rectificação para $602 243,00 (seiscentas e duas mil, duzentas e quarenta e três patacas), referente ao montante total dos créditos pagos por este Fundo a seis ex-trabalhadores (Wan Wu Ni, Chan Kin Seng, Pun Io Nam, Benig Miguela Maria, Wong Ieok Chon e Wong Ion Mui), em consequência dos juros de mora previstos na Lei n.º 10/2015 só se aplicarem a créditos laborais existentes depois de 1 de Janeiro de 2016. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o processo. 5 de Dezembro de 2017

O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

1. O prazo limite para a apresentação do pedido de atribuição do Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico para o ano de 2014 é fixado em 29 de Dezembro do corrente ano. 2. Os indivíduos que satisfaçam os requisitos de atribuição, mas não tenham ainda formulado o pedido, devem dirigir-se até ao termo do prazo supracitado ao Centro de Serviços do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, sito na Avenida da Praia Grande, n.ºs 762-804, Edifício “China Plaza”, 2º andar, Macau, para efeitos de tratamento das respectivas formalidades. 3. Por último, solicita-se que os cheques ainda não sacados sejam apresentados, com a maior brevidade, junto de qualquer instituição bancária de Macau.

Macau, aos 10 de Novembro de 2017


(f)utilidades 25

quinta-feira 7.12.2017

TEMPO

POUCO

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Amanhã CONCERTO | FORCE DEFENDER AO VIVO NA LIVE MUSIC ASSOCIATION

MIN

16

MAX

23

HUM

50-85%

•

EURO

9.49

BAHT

NAS FRONTEIRAS DO JORNALISMO Clube Militar | 17h30 às 19h00

Sábado CONCERTO | FAZI AO VIVO NA LIVE MUSIC ASSOCIATION 22h00 à 00h00 MERCADO DE NATAL – BAD BAD MARIA Albergue SCM | 11h00 às 18h00

O CARTOON STEPH

SALÃO DE OUTONO Casa Garden REPRESENTAÇÕES DA MULHER - COLECÇÃO DO MUSEU DE ARTE DE MACAU NOS SÉCULOS XIX E XX Museu de Arte de Macau | Até 10/12 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/3/2018

PROBLEMA 177

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 176

UM DISCO HOJE

Cineteatro

C I N E M A

SUDOKU

DE

Fundação Rui Cunha | Até sexta-feira

1.21

VERÃO ETERNO

PALESTRA | JOAQUIM FIDALGO: DISPUTAS

EXPOSIÇÃO “A MACAU QUE EU MAIS AMO”

YUAN

PÊLO DO CÃO

21h30 à 00h00

Diariamente

0.24

Estamos em Dezembro e o sol brilha com a intensidade de Julho, como se o calendário fosse uma mera aberração fora de estação. Temperatura acima dos 25 graus e ainda assim as ruas estão povoadas por casacos polares e gorros, como se estivéssemos numa estância de esqui. Aqui a neve é outra. Agrada-me esta circunstância subtropical de passear por Macau de calções e dar de caras com um numero considerável de presépios e pais natais. Esta época deveria ser dominada pela festivaleira luz artificial que celebra o santíssimo consumo. Porém, o astro maior das nossas redondezas cósmicas teima em inundar a cidade de claridade e calor como se nos estivéssemos, gradualmente, a tornar num satélite de Vénus. Somos como um subúrbio telúrico perto da grande capital astral do sistema, a nossa vida e a nossa futura aniquilação. Por agora e por aqui, o astro apenas sugere roupa leve, óculos escuros, água fresca e protector para as peles mais sensíveis. Este Verão eterno é um desperdício de oportunidades balneares ofuscadas pelo brilho dos sóis dos néones dos casinos. Coloane podia ser um pequeno e discreto Algarve, a Ilha da Culatra, um Saint-Tropez comedido, sem os exageros que excedam as capacidades de albergar vida lúdica. Na realidade, toda esta radiância dá-me intensos impulsos de mil mergulhos, apesar de ser Dezembro e das decorações natalícias estarem em todo o lado. Felizmente que a noite cai aos trambolhões, com oferendas de arrepios aos incautos eternos veraneantes que desprezam uma manga comprida. João Luz

800-273-8255 | LOGIC | 2017

“1-800-273-8255” é um single produzido e interpretado pelo rapper americano Logic, que foi lançado na passada Primavera. O título da canção é o número da linha de atendimento de prevenção de suicídio. O rapper americano confessou que a inspiração para escrever a música veio de fãs que o contactaram para lhes dizer que a sua música os impediu de cometerem suicídio. Como tal, Logic compôs o single para dar algum ânimo a quem está em baixo na vida. Vítor Ng

THE FOREIGNER SALA 1

MURDER ON THE ORIENT EXPRESS [B] Fime de: Kenneth Branagh Com: Penelope Cruz, Willem Dafoe, Judi Dench, Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Daisy Ridley, Josh Gad 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

THE FOREIGNER [C] Fime de: Martin Campbell Com: Jackie Chan, Pierce Brosnan 14.30, 16.45, 21.30

WONDER [B] Fime de: Stephen Chbosky Com: Julia Roberts, Owen Wilson, Jacob Tremblay 19.15 SALA 3

TAKE ME TO THE MOON [B] [FALADO EM PUTONGHUA, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS] Fime de: Chun Yi Hsieh Com: Jasper Liu, Vivian Sung, Vera Yen, Chihtian Shih, Pipi Yao 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


26 opinião

7.12.2017 quinta-feira

bairro do oriente

Laki sa layaw

O

S filipinos são há muito um ingrediente da massa humana que compõe a região do delta do Rio das Pérolas, ou seja, Macau e Hong Kong. As ex-colónias do sul da província de Cantão são destinos de eleição para a massiva vaga migratória das Filipinas, pois a adaptação é mais fácil do que a outras paragens, como o Japão ou os países da peninsula arábica, onde existe também uma grande diáspora. Se considerarmos os chineses, tanto os de Macau como os do continente uma comunidade apenas, os filipinos serão a segunda maior comunidade da RAEM, com mais de dez mil elementos. Mas é difícil avançar com um número exacto, pois assim como as ilhas do seu arquipélago, que são mais quando a maré está baixa, é possível que habite no território uma quantidade significativa de filipinos em situação ilegal. Tenho e sempre tive amigos filipinos praticamente desde que cheguei vai para mais de vinte anos. No entanto por alguns que tive sorte em conhecer, há outros que desejava nunca ter conhecido. Quer dizer, compreendo que estejam cá numa situação de inferioridade, e que precisem de se defender com as poucas armas que têm, mas podiam ser mais criativos nos “truques” que usam, e já agora menos descarados nas mentiras que contam. As empregadas domésticas,

por exemplo “matam” a mãe e o pai uma ou duas vezes por ano para justificar ausências prolongadas ao trabalho, e se deixam alguém no seu lugar quando vão de férias, garantem ser “uma prima”, e “da máxima confiança”, mas na verdade é alguém que conheceram há quinze dias no Largo do Senado. Espero que nas entrelinhas entendam que não estou a generalizar, de todo. Aliás os “maus” Filipinos são uma minoria, e de um modo geral são um povo simpático, acessível e trabalhador, contando que tenham o mínimo de motivação. A maioria só quer saber da sua vida, trabalha, manda o dinheiro para casa, vai à igreja no dia de folga e não chateia ninguém. As “más sementes” são por vezes indivíduos que até chegaram a Macau com as melhores das intenções, mas entretanto a vida correu-lhes mal, foram também eles enganados por outros, envolveram-se com más companhias, caíram nas malhas do jogo ou da droga, ou por outra razão qualquer, e infelizmente há um vasto leque de razões. Apesar de tudo não se portam assim tão mal. É natural que tenham desenvolvido um mecanismo de defesa próprio, mesmo que por vezes vá para além dos limites do razoável. Imaginem que deixavam o vosso país em busca de uma vida melhor, e uma vez num país estranho eram explorados, enganados, maltratados e discriminados. Imaginem ainda que tinham que suportar estas humilhações e outras, pois lá na vossa terra natal há pessoas que dependem do dinheiro que mandam todos os meses. Compreende-se que tenham criado uma «rede» que os permita sobreviver, uma vez que o estatuto de trabalhador não-residente confere-lhes poucos ou nenhuns direitos. Mesmo que os

LEOCARDO

A maioria (deste filipinos) nasceu em Macau, outros vieram para cá ainda novos e não imaginam sequer o que é emigrar, ganhar a vida, lutar pela próxima refeição, sujeitar-se a privações várias métodos estejam já ultrapassados, têm que se desenrascar de algum jeito. Mas nem só de TNRs é feita a comunidade filipina; existe ainda um número considerável de residentes permanentes naturais das Filipinas ou de etnia filipina. Não sei o número ao certo, mas penso serem por volta de dois mil, e o número tem aumentado, pois há quem se tenha fixado há muitos anos e produzido uma nova geração de filipinos. E é ao falar desta segunda geração de filipinos com BIR que passo a explicar o título deste artigo, e se tiveram a paciência para ler até agora, devem estar com curiosidade. “Laki sa layaw” quer dizer em tagalog “mimado”, ou “menino/a mimado/a”. E de facto é mesmo assim. Não me canso de repetir que não quero generalizar, mas muitos destes jovens filipinos e Filipinas que conheci não fazem a minima ideia do que é a vida. A maioria nasceu em Macau, e outros vieram para cá ainda novos, e não imaginam sequer o que é emigrar, ganhar a vida, lutar pela próxima refeição, sujeitar-se a privações várias, como os seus compatriotas que aqui chegam numa condição muito pior do que a deles. Sentem-se filipinos, claro, e vão à terra dos pais de férias uma vez por ano. Gostam daquilo, acham piada, e têm resmas de parentes, primos, tios e tias, que olham para eles de baixo, sentindo uma ponta de inveja. Não existindo em Macau escolas filipinas, estudam nas escolas chinesas ou nas

internacionais, os que podem. Muitos falam cantonense, outros falam português (os que têm um pai ou mãe português, e nem todos), mas todos dominam o inglês. A maior parte deles fala tagalog, mas outros nem por isso, ou falam pouco, o que não deixa de ser lamentável. São uma juventude descontente, uma geração X. Nasceram cá mas não são chineses, e como não beneficiam do mesmo desconto que é dado aos portugueses, os chineses olham para eles como sendo “filipinos”, e pouco importa que tenham ou não BIR. O seu papel na RAEM do futuro é uma grande incerteza. Aquele personagem na imagem em cima é Juan Dela Cruz, a personificação do espírito e da unidade do povo “pinoy”, o equivalente do Tio Sam para os americanos, ou do nosso Zé Povinho. O folclore filipino tem ainda um contraponto a este símbolo, um tal Juan Tamad, que era tão preguiçoso (“tamad” quer dizer “preguiçoso”) que se sentava debaixo da árvore à espera que a fruta lhe caísse na mão. Não considero que os filipinos sejam preguiçosos, antes pelo contrário - têm muito mais de Juan Dela Cruz do que de Juan Tamad. O que os leva a ser por vezes rejeitados pelo mundo “globalizado” é o facto de serem um povo singular, com uma cultura e uma identidade muito próprios, em suma, são especiais. Agora só precisam de decidir de que forma desejam ser considerados especiais. Tinham tudo a ganhar se fosse no bom sentido. Fazem-nos falta.


opinião 27

quinta-feira 7.12.2017

LUÍS NASCIMENTO in esquerda.net

E

O banditismo à solta e a hipocrisia internacional

MMANUEL Macron, o presidente francês, sempre com esse olhar iluminado em direcçao ao céu, anunciou em Abidjan, na Cimeira EU-Africa na Costa do Marfim, que tinha sido encontrada uma solução para o drama dos migrantes prisioneiros em campos líbios vendidos como escravos. Vendidos a 400,500 ou 600 euros cada. Um crime denunciado numa recente reportagem da CNN, mas também da BBC e, entretanto, através de numerosas fotografias em redes sociais. Segundo ele, a União Europeia em cooperação com a União Africana iria assegurar o repatriamento desses homens (na sua maioria jovens, saudáveis, escolhidos a dedo pelos traficantes, como se fazia noutros séculos, no mercado negreiro lucrativo de portugueses e espanhóis…), para países de origem, como Mali, Nigéria, Chade e outros Estados da África Central e Ocidental. Uma operação monitorizada pela OIM-Organização Internacional das Migrações, segundo conta a BBC World Service. O “Governo” reconhecido(!) pela ONU em Trípoli deu aval a esta “solução”. A medida não passa de um comprimido de paracetamol, porque este tráfico de seres humanos é um cancro à escala global e regional e sabe-se que nenhum dos Estados da África setentrional dispõe de instrumentos políticos e administrativos, nem força militar para combater as redes do crime organizado. Os seres humanos retornados da Líbia voltarão de certeza à Líbia para serem novamente comercializados e tentarem chegar à Europa através do Mediterrâneo ou por outras fronteiras. Macron e outros dirigentes, como o “horrorizado” Secretário-Geral da ONU António Guterres juntaram-se ao clamor de denúncia perante as imagens da CNN. Os “horrores” de Guterres são um grito de alerta e um imperativo moral de que o mundo tem que agir. Agir como? Ficamo-nos pelas denúncias? Pelo repatriamento dos jovens africanos? Quem é que vai ajudar a OIM a levar a cabo a missão em segurança perante bandidos armados até aos dentes, gente assassina da pior espécie? As Nações Unidas e União Europeia e alguns lideres vêm mesmo afirmar que estamos perante crimes contra a Humanidade, mas não foi a ONU que respaldou o ataque da NATO contra a Líbia, para o derrube do regime de Kadhafi, numa folclórica “Primavera Árabe” que nunca existiu naquele País? Uma guerra movida por uma miríade muito confusa de grupos étnicos, fundamentalistas

Os seres humanos retornados da Líbia voltarão de certeza à Líbia para serem novamente comercializados e tentarem chegar à Europa através do Mediterrâneo ou por outras fronteiras. islâmicos anti-Estado laico, que só conseguiram a vitória (qual “Blitzkrieg) graças aos bombardeamentos aéreos maciços e devastadores sobretudo britânicos e franceses. Os mesmos que meses antes tinham estendido a passadeira vermelha ao Kadhafi em Londres para lhe comprar petróleo e gás e vender modernos jatos de combate, em Londres e Paris). Não estou a legitimar o regime despótico do coronel. A história está por contar quanto à Líbia de Kadhafi, sobre o que era no tempo do Rei Idris e durante as quatro décadas de “socialismo árabe” nos planos económico, social… O que temos na Líbia? Dois governos, três parlamentos, sem qualquer legitimidade, sem mandato popular legitimo, sem qualquer autoridade territorial, completamente nas mãos do “quero posso e mando” dos grupos

de crime organizado, tráfico de armas, droga, contrabando de hidrocarbonetos, Estado Islâmico. Desbarataram o Tesouro do Estado, todos os indicadores revelam um acentuado empobrecimento da população, uma crescente emigração dos líbios, perante o caos, os conflitos armados, as matanças, o ódio. Não foi por falta de avisos. Até porque já se sabia o que que tinha acontecido na Síria e no Afeganistão e há semelhanças. A tese do “Estado falhado” na Líbia é antiga, vem do tempo que antecedeu os ataques da NATO em 2011 e confirma-se todos os dias. E não vale a pena teorizar sobre a “anarquia” no sistema internacional, porque encaixa-se perfeitamente quando falamos destes e de outros países. Salvar os escravos da Líbia é urgente. O intervencionismo humanitário é legal e está

previsto na Carta das Nações Unidas. Não é preciso fazer a guerra. Há outros caminhos. É preciso pressionar as autoridades líbias a cumprirem com as suas obrigações. Policiarem os campos, combaterem os bandidos, se preciso for com ajuda de uma força da CIVPOL. Ou que a EU ensine novos recrutas policiais líbios a fazerem isso e a União Europeia tem provas dadas nesse domínio da formação. Para uma acção firme que salve vidas, teremos que votar uma Resolução do Conselho de Segurança da ONU. Deixo esta pergunta no ar: se há sanções contra a Coreia do Norte, contra os dirigentes sírios, porque não haverá contra os Líbios? É o banditismo consentido pela “Europa” às suas portas, trancadas a seres humanos oprimidos em campos de concentração, torturados, humilhados e vendidos como gado!


É mais sufocante a solidão pespontada de janelas iluminadas Carlos Morais José

PALAVRA DO DIA

quinta-feira 7.12.2017

PARAÍSOS FISCAIS CHINA DIZ QUE DECISÃO DA UE SOBRE MACAU É “INCONSISTENTE”

Lista negra, mas não tanto

A

China denunciou ontem a inclusão de Macau na lista de paraísos fiscais da União Europeia (UE) como “inconsistente com a realidade” do território, classificando a decisão de “unilateral e facciosa”. Em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Geng Shuang, frisou a inconsistência da decisão da UE, apoiando assim a resposta do Governo de Macau, que negou que o território seja um “ponto de fuga e evasão fiscal”. “Quanto à notícia dada pela imprensa sobre a eventual inclusão de Macau na lista negra dos pontos de fuga e evasão fiscal pela UE, o Governo de Macau está a dar a maior importância ao assunto, reiterando que Macau não é absolutamente um alegado ponto de fuga e evasão fiscal ou um paraíso fiscal”, reagiu na terça-feira o gabinete do Secretário para a Economia e Finanças. A lista negra dos pontos de fuga e evasão fiscal pela UE é o resultado final de meses de análise a vários países e terri-

tórios. As novas listas surgem no seguimento dos esforços europeus de combate à fraude e evasão fiscal, que receberam um novo fôlego depois de serem divulgadas extensas listas, como os Paradise Papers, que expõem a escala e abrangência dos esquemas de fuga ao fisco.

Em declarações ao jornal português Público, o fiscalista Nuno Sampayo Ribeiro disse que a reputação de Macau na Europa fica posta em causa, com eventuais consequências para a economia local e até para Portugal. Esta decisão não é apenas “um facto grave para Macau,

Se me chamais líder... sigo-vos Putin anuncia candidatura às presidenciais de 2018

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PUB

presidente russo, Vladimir Putin, anunciou ontem que vai candidatar-se a um quarto mandato nas presidenciais previstas para 18 de Março de 2018 na Rússia. “Anuncio a minha candidatura ao cargo de presidente da Rússia”, disse Putin durante um encontro com operários da fábrica automóvel GAZ em Nijni Novgorod, no Volga, transmitido em directo pela televisão. “Não podia encontrar um sítio nem um momento melhor” para o anúncio, disse, sendo fortemente aplaudido pelos operários.

Vladimir Putin cumpriu dois mandatos presidenciais sucessivos, entre 2000 e 2008. Depois, impedido constitucionalmente de se recandidatar, exerceu as funções de primeiro-ministro enquanto o aliado Dmitri Medvedev, no cargo de presidente, alargava o mandato presidencial para seis anos. Em 2012, quando terminou o mandato de Medvedev, Putin voltou a candidatar-se e a ser eleito presidente. Com uma taxa de popularidade de 80%, Putin, no poder há 17 anos, tem a vitória praticamente assegurada. Se vencer, fica no poder até 2024. A data

da eleição vai ser oficialmente marcada pelo Conselho da Federação, a câmara alta do parlamento russo, entre 7 e 17 de Dezembro. Os “candidatos veteranos” dos últimos anos – o líder comunista Guenadi Ziuganov, o ultranacionalista Vladimir Jirinovski e o liberal Grigori Iavlinski – já anunciaram a intenção de se recandidatar. A par deles, Ksenia Sobchak, uma vedeta da televisão, também deve ser candidata. O rival mais visível de Putin, Alexei Navalny, quer ser candidato, mas está impedido de o fazer por ter sido condenado judicialmente

com o maior alcance político e económico”, mas também o é “para Portugal, em especial para o sector financeiro, particularmente agora que o país tem a presidência do Eurogrupo”. Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado Adjunto e das Finanças de Mário Centeno, falou esta terça-feira sobre o caso de Macau, tendo dito que a inclusão na lista “não muda praticamente nada aquilo que é a relação entre os dois territórios, alegando que em questão estão unicamente os fluxos de capital” e que “quem quiser enviar dinheiro de Macau para Portugal terá apenas de justificar” de onde vem. O grupo de países onde está inserido Macau, disse Sampayo Ribeiro, é considerado como “tendo deficiências graves, designadamente ao nível da transparência e da cooperação internacional. E é nesse grupo que fica Macau”. Está em causa uma “explosão reputacional” que “afectará severamente a reputação da economia local, em especial o sector bancário, e que terá expressão nos fluxos financeiros, incluindo com Portugal”, disse ao diário Público.

em casos que, afirma, tiveram motivação política. Horas antes do anúncio, Putin foi mais evasivo, ao ser questionado sobre uma candidatura num encontro com jovens voluntários em Moscovo. “Estou sempre convosco”, respondeu quando lhe perguntaram se “estará sempre” com os russos. “É sempre uma decisão muito importante seja para quem for, porque a motivação deve vir unicamente da vontade de melhorar a vida no país, de o tornar mais poderoso e mais seguro”, disse. “Se tomar essa decisão, terei o vosso apoio e o dos que pensam como vocês?”, questionou, ouvindo da audiência gritos de “Sim!” seguidos de fortes aplausos.

MACAU MAIS DE 6000 FUMADORES MULTADOS ATÉ NOVEMBRO

M

AIS de 6.000 pessoas foram multadas em Macau até ao Novembro por fumarem em locais proibidos, informaram hoje os Serviços de Saúde. Entre 1 de Janeiro e 30 de Novembro, foram efetuadas 300.870 inspecções a estabelecimentos, ou seja, uma média diária de 943, durante as quais foram sinalizadas 6.262 violações à Lei de Prevenção e Controlo do Tabagismo, incluindo 11 relativas a ilegalidades nos rótulos dos produtos de tabaco. Um total de 47,7% das multas foi aplicada a residentes de Macau (2.979), e igual número a turistas, enquanto as infracções cometidas por trabalhadores não residentes corresponderam a 311 ou 5% do total. De acordo com os Serviços de Saúde, em 168 casos foi necessário o apoio das forças de segurança. Nos casinos, onde foram efetuadas, a par com a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, 616 inspecções, 891 pessoas foram multadas, na maioria turistas (748 ou 84%). Desde a entrada em vigor da Lei da Prevenção e Controlo do Tabagismo, a 01 de janeiro de 2012, foram multadas 44.204 pessoas, como resultado de mais de 1,5 milhões de inspecções, segundo os Serviços de Saúde. A Lei da Prevenção e Controlo do Tabagismo tem vindo a ser aplicada de forma gradual, começando por visar a generalidade dos espaços públicos e prevendo disposições diferentes ou períodos transitórios para outros casos. A 1 de Janeiro de 2015 entrou em vigor a proibição total de fumar em bares, salas de dança, estabelecimentos de saunas e de massagens. Os casinos passaram a ser abrangidos dois anos antes, a 01 de janeiro de 2013, mas apenas parcialmente, dado que as seis operadoras de jogo foram autorizadas a criar zonas específicas para fumadores, que não podiam ser superiores a 50% do total da área destinada ao público. Em Outubro de 2014, “as zonas para fumadores” foram substituídas por salas de fumo fechadas, com sistema de pressão negativa e de ventilação independente, passando a ser proibido fumar nas zonas de jogo de massas dos casinos e permitido apenas em algumas áreas das zonas de jogo VIP. No verão do ano seguinte foi aprovada, na generalidade, uma proposta de lei que proibia totalmente o fumo nos casinos, mas o Governo viria, no entanto, a recuar na promessa inicial de “tolerância zero”. A versão final da lei, aprovada na especialidade pela Assembleia Legislativa em meados de Julho e que entra em vigor em 1 de Janeiro de 2018, prevê a proibição de fumar em todos os recintos fechados, à excepção então dos casinos e dos aeroportos, os únicos dois locais onde as salas para fumadores são permitidas.


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Hoje Macau 7 DEZ 2017 #3951 by Jornal Hoje Macau - Issuu