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Hoje Macau 07 OUT 2011 #2467

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau MOP$10

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Ter para ler

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 7 DE OUTUBRO DE 2011 • ANO XI • Nº 2467

TEMPO PERÍODOS DE CHUVA FRACA MIN 22 MAX 27 HUMIDADE 60-85% • CÂMBIOS EURO 10.6 BAHT 0.2 YUAN 1.2

Taxistas explicam tarifas especiais durante tufão

Steve Jobs

O HOMEM QUE MUDOU O MUNDO

A CULPA É DAS COMPANHIAS DE SEGUROS • PÁGINA 9

• PÁGINA 2

Macau entregou às Nações Unidas relatório sobre direitos civis e políticos Doenças mentais

CEM CASOS NOVOS TODOS OS ANOS • PÁGINA 7

h ANTÓNIO JÚLIO DUARTE

OS CASINOS E O FIM

A lei de que não se fala

A RAEM apresentou o seu primeiro realtório à ONU relativo ao Pacto de Direitos Cívicos e Políticos, com um atraso de uma década. Depois, escondeu-o na internet com cuidado e não o divulgou, como era sua obrigação fazê-lo. Analisado o documento, verifica-se que, apesar de abranger 2009, nada é referido sobre a Lei da Segurança do Estado, aprovada nesse ano, que cumpriu a implementação do artigo 23º da Lei Básica. Entre outras omissões. > PÁGINA 4

OPINIÃO Carlos Morais José

Jorge Rodrigues Simão

• PÁGINA 17

• PÁGINA 18

AS RAZÕES DA OMISSÃO

ENGENHEIROS E AMBIENTE

Arnaldo Gonçalves

A MIRAGEM DE LAS VEGAS • PÁGINA 19


SEXTA-FEIRA 7.10.2011 www.hojemacau.com.mo

2 YUKARI IWATANI e GEOFFREY A. FOWLER The Wall Street Journal

S

TEVEN P. Jobs, o presidente do conselho e co-fundador da Apple, que inventou a indústria de computadores pessoais e mudou a maneira como as pessoas pensam a tecnologia, morreu quarta-feira, aos 56 anos de idade. “O brilhantismo, a paixão e a energia de Steve foram as fontes de incontáveis inovações que enriquecem e tornam melhores as vidas de todos nós”, disse o conselho da Apple em comunicado. “O mundo é incomensuravelmente melhor por causa de Steve.” A família de Jobs, numa declaração em separado, disse que Jobs “morreu em paz, hoje, cercado pela sua família [...] Sabemos que muitos de vocês se entristecem connosco, e pedimos que respeitem a nossa privacidade durante o nosso período de luto.” A companhia não especificou a causa da morte. Jobs lutou contra um cancro no pâncreas e há vários anos recebeu um transplante de fígado. Em Agosto, Jobs renunciou ao cargo de director-presidente, passando as rédeas a Tim Cook. Durante sua carreira de mais de três décadas, Jobs transformou Sillicon Valley ao ajudar a fazer do que antes fora uma silenciosa área ocupada por pomares num centro de inovação para a indústria de alta tecnologia. Além de lançar as bases para uma moderna indústria de alta tecnologia, juntamente com outros pioneiros, como Bill Gates, co-fundador da Microsoft, e Larry Ellison, fundador da Oracle, Jobs provou o poder de atracção que têm produtos intuitivos e bem desenhados face ao poder da própria tecnologia; e mudou a maneira como os consumidores interagem com a tecnologia num mundo cada vez mais digital. Ao contrário desses outros homens, no entanto, o período mais produtivo na carreira de Jobs ocorreu perto do fim da sua vida, quando um fluxo quase contínuo de produtos inovadores e muito bem-sucedidos como o iPod, o iPhone e o iPad, fundamentalmente mudaram as indústrias de computadores, electrónicos e média digital. O modo como anunciava e vendia esses produtos através de inteligentes campanhas publicitárias e das suas lojas de retalho, por sua vez, ajudou a tornar a sua companhia em um ícone da cultura pop.

TECNOLOGIA E ARTE

No início desta fase, Jobs descreveu

ACTUAL Adeus Steve Jobs | Morreu o génio por de trás da Apple

A maçã que mudou o mundo foi revertido somente depois do regresso de Jobs à Apple, em 1997.

ESTILO DE GESTÃO “DURO”

a sua filosofia como tentar fazer produtos que eram “a intersecção entre arte e tecnologia”. Ao fazer isso, transformou a Apple na companhia mais valiosa do mundo. Depois de exibir uma significativa perda de peso em meados de 2008, Jobs entrou em licença médica que durou quase seis meses em 2009, durante a qual recebeu um transplante de fígado. Jobs pediu outra licença médica em meados de Janeiro deste ano, sem dar explicações, antes de deixar o posto de executivo-chefe em Agosto. Jobs deixa a sua esposa, Laurene, e quatro filhos. Embora as suas conquistas tecnológicas por si só tenham sido enormes, Jobs teve um papel igualmente pioneiro no entretenimento. Transformou a Apple no maior retalhista de música (com o iTunes) e ajudou a popularizar filmes de animação como director-presidente e director financeiro da Pixar Animation Studios, que mais tarde foi vendida para à Walt Disney. Jobs também teve um dos regressos mais notáveis na história empresarial moderna, voltando à Apple após uma ausência de 11 anos. Jobs havia sido afastado da empresa por ser considerado ultrapassado. Mas voltou depois, quando parecia que a Apple ca-

minhava para a falência, e acabou por ressuscitar a companhia com a introdução de produtos como o iMac, o dispositivo para reprodução de músicas iPod, e a loja de música digital iTunes.

COMO SALVAR UMA COMPANHIA

A companhia produz agora US$ 65,2 mil milhões por ano em receita, comparado com US$ 7,1 mil milhões no ano fiscal encerrado de 1997, antes do regresso de Jobs. A Apple tornou-se na primeira criadora mundial de dispositivos electrónicos, vencendo o seu próprio “computador” em Janeiro de 2007, para sublinhar sua expansão para além do mercado de micros. Embora Jobs tenha entregue oficialmente as rédeas da companhia ao seu vice Tim Cook, a sua morte levanta uma questão de alto risco para a Apple: como vai a empresa sustentar o sucesso sem a sua visão e orientação? Poucas companhias desta estatura mostraram uma dependência tão profunda do seu fundador, ou o perderam no auge da sua carreira. Vários anos depois de Jobs ter sido demitido da Apple, em 1985, a companhia iniciou um declínio que a deixou à margem da indústria de computadores. Esse deslize

Jobs também deixa para trás uma série de caos a respeito de seu estilo de gestão “duro”, como o seu hábito de chamar os empregados ou suas ideias de “idiotas” quando não gostava de alguma coisa. Foi ainda mais combativo contra rivais como a Microsoft, Google e Amazon. Quando a Adobe travou uma campanha pelo facto da Apple não adoptar o formato de vídeos Flash, da Adobe, nos seus iPhones e iPads, em Abril de 2010, Jobs redigiu um ensaio de 1600 palavras sobre por que razão o software era ultrapassado e inadequado para aparelhos móveis. O executivo mantinha padrões intransigentes para os equipamentos e software da companhia, exigindo uma estética “insanamente espectacular” e uma facilidade de uso do momento em que o consumidor entrasse numa das lojas da Apple. A sua atenção aos mínimos detalhes no processo de desenvolvimento e design foi crucial para moldar algumas das características mais marcantes dos produtos da Apple, enquanto que suas apresentações meticulosamente planeadas ajudavam a disseminar um entusiasmo que não se podia ser equiparado a nenhum dos seus concorrentes. No final dos eventos de lançamento de novos produtos da Apple, Jobs frequentemente proclamava, endiabradamente, “há mais uma coisa” antes de revelar a notícia mais importante no fim de um discurso. Impunha um rígido sigilo aos funcionários da Apple, estratégia que acreditava elevar a expectativa pelos novos produtos da companhia.

FILHO ADOPTIVO, FÃ DOS BEATLES

Filho adoptivo de uma família de Palo Alto, na Califórnia, Jobs nasceu em 24 de Fevereiro de 1955. Sem nunca ter recebido um diploma universitário, estabeleceu cedo a reputação de inovador tecnológico quando, aos 21 anos, ele e o amigo Steve Wozniak fundaram a Apple Computer Inc. na garagem da casa da família Jobs em 1976. Jobs escolheu o nome, em parte, porque era fã dos Beatles e admirava o selo da editora do grupo, que se chamava

Apple, conta o livro “Apple: The Inside Story of Intrigue, Egomania, and Business Blunders”, escrito por Jim Carlton, um repórter do “Wall Street Journal”. Em 1977, a dupla lançou o Apple II, um computador inovador que era relativamente acessível e havia sido desenhado mais para o mercado de consumo de massa do que para aficionados. O produto tornou-se num dos primeiros computadores pessoais bem-sucedidos, levando a Apple a facturar US$ 117 milhões anuais na época da oferta inicial de acções da companhia, em 1980. A emissão de acções instantaneamente transformou Jobs num multimilionário. Nem todas as ideias iniciais de Jobs deram certo. Os computadores Apple III e Lisa, lançados em 1980 e 1983, respectivamente, foram um fracasso. Mas o Macintosh com o seu desenho tudo-em-um – apresentado no comercial de TV inspirado no livro “1984”, de George Orwell, que só foi exibido uma vez – estabeleceu o novo padrão para a criação de sistemas operacionais modernos, nos quais os utentes clicam em ícones com um rato, ao invés de digitar comandos. A persistência de Jobs na beleza estética às vezes roçava o extremo. George Crow, um engenheiro da Apple na década de 80 que voltou à companhia entre 1998 e 2005, lembra que Jobs insistia para que até o interior das máquinas fosse bonito. No Macintosh PC original, Crow diz que Jobs queria que os fios fossem das cores do arco-íris, que na época compunham o logo da companhia. Crow diz que acabou por convencer Jobs de que isso seria uma despesa desnecessária. “Picasso dizia que ‘Bons artistas copiam. Artistas fantásticos roubam”, disse Jobs em meados dos anos 90 sobre a indústria de computadores. “Eu não tenho vergonha de roubar ideias fantásticas.” Mesmo nas suas aparições públicas, Jobs parecia tentar cultivar mais a imagem de um artista do que a de um executivo. Em público, raramente se apresentava com outra roupa que não uma camisa preta de gola, jeans Levis e ténis da New Balance.

O PRESENTE ENVENENADO

À medida que a Apple crescia, Jobs


Então por que razão decidiu o nosso governo omitir a lei? Excesso de prudência, conselho do Governo Central, mera incompetência? Difícil de responder, fácil de especular. No entanto, poderão existir consequências se a ONU considerar que se tratou de uma omissão deliberada, devido à sensibilidade do assunto em questão. Seja como for, a ausência é demasiado gritante para não ser notada. Carlos Morais José P.17

decidiu trazer para a empresa um executivo com mais experiência para fazer andar os negócios. Em 1983, recrutou John Sculley, então presidente da Pepsi, para comandar a Apple, convencendo o relutante executivo com a pergunta que ficou famosa: “Quer vender água doce a crianças ou ajudar a mudar o mundo?” Depois da Apple ter, subsequentemente, sofrido uma queda, uma disputa pela liderança levou à decisão do conselho de apoiar Sculley e demitir Jobs dois anos depois, aos 30 anos de idade. “O que posso dizer: contratei o tipo errado”, suspirou Jobs no mesmo documentário da PBS. “Ele destruiu tudo o que passei 10 anos a construir”. Jobs então criou a NeXT Inc., uma empresa que em 1988 lançou um computador de mesa preto com software avançado que inicialmente tinha como alvo o mercado académico de computadores. Mas a máquina foi prejudicada pelo preço exorbitante e algumas decisões chaves de design, incluindo o uso de um drive óptico e um microprocessador da Motorola num momento que os chips da Intel Corp. e os drives de disquete se tornaram a norma. A NeXT acabou por desistir de vender hardware e fracassou na tentativa de ganhar dinheiro como uma companhia de software. Mas o seu sistema operacional tornou-se na base para o OS X, o software que é a espinha dorsal dos Macs de hoje, depois da Apple ter comprado a NeXT por US$ 400 milhões em Dezembro de 1996. Enquanto isso, a Apple começou a naufragar. Os computadores que usavam os chips Intel e o software da Microsoft cresceram ao ponto de dominar o mercado, uma tendência que se acelerou depois do Windows da Microsoft ter absorvido muitos elementos da interface visual dos computadores Mac. Em 1997, a Apple acumulava quase US$ 2 mil milhões em perdas em dois anos, a sua acção estava nos níveis mais baixos da sua história e a companhia passava pelo seu terceiro director-presidente, Gil Amelio, em quatro anos. Oito meses após um acordo para comprar a NeXT, em Dezembro de 1996, Amelio foi deposto e Jobs nomeado director-presidente interino, um título que se tornou permanente em Janeiro de 2000. Um ex-funcionário da Apple lembra que, logo após o seu retorno, Jobs brincava dizendo que “os loucos tinham tomado conta do asilo e agora nós podemos fazer o que quisermos”.

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DIPLOMATAS TRABALHAM PARA RESOLVER QUESTÃO DE 500 ANGOLANOS RETIDOS NA CHINA

O longo caminho para casa O

ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, disse na quarta-feira, em Luanda, que várias acções estão em curso para resolver o problema dos angolanos retidos em Guangzhou (China). Neste sentido, informou que teve lugar nesta terça-feira, em Luanda, um encontro entre representantes da companhia aérea Emirates, que transportou os angolanos para Nguangzu, o embaixador chinês no país, Zhang Bolun, e o responsável da região Ásia no Ministério das Relações Exteriores. O responsável frisou que este encontro teve como objectivo discutir as responsabilidades da companhia, uma vez que ela não está a permitir que os bilhetes sejam endossados a outras com-

panhias. “Daí que estamos a tentar ver se há algumas obrigações da companhia aérea Emirates que impedem os angolanos de ser ser transportados por outra companhia”, referiu. Acrescentou que por enquanto este foi o primeiro passo dado, admitindo a hipótese de, ainda hoje, serem abordados outros

aspectos com vista à resolução do problema. Georges Chikoti disse que as partes deverão encetar outras iniciativas junto da companhia de bandeira angolana TAAG, no sentido de ver a possibilidade desta transportar os angolanos. O ministro explicou que Angola não possui representação

diplomática em Guangzhou, daí que as informações sobre as condições dos retidos serem escassas, mas disse ter-se conhecimento de que estão a viver situações difíceis por não terem meios. Por este facto, o chefe da diplomacia angolano realçou a urgência de retirá-los de lá. Os cerca de 500 angolanos estão retidos na cidade de Guangzhou, China, há mais de duas semanas. Os passageiros não podem regressar ao seu país devido a problemas com os aviões da companhia Emirates, que deixaram de fazer a ligação entre os dois países. A Emirates diz que não pode voar para Angola porque as autoridades deste país fecharam o aeroporto para os aviões de grande porte.

GOLDMAN SACHS | RÚSSIA, BRASIL E OUTROS BRICS ESTARÃO LONGE DA CRISE ECONÓMICA MUNDIAL

O Ocidente como nunca o conhecemos O

banco americano de consultoria e investimentos Goldman Sachs fez uma profunda análise da situação económica mundial e concluiu que a crise da Europa e da América do Norte está muito longe de afectar os cinco países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Segundo o Goldman Sachs, a probabilidade de uma grave recessão económica em países como Itália, Áustria e França

supera 40%. Os Estados Unidos estão incluídos nesse panorama sombrio. Mas quanto aos países do Grupo BRICS, a probabilidade de impacto é mínima. Para os analistas do GS, Rússia e China têm 0,5% de possibilidades de serem afectados pela crise; Índia, 1%; e Brasil, 9,5%. Dos cinco países do BRICS, apenas a África do Sul registou dois dígitos de possibilidades de ser afectado pela crise: 14,5%. Para estabelecer estas

previsões, os analistas do Goldman Sachs sistematizaram diversos dados, fazendo um levantamento das diversas economias nos últimos 150 anos e das suas reacções às crises mundiais. Foram analisados também casos mais recentes como a estagnação da economia japonesa no período de 1992 a 2003. O número total de recessões graves e prolongadas resultou superior a 90. Na avaliação dos analistas do Goldman Sachs, a

Bélgica demonstra ter 53% de possibilidades de ser afectada pela crise. Depois aparecem na lista de países vulneráveis um asiático, o Japão, e três da Europa: Itália, Áustria e França. No processo de avaliação da probabilidade de inflação e risco económico em diversos países, os analistas do banco americano levaram em consideração o crescimento do Produto Interno Bruto por habitante, a inflação, o nível de desemprego e o dinamismo

HONG KONG NEGA VISTO DE ESTUDANTE A NETO DE KIM JONG-IL

Paga o neto pelo pecador O

S serviços de imigração de Hong Kong negaram um visto de estudante a Kim Han-sol, neto do líder norte-coreano Kim Jong-il. O adolescente Kim Han-sol, de 16 anos, terá optado por um colégio em Mostar, na Bósnia-Herzegovina, depois de lhe ter sido negado o visto em Hong Kong, onde tencionaria prosse-

guir o secundário no instituto Li Po Chun, ligado aos Colégios do Mundo Unido (UWC). O colégio de Mostar também pertence à rede UWC. Um antigo reitor do UWC, Stephen Codrington, que entrevistou Kim durante o processo de selecção, lamentou a decisão das autoridades locais, considerando-as

dos mercados mobiliário e imobiliário. Na visão dos analistas do Goldman Sachs, os Estados Unidos, tecnicamente, encontram-se em risco de recessão, e as hipóteses de concretização da ameaça, neste momento, são de 43%. Para afastar o risco, os governos destes países ameaçados de profunda crise económica só têm uma opção: adoptar medidas impopulares como cortes de gastos públicos e redução drástica das despesas públicas.

“ultraconservadoras”. As autoridades de Hong Kong, que dão especial atenção aos pedidos de cidadãos da Coreia do Norte, do Camboja e do Nepal, não se pronunciaram a respeito da recusa do visto. Kim Han-sol terá vivido vários anos em Macau com o seu pai, Kim Jong-nam, o primogénito de Kim Jong-il, que era considerado o seu mais provável sucessor até à tentativa de entrada (com a família) no Japão com um passaporte dominicano falso, sob o pretexto de ir visitar o parque temático Disney em Tóquio.


POLÍTICA

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RAEM apresenta à ONU relatório incompleto sobre Direitos Civis e Políticos

O silêncio do pacto

Em Maio de 2011, Macau submeteu o primeiro relatório ao Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas, enquanto região administrativa especial. Mas se há alturas em que o longo documento se perde a detalhar algumas questões, há outras – de igual ou maior importância – que não estão sequer mencionadas. A polémica lei relativa à segurança de Estado, resultante da implementação do artigo 23º da Lei Básica, é disso exemplo e junta-se ao facto do relatório nunca ter sido tornado público Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

S

ÃO mais de 80 páginas onde o Governo descreve a situação de Macau, desde 20 de Dezembro de 1999 – dia do retorno à pátria – até 31 de Julho de 2010, no que diz respeito aos direitos humanos. Mas aquele que é o primeiro relatório a ser submetido pela RAEM ao Comité dos Direitos Humanos da ONU, desde que o território assinou a Convenção Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos em Abril de 1993, apresenta algumas lacunas consideradas “estranhas”. A ausência de referências a mais de uma dezena de legislações que estão em vigor há, pelo menos, dois anos chamou a atenção do Hoje Macau, que quis perceber quais as razões para tal. Fontes ligadas ao direito internacional, que falaram com o nosso jornal, admitem alguma “estranheza” no caso. Implementada para assegurar a defesa do Estado chinês, a Lei 2/2009 está intrinsecamente ligada aos direitos humanos. Envolta em polémica pelo adiamento constante, devido aos receios políticos e às interpretações que lhe podem ser atribuídas – e depois de Hong Kong a ter rejeitado totalmente –, a legislação demorou dez anos a entrar em vigor em Macau. O diploma prevê que sejam punidos actos de traição

Chu Lam Lam, directora do Gabinete para a Reforma Jurídica e Direito Internacional

à Pátria, de subversão contra o Governo Popular Central e proíbe organizações ou associações políticas estrangeiras de exercerem actividades políticas em Macau ou estabelecerem ligações com o território. Uma das discussões que a lei provocou foi precisamente devido à expressão “estabelecer ligações”. Edmund Ho, Chefe do

Preocupações da Comissão • falta de legislação sobre assédio sexual no trabalho • falta de integração suficiente das pessoas com deficiências • diferença entre as licenças de maternidade entre sectores público e privado • crescimento da violência doméstica e a protecção irregular das vítimas perante a lei • crime sério de tráfico de mulheres e crianças e falta de punição severa • exclusão dos trabalhadores não residentes do sistema de saúde • consumo de droga • falta de esforço do Governo em utilizar a cooperação das ONG’s para compilar informação • falta de lei específica que proíba a escravatura e o trabalho forçado

Executivo na altura da aprovação da lei, chegou mesmo a admitir que, caso a definição não fosse limitada, “iriam aparecer muitas questões relativas a ideologias, por exemplo, permitindo que as pessoas pensassem que a correspondência escrita, encontros e intercâmbios com organizações internacionais seriam entendidas como ligações que podiam ser punidas ao abrigo desta legislação”. Apesar de em Macau ter existido um largo consenso e ter sido mesmo considerada uma “boa solução”, a lei nunca terá sido mencionada no relatório que a RAEM escreveu ao Comité da ONU. Mas não foi a única. Há, pelo menos, mais oito leis cuja ausência foi notada no documento. Entre elas está a lei 14/2009 respeitante ao regime das carreiras dos trabalhadores dos serviços públicos, a lei referente ao trabalhador não residente, e a que regulamenta

a presença de uma guarnição do exército chinês em Macau.

O QUE FALTA NO RELATÓRIO?

Constituído por informação geral sobre o território, nomeadamente a sua situação geo-demográfica e sistemas legais, o relatório frisa

aspectos como o princípio “um país, dois sistemas”. Ainda que o refira como uma política cujo elemento principal “é a democratização gradual do seu sistema político”, recorde-se que a reforma política em Macau é algo permanentemente rejeitado pelo Executivo por “falta de consenso entre a população”. Analisando o documento, há outros factos descritos que levantam dúvidas. O Executivo afirma, por exemplo, estar a estudar a legislação para a protecção das vítimas de violência doméstica – assunto que levou a mostra de preocupação da parte do comité e que teve, inclusive, direito a recomendação. Mas, enquanto afirma que “diversas medidas foram tomadas para prevenir e apoiar as vítimas”, nomeadamente formação de funcionários, não refere – como em outros casos – dados específicos sobre o número de vítimas, nem se refere à falta de legislação neste caso. Desde 2008 que a Lei de Combate à Violência Doméstica se arrasta entre consultas públicas, análises e reajustamentos de texto. Recorde-se também que a maioria dos apoios, ainda que usufrua de ajudas governamentais, é feita através de centros comunitários que não têm funcionários suficientes para o número de casos, como

Artigos da Convenção que não se aplicam a Macau 12.º 4) Ninguém pode ser arbitrariamente privado do direito de entrar no seu próprio país. 13.º Um estrangeiro que se encontre legalmente no território de um Estado Parte no presente Pacto não pode ser expulso, a não ser em cumprimento de uma decisão tomada em conformidade com a lei e, a menos que razões imperiosas de segurança nacional a isso se oponham, deve ter a possibilidade de fazer valer as razões que militam contra a sua expulsão e de fazer examinar o seu caso pela autoridade competente ou por uma ou várias pessoas especialmente designadas pela dita autoridade, fazendo-se representar para esse fim. 25.º b) Todo o cidadão tem o direito e a possibilidade, sem nenhuma das discriminações referidas no artigo 2.º e sem restrições excessivas de votar e ser eleito, em eleições periódicas, honestas, por sufrágio universal e igual e por escrutínio secreto, assegurando a livre expressão da vontade dos eleitores


JAPÃO | PADRINHO DA POLÍTICA JULGADO POR FINANCIAMENTO ILEGAL

Um dos mais influentes políticos japoneses, Ichiro Ozawa, compareceu ontem na primeira audiência do seu julgamento em Tóquio por financiamento ilegal. Ozawa, de 69 anos, é um antigo presidente do Partido Democrata do Japão (PDJ), formação de centro esquerda que contribuiu para instalar no poder. Apesar de enfraquecido, Ozawa mantém-se na liderança da maior facção deste movimento. Ozawa é acusado de ter ocultado ao fisco um empréstimo de 400 milhões de ienes. Três antigos assistentes de Ozawa já foram condenados em julgamentos paralelos sobre o mesmo processo. O início do julgamento foi transmitido em direto pelas televisões japonesas.

Medidas para tornar a Convenção efectiva • ter a protecção dos direitos humanos como princípio fundamental da lei • assegurar os direitos individuais • publicar oficialmente as leis • campanhas de promoção sobre direitos humanos e ensino nas escolas • ter maior compilação de leis pela parte da AL, desde 2001, com vista aos direitos humanos • formação focalizada em direitos humanos levada a cabo pelo Centro de Formação Legal e Judiciária • composição de várias associações e comissões para a protecção dos cidadãos - cita a Comissão da Protecção contra as Vítimas de Violência Doméstica e a Comissão para os Refugiados, por exemplo

relatou o ano passado ao Hoje Macau uma vítima de violência doméstica, acolhida pelo Centro Social do Bom Pastor.

BUROCRACIAS PENDENTES

Em comparação com Hong Kong, Macau está atrasado na entrega dos relatórios, como aliás se pode comprovar com o facto de o documento cobrir um período de 11 anos. No território vizinho, que assinou a Convenção dos Direitos Humanos no mesmo ano de Macau, foram já três os relatórios entregues à ONU desde a transferência de soberania. Enquanto estava sob administração portuguesa, Macau apresentou dois relatórios, entregues entre 1993 e 1999. Ao que o Hoje Macau conseguiu apurar, através de fontes ligadas ao direito internacional, o atraso pode ter como justificação o facto do coordenador do já extinto Gabinete para os Assuntos do Direito Internacional (GADI), Jorge Oliveira, ter estado, durante mais de cinco anos, ligado também à elaboração da legislação sobre o jogo. A actualização dos dados do relatório, diz quem sabe, deveria ter sido feita, dado as questões sensíveis – tal como a lei resultante da implementação do artigo 23º – que a assinatura da convenção levanta. Em Macau faltou também tornar público este relatório, a que o Hoje Macau teve acesso. E

essa era umas das recomendações específicas do comité mas, ao que tudo indica, a sociedade nunca o leu porque o Governo nunca anunciou a sua entrega. O Hoje Macau quis perceber a razão pela qual o Executivo não menciona no relatório leis que entraram em execução no ano de 2009, dois anos antes do primeiro documento elaborado pela RAEM ter sido enviado. No entanto, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer comentário da parte do Gabinete de Reforma Jurídica e do Direito Internacional – o departamento responsável pela elaboração e envio do relatório. Para já, uma lista de questões sobre o relatório será elaborada pelo comité e enviada para Macau em Junho de 2012. Depois, em reunião a ter lugar em Genebra, o comité fará a avaliação aos dados apresentados pela RAEM e apresentará as suas recomendações. Resta saber se a omissão das leis representará motivo de preocupação para o comité – devido à falta de transparência de um Governo que constantemente a apregoa – e quais vão ser as recomendações. Facto certo é que todos os relatórios, antes de serem entregues à ONU, seguem para aprovação em Pequim – que não assina este pacto. Se a omissão é da responsabilidade da RAEM ou do Governo Central, é um facto que está ainda por esclarecer.

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E a saga continua... J

OSÉ Pereira Coutinho persiste, ainda que continue sem resposta àquilo que quer saber. O deputado da Assembleia Legislativa (AL) voltou ontem a interpelar o Governo sobre “os problemas do Instituto Politécnico de Macau na aplicação da lei”. Este é mais um rol de perguntas que o deputado envia ao Executivo e debruça-se nos mesmos assuntos: as fortes suspeitas de abuso de poder, violações aos Estatutos privativos, criação de subunidades à margem da legislação e aplicação de fundos sem justificação legal (denunciados pelo relatório elaborado pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC); a cobrança do imposto de 10% aos docentes com actividades remuneradas em actividades exteriores ao IPM e a falta de regulamentos internos em português. Depois de mais de meia dúzia de respostas – tanto da parte do Governo como do próprio IPM -, Coutinho ainda não obteve as justificações que queria. É que, segundo o deputado, se as perguntas eram claras, já as respostas deixam muito a desejar. Senão vejamos: relativamente à situação sobre eventuais sanções disciplinares aos responsáveis da entidade acusados de abuso de poder, o Governo afirma que o IPM se segue pelos estatutos. Já a presidente em exercício do IPM, que respondeu ao deputado, nunca terá respondido à questão. No que diz respeito em encontrar o fundamento jurídico para a cobrança de 10% de taxa sobre os rendimentos auferidos pelos docentes que exerçam funções exteriores ao IPM, a instituição disse apenas que os docentes vão em representação do IPM e, por conseguinte, o IPM auxilia o professor no cumprimento de certas formalidades administrativas. Mas a entidade contraria-se, na medida em que alega que este é um preço pago pela “entidade externa contratante”, mas quem presta a actividade é o docente, a título pessoal. Pereira Coutinho quer ainda saber se se confirma ou não que outras instituições de ensino na RAEM cobram um imposto de 10%, ou de outro valor, aos docentes que queiram prestar alguma actividade remunerada exterior a essas instituições. O deputado, que já tinha começado em Setembro de 2009 a

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Executivo de Macau, destacam-se os seguintes: • protecção a nível judicial e não só os direitos fundamentais do homem • igualdade entre mulheres e homens • redução das taxas de mortalidade infantil • adopção da lei contra o tráfico de pessoas • elevado grau de autonomia do território • direito à propriedade privada • protecção de idosos, mulheres e crianças • direito a recurso em casos julgados em tribunal • liberdade de movimento e de emigração • liberdade de consciência e religião • liberdade de imprensa • direitos das crianças • inexistência de restrições no acesso à internet • liberdade de associação • poder judicial, executivo e legislativo independente

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PEREIRA COUTINHO FAZ MAIS UMA INVESTIDA CONTRA O IPM

O que diz fazer o Governo da RAEM O relatório, estruturado em formato de texto corrido e completado, por vezes, com alguns gráficos, apresenta diversos pontos relativos aos sistema político e à forma de viver dos cidadãos. Entre os assuntos que mereceram mais atenção da parte do

SEXTA-FEIRA 7.10.2011

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

Depois de várias tentativas falhadas em obter respostas, Pereira Coutinho continuou a debater-se para perceber as “ilegalidades” cometidas pelo IPM. Abaixo, pode ver algumas das respostas do Governo às questões mais pertinentes do deputado. • Vai o Governo accionar os mecanismos legais para responsabilizar os cargos de direcção e chefia de abuso de poder? A presidente em exercício do IPM nunca respondeu a esta questão. • Vai o Governo accionar os necessários mecanismos de responsabilidade civil e criminal? A presidente em exercício do IPM nunca respondeu a esta questão. • Factos que prejudicam os trabalhadores, como o pagamento de um imposto de 10% sobre a remuneração dos docentes em actividades exteriores ao IPM: a presidente em exercício do IPM confirma os factos referidos, e apresenta justificações, mas sem precisão nem clareza e com manifesta desconsideração dos preceitos legais aplicáveis. Uma interpelação mais tarde, em Junho, o IPM justifica a cobrança do imposto de 10% com o facto de se pretender encorajar a dedicação exclusiva dos docentes a tempo inteiro do IPM. • Mas Pereira Coutinho refuta: se os docentes só podem prestar trabalho externo remunerado mediante autorização do Conselho de Gestão do IPM, supostamente, o Conselho de Gestão só lhes dará tal autorização quando estiver convicto de que isso não prejudica a sua actividade docente. Assim, a presidente em exercício do IPM alega que a cobrança se deve como compensação do investimento feito pelo instituto na formação e actualização científica desses professores. • Noutra situação que afecta os trabalhadores, onde os docentes não recebem qualquer pagamento suplementar quando são chamados a prestar trabalho ao Sábado, a questão foi totalmente ignorada na resposta do IPM.

questionar o Governo sobre factos que “indiciavam problemas na aplicação da lei” por parte daquele estabelecimento de ensino superior, recebia sempre como resposta do Executivo “que a instituição era gerida de acordo com a lei e com os respectivos Estatutos”. No entanto, em Maio deste ano, o relatório divulgado pelo CCAC apontou falhas na gestão e no cumprimento da lei pelo IPM. Recorde-se que investigação do CCAC dava conta de queixas de alegados dinheiros fraudulentos, procedimentos irregulares na contratação de pessoal docente, abuso de poder em benefício de interesses particulares, recrutamento ilegal de pessoal e promoções duvidosas.

As queixas terão sido apresentadas por pessoal docente e administrativo ao comissariado entre 2009 e o ano passado. Na altura, o CCAC instruiu mais de uma dezena de processos no sentido de investigar os casos, mas alguns desses processos, no entanto, foram arquivados por falta de fundamento ou de provas que confirmassem as declarações dos queixosos. Sempre com perguntas a serem ignoradas ou a receberem respostas pouco claras, Pereira Coutinho volta à carga para se certificar que o IPM não sairá impune. Resta saber agora quais as repostas às novas e semelhantes questões enviadas ao Executivo. - J.F.


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POLÍTICA

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FAME, UM MUSICAL BACOCO, ABRE FIMM

O Festival Internacional de Música de Macau, que assinala este ano o 25.º aniversário, arranca hoje com o musical “Fame” e, até 2 de Novembro, vai apresentar 20 propostas, entre as quais duas portuguesas. Os portugueses Ensemble Vocal Introitus e Sete Lágrimas vão apresentar, no dia 13, no Grande Auditório do Centro Cultural de Macau, o espetáculo “Donde Tengo el Amor: O Sagrado e o Profano das Tradições Mediterrânicas”, cujas receitas reverterão a favor da Orbis, organização não governamental destinada à assistência de invisuais nos países em vias de desenvolvimento.

CAPITANIA DOS PORTOS DECIDIU REVOGAR A LICENÇA DA MACAO DRAGON

DEPUTADO CRITICA GOVERNO POR ATRASOS NOS SUBSÍDIOS À HABITAÇÃO

Baixa eficiência administrativa Virginia Leung

Virginia.leung@hojemacau.com.mo

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ADO o atraso na atribuição de habitação social a famílias já seleccionadas para tal, foi criado um subsídio de apoio a esses agregados, para ajudá-los a suportar a espera pela mudança de casa. Acontece que esse subsídio também está atrasado. O deputado da Assembleia Legislativa (AL) Au Kam San quer saber porquê e acusa o Governo de baixa eficiência administrativa. Os actuais atrasos na distribuição de subsídios à habitação foram criticados pelo deputado pró-democrata, que considera que o “plano provisório de atribuição de abono de residência a agregados familiares da lista de candidatos a habitação social” seria uma boa ajuda para aliviar as dificuldades de sobrevivência PUB

daquelas famílias, desde que fosse cumprido. Por isso, Au Kam San resolveu apresentar uma interpelação escrita a perguntar se o Governo estava confiante em que as famílias em causa poderiam mudar-se em breve para as suas unidades de habitação social e se seria essa a razão da “suspensão” do pagamento do subsídio. O deputado eleito directamente pela Associação Novo Macau Democrático (ANMD) quer saber em que pé anda o processo e se todas as famílias abrangidas pelo

subsídio poderiam mudar-se num curto prazo. “Pelos progressos anunciados para a habitação social, não seria de prever que milhares de habitações sociais fossem estar concluídas no final do ano, o que torna difícil de acreditar que o Governo possa garantir àquelas famílias a mudança até ao final do ano”, observou, céptico, o deputado. Relativamente à suspensão do subsídio, Au Kam San inquiriu o Executivo sobre se considerava não ser mais necessário tomar tais medidas de apoio às famílias em lista de espera, ou se tudo não passava de um atraso provocado pela baixa eficiência administrativa do Governo e, nesse caso, qual seria a previsão para a próxima atribuição de subsídios. O parlamentar aproveitou para perguntar quando seria aberta uma nova fase de candidaturas à habitação social.

Adeusinho dragão P

ROCESSO terminado. A Capitania dos Portos (CP) decidiu revogar a licença da Macao Dragon depois desta ter suspendido o exercício da actividade de transporte marítimo de passageiros no passado dia 15 de Setembro. A empresa não foi autorizada a suspender funções e isso, de acordo com a CP, constitui motivo mais que suficiente para levar à revogação da sua licença para o exercício da actividade de transporte marítimo regular de passageiros. Paralelamente, a CP iniciou uma audiência escrita à Macao Dragon que já respondeu. A CP concluiu deste processo que a suspensão dos serviços da empresa marítima “não foi devida a caso de força maior ou a outros motivos que lhe não sejam comprovadamente imputáveis”. A Macao Dragon perde assim, a

favor da RAEM, a caução prestada no valor de dois milhões de patacas e a empresa já foi informada da decisão. A companhia de ferries Macao Dragon entrou com um pedido de insolvência no Supremo Tribunal de Hong Kong durante o mês passado, com a suspensão imediata de todas as ligações entre Taipa e Hong Kong. Na altura a empresa acusou o Executivo da RAEM de nada fazer para reverter a baixa afluência de passageiros. AMacao Dragon afirmou que o Governo prometeu-lhe dar autorização para transportar 1100 passageiros por cada viagem em Janeiro de 2010. No entanto, quando o serviço foi lançado no Terminal Provisório da Taipa, em Julho do ano passado, a CP estabeleceu como máximo 750 pessoas entre Hong Kong e Macau e 600 na rota inversa. A operadora culpa os limites impostos pelo Governo pela sua fraca capacidade de rentabilizar as viagens. - G.L.P.


SOCIEDADE

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Doenças mentais | Macau com um aumento de cerca de 100 casos por ano

Um inimigo chamado stress Macau não é excepção no mundo. Se cada vez mais a doença do foro mental é a segunda enfermidade mais vulgar, os números do território também apontam no sentido do aumento. Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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E acordo com dados divulgados ontem pelos Serviços de Saúde (SS), durante a conferência de imprensa de apresentação das actividades para o Dia Mundial da Saúde Mental do próximo dia 10, em 2010 ocorreram cerca de 1119 novos casos relacionados com doenças psíquicas. Nesse total, 97

novos casos relacionam-se com problemas de saúde mental em jovens. Contudo, os responsáveis admitiram que, apesar do aumento dos números, não ocorreu grande diferença em relação aos valores de 2009. Nos últimos três anos, a doença mental tem vindo a aumentar a um ritmo de cerca de 100 casos por ano. Se no ano passado se cifraram em 1119 novos casos, 2009 teve 1032 casos e em 2008 ocorreram 994. “Temos tido a atenção necessária nos casos e achamos que a subida não é preocupante”, explicou o presidente da Comissão de Saúde Mental, Domingos Ho. Os dados do ano transacto revelam ainda que 147 pessoas pediram aconselhamento psicológico, 875 utentes recorreram a consultas externas de psiquiatria, 443 casos necessitaram de internamento. Ocorreram 1290 casos urgentes em adultos e 21 urgências em crianças. No total das contas os SS deram 1311 consultas a doentes com problemas do foro psíquico. “A nossa estrutura do São Januário é um

sistema de fácil acesso neste tipo de doenças”, revelou Domingos Ho.

ESCLARECER A POPULAÇÃO

Para combater ferozmente a doença mental, os SS têm programado uma série de actividades para o Dia Mundial da Saúde Mental deste ano, a comemorar na próxima segunda-feira. As actividades alargar-se-ão além do dia 10. No dia 8 de Outubro, sábado, é realizada a cerimónia de activação na Praça da Amizade de Macau, pelas 14h 30. Dois dias volvidos acontecerá o “Seminário Médico sobre Psiquiatria”, pelas 10h no Centro de Convenções da Torre de Macau. Neste evento diversos especialistas da região e do mundo marcarão presença. De 14 a 15 deste mês terá lugar, na Clínica de Psiquiatria da Taipa, um workshop intitulado “Meditação – Workshop sobre alívio de pressão”, no qual será ensinada “a prática de meditação e vipassana para ajustar os sentimentos internos”. No dia 15, de noite, realizar-se-á o seminário “A procura da

felicidade” no Centro de Saúde da Areia Preta. O último dia dedicado a este tema será o dia 22. O Instituto de Enfermagem Kiang Wu promove a palestra “Identificação e Intervenção dos Jovens com Perturbação Emocional e Psíquica” e a Associação de Reabilitação Fu Hong de Macau, no Centro I Lok, disponibilizará o workshop “Encontro de Alegria – Workshop de Artes”. “Todas estas actividades são de inscrição aberta e gratuita, por isso peço às pessoas que apareçam. Todos juntos vamos combater a doença mental”, deixou o mote, Domingos Ho.

SUICÍDIO PARA DEBATER

Este tem sido um tema na ordem do dia em Macau. De acordo com dados recentes registaram-se no território 42 casos de suicídio nos primeiros seis meses deste ano, dos quais uma das vítimas era menor de 15 anos. “Cada vez mais ocorre em jovens e isso é um motivo de preocupação”, concordou Ho. O número representa um acrés-

cimo de 10 casos em comparação aos 32 registos no primeiro semestre de 2010. Nesse período em 2009, houve 40 suicídios e, em 2008, 38. Dos 42 casos recentes, 33 suicidas eram do sexo masculino (76,8%) e esse número global representa 4,6% das causas de morte em Macau. Os casos de suicídio em idade inferior a 34 anos foram 18. Procedendo a uma análise qualitativa de casos de suicídio nos dois primeiros trimestres de 2005 a 2011, os residentes de Macau atingem em média mais de 80%. Os responsáveis do SS asseguram que o suicídio será um tema a debater até porque se trata de uma questão do foro psíquico. “Temos prestado a devida atenção ao caso e, recentemente, já abordámos seriamente a questão. No mundo se fizermos uma estatística, em 10 mil pessoas 18 já cometeram suicídio, a proporção em Macau é quase a mesma”, afirmou o presidente da Comissão de Saúde Mental, que acrescentou que o papel da sociedade, da família e das associações “é muito importante”.


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SOCIEDADE

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SEM CRISE NO JOGO DE MACAU, DIZ AMBROSE SO

O director-executivo da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Ambrose So lembrou que as receitas voltaram a crescer em Setembro credibilizando o mercado, como tal o executivo não aceita a preocupação excessiva com o desempenho das operadoras do jogo na bolsa de Hong Kong. “Penso que não devemos estar demasiado preocupados com o crescimento em Macau. Há pouco tempo, a SJM divulgou os resultados de Setembro, que apontam para um aumento de quase 40 por cento face ao ano anterior. Se analisarmos por trimestre, verificamos que houve uma subida de mais de 45 por cento”. So falou depois de conhecidas as previsões do Deutsche Bank sobre o sector do jogo de Macau onde o banco antecipou uma queda de 10% no crescimento das receitas, para os próximos meses.

Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

M

ACAU tem de preparar-se para o afluxo de foras-da-lei, alertou Ho Ion Sang, deputado da Assembleia Legislativa (AL), em declarações exclusivas ao Hoje Macau. O território, considera, está a tornar-se cada vez atractivo para os carteiristas e, se não for feita alguma coisa, poderemos assistir a um fenómeno com prejuízos para a reputação de Macau, numa fase em que a cidade se pretende estabelecer como “Centro Mundial de Turismo e Lazer”. A “Semana Dourada” das festividades nacionais chinesas de Outubro trouxe vários casos de furto cometidos em autocarros e locais de alta concentração de pessoas. Uma boa deixa, considera Ho Ion Sang, para que as forças de segurança reavaliem a sua capacidade de resposta para não deixar que a prática se multiplique e acabe por prejudicar a reputação de Macau. Em entrevista telefónica ao Hoje Macau, o deputado eleito directamente em representação dos tradicionalistas “kaifong” da União Promotora Para o Progresso (UPP) explicou que a transformação repentina de Macau de cidade pequena para grande centro turís-

Deputado teme que apelo de Macau ao turismo atraia também gatunos

O combate às ovelhas negras tico (em 2010, passaram por Macau 25 milhões de turistas e este ano é esperado um aumento de 2,7 milhões) era um evidente aliciante para pessoas dispostas a cometer crimes. “Tais mudanças colocam um grande desafio a Macau”.

GOVERNO DEVE AGIR

As forças policiais, alertou Ho Ion Sang, podem não estar preparadas para acompanhar um aumento tão rápido do número de turistas e, por outro lado, o aumento da população também faz subir a quantidade de crimes. Se o policiamento for insuficiente, então temos um problema pela frente: “o número de delitos já

provou estar a aumentar, e estou-me a lembrar de alguns casos graves cometidos por pessoas coreanas em torno dos problemas de interesses gerados pela indústria do jogo. Além disso, os traficantes de drogas também vêm os seus negócios aumentarem em Macau, devido ao acréscimo de turistas”. Para pôr cobro à situação, o Executivo não pode ficar de braços cruzados, alertou Ho Ion Sang, sugerindo mais acções de promoção ao combate de actos ilícitos e crimes. “O Governo deveria estar mais preocupado em alertar os turistas para que redobrem a atenção aos seus pertences, e deveria também reforçar

o mecanismo de cooperação com a China Continental, uma vez que pessoas da China podem chegar a Macau com muito facilidade”. Relativamente à instalação de câmaras de vigilância e, apesar de “toda a gente estar preocupada com a privacidade”, Ho Ion Sang defende o recurso a alguma tecnologia no apoio à segurança, até porque as forças policiais podem não ter capacidade para fazer face ao aumento de turistas. O parlamentar recomenda por isso ao Governo que acelere a instalação de câmaras de “vista de pássaro”, começando pela fronteira e pontos turísticos, e que pondere também a instalação nos locais que

FRANCISCO FIGUEIRA | PETIÇÃO SUPEROU EXPECTATIVAS DOS PROMOTORES

A rua do arquitecto Lia Coelho

lia.coelho@hojemacau.com.mo

“Q

UALQUER jornada começa-se pelo primeiro passo”, assim definiu Carlos Marreiros, director-geral do Albergue, aludindo a um ditado chinês, a petição para dar o nome de Francisco Figueira a uma rua de Macau. Vinte anos sem um pedido semelhante, o considerado pioneiro nas abordagens da conservação do património da cidade e que pôs o território na lista de classificação da UNESCO, pode ser o mote para “que se volte a pensar em dar nomes a ruas com um significado”, explicou o também arquitecto, em conferência de imprensa. O número de assinaturas superou as expectativas, confessou Carlos Marreiros. Foi no dia 16 de Março, data de aniversário de Francisco Figueira, que juntamente com a sessão memorialista se deu início à recolha de opiniões. “Em Junho pensámos parar com a petição, mas vimos que já tínhamos 1500 assinaturas, então decidimos prolongar por mais tempo”, ressalvou o director-geral.

Segundo os números avançados ontem, já foram recolhidas cerca de 9000 assinaturas – 2113 em papel e 6716 via electrónica. Os responsáveis pela petição dizem-se surpresos com a adesão, numa região em que “a atitude cívica não é uma característica” e numa altura em que as pessoas têm relutância em fornecer os dados pessoais.

UMA RUA “DIGNA”

A única exigência feita ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) – onde será entregue o abaixo assinado – é que a rua a que for atribuído o nome do arquitecto Francisco Figueira, “seja digna”. “Não estamos preocupados com a rua, apenas pedimos que seja digna e se tiver a ver com o património, tanto melhor”, afirmou o director-geral do Albergue. Carlos Marreiros disse ainda que os responsáveis são contra a troca de nomes das artérias da cidade, frisando “que quando têm história”. Sem nenhuma pensada, o responsável pela instituição

cultural, deu o exemplo da Rua de Paris ou da Rua de Berlim, cujo nome não tem significado. O Albergue vai ainda criar um comité para entregar oficialmente as assinaturas ao organismo. Uma cópia será levada ainda ao chefe do Gabinete do Executivo. Segundo Carlos Marreiros, a intenção é fazer chegar a petição ao IACM até ao final deste mês, início do próximo.

têm tradicionalmente uma maior taxa de ocorrência de crimes. “A instalação deve também garantir uma boa protecção da privacidade”, afirmou, no entanto. Macau enfrenta também um desafio importante no que diz respeito aos procedimentos judiciais. Ho Ion Sang observou que o longo tempo por vezes necessário à investigação pode permitir que as vítimas ou mesmo os criminosos deixem Macau e que isso conduza a processos “sem resultados”. Para esses crimes leves, defendeu o deputado, deveria ser acelerado o processo para que os fora-da-lei pagassem pelos seus crimes.

CASINOS FECHARAM SETEMBRO A SUBIR 38,8% COM RECEITA BRUTA DE 21.244 MILHÕES Os casinos de Macau encerram o mês de setembro com receitas brutas de 21.244 milhões de patacas, um crescimento homólogo de 38,8 por cento em linha com os dados divulgados sexta-feira pela Lusa. De acordo com os dados oficiais divulgados na página eletrónica dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos, os casinos de Macau encerraram os três primeiros trimestres com receitas brutas de 194.350 milhões de patacas, mais 45,9 por cento do que o valor apurado entre janeiro e setembro de 2010. Curiosamente, o crescimento homólogo de setembro - 38,8 por cento - é o segundo mais baixo do ano depois de em janeiro se ter registado uma subida de 33,2 por cento, contra 57 por cento apurados em agosto face ao mesmo mês de 2010. Dados dos operadores a que a agência Lusa teve acesso indicam que no mês de setembro, a Sociedade de Jogos de Macau, empresa fundada por Stanley Ho continuava a liderar o mercado com uma quota a rondar os 29 por cento, seguida pela Galaxy Resorts com quase 20 por cento e pela Melco/PBL (que tem como sócio Lawrecen Ho, filho de Stanley Ho) com uma quota ligeiramente superior a 16 por cento. A segunda e última metade da tabela é ocupada pela LAs Vegas Sands com uma quota acima dos 13 por cento, muito abaixo dos quase 20 por cento detidos no início do ano, pela Wynn Macau com uma quota acima dos 11,5 por cento e pela MGM (que tem Pansy Ho, também filha de Stanley Ho como acionista) com pouco mais de 10 por cento. A manterem-se as médias de receita bruta apuradas nos casinos de Macau até setembro, os espaços de jogo irão encerrar 2011 com cerca de 260.000 milhões de patacas, mais cerca de 40 por cento face à receita apurada em todo o ano de 2010.


COMBATE AO CRIME NA SEMANA DOURADA

Desde o início da semana dourada, a decorrer desde o dia 1 deste mês até à data, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) selou cinco fracções autónomas, suspeitas de prestação ilegal de alojamento, tendo sido identificados no local um explorador, um angariador de hóspedes e um controlador. Durante este período a direcção vindo a reforçar as inspecções nos locais turísticos mais visitados e nos postos fronteiriços. A DST, em conjunto com a Administração do Turismo de Guangdong e de Fujian, activaram o sistema de troca de informações turísticas, em funcionamento desde 30 de Setembro até ao próximo dia 8 de Outubro. Antes da semana dourada a DST divulgou a tabela de preços praticados pelos hotéis e pensões, entre 26 de Setembro e 9 de Outubro.

Virginia Leung

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E já apanhou um táxi em dia de grande ventania, sabe o que é um taxímetro obsoleto. A cobrança de um acréscimo de centenas de patacas acima do que seria normal no final da corrida é uma prática comum dos motoristas de táxi em Macau, sempre que o tufão atinge o sinal 8. Chamados de mercenários gananciosos, os taxistas esquivam-se às críticas, explicando que o “extra” na conta se deve ao facto de os seguros não cobrirem um eventual acidente provocado pelo mau tempo. A legislação dos seguros de veículos contra danos de terceiros não regula a responsabilidade dos acidentes automóveis durante tufões. No entanto, algumas empresas do sector dos seguros admitem que, ainda que os seguros contra terceiros de PUB

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SOCIEDADE

TAXISTAS CULPAM SEGURADORAS PELOS AUMENTOS ABUSIVOS PRATICADOS EM DIA DE MAU TEMPO

O velho golpe do tufão veículos protejam o terceiro envolvido num acidente, existe normalmente uma excepção feita ao táxis e taxistas. Ou seja, se um taxista sofre um acidente, mesmo num dia normal, o seguro contra terceiros da outra pessoa envolvida não lhe irá cobrir os prejuízos. Para isso, os taxistas têm de adquirir um seguro extra, que lhes oferece protecção, mas com prémios relativamente altos. Os taxistas alegam que esses seguros protegem contra acidentes normais de trânsito, mas se os sinistros forem provocados por tufões, a coisa complica – aí já seria necessário ainda outro seguro especial que previsse esse tipo de ocorrência, mas muito mais caro. O sector dos

táxis e a indústria seguradora já discutiram entre si esta questão, mas as companhias de seguro não se mostraram disponíveis a pensar num seguro contra tufões com prémios mais acessíveis para os taxistas.

Por sua vez, os passageiros em geral reclamam da arbitrariedade dos taxistas na cobrança da “taxa extra tufão”, quando são a única opção de transporte disponível. Alguns, no entanto, até compreendem o conceito e

mostram-se dispostos a pagar mais em dia de sinal 8, mas dentro de certos limites. Uma caixa do casino City of Dreams explicou ao Hoje Macau isso mesmo: “Acho bem que haja uma taxa extra durante os tufões, mas essa

taxa devia estar dentro dos limites do razoável”, afirmou Chan, explicando que não se importava de pagar nesses casos excepcionais mais 100 patacas, mas que 200 mais o valor do taxímetro já era um abuso.


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ENTREVISTA

Humberto França, historiador, poeta e presidente do Festlatino

GONÇALO LOBO PINHEIRO

“É surpreendente o interesse das autoridades

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UNDADOR do Movimento Festlatino, Humberto França é um académico brasileiro profissionalmente dedicado à pesquisa histórica. Visitou Macau no âmbito de mais uma iniciativa do Movimento Festlatino, o Seminário aqui organizado pelo Instituto Internacional de Macau com a participação de outras instituições, “A Língua Portuguesa no Contexto do Diálogo entre a China e o Mundo Lusófono”. Que balanço faz de mais esta iniciativa do Festlatino que foi o Seminário realizado em Macau? Com toda a verdade, só posso

fazer um balanço surpreendente. Foi um enorme sucesso. Criou o ensejo de realizarmos uma série de novos projectos que pensamos empreender com o Instituto Internacional de Macau e outras instituições da região. Por exemplo... Uma das sugestões que ofereci foi o tornar Macau um ponto de divulgação da língua portuguesa na Ásia, montar conexões com países da CPLP, bem como Goa, Malaca, por exemplo. Na palestra que preparei para o Seminário do Festlatino em Macau, coloquei

em foco a importância da Região Administrativa Especial de Macau para a construção de um diálogo multipolar no mundo de língua portuguesa no século XXI. Pelas suas singularidades, a região de Macau poderá ser imprescindível para o diálogo linguístico e cultural que compreenderá a língua portuguesa e o mandarim na área do Pacífico. Acredito que será um ponto cardeal da intercompreensão cultural e, ainda, centro facilitador para a convergência dos neolatinos falantes, do Brasil, Angola, Cabo

Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e TimorLeste, num encontro com Portugal. Em minha opinião, talvez até os restritos grupos de Goa e Malaca. Situando esse seu pensamento na China, um pensamento eminentemente cultural, ou no interesse da China por alguns países de língua portuguesa, serão necessárias específicas preocupações ou muito acertadas políticas culturais... Nesse ponto, o que digo é o seguinte: a China, através das suas acções, de suas instituições

Julgo que em 2050, a língua portuguesa terá uma maior prevalência no mundo, seguindo a evolução do Brasil, país que será, segundo abalizados analistas, a terceira economia do globo, ao lado da China e dos Estados Unidos.


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com Helder Fernando

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s chinesas pela língua portuguesa”

culturais, saberá tirar proveito desse encontro multicultural e plurilinguístico num diálogo com o mundo da neolatinidade, sobretudo com o mundo da língua portuguesa. É conhecido, e já mencionou esse aspecto, o interesse económico da China pelo menos em alguns desses países africanos de língua portuguesa e o Brasil. Como o senhor é brasileiro, a pergunta: Sente que irá alargar internacionalmente a presente influência política, económica e cultural do Brasil?

Não tenho dúvidas sobre essa realidade. E aí entra também a importância da língua portuguesa; ela experimentará uma expansão indiscutível, considerandose, como falou, o crescimento económico e a crescente influência política e cultural do Brasil. O fenómeno geopolítico poderá atrair a atenção de jovens neolatinos falantes da África e das Américas e também da Europa. Haverá, talvez, uma nova corrente migratória de jovens africanos para o Brasil e para a região do Mercosul, em busca de novas oportunidades. Voltando ao Seminário do Movimento Festlatino realizado em Macau. Como surgiu a ideia da sua realização aqui? A ideia surgiu a partir da participação do dr. José Lobo do Amaral, que é o vice-presidente do Instituto Internacional de Macau, no IV Congresso do MovimentoFestlatino que aconteceu no Recife. Como decorreram os contactos que manteve com os diferentes representantes de algumas instituições de Macau, desde logo o Instituto Internacional? Os contactos que tive decorreram muito bem. As mais diversas instituições culturais de Macau se fizeram presentes na abertura do Seminário. No prosseguimento, mantive contacto, por intermédio do IIM, por exemplo com a tutela do Governo de Macau para os Assuntos Culturais. Pode adiantar que projectos ou acções conjuntas se propõem realizar? Projectos e acções conjuntas serão anunciados brevemente. Em Macau, falou publicamente que tinha observado um grande interesse por parte de entidades chinesas no ensino da língua portuguesa... Como lhe disse, é surpreendente o interesse das autoridades oficiais chinesas no tocante à língua portuguesa. Certamente, as futuras discussões levantadas pelo Instituto Internacional de Macau poderão criar o ensejo de projectos comuns que envolverão o Brasil, o Movimento Festlatino e os demais países da CPLP. O que acaba de dizer significa que depois desta sua vivência

em Macau, fortaleceu em si a ideia do real desenvolvimento da língua portuguesa no contexto do diálogo entre a China e o chamado mundo lusófono, aliás precisamente o tema geral do seminário realizado em Macau? Com certeza, se as autoridades chinesas mantiverem o interesse no projecto de maior aproximação com os países da CPLP, o Movimento Festlatino, o IIM, etc., todos serão parceiros importantíssimos.

Pelas suas singularidades, a região de Macau poderá ser imprescindível para o diálogo linguístico e cultural que compreenderá a língua portuguesa e o mandarim na área do Pacífico. O Festlatino nasceu no estado de Pernambuco e o senhor é o fundador. Como surgiu a ideia e quais os principais objectivos? Muito em síntese, posso dizer o seguinte: O Brasil é o maior país de latino falantes, 200 milhões, e o país que está-se tornando uma potência económica internacional. Em 2020, a língua portuguesa alcançará uma maior abrangência, visto que a língua espanhola é bastante forte na América do Sul onde o Brasil certamente manterá uma liderança incontestável fazendo com que muita gente se interesse pela aprendizagem do português, por uma questão de interesses económicos, culturais estratégicos. Julgo que em 2050, a língua portuguesa terá uma maior prevalência no mundo, seguindo a evolução do Brasil, país que será, segundo abalizados analistas, a terceira economia do globo, ao lado da China e dos Estados Unidos. Movimento Festlatino, que projectos já agendados para 2012? Em 2012 realizaremos seminários do Festlatino em Mendonza, na Argentina, em Montevideu, no Uruguai, em Santiago de Compostela, Espanha e no Recife, Brasil, no mês de Novembro.

HISTORIADOR E POETA Escritor, colaborador de jornais, o historiador Humberto França é tido como incansável pesquisador de todas as vertentes da vida e do pensamento de JoaquimNabuco, através da Fundação com o mesmo nome. Nabuco é uma figura importantíssima na cultura e na sócio-política brasileira e não só, ele foi o líder da campanha de abolição da escravatura no Brasil e um lutador contra o que na época se podia considerar o “imperialismo europeu”. Como diz o pesquisador Humberto França,Nabuco, as ideias que ele tinha, “eram realmente revolucionárias. A escravidão, por exemplo, ele entendia que tinha produzido consequências tão danosas, tornando-se uma característica nacional do Brasil durante os séculos seguintes”. Este intelectual nordestino, natural de Pernambuco, esteve brevemente em Macau a propósito de um Seminário onde se falou do diálogo entre a China e o Mundo Lusófono. Nesse seminário, organizado pelo IIM, cujo anfitreão foi o seu presidente, Jorge Rangel, coadjuvado pelo seu vice-presidente José Lobo do Amaral, participaram também, como palestrantes, o embaixador Eugénio Anacoreta Correia, a Professora Maria Antónia Espadinha, o Professor Choi Wai Hao, o jornalista José Rocha Dinis, director do JTM, o advogado e presidente da Associação dos Macaenses Miguel Sena Fernandes e o poeta e professor de língua portuguesa Yao JingMing.

Para este Seminário em Macau, uma das várias iniciativas anuais do Movimento Festlatino, nascido em 2006 no Brasil, Pernanmbuco, Humberto França preparou a palestra “O Brasil Potência e o valor da Língua Portuguesa”. Nela, afirma que “na África Central e Ocidental, as línguas neolatinas, francês, potuguês e espanhol, são faladas por parte da população de 21 países, que somam aproximadamente 230 milhões de neolatinos falantes. (...) Serão ampliados os conhecimentos das línguas portuguesa e espanhola nas Américas. Porém, me restrinjo à língua portuguesa, por que esse mar atlântico neolatino será também uma nova via para nos ligar às nações do Oceano Pacífico onde a China exerce o seu influente papel”. O fundador do Movimento Festlatino e pesquisador, também, na Biblioteca Brasileira de Nova Iorque, é ainda um poeta com obra publicada e traduzida em vários idiomas. Deixo ao leitor este curto exemplo, o poema “A Última Refeição”:

À mesa, o silêncio, o pão, as faces no cristal d’água, a folha do jornal, intacta. Nos lábios, o leite. Não olhas. O rosto fere. A lâmina confere a tua vontade. Nossa última refeição.


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CULTURA

Nobel da Literatura atribuído ao sueco Tomas Transtromer

Poeta da “economia” e das “metáforas pungentes”

O

Prémio Nobel da Literatura 2011 foi atribuído ao poeta sueco Tomas Transtromer, porque “através das suas imagens translúcidas e condensadas, ele dá-nos um novo acesso à realidade”, afirmou hoje a Academia Sueca, em Estocolmo. Tomas Transtromer nasceu a 15 de Abril de 1931 em Estocolmo e, segundo a Academia Sueca, é “um dos poetas vivos mais traduzidos em todo o mundo”, cuja obra incide sobre “a morte, a História, a memória e a natureza”. O prémio Nobel da Literatura tem o valor monetário de dez milhões de coroas suecas, cerca de 1,1 milhões de euros. A cerimónia de entrega dos Prémios Nobel 2011 realiza-se no próximo dia 10 de Dezembro, na capital sueca. Tomas Tranströmer escreve sobre a morte, a história, a memória e

é conhecido pelas suas metáforas. É um poeta que tem uma produção pequena, “não é prolixo”, disse no final do anúncio o secretário da Academia, o historiador Peter Englund, embora esteja traduzido em várias línguas. Em Portugal, Tranströmer tem poemas publicados em duas antologias, uma delas chama-se “Vinte e um poetas suecos” (Vega ,1987). Tranströmer, de 80 anos, psicólogo de formação, sofreu um AVC em 1990. Por isso perdeu as faculdades motoras e não consegue falar. Peter Englund disse à televisão sueca que falou com o laureado e ele mostrou-se surpreendido pelo prémio. “Estava a ouvir música”, acrescentou o secretário da Academia. O Prémio Nobel da Literatura 2011 vive numa ilha e depois de ter ficado doente publicou três obras. Desde 1973 que Tomas Tranströmer era candidato ao Nobel. Há 40

anos que um autor sueco não recebia este prémio. No ano passado a distinção foi atribuída ao escritor peruano Mario Vargas Llosa.

POEMAS COM LISBOA E FUNCHAL

Tomas Transtroemer escreveu poemas sobre o Funchal e Lisboa, este último publicado na obra “21 poetas suecos”, traduzido por Vasco Graça Moura. No livro “21 poetas suecos”, publicado em 1981 pela editora Vega, uma obra organizada por Vasco Graça Moura e Ana Hatherly, surge o poema “Lisboa”, onde o poeta sueco destaca elementos típicos das zonas históricas da capital portuguesa. “No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes/Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões/Acenavam através das grades/Gritavam que lhes tirassem o retrato”, escreveu Tomas Transtroemer.

“´Mas aqui´, disse o condutor e riu à socapa como se cortado ao meio/´aqui estão políticos’. Vi a fachada, a fachada, a fachada e lá no cimo um homem à janela/tinha um óculo e olhava para o mar”, relata o laureado com o Nobel da Literatura 2011. “Roupa branca no azul. Os muros quentes/As moscas liam cartas microscópicas/Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa/´será verdade ou só um sonho meu?´”, finaliza o poeta sobre a cidade junto ao Tejo. Uma passagem pelo Funchal também inspirou Tomas Transtroemer, dedicando-lhe um verso onde destaca o mar, a receita atlântica do peixe com tomate e a “língua estranha”.

MÃE PROFESSORA, PAI JORNALISTA

A mãe de Tranströmer, Helmi, era

professora de uma escola e o pai, Gösta Tranströmer, um jornalista. O escritor cursou estudos em História da Literatura, Poética, História da Religião e Psicologia na Universidade de Estocolmo, adquirindo o título de bacharel em Artes, informa a academia em comunicado. Chegou a trabalhar como psicólogo em um instituto correccional para jovens. Após veicular poemas em vários jornais, Tranströmer publicou em 1954 o livro “17 poemas”. Com as suas selectas de poesias posteriores, foi consolidando o nome como um dos principais poetas da actualidade, aponta a academia no seu comunicado. A entidade destacou que a maior parte da poesia do sueco se caracteriza pela economia e por metáforas pungentes. O autor já foi traduzido em mais de sessenta línguas, e periodicamente elabora ele mesmo versões dos seus poemas noutras línguas, lembrou a academia. Este é o quarto prémio atribuído pela Academia Sueca este ano depois do Nobel da Medicina (Ralph Steinman, Bruce Beutler e Jules Hoffmann), da Física (Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess,) e da Química (Daniel Shechtman). Hoje será atribuído o Prémio Nobel da Paz.


VASO CHINÊS DA DINASTIA MING VENDIDO POR 16 M DE EUROS Um vaso imperial chinês em porcelana foi vendido por 16,33 milhões de euros num leilão realizado na quarta-feira pela Sotheby’s. O valor do vaso azul e branco do século XV estabeleceu um novo recorde para uma porcelana da dinastia Ming, indicou a leiloeira, acrescentando que foram vendidas 32 peças neste leilão. A China conseguiu atingir em 2010 o primeiro lugar no mercado mundial de arte, ultrapassando os Estados Unidos e o Reino Unido, segundo dados da Artprice, empresa especializada na área.

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Festa da Lusofonia | Durante 10 dias Macau cruza China e culturas lusófonas

O arraial do nosso contentamento Lia Coelho

lia.coelho@hojemacau.com.mo

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OI ontem apresentado o cartaz de actividades para o Festival da Lusofonia e Semana Cultural de China e dos Países Lusófonos, para este ano. Dois eventos com o mesmo propósito - o intercâmbio e a divulgação das comunidades, que em Macau cruzam a China com a língua e a cultura lusófona. “O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) volta a realizar o evento para continuar a reforçar a troca cultural e proporcionar aos turistas actividades de turismo e lazer”, explicou Henry Ma, administrador do Conselho de administração do IACM. A novidade da edição de 2011 da semana cultural são as paradas da lusofonia, que contarão com um desfile pelas zonas históricas e mais turísticas de Macau e com a

actuação de vários artistas. “Prevê-se a participação, em cada parada, de cerca de 230 artistas de Macau, da República Popular da China e dos Países de Língua Portuguesa e ainda de Goa, Damão e Diu”, avançou Rita Santos, secretária-geral adjunta do

Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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AS afinal qual é a importância de Macau para as relações entre a China e o Brasil? O Instituto Internacional de Macau (IIM) realizou ontem mais um seminário, o terceiro, em que continuou a abordar “o papel de Macau nas relações sino-luso-brasileiras”. Depois de já ter discutido o papel da importância do Fórum Macau para o Brasil, questionou-se agora um todo. “Macau é importante tanto para a China como para o Brasil, nesta óptica das trocas económicas e comerciais”, referiu o professor Severino Cabral, presidente do Instituto Brasileiro de Estudo da China e Ásia-Pacífico (IBECAP). Os dois países têm estreitado cada vez mais os seus laços. Contudo ainda existe um handicap quando falamos de aspectos culturais. “Ambos os lados têm de se compreender culturalmente. Estamos a falar de realidades completamente diferentes”, referiu o empresário Lourenço Cheong

Fórum de Macau. Além desta novidade, também pela primeira vez, vão estar representados 10 expositores das comunidades que compõem o panorama lusófono local, a ter lugar nos jardins das casas museus da Taipa – que durante este período

vão alargar o horário de funcionamento até à meia-noite. O programa fica completo com as habituais mostras gastronómicas, com partos típicos de cada país, com exposições de artistas vindas da Guiné-Bissau e Timor-Leste e espectáculos

variados de música, dança e jogos tradicionais. Dez dias, que vão unir as comunidades e que pretendem tornar a mescla cultural do território mais visível aos turistas. “As mostras vão ser feitas nas zonas mais frequentadas pelos turis-

tas, como as Ruínas de São Paulo. O objectivo é atrair mais visitantes à região”, esclareceu Rita Santos. A divulgação, para chegar mais facilmente aos que visitam o território, vai ser feita em todos os postos fronteiriços. O orçamento previsto para a Festa da Lusofonia é de 1 milhão e 700 mil patacas. Para a Semana Cultural está previsto o montante de 6 milhões e 850 mil patacas. “Temos um orçamento maior para este ano, porque queremos melhorar a qualidade dos espectáculos, abranger mais áreas de mostras culturais e dar continuidade à cultura dos residentes e dos turistas”, justificou a secretária-geral do Fórum Macau. A cerimónia oficial de abertura vai ter lugar dia 22 do corrente mês e conta com a actuação do grupo artístico de Jiling, China e de diversos grupos oriundos dos países de língua oficial portuguesa.

CERCA DE 15% DAS IMPORTAÇÕES DO BRASIL SÃO ORIUNDAS DA CHINA

O ponto de passagem para a outra margem

que falou sobre a sua vivência no Brasil. “Quando fazemos alguma transacção comercial para o Brasil

temos de ter muita atenção a tudo. Os impostos são altos. Existem impostos federais e impostos estaduais. No total o produto pode

aumentar o seu valor final em quase 120%. Qualquer empresário que queira investir no Brasil e enviar para lá os seus produtos tem de se aconselhar muito bem com um despachante”, acrescentou Cheong. A expansão da economia chinesa tem sido um importante apoio no combate à crise financeira mundial e isso tem tido implicações em todos os países de expressão portuguesa, com maior impacto no Brasil. “O Brasil reconhece a importância do comprometimento da China com Macau e, em especial, com o Fórum de Macau”, havia referido anteriormente a embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis durante o II Seminário “O papel de Macau nas relações sino-luso-brasileiras”. Macau torna-se assim numa plataforma muito apetecível neste jogo de interesses económicos entre a China e o Brasil. “É a Língua

Portuguesa”, referiu Lourenço Cheong. O empresário revelou que 15% das importações do Brasil são oriundas da China mas no sentido contrário, os produtos brasileiros ainda só representam pouco mais de 2% das importações dos chineses. “Macau tem de ter o papel de inverter a situação. Porque o Brasil vai ser, se é que já não é, o celeiro do mundo. A China, com muito pouca terra cultivável, tem de se virar para a América do Sul para poder ter comida”, afirmou Cheong. A China é, sem dúvida, o principal parceiro comercial do Brasil e está a ganhar espaço no campo do investimento directo. Dos 15% de produtos chineses que chegam ao Brasil, a maioria são produtos tecnológicos. Do outro lado do mundo para a China vêm alimentos, onde as carnes e a cana de açúcar tomam real destaque.


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DESPORTO Hong Kong revalida o título na Taça do Dragão

Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

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selecção de futebol da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong sagrou-se na terça-feira pelo segundo ano consecutivo campeã no âmbito da Long Teng Cup, uma prova organizada pela Federação de Futebol de Taiwan em que o onze que representa a RAEM a nível internacional voltou a não conseguir fugir à condição de lanterna vermelha. Em três encontros disputados, a formação orientada por Leung Sui Wing somou outras tantas derrotas, repetindo a performance obtida há um ano na primeira edição da competição também conhecida sob a designação de Taça do Dragão. Constituída na maior parte por atletas que integram a Selecção de Sub-23 que disputou na derradeira temporada a edição inaugural da Liga de Elite, o onze do território estreou-se na competição formosina com uma derrota pesada frente à selecção anfitriã. A jogar perante o seu próprio público num Estádio Nacional de Kaoshiung a abarrotar pelas costuras, o onze de Taiwan não

Últimos como sempre desiludiu e chegou ao primeiro golo logo aos onze minutos, por intermédio de Huang Chiu-yi. A principal estrela da selecção formosina, Chen Po-liang, também deixou o nome ligado à história do torneio, ao dilatar a vantagem da formação da casa vinte minutos depois. O terceiro e último golo do conjunto de Taiwan surgiu no final da partida, já em período de descontos e teve a assinatura de Wu Chun-ching. O desaire frente a Taiwan não deixava adivinhar uma prestação de excelência por parte do onze da RAEM, mas o frente-a-frente com Hong Kong fez os jovens jogadores do conjunto do Lótus descer ao inferno. Mais expedita, a formação da antiga colónia britânica vingou dentro de campo o empate a três bolas concedido frente às Filipinas no encontro inaugural da competição, goleando o onze do território por cinco bolas a uma. Macau ainda tentou adiar o

inevitável e até chegou primeiro ao golo, por intermédio de Leung Ka Hang à passagem do prieiro quarto de hora. A resistência dos jogadores às ordens de Leung Sui Wing acabou no entanto por se estilhaçar na sequência do golo e aos dezanove minutos Sham Kwok Keung, médio ofensivo do Citizen, repôs a igualdade no placard com um remate forte de fora da área. Chan Siu Ki dilatou a vantagem para o conjunto da RAEHK aos 43 minutos e aos 50, já na segunda metade, Wong Chin Hung apontou o terceiro de Hong Kong, abrindo as portas à goleada. O mesmo atleta voltou a fazer o gosto ao pé aos 81 minutos, seis minutos depois de Sham Kwok Keung também ter bisado. No derradeiro desafio do torneio, o onze da RAEM tinha a honra e o seu bom nome a defender, mas nem assim conseguiu evitar nova derrota. Frente às

Filipinas, a formação do território conseguiu protelar a goleada, mas o esforço não foi suficiente para evitar novo desaire. Os “Azkals” – alcunha pela qual são conhecidos os jogadores que vestem a camisola das Filipinas – só na segunda parte conseguiram traduzir em golos a superioridade táctica que demonstraram dentro das quatro linhas. Emelio Caligdong foi a grande figura da partida, ao marcar os dois tentos com que as Filipinas derrotaram Macau. Depois do empate frente a Hong Kong, o conjunto insular estava ainda na corrida pela primeira posição no torneio, mas para tal precisava de golear Macau por margem abastada e esperar que Hong Kong fizesse um mau resultado frente à selecção anfitriã. As expectativas da formação filipina acabaram por não se concretizar, com o conjunto da RAEHK a golear Taiwan por seis golos sem resposta.

PAI E TIO DE ROONEY APANHADOS EM ESQUEMA DE APOSTAS

LUIS AGUIAR ACUSA SPORTING DE OPERAÇÃO DESNECESSÁRIA

pai e o tio do jogador do Manchester Untid, Wayne Rooney (na foto), foram duas das nove pessoas detidas pela polícia esta quinta-feira por alegadamente estarem envolvidos num esquema de apostas em jogos de futebol. A informação é avançada pelo site do jornal “The Mirror”. As detenções tiveram por base alegadas irregularidades no jogo que opôs o Motherwell e o Hearts (1-2), a 14 de dezembro de 2010, a contar para a liga escocesa. No encontro, Steve Jennings do Motherwell acabou por ser expulso pelo árbitro Stevie O’Reilly aos 82 minutos e interrogou-se quando é que este iria parar de prejudicar a sua equipa. Jennings também foi detido esta quinta-feira no âmbito duma suspeita sobre combinação de resultados de jogos. As dúvidas sobre o normal decorrer do jogo aumentaram quando as casas de apostas registaram várias apostas na probabilidade de um jogador vir a ser expulso naquele mesmo encontro. A polícia inglesa revelou que “os detetives executaram esta quinta-feira nove detenções em Merseyside e Glasgow, incluídas na investigação acerca da atividade suspeita nas apostas de futebol”.

UIS Aguiar voltou a apontar o dedo ao departamento médico do Sporting, indo ainda mais longe nas acusações lançadas a partir do Uruguai. Em entrevista à Rádio Sport 890, o médio garante que a intervenção cirúrgica a que foi submetido durante a pré-temporada não era necessária, deixando entender que esse processo teria tido influência na decisão de deixar Alvalade. “Cancelei o meu contrato com o Sporting. Operaram-me a algo que não tinham de operar, e depois tive muitas complicações”, acusou Luis Aguiar, que já obteve resposta de Eduardo Barroso, cirurgião que o operou e que é também presidente da Mesa da Assembleia Geral do clube. Recorde-se que Aguiar foi contratado durante o defeso para o reforço do meio-campo, mas não chegou a participar em qualquer jogo oficial, sendo oficialmente anunciado que iria ser sub-

O

Em comunicado, o dirigente máximo da liga escocesa de futebol, Stewart Regan, garantiu que “o Motherwell está a par da situação” e sublinhou que a situação que está a ser analisada “apenas envolve um jogo do campeonato escocês”, recusando-se a fazer mais comentários.

L

metido a uma intervenção cirúrgica com o objectivo de corrigir um problema recorrente de pubalgia. Após a operação, o atleta fez questão de recuperar no seu país, regressando a Portugal numa altura em que o seu espaço no grupo era já muito reduzido, sobretudo depois da contratação de Elias - seria agora a quinta opção para os dois lugares do meio-campo que poderia disputar, atrás de Elias, Schaars, André Santos e Matías Fernández. Mediante o contexto desportivo e as queixas relativas à forma como foi conduzida a sua situação clínica, Luis Aguiar e o Sporting chegaram recentemente a acordo para a suspensão do contrato até Junho do próximo ano.

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15 CHELSEA VILLAS-BOAS POR MAIS 10, 15 ANOS O presidente do Chelsea, Bruce Buck, acredita que André Villas-Boas poderá ficar no clube por dez ou 15 anos. O dirigente disse que o clube invejava «a longevidade de Arsène Wenger no Arsenal e Sir Alex Ferguson no Manchester United». No entanto, salientou que o Chelsea pretende «longevidade aliada a bons resultados», algo que poderá acontecer com VillasBoas. «Ele pode ser o homem certo para o cargo de treinador para os próximos 10 ou 15 anos. Todos dizem que idade dele pode ser um factor negativo, nós pensamos o contrário», afirmou Buck à BBC Sport. «Tem sabido relacionar-se com os jogadores. É um homem muito organizado, que percebe o futebol.» TRIBUNAL ORDENA SION NA LIGA EUROPA Um tribunal suíço do cantão de Vaud ordenou à UEFA que reintegre o Sion na Liga Europa. Recorde-se que o clube foi excluído devido a uma alegada inscrição irregular de jogadores. O Sion revela através de um comunicado que o tribunal intimou a UEFA a recolocar a equipa na prova «imediatamente e de considerar os jogadores aptos para a competição». O emblema suíço revela também que o tribunal decidiu que a UEFA terá de pagar 821 euros por cada dia em que não aplicar a decisão de reintegrar o clube na Liga Europa, tendo ainda de assumir as custas judiciais (17.400 euros) e de pagar ao Sion 26.900 euros. A UEFA já disse que está a avaliar a decisão do tribunal. SURF TIAGO PIRES AVANÇA PARA A TERCEIRA ELIMINATÓRIA O português Tiago Pires eliminou o australiano Josh Kerr e assegurou a sua qualificação para a terceira ronda do Quiksilver Pro France, oitava etapa do Mundial de Surf. Tiago Pires, 17.º do Mundial, somou 13,10 pontos (7,50 e 5,60), enquanto o quinto melhor surfista da hierarquia totalizou 11,76 (4,93 e 6,83). Nota ainda para o australiano Joel Parkinson, terceiro do ranking, eliminado pelo marroquino Ramzi Boukhiam. RALI HÉLDER RODRIGUES SOMA MAIS UMA VITÓRIA O motard português Hélder Rodrigues somou, esta quinta-feira, mais uma vitória no Rali dos Faraós, derradeira prova do Cross Country Rallies World Championship, após terminar a etapa de ontem, a quarta, no primeiro lugar da classificação. Resultado que deixa o piloto da Red Bull Yamaha TMN Team a apenas duas etapas da conquista do ceptro mundial… Necessitado apenas de um sétimo lugar para ser campeão mundial de Cross Country Rallies, o português tem feito uma prova sem arriscar muito, embora não deixando de exibir um bom ritmo, que, inclusivamente, já lhe permitiu vencer duas etapas e ocupar, actualmente, o terceiro lugar da classificação geral da prova egípcia. Na etapa desta quinta-feira, Hélder Rodrigues passou a linha de chegada 1m50s antes do segundo classificado, o chileno Chaleco Lopez.


[f]utilidades SEXTA-FEIRA 7.10.2011 www.hojemacau.com.mo

Cineteatro | PUB

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SALA 1

JOHNNY ENGLISH REBORN [B] Um filme de: Oliver Parker Com: Rowan Atkinson, Dominic West 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

THE SORCERER AND THE WHITE SNAKE [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Siu-Tung Ching Com: Jet Li, Shengyi Huang, Raymond Lam 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-SURDA. APTAS. 2-ATAIS. POEMA. 3-CASAI. ODIAR. 4-AMAL. M. AMIO. 5-R. ROSICRE. U. 6-T. GEMIA. T. 7-ERMA. A. MIAM. 8-SOA. CIA. ARU. 9-SITUA. METAL. 10-EXAME. ACEDA. 11-SAIAM. ROSAS. VERTICAIS: 1-SACAR. ESSES. 2-UTAM. TROIXA. 3-RASAR. MATAI. 4-DIALOGA. UMA. 5-ASI. SE. CAEM. 6-MIMAI. 7-APO. CI. AMAR. 8-PODARAM. ECO. 9-TEIME. AITES. 10-AMAI. TARADA. 11-SAROU. MULAS.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Mulher que ouve muito mal. Que têm aptidão. 2-Apertais com nó. Obra em verso. 3-Ligai pelo matrimónio. Sentir aversão. 4-Condutor de palanquim na Índia. O m. q. ami (planta). 5-O m. q. rosicler. 6-Pranteava, chorava. 7-Despovoada. Gritam (Fig.). 8-Produz som. Acto de ciar (Mar.). Sapo amazónico. 9-Coloca num lugar certo. Substância mineral simples, boa condutora do calor e da electricidade. 10-Prova a que alguém é submetido. Consinta. 11-Desocupem. Venturas. VERTICAIS: 1-Arrancar. Pronome demonstrativo (pl.). 2-Joeiram, outam. Pacóvio trouxa. 3-Achanar. Tirai a vida. 4-Conversa com outra pessoa. A primeira de uma série ou ordem. 5-Segurei com a mão. Catedral. Pendem. 6-Animai. 7-Constelação austral. 101 (Rom.). Prezar, venerar. 8-Desbastaram. Reflexão da voz. 9-Insista. Embarcações de recreio. 10-Prezai. Sexualmente degenerada, anormal. 11-Cicatrizou, curou. Pessoas ruins e manhosas (Fig.).

[ ] Cinema SALA 3

INSIDIOUS [C] Um filme de: James Wan, Leigh Whannell Com: Patrick Wilson, Rose Byrne, Barbara Hershey 14.30, 16.30, 21.30

ONE DAY [B] Um filme de: Lone Scherfig Com: Emma Morley, Jim Sturgess, Patricia Clarkson 19.30

[Tele]visão www.macaucabletv.com TDM 13:00 13:30 14:30 17:00 18:30 19:00 19:30 20:25 20:35 21:00 21:30 22:15 22:58 23:00 23:30 01:10 01:40

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Selecção Nacional Sub21: Portugal - Polónia (Repetição) That 70\’s Show (Que Loucura de Família) TDM Talk Show (Repetição) Amanhecer Acontecimentos Históricos Telejornal Ásia Global Desperate Housewives (Donas de Casa Desesperadas) JK Acontecimentos Históricos TDM News Enemy of the State (Inimigo Público) Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Um Lugar para Viver 15:30 Correspondentes 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Velhos Amigos 18:00 Musical – Paulo de Carvalho ao Vivo 19:00 Estado de Graça 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:00 O Humor e a Cidade 22:30 Velocidades 23:00 Portugal no Coração TVB PEARL 83 06:00 07:00 07:30 08:00 09:00 10:00 10:30 11:00 11:30 11:32 12:00 13:30 14:00 14:03 15:58 16:00 16:30 17:00 17:30 18:00 18:10 18:15 18:20 18:30 19:00 19:30 19:50 19:55 20:00 20:30 21:30 22:30 22:35 00:15 00:20 00:25 00:40 00:45 01:15 02:35 03:00 05:00 05:30

Bloomberg West First Up NBC Nightly News Putonghua E-News CCTV News - Live Market Update Inside the Stock Exchange Market Update Inside the Stock Exchange Market Update CCTV News – Live Market Update Inside the Stock Exchange Market Update Inside the Stock Exchange Angelo Rules Geronimo Stilton Escape from Scorpion Island Timmy Time Putonghua News Putonghua Financial Bulletin Putonghua Weather Report Financial Report Green Challenge: Golfing World Global Football News At Seven-Thirty Weather Report Earth Live Money Magazine The Savoy Weekend Blockbuster: Shooter Marketplace Weekend Blockbuster: Shooter The CEO Connection World Market Update News Roundup Earth Live Dolce Vita Project Runway European Art at the MET Bloomberg Television TVBS News CCTV News

ESPN 30 13:00 16:00 19:00 19:30 20:00 20:30 21:00 22:00 22:30 23:00

(LIVE) Kolon Korea Open Day 2 American League Division Series A 2011 (Delay) Baseball Tonight International 2011 (LIVE) Sportscenter Asia Football Asia 2011/12 Global Football 2011 Winter X Games Europe Sportscenter Asia Football Asia 2011/12 (Delay) Kolon Korea Open - Highlights Day 2

STAR SPORTS 31 12:00 Rugby World Cup 2011 France vs. Tonga 14:00 Asian Touring Car Series 15:00 Cable Beach Invitational 2011 Perth Wildcats vs. Shanghai Sharks

17:00 17:30 18:00 19:00 21:00 21:30 22:00

FIM S1 Supermoto World Championship 2011 - Hls Grand Prix of Portugal Sbk Superbike World Championship 2011 - Highlights MotoGP World Championship 2011 - Highlights Grand Prix of Japan Rugby World Cup 2011 France vs. Tonga Football Asia 2011/12 (LIVE) Score Tonight Rugby World Cup 2011 Ireland vs. Italy

STAR MOVIES 40 12:30 Black Death 14:15 Glitter 16:10 The Perfect Roommate 17:45 Half Past Dead 2 19:25 I Love You, Beth Cooper 21:15 The Fourth Kind 23:00 Blood Creek 00:35 Prince Of Persia HBO 41 12:00 14:00 15:45 17:25 20:15 22:00 23:45

Jaws The American Cool Money The Firm Tank Girl Charlie’S Angels Salt

CINEMAX 42 12:45 14:30 16:00 17:40 20:10 21:45 22:00 23:40

Allan Quatermain And The Lost City Of Gold Bad Jim The Bridges At Toko-Ri The Wild Bunch Witchblade Epad On Max 131 Hackers Just Cause

MGM CHANNEL 43 12:15 Fight for Life 14:00 The Adventures of Buckaroo Banzai Across the 8th Dimension 15:45 Rocky Marciano 17:30 Saved By The Bell 19:15 Silence of the Heart 21:00 The Patty Duke Show: Still Rockin’ in Brooklyn Heights 22:30 Red Corner 00:30 Assassination Tango DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters 14:00 Revealed: Diwali 15:00 American Chopper 16:00 Heartland Thunder 17:00 River Monsters 18:00 How It’s Made 18:30 How Do They Do It? 19:00 How Stuff Works 20:00 How The Universe Works 21:00 Mythbusters 22:00 On The Case 2 23:00 Gang Wars 00:00 Mythbusters

NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 13:00 Bioterror Alert 14:00 Word Travels 15:00 Hunter Hunted 16:00 The Truth Behind Zombies 17:00 Caught In The Act 18:00 Helicopter Wars 19:00 Seconds From Disaster 20:00 Inside 21:00 The Truth Behind 22:00 Medieval Fightbook 23:00 Taboo 00:00 The Truth Behind ANIMAL PLANET 52 13:00 Nick Baker’s Weird Creatures 14:00 Human Prey 15:00 Must Love Cats 16:00 Buggin’ With Ruud 17:00 Animal Cops Phoenix 18:00 Queen Of The Beasts 19:00 Killer Jellyfish 20:00 Nick Baker’s Weird Creatures 21:00 Must Love Cats 22:00 Chernobyl 23:00 I’m Alive 00:00 Queen Of The Beasts HISTORY CHANNEL 54 13:00 Modern Marvels 14:00 Nostradamus: 2012 16:00 Swamp People 17:00 IRT Deadliest Roads 18:00 Modern Marvels 19:00 Ufo Hunters 20:00 Swamp People 21:00 Kings Of Restoration 22:00 Gettysburg 00:00 IRT Deadliest Roads BIOGRAPHY CHANNEL 55 13:00 I Survived... Beyond And Back 14:00 Hoarders 15:00 Private Chefs Of Beverly Hills 17:00 Flip This House 18:00 Sell This House 18:30 Caesars 24/7 19:00 Hoarders 20:00 My Ghost Story 21:00 Celebrity Ghost Stories 22:00 Marjorie Merriweather Post 23:00 Hoarders 00:00 I Survived... Beyond And Back AXN 62 12:15 13:05 14:00 14:55 15:45 16:35 17:25 18:15 19:10 20:05 20:35 21:05 22:00 22:55 23:50

CSI: Miami Ncis: Los Angeles The Amazing Race Justified CSI: Miami Leverage Ncis: Los Angeles Wipeout The Challenger Muaythai Criss Angel Mindfreak Ebuzz Ncis: Los Angeles The Defenders Justified House

STAR WORLD 63 12:10 The Bachelorette 13:05 Off The Map 14:00 Royal Pains 14:55 Traffic Light 15:25 Ghost Whisperer 17:15 The Glee Project 18:10 The Bachelorette 19:05 How I Met Your Mother 19:30 Traffic Light 20:00 Off The Map 20:55 Royal Pains 21:50 Glee 22:45 The Bachelorette 23:40 How I Met Your Mother 00:05 Off The Map

(MCTV 50) Discovery Channel 20:00 HOW THE UNIVERSE WORKS Informação Macau Cable TV


OPINIÃO

SEXTA-FEIRA 7.10.2011 www.hojemacau.com.mo

17 ed i t or i a l Carlos Morais José

As razões que a razão desconhece Não é estranho o facto do Governo da

RAEM não ter divulgado o relatório que apresentou à ONU sobre direitos cívicos e políticos. Com efeito, é a este procedimento bizarro que temos sido habituados desde a transferência de soberania. Apesar de pugnar, na teoria, pela transparência dos seus actos, quer Edmund Ho quer Chui Sai On parecem preferir guardar os documentos nas gavetas ao invés de os divulgar junto da população. Como dissemos: não é estranho. Já o mesmo não se pode dizer da omissão da Lei de Segurança do Estado, redigida e aprovada no âmbito da implementação do artigo 23º da Lei Básica, no referido documento. Afinal, trata-se de um dos maiores sucessos legislativos da RAEM, por oposição ao fracasso que tal representou em Hong Kong. Ao ter elaborado uma lei equilibrada, obviamente baseada noutras legislações de origem continental, o Governo de Macau marcou pontos significativos junto de Pequim e da comunidade internacional. Ainda hoje Hong Kong enfrenta um vazio legislativo na matéria, enquanto que por aqui tudo corre na maior das normalidades. Então por que razão decidiu o nosso governo omitir a lei? Excesso de prudência, conselho do Governo Central, mera incompetência? Difícil de responder, fácil de especular. No entanto, poderão existir consequências se a ONU considerar que se tratou de uma omissão deliberada, devido à sensibilidade do assunto em questão. Seja como for, a ausência é demasiado gritante

Cabe à Secretária Florinda Chan destrinçar este eriçado novelo e, se calhar, encontrar uma solução menos centralista para estes temas de Direito Internacional cuja complexidade, em geral, ultrapassa quem tira o curso na Taipa e o exerce na Praia Grande. para não ser notada. Até porque a implementação da lei levantou tanta celeuma em Hong Kong que, com certeza, as mentes brilhantes da ONU não vão deixar passar esta omissão em claro. Bastará esperar por Junho do ano que vem para assistirmos a um bombardeamento de perguntas, a um esgaçar de dúvidas e de intenções, por parte dos membros do comité responsável por estas questões naquele órgão internacional. Por outro lado, é fácil de reparar no relatório que é a partir de 2009 que a porca começa a torcer o rabo. E tal coincide, claramente, com a extinção do Gabinete dos Assuntos do Direito Internacional (GADI) e a emergência do novérrimo Gabinete para a Reforma Jurídica e Direito Internacional, chefiado por Chu Lam Lam. Logo, a conclusão mais imediata prender-se-á com a incompetência de pessoas pouco versadas nestes assuntos mas que, apesar disso, são responsáveis e pagas para desempenharem

um bom papel. Ou então... com a colocação atempada de bombas-relógio que , mais tarde ou mais cedo, teriam de explodir na cara dos vindouros. Cabe à Secretária Florinda Chan destrinçar este eriçado novelo e, se calhar, encontrar uma solução menos centralista para estes temas de Direito Internacional cuja complexidade, em geral, ultrapassa quem tira o curso na Taipa e o exerce na Praia Grande. Assim, parece começar a correr mal a fusão do GADI com o gabinete de Chu Lam Lam – algo que muitos com gáudio esperavam –, o que pouco augura de bom para os tempos que aí vêm. Macau é uma cidade internacional, com responsabilidades internacionais e é assim que a queremos. Todos, penso eu. Então convém dotar o Governo de pessoas extremamente competentes nestas áreas que lidam, afinal, com a nossa imagem no estrangeiro, junto das mais altas instâncias internacionais e não tentar varrer cenas para debaixo dos tapetes ou esconder cadáveres nos armários. Este Governo tem ainda mais responsabilidades que o anterior, na medida em que Edmund Ho se defrontou com uma situação nova e com a liberalização do Jogo. Agora o concerto é diferente. Chui Sai on tem a obrigação, arrumada que está a casa, de se ocupar da optimização dos recursos, da qualidade de vida das pessoas e da capacidade do seu próprio Executivo para lidar com todo o tipo de situação. Claramente, se Macau não tem pessoal jurídico suficientemente qualificado para defrontar os desafios que se apresentam,

então é contratar mais gente lá fora. Pessoas com provas dadas e com experiência nas áreas com que venham a lidar. Não o fazer é atentar seriamente contra a credibilidade deste território, o que imagino ninguém desejará. Em política, a coragem é um bem raro. Neste caso precisa-se e muito. * A desculpa dos taxistas para andarem a roubar durante o tufão vale o que vale: nada. O tipo de problema que descrevem – o facto das seguradoras se encolherem – tem de ser resolvido à partida e não na rua, para prejuízo dos clientes e da imagem da própria cidade. O que se passa por aqui é o caos, a falta de ordem, no limite – como diz Eça de Queirós – falta de cabos de polícia, ou seja, de competente e dura fiscalização. Para o cidadão comum, este problema é obviamente da responsabilidade do Governo, da sua apatia, do seu desinteresse pela qualidade de vida da população. Refastelados nos seus carros pretos, essa malta da Praia Grande não sabe como é quase ridículo o que passamos para apanhar hoje um táxi em Macau. E de que modo os turistas falam deste assunto. De facto, não são precisas mais leis ou regulamentos administrativos. O que faz falta é uma reforma profunda do sector dos táxis que reordene as coisas e ponha, finalmente, os pontos nos is. Isto não deve ser possível, dizem-me: é que por aqui escreve-se mais em caracteres. Ahhh... Ok... Estou esclarecido.


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OPINIÃO

18 p er sp ect i va s

Engenharia e ambiente “Human development consists in an accelerating movement from situations of resource scarcity, to technological innovation, to resource increase, to increased consumption, to population growth, and back to resource scarcity.” Principles of Environmental Sciences Jan J. Boersema and Lucas Reijnders

F

AZER uma experiência e depois desenvolver um modelo que permita previsões úteis, um cientista tem de tentar criar um ambiente que seja inteiramente controlado e medido. No entanto, até os construtores de grandes infra-estruturas como pontes, túneis, aeroportos e portos, com o seu mundo de contornos mais ou menos rígidos, definidos pelo betão e pelo aço, reconhecem as limitações do seu mester quando são confrontados com o imprevisível mundo real. O que podem os engenheiros saber acerca do futuro? As infra-estruturas existem há muito tempo. Os engenheiros no mundo actual que vivemos, têm de conhecer o desconhecido e prever o imprevisível. Parece um paradoxo, mas num mundo de incerteza crescente quase têm de justificar os actos de Deus. É certo que as infra-estruturas existem há muito tempo, algumas antecedem mesmo as origens de alguns “habitats” de vida selvagem. Mas embora o objectivo comum dos construtores e dos responsáveis pela manutenção seja conservar a estrutura, por exemplo de uma ponte ou de um “habitat”, prolongando-a ao máximo num futuro previsível, o construtor de uma ponte sabe sempre que, pode ser construída outra ponte para substituir a estrutura existente. Na maioria dos “habitats” de vida selvagem, essa reconstrução não é possível, e as tentativas que se fizerem para recriar ou recuperar certos “habitats”, têm ainda de demonstrar um considerável nível de sucesso. Presentemente, não correspondem senão aos primeiros passos dos engenheiros do ambiente, que em muitos países não são considerados engenheiros, dada a ignorância não entender que a engenharia, o direito, a economia e outras ciências, com a rápida evolução da história se especializam obrigando à criação de carreiras específicas no que ao domínio da Administração Pública concerne. Muitos dos passos dos engenheiros do ambiente são dados em territórios vastos e não cartografados na sua maior parte. O excesso de confiança numa fase tão precoce da exploração deste domínio relativamente novo, encaminhou grupos de espécies para becos sem saída, ao contrário do projecto de uma infra-estrutura, o luxo de dar duas

Os engenheiros no mundo actual que vivemos, têm de conhecer o desconhecido e prever o imprevisível. Parece um paradoxo, mas num mundo de incerteza crescente quase têm de justificar os actos de Deus dentadas numa cereja não é uma característica de extinção. Projectos em que o construtor se move em territórios não cartografados, deve reconhecer-se que o projectista, corre o risco de ter ignorado qualquer coisa, portanto, sempre que fizer uma extrapolação no domínio da tecnologia, tem de estar atento e cuidadoso, para se certificar de que vê o que aos demais não é possível ver. Estes pensamentos cautelares devem provir de engenheiros que lidam quase sempre com factores concretos. Na sua maior parte, os projectos de infra-estruturas são totalmente previsíveis. O que mais preocupa o projectista é que o mundo real introduza nesse exercício ordenado, medido e rigorosamente definido um elemento perturbador imprevisto. Para um projectista, a maioria dos factos é sólida e é de esperar que só alguns elementos imprevisíveis interfiram no processo final. Uma das hipóteses circunstanciais mais importantes, quando um engenheiro tira um projecto ou um modelo do laboratório e o introduz no mundo real, é que o projecto fique sujeito ao ambiente muito mais complexo do mundo real, o que pode causar algumas surpresas. Pode existir um factor comum que possa provocar o colapso de infra-estruturas, que não têm qualquer relação com a engenharia em si, e que podem ser o resultado

de um conjunto de fenómenos atmosféricos inesperados que, até então, eram totalmente desconhecidos do engenheiro ou arquitecto ou ambos, e que só se revelaram quando o projecto foi sujeito à imprevisibilidade do mundo real. Situações que amiúde vemos em qualquer parte do mundo oferecidas pela televisão. Importa compreender que a imprevisibilidade não significa qualquer concepção inatingível de um mundo que se situe para além da possibilidade de medida, e cujo comportamento futuro esteja apenas sujeito à “Mão de Deus”, para citar a célebre frase do futebolista Diego Maradona. Referimos de forma deliberada para estabelecer a separação entre o mundo exterior e as condições controladas de um ambiente de laboratório. A ideia de que as experiências se realizam em condições controladas indica, logicamente, que tudo o que não se encontre nessas condições deve ser incontrolado, imprevisível ou, pelo menos, não medido. A fúria em relação à fusão a frio concentra-se, em parte, em acusações de que os físicos Martin Fleischmann e Stanley Pons, não conseguiram exercer um controlo suficientemente rigoroso das suas condições experimentais, e talvez certos produtos que observaram derivassem de processos externos, totalmente desconexos e desconhecidos.

Jorge Rodrigues Simão

Esta acusação pode ou não ser verdadeira, mas ilustra a aplicação muito rigorosa do conceito de condições controladas pela comunidade científica em geral. Também realça o problema comum, com que os cientistas se defrontam quando fazem uma experiência, nomeadamente a facilidade com que certos factores imprevisíveis se introduzem naquilo que se julga ser um ambiente controlado. Um dos maiores problemas para manter este conjunto de condições, consiste em assegurar que o mundo real não seja inadvertidamente autorizado a intrometer-se na experiência. Todos os cientistas conhecem o problema, mesmo no universo fechado do laboratório, tais como entre outros, as leituras incorrectas provocadas por um eléctrodo sujo, uma falha de abastecimento de água desionizada, um fungo “Penicillium” numa lamela de ágar. Num projecto de engenharia, o projecto e a construção assentam largamente na utilização de materiais e de técnicas, que tenham sido submetidos a experiências e a testes exaustivos em condições laboratoriais. Testes laboratoriais que mostram o comportamento dos metais quando submetidos a condições diferentes. A maioria dos progressos registados ao nível dos projectos são técnicas bastante comprovadas, algumas das quais remontam ao tempo dos “Romanos” ou mesmo antes. Um processo de construção é quase totalmente calculável e previsível e, de facto, representa apenas uma versão escalonada das condições laboratoriais controladas. Confrontado com este relativo substrato de certezas e com um arsenal de medições rigorosas, o ambientalista embarca num “Estudo de Impacto Ambiental (EIA)”, e depara com uma torrente de incerteza, em que a maioria dos elementos é incerta ou desconhecida e flutua constantemente. Muitas vezes, os únicos factos concretos são os que se relacionam com o verdadeiro conteúdo da proposta; os pormenores da ponte, da fábrica, do túnel, da estrada, da pedreira, da turbina eólica ou seja lá do que for. Virtualmente, todos os outros factores que tem de ser medidos ou modelados, substituem qualquer coisa que existe fora do mundo previsível do ambiente controlado. Poucos foram os elementos ambientais que revelaram os seus segredos à análise laboratorial definitiva. Contudo, a tarefa do ambientalista não consiste apenas em perceber como é que o ecossistema funciona a princípio, mas também em determinar o impacto de uma alteração potencialmente profunda nesse ambiente real e imprevisível. Por outras palavras, o consultor do EIA encontra-se no extremo oposto do espectro de certeza do projectista de infra-estruturas.


Ciclone

Homem que não produz nada, não presta.

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Por Fernando

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OPINIÃO

cr ep ú scu l o d os í d ol os

A miragem de Las Vegas D

ESPACHO recente da agência Reuters dava em 21 mil milhões de patacas o valor das receitas dos casinos da RAEM no final do mês de Setembro, o que corresponde a um aumento de trinta e nove por cento quanto a igual mês do ano anterior. A persistir esta tendência, dizem os analistas, as receitas de 2011 da indústria do jogo rondarão os trinta e quatro mil milhões de dólares norte-americanos, cerca de quatro mil milhões de patacas, o que corresponderá a quase seis vezes a receita prevista para Las Vegas. Os números são, sob qualquer perspectiva, impressionantes e reafirmam Macau como grande capital do jogo, a nível mundial. Suscitam, contudo, alguma reflexão se a actual rentabilidade do sector tem sustentabilidade a médio prazo, ou se está dependente de factores do ambiente económico geral e regional, tais como a continuidade da crise económica mundial, o corte do crédito a particulares na República Popular da China, a queda de cotações das operadoras do jogo na Bolsa de Hong Kong ou a criação de zonas concorrentes em Singapura e noutros locais do Sudeste Asiático. Associando-se a um factor determinante de risco, ganho e perda, os proveitos não podem deixar de estar presos a momentos de confiança ou de temor. As opiniões dividem-se com parte dos analistas receosos quanto à queda de confiança decorrente do afundamento do Euro, do agravamento do duplo défice norte-americano e da própria retracção dos jogadores asiáticos (em tempo de crise) e outra parte a dizer que o sistema de financiamento de junkets aos jogadores das salas VIP assegurará o financiamento do sistema, sem problemas de maior. Se a sustentabilidade do sector parece estar assegurada para já (segundo tais opiniões) não deixam de ser perigosas as consequências que o afunilamento da economia de Macau pode trazer à população residente quer em termos de oportunidades de trabalho, quer da diferenciação das qualificações e da rotatividade da mão-de-obra. Não existe no mundo, ao que julgo, um único país ou economia cujas receitas provenham exclusivamente do sector dos jogos de fortuna e azar. Todas as economias em que o jogo é relevante têm acoplado a este um forte sector de turismo, congressos e divertimentos que dilui, de alguma forma, os efeitos negativos do “vício”, tendo programas sociais para os

jogadores crónicos ou diversificando as saídas profissionais para a população residente. Esse jogo de equilíbrios não existe em Macau, em razão da pequenez da área territorial, das características culturais da população e das dificuldades em ajustar a imagem da RAEM a um destino privilegiado no campo das exposições, dos congressos e das iniciativas culturais. E o problema não é tanto de ausência de mecanismos mas da falta de vontade política de fazer executar as contrapartidas dos actuais contratos de concessão. A persistir a presente situação, Macau será forçada a pagar uma elevada factura social cuja extensão me parece preocupante. Não é crível que os empresários tenham capacidade, a médio prazo, de absorver o número significativo de licenciados que saem todos os anos das universidades pública e privadas locais. Por outro lado, a Administração Pública cresceu para responder ao aumento do sector privado a um ritmo que

aparenta, do ponto de vista gestionário, difícil de manter, a médio prazo. Não há saídas milagrosas para isto e as alternativas reduzem-se à medida que o tempo passa. Uma primeira hipótese passaria pela exportação dos jovens qualificados para as economias da região do Sul da Ásia. É contudo opinião generalizada entre analistas e peritos educativos que o nível de exigência das instituições do ensino superior de Macau é relativamente baixa, o que se reflecte de duas formas: no baixo “score” destas instituições nos principais “rankings” mundiais e regionais de universidades; na ausência de prémios ou galardões atribuídos a jovens investigadores formados no Território. A terem saída profissional no exterior, os jovens de Macau não encontrarão, ainda assim, as colocações profissionais alinhadas ao nível de expectativas que lhes foram criadas. Uma segunda alternativa poderia passar pela diversificação industrial e tecnológica de Macau. A saída foi tentada durante a admi-

Arnaldo Gonçalves

nistração portuguesa de Macau e caiu abruptamente no esquecimento pelo desinteresse dos empresários locais na subida no processo tecnológico e pela falta de convicção dos dois Chefes do Executivo na bondade da solução. Resta uma terceira e última alternativa: deixar o processo prosseguir o seu próprio curso e tentar, mais adiante, minorar as consequências mais gravosas. Esta parece ser, de forma não assumida, a opção acarinhada pelo governo. Aparenta ser indolor, adia o problema para mais tarde e deixa as opções em aberto. Tem, no entanto, um enorme senão: pode-se dizer a uma geração que tenha paciência e espere que o futuro aguarda ali à esquina mas não se pode dizer isso a duas gerações. A segunda não o ouvirá e revoltar-se-á. Este parece o erro de cálculo de quem decide e governa. Imagina que a água do rio passa duas vezes debaixo da mesma ponte, mas não passa. Se o caudal for grande arrasta a ponte na enxurrada.

Não existe no mundo, ao que julgo, um único país ou economia cujas receitas provenham exclusivamente do sector dos jogos de fortuna e azar. Todas as economias em que o jogo é relevante têm acoplado a este um forte sector de turismo, congressos e divertimentos que dilui, de alguma forma, os efeitos negativos do “vício”, tendo programas sociais para os jogadores crónicos ou diversificando as saídas profissionais para a população residente

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Lia Coelho; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos M. Cordeiro; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


c a r t o on

STEVE JOBS 1955-2011

por Steff

CONFUSÃO ORIENTAL

O edifício Oriental Garden, situado entre a Avenida do Ouvidor Arriaga e a Rua de Pedro Coutinho, está prestes a entrar em decadência. É que a empresa responsável pela sua administração e manutenção anunciou a cessação dos seus serviços a partir deste mês, devido a alegadas “dificuldades operacionais”. 240 famílias ficam em suspenso para saber o que irá acontecer com o edifício onde vivem, enquanto uma associação busca uma saída para o problema. Os moradores do edifício Oriental Garden estão particularmente preocupados com problemas de segurança e higiene que possam surgir do facto de ninguém estar a administrar o prédio e consideram necessário estabelecer uma comissão gestora e contratar uma nova empresa de administração. Além disso, os moradores consideram que a construção, que já tem mais de 20 anos, deveria sofrer as devidas obras de renovação. Representantes das famílias dirigiram-se ontem ao Instituto de Habitação (IHM), juntamente com Caruso Fong, presidente da Associação dos Assuntos Jurídicos e Sociais (AAJS), e a empresa de administração, para tentar encontrar uma solução. Após a reunião, a empresa concordou em prolongar o serviço até à eleição da comissão gestora que irá decidir qual a empresa a ser contratada, e ainda em prestar assistência às reuniões de condóminos. Os responsáveos do IHM sublinharam que era responsabilidade das famílias garantir a administração e manutenção das instalações do edifício e incentivou-as a fazerem bom uso do “Plano de Apoio Financeiro para Reparação de Edifícios”. Caruso Fong, por sua parte, observou que o Oriental Garden era apenas a ponta do icebergue e afirmou haver actualmente muitos edifícios antigos em situação parecida, sem comissão gestora formada. A AAJS, referiu o seu presidente, está à disposição de todos os moradores para coordenar encontros para discussão dos problemas sempre que a sua ajuda for solicitada. Caruso Fong alertou, no entanto: condóminos insatisfeitos com os serviços de administração não devem interromper unilateralmente o pagamento das taxas de manutenção, pois isso apenas tende a agravar a situação e a criar um círculo vicioso que prejudica a todos. - V.L.

GP de Macau traz mais de 200 pilotos às corridas

Senhoras e senhores, liguem as máquinas Joana Freitas

Joana.freitas@hojemacau.com.mo

D

E 17 a 20 de Novembro, o sinal verde vai fazer com que Macau recorde o barulho dos potentes motores de carros e motas de corrida , com o início de mais um Grande Prémio de Macau. Este ano, o 58º GP traz ao território 225 pilotos oriundos de mais de trinta países diferentes. Naquele que foi o circuito ganho pela primeira vez pelo conceituado Ayrton Senna e já percorrido por Shumacher e Vettel – o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 – são esperados o espanhol Roberto

Merhi, tido como favorito, o brasileiro Felipe Nasr, Valtteri Bottas, Michael Ho, que representa Macau e António da Costa, de Portugal. Para o Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA – Corrida da Guia, chegam os aceleras Yvan Muller, campeão da WTCC, Tiago Monteiro e André Couto. Mas há mais. Nas duas rodas pode ver correr Michael Rutter, a dupla Dunlop (Michael e William) – que chega como favorita –, e João Fernandes e Sou Sio Hong, com a bandeira de Macau. Se é fã de carros de corrida, pode deslumbrar-se com a corrida da Taça GT Macau, que traz não só Edoardo Motara, Rodolfo Ávila e Diana do

Rosário, como também apresenta Aston Martin, Audi, Ferrari, Lamborghini, McLaren e Lótus. Daniel Watts, vencedor da classe Le Mans, é quem dirige o carro que a McLaren escolheu para a apresentação do seu último carro de estrada. O orçamento para este ano está estimado em 140 milhões de patacas de despesas, mais dez milhões do que no ano passado. Destes, cerca de 35 milhões são provenientes dos patrocínios. A Sociedade de Jogos de Macau é a principal patrocinadora. João Costa Antunes, responsável pela comissão do GP e director dos Serviços de Turismo, confirmou ontem que mais de metade dos bilhetes estão já vendidos, enquanto a limitação do evento continua a ser a falta de espaço. Quanto às expectativas do GP, além do “espectáculo” que o evento traz ao território, esperam-se receitas entre três a sete vezes superiores ao investido para o Governo de Macau. “Este é um evento onde os investidores querem, de facto, investir”, frisou Costa Antunes. Os cidadãos sem cadeira, podem ver as corridas através de ecrãs gigantes espalhados pela cidade ou na TDM. Fotografias com os pilotos (nas Ruínas no dia 16) e exposições de carros juntam-se ao 11º Festival de Gastronomia para completar as festividades do GP.

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INDONÉSIA GARUDA RECEBE AMEAÇA DE BOMBA VIA FAX Um avião de passageiros da Garuda Indonesia pousou em segurança no Aeroporto Internacional de SoekarnoHatta, em Jacarta, na quartafeira, após uma ameaça de bomba recebida na sede da companhia aérea. Funcionários da empresa disseram que a ameaça de bomba chegou por um fax, quando a aeronave estava em pleno voo. Segundo relatos, a mensagem dizia que a bomba estava programada para explodir 30 minutos antes do avião chegar ao seu destino. O voo, no entanto, pousou sem incidentes e foi imediatamente isolado numa área segura na extremidade norte da pista, para que equipas de segurança e esquadrões antibomba efectuassem inspecções. Os 105 passageiros foram evacuados rapidamente da aeronave e revistados. Nada foi encontrado, nem neles nem no avião. Uma investigação foi aberta para identificar de onde partiu a ameaça. FILIPINA VIOLADA E ENTERRADA VIVA Uma menina de dez anos saiu do “túmulo” e denunciou um primo que a estuprou, agrediu e enterrou viva no sul das Filipinas, indicaram fontes policiais nesta quinta-feira. O inspector Roberto Ocumen, chefe da Polícia de Magpet, explicou à imprensa local que a menina relatou que seu primo Dennis Quilatonde, 21 anos, a violou, bateu-lhe na cabeça com um objecto e enterrou-a no último domingo nesta localidade do sul do país. A menor, que recuperou os sentidos quando já estava enterrada, conseguiu voltar à superfície e voltou para casa com a ajuda de vários vizinhos, antes de denunciar seu primo. O acusado foi detido e permanece sob custódia policial. COREIAS SEUL NEGA REPATRIAR DOIS NORTE-COREANOS A Coreia do Sul recusou-se ontem a repatriar dois nortecoreanos que, esta semana, cruzaram a fronteira num barco e pediram asilo a Seul, não obstante as queixas de Pyongyang, num acto que se traduz num revés nas intenções de aproximação das duas Coreias. Segundo a Cruz Vermelha sul-coreana, os dois norte-coreanos, que são irmãos, pediram claramente para ser acolhidos na Coreia do Sul e, por isso, e ao abrigo da política de Seul, ser-lhes-á garantido asilo e ajuda. “Vamos gerir o caso com respeito pela sua livre vontade”, indicaram membros da Cruz Vermelha sul-coreana aos seus pares da Coreia do Norte através dos canais militares da vila fronteiriça de Panmunjom.


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