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Hoje Macau 06 AGOSTO 2021 #4826

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RÓMULO SANTOS

NA HORA DA DESPEDIDA

JOGOS OLÍMPICOS

UM SONHO SEMPRE ADIADO

OPINIÃO

PUB.

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

O PIOR E O MELHOR DOS TEMPOS

CENTRAIS

PÁGINAS 4-5

Nº 4826 SEXTA-FEIRA 6-8-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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LUSA | TATIANA LAGES

MOP$10

PAUL CHAN WAI CHI

hoje macau

Doa a quem doer O programa de testagem em massa entra hoje no terceiro dia. Face à dimensão da missão, os Serviços de Saúde admitiram ontem limitações de recursos humanos, o que terá levado à deslocação de inúmeros profissionais de saúde, e não só, das suas áreas de trabalho. De Guangdong, vieram mais 300 técnicos para apoiar a tarefa que Macau se propõe levar a cabo haja o que houver. PÁGINAS 2-3


2 especial covid-19

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Custe o que

China Dois casos em Chongqin ligados ao surto de Macau

As autoridades do Interior anunciaram ontem a descoberta de dois casos em Chongqing, que se acredita que tenham sido contaminados pela estudante de Macau da Escola Secundária Hou Kong. De acordo com as explicações das autoridades chinesas, citadas pelo jornal Ou Mun, as pessoas infectadas no Interior estiveram no Museu dos Guerreiros de Terracota, em simultâneo com a aluna de 12 anos, quando esta já tinha sintomas. O contacto que gerou a infecção aconteceu no dia 23 de Julho.

Código de saúde Alvis Lo exclui quarentenas para não testados

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TESTES ALVIS LO ADMITE LIMITAÇÕES AO NÍVEL DOS RECURSOS HUMANOS

O director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo Iek Long garantiu que quem não faça o teste de ácido nucleico até às 09h de sábado, não será punido ou obrigado a realizar quarentena, apesar da cor amarela no código de saúde. “Não queremos punir. Se o código de saúde for amarelo, não podem entrar em estabelecimentos. Claro que vamos tentar identificar essas pessoas e pedir-lhes novamente para fazer o teste de ácido nucleico. Forçar essa pessoa a uma quarentena (…) não será uma consequência directa, porque assim desperdiçamos recursos públicos e quem perde é toda a população”, referiu.

Testes Locais a pagar para quem precisa de passar fronteira

MAIS DE METADE DA POPULAÇÃO TESTADA. 115 MIL NEGATIVOS

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director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo Iek Long revelou que até ao final da tarde de ontem tinham sido testadas 379 mil pessoas contra à covid-19, ou seja, 55 por cento da população. Além disso, do total de testados, 115 mil obtiveram resultados negativos, correspondente a todos os resultados apurados até à altura. Para o responsável, estes são indicadores demonstrativos de que, até às 09h de sábado, será

possível concretizar a testagem de toda a população. “Em três dias temos de concluir os testes. Já concluímos a testagem a 55 por cento da população e faltam 41 horas para testar os outros 45 por cento, pelo que os cidadãos não têm de se apressar. Temos espaço e tempo para concluir os restantes testes”, considerou. Questionado sobre a demora no carregamento dos resultados dos testes nos códigos de saúde, Alvis Lo disse que, tendo em

conta o fluxo de exames, o tempo necessário para que tal aconteça pode atingir dois dias. “Dado o grande volume de amostras recolhidas pelo programa de teste de ácido nucleico, o tempo necessário para o carregamento do resultado do teste no Código de Saúde pode atingir dois dias”. Sobre a possibilidade de realizar uma segunda ronda de testes à população, hipótese avançada no dia anterior pelo Chefe do Executivo, o director dos Serviços de

Saúde foi peremptório em dizer que o assunto está em cima da mesa e que depende dos resultados da primeira ronda de testes à população. “Dependendo do resultado dos testes, e também dos resultados das pessoas com contacto próximo, não podemos excluir a possibilidade de realizar uma segunda testagem em massa. Se não pudermos controlar bem a transmissão, isso pode resultar numa grande pressão para o nosso sistema de saúde”, apontou Alvis Lo. P.A.

GCS

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O centro de coordenação de contingência negociou com uma entidade terceira a possibilidade de cidadãos que precisem de passar a fronteira com urgência efectuarem o teste de ácido nucleico mediante pagamento e obter um certificado em papel em 12 horas. As autoridades ressalvam que para “concentrar registo e amostragem, melhorar o fluxo de pessoas nos locais, reduzir a aglomeração, o programa de teste de ácido nucleico para toda a população de Macau não disponibiliza o certificado de teste de ácido nucleico em papel. Os locais onde se paga para obter certificado de teste são no Posto fronteiriço de Hengqin, Centro Médico Kuok Kim (Macau), Kuok Kim (Fórum de Macau) e Kuo Kim (Pac On).


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O director dos Serviços de Saúde admitiu que há cirurgiões a trabalhar em postos de testagem e que a distribuição de recursos humanos alocados ao programa de testes em massa pode afectar a prestação de cuidados médicos à população. Três centenas de técnicos de Guangdong chegaram ontem a Macau para ajudar ao programa de testagem

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Segundo o responsável, estão actualmente alocados ao trabalho de testagem em massa cerca de 850 profissionais de saúde e 330 trabalhadores de outros departamentos, sem qualquer formação médica.

HOU KONG DIRECTOR DA ESCOLA PEDIU DESCULPA

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custar

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“É uma questão de distribuição de recursos. Há muitos serviços importantes que não podem ser suspensos e que nós mantemos. Mas, noutro tipo de serviços, os recursos podem ser reduzidos. Temos uma ordem de prioridades e sabemos que alguns cidadãos podem ser afectados mas agora, a nossa maior prioridade é o controlo da situação epidémica”, explicou. Ao HM, um paciente que está internado no Centro Hospitalar Conde de São Januário relatou que há três dias não é visto por um médico, ao contrário do acompanhamento diário que tinha recebido até então. Além disso, uma enfermeira terá também admitido que a situação era “difícil” e que o número de médicos no hospital tinha sido reduzido. No seguimento do tema, o director dos Serviços de Saúde apontou que, dada a situação,

“Os cirurgiões que começaram a recolher amostras (…) não conseguiam trabalhar de forma rápida. Mas hoje [ontem] verificámos que a velocidade de execução desses profissionais aumentou muito.”

existem inclusivamente cirurgiões destacados para a recolha de amostras de testagem e que estão a desempenhar a tarefa pela primeira vez. “Os cirurgiões que começaram a recolher amostras (…) não conseguiam trabalhar de forma rápida. Mas hoje [ontem] verificámos que a velocidade de execução desses profissionais aumentou muito”, detalhou.

Forças especiais

GCS

director dos Serviços de Saúde (SSM) Alvis Lo Iek Long, admitiu ontem que, enquanto decorrer o programa de testagem em massa da população, a prestação de serviços não prioritários pode ser afectada, incluindo ao nível dos cuidados de saúde. Segundo Alvis Lo, perante a actual conjuntura e dado que os recursos humanos são “limitados”, é evidente que “a maior prioridade é o controlo da situação epidémica”. “Para responder ao surto, os recursos são limitados e os trabalhadores dos nossos serviços têm, primeiro, que dar prioridade ao tratamento dos quatro casos confirmados em Macau e ao isolamento e investigação das pessoas de contacto próximo”, começou por dizer na habitual conferência de imprensa de actualização sobre a covid-19.

especial covid-19 3

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Durante a conferência de imprensa, Alvis Lo Iek Long revelou ainda que chegaram ontem a Macau 300 técnicos de Guangdong destinados a apoiar Macau no trabalho de testagem em massa da população. Segundo Alvis Lo, à chegada, os referidos técnicos “finalizaram as formalidades fronteiriças” e só vieram a Macau para apoiar a actual ronda de testes, voltando para Guangdong assim que o programa estiver concluído. Para já, os técnicos serão distribuídos para apoiar os vários postos de teste de ácido nucleico. Horas mais tarde, em comunicado, o Governo agradeceu os “enormes esforços envidados pelo Governo da província de Guangdong” e vincou que o apoio dos técnicos vai elevar “a eficácia na realização massiva de testes”, reduzindo o tempo de espera da população. Pedro Arede

AO Tun Ieong, director da Escola Secundária Hou Kong pediu desculpa pela inconveniência e insegurança provocadas pelo surto originado pela visita de estudo em que uma aluna foi infectada. “A população condena a escola e a aluna. Achamos que é compreensível, porque sentem raiva no coração. Por isso, publicámos pedidos de desculpa em jornais”, afirmou o responsável, citado pelo canal chinês da Rádio Macau. Iao Tung Ieong confessou ainda ter-se sentido muito triste por ver pessoas em fila, à chuva, para fazer o teste de ácido nucleico. No entanto, realçou o cuidado que estas visitas implicam. “Cada vez que realizamos uma visita, seguimos as instruções do Executivo. Naturalmente, as autoridades desaconselham deslocações ao exterior, mas não disseram para evitar zonas de baixo risco. Como tal, tivemos em consideração as instruções da Comissão Nacional de Saúde da China, que não levantaram questões de acessibilidade”, explicou. Iao Tun Ieong pediu o fim da condenação pública da aluna infectada, que caracterizou como uma vítima inocente, acrescentando que a escola procurou apoio psicológico para a jovem. N. W.

ALVIS LO DIRECTOR DOS SSM

VACINAS TERRITÓRIO DEIXO DE TER POSTOS DE VACINAÇÃO

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Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus suspendeu o serviço de vacinação do Centro Desportivo Mong-Há, o único que estava disponível, para o transformar num novo posto de testagem contra a covid-19 integrado no programa de testagem em massa da população.

Tai Wa Hou, membro da Direcção do Centro Hospitalar Conde de São Januário, confirmou ontem, na conferência de imprensa da covid-19, que a vacinação estará suspensa, acrescentado que “depois da testagem em massa” será ponderada a data para voltar a administrar vacinas. O Centro Desportivo Mong-Há "suspendeu os

serviços de vacinação, hoje [ontem] 5 de Agosto" e "passou a realizar testes de ácido nucleico", pode ler-se num comunicado divulgado ao mesmo tempo que o fluxo de milhares de pessoas continuava a pressionar a capacidade de resposta dos postos de testagem, agora 42 no total (28 em Macau e 14 na área da Taipa e Coloane).

Porém, logo no primeiro dia, a operação no novo centro de testes foi criticada pela população. Em declarações ao jornal Exmoo, uma residente de apelido Van revelou que os funcionários presentes não responderam às suas dúvidas. A residente contou ainda que quando viu que o centro seria aberto para testagem se dirigiu para o local, onde

esperou das 9h45 até às 13h. A espera de mais de 3 horas pela abertura do posto motivou a queixa de Chan, outra residente que demonstrou receio pela multidão que se aglomerou, devido ao risco da falta de distanciamento social. Chan considerou que o Governo não preparou bem a abertura do espaço, antes do anúncio. P. A.


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PLENÁRIO AU KAM SAN DESPEDE-SE COM APOLOGIA DA LEGITIMIDADE DA

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deputado Sulu Sou foi excluído das próximas eleições por ser considerado “infiel” à RAEM. Ontem, na última intervenção antes da ordem do dia, pediu desculpa à população: “Pedimos desculpa por não termos conseguido, através da via política, defender o nosso direito à eleição e o direito de voto dos nossos apoiantes!”, afirmou. Segundo o democrata, os direitos de eleger e ser eleito foram abalados e “a saída e a manutenção dos deputados eleitos pela população deixaram assim de estar dependentes dos eleitores, não havendo mais deputados totalmente eleitos pela população”. Para o legislador, esta é uma nova realidade que faz com que o regime seja “não democrático”. Sulu Sou indicou ainda que o papel do campo democrata passou sempre por “ser oposição e apresentar alertas e críticas”, mas lamentou a decisão do TUI, de confirmar a exclusão das eleições, que disse deixar a justiça para o coração dos cidadãos. “Muitas pessoas estão com o coração pesado, esqueceram-se de persistir no caminho e no rumo, e sentem-se às vezes sufocadas”, afirmou Sou. “Contudo, perante o resultado de 31 de Julho, acreditamos que a justiça se faz no coração das pessoas, e pela história”, indicou. “Apagou-se a luz, numa sala já escura, mas há sempre luz onde há pessoas”, acrescentou.

Sair com

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OI ontem aprovada a nova lei de controlo de migração e autorizações de permanência de residência. O diploma teve, no entanto, em vários pontos, votos contra do campo democrata e de José Pereira Coutinho. A primeira questão prendeu-se com a recolha de dados biométricos ao nível da retina e íris de quem entra em Macau. Esta é uma prática que só se aplica em Singapura e na Índia, e levantou dúvidas a Sulu Sou, Agnes Lam, Au Kam San e José Pereira Coutinho. Os democratas votaram contra. Antes, na resposta, Wong Sio Chak considerou que a medida é adoptada a pensar no futuro e permite uma passagem das fronteiras mais rápida. Sobre a adopção de tecnologia recente e pouco utilizada, Wong Sio Chak defendeu-se com o exemplo dos Estados Unidos, que de acordo com o secretário, foi o primeiro país a adoptar o controlo fronteiriço com recurso a impressões digitais, na sequência dos ataques do 11 de Setembro. As questões dos colegas valeram uma “bicada” do deputado Pang Chuan, nomeado pelo Chefe do Executivo, que apontou que na comissão da especialidade não tinha havido perguntas sobre o assunto, ao contrário do que se via no plenário. Au Kam San ainda tentou perceber os critérios adoptados para definir que os não-residentes são uma “ameaça à segurança interna”. O deputado acabou por colocar várias vezes a questão, e até pediu ao secretário que não se limitasse a repetir que os outros países tinham sistemas semelhantes. Wong Sio Chak repetiu que os outros países também têm poderes semelhantes e que é preciso ver “caso a caso”, sem nunca ter apontado os critérios utilizados. Os artigos neste ponto tiveram votos contra de Au Kam San, Sulu Sou, Ng Kuok Cheong e José Pereira Coutinho. Também ontem foi aprovado o Regime Jurídico da Segurança Contra Incêndios em Edifícios e Recintos, por unanimidade.

O democrata está de saída do hemiciclo e aproveitou para defender a vigília do 4 de Junho que organizou durante os últimos 30 anos. A intervenção foi alvo de protesto de vários deputados e de uma repreensão do presidente da AL

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U Kam San aproveitou a sua última intervenção antes da ordem do dia para defender a vigília do 4 de Junho, e acusar a Comissão para os Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) de utilizar

fundamentos errados na exclusão do campo democrata das eleições. Deputado desde 2001, o organizador da vigília está de saída da AL, por não se recandidatar, mas antes negou qualquer natureza subversiva. “As vigílias do 4 de Junho que se realizaram ao longo destes anos

RÓMULO SANTOS

ELEIÇÕES SULU SOU PEDIU DESCULPA POR FALHAR NA DEFESA DE DIREITOS

MIGRAÇÃO LEI APROVADA MAS COM CRÍTICAS À MISTURA

Au Kam San disse ser “absolutamente inaceitável” que “uma vigília organizada com consciência e paz” seja considerada “ilegal”

visavam principalmente um tema, isto é ‘reabilitar o movimento cívico de 1989 e construir uma China democrática’”, começou por explicar Au. “Veja-se o exemplo da vigília para a comemoração do 30.º aniversário do incidente de 4 de Junho de 1989, realizada em 2019. O organizador exibia cartazes com as seguintes afirmações: ‘não se esqueça o 4 de Junho’, ‘o espírito do movimento cívico de 1989 sempre permaneceu, e os mártires da democracia também’, e ‘uma injustiça por reabilitar durante 30 anos’, etc. Tudo isto era claro e não continha as afirmações citadas pela Polícia”, acrescentou. Segundo as forças de segurança comandadas por Wong Sio Chak, cujo entendimento foi utilizado pela CAEAL para excluir os candidatos às eleições, as vigílias são ilegais por haver mensagens como ‘terror branco sob a governação do partido comunista’, ‘não se esqueçam do 4 de Junho, e persistam nessa guerra’, ‘a ditadura do partido comunista teme o jasmim’, ‘fim da ditadura monopartidária!’”. Ontem, Au indicou que foi a própria polícia a reconhecer que as mensagens exibidas em 2011 não tinham partido do organizadores, e apontou que foram plantadas com segundas intenções: “Estas afirmações foram ‘transplantadas’ à força nas vigílias de 4 de Junho, para tecer crimes e imputá-los a essas vigílias”, acusou, sem indicar os responsáveis.


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estrondo O organizador frisou ainda que objectivo da vigília foi sempre “dar resposta ao movimento democrático da China e promover o desenvolvimento democrático de Macau” e que “nunca teve qualquer relação subordinada a organizações externas”. No final da intervenção, Au Kam San disse ser “absolutamente inaceitável” que “uma vigília

“Claro que pode ter um entendimento diferente e não concordar, mas no discurso criticou a CAEAL e a decisão. Espero que corrija a intervenção.” KOU HOI IN PRESIDENTE DA AL

Debate Wong Sio Chak deixou Sulu Sou a falar sozinho O debate sobre o impacto da nova lei da migração foi um dos mais participados. Sulu Sou usou os 30 minutos a que teve direito, mas não sem antes dizer “não se preocupem que daqui a uns tempos já ninguém faz estas intervenções”. Porém, por volta das 20h00, o secretário Wong Sio Chak levantou-se e foi embora, para admiração dos deputados. “O senhor

secretário saiu, mas vou continuar”, disse Sulu Sou. Minutos depois, Wong Sio Chak regressou ao lugar. No entanto, nessa altura a sessão foi para intervalo. Só depois da interrupção e da intervenção de outros legisladores é que Wong teve oportunidade de se explicar: “Tive de me ausentar para satisfazer as minhas necessidades, tenho de pedir desculpa”, justificou.

organizada com consciência e paz” seja considerada “ilegal” e deixou um desejo: “A participação na vigília do 4 de Junho passou a ser entendida, através de extensão, como a ‘prova do crime’ de não se defender a Lei Básica e de não se ser fiel à RAEM, o que é um grande absurdo”, considerou. “O falecido presidente Liu Shaoqi disse: ‘ainda bem que a História é escrita pelo povo’. Nós acreditamos que a História vai conter uma avaliação do público sobre isso!”, concluiu. A intervenção gerou protestos de Vong Hin Fai e José Chui Sai Peng, com o último a mencionar a decisão do Tribunal de Última Instância (TUI), que excluiu 21 candidatos. Chui e afirmou ainda que Macau é China e apelou ao presidente da AL, Kou Hoi In, para intervir. Por sua vez, Kou considerou que o discurso de Au Kam San violou uma decisão do Governo Central sobre o 4 de Junho e defendeu a decisão da CAEAL e do TUI. “Claro que pode ter um entendimento diferente e não concordar, mas no discurso criticou a CAEAL e a decisão. Espero que corrija a intervenção”, reprimiu Kou. O presidente da AL reconheceu ainda ter avisado o deputado no dia anterior sobre o conteúdo da intervenção. No entanto, quando Au Kam San voltou a pedir a palavra, Kou disse-lhe que não valia a pena dizer mais nada. O deputado calou-se e a sessão prosseguiu com uma intervenção de Iau Teng Pio. O deputado nomeado pelo Executivo condenou prontamente Au e a sessão continuou. João Santos Filipe

Hemiciclo Chan Hong faltou à chamada

Alvo de várias críticas e pedidos de exclusão da Assembleia Legislativa nas redes sociais, a deputada Chan Hong faltou ontem à sessão do Plenário. Chan está debaixo de fogo pelo facto de ser vice-directora da escola Hou Kong, instituição responsável pelo surto que está a abalar Macau. Segundo o jornal Exmoo, Chan Hong já tinha abandonado o plenário mais cedo na terça-feira, para evitar os jornalistas.

RÓMULO SANTOS

VIGÍLIA DO 4 DE JUNHO

Protestos patriotas

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Dia de limpeza geral Nomeados defendem acesso único de patriotas à administração pública

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S deputados nomeados pelo Chefe do Executivo consideram que a administração pública só deve ter patriotas”. “Tal como a maioria dos amigos que Amam a Pátria e Macau, o princípio ‘Macau governado por Patriotas’ é uma garantia fundamental para a plena e rigorosa implementação do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’”, afirmou Davis Fong, em nome também de Ma Chi Seng. “Assim, os indivíduos que entrem na estrutura administrativa da RAEM devem ser aqueles que amam a Pátria e Macau, e que contribuam verdadeiramente para o bem-estar da população”, acrescentou. Davis Fong, especialista na área do jogo, afirmou ainda que os dois nomeados dão o “firme apoio” à decisão da CAEAL de proibir 21 deputados de se candidatarem às eleições, uma decisão que foi posteriormente validada pelos tribunais. “Trata-se de uma acção em estreito cumprimento do princípio ‘Um País, dois Sistemas’ e da Lei Básica, assim como de uma prática correcta que garante a concretização do princípio ‘Macau governado por patriotas’, às quais temos de manifestar o nosso apoio”, vincou.

Autonomia relativizada

A opinião de apoio da exclusão dos deputados e de outras pessoas da estrutura da função pública teve o apoio dos depu-

tados nomeados Iau Teng Pio, Lao Chi Ngai, Chan Wa Keong e Pang Chuan, numa intervenção concertada. Iau, advogado, foi um pouco mais longe, numa intervenção também em nome de Lao Chi Ngai, e pareceu defender a redução da autonomia de Macau face ao Interior: “A prática demonstra que só com plena administração do Governo Central sobre a Região Autónoma Especial pode ser efectivamente implementado o princípio ‘Macau governado por patriotas’; a ordem constitucional só pode ser efectivamente defendida com ‘Macau Governado por patriotas’”, afirmou Iao. “Só assim é que a RAEM pode alcançar a estabilidade a prosperidade”, adicionou. Iau falou ainda que a RAEM está numa luta constante para que os patriotas ocupem todos os cargos de gestão e para que a opinião dos patriotas seja sempre a principal no seio da sociedade. Neste capítulo o advogado diz que é preciso formar os jovens para conhecerem a versão correcta da história e saberem a diferença entre a verdade e a mentira. Por último, Chan Wa Keong frisou que desde a transição que Macau voltou ao sistema de governação do País e que as pessoas têm de escolher entre a estabilidade e a prosperidade dos patriotas que foi defendida pelo TUI, e o outro cenário, de caos.

Plenário Entradas só para testados... ou não

Horas antes do plenário de ontem, os serviços da AL avisaram algumas redacções que só seria admitida a entrada dos jornalistas que já tivessem sido testados. No entanto, todos os profissionais da

comunicação social com um código de saúde verde acabaram por poder entrar, desde que permanecessem numa zona mais afastada. Posteriormente, Kou Hoi In foi questionado pela imprensa da razão das restrições, mas “fugiu” para o elevador, sem responder. A política afectou igualmente os trabalhadores da AL, que terão sido avisados que só poderiam trabalhar depois de serem testados. Contudo, os serviços da AL arranjaram um sistema de testes, que também abrangeu os deputados, que desta forma, e ao contrário da população, evitaram as longas filas de espera.


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JOGOS OLÍMPICOS O SONHO DE MACAU, QUE SE VAI TORNANDO IMPOSSÍVEL

Acordar longe do Olimpo A medalha de ouro de Edgar Cheung Ka Leong entusiasmou a população de Macau, mas vincou o contraste entre as duas regiões administrativas especiais. Enquanto os atletas de Hong Kong sobem ao pódio nos Jogos Olímpicos de Tóquio, os de Macau têm de se contentar em assistir pela televisão. O cenário de desânimo dos dias de hoje contrasta com os anos em que o território alimentou o sonho olímpico

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c o n q u i s t a de medalha de ouro em esgrima por parte de Edgar Cheung Ka Leong, a primeira de Hong Kong desde a transição de 1997, causou uma onda de entusiasmo em Macau. Ao contrário da RAEHK, a RAEM não faz parte do Comité Olímpico Internacional (COI), e por isso está vedado aos seus atletas locais o sonho com os Jogos Olímpicos. Porém, a questão

permanece no espírito de muitos. Será que um dia Macau vai concretizar o sonho, que pareceu real na década 1980, e participar na mais celebrada competição desportiva mundial? Segundo o secretário-geral do Comité Olímpico e Desportivo de Macau (CODM), o deputado Chan Chak Mo, a questão já não se deve colocar e está completamente afastada. O legislador diz que os Estatutos


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do COI tornaram a adesão impossível, com as alterações estatutárias de 1996. “Os Estatutos do Comité Olímpico Internacional mudaram nos anos 90 e impedem a inscrição de membros que não sejam soberanos. Como Macau é China não se pode candidatar, foi o que nos explicou o COI”, contou Chan Chak Mo, ao HM. O secretário-geral considerou ainda que a questão foi deixada pendente durante a Administração portuguesa e que agora já não pode ser resolvida. “Hong Kong fez a candidatura antes da transferência da soberania, numa altura em que os estatutos ainda não tinham sido alterados. Foi por isso que foram aceites”, indicou. “Ao contrário, Macau não completou a candidatura antes da transferência e agora já não pode fazer nada”, acrescentou. “O processo de entrada tinha de ficar concluído nos anos 90, antes da transferência”, vincou. Para o presidente da Comissão de Juventude do Comité Olímpico e Desportivo de Macau (CODM), Ma Chi Seng, o cenário apresenta-se muito difícil, devido aos mesmos motivos estatuários. Apesar disso, o também deputado sublinha que a candidatura de Macau não recebeu uma resposta negativa categórica. “O meu desejo é que o COI reavalie a candidatura de Macau, porque acho que nos temos preparado para fazer parte do COI e temos mostrado ao mundo que Macau é uma região muito apaixonada pelo desporto”, indicou. “A RAEM teve medalhas com muito significado nos Jogos da Ásia Oriental em modalidades como wushu, taekwondo, karaté e triatlo”, argumentou.

A história da “maior desilusão”

O Comité Olímpico e Desportivo de Macau foi fundado em 1987, então com a designação de Comité Olímpico de Macau. Na altura, ainda na Administração portuguesa, o objectivo era fazer com que Macau participasse nos Jogos Olímpicos. Até hoje, o feito nunca foi alcançado e Manuel Silvério, histórico presidente do Instituto do Desporto, e uma das pessoas mais envolvidas na candidatura, admite que é a sua maior mágoa profissional. “Foi a maior desilusão não ter conseguido alcançar esse objectivo. Acho que as pessoas sabem o esforço que foi feito e a forma como nos dedicámos, ao longo de 20 anos, para que o desfecho fosse diferente. Mas, claro, é um desgosto muito grande não termos entrado”, reconheceu Silvério, em declarações ao HM. Ao contrário da entrada no Conselho Olímpico da Ásia que foi concluída em 1989 com sucesso e permitiu a participação em várias edições dos defuntos Jogos da Ásia

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OLIMPÍADAS É “ADEUS” A MACAU Para os jovens de Macau o sonho de participação nos Jogos Olímpicos não é impossível. A presença tem de ser feita com as cores da República Popular da China, o que implica que nunca mais voltem a vestir as cores da RAEM. A situação foi explicada ao HM por Manuel Silvério. “Os atletas de Macau podem ir aos JO com a comitiva da China. Mas, para isso têm de se desfiliar das associações de Macau e filiar nas federações do Interior, o que implica que não podem voltar a competir por Macau e que vão ter de participar nas competições das federações do Interior”, explicou. “É sempre um processo que leva muito tempo”, acrescentou. Chan Chak Mo confirmou esta versão: “Tenho a certeza que os atletas de Macau podem ser integrados nos programas nacionais. Agora, se forem para o Interior com a intenção de participarem nos Jogos Olímpicos, tenho a certeza que não podem voltar a representar Macau”, acrescentou.

Oriental, a entrada para o COI ficou por concluir. “Infelizmente, o processo no COI foi muito complicado. A situação de Macau era menos conhecida. Tivemos o cuidado de disponibilizar muita informação e explicar

VISITA DIFICULTADA Tradicionalmente, após os Jogos Olímpicos, os atletas da China visitam Macau e Hong Kong. Porém, este ano, segundo o Instituto do Desporto (ID) o cenário é mais complicado. O convite foi feito no ano passado, ainda antes do adiamento, mas as circunstâncias actuais dificultam a visita: “Devido ao adiamento relacionado com a pandemia dos Jogos Olímpicos, e uma vez que a seguir vão ser realizados os Jogos Nacionais da China, ainda existem muitas limitações e incertezas que podem afectar o trabalho dos atletas e os calendários. Por isso, os planos futuros da comitiva ainda estão a ser alvo de equação”, afirmou o ID, ao HM. Apesar da situação pandémica, deputados e membros do Comité Olímpico e Desportivo de Macau (CODM), Ma Chi Seng e Chan Chak Mo, deixaram o desejo que a visita se volte a realizar, pelos efeitos positivos que consideram ter na RAEM.

a situação política e económica do território. Só que naquela altura, Macau começou praticamente a viver a fase de transição e a preparar a transferência de soberania para a China”, apontou como uma das dificuldades. Por outro lado, a mudança dos estatutos complicou o processo. “Depois da nossa candidatura os estatutos foram alterados e deixaram de permitir membros que não fossem soberanos. Foi algo que jogou contra nós, mas o COI está sujeito às leis internacionais e como a nossa candidatura foi feita antes da alteração dos estatutos não devia ter havido problema”, atirou Manuel Silvério.

Incompreensão portuguesa

Além dos desafios naturais do processo e da situação de Macau, contra o território jogou também a posição política do Governo de Lisboa. Em Portugal, eram muitos os anticorpos contra a participação autónoma de Macau, ao contrário do que acontecia em Hong Kong. “Talvez por falta de informação sobre Macau, o poder desportivo em Portugal não concordava que o território tivesse um comité olímpico próprio. Mesmo depois do 25 de Abril, quando a população tinha visto reconhecido o direito de manifestação, continuavam a ser contra”, recordou. “Mais tarde, entrámos na fase de transição e Portugal até concordou com a entrada no COI. Só que depois, a situação em Macau já se tinha alterado... Os próprios estatutos do COI tinham mudado”, lamentou o ex-presidente do Instituto do Desporto. Apesar dos resultados desanimadores, o CODM não parou de se esforçar, mesmo depois da transferência, e Macau recebeu visitas de Juan Samarach e Jacques Rogge, ex-presidentes do COI. O empenho esteve em vias de dar frutos a tempo dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, mas um retrocesso de última hora acabou com as esperanças. “Devo dizer que em 2007 o nosso processo esteve para ser concluído com sucesso. Estivemos perto. No entanto, devido a outras circunstâncias que desconheço e que também não quero comentar, houve um grande retrocesso”, admitiu Manuel Silvério.

Sem esperança

Actualmente, Manuel Silvério não acredita que Macau entre para o Comité Olímpico Internacional, porque “já não faltam muitos anos até 2049”, altura em que legalmente expira a Lei Básica e com ela a RAEM. Contudo, o ex-dirigente do Instituto do Desporto recusa que estatutariamente seja impossível, porque a candidatura foi feita antes dos estatutos serem mudados e porque existe o precedente de Hong Kong: “É verdade que houve contratempos,

“Estivemos perto [de participar nos Jogos Olímpicos]. No entanto, devido a outras circunstâncias que desconheço e que também não quero comentar, houve um grande retrocesso.” MANUEL SILVÉRIO EX-PRESIDENTE DO ID

mas julgo que é possível, desde que haja vontade da parte do COI e também da República Popular da China. Seria sempre possível negociar uma filiação com um prazo até 2049”, sustentou. Silvério considera igualmente que a participação dos atletas com as cores de Macau seria um acto de “justiça” para a população e para a Macau, que “nos últimos anos tem apostado e investido tanto no desporto”. O ex-membro do Governo destaca ainda o contributo para o espírito olímpico da RAEM através da organização dos Jogos da Ásia Oriental, em 2005, e dos Jogos da Lusofonia, em 2006. O ex-dirigente também não tem dúvidas que a participação nos Jogos Olímpicos seria um factor extra de motivação e desenvolvimento para o desporto e atletas locais. “A possibilidade de entrarmos directamente ia fazer com que mais pessoas se focassem nesse objectivo, mas também criar condições para trazer elementos especializados de fora, como treinadores e pessoal técnico, que iam impulsionar a formação de atletas locais”, aponta.

Que atleta local?

A opinião de que a participação nos Jogos Olímpicos seria um factor de motivação para os atletas locais é partilhada por Paula Carion, ex-karateca que ganhou a medalha de ouro nos Jogos da Ásia Oriental, em Macau, e três medalhas de bronze, em três edições dos Jogos Asiáticos. Carion vai mais longe e vinca que Macau tem mesmo cada vez mais

“Hong Kong fez a candidatura antes da transferência da soberania, numa altura em que os estatutos ainda não tinham sido alterados. Foi por isso que foram aceites.” CHAN CHAK MO SECRETÁRIO-GERAL DA CODM

Paula Carion

condições para os atletas singrarem, a nível de instalações, como o Centro de Formação e Estágio, inaugurado em 2019. Porém, avisa que é preciso mudar de mentalidade. “Em Macau há atletas com potencial e acredito que alguns teriam capacidade para chegar ao nível olímpico, claro que não são todos”, disse a ex-atleta, ao HM, apontado o exemplo da triatleta Hoi Long. “Só que muitas vezes as limitações começam logo em casa. As famílias não alimentam os sonhos desportivos e são as primeiras a colocarem travões nas carreiras dos jovens, porque não acreditam que um atleta tenha futuro, a nível de uma carreira profissional”, indicou.

“O meu desejo é que o COI reavalie a candidatura de Macau, porque acho que nos temos preparado para fazer parte do COI e temos mostrado ao mundo que Macau é uma região muito apaixonada pelo desporto.” MA CHI SENG COMITÉ DA JUVENTUDE DA CODM

Paula Carion indicou ainda que o Instituto do Desporto e a Direcção de Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude continuam a falhar na criação de um estatuto de alta competição, para que os melhores atletas possam conciliar estudos e treinos: “É irreal pensar que os jovens vão começar a treinar aos 16 anos, quando têm mais tempo para se dedicar, e vão chegar ao topo. Para conseguir atletas de nível mundial é preciso tempo, preparação, e isso passa por facilidades na escola”, justificou. Por sua vez, Chan Chak Mo, deputado que representa o sector desportivo na Assembleia Legislativa, aponta um caminho diferente: “Actualmente, para se desenvolverem e competirem a nível próximo dos atletas do Interior, os desportistas têm de ir treinar para o Interior. E isso já acontece com as equipas de pingue-pongue e wushu”, apontou. João Santos Filipe (com N.W.)


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6.8.2021 sexta-feira

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ASEAN MNE APELA À COOPERAÇÃO CONTRA A PANDEMIA

Unidos venceremos

conjuntamente centros regionais de produção e distribuição de vacinas. A China já forneceu até agora mais de 750 milhões de doses de vacinas contra COVID-19 para outros países, lembrou Wang. O diplomata salientou que é imperativo realizar investigações de rastreamento da origem do vírus no espírito da ciência, opor-se a qualquer manipulação política e realmente fornecer uma referência para prevenir a próxima pandemia.

Linha verde

O

conselheiro de Estado e ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, participou esta quarta-feira na 11.ª Reunião dos Ministros dos Negócios

Estrangeiros da Cimeira da Ásia Oriental através de videoconferência, e pediu solidariedade e cooperação entre os membros da Cimeira para contribuir para a resposta à pandemia e atingir a recuperação económica.

Wang disse que os membros da Cimeira devem defender o espírito da ciência e promover conjuntamente novas medidas para a cooperação anti-pandémica. O responsável salientou que os membros da Cimeira

devem continuar a expandir o fornecimento de vacinas contra COVID-19, acelerar o progresso da vacinação, fortalecer a cooperação em pesquisa e desenvolvimento iteractivo para actualizações de imunizantes e construir

Wang pediu aos membros da Cimeira que promovam o desenvolvimento verde e se unam para enfrentar as mudanças climáticas, acrescentando que a China seguirá firmemente o caminho do desenvolvimento verde, de baixo carbono e sustentável, bem como participará activamente na cooperação internacional em resposta às mudanças climáticas. O chanceler pediu o fortalecimento da posição central da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e a salvaguarda

A China, como um país responsável, está disposta a trabalhar com todas as partes para fazer novas contribuições para lidar efectivamente com os vários desafios globais da imparcialidade e justiça internacional. A China apoia a declaração da ASEAN defendendo o multilateralismo e está disposta a trabalhar com todas as partes para salvaguardar o sistema internacional com as Nações Unidas como núcleo e a ordem internacional baseada em leis internacionais, destacou Wang. A China, como um país responsável, está disposta a trabalhar com todas as partes para fazer novas contribuições para lidar efectivamente com os vários desafios globais.

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COVID-19 DETECTADOS 62 NOVOS CASOS LOCAIS DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS EDITAL FIXAÇÃO DO RENDIMENTO COLECTÁVEL DO IMPOSTO PROFISSIONAL RESPEITANTE AO EXERCÍCIO DE 2020 Faz-se saber que, o apuramento do rendimento colectável dos contribuintes do 1.º grupo (assalariados e empregados por conta de outrem) e do 2.º grupo (profissões liberais e técnicas) do imposto profissional, respeitante ao exercício de 2020, já se encontra concluído. De harmonia com o disposto no artigo 23.º, n.º 1, do Regulamento do Imposto Profissional, que de 16 a 30 de Agosto e durante as horas do expediente, o rendimento colectável apurado estará patente ao exame dos respectivos contribuintes, nos seguintes sítios: “Finanças” – Núcleo de Informações Fiscais; 2.º 1 Edifício Centro de Serviços 2 Centro de Serviços da RAEM – Atendimento Fiscal de Serviços da RAEM das Ilhas – Atendimento 3 Centro Fiscal Podendo os residentes de Macau ou os titulares do Título de Identificação de Trabalhador Não-residente examinar com o seu documento de identificação, o resultado do apuramento do rendimento colectável acima mencionado, através do Quiosque de auto-atendimento da DSF; podendo os contribuintes inscritos como utilizadores da conta única de acesso comum aos serviços públicos da RAEM, examiná-lo através do “Macau Tax App” ou do “Serviço Electrónico” da página electrónica da DSF (www.dsf.gov.mo). Caso não se conformem com o rendimento fixado, os contribuintes podem reclamar, por forma escrita, para a Comissão de Revisão até 30 de Agosto, não terminado, porém, o prazo, sem que hajam decorridos vinte dias sobre a data do registo dos avisos postais enviados aos contribuintes, nos termos do artigo 79.º, n.º 2 do mesmo Regulamento. Aos 16 de Julho de 2021. O Director dos Serviços Iong Kong Leong

Anúncio 【N.º 202108-1】 Torna-se público que, nos termos do artigo 29.º do Regulamento Administrativo n.º 5/2014 (Regulamentação da Lei do planeamento urbanístico), a DSSOPT vai proceder-se à recolha de opiniões dos interessados e da população respeitantes aos projectos de Planta de Condições Urbanísticas (PCU) elaborados para as zonas não abrangidas por plano de pormenor mas inseridas nos lotes abaixo indicados: ─ Processo N.o: 90A209, Avenida de Demétrio Cinatti nos21B-22 -Macau; ─ Processo N.o: 93A041, Terreno junto à Rua das Lorchas- Macau; ─ Processo N.o: 2004A063, Pátio dos Cules no17-Macau; ─ Processo N.o: 2011A080, Terreno junto ao Beco da Alegria- Macau; ─ Processo N.o: 2012A068, Travessa do Pastor no8A-Macau; ─ Processo N.o: 2013A092, Rua Nova de S. Lázaro no18- Macau; ─ Processo N.o: 2016A002, Travessa dos Alfaiates no18-Macau; ─ Processo N.o: 2021A002, Rua da Ribeira do Patane nos5-7- Macau; ─ Processo N.o: 2021A007, Rua das Lorchas nos243-259 e Rua do Bocage no3-Macau. Para efeitos de referência, os projectos de PCU para as zonas dos lotes supracitados que não estão abrangidas por plano de pormenor já estão disponíveis para consulta no Departamento de Planeamento Urbanístico, situado na Estrada de D. Maria II n.º 33, 19º andar, Macau, e encontramse afixados na Rede de Informação de Planeamento Urbanístico desta Direcção de Serviços (http://urbanplanning.dssopt.gov.mo). O período de recolha de opiniões tem a duração de 15 dias e decorre entre 06 de Agosto de 2021 e 20 de Agosto de 2021. Caso os interessados e a população queiram apresentar as opiniões sobre os referidos projectos de PCU de zona do território não abrangida por plano de pormenor, deverão preencher o formulário O011,o qual pode ser descarregado nos websites http://urbanplanning.dssopt.gov.mo ou www.dssopt.gov.mo, ou levantado nesta Direcção de Serviços (Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau), podendo submetê-lo no período de recolha de opiniões através dos seguintes meios: ─ Comparecendo pessoalmente: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau, durante o horário de expediente nos dias úteis ─ Correio: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau (o prazo limite de entrega é contado a partir da data de envio indicada no carimbo do correio) ─ Fax: 2834 0019 ─ Email: pcu@dssopt.gov.mo Serão consideradas as opiniões respeitantes aos projectos de PCU de zona do território não abrangida por plano de pormenor elaborados para os lotes, quando forem apresentadas de acordo com as exigências acima indicadas. Para mais informações podem pesquisar o website http:// urbanplanning.dssopt.gov.mo e para qualquer informação adicional queiram contactar o Centro de Contacto desta Direcção de Serviços (8590 3800). Macau, aos 03 de Agosto de 2021 A Directora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes Chan Pou Ha

A

China anunciou ontem ter identificado 85 novos casos de covid-19, dos quais 62 por contágio local, mais de metade na província de Jiangsu, no leste do país. Jiangsu registou 40 infecções, parte de um surto inicialmente detectado na capital da província, Nanjing, e que se alastrou depois a outras regiões da China. Os restantes casos locais distribuíram-se pelo município de Pequim (três) e as províncias de Hunan (nove), Hubei (um), Shandong (três), Yunnan (três) e Henan (três), indicou a Comissão de Saúde da China. Esta semana, várias cidades lançaram campanhas de testes em massa e decretaram confinamentos parciais em várias cidades com o objectivo de conter os surtos, que já causaram quase 500 infectados. Os 23 positivos restantes foram diagnosticados em viajantes oriundos do exterior no município de Xangai (leste) e nas províncias de Yunnan (sul), Fujian (sudeste), Shandong

(leste) e Guangdong (sul). As autoridades de saúde também diagnosticaram 54 novas infecções assintomáticas (32 por contágio local e as restantes “importadas”), embora Pequim não as conte como casos confirmados, a menos que manifestem sintomas. AComissão de Saúde da China indicou que, até à meia-noite de quarta-feira, 40 pacientes tiveram alta, com o número total de infectados activos na China continental a subir para 1.285, incluindo 26 em estado grave. A mesma fonte adiantou que o país somou 93.374 casos e 4.636 mortos desde o início da pandemia.

África China importa pimenta seca pela primeira vez

A China importou pela primeira vez pimenta secas de África. A cidade de Changsha recebeu 200 kg do produto enviado do Ruanda, disse a alfândega local na quarta-feira.

As autoridades alfandegárias de Changsha, capital da Província de Hunan, emitiram um certificado de inspecção e quarentena para o lote das importações. “Os 200 kg importados de pimenta malagueta seca serão vendidos a revendedores e depois dados a clientes e fábricas de processamento de alimentos como amostras”, disse Yu Jian, presidente da importadora GK International em Hunan. De acordo com o contrato, o fornece-

dor no Ruanda exportará 50 mil toneladas de pimenta malagueta seca para a Província de Hunan em cinco anos. A China tem o maior número de consumidores de pimenta malagueta seca do mundo, tendo exportado 119.900 toneladas de pimenta malagueta seca no primeiro semestre de 2021. Hunan é um dos grandes consumidores e processadores de pimenta malagueta em todo o país.


sexta-feira 6.8.2021

ofício dos ossos

VALÉRIO ROMÃO

Quando uma pessoa tem dezasseis anos é geralmente muito estúpida. É uma espécie de efeito Dunning-Kruger geracional: quando mais um tipo desconhece da vida mais assertivas são as suas certezas acerca da mesma. Há obviamente honrosas excepções, adolescentes cuja invulgar maturidade os previne de fazerem os mais diversos disparates. Infelizmente, esses sábios prematuros pouco ou nada retiram de positivo dessa santidade temporã – a não ser, claro está, a manutenção da integridade física. Os outros, do alto das suas pirâmides de desastres coleccionáveis, apoucam-nos sempre que podem. Estes passam ao lado de quase tudo que é inseguro e divertido; não se entopem de drogas numa festa com desconhecidos, não conduzem como se tivessem tido aulas no poço da morte de uma qualquer feira popular, não partem a cremalheira em volteios de skate ou bicicleta. São uma seca. Eu, que sempre fora bom aluno e, por isso, relativamente solitário, queria muito ser adoptado. Pelos tipos das motas, das bandas de garagem ou pelos noctívagos profissionais. Não queria era estar sozinho. Sendo bastante tonto à altura, não me custava embarcar em todo o tipo de aventuras. Tudo quanto não comportasse perigo era insonso. Por isso todos os dias, a seguir às aulas, ia para um baldio atrás de casa fazer cavalinhos com a minha Target. Assim, quando estivesse com a malta a que eu aspirava a ser, poderia eventualmente fazê-los olhar, pelo menos uma vez que fosse, para mim. Ser bom aluno é suficiente até às hormonas começarem

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Proezas a não repetir

a falar. A partir desse momento, a conversa passa a ser outra. Houve um dia em que nos lembrámos de empinar papagaios. Eu e mais dois amigos, na rua da minha irmã, em Albufeira. O Benjamin, o mais velho, teve uma ideia: «isto com mais vento até funcionava, e se o fizéssemos de mota?» Claro que a ideia me pareceu genial. Lamentei apenas não ter sido eu a tê-la. A mota era do Benjamin, pelo que o mais expectável era ser ele a conduzi-la. Mas o papagaio também era do Benjamin, e era natural que quisesse ser ele a guiá-lo. Como não podia fazer ambas as coisas – os adolescentes podem ser malucos, mas até eles têm alguma noção dos limites – ficou combinado que eu conduziria a mota do Benjamin e ele, no banco de trás, empinaria o papagaio. Durante uns quinze minutos, a coisa correu bastante bem. O papagaio lá esvoaçava com aquele vento forçado, rodopiando atrás de nós como um cão aéreo. Só não era sucesso absoluto porque o papagaio era baratucho

MESMO DIANTE DE MIM, A PARTE DE TRÁS DE UM CARRO ESTACIONADO. NÃO DAVA PARA TRAVAR A TEMPO DE NÃO BATER. AINDA ASSIM, TRAVEI A FUNDO. GRITEI. O BENJAMIN, OCUPADO COM O PAPAGAIO, FOI O ÚLTIMO A PERCEBER.

e difícil de controlar. Mas já estávamos a pensar em comprar um papagaio mais robusto e mostrar a proeza perto da praia, onde decerto alguma gaiata mais curiosa apreciaria o nosso engenho. Tudo estava a correr de feição até eu decidir que também merecia ver o que se estava a passar atrás de mim e não só ouvir os berros de satisfação do Benjamin mesmo à porta do tímpano. Passavam poucos carros naquela rua e, sendo uma recta, tinha mais que tempo para espreitar o que se estava a pensar sem nos colocar em perigo. Assim o fiz. Rapidamente percebi que a proeza só se tornaria matéria de conversa se o papagaio fosse capaz de nos seguir com alguma elegância e não com aqueles trejeitos de enguia epiléptica pela trela. Feito o diagnóstico, voltei-me para a frente. A mota descaíra ligeiramente para a direita (o lado para que me tinha virado). Mesmo diante de mim, a parte de trás de um carro estacionado. Não dava para travar a tempo de não bater. Ainda assim, travei a fundo. Gritei. O Benjamin, ocupado com o papagaio, foi o último a perceber. Saltou por cima de mim, batendo-me com o joelho na nuca no processo. Escusado dizer que a queda foi bastante mais espectacular do que a proeza em si. Acorreram as pessoas da rua, os vizinhos da minha irmã, o dono do carro. Chamaramnos uma ambulância e sublinharam a nossa inconsciência. «Estes miúdos só estão bem fazendo asneiras», ouvi dizer a um velhote, do passeio. Verdade. Mas quando se lhes sobrevive, que belas histórias dão.


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TEMPO

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 25

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JACKIE BROWN | MUSIC FROM THE MIRAMAX MOTION PICTURE

Esta banda sonora, como todas dos filmes de Quentin Tarantino, é um diamante que começou a ser polido e revelado no guião do primeiro filme, “Cães Danados”. Tudo começa quando o gangster, protagonizado por Michael Madsen, decide falar de música com um polícia que vai torturar. Madsen, na pele de Mr. Blonde, pergunta ao agente se alguma vez ouviu o programa de rádio “Κ-Billy’s Super Sounds of the ‘70s”, aludindo a um universo de grandes músicas esquecidas no tempo, que ressuscitam nos filmes de Tarantino. Jackie Brown traz os lados R&B e Soul dessa mina de 110th Street” 5diamantes. 1 “Across 2 8 9 7 3 de 6 Bobby Womack and0 Peace, “Strawberry Letter 23” dos 8 2 9 1 4 3 7 0The6 Brothers Johnson, “Street Life” de 7Randy 0 Crawford, 3 9 5são 6entrecortados 4 8 1 Johnny Cash e o flow do hip-hop 4Foxy 7 Brown. 6 8 3João5Luz2 1 de0

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sexta-feira 6.8.2021

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um grito no deserto

opinião 11

Paul Chan Wai Chi

É O PIOR DOS TEMPOS, É O MELHOR DOS TEMPOS NA SUA FAMOSA obra “Conto das Duas Cidades”, o escritor inglês Charles Dickens fala-nos sobre um tornado político que agitou a vida de duas grandes cidades, Londres e Paris. Nos dias que correm, Hong Kong e Macau, as duas cidades que são Regiões Administrativas Especiais, estão também numa situação comprometedora devido a questões políticas. O Artigo 25 da Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau estipula claramente que “Os residentes de Macau são iguais perante a lei, sem discriminação em razão de nacionalidade, ascendência, raça, sexo, língua, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução e situação económica ou condição social”. No entanto, sob a actual directriz “Macau governado por patriotas”, a lealdade política passou a ser factor decisivo. Desde que a nossa visão política não seja exactamente igual à dos governantes, deixámos de poder entrar na corrida independentemente do apoio que recebemos dos nossos eleitores. Só serão considerados “absolutamente leais” os que não possuem consciência política e que apenas buscam aprovação? O Tribunal de Última Instância julgou improcedentes os recursos eleitorais interpostos pelos mandatários de três listas de candidatura (processo n.º 113/2021). Eu próprio era um dos dois primeiros candidatos da lista “Associação do Progresso de Novo Macau”. Na minha qualidade de recorrente, só consigo aceitar a decisão porque tenho muito respeito pelos Tribunais. A minha decisão de insistir e recorrer ao Tribunal de Última Instância foi determinada pela vontade de que o público pudesse vir a ter um entendimento mais pormenorizado das circunstâncias que determinaram a Desclassificação dos Candidatos. Nesta matéria, os resultados que se obtiverem com muito esforço são preciosos. No acórdão do Tribunal de Última Instância, foram citadas as justificações de ambos os recorrentes e da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). A CAEAL defende que “é inegável que a maior parte dos factos citados sobre os candidatos ocorreu antes das eleições de 2017 para a Assembleia Legislativa, e que estes factos não foram examinados nem considerados pela CAEAL antes das referidas eleições. Ou seja, como estes factos não foram considerados pela CAEAL antes das eleições de 2017 para a Assembleia Legislativa, é muito estranho que as autoridades da RAEM, em 2021 e perante os mesmos factos, tenham optado por dar uma resposta diferente”. No acórdão, também é assinalado que a “Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa da RAEM” não prevê que os candidatos aprovados tenham de renegar as suas opiniões ou actos prévios. Assim, apesar de um candidato (como é o meu caso) ter assinado

Penso que a história e o povo de Macau não esquecerão esta Desqualificação de Candidatos, a primeira desde a transferência de Macau

a “Declaração de Defesa e de Fidelidade do Candidato” para as eleições de 2021 à Assembleia Legislativa, igual à que assinou para as eleições de 2017, a CAEAL tomou a decisão de o desclassificar, devido à emergência de novas situações.

Pela informação disponível do processo n.º 113/2021, sabe-se que a CAEAL se reuniu no dia 25 de Junho e declarou que “defender a Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China e ser fiel à Região Administrativa

Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático

Especial de Macau da República Popular da China, são os critérios fundamentais que os deputados da Assembleia Legislativa devem satisfazer”. A CAEAL também solicitou a 2 de Julho à Polícia informações sobre todos os candidatos tendo o Gabinete do secretário para a Segurança respondido a 5 de Julho. As provas fornecidas pela Polícia à CAEAL foram recolhidas em posts da Internet e fotos tiradas em actividades públicas, incluindo as que foram exibidas na exposição do “4 de Junho” promovida pela União de Macau para o Desenvolvimento da Democracia, e pelas actividades em memória de Liu Xiaobo, entre outras. A CAEAL não usou toda a informação disponibilizada pela Polícia. Apenas tomou a decisão de desclassificar candidatos baseada no facto de os candidatos terem, directa ou indirectamente, participado em certas actividades ou baseada nos objectivos das actividades em que os candidatos participaram. No acórdão, também se declara que “Os critérios estabelecidos pela CAEAL não são vinculativos em Tribunal. O Tribunal de Última Instância tem plena jurisdição, pode concordar ou discordar destes critérios e, baseado nas circunstâncias específicas do caso e nas disposições legais adequadas e, de acordo com os critérios que considere exactos e adequados, pode determinar a sua decisão”. Finalmente, o Tribunal de Última Instância acabou por concordar com a posição da CAEAL e ratificou a decisão de excluir três listas do campo democrata de participarem nas eleições em Setembro de 2021. Vale a pena mencionar o que José Maria Dias Azedo, o 1.o juiz adjunto do Tribunal de Última Instância, afirmou no decurso na sua declaração de voto, neste caso. “Tendo em conta a “matéria” (a sua natureza), a participação nas eleições directas é um “direito fundamental”, e não é razoável ser “restringido” da forma acima mencionada. Penso que deve suscitar o cuidado apropriado (e a clarificação) das autoridades competentes”. Agradeço ao Governo da RAEM por recolher toda esta informação, o que me deu a oportunidade de olhar para o discurso que fiz na reunião de 4 de Junho de 2012: “A história pode ficar confinada, mas não se ajoelhará perante os governantes. As pessoas não vão esquecer e a história não vai esquecer”. Penso que a história e o povo de Macau não esquecerão esta Desqualificação de Candidatos, a primeira desde a transferência de Macau.

Referências https://hojemacau.com. mo/2021/08/02/eleicoes-tui-confirma-exclusao-decandidatos-por-serem-infieis-a-macau/ http://www.court.gov.mo/pt/subpage/ news?id=2417


“É a solidão que inspira os poetas, cria os artistas e anima o génio.” PALAVRA DO DIA

Henri Lacordaire

sexta-feira

6.8.2021 episódio 52

CASINOS WYNN E MGM RECUPERAM RECEITAS NO SEGUNDO SEMESTRE

Jogo do sobe e desce

A

PESAR de os resultados não serem ideais, as receitas das operadoras Wynn Macau e MGM China traduziram uma evolução positiva no segundo trimestre de 2021. As receitas operacionais, tanto do Wynn Palace (Cotai) como do Wynn Macau (península) registaram um crescimento significativo em relação ao trimestre anterior, salientou a empresa. Em comunicado, a Wynn Macau detalha que o Wynn Palace obteve lucros de 270,4 milhões de dólares americanos, um aumento de 261,7 milhões em relação ao total de 8,7 milhões de dólares acumulados no primeiro trimestre. Quanto ao Wynn Macau, as receitas foram de 184 milhões de dólares, um aumento de 172,1 milhões em relação ao total de 11,9 milhões de dólares acumulados no primeiro trimestre. Contudo, em termos gerais, a operadora Wynn Macau anunciou ontem um prejuízo de 116,6 milhões de dólares no segundo trimestre do ano. Já o grupo de capital norte-americano, Wynn Resorts, que inclui as operações em Las Vegas e em Boston, registou perdas de 131,4 milhões de dólares no mesmo período. “Ficámos satisfeitos por ver o forte regresso dos nossos visitantes tanto no Wynn Las Vegas como em Encore Boston Harbor durante o segundo trimestre, com o EBITDA (…) das nossas

operações nos EUA bem acima dos níveis pré-pandémicos”, disse o director executivo da Wynn Resorts, Matt Maddox. “Embora tenha havido algumas convulsões ao longo do caminho para a recuperação em Macau, fomos encorajados pela forte procura que sentimos durante o período de férias de Maio”, acrescentou.

Conter o surto

Por seu turno, a MGM China, operadora de jogo que dispõe também de dois casinos em Macau, anunciou um EBITDA positivo (lucros antes de impostos, juros,

Moeda Cortar na cunhagem

“Há registo de novos casos de covid-19 (…) que deverão ter impacto a curto prazo ao nível do número de visitantes e das receitas brutas de jogo.” MGM CHINA

Através de uma interpelação escrita, a deputada Ella Lei questionou se o Governo está a ponderar adiar ou reduzir os gastos relacionados com a produção de moeda. Apontando que os pagamentos electrónicos são “cada vez mais populares”, a deputada quer que a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) pondere sobre a real necessidade de alocar 340 milhões de patacas ao programa de cunhagem de novas moedas metálicas em 2021. Por escrito, Ella Lei pede ainda melhorias nos serviços bancários destinados à troca de dinheiro, dado que a contagem das moedas toma muito tempo aos cidadãos e acaba por gerar filas maiores. PUB PUB.

amortizações e depreciações) no segundo trimestre do ano. O grupo de maioria de capital norte-americano cresceu de um EBITDA positivo de 84 milhões de dólares de Hong Kong registado nos primeiros três meses, para 116 milhões. Para este resultado contaram sobretudo as operações do MGM de Macau, em contraste com o MGM Cotai, que apresentou um EBITDA negativo. Já o resultado semestral evidenciou um EBITDA positivo de 200,4 milhões de dólares de Hong Kong, quando no mesmo período do ano passado tinha

registado mais de mil milhões de EBITDA negativo. As receitas também cresceram. Se nos primeiros seis meses de 2020 apenas tinham arrecadado 257 milhões de dólares de Hong Kong, agora a operadora apresentou receitas de 2,4 mil milhões. Sobre o novo surto de covid-19 no território, a operadora mostra-se atenta, mas optimista, em relação ao futuro “Há registo de novos casos de covid-19 entre residentes de Macau em Agosto, que deverão ter impacto a curto prazo ao nível do número de visitantes e das receitas brutas de jogo. Com o esforço do Interior da China e do Governo de Macau para conter o surto e atenuar as restrições fronteiriças, acreditamos que a procura por viagens a Macau vá aumentar ao longo do tempo”. Pedro Arede com Lusa

SOS Mediterranée Situação dos 800 migrantes é insustentável As organizações não-governamentais SOS Mediterranée e Sea Watch denunciaram ontem a situação "insustentável" de 800 migrantes resgatados há dias no Mediterrâneo central e que ainda não puderam desembarcar, sobretudo devido ao calor. As 800 pessoas encontram-se a bordo das embarcações das organizações não-governamentais que pedem para que os migrantes sejam desembarcados "em porto seguro". "Os 553 sobreviventes

a bordo (do navio) Ocean Viking esperam há quatro dias em águas do Mediterrâneo central um porto de desembarque seguro mas não se vislumbra qualquer solução", refere a SOS Mediterranée. "Os 553

sobreviventes que permanecem a bordo, incluindo 119 menores, quatro mulheres grávidas e um bebé de três meses, sofrem de um calor sufocante que se sente no Ocean Viking e, por isso, precisam de desembarcar num porto seguro, tal como os 257 sobreviventes que estão actualmente a bordo do (navio) Sea Watch3", referem as organizações não-governamentais no comunicado que foi divulgado ontem.

O Jogo das Escondidas

O

um folhetim por Fernando

Sobral

edifício de pedra esverdeada estava conquistado. Ding Ling, com olhar decidido, passou com a mão pe los contentores de madeira que continham sacos de heroína. Os seus homens esperavam, ansiosamente, ordens. Por fim ela disse: - Queimem tudo! Eles assim fizeram. Os contentores foram-se transformando em fogueiras enormes. Saíram rapidamente do local. O fumo começou a sair pelas janelas e pela porta. Ding Ling olhou para o céu. A lua estava com uma luz poderosíssima. Era uma visão maravilhosa. Por momentos julgou ver a sua face reflectida naquele círculo que iluminava Macau e que, em conjunto com as chamas que agora saíam do prédio, lhe davam um aspecto demoníaco. Ding Ling disse, enquanto começava a caminhar: - Nesta guerra a melhor arma é o medo que provocamos nos nossos inimigos. Bei Li não disse nada, mas seguiu os passos de Ding Ling, como se fosse a sua sombra. 13. A ventoinha rodava lentamente no tecto. Fazia um ruído estranho, o que poderia ser um sinal de que estava quase a deixar de funcionar. O governador Rodrigo Rodrigues, sentado no seu cadeirão, olhou para lá, enquanto soprava o fumo do cigarro para o ar. No seu olhar havia algo de resignado, como se finalmente percebesse que nem sempre era fácil mudar o que fosse em Macau. O Palácio do Governador, onde estava, era um local onde os silêncios, muitas vezes, diziam muito mais do que as frases e os sussurros se impunham às vozes mais audíveis. - Com este calor é fácil perder o hábito de agir. As palavras do governador soavam a indiferença, mas Félix Amoroso sabia que ele tinha muitas ideias para a cidade. Circulava em voz baixa no Grémio Militar, que estava a tentar colocar, pela primeira vez, representantes da comunidade chinesa local no Conselho do Governo, algo que não era do agrado das entidades mais conservadoras. Por outro lado tinha convidado o bispo de Macau, D. José da Costa Nunes, a fazer parte do mesmo Conselho. Parecia uma forma de ele, um maçon, mostrar que a República era a casa de todos e de tentar gerir interesses contraditórios. Era como construir um castelo de cartas. Bastava um sopro mais forte e tudo caía. (continua)


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Hoje Macau 06 AGOSTO 2021 #4826 by Jornal Hoje Macau - Issuu