QUINTA-FEIRA 6-1-2022 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
LUTAR PELO VOTO ENTREVISTA
HOJE MACAU
PAULO COSTA
GCS
MOP$10
OBRAS PÚBLICAS
MANTRAS LEGAIS PÁGINA 4
TIAGO ALCÂNTARA
PUB.
hoje macau
Nº 4924
AEROPORTO
IMPRENSA
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LIGAR MÃO NA À BAÍA OBJECTIVA
METIDOS NA CASCA Macau vai proibir voos vindos do estrangeiro, cortando ligações com o resto do mundo e impedindo a entrada de residentes. A medida vai durar duas semanas, entre 9 e 23 de Janeiro, não afecta o fluxo fronteiriço com a China e visa “reduzir um eventual risco associado à covid-19 para a saúde pública”.
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ÚLTIMA
2 entrevista
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PAULO COSTA
“Queremos estabelecer
Acaba de ser criada a associação com base no movimento que ajudou a fundar. Sente que as ideias que defendem ganharam importância no espaço político? Queremos passar para um segundo nível. Primeiro tentámos que as pessoas tivessem maior facilidade em votar, e por isso foi lançada uma petição em 2015, entregue em 2018. Conseguimos um dos nossos primeiros objectivos, que foi o recenseamento automático dos emigrantes, que antes era opcional. Passámos de 300 mil para cerca de 1,5 milhões de pessoas recenseadas. Contudo, ainda existem problemas, como com o
HOJE MACAU
O que começou com um movimento que chamou atenção para as más condições de voto das comunidades portuguesas transformou-se numa associação que luta pela participação eleitoral. Acabar com a exclusividade do voto presencial nas Presidenciais e nas eleições para o Parlamento Europeu são alguns dos objectivos. Paulo Costa, fundador do movimento “Também somos portugueses”, quer ter representantes em Macau e defende mais poderes para o Conselho das Comunidades Portuguesas
FUNDADOR DO MOVIMENTO “TAMBÉM SOMOS PORTUGUESES”
voto postal. Acho que podemos duplicar o número de votos em relação às últimas eleições. Mas, para isso, temos de melhorar o voto postal, [tendo em conta que] há países em que este sistema pura e simplesmente não funciona, embora seja melhor do que o voto presencial. Daí propormos o voto digital. Foram dados alguns passos nessa matéria. O secretário de Estado da Administração Interna chegou a propor uma votação experimental para o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP).
Esse projecto piloto está em andamento, mas foi adiado porque implica uma alteração na lei. Acho que vai prosseguir, talvez este ano. Temos reuniões regulares com um grupo de trabalho que está a trabalhar nisso e também na melhoria do voto postal. Mas falta o alargamento às restantes eleições, e aí tocamos nos votos para o Presidente da República. Neste momento, a votação é presencial, bem como na eleição para o Parlamento Europeu. Implementar o voto remoto nesses sufrágios é outra das nossas missões, uma medida que tem várias objecções políticas, mas achamos que é uma
questão de democracia. Em Macau é mais fácil votar presencialmente, mas os emigrantes que vivem na China não têm essa facilidade. Numa eleição presidencial, com segunda volta realizada 15 dias depois da primeira, os emigrantes não conseguem votar, porque nesse período de tempo não conseguem enviar os votos pelos correios. A sua participação só pode acontecer através do voto digital. Que outros projectos pretendem desenvolver? Além de facilitar o voto, os eleitores também têm de ser incentivados a votar.
Não acha que o distanciamento geográfico conduz ao distanciamento em relação à política portuguesa? Sim. Estive duas vezes no Reino Unido e sei que muitas pessoas emigraram zangadas com a crise política, porque sentiram que o país as mandou embora. Outros acham que são abandonados, porque os consulados funcionam com problemas e agora, com a pandemia, as coisas pioraram. As pessoas sentem que não têm as coisas básicas, como obter um passaporte ou cartão de cidadão. Compilámos um conjunto de recomendações para os partidos
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entrevista 3
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ligação com Macau” políticos para serem incluídas nos programas eleitorais. Queremos que, nas várias comunidades, se façam entrevistas a personalidades dos países ou regiões sobre a questão do voto e da participação política dos portugueses. Isso implica ter uma presença local. Temos contactos com o CCP, através das redes sociais, com quem partilhamos prioridades. Mas o CCP é um órgão consultivo. Em alguns aspectos conseguem acesso mais fácil ao Presidente da República ou ao Governo, mas nós também temos esse acesso mais facilitado e podemos agir com mais força. Isso implica uma presença local para que haja esse incentivo.
“Lutamos constantemente para que sejam dados mais recursos aos consulados. Mas também fazemos imensa pressão para que se consiga fazer mais com meios digitais.” Disse-me que, para já, não têm nenhum representante em Macau. Já foram feitos alguns contactos? Pretendemos estabelecer ligação com Macau. Quando fizemos a petição, contactámos pessoas que nos auxiliaram. Este ano vamos avançar na procura desses pólos locais. E Macau faz todo o sentido. Chegámos a ter contactos, [colaboradores], mas não tivemos representantes locais. Alguém do CCP? Contactámos com todos os conselheiros e pedimos a colaboração deles na recolha de assinaturas para a petição. Não foram tantas como gostaríamos. Acho que os portugueses têm alguma dificuldade em participar em questões políticas, afastam-se, e essa é uma questão didáctica que temos de fazer. Sendo Portugal um país com vários círculos de emigração, como explica que haja tantos problemas ao nível da participação cívica, com atrasos e burocracias? Há falta de vontade política?
Um dos lados é o Governo e da própria Administração pública. Passámos por um período de cortes financeiros, que levou ao fecho de vários consulados. Houve um desinvestimento bastante grande em relação aos emigrantes e um corte que ainda não foi recuperado. Só agora, com o recenseamento automático é que as autoridades tiveram real consciência das transformações que houve na estrutura das comunidades. Há muitos tipos de emigrantes e essa é uma das questões que muitas das vezes não é endereçada. Em que sentido? Contestamos a primazia que é dada em relação aos emigrantes empresários. Isso faz todo o sentido, mas não deve ser algo exclusivo. É importante perceber
“Contestamos a primazia que é dada em relação aos emigrantes empresários. Isso faz todo o sentido, mas não deve ser algo exclusivo. É importante perceber porque é que as pessoas emigram.” porque é que as pessoas emigram. Chegámos a fazer um projecto, o “Cartas de Londres”, que enviámos ao Governo, a contar as histórias das pessoas que tinham emigrado recentemente, até porque também contribuem para a economia.
Acha que o CCP deveria ter mais poderes na ligação com Lisboa? Uma das coisas que sugerimos é que seja consultado obrigatoriamente para várias matérias. Neste momento não é. E que tenha uma maior facilidade de propor alterações legislativas. Não é um órgão que possa propor leis, mas a secretaria de Estado das comunidades portuguesas pode. Queremos que o CCP tenha um segundo grau de intervenção, incluindo junto de partidos políticos. Chegamos a propor que os votos postais fossem enviados para os consulados em vez de serem enviados para Lisboa, mas não a proposta não teve seguimento. Foi-nos dito que não havia uma proposta de lei nesse sentido, então é como se essa sugestão não existisse, o
que não faz sentido. As sugestões do CCP têm de ter mais impacto. Muitas das questões que levantam confrontam-se com a falta de meios dos consulados e embaixadas. Sem investimento público será sempre difícil colocar em prática as sugestões que propõem. Lutamos constantemente para que sejam dados mais recursos aos consulados. Mas também fazemos imensa pressão para que se consiga fazer mais com meios digitais. Falam também na falta de representatividade dos emigrantes no Parlamento, pois existem apenas quatro deputados eleitos pelo Círculo Fora da Europa. Haverá margem para alterar este panorama?
“Temos ambições bastante altas quanto à participação dos emigrantes, mas nunca vamos ter uma participação de 80 por cento. Queremos que mais pessoas votem, queremos incentivar o voto, em especial entre aqueles que nos dizem “elegemos sempre os mesmos quatro deputados.” Não avançamos com um número desejável de deputados [para esse círculo eleitoral]. Se pedíssemos deputados em proporção igual ao que existe no país, 25 mil eleitores por um deputado, queria dizer que com 1,5 milhões de portugueses recenseados teríamos umas dezenas de deputados. Não pedimos isso porque sabemos que há muita gente na diáspora que não está interessada em votar. Temos ambições bastante altas quanto à participação dos emigrantes, mas nunca vamos ter uma participação de 80 por cento, por exemplo. Queremos que mais pessoas votem, queremos incentivar o voto, em especial entre aqueles que nos dizem “elegemos sempre os mesmos quatro deputados”. Andreia Sofia Silva
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OBRAS PÚBLICAS CHAN POU HA CONSIDERA ESSENCIAL SEGUIR ORIENTAÇÕES DO CCAC
DSAL FEIRA ONLINE OFERECE 400 TRABALHOS EM HENGQIN
A
Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) está a disponibilizar 400 postos de trabalho para a Zona de Cooperação em Hengqin, para os quais os residentes se podem candidatar online até 22 de Janeiro. O anúncio foi feito ontem pela DSAL, em comunicado, e a iniciativa é organizada em conjunto com a Direcção dos Serviços de Assuntos de Subsistência e a Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Económico, da Zona de Cooperação Aprofundada. O recrutamento abrange áreas de actividade como tecnologia electrónica, tecnologia de informação, biofarmacêutica, marketing, auditoria financeira, gestão de vendas, recursos humanos e administração e logística, entre outras. Desde 23 de Dezembro até ontem 69 residentes tinham aproveitado a plataforma para submeter candidaturas. Os residentes que pretendem prosseguir carreira na Zona de Cooperação Aprofundada podem, através da nova página temática da DSAL intitulada “Emprego na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”, consultar o regulamento e aceder à plataforma sob a conta oficial de WeChat ‘Recrutamento de Talentos em Hengqin’. O documento foi apenas disponibilizado na versão chinesa. Segundo a DSAL, a iniciativa tem como objectivo “proporcionar aos jovens mais e melhores oportunidades de desenvolvimento”, e o organismo promete continuar a lançar mais medidas para levar os jovens para Hengqin.
A directora da DSSOPT desconhece se existem projectos de construção em perigo de serem afectados pelo escândalo Li Canfeng, seu antecessor detido por suspeitas de corrupção. Mas assegura que todos os trabalhos ligados a terrenos são tratados de acordo com as leis vigentes
N
A sequência da investigação que resultou na detenção do ex-director da Direcção de Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Li Canfeng, a actual directora, Chan Pou Ha, destacou que os casos que envolvem concessões e terrenos estão a ser lidados de acordo com as leis em vigor. As declarações da responsável foram prestadas ontem, à saída da Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU). “Neste momento, estamos a acompanhar todas as situações de acordo com as leis em vigor. Mas, não temos uma lista com os nomes dos projectos que podem ser afectados [pela investigação]”, respondeu Chan Pou Ha. “O que temos de fazer é seguir a legislação em vigor em todos os trabalhos que estamos a acompanhar. Por exemplo, se houver novos regulamentos, ou seja, novas leis aprovadas, temos de fazer os trabalhos de actualização destes projectos”, acrescentou. Contudo, a directora reconheceu que a situação constitui um alerta para os funcionários públicos: “Nas nossas orientações internas damos grande importância aos relatórios do CCAC. Enquanto dirigente máximos temos de estar muito alerta”, avisou. “E temos de emitir orientações aos colegas para seguirem o relatório do CCAC”, complementou.
Balanço de uma carreira
No dia 15 de Janeiro, Chan Pou Ha vai deixar as funções de directora da DSSOPT, cargo que assumiu em Janeiro de 2020. Por agora, ainda não é conhecido o substituto. Ontem, a responsável fez um balanço da carreira nas DSSOPT. “Não desempenhei estas funções por muito tempo, mas estive muitos anos nas Obras Públicas. Foram dois anos em que, além dos vários
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DSAL
Terrenos movediços
trabalhos relacionados com as obras públicas, houve uma grande prioridade para fazer o aperfeiçoamento e revisão das leis”, considerou. Ao longo da carreira nas Obras Públicas, Chan acompanhou de perto o escândalo de corrupção de Ao Man Long, e agora de Li Canfeng. Contudo, escusou-se a comentar os dois casos: “Eu não
“Não são cargos [na DSSOPT] fáceis, exigem muito profissionalismo,” CHAN POU HA DIRECTORA DA DSSOPT
DSPA e SMG Dirigentes com mandatos renovados Os mandatos de Tam Vai Man, director dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), Leong Weng Kun, director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) e
Simon Leong Weng Kun, presidente da Autoridade de Aviação Civil (AAC), foram renovados por um período do ano, até Março de 2023. Os anúncios foram feitos ontem,
através de três despachos do Gabinete do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, assinados pela Chefe de Gabinete, Cheong Chui Ling.
vou comentar porque envolvem outras pessoas, e um dos casos está em segredo de justiça”, respondeu. Em relação à cultura de trabalho que se vive na direcção que chefia, a responsável garantiu que esta se pauta pelo rigor profissional, não comentando se a entidade é hoje em dia mais limpa do que no passado. “Não são cargos fáceis, exigem muito profissionalismo, mas este é um aspecto que tem de ser comum a todos os funcionários”, respondeu. As Obras Públicas voltaram a ser o epicentro de uma investigação do CCAC no mês passado, depois do caso de corrupção com o ex-secretário Ao Man Long, em
2006. Neste momento, Li Canfeng, ex-director da DSSOPT, está detido a aguardar julgamento, numa investigação que envolve terrenos para construção e a aprovação de plantas de condições urbanísticas. João Santos Filipe
VIAJAR NA REFORMA Questionada sobre o que tenciona fazer quando deixar as funções públicas, Chan Pou Ha confessou ter vontade de viajar. Porém, reconheceu que nesta altura é pouco aconselhável fazer viagens ao exterior e que os primeiros tempos de reforma vão ser dedicados à família.
LECM José Maneiras renova cargo na Assembleia Geral José Maneiras foi reconduzido no cargo de presidente da Mesa da Assembleia Geral do Laboratório de Engenharia Civil de Macau (LECM) até 2024, de acordo com um despacho publicado ontem no
Boletim Oficial. Por sua vez, Ao Peng Kong, foi reconduzido no cargo de presidente da direcção, indica o mesmo despacho assinado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo
do Rosário. No âmbito das nomeações do Governo, foi ainda indicado o nome de Wong Pak Kin, como vogal da direcção do LECM, em representação do Governo RAEM, também até 2024.
quinta-feira 6.1.2022
O Governo português anunciou ontem que os eleitores podem votar antecipadamente para as eleições legislativas entre os dias 18 e 20 de Janeiro nas embaixadas ou consulados. Segundo um comunicado, estão abrangidos eleitores que se encontram fora de Portugal por vários motivos, incluindo estudantes, doentes em tratamento ou em exercício de funções públicas ou privadas. Podem também votar eleitores que estejam em representação oficial da selecção nacional, organizada por federação desportiva dotada de estatuto de utilidade pública desportiva, ou os que acompanham ou vivam com todos os recenseados já mencionados. Para votar, basta apresentar o Cartão de Cidadão, Bilhete de Identidade ou outro documento identificativo.
Idosos Questionada revisão do regime de garantias
O deputado Lei Chan U interpelou o Governo sobre a necessidade de rever o regime de garantias e dos direitos e interesses dos idosos, em vigor desde 2018, questionando quando estará concluído o processo. O deputado lembra que cabe ao Instituto de Acção Social (IAS) apresentar um relatório sobre a implementação do diploma. Além disso, o deputado quer saber os planos do Governo para lidar com o crescente envelhecimento da população. “Durante a implementação da lei [regime de garantias], o IAS fez uma avaliação e pesquisa sobre o fenómeno do envelhecimento da população? A tendência de envelhecimento é cada vez mais evidente e a população idosa tem aumentado.”
IH Recuperadas 165 habitações
Entre 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 2021, 165 agregados devolveram habitação sociais por terem excedido o rendimento limite, de acordo com dados do Instituto de Habitação (IH). Em comparação com 2020, a devolução de fracções aumentou 66 por cento, uma vez que nesse ano o número de devoluções foi de 109. Também em 2021, o IH emitiu 47 procedimentos sancionatórios a arrendatários de habitações sociais por alegado incumprimento dos contratos na sequência de diferentes tipos de infracções. Ainda no ano passado, foram realizadas 1.281 inspecções pelas autoridades por suspeitas de que os arrendatários não habitavam nos espaços ou que permitiram que estes fossem ocupados por pessoas fora do agregado familiar. Na sequência dos processos foram desencadeados 133 procedimentos legais para a recuperação das habitações.
política 5
Ella Lei AEROPORTO ELLA LEI PEDE COORDENAÇÃO COM GRANDE BAÍA questionou o Governo sobre a coordenação dos planos de expansão -estruturas já construídas ou em construção tendo em do Aeroporto esse desenvolvimento, Internacional de conta para que haja complementaridade entre o AIM e os Macau com as restantes aeroportos das nove cidades que compõem restantes infraa Grande Baía. Ainda na área da aviação estruturas de civil, Ella Lei questiona a transporte da situação do contrato de concessão da Air Macau, cujo Grande Baía. prazo foi estendido devido à crise que o sector enfrenta. A deputada “O director da Autoridaargumenta de da Aviação Civil, Simon Chan, disse em Março do ano que devem ser passado que o Governo iria estudar a criação de um novo considerados modelo para os serviços de aviação. Como é que vai ser rede de transportes e fluxo a expansão do AIM, o qual rem sido construídas infrafactores como garantido que os mesmos de passageiros nos últimos foi aprovado em 2016. No -estruturas de transportes entanto, a deputada alerta complementares na cidade a evolução erros não se repetem na anos?”. Ella Lei lembrou que para o facto de o aeropor- neste período, tal como o renovação a curto prazo do demográfica o Governo contratou uma to ter atingido o limite da Metro Ligeiro ou a nova contrato?”, questionou. consultora em 2011 para capacidade ainda antes Ponte Hong Kong-Zhuhaide Macau e o elaborar um estudo sobre da pandemia, além de te- -Macau. Andreia Sofia Silva E o terminal? A deputada ligada à Fedesenvolvimento deração das Associações PUB. do turismo dos Operários de Macau
Para voar em bando TIAGO ALCÂNTARA
Portugal Voto entre 18 e 20 de Janeiro
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E
XISTEM cinco aeroportos a operar na zona da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e Ella Lei quer saber como é que o Governo vai coordenar os planos de expansão do Aeroporto Internacional de Macau (AIM) com as restantes infra-estruturas aeroportuárias da região. Esta e outras questões constam numa interpelação escrita da deputada e divulgada ontem. “O Governo precisa determinar o posicionamento do desenvolvimento do aeroporto na zona da Grande Baía tendo em conta a população e o desenvolvimento do turismo”, defendeu. Ella Lei recorda que em 2019, antes da pandemia, o AIM recebeu 9,6 milhões de passageiros, sustentando a necessidade de as autoridades responderem “às mudanças e acompanhar o desenvolvimento dos futuros planos do aeroporto bem como [estudar] as origens dos passageiros”, sempre em coordenação com os restantes aeroportos da Grande Baía. Para a deputada, é necessário ajustar as infra-
(FAOM) colocou também questões sobre a ligação do projecto de expansão do AIM com o terminal marítimo da Taipa. “Para complementar o futuro desenvolvimento do AIM tem sido levado a cabo um plano de renovação do terminal marítimo da Taipa para que seja o segundo terminal do aeroporto. Qual é o progresso dos dois projectos? Esta construção foi adaptada para responder às mudanças trazidas pela
“Para complementar o futuro desenvolvimento do AIM tem sido levado a cabo um plano de renovação do terminal marítimo da Taipa para que seja o segundo terminal do aeroporto. Qual é o progresso dos dois projectos?” ELLA LEI
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IMPRENSA POLÍCIA IMPEDIU GRAVAÇÕES DE ACIDENTE E AMEAÇOU DETENÇÃO
Cenas de um filme triste Um jornalista do Ou Mun foi ameaçado por um agente do Corpo de Polícia de Segurança Pública por filmar o resultado de um acidente com uma viatura dos bombeiros. As autoridades pediram desculpa e prometem investigar o incidente
Embora o polícia não tenha detido o jornalista, não deixou, de acordo com o jornal Ou Mun, de apreender a câmara de filmar O CPSP frisou ainda “respeitar sempre a liberdade de imprensa” e “manter uma boa relação de cooperação com os média”, e prometeu fornecer orientações conduta aos agentes para locais de acidentes e investigar eventuais violações.
Sem feridos
U
M jornalista do Ou Mun foi ameaçado com a possibilidade de ser detido por recolher imagens de vídeo de um camião dos bombeiros que havia caputado perto do edifício do jornal. O caso aconteceu na terça-feira à noite, depois de uma viatura dos bombeiros se ter virado quando fazia a curva na via que faz a ligação entre a Avenida de Venceslau de Morais e a Estrada da Bela Vista. Segundo o relato dos órgãos da comunicação social em língua chinesa, quando aconteceu o acidente os jornalistas deslocaram-se rapidamente para o local e começaram a gravar imagens. No entanto, um dos agentes do CPSP pediu ao jornalista do jornal Ou Mun que abandonasse o local. O repórter de imagem acedeu ao pedido do agente e deslocou-se para a entrada do jornal, sempre a filmar, com o polícia a bloquear a objectiva da câmara com as mãos.
jornal apresentou queixa às autoridades. Em seguida, o CPSP tomou uma posição e, pelas 20h40, pediu desculpa pelo incidente. De acordo com a mensagem, o agente agiu com a intenção de “manter a ordem e garantir a segurança pública” e assegurar que havia espaço livre para que as operações de socorro fossem realizadas. Contudo, o CPSP reconheceu que os procedimentos adoptados foram “inadequados”.
A pedido do polícia, posteriormente, o repórter identificou-se, mostrou o cartão do jornal e foi-lhe dito que tinha entrado num local proibido e que tinha de abandonar imediatamente o local, a entrada do jornal, caso
DSSOPT Garantida segurança de viaduto
A directora dos Serviços de Solos, Transportes e Obras Públicas, Chan Pou Ha, garante que o viaduto que liga a Avenida de Venceslau de Morais e a Estrada da Bela Vista é seguro. As declarações foram feitas ontem, depois do acidente que envolveu uma viatura pesada dos bombeiros, que se virou naquela zona, quando seguia em marcha de urgência. “Os nossos colegas observaram a estrutura do viaduto após o acidente, e está segura”, afirmou Chan. “Talvez tenha havido alguns danos de pequena dimensão, que vão ser reparados em conjunto com as entidades competentes, mas a estrutura está segura”, reforçou. A directora foi ainda questionada sobre os custos para reparar a infra-estrutura, mas ontem ainda não havia estimativa. “Não sabemos ainda o custo da reparação, mas os danos são pequenos, porque não estão relacionados com a estrutura”, garantiu.
contrário seria preso. O agente justificou a possível detenção com a captura de imagens ilegais, incluindo imagens que o poderiam identificar. Embora o polícia não tenha detido o jornalista, não deixou,
CPSP Suspeito de conduzir bêbedo
de acordo com o jornal Ou Mun, de apreender a câmara de filmar.
Investigação interna
As imagens do agente activamente a impedir o trabalho do jornalista do Ou Mun tornaram-se virais e o
Um homem de Hong Kong foi acusado pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) por conduzir bêbedo e de ter fugido às suas responsabilidades, depois de danificar instalações de trânsito. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, em 31 de Dezembro, o CPSP descobriu que vários equipamentos de trânsito na Estrada Flor de Lótus tinham sido danificados, incluindo sinais de trânsito e cones de sinalização. Contudo, não houve testemunhas nem foi encontrada qualquer viatura suspeitas no local. Porém, o CPSP disse ter encontrado um carro com a frente danificada na Rua Marginal da Concórdia, no Cotai. Após investigação, e ter confrontado a condutora do carro em causa, as autoridades chegaram à conclusão que o seu marido seria o responsável pelos danos e que depois fugiu do local. De acordo com as autoridades, o indivíduo confessou ter conduzido sob o efeito do álcool.
O acidente que bloqueou durante mais de três horas o viaduto entre a Avenida de Venceslau de Morais e a Estrada da Bela Vista aconteceu ontem por volta das 18h30. O veículo pesado seguia em marcha de emergência, o condutor perdeu o controlo numa curva e a viatura ficou virada em cima do separador central das faixas de rodagem. Nenhum dos cinco tripulantes sofreu ferimentos e todos conseguiram sair da viatura pelos seus meios. O caso vai agora ser investigado pelas autoridades, que informaram que o condutor do veículo tinha mais de 10 anos de experiência, entre os quais seis a guiar este tipo de veículos pesados, ou seja, os camiões com escadas de socorro com 68 metros. Segundo os primeiros indícios, as autoridades consideram que o veículo não estava em excesso de velocidade, contudo, o bombeiro foi suspenso das funções de condutor e colocado temporariamente noutra posição. Vai ser alvo de acompanhamento psicológico. João Santos Filipe
Crime Detido por roubar táxi
Um homem foi detido por roubar um táxi que tinha o motor ligado enquanto estava estacionado na rua, noticiou ontem o jornal Ou Mun. Segundo o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) foi recebida uma denúncia no dia 29 de Dezembro, sobre um taxista que tinha parado a viatura perto da Avenida da Longevidade para comprar comida. Porém, quando voltou, o carro tinha desaparecido. Depois de verificadas imagens de videovigilância, a polícia descobriu que um homem tinha entrado no táxi e levado o veículo para um local perto da Avenida 1 de Maio. Em declarações às autoridades, o residente de 30 anos confessou ter praticado o crime depois de ter esperado muito tempo para apanhar um táxi. O caso foi encaminhado ao Ministério Público e o indivíduo está indiciado pelo crime de furto de uso de veículo, punido com pena que pode chegar aos dois anos de prisão.
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JOGO STEVE VICKERS PREVÊ MAIOR CONTROLO DO FLUXO DE CAPITAIS
O outro rio de pérolas
IMIGRAÇÃO DETIDOS POR AJUDAREM ENTRADAS ILEGAIS
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As autoridades deverão focar atenções este ano no fluxo de capitais oriundo da China, apostando nos pagamentos digitais como forma de controlo e em mais transacções em yuan. Estas são algumas das conclusões do relatório do analista Steve Vickers sobre os riscos para a zona da Ásia-Pacífico em 2022 uma vez que as mudanças no sector VIP, como consequência desta detenção, “vão prevenir uma crescente escalada de infracções ao controlo sobre os capitais chineses”. Relativamente à revisão da lei do jogo, cujo processo de consulta pública terminou há semanas, Steve Vickers chama atenção para as tentativas de controlo público sobre o pagamento de dividendos aos accionistas das concessionárias, algo que “vai afectar a indústria”. “As operadoras de jogo norte-americanas vão estar em grande desvantagem com estas mudanças”, refere ainda o analista, que critica a “falta de clareza” das informações sobre os direitos das concessionárias ou o futuro concurso público para as novas licenças.
HOJE MACAU
Polícia Judiciária (PJ) e os Serviços de Alfândega (SA) detiveram dois homens que prestavam auxílio à imigração ilegal. Em conferência de imprensa, a PJ explicou que recebeu uma denúncia de que este grupo estaria activo no território e que se preparava para receber, na terça-feira, um grupo de imigrantes ilegais por volta das 4h, na zona costeira junto ao Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa. Nessa madrugada, após os dois imigrantes ilegais chegarem a terra, a lancha que os transportava partiu de imediato, mas as autoridades conseguiram interceptá-la perto de Ka-Hó, em Coloane, tendo sido detidos os dois tripulantes. Os suspeitos, ambos de apelido Li, têm 23 e 38 anos, um é pescador e o outro está desempregado. Os detidos declararam às autoridades que o objectivo era deixar entrar pessoas da China para jogarem nos casinos. Em relação aos dois indivíduos que entraram no território ilegalmente, um não conseguiu obter o visto de entrada, enquanto que outro foi proibido de entrar no território. Os detidos recusaram ter cometido qualquer crime e dizem ter recebido apenas mil renminbis por pessoa para o transporte. Mas a PJ descobriu que a dupla exigia o pagamento de 30 mil renminbis. Os imigrantes e outros testemunhos contaram que, antes de embarcarem na lancha, eram obrigados a pagar uma caução de 20 mil renminbis. Os restantes dez mil renminbis eram transferidos através de meios electrónicos após o embarque na lancha. O caso já foi encaminhado para o Ministério Público, e os indivíduos são suspeitos da prática dos crimes de associação criminosa, auxílio à migração e imigração ilegal. N.W.
Zero absoluto
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T E V E Vickers, especialista em consultoria política e corporativa, estima que a “preocupação de 2022 será o tratamento do fluxo de capitais da China para Macau”. A informação consta no relatório “Asia Risk Assessment Report” divulgado ontem que, tal como o nome indica, traça os grandes riscos económicos e geopolíticos para a zona da Ásia-Pacífico. Para o analista, “as autoridades do continente e de Macau podem procurar garantir que o máximo da actividade de jogo seja [transaccionada] em yuan (não afectando a balança de capitais da China)
e que as transferências sejam feitas através de meios digitais (e desta forma mais rastreados)”. Tal abordagem “pode reforçar o controlo do Governo, mas irá danificar os interesses do sector do jogo”, lê-se. No capítulo dedicado a Macau, Steve Vickers destaca a detenção de Alvin Chau, CEO do grupo Suncity como um acontecimento que sugere que “os governos de Pequim e Macau não vão mais permitir que o modelo dos junkets continue a operar segundo o formato actual”. “Os investidores devem preparar-se para obter menos receitas”, aponta o relatório,
Ainda relativamente ao sector do jogo, o relatório refere que “o iminente fim das concessões de jogo, em meados deste ano, e a intensa repressão dos promotores de jogo constituem presságios para um ano extremamente desafiante para o sector, e por sua vez para a economia”.
Steve Vickers revela também dúvidas “sobre o grau de autonomia que Macau terá dentro da política ‘Um País, Dois Sistemas’, tendo em conta a ênfase dada pelo Governo Central à iniciativa da Grande Baía”.
“As operadoras de jogo norte-americanas vão estar em grande desvantagem com estas mudanças [revisão da lei do jogo].” Em termos gerais, o relatório não esquece o impacto da covid-19 na região, nem “a baixa taxa de vacinação em alguns países (como a Indonésia) e a emergência de novas variantes”. O analista alerta também para o impacto económico da política de “zero casos” adoptada pela China, Macau e Hong Kong e “que a sua continuação pode levar a um processo de dissociação económica”. Andreia Sofia Silva
IC Antiga fábrica de panchões pode abrir no final do ano
Lau Fong Meng, membro do Conselho Consultivo dos Serviços Comunitários das Ilhas, referiu que o espaço da antiga fábrica de panchões Iec Long, na Taipa, pode abrir no final deste ano. Segundo o jornal Ou Mun, o responsável adiantou que a parte com amianto do antigo edifício foi removida, o que pode permitir que o público visite parcialmente a antiga fábrica em Dezembro próximo. Lau Fong Meng indicou que uma das casas recuperadas vai acolher uma exposição que conta a história da produção de panchões em Macau.
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LITERATURA POETA OTILDO JUSTINO GUIDO USA A PALAVRA PARA LUTAS SOCIAIS
“Poesia é uma necessidad Venceu o prémio literário Fernando Leite Couto [pai do escritor Mia Couto] em 2019, que lhe deu acesso a um mundo que já era seu. Otildo Justino Guido é uma das novas promessas da poesia moçambicana, mas, acima de tudo, um activista que luta com as palavras escreve. “O Silêncio da Pele” é o seu mais recente livro
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OLHEAR “O Silêncio da Pele”, o livro de poemas de Otildo Justino Guido, vencedor do prémio literário de Fernando Leite Couto de 2019, é como experimentar um permanente jogo de palavras entre a língua portuguesa e os dialectos locais. A presença de palavras como “Xipfalo” ou “Xitique” na obra “O Silêncio da Pele” assume papel de alerta para a importância da preservação de uma identidade local. Conversamos com Otildo Justino Guido no último festival literário internacional de Óbidos, o FOLIO, onde nos falou da carreira literária que só agora está a dar os primeiros passos. Além da edição de “O Silêncio da Pele”, o autor já editou em Portugal “O Osso da Água”. Para o autor, a distinção do prémio Fernando Leite Couto representou “uma entrada no mundo literário”. “Não só lanço o livro como este prémio tem também um grande significado no país. É gratificante.”
Em “O Silêncio da Pele”, Otildo Justino Guido aborda “várias situações ligadas a Moçambique”, e é por isso que surgem as palavras presentes nos léxicos locais, pois “as línguas maternas, ou nacionais, estão agora a atravessar momentos críticos”. “O livro procura levantar, de certa forma, problemas sociais e culturais do país, tal como a existência e a liberdade. Estes são universais, mas também nos afectam como moçambicanos.” Para o jovem poeta, os moçambicanos têm de existir “como cidadãos perante a globalização e vários outros factores mundiais”. “Há guerras que assolam o país há vários anos, que são intermináveis, que de certa forma não têm uma explicação lógica. Quero que o povo moçambicano exista acima de qualquer coisa e situação. Também falo da liberdade. Há este paradigma sobre ser aquilo que queremos ser, que somos.”, frisou. Se nesta obra Otildo Justino Guido assumiu uma postu-
FRC LAMPO LEONG APRESENTA “VISÕES” A PARTIR DE Q
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Fundação Rui Cunha (FRC) apresenta na próxima quarta-feira uma exposição intitulada “Visões”, com curadoria do académico Lampo Leong, da Universidade de Macau (UM). A mostra reúne 30 trabalhos de 20 artistas locais, que são estudantes ou professores do Centro de Artes e Design da UM.
O evento tem entrada livre e está patente até ao dia 22 deste mês. A exposição apresenta a “natureza interdisciplinar e multimédia de diversas práticas artísticas, apresentando uma mistura ecléctica de trabalhos criativos de professores” e incluem pinturas contemporâneas a óleo, aguarela, ilustração, fotogra-
fia ou cerâmica, entre outras expressões artísticas. O manifesto artístico da exposição conta que, durante séculos, o território “foi um ponto de encontro cultural, tecnológico e comercial da China e do Ocidente”. “Da mesma forma, a pós-graduação em arte e educação em design na UM visa sintetizar os conceitos artísticos chineses
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de de existir” ra de activismo, em “O Osso da Água” o autor apresentou-se a si mesmo. “Trabalhei mais com a temática, organizei vários cadernos literários e cada um deles versa sobre um assunto ou os problemas do país. Levanto também problemas que levantei de forma mais superficial em “O Silêncio da Pele."
O centro cultural
Além de editar a obra “O Silêncio da Pele”, o prémio literário Fernando Leite Couto serviu também para criar, em Inhambane, terra natal do poeta, o centro cultural Palavra & Sol. “Era necessário fazer alguma coisa, os locais. Pensei que já estou naquela terra há muito tempo e ninguém tinha ainda ousado fazer alguma coisa. Realizamos conversas literárias, oficinas de escrita, tertúlias, saraus poéticos, apresentações de livros ou exposições de arte.”
“A literatura deve ser o espelho de uma sociedade e de um tempo. Esta é a minha missão.” OTILDO JUSTINO GUIDO
O autor conta que, até aos 14 anos, não teve contacto com o livro como objecto literário, mas dentro de si a poesia e a literatura já fervilhava. “A maior parte das bibliotecas são do Estado e têm muitos livros didácticos e académicos. O livro literário também é importante porque é outra
QUARTA-FEIRA e ocidentais, incorporar artes e tecnologias e transcender as fronteiras convencionais entre arte e design. As explorações criativas delineiam as ricas tradições culturais da China e falam de uma linguagem global da era contemporânea”, lê-se ainda. Professor doutor em arte, teoria e prática, bem como director do Centro de Artes e
Design da UM, Lampo Leong tem uma extensa carreira académica, incluindo a passagem pela Academia de Belas Artes da China. É responsável pelo ensino de desenho, pintura a óleo e acrílico, aguarela, tinta-da-china, caligrafia chinesa, desenho gráfico, design criativo de media, portefólios, publicações, entre outras matérias.
forma de comunicar e de ver as coisas. Posso dizer que desde os quatro ou cinco anos que passei a dedicar a maior parte do meu tempo à literatura, e isso fez com que eu conhecesse escritores importantes de vários países, não apenas do universo da língua portuguesa.” Formado em contabilidade, profissão que ainda exerce e ama, Otildo Justino Guido encara a poesia “como uma necessidade de existir”. “É importante escrever poemas porque a poesia é o que nos faz ser. A contabilidade é uma profissão, que eu amo. Quando agarro uma coisa dedico-me a ela. A poesia deu-me a possibilidade de escrever”, confessou. Assumindo que Moçambique está, neste momento, a “passar por vários momentos de turbulência e de caos, na área política e social”, o poeta considera que “é complicado sobreviver e ser moçambicano neste momento”, “não apenas porque a guerra nos ataca a nós, mas também porque ataca outro irmão, e é difícil sabermos que o nosso irmão está a sofrer”. “Como activista social e cultural, sobretudo escritor, apresento esta solução, escrever, chamar a atenção para o que se passa. Mesmo que não mude nada as pessoas vão saber o que se passa. A literatura deve ser o espelho de uma sociedade e de um tempo. Esta é a minha missão”, concluiu. Andreia Sofia Silva
Vida depois do Instagram
Livraria Lello no Porto em vias de ser classificada monumento nacional
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Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) pretende classificar a Livraria Lello e Irmão, no Porto, como monumento nacional, decorrendo por 30 dias úteis um período de discussão pública, segundo anúncio publicado ontem em Diário da República (DR). De acordo com a publicação em DR, o director-geral do Património Cultural, João Carlos dos Santos, refere ser intenção da DGPC propor à tutela a reclassificação da Lello “como monumento de interesse nacional, sendo-lhe atribuída a designação de ‘monumento nacional’”. A Lello está classificada como monumento de interesse público desde 20 de Setembro de 2013. No anúncio, o responsável acrescenta que a consulta pública tem a duração de 30 dias úteis. A intenção de reclassificar a livraria surge na sequência de um parecer da Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, que mereceu a concordância do diretor da DGPC.
A Lello, situada no Centro Histórico do Porto, nas imediações da Torre dos Clérigos, apresenta-se como "um dos mais importantes edifícios da arquitectura eclética portuguesa, integrando marcenarias e vitrais sem paralelo no país”, sendo “um ‘ex-líbris’ da cidade”, refere a DGPC na sua página da Internet. “Ao seu valor arquitectónico e artístico acresce a importância cultural que tem assumido de forma contínua ao longo do tempo, bem como o seu excelente estado de conservação, a autenticidade e exemplaridade da estrutura e da decoração, e a merecida fama internacional de que desfruta”, acrescenta a DGPC.
Mil e um detalhes
Inaugurado em 1906, o estabelecimento “alberga no seu edifício monumental uma das mais antigas e prestigiadas editoras nacionais”, lê-se na nota histórico-artística da livraria. O edifício foi concebido segundo projecto do engenheiro Xavier Esteves, sendo que “a fachada neogótica é rasgada, no piso térreo, por um arco Tudor de grandes
dimensões, abrangendo a porta central e as montras laterais, e sobre o qual corre a legenda Lello e Irmão”. “No registo superior destaca-se uma grande janela tripla, flanqueada por duas figuras representando a Arte e a Ciência, sendo o conjunto da fachada pontuado por decoração vegetalista e geométrica de cariz medievalista, platibandas rendilhadas e pináculos enquadrando um remate em arco conopial”. Já no interior, “os arcos em ogiva apoiam-se em pilares esculpidos com bustos de escritores como Antero de Quental, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Teófilo Braga, Tomás Ribeiro e Guerra Junqueiro, sob baldaquinos rendilhados”. “O amplo vitral revivalista com a divisa da casa, Decus in Labore (Dignidade no Trabalho), da claraboia, os esplêndidos tectos em estuque dourado e o magnífico trabalho de marcenaria, bem representado pelo corrimão em madeira da imponente escadaria, constituem os elementos decorativos mais emblemáticos da livraria”, descreve ainda a DGPC .
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COVID-19 HONG KONG PROÍBE VOOS ORIUNDOS DE OITO PAÍSES
Pistas fechadas
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JETPHOTO
Os voos oriundos de oito países, incluindo França e Reino Unido, com destino a Hong Kong vão ser proibidos de aterrar, a partir de sábado e por 14 dias, anunciaram ontem as autoridades do território partir de sábado e por 14 dias, vão deixar de poder aterrar no aeroporto de Hong Kong voos vindos da Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Filipinas, Índia, Paquistão e Reino Unido. A proibição foi anunciada ontem pela Chefe do Executivo da região vizinha. "Os voos de passageiros destes países não serão autorizados a aterrar em Hong Kong e os indivíduos que permaneceram nestes países já não estão autorizados a embarcar em voos para Hong Kong, incluindo voos de ligação", disse a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, em conferência de imprensa. Lam anunciou também outras restrições para tentar impedir a propagação da variante ómicron do novo coronavírus, como o encerramento de restaurantes das 18h às 05h locais, a partir de amanhã, sendo limitado, fora desse período, o número de pessoas por mesa, entre duas a seis, consoante o tipo de restaurante. Por outro lado, 15 tipos de locais de entretenimento como bares, 'karaoke', ginásios, salões de 'mahjong' e piscinas públicas serão também encerrados ao público, indicou Carrie Lam, de acordo com a emissora local RTHK. Na terça-feira, as autoridades do território semiautónomo chinês
Panorama geral
Este é o quinto surto de covid-19 desde o início da pandemia e o primeiro com a variante ómicron em Hong Kong. O número de casos confirmados na comunidade atingiu na terça-feira a meia centena. Desde o início da pandemia, a região administrativa especial, que observa uma política de zero infecções com o novo coronavírus, registou mais de 12 mil casos confirmados da doença e 213 mortes associadas à covid-19.
Hong Kong designou actualmente todos os países com surtos locais de ómicron como zonas de "alto risco", proibiu a entrada de estrangeiros e exigiu aos residentes que chegam desses locais uma quarentena de 21 dias. A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China e actualmente com variantes identificadas em vários países.
Pequim com mais restrições nas vésperas dos Jogos Olímpicos e Ano Novo Lunar
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tinham anunciado a imposição de apresentação de certificado de vacinação contra a covid-19 em escolas, bibliotecas, museus e locais de entretenimento.
Carrie Lam anunciou também o encerramento de restaurantes das 18h às 05h locais, a partir de amanhã, sendo limitado, fora desse período, o número de pessoas por mesa, entre duas a seis, consoante o tipo de restaurante
Cuidados extremos na capital ÁRIAS cidades chinesas impuseram bloqueios ou restrições nas deslocações, depois de detectarem novos surtos de covid-19, nas vésperas de o país receber os Jogos Olímpicos de Inverno e celebrar o Ano Novo Chinês. Além do confinamento da cidade de Xian, onde desde 23 de Dezembro os residentes não podem deixar as suas casas, quarentenas parciais foram também decretadas nas cidades de Ningbo, província de Zhejiang, e Yuzhou, província de Henan.
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Apenas um membro da família pode sair de casa a cada dois dias para comprar mantimentos, embora nas áreas mais afectadas pelos surtos o confinamento seja total, informou ontem o Global Times, jornal oficial do Partido Comunista da China. Henan diagnosticou apenas nove casos por transmissão local desde segunda-feira, o suficiente para as autoridades proibirem deslocações dentro da província e suspenderem eventos em locais públicos. Na capital da província, Zhengzhou, com 10,3 milhões de habi-
tantes, também foram decretados bloqueios em algumas áreas e serão realizados testes PCR em toda a população. Autocarros e táxis estão proibidos de circular e locais como centros comerciais ou museus vão estar encerrados nos próximos dias como medida de precaução. Quem reside em áreas de risco não vai pode sair da cidade sem autorização.
Exigências à entrada
Os surtos surgem a menos de um mês do início dos Jogos Olím-
picos de Inverno, em Pequim, evento que o Governo chinês quer proteger a todo o custo. Para entrar na capital chinesa é necessário apresentar um teste negativo para a doença, realizado até 48 horas antes de viajar. A China vai ainda celebrar o Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas, equivalente ao Natal nos países ocidentais e, tradicionalmente, a maior migração interna do planeta. Os governos locais estão já a pedir, no entanto, que se evitem viagens que não sejam “estritamente necessárias”.
GUINÉ-BISSAU EMBAIXADOR CHINÊS PROPÕE PARQUE INDUSTRIAL
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embaixador chinês na Guiné-Bissau, Guo Ce, apelou na terça-feira a uma maior cooperação entre os dois países, nomeadamente na construção de um parque industrial no país africano. Segundo um comunicado da embaixada chinesa, Guo Ce defendeu ainda maior cooperação bilateral nas áreas da agricultura e comércio, durante um encontro em Bissau com o embaixador da Guiné-Bissau na China, Serifo Embaló. O diplomata guineense elogiou a realização “com sucesso” da oitava reunião ministerial do Fórum de Cooperação China-África, que terminou a 30 de Novembro em Dacar, capital do Senegal. Uma semana antes do evento, a 22 de Novembro, a Guiné-Bissau e a China assinaram um memorando de entendimento para a cooperação, no âmbito da iniciativa chinesa "Uma Faixa, Uma Rota". Serifo Embaló, que foi nomeado embaixador residente em Pequim em Junho de 2020, encontra-se actualmente na Guiné-Bissau, mas deverá regressar à China ainda este mês. Numa entrevista à RDP-África e agência Lusa a 28 de Dezembro, o diplomata disse que tinha obtido manifestações de interesse de chineses em investimentos directos ou acordos de parcerias com empresários guineenses em domínios como a agricultura, turismo, comércio, indústria e pescas. Três dias depois, Guo Ce sublinhou que tinha relembrado aos armadores chineses a necessidade de respeitar “de forma rigorosa” durante o período de repouso biológico e marinho. O Governo guineense interditou toda a actividade de pesca durante Janeiro, pela primeira vez em 48 anos, disse à Lusa em Dezembro o secretário-geral do Ministério das Pescas da Guiné-Bissau, Maurício Sanca.
quinta-feira 6.1.2022
O programa Academia da Cortiça na China, lançado pela Associação Portuguesa da Cortiça (Apcor), vai realizar 15 eventos de promoção em nove cidades chinesas entre 8 e 16 de Janeiro
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COMÉRCIO ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA PROMOVE CORTIÇA NA CHINA
Em 2020, o mercado chinês ocupou o 10.º lugar nas exportações portuguesas de cortiça, com uma fatia de 2,1 por cento do total, correspondente a 22 milhões de euros, segundo dados da Apcor. A venda de rolhas, no valor de 14,1 milhões de euros, representou cerca de dois terços do total.
Pilhas de rolhas
Pouco vinho
O mercado chinês do vinho é já o quinto maior do mundo, embora apenas cerca de 3 por cento dos 1,4 mil milhões de habitantes beba regularmente vinho. A lista de eventos da Academia da Cortiça divulgada na terça-feira incluía uma acção no dia 15 de Janeiro na cidade portuária de Ningbo, na província de Zhejiang, entretanto cancelada pelas autoridades. As autoridades chinesas decidiram na terça-feira colocar sob confinamento algumas áreas de Ningbo, depois de detetarem 23 casos de covid-19 nos últimos dias. Os 23 casos detetados em Ningbo, cidade de nove milhões de habitantes, foram diagnosticados numa fábrica de têxteis e correspondem à variante delta do novo coronavírus, noticiou a imprensa estatal chinesa. As autoridades locais decidiram que os residentes não podem sair de casa em áreas específicas da cidade, como o distrito de Beilun, enquanto em outras áreas o movimento vai ser limitado. Trata-se da segunda cidade chinesa a lançar um bloqueio este Inverno, depois de Xian, que somou 1.663 infecções, desde o início de Dezembro do ano passado.
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EGUNDO uma publicação na rede social chinesa WeChat, os eventos vão acontecer na capital chinesa, Pequim e em sete províncias, incluindo em Guangdong, província do sul da China, vizinha a Macau. A primeira edição da Academia da Cortiça na China, em 2018, atraiu quase 2.000 participantes ao longo de 93 eventos em 33 cidades chinesas, que resultaram na formação de mais de 30 embaixadores da cortiça. Após uma pausa de três anos, a Apcor relançou o programa em Setembro de 2020, com um seminário em Pequim, com ligação por videoconferência a outras quatro cidades: Chengdu, Wuhan, Xiamen e Hangzhou.
“Em 2020, o mercado chinês ocupou o 10.º lugar nas exportações portuguesas de cortiça, 2,1 por cento do total, correspondente a 22 milhões de euros. A venda de rolhas, no valor de 14,1 milhões de euros, representou cerca de 2/3 do total.”
Região JAPÃO REFORÇO DE VIGILÂNCIA APÓS LANÇAMENTO DE MÍSSIL POR PYONGYANG
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Governo japonês condenou na ontem o lançamento de um míssil no Mar do Japão (conhecido como Mar Oriental nas duas Coreias) por parte da Coreia do Norte e disse que iria reforçar ainda mais os seus sistemas de monitorização. "É extremamente lamentável que a Coreia do Norte tenha continuado a lançar mísseis desde o ano passado. O Governo irá reforçar ainda mais a vigilância", disse o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, numa conferência de imprensa. "Estamos actualmente a analisar o incidente em pormenor para informar o público", disse, acrescentando que o Governo está
a trabalhar para recolher informações, confirmar a segurança dos navios, aviões e cidadãos. Tanto os militares sul-coreanos como as autoridades japonesas consideram o "projéctil não identificado" como um míssil balístico.
O lançamento teve lugar de dentro da Coreia do Norte em direcção ao Mar Oriental às 8h10 da manhã de ontem (23h10 de terça-feira e Lisboa), disse o exército sul-coreano. É o primeiro lançamento este ano e segue-se ao último míssil balístico submarino (SLBM) disparado pela Coreia do Norte em Outubro passado, que tecnicamente ainda está em guerra com o Sul, uma vez que o conflito de 1950 e 1953 só foi selado por um cessar-fogo. É invulgar a Coreia do Norte lançar um míssil em Janeiro, quando o Exército Popular da Coreia do Norte está a realizar exercícios de Inverno.
TÓQUIO ATUM VENDIDO POR MAIS DE 128 MIL EUROS NUM LEILÃO
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M atum foi leiloado ontem por 16,88 milhões de ienes (128.879 euros) no mercado de Toyosu no tradicional primeiro leilão do ano no mercado de peixe e marisco de Tóquio. Ainda que elevado, o preço caiu pelo terceiro ano consecutivo devido à pandemia. O preço mais elevado pago em 2022 foi para um atum rabilho de 211 quilos (610 euros por quilo) capturado na aldeia de Oma, na costa de Aomori
(norte), que foi comprado numa oferta conjunta pelo grossista Yamayuki e o grupo Onodera, proprietário de uma cadeia de restaurantes de sushi com uma estrela Michelin. Às cinco horas da manhã em Tóquio, o sino tocou para iniciar a intensa licitação para o melhor atum fresco e congelado capturado no Japão e noutras partes do mundo. No início do dia, os participantes rezaram por um ano próspero. Como medida de precaução contra a pandemia,
o número de participantes no leilão foi limitado pelo segundo ano consecutivo. Foi o quarto leilão nas instalações da Toyosu, depois do popular mercado, o maior mercado de peixe do mundo, ter sido relocalizado em 2018 da sua antiga localização central em Tsukiji, após um processo controverso que levou 17 anos. O primeiro leilão do ano costuma atingir preços extremamente elevados em Tóquio, onde um quilo de atum atinge normalmente um máximo de 70-80 euros. O preço recorde foi estabelecido em 2019. Nessa ocasião, e como tem sido o caso desde 2011, a popular cadeia de restaurantes Sushi Zanmai pagou 333,6 milhões de ienes (cerca de 2,6 milhões de euros), o preço mais alto por um atum rabilho desde o início dos registos em 1999.
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antropofobias
CARLOS MORAIS JOSÉ
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A pequena saúde e a grande vida
Na sociedade mediática, a saúde (ou o seu discurso) ganhou uma importância fundamental. Nunca como hoje as pessoas foram tão levadas a tomar a saúde como um dos principais modelos de referência nas suas vidas. Como muito bem notava Susan Sontag em “Aids and its metaphors”, existe uma concupiscência, uma estranha relação entre a doença, a comunicação, a política e, consequentemente, os comportamentos. Para além de ser de desconfiar qualquer sobrevalorização do corpo, a posse da saúde – ter saúde, como se diz – mercantilizouse como outra posse qualquer, é traduzível por quantidades de numerário (com o que se gasta no médico, na farmácia, no ginásio, no dealer). Hoje ter saúde significa também um determinado tipo de consumo, como significa determinado tipo de comportamento, ostentação de signos, sendo que este implica também a aderência a uma específica rede consumista. A propagação real ou mediática das doenças restringe os comportamentos (como no caso da sida), modifica os hábitos (como o fitness e o jogging), proporciona novos gadgets à indústria (como no caso da pneumonia atípica). A doença ou a sua sombra proliferam através de uma quantidade assombrosa de revistas da especialidade, hoje predominantemente travestidas em forma física e componentes estéticas. Na televisão são cada vez mais comuns os programas sobre doenças – em Portugal, Júlio Isidro entrevistava pessoas que sobreviveram a cancros e ataques cardíacos. Por toda a parte somos confrontados com a necessidade da precaução, da prevenção, da medicação, do rastreio; entrando para o nosso quotidiano termos bárbaros provenientes da medicina e da manutenção, cujo aspecto mais inofensivo se tornou amplamente numa mercadoria. O que o corpo tomar é o que ele é, sobretudo em termos de valor social. Chegámos, portanto, a um tempo em que a química retomou os seus direitos, interferindo em todas
as esferas. Está praticamente ultrapassado a era romântica em que a psicologia abdicava da factura química, na esperança de uma cura dita “espiritualista”. Hoje não há tempo para isso e, sobretudo, escasseia a paciência. “Quero a minha felicidade já, nem que seja em pequenas doses e tenho direito a ela, porque ela está em toda a parte” (como no caso do Viagra, outro potente mutante de comportamentos, ansiedades, emoções, relações) – sente-se e diz-se.
A saúde é, portanto, fundamental. Mas convém compreender que se trata de uma saúde especial. Muito dirigida e muito bem orquestrada. Mas raramente ultrapassa o nível farmacológico, mecanicista, que encara o corpo como um ente fragmentado, como no caso do culturista que desenvolve uma relação particular com cada músculo. O equilíbrio é agora procurado na química, na localização dos problemas. As terapias de outro tipo
HOJE TER SAÚDE SIGNIFICA TAMBÉM UM DETERMINADO TIPO DE CONSUMO, COMO SIGNIFICA DETERMINADO TIPO DE COMPORTAMENTO, OSTENTAÇÃO DE SIGNOS, SENDO QUE ESTE IMPLICA TAMBÉM A ADERÊNCIA A UMA ESPECÍFICA REDE CONSUMISTA.
encontram-se agora em franca decadência. Na verdade, lidamos com uma pequena saúde, feita de preocupações históricas sobre a decadência do corpo e a proximidade da morte. Trata-se, finalmente, do modo como a sociedade em que vivemos tira proveito das angústias (umas existenciais, outras que ela própria cria) e as molda de forma a serem mercantilizáveis. Assim, alteram-se igualmente os comportamentos e registase uma disciplina dos corpos e dos seus horários, bem conveniente ao circular da mercadoria, de cujo estatuto os humanos se aproximam cada vez mais e alegremente, como se nisso suspeitassem da existência de uma qualquer forma primeva de justiça. Nem por sombras estamos perante uma relação ecológica e equilibrada ou sequer perante uma reflexão mais longínqua sobre o papel da ruptura num contexto natural. Cuidamos, amedrontados, isso sim, da nossa pequena saúde, de um corpo que encaramos como estando na nossa posse ou que nos possui, mas sempre com uma visão mecanicista e não integrada desse mesmo corpo. Este é comprado nos media, nos ginásios, nos médicos, nas farmácias, nos dealers (de algum modo, a drogadicção ilegal é uma medicina alternativa e mais generalista, talvez mesmo a que, nalguns casos, mais se aproxima de alguma espiritualidade). As pessoas desfilam pois pela senda da pequena saúde, em muitos casos servos da sua ditadura. Por ela reorganizam as suas vidas. São induzidas a fazer do exercício físico uma parte dos seus quotidianos. As vitaminas, outra. Os programas, os filmes, as notícias, o obsceno, como o exemplo da dor alheia, vendida ao minuto nos ecrãs, são os altares desta religião, que monitoriza o dia, as refeições, o sexo, o sono, as relações, inclusivamente consigo próprio. A pequena saúde ganha foros de modo de vida. E o que fica de fora? A vida, precisamente a vida, a grande vida.
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1 3 9 5 2 7 0 8 2É um 6 alerta 7 8para9o impacto 0 4 que 3 0o desenvolvimento 8 3 6 5 4tecnológi9 1 co e as redes sociais podem ter 4na5vida0em1sociedade, 8 3 com 7 um 6 9 lado 2 negro 4 7que6muitas 1 3vezes 5 se sobrepõe às vantagens 6 7 1 4 3 8 5 2 da inovação. Os episódios 8 não0 estão 5 2interligados 4 9 6e 7 há 5 cenários 9 8 adequados 3 0 2 a 1vários 4 3 contextos 1 2 9sociais: 7 6 excesso 8 0 de zelo parental e a violação 7 da4privacidade 6 0 1dos5 filhos, 2 9o
recurso a tecnologia para fins militares, a procura de uma 9 janela para o contacto com da 8alguém 7 0 que 9 morreu, 3 2 5ou 6 fama num canal televisivo. 3Quase 4 5 todos 8 0representam 1 6 2 1sátiras 2 4políticas 5 6 ou 9 futuros 7 3 distópicos capazes de gerar 6desconforto. 0 9 7 4 HM5 1 8
11 5 2 4 7 8 0 6 3 9 1
3 6 8 1 4 7 9 0 2 5
0 1 3 6 9 5 2 8 4 7
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Stanley Tucci
9 4 6 0 7 3 4 1 7 4 3 2 0 8 6 9 1 7 8 3 5 1 9 7 9 1 9 0 7 5 6 8 4 3 1 0 5 8 4 2 0 8 6 8 9 5 3 2 4 1 7 2 6 4 7 9 8 2 3 5 0 4 1 7 9SIDE 2 STORY 3 6 WEST 5 3 2 1 0 6 2 6 3 1 8 7 9 0 5 4 8 6 2 3 1 4 7 0 5 6 1 9 2 8 4 7 5 8 0 2 3 4 9 1 6 3 2 8 6 9 1 0 5 4 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia 3 9 7 6 5 0 4 9 6 3 1 0 2 5 8 7 2Sofia7Silva;5João9Santos 4 Filipe; 0 Pedro 1 Arede, 6 8 Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João 1 Paulo4 Cotrim; 8 7M.Tavares; 1 3Gonçalo 6 5 9 8 5 José 6 Simões 0 Morais, 7 3Julie2Oyang; Luis Carmelo;9 Nuno 5 Miguel 1 Guedes; 4 8Paulo 7 José 3 Miranda; 2 0 Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 4 2 Paul 0 Chan 9 Wai 3 Chi; 7 Paula Bicho; Tânia0dos1Santos 7 Grafismo 2 9Paulo 8 Borges, 3 4Rómulo 6 Santos 5 Agências Lusa;4Xinhua 3 Fotografia 7 0 Hoje 6 Macau; 5 9Lusa;8GCS;2 Rasquinho; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia 0 5Morada 8 Pátio 4 da2Sé,1n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, 5 3Macau; 2 Telefone 6 728752401 4 8Fax 1 9 0e-mail info@hojemacau.com.mo; 0 1 6 Sítio8www.hojemacau.com.mo 2 3 5 7 9 Welfare 28752405;
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NO WAY HOME [B] 6SPIDER-MAN: 5 4 14.00,016.30,819.00,121.30 7 2 Um filme de: Jon Watts 9 Com: Tom Holland, Zendaya, Cumberbatch 5 16.00,Benedict 3 8 2 WEST 6 SIDE4STORY 7 [B]1 9 19.00 Um filme de: Steven Spielberg Com: Tom Holland, Zendaya, 2G STORM [C] 6 1 7 5Benedict2Cumberbatch 3 9 0 Um filme de: David Lam Tak Luk 14.00, 19.00, Com: Louis Koo, Cheung Chi-lam, 9 Cheng Ka Wing, Jessica7 Hester9Hsuan8 CUBE 2 [C] 0 6 4 3 14.15, 21.45 FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO 8 4 0 1 EM 3 5 6 7 CHINÊS9 E INGLÊS Um filme de: Yashuiko Shimizu THE KING’S MAN [C] Com: Masaki Suda, Okada, 1 0Um filme de: Matthew Vaughn 2 3 5 7Hikaru6Tashiro,4Masaki 8 Takumi Saito Com: Ralph Fiennes, Harris Dickinson, 16.45, 21.45 1 5 4 0 9 1 8 3 6 7 0 2 6 8 3 9 5 4 4 8 6 3 1 7 0 2 5 3 1 7 9 4 5 2 0 8 SALA 3
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6.1.2022 quinta-feira
Olavo Rasquinho*
ENERGIA NUCLEAR
SOLUÇÃO PARA A NEUTRALIDADE CARBÓNICA? DESDE O fim do século passado que os temas mais debatidos a nível mundial são o aquecimento global e as alterações climáticas. Na realidade, apesar de as expressões “aquecimento global” e “alterações climáticas” serem frequentemente usadas indistintamente, o conceito associado à primeira (“aquecimento global”) é menos abrangente do que o segundo. Aquecimento global consiste no aumento, à escala mundial, da temperatura média do globo terrestre e é medido tendo como base a temperatura do ar à superfície, observada em milhares de estações meteorológicas espalhadas pelo planeta, durante períodos mais ou menos longos, de preferência não inferiores a 30 anos. O IPCC1, órgão científico das Nações Unidas, atribui às atividades humanas a causa principal do aquecimento global e, consequentemente, das alterações climáticas. Quando se afirma que um dos objetivos do Acordo de Paris é prevenir que o aumento da temperatura tenha como limite 2 °C até ao fim do século, preferencialmente até 1,5 °C, embora se refira à temperatura média do ar à superfície, subentende-se que o conceito “aquecimento global” abrange também as restantes componentes do sistema climático: hidrosfera (constituída por oceanos, mares, rios e lagos), litosfera, criosfera e biosfera. Apesar das numerosas ações que têm sido conduzidas com recurso ao multilateralismo, envolvendo universidades, ONGs, várias agências e programas das Nações Unidas, como a OMM e a UNEP, o problema das alterações climáticas tem vindo a agravar-se dramaticamente. A temperatura das várias componentes do sistema climático tem subido com graves implicações para a sustentabilidade da biodiversidade e da vida humana. Segundo a OMM, com base em dados referentes ao período de janeiro a setembro de 2021, a temperatura média global em 2021 teve um aumento de 1,09 °C, em relação a 1850-1900 e, em algumas regiões, o aumento tem sido muito mais acentuado, como na região ártica, onde, em 20 de junho de 2020, foi registada a temperatura recorde de 38 °C, na cidade russa Verkhoyansk, a 115 km a norte do círculo polar ártico É já lugar-comum afirmar que a causa da degradação do clima consiste no aumento da concentração dos gases de efeito de estufa (GEE) que são injetados na atmosfera, devido à queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral).
Após o Protocolo de Quioto (ratificado em 2005) e 26 COPs2, entre as quais a COP21 (2015), em que foi alcançado o Acordo de Paris, e a recente COP26, realizada em novembro de 2021, em que foi estabelecido o Pacto do Clima de Glasgow, a realidade é que a concentração de gases de efeito de estufa na atmosfera não cessa de aumentar. Apesar de todas as tentativas para reduzir a concentração dos GEE na atmosfera, nomeadamente o dióxido de carbono, o mais significativo destes gases, a realidade é que, de acordo com o diretor-executivo da International Energy Agency (IEA), é muito provável que a queima de carvão atinja o recorde anual em 2022. A China, um dos maiores consumidores deste combustível (mais de metade do consumo mundial) comprometeu-se a começar a reduzir o seu consumo somente a partir de 2025, o que vai permitir que durante os próximos quatro anos venha a aumentar o seu consumo. Analogamente, a Índia, responsável pela substituição da expressão “eliminação progressiva” (phase out), em relação ao carvão, por outra mais atenuada, “redução gradual” (phase down), no
texto do Pacto do Clima de Glasgow, também continuará a aumentar a utilização do carvão nos próximos anos. Perante esta realidade, e apesar de cada vez mais se recorrer às energias renováveis, também referidas como energias verdes, é lícito duvidar se o preconizado no Pacto do Clima de Glasgow está ao alcance da humanidade. Segundo este documento, para que se possa atingir um dos objetivos principais do Acordo de Paris (limitar o aquecimento global a 2 °C até ao fim do século, de preferência até 1,5 °C), terá de se proceder a reduções rápidas, profundas e sustentáveis das emissões de GEE, incluindo a redução das emissões globais de dióxido de carbono de aproximadamente 45% até 2030, relativamente aos níveis de 2010, de forma a se atingir a neutralidade carbónica por volta de 2050. São muitas as vozes segundo as quais tal não será possível sem o recurso à energia nuclear. Perante esta dificuldade, o lóbi nuclear tem intensificado a sua atividade, desenvolvendo argumentos no sentido de que esse objetivo só será possível com recurso à energia nuclear. Acontece, porém, que a energia nuclear, apesar de não impli-
car a produção de GEE, não se pode considerar energia limpa, na medida em que é utilizada a fissão nuclear, processo em que é gerado lixo radioativo. A fissão nuclear consiste no processo em que um núcleo instável é fragmentado em núcleos cuja soma das massas é menor que a massa inicial, produzindo-se, assim, uma transformação de massa em energia, conforme a equação de Einstein, E=mc2 3 . É o que acontece quando se recorre ao bombardeamento, com neutrões, de núcleos de átomos de urânio-235 de modo que estes se fragmentem, dando origem a partículas menores e uma forte libertação de energia. Neste processo, parte da massa inicial é transformada em energia, utilizada para produzir vapor através do aquecimento de água. Este vapor, sob elevada pressão, atua sobre as pás de uma turbina que, por sua vez, aciona um gerador elétrico. Acontece, porém, que o urânio é um mineral não muito abundante, e da sua desintegração resulta lixo radioativo, o que impede que a energia nuclear com recurso à fissão possa ser unanimemente classificada como energia renovável. Além disso, está associada à fissão nuclear a ocorrência
Imagens como esta poderão desaparecer em uma ou duas décadas (navios descarregando carvão para uma central elétrica em Hanchuan – China)
quinta-feira 6.1.2022
de desastres ambientais com graves consequências, como os de Three Mile Island (EUA, 1979) Chernobil (URSS, 1986) e de Fukushima (Japão, 2011), o que tem motivado fortes movimentos populares no sentido de pressionar os governos para desistirem deste tipo de energia. Assim, por exemplo, o recurso à energia nuclear na União Europeia não é consensual. Enquanto que alguns países continuam a fomentar a construção de novos reatores, outros estão a desmontar os existentes ou, pura e simplesmente, não os chegam a instalar. Este é o caso de Portugal, que não tem nenhum reator nuclear a produzir energia, nem pretende recorrer à sua instalação futura. Enquanto que a França, que produz cerca de 75% da sua eletricidade com recurso a esta energia, continua a investir em reatores nucleares, a Alemanha tem planos para desativar aqueles que ainda possui. Três das centrais nucleares para produção de eletricidade na Alemanha, em funcionamento desde meados da década de 1980, foram desativadas no último dia do ano de 2021, estando previsto o mesmo destino para as três que restam em 31 de dezembro de 2022. A França está acompanhada, no seu ponto de vista, por outros países como a Polónia e a Eslováquia. Por outro lado, a Bélgica e o Luxemburgo alinham com a Alemanha no que se refere à necessidade do abandono deste tipo de energia. Outros países, como a Itália, são mais prudentes e mantêm uma posição intermédia. No final de 2021, a Comissão Europeia submeteu aos países membros da UE um projeto de plano em que considera que, em determinadas condições, a energia nuclear e o gás natural podem ser considerados sustentáveis para fins de investimento, o que provocou, por parte do porta-voz do governo alemão, a afirmação de que a Alemanha considera a tecnologia nuclear perigosa e que rejeita expressamente a avaliação da Comissão. Entre os que defendem a utilização da energia nuclear para atingir o preconizado no Acordo de Paris e no Pacto do Clima de Glasgow, conta-se o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi. Segundo ele, deve-se abdicar de ideologias e encarar com realismo a evidência de que sem energia nuclear não se conseguirá abdicar dos combustíveis fósseis. Não havendo unanimidade no que se refere à utilização de energia nuclear com recurso à fissão, há já países, empresas, or-
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Trabalhos de manutenção do EAST – Hefei, província de Anhui (China)
ganizações e até empreendedores a título individual (e.g. Bill Gates) a investir na investigação sobre a fusão nuclear. Enquanto que na fissão nuclear se recorre à fragmentação de núcleos para gerar energia, a fusão nuclear é um processo em que se fundem dois ou mais núcleos de átomos, daí resultando um núcleo maior, cuja massa é menor que a soma das massas dos núcleos iniciais, libertando-se quantidade enorme de energia. Trata-se de um processo em que se recorre à união de átomos de isótopos de hidrogénio, inesgotáveis na natureza, o que permitirá classificar a energia nuclear como energia renovável. Acontece, porém, que este processo não se tem mostrado rentável, na medida em que, com a tecnologia atualmente existente, tem sido necessária mais energia para desencadear a fusão do que a energia que dela resulta. Entre os vários projetos experimentais envolvendo fusão nuclear, conta-se o International Thermonuclear Experimental Reactor (ITER), instalado no sul de França (Saint-Paul-les-Durance), que consiste no resultado da conjugação de esforços e financiamento da China, Coreia do Sul,
EUA, Índia, Japão, Reino Unido, Rússia, Suíça e União Europeia. Nas palavras do presidente da França, Emannuel Macron, a energia produzida com recurso à fusão nuclear será “limpa, segura e praticamente ilimitada”. Não se espera, no entanto, que haja resultados que permitam a sua exploração rentável antes de cerca de vinte anos. Um outro projeto de fusão é o que decorre na National Ignition Facility (NIF), em Livermore, na Califórnia, em que se usa tecnologia laser para fundir átomos de hidrogénio. Também a China, além de envolvida no projeto ITAR, desenvolve, desde 2006, o estudo Experimental Advanced Superconducting Tokamak (EAST) em que são aquecidos isótopos de hidrogénio (deutério e trítio) a temperaturas elevadíssimas, da ordem de 150 milhões de graus Celsius, obtendo-se uma massa no estado de plasma constituído por partículas subatómicas que se fundem, dando origem a hélio e libertação de enormes quantidades de energia4. O grande problema consiste no facto de a tecnologia atual não estar ainda suficientemente evoluída para controlar toda a fusão de modo que a quantidade de energia
resultante seja muito superior à utilizada para desencadear o processo. Perante o avanço da tecnologia, é lícito esperar que, no prazo de uma ou duas décadas, se possa unanimemente considerar a energia nuclear, com recurso à fusão, energia limpa e renovável, que poderá contribuir para que se atinja a neutralidade carbónica a meio do século corrente, conforme preconizado no Pacto do Clima de Glasgow.
1 - IPCC - Intergovernmental Panel on Climate Change 2 - COP – Conference of the Parties 3 - E=mc2 – Quando a massa é transformada em energia, esta é igual ao produto da massa pelo quadrado da velocidade da luz 4 - Este processo é análogo ao que acontece naturalmente no Sol e nas estrelas
*Meteorologista. O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico
“A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.” PALAVRA DO DIA
Fernando Pessoa
Ficar sem o mundo Macau proíbe voos de passageiros vindos de fora da China
ERITREIA CHINA CONDENA SANÇÕES NORTE-AMERICANAS
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RAEM vai fechar fronteiras a todas as pessoas vindas do exterior, incluindo residentes, a partir das 00h do próximo domingo até às 23h59 do dia 23 de Janeiro. A novidade foi adiantada ontem à noite pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, justificada apenas com a necessidade de “reduzir um eventual risco associado à covid-19 para a saúde pública em Macau. Assim sendo, “é proibido o transporte de indivíduos por aviões civis provenientes de regiões fora do Interior da China com o destino Macau”, especificaram as autoridades, acrescentando que a proibição “não exclui outros requisitos antiepidémicos”. Nos últimos dias, as autoridades registaram dois casos da variante ómicron do novo coronavírus em residentes que chegaram a Macau provenientes do estrangeiro. Todos estes casos foram detectados em pessoas que cumpriam quarentena obrigatória de pelo menos 21 dias.
A
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Confirmação e novo caso
A infecção com o vírus SARS-Cov-2 detectada na segunda-feira pertence à variante ómicron. A informação foi divulgada ontem pelo Centro de
Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus, após a realização de um teste de sequenciação. A residente de 27 anos, vacinada com duas doses da vacina mRNA, viajou do Reino Unido em Dezembro, continua sem manifestar sintomas de doença, pelo que este caso foi classificado como “importado de infecção assintomática”.
“Entre as 00h do dia 9 de Janeiro e as 23h59 do dia 23 de Janeiro de 2022: é proibido o transporte de indivíduos por aviões civis provenientes de regiões fora da China com destino Macau.” CENTRO DE CONTINGÊNCIA
Ontem à noite foi ainda anunciado que duas pessoas que tiveram contacto próximo com caso importado de infecção assintomática acima referido apresentaram ontem um teste de ácido nucleico positivo e foram classificados como casos importados de infecção assintomática. Um dos casos é do sexo feminino de 32 anos, familiar da residente de 27 anos com quem viajou. O segundo caso é um homem de 47 anos que apanhou o voo de ligação entre Singapura e Macau onde viajavam os residentes mencionados. Todos foram vacinados e nenhum apresenta sintomas. Além destes casos, ontem foi ainda divulgado a detecção de outro caso importado de infecção assintomática numa residente de Macau, proveniente das Filipinas via Singapura, cujo teste de ácido nucleico deu resultado positivo. João Luz
PORTUGAL | NOVO RECORDE DIÁRIO COM 39.570 INFECÇÕES
Portugal registou ontem 39.570 novas infecções com o coronavírus SARS-CoV-2 em 24 horas, um novo máximo desde o início da pandemia. Segundo a Direcção-Geral da Saúde foram também registadas mais 14 mortes associadas à covid-19.
6.1.2022
COREIA DO SUL MILITARES PEDEM DESCULPA POR FALHA NA FRONTEIRA
O
GETTY IMAGES
China condenou ontem as sanções impostas pelos Estados Unidos da América à Eritreia, no final de uma reunião do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês com o seu homólogo eritreu, no início de uma visita a vários países africanos. "As duas partes concordaram em defender os valores comuns de paz, desenvolvimento, equidade, justiça, democracia e liberdade para toda a humanidade e em opor-se à interferência hegemónica nos assuntos internos de outros países sob o pretexto da democracia e dos direitos humanos", lê-se na declaração citada pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP). No ano passado, os EUA impuseram sanções à Eritreia devido ao envolvimento do seu exército na guerra que decorre no norte da Etiópia, o país vizinho, uma iniciativa que a Eritreia classificou de "ilegal e imoral". As forças etíopes e eritreias têm sido acusadas de homicídios e violações em massa na região do Tigray, que tem sido palco de conflito desde Novembro de 2020, e Washington tem repetidamente apelado a que a Eritreia retire as suas forças. No primeiro dia de uma visita que vai também levar o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, ao Quénia e às Ilhas Comores, o diplomata reuniu-se com o Presidente e com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Eritreia, Issaias Afeworki e Osman Saleh, respectivamente, e no final das reuniões foi emitida uma declaração segundo a qual a China "opõe-se a quaisquer sanções unilaterais contra a Eritreia". Por seu lado, a Eritreia comprometeu-se novamente com a sua "adesão ao princípio de uma só China". A Eritreia é um dos países que aderiu no ano passado à Rota do Sede, o projecto chinês multibilionário de construção de infra-estruturas em vários pontos do globo, nomeadamente em África.
quinta-feira
S militares sul-coreanos pediram ontem desculpa por terem causado preocupação ao povo sobre a sua prontidão em termos de segurança, dias depois de não terem conseguido deter um desertor norte-coreano que regressou à Coreia do Norte. "Não cumprimos devidamente as nossas funções. (…) Peço desculpa por causar preocupações ao povo", disse o general Won In-choul, durante uma sessão da comissão de defesa do parlamento, em Seul, citado pela agência de notícias sul-coreana Yonhap. "Prometo fazer todos os esforços para que não haja recorrência de incidentes semelhantes", acrescentou o presidente do Estado-Maior Conjunto, que reúne os chefes dos três ramos das Forças Armadas da Coreia do Sul. Os militares admitiram que o norte-coreano conseguiu atravessar a fronteira apesar de as câmaras de vigilância o terem detectado cinco vezes, no que foi considerado como uma grande falha de segurança. O Ministério da Defesa disse que se trata provavelmente de um norte-coreano, com cerca de 30 anos, que tinha conseguido atravessar a fronteira para se instalar na Coreia do Sul em Novembro de 2020, dado que a imagem captada pelas câmaras de vigilância corresponde à mesma pessoa. Depois de chegar à Coreia do Sul, o norte-coreano identificou-se como um antigo ginasta e contou que rastejou junto às cercas da fronteira antes de ter sido encontrado por tropas sul-coreanas, disseram fontes do ministério. Enquanto esteve na Coreia do Sul, viveu sozinho num apartamento em Seul fornecido pelo governo e trabalhou numa empresa de limpeza, mas não terá conseguido adaptar-se e disse a pessoas com quem conviveu que desejava regressar a casa, segundo relatos citados pela AP. O destino do homem que atravessou para a Coreia do Norte no sábado é desconhecido.