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Arte
Grande Salão
apoios culturais
Poucos mas bons? sociedade página
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hojemacau
A.C.P. em Macau josé simões morais
Pontos de fuga anabela canas
lai man wa novo macau quer investigação aprofundada
Dúvidas metódicas
No dia em que se realizou o funeral da directora dos Serviços de Alfândega, a Associação Novo Macau vem pedir ao Governo que leve a cabo uma investigação
exaustiva sobre a morte de Lai Man Wa. Scott Chiang acusa o Executivo de pouca clareza e de não ter em conta todos os possíveis contornos deste caso.
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roy enric xavier
Os activos da cultura entrevista
opinião
O caso do caso isabel castro
Balanço de mandatos paul chan wai chi Páginas 21-22
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entrevista
hoje macau sexta-feira 6.11.2015
Roy Enric Xavier académico macaense
“Negócios em Macau trazem vantagens O académico macaense da Universidade de Berkeley, Califórnia, está até ao dia 13 na Universidade de Macau a dar palestras sobre o lado económico da cultura de Macau, ao abrigo de um projecto Fullbright. Roy Enric Xavier acusa associações como a APIM ou o Conselho das Comunidades Macaenses de não terem uma maior aproximação aos jovens e empresas e defende a criação de uma base de dados sobre os profissionais expatriados que querem regressar Como se sente ao ser convidado pela Universidade de Macau? Que projectos vai desenvolver? Sinto-me honrado por ser o primeiro académico Fulbright a ser convidado pela Universidade de Macau (UM). Esta é uma oportunidade única para a China, Macau e os Estados Unidos de criarem mais intercâmbios internacionais, não
apenas na área da educação, mas também em termos de negócios e comércio. O convite tem especial significado devido à minha herança macaense. Esta será a minha terceira visita em três anos, e desta vez o meu papel vai ajudar a universidade a compreender a história da comunidade macaense fora de Macau, e talvez para utilizar os laços culturais para fomentar o desenvolvimento local. Tem vindo a estudar a cultura de Macau, com especial foco nas tradições macaenses. Porquê o maior foco do estudo no lado económico dessa cultura? As ligações entre a cultura macaense e a economia já são conhecidas. Muitas famílias estão profundamente envolvidas em actividades culturais e económicas em simultâneo. O turismo cultural actual é outro exemplo. A cultura de Macau no século XXI, especialmente para as novas gerações de macaenses, dentro ou fora de Macau, é algo atractivo que deveria ser tido em conta do ponto de vista económico. A razão é porque muitas pessoas vêem a rica história de Macau como sendo uma amostra evidente das relações entre o Ocidente e Oriente, e que deveria continuar nos dias de hoje. Fazer negócios em Macau traz muitas vantagens que Las Vegas não tem, incluindo uma ligação directa com a China. Num artigo de investigação, intitulado “A cultura de Macau como um activo económico” diz que “o conceito de cultura como um activo, nas suas formas tangível e intangível, foi adoptado pelos governos de Macau e da China. Mas as tentativas para desenvolver ambas as formas desde a transferência de soberania têm sido incompletas”. Porquê? O meu foco é mais nas formas intangíveis da cultura de Macau: a sua história e os efeitos que renovação dos laços tradicionais fora de Macau pode ter actualmente. Ambos os Governos têm feito bons progressos na preservação dos edifícios e outros espaços físicos, nas formas tangíveis de cultura. Mas gostaria
“A minha investigação revela que a segunda e terceira geração de macaenses estão interessadas em Macau, e muitos são profissionais que trabalham para empresas nas áreas da tecnologia, medicina, comunicação, educação, finanças ou biotecnologia”
de ver algo mais a ser feito para a compreensão da história de Macau, incluindo os contributos no estrangeiro, como é o caso dos macaenses que emigraram para Hong Kong e Xangai no século XIX, e para os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Brasil e Portugal no século XX. A inclusão dos macaenses estrangeiros na história de Macau vai ajudar a renovar velhos laços e, o mais importante, a atrair mais jovens macaenses a regressar a Macau e a mostrarem as suas experiências e talentos. A minha investigação revela que a segunda e terceira geração de macaenses estão interessadas em Macau, e muitos são profissionais que trabalham para empresas nas áreas da tecnologia, medicina, comunicação, educação, finanças ou biotecnologia.
O que é que o Governo de Macau deveria fazer para promover mais os aspectos da cultura que menciona no artigo? O Governo de Macau, através da universidade, já está a ter em conta parte das minhas propostas para começar a estudar a diversidade cultural de Macau e as suas origens, e os laços com a diáspora. O próxi-
mo passo importante será começar a organizar e recolher de forma sistemática a informação destas comunidades, incluindo uma base de dados dos novos profissionais que têm interesse em partilhar os seus conhecimentos com Macau. Um arquivo dessa natureza poderá estar ligado a outros da China e em todo o mundo através da internet,
“Gostaria de ver algo mais a ser feito para a compreensão da história de Macau, incluindo os contributos no estrangeiro, como é o caso dos macaenses que emigraram para Hong Kong e Xangai no século XIX, e para os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Brasil e Portugal no século XX”
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que Las Vegas não tem”
uma aproximação mais ampla e mais profissional, algo que propus aos membros das direcções da APIM e CCM em 2014. Ambas as associações rejeitaram esse envolvimento. Escreve que “a ligação entre a cultura e o desenvolvimento económico tem sido ténue, e, em alguns casos, não existe”. Acredita que o Governo de Macau ou as associações locais vão mudar a sua estratégia em relação a esse aspecto? Acredita na diversificação da economia, para além da indústria do Jogo? Acredito que a situação vai mudar num futuro próximo, com mais informação. A diversificação da economia de Macau vai seguir a diversidade cultural. À medida que os sectores económicos se tornem mais activos em termos de trocas internacionais, mais conexões vão ser feitas. Por exemplo, o jogo em Macau
2014. Mas ainda há tempo. Alguns esforços têm sido feitos, incluindo um acordo entre Portugal e Macau para preservar 3600 documentos da colecção “Sínicas” da UNESCO. Mas é preciso fazer mais. Proponho que a preservação cultural deveria incluir uma história mais completa de Macau, incluindo a história dos macaenses que emigraram para outros países. Materiais históricos, informação e dados deveriam ser recolhidos junto da população também. Nesse processo, as ligações culturais, e mais recentemente as económicas, vão resultar em centenas de contactos feitos. Há o risco da cultura macaense desaparecer com o desenvolvimento económico? Não acredito que a cultura de Macau vá desaparecer com o desenvolvimento económico, mas o contrário. Penso que vai
“A diversificação da economia de Macau vai seguir a diversidade cultural. À medida que os sectores económicos se tornem mais activos em termos de trocas internacionais, mais conexões vão ser feitas. (...) Claramente acredito que a economia de Macau pode ser diversificada” já entrou numa fase virada para o entretenimento e vendas a retalho. Os media constituem uma grande parte desse entretenimento, e através disso surgem as comunicações, a tecnologia, e outras indústrias dessa área, como o desenvolvimento de social media, vídeo ou até vendas on-line. Claramente acredito que a economia de Macau pode ser diversificada.
sendo que já tive uma discussão com investigadores chineses, em 2013, sobre uma possível colaboração. Esse processo poderia iniciar parcerias específicas entre Macau e os países onde esses profissionais vivem. Muitos estão dispostos a receber os profissionais de Macau que estão interessados. Isto nunca foi feito com os países de língua inglesa, incluindo os Estados Unidos, Canadá e a Austrália. Isso poderia ser uma boa oportunidade de começar colaborações tendo em conta as necessidades de Macau de expandir a sua economia para além do Jogo. Diz também no seu artigo que as associações locais, como a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) e o Conselho das Comunidades
Macaenses (CCM), “têm tido um sucesso limitado na promoção do turismo de Macau”. Estas entidades têm de alterar a sua forma de actuação? Ambas as associações têm tido um sucesso limitado em atrair gerações mais jovens e profissionais para Macau porque a organização dos
seus membros está virada para os macaenses reformados que já não têm contacto com grandes empresas. Essas associações também têm juntado pequenos grupos de jovens macaenses a cada três anos para encontros de jovens, para aumentar a sua consciência (face à cultura). Mas sempre achei que deve ser feita
“Não acredito que a cultura de Macau vá desaparecer com o desenvolvimento económico, mas o contrário. Penso que vai continuar a prosperar porque um entendimento da cultura de Macau será parte do desenvolvimento económico, se a cultura for vista como um activo e se isso for usado de forma efectiva”
Os casinos deveriam promover mais a cultura local? Penso que os casinos de Macau têm um interesse directo na promoção da cultura local, porque têm vindo a criar mais atracções para as famílias e jovens profissionais que não são apenas croupiers. Os casinos têm uma maior vantagem face aos seus concorrentes de Las Vegas. Os casinos podem patrocinar “percursos turísticos culturais” e disponibilizar gastronomia exótica, algo que Las Vegas não pode oferecer. Macau, como não está no meio de um deserto como Las Vegas, que não tem mais nada para oferecer, tem uma localização exótica, cultura e uma história rica. Apresenta algumas críticas no âmbito da lei de salvaguarda do património. Acredita que protege plenamente o património? Como podemos estabelecer uma relação entre o património e economia? Não critiquei a lei do património. Simplesmente constatei que a preservação da história de Macau ainda não foi totalmente definida desde que a lei foi implementada em
continuar a prosperar porque um entendimento da cultura de Macau será parte do desenvolvimento económico, se a cultura for vista como um activo e se isso for usado de forma efectiva. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Regresso dois anos depois Há dois anos que Roy Enric Xavier não visitava o território de onde a mãe é natural, e desta vez será docente convidado no Moon Chun Memorial College da Universidade de Macau, no âmbito de um projecto Fullbright, sendo o primeiro a ser convidado para Macau em 69 anos de história do projecto académico. Ontem falou das comunidades portuguesa e macaense, e na próxima terça-feira irá abordar o tema “As origens da cultura de Macau e a diversidade económica”. Na quinta-feira, 12 de Novembro, Roy Enric Xavier vai falar das “Relações tradicionais entre os locais e os macaenses expatriados”.
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política
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Condomínios Comissão quer perceber intenção do Governo
Qual é o caminho?
A 1ª Comissão da AL quer perceber qual a abrangência que a Lei da Actividade Comercial de Administração de Condomínios tem. Todas as administrações prediais ou apenas as administrações de condomínios estão contempladas é a grande pergunta para o Governo do grupo de trabalho comissão tem opiniões diferentes. Porque é que não fazemos uma lei que abrange tudo?”, argumentou a presidente. Admitindo ainda o aumento do número de casos de
conflitos de administração predial, o Governo mostrou-se, indica Kwan Tsui Hang, a conversar sobre a abrangência da lei. “Já margem para discussão, o Gover-
“O mais importante desta reunião, que aconteceu, foi perceber qual a intenção do Governo com a lei. Queremos saber qual a intenção legislativa, o Governo tem que esclarecer com o seu objectivo” Kwan Tsui Hang Deputada
no garantiu que sim”, rematou, indicando, que o mesmo confirmou que irá “decidir o âmbito da lei”.
Com mais calma
Outro assunto a ser debatido foi a retirada da cláusula que definia a caução prestada pelas empresa. “Durante o processo de consulta da proposta de lei, surgiram três tipo de caução (...) isto variava entre as 300 mil patacas e um milhão de patacas. O Governo afastou esta ideia”, indica.
Para a deputada a opção de alterar a proposta quanto ao valor da caução faz todo o sentido. “Porque é que foi afastada? Porque iria afectar a imagem das empresas. Sabemos que a maioria são pequenas e médias empresas (PME)”, explica. Assim, com a nova lei, a caução está indexada ao número de fracções que a empresa possui. Opção esta que permite “eliminar a rotulagem e garantir o bom funcionamento”. Foi ainda discutido a definição do capital social mínimo. “Sabemos que grande parte destas empresas tem um capital social de 300 mil patacas e com esta lei o Governo vem definir um valor mínimo de 250 mil patacas. Tudo dependerá do número total de fracções”, indicou. Assim, quanto mais fracções tiver a empresa, mais capital social terá. “Mas ainda não alargámos o assunto com o Governo, para já o primeiro ponto é definir a intenção legislativa do Executivo”, reforça Kwan Tsui Hang. A comissão reúne-se novamente hoje à tarde para uma segunda reunião. Filipa Araújo
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
tiago alcântara
epois da aprovacão na generalidade da Lei da Actividade Comercial de Administração de Condomínios, na semana passada, em plenário da Assembleia Legislativa (AL), começou agora a análise na especialidade. “Foi só uma primeira reunião para análise”, afirmou Raimundo do Rosário, Secretário para os Transportes e Obras Públicas, à saída de reunião com a 1ª Comissão Permanente daAssembleia Legislativa, presidida pela deputada Kwan Tsui Hang. “O mais importante desta reunião, que aconteceu, foi perceber qual a intenção do Governo com a lei. Queremos saber qual a intenção legislativa, o Governo tem que esclarecer com o seu objectivo”, começou por indicar a presidente da comissão. Sem apresentar grande pormenores de discussão, Kwan Tsui Hang reforçou a necessidade de definir se a lei em causa irá abranger qualquer tipo de administração predial, mesmo que o proprietário do edifício seja apenas um, ou também as administrações de condomínio. “O Governo explicou que a lei foi criada para regular as administrações de condomínios. (...) A
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Hengqin Chan Meng Kam propõe isenção de vistos para 72 horas
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deputado de Macau à Assembleia Popular Nacional (APN) e deputado local, Chan Meng Kam, apresentou um projecto de criação de um “Centro e Plataforma para Macau e província Guangdong”, o qual ganhou apoio da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional da China continental. Chan Meng Kam apresentou o projecto durante a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês em Março deste ano, sugerindo a criação do Porto de Vitória de Hong Kong. Segundo um comunicado enviado pelo gabinete do deputado, a comissão afirmou que o Governo Central tem apoiado a participação de Macau na
Ilha da Montanha. “A ideia de criação do Porto de Vitória já foi transmitido para a Comissão de Gestão da Ilha da Montanha, e o Governo de Macau pode comunicar com a comissão para estudar trabalhos e medidas”, lê-se na resposta enviada ao deputado. Chan Meng Kam propôs ainda a isenção de vistos para turistas internacionais de Macau por um período de 72 horas, algo que também ganhou o apoio do interior da China. Uma vez que já são disponibilizados vistos mais facilitados para visitantes estrangeiros para a zona do Delta do Rio das Pérolas, o Departamento de Segurança da China continental “vai estudar se-
riamente a ideia de que os visitantes estrangeiros que fazem escala nos aeroportos de Hong Kong e de Macau possam passar no posto fronteiriço da Ilha da Montanha sem visto, por um período de 72 horas”, pode ler-se. O deputado àAssembleia Legislativa (AL) e à APN sugeriu que seja permitido aos turistas do interior da China que visitam Macau a possibilidade de diversas entradas na Ilha da Montanha. A Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional considera que é necessária uma coordenação e estudo “mais cauteloso” sobre a medida, incluindo os dias a ser regulamentados e as leis em vigor nas duas regiões. F.F.
Chefe do Executivo lança vídeos sobre LAG
O Governo lançou ontem quatro vídeos promocionais dos trabalhos das Linhas de Acção Governativa (LAG), sendo que o primeiro, intitulado “Cidadade habitável e partilhar uma vida de qualidade” foi ontem divulgado. Seguem-se os vídeos “Medidas Eficientes e Benefícios para a População”; “Diversificação da Economia” e “Apoio ao Desenvolvimento dos Jovens em Várias áreas”. Os quatro vídeos podem ser visionados pelo público na página do Gabinete do Chefe do Executivo, do Gabinete de Comunicação Social, pelo portal do Governo.
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FSS Deputados rejeitam ideia de Ng Kuok Cheong
Um assunto não muito querido “Acho que os deputados também deviam descontar. Há deputados que nunca foram nada para além de deputado, como vai ser no futuro? Eu concordo que deveria ser obrigatório, só posso concordar”
gcs
A proposta de Ng Kuok Cheong em substituir o Regime de Garantias pelos descontos obrigatórios para o Fundo de Segurança Social por parte dos titulares de altos cargos não é bem aceite pelos deputados. São coisas que não se misturam e não é altura para isso, são alguns dos argumentos usados
Pereira Coutinho Deputado
A discordar da maioria está o deputado José Pereira Coutinho que afirma que “todos deviam descontar”, inclusive os próprios deputados. “Claro que concordo, e também acho que os deputados também deviam descontar. Há deputados que nunca foram nada para além de deputado, como vai ser no futuro? Eu concordo que deveria ser obrigatório, só posso concordar”, remata o deputado. A ideia de eliminar a “grande polémica que surgiu” relativamente ao Regime e reverter o lema de “quanto mais poder, mais regalias” parece ser difícil de convencer os deputados.
A
ideia é simples: substituir o tão polémico Regime de Garantias pelo Regime de Previdência do Fundo de Segurança Social (FSS). Em termos práticos o Chefe do Executivo e os cinco Secretários da RAEM deixariam de usufruir do possível Regime de Garantias para descontarem de forma obrigatória para a Segurança Social, assegurando as suas possíveis reformas. A ideia, avançada numa interpelação, tem a assinatura do deputado Ng Kuok Cheong mas parece não agradar aos seus companheiros de plenário. A começar por Ella Lei que, ao HM, explicou que em momento algum se colocou a hipótese de substituição de um regime por outro. “Não há qualquer ideia nem da sociedade nem do Governo para que haja uma discussão sobre este tema. É apenas uma ideia do deputado Ng Kuok Cheong. Não se coloca esta hipótese”, argumentou a deputada. Para Ella Lei “há coisas mais importantes” para discutir
Filipa Araújo (com Flora Fong) filipa.araujo@hojemacau.com.mo
neste momento, já para não falar que “actualmente o FSS já tem as suas regras e pontos definidos, ter que alterar e rever tudo isso não vale a pena”. Na eventualidade de efectivamente existir uma discussão a deputada é clara. “Então aí acho que é importante que todos participem. Pessoalmente ainda não pensei em tudo o que implica, não pensei em todos os pontos. Teria que pensar nisto”, diz, frisando, “mas não está em discussão, porque não me parece que valha a pena”.
Obrigatório por agora
“Não há qualquer ideia nem da sociedade nem do Governo para que haja uma discussão sobre este tema. É apenas uma ideia do deputado Ng Kuok Cheong. Não se coloca esta hipótese” Ella Lei Deputada
Questionado sobre assunto, o deputado Lau Veng Seng separa os regimes de forma clara. “Para já é preciso tornar o sistema de descontos obrigatório e só depois disso estar feito é que se deve ou pode pensar noutras coisas”, defendeu, sublinhando que “ainda não é altura para se discutir isso”. Depois de regular o FSS como obrigatório, diz o deputado, terá de ser decidido se os titulares dos principais cargos também serão abrangidos por isso. “Ainda assim não acho que seja uma boa altura para estarmos a discutir sobre isso. É preciso avançar com outras
coisas antes disso, é melhor não especular”, explicou ao HM. Para o deputado Si Ka Lon o objectivo da ideia avançada pelo também deputado é “boa” mas não tem força porque, segundo diz, “um regime não substitui o outro”. Mais aponta que Ng Kuok Cheong deveria ter apresentado mais pormenores da sua ideia, como por exemplo quais os valores que os titulares dos principais cargos teriam que descontar e qual a forma de contribuição dos mesmo. “A verdade é que a maioria dos titulares já têm a sua forma de poupança para as suas vidas futuras, e claro, para
“Não acho que seja uma boa altura para estarmos a discutir sobre isso. É preciso avançar com outras coisas antes disso, é melhor não especular” Lau Veng Seng Deputado
a segurança”, argumento. O facto de muitos dos titulares virem da função pública, em que faziam os seus descontos, é também um dos pontos mencionados pelo deputado. “Estes titulares já faziam os seus descontos, claro que nem sempre isto acontece, mas aí teria que se pensar noutra forma”, defende. Si Ka Lom considera errado achar que um regime pode vir a substituir o outro. “Uma coisa são os descontos e a reforma garantida pelo FSS, essa é a sua função. Outra coisa é o Regime de Garantias que pretende atribuir uma recompensa a quem ocupou um cargo principal depois do terminado o seu mandato. Não são iguais, são coisas diferentes”, argumentou, frisando que “mesmo que até se possam fazer descontos, não quer dizer que não se possa também receber o montante do Regime de Garantias”.
Uma luz no fim
Ainda assim, defende, pode ser possível uma discussão no futuro para perceber qual a ideia aprofundada de Ng Kuok Cheong. “Devem existir definições claras para o futuro”, rematou.
Executivo assina novo acordo com UE na área da tradução
Foi ontem assinado um acordo entre o Governo de Macau e a DirecçãoGeral de Interpretação da Comissão Europeia, da União Europeia (UE). O acordo visa “organizar de forma contínua” o Programa de Formação de Tradução e Interpretação das Línguas Chinesa e Portuguesa. Segundo um comunicado, o novo programa de aprendizagem na área da tradução “tem a duração de três anos, durante o qual serão organizados três cursos de formação, com duração de dois anos cada e um limite máximo de 25 formandos por cada curso”. Para além disso, “o curso de formação vai ter uma nova concepção, introduzindo conteúdos de formação das capacidades de expressão escrita da língua chinesa, prevendo ainda convidar a Shanghai International Studies University para leccionar”. O novo programa “visa preparar os formandos com capacidades de interpretação de conferência e de tradução, com o intuito de satisfazer as necessidades que a RAEM tem de tradutores da língua chinesa e portuguesa”.
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Saúde Deputada pede centro de transplante de órgãos
Doar carne e osso
A Comissão de Ética para as Ciências da Vida já definiu um protocolo para a questão do transplante de órgãos, mas Wong Kit Cheng pede agora um centro equipado para o efeito. Entre sins e nãos, o Governo garantiu, em Julho, que o novo hospital poderá integrar um local para o efeito
A
Comissão de Ética para as Ciências da Vida já se decidiu sobre o protocolo a seguir no caso de morte cerebral, mas Wong Kit Cheng quer mais. A deputada pede, numa interpelação escrita, um centro de transplante de órgãos e a criação de uma campanha de sensibilização de doação voluntária de órgãos. Além disso, quer que o presente diploma seja calendarizado e que esse plano seja publicamente divulgado. A justificação é simples: Wong acredita que a decisão vem eliminar obstáculos relacionados com a necessidade de cirurgias de transplante de órgãos, mas quer um trabalho breve. No início da semana, a Comissão, que
tem natureza de órgão consultivo, definiu o conceito e os critérios a adoptar em casos de morte cerebral de doentes. Segundo o Jornal Ou Mun, Wong Kit Cheng apontou que no território tem existido a necessidade de transplante de órgãos, mas nestes últimos 20 anos, o Governo só elaborou um quadro que regulamenta o regime de registo de doação e transplante de órgãos. Este apenas estabelece normas para a operabilidade dos órgãos. Assim, considera que definir os critérios de morte cerebral é um símbolo importante em relação ao transplante de órgãos no futuro em Macau. “Actualmente os pacientes que necessitam de transplante de
órgãos só podem fazê-lo no estrangeiro”. De 2009 a 2014, apenas 23 doentes conseguiram, mas neste momento existem 500 pacientes a precisar de um novo rim e a percentagem de o conseguirem é ínfima”, indicou na interpelação. Wong Kit Cheng frisa que é necessário implementar um calendário da legislação em relação a leis e disposições sobre transplante de órgãos, esclarecendo a orientação de desenvolvimento deste serviço de saúde e formando os profissionais de saúde.
Para ontem
Embora o Governo tenha dito, no ano passado, que não tinha capacidade para suportar a existência
de um centro de transplante de órgãos no território, os Serviços de Saúde (SS) vieram, em Julho passado, garantir que poderá mesmo ser criado um novo centro no Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas. “No futuro Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas está prevista a existência de um centro de transplante de órgãos que se responsabilizará pela coordenação da actividade a respeito de transplantação de órgãos”, asseguraram os SS, numa resposta ao HM. A preocupação do hemiciclo com a doação e transplante de órgãos para os residentes da RAEM já não é nova. Tanto Si Ka Lon como Leong Veng Chai questionaram várias vezes o Governo sobre
esta questão. “É difícil encontrar doadores vivos com vontade de assumir os riscos uma vez que, em consequência, as dificuldades de se realizar um transplante deste tipo são enormes”, escrevia Leong Veng Chai numa interpelação escrita de Janeiro deste ano. O deputado sublinhou ainda o peso nas finanças que acarreta um tipo de operação destas. No caso dos doentes da RAEM terem que ir até à China para efectuar um transplante, “todo o processo de tratamento médico poderá variar entre 400.000 e 500.000 patacas, um valor insuportável para famílias normais”, frisou. Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
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AVISO COBRANÇA DA 2.ª PRESTAÇÃO DO IMPOSTO COMPLEMENTAR DE RENDIMENTOS Avisa-se os Srs. contribuintes que a 2.ª prestação do referido Imposto, respeitante a 2014, é cobrada durante o mês de Novembro do ano corrente. No mês de pagamento, se os Srs. contribuintes não tiverem recebido o conhecimento de cobrança, agradece-se que dirijam ao NÚCLEO DE INFORMAÇÕES FISCAIS, situado no r/c do Edifício “Finanças”, ao Centro de Atendimento Taipa ou ao Centro de Serviços da RAEM, trazendo consigo o conhecimento de cobrança ou fotocópia do ano anterior, para efeitos de emissão de 2.ª via do mesmo. Por outro lado, os contribuintes, que sejam titulares do Bilhete de Identidade de Residente da RAEM, podem recorrer aos quiosques desta Direcção de Serviços para efectuarem a impressão de 2.ª via do conhecimento de cobrança pessoal. 3. O pagamento pode ser efectuado, até ao último dia do mês de Novembro, nos seguintes locais: - Nas Recebedorias do Edifício “Finanças”, do Centro de Atendimento Taipa, do Centro de Serviços da RAEM ou do Edifício Long Cheng; - Os impostos/contribuições podem ser pagos por intermédio de cartão de crédito ou de débito emitidos pelo Banco da China ou pelo Banco Nacional Ultramarino (incluindo “Maestro” e “UnionPay”). O valor total de pagamento não pode ser superior a MOP$100.000,00 (cem mil patacas), sendo apenas permitido utilizar na operação um único cartão. Pode-se também optar pelo pagamento através do cartão “Quick Pass”, sendo que o valor total de pagamento não pode ser superior a MOP$1.000,00 (mil patacas). - Nos balcões dos Bancos a seguir discriminados: Banco da China Banco Comercial de Macau Banco Delta Ásia Banco Industrial e Comercial da China Banco Luso Internacional Banco Nacional Ultramarino Banco Tai Fung Banco OCBC Weng Hang - Nas máquinas ATM da rede Jetco de Macau, assinaladas com a indicação <<Jet payment>>; - Por pagamento electrónico (“banca-on-line”) : Banco da China Banco Nacional Ultramarino Banco Tai Fung Banco OCBC Weng Hang - Por pagamento telefónico “banca por telefone” : Banca da China Banco Tai Fung 4. Se o pagamento for efectuado por meio de cheque, a data de emissão não pode ser anterior, em mais de três dias, à da sua entrega nas Recebedorias da DSF, e deve ser emitido a favor da <<Direcção dos Serviços de Finanças>>, nos termos das alíneas 2) e 3) do n.º 1 do Artigo 4.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2008. Se o valor do cheque for igual ou superior a MOP$ 50.000,00, deverá o mesmo ser visado, nos termos da alínea 4) do Artigo 5.º do Regulamento Administrativo acima mencionado. 5. Os contribuintes podem também efectuar o pagamento através do envio de ordem de caixa, cheque bancário ou cheque por correio registado para a Caixa Postal 3030. Não é possível enviar dinheiro, mas apenas ordem de caixa, cheque bancário ou cheque, devendo incluir-se um envelope devidamente selado e endereçado ao próprio contribuinte, a fim de se enviar posteriormente o respectivo conhecimento, comprovativo do pagamento. Note-se que devem ser respeitadas as regras descritas no ponto 4, relativamente aos cheques: - O envio para a caixa postal deve ser feito 5 dias úteis antes do termo do prazo de pagamento indicado no conhecimento de cobrança. 6. Nenhum dos métodos acima mencionados acarreta quaisquer encargos adicionais aos contribuintes pela prestação do serviço de cobrança. 7. Para a sua comodidade, evite pagar os impostos nos últimos dias do prazo. 1. 2.
Aos 28 de Outubro de 2015. O Director dos Serviços Iong Kong Leong
A ANM quer que o Governo investigue mais e melhor a morte de Lai Man Wa. A associação acusa o Executivo de não ser claro e de não ter em consideração todas as hipóteses à volta do caso. Também Agnes Lam acusa o Governo de colocar em causa a relação entre as autoridades e o direito à informação
Lai Man Wa Novo Macau pede investigação profunda
A suspeita está lançada
“Se um alto funcionário do Governo morre em circunstâncias tão anormais e o Governo de Macau decide encerrar o caso em apenas quatro horas, como é que os cidadãos comuns podem sentir que estão protegidos pela segurança e justiça?”
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Associação Novo Macau (ANM) pede ao Governo uma investigação exaustiva relativamente à morte da directora geral dos Serviços de Alfândega, Lai Man Wa. Admitindo espanto e surpresa, a associação considera que as autoridades competentes não investigaram todas as possibilidades na morte da directora. Numa declaração emitida ontem à comunicação social a ANM apresentou as suas condolências à família da vítima e apelou a que o caso não seja esquecido. Para a associação é inacreditável a definição e publicação de suicídio, avançado pelo Governo. “A rapidez da realização de uma conferência pelo
“O mecanismo de notificação é a confiança mútua entre as autoridades e os meios de comunicação. Pode estar em causa e ser destruída caso haja uma selecção na informação” Agnes Lam Docente de Comunicação na UM
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sociedade
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Scott Chiang Presidente da ANM
Chefe do Executivo, Chui Sai On, após apenas quatro horas do descobrimento da morte” é estranha, diz a associação. O grupo destaca ainda a insistência, por parte do Governo, em frisar que a vítima não estaria envolvida em casos suspeitos. Para o grupo pró-democrata, o Governo não investigou todos os ângulos possíveis, não investigou todas as possibilidades, e resolveu tirar conclusões dentro de um curto espaço de tempo, ignorando todos os pontos dúbios da situação. “Se um alto funcionário do Governo morre em circunstâncias tão anormais e o Governo de Macau decide encerrar o caso em apenas quatro horas, como é que os cidadãos comuns podem sentir que estão protegidos pela segurança e justiça?”, questionou Scott Chiang, presidente da ANM. Com isto, o associação pede que seja elaborada uma investigação exaustiva sobre o caso e que sejam divulgadas as informações obtidas desse trabalho, mantendo sempre o respeito pela vítima. É preciso, alega, que o Secretário para a Segurança, Wong Sio
Chak, conjuntamente com o Ministério Público (MP) investiguem e publiquem as informações.
Aviso selectivo
Também para Agnes Lam, docente de Comunicação na Universidade de Macau (UM), há algo de muito errado em todo o caso. A começar pelo tempo em que aconteceu o caso e a chegada da informação aos meios de comunicação. Numa linha cronológica a morte de Lai Man Wa é apontada para as 15h30, tendo sido confirmada pelas 17h40, as só às 19h30 é foi convocada uma conferência de imprensa. Wong Sio Chak explicou, na altura, que esta diferença
de horas aconteceu porque o prioritário era o socorro e não as entrevistas. Para Agnes Lam esta justificação é “errada e irracional”. A docente considera que uma coisa não invalida a outra. “Avisar os meios de comunicação nunca iria impedir o socorro, são duas coisas que não entram em conflito. Esta diferença de horas prejudica o direito à informação que o público tem. Quando os jornalistas chegaram o corpo já tinha sido transportado, só o local é que estava disponível para investigar”, defendeu. Agnes Lam acha que o caso é muito sensível e de muito interesse para o público, daí ser necessário
a notificação imediata. “O mecanismo de notificação é a confiança mútua entre as autoridades e os meios de comunicação. Pode estar em causa e ser destruída caso haja uma selecção na informação”, argumentou. Com 56 anos, Lai Man Wa, era casada e mãe de dois filhos. Licenciada em Ciências Policiais, pela Escola Superior das Forças de Segurança de Macau, e mestre em Administração Pública, pela Universidade de Zhongshan, iniciou a carreira profissional em Abril de 1985, na Polícia Marítima e Fiscal. As cerimónias fúnebres começaram na quarta-feira quando milhares de pessoas e membros do Governo prestaram a sua homenagem. O funeral decorreu ontem onde apenas familiares e amigos mais próximos puderam estar presentes. O Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, marcou também presença. Flora Fong (Com Filipa Araújo) flora.fong@hojemacau.com.mo
UM forma pessoal de Informática com empresa da RAEHK
O Laboratório de Comunicações por Wireless da Universidade de Macau (UM) celebrou ontem um memorando de entendimento com a empresa Rohde & Schwarz Hong Kong Ltd (RSHK) no sentido de formar pessoal da área de Informática para integrarem os quadros da empresa. “Ambas as partes acordaram em aumentar o número de colaborações na área da formação de profissionais de comunicações de wireless em Macau e do desenvolvimento de sistemas de inovação. Um dos objectivos expressos no memorando é a criação de um laboratório conjunto e a doação de equipamentos na área da tecnologia. O acordo, explica a UM, pretende dar aos alunos da universidade a oportunidade de porem os seus conhecimentos à prova e aplicá-los na prática.
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Cultura FIC só apoiou 30% das candidaturas
Com conta, peso e medida projectos específicos, sendo os destinatários projectos nas áreas das marcas de moda, exposições e espectáculos culturais locais e da indústria cultural da economia comunitária, aumentando o nível de apoio”, pode ler-se no comunicado cedido à imprensa.
Gonçalo Lobo Pinheiro
O Fundo das Indústrias Culturais já deu apoio financeiro a 70 projectos, o que representa cerca de 30% do total de candidaturas apresentadas. Estes projectos prometem dar trabalho a 413 pessoas
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26,79% dos projectos viram luz verde do FIC, ou seja, 62 de um total de 321 candidaturas
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o final de dois anos de funcionamento, o Fundo para as Indústrias Culturais (FIC) apresentou ontem os resultados das candidaturas a apoio financeiro, sendo que a percentagem de aprovações surpreende por ser baixa. Apenas 26,79% dos projectos viram luz verde do FIC, ou seja, 62 de um total de 321 candidaturas. Estes dados dizem respeito a 2014, sendo que este ano o FIC só aprovou oito projectos, os quais deverão representar 15 milhões de patacas em apoio concedido. Com um investimento de 89 milhões de patacas por parte do
Governo, os projectos aprovados prometem criar 413 postos de trabalho, dirigindo investimentos num valor total de 460 milhões de patacas. Tratam-se sobretudo de candidaturas na área do design criativo, exposições e espectáculos culturais, colecção de obras artísticas ou media digital, entre outras. Citado pela Rádio Macau, o presidente do FIC, Leong Heng Teng, frisou que não é objectivo
da entidade reduzir os apoios financeiros, por culpa da austeridade imposta pelo Executivo. “Não se pretende reduzir a força do apoio financeiro às empresas. Temos um determinado nível de autonomia na concessão do apoio”, garantiu. Davina Chu, vogal do conselho de administração do FIC, explicou que os projectos candidatos a apoio o ano passado não tinham muito conhecimento das regras de can-
Instituto Cultural (IC) seleccionou um total de 83 trabalhos de uma centena de artistas locais para a Exposição Anual de Artes Visuais de Macau do próximo ano. No entanto, foram submetidas quase o dobro, ou seja, 361 obras. Estas foram entregues ao IC entre os dias 10 e 11 de Outubro no edifício do Antigo Tribunal. A Exposição Anual de Artes Visuais de Macau tem como objectivos promover os trabalhos de artes visuais de Macau, encorajar a inovação e cultivar talentos locais em diversos campos artísticos”, adiantou o IC em comunicado. Foram premiados os residentes Lee On Yee, Sam Pak Fai, Wu Hin Long, Cheong Hang Fong, de
Leong Wai Lap, Chan Un Man, de Chan Hin Io, de Mak Kuong Weng, Ieong Man Pan, entre outros. De entre as 28 pinturas, 22 fotografias, 14 gravuras, sete peças de cerâmica, três esculturas, sete trabalhos com técnicas mistas e dois vídeos, todas as obras se focam na cultura chinesa, nas mudanças da cidade de Macau e na natureza humana. O painel de júris integrou o Presidente da Associação de Artistas Shangyuan de Pequim, Li Xiang Ming, o professor da Academia de Belas Artes de Guangzhou, Yang Xiao Hua e a artista malaia Kuik Ching Chieh. As obras seleccionadas serão exibidas durante o XXVII Festival de Artes de Macau. L.S.M.
Projectos na calha
Daqui para a frente, o FIC afirma estar a estudar novas hipóteses de financiamento às Pequenas e Médias Empresas (PME). “O FIC pretende, ainda, lançar, a título experimental, apoio financeiro a
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
Sociedades Capital social subiu mais de 85%
Artes Visuais Seleccionados 83 trabalhos para exposição anual em 2016
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didatura. “Apesar de o número de candidaturas ser um pouco inferior ao ano passado, a qualidade dos projectos está a subir”, explicou.
Para o próximo ano será ainda lançada a “medida das indústrias culturais, mediante a cooperação entre as três partes do Governo, indústrias e académicos, encarregando estabelecimentos de ensino superior locais de proceder a análises e estudos”. Tais análises serão feitos com os dados apresentados até agora pelas empresas candidatas, por forma a traçar planos até 2018.
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ntre Julho e Se-tembro do presente ano, o capital social das sociedades do território aumentou 87,4%, fixando-se nos 377 milhões de patacas. Os dados são da Direcção dos Serviços de Estatísticas de Censos, que indicam que ainda
assim, no terceiro trimestre de 2015, constituíram-me menos 149 sociedades, quando comparadas com o período homólogo de 2014. Um total de 1226 sociedades foram constituídas durante os últimos três meses. O documento indica ainda que relativamente aos ramos de actividade, 447 sociedades dizem respeito ao comércio por grosso e retalho e 302 no ramo de serviços prestados às empresas. “No trimestre em análise dissolveram-se 150 sociedades e o montante do capital social destas alcançou 127 milhões de patacas”, indica o documento. Relativamente ao montante, 881 sociedades, 71,9%, dizem respeito ao escalão de capital social inferior a 50 mil patacas, sendo que o montante de capital social destas foi de 23 milhões de patacas.
“Constituíram-se 22 sociedades, com um capital social igual ou superior a um milhão de patacas e o montante do capital destas alcançou 316 milhões de patacas”, ou seja, 83,8% do total do capital social. Um total de 95 milhões de patacas do capital social das sociedades formadas eram “oriundas das nove províncias do Grande Delta do Rio das Pérolas, dos quais 94 milhões de patacas pertenciam à província de Guangdong. “Quanto à composição de sócios das sociedades, 834 constituíram-se com sócios só de Macau e 126 formaram-se como sócios de Macau e de outros países ou territórios”, pode ler-se no documento. Feitas as contas finais, no terceiro trimestre deste ano estavam registadas um total de 52,179 sociedades, isto é mais 4862 em termos anuais. F.A.
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Uber Deputados falam de zona cinzenta e discordam de legalização
Também anda mas não é táxi tiago alcântara
Três dos 33 deputados do hemiciclo não querem a Uber em Macau. Isto porque não é legal e, de acordo com Ng Kuok Cheong, não substitui o serviço dos táxis
“U
ma zona cinzenta”. É aí mesmo que um dos deputados da Assembleia Legislativa posiciona a empresa de transportes por chamada Uber. Esta chegou há menos de duas semanas ao território e já está a causar estragos. É que segundo o Governo, a sua actuação em Macau não é legal e não pode ser um substituto ao serviço de táxis oferecido. No entanto, o feedback da população nas redes sociais tem sido positivo. Entre comentários de congratulação pela chegada do serviço norte-americano ao território a comparações com a atitude dos taxistas locais, os comentários vão fluindo. E a Uber vai mirrando. É que o Governo já prometeu dar início a um “combate” a este serviços nas ruas da cidade.
Só o tempo resolve
O HM quis saber a opinião dos deputados sobre a chegada do serviço. Três deles discordam, alegando que este não substitui nem vem acrescentar nada ao serviço de táxis. Ng Kuok Cheong vê a questão de outra perspectiva: “a actividade [da Uber em Macau] é uma zona cinzenta, tal como em todos os outros países onde deu início à sua actividade”, começou por dizer. Para o deputado, o serviço não vem colmatar a falta de um bom serviço de transportes além dos autocarros públicos. Não só por não estar legislado, mas também por ser preciso, na óptica do democrata, que o serviço geral de transportes públicos melhore. “Isto não é uma coisa que o Governo possa simplesmente solucionar, é preciso que se resolva através de outras vias”, acrescentou.
Problemas a mais
Definitivamente ilegal, declarou Melinda Chan ao jornal Ou Mun. Ao periódico local, a deputada refere que a ilegalidade não tem que ver com a aplicação de telemóvel mas com a natureza dos próprios automóveis. “Se os automóveis chamados forem privados, são ilegais e é injusto para os veículos que só podem operar com licenças”, disse. Chan questiona uma outra premissa: se os condutores não
“A actividade [da Uber em Macau] é uma zona cinzenta, tal como em todos os outros países onde deu início à sua actividade” Ng Kuok Cheong Deputado
detiverem uma identificação clara pode transformar-se num problema para a segurança. A deputada afirma que tem acompanhado um serviço de transportes semelhante
que opera na China e que, diz, “era uma confusão”. No Ou Mun, deixa até uma sugestão: “a empresa que vai operar as licenças de táxis especiais pode criar uma aplicação de chamada de transporte por telefone [como a Uber] para responder à tendência”. Melinda Chan defende, além do mais, que o serviço de pagamento com cartão de crédito não está devidamente licenciado. Lau Veng Seng está do lado de Melinda Chan e Ng Kuok Cheong. O deputado considera que o serviço não devia operar em Macau, já que o regime jurídico que regulamenta o transporte de passageiros não inclui tal modelo de negócio.
“Se os automóveis chamados forem privados, são ilegais e é injusto para os veículos que só podem operar com licenças” Melinda Chan Deputada
“Podemos ver que o Governo tem emitido licenças de táxi e vai rever o respectivo regime jurídico para que a qualidade do serviço melhore. Até ao momento, não
devemos permitir o funcionamento da Uber no território”, disse. Questionando sobre como avalia a opinião positiva expressa por alguns cidadãos, - de que a Uber vem colmatar a falta de um bom serviço de transportes – o deputado partilha do argumento de Ng Kuok Cheong. A rede de transportes públicos é “muito importante” e precisa de ser resolvida, mas não com um serviço alternativo que não esteja legislado. Além disso, considera que o serviço dos táxis melhorou e espera que o metro ligeiro entre rapidamente em funcionamento. Leonor Sá Machado (com Flora Fong) leonor.machado@hojemacau.com.mo
Imobiliário Preço caiu 40% . Pedida revisão de medidas
Atentem lá no controlo A
Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau queixou-se ontem da queda de 40% do preço dos imóveis, alegando que esta tendência está a fazer com que vários proprietários estejam a obter capital negativo. A Associação apela assim à revisão das medidas de controlo do mercado do imobiliário. Segundo o Jornal Ou Mun, Chong Sio Kin, presidente da Associação culpa a queda das receitas de Jogo destes últimos 17 meses por consequências negativas em vários sectores. O presidente citou informações da Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) de Abril de 2014. Estas indicam que foram efectuadas 998 transacções de imóveis, o preço médio era de cerca de 131 mil patacas por metro quadrado. Comparando com os dados do passado mês de Setembro, o número de transacções quase desceu para metade, tendo-se efectuado
apenas 446. Estas custaram cerca de 83 mil patacas, registando-se uma queda de 53% nas transacções e de 36,5% no preço. Chong Sio Kin acrescentou que os proprietários que adquiriram os imóveis quando o mercado estava com preços muito altos passam agora a ter capital negativo devido à queda do preço e à falta de procura de arrendamento. O especialista acusa as medidas de controlo do mercado imobiliário de não fazerem jus à realidade actual, considerando que o Governo deve alterá-las. O responsável sugere que sejam diminuídos os impostos adicionais de investidores estrangeiros, bem como canceladas as instruções sobre a hipoteca de habitação de bancos para que estas instituições possa optar por hipotecas mais flexíveis. Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
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Inovação e ajuste estrutural são prioridades
Metas definidas O ministro da Indústria e Tecnologias de Informação chinês, Miao Wei, disse ontem que as prioridades do país para os próximos cinco anos são promover a inovação como motor de crescimento e realizar ajustes estruturais. Miao Wei referia-se ao 13.º plano quinquenal (2016-2020), aprovado no início deste mês, com o
objectivo de “acelerar a transição do modelo de crescimento e ajustar a estrutura económica, para superar o excesso de capacidade e focar na economia real”. O responsável político estabeleceu como principais tarefas do seu ministério, durante aquele período, potenciar uma indústria baseada na inovação e sustentabilidade e acelerar o desenvolvimento de planos
“Temos que estabilizar o crescimento e ajustar a estrutura, com os nossos esforços focados no mercado, as empresas como actores principais, a inovação como impulsionadora e o Governo a proporcionar as condições para um bom desenvolvimento do sector industrial” Miao Wei Ministro da Indústria chinês
específicos para a estratégia “Made in China 2025”.
Mudar agulhas
O programa, apresentado pelo Governo chinês, procura reorientar o sector manufactureiro do país para sectores de alta tecnologia, como o ferroviário, a robótica ou a bio-medicina, deixando para trás indústrias pesadas tradicionais com baixos níveis de eficiência e problemas de excesso de capacidade. “Temos que estabilizar o crescimento e ajustar a estrutura, com os nossos esforços focados no mercado, as empresas como actores principais, a inovação como impulsionadora e o Governo a proporcionar as condições para um bom desenvolvimento do sector industrial”, afirmou Miao Wei. O ministro da Indústria chinês reconheceu que o sector secundário é “o principal pub
campo de batalha do ajuste estrutural e dos esforços na transição do modelo”. No primeiro semestre de 2015, o sector dos serviços representou pela primeira vez mais de metade
do Produto Interno Bruto (PIB) chinês, enquanto a actividade manufactureira estagnou durante o mesmo período. Segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas chinês,
a produção industrial da China subiu 5,7% em termos homólogos em Setembro, o segundo pior registo em quase sete anos, aquando do pico da crise financeira internacional.
Presidente do porto de Tianjin destituído
O presidente do porto de Tianjin, Zheng Qingyue, foi destituído, acusado de negligência, no caso da explosão num terminal de contentores que causou 173 mortos e 700 feridos, em Agosto passado, informou ontem a imprensa oficial. Zheng tem estado sobre investigação desde que o acidente ocorreu, tendo perdido o cargo como director do Centro de Comércio e Transporte Internacional de Tianjin, o principal porto marítimo do norte da China e o décimo com mais tráfego no mundo. Após a destituição, Zheng e o seu assistente, Li Hongfeng, o principal responsável pela segurança no porto, deverão ser punidos judicialmente por incumprimento dos seus deveres, avançou a agência oficial chinesa Xinhua. A investigação determinou que a administração do porto não velou pelo cumprimento das normas de segurança requeridas para armazenagem de materiais perigosos, como as 700 toneladas de cianeto de sódio altamente tóxico que se crê terem desencadeado as explosões.
Xi Jinping visita Vietname
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Presidente chinês, Xi Jinping, iniciou ontem uma visita de Estado ao Vietname, com o objectivo de fortalecer as relações bilaterais e superar os atritos em torno de disputas territoriais no Mar do Sul da China. É a primeira visita de um chefe de Estado chinês ao Vietname em nove anos e tem estado marcada por manifestações, com dezenas de nacionalistas nas cidades vietnamitas de Hanoi e Ho Chi Minh (antiga Saigão), a condenar a “política expansionista” da China. Xi reúniu-se ontem à tarde com o secretário-geral do Partido Comunista do Vietname, Nguyen Phu Trong, estando prevista a assinatura de vários acordos de cooperação, segundo a imprensa oficial. Esta sexta-feira, Xi Jinping reúne-se com o seu homólogo vietnamita, Truong Tan Sang, o primeiro-ministro, Tan Dung, e o presidente da Assembleia Nacional, Nguyen Sinh Hung. Avisita surge num contexto de renovadas tesões entre Pequim e Hanoi, com os dois
lados a reclamarem a soberania das ilhas Paracelso ou Paracel. Os dois países disputam também, juntamente com as Filipinas, Malásia, Taiwan e Bruma, parte das ilhas Spratly. O volume comercial entre a China e o Vietname alcançou os 49.000 milhões de dólares entre Janeiro e Setembro de 2015, segundo dados oficiais. Com 329.560 quilómetros quadrados, quase três vezes e meia o tamanho de Portugal, e mais de 90 milhões de habitantes, o Vietname é um dos 14 países que faz fronteira com a China.
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Presidente de Taiwan disse ontem que a cimeira com o seu homólogo chinês, no sábado, “não tem nenhum objectivo eleitoralista” e que pretende “consolidar a paz e a estabilidade nas relações com a China e em toda a região”. O encontro entre Xi Jinping e Ma Ying-Jeou foi anunciado na terça-feira e confirmado na quarta-feira por Pequim. Ma Ying-jeou, que deu ontem uma conferência de imprensa para explicar a sua inesperada decisão de reunir-se com Xi, afirmou que o facto de a reunião se realizar em Singapura mostra “a igualdade entre ambas as partes” e pressupõe um avanço no reconhecimento internacional da ilha. “Esta cimeira é o resultado da maturidade nas relações bilaterais, até à criação de um canal institucionalizado de contacto de alto nível entre a China e Taiwan”, explicou. Ma não descarta a hipótese de “convidar Xi para ir a Taiwan”, embora reconheça que o nível das relações não evoluiu a esse ponto e que o processo deve “ser gradual e dar tempo ao tempo”, afirmou na conferência de imprensa, na qual marcaram presença a grande maioria dos embaixadores e representantes de países estrangeiros na ilha. Este será o primeiro encontro entre os líderes da China e de Taiwan desde o final da guerra civil chinesa, em 1949. Pequim continua a considerar a ilha como parte do seu território, à espera da reunificação. pub
Ma Ying-Jeou Reunião com Xi Jinping visa consolidar laços
Relações estreitas
Corrupção Presidente de companhia aérea investigado
O presidente do Conselho de Administração da companhia aérea China Southern Airlines, Si Xianmin, está a ser investigado por suspeitas de corrupção, anunciou a Comissão Central de Disciplina do Partido Comunista Chinês (PCC). O organismo refere que Si está a ser investigado por “graves violações da disciplina”, a expressão oficial utilizada para os casos de corrupção. Na quarta-feira, as autoridades chinesas anunciaram que estão a investigar Zhang Yun, presidente do Banco Agrícola da China, o terceiro maior do país, por corrupção, escreveu o jornal oficial China Daily. Trata-se do cargo de maior relevância no sector financeiro chinês a ser atingido pela campanha anti-corrupção lançada pelo Presidente Xi Jinping desde a sua ascensão ao poder, em 2012. Dezenas de executivos de grandes empresas estatais foram entretanto presos por corrupção.
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eventos
A Fundação Oriente e a associação Art for All Society voltam a unir esforços para promover a cultura local. A sexta edição do Salão de Outono arranca este sábado e traz 62 obras de arte de 29 artistas locais. Alice Kok fala de uma maior aposta na arte figurativa
A
sexta edição do Salão de Outono vai ter componentes muito diversas. O evento promovido pela Fundação Oriente (FO) e Art for All Society (AFA) traz jovens artistas que estão a dar os primeiros passos na carreira e revela novos trabalhos de autores já consagrados. Depois, há ainda uma aposta na arte figurativa. “Este ano temos muitos jovens artistas, e a maior parte deles apresenta trabalhos de pinturas, mais figurativas do que abstractas. Ao nível da pintura, sempre tivemos pinturas mais abstractas, mas agora vemos uma tendência para o figurativo”, explicou ao HM Alice Kok, presidente
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Sexta edição do Salão de Outono inaugurada este sábado
Em nome da maturida da AFA e curadora do Salão de Outono. Ao todo, o espaço da FO acolhe, a partir deste sábado e até ao dia 28 deste mês, 62 obras de 29 artistas, seleccionadas a partir de um processo de candidatura ocorrido em Julho, e incluem pintura a óleo, aguarela, desenho, fotografia ou vídeo, entre outras vertentes da arte. Para Alice Kok, este é o ano em que o Salão de Outono vê a sua maturidade chegar. “Acredito que o público vai gostar mais dos trabalhos deste ano. Todos os anos o Salão de Outono vai ficando cada vez mais maduro, e os artistas de Macau também estão mais maduros, e também com mais experiência de mercado. Um grande objectivo do Salão de Outono é tentar promover os artistas em termos de vendas de trabalhos. Do meu ponto de vista os trabalhos estão muito bons”, contou ao HM. Ana Paula Cleto, delegada da FO em Macau, frisa que a adesão ao Salão de Outono não tem diminuí-
O espaço da FO acolhe, a partir deste sábado e até ao dia 28 deste mês, 62 obras de 29 artistas (...), onde se incluem pintura a óleo, aguarela, desenho, fotografia ou vídeo, entre outras vertentes da arte
À venda na Livraria Portuguesa Vitória de Inglaterra , A Rainha que Amou e Ameaçou Portugal • Isabel Machado Como se atrevem? O grito ecoou pelos corredores do palácio. Vitória de Inglaterra, a rainha que aos 18 anos subiu ao trono para recuperar a dignidade da monarquia britânica, não queria acreditar no que os seus olhos viam. Um mapa com uma grossa barra cor-de-rosa a dividir o continente africano em duas partes, ligando o oceano Atlântico ao Índico. Como era possível que um país aliado como Portugal ameaçasse o seu sonho de dominar o continente negro recheado de promessas de riqueza e glória?
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A América do Norte • Alfredo de Mesquita Jornalista, escritor e diplomata, Alfredo de Mesquita tornou-se conhecido, pela pertinácia das suas observações e pela qualidade da sua es- crita, como o Tocqueville português. Enquanto diplomata em Nova Iorque na transição dos sé- culos XIX para o XX, foi observador privilegia- do da vida nos EUA. Neste livro-reportagem, originalmente publicado em 1916, o entusias- mo com o novo mundo e com as qualidades do povo multicultural e progressista dos EUA, tão contrastante com a realidade portuguesa desse início de século, vem ao de cima em todo o seu esplendor.
eventos 13
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ade do, tanto da parte do público como dos artistas candidatos. “Este ano vão aparecer alguns artistas novos, e dos artistas que já participaram noutras edições, nota-se que há uma renovação do trabalho. Às vezes o artista vai trabalhando sempre no mesmo tema, e o que se nota neste Salão de Outono é que os artistas que já participaram nos anos anteriores este ano surgem com propostas diferentes”, frisou ao HM. “Diria que este é um evento que reúne, e é algo que me dá uma satisfação particular, gente das mais diversas comunidades. Há uma adesão enorme da comunidade chinesa e também da portuguesa. É talvez o evento de arte que consegue congregar de forma feliz essas duas comunidades predominantes”, disse ainda Ana Paula Cleto. Se na primeira edição do Salão de Outono trouxe alguns artistas de renome, como Carlos Marreiros ou Mio Pang Fei, a aposta é cada vez mais apostar em nomes novos. “O que temos vindo
“Este é um evento que reúne, e é algo que me dá uma satisfação particular, gente das mais diversas comunidades. Há uma adesão enorme da comunidade chinesa e também da portuguesa. É talvez o evento de arte que consegue congregar de forma feliz essas duas comunidades predominantes”
Morreu o presidente do Grémio Literário José Macedo e Cunha
O presidente do Grémio Literário, José do Egipto Macedo e Cunha, morreu esta quarta-feira, em Lisboa, aos 77 anos, disse à agência Lusa fonte ligada à instituição. Durante a presidência de José Macedo e Cunha foi retomada a atribuição do histórico Prémio Grémio Literário, em 2005 que, na edição de 2014, distinguiu a historiadora Maria de Fátima Bonifácio pela obra “Um homem singular - Rodrigo da Fonseca Magalhães 17871858”, publicada pelas Edições Dom Quixote. O Grémio Literário foi criado por carta régia de D. Maria II, em 18 de Abril de 1846, com a finalidade de ser uma associação ligada à cultura das letras e pela “ilustração intelectual concorrer para o aperfeiçoamento moral”. O Grémio teve, entre os seus fundadores, as duas principais figuras do Romantismo nacional, o historiador Alexandre Herculano (Sócio n.º 1) e o poeta e dramaturgo Almeida Garrett, assim como personalidades da vida política do liberalismo como Rodrigo da Fonseca (que redigiu os estatutos), Fontes Pereira de Melo, Rodrigues Sampaio, Sá da Bandeira, Anselmo Braamcamp e o duque de Loulé.
Ana Paula Cleto Delegada da FO em Macau
“Acredito que o público vai gostar mais dos trabalhos deste ano. Todos os anos o Salão de Outono vai ficando cada vez mais maduro, e os artistas de Macau também estão mais maduros, e também com mais experiência de mercado”
Cinema Salaviza estreia «Montanha», filme sobre adolescência
Alice Kok Presidente da AFA e curadora do Salão de Outono
a fazer é tentar promover e fomentar o interesse pela participação neste evento e o objectivo é projectar os artistas locais. No início tivemos como convidados nomes já bastante conceituados no mundo artístico de Macau, mas o objectivo é projectar nomes novos”, explicou Ana Paula Cleto.
Modelo mantém-se
Os trabalhos expostos no Salão de Outono poderão ser visitados diariamente, e de forma gratuita, entre as 10h e 19h, contando com o apoio da Secretaria dos Assuntos Sociais e Cultura do Instituto Cultural (IC). Sempre com a promoção do trabalho dos artistas mais jovens em mente, os organizadores do Salão do Outono estão contentes com os actuais moldes em que o evento se realiza e não perspectivam, a curto prazo, mudanças. “Podemos sempre fazer uma expansão para uma espécie de feira de arte. Mas actualmente, e tendo em
conta a situação do mercado, ainda temos muito a fazer em termos de coleccionadores e apreciação dos trabalhos por parte do público. Em termos do espaço de exposição, temos vindo a colaborar com a FO e estamos muito satisfeitos com o espaço”, disse Alice Kok. Com financiamento da FO, mas também da AFA, graças aos subsídios concedidos pelo Governo, Ana Paula Cleto considera que “os apoios (para o Salão de Outono) têm sido suficientes até à data”. “Até ao momento achamos que o Salão de Outono está bem desenhado, e não sentimos necessidade de o transformar numa outra coisa. Mas não quer dizer que daqui a um ano ou dois, até numa perspectiva de renovação, que não se perspective um Salão de Outono de Macau”, rematou. Também no sábado será conhecido o resultado do “Prémio Fundação Oriente para as Artes Plásticas”, sendo que o vencedor poderá visitar Portugal durante um mês, ficando numa residência artística, para além de ganhar 50 mil patacas. Segundo a FO, “as residências dos artistas anteriores foram muito bem sucedidas e os artistas tiveram a oportunidade de visitar diferentes museus, instituições de arte e de contactar artistas portugueses. A residência em Portugal proporcionou-lhes uma interacção enriquecedora com artistas plásticos portugueses e contribuiu de forma significativa para o seu processo criativo”. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
O realizador português João Salaviza estreia, neste mês, a primeira longa-metragem, «Montanha», um filme sobre as angústias de um adolescente, que serve como metáfora de um cineasta também ele em transformação. «Montanha», que chega aos cinemas no dia 19 e tem uma antestreia no domingo, dia 8, no Lisbon & Estoril Film Festival, é um filme sobre David, um adolescente de 14 anos, que vive os primeiros amores, enfrenta um pai ausente e lida com um avô hospitalizado. A personagem é interpretada por David Mourato, um actor não profissional que João Salaviza encontrou num processo de várias escolhas e conversas, entre mais de 400 candidatos. No filme, a David Mourato juntam-se ainda Chayenne Rodrigues, Maria João Pinho, Rodrigo Perdigão e Carloto Cotta, estes protagonistas das curtas «Rafa» e «Arena», respectivamente. pub
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artes, letras e ideias
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Celebrar a fundação do A.C.P. em Macau
A
prova de regularidade e velocidade, que levou à existência do Grande Prémio de Macau, ocorreu a 30 de Outubro de 1954 para celebrar a fundação da Delegação de Macau do Automóvel Clube de Portugal. Tudo terá começado na Primavera de 1954, quando três residentes de Macau, o Agente Técnico Fernando de Macedo Pinto, Carlos H. da Silva e o Capitão-Tenente Manuel P. Antas, resolveram realizar uma corrida entre amigos. Terá sido a ideia de fundar a Delegação em Macau do Automóvel Clube de Portugal, que levou ao desejo de iniciar aqui as suas actividades com uma corrida de carros. Em Portugal, o Automóvel Clube de Portugal existia desde 1903 e tinha no seu calendário anual provas de irrefutável valor como o Rally de Automóvel do Estoril, a contar já para o Campeonato do Mundo, o anual Grande Prémio de Portugal e o Rally do Estoril onde participavam de duzentos a trezentos automobilistas nacionais e estrangeiros. Percebe-se haver já desde o início uma ideia do circuito com duas zonas diferentes; uma rápida, aproveitando as longas rectas da Avenida Oliveira Salazar, hoje com o nome de Avenida da Amizade e uma parte lenta, os esses da Solidão na Estrada de Cacilhas, pela parte Leste do Monte da Guia, onde era possível mostrar perícia na condução. Terá sido este circuito, com as zonas sinuosas das colinas e as zonas baixas de alta velocidade, a empolgar os aficionados de Macau do desporto automóvel para a realização de uma corrida. Já as diferenças de potência dos ainda não muitos carros existentes na cidade levavam à necessidade de conceber essa prova para diferentes categorias. Mas como deveria ser ela feita e quais os regulamentos a obedecer, foram as questões que estavam por resolver, enquanto essa ideia se ia difundindo para fora do grupo. Sem nenhuma experiência sobre provas automobilísticas, por conselho de Frank d’ Almada foi enviada a 12 de Maio ao Hong Kong Motor Sport Club uma carta a inquirir sobre pormenores e regulamentos usados em competições desportivas. É através deste clube da cidade de Hong Kong que o inglês Paul du Toit se deslocou a Macau para fornecer directos esclarecimentos.
Após ter feito o reconhecimento do traçado para a corrida, que se pretendia ter entre quatro a oito milhas e ser de três a cinco voltas, este entusiasta da modalidade bem conhecido na vizinha colónia britânica ficou encantado com a parecença do circuito ao do Mónaco. Nas conversas de Paul du Toit com os organizadores da prova de regularidade-velocidade surgiu a ideia de, a par desta, realizar-se também algo bem maior, o Grande Prémio de Macau.
Apresentação das corridas Com tudo ponderado, no 17 de Julho de 1954 realizou-se uma conferência de imprensa no café do Hotel Riviera onde foi apresentado o programa de uma corrida de quatro horas e outra prova de regularidade-velocidade. As explicações vieram do Sr. Carlos Humberto da Silva, que se encontrava acompanhado por outros quatro entusiastas do automobilismo, os senhores Capitão Júlio Augusto da Cruz, Capitão-Tenente Manuel Pires Antas, Agente Técnico Fernando Macedo Pinto e Dr. António Nolasco da Silva. Segundo o que vem referido na parte do desporto do jornal Clarim de 18 de Julho de 1954, o artigo assinado por S.F. tinha no cabeçalho: “Sob a superior orientação de Sua Exa. o Governador da Província, vai funcionar em Macau uma Delegação do AUTOMÓVEL CLUBE DE PORTUGAL.” Seguia depois o seguinte: “Poucos há, de entre os automobilistas portugueses desta terra, que desconheçam quanto de útil e prestigioso representa para o País a existência do Automóvel Clube de Portugal. Este organismo de tão honrosas e arraigadas tradições muito tem feito não só em benefício do automobilismo como ainda no campo turístico e de propaganda, salientando-se grandemente pelas suas numerosas e proveitosas iniciativas e apreciáveis concursos levados a efeito. Para destacar a importância da existência do Automóvel Clube de Portugal, basta dizer que, na metrópole, não há diploma nenhum sobre o trânsito que não tenha sentido primeiramente, a interferência desse organismo. A ideia da criação, em Macau, duma Delegação do A.C.P. partiu destes cinco automobilistas, os quais não perderam tempo e puseram-se imediatamen-
te em campo para que a ideia se materializasse. Tendo-se aconselhado com Sua Exa. o Governador da Província, Contra-almirante Joaquim Marques Esparteiro, os cinco entusiastas atrás referidos, com quem Sua Exa. conversou anteontem, receberam dele o melhor acolhimento para a sua tão brilhante quão oportuna iniciativa. Sua Exa. prometeu todo o apoio e prontificou-se a dar à Delegação que se pensa aqui criar a sua superior e competente orientação, por forma a poder contar-se, no futuro, com um organismo fundado em bases sólidas e de grandes benefícios para a Província, tanto do ponto de vista turístico e desportivo, como sob o aspecto económico”. “Os fundadores da Delegação tiveram, para iniciar as suas actividades, a ideia de promover uma prova de regularidade e velocidade com inscrição aberta a todos os automobilistas interessado em concursos deste género.” Depois o Sr. Carlos da Silva referiu-se a todo o historial das reuniões havidas com Paul du Toit e o franco e prometedor acolhimento deste em relação à inicialmente pensada prova de regularidade e velocidade para carros de turismo. Também, devido ao entusiasmo de Paul du Toit pela qualidade
do circuito, este sugeriu a realização de uma outra prova, esta de velocidade, com o rótulo de Grande Prémio. A primeira prova ficava marcada, em princípio, para Outubro e o percurso seria com partida do Porto Exterior, frente à Ponte 2 da Capitania dos Portos, seguindo pela Estrada de S. Francisco, Estrada dos Parses, Cacilhas, Ramal dos Mouros, D. Maria, Rua dos Pescadores, Macau-Seac, vindo a acabar na Avenida Oliveira Salazar, no ponto da partida, tendo cada volta 3,9 milhas. “Estes são os principais pormenores a salientar sobre o que serão os primeiros passos da actividade da Delegação que vai ser criada. Escusado será dizer que, como o Automóvel Clube de Portugal, a Delegação de Macau terá no nosso meio um papel importante a desempenhar, tendo como benéfica consequência o trazer a Macau grande número de visitantes, o que muito contribuirá para o melhoramento da vida económica e turística da Província. Já a 25 de Julho de 1954, o Clarim referia que, “os fundadores da Delegação de Macau do Automóvel Clube de Portugal e, por conseguinte, organizadores das provas automobilísticas anunciadas na semana passada, neste
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José Simões Morais
bissemanário, marcaram os dias 30 e 31 de Outubro próximo para a realização das mesmas. Far-se-á, no primeiro dia, a prova de regularidade e velocidade e, no segundo, o Grande Prémio.”
Regulamentos da prova O Clarim do dia 3 de Outubro descreve os regulamentos das duas provas, interessando-nos apenas aqui a prova n.º 1: regularidade – velocidade. As provas terão lugar num circuito medindo aproximadamente 6,27 kms (3,9 milhas) em Macau, chamado Circuito da Guia e serão regidas pelo Código Internacional da Federação Internacional do Automóvel, bem como pelo regulamento particulares que o Clube (nomeadamente o A.C.P., Delegação de Macau) julgar necessário. Todos os indivíduos detentores de uma carta de condução passada em Macau ou em Portugal, em qualquer parte do Ultramar Português, em Hongkong e na China, ou de uma carta internacional de condução poderão concorrer a qualquer das provas, devendo, porém, provar que a sua carta de condução tem, pelo menos um ano de validade. Sobre as viaturas elegíveis diz: qualquer carro de Turismo de fabrico corrente, entendendo-se que, o carro obedecerá exactamente às especificações dos catálogos da fábrica, tal como ele é vendido ao público. As viaturas perante a sua cilindrada serão divididas nas seguintes classes: Classe A – até 750 cc; Classe B – de 750 a 1100 cc; Classe C – de 1101 a 1500 cc; Classe E – de
2001 a 3000 cc. Para que cada classe possa funcionar como tal, será preciso haver no mínimo de duas inscrições. Havendo só uma, ela passa para a classe imediatamente superior. A data da prova terá lugar no sábado 30 de Outubro pelas 13.00 horas e as inscrições serão feitas por intermédio do Boletim de inscrições que deverá dar entrada no Clube até ao dia 11 de Setembro, sendo o preço de inscrição de $20,00. Já entre o dia 12 e 22 de Setembro as inscrições serão de $30,00. O concorrente que inscrever o carro será considerado, para os efeitos destas provas, como seu proprietário. A importância da inscrição será devolvida na íntegra, caso esta não seja aceite, ou caso se não realizem as provas. A aceitação da inscrição não implica aceitação automática da viatura, que será para esse efeito inspeccionada. Partirão seis carros de cada vez, com intervalos de 30 segundos entre cada carro. Concluído o circuito por estes seis carros, dar-se-á a partida a outros seis carros nas mesmas condições do anterior e assim, sucessivamente, até terem partido todos os carros. A prova considera-se concluída 45 minutos depois da partida do último carro. Usa-se a regra metropolitana da ultrapassagem pela esquerda e o condutor deverá estar sempre pronto a dar passagem, tendo em especial atenção as viaturas mais velozes que venham atrás. Durante a prova o condutor irá só e o sentido da marcha é o dos ponteiros do relógio. A partir da linha de meta, com o motor em funcionamento, após com-
pletar uma volta de reconhecimento num tempo não superior a nove minutos, sem interrupção de marcha, terão de completar mais quatro voltas, o mais rápido possível. Durante esta prova o condutor irá só e o sentido da marcha é o dos ponteiros do relógio. O número de pontos obtidos na prova final é dado pelo valor de R na seguinte fórmula: {R= [t+2 (d1+d2+d3)]: 4+p}. Para t, o melhor tempo realizado entre a 2.ª, 3.ª, 4.ª e 5.ª voltas, expresso em segundos e centésimos, (de notar que os cronómetros foram emprestados pela Casa Omega). d1, d2, d3 diferenças entre t e os tempos das outras três voltas. p= número de pontos de penalização por atraso, na primeira volta, em relação ao tempo máximo estabelecido, calculado à razão de 12 pontos por minuto e 0,2 pontos por segundo. É vencedor absoluto o condutor que sofrer a menor penalização de pontos. Na prova haverá primeiros e segundos prémios para os que, dentro da classe da cilindrada dos seus carros se classificarem em 1.º e 2.º lugares.
A prova de regularidade-velocidade Na manhã de sábado, dia 30 de Outubro, já com o circuito fechado e sem que as pessoas pudessem atravessar a pista, a não ser pelas pontes construídas em algumas zonas, milhares de pessoas encontravam-se espalhadas nos terrenos conquistados ao mar no Porto Exterior e em outras partes do circuito. Vinham para assistir à hora e meia dos primeiros treinos do Grande Prémio de Macau marcados para as 8 horas e à prova de regularidade-velocidade que ocorreria na parte da tarde. Às 13 horas, na tribuna de honra encontrava-se o Governador e sua esposa, acompanhados pelo Juiz de Direito e o Comandante Militar e respectivas esposas. No topo dos mastros da bancada central as bandeiras de Portugal, ao centro, ladeada pela inglesa, italiana, francesa e alemã, estas últimas quatro referentes às nacionalidades dos carros utilizados na prova. A lista de concorrentes com a ordem de partida da prova, que uma semana antes fora apresentada, tinha no primeiro grupo Waters (na Classe B) com o número 31; Wen Lenard (B) n.º 4; Álvares (B) n.º 30; Fonseca (B) n.º 29; Magalhães (A) n.º 28; Silva, B. (A) n.º 27. No segundo grupo estavam Silva, C. (C) n.º 32; Nolasco (C) n.º 33; Redfern (C) n.º 26; Rodrigues (C) n.º 35; Jorge (C) n.º 36; Larangeira (C) n.º 37. O terceiro grupo era constituído por Wilson (E) n.º 2; Ribeiro (E) n.º 41; Fong (E) n.º 3; Pinto (D) n.º 39; Silva,
A. (C) n.º 38; e Baker (C) n.º 21. Por fim, no quarto grupo encontravam-se Conceição (E) n.º 40; Roseveare (E) n.º 12; Sulke (E) n.º 22; White (E) n.º 25; Ribeiro (E) n.º 41 e Rodrigues (C) n.º 35. No entanto só participaram vinte concorrentes, dos vinte e quatro inscritos, tendo desistido de tomar parte da prova, Macedo Pinto, Eng. Humberto Rodrigues, Dr. Adelino da Conceição e Tenente Lopes da Costa. A prova iniciou-se tendo os pilotos do primeiro grupo saído para a pista, em intervalos de trinta segundo cada um. Depois deste primeiro grupo terminar a prova, partiu o segundo e assim sucessivamente. Houve uma única reclamação, apresentada pela concorrente Linda Álvares, que o fez sem nenhuma razão, uma vez que se houve motivo para desistir, a culpa foi só dela, segundo relata o Clarim. Em toda a prova só se registou um acidente, de que foi vítima o concorrente Arnaldo Silva, que chocou de lado contra uma árvore após o seu carro derrapar, saindo este do acidente com ligeiros ferimentos. Já o carro número 21, conduzido por Baker embateu num muro perto de D. Maria. Na classificação geral da prova, o primeiro lugar coube a Robert Ritchie num Fiat 1100 com 79 pontos. Já na classificação por classes, o primeiro da Classe A foi Manuel Magalhães, num Renault com 108 pontos e na Classe B foi R. Ritchie, também campeão absoluto da prova, ficando em segundo lugar Miss Wen Lenard num Fiat 1100 com 94 pontos. Na Classe C, o primeiro lugar foi para D. N. Steane, com 86 pontos, conduzindo um Hillman, ficando em segundo com 90 pontos o Dr. António Nolasco, num Volkswagen. Na Classe E, o primeiro lugar com 84 pontos coube a Fernando M. Ribeiro, num Vauxhall Velox e em segundo, com 85 pontos, ficou D. Maria F. Ribeiro também num Vauxhall Velox. O vencedor absoluto da prova de regularidade-velocidade, R. Ritchie ganhou a taça oferecida pelo Leal Senado da Câmara e aos primeiros e segundos classificados das diferentes classes foi-lhes entregue taças oferecidas pelos senhores Pedro José Lobo, Ho Yin, Fu Tak Iam e Leong Cheong. Após a prova terminar, a pista continuou fechada e quinze minutos depois realizou-se durante uma hora e meia o segundo treino para a grande prova do dia seguinte. Neste primeiro dia tudo correra sem problemas, augurando para o 1.º Grande Prémio de Macau uma promissora corrida.
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Pontos de fuga
P
oderia não estar a pensar no conceito geométrico, e seria de uma certa forma verdade. Não já, então, os pontos de fuga na linha do horizonte, mas a arte da fuga como se desenvolveu na música. A fuga a várias vozes. A sobreposição progressiva de múltiplas vozes na repetição de um mesmo tema, variando o tom em crescendo emotivo. Em contraponto. Repetitivas mas entrelaçadas. É disso que se trata. Poder passar uma vida a revolver as mesmas ideias, sentimentos, impressões, dores e agonias. Entranhadas na estrutura celular de um corpo. Mas, mesmo por isso, nunca as mesmas exactamente. Ou se o são, variam irreprimivelmente de tonalidade ou mesmo de tom. Ao longo dos dias. Dos anos. Oxidam, desvanecem-se, enfraquecem, agudizam em certos dias de uma disposição particular. Sofrem de uma luz, de um som que remete para outro registo, de uma distracção, de um susto, de um encontro súbito. Na verdade talvez sempre a rever as mesmas tensões, os mesmos anseios e a problematizar as mesmas insuficiências e dilemas. Mas num outro momento. Num outro tom. E isso, por si só, basta para esculpir em sentimentos ligeiramente diversos o que somos de sempre. E que nem sempre deixa de conviver numa ária confusa, em diferentes modelações de tonalidade, que se sobrepõem e acrescentam como numa variação de Bach, sem diluir as tonalidades anteriores. Um convívio harmónico na música, que evolui no tempo, que se esvai na memória ou não, deixando silêncio em seu lugar, mas que, figurando outras camadas de memória presentes na consciência de si que existe em nós, apontam à dissolução ou à exaustão. Pontos de fuga. Para onde tende o alinhamento de linhas perpendiculares que são os percursos repetitivos que se encetam. Semelhantes na direcção, repetitivos dessa qualidade que os situa no espaço, a tender para um mesmo ponto na linha do horizonte, mas nunca se encontrando para cá do infinito. Estar repetidamente ao longo do tempo a encetar os mesmos percursos. A rever as mesmas coordenadas. Alguns valores que nos formam. Algumas opções que recorrentemente fazemos como se pela primeira vez. Alguns sentimentos. A desilusão em crescendo. O amor. A finitude. A impermanência do real. Ou não. Podia chamar-lhes pontos de dor. Meridianos específicos no corpo, com uma correspondência rigorosa a uma zona do córtex que responde com o recurso codificado em forma de sensação. De dor. No corpo. Ou no corpo da cidade. Percorrer repetidamente a cidade de que se gosta ciosamente e de forma quase enciumada. Mas como tudo, sempre de uma outra maneira. Percorrer a cidade em determinadas estações da alma, é por vezes sentir o seu olhar denso e insistente inclinar-se sobre mim. Um olhar amigo noutros dias, mas naqueles em particular só aprisionante. A desmoronar pedras como de uma fortificação inimiga. Da cidade, sinto querer que se mantenha direita nos seus muros e inclinações próprias. Que se deixe serenamente embalar pelo seu próprio batimento cardíaco, que se deixe arrepiar pelas suas próprias recordações mesmo quando são as minhas. Que escolha os seus momentos
de introspecção, que respeito com a devoção de quem gosta de ser retribuída na distância, quando necessária. Que sopre brandamente no meu pescoço quando passe mas não me obrigue a pensar porquê. Às vezes anseio mesmo que as paredes se afastem um pouco à minha passagem, não por deferência de género algum mas só em atenção à minha fuga. Que não me tolham o caminho com a memória daquilo a que não posso querer voltar. Casas. Pedaços de chão. Tenho-as espalhadas e arrumadas pela cidade. As que me viram viver. Que souberam os meus segredos e a que não quero passar. Há alturas muito particulares da minha percepção dos dias, em que a cidade me dói nesses pontos muito definidos com ligação nevrálgica ao coração. Ligações directas, subversivas e abusivas, quando não tenho a disponibilidade de usar as chaves. Fazem-se e desfazem-se sem o meu querer. E ligam às sensações que me sobram e não quereria sentir. De assalto. Sem violência mais do que a que se situa acima das sobrancelhas. Por debaixo dos cabelos e lá mais para dentro. Um enorme pulsar latejante daí para o interior onde vivem as dores. Amigas umas das outras e dispostas em espera, por assuntos. Especialidades. De algum modo é de simples solução este sentir. Percorro os outros caminhos e evito o encontro. Mas com estes lugares inscritos na pele para sempre, não preciso de os rever em certos dias para os saber ali. E disso não há fuga possível. Por isso muitas vezes a percorro com a mágoa de não lhe querer passar por certos pontos. Desse corpo de animal. Vivo. Alongado e orgânico. Como se lhe fizesse a ofensa de não amar na totalidade. Mas não se trata de desamor. Sim de dor. Não se toca nas zonas que doem a menos que seja aquela dor mansa que é só um sinal de existência. Mas a da memória tem tonalidades de desespero e sonoridades de fado. Tornaram-se pontos de fuga. Tremidos nos limites, de fronteiras difusas, mas a representar pelo lado de dentro a altura dos olhos. Aqueles para onde tendem as linhas de chamada, pelas quais se alinham planos paralelos entre si. A tender para o horizonte em decrescendo de escala e visibilidade. Mas uma mentira da percepção, como a mentira da representação perspéctica. A ilusão do espaço, produzida pela sua representação e a ilusão da fuga do ponto sensível em cada bairro que me dói. Não pensava antigamente que chegaria o dia em que não gostaria de recordar. Aquele dia em que a memória sofre a quebra da perda, muito mais do que a construção do conforto de um passado, como alicerce. Mas há o dia em que a memória é dor tanto mais, quanto o é daquilo que fomos plenamente e que passou. A que nunca queremos voltar. O que é estranho. Será talvez a impossibilidade da equação, que a torna impossível sequer de imaginar. Uma espécie de nojo no sentido de repugnância, agonia, náusea pelo que, passado, é necessariamente morto. A morte causa repugnância física. Ao toque. Ou será luto eterno por cada dia que já não somos e em que fomos felizes ou não. Mas que realmente fomos no tempo e nos lugares da cidade, mesmo que secretamente, mesmo que temporariamente, impressos numa memória que só a nós
é mobilizável, como se ligada a uma palavra- chave. Que a cidade guarda, depositária fiel, para cada um de nós reservada, mesmo quando a não queremos já. Há um afecto ligado à memória do que fomos. Autocomplacência necessária como preservação. Coesão. Inteireza e unidade ou identidade. Mas sempre aquela impressão nauseante de nojo pelo que morreu e é irreparável. E continua a doer mesmo que não se sujeite à saudade. Mais ainda se fôr saudade. Percorrer uma cidade com zonas minadas, pontos nevrálgicos, de uma atmosfera pejada de emoções intoxicantes, quase visíveis num colorido difuso em zonas de limites ambíguos. A minha primeira casa. Minha mesmo. Um azul claro nas paredes da escada com uma luz fraca e uma doçura que espreitei muitas vezes, com a agitação emocionada da espera, antes da magia de uma chave pequenina numas mãos de quase miúda. A zona que mais evito. Que mais dói. Aquilo que sei por detrás das janelas adormecidas. Muitas vezes de olhos abertos. Mas a dormir. Ou onde alguém cicia pelas noites insones adiante, monólogos secretos ou simplesmente estranhos e atormentados. Numa falta de memória do tamanho da que tenho em excesso. Nunca pensei doer tanto passar lá. Agora. Evito-a em círculos nos outros dias. Ter saudades do passado, de algum passado é difícil ou mesmo inalcançável. Não querer voltar como naquela fábula dizer, Estão verdes. Nunca se deve voltar aos lugares onde se foi feliz. Aos outros também não. Isto digo eu, hoje. Meio amuada com esta cidade onde tenho que pisar com um tacto enorme para evitar embates maiores. E depois há o rio, claro. Talvez porque sempre em mutação desde o princípio de mim até quando fôr. Talvez mesmo por isso e a sua perfeita simulação de imutabilidade estável - uma coisa sem a outra seria diferente - me dê ainda e sempre a mão que não rejeito. Que me sabe bem sempre e que procuro quando posso. Sempre saudosa. Um luxo a que me posso dar porque sei que está sempre lá. E todas as malhas desta cidade, uma quadrícula mais incerta aqui ou mais ortogonal ali, vão dar ao rio. Mais tarde ou mais cedo. E este ao mar e esse aos outros num contínuum. Que filtra e lava os resíduos sem valor. Arrasta para longe. E por isso fico parada, estasiada e à escuta, perto do rio, porque ele segue. Segue caminho. Escuto o silêncio em que fico. Não quero passear pela cidade da memória. Preciso desta cidade ignorante do mapa que transporto e transtorna os meus caminhos. Com nomes de pessoas em vez de nomes de ruas. Números de portas sem sucessão lógica. Do conjunto dos números não naturais. Aqueles a que se chama Reais. Curiosamente. Em que se acendem luzes nos negativos. Aqui o menos um. Ali o menos dois. Temo cobri-la de impossibilidades. Quero-a reservada e exterior a mim, a cidade de todos os dias e nenhum deles presente. Mais presente do que o dia de hoje. Mas, como o feiticeiro de uma história guardada num pequeno livro numa gaveta, que estendia ou recolhia o mar a seu bel prazer, a cidade estende-me um mapa crivado de passado, que repele. Em certos dias. Esta cidade em altos e baixos como os do sentir. Uma topologia barroca como a da fuga. Cheia de
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Anabela Canas
anabela canas
de tudo e de nada
olhos de pálpebras abertas ou fechadas, muitas dolentemente e parcialmente descidas a sombrear interiores. E sardinheiras, ou malvas como pestanas floridas. Ou mais agora, palmeiras. Ecos do deserto. Pejada de olhares em forma de miradouro. Onde se pode ver de muitos lugares, e de muitos, outros. Nunca todos. E mesmo deles e de longe, baixinhos mas pungentes, sempre aqueles pontos. Ali. E ali. Ali… E cruzada de linhas imaginárias como meridianos que esquadrinham na sua geografia imprecisa, anos de passos, de primeiros beijos ou últimos abraços. De palavras definitivas ou suspensas. Crivada de lugares particulares com a sua camada própria de memórias a desfoca-los como tal. A torná-los específicos, inalienáveis. Como uma teia subtil mas aprisionante. A reduzir progressivamente o espaço da cidade, a um percorrer de outros dias. A uma tonalidade, uma luz,
um ressoar de outros momentos. A torná-la passado, quando queremos percorrê-la com as passadas de um dia novo. Sem pontos de fuga, de dor. Pontos cegos a rendilhá-la. O que é mentira, porque são na realidade zonas de densidade maior. A da matéria memória dos sentidos evocados. Tensa, agitada ou conformada. Talvez como buracos negros. Uma suspensão num tempo, quase sólida de nitidez. Mas que é outro. Ou um conjunto de ecos. Aqui. Aqui foi. Aqui já não é. Aqui. Aqui. Mas ela saberá? Como a lua. Saberá que ficou aprisionada na moldura de um lugar de uma emoção? A moldura de uma memória para sempre sobre o espaço amplo, com um vidro que isola no antes aquilo que poderia ser o momento que passa. Fluido. Alguma vez a cidade soube que o era. Alguma vez fica nela a verdade do acontecido para dentro da pele de quem passa.
Ou mesmo à superfície…Ignorante do veneno de certas ruas. Da inquietação que lhe correu as pedras. Da quietude com que nelas se estaca, a ouvir subitamente todo o tempo voltar, e todo o peso. Por vezes palmilho a cidade para viver a tempo real sem os obstáculos da existência, seja esta o que fôr para além disso. Nas madrugadas, com aquela impressão onírica, etérea, deslocada do real, fora de horas. Ou em fins de tarde com a urgência emergente da noite. E sempre a sensação de largar um lastro espesso de memórias. Quando é depois a cidade que mas devolve, afinal. Mas há uma construção de reserva e de defesa. O bom tempo é um casulo. Enquanto estes são pensamentos de inverno. Que saem do frio para desencantar. Pontos de dor. Pontos de fuga. Como setas a apontar incisivamente, ou como flechas a ferir. Ali, ali. Aqui.
desporto
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Ultimam-se pormenores antes do grande evento motorizado
Contagem decrescente para o GP J á cheira a Grande Prémio de Macau. A menos de quinze dias do arranque ultimam-se pormenores para um dos fins-de-semana mais importantes do automobilismo do sudeste asiático. A Audi Hong Kong realizou ontem na ex-colónia britânica a apresentação da sua equipa para a primeira edição da Taça do Mundo FIA de GT. Para além de Marchy Lee, o piloto local, a marca de Ingolstadt irá trazer a Macau mais dois novos R8 LMS GT3 para os favoritos Edoardo Mortara e Laurens Vanthoor. Depois de ter perdido o ano passado para a rival Mercedes-Benz, a Audi quer voltar a vencer no Circuito da Guia. Para além da imagem positiva que representa uma vitória, isto numa altura em que a imagem do Grupo VW definha com os escândalo mundial das suas viaturas a Diesel, a Ásia representa um mercado importante para o departamento de competição da Audi que espera conseguir vender em 2016 as 50 unidades construídas do novo Audi R8 LMS GT3 que custará 3.5 milhões de patacas.
tam os portugueses André Couto e Álvaro Parente. A Mclaren GT resolveu trocar William Buller por Kevin Estre. O construtor inglês não justificou oficialmente a troca de pilotos, mas Estre é um piloto oficial da marca, enquanto Buller não tem experiência em corridas de GT apesar de conhecer o sinuoso Circuito da Guia melhor que o francês. E se a Mclaren parece estar disposta a vencer a corrida já o mesmo não se pode dizer da Porsche que retirou o carro de Chris Van Der Drift, que se sagrou campeão da Taça Porsche Carrera Ásia, para dar lugar a um “Gentleman Driver” de Hong Kong, John Shen. A Porsche nomeou o tailandês Vutthikorn Inthraphuvasak como o seu terceiro piloto, que assim se junta a Earl Bamber, vencedor deste ano das 24 horas de Le Mans, e ao pouco conhecido Dylan Derdaele. Os carros da corrida de Fórmula 3 já estão em rota para o Oriente, depois dos últimos testes realizados em Silverstone (Inglaterra) e Hockenheim (Alemanha).
Mexidas na Mclaren
Protagonistas
Entretanto, a Mclaren mexeu na sua equipa de pilotos, onde pau-
As atenções da edição deste ano da Taça Intercontinental FIA de
Fórmula 3 vão concentrar-se em Felix Rosenqvist e Dani Juncadella, dois pilotos que regressam à RAEM com o intuito de vencer esta corrida pela segunda vez e igualar o recorde de “Mr. Macau”, Edoardo Mortara, no entanto, são vários outros os pilotos que ajudarão a alimentar as histórias do fim-de-semana, principalmente nos países de origem. Entre eles está indiscutivelmente Lance Stroll. O canadiano, que é piloto da academia de jovens pilotos da Ferrari, filho do empresário Lawrence Stroll, o multi-milionário por detrás das marcas Michael Kors e Tommy Hilfiger, foi um dos mais rápidos e polémicos pilotos, pelo seu comportamento em pista, no Campeonato da Europa FIA de
Fórmula 3 este ano e é apontado pela imprensa especializada como uma certeza na Fórmula 1 a curto prazo. “Eu vou para Macau entusiasmado e quero sucesso mas também sou realista, pois há vários pilotos que vão lutar pela vitória e têm experiência neste único desafio”, afirmou Stroll. Também a estrear-se em Macau estará o indiano Arjun Maini, uma das maiores esperanças do automobilismo do seu país. “A pista será um desafio completamente diferente de Pau, porque tem longas rectas e curvas extremamente rápidas. A minha equipa T-Sport já obteve alguns bons resultados e se conseguirmos trabalhar bem em conjunto não
As atenções da edição deste ano da Taça Intercontinental FIA de Fórmula 3 vão concentrar-se em Felix Rosenqvist e Dani Juncadella, dois pilotos que regressam à RAEM com o intuito de vencer esta corrida pela segunda vez e igualar o recorde de “Mr. Macau” Edoardo Mortara
vejo razões para não trazermos um bom resultado para casa”, afirmou à imprensa indiana. A Corrida da Guia pode ter perdido o élan da saída do WTCC, mas promete ser uma das corridas mais espectaculares do fim-de-semana, com os novos carros de turismo do TCR International e Asia Series a darem garantias de espectáculo. A lista de inscritos foi actualizada desde a Conferência de Imprensa de Outubro passado e agora conta com o jovem luso Francisco Mora, campeão de Portugal carros de turismos, que fará a sua estreia em Macau com um SEAT Léon TCR da italiana Target Competition, um carro em todo igual aquele que o piloto local Rodolfo Ávila conduzirá nesta mesma prova. Já o piloto de Macau, Henry Ho Wai Kun, falou pela primeira vez da sua participação na prova. “É uma nova categoria e um novo carro para mim, portanto será um novo desafio para mim. Darei o meu melhor e verei onde ficarei depois das corridas”, disse o piloto oficial da Honda Dongfeng no Campeonato da China de Carros de Turismo, que conduzirá um Honda Civic TCR inscrito pela PAS Macau Racing Team. Entretanto, do outro lado das Portas do Cerco, foram vários os pilotos local que aproveitaram no início da semana para um “shakedown” final das suas viaturas antes do Grande Prémio. Sérgio Fonseca
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tempo períodos de chuva min 23 max 27 hum 75-95% • euro 8.68 baht 0.22 yuan 1.25
Cineteatro
O que fazer esta semana
Cinema
Spectre Sala 1
Spectre [b]
Filme de: Sam Mendes Com: Daniel Craig, Cristoph Waltz, Lea Seydoux 14.15, 18.45, 21.30
Are you here [c]
Falado em Cantonês Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Jill wong Com: Nina Paw, Helena Law, Susan Shaw, Jacquelin Chong 17.00
Our times [b]
Falado em Mandarin Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Ding Sheng Com: Andy Lau, Liu Ye, Wu Roufu,
Wang Qianyuan 14.15, 16.45, 19.15 Sala 2
Are you here [c]
Falado em Cantonês Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Jill wong Com: Nina Paw, Helena Law, Susan Shaw, Jacquelin Chong 21.45 Sala 3
She remembers, he forgets [b] Falado em Cantonês Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Wong Say Ping Com: Miriam Yeung, Jan Lamb 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
Hoje Peça “Era sem conflitos 2.0”, de Teatro Heavy Makeup Light Dressup Teatro Hiu Kok, das 20h00 às 21h00 e das 15h00 às 16h00 (até domingo) Entrada a 50 patacas
Diariamente Exposição “Aguadas da Cidade Proibida”, de Charles Chauderlot (até 07/2016) Museu de Arte de Macau Entrada a cinco patacas World Press Photo Casa Garden Entrada livre
Aconteceu Hoje
6 de novembro
Nasce a poetisa Sophia de Mello Breyner
U m l i vro h o j e Toms River, A story of Science and Salvation Dan Fagin (2013) O Rio Toms, onde as crianças costumavam brincar, tem agora um mau cheiro insuportável e a água deixou de ser potável. É este o resultado da prosperidade da indústria de corantes norte-americana do século XVIII. No entanto, a população só se apercebeu deste amargo destino centenas de anos depois e os problemas continuam. O livro deste autor norte-americano, que é também professor da área de Comunicação em Nova Iorque, relata o início da ciência, a sua abordagem sobre doenças derivadas da poluição por corantes e o dilema entre desenvolvimento económico e preservação ambiental. É quase como se de um policial se tratasse. Flora Fong.
fonte da inveja
• Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919, foi uma das mais importantes poetisas lusas do século XX e a primeira a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa: o Prémio Camões, em 1999. A escritora tem origem dinamarquesa e o bisavô desembarcou um dia no Porto e nunca mais abandonou a região, tendo o seu filho comprado, em 1895, a Quinta do Campo Alegre, hoje Jardim Botânico do Porto. Criada na velha aristocracia portuense, Sofia de Mello Breyner foi educada com valores tradicionais cristãos, tornando-se dirigente de movimentos universitários católicos, numa altura em que a poesia já fazia parte da sua vida. Viria a tornar-se num dos símbolos de uma atitude política liberal, apoiando o movimento monárquico e denunciando o regime salazarista e os seus seguidores. Em 1946, casa com Francisco Sousa Tavares, jornalista, político e advogado, sendo mãe de cinco filhos: uma professora universitária de Letras, um jornalista e escritor de renome (Miguel Sousa Tavares), um pintor e ceramista e uma terapeuta. E foram precisamente os filhos que motivaram Sophia a escrever contos infantis. Recebe o Grande Prémio de Poesia, da Sociedade Portuguesa de Escritores, em 1964, pelo ‘Livro Sexto’. Mas Sophia de Mello Breyner Andresen manteve sempre uma actividade cívica intensa, que cruza a ditadura, até ao 25 de Abril. Com a Liberdade, é eleita para a Assembleia Constituinte, em 1975, pelo círculo do Porto. Foi também tradutora de Dante Alighieri e de Shakespeare e membro da Academia das Ciências de Lisboa. Distinguiu-se com contos e com diversos livros infantis: ‘A Menina do Mar’, ‘O Cavaleiro da Dinamarca’, ‘A Floresta’, ‘O Rapaz de Bronze’, ‘A Fada Oriana’, entre outros). Além do reconhecimento dos leitores, recebeu diversas distinções, das quais se destaca o Prémio Camões, em 1999, e o Prémio Rainha Sofia, quatro anos mais tarde. Sofia de Mello Breyner faleceu, aos 84 anos, a 2 de Julho de 2004, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa. Hoje, a sua memória é homenageada.
João Corvo
Alvíssaras! Alvíssaras! Um táxi num palheiro!
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Carta ao Director
OS DIREITOS DOS PORTADORES DE PASSES MENSAIS Exmo. Senhor Dr. Carlos Morais José Ilustre Director do Hoje Macau,
S
ou detentor de passe mensal de um Parque de Estacionamento Público e, com enorme surpresa, fui informado telefonicamente por uma funcionária da empresa que gere o parque de estacionamento, que o meu direito ao dito passe deixará de ter efeito a partir de Janeiro p.f.. Considerando as notícias que fui lendo na comunicação social, parece-me tal comunicação sem fundamento e abusiva, sobretudo porque:
evocando os interesses dos residentes que já usufruem da medida. “Não podemos tirar esse direito adquirido pelos utentes. Em 2012 criou-se uma lei que tirou os direitos aos mediadores (imobiliários) e sabemos que na altura votámos a favor da revisão da lei, mas o que visa este debate? Tem um objectivo contrário que é o de retirar direitos adquiridos pelos nossos residentes, por isso não apoio”, apontou Tsui Kwan.
1- Não se trata de lugar fixo, mas apenas de garantia de um lugar.
4- Na sua edição do dia 29 de Outubro p.p., o Hoje Macau noticia em sub-título: DEBATE MANTIDOS PASSES MENSAIS. LEI PODE VIR A SER ALTERADA e continua: O Secretário para as Obras Públicas e Transportes confirmou ontem na Assembleia Legislativa que vai mesmo manter em funcionamento os passes mensais emitidos até 2009, garantindo que “a curto prazo” não vai mudar a lei, mas que poderá ponderar alterações no futuro.
2- Sendo portador de um dos primeiros passes emitidos por esse Parque, isso autentica a antiguidade do meu direito. 3- Tomei conhecimento pelo Hoje Macau de 19 de Outubro p.p. que, apesar da aprovação do debate sobre os passes mensais na AL, muitos dos deputados que pediram a palavra mostraram-se contra o término dos passes mensais,
5- Do mesmo modo, o jornal Ou Mun de 29 de Outubro, noticia igualmente que os passes mensais não serão cancelados a curto prazo. 6- Saberá V.Exa. que, como cidadão, servi e sirvo Macau sem nunca me ter “servido”de Macau. Assim, não posso deixar de manifestar a maior das perplexidades e mesmo desconfiança por uma funcionária do referido Parque, me ter informado de algo que é contrário a todas as decisões. Os direitos dos cidadãos são sagrados e crente nos valores da cidadania, em detrimento dos da ganância, oportunismo e lucro fácil à custa de direitos alheios, lutarei com as armas que tenho: a razão e a transparência da verdade. Gostaria, assim, que este assunto fosse alvo de informação clara por parte das autoridades, para que os cidadãos possam saber dos direitos que lhe assistem. Com os melhores cumprimentos, António Conceição Júnior
opinião
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Isabel Castro
O caso do caso
C
laro que importa perceber em que circunstâncias morreu Lai Man Wa, directora-geral dos Serviços de Alfândega, titular de um alto cargo do território e com funções particularmente delicadas. Importa perceber porque é um assunto do interesse público. Por ser do interesse da população, fez bem o Chefe do Executivo em chamar os jornalistas para uma conferência de imprensa sobre o assunto, mesmo que essa conferência não tenha sido mais do que uma declaração, sem direito a perguntas e a respostas. Mas a convocatória para esta conferência de imprensa foi a única coisa que Chui Sai On fez bem no modo como geriu, em termos de comunicação, a morte de Lai Man Wa – o Chefe do Executivo quis antecipar-se a boatos. Não vale a pena sequer recordar os detalhes das primeiras informações oficiais divulgadas apenas quatro horas depois da descoberta de um corpo não imediatamente identificado na casa de banho pública do jardim dos Ocean Garden. Desde o caso Ao Man Long que, muito provavelmente, o comum mortal de Macau não prestava tanta atenção aos pormenores das notícias, que reproduz com rigor nas conversas reais e virtuais que vai tendo sobre o assunto. Porque se trata de uma questão de interesse público, o público interessou-se. O interesse do público não terá sido, no entanto, aquele de que o Governo estaria à espera. Bastou a divulgação de dois ou três detalhes da morte de Lai Man Wa para que a desconfiança se tornasse generalizada: parece não haver vivalma que não tenha ficado de pé atrás com as declarações do Governo sobre a matéria – declarações estas que, admito, poderão corresponder à mais cândida verdade e serem de um enorme rigor científico. Mas a desconfiança não torna o caso mais simples. Há um caso dentro do caso Lai Man Wa. O caso Lai Man Wa, que continua a suscitar pedidos de investigação aprofundada, é um; depois, há a desconfiança em relação à palavra do Governo, dos governantes e das autoridades policiais – uma desconfiança que não foi mantida em sussurro e, por isso mesmo, levou a uma nova conferência de imprensa e à revelação de vários
detalhes sobre o que aconteceu, sem que tal tivesse, de modo algum, contribuído para serenar os ânimos, ou seja, para tornar toda esta história mais convincente. O caso Lai Man Wa, independentemente do que ainda seja apurado, é preocupante: é de uma vida que estamos a falar e é, além disso, a vida de alguém que jurou servir o território.
Muitas das pessoas que vivem em Macau não acreditam na boa-fé do Governo, porque não acreditam na palavra dele. É nos momentos críticos que se testa a relação dos que mandam com os que são mandados. O caso dentro do caso Lai Man Wa não trará ninguém para a rua, mas é mais uma pedra no sapato O caso dentro do caso, de uma natureza diferente, também deveria levar os dirigentes da terra a dois minutos de reflexão, por ser revelador de duas realidades não menos chatas para quem governa a terra, sobretudo nos tempos que correm e com as tendências que chegam de Pequim para este Outono/ Inverno: 1) O Governo não domina a arte da comunicação. Não sabe fazer a filtragem que é essencial para que seja transmitida a mensagem correcta. Não sabe escolher o tempo certo para falar. Diz de mais para depois dizer de menos. Não é uma novidade. O caso Lai Man Wan só veio provar que se trata de um problema crónico. 2) Muitas das pessoas que vivem em Macau não acreditam na boa-fé do Governo, porque não acreditam na palavra dele. É nos momentos críticos que se testa a relação dos que mandam com os que são mandados. O caso dentro do caso Lai Man Wa não trará ninguém para a rua, não será motivo para manifestações, mas é mais uma pedra num sapato que há muito se tornou apertado.
Alfred L. Werker, The Adventures of Sherlock Holmes
isabelcorreiadecastro@gmail.com
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contramão
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paul chan wai chi*
um grito no deserto
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
A
Assembleia Legislativa retomou os trabalhos a semana passada. Nos próximos dois anos, até ao final dos actuais mandatos, é possível que os deputados discutam com maior entusiasmo os assuntos que venham a ser debatidos na Assembleia. Antes das eleições para a Assembleia Legislativa, em Setembro de 2013, a comunidade encontrava-se surpreendentemente serena e não existia, na altura, nenhuma controvérsia assinalável. O clima eleitoral que se viveu também não foi particularmente acalorado, já que os partidos aceitaram reduzir os temas controversos em debate. Durante as eleições a maioria das formações políticas lançou diversos slogans populistas e fez imensas promessas ao nível de um maior bem-estar social. O Festival do Meio do Outono desse ano foi especialmente jovial, com ofertas de presentes e distribuição de refeições. A população estava feliz. aproveitando as benesses que lhe eram oferecidas. Por outro lado, o Conselho Eleitoral e o Comissariado Contra a Corrupção não tinham muito em que se ocupar. Cerca de duas semanas após a eleição, a Sociedade de Transportes Públicos Reolian anunciou a cessação de actividade. Este facto, juntamente com a proposta de Lei, - “Regime de garantia dos titulares do cargo de Chefe do Executivo e dos principais cargos a aguardar posse, em efectividade e após cessação de funções” causou grande preocupação na comunidade. Dois anos depois, a imagem da Assembleia como “figura decorativa” permaneceu inalterável, com uma Oposição mais ou menos alinhada com o Governo. Ou pelo menos, desenvolvendo um tipo de acção pouco clara que nunca afecta quem está no poder. Na semana de abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, a proposta de debate da Lei da Habitação Económica foi votada. Os deputados da oposição fizeram declaração de voto, ao passo que os deputados que apoiavam a proposta não a fizeram. Quererá isto dizer que votar a favor é apenas uma jogada regulamentar que dispensa qualquer sustentação? Nos últimos dois anos, o descontentamento público tem vindo a aumentar e os deputados dificilmente conseguem cumprir as promessas que fizeram durante a campanha eleitoral. No que diz respeito ao projecto de “todas as pessoas passarem a ser accionistas da indústria do jogo”, não houve desenvolvimentos assinaláveis. Não se registaram avanços democráticos e a Assembleia tornou-se cada vez mais esva-
King Vidor, The Crowd
Balanço a meio dos mandatos
“Não existe esperança para Macau, a menos que se abrace o caminho da reforma constitucional, aumentando os assentos dos deputados eleitos por sufrágio directo e, também, promovendo e ajudando a melhorar, a consciência cívica da população” ziada de poder, no seguimento da revisão do Regimento da Assembleia Legislativa. À medida que a activação das audições se torna mais rigorosa, a Assembleia Legislativa encontra-se cada vez mais no papel de “figura decorativa”. Volvidos dois anos, os cidadãos de Macau devem estar conscientes da importância do seu voto. Devem ponderar seriamente nas palavras e nos actos dos candidatos à Assembleia Legislativa, de forma a eleger deputados verdadeiramente empenhados em servir a comunidade e, não apenas, em fazerem-se eleger. Se os eleitores votarem sem grande critério, como tem sido habitual, o resultado das eleições,
que se efectuarão daqui a dois anos, será o mesmo das edições anteriores. Desta forma o desempenho da Assembleia Legislativa não terá mais qualidade, já que os deputados eleitos também não a terão. Como a proposta de reforma constitucional para 2017 não foi aprovada em Hong Kong, o desenvolvimento constitucional fica congelado. Da mesma forma em Macau, quer os parâmetros constitucionais, quer a metodologia para a composição da Assembleia Legislativa não terão qualquer hipótese de sofrer alterações a curto prazo. Segundo a actual metodologia para a composição da Assembleia Legislativa, os deputados elei-
tos por sufrágio directo estarão sempre em desvantagem. No entanto, isto não quer dizer que sejam totalmente impotentes, porque as suas lutas na Assembleia Legislativa também existem cá fora. A proporção de deputados eleitos por sufrágio directo em 2013 é semelhante à actual. Como os deputados eleitos pela Associação Novo Macau trabalham em conjunto com esta Associação, os temas em discussão na Assembleia Legislativa resultam, frequentemente, em acções sociais com resultados positivos. Na medida em que estes deputados têm apoio e reconhecimento públicos, a frente maioritária da Assembleia Legislativa não ousa usar o voto para decidir sobre todas as matérias. Contudo, desde a altura em que surgiram problemas internos naAssociação Novo Macau, o equilíbrio de poder na Assembleia Legislativa foi minorizado. Não importa que os deputados da oposição gostem ou não de ser classificados como “oposição fiel”, o que é um facto é que a actual situação faz jus ao nome. Em Julho de 2009, o jornal Southern Metropolis Daily, publicou uma entrevista a dois deputados da Associação Novo Macau. Na entrevista os deputados declararam expressamente a vontade desta formação política em assumir o papel de oposição na Assembleia Legislativa. Não existe esperança para Macau, a menos que se abrace o caminho da reforma constitucional, aumentando os assentos dos deputados eleitos por sufrágio directo e, também, promovendo e ajudando a melhorar, a consciência cívica da população. Os pontos acima referidos influenciam-se e potencializam-se mutuamente. Em primeiro lugar, será possível, para as eleições de 2019 à Assembleia Legislativa, lutar para obter mais de 50% de lugares ocupados por deputados eleitos por sufrágio directo, com a condição de que o actual número de assentos não seja alterado? Em segundo lugar também é crucial a revisão da Legislação Eleitoral da Assembleia Legislativa e a implementação de medidas eficazes para combater a corrupção durante o processo eleitoral. Por último, é importante encorajar mais pessoas a candidatar-se às eleições directas, porque “juntos somos mais fortes”. Actualmente, pessoas vindas de diversos sectores estão a organizar-se em conjunto tendo em vista as próximas eleições. De entre estas, algumas concorrem às eleições na sequência das suas carreiras, ou por ser esse o seu sonho, ao passo que outras o fazem para salvaguardar os seus interesses pessoais. Seja como for, o processo eleitoral vai ser seguramente “distractivo”! *Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; Aurelio Porfiri; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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José Macedo, arquitecto
“É fácil viver aqui” J
á viveu em quase todos os continentes. O Rio de Janeiro foi, e continua a ser, a sua cidade de eleição. José Macedo, um português a viver na Ásia desde 2010 não controla o brilho no olhar quando relembra o Ipanema, a água de côco e a bossa nova. O mundo gira e com ele gira também a vida. Quis o programa Inov Contacto trazer o arquitecto para Hong Kong e foi lá que ficou por quatro anos seguidos. “Vim nesse programa para Hong Kong, mas o ano passado fui convidado para pertencer ao projecto do Galaxy e abracei essa aventura”, conta ao HM. Porque não há coincidências, quis o acaso que a conversa do arquitecto com a equipa do HM acontecesse no dia em que José Macedo comemorava um ano de estada neste território. “A verdade é que é muito pouco comum alguém passar de Hong Kong para Macau, o mais habitual é o contrário. Confesso que é um trajecto que poucas pessoas fazem, mas como eu gosto de experimentar e já vivi em quatro continentes decidi arriscar”, conta. Na região vizinha, José Macedo trabalhava na área de arquitectura empresarial e decidiu experimentar “trabalhar para o cliente”.
Música no coração
No saco das paixões, carrega o gosto e a dedicação pela música. O brilho no olhar volta a invadir a nossa conversa e José Macedo explica que a dada altura, durante a sua permanência em Hong Kong, sentiu carência “de festas mais indie, mais
alternativas”. Pela necessidade nasceu um duo de DJ. Com um amigo, de origem espanhola, nasce um projecto que vem trazer, ou pelo menos tentar, aquilo que os amigos procuravam. “Começámos devagar, passo a passo, até que começámos a ser convidados para festivais de música e festas. É um bichinho que sempre tive”, partilha. A chegada a Macau pareceu-lhe agridoce. “Não gostei logo de Macau porque tirou-me esta parte da minha vida na música. Sabia que não ia encontrar aqui o mesmo que estava a fazer em Hong Kong, mas, também sabia, que há sítios em que as coisas não vêm ter contigo de forma natural, tens de as procurar ou criar. Macau dá-te essa oportunidade. A oportunidade de criares. Só falta que as pessoas sejam abertas e aceitem”, assina. Locais como a Live Music Association, ou bares de música mais alternativa foram os espaços escolhidos pelo arquitecto. Ainda assim, nos momentos de mais calma é Coloane que se destaca. “É um sítio que dá para te refugiares um bocadinho”, remata.
Paraíso fiscal
Assumindo que tudo depende de pessoa para pessoa, José Macedo, entre gargalhadas, assume que olha para Macau como um “paraíso fiscal”. “É fácil viver aqui e tens alguma qualidade. Tudo depende de pessoa para pessoa. A mim, Macau não me preenche a 100%, mas vejo que há muitas pessoas que, por tudo o que o território é, se
deixam estar e ‘metem as pantufas’, ficam acomodadas. Faltam algumas coisas aqui”, partilha. Uma grande escola de artes seria ouro sobre azul para o território. “Isso iria trazer novas visões, novas experiências e, mais que isso, espírito crítico”, aponta. O crescimento veloz da cidade exige alguma preparação, organização, criatividade e “de novo o espírito crítico”.
Paciência de chinês
Ainda no mundo da música, durante o ano que marcou a sua passagem por aqui, José Macedo foi conhecendo pessoas e projectos locais. Uma maior aposta no que é local e bom deveria fazer parte dos planos de quem manda, defende. Para o arquitecto não se pode desistir, e quem quer vingar terá de ser muito paciente e tentar, “tentar sempre”. Assumindo-se como “um bicho da Taipa”, José Macedo lamenta não ter tido muito tempo para conhecer o verdadeiro lado de Macau. “Se vives e trabalhas na Taipa vives o que aquilo é, e lá não é o que de Macau tem de verdadeiro”, aponta. A compra de uma mota ajudou a colmatar as escassas visitas, brinca. “Tive de facto mais acesso e fui descobrindo aos poucos, gostei”, remata. Por razões pessoais, José Macedo deixa, em breve, Macau para trás. Consigo leva momentos, muitos momentos, pessoas e aprendizagens para a vida. Voltar nunca será carta fora do baralho, mas neste momento não existe uma resposta. Por enquanto a única certeza com que nos deixa é a saudade. Filipa Araújo
Filipa.araujo@hojemacau.com.mo
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Estudo População menos confiante
Sei o que fizeste o ano passado Os residentes da RAEM sentem-se menos positivos em relação ao futuro de Macau e a culpa, mostra um estudo, é dos acontecimentos que tiveram lugar em 2014. Os inquiridos confessam ter também menos confiança nos Governos local e da China
A
sociedade de Macau está menos confiante sobre o futuro positivo da região e sobre o desempenho dos Governo de Macau e da China. É, pelo menos, isso que avança um estudo publicado este ano, pela equipa do Programa de Opinião Pública da Universidade de Hong Kong (HKU na sigla inglesa). “Comparando com dados do ano passado, a confiança das pessoas nos Governos local e Central desceu cerca de 33%”, revela o inquérito realizado este ano. Quanto aos indicadores relativos ao futuro da cidade, da China e do sistema “Um País, Dois Sistemas”, todos se revelaram positivos, ainda que com uma queda acentuada, com ênfase para a credibilidade do sistema em vigor na RAEM, parâmetro que “não atingia valores tão baixos desde” 1999. No mesmo documento, a HKU determina que também a identificação dos cidadãos locais com a cultura e cidadania chinesa está em vigor. O estudo conclui “o aumento tendencial da falta de confiança da população de Macau” na performance do Governo e no desenvolvimento da cidade. Ao questionário, feito de forma aleatória por telefone, responderam mais de 500 residentes.
Ricos e desconfiados
A mesma investigação inclui uma série de indicadores relativos à confiança da população no Governo e no futuro da região. A desconfiança da população face ao destino de Macau aumentou 11% desde 2011. No entanto, mais de metade dos inquiridos assegura confiar no Executivo local, contra os 21% que não expressam confiança face à liderança da região. No que diz respeito ao Governo Central, o mesmo estudo mostra que 19% não tem confiança nos líderes de Pequim, o que demonstra, comparando com o ano de 2011, que este indicador sofreu um acréscimo de 6%.
A HKU também analisou as considerações da população em relação aos níveis de estabilidade, de liberdade, de democracia e da credibilidade dada aos media locais: todos os indicadores sofreram uma descida, ainda que residual. No entanto, permanecem, como no ano anterior, positivos. É o da credibilidade para com os media que menos pontos recebeu, situando-se nos 5,20 numa escala de zero a dez.
Preocupações invertidas
Olhando para as inquietações da população residente, a HKU determina que continuam a ser, como há vários anos, os problemas sociais que mais preocupam os cidadãos. No entanto, o questionário mais recente revela o aumento de um outro indicador de preocupação: a população está, desde Dezembro do ano passado, mais preocupada com o estado da Economia local do que em anos passados. A razão não se encontra no estudo, mas a queda constante das receitas do Jogo pode ser uma delas. Os resultados de 2011 mostram um nível de 21% de preocupação com o estado da economia, face aos 24% deste ano. “O inquérito mais recente mostra que 69% dos inquiridos estão mais preocupados com problemas sociais, 24% com problemas económicos e 4% determinaram os problemas políticos como a fonte das suas principais preocupações”, revela o estudo. Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
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