MOP$10
TERÇA-FEIRA 6 DE AGOSTO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4345
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
PUB
TECNOLOGIA
ELON MUSK NA CHINA
TRAVESSIAS PERIGOSAS PÁGINA 4
HONG KONG
O DIA DA GREVE PÁGINA 12
GCS
GRANDE PLANO
TUFÕES
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hojemacau
Muda de rumo Chui Sai On veio ontem a público anunciar que a proposta de lei do Governo para a criação da sociedade gestora do Fundo para o Desenvolvimento e Investimento da RAEM não vai afinal ser já votada na AL. O diploma que prevê a alocação de 60 mil milhões de patacas no Fundo segue antes para consulta pública, numa súbita decisão tomada pouco antes da conferência de imprensa. O Chefe do Executivo esclareceu ainda que não irá assumir qualquer cargo na referida sociedade. PÁGINAS 6-7
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GIACOMO LEOPARDI AMÉLIA VIEIRA
MULHER DO PRIMO BASÍLIO PAULO JOSÉ MIRANDA
OFFENBACH MICHEL REIS
2 grande plano
6.8.2019 terça-feira
TECNOLOGIA
ATE AO INFINITO E ´
A The Boring Company, a empresa de túneis e infraestruturas subterrâneas de transportes de Elon Musk, vai ter uma subsidiária na China. Nascida a partir da SpaceX, The Boring Company tem projectos como o Hyperloop, um transporte que pode atingir os 1.200 km/h. Por outro lado, uma sonda chinesa pousou pela primeira vez na face oculta da Lua
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ELON MUSK LANÇA COMPANHIA DE TÚNEIS NA CHINA ENQUANTO INDÚSTRIA ESPACIAL
EJA no Espaço, ou debaixo da terra, o futuro que traz para a realidade conceitos que só conhecemos da ficção científica faz-se, cada vez mais, na China. Exemplo disso é o lançamento da The Boring Company China, a empresa de Elon Musk responsável pelo desenvolvimento do Hyperloop, o transporte subterrâneo que promete revolucionar a forma como se viaja. O meio de transporte de altíssima velocidade move-se dentro de um tubo, usando propulsão electromagnética que dispara uma espécie de comboio para velocidades na ordem dos 1.200 km/h. A notícia do lançamento da subsidiária chinesa foi divulgada no fim-de-semana pelo próprio Elon Musk na sua conta de Twitter. Aliás, o empresário e inventor referiu que vem à China apresentar a companhia, aproveitando a deslocação a Xangai onde vai participar numa conferência sobre inteligência artificial no final de Agosto. A empresa do dono da Tesla conseguiu o primeiro contrato para desenvolver o sistema de transporte em túneis no passado mês de Maio, mais concretamente a construção de um shuttle, com a distância de pouco mais de um quilómetro e meio, para
levar visitantes ao Las Vegas Convention Center. A companhia que nasceu como uma subsidiária da SpaceX, dedicada a viagens espaciais, está também a construir um túnel de testes perto da sede em Hawthorne, no Estado da Califórnia. A expansão da companhia para a China acontece num momento em que alguns projectos esbarraram em obstáculos no Estados Unidos. Nomeadamente, o túnel projectado para Los Angeles que foi cancelado depois de críticas ferozes de grupos de moradores. O projecto que Elon Musk tinha para Chicago também
A expansão da The Boring Company para a China acontece quando alguns dos seus projectos esbarraram em obstáculos no Estados Unidos. Nomeadamente, o túnel projectado para Los Angeles que foi cancelado depois de críticas ferozes de grupos de moradores
grande plano 3
terça-feira 6.8.2019
MAIS ALEM CHINESA DESCOLA
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“Vamos avançar para a Lua, desta vez para ficar. Depois, com as lições que aprendermos, vamos seguir para Marte.” JIM BRIDENTINE ADMINISTRADOR DA NASA
pode estar em risco depois de Rahm Emanuel, o grande aliado político do projecto, ter deixado de ser Mayor de Chicago. O projecto que tem como objectivo ligar Washington D.C. e Baltimore encontra-se actualmente em fase de avaliação de impacto ambiental.
CORRIDA AO ESPAÇO
Passando do subsolo para as estrelas, a empresa privada chinesa, equivalente à SpaceX de Elon Musk, a iSpace, lançou na semana passada o foguetão Hyperbola-1 a partir da base de lançamento de satélites situada no Deserto de Gobi. A empresa chinesa, com provas dadas na emissão de satélites, pôs na órbita baixa da Terra, à boleia do Hyperbola-1, um satélite de rádio amador e três contentores de carga. A iSpace é uma empresa dedicada à exploração espacial que nasceu da política, lançada pelo Governo de Xi Jinping, de incentivo ao investimento privado na construção de uma infra-estrutura espacial chinesa de natureza civil, ou seja, sem fins militares. A companhia é financiada por uma parceria de firmas de capital de risco que incluem a gigante Baidu, a CDH Investments e a Matrix Partners China. Porém, a missão da semana passada foi paga pela companhia automóvel chinesa Chang'an Automobile Co, em troca do direito de baptizar o veículo de lançamento. Apesar de ser tecnicamente uma empresa privada, a iSpace tem muitas empresas amigas com ligações ao Estado chinês,
ao contrário da SpaceX que não só tem percorrido o seu caminho espacial a solo, como tem criado inimizades com a United Launch Alliance, com grande sucesso na captação de contratos públicos norte-americanos. Aliás, a proximidade entre a iSpace e o Governo Central reflecte-se na vontade expressa por Pequim em subsidiar o sector privado das viagens espaciais, competindo no panorama internacional com a SpaceX de Elon Musk. Num comunicado de imprensa emitido após o lançamento do Hyperbola-1, a iSpace agradeceu à China Aerospace Science and Technology Corporation e à China Aerospace Science and Industry Corporation, duas empresas estatais de defesa. A companhia “privada” de exploração espacial reconheceu ainda o contributo do regulador público "SASTIND" e a Comissão Central Militar, que está sob a alçada da Comité Central do Partido Comunista da China.
CHAMARIZ DE INVESTIMENTO
Apesar de, para já, a iSpace ser o melhor exemplo de sucesso da indústria aeroespacial chinesa, a quantidade de startups que surgem no panorama empresarial e os avultados montantes investidos colocam a China numa posição privilegiada na corrida ao Espaço. Para já, os competidores directos são as norte-americanas United Launch Alliance, Rocket Lab e a Vector. À velocidade que a indústria chinesa dá provas da sua capacidade, não é de admirar que as encomendas de clientes internacionais descolem, deixando para trás a competição norte-americana. Um bom exemplo deste tipo de empresas está aqui ao lado em Shenzhen: a Link Space. Nos últimos dois anos, a Link Space tem trabalhado no “New Line-1”, um foguetão que deverá estar em funcionamento em 2021. O objetivo é ter capacidade para transportar 200 quilos de carga para orbita, por um preço de 2.25 milhões de dólares. Apesar da aposta da empresa de Shenzhen incidir em foguetes de
A Lua tem uma nova cratera. Desta vez não foi escavada por um meteorito, mas pelo satélite lunar Longjiang-2 que, segundo a Xinhua, se despenhou intencionalmente na face oculta da Lua no passado dia 31 de Julho. Este é o primeiro objecto construído pelo ser humano que chega à face oculta da Lua
tamanhos reduzido, a tecnologia usada permite que seja reutilizado.
NA FACE OCULTA
A Lua tem uma nova cratera. Desta vez não foi escavada por um meteorito, mas pelo satélite lunar Longjiang-2 que, segundo a Xinhua, se despenhou intencionalmente na face oculta da Lua no passado dia 31 de Julho. Este é o primeiro objecto construído pelo ser humano que chega à face oculta da Lua. Com um peso de cerca de 47 quilos, o Longjiang-2 foi lançado para o espaço a 21 de Maio de 2018 juntamente com a sonda Chang’e 4. A chegada à orbita da Lua aconteceu quatro dias depois da descolagem. Depois de 437 dias à volta da Terra, a nave despenhou-se, de forma controlada, na superfície lunar. “O microssatélite que transporta um detector de ondas de longa frequência desenvolvido pelo Centro Nacional de Ciências Espaciais da Academia de Ciências Chinesa, tem como objectivo conduzir observações e estudar radiação solar”, refere a Xinhua. A agência noticiosa estatal adianta ainda que a bordo seguiu também uma câmara óptica, desenvolvida por um instituto científico da Arábia Saudita com capacidade para tirar 30 fotografias de alta definição.
A RESPOSTA AMERICANA
No ano em que se celebram 50 anos de aniversário da missão Apollo 11, que levou pela primeira vez o Homem à Lua, as viagens espaciais parecem voltar à agenda da política norte-americana. Pelo menos, de acordo com o Twitter de Donald Trump, que aponta ao regresso ao satélite natural da Terra para o ano 2024. Desde os primeiros históricos passos de Neil Armstrong, apenas uma dúzia de astronautas voltaram a pisar o solo lunar. O programa que pretende o regresso chama-se “Artemis”, nome inspirado na deusa grega da Lua. Porém, a retorno lunar tem como objectivo preparar voos mais altos. Jim Bridentine, administrador da NASA, disse que, “com o uso de novos trens de aterragem, robôs e, eventualmente, humanos, vamos conduzir experiências científicas e tecnológicas na superfície lunar, estudar melhor os recursos e usar o que aprendemos em missões futuras. Vamos avançar para a Lua, desta vez para ficar. Depois, com as lições que aprendermos, vamos seguir para Marte”. O objectivo da missão é implementar a Estação de Pesquisa Científica Lunar, uma infra-estrutura com capacidade para acolher missões de longa duração, que servirá de apoio logístico a testes que ponham à prova capacidades tecnológicas e sirva de base para missões de prospecção de recursos. João Luz
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6.8.2019 terça-feira
TUFÕES GOVERNO EQUACIONA ENCERRAMENTO DE AUTOCARROS DOURADOS NA PONTE HKZM
À vontade do freguês
Tufões Governo pede que se saia mais cedo de casa
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Governo vai rever a situação dos autocarros dourados da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, que continuaram a operar apesar de no território estar içado o sinal 8 de tufão. Na semana passada, com a passagem do tufão Wipha, a situação levou a que vários passageiros ficassem retidos à entrada em Macau, porque depois de passarem a fronteira não havia transportes públicos a funcionar. “Vamos discutir a situação com a Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e com a empresa autocarros directos que circulam na ponte. Uma hora e meia depois de ser içado o sinal n.º 8, os transportes públicos ficam suspensos. Estes autocarros dourados também deviam ficar suspensos”, afirmou ontem o secretário para os Transportes e Obras Públicas, que esteve ontem na Assembleia Legislativa a responder às perguntas dos deputados.
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AFP
Raimundo do Rosário criticou o facto de com o sinal tufão número 8 haver serviços públicos que estão fechados por segurança, enquanto alguns particulares se mantêm em funcionamento. O secretário mostrou-se preocupado com a segurança da população, em particular na travessia pela Ponte HKZM
Raimundo do Rosário “Uma hora e meia depois de içado o sinal n.º 8, os transportes públicos ficam suspensos. Estes autocarros dourados também deviam ficar suspensos.”
Devido ao caos na nova ponte, como medida excepcional, foi restabelecido parte dos serviços de transporte colectivo. Porém, Raimundo do Rosário mostrou-se mui-
AIMUNDO do Rosário explicou o contrato de 5,9 mil milhões de patacas com a empresa MTR de Hong Kong para a operação do Metro Ligeiro com o facto de faltarem conhecimentos especializados nesta área em Macau. A justificação foi apresentada ontem na Assembleia Legislativa, onde o secretário respondeu a interpelações dos deputados. “Estes milhões são para operar a Linha da Taipa, assim como o Parque de Materiais e Oficina”, respondeu o secretário quando questionado sobre o assunto. “O Metro Ligeiro é um novo transporte e não há conhecimentos sobre como operar estes sistemas”, acrescentou. Ontem, em mais uma sessão do Plenário, Raimundo do Rosário
to preocupado com o número de passageiros acumulados na Praça de Ferreira do Amaral. “Queremos que o serviço na ponte deixe de funcionar durante o sinal n.º 8. Nós
tivemos autocarros especiais, mas não passavam pela Ferreira do Amaral. Mesmo assim, havia muitas pessoas que estavam lá à espera de serem levadas para a ponte. Na frontei-
Especial de corrida
Governo justificou contrato de 5,9 mil milhões no Metro por falta de conhecimento especializado
voltou a reconhecer que a Linha da Taipa vai ter um efeito muito limitado, enquanto transporte. “Acho que faz parte do senso comum perceber que a Linha da Taipa, só por si, não vai ter um efeito muito grande no sistema de transportes. Uma ligação entre os Jardins do Oceano e o Pac On tem muitos obstáculos. Mas tínhamos de avançar com uma linha primeiro”, frisou. “Em 2023 é possível fazer com que a ligação chegue à Estação Intermodal da Taipa e, nessa altura, os efeitos vão ser sentidos”, acrescentou.
Por outro lado, o director do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI), Lam Wai Hou, anunciou os números das pessoas contratadas para a representação de Macau da MTR. Um terço dos trabalhadores são locais. Os lugares ocupados por trabalhadores não-residentes são principalmente de gestão. “Entre os 570 trabalhadores três quartos são locais. Mais de 450 trabalhadores têm licenciatura. Entre estes, 115 são formados na área das obras e mais de 200 em transportes”, disse Lam Wai Hou. “Entre
ra da nova ponte ainda há locais cobertos para esperar, mas na Praça de Ferreira do Amaral não. Será que esta situação não é perigosa? Acho que devemos suspender todos os transportes”, completou. Ao mesmo tempo, Raimundo do Rosário sublinhou a necessidade de assegurar a segurança e afirmou não entender o facto de os serviços públicos fecharem com o sinal n.º 8, mas haver privados que continuam a operar. “Não precisamos de trabalhar quando está içado o sinal n.º 8, por motivos de segurança. (...) Por questões de segurança os serviços públicos e alguns privados ficam suspensos. Mas depois há outros que funcionam. Será que isto não coloca a segurança em causa”, perguntou. “Como os serviços ficam a funcionar não podemos excluir a hipótese de as pessoas saírem, irem ao cinema e jantar foram. Mas isso não é perigoso?” questionou. João Santos Filipe
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os 30 por cento dos trabalhadores não-residentes, contamos com gente com muita experiência e conhecimento especializado, que vão ocupar principalmente cargos de direcção”, complementou. Com a entrada em operação da MTR, o GDI vai ser extinto. Segundo Rosário, o Governo vai tentar transferir as obras para a MTR, que assim organizariam a expansão da linha de metro. Contudo, caso tal não seja possível, o secretário garante que o Executivo vai arranjar um departamento para lidar com as obras. Rosário disse ainda que na segunda metade do ano vai ser aberto o concurso público para a atribuição das obras da Linha de Seac Pai Van.
Para lidarem com as situações de chuvas intensas e os caos nos transportes, os cidadãos devem precaver-se e sair mais cedo de casa. A receita foi deixada por Raimundo do Rosário, ontem, perante interpelação da deputada Angela Leong, que ainda deixou um exemplo pessoal. “Uma vez num dia de serviço, eu era a única pessoa que tinha chegado às 09h30. Com as chuvas intensas as pessoas têm de sair de casas mais cedo. Se fizerem os horários normais vão chegar atrasadas”, afirmou. “As pessoas têm de tomar precauções. Sugiro também que instalem a aplicação móvel dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, para saberem as previsões do tempo e de chuvas intensas”, frisou.
Cheias Executivo à espera de resposta do Governo Central para construção de comporta
O projecto da construção da comporta contra marés continua à espera de resposta do Governo Central. O ponto de situação foi feito ontem na Assembleia Legislativa por Shin Chung Low Kam Hong, subdirector das Obras Públicas. As autoridades centrais são uma parte interessada no processo, uma vez que a comporta poderá afectar as águas no lado de Zhuhai. “Concluímos o estudo de viabilidade em Abril e apresentámos um projecto revisto ao Governo Central. Estamos à espera da resposta”, explicou o dirigente, em resposta a uma interpelação do deputado Leong Sun Iok, dos Operários.
Assembleia Mi Jian esteve no plenário
Apesar de estar a ser investigado pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC), na sequência de uma carta anónima que denunciou várias irregularidades na Direcção de Serviços de Estudos e Políticas e Desenvolvimento Regional, o director Mi Jian esteve na Assembleia Legislativa e garantiu que o Executivo vai “proteger os recursos de solos” e manter o “desenvolvimento económico de Macau”. Mi Jian sublinhou também que Chui Sai On não atribuiu nenhuma concessão a privados nos novos aterros. A questão foi colocada pelo deputado Ng Kuok Cheong e mais nenhum deputado interveio sobre o assunto.
política 5
terça-feira 6.8.2019
Voto menor
Para Si Tou Fai, o colégio eleitoral deve ser “amplamente representativo” das intenções de voto da população, pelo que deve ser eleito por ela
Macau People Power quer colégio eleitoral eleito democraticamente
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Associação Macau People Power entregou ontem uma carta ao Governo a pedir que os eleitores qualificados de Macau possam ter direito a eleger os 400 membros da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo na Sede do Governo. Como argumento para a reivindicação, o presidente da associação, Si Tou Fai, recordou o princípio “Um País, Dois Sistemas” proposto pelo ex-presidente chinês Deng Xiaoping, que confere a Macau e a Hong Kong, as duas regiões administrativas especiais da China, “um alto grau de autonomia”. Como tal, seria prevista a implementação de uma eleição democrática “mais moderna”. “No entanto, para a eleição do quinto Chefe do Executivo, o Governo voltou a adoptar o método PUB
do “voto de membros do grupo”, para eleger os membros do colégio eleitoral, lamentou. Embora a Lei Básica de Macau não determine que o Chefe do Executivo possa ser eleito pelos residentes, para Si Tou Fai, o colégio eleitoral deve ser “amplamente representativo” das intenções de
voto da população, pelo que deve ser eleito por ela.
POUCO EXEMPLAR
Por outro lado, este ano marca o vigésimo aniversário do “Retorno de Macau à Pátria”, e é o momento em que se realiza a quinta eleição do Chefe do Executivo do territó-
rio, sendo que em Janeiro, numa palestra por ocasião dos 40 anos da divulgação da “Mensagem aos Compatriotas de Taiwan”, o actual Chefe do Executivo, Chui Sai On, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng e único candidato ao mais alto cargo do Governo, afirmaram que Macau
implementou com sucesso o princípio “Um País, Dois Sistemas”, salientando que Macau é um “exemplo de sucesso”, apontou Si Tou Fai aos jornalistas na altura em que entregava a missiva ao Governo. O representante da Macau People Power sublinhou ainda que devido à recente situação de conflitos em Hong Kong, o Governo de Taiwan e os seus residentes consideram que o princípio de “Um País, Dois Sistemas”, e um alto grau de autonomia não passa de uma mentira. O mesmo se aplica à actual situação eleitoral de Macau, “em ter apenas um único candidato ao cargo de Chefe do Executivo”. Desta forma é impossível convencer Taiwan a acreditar no princípio proposto por Deng Xiaoping e na autonomia que o ex-presidente chinês ambicionava para as regiões especiais da China. Juana Ng Cen (com S.M.M.) info@hojemacau.com.mo
6 política
Novo Macau exigiu e ganhou consulta pública sobre fundo de 60 mil milhões
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HOJE MACAU
Associação Novo Macau (ANM) entregou ontem uma carta ao Chefe do Executivo para que fosse retirada da votação plenária de amanhã a proposta de “Alteração à Lei Orçamental de 2019” que previa a criação da sociedade de gestão do Fundo de Investimento e Desenvolvimento”, com uma dotação de 60 mil milhões de patacas de capital público. A pretensão dos pró-democratas viria a ser conseguida ao final da tarde de ontem. O deputado Sulu Sou assinalava, em conferência de imprensa ao fim da manhã, a “tentativa apressada” do Governo em aprovar a medida, anunciada uma semana antes aos membros da Assembleia Legislativa (AL), sem ter entregue qualquer “informação ou documentação relevante sobre os estatutos da empresa, a forma de selecção dos candidatos aos quadros de topo, o plano de investimentos, a estrutura de pessoal, os actos e decisões que vão estar sujeitos a publicação ou relatórios”, entre outras dúvidas que considera descredibilizar o Executivo na recta final do seu mandato. Uma das principais denúncias do deputado pró-democrata é a “muito pouca transparência” que envolve esta proposta, sem passar por qualquer consulta pública e sem necessitar de divulgar informações específicas sobre o que vai fazer com os dinheiros do erário público. Sulu Sou condenou assim a atitude dos governantes, que quererem introduzir com urgência o tema “no vagão do último comboio”, para evitar a discussão com a sociedade antes do final do mandato.
A Novo Macau acusou o Governo de tratar a AL como mera “entidade carimbadora de leis”, e de querer “utilizar de forma arbitrária o dinheiro público consoante a sua vontade”. Sulu Sou acrescentou ainda que “não havia necessidade de o Governo estar agora a criar uma situação de descontentamento social”, a poucos meses das comemorações do 20º aniversário da transferência de soberania de Macau.
POPULAÇÃO DESCONTENTE
Sulu Sou relembrou também as semelhanças deste caso com a antiga proposta de lei das compensações para os altos cargos dirigentes, que acabou por cair em 2014, depois da população local sair indignada para as ruas. A maior preocupação da ANM é o vazio legal em relação a este tipo de empresas privadas criadas para gerir fundos públicos. “Actualmente, não existe nenhuma lei específica para monitorizar esse tipo de entidades de capitais públicos. E tanto o Governo como a Comissão dos Assuntos Financeiros da AL estão bem conscientes disso, mas não tentaram resolver essa lacuna legislativa. E continuaram a criar mais e mais sociedades como esta”, revelou Sulu Sou, que adianta existirem “pelo menos outras 16 empresas fundadas com capitais públicos em Macau”, sem que haja fiscalização da sua actividade ou dos lucros eventualmente obtidos. Também não existe obrigação legal para que estas sociedades publiquem relatórios anuais ou divulguem o balanço financeiro, comentou o deputado. R.M.
Arrepiar caminho FUNDO CRIAÇÃO DE SOCIEDADE GESTORA JÁ NÃO VAI SER VOTADA NA AL
A proposta de alteração orçamental que prevê a criação da sociedade gestora do Fundo para o Desenvolvimento e Investimento da RAEM não vai ser votada amanhã na Assembleia Legislativa. A decisão repentina foi dada a conhecer ontem por Chui Sai On, com a justificação de que necessita de consulta pública
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Governo percebeu ontem que era necessária uma consulta pública para recolher opiniões dos residentes sobre a proposta de alteração orçamental de 2019 que prevê a criação da sociedade gestora do Fundo para o Desenvolvimento e Investimento da RAEM. A proposta que estipulava a injecção de 60 mil milhões de patacas do erário público no referido fundo, com votação na generalidade marcada para o plenário da Assembleia Legislativa (AL) de amanhã, foi retirada da agenda do hemiciclo. “É preciso prestar o devido esclarecimento à população e avançar para a consulta pública “, apontou o Chefe do Executivo, Chui Sai On, ontem numa conferência de
imprensa agenda com meia hora de antecedência, fazendo antever a urgência da comunicação. “Estamos a verificar que a sociedade tem grandes dúvidas e opiniões e achamos que é necessário fazer uma consulta pública”, acrescentou o Chefe do Governo. A tomada de decisão permite “oportunidades para auscultar
“Estamos a verificar que a sociedade tem grandes dúvidas e opiniões e achamos que é necessário fazer uma consulta pública.” CHUI SAI ON CHEFE DO EXECUTIVO
mais opiniões e prestar mais esclarecimentos”, completou o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong. Para já, a proposta não será votada na generalidade, como previsto, e será sujeita a consulta pública, decisão que segundo Lionel Leong foi tomada momentos antes da conferência de imprensa. “A consulta pública foi decidida há pouco” disse. Após a auscultação das opiniões dos residentes, será realizado um relatório de modo a proceder, se necessário, “a um reajustamento”, apontou o secretário. “Findo o relatório já saberemos se a proposta vai sofrer alterações (...) e achamos que a opinião da população é uma base para a criação deste sistema e também pode ser uma boa refe-
Fundo Coutinho critica “escândalo” através de vídeo no Youtube Pereira Coutinho considera “inadmissível” o “escândalo do desvio de 60 mil milhões do erário público”, anunciando que iria “votar contra” tal decisão na reunião plenária de amanhã, que, entretanto, excluiu a respectiva matéria da agenda. O deputado manifestou a sua posição, através de um vídeo publicado no Youtube, onde revelou estar contra a proposta de alteração da Lei Orçamental de 2019 para a criação da sociedade gestora do fundo. Pereira Coutinho considera que o Governo pretendia forçar a iniciativa, sem
consulta pública e sem esclarecimentos prestados aos legisladores, apesar dos “200 milhões entregues à Viva Macau através do FDIC que, até hoje, não estão explicados” e enquanto espera resposta do “CCAC que ainda não conseguiu apurar responsabilidades” sobre o sucedido. O deputado comentou que “60 mil milhões para uma empresa fazer aplicações financeiras é um grande risco”, lembrando semelhantes experiências feitas pelos governantes de Singapura que esvaziaram os cofres da cidade-estado.
RÓMULO SANTOS
Ó meus amigos, não havia necessidade
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LEGISLAÇÃO FALTA DE LEI PERMITE ABUSOS NÃO ESCRUTINADOS
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rência para o próximo Governo”, acrescentou Chui Sai On.
PROJECTO ADIADO
Desta forma, a criação da sociedade gestora do Fundo para o Desenvolvimento e Investimento da RAEM vai ser adiada, podendo mesmo não avançar este ano, apontou Lionel Leong, ao mesmo tempo que salientou a importância da iniciativa. “De modo a gerir de forma eficaz a reserva financeira da RAEM,
achamos necessário ter mais contribuições da verba pública. Em 2014 concluímos que se Macau criar um fundo de verbas públicas pode ter mais retribuições”, apontou. Foi esta a razão que levou a à inclusão do fundo no plano quinquenal, pelo que em 2019 o Governo “gostaria de materializar” a iniciativa. O plano era para já ter sido cumprido em 2018, no entanto “estávamos no fim do ano e por isso não efectuámos a alteração
orçamental”. Por outro lado, o Executivo não sabia na altura a melhor forma seria criar uma empresa pública ou uma sociedade gestora. Também esclarecida ontem ficou a intenção de Chui Sai On em não ocupar cargos nesta nova entidade. “Eu não vou assumir qualquer cargo nesta sociedade”, sublinhou várias vezes. Chui aproveitou a ocasião para revelar os seus planos futuros. “Gostaria de descansar e de
acompanhar a minha família. Tive a minha missão ao longo destes 20 anos. Amo Macau e amo a pátria e espero continuar a contribui para Macau e para a pátria”, disse. Fora da agenda de amanhã da AL fica ainda a votação na generalidade da proposta de lei de combate à criminalidade informática. O motivo prende-se com a ausência de Macau do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
Assembleia Legislativa Agnes Lam congratula retirada da proposta Agnes Lam disse ontem ao HM que a retirada, da Assembleia Legislativa (AL), da proposta de lei que iria criar a sociedade gestora do Fundo para o Desenvolvimento e Investimento da RAEM, por parte do Chefe do Executivo, foi uma boa medida. “Dou as boas vindas a esta decisão, acho que é a coisa mais certa a fazer, porque não temos quaisquer informações. Perguntei a uma fonte mais próxima do Governo que
também não tem quaisquer informações.” Agnes Lam condena a decisão tomada sem um “pré-aviso e diálogo sobre a forma como o dinheiro vai ser investido”, e exige uma uniformização sobre os critérios de criação de empresas públicas. “O secretário disse-nos na reunião de comissão que a única lei que está a ser seguida são os regulamentos da própria empresa, mas já fizemos notar na reunião que esses
regulamentos não são suficientes, porque qualquer tipo de empresa pode ter acesso a benefícios ou ter liberdade de aumentar salários e essa não é uma boa prática. Não há uma forma uniformizada para criar este tipo de empresas, há formas diferentes de funcionamento. É necessária regulamentação, caso contrário, como vamos monitorizar os gastos?” questionou Agnes Lam à saída do plenário de ontem.
vazio legal sobre a criação de empresas privadas de gestão de fundos públicos não é novidade, segundo a Associação Novo Macau, que ontem nomeou alguns casos em que nada se sabe sobre a respectiva actividade até à data. A opinião pública local tem criticado o Executivo pelos sucessivos exemplos de constituição destes “reinos independentes e não regulamentados” à custa do dinheiro público. Os casos das empresas Tai Lei Loi Building Development Company e Lei Pou Fat Building Development Company, que anunciaram repentinamente a sua liquidação, não foram explicados pelo Governo, que nunca revelou a situação financeira das mesmas nem o montante recuperável pelo tesouro público após as respectivas liquidações, lembraram os pró-democratas. Já o exemplo da Macau Investment and Development Company, constituída em 2011, é outro modelo de “difícil supervisão”, por adoptar uma hierarquia de poderes que se subdivide “em 3 subsidiárias, que por sua vez controlam outras 17 subsidiárias”. Todas elas justificam a sua actuação com afirmações latas de investimento em “projectos para desenvolver a Região da Grande Baía” ou para “participar na cooperação regional” ou ainda para “promover o desenvolvimento e diversificação da economia de Macau”. A Novo Macau recordou ainda o contributo dos 20 mil milhões de yuans para o Fundo de Desenvolvimento e Cooperação Guangdong-Macau, no ano passado, cujo acordo prevê a possibilidade de virem a ser injectados até 100 mil milhões de yuan, sem que se saiba qual é a participação local na tomada de decisões sobre a aplicação das verbas naquela província. R.M.
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ESTATÍSTICAS E CENSOS CAPITAL DE NOVAS SOCIEDADE CRESCE EXPONENCIALMENTE
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ADOS oficiais da Direcção de Estatísticas e Censos (DSEC) revelam que no primeiro semestre deste ano constituíram-se 3.278 sociedades, mais 3,3 por cento face a igual período de 2018. O capital social destas sociedades cifrou-se em 3,40 mil milhões de patacas, o que representa
um aumento de 647 por cento. Nos primeiros seis meses dissolveram-se 421 sociedades, que registavam um capital social de 157 milhões de patacas. Em termos anuais, e até ao segundo trimestre deste ano, o número de sociedades registadas totalizou 69.042, ou seja, mais 5.255. Olhando
Conhecido por se ter envolvido numa altercação com o activista Edward Leung, Lo Wingying, trabalhador do jornal de Hong Kong Ta Kung Pao fez-se passar por profissional do Jornal Tribuna de Macau para cobrir as manifestações da região vizinha
para os números relativos apenas ao segundo trimestre, houve menos 55 sociedades constituídas, num total de 1665 empresas criadas, face a igual período de 2018. Pelo contrário, houve um aumento de 879,6 por cento no seu capital social, cifrando-se em 2,16 mil milhões de Patacas.
De entre as sociedades constituídas no segundo trimestre, 529 exploraram as actividades do comércio por grosso e a retalho e 395 os serviços prestados às empresas. No trimestre de referência dissolveram-se 211 sociedades e o capital social destas sociedades alcançou 76 milhões de patacas.
O capital social das sociedades de Macau cifrou-se em 1,93 mil milhões de patacas, representando 89,4 por cento do total. O capital social das sociedades constituídas de Hong Kong foi de 151 milhões de patacas, enquanto que das empresas oriundas do Interior da China ficou-se
HK JORNALISTA FALSIFICA CARTÃO DO JTM PARA COBRIR MANIFESTAÇÕES
O funcionário 426
o jornal Ta Kung Pao é marcadamente pró-Pequim, com posições e notícias muitas vezes vistas como apenas a “voz do dono”, ou seja, um meio para o Governo Central passar mensagens. Numa das manifestações a 16 de Junho, que passou à frente da sede do jornal, houve vários gritos contra a publicação. Um dos slogans mais repetidos foi o pedido para que o Ta Kung Pao fosse comer fezes.
“Não sei quem é, mas vou ponderar apresentar queixa dele. [...] Mas, o facto de ter o número 426 até dá vontade de rir... parece que temos uma redacção enorme.”
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jornalista Lo Wing-ying fez-se passar por profissional do Jornal Tribuna de Macau (JTM) para fazer a cobertura dos incidentes em Hong Kong. O caso foi revelado ontem pela Campus TV, canal da Associação de Estudantes da Universidade de Hong Kong, que apresenta imagens do cartão falsificado da publicação de Macau. Na identificação falsa, Lo Wing-ying aparece com o nome de Lo Ho-yin. A posição assumida no JTM seria a de repórter e o número de funcionário o 426. Quando a Campus TV divulgou a notícia, avançou que o cartão era falsificado e que Lo é trabalhador do Ta Kung Pao, publicação pró-Pequim de Hong Kong. Ao HM, o administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Rocha Diniz, confirmou que não existe qualquer funcionário com este nome e que a identidade dos
em 72 milhões de patacas. As sociedades provenientes de cidades que constituem o projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau contabilizaram um capital social de 62 milhões de patacas, sendo que só a cidade de Zhuhai representou 90,1 por cento desse montante.
JOSÉ ROCHA DINIZ ADMINISTRADOR DO JTM
repórteres do JTM pode ser confirmada através da ficha técnica da publicação. “Não é repórter e não conheço essa pessoa. Aliás, como se pode ver pela ficha técnica [do jornal]. Nem sei quem é essa pessoa. Essa pessoa não existe [no jornal]”, disse o administrador. “Não sei quem é, mas vou ponderar apresentar queixa dele. Não existem acreditações
do tribuna a não ser para os nossos jornalistas. Mas, o facto de ter o número 426 até dá vontade de rir... parece que temos uma redacção enorme”, acrescentou. José Rocha Diniz fez ainda questão de frisar que não tem qualquer ligação com o jornalista ou a publicação em causa: “É evidente que não tenho nada a ver com isto”, sublinhou.
No cartão apresentado por Lo pode ainda ler-se a palavra “pressione”, uma tradução automática para português da palavra “imprensa”.
CARA CONHECIDA
O facto de Lo Wing-ying utilizar um cartão falso para fazer a cobertura dos eventos está relacionada com dois aspectos. Por um lado,
Por outro lado, Lo não é uma cara totalmente desconhecida do público. A 13 de Agosto de 2016, o jornalista terá alegadamente atacado o activista Edward Leung, na estação de metro de Taikoo. Como resultado, Lo e Edward Leung foram detidos e posteriormente libertados, com a promessa de que não cometeriam mais infracções à lei durante um período de 12 meses. Tiveram ainda de pagar mil dólares de Hong Kong. Depois da notícia da falsificação começar a circular, o jornal Ta Kung Pao emitiu um comunicado a condenar alegadas agressões a um dos seus jornalistas, na noite de domingo. Segundo a publicação da região vizinha, parte do material do seu funcionário foi roubado. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
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terça-feira 6.8.2019
Fraude Judiciária alerta cidadãos para não confiarem em questionário
A Polícia Judiciária (PJ) emitiu ontem um comunicado onde esclarece os cidadãos para não acreditarem num rumor que circula na Internet de que, alegadamente, várias pessoas preencheram um questionário e, posteriormente, ficaram com uma dívida no valor de 100 mil patacas. A PJ adiantou ainda que, até ao momento, não recebeu quaisquer queixas sobre o assunto, tendo apelado aos cidadãos para verificarem todas as informações antes de apresentar queixa, para evitar causar especulação ou pânico.
SUNCITY GROUP ALVIN CHAU IMPEDIDO DE ENTRAR NA AUSTRÁLIA
PJ Detido alegado operador de uma rede de cartões de crédito falsos
Um homem oriundo do Zimbabwe, com 46 anos de idade, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) por alegadamente ter feito pagamentos numa pensão com um cartão de crédito falso. A investigação preliminar das autoridades concluiu que o homem terá sido contratado por uma rede criminosa de falsificação de cartões de crédito para operar a mesma rede em Macau. Suspeita-se que desde Junho o homem terá feito cerca de 30 pagamentos no valor total de dez mil dólares de Hong Kong. A PJ descobriu ainda que os dados dos cartões de crédito incluem países como a Austrália, Estados Unidos, Inglaterra e África do Sul, tendo sido detectados seis cartões falsos. O indivíduo já foi presente ao Ministério Público, sendo suspeito do crime de contrafacção, passagem de moeda falsa e burla informática.
Joias da coroa
Alvin Chau está proibido de entrar na Austrália pelo Ministério do Interior australiano, por suspeita de ligação a organizações criminosas envolvidas em lavagem de dinheiro em larga escala. Chau reagiu, afirmando que não pretende ir à Austrália nos próximos doze meses
O
presidente executivo do Suncity Group, Alvin Chau, foi impedido de entrar na Austrália pelas autoridades locais. O motivo apontado foi o alegado envolvimento da maior empresa de junkets que opera em Macau em crimes de branqueamento de capitais, em associação com a operadora Crown Resorts Limited que explora os casinos australianos, revela o jornal The Age. A suspeita partiu de uma investigação jornalística que envolveu as plataformas The Age, The Sydney Morning Herald e o 60 Minutes
“As personalidadeschave da Suncity Group demonstraram ligações com numerosas tríades de sociedades e figuras do crime organizado.” RELATÓRIO DO JOCKEY CLUB DE HONG KONG DE 2017
que ligava a Crown a associações criminosas, com as quais mantinha esquemas de lavagem de dinheiro. De acordo com as reportagens, uma entidade ligada ao jogo em Macau teria sido directamente licenciada pela Crown para operar na Austrália e exercer a actividade de junket, atraindo grandes apostadores. A investigação baseou-se no acesso a e-mails internos, documentos privados e depoimentos de ex-trabalhadores do grupo Crown.
ALERTA DADO
Os media australianos revelam ainda a ligação da Crown com o Suncity Group, comprovada por um relatório interno do Hong Kong Jockey Club de Maio 2017 em que, as autoridades australianas indiciam os responsáveis do grupo junket como suspeito de ligações a figuras do crime organizado relacionadas com “operações de lavagem de dinheiro em larga escala”. O relatório avança que “as entidades responsáveis do Suncity Group (...) [incluindo] Alvin Chau (...) colocam riscos criminais e de reputação ao clube [Hong Kong Jockey]”. “As personalidades-chave
da Suncity Group demonstraram ligações com numerosas tríades de sociedades e figuras do crime organizado", dizia o relatório, acrescentando que Chau e um colega eram supostamente membros da tríade de 14K. Segundo o The Age, a parceria entre o Suncity Group e a Crown estende-se à exploração de jogo VIP no Crown Casino Melbourne, e também ao seu rival na Austrália, o The Star. Em resposta às acusações, a Crown Resorts Limited acusa o trabalho dos jornalistas de ser “sensacionalista” e “infundado”. Já Alvin Chau reagiu ontem através de um comunicado enviado pelo grupo Suncity à Bolsa de Hong Kong a referir que não tinha qualquer conhecimento da investigação por parte das autoridades australianas e que não pretendia deslocar-se àquele país nos próximos doze meses.
O MELHOR PARCEIRO
Para aumentar as receitas do jogo VIP proveniente de jogadores internacionais, a direcção executiva da Crown Resorts Limited começou,
em 2014, a reforçar os laços com o Suncity Group, refere a mesma fonte, acrescentando que, “como muitos dos principais operadores de casinos, a Crown contorna as leis chinesas que proíbem o fluxo de grandes somas de dinheiro da China continental”. O Suncity Group traz assim apostadores de alto risco, oferece empréstimos sem juros e faz a cobrança das dívidas, contextualiza o The Age. Na altura, o chefe de marketing internacional da Crown Resorts Limited, Michael Chen afirmava que “O Suncity é o maior grupo de junkets em Macau e está a tornar-se numa peça importante no sector do jogo”. “A sua abordagem agressiva, a projecção de marca e orientação de serviço fazem deles um óptimo parceiro para a Crown”, acrescentava um memorando da operadora.
POR CÁ TUDO BEM
Recorde-se que o Suncity Group foi, no mês passado, acusado por um jornal do grupo da agência estatal chinesa Xinhua de ter um mega-esquema de jogo online no Interior da China, com recurso a cartões de telemóvel de Macau, para a realização de apostas à distância. Depois da publicação do artigo no Economic Information Daily, o Suncity Group emitiu um comunicado a negar qualquer prática ilegal. Após a notícia, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos reuniu com um representante da companhia de junkets e avisou a que mesmo as actividades fora de Macau podem fazer com que lhe seja retirada a licença para operar como promotora do jogo. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
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6.8.2019 terça-feira
O
cineasta norte-americano D.A. Pennebaker, considerado um mestre do género documental e muito atento à música popular, morreu na quinta-feira aos 94 anos, informou ontem a revista especializada Variety.
O realizador, que filmou documentários sobre Bob Dylan, David Bowie ou o Festival de Monterrey de 1968 foi uma figura central do designado “Direct Cinema”, um subgénero do documental que na década de 1960 tentou reflectir a
ERIC WONG
ÓBITO MORREU O REALIZADOR DONN ALAN PENNEBAKER, MESTRE DO DOCUMENTÁRIO realidade da forma mais objectiva possível, incluindo a espontaneidade e sem omitir no resultado final os erros técnicos ou as imperfeições. Em 2012, Pennebaker, natural de Evanston (Illinois), recebeu um Óscar honorífico pelo seu longo percurso, onde sobressaem documentários não ficcionais como “Bob Dylan: Dont Look Back” (1967), “Monterey Pop” (1968), “Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” (1973), “The War Room” (1993), “Down from the Mountain” (2000), “Elaine Stritch at Liberty” (2002) ou “Kings of Pastry” (2009). Após os seus primeiros passos no cinema e na direcção de várias “curtas”, participou em “Primary” (1960), um influente documentário sobre o confronto entre dois políticos norte-americanos, John F. Kennedy e Hubert H. Humphrey, para a nomeação democrata na corrida à Casa Branca. PUB
A YunYi “reúne artistas de Macau com outros artistas internacionais de vários pontos do globo, a fim de promover uma partilh
Ilustraçõ
EXPOSIÇÃO DEPOIS DE LONDRES, INICIATIVA DA ASSOCIAÇÃO YUNYI
A capital do Reino Unido foi a morada escolhid para a exposição itinerante deste ano. Um total Europa. Os trabalhos chegam ao Oriente este m
H
Á muito que a Associação de Artes e Comunicações Culturais YunYi (YunYi Arts & Cultural Communications Association) se dedica a mostrar obras de arte de artistas consagrados e dos que estão a dar os primeiros passos nesta área. O objectivo é que estas obras não fiquem num sítio específico mas sejam apresentadas não apenas
em Macau mas também ao público europeu. Desta vez o local escolhido para a exposição, intitulada “London x Macao Art of Illustration” foi, tal como o nome indica, a capital londrina, tendo curadoria de Eric Wong. Um total de 20 artistas, dez de Macau e dez de Londres expuseram os seus trabalhos, com o objectivo de “promover os artistas naturais de Macau e também
uma colaboração cultural”, disse Eric Wong ao HM. A exposição esteve patente apenas entre os dias 2 e 4 de Agosto, na Leyden Gallery, mas não quer dizer que a iniciativa se esgote aqui. Christine Hong Barbosa, presidente da associação, disse ao HM que as obras vão voltar a estar expostas em Macau já este mês e em Dezembro, na galeria da Fundação Rui Cunha.
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terça-feira 6.8.2019
ARNELLE
GRANDE MURALHA DA CHINA BADALING GANHOU CONTROLO DE TURISTAS
B
ha intelectual de ideias entre todas as culturas”
ões globais
I REGRESSA A MACAU
da pela Associação de Artes e Comunicações Culturais YunYi de 20 artistas, dez de Londres e dez de Macau, expuseram na mês e em Dezembro, ficando expostos na Fundação Rui Cunha De Macau participam artistas como Angela Ramos, Eric Wong, Christina Kong e Dilys Leong, entre outros. No que diz respeito aos artistas londrinos, constam nomes como Arnelle Woker, Adam Latham ou Qiong Wu. Christine Hong Barbosa adiantou ao HM que a escolha dos artistas acabou por acontecer de forma natural, uma vez que muitos deles já conheciam o projecto.
“Estamos próximos e fomos recomendados por pessoas que conhecem o nosso evento. Alguns são artistas que descobrimos online ou através de diferentes plataformas. Alguns são artistas emergentes, outros já estão no mercado e alguns estão interessados em tornar-se artistas”, referiu.
PARTILHAS EM REDE
O principal foco desta mostra é a ilustração. Nas palavras
de Christine Hong Barbosa, “a ilustração constitui uma representação geográfica de um mundo real ou imaginário, incluindo uma matriz de técnicas como o retrato, a fotografia ou a pintura”. Esta representação artística “é usada para transmitir pensamentos, sentimentos, factos e emoções, com o papel de atrair as atenções, persuadir, criar contexto, informar, entreter um público ou levar a uma compreensão”.
Com este evento, a YunYi pretende “criar uma rede entre a comunidade de artistas emergentes e consagrados e providenciar-lhes a oportunidade de partilharem informação sobre os novos desenvolvimentos do seu trabalho, para que se possam promover”. Além das exposições, a associação também promove seminários e workshops a fim de “aumentar a consciência
sobre esta forma particular de arte junto do grande público”. Christine Hong Barbosa frisou ainda que o principal objectivo da associação que dirige sempre foi “colaborar com organizações artísticas que trabalham para promover a arte e a cultura de e à volta de Macau”. “O nosso objectivo é providenciar aos artistas locais as oportunidades para que possam expandir e fazer crescer as suas carreiras, e para que possam partilhar o seu trabalho junto do grande público numa larga escala”, adiantou. Além disso, a YunYi “reúne artistas de Macau com outros artistas internacionais de vários pontos do globo, a fim de promover uma partilha intelectual de ideias entre todas as culturas”. “Esperamos que este projecto nos faça dar um passo em frente para atingir o nosso objectivo”, rematou a responsável da associação. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
ADALING deixou de ser a zona mais visitada da Grande Muralha da China, em Pequim, desde que as autoridades chinesas impuseram um limite de 65 mil turistas por dia a partir do dia 1 de Junho deste ano. De acordo com a agência noticiosa Xinhua, esse número foi estabelecido para garantir a segurança não apenas dos turistas mas também do monumento. Ainda assim, no final do mês de Julho a zona de Badaling tinha recebido mais de 2.23 milhões de visitantes, tendo sido lançados quatro alertas vermelhos sobre o excesso de capacidade do local. Só em 2018 mais de 9.9 milhões de pessoas visitaram Badaling, tendo o número de turistas flutuado entre as épocas baixas e altas. A enorme popularidade do local afectou o lado patrimonial, pelo que passou a ser obrigatória a marcação de visitas, de acordo com as autoridades que gerem a zona. Localizada no distrito de Yanqing, em Pequim, a 60 quilómetros na zona norte da capital, Badaling tem sido o local mais conhecido para visitar a Grande Muralha da China. Muitas personalidades estrangeiras passaram pelo local desde a década de 50.
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6.8.2019 terça-feira
Transportes Aeroporto de Hong Kong cancela mais de 200 voos
HONG KONG DETIDOS 420 MANIFESTANTES DESDE O INÍCIO DOS PROTESTOS
O perigo mora ao lado Em dia de greve geral e de novos confrontos que levaram à detenção de mais 82 manifestantes, Carrie Lam deu finalmente a cara, após duas semanas de silêncio, para dizer que a cidade enfrenta “uma situação muito perigosa” e que o princípio “um país, dois sistemas” está a ser posto em causa
A
polícia de Hong Kong anunciou que deteve 420 pessoas desde que os protestos começaram, há nove semanas, incluindo 82 durante as manifestações de ontem, que resultaram na interrupção de linhas de metro e voos cancelados (ver texto ao lado).
Em conferência de imprensa, a polícia de Hong Kong revelou que disparou gás lacrimogéneo por mil vezes e cerca de 160 balas de borracha, durante o mesmo período. Os protestos de ontem interromperam o metropolitano da cidade e levaram ao cancelamento de mais de 200 voos, enquanto manifestantes se espalharam
pelo território, bloqueando várias estradas. A polícia de choque deteve dezenas de manifestantes antigovernamentais e usou gás lacrimogéneo no bairro de Wong Tai Sin, visando dispersar manifestantes que bloqueavam uma estrada. As autoridades voltaram a disparar gás lacrimogéneo nas imediações da sede do governo local, onde manifestantes atiravam ovos e tijolos contra o edifício e tentavam furar as barreiras colocadas pela polícia. A líder do executivo de Hong Kong disse que a cidade está "à beira de uma situação muito perigosa" devido aos protestos, mas o Governo está determinado em garantir a ordem pública.
OS DIAS DO CAOS
No dia em que se realizou uma greve geral convocada pelo
PUB
DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS EDITAL FIXAÇÃO DO RENDIMENTO COLECTÁVEL DO IMPOSTO PROFISSIONAL RESPEITANTE AO EXERCÍCIO DE 2018 Faz-se saber que, o apuramento do rendimento colectável dos contribuintes do 1.º grupo (assalariados e empregados por conta de outrem) e do 2.º grupo (profissões liberais e técnicas) do imposto profissional, respeitante ao exercício de 2018, já se encontra concluído. De harmonia com o disposto no artigo 23.º, n.º 1, do Regulamento do Imposto Profissional, que de 16 a 30 de Agosto e durante as horas do expediente, o rendimento colectável apurado estará patente ao exame dos respectivos contribuintes, nos seguintes sítios: 1 Edifício “Finanças” – 2.º Centro de Serviços 2 Centro de Serviços da RAEM – Atendimento Fiscal Centro de Serviços da RAEM das Ilhas – Atendimento 3 Fiscal Podendo os residentes de Macau ou os titulares do Título de Identificação de Trabalhador Não-residente examinar com o seu documento de identificação, o resultado do apuramento do rendimento colectável acima mencionado, através do Quiosque de auto-atendimento da DSF; podendo os contribuintes inscritos como utilizadores do “Serviço Electrónico” destes Serviços examiná-lo através da página electrónica da DSF (www.dsf.gov.mo). Caso não se conformem com o rendimento fixado, os contribuintes podem reclamar, por forma escrita, para a Comissão de Revisão até 30 de Agosto, não terminado, porém, o prazo, sem que hajam decorridos vinte dias sobre a data do registo dos avisos postais enviados aos contribuintes, nos termos do artigo 79.º, n.º 2 do mesmo Regulamento. Aos 10 de Julho de 2019. O Director dos Serviços Iong Kong Leong
M
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movimento pró-democracia e que está a causar grandes perturbações nos transportes, Carrie Lam sublinhou que as acções de protesto estão
Os protestos de ontem interromperam o metropolitano da cidade e levaram ao cancelamento de mais de 200 voos, enquanto manifestantes se espalharam pelo território, bloqueando várias estradas
a atingir sobretudo a classe trabalhadora, a desafiar o princípio "um país, dois sistemas" e a prosperidade da cidade, onde se vive o caos e a violência. Hong Kong vive há dois meses um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental. A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora aquilo que os manifestantes afirmam ser uma "erosão das liberdades" na antiga colónia britânica.
AIS de 200 voos de e para Hong Kong foram ontem cancelados devido à greve geral convocada pelo movimento pró-democracia, num dia marcado por um protesto que paralisou parcialmente o serviço de metro na cidade. Um terço dos controladores de tráfego aéreo juntou-se ao protesto contra as emendas à lei da extradição e está a condicionar fortemente as operações no Aeroporto Internacional de Hong Kong, segundo a emissora pública RTHK. Aquele que é um dos aeroportos mais movimentados do mundo reduziu drasticamente as suas operações de voo e está a utilizar apenas uma das duas habituais pistas. A Cathay Pacific e outras companhias aéreas domésticas, como a Hong Kong Airlines, foram as mais afectadas pelos cancelamentos. Os protestos de ontem, após dois dias de confrontos entre manifestantes e a polícia, já causaram a suspensão total ou parcial de pelos menos oito linhas de metro, indicou o jornal South China Morning Post (SCMP). Esta é a terceira vez em três semanas que os manifestantes interrompem o serviço do metropolitano. O serviço de comboio rápido que liga o centro da cidade ao aeroporto também foi suspenso.
Inundações Doze pessoas mortas em local turístico em Hubei
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Doze pessoas morreram e uma continua desaparecida na sequência de uma inundação num local turístico no centro da China, informou ontem a imprensa estatal. Os turistas ficaram encurralados ou foram levados pelas águas, após a chuva ter provocado a inundação na noite de domingo na garganta de Duobi, na província de Hubei, segundo a emissora estatal CCTV. Sessenta e uma pessoas foram resgatadas. As autoridades do condado de Hefeng emitiram um aviso, no mês passado, a proibir veículos e indivíduos de entrar na área onde ocorreu o incidente. O anúncio avisava que a área não tinha condições de receber turistas. A garganta de Duobi tem atraído turistas para passeios de barco nas suas águas cristalinas e para apreciar a paisagem pitoresca, mas muitos guias sem licença levam os turistas ao desfiladeiro.
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terça-feira 6.8.2019
A
S taxas de câmbio do yuan chinês face ao dólar norte-americano quebraram ontem a 'barreira psicológica' de 7 para 1, após o anúncio do Presidente dos Estados Unidos de impor novas tarifas aos produtos importados da China. De acordo com o portal de notícias financeiras chinês Yicai, cada dólar foi trocado por 7,0258 yuans, de acordo com a taxa "onshore" - aquela operada nos mercados locais, a cotação mais alta desde Abril de 2008. Quando a taxa "onshore" cresce é um sinal de que o renminbi (nome oficial da moeda chinesa) está a enfraquecer, já que é mais caro para os detentores de yuan comprar dólares. Enquanto isso, a taxa "offshore" - a que é operada em mercados internacionais como o de Hong Kong - subiu 1,38 por cento e ficou em 7,0683 yuans por dólar norte-americano. Foi a primeira vez que o yuan subiu acima de 7 em relação ao dólar, considerado por muitos analistas uma 'barreira psicológica' para os investidores, desde que o mercado 'offshore' foi aberto em Hong Kong em 2010.
YUAN ULTRAPASSADA BARREIRA DE 7 PARA 1 FACE AO DÓLAR
Jogo da moeda
As novas taxas sobre produtos chineses anunciadas por Donald Trump já levaram à depreciação do yuan para valores que rompem a ‘barreira psicológica’ de 7 para 1 face ao dólar norte-americano
Um porta-voz do Banco Popular da China disse que a depreciação do yuan é justificada por "medidas unilaterais e proteccionismo comercial", bem como "a imposição de aumento de tarifas contra a China"
Um porta-voz do Banco Popular da China disse, citado pelo mesmo portal, que a depreciação do yuan é justificada por "medidas unilaterais e proteccionismo comercial", bem como "a imposição de aumento de tarifas contra a China", numa clara referência ao último episódio da guerra comercial que Pequim e Washington mantêm desde março de 2018.
MERCADO FLUTUANTE
Na quinta-feira, o Presidente norte-americano Donald Trump anunciou a imposição de novas tarifas de 10 por cento sobre produtos chineses avaliados em 300 mil milhões de dólares até 01 de setembro. O Ministério do Comércio da China respondeu que ia retaliar, sem adiantar pormenores. Uma das principais queixas do Governo dos EUA no contexto do conflito comercial é de que Pequim manipula a moeda para evitar a valorização e, consequentemente, as exportações percam competitividade. Um yuan mais fraco significa que os produtos chineses são mais baratos, o que pode ajudar a conter o efeito negativo das novas tarifas dos EUA sobre a competitividade da economia de Pequim. Contudo, o Banco Popular da China indicou já que as flutuações do renminbi são ajustadas ao mercado, mas que a moeda chinesa "permanece estável e forte", garantindo ter "experiência, confiança e capacidade" para manter a estabilidade a um "nível apropriado" das taxas de câmbio no país. Além disso, o banco central anunciou "mão dura" contra a especulação de curto prazo.
Região TIMOR MAIS DE 87% DAS CRIANÇAS SÃO ALVO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
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AIS de 87 por cento das crianças em Timor-Leste são alvo de violência em casa, como forma de disciplina, indicou um relatório, de acordo com o qual o problema atingiu “proporções endémicas” no país e no Pacífico. O trabalho, de quatro organizações não-governamentais (ONG) com ampla experiência na região, Plan International, ChildFund, World Vision e Save The Children, refere que Timor-Leste é de entre oito países da região o que tem níveis mais elevados de violência contra as crianças em casa. Intitulado “Invisíveis, inse-
guros – O subinvestimento para pôr fim à violência contra crianças no Pacífico e Timor-Leste”, o relatório, divulgado na ONU no final do mês passado, adianta que perto de 613 mil crianças com menos de 14 anos (87,4 por cento do total) sofrem “disciplina violenta em casa”. Timor-Leste fica, com este valor, à frente de países como Vanuatu (83,5 por cento), Kiribati (81 por cento) ou Papua-Nova Guiné (75,7 por cento). Segundo o estudo, o problema atingiu “níveis endémicos” com mais de quatro milhões de crianças
na região a sofrerem disciplina violenta em casa ou, em alguns casos, abusos sexuais. Para a ONG Save the Children, o relatório mostra “níveis elevados chocantes de violência física, sexual e emocional contra as crianças da região”, algo que terá um impacto “profundo e a longo prazo” na população. O relatório refere que na região quase um quarto das adolescentes foram alvo de violência física e que mais de 10 por cento foram alvo de violência sexual.
CAXEMIRA ÍNDIA REVOGA AUTONOMIA ESPECIAL
O
Governo indiano anunciou ontem a revogação da autonomia constitucional de Caxemira, uma decisão explosiva para a região, marcada por conflitos separatistas. As autoridades nacionalistas hindus aprovaram um decreto presidencial para abolir um estatuto especial do estado de Jammu-Caxemira, garantido pela Constituição indiana. O anúncio foi feito no Parlamento pelo ministro do Interior, Amit Shah, e foi recebido com indignação por parte da oposição. Depois de uma reunião ao início da manhã, o responsável dirigiu-se ao Parlamento indiano
para anunciar a intenção de revogar o artigo 370 que concede o estatuto especial à região, único estado indiano de maioria muçulmana. "A partir do momento em que o Presidente dá o consentimento [à lei] e é publicado no Diário Oficial, nenhuma das disposições do artigo 370 será aplicável", disse Shah no parlamento, de forma quase inaudível, entre os gritos contínuos da oposição. O governante explicou aos membros da câmara alta que o Governo decidiu dividir o estado em dois territórios: Jammu e Caxemira, que terão um parlamento, e Ladakh, que
será governado diretamente pelo Governo central. A lei, artigo 370 da Constituição, proíbe que os indianos que não sejam naturais do estado de se estabelecerem permanentemente, de comprarem terras, de ocuparem cargos no governo local e de beneficiarem de bolsas de estudos. Caxemira é dividida entre a Índia e o Paquistão, duas potências nucleares que já travaram duas guerras pelo domínio daquele estado. Os dois países disputam a região montanhosa na totalidade, desde a partição subcontinente, em 1947, no final da época colonial britânica.
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Améila Vieira
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6.8.2019 terça-feira
A realidade não precisa de mim
Giacomo Leopardi
STEVE uma imensa Lua-Cheia, a última da Primavera, e o tempo é vertical nestes momentos e quase sempre estamos mais perto do espaço sideral; subitamente recordome como ela será no deserto e vejo então o «Pastor errante da Ásia» esse canto noturno de Leopardi! Nada nos traz mais viva a Galáxia que um poema destes, nem as sombras da noite nos cansam a marcha, nem a Lua nos entontece, há aqui um caminho de estrelas a seguir, que todas elas e a Lua nos oferecem rotas prodigiosas. Parece que se passa lá para o Médio Oriente, entre a terra do Sião e a Pérsia, é certamente próximo destes territórios, onde iria ele buscar os rebanhos e a contemplação de uma noite assim? - «... tu sabes, por certo, a que doce amor sorria a Primavera/ mil coisas tu sabes, mil coisas descobres, que ficam ocultas ao simples pastor.../ que quer dizer esta imensa solidão? E eu, quem sou?». Leopardi foi um dos maiores poetas italianos do século XIX, romântico, cen-
tral na cultura literária do seu tempo, a sua curta vida pareceu não ser um acaso feliz já que Leopardi de saúde frágil se tornou um enclausurado, nesta clausura teve mestres eclesiásticos dado a severa rigidez moral de uma família cuja mãe funcionava como o maior “aperto” para a cura. Nobre por nascimento, tinha na biblioteca paterna o único refugio e talvez a forma de pastorear o seu rebanho debaixo de uma Lua imaginária do tamanho da sua própria solidão. Era um classicista, um homem cheio de Mediterrânio; traduz Homero, é um pensador notável, um ensaísta brilhante e filólogo,
mas é na poesia que recorre à sua possível libertação de homem condenado. Ela ser-lhe-á vital para prolongar os dias da sua vida. O Iluminismo dá-lhe também alento de prosseguir na demanda de um pensamento, não só absolutamente bem estruturado, como libertador. Se nos detivermos na sua vida pouco fértil em movimento, vamos paradoxalmente achar nela um homem de visão cosmológica impressionante, como se na quietude observa-se de um ponto remoto o Universo, e poemas como «Infinito» estão plasmados no seu interior por janelas que contemplam a
Vagueia só pelas savanas e a morte ronda-lhe o corpo alto como um anel de vento. Esquelético e vertiginoso, esquece a sua demanda osmótica na paisagem, e salta para a vida como uma última fronteira
distância, e também esse pensamento, essa forma de sentir em meditação lhe conferem ampla beleza e acentuada lucidez. É um poema sublime! Projectase em grandes interrogações filosóficas e quase temos um taumaturgo que a partir de bases precárias indaga as suas desconhecidas sugestões como um enamorado face à maravilha da possível existência do amor. Leopardi, também aqui não foi feliz! Experiências dolorosas o deixam ainda mais à beira da fadiga e quase disfere um golpe cínico e fatal em « Aspasia» uma espécie de vingança, uma luta que trava no seu interior, este homem, que afinal tinha um coração imenso que batera toda a vida, fá-lo parar, sem antes dizer que era a única beleza do mundo, mundo que devia ser pequeno, a ver pela amplitude de como falava da imensidão. Leopardi morreu por esta altura de Junho, quem sabe se na última Lua-Cheia da Primavera, e é dos tais poetas que estão escondidos nas nebulosas dos nossos sonhos, mas que não podemos passar sem eles, estava a trabalhar em « Moralidade Operette» reunido em «Pensamentos» e em tom satírico e irónico o seu género poético exigiu aqui o abandono do estilo lírico adoptando um ritmo narrativo mais crítico face ao pensamento contemporâneo, as questões sociais nunca foram deixadas de fora na sua inquietação, mas, sem dúvida que as analisava também a partir da infeliz experiência da sua própria vida. A sua força foi imensa, e só para o fim se lhe apodera um estado de espírito céptico para o qual a sua transbordante natureza de poeta não conseguiu lidar com governação e esperança renovada. Tinha trinta e nove anos durante uma epidemia de cólera e a sua saúde sempre frágil não resistiu. Talvez se o tivessem amado...Mas os poetas não são para amar. Quem lhes dera serem compreendidos e ternamente suportados por um sincero carinho de alguém. Não sendo o caso, a morte, que tanto desejou, deve-lhe ter parecido abençoada. A Terra é local maravilhoso para se erigirem templos de fogo! E ainda a Lua, a sua Lua de pastor: Isto eu conheço: que estas eternas caminhadas do meu frágil ser, algum bem ou contentamento outros terão.... para mim a vida é mal. Mil coisas tu sabes que ficam ocultas a um simples pastor.... As noites de Lua-Cheia das últimas Primaveras. Leopardi é um nome também inesquecível, é como o silêncio, tem a fome e a beleza nas vogais... vagueia só pelas savanas e a morte ronda-lhe o corpo alto como um anel de vento. Esquelético e vertiginoso, esquece a sua demanda osmótica na paisagem, e salta para a vida como uma última fronteira.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
terça-feira 6.8.2019
A mulher do Primo Basílio Contos para normais Paulo José Miranda
E
STAVA uma daquelas manhãs perfeitas de Inverno em São Paulo, em que a temperatura ronda os 20° centígrados com um céu completamente limpo. Fui a pé até ao sebo do escritor Evandro Affonso Ferreira, junto à FNAC de Pinheiros que já não existe mais para uns dedos de conversa e a tentativa de encontrar uma edição boa e barata das obras de Monteiro Lobato. Depois de uma boa hora de conversa e passar os olhos em algumas possíveis edições da obra que queria só uma delas não estava incompleta Evandro pede-me desculpa, mas tinha de tratar de um assunto pelo telefone, antes de sairmos para almoçar, deixando-me a passear sozinho pelo sebo. Àquela hora raramente entravam pessoas. Quis o destino que nesse dia entrasse uma mulher muito branca, magra, com um vestido comprido e os cabelos ruivos apanhados em rabo de cavalo. Tinha à volta dos seus quarenta anos, a mesma idade que eu na altura em que vivia em Sampa. Dirigiu-se a mim e, confundindo-me com o dono do sebo, denunciando ser a sua primeira vez, pergunta-me se tenho uma edição de O Primo Basílio , de Eça de Queirós. Respondi-lhe que não trabalhava ali e que o meu amigo já a atendia, assim que deixasse o telefone. Reparando no meu sotaque, deixou saiu um ah, português! , que denunciou também não pertencer a este lugar. Evandro demorava e a curiosidade aumentava. Do meu lado por saber o que fazia uma estrangeira em Sampa à procura de O Primo Basílio , do lado dela por querer saber quem era este portuga, que tinha um amigo num sebo de Sampa. Chamava-se Simone, era francesa e vivia em Sampa há seis anos. Tinha vindo em 2000 com uma bolsa da PUC para estudos brasileiros e acabou por ficar cá. Agora ensinava na universidade leitura criativa e tinha acabado de se mudar para o bairro de Pinheiros. O seu
interesse no livro de Eça de Queirós vem de há muito e não era para ler, mas para reler, pois nas mudanças acabou por perder uma das caixas dos livros, aquela onde estava o seu exemplar. E preparava-se para ministrar um curso sobre esse livro, segundo semestre. Há muito que não lia esse livro de Eça e fiquei curioso acerca do interesse de Simone. Ela sorriu e disse: venha assistir às minhas aulas . Perguntei: E posso? Podia, claro. Evandro finalmente largou o telefone, e atendeu Simone. Arranjou-lhe um exemplar da Editora Estadão, da colecção Ler é Aprender. O Evandro fez questão de me apresentar como um escritor português, que estava a viver agora no Brasil. Trocámos os telefones e os emails, ela saiu, o Evandro e eu fomos almoçar com outro nosso amigo quem há meses me apresentara Evandro o Guilherme Resstom. O almoço correu bem, como usualmente, e eu regressei a casa. Ao abrir o email, tinha uma mensagem de Simone, que gostava de tomar café comigo um dia destes. Encontrámo-nos no Pirajá icónica cervejaria de Sampa, que tem o melhor chopp do mundo , passado uma semana ao fim da tarde.
Um dia perguntei-lhe porque não regressava a França, ao que me respondeu: Não se pode querer compreender a literatura de um país, à distância. À distância podemos gostar de todas as literaturas, mas para as compreendermos temos de viver onde elas foram escritas.
No primeiro dia não tinha reparado, mas desta vez não me escapou como ela aparentava ser triste. À medida que fomos conversando, fui ficando convencido de se tratar de um evidente caso de tristeza aparente. Simone era triste por fora. Triste para transeunte ver. Em certo momento, disse: Vivo sem cães, sem gatos, sem filhos, sem homens. Mais tarde conheci-lhe a casa quase sem móveis, sem objectos desnecessários e pude comprovar o quanto era espartana. Os livros eram a sua verdadeira companhia. Os livros e a música, que estava continuamente a tocar num aparelho estéreo. Música clássica, maioritariamente. Desde esse dia no Pirajá, passamos a ser cúmplices, a trocar mensagens sobre literatura e sobre a experiência de ser-se estrangeiro no Brasil, ainda que estrangeiros diferentes. Como ela mesma costumava dizer, uma mulher é sempre mais estrangeira, para onde quer que imigre. Por sua causa reli O Primo Basílio , assisti ao seu curso e isso de algum modo mudou a minha vida. A intensidade da sua leitura, o seu modo de ver por dentro as personagens, as situações de vida a existência, no fundo marcou o modo como leio hoje essa obra de Eça de Queirós. Esta obra era apenas um dos cursos que dava, maioritariamente o seu ensino era sobre Guimarães Rosa e Stendhal. Um dia perguntei-lhe porque não regressava a França, ao que me respondeu: Não se pode querer compreender a literatura de um país, à distância. À distância podemos gostar de todas as literaturas, mas para as compreendermos temos de viver onde elas foram escritas. Não sei muito sobre a literatura portuguesa, como sei sobre a brasileira, nem sequer sobre Eça de Queirós. Como você viu, o meu curso sobre O Primo Basílio é um curso impressionista e existencial, de quem gosta e se identifica muito com essa obra. Mas não é como quando ensino Guimarães Rosa ou Stendhal. Deixei São Paulo, acabámos por deixar de trocar mensagens, mas ainda hoje me lembro do nome que lhe passei a chamar, que a fazia rir: A mulher do Primo Basílio .
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terça-feira 6.8.2019
Compositores e Intérpretes através dos Tempos Michel Reis
Les contes d’Hoffmann
Q
UANDO Jacques Offenbach começou a escrever a ópera Les contes d’Hoffmann (Os Contos de Hoffmann) em 1877, a sua derradeira obra, apesar da sua fama, o compositor queria ser conhecido por mais do que apenas as suas operetas superficiais, desejando que os Contos de Hoffmann o estabelecessem como um mestre reconhecido de ópera séria. Embora fosse exactamente isso que aconteceu, infelizmente, o compositor não viveu o suficiente para o constatar. Durante a sua vida, Offenbach tornou-se mundialmente famoso como compositor de operetas - geralmente comédias leves, ostentando dezenas de melodias cativantes que muitas vezes sobreviveram às obras para as quais foram escritas. O principal exemplo é o ubíquo “Can-Can” da sua opereta Orfeu nos Infernos - um número que lança três ou quatro melodias instantaneamente reconhecíveis, tudo no espaço de cerca de noventa segundos. A ópera em três actos, com prólogo e epílogo, Os Contos de Hoffmann, é baseada numa peça dos escritores Jules Barbier, que escreveu o libreto, em francês, e Michel Carré. A peça, Les contes fantastiques d'Hoffmann, que Offenbach viu, produzida no Théâtre Odéon em Paris em 1851, faz do poeta alemão da vida real, E.T.A. Hoffmann, um personagem nalgumas das suas próprias histórias fantasiosas. O drama de Offenbach segue o mesmo esquema, colocando o personagem principal em três histórias fantásticas de amor fracassado, Der Sandmann (O Homem de Areia), 1816, Rath Krespel (Conselheiro Krespel), 1818, e Das verlorene Spiegelbild (A Reflexão Perdida), 1814. O resultado é uma das óperas mais grandiosas e expressivas de toda a ópera francesa do século XIX - alcançando uma combinação de profundidade emocional e brilho musical que apenas os melhores compositores de ópera igualaram. Les Contes d’Hoffmann foi agendada para estrear no teatro Gaîte-Lyrique de Paris durante a temporada de 1877-78 mas, por dificuldades de orçamento, acabaria por ficar destinada a outro teatro, a Opéra-Comique. Mas Offenbach morreu em Outubro de 1880, quatro meses antes da estreia, enquanto a produção ainda estava em ensaios, deixando a partitura incompleta. A primeira apresentação, numa versão abreviada, tinha ocorrido em privado em casa de Offenbach, no dia 18 de Maio de 1879, na presença do compositor, do director da Opéra-Comique, Léon Carvalho e do director do Ringtheater Wien, Franz von Jauner. Ambos solicitaram os direitos, mas Offenbach conferiu-os a Carvalho. A primeira apresentação pública teve lugar na Opéra-Comique no dia 10
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Jacques Offenbach (1819-1880)
A primeira e última opera seria de Offenbach
de Fevereiro de 1881, sem o terceiro acto, atingindo a centésima representação no dia 15 de Dezembro do mesmo ano, mas um fogo em 1887 destruiu as partes orquestrais e a produção foi suspensa. Apesar disso, uma verão em quatro actos com recitativos foi encenada no Ringtheater, em Viena, no dia 7 de Dezembro de 1881. Não voltaria a ser encenada em Paris até 1893, no Théâtre-Lyrique, mas com apenas 20 representações. Uma nova produção de Albert Carré (incluindo o terceiro acto) foi encenada na Opéra-Comique em 1911, permanecendo em repertório até à Segunda Guerra Mundial, e alcançando 700 representações no teatro. Em Março de 1948 Louis Musy criou a pri-
O resultado é uma das óperas mais grandiosas e expressivas de toda a ópera francesa do século XIX - alcançando uma combinação de profundidade emocional e brilho musical que apenas os melhores compositores de ópera igualaram
meira produção do pós-guerra em París, dirigida por André Cluytens. A Ópera de Paris produziu pela primeira vez a obra em Outubro de 1974, dirigida por Patrice Chéreau com a participação do famoso tenor Nicolai Gedda no papel principal. A ordem original de Offenbach, recentemente recuperada, é: Prólogo–Olympia–Antonia–Giulietta–Epílogo - pois durante muito tempo representou-se o acto de Giulietta como o segundo e o de Antónia como o terceiro. Idealmente, as três intérpretes, que não são senão diferentes encarnações dos amores de Hoffmann, deveriam ser interpretadas pela mesma cantora, o que nem sempre aconteceu. Porém é normal que os quatro papéis de “vilão” (Lindorf, Coppelius, Miracle e Dapertutto) sejam interpretados pelo mesmo barítono, já que os quatro são encarnações diferentes do mesmo génio do mal que em cada ocasião frustram Hoffmann. Alguns outros papéis podem ser dobrados. No Prólogo, numa taberna em Nuremberga, a musa aparece, tomando a aparência de Niklausse (nesta ópera interpretado por uma mulher), o fiel companheiro de Hoffman, explicando que tem sido responsável pelo fracasso de todos os amores do poeta, para ele se devotar inteiramente à poesia. A primadonna Stella, a actuar na ópera Don Giovanni de Mozart, envia um bilhete a Hoffmann, marcando encontro para aquela noite, no seu camarim, depois da récita. O bilhete e a chave do camarim são interceptados por Lindorf, que assume em toda ópera várias versões do espírito maléfico do poeta. Os estudantes chegam à taberna e pedem a Hoffmann para lhes cantar a Balada de Kleinsack. A meio da história, em vez de descrever a cara do anão, Hoffmann começa a divagar, obcecado com a imagem de Stella, que amou outrora. De seguida, propõe contar a história dos seus três malogrados amores, dando início ao Acto Um. O primeiro dos seus amores é Olímpia, uma linda boneca de corda. O seu inventor, Spalanzani, apresenta-a ao poeta como sua filha. O cientista Coppelius, que lhe constrói os olhos, quer uma participação financeira na invenção. Chegam convidados para ver o prodígio. Esta canta a famosa ária “Les oiseaux dans la charmille” em que vai ficando sem corda. Hoffmann dança maravilhado com Olímpia,
que vai levando mais corda, num crescendo vertiginoso até se desconjuntar toda, perante o olhar horrorizado do poeta. No Acto Dois, passado num quarto em casa de Crespel, em Munique, Hoffmann conhece o seu segundo amor: Antónia, uma jovem cantora lírica com tuberculose. Sempre que Antónia se lembra da sua defunta mãe, também cantora, começa a cantar, piorando a sua condição. O seu pai Crespel, tem-na fechada. Hoffmann aparece e apaixonam-se. O doutor Miracle chega convencendo Crespel que tem a receita para a cura da sua filha e embora Hoffmann tente fazer ver que o doutor Miracle é o espírito do mal, Miracle alicia Antónia a cantar, dizendo-lhe que não se pode perder um talento assim. Saca do seu violino e toca freneticamente até a jovem sucumbir, desaparecendo logo a seguir. Quando o pai regressa e vê a filha morta, culpa Hoffmann do sucedido. No Acto Três, passado num salão de festas de um palácio em Veneza, à beira do Grande Canal, os convidados esperam a bela cortesã Giulietta, que canta com Niklausse a muito famosa barcarola de Offenbach “Belle nuit, ô nuit d’amour”. Giulietta acompanhada do seu amante Schlemil convida todos para uma partida de cartas. Dapperttutto tira um grande diamante do bolso e revela o meio de fazer Giulietta apaixonar-se por Hoffmann. É só olharem para o diamante para este fazer as suas almas fundirem-se. Ambos caem apaixonados, e Schlemil rancoroso quer vingar-se, desafiando Hoffmann para um duelo. Com a espada de Dapertutto, o poeta consegue matar o rival, obtendo ainda a chave do quarto de Giulietta. Nesse momento vê-a passar no canal, nos braços de outro amante. A história termina na taberna de Luther, assim como a ópera Don Giovanni. Sem dúvida que Stella personifica os três amores de Hoffmann, mas este está tão embriagado que nem repara que é com Lindorf que a primadonna sai da taberna. SUGESTÃO DE AUDIÇÃO DA OBRA: • Jacques Offenbach: Les contes d’Hoffmann • Plácido Domingo (tenor) as Hoffmann; Edita Gruberova (soprano) as Olympia, Giulietta and Antonia; James Morris (bass) as Miracle; Christa Ludwig (mezzo-soprano) as Antonia’s mother; Choeur de Radio France; Orchestre Nationale de France, Seiji Ozawa – Deutsche Grammophon: 4276822
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6.8.2019 terça-feira
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AGUACEIROS
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente
EXPOSIÇÃO | ”CORES DA ÁSIA” Casas Museu da Taipa | Até 22/09
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EXPOSIÇÃO | “ENCONTRO INESPERADOS” City of Dreams | Até 31/08
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C I N E M A
7 0 8 4 9 5 3 1 2 6
1 4 6 3 7 2 0 1 9 [A]3 2 THE5 LION KING FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Jon 8 0Favreau4 9 14.30, 21.30 TOY6 STORY8 4 [A] 7 5 FALADO EM CANTONENSE 9de: Josh3Cooley8 0 Um filme 16.45, 19.30 2 1 5 8 FAST & FURIOUS: 0 & SHAW 6 [C] 1 7 HOBBS Um filme de: David Leitch Com: 4 Dwayne Johnson, 7 Jason 2 Statham, 6 Idris Elba, Vanessa Kirby 14.15,3 16.45, 19.15, 21.45 5 9 4 SALA 1
9 8 5 3 1 0 6 4 7 2 4 3 1 6 2 0 9 7 8 5
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ADEUS “IRMÃO Nº. 2” 55
O principal ideólogo do regime comunista cambojano do Khmer Vermelho, Nuon Chea, condenado por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra morreu no domingo, com 93 anos. Nuon Chea era conhecido como 'Irmão N.º 2', o braço direito de Pol Pot, o líder do regime que governou o Camboja de 1975 a 1979. Nesse período, o grupo foi responsável pela morte de cerca de 1,7 milhão de pessoas, motivada pela fome, doença, trabalho forçado e execuções.
9 26 806 10 71 7 0 1 4 3 7 8 6 3 7 9 2 5 4 0 5 1 6 1 3 0 2 3 2 79 4 5 8 6 9 8 09 30 3 8 4 7 2 1 7 61 56 5 7 5 9 5 8 4 3 8 3 61 1 0 3 5 4 9 2 2 8 0 9 6 7 4 6 31 721 52 85 8
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 55
3 45 9 52 1 68 7 84 2 17 0 93 6 20 8 76 5 31 4 09
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UM FILME HOJE
2 4 2 8 9 6 9 7 5 7 03 0 9 0 7 9 7 1 8 2 6 4 36 53 1 sugestão 3 5 0não 7 tem 0 8spoi9 8 24 2 3Esta 5 2só4 uma 2 6apreciação 3 1 6 1su- 9 0 8 lers, perficial. Ainda não sei bem 3 0 5 4 do5último 2 6filme 7 9 6 9 81 o que pensar de6um meus0realizadores 1 58 5 2 4 9 7dos 09 preferidos. Claro que gostei, 8 ainda 1 6 não 3 7 0 7 29 5 4 3me5 bateu mas 2 8 9 3 9 4O7final 4 é 1 65 6 8completamente. apoteótico, pleno de violência 3 6um 5e 9comédia, 0 5 0mas8 parece 1 2 7 1 47 bocado enxertado, aterra um 7 6de2pára-quedas 1 2 04 narra0 3 58 5 6pouco
tivamente. Li pouco sobre o filme, mas pensei que incidiria 59 mais sobre a família Manson. 7 8 5 9 0 2 4 8faz7mal,8perde-se 9 1em culto 5 32 63 7Não homicida, ganha-se em enorFAST & FURIOUS: HOBBS & SHAW 5 4 3 6 8 9 1interpretação 2 0 6 5de 8 9 4 me 8 6Leonard FALADO EM CANTONENSE DiCaprio. Não spoilei muito, 4 1Um filme7de: Masakazu 0 Hashimoto 6 8 6 3 4 7 2Luz 07 0 1 8 pois não? João 14.30, 19.30
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6 9 2 3 8 0 1
CRAYON SCHINCHAN 2019 [B]
2 1 5 7 3 THE CONFIDENCEMAN JP THE4 MOVIE-2[B] 1 0 3-FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊSE INGLÊS 7Um filme6de: Ryo 4 5 1 Tanaka Com: Masami Nagasawa, 0 Masahiro 9 Higashide, 7 4 6 Fumiyo Kohinata 521.30 2 3 9 4 9CHILDREN 8 1 3 5 OF THE SEA [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO 6EM CHINÊS0E INGLÊS 8 2 7 Um filme de: Ayumu Watanabe 16.30
4 5 6 8 1 9 2 7 3 0 1 5 6 7 8 3 2 0 4 9
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5 05 0 7 6 6 4 9 23 42 4 8 18 1 3 2 2 08 0 90 19 1 7 5 2 4 86 8 9 9 63 46 1 71 7 85
PROBLEMA 56
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8 8 6 5 5 7 7 2 1 60 9 24 3 73
90 3 1 39 74 5 16 58 2 7
29 4 0 3 37 8 1 45 06 2
63 0 1 9 97 2 84 15 8 06
86 32 7 4 9 63 98 1 75 40
S U D O K U
EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: OBRAS-PRIMAS DA COLECÇÃO DO MUSEU NACIONAL DE ARTE DA CHINA” MAM
1 7 3 6 4 9 0 5 2 8
1.14
UAU, O CHEFE REAGIU
EXPOSIÇÃO | “DE HOLLYWOOD AO MÓNACO”” Galaxy Macau | Até 28/08
0 2 6 9 3 5 1 8 4 7
YUAN
VIDA DE CÃO
EXPOSIÇÃO | “CABEÇAS FELIZES” Praça Jorge Álvares | Até 15/08
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Bastaram umas notícias sobre o silêncio do Chefe do Executivo relativamente ao seu alegado envolvimento na futura Sociedade Gestora do Fundo para o Desenvolvimento e Investimento da RAEM, ou sobre casos de corrupção, para se organizar uma conferência de imprensa. Este silêncio por parte do Chefe do Executivo não surpreende, pois há muito que se depreende que a RAEM é governada em modo piloto automático. O dinheiro dos casinos está sempre a entrar, Pequim determinou o papel de Macau como plataforma, criaram-se umas comissões para o projecto da Grande Baía e “Uma Faixa, Uma Rota” e o resto vai-se fazendo e contornando de forma bastante unilateral em cada secretaria tirando, claro, eventuais excepções e casos pontuais em que toda a equipa do Governo reúne. Não é preciso ser-se um especialista em ciência política para perceber que há muito que cada secretário está a fazer o seu trabalho. Raimundo do Rosário tenta resolver a maioria dos problemas que Macau tem, pois arcou com a pasta dos Transportes e Obras Públicas. Sónia Chan assina acordos que em Portugal são considerados inconstitucionais, mas está tudo bem. Wong Sio Chak entretém-se com a lei da protecção civil e da cibersegurança e Lionel Leong mantém o seu silêncio sobre o futuro do jogo. Mas está tudo bem. Afinal de contas, o Governo muda já em Dezembro. Andreia Sofia Silva
1 75 86 2 3 7 0 09 4 28
29 7 58 6 4 5 3 30 01 2
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4 1UPON 6 1A TIME IN HOLLYWOOD | QUENTIN TARANTINO 43 ONCE 1 7 9 0 9 3 74 7 28 2 65 6 85 8 1 9 4 0 2 3 52 85 8 4 60 6 7 2 7 39 3 8 6 01 50 5
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de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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terça-feira 6.8.2019
FRANCISCO LOUÇÃ in Esquerda.net
FOREST FIRE, DEREK KAPLAN
Pirómanos de fósforo na mão
C
OMO em tantos casos, pode ser que só dentro de alguns anos uma pista fortuita nos permita conhecer com exatidão como começaram estes incêndios num dos meses de julho mais frescos e até chuvosos de que nos lembramos. Cinco fogos em poucos minutos e que chegam num ápice a Mação, que já sofreu outras investidas parecidas em anos anteriores. Um dispositivo incendiário já encontrado na Sertã. As populações a denunciarem fogo posto. Os bombeiros a lembrarem outras ocasiões em que deflagraram vários incêndios cirurgicamente simultâneos. E depois vem o debate político. É um debate triste. Os eucaliptocratas exigem helicópteros e aviões. Quem tem uma visão responsável exige ordenamento da floresta. E, apesar de ter havido mais cuidado ou pressão para a limpeza das matas, sente-se esse inescapável desespero do tempo perdido. A floresta está tão abandonada, tão combustível e tão condenada como sempre esteve. No fundo, todos sabemos que nada se modi-
ficará enquanto houver eucaliptos a mais e ocupação económica e populacional a menos, e que cada ano se repetirá o drama do verão, faça chuva ou faça sol. Assim, a conversa atual sobre soluções é só sobre cartas marcadas. No ano passado foi assim, para o próximo ano será igual. Todos sabemos quais são as soluções e porque não serão concretizadas: não há nem dinheiro nem vontade, e ninguém mexe na propriedade, uma porque é grande demais e outra porque é pequena demais. Mas há dois casos curiosos. Um nem é novidade, é o do PS como ele é. É o caso das golas inflamáveis e outros anexos, uma mistura tóxica de familiarismo (a empresa do marido da autarca a produzir merchandising), facilitismo (contrato feito em cima do joelho a preços duvidosos), irritacionismo (o incómodo com as
Como não sou o único a notar que há concelhos que parecem estar marcados para a repetição dos fogos, creio que a resposta é óbvia. Há demasiados incendiários de fósforo na mão. Portugal bem precisava que os verões não fossem ditados por estes pirómanos
perguntas óbvias) e desculpabilização (a culpa que não existe é sempre de outro) e o que mais se saberá. Isto é o PS das profundezas. O outro caso passa despercebido mas talvez seja ainda mais importante. Porque este é mesmo do profundo das profundezas. Tudo se resume a esta inquietação: como é que um deputado tão prolixo e eleito por uma região massacrada por sucessivos fogos postos nada diz sobre essa repetição do crime? Como é que autarcas, que sabem que as populações denunciam as ações de quadrilhas de incendiários, não exigem resultados das perícias policiais, investigação cuidada das ignições e ação musculada contra o delito? Como é que discutem a eficácia da Proteção Civil mas ignoram a necessidade de punição do crime para evitar a sua repetição? Imagine-se deputado ou autarca nestas terras sofridas. Viraria a cara às evidências que sugerem crime? Ou usaria o seu poder para pressionar as autoridades que devem investigar? Jogaria trunfos políticos de curto prazo por causa das eleições ou procuraria resultados para proteger as populações de um perigo que as ronda todos os anos? Como não sou o único a notar que há concelhos que parecem estar marcados para a repetição dos fogos, creio que a resposta é óbvia. Há demasiados incendiários de fósforo na mão. Portugal bem precisava que os verões não fossem ditados por estes pirómanos.
O diabo foi o primeiro democrata. Lord Byron
ESCÓCIA MAIORIA APOIA INDEPENDÊNCIA
LONDRES MENINO EMPURRADO DE 10.º ANDAR FORA DE PERIGO
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M menino de seis anos que terá sido empurrado por um adolescente do 10.º andar da galeria Tate Modern, em Londres, deixou de estar em perigo de vida, anunciou ontem a polícia local. O adolescente, de 17 anos, está detido por tentativa de homicídio, depois de várias pessoas terem afirmado que empurrou a criança da plataforma panorâmica da galeria, no domingo, onde estavam vários visitantes. A polícia municipal adiantou que o menino ainda está em estado crítico, num hospital de Londres, mas a sua condição estabilizou. A criança caiu da plataforma aberta da Tate Modern, no 10º andar da galeria situada na margem do rio Tamisa e um dos lugares turísticos mais visitados do Reino Unido, tendo sido encontrada numa varanda do quinto andar. Uma testemunha do incidente, Nancy Barnfield, contou à agência Associated Press que estava com a família no local quando ouviu um “grande estrondo” e, de seguida, uma mulher a gritar “onde está o meu filho? Onde está o meu filho?”. Segundo adiantou, um homem foi logo detido pelos outros visitantes até a polícia chegar. A polícia referiu, entretanto, não acreditar que o suspeito e a vítima se conheçam. A criança foi assistida no local antes de ser levada por um helicóptero-ambulância para um hospital de Londres. O 10.º andar da Tate Modern, galeria de arte moderna que recebe cerca de seis milhões de visitantes por ano, faz parte de uma extensão em forma de pirâmide que abriu em 2016 e oferece uma vista panorâmica de Londres. A galeria, que foi de imediato encerrada após o incidente, reabriu ontem, mas a plataforma panorâmica continua fechada. “A Tate está a colaborar com a polícia para ajudar a investigação”, garantiu uma porta-voz da galeria.
terça-feira 6.8.2019
PALAVRA DO DIA
Jean-Noël Thépaut “A continuação das emissões de gases de efeito de estufa e o impacto global das temperaturas, os recordes continuarão a ser batidos.”
Um ano tórrido Mês de Julho foi o mais quente alguma vez medido em todo o mundo
O
mês de Julho, marcado por uma excepcional onda de calor na Europa, foi o mês mais quente alguma vez medido no mundo, um pouco acima do mês de Julho de 2016, de acordo com dados do serviço europeu Copernicus sobre mudanças climáticas. “O mês de Julho é geralmente o mês mais quente do ano no mundo, mas de acordo com os nossos dados [o mês de Julho de 2019] é também o mês mais quente alguma vez já medido”, disse ontem, em comunicado, o responsável pelo Copernicus, Jean-Noël Thépaut. O representante do serviço apontou que “com a continuação das emissões de gases de efeito de estufa e o impacto global das temperaturas, os recordes continuarão a ser batidos”. Segundo dados do Copernicus, o mercúrio subiu 0,04º em
Julho, acima do recorde anterior de julho de 2016, ano marcado pela influência do fenómeno atmosférico-oceânico El Nino. O mesmo comunicado refere que esta subida é tão pequena que é possível que outras organizações de referência, que recolhem e analisam dados com outros métodos, não cheguem à mesma conclusão. AAgência Atmosférica dos Estados Unidos ainda não publicou as suas conclusões para o mês de Julho.
RECORDES QUEBRADOS
De acordo com o Copernicus, a temperatura em Julho de 2019 foi 0,56º centigrados acima da média do período 1981-2000, quase 1,2º centigrados acima do nível pré-industrial, a linha de base dos especialistas em clima das Nações Unidas. O mês de Julho foi particularmente marcado por uma onda de
calor curta, mas muito intensa, na Europa Ocidental, onde vários países, como a Alemanha, Bélgica ou Holanda, quebraram o seu recorde absoluto de calor. O mesmo serviço refere que as temperaturas estão acima do normal no Alasca, Gronelândia e partes da Sibéria, bem como na Ásia Central e partes da Antártida. “Sempre houve Verões quentes, mas este não é o Verão da nossa juventude, não é o Verão dos nossos avós”, comentou, há alguns dias, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. A Organização Meteorológica Mundial estima que 2019 fique no top 5 dos anos mais quentes, enquanto o serviço Copernicus referiu que não só 2019 tem sido um ano particularmente quente, com todos os meses do ano a estarem entre os mais quentes e o mês de Julho o mais quente alguma vez medido.
Egipto Presidente diz que acidente que matou 20 pessoas foi acto terrorista O Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, disse ontem considerar que o acidente rodoviário que matou pelo menos 20 pessoas no Cairo foi “um acto terrorista”. Sissi apresentou, nas redes sociais, as suas condolências “ao povo egípcio e às famílias”, referindo
que se tratou de “um incidente cobarde de origem terrorista”, atribuído pela polícia ao grupo Hasm, considerado pelas autoridades como próximo da Irmandade Muçulmana. O acidente foi seguido de uma explosão e, de acordo com o último balanço das autoridades
egípcias, matou 20 pessoas e deixou mais de 30 feridas. Um comunicado do ministério egípcio da Saúde informou que quatro carros colidiram no domingo à noite, provocando uma explosão no exterior do Instituto Nacional do Cancro.
MA sondagem ontem divulgada revela que 52 por cento dos escoceses apoiariam a independência face ao Reino Unido, enquanto 48 por cento que estariam contra, caso se realizasse um novo referendo. De acordo com a sondagem, realizada ‘online’ e pela empresa Lord Ashcroft com uma amostra de 1.019 adultos entre 30 de Julho e 2 de Agosto, a independência obteria a maioria do apoio depois de subtrair os inquiridos que disseram que não sabiam como votariam ou que não o fariam no caso de um novo referendo. Tendo em consideração todas as respostas possíveis, o apoio à independência obteria 46 por cento, em comparação com 43 por cento da oposição. Sobre o pedido de um novo referendo, 47 por cento indicaram que gostariam que fosse realizado nos próximos dois anos, face aos 45 por cento que se opuseram. No referendo realizado em 2014, 45% dos escoceses rejeitaram a separação do resto do país, mas a vitória do ‘Brexit’ em 2016, contra a qual a Escócia votou, reabriu o debate sobre a realização de uma nova consulta, ao considerar que a saída da União Europeia não respeitará o desejo dos escoceses. A chefe do governo autónomo escocês, Nicola Sturgeon, referiu que o “apoio à independência é reforçado dia após dia”, à medida que a Escócia “é arrastada para um ‘Brexit’sem acordo”, em referência aos planos do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, de abandonar o bloco comum em 31 de Outubro, mesmo sem um pacto bilateral. “Esta é uma sondagem fenomenal para o movimento independentista que mostra que cada vez mais pessoas consideram que é hora de a Escócia tomar as suas próprias decisões e forjar o seu próprio futuro como uma nação justa, próspera e com visão para o futuro”, salientou Nicola Sturgeon num comunicado.