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Hoje Macau 05 AGOSTO 2021 #4825

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hoje macau

Nº 4825 QUINTA-FEIRA 5-8-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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HOJE MACAU

PÁRA TUDO Ou quase tudo. Durante os próximos 14 dias, actividades culturais, discotecas, bares, ginásios, salões de beleza, entre muitos outros locais e actividades, vão estar suspensos devido ao novo surto de covid-19. Para já, escapam casinos e restaurantes. Os testes em massa continuam, apesar do caos vivido ontem na cidade. Ho Iat Seng mostra-se, contudo, confiante de que dentro de duas semanas Macau volte à normalidade. Até à hora do fecho desta edição, não foram detectados mais casos de infecção. PÁGINAS 2 A 7

MIGRAÇÃO

PAIS E FILHOS ÚLTIMA

CHINA

ZHANGJIAJIE ISOLADA PÁGINA 8

POSTURAS

ANTÓNIO CABRITA

OPINIÃO

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS OLAVO RASQUINHO


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5.8.2021 quinta-feira

SURTO HO IAT SENG DIZ QUE NORMALIDADE PODE VOLTAR EM 14 DIAS

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Optimista céptico

Apesar de não afastar a hipótese de avançar com novas rondas de testagem em massa, o Chefe do Executivo está confiante que Macau pode voltar à normalidade dentro de 14 dias. Ho Iat Seng apresentou “sinceras desculpas” pelas falhas no sistema de código de saúde e revelou que, ao contrário de outros espaços de diversão, os casinos vão permanecer abertos


quinta-feira 5.8.2021

Vacinas Princípio da voluntariedade é para manter

Questionado sobre a possibilidade de tornar a vacinação obrigatória para toda a população, Ho Iat Seng reiterou que o princípio da voluntariedade é para respeitar. ”Não podemos obrigar porque estamos a falar de uma vacina que vai ser injectada no corpo humano e, por isso, não podemos violar este princípio da voluntariedade”. O Chefe do Executivo aproveitou a ocasião para apelar à população para se vacinar e ficar assim “mais protegida”.

saúde tenha deixado de funcionar correctamente durante a manhã de ontem. A culpa, disse, foi da actualização do sistema para acolher a obrigatoriedade de apresentar um teste de ácido nucleico com a validade de 12 horas (em vez de 24 horas) para sair de Macau. “Publicamente peço sinceras desculpas a toda a população pela falha do sistema informático. Ontem, já tínhamos ajustado o sistema do código de saúde para 24 horas. No entanto para passar as fronteiras tivemos que considerar as exigências das autoridades de Zhuhai [testes com prazo de 12 horas] e o sistema não se conseguiu adaptar à mudança momentânea”, partilhou.

Cartas na mesa

Questionado se o encerramento dos casinos está a ser ponderado, à semelhança de outros espaços de diversão, Ho Iat Seng afastou, para já, esse cenário, dado que o surto actual não envolve funcionários do sector do jogo. “Por enquanto não vamos encerrar os casinos porque o problema não aconteceu nos casinos. Quando encerrámos os casinos [em 2020], os envolvidos eram funcionários dos casinos e, por isso, é que

tomámos a medida de encerrar os casinos por 15 dias. Mas desta vez, o caso diz respeito a uma pessoa que trabalha numa loja que vende fruta e, por isso, essas lojas é que têm de ser encerradas”, referiu. Sobre a possibilidade de existir uma dualidade de critérios na génese da decisão, Ho rejeitou a ideia e explicou que se tratam de situações diferentes. "Não é uma dualidade [de critérios] e não é uma posição que tomamos como Governo. O mais seguro seria encerrar tudo, mas não podemos actuar assim. Tem de ser de maneira gradual. Estes casos confirmados não estão relacionados com os casinos. Estamos a encerrar cinemas, saunas, salas de massagens e karaokes, porque ninguém usa máscaras nestes estabelecimentos", vincou o Chefe do Executivo. Em cima da mesa, ficou ainda a hipótese de vir a ajustar o orçamento estimado, tendo em conta a previsível redução das receitas brutas de jogo. “Depois de quase 500 dias sem casos em Macau temos agora este surto. Se não conseguirmos atingir a previsão das receitas de jogo de 130 mil milhões de patacas iremos ajustar o orçamento”, admitiu Ho Iat Seng. Pedro Arede

“Não podemos descartar a possibilidade que realizar uma segunda ou terceira ronda [de testagem em massa].” HO IAT SENG CHEFE DO EXECUTIVO

ALL ABOUT MACAU

Chefe do Executivo, Ho Iat Seng defendeu ontem acreditar que, após o surgimento de novos casos de covid-19, Macau pode voltar “gradualmente à normalidade” dentro de duas semanas. “Esperamos conter esta fase dentro de 14 dias. Se não houver surtos ou grandes calamidades podemos conter esta evolução epidemiológica e passados esses 14 dias podemos voltar gradualmente à normalidade”, disse Ho Iat Seng na Sede do Governo, por ocasião de uma conferência de Imprensa sobre a evolução da pandemia no território. Segundo o líder da RAEM, tal pode vir a acontecer, pois todos os factos levam a crer que o foco de contágio está fora de Macau e circunscrito ao voo que fez a ligação entre Xi’an e Zhuhai, onde seguiu a estudante de Macau que originou o surto no território e levou à confirmação de outros três casos (pais e irmão). “Dentro de 14 dias podemos ter a situação de Macau dentro da normalidade e ser considerados como um local de baixo risco”, reforçou. Sobre o programa de testagem em massa, Ho Iat Seng não descartou a hipótese de vir a avançar com novas rondas de exames à população. Isto, caso venham a aparecer casos positivos durante o processo em curso, que termina às 9h00 de sábado. “Não podemos descartar a possibilidade que realizar uma segunda ou terceira ronda [de testagem em massa] mas temos de ver primeiro se há grandes problemas ou resultados positivos na primeira ronda. Dentro desta confusão, o que podemos fazer é continuar a rever e a melhorar o nosso trabalho para as próximas rondas. Se garantirmos 100 por cento de casos negativos, claro que não avançamos”, esclareceu o Chefe do Executivo. Importa frisar que, momentos antes, o líder do Governo de Macau lamentou também que o código de

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Isto não é o faroeste Pessoas a dormir na rua não trazem má imagem a Macau, diz Ho Iat Seng

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Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, considerou que o facto de várias pessoas terem acabado por dormir ao relento na madrugada de ontem não traz “má imagem” para Macau e que, basta olhar para a situação dos sem-abrigo nos Estados Unidos da América, para provar isso mesmo. “Graças à situação de Macau não temos ninguém que precise de dormir na rua. Nos EUA conseguimos ver muitos sem-abrigo e, mesmo assim, com tantos sem-abrigo a imagem dos EUA não foi afectada. Claro que não queremos que os nossos residentes ou trabalhadores não residentes [TNR] fiquem como os sem-abrigo a dormir na rua”, apontou Ho. Sobre o tema, o Chefe do Executivo disse ainda que, muito provavelmente, o facto de ter havido pessoas a dormir na rua após o anúncio da obrigatoriedade de apresentar um teste de ácido nucleico com a validade de 24 horas para sair de Macau, ficou a dever-se à hora tardia da obtenção dos resultados. Questionado sobre a razão pela qual estes TNR não foram acolhidos no Centro de Sinistrados da Ilha Verde, o secretário para a Segurança disse que “não foram recebidos pedidos”.

No seguimento da resposta, Ho Iat Seng assegurou que o centro de acolhimento está disponível para quem precisar de ajuda e que as empesas devem assumir também as suas responsabilidades perante os trabalhadores. “Quem precisar do nosso apoio, claro que pode contar com o Governo. Quanto aos TNR, apelamos sempre às empresas que os contratam que assumam as suas próprias responsabilidades, fornecendo alojamento ou os bens necessários. Os TNR devem ter tratamento igual visto que eles têm família em Zhuhai”, sublinhou Ho Iat Seng. O Centro de Sinistrados da Ilha Verde estará em funcionamento, pelo menos, até ao próximo dia 18 de Agosto entre as 18h00 e as 8h00. A gestão está a cargo da Cáritas.

Compaixão improvisada

Segundo o jornal Ou Mun, ao ver que várias pessoas optaram por dormir na rua, um grupo dos residentes entregou bens alimentares a TNR e turistas que acabaram por ficar desalojados durante a madrugada. Além disso, o mesmo grupo de residentes decidiu acolher na sua residência três turistas pertencentes à sua família. P.A. e N.W.

HOU KONG CONDENADA ACTUAÇÃO DA ESCOLA MAS AFASTADA PUNIÇÃO

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Chefe do Executivo Ho Iat Seng considerou ontem que a Escola Secundária Hou Kong não procedeu bem ao decidir avançar com a visita de estudo de 30 alunos a Xi’an, numa altura que o desenvolvimento da pandemia no Interior da China revelava sinais evidentes de estar a piorar. “Tanto os professores, como a escola e os encarregados de educação devem assumir a responsabilidade, uma vez que em Nanjing já havia surtos [de covid-19]. Mesmo assim, eles quiseram avançar com

a ideia de fazer a viagem e eu considero que não o deviam ter feito”, começou por dizer Ho sobre o assunto. “As escolas podem organizar visitas ao Interior da China, nunca proibimos isso. Mas a escola devia ter sido capaz de analisar a situação epidemiológica e inteirar-se dos locais onde havia surtos ou começaram a aparecer casos. Suponhamos que volta a haver casos em Guangdong. A escola deveria continuar com a ideia de ir a Guangdong? Não devia. Claro que

Xi’an não é considerado um local de médio ou alto risco mas a escola devia ter avaliado que, em Julho, o risco de transmissão atingiu o pico (…) e ter em conta a situação de Nanjing, porque esta localidade é um hub de transportes aéreos para outras localidades. Quando questionado se o estabelecimento de ensino iria sofrer consequências práticas pelo incidente, Ho Iat Seng disse que “as autoridades competentes de Macau devem entrar em contacto com a escola Hou Kong”, mas que a pró-

pria escola “já emitiu um pedido de desculpas” e “aprendeu a lição para o futuro”. Recorde-se que a viagem de intercâmbio organizada pela Hou Kong entre 19 e 24 de Julho, envolveu 30 estudantes e que, no regresso a Macau, os elementos do grupo contactaram com dois casos ligados ao surto de Nanjing que estavam no voo CZ376 entre Xi’an e Zhuhai. P.A.


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PANDEMIA CENTROS DE TESTES SEM CAPACIDADE PARA LIDAR COM AFLUÊNCIA

Boatos Judiciária confirma partilha de informações falsas

A Polícia Judiciária (PJ) confirmou que a publicação que circulou ontem nas redes sociais onde era possível ler que cinco trabalhadores dos serviços de limpeza do IAM estavam contaminados com covid-19 continha conteúdo falso. Numa nota divulgada ontem, a polícia revelou ainda que o caso vai ser investigado e que os responsáveis podem ser acusados de infringir a lei. “A PJ vem esclarecer que se trata de uma informação falsa e a mensagem que veicula é susceptível de violar o art. 26.º ‘Crime contra a segurança, ordem e paz públicas em incidentes súbitos de natureza pública’” do regime jurídico de protecção civil. “A PJ vai iniciar a investigação de acordo com a lei para averiguar quem fez a disseminação do boato supramencionado, o qual poderá ser responsabilizado criminalmente”.

O caos infectou

Excursões Outro grupo de alunos retido

Segundo as informações disponibilizadas ontem por Wong Ka Ki, Chefe de Departamento do Ensino Não Superior dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude, há um outro grupo de alunos retido no Interior, no âmbito de “excursões de intercâmbio”. Os 22 alunos e o professor estão na região de Yunnan e o regresso vai ser feito em “tempo oportuno”. Anteriormente, a 6 de Junho, a DSEDJ tinha emitido instruções às escolas para não irem ao Interior nesta altura, apesar de ser reconhecido que os “intercâmbios” são uma experiência muito importante para o ensino.

Surtos Interior com 144 zonas de risco médio e alto

A Comissão Nacional de Saúde anunciou ontem que o Interior tem 144 zonas de médio e alto risco, de acordo com o jornal Exmoo. Segundo Mi Feng, às 9h00 de ontem 17 províncias tinham confirmado casos locais, que foram explicados com o risco crescente da nova vaga de infecções internacionais. As autoridades argumentaram que o número de casos no Interior estão relacionados com aeroportos, portos e hospitais definidos apenas para pessoas do exterior.

Sistemas informáticos em baixo, concentrações e filas intermináveis nos centros de testagem e pessoas impedidas de entrar em hospitais e mercados por não serem capazes de completar a declaração de saúde. Foi este o cenário vivido no primeiro dia de testagem maciça

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anúncio da obrigatoriedade de testar toda a população em três dias causou ontem o caos em Macau. De madrugada já circulavam imagens de pessoas que vivem do outro lado da fronteira a dormir nas ruas e estações de autocarros, por não terem teste de ácido nucleico válido para regressarem a casa. De manhã o cenário piorou. Segundo as instruções do Governo, era possível marcar o teste através do Código de Saúde. Todavia, o sistema começou a

falhar logo pela manhã, às 8h40, ainda antes de os centros de testes abrirem, o que devia ter acontecido às 09h, ao mesmo tempo que nos 41 locais se concentravam pessoas, formando longas filas. No Centro de Actividades no Edifício do Bairro da Ilha Verde as coisas correram ainda pior e o espaço não começou a testar antes das 10h, de acordo com o jornal Ou Mun. À publicação, uma residente de apelido Cheang, que foi para o início da fila às 06h, queixou-se da falta de informação relativamente à prioridade de quem fez a mar-


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a rua

ALVIS LO CULPA RESIDENTES Segundo o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, a responsabilidade pelas longas filas foi de quem apareceu nos centros de testes sem marcação. “Formaram-se algumas aglomerações porque houve pessoas que não fizeram marcação, o que causou muita insatisfação a quem fez”, afirmou na conferência diária sobre a pandemia. “Mas, agora, a ordem está muito boa”, frisou. Apesar da declaração, Alvis Lo pediu desculpas pelo sucedido: “Esta manhã houve muitas filas e apresento as minhas desculpas pelos inconvenientes causados”, reconheceu. “Acho que há sempre espaço para melhorias [no nosso trabalho]”, acrescentou.

cedo ao local. A residente que não foi identificada pela emissora pública denunciou a “falta de organização”. As esperas de várias horas fizeram com que no Campo dos Operários uma pessoa tivesse de ser transportada para o hospital, segundo o jornal Exmoo, por se sentir mal devido à exposição solar. Na mesma zona, vários trabalhadores não-residentes dormiam nas ruas e paragens de autocarros, enquanto aguardavam pelos resultados dos testes para poderem passar a fronteira.

Marcações só em chinês

cação prévia. Cheang foi um dos muitos exemplos de residentes apanhados nos cenários de caos que caracterizaram os postos de testagem. Situação semelhante foi relatada por Lo, uma residente da terceira idade. Ao Ou Mun, afirmou ter chegado ao centro do Bairro da Ilha Verde entre as 07h e as 08h, munida de marcação. Porém, apesar da marcação teve de esperar porque a fila “era muito longa”. As queixas foram repetindo-se um pouco por todo o lado. Na Escola Secundária Pui Ching, que

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acumulou filas que chegaram ao Jardim Lou Lim Iok, uma residente mostrou a indignação de estar na mesma fila que pessoas sem marcação, apesar de ter chegado

As esperas de várias horas fizeram com que no Campo dos Operários uma pessoa tivesse de ser transportada para o hospital, por se sentir mal devido à exposição solar

Além dos desafios logísticos e longas filas, quem não fala chinês enfrentou um desafio maior: durante grande parte do dia, o portal para as marcações dos testes apenas apresentava os nomes dos centros em chinês. A questão sobre a “falha” foi colocada durante a conferência com o Chefe do Executivo, que prometeu que o assunto ia ser resolvido o mais depressa possível. Várias horas depois do início dos testes e quando o Governo já apelava às pessoas para não comparecerem nos locais de testagem, surgiram os 41 nomes dos locais, e as respectivas moradas, em português. Contudo, o caos matinal não se ficou apenas pelos centros de testagem. Com os códigos de saúde a falharem, a identificação teve de ser feita mediante a apresentação do bilhete de identidade de residente para entrar em vários espaços, como no mercado do Iao Hon. Situação idêntica aconteceu no Hospital Kiang Wu, de acordo com o jornal Exmoo, onde algumas pessoas foram impedidas de entrar para outros fins que não a testagem. A razão apresentada foi o facto de a declaração de saúde não estar a funcionar. João Santos

Toca a despachar Autoridades afirmam ter testado 50 mil pessoas em seis horas

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director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, afirmou ontem que nas primeiras horas do programa de testagem, ou seja, entre as 09h e as 16h, foram testadas 49.905 pessoas. O número está abaixo da média do Governo, mas o cenário não foi considerado preocupante para alcançar a meta de testar toda a população em três dias. “Com uma melhor comunicação vamos melhorar o processo. De acordo com as nossas previsões conseguimos fazer 10 mil testes por hora”, disse o director dos Serviços de Saúde. Alvis Lo garantiu também que até às 16h todos os testes tinham apresentado resultados negativos. Aprevisão do Executivo aponta assim para que por dia sejam testadas 240 mil pessoas. Contudo, nas primeiras horas a média foi de 8.318, o que significa que se o ritmo se mantiver vão ser testadas 199.632 pessoas por dia. Tendo em conta que em Junho a população de Macau era de 684.500 habitantes, segundo os números dos Serviços de Estatística e Censos, e que quem vive no outro lado da fronteira vai precisar de fazer um teste a cada 12 horas para poder passar a fronteira, o ritmo pode não ser suficiente para testar todos durante os três dias. No entanto, as autoridades afirmaram acreditar que os testes vão ser concluídos dentro do prazo definido. “Sabemos que algumas filas são longas e que as pessoas vão ter de esperar. Mas os postos funcionam 24 horas por dias e vamos concluir tudo [nos três dias]. Temos confiança”, garantiu Tai Wa Hou, médico responsável pelo programa de vacinação.

Adeus azul

Ainda de acordo com as informações disponibilizadas, até às 16h

Filipe e Nunu Wu

Casos positivos Pais vacinados com duas doses da Sinopharm e filho de 15 anos dispensado pelo médico Além de fazerem testes regularmente, os pais da família infectada na origem do surto em Macau estavam vacinados com as duas doses da Sinopharm. “Os pais foram vacinados com a Sinopharm, levaram as duas doses”, garantiu Alvis Lo, director dos

Serviços de Saúde (SSM). Também ontem ficou-se a saber que o filho de 15 anos tinha ido ao médico a 28 de Junho, após apresentar os primeiros sintomas. Contudo, foi mandado para casa sem que lhe fosse realizado teste à covid-19. “O médico não fez

de ontem tinham sido feitas 286 mil marcações, com a maioria da população a pretender fazer o teste longo no primeiro dia do programa. Além disso, as autoridades reconheceram que, ao contrário do anunciado na madrugada anterior, não vai haver códigos de saúde com a cor azul. Inicialmente, o Governo fez materiais a divulgar que quem não tivesse sido testado teria um código de saúde azul. Só depois do teste, e dependendo do resultado, é que o código regressaria ao verde. Porém, a ideia acabou por ser abandonada por dificuldades técnicas. “Queríamos que o teste ficasse azul e depois fosse convertido em verde. Mas como sabem devido às mudanças e ao programa de testes houve falhas, e uma das soluções adoptadas pelo grupo de técnicos foi manter o sistema actual”, explicou Alvis Lo. “Devido à estabilidade do código de saúde não vai haver código azul”, frisou. No cenário actual, quem tiver código verde tem três dias para ser testado. Ao fim dos três dias, o código fica com a cor amarela, até que se faça um teste. Na madrugada de ontem, as autoridades tinham dito que a testagem da população só avançava se houve mais casos positivos. Porém, tudo mudou e Alvis Lo explicou o recuo: “Achámos que medidas rápidas e firmes podem ter uma melhor eficácia para obter zero casos”, apontou. “As filas de espera podem incomodar e causar problemas aso cidadãos, mas achamos que vale a pena”, defendeu. J.S.F.

o teste ao infectado, porque não havia um historial de viagem nem tinha havido contacto com uma pessoa infectada com covid-19”, indicou Leong Iek Hou, médica. “O filho era considerado de um grupo de baixo risco”, acrescentou. Apesar de ser de

alto risco, os SSM consideram que houve uma falha nos procedimentos. “Em Junho, actualizámos orientações para os casos de baixo risco. Quando houver febre, sem nada que o justifique, é necessário fazer teste de ácido nucleico e o código passa

a ser amarelo. Esta disposição está nas nossas orientações”, explicou Leong. “O médico não seguiu as orientações e vamos tentar saber com pormenores a situação do paciente, na altura, e como foi feito o diagnóstico”, revelou.

A visita do filho ao Hospital de Conde São Januário resultou mesmo assim no contacto com 80 pessoas, que foram levadas ontem para quarentena. Até ontem não havia testes positivos, entre estes contactos próximos.


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PANDEMIA CINEMAS, TEATROS, MUSEUS, BARES E OUTROS LOCAIS ENCERRAM pamentos Electrónicos e Eléctricos foi mais uma baixa na vaga de cancelamentos, incluindo a marcação de recolha ao domicílio, viatura de recolha itinerante, todos os postos de recolha itinerantes e pontos fixos de recolha. A Direcção dos Serviços de

Protecção Ambiental anunciou ainda a suspensão dos centros ambientais alegria, viatura de recolha itinerante, postos de reciclagem limpa instalados na rua e postos de recolha do Programa de Pontos Verdes. O período de suspensão estende-se até 17 de Agosto.

FÉ CONCENTRADA EM S. DOMINGOS organizar baptismos, casamentos A Diocese de Macau informou ontem que encerrou, a partir de hoje, todas as igrejas e centros de missa e suspendeu missas, liturgias e reuniões. Porém, todas as liturgias foram provisoriamente transferidas para a Igreja de São Domingos. Além disso, os párocos vão poder

e funerais para os fiéis, de acordo com as suas circunstâncias, e cada “paróquia organizará a hora e o local do Sacramento da Reconciliação (Confissão), especialmente para os fiéis que se preparam para receber a Sagrada Comunhão aos Domingos”.

FRC SUSPENDE ACTIVIDADES “Saturday Night Jazz: Ao Fai Group “Face às recentes medidas do Governo, ficam suspensas todas as actividades culturais agendadas na Fundação Rui Cunha”, anunciou ontem a fundação. Assim sendo, não serão realizadas as aulas do “Curso de Português Básico – A1” iniciado a 3 de Agosto, a “Sessão de Piano da Associação Elite” marcada para amanhã, e o

& Summer Jazz Combo” previsto para sábado. Quanto às restantes actividades agendadas para a próxima semana, a fundação indicou que irá divulgar informações em tempo oportuno, de acordo com “a evolução da situação pandémica e seguindo as recomendações governamentais”.

MELHOR FICAR SOSSEGADINHO que as associações devem, caso A Fundação Macau (FM) apelou “às associações que cancelem os convívios e visitas ao exterior que tenham previsto realizar até 17 de Agosto”. O organismo dirigido por Wu Zhiliang solicitou o cumprimento das instruções dos Serviços de Saúde e sugeriu reflexão sobre a verdadeira necessidade das associações para realizar eventos mesmo em Macau. Quanto a projectos financiados, a FM indicou

achem necessário, proceder a ajustes, “nomeadamente, o local, o adiamento do seu início ou o seu cancelamento”. Como tal, “as associações devem declará-los no formulário para alterar os elementos constantes dos projectos subsidiados”. A Fundação Macau encerrou também o Centro UNESCO e deixou de aceitar pedidos de cedência de utilização das instalações.

CÓDIGOS NO RESTAURANTE -se que quem tiver cores amarela Funcionários do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) vão fiscalizar mercados, estabelecimentos de comidas e bebidas licenciados para verificar os códigos de saúde. O organismo efectou ontem inspecções, concluindo que “a população, em geral, está a colaborar com as medidas de prevenção da epidemia”. Recorde-

e vermelha nos códigos não pode aceder a estes espaços. O IAM, em parceria com os Serviços de Saúde irá também medir a temperatura de quem entrar nos mercados. Serão ainda reforçadas as medidas de limpeza e desinfecção dos espaços públicos, vias públicas e postos fronteiriços.

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ESDE as 00h de hoje, foram “encerrados cinemas, teatros, parques de diversão em recintos fechados, salas de máquinas de diversão e jogos de vídeo, cibercafés, salas de jogos de bilhar e de bowling, estabelecimentos de saunas e de massagens, salões de beleza, ginásios de musculação, estabelecimentos de health club e karaoke, bares, night-clubs, discotecas, salas de dança e cabaret.” A ordem consta de um despacho executivo, assinado por Ho Iat Seng, e publicado ontem em Boletim Oficial. A medida foi tomada ao abrigo da lei de prevenção, controlo e tratamento de doenças transmissíveis e justificada como forma para evitar a transmissão da covid-19 em Macau. Em paralelo, o Instituto Cultural (IC) “cancelou todas as actividades até 16 de Agosto, incluindo vários tipos de actividades em museus, bibliotecas públicas, artes performativas, património cultural e indústrias culturais e criativas, assim como os respectivos workshops e cursos de formação de Verão”. Os concertos e espectáculos do BOK Festival foram cancelados. A organização do evento anunciou na terça-feira à noite que, “devido a preocupações motivadas pelos casos covid-19 em Macau, todos os espectáculos e actividades do festival serão adiados”, sem haver, para já, data para os retomar. Seguindo a vaga de encerramentos, o Museu do Grande Prémio de Macau (GPM), o Museu das Comunicações, o Museu dos Bombeiros e o Edifício Ritz fecharam portas, “incluindo o balcão de informações turísticas e a sala de exposições”. A Direcção dos Serviços de Turismo acrescenta que a data da reabertura será notificada à população e que quem comprou bilhetes para visitar o Museu do GPM será contactado para ser reembolsado. Também as reservas feitas até 11 de Agosto de excursões locais “Passeios, gastronomia

Desde a meia-noite, o Governo mandou cancelar museus, cinemas, teatros, bares, discotecas, ginási O surto comunitário de covid-19 levou ao congela e ao fecho de portas de quase tudo, à excepção d

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VERDE EM PAUSA O Programa de Reciclagem de Equi-

Foram “encerrados cinemas, teatros, parques de diversão em recintos fechados, salas de máquinas e jogos de v de saunas e de massagens, salões de beleza, ginásios, estabelecimentos de health club e karaoke, bares, nig


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trancas à porta

r actividades culturais, encerrar ios e várias instalações de ensino. amento de concertos, exposições dos casinos e restaurantes

vídeo, cibercafés, salas de jogos de bilhar e de bowling, estabelecimentos ght-clubs, discotecas, salas de dança e cabaret”

e estadia para residentes de Macau” foram canceladas e os serviços de turismo remeteram para informações futuras quanto à retoma do programa.

Coisas da autarquia

Como não poderia deixar de ser, também os equipamentos do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) serão afectados. A começar pelos centros de actividades do IAM, que vão todos encerrar, assim como as instalações e pavilhões cobertos e o teleférico da Colina da Guia, até data a comunicar no futuro. Instalações ao ar livre, tais como parques, jardins e zonas de lazer, permanecem, para já, abertas ao público. O organismo liderado por José Tavares irá encerrar o próprio Edifício do IAM, a Galeria Comemorativa da Lei Básica de Macau, o Salão de Exposições do Parque de Esculturas Étnicas Chinesas, os pavilhões no Jardim de Lou Lim Ioc, a Casa Cultural de Chá de Macau, Centro de Recursos de Educação Cívica, Ecoteca de Mong-Há. Além das instalações no Monte da Guia, da sala de actividades do Jardim Cidade das Flores e do Auditório do Carmo na Taipa, encerram também a zona de animais do Jardim da Flora, o Pavilhão do Panda Gigante e o Pavilhão de Animais Raros.

Creche e desaparece

No capítulo do ensino, o Instituto de Acção Social (IAS) informou ontem que o funcionamento das creches subsidiadas de Macau fica suspenso até amanhã. A reabertura será anunciada conforme a evolução da epidemia. O IAS apela ainda “à colaboração das creches privadas no sentido de cumprir a referida medida contra a epidemia”. A Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau também anunciou que os serviços de proximidade foram cancelados até amanhã, assim como as actividades do projecto Be Cool, que incluem aula de dança, desenho, boxe tailandês e karaté. A associação vai, no

entanto, manter o programa de troca de seringas. As visitas a utentes de lares de idosos e em reabilitação vão ficar suspensas até dia 18 de Agosto, informou o IAS, acrescentando que os familiares têm a possibilidade de marcar deslocações em zonas designadas das instalações ou realizar chamadas de vídeo com utentes acamados. Também a educação patriótica foi interrompida, na sequência do surto local que paralisou Macau desde terça-feira à tarde. Assim sendo, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) anunciou ontem o encerramento da Base da Educação do Amor pela Pátria e por Macau para Jovens, do Pavilhão

do Sentimento de Amor pela Pátria. Foram também encerradas as Pousadas de Juventude, Pavilhão de Exposições e Espectáculos Artísticos para Jovens, Pavilhão Desportivo da Escola Luso-Chinesa Técnico-Profissional, salas de estudo e instalações escolares. Em tempos de paralisação, nem as actividades desportivas escapam. O Instituto do Desporto revelou ontem a suspensão dos procedimentos da nova fase (que decorre em Setembro e Ou-

tubro) das classes de recreação e manutenção do “Desporto para Todos”, nomeadamente registo, sorteio e inscrição, que estavam previstos para se realizar entre amanhã e domingo. Por outro lado, o “desporto e saúde posto de atendimento e informação” previsto para 8 e 15 de Agosto, bem como estágios, acções de formação e competições organizadas por associações desportivas serão também suspensas até dia 16 de Agosto. João Luz

PUB.

EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto Local

: 51/E-BC/2021 : 404/BC/2010/F, 406/BC/2010/F, 408/BC/2010/F : Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) : Beco da Pinga n.º 12, Edf. Man Yin, partes do terraço sobrejacentes às fracções 3.º andar A (CRP:A3), 3.º andar B (CRP:B3) e 3.º andar C (CRP:C3), Macau.

Lai Weng Leong, Subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 06/SOTDIR/2020, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 11, II Série, de 11 de Março de 2020, faz saber que ficam notificados os donos das obras ou seus mandatários, bem como os utentes dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Processo n.º 404/BC/2010/F. Local: Beco da Pinga n.º 12, Edf. Man Yin, parte do terraço sobrejacente à fracção 3.º andar A, Macau. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada:

Obra 1.1

Construção de um compartimento com cobertura metálica, chapas metálicas, gaiola metálica e janelas de vidro.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.

2. Processo n.º 406/BC/2010/F. Local: Beco da Pinga n.º 12, Edf. Man Yin, parte do terraço sobrejacente à fracção 3.º andar B, Macau. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada:

Obra

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

2.1

Construção de um compartimento com cobertura metálica, paredes em Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do alvenaria de tijolo e janelas de vidro. caminho de evacuação. 3. Processo n.º 408/BC/2010/F. Local: Beco da Pinga n.º 12, Edf. Man Yin, parte do terraço sobrejacentes à fracção 3.º andar C, Macau. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se aseguinte obra não autorizada: Obra 3.1 Construção de um compartimento com cobertura metálica, paredes em alvenaria de tijolo, janelas de vidro e gaiola metálica.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.

4. Sendo o terraço do edifício considerado caminho de evacuação, deve o mesmo conservar-se permanentemente desobstruído e desimpedido, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas nos pontos 1, 2 e 3 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 5. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de 4 000,00 a 40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. 6. Considerando a matéria referida nos pontos 4 e 5 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 7. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 28 de Julho de 2021 Pela Directora de Serviços O Subdirector Lai Weng Leong


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5.8.2021 quinta-feira

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Surto e castigo Zhangjiajie isolada e funcionários locais punidos

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16.

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 23/P/21 Obra de Renovação de Equipamentos da Sala de Caldeiras do Centro Hospitalar Conde de São Januário Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. Modalidade de concurso: Concurso Público. Local de execução da obra: Centro Hospitalar Conde de São Januário. Objecto da Empreitada: Realização da obra de renovação de equipamentos da Sala de Caldeiras do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Prazo da execução da empreitada: O prazo máximo para a execução da presente empreitada é de 580 (quinhentos e oitenta) dias (incluindo o prazo da entrega de equipamentos, da instalação e de execução da obra). Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de 90 dias (noventa dias), a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: A empreitada é por série de preços. Caução provisória: $ 599 960,00 (quinhentas e noventa e nove mil e novecentas e sessenta patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução, aprovada nos termos legais. Caução definitiva: 5% (cinco por cento) do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% (cinco por cento) para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço Base: Não há. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição ou renovação, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição ou renovação. As pessoas, singulares ou colectivas, por si ou sob forma de consórcio, só podem submeter uma única proposta. As sociedades e as suas filiações são consideradas como sendo uma única entidade, devendo submeter apenas uma única proposta, por si ou sob forma de consórcio com outras pessoas. As pessoas singulares ou colectivas que participam no consórcio, devem ter no máximo até três (3) membros, não sendo necessário existir entre os membros qualquer modalidade jurídica de associação. As entidades que participam no consórcio não podem apresentar outra proposta em nome individual ou participar noutro consórcio. Se for adjudicado, a pessoas singulares ou colectivas que participam no consórcio, antes da assinatura do contrato de adjudicação, são obrigados a proceder às formalidades, em modalidade de consórcio externo, nos termos das disposições referidas no Livro III do Código Comercial aprovado pelo Decreto-Lei n.º 40/99/M, de 3 de Agosto. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Dia e hora limite: Dia 20 de Setembro de 2021 (segunda-feira), até às 17,45 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para a entrega de propostas, serão adiadas para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. Local, dia e hora do acto público: Local: Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C - «Sala de Reunião». Dia e hora: Dia 21 de Setembro de 2021 (terça-feira), às 10,00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas do concurso público, serão adiadas para a mesma hora do dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Visita às instalações: Os concorrentes deverão comparecer no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 9 de Agosto de 2021 (segunda-feira), às 15,00 horas, para visita ao local da obra a que se destina o objecto deste concurso. Local, hora e preço para consulta do processo e obtenção da cópia: Local: Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. Hora: Horário de expediente (das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas). Preço: $403.00 (quatrocentas e três patacas), local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: Item

Factores de avaliação das propostas

Proporção

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A1 Preço de obra de sistema de abastecimento de combustível e obra do sistema de caldeiras (35%) A2 Preço de obras, tais como, de estrutura, de construção e decoração, do sistema de electricidade, do sistema de ar-condicionado e ventilação, do sistema de abastecimento e drenagem de água e do sistema de contra o incêndio (5%). A3 Os custos dos serviços de tipo D da manutenção e reparação dos sistemas de caldeiras e o sistema de abastecimento de combustível, pelo período de 10 anos (5%) Funções de equipamentos e sistemas e avaliação completa (sistema de caldeira e sistema de abastecimento de combustível) B1 Funções de equipamentos e sistema (15%) B2 Avaliação completa do sistema de caldeira B2-1 Prazo de vida útil do sistema de caldeira (1%) B2-2 Quantidade de vendas de sistema de caldeira (3%) B2-3 Operacionalidade do sistema de caldeira (2%) Qualidade dos materiais usados nas obras Experiência D1 Experiência na obra de instalação de sistema de caldeira (6%) D2 Experiência em serviços de manutenção do sistema de caldeira (2%)

45%

21%

2%

F

Estado de alerta

A

S autoridades chinesas colocaram a cidade turística de Zhangjiajie sob isolamento, e puniram os funcionários locais, numa altura em que o país enfrenta o pior surto desde o início da pandemia de covid-19, há um ano e meio. Situada na província de Hubei, a cidade de Zhangjiajie fica perto de uma paisagem pitoresca, famosa pelos penhascos de arenito, cavernas, florestas e cachoeiras que inspiraram a paisagem do filme Avatar. As autoridades da cidade ordenaram que as comunidades residenciais locais fossem fechadas no domingo, interditando a saída de casa das pessoas. Num despacho emitido na terça-feira, os responsá-

veis disseram que ninguém, turistas ou residentes, pode deixar a cidade. O órgão de disciplina do Partido Comunista divulgou também ontem uma lista de autoridades locais que tiveram “impacto negativo” na prevenção da pandemia e no trabalho de controlo, para que sejam punidos. A própria cidade registou apenas 19 casos de contágio pelo coronavírus respon-

Num despacho emitido na terça-feira, os responsáveis disseram que ninguém, turistas ou residentes, pode deixar a cidade

Desde que o surto inicial foi dominado, no ano passado, a população da China viveu praticamente livre do novo coronavírus, com controlos de fronteira extremamente rígidos e medidas locais de distanciamento e quarentena, que permitiram eliminar pequenos surtos esparsos. O país voltou agora a entrar em alerta máximo, pois um grupo de casos relacionados com o Aeroporto Internacional na cidade de Nanjing, no leste do país, atingiu pelo menos 17 províncias. A China relatou 71 novos casos por transmissão local nas últimas 24 horas, mais da metade na província costeira de Jiangsu, da qual Nanjing é a capital. Yangzhou, cidade próxima a Nanjing, registou 126 casos até terça-feira. Em Wuhan, a cidade central onde os primeiros casos de covid-19 foram identificados no final de 2019, testes em massa mostraram que alguns dos novos casos relatados são semelhantes aos casos descobertos na província de Jiangsu. Estes casos pertencem à variante Delta, altamente transmissível, e que foi identificada pela primeira vez na Índia.

12%

CHINA E ASEAN CRIAR NOVA ERA DE COOPERAÇÃO

D3 Experiência em execução das obras do pessoal principal de engenharia(4%)

E

sável pela doença, desde a semana passada. No entanto, casos individuais ligados ao surto de Zhangjiajie alastraram-se por pelo menos cinco províncias, de acordo com o jornal oficial The Paper.

Plano de trabalhos E1 Programa de execução da obra de instalações temporárias E1-1 Memória descritiva de execução da obra de instalações temporárias (2%) E1-2 Plano de “layout” de execução da obra de instalações temporárias (2%) E1-3 Diagrama do sistema de instalações temporárias (2%) E2 Programa geral de execução das obras E2-1 Visão geral da obra (2%) E2-2 Pontos-chave e dificuldades de execução da obra (2%) E2-2 Plano de“layout” de execução da obra (2%) E3 Programa de execução de trabalhos da empreitada e do programa de recursos investidos E3-1 Programa de execução de trabalhos da empreitada recorre à expressão de um diagrama de barras (2%) E3-2 Recursos humanos e equipamentos utilizados e cooperação em cada período (2%) E3-2 Medidas de garantia de progresso nas diferentes áreas de especialidades e medidas de coordenação mútua e gestão. (2%) Prazo global de execução da obra

E 18%

2%

17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, a partir de 4 de Agosto de 2021 (quarta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, a fim de tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Serviços de Saúde, aos 29 de Julho de 2021. O Director dos Serviços de Saúde Lo Iek Long

STE ano assinala-se o 30.º aniversário do estabelecimento das relações de diálogo entre a China e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), e as duas partes devem trabalhar juntas para abrir uma nova era de cooperação, disse esta terça-feira o conselheiro de Estado e ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. Wang prestou estas declarações durante uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros China-ASEAN através de videoconferência. A ASEAN desfruta de uma posição prioritária dentro da diplomacia de boa vizinhança da China, disse Wang, acrescentando que foram obtidos novos e importantes

progressos na cooperação amistosa entre ambas as partes. Ao assinalar que a China considera a ASEAN o seu principal parceiro na luta contra a covid-19, Wang disse que a China proporcionou até agora mais de 190 milhões de doses de vacina contra a covid-19 aos dez países da ASEAN, além de outros suprimentos contra a doença. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da ASEAN disseram que a China é uma força racional, sábia e confiável, e que não teme nenhuma potência enquanto procura proteger a equidade e a justiça internacionais, acrescentando que o desenvolvimento da China gerará novas e maiores oportunidades para todos os países da ASEAN.


quinta-feira 5.8.2021

diário de próspero

ANTÓNIO CABRITA

Quando tive de ir para o hospital consegui levar alguns livros (bom, escolhas que tinha de fazer de modo sonâmbulo, febril, e em cinco minutos). Peguei ainda no tomo completo do Herberto Helder mas folheei cinco páginas e esbarrei em palavras abstractamente líricas, vazias, uma luxúria que vem do raciocínio, como uma máquina, que produz ideias ou metáforas segregadas por outras ideias e que, por terem abandonado o contacto com a vida nua, resistiam agora menos à violência, à prova do cateter. A poesia tem de voltar a uma dimensão humana, de superar a prova do cateter (esse embate com a dor e a violenta drenagem de fluidos num vaso sanguíneo), ter o seu quê de mancha humana e de grito. Quantos poetas chegarão lá acima para a pergunta fatal do S. Pedro: eh tu onde meteste as tuas tripas? Estou a ser injusto com o velho vate e aliás ao contrário de muitos adorei os seus últimos livros porque precisamente havia aí uma nova porosidade com a vida que prescindia de volutas e da gratituidade do engenho para ir direito ao osso, à humílima presença do ar que se partilha. Mas, pelo meio, a provação da doença destapara os brilhos de alguma talha dourada naquele húmus, algum apego ao adorno. Embora não esqueça que quanto mais uma coisa tem profundidade mais deva ser refinado o espírito que a pode entender. E havia o problema do peso. Com quantos tomos completos me deixariam entrar no isolamento? Mais tarde, já no hospital, optei por baixar na net uma antologia de Gullar. E logo ao quarto poema apanhei, AS PERAS: «As peras, no prato,/ apodrecem./ O relógio, sobre elas,/ mede/ a sua morte?/ Paremos a pêndula. Deteríamos,/ assim, a/ morte das frutas?/ Oh as peras cansaramse/ de suas formas e de/ sua doçura! As peras,/ concluídas, gastam-se no/ fulgor de estarem prontas/ para nada./ O relógio/ não mede. Trabalha/ no vazio: sua voz desliza/ fora dos corpos./ Tudo é o cansaço/ de si. As peras se consomem/ no seu doirado/ sossego./ As flores, no canteiro/ diário, ardem,/ ardem, em

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Posturas

vermelhos e azuis. Tudo/ desliza e está só.(...)», um poema magnífico, que naquela cama abismada pela espectralidade dos sudários, me levava a identificar-me com as peras, com a fugacidade que lhes dá e rouba a doçura e com essa voz que desliza para fora dos eixos do tempo. Li entretanto, outras coisas com alguma densidade paliativa, que me desviaram de pensamentos tétricos, “A Tempestade”, de Vladimir Sorokin, que à partida me parecia e se confirmou como um pastiche do romance russo do século XIX mas que vai enlouquecendo à medida que progride e o absurdo se torna toda a medida, e o esplêndido segundo tomo da biografia de Doris Lessing, “Andando na Sombra”, que não deixa nada em pé dos mitos do século xx (da derrocada dos mitos políticos da esquerda, à figura do escritor como pêndulo de certos

valores, em retratos onde esta pose é esgarçada pelas garras da autocondescendência, do paradoxo quanto à frequência com que se encontram em desacordo com a sua consciência, ou a da inveja) mas é de uma coragem na exposição da intimidade e duma honestidade que retempera e recupera, ainda que sob a sombra perpéta da possibilidade do erro, uma certa força moral. E reli sobretudo um ensaio com um prazer redobrado: “Experience Esthetique et Spirituelle chez Henri Michaux /la quete d'un savoir et d'une posture”, de Claude Fintz. É um livro que me é vital pois separa o trigo do joio e aqui é menos a estética do que o espiritualidade que me interessa, nessa vertente heterodoxa mas tão sériamente vivida por Michaux e onde também sinto ser o meu sulco não falo dos conseguimentos mas

PORTANTO, NAQUELE UMBRAL EM QUE ME ENCONTRAVA CONFIRMEI AS MINHAS CONVICÇÕES: MERDA PARA O CINISMO, PARA O REALISMO, PARA O NIILISMO. NÓS SOMOS MELHORES DO QUE ISSO - É O QUE VOS DIGO

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do lugar onde me posiciono -, tal como na Catalunha o sinto na obra de Chantal Maillard, que já traduzi e espero vir a apresentar com outro fôlego. Transcrevo dois excertos do Fintz, onde me sinto totalmente identificado: «Escrever permite, a um tempo, mudar-se a si mesmo, apaziguar as desordens individuais, mas também mudar o mundo e regular-lhe o mal. Michaux sonha com uma escritura sem traço, transfigurada em força radiosa. Ele crê na eficácia mágica duma escrita que desembocará no bem e cuja "crueldade" se metamorfosearia em poder de cura». A segunda: «A escritura em Michaux é explicitamente pensada como empreitada de conhecimento de si (...) a escritura é certamente espelho das inquietações, esperanças, hesitações, impasses da via experimental, mas ela é em si mesmo o caminho perdido e reencontrado de si; ela permite "percorrer-se" sobre diferentes modos - compreendendo-se aí o ficcional e o imaginário - mas ela é em última instância una ascese que leva à maturação, quase à mutação interior». Portanto, naquele umbral em que me encontrava confirmei as minhas convicções: merda para o cinismo, para o realismo, para o niilismo. Nós somos melhores do que isso - é o que vos digo. E para alguém como eu, a quem interessa mais a espiritualidade do que a infusão num Deus nomeável, não deixo de encontrar sentido na questão levantada por Karlfried Durckheim: «Vocês serão melhores pintores, sapateiros ou carpinteiros, se sentirem que a vossa responsabilidade é para com Deus e não somente para com o vosso cliente.» Sim, é preciso que a sensibilidade da poesia testemunhe o seu tempo (é o fragor existencial de que não devemos abdicar) e ao mesmo tempo, numa dobra, como algo que difere ou se bifurca, desperte uma instância “anónima” e mais profunda, enraizada num outro plano onde o pequeno ego se reconcilia e dissolve – é isso que nos mede e reconstitui. É também o que nos dá uma dimensão crítica, um sentido da proporcionalidade dos valores que emudece o encantamento das sereias.


5 1 0 7 3 9 4 2 8 6 2 8 4 1 6 0 5 9 7 3 6 3 9 0 8 2 7 5 4 1 www.hojemacau.com.mo 10 5.8.2021 quinta-feira 7 9[f]6utilidades 8 1 3 2 4 5 0 8 7 3 9 4 5 6 1 0 2 4 0 5 3 2 6 1 8 9 7 0 2 1 4 7 8 9 3 6 5 3 4 7 5 9 1 0 6 2 8 TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADAS MIN 25 MAX 32 HUM 65-98% • EURO 9.52 BAHT 0.24 YUAN 1.23 ´ 1 5 2 6 0 4 8 7 3 9 9 6 8 2 5 7 3 0 1 4

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 24

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PROBLEMA 25

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“UM ELÉCTRICO CHAMADO DESEJO” I ELIA KAZAN

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A adaptação para grande ecrã da peça de Tennessee Williams “Um eléctrico chamado desejo” é filme intemporal, transportado até à eternidade pela tensão entre as três personagens principais: a professora e viúva de meia-idade Blanche DuBois, brilhantemente interpretada por Vivien Leigh, e o jovem casal Stella DuBois e Stanley Kowalski, personagem que para sempre ficará com a cara e voz de Marlon Brando. O clássico que chegou ao cinema em 1951 confronta as boas-maneiras conservadores, levadas ao limite pela depressão e alcoolismo de Blanche, e a brutalidade apaixonada de Stanley e Stella. “Don’t ever leave me, baby” é uma frase que nunca fez tanto sentido quando dita por Brando. Imortal. João Luz

0 4 5 7 8 6 9 1 3 8 4 3 9 6 5 2 9 8 4 1 8 7 6 Propriedade 8 1 Fábrica3de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Salomé Fernandes Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel 8 0 Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Cameira; Gonçalo M.Tavares; www. Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo 5 2 Rasquinho; 6 0 Paul Chan 9 Wai1 Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; hojemacau. Xinhua Secretária 1 de 4 redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia com.mo8 3 Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo 7 8 2 4 9 0 30

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a propósito de

opinião 11

Olavo Rasquinho*

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS (COP26) SOB O LEMA “Unindo o Mundo para Enfrentar as Alterações Climáticas”, sob a presidência do Reino Unido e em parceria com a Itália, irá realizar-se em Glasgow entre 31 de outubro e 12 de novembro de 2021 a 26ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (26th Conference of the Parties of the United Nations Framework Convention on Climate Change - UNFCCC). Os grandes objetivos da COP26, que se realiza com um ano de atraso devido à pandemia Covid-19, consistem em (1) garantir que a neutralidade carbónica seja atingida até 2050 e que o aumento da temperatura não ultrapasse 1,5 graus Celsius; (2) proteger as comunidades e os habitats naturais; (3) mobilizar meios financeiros necessários para o cumprimento dos dois primeiros objetivos; (4) no trabalho de todas as partes interessadas em estreita colaboração. Além destes objetivos pretende-se também completar o livro de regras (Paris Rulebook) em que se estabelecem as diretrizes de funcionamento, na prática, do Acordo de Paris. Para a concretização dos objetivos, os decisores políticos serão convidados a tomar medidas necessárias à eliminação do uso do carvão, reduzir o desmatamento, incrementar o uso de veículos elétricos e incentivar o investimento em energias renováveis.

O primeiro ministro do Reino Unido, Boris Johnson, numa declaração por ele assinada, resume da seguinte forma o princípio básico em que deve assentar esta conferência: “Garantir um futuro melhor para nossos filhos e gerações futuras exige que os países tomem medidas urgentes no próprio país e no exterior a fim de reverter a tendência das alterações climáticas. À medida que nos aproximamos da crucial Conferência COP26, no Reino Unido, é com ambição, coragem e colaboração, que devemos aproveitar conjuntamente este momento, de modo a que possamos restaurar o nosso planeta, tornando-o mais limpo e mais verde”. Esta declaração, politicamente correta, contradiz a atitude que o atual primeiro ministro do RU tem demonstrado em relação

à crise climática. A sua forma de encarar as alterações climáticas, como, aliás, outras áreas, tem sido ziguezagueante. Chegou a escrever artigos que refletiam o seu ceticismo sobre este assunto e, quando membro do parlamento, votou contra a captura e armazenamento de CO2 e a favor da tributação em projetos de energia renovável. Seja ou não sincero na sua posição atual, o certo é que o RU se disponibilizou para acolher a próxima Conferência das Partes. O mesmo não aconteceu com o Brasil no que se refere à COP anterior. Este país, que se havia oferecido como anfitrião da COP25, deu o dito por não dito sob a presidência de Bolsonaro. Em novembro de 2018 foi anunciada a quebra deste compromisso, sob o pretexto de restrições orçamentais e a transição entre governos. Perante esta recusa, o Chile ofereceu-se então como anfitrião, no entanto, devido à agitação social que antecedeu a data prevista para a cimeira, a COP25 acabou por se realizar em Madrid, de 2 a 13 de dezembro de 2019, por acordo mútuo entre o Chile, Espanha e a ONU. A UNFCCC, que entrou em vigor em 1994, foi assinada por 198 países que se juntaram no sentido de se estabelecerem objetivos genéricos tendo em vista enfrentar as alterações climáticas. É um dos três tratados internacionais adotados na Cimeira da Terra do Rio, que se realizou no Rio de Janeiro em 1992. Os outros dois, a Convenção Sobre a Biodiversidade e a Convenção de Combate à Desertificação, estão também intimamente ligados à crise climática. A COP26, em que participarão chefes de estado, cientistas, organizações internacionais, ONGs e outras entidades privadas, é a cimeira mais importante deste tipo desde a COP21, em 2015, quando quase 200 países chegaram ao histórico Acordo de Paris. O Papa Francisco, que considera as alterações climáticas “um dos fenómenos mais graves e preocupantes de nosso tempo”, anunciou a sua intenção de participar na cimeira. Sejam quais forem as recomendações, conclusões e compromissos que serão acordados na COP26, não será fácil pô-los em prática, na medida em que a produção de energia com recurso a combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), principal causa da injeção de gases de efeito de estufa (GEE) na atmosfera, dificilmente será substituída por processos limpos, nomeadamente com recurso ao vento, sol, geotermia, recursos hídricos, hidrogénio e fusão nuclear. Atualmente, quase 30 anos depois da entrada em vigor da UNFCCC (1994),

O Papa Francisco manifestou a intenção de participar na COP26

16 anos depois da ratificação do Protocolo de Quioto (2005) e da realização de 25 COPs , cerca de 84% da energia à escala global ainda é produzida com recurso a combustíveis fósseis. Apenas cerca de 11% da energia é de origem renovável. No que se refere à energia nuclear, que contribui com cerca de 4% para o total da energia produzida globalmente, deve-se considerar não-renovável, na medida em que o urânio não é abundante na natureza. No futuro poder-se-á classificar a energia nuclear como renovável quando se recorrer à fusão nuclear, cuja matéria prima, o hidrogénio, existe abundantemente. A China é um dos países onde se procede experimentalmente à fusão nuclear de núcleos de isótopos de hidrogénio através do Experimental Advanced Superconducting Tokamak (EAST), a cargo do Institute of Plasma Physics of the Chinese Academy of Sciences (ASIPP), em Hefei, no vale do rio Yangtzé, onde se consegue confinar plasmas a temperaturas elevadíssimas, com recurso a potentes ímanes que geram campos magnéticos muito intensos. Recentemente, segundo órgãos estatais chineses, conseguiu-se atingir, no ASIPP, cerca de 120 milhões de graus Celsius durante 101 segundos, tendo-se atingido um pico de 160 milhões de graus, durante 20 segundos. A fusão nuclear, que acontece naturalmente no sol e nas estrelas, dá-se quando dois núcleos de elementos leves se fundem para formar um núcleo mais pesado, gerando-se grande quantidade de energia. Fundindo dois núcleos de isótopos de hidrogénio, o deutério e o trítio, obtém-se um núcleo de hélio, sendo a massa deste menor que a soma das massas dos núcleos que lhes deram origem. Parte da massa dos dois núcleos iniciais transforma-se em energia, de acordo com a célebre equação de Einstein E = m.c2 (a energia gerada é igual ao produto da massa transformada pelo quadrado da velocidade da luz). Apesar de até hoje não ser possível proceder à fusão nuclear de forma que a energia produzida possa ser controlada e usada para

fins pacíficos, já se recorreu experimentalmente a este processo para fins bélicos, com o fabrico das chamadas bombas termonucleares ou bombas de hidrogénio. Os EUA fizeram explodir uma bomba deste tipo em 1952, e a ex-URSS em 1961. A fusão nuclear será muito provavelmente discutida na COP26, assim como a parceria de 35 membros (entre os quais União Europeia, Índia, China, Japão, Coreia do Sul, Rússia e EUA), que procede atualmente, em regime experimental, a experiências de produção de energia a partir de isótopos de hidrogénio, através do International Thermonuclear Experimental Reactor (ITER), instalado no sul de França. Apesar de todos os investimentos em energias renováveis, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera não diminuiu. Antes pelo contrário, aumentou significativamente. Estima-se que no início da era industrial a concentração era de cerca de 280 partes por milhão (ppm). De acordo com dados do observatório de Mauna Loa, no Hawaii, onde se encontra a estação que há mais tempo monitoriza a concentração deste gás, esta, em 6 de julho de 2021 era de 418,94 ppm.

Evolução da concentração de CO2 - Observatório de Mauna Loa, no Hawaii

Embora haja nitidamente discrepâncias entre as intenções manifestadas por muitos decisores políticos e as suas atitudes na prática, é de esperar que a opinião pública continue a pressionar os governantes no sentido da concretização do Acordo de Paris. A COP26 pode contribuir para esse efeito. Caso contrário, as novas gerações terão razão em nos acusar pelo estado em que lhes legaremos o planeta que habitamos. Como diria Ban Ki-moon, não há planeta B. *Meteorologista. O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico


“Quem conhece os outros é sábio; Quem se conhece a si mesmo é iluminado.” PALAVRA DO DIA

Lao-Tsé

quinta-feira

5.8.2021 episódio 51

MIGRAÇÃO PEDIDA “PONDERAÇÃO” PARA FILHOS DE TNR NASCIDOS EM MACAU

A

3.ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) exige ao Governo “suficiente ponderação e cuidado” no que diz respeito ao caso dos bebés de trabalhadores não residentes (TNR) nascidos em Macau. Este alerta consta no parecer relativo à análise na especialidade do novo regime jurídico do controlo de migração e das autorizações de permanência e residência na RAEM. A nova lei, que revoga e substitui o actual diploma, de 2003, determina que, aquando do nascimento da criança, os pais devem apresentar o passaporte ou “outro documento de viagem” junto do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP). No entanto, a comissão entende que “este novo regime poderá ter grande relevância prática, devendo haver suficiente ponderação e cuidado com estas situações”. No entender de deputados e juristas, deve “procurar assegurar-se que os menores recém-nascidos possam ser autorizados a permanecer na RAEM com os seus progenitores, em benefício dos próprios menores recém-nascidos e também da unidade familiar”. O mesmo parecer dá ainda conta que “não parece ter sido feita uma consulta [para] ouvir a opinião do Conselho dos Magistrados Judiciais, Conselho

TIAGO ALCÂNTARA

Uma questão maior dos Magistrados do Ministério Público (MP) e da Associação dos Advogados de Macau”. Pode ler-se que “apesar de não parecer ser legalmente obrigatório, há vários aspectos ao longo da proposta de lei que terão impacto em aspectos do processo administrativo, da intervenção do MP e do funcionamento dos tribunais, onde seria sempre recomendável ouvir estas entidades”. A comissão “espera que nenhum destes aspectos, com um potencial impacto sobre o MP ou o funcionamento dos

tribunais, tenha uma grande relevância prática e que não haja dificuldades de maior na aplicação da proposta de lei nesta matéria”, acrescenta-se.

Possível suspensão

Um dos exemplos apresentados no parecer diz respeito aos processos de autorização de residência ainda pendentes nos tribunais, colocando-se a possibilidade de “uma eventual modificação e extinção da instância”. Neste sentido, prevê-se que a Administração, “por ser tipicamente a ‘entidade recor-

“Este novo regime poderá ter grande relevância prática, devendo haver suficiente ponderação e cuidado com estas situações.”

rida’ no recurso contencioso de anulação de acto administrativo”, deve “comunicar ao tribunal quando ocorra uma decisão de reapreciação num processo administrativo relativo a uma autorização de residência.” A comissão frisou ainda os processos “que estejam em fase adiantada de resolução”. “Nestes casos, havendo um acordo entre as partes, poderá ser oportuno proceder à suspensão da instância para se aguardar pela regular conclusão do procedimento administrativo de reapreciação”, mesmo que a proposta de lei não preveja que “as partes possam requerer a suspensão da instância”. Além disso, o próprio tribunal “pode considerar que está perante um motivo justificado para ordenar” essa suspensão. Andreia Sofia Silva

PARECER DA 3.ª COMISSÃO DA AL

BANCA DEPÓSITOS CAÍRAM MAIS DE 8 MIL MILHÕES NUM MÊS

E

PUB PUB.

NTRE Maio e Junho os depósitos dos residentes nos bancos de Macau registaram uma quebra superior a 8 mil milhões de patacas, de acordo com os dados da Autoridades Monetária de Macau (AMCM). No final de Maio, os residentes tinham 683,8 mil milhões em depósitos nas diferentes moedas, mas no fim de Junho o

montante tinha caído para 675,7 mil milhões de patacas. A redução foi principalmente causada pela tendência dos depósitos em dólares norte-americanos. Em Maio, os residentes tinham depositados em dólares americanos o equivalente a 55,3 mil milhões de patacas, mas o montante foi reduzido para o equivalente a 52 mil milhões de

patacas, no final de Junho. Também os depósitos em patacas caíram de 226,6 mil milhões para 224,1 mil milhões de patacas, assim como os depósitos de Hong Kong, do equivalente a 351,7 mil milhões de patacas para o equivalente a 348,7 mil milhões de patacas. Quando a comparação é feita com o período homólogo, ou

seja Junho de 2020, a redução é mais acentuada. No espaço de um ano, os depósitos dos residentes registaram uma quebra de 2,6 por cento de 683,8 mil milhões para 675,7 mil milhões. Quanto aos depósitos dos não-residentes houve um aumento de 2,4 por cento de 351,4 mil milhões de patacas para 359,9 mil milhões de patacas.

O Jogo das Escondidas um folhetim por Fernando

O

Sobral

UVIU a voz de Benedito: - Foi em Singapura que tive a oportunidade de ler, pela primeira vez, os livros de Homero, a “Odisseia” e a “Ilíada”. Identifiquei-me com Ulisses, não sei porquê. Talvez pelas duas fases da vida que ali são retratadas. Fazem sentido para mim. Sabes, quando penso nos espiões lembro-me de um episódio que é contado nesses livros. É uma lição de vida. Nele, Ulisses encontra um espião troiano, Dólon, que ia espiar os gregos. Convence-o que a sua vida pode ser poupada se cooperar e revelar tudo o que sabe sobre as tropas troianas. Quando as dá, Diomedes diz que tem de matar Dólon. Porque se o libertar ele regressará, ou para espiar os gregos ou para os combater. Dólon pede clemência, mas a espada de Diomedes mata-o. Benedito susteve a respiração, antes de continuar: - Que lição podemos tirar daqui, meu caro tenente? Não podemos confiar em ninguém. Nem nos que nos prometem o que quer que seja. E na espionagem há sempre a hipótese de não escaparmos com vida. - Eu sei, padre. O fundamental de qualquer actividade clandestina é poder escapar ao olhar alheio. E eu isso não consegui fazer. - Aprendi uma coisa com um agente meu. Um chinês do interior. Dizia-me ele que quando um espião deixa de saber qual o seu caminho no meio da escuridão, deve sentar-se, observar o céu e ver as estrelas entre as nuvens. Talvez seja agora uma boa lição. Para ti e para mim. - Sim, essa talvez seja a melhor estratégia. E também, como me ensinou Ding Ling, converter-me no inimigo. Colocar-me no lugar de quem me pode fazer mal e sondar o seu coração e as suas razões. Preciso de conhecer as suas ambições e intenções. E então saberei quem me quis matar. - Sim mas tens de ter muito cuidado. Eles estão dispostos a calar-te. Quando se caminha de noite por caminhos iluminados pela lua, deve utilizar-se as zonas de sombra. Continuaram a falar, enquanto não muito longe dali, a batalha fora rápida. Bei Li desviou o olhar dos corpos estropiados por balas e facadas e que estavam caídos no chão. Eram quase todos homens de Fu Xian, mas este não se contava entre os mortos. Tinha conseguido fugir. (continua)


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Hoje Macau 05 AGOSTO 2021 #4825 by Jornal Hoje Macau - Issuu