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Hoje Macau 6 MAR 2018 #4005

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MOP$10

TERÇA-FEIRA 6 DE MARÇO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4005

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

APN PALAVRAS POR DIZER PÁGINA 5

ELEIÇÕES 2017

TOPGASTADORES

PÁG.4

EVENTOS

hojemacau

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ÚLTIMA

A inoportuna PÁGINA 7

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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ENSINO SUPERIOR ALUNOS CONTINENTAIS


2 grande plano

Sem políticas linguísticas que garantam a preservação dos idiomas minoritários, como o patuá, é mais difícil investigar e manter uma parte do património imaterial de Macau. A conclusão é de um estudo desenvolvido pelos académicos Manuel Noronha e Ian Chaplin. O Teatro do Patuá é, desde 2012, parte desse património, mas continua a sofrer com a ausência de políticas de língua específicas

6.3.2018 terça-feira

Q

UE o patuá está em risco de se extinguir completamente não é novidade, mas o facto de não existir uma política de língua para preservar este dialecto pode levar a que muito do património imaterial de Macau, e já classificado pela UNESCO, não esteja a ser devidamente estudado e investigado. A conclusão é de um estudo dos académicos Manuel Noronha, da Universidade de Macau (UM) e Ian Chaplin, do Instituto Politécnico de Macau (IPM), intitulado “Preservando e interpretando o património cultural intangível numa comunidade etno-linguística: O caso do português, patuá e crioulo em Macau”. O trabalho pretende lançar um alerta sobre a necessidade de investir na criação de políticas de língua para que este património seja mais estudado e, por consequência, preservado. No estudo, o patuá é descrito como um crioulo quase em extinção, pouco procurado pelas gerações mais novas de macaenses. “As políticas educativas ao nível da linguagem podem afectar a educação relativa ao património intangível e à sua interpretação através dos meios portugueses. Apesar de continuar a ser uma língua oficial, o português está a tornar-se uma língua não dominante com o regresso do território à China”, começam por apontar os autores. Na visão de Noronha e Chaplin, “o impacto destas políticas é identificado como uma ameaça ao património intangível e à sua interpretação para os visitantes dos locais que são património mundial da UNESCO e restantes locais históricos”. “Muito do património tangível de Macau, que está acessível aos visitantes, encontra-se em edifícios coloniais portugueses, o que requer a interpretação de dados etnográficos e etno-linguísticos. Esta ameaça não se aplica apenas ao património intangível e outros monumentos classificados pela UNESCO como também inclui os locais que não estão nessa lista”, defendem. São, portanto, as autoridades “responsáveis por promover o turismo cultural que devem dar mais atenção ao planeamento e implementação de políticas sustentáveis de manutenção da língua e também da sua revitalização”. O estudo frisa a importância dos “programas educativos formais e informais para garantir a autenticidade da interpretação cultural, tanto para convidados como para visitantes”. “No caso de Macau, os dados investigativos incorporados nas práticas educativas deveriam incluir o património intangível associado à comunidade macaense, cuja origem luso-chinesa e influência no património de Macau

PATRIMÓNIO

ESTUDO DEFENDE POLÍTICAS EM PROL DE IDIOMAS MINORITÁRIOS

LINGUAS EM RUINAS ´

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se manifesta através do seu único patuá – que está também ameaçado pelo impacto das políticas de língua”, pode ler-se.

DSEJ DIZ QUE PROMOVE PATUÁ

O HM questionou a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) sobre as medidas que estão a ser adoptadas para a promoção de cursos de patuá. O organismo explicou que apoia o dialecto através da concessão de subsídios para cursos, mas a verdade é que não tem uma política específica para a preservação do dialecto. “A comunidade macaense tem contribuído significativamente para o desenvolvimento de Macau. O Patuá é um dialecto peculiar local, com raízes em tempos remotos, pelo que a DSEJ sempre respeitou a comunidade

e o dialecto e apoiou também as associações macaenses para organizarem actividades educativas e juvenis”, disse o organismo. Além disso, o Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo “apoia as instituições para realizarem cursos de Patuá”, sendo que a sua criação não é obrigatória. Até ao momento, apenas a Universidade de São José (USJ) tem um curso de patuá a funcionar ao abrigo deste programa de subsídios, mas, segundo confirmou Alan Baxter, director da Faculdade de Humanidades da USJ, o curso não abriu este semestre. O arranque das aulas de Patuá far-se-á novamente em Setembro, no primeiro semestre do ano lectivo 2018-2019. Mas a USJ tem mais cartas na manga.

“Posso informar que estamos a rever o programa de mestrado para incorporar uma especialização em linguística portuguesa com uma disciplina sobre o Patuá (além da especialização em Literatura Lusófona, que inclui uma disciplina sobre literatura de Macau)”, frisou Alan Baxter. ADSEJ acrescentou também que continua a “apoiar as instituições civis e associações para promoverem o Patuá”, para que se possa enriquecer “as características da cultura local”. No que diz respeito à língua portuguesa, a DSEJ afirma que tem vindo a promover vários cursos destinados a indivíduos com idade igual ou superior a 15 anos.

IDEIAS TURÍSTICAS

Fora das escolas, o grupo teatral Doci Papiaçam di Macau tem


grande plano 3

terça-feira 6.3.2018

a comunidade macaense, a levar ao palco do Festival de Artes de Macau (FAM) uma peça de teatro em patuá, proporcionando assim uma plataforma de divulgação à comunidade macaense bem como dando a conhecer ao público esta vertente cultural única de Macau.” A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) garante que tem vindo a apoiar e a promover o FAM. Contudo, “não tem um plano de divulgação do patuá da mesma forma que possui, por exemplo, para a gastronomia macaense, que é um veículo efectivo para promover Macau e dar a sentir aos visitantes o património de encontro de culturas oriental e ocidental que tornam a cidade tão especial”. Apesar de não existir um plano de divulgação, a DST mostra-se “aberta a ideias e colaborações para encontrar novas formas para a divulgação do patuá, como o Teatro em Patuá, que integra o inventário do património cultural intangível da cidade”.

O MANDARIM ORDENA

realizado, todos os anos, uma peça em patuá, que tem o apoio do Governo. Recentemente, Miguel de Senna Fernandes, director artístico do grupo e presidente da Associação dos Macaenses, deu uma entrevista à Rádio Renascença sobre o dialecto em vias de extinção. Também o jornal britânico The Guardian publicou um artigo sobre o Patuá. Ao Jornal Tribuna de Macau, Miguel de Senna Fernandes explicou que o objectivo não é fazer com que as pessoas voltem a falar Patuá no dia-a-dia, mas sim que se contribua para a preservação da história, como defendem Noronha e Chaplin. “Não queremos fazer com que as pessoas voltem a falar Patuá até porque os contextos são completamente diferentes. O contexto em

que nasceu o Patuá não tem nada a ver o actual. Ele já não tem utilidade, mas ganhou outro sentido que é o de reconstruir uma memória colectiva”. Do lado do Instituto Cultural (IC) garante-se o apoio aos Doci Papiaçam di Macau. “Nos últimos 20 anos, a fim de salvaguardar esta língua, a comunidade macaense tem vindo a preservar e divulgar este dialecto por meio de peças de teatro, as quais se tornaram numa forma de arte performativa característica de Macau.” Em 2012 o teatro feito em Patuá foi considerado património intangível de Macau, estando na “Lista do Património Cultural Intangível” desde o ano passado. Isso faz com que seja reconhecido e protegido por lei.

“De modo a salvaguardar esta única forma de expressão artística, bem como a sua língua veicular, nos últimos 20 anos o IC tem vindo, em conjunto com

“Os jovens da comunidade macaense preferem aprender mandarim, cantonês ou inglês, em vez do português. Poucos aprendem, compreendem ou apreciam o significado do crioulo ou patuá.” ESTUDO

O estudo de Manuel Noronha e Ian Chaplin fala ainda das dificuldades sentidas na investigação académica em língua portuguesa desde 1999. “Desde a transferência de soberania que muitos académicos portugueses e europeus na área da linguística, antropologia, património e turismo cultural deixaram [o território] e já não contribuem com investigação sobre as línguas minoritárias, de uma perspectiva europeia, em Macau.” Na prática, o português “apesar de ser uma língua oficial em Macau, é sobretudo usado nas áreas do Direito e da Administração Pública”. “O uso do português na área do turismo do património ou cultural, ou mesmo étnico, tem vindo a diminuir. O estudo do português está focado, de uma forma crescente, no comércio com os países de língua portuguesa”, adiantam os autores. Mais do que isso, “o uso do crioulo macaense ou patuá, como um veículo para a interpretação do desenvolvimento cultural e histórico da sociedade de Macau durante a Administração portuguesa, tem vindo a diminuir”. Isto porque “os jovens da comunidade macaense preferem aprender mandarim, cantonês ou inglês, em vez do português. Poucos aprendem, compreendem ou apreciam o significado do crioulo ou patuá.” Noronha e Chaplin acreditam que “o mandarim se tornou no meio mais importante para a pesquisa e investigação em Macau”. “Os investigadores não podem simplesmente utilizar o cantonense quando conduzem estudos que envolvem tradução e interpretação”,

afirmam os académicos, que falam no uso do inglês como “língua veicular para a comunicação de negócios no sector do jogo e do turismo”, frisam no estudo.

MAIS ESTUDOS

Além do pouco uso do português na investigação académica, e até do patuá, os autores destacam a falta de estudos para se compreender as mudanças na área da cultura que estão a acontecer deste lado do mundo. “É necessária mais investigação interdisciplinar para observar as mudanças culturais que estão a ocorrer em Macau e na Ásia, para que se possa identificar o papel do estudo das línguas minoritárias na preservação e continuação da identidade cultural enquanto elemento único no destino de turismo.”

“Desde a transferência de soberania que muitos académicos portugueses e europeus na área da linguística, antropologia, património e turismo cultural deixaram [o território] e já não contribuem com investigação sobre as línguas minoritárias, de uma perspectiva europeia, em Macau.” ESTUDO

Quem tenta fazer investigação nesta área nos dias de hoje depara-se com várias dificuldades, como notam Noronha e Chaplin. “Não é fácil fazer investigação sobre a identidade macaense nos dias de hoje. A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos não tornou os números disponíveis para o público. Os Censos de 2001 estimaram que o número de eurasiáticos a viver em Macau será cerca de 4300. É também difícil encontrar dados sobre grupos étnicos que compõem a identidade cultural de Macau.” “Infelizmente há falta de perspectiva interdisciplinar sobre o significado das origens da comunidade que existe em Macau nos dias de hoje, e a falta de iniciativa em tornar essa informação acessível à comunidade de académicos internacionais”, rematam os autores. Andreia Sofia Silva, Diana do Mar e Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo


4 política

6.3.2018 terça-feira

Song Pek Kei

Angela Leong

Ella Lei

Mak Soi Kun

ELEIÇÕES SONG PEK KEI, ANGELA LEONG, As listas ligadas ao empresário líder OPERÁRIOS E MAK SOI KUN FORAM OS MAIORES GASTADORES da comunidade de Fujian foram as que mais gastaram nas últimas eleições, com gastos na ordem Em relação às despesas ligaJosé Pereira de 3,42 milhões de das aos candidatos de Chan Meng Coutinho, presidente a lista que mais gastou patacas. No total, os Kam, teve como principal figura Song da Associação de candidatos pela via Pek Kei, com despesas de 1,74 Trabalhadores da milhões de patacas. Já a lista directa investiram Função Pública de gémea, encabeçada por Si Ka Lon, totalizou 1,68 milhões de Macau, acabou por 23,19 milhões de patacas, o que não impediu que gastar 705 mil patacas batido nas urnas a colega patacas no sufrágio tivesse de bancada. na campanha Olhando individualmente para do ano passado

Mãos largas

A

PESAR só terem eleito dois deputados, as listas apoiadas pelo líder da comunidade de Fujian, Chan Meng Kam, gastaram 3,42 milhões de patacas durante as eleições do ano passado. Os números foram publicados pela Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), na Sexta-feira. No total, as listas que participaram no sufrágio pela via directa gastaram 23,19 milhões de patacas.

as listas, as maiores despesas vieram de outra das derrotadas da noite, nomeadamente da lista de Angela Leong. Apesar da mulher de Stanley Ho ter sido eleita, não conseguiu levar consigo para a Assembleia Legislativa o empresário William Kuan. Segundo a CAEAL, os gastos desta lista atingiram as 2,80 milhões de patacas. Ainda no top dos principais gastadores, ficou a lista ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), com um total de 2,72 milhões de patacas. O investimento acabou por ter bons resultados, uma vez que

Ella Lei e o estreante Leong Sun Iok foram eleitos para o hemiciclo. Não muito longe da FAOM ficaram os Conterrâneos de Kong Mun, os grandes vencedores da noite

cios em causa vão aumentar a oferta de habitações públicas em 200 fracções. No entanto, o Governo decidiu adiar estas construções, com a justificação que é necessário dar

MELINDA COM 2 MILHÕES

Entre as listas que investiram mais de dois milhões nas eleições ficaram ainda as candidaturas da Associação Geral das Mulheres, encabeçada por Wong Kit Cheng, e de Melinda Chan, que teve como número três Jorge Valente. Wong foi eleita deputada com um orçamento de 2,10 milhões de patacas. Por sua vez, a mulher do empresário David Chow, apesar dos gastos de 2,01 milhões de patacas, falhou a reeleição, naquela que foi uma das grandes surpresas da noite eleitoral. Além das listas mencionadas, houve mais três candidaturas com gastos superiores a um milhão de patacas. Os Kaifong tiveram despesas de 1,74 milhões de patacas, enquanto que o ex-aliado de Chan Meng Kam, Sze Lee Ah, que se vestiu de Che Guevara na campanha, gastou 1,46 milhões de

KOU MENG POK INVESTIGADO

A

lista ligada aos proprietários de fracções do Pearl Horizon está a ser investigada pelo Ministério Público, a pedido da CAEAL. Em causa está a suspeita de ter havido financiamento proveniente de não-residentes, o que é proibido pela lei. A lista encabeçada por Kou Meng Pok, um dos grandes contestatários da situação que envolve o empreendimento, corre o risco de ser multada com um valor que pode ir das 5 mil às 50 mil patacas.

patacas. Agnes Lam totalizou 1,05 milhões de patacas em custos da campanha. Por sua vez, José Pereira Coutinho, presidente da Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau, acabou por gastar 705 mil patacas na campanha. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

CHAN HONG COM DISCREPÂNCIA DE UM MILHÃO

A

s despesas apresentadas pela deputada Chan Hong apresentaram uma discrepância de quase um milhão de patacas, entre os números inicialmente apresentados e os

Habitação Ella Lei critica Governo por adiamentos de habitações públicas A deputada Ella Lei criticou o Governo por ter adiado a construção de habitações públicas nos lotes A e F, na Doca do Lam Mau, numa interpelação escrita. Os edifí-

eleitoral, que materializaram o orçamento de 2,62 milhões de patacas na reeleição de Mak Soi Kun e Zheng Anting para aAssembleia Legislativa.

prioridade a outros edifícios de habitação pública, com maior capacidade. Ella Lei não concorda com a escolha política. A deputada argumenta que as 200 fracções na Doca do

aprovados pela CAEAL. A legisladora eleita pela via indirecta tinha apresentado despesas no valor de 126,9 mil patacas, mas a CAEAL corrigiu o montante para 1,08 milhões de patacas.

Lam Mau respondem a uma grande necessidade da sociedade, principalmente devido à elevada concentração de pessoas na zona. No mesmo documento, a deputada ligada

Entre as 31 listas, contanto as listas concorrentes às eleições directas e indirectas, 18 viram os orçamentos ajustados pela CAEAL. No entanto, os montantes da correcção dos gastos da

aos Operários questiona se o projecto vai ser abandonado e, se nesse caso, se o Governo vai ter em atenção a necessidade de aumentar o número lares e centros de idosos.

lista de Chan Hong ultrapassaram, em muito, as correcções das restantes candidaturas. O facto, segundo a informação apresentada, não resultou em qualquer queixa para o MP.


política 5

terça-feira 6.3.2018

P

RIMEIRO foi Chen Si Xi, sub-director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau, a afirmar que Pequim está alerta quanto a eventuais movimentos independentistas em Macau influenciados pela vizinha Hong Kong. Um dia depois, na abertura das reuniões anuais da Assembleia Popular Nacional (APN), o mais importante órgão legislativo do país, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, não referiu no seu discurso a habitual frase “Macau governado pelas suas gentes”, noticiou a Rádio Macau. Ao apresentar o relatório de balanço dos trabalhos relativos a Macau, Hong Kong e Taiwan, Li Keqiang frisou que a política “Um País, Dois Sistemas” tem vindo a desenvolver-se e que os poderes da constituição chinesa e da Lei Básica têm destaque nas duas regiões administrativas especiais. Além disso, Li Keqiang referiu que os trabalhos relativos a Macau, Hong Kong e Taiwan tiveram um desenvolvimento positivo nos últimos cinco anos. Foi também destacado no discurso o intercâmbio das duas regiões administrativas especiais com o interior da China. Li Keqiang frisou que, nos próximos cinco anos, é necessário continuar a implementar o princípio “Um País, Dois Sistemas” e a governar de acordo com a constituição chinesa e a Lei Básica. Num comunicado ontem enviado às redacções, Zheng Xiaosong, director do Gabinete de Ligação e delegado à APN, referiu que o discurso do primeiro-ministro descreve expectativas e exigências para o desenvolvimento de Macau e Hong Kong, tendo referido também que as duas regiões são importantes para o desenvolvimento do país. Zheng Xiaosong frisou ainda que é importante, em prol do futuro desenvolvimento de Macau, concretizar as expectativas e exigências apresentadas pelo Governo Central. Ho Iat Seng, presidente da Assembleia Legislativa (AL) e líder do grupo de delegados de Macau à APN, disse que o relatório apresentado por Li Keqiang foi positivo, uma vez que os trabalhos realizados sob a liderança de Xi Jinping foram satisfatórios. O presidente da AL acrescentou que, nos próximos cinco anos, a China vai passar por novas mudanças fundamentais.

MAIS QUE DECORAÇÃO

Entretanto, decorrem também em Pequim as reuniões da Con-

APN LI KEQIANG DEIXA DE LADO A IDEIA “MACAU GOVERNADO PELAS SUAS GENTES”

Palavras que não te direi

No primeiro dia das reuniões da Assembleia Popular Nacional, o primeiro-ministro chinês frisou a política “Um País, Dois Sistemas” e a cooperação com o país. No entanto, Li Keqiang deixou de fora do discurso a habitual frase “Macau governado pelas suas gentes”

ferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), órgão consultivo político onde estão presentes delegados de Macau. Um deles é o empresário Liu Chak Wan, patrão da Transmac, que, segundo a imprensa chinesa, quis deixar claro de que os delegados de Macau não são meros vasos decorativos. Liu Chan Wan recordou a proposta que apresentou em conjunto

com o deputado de Macau Chui Sai Cheong no sentido do território ter direito à administração das áreas marítimas, algo que já foi autorizado por Pequim. Esse assunto gerou oposições, frisou Liu Chak Wan, pois ia contra a Lei Básica. No entanto, o empresário destacou o papel do vice-presidente do comité permanente da CCPPC, Edmund Ho, e do actual Chefe do Executivo, Chui

Ao apresentar o relatório de balanço dos trabalhos relativos a Macau, Hong Kong e Taiwan, Li Keqiang frisou que a política “Um País, Dois Sistemas” tem vindo a desenvolver-se e que os poderes da constituição chinesa e da Lei Básica têm destaque nas duas regiões administrativas especiais

Urbanismo Au Kam San exige melhorias nas instalações em Seac Pai Van O deputado Au Kam San defende que nos últimos cinco anos as insuficiências das instalações comunitárias em Seac Pai Van não foram resolvidas e que continuam,

todos os dias, a incomodar as dezenas de milhares de residentes. Segundo o legislador, além da escola não ter uma data definida para a conclusão de obras, há várias instalações

que estão por arranjar, assim como a estrada ao lado do escola que não oferece as condições para circulação de carrinhos de bebé e cadeiras de rodas. O deputado apela a

que as autoridades arranjem forma de melhorar a zona e prevê que os problemas se prolonguem, devido às obras. Sobre a recente entrada em funcionamento de um

Sai On, para o cumprimento desse objectivo, cinco anos depois. Liu Chak Wan referiu que os delegados devem dar mais atenção ao trabalho que podem fazer nos órgãos políticos do país, tendo falado da necessidade de um bom planeamento para os 85 quilómetros quadrados de águas marítimas. Já Chui Sai Cheong lembrou que, no passado, foram feitas algumas propostas inúteis pelos delegados, tendo aconselhado a realização de estudos. Ho Teng Iat defendeu que os delegados precisam de esforçar-se mais para construírem uma boa imagem do trabalho que realizam. O novo rosto da CCPPC, também presidente da Fundação Macau, Wu Zhiliang, sublinhou que Macau é uma plataforma

supermercado no auto-silo público, o deputado considera necessário que se crie uma passadeira entre as duas passagens superiores para peões naquela zona.

de trabalhos para os chineses ultramarinos, e por isso é preciso fazer mais trabalhos em prol dessa comunidade de Taiwan. O Lam, que lidera o Gabinete do Chefe do Executivo, espera que haja união entre os membros da CCPPC apesar de serem oriundos de sectores diferentes. Chan Hong, deputada à Assembleia Legislativa e novo rosto na CCPPC, pede um reforço no intercâmbio entre os jovens locais e continentais e o aumento do nível de conhecimento dos jovens sobre a China. Vong Hin Fai referiu que é necessário divulgar à população as políticas elaboradas pela China que têm como objectivo manter a estabilidade e prosperidade de Macau. Andreia Sofia Silva e Vítor Ng info@hojemacau.com.mo


6 sociedade

6.3.2018 terça-feira

Caso Ho Chio Meng Empresários ligados a ex-Procurador libertados

Os empresários Mak Im Tai e Wong Kuok Wai acusados de associação criminosa, em conjunto com o ex-Procurador Ho Chio Meng, foram colocados em liberdade. Segundo a Rádio Macau, o Tribunal de Última Instância aceitou o pedido de ‘habeas corpus’ interposto pela defesa, a cargo do advogado Pedro Leal. Os empresários foram libertados devido ao facto de ter sido ultrapassado o limite máximo de dois anos de prisão preventiva, sem que tenha havido sentença transitada em julgado. Mak Im Tai e Wong Kuok Wai vão ter de se apresentar todos os dias na Polícia Judiciária e estão proibidos de se ausentarem de Macau. Os empresários foram condenados a 12 e 14 anos, por crimes de associação criminosa, burla e branqueamento de capitais, entre outros, em co-autoria com Ho Chio Meng.

Tabaco Serviços de Saúde registaram 922 acusações

Entre Janeiro e Fevereiro, os Serviços de Saúde registaram 922 acusações relacionadas com a Lei do Tabagismo, 917 das quais se ficaram a dever ao facto das pessoas estarem a fumar em locais onde é proibido. Os restantes cinco casos foram motivados por ilegalidades nos rótulos de tabaco. Segundo o Governo, entre os casos detectados de pessoas a fumar em locais proibidos, a maioria dos fumadores ilegais (850 casos) são do sexo masculino, ou seja 92,9 por cento contra os 7,3 por cento de casos registados entre as pessoas do sexo feminino (67 casos). Em 20 casos foi necessário o apoio das forças de segurança o que comparado com o período homólogo do ano passado significa uma quebra de 17 casos. Entre os acusados, 709 pessoas decidiram pagar as multas.

foquem a comunidade em geral”, é acrescentado. Por outro lado, os autores afirmam que entre as pessoas que sofrem do vício do jogo online é frequente encontrar outros problemas psicológicos associados. Entre os entrevistados, 25 por cento demonstravam sinais de depressão e 45 por cento sinais de ansiedade.

“O estudo prova que, tal como acontece com os adolescentes, também os jogadores adultos podem desenvolver comportamentos problemáticos relacionados com os videojogos.” Sobre as razões que os levam a jogar, a maior parte dos jogadores apontou os videojogos como “uma forma de fuga à realidade quotidiana” e de “alívio para estados de alma negativos”. Por outro lado, muitos dos viciados reconhecem que jogam, apesar de terem presentes as consequências negativas para as suas vidas quotidianas, principalmente ao nível das relações pessoais, trabalho e período de descanso.

VIDEOJOGOS CERCA DE DOIS POR CENTO DA POPULAÇÃO COM TENDÊNCIA PARA O VÍCIO

Só mais uma horinha...

Um estudo realizado por académicos da Universidade de Macau conclui que dois por cento da população do território está em risco de ficar viciada em videojogos. Depressões e ansiedade são doenças mentais associadas ao vício

C

ERCA de dois por cento da população adulta de Macau tem tendência para desenvolver o vício dos videojogos online. A conclusão faz parte de um estudo elaborado por quatro académicos da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Macau, nomeadamente

Anise Wu, Juliet Chen, Tong Kwok Kit e Shu Yu. No estudo, que se baseou em entrevistas por telefone a residentes, é sublinhada a necessidade de implementar campanhas de prevenção focadas nos adultos, apesar dos adolescentes serem vistos como o grupo de pessoas mais propenso a desenvolver este tipo de vícios.

“A prevalência da tendência para desenvolver o vício dos videojogos online é de 2 por cento entre os adultos da comunidade”, consta no documento que tem como título “Prevalência e factores associados ao vício dos videojogos online entre a comunidade adulta de Macau”. O estudo foi publicado na revista Journal of Behavioral Addictions.

“O estudo prova que, tal como acontece com os adolescentes, também os jogadores adultos podem desenvolver comportamentos problemáticos relacionados com os videojogos. Por isso, a prevenção deste tipo de comportamentos problemáticos deve ser focada não só nos programas escolares, mas em programas que

IGUALDADE DE GÉNERO

Em Macau, o perfil do jogador é o jovem adulto, do sexo masculino e com formação superior. O estudo revelou ainda que dão também os homens que gastam mais dinheiro na compra de jogos online. No entanto, de acordo com as conclusões, pessoas de ambos os géneros têm um nível igual de tendência para desenvolver este tipo de vício. No que diz respeito à prevenção, os autores defendem que as campanhas de recuperação das pessoas em dificuldades devem “focar os pontos positivos das alterações dos comportamentos”. Em causa está o facto dos jogadores estarem cientes das consequências negativas do vício, mas mesmo assim continuarem a jogar compulsivamente. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


sociedade 7

O

S autores Jung Chang, James Church e Suki Kim vão falhar o Rota das Letras, que arranca no próximo Sábado. O Festival Literário de Macau cancelou a vinda dos três escritores após receber a indicação de que a sua visita não era considerada oportuna. “Foi-nos comunicado oficiosamente que não era considerada oportuna a vinda desses três autores, por isso, não estava garantida a sua entrada no território”, afirmou o director de programação do Rota das Letras ao HM, Hélder Beja. “O Festival não quis colocá-los nessa situação e tomou a decisão de cancelar a sua vinda”, explicou. “Esta situação ultrapassa, em muito, o raio de acção do Festival Literário”, realçou Hélder Beja, sem revelar, porém, donde chegou a mensagem de que a visita dos três escritores em causa era entendida como inoportuna. O HM contactou a tutela, tendo o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, afirmado que “não tem qualquer conhecimento” sobre o caso. Desconhece-se por que razão a presença da prestigiada escritora contemporânea em Macau pode ser entendida como inapropriada, até porque em Novembro, por exemplo, marcou presença no Festival Literário de Hong Kong. Já à China (onde os seus livros estão banidos), Jung Chang apenas podia regressar para visitar familiares sob condição de não ver amigos e de evitar todo o tipo de viagens e de actividades políticas, segundo uma entrevista publicada pelo jornal The Telegraph. Esta situação manteve-se, pelo menos, até 2013. A autora, de 65 anos, é conhecida, principalmente, pela obra “Cisnes Selvagens – Três Filhas da China” (1991), considerado pelo Asian Wall Street Journal o livro mais lido sobre a China, retratada através dos olhos de três gerações de mulheres. Outros

TIAGO ALCÂNTARA

terça-feira 6.3.2018

Director de programação, Hélder Beja “Esta situação ultrapassa, em muito, o raio de acção do Festival Literário”

ROTAS DAS LETRAS AUTORES ‘RISCADOS’ POR VINDA SER CONSIDERADA INOPORTUNA

Letras non-gratas

A autora de “Cisnes Selvagens”, um dos principais destaques do cartaz do Rota das Letras, já não vem a Macau. O Festival Literário cancelou a vinda de Jung Chang, e de mais dois escritores, após indicação de que seria considerada inoportuna dos marcos incontornáveis da obra da escritora é a exaustiva biografia “Mao: A História Desconhecida”, que publicou, em 2005, foi descrito como “uma bomba atómica” pela revista Time. A obra foi assinada em coautoria pelo marido de Jung Chang, o historiador britânico Jon Halliday. Mais recentemente, em 2013, deu à estampa “A Imperatriz Viúva – Cixi, a Concubina que mudou a China” (2013).

BAIXAS DE PESO

Jung Chang, que se mudou para o Reino Unido há quatro décadas, tem as suas obras traduzidas em mais de 40 idiomas, contando com mais

de 15 milhões de exemplares vendidos. A outra baixa na programação do Festival Literário é a de Suki Kim, nascida em Seul e radicada em Nova Iorque. Conhecida por trabalhar infiltrada, depois de lançar o romance “The Interpreter” (2003),

foi para a Coreia do Norte com uma nova missão: a de ensinar inglês às crianças das elites. Essa experiência foi convertida no livro “Without You, There Is No Us” (2014). James Church, autor da série “Inspector O”, foi outro dos autores considerados

inoportunos. O ex-agente da CIA, com décadas de estreita ligação à península coreana, começou a escrever o primeiro dos seis livros da série como um desafio para si próprio. A ideia afigurou-se aliciante para o autor, uma vez que nunca se tinha escrito uma história de detectives

passada na Coreia do Norte, referiu a organização do Rota das Letras aquando da apresentação do programa que tinha a Coreia do Norte como um dos principais destaques. Além das três baixas referidas, duas das quais relacionadas precisamente com o hermético regime, o Festival Literário anunciou uma quarta: a de Hyeonseo Lee, a única autora convidada que nasceu na Coreia do Norte. Desta feita, foi a própria activista dos direitos humanos e autora d’ “A Mulher Com Sete Nomes: História de uma Refugiada da Coreia” que cancelou a vinda por “motivos de ordem pessoal”, de acordo com a organização. Em contrapartida, o Festival Literário anunciou a derradeira confirmação. Trata-se da escritora e pintora sino-francesa, Shan Sa. Nascida em Pequim, em1990, mudou-se para Paris para prosseguir os estudos. Sete anos depois, lançou, em francês, “A Porta da Paz Celeste” que venceu o Prémio Goncourt para o Primeiro Romance, um dos mais prestigiados prémios literários de França. Em 2001, foi distinguida com o Prémio Goncourt des Lycéens com “A Jogadora de Go” e, desde então, os seus trabalhos têm sido publicados em mais de 30 idiomas em todo o mundo, refere a organização. Já na qualidade de pintora teve os seus quadros expostos em Macau, Hong Kong, Xangai, Paris, Nova Iorque e Tóquio. O Rota das Letras vai decorrer entre 10 e 25 de Março. Diana do Mar

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Transportes Concurso para atribuição de licenças de táxi prolongado

O prazo para a apresentação de propostas no âmbito do concurso público para a atribuição de 100 licenças de táxis foi prolongado até às 18h do dia 26 de Março. Inicialmente, estava previsto que o prazo para a entrega de propostas chegasse ao fim a 8 de Março, mas a Direcção dos Serviços para os Assuntos Tráfego (DSAT) optou por esticar o período para os interessados apresentarem as propostas. “Tendo em conta a diferença das características dos táxis exigidos para os que agora estão em circulação, foi autorizada por despacho do Chefe do Executivo, a prorrogação do prazo de entrega das propostas. Com a extensão do prazo, os interessados usufruem de mais tempos para adquirir conhecimento sobre as características, manutenção e reparação deste tipo de veículos”, justificou a DSAT.


8 eventos

6.3.2018 terça-feira

“Uma visão orientada pa FOTOGRAFIA YANG YANKANG RETRATA O BUDISMO TIBETANO EM LISBOA

Desde o passado dia 1 de Março que a Galeria Fidelidade Chiado 8, em Lisboa, acolhe a exposição de fotografia de Yang Yankang, intitulada “Espelhos de Alma”. A curadoria é do advogado e fotógrafo João Miguel Barros, que fala de uma obra que revela uma grande dimensão de religiosidade

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EPOIS de ter levado o trabalho de Lu Nan a Portugal, João Miguel Barros voltou a apostar num outro fotógrafo chinês que, pela primeira vez, expõe em Lisboa e que promete mostrar aos portugueses as facetas do budismo tibetano. A exposição “Espelhos de Alma” estará patente até ao dia 4 de Maio na Galeria Fidelidade Chiado 8, em Lisboa. A mostra reúne 40 fotografias a preto e branco, “ampliadas analogicamente e que estão centradas no budismo tibetano”, explicou João Miguel Barros ao HM. As imagens “retratam diversos aspectos do quotidiano dos monges tibetanos, na sua fé e nos seus tempos livres. Mostram, ainda, aspectos vários de peregrinos nas suas viagens espirituais”. Na visão do

curador, Yang Yankang “é um fotógrafo fantástico, com uma visão orientada para o culto e a fé”. “Refiro genericamente o culto, e não apenas na fé budista, porque ele tem um outro trabalho de grande fôlego centrado no Catolicismo na China, que espero ter a oportunidade de ajudar a divulgar”, acrescentou. João Miguel Barros não tem dúvidas de que “a arte chinesa tem tido um crescendo de aceitação no ocidente, se bem que em Portugal, ao contrário de outros países europeus, não esteja nos lugares cimeiros de maior valorização”.

ABERTURA MÚTUA

Em Portugal há ainda muitas ideias feitas em relação ao que é considerado arte chinesa. “Pensa-se quase sempre na porcelana ou nas pinturas a tinta da china, muita dela seguindo as mesmas técnicas e estruturas narrativas dos clássicos. Mas não é essa a que eu me refiro. Estou a pensar na arte contemporânea chinesa quer seja a pintura, a escultura, as instalações e, particularmente no que mais me interessa, a fotografia”, esclarece o curador e fotógrafo. “A arte contemporânea chinesa começou o seu processo de afirmação em décadas mais recentes, fruto da política de abertura das autoridades chinesas nos anos 70 do século passado, e que tem vindo a ter uma expressão enorme junto do público”, acrescenta. No que diz respeito à fotografia contemporânea, “teve um nascimento mais tardio e não é ainda a forma de expressão artística mais significativa”. João Miguel Barros garante que a mostra de Lu Nan “teve maior repercussão em Portugal, no sentido da sensibilização para a importância da fotografia chinesa”. Andreia Sofia Silva Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo

João Miguel Barros, curador Yang Yankang “é um fotógrafo fantástico, com uma visão orientada para o culto e a fé. Refiro genericamente ao culto, e não apenas na fé budista,


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ara a fé”

, porque ele tem um outro trabalho de grande fôlego centrado no Catolicismo na China”

“O Espelho da Alma”

UMA CONVERSA ENTRE O ARTISTA YANG YANKANG E O CURADOR JOÃO MIGUEL BARROS

Quando começou a fazer fotografia de forma continuada e profissional? Comecei a entender fotografia através da revista “Fotografia Moderna”, em 1985, em Shenzhen, e tornei-me fotógrafo profissional em 1992. Nos seus primeiros tempos como fotógrafo quais eram os objectivos que ambicionava concretizar? Eram já projectos relacionados com a fé e a religião? Nessa altura queria apenas tirar as melhores fotografias; eu não tinha ambição nem objectivos a longo prazo. Através do sentimento e experiência adquiridos durante a minha jornada na fotografia, encontrei pessoas e motivos religiosos, que gradualmente fortaleceram a minha própria convicção. Ao obter alguns resultados, decidi concentrar-me em fotografar as 3 religiões principais. Utilizo a fotografia para interpretar a vida e o espírito de pessoas religiosas e, ao mesmo tempo, encontrar a minha própria fé.

fé no interior da China. No trabalho que agora expõe em Lisboa, centra-se no Budismo e no Tibete. E o projecto que está neste momento a desenvolver é sobre as comunidades chinesas que professam a religião islâmica. Porquê essa opção? Os Chineses não têm fé, não existe um conceito tradicional de crenças religiosas, as pessoas entendem a gratidão, o temor, não vão contra a moralidade. A fé permite que as pessoas conheçam o amor e o carinho. Depois de me confrontar com o catolicismo, budismo tibetano e o islamismo na China, fiquei profundamente tocado pela fé. Eu também me converti ao catolicismo e ao budismo tibetano, sou uma pessoa de duas religiões. Com fé, tenho a coragem de acreditar, mas também explorar profundamente e fotografar imagens íntimas. Capturá-los em fotografia é como capturar a minha própria vida religiosa. Isso toca-me a mim, como toca os outros.

Quem o influenciou nos seus primeiros trabalhos? No início, fui influenciado por fotógrafos chineses como Hou Dengke, Hu Wugong, Pan Ke e outros grupos de Shaanxi. Com a abertura da fotografia na China, fui fortemente influenciado por fotógrafos de países estrangeiros, como Sebastião Salgado, Marc Riboud, Diane Arbus, Sally Mann. E depois? Há algum nome que considere ser um mestre e que se tenha mantido ao longo dos anos como fonte importante de inspiração para o seu trabalho? Nas minhas fotografias posteriores, considero Josef Koudelka e Sebastião Salgado os fotógrafos mestres, que continuam a ser fontes importantes de inspiração para o meu trabalho e que me conduziram para a maturidade e profissionalismo. A sua opção é pela fotografia a preto e branco. Porquê? A fotografia a preto e branco é uma maneira directa de ilustrar o tema, não estando sujeita à tentação de interferências das cores. As imagens a preto e branco são tradicionais, clássicas, mas cheias de encanto, mostrando a realidade do que está a ser capturado pela imagem. Acha que a cor é menos rigorosa para os objectivos que pretende alcançar? Sim, a imagem a cores não é capaz de expressar o meu tema religioso. Transformei as cores das objectivas numa emoção subjectiva e numa visão única. Utilizo a fotografia a preto e branco para alcançar os meus objectivos, para expressar com precisão os meus pensamentos. Já registou o modo como as comunidades católicas expressaram a sua

É um homem religioso? Sou uma pessoa de duas religiões. Qualquer crença é humana, cheia de amor. A nossa alma é como um copo, podemos enchê-lo com café, chá ou água. Afinal, trata-se de uma alma. Uma forte crença conduz a uma fé forte. Qual é a sua fé? Em que é que acredita? Já respondi a isso na pergunta anterior. Mas a fotografia também é a minha fé. Utilizo a fotografia para expressar a humanidade, para expressar amor, louvar a rectidão, louvar a bondade! E repreender a maldade. O seu trabalho está centrado numa forte dose de espiritualidade. A espiritualidade e a fé são momentos individuais. Essa opção pode levar a pensar que se interessa menos, enquanto objecto do seu trabalho, pelas dinâmicas sociais e pelas relações

materiais entre as pessoas. É uma opção deliberada? As minhas fotografias focam-se mais na espiritualidade da vida religiosa; é uma forma de fotografia espiritual. Entre o material e o espiritual, eu escolheria o espiritual. É perigoso se as pessoas gananciosas não forem conduzidas espiritualmente no mundo material. O que é uma sociedade? Qual é a dinâmica social? Qualquer sociedade civilizada necessita de ter fé. A fé direcciona a alma para se aperfeiçoar. Quanto mais desenvolvida a sociedade e mais dinâmica é, mais precisamos do consolo e do calor da fé. Quando eu estava a fotografar a vida religiosa no Tibete, foi o brilho da tranquilidade e a calma que a sociedade chinesa necessita ver e sentir. Estas são as imagens poéticas que procuro. As suas fotografias demonstram uma enorme relação entre a natureza, a fé e o sagrado. Qual é o seu método de trabalho para captar estes momentos de tanta intimidade? Na importante relação entre a natureza e a fé religiosa, misturo-me na vida pessoal das pessoas religiosas com respeito e crença para registar e capturar os momentos. Fico com elas e aguardo pacientemente pelos melhores momentos. As pessoas religiosas têm um coração aberto, são muito gentis e amigáveis. Elas também precisam de espalhar a sua fé e fazer com que as pessoas entendam a sua vida religiosa, aproximando-se delas e senti-las. Isso torna a fé um elemento muito vívido e comovedor na natureza. Qual a foi metodologia que utilizou para concretizar o projecto sobre o Budismo e o Tibete? Coloco sangue, suor e lágrimas para capturar o Tibete. Num ano, eu passo 8 meses a tirar fotografias no Tibete. Mantive-me no Tibete durante dez anos. Utilizo filmes tradicionais e a máquina fotográfica Leica para trabalhar. Revelo e escolho as minhas próprias fotografias. Eu ando sozinho, escolho uma imagem entre milhares, e tento apresentar os melhores clássicos! Quanto tempo demorou a concluir o projecto “The Reflections of Soul”? Passei 80 meses em 10 anos para completar “Xin Xiang” (“O Espelho da Alma”). Já agora, porque razão escolheu esse nome para o livro que publicou? A tua aparência reflecte quem realmente és, “Xin Xiang” é o espelho da tua alma, capta-te a ti, e captura os outros. Uso o meu coração, os meus olhos, e para me completar e sentir-me realizado, trago riquezas espirituais valiosas para a sociedade e para as pessoas.


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APN FIM DO LIMITE DE MANDATOS DOMINA REUNIÃO DO ÓRGÃO LEGISLATIVO CHINÊS

A grande questão

A sessão anual do órgão legislativo máximo da China arrancou hoje com o debate centrado numa emenda constitucional que removerá o limite de dois mandatos no exercício do cargo de Presidente do país

Nos últimos anos, Xi desmantelou o sistema de “liderança colectiva”, cimentado pelos líderes chineses desde os anos 1980, e tornou-se o centro da política chinesa, eclipsando os outros seis membros do Comité Permanente do Politburo PCC

A

proposta, que permitirá ao Presidente Xi Jinping permanecer indefinidamente no cargo, concentrará a atenção mediática sobre a reunião da Assembleia Popular Nacional (APN), que normalmente serve para aprovar o orçamento do país, o plano anual de desenvolvimento económico-social e outros documentos. A alteração de um dos princípios fundamentais da política chinesa desde os anos 1980 ilustra a ascensão de

Xi como um dos mais fortes líderes chineses na história da República Popular, com o regime a assumir contornos de uma ditadura pessoal. Os cerca de 3.000 deputados reunidos durante os próximos dez dias no Grande Palácio do Povo, no lado ocidental da famosa Praça Tiananmen, irão também eleger os principais titulares dos órgãos do Estado, já previamente seleccionados pelo Partido Comunista Chinês (PCC), durante o seu último Congresso, que decorreu em Outubro passado.

A liderança chinesa tem defendido a necessidade de acabar com o limite de mandatos, visando assegurar a continuidade de Xi no poder, numa altura em que Pequim executa uma vasta agenda que inclui tornar o sector estatal mais competitivo, desenvolver a indústria de alta tecnologia, reduzir a pobreza e combater a poluição.

LÍDER ÚNICO

Nos últimos anos, Xi desmantelou o sistema de “liderança colectiva”, cimentado pelos

líderes chineses desde os anos 1980, e tornou-se o centro da política chinesa, eclipsando os outros seis membros do Comité Permanente do Politburo PCC, a cúpula do poder na China. Além de secretário-geral do PCC, presidente da Comissão Militar Central - o braço político do exército - e Presidente do país, Xi é responsável pelos organismos encarregados da segurança nacional, finanças, reforma económica e “segurança no ciberespaço”. A presidência é a menos importante das três posições que Xi ocupa na pirâmide do poder chinês - secretário-geral do PCC e Presidente da CMC são, por esta ordem, consideradas as mais importantes. Ao assegurar aquelas duas posições, que não estão sujeitas a limite de mandatos, Xi Jinping seria já o líder indiscutível do partido e do Estado, pelo que a emenda constitucional surpreendeu muitos observadores. “Caso seja aprovada, pode-se descrever esta tentativa de abolir o limite de mandatos como o regresso da China a tempos medievais”, afirma Warren Sun, um pesquisador sobre o PCC na Universidade de Monash, na Austrália, citado pela Associated Press.

Tolerância zero Pequim não admite fantasias independentistas de Taiwan

O

primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, advertiu ontem Taiwan de que Pequim não vai tolerar qualquer fantasia independentista, numa altura de renovadas tensões devido à maior aproximação de Taipei a Washington. “Não será tolerada qualquer actividade relacionada com a independência de Taiwan”, afirmou Li, na apresentação do relatório do Governo aos cerca de 3.000 delegados da Assembleia Popular Nacional (APN. “Continuaremos firmes na defesa da soberania nacional e da integridade territorial da China”, afirmou. A advertência de Li Keqiang surge depois de, na semana passada, o Senado norte-americano ter aprovado uma Lei de Viagens a Taiwan, que permite visitas mútuas de funcionários de alto nível. A votação do Senado ocorreu no mesmo

dia em que independentistas taiwaneses lançaram uma campanha para a celebração de um referendo sobre a independência da ilha, em Abril de 2019. A imprensa oficial chinesa lembrou que Pequim poderá recorrer de forma “inevitável” à força para resolver as disputas com Taiwan, como previsto na lei antissecessão. Aquela lei incumbe o Governo e exército chineses de “decidir sobre a execução dos meios não pacíficos” contra Taiwan, caso sejam “esgotadas” as possibilidades de “reunificação pacífica”. Desde o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), que decorreu em Outubro passado, que as incursões de aviões militares chineses no espaço aéreo taiwanês se intensificaram, levando analistas a considerarem como cada vez mais provável que a China invada Taiwan.

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COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da segunda prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2017 nos termos do disposto na alínea 3) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 16 de Março, solicitandose aos mesmos que contactem com a Sra. Wong, através do nº 85995343 ou 85995342, caso não recebam a mencionada notificação. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 27 de Fevereiro de 2018 O Presidente do Júri, Iong Kong Leong

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Tecnologia Robot com Inteligência Artificial diagnostica pacientes

Um robot dotado com Inteligência Artificial (IA), que lhe permite diagnosticar pacientes e passar-lhes receitas, começou a operar num ambulatório da província chinesa de Anhui, leste da China, noticiou a agência oficial Xinhua. Designado “Doutor Assistente IA” e desenvolvido pela firma chinesa iFlytek, o robot tem um aspecto humanoide, com grandes olhos azuis e um sorriso permanente. O sistema baseia-se nos diagnósticos e receitas de outros médicos, armazenados na sua memória. No ano passado, aquele robot converteu-se no primeiro do mundo a passar os exames para obter a licença para exercer medicina. Numa fase inicial, os diagnósticos do robot terão que ser confirmados por um médico humano, detalha a Xinhua. Os robots são utilizados na China já em várias áreas, incluindo redacção de notícias ou no cuidado de crianças e idosos. PUB

A China renovou para 2018 o seu objectivo de um crescimento económico anual “de cerca de 6,5 por cento”, segundo o texto do discurso do primeiro-ministro, Li Keqiang, divulgado antes da abertura da sessão anual do parlamento chinês

Meta fixa Pequim mantém objectivo de crescimento de 6,5 por cento em 2018

O

gigante asiático manteve também em “cerca de 3 por cento” o nível estimado de inflação para este ano. Nenhum novo valor de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a longo prazo foi definido no Outono, no congresso quinquenal do Partido Comunista (PCC), em conformidade com a ideia de que Pequim estava preparada para assistir a uma redução do crescimento do país. O seu orçamento militar, o segundo maior do mundo, a seguir ao dos Estados Unidos, aumentará 8,1 por cento em 2018, um ritmo de crescimento superior ao do ano passado. Esta taxa de crescimento, mais elevada que em 2017 (+7 por cento), foi anunciada pelo Governo chinês num relatório

divulgado pouco antes da abertura da sessão anual do parlamento. O orçamento atinge os 142 mil milhões de euros, segundo a agência Nova China.

APOSTA MILITAR

A China gastou em 2017 um total de 122 mil milhões de euros com as suas Forças Armadas, segundo um recente relatório do Instituto Internacional para os Estudos Estratégicos (IISS), um organismo especializado sediado em Londres - quatro vezes menos que os Estados Unidos (489 mil milhões de euros). Pequim aumenta a despesa com a Defesa desde há mais de 30 anos para compensar o atraso em relação aos exércitos ocidentais. O aumento anual atingiu quase 18 por cento no final dos anos 2000 e, nos últimos anos, a taxa de

O seu orçamento militar, o segundo maior do mundo, a seguir ao dos Estados Unidos, aumentará 8,1 por cento em 2018, um ritmo de crescimento superior ao do ano passado

crescimento do orçamento militar é mais ou menos coordenada com a do PIB (que foi de 6,9 por cento em 2017). Em Outubro, Xi Jinping instou o exército a concluir a sua modernização até 2035 e a ser “de nível mundial” até 2050. O exército chinês ainda está pouco presente em cenários internacionais: além das participações em missões de manutenção da paz da ONU, tem 240 mi-

litares na única base militar que até agora instalou no estrangeiro (em 2017, no Djibuti) e a sua marinha patrulha o golfo de Aden para operações de escolta antipirataria, segundo o IISS. Por sua vez, os Estados Unidos têm cerca de 200.000 militares destacados em cerca de 40 países dos cinco continentes.


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No centro do mundo sempre soa música Máquina Lírica

Paulo José Miranda

Levinas Primeiro movimento

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EVINAS nasceu na Lituânia e passou a infância e a adolescência na Rússia. Chega a França com 18 anos, onde faz a universidade, em Estrasburgo. Aí conhece e torna-se amigo de Maurice Blanchot, uma amizade que durará a vida toda, pautada por uma enorme cumplicidade e reconhecimento mútuo. Depois, e por causa de um livro que uma colega, a senhorita Pfiffer, lhe deu (Investigações Lógicas, de Husserl), rumou à Alemanha para ser aluno de Husserl. E aí conheceu Heidegger, que mudaria a sua vida pela primeira vez (a segunda será em 1947, no encontro com o Senhor Chouchani, profundo conhecedor do Talmude e de matemática). Dirá mais tarde que Heidegger, para ele, é fundamentalmente Ser e Tempo. Não por ter sido anterior à sua filiação ao partido nazi, mas porque este livro faz realmente parte de um dos cinco momentos mais belos da filosofia, como o Fedro (Platão), a Crítica da Razão Pura (Kant), a Fenomenologia do Espírito (Hegel) e Os Dados Imediatos da Consciência (Bergson). Há três tradições literárias e de pensamento que são fundamentais para Levinas: antes de mais, onde tudo começou, a literatura russa, principalmente Dostoievski; posteriormente Husserl e Heidegger, principalmente este último; e por fim o Talmude, embora este tenha acompanhado toda a vida de Levinas, desde a mais tenra idade, como é costume na tradição judaica. A importância do Talmude como caminho de reflexão para o seu pensamento acontece apenas a partir de 1947, depois do famoso encontro que Levinas tem com o Senhor Chouchani. A partir daqui, a reflexão talmúdica passa a integrar a sua filosofia. Em Totalidade e Infinito, a sua grande obra filosófica – Derrida dirá que não é um tratado, mas uma obra de arte – a influência talmúdica assume uma força tremenda e cruza-se com a fenomenologia husserliana e a hermenêutica de Heidegger. Embora não se vá analisar aqui esta obra magna de Levinas, é a partir dela que se fará esta curta introdução ao seu pensamento. Há um livro de 1982, Ética e Infinito, que são dez entrevistas que Levinas concede a Phillipe Nemo e onde explica o seu pensamento ao longo do tempo. Aconselho vivamente este pequeno livro para quem queira começar a aventura em Emmanuel Levinas. Do mesmo modo que Heidegger, em Ser e Tempo, faz partir a sua análise daquilo que é o mais anterior no Dasein, o mundo, pois antes de mais nós estamos lá, lançados no mundo, Levinas parte do Outro. O Outro é aquilo que é primeiro no humano. Antes de mais, eu sou o outro. E isto é evidente

através da nossa concepção. Nós somos um prolongamento do outro, que são os nossos pais. Para um pai, o seu filho é um outro modo de ele ser. O filho é um ser independente, evidentemente, é um outro, mas também é ele mesmo. É ele mesmo sendo outro. Assim, logo no nosso nascimento nós somos frutos do outro e um outro modo de ser do outro. Não é o mundo que assume a primordialidade no nosso nascimento, mas o outro. Antes de mais, para usar uma linguagem heideggeriana, estamos lançados no e pelo outro. E é daqui,

deste outro que somos antes de mais, que nasce em nós o desejo metafísico. Escreve em Totalidade e Infinito: “Nenhuma viagem, nenhuma mudança de clima e de ambiente podem satisfazer o desejo que para lá tende. O Outro metafisicamente desejado não é ‘outro’ como o pão que como, como o país em que habito, como a paisagem que contemplo, como, por vezes, eu para mim próprio, este ‘eu’, esse ‘outro’. (...) O desejo metafísico tende para uma coisa inteiramente diversa, para o absolutamente outro.” Aqui lembro-me sempre

O Outro é aquilo que é primeiro no humano. Antes de mais, eu sou o outro. E isto é evidente através da nossa concepção. Nós somos um prolongamento do outro, que são os nossos pais. Para um pai, o seu filho é um outro modo de ele ser.

de um pequeníssimo livro, mas extraordinário, de Stig Dagermann, cujo título é A Nossa Necessidade de Consolo É Impossível de Satisfazer. Porque, na realidade, aquilo que nos faz continuamente tender para o Outro nunca chega, nunca se satisfaz. Nós temos mais Outro em nós do que qualquer outro subjectivo é capaz de preencher. Mas o Outro revela-se-nos através do Rosto. O Rosto é exterioridade e transcendência, isto é, Infinito. O Rosto, através do qual o Outro se nos revela, é o que nos ilumina a nossa condição, que é a de Desejo metafísico. Estamos, portanto, sem quaisquer dúvidas numa reposição ou retoma do projecto metafísico, que tinha sido interrompido por Heidegger. Mas atentemos melhor no que é esse conceito levinasiano de Rosto. De modo geral, quando alguém se nos aparece, é o rosto que vimos. O rosto é também a parte do Outro que surge nua, completamente nua. Esse Rosto, por outro lado, não é o rosto da fotografia. O Rosto que as máquinas fotográfica ou de filmar captam e tornam o Rosto num objecto de Rosto. Aquele rosto que identificamos como sendo belo ou feio não é um rosto, mas um objecto de rosto. O Rosto a que Levinas se refere é aquele que nos interpela, que nos conduz mais a nós mesmos do que ao Outro. Esse Rosto, a que Levinas se refere, é o Outro que nos devolve a nós mesmos. No fundo, no Rosto do Outro ficamos face à nossa origem e ao nosso desejo metafísico. Origem, porque o Rosto evoca em nós uma pertença; desejo metafísico, porque o Rosto evoca também em nós um para além que nos habita. Há um além em nós mesmos, que nos habita, e que se torna visível no Rosto do Outro. O Rosto lembra-nos que há em nós um excedente de nós, que nos escapa, continuamente nos escapa. Por outro lado, o Rosto traz até nós a responsabilidade. Já na nossa origem estamos presos à responsabilidade, pois o Outro, na dupla paternal, é responsável por nós, numa dupla conotação: responsável por nos terem posto no mundo (causa do nosso ser) e responsável por cuidar de nós (ainda que isso possa não acontecer). E esta responsabilidade, que faz parte da nossa origem, passa também para nós, nesse seu carácter duplo: responsáveis pelas nossas acções (ser-se responsável) e responsável por aquilo que causamos no Outro. Assim, o Rosto aparece também aqui, e uma vez mais, como arauto acerca de nós mesmos. E, no sentido em que o Rosto é Outro e este é onde estamos de antemão, o Rosto precede a linguagem. É precisamente na tentativa de responder ao Rosto que nos interpela, que se desenvolve em nós a linguagem. Antes mesmo de pensarmos em pensar, a linguagem é a ponte para o outro, nesse rosto que nos interpela. Esse além primeiro, que é o rosto da mãe, leva-nos à linguagem. Esse rosto, essa exterioridade primeira torna-se reflexo do infinito. O rosto da mãe é assim o início da metafísica.


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terça-feira 6.3.2018

AUTOMOBILISMO FILIPE DE SOUZA PONDERA FAZER PAUSA NA CARREIRA

Em ponto-morto Orçamento de 6,5 milhões de dólares de Hong Kong afasta Filipe de Souza da participação na Taça Mundial de Carros de Turismo. O macaense pondera fazer uma pausa na carreira e falhar o Grande Prémio de Macau

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macaense Filipe de Souza esteve a testar um BMW M4 GT4, na semana passada, no Japão, mas o futuro pode passar por uma pausa na carreira. A hipótese foi avançada, ontem, pelo piloto, que equaciona não participar no Grande Prémio de Macau. Por um lado, o piloto gostava de correr na primeira edição da recém-criada Taça Mundial de Carros de Turismo (WTCR), que substituiu o Campeonato Mundial de Carros Turismo (WTCC). Por outro, o orçamento para participar

na competição ronda os 6,5 milhões de dólares de Hong Kong, um montante que para o piloto é visto como praticamente incomportável. “É claro que quero ir correr no WTCR. Tive ofertas de muitas equipas, mas sinceramente o preço que pedem para corrermos é muito caro. É muito difícil ter capacidade para pagar o montante exigido. São 6,5 milhões de dólares de Hong Kong”, disse Filipe de Souza, ao HM. Com a transformação em taça, a competição da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para carros de turismo sofreu alterações

significativas. Os carros ficaram mais equilibrados ao nível do desempenho, porém, o facto de haver três corridas por fim-de-semana fez disparar os custos de participação. “Antes uma pessoa chegava a acordo com uma das equipas e só tinha de pagar a taxa de participação. Agora, é diferente. As equipas têm de pagar uma taxa de inscrição que custa muito dinheiro”, contou o piloto. “Subiram muito principalmente porque a competição passou a ter três corridas por fim-de-semana”, frisou.

GRANDE PRÉMIO EM RISCO

A pausa na carreira de Filipe de Souza pode afectar igualmente a participação no Grande Prémio de Macau e no campeonato local de Carros de Turismo. No ano passado, o macaense correu nas provas, mesmo que de forma pontual. Mas este ano a situação pode mudar. “Ainda estou confuso sobre o que vou fazer. Já corro há muitos

Ténis João Sousa caiu para o 85.º posto do ranking ATP, Federer lidera

Futebol Mourinho vai comentar Mundial 2018 na televisão russa O treinador do Manchester United, José Mourinho, vai comentar o Mundial2018 de futebol para a estação televisiva pública russa, anunciou ontem a RT. “Ele partilhará as suas opiniões especializadas, conhecimentos e informação sobre futebol com os espectadores da RT”, acrescentou a estação de televisão. O canal televisivo refere ainda que o treinador português está “muito contente por fazer parte da equipa da RT”, estação que não tem os direitos dos jogos do Mundial2018, mas que realizará emissões especiais. Na equipa de comentadores estará também o antigo guarda-redes internacional dinamarquês Peter Schmeichel, que foi campeão pelo Sporting e que se notabilizou ao serviço do Manchester United. No campeonato do mundo, que decorrerá entre 14 de Junho e 15 de Julho, Portugal, campeão europeu, integra o Grupo B, no qual tem como adversários a Espanha, bicampeã europeia em 2008 e 2012, e campeã mundial em 2010, o Irão, de Carlos Queiroz, e Marrocos.

O tenista português João Sousa perdeu hoje 13 lugares e caiu para o 85.º posto do ranking ATP, que continua a ser liderado pelo suíço Roger Federer, à frente do espanhol Rafael Nadal, que ocupa o segundo lugar. Sousa, que já chegou a ocupar o 28.º lugar da hierarquia mundial, continua em queda, mas mantém-se o único português a marcar presença no ‘top 100’. Gastão Elias continua à ‘porta’, embora tenha perdido três posições e caído para 105.º. Pedro Sousa subiu para o 119.º lugar, enquanto Pedro Domingues deu um salto para o 179.º posto. No ‘top 10’, o argentino Juan Martin del Potro protagonizou a única alteração da semana, ao subir ao oitavo lugar, por troca com o sul-africano Kevin Anderson, que passou a ser nono. No topo, Federer continua líder, à frente de Nadal e do croata Marin Cilic, que continua como terceiro classificado. O escocês Andy Murray (29.º), que não compete desde

o torneio de Wimbledon do ano passado, perdeu o estatuto de melhor tenista britânico, que detinha desde 2006, tendo sido ultrapassado por Kyle Edmund (24.º), semifinalista do último Open da Austrália. No circuito feminino, os lugares cimeiros também se mantiveram inalterados, com a romena Simona Halep a comandar à frente da dinamarquesa Caroline Wozniacki, que segue no segundo posto, e da espanhola Garbine Muguruza, terceira. Embora tenha perdido 10 lugares, Michelle Brito continua com o estatuto de melhor tenista portuguesa, ocupando o 370.º posto. Inês Murta é 601.ª e Maria João Koehler segue na 744.ª posição.

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Filipe de Souza, piloto “Ainda estou confuso sobre o que vou fazer. Já corro há muitos anos e às vezes sinto que é altura de fazer outras coisas.”

anos e às vezes sinto que é altura de fazer outras coisas. Com o avançar dos anos, depois posso não ter oportunidade de me dedicar a outras actividades... Também vai depender dos patrocinadores”, reconheceu o macaense de 41 anos. No entanto, o sonho de ganhar em Macau mantém-se: “Esse é sempre o meu objectivo e tenho muitos amigos a dizerem-me para correr até conseguir. Eu também sei que se o carro não tiver problemas, que tenho confiança para conseguir”, frisou.

Na semana passada, Filipe de Souza esteve em Fuji a testar um BMW M4 GT4 com a equipa Studie, que vai participar no campeonato Blancpain GT Asia. Esta foi uma estreia para o macaense no circuito de japonês. “Foi um teste interessante. Mas esperava um pouco mais do carro. Tem uma caixa de velocidades de série, o que tira um bocado o prazer de conduzir”, comenta o piloto. João Santos Filipe

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FRACA

O QUE FAZER ESTA SEMANA Quinta-feira LANÇAMENTO DO LIVRO “POEMAS 25 MATIZADOS” DE SELLMA LUANNY, COM APRESENTAÇÃO DE SHEE VÁ Fundação Rui Cunha | 18h30

4 3 7 6 1 2 5 7 6 1 4 3 5 2 INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “MULHERES ARTISTAS – I BIENAL INTERNACIONAL DE MACAU” 3 2 5 1 7 6 4 Museu de Arte de Macau | 18h30 2 7 4 5 6 3 1 Sexta-feira REFLEXÕESAOCAIRDATARDE“CÓDIGOCIVIL–PARTICULARIDADES 3 2 5MACAU”1PELO7PROFESSOR DO6 REGIME4 DA CLÁUSULA PENAL DE DOUTOR ANTÓNIO PINTO MONTEIRO 1 5Rui Cunha 6 | 18h30 7 2 4 3 Fundação 5 1 2 3 4 7 6 Sábado “MACAO STORIES”, DE SÉRGIO PEREZ, VINCENT HOI, HO KA CHENG, CHAN KA KEONG, VINCENT HOI, CHU IAO IAN Cinemateca Paixão | Das 12h00 às 14h15

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3 1 5 6 2 4 7 2 ROTA 5 DAS4LETRAS7| CONCERTO 3 DE1BLOOM6 FESTIVAL / JP SIMÕES 1 6Pacha7 4 5 3 2 Discoteca 6 2 3 1 7 5 4 Domingo “MACAO STORIES”, DE SÉRGIO PEREZ, VINCENT HOI, HO KA 5 CHAN 3 KA KEONG, 6 2 7IAO IAN1 CHENG, VINCENT4 HOI, CHU Cinemateca Paixão | Das 12h00 às 14h15 7 4 2 3 1 6 5 Diariamente 11ª 4BIENAL7DE DESIGN 1 DE5MACAU6 2 3 BERLIN BASS MUSIC : SYMBIZ LIVE W/ HEAVY HK & EB Live Music Association | A partir das 20h30

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IS THE ORDER A RABBIT?? DEAR MY SISTER SALA 1

MONSTER HUNT 2 [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Raman Hui Com: Tony Leung Chiu-Wai, Bai Baihe, Jing Boran, Yo Yang 14.30, 19.30

AGENT MR. CHAN [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Cheung Ka Kit Com: Dayo Wong, Tze Wah, Charmaine Sheh, Sze Man 16.30, 21.30 SALA 2

BLACK PANTHER [B]

Filme de: Ryan Coogler Com: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o 14.15, 16.45, 19.15, 21.45

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DE

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O CARTOON STEPH 28

PARADA DE OURO - ARMAMENTO IMPERIAL DO MUSEU 29 DO PALÁCIO

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 28

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HUM

BAHT

1 2 terça-feira 6.3.2018 2 7 5 7 4 0.25 YUAN 1.27 1 3 VIDA DE CÃO

Museu de Arte de Macau (MAM) | Até 31/3

MAM | Até 11/3

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UM DISCO 7 3 1 2 HOJE 5 4 6 2 5 6 3 1 4

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A voz doce e melodiosa da cantora nascida na Geórgia fez um enorme sucesso quando apareceu no mercado, graças ao single “This the closest thing to crazy”. Em “Piece by Piece”, o seu segundo álbum de originais, Katie Melua conseguiu compor um punhado de canções cheias de blues e soul que revelam mais do que uma cantora com uma cara bonita. Além do single de lançamento ,“Nine Million Bicycles”, destaque para a poderosa “Blue Shoes”. Andreia Sofia Silva

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PROBLEMA 29

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A SEDE 28 DE PODER

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S U D O K U

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Confesso que o mundo em que vivemos me vai surpreendendo a cada dia que passa e quando julgava que não se passaria de um certo limite, eis que damos um passo em frente e tudo se considera normal. A título de exemplo, jamais pensei ser possível que os ténis de todos os tamanhos e feitios, as meias brancas ou os chinelos de trazer por casa (com e sem pelo), pudessem ser considerados parte das tendências de moda e andassem aí pelas ruas nos pés de gente rica. Adiante. Modas e roupitas à parte, o mundo da política também me surpreende. O discurso dos governantes chineses é sempre muito pouco transparente e cheio de mensagens subliminares. Mas desta vez a postura é clara: a constituição chinesa vai ser alterada e Xi Jinping pode ser presidente até querer. E quando julgava que esta ideia ficaria apenas na China, eis que Donald Trump, 30 o brilhante presidente norte-americano, até acha a proposta normal. “Ele agora é presidente para a vida. Presidente para a vida. E ele é incrível”, frisou. Entretanto, 12 países africanos preparam-se para alterar as suas constituições para que os seus presidentes também possam estar na cadeira do poder ad eternum. Chamem-me ingénua, mas continua a espantar-me esta sede desenfreada de poder. A política não deve ser um exercício do “quero, posso e mando”, mas sim um acto de governar em prol dos outros, com os seus limites temporais bem definidos. Cabe ao próprio poder político renovar-se com novos rostos e novas ideias, mantendo um legado e criando outro, ao mesmo tempo. Andreia Sofia Silva

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KATIE MELUA | PIECE BY PIECE | 2005

CONCERTO OF THE BULLY [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Fung Chih-Chiang Com: Ronald Cheng, Cherry Ngan 14.15, 16.00, 21.30 SALA 3

IS THE ORDER A RABBIT?? DEAR MY SISTER [A] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Hiroyuki Hashimoto 17.45, 19.00, 21.15

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 15

terça-feira 6.3.2018

macau visto de hong kong

DAVID CHAN

Olho por olho e ficamos todos cegos CHRISTOFFER WILHELM ECKERSBERG, ULYSSES’ REVENGE ON PENELOPE’S SUITORS

R

ECENTEMENTE, ficámos a saber pelos jornais que, nos EUA, um homem tinha sido preso por tentar atacar o agressor sexual das suas duas filhas, o clínico do centro de medicina desportiva da Universidade de Michigan, Larry Nassar. O caso ocorreu durante uma audiência, que teve lugar no início de Fevereiro. O pai das jovens, Randal Margraves, atacou o réu após as filhas terem prestado depoimento. No Tribunal, Margraves encontrava-se de pé, junto à mesa onde estavam sentados os seus dois advogados. Foi então que Margraves dirigiu um pedido à juíza Janice Cunningham: “Por favor, conceda-me cinco minutos a sós com o filho da mãe.” A juíza recusou o pedido, como é natural. “Então por favor, apenas um minuto.” A magistrada voltou a recusar. Nessa altura, Margraves disparou em direcção a Nassar, com o fito de o morder, mas acabou por ser impedido pelos funcionários do Tribunal. A audiência foi adiada por 30 minutos. Quando retomou, Margraves pediu desculpa.

Foi detido por breves momentos, mas o juiz que analisou o caso recusou-se a prende-lo por ofensas ao Tribunal. Margraves contou ao juiz: “Não estou aqui para me sobrepor às minhas filhas. Estou aqui para as ajudar a ultrapassar esta situação horrível.” O juiz retorquiu: “Não posso tolerar nem pactuar com atitudes vigilantes ou com comportamentos vingativos. No entanto, devido às circunstâncias, este Tribunal não lhe aplicará qualquer castigo.” “Ninguém está a desculpá-lo. Contudo, existem procedimentos legais, e o sistema judicial faz o que é suposto fazer.” Dois dias mais tarde, o procurador Douglas Lloyd declarou que Nassar não pretendia processar Margraves. O comportamento de Margraves no Tribunal é compreensível em face do que aconteceu às filhas. Mas qualquer agressão é inaceitável, sobretudo se ocorrer num Tribunal. Se começarmos a clamar por vingança abrimos as portas a situações incontroláveis. Foi o que a juíza Cunningham quis dizer quando referiu “olho por olho, e ficamos todos cegos”. A vingança é obviamente inaceitável. Para punir o crime existem os Tribunais e nunca devemos ir além disso. A justiça nunca pode passar por vinganças pessoais. O propósito dos nossos sistemas jurídicos é a aplicação de pena pelo Tribunal – para promover a ordem, o direito e impedir a vingança. A vingança só pode gerar o caos.

Mas para impedir comportamentos vingativos, é necessário que exista um sistema jurídico de total confiança. O sistema deve proporcionar justiça às vítimas. Será que neste caso o castigo aplicado a Nassar foi justo? É difícil dizer, até porque o castigo nunca é proporcional ao sofrimento das vítimas. Se o caso for muito grave, é ainda mais difícil determinar o que é “proporcional”. Em 2005, Chun-kwok, um polícia de Hong Kong patrulhava as ruas sozinho e mandou parar um suspeito, de seu nome Chi-Yung Liu. Nessa altura, o suspeito esfaqueou o polícia no pescoço. Devido à hemorragia o agente ficou em coma, porque o cérebro

Mas para impedir comportamentos vingativos, é necessário que exista um sistema jurídico de total confiança. O sistema deve proporcionar justiça às vítimas. Será que neste caso o castigo aplicado a Nassar foi justo? É difícil dizer, até porque o castigo nunca é proporcional ao sofrimento das vítimas

deixou de ser oxigenado e acabou por ficar em estado vegetativo. Os médicos afirmaram que será praticamente impossível haver uma recuperação. Como o suspeito se entregou à polícia só foi condenado a 10 anos de prisão. Ao fim de 5 anos e 9 meses, saiu em liberdade condicional, por bom comportamento. Por ter sido ferido no cumprimento do dever, o Governo da RAEHK foi obrigado a pagar uma indemnização a Chun-kwok, que se traduziu nos seguintes termos: a. Pagamento de salário e pensão mensais b. Cobrir todas as despesas médicas c. Pagamento de uma indemnização avultada à esposa do agente d. Assumir os encargos do curso superior que a filha de Chun fez na Austrália. Para além disto, a Força Policial de Hong Kong realojou às suas custas a família de Chun-kwok. Neste caso o castigo aplicado ao agressor pode ser comparado ao sofrimento causado à vítima? Ter-se-á feito justiça? Terão as avultadas quantias de dinheiro compensado a família por, na prática, ter perdido um ente querido? Mais uma vez, são questões de difícil resposta. Mas, sejam quais forem as nossas opiniões, nunca podemos aceitar que se faça justiça pelas próprias mãos. O castigo aplicado ao agressor deverá ser proporcional aos danos que causou. Para bem de todos, a justiça nunca pode passar as portas do Tribunal.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um acto revolucionário.

PALAVRA DO DIA

GONÇALO LOBO PINHEIRO

George Orwell

Metro Song Pek Kei quer erros de pontuação explicados

A turma do continente ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DA CHINA TOTALIZAM QUASE METADE DAS MATRÍCULAS

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Á cada vez mais alunos da China a frequentar cursos de ensino superior em Macau. Actualmente, representam quase metade dos estudantes matriculados no território. Macau conta no total com 33098 estudantes distribuídos pelas dez instituições de ensino superior locais. Desta soma, 15171 são oriundos da China, ou seja, 45,8 por cento, segundo dados preliminares facultados pelo Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) ao HM. A proporção tem vindo a crescer gradualmente, aumentando, num intervalo de apenas cinco anos lectivos, dez pontos percentuais. A Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST, na sigla inglesa) acolhe, de

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terça-feira 6.3.2018

longe, o maior número de estudantes da China (8808 ou 58 por cento do total). Aliás, oito em cada dez alunos da MUST chegam do outro lado da fronteira. Segue-se no ‘ranking’ a Universidade de Macau (UM), com 9992 estudantes matriculados, dos quais 3189 do interior da China; e em terceiro lugar a Universidade Cidade de Macau, com 2439 alunos da China num universo 5236 inscritos no ano lectivo em curso, de acordo com os mesmos dados. Já o Instituto Politécnico de Macau (IPM) contava com 476 estudantes da China num total de 3385, enquanto o Instituto de Formação Turística (IFT), por exemplo, tinha 217 num universo de 1600. Nas estatísticas facultadas pelo GAES, também

entra a Universidade de São José (USJ) que, pela sua matriz católica, não é autorizada a receber alunos da China. Assim, os dois estudantes mencionados referem-se, segundo explicou fonte da instituição, a alunos que embora sejam da China vivem em Macau e terão efectuado a sua matrícula a partir do território.

ALUNOS DE FORA

Actualmente, excluindo os alunos da China, existem 984 estudantes de fora, a maioria de Hong Kong (365), enquanto que a lusofonia é representada por Portugal (79), Cabo Verde (67), Brasil (28) e Angola (6). O número de alunos que frequentam as instituições de ensino superior locais tem aumentado ligeiramente de ano para ano. A título de

exemplo, eram 29521 em 2013/2014 e hoje são 33098. Face ao ano lectivo anterior, os estabelecimentos de ensino superior têm mais 348 estudantes matriculados. Este aumento verifica-se em quase toda a linha. A Universidade de Ciência e Tecnologia confirma o favoritismo em termos de números, liderando, pelo menos, pelo quinto ano consecutivo o ‘ranking’ com 10926 alunos (mais 553 do que no ano lectivo transacto). Segundo os dados preliminares do GAES, a Universidade de Macau surge em segundo, com 9992 inscritos, apesar de ter registado menos 37 alunos este ano. O pódio fica completo com a Universidade Cidade de Macau (5236 alunos ou menos 598). De seguida surge o IPM (3385 estudantes), o IFT

(1600) e a Universidade de São José (1087). A lista completa-se com o Instituto de Enfermagem Kiang Wu (416), Instituto de Gestão (240), Instituto Milénio (179) e com a Escola Superior das Forças de Segurança (37). No actual ano lectivo, as dez instituições de ensino superior (quatro públicas e seis privadas) têm em funcionamento 274 cursos, dos quais 18 novos. Já o corpo docente é formado por 2303 professores, entre estes um terço lecciona a tempo inteiro. Seis em cada dez docentes possui grau de doutor, de acordo com os dados do GAES. Diana do Mar

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Depois de o Tribunal de Segunda Instância (TSI) ter anulado a adjudicação da empreitada de construção da superstrutura do parque de materiais e oficina do sistema de metro ligeiro, Song Pek Kei quer saber o que levou a que tenham sido cometidos erros na pontuação das propostas. Em declarações ao jornal Ou Mun, a deputada descreveu o erro praticado pela Comissão de Avaliação como básico, dado que não implica nenhuma questão complicada. Algo que, a seu ver, suscita dúvidas relativamente à razão pela qual aconteceu. Neste sentido, instou a Comissão de Avaliação de Propostas a esclarecer o incidente que, apesar de não ser o primeiro a atingir aquela obra fundamental para o metro, entende como mais grave, por ser de pontuação. Song Pek Kei instou ainda o Governo a tentar reduzir os prejuízos decorrentes e a dar um seguimento adequado ao caso. O Chefe do Executivo revelou, no Domingo, que o Governo vai recorrer da decisão do TSI.

Táxis Angela Leong pede fiscalização depois de insulto a residente

Angela Leong pediu ao Governo para acelerar os trabalhos relativos à alteração ao Regulamento dos Táxis, depois de, em Janeiro, o Secretário da tutela ter prometido apresentar “dentro de meses” uma proposta de revisão do diploma que está em vigor há 18 anos. Face às irregularidades, a deputada apelou também a um reforço da fiscalização, contando o episódio de um residente insultado por um taxista durante o Ano Novo Chinês. Em comunicado, Angela Leong também reproduziu queixas relativas à perda de qualidade do serviço de rádio-táxis, designadamente de atrasos devido à falta de carros disponíveis, pedindo uma avaliação atempada da eficiência do funcionamento e a respectiva divulgação dos resultados.


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Hoje Macau 6 MAR 2018 #4005 by Jornal Hoje Macau - Issuu