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Hoje Macau 6 JAN 2015 #3245

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Director carlos morais josé

Agência Comercial Pico • 28721006

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Godard, o imortal

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hojemacau

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Ter para ler

Jogo Salas VIP a fechar. Junkets reorganizam-se

Não há corruptos grátis Segundo especialistas do sector, mais salas VIP vão fechar e alguns junkets ficarão desempregados. Tudo porque muitos chineses ricos estão a sofrer com a campanha anti-corrupção de Xi Jinping. Casinos e outros elementos ligados ao Jogo aprendem a viver com a nova realidade. página 3

Saúde Secretário admite mudança de responsáveis

Alexis Tam não perdeu tempo. Dá um ano aos Serviços de Saúde para melhorarem o atendimento. Senão... poderão existir mudanças ao mais alto nível.

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sociedade Página

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Air Asia

Trabalho

Governo da RAEM garante segurança de rotas locais sociedade Página

Consciência de classe renasce das cinzas

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china Página

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diário de bordo

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hoje macau terça-feira 6.1.2015

por Carlos Morais José

O ex-presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, saiu ontem em liberdade condicional provisória de um mês devido a problemas de saúde. Chen Shui-bian foi detido por corrupção e condenado a mais de 20 anos de prisão. Foi presidente de Taiwan entre 2000 a 2008 e um defensor da independência da Formosa. Sempre negou as acusações que diz serem fruto de perseguições políticas. Já em 2012, a saúde de Chan obrigava-o a visitas frequentes ao hospital.

“As autoridades de Macau não foram capazes de fornecer a razão exacta da proibição de entrada [do cidadão de Taiwan]. Vamos expressar as preocupações do Governo taiwanês e pedir pelo direito que o povo formosino tem de entrar em Macau para fazer turismo e negócios”

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EPA/DAVID CHANG

ontem macau

Wu Mei-hung • Porta-voz do Centro Económico e Cultural de Taipé em Macau

“O Estado de Direito constitui um valor nuclear da sociedade de Macau. Os dirigentes do nosso país exigem e esperam que saibamos governar segundo a lei, elevar as nossas capacidades de administrar segundo o Direito e assegurar uma gestão eficiente” Liu Dexue • Director da DSAJ

“Manter a cotação (…) requer o cumprimento de obrigações regulatórias adicionais e tais exigências envolvem custos adicionais significativos” Melco Crown • Sobre a saída da Bolsa de Hong Kong

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“Já falei com os SS e não podemos deixar os nossos doentes esperar tanto tempo, nalguns casos até um ano. Isso para mim não pode ser. É demais” Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura | P. 7

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@ hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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édito A droga e a lei Em Macau, um dos conceitos mais importantes do segundo sistema funda-se no espírito humanista do Direito. Quer isto dizer que a letra da lei não deve ser aplicada cegamente, mas em contexto, tendo em conta que “cada caso é um caso” e que a generalidade legislativa deverá, no momento da sua aplicação, considerar as circunstâncias concretas. Por outro lado, no momento de criação das leis, estas deverão ser concebidas, para além do seus sentidos puramente vingativos ou retributivos, como meios de reabilitar e reintegrar os criminosos na sociedade, ao invés de os eliminar ou de os manter indefinidamente na prisão. Uma sociedade que meramente legisla para punir não poderá ser considerada como tendo procedimentos humanistas, logo escapará aos ditames que constituem aqui o segundo sistema. Vem isto a propósito da revisão da chamada Lei da Droga, que deverá estar a ser concluída muito em breve. De acordo com as declarações de alguns responsáveis, a RAEM prepara-se para agravar penas, quer relacionadas com o tráfico, quer com o consumo. A argumentação é muito simples: as jurisdições vizinhas possuem legislação bem mais dura do que nós, o que, na visão de alguns legisladores, pode transformar Macau num “paraíso” para os criminosos. Resta saber até que ponto isto seria verdade, em que condições o poderá ser e que efeitos teria essa “verdade”, caso condicionasse a feitura da lei. Em primeiro lugar, trata-se uma conjectura, até porque a actual legislação não é particularmente boazinha se comparada com países com um Direito humanista. Nos últimos anos, muitos países, incluindo os EUA, têm finalmente compreendido que, desde a primeira metade do século XX, a abordagem legal das questões relacionadas com os estupefacientes é completamente desajustada e tem, geralmente, favorecido os gangues de criminosos que os traficam. Assim, as legislações tendem a encontrar soluções que, sobretudo, não penalizem os consumidores, cada vez menos entendidos como criminosos e mais como doentes. Em Macau nada disso se passou: continuamos com uma legislação algo passadista se tivermos em conta estes últimos desenvolvimentos. Em segundo lugar, parece-nos extremamente difícil que num lugar com as dimensões de Macau seja complicado às polícias controlar a situação. A PJ prende regularmente traficantes em trânsito, cujo destino final raramente é a RAEM. As jurisdições vizinhas, nomeadamente Malásia, Singapura, Indonésia e China, por exemplo, dificilmente seriam classificadas como pertencentes a um sistema humanista e não têm de ser um exemplo a seguir por Macau. Mas, em terceiro lugar e mais importante, se a lei de combate aos estupefacientes realçar unicamente um carácter punitivo do sistema estará a fugir ao sentido humanista que o Direito de Macau deverá obrigatoriamente ter. E o problema é que um diploma “refractário” poderá ter um efeito dominó na restante legislação. Valerá a pena? Correrá a RAEM verdadeiros riscos nesta área? A seguir, introduziremos a pena de morte? Parece-nos existirem meios realmente mais eficientes, não legislativos, de lidar com o problema, mais adequados ao modelo sociedade que nos foi prometido.


grande plano

hoje macau terça-feira 6.1.2015

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Jogo Previsto fecho de dezenas de salas VIP. Junkets terão de apresentar registo criminal

Coitadinhos dos crocodilos... Especialistas em Jogo não têm duvidas: a campanha anticorrupção na China fará fechar várias salas VIP dos casinos. Os junkets com maior carteira de clientes serão aqueles que sobreviverão Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

D

epois da Melco Crown Entertainment ter anunciado a saída da Bolsa de Valores de Hong Kong devido aos elevados custos de operação, Song Wai Kit, director-geral da Associação de Jogos com Responsabilidade de Macau, defendeu ao HM que “de certeza” que as salas VIP que são independentes das operadoras de Jogo vão passar a ser menos, devido à diminuição de clientes ricos vindos do interior da China. Estas são salas de jogo que não estão necessariamente ligadas aos casinos, mas que sofrem com todas os altos e baixos da indústria. Dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos revelam que nos últimos três anos o número de salas VIP que não estão ligadas às operadoras aumentou para cem. “É muito provável que as salas com maior dimensão absorvam aquelas que têm menor tamanho. Mas é bom para partilhar os recursos e os custos, continuando os negócios”, admitiu Song Wai Kit ao HM.

Também Nelson Kot, presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau, prevê também que pelo menos um terço das salas VIP vão fechar portas, devido às medidas de combate à corrupção do interior da China e pelo facto dos casinos poderem vir a perder clientes ricos. O responsável defende que o segmento VIP pode “ser mais saudável”, justificando que se “desenvolveu demasiado rápido”, já que “muitas operações não foram regulamentadas”. Nelson Kot defende que o ajustamento, a acontecer, “será bom”, acrescentando que, como os junkets são do interior da China, poderão trabalhar fora de Macau, pelo que a segurança de Macau “pode ser melhorada”. “A supervisão das salas VIP é fraca, o Governo não sabe quais são as maneiras utilizadas para

Ell a Lei pede formação paga a funcionários A deputada indirecta Ella Lei considera que o Governo deve impulsionar as operadoras de Jogo a disponibilizarem acções de formação pagas aos funcionários dos casinos, na área das línguas ou atitude de serviço junto do cliente, por forma a ajudar o desenvolvimento do sector, das operadoras e dos próprios trabalhadores. Ella Lei defende que, apesar da quebra das receitas do Jogo registadas nos últimos sete meses, os rendimentos superiores a 300 milhões de patacas podem justificar esse investimento. Segundo o Jornal do Cidadão, Ella Lei defende que as recentes medidas de aplicação de licenças sem vencimento a croupiers trouxe receios à sociedade, bem como a quebra nas receitas.

A supervisão das salas VIP é fraca, o Governo não sabe quais são as maneiras utilizadas para atrair os clientes e a liberdade é maior atrair os clientes e a liberdade é maior. Acontece que muitas salas VIP funcionam como se fossem empresas do sector financeiro, atraindo clientes para guardarem o dinheiro por forma a ganharem juros, algo que se torna o capital do negócio. Mas aconteceu o caso de um responsável de uma sala VIP que fugiu de Macau com dez milhões de patacas, o que mostra que o problema existe: é fácil tirar dinheiro das salas VIP,

porque há falta de supervisão”, disse ao HM Nelson Kot.

Junkets na mira

A partir do início deste ano, a DICJ promete executar com mais rigor a lei em relação aos ‘junkets’e colaboradores de promotores de jogos, que vão, agora, ter de entregar certificados do registo criminal através das empresas concessionárias à DICJ, por forma a garantir que os colaboradores nunca cometeram crimes.

Nelson Kot, que também é inspector da DICJ, acha que é melhor o Governo supervisionar o funcionamento de casinos e quais as naturezas dos colaboradores, considerando esta uma “medida positiva” por parte da DICJ. “Segundo a lei, os colaboradores devem ter certificado do registo criminal para elaborar as actividades, evitando que aqueles que cometem vários crimes do trabalho possam continuar no negócio. Quando todos respeitam as leis, vão valorizar o trabalho, na realidade, não devem envolver crimes. O regime pode excluir os “elementos maus” do sector, tornando mais saudável.

Bolsa Casinos entram em 2015 em queda

O

s operadores de casinos de Macau entraram em 2015 com as acções na bolsa de Hong Kong em queda, com a Melco Crown, que anunciou a intenção de deixar de estar listada na antiga colónia britânica, a ser a mais penalizada. Com os números das receitas do Jogo de 2014 a terminarem com uma queda global de 2,6% para 351.521 milhões de patacas e com o mês de

Dezembro com uma queda homóloga de 30,4%, o valor das acções dos seis operadores está em queda generalizada, com a Melco Crown a perder 5,25% para os 62,3 dólares de Hong Kong. Já a Galaxy Entertainment cai desde o início deste ano 4,5% para os 41,65 dólares de Hong Kong, enquanto a Wynn Macau perde 2,97% para os 21,2 dólares de Hong Kong.

A MGM China fechou a sessão de ontem com perdas acumuladas de 2,74% para os 19,18 dólares de Hong Kong, a Sands China com uma descida de 2,36% para os 37,25 dólares de Hong Kong, e a Sociedade de Jogos de Macau com uma quebra de 2,27% para os 12,08 dólares de Hong Kong. Recorde-se que em 2014, as acções das operadoras de Jogo registaram fortes quedas,

todas acima dos 34%, com a Sociedade de Jogos de Macau a registar uma perda de 51,79% e a Melco Crown uma descida de 34,55%. A Galaxy Entertainment desceu no ano passado 35,96%, a Wynn Macau 37,84%, a MGM China 38,54% e a Sands China 38,97%.


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política

hoje macau terça-feira 6.1.2015

Lista Negra ANM pede abertura de investigação ao CCAC

Pouco optimista

A Associação Novo Macau entregou ontem uma reclamação ao Comissariado Contra a Corrupção relativa à recusa de entrada no território de jornalistas e políticos de Hong Kong. No entanto, Jason Chao, membro da Associação, confessa-se pouco optimista Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

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Associação Novo Macau (ANM) apresentou ontem uma queixa junto do Comissariado contra a Corrupção (CCAC) a pedir que fosse aberta uma investigação aos casos que diz serem de abuso da Lei de Bases da Segurança Interna, argumentando que houve infracções por parte das autoridades que recusaram a entrada de indivíduos não residentes no território. O grupo pede clarificação e relatórios, ainda que não se mostre muito optimista com qualquer resultado.

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foi o número de pessoas que a polícia não deixou entrara em Macau no dia 20 de Dezembro

Rocky Chan

“A polícia justificou que as pessoas em causa podem ‘constituir uma ameaça à estabilidade da segurança interna’, mas casos de Dezembro de 2014 mostram que jornalistas e até uma criança de um ano estavam na lista negra da imigração”, explicou o membro da ANM Rocky Chan ao HM. Para outro dos membros da Associação, Jason Chao, o impedimento de entrada de cidadãos de Hong Kong no território trata-se de uma violação dos Direitos Humanos. Recorde-se que, a 20 de Dezembro, 18 pessoas foram impedidas de entrar em Macau por serem considerados perigosos para a segurança do território. Entre elas, estavam jornalistas, activistas e deputados, mas também duas pessoas que tinham nomes semelhantes a outros na lista negra – um deles

era um bebé de um ano. Na altura, Xi Jinping, presidente chinês, estava em Macau. Jason Chao não tem dúvidas e Rocky Chan corrobora: os casos que tiveram lugar no mês de Dezembro constituem uma “violação do Código de Processo Administrativo local e da Convenção Internacional de Direitos Civis e Políticos que protege as pessoas de tratamento injusto justificado por crenças políticas”, como explicam ao HM.

Sem esperanca de sucesso

Embora a reclamação tenha sido feita pela Associação, Jason Chao diz não crer que a iniciativa traga os frutos pretendidos. “Não estou optimista relativamente à entrega desta reclamação”, referiu, em declarações ao HM. É que de acordo com o activista, o texto pede ao CCAC que seja aberta uma investigação e interrogadas as pessoas que estiveram envolvidas no processo de recusa na entrada dos cidadãos. Até porque têm suspeitas.

Havia casos de cidadãos de Hong Kong cujos números de bilhete de identidade haviam sido gravados pela polícia de Hong Kong e que foram depois deportados pelas autoridades de Macau” Rocky Chan Membro da ANM

“Por outro lado, acredita-se que a proibição da imigração está associada ao movimento dos guarda-chuvas que estava a ter lugar em Hong Kong nesse momento. Havia casos de cidadãos de Hong Kong cujos números de bilhete de identidade haviam sido gravados pela polícia de Hong Kong e que foram depois deportados pelas autoridades de Macau”, continuou Rocky Chan. Recentemente, deu-se ainda um outro caso: Emily Lau, deputada pró-democrata de Hong Kong, foi impedida de entrar na RAEM no passado dia 2. À agência Lusa, a deputada mostrou-se “perplexa”, até porque vinha ao território em lazer. Embora não seja a primeira vez que as autoridades locais impedem a entrada de Emily Lau, os casos anteriores envolviam a sua participação em actividades políticas, ainda que autorizadas. Desta vez, a deputada encontrava-se de viagem com um grupo de amigos e foi a única a quem recusaram a passagem na fronteira.

Dentista apanhado

De acordo com o Taipei Times, um dentista de Taiwan também foi impedido de entrar em Macau na quinta-feira. Segundo a informação divulgada, o médico integrou as equipas que no ano passado prestaram assistência durante os protestos contra um acordo de livre comércio entre Taiwan e a China, os quais culminaram com a ocupação do parlamento em Taipé. A lista negra da polícia de Macau tem sido fonte de constantes críticas internacionais e regionais. Os detractores do Governo de Macau alegam mesmo que as autoridades locais são “mais papista que o papa”, querendo dizer com isto que levam a um extremo eventuais indicações de Pequim.


política 5

hoje macau terça-feira 6.1.2015

Função Pública José Pereira Coutinho pede mais qualidade nos serviços

tiago alcântara

O deputado Ng Kuok Cheong apela aos novos titulares de cargos públicos a terem “memória suficiente e sinceridade” para assumirem as promessas de melhorias das políticas de habitação e relacionadas com os terrenos. Numa interpelação escrita, o deputado da ala pró-democrata diz suspeitar que o novo director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Li Canfeng, tenha capacidade para implementar melhores medidas e que realmente consiga lembrar-se das promessas que fez e questiona ainda se a nova equipa do Governo concorda em recuperar o mais cedo possível os terrenos desocupados para construir habitações públicas. O deputado quer ainda que o Executivo publique a lista dos edifícios com autorização de isenção da “Lei de Sombra”, assim como implemente um mecanismo a longo prazo para a oferta de habitações para residentes de Macau, com base nas novas zonas de aterro de Macau.

Ponha a queixa na caixinha O deputado volta a atacar, afirmando que é hora de melhorar os serviços prestados aos cidadãos de Macau, até porque já passaram 15 anos desde a criação da RAEM

tiago alcântara

Habitação Deputado questiona a “memória” dos novos titulares

Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

O

deputado José Pereira Coutinho pede ao Governo que sejam feitas melhorias estruturais nos serviços da função pública local, principalmente no que diz respeito à “obtenção de documentos, comunicação de decisões ou transmissão de informações”. Em interpelação escrita, Pereira Coutinho questionou o Governo sobre se os cidadãos tinham direito de escolher a língua portuguesa ou inglesa no momento de atendimento ao público, seja por telefone ou no local. É que tal está estipulado nos termos legais da RAEM, explica o deputado.

O documento começa por deixar algumas sugestões, como a implementação de caixas de sugestões ou livros de reclamações

Susana Chou É hora de deixar cargos para os mais novos

A

ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL), Susana Chou, considera que é altura de abandonar os lugares que lhe dão protagonismo social, deixando estes abertos aos mais jovens, que devem, diz, ocupar cargos de destaque. Num artigo publicado recentemente no seu blogue, Susana Chou recordou que no, fim de 2014, foi nomeada pela segunda vez como sub-chefe da Comissão da Redacção da Lei Básica. Apesar de se assumir satisfeita, Chou assegura que, no momento de receber a credencial, sentiu que seria altura de sair de todos os cargos que tem assumido e deixá-los às gerações mais novas. A responsável assegura que, antes de os deixar, contudo, deve acabar o máximo dos trabalhos que lhe foram

incumbidos e que ainda não estão concluídos. Susana Chou frisou ainda que diz a si própria que “pelo país, por Macau e por si mesma, deve terminar de forma correcta os trabalhos”. No mesmo artigo, a ex-presidente falou da AL também sobre a sua Associação de Beneficência, a Tong Chai de Macau. A ex-presidente

considera que, apesar da Associação ainda não ter uma grande dimensão, os esforços dos cinco anos passados foram claramente um sucesso, tal como o plano de formação de talentos bilingues em chinês e português. Susana Chou diz que se sente satisfeita com o facto de ter, actualmente, mais de 40 estudantes bilingues, “com alta qualidade”. - F.F.

nos serviços públicos, de forma a que os residentes tenham direito a deixar a sua opinião. “Os serviços e organismos

públicos devem criar mecanismos e processos de participação dos cidadãos para a melhoria da qualidade dos serviços prestados”, continua o deputado. Além disso, deixa uma pergunta ao Governo sobre se vão ser criadas “estruturas eficazes” nos locais de atendimento ao público destinados a idosos, pessoas doentes e deficientes e grávidas. Na interpelação, Pereira Coutinho argumenta que se passaram mais de 15 anos desde o estabelecimento da RAEM e que, por isso mesmo, a melhoria da qualidade dos serviços deveria ser um dos próximos passos para o Governo. Outra das sugestões do deputado passa pela criação de um modelo de tratamento de reclamações célere, que exemplifica como podendo ser mensal e de resposta obrigatória em dez dias úteis. José Pereira Coutinho mostra ainda preocupação com a protecção dos dados pessoais dos residentes. “Que medidas uniformizadas e racionais foram implementadas (...) quanto ao tratamento mensal das opiniões, sugestões, queixas e reclamações dos utentes e cidadãos, com possibilidade de poderem ser consultadas na respectiva página electrónica e nas suas publicações periódicas (...) para previamente salvaguardar as regras de privacidade?”, questionou.

AMCM Reserva financeira é “último recurso” para pagamentos à Função Pública

O

presidente da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), Anselmo Teng, disse que a reserva financeira do território deve funcionar como último recurso para pagamentos à Função Pública local. “A reserva fiscal [de Macau] é primariamente um amortecedor de risco financeiro e serve como último recurso de capacidade de pagamento do nossos sistema financeiro público”, explicou o responsável. Em resposta a uma interpelação do deputado Si Ka Lon, a AMCM afirmou que a reserva é mais um “fundo de estabilização” do que de riqueza, não tenho margem de risco alargada.

Anselmo Teng referiu ainda que a taxa de inflação não deve ser a base para o cálculo da taxa de retorno da reserva fiscal. “Para os investidores de todo o mundo, ainda não há nenhum padrão uniformizado sobre como lidar com fundos de investimento e há controvérsias sobre como é que a taxa de inflação deve ser usada

para calcular a performance”, disse. De acordo com notícia do jornal Macau Business Daily, Si Ka Lon questionava o facto da taxa de retorno da reserva ter sido de apenas 1,2%, valor que fica significativamente abaixo do da taxa de inflação de então. No entanto, de acordo com as regulamentações locais da reserva, o montante básico deveria ascender em 150% o valor do orçamento anual do Governo. De acordo com despacho publicado em Boletim Oficial, até Outubro do ano passado a reserva lucrou cerca de 4,7 mil milhões de patacas desde a sua criação, em Fevereiro de 2012.


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Sociedade

hoje macau terça-feira 6.1.2015

Air Asia Autoridade de Aviação Civil garante inspecções de segurança

O que é feito na região, fica na região A Autoridade da Aviação Civil de Macau “não vê qualquer impacto negativo” em Macau causado pelos recentes incidentes da Air Asia, principalmente com o acidente ocorrido com um avião da companhia na Indonésia. A autoridade garante ainda todo o controlo de segurança. Entretanto, a China começou ontem a colaborar nas operações de resgate Andreia Sofia Silva* andreia.silva@hojemacau.com.mo

O

s passageiros de Macau que utilizam os voos da Air Asia não devem ter motivos de preocupação. A Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM) garantiu ao HM que estão a ser levadas a cabo todas as inspecções de segurança e que não há razões para alarme. “A Autoridade de Aviação Civil lamenta as tristes notícias relacionadas com o acidente ocorrido com o avião da Air Asia. O avião envolvido no acidente é operado por uma linha aérea registada na Indonésia, a qual detém o certificado de operação aérea emitido

pelas autoridades aéreas da Indonésia”, começa por explicar a AACM. “A operação dos voos da Air Asia em Macau é independente de quaisquer operações levadas a cabo pela empresa na Indonésia, pelo que não vemos qualquer impacto negativo que possa ser causado pelo acidente em relação aos voos que são operados de e para Macau”, disse o organismo numa resposta escrita. A AACM apontou ainda que “nas inspecções regulares, inclusivamente as que são realizadas por operadores estrangeiros, são identificados quaisquer incumprimentos pelas linhas aéreas ou operadores” de aeroporto. “Aí emitiremos os resultados das nossas investigações para

que adoptem medidas correctivas de rectificação”, ressalva. “No âmbito da estreita monitorização de segurança levada a cabo pela nossa Autoridade, os voos e as operações do aeroporto no Aeroporto Internacional de Macau estão sob observação das leis e regulamentos do sistema de aviação de Macau bem como os padrões da Organização Internacional da Aviação

Civil”, revelou a mesma entidade.

Resgate com ajuda

O HM tentou contactar Célia Lao, directora-geral das operações da Air Asia na China, para perceber o impacto que o acidente poderá trazer ao nível do mercado e de novas rotas que a empresa pretende operar no território, mas até ao fecho da edição não foi possível obter declarações.

Entretanto, a Administração de Aviação Civil da China anunciou ontem que vai participar nas operações de resgate do que resta do avião que se despenhou no passado dia 28 de Dezembro em Surabaia, Ilha de Java, na Indonésia, com 162 pessoas a bordo. A agência Lusa escreve, com base num comunicado, que a entidade vai enviar especialistas em aviação e um barco de resgate para

“A operação dos voos da Air Asia em Macau é independente de quaisquer operações levadas a cabo pela empresa na Indonésia, pelo que não vemos qualquer impacto negativo que possa ser causado pelo acidente em relação aos voos que são operados de e para Macau” Autoridade de Aviação Civil

ajudar nas buscas das caixas negras do avião. Recorde-se que a Agência Indonésia de Meteorologia, Climatologia e Geofísica afirmou que a causa mais provável do acidente foi um dano no motor causado pela formação de gelo ao atravessar uma nuvem, ainda que seja necessário aceder aos registos das caixas negras para perceber exactamente o que se passou. Outros aviões da Air Asia têm tido problemas recentemente, como foi o caso de uma aeronave cujo motor deixou de funcionar quando esta ia levantar voo, também na Indonésia, e outro que, de regresso a Macau, teve de voltar a Banguecoque, depois de uma hora de voo, devido a problemas técnicos. - *com Lusa


sociedade 7

hoje macau terça-feira 6.1.2015

Foram vários os motivos de queixa apresentados ontem ao Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura pelos médicos de Macau. Alexis Tam ouviu, concordou e garantiu: “é preciso trabalhar”. O responsável deu um ano aos SS para melhorarem

Saúde Médicos queixam-se a Alexis Tam, que dá um ano para melhorias

Secretário de punho firme

Filipa Araújo

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

“É

preciso trabalhar”. Alexis Tam, o novo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, sabe que há muito a fazer na área da Saúde em Macau e ouviu ontem alguns dos pontos a melhorar, aquando de dois encontros com profissionais de saúde e com os membros do Conselho para os Assuntos Médicos. Numa reunião que durou mais de duas horas, aberta à comunicação social, Alexis Tam ouviu as várias opiniões dos membros do Conselho, que pintam um cenário negro na saúde da RAEM. Falta de mão-de-obra, uma deficitária aposta na formação de talentos, a resolução das longas filas de espera para consultas de especialidade e de urgência e até a escassez de desenvolvimento do turismo de saúde, foram os temas discutidos durante a tarde de ontem, onde não se deixou de apontar ainda a necessidade de construção de uma Faculdade de Medicina. No encontro com médicos e enfermeiros do Hospital Conde de São Januário, o responsável ouviu muitas críticas à saúde que, dizem, “não acompanha os padrões internacionais”, como tem sido amplamente defendido pelo Executivo.

“Primeiro temos de melhorar o tempo de espera para ser observado pelo médico. Isso é essencial. Já falei com os SS e não podemos deixar os nossos doentes esperar tanto tempo, nalguns casos até um ano. Isso para mim não pode ser. É demais” Alexis Tam Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura

De acordo com a rádio, Alexis Tam terá pedido aos profissionais para falarem abertamente e “sem medo de represálias” e foi o que estes fizeram: pedem mais médicos e enfermeiros, mais espaço e instalações. Dizem que é preciso um novo regime de carreiras “mais aliciante”, porque, actualmente, “não são contadas horas extraordinárias”. Frisam que é preciso

Lei Chin Ion põe mãos à obra Sem querer comentar e comparar trabalho até agora realizado, o Secretário afirma que esta é a oportunidade para que a actual equipa mude o cenário da saúde do território. Uma hipótese bem vista pelo director dos SS, Lei Chin Ion, que preferindo não comentar o que poderá acontecer casos os SS falhem nas metas a atingir, garantiu que o único pensamento neste momento é “tentar

fazer o melhor e concretizar o planeamento definido pelo Secretário, quer sejas nos serviços a melhorar, da saúde, formação, recrutamento e uma construção do sistema de saúde”. O responsável assegura que vai ser acelerado o ritmo. “Não penso em mais coisas. Eu e a minha equipa iremos continuar e tentar ao máximo fazer bem o trabalho definido pelo Secretário”, frisou.

seguros hospitalares e até que, trabalham tanto, que alguns se sentem “explorados”. A ginecologia e ortopedia são as piores áreas.

Talentos

A criação de uma Faculdade de Medicina foi outros dos pontos centrais. Até porque, de acordo com os profissionais, Macau tem capacidade para tal. “Macau tem uma base sólida na medicina”, começou por defender Wang Yitao, director do Instituto de Ciências Médicas Chinesas (ICMS). O professor defende também que a criação da Faculdade iria permitir a formação de novos talentos, assim como permitir “a formação contínua” outras das soluções apresentada por Yitao. Durante o momento de intervenção, Yitao argumentou que “é preciso cuidar da saúde para também promover o turismo”, coinci-

dindo com a opinião da directora do Instituto de Enfermagem do Kiang Wu, Van Iat Kio. A responsável defendeu que a mudança passa também pela a união do Governo e entidades competentes. “É possível elevar a qualidade. (...) É preciso união”, sublinhou. Sem esquecer a formação na Medicina Tradicional Chinesa, o vice-reitor da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa), Liu Liang, afirmou que este sector está carenciado de formação. No seu discurso, o vice-reitor não esqueceu de mencionar a necessidade de cooperação com várias entidades. “Acho que é preciso cooperar com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e também apostar na cooperação regional. Deve haver também mais cooperação com entidades locais, como por exemplo, universidades e clínicas”, disse. Já Manson Fok, director da Faculdade de Ciências da Saúde da MUST, aproveitou a presença do Secretário e apelou a que o Governo tivesse uma abertura plena quanto à formação de talentos. Para o director, não basta apostar localmente mas trabalhar para ser uma base de formação para toda a Ásia, apostando assim também no desenvolvimento tecnológico.

Trabalho, dinheiro e empenho

Alexis Tam ouviu e concordou. “Macau é um bocado atrasado”, afirmou, defendendo que as queixas ouvidas não era novidade, pois em vários momentos teve oportunidade de ouvir o pessoal de saúde. “É preciso aperfeiçoar o sistema hospitalar, melhorar o sistema de saúde, acelerar os trabalho de reestruturação, melhorar a gestão e apostar no recrutamento”, disse, sublinhando que Macau e a sua população não podem ficar estagnados. E é de pulso firme que o Secretário assume estar, para que durante o prazo por ele estipulado – um ano – os SS consigam trazer melhorias para a população. Já na sua visita durante a manhã de ontem às instalações do Hospital São Januário, Alexis Tam falou com doentes e reuniu com pessoal técnico dos SS, tendo ouvido que a “falta de técnicos, formação e as carreiras desactualizadas” são os principais problemas com que se depara o sector público de saúde. No topo das prioridades está a diminuição do tempo de espera.

Modernizar para vencer Alexis Tam quer também gerir melhor o esforço e a distribuição dos doentes e, nesse sentido, quer disponibilizar uma aplicação para ‘smartphones’ que permita aos utentes saberem, a todo o momento, qual a unidade de saúde, incluindo privados e centros de saúde, com menor tempo de espera, canalizando os doentes para as unidades disponíveis em vez de os concentrar apenas no hospital central.

“Primeiro temos de melhorar o tempo de espera para ser observado pelo médico. Isso é essencial. Já falei com os SS e não podemos deixar os nossos doentes esperar tanto tempo, nalguns casos até um ano. Isso para mim não pode ser. É demais”, afirmou. Para isso, o Secretário garantiu que a contratação de 529 profissionais de saúde, irá ser uma boa arma de solução. Tanto num encontro como no outro, Alexis Tam reforçou a necessidade de apostar no recrutamento, sendo que este processo deve ser o mais rápido possível. Quanto à contratação de talentos estrangeiros, o Secretário adiantou que é preciso “pensar bem”, porque para que os profissionais do estrangeiro se sintam motivados a mudar de local é preciso mexer “nas remunerações”. “Como é que vamos atrair profissionais se temos o mesmo nível de remuneração que a China e Hong Kong?”, questionou, sublinhando que “é difícil alguém querer sair da sua terra, afastar-se da família por uma menor remuneração”. No capítulo da assistência, o Secretário defendeu o alargamento do horário dos centros de saúde, nalguns casos, como as zonas com maior densidade populacional, durante 24 horas. Ouvindo por diversas vezes que alguns serviços são “zonas de tragédia” pelas diversas deficiências, que os médicos estão cansados e que há problemas até para se pagarem horas extraordinárias, Alexis Tam identificou 80 a 90% das queixas como “má gestão”. Agora, Lei Chin Ion, director dos SS, tem um ano para mostrar o que vale. Depois, logo se vê. * Veja na edição de amanhã do HM a entrevista alargada com o Secretário Alexis Tam, onde o responsável se debruça não só na área da Saúde, mas também nas restantes da sua tutela.


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Língua Portuguesa GAES abre o dobro das vagas para cursos em Portugal

E quem fala assim...

O Gabinete de Apoio ao Ensino Superior volta a organizar, pelo quarto ano consecutivo, cursos de Verão de Língua Portuguesa para principiantes e parte dos alunos tem a oportunidade de ir a Portugal. A colaborar com o gabinete estão o IPOR e as Universidades de Lisboa e do Porto Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

O

Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) anunciou ontem a abertura de curso de Verão “O ser e saber da Língua Portuguesa 2015”, que terá lugar nas cidades de Lisboa e Porto e conta este ano com cem vagas, o dobro das oferecidas no ano passado. De acordo com Wong Yut Peng, chefe funcional do GAES, não há ainda um valor fixo de orçamento para o curso.

A iniciativa tomou forma para “reforçar o interesse dos estudantes do ensino superior” local na aprendizagem do português e foi por isso mesmo que o GAES optou por aumentar o número de vagas. No ano passado, houve 56 alunos a participarem no curso, tendo sido preenchidas todas as vagas oferecidas. O curso vai compreender duas fases: a primeira obriga à frequência e conclusão de um curso de 50 horas de Língua Portuguesa de nível básico, leccionado no Instituto Português do Oriente (IPOR) na Páscoa, Ano Novo Lunar e férias de Verão.

Estão elegíveis para se candidatar, a partir de ontem, os alunos residentes no território que estejam inscritos num curso superior que não tenha o Português como língua veicular. “Alguns alunos [que participaram em anos anteriores deste curso] disseram-nos que prosseguiram os estudos em Língua Portuguesa depois de terem feito o curso”, informou Wong Yut Peng, durante o primeiro dia de inscrição. O curso dado pelo IPOR é gratuito e compreende 300 vagas. Já as aulas leccionadas na Universi-

dade de Letras de Lisboa e do Porto têm um custo de 3000 patacas que terá que ser suportado pelos alunos. O GAES fornece, no entanto, um subsídio de alimentação e alojamento de 420 euros. A viagem obriga ao conhecimento de um nível básico de Português que será avaliado através de um exame. Do curso do IPOR serão então seleccionados 60 estudantes para ir até ao país. Os alunos serão divididos em dois grupos e viajarão nos meses de Julho e Agosto, sendo que a estadia dura um mês.

pub

Governo da Região Administrativa Especial de Macau Fundo de Segurança Social Anúncio Nos termos dos artigos 36.º e 38.º da Lei n.º 4/2010, os beneficiários da pensão para idosos ou da pensão de invalidez do Fundo de Segurança Social (FSS), necessitam de efectuar, em Janeiro de cada ano, a prova de vida para fim de manutenção da sua atribuição. A não efectuação da prova de vida no prazo legal implica a suspensão do pagamento da pensão para idosos ou da pensão de invalidez. Assim, pedimos a atenção dos beneficiários das pensões que a prova de vida é efectuada durante o mês de Janeiro. Em Janeiro, os beneficiários, munidos do seu Bilhete de Identidade de Residente da RAEM, podem dirigir-se, pessoalmente, aos quiosques automáticos colocados em 31 locais espalhados por Macau para o efeito, ao posto de atendimento no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, ao Centro de Serviços da RAEM na Areia Preta ou aos 5 Centros de Acção Social do Instituto de Acção Social, para tratar, perante os funcionários do FSS, da prova de vida. Os que não podem comparecer por motivos de permanência no exterior, doenças ou dificuldade em movimentar-se, podem delegar outrem a deslocar-se, acompanhado dos respectivos documentos, aos diversos postos de atendimento para tratamento da prova de vida dentro de Janeiro. Os beneficiários, desde que concordem com o registo do número de telemóvel no FSS para a recepção de mensagens, vão recebê-las na forma de avisos sobre o tratamento da prova de vida. Todavia, se considerar ter necessidade do registo do número de telemóvel, pode fazer o registo junto do pessoal do FSS enquanto trata da prova de vida, no sentido de receber a mensagem no próximo ano. Para mais informações acerca dos locais de tratamento da prova de vida ou dos documentos necessários a entregar por não poder comparecer pessoalmente, podem telefonar para o n.o 28532850 ou visitar a página electrónica do FSS exclusivamente sobre a prova de vida: http:// www.fss.gov.mo/pt/sites/vida. Aos 6 de Janeiro de 2015

O Presidente do Conselho de Administração do FSS Ip Peng Kin

Open Tender Notice Request for Proposal – Supervision and Technical Support Service for Design & Build of Passenger Terminal Building North Extension at MIA (RFQ-209) 1. Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 2. Tendering method: Open tendering 3. Objective: To select a Supervision Consultant for supervising the construction of Passenger Terminal Building North Extension at Macau International Airport. 4. Request for tender documents: Tender Notice and Tender Document can be downloaded from the website www.macau-airport.com and www.camacau.com until 7 days prior to the deadline for submission of Bidders’ tenders. Please regularly check the website for any clarification or changes/ modification/amendment in the Tender Document. 5. Location and deadline for submission of Bidders’ tenders: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 12:00 noon on 30 Jan 2015 (Macau Time) The addressee of the tender shall be Mr. Deng Jun – Chairman of the Executive Committee. The tenders received after the stipulated date and time will not be accepted. 6. CAM reserves the right to reject any tender in full or in part without stating any reasons. -END-


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Autoridades querem nomes verdadeiros nas redes sociais

Do lado de lá sou mesmo eu Não indica como é que seria possível, mas um responsável da PJ defende a criação de um regime que impeça a criação de perfis falsos no Facebook. A ideia surge depois do caso de um agente da polícia que abusou sexualmente de menores que seduzia através da rede social

Reagendados novos exames para mulheres grávidas

Os Serviços de Saúde (SS) prometem adoptar “medidas para disponibilizar o mais brevemente possível exames para as mulheres grávidas que não conseguem marcar a triagem de Síndrome de Down”. Como tal, as interessadas em fazer o exame devem fazer a sua marcação junto do Gabinete de Utentes do hospital Conde de São Januário entre as 8H30 e as 18H00 de segunda à sexta-feira, excepto em feriados oficiais. Em comunicado, os SS reiteram que prestam muita importância aos exames pré-natais das mulheres grávidas de Macau “e continuam a proceder à monitorização, diagnóstico e prevenção precoces de doenças para as mulheres grávidas e fetos”. O anúncio dos SS é o segundo em dois dias, devido a notícias da imprensa chinesa que dão conta de problemas de acesso a exames pré-natais.

Tabaco Associação sugere inspectores à paisana

O director da Associação para a Abstenção do Fumo e Protecção da Saúde, Au Ka Fai, considera que é difícil os inspectores de prevenção e controlo de tabaco dos Serviços de Saúde (SS) conseguirem provas para acusar quem fumar nos locais tidos como ilegais. Por isso mesmo, o responsável sugere que seja introduzida uma medida semelhante à de polícias à paisana, assim como criado um regime de denúncia através da população. Citado pelo Jornal Ou Mun, Au Ka Fai diz estar satisfeito com o facto de a nova Lei da Prevenção e Controlo do Tabagismo ter alargado o seu âmbito a bares, salas de dança e estabelecimentos de saunas e de massagens. Contudo, acredita que a execução da lei é difícil e que é necessário aumentar número de inspectores. Sugere então que os inspectores possam entrar nos estabelecimentos à paisana, só mostrando a identidade depois de serem descobertas as ilegalidades. Além disso, diz esperar que as autoridades aceitem fotos ou vídeos tirados por residentes como prova de acusações.

Parque de Hac-Sá com carros abandonados e sem lugares Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

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epois da descoberta de um caso de alegado abuso sexual de menores protagonizado por um agente da Unidade de Intervenção Táctica da Polícia de Segurança Pública (PSP), as autoridades policiais defendem que deve ser criado um controlo mais apertado à identidade nas redes sociais. O tema foi debatido na edição deste domingo do programa Fórum Macau da TDM. Cheang Pou Seong, chefe de divisão da Divisão de Ligação entre Polícia e Comunidade e relações públicas da Polícia Judiciária (PJ), garantiu que a ideia de criar

um regime que defenda a obrigatoriedade em se usar o nome verdadeiro num perfil ou conta pessoal deve ser uma possibilidade a ponderar, mas frisou ser necessário “consenso social”. Segundo o Jornal do Cidadão, Cheang Pou Seong relembrou que o agente da PSP usou uma identidade falsa para enganar as vítimas, pelo que o novo sistema, a ser implementado, daria protecção pessoal às pessoas que

são alvo de crimes sexuais. Ainda que pudesse limitar a liberdade de cada um. “Actualmente as leis podem punir os autores dos crimes, mas a sociedade deve repensar se é necessário a entrega de um regime para impedir o uso de identidades falsas neste tipo de crimes”, apontou. Não foram dados detalhes sobre como se poderia, na prática, implementar isto. Recorde-se que o agente

Cheang Pou Seong garantiu que a ideia de criar um regime que defenda a obrigatoriedade em se usar o nome verdadeiro num perfil ou conta pessoal deve ser uma possibilidade a ponderar

em causa, de 22 anos, está acusado de ter tido relações sexuais com nove raparigas menores – com idades entre os 14 e os 16 anos -, sendo que já admitiu que, com seis delas, praticou o crime de abuso sexual. O homem fazia passar-se por uma mulher modelo e trocava, assim, fotografias nuas com as estudantes. Questionado sobre se o caso do agente poderá influenciar a imagem das autoridades de Macau, o Cheang Pou Seong explicou que o agente da PSP em causa não cometeu o crime na qualidade de polícia e lembrou que a PSP tem vindo a levar a cabo acções de formação em termos de disciplina e ética profissional.

Fernando Gomes, Conselheiro das Comunidades Portuguesas, enviou uma foto ao HM onde demonstra descontentamento em relação à situação do estacionamento no parque de Hac-Sá, em Coloane. Fernando Gomes fala da existência de um “cemitério de carros”, onde é visível a existência de vários carros abandonados que há muito não são retirados pelos proprietários. A situação é vista por Fernando Gomes como sendo “uma desgraça” e este exige mesmo ao Governo que tome a iniciativa, para que “a população possa usufruir do estacionamento”.


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Arlinda Frota e Carol Kwok expõem na Signum Live Store

Porcelanas pintadas e outras his Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

S É já esta quinta‑feira que as artistas locais Arlinda Frota e Carol Kwok expõem os seus trabalhos na galeria Signum Live Store, mas com nomes diferentes: o público poderá ver porcelanas pintadas à mão em “Foam Tip” e fotografias em “Transmutation”

ão amigas e admiram o trabalho uma da outra. Mas na primeira vez que protagonizam um evento em conjunto, não houve acordos ou visualizações prévias. Será assim a exposição de Arlinda Frota e Carol Kwok, que abre portas já esta quinta-feira na galeria Signum Live Store. Com os nomes “Foam Tip” e “Transmutation”, a exposição irá revelar trabalhos em porcelana pintada à mão e fotografia. Ao HM, Arlinda Frota fala daquilo que o público poderá ver: peças inéditas feitas o ano passado. “Dadas as características da própria galeria, uma galeria exótica porque foge um bocadinho aos padrões das galerias que existem um pouco por todo o lado e em Macau, fiz uma série de trabalhos que estão de acordo com o espaço”, conta a artista que já chegou a expor na Fundação Rui Cunha. “Foam Tip” será composta por “trabalhos que são peças pequeninas, miniaturas”, embora também existam “alguns trabalhos emoldurados, pratos, exposição sobre porcelanas pintadas à mão”, sem esquecer uma

“série de peças pequenas, chávenas, peças de decoração, que se acordam com as características da galeria”. O nome escolhido para o evento surgiu de um impulso, cujo significado Arlinda Frota teve dificuldade em explicar. “Surgiu-me este título repentinamente, à medida que ia construindo as peças. Achei que aquele título estava adequado ao

que eu sentia ao produzi-las e ao que pretendia mostrar com as pinturas nas peças. É algo de muito abstracto e profundo que vem de dentro de alguém, é uma espuma do ser, um limite das capacidades da imaginação, dos sentidos e da sensibilidade, do ser enquanto peça”, conta ao HM. A ideia desta exposição partiu de Carol Kwok, uma artista local

ligada à Art for All Society (AFA) e surgiu há cerca de um ano. “Sou muito amiga da Carol e ela sempre demonstrou uma enorme paixão pelos meus trabalhos. Não faço ideia do que ela vai fazer e não vi os trabalhos dela. O que foi considerado foi: ela conhece os meus trabalhos e achou que queria fazer uma exposição conjunta naquele

Goa Mais de três milhões visitaram relíquias de S. Francisco Xavier

Do longínquo Oeste navegou... T rês milhões de crentes visitaram nos últimos 44 dias as relíquias do missionário jesuíta São Francisco Xavier, na cidade de Goa, na Índia, numa exposição pública que ocorre de 10 em 10 anos. São Francisco Xavier é um dos principais missionários católicos no Oriente, ao serviço do Padroado português, e tem sido objecto de uma forte devoção pela minoria católica na Índia mas também um pouco por todo o Índico. A 22 de Novembro, o corpo do santo, nascido em Navarra, no princípio do século XVI, foi transladado, numa procissão, numa urna de cristal e prata, desde a igreja do Bom Jesus, onde estava, à catedral, um edifício gótico do século XVI, onde permaneceu até hoje. “Os peregrinos chegaram a esperar até sete horas” para ver o santo, disse o respon-

sável pela organização do evento, padre Alfred Vas, avançando que cerca de 3,3 milhões de pessoas formaram longas filas de espera para visitar as relíquias. O sacerdote disse ter encontrado grupos de peregrinos vindos de Portugal, Espanha, França, Itália e China. São Francisco Xavier, co-fundador da Companhia de Jesus com Santo Inácio de Loyola, desembarcou em Goa, em 1542, com o objectivo de converter ao cristianismo os novos súbditos da coroa portuguesa. A religião cristã representa cerca de 1,9% da população da Índia, ou seja, abrange cerca de 19 milhões de crentes. Além do trabalho pastoral na Índia, Francisco Xavier foi o primeiro jesuíta no Japão e esteve em vários outros locais de implantação portuguesa no oriente, como a China ou Malaca.


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stórias É algo de muito abstracto e profundo que vem de dentro de alguém, é uma espuma do ser, um limite das capacidades da imaginação, dos sentidos e da sensibilidade, do ser enquanto peça espaço, foi ela que me apresentou à galeria, que eu já conhecia. Penso que ela foi fazer uma coisa que se acorda com aquilo que ela sabe que eu vou apresentar, mas não sei o que ela vai apresentar”, revela Arlinda Frota. O HM tentou entrar em contacto com Carol Kwok, por forma a falar dos trabalhos que vai apresentar em “Transmutation”, mas até ao fecho da edição a artista mostrou-se incontactável. A exposição fica patente até ao dia 31 de Março na galeria, situada na avenida Almirante Sérgio.

Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

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Museu de Arte de Macau (MAM) tem em exposição, até final deste ano, uma colectânea de peças relativas à transferência de soberania do território. Os vídeos, fotografias, manuscritos, revistas, jornais e lembranças foram doados por Lau Sin Peng, até 2008 directora da escola secundária de ensino nocturno Seong Fan. Depois de quase cinco décadas dedicadas ao ensino local, Lau doou assim centenas de artigos que congelam no tempo aquele que foi um dos acontecimentos político-sociais mais marcantes de Macau.

stá concluído o processo de selecção dos estilistas locais que vão receber 150 mil patacas para a concepção de uma colecção de vestuário. O ‘Programa de Subsídios à Criação de Amostras de Design de Moda’, promovido pelo Instituto Cultural (IC), vai apoiar o trabalho dos designers Wai Chin Seong, Leong Man Teng, Lei Wai Cheng, Wan Sio Tong e Wong Ha, que formam uma equipa, Cheang Man Cheng, Cheong Oi Leng, Cheang Chi Tat e Leong Iok Pui. Estes são os nomes escolhidos de um total de 23 candidaturas que o IC recebeu, num processo de selecção que arrancou em Agosto do ano passado. No total, cada designer ou equipa vão receber 150 mil patacas, dinheiro que deverá ser investido em “execução de amostras, materiais promocionais e inscrição para participação em actividades de marketing de moda em Macau ou no exterior”, aponta o IC em comunicado. Este é o segundo ano em que funciona esta medida de apoio financeiro. “Os membros do júri que participaram nos processos de selecção das duas edições deste Programa verificaram que as candidaturas de 2014 mostraram claras melhorias a nível do marketing e orçamento, sendo que vários dos designs submetidos têm potencial de mercado”, aponta o mesmo comunicado. Para além disso, “mais de metade dos candidatos registaram a sua marca, o que reflecte que os designers de moda estão cientes da

Design de Moda IC já escolheu finalistas para subsídios na área

Oito estilistas felizardos

importância da protecção da marca e dos seus direitos de propriedade intelectual. Mais de 70% dos candidatos ao Programa criaram a sua marca há menos de três anos, reflectindo a popularidade do Programa entre os novos designers bem como a sua capacidade de apoiar e fomentar novos talentos”.

Os nomes foram escolhidos por um júri composto por nomes ligados ao sector da moda local, como é o caso de Terry Sio, presidente do Rainbow Group e membro do Conselho para as Indústrias Culturais de Macau, Walter Ma, vice-presidente da Associação de Designers de Moda de Hong Kong, Victoria

Kuan, gerente sénior do Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM), José Tang, vice-presidente da Associação Industrial de Macau; Robert Lai, consultor da Galeria de Moda de Macau e Chan Peng Fai, vice-presidente substituto do IC. A.S.S.

MAM Expostos artigos doados sobre a transferência de soberania

Pela memória colectiva

À venda na Livraria Portuguesa

O colectivo de peças é agora parte integrante do Arquivo da Transferência criado pelo MAM, compreendendo documentação histórica e outros elementos. “Os residentes mais idosos ainda se lembram de tal cerimónia, mas as gerações mais novas talvez não e, por isso, esta exposição pode dar aos jovens a chance de apreciarem relíquias raramente vistas deste alto momento histórico”, lê-se no website. A mostra do MAM surge em jeito de celebração dos 15 anos de comemoração da transferência

de soberania, que teve lugar a 20 de Dezembro de 2014. Além de leccionar durante 48 anos, Lau sagrou-se no mundo académico com mais de 200 textos sobre educação, cultura, história e linguagem. A par dos artigos, escreveu ainda romances e ensaios. Foi, de acordo com o website do MAM, a experiência de Lau enquanto professora, que possibilitou a compilação de toda a informação que é agora exposta no museu. Lau foi também membro da Comissão Preparatória da RAEM e do Conselho da Educação de Macau, tendo ainda ajudado nas actividades de celebração do retorno à Pátria. Em 2002 recebe a medalha de Mérito do Governo na área da educação.

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Onde Está o Wally? A Viagem Fantástica • Martin Handford

Michel Vaillant, Ligação Perigosa • Philippe Graton, Denis Lapière

Acompanha o Wally pelos reinos da fantasia! Procura-o entre monges lutadores, anões vermelhos, vampiros, bruxas, gigantes, cavaleiros medievais, guerreiras da floresta, sereias e muitos, muitos outros. Publicados pela primeira vez em 1987, os livros do Wally estão traduzido em 30 línguas e já venderam mais de 50 milhões de exemplares.

Patrick Vaillant, filho de Michel, decide prosseguir as suas investigações sobre o futuro do automobilismo, deixando nas mãos do pai o desafio de vencer o espetacular Rallye du Valais com o novíssimo modelo da Vaillante. Mas a co-piloto que é atribuída ao nosso herói torna perigosas, muito perigosas, tanto as etapas especiais como as ligações…


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Os operários estão cada vez mais cientes dos direitos e germina uma outra consciência política e social

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Trabalhadores reivindicam reformas e seguros de saúde

O povo não se cala

MARK MAGNIER In The Wall Street Journal

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as ruas de terra de um distrito industrial de Shenzhen, Zhou Shoufang, 59, lidera centenas de colegas de trabalho em uma luta por direito a aposentadoria numa fábrica de brinquedos. Zhou faz parte da primeira geração de trabalhadores migrantes chineses, pessoas que deixaram o campo décadas atrás para trabalhar em linhas de montagem em cidade do litoral e que agora se aproximam da idade da reforma. Até agora, estes trabalhadores esforçavam-se para garantir salários mais altos. Mas, com uma força de trabalho que está a envelhecer, uma rede de previdência social desgastada e um menor mercado de trabalho, as reivindicações por benefícios como pensões, seguro-saúde e seguro-desemprego aumentaram. No que os trabalhadores chamam de ponto de inflexão, a Yue Yuen Industrial Holdings, uma das maiores fabricantes de calçados do mundo – que produz para empresas como a Timberland e a Nike –, concordou em, após uma greve de duas semanas, aumentar as ajudas de custo e os benefícios da pensões. Isto desencadeou mais acções, segundo revelam sindicatos, e mais concessões de benefícios. A BPS China, com sede em Shenzhen e que anteriormente era conhecida como Power One Asia-Pacific Electronics, concordou em aumentar a cobertura de previdência social e os pagamentos de horas extras, depois de uma greve que durou 15 dias, e a Foshan Craft Factory ampliou o seu pacote de benefícios, também segundo sindicatos.

Um caso que fez a diferença

“O sucesso da Yue Yuen fez uma grande diferença”, diz Ji Jiansheng, um trabalhador de 42 anos na fabricante de equipamentos desportivos China Qilitian Golf Articles, onde segundo ele as negociações sobre os benefícios prosseguem. Na fábrica de brinquedos Guanlan Baode, também de Shenzhen, Zhou e sua campanha tiveram até agora um êxito limitado. Os trabalhadores conseguiram algumas concessões depois de uma paralisação de 24 horas, mas Zhou diz que exigências de pagamentos de pensões, que datam de 2001,

famílias, ficando com pouca coisa do que ganham. Zhou pretende voltar para Guangxi, onde está sua esposa, no ano que vem, mas está preocupado com o futuro, já que não terá uma fonte de rendimento. “Milhões de pessoas estão na mesma situação na China. Os trabalhadores migrantes mais velhos são os mais vulneráveis. Não podemos trabalhar por mais tempo e as nossas poupanças são muito pequenas.” Cao Zhanping, um funcionário de 40 anos da Qilitian Golf, concorda. “A sociedade deveria cuidar das pessoas que trabalharam no duro”, diz enquanto come com os colegas de trabalho. “Será que é pedir muito trabalhar quando se é jovem e receber benefícios quando se fica velho?” Um porta-voz da O-TA Precision Industry, controladora da Qilitian Golf, diz que a companhia paga todos os benefícios previstos pela lei em Shenzhen, mas que sindicalistas de fora criam problemas. “Estamos a fazer o nosso melhor para criar uma companhia e uma sociedade harmoniosas”, resume. Os trabalhadores migrantes com previdência respondiam por menos de um sexto da população chinesa economicamente activa em 2013, segundo estatísticas oficiais, enquanto menos de um décimo tinha seguro-desemprego.

Partido não tem ajudado

não foram ainda atendidas. Zhou e empregados doutras fábricas afirmam que em muitos casos estão simplesmente a tentar fazer com que as empresas paguem o que devem sob as leis do trabalho. Amy Chan, uma representante da Perfekta Enterprises, controladora da Baode, diz que todos os funcionários da Baode recebem os benefícios previstos na lei. “Somos justos e seguidores da lei”, afirma. “Os trabalhadores são um património importante de toda empresa.” O sindicalista Zhang diz que as empresas frequentemente afirmam que não têm como satisfazer as exigências dos trabalhadores enquanto a reforma em andamento no sistema legal não for concluída. “As companhias exageram na frequência com que a política do governo muda, para desencorajar os trabalhadores de contribuírem”, diz.

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yuans por mês é o salário actual der um trabalhador migrante

Todas as negociações colectivas estão sob alçada da Federação de Sindicatos da China, um enorme órgão burocrático estatal que, segundo os críticos, se preocupa mais em preservar a ordem do que em ajudar os trabalhadores Enquanto conversa com um jornalista num restaurante vazio, dois homens vestidos de preto aparecem do nada e começam a fotografá-lo. Zhang diz que já mudou o seu escritório de lugar várias vezes por causa de pressões da polícia sobre os seus locatários por causa das suas actividades. Zhou começou a trabalhar na empresa em 1994 e diz que no começo chorava quando pensava na família que havia deixado na província de Guangxi, onde trabalhara como agricultor. Começou por ganhar 600 yuans por mês, salário que ao longo dos anos subiu para os actuais 2.160 yuans, ou 3.400 yuans, incluindo as horas extras. Zhou gostava de karaoke nas horas vagas, mas sua voz acabou

por ficar estridente como resultado de uma cirurgia para retirar um tumor benigno em 2006. A operação custou 30 mil yuans, pagos do próprio bolso; a companhia só começou a arcar com um plano de saúde em 2007, afirma.

Velhos mas não trapos

Passando sobre folhas de papel rasgado no dormitório colectivo dos trabalhadores da fábrica, onde um grande cartaz do camarada Mao decora uma parede, Zhou diz que o dinheiro da previdência que o patrão lhe deve, cerca de 10 mil yuans, significaria a diferença entre uma aposentadoria decente e envelhecer na pobreza. Os trabalhadores migrantes enviam grande parte dos seus salários para as

A tendência do Partido Comunista chinês nas últimas décadas foi de ficar do lado das empresas e limitar os direitos dos trabalhadores para manter a estabilidade política e o crescimento económico. Todas as negociações colectivas estão sob alçada da Federação de Sindicatos da China, um enorme órgão burocrático estatal que, segundo os críticos, se preocupa mais em preservar a ordem do que em ajudar os trabalhadores. Mas especialistas no mercado de trabalho afirmam que a balança está a começar a pender a favor dos trabalhadores. Leis recentes exigem que as empresas assinem contratos de emprego e paguem benefícios sociais. E desde 2011 a população economicamente activa da China declinou. Isto força as empresas a oferecer melhores condições de trabalho. Os salários dos trabalhadores migrantes têm aumentado em taxas de dois dígitos desde 2010, alcançando 2.609 yuans por mês no ano passado. Isto, segundo especialistas em trabalho, ajudou a encorajar os trabalhadores. O China Labour Bulletin, um grupo de Hong Kong que defende os direitos da sociedade civil e acompanha greves e protestos trabalhistas pela imprensa chinesa, registou 1.206 incidentes em 2014, até Novembro, em comparação a 592 em 2013 e 337 em 2012.


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Pequim Dias “altamente poluídos” diminuíram em 2014

Luz ao fundo da bruma O

Campanha anti-corrupção Cai o líder do PC em Nanjing

O líder do Partido Comunista Chinês em Nanjing, Yang Weize, está a ser investigado por suspeita de corrupção, anunciou a Comissão Central de Disciplina do PCC domingo à noite. Yang Weize é suspeito de “graves violações da disciplina do partido e das leis”, disse a Comissão, utilizando a terminologia que descreve habitualmente os casos de corrupção. Sede de um município com cerca de 8,5 milhões de habitantes, Nanjing é a capital da província de Jiangsu, uma das mais prósperas da China, situada no leste do país. Em Outubro de 2013, o então presidente da câmara de Nanjing (a segunda figura do poder local, a seguir ao secretário do PC), Ji Jianye, foi também afastado por corrupção e posteriormente preso.

Coreia do Norte Soldado mata quatro chineses

Um norte-coreano, que se acredita ser um soldado em fuga, matou quatro cidadãos chineses durante um assalto depois de atravessar a fronteira para a China em busca de comida, disse ontem a imprensa local. O jovem soldado norte-coreano atravessou a fronteira no final de Dezembro e roubou dinheiro e comida numa casa antes de matar quatro residentes na cidade chinesa de Helong, diz a agência noticiosa sul-coreana Yonhap e o jornal Dong-A Ilbo. Ambos os meios de comunicação citaram fontes das zonas fronteiriças entre a China e a Coreia do Norte. Segundo o jornal jornal Dong-A Ilbo, as vítimas foram ou alvejadas ou espancadas. O soldado terá sido depois baleado e capturado pelas autoridades chinesas.

número de dias “altamente poluídos” registados o ano passado em Pequim baixou para 45, menos treze do que em 2013, disse ontem o gabinete municipal da Protecção Ambiental. Em 2014, a densidade média de partículas PM2.5 na atmosfera de Pequim baixou 4% em relação a 2013, para 85,9 microgramas por metro cúbico, mas manteve-se muito acima do nível máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelas próprias autoridades chinesas. As PM 2.5 são uma ameaça ao sistema respiratório por se infiltrarem facilmente nos pulmões. Pelos padrões da OMS, a partir de 25 microgramas por metro cúbico, a densidade dessas partículas torna-se perigosa, mas na China e outros países, aquele nível situa-se em 35 microgramas por metro cúbico. No conjunto, em 2014, Pequim teve 93 dias com qualidade do ar “excelente”, mais 22 do que no ano anterior. Entretanto, a cidade reduziu em 2,6 milhões de toneladas o consumo de carvão, retirou da circulação

476.000 veículos e encerrou 375 fábricas, indicou a mesma fonte. Sede de um município com cerca de 21 milhões de habitantes, Pequim é considerada uma das capitais mais poluídas do mundo, com evidentes prejuízos no domínio do turismo.

Presidente venezuelano em busca de apoio financeiro

Mão madura e estendida O Presidente venezuelano anunciou que chega hoje à China, para procurar apoio financeiro após a queda do preço do petróleo, num périplo que o levará também a vários países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Numa declaração transmitida pela rádio e pela televisão, Nicolás Maduro disse que vai à China “a convite do seu homólogo chinês, Xi Jinping, para trabalhar em diversos projectos de carácter económico, financeiro, energético, tecnológico, educativo e relativos ao desenvolvimento”. O chefe de Estado da Venezuela sublinhou que esses novos projectos são particularmente importan-

tes num contexto marcado por uma “extraordinária queda do preço do petróleo”. Maduro vai também participar na cimeira China-CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) que se realiza a 08 e 09 de Janeiro. O preço do barril de petróleo venezuelano caiu mais de 50% desde Junho de 2014, estabilizando nos 46,97 dólares em Dezembro. Apesar de a Venezuela ter as maiores reservas de crude do mundo, as suas finanças estão num estado calamitoso devido à queda dos preços, já que o país depende fortemente das suas receitas do petróleo, que lhe garantem 96% das suas divisas.

Há dois anos, durante vários dias seguidos, a densidade das PM2.5 em algumas zonas da cidade chegou a exceder os 500 microgramas por metro cúbico, dando origem a uma nova palavra - “arpocalipse”. Em 2015, as autoridades municipais esperam reduzir mais 5% a densidade das PM 2.5 e 6% nas emissões de dióxido sulfúrico. A cidade tentará manter o seu consumo anual de carvão abaixo das 15 milhões de toneladas (cerca de menos quatro milhões de toneladas do que em 2014) e livrar-se de mais de 300 fábricas poluentes, disse um responsável do Gabinete Municipal de Protecção Ambiental, Yu Jianhua, citado pela agência noticiosa oficial chinesa. Em Março passado, no relatório apresentado à sessão anual da Assembleia Nacional Popular (parlamento), o primeiro -ministro, Li Keqiang, anunciou que o governo chinês ia “declarar guerra à poluição”. A poluição é uma das principais fontes de insatisfação popular na China, a par da corrupção e das crescentes desigualdades sociais.

Homicida julgado depois condenação injusta

Uma confissão tarde demais U m homem que confessou ter morto uma mulher na China há 18 anos foi ontem a julgamento, três semanas depois de um tribunal ilibar o adolescente que foi condenado e executado pelo crime há 19 anos. O Tribunal Popular Intermédio de Hohhot, capital da região da Mongólia Interior, iniciou os processos contra Zhao Zhihong e espera-se que o veredicto seja anunciado ainda esta semana, de acordo com uma declaração publicada no microblogue oficial. Na origem do caso está a violação e o homicídio por asfixia de uma mulher numa casa de banho de uma fábrica de têxteis em Hohhot, em 1996. Pouco depois da morte da mulher, o jovem

Hugjiltu, de 18 anos, foi interrogado durante 48 horas, ao fim das quais confessou o crime. O rapaz foi condenado e executado pelo crime 61 dias depois da mulher ter sido morta. Durante anos a família de Hugjiltu tem tentado provar a sua inocência. Em 2005, Zhao foi detido pelas autoridades e confessou a mais de uma dúzia de violações e homicídios, incluindo o caso de 1996. No ano passado, o tribunal começou oficialmente a julgar novamente o caso de Hugjiltu, ilibando-o do crime devido a “falta de provas”. Segundo o tribunal, os pais de Hugjiltu vão receber mais de dois milhões de yuans em compensação.

Taiwan Ex-Presidente sai em liberdade condicional

O ex-Presidente de Taiwan Chen Shui-bian, que cumpria uma pena de 20 anos por corrupção e falsificação de documentos desde 2008, saiu ontem em liberdade condicional para receber tratamento médico em casa, informou hoje o Ministério da Justiça. Chen, que interrompeu mais de 50 anos de governos do Partido Kuomintang (KMT) com a sua eleição em 2000, foi julgado e condenado depois de terminar o seu segundo mandato em 2008 e tem, nos últimos anos, sofrido de várias doenças, incluindo uma depressão grave. Este ano, Chen, de 64 anos, apresentou dois pedidos de liberdade condicional por motivos de saúde e na semana passada uma equipa médica independente declarou-se unanimemente a favor da petição. Segundo os termos da sua liberdade condicional, Chen pode receber cuidados médicos na sua casa durante um mês, período prolongável caso um comité médico determine que o seu estado de saúde ainda o exige.

Huawei Vendas cresceram 15% em 2014

As vendas da multinacional chinesa de telecomunicações Huawei, uma das primeiras empresas da China a investir em Portugal, deverão subir 15% em 2014, para 46.000 milhões de dólares, anunciou ontem a imprensa oficial. O resultado é atribuído sobretudo às vendas de equipamento, sector em que a Huawei e a empresa sueca Ericson são consideradas líderes mundiais, mas na área dos ‘smartphones’ (telefones inteligentes) a subida da marca chinesa também foi acentuada (mais de 40%), disse o China Daily. Segundo a imprensa chinesa, os ‘smartphones’ da Huawei são os terceiros mais vendidos no mundo, a seguir aos da Samsung e da Apple. A Huawei está implantada há uma década em Portugal, onde já investiu mais de 40 milhões de euros e emprega cerca de cem pessoas.


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hojemacau no facebook

a caminho dos 5500 amigos

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luz de inverno

Boi Luxo

Éloge de L’Amour, Godard, 2001

G

odard será o único realizador famoso dos anos 60 e 70 sobre o qual se continuam a estender opiniões que permanecem paralelas ao seu valor histórico e turístico. Esta é uma figura que associamos a uma determinada época mas que continua no activo, como se fosse imortal, ou teimoso. Tão permanentes como ele apenas os seus críticos, dos mais favoráveis aos mais obfirmados na sua oposição. Já não há Malle nem Rohmer, nem Truffaut, nem Demy ou Melville, Bergman ou Antonioni, mas há sempre Godard. Belmondo e Jean Seberg já morreram. De vez em quando aparece um filme seu e este surpreende sempre. Nunca se diz dele que devia parar de fazer filmes porque se repete, como se devia de dizer de muitos outros que não desistem de se repetir, oblívios à sua estagnação e, o que é mais grave, ao enfado que causam às massas. Éloge de L’ Amour não me surpreende muito mas isso não interessa. Gostar-se de Godard (ou não) é um exercício que já passou por muitas fases, da indignação à indiferença, da arrogância à inevitabilidade, da militância pró à militância contra. Godard, de quem eu gosto muito porque sempre me pareceu um miúdo arrogante que leva muito mais a sério o cinema do que se leva a si próprio, não nos largará nunca

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artes, letras e ideias

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(Bergman, famosamente irritado com Godard, dizia que este fazia filmes para críticos). No Éloge o que poderia surpreender é que se mantenha por vezes tão igual a filmes seus com mais de 30 anos - a filmagem a preto e branco da primeira parte, em filme, ajuda a que isso aconteça, a segunda parte, a cores, é filmada em vídeo - mas que seja virginal e cristalino como se fosse a primeira vez. O filme pode ser visto sob esta perspectiva da recorrência, a recorrência das fases do amor, neste caso em particular, mas permitindo que se acrescente a recorrência da surpresa, a repetição do espanto. Rever este filme de 2001, que seria moderníssimo hoje, em 2015, é um desafio certo, violentamente necessário ao avanço de muitos para a aniquilação da sua propensão para o imobilismo. Revê-lo no início do ano, um lugar ainda piedoso do calendário, é uma escolha que revela, mais do que um desejo, uma revolta contra o tempo. Nele não deixa de haver um desespero, um que é a possibilidade de tudo ser uma cópia, como se se tratasse, o Éloge, de um filme de ficção científica passado num mundo onde tudo é apenas uma cópia, desde o comunismo ao amor, um mundo onde nada é original. Este cenário articula-se com a tentativa de expressão do amor em três idades diferentes, a juventude, a idade

adulta e a velhice, e a dificuldade em definir a idade do meio. A vida, como a Resistência (a Resistence durante a guerra) passou da juventude à idade da velhice, e a idade adulta, como o amor, parece impossível de dizer. Tudo isto começa a parecer interseccionista e é-o, um interseccionismo que continua nos seus filmes mais recentes e que vem de uma vontade imensa de experimentar. Este pratica-se também, de modo impecável, na banda sonora. A sobreposição das vozes e da música é um dos artifícios mais atraentes deste filme, não apenas pela dificuldade de comunicação e entendimento que eficazmente demonstra, mas porque a sua multiplicação, aliada à diferença de tom, cria uma pequena cacafonia doce, quase embalante e maternal. Quando o filme parecia começar a arrastar-se vem a cor. A cor do vídeo de há 14 anos, fortemente derramada e de contornos pouco definidos, como tudo neste filme de Godard. Na secção colorida (que é uma analepse e que inverte o procedimento mais usual de mostrar o passado a preto e branco e o presente a cores) prolonga-se a sedução mole de não se conseguir começar nada. Este é um filme em que o projecto de falar do amor não consegue iniciar-se. De pequeno assunto em pequeno assunto intersecciona-se a impossibilidade do começo com a impossibili-

dade da conclusão, e do projecto das histórias individuais de amor, de que se parece desistir-se, passa-se para a História. Edgar, o autor do projecto sobre o amor, entrevista Jean Lacouture, velho e arrastado, que vemos pouco, sobre a Resistência Francesa durante a Segunda Grande Guerra. A sua História é não tanto a realidade mas aquilo que lendariamente sobreviveu, ou seja, uma cópia do que terá sido verdadeiramente. O autor acrescenta a esta entrevista uma história da História cujos direitos um casal em dificuldades económicas vende a Hollywood para que se faça um filme. É quase cómica a apropriação que um país sem História faz da História dos outros. Godard aproveita estas cenas, pouco meigas, para a encenar, mais uma vez, como uma cópia. Somos aquilo em que nos tornámos e ninguém tem direito à verdade. Prolonga-se o uso da sobreposição, nesta parte não apenas dos discursos orais e da música mas das imagens vídeo que o autor manipula com o gosto manifestamente curioso e travesso que eu admiro desde sempre neste miúdo suíço. O seu último filme, Goodbye to Language, é em 3D. O que se transformou no modo como olho para ele é que já não penso que Godard está a gozar connosco, penso apenas, como pensava já antes, que o cinema continua a ser, para Godard, um enorme gozo.


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desporto

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Futebol Benfica mantém perseguidores à distância

Benfica confirmou anteontem o estatuto de líder da I Liga de futebol, ao vencer o Penafiel por 3-0, num final da 15.ª jornada marcado pela subida do Vitória de Guimarães ao terceiro lugar da classificação. Depois de o FC Porto ter vencido o seu encontro no sábado, cabia aos ‘encarnados’ reporem as diferenças no topo da I Liga e a equipa de Jorge Jesus não falhou a sua missão, impondo-se por 3-0 diante de um Penafiel cada vez mais penúltimo, com apenas 11 pontos e dez derrotas em 15 jogos. Os campeões nacionais e líderes isolados do campeonato encerraram a primeira ronda da competição de 2015 com uma vitória sentenciada com os golos dos brasileiros Talisca, aos 37 minutos, Jonas, aos 78, e Jardel, aos 88. O líder nunca acusou a saída de Enzo Pérez, tido como um dos eixos centrais no motor das “águias”, para o Valência, com Talisca a revelar-se preponderante na estratégia do treinador ‘encarnado’. O Benfica, que soma agora

lusa

O voo imperial da águia O

40 pontos, é escoltado no pódio do campeonato nacional pelo FC Porto, que tem menos seis, e pelo Vitória de Guimarães, que ultrapassou o Sporting na classificação, depois de golear o Nacional por 4-0, com um ‘hat-trick’ de André André. Ricardo abriu a contagem para os homens da casa, aos 28

minutos, e André André prosseguiu, com golos, aos 32, na conversão de uma grande penalidade, aos 37 e aos 80. A formação vimaranense soma agora 31 pontos, mais um do que o Sporting e mais três do que o Sporting de Braga que, no arranque da jornada, ocupava a terceira posição, enquanto o Nacional, que sofreu

o terceiro desaire consecutivo na competição e ainda não venceu fora da Madeira, desceu ao 14.º posto, com 12 pontos.

Boavista e Setúbal a subir

Na metade inferior da tabela, o destaque vai para o afastamento da zona de despromoção de Boavista e Vitória de Setúbal, que venceram, respectivamente, Arouca, por 3-1, e Moreirense, por 2-1. No Estádio do Bessa, no Porto, Zé Manuel inaugurou o marcador aos 44 minutos, mas Roberto empatou ao 10.º minuto da segunda parte, antes de o nigeriano Ucheba (70) e o cabo-verdiano Brito (90+3) darem o triunfo aos “axadrezados”. Com este triunfo, o Boavista manteve o 12.º posto, com 16 pontos, mais quatro do que o Arouca, que é 15.º, e está um ponto acima da “linha de água”. Já o Vitória de Setúbal deixou as posições de descida, graças ao golo do grego Pelkas, aos 87 minutos, um tento que consumou a primeira vitória dos setubalenses desde a 10.ª jornada e a subida ao 13.º lugar da classificação, com 14 pontos. O Moreirense, que permanece no nono lugar, com 20 pontos, até começou a vencer, graças a um golo na própria baliza de Venâncio, aos 38 minutos, mas Marcelo, também com um autogolo, aos 51, empatou o encontro para a formação anfitriã, antes de Pelkas decidir.

Via verde para as meias-finais O O Sporting ganhou os seis confrontos com o Famalicão na Taça de Portugal, o último dos quais em 2011/12, na última vez que atingiu a final, tendo em 1946 imposto a pior derrota como visitante aos famalicenses na prova, por 11-0. Depois de derrotar o Benfica (2-1) nos oitavos de final, o Sporting de Braga converteu-se num dos favoritos à conquista do troféu, que ergueu em 1965/66, não chegando ao encontro decisivo desde 1997/98.

Eusébio imortal O

presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, lembrou ontem que Eusébio “marcou gerações” e que, “por isso nunca morrerá”, em mensagem publicada no sítio oficial do clube. “Na verdade só morrem aqueles que não deixam marca e Eusébio não foi desses. Eusébio marcou várias gerações, por isso nunca morrerá”, sublinhou o dirigente máximo do clube, no qual o “Pantera Negra” foi uma das maiores figuras. No dia em que se assinalou um ano da morte de Eusébio, Luís Filipe Vieira salientou a importância de se celebrar “o talento, o exemplo e o carácter” do antigo futebolista, referência de dois países e que no Benfica se tornou um símbolo mundial. “Hoje é o último dia em que o Benfica cumpre luto formal, mas mesmo desaparecendo as braçadeiras pretas, nunca – por muitos anos que passem – vai desaparecer o sentimento de perda e de eterna gratidão”, acrescenta a nota. O antigo jogador, para muitos o melhor de sempre no futebol português, morreu na madrugada de 5 de Janeiro de 2014, vítima de paragem cardiorrespiratória. Para hoje estão previstas algumas cerimónias em memória do antigo jogador, nomeadamente uma missa na Igreja do Seminário da Luz e o descerrar de uma placa toponímica com o nome de Eusébio, com a presença de Luís Filipe Vieira e do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa.

Nome de avenida

Taça de Portugal Sporting recebe Famalicão

Famalicão, último resistente das competições secundárias, será na quarta-feira o derradeiro obstáculo para o Sporting atingir três anos depois as meias-finais da Taça de Portugal de futebol. Com a paz aparentemente restaurada entre presidente e treinador, o Sporting chega a este encontro após um triunfo tranquilo sobre o Estoril-Praia, por 3-0, que o deixou na quarta posição da I Liga. Para chegarem a esta fase, os ‘leões’ afastaram o FC Porto (3-1), único adversário do primeiro escalão, eliminando depois o Sporting de Espinho (5-0) e o Vizela (32), que, tal como o Famalicão, militam no Campeonato Nacional de Seniores. Actual líder da Série B do Campeonato Nacional de Seniores, o Famalicão, arredado dos campeonatos profissionais desde 1995/96, já igualou a sua melhor participação de sempre na Taça de Portugal, sendo um dos ‘tomba-gigantes’ da actual edição, depois de, na ronda anterior ter afastado o Paços de Ferreira. Tal como da última vez que atingiu os quartos de final, a equipa nortenha volta a encontrar o Sporting, em 200/01, quando perdeu, na altura, por 3-1 em casa.

Um ano depois

Para atingir as meias-finais, o Sporting de Braga tem de afastar em casa na quarta-feira o Belenenses, três vezes vencedor da prova e finalista em 2006/07 pela última vez. Este ano, as duas equipas já se defrontaram, com triunfo do Sporting de Braga no Restelo, mas na Taça a vantagem vai para os ‘azuis’, que venceu oito dos dez encontros e passou seis das sete eliminatórias. Os quartos de final fecham na quinta-feira, com um dérbi madeirense, entre o Marítimo e o Nacional, que, no único confronto esta temporada, venceu por 3-0, para a I Liga. Na Taça, as equipas insulares encontraram-se duas vezes, com um triunfo para cada lado, com a história a dar o favoritismo ao Marítimo, uma vez que quem jogou em casa se apurou. O primeiro apurado para as meias-finais vai ser conhecido na terça-feira, com o Rio Ave, finalista vencido da última temporada, a receber o Gil Vicente, única equipa sem triunfos na I Liga. No confronto entre ambas as equipas na Taça de Portugal, os barcelenses apuraram-se sempre em três encontros, mas nunca jogaram em Vila do Conde.

A inauguração da Avenida Eusébio da Silva Ferreira assinalou ontem o primeiro aniversário da morte do ‘Pantera Negra’. A cerimónia decorreu às 15:00 e contou com as presenças dos presidentes da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, e do Benfica, Luís Filipe Vieira, enquanto Humberto Coelho vai representar a Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Antes da inauguração da Avenida Eusébio da Silva Ferreira, um troço da Segunda Circular junto ao Estádio da Luz, em Lisboa, realizou-se pelas 11:00 uma missa na Igreja do Seminário da Luz, que foi fechada ao público e à comunicação social. Em seguida decorreu um cortejo até ao cemitério do Lumiar, última morada do ‘Pantera Negra’. O museu Cosme Damião vai igualmente lembrar Eusébio, tendo previstas visitas orientadas para a vida e carreira do emblemático jogador. Nascido a 25 de Janeiro de 1942 em Lourenço Marques (actual Maputo), em Moçambique, Eusébio da Silva Ferreira, figura icónica do Benfica e do futebol português, foi eleito o melhor jogador do mundo em 1965 e conquistou duas Botas de Ouro (1967/68 e 1972/73). No Mundial de 1966, disputado em Inglaterra, foi considerado o melhor jogador da competição, na qual foi o melhor marcador, com nove golos. Na mesma competição, Portugal terminou no terceiro lugar.


( F ) utilidades

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tempo

Cineteatro

c h u va

min

17

max

20

hum

80-98%

•

euro

Cinema

9.7

baht

0.2

Um filme de: Oliver Megaton Com: Liam Neeson, Forest Whitaker, Famke Janssen 14.00, 15.55, 17.50, 21.30

Sala 3

seventh son [3d] [C]

Um filme de: Sergei Bodrov Com: Jeff Bridges, Julianne Moore, Ben Barnes 19.30

night at the museum: secret of the tomb [B]

Um filme de: Shawn Levy Com: Ben Stiller, Robin Williams, Owen Wilson 19.45

1.3

O que fazer esta semana

Com: Jeff Bridges, Julianne Moore, Ben Barnes 14.30, 16.30, 21.30

taken 3 [c]

?

yuan

Taken 3 Sala 1

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women who flirt [b] (Falado em mandarim com legenda em chinês e inglês) Um filme de: Pang Ho-Cheung Com: Zhou Xun, Huang Xiao Ming 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Sala 2

seventh son [C]

Um filme de: Sergei Bodrov

Aconteceu Hoje

• Hoje 6 de janeiro

Exposição “Ponto de Partida: Pinturas de Dennis Murrell e dos seus Artistas”

Nasce Joana d’Arc, heroína da Guerra dos Cem Anos • Hoje é dia de recordar Joana d’Arc, mártir francesa que viria a ser queimada viva, a 30 de Maio de 1431, com 19 anos, acusada da prática de feitiçaria. Seis de Janeiro é também o Dia de Reis. Nascida a 6 de Janeiro de 1412, filha de camponeses, Joana d’Arc desde logo se distinguiu pela devoção a Deus. Movida pela fé, contribuiu decisivamente para alterar o rumo da Guerra dos Cem Anos, entre a França e a Inglaterra. Aos 13 anos, declarou que conseguia ouvir a voz de Deus, a mesma voz que a ordenou que libertasse a cidade de Orléans do poder inglês. França estava nas mãos dos britânicos e a patriota Joana d’Arc transmitiu ao rei a ordem que divina que recebera. Mas o seu poder transformou-se em sentença de morte. Joana d’Arc foi calada, na tentativa de libertar França do domínio britânico, naquele conflito. A 21 de Fevereiro de 1431, teve início o julgamento, sendo que a mártir francesa viria a ser queimada viva, no mesmo ano. Nasceram a 6 de Janeiro Heinrich Schliemann, arqueólogo alemão (1822), Max Bruch, compositor alemão (1838), Syd Barrett, fundador, vocalista, guitarrista e compositor dos Pink Floyd (1946), José Pacheco Pereira, político, comentador e historiador português (1949), e Rowan Atkinson, actor inglês, famoso por interpretar Mr. Bean (1955). Morreram neste dia Georg Cantor, matemático alemão (1918), Jacques Vaché, escritor francês (1918), Theodore Roosevelt, 26.º Presidente dos EUA (1919), Pavel Alekseyevich Cherenkov, físico russo (1990), Dizzy Gillespie, trompetista, maestro, cantor e compositor norte-americano (1990), e Rudolf Nureyev, bailarino e coreógrafo russo (1993). Hoje, festeja-se o Dia de Reis.

João Corvo

Fundação Rui Cunha, 18h30 Entrada livre

• Diariamente Exposição de sândalo vermelho (até 22/03) MGM Resort

h o j e h á f i l m e “Face/Off” (‘A outra face, John Woo, 1997) Mais do que pensar como um criminoso para apanhar um, o agente Sean Archer (John Travolta/Nicolas Cage) do FBI tem de se parecer com um criminoso. Melhor ainda: ser igual a ele. “Face/Off”, do realizador de Hong Kong John Woo, traz-nos uma história brilhante, onde um maníaco terrorista tentava matar o agente, mas errou no alvo, acabando por matar o seu filho. Castor Troy torna-se, então, ainda mais o principal alvo de Sean que, quando finalmente consegue capturá-lo, descobre que uma bomba está colocada no centro de Los Angeles. Mas, o terrorista entra num coma profundo após a detenção. E surge a ideia: Sean Archer, utilizando uma nova técnica revolucionária, troca de rosto com Castor Troy, para conseguir a localização da bomba, através de Pollux Troy, irmão mais novo de Castor que se encontra preso. Mas o criminoso sai do coma. E utiliza a mesma técnica revolucionária que o agente... Agora, Castor é Sean e Sean é Castor. E a família do agente não sabe disso... - Joana Freitas

Entrada livre Exposição de pintura “113º 55’ E 21’ 11’N”, de Sofia Areal (até 12/01) Casa Garden Entrada livre Exposição de pintura “Korean Art”, com Oh Young Sook e Kim Yeon Ok (até 15/02) Galeria Iao Hin Entrada livre Cotai Winter (Pista de gelo e actividades) Venetian Lagoon, Cotai Entrada livre

fonte da inveja

Vais ter com uma mulher? Não te esqueças do escadote.


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opinião

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Francisco Teixeira*

In Público

Maçonaria e registo de interesses “A positividade da exposição da nudez sem véus é pornográfica”; “O projecto heróico da transparência – de rasgar todos os véus, de tudo expor à luz, de expulsar toda a obscuridade – conduz à violência”. Byung-Chul Han, A Sociedade da Transparência

A

Maçonaria é uma ordem iniciática que visa o aperfeiçoamento da humanidade através da elevação moral e espiritual do indivíduo. Na medida em que é iniciática a maçonaria propõe-se, através do rito (articulação de gestos, movimentos, símbolos e invocações), a transformação existencial do indivíduo, transubstanciando-o. Algumas vezes consegue-o. Demasiadas vezes não. Mas a “transubstanciação” existencial não é o único fito maçónico. A maçonaria

também visa aperfeiçoar a Humanidade, porque o homem não é uma ilha e porque de pouco valeria salvar-se um só se não se pudessem salvar todos os seres humanos. Neste sentido, a maçonaria vive num duplo ethos ou espaço de ação e inspiração: por um lado visa a transformação individual (e não simplesmente psicológica), por outro visa a transformação social, porque o corpo e alma não são coisas diferentes mas duas modulações, ou variações, da mesma substância do humano. Mas, quer num caso quer noutro, o que se visa é uma ambição soteriológica, i.e., salvífica, do eu individual, da experiência do que é ser humano e da humanidade no seu conjunto. Mas a maçonaria não é uma Igreja ou um partido. Não é uma Igreja porque não tem uma doutrina dogmática, sacramentos ou um líder espiritual, e não é um partido porque não quer governar nem tem um programa político, embora tenha e tematize princípios meta-políticos de justiça e ética universais.

Por sua vez, a maçonaria usa o rito como método de acção. Mas a acção ritual maçónica é secreta. No entanto, este secretismo, “o segredo maçónico”, não constitui um instrumento de controlo sociológico ou organizacional, externo ou interno, muito menos um segredo material

O antimaçonismo da deputada do PSD Teresa Leal Coelho é, como todos os fundamentalismos antiliberais e antidemocráticos, disforme e ignorante e faz parte de uma longa tradição antimaçónica

concreto. O segredo maçónico tem a ver com a natureza da própria experiência ritual, que exige pudor face ao olhar do não iniciado e concentração em si mesmo e na sua experiência ritual concreta, evitando, entre outras coisas, o desejo pornográfico e totalitário de absoluta transparência. Para a maçonaria o que é secreto é o que não pode ser reduzido a outra dimensão ou dimensões que não a sua dimensão originária, no caso a dimensão ritual simbólica. Ser secreto quer dizer, na experiência ritual maçónica, ser irredutível a outra coisa, ser esotérico, i.e., ser interior, ter origem e fazer caminho pelo lado de dentro da experiência humana. Por isso se diz que o segredo maçónico é inviolável ou intransmissível: porque dizendo respeito à experiencia particular de cada maçon não pode ser reduzido à linguagem usada pela vulgar comunicação humana (ou a outras categorizações totalizadoras e potencialmente totalitárias), não podendo, por natureza, ser violado.


opinião 19

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José Manuel Pureza

In esquerda.net

Ser secreto quer dizer, na experiência ritual maçónica, ser irredutível a outra coisa, ser esotérico, i.e., ser interior, ter origem e fazer caminho pelo lado de dentro da experiência humana Nada de especial, portanto. O segredo maçónico é, pois, da mesma natureza que o amor ou amizade humanas (dois irredutíveis fundamentais da experiência humana) e só constitui uma ameaça para aqueles que acham que toda a realidade deve ser controlada, reduzida, visibilizada e vigiada, incluindo a realidade mais íntima da experiência religiosa transformativa. O segredo maçónico é, então, condição essencial de liberdade, própria e alheia, já que se pressupõe que é num reduto último de inviolabilidade pessoal que reside o sanctum sanctorum da liberdade em geral. É por causa desta inviolabilidade que, desde sempre, as tiranias perseguiram a maçonaria e os maçons e a experiência religiosa e popular exotéricas (i.e., procedendo de uma origem ou audição externas) sempre tiveram desconfiança da maçonaria e dos seus processos de recolhimento. A maçonaria existe, pois, num ethos eminentemente religioso, porque transformativo e soteriológico. Mas também existe e se firma num ethospolítico. Esta sua dupla dimensão constitutiva tem a ver, por um lado, com a sua origem histórica, mas, também, com a sua natureza ontológica, que recusa os dualismos cosmológico e antropológico. A maçonaria vive, por isso, num mundo de fronteira entre este e o outro mundo, entre o mundo celeste e o mundo terrestre, e é essa condição de fronteira que, por um lado, faz dela uma coisa algo

estranha e, ao mesmo tempo, antiga, em que se valoriza a ideia e a prática do “estranhamento” cosmológico, a mais lídima forma, ou experiência, da liberdade e da recusa de todo o reducionismo. Tudo isto a propósito de recentes polémicas animadas, em particular, pela deputada do PSD Teresa Leal Coelho, propondo que os deputados e os agentes políticos eleitos “sejam obrigados a declarar publicamente se têm ou não filiações secretas”, mas tendo em vista, declaradamente, as filiações maçónicas e do Opus Dei. Outras restrições aos direitos fundamentais deste mesmo tipo já tinham sido introduzidas na Lei Orgânica n.º 4/2014, de 13 de agosto - Lei-quadro do Sistema de Informações da República Portuguesa, pela qual os funcionários dos serviços de informações da República são obrigados a revelar todas as suas filiações societárias, em particular a “Filiação, participação ou desempenho de quaisquer funções em quaisquer entidades de natureza associativa”. Também aqui, e mais uma vez, o que se visa são os maçons e a maçonaria. No entanto, a Constituição da República Portuguesa é clara (no seu artigo 41º, nº 3, “Liberdade de consciência, religião e culto”) a referir que “Ninguém pode ser perguntado por qualquer autoridade acerca das suas convicções ou prática religiosa, salvo para recolha de dados estatísticos não individualmente identificáveis, nem ser prejudicado por se recusar a responder”. Temos, então, que este artigo, e aqueles intentos similares referidos acima, são claramente contrários à CRP, porquanto o registo obrigatório de pertença à maçonaria, ou ao Opus Dei, constitui uma pergunta e obrigações constringentes quanto a convicções ou práticas religiosas. Que esta discussão esteja a ter lugar no parlamento da República Portuguesa, potenciada por uma deputada do PSD, é absolutamente surpreendente e perigoso. Surpreendente e perigoso por revelar profunda ignorância sobre a natureza da maçonaria e outras organizações iniciáticas ou religiosas e, sobretudo, por revelar tentações totalitárias à conta de uma ideia desviante de transparência, passando por cima de um princípio basilar das democracias constitucionais: o princípio da absoluta liberdade de consciência e de religião, sem constrangimentos directos ou indirectos. O antimaçonismo da deputada do PSD Teresa Leal Coelho é, como todos os fundamentalismos antiliberais e antidemocráticos, disforme e ignorante e faz parte de uma longa tradição antimaçónica (tão longa quanto a própria maçonaria). Quanto a isso, nada de novo. Já o silêncio de outras pessoas e instituições, mais cultas e mais responsáveis, auguram o pior para a liberdade dos portugueses. Pelo seu lado, a maçonaria continuará o seu caminho como via iniciática e espiritual não dogmática, visando a liberdade e a igualdade acima de todas as coisas, com os olhos postos na utopia antiga de uma fraternidade universal de homens livres e de bons costumes. *Professor do ensino secundário, Doutorado em Filosofia, Maçon

Duas palavras

O

mercado é uma arma. É um detonador remoto de crises e de mudanças de regime, que dispensa os custos de intervenções militares ou de campanhas diplomáticas. Arrasar uma economia mono-exportadora ou sufocar um poder adverso através de operações especulativas sobre a sua moeda passou a ser um derivado relativamente trivial do “regular funcionamento” dos mercados. Com a agravante de não haver rostos concretos que possam ser responsabilizados por essas consequências. A natureza nebulosa dos mercados produz essa tremenda noção de irresponsabilidade concreta. É por tudo isto que, ao olhar para o ano que agora começa, as palavras petróleo e Grécia assumem uma importância tão grande – é que em ambas vai suposto esse

Ao olhar para o ano que agora começa, as palavras petróleo e Grécia assumem uma importância tão grande – é que em ambas vai suposto esse poder arrasador dos anónimos mercados e a suposta irresponsabilidade dos poderes políticos pelo que se vier a passar

poder arrasador dos anónimos mercados e a suposta irresponsabilidade dos poderes políticos pelo que se vier a passar. A descida súbita e drástica do preço do barril de crude (de 114 dólares para 56 em menos de um trimestre) tem certamente razões de mercado. A quebra do ritmo de crescimento do consumo – sobretudo pela contenção da bolha imobiliária na China – e a injecção do petróleo de xisto no circuito de consumo em massa são expressões claras disso. Mas há uma óbvia estratégia política nesta concreta reorientação dos preços e na financeirização do mercado. O mercado – o do petróleo por excelência – é sempre para alguém e para algum propósito. Vergar economicamente, ainda uma vez, a Rússia e, por tabela, as economias de Angola, da Venezuela ou do Irão é a prova de como o mercado, sendo anónimo não é politicamente cego. Em 2015 essa será uma realidade à prova. Na Grécia, a clareza dessa natureza política do mercado é ainda mais flagrante. As chantagens de Merkel e da Comissão Europeia sobre a decisão democrática do povo grego, antes de serem expressão de ambições geopolíticas ou de fórmulas ideológicas gerais, são a voz desse mercado que não tolera entraves à sua voragem e que não hesita em pôr a democracia em sentido para que esse seu desiderato se cumpra por inteiro. De há anos a esta parte que a Grécia é a prova de que o casamento entre democracia e liberalismo que alguns distraídos acreditaram que se configuraria como uma categoria definitiva – o chamado modelo demo-liberal – é hoje uma contradição em estado puro. Grécia e petróleo – atentemos nestas duas palavras no ano que agora começa. E constatemos nelas a disputa política maior do nosso tempo: a que contrapõe liberalismo e democracia.


hoje macau terça-feira 6.1.2015

Frugalidade 100 mil funcionários punidos

Mais de cem mil funcionários chineses foram repreendidos nos últimos dois anos por violarem a “política de frugalidade” imposta pela nova liderança do país, anunciou ontem a Comissão Central de Disciplina do Partido Comunista Chinês (PCC). As violações da disciplina detectadas pelos inspectores da Comissão dizem respeito a viagens ao estrangeiro e programas de diversão pessoal financiados com dinheiros públicos, gastos excessivos com recepções e veículos, casamento e funerais extravagantes, distribuição e aceitação de prendas. A “política de frugalidade”, destinada a tentar reduzir a pompa, a burocracia e outros “práticas indesejáveis”, foi lançada em Dezembro de 2012, depois do atual Presidente, Xi Jinping, ter assumido a chefia do PCC. No total, os inspetores da Comissão Central de Disciplina do PCC puniram 102.168 funcionários, 5.340 dos quais no mês passado.

Jogos de Inverno Pequim formaliza candidatura

Pequim, sede dos Jogos Olímpicos de 2008, formaliza na terça-feira a candidatura à organização dos Jogos de Inverno de 2022, anunciou ontem o Comité Olímpico Chinês. A delegação chinesa que entregará o dossier na sede do Comité Olímpico Internacional (COI), em Lausana, na Suíça, será encabeçada pelo presidente da câmara e da candidatura de Pequim, Wang Anshun, e pelo líder do Comité Olímpico Chinês, Liu Peng. Para a edição de 2022 dos Jogos de Inverno concorrem apenas Pequim e Almaty, capital do Cazaquistão, depois da desistência de Oslo, apontada como a grande favorita. Em Outubro, a capital norueguesa saiu da corrida, depois de avaliar os elevados custos que acarretam a organização do evento.

Morreu responsável por Pequim2008

O chinês He Zhenliang, ex-vicepresidente do Comité Olímpico Internacional (COI) e um dos principais responsáveis na candidatura de Pequim aos Jogos de 2008, morreu domingo, aos 85 anos. De acordo com informação prestada pelo Comité Olímpico da China, He Zhenliang, que foi eleito membro do COI em 1981 e vice-presidente em 1989, morreu num hospital de Pequim, vítima de doença prolongada. O dirigente ocupou vários cargos em instituições desportivas chinesas, mas o país irá lembrá-lo como uma das pessoas mais empenhadas na organização dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim.

30 países latino-americanos em Pequim

cartoon por Stephff

Decotes da antiga China não passam na censura

Seiofóbicos no poder M

ais de um milénio depois, os decotados vestidos em voga entre as concubinas e as aias da Dinastia Tang, considerada uma época áurea da civilização chinesa, revelaram-se demasiado ousados para o gosto dos censores comunistas. A transmissão da série televisiva “Imperadora da China”, iniciada no dia 21 de Dezembro e interrompida depois por “problemas técnicos”, foi retomada na semana passada, mas com as protagonistas filmadas em grandes planos, de modo a ocultar o seu peito e parte dos seios, que os pronunciados decotes deixavam ver. “Agora só se vêem cabeças grandes”, lamentou um internauta, num dos muitos comentários difundidos nas redes sociais. O novo enquadramento terá sido imposto pela Administração Estatal do Imprensa, Publicações, Rádio, Cinema e Televisão, no âmbito do seu apertado controlo sobre tudo o que diz respeito à exposição do corpo e à sexualidade, mas nem aquele organismo nem os produtores da série, a Televisão Provincial de Hunan, quiserem pronunciar-se sobre o assunto. “Como se pode considerar pornografia a exposição de parte dos seios? Isto não será antes uma

manifestação de feudalismo?”, questionou um bloguista. Um especialista da Universidade de Pequim (Beida), Chen Shaofeng, disse a um jornal local que a nova versão da série “carece, de facto, de um toque estético” e “é susceptível de contrariar a atmosfera da dinastia Tang”. “Ao cortar as imagens mais reveladoras, o regulador poderá ter-se excedido”, afirmou Chen Shaofeng, vice-diretor do Instituto das Industrias Criativas da Beida. Mas também há quem concorde com os cortes: “Com tantos seios, mal podia olhar para a televisão”, escreveu um bloguista citado pela agência noticiosa oficial chinesa. No cinema e na televisão chinesas, não há cenas explícitas

de sexo e mesmo os beijos são discretos e muito rápidos. Numa circular emitida em Novembro passado, a Administração Estatal da Imprensa, Publicações, Rádio, Cinema e Televisão ordenou até que peças ou programas descrevendo relações sexuais fora do casamento ou polígamas deviam ser cortadas ou apagadas. A história desta série centra-se na figura de Wu Zetian, a única imperadora da China, que governou o país no final do século VII. Concubina do imperador Taizong, Wu Zetian casou mais tarde com o seu sucessor e depois de este morrer ascendeu ela própria ao trono. O papel principal é interpretado por Fan Bingbing, uma das novas estrelas do cinema chinês. Segundo adiantou a imprensa oficial, a produção custou 300 milhões de yuan, dez milhões dos quais só para o guarda-roupa. A Dinastia Tang, descrita habitualmente como um dos períodos de maior esplendor da multimilenar civilização chinesa, governou entre os séculos VII e IX. “A abertura da Dinastia Tang está bem patente nos casamentos e nas relações humanas. As mulheres, por exemplo, podiam casar mais de uma vez”, assinalou o historiador chinês Zhang Guogang, citado pelo Global Times.

Governantes chineses e de 30 países latino-americanos vão reunir-se na próxima quinta e sexta-feira em Pequim, no primeiro encontro ministerial do recém-criado Forum China-Comunidade dos Estados da América Latina e Caraíbas (CELAC). “Até agora, 30 dos 33 membros da CELAC e 20 ministros dos Negócios Estrangeiros já confirmaram a sua participação”, anunciou hoje um alto funcionário chinês acerca do encontro, cuja sessão inaugural contará também com a presença do Presidente da China e dos seus homólogos da Costa Rica, Equador e Venezuela. Criado no verão passado, o novo Forum assume-se como “uma plataforma intergovernamental de cooperação politica, económica e comercial”. “A China e os países da CELAC encontram-se numa fase semelhante de seu processo de desenvolvimento e partilham muitos interesses comuns”, disse Zhu Qingqiao, diretor do departamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês encarregue dos Assuntos da América Latina e Caraíbas.

Portugal TGV custou 153 milhões

O comboio de rede de alta velocidade (TGV) custou 152,9 milhões de euros aos cofres públicos apesar de não ter avançado, segundo uma auditoria do Tribunal de Contas. O Tribunal alerta para os erros na elaboração do projecto, entre eles a falta de “viabilidade financeira” demonstrada nos estudos preliminares. O custo final pode ainda vir a ser superior. É que existem pedidos de indemnização ao Estado que podem elevar a factura para 182,3 milhões de euros. Em causa estão 120 milhões de euros despendidos com a contratação externa, entre 2011 e 2013, e 32,9 milhões de euros gastos com custos de estrutura da RAVE, a empresa pública criada para implementar o TGV. Além disso, existe um custo potencial resultante de três pedidos de indemnização ao Estado.

Bono não pode tocar guitarra

Bono, vocalista dos U2, poderá não voltar a tocar guitarra, devido às lesões decorrentes do seu acidente de bicicleta, decorrido em Nova Iorque no final do ano passado. “A recuperação tem sido mais difícil do que eu pensava”, admitiu o músico, numa nova publicação no site da banda. “Enquanto escrevo isto, não é claro se irei voltar a tocar guitarra novamente”, escreveu. “Os meus colegas na banda não irão, provavelmente, sentir-se muito incomodados com este desenvolvimento… A banda recordou-me que nem eles nem a civilização ocidental dependem disto”, continuou o líder dos U2.


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Hoje Macau 6 JAN 2015 #3245 by Jornal Hoje Macau - Issuu