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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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Ter para ler
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • QUINTA-FEIRA 6 DE OUTUBRO DE 2011 • ANO XI • Nº 2466
TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 21 MAX 25 HUMIDADE 65-90% • CÂMBIOS EURO 10.7 BAHT 0.3 YUAN 1.3
6 de Outubro de 1976
A GRANDE VIRAGEM
Foi há trinta anos que a China deu realmente um grande salto em frente. Página 17
PJ preocupada
JOVENS ALICIADOS PELAS MÁFIAS Página 8
AL Deputados afiam facas
Air Macau perde mais quatro pilotos experientes
A companhia maldita
Toda a gente diz mal da Air Macau: pilotos, tripulantes e passageiros. Aviões podres, pessoal sem experiência, dezenas de queixas arquivadas. Quem pode, vai embora. Desde o ano passado já abandonaram a empresa 30 pilotos dos mais experientes. Lá dentro aposta-se: quando vai mesmo acontecer um acidente grave? O governo, claro, parado, paradinho. > PÁGINA 7
BAIRROS ANTIGOS AQUECEM REGRESSO Página 5
China-EUA
LEI PODE DESENCADEAR GUERRA COMERCIAL Página 3
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ACTUAL
Rússia e China vetam resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a Síria
Contra a estratégia de “confrontação”
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Rússia e a China vetaram esta terça-feira uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Síria, esboçada por países europeus, que ameaçava agir caso o líder sírio não ponha fim à repressão ao chamado movimento pró-democracia. Nove países votaram a favor, enquanto Rússia e China se manifestaram contrárias, neutralizando a resolução, devido ao seu poder de veto enquanto membros permanentes do Conselho. Brasil, África do Sul, Índia e Líbano abstiveram-se. O representante russo afirmou que os países ocidentais impedem o diálogo entre governo e oposição na Síria, impedindo uma solução pacífica. “Os diplomatas ocidentais afirmam aos seus congéneres sírios que não voltarão a negociar com Assad e que o governo tem os seus dias contados”, comentou. “Não estão interessados numa solução pacífica mas sim na confrontação”. Uma resolução da ONU “não melhoraria” a situação na Síria, afirmou Ma Zhaoxu, pouco depois de usar o poder de veto no Conselho de Segurança contra o texto.
“Alguns países apresentaram um projecto de projecto de resolução para pressionar de forma indiscriminada e até ameaçar com sanções à Síria. Isso não ajudaria a melhorar a situação”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa Ma Zhaoxu, em comunicado. O projecto europeu condenava “firmemente as violações graves e sistemáticas dos Direitos Humanos pelas
autoridades sírias” e previa “medidas precisas” caso o regime sírio não acabasse com a repressão no prazo de 30 dias. “Todos os esforços foram feitos para produzir uma resposta unânime”, declarou o embaixador da França nas Nações Unidas, Gerard Araud, em alusão ao empenho para se alcançar um compromisso. “Numerosas concessões” foram
feitas à Rússia, à China e aos países que se abstiveram, acrescentou. Araud destacou que o veto demonstrou um “desprezo pelos interesses legítimos pelos quais se tem lutado na Síria”, desde que os protestos contra o presidente Bashar al-Assad
ALIBABA PLANEIA COMPRAR YAHOO
Internet mais chinesa
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Designação: Sessão de apresentação do Curso de Aperfeiçoamento do Conhecimento Clínico Local : Auditório no R/C do Edifício Administrativo dos Serviços de Saúde (situado ao lado do Centro Hospitalar Conde de São Januário) Data e hora : 8 de Outubro, às 11:00 horas Conteúdo : Programa do Curso de Aperfeiçoamemto do Conhecimento Clínico e assuntos associados Destinatários : Licenciados em medicina Prazo de inscrição : Até às 17h00 do dia 7 de Outubro Formas de inscrição : Envio do nome e do número do telefone ao endereço electrónico elacs@ssm.gov.mo ou ao fax 83908752 Informações : Contactar com a Sra. Leong através do telefone no. 83908751 nas horas de expediente
começaram, em meados de Março. O embaixador da Rússia, Vitali Churkin, disse que houve o confronto de duas filosofias durante as discussões no Conselho, incluindo uma da “confrontação”, defendida pelos países ocidentais. “A ameaça
de sanções era inaceitável”. Já Washington expressou sua “indignação” pelo fracasso da resolução condenando a repressão do governo sírio aos protestos. “Os Estados Unidos estão indignados com o fato de o Conselho ter falhado totalmente em enfrentar um desafio moral urgente e uma crescente ameaça à paz e à segurança regional”, disse a embaixadora americana Susan Rice, criticando os países que segundo ela “prefeririam vender armas ao regime sírio”. “Dois membros vetaram um texto que nem sequer mencionava sanções. Deixe-me ser clara, os Estados Unidos acreditam que passou da hora desse Conselho assumir suas responsabilidades e impôr duras sanções selectivas e um embargo de armas ao regime de Assad”, afirmou Rice. Este é o primeiro veto sino-russo desde que os dois países bloquearam sanções contra o presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, em Julho de 2008. Segundo as Nações Unidas, a repressão iniciada em Março na Síria já deixou mais de 2.700 mortos.
ACK Ma, fundador do maior portal de negócios entre empresas do mundo, o Alibaba, disse estar “muito interessado” em comprar o Yahoo, no que seria a primeira incursão de grande dimensão da China no mundo da internet nos Estados Unidos. Segundo Ma, as principais dificuldades da negociação têm carácter “político”, e não financeiro. O Yahoo tem 40% do capital do Alibaba, adquiridos por US$ mil milhões em 2005. Desde então, a empresa chinesa expandiu-se, enquanto que o seu investidor encolheu e mergulhou numa crise de identidade. Hoje, o valor de mercado do Alibaba gira em torno de US$ 32 mil milhões, o dobro do atribuído ao site de buscas americano. Ontem, as acções do Yahoo registaram
uma alta de 2,73% no Nasdaq, fechando cotadas a US$ 13,53. A eventual aquisição do Yahoo daria a Ma o controlo total do Alibaba e afastaria os riscos que enfrentaria caso o portal de buscas fosse vendido a outro investidor, que teria 40% de sua companhia. Também colocaria fim à tempestuosa relação entre os dois sócios, que acabam de travar uma disputa de quatro meses em torno do Alipay, o mais popular sistema de pagamentos online da China, que pertencia ao Alibaba. No início o ano, Ma transferiu de maneira unilateral o Alipay para sua propriedade, o que gerou reacção do Yahoo. Em Julho, os dois lados finalmente chegaram a um acordo que prevê compensação pela perda do activo.
E o “bando dos quatro”? Pois bem, desde a data da prisão os seus membros deram um contributo inestimável ao país. Feitos “bodes expiatórios” dos erros próprios e dos erros alheios, passaram a constituir a imagem diabólica de dez anos de turbulência e terror, traduzidos em violência, desorganização produtiva, destruição, tumultos generalizados e situações pontuais de autêntica guerra civil, episódios aqui e acolá pintados com cores mais vivas, como é próprio da propaganda política, na China ou em outro país qualquer. Feng Zhouliang P.17
China expressa dura oposição a projecto proteccionista dos EUA
Tapar a crise com o yuan Os EUA querem aprovar no Senado legislação à qual a China se opõe firmemente e que poderá desencadear uma guerra comercial.
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governo chinês expressou nesta terça-feira a sua “firme rejeição” ao início do debate de um projecto de lei no Senado dos Estados Unidos que dá poderes ao Executivo para combater a desvalorização de moedas de outros países, em especial a China. O projecto abriria a possibilidade dos EUA aplicarem sanções comerciais contra o país — acusado de manter o yuan abaixo do seu valor real, com prejuízo para as exportações americanas. Em 2010, os EUA registaram um défice comercial com a China de US$ 273 mil milhões. Numa reacção imediata, o Banco Central da China avisou que a aprovação da legislação “pode conduzir a uma guerra comercial a que não queremos assistir”, disse a autoridade monetária chinesa. “Usar a desculpa do chamado ‘desequilíbrio cambial’, aumentará o problema da taxa de câmbio, adoptando uma medida proteccionista que viola gravemente as regras da OMC e seriamente
perturba as relações económicas e comerciais sino-americanas”, disse o porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Ma Zhaoxu, em comunicado publicado no portal do governo nesta terça. “A China expressa sua oposição inflexível.” O projecto dá ao Tesouro dos EUA a possibilidade de avaliar a força das divisas externas e lançar sanções caso estas sejam consideradas como artificialmente “fracas”. As sanções podem passar por tarifas alfandegárias mais altas ou pela decisão do governo americano de não comprar bens e serviços nos países que fazem desvalorizações competitivas. A nota do Banco Central chinês “lamenta” a postura americana, mas diz que não serão acções deste género que eliminarão os “verdadeiros” problemas dos EUA: um défice comercial elevado, uma alta taxa de desemprego e escassez de poupanças. Os Estados Unidos tentam visivelmente tapar o sol com a peneira. As razões do seu défice externo não estão na taxa de câmbio chinesa, mas no
processo irreversível de declínio de sua economia, motivado pelas suas próprias vulnerabilidades estruturais. O porta-voz do Ministério de Comércio, Shen Danyang, disse que os EUA estão a tentar culpar outros pelas suas próprias falhas. “Tentar transferir disputas domésticas para outro país é injusto e viola regras internacionais, e a China expressa sua preocupação”. A “principal razão” do excedente comercial chinês é a limitação à exportação de produtos de alta tecnologia para a China imposta pela administração norte-americana, afirmou Shen Dayang.
CENÁRIO POLÍTICO
A legislação para retaliar a China foi proposta por um grupo formado por senadores dos dois principais partidos políticos do país, a oposição republicana e democratas no governo. O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, empenhou-se pessoalmente para colocar o assunto na agenda. Em Junho de 2010, a China
aceitou reiniciar um processo de lenta valorização de sua moeda. De lá para cá, o câmbio fortaleceu-se 7% em termos nominais e 10% em termos reais, já que a inflação na China anda bem mais alta do que nos EUA. Desde o novo agravamento da crise financeira na Europa e nos Estados Unidos, no entanto, o dólar voltou a valorizar-se face às moedas do resto do mundo, já que os investidores ainda consideram os activos americanos mais seguros. Por seu lado, o presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos criticou a proposta de lei do Senado. John Boehner, membro do Partido Republicano, disse que a lei – defendida por republicanos e democratas no Senado – é “bastante perigosa”. “Embora tenha reticências quanto à política monetária dos chineses, não me parece que esta seja a maneira certa de tratar do assunto”, afirmou Boehner, presidente da câmara baixa do Congresso dos EUA. Embora o projecto tenha um apoio amplo no Senado, a oposição de Boehner torna mais improvável a sua aprovação na Câmara de Representantes. O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ainda não se pronunciou sobre a proposta do Senado, embora a sua administração até agora tenha evitado medidas proteccionistas que possam desencadear represálias chinesas. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, citado pelo Wall Street Journal, disse apenas que o Presidente está a “rever” a legislação.
EUA | DEPUTADO ACUSA CHINA DE ESPIONAGEM CIBERNÉTICA
Um nível “intolerável” O
presidente do Comité de Inteligência da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Mike Rogers, acusou a China de promover uma espionagem cibernética que, segundo sua opinião, alcançou “um nível intolerável”. A China está a travar “uma extensa guerra comercial” contra os EUA e os seus aliados no Ocidente, disse Rogers durante uma audiência, numa crítica mais explícita contra as supostas práticas de Pequim. Segundo Rogers, os supostos ataques cibernéticos da China com o objectivo de obter
segredos militares e industriais dos Estados Unidos são apenas “a ponta do iceberg”. “Há mais companhias que foram afectadas mas que não querem falar sobre isso à imprensa pelo temor de provocar mais ataques dos chineses”, afirmou Rogers, um republicano eleito por Michigan. Rogers queixou-se de que as agências de inteligência dos Estados Unidos não compartilham devidamente informações sobre os ataques cibernéticos e indicou que deveriam ajudar mais as empresas a enfrentar essas ameaças.
O governo de Pequim, porém, diz que as acusações de espionagem cibernética contra empresas americanas são infundadas. Ao referir-se à ameaça dos ciberataques, o legislador Dutch Ruppersberger, o democrata de maior categoria no Comité, afirmou que espiões virtuais obtiveram arquivos de defesa dos EUA, incluindo dados sobre sistemas de mísseis e aviões não tripulados. No entanto, Ruppersberger não atribuiu esses incidentes à China, que é parceira económica dos EUA e a sua principal credora no exterior.
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3 LIU XIAOBO NO FUNERAL DO PAI Familiares do Prémio Nobel da Paz chinês Liu Xiaobo revelaram nesta terça-feira que as autoridades do país permitiram uma breve saída da prisão em Setembro após a morte do seu pai. Trata-se de um gesto pouco comum para o dissidente político chinês, que cumpre pena de 11 anos de prisão e a quem não foi permitido viajar para receber o Nobel em Outubro de 2010. Os três irmãos de Liu Xiaobo puderam visitá-lo na prisão na semana passada como fez em Agosto a sua esposa, submetida a prisão domiciliar desde a atribuição do Nobel. Os familiares do dissidente chinês, de 55 anos, encontraram-no em bom estado de saúde, manifestou a mesma fonte. CHINÊS ENTREGA A CHÁVEZ RAIZ MILAGROSA O presidente da empresa chinesa Meheco, Zhan Benzi, odereceu ao líder venezuelano, Hugo Chávez, um estranho tubérculo que é cultivado no país asiático e cujo consumo fortalece o sistema imunológico. “Isto aumenta a capacidade de imunidade da pessoa. Espero que possa servir para a saúde do presidente e desejo que possa prová-lo. É um tipo (de planta) muito prestigiado na China”, disse Zhan durante o evento Exposalud 2011, realizado a partir desta terça-feira em Caracas. O empresário chinês entregou à ministra da Saúde da Venezuela, Eugenia Sader, um cofre de tampa transparente que deixava ver a raiz e que Chávez, a quem um tumor cancerígeno foi retirado em Junho, agradeceu em um contacto telefónico. Após receber quatro ciclos de quimioterapia contra o cancro, Chávez segue em repouso médico. O presidente venezuelano reiterou que os exames feitos posteriormente não detectaram células cancerígenas em seu corpo. TUFÃO 100 MIL SEM ABRIGO EM HAINÃO O tufão Nalgae, que chegou terça-feira a Hainão, obrigou à remoção de 100 mil pessoas e à suspensão do transporte por comboio e navio, bem como alguns voos, informou a agência oficial Xinhua. Com ventos de 90 km/h e chuvas torrenciais, o Nalgae entrou pelo leste da ilha, na cidade de Wanning. Por causa da sua chegada, as autoridades de Hainão retiraram 113,2 mil pessoas que viviam em locais vulneráveis às chuvas e aos ventos. Embora de menor intensidade do que os anteriores, o Nalgae é o terceiro ciclone tropical que afecta à ilha de Hainão nas últimas duas semanas.
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ACTUAL António Caeiro Agência Lusa
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EIO século depois, se Yang Naiqian tivesse de voltar a escolher uma língua estrangeira para estudar, optaria de novo pelo português. “Gosto e gostei do português. É uma língua muito bonita e suave. Já estou reformado, mas se Deus, por acaso, me desse outra vida, voltaria a escolher o português”, diz o antigo diplomata chinês. Yang Naiqian, 72 anos, foi um dos 16 alunos da primeira licenciatura de português da China, criada em 1961 na Faculdade de Espanhol do então Instituto de Estudos Estrangeiros de Pequim. Na altura, a China vivia isolada do mundo, mergulhada em constantes “movimentos políticos de massas” e a comunidade dos países de língua portuguesa PUB
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ENGENHEIRO CHINÊS MORTO NO SUDÃO
Um engenheiro chinês foi morto e outro ferido na semana passada, quando um grupo de homens armados atacou um campo petrolífero na província de Kordofan, no sul do Sudão, informou a agência Xinhua, ao citar o embaixador chinês em Cartum. Segundo a agência, os agressores armados abriram fogo contra os trabalhadores num campo petrolífero explorado por uma empresa chinesa, matando um engenheiro e ferindo outro. O Sudão é o sétimo maior fornecedor de petróleo à China. Em Agosto, a China importou 230 mil barris diários do país africano. Neste ano, até o final de Agosto, a China importou 66 milhões de barris no total. As operações chinesas no Sudão são feitas pela petrolífera estatal China National Petroleum Corp.
YANG NAIQIAN, UM PIONEIRO DO PORTUGUÊS NA CHINA
Essa língua “bonita e suave” reduzia-se a duas nações, Portugal e Brasil, que não tinham relações diplomáticas com Pequim. “Foi muito difícil. Não tínhamos nenhum material de ensino, nenhum dicionário, nenhum jornal, nada… Partimos de um papel branco”, recorda. A pioneira turma de português arrancou com o apoio de dois casais brasileiros exilados na China que “não tinham experiência de professores” e a “dedicação” de uma chinesa que vivera em Macau. Yang Naiqian acabou por ingressar no Ministério dos Negócios Estrangeiros e até se reformar, em 1999, trabalhou em vários países de
língua portuguesa, do Brasil a Moçambique. “Ainda hoje troco e-mails e mantenho boas relações com alguns amigos brasileiros”, diz. Até ao final da década de 1970, a Beiwai era a única universidade chinesa com licenciatura em português, e até há apenas dez anos, só havia mais uma, em Xangai. Hoje há catorze, numa dezena de cidades, além de outras tantas escolas privadas com cursos intensivos de português, como aquela em que Yang Naiqian ensina, nos arredores de Pequim. “Quem domina o português na China tem muitas saídas profissionais”, garante Yang Nanqian. A “saída” está relacionada com
o acelerado desenvolvimento das relações económicas e comerciais com os países de Língua Portuguesa, e em especial Angola, Brasil e Portugal. A China tornou-se em 2009 no maior parceiro comercial do Brasil e há dezenas de milhares de chineses a trabalhar em Angola, sobretudo na construção civil e obras públicas. Segundo as alfândegas chinesas, no primeiro semestre de 2011 o comércio entre a China e os países lusófonos aumentou 25 por cento em relação a igual período do ano anterior, somando 52.200 milhões de dólares (38.868 milhões de euros). No conjunto – e sem incluir a Região Administrativa Especial de Macau – haverá cerca de mil jovens chineses a aprender português.
POLÍTICA
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Bairros antigos e educação centram atenções da próxima sessão legislativa
Reordenamento promete fazer faísca Virginia Leung
virginia.leung@hojemacau.com.mo
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ROPOSTAS de lei relacionadas com o reordenamento urbano dos bairros antigos e com as reformas dos professores do ensino privado estarão em foco na reabertura da Assembleia Legislativa (AL), após as férias de Verão dos deputados, confirmou Chan Chak Mo, presidente da 2ª. Comissão Permanente da AL. A primeira deverá ser a que mais dores de cabeça irá causar aos parlamentares, considera o deputado. Entrevistado pelo jornal “Ou Mun”, Chan Chak Mo desdramatizou a polémica em torno da proposta de lei intitulada “Quadro geral do pessoal docente das escolas particulares do ensino não superior”, negando haver problemas de maior em relação a essa proposta. A controvérsia em torno da idade de reforma e contribuições para o fundo de
pensões do Governo já terá arrefecido, com o diploma a aguardar a proposta de alteração, indicou o deputado, eleito por sufrágio indirecto em representação do sector dos interesses assistenciais, culturais, educacionais e desportivos. Mais complicado deverá ser o debate em torno da proposta de lei “Regime Jurídico do Reordenamento dos Bairros Antigos”, outra das propostas que irão centrar as atenções na abertura da próxima sessão legislativa. Existem ainda, segundo Chan Chak Mo, muitos problemas a serem ultrapassados relativamente a essa proposta, causados por uma falta de clarificação do planeamento da cidade, pela falta de uma definição clara de “Cidade Velha”, do modo de compensação do interesse público, etc.. Será difícil levar a cabo nesse plano uma política bem sucedida caso o rearranjo do centro histórico seja liderado por promotores privados,
o que iria possivelmente gerar uma série contínua de acções judiciais, considera. O Governo deve por isso chamar a si a liderança do processo, caso contrário o reordenamento será uma missão impossível.
EVITAR OS ERROS DA ÚLTIMA SESSÃO
Na última sessão legislativa, apontou Chan Chak Mo, em
jeito de balanço, o Governo propôs demasiado e com limitada consideração de todas as partes pelos consultores jurídicos dos departamentos, o que levou a um decréscimo da qualidade das propostas de lei. Algumas das propostas foram precipitadas e requereram demasiadas rectificações quando foram analisadas ao pormenor. O Governo
deve por isso, recomenda o deputado, criar equipas para pensar cuidadosamente antes de lançar uma proposta de lei e reforçar a comunicação com a AL para reduzir as emendas, aumentando assim a eficiência legislativa, reduzindo por outro lado a desconfiança da população e fomentando o reconhecimento. A criação de novas leis ou alteração das
existentes deveria também seguir o sentido correcto no caminho que Macau tem de percorrer para adoptar as tendências mundiais. Na entrevista ao “Ou Mun”, Chan Chak Mo falou também sobre a legislação do “Regime de prevenção e controlo do tabagismo”, revelando que as pressões de que foi alvo a 2ª Comissão Permanente, encarregada da consideração da proposta em detalhe. O mais importante do que falta fazer até à entrada em vigor da lei será a comunicação e coordenação equilibrada, considera. A nova Lei do Tabaco, sublinha, não é perfeita, sendo nalguns pontos ainda mais rigorosa do que a de Hong Kong, isto apesar do relaxamento que houve em relação aos casinos. O princípio jurídico central, no entanto, é correcto e leva em conta todos os aspectos, o que será de grande ajuda para o desenvolvimento futuro de Macau e para a saúde dos seus habitantes, afirma.
N. K. CHEONG | TRANSPORTE, LOGÍSTICA E JUSTIÇA
CHEFE DO EXECUTIVO REUNIU COM ZHENG WANTONG
No caminho da diversificação
A quadratura dos quadros
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S preços das mercadorias em Macau têm sido sobrecarregados pelos custos de deslocação e armazenamento. O sector de transporte e logística carece urgentemente de optimização, problema que, na opinião do deputado da Assembleia Legislativa (AL) António Ng Kuok Cheong, merece a maior atenção por parte do Governo. O parlamentar considera esse um elemento essencial para a diversificação da indústria, pelo que resolveu apresentar uma interpelação escrita sobre o tema. A actuação do Executivo, afirma António Ng, tem gerado junto do público a ideia de que apenas tem sido feito “trabalho superficial”, sem um verdadeiro planeamento
global, o que tem levado ao sucessivo adiamento do há muito prometido centro de logística, e levado a que alguns camionistas venham perdendo os seus empregos. O Governo, observou António Ng, já designou os terrenos para a criação do centro de logística em 2006, alegadamente para proporcionar mais oportunidades de desenvolvimento à indústria local. No entanto, desde essa altura, nunca mais se ouviu falar de avanços nesse sentido, com os profissionais do sector do transporte e logística a se verem forçados a recorrer ao aluguer de armazéns aqui e ali, com altos custos e baixa eficiência. Na sua interpelação es-
crita, o deputado eleito directamente em representação da Associação Novo Macau Democrático (ANMD) quis saber porque tinha o Governo atribuído um grande número de licenças de transporte especial sem garantir um acompanhamento efectivo, o que teria criado um “excesso de operação” e “concorrência desleal”, com grandes prejuízos para a indústria logística local. Além disso, Ng interrogou o Executivo sobre se pretendia retomar as terras atribuídas e porque é que não estabelecia de forma mais activa um plano geral para o centro de logística, num local adequado, de forma a mudar efectivamente o sistema de operações. - V.L.
Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, teve na passada terça-feira um encontro com o vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Zheng Wantong, durante o qual os dois responsáveis trocaram impressões sobre impulsionar o desenvolvimento sócio-económico de Macau. Para ambos, urge dar prioridade à formação de quadros qualificados numa fase posterior de crescimento da RAEM. Na reunião, Zheng Wantong destacou o progresso, a estabilidade social e as condições de vida da população do território, ao longo dos anos, sob a liderança do actual e do anterior Chefe do Executivo, considerando que tal comprova a orientação íntegra do princípio de “Um país, dois sistemas” e a capacidade dos compatriotas de Macau em administrar e contribuir bem o território. Zheng defende o posicionamento que Macau tem vindo a desenvolver na qualida-
de de Centro Mundial de Turismo e Lazer e acredita que possa ser alcançada a diversificação da económica local e desenvolvidas as indústrias culturais e recreativas. O vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, que se encontra em Macau para assistir às actividades do Festival Cultural e Turístico da Deusa A-Má, considera este evento importante na promoção do desenvolvimento das relações amistosas entre os dois lados do Estreito. Por sua vez, Chui Sai On salientou o grande apoio do Governo Central em especial pelo desenvolvimento estável da RAEM. O responsável do governo tem vindo a promover activamente o incremento da diversificação adequada da economia, dando atenção especial à cooperação regional, tal como à cooperação entre Guangdong e Macau, através da Ilha da Montanha e de Nansha, na concretização do desenvolvimento sustentável.
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POLÍTICA
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Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
SERVIÇOS SECRETOS RUSSOS ANUNCIAM PRISÃO DE ESPIÃO CHINÊS
Os serviços secretos russos (FSB, ex-KGB) anunciaram ter detido um espião chinês que procurava recolher informações sobre os mísseis terra-ar S-300, revelou ontem o centro de relações públicas do Serviço Federal de Segurança da Rússia. “A investigação mostrou que, a pedido do Ministério da Segurança de Estado (da China), um cidadão chinês, tradutor de várias delegações oficiais, tentou obter junto de cidadãos russos documentos sobre os sistemas S-300, que constituem segredo de Estado”, lê-se num comunicado publicado. Segundo o FSB o chinês foi detido em Outubro do ano passado, acusado de espionagem e o processo-crime deu agora entrada nos tribunais.
NOTÍCIA DE QUE NÚMERO DE DEPUTADOS ELEITOS DIRECTAMENTE IA AUMENTAR FOI ANÚNCIO PRECÁRIO
Muito barulho para nada
OI sol de pouca dura, a ideia de que o Governo ia mesmo ponderar o aumento dos assentos dos deputados eleitos pela população na Assembleia Legislativa (AL). Na sexta-feira, uma notícia avançada pelo canal chinês da TDM dava conta que o Executivo estava a pensar aumentar os deputados eleitos por sufrágio directo já em 2013. Rapidamente a medida foi acarinhada por alguns membros da AL, pelo menos até ao dia seguinte, quando Florinda Chan, secretária para a Administração e Justiça ter desmentido o equívoco. “Não há qualquer proposta [para isso], falou-se de que há notícias mas, da minha parte, não confirmo”, frisou Florinda Chan aos jornalistas portugueses. A secretária não quis adiantar a altura em que essa medida possa ser avançada, mas quis deixar claro que isso só acontecerá “quando houver consenso na sociedade”. O Governo assegura que o au-
HOJE MACAU
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mento do número de assentos dos deputados eleitos pela população, tal como a reforma política há muito falada, mantêm-se em fase de estudo. Recorde-se que a pouca maturidade populacional é uma das justificações apresentadas pelo Executivo para não avançar com qualquer alteração. Mas há quem não partilhe da mesma opinião. Mak Soi Kun, deputado, acredita que “é cada vez mais visível que os residentes querem [mais depu-
tados eleitos]”, e afirma mesmo ao canal chinês da TDM que “mais deputados implicaria mais debate de ideias, o que seria uma vantagem”. Dos 29 membros que integram as sessões da AL, são apenas 12 os escolhidos por sufrágio. Outros deputados, que comentavam à TDM o anúncio de que iriam ser aumentados o número de assentos, quiseram deixar claro que na sociedade está mais que desejosa de ver esta medida tornar-se realidade.
“A população tem esperança de que isso aconteça, os residentes querem que a AL seja mais eficiente na elaboração das leis e monitorização do Governo. Tendo em conta o processo da reforma democrática, este é um dos sentidos”, afirmou Ho Ian Sang. Também para Lee Chong Cheng, concorda que com o aumento dos deputados eleitos directamente “a atmosfera da AL se torne mais favorável à partici-
pação de todos” e pede, além deste aumento, “um maior reforço na cultura eleitoral”. Mas não é nem agora nem em 2013, que deputados e população vão poder contar com o aumento de deputados eleitos directamente. Consenso à parte, Ho Iat Seng , vice-presidente da AL, alerta para outro problema: “se querem aumentar têm de mudar a Lei Básica. Quando o fizerem podem aumentar”, disse ao canal chinês da TDM, acrescentando que essa foi uma medida recentemente feita pela vizinha RAEHK. Por Macau, e segundo a secretária Florinda Chan, o Governo vai, para já, “continuar a auscultar e analisar as diferentes opiniões das mais diversas camadas da população e só apresentará uma proposta concreta se apurar que o assunto reúne consenso no seio da sociedade”.
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O Instituto para
os Assuntos e
Cívicos
Municipais
felicita a República Popular da China pela passagem
do seu 62º aniversário
www. iacm.gov.mo
SOCIEDADE
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Air Macau | Mais quatro pilotos pediram demissão. Aviões com “hard landing”
Sangria à moda da Ponta da Cabrita Com tantos lucros que tem tido, a Air Macau parecia estar a ir pelo bom caminho mas, feitas as contas, o caminho continua a ser o mesmo. Nos últimos tempos, a companhia viu-se privada de mais quatro pilotos experientes – são mais de 30 os que já abandonaram o barco no último ano – e levou os seus passageiros ao susto com, pelo menos, um grave “hard landing”. Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo
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LES ameaçaram e continuam a cumprir. Os pilotos mais experientes da Air Macau continuam a sair a conta-gotas da companhia por não concordarem com a política implementada pela empresa. Desta vez saltaram do barco três co-pilotos, dois australianos e um brasileiro, e um comandante brasileiros. “Continuam a promover pilotos inexperientes, com poucas horas de voo e deixam de lado quem já anda nisto há muitos anos”, justificou ao nosso jornal um dos ex-pilotos. O Hoje Macau tem vindo a acompanhar o caso e desde o início que os pilotos que foram saindo referiram que a debandada só teria fim quando a Air Macau começasse a ser “uma empresa séria”. “Muito mais gente vai sair. Daqui a uns tempos os aviões, já por si podres, da companhia irão ser pilotados por novatos. Eu já não estarei aqui para ver”, acusou um ex-piloto. Tem sido a debandada geral. Desde a primeira notícia avançada pelo Hoje Macau em Novembro do ano passado, que já abandonaram a companhia mais de 30 pilotos. As demissões estão quase sempre relacionadas com uma série de conflitos com a administração que
teima em não dar as devidas condições laborais aos pilotos nem as devidas condições de segurança aos aviões. “Saíram estes mas se as coisas não mudam vão sair muitos mais. Há até pilotos que saíram, e porque gostam desta região, trabalham agora em companhias aéreas de Hong Kong”, revelou uns dos muitos pilotos ouvidos, em Dezembro de 2010.
DIFÍCIL DE POUSAR
Recentemente, durante o Verão, um avião da Air Macau fez um “hard landing” muito grave que até danificou o trem de aterragem. Segundo fontes ligadas ao Aeroporto de Macau, a aterragem de grande impacto – sem razão aparente para ter acontecido – fez tal mossa ao trem de aterragem que a Airbus terá alegadamente questionado a companhia de como é que tudo aconteceu. O mais grave é que a aterragem não foi transmitida pelos pilotos a quem de direito e o avião continuou a operar nos dias seguintes. Por sorte o trem sempre funcionou. Mas afinal o que é um “hard landing”? Segundo nos explicou um piloto da TAP Portugal, ouvido pelo Hoje Macau, esta aterragem mais dura pode acontecer sempre que as condições de vento não forem as mais favoráveis. “O Aeroporto da Portela, em Lisboa, tem mui-
Air Macau tem tudo para ser uma companhia aérea de eleição e não é por culpa própria. “São tantas as questões negativas que até me custa lembrá-las todas. Os aviões estão podres. Há centenas de queixas de passageiros. Ninguém faz ideia. A cabine tem condições deploráveis e até há casas de banho coladas com fita-cola”, revelou um dos pilotos que já abandonaram a companhia.
Depois ainda há o “wet-lease” de Pequim. Para os ex-pilotos da Air Macau este “negócio” está directamente ligado aos atrasos dos aviões, pois são usados cinco aviões neste vai e vem de Pequim em voos da Air China operados pela companhia de bandeira do território. Os restantes têm os voos encadeados uns com os outros e são poucos”, adiantou um dos pilotos.
Cronologia de uma história sem fim NOVEMBRO DE 2010 Os pilotos começam a mostrar publicamente o seu descontentamento com as políticas da Air Macau DEZEMBRO DE 2010 A companhia perde 10 pilotos que se demitem. Estes acusam a Air Macau de “usar e abusar” do sistema de “wet-leasing” com a Air China
tos ventos cruzados. Muitas vezes somos obrigados a fazer um “hard landing”. Mas essa manobra tem de ser feita com a maior cautela sob pena de podermos danificar gravemente o trem de aterragem”, explicou o piloto. De facto, há “hard landing” e há “hard landing”. As aterragens com maior impacto podem variar em gravidade, ou seja, causando desconforto ao passageiro que tem a sensação que caiu de repente no chão ou então podem causar danos graves na aeronave, com avarias, problemas estruturais ou até acidentes de aviação com perdas de vidas humanas.
NEGLIGÊNCIA ATRÁS DE NEGLIGÊNCIA
Depois de anunciados os lucros superiores a 100 milhões de patacas, onde é que a Air Macau tem investido esse dinheiro? Para os ex-pilotos “em quase nada”. Faz quase um ano que os pilotos têm vindo a confrontar a companhia aérea e não têm obtido nenhuma resposta aos seus anseios e problemas.
Os pilotos já enumeram dezenas de situações que a Air Macau negligencia. Por exemplo, o Manual de Operações de Voo, instrumento legal de operação da companhia, não é actualizado desde 1999. “Há erros que contrariam os Regulamentos de Navegação Aérea de Macau”, disse um dos pilotos em Fevereiro deste ano e apontaram também que “não existem critérios de recrutamento ou de promoção” e, amiúde, a empresa quer aviões no ar “a todo custo com pilotos novatos e em altura de tufões”. A coisa não mudou entretanto. Segundo o Hoje Macau sabe, o MEL [minimum equipment list – feito pela Airbus como o essencial para que o voo opere] continua a ser usado e abusado pelos pilotos antes das descolagens e durante o voo. “Perdemos mais tempo a verificar o avião do que a voar. Antes da descolagem usamos o MEL todos os dias e isso só deveria acontecer muito raramente”, acusou um piloto. Os pilotos que já saíram continuam a afirmar que a
JANEIRO DE 2011 • O Chefe do Executivo, Chui Sai On, voa para Singapura num voo Air Macau e, na volta, o avião fica retido no aeroporto com problemas técnicos. • Mais quatro pilotos batem com a porta • Avião pega fogo durante trabalhos de manutenção no Aeroporto de Macau • Troca de acusações entre o deputado da Assembleia Legislativa (AL) José Pereira Coutinho e o administrador da Air Macau, Zheng Yan FEVEREIRO DE 2011 • Análises detectam bactérias em água supostamente potável de um dos aviões. O avião voou com este problema diversos dias • Voo NX001 (Pequim – Macau) com combustível a vazar da asa • 161 passageiros abandonados à sua sorte no Aeroporto de Macau e atrasos em larga escala • Voo para Banguecoque ignorou torre de controlo e, desgovernado na placa, quase embate em outros aviões estacionados na zona das mangas • Mais cinco pilotos abandonam a companhia ABRIL DE 2011 • Air Macau divulga comunicado reafirmando o cumprimento de todas as normas de segurança • Associação de Pilotos de Aviões de Macau (MAPA, na sigla inglesa) é impedida de ser criada pela companhia aérea • Pilotos despedidos e outros apresentam demissão JULHO DE 2011 • Avião da Air Macau faz um “hard landing” grave que danificou o trem de aterragem. A manobra de aterragem não foi transmitida às chefias e o avião continuou a voar mais uns dias. Mais tarde, durante a reparação, a Airbus “nem queria acreditar como é que tudo pode ter acontecido” • Fontes ligadas ao Aeroporto de Macau dizem que terá ocorrido mais um “hard landing” – não tão grave como o anterior – nos dias seguintes SETEMBRO DE 2011 • Quatro pilotos demitem-se dos quadros da companhia
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SOCIEDADE
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FILIPINAS | TUFÕES “NESAT” E “NALGAE” MATAM 76
As autoridades filipinas elevaram para 76 o número de mortes causadas pela passagem dos tufões “Nesat” e “Nalgae” que atingiram o norte do arquipélago com quatro dias de diferença e afetaram mais de 3,4 milhões de pessoas. O tufão “Nalgae” causou a morte pelo menos a dez pessoas, enquanto o “Nesat”, que arrasou o norte da ilha de Luzón, provocou 66 mortes. As mais recentes vítimas mortais do “Nalgae” são três jovens, com 16, 21 e 26 anos, da província de Pangasinan e uma criança de seis anos e dois adultos em Tarlac, sendo que todos morreram afogados. Do total de vítimas mortais, pelo menos 33 eram menores de idade.
Estudantes aliciados por tentáculos do crime organizado preocupam polícia
Os jovens mafiosos de algibeira Virginia Leung
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Q
UATRO adolescentes que alegadamente se assumiam como “ m e m b ro s d a máfia” foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ), após terem espancados dois colegas da escola. Os jovens, que aliciavam outros estudantes para se juntarem ao crime organizado, foram enviados ao Ministério Público na sexta-feira passada, para posterior julgamento. A PJ mostrou grande preocupação com o caso, que levanta suspeitas de que bandos mafiosos estão apos-
tados em estender os seus tentáculos às gerações mais jovens, podendo já estar a actuar de forma sistemática nas escolas. As investigações preliminares da PJ indicam que pelo menos dois estudantes foram vítimas de aliciamento para se juntarem ao crime organizado, mas
as suspeitas apontam para que mais jovens estejam já a “trabalhar” para as tríades (grupos mafiosos chineses). A Judiciária comprometeu-se a avançar com mais investigações sobre o caso. Todos do sexo masculino, os quatro suspeitos detidos tinham idades que PUB
variavam entre os 16 e os 24 anos. A PJ apurou que desde 2009 que os rapazes se vinham assumindo como “membros da máfia” para “oferecer protecção” como forma de aliciar colegas a se juntarem ao bando, expandindo assim o seu poder. De acordo com informação divulgada pelas autoridades, a situação veio à tona quando uma mulher se dirigiu à PJ para denunciar que o irmão mais novo tinha sido espancado na escola, no dia 27 do mês passado, afirmando suspeitar que as tríades estariam por trás do crime. A vítima em causa é um jovem aluno do ensino secundário, que afirma ter conhecido os quatro suspeitos através de amigos, tendo se encontrado com eles fora da escola. Durante esses encontros, um dos suspeitos ter-se-ia assumido como a
pessoa ligada à máfia, que oferecia ao jovem protecção por parte do grupo no caso de vir a sofrer de “bullying” por parte de outros colegas, prometendo “ensinar uma lição” aos valentões. Em troca, o rapaz teria de pagar uma “taxa de inscrição” de 3,60 patacas e, a partir de então, tentar convencer outros colegas a juntarem-se também ao grupo. A vítima terá tido então alguns conflitos com um dos jovens que já pertenciam ao gangue dos quatro, que culminaram com o seu espancamento depois das aulas. A PJ procedeu então à detenção do grupo para interrogatório. Ho Sio Kam, deputada da Assembleia Legislativa (AL), incentivou professores e encarregados de educação a prestarem mais atenção ao comportamento dos adolescentes e a mostrar uma
preocupação mais activa. A parlamentar sublinha não haver ainda um plano para o problema social colocado pelos casinos localizados na comunidade, e que o os adolescentes estão a viver num ambiente de facilidade de contacto com drogas e jogo, o que levanta grandes desafios à educação. A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) garante já ter contactado, assim que teve conhecimento do caso, com as escolas envolvidas e consultado organizações para proceder a um acompanhamento da questão e proporcionar acompanhamento psicológico aos estudantes. A DSEJ apela aos jovens para que, sempre que tenham conhecimento de situações semelhantes, busquem ajuda junto de pais, professores e das autoridades policiais.
HK | FILIPINA GANHA CASO DE RESIDÊNCIA, GOVERNO RECORRE
Evangeline e a lei Joana Freitas
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esta altura já devem saber que Evangeline Vallejos ganhou o caso”. Foi assim que Mark Daly, advogado da filipina que processou o Governo de Hong Kong por lhe negar a residência de permanente, deu a notícia aos jornalistas à saída do Tribunal de Primeira Instância da RAEK. Evangeline Vallejos, empregada doméstica a viver há 25 anos em Hong Kong, pediu o estatuto de residente permanente ao Governo da RAEHK, tendo este lhe sido sempre negado. Em 2010, a mulher iniciou uma acção judicial contra o próprio Executivo. Segundo o Governo da RAEHK, as empregadas domésticas estrangeiras não têm o mesmo estatuto que os restantes imigrantes. Esta é uma das justificações da Administração vizinha que acaba, no entanto, por sair inválida. “As normas referentes aos imigrantes [contestadas pelo Governo] foram dadas como inconstuticionais”, frisou Mark Daly. Na sexta-feira, Evangeline acabou, assim, por sair vencedora de um caso que levanta muitas controvérsias no território vizinho. Se há quem defende os direitos das mais de
300 mil empregadas domésticas estrangeiras que existem em Hong Kong, fora do tribunal na altura em que se lia a sentença cerca de 50 pessoas manifestavam-se contra a decisão. “Elas [empregadas domésticas] vivem todas em casa dos empregadores. Agora, terão de se juntar à fila de espera para a habitação pública. Os recursos de habitação são um problema”, dizia uma dos manifestantes. Jeff Lam, da Associação Social de Hong Kong apontava ainda a educação como outro dos problemas: “como sustentar tantas crianças no nosso sistema de educação? Não temos nem escolas, nem professores suficientes”. A Aliança Democrática para a Melhoria e Progresso de Hong Kong instou mesmo a que o Governo tome todas as medidas necessárias, incluindo uma intervenção do Governo Central, para bloquear o acesso das empregadas domésticas ao direito de residência. Mas a lei que proíbe as empregadas domésticas filipinas ou indonésias de obter um visto de residência permanente será uma violação à Lei Básica de Hong Kong, já que, de acordo com ela, qualquer estrangeiro a “residir regularmente” e durante sete anos consecutivos em Hong Kong pode pedir o estatuto de residente permanente.
CASA DE PORTUGAL DÁ PRÉMIOS AOS MELHORES ALUNOS DE PORTUGUÊS
A cerimónia de entrega dos “Prémios Casa de Portugal em Macau” aconteceu ontem na sede da associação. A Casa de Portugal distinguiu os melhores alunos de português, de cada ano, das várias instituições de ensino da região. Os prémios foram entregues a um aluno da Universidade de Macau, a um do Instituto Politécnico, a dois alunos da Escola Portuguesa (EPM) e a dois do ensino Luso-Chinês. A edição deste ano fica marcada pela distinção de quatro alunos da EPM, de língua materna portuguesa – situação que acontece pela primeira vez. Os alunos do ensino superior recebem, para além de um diploma, um prémio no valor de 3 mil patacas. No caso dos estudantes da EPM o montante é de mil patacas para cada um.
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S acidentes de trânsito têm aumentado em Macau. O problema é que nem sempre a culpa é dos condutores. Com a via constantemente em obras, existe sinalização temporária de perigo que, por estar mal colocada, tem contribuído para alguns sinistros. A denúncia foi feita pelo deputado da Assembleia Legislativa (AL) Chan Meng Kam, que apresentou uma interpelação escrita sobre o tema. A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), queixa-se Chan Meng Kam, não tem garantido uma utilização correcta da sinalização temporária de perigo. Na sua interpelação, o deputado exige explicações da DSAT sobre a má colocação dos sinais e sobre os problemas existentes no mecanismo de inspecção, defendendo que deveriam ser apuradas responsabilidades pela monitoração ineficiente comprovada pelo facto de haver inspectores a trabalhar diariamente e, ainda assim, os problemas persistirem. Além disso, o deputado eleito directamente em representação da Associação dos Cidadãos Unidos de Macau (ACUM) quer saber
se a DSAT tem estatísticas sobre os pontos de maior concentração de acidentes e quais as razões; e ainda se o Governo tem previstas medidas de prevenção e se essa informação pode ser divulgada.
Outro deputado apresentou também uma interpelação escrita relativa aos problemas de transportes em Macau: o pró-democrata Paul Chan Wai Chi quis saber porque ainda não tinha sido re-
solvido o problema da cobrança excessiva nos serviços de táxis a operar sob o “sinal 8” de tufão, com a respectiva controvérsia entre os profissionais do sector e os passageiros. Uma vez tomada a
Sem pressão na pré-primária O ano lectivo de 2009/2010 foram 39 os alunos do ensino infantil que não passaram de ano, segundo dados da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). Mas, ainda que dos 9776 inscritos, este número não seja elevado, o Governo quer mesmo que cheguem ao fim as reprovações das crianças que frequentam as pré-escolas de Macau e avança com uma reforma escolar. A DSEJ implementou no início deste ano lectivo, e a título experimental, um plano de reforma curricular no ensino infantil de Macau. O objectivo é fazer com que as crianças com idades entre os três e os cinco anos não possam reprovar nem repetir o ano. Para isso, uma das propostas nesta alteração aca-
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SOCIEDADE
Sinais de desorientação
GOVERNO NÃO QUER AVALIAÇÃO POR EXAME NO ENSINO INFANTIL
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Sinalização mal colocada tem provocado acidentes de trânsito
Virginia Leung
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démica é terminar com as avaliações feitas por exames finais ao alunos do ensino infantil, exames que servem de passagem para a escola primária. “As escolas do ensino infantil não podem adoptar a forma de exame para perceberem se a criança pode ou não passar de ano”, frisou Wong Kin Mou, subdirector substituto da DSEJ. Na sexta-feira, depois de uma reunião do Conselho da Educação, o responsável adiantou que o Plano Piloto para a Reforma Curricular do Ensino Infantil já integrou, a título experimental, sete das 54 escolas que oferecem este grau de ensino. A partir de 2013/2014, depois da aprovação da lei que impede definitivamente os chamados “chumbos” entre os alunos do infantil, a medi-
da passa a ser implementada por todas as escolas de Macau. Para já, as sete escolas que adoptaram a reforma curricular vão poder mostrar aos outros establecimentos como funciona a medida e, para tal, foram apoiadas em 2.16 milhões de patacas pela DSEJ – uma média de 45 mil patacas por turma. Durante este ano lectivo, as escolas terão tempo para se prepararem. “Durante este ano, queremos reforçar a formação das entidades do ensino infantil e reforçar a promoção deste plano”, disse Wong Kin Mou aos jornalistas. O subdirector subsituto afirma que não há ainda forma de analisar como está a ser sentida a mudança, dado o pouco tempo em que esta está activa (dois meses). No ano de 2009/2010,
foram 39 os alunos do ensino infantil que reprovaram de ano, uma taxa de cerca de 0,5% do total de inscritos nas escolas de Macau. Com a implementação da nova lei, as crianças não poderão mais ser avaliadas por exame, à semelhança do que acontece nos outros graus de ensino. A avaliação passa, assim, a ser feita através do seu desenvolvimento nos três anos de percurso escolar que o ensino infantil oferece e através de actividades desenvolvidas pela criança. Excepto em casos especiais, como no caso de serem os próprios pais a pedirem para que o educando repita o ano, “com o programa piloto exigimos que no ensino infantil não possam haver reprovações”, explicou Wong Kin Mou. - J.F.
opção de Macau por se converter num “Centro Mundial de Turismo e Lazer”, é necessário estabelecer uma proposta ideal de emergência para os serviços de transporte público e resolver de uma vez os problemas de cobrança excessiva durante a passagem de tufões, defendeu o deputado. Na sua interpelação, Paul Chan quis saber quando iria a DSAT concluir uma avaliação de razoabilidade e capacidade de manobra que pudesse resultar numa proposta consensual para os empresários dos sector e o público; e ainda se a DSAT tinha alguma proposta concreta para para o problema dos seguros, que se recusam a cobrir danos em táxis que os sofram ao operar sob más condições meteorológicas. O parlamentar inquiriu o Governo sobre se poderia criar uma proposta de contingência para residentes e turistas, que pudesse proporcionar serviços limitados de transportes públicos em caso de sinal 8 de tufão.
APERFEIÇOAMENTO CONTÍNUO COM MAIS DE TRÊS MIL CURSOS, MAS APENAS UM EM PORTUGUÊS Desde que começou, em Julho deste ano, foram já mais de 18 mil os cidadãos que se inscreveram no Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. Mas se as cinco mil patacas de apoio dadas pelo Governo a quem quer estudar são uma medida plausível para os chineses de Macau, os portugueses não têm tanta sorte. É que dos quase quatro mil cursos oferecidos, existe apenas um em português – o de Qualificação de Estudos Superiores da Universidade de Macau. Chegaram a ser 14 os cursos em português que ainda tiveram luz verde do Executivo para avançar, mas que foram cancelados devido “ao número insuficiente de alunos”, segundo a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). Ao Kam Meng, chefe substituto do Departamento de Ensino da DSEJ, alerta, contudo, que esta não é uma falha da responsabilidade da entidade, já que “a DSEJ organiza, mas são as instituições que oferecem os cursos”. O programa, que envolve despesas no valor de 500 milhões de patacas, prevê que os cidadãos apostem na formação contínua. Na primeira fase, foram 3995 os pedidos feitos por insituições, tendo sido negados 230 devido ao aumento das propinas. Ao Kam Meng explicou na sexta-feira, depois de uma reunião com o Conselho da Educação, que alguns cursos decidiram aumentar o valor das propinas entre 10 e 20%, mas alguns não usufruiam de razoabilidade para tal, tendo sido cancelados. As situações em que acontecem este tipo de subidas no preço dos cursos são avaliadas tendo em conta as condições da instituição, o grau de conhecimento dos professores e o conteúdo do curso. Destes 230 cursos cancelados, 229 não encaixavam na possibilidade de poderem ter propinas mais caras e um pecava por não estar de acordo com o tipo de instituição onde se inseria. A segunda fase começou este mês e acaba a 31 de Dezembro deste ano. A DSEJ espera que mais candidatos apareçam para oferecerem os cursos que vão estar disponíveis no primeiro semestre do próximo ano. - J.F.
vida
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URSOS PARDOS ACOLHIDO
O Parque Biológico da Serra da Lousã anunciou a sem adoptasse. A nova atracção vem juntar-se «à melhor co construídas para acolher três ursos que tinham sido ap pesar mais de 600 quilos, habita as florestas e montan
Crise mundial ameaça Fundo Verde para clima
DEPRESSÃO RE
Mais trist
Estados Unidos esticam a corda Na última reunião antes da COP-17, EUA endurecem discussões e bloqueiam acordo para combater o aquecimento global
A
crise económica mundial é o principal fantasma das negociações climáticas e ameaça os recursos para o Fundo Verde - criado em 2010 durante a Conferência do Clima da ONU em Cancún (COP-16), para permitir que os países em desenvolvimento recebam recursos de nações industrializadas para reduzir emissões de gases-estufa. Agora, no Panamá, onde decorre a última reunião preparatória para a COP-17, os Estados Unidos endureceram as discussões e têm bloqueado os avanços. No fim de 2010, os quase 200 países que participam das negociações decidiram que haveria um financiamento de curto prazo – os países desenvolvidos deverão desembolsar US$ 30 mil milhões até 2012. Também ficou definido o financiamento de longo prazo – os países ricos deveriam mobilizar US$ 100 mil milhões por ano até 2020
L
EÕES, sapos, formigas, tartarugas, águias, fungos e insectos foram captados em momentos únicos por 94 fotógrafos, autores das melhores imagens do mundo da vida selvagem. Estão todos no Museu Nacional de História Natural e da Ciência em Lisboa até ao final do ano. As fotografias chegaram a Lisboa no final da semana passada, arrumadas cuidadosamente em caixas de metal, vindas da Corunha, Espanha, onde estiveram expostas. O museu arranjou-lhes uma sala, que já teve colecções de peixes, e a última fotografia foi colocada no seu lugar na segunda-feira à tarde. Até 30 de Dezembro, estarão expostas as 96 fotografias escolhidas de um total de mais de 40 mil que concorreram à última edição do Veolia Environment Wildlife
para atender as necessidades dos países em desenvolvimento. Como os Estados Unidos não fazem parte do Protocolo de Quioto – portanto, não têm metas de corte de emissões gases-estufa como outros países industrializados –, a avaliação dos negociadores é que o país, se continuar sem confirmar recursos para o Fundo Verde, não terá nada a oferecer em Durban, na África do Sul, onde será feita a COP-17. “A crise tem-se reflectido fortemente nas negociações”, afirmou André Correa do Lago, chefe da delegação brasileira no Panamá.
Lago disse que a principal bandeira do seu país e do seu grupo (chamado de G77+China) é obter o segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto – já que o primeiro termina em 2012 e não está definida sua continuação. “Uma coisa muito positiva é o fortalecimento do G77+China. Isso é muito importante para enfrentar a negociação, que, como se sabe, só terminará no último minuto da conferência de Durban.” Para Morrow Gaines Campbell III e Rafael Poço, integrantes do Instituto Vitae Civilis que acompanham a reunião no Panamá, os obstáculos e resistências são muito grandes. “Alguns países, como o Japão, Rússia e Canadá, já anunciaram que vão abandonar Quioto”, afirma Poço. Sobre a possibilidade de Quioto morrer em Durban, afirma que “a ameaça é real, mas os países em desenvolvimento estão firmemente comprometidos em evitar que isso aconteça”.
países mais pobres ficariam isentos da obrigação. A ideia dos noruegueses e australianos é deixar esse tratado para o ano de 2015; até lá, os países teriam tempo para preparar os seus compromissos. Os países em desenvolvimento, porém, não aprovam a sugestão nem querem debatê-la. O problema de Kyoto é não incluir os maiores emissores de gases-estufa do mundo, os Estados Unidos e a China. Mas traz segurança jurídica ao cenário. A União Europeia parece simpática à proposta da Noruega e da Austrália. Mas, também, diz aceitar continuar em Quioto - desde que haja um compromisso claro por parte dos EUA e dos países emergentes em aceitar metas no futuro.
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EGUNDO um estudo da Universidade do Minho, a depressão compromete a formação de neurónios e prejudica a longo prazo a memória, o humor e a ansiedade. No entanto, o tratamento da doença com antidepressivos, pode reverter a situação e promover o
Sabia que...
UMA NOVA PROPOSTA
A Noruega e a Austrália têm uma proposta para que, além dos países industrializados, as nações emergentes como China, Índia, Brasil e África do Sul tenham compromissos obrigatórios de redução das emissões de gases-estufa. Apenas os
• Está calculado que o corte de 50% na produção
de CFC’s (gases emitidos por ares-condicionados, por exemplo) reduziria 95%
dos danos na camada de ozono?
AS 96 MELHORES FOTOGRAFIAS DA VIDA SELVAGEM DO MUNDO CHEGAM A LISBOA
Animais captados em momento único Photographer of the Year, 2010. Em lugar de destaque está a fotografia “A marvel of ants” (“A maravilha das formigas”), do búlgaro Bence Máté, vencedora da categoria Fotógrafo do Ano. “Quando Bence tentou, pela primeira vez, fotografar as formigas cortadeiras em acção, pensou que seria fácil. Mas não foi”, conta o site oficial do prémio. Ainda assim, Bence – hoje numa expedição na América do Sul -, respondeu ao desafio e, depois de muitas horas embrenhado nas florestas da Costa Rica, suportando as picadelas de insectos que o cobriam, captou a complexidade comportamental destes
animais, numa fotografia simples. Além desta, muitas outras fotografias querem contar histórias de lugares distantes mas também próximos. Will Jenkins, do Reino Unido, venceu o segundo lugar na categoria de fotógrafos com menos de dez anos de idade, com uma imagem que captou no quintal da sua casa em Londres. “Uma manhã vi este sapo no pátio quando tomava o pequeno-almoço”, começa Jenkins a contar. “Esta exposição é uma oportunidade fantástica, que nos ajuda a respeitar melhor a Natureza. São momentos imperdíveis, que muitas ve-
zes representam semanas de muita paciência e sofrimento”, comentou ao PÚBLICO Ireneia Melo, da direcção do Museu Nacional de História Natural e da Ciência. Esta é a primeira vez que o
prémio – promovido pela BBC Wildlife Magazine e Museu de História Natural de Londres vem a Portugal, com a ajuda da Veolia Água. “Gostávamos de mostrar que as empresas não são só vendedoras de serviços
e produtos. Temos também uma preocupação com a promoção da biodiversidade, com a conservação de recursos e a educação para a cidadania”, explicou Nuno Peiriço, director de Desenvolvimento Sustentável da Veolia Água. O prémio foi lançado em 1965 e nesse ano recebeu 600 fotografias a concurso; no ano passado foram 40 mil as concorrentes. Todos os anos, a exposição viaja por cerca de 90 países. Em Janeiro, de Lisboa segue para Madrid. Para o ano, a iniciativa deverá regressar a Portugal. A 20 de Outubro deverão ser anunciados os vencedores da edição de 2011, em Londres. Este ano o prémio recebeu cerca de 41 mil fotografias vindas de 95 países. Em meados de Agosto, uma primeira selecção reduziu a lista a 108 imagens.
OS EM MIRANDA DO CORVO
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mana passada que acolheu um casal de ursos pardos provenientes de Espanha, um país que procurava uma instituição que os olecção representativa da vida selvagem em Portugal», refere a instituição. Os animais vão ocupar as instalações que tinham sido preendidos pelo Estado português a um circo, em 2010, tendo estes ficado no Zoo de Lisboa. O urso pardo é um mamífero que pode nhas do norte da América do Norte, Europa e Ásia e pode viver 35 anos. Ter-se-ão extinguido em Portugal entre os séculos XVII e XIX.
EDUZ A FORMAÇÃO DE NOVOS NEURÓNIOS
teza e menos cérebro
desenvolvimento de novos neurónios cerebrais. O estudo de António Mateus Pinheiro conclui que novas terapias podem ajudar à formação de novos neurónios, ou seja, um tratamento mais eficaz destes problemas causados pela depressão. PUB
O investigador do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Universidade do Minho desenvolveu este estudo na sua dissertação de mestrado, «Impacto da modulação da neurogénese na neurobiologia da Depressão». «A neurogénese adulta parece ser efetivamente um alvo terapêutico promissor no desenvolvimento de novos fármacos antidepressivos, que poderão garantir um tratamento mais eficaz no futuro. Surgem também novas perspetivas na utilização de células estaminais neuronais no desenho de novas abordagens terapêuticas na área da neuropsiquiatria», explica o investigador. O cérebro adulto pode formar novos neurónios, principalmente no hipocampo, muito ligado ao campo emocional e cognitivo que são afectados durante um período depressivo.
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GATO COM DUAS CARAS BATE RECORDE DE LONGEVIDADE
Frank & Louie fez anos T
EM três olhos, duas bocas, dois narizes, dois nomes e o veterinário não lhe dava mais que um punhado de dias de vida. Frank & Louie, o gato duplicado, superou todas as expectativas e cumpriu o seu 12.º aniversário. O gato de Worcester, estado norte-americano de Massachusetts, acaba de entrar no livro dos recordes do Guinness por ser o gato mais velho do mundo a sofrer de uma raríssima anomalia genética que causa uma duplicação facial do embrião. O síndrome de Janus é provocado pelo excesso de uma proteína respon-
sável pela definição normal do rosto (e que tem o invulgar nome de sonic hedgehog, uma partilhado com uma popular personagem de videojogos) . A anomalia ocorre em vá-
rios mamíferos, incluindo seres humanos, e raramente proporciona condições de sobrevivência. Frank & Louie, no entanto, cumpriu 12 anos desde o dia em que nasceu numa
clínica veterinária norte-americana. O veterinário-chefe recomendou que o gatinho fosse abatido, mas uma assistente teve pena e adoptou o animal, que sobrevive até hoje.
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CULTURA
Pedro Besugo | Galeria 57 traz mais uma exposição de um português a Macau
A arte de trabalhar viagens Lia Coelho
uma fusão de cartografia antiga, que depois pinto por cima. Começo por pintar uma mancha mais abstracta, daí passo para a colagem dos fragmentos dos mapas, por cima trabalho com desenho ou com pintura. Com as camadas gráficas completas, consegue-se perceber algum destino. Na opinião de algumas pessoas o meu trabalho é muito arquitectónico, eu vejo o meu produto final de forma gráfica.
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U
M mapa para a maioria das pessoas não é mais que um objecto de orientação. Para Pedro Besugo é a base da sua arte. “In Transit” são 35 trabalhos, que nos levam numa viagem a cartografias centenárias e que vão preencher, durante quatro dias, as paredes da sala Ho Yin, no Clube Militar. O motivo de orgulho do artista é ter o privilégio de trabalhar com “materiais vividos” – assim os caracterizou, em entrevista ao Hoje Macau. A exposição foi inaugurada ontem e pode ser visitada até dia oito deste mês. Como é que a arte surgiu na sua vida? Não me lembro quando, acho que desde sempre. Ganhei o meu primeiro prémio aos sete anos, num concurso de desenho. Desde pequeno que me lembro que o melhor presente que me podiam dar era uma caixa de lápis de cor. Com 15 anos fui estudar imagem e comunicação audiovisual e ao mesmo tempo tinha aulas de fotografia. Mais tarde decidi enveredar pelas Belas Artes. Acabei por tirar a licenciatura em escultura. Como foi a entrada no mercado de trabalho? Comecei a expor com 18 anos e o facto de ter começado jovem a participar em concursos abriu as portas do mercado de exposições e galerias desde cedo. Para mim a formação académica acabou por ser um complemento para um meio profissional, no qual já estava integrado. Quando começou a expor a nível internacional? Bem... não me lembro. Quando tinha 14 anos ganhei um prémio internacional. Mais recentemente, no ano passado tive a primeira exposição individual no Japão. Foi a primeira exposição em terras asiáticas? Não, já tinha participado em algumas colectivas. E já expus na Feira de Arte de Xangai, pelo menos dois anos. Já tinha estado em Macau. A visitar? Já tinha passado por Macau numa das minhas viagens, ainda português. Lembro-me que era
Quando penso em viagem vem-me à cabeça o conceito liberdade. Se calhar os meus trabalhos induzem a um caminho. Para além de haver uma dita paisagem, leva à ideia uma passagem, que convida a seguir. bem mais pequeno e menos urbano. A paisagem mudou. Como surgiu a oportunidade de vir expor a Macau? A convite da Galeria 57. Propôsme vir a Macau e eu aceitei, claro. Pode-nos falar um pouco sobre esta exposição? O título da exposição é “In Transit”, é composta por 35 trabalhos. Os meus últimos anos de trabalho têm como temática – viagens e esta exposição não é excepção. Podemos dizer que o verbo viajar o inspira?
Eu não acredito em inspiração, para mim é um conceito da época romântica, da qual sinto que não faço parte. Uma encomenda de trabalho é um compromisso e tenho que por o meu processo criativo a funcionar. Mas não há momentos de bloqueios artísticos? Há bloqueios, há uma grande autocrítica e alturas em que preciso de ter uma opinião. Claro que há momentos em por a máquina criativa a funcionar é mais difícil. Mas, no dia da inauguração tem que estar tudo pronto.
O processo criativo é, então, uma questão de treino? Treina-se, disciplina-se, é um método. No meu caso, tenho como ponto de partida as viagens e como primeiro passo é o trabalho de campo – no qual faço uma busca sobre os destinos que quero recriar. Consegue descrever a sua arte? Não se limita a agarrar numa tela e pintar. Em termos plásticos misturo vários materiais. Tenho uma paixão pela cartografia e os mapas são a minha base. Faço uma recolha de materiais e tenho
Podemos considerar as viagens uma fase na vida do artista? Não. Já é uma temática que me acompanha desde sempre. A curiosidade pelo desconhecido sempre me causou muita ansiedade. E em termos de conceito ou de motivação para arrancar com um trabalho, continua tudo igual. Como se organiza um dia-a-dia de um artista? A minha mente é muito indisciplinada, tenho que arranjar formas de me educar - uma das ferramentas é o
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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO É A MELHOR DA AMÉRICA LATINA A Universidade de São Paulo (USP) lidera a lista de classificações de instituições de Ensino Superior da América Latina elaborada pelo centro especializado “QS World University Ranking”, ontem divulgada. No “ranking” encabeçado pelo Brasil figuram ainda entre os 10 primeiro classificados universidades do Chile, Colômbia México e Argentina. À pública USP, seguem-se a Universidade Católica do Chile, a brasileira Universidade Estatal de Campinas (Unicamp), a Universidade do Chile e a Nacional Autónoma do México (UNAM).
desporto e um horário certo nas refeições. Em termos de processo de trabalho, tanto posso trabalhar uma hora por dia, como trabalhar 24. Ao utilizar materiais muito antigos tenho uma preocupação acrescida da durabilidade e longevidade do que estou a produzir. Assim, o andamento do produto depende daquilo que os materiais me permitem fazer. A pergunta típica - consegue-se viver da arte em Portugal? Sim. E acho que sempre se conseguiu e que se vai conseguir sempre. É resposta que posso dar e que é a minha realidade – eu já vivo da arte há muito tempo. É preciso ter algum empenho e profissionalismo, não basta andar inspirado e depende do mercado. Posso ganhar num dia o que uma pessoa ganha num ano, e posso num ano não ganhar nada. Em qualquer meio artístico é uma questão de saber gerir, numa profissão liberal trabalhamos sem rede, mas quem está no mercado, fica. Costumo dizer que eu não procuro a pintura, é ela que me procura, porque continuo a ter propostas, quer para arquitectos, galerias ou clientes directos. Como se olha como artista? À parte do prazer que sinto, um artista quer e tem uma grande necessidade de ter o reconhecimento do público. Mas também sofremos muito mais com ansiedade à medida que avançamos na profissão. Vamos querer sempre superar o que já fizemos, mais ainda quando começamos a ser reconhecidos. O que pretende fazer chegar às pessoas com a “arte de viagens”? É muito mais curioso para mim saber o que as pessoas entendem o que senti ao produzir o trabalho, do que aquilo que quero transmitir. Quando penso em viagem vem-me à cabeça o conceito liberdade. Se calhar os meus trabalhos induzem a um caminho. Para além de haver uma dita paisagem, leva à ideia uma passagem, que convida a seguir. Mas cada um tem as suas interpretações e sensações. Tem algum projecto que lhe coloque Macau no seu mapa? Para já vou entrar na fase de ressaca. Mas o projecto mais imediato é terminar a tese de mestrado. Quero seguir para o doutoramento, que tem, talvez, Macau como eventual ideia de destino para o fazer e desenvolver. E há também a possibilidade de voltar a expor aqui.
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“TRÊS TENORES CHINESES” TENTAM COPIAR SUCESSO DE PAVAROTTI, DOMINGO E CARRERAS
Warren Mok aposta na cópia T
RÊS tenores chineses (Dai Yuqiang, Wei Song e Warren Mok, o director artístico do Festival Internacional de Música de Macau) iniciam no dia 21 de Outubro em Pequim a sua primeira digressão mundial, tentando replicar o sucesso alcançado outrora por Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras. “Os ‘Três Tenores’ acabaram com a morte de Pavarotti (em 2007), mas a música continua e o prestígio de tenores chineses
U
M grupo de artesãos e entusiastas tenta manter viva uma tradição musical chinesa de mais de três mil anos. O instrumento guqin, uma cítara de sete cordas com cerca de 1,5 m de comprimento, hoje é tocado por apenas 2 mil pessoas, segundo estimativas. Mas, na cidade de Yangzhou, ainda se fabrica o instrumento que foi tocado, entre outros, pelo sábio chinês Confúcio. Um guqin leva cerca
T
no mundo está a crescer”, disse a uma revista local o director da digressão, Kang Shurong. Os três tenores chineses já actuaram juntos várias vezes e, além de canções populares chinesas, o seu reportório inclui árias de óperas ocidentais “universalmente conhecidas”, como a “Tosca” ou “Turandot”, cantadas nas línguas originais. Um dos cantores, Warren Mok, é também director artístico
do Festival Internacional de Musica de Macau e da Ópera de Hong Kong. “Queremos promover a marca ‘Três Tenores Chineses’ e a cultura musical chinesa por todo o mundo”, disse também o promotor chinês. O concerto inaugural da digressão coincide com o 10.º aniversário da actuação dos Três Tenores originais em Pequim, quando a capital chinesa se candidatou à organização dos Jogos Olímpicos de 2008.
Os pormenores da digressão mundial dos “Três Tenores Chineses” ainda não foram anunciados, mas segundo adiantou o promotor, o programa de cada espectáculo será “definido em função do marketing e dos gostos locais”. Provavelmente, Macau fará parte do seu circuito. Pavarotti, Domingo e Carreras atuaram juntos pela primeira vez em julho de 1990, em Roma, na véspera do Mundial de futebol.
CHINA TENTA PRESERVAR TRADIÇÃO MUSICAL MILENAR
RÊS novas edições do Instituto Internacional de Macau (IIM) vão ser apresentadas no seminário “O Papel de Macau no Intercâmbio Sino-Luso-Brasileiro”, que se realiza hoje, às 18 horas, no auditório do IIM, sendo oradores o Prof. Severino Cabral, presidente do Instituto Brasileiro dos Estudos da China e da Ásia Pacifico, e o Eng.º Lourenço Cheong, empresário e ex-membro do Conselho Executivo do IPIM. As edições são: “Sun Yat-Sen
Ora venha lá esse guqin de seis meses para ficar pronto. O processo é lento porque cada detalhe faz diferença no som: da escolha da madeira à mestria do construtor, passando pela pintura do instrumento. O que praticamente inviabiliza a produção em massa. Na China antiga, tocar
NOVAS EDIÇÕES DO IIM
Sun Yat-sen e o Brasil e a fundação da República Chinesa vista de Portugal” do Prof. António Vasconcelos de Saldanha, ex-presidente do IPOR e catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas; “Macau e o Intercâmbio Sino-Luso-Brasileiro – Importância do Fórum de Macau para o Brasil”,
da embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil; “Liou She-Shun, Plenipotenciário do Império da China – Viagem ao Brasil em 1909”, de Carlos Francisco Moura, investigador académico e colaborador do IIM no Rio de Janeiro.
guqin era considerado uma das quatro artes fundamentais para os sábios, ao lado da caligrafia, pintura e uma antiga versão do jogo de xadrez. Mas hoje em dia, a popularidade do instrumento decaiu. Há poucas escolas em que se pode estudar guqin. Embora o instrumento tenha sido reconhecido pela Unesco como Obra Prima da Herança Oral e Intangível da Humanidade, é difícil para músicos encontrarem trabalho.
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DESPORTO
GP MACAU | MOTOS | SÓ O VENCEDOR DAS ÚLTIMAS TRÊS EDIÇÕES VAI FALTAR À CHAMADA
Rutter, McGuiness, Dunlop e companhia Sérgio Fonseca info@hojemacau.com.mo
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E acordo com a lista de inscritos provisória que foi dada a conhecer na pretérita semana, a 45ª edição do Grande Prémio de Motos de Macau terá 27 pilotos, menos quatro que na edição anterior, e não contará com o vencedor das últimas três edições. A grande ausência na prova do Circuito da Guia será a do escocês Stuart Easton, que ainda está a recuperar do acidente que foi vitima na “North-West 200”, ele que venceu as três últimas edições da corrida de motos mais prestigiada do sudeste asiático. Ainda e sempre com o objectivo de ultrapassar Ron Haslam no número de vitórias nesta prova, o inglês Michael Rutter estará de volta, com uma Ducati inscrita pelo Team of Paris, assim como o veteraníssimo
John McGuiness, que venceu esta corrida há dez anos. Destaque para a presença este ano dos irmãos Michael e William Dunlop cujo pai venceu esta mesma corrida em 1989. Outros favoritos à vitória serão Conor Cummins e Jeremy Toye, que já subiram ao pódio em edições passadas, e que este ano tripularão as Kawasaki Ninja ZX-10R preparadas pela Paul Bird Motorsport. Portugal volta a ser o único país lusófono representado, este ano apenas com dois pilotos, os mesmos que Macau. A lista de inscritos apresentada é provisoria e poderá sofrer alterações até à semana da prova.
TROCAS NA COMITIVA LUSA
Após o acidente grave de Luís Carreira, que deixará afastado o piloto português das pistas por uns meses, a Federação de Motociclismo de Portugal conseguiu arranjar
forma de preencher as três vagas à disposição para o Grande Prémio de Macau de Motos. Contudo, uma rescisão de última hora deixou novamente a comitiva portuguesa desfalcada para a 58ª edição do Grande Prémio de Macau. “Depois do afastamento devido a lesão do Luís Carreira, procuramos encontrar um piloto substituto, mas após alguns contactos nenhum piloto estava disponível”, explicou ao Hoje Macau Nuno
Campos, presidente da Comissão de Velocidade da Federação de Motociclismo de Portugal. “O Nuno Caetano é um piloto que corre na classe Promomoto do Motosport de Velocidade que se ofereceu para ir a Macau. Como tínhamos um piloto em falta, aceitamos. O Nuno participou este ano pela primeira vez na Ilha de Man no ManGP obtendo o 37º lugar, sendo o 6º entre os estreantes.” Na sua estreia no Circuito
da Guia, Caetano, de 34 anos, irá tripular uma Suzuki da HM Racing Team, a mesma equipa que rescindiu contrato com Tiago Dias, outro piloto que planeava regressar a Macau este ano para vingar a desapontante aparição do ano passado. Devido à quebra de contrato com a sua equipa, Dias cancelou a participação. A presença de Tiago Magalhães na prova já anteriormente tinha sido confirmada pelo Hoje Macau. Macau não mexe Sem grandes surpresas, visto que o motociclismo de velocidade está estagnado no território há vários anos, Macau também já saberá quem serão os seus motards na edição deste ano da prova. O português João Fernandes e o chinês Sou Sio Hong vão ser os representantes da casa. Fernandes deverá tripular uma moto do Team of Paris, a equipa por quem corre no Campeonato de Zhuhai de Superbikes. Já Sou Sio Hong, que o ano passado não conseguiu os minimos para ser qualificado para a corrida principal, deverá tomar parte com uma Honda
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CONVITE O INSTITUTO INTERNACIONAL DE MACAU eo INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS DA CHINA E ÁSIA-PACÍFICO organizam o III Seminário “O Papel de Macau no Intercâmbio Sino-Luso-Brasileiro” que se realiza, com o apoio da Fundação Macau, no dia 6 de Outubro (Quinta-Feira), pelas 18H00, no Auditório do IIM. PROGRAMA - Palavras de saudação pelo Presidente do IIM, Dr. Jorge Rangel - Comunicação apresentada pelo Eng. Lourenço Cheong – “Vivência no Brasil” - Comunicação apresentada pelo Prof. Severino Cabral, Presidente do IBECAP – “O Diálogo Sino-Luso-Brasileiro e o seu Papel na Nova Ordem Mundial Multipolar” - Lançamento de novas publicações do IIM Local: Rua de Berlim, Edf. Magnificent Court, 204, 2.º andar (NAPE) Telefone: 2875-1727 / 2875-1767; Fax: 2875-1797; E-mail: iim@iimacau.org.mo Entrada livre
AVISO Nos termos do n.º 2 do art.º 333.º do Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 87/89/M, de 21 de Dezembro, é notificado o funcionário da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Teng, Si Un, para, estando pendente processo disciplinar contra si instaurado, apresentar a sua defesa escrita no prazo de vinte dias a contar da publicação do presente aviso, podendo consultar o respectivo processo no edifício CEM, no Departamento Jurídico no 4.º andar da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, sito na Estrada D. Maria II, n.º 32-36, em Macau, e requerer cópia da acusação contra si deduzida.
Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, na RAEM, aos 23 de Setembro de 2011
A Instrutora, Paula Sodré Aguiar
[f]utilidades Cineteatro | PUB
SALA 1
JOHNNY ENGLISH REBORN [B] Um filme de: Oliver Parker Com: Rowan Atkinson, Dominic West 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2
THE SORCERER AND THE WHITE SNAKE [B] FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Siu-Tung Ching Com: Jet Li, Shengyi Huang, Raymond Lam 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
[ ] Cinema Um filme de: James Wan, Leigh Whannell Com: Patrick Wilson, Rose Byrne, Barbara Hershey 14.30, 16.30, 21.30
ONE DAY [B] Um filme de: Lone Scherfig Com: Emma Morley, Jim Sturgess, Patricia Clarkson 19.30
Su doku [ ] Cruzadas
SOLUÇÕES DO PROBLEMA HORIZONTAIS: 1-AQUEM. ADAGA. 2-CU. SABRE. AC. 3-AI. TIRAS. LA. 4.-BA. RAERA. IM. 5-ESSE. U. TACO. 6-TONA. DALI. 7-HOLO. A. SAPA. 8-UL. IAMOS. AG. 9-MI. TRACE. RE. 10-UT. ADIAI. LI. 11-SOATA. ISCAS. VERTICAIS: 1-ACABE. HUMUS. 2-QUIASTOLITO. 3-U. SOL. A. 4-ESTRENOITAR. 5-MAIA. A. ARDA. 6-BREU. AMAI. 7-ARAR. D. OCAI. 8-DESATASSEIS. 9-A. ALA. C. 10-GALICIPARLA. 11-ACAMO. AGEIS.
SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR
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SALA 3
VERTICAIS: 1-Finalize. O m. q. Humo. 2-Variedade de andaluzite (minério) caracterizada por apresentar inclusões grafitosas dispostas em cruz (Geol.). 3-Astro-rei. 4-Tresnoutar. 5-Giesta em flor. Incendeie-se. 6-Pez negro. Estimai. 7-Sulcar. Esvaziai. 8-Desprendêsseis. 9-Saia!. 10-Que é amigo de galicismos. 11-Disponho em camadas. Destros, expeditos.
Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição
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INSIDIOUS [C]
HORIZONTAIS: 1-Da parte de cá. Espécie de punhal. 2-Assento, rabo. Espada curta de um sófio. No corrente ano (abrev. lat.). 3-Grito aflitivo. Extrais, puxas. Naquele país. 4-Bário (s.q.). Arrastara com o rodo (o sal.) Negação (Pref.). 5-Pronome demonstrativo. Pau com que se impelem as bolas do bilhar. 6-Casca de pouca grossura. Daquele sítio. 7-Prefixo de origem grega que significa inteiro. Obra ou trabalho de sapador. 8-Povoação portuguesa (O. Azeméis). Partíamos. Prata (s.q.). 9-Forma antiga de mim. Desenhe traços. Retaguarda. 10-Dó (Ant.). Protelai. Moeda chinesa. 11-Ecoara. Engodos
REGRAS |
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My Sister’S Keeper Mr. Holland’S Opus The Lovely Bones The Truman Show Green Zone Jaws Vanishing On 7Th Street
CINEMAX 42 13:00 14:30 16:00 17:20 19:00 20:30 22:00 23:40
Paradox Carlito’S Way Invasion Of The Body Snatchers Five Million Years To The Earth The Wild Life Babylon 5 Allan Quatermain And The Lost City Of Gold Sea Of Love
MGM 43 13:00 14:45 16:15 18:00 19:15 21:00 23:15
Warriors from Hell Dan Turner Hollywood Detective in the Raven Red Kiss-Off Chains of Gold Smash Hit Captive Hearts Salvador A Fish in the Bathtub
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Kidnap and Rescue Deadliest Catch Revealed: Diwali American Chopper Heartland Thunder Revealed: Diwali
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OPINIÃO
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17 cr ón i ca sí n i ca Peng Zhonglian
A grande viragem C
OMPLETAM-SE hoje 35 anos. O dia 5 de Outubro de 1976 foi um dos mais tensos na história de Zhongnanhai, a área residencial e de trabalho da elite política da República Popular da China. Menos de um mês após a morte de Mao Zedong e concluídas as cerimónias fúnebres, que mobilizaram com genuíno pesar todo o país, afiavam-se os punhais para a disputa da liderança política que, não obstante a suposta existência de um herdeiro designado, todos sabiam ser inevitável. As tarefas foram nesse dia planeadas em detalhe. Em encontro muito restrito ocorrido nos arredores de Beijing, ficou decidido que a acção se consumaria no dia imediato. A reunião da comissão permanente do bureau político foi convocada para as 20.00 horas do dia 6, no pavilhão Huairen, em Zhongnanhai. O assunto era importante já que da agenda constava a discussão sobre a versão final do V volume das obras escolhidas de Mao Zedong. Foi o pretexto para alargar o convite a Yao Wenyuan, que não fazia parte da comissão permanente. São diferentes os testemunhos sobre quem terá sido o primeiro a chegar à reunião: Wang Hongwen ou Zhang Chunqiao. Yao Wenyuan foi o terceiro. A força destacada para esta tarefa sanitária dirigiu-se de seguida à residência de Jiang Qing, viúva de Mao. Pouco passava da 20.00 horas e estavam já presos todos os membros do chamado “bando dos quatro”. Os seus mais próximos apoiantes, entre os quais Mao Yuanxin, sobrinho do grande timoneiro, seriam neutralizados pouco depois. Todos eles iriam ter longo tempo e vagar para o estudo das obras do presidente Mao. Duas horas mais tarde, em reunião realizada na residência de Ye Jianying, o carismático marechal natural de Guangdong e que foi o grande impulsionador desta acção, Hua Guofeng era designado presidente do comité central. Não foi fácil encontrar consenso para esta ousada iniciativa. Eram grandes as divisões no bureau político do comité central do partido, cujas fracturas se iam evidenciando de dia para dia, alimentando-se a parca unidade no receio que a maioria dos membros, que não os socialmente mais respeitados, tinha de um poderoso adversário: Deng Xiaoping. Testemunho inabalável deste receio por um homem que havia perdido todos os seus cargos no partido e no Estado em Abril desse mesmo ano, era a edição de Outubro do órgão oficial do comité central, a revista “Bandeira Vermelha”, publicada em 23 de Setembro. Em 78 páginas da revista não há um único comunicado ou artigo que deixe
de apelar à necessidade de aprofundar a crítica a Deng, dela constando mesmo uma secção sob o título “estudar com empenho o pensamento de Mao Zedong, criticar a linha revisionista de Deng Xiaoping”. Se o receio por Deng era factor de aproximação entre a facção radical do partido e Hua Guofeng, rapidamente este percebeu que não sobreviveria às ambições políticas da dita facção. Assim se gerou o consenso com os veteranos da linha pragmática do partido, que levou à prisão do “bando dos quatro”. Falecido Mao Zedong, este episódio assinalou o enterro da versão mais radical da sua política. Até à queda deste grupo radical, o motor da história era a luta de classes. Com o seu afastamento o motor gripou e, não obstante vagas tentativas de o fazer voltar a funcionar, não foi encontrado mecânico que lhe valesse. Todavia, o processo de evolução política deparou com inúmeras dificuldades associadas à avaliação dos riscos e vantagens da reabilitação das milhares de vítimas da
O factor determinante é o homem. É a economia que tem de estar ao serviço do homem e não o homem ao serviço da economia. Quando esta ordem se inverte chega o desastre: aconteceu na China da Revolução Cultural e há sério risco de que aconteça na Europa dos mercados. revolução cultural e consequentes efeitos no estatuto de quem nesse período logrou sobreviver politicamente. A fase mais complexa do processo decorreu em cerca de dois anos, concluindo-se com a vitória do denguismo, em Dezembro de 1978. E o “bando dos quatro”? Pois bem, desde a data da prisão os seus membros deram um contributo inestimável ao país. Feitos “bodes
expiatórios” dos erros próprios e dos erros alheios, passaram a constituir a imagem diabólica de dez anos de turbulência e terror, traduzidos em violência, desorganização produtiva, destruição, tumultos generalizados e situações pontuais de autêntica guerra civil, episódios aqui e acolá pintados com cores mais vivas, como é próprio da propaganda política, na China ou em outro país qualquer. A sua saída de cena permitiu a criação de uma nova política, gerando uma ânsia de progresso sem paralelo no país, com reflexos que, começando por se manifestar nas zonas económicas especiais e também em Hong-Kong e Macau, rapidamente se fizeram notar na região asiática, projectando-se depois nos restantes continentes. De porta-voz dos povos do terceiro mundo, cujas relações eram cimentadas essencialmente no apoio técnico e alimento ideológico aos movimentos de libertação, a China ganhou em poucos anos o estatuto de grande potência regional, sendo hoje um protagonista insubstituível no plano global, em qualquer dos domínios das relações internacionais. Segunda economia mundial, embora com acentuadas disparidades internas e moderado consumo, é credora e banqueira, em troca de tecnologia, activos estratégicos, metais raros e energia, de países que se julgam ricos e de países pobres. A política chinesa está repleta de ensinamentos que, curiosamente, contrariam a cartilha marxista, de acordo com a qual são as relações de produção que determinam as condicionantes da política. Na China aconteceu o inverso, tanto com a política voluntarista radical de Mao, como com a política pragmática de Deng Xiaoping e seus sucessores. Afinal, revela-se aquilo que já sabíamos. O factor determinante é o homem. É a economia que tem de estar ao serviço do homem e não o homem ao serviço da economia. Quando esta ordem se inverte chega o desastre: aconteceu na China da Revolução Cultural e há sério risco de que aconteça na Europa dos mercados. Desde aquele 6 de Outubro a China mudou decididamente de rumo, também por trajectos muitas vezes conflituantes com os parâmetros internacionais, designadamente no domínio dos direitos humanos, embora com lenta mas persistente aproximação às suas exigências. As marcas de progresso são porém impressionantes, desmentindo desde há mais de duas décadas aqueles que, ano após ano, têm vindo a profetizar o colapso da economia e modelo de sociedade chinesas. Há 35 anos trabalhava-se afincadamente em Beijing na preparação do primeiro passo deste longo caminho.
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OPINIÃO
18 d a estrel a
à f l or d a p el e
Carlos M. Cordeiro
Helder Fernando
OS BIP-BIP DA HISTÓRIA
NÃO HÁ POLÍTICOS DE MÃOS LIMPAS
D
E vez em quando baixo ao sopé da serra para me avistar com o pároco de uma das vilas beirãs que me fascinam. Um sacerdote de meia idade, homem inteligentíssimo, culto e especializado em Teologia nos corredores do Vaticano. O seu desterro para uma vila serrana penso que esteja ligado a um “castigo” da hierarquia por sempre se ter manifestado contra o celibato dos padres e a favor da ordenação das mulheres. Desta vez, a minha ida ao seu encontro tinha como missão debater uma das frases mais polémicas que foram proferidas pelo cardeal-patriarca de Lisboa. Em primeiro lugar temos de nos lembrar que D. José Policarpo não é um cardeal qualquer. Esteve à beira de ser eleito Papa e só as vicissitudes dos grandes interesses e os lobis mercantilistas instalados em Roma é que devem ter afastado o prelado português da representação de São Pedro entre a comunidade católica no mundo.
A criminalização do enriquecimento ilícito já deveria ter sido criada, pelo menos, há dez anos. Agora estamos a pagar a factura elevadíssima e dramática do regabofe acerca dos dinheiros públicos e do aproveitamento indevido do dinheiro dos contribuintes Num momento em que o Parlamento português aprovou a criminalização do enriquecimento ilícito - uma óbvia legislação virada para políticos - foi surpreendente a afirmação de D. José Policarpo “Nenhum político sai da política com as mãos limpas”. Isto é grave. Mas
é verdadeiro. Passaram dezenas de anos desde a instalação do regime democrático em Abril de 1974 e até aos dias de hoje a corrupção em todas as áreas nunca deixou de aumentar. A corrupção foi, sem dúvida, uma das causas primordiais e mais fecundas que levou o país ao estado de insolvência em que se encontra. A procuradora Maria José Morgado, sobre este particular, foi incontornável quando há dias declarou: “A criminalização do enriquecimento ilícito já deveria ter sido criada, pelo menos, há dez anos. Agora estamos a pagar a factura elevadíssima e dramática do regabofe acerca dos dinheiros públicos e do aproveitamento indevido do dinheiro dos contribuintes”. O cardeal-patriarca de Lisboa sabe do que fala, retorquiu-me o sacerdote da vila serrana com quem me encontrei. O debate ficou aceso e contundente quando lhe referi que muita da culpa também está entre as paredes da Igreja e que muitos dos padres que se movimentam como capelães dos políticos são simultaneamente responsáveis pelo jogo de influências que muitas das vezes se transforma num rodopio de injustiças e de ilegalidades. Neste aspecto recebi a concordância do meu interlocutor e num ápice virámos a página para os contestatários ao cardeal Policarpo, quando estes afirmam que a moral da Igreja ficou profundamente manchada ao longo das últimas décadas com os variadíssimos casos de pedofilia que têm vindo a público nos mais recônditos lugares do planeta. A uma conclusão deu para chegarmos. A mudança tem de ser efectiva e radical, entre as classes política e religiosa. A moral não é apenas para ser apregoada, mas sim praticada. A seriedade de princípios e a prática dos mesmos terá de ser envolvida numa verdadeira mudança de paradigma na sociedade humana. Os políticos têm de assumir a seriedade como um exemplo e os sacerdotes devem realçar o exemplo como um mister da seriedade.
I Há um triste e longo historial de sequestros em Macau. Não todos, mas parte bastante notada desses sequestrados são vítimas de agiotas que os colocam à força em quartos de hotéis, e não só. O assunto tem a ver com dinheiros a circular por empréstimos ilegais relacionados com as mesas dos jogos de fortuna e azar - nestes casos muito azar e nenhuma fortuna. Acredita-se que as autoridades se preocupam imenso com estes crimes - que por vezes acabam da pior maneira. Mas, como se trata de prática que há muito atingiu a espécie de rotina criminosa, já nem assunto de conversa é, tal a vulgaridade. Comentários, quase somente quando esse tipo de clausuras envolve desfechos mais graves ou relatos sobre a existência de peripécias de aventura. Nas proximidades de vários casinos, em muitas ocasiões são visíveis sinais de algo ambiente estranho, por vezes de cortar à faca. Por várias vezes desejei que os agentes policiais desatassem a identificar muita daquela gente e lhes perguntassem o que andam eles fazendo em Macau e do que é que vivem. Provavelmente, as coisas não serão assim tão aparentemente fáceis. Deve ser isso. O que se sabe, pelas estatísticas oficiais, é que a criminalidade violenta aumentou, e aqui temos o sequestro e as ofensas graves à integridade física do cidadão a subirem 6,5% nos primeiros seis meses deste ano. O que levou à promessa, por parte da tutela oficial da Segurança Pública, de mais e melhor policiamento junto aos casinos. O orçamento regional - e não só, como se sabe - tem vindo a ser cada vez mais espectacularmente reforçado por via das receitas do jogo. A RAEM vive incomparáveis momentos de fartura nos seus cofres oficiais, e com tendência para crescer cada vez mais. Os números são astronómicos. Necessário mesmo, é que esses espampanantes valores, enfeitados feericamente por mil efeitos especiais, pirotecnia sem fim, luzes de imensas e efémeras ribaltas, mais outros artifícios de espantar, não deslumbrem demasiado, não ofusquem, nem por um momento, a inteligência e lucidez dos responsáveis. Não é preciso muscular a autoridade contra esse tipo de violência; é preciso e urgente, exercê-la realmente em todos os sentidos e sem preconceitos.
“Sputnik 1”. Exactamente há 54 anos, faz hoje, 4 de Outubro. Uma esfera de alumínio com 58 centímetros de diâmetro, 4 antenas pesando 83 quilos, demorando pouco mais de 1 hora e meia a dar 1 volta a este nosso planeta. Apesar de ter passeado lá por cima num total de 57 dias, foi durante 21 que o “Sputnik 1” enviou para Terra um conjunto de informações, consideradas importantes, sobre meteoritos, densidade e temperatura das camadas superiores da atmosfera terrestre, radiação cósmica e, se calhar, outras coisas. “Bip.. bip...bip... bip!”, um tremendo sobressalto para o lado ocidental, hipoteticamente o lado mais simpático separado pela “cortina de ferro”.
II Também é longa, embora menos dilatada do que os sequestros em Macau, a história dos satélites artificiais. Ao contrário da violenta realidade daquela, a história dos satélites enviados pelo homem para o espaço tem mitos, tem sonhos, tal como tem altíssima ciência e tecnologia. O primeiro a ser atirado para a órbita terrestre foi russo (se o leitor preferir, soviético), e chamaram-lhe
III Acontecem momentos em que não queremos que o tempo passe, que os dias acabem, que não amanheça ou não anoiteça. São momentos em que não desejamos mudar de posição, trocar de olhar, mudar de respiração, renovar os pensamentos. É quando todas as dúvidas cessam, todos os cansaços descansam, todos os sonos despertam, toda a claridade nos guia. Supomos.
Nas proximidades de vários casinos, em muitas ocasiões são visíveis sinais de algo ambiente estranho, por vezes de cortar à faca. Por várias vezes desejei que os agentes policiais desatassem a identificar muita daquela gente e lhes perguntassem o que andam eles fazendo em Macau e do que é que vivem A3 de Novembro, também de 1957, menos de 1 mês depois, era a vez da célebre “Laika”, a cadelinha aeronauta, a viajar a bordo do “Sputnik 2”. A NASA (National Aeronautics and Space Administration) nasceria somente cerca de meio ano depois; um bocadinho apressadamente. Foram os primeiros “lixos” que o homem colocou no espaço - sem ser, que se saiba, lixo biodegradável. Cientistas alertam para o perigoso facto de existirem muitos milhares de pedaços de destroços espaciais na órbita da terra, significando milhares de toneladas, com tendência para aumentar e colidirem cada vez mais uns com os outros. O pior é que a ciência ainda não decidiu, ou conseguiu, inventar um método eficaz para limpar aquela porcaria toda. Como se não bastasse o gigantesco lixo que fazemos no espaço urbano deste único planeta que possuímos.
Ciclone
Homem que não produz nada, não presta. Por Fernando
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OPINIÃO
ca d er n o d i á r i o Pedro Correia
TERÇA, 27 «A União Europeia é um objectivo inalcançável, pois foi escolhido pela sua pureza, que exige que todas as diferenças sejam atenuadas, os conflitos superados, e no qual a humanidade deve encontrar-se como sob uma unidade metafísica que jamais pode ser questionada ou posta à prova.» Palavras de Roger Scruton, um dos mais estimulantes pensadores da actualidade, em entrevista à última edição da revista brasileira Veja. As teses dele sobre a Europa são deliberadamente provocatórias, destinando-se precisamente a fomentar o debate. Lembram-se dos tempos, não muito recuados, em que quase nada se debatia sobre a integração europeia, aceite como um dos dogmas do nosso tempo? Tudo isso está hoje posto em causa. Outro trecho marcante desta entrevista: «Por debaixo do verniz civilizacional, todo o homem tem dentro de si um animal à espreita. Infelizmente, se esse verniz for arrancado, o animal vai mostrar a cara. A promessa de concessão de direitos sem a obrigatoriedade de deveres e de recompensas sem méritos foi o que arrancou o verniz na recente eclosão de episódios de vandalismo na Inglaterra.» Esta ligação tem toda a razão de ser: os regimes totalitários do século XX tiveram uma matriz utópica, de construção do “homem novo”, da “nova sociedade”, do “novo império”, da “nova cultura”, da “nova raça”. Nada mais ilusório, nada mais perigoso. Sinceramente, não sei até que ponto estamos vacinados contra essa tentação pelas lições da História. A via mais rápida para novos totalitatismos é a emergência de nacionalismos um pouco por toda a Europa. Este fenómeno é inversamente proporcional ao da construção europeia. O problema é que a Europa sem fronteiras não pode ser construída à margem da vontade dos povos nem com as assimetrias actuais, que condenam todo este projecto ao mais estrondoso fracasso. Há precisamente um século, quando vivíamos o maior período de paz de sempre na Europa, os nossos avós e bisavós pensaram que o salto civilizacional entretanto conseguido nos punha a salvo de toda a barbárie. Foi um colossal engano: poucos anos volvidos, na I Guerra Mundial, logo seguida da II Guerra Mundial, o homem matava o seu semelhante nas mais sangrentas batalhas de que há memória. Com a mesma ferocidade dos nossos antepassados do paleolítico. Nisto Scruton tem toda a razão: é demasiado ténue a camada ‘civilizacional’ que nos cobre. Não tenhamos demasiadas ilusões nesta matéria... QUARTA, 28 Há dois dias, vários órgãos de informação portugueses papaguearam esta “notícia”: «O PS francês venceu com maioria absoluta as eleições para o Senado.» Bastava ler os resultados, disponíveis em qualquer sítio político ou jornalístico francês na Internet, para se perceber que a “maioria absoluta socialista”
era afinal a soma de várias forças de esquerda - socialistas, ambientalistas, comunistas, trotsquistas, etc. Por acaso a força política mais votada até foi a UMP, do Presidente Sarkozy... De caminho, houve quem chamasse ao Senado, alternadamente, ‘câmara baixa’ e ‘câmara alta’. E quase todos omitiram que esta não é uma eleição por sufrágio universal mas de ‘grandes eleitores’, com um universo de apenas cerca de 80 mil votantes. Tudo muito edificante e muito rigoroso, como se vê. QUINTA, 29 Notícias do mundo: 1. Meio século depois, a ditadura comunista de Havana autoriza enfim os cubanos a comprar ou vender automóveis. Parece mentira, mas não é: desde 1961 que esta prática “capitalista” estava proibida pelo regime dos irmãos Castro. A medida, além do mais, era absurda: sendo Cuba uma ilha, ninguém pode fugir dela por via rodoviária - a menos que use um carro com barbatanas. 2. Na Arábia Saudita - outra das mais ferozes ditaduras do planeta - ninguém proíbe ninguém de comprar ou vender carros.Aproibição é de outro género: as mulheres não podem conduzir. Uma delas, por desobeceder à norma, foi condenada a receber dez chicotadas. O Rei Abdullah, sensível aos ecos desfavoráveis da notícia à escala internacional, decidiu comutar a pena. Ele que se acautele com tanta magnanimidade: um dia destes ainda apanha boleia de uma mulher - e lá derrapa a monarquia absoluta por causa disso. SEXTA, 30 Verifico, com indisfarçável espanto, que alguns dos escritores portugueses actuais apressam-se a chegar em primeiro lugar à escrita em ‘acordês’, esquecendo as responsabilidades que têm na defesa da norma ortográfica clássica, baseada na etimologia, como sucede na generalidade das línguas cultas. Que contraste entre este confomismo dos nossos dias e a oposição tenaz que alguns dos nossos maiores escritores do século XX, como Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andresen e Vergílio Ferreira, moveram ao famigerado ‘acordo’ de 1990... Na sequência da oposição levantada por Fernando Pessoa e outros membros da geração ‘Orpheu’ à reforma ortográfica de 1911. Que diferença em relação ao desassombro daqueles mestres da literatura portuguesa e a passividade actual, com quase todos de orelha murcha e joelho no chão, acatando “ordens superiores”... SÁBADO, 1 Não há paz sem liberdade. E não há liberdade sem esperança. Um político de excepção vislumbra motivos de esperança mesmo entres os clarins da guerra. Um desses políticos foi Abraham Lincoln, autor da mais memorável mensagem de esperança, proferida em plena Guerra Civil norte-americana, a 19 de Novembro de 1863. Foi o chamado Discurso de Gettysburg:
demorou apenas cerca de três minutos. Três parágrafos, 255 palavras - não era necessária nenhuma mais. As forças da União haviam derrotado quatro meses antes o insurgente exército confederado do Sul que se batia contra a abolição do esclavagismo, cortando amarras com a política humanista do Norte. Mas Lincoln, embora galvanizado por essa vitória militar recente, pôs de lado a retórica triunfalista e deixou no cemitério local um apelo digno de um estadista: “Compete-nos a nós, os sobreviventes, garantir que aqueles que caíram no campo de batalha não morreram em vão e que nesta nação, sob os auspícios de Deus, renasça a liberdade - e que o governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareça da face da Terra.” Cem anos mais tarde, este discurso teria sequência num outro, proferido junto ao Memorial Lincoln, em Washington, por Martin Luther King. “Tenho o sonho de que um dia esta nação se erguerá e viverá o significado autêntico do seu credo - termos por verdade
evidente que todos os homens foram criados iguais. Tenho um sonho - o sonho de que um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos dos antigos escravos e os filhos dos antigos donos de escravos se sentarão juntos à mesa da fraternidade”, declarou o reverendo justamente distinguido em 1964 com o Prémio Nobel da Paz. No tempo de Abraham Lincoln ainda não havia Nobel da Paz. Mas ele tê-lo-ia merecido, mais do que todos os presidentes americanos que viriam a ser galardoados no século e meio seguinte - de Theodore Roosevelt a Barack Obama. Pela força inspiradora do seu exemplo. Pela eloquência dos seus vibrantes apelos em defesa da dignidade humana. Pela tenacidade e pela coragem de que deu provas no cumprimento de um ideal: nenhum ser humano merece ser condenado à escravatura. Um ideal que lhe custou a vida: Lincoln viria a ser assassinado em 1865. Mas o seu apelo de Gettysburg ainda hoje ecoa - nos Estados Unidos e no mundo.
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Lia Coelho; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos M. Cordeiro; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
c a r t o on
O CAVALEIRO EUROPEU
por Steff COREIAS NORTE PEDE REPATRIAMENTO A Coreia do Norte pediu ontem o repatriamento de dois cidadãos encontrados num pequeno barco nas águas sul-coreanas, um dia depois de a Coreia do Sul ter acolhido nove desertores que chegaram à costa do Japão em Setembro. A Cruz Vermelha da Coreia do Norte enviou ontem uma mensagem a pedir o repatriamento dos dois homens norte-coreanos encontrados no início desta semana, de acordo com o Ministério de Unificação de Seul. Segundo a porta-voz Park Soo-jin, as autoridades sul-coreanas vão responder ao pedido consoante a vontade dos norte-coreanos de permanecer no país ou de voltar para a Coreia do Norte. TURQUIA AMEAÇA SÍRIA O exército turco iniciou ontem uma série de manobras militares na província de Hatay, na fronteira com a Síria, onde mais de 7.000 sírios se refugiaram depois dos distúrbios provocados contra o presidente Bashar al-Assad. Os exercícios devem prosseguir até 13 de Outubro. As relações entre Ancara e Damasco são tensas desde o início das manifestações contra Assad. O governo turco condenou o sírio e defendeu reformas democráticas antes de anunciar a sua ruptura com o país árabe. EUA VETERANOS GUERRAS NÃO VALERAM A PENA Uma nova sondagem efectuada a veteranos de guerra, que serviram desde Setembro de 2001, revela que um terço considera que as guerras no Iraque e Afeganistão não valeram a pena. A maioria dos entrevistados entende ainda que dez anos depois dos ataques da Al-Qaida em 2001, os Estados Unidos deviam focar-se menos nos negócios estrangeiros e mais nos seus problemas internos. Os resultados da sondagem de opinião foram divulgados pelo Pew Research Center, um grupo não partidário. BRASIL TRATAMENTO DIFERENTE EM PRODUTOS DA CPLP É VIÁVEL O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) do Brasil, Emilio Garofalo Filho, acredita que é “viável” a assinatura de acordos comerciais que concedam aos produtos de países lusófonos um tratamento diferenciado nas alfândegas brasileiras. “Eu acho que é possível ter um tratamento diferenciado para os países lusófonos”, disse. Para o secretário-executivo da CAMEX, a questão geográfica não é determinante para a assinatura de acordos, mas sim o interesse comercial e bilateral. O responsável citou, por exemplo, o acordo comercial firmado no ano passado entre o Brasil e o Egipto.
Infecção por VIH sem tendência de crescimento
Tudo controlado Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo
O
S casos recentes de infecção pelo vírus VIH não registam uma tendência de alta, informaram os Serviços de Saúde (SS) em comunicado à imprensa. De acordo com o organismo, nos primeiros seis meses do ano, foram notificados 11 casos de infecção pelo vírus de imunodeficiência humana. É claro, para os responsáveis da saúde de Macau, que a taxa de portadores de VIH em relação à população total é baixa. “Devido ao grande trabalho de prevenção e controlo da SIDA efectuado no território, não há actualmente indícios que reflictam a tendência de crescimento da doença”, referiu o comunicado dos SS.
A SIDA constitui uma doença transmissível de declaração obrigatória em Macau, pelo que todos os laboratórios privados e entidades médicas são obrigados a declarar os respectivos casos. O Centro Hospitalar Conde de São Januário dos Serviços de Saúde tem proporcionado cuidados de saúde aos doentes com SIDA, bem como apoio psicológico através das assistentes sociais que ali acorrem. Os SS lembram que o Laboratório de Saúde Pública dos Serviços de Saúde dispõe de unidades exclusivas a fim de prestarem consulta e exame aos suspeitos de terem contraído a SIDA, sendo gratuitos todos estes serviços destinados aos residentes de Macau. “O serviço de confirmação do resultado após o exame anti-VIH é prestado gratuitamente pelo Laboratório
de Saúde Pública dos Serviços de Saúde a todas as entidades médicas não governamentais de Macau”, acrescentou o comunicado.
SEM DESCRIMINAÇÕES
De acordo com os SS, “os doentes com SIDA têm uma tendência para negar os seus comportamentos de risco que não são geralmente aceites pela maioria da sociedade”. É sabido que este fenómeno é comum a outras partes do Mundo, por isso quando há a discriminação social, a privacidade e a confidencialidade não podem ser asseguradas, e não é possível em tempo útil criar uma relação de confiança entre os doentes e os profissionais de saúde, pelo que os infectados têm uma tendência a esconder as suas vias de transmissão de facto. A Comissão de Luta Contra a SIDA tem-se dedicado a estimular os indivíduos que praticam sempre comportamento de alto risco para serem submetidos periodicamente ao teste de despistagem do vírus. Desde 2009 que esta Comissão tem vindo a promover o programa de “entrada e saída sadia e segura, e educação preventiva para os viajantes transfronteiriços” em colaboração com a Fundação de Hong Kong para a Sida. Esta iniciativa visa proceder às palestras e consultas de saúde aos trabalhadores transfronteiriços e colocados fora de Macau, incluindo a consulta e educação sobre as doenças sexuais e a prevenção da SIDA. Desde o início do programa e até à presente data, mais de 10 mil indivíduos transfronteiriços foram contactados.
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DOCUMENTÁRIO SOBRE O FIMM NA TDM Para comemorar o 25º Aniversário do FIMM, o Instituto Cultural (IC), com o apoio da TDM, preparou um documentário sobre o FIMM, sobre o nascimento e a história do Festival. O documentário, com a duração aproximada de uma hora, conta com os testemunhos do maestro e primeiro Director Artístico, Adriano Jordão; do ex-Governador de Macau, Carlos Melancia; do anterior Presidente do Secretariado Permanente do FIMM, João Costa Antunes; do segundo Director Artístico do Festival João Pereira Bastos; e do actual Director Artístico, Warren Mok. O documentário contém ainda excertos dos maiores sucessos e actuações memoráveis de artistas e grupos de renome, e visita os palcos do Festival, alguns dos quais se tornaram hoje Património Cultural da Humanidade. O documentário será transmitido pelo canal português da TDM no dia 6 de Outubro pelas 23:30 horas. JARDIM NÃO QUER ‘OLHADO ROXO’ A MADEIRENSES O presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, disse ontem não querer que Lisboa deite ‘olhado roxo’ sobre os madeirenses devido a ‘dores de cotovelo’ pelo desenvolvimento da Região. «Uma coisa está à vista de todos», começou por afirmar, «podem em Lisboa dizer todo o mal que queiram da gente, podem em Lisboa não terem tido capacidade de governar o país, compreendo que depois do fracasso que foi o regime político de Lisboa estejam todos com dores de cotovelo, também compreendo isso, não quero é que nos dêem olhado roxo», declarou. «As obras estão aqui, podem dizer mal da gente, estas obras ninguém nos tira», concluiu. MOÇAMBIQUE RENAMO ANUNCIA PLANO B A RENAMO, principal partido da oposição, vai realizar este mês na Beira, Sofala, centro de Moçambique, o seu Conselho Nacional para delinear estratégias para derrubar a FRELIMO, no poder, disse fonte do partido. Sofrimento Matequenha, delegado político provincial da RENAMO em Manica, falando num comício paralelo as celebrações do 19º. aniversário dos Acordos Gerais de Paz (AGP), na terça-feira, disse que, gorada a tentativa de diálogo com a FRELIMO, para a implementação cabal do AGP, o partido de oposição vai por em acção o seu «plano B».